
Sexta-feira e fim de semana, 3,4 e 5 abril de 2026 | Ano 23 - Nº 4069 |
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Sexta-feira e fim de semana, 3,4 e 5 abril de 2026 | Ano 23 - Nº 4069 |
Da herança indígena às celebrações cristãs, a macela perpetua gerações e ganha ainda mais força na Páscoa


religioso




Tradição de marcas regionais impulsiona geração de emprego e renda
A produção de chocolates no Vale do Taquari reúne cerca de 20 empresas. São pelo menos 1,2 mil empregos diretos, para uma produção estimada em 100 to-

OPINIÃO | RODRIGO MARTINI
A seis meses das eleições
Muitas peças e cartas ainda estão embaralhadas no tabuleiro do Vale.
neladas por mês. Na Páscoa, trabalho ganha escala e mostra que histórico das empresas é acompanhado por tecnologia, inovação e qualidade.

OPINIÃO | FERNANDO RÖHSIG
Estratégia por trás do aquário No mundo corporativo, a cultura é a “água”. Ela é invisível até que algo mude ou falte.





Aprodução de chocolate no Vale do Taquari ultrapassou o campo da tradição e se consolidou como atividade econômica estruturada. O que nasceu em pequenas fábricas familiares evoluiu para um setor com escala industrial, capacidade de inovação e presença crescente no mercado nacional.
Os números ajudam a dimensionar esse movimento. São cerca de 1,2 mil empregos diretos e produção que chega a 100 toneladas por mês, com expansão relevante no período da Páscoa. O crescimento médio anual, próximo de 20%, indica consistência.
O Vale construiu, ao longo de décadas, especialização produtiva clara nos alimentos, e o chocolate integra esse processo como atividade relevante...”
Há uma base histórica que sustenta esse desempenho. O conhecimento acumulado ao longo de gerações se soma a investimentos em tecnologia, modernização de plantas industriais e ampliação de portfólio. O resultado aparece na capacidade de competir em diferentes segmentos, do produto tradicional às linhas mais sofisticadas. O setor também demonstra leitura de mercado. A diversificação atende perfis distintos de consumo, com alternativas que vão de produtos premium a opções mais acessíveis. A produção de coberturas, por exemplo, amplia o alcance e responde ao comportamento do consumidor, sem comprometer qualidade e competitividade. O Vale construiu, ao longo de décadas, especialização produtiva clara nos alimentos, e o chocolate integra esse processo como atividade relevante, com capacidade de gerar valor, emprego e identidade econômica.
à Fundado em 1º de julho de 2002

Vale do Taquari - Lajeado - RS
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“Esse trabalho representa hoje um dos meus propósitos de vida”
Sábado, 4, é celebrado o Dia Mundial dos Animais de Rua, data dedicada à conscientizaçãosobreo abandono. Para marcar aocasião,esteespaço apresentaahistóriadeAna Bavaresco,hojevice-diretora daONGResgAUtados,de Venâncio Aires. A iniciativa surgiuduranteasenchentes de2024,quandoumgrupo devoluntáriosseuniupara apoiarumabrigopara animais.Oengajamento cresceunoperíodopósenchente e se consolidou na entidade
Eloisa Silva eloisasilva@grupoahora.net.br
Quando e como você conheceu a ONG ResgAUtados?
A ONG surgiu na enchente de 2024, a partir de um abrigo criado no Parque do Chimarrão, coordenado pela vereadora da causa animal Alessandra Ludwig. Um grupo de voluntários passou a apoiar o espaço diante da grande demanda de resgates e decidiu criar a ONG. Cheguei depois, ajudando em casos, até ser incluída no grupo. Meu primeiro resgate foi uma cachorrinha encontrada no gramado da casa dos meus pais. Depois, ajudei a localizar uma família de cães para castração. Fui adicionada ao grupo e nunca mais parei. Hoje sou vice-presidente e não imagino minha vida sem esse trabalho. Essa atuação representa hoje um dos meus propósitos de vida.

Como acontece o processo de resgate?
Os pedidos chegam de várias formas, principalmente pelo WhatsApp. Ao receber a solicitação, compartilhamos no grupo e organizamos o resgate: definimos equipe, acionamos clínicas e veterinários. Muitas vezes contamos com apoio da Secretaria do Meio Ambiente, por meio do Programa Toda Vida Importa. Hoje, temos um grupo de cerca de 15 pessoas envolvidas.
Quais são os principais cuidados após esse resgate?
Após o resgate, os animais podem ficar internados e depois precisam de cuidados em casa. A maior dificuldade é conseguir lar temporário. Esse acolhimento permite recuperação com segurança, carinho e aumenta as chances de adoção.
Como funciona o processo de adoção responsável?
A adoção inicia com entrevista e questionário sobre endereço, pátio fechado,
moradores da casa e condições financeiras. Se aprovado, levamos o animal para conhecer o local e orientamos sobre adaptação, castração, vacinação e vermífugo. Interessados em adoções, podem entrar em contato pelo Instagram @resgautadosvenancio.
Como a comunidade pode ajudar o trabalho da ONG?
A comunidade é essencial para monitorar animais de rua, cuidar de cães comunitários e oferecer lar temporário — o que mais faz falta. Muitas vezes deixamos de resgatar por falta de espaço. Também dependemos de doações para tratamentos, castrações, casinhas e medicamentos, além das pasteladas solidárias que promovemos. Qualquer valor ajuda, sobrevivemos de doações. Quem quiser ajudar financeiramente, pode fazer via Pix: (51) 999054870. Doações de ração e medicamentos podem ser entregues na loja Sapato.com, em Lajeado, Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul.



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RODRIGO MARTINI
Falta meio ano para os eleitores decidirem o futuro político do Vale do Taquari. E muitas peças e cartas ainda estão embaralhadas. A seis meses do aguardado dia de ir às urnas, o eleitor da região ainda não sabe quem serão todos os possíveis representantes regionais nas disputadas lutas por cadeiras na assembleia legislativa gaúcha e no congresso nacional. Por ora, só é possível “cravar”
quatro futuras candidaturas. Roberto Lucchese (MDB), Maneco Hassen (PT) e Mateus Trojan já confirmaram publicamente as respectivas pré-candidaturas a deputado estadual, e Carlos Ranzi (MDB) já anunciou que pretende concorrer a deputado federal. São pré-candidaturas anunciadas ao grande público, reforço, e por isso largam um tanto à frente de um outro

grupo formado por prováveis postulantes. E aí falamos de um número ainda incerto. Afinal, diversos agentes já se pronunciaram de forma mais discreta sobre o tema.
No PL, Luís Benoitt, Ramatis de Oliveira e Bolacha. No PP, Volnei Zancanaro. No PSDB, Darlã Bellini. No PSD, Magdiel Turrati e Everton Ferreira. No Democrata, Felipe Diehl. E é a cada vez maior a chance de esquecer alguém…
Aprovado por unanimidade na câmara de Estrela, o projeto de lei que prevê exame toxicológico para os futuros servidores concursados da administração municipal ainda precisa ser sancionado pela prefeita Carine Schwingel (União Brasil) para se tornar regra no município. Para isso, porém, a gestora vai solicitar análise criteriosa do setor jurídico da prefeitura e também de uma consulta externa. Segundo ela, há entendimentos que apontam inconstitucionalidade da matéria.
No entanto, Carine deixa claro que vai sancionar o projeto se a referida análise jurídica apontar pela legalidade, mas faz uma instigante ressalva. “Se for constitucional, eu sanciono. A partir disso, a minha opinião é que devemos incluir todos atores políticos, incluindo, prefeita, vice, secretários, vereadores e CCs. Aliás, o correto seria começar os testes justamente por eles, e não pelos servidores concursados”.
DAER
Projeto para uso do imóvel segue “em construção”...
O governo de Lajeado ainda não finalizou o projeto de lei para autorizar o leilão da valiosa área que pertencia ao Daer, localizada no entroncamento entre as avenidas Benjamin Constant e Alberto Pasqualini. Incorporado ao patrimônio do município em uma curiosa troca com o governo estadual – como contrapartida, o município custeou as obras de ampliação de um trecho urbano

da ERS-130 –, o imóvel ainda passa por uma demorada reavaliação. Em 2021, estava avaliado em R$ 15,5 milhões. Mas o entendimento do poder público é de uma importante valorização. Sobre o projeto de lei, a ideia do Executivo é garantir espaço (e recursos) para alargar em seis metros a Travessa Schmidt e a calçada dos pedestres, conquistar recursos para outras obras
de infraestrutura nos bairros, e exigir do arrematante do leilão a destinação de, no mínimo, 25% da área do pavimento térreo para “fruição pública”, um conceito urbanístico que garante “livre e contínuo acesso à população em geral” e visa embelezar e dar segurança e vitalidade às paisagens urbanas. Ainda sobre o futuro da área, muitos apostam na construção de novas torres comerciais.
- Pré-candidato a deputado federal, Juvir Costela (MDB) se despediu ontem do governo estadual e anunciou que foi o secretário que mais tempo ficou à frente da Secretaria de Transporte e Logística. Foram 2.645 dias, 832 km de estrada de chão pavimentadas, e 3,5 mil km estradas recuperadas. A partir de hoje, ele retorna à função de deputado estadual e terá mais tempo à pré-campanha.
- Em Lajeado, o relacionamento não está tenso apenas entre a prefeita e alguns vereadores do PL. Há uma insistente tensão, também, entre Gláucia Schumacher (PP) e muitos membros e agentes políticos do PP. Em tempo, o PP de Lajeado realiza eleição do diretório em outubro.
- Encantadense radicada em Lajeado, Simone Stülp deixou a função de Secretária Estadual de Inovação, Ciência e Tecnologia e vai atuar na PUC/ RS. Já a Secretária Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura, a lajeadense Marjorie Kaufmann, continuará firme e forte na função pública.
- Em Arroio do Meio, a avaliação do governo sobre o uso do estacionamento rotativo é positiva. Ou seja, e mesmo sem cobrança, os motoristas estariam respeitando a coletividade.
- Vereadores de Encantado solicitam a suspensão da cobrança de água e esgoto na cidade, tamanho o problema com o serviço prestado. É claro que a culpa não pode ser toda despejada à concessionária que recém assumiu os ativos da antiga estatal. Mas algo de errado não está certo no aditivo contratual. O mesmo vale para Venâncio Aires. E tudo serve de alerta para os lajeadenses.
- Eduardo Leite (PSD) deve confirmar nas próximas horas a permanência no cargo de governador do Rio Grande do Sul. E a primeira visita ao Vale do Taquari após a frustração em âmbito nacional – ele sonhava com a disputa presidencial – deve ocorrer na próxima semana, com agendas, anúncios e inaugurações em Estrela e Venâncio Aires. Ou seja, é vida que segue. E um bom feriado a todos!
Ex-prefeito de Arvorezinha e atual diretor do Sine/Fgtas, José Scorsatto (PDT) passou os últimos meses (ou anos) ventilando a possibi lidade de concorrer outra vez a deputado estadual (ele conquis tou 18.214 votos em 2022) e, mais recentemente, de assumir a Secretaria Estadual de Desen

volvimento Urbano e Metropolitano. Entretanto, e ao fim de tudo, ele confirma que não concorrerá e não assumirá secretarias. “Vou me dedicar mais às campanhas do deputado estadual Dirceu Franciscon e do deputado federal Luiz Carlos Busatto”. Em tempo, ambos são União Brasil.
O senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) confirmou presença no lançamento oficial da pré-candidatura a governador de Luciano Zucco (PL). O evento ocorre no dia 11 de abril, na Casa do Gaúcho, localizado no Parque Harmonia, em Porto Alegre.

