
Especial - Grupo A Hora
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Especial - Grupo A Hora
Falta de chuva entre o fim de 2019 e início deste ano interferiu na produtividade da agricultura gaúcha. Como reflexo, geração de riquezas no estado despenca mais de 9%. Para 2021, expectativa é de recuperação nas atividades primárias, com crescimento muito superior à média nacional FILIPE FALEIRO
Aseca e a pandemia fizeram a economia gaúcha cair mais do que a nacional. É o que mostra relatório da Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Pelo diagnóstico da entidade, o valor adicionado bruto da agropecuária, equivalente ao PIB do setor, terá uma retração de 27,9%. Como efeito em cascata, impacta sobre a indústria, serviços e consequentemente a economia gaúcha, com uma retração histórica de 9,6%. Por outro lado, o próximo ano indica um crescimento vertiginoso, com uma evolução de 40,6% no setor primário, e de 8,8% no PIB estadual.
Pelos cálculos da Farsul, a área plantada com grãos subirá para 9,3 milhões de hectares, cerca de 3% mais do que o cultivado em 2020. O grande diferencial será na produtividade. Para a federação, o crescimento será de 28,4%, alcançando 33,9 milhões de toneladas entre milho e soja. Essa evolução se dá pelo fato do desempenho reprimido pela falta de chuva na lavoura 2019\20. Na avaliação do economista-chefe da Farsul,


Antônio da Luz, a perda de 8 milhões de toneladas está atrelada a falta de irrigação nas propriedades gaúchas. Como os preços médios dos grãos estavam altos, a perda econômica foi muito maior do que em estiagens passadas, como em 2012 e 2015. Com isso, enquanto a projeção de perdas do PIB nacional supera 4,3%, a do RS será
mais do que o dobro disso, passando para 9,6%.
Para 2021, a estimativa é que a estiagem seja menos severa. Com isso, haveria condições de uma recuperação na produtivi -
PIB em 2020
dade da soja. Já o milho deve seguir com problemas, pois já há uma perda de 28% na safra. Conforme a Farsul, a soja, cultura mais rentável no RS, renderá quase 20 milhões de toneladas, um avanço de 75,8% na comparação com 2020. Já o milho deve ficar em 3 milhões de toneladas. Juntas, as culturas trarão R$ 67,3 bilhões ao estado.

Curto-circuito na instalação elétrica é apontado como principal causa de sinistros
Os casos recentes de incêndios em propriedades rurais colocam agricultores em alerta. Somente nos primeiros dias de dezembro, na região, dois aviários sofreram danos por fogo. O caso mais recente, em Canudos do Vale, causou prejuízo estimado em R$ 200 mil. Paulo Schmidt, 55, está no ramo da avicultura faz 14 anos, nunca havia enfrentado situação parecida com a qual se deparou na madrugada de sexta-feira, 11. “Acordei por volta das 2h, com o latido dos cachorros. Olhei para o aviário e percebi um clarão ao fundo da estrutura, as chamas aumentaram rapidamente”, descreve o agricultor.
Conforme o filho de Paulo, Leonardo Schmidt, 25, não foi possível conter o fogo. “Em cerca de 30 minutos toda a estrutura foi consumida, matando 14,4 mil pintos alojados naquele dia”, comenta. Os bombeiros chegaram em Rui Barbosa, interior de Canudos do Vale, quando o aviário estava praticamente destruído, mas auxiliaram para evitar que as chamas se espalhassem para o galpão e casa da família. Foram utilizados cerca de 3 mil litros de água.
O empreendimento possuía seguro. As causas do incêndio são desconhecidas, entretanto Paulo cogita a possibilidade de um curto-circuito. “Um dia antes, lavamos todo o aviário, procedimento para higienização do espaço.
Acredito em falha no sistema elétrico, pois o fogo iniciou longe da fornalha de aquecimento”, relata.
Diante do prejuízo, o agricultor ainda não sabe se vai construir nova estrutura. “Se houver interesse do filho em seguir na atividade até podemos fazer o investimento, caso contrário vamos manter apenas a criação de suínos e produção leiteira”, comenta Schmidt.

vidro atua como uma espécie de lupa, provocando faíscas e podendo iniciar um incêndio de grandes proporções. Sempre orientamos a população a não realizar esse descarte irregular”, alerta o tenente dos bombeiros de Lajeado, Delmar Braz do Prado.
Ainda conforme o tenente Braz, durante o verão, são atendidas em média de 2 a 3 ocorrências por dia de incêndio em área rural.
No caso de incêndio em vegetação, principalmente durante o verão, o descarte irregular de vidro (garrafa arremessada para fora do carro) e bituca de cigarro, estão entre os causadores de chamas.
“É um período quente e de vegetação seca. O
“Quando a equipe não consegue chegar de caminhão ao ponto em chamas, utilizam sopradores e batedores para conter o incêndio”, explica.
Em relação às propriedades rurais e estruturas (aviários, galpões, estufas...) a recomendação é de revisão periódica principalmente no sistema elétrico.
“Na tentativa de economizar, acabam fazendo gambiarras que muitas vezes resultam em prejuízo, além do risco à vida”, destaca o
tenente Braz.
A orientação do Corpo de Bombeiros é que sejam acionados o quanto antes. “No primeiro sinal de incêndio acione os bombeiros, cada minuto conta e nosso objetivo é chegar o quanto antes. Na tentativa inicial do morador tentar conter o incêndio acaba demorando em fazer a ligação ao serviço de emergência”, relata. No verão passado, período de dezembro/2019 a março/2020, o Corpo de Bombeiros de Lajeado, responsável por 11 municípios do Vale do Taquari, atendeu 132 ocorrências de incêndio, tanto na área rural quanto urbana. “Desde o início do mês já foram dez atendimentos relacionados a incêndio”, ressalta tenente Braz.
O eletricista Ivanir Becker, de Sério, explica a importância de utilizar equipamentos adequados


