EDIÇÃO Nº 2327 • R$ 1,50
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CAMPO GRANDE-MS, 25 de outubro de 2026
DIRETOR EXECUTIVO: JORNALISTA LUIZ CARLOS FEITOSA
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EDITADO DESDE: 01 DE AGOSTO/1980 Foto: Paulo Pinto e Fernando Frazão
RESUMO Feira da Lagoa
A Feira da Lagoa acontece das 16h às 22h, na Lagoa Itatiaia, com programação gratuita de gastronomia, artesanato, música e atrações culturais. Os shows ficam por conta de Lauren Cury, Tribo 67 e DJ Caio Green.
Disco na Rua
O projeto Disco na Rua será realizado às 17h, na Capivas Cervejaria, na Rua Pedro Celestino, 1.079. A proposta convida o público a levar discos de vinil para montar uma playlist coletiva e compartilhar diferentes estilos musicais. A entrada é gratuita.
Teatro no Bosque – Histórias e Canções
O Shopping Bosque dos Ipês recebe às 16h a apresentação “Histórias e Canções”, dentro do projeto Teatro no Bosque. A atividade é voltada ao público infantil e tem entrada gratuita.
Dos 2,2 milhões de votos que separaram Flávio Bolsonaro (PL) de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no país, 356 mil saíram daqui.
MS tem 1,3% dos eleitores, mas peso maior na corrida presidencial Estado respondeu por 16% da vantagem nacional de Flávio sobre Lula no 1º turno; hoje, 2 milhões de sul-mato-grossenses votam das 7h às 16h, com chuva, ônibus de graça e 38 juízes extras nas ruas Mato Grosso do Sul reúne pouco mais de 1,3% dos eleitores do Brasil, mas no primeiro turno teve um peso bem maior
que esse na corrida presidencial. Dos 2,2 milhões de votos que separaram Flávio Bolsonaro (PL) de Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) no país, 356 mil saíram daqui, cerca de 16% da diferença nacional. Flávio teve 58,60% dos válidos no Estado e venceu em 73 dos 79 municípios. Lula liderou em seis, como Miranda, Japorã e Paranhos. Hoje, os 2.021.869 eleitores aptos de MS voltam às urnas para a decisão final, das 7h às 16h, no horário local. A conta ainda tem uma parte em aberto: quem ficou em
casa. No dia 4, 482.860 sul -mato-grossenses não votaram, 23,88% do eleitorado, a maior taxa das últimas quatro eleições gerais. O número é maior que a própria vantagem de Flávio no Estado. Para reduzir as faltas, Campo Grande, Dourados e Corumbá oferecem ônibus gratuitos, e prefeituras do interior cedem veículos para buscar eleitores da zona rural: são 19 linhas em Bela Vista, que aten-
dem assentamentos, e 13 rotas em Caracol. No país, os eleitores com 70 anos ou mais, para quem o voto é facultativo, foram 43% mais numerosos nas urnas do que em 2022. A operação do dia também é grande. O Tribunal Regional Eleitoral escalou 38 juízes auxiliares em 29 municípios, seis deles em Campo Grande, com poder para mandar retirar propaganda irregular.
Quem vencer terá de enfrentar problemas que pesam no bolso e na segurança de MS VEJA NAs PÁGINA 4•A Foto: Rafael Rodrigues
Novo condomínio logístico terá 294 lotes para empresas em Campo Grande
Expogenética começa na quinta-feira com shows, rodeio e entrada gratuita
Foto: Divulgação
Veja na página 1•B
MS terá verão mais quente e chuva acima da média, mas mal distribuída Veja na página 3•B
Indústria cresce em MS, mas enfrenta falta de mão de obra e pressão dos custos, diz Longen Veja na página 3•B
Cruzamento da Euler de Azevedo com a Tamandaré pode fechar Veja na página 8•A
Veja no Caderno Light
www.acritica.net A CRÍTICA
2•A Opinião
Campo Grande, 25 de outubro de 2026
Eleições: a sorte está lançada MAU SINAL: Preocupa o nível das relações entre Zeca do PT e Puccinelli na futura legislatura. Os motivos, notórios. A causa é o atual humor do petista com seus excessos verbais, impróprios na ‘Casa do Povo’. Agora, Zeca chamou de canalha o vereador e deputado eleito Salineiro. Crápula, infame, cafajeste, patife, miserável – os sinônimos deste termo pesado. Francamente… PAUTAS: Para o deputado coronel Davi elas são imprescindíveis aos parlamentares. ‘Questão de sobrevivência’ – diz ele. A propósito; estive com deputado eleito Odilon Ribeiro – que focará na defesa do Pantanal. Também em visita à Casa de Leis, a deputada eleita Gianni Nogueira reiterou seu olhar especial às questões sociais e à saúde de Dourados e região. ‘DAY AFTER’: A não reeleição de Junior Mochi resultará no vácuo de representatividade política na região norte liderada por Coxim. Ele, deseja voltar à advocacia baseada em Campo Grande. Aliás, Mochi já identifica alguns personagens coxinenses em condições de reiniciar esse projeto político de âmbito regional. INTERROGAÇÕES: Sobrevivem ao longo da campanha. Os debates entre Lula e Flavio mudaram a vitrine num ringue nervoso. A radicalização deixou as esperadas propostas em segundo plano. Neste debate (Globo) espera-se que ambos postulantes apresentem a ‘bala de prata’, sob pena do controle remoto ser o vitorioso da noite. AUSENTES: Tirar o eleitor de casa é o desafio dos candidatos. Desânimo, cansaço? No primeiro turno, de cada 10 eleitores, 2 não foram votar. Uma apatia justificável por conta do cenário social e econômico do país e das desacreditadas instituições (Executivo, Legislativo e Judiciário). Os ausentes equivalem ao eleitorado da Argentina LEMBRETE: A taxa de ausência de Mato Grosso do Sul com 23,9%, foi a maior do país. Embora tenha o quinto maior percentual de eleitores que não escolheram os finalistas (31,2%), o principal componente foi a abstenção. Dos 634 mil eleitores que não escolheram Lula nem Flavio, 483 mil não compareceram às urnas. REFLEXÃO: “O político narcisista não se contenta em governar, representar ou exercer uma função pública. Precisa ser celebrado. Não basta realizar uma obra; é necessário convencer a população de que ninguém jamais seria capaz de fazê-la. Não basta administrar uma cidade, um estado ou um país; é preciso vender a imagem de que tudo começou com ele e de que nada sobreviverá sem sua presença. ” (Jener Tinoco) ‘MARRUÁ’: Se em 2.022 Marcos Pollon obteve 103.111 votos (38.018 votos na capital), agora volta a surpreender com 140.129 votos (56.347 votos só na capital) – totalizando 12,14% dos votos válidos. Neste pleito foram 37.018 votos a mais do que nas eleições anteriores. Crescimento oceânico deste bolsonarista de primeira hora. O CAMPEÃO: Valores marcantes de conduta do prefeito Xixi de Paraíso das Águas. Deu a maior votação (2.357 votos) proporcional (no MS) ao candidato Riedel (82,38%), e comandou a vitória de Fabio Bolsonaro com 72,98% (2.253 votos) contra 701 de Lula. E mais: Reinaldo obteve 2.387 votos (42,62%) e o Capitão Contar chegou a 2.347 votos (41,90%). RETORNO: Foram 124,409 votos, dos quais 68.306 (54,9% na capital – que elegeram Rose Modesto para a Câmara. Obteve ganho de 18.871 votos em relação ao pleito de 2.018 com 49.435 votos. No interior as maiores votações: Aparecida do Taboado (2.639 votos), Ponta Porã (2.422 votos), Aquidauana (2.411 votos) e Dourados (2.025 votos). GUERREIRA: 120.199 votos garantiram a eleição de Mara Caseiro para a Câmara. Superávit de 70.687 votos em relação ao pleito de 2.018 (deputada estadual com 49.512 votos). Cidades destaques: 14.179 votos na capital; 5.453 votos em Naviraí; 5.251 em Dourados; 4.372 votos em Três Lagoas e 4.251 votos em Coronel Sapucaia (43,80%). CHICOTE: Iza Marcondes eleita com 76.956 votos – 39.025 votos em Dourados; 4.530 em Campo Grande; 2.911 em Ponta Porã; 2.443 em Maracaju e 2.391 em Itaporã. Entre o pleito (vereança) de 2.024 e 2026 ganhou 73.964 votos. Foi votada em 78 cidades e a mais votada em 3 delas. A expectativa é proporcional às promessas de campanha. DAGOBERTO: Vitorioso pela 5ª vez (2.006, 2.014, 2.018, 2.022, 2.026) foi reeleito agora com 56.217 votos. Superávit de 8.000 votos em relação aos 48.217 votos em 2.022. Em 2.010 disputou o Senado – em 2.004 e 2.020 a prefeitura da capital. Votações: 7.728 votos na capital; 4.216 em Paranaíba; 3.169 em Miranda; e 2.300 em Bonito. RINALDO MODESTO: Eleito deputado estadual pela sexta vez. Disputou 10 eleições desde 1.998 – incluindo 2 pleitos para vereança. Suas votações para Assembleia Legislativa: 23.763 votos (2.026) – 12.800 votos (2.022) – 24.593 votos (2.018) – 29.386 votos (2.014) – 22.864 votos (2.010) – 14.017 votos (2.006) – 9.025 votos (2.002).
Todo líder tem um martelo
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André Conejo (*)
ecentemente, a União Europeia convidou o Canadá a se tornar seu primeiro “membro associado”. Há dois anos, a ideia soaria absurda. O Canadá sempre foi o aliado mais próximo dos Estados Unidos, com quase US$ 900 bilhões em comércio por ano entre os dois países. O que mudou no caminho não foi a geografia. Foi a liderança. E a lição vale para muito além da geopolítica. Todo líder tem um martelo: o comportamento que o levou ao topo e que, justamente por ter funcionado, passa a ser usado para tudo. O problema é que liderança é contingencial, e nenhum estilo é bom em si mesmo. Gosto de pensar em um “U” invertido: na dose certa e no contexto certo, um estilo é eficaz; em falta ou em excesso, deixa de funcionar. E há dois jeitos de cair da curva: exagerar a dose ou aplicá-la no contexto errado. O caso canadense tem os dois. A pressão máxima de Donald Trump rendeu concessões em várias mesas de negociação, e negar isso seria desonesto. Mas o mesmo martelo foi usado contra o vizinho e aliado. Tarifas, ameaças e a sugestão de transformar o Canadá no “51º estado” não produziram submissão. Produziram desconfiança. Segundo o Pew Research Center, 59% dos canadenses passaram a ver os EUA como a maior ameaça ao país, contra 20% em 2019, ainda que a maioria os considere o principal aliado. Viraram um mal necessário. Em pesquisa do instituto Angus Reid, mais canadenses disseram que os EUA deveriam ser tratados como ameaça do que a China. O martelo também criou o seu antagonista. No início de 2025, o Partido Liberal do Canadá estava cerca de 20 pontos atrás nas pesquisas, e Mark Carney era o azarão. À medida que Trump trans-
formava aliados em adversários, Carney cresceu defendendo a soberania do país e foi eleito. Desde então, combina firmeza com a construção paciente de alianças. O Canadá não rompeu com os EUA. Apenas aprendeu a depender menos deles. E Carney virou uma das vozes mais ouvidas do Ocidente. Por que é tão difícil trocar de ferramenta? Porque comportamentos recompensados no passado tendem a se repetir, mesmo quando o contexto muda. Quanto mais um estilo funcionou, mais difícil é perceber que ele passou do ponto. Diante da primeira resistência, o instinto não é mudar de ferramenta. É bater mais forte. As empresas conhecem bem esse ciclo. O executivo que espreme fornecedores ganha margem no trimestre e, anos depois, vê a inovação desses parceiros ir parar no concorrente. E vale o inverso: o líder conciliador demais evita conflitos até o problema adiado virar crise. O erro não está no estilo. Está em não perceber quando ele deixou de servir. Em ano de eleição no Brasil, vale levar essa lente para além das empresas. A pergunta mais útil sobre qualquer líder, de qualquer lado, não é se ele é duro ou conciliador. É se ele sabe ler o contexto e dosar a resposta, ou se só tem um martelo. É também a pergunta que cada um de nós deveria se fazer antes da próxima reunião difícil: estou escolhendo a ferramenta certa ou só batendo com mais força? (*) André Conejo é executivo, pesquisador e escritor, autor de “Ultimate Corporate Leader”, publicado pela Alta Books.
Quem defende bandido?
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Eder Ricardo Fior (*)
a reta final da eleição, a advocacia criminal virou munição. No debate da TV Band, realizado no domingo (18), o presidente Lula cobrou do senador Flávio Bolsonaro a atuação como advogado de um policial acusado pela morte de uma menina de cinco anos em Niterói. Em julho, num podcast, o mesmo presidente já tinha dito que “criminalista defende bandido”. Do outro lado, Flávio acusa Lula de defender mais os bandidos do que as vítimas. Cada um aponta o dedo para o outro e a frase serve aos dois. Advogo na área criminal há quase 28 anos e não vou escolher candidato neste texto. Quero defender outra coisa: o direito de qualquer pessoa acusada ter alguém ao seu lado. Defender alguém não é aprovar o que essa pessoa fez, nem afirmar que é inocente. É exigir que a acusação seja provada, que as regras do processo sejam cumpridas e que a pena (se vier) seja a justa. A Constituição garante a todo acusado o direito de se defender com um advogado. Um processo sem defesa é só um linchamento com carimbo oficial. O Brasil conhece bem esse risco. Em 1994, os donos da Escola Base, em São Paulo, foram apontados como abusadores de crianças. Tiveram a escola depredada e a vida destruída antes de qualquer julgamento. Eram inocentes. Quem, naquele momento, teria coragem de defendê-los sem ser chamado de defensor de bandido?
Também conhecemos o exemplo oposto. Nos anos 1930, Sobral Pinto, católico fervoroso e adversário declarado do comunismo, aceitou defender o líder comunista Luís Carlos Prestes. Ao ver outro preso político sendo torturado, chegou a invocar a lei de proteção aos animais para pedir que ele fosse tratado, ao menos, como um bicho. Sobral entendeu que o direito de defesa não tem partido. Há uma ironia que nenhum dos lados gosta de lembrar: os dois candidatos, ou pessoas muito próximas deles, já precisaram de advogado criminal. Todo político, cedo ou tarde, precisa. Qualquer cidadão também pode precisar, porque ninguém está livre de uma acusação injusta, de uma briga de trânsito ou de um flagrante mal feito. Quem chama criminalista de defensor de bandido está dizendo, sem perceber, que o acusado já chega condenado. Hoje o alvo é o adversário. Amanhã pode ser você, seu filho ou alguém da sua família. E a primeira pessoa que você vai procurar é justamente aquela que aprendeu a desprezar. Quem defende bandido? Quem defende a Constituição. E ela vale para todos, inclusive para quem a gente não gosta. (*) Eder Ricardo Fior é advogado criminalista e autor do livro “Luz nas Grades: bandido bom é bandido recuperado”.
Animês: agentes de formação cultural no Brasil?
