Especial do jornal A Hora





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Especial do jornal A Hora









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Descaso, abandono, poucos servidores e baixo investimento prejudicam o trabalho da Fepagro. Criada em 1994, no governo de Alceu Collares, a fundação atua na área de pesquisa para melhoria da produção agropecuária no RS. Pesquisadores e líderes lamentam a falta de apoio para levar ao campo técnicas de cultivo para qualificar e ampliar a produtividade gaúcha.
Páginas 11 a 15





O Brasil é, sem dúvida, uma referência global na produção de alimentos. Para dar conta de fornecer até 40% da oferta mundial, será fundamental o investimento em novas pesquisas, tecnologias e assistência técnica para oferecer ao produtor cultivares mais resistentes às intempéries do clima e ataque de pragas e doenças. Que sejam mais produtivas, exijam menos agrotóxicos, além da incorporação de áreas degradadas aos sistemas produtivos. Com isso serão gerados cada vez mais excedentes para a exportação e agregação de valor à matéria-prima.
Nesse contexto, a pesquisa precisa ser vista como oportunidade e não despesa. Ela proporciona mais do que alimentos à mesa dos brasileiros e do planeta. Possibilita diversificar a produção, desenvolvimento territorial, qualidade de vida, valorização da cultura local, fixação das famílias no campo, geração de emprego e renda e conservação dos recursos naturais. Enfim, pela pesquisa, ciência e tecnologia será garantido o crescimento econômico com sustentabilidade ambiental, social e institucional.
Em 2014, o PIB agropecuário brasileiro fechou o ano com um avanço de 0,4%, o que representa em torno de 23% do PIB nacional e a geração de mais de R$ 1 trilhão para o país.
DEZEMBRO


3 Safra de uva – Clima favorável e boa qualidade


4 Florestas plantadas – Novas regras incentivam retomada

6

Tecnologia é aliada ao bem-estar

N„o se faz pesquisa com contrataÁıes pontuais ou em departamentos. Esse È um trabalho contÌnuo e aplicado ‡s necessidades especÌficas regionais.
Aproximadamente 90% do crescimento do produto agropecuário resultou de ganhos de produtividade e 10% do aumento do uso de insumos, mesmo com fortes impactos meteorológicos.
Em conjunto, Fepagro, Embrapa e demais órgãos de pesquisa ajudaram a elevar o Brasil da condição de importador de alimentos básicos para o posto de um dos maiores produtores e exportadores mundiais de alimentos.
Para cada R$ 1 que o governo estadual investe na fundação, ele recebe R$ 36. Muito do que deixou de ser feito nos últimos anos é fruto da falta de investimentos do governo à beira da falência. Mas essa situação não pode reduzir a relevância a fundação, que nas últimas duas décadas criou 34 tecnologias.
É preciso que empresas, governos e produtores estejam envolvidos na criação de novas sementes, métodos inovadores de controle de pragas, na conservação de alimentos, embalagens e adubações menos poluentes, assim como na redução dos custos de produção. Chama a atenção a falta de apoio do setor em defesa da entidade. Se for extinta e prejudicar a difusão de novas tecnologias ou mesmo setores como a exportação de proteína animal, não se pode reclamar depois, já que pouco foi feito para salvar a instituição.
Em um estado onde a agropecuária corresponde a 40% do PIB gerado, seria um retrocesso extinguir os centros de pesquisa. Existe a necessidade eminente de reestruturar a instituição, qualificar a gestão e aplicar melhor cada centavo investido.
Boa leitura!
Fundado em 1º de julho de 2002
Vale do Taquari - Lajeado - RS
Diretor-geral: Adair Weiss
Diretor de Conte˙do: Fernando Weiss

Diretor de OperaÁıes: Fabricio Almeida

Criadores apostam na homeopatia


Entrevista com a diretora-geral da OIE, Monique Eloit

8 10 11

Especial - Fepagro - pesquisa está abandonada
A seguir, a opinião sintetizada sobre este caderno dos integrantes do grupo de discussão, que participam a cada mês da elaboração das principais pautas e temas abordados.

ag ag ma
O agronegócio no RS é responsável por 40% do PIB do estado. Diversas pesquisas agropecuárias são realizadas pela Fepagro, entre elas, a do desenvolvimento de inoculantes, em que a aplicação desses produtos somente nas lavouras de soja gera uma economia de R$ 9 bilhões por ano. Os laboratórios de saúde animal realizam exames, como doença de New Castle, peste suína clássica, brucelose e leptospirose. Essa atividade é fundamental para a saúde da população e também para manter o status sanitário do RS possibilitando a exportação dos produtos animais. Os programas de melhoramento vegetal e seu banco de germoplasma são importantíssimos (variedades de citrus, mandioca, batata-doce, feijão, milho, cana-de-açúcar, sorgo). As pesquisas realizadas pela entidade contribuem para aumentar a produtividade no campo, que, por sua vez, aumenta o PIB do RS. Por isso, a Fepagro não deve ser extinta.

Marcelo Brandoli – Gerente regional da Emater/RS-Ascar de Lajeado
A pesquisa é o sinônimo de desenvolvimento. É dela o resultado hoje disponível para o lançamento de produtos novos, variedades mais existentes a doenças, maior produtividade, precocidade dos ciclos das plantas, etc. Em toda essa cadeia, a Fepagro tem sua importância, no entanto, precisa ser reestruturada para se tornar mais visível, pois está muito aquém da iniciativa privada, criando seu descrédito.
Lauro Baum – Presidente do STR de Lajeado



A Embrapa enxerga que a extinção da Fepagro vai diminuir muito a capacidade de oferecer tecnologias no estado. Sozinhos não teremos como dar conta de toda demanda. Desenvolvemos em conjunto 30 projetos de pesquisa e inovação. Auxiliamos na liberação de R$ 12,8 milhões para modernizar a estrutura da Fepagro. Os frutos gerados ajudam a superar os desafios de produzir alimentos de qualidade para o mundo. Cada vez mais, nos damos conta que a ciência é o motor do desenvolvimento, que a pesquisa e a inovação devem ser priorizadas como elemento essencial no fortalecimento da agricultura que se tornou o pilar de sustentação da economia do país.
DIRE« O EDITORIAL
Fernando Weiss
PRODU« O Giovane Weber
COORDENA« O Giovane Weber
Tiragem desta edição: 10.000 exemplares. Disponível para verificação junto ao impressor (ZH Editora Jornalística) ARTE Gianini Oliveira e Fábio Costa