vinibilhar@grupoahora.net.br
VINI BILHAR


Alberto Kappel, sócio da Kappel Imóveis, integra uma família com tradição no setor imobiliário no Vale do Rio Pardo, especialmente em Venâncio Aires. Em Lajeado, a atuação foi impulsionada pelo potencial econômico da cidade. Nesta coluna, ele analisa as oportunidades e os desafios do mercado imobiliário na região.
Como Lajeado sustenta o crescimento regional atual?
Alberto Kappel - Lajeado vem registrando crescimento econômico e populacional consistente, impulsionado por sua localização estratégica. Em um raio de 30 quilômetros, cerca de 27 municípios utilizam a cidade como polo regional de saúde, educação, comércio e serviços, favorecida pela BR-386. A economia diversificada, com presença de setores como alimentação, tecnologia e indústria, garante maior solidez e resiliência diante de oscilações. No Vale do Taquari, as enchentes provocaram perdas significativas

em municípios como Cruzeiro do Sul, com impacto na população. Por outro lado, Lajeado e Teutônia registraram aumento populacional ao receber moradores de cidades atingidas, além da migração de empresas para áreas menos afetadas, impulsionando a atividade econômica local.
A economia e as questões demográficas impactam no setor imobiliário?
Kappel - O mercado imobiliário está diretamente ligado ao desenvolvimento econômico e ao crescimento populacional, pilares que sustentam a demanda por imóveis.
Sem esses fatores, a expansão do setor perde força, com risco de baixa ocupação. Para um crescimento saudável, é essencial que a região mantenha dinamismo econômico e aumento da população, garantindo equilíbrio entre oferta e demanda.
Como as mudanças familiares redefinem a demanda imobiliária?
Kappel - Mudanças na estrutura familiar têm alterado o comportamento do consumidor no mercado imobiliário. Casamentos e filhos mais tardios, além de novos arranjos familiares, reduzem o tamanho médio das famílias e impactam a
demanda. Entre jovens da geração Y, cerca de 30% não pretendem ter filhos e a maioria planeja ter apenas um. Com isso, cresce a procura por imóveis compactos, de um ou dois dormitórios, e aumenta a rotatividade. Também ganha força a exigência por infraestrutura, como academia, salão de festas e áreas de lazer. A localização se torna decisiva, priorizando proximidade de serviços e qualidade de vida com menor dependência de carro.
A locação cresce com juros altos e novos hábitos?
Kappel - O mercado de locação segue aquecido, impulsionado pelas altas taxas de juros, que levam muitos consumidores a adiar a compra do imóvel. Apesar disso, a espera nem sempre representa economia, já que a queda da Selic tende a elevar os preços. Também pesa a mudança de comportamento das novas gerações, que valorizam mobilidade e flexibilidade, optando pela locação em vez da aquisição. Embora o sonho da casa própria persista, ele perdeu força entre os mais jovens. Em Lajeado, o setor é altamente competitivo, com cerca de 150 imobiliárias e mais de 800 corretores, além de profissionais de cidades vizinhas. O principal desafio está no equilíbrio de custos operacionais e na dificuldade
de contratação de mão de obra. Juros altos afetam compra, crédito e negociação?
Kappel - A taxa de juros é um fator decisivo para o mercado imobiliário, pois influencia tanto investidores quanto compradores. Com juros elevados, aplicações financeiras tornam-se mais atrativas que imóveis, reduzindo o interesse por investimentos no setor. Ao mesmo tempo, o crédito imobiliário encarece e diminui o poder de compra, já que o valor financiado cai para uma mesma parcela. Nesse cenário, aumenta o poder de barganha dos compradores, com negociações mais flexíveis. Programas subsidiados, como o Minha Casa Minha Vida, ganham relevância, especialmente com a ampliação do teto para até R$ 600 mil. Em imóveis de maior valor, cresce o parcelamento direto entre compradores e vendedores, como alternativa ao crédito tradicional.
É o momento para investimentos imobiliários?
Kappel - O cenário atual é visto como oportuno para entrar no mercado imobiliário, diante da expectativa de queda da Selic para 12,5% até o fim do ano. O momento ainda permite preços mais atrativos, maior poder de negociação e tende a estimular investimentos e o crédito.
Dólar: R$ 5,15
Ibovespa: 188.052,02



Previsão inicial era março, mas a obra ainda não começou. Estado indica prazo entre maio e junho e afirma que cronograma segue dentro do prazo
Aobra da Ponte dos Vales não começou dentro do prazo previsto e gera preocupação entre líderes regionais. A expectativa era de início em março. Agora, o governo do Estado trabalha com uma nova janela entre maio e junho.
O contrato foi assinado em dezembro e, desde então, ocorrem etapas preparatórias. No local, já feitas estacas-teste e serviços preliminares. No entanto, a construção efetiva ainda depende da conclusão e aprovação dos projetos técnico e executivo.
O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) afirma que o cronograma segue dentro do previsto. Segundo o órgão, o projeto básico foi concluído pela empresa responsável e está em análise. Após a validação, será iniciada a elaboração do projeto executivo, etapa necessária para o início da obra. A previsão oficial é de início no primeiro semestre de 2026, com conclusão em 2027.
O atraso em relação à previsão inicial acende alerta na região.

A principal preocupação está no prazo legal para uso dos recursos do Fundo da Reconstrução do RS (Funrigs). Pelo modelo, o limite de execução das obras vai até o segundo semestre de 2027. Com investimento estimado em R$ 288,5 milhões, a Ponte dos Vales é considerada uma das principais obras da reconstrução pós-enchente no Estado. A estrutura ligará Cruzeiro do Sul a Estrela, conectando as ERSs 130 e 129, com acesso à BR-386. O projeto prevê 3,1 quilômetros
de extensão, sendo 1,2 km de vão principal, além de cota elevada para suportar cheias históricas.
A obra foi contratada em regime integrado, no qual a mesma empresa é responsável pelo projeto executivo e pela execução. Esse modelo busca dar mais agilidade, mas exige validação técnica completa antes do início da construção. Neste momento, o processo
está na fase de análise do projeto básico. A partir da aprovação, será detalhado o projeto executivo, com definições sobre fundações, pilares e estrutura.
A Ponte dos Vales é tratada como um novo eixo logístico para o Vale do Taquari. A estrutura deve reduzir o tempo de deslocamento, ampliar a segurança viária e oferecer alternativa em períodos de cheia.
Contrato assinado em dezembro
Estacas-teste e serviços preliminares feitos
Projeto básico em análise
Previsão inicial: março
Nova estimativa: entre maio e junho
Conclusão prevista: 2027
Investimento
R$ 288,5 milhões
Recursos do Funrigs
Estrutura
Extensão total: 3,1 km
Vão principal: 1,2 km
Ligação: Cruzeiro do Sul a

Estrado trabalha com a meta de iniciar as obras entre maio e junho
O projeto foi definido a partir de estudo técnico que apontou menor custo de desapropriações, melhor cota de segurança e menor impacto ambiental. O fluxo estimado é de cerca de 11 mil veículos por dia.

Mateus Trojan é précandidato a deputado estadual. Até 2028, Amarildo Baldasso (PSD) comanda o Executivo
MUÇUM
Chegou ao fim o período de cinco anos e três meses em que Mateus Trojan foi prefeito de Muçum. Nesta sexta-feira, 4, ele renunciou ao cargo para concorrer a deputado estadual em outubro. A saída antecipada é condição para ser candidato. A desincompatibilização impede o retorno ao comando do Executivo, qualquer seja o resultado nas urnas.
Aos 31 anos, Mateus esteve

em cargo público nos últimos nove anos. Quatro na condição de vereado e cinco como prefeito. A possibilidade de concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa se intensificou após as enchentes de 2023 e 2024, quando Muçum foi uma das cidades mais atingidas do estado, com mortes e destruição de bairros inteiros. “Encero este ciclo muito feliz pelo trabalho feito em conjunto com muitas pessoas e estou atendendo a um chamado de seguir colaborando para melhoras
a vida das pessoas”, resumiu.
Recentemente ele presidiu a Associação de Municípios do Alto Taquari (Amat) e também foi citado pela JCI como um dos 10 jovens mais influentes do Brasil. Até o fechamento da edição, Trojan participava de reuniões para alinhar o futuro político e decidir entre a permanência do MDB e a mudança para outra sigla.
Foco em habitação
Caberá ao vice-prefeito, Amarildo Baldasso (PSD), assumir o cargo até o final de 2028. A troca de prefeito no início do segundo ano do mandato era preparada nos corredores da prefeitura. Com isso, Baldasso tomou conhecimento do funcionamento de cada área e fez ajustes na equipe de trabalho para dar continuidade a gestão. Com posse definitiva prevista para a
segunda-feira, 6, na câmara de vereadores, Baldasso descarta novas trocas de secretários. O foco estará na sequência de projetos e manutenção dos serviços básicos para a comunidade. “Estas áreas como saúde e educação precisam seguir sem problemas. É o atendimento para as pessoas. O grande desafio são as casas, precisamos concluir as obras e entregar para as pessoas um lugar digno, longe de risco que elas possam recomeçar suas vidas”, especifica.
Trojan foi eleito vereador em 2016, com 214 votos. Na eleição seguinte, somou 2.008 votos, 55,42% do total e conquistou seu primeiro mandato como prefeito, Em 2024, foi reeleito com 80,82% dos votos. Trojan foi reconhecido como um dos jovens mais influentes do Brasil e ganhou espaço após a atuação de enfrentamento as enchentes de 2023 e 2024 junto com o processo de reconstrução da cidade. Momento emocionante, não tem como se manter diante de tanto reconhecimento e lembranças dos momentos difíceis, com estas pessoas junto.

Seja na indústria ou artesanal, a atividade incorpora tecnologia e amplia presença no mercado nacional. Setor mantém crescimento e reforça importância econômica

VALE DO TAQUARI
Produzir chocolates está entre os diferenciais do Vale do Taquari e na Páscoa o trabalho fica mais evidente. Ainda assim, tratase de uma atividade que atravessa gerações e se consolida como uma marca regional. O setor reúne empresas centenárias, indústrias inovadoras e o modelo único em negócios artesanais.
O consumo e a diversificação de produtos fazem com que as empresas invistam em novos formatos, tecnologia e aumento de capacidade produtiva. Como consequência, o setor registra crescimento médio anual
Na Páscoa deste ano, a Neugebauer aposta nos tradicionais sabores, com um portfólio com mais de 100 produtos, alguns com décadas de existência e com uma presença muito forte entre os consumidores.”

próximo de 20%, com expansão das fábricas e fortalecimento da presença no mercado nacional.
A base dessa indústria está na formação econômica do Vale. A produção de chocolate acompanha o desenvolvimento das primeiras comunidades

Há uma busca por produtos mais acessíveis. A cobertura entra como substituição em muitos casos, com bom resultado final e melhor custo-benefício.”
organizadas, com forte influência de imigrantes alemães, italianos e açorianos.
O movimento teve início ainda no fim do século 19, com pequenos empreendimentos familiares que evoluíram para estruturas industriais. A permanência dessas empresas ao longo do tempo consolidou o conhecimento técnico e a cultura produtiva da região.
Entre os exemplos está a Haenssgen, de Cruzeiro do Sul, fundada em 1895. A empresa é considerada uma das primeiras fábricas familiares de chocolate do país e mantém operação até hoje.
“Nosso foco está na linha de coberturas de chocolates, cremes e recheios destinados à transformação. Na Páscoa, a produção tem um crescimento significativo devido à produção de ovos de chocolates, biscoitos decorados”, diz o diretor comercial da Haenssgen, Maurício Augusto.
Conforme dados da plataforma DataSebrae, são pelo menos 20 empresas com atividades ligadas ao chocolate. Dentro deste universo, cerca de 1,2 mil empregos diretos criados. Em períodos normais, a produção média por mês se aproxima de 100 toneladas. Número superado no período de Páscoa.
Marca histórica e busca por inovação
Outra marca relevante é a Neugebauer. Com operação em
Arroio do Meio se consolidou tanto pelo histórico como pelo avanço tecnológico. A empresa ampliou a produção, modernizou equipamentos e diversificou portfólio.
A Neugebauer completa 135 anos em 2026 e projeta crescimento de 17% nas vendas na Páscoa, com foco na linha de bombons. Em 2025, atingiu faturamento de R$ 1 bilhão.
“Na Páscoa deste ano, a Neugebauer aposta nos tradicionais sabores, com um portfólio com mais de 100 produtos, alguns com décadas de existência e com uma presença muito forte entre os consumidores”, realça o presidente, Ricardo Vontobel.
Além dos bombons, um grande destaque é a barra de chocolate. “Somos uma marca que carrega uma tradição centenária, o que nos coloca na lembrança de diversas gerações. Isso nos permite entrar na casa das pessoas também na Páscoa com produtos já reconhecidos e não sazonais”, afirma Vontobel.
Em Lajeado, a Florestal amplia a presença no setor e projeta crescimento de 50% na linha de chocolates em 2026. “A Páscoa é um momento estratégico. Investimos em inovação e variedade para atender desde o público infantil até o adulto, sempre com foco em qualidade”, afirma o gerente de marketing, Alexandre Ferrari.
A preparação para a data começa com antecedência. “O planejamento inicia logo após o fim da Páscoa anterior. A produção começa em outubro para garantir escala e abastecimento”, acrescenta. Embora a Páscoa represente o principal período de vendas, o consumo de chocolate deixou de ser restrito a datas específicas. As empresas passaram a investir em novos formatos, maior teor de cacau e combinações com outros ingredientes, ampliando o público e reduzindo a sazonalidade.
Ao lado das grandes indústrias, a produção artesanal mantém

