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Bairros - edição fevereiro

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Um novo olhar sobre os bairros

Trânsito travado ameaça futuro

Com quase 100 mil habitantes e em constante crescimento, Lajeado vive momento decisivo. Com problemas no campo da mobilidade urbana, sobretudo no trânsito, município planeja ações e intervenções para minimizar transtornos a curto prazo e

MATEUS SOUZA

Desafi os à mobilidade

Lajeado cresce de forma acelerada. E vemos o fluxo de veículos aumentar cada vez mais nas principais vias.

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melhorar o direito de ir e vir das pessoas no médio e longo prazo. Algumas dessas iniciativas devem sair do papel, enquanto outras ainda estão no campo dos projetos. Debate apontou soluções e erros do passado que afetam o presente.

AÇÕES NECESSÁRIAS

Alargamentos viram alternativa a gargalos

Município avança em estudos para ampliar avenidas como Benjamin Constant e Senador Alberto Pasqualini, consideradas estratégicas para melhorar a fluidez e acompanhar o cres-

cimento urbano. Pedro Theobaldo Breidenbach também deve passar por melhorias. Há vias, no entanto, que permanecem com a mesma configuração há anos.

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PÁGINAS 5, 6 E 7

CUIDADOS NAS RUAS Crescem queixas sobre as calçadas

Desníveis, falta de acessibilidade e vegetação alta são alguns dos problemas apontados por pedestres que circulam pela cidade. Solução é considerada complexa.

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Mobilidade como pacto coletivo

Odebate do projeto Lajeado – Um novo olhar sobre os Bairros deixou uma constatação inequívoca: a mobilidade urbana tornouse o principal termômetro da qualidade de vida no município. O crescimento acelerado, a verticalização e a consolidação de Lajeado como polo regional impuseram uma pressão inédita sobre a malha viária. E a cidade já sente os limites de um planejamento que, por anos, correu atrás da demanda.

A discussão evidenciou dois tempos distintos. De um lado, a urgência cotidiana dos moradores, que enfrentam congestionamentos, insegurança em cruzamentos e dificuldades de conexão entre bairros. De outro, o tempo técnico e orçamentário do Poder Público, que exige projetos, licenças e recursos para viabilizar obras estruturantes.

As intervenções em vias como a Benjamin Constant, os planos de novas ligações sobre a ERS130 e a BR-386, a construção de pontes e a consolidação de um anel viário indicam que há uma agenda clara em curso. Mas também revelam que a solução não virá de uma única obra, e sim de um conjunto articulado de ações. Mobilidade não é apenas trânsito. É desenvolvimento econômico, é segurança, é integração urbana. Mais do que ampliar ruas, Lajeado precisa consolidar uma cultura de planejamento permanente, capaz de antecipar fluxos e equilibrar crescimento com infraestrutura. O desafio está posto. Transformá-lo em legado dependerá de continuidade administrativa e de um pacto coletivo em torno do futuro da cidade.

mateus@grupoahora.net.br

Como evitar o colapso?

Não é exagero. Talvez possa parecer um pouco pessimista, mas o trânsito da cidade mais populosa da região está perto de colapsar. Pelo menos nas principais vias e avenidas, nos horários de maior movimento. Benjamin Constant, Alberto Pasqualini e até a Carlos Spohr Filho enfrentam problemas em diversos pontos, sendo um desafio diário a motoristas. O crescimento acelerado

de Lajeado nos últimos anos reforçou a máxima de que é preciso planejar com responsabilidade. Muitos investimentos e ações necessárias no campo da mobilidade urbana foram, por décadas, postergados e negligenciados. A infraestrutura viária, em geral, não acompanhou essa expansão. E o reflexo vemos diariamente. Quando estamos ao volante, sendo passageiros no transporte coletivo ou

por aplicativo, ou mesmo na condição de pedestres. Planejamento a médio e longo prazo é fundamental para evitarmos um gargalo ainda maior nas ruas. Intervenções a curto prazo podem minimizar problemas atuais e também são importantes. Já vemos alguns movimentos por parte do Executivo. Que seja um olhar permanente. Afinal, falamos de uma cidade que beira os 100 mil habitantes.

Rodovias e as futuras ligações

Lajeado tem uma localização privilegiada. E faz parte de uma minoria gaúcha que conta com bons quilômetros duplicados de rodovias. O trecho urbano da BR-386 agora tem 100% de pista dupla. E, futuramente, os trechos da RSC-453 e ERS-130 também serão ampliados, caso a concessão do bloco 2 avance neste semestre, apesar do adiamento do leilão por parte do governador do RS. É uma oportunidade ímpar para garantir uma integração ainda melhor e mais segura entre os bairros, com viadutos, elevadas e passarelas, entre outros dispositivos. A população, no entanto, precisa compreender a transformação. Ou seja, muitos acessos tradicionais – e parte deles, por sinal, precários – deixarão de existir.