Vitivinicultores estimam colher 685 mil toneladas. Frio favoreceu o desenvolvimento dos parreirais, resultando em frutas de excelente qualidade e e sanidade. Colheita será intensificada em janeiro. Preço mínimo desagrada.
Após problemas meteorológicos –geada, granizo, excesso de chuva e calor – provocarem quebra de 65% na safra passada, o cenário atual é animador. A qualidade é considerada excelente. A quantidade de frio e chuva favoreceu o desenvolvimento dos parreirais e garante uma produção dentro da média. Conforme Enio Todeschini, engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, foram contabilizadas mais de 600 horas com temperaturas abaixo de 7,2ºC. A média histórica é de 410 horas. Em 2015, foram apenas 145 horas registradas. “É um volume extraordinário. E o frio foi constante, sem veranico no meio, o que é muito importante porque garante um desenvolvimento melhor.”
Outro benefício gerado pelo frio foi a redução gradual do uso de agrotóxicos para o controle de pragas. No ano passado, a maioria dos produtores fez três aplicações – média histórica – enquanto no ciclo atual esse número caiu pela metade. “Melhora a sanidade, tivemos poucos registros de doenças e a planta está sadia. Ganha o produtor e o consumidor com uma fruta mais saudável.”
Na última safra, apenas 304 mil toneladas foram contabilizadas devido a uma série de fatores que gerou uma quebra de 65% em relação à tem-
porada anterior, a maior da história (com 855 mil toneladas). Se a projeção for confirmada, a alta desta safra em relação à última será de 125%. A estimativa é de colher 685 mil toneladas.
A família Franchini, de Muçum, mantém três mil plantas das variedades niágara rosa, branca, isabel e francês precoce, todas destinadas ao consumo in natura. A colheita está finalizada, com rendimento superior a 30 mil quilos.
A safra iniciou na primeira quinzena deste mês. O quilo da fruta foi vendido ao preço médio de R$ 4.
O expressivo número de horas de frio resultou em frutas mais sadias e de boa qualidade. “As condições meteorológicas estavam perfeitas”, destaca Marcos. O quilo foi vendido ao valor médio de R$ 4.
Além da uva, cultivam hortigranjeiros. Por mês, comercializam seis mil toneladas com escolas do município e a Ceasa de Caxias

do Sul. Marcos recebe a ajuda do sogro Danilo.
Menor oferta eleva preço
Conforme o técnico em Agropecuária da Emater, Jairo Bellini, as condições meteorológicas permitem o amadurecimento antecipado das uvas. “Conseguimos vender quando
Marcos Franchini,
produtor
a oferta é pequena e isso aumenta o lucro do produtor.”
A maioria dos 49 hectares de parreirais está localizada nas áreas mais baixas, próximas de rios, contemplando variedades de uva precoces. Até janeiro, devem ser colhidas mais de 120 toneladas. Bellini diz que o preço mínimo, fixado em R$ 0,92 para a variedade isabel, desagrada os produtores. Instalar um hectare de videiras custa R$ 60 mil. Sem contabilizar investimentos em tecnologia para amenizar a falta de mão de obra e aumento dos custos com adubos e fungicidas. A margem de lucro de quem produz é muito apertada, alega.
Na maioria dos pomares no Vale do Taquari, o forte da safra será a partir da segunda quinzena de janeiro.
Uva destinada ‡ ind˙stria
– 898 produtores – 1.248 hectares – 19,7 mil toneladas
Uva de mesa
– 465 hectares – 6,2 mil toneladas – 231 produtores

Novo marco legal torna-se um estímulo à ampliação das florestas plantadas. Cultivo sofreu retração de 150 mil hectares no RS desde 2010, quando chegou a ter 738 mil hectares. Produtores apostam no plantio de novas espécies.

Aárea destinada às florestas plantadas reduziu 21% em oito anos. Segundo levantamento do Comitê da Indústria de Base Florestal e Moveleira da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), passou de 748 mil para 590 mil hectares. Entre as justificativas dos produtores, estão a burocracia e a falta de incentivos à cultura. Com o novo marco regulatório de florestas plantadas, governo, indústrias e produtores projetam retomar o crescimento. O regramento, elaborado depois de oito anos de discussão do governo com as entidades do segmento, visa desburocratizar as atividades ligadas à silvicultura e reduzir o tempo de espera pelo licenciamento, que, em alguns casos, ultrapassa dois anos. Entre as principais mudan-
ças previstas no projeto, está a transferência das atribuições de planejar e implantar as políticas destinadas ao setor da Secretaria do Meio Ambiente para a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), a exemplo do que ocorreu no governo federal e em outros estados.
O licenciamento, porém, continua a cargo da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (Fepam). O Fundo de Desenvolvimento Florestal (Fundeflor) passa a ser vinculado à Seapi e seus recursos serão utilizados no desenvolvimento de ações voltadas ao segmento. “As regras foram simplificadas e claras, para dar segurança jurídica a todos e crescer de forma sustentável”, explica o secretário de Agricultura, Ernani Polo.
Diego Leuck, presidente da
Ageflor, considera que a proposta estimula o aumento da base florestal, dando aos produtores acesso a financiamento, o que garantirá a venda da produção para grandes empresas. O estado já perdeu muitos investimentos florestais por não ter segurança jurídica, visto que há mudanças nas regras motivadas pela política. Com a aprovação das novas regras, isso acaba, diz.
Cita a possibilidade de abrir novos mercados no exterior com a exportação de pallets para energia. O RS é um dos estados mais competitivos em rendimento das florestas, por questões meteorológicas, além de ter uma logística privilegiada para exportação, aposta.
Conforme o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, as novas regras auxiliarão a legali-
Espécies mais plantadas
Eucalipto – 309,1 mil ha
Pinus –184,6 mil ha
Acácia negra –103 mil ha
O RS responde por 8% da área total de florestas plantadas do país (7,8 milhões de ha)
Empregos
326 mil diretos e indiretos
Faturamento
R$ 13,7 bilhões – 4% do PIB
Existem 2,3 mil empresas de base florestal
Consumo 7,2 milhões de m³
Produção
1,75 milhão de toneladas de celulose – 10% do país
1,54 milhão de m³ painéis reconstituídos – 21% do país
900 mil toneladas de cavacos –60% do país
Exportações
631 milhões de dólares
Investimentos previstos até 2020
R$ 4 bilhões
zar áreas que hoje estão ilegais devido ao rigor e burocracia na hora de licenciar a atividade.”
Uma das principais mudanças introduzidas pelo texto é a diferenciação entre pequenas, médias e grandes propriedades. Maioria entre os silvicultores – segundo a Ageflor, cerca de 80% do total –, os pequenos produtores terão o licenciamento simplificado. “Não é facilitar, mas ser menos exigente em documentações para baixar o custo”, explica o agrônomo Eugene Chouene, coordenador da Câmara Setorial de Florestas Plantadas, órgão que coordenou o debate sobre o regramento.
Dalci Corbellini, de Sério, 60, cultiva eucaliptos e cedro australiano em uma área de 50 hectares. Com as terras íngremes e falta de sucessores na propriedade, a atividade foi incrementada.
No entanto, está insatisfeito com o preço, estagnado faz três anos, e a alta nos custos. Nos últimos dez anos, o valor do lote de mil mudas saltou de R$ 40 para mais de R$ 200 depen-
dendo da variedade. Isso sem contar os gastos com adubação e combustível, tanto para o trator quanto para a motosserra, que, segundo o produtor, “deixam tudo muito caro”, pois, na ausência de mão obra na propriedade, necessita contratar equipes para fazer o desbaste ou a derrubada do mato. Espera que o novo marco legal estimule a indústria, a exportação e valorize a matéria-prima. “O metro cúbico do eucalipto está cotado a R$ 25. Vou deixar formar tora onde ganho mais.”
O plantio de florestas È uma poupanÁa a longo prazo
Dalci Corbellini, silvicultor

