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AH - Agronotícias | 28 e 29 de janeiro de 2017

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Tuberculose

Perda silenciosa

Com a adesão voluntária, convencer pecuaristas da importância de sanear o rebanho contra a tuberculose é um desafio para as autoridades sanitárias. Doença resultou no abate de quatro mil animais em dois anos no RS. Após confirmar infecção, Heitor Kerber sacrificará todo plantel e colocará propriedade em vazio sanitário. Indenização ameniza prejuízo de R$ 600 mil.

Páginas 6 e 7

Especial do jornal A Hora
Circulação mensal
JANEIRO | 2017

Informe Agroeconômico

Salário

valoratualização

Mínimo R$ 880,00 2016

TR 0,14% 11/16

CDI 1,04% 11/16

SELIC 14,25% 11/16

IPC-A 0,26% 11/16

VariedadeR$/kgR$ /arroba

TO1 10,22153,30

TO28,63129,45

TO37,33109,95

BO110,74161,10

BO29,30139,50

INDICADORES PREÇO DO FUMO

BO3 7,48 112,20

CO1 10,31 154,65

CO2 9,06 135,90

CO3 7,31 109,65

XO19,06135,90

XO27,61114,15

XO3 6,24 93,60

PRODUTOS AGRÍCOLAS

ProdutoUnidade R$ mínimo R$ médio R$ máximo

Arroz em casca 50kg47,0048,4852,00

Feijão60kg160,00225,00300,00

Milho60kg30,0034,8341,00

Soja60kg66,0070,6374,00

Trigo60kg28,0028,7030,00

Boi p/ abate kg vivo 4,505,005,30

Cordeiro p/ abate kg vivo 5,005,676,20

Suíno tipo carne kg vivo 3,003,654,50

Vaca p/ abate kg vivo 4,104,505,00

Leite (valor líquido) litro 0,961,111,78

Fundado em 1º de julho de 2002

Vale do Taquari - Lajeado - RS

Diretor-geral: Adair Weiss

Diretor de Conte˙do: Fernando Weiss

Diretor de OperaÁıes: Fabricio Almeida

4 Kiwi – Longe de ser azedo

5

Entrevista com o diretor de Nutrição Animal da Cargill, professor Antônio Mário Penz Júnior

6

Tuberculose e brucelose – Perda silenciosa

Editorial

Um basta à negligência

Está na hora de a grande massa dos produtores fazer uma revolução. “Fazer como os avós faziam” não é algo ruim, desde que sejam absorvidas apenas as coisas boas. Seguir com rigor o calendário de vacinação e a aplicação de testes como de brucelose e tuberculose é uma obrigação.

Hoje a pecuária não é mais uma poupança, é uma fábrica de proteína e considerada uma

DIRE« O EDITORIAL

Weiss PRODU« O Giovane Weber

empresa. E, como toda empresa, precisa ser autossuficiente, dar lucro. Para tanto, “negligência” é um termo que deve ser riscado do dicionário do pecuarista, principalmente quanto aos pilares da produção de carne e leite: genética, nutrição e sanidade. De nada adianta ter o animais eficientes em conversão alimentar se eles estão morrendo de doenças, muitas das quais tornaram-se “invisíveis” aos olhos

do pecuarista, como é o caso da brucelose e tuberculose. Sanear o rebanho e obter o certificado é uma obrigação do produtor e das empresas para garantir a qualidade e a procedência do produto ao consumidor. Esse documento é a porta de entrada para mais de 98% dos mercados internacionais. É um caminho sem volta. Boa leitura!

COORDENA« O Giovane Weber

Tiragem desta edição: 10.000 exemplares. Disponível para verificação junto ao impressor (ZH Editora Jornalística) ARTE Gianini Oliveira e Fábio Costa

Empresário de Progresso aposta no cultivo de Kiwi. Exigente em água e frio, fruta conquista espaço na região. Técnicos destacam cuidados no manejo e na hora da colheita para conseguir oferecer ao consumidor uma fruta de excelente qualidade.

