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A Hora – 16 e 17/05/2026

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Fim de semana, 16 e 17 de maio de 2026 | Ano 23 - Nº 4097 | R$ 5,00

VESTÍGIOS DAS CHEIAS

De vila arrasada a cemitério de barcos

Expedição pelo Rio Taquari, entre Bom Retiro do Sul e Triunfo, revela o cenário dois anos após as enchentes

Resposta dos negócios dois anos depois

Empresas médias e grandes ampliam produção, mantêm empregos e enfrentam novos desafios

No mês em que se relembra a maior inundação do país, produção regional recupera mercados e amplia atividades. Como ponto de atenção,

OPINIÃO RODRIGO MARTINI

Trilhos para sustentar qualidade de vida

Urbanização entre Estrela e Colinas desperta ao tema de um VLT entre as duas cidades.

prazo de carência dos financiamentos emergenciais está perto do fim e soma-se ao cenário de mais custos, juros elevados e tensão global.

Rio Taquari
RioJacuí

Retomada além da emergência

Arecuperação econômica do Vale do Taquari mostra características distintas quando se compara com outras localidades gaúchas. Mesmo diante da maior tragédia climática da história do país, empresas mantiveram operações, preservaram empregos e seguiram investindo. Longe de um pensamento ufanista de que foi superado, os prejuízos estão presentes, seja no custo da reconstrução, na reorganização logística e agora também no início do pagamento dos financiamentos emergenciais contratados após as enchentes.

A diferença é que o Vale nunca parou. Seja pela característica de uma territorialidade que convive faz muito com enchentes, ou pelo perfil voltado ao trabalho e empreendedorismo.

Reconhecer virtudes é um lado da moeda. Do outro, é importante estar atento às carências. O debate precisa avançar além da emergência climática.”

Marcas relevantes à região reorganizaram estruturas, trocaram de endereço, ampliaram áreas e retomaram espaço. Esse processo ocorreu sem saída da região, preservando empregos e fortalecendo a circulação econômica local.

A característica dos negócios também influencia. Predominam empresas familiares, com ligação comunitária, controle financeiro e capacidade de adaptação. Soma-se a isso a tradição de associativismo.

Reconhecer virtudes é um lado da moeda. Do outro, é importante estar atento às carências. Por isso, o debate precisa avançar além da emergência climática. Infraestrutura logística, energia, crédito e ocupação em áreas vulneráveis passam a ter papel ainda mais estratégico para sustentar o crescimento regional.

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Os artigos e colunas publicados não traduzem necessariamente a opinião do jornal e são de inteira responsabilidade de seus autores. Impressão Zero Hora Gráfica

“Minha maior realização é ver o aluno virar a chave”

RenataDelazeriépedagoga epsicopedagogaclínica einstitucionalqueatua no desenvolvimento da aprendizagemdecrianças e adolescentes, unindo atendimento individual e apoioaescolasnapromoção da inclusão.Trabalha com diferentes neurodiversidades eutilizaestratégias personalizadas,incluindo ComunicaçãoAlternativa, paraestimularautonomia, confiançaeodesejode aprender

Maira Schneider mairaschneider@grupoahora.net.br

O que a levou à Psicopedagogia e a atuar na clínica e na escola?

O desejo de entender como o cérebro funciona para despertar o prazer de aprender. Atuo na clínica para tratar a individualidade e na escola para orientar professores a criarem ambientes inclusivos.

Como sua formação contribuiu para quem você é hoje?

Minha formação me permitiu ser uma “terapeuta da aprendizagem”. Em vez de ensinar matérias escolares, foco em entender por que o aluno não está aprendendo e trabalho diretamente nas funções cerebrais necessárias para o conhecimento. Meu papel é destravar esse processo, devolvendo ao estudante a confiança para superar qualquer desafio.

Quais experiências marcaram sua carreira e o que a realiza?

O trabalho com adolescentes me deu uma percepção clínica aguçada. Minha maior realização é ver o aluno “virar a

chave”, recuperando a confiança para ser autor da sua própria história.

Como é seu trabalho com alunos com transtornos no IFSul?

Atuo como uma ponte estratégica. Realizo investigações técnicas para fortalecer as funções cognitivas dos alunos, garantindo que o transtorno não seja uma barreira para o sucesso no curso técnico e superior.

Por que se especializou em Altas Habilidades e como identificá-las?

Escolhi essa área porque alunos com esse perfil costumam ser “invisíveis” nas escolas. Existe o mito de que eles aprendem sozinhos, mas, sem o desafio correto, acabam desmotivados. Para identificá-los e intervir, utilizo a base de Joseph Renzulli, focada em três pilares: capacidade acima da média, criatividade elevada e comprometimento com a tarefa.

O que muda na abordagem na Curare Espaço Multidisciplinar?

O diferencial é o foco na individualidade e o trabalho conjunto com a psicologia. Atuo como articuladora, unindo escola, família e especialistas para montar o “quebra-cabeça” do desenvolvimento do aluno.

Como funciona o uso dos óculos de Realidade Virtual?

Uso a plataforma Therafy para realizar treinos cognitivos imersivos. É eficaz para treinar o foco no TDAH, habilidades sociais no Autismo e aumentar o engajamento através da gamificação.

Como enxerga o futuro da Psicopedagogia com a tecnologia?

Vejo uma união poderosa entre neurociência e tecnologia. As inovações trazem dados precisos, mas o futuro continuará dependendo do vínculo humano e do acolhimento para uma evolução real.

Qual o maior desafio ao trabalhar com transtornos de aprendizagem hoje?

Vencer o imediatismo e o estigma dos rótulos. É um desafio constante desconstruir o sentimento de incapacidade do aluno e garantir que clínica, família e escola falem a mesma língua.

Quais os próximos passos da sua carreira?

Meus próximos passos envolvem o aprofundamento em pesquisas sobre processos inclusivos e estratégias de aprendizagem. Seguirei consolidando meu trabalho, tanto na clínica quanto na escola, como uma referência em atendimento ético, científico e transformador para crianças e adolescentes.

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ESTRELA A COLINAS

rodrigomartini@grupoahora.net.br

Governos analisam VLT e perimetral para sustentar qualidade de vida

Ocurioso tema já foi descrito na coluna em novembro de 2025. E vire e mexe retorna à mesa de debates com empresários e gestores públicos preocupados com o futuro de Estrela e, mais recentemente, de Colinas. Fato é que as administrações municipais, os novos e os velhos moradores e os investidores já perceberam que a célere urbanização das áreas rurais desses municípios vizinhos é um desafio. É uma boa notícia, inclusive. Mas o crescimento sem planejamento pode ameaçar a mobilidade e até mesmo a qualidade de vida. Em suma, é preciso pensar soluções inteligentes e inovadoras para garantir as conexões viárias que hoje se resumem à estreita ERS129. E, entre as ideias já debatidas em Estrela – e reverberadas em Colinas – está a implementação de um Veículo Leve sobre Trilhos

HBB + UNIVATES

Medicina no Vale segue como exemplo

Parabéns a todos os agentes do Hospital Bruno Born, da Univates e demais entes envolvidos na habilitação, para graduação e residência, do HBB junto aos Ministérios da Saúde e da Educação. Uma conquista histórica ao Vale do Taquari e ao Estado. A partir de agora, o HBB é um Hospital de Ensino. Além da formação de novos médicos, do fortalecimento da produção científica e tecnológica e do conhecimento acadêmico e profissional, o reconhecimento oficial garante ao HBB acessar ainda mais recursos financeiros federais e ter prioridades em programas do SUS.

(VLT) nos trilhos da Ferrovia do Trigo, um sistema de transporte público urbano que opera de forma similar a um “bonde moderno”, ou um “metrô ao ar livre”, operando no nível do solo e geralmente à energia elétrica. Inicialmente, no trecho entre o Porto de Estrela e a localidade de Costão.

A outra ideia, e talvez mais

plausível ao contribuinte mais conservador, é a utilização da área de domínio dos trilhos ferroviários para construção de grande avenida – ou perimetral – e criar uma conexão alternativa à rodovia estadual. São duas soluções caríssimas e dependem de investidores e do governo federal. Entretanto, não custa sonhar!

ELEIÇÃO EM NOVEMBRO

Rafael Goelzer pode ser o novo presidente da Federasul

Atual presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Rodrigo Souza Costa foi reeleito por aclamação em novembro de 2024. E o mesmo pode ocorrer com o atual Vice-Presidente de Integração da Federasul, o também empresário Rafael Goelzer. Ele é o mais cotado para assumir a presidência da entidade no próximo biênio (2027/2028). A eleição ocorre em novembro. E tudo indica para uma chapa única, reforço. Rafael é o segundo filho de Lucídio Goelzer, o idealizador da Estância das Oliveiras, a terceira marca de azeite de oliva mais premiada do mundo no EVOO World Ranking de 2025. Rafael é sócio no negócio e atua como Diretor de Relacionamento com o Mercado. E a sede do empreendimento fica em Viamão.

TIRO

- Empresário da construção civil e pré-candidato a deputado estadual, Roberto Lucchese (MDB) está muito próximo de alcançar o cume do Everest, a montanha mais alta do mundo. O desafio deve se encerrar nos próximos dias (ou horas) e ele é aguardado na região para dar sequência à pré-campanha. Agora, com muito mais seguidores, confiança e histórias para contar.

- Geder Mori, prefeito de Bozano, é mais um integrante do PP a manifestar apoio ao pré-candidato a governador Gabriel Souza (MDB), que tem o ex-Progressistas Ernani Polo (hoje no PSD) como pré-candidato a vice. No Vale do Taquari, e por ora, só a prefeita de Santa Tereza, Gisele Caumo, anunciou apoio público ao atual vice-governador.

RESCALDOS DA CPI

Sem liderança, o PP de Lajeado segue à deriva

A conclusão não é minha, óbvio. É uma conclusão de quem está dentro do ninho e preocupado com o futuro dos Progressistas na principal cidade do Vale do Taquari. E o mais curioso: é uma preocupação de quem está no poder. Já escrevi sobre isso e volto a afirmar que o momento é dos mais delicados ao PP de Lajeado.

Mesmo após a terceira vitória consecutiva sobre o MDB e o PT, o diretório municipal está em chamas e sem um líder para colocar ordem na casa. O presidente

Natanael dos Santos está distante da prefeita Gláucia Schumacher. Ela está distante dos vereadores e suplentes. E muitos correligionários históricos passaram a atirar pra tudo quanto é lado após a barulhenta Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e as demais investigações sobre as obras da PDS.

Sem falar nos dissidentes e futuros dissidentes, e na ausência de articulação regional frente ao pleito de 2026. Um cenário cada vez mais prodigioso para os sempre atentos articuladores do MDB.

Operação da PF em

Estrela foi legal, avalia MP

A defesa da prefeita Carine Schwingel (União Brasil) aponta supostas irregularidades cometidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Ambitus Sidum. A defesa encaminhou requerimento à juíza de garantias para questionar ações dos investigadores e, desta forma, buscar algum tipo de anulação ou suspensão dos autos ou da investigação criminal. Entre os questionamentos, as justificativas às buscas e apreensões nas operações Ambitus

Sidum e Rêmora, o uso ostensivo de armamento, o arrombamento de porta na residência da prefeita, a apreensão de objetos na prefeitura e o cumprimento de mandato que, na visão dos advogados, não envolve criminalidade organizada ou violenta.

Na quarta-feira, porém, o Ministério Público se posicionou contrário à defesa e amparou a origem e sequência da investigação. E agora é preciso aguardar a decisão judicial final.

vinibilhar@grupoahora.net.br

Dália promove evento sobre futuro da cadeia leiteira

Com o slogan “O futuro é agora”, a Cooperativa Dália Alimentos realizará, no dia 8 de julho, em Encantado, o evento Dália+100, voltado ao planejamento dos próximos cem anos da atividade leiteira. A programação ocorrerá no auditório da sede do Sicredi Região dos Vales e reunirá produtores, técnicos, especialistas e representantes do setor. O encontro terá foco em temas

ligados à sucessão familiar, mercado do leite e sustentabilidade da produção no campo. Segundo o gerente da Divisão Produção Agropecuária da Dália, Fernando Oliveira de Araujo, a proposta é promover reflexões sobre desafios e oportunidades da cadeia leiteira, com visão de médio e longo prazo. Entre os palestrantes confirmados estão o engenheiro agrônomo Wagner Beskow, que abordará

estratégias para geração de renda e continuidade da atividade, e Cilotér Borges Irribarren, especialista em governança e sucessão familiar. À tarde, o CEO da AgriPoint falará sobre o futuro do mercado do leite. As inscrições para associados devem ser feitas inicialmente por meio dos delegados ou técnicos responsáveis pelas propriedades. Após 12 de junho, as vagas serão abertas à comunidade.

Medical San projeta faturamento de R$ 850 milhões até 2030

O Grupo Medical San realizou, na última quinta-feira, em Estrela, a terceira edição do Financial Meeting, reunindo cerca de 50 representantes de instituições financeiras parceiras. Durante o encontro, a empresa apresentou resultados e metas para os próximos anos.

Segundo dados divulgados pela direção, o grupo acumulou R$ 1

bilhão em faturamento entre 2020 e março de 2026, com crescimento médio anual de 56%. A projeção para 2026 é alcançar produção de R$ 300 milhões, mantendo o ritmo de expansão operacional.

O presidente e CEO da Medical San, Mauro dos Santos Filho, destacou que a companhia trabalha com meta de crescimento anual de 20%, EBITDA de R$ 320 milhões

até 2030 e faturamento projetado de R$ 850 milhões.

O evento reuniu representantes de bancos e instituições como Banco do Brasil, Caixa, Santander, Sicredi, BTG Pactual, Itaú BBA e XP Inc. Segundo a empresa, o encontro reforça a relação estratégica com o setor financeiro e o posicionamento para os próximos ciclos de mercado.

Empresários, comerciantes e empreendedores da região vivem a reta final para garantir presença na Expofeira – Feira do Empreendedorismo 2026, que integra a programação da 11ª Dança Bom Retiro. O evento ocorre de 10 a 14 de junho, no Espaço Multiuso, em Bom Retiro do Sul, dentro das comemorações pelos 67 anos do município. A expectativa da organização é receber mais de 30 mil visitantes durante os cinco dias de atividades.

A feira foi criada para valorizar o empreendedorismo regional, reunindo empresas de diferentes segmentos em um ambiente voltado à exposição de marcas, geração de negócios e fortalecimento de conexões. Além da programação

Indicadores

Dólar: R$ 5,06

Ibovespa: 177.283,83

SERVIÇOS (MAR): - 1,20%

cultural e artística, a estrutura contará com pavilhões temáticos, área do agronegócio, praça de alimentação e atrações voltadas ao público regional.

Segundo o secretário municipal de Indústria e Comércio, Clóvis Santos, a proposta é transformar o evento em um espaço de integração econômica e valorização das iniciativas locais. Já o prefeito Celso Pazuch destaca que a edição de 2026 simboliza uma nova etapa para os grandes eventos promovidos no município.

O edital para credenciamento de expositores está disponível no site da Prefeitura de Bom Retiro do Sul. Informações também podem ser obtidas pelo telefone (51) 99928-4502.

FOTOS DIVULGAÇÃO

ECONOMIA REGIONAL

Retomada convive com contas das tragédias

Maiores indústrias do Vale recuperam posições no mercado, mantiveram e aumentaram empregos, investiram em expansão e, ao mesmo tempo, começam a pagar financiamentos emergenciais devido ao fim dos dois anos de carência. Conta soma-se ao cenário atual de juros elevados, insumos elevados frente a economia mundial instável

Amemória da sequência de inundações entre 2023 e 2024 permanece, com traumas que, pouco a pouco, se atenuam. Dentro de empresas de médio e grande porte da região, as máquinas voltaram a funcionar. Entregas retornaram as rotas e mudanças de sede foram construídas ou estão em obras.

No mês em que se relembra a maior tragédia climática da história do RS, a economia do Vale do Taquari apresenta sinais de reorganização. Conseguiu manter o nível de empregabilidade e os negócios seguiram em frente. Ao mesmo tempo, o fato é que novas contas chegam com o fim da carência dos financiamentos

emergenciais. Entre setembro de 2023 e maio de 2024, foram criados modelos de empréstimo pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com juros subsidiados, com dois anos de carência.

No pós-tragédias, relembra o diretor da Lajeadense Vidros, Régis Arenhart, a primeira preocupação foi salvar estoques, equipamentos e retomar as operações. Agora, a realidade passa pelo impacto financeiro dos empréstimos, pelo custo elevado da produção, pela instabilidade econômica e por uma economia retraída.

“A conta começa a chegar. Tivemos mais de R$ 20 milhões em prejuízos. Estamos em uma nova sede, temos trabalho, estamos produzindo e sabemos que será um período de

turbulência”, resume o diretor, Régis Arenhart. A empresa deixou a antiga estrutura na rua Bento Rosa, em Lajeado, uma das áreas mais atingidas pelas cheias. Hoje opera em nova sede no bairro Imigrantes, próximo à BR386. “Estamos estruturados.

Estamos estruturados. A empresa está pronta. Mas ainda temos máquinas não totalmente recuperadas. Agora, o que preocupa são as projeções econômicas, os juros continuam altos, o mercado está instável e o dinheiro circula menos.” JUNIOR

Lajeadense Vidros transferiu as operações para o bairro Imigrantes, perto de Conventos e da BR-386, local distante do rio e dos riscos de novas inundações

A empresa está pronta. Mas ainda temos máquinas não totalmente recuperadas. Agora, o que preocupa são as projeções econômicas, os juros continuam altos, o mercado está instável e o dinheiro circula menos.”

Hoje a Lajeadense tem cerca de 115 funcionários. Conforme Arenhart, houve redução pontual no quadro ao longo do período, mas sem demissões em massa. “Tivemos saídas naturais, mas agora já estamos novamente ampliando o quadro.”

No Vale do Taquari, pelo menos 13 empresas com faturamento acima de R$ 4,8 milhões por ano

Meu avô era balseiro e sempre dizia: quando vem uma enchente, logo vem a segunda. Quando vi a situação do rio naquele dia (setembro de 2023), entendi que não poderíamos mais ficar ali.”

cumpriam os requisitos para as linhas de crédito do BNDES. Conforme diagnóstico feito com dados da inundação de setembro de 2023, da Câmara da Indústria e Comércio (CIC-VT), em parceria com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, Sebrae e Junta Comercial, foram mais de 1,4 mil CNPJs atingidos pelas inundações, com um prejuízo estimado acima dos R$ 700 milhões.

Da reconstrução ao crescimento

De uma forma ou de outra, as empresas ainda lidam com os impactos financeiros das enchentes. Isso obrigou transformações e pontos de reorganização estrutural. Neste sentido, a STW é um dos exemplos.

A empresa iniciou a trajetória há duas décadas em uma garagem em Teutônia. Depois passou pela incubação da Univates, cresceu em Lajeado e hoje opera em uma estrutura com mais de 9 mil metros quadrados no Business Park, em Estrela.

O fundador, Junior Sulzbach, afirma que a decisão de deixar a antiga sede, na rua Bento Rosa, em Lajeado, veio ainda na enchente de setembro de 2023.

“Meu avô era balseiro e sempre dizia: quando vem uma enchente, logo vem a segunda. Quando vi a situação do rio naquele dia (setembro de 2023),

Filipe Faleiro filipe@grupoahora.net.br
Do ramo da tecnologia, a STW está em novo endereço, no Business Park, em Estrela, faz três meses. Nessa sexta-feira, 15 de maio, completou 20 anos de criação

entendi que não poderíamos mais ficar ali.”