Corbellini é pioneiro em plantar cedro-australiano na região. São 12 mil mudas cultivadas nos últimos seis anos. “É uma madeira de alta qualidade para o setor moveleiro, para o setor de construção civil, esquadrias. Por isso, ela é destinada a fins nobres e tem um bom valor de mercado”.
A árvore vem das matas da costa leste da Austrália. Lá podem ter um metro e meio de diâmetro e 45 metros de altura. Cada muda custa entre R$ 3 e R$ 4. O cedro-australiano não é uma árvore rústica como o eucalipto. E, para produzir bem, exige uma série de cuidados. O primeiro ano de vida é a etapa mais delicada do desenvolvimento da planta. Além de caprichar na adubação, os agricultores precisam evitar o crescimento de mato nas entrelinhas e devem usar produtos pra combater um inimigo bem conhecido: a saúva. “É sensível ao vento e nos primeiros anos precisa fazer a poda dos galhos inferiores, que podem criar nós na madeira.”
O primeiro desbaste é feito aos quatro anos, o segundo, após os oito. O corte final ocorre aos 15 anos. Cada hectare deve gerar 260 metros cúbicos de madeira – somando o debaste de oito anos e o corte final, aos 15.
Se essa produção for vendida como tora, pode trazer um lucro de cerca de R$ 70 mil por hectare, já descontados os custos de produção. No caso da venda da madeira serrada, o lucro líquido subiria para R$ 240 mil por hectare. “O plantio de florestas é uma poupança a longo prazo.”
Vale lembrar que isso são estimativas. Afinal, custo e preço costumam variar bastante ao longo do tempo e de uma região para outra.


BRF instala primeiro galpão climatizado em Arroio do Meio. Sistema permite melhor conversão, reduz mortalidade e o tempo de alojamento. Principal vantagem é o bem-estar dos animais.
Tudo controlado de forma automática 24 horas por dia. Luminosidade, temperatura, umidade, quantidade de ração, água e pouco contato com o produtor. A partir de janeiro, funcionará em Arroio do Meio o primeiro galpão climatizado de suínos do RS, da integradora BRF.
Segundo a médica-veterinária
Janaína de Vargas Brunetto, a estrutura adota o mesmo sistema empregado há vários anos na avicultura, o darkhouse. O modelo é visto como uma opção para melhorar a eficiência e produtividade da criação. Entre os benefícios, destaca a redução da taxa de mortalidade e do tempo de alojamento e a melhora da conversão alimentar.
A alta rentabilidade é atribuída ao ambiente controlado. Pouco estresse, temperatura estável do ambiente e do corpo, com luminosidade controlada, favorecem o bem-estar.
Dentro da estrutura, o piso será 100% vazado. A se evita o contato dos suínos com urina e esterco e possíveis problemas de casco e demais doenças. O bebedouro será instalado no sistema de pêndulo suspenso. Evita que os animais sofram com estresse hídrico. A oferta de ração é regulada de forma automática.
A temperatura será controlada do primeiro dia de alojamento até o fim do ciclo. “Ameniza o estresse provocado pelo calor ou frio em estruturas normais. Favorece a conversão alimentar e o ganho de peso.”
Ao mesmo tempo, exaustores controlam a qualidade do ar e temperatura e evitam gastos de energia desnecessários. Para amenizar a formação de gases de amônia provocados pela fermentação dos dejetos, as esterqueiras instaladas por baixo da estrutura receberão uma lâmina de água de reuso. Esse líquido será despejado em estações de tratamento. Pelo sistema, é

