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AH - Negócios em Pauta| 25 de fevereiro de 2017

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Lírio Parisotto: da infância simples em Nova Bassano, para uma das maiores fortunas do país.

Páginas 4 a 7

Quebra

de paradigma

Região desperta para a economia colaborativa

Tendência nos grandes centros urbanos e tecnológicos, a economia colaborativa será o tema da 8ª Construmóbil, que ocorre

Modelo compartilhado começa a fazer parte da realidade regional a partir de iniciativas de coworking e ações como o Arte na Praça. Avanço

Vale do Taquari Fevereiro de 2017 Edição 01

EDITORIAL

Realização

Informações para superar cenário adverso

Anecessidade de -

sem precedentes, os empreendedores são

Parceiros

Pensando nesse cenário, o A Hora e o -

Diante de instabilidades econômicas sem precedentes, os empreendedores são obrigados a renovar.

A Hora terão acesso a entrevistas, reportagens e ao conteúdo debatido

FRASES

QUEM

FEZ ESTA EDIÇÃO

Direção Editorial e Coordenação: Fernando Weiss

Produção:

Diagramação: Fábio Costa e

Revisão

A dica é, essencialmente, ter uma sede inesgotável de boa e qualificada informação, correr atrás dela sem cansaço ou certezas.”

Lírio Parisotto Empresário

Quando se busca a classe contábil para exercer um projeto como esse, temos uma capilaridade entre todas as empresas.”

Ana Rodrigues Vice-presidente do CRC-RS

O modelo está mudando. Grandes corporações cresceram e outras desapareceram graças a essa tendência de economia colaborativa.”

Marcos Mallmann Presidente da Construmóbil

Entrevista

LÍRIO PARISOTTO

“Investir sem informação é pecado capital”

Nascido no interior de Nova Bassano, empresário é um dos 30 maiores bilionários do Brasil.

Apontado pela revista Forbes como um dos homensmaisricosdomundo, Lírio Albino Parissoto acumulou ao longo de seus 62 anos uma fortuna estimada em R$ 3,96 bilhões. Nascido no interior de Nova Bassano, na Serra Gaúcha, teve uma infância humilde e apostou nos estudos para se tornar um dos 30 maiores bilionários brasileiros. Obstinado pelo sucesso, foi seminarista, bancário, comerciante e formou-se médico, mas foi a veia empreendedora que garantiu a ascensão. Com a empresa Videolar, percebeu a oportunidade de mudar produzidas e alcançou a vantagem competitiva para dominar o setor.dores da bolsa de valores, Parisotto primeiras experiências no mercado de ações. Aponta a sede por informações de qualidade como a principal responsável pelo sucesso. Para Parisotto, o setor empresarial tem como legado a própria sobrevivência em um ambiente de risco como o brasileiro, mas as oportunidades existem para os que se esforçam e persistem em

pai era marceneiro e agricultor, gostava de construir casas, um homem muito engenhoso. Minha mãe cuidava da família e tomava conta da propriedade. Fazia as roupas de todos, tratava também dos animais, da ordenha e produção do queijo. Era uma vida na fazenda, na colônia. Quando meu avô chegou ao Brasil, recebeu um pedaço de terra com 24 hectares. Antes dos 7 anos, eu falava apenas o que imaginava ser italiano, mas era o dialeto do Vêneto. Naquela época, produzíamos 12, 15 toneladas de milho por ano e não havia soja. Hoje, a mesma terra gera 180 toneladas de soja e 90 de milho. Arávamos a terra usando bois. Trabalho duríssimo. Fazíamos o pão, plantávamos o trigo. Eu montava o cavalo e ia para moinho, levando o milho e o trigo para trazer a farinha. Quando havia algo mais importante a fazer na cidade, era minha responsabilidade chegar lá a cavalo. Esse cenário onde nasci foi determinante. Mesmo com pais tão dedicados, precisei ajudar a tomar conta dos irmãos. Lembro-me de meu pai sempre dizendo: “para mim é impossível dar herança em dinheilutar para fazê-los estudar”. Ele repetia: “aqueles que estudam têm as oportunidades”. Todos meus irmãos têm formação universitária.

Negócios em Pauta –Quais as suas primeiras lembranças da infância? Como era a vida da família em Nova Bassano?

LÍRIO PARISOTTO – Venho da área rural, a cerca de dez quilômetros de Nova Bassano, na Serra Gaúcha. Neto de italianos, primogênito de 11 irmãos. Meu

O senhor também foi seminarista. Por que a decisão de ingressar no seminário?

PARISOTTO – Há meio século, em uma comunidade de descendentes de italianos, o padre e o médico. Dois líderes, sempre bem trajados e alvo das atenções.