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Roger Armstrong (*)
urante muito tempo, a presença dos animês no Brasil foi contada como uma história de audiência: desenhos japoneses que conquistaram crianças e adolescentes pela televisão. Mas há uma questão maior por trás desse fenômeno: os animês apenas conquistaram uma geração ou também ajudaram a formá-la culturalmente? O ponto de virada foi Os Cavaleiros do Zodíaco, exibido pela extinta TV Manchete a partir de 1994. O fenômeno abriu caminho para uma presença inédita da animação japonesa no cotidiano brasileiro. Vieram Dragon Ball, Pokémon, Digimon, Yu Yu Hakusho, Sailor Moon e, posteriormente, Naruto, entre muitos outros. Mais do que sucessos de audiência, essas séries introduziram personagens, narrativas, músicas, valores e referências visuais que passaram a integrar o repertório de milhões de jovens brasileiros. A diferença estava também na forma de contar histórias. Heróis podiam fracassar, amadurecer, sofrer perdas e construir suas trajetórias ao longo de centenas de episódios. Amizade, persistência, lealdade e superação apareciam associadas a conflitos mais complexos do que aqueles tradicionalmente oferecidos pela animação infantil ocidental. Personagens femininas, por sua vez, podiam ocupar posições centrais na ação, e não apenas desempenhar papéis secundários. Essa experiência produziu algo maior que o consumo de entretenimento. Crianças e adolescentes passaram a desenhar personagens, colecionar produtos, aprender expressões japonesas, acompanhar trilhas sonoras, frequentar eventos, participar de cosplay, consumir
mangás e, mais tarde, produzir seus próprios conteúdos. Grandes encontros, como o Anime Friends, em São Paulo, e festivais ligados à música e à cultura japonesa ajudaram a transformar interesses individuais em experiências coletivas. O animê tornou-se porta de entrada para o mangá, para a cultura japonesa e para uma comunidade de interesses que encontraria na Internet novas formas de interação. Por isso, talvez a pergunta não seja por que uma geração brasileira gostou tanto de animês, mas quanto da cultura pop contemporânea brasileira foi moldada por eles. O fenômeno iniciado na televisão nos anos 1990 transformou espectadores em participantes de uma cultura global. Os animês, portanto, não foram apenas uma febre televisiva. Foram agentes de formação cultural. A geração que cresceu com Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball, Pokémon e Naruto não apenas assistiu a esses personagens: incorporou parte de seus códigos, referências e valores ao próprio imaginário. Talvez esse seja o verdadeiro legado da chegada dos animês ao Brasil: eles chegaram como desenhos estrangeiros e acabaram se tornando parte da cultura brasileira. (*) Roger Armstrong é funcionário público e autor de «Animese³: Animês”, uma enciclopédia que a história, a estética e os bastidores da indústria do entretenimento japonês desde a década de 1960 até a contemporaneidade.
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Nacional 3•A
Campo Grande, 25 de outubro de 2026
Quem vencer hoje herda a contagem regressiva para o fim da escala 6x1
Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro
Até meados de dezembro, empresas terão de dar duas folgas por semana a 16 milhões de trabalhadores A urna define hoje quem vai governar o país a partir de janeiro. Uma das maiores mudanças na rotina de quem trabalha, porém, já tem data para começar, seja qual for o resultado. Até meados de dezembro, as empresas terão de dar duas folgas por semana aos empregados e reduzir a jornada de 44 para 42 horas, sem cortar salário. O fim da escala 6×1 entrou na Constituição no dia 16, e os dois candidatos se comprometeram a não mexer nele. A mudança alcança 14,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada e 1,4 milhão de empregados domésticos, que hoje trabalham seis dias para folgar um, segundo o Ministério do Trabalho. Quem já folga dois dias, mas cumpre 44 horas semanais, também ganha tempo livre. Pelo Ipea, é o caso de 7 em cada 10 contratos com carteira no país. Doze meses depois da primeira etapa, o limite cai para 40 horas. Acordos coletivos ainda podem manter a escala 6×1 em casos excepcionais, desde
que a folga extra seja compensada no mesmo mês. A proposta, bandeira de Lula (PT), passou no Senado por 75 votos a 1. Entre os votos a favor estava o de Flávio Bolsonaro (PL), que antes era contra. Na entrevista à TV Globo, ele disse que não vai alterar a emenda: “Não vou. Todos os direitos trabalhistas estão garantidos.” O governo afirma que de 68% a 70% dos empregos já estão fora da escala 6×1. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que estuda crédito e capacitação para as empresas mais afetadas. O setor produtivo já apresenta a conta. A associação nacional dos frigoríficos de frango e de porco prevê perda de 5% na produção. Em Mato Grosso do Sul, a Fiems calcula R$ 2 bilhões por ano a mais em custos a partir de 2027 e diz que o valor será repassado aos preços. Ainda falta criar a lei complementar que pode aliviar a transição para MEIs e pequenas empresas, tarefa que fica para o próximo governo e o novo Congresso. Foto: Denilson Secreta
Os dois candidatos prometem manter a regra, e a indústria de MS calcula custo de R$ 2 bilhões por ano
Seção eleitoral em Campo Grande no primeiro turno: quase um em cada quatro eleitores de MS não compareceu no dia 4
Eleitor que faltou no 1º turno vale 15 vezes a diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula Ausência recorde de 33,4 milhões de pessoas virou o alvo das duas campanhas; em MS, quem não votou supera a vantagem de Flávio, e a previsão é de chuva nos 79 municípios Mais de 33,4 milhões de brasileiros não apareceram nas urnas em 4 de outubro. O grupo é quase 15 vezes maior que os 2,2 milhões de votos que separaram Flávio Bolsonaro (PL) de Lula (PT). Foi a menor diferença já registrada entre os dois primeiros colocados num primeiro turno presidencial. Por isso, no dia em que o país escolhe o presidente, o adver-
Campo Grande inicia recuperação de 20 km de asfalto em ruas e avenidas
Foto: Elias Campos.
Equipes trabalham no recapeamento da Avenida Primeiro de Maio, uma das vias contempladas pelo projeto de recuperação do asfalto em Campo Grande.
Obras serão realizadas em duas etapas, por meio de parceria entre a prefeitura e a Águas Guariroba, com substituição de tubulações e renovação do pavimento Ruas e avenidas de Campo Grande com asfalto antigo e desgastado começaram a receber uma nova pavimentação nesta semana. A prefeitura, em parceria com a concessionária Águas Guariroba, iniciou um pacote de obras que prevê a recuperação de 20 quilômetros de vias, divididos em duas etapas. A primeira frente de trabalho contempla a Avenida Primeiro de Maio, com previsão inicial de conclusão até o fim desta semana. A iniciativa busca melhorar as condições
de circulação e substituir trechos do pavimento que já não podem ser recuperados apenas com operações de tapa-buracos. Além da Primeiro de Maio, o projeto inclui a Rua Pedro Celestino, a Avenida Madri e as ruas Alagoas, Goiás e Paraíba. Segundo a prefeitura, as vias apresentam desgaste provocado pelo tempo de uso e pelo movimento de veículos. A prefeita Adriane Lopes explicou que a recuperação completa se tornou necessária
diante das condições do asfalto, principalmente em trechos importantes para o trânsito da Capital. As intervenções também incluem a substituição de tubulações de abastecimento de água em locais onde a rede precisa ser modernizada. Como será necessário abrir parte das ruas para executar o serviço, a concessionária ficará responsável pela recuperação do pavimento nas condições previstas na parceria. De acordo com o diretor-executivo da Águas Guariroba, Clayton Bezerra, os estudos técnicos apontaram que o recapeamento completo dos trechos é a alternativa mais adequada para garantir melhores condições após a troca das tubulações.
sário mais temido pelas duas campanhas é o eleitor que fica em casa. A ausência de 21,08% do eleitorado foi o maior número absoluto de faltosos numa eleição geral, e o histórico não ajuda. Desde 2002, a abstenção costuma subir no segundo turno nos estados onde o governador já foi eleito, de 19,1% para 22,4% em média. Neste
ano, 21 unidades da Federação, entre elas Mato Grosso do Sul, já resolveram a disputa estadual no dia 4. Isso tende a esfriar prefeitos e lideranças locais. Na reta final, o PT chegou a acionar o Ministério Público Eleitoral para cobrar mais divulgação das mudanças nos locais de votação. Em Mato Grosso do Sul, 482.860 pessoas não votaram, 23,88% do eleitorado. É a maior taxa das últimas quatro eleições gerais no Estado. O número supera a vantagem de 356.496 votos que Flávio abriu sobre Lula por aqui, com 58,60% dos válidos contra 34,68%. Hoje, o tempo tam-
bém entra na conta: o Inmet prevê chuva em todo o Estado e queda brusca de temperatura. Em Ladário, a máxima cai de 42°C para 28°C. A ausência, porém, não tem dono. Quem volta às urnas só muda o resultado se votar em bloco no mesmo candidato. Há sinais de participação maior em alguns grupos. Entre os eleitores com 70 anos ou mais, para quem o voto é facultativo, a abstenção caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% neste ano. As seções funcionam das 7h às 16h no horário de MS (8h às 17h de Brasília), e quem estiver na fila no encerramento ainda vota.
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4•A Política O Estado deu 58,6% dos votos válidos a Flávio no 1º turno, e Lula venceu em só 6 dos 79 municípios. As promessas dos dois esbarram em problemas que o governo reeleito já aponta como prioridade
Campo Grande, 25 de outubro de 2026
Fronteira, dívidas e Bolsa Família: o que MS põe na urna hoje Foto: Divulgação
Fronteira de MS com o Paraguai: segurança abriu o primeiro debate do segundo turno e é prioridade declarada do governo reeleito.
S
ão três os pontos em que a escolha de hoje mais encosta no dia a dia de Mato Grosso do Sul: os cerca de 1.200 km de fronteira com o Paraguai e a Bolívia, as dívidas que apertam famílias e produtores e o peso do Bolsa Família nas cidades do interior. O A Crítica comparou as falas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) no segundo turno com essa realidade. Os temas aparecem nas promessas dos dois, mas nem sempre com a conta de quanto custam ou de quando chegam.
Na segurança, Flávio promete até 80 anos de prisão para chefes de facção, quer classificar as facções como terroristas e defende parceria com Estados Unidos, Argentina e Bolívia contra o dinheiro do tráfico. Lula promete criar o Ministério da Segurança Pública e cobra a aprovação da PEC da Segurança. No Estado, a fronteira é rota de drogas, armas e contrabando, e o governador reeleito, Eduardo Riedel (PP), a coloca entre as prioridades do novo mandato.
Para quem está endividado, Flávio promete que o governo vai comprar as dívidas com os bancos e congelá-las por seis meses para pessoas e por um ano para empresas, mas não disse de onde sairia o dinheiro. Lula aposta no Desenrola 3.0, já criado, que compra dívidas com desconto mínimo de 90%, mas só começa a renegociar em fevereiro de 2027. No Bolsa Família, os dois prometem manter o reajuste de 15%. Um estudo da USP estima que, sem ganho real nos benefícios
Consulta rápida | Promessas e o que pesa em Mato Grosso do Sul
entre 2022 e 2025, a renda das cidades do interior de MS teria sido até 6,5% menor. Dois eixos da economia do Estado, o agronegócio e a Rota Bioceânica, não tiveram embate próprio nos debates. No fim da escala 6×1, os candidatos estão do mesmo lado: Flávio diz que não vai mexer na regra, que é bandeira de Lula. Nenhum dos dois incluiu MS na agenda do segundo turno. Aqui, o eleitor vota só para presidente, das 7h às 16h.
Como MS votou no 1º turno Flávio Bolsonaro
TEMA
Segurança e fronteira
FLÁVIO BOLSONARO (PL)
LULA (PT)
O QUE PESA EM MS
Propõe pena de até 80 anos para chefes de facção, classificar facções como terroristas e firmar parcerias com Estados Unidos, Argentina e Bolívia.
Propõe criar o Ministério da Segurança Pública e defende a aprovação da PEC da Segurança.
O Estado tem cerca de 1.200 quilômetros de fronteira com Paraguai e Bolívia. O tema é prioridade para o governo reeleito.
58,60% 873.351 votos válidos
Lula
34,68% 516.855 votos válidos
Dívidas
Bolsa Família
Propõe que o governo compre dívidas bancárias e suspenda a cobrança por seis meses para pessoas e um ano para empresas. A proposta não informa a fonte dos recursos.
Promete manter o reajuste de 15% e não cortar o Bolsa Família nem o BPC.
Propõe o Desenrola 3.0, com compra de dívidas pela União e desconto mínimo de 90%. A renegociação começaria em fevereiro de 2027.
Anunciou o reajuste de 15% em setembro.
O governo estadual aponta o crédito caro e o endividamento como principais problemas do campo.
Vantagem de Flávio no Estado: 356.496 votos. Abstenções: 482.860 eleitores, ou 23,88%, a maior taxa das últimas quatro eleições gerais.
Sem ganho real nos benefícios, a renda no interior seria até 6,5% menor, segundo estudo da Made/USP.
Resultado nos municípios: Flávio venceu em 73; Lula, em seis: Japorã, Tacuru, Dois Irmãos do Buriti, Miranda, Paranhos e Vicentina.
Hoje Escala 6x1
Emprego
Votou a favor da emenda e diz que não pretende alterá-la.
Propõe integrar o RH das empresas ao governo para mostrar vagas perto da casa dos trabalhadores e oferecer crédito da Caixa para empreender.
Trata o tema como uma bandeira do governo. A emenda foi promulgada no dia 16.
O comércio quer acordos por setor, e a Fiems prevê aumento de custos.
Propõe que data centers deixem 10% dos dados com o governo e cita o Pé-de-Meia Professor, sem informar valores.
Agro e Rota Bioceânica não foram temas de embate próprio nos debates.
7h às 16h A votação será das 7h às 16h, no horário de MS. Quem estiver na fila às 16h ainda poderá votar. Em Mato Grosso do Sul, a eleição é apenas para presidente. Há previsão de chuva nos 79 municípios do Estado.
