
Cadeia leiteira
Especial - Grupo A Hora
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Especial - Grupo A Hora
Fetag critica parâmetros usados para tabulação média de pagamento para litro do leite in natura. Das 17 empresas participantes, sete apresentaram dados para atualizar base do cálculo. Conselho paritário antecipa mudanças nos critérios
OConselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite do RS (Conseleite) promete alterar os parâmetros usados no calculo do valor de referência pago ao produtor a partir deste mês. Apesar desse anúncio, a Federação de Trabalhadores na Agricultura (Fetag) não aprovou as contas de abril, que se estabelece um pagamento médio ao produtor é de R$ 1,42. Esse valor é o preço de referência para o pagamento dos produtores para maio. Na avaliação da entidade, o preço foi elaborado usando uma base de custos de produção superada, distante da realidade atual, de aumento nos custos de produção
devido ao preço da ração e dos medicamentos usados nos rebanhos. Conforme a Fetag, há pelo menos um ano é proposta a atualização dos custos de produção, tanto na indústria quanto para os agricultores. O presidente da federação, Carlos Joel da Silva, relata que os dados usados hoje estão defasados. “Os parâmetros são de 2016. Precisamos de um mecanismo correto para definir a base de cálculo.”
O cálculo do preço de referência é feito pela Universidade de Passo Fundo e desde o início do ano há indicativo de redução no valor pago ao produtor. O mercado para o segmento leiteiro enfrenta uma série de instabilidades. Passa pelo consumo baixo e pelo reflexo do mercado internacional, com o excesso da importação de leite em pó.
No RS, 95% da produção de leite é proveniente da agricultura familiar. A produção diária supera 12 milhões de litro e a cadeia equivale a mais de 9% do PIB gaúcho.
Em 2019 foram estabelecidas mudanças no formato de cálculo do preço de referência, diz Silva. “Os produtores entregaram todos os dados, mas das 17 empresas participantes do conselho, apenas sete forneceram os dados sobre os custos da indústria.”
Por estes motivos, a Fetag não aprovou o preço de referência de abril. “E vamos continuar nos próximos meses contrários aos dados apresentados enquanto não houver uma atualização dos dados.”

Por outro lado, as representações das empresas afirmam que o pagamento feito aos produtores sempre é acima do preço de referência. A Fetag contrapõe esse argumento e afirma: “Mesmo que não haja obrigação legal das indústrias em cumprir o preço estabelecido no Conselho, a defasagem causa confusão, passando a impressão que todos os meses as indústrias pagam ao produtor um valor maior do que é divulgado.”
Conforme o presidente da federação, o custo de produção para o agricultor está calculado em R$ 0,94 por litro de leite. Pelo levantamento da entidade, com base nas notas fiscais dos insumos, do óleo diesel, das sementes, ração e medicamentos, essa despesa média atual está acima dos R$ 1,50.


Em 12 meses, custos do frango e suíno acumulam alta superior a 40%, aponta estudo da Embrapa
Pela primeira vez no ano, em março, os custos para produzir frangos de corte diminuíram 0,70%, enquanto aqueles para
produção de suínos caíram 0,06% em relação a fevereiro. A variação tímida expõe cenário instável e não traz alívio ao setor.
“Sabe-se, previamente, que a nutrição é o item de maior impacto nos custos totais de produção, tanto de suínos quanto de fran-
gos de corte. Observa-se, contudo, que apesar de o preço do milho continuar em alta no mercado interno, o farelo e o óleo de soja tendem a equilibrar os preços finais das rações”, diz Ari Jarbas Sandi, analista da área de socioeconomia da Embrapa Suínos e Aves.
Na suinocultura, cerca de 80% dos custos de produção são valores investidos na nutrição, constituída majoritariamente por milho e farelo de soja. De acordo com a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), a alta desses insumos é impactada por

diversos fatores, entre eles a alta do dólar e o crescimento das exportações. O custo por quilo vivo de suíno produzido em sistema de ciclo completo no Rio Grande do Sul baixou R$ 0,06 entre fevereiro e março, passando de R$ 6,73 para R$ 6,67.
“No mês de abril os preços aumentaram em todos os segmentos e para todos