Longe de ser azedo

Pouco difundido no Vale do Taquari, principalmente em virtude das condições meteorológicas, o cultivo do kiwi ganhou espaço na propriedade de Delaci Martini, em Progresso.

O pomar, hoje com 525 pés das variedades bruno e elmwood, foi implantado há seis anos. Na última safra, colheu mais de mil quilos do fruto. Na próxima, entre abril e maio, deve chegar a três toneladas.

Conforme Martini, a ideia de investir em kiwis veio a partir de uma troca de experiências com um amigo. “Ele tinha um ou dois pés e colhia muito”, recorda.

Com a disponibilidade de terras, decidiu iniciar o cultivo. Na época, plantou 120 pés. O auxílio de técnicos da Emater permitiu conhecer pomares em Farroupilha, maior produtor do estado e país, e aprimorar o manejo. “Os testes de grau brix garantem uma fruta tão doce como os reconhecidos kiwis da Itália”, destaca.

Entre as dificuldades, cita a desconfiança dos consumidores por temerem que seja azeda. O assistente técnico regional em Sistema de Produção Vegetal da Emater/ RS-Ascar de Lajeado, engenheiro agrônomo Derli Bonine, lembra que alguns produtores, na ânsia de vender, colocaram a fruta no mercado antes do ponto ideal de maturação. Os consumidores passaram a evitar o alimento por não apresentar o sabor ideal e compensação pelo valor investido, descreve. Outra característica do cultivo é a necessidade de

frio. Essa quantidade pode variar entre 300 e mil horas abaixo de 7º. Se o inverno não for tão rigoroso, serão necessários ajustes para não comprometer a safra, explica.

Segundo Bonine, antes de apostar na cultura, ainda muito recente, o produtor deve analisar o investimento para não amargar prejuízos. O kiwi é uma alternativa para diversificar o pomar. Essa condição evita maiores perdas, alerta. Para Martini, todo esse contexto não é problema. Mesmo com dificuldades de vender uma fruta ainda desconhecida pela maioria dos consumidores, planeja ampliar a área. “Quero chegar a 700 pés até 2018.”

Oportunidade de mercado

Em Farroupilha devem ser colhidas 1,3 mil toneladas, distribuídas nos 120 hectares de área plantada e trabalho de 80 produtores. A safra inicia em março e a qualidade deve ser boa. O preço do quilo é estimado em R$ 2,50, o mesmo do clico anterior.

De acordo com o engenheiro agrônomo do escritório da Emater de Farroupilha, Marcos Cambruzzi, as frutas são vendidas in natura para a Ceasa e mercados de São Paulo, onde existe o maior consumo.

Na maioria das vezes, a planta apresenta condições normais e quando chega a época do verão, de janeiro a fevereiro, o fungo se manifesta e causa sua morte.

Além das pesquisas, a Emater, a Secretaria da Agricultura e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade promovem tardes de campo. O objetivo é que os produtores conheçam a doença e saibam identificá-la, além de adotarem medidas imediatas para evitar a proliferação nos pomares.

brix (valor determinado em portaria do Ministério da Agricultura de 1998).

O objetivo é que, depois de colhido, ele atinja a maturidade necessária para ter um bom paladar, o que acontece na média dos 12 até14 graus brix. “Se colhido muito verde, o kiwi não amadurece bem e resulta em uma fruta ácida e de baixa qualidade, além do sabor ruim”, explica.

O plantio ocorre entre junho e julho, com investimento estimado em R$ 50 mil por hectare. A produção plena inicia após três anos, com capacidade de gerar até 25 mil toneladas por hectare. É exigente em água, por isso, é recomendada a irrigação dos pomares. Cada planta necessita de até cinco litros de água por dia.

Saiba mais

Se colhido muito verde, o kiwi n„o amadurece bem e resulta em uma fruta ·cida e de baixa qualidade

Marcos Cambruzzi, engenheiro agronômo

Hoje estima-se que 80% do kiwi consumido no Brasil seja importado de outros países, fato que aumenta ano após ano e evidencia o potencial da cultura. “É uma oportunidade de mercado, no entanto, um fungo tem feito a área estagnar e os pomares atingidos não serem replantados.”

