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AH - Agronotícias | 14, 15 e 16 de março de 2017

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Consuma sem moderação

ou conservantes, o suco de uva integral conquista o paladar dos consumidores. Processamento valoriza a fruta.

Páginas 4 e 5

Informe Agroeconômico

Salário

Editorial

valoratualização

Mínimo R$ 880,00 2016

TR 0,14% 11/16

CDI 1,04% 11/16

SELIC 14,25% 11/16

IPC-A 0,26% 11/16

VariedadeR$/kgR$ /arroba

TO1 10,22153,30

TO28,63129,45

TO37,33109,95

BO110,74161,10

BO29,30139,50

INDICADORES PREÇO DO FUMO

BO3 7,48 112,20

CO1 10,31 154,65

CO2 9,06 135,90

CO3 7,31 109,65

XO19,06135,90

XO27,61114,15

XO3 6,24 93,60

PRODUTOS AGRÍCOLAS

Arroz em casca 50kg47,0048,4852,00

Feijão60kg160,00225,00300,00

Milho60kg30,0034,8341,00

Soja60kg66,0070,6374,00

Trigo60kg28,0028,7030,00

Boi p/ abate kg vivo 4,505,005,30

Cordeiro p/ abate kg vivo 5,005,676,20

Suíno tipo carne kg vivo 3,003,654,50

Vaca p/ abate kg vivo 4,104,505,00

Leite (valor líquido) litro 0,961,111,78

Fundado em 1º de julho de 2002

Vale do Taquari - Lajeado - RS

Diretor-geral: Adair Weiss

Diretor de Conte˙do: Fernando Weiss

Diretor de OperaÁıes: Fabricio Almeida

PQualidade reconhecida

assados 27 dias da Operação Carne Fraca deflagrada pela Polícia Federal, ainda são contabilizados prejuízos. O discurso irresponsável, a falta de provas e as manchetes negativas divulgadas pela imprensa colocaram em xeque um trabalho de décadas. Líder no segmento de exportações de proteína animal, com um padrão de qualidade certificado pelos mercados mais exigentes do planeta, as falhas identificadas pelas autoridades não alcançam nem 0,5% do setor. Temos 99,5% da área absolutamente em dia, oferecendo produtos saudáveis, com procedência garantida, dentro das conformidades no país e no exterior. As falhas detectadas precisam ser abolidas e os agentes envolvidos, punidos. Diante da gravidade das sus-

DIRE« O EDITORIAL

Fernando Weiss

PRODU« O Giovane Weber

peitas, seria necessário mais responsabilidade no momento de expor a situação. Não se trata de proteger o capital em detrimento à saúde, mas conhecer a atuação das indústrias, as duas maiores exportadoras do país.

Não se pode generalizar e vender a imagem que tudo está ruim. Para abrir um novo mercado, são necessários quase dez anos. A maior injustiça é jogar no lixo todo esse trabalho. Somos o maior exportador de carne bovina e temos a melhor biosseguridade. Vender a ideia de que tudo é podridão, nada presta, é errado, além de ser uma irresponsabilidade.

A operação é positiva, no entanto, quando você deixa algumas coisas no ar, abre espaço para cada um tirar sua conclusão. As leis sanitárias

COORDENA« O Giovane Weber

são rigorosas, assim como a fiscalização, tanto do governo como de outros países que seguidamente visitam e acompanham de perto todo processo, desde a criação no campo até a industrialização.

Mais grave é ver empresas de expressão nacional e internacional serem citadas por condutas suspeitas, tanto de empresários como de técnicos, com a cobertura de servidores públicos indignos da função que desempenham e a missão pela qual precisam zelar – garantir um alimento saudável.

Tudo precisa ficar esclarecido rapidamente, para separar culpados de inocentes, pois o estrago em termos de imagem e credibilidade aqui e no exterior já ocorreu em grandes proporções.

Boa leitura!

Tiragem desta edição: 10.000 exemplares. Disponível para verificação junto ao impressor (ZH Editora Jornalística)

ARTE Gianini Oliveira e Fábio Costa

A fabricação de suco de uva integral registra crescimento superior a 100% nos últimos cinco anos. Amparado pelos benefícios à saúde, atestados em pesquisas científicas, o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) projeta um faturamento de R$ 800 milhões para este ano. No Vale, produto ainda é pouco explorado.

