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AH - A Hora da Terra | 5 de dezembro 2015

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Descaso ambiental

A

hora da leitura

OArroio do Engenho é um símbolo de Lajeado. Carrega parte da história e do desenvolvimento da cidade. Passa por vários bairros até desaguar no Rio Taquari. A degradação ao longo dos últimos anos o transformou num córrego de esgoto, com odor e coloração deploráveis.

Peixes e outros animais aquáticos não sobrevivem. Tudo piorou quando parte do manancial foi canalizada. O lixo e o esgoto perceptíveis por quem caminhava às margens de concreto.

Em paralelo, as necessárias políticas públicas para a preservação do Engenho nunca saíram do papel.

A Corsan, que explora o abastecimento de água em Lajeado, por décadas não investiu em tratamenfaz, agora, por exigência contratual. Mas as evoluções são lentas e imperceptíveis.

A iniciativa privada também se omitiu da responsabilidade de aumentar o rigor sobre o tratamento dos dejetos industriais e por longos anos despejou no Engenho tudo que é tipo de lixo e esgoto.

O problema continua e se acentua. Os peixes já morreram e o Engenho virou o “Tietê do Vale”. A pior das comparações, visto o trágico estado do rio que cruza São Paulo. As iniciativas de recuperação do

Editores: Arnaldo Augusto Setti, Jorge Enoch Furquim Werneck Lima, Adriana Goretti de Miranda Chaves e Isabella de Castro Pereira.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresenta um trabalho que constitui o panorama geral do gerenciamento de recursos hídricos no Brasil. Nele destaca a importância do tema e inclui diretrizes relacionadas à preservação e uso racional desses recursos.

arroio são paliativas e carecem de um projeto mais audacioso. Há cinco anos, o jornal A Hora publicou matéria sobre o grau de poluição. Em novembro de 2010, um diagnóstico já colocava o Engenho entre os mais sujos do Vale. Pouco mudou de lá pra cá. Continuamos inertes diante de um problema coletivo. Um arroio que já serviu de local de banho e de pesca resumido a um amontoado de lixo e esgoto.

Agora, surge novo movimento. Vereador Sérgio Rambo sugere iden-

de conscientização. A Univates inicia coleta de dados para diagnosticar o estado da água e propor fórmulas de recuperação. Aguardamos.

Introdução ao Gerenciamento de Recursos Hídricos Águas Doces no Brasil

Gestão das Águas no

Editor: Wilson Cabral de Souza Jr. O livro se constitui em fonte de consulta, retécnicos, alunos e cientistas que se interessam pelo tema água.

Editores: Aldo Rebouças, Benedito Braga e José Garnezia Águas Doces no Brasil (selo Escrituras), agora em 4ª edição (revisada e atualizada), mostra, por meio de artigos de autoridades no assunto, que o problema da água no Brasil e no mundo tem solução. O livro, editado pela primeira vez em 2000, transformou-se em obra de referência. A 3ª edição (2006) contou com a apresentação da então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Índice

O Caçador de Árvores Gigantes é a promessa gaúcha para o cinema em 2016.

Arroio do Engenho Da nascente à foz, Engenho evidencia grave problema de poluição.

O caderno A HORA DA TERRA é uma publicação do jornal A Hora do Vale.

Direção Editorial: Fernando Weiss

Coordenação e produção: Anderson Lopes

Arte: Gianini Oliveira

Reprodução dos conteúdos só com autorização expressa do jornal. Tiragem: 10 mil exemplares impressor (ZH Editora Jornalística)

sobre desmatamento

O curta-metragem O Caçador de Árvores Gigantes é uma promessa da animação digital gaúcha nos festivais de cinema de 2016. Inspirado na arte japonesa, mostra riqueza de detalhes nos cenários naturais da história.

No enredo, a natureza, o espírito aventureiro e a expectativa. Um menino brinca no quintal de casa quando descobre uma arca antiga. Dentro dela, uma mapa, indicando a localização dos caçadores de árvores gigantes. Remete o público jovem ao período de extração do pau Brasil, quando o país era colônia de Portugal.