Atenção aos meios alternativos

Mobilidade não é apenas trânsito. É desenvolvimento econômico, é segurança, é integração urbana”

Falamos muito sobre trânsito, e quase sempre nos atemos aos problemas relacionados ao excesso de carros nas ruas e do subaproveitamento do transporte coletivo urbano. Esse debate – que é relevante – precisa vir acompanhado também de outra discussão: incentivo aos meios alternativos de locomoção. As ciclovias são uma realidade em diversos países do mundo, com amplos trajetos consolidados. No Brasil, ainda patinamos no tema. E a realidade de Lajeado não é muito diferente. Hoje, são pouquíssimos espaços voltados exclusivamente para ciclistas. A sensação é de que estagnamos.

TEXTOS Andréia Rabaiolli, Fabiano Lautenschläger, Maira Schneider e Mateus Souza
Felipe Neitzke e Mateus Souza
Grafica Uma/ junto à Zero Hora

Sinal Verde avança no São Cristóvão e mira corredor estruturante

Trecho já opera no sentido Bairro-Centro e próxima etapa prevê obras na Pasqualini para consolidar o novo eixo comercial da cidade

Oprojeto Sinal Verde, nome oficial da sincronização semafórica implantada em Lajeado, já apresenta resultados no São Cristóvão, bairro que concentra parte crescente do fluxo urbano e consolida-se como segundo polo comercial do município. Atualmente, o trecho entre a BR-386 e a região da Acil opera com sincronização no sentido Bairro-Centro, utilizando as avenidas Senador Alberto Pasqualini e Benjamin Constant como eixo contínuo. Segundo o secretário de Planejamento, Alex Schmitt, o trajeto pode ser percorrido em cerca de três minutos e meio quando respeitada a velocidade média programada de 45 km/h. “Se andar acima disso, vai pegar sinal fechado. O sistema é pensado para dar fluidez com segurança”, explica. A proposta combina mobilidade e redução de acidentes, especialmente em cruzamentos semaforizados.

“A maioria das colisões acontece em sinaleiras. Se ninguém passar no vermelho, não tem acidente”, resume o secretário.

Obras estruturais

nas ruas, as mudanças ainda são percebidas com cautela. O entregador Alexandre de Jesus Schmidt, que circula pelo bairro ao longo do dia, afirma que no sentido Bairro-Centro houve melhora pontual, mas ainda não suficiente para transformar completamente o fluxo.

“Não vi tanta mudança ainda”, relata. Ele avalia que as intervenções ajudam, mas que o crescimento da frota pressiona a estrutura viária. “A cidade não está comportando tantos veículos.

As mudanças ajudam, mas as ruas foram pouco planejadas lá atrás.”

Apesar do avanço, o sistema ainda não está completo. A próxima etapa envolve o sentido Centro-Bairro e depende de intervenções físicas na Pasqualini. Entre as ações previstas estão a transposição da rede elétrica do canteiro central para a lateral da via, a retirada parcial do canteiro, a criação de conversões livres à direita e a substituição de conversões à esquerda por retornos quadra adiante. O acesso à avenida Piraí é um dos pontos estratégicos. A proposta é permitir entrada livre à direita, reduzindo o tempo de espera em cruzamentos que hoje operam em quatro tempos. O investimento estimado para essa etapa gira em torno de R$ 1 milhão.

Quem vive o trânsito

Para quem trabalha diariamente

Segundo ele, o tempo médio de deslocamento pela Pasqualini, do São Cristóvão até a região central, varia bastante conforme a sincronização dos sinais. “De moto, se pegar os semáforos abertos, dá um minuto, dois no máximo. Mas depende muito do horário.”

Transformação

O avanço do fluxo acompanha a consolidação do São Cristóvão como novo eixo comercial. O empresário Talison Corso Gregory afirma que a mudança para o bairro trouxe resultado positivo. “No primeiro ano aqui o movimento já superou o que tínhamos no centro. O fluxo de pessoas aumentou muito.”

Ele observa que o bairro já opera como segundo centro, especialmente no horário de almoço. “É difícil encontrar restaurante sem fila. Tem muitos prédios comerciais, muita gente trabalhando aqui.”

De moto, se pegar os semáforos abertos, dá um minuto, dois no máximo. Mas depende muito do horário.”

ALEXANDRE SCHMIDT ENTREGADOR

No primeiro ano aqui o movimento já superou o que tínhamos no centro.”

TALISON CORSO GREGORY EMPRESÁRIO

Instalação dos postes está concluída. Falta transposição da rede elétrica
Comércio local cresce junto com o bairro
Canteiro da Pasqualini irá ser retirado e conversões darão lugar a uma nova rota
FABIANO LAUTENSCHLÄGER

Pavimentação da Romeu Júlio Scherer deve ser autorizada este mês

Obra financiada pelo Funrigs prevê investimento de R$ 11 milhões e integra projeto que inclui nova ponte entre Lajeado e Arroio do Meio, com recursos próprios dos municípios

Aassinatura do convênio entre as prefeituras de Lajeado e Arroio do Meio com o governo do Estado, para liberação de recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), destinados à pavimentação da rua Romeu Júlio Scherer, deve ocorrer ainda neste mês. O projeto já está aprovado e aguarda apenas a conclusão dos trâmites internos na Secretaria de Desenvolvimento Urbano.