Mercado promissor

Os irmãos Marciano, 33, e Marcelo Rabaiolli, 27, de Imigrante, apostam na produção de suco integral faz dois anos. Junto com os pais, Lenir e Ibanor, mantêm um parreiral de dois hectares das variedades concord e bordô. Nessa safra, foram envasados 48 mil litros da bebida. A garrafa custa em média R$ 7,50. “A uva in natura era quase entregue de graça nas cantinas. Era agregar valor à matéria-prima ou buscar emprego na cidade”, ex-

põe Marciano. A criação de 16 mil aves foi abandonada devido ao alto investimento exigido em infraestrutura. Para diversificar a economia, a família também produz tomates. A mãe apoiou a decisão dos filhos. Construíram um prédio, adquiriram as máquinas e iniciaram o beneficiamento. “Era a única forma de mantê-los aqui. Garantir uma renda fixa por mês”, enfatiza. Segundo Marcelo, o consumo aumentou pelos benefícios à saúde. “Nosso suco é natural, feito da pura polpa da fruta. Sem

A uva in natura era quase entregue de graÁa nas cantinas. Era agregar valor ‡ matÈria-prima ou buscar emprego na cidade
Marciano Rabaiolli, produtor

adição de água, açúcar ou conservantes”, garante. Outro diferencial é o tempo de envase. As uvas são colhidas de manhã e, à noite, o suco já está engarrafado.

Embora a crise tenha impactado nas vendas, a perspectiva é animadora. A meta é abrir novos mercados. Santa Catarina será o próximo destino.

Franco

crescimento

Responsável por 90%

do abastecimento nacional, o RS coloca no mercado cem milhões de litros até dezembro. Da safra de 700 milhões de quilos de uva, a metade será destinada à elaboração de suco. Há quatro anos, quando a produção chegou aos mesmos patamares projetados para este ciclo, menos de 10% do volume colhido foi transformado. Conforme o vice-presidente do Ibravin e presidente da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovi-

Feito à base de pura polpa da fruta, suco dos Rabaiolli conquista mercado pelos benefícios à saúde. Neste ciclo foram engarrafados 48 mil litros. Venda ocorre para o Vale do Taquari e Santa Catarina
ANDERSON LOPES

isabel, concord, bordô e niágara Variedades cultivadas

Venda de suco –milhões de litros

Da safra de 700 milhões de quilos de uva, 50% será destinada para elaboração de suco

nho), Oscar Ló, há seis anos, grande parte das uvas era utilizada para fabricar vinho de mesa, vendido a granel, com baixo valor agregado. O cenário mudou após pesquisas científicas apontarem o suco de uva como um alimento rico em propriedades nutritivas. “Se descobriu um produto saudável e que valoriza a fruta”, constata. Enquanto as vendas só aumentam, com os vinhos de mesa, o resultado é o inverso.

Entre 2011 e 2016, o volume negociado caiu de 230 milhões para 165,9 milhões de litros.

ne, assistente técnico do Sistema de Produção Vegetal, da Emater Regional de Lajeado, apenas seis agroindústrias beneficiam a fruta. Produzem em média cem mil litros por ciclo. “Ainda não se despertou para essa oportunidade de mercado”, diz.

A maior parte das uvas produzidas é destinada

para fábricas de vinho na Serra Gaúcha, consumo in natura ou fabricação de vinho colonial, cuja quantidade chega a dois milhões de litros por ano. Com uma área de 1,1 mil hectares cultivados, as variedades mais comuns são a concord, isabel e bordô. “São ideais para produzir suco. Garantem textura, cor e sabor inigualável”, observa.

Saúde como

prioridade

Tipos de suco

Suco 100% Integral

• 100% uva, sem adição de água e açúcar na sua concentração natural

Néctar

• 40% uva, diluído em água e adoçado

Em pó

• Pode não conter uva na composição

Bebida/refresco

• 30% de uva, diluído em água e adoçado. Pode ser colorido e aromatizado arti cialmente

Suco 100%

• 100% uva, sem adição de corantes ou aromatizantes. Pode ser adoçado e reconstituído com adição de água

Misto

• Mistura duas ou mais frutas, como, por exemplo, uva e maçã

R$ 11 no mercado local.

Consuma

Produtores de uva

No RS: No Vale: 13 mil 751

Área cultivada – 1.112 ha RS – 40 mil

Produção em litros

Vale do Taquari

Vinho – 2 milhões

Suco – 100 mil litros

Entre as qualidades do suco produzido no estado, em comparação com o produto de países da América e Europa, Ló enumera características como sabor e cor. Segundo ele, não há concorrentes estrangeiros no âmbito nacional. “Usamos uvas híbridas americanas para a fabricação e desenvolvemos variedades específicas para o suco, o que torna o nosso produto único”, garante.