crescimento e presença regional. A Requinte Chocolatteria, de Arroio do Meio, começou como produção doméstica e hoje opera com mais de 100 itens. Tudo começou na garagem. “O início foi fazendo chocolate para os filhos. Hoje temos uma empresa estruturada e seguimos crescendo”, afirma a proprietária, Bernadete Both. São oito funcionários em períodos normais e, na Páscoa, chega até 20 trabalhadores “A gente se prepara o ano inteiro. Compra

matéria-prima antes, organiza produção e estrutura. Isso garante preço e qualidade”, diz.
Além da venda direta na fábrica, às margens da ERS-130; também faz entregas, sendo a maior parte dentro do Vale do Taquari. De acordo com Bernadete, a projeção para este ano é crescer até 20% em volume de vendas. No ano passado houve redução devido a falta de travessia entre Lajeado e Arroio do Meio. “A ponte foi liberada apenas uma semana antes da Páscoa. Para este ano o fluxo normal contribuiu para ampliar as vendas.”
Mesmo diante da alta do preço do cacau, com insumos em estoque conseguiu manter a competitividade. “Conseguimos segurar os preços enquanto indústrias maiores já repassaram aumentos.”
Além das indústrias que fabricam o chocolate final, há um segmento que ganha espaço: a produção de coberturas. Em Westfália, a Klain Alimentos atua neste nicho e amplia presença. Diferente do chocolate tradicional, a cobertura se consolida como alternativa mais acessível para a produção de ovos e derivados. “A cobertura vem ganhando espaço por ter um custo mais baixo e ainda entregar qualidade. É uma alternativa que atende tanto a indústria quanto quem produz em casa”, afirma o diretor comercial, Mauro Fernando Konrad.
Segundo ele, o movimento acompanha o comportamento
A Requinte Chocolatteria, de Arroio do Meio, começou como produção doméstica e hoje opera com mais de 100 itens
do consumidor. “Há uma busca por produtos mais acessíveis. A cobertura entra como substituição em muitos casos, com bom resultado final e melhor custobenefício”, diz.
A empresa atua com fornecimento em escala industrial, com embalagens de até 20 quilos, além de presença no varejo. O produto atende desde fábricas até pequenos produtores e consumidores domésticos.
No período da Páscoa, a demanda aumenta de forma significativa. “Nós já temos histórico e acompanhamos essa evolução. As vendas chegam a triplicar nesse período”, afirma Konrad.
O mesmo comportamento se repete na loja de fábrica. “É o melhor momento do ano. O volume de vendas triplica, impulsionado tanto pelos ovos quanto por cestas e outros produtos”, destaca.
Para o diretor, o consumo também passa por mudança estrutural. “O mercado já mostra migração para alternativas mais baratas. Nem sempre é só o ovo de Páscoa. Caixas de bombom, kits e outros produtos ganham espaço.”
Outro ponto observado é o comportamento de compra. “A maior parte das vendas ocorre nos últimos dias. Cerca de 80% se concentra nas duas semanas que antecedem a Páscoa. O consumidor deixa para a última hora, muitas vezes esperando promoção.”
Apesar do aumento da demanda, a empresa não amplia a equipe. “Nossa produção é contínua ao longo do ano e temos capacidade instalada. As máquinas suportam esse aumento sem necessidade de contratação adicional”, afirma.

Qualidade
reconhecida no mundo
Na Divine Chocolates, de Encantado, a operação começa muito antes da data. A empresa mobiliza diferentes áreas para atender a demanda e manter o ritmo de crescimento. Com cerca de 250 funcionários, a indústria amplia a produção e estrutura para atender o mercado. A data concentra a maior parte das vendas, mas também funciona como estratégia de posicionamento.
Mais do que volume, a marca aposta em posicionamento por qualidade. A empresa foi premiada em duas edições da ISM Middle East, em Dubai, nos Emirados Árabes, como melhor
chocolate inovador. O evento reúne algumas das maiores indústrias globais do setor. “Nos inspiramos em países que valorizam o fazer bemfeito, onde o foco não está no preço, mas na qualidade e na experiência do consumidor”, afirma o sócio-diretor, José Inácio Turatti.
A Divine nasceu há 14 anos a partir de uma imersão técnica no universo do cacau, com visitas a plantações e domínio do processo produtivo. Hoje, opera em uma estrutura de 1,2 mil metros quadrados às margens da ERS-129, que reúne fábrica e loja conceito.
A produção de chocolates no Vale do Taquari se distribui em diferentes municípios, com concentração em polos industriais e presença complementar em cidades menores. NÚMERO DE EMPRESAS POR MUNICÍPIO (DATASEBRAE):
Proposta prioriza pedestres, reorganiza calçadas e prevê início entre final de 2026 e início de 2027. Plano inicial foi apresentado em 2022 e desde então passou por revisões e ajustes. Fase orçamentária está em finalização

Proposta prevê modernização e acessos mais humanizados
Um anseio antigo com comunidade avança em Lajeado. A proposta para tornar a Rua Júlio de Castilhos mais segura, arborizada e com maior circulação humana está em fase final de avaliação orçamentária e, ao que tudo indica, deve ser licitada ainda no primeiro semestre. A via, na área central, é o principal eixo comercial da cidade, além carregar o simbolismo histórico.
O projeto de requalificação urbana é discutido desde 2022, relembra o secretário de Planejamento, Mobilidade e Urbanismo, Alex Schmidt. Após revisões retomadas em 2025, o plano de restauração deve seguir à fase de licitação nos próximos meses. A expectativa do governo municipal é que o edital seja lançando ainda no primeiro semestre de 2026.
A proposta mantém o foco na qualificação do espaço urbano e na ampliação do uso do Centro pela população. O projeto prevê intervenções nas calçadas, reorganização de cruzamentos e inclusão de áreas

verdes. A estrutura viária será preservada, afirma, Schmidt, com manutenção do pavimento existente. O secretário destaca que as intervenções devem ser executadas por etapas.
A proposta inclui ainda mobiliário urbano, iluminação voltada ao pedestre e definição de faixas de uso, com separação entre circulação e serviços. A reformulação incorporou sugestões de entidades e ajustes
técnicos realizados pelo Executivo municipal. O projeto básico está em fase de conclusão e passa por adequações para viabilizar a execução.
Na avaliação do secretário, a proposta vai além da intervenção física. “É preciso criar condições para que as pessoas circulem e utilizem a Júlio de forma integrada
- Requalificação das calçadas
- Acessibilidade em todo o trecho
- Novos cruzamentos com prioridade ao pedestre
- Implantação de áreas verdes
- Instalação de mobiliário urbano
- Iluminação voltada à circulação de pessoas
O foco recai sobre calçadas, travessias e permanência da população na área central. A estratégia prioriza circulação de pedestres e permanência no espaço público, com impacto direto no uso do Centro. A proposta não altera a estrutura da via.
ao ambiente urbano”, afirma. O principal desafio foi conciliar um modelo economicamente viável e que atendesse as principais reformas previstas na proposta original.
Entre as principais mudanças, a retirada de rede elétrica subterrânea. A proposta foi removida do escopo devido ao custo elevado, com previsão de custos milionários. As enchentes também alteraram prioridades e adiaram o andamento do projeto. “O foco estava em atender as necessidades da população. Passado esse período, iniciamos a reavaliação do plano”, explica. Quanto aos investimentos, a proposta prevê combinação de recursos já confirmados e aporte municipal. Um repasse de R$ 500 mil, por meio de emenda parlamentar, está disponível, enquanto o restante depende de ajustes no orçamento do município, diz o secretário. A definição dos valores finais ocorre na etapa atual do projeto.

Município aposta em novos projetos imobiliários e requalificação de áreas estratégicas para atrair investimentos
TAQUARI
Taquari projeta, para os próximos meses, a aprovação de mais de 10 mil m² em novos empreendimentos. Os projetos não se concentram apenas na região da Rodovia Aleixo Rocha, mas também avançam ao longo da avenida Farrapos.
Segundo o prefeito André Brito, o movimento é relevante tanto para a expansão urbana da cidade quanto para o ambiente de negócios. Até março deste ano, Taquari já registrou a abertura de 114 novas empresas, indicador que, na avaliação do executivo reflete um cenário de maior confiança. “Isso demonstra que há um sentimento de esperança e de avanço no município”, afirma. A estratégia inclui a municipalização do primeiro trecho da Aleixo Rocha, o que permitirá o uso da faixa de domínio para

novos empreendimentos, ampliando a capacidade de desenvolvimento da região. “Já temos parecer favorável e
solicitamos a ampliação por mais dois quilômetros, com a intenção de investir em infraestrutura e qualificação urbana, tornando o espaço mais atrativo e preparado para o futuro”, comenta.
O município também busca fortalecer sua posição logística a partir da conexão com rodovias como a ERS-287 e a BR-386, consideradas vetores importantes para atração de investimentos.
Segundo Brito, mesmo trechos mais afastados do centro ganham relevância estratégica. Um exemplo é a área próxima à sede da empresa Fruki, localizada em um eixo com potencial de pavimentação e exploração econômica.
A leitura da administração é de que o crescimento tende a se intensificar à medida que Taquari passa a ser percebida como um território com maior potencial econômico.

Estamos investindo para despertar no empresariado o olhar para as potencialidades do município.”
“Estamos investindo para despertar no empresariado o olhar para as potencialidades do município. Hoje, temos cerca de 26 mil habitantes, fila zero na educação infantil e, por meio de um pacto, estamos construindo mais uma creche”, destaca. Como forma de incentivo, o município conta com uma legislação específica voltada ao desenvolvimento econômico. Além disso, oferece apoio direto ao empreendedor, com serviços como terraplanagem, infraestrutura e preparação de áreas. Outro instrumento é a política de incentivo fiscal, que prevê a devolução de até 50% do valor de ICMS gerado pelo empreendimento, limitada ao montante investido.

Da herança indígena às celebrações cristãs, a macela perpetua gerações e ganha ainda mais força nos dias que antecedem a Páscoa. Símbolo de fé, cultura e tradição, também se consolida como importante fonte de renda para comunidades indígenas
Estevão
Heisler projetoagro@grupoahora.net.br
Planta medicinal símbolo do Rio Grande do Sul desde 2002, a macela — também conhecida como marcela — tem raízes profundas no conhecimento indígena. Muito antes da colonização europeia, os povos originários já utilizavam a espécie para prevenir e tratar uma série de doenças.
Com a demanda aquecida na Semana Santa, os aldeões buscam ampliar a oferta para reforçar a renda das famílias. No entanto, enfrentam um desafio crescente: a escassez da planta no Vale do Taquari, o que obriga a busca por áreas mais distantes do Estado. Na aldeia Kaingang Tãnh Mág, às margens da ERS-453, em Cruzeiro do Sul, a cacique Miriane Pēnfág Antunes da Silva, 38, relata a redução significativa da disponibilidade da espécie.
“Aqui pela região já é muito difícil encontrar. Precisamos buscar em outras aldeias maiores, como em Ronda Alta e Nonoai, onde temos parentes.”
Do campo ao ponto de venda, o preparo exige técnica e tradição, transmitidas entre gerações. Os ramos floridos são colhidos antes do período religioso, respeitando o ponto ideal da planta. Em seguida, passam por um processo cuidadoso de secagem à sombra, que pode durar de 20 a 30 dias.
As flores permanecem em locais limpos e arejados para “transpirar”, preservando sua qualidade. Próximo à comercialização, recebem exposição ao sol para completar a abertura dos botões e, em uma etapa final, absorvem o orvalho de uma madrugada. Só então são organizadas em feixes. “Se colher na hora errada ou secar mal, ela perde a cor, o aroma e as propriedades. Quando chega a Semana Santa, a que foi colhida na madrugada muitas vezes já perdeu potência”, explica a cacique.
O aprendizado começa cedo. “Assim que começam a caminhar, as crianças já aprendem sobre o artesanato e o cuidado com as plantas.”
A aldeia reúne 12 famílias, cerca de 40 pessoas, e cada uma é responsável por sua produção e comercialização. As vendas se concentram em
municípios maiores, como Lajeado, Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul. Durante o período, alguns indígenas saem ainda de madrugada, entre 3h e 4h, repetindo um movimento que dialoga com a tradição religiosa da população.
Algumas famílias chegam a vender entre 250 e 300 feixes, garantindo renda significativa. Além da macela, também comercializam artesanato — cestos, balaios e enfeites — o que torna a Páscoa o período mais importante do ano para o faturamento, seguido pelo Natal.
Uso medicinal e preservação
Para além do valor cultural e econômico, a macela segue presente no cotidiano indígena ao longo de todo o ano. É utilizada em chás, banhos e preparos caseiros para aliviar dores, problemas digestivos, gripe e até dificuldades de circulação. “O banho de macela é muito forte nas nossas tradições. Ele esquenta de dentro para fora, ajudando nas friagens e até na fertilidade de mulheres que não conseguem ter filhos”, destaca a cacique.