Fumproarte e inspira admiradores das artes visuais. Em já está no hall dos festivais de cinema gaúchos no início de 2016. Também passará por escolas da rede pública de Porto Alegre É o primeiro trabalho de maior destaque do diretor de arte Anttonio Pereira. Há ainda a webcomics (história em quadrinhos digital) chamada Pakotopopokey. Pereira já escreveu livros infantis como EssasMaravilhosasGeringonças e OMeninoQueAchava queEmpinavaPipa. A ideia é tentar uma adaptação para série animada. "O universo é bem amplo e tem muitas histórias a serem contadas."

A inscrição no edital Fumproarte garantiu ao fundador do Studio Pakóto a realização de um sonho. Oriundo de uma família de agricultores, pas-

sou a infância na zona rural de Porto Alegre. A chácara onde morava lhe proporcionou a liberdade, hoje combustível de suas criações. A animação é feita em estilo tradicional, desenhada à mão e sem impresão, o que economiza dez mil folhas. A mensagem é clara: é preciso cuidar das árvores.

A Hora – Como é desenhar virtualmente?

O que pretende instigar nos espectadores?

Anttonio Pereira

Anttonio Pereira – Apesar de ser digital, a animação é produzida de desenho a desenho, como a técnica tradicional. Optamos por não usar papel, pois queríamos seguir a mensagem. O mínimo que poderíamos fazer é não gastar essa quantidade de papel.

Seus desenhos são inspirados em obras orientais?

Pereira –chamar a atenção do público jovem para a proteção das árvores. O personagem é uma criança. Ao longo do cuidar e entender que as árvores também são seres vivos. Quem contracena com ele é o Bicho do Mato, inspirado na caipora, entidade da natureza que aparece para ensinar.

Os antigos caçadores eram cortadores de mato?

Sempre quis fazer uma história que tivesse o foco na natureza. Quando percebi que tinha todo o material pronto, me inscrevi no edital. O meu projeto foi contemplado. Éme de animação pronto, mas principalmente ver a reação das pessoas ao assisti-lo.

Há também um livro?

Pereira – Minhas inspirações são mesmo de artistas japoneses, como Hayao Miyazaki, Akira Toriyama, Koji Morimoto e Moebius. Mas o principal é o Stúdio Ghibli. Há ainda o trabalho inspirador do brasileiro Ale Abreu OMenino eoMundo

Pereira – Não exatamente cortadores, já que na lenda os caçadores tiravam as árvores com as raízes para presentear os reis do céu. Os antigos caçadores de árvores,ria em quadrinhos, são uma representação dos europeus, que no século XVI vinham para a América do Sul com interesses na exploração do pau-Brasil, porém, a histótemática de uma forma mais lúdica.

Como a história foi concebida?

Pereira – Foi inspirada em uma árvore grande que tinha perto no lugar onde eu nasci.

Prereira – Sim, acabei criando duas histórias completamente paralelas (uma delas acontece 500 anos antes) mostrando um caçador derrubando as árvores – o que originou a lenda dos caçadores.

O que acha do cenário de animação do Brasil? O mercado de animação brasileiro tem crescido muito. O Festival Anima Mundi é o segundo maior do mundo e tem muitos estúdios de animação no Brasil procurando constantemente artistas. O Brasil ganhou três importantes prêmios da animação internacional, UmaHistória deAmoreFúria, OMenino eoMundo e Guida. Busco novos horizontes e sonhos para continuar trabalhando e acrescentando algo para a sociedade.

FOTOS DIVULGAÇÃO

Poluição sufoca o Arroio do Engenho

Projeto em análise nas comissões parlamentares propõe medidas para incentivar a preservação do Parque da Nascente do Engenho Clara Maria Schorr. A proposta chega quando a Univates realiza coletas no Rio Taquari para testar qualidade da considerado o 'Tietê dos Vales'.

Rmas uma foz agonizante. Durante o

aquática e contaminando o Rio Taquari.

A proposta do vereador as árvores e instalar placas às margens do Arroio do -

uma APP. É urgente estancar a contaminação."

