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AH - Agronotícias | 25 e 26 de março de 2017

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Do tabaco à produção de alimentos

Durante a 17ª Expoagro Afubra, em Rio Pardo, foram apresentadas alternativas para diversificar as lavouras e reduzir a dependência pela fumicultura. Muitas opções esbarram na falta de rentabilidade e mercado consumidor.

Páginas 6 e 7

Informe Agroeconômico

INDICADORES

valoratualização

Salário

Mínimo R$ 880,00 2016

TR 0,14% 11/16

CDI 1,04% 11/16

SELIC 14,25% 11/16

IPC-A 0,26% 11/16

VariedadeR$/kgR$ /arroba

TO1 10,22153,30

TO28,63129,45

TO37,33109,95

BO110,74161,10

BO29,30139,50

BO3 7,48 112,20

CO1 10,31 154,65

CO2 9,06 135,90

CO3 7,31 109,65

XO19,06135,90

XO27,61114,15

XO3 6,24 93,60

PRODUTOS AGRÍCOLAS

ProdutoUnidade

Arroz em casca 50kg47,0048,4852,00

Feijão60kg160,00225,00300,00

Milho60kg30,0034,8341,00

Soja60kg66,0070,6374,00

Trigo60kg28,0028,7030,00

Boi p/ abate kg vivo 4,505,005,30

Cordeiro p/ abate kg vivo 5,005,676,20

Suíno tipo carne kg vivo 3,003,654,50

Vaca p/ abate kg vivo 4,104,505,00

Leite (valor líquido) litro 0,961,111,78

Fundado em 1º de julho de 2002 Vale do Taquari

Editorial

Desrespeito com o consumidor

Vale das fraudes.

Água contaminada, carne sem procedência, alimentos vencidos e leite e derivados adulterados. Um verdadeiro desrespeito ao consumidor. De nada adianta o esforço do produtor e de diversas organizações em busca de soluções para melhorar a imagem da região, considerada referência na produção de alimentos.

Legislação branda, falhas na fiscalização e a disputa de poder entre as entidades que representam a cadeia leiteira sobrepõem a necessidade de criar políticas públicas e leis mais rigorosas para impedir a recorrência desse tipo de crime.

Fonte de lucro para milha-

DIRE« O EDITORIAL

Fernando Weiss

res de agricultores familiares, a produção leiteira caiu no descrédito e virou motivo de chacota estado afora. É inadmissível ver 12 operações do Ministério Público em menos de quatro anos e não termos qualquer providência assertiva, com punição exemplar aos criminosos.

Ainda se coloca os interesses econômicos acima da saúde das pessoas. Quem deveria representar a cadeia se isenta da culpa e busca apenas defender quem contribui financeiramente para manter os sindicatos. Está na hora de unir forças e de uma vez por todas acabar com as irregularidades.

Enquanto isso, o pro-

COORDENA« O Giovane Weber

PRODU« O Giovane Weber MARÇO

dutor amarga prejuízos e desiste da atividade. Em alguns municípios, a queda na arrecadação é visível e forma um caos social. Com a promessa de abrir novos mercados no exterior, muitas famílias foram induzidas a investir em qualidade, ampliar a oferta e modernizar o processo para atender as exigências. A recompensa veio com a abertura e importação histórica de leite em pó.

Enquanto tentam encontrar medidas governamentais para regrar o setor, as brechas persistem e as fraudes continuam. Aguardemos a próxima operação do MP.

Boa leitura

Tiragem desta edição: 10.000 exemplares. Disponível para verificação junto ao impressor (ZH Editora Jornalística) ARTE Gianini Oliveira e Fábio Costa

Crocante, suculenta e de doçura incomparável. Até abril, a colheita de maçã será intensa nos pomares. De acordo com a Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi), a safra é excelente e serão colhidas 430 mil toneladas, 19 mil a mais do que no ciclo passado. No país, a estimativa é de produzir um milhão de toneladas. De acordo com o presidente da Agapomi, Eliseu Boeno, as condições meteorológicas, 700 horas de frio no inverno, foram fundamentais para obter maior produtividade e frutas de alta qualidade. “A firmeza de polpa, teor de açúcar, acidez e equilíbrio, tudo está ótimo”, avalia.