e Isabel trabalham na granja. Temperatura no galpão varia entre 18ºC e 30ºC durante o ciclo. Reduz o estresse calórico do plantel
separado o sólido do líquido, e a água será reutilizada na granja. No prédio, dividido em 40 baias, serão alojados 1,8 mil suínos na fase de creche. Chegam à granja com 21 dias e peso médio de sete quilos. Após 45 dias, quando pesam 29 quilos, são encaminhados para a fase de terminação.
Para o produtor Jair Eckert, 43, o animal não deve sentir fome, sede, desconforto, dor, ou sofrer lesões ou doenças. Também não deve sentir medo. “Este modelo propicia bem-estar, reduz o trabalho braçal e garante uma proteína de maior qualidade ao consumidor.”
A sanidade e o conforto têm reflexo também na taxa de conversão, acelera o ganho de peso e reduz o tempo de alojamento, enfatiza. Hoje os animais permanecem na granja por 56 dias. A expectativa é de reduzir em duas semanas, o que permitiria ampliar o número de lotes. O número de animais alojados a cada 12 meses passaria de 10,8 mil para 12,6 mil.
Na avaliação de Eckert, as
normas de boas práticas desde o alojamento, transporte e abate são uma tendência mundial. A demanda é dos consumidores. “No exterior, as exigências tendem a aumentar e nós precisamos nos adaptar para man-
ter estes clientes e conquistar novos”, sugere.
Produtor faz dez anos, tem duas estruturas onde aloja 2,2 mil animais. O novo prédio recebe investimento de R$ 500 mil, valor financiado pelo Programa Mais Alimentos, valor a ser quitado em dez anos, com carência de um e juros de 5,5% ao ano.
Conforme o supervisor agropecuário de Suínos, da Unidade de Lajeado, Bernardo Nardi Vavassori, hoje o bem-estar animal na suinocultura rege a produção para mercados específicos e mais rentáveis. “Busca atender clientes diferenciados. Expandimos essa prática com os produtores e assim ampliamos a atividade.”
Este modelo propicia bem-estar, reduz o trabalho braÁal e garante uma proteÌna de maior qualidade ao consumidor.
Jair Eckert, suinocultor
Entre os benefícios da instalação, destaca a garantia de um ambiente ideal para os suínos “expressarem todo seu potencial zootécnico e de bem-estar.” A BRF de Lajeado tem em torno de 750 integrados, divididos entre a fase de creche e terminação. No frigorífico, são abatidas 1,1 milhão de cabeças por ano.



Com uso de substâncias homeopáticas, produtores conseguem diminuir a ocorrência de mastite e parasitas - principais causas de perdas na atividade leiteira. Além de reduzir os custos, chega às indústrias um produto de mais qualidade.
Ahomeopatia é utilizada no país faz mais de 25 anos e ganha cada vez mais adeptos. O médico-veterinário Alexandre Mendonça divulga os benefícios da técnica faz mais de 18 anos. “Tanto os produtores quanto os consumidores clamam por produtos livres de resíduos tóxicos no tratamento dos animais e em seus produtos derivados”, defende. Ele preside a Cooperativa de Pequenos Agropecuaristas de Campinas do Sul (Coopasul).
São mais de 450 associados de 15 municípios do Alto Uruguai, cuja produção mensal passa de dois milhões de litros de leite. O tratamento dos animais começa aos três meses de idade. Segundo Mendonça, o uso dos produtos surgiu da necessidade de resolver dois problemas graves: mastites que não curam (infecção na glândula mamária das vacas) e a grande resistência aos antibióticos e parasiticidas, conta.
Além de baixar o custo de produção, as famílias adotaram a homeopatia como forma e filosofia de vida, entendendo de uma maneira mais ampla o que é qualidade de vida e bem-estar dos animais, dos produtores e também dos consumidores dos produtos que saem dessas propriedades, explica. Os níveis de eficiência e cura das doenças alcançam 95%.
Em 1998, quando iniciou o trabalho, a Coopasul vendia R$ 50 mil em medicamentos químicos por mês. Hoje são R$ 35 mil. “Considerada a inflação, alta no preço dos remédios convencionais, hoje estaríamos vendendo mais de R$ 90 mil por mês”, calcula.

Outra perda registrada era o descarto de leite por causa de antibiótico. “Há 15 anos duas carretas por semana eram condenadas. Esse número hoje registramos por ano. Além da cooperativa, ganha o produtor”, destaca. Entre as dificuldades, cita a falta de pontos especializados para vender os produtos. “Difícil divulgar um sistema de tratamento eficiente, barato, e sem colocar em risco a saúde de quem trabalha com ele, vir embora e deixar o grupo sem ter acesso aos medicamentos. Há muito interesse em expandir o conhecimento e a técnica, porém, faltam farmácias para atender quem procura adotar essa técnica na propriedade”, afirma.
Para ilustrar a importância da técnica, cita exemplos como o
Tanto os produtores quanto os consumidores clamam por produtos livres de resÌduos tÛxicos no tratamento dos animais e em seus produtos derivados
Alexandre Mendonça, médico-veterinário
da Austrália onde lavouras são tratadas com homeopatia. O produto é aplicado com aviões agrícolas.
No Pantanal e Mato Grosso do Sul, já existem fazendas especializadas na criação de gado orgânico. A produção de carne bovina nesse sistema não chega a 1% no Brasil. Os preços são de 10 a 20% mais caros que da carne convencional. Além do rebanho ser tratado apenas com remédios fitoterápicos, toda área onde o plantel está alojado é sustentável.
Mendonça esteve em novembro no Colégio Teutônia, em Teutônia, para apresentar o trabalho desenvolvido na cooperativa e sensibilizar os produtores a adotar a técnica na cadeia leiteira.

Na propriedade de Paulo Grassi, no distrito de Forqueta, Arroio do Meio, o tratamento começou faz 15 anos. O produto auxilia no controle da mastite (inflamação nas glândulas mamárias causada por micro-organismos).
As 50 vacas leiteiras são tratadas com homeopatia administrada em pó no cocho, na hora de dar a ração. Para cada animal, é acrescentada uma colher do produto ao dia, sendo recomendado o uso contínuo. Conforme Grassi, muitos produtores desistem pela falta de auxílio técnico e por não obterem resultado imediato. “Requer paciência, mas a maioria prefere correr e pegar a seringa para aplicar medicamentos convencionais.”
Destaca a homeopatia como um trabalho preventivo. Estimula o rebanho a criar defesas, manter a imunidade e o equilíbrio do organismo. Ao ingerir o produto, a vaca simula uma doença e automaticamente se protege, explica.
Por mês, Grassi gasta R$ 200 na compra de um saco de 20 quilos. “Só uma chamada de um médico-veterinário custa
– Babosa (aloe vera) com folha esverdeada. Duas vezes ao dia, usar uma folha picada sem espinhos e misturar à ração. Ajuda no tratamento de mastite (ou mamite).
– Tanchagem é excelente anti-inflamatório. Usar na lavagem do úbere em vacas recém-paridas e que estão com o úbere inflamado. Colocar as folhas inteiras em água fervendo e panela tampada.
– Cebola é indicada para animais com retenção de placenta. Tem poder anti-inflamatório, antibiótico e anti-hemorrágico.
– Arruda tem forte ação sobre órgãos genitais e sobre o sistema ocular. Pode ser feito chá para inflamação da pálpebra e para as fêmeas com dificuldade de expulsar a placenta após o parto.
isso, sem contabilizar o valor gasto com medicamentos, leite que não posso vender, sem falar que, ao mesmo tempo em que o antibiótico ajuda a resolver o problema, diminui a defesa imunológica.”
Quando a vaca é tratada com antibiótico, o leite dos quatro tetos precisa ser jogado fora, mas com a homeopatia apenas o leite do teto doente é descartado. Além disso, o
uso de produto convencional exige um período de carência. Em até seis dias depois do fim do tratamento, o leite deve ser inutilizado.
O próximo passo é buscar conhecimento para iniciar a produção dos medicamentos naturais na propriedade. O bom resultado do tratamento depende basicamente do animal e do contexto onde ele vive, resume.
Os resultados são evidentes. A mastite está quase controlada e poucos animais adoecem. Além do tratamento homeopático, Grassi destaca a importância de adotar outros cuidados com o rebanho para obter mais produtividade e reduzir os custos. “Aplicar corretamente as vacinas, manter as boas práticas na hora da ordenha e oferecer boa infraestrutura onde o rebanho está confinado.”
O médico alemão, Christian Friedrich Samuel Hahnemann, desvendou a técnica da homeopatia. Sua equipe desenvolveu cem substâncias curativas. Hoje existem cerca de três mil. A terapia foi implantada no Brasil pelo francês Benoit-Jules Mure em 1840 e obteve apoio de D. Pedro II para a prática, ensino e propagação. No país existem cerca de 15 mil médicos homeopatas, o maior número do mundo, e 17 milhões de brasileiros já recorreram aos medicamentos. Atuam na área dois mil farmacêuticos, mesmo número de farmácias especializadas.