Ações em prol da recuperação da área a partir de março de 2016 serão realizadas por

A despoluição é o mais emergencial e exigirá o cumprimento de leis ambientais que criminalizam as diversas formas de danos

serão plantadas por eles em uma área que difere da realidade encontrada no percurso do arroio: se antes era local um córrego de esgoto. algumas medidas são impresarroio. Estancar o lançamento-

leito dos entulhos e dejetos. Canalizado em alguns trechos do centro e São Cris-

rejeitos e dejetos. Na foz do Engenho, o encontro com o Taquari é deprimente. É visível a diferença na coloração das águas.

Parte mais escura dos resíduacumulada em pequenas represas de lixo que boiam com garrafas pet e sacos plásticos, pneus e muita matéria orgânica. O odor é forte.

Conforme o pescador Adão de Moraes, 43, pescar no Taquari é símbolo de resistência. Cerca de dez metros antes da correnteza do rio encontrar o Engenho é o ponto estratégico. Morar há quatro décadas no mesmo lugar lhe proporcionou um aprendizado constante: se antes era fácil pescar na saída do arroio, agora é preciso saber onde encontrar os peixes. "Diminuíram muito nos últimos 20 anos."

Da nascente à foz: afluente do Rio Taquari recebe grandes quantias de dejetos e rejeitos domésticos

O Tietê do Vale

Ao longo dos seus 3,8 quilômetros, o Engenho leva contaminação para o principal recurso hídrico do Vale. Para o publicitário e ativista do movimento Viva o Taquari Vivo, Gilberto Soares, o arroio foi escondido da população.

Na avenida Décio Martins Costa, a grande quantidade de dejetos e rejeitos de indústrias, comércio e residências mata o arroio. O forte odor de óleo diesel e gasolina é indicativo de poluição.

O Engenho nasce no bairro Olarias, passa pelo Montanha, São Cristóvão, Americano e centro. Uma pequena parte é canalizada, tornando-se um esgoto com alto potencial poluente ao Rio Taquari. Para Soares, o arroio está morto e pouco se pode fazer a respeito. “Desde que foi canalizado

O secretário de Meio Ambiente de Lajeado, José dias, foi encaminhada pela

Água turva do Arroio do Engenho contrasta com o Rio Taquari. Concentração de matéria orgânica é visível

administração à Corsan, exigindo um plano de metas para o esperado tratamento do esgoto. Em 2008, o contrato assinado entre a companhia e o município foi renovado para mais 25 anos, porém, não conta com plano de sanea-

mento. Em 2003, a Corsan foi plano de metas para o tratamento. Doze anos depois, nada foi feito. Antunes lembra que existe uma lei no Plano Diretor dos esgotos das residências. “Muitos esperam a vistoria do vira as costas, ligam o esgoto

ANDERSON LOPES

Herança ambiental

As sanções podem ser multa, perda ou restrição de incentivos fiscais, perda ou suspensão de participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito ou suspensão dadade de José Bonifácio Ehrenbrink. Para ajudar na preservação, plantou árvores frutíferas e nativas no local

do para consumo humano, pode sofrer autuação fiscal por infração administrativa, ação civil pública destinada a reparar os danos causados e uma ação penal pela prática do crime de poluição sob qualquer forma.

O fato de as infrações administrativas estarem dispersas em vários textos dos códigos

-

sanções cabíveis àqueles que não cumprem as medidas necessárias à preservação ou correção dos inconvenientes e danos causados pela degradação da qualidade ambien-

Entre outros artigos, a lei visa a preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à utilização racional permanente.

federativa fixa regras próprias para o exercício da imposição de penalidades. O mesmo se dá em relação

José Bonifácio Ehrenbrink, 54, tem como meta de vida proteger a nascente do Arroio do Engenho, lugar onde passou a infância, assim como os pais.