Então, o interesse pelo seminário nasce com essa singeleza. Foi a oportunidade para escapar da roça. Nunca contei a ninguém que fui expulso. Eu disse a meus pais

ou dois anos em casa, pensando melhor a respeito da vocação. Hoje, falo de forma divertida e lembro com carinho daquela época, dos 14 aos 19 anos. O seminário me inoculou foco e disciplina. Sou um leitor voraz e devo isso àquela experiência. Fui expulso porque era um anarquista.

O senhor é formado em Medicina na UCS. Quando e como ocorreu a escolha por essa área?

PARISOTTO – Não deu certo o seminário e lá está o médico da comunidade, sempre asseado, bem vestido e num bom carro. Igualmente um líder. Essa visão me levou a cursar e concluir a faculdade de Medicina. Muita coisa interessante aconteceu naquela fase. Eu tomava conta do Departamento de Recursos Humanos de

empregados, de onde também fui expulso por dormir no trabalho. Havia comprado uma Kombi. À noite, levava universitários por 100 quilômetros até Passo Fundo, onde cursava o pré-vestibular. Fazia algum dinheiro com o transporte, rodando 200 quilômetros por noite. Ficava exausto no dia seguinte. Um dia, o diretor descobriu que eu estava dormindo nos fundos da fábrica, onde o inspetor federal tinha uma cama. Ele era meu amigo e me de semana saíamos com a Kombi para as boates e bares. Quando o diretor me demitiu, perguntou o que eu ia fazer da vida. Respondi: “estudar Medicina”. Ele falou que eu estava louco. Fui aprovado para

três universidades, em Pelotas, Porto Alegre e Caxias do Sul. Agora, eu precisava pagar a faculdade.

Como conseguiu

PARISOTTO – Vendi a Kombi e, durante os meses de janeiro, fevereiro e março, prestei serviços preenchendo declarações do Imposto de Renda, pois havia feito um pequeno curso quando morava em Brasília. Descobri algo interessante no caso de caminhoneiros. Naquela época, eles eram descontados em 5% no recebimento, a título de Imposto de Renda. Acreditavam que esse era o tributo total, mas percebi que se tratava de uma antecipação.

fazer o balanço, pagar mais ou ser restituído. A maioria deles fazia jus à restituição, porque pagava demais na origem. Nesse ponto,

“Talvez você possa receber dinheiro”. A maioria duvidava. Eu então fazia uma proposta, não cobraria pela consulta, mas se recebessem -

mente, sem saber direito, começava a aceitar o risco. O dinheiro começou a chegar em setembro.ciente para comprar um Fusca. Foi o pagamento para meus estudos. E mais, não cheguei a padre, mas me tornei o santo da cidade, pois conseguia tomar dinheiro do governo.

O senhor teve atuação bancário. Como foi essa experiência?

PARISOTTO – Meu trabalho como bancário é pouco abordado

nas entrevistas e tem enorme importância, não pelo aspecto das cisão delicada, talvez a mais difícil

Como começou sua relação com o comércio varejista?

PARISOTTO –

O seminário me inoculou foco e disciplina. Fui expulso porque era um anarquista

Tudo isso durante a graduação em Medicina?

PARISOTTO –

ciente para o tempo filme, sem

-determinados e as empresas

Parisotto recebeu o governador José Ivo Sartori durante a inauguração da fábrica da Videolar-Inova, no Polo Petroquímico de Triunfo
LUIZ CHAVES/DIVULGAÇÃO

De que forma a empresa foi constituída e qual era a lacuna do mercado que visava cobrir?

PARISOTTO – No momento em que observei a fabricação sob de maiores consumidores nacionais

Perdi o equivalente ao valor de um

retornei em uma única ação da

que o montante de movimentação

Quais seus conselhos para os jovens que ingressam no empreendedorismo?

PARISOTTO –

acreditar que tudo o que con-

Quando ocorreu o momento da virada em que seus investimentos passaram a ser certeiros?

Que dicas daria para pessoas que querem começar a investir?

PARISOTTO – É tudo um

LUIZ CHAVES/DIVULGAÇÃO

OFICINA

Asede do Sincovat, em Lajeado, foi o palco para o lançamento e a realização do primeiro painel do projeto Negócios em Pauta. O evento teve como palestrante convidado o contador e administrador Paulo Pereira.

Graduado em Ciências Contábeis pela Univates, com especialização na PUC-SP e pósgraduação em Planejamento Estratégico na USP, Pereira atuou em empresas do Brasil e do exterior. É sócio-fundador da Bestway Logistic Services, especializada em soluções para gestão empresarial.

conta da proprietária da empresa Capital Verde, Raquel Winter. Ela reforçou a proposta do projeto -

zes de gestão.