Por volta das 16h do dia 4 de setembro, uma segundafeira, Sulzbach chegou para a equipe e decidiu colocar tudo em caminhões e sair o mais rápido possível. Naquela noite, a empresa retirou grande parte dos equipamentos e dos estoques da produção às pressas.

“À meia-noite saiu o último caminhão. Os pneus já estavam dentro da água”, relembra.

O empresário ficou na sede. “Foi muito traumático. Passei a noite inteira vendo o rio subir sem saber até onde iria chegar.”

Só no outro dia, depois das 14h, ele foi resgatado. Amigo e sócio, Carlos Pichler, relembra o drama: “foi desesperador. Saber que ele estava lá. Passei a noite buscando jet ski, helicóptero, o que fosse

para tirar ele. Só descansei quando fiquei sabendo que ele não estava mais lá.”

Naquele momento veio a decisão: abandonar a sede e buscar outros projetos. “Isso fez com que não tivéssemos tantas perdas, tanto na enchente de novembro daquele ano, quanto na de maio de 2024. A última, destruiu todo o pavilhão.

Hoje, a empresa vive outra realidade. Em vez de retração, ampliou operações, estrutura física e número de funcionários. “Na época tínhamos cerca de 80 colaboradores.

Hoje passamos de 200.”

Segundo ele, a reação dos clientes foi decisiva para a recuperação da empresa.

“Tivemos clientes que nos ligaram perguntando o que precisávamos. Alguns anteciparam pagamentos porque

WALTER

DIRETOR DA VINAGRES PRINZ

As obras estão avançadas. Precisamos sair daqui. Hoje a preocupação não é apenas a enchente passada, mas a possibilidade de outra.”

acreditavam na nossa retomada”, diz Sulzbach.

Conforme Carlos Pichler, a inundação acelerou as mudanças. “Chegou um momento em que olhamos aquela equipe limpando e reorganizando tudo e percebemos que a empresa não podia parar.”

Custos maiores e mercado pressionado

Além dos financiamentos da reconstrução, empresas também convivem com um cenário econômico mais complexo. Na Vinagres Prinz, que prepara a transferência de Lajeado para Estrela, a preocupação passa pelo aumento de custos industriais.

A empresa deixará a sede próxima ao Rio Taquari depois de décadas de operação no Centro Antigo de Lajeado. “As obras estão avançadas. Precisamos sair daqui. Hoje a preocupação não é apenas a enchente passada, mas a possibilidade de outra. Quando tudo está limpo e organizado, qualquer alerta de uma nova enchente faz com que a gente não consiga dormir à noite”, afirma o diretor Walter Koller.

Segundo ele, a nova estrutura deve começar a operar no segundo semestre. “As obras praticamente terminaram. Agora estamos nos acabamentos internos”. Para Koller, porém, a reconstrução trouxe custos superiores ao

Análise

O que mudou depois das tragédias

Empresas reorganizadas

• novas fábricas

• transferência de sedes

• reorganização logística

• ampliação estrutural

Desafios atuais

• fim da carência dos financiamentos

• juros elevados

• aumento nos custos industriais

• logística mais cara

• dificuldade de mão de obra

Situação econômica

• empresas mantêm operações no Vale

• parte amplia quadro de funcionários

• reconstrução física avança mais rápido que a financeira

inicialmente projetado. “Quem faz obra sabe como é. Começa de um jeito e termina de outro.”

Além disso, a empresa enfrenta aumento expressivo nos custos de embalagens, logística e energia. “O plástico praticamente dobrou de preço. Tem produto que subiu mais de 100% e não tem como repassar tudo para o mercado.”

Empregos permanecem como prioridade

Mesmo diante dos prejuízos, a maior parte das empresas manteve operações no Vale do Taquari e evitou cortes massivos de trabalhadores. Na avaliação dos empresários, preservar equipes foi fundamental para acelerar a retomada.

Na Prinz, cerca de 98% dos funcionários acompanham a mudança da empresa para Estrela. “Estamos estruturando transporte e logística para manter esse quadro conosco”, afirma Köller. Supervisor industrial da empresa há 30 anos, Lothar Krummenauer acompanhou todas as enchentes recentes dentro da fábrica. “Foi muito triste. A gente olhava aquilo tudo destruído e ficava perdido.”

Impacto nos negócios do RS

Referente a inundação de maio de 2024

Perdas econômicas no Estado próximas dos R$ 40 bilhões

Indústria

Pesquisa da Fiergs indicam que 81% das indústrias foram afetadas. Cerca de 63% sofreram paralisação total ou parcial, com perdas médias de R$ 4,5 milhões para médias e grandes empresas.

Comércio e Serviços

Os danos no setor de comércio em todo o RS foram calculados em R$ 14,8 bilhões.

Micro e Pequenas Empresas

Cerca de 600 mil pequenos negócios no RS foram impactados, com prejuízo médio de R$ 117 mil por unidade.

Tipos de Prejuízos

Dados do Observatório da Indústria

Estoques

31,3% das indústrias perderam matérias-primas e 15,6% perderam produtos acabados.

Equipamentos

19,6% reportaram danos em máquinas e instalações físicas.

Veículos

Estima-se que 200 mil veículos (incluindo frotas comerciais) foram danificados, gerando prejuízo de R$ 8 bilhões.

Moradores aguardam apresentação de novo projeto para praça no Centenário

Comunidade cobra definição sobre reformulação da área de lazer na rua Cecília Meireles. Proposta prevê espaços esportivos, iluminação e estrutura para eventos comunitários. Reformulação da área é aguardada há anos

LAJEADO

Areformulação da área de lazer no bairro Centenário, localizada na rua Cecília Meireles, ainda é um projeto aguardado pela comunidade. Após algumas reformas, causa de descontentamento entre a população local, um novo modelo que contemple práticas esportivas e eventos comunitários segue como um dos principais pedidos da Associação de Moradores. Atualmente, o espaço conta com quadras de areia, brinquedos e academia ao ar livre. No entanto, segundo a presidente da Associação, Raquel da Rosa, os itens instalados precisam de restauração. Ela também relembra que reformas anteriores na praça não atenderam aos pedidos da comunidade, o que resultou na demolição da estrutura fechada e inviabilizou eventos.

Um projeto elaborado pela Associação foi apresentado à gestão municipal há cerca de dois anos.

A expectativa, segundo Raquel, era que as intervenções iniciassem ao longo deste mês. Porém, sem avanço, a comunidade busca acesso à proposta desenhada pela prefeitura. “Queremos um posicionamento de quando esse modelo vai ser apresentado”, frisa.

A presidente detalha a falta de estrutura adequada no local. “Pedimos para restaurar brinquedos, mas eles foram retirados. Não temos estrutura elétrica, banheiros, nem área coberta”, comenta.

A formatação do espaço, segundo Raquel, é pensada para ampliar a prática esportiva na localidade, sem a necessidade de se deslocar para outros bairros.

Discordância

Uma breve reforma da área de lazer gerou descontentamento em moradores meses atrás. No centro da polêmica, estava o material utilizado para a obra. Segundo a presidente, a execução estava em desacordo ao que havia sido tratado com o governo municipal. Um dos pontos de maior preocupação foi a colocação de cordões de concreto para cercar as quadras.

Nova proposta

Segundo a presidente, o espaço deve ter quadras de areia para prática de vôlei e também um campo sintético para futebol 7, modelo semelhante ao executado em outros bairros. “O que sabemos, por enquanto, é que os espaços esportivos vão ser telados, com melhorias na iluminação e espaço para caminhada”, afirma. O modelo elaborado pelo governo municipal para construção da nova área de lazer deve ser apresentado aos moradores do bairro Centenário nos próximos dias. Após o detalhamento da proposta e ajustes junto à comunidade, a prefeitura afirma que o projeto será encaminhado para a etapa de licitação.

Projeto para reforma da praça deve ser apresentado à comunidade nos próximos dias
KARINE PINHEIRO

Novo diretor assume hospital

André Brückmann substitui Márcio Sottana a partir do dia 26 de maio. Profissional coordenava a casa de saúde de Espumoso.

ENCANTADO

Arede São Camilo faz alterações na gestão do Hospital Beneficente Santa Terezinha (HBST) de Encantado. Após três anos na função, Márcio Sottana deixa o cargo de diretor administrativo. Ele assumirá o Hospital São Camilo de Imbituba, em Santa Catarina.

O novo diretor da casa de saúde encantadense será André Brückmann. Desde o ano passado, o profissional coordenava o hospital de Espumoso e foi o responsável pela estruturação da instituição no período em que os camilianos assumiram a administração, após 87 anos de atuação da Congregação das Irmãs de Notre Dame. Conforme Sottana, a comunicação sobre as mudanças foi feita ontem à tarde, 14, aos colaboradores e médicos do HBST. “São movimentos estratégicos da entidade. Agradeço o acolhimento que tive de todos os encantadenses”, comentou.

A transição definitiva vale a partir do dia 26 de maio. Hoje, o HBST conta com 75 leitos, equipe de 270 colaboradores e corpo clínico com 65 médicos. A entidade é referência para 11 municípios da região alta do Vale do Taquari.

Sottana chegou a Encantado em fevereiro de 2023 para assumir a vaga de Evandro Klein. Nesse período, coordenou importantes melhorias na infraestrutura, como a ampliação do Pronto-Socorro, a instalação do novo Bloco Cirúrgico e a construção do novo Centro Obstétrico.

Também fez os primeiros encaminhamentos visando à aquisição de um aparelho de Ressonância Magnética e à instalação do Laboratório Clínico e da Central de Materiais Esterilizados (CME). A longo prazo, anunciou a intenção de criar uma UTI Neonatal, implantar o serviço de Hemodiálise e novas alas de internação, com incremento de 15 leitos.

Nos últimos dias, Sottana expôs aos prefeitos da Associação dos Municípios do Alto Taquari (Amat) dificuldades no custeio da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com déficit mensal de cerca de R$ 100 mil. Ele sugeriu uma parceria com aporte mensal dos municípios proporcional ao número de habitantes. Os gestores foram contrários à ideia e prometeram buscar apoio do Estado e da União em busca de mais valores.

André Brückmann se despediu de Espumoso na quinta-feira, 14, quando transmitiu o cargo para a colega Michele Daló. Durante entrevista coletiva de imprensa, ele afirmou que a rotatividade é normal dentro da rede São Camilo.

No tempo em que permaneceu no comando do Hospital São Sebastião, além das ações de estruturação administrativa, Brückmann deu encaminhamento aos projetos do Pronto-Socorro e do plano diretor do hospital, que inclui 10 vagas de UTI e novos leitos de internação.

Diogo Daroit Fedrizzi diogo@grupoahora.net.br
André Brückmann vem de Espumoso onde coordenou a estruturação do hospital São Sebastião após a aquisição da rede São Camilo
DIVULGAÇÃO

Postulantes ao Piratini intensificam agendas e esquentam pré-campanha

Principais nomes que devem disputar o pleito estadual aproveitam eventos como a Fenachim para apresentar ideias e planos ao futuro do RS

Ainda faltam pouco menos de cinco meses para o primeiro turno das eleições estaduais, mas o período de pré-campanha começa a esquentar no Rio Grande do Sul. Num período marcado por grandes eventos pelo interior, postulantes ao Palácio Piratini aproveitam a vitrine das programações festivas para apresentar suas ideias e planos ao futuro do RS. Um exemplo de evento que teve grande atenção dos pré-candidatos foi a Festa Nacional do Chimarrão (Fenachim), que teve sua edição histórica de 40 anos encerrada no último domingo, 10. Os quatro nomes com maior projeção político-partidária circularam pelo Parque do Chimarrão, rodeado por apoiadores e assessores, além de terem sido recebidos por autoridades locais.

Juliana Brizola (PDT) foi a primeira a aparecer na Capital do Chimarrão na quinta-feira, 7, seguida por Gabriel Souza (MDB), atual vice-governador, que esteve na manhã de sexta, 8. Marcelo Maranata (PSDB) foi a Venâncio Aires na tarde do mesmo dia, enquanto Luciano Zucco fechou o cronograma de visita de pré-candidatos, na noite daquele dia.

Os quatro foram entrevistados pela reportagem do Grupo A Hora in loco e responderam a questionamentos sobre temas como infraestrutura logística e desafios do clima após os eventos extremos dos últimos anos, duas temáticas de forte interesse do Vale do Taquari.

Convenções

Faltam pouco mais de dois meses para uma das etapas mais importantes da pré-campanha: o período de convenções partidárias. Serão 15 dias onde partidos lançam oficialmente candidatos e firmam coligações para as eleições gerais de outubro.

No cenário gaúcho, as alianças dos principais candidatos estão costuradas, feito raro na história recente. Juliana Brizola atraiu o apoio de partidos como PT, PV, PCdoB, PSB e PSOL, formando uma ampla frente de partidos da esquerda e centro-esquerda. No espectro oposto, Luciano Zucco garantiu o apoio de PP, Republicanos, Podemos e Novo, numa numerosa aliança da direita.

Gabriel Souza, que representa o atual governo, tem o apoio garantido do PSD, do União Brasil e do PRD. Marcelo Maranata, por enquanto, tem apenas a Federação PSDB-Cidadania na base de apoio.

A região dos Vales tem sua veia empreendedora. Ao mesmo tempo enfrenta gargalos logísticos que encarecem o frete e reduzem a competitividade. Quais políticas para potencializar o setor produtivo?

Gabriel Souza (MDB)

“Estamos fazendo um grande investimento em infraestrutura no Vale do Rio Pardo e no Vale do Taquari. A concessão da RSC-287 vai dar um upgrade à região, com trechos já duplicados e outros em obras. O Estado sozinho não teria condições de fazer esses investimentos na velocidade necessária. Também temos obras importantes na ERS-129, ERS-130 e a nova ponte entre Cruzeiro do Sul e Estrela, que vai mudar a capacidade logística da região”

“O Rio Grande do Sul enfrenta dificuldades na infraestrutura há bastante tempo. Quem anda pelas rodovias estaduais e federais sabe que precisamos melhorar muito para garantir competitividade e facilitar o escoamento da produção. O Estado não pode ser um entrave para quem empreende e produz. Tem que fazer a sua parte e investir em infraestrutura para fortalecer a economia, gerar emprego e renda.”

“A infraestrutura é um gargalo do Estado inteiro. O problema aparece no Vale do Taquari, na Serra, na Região Metropolitana e na Fronteira Oeste. Vamos elencar prioridades dentro do nosso plano de governo e a região também será contemplada. Queremos discutir investimentos em rodovias, ferrovias e hidrovias para melhorar a competitividade do Rio Grande do Sul.”

“Não tem como desenvolver o Rio Grande do Sul sem investir em infraestrutura. Precisamos diversificar os modais de transporte. Hoje é muito mais caro transportar por caminhão do que por trem ou navio. O Estado precisa tornar os rios navegáveis, fortalecer o Porto de Rio Grande, ampliar alternativas portuárias e investir em aeroportos. Também precisamos industrializar o agro para aumentar a competitividade da nossa produção.”

Juliana Brizola (PDT)
Luciano Zucco (PL)
Marcelo Maranata (PSDB)
Mateus Souza mateus@grupoahora.net.br
Ezequiel Neitzke ezequiel@grupoahora.net.br
FOTOS: DIVULGAÇÃO

Ação busca tirar as pessoas de locais frios e abertos e abrigá-las em casas de passagem.

Iniciativa é organizada pela Secretaria de

Desenvolvimento

Social de Lajeado

LAJEADO

Com a chegada das baixas temperaturas, a prefeitura de Lajeado intensifica o atendimento à população em situação de rua. A atuação da rede de acolhimento da Secretaria de Desenvolvimento Social busca abrigar pessoas que estejam expostas ao frio extremo. As abordagens são reforçadas em pontos de maior concentração de população desabrigada.

A secretária do Desenvolvimento Social, Eliana Ahlert Heberle, reforça que informações para busca ativa por pessoas em situação vulnerabilidade podem ser repassadas pelos canais oficiais da pasta. Duas casas de passagem operam em parceria com a gestão municipal e recebem a população encaminhada.

ASSISTÊNCIA SOCIAL

Atendimento à população em situação de rua é intensificado

COMO FUNCIONAM ESPAÇOS DE ACOLHIMENTO

ou encaminhamento pela busca ativa em parceria com o Desenvolvimento Social. O local fornece alimentação, vestiário para banho e local para dormir.

Casa de Passagem Shalon: A casa recebe famílias e atende na rua Carlos Spohr Filho, 1.179, bairro Moinhos. O serviço pode ser acessado mediante encaminhamento do Desenvolvimento Social ou de forma espontânea. O local fornece alimentação, vestiário para banho e local para dormir.

Desenvolvimento social reforça busca ativa pela população em situação de rua
São Chico: O abrigo recebe somente homens e atende na rua Coronel Pontes Filho, 521, no bairro Florestal. O local funciona diariamente, com acesso espontâneo
DIVULGAÇÃO

MEMÓRIA DAS CHEIAS

Sobrevivente recupera área devastada em Estrela

Dois anos após a enchente histórica de maio de 2024, Silvio Gregory, 58, ainda enfrenta dificuldade para acessar a propriedade em Arroio do Ouro. Entre marcas da destruição, projetos da Embrapa e apoio do Terra Forte, ele tenta reconstruir a área onde sobreviveu sobre o telhado da própria casa

Acasa verde de telhado vermelho continua cercada pela vegetação em Arroio do Ouro, interior de Estrela. É até ela que Silvio Gregory, 58, retorna todos os fins de semana. O caminho ainda não voltou ao normal desde a enchente histórica de maio de 2024. Logo na entrada da propriedade, uma grande poça permanece onde antes havia passagem. No verão, a água baixa um pouco. No inverno, o trecho volta a ficar fundo. Sem acesso adequado, ele deixa o carro mais distante e atravessa por uma cerca em área vizinha para conseguir chegar até a casa onde cresceu e passou quase três dias sobre o telhado esperando resgate. Foi na quarta-feira, 1º de maio de 2024, enquanto acompanhava os alertas pelo rádio, que percebeu que a água que descia da Serra seria diferente das outras enchentes. Morador da localidade desde criança, conhecia o comportamento do rio e decidiu subir antes do anoitecer. “Eu sabia que, se esperasse mais, não conseguiria subir.”

Carregou lanternas, baterias, cordas, mantimentos e capas de chuva para a parte mais alta da casa construída pela família em 1988, no lugar de uma antiga moradia de madeira. A água subiu rápido. Derrubou estruturas, tomou o pátio e fez parte do galpão ceder. Com a força da correnteza, a estrutura bateu contra a casa enquanto ele permanecia no telhado. “Aqueles dias foram um terror. Era água passando por baixo e temporal por cima.”

Durante a noite, os relâmpagos estremeciam a estrutura. Sem

passando, carro boiando, gado descendo rio abaixo. Mas ainda não tinha dimensão do tamanho da destruição.”

Dois anos depois

conseguir descansar, alternava entre sentado e deitado para suportar o frio e a dor no corpo. As mãos enrugaram, as juntas endureceram e o medo era de que a casa também não resistisse. Helicópteros passaram diversas vezes pela região, mas não conseguiam localizar a casa escondida pela vegetação. “Os helicópteros passavam e não me viam. A casa é verde e a mata ao redor camuflava.” Na sexta-feira pela manhã, com pouca bateria e quase sem sinal, conseguiu enviar uma última mensagem ao filho, Diéfer, que mantinha contato direto com a Rádio

A Hora e ajudava a repassar informações para bombeiros e equipes de resgate. Até então, muitos acreditavam que ele já havia sido retirado do local. Foi neste novo contato que Diéfer conseguiu avisar novamente que o pai ainda permanecia sobre o telhado da casa.