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Política 5•A
Campo Grande, 25 de outubro de 2026
CPI do tapa-buracos ganha apoio de vereadores e fica perto de ser instalada em Campo Grande
Foto: Izaias Medeiros
Pedido de investigação tem assinaturas dos 29 parlamentares e aguarda parecer jurídico para apurar contratos, gastos e falhas na manutenção das ruas A insatisfação com as condições das ruas de Campo Grande levou os 29 vereadores a apoiar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os serviços de tapa-buracos. O pedido já reúne assinaturas suficientes e foi encaminhado à Procuradoria da Câmara Municipal para análise jurídica. A investigação pretende esclarecer como os recursos públicos estão sendo utilizados e por que os problemas na manutenção do asfalto continuam gerando reclamações. Apesar do apoio dos parlamentares, a comissão ainda não foi oficialmente instalada. O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), explicou na quintafeira (22) que a abertura da CPI depende da verificação dos requisitos legais. Somente depois do parecer serão definidos os cinco vereadores responsáveis pela investigação. A comissão deverá ter prazo inicial de 120 dias para analisar possíveis irregularidades em contratos,
mudanças no orçamento destinado à conservação das vias e atrasos nas respostas da prefeitura aos pedidos de informação. Autora do requerimento, a vereadora Luiza Ribeiro defende uma apuração mais aprofundada sobre a execução dos serviços. Segundo ela, cobranças anteriores, reuniões e solicitações encaminhadas ao Executivo não foram suficientes para esclarecer os problemas. A parlamentar quer identificar as causas das falhas no tapa-buracos e verificar a responsabilidade de gestores públicos e empresas contratadas, incluindo questões relacionadas ao asfaltamento e ao recapeamento de ruas. O apoio à investigação também chegou à base da prefeita Adriane Lopes (PP). O vereador Beto Avelar (PP), líder do Executivo na Câmara, confirmou sua assinatura e afirmou que a administração municipal não se opõe aos esclarecimentos. Ele ressaltou que a decisão não representa um rompimento político com a prefeitura. Com
Câmara Municipal de Campo Grande analisa a abertura de CPI para investigar gastos, contratos e possíveis irregularidades nos serviços de tapa-buracos.
o requerimento sob análise jurídica, a expectativa agora é pela definição dos integrantes da CPI, que poderá aprofundar a fiscalização sobre um dos problemas mais cobrados pelos
moradores da Capital. Secretário da SISEP O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), André de Moura Bran-
dão, foi convocado para prestar esclarecimentos na sessão ordinária da próxima terça-feira (27), às 9h. A convocação foi aprovada em Plenário na semana passada, por meio do Reque-
rimento 84, de autoria dos vereadores Professor Riverton, Dr. Lívio, Carlos Augusto Borges, o Carlão, e Epaminondas Neto, o Papy, para cobrar explicações sobre o serviço de tapa-buracos.
Em três eleições, Anulação de votos muda lista de suplentes, Salineiro triplica mas mantém deputados eleitos no Estado votação e quer levar à Justiça Eleitoral refez a contagem após decisão ALEMS leis que aprovou do TSE contra candidatura de em Campo Grande Jerson Domingos; Foto: Mary Vasques
Com 28,4 mil votos, vereador de Campo Grande assumirá mandato na Assembleia em 2027 e pretende atuar no combate às facções criminosas e na ampliação do atendimento médico no interior
Foto: Rafael Rodrigues
Vereador de Campo Grande e deputado estadual eleito, André Salineiro apresentou suas prioridades para o mandato que começa em fevereiro de 2027.
O combate ao crime organizado e a melhoria dos serviços de saúde estarão entre as prioridades de André Salineiro (PL) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Eleito deputado estadual com 28.437 votos, o atual vereador de Campo Grande assumirá o novo cargo em fevereiro de 2027. Em entrevista concedida na última quarta-feira (21), Salineiro afirmou que pretende conhecer as necessidades de diferentes regiões do Estado antes de apresentar projetos, com atenção especial à segurança pública e ao atendimento médico nos municípios do interior. Policial federal, o deputado eleito aponta o avanço das facções criminosas como uma das principais preocupações para os próximos anos. Na saúde, defende que o governo estadual amplie a oferta de atendimentos especializados fora da Capital, evitando que pacientes de outras cidades precisem viajar até Campo Grande para conseguir tratamento. Ainda como vereador, Salineiro também apoia a
criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar problemas na saúde municipal. A conquista da vaga na Assembleia ocorreu após outras duas tentativas. Em 2014, Salineiro recebeu cerca de 9 mil votos e ficou na suplência. Quatro anos depois, alcançou quase 19 mil, mas novamente não conseguiu se eleger. Na disputa deste ano, ampliou a votação e recebeu apoio de eleitores em 76 dos 79 municípios sul-mato-grossenses, segundo o próprio parlamentar. Ele integrará a bancada do PL, que terá nove das 24 cadeiras do Legislativo estadual. Salineiro também pretende apresentar, em âmbito estadual, propostas semelhantes às que defendeu na Câmara Municipal, entre elas a chamada Lei Pró-Mulher, relacionada ao uso de banheiros femininos. O parlamentar afirma que buscará apoio de outros deputados para discutir suas iniciativas. Com sua saída da Câmara de Campo Grande, a vaga deverá ser ocupada por Cassy Monteiro, primeira suplente do PL.
alteração atinge apenas a ordem de substitutos da Assembleia Legislativa
A composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para 2027 está mantida, mas a lista de suplentes passou por mudanças após uma decisão da Justiça Eleitoral. A revisão ocorreu na última quarta-feira (21), em Campo Grande, depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrou a candidatura de Jerson Domingos, da Federação União Progressista (União Brasil/PP). Com a anulação dos votos recebidos por ele, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) precisou refazer os cálculos do primeiro turno das eleições de 2026. Jerson Domingos disputou uma vaga de deputado estadual
TRE-MS realizou nova totalização dos votos na Capital, após decisão que anulou os votos recebidos por Jerson Domingos.
e havia ficado na segunda posição entre os suplentes da federação. Com a retirada de seus votos da contagem, Marcelo Miranda (PP) passou a ocupar o primeiro lugar na lista, enquanto Dione Hashioka (União Brasil) assumiu a segunda colocação. Os demais candidatos também tiveram suas posições reorganizadas conforme o novo resultado. A mudança ocorreu após o
TSE aceitar, por unanimidade, um recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral. A decisão modificou o entendimento anterior do TRE-MS, que havia autorizado o registro da candidatura de Jerson. Por determinação da instância superior, os votos do candidato deixaram de ser considerados na totalização, exigindo a atualização dos resultados eleitorais. O procedimento foi realiza-
do no plenário do TRE-MS, na Capital, e envolveu a revisão da contagem dos votos para deputado estadual e federal. Apesar das alterações na ordem de suplência, nenhum dos deputados estaduais eleitos perdeu a vaga. Na prática, a decisão modifica a posição dos candidatos que poderão ser chamados para assumir um mandato em caso de afastamento ou saída de um parlamentar titular.
Sérgio Martins vai presidir o TRE/MS 45 anos depois de seu pai ocupar o cargo
Foto: Divulgação
Eleito para comandar a Justiça Eleitoral em 2027 e 2028, desembargador terá Dorival Pavan como vice-presidente e corregedor regional eleitoral Quase meio século depois de seu pai comandar a Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul, o desembargador Sérgio Fernandes Martins seguirá o mesmo caminho. Ele foi escolhido, por unanimidade, para assumir a presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) no período de 2027 a 2028. A eleição ocorreu na segunda-feira (19), em Campo Grande, durante sessão dos integrantes da Corte. A nova gestão terá início em fevereiro, após o encerramento do mandato do atual presidente, Carlos Eduardo Contar. Para a vice-presidência e a Corregedoria Regional Eleitoral, foi eleito o desembargador Dorival Renato Pavan, atual presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Os
dois haviam sido indicados pelo TJMS no início de outubro para integrar a Justiça Eleitoral. Atualmente, Sérgio Martins ocupa a vice-presidência do TRE-MS, função que continuará exercendo até a posse da nova administração. A escolha também resgata um capítulo da história do Estado. O pai do presidente eleito, Sérgio Martins Sobrinho, comandou o TRE-MS entre 1981 e 1982, período em que o tribunal organizou a primeira eleição realizada após a criação de Mato Grosso do Sul. Agora, o filho assumirá a instituição justamente no ano em que o Estado completará 50 anos. Em seu discurso, o desembargador destacou a ligação familiar com a Corte e defendeu a valorização dos profissionais
Desembargador Sérgio Fernandes Martins foi escolhido para comandar o TRE/ MS a partir de fevereiro de 2027.
que participaram da construção da Justiça Eleitoral sul-matogrossense. Natural de Dourados, Sérgio Martins é formado em Direito e ingressou no Tribunal de Justiça em 2007, depois de atuar na advocacia, no ensino jurídico e na política municipal. Também foi corregedor-geral de Justiça e
presidente do TJMS entre 2023 e 2024. Para o novo mandato, pretende ampliar o uso da tecnologia, fortalecer o atendimento nos municípios e manter diálogo próximo com as 54 zonas eleitorais do Estado, além de valorizar os servidores responsáveis pelo funcionamento da Justiça Eleitoral.
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6•A Economia
Campo Grande, 25 de outubro de 2026
Foto: Divulgação
A ponte para o Pacífico fica pronta; o caminho até ela, não Travessia do Rio Paraguai deve ser entregue no fim de novembro, mas a Malha Oeste completa 328 dias sem trem e o TCU põe o acesso a Porto Murtinho entre as obras ameaçadas por falta de verba
Ponte Bioceânica entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai: estrutura de 1.294 metros está na reta final e deve ser entregue no fim de novembro.
E
m pouco mais de um mês, um caminhão poderá sair de Porto Murtinho, cruzar o Rio Paraguai e seguir por estrada até os portos do Chile. A Ponte Internacional Bioceânica, de 1.294 metros, está na fase de acabamentos e deve ser entregue no fim de novembro, segundo o Ministério de Obras Públicas do Paraguai, que fiscaliza a construção. O problema é o caminho até ela: a ferro-
via que corta Mato Grosso do Sul está parada há quase um ano, e o acesso a Porto Murtinho entrou numa lista de alerta do Tribunal de Contas da União. O TCU incluiu o acesso a Porto Murtinho entre as dez obras federais consideradas prioritárias no país, que somam R$ 524,8 milhões. O critério não foi irregularidade, e sim o risco de a obra andar devagar por falta de dinheiro. O tribunal não detalhou de
qual trecho se trata. Já o governo do Estado diz ter investido R$ 132 milhões em obras na cidade nos últimos quatro anos. Nos trilhos, a espera é mais longa. O último trem comercial da Malha Oeste rodou em 1º de dezembro de 2025, e hoje a ferrovia completa 328 dias sem carga. O Ministério dos Transportes prevê lançar o edital em abril de 2027 e fazer o leilão em
Por onde a produção do Estado pode sair VIA DE SAÍDA
Ponte Bioceânica
Acesso a Porto Murtinho
COMO ESTÁ
O QUE FALTA
em acabamentos; entrega prevista para o fim de novembro
abertura do corredor rodoviário até os portos do Chile
na lista do TCU de obras com risco de ritmo lento por falta de recursos
garantia de verba no Orçamento federal
agosto, mas o projeto ainda depende de aval do TCU. Há uma condição que pesa sobre o Estado: os até R$ 3,6 bilhões de dinheiro público só entram se a vencedora operar até o interior de São Paulo. Para o trecho que fica só em MS, de Corumbá a Três Lagoas, não há aporte. Enquanto o trem não volta, a carga segue pelo asfalto e pelo rio. Em outubro, o porto da Hidronave, em Porto
A ponte em números Ponte Heitor Miranda dos Santos
1.294
metros de extensão
632
metros de trecho estaiado, com a pista presa a cabos
350
Malha Oeste (ferrovia)
Hidrovia do Rio Paraguai
sem trem comercial desde 1º de dezembro de 2025
julgamento no TCU, edital em abril e leilão em agosto de 2027
metros de vão livre, para os navios passarem
US$ 103 milhões dois terminais em operação em Porto Murtinho; a Hidronave voltou a exportar em outubro
nada a destacar; os embarques de açúcar para o Uruguai seguem
de investimento, da parte paraguaia da Itaipu Binacional
Murtinho, voltou a operar e embarcou 12 mil toneladas de açúcar para o Uruguai. No Chile, o senador Nelsinho Trad (PSD) apresentou uma estimativa, atribuída ao Ipea, de 12 dias a menos de viagem até a Ásia pela Rota Bioceânica, e ouviu dos chilenos a cobrança por portos mais vigiados. A ponte resolve a travessia do rio. O resto do caminho ainda depende de Brasília.
Malha Oeste: as três opções do leilão O que a União oferece para recuperar a ferrovia
Opção A: Corumbá a Mairinque (SP), com aporte da União
Opção B: Corumbá a Bauru (SP), com aporte da União
Opção C: Corumbá a Três Lagoas (só MS), sem aporte da União Aporte de até R$ 3,6 bilhões, em parcelas de no máximo R$ 500 milhões por ano; contrato de 57 anos. O ramal de Ponta Porã é opcional, por conta da empresa.
Liga Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta (Paraguai) Fonte: Ministério dos Transportes e ANTT.
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Economia 7•A
Campo Grande, 25 de outubro de 2026
Foto: Marcelo Camargo
Fim da escala 6x1 pode elevar custos e preços no comércio de Campo Grande Presidente da Associação Comercial aponta possível aumento de 8% nas despesas das empresas e alerta para dificuldades na adaptação à nova jornada de trabalho Foto: Rafael Rodrigues
Aviário em Mato Grosso do Sul: frigoríficos do Estado ficaram sem o mercado chinês por causa de um foco de Newcastle em Santa Catarina.
Presidente da ACICG, Omar Aukar, afirmou que empresários já avaliam mudanças nas escalas e nos horários de funcionamento diante das novas regras trabalhistas.
A redução da jornada de trabalho já está levando empresários de Campo Grande a rever horários de funcionamento, escalas de funcionários e possíveis contratações. Com o fim da escala 6x1, o comércio teme aumento nas despesas e reflexos nos preços pagos pelos consumidores. Em entrevista concedida na sexta-feira (23), o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), Omar Aukar, afirmou que estimativas baseadas em dados nacionais apontam uma elevação média de 8% nos custos das empresas. Ele não informou, porém, qual estudo embasa esse percentual. A mudança foi oficializada em 16 de outubro e estabelece um prazo de 60 dias para que as empresas adotem, como regra, dois dias de descanso por semana, com jornada máxima de 42 horas. Depois de mais 12 meses, o limite cairá para 40 horas semanais, sem redução salarial. Segundo Aukar, a preocupação dos empresários está principalmente na forma de implantação das novas regras. Uma pesquisa realizada pela ACICG com 105 empresários
mostrou que 44,8% acreditam que precisarão contratar funcionários, enquanto 84,7% já relatavam dificuldades para encontrar trabalhadores. O impacto poderá ser maior em atividades que precisam funcionar diariamente, como hospitais, hotéis e farmácias. Para manter o atendimento, esses estabelecimentos terão de reorganizar equipes e avaliar a necessidade de novas contratações. Aukar defende maior flexibilidade nas relações de trabalho e alerta que parte das despesas adicionais poderá chegar ao consumidor. A Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) também manifesta preocupação e estima um impacto anual de aproximadamente R$ 2 bilhões na economia estadual. Os valores, no entanto, são projeções das entidades empresariais. Além das mudanças trabalhistas, o presidente da ACICG aponta incertezas sobre a reforma tributária como outro desafio para o planejamento das empresas. Segundo ele, a falta de uma definição clara sobre as futuras alíquotas dificulta os cálculos de custos e preços.