O antigo dono da terra, tio Rodolfo Fernando, o presente deixado não poderia ter sido melhor. Quando a mãe de Ehrenbrink morreu, o tio pediu que fosse morar com ele. "Gostei muito do lugar e estou aqui até hoje."

peação e pintura. A proximidade com a BR-386 facilitou os negócios. Mas a paisagem começou a

Com o tempo, Ehrenbrink percebeu que o lago, pedras que desciam dos morros e das lavouras em dias de chuva forte estavam açoriando a nascente. A decisão de recuperar o lugar se deu quando percebeu que também os pássaros, antes abunera preciso recuperar o lugar. Para deixá-lo mais parecido com o que era antes, plantou árvores

O mesmo sentimento era demonstrado pelo tio Rodolfo. Ele orgulhava-se ao lembrar que o Arroio do Engenho era diretamente ligado à história de Lajeado. "Quando me mudei para o Olarias, nas tinha muita traíra e muçum. Senti saudades disso."

O dono das terras fez um desvio para as águas poluídas que desciam da BR-386 em dias chuvosos escoarem para outra vala. Foram intalados 30 canos de 60 cm para a água não ir toda diretamente ao arroio. "É um cartão-postal que existe pra cá. Já quiseram comprar pra fazer loteamento, mas eu quero deixar assim como está."

A criação de alguns animais como porco, galinha e gado se tornou rotina. Antigamente, quando era solteiro, caçava pomba. Hoje não permite

tres voltaram a aparecer depois que as árvores deram os primeiros frutos. Segundo Ehrenbrink, o sentimento é de ver de volta um lugar que o tio deixou como legado.

Fármacos na água preocupam

As substâncias farmacológicas são a principal preocupação entre as contaminações do arroio, tanto para vida aquática quanto para o consumo humano. A Univates realizou coletas no Rio Taquari em maio deste ano para testes químicos e microbiológicos.

O Projeto Detecção e Remoção de Micropoluentes em Sistemas de Captação de é uma parceria da Univates com a Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) e está no segundo ano.

Três pontos diferentes de coletas foram realizados no rio com ênfase em amostras

captação, na saída da estação de tratamento de água e no

Segundo a coordenadora geral do projeto, Dr. Lucélia Hoehne, desde maio, a equipe realiza as coletas, mas nos tipos fármacos ainda não foi

possível realizar pesquisa por falta de um equipamento que deve chegar no próximo ano.

os níveis de seis remédios nas águas do Taquari como amoxi-

no e benzetacil.

Além disso, será analisada a utilização de tecnologias para a remoção desses micropoluentes por processos oxidativos avançados.

O custo total da pesquisa será de R$ 981 mil, sendo R$ 82,8 mil destinados para bolsistas e R$ 899 mil para equipamentos e materiais de consumo. O aporte veio da Projetos (Finep).

ria Ambiental; Dra Simone Stülp, coordenadora do Pardo Vale do Taquari Tecnovates; Dr. Maurício Hilgemann e Gustavo Reisdörfer.

Saúde em risco

Conforme Lucélia, ainda não há na legislação brasileira uma resolução regulamentando os parâmetros de emissão de fármacos em corpos hídricos. A principal preocupação é o desenvolvimento de resistência aos medicamentos.

Por enquanto, todas as análises realizadas (menos atro dos parâmetros de pH,

cor, dureza e contagem de microrganismos.

A coordenadora salienta que há formas de trata-

"Quanto a esgotos residenciais e industriais, existe

Vida aquática ameaçada

Um novo relatório da International Joint Commis-

sion (IJC, na sigla em inglês) – consórcio de autoridadesdá – chegou a um resultado alarmante: o sistema de estava falhando.

De acordo com a cientista física da Joint Commission Internacional, Antonette Arvai, compostos químicos apareceram em níveis baixos e, mesmo diluídos, representam risco.

Os cientistas revisaram dez anos de dados e diagnosticaram 42 compostos que aparecem com frequência, entre eles, herbicidas, anticonvulsivos, antibióticos, -

matórios. Traços de cafeína, paracetamol e estriol são os mais frequentes.

As substâncias, mesmo extremamente dispersas, com milionésimos de grama por litro, mudam a vida de animais aquáticos, os ritmos diários, aumentando a agressividade e desorganizando a reprodução. No mar, moluscos alteram a deposição de ovos, destruindo a fecundidade dos peixes.

Em parte canalizado, Engenho é contaminado por poluição da cidade

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AH - A Hora da Terra | 5 de dezembro 2015 by Jornal A Hora - Issuu