Pouco depois, a bateria do celular terminou. Horas mais tarde, helicópteros do Exército começaram a sobrevoar a área enquanto uma lancha conseguiu entrar pelos fundos da propriedade, em meio à correnteza, para concluir o resgate. “Eu via geladeiras

Quando retornou a Arroio do Ouro dias depois, encontrou estradas bloqueadas, vizinhos sem casa, lama e dunas de areia espalhadas pela propriedade. Em alguns pontos, o acúmulo ultrapassava dois metros de altura.

Hoje, dois anos depois, a área ainda exige reconstrução. Parte do terreno segue tomada por areia e há locais onde máquinas ainda não conseguem acessar. Ao longo dos últimos meses, ele e a esposa retiraram mais de 500 carrinhos de mão de terra do entorno da casa. Apesar disso, abandonar Arroio do Ouro nunca foi uma opção. “Eu me criei aqui. Meu avô era daqui, meu pai e minha mãe também. Tinha campo de futebol, famílias grandes, muita vida.”

Atualmente, mora na área urbana de Estrela, mas continua retornando ao interior para cuidar da propriedade, limpar o espaço e tentar retomar a produção.

Terra Forte aposta em frutíferas

A retomada da área agora passa pelo Programa Terra Forte, voltado à recuperação socioprodutiva de propriedades atingidas pelas

servir de referência para outras propriedades atingidas.”

Embrapa monitora área e lança aplicativo

Arroio do Ouro também passou a integrar ações do Plano Recupera Rural RS, coordenado pela Embrapa. Conforme Ernestino Guarino, equipes acompanham a recuperação ambiental da localidade com monitoramento de fauna e flora em áreas de mata ciliar atingidas pela enchente.

Quatro câmeras foram instaladas em Arroio do Ouro para registrar aves e mamíferos de pequeno e grande porte. Segundo Guarino, neste primeiro momento, os registros têm mostrado principalmente animais domésticos circulando pelas áreas de mata. “Quando vacas, porcos e gatos passam a ocupar demais esses espaços, é porque o ambiente ainda não voltou ao equilíbrio.”

enchentes. Em Estrela, 38 produtores receberam apoio de até R$ 30 mil para recuperação do solo, fertilização, cobertura vegetal e implantação de novas culturas, com acompanhamento da Emater/ RS-Ascar.

Segundo o extensionista rural Álvaro Trierweiler, o plano desenvolvido para a propriedade prevê um pomar biodiverso com citrus, nogueira-pecã, caqui e goiaba. A proposta é transformar os cerca de dois hectares da área em uma alternativa produtiva diferente do cultivo tradicional de grãos. “O projeto tem risco porque é uma área de enchente, mas também pode

Além do monitoramento ambiental, a Embrapa também acompanha projetos produtivos em três propriedades da localidade, entre elas a de Silvio. A proposta é desenvolver modelos de recuperação com foco em sistemas agroflorestais e fruticultura adaptada às áreas atingidas pelas enchentes. Na propriedade, o planejamento inclui espécies como citrus, nogueira-pecã, caqui e goiaba, em um modelo pensado para diversificar a produção e recuperar o solo da área atingida. Outra iniciativa envolve um aplicativo gratuito de mapeamento colaborativo de entulhos deixados pelas enchentes. A ferramenta permitirá que moradores registrem pontos com resíduos, tipo de material e volume acumulado para auxiliar futuras ações públicas de retirada. O sistema será apresentado em treinamento marcado para 21 de maio, em Arroio do Ouro.

Daniély Schwambach daniely@grupoahora.net.br
Silvio Gregory retorna aos fins de semana a Arroio do Ouro, onde tenta recuperar a propriedade atingida pela enchente histórica de 2024
Registros de 9 de maio de 2024 mostram a destruição causada pela enchente em Arroio do Ouro. Na época, o acesso pela estrada até a propriedade estava comprometido e a casa de Silvio Gregory permanecia tomada por lama, entulhos e marcas deixadas pela força da água
FOTOS DANIÉLY SCHWAMBACH

PUJANÇA ECONÔMICA

Festa de Maio estimula negócios e fortalece o agro

Feira reforça potência do setor primário e impulsiona conexões entre clientes e empresas

Lautenir Junior lautenir@grupoahora.net.br

A16ª edição da Festa de Maio abriu espaço nesta quinta-feira para além da programação cultural e das comemorações pelos 45 anos de Teutônia. Considerada a maior edição já realizada, a feira reforça o posicionamento do município como polo econômico regional e vitrine para empresas de diferentes segmentos.

Neste ano, cerca de 200 expositores, de mais de 30 cidades, participam da programação no Centro Administrativo, reunindo empreendimentos do comércio, indústria, serviços, agronegócio e mercado imobiliário, com

Estamos apresentando maquetes e projetos de empreendimentos de alto padrão em Lajeado, Gramado e Balneário

Camboriú. A feira amplia a visibilidade dos negócios e cria conexões importantes”

empresas do Vale do Taquari, Região Metropolitana e São Paulo. Segundo o diretor administrativo da CIC Teutônia, Alex Blomker, o evento se consolidou como espaço de

negócios e relacionamento.

“A feira deixou de ser apenas um evento local. Hoje ela conecta empresas e cria oportunidades em toda a região”, afirma.

O prefeito Renato Altmann destaca que a feira reflete o momento econômico do município. “A Festa de Maio mostra o desenvolvimento de Teutônia, com crescimento, atração de investimentos e fortalecimento das empresas locais”, diz.

Espaço para criar relações

Entre os expositores, a percepção é de que o evento favorece conexões comerciais. A corretora Fernanda Alves, da Construtora Diamond, afirma que a feira aproxima mercados e investidores.

“Estamos apresentando maquetes e projetos de empreendimentos de alto

A Cooperagri aproveita a feira para apresentar novidades e fortalecer o relacionamento com produtores e clientes da região”

padrão em Lajeado, Gramado e Balneário Camboriú, o que amplia a visibilidade e gera novas conexões”, ressalta.

No agronegócio, a Cooperagri participa com dois espaços, no galpão agropecuário e em frente à CIC Teutônia, com lançamentos em rações e insumos.

“A feira é importante para apresentar novidades e fortalecer o relacionamento com produtores e clientes”, afirma o vendedor Gerson Muller.

A força da agropecuária

O setor primário segue entre as bases da economia local, com destaque para leite, suinocultura, avicultura e agricultura familiar. Dados do IBGE indicam que a agropecuária de Teutônia movimenta cerca de R$ 42,9 milhões em valor adicionado.

Durante a feira, o agronegócio ocupa o galpão agropecuário,

Programação do fim de semana

16/05 – Sábado

14h30 – Encontro das Soberanas 16h – Show Gospel com Guilherme Rahts

19h – Abertura da Arena de Shows com DJ 19h30 – Ego & Serginho 21h – Paulinho Mocelin

23h30 – Corpo e Alma 01h30 – DJ Grana 03h – Encerramento

17/05 – Domingo

15h – Badin, O Colono 17h – Marco & Nando e banda 18h – Banda Estilo Brasileiro 20h – Encerramento

que reúne mais de 100 animais, além de empresas ligadas à cadeia produtiva rural e 16 agroindústrias familiares instaladas em estandes cedidos por meio de programa de incentivo do governo do Estado.

A organização projeta receber mais de 20 mil pessoas apenas no primeiro fim de semana da programação.

“O setor primário é uma das bases da economia de Teutônia e tem papel direto no desenvolvimento do município. É uma atividade forte, com produtores tecnificados, que investem em produtividade e qualidade e movimentam toda a cadeia econômica local”, reforça o prefeito Altmann.

TEUTÔNIA
Festa de Maio em Teutônia reforça relações comerciais e aproxima empresas, produtores e visitantes
Ambiente da feira na Festa de Maio favorece encontros comerciais
FOTOS LAUTENIR JUNIOR

NOME DO CRIADOR

Teutônia homenageia Elton Klepker

Centro Administrativo recebeu o nome do primeiro prefeito e emancipacionista do município. Klepker foi o idealizador da área

TEUTÔNIA

OCentro Administrativo de Teutônia passa a se chamar oficialmente Centro Administrativo Elton Klepker. A homenagem ao primeiro prefeito e um dos principais emancipacionistas do município foi promovida na noite dessa quinta-feira, 14, com a presença de familiares, lideranças e ex-prefeitos.

Participaram do ato os exprefeitos Silvério Luersen, Celso Forneck e Ricardo Brosttrup, além do prefeito Renato Altmann, que destacou o legado deixado por Klepker para a construção e organização da cidade.

Idealizador do espaço,

Elton Klepker desenhou à mão o projeto do Centro Administrativo e planejou o complexo em estilo enxaimel, com os setores organizados em quatro quadrantes. À época, a desapropriação da área gerou questionamentos e dificuldades, mas Klepker defendeu a

importância do espaço para o futuro do município.

Durante o ato, o prefeito Renato Altmann ressaltou a visão do exprefeito ao conceber o local que hoje abriga os principais serviços públicos da cidade.

“Tudo funciona aqui. Os três poderes funcionam aqui. Imagina

a visão que o Klepker teve. Foi corajoso ao tomar a decisão de fazer o Centro Administrativo. Hoje é um cartão-postal e um dos pontos turísticos mais bonitos do Vale. Todas as pessoas que deixam um legado precisam ter personalidade”, afirmou. Altmann também lembrou

Klepker foi corajoso ao tomar a decisão de fazer o Centro Administrativo. Hoje é um cartão-postal. Todas as pessoas que deixam um legado precisam ter personalidade”.

que Elton Klepker não pôde acompanhar o reconhecimento em vida, mas destacou a importância histórica do homenageado para o desenvolvimento de Teutônia.

“Infelizmente ele não pôde viver esse reconhecimento. Teutônia é reconhecida pelo espírito cooperativo e pela construção da nossa bela história”, completa.

Lautenir
Elton Klepker desenhou à mão o projeto do Centro Administrativo e planejou o complexo em estilo enxaimel

ROQUE LOPES VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR:

Separo minha vida entre os anos em que bebi e os anos em que deixei de beber”

A coragem de recomeçar e acolher histórias

Após vencer a dependência alcoólica, Roque Lopes ajudou a construir a Central, uma das principais referências no tratamento do alcoolismo no país

Jessica R. Mallmann jessica@grupoahora.net.br

Oandar lento e a fala calma revelam que Roque Lopes carrega uma vida inteira de histórias. Relembrar o passado exige esforço. Entre memórias fragmentadas e silêncios demorados, surgem lembranças marcadas pela dor, pela vergonha e, principalmente, pela transformação que o levou a ajudar milhares de pessoas. Entre todas as conquistas, uma ocupa lugar especial: a criação da Clínica Central, em Lajeado, referência no acolhimento de dependentes químicos.

“Eu separo minha vida entre os anos em que bebi e os anos em que deixei de beber”, resume. “Na época eu achava que estava aproveitando a vida.

Depois percebi que estava desperdiçando justamente os melhores anos dela.”

O primeiro contato com o álcool aconteceu ainda na infância. Roque gostava de acompanhar os adultos nas rodas de conversa e nos bares. A bebida, que começou como curiosidade, logo virou hábito, e, mais tarde, dependência.

Com o passar dos anos, o vício ganhou força. Nem mesmo a formação em Direito foi suficiente para esconder o problema. Enquanto a família comemorava a conquista do diploma, Roque acreditava que a imagem de advogado bem sucedido seria capaz de mascarar a realidade.

“Naquela época, ser advogado tinha muito glamour. Eu achava que, escondido atrás do anel de formatura, ninguém perceberia que eu estava sempre bêbado. Mas eu estava me enganando.”

Embora fosse reconhecido profissionalmente, o alcoolismo começou a afetar todas as áreas da vida. A carreira perdeu espaço para o vício. Em casa, a família acumulava preocupação e sofrimento.

Entre tantos episódios difíceis, Roque aponta 1981 como o ano que mudaria definitivamente sua história. Ele viajou para Santana do Livramento com a missão de resolver assuntos ligados a uma propriedade do sogro. O compromisso, porém, acabou ficando de lado. “Achei uma turma para beber e fiquei ali perdendo tempo. O que era para durar três dias virou uma semana sem resolver absolutamente nada.”

Em meio à bebedeira, o grupo decidiu viajar até Rosário, na Argentina, para assistir a uma partida entre Brasil e Argentina. “Saímos bebendo já dentro do carro”, recorda. No caminho, uma abor-

dagem policial transformou a viagem em pesadelo. No banco de trás, ao lado de Roque, havia um revólver carregado escondido sob uma bandeira do Brasil. “Eu nem sabia que aquela arma estava ali. Tinha conhecido aquele pessoal em um bar. Não consegui provar nada e acabamos presos, incomunicáveis.”

O “Expresso Roque Lopes”

O fundo do poço viria pouco tempo depois. Em mais um retorno da praia com a família, após uma bebedeira, Roque encarou o próprio reflexo no espelho e percebeu que não suportava mais viver daquela maneira. “O que vinha na minha cabeça era vergonha.”

Naquele momento, decidiu procurar ajuda. Sem avisar muita gente, reuniu documentos, pegou o necessário e anunciou à esposa que iria se internar na Clínica Pinel, em Porto Alegre. Na época, a única instituição gaúcha espe-

cializada no tratamento do alcoolismo com internação de 30 dias.

“Eu disse para ela que tinha chegado no meu limite. Que daquele jeito não dava mais. Ela me deixou na rodoviária.”

A viagem até a capital foi desafiadora. Em 1981, Roque se internou. Trinta dias depois, saiu transformado e carregando um novo propósito: ajudar outras pessoas a encontrar o mesmo caminho.

A criação da Central

A missão começou rapidamente. Em 27 de março daquele mesmo ano, levou o primeiro amigo para tratamento. Pouco tempo depois, a iniciativa já era conhecida na região como o “Expresso Roque Lopes”, espécie de ponte entre Lajeado e a Pinel.

“Foi tudo muito rápido. Em questão de dias, eu já estava levando pessoas para Porto Alegre.”

A

gente conseguiu sair junto. Temos muito orgulho de tudo o que o pai construiu “

Durante cinco anos, Roque ajudou 255 pessoas a buscarem tratamento. Mas cada viagem carregava também outro objetivo: convencer a sociedade de que o Vale do Taquari precisava de uma clínica própria.

“Quando me perguntavam o que eu estava fazendo, eu dizia que aquelas pessoas eram o alicerce do projeto da Central. Eu precisava mostrar que não fazia sentido passar a vida levando gente à capital se podíamos criar aqui uma clínica igual ou até melhor.”

O sonho saiu do papel em 1986, com a fundação da Clínica Central. Roque participou diretamente da consolidação da instituição e permaneceu por 25 anos como presidente e administrador.

Hoje, a Central alia acompanhamento médico e psiquiátrico ao apoio espiritual por meio do programa “Os 12 passos”. A instituição possui 70 vagas e atende pacientes entre 18 e 78 anos, em tratamentos ligados à dependência de álcool, drogas, medicamentos e também vícios em jogos eletrônicos e apostas.

Ao longo de quatro décadas, mais de 24,7 mil atendimentos foram realizados. Números que ajudam a medir o alcance de uma história que começou com vergonha, dor e dependência, mas que acabou transformada em acolhimento e recomeço para milhares de pessoas.

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TOMAZ LOPES FILHO DE ROQUE
Quadro das fichas do Alcoólicos Anônimos (A.A) simboliza o tempo de sobriedade de Lopes
Lopes relembra com orgulho o início das atividades, registradas em placa inaugural

EXPEDIÇÃO APÓS CHEIAS

Os vestígios da enchente no trecho final do Rio Taquari

Jornada náutica entre Bom Retiro do Sul e o encontro com o Rio Jacuí revelou marcas das cheias de 2024, erosões, destruição de comunidades e um cenário de abandono às margens do principal manancial do Vale

OGrupo A Hora realizou durante o mês de maio uma expedição náutica pelos 66 quilômetros finais do Rio Taquari, no trecho entre Bom Retiro do Sul e Triunfo, até o encontro com o Rio Jacuí. A travessia, concluída em três dias, teve como objetivo documentar as transformações provocadas pelas enchentes dos últimos anos, especialmente a cheia histórica de 2024, considerada uma das maiores tragédias ambientais do Rio Grande do Sul.

A jornada iniciou na barragem eclusa, em Bom Retiro do Sul, e seguiu até General Câmara, já nas águas do Rio Jacuí. A expedição contou com o apoio de integrantes da associação de caiaqueiros e trilheiros Manos da Pesca, grupo da região que promove atividades de preservação ambiental e passeios pelo Rio Taquari.

Ao longo do percurso, a equipe encontrou um cenário marcado por erosões, desmoronamentos, propriedades destruídas e áreas completamente modificadas pela força das águas. Em diversos pontos, barrancos desapareceram, áreas produtivas foram tomadas pelo rio e a vegetação original deu espaço para matas invasoras que começaram a se espalhar pelas margens.

Segundo o presidente da associação Manos da Pesca, João Paulo Aires, essa foi a primeira vez que o grupo percorreu todo o trecho final do Rio Taquari até o encontro com o Jacuí. Conforme ele, a experiência revelou um rio diferente daquele conhecido antes da enchente. “Em vários pontos vimos casas destruídas, barrancos descaracterizados e muito entulho acumulado. O rio mudou bastante em alguns trechos e isso impactou diretamente comunidades inteiras”, relata.

Durante o trajeto, também foram identi-

ficados pontos conhecidos da região ainda marcados pela tragédia, como o Porto Mariante e a ponte da RSC-287, onde ainda há grande quantidade de entulhos presos às estruturas.

Cemitério de embarcações

Um dos cenários que mais chamou atenção da equipe foi encontrado na localidade de Beira Rio, em Taquari. Às margens do rio permanecem embarcações, dragas e escavadeiras utilizadas anteriormente em trabalhos de dragagem e manutenção do canal navegável do Rio Taquari. Sem utilização há anos, parte do maquinário acabou abandonado na região. Com as enchentes de 2023 e, principalmente, a cheia de 2024, muitas estruturas foram arrastadas pela força da água e ficaram encalhadas em áreas de várzea e nas margens do rio.

Em alguns pontos, embarcações aparecem empilhadas entre árvores, galhos e entulhos, formando uma espécie de “cemitério” de máquinas e barcos que impressiona moradores e quem passa pela localidade.

De acordo com o agricultor e morador da comunidade, João Luiz da Silva Pereira, de 51 anos, os equipamentos eram utilizados em serviços de dragagem do rio. Após mudanças em contratos e empresas responsáveis pelas operações, as máquinas acabaram permanecendo abandonadas no local. “Depois das enchentes, muita coisa se moveu. Barcos e máquinas foram arrastados e ficaram espalhados nas laterais do rio e nas várzeas”, conta.

Além do impacto visual, moradores relatam que o comportamento do rio mudou após as sucessivas enchentes. Áreas rurais consideradas produtivas sofreram erosões e perderam parte do solo com o avanço das águas.

