Quinta-feira, 16 de abril de 2026 | Ano 23 - Nº 4077 | R$ 5,00 (dia útil) R$ 9,00 (fim de semana)
Impacto do distanciamento entre Gláucia e ala do PP ainda é uma incógnita.
OPINIÃO | VINI BILHAR
Troca de ideias e experiências
Reload Sindilojas convida setor do varejo a sair do automático e repensar estratégias.
OPINIÃO | FILIPE FALEIRO
Resultados insatisfatórios
Ranking de alfabetização mostra que apenas 11 cidades do Vale superaram meta para 2025.
Setor primário sustenta economia
Quatro cidades do Vale comemoram hoje aniversário de 30 anos de emancipação. Todas têm a atividade no campo como carro-chefe
Com emancipação oficializada em 16 de abril de 1996, Canudos do Vale, Coqueiro Baixo, Forquetinha e Westfália celebram 30 anos de autonomia e projetam novos ciclos de expansão. Trajetórias são marcadas pela união comunitária, valorização das origens e consolidação de economias fortes, baseadas principalmente na agricultura. Mesmo em contextos diferentes,
os quatro municípios surgiram da necessidade de melhorar o atendimento à população e qualificar os serviços públicos. A distância dos principais centros administrativos e a demanda por decisões locais motivaram essas movimentações. Ao longo dos anos, as administrações estruturaram redes de ensino, serviços de saúde e obras de infraestrutura. PÁGINA | 3
A DESASTRES
Projetos de novas ruas, pontes e muros de contenção mobilizam as cidades de Encantado, Roca Sales, Relvado e Coqueiro Baixo. As intervenções visam criar rotas
estratégicas, além de servir como contenção de encostas e proteção de áreas ribeirinhas. Medidas inte gram plano de reconstrução após cheias em 2023 e 2024.
O avanço no diagnóstico de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas redes municipais de ensino expõe desafios para os municípios do Vale do Taquari. Garantir inclusão e acompanhamento com estrutura, além de profissionais especializados diante de uma demanda crescente são os principais deles. É o que aponta a pesquisa do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre política educacional. Conforme o relatório, o número de alunos com diagnóstico aumentou 78,8% entre 2023 e 2025 no RS.
PÁGINAS | 6 e 7
LAUTENIR
DIVULGAÇÃO
A realidade da inclusão
Com o crescimento dos diagnósticos de autismo nas redes municipais, o tema passa a ocupar um papel importante na gestão educacional, além de redesenhar a rotina das escolas e exigir outro nível de organização.
Pelo relatório do Tribunal de Contas do Estado, o Vale apresenta um sistema em adaptação. De fato, os municípios construíram bases, seja pela adesão quase total ao programa TEAcolhe, bem como no investimento das salas de recursos no Ensino Fundamental e com a organização de redes, como a de Lajeado, que indicam que há método, acompanhamento e esforço contínuo para dar conta da inclusão.
A escola é um retrato da sociedade, com o diferencial de que é no espaço institucional que se consolidam ideias de civilidade, cidadania e respeito”
O ponto de tensão aparece na capacidade de atendimento especializado. A fila para professores especializados revela um limite objetivo. A demanda cresce em velocidade maior do que a formação e a disponibilidade desses profissionais. O resultado se traduz em espera e sobrecarga.
A escola é um retrato da sociedade, com o diferencial de que é no espaço institucional que se consolidam ideias de civilidade, cidadania e respeito. Conceitos que vão além do conteúdo programático, das disciplinas e aprendizados básicos. Em resumo, se aprende a conviver.
Diferente de décadas passadas, a escola não é mais exclusiva, em que alunos com necessidades especiais ficavam segregados. Agora é inclusão. E, para ser justa, é preciso observar capacidades e carências de cada um dos alunos. Os passos para tanto, passam por um modelo capaz de sustentar padrão técnico com acolhimento e com continuidade.
à Fundado em 1º de julho de 2002 Vale do Taquari - Lajeado - RS
Av. Benjamin Constant, 1034, Centro, Lajeado/RS grupoahora.net.br / CEP 95900-104
Os artigos e colunas publicados não traduzem necessariamente a opinião do jornal e são de inteira responsabilidade de seus autores. Impressão Zero Hora Gráfica
AntonioFrigeri,eirmão de Lucas Antonio Coser Frigeri,ojovemtransita entre influências clássicas emodernasparaconstruir umaescritaquebusca,ao mesmotempo,inquietare provocarreflexão
Fedrizzi diogo@grupoahora.net.br
Como surgiu o interesse por escrever livros?
Eu diria que o interesse pela escrita advém do interesse pela literatura, o que não é o meu caso em particular. Antes mesmo de começar a ler assiduamente, eu dizia aqui em casa que queria ser escritor. A gênese desse desejo eu já não entendo. Sou um pouco cético em relação a isso, mas talvez eu tenha essa vocação naturalmente. Digo que sou cético quanto à minha vocação porque, até chegar a um bom resultado com meus textos, tive que escrever muita abobrinha.
Quais são suas referências literárias?
Busco referência nos autores clássicos: desde os modernos até os clássicos dos clássicos. Quando comecei a escrever, queria incorporar Edgar Allan Poe e Stephen King nos meus textos. Conforme fui crescendo, percebi um novo horizonte a partir dos clássicos. Este último livro é uma amálgama de estilos narrativos. Há capítulos em primeira pessoa que buscam a epítome do narrador machadiano; os capítulos em terceira pessoa buscam a beleza sublime dos textos de Tolstói; e há capítulos em que tudo é uma bagunça, como um
fluxo de consciência de James Joyce. Há um pouco de Virgílio aqui e ali também. Não há nada de Dostoiévski no estilo, mas tudo de Dostoiévski no conteúdo.
O que te inspirou a escrever “Amar e Poder”?
Esse livro é o oposto do anterior. Enquanto em “O Tolo da Colina” eu me preocupava em expor problemas sociais, com “Amar e Poder” eu decidi abordar problemas intrínsecos ao ser humano. Percebi que de nada adianta buscar resolver problemas sociais enquanto não houver uma visão metafísica que diga o que é certo e o que é errado. O protagonista de “Amar e Poder”, Marco Antônio, possui uma visão nebulosa sobre a vida: não há amor, o bem e o mal são estruturas de poder. Ele se aproxima de uma menina da sua turma que possui uma visão oposta, e o resto do livro se resume a um conflito dialético entre o relativismo e o racio-
nalismo. É uma questão muito mais interna, pois a ética depende de um firmamento metafísico, seja ele relativista ou racionalista.
Que dica você dá para adolescentes e jovens que têm interesse em iniciar na produção literária?
O primeiro passo é tornar-se um bom leitor. Não é possível escrever um bom livro sem antes ter contato com os principais temas abordados na literatura, muito menos sem acomodar-se à estética literária. Não há maneira melhor de obter-se um panorama da leitura e da escrita do que através dos mais exímios poetas da língua portuguesa: Camões, Bocage, Fernando Pessoa, Olavo Bilac e Manuel Bandeira; depois de formar uma base literária, recomendo a leitura da prosa clássica em língua lusitana e estrangeira. E, depois de muita análise dos gênios, a expressão literária ocorrerá de maneira natural e exímia.
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Diogo Daroit
ARQUIVO PESSOAL
DA DEPENDÊNCIA
À AUTONOMIA
Municípios celebram três décadas de história
Com emancipação em 16 de abril de 1996, Canudos do Vale, Coqueiro Baixo, Forquetinha e Westfália destacam trajetória ligada à agricultura e projetam novos ciclos de desenvolvimento. Programações de comemoração incluem festas comunitárias e escolhas de soberanas
Trajetórias marcadas pela união comunitária, valorização das origens e consolidação de economias fortes, baseadas principalmente na agricultura. Com emancipação oficializada em 16 de abril de 1996, Canudos do Vale, Coqueiro Baixo, Forquetinha e Westfália celebram 30 anos de autonomia e projetam novos ciclos de expansão. Mesmo em contextos diferentes, os quatro municípios surgiram da necessidade de melhorar o atendimento à população e qualificar os serviços públicos. A distância dos centros administrativos e a demanda por
decisões locais motivaram essas movimentações. Ao longo dos anos, as administrações estruturaram redes de ensino, serviços de saúde e obras de infraestrutura.
Base econômica
O crescimento populacional acompanha esse movimento. Embora o desenvolvimento tenha mudado o cenário, os municípios ainda mantêm a base econômica na agricultura. A produção de grãos, leite, suínos e aves concentra parte significativa da renda de cada cidade.
O cenário se reflete de forma particular em cada local. Em Forquetinha, o prefeito Vianei Noll destaca a trajetória marcada pela organização da produção rural como
ponto de partida do crescimento do município, com incentivo à diversificação e investimentos em infraestrutura voltada ao campo no período mais recente.