Mercado

inexplorado

Conforme Derli Boni-

Se descobriu um produto saud·vel e que valoriza a fruta

Oscar Ló, presidente da Fecovinho

A família Civardi, de Encantado, processou 2,1 milhões de quilos de uva das variedades isabel e bordô. Colocará no mercado 1,5 milhão de litros de suco de uva tinto integral. Conforme Lucas, um dos proprietários, a atividade iniciou faz seis anos. Parte da matéria-prima é produzida em 20 hectares cultivados pela família e o restante adquirido de terceiros. As vendas estão em constante crescimento, “Além de ser um produto saboroso, é saudável, com inúmeros benefícios à saúde. Pode ser consumido por todas as faixas etárias”, observa. O litro custa em torno de

A biomédica Caroline Dani estuda os benefícios do suco de uva faz 13 anos. Segundo ela, o produto auxilia na redução de danos provocados pelo estresse oxidativo – que é o excesso de radicais livres presentes no organismo –, além de prevenir contra doenças cardíacas e neurodegenerativas. “Nas pesquisas que desenvolvemos com triatletas e com ciclistas, por exemplo, comprovamos que o suco de uva auxilia na recuperação das células e, consequentemente, no desempenho”, explica.

Cita a importância do consumo regular para otimizar os benefícios da bebida. Em adultos, o ideal é beber de 400 a 500mls por dia. Crianças devem consumir até 200 mls, o que corresponde a um copo por dia.

CASSIANO FARINA/IBRAVIN

Entrevista

O presidente do Conselho Regional de Medicina-Veterinária do Rio Grande do Sul, Rodrigo Rodrigo Marques Lorenzoni, reforça a importância do trabalho exercido pelos profissionais e das mudanças anunciadas pelo governo na fiscalização em frigoríficos.

“O serviço é absolutamente confiável e seguro”

Presidente do conselho, Lorenzoni analisa os impactos causados pela Operação Carne Fraca da Polícia Federal. Destaca a importância do trabalho dos fiscais agropecuários dentro dos frigoríficos a fim de garantir a qualidade dos produtos. “Temos profissionais sérios e o sistema não é falho. O defeito está no caráter de algumas pessoas”, afirma.

Atuar por muito tempo na mesma empresa coloca em xeque o trabalho?

Rodrigo Lorenzoni – O sistema de inspeção sanitária no Brasil é muito eficiente a ponto de nos

tornar o maior exportador de proteína animal do mundo. O serviço é absolutamente confiável e seguro. O que nós vivemos é uma situação de crime pontual com alguns indivíduos que compõem o quadro de fiscais e empresários. O fiscal que é corrupto será todos os dias e em qualquer lugar. É salutar fazer um rodízio para aperfeiçoar o sistema. Mas não é uma ferramenta para impedir corrupção. É natural que, com o tempo, o olho da pessoa vicie. O que é comum em qualquer profissão após muitos anos na mesma empresa, com as

mesmas pessoas e a mesma rotina. Confio plenamente no quadro de profissionais do ministério. É um caso específico em que temos bandidos travestidos de veterinários.

O déficit de profissionais

Tenho convicção de que déficit não põe em risco a qualidade do alimento. Mas causa prejuízo econômico e dificulta a abertura de novos empreendimentos. Empresários montam frigoríficos e depois não têm como iniciar as atividades porque faltam fiscais para acompanhar os abates. Estamos

no limite e esse problema trava o desenvolvimento econômico do país, alicerçado no agronegócio, principalmente na produção de carnes.

As novas regras do Riispoa são benéficas?

Lorenzoni – O Riispoa foi criado na década de 50. Foi uma legislação tão bem feita que permitiu firmar acordos internacionais e atestar a qualidade dos produtos de forma exemplar para o mundo. No entanto, estava defasado e carecia de mudanças, tanto nas penas aplicadas aos fraudadores como nas questões microbiológicas.

A maior divisão da respon-

sabilidade – que antes era exclusiva do fiscal e isentava a indústria, fortalece o nosso trabalho.

Qual a lição que fica?

Lorenzoni – A gente precisa passar o Brasil a limpo em todas as esferas, livre de qualquer tipo de corrupção. Essa repercussão evidencia a importância da cadeia produtiva para a economia do país. Ninguém dá a atenção que o agronegócio precisa. Agora a cadeia ficou exposta e o prejuízo logo apareceu. Esse é o maior legado que fica – valorizar a cadeia de proteína animal e saber que a sociedade está atenta à qualidade.

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