A continuidade da espécie depende de práticas de manejo cuidadosas. A colheita é feita sem arrancar a raiz e, quando necessário, há replantio. A planta também exige condições específicas para germinar, geralmente associadas a outras espécies nativas. “Se plantar no limpo, ela não nasce. Precisa da capoeira, do ambiente natural. Por isso a gente cuida.”
Colheita no amanhecer da Sexta-Feira Santa
Se colher na hora errada ou secar mal, ela perde a cor, o aroma e as propriedades. Quando chega a Semana Santa, a que foi colhida na madrugada muitas vezes já perdeu potência.” RECONHECIDA POR
Segundo ela, fatores como o uso de agrotóxicos e as mudanças climáticas têm impactado diretamente a ocorrência da planta. “A macela é muito sensível. Se chove demais, apodrece. Se faz muito calor, queima antes mesmo de florescer.”

A tradição de colher macela na madrugada da Sexta-Feira Santa segue viva em diversas regiões, reunindo fé, cultura popular e o reconhecimento das propriedades medicinais da planta.
O costume orienta que a coleta ocorra antes dos primeiros raios de sol, ainda com o orvalho sobre as flores — momento em que, segundo a crença, a planta estaria “abençoada” e com maior concentração de seus princípios ativos.
O hábito atravessa gerações e mobiliza famílias inteiras, que saem ainda de madrugada rumo aos campos. Mais do que simbólica, a escolha do horário também tem efeito prático: o orvalho e as temperaturas amenas ajudam a preservar aroma, coloração e propriedades terapêuticas.
Muito comum em áreas de campo do Sul do Brasil, como o Pampa, além de regiões de Cerrado e Mata Atlântica, a macela foi instituída oficialmente como planta medicinal símbolo do Rio Grande do Sul pela Lei Estadual nº 11.858, de 5 de dezembro de 2002. A legislação reconhece não apenas seu valor terapêutico, mas também sua relevância cultural.
A tradição encontra respaldo na ciência. A planta possui compostos como flavonoides, terpenoides e óleos essenciais, associados a efeitos digestivos, anti-inflamatórios e calmantes. A preparação mais comum consiste na infusão de uma colher de chá das flores secas em cerca de 150 mililitros de água quente, podendo ser consumida até três vezes ao dia.
A redução da ocorrência natural da macela em algumas regiões reforça a necessidade de práticas sustentáveis, como a dispersão de sementes e a preservação dos ambientes onde a espécie se desenvolve.
Com raízes profundas na cultura indígena, a macela faz parte da rotina na Aldeia Kaingang Tãnh Mág, de Cruzeiro do Sul e se torna importante fonte de renda para as famílias


Um grupo de moradores de Linha Catarina, no interior de Teutônia, organiza uma programação especial de Sexta-Feira Santa que busca valorizar a conexão com a natureza e a produção rural local. A iniciativa reúne famílias da comunidade em torno do movimento Catarinas Wanderwege — “trilhas de Catarina”, em alemão — e da Ostermarkt, feira de Páscoa na tradução.
A programação ocorre no Sítio Timbaúva, de Everton Augustin, que participa da organização das atividades ao lado de outras famílias da localidade, vizinhas ao Café e Pousada Bela Catarina. No espaço, os participantes poderão percorrer trilhas em meio à mata e contemplar a natureza, inclusive
trechos com macela.
Além da caminhada, haverá a comercialização de produtos coloniais e artesanato, com a participação de expositores da própria região. Entre os itens disponíveis estão pães, queijos, sucos, melado, biscoitos, tortas, pastéis, peixe frito, além de ramalhetes de macela.
A feira começa às 13h. A concentração para a trilha ocorre às 14h, com saída as 15h. Os participantes poderão escolher entre dois percursos: um de 4,7 quilômetros e outro de 6,5 quilômetros, ambos também em meio à vegetação nativa. A expectativa dos organizadores é reunir cerca de 150 pessoas na atividade.

Comercialização de carpas vivas deve se intensificar na manhã de Sexta-Feira Santa, quando cresce a procura por peixe fresco
Maira Schneider mairaschneider@grupoahora.net.br
LAJEADO
Atradicional Feira do Peixe Vivo segue até esta sexta-feira, 3, no espaço da Feira do Produtor Rural, ao lado do Parque Professor Theobaldo Dick, com expectativa de comercializar mais de cinco toneladas de carpas ao
longo dos quatro dias. Nos três primeiros dias, cerca de quatro toneladas já foram vendidas, e a tendência é de grande movimentação no último dia, quando os consumidores buscam garantir o peixe mais fresco para a SextaFeira Santa.
O fornecimento é feito pela Associação de Piscicultores de Sério, que há mais de dez anos participa da feira, levando os peixes vivos para a venda direta ao público. Conforme a extensionista da Emater/RS-Ascar, Andréia Tonin, a expectativa é de recorde nas vendas. No local, estão disponíveis carpa capim, húngara, cabeça-grande e prateada.
“A proposta da iniciativa é aproximar produtores e consumidores, fortalecendo o vínculo de confiança e garantindo preço justo, sem a presença de intermediários.” A carpa capim, a mais
procurada, está sendo vendida a R$ 17,00 o quilo do peixe vivo, enquanto as demais espécies custam R$ 14,00 o quilo.
Para o produtor Claudiomiro Stoll, de Sério, a Semana Santa representa o período mais importante do ano para a piscicultura. Segundo ele, o planejamento para a feira começa ainda no ano anterior, devido ao volume de vendas esperado na data. “Quem vier aqui, terá seu peixe garantido”. Consumidores chegaram cedo. O aposentado Irton Fuchs, morador do bairro Olarias, manteve a tradição familiar e adquiriu carpas prateada e húngara. “Todos os anos venho comprar. Reúno a família e fizemos eles fritos, fica uma delícia. Peixe fresco e de boa qualidade”.

Associação de Piscicultores de Sério projeta recorde de vendas
Estão sendo comercializadas carpas capim, húngara, prateada e cabeça grande

A feira funciona nesta Sexta-feira Santa, das 9h às 11h30, ou enquanto houver oferta de peixes.


Ampliação do varejo farmacêutico em Santa Clara do Sul
marca inauguração com ofertas, e destina parte das vendas do dia à Liga de Combate ao Câncer do município
Aloja de número 24 da Farmácias São João no Vale do Taquari foi inaugurada nessa quinta-feira, 2, na cidade das flores, reunindo autoridades, representantes da empresa e a comunidade. Para o coordenador regional da rede, Wagner Schuck, a chegada da unidade faz parte da estratégia de expansão no Vale. “O Vale do Taquari é um dos pilares da nossa empresa. Cada nova loja só é possível graças ao trabalho realizado pelas demais unidades e ao apoio da comunidade. Santa Clara é uma cidade em desenvolvimento, com forte cultura de

trabalho, algo que combina com o nosso DNA.”
Segundo ele, a abertura de uma nova unidade envolve planejamento detalhado, desde a escolha do ponto e horário de funcionamento até a seleção e capacitação da equipe. “Queremos que essa
loja seja um sucesso e mais um passo no desenvolvimento da São João na região.”
Como parte da programação de inauguração, a empresa promoveu ofertas especiais e ações promocionais, como cashback de R$ 25 para compras acima de R$ 100.

parte do plano de expansão da Rede

Santa Clara é uma cidade em desenvolvimento, com forte cultura de trabalho, algo que combina com o nosso DNA.”
elevado. Para nós, é muito gratificante ver essa mobilização.”
O prefeito Márcio Haas destacou que o novo empreendimento amplia as opções para a comunidade. “A São João vem para agregar ao município, oferecendo mais uma alternativa aos moradores. Ficamos muito felizes com essa inauguração.”
Moradora do município, a aposentada Vera Lúcia Mallmann comemorou a chegada da rede. “Já comprava em outras cidades por causa dos descontos. Agora posso aproveitar os preços aqui mesmo.” Ela ainda aproveitou as promoções de itens da Páscoa para presentear a criançada.
A inauguração também teve caráter solidário. Ao longo do dia, 50% do valor total das vendas será destinado à Liga de Combate ao Câncer de Santa Clara do Sul. A entidade atende atualmente cerca de 50 pacientes no município. Presidente da Liga, Marlene Schonardt ressaltou a importância da iniciativa. “Só temos a agradecer. Esse recurso vai ajudar no pagamento de exames, suplementos e medicamentos, que têm custo
Inauguração contou com caráter solidário, parte das vendas do dia foi destinada à Liga de Combate ao Câncer do município
Com mais de 1.250 lojas e cerca de 23,5 mil colaboradores, a Farmácias São João é a quarta maior rede do varejo farmacêutico do Brasil, com forte presença no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, mantendo ritmo constante de expansão na região Sul.

Esse recurso vai ajudar no pagamento de exames, suplementos e medicamentos, que têm custo elevado.”












Parte dos moradores da região não concordam com o trabalho feito pela RGE

LAJEADO
A RGE iniciou, nessa quintafeira, 2, um trabalho de poda das árvores da espécie Ipê que ficam no canteiro da avenida Alberto Müller, no bairro Alto do Parque, em Lajeado. A retirada dos galhos foi feita quase na esquina com a rua Emilio Weit. Parte dos dos moradores da região da cidade não concordam com a ação e reclamaram.
Conforme a concessionária, os galhos estavam em meio a fiação e por precaução foram cortados, pois em casos de ventos fortes e até temporais podem romper os cabos de energia elétrica, internet e telefonia. O trânsito no local chegou a ser interrompido em uma das vias para a execução do serviço.
A RGE foi procurada para mais explicações, mas ainda não se manifestou.


ATENDIMENTO NO FERIADO
Feriado prolongado altera funcionamento de comércio e serviços na região. Transporte público fica suspenso em Lajeado nesta sexta. Autoridades alertam para grande fluxo de veículos nas rodovias
Karine Pinheiro karine@grupoahora.net.br
Os feriados da Sextafeira Santa e de Páscoa alteram os serviços no Vale do Taquari. Com celebrações iniciadas hoje, 3, a data impacta os atendimentos em serviços públicos, saúde, transporte e comércio. O grande fluxo de veículos nas rodovias federais e estaduais também deve ser observado pelos condutores.
Na BR-386, a ViaSul projeta tráfego intenso, com circulação de aproximadamente 362 mil veículos ao longo do período, sendo 182 mil sentido norte e mais de 179 mil para o sentido sul. Somente na Freeway, são esperados mais de 756 mil veículos nos dois sentidos. Por esse motivo, a concessionária, com o auxílio da Polícia Rodoviária Federal (PRF),
aumenta a fiscalização na via.
Serviço público
As prefeituras e o atendimento público na região não funcionam nesta Sexta-feira Santa. Em caso de necessidade de auxílio médico, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou o Pronto Atendimento Ambulatorial Pro Vale (P.A.+) devem ser procurados, bem como a emergência d hospitais. As coletas de resíduos, seletiva e orgânica ocorrem normalmente.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também informa que as agências bancárias não abrem, mas as áreas de autoatendimento e canais digitais e remotos ficam disponíveis. As compensações bancárias não serão efetivadas nessas datas. O atendimento será retomado normalmente na segunda-feira, 6. No sábado, todas as unidades atendem normalmente. Já no domingo, Supermercado STR, Stok Center, Supermercados Dália e unidades do Supermercado Esquinão de Lajeado, não abrem.
A praça de alimentação do Shopping Lajeado funciona nos feriados em horário de domingo, das 11h às 22h, e as lojas das 13h às 19h. O Jardim Botânico funciona normalmente, das 8h às 19h, sem fechar ao meio-dia. O Parque Histórico conta com atendimento
SUPERMERCADOS:
- Imec: Horário normal
- Desco: Horário normal
- Supermercado STR: Fechado
- Prass Super e Atacado: Horário normal
- Supermercados Dália: Fechado
- Mercado Battisti: Horário normal
- Stok Center: Horário normal
- Unidades Degasperi: Horário normal
- Atacadão Lajeado: Horário normal
- Super Esquinão: Das 8h às 12h e das 16h às 20h
- Passarela Supermercado (Shopping Lajeado): 8h às 18h
das 14h às 17h, sem fechar ao meio-dia. Já o transporte público fica suspenso durante toda a Sexta-feira Santa.