PA diretora-geral da Organização Mundial de Saúde Animal, Monique Eloit, destaca a boa governança no setor privado, fazendo com que medidas de segurança tenham autenticação por parte das autoridades. Após mais de 50 anos, Brasil será considerado livre de aftosa.
ela primeira vez no RS, a diretora-geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), a francesa Monique Eloit, participou do 5º Congresso e Feira Brasil Sul de Avicultura, Suinocultura e Laticínios (Avisulat), na Fiergs, em Porto Alegre, durante o mês de novembro..
Monique falou sobre estratégias globais de enfrentamento a enfermidades e as possibilidades de o Brasil se tornar livre da febre aftosa sem vacinação, a partir de 2018. Segundo a executiva, o Brasil tem um papel significativo no desenvolvimento das Américas, como no combate à febre aftosa, à peste suína clássica e à gripe aviária. “Por isso, é muito importante que o Brasil continue a ser tão comprometido com as questões veterinárias”, ponderou.
A Hora – Quais são os riscos
potenciais hoje para se alastrar alguma enfermidade, como a influenza aviária?
Monique Eloit – A influenza aviária é uma doença muita contagiosa e precisa se tomar medidas muito sérias para evitar a contaminação. Um exemplo simples é o caso de uma fazenda onde as construções eram todas fechadas, com alta segurança, mas o milho ficava no lado de fora, em local aberto. Os pássaros selvagens andaram por ali e todos os animais foram contaminados por causa disso. No caso da influenza aviária ou da febre aftosa, por exemplo, todos os detalhes são importantes. Algo deixado de lado e você coloca em risco toda a produção. Os cuidados começam na fazenda e isso determina uma boa produção e consequentemente resulta em melhores exportações.


Como está a cenári
Como está a posição do Brasil no cenário mundial de controle das enfermidades?










Eloit – O Brasil tem várias vantagens, principalmente uma boa governança do público com o privado, o que faz com que todas as medidas de segurança tenham uma fiscalização e uma autenticação por parte das autoridades.


sanitária. Ou seja, todos os setores envolvidos, criadores, governos e fiscalização, precisam ter uma coordenação para trabalharem juntos, com o mesmo objetivo. E essa coordenação tem de ser feita dentro de uma estrutura legislativa que seja bem clara para todos.
Como a OIE diferencia uma barreira sanitária da tarifária?
Eloit – A organização foi fundada em 1924 para melhorar as garantias sanitárias no intercâmbio de animais e seus produtos entre as nações. A OIE,
que tem o Brasil entre seus fundadores, é responsável pela elaboração de normas sanitárias e também pela orientação de seus 180 países-membros sobre os cuidados com a saúde animal, medidas de controle, prevenção e exigências para o comércio internacional, no que diz respeito à sanidade. Nossa entidade surgiu após se exportar aves e animais doentes de um país ao outro. As regras estabelecidas impedem que isso ocorra. Todos os anos, todos os países se reúnem e discutem as regras para fazer o comércio e criação dos animais. Com base nessas regras, são emitidas as licenças para exportação e transporte de animais.
O que o Brasil precisa fazer para se tornar livre da febre aftosa sem vacinação?



Qual orientação global da OIE aos países?

vantagen uma boa co o que faz as medid ça tenha um Qual o da OIE a A bo
Eloit – A principal estratégia é a boa governança



Todos os setores envolvidos, criadores, governos e fiscalizaÁ„o, precisam ter uma coordenaÁ„o para trabalharem juntos, com o mesmo objetivo
Eloit – Estive com o presidente Michel Temer e a febre aftosa foi um dos assuntos discutidos. O Brasil está com um bom reconhecimento de território, para saber controlar os possíveis focos do problema. Creio que será possível, sim, alcançar o padrão livre de febre aftosa sem vacinação até meados de 2018. Há estados que sustentam e apoiam. Investir tanto aqui como nos outros países. Porque aí eliminamos os riscos de a doença um dia voltar ao país.
Considerações finais
Eloit – Divido com vocês minha admiração pela serviço veterinário brasileiro. É um trabalho muito bem-feito. Existe uma boa relação entre o poder público e privado.
Entrevistafeitapore-mail Mon
Pesquisadores destacam a importância da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro). Descaso, abandono, falta de servidores e baixo investimento prejudicam trabalho. Criada em 1994, no governo Collares, a instituição é o órgão responsável pela implementação de pesquisa e difusão de tecnologia agropecuária.