O vice-prefeito de Lajeado, Guilherme Cé, explica que o cronograma está mantido. “A informação atualizada do Estado é que está previsto para março. A princípio, a assinatura do convênio está confirmada para acontecer ao longo do mês, provavelmente na segunda quinzena.”

Com a formalização do convênio, o próximo passo será a abertura da licitação. “A partir da assinatura do convênio, vamos para o processo licitatório, que normalmente leva em torno de quatro meses. Então, é uma obra que iniciaria, tudo dando certo, no início do segundo semestre”, projeta Cé. O prazo de execução é de 12 meses.

Os recursos estaduais serão destinados à pavimentação da rua Romeu Júlio Scherer, que liga Lajeado à região

onde estava a antiga ponte do Exército sobre o rio Forqueta. No município, os trabalhos incluem a pavimentação de pouco mais de dois quilômetros da via e o recapeamento de 715 metros. Em Arroio do Meio, está previsto o recapeamento de 1,9 quilômetro da Estrada Geral de Forqueta Baixa e a pavimentação de 571 metros na estrada de acesso à ponte.

Investimentos e construção da ponte

O investimento na parte de Lajeado é estimado em cerca de R$ 11 milhões, contemplando pavimentação nova, recapeamento e trecho com duplicação. Já a construção da nova ponte entre os dois municípios será custeada com recursos próprios das prefeituras, totalizando R$ 7,5 milhões, sendo R$ 5 milhões aportados por Lajeado e R$ 2,5 milhões por Arroio do Meio.

Segundo Cé, a pavimentação e os acessos são fundamentais para viabilizar a licitação da ponte. “A pavimentação em si é uma obra mais curta. O que vai demorar mais é que, em paralelo, vamos fazer o processo de contratação da ponte. Estamos aguardando

a assinatura do convênio dos acessos, que a Romeu Júlio Scherer é um deles, para então fazer a licitação da ponte.”

A nova estrutura servirá como rota alternativa de deslocamento entre as cidades, que enfrentaram obstruções de vias durante as enchentes.

Impactos no trânsito e benefícios

De acordo com a administração municipal, os impactos no trânsito devem ser mínimos, já que o fluxo de veículos na via diminuiu após a

entrega da ponte da ERS-130.

Como se trata de uma estrada de mão dupla, a pavimentação será realizada em um lado por vez, reduzindo transtornos. A área possui poucas residências, além de sítios e propriedades maiores.

Poeira incômoda

Para quem utiliza a via diariamente, a obra é aguardada com expectativa. O empresário Vanderlei Soares, morador do bairro Florestal, transita pela Romeu Júlio Scherer todos os dias para buscar um funcionário.

“Trata-se de uma via de extrema importância, pois por ela transitam ônibus e caminhões, o que ocasiona a elevação de grande quantidade de poeira, a qual adentra as residências dos moradores.”

Ele destaca os desafios enfrentados atualmente. “Os principais desafios consistem no fato de que a rua se encontra completamente esburacada, o que dificulta significativamente a circulação de veículos e pedestres.”

Entre os benefícios esperados, Soares aponta melhorias na qualidade de vida. “Destacase a possibilidade de manter as residências abertas sem a entrada constante de poeira, contribuindo para a melhoria da qualidade do ar e, consequentemente, da saúde dos moradores. Além disso, os buracos podem ocasionar danos aos veículos e aumentar o risco de acidentes”, completa.

Os principais desafios consistem no fato de que a rua se encontra completamente esburacada, o que dificulta significativamente a circulação de veículos e pedestres”

VANDERLEI SOARES EMPRESÁRIO

É uma obra que iniciaria, tudo dando certo, no início do segundo semestre”

GUILHERME CÉ VICE-PREFEITO DE LAJEADO

Entre agosto de 2024 e maio de 2025, via foi um importante corredor para veículos pesados
ARQUIVO A HORA
PREFEITURA DE LAJEADO/DIVULGAÇÃO
No local onde foi funcionou temporariamente a Ponte do Exército, será erguida nova travessia sobre o Forqueta

Mobilidade vira teste decisivo para o futuro da cidade

Debate do projeto “Lajeado – Um novo olhar sobre os bairros” reúne técnicos, poder público e comunidade e aponta urgência em planejamento estruturado para evitar colapso viário

Às vésperas de alcançar os 100 mil habitantes e consolidar-se como cidade média, Lajeado se vê diante de um desafio que pode definir seu futuro. Trata-se de organizar a mobilidade antes que o crescimento transforme gargalos em bloqueios permanentes.

O tema foi o foco do primeiro debate temático de 2026 do projeto “Lajeado – Um novo olhar sobre os bairros”, promovido pelo Grupo A Hora em parceria com a Imojel. O local escolhido, no bairro Montanha, simboliza um dos principais pontos de conflito no trânsito, pois ocorreu às margens da avenida Benjamin Constant.