O tempo de duração do ciclo da doença e outras informações ainda são estudados por pesquisadores da região, em trabalho liderado pela Embrapa.

“Quando é feita a poda, o recomendado é desinfetar as ferramentas com produtos à base de hipoclorito de sódio ou mesmo com álcool e água antes de ir para a próxima planta. Isso evita que a doença avance”, ensina.

Outro cuidado é a sanidade das mudas. “Muitos viveiristas deixaram de cultivar por não conseguir garantir que a planta estava livre do fungo.”

Cuidado ao colher

A colheita é determinada pelo teor de açúcar. Deve ter, no mínimo, seis graus

Planta é originária de colinas do sul da China. Os maiores produtores mundiais são Itália, Nova Zelândia e Chile. O Brasil tem apenas 600 hectares de área plantada. A fruta tem pouca gordura e nada de colesterol. É excelente fonte de vitaminas C e E, potássio e fibras dietéticas. Tem efeito anticancerígeno e anti-inflamatório.

Observar o ponto de maturação garante sabor, ensina Martini
TIAGO BALD/EMATER

Especialista aponta o clima favorável, disponibilidade de água, grãos, solo, tecnologia, mão de obra barata e sociedade em desenvolvimento como diferenciais para o país se tornar o maior produtor de alimentos do planeta. Modelo associativo é visto como saída para manter a agricultura familiar.

“O futuro do Brasil está na produção agrícola”

Ademanda por alimentos deve crescer 70% até 2030, com a incorporação de três bilhões de pessoas à classe média. Todos os dias, 180 mil pessoas migram da zona rural para as cidades, e 200 mil bocas adicionais precisam ser alimentadas. O diretor de Nutrição Animal da Cargill, professor Antônio Mário Penz Júnior, fala dos desafios e oportunidades do país na produção de alimentos.

A Hora – Quais as vantagens que podem tornar o país um grande produtor de alimentos no futuro?

Antônio Mário Penz Júnior – A oferta de água, grãos, clima favorável e tecnologia ajudarão a tornar o país o maior produtor de alimentos do planeta nas

próximas décadas. Transformamos a república das bananas no maior exportador de frangos. Fruto da modernização, da genética e sanidade.

Qual o principal desafio?

Júnior – É produzir mais, sem descuidar dos recursos naturais e tendo de driblar as consequências das mudanças climáticas. O Brasil precisará estimular o desenvolvimento de novas tecnologias para produzir mais com menor uso de recursos, lidar com segurança alimentar, identificação, rastreabilidade e sustentabilidade socioambiental; investir em pesquisa e culturas adaptadas às realidades locais, em sintonia com as mudanças climáticas.

Por que a avicultura é considerada o mercado mais

promissor?

Júnior – Pelo desenvolvimento de países do continente asiático e pela

frango sem restrições. Em torno de 1/3 da população mundial nunca comeu dessa carne. A avicultura brasileira se desenvolveu e se modernizou rapidamente. Com isso, cada vez mais, haverá uma procura por pessoas comprometidas, focadas em resultados, qualificadas, resistentes à pressão e com habilidades de relacionamento, que são os alicerces e a engrenagem que conferem a essas empresas uma vantagem competitiva frente a esse contexto. Entre 1960 e 2016, o setor cresceu 275%. Até 2025, o consumo interno per capita deve chegar a 54 quilos. Outro dado importante é o aumento da produtividade. Enquanto a área cultivada expandiu em 15%, a produção de milho se elevou 126% e a de soja

140%. Usamos apenas 8% da área disponível para produzir.

A urbanização favorece quem aposta na produção de alimentos?

Júnior – Sim. No Brasil, por exemplo, em 1972, apenas 53% das pessoas viviam na zona urbana. Hoje são 82%. Na China e na Índia, houve uma migração de cem milhões de pessoas para as áreas urbanas. Quem produzirá os alimentos para essa gente? Nós temos essa condição. O futuro do Brasil está na produção agrícola.