“Temos muitos empresários e empreendedores de sucesso anônimos e essa é a oportunidade de socializar essas práti-

o planejamento estratégico diante das incertezas nos cenários político e econômico.

A solução, segundo a administradora de diversas áreas de atuaçãopazes de colocar as empresas em vantagem competitiva no mercado. O empecilho, alega, é a falta de uma cultura estratégica para empresas.

Aponta que o conceito nasceu

na Grécia e remete aos generais que subiam as colinas para assim, não serem pegos de surpresa. “Nosso empresário acaba se atendo aos problemas do dia a dia e perde o foco do desenvolvimento.”

Na falta de um posicionamento claro sobre a sua situação no mercado, alerta, as empresas vão à falência, muitas vezes, sem que os proprietários compreendam os motivos. Como não existem fórmulas prontas, destacou a relevância da busca constante por informações e conhecimento.

Pereira iniciou a apresentação falando sobre suas experiências

se formar na Univates, viveu em vários lugares do mundo como gerente da Budweiser. A empresa teve sedes no Japão e nos Estados Unidos. “Meu primeiro passo foi a graduação da Univates.”

Conforme Pereira, a experiência internacional permitiu perceber os modelos que garantem o desenvolvimento. Na Coreia do Sul, conheceu a realidade de um país que começava a traçar uma estratégia sólida de investimento em educação.

“Naquela época, o PIB da Coreia representava 1/3 do brasileiro, hoje o nosso PIB representa 1/5 do deles”, aponta. Para Pereira, o avanço do Brasil só será possível com uma revolução educacional.

Planejamento prático

Para Pereira, as empresas de-

“Precisamos o medo de

“Precisamos perder mudanças”

verso com empresários, recebo olhares atravessados. Como uma pequena empresa vai fazer isso?”

Ressalta que o movimento é necessário para a sobrevivência dos negócios. Para Pereira, mesmo a contratação de uma empresa de informática para a instalação de um sistema qualquer, cujos resultados são compilados em poucos gestão.

“Gestão é planejamento móvel, pensando nos próximos 12 meses e com acompanhamento constante dos indicadores por meio de um sistema adaptado às necessidades da empresa”, aponta.

Resistência à mudança

O palestrante abordou os motivos pelos quais as pessoas evitam sair de suas zonas de conforto e, portanto, resistem a assumir os riscos de uma mudança.

Comentou sobre a época em que foi diretor da Ambev, nos primeiros cinco anos da companhia.

Aos poucos, a equipe foi sendo preenchida com pessoas muito mais jovens que a primeira leva de diretores. “Nós, os mais velhos, dizíamos que a empresa ia afundar quando saíssemos, pois nós tínhamos o conhecimento.”

Os resultados, porém, mostraram o contrário. Com a saída dos diretores antigos, a nova geração assumiu e dobrou os resultados obtidos no primeiro ano sem o apoio dos mais velhos. “Envelhecer nos torna covardes e nos traz

Nosso empresário acaba se atendo aos problemas do dia a dia e perde o foco do desenvolvimento.

Raquel Winter

acontecerem.”

empresário pequeno e médio do tratégia sempre pensando nos

De acordo com Pereira, é necessário perder esse medo de mudança que se acumula ao longo

O empresário não se satisfaz mais em apenas receber os Darfs dos impostos

Rui Mallmann

ANDERSON LOPES

dos anos e aceitar as inovações da contemporaneidade. Para isso, desaconselha seguir conselhos de livros sobre o sucesso de grandes empresas mundiais.

“Nossas empresas não terão sucesso seguindo as mesmas estratégias de marketing”, alerta. Diante de um mundo que muda constantemente, ressalta, mesmo as fórmulas que deram certo por muitos anos deixam de funcionar.

Panorama econômico

Pereira também apresentou o cenário enfrentado pelas empresas na realidade brasileira. Segundo ele, a desorganização impera, motivada pelas incertezas políticas e econômicas e pela forma como o sindicalismo está estabelecido.

Para o painelista, o Brasil está na mão de um ciclo de políticos antigos que atrasam o desenvolvimento. “Deus queira que apareça um ciclo de políticos jovens e que possamos viver em um país diferente.”

Lembra que em praticamente todas as manhãs são realizadas operações da Polícia Federal para prender envolvidos em esquemas de corrupção. Por outro lado, avalia positivamente o panorama econômico diante da adoção de medidas direcionadas ao setor.

Entre elas, estão a PEC dos gastos públicos, novas regras do setor elétrico e as reformas previdenciária e trabalhista.

