JOAQUIM CASTILHO
RIMAS E BOCEJOS
POEMAS
JOAQUIM CASTILHO
RIMAS E BOCEJOS
POEMAS
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Ficha Técnica Título :
” Rimas e Bocejos”
Autor::
Joaquim Castilho
Edição:
Autor
Execução Gráfica: Tipografia Fátima Lda Tiragem:
200 Exemplares
1º Edição:
Novembro de 2012
Per Violetta mia carissima Amica da sempre!
“Rima, flor de sal da palavra” GUNDULA STEGLITZ
RIMAS
Poemas de rimar palavras soltas sons que florescem no ar versos que se iluminam balanรงos que se conseguem poemas que se constroem sem o medo de tropeรงar.
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VER
Procurar o dia pousar o olhar sentir e ver o que apenas se sentia e se n達o conhecia porque havia sempre uma qualquer pressa de chegar.
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O TEMPO
Quando nada acontece fecham-se os olhos afasta-se o sono e não se adormece hora de olhar o que se não vê de escutar o silêncio sem perguntar porquê num lento aguardar o que o Tempo esse nosso tempo há muito nos tece.
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RISO
O riso que chega vindo do nada sem um lamento sem uma voz desesperada o olhar l铆mpido a boca escancarada esquecendo o presente sem olhar o futuro apenas e s贸 uma boa gargalhada.
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PALAVRAS
Palavras que tocam caminhos sensíveis sob a tua pele palavras que te mentem que te consentem que te trazem o calor de um dia frio de Verão.
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DĂšVIDA
TĂmido sorriso raso como vento acaso terno lento ou o frio do desalento?
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SONHO
Ponho um sonho meu em cima da mesa para ter para ver para viver de uma Ăşnica certeza. Uma sombra clara como eu do que jamais aconteceu do que nunca irĂĄ acontecer.
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VAZIO
Soa como um dia cheio de nada um sol de estio em tarde gelada um tempo vazio no fim de uma escada.
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O TEU POEMA
O teu poema jogo hermético de palavras soltas em terra árida chaga de imagens revoltas sem ter rumo um estranho assomo de emoção sombra lúcida que logo se apaga fogo sem ter fumo uma fonte incerta vaga que arde sem ter chão.
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SEMENTE
Aguardar que do nada venha a raiz do poema uma palavra, um som, um fonema que em mim se detenha sem eu mesmo o saber para poder vingar ganhar versos e nascer.
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A MINHA RAZÃO
A Razão feita do que vi do que li do que senti a minha razão só minha certezas únicas que eu em vão me construí.
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VOZ
Escrever um poema como quem de longe acena na espera de um eco impossĂvel na voz serena de um silĂŞncio qualquer.
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TU
Face tua lugar aberto de ternura rua de carinhos lentos na pele doce de um mar de ventos mĂŁos de ĂĄgua pura num manto longo lugar longe da sombra e da amargura.
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FLOR
Na margem de um rio estava uma flor transida de frio dorida sem ter dor sem medo do vento. Da esperanรงa tinha a cor a vida trazia-lhe alento como se fizesse calor.
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PRAZER
Olhar olhar e ver ver e escutar no espaรงo aberto do viver o longo prazer de um simples olhar.
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NÉVOA
Névoa que rompe as imagens e acorda as sombras os vultos, as miragens que esconde os caminhos e a água das fontes, as distâncias e o mar. Ver assim o segredo dos horizontes com o rosto de um novo olhar.
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FUTURO
Ontem sonhei com o futuro tinha asas de marfim e voava era uma paisagem sem fim onde o dia nunca acabava o choro era desconhecido ninguĂŠm andava perdido e quem duvidava estava sempre seguro.
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CLARÃO
Desfolhar os dias na procura incerta de um silêncio cheio vereda aberta, clarão que em nós desperta sem temor, sem o receio de noites vazias prelúdio adivinhado da eterna emoção de uma nova descoberta.
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CONSTRUÇÃO
O estranho balanço de uma simples palavra, uma nótula só viva, sem descanso solta mas agarrada vinda do fundo do nada que tomba sobre uma outra palavra da mesma ninhada e outra e mais outra até que um verso apareça e se escreva para que não se esqueça verso trôpego ainda sem conseguir caminhar verso que aguarda mais versos para se poder equilibrar um berço, raiz de um sentido, de um tema uma tentativa, vã talvez de construir mais um anónimo poema.
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DESALENTO
Braรงos cansados de nรฃo abraรงar rios desaguados sem o azul do mar carinhos guardados sonhos desbotados sem ter poiso sem ter lugar.
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ESCRITA
Rosto do olhar para alĂŠm do olhar lugar de palavras reinventadas escrever sem descrever apenas mostrar lograr sentir o outro lado do ver tentar descobrir aflorar uma outra dimensĂŁo do estar.
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ONDE?