Venâncio Aires

Construída às margens do Rio Taquari, a Vila Mariante foi a mais devastada nesse percurso abaixo da Barragem Eclusa. Em 2022, Mariante tinha 1,5 mil habitantes em 618 lares, segundo o IBGE. Eles tiveram de deixar seus lares e cerca de 500 moradias foram danificadas pela força da água.

Equipamentos eram utilizados em serviços de dragagem do rio. Após mudanças em contratos e empresas responsáveis pelas operações, as máquinas acabaram permanecendo abandonadas no local

Taquari

Na localidade de Beira Rio, às margens do Taquari permanecem embarcações, dragas e escavadeiras utilizadas anteriormente em trabalhos de dragagem e manutenção do canal navegável. CEMITÉRIO DE BARCOS

Gabriel Santos gabriel@grupoahora.net.br

BARRAGEM ECLUSA

Bom Retiro do Sul

Expedição percorre 66 quilômetros do Rio Taquari. Percurso iniciou na barragem eclusa de Bom Retiro do Sul e segue até General Câmara, no encontro com o Rio Jacuí.

PONTE DA 287

Venâncio Aires

A ponte sobre o Rio Taquari ficou bloqueada no início de maio de 2024 devido ao alto nível do rio e riscos estruturais. Após vistoriais, foi reaberta, mas a região de Vila Mariante ficou danificada. Obras emergenciais foram necessárias para liberar o fluxo da importante rodovia que liga o centro do RS com a capital.

PONTE DO BARRETO

General Câmara/Triunfo

A centenária Ponte do Barreto (inaugurada por volta de 1910) sobre o Rio Taquari, conecta por trilhos Triunfo e General Câmara. Embora seja uma estrutura histórica, ela permanece como parte ativa da malha ferroviária na região. Estudos buscavam transformar ela também para o fluxo rodoviário, o que não avançou.

ARSENAL DE GUERRA

General Câmara

Infraestrutura desativada do Exército às margens do rio. Encerrou oficialmente suas atividades industriais e de manutenção em dezembro de 2024. A estrutura, que funcionou por quase 90 anos, sendo um dos três principais do Brasil, essencial na manutenção de material bélico.

A vila que desapareceu

Outro retrato marcante da expedição foi encontrado em Mariante, distrito de Venâncio Aires localizado às margens do Rio Taquari e da RSC-287. Antes da enchente de 2024, o distrito era uma das comunidades históricas da região, com cerca de 250 anos de existência. Hoje, o cenário é de abandono e destruição.

As águas da cheia histórica devastaram grande parte da localidade. Casas foram destruídas, escolas ficaram abandonadas, o posto de saúde foi atingido e a movimentação de moradores praticamente desapareceu. Ao todo, 618 imóveis foram atingidos.

Dados do IBGE apontavam que, em 2022, Mariante possuía cerca de 1,5 mil habitantes distribuídos nesses imóveis. Conforme levan-

NORBERTO CASTRO PESCADOR

tamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o distrito foi proporcionalmente uma das localidades mais atingidas pelas enchentes no estado. Quem permanece no local convive diariamente com as marcas da tragédia. Um dos moradores que resistiu em deixar a comunidade é o pescador Norberto Luis de Castro, de 71 anos, natural do distrito e testemunha da transformação da vila ao longo das décadas. Durante a enchente de 2024, ele precisou ser resgatado de helicóptero. Minutos depois, viu a própria casa ser levada pela água. Meses após a tragédia, perdeu a esposa, que enfrentava depressão desde o desastre. “A gente espera até hoje alguma resposta e muitos que perderam suas casas não tiveram ajuda nenhuma. É muito triste ver a situação do local assim”, lamenta.

A gente espera até hoje alguma resposta e muitos que perderam suas casas não tiveram ajuda nenhuma. É muito triste ver a situação do local assim.”

PATROCÍNIO
Distrito de Vila Mariante era uma das comunidades históricas da região
FOTOS: GABRIEL SANTOS

Reconhecimento dos ministérios da Saúde e da Educação habilita instituição para graduação e residência, amplia acesso a recursos federais e fortalece formação profissional, pesquisa, inovação e atendimento regional pelo SUS

Joilson Pereira joilson@grupoahora.net.br

LAJEADO

OHospital Bruno Born (HBB) passa a integrar oficialmente a rede nacional de hospitais de ensino. A certificação, concedida pelos ministérios da Saúde e da Educação, foi apresentada na manhã dessa sexta-feira, 15, no auditório da instituição. Com o reconhecimento, o hospital está habilitado para atividades de graduação, residência médica e residência multiprofissional. Com o novo status, a instituição poderá acessar recursos federais específicos, terá prioridade em programas estratégicos do Sistema Único de Saúde (SUS), como Mais Médicos e Pró-Residências, além de ampliar a capacidade de desenvolver pesquisas, tecnologias e novos tratamentos.

Além da formação acadêmica e da qualificação assistencial, a certificação fortalece ações já desenvolvidas junto à comunidade regional. Entre os impactos estão o matriciamento da atenção básica em oncologia, atividades integradas à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Lajeado, atendimento odontológico para pacientes da Fundef e atuação multiprofissional em unidades básicas de saúde de Lajeado e Santa Clara do Sul.

A presença ampliada de estudantes, residentes e profissionais que orientam a formação daqueles que atuarão na rotina hospitalar deve reforçar a supervisão, a qualificação técnica e a segurança assistencial. A expectativa é de expansão da participação da instituição em projetos de pesquisa, inovação e oferta de tratamentos especializados.

A conquista foi celebrada pela rede de parceiros do HBB na iniciativa, composta pela Univates, Colégio Evangélico Alberto Torres – CEAT, Fundef e prefeituras de Lajeado e Santa Clara do Sul.

Trabalho de décadas

O presidente do hospital, médico Marcos Frank, destaca

SAÚDE E EDUCAÇÃO

Hospital Bruno Born conquista certificação na área do ensino

que o reconhecimento formaliza um longo período de investimento em formação profissional. “Faz mais de 20 anos, desde a primeira residência médica, hoje são várias, temos mais de 180 profissionais já formados dentro do hospital, tanto em residência médica, como em residências multiprofissionais, que envolvem psicologia, enfermagem, fisioterapia, assistência social”, afirma.

Processo de habilitação levou menos de um mês

O Secretário de gestão do trabalho e da educação na saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço de Oliveira, representou o Governo Federal no evento e destacou que a formação de especialistas no Brasil

é feita com financiamento do SUS. Segundo ele, mais de R$ 3 bilhões são investidos em 56 mil bolsas de residência em todo o país. De acordo com Oliveira, o credenciamento possibilita o acesso a outras políticas públicas e linhas de financiamento. Por fim, o secretário do Ministério da Saúde elogiou a agilidade da equipe do Hospital Bruno Born no trâmite do processo de habilitação. “Foi em menos de um mês, exatamente porque já tinha essa excelência na formação e todas as informações foram prestadas de forma ágil e corretamente. Foi rápido por essa qualidade e eficiência do hospital”, revela.

Parceiros

A reitora da Univates, Evania Schneider, afirma que a certi-

Certificação, concedida pelos ministérios da Saúde e da Educação, foi apresentada na manhã dessa sexta-feira, 15

ficação representa um marco para as instituições envolvidas e fortalece a integração entre assistência, ensino e pesquisa. “O HBB tornar-se hospital de ensino significa a integração de fato entre assistência, ensino e pesquisa. Isso qualifica nossos serviços por meio da participação de estudantes, residentes e profissionais de diferentes áreas da saúde, além de fortalecer a iniciação científica e a inovação”, destaca. Segundo Evania, a nova estrutura amplia possibilidades para pesquisas, desenvolvimento de tratamentos e atração de profissionais qualificados. “É um momento marcante porque consolida

O HBB tornarse hospital de ensino significa a integração de fato entre assistência, ensino e pesquisa. Isso qualifica nossos serviços por meio da participação de estudantes, residentes e profissionais de diferentes áreas da saúde, além de fortalecer a iniciação científica e a inovação”

um trabalho realizado há muito tempo, aliando teoria e prática e fortalecendo a atuação multiprofissional”, afirma.

O diretor-geral do Colégio Evangélico Alberto Torres - CEAT, Rodrigo Ulrich, destaca a importância da integração entre saúde e educação para ampliar resultados institucionais e sociais. “Quando saúde e educação se aliam, a atuação torna-se mais efetiva. Esse reconhecimento reforça o compromisso do hospital com a formação de pessoas”, define.

EVANIA SCHNEIDER REITORA DA UNIVATES
Além da formação acadêmica e da qualificação assistencial, a certificação fortalece ações na comunidade
FOTOS JOILSON PEREIRA

NOVA

Com atraso nas obras, construção da Central de Polícia atinge 30%

Intervenções iniciaram em janeiro de 2025. Empresa responsável pediu ampliação do prazo contratual após paralisação causada pelo colapso de uma laje durante a execução da estrutura. Investimento ultrapassa R$ 9,5 milhões

LAJEADO

Aconstrução da Central de Polícia de Lajeado alcançou 30% de execução e entrou em uma nova fase no bairro São Cristóvão. O projeto, considerado uma das principais obras estaduais da área de segurança pública no Vale do Taquari, acumula atraso em relação ao cronograma inicial e pode ter o prazo ampliado em

até 240 dias.

Conforme a Secretaria de Obras Públicas (SOP), a ordem de início dos serviços foi assinada em 30 de janeiro de 2025, com prazo inicial de 540 dias corridos para conclusão. A obra é vinculada à Secretaria de Segurança Pública e prevê investimento superior a R$ 9,5 milhões.

O complexo foi projetado para concentrar diferentes estruturas da Polícia Civil em um único espaço na região. A proposta prevê centralizar serviços, que hoje são

distribuídos em prédios separados, além de ampliar a capacidade operacional e de atendimento em Lajeado. No prédio principal, de quatro pavimentos, ocorre a montagem de vigas e da laje de cobertura. Já no bloco térreo, as equipes atuam na execução da alvenaria. Em média, dez trabalhadores fazem parte da equipe diária no canteiro de obras.

Obra retomada

A obra passou por paralisação após o colapso de uma laje durante a fase estrutural. Conforme a SOP, a estrutura comprometida foi refeita e os serviços retomados. O episódio exigiu reorganização do cronograma da construção. Além do problema estrutural, o governo estadual aponta que parte do atraso ocorreu em razão de trâmites necessários no início da obra. Outro fator citado é o descumprimento do cronograma contratual por parte da empresa responsável.

AVANÇO DA OBRA

2023: Estado confirma projeto da Central de Polícia de Lajeado e define área no bairro São Cristóvão para receber o complexo regional Janeiro/2025: Ordem de início dos serviços é assinada pela Secretaria de Obras Públicas

Primeiro semestre de 2025: Obra avança nas fundações e estrutura dos blocos previstos no projeto

Segundo semestre/2025: Colapso de uma laje provoca paralisação temporária dos trabalhos. Estrutura precisou ser refeita

Novembro/2025: Estado confirma retomada da construção após reorganização técnica da obra

Maio/2026: Construção alcança 30% de execução. Empresa solicita ampliação de 240 dias no prazo contratual e encaminha pedido de aditivo financeiro

Alteração no contrato

Diante do cenário, a construtora solicitou prorrogação de 240 dias no prazo inicialmente previsto. O pedido ainda está em análise. A empresa também encaminhou solicitação de aditivo de R$ 224,3 mil para serviços complementares. Caso aprovado pela Secretaria de Segurança Pública, o contrato passará para R$ 9,8 milhões.

Karine Pinheiro karine@grupoahora.net.br
Empresa responsável pela obra solicitou aditivo contratual
KARINE PINHEIRO

Rodeio Artístico do CTG Rincão das Coxilhas projeta grande público

Terceira edição do evento contará com 29 grupos em Teutônia, competições culturais, jogos campeiros

integração e valorização das tradições.

TEUTÔNIA

Acultura gaúcha volta a ganhar destaque em Teutônia com a realização da terceira edição do Rodeio Artístico do CTG Rincão das Coxilhas. O evento que ocorre no domingo, na Associação de Funcionário da Languiru, deve reunir competidores, famílias e entidades tradicionalistas de diferentes cidades da região em uma programação marcada por apresentações culturais,

A expectativa da organização é receber um grande público durante toda a programação. Conforme a diretora artística do CTG, Gabriela Elise Aschebrock, o rodeio já se consolidou como um espaço importante para incentivar a participação de diferentes gerações no movimento tradicionalista. “É uma forma de manter viva a tradição gaúcha, valorizar nossos talentos e fortalecer ainda mais a cultura tradicionalista em nossa região”, afirma.

Segundo ela, a preparação para o evento mobiliza diversas

pessoas da entidade há semanas. A organização trabalha nos detalhes da estrutura, recepção das delegações e preparação das competições artísticas. “A expectativa para esta edição é muito positiva, tanto em público quanto em participantes. Esperamos receber um grande número de visitantes, competidores e famílias durante todo o evento”, destaca Gabriela. Neste ano, o rodeio contará com a participação de 29 grupos tradicionalistas, além de 42 casais inscritos na modalidade de dança de salão e 48 declamadores. Os números reforçam o crescimento do evento e o interesse cada vez maior de entidades e artistas ligados ao tradicionalismo. “Devemos contar com a

participação de diversas entidades tradicionalistas de diferentes cidades da região, reunindo CTGs e grupos que valorizam a cultura gaúcha”, ressalta a diretora artística.

Cultura e integração

A programação terá disputas em modalidades tradicionais como danças tradicionais, dança de salão e declamação. Uma das novidades desta edição será a inclusão dos jogos campeiros, ampliando ainda mais o envolvimento do público e dos participantes. O evento também abre espaço para crianças e jovens demonstrarem talento e aproximação com as tradições

gaúchas. Conforme Gabriela, a participação das categorias mais novas chama atenção pelo crescimento a cada edição. “Há, sim, bastante participação de crianças e jovens nas modalidades. Isso é muito importante porque mostra que as novas gerações estão mantendo viva a nossa cultura”, comenta. Ela ressalta que o rodeio nasceu justamente desse propósito de valorização cultural e incentivo à participação artística. “A ideia do Rodeio Artístico surgiu da vontade de incentivar a cultura gaúcha e criar um espaço para que crianças, jovens e adultos pudessem demonstrar seu talento artístico e amor pelas tradições”, afirma.

Entre os destaques, 42 casais estão inscritos na dança de salão
Ezequiel Neitzke ezequiel@grupoahora.net.br

ALERTA NOS HOSPITAIS

Envelhecimento populacional traz desafios à saúde pública

Hospitais do Vale registram aumento das internações de idosos e alertam para falta de estrutura em reabilitação e pós-alta

Lautenir Junior lautenir@grupoahora.net.br

Oenvelhecimento acelerado da população já impacta os serviços de saúde no Vale do Taquari e exige mudanças no atendimento, na reabilitação e na prevenção. Hospitais da região registram aumento da demanda ligada ao público idoso, principalmente em internações clínicas, doenças respiratórias, cardiovasculares e atendimentos de maior complexidade. Os dados acompanham uma mudança demográfica cada vez mais acelerada no Rio Grande do Sul. Entre 2010 e 2022, a população com 60 anos ou mais no estado cresceu 50%, passando a representar 20,15% dos moradores gaúchos. No Vale do Taquari, o índice já chega a cerca de 20,4% da população, acima da média nacional.

O tema foi debatido nesta semana durante encontro promovido pelo Hospital Ouro Branco, em Teutônia. Dados apresentados pela instituição mostram avanço expressivo das internações envolvendo idosos. Atualmente, entre 60% e 70% dos pacientes internados no hospital possuem mais de 60 anos. O diretor médico técnico do hospital, Guilherme Vogt, afirma que o sistema de saúde ainda não acompanha a velocidade do envelhecimento populacional. Segundo ele, faltam estruturas voltadas principalmente à reabilitação e ao suporte após a

O ambiente não está preparado para receber um idoso. Um dos maiores gargalos hoje é o sistema de reabilitação. ”

alta hospitalar.

“O ambiente não está preparado para receber um idoso. Um dos maiores gargalos hoje é o sistema de reabilitação. Não temos área física para isso”, pontua.

Vogt também destaca que o aumento da expectativa de vida ocorre junto da redução das redes familiares de apoio. “Menos filhos, menos rede de apoio familiar”, resume.

Outro dado apresentado aponta que 85% dos idosos dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

O médico intensivista Fabio Cardoso relata que os idosos atendidos na emergência chegam cada vez mais frágeis e com múltiplas comorbidades. Problemas de visão, audição e dificuldades no controle da medicação aparecem entre

Uma fratura de fêmur tem mortalidade de até 50% em seis meses. O tratamento exige uma atuação integrada.”

os fatores mais recorrentes observados pelas equipes médicas.

Entre os principais desafios citados pelos profissionais estão as quedas e as fraturas, especialmente de fêmur. O traumatologista Alexsander Bruch alerta para o alto índice de mortalidade associado a esse tipo de lesão.

“Uma fratura de fêmur tem mortalidade de até 50% em seis meses”, destaca.

Segundo ele, o tratamento exige atuação integrada entre cirurgia, fisioterapia, nutrição, acompanhamento clínico e monitoramento após o retorno para casa.

A chamada transição do cuidado também aparece entre os pontos considerados críticos pelos especialistas.

Medidas a curto e longo prazo

Ampliação de centros de reabilitação e pós-internação

Integração entre hospitais, atenção básica e assistência social

Atendimento domiciliar após a alta hospitalar

Capacitação de cuidadores e apoio às famílias

Programas de prevenção de quedas e reforço muscular

Expansão de ambulatórios especializados, como o “Saúde 60+ RS”

Criação de políticas regionais voltadas ao envelhecimento

Percentuais

No Vale, o índice chega a

No RS, entre 2010 e 2022, a população com 60 anos ou mais no estado cresceu 50% passando a representar 20,15% 20,4%

Os profissionais defendem maior integração entre hospitais, unidades básicas de saúde, famílias e equipes multidisciplinares para reduzir reinternações e complicações após a alta.

Entre as medidas sugeridas durante o encontro estão a criação de programas de reabilitação, revisão de medicamentos nas unidades de saúde, cadastro de idosos frágeis, treinamento de cuidadores e integração entre hospital e atenção básica.

Os médicos também defenderam campanhas preventivas voltadas à redução de acidentes domésticos e ao estímulo de hábitos ligados ao envelhecimento saudável, como prática de exercícios físicos e fortalecimento muscular.

“O envelhecimento acontece.

A questão é como preparar a sociedade e os serviços para isso”, afirma o geriatra de Teutônia, Enrico Neiss. Durante o encontro, o hospital também voltou a defender projetos como o “80+”, relacionado ao atendimento prioritário de idosos, e o futuro Polo de Saúde regional, proposta que busca ampliar a capacidade assistencial e integrar serviços especializados no Vale do Taquari.

Hospital Ouro Branco debateu o tema em painel promovido nesta semana no auditório da Sicredi, em Teutônia

Da preocupação ao otimismo

Nos hospitais da Rede Divina Providência no Vale do Taquari, os impactos do envelhecimento populacional aparecem de forma diferente entre os municípios. Enquanto unidades de Estrela e Arroio do Meio apresentam indicadores considerados mais positivos, o cenário é mais preocupante na região alta.

No Santa Isabel, em Progresso, pacientes com 60 anos ou mais representam 65% dos atendimentos realizados em 2025. As principais demandas envolvem doenças cardiovasculares, respiratórias, enfermidades crônicas, doenças do sistema nervoso central e neoplasias. Segundo o hospital, um dos principais desafios está na falta de apoio familiar e suporte após a alta hospitalar. A taxa de reinternação entre idosos chega a 6,2%.

