Fados íntimos
Fados íntimos O chiaro-scuro do fado cantado entre imagens roubadas em bastidores. Dos corredores amplos e esguios da Braço de Prata nascem divisões. Nestas o convite é para comer, dançar, escutar ou simplesmente estar. A fábrica é agora de cultura. Os trabalhadores disputam o turno da noite entre o horror e pasmo dos sindicalistas extintos. Ninguém quer os dias. É nas horas da escuridão que o silêncio vem, quando se calam as vozes do dia, do trabalho, da escola, de tudo o mais. E apenas vem para melhor apreciarmos os sons que degustamos na vida. São estas as paredes onde se afixavam editais, cartões de ponto, horários de trabalho. Agora são telas. De imagens, desenhos e convites; de lembretes que a vida está a acontecer. Incitam a dar terreno às possibilidades, a atirar ao ar as roupagens do dia e correr em danças.
–1– 2010 © José Bragança Pinheiro (http://clipfile.weebly.com)