Para este ano, projeta um PIB estabilizado nos mesmos patamares obtidos em 2016. No ano que vem, o panorama deve ser de crescimento tímido. Segundo ele, é preciso estar organizado para viver a realidade de pouca elevação no PIB.

O cenário se completa com queda nas taxas de juros e no

preço do dólar. “As commodities voltam a impulsionar a economia, reduzindo o preço da moeda americana, mas sabemos até -

ganizações sindicais do país. “Ama-se o emprego, mas criminaliza-se quem o cria”, sentencia.

Conforme o palestrante, a CLT chega ao requinte de invalidar a homologação de um pedido de demissão, mesmo que as partes -

ta apenas ter vontade”, ressalta. Lembra que a economia exige a sistematização das operações e a medição constante dos indicadores. Caso contrário, alerta, as com risco de quebrar.

Pensar o futuro

De acordo com o painelista, o planejamento pode evitar a extinção de uma empresa. Lembra que muitos empresários sequer compreendem quais são os fatores responsáveis por sua lucratividade. “Esse está fadado a morrer no primeiro momento de crise.”

Segundo ele, fazer planejamento e gestão não são medidas a serem adotadas apenas por empresas que passam porrer enquanto a companhia estiver saudável para evitar surpresas e contratempos.

Diz ser fundamental o estabelecimento de indicadores de gestão de vendas. Cita como exemplo empresas com 6,5 mil produtos em seu portfólio, mas cuja venda de 300 deles representa 90% da lucratividade do negócio. “É uma fragilidade, pois se uma grande rede descobre quais são esses produtos e decide fazer uma guerra de concorrência essa empresa quebra.”

Ressalta a importância de estabelecer uma boa estratégia de compras, evitando despesas desnecessárias.

ter vontade” empreendedor.

verso pode ser vencido com planejamento prático. Reforça o papel dos contabilistas em trabalhar menos para cumprir obrigações com o Fisco e mais em gerar e fornecer informações voltadas à gestão.

médios e grandes empresários se traduzem na resiliência, não bas-

Destaca ainda a necessidade de estabelecer um sistema para fechamento de caixa e o controle de estoque. Com essas medidas, alega, o empresário é capaz de conhecer os indicadores da empresa e consegue direcionar a energia para as áreas onde ele ganha dinheiro.

Após a palestra, Pereira participou de sabatina com perguntas dos participantes do workshop
ANDERSON LOPES
Paulo Pereira Diogo Chamun

Resultados práticos

Convidado, o empresário Claudir Degasperi apresentou um testemunho sobre os resultados obtidos a partir da mudança na gestão do seu negócio. Ele implantou um novo sistema faz cerca de dez meses e conseguiu aumentar as margens de lucro das operações.

“Eu pensei que tinha sistema e minhas anotações do caderno e alguns relatórios eram suficientes, mas quando descobri os indicadores eles me mostraram muitas coisas que eu não enxergava na minha empresa.”

Com os dados em mãos, Degasperi passou a planejar sua ações com um ano de antecedência. Dessa forma, foi capaz de tomar decisões mais acertadas. “Antes eu ia no achômetro e pensava que aquele modelo de 30 anos atrás era suficiente.”

Em dez meses, Degasperi conseguiu descobrir e monitorar quais são os produtos mais vendidos e os principais clientes. Com isso, foi capaz de aumentar suas margens atacando os pontos fortes e fracos identificados pelo sistema

Próximo Evento

achômetro e pensava que aquele modelo de 30 anosciente.”

Perguntas e Respostas

Diogo Chamun (presidente do Sescon-RS) – Qual a sua orientação às pequenas empresas que têm uma estrutura enxuta e seus donos envolvidos integralmente na execução das tarefas?

Paulo Pereira – Nessa região visitei muitas empresas e todas elas têm essas características. Além disso, existe o conservadorismo e a preocupação de como fazer a mudança sem ter a expertise para isso. Primeiro tem que sistema informatizado. Conheço umempresárioquepagouR$100 mil para instalar um sistema que não dá sequer a margem de lucro dosprodutos.Opequenoemédio empresário precisa de um sistema adequado e isso não se mede pelo preço e sim pela formulação e construção do banco de dados. Também é preciso um modelo São coisas viáveis e que existem no mercado.

O cronograma de workshops segue no dia 29 de março, em Estrela, com o tema Fluxo de Caixa: como mantêlo saudável?. O palestrante do evento será o pró-reitor de Administração da Univates, Oto Möerschbaecher.