Já no Hospital Estrela, idosos representaram 34% das internações nos últimos seis meses, com índice de reinternação abaixo de 1%. As maiores demandas envolveram ortopedia e traumatologia, clínica médica e cirurgia digestiva.

Em Arroio do Meio, o Hospital São José registrou cerca de 29% das internações ligadas ao público 60+. Pneumonia e infecção urinária aparecem entre os quadros mais frequentes. Conforme o hospital, os principais desafios envolvem pacientes com múltiplas comorbidades e maior tempo de internação.

Projeto piloto

Em Bom Retiro do Sul, mais de 60% das internações da instituição envolvem pacientes idosos. Segundo a diretora administrativa do Hospital Sant’Ana, Simone Diedrich, a principal preocupação está ligada ao longo período de permanência hospitalar e às dificuldades enfrentadas no pós-alta.

Saúde 60+RS

Em Lajeado, o Hospital Bruno Born ampliou a estrutura voltada ao atendimento da população idosa com a implantação do ambulatório do programa estadual “Saúde 60+ RS”, especializado em idosos frágeis, pacientes com demência e casos de maior vulnerabilidade clínica. Instalado no antigo prédio do INSS, o serviço atende pacientes encaminhados pela Atenção Primária de Lajeado e municípios da região, com equipe multidisciplinar formada por geriatras, neurologistas, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais.

O Rio Grande do Sul já é o estado mais envelhecido do país, com mais de 20% da população acima dos 60 anos, índice muito superior à média nacional

Integração entre hospitais, atenção básica e assistência social aparece entre as principais medidas para reduzir internações e reinternações de idosos

Metade reinterna

Em Encantado, os dados do Hospital Beneficente Santa Terezinha seguem a tendência observada.

Em 2025, idosos representaram 34,8% das internações hospitalares, com 1.572 atendimentos registrados. Entre janeiro e abril de 2026, o índice permaneceu em 35%.

Contudo, o que preocupa, são os casos de reinternações, que se aproximam de 51%.

As principais demandas envolveram casos ligados a fraturas, lesões e doenças do aparelho digestivo, com destaque para fraturas de fêmur, hérnias e hemorragias gastrointestinais.

Segundo o hospital, os maiores desafios seguem ligados ao longo tempo de internação e às complicações clínicas durante a recuperação, como pneumonia, infecções urinárias e alterações neurológicas.

Para reduzir o tempo de internação e evitar novas hospitalizações, o hospital chegou a testar um projeto de acompanhamento domiciliar, com visitas técnicas e de enfermagem após a alta para medicação, curativos, monitoramento clínico e contato com familiares. A iniciativa, porém, esbarrou em limitações orçamentárias e burocráticas. Conforme Simone, existem programas federais voltados para esse tipo de atendimento. Há exemplo do Programa Melhor em Casa, do Ministério da Saúde, porém normalmente a habilitação se dá por meio da gestão municipal, já que a assistência domiciliar é responsabilidade dos municípios por meio da atenção básica.

O programa projeta cerca de 320 consultas médicas e 1,2 mil atendimentos multidisciplinares por mês, com foco na reabilitação, redução das internações e acompanhamento especializado do envelhecimento populacional.

Os números do hospital também refletem o avanço da demanda ligada ao público idoso. Desde novembro de 2025, o HBB registrou 5.529 internações gerais, sendo 1.964 envolvendo pacientes com mais de 60 anos, o equivalente a 35,5% dos atendimentos hospitalares.

O programa projeta

320 consultas médicas e 1,2 mil atendimentos multidisciplinares por mês

% de envelhecimento e internação de idosos

Percentual de internações

Percentual de envelhecimento

ACOLHIMENTO A ESTRANGEIRO

MP quer ouvir conselheiros tutelares sobre caso do adolescente haitiano

Promotoria solicitou esclarecimentos e pretende ouvir policiais e conselheiros envolvidos no atendimento de jovem encontrado em situação de abandono

OMinistério Público acompanha o caso do adolescente haitiano de 17 anos encontrado em situação de extrema vulnerabilidade em um campo de futebol no bairro Campestre, em Lajeado. A apuração ocorre após relatos de que o Conselho Tutelar teria negado atendimento ao jovem em ao menos três oportunidades durante a ocorrência registrada na terça-feira, 12. O promotor da Infância e Juventude de Lajeado, Sérgio Diefenbach, confirmou que o Ministério Público tomou conhecimento do caso ainda na tarde do fato, enquanto a promotoria atuava em regime de plantão.

Segundo ele, as primeiras informações chegaram por meio da Brigada Militar, da Polícia Civil e também da Vara da Infância e Juventude. A partir disso, a promotoria passou a acompanhar a situação do adolescente e iniciou a coleta de informações sobre a atuação da rede de proteção.

De acordo com Diefenbach, o Ministério Público já solicitou esclarecimentos formais ao Conselho Tutelar de Lajeado e pretende ouvir os conselheiros envolvidos na ocorrência, além dos policiais civis e militares que participaram do atendimento.

“O Ministério Público tomou

conhecimento de algumas negativas do Conselho Tutelar e busca compreender exatamente como ocorreu toda a situação”, afirmou o promotor.

A intenção, segundo ele, é avaliar como ocorreu o funcionamento da rede de proteção à criança e ao adolescente no caso específico e verificar se houve falhas no acolhimento do jovem.

Na avaliação do promotor, o Conselho Tutelar possui papel fundamental em situações de vulnerabilidade envolvendo adolescentes, especialmente quando há rompimento do vínculo familiar ou impossibilidade de permanência em casa. “Quando o Conselho Tutelar é procurado em um caso em que há um jovem sem condições de permanecer com a família, é necessário que o atendimento seja realizado imediatamente e que a situação seja acompanhada”, ressalta. Diefenbach também confirmou que a família do adolescente já era acompanhada anteriormente tanto pelo Conselho Tutelar quanto pelo próprio Ministério Público.

“Enquanto Ministério Público, cabe a nós melhorar o sistema de proteção e entender o que aconteceu especificamente neste caso. Se necessário, recomendar ajustes na conduta para futuras situações, porque casos como este estão se tornando mais recorrentes e é necessário que a rede de proteção funcione”, declarou.

Sobre o caso

Conforme o registro policial, a Brigada Militar foi acionada na tarde de terça-feira, 12, após a informação de que havia uma pessoa dormindo em um campo de futebol localizado na Rua Irena

Thereza Schneider, no bairro Campestre.

Durante a abordagem, os policiais identificaram o adolescente haitiano e constataram que ele apresentava ferimentos aparentes e sinais de extrema vulnerabilidade. O jovem estava descalço, usando apenas um casaco parcialmente vestido, meias rasgadas e uma camiseta amarrada na cintura para cobrir parcialmente o corpo, apesar das baixas temperaturas registradas nos últimos dias.

Diante da situação, ele foi encaminhado para atendimento médico na UPA. Aos policiais, o adolescente relatou ter sido agredido pelo padrasto e posteriormente expulso de casa.

A mãe do jovem foi contatada por telefone, mas informou que não compareceria à delegacia para buscá-lo. Segundo o boletim de ocorrência, ela afirmou que o filho teria apenas se desentendido com o padrasto e sofrido uma queda.

Ainda conforme o registro

policial, uma conselheira tutelar acionada teria se recusado a comparecer ao local, alegando que o caso não seria atribuição do órgão e mencionando que o adolescente completaria 18 anos em aproximadamente dois meses.

A Polícia Civil também entrou em contato com um abrigo que informou não poder receber o adolescente sem encaminhamento oficial do Conselho Tutelar, justamente por ele ainda ser menor de idade.

NOTA OFICIAL

Durante o atendimento, foi constatado que o Conselho Tutelar já havia acompanhado ocorrência anterior envolvendo a família, registrada na segundafeira, 11/05, quando a mãe do adolescente compareceu à DPPA relatando que o filho teria agredido seu companheiro e realizado ameaças de morte após ser flagrado fazendo uso de

entorpecentes.

O Conselho Tutelar realizou contato com o CAPS Infantojuvenil (CAPSij) para verificar a existência de acompanhamento em saúde mental, considerando encaminhamentos anteriormente realizados. Também foi feito contato com a mãe do adolescente para averiguar a possibilidade de acolhimento por familiares, porém foi informado que a família não possui parentes no Brasil aptos a assumir os cuidados. Posteriormente, a equipe do Conselho Tutelar deslocou-se até a residência da família, ocasião em que foi relatada a impossibilidade de permanência do adolescente no local, em razão de episódios recorrentes de agressividade envolvendo os demais integrantes da família, inclusive irmãos menores. Diante da situação e visando garantir a proteção integral do adolescente e de sua família, foi realizado o encaminhamento para instituição de acolhimento.

LAJEADO
Caso que envolve jovem estrangeiro foi registrado no início da semana
DIVULGAÇÃO
Gabriel Santos gabriel@grupoahora.net.br

Lente Social

Boomer Young no palco do Pratas da Casa

A segunda apresentação desta temporada do Pratas da Casa – Pequenos Talentos, Grandes Emoções recebeu a Banda Boomer Young no Espaço Cultural Wilson Dewes nesta terça-feira, 12. Os jovens Eduardo Brandão de Oliveira,15, Matheus Gabriel Gauer,14, Vítor Matteo Harth Welter, 15, e Érik Cunha Weizenmann, 15, subiram ao palco inspirados em clássicos do rock. Confira quem passou por lá.

Jornada evidencia ramo dos alimentos

Andressa Traesel, Franciele Tiggemann, Neri Xavier e Thiago Raupp

A 7ª edição da Jornada da Alimentação teve sua abertura nesta terça-feira, 12, no Clube Tiro e Caça, em Lajeado. O evento, que se estendeu por três dias, trouxe debates, palestras, seminários e workshops com foco no desenvolvimento e consolidação do

Mais possibilidades aos clientes Imec

Para reforçar a estratégia de crescimento no varejo e ampliar as possibilidades de uso dos clientes, as redes Desco Atacado e Imec Supermercados relançaram, nesta quinta-feira, 14, o cartão de crédito em versão bandeirada. Os cartões passam a permitir compras em estabelecimentos de todo o mundo e assim aumentar a possibilidade de compras dos clientes. A noite teve a presença da jornalis-

ta Giane Guerra, que abordou dados sobre economia. O evento ocorreu no Restaurante Pê 05 com a presença de gestores, gerentes, influenciadores e imprensa.

Sandra Castello, Fabiano Pivotto, Ceo do Grupo Imec, Giane Guerra e Victor Hugo Gomes de Sá

Vale do Taquari como referência em alimentos. Na noite de abertura, a palestrante foi Bia Nóbrega com o tema do papel cada vez mais relevante das habilidades socioemocionais no ambiente corporativo do futuro.

Lisi Costa Leila Franz
Caroline Rohr e Verenice Immich
Tânia Gräff e Bia Nóbrega
Mariana Bianca, Mariana Mendes e Juciane Junqueira
Rodrigo Gauer e Maqueli Barbieri

UMAS & OUTRAS

CIRCULANDO POR AÍ

Interessante perceber a grande atratividade que o Cristo Protetor despertou e continua despertando em muita gente boa de outras querências. Foi assim também com o Trem dos Vales e até com o então inovador modelo gastronômico da Suinofest, cuja visitação voltou a ser convocada pelo simpático Buti, por sinal o primeiro bonecovivo que pintou por aqui. Amanhã chega outra leva de visitantes prá ciceronear, certamente retornarão encantados.

WAST DU WILLS?

Meu alemão não é dos melhores, portanto já peço desculpas se a grafia do título saiu meio torta. No dialeto italiano seria Cosa Vuoi? E no palavreado campeiro do meu Cumpádi Belarmino poderia ser Que que manda, tchê? Na região existem diversos eventos e locais admiráveis prá serem curtidos e visitados. E sempre é importante obter um recall (um retorno) com infor-

mações e sugestões importantes, tipo assim: como ficou sabendo da atração? Como chegou até aqui? Suas expectativas foram satisfeitas? Alguma deficiência identificada no local, ou nas imediações? Vai indicar para outras pessoas? Alguma sugestão de como podemos melhorar ou aprimorar? E por aí a fora. Sem pretender ensinar um padre ou pastor a rezar a missa ou o culto, até porque muitos já o fazem: pesquisas de opinião são importantes, principalmente entre visitantes mais distantes, e podem ajudar muito na construção . Já dizia um empreendedor de respeito: o mais importante é perceber e oferecer o que o visitante (ou cliente) mais valoriza e pretende usufruir.

É SIMPLES... EMBORA

COMPLICADO

Não sei vocês, mas o meu bolso teima em não seguir os índices

oficiais do aumento do custo de vida. Cada vez sobra mais mês no fim do dinheiro. Agora um ilustre governista propõe retirar os aumentos ditos ¨sazonais¨ do cálculo oficial da inflação, entre eles o aumento dos preços de alimentos, combustíveis, energia...tipo assim um decreto de esquecimento da realidade. Afinal as tais sazonalidades não deixaram de apertar a carteira e muitas não dão marcha-à-ré nem com um eventual canotaço.

As ditas cujas estatísticas oficiais parece estarem descendo lomba abaixo em termos de credibilidade, talvez seguindo uma certa sazonalidade político-eleitoreira.

ESTRANHO...

Enquanto o chamado índice de desemprego fica lá embaixo, os índices de seguro-desemprego, de ¨bolsistas¨ em geral e de trabalho informal continuam lá encima. Será que essa régua tá medindo certo? Não vou fazer mau juízo, pode ser inteligência artificial.

ARTIGO

Espelhos quebrados

“Amar é dar o que não se tem a alguém que não o quer.”

Teve um psicanalista que afirmou que não sofremos por conta daquilo que nos acontece, mas sim por aquilo que acreditamos que somos. E isso faz muita diferença.

O nome dele era Jacques Marie Émile Lacan e nasceu em Paris no ano de 1901. Formado em medicina, especializou-se na psiquiatria com uma tese de doutorado defendida em 1932 que não fez eco entre os médicos ,mas influenciou um grupo artístico que estudava o inconsciente, os surrealistas liderados pelo espanhol Salvador Dali.

Esse encontro mudaria decididamente os rumos teóricos de Lacan, que lançou uma ideia que incomodou a muitos: “Não somos totalmente donos de nossa identidade.”Afinal dizia ele, desde pequenos aprendemos quem somos através do olhar do outro. Gestos, palavras, silêncios que vão construindo uma imagem: “um Sou difícil.”;Sou forte”;”Sou um perdedor”,”Sou feio...”

Quando mudamos a ideia que temos de nós mesmos, não muda só o discurso... muda também quem somos!”

O nível de endividamento médio pessoal e familiar, bem como a inadimplência continuam crescendo e até assustando certos alavancadores de crédito.

Em tempos passados o nível médio de poupança pessoal, familiar, empresarial e governa-

mental era BEM maior do que os atuais. Até por aqui era tradicional a preservação de um alto nível de capitalização, dentro do espírito de “não dar um passo maior do que a perna”. Mudou um pouco nos tempos mais recentes e mudou ainda mais

nas altas esferas governamentais, onde o céu parece o limite para a dívida pública. Tipo assim: segue pendurando aí que gente vai rolando com os juros, cada vez mais altos em função do crescente risco. Um dia desses a confiança acaba...

Vazamentos Seletivos (duplo com) Suspeitas Bacterianas.

Troco bandeirolas

Nôno prá nona:

- Não compro mais limões no supermercado.

- Por que não?

- Comprei seis nessa semana, mas tava tudo azedo!

Lacan chamou a isso de “o eu como espelho”, pois não nascemos com uma identidade sólida. Montamos ela com aquilo que acreditamos que os outros vem em nós.

Até aí tudo certo, o problema surge quando não saímos dessa fase e ficamos buscando aprovação constante, sentindo que nunca somos bons o suficiente ou tentando manter uma versão de nós mesmos que não se encaixa.

E aqui surge a dor, só que nao estamos sofrendo pela realidade, mas sim por aquilo que acreditamos ser dentro dessa realidade. Até a hora que o espelho se quebra e a dor nos ensina(ou não) a gemer.

Lacan trouxe a linguística e o estruturalismo para a psicanálise. E enxergou de forma nova um velho problema e também uma nova solução: Se as palavras nos constroem, se as palavras nos marcam, elas também podem nos libertar.

Isso acontece quando mudamos a forma que nos narramos. Quando mudamos a ideia que temos de nós mesmos, não muda só o discurso... muda também quem somos! E o espelho passa a refletir um outro.

365vezesnovaledotaquari@gmail.com

Os destinos singulares do pequeno paraíso do Vale 365 VEZES NO VALE

Na divisa dos rios Carreiro e Guaporé, e cortado pela famosa Ferrovia do Trigo, Dois Lajeados surpreende com cenários dignos de filmes. Não a toa, o município de apenas 3 mil habitantes ganhou o apelido de “Pequeno Paraíso”.

Além das paisagens maravilhosas, bons empreendimentos fortalecem o turismo local.

Chalés Vista dei Monti

Nas margens da ERS-431, o Chalés Vista dei Monti oferece três opções de hospedagens instaladas no alto de um morro. Todos os espaços são equipados com banheira de hidromassagem, calefator e fogo de chão. A propriedade rural tem criação de ovelhas e os hóspedes são convidados a alimentar e interagir com os bichos. Saiba mais no @chalesvistadeimonti.

Viaduto Pesseguinho

e Mula Preta

Dois gigantes da Ferrovia do Trigo estão instalados no território de Dois Lajeados. As estruturas do Viaduto Pesseguinho e Mula Preta mexem com o imaginário, pois são vazados –sem proteção lateral ou chão de concreto, apenas os dormentes. Quando o Trem dos Vales passava pelo local, a sensação era que os vagões estavam flutuando.

Parque Denardi

Um dos mais completos do Vale, o Parque Denardi oferece desde uma deliciosa sequência italiana em qualquer época do ano até piscinas no verão. Também tem passeios de 4x4 com caminhões do exército adaptados para percorrer a floresta do parque e chegar até em pontos de beleza natural do município. A página oficial é @parquedenardi no Instagram.

Patrocínio

Chalés Valle di Pietre

As construções de pedra do Chalés Valle di Pietre chamam atenção de quem passa pela ERS129. Tem hospedagens temáticas cheias de conforto e sofisticação. Todas as construções são feitas com áreas envidraçadas e rochas. Os chalés contam com lareira, sacada ampla e hidromassagem. Mais informações no @chalesvalledipietre no Instagram.

Refúgio Jaguarundi

Um dos cenários mais incríveis do Vale com o rio Carreiro no formato de ferradura em meio

às montanhas. O refúgio tem mirante e estrutura de camping. Também oferece atividades radicais com escalada e rapel, além de trilhas ecológicas. Antes de visitar, consulte o formato de atendimento pela página @refugio.jaguarundi no Instagram.

Belvedere na ERS-129

Com acesso gratuito, o Belvedere às margens da ERS-129 tem um nascer do sol deslumbrante com vista para o interior e campos da região. É um local com acesso gratuito, um espaço religioso pequeno e amplo estacionamento.

FÁBIO KUHN
Chalés Vista dei Monti
Viaduto Pesseguinho e Mula Preta
Refúgio Jaguarundi
Parque Denardi
Belvedere na ERS-129

Grupo A Hora distribuirá R$ 35 mil em prêmios a professores e escolas

Programa LEIA contemplará cinco projetos de professores. Educame destinará R$ 25 mil alunos e escolas. Veja como funciona e acesse o regulamento

OGrupo A Hora começou a apresentar às escolas da região as novidades dos programas LEIA e Educame para 2026. Neste ano, as duas iniciativas vão distribuir R$ 35 mil em prêmios para incentivar leitura, escrita e educação ambiental.