Evento do Dia Mundial reúne famílias, alunos e profissionais e destaca avanços no diagnóstico e no acolhimento
Fabiano Lautenschläger centraldejornalismo@grupoahora.net.br
AApae de Lajeado voltou a colocar o autismo em evidência nesta quinta-feira, 2, com a
tradicional caminhada de conscientização realizada no entorno da instituição. A atividade reuniu alunos, familiares e profissionais e marcou a data com foco em informação, inclusão e redução do preconceito.
Segundo a diretora da Apae, Ana Paula Reck, a caminhada ocorre há anos, mas neste ano foi pensada de forma diferente. Em vez de seguir pelas ruas centrais, como em outras edições, o trajeto ficou concentrado nas vias próximas à entidade e às escolas do entorno.



A ideia, conforme ela, foi aproximar ainda mais a ação da comunidade escolar e fortalecer o vínculo com a vizinhança. “A caminhada já acontece há muito tempo. Neste ano, buscando a inclusão e o fortalecimento das escolas que estão muito próximas da gente, decidimos fazer pelas ruas do entorno da Apae”, explica. Para o presidente da Apae Lajeado, Adilson Johann, a mobilização ajuda a naturalizar um tema que ainda é cercado por dúvidas. Na avaliação dele, o avanço no diagnóstico e o aumento da circulação de informação fizeram o autismo deixar de ser um assunto pouco debatido para ganhar mais espaço nas famílias, nas escolas e na própria sociedade. “Essa caminhada tem um grande propósito, que é naturalizar o processo. Isso precisa estar inserido na nossa sociedade.”
Ana Paula reforça que o autismo não deve ser tratado como doença, mas como uma condição. Segundo ela, o transtorno do espectro
autista apresenta características que se manifestam de formas diferentes em cada pessoa, com impactos distintos na comunicação, na interação social e no comportamento.
Ela destaca que a Apae trabalha justamente a partir dessas diferenças, com foco nas potencialidades e na construção de rotinas que favoreçam a autonomia e a qualidade de vida dos atendidos. Hoje, a entidade mantém tanto a escola de educação especial quanto a clínica de saúde, com acompanhamento de neuropediatra e equipe multiprofissional.
Ao comentar os tratamentos, a diretora observa que a instituição atua dentro das terapias recomendadas pelos profissionais de saúde, enquanto as famílias seguem livres para buscar outros caminhos complementares, conforme orientação médica e convicção pessoal.
• Autismo não é doença O transtorno do espectro autista, o TEA, é uma condição do neurodesenvolvimento. Em geral, está associado a diferenças na comunicação, na interação social e no comportamento, com manifestações que variam de pessoa para pessoa. Por isso, o termo “espectro” é o mais usado: ele indica que não existe um único padrão de apresentação, nem uma experiência igual para todos.
• Números pelo Brasil Dados preliminares do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, apontam que o Brasil tem 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo, o equivalente a 1,2% da população. Foi a primeira vez que o levantamento incluiu uma pergunta específica sobre o tema. A maior prevalência apareceu entre crianças e adolescentes, com destaque para a faixa de 5 a 9 anos.


Atividades lúdicas abordam temas ligados ao meio ambiente e à preservação
Luciane Eschberger Ferreira
luciane@grupoahora.net.br
LAJEADO
Acaravana do programa Educame – Educação Ambiental na Escola esteve na Emef Nova Viena, no bairro Olarias, em Lajeado. As atividades ocorreram na quarta-feira pela manhã e movimentaram 283 estudantes. O personagem “Por Que?” animou a plateia e abordou de forma lúdica um assunto muito sério, os cuidados com o meio ambien-

Personagem “Por Que?” ensina as crianças sobre preservação ambiental
te. Logo depois, ele recebeu Nara, a capivara leitora. Ela representa do programa LEIA, do Grupo A Hora, assim como o “Por Que?”,
do Educame. A ação contou com apresentação teatral e oficinas temáticas sobre água e jornalismo ambiental.
A diretora Elisângela Zanatta acredita na importância do projeto do Grupo A Hora para a sociedade e revela que está alinhado ao
trabalho pedagógico que a escola vem desenvolvendo. “Nosso objetivo é envolver todos os estudantes e a comunidade escolar no compromisso com o cuidado com o meio ambiente, por meio de pequenas atitudes que fazem a diferença no dia a dia.”
As supervisoras do Ensino Fundamental, da Secretaria Municipal de Educação, Vivian Figueiró e Rosane Janete Theves, participaram da ação na Emef. “Esse trabalho de educação ambiental que o Educame traz para dentro das nossas escolas vem enriquecer e agregar ainda mais o currículo escolar dos nossos estudantes. Isso ocorre de uma forma lúdica, dinâmica, descontraída, unindo a arte e a música em prol da conscientização desse tema tão importante que é a educação ambiental”, opina Vivian.
A Nova Viena já desenvolve diversas ações voltadas à educação ambiental, como o projeto de horta escolar, o recolhimento de tampinhas e de óleo de cozinha usado, além de contar com cisterna, biodigestor e composteira.



Raízes do Jardim Futuro. Esse é o nome do roteiro pedagógico criado em Doutor Ricardo com o intuito de atrair escolas para a cidade. O novo produto turístico da cidade foi apresentado na sexta-feira com tour pelos três destinos que integram a rota: a Casa Dei Ricordi, Jardim do Futuro e Moinho Calvi.
Com o intuito de oferecer uma experiência que ultrapassa os limites da sala de aula, o Raízes do Jardim Futuro une a cultura, história e preservação ambiental. Está alinhado com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), garantindo que a vivência vá além de uma saída à campo e se torne ferramenta de aprendizagem. O público-alvo do roteiro são alunos de escolas da própria região ou estado. Mas também está aberto para grupos de turistas, em especial, da melhor

365vezesnovaledotaquari@gmail.com
FÁBIO KUHN

idade. O Raízes do Jardim Futuro é o primeiro passo de um amplo projeto regional para criação de roteiros pedagógicos. A ideia do “Conheça o Vale do Taquari” é estimular que outras cidades também desenvolvam suas rotas voltadas para alunos. Num segundo passo, as escolas passam

Jardim do Futuro: a cada criança nascida em Doutor Ricardo, uma árvore é plantada no Jardim do Futuro. O projeto foi criado em 20021 durante o Dia do Bebê Ricardense. O intuito é promover consciência ecológica, responsabilidade socioambiental e a valorização do tempo.
a fazer rodízio de visitações por municípios vizinhos, fortalecendo assim o pertencimento e conhecimento regional das crianças. O roteiro pedagógico de Doutor Ricardo é uma iniciativa da Amturvales com apoio da administração municipal de Doutor Ricardo.



Casa Dei Ricordi: inaugurada em 2006, é uma réplica simbólica da antiga residência de Faustino Zanella. O espaço está localizado ao lado do Cras e recria como era uma casa no passado. Além da construção em madeira, tem em seu interior objetos antigos, ferramentas e artigos religiosos.
O Boulevard Encantado realiza até o dia 5 de abril a Temporada de Páscoa, com atrações voltadas ao público infantil e às famílias. A entrada é gratuita, e as demais atrações do complexo seguem disponíveis ao público. O espaço conta com o Jardim dos Coelhos, cenários temáticos e estrutura voltada ao público kids, além de mirantes, floresta temática e ambientes preparados para visitação e registros fotográficos.

03 de abril
Cristo 360 | Multiverso
Encantado – 14h30
04 de abril
Cristo 360 | Multiverso Encantado – 11h30 e 14h30
Missa | Capela Nossa Senhora de Fátima – 11h
Visita do Coelho, Cóti e caça ao ninho – 15h às 17h
05 de abril
Cristo 360 | Multiverso
Encantado – 11h30 e 14h30
Visita do Coelho, Cóti e caça ao ninho – 15h às 17h

Moinho Calvi: símbolo da tradição agrícola, o empreendimento mantém viva a memória da produção artesanal da farinha. Entre as atividades, oferece visita técnica, onde o visitante acompanha de perto o processo de moagem do trigo. Tem ainda passeios de Nicciolino (carroça) e gastronomia típica do interior.



CARLOS MARTINI Administrador

Faz um tempão que essa simples trilogia foi desenvolvida e se consolidou em determinadas instituições e grandes empresas ditas ¨multinacionais exploradoras¨.
Essa expressão é puramente ideológica, já em desuso, mas o fato é que esse pessoal detém muito conhecimento tecnológico e operacional acumulado, sem falar na capacidade de investimento. E pra encurtar a história: quem esnobou, se ferrou. Tem tudo a ver com logísticas internas e externas, associadas a outros conceitos basilares tipo assim: Organização & Métodos, baseadas em Pesquisa Operacional e em engenharia de Economia Física, não apenas em finanças. Em grande parte foram desen-
LIVRE PENSAR
Se eu gostasse de mimimi eu comprava um gato gago
(Cumpádi Belarmino)
volvidas para atender necessidades militares e suas complexas ações no decorrer da última Grande Guerra e depois muito bem aproveitadas nos ambientes empresariais.
Mas olhando meio de longe dá a impressão que a China vem crescendo muito seguindo parâmetros basilares de um determinado ¨sistema econômico¨ que funcionou muito bem nos EUA durante um século e também no Brasil, por pelo menos dois períodos importantes da historiografia nacional. Por aqui parece que continua fora de moda. Tudo bem, cada um escolhe o seu caminho, ou aceita passivamente paradigmas de
Supremo Tribunal das Firulinhas (duplo com) Quer Aparecer? Bota uma Melancia na Cabeça!
interesses alheios.
Pois pra encurtar o causo a história foi mais ou menos assim: o nôno engrossou muito o caldo na cobrança dos netos por algumas estrepolias feitas e ela lembrou duas coisinhas importantes, tipo assim: nós também fizemos das nossas e, muito mais importante, cuida que eles podem desistir! Sei não, mas do jeito que a coisa vai, com legislações ambientais, trabalhistas e fiscais cada vez mais complicadas, a chamada Agricultura Familiar vai acabar atolada no brejo, com todo o produtor sendo considerado como potencial criminoso.
Nôno na cancha de bochas:
- Como é que está a criação, vô?
- Tô perto de 300 cabeças de gado!
- Mas que beleza! Em menos de 10 hectares, baita proeza!
- Tu não entendeu, eu tenho 10 vacas leiteiras de cria, o meu vizinho é que tem 300 cabeças de gado na engorda. Eu tô perto, logo ao lado...


MARCOS FRANK
Médico Neurocirurgião
“O esquecimento é mais sublime que o perdão.” Thomas Carlyle
Enfrentar a morte talvez não seja tão difícil quanto encarar o esquecimento. É assustador lidar com a consciência de que após alguns meses, anos, décadas ou séculos tudo que fomos, pensamos ou tivermos dito desaparecerá nas brumas do tempo.
Quem não teve filhos tende a ser esquecido mais rápido. Quem os teve será ainda um fantasma a habitar alguns pensamentos e sentimentos enquanto perdurarem os filhos e com sorte os netos.
Os séculos são reservados apenas aos autores de grandes obras, de fabulosas descobertas e invenções ou então aos grandes assassinos da humanidade.
Em sua obra “O livro do Riso e do Esquecimento”, o escritor Milan Kundera retrata o esforço do povo tcheco em esquecer ou não após a invasão russa... Esquecer o passado, esquecer o “velho” regime, esquecer os ideais, esquecer a juventude, esquecer amigos e parentes desaparecidos.
Nossa memória é enganadora, fugaz e capaz de se auto enganar constantemente. É por isso que precisamos de livros, jornais, fotografias e vídeos. Precisamos lembrar o que fizemos, como éramos, o quê acreditamos todo dia para (re)construir nossa identidade.
Se a nossa memória individual é tão sujeita a erros imagine então a nossa memória coletiva sempre sujeita aos humores da ideologia, dos interesses de grupos ou dos humores de um tirano ou outro.
Na União Soviética pós 1917, quando um politico caía em desgraça todos seus registros e imagens públicas eram apagados.
Por isso, quando o primeiro general americano finalmente viu um campo de concentração nazista, sua primeira ordem foi : –“ Documentem tudo, algum dia alguém dirá que isso nunca aconteceu...”
O mundo abismado com a descoberta do que aconteceu com os judeus nos campos de concentração, concordou com a criação de um estado judeu e um árabe na Palestina.
Os britânicos, que detinham um mandato colonial sobre a Palestina até maio de 1948, opunham-se tanto à criação de um Estado judeu quanto de um Estado árabe na Palestina, bem como à imigração irrestrita de refugiados judeus para a região. A Grã-Bretanha desejava preservar boas relações com os árabes para proteger seus vitais interesses políticos e econômicos na Palestina.
Mesmo assim, em 29 de novembro de 1947, as Nações Unidas adotaram a Resolução 181 numa sessão presidida pelo brasileiro Osvaldo Aranha. Ela dividiria o antigo mandato britânico na Palestina em Estados judeu e árabe em maio de 1948, data prevista para o término do mandato britânico.
No dia seguinte a criação do estado de Israel, Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o território, resultando na guerra que durou até 1949, com a vitória de Israel e a expansão de seu território original.
Desde então o Oriente médio nunca mais teve um dia de paz.
FUTEBOL AMADOR
Nova Bréscia e Progresso iniciam disputa das finais
OFeriadão de Páscoa será bastante movimentado no Vale do Taquari. No total, 14 jogos serão disputados por seis competições. O destaque fica para Nova Bréscia e Progresso que promovem os jogos de ida das finais.
Em Nova Bréscia, a comunidade de Tigrinho Alto recebe os confrontos neste domingo. A primeira decisão é no aspirante entre o mandante Imigrante contra o Esperança. O Imigrante chega na sua sexta final consecutiva. Na fase classificatória, o time do Esperança levou a melhor e venceu por 3 a 2. A equipe de Morro Seco conta com um dos artilheiros da competição – Alisson Southier. Já a final do titular é a reedição das finais de 2023 e 2024 vencidas pelo Imigrante. Os donos da casa buscam o tetracampeonato. Além das conquistas nesta década, o time venceu em 2000. Já o Botafogo busca o pentacampeonato. O time já venceu em 2006, 2013, 2016 e 2018. No confronto pela fase classificatória, o Botafogo venceu por 2 a 0.
Maior campeão municipal com dez taças no armário. O Gaúcho busca vencer novamente o campeonato na categoria titular. A última vez que isso ocorreu foi em 2010 quando ganhou do Amizade. Já o Flamengo busca encostar cada vez mais no rival. Detentor de oito taças, busca novamente o troféu após cinco anos. Em