O setor movimenta R$ 6 bilhões ao ano e emprega 195 mil pessoas, de forma direta e indireta.

Foco em saúde

Conforme pesquisa da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), de cada dez maçãs consumidas no país, nove vêm da Região Sul, “Atrai pelo sabor, cor, aroma e açúcares”, destaca Moisés Albuquerque, diretorexecutivo.

Para elevar o consumo per capita, 5,7 quilos, Albuquerque foca na divulgação dos valores nutricionais. Com base em pesquisas, uma maçã por dia auxilia a digestão, modera o apetite e controla o colesterol, além de atuar contra a diarreia, retardar o envelhecimento e prevenir o reumatismo.

Fruticultor otimista

Nos pomares da família Guarda, em Arvorezinha, foram colhidas 570 toneladas. São 15 hectares cultivados com as variedades gala, eva e fuji. Segundo Alberto, a maçã está muito suculenta, corada e de excelente qualidade. “É a melhor da história.

Altos índices de frio ajudaram no desenvolvimento das macieiras e garantem frutas de excelente qualidade, suculência e teor de açúcar. Estado é responsável pela metade da oferta nacional. Preço agrada produtores.

Safra tentadora

Tivemos um clima adequado, chuvas dentro da média e sem excesso de calor”, comemora.

Apesar do impacto negativo causado pela crise e o aumento do desemprego, o produtor está confiante. Com frutas graúdas e saudáveis, o valor da caixa de 18 quilos aumentou. Varia entre R$ 45 e R$ 50. As frutas são vendidas para São Paulo e Rio de Janeiro, maiores polos consumidores.

Para mantê-las conservadas e conseguir preços mais elevados na entressafra, parte delas é armazenada em câmaras frias. A criação de uma cooperativa em parceria com outros 18 produtores auxilia na redução de custos, garante novos mercados e assistência técnica.

Juntos, cultivam 48 hectares de maçã, pêssego, ameixa e uva. No saco de adubo, a economia chega a R$ 12 e, no herbicida, passa de R$ 50. “Unir-se é a saída para manter os pomares, ter oferta em escala e atender às exigências dos clientes”, afirma. As frutas são colhidas e levadas à propriedade dos Guarda. Lá são lavadas, classificadas, embaladas e comercializadas com certificado fitossanitário de origem.

A previsão é de comercializar até 400 toneladas de frutas pela cooperativa neste ciclo.

Faltam trabalhadores

Durante a safra, são contratados diaristas. Cada um recebe em média R$ 25 a cada 300 quilos colhidos. A falta de mão de obra qualificada é a maior dificuldade. O técnico em Agropecuária, Edemir de Bona, 23, presta orientação para 20 propriedades da cooperativa. Segundo ele, o setor carece de profissionais preparados. “Delicadeza, suavidade e precisão são fundamentais para tirar a maçã do pé. Ela não pode ser batida nem muito apertada”, ensina.

Família Guarda colheu 570 toneladas. Frutas estão graúdas, suculentas e com excelente teor de açúcar
GIOVANE WEBER

O economista e presidente do Instituto de Educação no Agronegócio (I-UMA), José Américo da Silva, fala dos desafios e demandas para o agronegócio. Destaca a necessidade de priorizar o conhecimento, a pesquisa e o cultivo sustentável. Também defende o acesso a novas tecnologias e a qualificação da gestão para elevar a oferta de alimentos.

Exportar mais valor é desafio do campo

Segundo o economista

José Américo da Silva, o maior desafio é valorizar a matéria-prima, com foco em sustentabilidade. Investir em pesquisa, qualificar a gestão, disseminar o conhecimento e garantir acesso a novas tecnologias é fundamental para aumentar a oferta de alimentos e tornar o país mais eficiente em toda cadeia produtiva, afirma.

A Hora – Como é possível aliar novas tecnologias e produzir de forma sustentável?

José Américo da Silva – Com responsabilidade e estratégias integradas e simultanea-

mente articuladas para que todos os atores da produção estejam engajados no que representa o conceito de sustentabilidade de plantio, de colheita e de resultados. Todos precisam fazer sua parte.

O aumento da produtividade é a saída?