No Programa LEIA, serão premiados cinco projetos de professores que desenvolvem ações de leitura e escrita e mantém alunos engajados. No final, o valor será destinado diretamente ao educador, e não à escola. Cada vencedor, receberá R$ 2 mil. Podem participar professores da rede pública e privada.

Este é o primeiro concurso do LEIA, um movimento lançado pelo A Hora em 2025, com o objetivo de transformar crianças e estudantes, em leitores assíduos.

Já o Educame vai premiar escolas públicas e privadas que inscreverem projetos na área ambiental. A premiação total

será de R$ 25 mil. O concurso está em sua quarta edição e a cada ano, aumenta a participação de estudantes. Em 2025, o concurso envolveu 5.435 alunos e professores da rede pública e privada.

Professores de Estrela conhecem concursos

As equipes do Grupo A Hora estão visitando escolas da região para apresentar as iniciativas. Nesta semana, os concursos foram divulgados à rede pública de Estrela e Lajeado. Os profissionais do grupo de comunicação mostraram aos professores como participar e reforçaram a importância de dar visibilidade ao trabalho já desenvolvido nas escolas.

“Não é preciso criar um projeto exclusivo para o LEIA. Os professores podem enviar trabalhos que já aconteceram ou que já estão em andamento”, explica Bruna Mendel, coordenadora pedagógica do Programa LEIA.

Prazo de Inscrições para o LEIA

- As inscrições para o concurso do LEIA abriram em 10 de maio e seguem até 25 de julho. Os premiados serão conhecidos em um evento no mês de novembro.

- Podem participar educadores da rede pública ou privada de ensino, que desenvolvam projetos de incentivo à leitura com estudantes da Educação Infantil, Ensino Fundamental ou Ensino Médio.

Diretores de Estrela conheceram esta semana as regras para participar dos dois concursos do A Hora: LEIA e Educame

- O regulamento completo está disponível no site do A Hora e também pode ser acessado pelos QR Codes dos materiais de divulgação.

PRAZO DE INSCRIÇÕES DO EDUCAME

- O prazo de inscrição abriu em 15 de abril e segue até 5 de setembro. Os vencedores serão divulgados em 14 de outubro, durante o 4º Seminário do Educame. Podem participar alunos e escolas públicas e privadas com projetos na área ambiental.

- O regulamento completo está no site do A Hora e também pode ser acessado pelos QR Codes dos materiais de divulgação.

VALE DO TAQUARI
Andreia Rabaiolli centraldejornalismo@grupoahora.net.br
ANDREIA RABAIOLLI

Divinut leva pecã gaúcha à China

Empresa amplia mercado asiático e ajuda a trazer congresso mundial ao Brasil em maio de 2027

ADivinut intensifica a estratégia de expansão internacional da noz-pecã brasileira em meio a um momento considerado histórico para o setor. O CEO da empresa, Edson Ortiz, representou o Brasil no congresso da International Nut and Dried Fruit Council, principal fórum global de nozes e frutas secas, realizado entre a última terça e quinta-feira, em Macau, na China.

A participação ocorre em um cenário marcado pela recente abertura do mercado chinês para a noz-pecã descascada brasileira e pela projeção da maior safra da história do país em 2026. A expectativa do setor é superar 9 mil toneladas de produção, consolidando o Brasil entre os principais fornecedores mundiais.

O congresso reuniu cerca de 1,5 mil participantes de 65 países, consolidando-se como um dos maiores encontros globais do segmento. Ortiz integrou o seleto grupo de painelistas ao lado de representantes de países como

Participação ocorre em um cenário marcado pela recente abertura do mercado chinês para a noz-pecã descascada brasileira

Estados Unidos, México e África do Sul, representando a América Latina no debate internacional sobre o setor. “Foi um momento muito relevante para mostrar o potencial produtivo do Brasil e dar visibilidade à noz-pecã brasileira no cenário mundial.”

Outro anúncio considerado estratégico para o setor ocorreu durante o encerramento do evento. O 44º Congresso Mundial do INC será realizado no Brasil, em maio de 2027, no Rio de Janeiro. Será a segunda vez que o país receberá o encontro – a primeira ocorreu em Manaus, na década de 1980. Segundo Ortiz, a expectativa é repetir o volume de participantes

registrado em Macau, com representantes de dezenas de países.

Atualmente, a Divinut é a única empresa brasileira do segmento de noz-pecã filiada ao International Nut and Dried Fruit Council.

Além da agenda em Macau, o executivo segue para Xangai, onde participa de reuniões estratégicas, rodadas de negócios e ações comerciais voltadas ao fortalecimento das exportações brasileiras. Entre os compromissos está um seminário Brasil-China sobre agri-foods, promovido para aproximar os dois países e ampliar o comércio agropecuário.

O encontro contará com a presença do ministro da Agricultura, representantes da ApexBrasil, embaixadores e autoridades chinesas. A Divinut está entre cerca de 30 empresas selecionadas para

participar da iniciativa.

A programação inclui ainda participação na Sial China, uma das principais feiras de alimentos da Ásia, além de degustações e apresentações do produto para compradores e formadores de opinião chineses.

Durante o congresso em Macau, a empresa realizou distribuição de amostras, reuniões comerciais e contatos com importadores de diferentes países. Segundo Ortiz, o mercado internacional demonstra forte aceitação pela pecã brasileira, especialmente pelo padrão de qualidade e certificações da empresa. “A gente percebe uma procura cada vez maior. Muitos clientes querem ampliar as compras e novos compradores estão conhecendo o nosso trabalho.”

Chile amplia compra de ovos e impulsiona exportações

Primeiro caso de gripe aviária em granja chilena elevou demanda do produto brasileiro em abril

As exportações brasileiras de ovos voltaram a crescer em abril, interrompendo dois meses consecutivos de desaceleração. O avanço foi puxado principalmente pela forte demanda do Chile, após o registro do primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial no país.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o Brasil embarcou 2,31 mil toneladas de ovos in natura e processados no mês, volume 24% superior ao registrado em março. Apesar da recuperação, o resultado ainda ficou 47% abaixo do observado em abril de 2025.

O Chile concentrou 84% das compras brasileiras de ovos in natura e registrou o maior volume de importação de toda a série histórica da Secex Do total exportado em abril, 1,64 mil toneladas foram

Maior processadora do hemisfério

Com sede em Cachoeira do Sul, a Divinut é atualmente a maior processadora de noz-pecã do Hemisfério Sul e uma das principais exportadoras brasileiras do segmento. A empresa mantém presença consolidada na Europa, América do Norte, Oriente Médio e norte da África, além de atender grandes marcas no mercado interno, como Outback, Zaffari, Ritter e Cacau Show.

O crescimento da companhia também se reflete em investimentos. A empresa está concluindo um aporte de R$ 10 milhões para ampliar a capacidade industrial voltada à exportação de pecã descascada. Com isso, a estrutura poderá processar até 11 mil toneladas por ano.

Hoje, o Brasil ocupa a quarta posição mundial na produção de noz-pecã, sendo que cerca de 80% do volume está concentrado no Rio Grande do Sul, principal polo nacional da cultura.

A Divinut atua em parceria com cerca de cinco mil produtores, distribuídos em 76% dos municípios gaúchos, além de áreas em Santa Catarina, Paraná e São Paulo. A empresa também investe em inovação por meio de pesquisas desenvolvidas com a Universidade Federal de Santa Maria, incluindo projetos de mudas com potencial para produção de trufas associadas às nogueiras, agregando valor à cadeia produtiva.

de ovos in natura, crescimento de 53% em relação ao mês anterior. Já os embarques de ovos processados somaram cerca de 668 toneladas, com retração de 16% frente a março. Pesquisadores do Cepea destacam que o cenário reforça o papel do Brasil como fornecedor estratégico para países afetados por surtos de gripe aviária. A condição sanitária brasileira, livre da doença, mantém o país em posição favorável para ampliar a presença no mercado internacional, assim como ocorreu em 2025 com o aumento gradual das exportações aos Estados Unidos.

Estevão Heisler projetoagro@grupoahora.net.br
Brasil embarcou 2,31 mil toneladas de ovos in natura e processados no mês, volume 24% superior ao registrado em março
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PARCERIA COM A UNIVATES

LAJEADO OPEN APROXIMA UNIVERSIDADE E ESPORTE

Encontro com acadêmicos dos cursos Técnico em Publicidade e Técnico em Modelagem do Vestuário reforça o compromisso do torneio com o desenvolvimento regional

Caetano Pretto caetano@jornalahora.net.br

OLajeado Open segue consolidando o papel de ser mais do que um torneio internacional de tênis. Nesta semana, o evento promoveu uma importante aproximação com o ambiente acadêmico, ao promover uma visita às turmas dos cursos Técnico em Publicidade e Técnico em Modelagem do Vestuário da Univates. Foi um encontro marcado pela troca de ideias, criatividade e conexões entre esporte, educação e comunidade.

Representando o torneio, estiveram presentes o diretor do Lajeado Open, Ney Arruda Filho, e o presidente do Clube Tiro e Caça, Henrique Marchini. Durante o encontro, foi apresentada a trajetória do torneio, crescimento ao longo das últimas edições e o impacto que o evento gera para o esporte, turismo, economia e posicionamento.

Além da apresentação institucional, a noite foi marcada por momentos de brainstorming, interação com os acadêmicos e debates sobre tendências, comportamento,

identidade visual, moda esportiva e estratégias de comunicação. Como parte da proposta desenvolvida junto aos cursos, os alunos do curso Técnico em Modelagem do Vestuário, liderados pela professora Júlia Rosa, tiveram o desafio de criar materiais e produtos voltados ao Lajeado Open, incluindo camisetas, estampas, acessórios e outros itens que poderão futuramente integrar a identidade oficial do torneio. Já os alunos do curso Técnico em Publicidade, do professor Roberto Barth, terão o desafio de criar estratégias para tornar o evento mais conhecido do grande público, reforçar a imagem e gerar interesse na comunidade. Para Ney Arruda Filho, aproximar o evento do meio acadêmico e da Univates é uma forma de ampliar o legado do torneio para além das quadras. “Mais do que realizar um grande evento esportivo, queremos construir conexões e gerar oportunidades. O Lajeado Open tem um potencial enorme de transformação e acreditamos muito na força da criatividade e das novas ideias que nascem dentro da universidade. Essa troca é extremamente rica para todos os lados”, destacou o diretor.

Diretor do Lajeado Open e presidente do Clube Tiro e Caça estiveram na Univates para conversas com alunos de cursos técnicos
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RUMO AO MUNDIAL

GRUPO A HORA VIAJA AOS ESTADOS UNIDOS PARA COBERTURA DA COPA DO MUNDO

Cobertura especial contará com boletins, reportagens, vídeos e bastidores direto das cidades que receberão os jogos do Brasil. João Lucas Catto será o correspondente internacional no evento

Caetano Pretto caetano@jornalahora.net.br

ACopa do Mundo reúne bilhões de espectadores, mobiliza culturas, movimenta países e transforma o futebol no centro das atenções globais durante um mês. Em meio a esse cenário de paixão, rivalidade e histórias marcantes, o Grupo A Hora acompanhará de perto os detalhes do evento, levando informação, bastidores e a atmosfera do Mundial aos leitores, ouvintes e internautas da região.

Pela primeira vez em sua história, o Grupo A Hora estará presente in loco na cobertura da maior competição esportiva do planeta. Às vésperas da Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá, marcada para iniciar no dia 11 de junho, o A Hora lança o projeto “A Hora da Copa”, com cobertura multimídia no jornal, rádio, site e plataformas digitais.

A partir deste sábado, a programação diária da rádio contará com boletins informativos, curio-

sidades do evento e entrevistas voltadas ao assunto. Matérias no Jornal A Hora e no grupoahora. net.br acompanham os bastidores, jogos, personagens e a repercussão do Mundial. Vídeos nos canais digitais também reforçam a magnitude do evento, que terá cobertura in loco, direto dos Estados Unidos, no mês de junho.

REALIZAÇÃO

DE UM SONHO

Atleta com passagens por Grêmio, Juventude, Lajeadense, Santa Cruz e Paraná, advogado especialista em Direito Desportivo e comunicador do Grupo A Hora desde 2023, João Lucas Catto estará nos Estados Unidos ao longo do mês de

Ex-jogador profissional, advogado especialista em Direito Desportivo e comunicador do Grupo A Hora desde 2023, João Lucas Catto acompanhará a Copa do Mundo direto dos Estados Unidos

junho acompanhando a Seleção Brasileira. A viagem começa por Nova Iorque, com chegada no dia 9 e onde o Brasil joga no dia 13. O itinerário passa ainda por Filadélfia, Miami e Orlando, até o final do mês.

É UM DESAFIO MUITO GRANDE CARREGAR ESSA RESPONSABILIDADE DE REPRESENTAR O GRUPO A HORA E TODAS AS EMPRESAS PARCEIRAS DO PROJETO. AO MESMO TEMPO, É A REALIZAÇÃO DE UM SONHO CONSEGUIR ACOMPANHAR A SELEÇÃO BRASILEIRA EM UMA COPA DO MUNDO”

JOÃO LUCAS CATTO

A expectativa é a melhor possível. “É um desafio muito grande carregar essa responsabilidade de representar o Grupo A Hora e todas as empresas parceiras do projeto. Ao mesmo tempo, é a realização de um sonho conseguir acompanhar a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo. É uma preparação que vem de bastante tempo, a ficha até demorou a cair, será um mês muito intenso”, destaca.

Chegar à Copa do Mundo é o ápice de qualquer carreira para alguém que gosta ou trabalha com futebol. Para Catto, é a realização do sonho de um menino

que antes de tudo tentou ser jogador. “Encerrei a carreira em 2011 e a partir dali passei a trilhar um caminho fora dos gramados, mas sempre no futebol. Entrei no A Hora em 2023, trabalhando sem pretensão de ir a uma Copa do Mundo. Agora felizmente realizarei este sonho”, diz. Antes mesmo de ir aos Estados Unidos, a primeira expectativa é pela convocação de Neymar. Com ele, Catto acredita que o Brasil tem chances de surpreender na Copa. “Neymar ainda é o melhor jogador do Brasil, que ao mesmo tempo conta sim com uma boa geração, mas que teve um ciclo muito tortuoso. Acredito que passar de fase, da segunda fase também, será tranquilo. Depois, vai depender muito do trabalho ter encaixado e também de como chegam os adversários.”

MARCO PARA O GRUPO A HORA

Para o Grupo A Hora, a Copa do Mundo de 2026 se anuncia como um importante marco na cobertura esportiva, uma vez que o mundo todo se move em torno do maior evento esportivo do planeta. “Para o A Hora, é importante acompanhar pela primeira vez uma Copa do Mundo com um profissional direto dos Estados Unidos, vivendo toda a movimentação, jogos e bastidores. A proposta é levar para rádio, jornal, site

e redes sociais o clima do Mundial com a curadoria e o estilo que a audiência já conhece”, destaca o diretor editorial e de projetos, Fernando Weiss.

A cobertura da Copa do Mundo só é possível graças às empresas que acreditam no poder do esporte. “Agradecer desde já aos patrocinadores que estão conosco viabilizando este projeto. Que acreditam que a Copa do Mundo tem relevância também para a região. Que tem valor editorial e publicitário, para o A Hora e para todos os parceiros.”

CONVOCAÇÃO NA SEGUNDA-FEIRA

O técnico Carlo Ancelotti anuncia nesta segunda-feira, 18, os 26 convocados que defenderão a Seleção Brasileira na Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá. O evento de divulgação da lista ocorre no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, às 17h, seguido por uma coletiva de imprensa com o treinador.

A Confederação Brasileira de Futebol enviou para a Fifa na semana passada a pré-lista, com 55 nomes. Mesmo com apenas dez jogos no comando do Brasil, Ancelotti não deve apresentar grandes surpresas. A grande expectativa recai sobre o nome de Neymar. Ainda não convocado pelo técnico italiano, o maior goleador da história da Seleção

Brasileira gera debates em todo o país sobre a presença no Mundial. Antes da oficialização, é possível afirmar a partir de falas de Ancelotti que alguns jogadores estão confirmados na Copa. São eles os goleiros Alisson e Ederson; laterais Alex Sandro, Danilo e Wesley; zagueiros Bremer, Gabriel Magalhães e Marquinhos; meias Casemiro, Bruno Guimarães, Fabinho e Danilo; e os atacantes Gabriel Martinelli, Luiz Henrique, Matheus Cunha, Raphinha e Vini Jr. Passada a convocação, a Seleção Brasileira inicia a preparação na Granja Comary no dia 25 de maio. No dia 31, realiza um último amistoso no país, contra Panamá, no Maracanã. A viagem para os Estados Unidos

está marcada para o dia 1º de junho. Já em solo norte -americano, o Brasil realiza o último teste, no dia 6 de junho, contra Egito. A estreia na Copa do Mundo está marcada para o dia 13 de junho, contra Marrocos, em Nova Jersey. A segunda rodada ocorre no dia 19, contra Haiti, na Filadélfia. A Seleção fecha a primeira fase no dia 24 de junho, contra Escócia, em Miami.

O projeto A Hora da Copa conta com o patrocínio de Vincere Construtora, Imobiliária Conquista, Noatto Condomínios, R1 Cars, Subway Lajeado e Venâncio Aires, Free Viagens, Panfácil e Loja Sommer.

Técnico Carlo Ancelotti anuncia os 26 convocados da Seleção Brasileira na próxima segunda-feira, 18, às 17h
DIVULGAÇÃO

CONFRONTO DIRETO

INTER RECEBE O VASCO PARA CONFIRMAR REAÇÃO NO BRASILEIRÃO

Time de Paulo

Pezzolano não perde há seis partidas e busca mais um resultado positivo para ganhar distância do Z4 e se aproximar da primeira metade da tabela

Caetano Pretto caetano@jornalahora.net.br

OInternacional entra em campo para comprovar a boa fase e deixar para trás a preocupação momentânea com a zona de rebaixamento. Neste sábado, o Colorado tem confronto direto contra o Vasco da Gama, às 18h30min, no Estádio Beira -Rio. A Rádio A Hora transmite o confronto.

São seis jogos seguidos sem derrota. No período, o Inter venceu Fluminense, Brasil de Pelotas e Athletic, em duas oportunidades, além de empatar com Botafogo e Coritiba. A última derrota ocorreu no dia 19 de abril, quando foi superado pelo Mirassol. Antes,

GRÊMIO ENCARA

também tinha sequência de cinco jogos sem perder. Os 18 pontos na tabela deixam o Inter próximo tanto da zona de

FORA DE CASA

O BAHIA

Crebaixamento, quando da parte alta da tabela. Se vencer, pode chegar até a sétima posição. Caso seja derrotado, no pior cenário, entra na zona de rebaixamento. O técnico Paulo Pezzolano não pode contar com a dupla de zaga titular, suspensa. Mercado e Juninho devem começar o duelo. O provável Inter tem: Rochet; Bruno Gomes, Mercado, Juninho e Matheus Bahia; Villagra, Bruno Henrique, Allex e Bernabei; Carbonero e Alerrandro.