Em Inocência, a fábrica tem mais operários do que a cidade tem moradores Obra de celulose da Arauco reúne milhares de trabalhadores num município de 8 mil habitantes; indústria de MS diz ter 20 mil vagas sem gente, e o preço da terra dispara no Vale da Celulose Inocência, a 330 km de Campo Grande, tem cerca de 8 mil moradores. Só a obra da fábrica de celulose da Arauco reúne bem mais que isso: 14 mil trabalhadores, pelos dados mais recentes do canteiro, de agosto, ou 18 mil, segundo o presidente da Federação das Indústrias de MS (Fiems), Sérgio Longen. Em qualquer das contas, há mais operários na obra do que gente na cidade. O efeito aparece no emprego formal. De janeiro a agosto, a indústria abriu 9.928 vagas com carteira em Mato Grosso do Sul, quase metade do saldo do Estado, e Inocência liderou, com 4.446. O Estado fechou o segundo trimestre com desemprego de 2,7%, a quinta menor taxa do país. O lado ruim é a falta de gente. Segundo Longen, a indústria sul-mato-grossense tem hoje cerca de 20 mil vagas sem preencher. “Não
temos mais pessoas disponíveis para o trabalho”, disse. Ele cita a pressão sobre saúde, transporte, alimentação e moradia nas cidades que recebem as fábricas: “São as dores do crescimento.” O preço da terra é o termômetro. Em Três Lagoas, um terreno que custava R$ 20 mil há cerca de 20 anos vale hoje R$ 500 mil, segundo o presidente da Fiems. Em Ribas do Rio Pardo, onde a Suzano opera desde 2024, saiu de R$ 20 mil para R$ 300 mil. O movimento chegou a Inocência, e Bataguassu se prepara para a próxima fábrica. O desafio seguinte já tem data. Quando a fábrica entrar em operação, no fim de 2027, a Arauco prevê manter cerca de 6 mil postos fixos, menos da metade do que a obra mobiliza hoje. Os quatro projetos de celulose do Estado somam R$ 98 bilhões em investimentos.
Seis mil perus em Santa Catarina travam o frango de Mato Grosso do Sul na China Suspensão vale para todo o país desde o dia 19 e não tem prazo para acabar; China é a maior compradora do complexo frigorífico do Estado, que exportou US$ 2,13 bilhões até setembro Uma granja com 6 mil perus no oeste de Santa Catarina tirou o maior comprador do frango brasileiro do alcance dos frigoríficos de Mato Grosso do Sul. Desde o dia 19, nenhuma carne de aves produzida no país pode ser embarcada para a China, depois da confirmação de um caso da doença de Newcastle em Nova Itaberaba
(SC). A regra vale para todos os estados, inclusive os que ficam longe do foco. A Newcastle é causada por um vírus que ataca aves e provoca problemas respiratórios, neurológicos e mortes nas criações. É o segundo caso em granja comercial no Brasil. O primeiro, em julho de 2024, no Rio Grande do Sul, foi controla-
do em menos de dez dias. Desta vez, o Ministério da Agricultura decretou emergência por 60 dias em quatro municípios catarinenses e acompanha 133 propriedades da região. O alcance da suspensão segue o acordo sanitário de cada país. China e Malásia fecharam as portas para o Brasil inteiro. Outros sete mercados, como a União Europeia e o Chile, barraram só Santa Catarina, e 39 países limitaram a restrição a um raio de 10 a 25 quilômetros em volta da granja. Para Mato Grosso do Sul, o destino pesa. De janeiro a setembro, a China comprou US$
678,7 milhões do complexo frigorífico do Estado, mais do que qualquer outro país, segundo a Fiems. O setor somou US$ 2,13 bilhões em vendas externas no período, alta de 24%. A carne bovina responde pela maior parte, e o levantamento não separa quanto cabe ao frango. A avicultura vinha ganhando espaço no Estado, com ajuda do governo, que devolve às empresas integradoras de 70% a 80% do ICMS. Em junho, a Bello Alimentos abriu em Naviraí um complexo de R$ 18 milhões, com capacidade para 2,4 milhões de aves por ano e projetado para exportar.
Indústria do Estado bate recorde no exterior, mas depende de três produtos Foto: Wilson Dias
Vendas externas chegam a US$ 6,14 bilhões em nove meses; celulose, carne e óleos vegetais fazem mais de 85% do caixa, e a China segue como principal compradora Nunca a indústria de Mato Grosso do Sul vendeu tanto para fora em tão pouco tempo. De janeiro a setembro, as exportações do setor somaram US$ 6,14 bilhões, 6% a mais que no mesmo período de 2025, segundo o Observatório da Indústria da Fiems. É a primeira vez que a marca de US$ 6 bilhões é passada nos nove primeiros meses do ano. Só em setembro foram US$ 740,9 milhões, outro recorde para o mês. O peso é grande: de cada
Fábrica de celulose no leste de MS: o setor lidera a exportação industrial do Estado, com US$ 2,45 bilhões até setembro.
US$ 100 que o Estado ganhou com exportações no período, US$ 67 vieram da indústria. A conta, porém, se apoia em poucos produtos. Celulose e papel, frigoríficos e derivados de óleos vegetais respondem por mais de 85% da receita industrial. A celulose lidera, com US$
2,45 bilhões, quase tudo em pasta de madeira, e cresceu só 2%. O salto veio das carnes, que subiram 24% e chegaram a US$ 2,13 bilhões, e dos farelos e óleos de soja, com alta de 49%. Na outra ponta, açúcar e álcool caíram 39%, para US$ 350,8 milhões. O comprador também é
concentrado. A China levou US$ 1,29 bilhão só em celulose neste ano. Em 2025, os chineses ficaram com quase 45% de tudo o que o Estado exportou, US$ 4,78 bilhões. A dependência mostrou o outro lado nesta semana, quando um foco de doença em aves em Santa Catarina fechou o mercado chinês ao frango de todo o país, inclusive o de MS. A tendência é a concentração aumentar. Dos R$ 115 bilhões em investimentos industriais listados pela Fiems de 2023 a 2030, R$ 98 bilhões, ou 85%, estão em quatro fábricas de celulose, em Ribas do Rio Pardo, Inocência, Bataguassu e Três Lagoas. Para diversificar, a Fiems levou 53 empresários à China e assinou no dia 18 um protocolo com a federação da indústria de Guangdong. O documento vale por dois anos, mas não tem valores, metas nem empresas definidas, e, até a última atualização da missão, nenhum negócio tinha sido fechado.
Desenrola 3.0 chega a Mato Grosso do Sul com filtro apertado: só dívida antiga e de até R$ 10 mil Estado tem 1,3 milhão de negativados; bancos informam nesta semana as carteiras que querem vender, leilão fica para novembro e o consumidor só renegocia em fevereiro Mato Grosso do Sul tem 1,3 milhão de pessoas com o nome sujo, mas só uma parte delas cabe no Desenrola 3.0, programa em que o governo federal compra dívidas dos bancos com desconto de pelo menos 90%. Para entrar, o débito precisa ter até R$ 10 mil no valor original e estar atrasado há mais de dois anos e menos de quatro anos e
meio. Quem deixou de pagar a fatura neste ano, por exemplo, fica de fora. O primeiro passo é dos credores. Pelo edital publicado no dia 22, bancos e fundos têm cinco dias úteis para dizer quais carteiras querem vender. A Fazenda espera receber até R$ 90 bilhões em dívidas nessa chamada. O leilão está previsto para novem-
bro, podendo ficar para o início de dezembro, e a disputa entre os bancos pode elevar o desconto para algo entre 93% e 95%. O devedor só entra em cena depois. A renegociação está prevista para fevereiro de 2027, com pagamento à vista ou parcelado. Os juros do parcelamento ainda serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional. A prioridade será de quem ganha menos e dos microempreendedores individuais. Por enquanto, não é preciso procurar o banco. A conta em MS é pesada. Os negativados do Estado devem R$ 11,1 bilhões, em média R$ 8.500 por pessoa, segundo
a Serasa. Bancos e cartões respondem por 28% dos débitos, e financeiras, por 18%, justamente os tipos que entram na primeira chamada. Água, luz e telefone, que somam quase 18%, não estão incluídos. Quem não pode esperar tem outra porta. A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande abre até o dia 30 as inscrições de empresas para a campanha Nome Limpo, que fará acordos com clientes inadimplentes de 3 de novembro a 11 de dezembro, por videoconferência, com conciliadores do Tribunal de Justiça. Em 2025, as negociações somaram cerca de R$ 2,5 milhões.
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8•A Cidade
Campo Grande, 25 de outubro de 2026
Cruzamento da Euler de Azevedo com a Tamandaré pode fechar; veja como desviar Obra de reordenamento entra na fase de pavimentação e de novos canteiros e semáforos; Agetran traçou nove rotas alternativas para quem vai ao Centro, aos bairros ou ao Detran Quem passa todo dia pelo cruzamento das avenidas Euler de Azevedo e Tamandaré, em Campo Grande, vai precisar de um plano B. A obra de reordenamento viário entrou numa nova etapa, e a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) avisa que o cruzamento pode ser fechado por completo em alguns momentos.
Nesta fase, as equipes vão asfaltar os espaços de onde os canteiros antigos foram tirados, construir os novos e passar os dutos que vão receber os futuros semáforos. Os bloqueios vão acompanhar o andamento do serviço e podem mudar de lugar e de horário, inclusive por causa da chuva. Para evitar o nó, a Agetran desenhou nove
Foto: Divulgação
caminhos alternativos, separados por cor conforme o sentido: azul para quem vai ao Centro e à UCDB, laranja para quem sai dos bairros rumo ao Centro e verde para quem segue do Centro em direção ao Detran. Agentes de trânsito vão ficar em pontos estratégicos para orientar os motoristas. A recomendação é sair com antecedência, prestar atenção à sinalização provisória e redobrar o cuidado com pedestres e máquinas na área da obra. A prefeitura não divulgou o prazo para o fim desta etapa nem a data em que os semáforos começam a funcionar.
Cruzamento das avenidas Euler de Azevedo e Tamandaré: bloqueios podem ser totais durante a próxima etapa da obra.
As rotas alternativas Rota Azul
(sentido Centro/UCDB)
Opção 1:
Av. Tamandaré, R. Matão, R. Júpiter, R. Alfenas, R. Padre Valentim, Av. Euler de Azevedo, R. do Seminário, Av. Padre João Falco, Av. Tamandaré
Opção 2:
R. Dr. Arthur Jorge, Av. Monte Castelo, R. Rio de Janeiro, R. Canaã
Opção 3:
Av. Ernesto Geisel, Av. Prefeito Heráclito Diniz de Figueiredo, R. Canaã
Opção 4:
R. 14 de Julho, Av. Euler de Azevedo, R. do Seminário, Av. Padre João Falco, Av. Tamandaré
Rota Laranja
(sentido bairro/Centro)
Opção 1:
R. Canaã, Av. Júlia Maksoud, R. Pedro Celestino
Opção 2:
R. Cotegipe, R. Maria Isabel Couto Pontes, R. Carlota de Almeida Lemos, Av. Tamandaré, Av. Mascarenhas de Moraes, Av. Monte Castelo
Opção 3:
Av. Euler de Azevedo, R. Olário de Oliveira França, R. Carlota de Almeida Lemos, Av. Tamandaré, Av. Mascarenhas de Moraes, R. Pedro Celestino
Rota Verde
(sentido Centro/Detran)
Opção 1:
R. 14 de Julho, Av. Euler de Azevedo, Av. Ernesto Geisel, Av. Mascarenhas de Moraes, Av. Tamandaré, R. Carlota de Almeida Lemos, R. Maria Isabel Couto Pontes, R. Cotegipe, Av. Dom Antônio Barbosa
Opção 2:
R. 14 de Julho, Av. Euler de Azevedo, Av. Ernesto Geisel, Av. Mascarenhas de Moraes, Av. Tamandaré, R. Carlota de Almeida Lemos, R. Olário de Oliveira França, Av. Euler de Azevedo, Av. Dom Antônio Barbosa
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Cidade 1•B
Campo Grande, 25 de outubro de 2026
Um mês e meio depois do temporal, Campo Grande recebe a primeira verba federal
Foto: Divulgação
União libera R$ 496 mil para a Defesa Civil reparar estragos da tempestade de 10 de setembro; pedidos de telhas, colchões e cestas básicas para as famílias atingidas ainda esperam aprovação
Quarenta dias depois da tempestade que derrubou árvores, destelhou casas e espalhou mais de 3 mil raios por Campo Grande em menos de 40 minutos, chegou o primeiro dinheiro de Brasília para a reconstrução. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional autorizou o repasse de R$ 496.456,89 à Defesa Civil da Capital, em portaria publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (19). O valor será pago de uma só vez e terá de ser usado em até 180 dias. A liberação veio depois de uma visita da prefeita Adriane Lopes a Brasília e é a primeira parcela da chamada operação de restabelecimento, a etapa de recuperação depois da situação de emergência. O temporal de 10 de setembro teve ventos acima de 85 km/h, segundo o Inmet, e atingiu as sete regiões da cidade. “Esse recurso vem como uma forma de atender as necessidades do município com a reconstrução de vias que
foram danificadas, estruturas e até famílias que perderam suas casas”, disse a prefeita, que atribui os estragos ao El Niño. O que mais pesa para quem perdeu o telhado, porém, ainda não tem data. A Defesa Civil aguarda a análise de outros pedidos enviados à União, que incluem telhas, cestas básicas, colchões, kits de dormitório e kits de higiene e limpeza para as famílias atingidas. Também estão sendo preparadas solicitações para recuperar escolas e para ações culturais na Esplanada Ferroviária. Nenhum desses recursos foi confirmado até agora. “Agora, temos uma nova etapa de trabalho, que envolve a operacionalização do plano de trabalho e o cumprimento dos critérios estabelecidos pelo Governo Federal”, afirmou o coordenador da Defesa Civil, Enéas Netto. O dinheiro só pode ser gasto no que foi aprovado, e a prefeitura terá até 30 dias depois do fim do prazo para prestar contas.
Estragos do temporal de 10 de setembro em Campo Grande: ventos passaram de 85 km/h e atingiram as sete regiões da cidade
Achou um morcego Concurso da Guarda de 2020 chega ao fim de 2026 sem nenhum guarda nomeado caído em casa? Não toque e chame o Zoonoses Foto: Elias Campos
30 alunos fazem as provas do curso de formação, que termina em dezembro; prazo para recorrer das notas é nesta segunda e terça-feira
Campo Grande não tem raiva humana desde 1968, mas o vírus continua circulando entre morcegos; Capital já vacinou 52 mil cães e gatos na campanha deste ano Foto: Divulgação
Morcego encontrado em área urbana: orientação do Centro de Controle de Zoonoses é não tocar no animal caído, morto ou dentro de casa durante o dia.
Um morcego caído no quintal, parado na parede da sala em plena tarde ou com dificuldade para voar não é só um susto. Em Campo Grande, é o principal sinal de alerta para a raiva, doença que quase sempre mata depois que os sintomas aparecem. A orientação do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) é simples: não tocar, afastar pessoas e animais e acionar o serviço. A Capital não registra raiva em humanos desde 1968, e o último caso em cão ligado ao vírus que circula entre cães e gatos foi em 1988. O risco, porém, mudou de endereço. Em 2011, um cachorro do Anache teve raiva transmitida por morcego. “Hoje o problema maior de raiva no Brasil é com relação aos morcegos mesmo”, disse a veterinária Maria Aparecida Conche Cunha, do CCZ. Não são só os morcegos que se alimentam de sangue. Os que comem frutas e insetos também
podem carregar o vírus. Isso não significa que todo morcego seja perigoso: o cuidado vale para os que aparecem em situação fora do normal. A proteção dos animais de casa está na vacina. Até 18 de outubro, a campanha que começou em agosto vacinou 52.270 animais na Capital, sendo 35.797 cães e 16.473 gatos. O CCZ faz a vacinação de casa em casa desde 2006, mas ainda enfrenta recusa de quem acredita que a vacina pública é pior que a de clínica, o que, segundo a veterinária, não é verdade. Se houver mordida, arranhão ou contato com a saliva de um animal suspeito, o primeiro passo é lavar o local com água corrente e sabão. Em seguida, é preciso procurar atendimento: dez unidades 24 horas da cidade, entre UPAs e Centros Regionais de Saúde, avaliam se a pessoa precisa de vacina ou soro antirrábico.