Enquanto no pátio máquinas novas aguardam a liberação técnica para auxiliar no trabalho das lavouras experimentais e o laboratório de pesquisas recebe novos equipamentos, a poucos metros dali, o mato toma conta de imóveis abandonados.
Moradias, parque apícola, estufas, tratores, carros e prédios onde antes trabalhavam pesquisadores e estudantes na fase de estágios sofrem com a ação do tempo, do descaso e do abandono dos últimos governos.
O cenário é desolador no Centro de Pesquisa Emílio Schenk, em Taquari, especializado em pesquisas com as culturas de sorgo, aipim, batata-doce e citros. São 460 hectares, sendo 80% de mata nativa, considerada a maior reserva natural preservada da região.
Esse contraste resume o que tem sido a trajetória da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), criada em 1994. Apesar das dificuldades pela falta de pessoal e de investimento, a fundação tenta colocar em prática a missão de "implementar a política de pesquisa e difusão de tecnologia agropecuária".
Com a extinção a caminho, tanto em Taquari como nas outras 21 estruturas espalhadas pelo estado, o futuro da instituição é incerto. Os 220 funcionários estatutários (os quais não podem ser demitidos) serão absorvidos pela Secretaria da Agricultura, onde o governo pretende criar um departamento para dar continuidade aos trabalhos de pesquisa.
“É como se estivéssemos retrocedendo à década de 1990”, avalia o pesquisador Nelson Bertoldo, presidente da Associação dos Servidores da Pesquisa Agropecuária. Bertoldo acompanhou toda a luta dos pesquisadores para que o setor

ganhasse autonomia de gestão. Agora, teme que o segmento volte a ficar engessado. “A tecnologia e inovação não podem ser interrompidas pela burocracia.
A pesquisa, num estado essencialmente agrícola, deveria ser encarada como prioritária, mas infelizmente não é isso que esta-
mos vendo”, lamenta Bertoldo. Segundo o pesquisador Zeferino Genésio Chielle, os últimos seis governos auxiliaram apenas com o pagamento da folha de pagamento. “Deixaram a pesquisa de lado, não deram importância ao nosso trabalho.” De acordo com o Balanço Social realizado pela Fepagro no ano passado, para cada um real que o governo estadual investe na fundação, ele recebe R$ 36.
é considerada uma das mais produtivas, e levou dez anos para ser concluída.
Uma das preocupações diz respeito à perda de autonomia e, consequentemente, de recursos captados junto a agências de incentivo à pesquisa – hoje, são R$ 25,5 milhões. Nos últimos dez anos, a receita, em valores corrigidos, somou R$ 91,2 milhões, sendo que 90% dos recursos provêm de editais de agências de fomento. O governo diz que os convênios serão mantidos. “Ao perder a autonomia, esse dinheiro precisa ser devolvido.”
Efrom destaca a necessidade de reestruturar a entidade e enxugar o quadro funcional. “Temos que fazer ajustes, reestruturar e melhorar a gestão, nos aproximar mais dos produtores para que tenham acesso às novas tecnologias, ter mais produtividade, menos custos e mais renda.”
Segundo o presidente do Conselho Nacional das Entidades Estaduais de Pesquisa Agropecuária (Consepa), Florindo Dalberto, “a existência de um órgão de pesquisa no estado é o que dá condições de ele poder se aplicar aos editais e captar recursos.”
A pesquisa, num estado essencialmente agrÌcola, deveria ser encarada como priorit·ria
Nelson Bertoldo, pesquisador
Conforme o diretor da unidade de Taquari, Caio Fábio Stoffel Efrom, um dos grandes desafios é explicar à população e aos políticos que a pesquisa agropecuária é um processo demorado e essencial para aumentar a produtividade nas lavouras, combater pragas, reduzir a aplicação de agrotóxicos e elevar o rendimento do agronegócio. “O resultado de uma pesquisa não é imediato. Precisa ser vista como oportunidade e não despesa”, afirma Caio.
Segundo ele, hoje uma variedade de feijão feita pela Fepagro
Desde a criação, a partir da fusão dos departamentos de pesca e pesquisa, a Fepagro gerou 34 tecnologias. Ex-diretor técnico da Fepagro, Carlos Oliveira lembra que o desenvolvimento de uma nova cultivar leva, em média, oito anos. O fim da fundação, segundo ele, coloca em risco trabalhos que estão em andamento e que têm um impacto econômico e social. “Se temos um estado com 40% do PIB proveniente do agronegócio, será que a sustentação tecnológica dessa atividade econômica não tem de ser priorizada?