Silva – É a palavra de ordem. Precisamos melhorar a produtividade das terras agrícolas existentes. Elevar seus “tetos” de rendimento por meio do melhoramento genético e manejo da cultura. Com aplicação mais eficien-

te de fertilizantes e uma irrigação mais racional, podemos produzir muito mais alimentos sem aumentar a quantidade de terras culti-

Qual será a importância da tecnologia de informação?

A interconectividade e a interdependência é cada vez maior das tecnologias da informação e das comunicações. Incentivamos essa mudança na forma de gerir e produzir por meio do Agroeduc. É uma nova ferramenta de aprendizagem no campo, que une a tecnologia

de jogos de negócio ao conhecimento de gestão para melhorar o desempenho da propriedade. O sistema permite soluções customizadas e com conteúdos exclusivos para todos os segmentos – leite, carnes (bovino, suíno e frango), grãos (arroz, soja, milho, trigo, café, cevada), hortifrutigranjeiro, cana-de-açúcar, vitivinicultura, agroenergia, aquicultura e algodão.

Como tornar a sucessão um processo mais exitoso?

Silva – Tudo passa pelo conhecimento, gestão e resultado financeiro. As cooperativas têm bons

exemplos. É um sistema organizado e de participação compartilhada. Quanto melhor for a administração, melhores os resultados.

Considerações finais

Silva – O mundo é de percepções e refiro-me aqui em como o agronegócio no Brasil é percebido pela sociedade urbana e em como o país é percebido internacionalmente. Tanto interna ou externamente, deixamos de fazer marketing que vá da mente à mesa do consumidor. Precisamos exibir os nossos cases de sucesso.

Reconhecida como uma feira voltada ao incentivo da diversificação na agricultura familiar, a 17ª edição da Expoagro Afubra apresentou alternativas para reduzir a dependência do tabaco. Falta de rentabilidade e mercado consumidor travam mudança.

Expoagro mostra saídas para substituir o tabaco

“Plantar para virar fumaça não tem graça, né?”, questiona o produtor e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santiago, Samoel Wesz (foto de capa), ao justificar a redução de quase 30% na área de tabaco no município nos últimos dez anos. Além dele, outras cem famílias se dedicam à produção de hortigranjeiros, vendidos em feiras diárias, mercados ou programas sociais do governo federal. Embora muitos vizinhos ainda persistam na fumicultura, acredita que a produção de alimentos seja um caminho viável para quem pretende substituir a atividade. “Ninguém deixa de comer. A demanda só aumenta”, destaca.

Ao lado do filho caçula, Eduardo, e o técnico agrícola, Adriano Sampaio, buscou conhecimento e novas tecnologias para aprimorar o trabalho na lavoura. A produção de hortigranjeiros é responsável por aumentar os índices de propriedades com sucessão. “Temos duas mil na cidade e 30% têm sucessores. Os jovens querem uma carga de trabalho menos penosa, mais qualidade de vida e lucratividade”, aponta.

Há quatro anos foi criada uma cooperativa, composta por 70 produtores. Além de aproximar as famílias do mercado consumidor, facilita a venda, incrementa a oferta e a variedade. “A

fumicultura deixou de ser o único setor organizado que garante orientação técnica, compra do produto, acesso ao crédito e novas tecnologias”, garante.

Alternativas

Egon Becker Janke e o cunhado, de São Lourenço do Sul, cultivam cem mil pés de fumo faz 30 anos. Embora a atividade ainda seja a principal fonte de renda, Janke está preocupado em diversificar para se proteger contra as instabilidades do mercado. Neste ciclo, está apreensivo com o excesso de oferta que tem derrubado o preço da arroba. No espaço da Emater, buscou informações sobre o cultivo de hortaliças. “Só depender do tabaco não é bom. Os hortigranjeiros despontam como uma boa opção. Diversificar nos traz segurança”, avalia. A decisão de reduzir a área está em discussão, no entanto, descarta a possibilidade de interromper o cultivo. A receita por hectare é boa, mesmo quando plantamos

pouco, assegura.

O fumicultor Paulo

Antônio Kindzierski, de Dom Feliciano, esteve acompanhado do filho Talisson. Juntos procuram alternativas para que no futuro a propriedade tenha um sucessor e reduza a dependência da renda proporcionada pelo tabaco. Mas falta de assistência, garantia de preço estável, opções rentáveis e mercado fixo dificultam a mudança. “Hoje só a indústria fumageira é confiável. É sofrido nos meses de colheita, mas quem tem produto de qualidade, consegue vender e lucro certo”, observa Talisson.