Considerações finais

Júnior – Água, terra, tecnologia e mão de obra. Esses quatro itens tornam a produção de alimentos no país um dos mercados mais seguros e promissores.

A tuberculose avança por falta de conscientização. Nos últimos dois anos, mais de quatro mil animais foram diagnosticados com a doença. Autoridades destacam a importância da sanidade para elevar o consumo de leite e derivados, além de possibilitar a abertura de novos mercados no exterior.

Controle estratégico

Aresistência do poder público e a falta de conscientização dos produtores em aderir ao Programa Estadual de Controle e Erradicação da Tuberculose e Brucelose Bovídea (Procetube) mantêm os focos ativos em todo o RS. O Procetube foi idealizado pela comarca de Arroio do Meio em 2009.

Conforme mapeamento da Seapi, desde dezembro de 2014, foram detectados 573 focos de tuberculose no RS, sendo 173 no Vale do Taquari. Nos últimos dois anos, mais de quatro mil animais foram sacrificados e a maioria das propriedades submetidas a um vazio sanitário.

Um dos casos mais recentes aconteceu em Mato Leitão. Após a realização dos testes anuais de brucelose e tuberculose em abril, foram diagnosticados 28 animais doentes na propriedade de Heitor Kerber, 58, em Sampaio. Kerber é um dos maiores produtores de leite da região. No intervalo de três meses, outros 39 registraram as enfermidades e foram sacrificados. O produtor foi orientado a eliminar todo rebanho e colocar a propriedade em vazio sanitário de 12 meses.

O primeiro foco foi detectado em 2013, quando três vacas foram abatidas.

“Faço testes desde 1994. Nunca tivemos problemas de tuberculose. Nossa qualidade e a sanidade do rebanho sempre foram um diferencial elogiado pela cooperativa. Infelizmente precisamos nos desfazer de todo plantel (190 animais).”

Vários hipóteses são consideradas para que a bactéria tenha atingido o rebanho – ataque de morcegos, gambás, cachorros infectados ou por meio de inseminadores e médicos-veterinários. “Não limparam as botinas ou não trocaram de roupa entre um e outro atendimento nas propriedades. Com isso, a bactéria pode ter infectado meus animais.”

O prejuízo chega a R$ 600 mil. Com a paralisação das atividades por no mínimo um ano, a filha caçula, Greice, 18, desistiu de ficar na propriedade e buscou emprego na cidade. “Difícil recomeçar, pois o valor da indenização é muito baixo. Estou desmotivado e com pouca ajuda para continuar.” Kerber receberá uma média de R$ 1,5 mil

por animal sacrificado. No entanto, cada vaca leiteira está avaliada em R$ 5,5 mil. Para reiniciar a atividade, calcula um investimento de R$ 450 mil, só na compra de animais. “Vamos investir

na produção de grãos, já que não teremos mais sucessores.” Nos últimos 15 anos, a família aplicou mais de 1,1 milhão em máquinas e infraestrutura para qualificar a produção leiteira.

Status abre novos mercados

Sem controle sanit·rio, a doenÁa se transforma em uma perda silenciosa na propriedade. … irreversÌvel e prejudica toda cadeia produtiva.

Conforme o presidente do Fundesa, Rogério Kerber, fazer os testes é uma escolha do produtor. Cabe a ele estar consciente da importância de fazer esse controle e oferecer tanto para a indústria como ao consumidor final um produto de excelente qualidade e de procedência garantida. “Não se pode comprar ou aceitar doação de animais sem fazer os testes. Esse descuido pode resultar em grandes perdas.”