Seis anos depois de aberto, o concurso da Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande ainda não colocou ninguém nas ruas. Os 30 alunos que restam na seleção de 2020 fizeram no dia 17 a prova do terceiro módulo do curso de formação, a sexta etapa do processo. As notas saíram na sexta-feira (23): 11 tiraram 100, e a menor nota foi 86. Quem quiser contestar a nota tem só dois dias, segundafeira (26) e terça-feira (27). O recurso é feito por e-mail, com o formulário que está no anexo do edital. O resultado sai em novo edital. O curso tem 760 horas-aula em período integral, com dedicação exclusiva, e termina em dezembro. Para seguir na disputa, o aluno precisa de 90%
de presença e média mínima de 60. Durante a formação, recebe uma bolsa de metade do salário inicial do cargo, fixado em R$ 1.690,02 no edital de 2020 e reajustado desde então. A demora cobra seu preço. Em agosto, dos 30 aprovados convocados para o curso, só 11 confirmaram a matrícula no prazo. A prefeitura teve de chamar outros 19 para fechar a turma. Para quem fez a prova em 2020, largar o emprego para viver quatro meses e meio com meia bolsa pode não fechar a conta. Concluir o curso também não garante a vaga, já que a nomeação depende das fases seguintes. Enquanto isso, a categoria cobra na Câmara recomposição salarial e adicional de periculosidade.
Guarda Civil Metropolitana em Campo Grande: turma do concurso de 2020 está na sexta etapa da seleção, seis anos depois da abertura do edital.
Novo condomínio logístico terá 294 lotes para empresas em Campo Grande
Foto: Rafael Rodrigues
Empreendimento às margens da BR-262 busca atrair negócios e investidores, com estrutura para transporte de cargas e previsão de entrega em outubro de 2028 O crescimento da indústria e a necessidade de melhorar o transporte de mercadorias estão abrindo espaço para novos empreendimentos em Campo Grande. Na saída para Três Lagoas, às margens da BR-262, a BR LOG desenvolve um condomínio empresarial com 294 lotes destinados à instalação de empresas, centros de distribuição e galpões. O projeto já está em fase de obras e tem previsão de entrega para outubro de 2028. Para apresentar o empreendimento aos interessados, a empresa inaugurou, na quintafeira (22), uma sede comercial na Avenida Afonso Pena. Os terrenos terão áreas entre mil e 22 mil metros quadrados, permitindo que empresários construam estruturas para uso próprio ou para locação. O condomínio contará com pavimen-
tação adequada à circulação de caminhões, segurança 24 horas, salas de reunião, auditório e espaços compartilhados de trabalho. Segundo a gestora de canais da BR LOG, Cristiane Pilatti, as equipes estão concentradas atualmente na execução da drenagem das ruas, uma das etapas iniciais da infraestrutura. A localização foi escolhida pela facilidade de acesso às principais rotas de transporte do Estado. O diretor da BR LOG, Lucas Stein, afirma que a expansão industrial de Mato Grosso do Sul aumenta a procura por espaços preparados para armazenagem e movimentação de cargas. “O Mato Grosso do Sul está se industrializando e com isso precisa de espaço para a logística, porque a logística é apoio à indústria”, destacou. A empresa também considera
BR LOG inaugurou sede comercial em Campo Grande para apresentar o projeto do condomínio logístico, que já está com obras de infraestrutura em andamento.
o desenvolvimento da rota da celulose e da Rota Bioceânica como fatores importantes para o projeto. A nova sede, instalada na Avenida Afonso Pena, nº 3927, funcionará como ponto de atendimento a empresários, investidores, corretores e imobiliárias. O espaço permitirá conhecer as características do condomínio e
as condições de aquisição dos terrenos. Além das atividades comerciais, o endereço concentrará o planejamento de novos empreendimentos da BR LOG, que também possui projetos em fase de aprovação em Mato Grosso. Enquanto as vendas avançam, a construção do condomínio segue em andamento na Capital.
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2•B Saúde
Campo Grande, 25 de outubro de 2026
Em Mato Grosso do Sul, SUS rastreia câncer de intestino a partir dos 50 Sangue nas fezes e mudança no intestino que não passa devem ser investigados em qualquer idade Foto: Divulgação
A morte da atriz Lua Blanco, a Roberta de “Rebelde”, aos 39 anos, no dia 18, depois de meses de tratamento contra um câncer colorretal, segundo a família, trouxe de volta um alerta dos médicos
Sangue nas fezes costuma ser tratado como hemorroida, e o intestino desregulado vira “coisa do estresse”. Em gente jovem, esses sinais muitas vezes nem chegam ao consultório. A morte da atriz Lua Blanco, a Roberta de “Rebelde”, aos 39 anos, no dia 18, depois de meses de tratamento contra um câncer colorretal, segundo a família, trouxe de volta um alerta dos médicos: o tumor de intestino é mais comum depois dos 50, mas vem crescendo entre adultos jovens, e a idade não deve servir de desculpa para adiar a investigação. O câncer colorretal já é o segundo mais frequente no país entre homens e mulheres, sem contar os de pele não melanoma, com previsão de 53,8 mil novos casos por ano até 2028, segundo o Inca. Os sinais que merecem atenção são sangue nas fezes, mudança no funcionamento do intestino que dura semanas, dor abdominal frequente, sensação de não ter esvaziado o intestino e perda de peso sem explicação.
Cerca de 20% dos casos têm ligação com herança genética. O resto está associado a obesidade, sedentarismo, ultraprocessados, álcool e cigarro. Em Mato Grosso do Sul, a porta de entrada para quem não tem sintomas é a rede pública. Desde maio, o SUS usa como exame de referência para pessoas de 50 a 75 anos o teste imunoquímico fecal, o FIT, que procura sangue invisível nas fezes sem preparo nem dieta. A colonoscopia, que examina o intestino por dentro e retira pólipos que poderiam virar câncer, fica para quando o teste dá alterado ou há sintomas. Em março, o Hospital Regional de MS, em Campo Grande, fez um mutirão de colonoscopias para 50 pacientes. Quem tem pai, mãe ou irmão com a doença precisa começar antes. “A recomendação é começar o acompanhamento antes da idade normalmente indicada, em torno dos 40 a 45 anos”, disse em março o chefe de Endoscopia do Hospital Regional, Fernão Magalhães.
Empresas terão novas regras para solicitar licença sanitária em Campo Grande A partir de novembro, estabelecimentos com múltiplas atividades e serviços de transporte deverão apresentar declarações logo no início do processo Foto: Divulgação
Vigilância Sanitária de Campo Grande vai antecipar a exigência de documentos para empresas que solicitarem licenciamento a partir de novembro.
A partir de 1º de novembro, parte das empresas de Campo Grande precisará apresentar informações adicionais logo no início do pedido de licenciamento sanitário. A mudança, definida pela Gerência de Vigilância Sanitária e Ambiental (GVISA), pretende tornar a análise dos processos mais rápida e evitar atrasos provocados pela falta de documentos. A exigência valerá para estabelecimentos que possuem diferentes atividades econômicas registradas e para empresas que atuam com transporte ou entregas rápidas. Na prática, os estabelecimentos com mais de uma atividade cadastrada no CNPJ ou no alvará deverão informar quais delas realmente exercem. Já as empresas que possuem registro para transporte ou entrega rápida precisarão declarar os tipos de produtos transportados. As informações serão utilizadas pela Vigilância Sanitária para identificar as características de cada negócio e verificar as exigências necessárias à liberação
da licença. Os documentos deverão ser preenchidos pelo responsável legal da empresa, com dados que correspondam às atividades realizadas. A orientação é conferir todas as informações antes de apresentar o pedido, já que erros ou dados incompletos poderão levar à solicitação de esclarecimentos e atrasar a conclusão do processo. Segundo a GVISA, a antecipação busca reduzir a necessidade de novas cobranças de documentos durante a análise. A mudança não cria declarações, mas altera o momento em que elas deverão ser entregues. Antes, os documentos podiam ser solicitados ao longo do procedimento; agora, serão exigidos na abertura do processo para as empresas enquadradas nas regras. As demais exigências para o licenciamento continuam válidas. Os empresários podem consultar as orientações e a relação de documentos necessários no site da Vigilância Sanitária de Campo Grande, em www.visacgms.com.br.
Treze mil doses contra meningite vencem no sábado, e Estado abre a vacina para mais gente
Foto: Geovana Albuquerque
Estado registrou 20 casos e uma morte pela doença meningocócica neste ano; prioridade é vacinar crianças e adolescentes atrasados, mas jovens de 15 a 17 anos podem entrar se sobrar dose Mato Grosso do Sul tem uma semana para não jogar fora cerca de 13 mil doses da vacina contra a doença meningocócica. Os lotes da meningocócica ACWY espalhados pelos municípios vencem no sábado (31), e a Secretaria de Estado de Saúde (SES) autorizou uma vacinação ampliada para aproveitar o estoque. A medida foi publicada no Diário Oficial do dia 19. A pressa tem motivo. De janeiro a 9 de setembro, o Estado confirmou 20 casos da doença, causada por uma bactéria que pode provocar meningite e infecção generalizada em poucas horas. Houve uma morte. A doença pode deixar sequelas graves e evolui rápido, o que torna a vacina a principal forma de
Vacinação em posto de saúde de MS: doses da meningocócica ACWY disponíveis nos municípios vencem em 31 de outubro.
prevenção. A ordem de atendimento é escalonada. Primeiro vêm as crianças menores de 5 anos e os adolescentes de 11 a 14 anos com doses atrasadas. Só depois, se esses grupos estiverem bem vacinados e ainda houver estoque, os municípios podem abrir a vacina para jovens de
15 a 17 anos e, por último, para profissionais de saúde que atendem casos suspeitos de meningite. Há um limite importante. A ACWY protege contra quatro tipos da bactéria, mas não contra o tipo B, responsável por 11 dos 20 casos do ano e pela única morte registrada. Os ou-
tros casos foram sete do tipo C e dois do tipo W. A resolução também permite usar a ACWY no lugar da meningocócica C nas primeiras doses dos bebês, aos 3 e aos 5 meses. A orientação da SES é que pais e responsáveis levem a caderneta ao posto e confiram se há dose pendente.
Capital reforça hospitais em R$ 16 milhões, mas insulina pedida pela Justiça não tem fornecedor Prefeitura amplia verba de atendimento, fecha convênio de mastologia em pleno Outubro Rosa e convoca 12 médicos; nenhuma empresa quis vender a insulina que o município é obrigado a fornecer A rede de saúde de Campo Grande ganhou nesta semana mais dinheiro, mais médicos e mais exames, mas um paciente que depende de ordem judicial continua sem o remédio. A prefeitura reforçou em R$ 16 milhões o orçamento do atendimento hospitalar e ambulatorial, segundo dois decretos publicados no Diário Oficial de sexta-feira (23). Na mesma edição, informou que a compra da insulina Fiasp ficou deserta:
Foto: Mary Vasques
Atendimento em unidade de saúde da Capital: prefeitura liberou R$ 16 milhões extras para a área hospitalar e ambulatorial
nenhuma empresa apresentou proposta. A maior parte do reforço, R$ 10 milhões, está ligada a um acordo com o Ministério Público, que o decreto não detalha. Os outros R$ 6 milhões saíram de remanejamentos, incluindo cerca de R$ 4,4 milhões retirados da área administrativa da própria Secretaria de Saúde. Em pleno Outubro Rosa, a prefeitura fechou dois convê-
nios com a Casa Rosa, entidade que neste ano já contabilizou 285 diagnósticos de câncer de mama. Somados, eles chegam a R$ 2 milhões: R$ 800 mil por oito meses para oftalmologia e ultrassom com Doppler, e até R$ 1,2 milhão por um ano para mastologia, a especialidade que cuida das mamas. A rede também terá reforço de gente. Foram convocados 12 médicos temporários: quatro clínicos gerais, cinco de
saúde mental e clínica geral, um de família e comunidade, um cardiologista e um cardiologista pediatra. Segundo a prefeitura, eles ocupam vagas que já existiam. A insulina não é o único caso sem solução. A contratação de um transporte especial para outro paciente, também determinada pela Justiça, não atraiu interessados. A prefeitura não informou o que fará para cumprir as duas decisões.
Atendimento do Senar no campo chega a 68 cidades de Mato Grosso do Sul em dez anos
Foto: Divulgação
Programa que começou com urologia em Jaraguari, em 2016, hoje leva seis especialidades médicas a produtores e trabalhadores rurais e testa aparelho que faz hemograma no próprio local Para quem mora numa fazenda ou num assentamento do interior de Mato Grosso do Sul, consultar um especialista costuma significar horas de estrada. Há dez anos, o Senar/MS, braço de formação e assistência do sistema que representa os produtores rurais, decidiu fazer o caminho inverso e levar o médico até o campo. O programa Saúde do Homem e da Mulher Rural começou em 2016, em Jaraguari, só com urologia e exames de próstata. Hoje oferece seis especialidades e já passou por 68 municípios. A expansão foi feita aos
poucos, conforme as demandas apareciam nos mutirões. Ginecologia entrou em 2017, dermatologia em 2018 e oftalmologia em 2020, ano em que a pandemia suspendeu as ações presenciais. Depois vieram pediatria, em 2023, e clínica geral, em 2024. No ano passado, o programa passou a coletar biópsias de pele para investigar lesões suspeitas, um problema comum entre quem trabalha exposto ao sol. A novidade de 2026 é um teste com o Hilab, aparelho que faz exames de sangue como hemograma completo e hemoglobina
Atendimento do programa Saúde do Homem e da Mulher Rural, do Senar/MS: iniciativa leva consultas e exames a famílias que vivem longe dos centros médicos
glicada, usada no acompanhamento do diabetes, no próprio local do atendimento. O trabalho ganhou reconhecimento fora do Estado. Uma ação feita em 2025 na Nhecolândia, no Pantanal de Corumbá, região de grandes distâncias e difícil acesso, foi apresentada como
relato de experiência em congresso da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), em Manaus. Em março, a Câmara de Bandeirantes aprovou por unanimidade uma moção de aplausos à equipe. O Senar não divulgou o total de pessoas atendidas ao longo da década.