Diante de um mundo que inova a cada instante, os modelos de negócios no Brasil mudam pouco.

ferramentas que sustentarão as tomadas de decisões. Modelo de gestão e indicadores nada mais

Raquel Winter – (Proprietária da Capital Verde) – Quais são os mecanismos para que as empresas de pequeno e médio porte acessem de forma ética informações sobre as intenções e movimentos dos concorrentes?

começar a fazer a mudança necessária, e vender essa ideia para seus clientes.

Diogo Chamun – É possível trazer os conceitos de gestão e planejamento estratégico para o setor público?

João Carlos Britto (coordenador de Pós-Graduação do Centro de Gestão Organizacional da Univates) – Diante de um mundo que inova a cada instante, os modelos de negócios no Brasil mudam pouco. Não estamos usando as ferramentas sem a expertise necessária para isso? Pereira – Trabalho no planejamento estratégico na Rede TV, a menor rede de televisão do país. Num primeiro momento, eles trouxeram diretores da Globo, porque queriam ser iguais. Aconteceu uma catástrofe. Os caras vinham com a expertise, a estrutura e a realidade da Rede Globo, para aplicar na rede TV. Qualquer empresárioqueseespelharnuma Ambev e numa Nestlé comete umerro.Essasempresasquesão modelo de gestão não são espelhoparanossamédiaempresaregional. Mas o modelo da Ambev deve ser ajustado para a pequena e média. É preciso customizar. O proprietário é o especialista no seu negócio, o que falta são as

Pereira – Esse é o famoso benchmarking. Trabalhei na diretoria da Budweiser, na época maior cervejaria no mundo. Jamais passou pela nossa cabeça que a Ambev compraria a Budweiser. Eles tinham na sede em St. Louis uma sala com indicadores, e ao lado uma sala mais ou menos com 12 a 15 caras trabalhando no acompanhamento de Miller, principal concorrente na época. Fechavam o balanço da concorrência com quase 100% de exatidão. O passo é conhecer o seu negócio. No momento que isso ocorre até a cultura da empresa começa a mudar. Tive um cliente com vergonha de entrar na loja da concorrência. Levei ele para São Paulo para visitar 12 lojas do negócio dele para que pudesse voltar pensando no mundo, para abrir a cabeça.

Rui Mallmann (presidente do Sincovat) – Qual deveria ser o papel do escritório de contabilidade quando se trata da gestão de seus clientes?

Pereira – A classe dos contabilistas, da qual eu pertenço, também não está enxergando corretamente. Aí o problema é ainda maior, porque o cara que deveria fazer a empresa acordar também não pensa dessa inovadora. O número de empresas que morre no Brasil é enorme. Nós vamos viver de empresas sólidas, que conseguem evoluir e ganhar dinheiro. Os contabilistas ganharão dinheiro na medida que seus clientes estiverem saudáveis. A classe precisa acordar agora,

Pereira – Conheço uma cidade com 35 mil habitantes e 1.441 funcionários da prefeitura. Paris tem 1,2 mil funcionários e as pessoas brigam porque acham que a máquina pública está inchada. É desalentador. Minha esperança é que essa geração que está chegando venha com ideias novas. Existem soluções e modelos fora do Brasil, mas temos que desinchar essa máquina e privatizar. Não é possível entregar a presidência da Petrobrás para alguém que nunca trabalhou na área. Tenho esperança, mas essa virada só vai acontecer com democracia. As pessoas vão aprender a escolher seus representdo ciclo desses políticos antigos.

Ana Tércia Lopes Rodrigues (Vice-presidente de Gestão do CRC-RS) – Dentro do cenário da contabilidade hoje, em um estado conservador como o RS, como fazer a guinada para um novo modelo?

Pereira – A contabilidade que fazemos atende o Fisco e não gera para o empresário o que deveria gerar, que é um melhor modelo de gestão. A oportunidadeparatodasénãoserapenas um escritório de contabilidade. É preciso oferecer uma boa área jurídica, uma área de gestão e uma parceria com um sistema informatizado para levar para os clientes. Não precisa criar todas essas áreas, e sim estabelecer parceria com pessoas que façam isso. No momento que oferece isso ao cliente, você agrega valor noseuserviçoeéreconhecidode maneira diferenciada. A oportunidade está em não pensar apenas como um contabilista.

Claudir Degasperi
João Carlos Britto

IDEIAS E NEGÓCIOS

Centro Administrativo do Sicredi será inaugurado no segundo semestre

Localizada no bairro Florestal, em Lajeado, o novo Centro AdministrativodoSicredichamaaatençãopelaimponência.Oprédiode 5,2 mil metros quadrados divididos em seis pavimentos está em fasefinaldeconstruçãoeficaao lado da sede da Unimed, na avenidaPiraí,nobairroSãoCristóvão. AobrafoiprojetadapelaempresaThomasHornArquitetosAssociadoseérealizadapelaConstrutoraZagonel.Oespaçoteráainda1,9 milmetrosdegaragem,comcapacidadedereceberaté97veículos. O estacionamento foi construído pelaempresaVigaseEngenharia.