Na desolação onde encontrar alento nos horizontes do mar ou na voz do vento? Na lava revoltada de um vulcão gritando sonoras utopias ou em líricas fátuas e doentias que alguns poetas nos tecem? Em janelas abertas de par em par ou em grandes arcas vazias cheias das razões da Razão para viver uma vida a esperar por sonhos que nunca acontecem?
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BOM DIA
Ritos rasos rotinas manias por que tem de ser cortinas vasos os “bons dias� eu sei porque empurram o viver.
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PASSADO
Mem贸rias feridas enterradas esquecidas ecos de vidas vividas sombras passadas julgadas perdidas que n茫o mais se querem recordar.
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TESOURO
Por detrás das palavras ditas as outras que se não ouvem que no teu silêncio murmuras e gritas sombras de sombras infinitas que em ti guardas como tesouros derramados ciosamente guardados só para ti.
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REGRESSO
Um dia voltarei aos lugares de onde nunca parti. Quando? Nem eu sei! Sรณ sei que em muitos outros lugares hรก muito jรก eu morri.
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DECADÊNCIA
Abraçar um corpo que se desfaz consciente doente que sente não mais ser capaz de viver os sonhos já desfeitos caminhos outrora perfeitos quando se julgava ter encontrado a Paz.
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FRIO
Branco que nĂŁo aquece o som de uma cor que nunca aparece e um pĂĄssaro de vento riso sorriso que jamais acontece.
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PRIMAVERA
Na cidade sente-se já a Primavera. A claridade atarda-se já a Noite espera. Nascem flores abrem-se botões despertam amores crescem ilusões. Plim!
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TEMPO
Diluir o tempo no tempo de outros tempos de outros vagares para alÊm dos tempos para alÊm dos mares pedras que ficaram dos tempos de diferentes pensares presentes agora no tempo de todos os tempos destroços solenes de todos os lugares.
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QUANDO
Quando o olhar se n達o pousa e resvala porque n達o se atreve, n達o ousa e se cala sem uma palavra, um sorriso uma fala num sil棚ncio duro e preciso como uma bala vidro fosco, opaco, indeciso com um pouco de calor sem um grito sem um esgar de dor esmorece e estala.
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AMANHECER
Rompe da névoa o dia sem amanhecer as árvores, as casas, um muro sem um sopro de vento o vulto que passa a correr sombras no branco cinzento que não deixa ver o que sem acontecer na nossa frente acontecia.
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SILÊNCIO
Silêncio no olhar maior o silêncio do que o pensar o silêncio duro do não falar ouvir sem escutar outras falas vozes de um outro mar ou o som fátuo de poemas vazios versos brancos de rimar.
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PRISÃO
Estar e não estar porque as raízes te ficaram presas em vão num outro lugar onde sentes que pertences mesmo que não queiras onde nasceste onde viveste é essa a tua inevitável condição.
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PAISAGEM
Encher o olhar de ver paisagens , Homens, cidades outras jogos, fogos do acontecer para alĂŠm do mar. Lugares de mantas estendidas de muitos verdes de rostos apagados de outras sedes vivendo para sobreviver. Com histĂłrias mudas para me mostrar vidas impossĂveis diante mim a desfilar.
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TURISMO
Turista, eu gentes, paisagens, hist贸rias que em breve irei esquecer quando cheio de tanto l谩 longe no mundo meu no meu canto do outro lado do mar em mim uma vez mais me reencontrar.
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SEDE
De olhar vazio pousado sem horizonte Rio sem barcos margens sem ponte sede nua dor sem ter fonte.
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PRESENTE
Sem a pressa que tem o vento pouso repouso sinto pressinto cada momento na luz que luz no escuro como se o presente nunca tivesse o Futuro.
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DESOLAÇÃO
Sentado numa carruagem vazia de um comboio abandonado viajo noite e dia num destroço enferrujado sem destino certo num mundo meu por mim descoberto num roteiro aberto por mim inventado sentado numa carruagem vazia de um comboio parado.
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PERDA
No balanço manso esmorecendo vejo-me vendo falho de alento olhando ausente distraĂdo o estranho presente barco lento que por mim me vai acontecendo.
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A OUTRA MARGEM
Como se nĂŁo houvesse mais rios nem o prazer de uma paisagem estradas aeroportos rotas nuas de passagem tempo sem tempo que a cidade aguarda perto como miragem tudo o resto ĂŠ longe num mundo outro parado numa outra margem.
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LUIS FILIPE DE CASTRO MENDES
Teus poemas de encantado desencanto livro de distâncias saudade dolente de choro doce sem ter pranto a Índia no teu falar sempre presente cores, locais, fragrâncias poiso sereno do teu canto nos gestos transparentes de tão delicada gente invenção lunar reflexo iluminado do teu espanto.
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PASSADO ETERNO
Séculos de memória húmus infiltrado num pedaço extenso de terra num mapa traçado pelo sopro lento da História. Berço de muitos berços de sangue e suor derramado em Paz e na Guerra, tempo do tempo que passa gritos, miséria e glória argamassa de falas, gestos, costumes fogos apagados chão de muitos lumes sonhos vividos dias vencidos hinos e bandeiras onde só se podem escrever as sombras coloridas da Vitória!