Participaram o arquiteto e urbanista Augusto Alves, o engenheiro de tráfego da prefeitura Marco Salvi, o presidente da Câmara de Vereadores Neco Santos e a presidente da Associação de Moradores do Montanha, Neli Arioti Cereza. O diagnóstico foi convergente. Para os convidados, a cidade cresceu mais rápido do que sua estrutura viária conseguiu acompanhar.

Para Alves, o principal problema não está apenas nas vias congestionadas, mas na lógica histórica de expansão urbana. Segundo ele, Lajeado, como grande parte das cidades brasileiras, desenvolveu-se com base em respostas pontuais, e não em antecipação.

“Agimos muito mais por reação do que por antecipação. Sempre é tempo de planejar, mas o planejamento deveria vir antes do problema”, afirmou.

O arquiteto destacou que loteamentos foram sendo abertos pela iniciativa privada sem a consolidação prévia de uma malha estruturante robusta. Faltaram vias arteriais

Local escolhido para sediar o primeiro debate de 2026 é simbólico: às margens de uma das principais avenidas da cidade, em um ponto onde se discute a ampliação da pista para minimizar gargalos

Símbolo da pressão urbana

A Benjamin Constant tornouse o retrato dos dilemas atuais. Embora já tenha passado por trechos de ampliação, registra fluxo intenso e elevado número de acidentes.

e conexões secundárias capazes de distribuir melhor o fluxo. Os resultados são eixos sobrecarregados, como a Benjamin Constant, que concentram deslocamentos de bairros inteiros.

Plano formalizado

Marco Salvi lembra que o setor específico de mobilidade dentro da Secretaria Municipal de Planejamento tem pouco mais de um ano de estruturação. No entanto, o atual plano já passa por revisões e adaptações, visto a população crescente.

“Não temos dez anos para agir. A taxa de motorização de Lajeado é muito alta. Estamos próximos de um veículo por habitante”, alertou. Além da frota local, cerca de 40 mil veículos externos circulam diariamente pela cidade, reflexo da conurbação com Arroio do

O município faz mapeamento de pontos críticos e estuda reorganização de cruzamentos. Está em curso licitação para instalação de lombadas eletrônicas e equipamentos de fiscalização em locais considerados sensíveis. Para a presidente da Associação de Moradores do Montanha, as medidas são lentas

Agimos muito mais por reação do que por antecipação”

AUGUSTO ALVES

ARQUITETO E URBANISTA

mais gente. O alargamento da Benjamin precisa acontecer”, defendeu Neli.

Neco, que assumiu a presidência da Câmara neste ano, reforçou que investimentos em sinalização inteligente, fiscalização eletrônica e tecnologia podem reduzir acidentes e melhorar a fluidez no curto prazo, mas reconheceu que isso não substitui planejamento estrutural.

Ponto central ainda frágil

Um dos consensos no debate esteve na centralidade do transporte coletivo. Atualmente, as linhas atendem os 28 bairros

Estamos próximos de um veículo por habitante”

MARCO SALVI

ENGENHEIRO DE TRÁFEGO

Resumo do debate

– Entrevistados foram unânimes em afirmar que Lajeado vive crescimento acelerado e alta taxa de motorização;

– Há um entendimento claro: o Plano de Mobilidade precisa estar atualizado e consolidado;

– A avaliação geral é de que o transporte coletivo é peça-chave, mas precisa de reestruturação;

– Calçadas e acessibilidade são gargalos críticos e pouco abordados;

– Obras estruturantes e conexões entre bairros são urgentes.

Assista ao debate na íntegra no canal a Hora TV no youtube

FOTOS: RAICA FRANZ WEISS

e o distrito de Alto Conventos, mas enfrentam baixa frequência e trajetos extensos, com excesso de desvios.

Salvi explicou que as linhas apresentam baixa “diretidão”, conceito técnico que mede o quanto o trajeto entre dois pontos é direto. Quando o ônibus leva 50% mais tempo que o carro, a tendência é migração para o transporte individual.

Alves lembrou que cidades médias enfrentam dificuldade de manter viabilidade econômica no sistema. “Sem massa crítica de passageiros, o transporte coletivo precisa de subsídio e decisão política”.

Neco destacou que o Legislativo já aprovou subsídios para evitar aumento tarifário e propôs discutir modelos como tarifa única diária. Também defendeu desburocratização para garantir acesso a pessoas com deficiência. Para Neli, o problema é concreto. “Da Benjamin para cima quase não há horários. Por isso as pessoas usam carro.”

Cidade de 15 minutos

Não pode esperar

Quando o poder público dá opção, a comunidade acompanha” NECO SANTOS PRESIDENTE DA CÂMARA

PRÓXIMOS DEBATES

MARÇO

– Educação: como as instituições de ensino podem contribuir para o desenvolvimento dos bairros de Lajeado

ABRIL

A mobilidade ativa também entrou na pauta. As calçadas foram classificadas como frágeis, irregulares e muitas vezes inacessíveis. Após a enchente, trechos permanecem danificados. “O Poder Público precisa fazer a sua parte antes de cobrar o morador”, afirmou Neco. Augusto ressaltou que caminhabilidade depende de conforto, largura adequada, arborização e segurança nas travessias. Também mencionou

o potencial da bicicleta para deslocamentos de até cinco quilômetros, desde que haja infraestrutura segura.