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Cotidiano 3•B
Campo Grande, 25 de outubro de 2026
Sem as bets, supermercados de MS esperam o dinheiro voltar ao carrinho, mas sem pressa
Foto: Valter Campanatto
Setor aposta na recuperação gradual do consumo depois da proibição das apostas on-line; dívida das famílias deve ficar com a primeira parte do dinheiro O dinheiro que ia para o celular em apostas pode voltar a encher o carrinho do supermercado em Mato Grosso do Sul, mas aos poucos. É essa a expectativa da Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados (Amas) depois da proibição das bets no país. “Esperamos que esses valores retornem aos supermercados de forma gradativa, mesmo porque há um nível de endividamento muito alto da população”, afirmou a entidade. As apostas on-line foram vetadas por uma medida provisória publicada em 25 de setembro. Sites e aplicativos tinham de sair do ar até o dia 6 de outubro, e os bancos tiveram até o dia 14 para devolver os saldos. A restituição deve chegar a cerca de 26,5 milhões de apostadores, num total de R$ 1,3 bilhão. O tamanho do rombo ajuda a entender a expectativa do comércio. Em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5
bilhões nas bets, a diferença entre o que apostaram e o que receberam em prêmios. Para Mato Grosso do Sul, a Confederação Nacional do Comércio estima que o prejuízo das apostas à economia fique entre R$ 520 milhões e R$ 4,4 bilhões, conforme o cenário. Os primeiros sinais aparecem nas pesquisas. Num levantamento do Sebrae com 1.028 donos de empresas do país, 38% esperam vender mais sem as bets. Mas 18% notaram mais clientes com contas atrasadas, e 11,5% receberam mais pedidos de fiado ou parcelamento. É aí que está o freio. Antes de chegar à gôndola, parte do dinheiro deve ir para as dívidas, num Estado com 1,3 milhão de pessoas com o nome negativado. A proibição também não é definitiva: a medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso em até 60 dias, prorrogáveis por mais 60, e é questionada no Supremo Tribunal Federal.
Supermercado em Campo Grande: setor espera recuperar parte do orçamento que as famílias gastavam em apostas.
Licenciar o carro MS terá verão mais quente e chuva no Estado não obriga acima da média, mas mal distribuída mais a pagar multa El Niño deve chegar à muito que ainda não venceu categoria forte entre
Foto: Chico Ribeiro
Detran-MS deixa o motorista escolher o que entra na guia de licenciamento; em outra frente, 19,6 mil notificações publicadas nesta semana podem ser contestadas até 20 de novembro Foto: Divulgação
novembro e janeiro, com risco de ondas de calor, temporais e períodos de seca; saúde já treinou 675 profissionais para atender vítimas de eventos extremos
O verão de Mato Grosso do Sul promete ser de extremos. Entre novembro e janeiro, o Estado deve ter temperaturas acima da média e mais chuva do que o normal, segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec). A água, porém, não vai cair por igual: uma cidade pode enfrentar temporal enquanto a vizinha passa semanas sem chuva. Por trás disso está o El Niño, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que deve
Totem de autoatendimento do Detran-MS em Campo Grande: guia de licenciamento pode ser emitida também pelo site, pelo aplicativo e pelo WhatsApp.
Quem foi licenciar o carro em Mato Grosso do Sul e levou junto a conta de uma multa recém-chegada já não precisa pagar tudo de uma vez. Desde o dia 13, a guia de licenciamento do Detran-MS deixou de incluir automaticamente as multas que ainda estão dentro do prazo. O dono do veículo escolhe se quer quitar esses valores agora ou deixar para a data de vencimento. A mudança está na chamada Guia Flex, emitida pelo portal do Detran-MS, pelo aplicativo Meu Detran e pela Glória, a assistente virtual do órgão no WhatsApp. Não é perdão: as multas continuam valendo, e as já vencidas seguem obrigatórias para licenciar o veículo. O que muda é que o motorista não precisa mais antecipar o pagamento. O WhatsApp virou a porta de entrada preferida. De janeiro a
setembro, a Glória fez 124.984 atendimentos, e a emissão da guia de licenciamento foi o serviço mais pedido, com um terço do total. Quem prefere atendimento presencial encontra 30 totens de autoatendimento em Campo Grande e em outras dez cidades, com recursos como comando de voz e tradução em Libras. Há também prazo correndo. O Detran-MS publicou na quarta-feira (21) 19.650 notificações de trânsito, entre autuações, multas e advertências. Desse total, 7.213 são multas que somam cerca de R$ 2,05 milhões. Quem quiser contestar tem até 20 de novembro. Na fase de autuação, o dono do carro pode apresentar defesa ou indicar quem estava ao volante. Quando a multa já foi aplicada, cabe recurso. As listas trazem placa, número do auto, código e data da infração.
Céu carregado sobre Mato Grosso do Sul: calor forte durante o dia favorece tempestades rápidas, com vendaval, raios e granizo
atingir a categoria muito forte no período. O calor do dia já tem cobrado seu preço. O aquecimento forte das tardes deixa a atmosfera instável e favorece tempestades curtas e violentas, com chuva intensa, vendaval, raios e granizo. “O trimestre tem tendência de chuvas acima da média, mas podem ocorrer períodos de estiagem, distribuição irregular, diferenças significativas entre regiões e municípios”, disse a meteorologista Valesca Fernan-
des, coordenadora do Cemtec. Segundo ela, isso acontece porque o Estado fica numa zona de transição entre climas diferentes. O cenário é diferente do de 2023 e 2024. Naqueles anos, o El Niño forte trouxe calor intenso e falta de chuva, uma combinação que alimentou as grandes queimadas no Pantanal. Agora, a tendência é de mais água, mas a meteorologista lembra que o Estado já registrou ondas de calor neste ano e que elas podem se repetir.
A saúde se preparou para os dois lados. Desde agosto, a Secretaria de Estado de Saúde treinou 675 profissionais nas nove regiões de saúde para reconhecer e atender problemas ligados a calor extremo, seca, fumaça e enchentes. Bonito teve o maior grupo, com 101 pessoas, seguido de Coxim, com 77, e Campo Grande, com 76. A última etapa foi em Porto Murtinho, na terçafeira (20) e na quarta-feira (21), por causa do papel da cidade na Rota Bioceânica.
Quem espera dinheiro da Justiça teve voz de MS no Conselho Nacional de Justiça
Foto: Divulgação
Presidente da OAB/MS, Bitto Pereira, representou a advocacia de todo o país na sessão que discutiu regras nacionais para precatórios e para ações contra a Previdência O aposentado que briga na Justiça por um benefício e o servidor que ganhou uma ação contra o governo, mas ainda não viu o dinheiro, estiveram no centro da sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na terça-feira (20), em Brasília. Quem falou por todos os advogados do país foi um sul-mato-grossense. O presidente da OAB/MS, Bitto Pereira, ocupou a cadeira que a Constituição reserva à Ordem dos Advogados do Brasil, representando o presidente nacional da entidade, Beto Simonetti. Na pauta estavam duas propostas de resolução, o tipo de norma que o CNJ usa para orientar todos os tribunais. A primeira cria uma política nacional para a gestão e o paga-
mento de precatórios, as ordens de pagamento emitidas quando o poder público perde uma ação e precisa quitar a dívida. Segundo a OAB/MS, a ideia é dar mais transparência e segurança ao processo. O tema é prioridade do presidente do STF e do CNJ, ministro Edson Fachin, que presidiu a sessão e, no dia 6, assinou com o Banco Central um acordo para endurecer as regras de compra e venda desses créditos. Em MS, o Tribunal de Justiça já alertou credores de precatórios para golpes. A segunda proposta organiza as ações de aposentadoria, pensão, auxílio e BPC, o benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. A mudança vale para a Justiça Fe-
Bitto Pereira, presidente da OAB/MS, na sessão do Conselho Nacional de Justiça em Brasília: ele ocupou a cadeira reservada pela Constituição à Ordem dos Advogados do Brasil
deral e para a Estadual, porque, onde não há vara federal, esses processos são julgados por juízes estaduais. É o que acontece em muitas cidades do interior de Mato Grosso do Sul. “É uma honra representar o Presidente Beto Simonetti e a advocacia brasileira no Conse-
lho Nacional de Justiça”, disse Bitto. Reeleito em 2024, ele comanda uma seccional com mais de 20 mil advogados e já havia levado ao CNJ, numa inspeção no Tribunal de Justiça do Estado, a principal queixa da classe: a demora da Central de Processamento Eletrônico.
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4•B Entrevista
Campo Grande, 25 de outubro de 2026
Foto: A Crítica
Sérgio Longen Presidente da Fiems
“Antes falávamos do futuro; hoje precisamos tratar do presente” Sérgio Longen fala da industrialização de MS aos 49 anos, da falta de trabalhadores, do fim da escala 6x1, do Paraguai e do endividamento das famílias
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ato Grosso do Sul chegou aos 49 anos com a indústria respondendo por quase 15% da economia, fábricas de celulose mudando cidades inteiras e um problema que o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiems), Sérgio Longen, resume em uma frase: falta gente para trabalhar. No cargo desde 2007, ele diz que chegou a hora de olhar menos para o futuro e mais para o presente. Longen falou do custo do fim da escala 6×1, da suposta debandada de indústrias para o Paraguai, da reforma tributária e do endividamento das famílias. Leia a íntegra, editada para clareza. Confira a entrevista: A Crítica: Mato Grosso do Sul completou 49 anos e deixou de depender tanto da produção de matéria-prima para avançar na industrialização. A que se deve essa evolução? Sérgio Longen: Antes de falar do futuro, a gente precisa avaliar o presente. No passado, nós sentávamos e falávamos sobre o futuro. Hoje precisamos tratar do presente, até porque construímos, ao longo desses 20 anos, ações que fortaleceram a atividade empresarial no Estado. A transformação da matéria-prima fez diferença nos salários e na valorização patrimonial de toda a sociedade. Foi criado um ambiente de negócios diferenciado, com licenciamento ambiental, estrutura para a instalação de empresas nos municípios e ações internacionais para mostrar o potencial do Estado. Não é só incentivo. É, acima de tudo, implantação. A Crítica: A que o senhor se refere quando fala em implantação? Sérgio Longen: Imagine Inocência, uma cidade com 8 mil habitantes que hoje tem a fábrica da Arauco, com 18 mil trabalhadores. A implantação tem uma estrutura construída
para isso, e o diferencial está exatamente aí. Já tivemos outros casos. Recentemente, em Ribas do Rio Pardo, tivemos um movimento parecido. Lá atrás, aconteceu em Três Lagoas. Era um desespero para atender todas as demandas, e todo esse processo já faz diferença nos dias de hoje. A Crítica: Todo prefeito gostaria de ter uma Arauco na sua cidade. Qual é o maior desafio de implantar uma indústria desse porte num município com a estrutura de Inocência? Sérgio Longen: Nem todos querem, por causa dos prós e contras. Imagine uma estrutura como a de Inocência: problemas de saúde, de transporte, de alimentação e de qualificação profissional. Não basta buscar as pessoas em algum lugar e trazer para lá. Onde elas vão ficar? Tem um custo social, nem sem-
Nós já temos um mapa estratégico do Estado e, de modo geral, os municípios são contemplados. pre positivo. São as dores do crescimento. Em Três Lagoas, há 20 anos, um terreno custava R$ 20 mil. Hoje custa R$ 500 mil. Em Ribas, de R$ 20 mil foi para R$ 300 mil. Isso já acontece em Inocência. A Crítica: Esses grandes investimentos nem sempre chegam às cidades mais afastadas do interior. Como expandir o desenvolvimento de forma mais igualitária no Estado? Sérgio Longen: Nós já temos um mapa estratégico do Estado e, de modo geral, os municípios são contemplados.
Mas, se você fizer hoje um mapa dos trabalhadores disponíveis, não consegue encher a palma da mão. Não temos mais pessoas disponíveis para o trabalho. Hoje há cerca de 20 mil vagas na indústria, e esses trabalhadores, na grande maioria, estão nos benefícios sociais do governo federal. Isso nos preocupa, porque essas pessoas ficam vulneráveis, sob a ameaça permanente de perder o benefício, e não conseguimos atender a demanda do desenvolvimento regional. A Crítica: Há pouco mais de um ano, a unidade do Senai em Corumbá esteve ameaçada de fechar por falta de procura. A falta de mão de obra deve durar mais alguns anos? Sérgio Longen: A falta de mão de obra não é só de Mato Grosso do Sul. A indústria tem hoje cerca de 2 milhões de vagas no Brasil. Em muitos estados, já há mais beneficiários de programas sociais do que trabalhadores com carteira assinada. Em Corumbá, eu mesmo defini um prazo para o fechamento, porque as unidades davam prejuízo. O Sesi e o Senai são da iniciativa privada, geridos pelos industriais. Fizemos uma mobilização com as empresas e a prefeitura, incluindo Ladário, a procura voltou, e recentemente anunciei a ampliação das unidades. A Crítica: O fim da escala 6×1 foi promulgado pelo Congresso. Existe uma estimativa de quanto Mato Grosso do Sul pode perder? Sérgio Longen: Sim. Não adianta mais lamentar. A lei foi feita, vamos nos organizar e avaliar o que vai acontecer em cada setor. Serão transferidos para a sociedade de Mato Grosso do Sul cerca de R$ 2 bilhões por ano. Em 2027, teremos esse custo adicional em todos os setores, e ele será 100% repassado. A dona de casa, que já recla-
mava que comprava cada vez menos com o mesmo dinheiro, vai comprar menos ainda. Imaginar que alguém vai trabalhar menos e ganhar a mesma coisa sem custo é impossível. É uma conta que não fecha. A Crítica: Antes da promulgação, qual era a proposta da Federação das Indústrias? Sérgio Longen: Nós defendíamos o acordado sobre o legislado: trabalhadores e empresas negociando livremente a forma de trabalho. O traba-
A lei foi feita, vamos nos organizar e avaliar o que vai acontecer em cada setor. lhador elege um presidente da República, mas agora é julgado incapaz de contratar o próprio trabalho e precisa ser tutelado. Foi isso que a mudança na Constituição fez. Na minha avaliação, a discussão é a liberdade de contratação. Quero te contratar por cinco horas, por duas, por dez. Não havia necessidade de engessar o trabalho na Constituição. Não existe no mundo algo parecido. A Crítica: Essa proposta foi
apresentada ao ministro das Indústrias e vice-presidente Geraldo Alckmin? Sérgio Longen: Foi amplamente discutida. Mostramos a conta e a preocupação de engessar a negociação. Nós tínhamos a oportunidade de contratar com liberdade e agora não temos mais. As pessoas vão sentir isso com o tempo. Você contrata um serviço de qualquer empresa com liberdade, faz orçamento. O trabalho, não: ele passou a ser tutelado. É muito triste a posição em que ficou a contratação no Brasil. A Crítica: Com o país no segundo turno, quais decisões em Brasília são mais urgentes para a indústria sul-matogrossense? Sérgio Longen: Primeiro, cuidar da indústria nacional, que perdeu competitividade em vários setores. O produto importado chega ao Brasil mais barato do que o produzido aqui. Uma camisa feita no Brasil custa R$ 100; na China, R$ 20. Isso é Custo Brasil, que vem dos impostos e do trabalho. O governo arrecada e não entrega segurança, educação nem logística. O grande desafio do ano que vem é implantar a reforma tributária, que unifica 27 regras estaduais. E o Brasil não pode mais ser conduzido pelo Judiciário, que define o que vale depois que o Congresso legisla.