Startup

O investimento total na estruturafoideR$25milhões.Oprédio receberáaunidadedeatendimento hoje localizada na avenida Se-

dirigida

nadorAlbertoPasqualini,aSuperintendênciadacooperativa,além deauditório,memorialeáreasde convivência.

por bom-retirense fecha parceria com gigante asiática

ComprojeçãodealcançarR$24milhõesemreceitaneste ano,aCupcakeEntertaimentrecebeuoinvestimentomilionáriodaPlaylab,maiorempresadoramodejogoson-line dosudesteasiático.AStartuplocalizadaemPortoAlegre tementreseussóciosobom-retirenseGabrielStürmer,que tambémrespondepeladiretoriademarketing.Conforme Stürmer,emumanoemeio,aempresacresceu,emmédia,cipal companhia de games do Brasil.

Robôs da Dália começam a funcionar em abril

ACosuelprojetaparaabrilainauguraçãodocondomínioleiteirocomordenharobotizadaconstruídoemCandelária,noValedo RioPardo.FrutodeinvestimentodeR$5,5milhões,oempreendimentoterácapacidadeparareceber262animais.Esseéoquarto

Nova Bréscia, Roca Sales e Arroio do Meio.

Tecnologia em automação avança no Vale

Empresa nascida na incubadora tecnológica da Univates, a STW Soluções em Automação

apresentou no ano passado um crescimento de 65% na comparação com 2015. Com negócios em Cuba, Argentina, Peru, Vietnã e em todo o Brasil, a companhia projeta a abertura de uma representação no Paraguai para facilitar a relação com os países do Mercosul.

Fruki inaugura Centro de Distribuição em Pelotas

OnovoCentrodeDistribuiçãodaBebidasFrukiteminauguração agendadaparaodia10demarço.AestruturalocalizadaemPelotas temáreade10milmetrosquadradoseespaçoparareceberaté180 caminhõessimultaneamente.FrutodeuminvestimentodeR$20cam em Lajeado, Canoas, Caxias do Sul e Santo Ângelo.

Calci projeta alcançar 38 lojas

Franquia criada em Lajeado em 2012, a Lojas Calci vive franco crescimento. Para 2017, a empresa projeta chegar a 38 lojas pelo RS, Paraná e Santa Catarina. A meta para os próximos cinco anoséaindamaisousada:chegar a 250 franquias em todo o país. Nos últimos dois anos, a Calci andou na contramão da crise e apresentou crescimento nas vendas. O número de franquias dobrou de quatro em 2014, para

oito em 2015, chegando a 14 no ano seguinte. Entre os motivos apontados para o sucesso, estão sistemas de tecnologia em gestão que franqueados. Outras vantagens competitivas são as negociações em grande volume, cartão de crédito próprio, estratégia de treinamentos constantes com as equipes de vendas e atendimento.

em 2017

ECONOMIA DOMÉSTICA

Qual investimento

Poupança, títulos do tesouro, CBDs e previdência privada estão entre as opções

As incertezas na economia e no sistema de seguridade social expõem aimportânciadeestabelecer investimentos de longo prazo. Diante das mudanças previstas na Previdência e na legislação trabalhista, a população está cada vez mais atenta às opções de aplica-

aquisições ou para assegurar uma aposentadoria tranquila.

Se até meados dos anos 90 a caderneta de poupança era o principal instrumento para investidores

ante a popularização das aplicaçõesemtítulosdotesouropúblicoe outros fundos mais rentáveis.

Coordenador do curso de Administração da Univates, o professor Sandro Nero Faleiro lembra que a

Vantagens

Principais opções de investimento

Desvantagens

• Baixo custo

• Não possui carência

• Isenção de Imposto de Renda

• Disciplina forçada para poupar e investir com

• Pode complementar a Previdência social com retiradas mensais

• Pode ser abatida no Imposto de Renda

teriais ou assegurar recursos para lazer e diversão.

“É o plano que indicará qual o montante deverá ser guardado, por quanto tempo e a frequência da

com mais exatidão.

Dianteda maior oferta de modalidades para aplicações, considera importante avaliar as diferentes possibilidade levando em consideração os riscos envolvidos em cada uma. Conforme Faleiro, aplicações com riscos mais elevados teoricamente apresentam maior possibilidade de retorno.