Entre as ações desenvolvidas, estão o apoio à produção de silagem, com subsídios para o processo na própria propriedade, além de serviços como terraplanagem para implantação de chiqueiros, aviários e estufas.
Na avaliação dele, a agilidade na liberação de licenças ambientais também contribui para viabilizar novos empreendimentos rurais.
Em Canudos do Vale, a base econômica também está concentrada no setor primário. Segundo o prefeito Maico Berghahn a atividade no campo corresponde a 95% da arrecadação municipal. “Agora precisamos garantir condições para quem produz e investir em infraestrutura. Estradas, acessos e logística são fundamentais para viabilizar a produção”, avalia.
Diferente de outros municípios, Westfália apresenta uma economia que combina produção agrícola com indústria e serviços.
O prefeito Juliano Bloemker relaciona os avanços à autonomia
administrativa conquistada com a emancipação. “A administração incentiva a modernização das propriedades, ao mesmo tempo que busca avançar na diversificação econômica”, frisa.
Para o futuro, ele projeta uma agricultura cada vez mais forte, tecnológica e valorizada, aliada a um ambiente favorável ao empreendedorismo e à inovação.
Desafios
Os municípios também enfrentam desafios. A sucessão familiar no campo, o aumento da população idosa e a necessidade de ampliar alternativas econômicas aparecem entre os principais pontos. As gestões discutem estratégias para permanência de jovens no meio rural, com incentivo à qualificação e acesso à tecnologia. Entre os desafios, Bloemker cita a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura, sobretudo em estradas do interior, e
fortalecer a economia com incentivo a empreendedores. “Trabalhamos na criação de oportunidades para que jovens permaneçam em Westfália, com acesso a emprego, renda e perspectiva de crescimento”, ressalta.
Já o prefeito de Canudos aponta mudanças demográficas como fator de atenção. “Há aumento da população idosa, o que impacta a dinâmica do município e exige planejamento em saúde, assistência e serviços. Portanto, manter o jovem no campo também surge como uma adversidade.”, afirma.
Celebrações
As comemorações pelos 30 anos de emancipação mobilizam as comunidades com programações que reúnem atos oficiais, atividades culturais e eventos comunitários. Em Westfália, a celebração ocorreu entre os dias 19 e 22 de março. A programação incluiu feira comercial, industrial, agropecuária e de serviços.
Em Canudos do Vale, a programação inclui, a partir das 9h, ato cívico e solene, com momentos de reconhecimento à trajetória do município e participação da comunidade em atividades comemorativas ao longo do dia. Já em Forquetinha, as atividades envolvem programação festiva no sábado, 18, com desfile e escolha de soberanas, seguida de baile comunitário.
Em Coqueiro Baixo, a programação também contempla atividades comunitárias, atos institucionais e encontros voltados à valorização da trajetória local.
VALE DO TAQUARI
Karine Pinheiro karine@grupoahora.net.br
Setor primário corresponde a 95% da arrecadação em Canudos do Vale
Economia de Westfália combina produção agrícola com indústria e serviços
Coqueiro Baixo terá programação especial voltada aos 30 anos
Gláucia, o PP e a governabilidade
Opartido Progressistas venceu os últimos três pleitos municipais em Lajeado e mesmo assim o momento é dos mais delicados. E eu explico. A relação da prefeita Gláucia Schumacher – e de parte da sua equipe – com alguns políticos e correligionários de uma das alas da chamada “velha guarda” do PP nunca foi de proximidade e confiança. Pelo contrário. Mesmo à frente do gabinete de vice-prefeita durante oito anos, a atual gestora municipal nunca fez questão de manter intimidade e diálogo com todos os agentes do partido. E isso faz parte do jogo – e do perfil. Ora, ninguém é obrigado a cotejar a todos e isso funciona em grandes corporações, pequenas empresas, famílias e tudo mais. Não seria diferente em uma agremiação partidária com seus mais distintos propósitos, desejos e ambições. Pois bem. O “problema”
é que esse distanciamento foi levado em conta na consolidação da chapa vencedora e prevaleceu após a eleição de Gláucia, em outubro de 2024, com a escolha dos novos secretários, CCs e afins. Já era um alerta à governabilidade. Afinal, quem ajuda na campanha costuma aguardar um afago. Para piorar, veio a CPI das Obras e, na sequência, os desdobramentos, prisões e afastamentos da Operação Lamaçal. As duas ações expuseram e derrubaram agentes (e ex-agentes) tradicionais do PP e a prefeita não se mostrou disposta a protegê-los. Pelo contrário. O atual governo busca se desvencilhar das recentes nomeações, suspeitas e erros, e promete “varrer a sujeira dos outros” – ou “ajustar a casa”. Uma postura aplausível aos eleitores, sim, mas cujo impacto na governabilidade será uma incômoda incógnita à gestora.
rodrigomartini@grupoahora.net.br
RODRIGO MARTINI
Citado na CPI, Caumo (também) aguarda relatório
Ex-prefeito de Lajeado e exsecretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, Marcelo Caumo (União Brasil) vive momentos de angústia. Além de aguardar os próximos passos da Operação Lamaçal, que provavelmente avançará para o indiciamento dele ao Ministério Público, o ex-gestor municipal também aguarda pela conclusão do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga supostas obras irregulares entre 2024 e 2025. Afinal, ele foi citado (sem provas) pelo denunciante Gilberto de Vargas, mas não foi chamado para eventual defesa.
OPERAÇÃO LAMAÇAL
- A Elog anuncia a instalação de uma empresa do setor de areia e concretagem no complexo portuário de Estrela. E as informações iniciais dão conta de uma isenção de aluguel por 12 meses.
- Em Taquari, o vereador Leco (Avante) anunciou na sessão de segundafeira que vai encaminhar denúncia ao Ministério Público contra os serviços da Corsan/Aegea. Segundo ele, são constantes as reclamações de desabastecimento de água, e cobranças abusivas e duplicadas.
- A Famurs entregou ao governador Eduardo Leite pedido de reajuste dos valores repassados pelo Estado para o transporte escolar nos municípios. Conforme a entidade, os recursos estaduais já eram insuficientes e ficaram mais defasados com a elevação do petróleo em razão da guerra no Irã.
- O Vale do Taquari já possui mais de 15 pré-candidatos a deputado estadual e federal. E não havia como ser diferente com eleições de dois em dois anos. Afinal, é claro e notório que muitos agentes políticos se engajam nas eleições gerais para buscar um “trampolim” às eleições municipais.
Vavá cobra informações sobre secretária afastada
Vereador mais votado na história de Lajeado, Vavá (MDB) compareceu à sede do Ministério Público da Comarca de Lajeado às 13h33min de terça-feira para apresentar um questionamen-
to referente ao afastamento da Secretária de Serviços Urbanos, Elisete Mayer, uma das investigadas na Operação Lamaçal da Polícia Federal. Segundo ele, “há dúvidas sobre a licitude do
recebimento da remuneração” por parte da servidora, já que ela foi afastada de forma cautelar pela justiça. No entanto, o MP reforçou se tratar de decisão da Justiça Federal e sugeriu a remessa dos
questionamentos ao Ministério Público Federal. E o Executivo se manifestou em nota oficial enviada pela assessoria de imprensa. “A administração municipal cumpriu o que foi determinado pela ordem
Nosso peregrino das quintasfeiras conheceu uma singela igreja evangélica no interior de Sério, na Linha Sete de Setembro. A edificação é de 1964.
judicial. Somente após cessado o prazo de 60 dias desta decisão judicial o município poderá tomar medidas no âmbito administrativo”. E o prazo se encerra em menos de duas semanas.
OBRAS EM LAJEADO
INCLUSÃO E ENSINO
Vale combina avanço em políticas e carência de profissionais
Relatório do TCE mostra crescimento acelerado de diagnósticos de autismo, estrutura nas redes municipais em desenvolvimento e gargalo no número de professores com qualificação
Filipe Faleiro filipe@grupoahora.net.br
Lautenir Junior Colaboração
VALE DO TAQUARI
Oavanço no diagnóstico de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas redes municipais de ensino expõe desafios para os municípios do Vale do Taquari: garantir inclusão, acompanhamento com estrutura, junto de profissionais especialistas frente a uma demanda crescente. Esse é um resumo da pesquisa do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre política educacional para crianças com o transtorno. Conforme o relatório, o número de alunos com diagnóstico aumentou 78,8% entre 2023
O aumento é real. Temos, na maioria, o nível um de suporte. Temos nível dois e nível três, em menor número. Mas o nível um aparece muito.”
MARIA NEUSA DOS SANTOS A SUPERVISORA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL/ INCLUSIVA DE LAJEADO
e 2025 no RS. Hoje, são 41,8 mil crianças que demandam atendimento educacional especializado, além de outras 8,9 mil ainda em investigação.