Salvi defendeu mudança gradual de paradigma. Para ele, é preciso priorizar modos que transportam mais pessoas por hora, como transporte coletivo, bicicleta e caminhada, e não apenas o carro. O conceito da “cidade de 15 minutos”, em que serviços estejam acessíveis a pé ou de bicicleta, foi citado como referência.

– Dois anos da enchente histórica de 2024: a reconstrução da cidade, os avanços e o que ainda está pendente

MAIO

– Polo de empregos e diversificação: descentralização da cidade permite surgimento de “mini centros” em bairros

Transporte coletivo urbano é alvo constante de debates. Modelo atual foi implementado em 2020

Bairro Montanha teve crescimento expressivo nos últimos anos, o que gerou impacto direto no trânsito nas principais vias

ALGUNS DOS DESAFIOS À MOBILIDADE URBANA LOCAL

SEGURANÇA NO TRÂNSITO

ANEL VIÁRIO

– Mapeamento de pontos com alto índice de acidentes e reorganização de cruzamentos. Na prática, já existem medidas em implementação, como na Avenida Benjamin Constant, entre os bairros Montanha, Jardim Botânico, Moinhos d’Água e Bom Pastor;

IMPACTO DA BR-386

REQUALIFICAÇÃO DE RUAS

– Aproveitamento de traçados existentes no Plano Diretor e formação de um anel viário que passa por bairros diversos, desviando do tráfego pesado de rodovias como a BR-386 e a ERS-130;

– Avanço em vias como a Pedro Theobaldo Breidenbach, em Conventos, e a avenida Benjamin Constant, no Montanha. Nos últimos anos, trechos já foram ampliados. Para o futuro, se projeta ampliação da Alberto Pasqualini, no bairro Universitário;

CONEXÃO ENTRE BAIRROS

– Abertura de novas vias e obras de viadutos para criar novas rotas entre as localidades. Entre os projetos mencionados, estão novas ligações entre os bairros Montanha e Florestal, sobre a ERS-130, e entre o Alto do Parque e o Hidráulica, sobre a BR-386;

– Ajustes no trânsito após a duplicação e mudança no comportamento dos fluxos. A ampliação da rodovia motivou adaptações como nos acessos ao Conventos e Olarias, e a construção de viadutos e passarelas;

– Reformas completas em vias de paralelepípedo e asfalto, por conjuntos de bairros. O primeiro local a receber essas melhorias é o bairro Americano, em uma área de forte concentração de prédios, casarões, pubs e estabelecimentos gastronômicos;

GRANDES PROJETOS ESTRUTURANTES

– Construção de duas novas pontes entre Lajeado e Arroio do Meio. Uma delas ficará no local onde funcionou a ponte provisória do Exército e terá o custo dividido entre as pre-

Lajeado projeta alargamento de vias para enfrentar gargalos históricos

Município avança em estudos para ampliar avenidas como Benjamin Constant e Senador Alberto Pasqualini, consideradas estratégicas para melhorar a fluidez e acompanhar o crescimento urbano

Ocrescimento urbano de Lajeado impôs um novo ritmo ao trânsito e expôs gargalos históricos em vias que, há décadas, mantêm praticamente a mesma configuração. Diante do aumento no fluxo de veículos e da expansão de polos comerciais e residenciais, a administração municipal projeta intervenções de alargamento e melhorias viárias, com destaque para a Avenida Benjamin Constant e a Avenida Senador Alberto Pasqualini.

As obras são apontadas como fundamentais para melhorar a fluidez, ampliar a segurança e acompanhar a transformação da cidade, especialmente em regiões de grande circulação.

O alargamento da Avenida Benjamin Constant está em fase de estudos e mapeamento. Conforme o vice-prefeito Guilherme Cé, o trecho é uma área consolidada, com alta ocupação de imóveis, o que

exige levantamento detalhado dos proprietários e avaliação do impacto das desapropriações.

A tendência é que a primeira etapa ocorra nas imediações do ginásio do Montanha, em direção ao bairro Conventos, na subida considerada mais viável em termos de negociação e recuo viário. O segundo trecho, após o viaduto em direção ao ginásio, é considerado mais complexo por concentrar maior número de imóveis.

Ainda não há data para início das obras, já que o processo envolve trâmites burocráticos e avaliação imobiliária. “A execução deverá ocorrer por etapas, possivelmente quarteirão a quarteirão, conforme o avanço das negociações com os proprietários lindeiros”.

A intenção do governo é conectar o trecho a ser ampliado com a parte já duplicada, eliminando um estrangulamento viário que persiste há cerca de 30 a 40 anos.

Possível ampliação na Pasqualini

Outro ponto crítico é a Avenida Senador Alberto Pasqualini, importante eixo de ligação entre o Centro, os bairros São Cristóvão e Universitário, além de instituições como Univates, Unimed e Sicredi, com acesso facilitado pela Ponte de Ferro a Arroio do Meio.