Para o professor, o interessado em investir deve analisar criteriosamente as regras relativas a cada possibilidade investimento. Entre elas, estão a taxa de administração, retenção de Imposto de Renda sobre o rendimento, prazo de resgate do valor e o tempo de aplicação mínima.

• Rentabilidade maior que a da poupança

• Menor risco

• Valor mínimo acessível

• Liquidez diária

• Oferece opções de curto, médio e longo prazo

• Taxas baixas de administração e custódia

Não exige valor mínimo para as aplicações nem tem prazo mínimo para resgatar os recursos. É protegida pelo Fundo Garantidor de Crédito para investimentos de até R$ 250 mil, mas tem o risco de render me-

Previdência Privada

Os planos de previdência privada são usados popularmente para complementar a renda das aposentadorias pagas pelo INSS. Os planos são regulamentados pera Superintendência de Seguros Privados, órgão do Ministério da Fazenda.

Títulos do Tesouro Direto

permite aplicações a partir de R$ 30 e paga o mesgrandes investidores. Algumas aplicações tem prazo para resgate e condições saques antecipados.

• Rentabilidade maior que a da poupança

• Não há prazo para resgate

• Quanto maior o investimento, maior a rentabilidade

CBDs ou Fundo de Renda Fixa Investimento de rendasouro, com a diferença de ser emitido pelos bancos e não pelo governo. Tem retorno em índice superior segurança e tem proteção do FGC em aplicações de até R$ 250 mil.

• Baixa rentabilidade, podendo

• Não paga rendimento em aplicações com menos de 30 dias de duração

• Custos de administração elevados

• Taxas para retirar o dinheiro antes do prazo

• Baixa rentabilidade

“Não é recomendado terceirizar a decisão sobre investimentos, e sim formar sua própria opinião”, alerta. Segundo ele, a idade é um fator determinante na forma como -

costumam assumir riscos maiores, os mais velhos costumam buscar aplicações seguras, mesmo que tenham menor rendimento.

Conhecimento

e informação

De acordo com Faleiro, as alternativas de investimento são inúmeras e vão desde a compra de terrenos e imóveis, passando por aplicações

moedasestrangeiras,ouroouemsociedades empresariais.

Alémdosriscosedaperspectivas deretorno,ovolumedetrabalhoque o investimento acarretará ao investidor em sua gestão e controle deve ser incluído na análise. “É importante considerar o nível de conheci-

• É tributado pelo Imposto de Renda

• Possui taxas a serem pagas para a corretora e para a BM&F Bovespa

• É tributado pelo Imposto de Renda

• Taxas de rentabilidade variam entre os bancos

• É cobrada taxa de administração do investimento

Para Faleiro, a gestão dos investimento não deve ser terceirizada, sendo recomendável aplicações mínimo de compreensão. Outra medida é buscar orientações com “Se resolvo fazer uma aplicaçãocias da economia, da instituição mensal dos recursos”, alega. Em relação aos planos de previdência privada, é fundamental saber quem são os administradores do plano, além de avaliar as taxas de administração e onde os recursos do plano são investidos. Também é importante analisar o regime tributário, o histórico de rendimento do plano, os prazos de acumulação e as diferentes formas de remuneração propostas aos aposentados.

Caderneta de Poupança

Construmóbil desperta o Vale para economia colaborativa

Tema da feira deste ano, conceito ganha

Afeira da Construção Civil, Mobiliário e Decoração do Vale do Taquari traz para a região o debate de como a colaboração está mudando as relações de consumo. Tendência nos grandes centros urbanos e tecnológicos, a economia compartilhada será o tema da 8ª Construmóbil, que ocorre entre os dias 26 de setembro e 1º de outubro.

Presidente da feira deste ano,

de um conceito recente e ainda em construção. Segundo ele, a intenção é instigar as empresas a repensarem seus modelos de negócio e com isso evoluir ao lado de seus clientes.

“É um modelo que está mudando. Grandes corporações cresceram e outras desapareceram

Para o publicitário e integrante da comissão organizadora da Construmóbil, Márcio Alessio, o avanço da economia compartil-

possível oferecer a própria casa para hospedagens por tempos pré-determinados.

hada está diretamente ligado ao crescimento das redes sociais.

De acordo com Alessio, as plataformas digitais aproximaram as pessoas, permitindo algumas situações comerciais baseadas em trocas e eliminando a

ele, os principais exemplos são os aplicativos como o Uber e o AirBnb.

“Partem do conceito de que as pessoas não precisam adquirir o produto, e sim usufruir dele”, explica. No caso do AirBnb, é

O sistema é vantajoso para o proprietário, que recebe dinheiro durante um período em que a propriedade está ociosa. O cliente tem acesso a uma hospedagem mais acessível e a empresa garante o pagamento, lucra com a intermediação do negócio e assegura que a casa será devolvida nas mesmas condições em que foi alugada.