Hoje 19 estados têm fundações ou empresas estaduais voltadas à pesquisa e inovação no campo – destaca Florindo.
Com a extinção, o RS seria o único estado com vocação agrícola a não deter um centro de pesquisa e fiscalização. “Um estado, que é dos maiores exportadores de carne, sem um status sanitário garantido por um programa oficial próprio, fica muito vulnerável à análise de mercado”, lembra o pesquisador Carlos Oliveira.
Além da importância do trabalho de pesquisa a campo e laboratorial, o argumento é de que a extinção da fundação representará uma falsa economia, já que dos R$ 20,2 milhões de despesas anuais, R$ 16,4 milhões são de gastos com pessoal (que não serão reduzidos por serem estatutários) e R$ 3,8 milhões são custos operacionais. “Sendo que a fundação gerou uma receita direta de R$ 5,7 milhões com a venda de resíduos de pesquisa e prestação de serviços em 2015, compara.
A descontinuidade da Fepagro preocupa também a Embrapa, que desenvolve projetos em conjunto com fundação estadual. Segundo o presidente, Maurício Lopes, 30 trabalhos estão em andamento no estado.
Cita a liberação de R$ 12,8 milhões para comprar máquinas, veículos, executar reformas prediais, necessárias para atender e desenvolver o agronegócio do RS. Entendemos a crise, mas é preciso que o governo tenha noção da importância da instituição para fortalecer o setor responsável em gerar 40% do PIB estadual. A ciência é o motor do desenvolvimento e a pesquisa e a inovação precisam ser priorizadas como elemento
essencial para fortalecer a agricultura que se tornou o mais forte pilar de sustentação da economia brasileira, destaca. Para a Embrapa, a extinção da Fepagro diminuirá muito a capacidade de oferecer tecnologias ao produtor. Conforme Lopes, o RS é um dos estados que menos investe no setor. O orçamento destinado à pesquisa agropecuária em Santa Catarina e no Paraná é de R$ 120 milhões. “Sozinhos não teremos como dar conta de toda demanda.”
A exportação de carnes no RS será afetada por barreiras sanitárias. Isso porque os laboratórios da fundação são os responsáveis por garantir o status sanitário da cadeia produtiva da carne, por serem os únicos no RS credenciados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o diagnóstico de influenza, doença de Newcastle, brucelose, sarna suína, leptospirose, peste suína clássica e doença de Aujeszky.
“A Instrução Normativa 57 do ministério é bem clara: a perda ou troca do CNPJ dos laboratórios implica na perda do credenciamento. Então, com o fim da Fepagro, toda emissão de resultados para os programas e controles oficiais de certificação sanitária do ministério ficará suspensa, até a secretaria conseguir um novo credenciamento", alerta o pesquisador José Reck, da Fepagro Saúde Animal.
Um novo credenciamento custaria por volta de R$ 1 milhão e levaria, em média, oito meses – período pelo qual os produtores de carne do RS ficariam impedidos de exportar.
O laboratório, credenciado pelo Mapa, é responsável por cerca de 45 mil diagnósticos por ano de enfermidades de bovinos, suínos e aves. Rogério Kerber, presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), afirma que o setor produtivo não pode ser afetado, pois uma possível interrupção dos serviços no Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF) fragilizaria o status sanitário. Em 2015, a entidade destinou R$ 400 mil para o laboratório.
A ciÍncia È o motor do desenvolvimento e a pesquisa e a inovaÁ„o precisam ser priorizadas como elemento essencial para fortalecer a agricultura
Maurício Lopes, presidente da Embrapa
O presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, destaca a importância da entidade para a agricultura familiar, no entanto, reforça a necessidade de buscar um aprimoramento da gestão. “Precisa se aproximar do agricultor, ter mais recursos, para que de fato as tecnologias cheguem ao campo e tragam resultados.”
Em nota, o Sindicato dos Médicos Veterinários no Estado do Rio Grande do Sul (Simvet/RS) cita que o fim do trabalho deixará os projetos de pesquisa agropecuária que aumentam a produtividade no campo estagnados devido à burocracia e ao emperramento da máquina pública".
Um dos grandes destaques na unidade da Fepagro em Taquari são os Bancos Ativos de Germoplasma (BAG), que preservam diversas variedades de citros, sorgo e mandioca. Com esse material, os pesquisadores podem desenvolver novas variedades de um desses alimentos, tornando-os mais resistentes a certas pragas ou doenças, além de aumentar ou diminuir o porte de uma planta. “Somos guardiões do material genético que pode vir a servir a qualquer produtor de qualquer lugar do mundo. Recentemente, recebi solicitação até de um pesquisador do Irã”, afirma a engenheira agrônoma Elisabeth Lisboa de Saldanha Souza, responsável pelas pesquisas com citros na unidade de Taquari. Hoje o banco tem 138 variedades de cítricos. Segundo ela, além desse banco de citros, existem somente outros dois em todo o Brasil.

Questionada sobre o futuro do banco, Elizabeth não esconde o medo de perder todo o trabalho desenvolvido desde que começou na Fepagro, faz mais de 38 anos. “Temo que, se deixarmos de ter acesso aos recursos dos editais, não conseguiremos investimentos e o banco comece a morrer”, desabafa. Segundo ela, o RS é o único estado que quer se desfazer da pesquisa agropecuária. “Em todo o mundo, ela é uma questão estratégica. Ajuda a incrementar a produção de alimentos de forma sustentável e faz a economia prosperar.”
“Morremos devagar”
Pesquisadora, engenheira agrônoma e doutora em Agrometeorologia, Bernadete Radin reclama da falta de apoio. Segundo ela, dos governos que passaram, nenhum deu apoio à pesquisa. Todo mundo quer saúde, educação e segurança. Alguém defende a pesquisa? Ninguém quer saber. Nós pesquisadores estamos preocupados. No geral os políticos não enxergam essa área como uma coisa necessária, lamenta.
De acordo com Bernadete, o

avanço da produtividade para a maioria é um milagre. “Alguém estalou os dedos e aumentou-se a produtividade. Mas devemos isso às novas tecnologias e pesquisas geradas pelos pesquisadores, levadas ao campo e implementadas pelos agricultores.”
Destaca que a Embrapa é reconhecida por ter mais recursos. “Carecemos de estrutura, de melhores condições de trabalho e até temos nossos salários parcelados. Morremos devagar”, finaliza.
AlguÈm estalou os dedos e aumentouse a produtividade. Mas devemos isso ‡s novas tecnologias e pesquisas geradas pelos pesquisadores, levadas ao campo e implementadas pelos agricultores
Bernadete Radin, pesquisadora



