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Largo de São Frei Pedro Gonçalves

Figura 44 – Palhaçada. Bonecos criados através do reaproveitamento de materiais | Largo de São Frei Pedro Gonçalves

Fonte: Arquivo pessoal, 16/12/2018.

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CAPÍTULO 3 | PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3.1. Definição do tema

O estudo iniciou com um aporte voltado para a requalificação de bens imóveis de valor cultural com adequação para tipologia habitacional com a premissa de atender aos interesses de movimentos sociais e moradores informais do prédio objeto de estudo, entregando o produto do projeto de intervenção e restauro de um imóvel. O decorrer da pesquisa, no entanto, apresentou as complexidades de se entender o que é viver em uma ocupação e abriu caminhos para a discussão mais aprofundada sobre o tema, intencionando a expansão deste conhecimento através de vivências em ocupações, para integrar projetos futuros, passando assim a assimilar o tema de direito à cidade. 3.2. Pesquisa bibliográfica

Para o embasamento teórico, foram feitos levantamentos bibliográficos em livros, trabalhos acadêmicos, arquivos, bases de dados, publicações e debates40 com os temas relacionados, buscando conhecer aspectos da área de abordagem defendidos por teóricos e estudiosos do tema.

3.3. Estudos de caso

Os estudos de caso buscaram centrar e relacionar o tema com realidades incluídas na área estudada, buscando exemplificar as dificuldades e possibilidades já encontradas no cenário de abordagem, além de discutir os instrumentos e programas relacionados à assistência e provisão

40 Seminário Paraibano de Política Urbana (SPPU) que ocorreu durante os dias 19 e 20 de novembro de 2018.

habitacional,

ao desenvolvimento da função social da propriedade.

3.4. Pesquisa de campo

Com orientação do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos - MTD e pesquisas realizadas na etapa bibliográfica, foram traçadas rotas de visita para localização e registro dos imóveis com experiências41

de ocupação da poligonal de tombamento do IPHAEP, para construção do mapa de ocupações apresentado no volume deste trabalho. A escolha do recorte de estudo foi orientada por esta poligonal, uma vez que apresenta grande concentração de imóveis de valor cultural - protegidos por este órgão –em estado de abandono, embora as visitas de campo tenham acontecido também em outros assentamentos devido ao envolvimento com o MTD. Durante o andamento da pesquisa foi pensada a limitação do recorte para percorrer a poligonal de preservação do IPHAN, uma vez que esta se figura como uma área menor que a de proteção estadual, tornando assim mais viável para ser percorrida e

41 termo “experiências de ocupação” foi adotado para envolver situações atuais e passadas desta ocorrência. analisada - dentro do tempo estipulado pelo cronograma de atividades42

desenvolvido. No entanto, por se tratar de uma área menor, também envolveria uma amostragem menor de situações de ocupação, o que levou a retomada do recorte inicial. Sendo assim, embora não seja precisa a identificação em totalidade43 das ocupações desta delimitação, o estudo contribuiu na indicação e reconhecimento dessas invisibilidades, além de, através de uma amostragem de ocupações deste

recorte, descreveu e ilustrou

estas experiências com registros fotográficos e conversas informais (registradas por meio de anotações ou aparelho celular) com residentes e usuários da localidade que se propuseram a trocar informações. A pesquisa de campo, portanto, se orientou em duas etapas: (1) uma pelo acompanhamento de atividades do MTD, onde foram feitas as visitas a imóveis e terrenos ocupados, dentro e fora do perímetro da área estuda, na intenção de conhecer sua atuação e a diversidade de assentamentos assistidos pelo Movimento, (2) e uma segunda que percorre a poligonal de preservação estadual para o

42 Ver apêndice 01. 43 Devido à extensão do recorte e imprecisão de algumas suspeitas de ocupações.

mapeamento das ocupações existentes, suspeitas de imóveis ocupados e imóveis que já passaram por esta experiência44. Nesta etapa, foram encontradas dificuldades de registro de alguns imóveis, uma vez que a presença de terceiros poderia representar uma ameaça ou constrangimento para os moradores dos imóveis, o que também refletiu na reciprocidade da situação. Ainda, muitos imóveis que levantaram suspeitas de ocupação, e que, no entanto, não puderam ser confirmadas, foram desconsiderados no somatório da análise devido a existência de muitos cortiços45 na cidade que podem ser facilmente confundidos, mas que, no entanto, não são considerados ocupações.

3.5. Análise

e sistematização dados coletados dos

Em posse do material coletado e experiências percorridas, os dados foram analisados e conformados orientados pela estrutura do trabalho em texto, fotos e esquemas ilustrativos para apreensão do seu conteúdo. Os esquemas foram concebidos através dos programas Illustrator e Photoshop. O mapa entregue como produto deste, foi produzido através dos programas Autocad e Illustrator. Seguem ainda, fichas46 contendo a situação dos imóveis levantados, com numerações relacionadas às respectivas

localizações no mapa.

Por questões éticas e políticas, os nomes de todos os moradores das Ocupações, assim como os de seus apoiadores, foram omitidos.

3.6. Produção de vídeo ilustrativo

Com a intenção de aproximar as vivências e experiências levantadas

durante o trabalho,

os registros imagéticos foram interpretados para a elaboração de um vídeo ilustrativo, buscando completar, assim, a intensidade de percorrer os imóveis estudados.

44 A indicação dos imóveis que já passaram pela experiência de ocupação tem como base registros feitos através de trabalhos e matérias publicados, além de relatos de militantes de diferentes movimentos sociais e moradores da região. 45 Habitação(ões) coletiva(s) muito pobre(s). 46 Apêndice 04.

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