Há necessidade não apenas de ampliação das pistas, mas também de novas rótulas, sinaleiras e faixas de segurança para garantir mais proteção a pedestres e motoristas”

KEKO MUNHOZ

DIRETOR DA ARRUDA E MUNHOZ IMOBILIÁRIA

“No trecho próximo ao Imec, está prevista uma permuta de área que permitirá o alargamento após a conclusão do novo posto de saúde de São Cristóvão. Já em outros pontos, a ampliação é considerada mais complexa devido à presença de edifícios”, explica Cé.

Paralelamente, o município busca recursos junto ao governo do Estado para o recapeamento asfáltico da via, no trecho entre a Rua Amazonas e a ponte de ferro — cerca de um quilômetro bastante avariado após ter sido utilizado como rota alternativa à ERS-130. A obra está orçada em aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Para o diretor da Arruda e Munhoz Imobiliária, Marco Aurélio Rozas Munhoz, o Keko, o investimento em infraestrutura é indispensável

Apresentado por

A Pasqualini foi mal projetada desde o início, e a ampliação integral é considerada inviável, restando intervenções pontuais onde houver possibilidade”

diante do crescimento dos bairros. “Há necessidade não apenas de ampliação das pistas, mas também de novas rótulas, sinaleiras e faixas de segurança para garantir mais proteção a pedestres e motoristas.”

Demanda antiga

No bairro Universitário, a presidente da associação de moradores, Mara Lúcia Goergen, afirma que o alargamento da Av. Senador Alberto Pasqualini é uma reivindicação antiga. “A via foi mal projetada desde o início, e a ampliação integral é considerada inviável, restando intervenções pontuais onde houver possibilidade.”

Ela destaca que a melhoria trará mais rapidez no deslocamento para escolas e comércio, além de impactar positivamente a qualidade de vida no bairro.

No bairro Conventos, a Rua Pedro Theobaldo Breidenbach já teve um trecho alargado, e a prefeitura avalia a ampliação de outro segmento, próximo à BR. O processo também depende de desapropriações e compensações, sem previsão definida.

Para o presidente da Associação de Moradores de Conventos, Adilson Bald, a via é a principal artéria do bairro, concentrando fluxo e comércio. “A conclusão do alargamento é urgente para garantir melhor trafegabilidade e segurança.”

Construtora e Incorporador
Benjamin Constant é exemplo de via com trânsito saturado
FOTOS: GABRIEL SANTOS

Cruzamentos críticos se concentram nos principais eixos da cidade

Mapeamento de sinistros confirma maior incidência na Benjamin Constant e na Pasqualini, enquanto crescimento urbano exige intervenções estruturais em bairros como Conventos

Omapeamento dos pontos com maior concentração de acidentes em Lajeado reforça um padrão já percebido por técnicos e moradores. Os principais eixos estruturais da cidade concentram as interseções mais críticas e ampliam a pressão sobre o planejamento viário.

A Avenida Benjamin Constant aparece como o corredor com maior repetição de ocorrências, sobretudo no Centro e nos bairros Florestal e Montanha. Diversos cruzamentos ao longo da via registram quatro ou cinco acidentes, especialmente nas interseções com ruas como Francisco Oscar Karnal, Carlos Jacob Kieling, Oswaldo Aranha, Júlio de Castilhos, Tiradentes e Pinheiro Machado. A sequência de pontos críticos ao longo do mesmo eixo indica que o volume intenso de tráfego e a função arterial da avenida influenciam diretamente na estatística.

Acidentes em rotatórias são frequentes no município. Maior parte dos dispositivos foram instalados nos últimos anos

Ali [próximo à antiga PRF] é o pior trechinho da avenida. É perigoso, já teve acidente com morte”

O bairro está feliz, a gente luta pelo crescimento, mas também precisa de melhorias.”

Na Senador Alberto Pasqualini, os registros também se distribuem em sequência, com ocorrências em cruzamentos como 11 de Junho, Piauí, Arno Ritter e Sidônia Prediger. A via funciona como ligação entre bairros populosos e o Centro, absorvendo fluxo diário elevado de veículos leves, transporte coletivo e caminhões.

De acordo com o secretário de Planejamento, Urbanismo e Mobilidade, Alex Schmitt, dois

Acidentes por bairro

BAIRRO ACIDENTES SOMADOS

ADILSON BALD PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DE CONVENTOS

critérios orientam a priorização de obras e ajustes, volume de tráfego e índice de acidentalidade. “Quando um fluxo corta o outro, como nas conversões à esquerda, o risco aumenta muito. Se houve colisão em sinaleira, normalmente alguém avançou o vermelho”, explica.

Entre as medidas em andamento estão ajustes na temporização semafórica, implantação de controles eletrônicos de velocidade e fiscalização automática em cruzamentos. A estratégia inclui ainda períodos de vermelho simultâneo em todas as direções, criando margem de segurança para reduzir colisões.