A Crítica: Há uma debandada de empresários para o Paraguai? Isso deve virar tendência? Sérgio Longen: Não. Eu estou no Paraguai há 18 anos, não é de agora. A produção de lá é limitada, e nem todas as empresas estão indo. As que mais procuram o Paraguai importam matéria-prima, muitas vezes da Ásia, transformam lá e vendem para o Brasil. Essa é a perda de competitividade da indústria nacional, e a geração de empregos vai para lá. Mas não existe uma debandada geral, não são 200 indústrias saindo. Isso é balela, construída sem números concretos. A Crítica: Como o senhor avalia este momento de segundo turno, em Mato Grosso do Sul e no país? Sérgio Longen: O empresário brasileiro tem enfrentado um desafio de sobrevivência, e o trabalhador também, que ganha pouco porque o imposto é caro. Foram mais de 35 impostos criados em três anos e meio. Cerca de 80% da população está endividada, e 37% desses têm contas vencidas, com juros de 3% a 6% ao mês. As apostas on-line foram regulamentadas, e o crédito pelo FGTS levou as pessoas a gastar. O juro é caro porque o governo federal gasta sem controle. Foi ele que pôs o juro onde está.
Curso de tecnologia de graça, pela internet e com ajuda para achar emprego Prefeitura e Escola da Nuvem abrem vagas para jovens de 18 a 29 anos em computação em nuvem, com chance de certificação internacional e acompanhamento de carreira por até dois anos
Aprender a trabalhar com tecnologia sem pagar nada e sem sair de casa é a proposta de um programa aberto em Campo Grande para jovens de 18 a 29 anos. A prefeitura fechou parceria com a Escola da Nuvem, organização que oferece cursos de computação em nuvem, a tecnologia que guarda dados e roda sistemas pela internet. Os primeiros cursos são o “Tech para Todos”, de introdução, e os módulos 1 e 2 de “Fundamentos de Computação em Nuvem”. As aulas são ao vivo, em sala virtual. Quem avança pode buscar a certificação da
AWS, o serviço de nuvem da Amazon, um selo reconhecido pelas empresas da área. O diferencial está no que vem depois da aula. O aluno recebe orientação para montar o currículo, melhorar o perfil no LinkedIn e se preparar para entrevistas. O acompanhamento de carreira pode durar até dois anos, inclusive depois da contratação. As inscrições estão abertas no site da Escola da Nuvem, na página da parceria com a prefeitura. A divulgação não informa quantas vagas existem nem até quando é possível se inscrever, por isso vale não deixar para depois.
Foto: Divulgação
Jovem estuda pelo computador: aulas são ao vivo e on-line, sem custo para o aluno
OUTUBRO ROSA - MÊS DE PREVENÇÃO E DIAGNÓSTICO PRECOCE DO CÂNCER DE MAMA (E DO COLO DO ÚTERO)
Edição 2327 • Campo Grande,MS 25 de Outubro de 2026 Editor Enrico Feitosa (DRT MS 148/L2/F74)
Álbum reúne 530 fotos e conta a transformação do Hospital São Julião, que completa 85 anos em 2026 PÁGINA 03
Do rodeio aos shows, Expogenética 2026 reúne lazer e negócios em Campo Grande FOTO: IURY DE OLIVEIRA
Feira começa no dia 29 de outubro e segue até 8 de novembro, com entrada gratuita no parque e na Arena, shows de Leonardo e Mari Fernandez, rodeio e cerca de 25 leilões
S
hows, montarias em touros e atividades para toda a família vão dividir espaço com os negócios da pecuária na Expogenética MS 2026, que começa na quinta-feira, dia 29, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande. A terceira edição segue até 8 de novembro, com entrada gratuita no parque e
no setor Arena para acompanhar rodeios e apresentações musicais. A programação começa com palestras sobre patrimônio no agronegócio, às 10h, e o Leilão Genética Aditiva 7P Agro, às 19h. Na sexta-feira, dia 30, o público poderá acompanhar a abertura da etapa oficial da Professional Bull Ri-
Expogenética MS 2026 será realizada de 29 de outubro a 8 de novembro no Parque Laucídio Coelho, em Campo Grande.
Leonardo em show no Réveillon de Macapá (AP), em janeiro de 2024. O cantor se apresenta na Expogenética MS no sábado, 31 de outubro.
ders (PBR), às 20h, e o show de Jads & Jadson. As montarias continuam no sábado e no domingo, reunindo competidores e animais do circuito nacional. Leonardo será a atração musical do sábado, dia 31, quando ocorre a abertura oficial da feira, às 19h. No domingo, 1º de novembro, a agenda inclui Queima do Alho, finais do rodeio e o projeto Bora Viver, com Léo & Raphael e Fiduma & Jeca. Os shows retornam em 6 de novembro, com Japa NK e Felipe & Rodrigo. No dia 7, será a vez de Mari
Fernandez e CountryBeat. Após o rodeio, a Arena será transformada em pista para os shows, mantendo o acesso gratuito. Quem preferir outros setores poderá comprar ingressos para VIP, bangalôs, arquibancadas e camarote com bebidas e alimentação incluídas, pela plataforma Q2 Ingressos. O parque terá ainda provas equestres, parque de diversões e ações sociais. Organizada pela Associação Sul-Mato-Grossense dos Criadores de Nelore (Nelore/ MS), com apoio da Acrissul,
a Expogenética projeta movimentar mais de R$ 200 milhões e superar os aproximadamente 140 mil visitantes da edição anterior. A estimativa financeira considera os cerca de 25 leilões e as negociações de máquinas, equipamentos, consórcios e serviços. A agenda técnica inclui julgamentos e venda de animais, rodada de negócios e palestras sobre produtividade, mercado, questões jurídicas e sucessão familiar. Para o presidente da Nelore/MS, Paulo Matos, a feira busca aproximar a população
urbana da atividade pecuária. “A pecuária de ponta precisa caminhar junto com o entretenimento e com a participação de toda a família”, afirma. A rastreabilidade do rebanho está entre os temas desta edição. Nos dias 4 e 5 de novembro, a partir das 7h30, o Rodeio Fest Inclusivo terá atividades voltadas a pessoas com deficiência, crianças neurodivergentes e suas famílias. O encerramento da feira será em 8 de novembro, com o Leilão Segundo QM da Expogenética MS, às 12h.
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MODERNIZAÇÃO FOTO: ARQUIVO PESSOAL
Lançamentos, análises, recordações e muito mais sobre séries, filmes, realities, no mundo dos streamings .
Por: WILSON MENDES - wilsonpantaneiro@gmail.com
SÉRIE
TULSA KING: O REI AINDA MANDA EM TULSA
FOTO: REPRODUÇÃO
Pedro Chaves assumirá a presidência da ASL no dia 30, com propostas de digitalização do acervo e aproximação com instituições de ensino.
Pedro Chaves assume a Academia de Letras com planos de digitalizar acervo Stallone não abandona os trejeitos interpretativos que ficaram muito conhecidos e Dwight exibe maneirismos gestuais conhecidos em Rocky
Na quarta temporada, Sylvester Stallone retorna como Dwight “The General” Manfredi em uma série que continua reinventando o gênero gangster ao trocar as ruas de Nova York, Chicago e Boston pelo inesperado território de Oklahoma. Existe algo quase cinematográfico na trajetória de Dwight Manfredi. Um mafioso da velha guarda, moldado pelas ruas de Nova York, condenado a 25 anos de prisão e, ao sair, enviado para Tulsa, Oklahoma, para começar praticamente do zero. O que parecia uma sentença dentro da própria organização criminosa acabou se transformando na oportunidade de construir um império. É dessa premissa improvável que “Tulsa King” continua extraindo sua força. A quarta temporada, que estreou em 16 de outubro de 2026 no Paramount+, encontra Dwight tentando transformar seu império criminoso em um negócio legítimo. O problema é que, no universo de Taylor Sheridan, poder raramente vem acompanhado de estabilidade. Políticos corruptos, novos adversários e velhos inimigos começam a cercar o protagonista, enquanto uma perda pessoal devastadora coloca Dwight novamente diante de sua natureza mais brutal. A temporada terá dez episódios, lançados semanalmente. E esse talvez seja o grande mérito de “Tulsa King”: a série encontrou uma maneira de contar uma história de máfia sem depender exclusivamente dos cenários tradicionais do gênero. Nova York, Chicago e Boston já foram exaustivamente exploradas pelo cinema e pela televisão como territórios naturais da criminalidade organizada. Tulsa oferece outra paisagem. É uma América interiorana, aparentemente distante dos grandes centros de poder, onde o choque entre o velho código mafioso e uma sociedade diferente produz boa parte do humor e da tensão da série. Dwight é um peixe grande em um território que inicialmente parece pequeno. Mas Tulsa também se transforma diante dele. Ao longo das temporadas, a operação de Manfredi deixou de ser uma simples extensão da máfia nova-iorquina e ganhou identidade própria. Vieram os negócios envolvendo cannabis, depois o bourbon e, agora, a tentativa de legitimar o império. Só que quanto mais Dwight tenta sair do submundo, mais o submundo parece determinado a trazê-lo de volta.
O elenco continua sendo outro ponto forte.
Martin Starr, Jay Will, Garrett Hedlund, Dana Delany,
Annabella Sciorra, Frank Grillo, Neal McDonough e Kevin Pollak retornam, enquanto Gretchen Mol entra como novidade importante no elenco regular. James Russo também ganha espaço como Quiet Ray Renzetti, antigo inimigo de Dwight ligado à máfia de Nova York. Mas, inevitavelmente, a série continua pertencendo a Stallone. Aos 80 anos, o ator parece ter encontrado em Dwight Manfredi um personagem que resume boa parte de sua própria trajetória cinematográfica. Há nele algo de Rocky, algo de Rambo e muito do Stallone que o público aprendeu a reconhecer: o homem envelhecido, aparentemente em desvantagem, que se recusa a aceitar que seu tempo acabou. Desde “Rocky, um Lutador”, Stallone construiu uma persona cinematográfica baseada justamente nessa resistência. Seus personagens podem apanhar, perder, envelhecer e ser colocados contra a parede. O que raramente fazem é desistir. Em “Tulsa King”, essa característica ganha uma camada curiosamente irônica. Dwight é um homem de outra época tentando sobreviver em um mundo que mudou. Stallone, por sua vez, interpreta esse personagem com a consciência de quem também atravessou décadas de cinema e continua ocupando o centro da tela. A crítica parece reconhecer esse fator. Atualmente, a quarta temporada registra 83% de aprovação no Rotten Tomatoes, com seis avaliações de críticos contabilizadas — cinco positivas e uma negativa. A média das quatro temporadas chega a 86%. O público, porém, ainda não possui amostragem suficiente para uma nota consolidada da quarta temporada. “Tulsa King” não pretende substituir “O Poderoso Chefão”, “Os Sopranos” ou qualquer outro clássico da máfia. Ela quer outra coisa: ser um espetáculo criminal divertido, violento, irreverente e carismático, conduzido por um protagonista que parece ter saído diretamente de outra era de Hollywood. E enquanto Dwight Manfredi continuar de pé, com seu terno impecável, seu humor seco e aquela expressão de quem já viu coisa pior, Tulsa continuará tendo um rei. E o rei atende pelo nome de Sylvester Stallone.
FICHA TÉCNICA "TULSA KING" CRIAÇÃO: Taylor Sheridan GÊNERO: Crime, Drama ELENCO: Sylvester Stallone, Martin Starr, Jay Will, Vincent Piazza, Annabella Sciorra, Chris Caldovino, McKenna Quigley Harrington, Frank Grillo, Mike “Cash Flo” Walden, James Russo, Kevin Pollak, Neal McDonough, Garrett Hedlund, Dana Delany e Gretchen Mol. STREAMING: Paramount+ / MTV
Educador presidirá a ASL no triênio 2026–2029; posse será na sexta-feira, dia 30, quando a instituição completa 55 anos
A
digitalização do acervo histórico e a aproximação com escolas e universidades estão nos planos de Pedro Chaves dos Santos Filho para a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL). O educador, escritor e ex-senador, de 85 anos, assumirá a presidência na sexta-feira, dia 30 de outubro, em cerimônia no auditório da instituição, em Campo Grande. A posse coincide com os 55 anos da Academia. Eleito em assembleia no dia 1º de outubro para o triênio
2026–2029, Chaves sucederá Henrique Alberto de Medeiros Filho, que dirigiu a entidade durante nove anos. O novo presidente ocupa a cadeira 19 desde 2017 e terá a ex-senadora Marisa Serrano como vice-presidente. Entre as propostas para a gestão, Chaves estuda criar uma biblioteca virtual com obras de autores de Mato Grosso do Sul. Pretende ainda ampliar caravanas literárias, clubes de leitura e oficinas de escrita, além de estabelecer parcerias com instituições de
ensino. Para ele, a literatura contribui para preservar a memória e a identidade sul-mato-grossense. Esses planos se somam a atividades que a Academia mantém, como a disponibilização, em seu site, dos vídeos dos Chás e Rodas Acadêmicas de 2025. A instituição promove ainda o clube de leitura Leituras & Conversas, com encontros ao longo do ano em seu auditório. Nascido em Campo Grande, em 1940, Ped ro Chaves par ticipou da criação d a Mo d e r n a A s s o cia ç ã o Campograndense de Ensino (MACE) e do Centro de Ensino Superior de Campo Grande (Cesup), que deu origem à Uniderp. Na universidade, exerceu o cargo de reitor.
No Senado, atuou de 2016 a 2019, após assumir a vaga de Delcídio do Amaral, de quem era suplente. Foi relator da reforma do Ensino Médio, aprovada pela Casa em fevereiro de 2017. Membro da Academia Brasileira de Educação desde 2023, recebeu em julho o título de doutor honoris causa da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). A nova diretoria da ASL terá Lucilene Machado na secretaria-geral e Sérgio Manoel da Cruz na secretaria. Samuel Medeiros assumirá a primeira tesouraria, e Américo Calheiros, a segunda. Fundada em 30 de outubro de 1971, a Academia completará 55 anos no dia da mudança de gestão.
EXPOSIÇÃO
Exposição gratuita na Esplanada Ferroviária aborda a ancestralidade e a cultura indígena Mostra Caminhos do Gesto reúne obras de Murilo Rodrigues na Esplanada Ferroviária e segue até 31 de outubro A ancestralidade e a participação dos povos indígenas na formação cultural brasileira orientam as obras de “Caminhos do Gesto”, exposição do artista visual sul-mato-grossense Murilo Rodrigues em Campo Grande. Com entrada gratuita, a mostra segue até 31 de outubro no Espaço de Museologia da Esplanada Ferroviária, na Biblioteca Pública Municipal Anna Luiza Prado Bastos. Os trabalhos abordam identidade, memória e pertencimento, com atenção às referências indígenas na cultura do país. A proposta é aproximar os visitantes da produção artística de Mato Grosso do Sul e apresentar diferentes expressões culturais. A visita permite conhecer ainda o acervo da biblioteca, que reúne aproximadamente 35 mil exemplares de diferentes gêneros e assuntos. Desse total, cerca de 5 mil títulos são de autores ou tratam de temas relacionados a Mato Grosso do Sul. O público pode consultar as obras no local e realizar empréstimos conforme as regras da instituição. A biblioteca funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30, na Avenida Calógeras, nº 3.055, no Centro. Embora o período anunciado da exposição termine no sábado, dia 31, os visitantes devem observar o funcionamento em dias úteis. O acesso à biblioteca e à mostra é gratuito.