2021 levou a melhor em cima do Internacional de Campo Branco. Na fase classificatória os times se enfrentaram e quem levou a melhor foi o Flamengo que venceu por 6 a 2.
O União, líder com 11 pontos, já está classificado e encara o CAN apenas para confirmar a melhor campanha. Situação semelhante vive o Nacional, vice-líder com 9 pontos, que folga na rodada, mas não pode mais ser alcançado fora do G-4. Isso ocorre porque há um confronto direto entre Ouro Verde (8 pontos) e União Barrense (7
pontos), o que impede que ambos ultrapassem o Nacional simultaneamente. Assim, independentemente do resultado, o time que hoje ocupa a segunda colocação já está matematicamente assegurado nas semifinais.
O Ouro Verde, inclusive, entra muito próximo da classificação. Com 8 pontos, precisa de ao menos um empate diante do União Barrense para garantir a vaga sem depender de outros resultados.
A grande disputa, portanto, fica pela última vaga. Cruzeiro e União Barrense, ambos com 7 pontos, brigam diretamente pela classificação. O Cruzeiro enfrenta o Lago Azul, que ainda tem chances re-
Nova Bréscia, o Imigrante, do goleiro Jhony Walker busca o terceiro título em menos de cinco anos
motas. O Grupo A Hora transmite a partida, a partir das 15h, em live no Youtube do A Hora Esportes e no 102.9 do rádio.
A última rodada ocorre neste domingo, em Linha Imhoff. Apenas o Riograndense está classificado. O time fecha a rodada contra o Avante. Juventude, Canarinho, Avante, Cruzeiro e Ecas

Sábado
Progresso – final/jogo de ida Gaúcho x Flamengo Xaxim
Monte Alverne – semifinal/ida São José x Monterey
Encantado – última rodada
CAN x União
Cruzeiro x Lago Azul
Ouro Verde x União Barrense
Domingo
Nova Bréscia – final/jogo de ida Imigrante x Botafogo
Boqueirão do Leão – 5ª rodada
São José x 5 de Junho
Imigrante – última rodada Cruzeiro x Juventude
Ecas x Canarinho
Avante x Riograndense
brigam pelas três vagas restantes para semifinal.
A partida ocorre em Matão e é a que fecha a quinta rodada. O São José recebe o 5 de Junho em confronto direto por vaga na semifinal. Só a vitória interessa ao 5 de Junho. Se perder ou empatar estará eliminado. O São José com quatro pontos necessita pontuar, caso o contrário terá que depender da última rodada para se classificar.

MUNDO DA BOLA

Atacante natural de Lajeado foi peça fundamental no título paranaense desta temporada e deixa equipe após 26 jogos para atuar pelo Fagiano Okayama
Caetano Pretto caetano@grupoahora.net.br
OOperário Ferroviário informa que acertou a venda do centroavante Léo Gaúcho para o Fagiano Okayama, do Japão. A negociação foi concluída na manhã desta quinta-feira, 2, e o atleta seguirá para o futebol asiático para dar sequência à sua carreira.
Natural de Lajeado, Léo Gaúcho foi peça-chave na trajetória recente do clube, com presença marcante em jogos decisivos e participação direta em gols fundamentais ao longo da temporada. O centroavante teve papel
de destaque na campanha que culminou no título do Campeonato Paranaense, sendo decisivo nas classificações que conduziram o Operário à conquista estadual. Em comunicado oficial, o Operário destaca que desde sua chegada, Léo demonstrou profissionalismo, comprometimento e espírito coletivo, atributos que o tornaram um atleta respeitado dentro e fora de campo.
O atacante comenta sobre o breve, mas marcante período, em que esteve no Operário. “Chegou o momento de me despedir deste clube tão querido e que tenho um carinho muito grande. Foram seis meses de muita entrega, dedicação e profissionalismo. Saio deste clube como campeão com gols muito importantes para a contribuição desse êxito no estadual e brasileiro do ano passado. Hoje saio como a maior venda da história do clube sinônimo de muito trabalho, dedicação e esforço.”
Ao todo, disputou 26 partidas com a camisa alvinegra, totalizando seis gols e uma assistência, deixando sua marca em mo-
Atacante se despede do Operário com 26 partidas, seis gols, uma assistência e o título de Campeão Paranaense em 2026
mentos determinantes, especialmente com gols no Campeonato Paranaense, que foram essenciais para o avanço da equipe nas fases eliminatórias até a consagração do título.
O destino de Léo Gaúcho é o Fagiano Okayama, clube da cidade de Okayama, no Japão. A equipe está atualmente na oitava colocação do Grupo B do Campeonato Japonês. Fundado em 1975, a equipe chegou à elite do país pela primeira vez em 2024.
O elenco profissional é composto principalmente por atletas japoneses, mas conta com outros dois brasileiros. Os atacantes Lucão e Werik Popó.




No ano de 1938, foi solicitado para aprovação o projeto de construção da torre da Igreja Evangélica Luterana Martin Luther de Cruzeiro do Sul. Naquele tempo, a atual cidade ainda pertencia a Lajeado, e o engenheiro responsável pela obra encaminhava a solicitação ao prefeito municipal da época, João Frederico Schaan.
Na íntegra, segue a solicitação: “Ilustríssimo Sr. Prefeito do Município de Lageado, o abaixo firmado, constructor habilitado, residente nesta cidade, desejando construir uma torre na igreja da Communidade Evangélica de São Gabriel da Estrella, vem submeter a approvação de vossa senhoria a respectiva planta”.
Projeto de construção da nova torre, elaborado por Urbano Jaeger, em 1938

O construtor em questão era Urbano Jaeger e a planta da torre da igreja pode ser conferida nas fotos ao lado. A igreja de fato foi construída conforme o projeto original e existe ainda hoje no centro de Cruzeiro do Sul, na rua Visconde do Rio Branco. Em 2024, por ser próximo ao Rio Taquari, o templo foi invadido pelas águas, mas segue aberto aos fieis.

que solicitava a aprovação do projeto
Os documentos são do Arquivo Histórico Municipal de Lajeado, que passa pela digitalização de boa parte do acervo. Interessados em conhecer mais sobre a história de Lajeado (e dos antigos distritos) podem conferir os documentos e fotos pela internet, no site da Prefeitura de Lajeado, na aba da Secretaria de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo, no Arquivo Histórico Municipal Digital.
A então Associação Comercial e Industrial de Estrela (Acie, atual Cacis) empossava sua nova diretoria. O novo presidente da entidade era Irno Delai, que foi empossado em solenidade no Estrela Palace Hotel. Delai estava envolvido há mais de três décadas em associações comerciais e assumiria a gestão de 2006/2007, no lugar de Gilmar Neitzke, presidente anterior.


- Sexta-feira Santa
- Dia do Desporto Comunitário
Santo do dia 3: São Ricardo de Wyche
- Sábado de Aleluia
- Dia Nacional do Parkinsoniano
- Dia Mundial dos Animais de Rua
Santo do dia 4: Santo Isidoro de Sevilha
- Páscoa
- Dia do Filho
- Dia das Telecomunicações
Dia Internacional da Consciência
Santo do dia 5: São

Conselheiro de Administração

Neste ano, a Bloomberg celebra 45 anos de uma trajetória marcante. Fundada em 1981 por Michael Bloomberg, a companhia conta hoje com mais de 26 mil profissionais espalhados por 159 localidades globais. O coração da operação é o seu terminal financeiro — cujo acesso custa cerca de US$ 2.300 mensais —, plataforma onde dados, notícias e análises moldam o mercado em tempo real. Ano passado tive a oportunidade de conhecer a sede em Nova Iorque durante a Jornada Técnica do IBGC aos EUA. O que mais me chamou a atenção, para além da tecnologia de ponta, foi a materialização dos símbolos da cultura Bloomberg. Em diversos andares e espaços de trabalho, a tríade “Fish, Flowers and Food” (Peixes, Flores e Comida) é onipresente.
Mas o que elementos físicos tão orgânicos têm a ver com uma gigante de dados financeiros?
A resposta reside na intenção estratégica de moldar o ambiente
de trabalho:
• Fish (Peixes): Aquários de água salgada com corais vibrantes simbolizam transparência e abertura, servindo como pontos de “reset” visual para as equipes em um ambiente de alta pressão.
• Food (Comida): Copas gratuitas e bem abastecidas funcionam como centros de conexão social. O objetivo é que as refeições compartilhadas atuem como catalisadores para a colaboração e a inovação espontânea.
• Flowers (Flores): Arranjos naturais são repostos semanalmente em todos os espaços. Representam a criatividade florescente e o compromisso com a excelência no design e no detalhe.
Edgar Schein, o pai do conceito moderno de cultura corporativa, definia cultura como as “regras do jogo” na empresa. Ele nos lembra que a cultura não reside apenas no que está escrito na missão e visão pregadas na parede, mas nas regras implícitas que todos devem seguir para serem aceitos.