Na região dos Vales, que reúne municípios do Vale do Taquari e do Rio Pardo, o cenário combina avanços institucionais com dificuldades operacionais. Ao mesmo tempo em que há forte adesão a programas estaduais e parcerias com universidades, existe carência de professores com qualificação para esse atendimento.
Dos 62 municípios analisados nas regiões, são mais de 58,8 mil alunos na Educação Infantil e nos anos iniciais, 14,5% relatam fila de espera para atendimento
por professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE), índice acima da média estadual, de 9,9%.
Em contrapartida, o acesso a profissionais de apoio escolar apresenta desempenho melhor que o restante das cidades gaúchas. Apenas 3,2% dos municípios dos Vales registram fila para monitores, frente a 11,1% na média gaúcha. Outro indicador é a integração com a área da saúde. A adesão ao programa estadual TEAcolhe chega a 96,8% na região, uma das mais altas do RS, o que indica maior organização nos encaminhamentos e no suporte às famílias.
Barreira no diagnóstico
O TCE aponta fragilidade estrutural. Apenas 8,8% dos municípios gaúchos têm protocolos para identificar sinais de TEA na Educação Infantil. Na prática, o reconhecimento inicial ainda depende da percepção individual dos professores.
A ausência de integração entre áreas também compromete o atendimento. Em 70,6% das redes municipais, não há articulação permanente entre educação, saúde e assistência social, o que
dificulta o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo dos alunos.
O impacto desse cenário aparece no tempo de espera por laudo. Em 41% dos municípios, as famílias aguardam entre seis meses e um ano para confirmação do diagnóstico. Em cidades maiores, o prazo pode ultrapassar esse período, comprometendo intervenções na fase mais sensível do desenvolvimento infantil.
Pressão nas redes municipais
Em Lajeado, o crescimento da demanda confirma o movimento identificado pelo TCE. A supervisora da Educação Especial/Inclusiva, Maria Neusa dos Santos, relata aumento expressivo nas matrículas e mudança no perfil dos alunos atendidos.
“Vem em uma crescente. A gente está surpresa com tanto aumento. Tivemos também muitas matrículas de alunos que vieram de outros municípios atingidos pela enchente”, afirma. Segundo ela, apenas no início deste ano, 62 crianças com laudo
de TEA saíram da Educação Infantil e ingressaram no Ensino Fundamental. No mesmo período, outras 22 matrículas de alunos com TEA foram registradas. Os dados da rede municipal mostram a evolução nos últimos anos. No Ensino Fundamental, o número de alunos com diagnóstico passou de 73 em 2022 para 267 em 2026. Na Educação Infantil, o pico ocorreu em 2023, com 137 crianças, seguido por redução gradual até 87 neste ano.
Para a supervisora, o crescimento não está associado apenas a um fator. “O aumento é real. Temos, na maioria, o nível um de suporte. Temos nível dois e nível três, em menor número. Mas o nível um aparece muito.”
Estrutura pedagógica
A organização do atendimento nas escolas passa pelo Plano Educacional Individualizado (PEI), instrumento que adapta o ensino às necessidades de cada aluno. Em Lajeado, todas as escolas de Ensino Fundamental têm sala de recursos e docentes especializados responsáveis pelo AEE.
Em Lajeado, as 25 escolas da rede municipal têm salas de recursos e os professores passam por qualificação para atendimento aos alunos com TEA
“Os professores atendem os alunos e elaboram o PEI. Neste ano, o estudo de caso vem com mais exigências, com maior aprofundamento”, afirma. Na Educação Infantil, o modelo ainda está em estruturação. “Estamos organizando um centro de atendimento. Temos reuniões mensais com o Capsi e a Casa Verde para tratar dessa demanda.”
DIVULGAÇÃO
O CAS TEAColhe/RS da Apae de Bom Retiro do Sul é referência no atendimento ao autista para dez municípios da região
Panorama do RS
• Municípios analisados: 487 (98% do RS)
• Crianças com diagnóstico: 32.842
• Em investigação: 8.999
• Crescimento desde 2023: 78,8%
Estrutura
• Escolas com sala de recursos na Educação Infantil: 34%
• Municípios com protocolos formais: 8,8%
• Redes sem integração com saúde: 70,6% Região dos Vales (Taquari e Rio Pardo)
• Municípios: 62
• Alunos atendidos: 58.812
• Adesão ao TEAcolhe: 96,8%
Gargalo
O atendimento deve ser feito por professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Enquanto a média estadual de municípios com fila de espera para atendimento por Professor de AEE é de 9,9%, na região dos Vales esse número sobe para 14,5%. Isso indica que há mais crianças aguardando por atendimento pedagógico especializado do que em outras partes do RS.
Suporte para dez
Em Bom Retiro do Sul, há o CAS TEAcolhe/RS da Apae do município. O centro de atendimento do Estado é referência para dez municípios do Vale da Luz: Estrela, Colinas, Bom Retiro do Sul, Imigrante, Teutônia, Taquari, Paverama, Fazenda Vilanova, Westfália e Poço das Antas.
Segundo a coordenadora do espaço, a assistente social Vanessa Plentz, são atendidos cerca de 160 pacientes. “Os pacientes chegam até nós por meio de encaminhamento da Secretaria de Saúde, via sistema de regulação do Estado. O CAS tem estrutura para atender cinco pacientes a mais por mês, considerando todos os dez municípios”, relata. O centro de atendimento oferece serviços de fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicopedagogia, nutrição, psicologia, assistência social, além de neuropediatria e psiquiatria.
“Esse talvez seja um dos grandes avanços possibilitados por meio do CAS. Com um atendimento especializado em neuropediatria, totalmente gratuito, conseguimos agilizar os diagnósticos. Quanto antes a criança recebe esse laudo médico, mais rápido é possível iniciar a intervenção com as terapias”, diz.
municípios
A coordenadora conta que é possível perceber uma maior atenção por parte das famílias aos sinais, visto que a faixa etária mais atendida, hoje, vai dos dois aos cinco anos.
Gabriel Ferreira da Rosa, 9, é uma das crianças atendidas. A avó, Sueli da Rosa, 64, conta que o neto é nível três de suporte, mas, desde que iniciou as terapias, há cerca de quatro anos, teve uma evolução significativa. Apesar de não verbal, o neto frequenta a escola regular no município de Taquari e, de acordo com o plano individualizado, tem mostrado evolução na aprendizagem.
“A frequência dele na escola é um trabalho conjunto. Ele na escola, nós em casa. Quando ele não está se sentindo bem, a gente busca. Mas, com certeza, com o apoio das professoras e das terapias, hoje ele está muito bem.”
vinibilhar@grupoahora.net.br
VINI BILHAR
Reload Sindilojas reúne varejo para noite de inovação e estratégia
OReload Sindilojas 2026 ocorre hoje, a partir das 18h, no Salão Social do Clube Tiro e
Caça, reunindo cerca de 300 participantes. Promovido pelo Sindilojas Vale do Taquari, o evento chega à 11ª edição com a proposta
de proporcionar uma experiência de conhecimento, prática e troca entre empresários e profissionais do varejo.
Com o tema “O Reload tá on”, a programação convida o público a sair do automático e repensar estratégias, estimulando novas ideias aplicáveis ao dia a dia dos negócios. A abertura será com Carolina Filipelli, do Lab Fecomércio-RS, que abordará o uso da inteligência artificial no varejo para qualificar vendas e atendimento. Na sequência, a economista Patrícia Palermo apresentará uma análise do cenário econômico e do comportamento do consumidor.
Encerrando a noite, Rafael Muller trará reflexões sobre saúde emocional e desempenho profissional. As inscrições antecipadas foram encerradas, mas ainda é possível participar mediante inscrição na recepção do evento.
CONEXÃO APL
A Cooperativa Dália Alimentos confirma participação na 18ª Festa Nacional do Chimarrão (Fenachim), de 30 de abril a 10 de maio, no Parque do Chimarrão, em Venâncio Aires. A presença no evento, um dos principais do Vale do Rio Pardo, reforça a estratégia de proximidade com associados e a valorização das tradições regionais, destaca o presidente do Conselho de Administração, Gilberto Piccinini.
Durante a feira, a cooperativa estará representada pela Divisão Varejo, com foco nas Casas Agropecuárias. O estande foi planejado para oferecer um ambiente
Conexão APL evidencia trajetória de empreendedor da Ecopragas
A edição desta semana do Conexão APL recebeu o engenheiro químico e empresário Eduardo Strohschoen, fundador da Ecopragas, que compartilhou sua trajetória profissional e a construção do negócio na região. Natural de Venâncio Aires, ele relembrou a ligação com Lajeado antes mesmo de empreender, período em que atuou como professor em escolas locais, como o Castelinho, experiência que
marcou sua formação.