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POETA
Poeta tu escondido nos teus versos em novelos perdido nas linhas quebradas do teu texto nova literatura, revolta, pesadelos? ou apenas um pretexto para versos sem sentido palavras soltas em enxurradas versos livres, abertos, nus veredas sem luz que interessa? Virá um dia alguém que sem desdém fará do teu poema uma peça um festival!
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VAZIO
Saudades dos versos que nunca escrevi dos que nunca agarrei dos que apenas senti por mais que escute as sombras e olhe para o papel vazio vejo sempre sempre o que sempre vi.
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EU
E até passei um bom bocado entretido na conversa exibi-me como erudito entusiasmado um vulcão em mim renasceu eu que o julgava, para sempre, apagado sinto que fiz boa figura fui fluente, firme, demagógico e educado fingindo dominar o assunto mostrei-me culto, sagaz e bem informado e depois até escrevi um poema banal de rima simples, infantil, elementar que podia ter sido em -ar ou em -al mas acabou por ficar como acima enunciado com uma rima simples e pueril mais um poema banal em -ado.
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DESERTO
Olhar o teu olhar vazio e julgar ver a imagem serena de um rio afinal o que eu olhava era um deserto imenso e nu um silêncio magoado feito de distância, gelo e frio tu.
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OS PĂ SSAROS, SEMPRE
E regressaram os pĂĄssaros naves suaves como a neve abrindo as asas por sobre os Homens por sobre as casas como se fossem cair visĂŁo serena de uma vida breve ausentes mesmo antes de partir.
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ESCREVO
Escrevo em clareiras rasgadas no ruído assumido dos meus dias acasos de silêncio abertos no acontecer onde procuro mais do que o viver. Escrevo palavras, sons, poesias para mim e para ti escrevo e rescrevo o que sempre escrevi tentando despertar horizontes nas manhãs mais frias.
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AUSÊNCIA
Barro negro em fogo lento poema apagado nunca encontrado sem rosto sem vento solidão a dois amor de ausência sem caminho sem depois.
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LEITURA
Leio as palavras que em ti desabam em torrente nĂŁo ĂŠ o eco das palavras mas um estranho rumor da queda o que se sente sombras significantes que se atropelam sentidos sem sentido que se estatelam palavras muitas versos e mais versos sons dispersos sem o sabor Ăşnico da palavra em ti esquecido ausente.
57
ESPERA
Vêm de longe de muito longe para lá de todos os horizontes por vales, planuras e montes trazem consigo um saber sem igual e lógica de todos os sábios e de um monge o caminho perfeito para o Universo em nós sempre submerso que só em sonhos se pode sonhar mas, pobres de nós nunca poderão cá chegar!
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ACASOS
Agarrei no acaso mais um verso trazido por um qualquer vento um brilho, um sorriso lento entre mil palavras disperso raiz primรกria de um poema sentido sem ser sentido tema sem ser tema apenas um vago pressentimento um som distante, perdido memรณria hรก muito rasgada sonho de um sono brando em noite sempre acordada.
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O QUE EU TENHO
Sem céu para alcançar e futuro que já esqueci tenho vento, tenho mar tenho fogo, rumo, fonte palavras com horizonte rimas fáceis de rimar tenho música, fotos, livros aconchegada companhia em que um dia eu me reconheci.
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SERENIDADE
Dia claro de um longo nascer onde, imรณvel, se espreguiรงa a aurora tranquilo e lento o despertar na luz que mal se deixa antever luz que se atarda no olhar e no voo de um pรกssaro se demora.
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A FOLHA BRANCA
Palavras que nascem de outras palavras na terra branda folha branca que tu, poeta, lavras palavras luz, novos temas versos que te aparecem que de ti se esquecem reflexos de sombra, ou de cor livres, no lĂmpido interior dos teus poemas.
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PROCURA
Escrever o sonho, o mar as sombras e o vento palavras nuas em busca de talento um rosto s贸 de imaginar o ver sem nunca olhar esquecendo o que existe em tantas janelas cerradas de tantas outras ruas!
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VONTADE
Acaba o que não se acaba começa o que apenas recomeça uma colectiva ficção um doce engano de se enganar uma assumida e voluntária ilusão fruto sempre verde da vontade de um dia um qualquer dia conseguir enfim mudar.
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SOMBRAS
Sombras projectadas de faces iluminadas sombras de sombras medos lumes sonhos mundos cheios de pequenos nadas
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EPÍLOGO
Por detrás das linhas que escrevo estou também eu eu, a sós comigo eu, que não consigo um poema único como o teu eu, que nem me atrevo a olhar para trás e só de olhar, qual Orfeu, rasgar os versos que fui sendo capaz de me inventar e mesmo assim incapaz de me transportar a um outro lugar onde eu seja eu um outro eu eu, para além de mim.
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