Empreendedor e comunicador, apresentador do programa “O Meu Negócio”, da Rádio A Hora 102.9
Na década de 70 vim morar em Lajeado. Nasci em Baixo Canudos, hoje Canudos do Vale, que naquela época ainda era distrito. Minhas primeiras lembranças passam pela Casa Comercial Troller, que ainda está de pé, preservada no Parque Histórico, no Bairro Alto do Parque, em Lajeado-RS.
Sempre gostei de ouvir rádio. Mais do que um hábito, era uma companhia. Eu escutava, na infância, muito a Rádio Guaíba e, principalmente, a Rádio Independente — que completou 75 anos esta semana, uma história construída junto com a comunidade. Naquele tempo, o rádio tinha algo diferente. Ele não só informava, ele aproximava. Criava vínculo. Também por isso atuo na Rádio 102.9 FM do Grupo A Hora , com o projeto @omeunegociopodcast.
Uma das lembranças mais marcantes dessa época era a promoção “Páscoa Feliz”, da Rádio Independente, que inclusive compartilho no meu livro “Experiências de Empreendedorismo Através do Rádio”. Nos dias que antecediam a Páscoa, os radialistas escondiam autorizações de ninhos pela cidade. No dia seguinte, famílias inteiras iam para a rua procurar. Era uma movimentação bonita de ver. Crianças com seus pais, atentos a cada canto, com a esperança de encontrar aquele pequeno papel. Eu também estava ali. Lembro bem da ansiedade, do olhar curioso, da vontade de encontrar. E lembro, principalmente, do dia em que achei uma autorização. A alegria foi imediata. Não era só um prêmio. Era conquista. Era uma ótima sensação.
Na vida e nos negócios não é apenas pelo resultado, mas por tudo que foi vivido até chegar ali...”
Na Bloomberg, percebi que a cultura não era apenas um símbolo visual; ela estava manifestada em cada interação com os profissionais. De nada adianta um símbolo físico se ele não se traduz em práticas e decisões no dia a dia.
Muitas vezes, “o peixe no aquário não percebe a qualidade da água que o envolve”. Essa metáfora, popularizada por David Foster Wallace no ensaio “This is Water”, descreve dois peixes jovens que, ao serem questionados por um peixe mais velho sobre “como está a água”, perguntam entre si: “Que água?”.
No mundo corporativo, a cultura é essa “água”. Ela é invisível até que algo mude ou falte. Manifestar a cultura, assumir símbolos tangíveis e confirmar constantemente se esses valores são praticados em todos os níveis é a forma mais estratégica de governança para a atração, retenção e desenvolvimento de pessoas. Afinal, as regras do jogo determinam quem permanece em campo e quem alcança a vitória.
Depois vinha o momento de ir até a rádio buscar o ninho. E aquilo tinha um valor ainda maior. Era mais do que retirar algo material. Era viver uma experiência. Era sentir que eu fazia parte de algo que envolvia toda a cidade. Foi a primeira vez que falei numa emissora, quando fui “entrevistado” e recebi o pacotinho de Páscoa do saudoso Lauro Mathias Müller.
Hoje, olhando para trás, vejo que aquilo era muito mais do que uma ação promocional. Era conexão. Era comunidade. Era uma forma inteligente de gerar engajamento, de estar presente na vida das pessoas.
E aqui está um ponto que levo comigo até hoje. Empreender também é isso. É criar experiências. É entender as pessoas. É gerar valor que vai além do produto ou do serviço. O rádio, lá atrás e ainda hoje, faz isso de forma simples, mas extremamente eficiente: informa, envolve, emociona e cria memória.
Mas empreender vai além. Empreender é ter a coragem de esconder “ninhos” todos os dias sem saber quem vai encontrar. É plantar ideias, investir tempo, energia e, muitas vezes, recursos, sem a garantia de retorno imediato. É acreditar no processo, mesmo quando o resultado ainda não apareceu.
A Páscoa nos ensina exatamente isso. Ela fala de renovação, de recomeço, de esperança. De entender que ciclos se encerram, mas novos começam. Que é preciso insistir, mesmo depois de momentos difíceis. Que sempre existe a possibilidade de fazer diferente e melhor.
Na vida e nos negócios não é apenas pelo resultado, mas por tudo que foi vivido até chegar ali e isso faz muita diferença. Feliz e abençoada Páscoa .
Sexta-feira e fim de semana, 3,4 e 5 abril de 2026
Fechamento da edição: 18h MÍN: 18º | MÁX: 34º
O tempo fica firme e o sol predomina no Vale. As temperaturas ficam amenas ao amanhecer, e pode haver formação de nevoeiro em pontos isolados.




Com mudanças de temperatura e maior circulação de vírus, especialistas reforçam prevenção, vacinação e cuidados básicos
Bárbara Moreira é fisioterapeuta há mais de 15 anos, com formação pela Unisc, mestrado em Ciências do Movimento Humano pela Ufrgs e especialização em dor, atuando com foco em coluna vertebral e abordagem biopsicossocial.
Ao longo da carreira, já atendeu milhares de pacientes, tornando-se referência na reabilitação, com um
O que te fez escolher a profissão e como foi esse início?
Foi inusitado. Minha primeira opção no vestibular foi odonto, como não passei, iniciei a formação em fisio como segunda opção. Após cursar anatomia, me encantei e resolvi permanecer, pois o corpo humano me encantou. Iniciei trabalhando em hospitais, clínicas, fui experimentar as diversas áreas de atuação para, após, focar na minha atual área de atuação, a ortopedia, que até hoje é motivo de muita dedicação de emergência e estudos.
Quais os maiores desafios da profissão hoje?
Na minha área, é comunicar a complexidade da dor ao paciente para que ele entenda sobre os mecanismos que levam a dor. Dessa forma, tendo maiores ganhos e benefícios com o tratamento.
Como você percebe a área hoje e o que nota como evolução daqui pra frente?
É uma área promissora no sentido de que teremos muitas alternativas não farmacológicas para complementar o tratamento, como por exemplo, a neuromodulação não invasiva - técnica inovadora e promissora que envolve a estimulação de áreas específicas do cérebro com estímulos elétricos, ou magnéticos, sem a necessidade de procedimentos cirúrgicos invasivos.
Lembra de algum momento marcante de algum paciente que passou por você?
Sim, alguns. Atualmente, uma paciente com fibromialgia que chegou com dor 9 de 10, cujo principal objetivo era pegar seu neto no colo. Após 6 sessões, a dor havia reduzido para 5, não necessitando de remédios para alívio, pegando seu neto por mais tempo. Isso me move.
EXPEDIENTE
Textos e fotos: Paulo Cardoso
trabalho centrado na escuta ativa, avaliação detalhada e uso de evidências científicas para oferecer tratamentos personalizados. Como mãe, empresária e profissional, sua missão é facilitar o processo de mudança dos pacientes por meio da fisioterapia baseada em valor, buscando sempre o melhor resultado no menor tempo possível.



EDITORIAL
Na minha área, é comunicar a complexidade da dor ao paciente para que ele entenda sobre os mecanismos que levam a dor. Dessa forma, tendo maiores ganhos e benefícios com o tratamento.”
Textos: Bibiana Faleiro
Diagramação: Lautenir Junior Coordenação: Felipe Neitzke

Há um padrão que se repete todos os anos: esperamos o agravamento para reagir. As doenças respiratórias seguem esse roteiro. Os primeiros sinais aparecem com as oscilações de temperatura, mas a resposta coletiva costuma vir tarde, quando consultórios e hospitais já estão cheios. Talvez o problema não esteja apenas nos vírus, mas na forma como lidamos com eles.
A prevenção ainda é tratada como exceção, quase opcional, quando na verdade deveria ser incorporada à rotina com a mesma naturalidade de outras escolhas diárias. Não se trata de resgatar o medo ou medidas
extremas, mas de reconhecer que pequenos hábitos têm impacto direto na circulação de doenças. Ventilar ambientes, respeitar sintomas, evitar exposições desnecessárias e manter a vacinação em dia são atitudes simples. Outro ponto que merece reflexão é a relação com o tratamento. Ainda buscamos soluções rápidas, muitas vezes medicamentosas, para problemas que exigem tempo e cuidado. O uso indiscriminado de antibióticos e combinações sintomáticas revela mais do que desinformação, expõe uma dificuldade em lidar com processos naturais do corpo.
Com 16 infusões de quimioterapia e duas cirurgias no histórico, o barbeiro Maicon Cainã da Motta Martins, percorreu cerca de 900 quilômetros entre o Vale do Taquari e o litoral de Santa Catarina
Entre avanços e rupturas, a vida segue em ciclos que nem sempre respondem à lógica do controle, mas cujos efeitos se acumulam no tempo. Após um período de desgaste físico e emocional, o barbeiro Maicon Cainã da Motta Martins, 28 anos, recebeu, em 2024, o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, câncer que afeta o sistema linfático.
Do diagnóstico à remissão, foram 16 infusões de quimioterapia e duas cirurgias, em um processo que exigiu não apenas resposta clínica, mas também ajustes consistentes na rotina e nos cuidados com a saúde.
Ciclista há três anos, ele transformou a recuperação em movimento. Como marco desse percurso, realizou a “Expedição Faya”, trajeto que partiu de Imigrante, cidade onde reside, até Balneário Gaivota, Santa Catarina, em um percurso de cerca de 900 quilômetros, dividido em nove dias.
“Para comemorar a vida e, sobretudo, vivê-la com mais clareza, depois de muitos anos tentando fugir, hoje me reconheço presente na minha realidade. A ideia foi me aproximar de Deus,

em um movimento de depuração, deixando na estrada tudo o que já não fazia sentido”, comenta.
O trajeto não seguiu um roteiro rígido. Martins partiu pela freeway e avançou pelo litoral, deixando o percurso conduzir o ritmo e fazendo pausas à beira-mar. “Era também sobre essa recompensa do pedal”, resume. Passou por cidades como Glorinha, Capão da Canoa e Imbé, onde permaneceu por um período, antes de seguir até
Balneário Gaivota, em Santa Catarina.
Na sequência, decidiu subir a Serra do Faxinal, com parada em Cambará do Sul. O caminho, no entanto, apresentou imprevistos, o que o levou a recalcular a rota. A partir disso, retornou em direção ao litoral gaúcho.
O desvio, inicialmente circunstancial, passou a orientar a experiência, alterando sua relação com planejamento e controle. “A beleza do desvio e a surpresa do imprevisível fizeram muito sentido. No fim, sair do plano inicial tornou tudo mais intenso e revigorante”, afirma.
O momento mais exigente ocorreu na subida da serra. Após dias pedalando em nível do mar, enfrentou cerca de 15 quilômetros de ascensão até aproximadamente mil metros de altitude, conduzindo uma bicicleta que chegava a 30 quilos. A subida levou cerca de duas horas e meia, com pausas ao longo do trajeto.
Apesar do esforço, a travessia ganhou outra dimensão no topo. “Quando cheguei lá em cima e vi os campos, me emocionei. Foi quando tive a certeza de que

e, sobretudo, vivê-la com mais clareza.”
O momento mais exigente ocorreu na subida da Serra do Faxinal em que há cerca de 15 quilômetros de subida íngreme
estava fazendo a coisa certa”, relata.
De volta ao litoral, em Imbé, um encontro inesperado também marcou a jornada. O barbeiro conheceu um casal de ciclistas que seguia rumo ao Piauí. “Trocamos dicas e histórias, abriu minha mente”, afirma. Já no retorno, foi resgatado na BR-386, a cerca de 80 quilômetros de casa, após o desgaste acumulado. Ao final, a experiência ultrapassou o físico e redefiniu a forma de ver a vida. “Todo mundo deveria viver algo assim. Sair da rotina, ir para um lugar desconhecido. Isso reorganiza a forma de ver a vida. A gente aprende a lidar com o que não controla e a reduzir o peso das dificuldades”, conclui.

Um olhar sobre nosso maior patrimônio

Oscilações no clima e maior circulação de vírus antecipam aumento de casos; especialistas reforçam prevenção e vacinação como aliadas


Mesmo antes da chegada do inverno, os atendimentos por doenças respiratórias já começam a crescer com as primeiras oscilações de temperatura. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), infecções respiratórias estão entre as principais causas de adoecimento no mundo, afetando milhões de pessoas todos os anos, especialmente crianças e idosos. A combinação entre dias mais frios, maior permanência em ambientes fechados e a retomada de hábitos menos rigorosos de prevenção favorece a circulação de vírus. Especialistas alertam que este é o momento ideal para reforçar cuidados simples e investir na vacinação, reduzindo o risco de complicações nos meses mais frios.
Na avaliação da otorrinolaringologista Bruna Butzke, a chegada do frio não apenas favorece a circulação de vírus, mas também interfere diretamente na primeira linha de defesa do organismo. “O ar frio prejudica o funcionamento da mucosa nasal, que é a porta de entrada do sistema respiratório. Com isso, a proteção local fica comprometida e o corpo se torna mais suscetível às infecções”, explica. Segundo ela, a maior parte dos quadros respiratórios típicos da estação é de origem viral, com duração média de até duas semanas, mas que podem agravar condições pré-existentes, como asma e rinite.
Nesse cenário, doenças crônicas respiratórias exigem atenção redobrada. Pacientes com rinite alérgica, por exemplo, já convivem com um processo inflamatório constante nas vias aéreas, o que os torna mais vulneráveis a infecções. “Quem tem rinite ou asma bem manejadas tende a sofrer menos com as agudizações típicas do inverno”, destaca Bruna.
A especialista lembra, ainda, que as alergias respiratórias têm crescido nos últimos anos, fenômeno associado a fatores como poluição, mudanças no estilo de vida e até à chamada “teoria da higiene”, que relaciona a menor exposição a microrganismos na infância ao aumento dessas condições.
Além da maior circulação viral,

Ambientes fechados e pouca ventilação favorecem a proliferção de vírus
Infecções respiratórias estão entre as principais causas de mortalidade global, segundo a Organização Mundial da Saúde
A gripe sazonal pode afetar até 1 bilhão de pessoas por ano no mundo, com milhões de casos graves (OMS)
No Brasil, doenças respiratórias estão entre as principais causas de internação no SUS durante o inverno (Ministério da Saúde do Brasil)
Crianças menores de 5 anos e idosos concentram a maior parte das complicações
o inverno também traz confusões comuns entre os pacientes. Sintomas desencadeados por mudanças bruscas de temperatura, como ao entrar em um ambiente com ar-condicionado, muitas vezes são interpretados como infecções.
“Nem sempre é doença. Pode ser uma rinite vasomotora, que é uma resposta do nariz à mudança de clima e tende a ser passageira”, esclarece. Já as sinusites bacterianas, por outro lado, costumam surgir como complicação de quadros virais ou alérgicos, e não diretamente pela exposição ao frio.
A especialista também chama atenção para hábitos simples que
ajudam a conter a disseminação dessas doenças, mas que foram deixados de lado após a pandemia. O uso de máscara por pessoas sintomáticas, por exemplo, segue sendo uma medida eficaz para proteger os outros. “As máscaras comuns são suficientes para evitar a transmissão. Elas não são tão eficientes para proteger quem usa, mas funcionam muito bem para impedir que o vírus se espalhe”, afirma. Outro ponto de atenção é o tempo de transmissibilidade, que costuma ser maior nos primeiros dias de sintomas e pode se estender por cerca de uma semana.