Antes de completar 14 anos à frente da empresa, Strohschoen acumulou passagens por diferentes organizações e pela sala de aula, até identificar uma oportunidade no mercado de controle de pragas. A partir disso, estruturou a Ecopragas, que hoje conta com nove colaboradores e atende empresas de diversos portes. Segundo o empresário, a maior demanda vem de indústrias e
comércios do setor alimentício, fortemente impactados pelas exigências sanitárias. Ele também destacou a importância do Arranjo Produtivo Local (APL) Alimentos e Bebidas, que possibilita troca de conhecimento, acesso a cases e fortalecimento do associativismo. Para Strohschoen, esse ambiente colaborativo é decisivo para qualificar relações e impulsionar o desenvolvimento dos negócios na região.
acolhedor, com atendimento de técnicos, médicos-veterinários e zootecnistas, além da apresentação de produtos e serviços ao público.
Entre os destaques está a linha Dália Milk, lançada em 2024 e voltada à nutrição do gado leiteiro. Com três núcleos vitamínico-minerais, a linha atende diferentes demandas da produção, com foco em saúde animal, desempenho e produtividade. A participação na Fenachim também busca ampliar o relacionamento com produtores rurais e fortalecer a marca em uma região estratégica para a cooperativa.
SIMONE ROCKENBACH/DIVULGAÇÃO
RODRIGO GALLAS
DIVULGAÇÃO
Instituição de Lajeado, que completa 35 anos em outubro, atende pacientes de cerca de 390 municípios e enfrenta déficit mensal
Fundef divulga dados de atendimentos com mais de 65 mil atendimentos em 2025 Programa
AFundação para Reabilitação das Deformidades Craniofaciais (Fundef) de Lajeado, divulgou os números de atendimentos realizados em 2025, que no somatório das áreas de fissuras labiopalatinas e de saúde auditiva alcançam 65,1 mil procedimentos no ano. Na área auditiva, foram registrados 5.420 pacientes atendidos ao longo do ano, com um total de 19.694 procedimentos. A instituição também contabilizou a entrega de 775 aparelhos auditivos e o ingresso de 492 novos pacientes.
Já no atendimento de fissuras labiopalatinas, a Fundef realizou 354 cirurgias em 2025. Ao todo, foram atendidos 2.990 pacientes, com 45.406 procedimentos realizados. Foram 131 novos pacientes no ano.
Com atuação consolidada, a Fundef atende pacientes de mais de 390 municípios do Rio Grande do Sul, sendo referência no tratamento de deformidades craniofaciais. Em outubro deste ano, a entidade completa 35 anos de atuação.
O presidente do Conselho da Fundef, Ito Lanius, destaca que o financiamento da entidade é di-
versificado. “Somos uma entidade que é referência para quase 400 municípios no estado. E nosso orçamento um pouco vem do SUS, um pouco vem do Estado, um pouco de Lajeado, agora somado a outros municípios, mas muito da comunidade”, conta.
Com orçamento mensal em torno de R$ 350 mil, a entidade registra um déficit que varia de R$ 50mil a R$ 60mil todos os meses, valor que é suprido com ações beneficentes da comunidade e contribuições de empresas parceiras.
Instalada na estrutura do prédio 28 do campus da Univates desde 16 de outubro de 2024, o ano passado foi o primeiro ciclo de 12 meses completos de atendimentos no espaço.
A obra foi custeada em parceria do Governo do RS (R$ 4,5 milhões para a construção e mais R$ 2,5 milhões para aquisição de mobiliário), da administração de Lajeado (R$ 1,5 milhão para a obra) e da Univates, que cedeu o espaço para instalação do ambulatório.
A gerente administrativa da fundação, Ana Maria Hoffmann destaca que a nova sede possibilitou a ampliação nos atendimentos. “Esse espaço aqui tem sido maravilhoso, foi um presente que a Fundef recebeu e foi importante na ampliação dos atendimentos que têm aumentado cada vez mais”, relata.
Ajuda
A instituição recebe apoio da comunidade e empresas. É possível ajudar diretamente a entidade através de depósito na conta bancária, indicação como empresa beneficiada no Programa
ATENDIMENTOS
Pacientes novos: 492
Pacientes atendidos: 5.420
Procedimentos realizados: 19.694
Atendimentos realizados: 11.238
Aparelhos auditivos entregues: 775
FISSURAS
Cirurgias realizadas: 354
Pacientes novos no ano: 131
Pacientes atendidos: 2.990
Total de procedimentos: 45.406
Média de atendimentos por paciente: 7,12
Sexo feminino: 1.378
Sexo masculino: 1.612
Nota Fiscal Gaúcha e através de aplicação do imposto de Renda. Mais informações sobre como ajudar estão disponíveis no site da fundação https://fundef.org.br/ como-ajudar/.
Turmas variam entre 40 e 60 alunos que buscam aprender o idioma para várias situações, inclusive ingressar no mercado de trabalho
INTEGRAÇÃO COMUNITÁRIA
Projeto da Univates auxilia na inserção de trabalhadores que hoje sustentam parte relevante da mão de obra da cidade
A crescente presença de imigrantes e refugiados em Lajeado transforma não apenas o perfil demográfico do município, mas também o mercado de trabalho local. Hoje, parcela significativa da mão de obra empregada em setores como indústria, serviços e produção de alimentos vem de trabalhadores estrangeiros. Para auxiliar esse processo de integração, a Univates mantém desde 2014 o projeto Vem Pra Cá, iniciativa que oferece aulas gratuitas de língua portuguesa para migrantes e refugiados residentes na região.
Coordenado pela professora Maristela Juchum, do curso de Letras, o programa atende atualmente mais de 60 alunos de diferentes nacionalidades e funciona semanalmente em Lajeado. A proposta busca acolher quem chega ao município em busca de emprego e melhores condições de vida.
“A cidade é muito procurada porque oferece infraestrutura e oportunidades de trabalho. Muitos vêm justamente para ocupar vagas que hoje são fundamentais para manter o funcionamento de empresas e serviços locais”, afirma.
Segundo ela, boa parte dos participantes das aulas já atua ou busca inserção no mercado formal. O desconhecimento da língua,
porém, ainda é uma das principais barreiras enfrentadas pelos recémchegados. “Eles precisam trabalhar, ir ao supermercado, consultar um médico, interagir socialmente. Tudo isso exige algum domínio da língua portuguesa.”
As aulas ocorrem nas terçasfeiras pela manhã, no auditório da Secretaria Municipal da Saúde, em Lajeado, e são abertas ao público. Para participar, basta apresentar um documento de identidade e realizar cadastro no local. Não há processo seletivo nem limite rígido de entrada ao longo do ano.
Diversidade
A maior parte dos alunos é oriunda do Haiti, mas o grupo também reúne migrantes de países como Tunísia, Senegal, Venezuela, Cuba e diferentes regiões da África. O ambiente multicultural, segundo a professora, torna-se parte central da metodologia adotada. Maristela relata que a heterogeneidade das turmas cria um ambiente dinâmico, em que alunos com maior domínio do idioma ajudam colegas recém-chegados. “É um caos que funciona”, resume. “Temos pessoas que chegaram há poucos dias e praticamente não falam português, e outras que já estão aqui há anos e conseguem auxiliar os demais.”
O conteúdo trabalhado vai além de regras gramaticais. A proposta prioriza situações reais do cotidiano, com uso de materiais autênticos, como encartes de supermercado, notícias de jornal, formulários e textos utilizados em serviços públicos e privados. A oralidade e a escrita são desenvolvidas de forma integrada. As dificuldades podem variar conforme a origem de cada pessoa, porém muitos chegam à Lajeado com pelo menos dois idiomas fluentes.
LAJEADO
Entidade atende atualmente junto ao campus da Univates. Novo espaço foi inaugurado em outubro de 2024
GABRIEL SANTOS
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Agro cobra proteção ao leite e condições para seguir no campo
Painel do Grupo
A Hora apontou gargalos que devem entrar no debate eleitoral
Fabiano Lautenschläger
centraldejornalismo@grupoahora.net.br
DO TAQUARI
Produzir segue sendo rotina no Vale do Taquari. O problema, hoje, é sustentar essa rotina. No terceiro painel do projeto Pensar Eleições 2026, promovido pelo Grupo A Hora em Encantado, lideranças do setor rural deixaram claro que o agro continua forte, mas opera no limite, pressionado por custos, falta de mão de obra e regras de mercado que fogem do controle do produtor.
O encontro faz parte de uma série de debates que vão embasar um documento a ser entregue aos candidatos nas eleições deste ano. Depois de discutir logística e mão de obra, o foco agora foi o campo, onde boa parte da economia regional ainda se sustenta.