VASCO EM SITUAÇÃO SEMELHANTE

A equipe do técnico Renato Portaluppi também se classificou na Copa do Brasil, após empate em 2 a 2 com o Paysandu. Pelo Brasileirão, os cariocas venceram o Athletico-PR por 1 a 0 na última rodada. O time carioca inicia a rodada em oitavo, com 20 pontos. Ao longo do campeonato, soma

PARA DEIXAR O Z4

om a missão de vencer para deixar a zona de rebaixamento, o Grêmio enfrenta o Bahia neste domingo, na Arena Fonte Nova, às 16h. A Rádio A Hora transmite o confronto.

Matematicamente, é possível ao Grêmio sair da zona de rebaixamento até com empate. Mas a única certeza é que se vencer, sai da incômoda situação. O Tricolor abre a 16ª rodada com 17 pontos, na 17ª colocação. A sua frente, um pelotão de cinco equipes com 18 pontos, seguido por mais dois times com 19.

Depender apenas de si pode ser um triunfo, mas para isso o time precisa comprovar dentro de campo. Depois de muito tempo sem vencer fora de casa, a equipe de Luís Castro vem de vitórias seguidas longe da Arena sobre Deportivo Riestra e Confiança. No meio do caminho, perdeu em casa para o Flamengo.

A grande dúvida para o confronto recai no sistema defensivo.

Balbuena e Gustavo Martins tiveram problemas no jogo da Copa do Brasil e são dúvidas, o que pode fazer Luís Castro até mudar o esquema. Outra baixa é Pavón, suspenso, que deve dar lugar a Marcos Rocha.

O provável Grêmio tem: Weverton; Wagner Leonardo (Kannemann), Gustavo Martins e Viery; Marcos Rocha (Enamorado), Noriega, Léo Pérez, Gabriel Mec e Pedro Gabriel; Amuzu e Carlos Vinícius.

BAHIA PRESSIONADO

Mesmo na sexta colocação, o Bahia chega bastante pressionado ao jogo. São seis jogos seguidos sem vencer. No período, perdeu duas vezes para o Remo e deu adeus à Copa do Brasil. Para este jogo, o técnico Rogério Ceni não poderá contar com o atacante Willian José, que se recupera de

cinco vitórias, cinco empates e cinco derrotas. O provável time titular tem: Léo Jardim; Puma Rodríguez (Paulo Henrique), Cuesta, Robert Renan e Lucas Piton; Hugo Moura, Cauan Barros e Tchê Tchê; Adson, Andrés Gómez e Spinelli.

entorse no tornozelo, e com o zagueiro Ramos Mingo, suspenso. O provável Bahia tem: Léo Vieira; Acevedo, David Duarte, Marcos Victor e Luciano Juba; Erick, Jean Lucas e Everton Ribeiro; Sanabria (Kike Olivera), Erick Pulga e Everaldo.

Zagueiro Mercado e centroavante Alerrandro devem ser titulares na partida deste sábado
RICARDO DUARTE/DIVULGAÇÃO
Luís Castro precisa lidar com baixas no sistema defensivo para escalar o Grêmio
LUCAS UEBEL/DIVULGAÇÃO

FUTEBOL AMADOR

VALE DO TAQUARI PODE CONHECER NOVO CAMPEÃO NESTE DOMINGO

Paverama decide o título municipal em Santa Manuela, enquanto Arroio do Meio abre a disputa das finais com transmissão do A Hora Esportes

Ezequiel Neitzke ezequiel@grupoahora.net.br

Se o tempo colaborar, o domingo promete fortes emoções no futebol amador do Vale do Taquari.

Paverama define o campeão municipal da temporada, Arroio do Meio inicia a disputa das finais e outras cidades da região terão jogos decisivos pelas competições locais.

Em Paverama, Internacional e Morro Bonito fazem a partida de volta da final do Municipal, em Santa Manuela. Pentacampeões, os dois clubes duelam para ver quem se tornará o maior campeão da história da competição. Atual detentor da taça, o Morro Bonito precisa vencer no tempo normal para levar a decisão aos pênaltis. Já o Internacional joga diante da sua torcida e pode empatar para voltar a conquistar o título, algo que não acontece desde 2018.

Em Arroio do Meio, a comunidade de Arroio Grande recebe os primeiros confrontos das finais municipais. Pela manhã, União e

Rui Barbosa disputam o título da categoria veterano. À tarde, Palmense e Cruzeiro fazem a decisão do aspirante. No confronto principal do dia, União e Rui Barbosa voltam a medir forças pelo titular.

As equipes chegam para a terceira final consecutiva entre si. Nas duas últimas temporadas, o União levou a melhor e ficou com a taça. Para o duelo deste domingo, ambos os clubes devem contar com elenco completo. A partida terá transmissão ao vivo do Grupo A Hora, a partir das 14h15min, no canal A Hora Esportes, no YouTube.

SEMIFINAIS E DECISÕES PELA REGIÃO

Outro destaque do domingo ocorre em Boqueirão do Leão. Após golear por 8 a 1 no jogo de ida, o Esportivo joga pelo empate para garantir vaga em mais uma final. O Internacional precisa vencer no tempo normal e também nos pênaltis para seguir vivo na competição.

Em Roca Sales, os confrontos em Linha Constância definem os finalistas do Municipal. Atual campeão, o Botafogo joga pelo empate diante do Serrinha para voltar à decisão. No outro duelo, quem vencer entre Juventude e Toma 10 garante classificação à final.

Os campeonatos municipais de Bom Retiro do Sul, Imigrante e Taquari, além da Copa Serrana e da Vale do Sampaio, também movimentam o domingo esportivo.

AGENDA

TITULARES

Sábado

Paverama – final/jogo da volta

Internacional x Amigos do Morro Bonito

Arroio do Meio – final/jogo de ida

União x Rui Barbosa

Boqueirão do Leão – semifinal/ jogo da volta

Esportivo x Internacional

Roca Sales – Semifinal/jogo da volta

Juventude x Toma 10

Botafogo x Serrinha

Copa Vale do Sampaio –semifinal/ida

Avante x Santo Antônio

AERT x Duvidosa

Copa Serrana – semifinal/jogo de ida

São Luiz x Assespe

Juventude x River Plate

Taquari – semifinal/ida

Furacão x São José

Imigrante – semifinal/ida

Riograndense x Juventude

Cruzeiro x Canarinho

Bom Retiro do Sul – jogo extra Laranjeiras x Pinhal

Aecosajo x Floriano

Capitão – 2ª rodada

Brasinha x Guarani

São Luiz x 7 de Setembro

Cruzeiro do Sul – 5ª rodada

XV de Novembro x Tamoio

Cruzeiro x Bom Fim

Juventus x Canarinho

Fim

Escola São João Bosco organizava festa

O Grupo Escolar São João Bosco, do bairro Conservas de Lajeado, organizava uma festa para arrecadar fundos para a manutenção da escola e construção do pavilhão social da comunidade do bairro. Na época, cinco estudantes da escola participavam do concurso Rainha da Festa. A arrecadação de dinheiro se dava por meio da venda de votos.

A Escola Estadual São João Bosco existe até hoje no mesmo endereço, na rua Henrique Stein Filho. No ano passado, em maio de 2025, o educandário completou 85 anos de história. Fundada em 1940, começou como Grupo Escolar de Conservas e funcionava nas antigas instalações da fábrica Oderich, junto à beira do Rio Taquari. Foi essa indústria de conservas que deu nome ao bairro, quando instalou uma filial na década de 1920 na localidade.

A fábrica de conservas fechou no fim dos anos 1930 e parte de seu complexo passou a ser usado pela Escola São João Bosco. Na época da fundação da escola, duas professoras formavam o corpo docente, a diretora Diva Martins de Souza e a professora Andradina Machado.

A mudança da São João Bosco para o endereço atual ocorreu em 1958, quando o governo de Ildo Meneghetti construiu o prédio principal. Nesse período, a escola também deixou de se chamar Grupo Escolar e recebeu o nome de São João Bosco, em homenagem ao santo católico.

Esse primeiro prédio ainda abriga a escola, que sofreu ampliações ao longo dos anos. Em 1985, novas salas foram erguidas e, nos anos 1990, um novo bloco foi construído, assim como a quadra esportiva. À época de sua fun-

dação, a escola recebia somente crianças até a 5ª e, hoje, atende alunos até o 9º ano do fundamental.

A Associação Comercial e Industrial de Encantado fazia o lançamento da Suinofest 2006 no Clube Comercial de Encantado. A festa gastronômica de especialidades suínas estava marcada para junho, no ginásio do Parque Municipal João Batista Marchese.

O lançamento teve uma mostra do que a Suinofest apresentaria no cardápio da festa, além de divulgar a programação de shows e empresas parceiras. O mascote Buti foi uma atração. Naquele ano, Adriano Klima era o presidente da Suinofest.

Candidatas, em 1976, ao título de Rainha da Festa

Sábado é Domingo é

- Dia do Médico Geriatra

- Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Celíaca

- Dia Mundial do Whisky

- Dia Internacional da Luz

- Dia do Gari

Santo do dia 16:

São João Nepomuceno

São Simão Stock

- Dia Mundial da Reciclagem

- Dia Mundial da Pastelaria

- Dia Internacional Contra a Homofobia

- Dia Mundial da Hipertensão

Santo do dia 17: São Pascoal Baylon

A escola funciona no mesmo endereço desde 1958
Em desenho, o primeiro prédio onde funcionou a escola, no complexo da Fábrica Oderich

HENRIQUE PEDERSINI

Jornalista

A inquestionável demanda da Amsol

Na última semana de maio, os oito prefeitos da Associação dos Municípios do Sol Nascente (Amsol) estarão em Brasília para solicitar à bancada gaúcha, no Congresso Nacional, mais uma vez, os necessários recursos que permitirão criar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Ouro Branco, de Teutônia.

A demanda é antiga e irrefutá-

vel. A região puxada por Teutônia e que carrega consigo outras cidades estratégicas precisa de uma infraestrutura de saúde que atenda a região, como ocorre nos hospitais de Encantado, Estrela e Arroio do Meio.

Saúde é o principal assunto nos caixas dos municípios do Vale. E para esta microrregião não serve encaminhar os pacientes para UTIs de outras partes do Rio

Cuidado com as “vaquinhas” e

Desde a sexta-feira, 15, é possível que pré-candidatos arrecadem recursos para financiar campanhas eleitorais. Um dos modelos são as chamadas “vaquinhas virtuais”. Neste formato, apoiadores doam valores pela internet para auxiliar no custeio das campanhas. Mas atenção: as arrecadações, porém,

só podem ser realizadas por empresas previamente cadastradas e aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O histórico demonstra que muitas das investigações eleitorais têm, por base, valores remetidos para candidatos, tanto no pleito geral quanto nas eleições municipais.

Grande do Sul. Há condições em termos de espaço, mão de obra e interesse em dispor de uma unidade própria para casos mais graves. O Congresso e o Ministério da Saúde têm obrigação de ouvir e “dar conta” deste importante pedido. Integram a Amsol: Teutônia, Westfália, Colinas, Imigrante, Boa Vista do Sul, Poço das Antas, Fazenda Vilanova e Paverama.

doações, hein!

Importante ressaltar: todo repasse financeiro da iniciativa privada para candidatos precisa atender ao que prevê a legislação.

A Justiça Eleitoral, e até a Polícia Federal, andam de olho na origem do dinheiro que banca campanhas eleitorais e os reais motivos de tamanha generosidade.

Curadoria, internauta! Rapidinho…

Escolha com cuidado as plataformas que te servem de referência para informação. Parece “puxar brasa para o próprio assado”, mas é um aconselhamento bem mais abrangente. As redes sociais permitem a criação de páginas e perfis sem muitos pré-requisitos. Em cidades do Vale, partidos de oposição (sim, em mais de um município) criaram uma espécie de indústria de informações distorcidas. Os textos são bem construídos pela inteligência artificial e o intuito está claro: atingir o lado oposto, no caso os respectivos governos, com informações desencontradas e direcionadas. Apostem nas mídias oficiais, que prezam pela curadoria, profissionalismo e, acima de tudo, não são conduzidas ou subsidiadas por partidos políticos e suas vinculações. Então, curadoria e prioridade para mídias oficiais, que têm responsabilidade com o desenvolvimento das cidades e da região.

• Encantado saiu na frente em algumas ações institucionais de governo em resiliência climática. É preciso, pela geografia da cidade e importância do tema. A pergunta é: todo mundo está preparado para uma nova e eventual crise climática?

• Ana da Apama (PP) anunciou que pretende deixar o partido. E, segundo ela, uma das causas é o colega Lorival Silveira (PP). No passado, ela foi do MDB. Quais partidos encaminharão convites, será?

• Ainda em Lajeado, o governo deve encaminhar nas próximas semanas o projeto que prevê um financiamento de aproximadamente R$ 100 milhões voltados a obras de pavimentação, recuperação de vias e outros temas. A articulação política será importante para viabilizar a matéria entre os vereadores.

ARTIGO

ROGÉRIO WINK

Empreendedor e comunicador, apresentador do programa “O Meu Negócio”, da Rádio A Hora 102.9

Basta de entraves

Empreender é um exercício diário de persistência. Muito se fala sobre inovação, crescimento e resultados, mas pouco se mostra um caminho real – aquele feito de idas e vindas, de portas que não se abrem na primeira tentativa e de processos que exigem mais paciência do que qualquer planejamento previa.

Quem está na linha de frente conhece bem esse cenário e sabe do que estou escrevendo. Abrir e manter um negócio não é apenas ter uma boa ideia ou disposição para investir. É, muitas vezes, enfrentar um sistema pouco claro, onde um simples pedido de licença ou alvará pode se transformar em uma jornada longa. Documentos são entregues, prazos são aguardados e, quando o empreendedor retorna, surge uma nova exigência. Depois outra. E mais uma.

Não é incomum ver empresários enfrentando filas, voltando diversas vezes às mesmas repartições e lidando com processos que se arrastam por meses – em alguns casos, até anos. E, no meio disso tudo, existe também o desafio do atendimento. Nem sempre há orientação objetiva, nem sempre o caminho é explicado com clareza. Ainda assim, ele volta no dia seguinte. Reorganiza documentos, busca informação, conversa com quem já passou pelo mesmo caminho. Aprende a lidar com a incerteza e transforma cada obstáculo em experiência. Não por vontade de sofrer, mas porque o negócio depende disso.

Muito se fala sobre inovação, crescimento e resultados, mas pouco se mostra um caminho real.”

Essa caminhada não acontece isoladamente. Enquanto resolve burocracias, o negócio continua vivo. Há clientes para atender, equipe para liderar, contas que não esperam. O tempo segue, e o empreendedor precisa dar conta de tudo ao mesmo tempo. Encontrar energia para seguir em frente. Ufa!

Empreender, no Brasil, é acreditar mesmo quando o ambiente não facilita. É insistir quando o processo parece travado. Talvez o maior diferencial do empreendedor brasileiro não esteja apenas na sua capacidade de criar, mas na sua capacidade de resistir. De seguir. De continuar construindo, mesmo quando o cenário exige mais do que o previsto.

Por trás de cada empresa, existe uma história de esforço. Existe alguém que enfrentou filas, incertezas e desafios que não aparecem nos relatórios.

Algo precisa mudar e com urgência. São os empreendimentos que geram oportunidades, renda e arrecadação. São eles que sustentam grande parte da estrutura. Ainda assim, em muitos momentos, enfrentam um ambiente onde processos simples se tornam complexos, onde falta padronização e onde o atendimento, por vezes, se distancia do respeito e da objetividade que deveriam ser regra.

Resolver grande parte dessas situações não exige mudanças profundas, mas sim normatização, clareza e postura. Procedimentos bem definidos, comunicação transparente. Não é muito pedir.

Se um cliente fosse tratado em uma empresa da mesma forma que muitos empreendedores relatam ser tratados em determinados atendimentos, dificilmente esse negócio sobreviveria. No setor privado, eficiência e respeito não são diferenciais, são condição de existência.

Facilitar não é favorecer. É permitir que o trabalho flua sem tantos entraves.

DIVULGAÇÃO

Fim de semana, 16 e 17 de maio de 2026

Fechamento da edição: 18h MÍN: 8º | MÁX: 23º Ao longo do sábado, instabilidades avançam sobre o centro-norte do estado e intensificam a nebulosidade sobre a região.

A conta da ansiedade

Especialistas alertam para os efeitos do desequilíbrio financeiro sobre sono, saúde mental e relações familiares

“O futuro da cirurgia será cada vez mais tecnológico”

Com formação em centros de referência, o cirurgião geral e do aparelho digestivo, João Bassotto, acompanha de perto a transformação tecnológica da medicina. Especialista em cirurgia bariátrica, com residência em Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo e especialização em cirurgia robótica, o médico integra os corpos clínicos do Hospital Bruno Born, da Santa Casa de Porto Alegre e do Hospital Moinhos de Vento. Com experiência em procedimentos avançados por videolaparoscopia, Bassotto defende que o futuro da cirurgia passa por técnicas cada vez menos invasivas, aliando inovação, segurança e recuperação mais rápida dos pacientes.

O que te fez escolher a profissão e como foi esse início?

Sempre tive afinidade com a medicina e muito prazer em me relacionar com as pessoas. Durante a graduação, me identifiquei desde o primeiro ano da faculdade com a cirurgia, pela possibilidade de resolver problemas complexos de forma prática e impactar diretamente a vida das pessoas. Dentro da cirurgia, a área do aparelho digestivo chamou minha atenção pela complexidade técnica, pela necessidade constante de atuali-

EXPEDIENTE

zação e pela possibilidade de atuar desde doenças benignas até casos de alta complexidade. Minha formação foi construída em grandes centros de referência cirúrgica, especialmente na Santa Casa de Porto Alegre, ao lado de referências mundiais, local com tradição em cirurgia minimamente invasiva e cirurgia de alta complexidade. Isso foi fundamental para desenvolver uma visão moderna e diferenciada da cirurgia.

O início da carreira exigiu muita dedicação, estudo e persistência. Desde cedo busquei investir em técnicas avançadas de videolaparoscopia e cirurgia minimamente invasiva, trazendo para a região procedimentos que ainda eram pouco realizados fora dos grandes centros. Hoje, tenho atuação forte em cirurgia bariátrica, cirurgia do aparelho digestivo e procedimentos avançados por vídeo.

Quais os maiores desafios da profissão hoje?

A medicina e a cirurgia evoluíram em uma velocidade muito grande. Um dos maiores desafios é conseguir se manter constantemente atualizado, principalmente em áreas como cirurgia minimamente invasiva, cirurgia robótica e cirurgia bariátrica,

Textos e fotos: Paulo Cardoso

onde novas técnicas surgem o tempo todo. Outro ponto importante é equilibrar tecnologia com humanização. Hoje, temos acesso a equipamentos modernos e procedimentos cada vez menos invasivos, mas o paciente continua precisando de atenção, acolhimento e confiança no médico. Também vejo como desafio combater a desinformação. Muitas vezes, as pessoas chegam ao consultório com medo ou com informações incompletas sobre obesidade, cirurgia bariátrica ou doenças digestivas. Parte do nosso trabalho é orientar corretamente e mostrar que a medicina moderna evoluiu muito em segurança e resultados.

Como você percebe a área hoje e o que nota como evolução daqui pra frente?

A cirurgia vive um momento de transformação muito importante. A tendência é termos procedimentos cada vez menos invasivos, com menor dor, recuperação mais rápida e maior segurança.