A vacinação também ocupa papel central na prevenção, especialmente contra a gripe. Bruna explica que o imunizante é atualizado anualmente com base nas variantes que circularam no hemisfério norte e reforça que sua principal função é evitar formas graves da doença.
“Existe um mito de que a vacina causa gripe, mas isso não é verdade. Ela é feita com vírus inativado, incapaz de provocar a doença. O que pode acontecer é a pessoa já estar incubando o vírus no momento da vacinação”, pontua. Em crianças, a recomendação é não adiar a imunização mesmo diante de sintomas
leves, desde que não haja febre e o estado geral seja bom. Entre os quadros que mais preocupam no público pediátrico está a bronquiolite, infecção viral que atinge principalmente bebês pequenos e pode evoluir com gravidade. “Um resfriado simples em um adulto pode representar um risco importante para um recém-nascido”, alerta. Por isso, a orientação é evitar contato com bebês ao apresentar qualquer sintoma respiratório, mesmo que leve. Medidas como higienização das mãos e evitar beijos também são essenciais para reduzir o risco de transmissão.
circulação de vírus em ambientes fechados, além das mudanças constantes de temperatura.”
Nathália Galvagni pneumologista
Bruna reforça ainda que, apesar da alta incidência de infecções, nem todos os casos exigem medicação. “Existe uma cultura de querer tratar tudo com remédio, mas, nas infecções virais, o manejo é sintomático. Repouso, hidratação e medidas simples, como lavagem nasal, costumam ser suficientes”, orienta. Em crianças, o uso de mel — para maiores de um ano — pode ajudar a aliviar a tosse, enquanto medicamentos combinados devem ser evitados sem orientação médica.
O uso indiscriminado de antibióticos, além de ineficaz na maioria dos casos, contribui para um problema crescente de saúde pública: a resistência bacteriana. “Nem toda secreção verde indica infecção bacteriana. A cor pode mudar ao longo de um quadro viral sem que isso signifique necessidade de antibiótico”, explica. Segundo ela, sinais como sintomas persistentes por mais de dez dias ou piora após uma melhora inicial podem indicar complicações e justificam avaliação médica.
Por fim, a especialista destaca que não há fórmulas milagrosas para fortalecer a imunidade. “A base continua sendo o básico bem feito: alimentação equilibrada, sono de qualidade, atividade física, hidratação e controle do estresse”, resume. Em um período marcado pela alta circulação de vírus, a combinação entre informação, prevenção e hábitos


saudáveis segue sendo a principal aliada para atravessar a estação com menos riscos.
Na avaliação da pneumologista Nathália Galvagni, o aumento dos casos de doenças respiratórias no inverno não tem uma única explicação — é resultado de uma combinação de fatores. “É multifatorial. A gente tem mais circulação de vírus em ambientes fechados, além das mudanças constantes de temperatura, típicas de um clima temperado. Isso tudo acaba impactando a resposta do nosso organismo”, explica. Segundo ela, o maior tempo em locais pouco ventilados favorece tanto a contaminação quanto a disseminação dos vírus, criando um cenário de circulação contínua dessas doenças ao longo da estação.

o funcionamento da mucosa nasal, que é a porta de entrada do sistema respiratório. Com isso, a proteção local fica comprometida.”
Bruna Butzke otorrinolaringologista
Outro aspecto que costuma passar despercebido é a queda na adesão a hábitos básicos de prevenção. “No frio, até a higiene das mãos fica prejudicada. As pessoas evitam água gelada, acabam adiando esse cuidado e tocam em várias superfícies contaminadas”, observa. Medidas simples, como ventilação de ambientes, uso de álcool em gel e etiqueta respiratória, seguem sendo essenciais — especialmente para grupos mais vulneráveis, como idosos, pacientes com doenças crônicas
ou imunossuprimidos. “A máscara deixou de ser obrigatória, mas não deixou de ser útil. Para quem tem maior fragilidade, é uma estratégia importante em locais fechados”, reforça.
A médica também chama atenção para o impacto das infecções virais sobre doenças respiratórias já existentes. Quadros como asma, bronquite e outras condições pulmonares crônicas costumam descompensar a partir de um “gatilho” inicial, geralmente uma infecção de vias aéreas superiores.


Alana Kolling
Nutricionista CRN 11552
Você já percebeu que, em alguns momentos, a vontade por chocolate simplesmente aparece, e parece impossível ignorar?
Principalmente à noite, depois de um dia cansativo, ou em períodos de estresse e ansiedade.
“Isso não tem a ver com ‘falta de força de vontade’. Tem muito mais coisa acontecendo no seu corpo do que você imagina”, destaca a nutricionista Alana Kolling.
Segundo a profissional, o chocolate ativa áreas do cérebro ligadas ao prazer e recompensa.
Isso acontece porque ele estimula a liberação de substâncias como a serotonina — conhecida como o hormônio do bem-estar. É por isso que, ao comer chocolate, é comum sentir conforto, alívio e sensação de “merecimento”.
O problema é que o cérebro aprende isso muito rápido. E começa a pedir chocolate sempre que o corpo está cansado, ansioso ou emocionalmente sobrecarregado.
Alana ainda afirma que ter mais vontade de comer chocolate à noite não é coincidência.
Ao longo do dia, muitas mulheres, por exemplo, comem pouco, passam horas sem se alimentar, fazem escolhas com pouca

Base da trufa
100g de chocolate 70%
2 colheres de sopa de pasta de amendoim (ou amêndoas)
1 colher de sopa de mel ou tâmaras
trituradas
1 colher de sopa de cacau 100%
Crocância funcional

proteína e vivem sob estresse constante. Como resultado, o corpo chega à noite com uma necessidade urgente de energia rápida. E o chocolate aparece como a solução mais fácil. Muitas vezes, o problema não é o chocolate em si, mas o ciclo que se forma: restrição durante o dia, vontade intensa à noite, exagero, culpa, tentativa de compensar no dia seguinte. E tudo começa de novo.
Segundo a nutricionista, o chocolate não é o vilão. “A verdade é que o chocolate pode, sim, fazer
parte de uma alimentação equilibrada. O que precisa mudar não é o alimento, mas a forma como ele entra na sua rotina.”
Quando existe organização, refeições equilibradas, boa ingestão de proteína e menos restrição, a vontade por doce diminui naturalmente.
Muito além de “ter controle”, o que faz diferença de verdade é comer bem ao longo do dia, evitar longos períodos sem se alimentar, incluir proteína nas refeições e planejar momentos de consumo sem culpa.
1 colher de sopa de chia
1 colher de sopa de linhaça
1 colher de sopa de sementes de abóbora ou girassol
Finalização
Cacau em pó, ou coco ralado, ou sementes trituradas.
Modo de preparo
Derreta o chocolate em banhomaria ou micro-ondas. Misture com a pasta de amendoim, mel e cacau. Acrescente as sementes. Leve à geladeira por 20–30 minutos até firmar. Modele bolinhas. Finalize passando no cacau, coco ou sementes trituradas.




DIVULGAÇÃO

Em Lajeado, o Ateliê Magnólia incorpora a prática manual em meio à discussão sobre excesso de estímulos
Em um cotidiano atravessado pelo excesso de estímulos, trabalhos manuais tem se afirmado como um gesto de desaceleração. A Organização
Mundial da Saúde (OMS) reforçou esse movimento em 2024, ao recomendar a cerâmica como alternativa terapêutica. Segundo o relatório, a prática favorece o desenvolvimento
Terapeuta Rúbia Meinertz e a designer Isabela Renner apostam na cerâmica como exercício de atenção e cuidado
da empatia e da compreensão, competências essenciais para a saúde mental e comunitária. O documento também aponta o estímulo à paciência e à persistência, qualidades tensionadas por uma rotina acelerada.
A terapeuta Rúbia Meinertz observa que experiências sensoriais têm ganhado protagonismo justamente por sua capacidade de reorganizar o ritmo interno.
“Quando fazemos movimentos repetitivos e que trazem a nossa atenção para o momento presente, o corpo começa a relaxar e sinaliza segurança emocional. No momento em que trazemos o foco para as mãos, a mente desacelera e começa a proporcionar autorregulação”, explica.
Espaço de reconexão
Foi a partir dessa compreensão e do desejo de expandir essa experiência para além dos grandes centros, que Rúbia, ao lado da filha, a designer Isabela Renner, criou o Ateliê Magnólia, em Lajeado. Em pleno centro da cidade, o espaço se revela como uma experiência de pausa, um ambiente onde as pessoas possam se reconectar.
“Acreditamos muito no equilíbrio entre introspecção e troca. O processo em si é mais introspectivo, porque cada peça

exige cuidado e atenção. Mas o ateliê vem como um espaço de troca, para compartilhar processos, conversar, dar boas risadas , brindar e viver momentos agradáveis”, defende.
Pausa e movimento
Na prática, a cerâmica exige um outro tipo de disponibilidade. Cada etapa pede tempo, espera e continuidade, contraponto direto à lógica imediatista atual. “Gosto de pensar que esse processo ajuda as pessoas a entenderem que cada fase também é construtiva e que, com tempo e dedicação, os resultados chegam”, comenta Isabela.
O primeiro contato com a argila costuma ser intuitivo.
A textura convida ao toque, à experimentação sem rigidez. Para quem chega sem referências, há uma liberdade quase inesperada: a de criar sem a necessidade de controle absoluto.
A designer observa que na cerâmica a imperfeição não é um erro como estamos acostumados a lidar no dia a dia. Ela faz parte do processo. Para ela, é um exercício de aceitar que nem sempre temos controle sobre tudo, e que, mesmo assim, está

Rúbia Meinertz terapeuta
tudo certo. “Muitas vezes, é justamente um detalhe menos simétrico que torna a peça mais única e especial.”
Naturalmente, isso acaba reduzindo a ansiedade. As empresárias e entusiastas da prática destacam que é muito especial finalizar um artigo e no dia seguinte pode usar para decorar a casa de maneira afetiva ou até presentear alguém especial. “É nesses momentos que a gente percebe que todo o processo é bom e vale seguir nele com tranquilidade”, conclui.



Rafaela Bergesch Diedrich
Arquiteta e urbanista
Berdiê Arquitetura / Arquiteta
Instagram: @berdiearq
Contato: (51) 9009-1515
Oprojeto do Stein Deck
Parrilla e Bar partiu de uma premissa clara: em um espaço gastronômico, a experiência não começa pelo prato, mas no ambiente. Nesse contexto, a arquitetura não é coadjuvante — ela conduz a forma como o cliente chega, percebe e permanece no lugar.
Foi com essa proposta que a arquiteta Rafaela Bergesch Diedrich projetou o estabelecimento em Teutônia, criando um ambiente rústico contemporâneo, equilibrando materiais mais brutos com uma arquitetura de linhas retas, poucos excessos e uma estética limpa.
A integração entre área interna e externa amplia a percepção do espaço e permite diferentes usos ao longo do dia e da noite. Enquanto a área externa se conecta às árvores preservadas, trazendo uma atmosfera mais natural e aberta. A área interna se destaca por ser mais intensa e envolvente.
Segundo a arquiteta, as referências partem de uma arquitetura gastronômica que entende o espaço como parte ativa do negócio. Mais do que estética, o projeto busca criar um ambiente que desperte sensações e fortaleça a identidade do local, tornando o espaço parte da experiência como um todo. Na materialidade, foram utilizados madeira natural, tijoletas, estrutura metálica aparente e grandes planos de vidro. A presença da madeira e das texturas naturais traz calor e contribui para a sensação de aconchego, equilibrando os elementos mais rígidos.
O resultado disso é um espaço onde arquitetura e negócio caminham juntos. Em projetos gastronômicos, o ambiente não é apenas cenário — ele influencia a percepção de valor, a forma como o público se conecta com o lugar e a vontade de retornar. E, como todo projeto pensado nos detalhes, o Stein Deck é um espaço que se revela aos poucos –e vale conhecer de perto. “Quando a arquitetura é bem resolvida, ela não só acompanha a experiência, ela faz parte do motivo pelo qual as pessoas voltam.”