na instalação. “Um fio fino ou disjuntor fora da capacidade de carga, podem sobrecarregar a rede e causar incêndio”, alerta. De acordo com o técnico, é imprescindível uma revisão na rede, seja residencial ou das estruturas anexas na propriedade. “O próprio morador pode fazer esse serviço, mas precisa desligar o quadro de energia”, orienta. Na revisão do sistema de energia é preciso ficar atento às emendas e tomadas. “Uma emenda mal feita ou aberta pode causar faísca e iniciar chamas. O contato da água com a fiação pode desencadear curto-circuito”, explica o eletricista.
Becker alerta ainda, sobre o uso de dispositivos, a exemplo do DR e DPS. “São sistemas ineficientes em situações resultantes de incêndio. O DR desativa a rede caso alguém encoste na fiação desencapada. Já o DPS, é destinado contra surtos de descarga elétrica, por exemplo”, detalha Ivanir.


• Na produção de tabaco, um dos problemas neste período do ano são os incêndios em estufas. Levantamento realizado por empresa do setor, aponta o descuido como principal causa.
• Produtores devem revisar com frequência os canos das estufas, bem como ficar atento à temperatura do forno.
• No ano passado, o 6º Batalhão de Bombeiros Militar de Santa Cruz do Sul atendeu pelo menos 55 ocorrências relacionadas às estufas de fumo.
• Para evitar prejuízos, as indústrias orientam os fumicultores a manter o controle constante da temperatura da fornalha, com vigilância permanente no local e sem apressar o processo de secagem.
• Também devem realizar periodicamente a limpeza e manutenção dos dutos e do interior da estufa, pois o acúmulo de resíduos pode provocar um processo de autoignição no seu interior.
• Além disso, é recomendado providenciar instalações elétricas independentes para a estufa, evitando um superaquecimento da fiação.
• Sempre que possível, construa a uma distância mínima de cinco metros entre edificações (residência, galpão, garagem de maquinário) para evitar a propagação das chamas.


Serão mais de 600 quilos de carpas em quatro diferentes variedades
Será realizada sábado (19) a 14ª e última Feira do Peixe de Estrela de 2020. Organizadas pela Secretaria Municipal da Agricultura de Estrela, a tradicional comercialização de pescado também foi atingida este ano pelas consequências da pandemia, sendo que normalmente ocorrem mais de 20 edições/ano. Em 2019 foram 26. A feira ocorrerá, como de costume, na Praça
Henrique Roolaart, das 7h às 11h, ou enquanto houver disponibilidade do pescado neste período. Serão mais de 600 quilos de carpa em quatro diferentes variedades ofertadas ao público. A carpa capim, a R$ 12,00 o quilo e as demais – prateada, húngara e cabeça grande – serão comercializadas a R$ 10,00 o quilo. Os peixes poderão ser limpos e eviscerados, mediante o pagamento de mais R$ 4
por unidade. Tendo em vista a pandemia de Coronavírus, serão tomadas medidas restritivas de acesso ao local. A fim de evitar aglomerações, será organizada fila e exigido o uso de máscaras. Também será disponibilizado álcool gel. Mais informações pelo telefone 99678-6767.
Roolaart
Os preços do milho ficaram estáveis. No acumulado do ano, dezembro foi de queda em torno dos 6%. De acordo com o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a saca passou de R$ 77,17 para R$ 73,10. Análises de mercado verificam que esse movimento era esperado, pois
chegou a época de as empresas limparem os armazéns para receberem a soja. A tendência é que a atividade econômica mundial caia a partir do dia 18 de dezembro, voltando apenas por volta de 10 de janeiro. Isso também favorece a desvalorização da commodity. Porém, a partir do dia 15 de janeiro, o comprador de milho vai comparar seus estoques com a
estimativa para a entrada da segunda safra. Com problemas climáticos no RS e Santa Catarina, dois principais produtores do cereal na safra de verão, o volume disponível até a chegada do milho safrinha deve ser insuficiente para atender a demanda, o que deflagrará um movimento de alta. A dica para os produtores façam estoque do grão, adquirindo de forma paulatina.

A Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) faz novo alerta para as prefeituras e produtores rurais sobre a ação de golpistas que, dizendo-se representantes do Estado, têm oferecido diferentes produtos e serviços em troca de depósito de valores, a título de frete ou custo de combustível. Esse é o terceiro aviso publicado pela secretaria somente neste ano.
Nos últimos dez dias, novos golpes foram registrados em municípios gaúchos.
O secretário, Covatti Filho, teme que os golpistas se aproveitem da troca de gestores nas administrações municipais, para ampliar o golpe. E alerta: “Os convênios com o Estado nunca envolvem depósitos para pessoas físicas. Produtores e gestores precisam estar atentos a isso. Na dúvida, ligue para a Secretaria”.