Espaço de trabalho compartilhado

O conceito de economia colaborativa foi determinante paraworking. Localizado no Genes Shopping, em Lajeado, o local funciona como um escritório

ais podem alugar o espaço para trabalhar, trocar ideias e fortalecer as redes de contatos. A ideia foi criada pelo arquiteto Marcos Nesello e o advogado Tiago Neselo. Tio e sobrinho, os dois perceberam uma demanda reprimida por esse tipo de ambiente na região. “Existiam grupos residências comerciais, mas barravam em quem tomaria conta

Segundo ele, o conceito do coworking é oferecer o espaço compartilhado para usar na pagando apenas pelo tempo demanentemente e a manutenção assim como os custos com luz, água, IPTU, condomínio e demais encargos.

“Tudo isso está concentrado em um valor-hora tabelado”, -

salas de reunião, um auditório, além de cozinha e áreas de convivência comuns.

Além da comodidade e economia da proposta, Marcos sa-

“Nosso objetivo é conseguir impulsionar esse contato entre as pessoas e promovemos eventos para integrar nossos coworkers”, ressalta Tiago.

Uma vez por mês a empresa realiza uma sessão com vídeos

de palestras do TED e depois promove um debate sobre o tema da película. “A ideia é que esse networking aconteça efetivamente. O custo-benefício do muito mais atrativo do que no trabalho isolado.”

Sócio de um estúdio de design, Vagner Zarpellon, 32, transferiu a sede da empresa para o Estúdio 670 logo que o Cowoking foi aberto, em abril de 2016. “Foi uma coincidência, pois o proprietário da sala que

Partem do conceito de que as pessoas não precisam adquirir o produto, e sim usufruir dele

alugávamos vendeu o imóvel e tivemos que nos mudar.”

Ao avaliar os custos e os benefícios da iniciativa, Zarpellon percebeu as vantagens do espaço compartilhado. “Além da vantagem em custos, aqui temos publicitários, programadores, ad-

ligados a nossa área e que acabamos nos relacionando.”

Mais do que contatos pro-

novas amizades com os quais compartilha atividades fora do ambiente de trabalho.

Profissional de mídias sociais, André de Azevedo, 20, foi para o estúdio acompanhado dos colegas de empresa. Para ele, a rede de relacionamentos é o principal benefício da proposta. “O espaço de coworking é muito novo, assim como são as redes sociais, e esse contato com os profissionais gera novas ideias e até clientes para nossas empresas.”

Iniciativas locais

Outro exemplo em que a economia compartilhada ocorre na prática é o Arte na Praça. Criado em 2014, o evento reúne músicos, artesãos, pintores, fotógrafos, atores e poetas em um espaço de convivência comum em praças de Lajeado. A intenção do evento, que tem como cenário principal a Praça João Zart Sobrinho, é promover

cultura, lazer, sustentabilidade e a interação entre as pessoas. O espaço é livre para exposição e comercialização de produtos artesanais, antiguidades e brechós, sem a necessidade de inscrição ou burocracia.

Coordenador do Arte na Praça, André Luiz Schossler afirma que o evento visa ocupar o espaço público permitindo a troca de ideias e conhecimento e ao mesmo tempo incentivar o consumo sustentável.

“É nesse espaço rico em elementos da natureza, compartilhado entre os expositores e o público, que ocorre toda essa troca”, afirma. Segundo ele, foi a colaboração entre pessoas que criou o Arte na Praça e o conceito está fortemente presente no evento.

De acordo com Marcos Mallmann, a economia compartil-

hada faz parte das origens da região, principalmente na área rural. “Antigamente uma família produzia milho, a outra carne, e elas se trocavam para suprir as necessidades uma da outra.” Outro exemplo são as empresas que se juntam em redes associativas. Dono de uma loja de material de construção, Mallmann integra ações de troca de informações, compras coletivas e treinamentos compartilhados com outras firmas da rede AgaEletro.

“Ao invés de cada uma fazer um contrato individual, contratamos juntos e dividimos os custos”, aponta. Segundo Mallmann, esta forma de economia faz parte da história da região, principalmente no interior, onde as familias trocavam produtos entre si, atendendo às necessidades de cada uma.

Márcio Alessio
Arte na Praça incentiva a comercialização de produtos artesanais
THIAGO MAURIQUE
ANDERSON LOPES

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AH - Negócios em Pauta| 25 de fevereiro de 2017 by Jornal A Hora - Issuu