À frente do processo de reestruturação da Cooperativa Languiru, o presidente liquidante Paulo Birck trouxe um dos pontos mais sensíveis do momento, o leite. Segundo ele, a importação de leite em pó, especialmente de países do Mercosul, interfere diretamente no preço pago ao produtor local. “O produtor não entende por que
o governo libera tanta importação.”
Mesmo com restrições para a venda do produto reidratado, o uso industrial mantém a pressão sobre o mercado. Na prática, isso se traduz em instabilidade. Em 2025, produtores chegaram a receber pouco mais de R$ 1,50 por litro. A cooperativa tentou segurar valores mais altos para manter a atividade viável, principalmente entre os pequenos. Hoje, a maioria dos associados produz em escala reduzida, o que torna o impacto ainda mais sensível.
Mesmo com leve recuperação nos primeiros meses de 2026, a avaliação é de cautela. O custo de produção segue elevado, puxado por insumos e combustível, e qualquer oscilação externa acaba refletindo na ponta. “O cenário já mostra novamente uma baixa mais à frente”, alerta Birck.
Falta de jovens
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Encantado, Gilberto Zanatta trouxe outro ponto que se repete nas conversas do interior, a dificuldade de manter os jovens na atividade. Para ele, o problema não é apenas cultural, mas econômico. “Hoje é preciso muita coragem para investir na agricultura.”
O investimento para iniciar ou ampliar uma produção é alto e o retorno leva anos. Em atividades como a suinocultura, o custo inicial ultrapassa facilmente a casa de R$ 1 milhão, com prazo longo até começar a pagar. Ao
mesmo tempo, a rotina exige dedicação diária, sem pausa nos fins de semana, realidade que pesa na decisão de quem pode buscar alternativas fora do campo. Zanatta observa que isso já aparece na prática. O número de produtores diminui, enquanto a produção se concentra em menos propriedades, mais estruturadas. Para ele, linhas de crédito isoladas não resolvem. Entre as alternativas, ele cita o fortalecimento de agroindústrias e cadeias locais, que ajudam a manter famílias no interior e agregam valor à produção. Ainda assim, critica a lentidão de programas públicos. “Quando demora, desmotiva quem está querendo investir”, afirma.
Valorização do setor
Do lado do poder público, o vice-prefeito e secretário de Agricultura de Encantado, Agostinho Orsolin, reforça o peso do setor na economia local. Segundo ele, a agricultura responde por cerca de 30% do faturamento do município. “É um setor que precisa ser valorizado.”
Ele cita ações como terraplanagem, apoio a estruturas produtivas e devolução de parte do ICMS como formas de incentivo, mas reconhece limites, especialmente com mudanças previstas na arrecadação. Na prática, municípios podem perder capacidade de retorno direto sobre o investimento feito no campo.
Especialistas apontam que importação do leite em pó interfere no preço pago ao produtor local
VALE
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MEIO AMBIENTE
Com visita de caravana ambiental, Escola Dom Pedro I passa a ser embaixada do Educame
Caravana mobilizou alunos do 1º ao 9º ano em Roca Sales.
Escola recebeu placa de parceira do Meio Ambiente
ACaravana do Programa Educame visitou a Escola Dom Pedro I, em Roca Sales, e levou a mascote Nara, a capivara leitora, e o personagem Por Que para apresentar, de forma leve e interativa, ideias sobre meio ambiente. A cidade, devastada pelas cheias de 2024, recebeu com entusiasmo o grupo ambiental. Com violão e perguntas estratégicas, os personagens provocaram reflexões sobre lixo, água e o planeta Terra. “Por que as cheias no Vale do Taquari?”, questionou o violeiro Por Que. Foi assim que ele começou a interagir com a plateia e despertou o interesse dos adolescentes. A secretária de Educação de Roca Sales, Helena Koste, abriu a conversa no ginásio da escola e observou a força da iniciativa. “É um privilégio ter a Caravana em nosso município”. Motivar a temática ambiental na região é estimular o papel dos alunos, de tornarem agentes multiplicadores de ideias sobre sustentabilidade.
Além da interação no ginásio da escola, a Caravana levou duas oficinas às salas de aula, sobre jornalismo ambiental e a importância dos rios.
Entre fotos e olhares
Feita de tecido espesso e com 1,70 metro de altura, Nara, a capivara, chama a atenção ao surgir no pátio. Os alunos abriram os braços e arregalaram os olhos.
Logo depois, começaram as tentativas de fotografá-la.
A diretora Sonia Postal destacou a importância da iniciativa para a formação de alunos cidadãos.
“Essa conscientização que pode fazer a diferença em nossa cidade.”
O que pensam os estudantes
Ana Beatriz de Abreu Ferrei-
Caravana levou o espírito ambiental a mais de 260 alunos em Roca Sales, cidade devastada pelas cheias de 2024
ra, aluna do 9º ano, destacou a importância da Caravana. “O assunto meio ambiente deve ser aprofundado entre os jovens”, avalia. Para ela, a iniciativa ajuda a promover conscientização tão importante entre os estudantes de sua faixa etária.
Os mais novos fizeram interações espontâneas: “Se a gente limpar, todo mundo, o mundo fica todo limpo”, diz Arthur, de 6 anos.
A Caravana Educame é uma iniciativa do Grupo A Hora, que apoia a educação e mantém três frentes principais nesse trabalho: o Programa Educame, voltado à educação ambiental; o Programa Leia, de estímulo à formação de jovens leitores; e o Leia-me Professor, suplemento destinado aos educadores.
Marcão Borba encaram o Brasileiro em Barueri e mobilizam apoio para custear a viagem
Atletas do Dojo Marcão Borba, de Estrela, intensificam a preparação para disputar o Campeonato Brasileiro, que ocorrerá em Barueri, São Paulo. A competição reúne alguns dos principais nomes da modalidade no país e promete alto nível técnico em todas as categorias.
Segundo o instrutor da equipe,
Marcão Borba, a disputa será marcada por forte concorrência. “É um dos campeonatos que reúne os melhores dos melhores do Brasil. Na minha categoria serão 62 atletas, na do Guilherme são 28 e na do Douglas são 19. É um campeonato superdifícil, mas estamos preparados para bater de frente com os grandes”, destaca.
A delegação embarca no dia 23, com as lutas distribuídas ao longo da semana. Marcão compete nos dias 24 e 25, enquanto Guilherme entra em ação na terça e quarta-feira, e Douglas luta na quinta e sexta.
Além do desafio esportivo, o grupo também enfrenta custos elevados para garantir a participação. A estadia deve durar cerca de seis dias, além das despesas com
deslocamento até o estado paulista. Para manter a equipe unida durante a competição, a viagem será feita de carro.
“A gente precisa estar junto lá, um ajudando o outro. Não dá para ir separado, porque precisamos de treinador, de alguém que conheça o nosso trabalho. Nós três já viemos competindo juntos, então essa união faz diferença”, explica Marcão. Para viabilizar a ida ao campeonato, os atletas promovem ações para arrecadar recursos, como a venda de galetos, além de buscar apoio da comunidade e de empresas. “Qualquer ajuda é bem-vinda. O custo é alto e, até agora, tivemos pouco retorno. Seguimos contando com o apoio para representar bem Estrela”, reforça o instrutor.
A delegação embarca no dia 23, com as lutas distribuídas a o longo da semana
ATLETAS DE LAJEADO TÊM SUCESSO NA ESTREIA DO FISICULTURISMO
Ezequiel Neitzke ezequiel@grupoahora.net.br
O fisiculturismo segue revelando histórias de disciplina, superação e transformação pessoal. No campeonato de estreantes disputado no último dia 12, na PUCRS, em Porto Alegre, duas atletas de Lajeado da categoria Wellness garantiram lugar no Top 3. Responsável pela MKTEAM e pelo CT Jardim do Cedro, Karina Rocha avalia que o resultado vai além da colocação. Segundo ela, a conquista reforça a consistência do trabalho desenvolvido com as atletas. “Representa muito mais do que uma simples colocação. Mostra que todo o método de trabalho, a estratégia de treino, a dieta e a preparação estão no caminho certo e nos posiciona como referência. Mais do que medalhas, é a conquista de um processo inteiro: disciplina, superação e evolução pessoal”, destaca. Entre os destaques, a atleta Luana Barboza compartilha uma trajetória marcada por mudança de vida. Ela relembra que chegou a pesar 98 quilos aos 23 anos, momento que deu início à sua transformação, tanto física quanto emocional. “A preparação foi muito mais do que física, foi uma transformação de vida. Tive dias de cansaço, dúvidas e renúncias, mas também de superação. Esse pódio não é só uma colocação, é a materialização de uma história de disciplina e amor-próprio”, afirma.
Outra atleta que subiu ao pódio foi Jéssica Dale Tale, que também fez sua estreia na competição.