Na avicultura, 70% dos custos de produção estão atrelados à nutrição animal. O efeito de mercado trouxe a inflação de produtos e o preço dos grãos agravou o cenário.”
José Eduardo dos Santos Presidente da Asgav


os modelos, sejam estes integrados ou independentes. Só não sabemos ainda quanto aumentou e quais são esses impactos”, comenta Sandi.
Com o aumento nos custos de produção, integradoras que atendem o mercado interno estão reduzindo a quantidade de aves alojadas. No interior de Estrela, a família de Réges Rodrigo Müller, 26, aloja cerca de 42 mil aves em dois aviários. Nos últimos anos, investiram R$ 575 mil em melhorias na estrutura. “Em 2015 alojava 50 mil frangos e recebia em média R$ 0,45 por ave. Hoje são 42 mil frangos, recebendo R$ 0,50. No fim das contas, é o mesmo valor por lote”, lamenta Müller.
O jovem agricultor optou em permanecer na propriedade, considerando que a família atua no ramo avícola faz mais de 40 anos. “Cada ano espreme mais o margem de lucro, forçando o pequeno produtor a parar, só ficando quem produz em grande escala, acima de quatro aviários”, relata Réges.
Alcione Zangalli, 44, está no ramo avícola faz quase três décadas. No início, um aviário e 11 mil frangos por lote. Agora são dois galpões no sistema dark house, totalizando 85 mil aves e a perspectiva de ampliar. “Estou muito satisfeito com os resultados. Os frangos têm ciclo de 30 dias e destinados para exportação. Apesar da alta nos custos de produção, a valorização do dólar frente ao real garante uma boa conversão, em média R$ 0,60 por ave”, comenta Zangalli.
De acordo com o produtor, o apoio e amparo da empresa dão segurança para fazer investimentos. “Quem está no ramo faz mais tempo sabe de todas as melhorias que já ocorreram. Ao meu ponto de vista, a produção de alimentos, principalmente quando se fala em exportação, se manterá aquecida”, diz Alcione.
“Momento requer cautela”
O mercado brasileiro de carne de frango encerrou o mês de abril com expor-
sidente da Asgav, a carne de frango atende várias classes sociais e não há como repassar a totalidade dos aumentos nos custos de produção ao consumidor final.
“Durante a pandemia o setor investiu muito na prevenção, continuou empregando em larga escala e absorveu situações a exemplo das restrições em algumas plantas frigoríficas. Mesmo assim, o setor continua com o compromisso de atender o mercado interno e as exportações.
tações aquecidas, contribuindo para o desempenho positivo do setor. No cenário interno, a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) calcula prejuízo na produção que varia de R$ 1,50 a R$ 1,70 por quilo.
De acordo com José Eduardo dos Santos, pre-
Na avicultura, 70% dos custos de produção estão atrelados à nutrição animal. “O efeito de mercado trouxe a inflação de produtos e o preço dos grãos agravou a situação. A saca de milho disparou de R$ 48 para mais de R$ 100; e a tonelada de soja dobrou de R$ 1,5 mil para R$ 3 mil”, ressalta o presidente da Asgav.
A importação de milho é vista como alternativa para
evitar nova alta nos custos de produção. “A BRF, maior processadora de aves do país, comprou dois carregamentos de milho da Argentina para ajudar a controlar os custos”, comenta José Eduardo. Representantes do setor agrícola e de indústrias objetivam implementar o chamado Plano Duas Safras no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, para incentivar o cultivo de trigo, triticale, cevada, centeio, canola e aveia no inverno como alternativa ao milho na composição da ração para aves e suínos.
“Estamos em diálogo com o governo do estado para incentivar a produção de grãos e ampliar áreas irrigadas, para não ficarmos reféns do clima”, frisa Santos. O presidente da Asgav sugere cautela para novos investimentos. “Tínhamos um cenário desenhado, mas isso mudou com a pandemia e todo o efeito de mercado.”