“A pesquisa vai continuar”
O secretário da Agricultura, Ernani Polo, garante que a pesquisa terá continuidade com a criação de um departamento, a exemplo do que ocorria antes de 1994. “A secretaria fará a parte administrativa. A Embrapa, por exemplo, ao invés de conveniar com o CNPJ da pesquisa, faz com a secretaria. Isso mantém os serviços.”
Polo adianta que a maioria dos laboratórios será preservada. Questionado sobre o baixo investimento na área, comparado com outros estados como Santa Catarina, ele cita que outras áreas também carecem de mais recursos e no momento não é possível aumentar os repasses.
A Frente Parlamentar em Defesa da Pesquisa Agropecuária Gaúcha, coordenada pela deputada Zilá Breitenbach, defende que a pesquisa deve estar a serviço do conhecimento e salientou que existem estudos interessantes nas escolas técnicas agrícolas capazes de gerar resultados positivos à produção do estado. “É preciso que o pequeno produtor, principalmente, possa se apropriar das pesquisas realizadas. E, para que isso aconteça, a pesquisa tem que ser valorizada”.
Segundo o presidente do Irga, Guinter Franz, “o RS não estaria hoje onde está se não fosse a pesquisa”, referindo-se ao fato de o setor agropecuário ser de grande impor-
tância para o desenvolvimento da economia.
Para o diretor-presidente da Fepagro, Adoralvo Schio, a atividade de pesquisa agropecuária deve ser prestigiada, inclusive com recursos financeiros. “Muitas das novas tecnologias se devem ao empenho desses pesquisadores, por isso, é necessário que eles tenham condições de continuar seu trabalho.”
A Farsul apoia o pacote de Sartori, que prevê a extinção de outras oito fundações, uma autarquia e uma companhia. Segundo o vice-presidente Gedeão Pereira, o fim da Fepagro, mesmo não sendo bom, é algo necessário para aliviar a crise financeira. Pereira não acredita em prejuízos, pois entende que o agronegócio está bem suprido pelo trabalho realizado pela Embrapa. “Tem mais recursos”, resume.
– A estação experimental foi fundada em 16 de março de 1929 para resolver problemas enfrentados pelos citricultores do estado
– Até 1962 era denominada Estação Experimental de Pomicultura
– Até 1966 de Estação Experimental Taquari
– Até 1994 de Fitotécnica de Taquari
– Em 1995 de Centro de Pesquisa de Fruticultura
– A partir de 2011, passou a se chamar Fepagro Vale do Taquari – Centro de Pesquisa Emílio Schenk
Área
– 460 hectares – sendo 80% de mata nativa – maior área de preservação do Vale do Taquari
Quadro funcional
– 14 pessoas – seis pesquisadores
– Em 1970 tinha 114 funcionários permanentes, mais de 48 trabalhadores contratados. Mais de 23 casas estavam ocupadas. Na época, a área era de 840 hectares.
– Citros, sorgo, mandioca, batata-doce, oliveiras, meliponicultura e polinização
– Tem um dos três bancos ativos de Germoplasma de Citros espalhados pelo país – são mais de 130 variedades de cítricos
Quem foi Emílio Schenk
É conhecido como o “pai da apicultura no Brasil” por ter criado as colmeias mobilistas. O citricultor alemão trouxe dos Estados Unidos, no início do século XX, borbulhas de laranjeira velência, a mais plantada no RS. Instalou-se em Taquari em 1903.
Estrutura atual
– 12 residências e 10 prédios
– Uma estufa de vidro
– Duas estufas e um túnel de plástico onde são alojadas as mudas
– Apenas 15 hectares são cultivados com citros, cultivares de batata-doce, sorgo e mandioca
– Galpões, almoxarifado, estação agrometeorológica, açudes, laboratório, entre outros.
O RS n„o estaria hoje onde est· se n„o fosse a pesquisa
Guinter Franz, presidente do Irga

Fonte–FepagroeJornalOTaquaryense





Alceu Collares ñ Ex-governador
O RS é um dos mais avançados no campo da produção. Nossos antepassados sempre tiveram muito cuidado com a qualidade dos produtos do campo e por isso nós sempre estivemos à frente de outros estados. Não façam a extinção da nossa Fepagro, porque não podemos em hipótese nenhuma levar à mesa do consumidor um produto sem qualidade. Se for extinta, o pequeno produtor será o mais prejudicado e o consumidor, sem dúvida, não terá condições de ter assistência técnica permanente na agropecuária, na ciência e na tecnologia.


Roberto Carbonera ñ Ex-presidente da Fepagro
Me coloco veementemente contra a extinção da entidade. Fui presidente de 1999 a 2002 – revitalizamos o quadro. Existem interesses escusos de extinguir a pesquisa pública estadual, vender seu patrimônio e de novo colocar seu quadro em extinção. Vamos
Dionilso Marcon ñ Deputado federal (PT)
Esta fundação tem um papel fundamental em pesquisa e defesa de políticas para a agricultura familiar. Antes de terminar, temos que fortalecer. Será a forma de obtermos um alimento mais saudável, encontrar formas de aplicar menos agrotóxicos e proteger o meio ambiente.


Danilo Rheinheimer ñ Ex-presidente da Fepagro
O governo deve dar valor à atividade que fortalece sua economia. A economia depende muito da agropecuária. Extinguir será um ato vergonhoso. Santa Catarina e Paraná são exemplos a serem copiados. Aproximar os pesquisadores dos seus usuários que são os produtores. A Embrapa não tem condições de atender sozinha as demandas na área de pesquisa do RS.
Cleonice Back ñ Coordenadora da Fetraf-RS Os resultados trazidos pelas pesquisas realçam a importância da instituição na produção de alimentos e na agricultura familiar, de forma sustentável. A erradicação da febre aftosa é outro papel fundamental.


Tiago Pellini ñ Diretor de Pesquisas do Instituto AgronÙmico do Paran· (Iapar)
Sabedores da importância que a agropecuária tem para a economia do estado, causa estranheza uma notícia como essa. Falo isso porque sabemos de quanto a tecnologia tem sido relacionada com o sucesso só do agronegócio. Não há como pensar uma agricultura de futuro, sustentável, sem a pesquisa, sem o teste, sem a validação da aplicação segura das tecnologias De forma que os agricultores consigam transformar seu modo de produção gerando emprego e inovando na forma de cultivar.
A Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), criada em 1994, é uma fundação pública vinculada à Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação. Contudo, os trabalhos de pesquisa tiveram início em 1919, época da criação da Estação de Seleção de Sementes de Alfredo Chaves, hoje Veranópolis.
A fundação dispõe de centros de pesquisa localizados em 20 municípios do RS, em diversas regiões siográ cas. Conta com laboratórios na sede, em Porto Alegre, e na Fepagro Saúde Animal, em Eldorado do Sul, além de outros no interior. A
Fepagro é o órgão responsável pela implementação de pesquisa e difusão de tecnologia agropecuária.
Estrutura geral
- 104 servidores de apoio
- 93 pesquisadores
- 49 servidores administrativos
- 44 técnicos em pesquisa
- 37 estagiários
- 22 bolsistas
Fonte–PortaldaTransparência
• 34 tecnologias geradas (processos e produtos desenvolvidos com pesquisas da entidade), desde a sua criação
• R$ 780,3 milhões é o impacto econômico dessas tecnologias
• R$ 36,03 foi o valor gerado para a sociedade a cada real aplicado na instituição
• 70.727 exames foram realizados na área vegetal, como análises de solo e qualidade de sementes em 2015
• 42.032 diagnósticos na área animal em laboratórios como os de virologia, brucelose e saúde de aves em 2015
• Os trabalhos de pesquisa iniciaram em 1919 no RS. Na época, foi criada a Estação de Sementes de Alfredo Chaves, hoje Veranópolis.
– milhões









Despesas – milhões










Fonte–PortaldaTransparência
R$ 20,2 milhões ao ano
Receita – R$ 5,7 milhões
Custo da folha de pagamento – R$ 15 milhões – essa despesa permanece, pois os funcionários serão transferidos para a Seapi