A família cultiva 90 mil pés por safra. Outras culturas como milho, soja, feijão, criação de gado e hortigranjeiros são mantidos apenas para a subsistência.

Dependência da receita

O casal Nelson e Maria Weschenfeder, de Venâncio Aires, cultiva 35 mil pés por ciclo. Todas as tentativas de substituir a renda do tabaco terminaram frustradas. Para obter a mesma rentabilidade proporcionada pelo tabaco em um hectare, seria necessário plantar até oito hectares de milho, calcula Maria.

O casal de vizinhos, Eloi e Carine Rohte, concorda.

Neste ciclo, foram plantados 80 mil pés. Projeta uma média de R$ 120 por arroba. Apesar da queda no faturamento em comparação à safra passada, o lucro é satisfatório. “Temos pouca terra, logo é inviável produzir grãos ou leite”, explica.

O impacto dos bons resultados do tabaco vai além do campo. Adair Benato, de Veranópolis, volta as atenções aos resultados da lavoura e torce por uma boa remuneração das indústrias, mesmo sem cultivar fumo. “Quando tudo vai bem no campo, todos ganham”, destaca. Empresário do ramo de equipamentos agrícolas, comemorou a conquista de novos clientes na feira. As projeções de uma safra farta de grãos, tabaco de alta qualidade e a crescente demanda por alimentos empolgam Benato. A empresa atende toda Região Sul e firmou parcerias com representantes em Minas Gerais. “A agricultura familiar é o alicerce do meu negócio. Produzir alimentos é um negócio seguro, com demanda assegurada”, finaliza.

Estabilidade

Segundo o presidente da Afubra, Benício Albano Werner, a feira proporciona conhecimento e traz ao agricultor alternativas viá-

FOTOS GIOVANE WEBER
Janke busca opções viáveis para diversificar a renda hoje dependente do tabaco

veis para consorciar com a lavoura de fumo. Cita a agroindústria como uma estratégia interessante. “Faltaram produtos em alguns estandes. Mostra que existe mercado e as pessoas valorizam o produto mais natural e saudável”, comenta.

Ressalta a necessidade constante da criação de linhas de créditos e de tecnologias para facilitar o acesso ao campo. Também ressaltou a importância do papel da mulher para a manutenção e gerenciamento das propriedades agrícolas.

O engenheiro agrônomo da Emater, Valdir Zonin, salienta o potencial da erva-mate. “São 192 propriedades medicinais. Possível utilizar a matéria-prima para fazer cosméticos, remédios, alimentos entre outras finalidades. Excelente alternativa para investir”, expõe. Alberto Pinheiro, enge-

nheiro agrônomo, cita a fruticultura como opção, hoje restrita a algumas regiões, em virtude de questões econômicas e culturais. Os microclimas da geografia local possibilitam bons resultados. Demanda existe, basta analisar as vendas nos mercados, exemplifica.

Plante florestas

O presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Diogo Leuck, fala das vantagens em plantar florestas na agricultura familiar, pois é uma colheita que já pode ser efetuada após

sete anos, para a celulose, e de 15 anos, quando destinada à serraria. Conforme Leuck, antes de plantar, o produtor precisa tomar algumas precauções, como escolher o espaço, pesquisar para quem vender (mercado) e alternativas de parcerias

com empresas. “Hoje há muitas empresas instaladas e que têm capacidade para absorver a matéria-prima madeirável existente”, frisa. Acrescentou que as espécies mais recomendadas para reflorestar são eucalipto, pinus e acácia negra.

Chama atenção para o fato de o estoque de madeira estar reduzido e não haver perspectiva de redução de consumo. Ressalta que até 2050 o aumento do consumo de madeira no mundo vai triplicar e não se pode esperar até 2049 para investir na floresta. O professor e coordenador do Centro Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Jorge Antônio Farias, diz que a cultura é uma oportunidade de desenvolvimento regional, diversificação e geração de emprego e renda, e, como consequência, uma melhor qualidade de vida.

Kindzierski, de Dom Feliciano, reclama da falta de orientação técnica e organização da cadeia produtiva

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