FOTO: PREFEITURA DE CAMPO GRANDE/MS
Exposição Caminhos do Gesto, de Murilo Rodrigues, fica aberta gratuitamente até 31 de outubro em Campo Grande.
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Campo Grande, 25 de Outubro de 2026
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LITERATURA
Álbum reúne 530 fotos e conta a transformação do Hospital São Julião, que completa 85 anos em 2026 FOTOS: DIVULGAÇÃO
Obra de Lenilde Ramos recupera histórias de pacientes, profissionais e voluntários; renda das vendas será destinada ao hospital
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as instalações destinadas ao isolamento de pessoas com hanseníase ao atendimento em mais de 20 especialidades, a trajetória do Hospital São Julião ocupa as 140 páginas de um álbum escrito pela jornalista Lenilde Ramos. A publicação reúne 530 fotografias para contar os 85 anos da instituição, em Campo Grande, a partir das experiências de pacientes, profissionais e voluntários. Os exemplares estão à venda na Livraria Leitura, no Shopping Campo Grande, com renda destinada ao hospital. O trabalho de produção levou cerca de um ano e meio, com seleção de imagens e documentos de um acervo de aproximadamente 4 mil itens, incluindo materiais trazidos da Itália. A pesquisa, porém, acompanha boa parte da vida da autora. “Há mais de 30 anos
álbum apresenta a inauguração do antigo leprosário, a chegada de Irmã Silvia Vecellio nos anos 1960 e a atuação dos voluntários italianos, ligados à parceria de 56 anos com a fundação OASI/OMG. Registra ainda a criação da Associação Beneficente de Auxílio e Recuperação dos Hansenianos, a ampliação das instalações e as mudanças no atendimento. Entre as fontes estão os cinco livros de Lino Villachá (1938–1994), paciente, poeta e cronista que escreveu sobre suas vivências no São Julião. Lenilde conviveu com ele durante 25 anos e, após sua morte, continuou o trabalho de preservação dessas histórias. Os relatos ajudam a recuperar o cotidiano de quem viveu na instituição. A atuação de Irmã Silvia ocupa parte importante da
Lenilde Ramos com o álbum que reúne 530 fotografias e resgata os 85 anos de história do Hospital São Julião, em Campo Grande.
Mato Grosso do Sul. A instituição informa ter realizado 574 mil procedimentos em 2025 e responder por 92,55% das cirurgias oftalmológicas realizadas no Estado. Referência em hanseníase e oftalmologia, mantém residências em Clínica Médica e Oftalmologia. O São Julião desenvolve ainda ações de reciclagem e reflorestamento em sua área de 240 hectares. De acordo com a instituição, 86% dos resíduos
CINEMA
sólidos deixam de seguir para o aterro sanitário, com reciclagem e produção de matéria orgânica para as áreas verdes. O hospital se apresenta como o primeiro Hospital Lixo Zero do Brasil e da América Latina. Para o presidente Carlos Melke, o álbum registra a contribuição de Irmã Silvia e das pessoas que participaram da construção do São Julião, desde o tratamento da hanseníase até a expansão da assistência mé-
dica, com atenção ao cuidado humanitário. Além do texto e da pesquisa de Lenilde, integrante da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, a publicação tem design gráfico de Marília Leite e tratamento de imagens e fechamento de arquivos de Lennon Godoy. O historiador Roberto Pellizzer, responsável pelo Setor de Memória do hospital, colaborou com a pesquisa e o material de arquivo.
Documentário reúne gerações de mulheres da música autoral de Mato Grosso do Sul FOTO: DIVULGAÇÃO
Lenilde Ramos apresenta o álbum aberto em uma página com a foto de Irmã Silvia Vecellio, que dedicou seis décadas ao Hospital São Julião.
venho estruturando a melhor forma de contar a história do São Julião”, afirma Lenilde. Em ordem cronológica, o
obra. A religiosa italiana, hoje com 95 anos, conheceu o hospital em 1964, quando os pacientes enfrentavam segregação
Exemplares do álbum dos 85 anos do Hospital São Julião, com 140 páginas e 530 fotografias, à venda em Campo Grande.
e abandono. Ao longo de seis décadas, mobilizou médicos, trabalhadores e apoiadores para reconstruir as instalações e mudar as condições de assistência. “Foi uma grande gestora que fez tudo em silêncio, sem personalismo, por isso, esse álbum também é uma homenagem a ela”, diz a autora. O vínculo entre as duas começou no Colégio Auxiliadora, onde Lenilde foi aluna da religiosa. Em 1970, aos 18 anos, a escritora passou a atuar como voluntária na reconstrução do leprosário. Durante 56 anos de ligação com o São Julião, trabalhou como professora, secretária e animadora cultural. Como jornalista, ampliou a coleta de depoimentos de pacientes e funcionários, pesquisa que deu origem ao seu primeiro livro, “História sem Nome”, lançado em 2011. A transformação registrada no álbum chega ao hospital que hoje recebe pacientes de todo
Artistas de diferentes gerações compartilham trajetórias e desafios da música autoral em “CenAlternativa 2”.
Com relatos sobre criação e desafios da carreira independente, CenAlternativa 2 terá lançamento gratuito em 29 de outubro, na Casa de Cultura de Campo Grande. Erica Espíndola, PauCompor, fazer o traba- Ariadne, la Fregatto, Leca Harper, Sere-
lho circular e sustentar uma car reira independente são temas que atravessam as trajetórias das artistas reunidas em “CenAlternativa 2: Mulheres da Nova Música do MS – Parte 1”. O documentário será lançado na quinta-feira, dia 29 de outubro, às 19h, na Casa de Cultura de Campo Grande, com sessão gratuita e aberta ao público. Em aproximadamente 30 minutos, o filme apresenta experiências de mulheres da música autoral sul-mato-grossense, com espaço para os processos de criação e os desafios da profissionalização. A produção é do duo Vozmecê, formado por Namaria Schneider e Pedro Fattori, em parceria com Manu Komiyama, da KPROD Produções. As entrevistas, conduzidas por Namaria, reúnem Mel Dias,
na MC, Bell Éter, Bianca Bacha e Ana Ferreira, da banda Urbem, além de Nana Coloral. De diferentes gerações e estilos, elas falam sobre composição, influências, gestão da própria carreira e redes de apoio, além dos caminhos para levar seus trabalhos ao público. “Queremos que o documentário seja um espaço para que elas compartilhem suas experiências, seus processos criativos e também os desafios que encontram para desenvolver seus trabalhos”, afirma Namaria, que assina a direção com Fattori e responde pela produção executiva, pelo roteiro e pela pesquisa. O filme dá continuidade ao projeto “CenAlternativa – MS Geração 20”, dedicado ao registro da nova música produzida no Estado. Nesta etapa,
o recorte feminino orienta as conversas e a documentação de uma cena formada por diferentes expressões musicais. Para Fattori, o registro audiovisual também permite preservar o contexto em que essas obras são criadas. “O audiovisual permite registrar não apenas a música, mas também as histórias, os contextos e as pessoas que fazem essa cena acontecer”, afirma o diretor, responsável ainda pela direção de som. Manu Komiyama assina a direção de produção, a fotografia, a edição e a colorização. O documentário conta com interpretação em Libras e legendas, além de uma versão que também inclui audiodescrição. A acessibilidade ficou a cargo de Jessé Macedo. O projeto foi realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac), da Prefeitura de Campo Grande, do Ministério da Cultura e do Governo Federal. Informações sobre a produção podem ser acompanhadas no Instagram @CenAlternativa.ms.
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Captiva híbrido será montado no Ceará
A Chevrolet vai começar em novembro a montar no Ceará o Captiva PHEV, primeiro híbrido plug-in da marca produzido no Brasil. A data de chegada às lojas e o preço ainda não foram divulgados. Para comparação: o Captiva elétrico custa R$ 199.990 no Brasil, e o híbrido é vendido no Uruguai por US$ 39.990, cerca de R$ 213 mil. O SUV usa a mesma carroceria e quase toda a cabine do Captiva elétrico, mas soma um motor a gasolina à bateria que se carrega na tomada. Na versão vendida na Argentina, são 204 cv e autonomia combinada acima de 1.000 km.
A Kombi voltou, agora elétrica:
o ID. Buzz nas ruas de Campo Grande
FOTOS: A CRÍTICA
Cedido pelo Grupo Discautol, o furgão elétrico da Volkswagen chega ao jornal e encara um teste que a cidade ainda não passou: a tomada
O
ID. Buzz parou em frente ao jornal numa tarde de sol forte, e era difícil não reparar. Azul quase preto, com os adesivos da Discautol na lateral e o logo da Volkswagen sobre uma faixa de luz que liga os faróis, ele tem o desenho que a Kombi sempre teve: o de quem pede para ser olhado. A cor do exemplar é um azul escuro com brilho metálico. Segundo as avaliações do modelo, o ID. Buzz também é oferecido em pintura de dois tons, a 'saia e blusa' da Kombi original A cor do exemplar é um azul escuro com brilho metálico. Segundo as avaliações do modelo, o ID. Buzz também é oferecido em pintura de dois tons, a ‘saia e blusa’ da Kombi original (Foto: Jornal A Crítica) É bom dizer já aqui, antes de qualquer elogio: o carro é emprestado. Foi cedido pelo diretor do Grupo Discautol para que a gente o avaliasse por um período nas ruas da cidade.
A casa por trás do carro
A Discautol é uma casa de tradição no Mato Grosso do Sul. Fundada em 1967, é um grupo da família Oshiro, concessionário Volkswagen em Campo Grande, Dourados e Três Lagoas, que depois ampliou o negócio para as motos da Yamaha e que agora entra também nos elétricos e híbridos, com a GAC em Campo Grande.
A Kombi, versão elétrica
O ID. Buzz é a sucessora espiritual da Kombi, também conhecida como Type 2. O desenho traz pintura em dois tons, faróis e lanternas modernos, grande área envidraçada e motor traseiro, como o da original. A proposta é ao mesmo tempo emocional e prática: um veículo que chama atenção na rua e atende bem a família ou ao uso premium.
O ID. Buzz estacionado em frente à sede do A Crítica, na Avenida Júlio de Castilho, em Campo Grande. Imagem tratada digitalmente para retirar um veículo ao fundo e desfocar a placa
No Brasil, chegou em 2023, em lote pequeno, de cerca de 70 unidades, em alusão aos 70 anos da Volkswagen no país. A versão vendida aqui se chama Pro, tem cinco lugares e motor elétrico de 150 kW (204 cv), com torque de 310 Nm. A tração é traseira, o câmbio tem uma única marcha, e a arrancada de 0 a 100 km/h leva cerca de 10,2 segundos. A velocidade máxima é limitada a 145 km/h.
de condução e do uso do ar-condicionado. A recarga é o outro lado. Em corrente contínua, o carro aceita até 170 kW, o suficiente para ir de 5% a 80% em cerca de 30 minutos, quando existe um carregador à altura. Em corrente alternada, a 11 kW, o caminho é a wallbox em casa ou na garagem, que é onde a maioria dos donos de elétricos recarrega. E é aqui que Campo Grande entra na conta. Em agosto, mostramos que a tomada pública mais forte da cidade entrega 40 kW, e a mais forte do Estado, em Coxim, 80 kW, longe dos 170 kW que o carro aguenta. Na conta simples, ir de 5% a 80% numa tomada de 40 kW leva quase uma hora e meia. Para ter ideia do que isso significa no mapa: de Campo Grande a Dourados são cerca de 220 km, e a Três Lagoas, cerca de 320. A ida cabe na autonomia do Inmetro, a volta já exige recarga no meio do caminho, e a rede do Estado ainda não está pronta para isso. No exterior, a Volkswagen já oferece versões mais novas, com motor de 210 kW (286 cv) e baterias de 79, 86 ou até 91 kWh, que levam a autonomia WLTP a algo entre 440 e 480 km. Ainda não chegaram ao Brasil.
A bateria: o número que decide tudo
Espaço e portas de correr
VOLKSWAGEN ID. BUZZ PRO A versão de cinco lugares vendida no Brasil, em números 204 cv motor traseiro de 150 kW 77 kWh bateria útil 337 km autonomia pelo Inmetro 170 kW recarga rápida (DC) Detalhes Torque 310 Nm 0 a 100 km/h 10,2 s Velocidade máxima 145 km/h Recarga de 5% a 80% cerca de 30 min Porta-malas 1.121 litros Lugares 5 (2+3) Comprimento 4,71 m Peso cerca de 2.475 kg Tração traseira e câmbio de uma marcha. Autonomia pelo ciclo europeu WLTP: cerca de 377 km.
Num carro elétrico, a pergunta que vale é quanto ele anda e quanto demora para voltar a andar. A bateria do ID. Buzz tem 77 kWh úteis. A autonomia é de 337 km pelo ciclo do Inmetro e de cerca de 377 km pelo ciclo europeu WLTP, mais otimista. Avaliações brasileiras apontam que o número do Inmetro é realista em uso misto, mas pode frustrar quem faz viagens longas sem boa infraestrutura de recarga. Na prática, a autonomia real depende do estilo
O ID. Buzz brasileiro tem cerca de 4,71 m de comprimento, 1,98 m de largura, 1,93 m de altura e entre-eixos de 2,99 m. O porta-malas comporta 1.121 litros com cinco pessoas e chega a cerca de 2.100 a 2.200 litros com os bancos rebatidos. Com cerca de 2.475 kg, o carro é pesado, mas a avaliação que serviu de base a esta matéria o descreve como agradável de dirigir para o tamanho.
O capô dianteiro abre para a frente e dá acesso ao reservatório do limpador de para-brisa. Não há motor ali: o motor elétrico fica na traseira, como na Kombi original O que mais lembra a Kombi são as duas portas de correr laterais, elétricas na maioria das configurações, que facilitam entrar e sair, principalmente com criança ou bagagem. O para-brisa grande e a área envidraçada dão à cabine a sensação de ambiente aberto, e há teto panorâmico eletrocrômico opcional, que passa de transparente a opaco com um toque. Entre os detalhes, a Buzz Box, um porta-objetos modular removível, entradas USB-C em todas as portas e assistentes de condução, como alerta de faixa, frenagem de emergência e câmera 360°. Um detalhe que só a rua revela: o capô dianteiro abre para a frente e dá acesso ao reservatório do limpador de para-brisa. No dia de chuva em que pegamos o carro, deu para reparar bem no limpador, que é grande, como o vidro que ele precisa varrer.
A tampa traseira dá acesso ao portamalas, de 1.121 litros com cinco ocupantes, segundo a ficha técnica
Quanto custa
De três quartos, o furgão mostra o capô curto, o para-brisa grande e a coluna dianteira inclinada, que dão à cabine a sensação de espaço
Aqui está o obstáculo. Segundo o levantamento que serviu de base a esta matéria, o ID. Buzz não tem venda oficial nas lojas e circula principalmente pela assinatura da Volkswagen, o Sign&Drive, a partir de cerca de R$ 8.990 por mês, em contrato de 48 meses e 1.500 km por mês, com seguro e manutenção incluídos. Há também unidades importadas e seminovas, na faixa de R$ 850 mil a R$ 1 milhão. A própria Volkswagen já reconheceu que o custo atual é alto e anunciou uma segunda geração, em plataforma nova, com mais autonomia, recarga mais rápida e preço menor, prevista para depois de 2030.