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Outro foco são trechos não semaforizados, principalmente na parte duplicada da Benjamin

LISANDRA QUINOT VEREADORA

Constant, que conecta o Centro a bairros como Montanha, Jardim Botânico, Moinhos d’Água e Conventos. Nesses locais, conversões à esquerda e visibilidade reduzida formam cenário recorrente de risco. A solução técnica prevê eliminar esse tipo de manobra e criar retornos controlados alguns metros adiante, obrigando o motorista a acessar a via pelo fluxo correto.

Crescimento acelerado pressiona Conventos Com estimativa superior a 10 mil moradores, Conventos simboliza o impacto do crescimento urbano acelerado sobre a mobilidade. A

expansão de loteamentos e empreendimentos concentra fluxo em poucos corredores e amplia gargalos.

Moradora do bairro, a vereadora Lisandra Quinot (PP) afirma que a população apoia o desenvolvimento, mas cobra planejamento. “O bairro está feliz, a gente luta pelo crescimento, mas também precisa de melhorias”, diz.

A principal demanda viária se concentra na rua Pedro Teobaldo Breidenbach, eixo central do bairro. O presidente da associação de moradores, Adilson Bald, relata que há pontos críticos, sobretudo na entrada próxima à antiga Polícia Rodoviária Federal. “Ali é o pior trechinho. É perigoso, já teve acidente com morte, e não tem como caminhar”, afirma.

Colisões são recorrentes em pontos onde há rotatórias e vias de trânsito rápido, como avenidas

A prefeitura estuda ampliar o trecho, abrir ligações internas entre loteamentos e criar acessos que aproximem o bairro da BR-386, alternativa que pode redistribuir o trânsito e reduzir congestionamentos.

Para Alex Schmitt, o cenário reforça que mobilidade urbana deixou de ser apenas pauta técnica e passou a ser eixo central do planejamento municipal. A avaliação é de que antecipar conexões, qualificar acessos e intervir nos cruzamentos com maior incidência será decisivo para manter a fluidez e a segurança em uma cidade que se aproxima dos 100 mil habitantes.

Cruzamentos mais perigosos identificados

FABIANO LAUTENSCHLÄGER
GABRIEL SANTOS

Trabalhadores pedem mais linhas em finais de semana

Passageiros dizem se sentir “ilhados” nos bairros aos domingos, quando as linhas deixam de circular

Pelo menos 4,5 mil pessoas usam o transporte coletivo diariamente em Lajeado. A principal reclamação é a pouca oferta de horários nos fins de semana. O problema começa no sábado, quando a tabela é reduzida. No domingo, moradores de bairros mais afastados dizem que, na prática, ficam sem ônibus.

A queixa vem, sobretudo, de trabalhadores que precisam se deslocar para outros bairros e para o Centro, onde se concentra grande parte do comércio e dos serviços da cidade.

Residente no bairro São Bento, Michele Inês Scheibler usa o coletivo duas vezes por dia para acessar o Centro, onde trabalha. Durante a semana, afirma que a oferta atende suas necessidades, mas no fim de semana a condução “some”. “No sábado já reduz. No domingo, no São Bento, não tem ônibus”, relata. Ela diz que também enfrenta dificuldade em horários noturnos, com as linhas mais restritas. “Quando eu trabalhava em mercado, saía às 17h e precisava esperar pelo menos uma hora”, conta. Para chegar ao Centro aos domingos, a alternativa é aplicativo ou táxi. “Dá perto de R$ 40, contra R$ 7 do ônibus. Para quem mora longe é difícil”, resume.

Em outra parada, Cristina Couto aguarda o ônibus para voltar ao bairro Santo Antônio, onde reside. Ela depende do transporte no começo da manhã e início da tarde, quando é liberada do serviço. Reclama tanto da lotação quanto da falta de opções. De manhã, o ônibus chega ao seu ponto lotado de estudantes. ”Mesmo lotado, eu entro porque, se perder, a próxima linha só passa 45 minutos depois”, diz. Aos sábados, ela afirma que os horários diminuem e, aos domingos, não há atendimento. “Quando preciso vir para o Centro, peço para o meu marido”, conta. Segundo ela,

Maior queixa é de trabalhadores de bairros afastados, mas que precisam se deslocar até a área central, onde se concentra boa parte do comércio e dos serviços de Lajeado

até deslocamentos simples, como fazer compras ou aproveitar promoções, ficam comprometidos. No fim de semana, os usuários se sentem ilhados em casa. Além dos horários, Cristina aponta outro problema: a estrutura das paradas. No ponto que ela usa, no Santo Antônio, não há abrigo. “Quando chove, a gente fica desprotegido”, afirma.

Azul carrega 137 mil passageiros por mês

A Expresso Azul é a empresa responsável pelo transporte público de Lajeado e afirma que os coletivos atendem todos os bairros, com exceção de Carneiros, onde diz não haver demanda. São 137 mil passageiros mensais que dependem da frota da Azul. Segundo a administração da empresa, Alto Conventos e Picada Scherer são os pontos mais difíceis de atender com ônibus. Dentro desses bairros, muitos loteamentos não têm ruas adequadas para circulação dos veículos. Faltam vias largas, pavimentadas e conectadas entre si. Ou seja, não há ligação interna suficiente que permita ao

Cinco pontos

que precisam ser aprimorados, segundo a Expresso Azul

Índice de passageiros por quilômetro rodado: há poucos passageiros para a distância que os ônibus percorrem. Quanto menos gente por quilômetro, menos viável economicamente é a linha.