Destaca o trabalho realizado por cooperativas e alguns municípios no Vale do Taquari para conseguir certificar as propriedades leiteiras. Para Kerber, esse status sanitário ajuda a elevar o consumo e garante acesso a novos mercados, como a Rússia. O país exige o atestado de área livre de tuberculose e brucelose na hora de comprar o leite em pó. Dos R$ 68 milhões arrecadados pelo Fundesa em 2016, R$ 2,4 milhões foram aplicados na indenização de famílias que tiveram animais abatidos por problemas sanitários. Segundo Kerber, isso significa que

Kerber foi orientado a eliminar todos os 190 animais e colocar a propriedade em período de vazio sanitário. Prejuízo chega a R$ 600 mil

mais produtores buscam sanear o rebanho. “Vemos como positiva essa adesão”, avalia. O Fundesa também recuperou mais de R$ 1,2 milhão em contribuições que estavam pendentes no ano de 2016. Dessa forma, mais empresas e produtores estão regularizados e aptos a receber indenizações. “Nossa intenção é trabalhar intensamente para que todos os produtores e agroindústrias recolham a contribuição. Sem isso, o pagamento é inviável.”

Processo irreversível

Para o médico-veterinário Rodrigo Etges, coordenador do Programa de Controle da Tuberculose e Brucelose da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), o saneamento do rebanho é um processo irreversível tendo em vista a saúde do próprio produtor e a exigência do mercado. “Isso é condição básica para exportar, sem falar do risco de contágio

Valores das indenizações

Até 12 meses terneira 12 a 24 meses novilha 25 a 36 meses – vaca jovem

37 a 59 meses vaca adulta Vaca acima de 60 meses

Puro origemR$ 1.620R$ 2.025R$ 2.700R$ 2.295R$ 2.025

Puro cruza origem conhecidaR$ 1.377R$ 1.721R$ 2.295R$ 1.950R$ 1.721

Puro cruza origem desconhecidaR$ 1.215R$ 1.518R$ 2.025R$ 1.721R$ 1.518

Sem registroR$ 972R$ 1.215R$ 1.620R$ 1.377R$ 1.215 Fonte–Fundesa

entre humanos. De nada adianta investir em nutrição, genética, se não tiver sanidade.”

Etges justifica a pouca adesão dos municípios ao programa devido à dificuldade de compreensão dos produtores da necessidade de obter os certificados.

“Quem tiver animais positivos terá prejuízos. Poucos prefeitos estão dispostos a assumir essa responsabilidade de realizar os testes e colocar sua imagem política em jogo.”

No Vale do Taquari, das seis cidades que iniciaram o projeto-piloto há sete anos, apenas Arroio do Meio, Travesseiro e

Nova Bréscia mantêm os testes de forma regular. “A região é propícia a registrar tuberculose. Temos uma estimativa de que a cada cem propriedades cinco estão infectadas.”

Embora a adesão seja voluntária, de acordo com Etges, uma lei publicada em 1952 obriga o produtor a apresentar o teste negativo para a tuberculose como condição para vender o produto à indústria. A melhor forma de prevenir é evitar o trânsito de animais não testados pela propriedade, ensina. Para obter o certificado de propriedade livre da doença, o produtor necessita

fazer dois testes no intervalo de seis a 12 meses. O valor por animal é de R$ 20. Todos precisam ser testados e não somente aqueles que serão vendidos ou comprados, alerta.

Segundo ele, normalmente os animais com tuberculose não têm qualquer sinal clínico da doença. Apenas quando está mais avançada, eles apresentam perda de peso, tosse, problemas reprodutivos e diminuição da produção de leite. “Isso é um complicador, pois fica mais difícil conscientizar o produtor da importância da rápida eliminação dos animais quando esses são considerados reagentes

positivos ao teste da tuberculina. Canso de ver animais com a bactéria e produzem 50 litros de leite ao dia.”

Desde 2014, foram detectados 578 focos no RS e mais de quatro mil animais abatidos. Hoje existem 282 ativos e as áreas estão em processo de saneamento. “Instalamos um vazio sanitário por semana”, observa Etges.

A bactéria vive por até dois anos em locais úmidos. Após ser interditada, a área é desinfectada e os animais voltam a ser alojados nos galpões após oito meses.

Ressalta que o RS é o único estado a indenizar o produtor com recursos do Fundesa de acordo com a origem do animal e a sua faixa etária, pelo Mapa (16,6% sobre o valor do animal abatido) e ainda paga ao agricultor um auxílio durante três meses sobre o valor médio da renda obtida com a venda de leite.

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