Para ela, o resultado simboliza o início de uma nova trajetória no esporte. “Foi uma preparação intensa e transformadora. Subir no palco já seria uma vitória, mas conquistar um pódio logo
é uma das atletas que foi premiada em Porto Alegre
na estreia teve um significado ainda maior. É a confirmação de que todo esforço valeu a pena”, pontua.
As duas atletas concordam que o fisiculturismo trouxe mudanças profundas para além do físico. Rotina, organização e clareza de objetivos são alguns dos aprendizados levados para a vida pessoal e profissional. Para quem pensa em iniciar no esporte, o conselho é direto: começar, mesmo diante das inseguranças. “Você não precisa estar pronta. O processo vai te transformar”, resume Luana. Jéssica reforça: “consistência sempre vai vencer a motivação”.
Ezequiel Neitzke ezequiel@grupoahora.net.br
Jéssica
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por Raica Franz Weiss
Westfália construía prefeitura
O governo de Westfália iniciava a contrução do Centro Administrativo Municipal. Na época, o investimento era de cerca de R$ 600 mil. A inauguração aconteceu em 2007. O prédio, construído em estilo enxaimel na rua Leopoldo Fiegenbaum, tem três pavimentos e mais de mil metros quadrados.
Olvebra de Lajeado produzia para o Egito
O grupo gaúcho Olvebra S/A fechava o que os jornais diziam ser o maior contrato para exportação de óleo refinado já feito por uma empresa brasileira, de cinco mil toneladas para o Egito. Ao todo, seriam 26 mil tambores que seriam transportados em 220 jamantas de Lajeado até o Porto de Rio Grande. A exportação representaria 40 dias de produção na fábrica instalada em Lajeado. Na época, a indústria de óleo vegetal funcionava num complexo entre a ERS-130 e a rua Irmando Weisheimer, no bairro Montanha de Lajeado.
Chuva interrompia Via Sacra de Forqueta
Em 2006, a tradicional encenação da Paixão e Morte de Cristo, promovida pela comunidade de Forqueta, em Arroio do Meio, era interrompida pela chuva. O público era de cerca de duas mil pessoas. Aquela era a 8ª edição do espetáculo e chegou aos 40 minutos de apresentação antes da chuva prejudicar o evento. A Via Sacra é apresentada todos os anos na comunidade até hoje.
Alunos criavam horta na escola
Estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Princesa Isabel, de Arroio do Meio, construíam uma horta ao lado da escola, no bairro Bela Vista. Cada turma se responsabilizaria por um canteiro, onde seriam plantadas verduras e legumes. Os pais ajudaram a lavrar a terra e a montar a horta na época.
Nova diretoria da AABB de Estrela
A Associação Atlética do Banco do Brasil de Estrela elegia sua nova diretoria. Para o presidente, o escolhido foi Ari Scholz e Herman Torres para a vice-presidência. Como secretário e vice-secretário, estavam Celso Fernando Lamotte Meirelles e Valério Konzen; tesoureiro e vice, Egon Lagemann e Jorge Eidelwein. No departamento social, José Roque Assmann; no cultural e de divulgação, Osmar Diehl; no de Esportes, Antônio Luiz Rücker; no patrimonial, Ronald Kreutz; e no departamento feminino, Marilena Scholz.
Hoje é
Dia Mundial da Voz
Dia do Sacerdócio
Dia Mundial do Lazer Santo do dia Santa Bernadete Soubirous
Quinta-feira, 16 de abril de 2026
Fechamento da edição: 18h
Escola vira parceira do Meio Ambiente
ANDRÉIA RABAIOLLI
Escola Dom Pedro I, de Roca Sales, recebeu na manhã de ontem o projeto ambiental promovido pelo Grupo A Hora. Além da interação no ginásio da escola com os personagens, instituição recebeu duas oficinas sobre jornalismo ambiental e a importância dos rios.
CARAVANA EDUCAME
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REGIÃO ALTA | |
Quinta-feira, 16 de abril de 2026
Municípios avançam em obras para reforçar segurança e mobilidade
Projetos de novas ruas, pontes e muros de contenção mobilizam as cidades de Encantado, Roca Sales, Relvado e Coqueiro Baixo
REGIÃO ALTA
Municípios da região alta avançam em obras de reconstrução e prevenção após os impactos das enchentes. As intervenções vão desde mobilidade urbana até contenção de encostas e proteção de áreas ribeirinhas.
Em Encantado, a abertura da Rua Ijuí, no bairro Planalto, marca um passo estratégico no planejamento urbano voltado à segurança da população. A obra, já iniciada, prevê o prolongamento da via em uma área de 1.680,50 metros quadrados e tem como principal finalidade garantir uma rota de fuga para moradores dos bairros Santo Agostinho e do Loteamento Ouro Branco em períodos de cheia. A iniciativa atende a uma demanda histórica da comunidade e ganha relevância diante da recorrência de eventos climáticos extremos na região. Parte da área necessária foi viabilizada por
doação da família Pozza, enquanto outra foi desapropriada junto à Associação Atlética Banco do Brasil (AABB). Após a limpeza do terreno, a próxima etapa será a adequação da via para garantir trafegabilidade.
Para o futuro, o governo projeta criar rotas de fuga também no bairro Porto XV, na Rua Guerino Lucca, mas demanda uma série de desapropriações para avançar. Há outras vias com potencial de abertura, como é o caso da Rua Bahia, no bairro Santa Clara, e da Rua Duque de Caxias, no Jardim da Fonte.
Contenção e segurança
Em Roca Sales, a construção da nova ponte na Avenida General Daltro Filho entra na fase de execução das cabeceiras. As intervenções exigem o bloqueio temporário do acesso dos veículos na área central. O desvio é feito pelo bairro 21 de Abril. Há placas indicativas. No interior, a pavimentação da estrada na Linha Júlio de Castilhos Alta foi
concluída. E na Linha Parobé, a nova ponte em concreto armado foi liberada para o tráfego. O projeto contou com recursos do programa Reconstrói RS e apoio da CIC Vale do Taquari.
Em Relvado, está em fase final de execução o muro de gabião na Avenida Independência. Com cerca de 200 metros de extensão e investimento de R$ 2 milhões da Defesa Civil Nacional, a estrutura visa conter erosões e garantir segurança a quem circula pela via. A obra integra o processo de reconstrução após a enchente de 2024 e deve ser entregue em breve. Além disso, o município também investe recursos próprios na limpeza do Arroio Jacaré e na criação de novas barreiras de contenção.
Em Coqueiro Baixo, a construção de um muro de gabião ao longo do Arroio Coqueiro avança como medida preventiva. Com aproximadamente 600 metros de extensão, a obra é realizada por meio da parceria com a CIC Vale do Taquari, dentro do programa Reconstrói RS, e busca proteger a área central da cidade contra erosões e novos episódios de cheia.
Em Roca Sales, passagem de veículos está bloqueada na área central para a construção das cabeceiras da nova ponte
Diogo Daroit Fedrizzi diogo@grupoahora.net.br
Em Encantado, abertura da rua Ijuí possibilita rota de fuga em situações de enchente para moradores do bairro Planalto
Em Relvado, muro de 200 metros na Avenida Independência está em fase final de execução
O déficit da UTI de Encantado
diogofedrizzi@grupoahora.net.br
DIOGO FEDRIZZI
Prefeitos e secretários de saúde de 13 cidades que integram a Associação dos Municípios do Alto Taquari (Amat) tiveram acesso a números referentes ao custeio da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Beneficente Santa Terezinha de Encantado.
A direção da Casa de Saúde expôs, em reunião nesta semana, planilhas que apontam déficit mensal de cerca de R$ 100 mil com UTI.
Os recursos que atualmente são repassados pela União e Estado são insuficientes para manter o serviço integral. Desde 2022, são 10 leitos Geral-Adulto.
Ampliação do rotativo
A área de cobrança do estacionamento rotativo deverá ser ampliada em Encantado. Proprietários de supermercados e de lojas localizados em ruas onde não foi implantada a chamada "Área Azul" reclamam do grande fluxo de veículos que estacionam em frente a esses estabelecimentos por longos períodos a fim de escapar das vagas em que há cobrança. Abaixo-assinados e pedidos formalizados foram encaminhados ao governo municipal, que levou ao conhecimento da empresa Zona Azul, responsável pela administração do rotativo, para avaliar. As novas vagas em estudo abrangem trechos das ruas Guerino Lucca, Sete Irmãos, Tiradentes, Sete de Setembro e Padre Anchieta. Caso se confirme a ampliação, além do carro que já faz o monitoramento, uma motocicleta também será responsável pela fiscalização eletrônica.
Destes, oito são destinados para pacientes do SUS e dois para convênios e particulares.