Muitos bairros não têm ruas conectadas e adequadas para ônibus circularem por dentro deles. Isso dificulta criar ou ampliar rotas.

Faltam vias largas, bem pavimentadas e com espaço para manobras.

Há necessidade de melhor marcação de pontos e mais abrigos para proteger passageiros

A empresa defende recolocação das paradas na BR-386, que foram retiradas por causa das obras

ônibus entrar, circular e sair com segurança. Questionada sobre a ampliação de linhas e horários, a empresa informa que revisa horários de forma constante, conforme a demanda e as condições operacionais, mas não anunciou mudanças específicas para sábados e domingos. Isso porque qualquer ajuste depende do volume de usuários e da viabilidade operacional. Na avaliação da Azul, a quantidade de horários oferecidos é considerada suficiente em relação ao número atual de passageiros.

Quando eu trabalhava em supermercado, saía às 17h e precisava esperar pelo menos uma hora até passar o meu ônibus”

MICHELE INÊS SCHEIBLER PASSAGEIRA

Mesmo lotado, eu entro porque a próxima linha só passa 45 minutos depois [...] Quando preciso vir ao Centro [em fins de semana], peço para o meu marido”

CRISTINA COUTO PASSAGEIRA

FOTOS: ANDRÉIA RABAIOLLI

Calçadas viram foco de queixas e expõem novo desafio urbano

Fiscalização cobra proprietários, município oferece apoio técnico e casos revelam entraves quando responsabilidade envolve concessionárias ou áreas indefinidas

As condições das calçadas voltaram ao centro do debate público em Lajeado diante do aumento de reclamações sobre desníveis, falta de acessibilidade e riscos para pedestres.

Embora muitos moradores atribuam a responsabilidade ao poder público, a regra geral determina que a manutenção é obrigação dos proprietários dos imóveis, conforme explica o secretário de Planejamento, Urbanismo e Mobilidade, Alex Schmitt. “A manutenção da calçada é responsabilidade do dono do lote. O município fiscaliza diariamente e notifica quando encontra irregularidades”, afirma.

Segundo ele, a maior parte das situações se resolve após a notificação. Quando não há adequação dentro do prazo, a prefeitura pode executar o serviço e cobrar posteriormente. A fiscalização ocorre tanto em áreas centrais quanto nos bairros e inclui terrenos sem construção.

Programas de ajuda e padronização

Para reduzir a dificuldade

financeira de moradores, o município mantém um programa de apoio que executa etapas iniciais da obra, como nivelamento e base estrutural. “Essa preparação muitas vezes representa quase 50% do custo total. É uma forma de ajudar quem não tem condições de fazer tudo sozinho e, ao mesmo tempo, garantir uma cidade mais caminhável e acessível”, destaca. Atualmente não há padronização obrigatória de materiais ou acabamento. Cada proprietário pode escolher o revestimento, desde que respeite parâmetros técnicos como inclinação e rebaixamento de meio-fio. A prefeitura estuda adotar modelos padronizados em áreas específicas, como trechos comerciais centrais. “Hoje não existe decreto de padronização. A ideia é avaliar isso em projetos futuros, principalmente em revitalizações”, explica o secretário.

Quando o problema não é do morador

Há situações, porém, em que a responsabilidade não é nem do

A manutenção da calçada é responsabilidade do dono do lote.”

ALEX SCHMITT

SECRETÁRIO MUNICIPAL

DO PLANEJAMENTO,

URBANISMO E MOBILIDADE

Mato toma conta das calçadas, porém dificuldade para encontrar os proprietários é grande

proprietário nem do município, mas de concessionárias de serviços. No bairro Bom Pastor, o morador Renido Weiss relatou um vazamento de água potável que permaneceu ativo por cinco dias sem solução. “Disseram que tinham 24 horas para resolver, mas ninguém veio. Se fosse a gente lavando carro, iam reclamar. Quando é problema deles, não resolvem”, criticou. Casos assim deixam o morador sem alternativa imediata, já que intervir por conta própria pode gerar novos problemas estruturais ou legais. A situação só é resolvida quando a empresa

responsável executa o reparo. No bairro Florestal, o aposentado Nelson Ruschel relata convivência constante com terrenos baldios e proliferação de insetos. “Nós já tivemos dengue em casa. Faz anos que pedimos providências e ninguém resolve. O fumacê ajuda, mas é paliativo se o mato continuar ali”, afirma. Schmitt reforça que, nos casos de terrenos privados com mato alto, a regra também é notificação. “No momento que a gente notifica, a grande maioria resolve. Mas ainda precisamos evoluir como cidade no cuidado com os espaços”, diz.

Poderia resolver sozinho, mas se faço pode dar mais problemas.”

RENIDO WEISS

APOSENTADO

Vazamento causou necessidade de remoção de parte do calçamento

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