A videolaparoscopia avançada e a cirurgia robótica vieram para mudar definitivamente a forma como operamos. Hoje, já conseguimos realizar cirurgias extremamente complexas através de pequenas incisões, algo que anos atrás parecia impossível. Tenho orgulho de ter participado desse movimento na região, realizando procedimentos avançados por vídeo que ainda são feitos por poucos profissionais.

Na cirurgia bariátrica, também percebo uma evolução muito grande. Hoje, entendemos a obesidade como uma doença complexa e multifatorial, e a cirurgia bariátrica deixou de ser apenas uma questão estética para se tornar um tratamento metabólico extremamente importante, capaz de melhorar diabetes, hipertensão, apneia do sono e qualidade de vida. Acredito que o futuro da cirurgia será cada vez mais tecnológico, personalizado e focado em recuperação rápida e segurança do paciente.

Textos: Bibiana Faleiro

Diagramação: Lautenir Junior Coordenação: Felipe Neitzke

EDITORIAL

Há um tipo de dívida que não aparece no extrato bancário, mas cobra juros altos diariamente. Ela está presente no sono interrompido, na irritação do dia a dia, nas discussões em casa, que começam por pequenas despesas e terminam em exaustão. Está no constrangimento de quem evita abrir o aplicativo do banco, na ansiedade de fazer contas mentais antes mesmo do fim do mês. A saúde financeira tornouse questão de saúde pública. E é sobre isso que conversamos hoje neste caderno. Durante muito tempo, falar sobre dinheiro esteve restrito a planilhas, índices de inflação e capacidade de consumo. Mas, hoje, finanças e bem-estar ocupam o mesmo espaço emocional. O peso do endividamento, da perda do poder de compra e da insegurança econômica afeta relações, produtividade, autoestima e saúde mental. Nesse cenário, cresce o número de pessoas que carregam sintomas de ansiedade, insônia e estresse associados à vida financeira.

O fenômeno, porém, não se limita a quem enfrenta dificuldades severas. O sofrimento financeiro também aparece mascarado pelo desejo de pertencimento, especialmente nas redes sociais. Consome-se para parecer bem, para acompanhar um padrão, para não ficar para trás. O crédito amplia possibilidades, mas também esconde consequências. E a sensação de escassez, curiosamente, pode persistir até mesmo entre aqueles que já alcançaram estabilidade.

Famílias que evitam o assunto, seja por vergonha, tabu ou medo, frequentemente transferem para a vida adulta uma relação pouco saudável com planejamento e responsabilidade.

Organizar a vida financeira não significa abrir mão de tudo. Significa, antes, escolher conscientemente. Entender que liberdade não nasce do impulso, mas da previsibilidade. Não do excesso, mas do equilíbrio. Boa leitura! O sofrimento financeiro também aparece mascarado pelo desejo de pertencimento, especialmente nas redes sociais.”

Um olhar sobre nosso maior patrimônio

Os efeitos da pressão financeira sobre a saúde

Especialistas

defendem organização, educação financeira e autoconhecimento como caminhos de equilíbrio

Em meio ao aumento do endividamento, da pressão por consumo e da insegurança econômica, cresce o número de pessoas que convivem com ansiedade, culpa, insônia e desgaste emocional provocados pelas finanças. Entre boletos, comparações nas redes sociais e medo do futuro, especialistas alertam que o desequilíbrio financeiro pode comprometer não apenas o orçamento, mas também a saúde mental, os relacionamentos e a qualidade de vida.

A relação entre dinheiro e bem-estar vai muito além da conta bancária. Na prática clínica, a psicóloga Raquel Corrêa observa um aumento recorrente de pacientes que chegam ao consultório impactados pelo peso emocional das finanças, seja pelo endividamento, pela insegurança financeira ou pelo medo constante de perder estabilidade.

“Quando a relação com o dinheiro vira preocupação permanente, a mente entra em estado de alerta”, explica. Segundo ela, a pressão financeira pode desencadear ansiedade, irritabilidade, culpa, dificuldade para dormir, sensação de fracasso e até sintomas físicos relacionados ao estresse, como dores musculares, fadiga e alterações no apetite.

Em meio às redes sociais, essa comparação fica cada vez

Quando a relação com o dinheiro vira preocupação permanente, a mente entra em estado de alerta”

Raquel Corrêa psicóloga

mais evidente. Na avaliação da psicóloga, esse ambiente de comparação permanente pode estimular um comportamento semelhante ao das compulsões. O consumo passa a funcionar como uma resposta emocional.

“O cérebro entende aquilo como alívio. Eu estou triste, ansioso, frustrado, compro algo e me sinto melhor. O problema é que a emoção continua ali”, explica. Depois da satisfação momentânea, surge outro desconforto: arrependimento, culpa e preocupação financeira. “A pessoa se condiciona a repetir esse comportamento porque funcionou por alguns minutos. E é aí que mora o risco”.

Segundo Raquel, o problema não está no prazer de consumir, mas no excesso e na função emocional desse consumo. Comprar, viajar, comer bem ou se presentear não são atitudes prejudiciais por si só. A questão

O primeiro passo para o equilíbrio financeiro não é necessariamente investir, mas construir segurança”

surge quando isso vira uma tentativa recorrente de compensar tristezas, aliviar ansiedade ou preencher vazios emocionais.

Desde cedo

A origem dessa relação emocional com o dinheiro, explica a psicóloga, costuma começar cedo. A forma como cada pessoa cresceu observando os pais lidarem com recursos financeiros molda crenças e comportamentos na vida adulta. “O dinheiro carrega memórias emocionais. O que ouvimos na infância sobre falta, recompensa, medo ou conquista vai criando significados internos”, diz.

Educação financeira

O assessor de investimentos Frederico Schmitz também percebe o quanto o endividamento passou a influenciar diretamente o bem-estar das famílias. Com boa parte dos brasileiros convivendo com dívidas e perda do poder de compra, ele observa que a instabilidade financeira frequentemente se traduz em ansiedade, estresse, baixa produtividade no trabalho e conflitos familiares. “Quando a pessoa não consegue organizar a vida financeira, isso acaba impactando no relacionamento, no desempenho profissional e na

O peso das dívidas e da insegurança financeira tem levado cada vez mais pessoas a buscar apoio psicológico

saúde mental como um todo”, afirma.

Embora fatores como inflação, renda limitada e juros elevados influenciam o cenário financeiro do país, Schmitz chama atenção para um elemento que considera decisivo: o comportamento diante do dinheiro. Segundo ele, a organização financeira nem sempre está ligada ao tamanho do salário. “Vejo pessoas com renda mais modesta conseguindo

guardar parte do que ganham com disciplina, enquanto outras, com rendimentos muito altos, chegam ao fim do mês sem sobra alguma”, observa. Na visão do assessor, um dos principais desafios é a ausência de educação financeira desde cedo. Ele acredita que o tema ainda é tratado como tabu dentro das famílias brasileiras, onde falar sobre dinheiro costuma ser evitado ou cercado

FOTOS: PAULO CARDOSO

Atitudes práticas

• Evite decisões financeiras no impulso: momentos de ansiedade, raiva ou tristeza favorecem compras emocionais. Antes de gastar, espere algumas horas ou dias e reavalie a necessidade.

• Diferencie desejo de necessidade: pergunte-se “eu preciso disso agora ou estou tentando aliviar uma emoção?” O consumo impulsivo costuma oferecer alívio curto e consequências longas.

• Conheça sua realidade financeira: anote gastos, organize contas e entenda quanto realmente entra e sai do orçamento. Clareza reduz ansiedade.

• Crie uma reserva, mesmo pequena: guardar pouco ainda é melhor do que não guardar nada. O hábito de economizar fortalece a sensação de segurança.

• Reduza o excesso de parcelamentos: muitas compras pequenas podem virar uma dívida difícil de controlar. Quanto mais visível o gasto, maior a consciência financeira.

• Converse sobre dinheiro em casa: silêncio, vergonha ou culpa costumam agravar conflitos. Transparência ajuda casais e famílias a planejarem juntos.

• Reavalie comparações nas redes sociais: nem todo padrão de vida exibido online corresponde à realidade. Comparar bastidores com vitrines aumenta frustração e pressão financeira.

ajuda a construir adultos mais conscientes.

Outro ponto de alerta está no uso do crédito. Cartões, parcelamentos e limites bancários frequentemente são interpretados como extensão da renda, o que favorece gastos incompatíveis com a realidade financeira. O profissional compara o fenômeno a uma espécie de anestesia do consumo. “Quando o dinheiro está no cartão, ele parece menos real. Passar R$ 250 no crédito é diferente de tirar esse valor da carteira e enxergar o dinheiro indo embora”, comenta. Por isso, especialmente para quem enfrenta dificuldades de organização, ele recomenda reduzir parcelamentos e tornar os gastos mais visíveis, seja por meio do Pix, anotações ou controle diário das despesas.

Para o especialista, o primeiro passo para o equilíbrio financeiro não é necessariamente investir, mas construir segurança. Ele orienta que as pessoas formem uma reserva de emergência equivalente a pelo menos seis meses do custo de vida antes de pensar em aplicações de longo prazo. Essa reserva, explica, funciona como proteção diante de imprevistos e evita a necessidade de novas dívidas.

Ainda assim, ele reforça que nunca é tarde para começar. Mesmo pequenas quantias, guardadas com consistência, podem transformar a relação com o dinheiro ao longo do tempo. Ele costuma incentivar uma lógica simples: separar um percentual fixo da renda para o “eu do futuro”, mesmo que inicialmente seja pouco. “Ter alguma coisa é sempre melhor do que não ter nada. O hábito vale mais do que o valor no começo”, afirma.

A falta desse planejamento, alerta Schmitz, costuma cobrar um preço elevado na velhice. Com aumento nos custos de saúde, medicamentos e cuidados permanentes, envelhecer sem reserva financeira pode ampliar situações de vulnerabilidade e sofrimento emocional. “Ficar velho custa caro. E muita gente chega nessa fase trocando o almoço pela janta porque não conseguiu se organizar antes”, afirma. Na avaliação do assessor exige consciência, informação e disposição para enfrentar desconfortos temporários. “A dor da escolha financeira existe. Às vezes, abrir mão agora evita um sofrimento muito maior lá na frente”, conclui. de crenças negativas. “Existe uma construção cultural de que dinheiro é algo ruim ou associado a comportamentos errados. Isso faz com que as pessoas deixem de conversar e de educar financeiramente os filhos”, afirma. O reflexo aparece na vida adulta, quando muitos crescem sem compreender limites de

consumo, planejamento ou o real valor do dinheiro.

Schmitz defende que a educação financeira deve começar na infância, com conversas sobre esforço, escolhas e limites. Segundo ele, a criança precisa entender de onde vem o dinheiro e que ele não é um recurso infinito. “Dinheiro não é um fim, é um meio. Quando os pais evitam dizer ‘não’ ou tentam compensar ausências com presentes, acabam criando uma percepção distorcida sobre consumo”, explica. Para ele, ensinar o valor das pequenas economias e criar o hábito de guardar desde cedo

Organização financeira e educação desde a infância ajudam a prevenir o endividamento e reduzir impactos emocionais ao longo da vida

Como se manifesta o borderline

Marcado por impulsividade e instabilidade emocional, transtorno ainda é cercado por desinformação e dificuldade diagnóstica

Para algumas pessoas, um compromisso cancelado pode ser vivido como ruptura. Uma despedida cotidiana ganha peso de adeus, e um simples “não” é capaz de desencadear um ataque de fúria. Não por exagero, mas porque as emoções operam em estado constante de alerta.

É assim que pacientes descrevem a experiência de viver com o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), condição psiquiátrica marcada por instabilidade emocional, impulsividade e relações interpessoais turbulentas.

Embora afete cerca de 3% da população, o transtorno ainda é frequentemente incompreendido, subdiagnosticado e cercado por estigmas. A psiquiatra

Aline Machado Oliveira (CRM 33319 | RQE 28041) afirma que muitos pacientes passam anos sem receber o encaminhamento adequado.

“Frequentemente, essas pessoas são vistas apenas como difíceis de lidar emocionalmente, quando na verdade existe um sofrimento psíquico importante por trás daquele comportamento”, explica.

Características

Segundo a especialista, o borderline é um transtorno de personalidade caracterizado por instabilidade emocional persistente, impulsividade e relações interpessoais intensas e instáveis.

“Esses pacientes vivem em estado constante de insegurança emocional. Eles sentem tudo

de maneira muito intensa e dolorosa”, afirma Aline. Não raro, essa intensidade se traduz em episódios de descontrole emocional, impulsividade, automutilação e comportamentos autodestrutivos.

Até 80% dos pacientes apresentam algum comportamento autolesivo ao longo da vida e, destes, cerca de 10% evoluem para morte autoinfligida, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria.

A dificuldade em lidar com frustrações e limites também faz parte do quadro. “Existe uma dificuldade importante em compreender que o outro possui limites e necessidades próprias. Quando isso entra em conflito com as expectativas do paciente, o sofrimento pode ser muito intenso”, pontua.

Razões

Hoje, sabe-se que o transtorno não possui uma única causa. A combinação entre predisposição genética, alterações cerebrais relacionadas à regulação emocional e experiências traumáticas na infância costuma estar presente em boa parte dos casos.

Históricos de abusos, negligência severa, ausência de validação emocional e ambientes familiares marcados por instabilidade aparecem entre os fatores de risco mais comuns.

“O indivíduo nasce com uma predisposição biológica para o transtorno, que será ativada pelo ambiente estressante”, explica a psiquiatra.

Esses pacientes vivem em estado constante de insegurança emocional. Eles sentem tudo de maneira muito intensa e dolorosa”

Tratamento

Apesar dos impactos profundos na vida afetiva, social e profissional, o borderline possui tratamento.

O acompanhamento psiquiátrico, a psicoterapia e, em alguns casos, o uso de medicações fazem parte dos pilares terapêuticos. A participação da família também é considerada essencial no processo.

Com tratamento adequado e amadurecimento emocional, os sintomas tendem a diminuir ao longo da vida. “O paciente pode aprender a reconhecer emoções, desenvolver estratégias de regulação emocional e construir relações mais saudáveis”, conclui.

Aline Machado Oliveira psiquiatra
Sofrimento psíquico intenso está entre os principais sinais do transtorno

Comer no frio: conforto e equilíbrio podem andar juntos

Com a chegada das temperaturas mais baixas, é natural que o corpo peça refeições mais quentes e confortantes. Sopas, caldos, cremes e preparações mais encorpados passam a fazer parte da rotina de muitas pessoas, trazendo sensação de acolhimento e bem-estar.

No entanto, o frio também costuma vir acompanhado de um aumento na vontade de consumir alimentos mais calóricos, ricos em açúcar e gordura. “Isso acontece porque refeições quentes e mais densas geram sensação de prazer e conforto, especialmente em dias mais corridos ou cansativos”, afirma a nutricionista Juliette Carvalho.

A boa notícia é que é possível encontrar equilíbrio sem abrir mão do sabor. Preparações simples e nutritivas conseguem oferecer saciedade, aquecer o corpo e ainda contribuir para uma alimentação mais equilibrada. O segredo está na composição das refeições: incluir vegetais, proteínas, fibras e boas fontes de gordura ajuda a manter a saciedade por mais tempo e evita exageros ao longo do dia. Outro ponto importante durante o frio é a hidratação. Muitas pessoas acabam diminuindo o consumo de água por sentirem menos sede, mas o organismo continua precisando de hidratação adequada para o bom funcionamento do metabolismo, da digestão e até da disposição no

Receita

Creme de abóbora com frango

Ingredientes:

- 2 xícaras de abóbora picada

- 1 filé de frango desfiado

- 1/2 cebola picada

- 1 dente de alho

- 500 ml de água

- Sal e temperos a gosto

- Fio de azeite

Modo de preparo

Refogue a cebola e o alho no azeite. Acrescente a abóbora e a água, cozinhando até ficar macia. Bata no liquidificador até formar um creme. Volte para a panela, adicione o frango desfiado e ajuste os temperos.

dia a dia.

Além disso, refeições quentes podem ser uma excelente oportunidade para aumentar o consumo de legumes e verduras, principalmente em preparações como sopas, cremes e caldos caseiros. Quando bem planejadas, essas refeições deixam de ser apenas “leves demais” e passam a ser completas, nutritivas e muito saborosas.

Mais do que seguir restrições, o ideal é adaptar a alimentação à estação de forma equilibrada e possível dentro da rotina.

“Comer bem no frio não significa abrir mão do conforto, significa aprender a encontrar versões mais nutritivas para aquilo que já faz parte do dia a dia.”

Um olhar sobre nosso maior patrimônio

Pornografia compulsiva cresce e impacta relações afetivas

Ginecologista e sexóloga Luise Secco alerta para os impactos do consumo excessivo de conteúdo adulto na intimidade, no comportamento e na saúde emocional

Oque começou como curiosidade na adolescência acabou se transformando em um hábito compulsivo. Aos 25 anos, José Silva, nome fictício, relata que a pornografia passou a ocupar espaço frequente na rotina, especialmente em períodos de ansiedade e frustração. “Quando percebi, o consumo já fazia parte do meu dia a dia, provocando sentimento de culpa e dificuldade de controle”, conta. Embora muitas vezes tratado como um hábito comum, o consumo excessivo já é visto por especialistas como uma questão de saúde mental. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o quadro está relacionado à dificuldade de controlar impulsos sexuais mesmo diante de prejuízos emocionais, sociais e profissionais.

Entre os jovens brasileiros, os números chamam atenção. Uma pesquisa realizada pela plataforma Papo de Homem em

parceria com o Instituto PDH, com mais de 20 mil participantes, mostrou que 26% dos adolescentes se declararam viciados em pornografia. Entre adultos, 23% relataram consumo considerado problemático.

De acordo com a ginecologista e sexóloga Luise Secco (CRM 47634 | RQE 44102), o consumo frequente de pornografia ativa os circuitos de recompensa do cérebro, especialmente aqueles ligados à dopamina, neurotransmissor associado ao prazer e à motivação.

“O sinal de alerta aparece quando o uso deixa de ser ocasional e passa a ocupar espaço excessivo na rotina. Em algumas pessoas, o cérebro passa a buscar estímulos cada vez mais intensos ou frequentes para atingir o mesmo nível de excitação”, explica.

Conforme Luise, o consumo excessivo pode alterar a percepção sobre sexo e intimidade, principalmente quando o contato com a pornografia acontece precocemente ou passa a funcionar como principal fonte de aprendizado sobre sexualidade.

“A pornografia costuma apresentar um sexo roteirizado, performático e muitas vezes distante da realidade emocional e corporal das relações humanas”, destaca a especialista.

A sexóloga acrescenta que, com o tempo, algumas pessoas passam

Luise Secco sexóloga

a criar expectativas irreais sobre aparência física, desempenho, frequência sexual e respostas do parceiro, dificultando a construção de intimidade e conexão afetiva.

Os sintomas descritos pela profissional foram identificados por Silva. A percepção do problema surgiu quando o hábito começou a interferir diretamente na vida afetiva.

“Passei a notar dificuldade em me conectar emocionalmente nas relações. Foi quando entendi que não era apenas entretenimento ocasional, mas um comportamento compulsivo”, diz.

Segundo Luise, o primeiro passo para reduzir a dependência é reconhecer que existe um problema.

O tratamento envolve principalmente psicoterapia, especialmente abordagens voltadas à compreensão de padrões emocionais, impulsividade, ansiedade e mecanismos de compulsão.

José Silva relata que o consumo começou na adolescência e passou a afetar a rotina e os relacionamentos

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