O hospital chegou a apresentar uma proposta de rateio entre os demais municípios (além do que Encantado já contribui), a partir de um cálculo conforme o número de habitantes. Porém, há resistências, pelo fato de a responsabilidade constitucional de destinar valores para serviços de média e alta complexidade ser dos governos estadual e federal, enquanto os municípios focam na atenção básica. De junho de 2025 a fevereiro de 2026, por exemplo, foram registradas 258 internações na UTI. Do total,
85 pacientes eram moradores de municípios da região alta, enquanto 173 pacientes eram de outras cidades gaúchas. A Amat se comprometeu a atuar de forma conjunta com o hospital e buscar a mobilização política e pressionar Porto Alegre e Brasília por mais dinheiro para a manutenção da UTI.
A reunião de terça-feira, 14, na sede da Amat em Encantado, também teve momentos de forte cobrança dos líderes municipais sobre a qualidade do atendimento e do serviço do Pronto-Socorro do HBST. Novas conversas estão agendadas. Aguardemos!
Novo mirante no Cristo de Guaporé
O município de Guaporé tem investido em melhorias na infraestrutura e na criação de novos espaços no Morro do Cristo. Uma das obras em estágio avançado é o Mirante Suspenso do Cristo Redentor. A estrutura envidraçada e transparente vai proporcionar ao visitante uma vista deslumbrante da cidade e da região. O investimento supera R$ 160 mil, com recursos do governo do Estado e do município. A inauguração está marcada para 13 de junho, às 15h. Outra intervenção será a retirada das antenas e estruturas instaladas em frente ao monumento.
Obras gigantes!
Presidente da CIC Vale do Taquari, Angelo Fontana, está satisfeito com o ritmo de obras de reconstrução nos municípios do Vale do Taquari. São projetos que contam com a articulação da entidade na conquista de recursos milionários via programa Reconstrói RS, movimento criado pelo Instituto Ling, em conjunto com a Federasul e Instituto Cultural Floresta. E uma das intervenções que chamam a atenção está em execução na cidade de Vespasiano Corrêa. O trabalho de construção da nova rede pluvial na área urbana impressiona. São escavações que chegam a 10 metros de profundidade para a instalação dos gigantescos tubos. Os investimentos se aproximam de R$ 3 milhões.
Eu pergunto
O que esperar de mais uma audiência pública para debater os serviços da Corsan/Aegea em Encantado? A reunião foi agendada pela Câmara de Vereadores para o dia 6 de maio, às 19h, no Auditório Itália da Prefeitura.
. A criação de uma Guarda Civil Municipal para Encantado está na pauta dos vereadores Rogério Meira (União), Daniel Passaia (União) e Samuel da Silva (PSDB). E durante manifestação na tribuna na sessão desta semana, Meira reconheceu que, embora complexa, é uma demanda que merece atenção das lideranças.
. Em Putinga, a vice-prefeita Marina Bertuol (PSD) assume o comando da Prefeitura durante as férias do prefeito Juliano Moretto/Maninho (PSD). E ela entra para a história do município por ser a primeira mulher a ocupar o cargo de prefeita. Maninho reassume no dia 28 de abril.
. Diogo Siqueira (PL) renunciou ao cargo de prefeito de Bento Gonçalves e se lançou pré-candidato a deputado federal. E nesta semana ele circulou pela região alta acompanhado de apoiadores. Dentista de formação, Siqueira foi duas vezes prefeito de Santa Tereza e estava no segundo mandato em Bento. Ele ganhou visibilidade ao combater os excessos do programa Bolsa-Família na Capital do Vinho.
Novittá Móveis e Studio Prime Barbearia representam a força do recomeço
Com estratégias e resiliência, empreendedores muçunenses enfrentam desafios e ajudam a reerguer o município
MUÇUM
Dois empreendimentos ajudam a contar histórias de resistência e reconstrução em Muçum. A Novittá Móveis e a Studio Prime Barbearia superaram as enchentes históricas e decidiram permanecer na Princesa das Pontes. Entre perdas e recomeços, seguem ativos, impulsionados pela confiança no futuro da cidade.
Resiliência e adaptação guiam a Novittá
A trajetória da Novittá Móveis se mistura com a própria história recente de seus atuais gestores. O marceneiro Robson Spegiorini, 32 anos, assumiu a empresa ao lado do sócio Giovani Girardi há pouco mais de um ano, embora o negócio já exista há cerca de 15 anos. Segundo ele, a decisão veio após anos de trabalho conjunto e da percepção de que estavam prontos para dar um passo maior. “Quando surgiu a oportunidade, eu e o Giovani abraçamos a causa”, afirma.
Especializada em móveis sob medida, a empresa atende não só Muçum, mas também a região metropolitana e o litoral gaúcho. A proposta é transformar projetos em realidade, com produção em MDF que vai de portas internas a mobiliário completo. Após as enchentes, no entanto, o cenário mudou. Robson relata que os clientes passaram a exigir mais prazos e flexibilidade nos pagamentos. Diante disso, a estratégia foi adaptar. Ele explica que hoje a empresa negocia mais, parcela conforme a necessidade e mantém os contratos ativos.
A enchente marcou profundamente a equipe. Na época, Robson ainda era funcionário. Ele lembra do momento em que percebeu a gravidade da situação. “Quando voltei para ver o rio, a água já estava rente ao calçamento. Aí veio o pavor”, lembra. Sem tempo para reação, restou levantar o que era possível e esperar. O prejuízo foi grande. Mesmo assim, a decisão de permanecer em Muçum foi consciente. Robson destaca o apego à cidade e o desejo de contribuir para sua reconstrução. Para ele, sair não era uma opção. “Se todo mundo pensar em ir embora, o que vai ser de Muçum?”, questiona. Ele ressalta a tranquilidade, o senso de comunidade e a qualidade de vida como fatores decisivos. “Aqui tem tudo. É perto, é seguro, as pessoas se conhecem”, diz.
Giovani e Robson trabalham em parceria há vários anos e decidiram empreender por conta própria
A gente conhece todo mundo.
A clientela virou parceira”
RAFAEL FROZZA BELLINI, BARBEIRO
Do improviso ao negócio próprio
Já a história da Studio Prime Barbearia começa com uma mudança de rumo. Rafael Frozza Bellini, 22 anos, trabalhava com frutas desde a adolescência quando teve a oportunidade de aprender a cortar cabelo. Atuou por cerca de quatro anos como colaborador em uma barbearia da cidade até que a enchente mudou seus planos.
Com o fechamento do antigo espaço e a saída de colegas da cidade, Rafael decidiu seguir sozinho. Inicialmente, atendeu em casa, com o apoio da família. Após um ano, estruturou o próprio estúdio, que
Aqui tem tudo. É perto, é seguro, as pessoas se conhecem”
ROBSON SPEGIORINI, MARCENEIRO
hoje se aproxima de dois anos de atividade. “Eu pensei: vou tocar sozinho. E assim fui conquistando meus clientes. Tem o Jean (Marchetti) que trabalha comigo. Estamos crescendo juntos”, relata.
E o negócio cresceu. Atualmente, oferece cortes de cabelo, barba, terapias capilares e busca ampliar os serviços com novos cursos. O público é variado, com destaque para os mais jovens. Rafael admite que o início foi difícil, principalmente pelas críticas e inseguranças. “Eu tinha medo da reação das pessoas. Mas, com o tempo, fui pegando o jeito”, afirma. Hoje, diz que encontrou na profissão algo que gosta de fazer.
A enchente também atingiu diretamente sua vida pessoal e profissional. Ele perdeu praticamente tudo e precisou recomeçar do zero. Apesar disso, decidiu ficar. A escolha, segundo ele, passa pelas relações construídas. “A gente conhece todo mundo. A clientela virou parceira”, resume. Rafael vê em Muçum mais do que um lugar de trabalho. É onde estão as conexões, a rotina e a identidade. Mesmo com o medo de novas cheias, a decisão é seguir. “Convido a todos a conhecerem nossa cidade, os pontos turísticos”, afirma. “E venham cortar o cabelo comigo”, brinca.
Rafael abriu a barbearia há cerca de dois anos
Diogo Daroit Fedrizzi diogo@grupoahora.net.br
Diogo Daroit Fedrizzi diogo@grupoahora.net.br
ROCA SALES
Acidade de Roca Sales viveu um momento especial no sábado, 11, com a inauguração da primeira etapa das obras de revitalização da Praça da Matriz. O espaço, localizado na quadra entre o Hospital Roque Gonzáles e a Igreja São José, havia sido atingido pelas enchentes recentes e necessitava de melhorias estruturais.
A iniciativa integra o programa municipal “Adote um Espaço” e é resultado de uma parceria entre a Associação Amigos Reconstruindo Roca Sales, empresas e o poder público. Ao todo, 32 empresas contribuíram com doações financeiras e materiais, somando um investimento próximo de R$ 400 mil.
