Casca de noz «É bom coleccionar objectos, mas é melhor dar grandes passeios», Anatole France Estou sentado no chão, entre um Padrão dos Descobrimentos e uma Torre de Belém. No colo, um livro aberto. Em frente o mar, bebido com olhos de sonho. Neste momento, poderia eu ser mais Português? Um povo que no cantar do Fado reconhece o Destino, fatal; a viagem está traçada e as etapas definidas. O livro é o Planisfério Pessoal do Gonçalo Cadilhe e acaba de me conduzir pela etapa inicial da sua viagem. Propôs-se viajar à volta do mundo sem nunca levantar voo. Começou por embarcar num cargueiro, sozinho, com uma tripulação de filipinos e russos. Numa das passagens mais marcantes, o autor transcreve o princípio elementar a bordo: as mercadorias são mais importantes do que as pessoas.