Com área de cerca de 1,4 mil metros quadrados, a praça é organizada em diferentes níveis, interligados por uma escadaria. As intervenções mais significativas ocorreram no nível inferior, voltado para a Rua General Osório, onde foram construídas novas calçadas e instaladas rampas de acessibilidade. Os banheiros foram revitalizados, incluindo a criação de um sanitário adaptado para pessoas com deficiência.
Também houve a substituição dos brinquedos e a recuperação da área infantil, além da criação de um espaço dedicado aos idosos.
A academia ao ar livre foi reposicionada, e a escadaria passou por melhorias, recebendo nova iluminação. O sistema de iluminação foi totalmente modernizado. A rede de esgoto foi refeita, com a instalação de uma nova fossa séptica. O espaço passou a contar ainda com internet gratuita e três câmeras de monitoramento 24 horas.
A praça recebeu novo paisagismo, além de serviços de limpeza e pintura geral. Um painel artístico foi instalado, assim como um espaço voltado para registros fotográficos de crianças e famílias. Uma placa com o nome dos colaboradores também foi fixada no local.
Segundo o presidente da associação, Eduardo Salgado, o objetivo principal foi transformar o espaço em um ambiente mais inclusivo e acolhedor. Ele destacou que a revitalização vai além das melhorias físicas. “A praça agora é de todos, um espaço
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ESPAÇO HISTÓRICO
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Revitalização da praça de Roca Sales é entregue à comunidade
Trabalho liderado pela Associação Amigos Reconstruindo Roca Sales contou com o apoio de empresas e do poder público
seguro e moderno”, afirmou. Salgado também ressaltou o simbolismo da entrega para a comunidade, especialmente após os impactos das enchentes. “É uma emoção muito grande para nós. Este local simboliza a reconstrução. Estamos felizes porque conseguimos revitalizar uma área que estava abandonada e onde as pessoas tinham medo de circular. Entregar esse espaço aos verdadeiros donos, que são os moradores de Roca Sales, representa não só uma reconstrução física, mas também emocional”, declarou. O presidente enfatizou o engajamento coletivo no projeto. “São mais de 30 empresas envolvidas. Esse resultado mostra que, com união, é possível avançar. E vamos continuar, porque a praça
é grande e ainda há desafios pela frente”, completou.
O prefeito Jones Wünsch, o Mazinho (PP), também destacou a importância histórica do local e o impacto da obra para a cidade. Segundo ele, a praça representa um
dos marcos do município e foi duramente afetada pelas enchentes de 2023 e 2024. “É um momento muito feliz para a população. Essa praça praticamente marca o início da história de Roca Sales e sofreu muito com as tragédias recentes.
Entregar esse espaço aos verdadeiros donos, que são os moradores de Roca Sales, representa não só uma reconstrução física, mas também emocional.”
Essa praça praticamente marca o início da história de Roca Sales e sofreu muito com as tragédias recentes”
Hoje, mostramos que a parceria entre o poder público e a iniciativa privada pode trazer resultados concretos”, afirmou.
O gestor destacou o papel da legislação municipal na viabilização do projeto. “Aprovamos a lei ‘Adote um Espaço’, e a associação, junto com seus parceiros, realizou um trabalho que beneficia crianças, idosos e toda a comunidade. É um marco para a cidade”, reforçou.
Além da inauguração, a comunidade pôde prestigiar o evento de Páscoa “Doce Páscoa, Alegria e Sorrisos”.
Programação especial atraiu os roca-salenses à praça na tarde do sábado,
Na primeira etapa,
empresas contribuíram para a revitalização
JONES WÜNSCH (MAZINHO)
Aprender com as crianças
O 40º episódio do programa Segredo da Infância, da Rádio A Hora, foi ao ar direto do estúdio em Encantado, com patrocínio do Espaço Flores.Ser. A edição trouxe como tema “Aprendendo com as crianças” e contou com a participação de representantes da EMEI Lajeadinho, de Encantado.
A mediadora, Ana Fausta Borghetti, destacou que o convite foi justamente para refletir sobre a escuta ativa das crianças. Segundo ela, a sociedade ainda é adultocêntrica, o que dificulta reconhecer o protagonismo infantil. “Quando a gente se coloca nesse estado de realmente escutar, entra em outro nível”, afirmou. Ela citou práticas da escola, como a participação dos alunos na organização da sala e na construção dos próprios cartazes, como exemplos de uma abordagem mais respeitosa e contínua de aprendizagem e avaliação.
A diretora Taís Daltoé reforçou que o processo exigiu desconstrução. “Foi um desafio, mas muito gratificante”, disse. Ela explicou que, diferente do modelo tradicional, em que as salas já começam o ano decoradas pelos professores, a proposta foi iniciar com as paredes limpas. “Hoje, o que se vê são os traços das crianças. Isso gera pertencimento”, destacou. Para ela, cada cartaz vai além da estética: desenvolve habilidades e dá sentido ao aprendizado.
A professora Nicole Marasca contou que também precisou rever práticas tradicionais. “A gente esperava as crianças
com os cartazes prontos. Agora, construímos juntos”, relatou.
O processo levou cerca de um mês e envolveu pintura, desenho e escrita dos próprios alunos. Cartazes como o da chamada, calendário e aniversariantes passaram a ser ferramentas vivas, utilizadas diariamente.
Segundo ela, a proposta também favorece o reconhecimento das letras e do próprio nome.
“Alguns já conseguem escrever sozinhos. E seguimos acompanhando essa evolução”, disse. O cartaz da chamada, por exemplo, é atualizado ao longo do ano, permitindo observar o progresso de cada criança.
Durante o programa, as alunas Bianca Jachetti e Helena Schena Immich participaram da conversa. Bianca explicou, de forma simples, como funciona o cartaz da chamada: “A gente se desenhou e passou a canetinha no nome”. Questionada, contou que é preciso responder “presente” e, quando alguém falta, o nome é virado.
Helena falou sobre a construção do calendário. “A gente colocou março e depois abril”,
contou. Bianca ainda explicou que as cores ajudam a identificar os dias da semana: “Sexta-feira é azul”.
Ao final, a professora Nicole detalhou o processo de avaliação adotado pela escola. A sondagem observa aspectos como coordenação motora, reconhecimento de letras e números, escrita do nome e percepção auditiva. “Não é para classificar. É para entender o que precisamos trabalhar mais”, afirmou. O acompanhamento inclui registros com fotos, vídeos e atividades práticas, servindo de base para o planejamento pedagógico. “Não é para dar nota ou dizer quem é bom. É para guiar o trabalho docente e acompanhar o desenvolvimento das crianças”, acrescentou Taís.
Assista ao programa
Patrocínio: Realização:
Helena, diretora Taís, Bianca, professora Nicole e Ana Fausta no estúdio da Rádio A Hora em Encantado DIOGO
PastaLuna: pizzaria resgata a verdadeira essência napolitana em Teutônia 365 VEZES NO VALE
Em Teutônia está uma das raras pizzarias gaúchas que seguem as tradições da verdadeira pizza napolitana. A PastaLuna tem esse nome (pasta = massa e luna = lua em italiano) pois o objetivo do empreendimento é proporcionar uma experiência gastronômica que leva o cliente a outra dimensão.
Todos os ingredientes são selecionados com farinha vinda da Itália. Preserva o conceito napolitano com a massa de fermentação longa (24 a 48 horas), aberta a mão e assada em alta temperatura rapidamente.
Entre doces e salgados, a pizzaria ostenta cerca de 60 sabores de pizzas. Outras delícias como sanduíches lunares, as curiosas rotolinas (pizzas enroladas) e entradas em geral estão no cardápio. O atendimento ocorre de quartas a domingos, a partir das 18h30min, com a la carte, delivery e venda de produtos congelados.
Nas sextas e sábados, atende também com rodízios a partir das 20h. Recomenda-se agendar com antecedência e chegar até as 20h30min para aproveitar todos os sabores disponíveis. São cerca de 40 tipos diferentes de pizzas servidos, além de acompanhamentos como polenta frita, batata frita, cascudinho, anéis de cebola e salada diversa.
O empreendimento também atende com carta de bebidas completa. Tem vinhos e espumantes da Morruá, marca genuína de Teutônia, além de outros rótulos
famosos da Aurora e Garibaldi. Refrigerantes, chopes e drinks completam a lista. A PastaLuna está localizada na Rua Oito Norte, Centro Administrativo de Teutônia. O prédio moderno tem ambientes contemporâneos e um curioso diferencial: a cozinha envidraça-
da que permite ao cliente ver o preparo da pizza e outros pratos de camarote.
Inaugurado em dezembro de 2020, a pizzaria atualmente é administrado por Ronei Stein. Os contatos são o WhatsApp 51 99320-9976 e a página @pastalunapizzaria no Instagram.