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SGSA no processo de armazém e distribuição de alimentos | revista iqualy | 3ª edição

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REVISTA DIGITAL

Número 3 2020

SGSA NO PROCESSO DE


Redação: Carla Otsuki e Luciana Heredia Revisão: Denise Campos Todos os direitos do conteúdo reservados a iqualy.


_ SGSA no processo armazenagem e distribuição de alimentos


SGSA no processo de Armazenagem e Distribuição de Alimentos

alhas no armazenamento de produtos alimentícios, colocam em risco a segurança do produto e fazem com que toda a

dedicação

e

empenho

da

equipe

de

fabricação

seja

desperdiçada. Quem nunca passou pela situação de comprar um sorvete e ao abri-lo, visualizar cristais de gelo envolto do produto? Ou ainda, verificar nas gôndolas dos mercados pacotes de farinhas de trigo furados, latas ou caixinhas de produtos amassados? E a quem irá a reclamação sobre os mesmos? Ao fabricante! Infelizmente, temos a impressão de que apenas o fabricante falha mas ao abrangermos a cadeia de distribuição, desde a logística do produto que sai de uma fábrica até chegar ao destino, há várias etapas envolvidas, como armazenamento e transporte.

01


A segurança de alimentos não depende apenas de um ponto isolado. Há vários processos envolvidos e todos são fundamentais na cadeia produtiva para garantir um produto seguro até o seu consumo. Um tratamento térmico realizado de maneira adequada na Indústria de processamento de leite UHT pode ser um recurso perdido caso haja na etapa de armazenagem falta de cuidados e controles. Se houver armazenamento inadequado, como danos nas caixas, poderá ocorrer micro furos nas embalagens e possível contaminação ao produto. Este é só um exemplo entre tantos outros que podem ocorrer em um processo de Armazenagem e Distribuição com impacto à segurança dos produtos. No Brasil houve caso de recall de produtos alimentícios devido à má armazenagem, sendo os mesmos distribuídos ao consumidor. É possível afirmar que o processo de Armazenagem e Distribuição pode inativar todo o esforço da indústria em produzir um alimento seguro caso não seja adequado. Por isto, este elo requer muita atenção. Um Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos implementado é fundamental para garantir que a segurança do alimento seja mantida durante este processo. A ISO/TS22002-5 estabelece os Programas de Pré-requisitos para Organizações com escopo de Armazenamento e Distribuição. Esta norma faz parte dos critérios do esquema de certificação FSSC22000. A mesma ISO descreve requisitos mínimos para o estabelecimento dos Programas de Pré-Requisitos, tais como Instalações , Equipamentos, Gestão

de

materiais

e

serviços,

Operações

de

transporte

e

armazenamento, Higiene, Identificação dos materiais, Recolhimento/ Recall e Salvaguarda dos Bens.

Carla Otsuki e Luciana Heredia

02


ENTREVISTA

ELO Armazém e Distribuição Os armazéns desempenham um papel fundamental nos sistemas de gestão da qualidade. Para compreender mais sobre e entender o diálogo, vamos conversar com a Nanci H. Ohata Santana, Diretora Executiva da fermentech.

Nanci H. Ohata Santana, Diretora Executiva da fermentech.


O que levou a Fermentech a buscar uma certificação reconhecida pelo GFSI? A Fermentech sempre teve como meta e propósito a busca constante por melhoria, oferecendo maior segurança e qualidade nos serviços oferecidos aos nossos clientes. Diante de inúmeras certificações existentes no mercado, optamos por uma com foco principal à Segurança de Alimentos, a FSSC 22000. Certificação com expressivo reconhecimento no mercado.

Quais os maiores desafios enfrentados? (Pessoas, infraestrutura) O processo de certificação é difícil, trabalhoso. Requer inúmeros investimentos em infraestrutura para adequação às exigências das normas e principalmente treinamento das pessoas envolvidas na organização. Os dois pontos foram desafiadores, investimentos em

equipamentos,

novas

instalações

e

principalmente

treinamento com o pessoal para se adequarem aos novos procedimentos. Acreditamos que o treinamento com as pessoas é o maior desafio, pois elas são as responsáveis pelo resultado positivo das operações, obedecendo os procedimentos e requisitos da certificação.

Este

processo

é

continuo.

Treinamento

é

fundamental para o nosso dia, reciclando os procedimentos com nossos funcionários, procurando manter a operação segura.

04


Qual a contribuição da certificação FSSC 22000 para a Fermentech? Está sendo positiva, principalmente por termos maior segurança nas

nossas

operações

que

resultam

em

excelência

no

atendimento aos nossos clientes, melhorando nossa imagem no mercado. Todo segmento de alimentos está investindo em Segurança de Alimentos. Uma exigência dos consumidores e cadeia de distribuição,

e

no

caso

no

desenvolvimento

de

novos

fornecedores, buscam-se empresas certificadas. Temos observado que ao comunicar nossa Certificação, novas oportunidades

surgem

e

o

mais

importante

fortalecendo nossa imagem junto aos nossos clientes.

05

para

nós,


ENTREVISTA

ELO Certificadora A DNV GL foi um dos primeiros Organismos de Certificação no Brasil licenciados pelo FSSC22000 para o escopo "Provisão de Serviços de Transporte e Armazenamento".

Juliani Arimura Food&Beverage Manager na DNV GL - Business Assurance

06


A demanda ainda é baixa. Globalmente são apenas 206 empresas certificadas no escopo GI e GII, no total de 38575 certificados FSSC. Para o Brasil, na última listagem do site da FSSC apenas 2 empresas foram certificadas, justamente clientes da DNV GL. Entretanto,

acredito

que

a

exigência

pela

Certificação

em

Armazenamento e Transporte tende a crescer, visto que a demanda para a Segurança de Alimentos aplica-se a toda a cadeia de fornecimento.

Além do FSSC há outros esquemas de Certificação que abrangem o serviço de Transporte e Armazenamento? Quais? Há empresas certificadas no Brasil com outros esquemas de Certificação?

Há as normas BRC Storage & Distribution, IFS Logistics e para alimentação animal, GMP+B3 (Estocagem) e GMP+B4 (transporte). Esta última está sendo, requerida recentemente, às empresas brasileiras, e a partir de 2021 deverão buscar a Certificação. Quais passos para obter a Certificação? E a Certificação multi-site? Como para todos os esquemas de Certificação, a Organização deve se preparar para atender aos Requisitos Normativos. Neste caso seriam as normas ISO 22000:2018; NTA 8059 e documentos do FSSC 22000 disponíveis no site da Fundação. Para

a

adequação

as

empresas

buscam

treinamentos

para

interpretação das normas e também o suporte de consultorias especializadas para auxiliá-los na implementação. Antes de solicitar a Auditoria de Certificação a empresa deve conduzir sua auditoria interna e também pode solicitar uma pré auditoria, para assegurar que está atendendo a todos os requisitos aplicáveis.

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Quanto à Certificação Multi-Site, ela é permitida apenas para as categorias A (criação de animais), B (produção primária de frutas e vegetais), E (Catering), F (Distribuição) e G (Transporte e Estocagem) da FSSC, e para organizações com mais de 20 sites. Além disso, a organização deve cumprir com os seguintes requisitos: - todas as unidades devem operar de um único e centralizado Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos; - as auditorias internas devem cobrir todos os sites, antes da certificação e anualmente, após a certificação; - as auditorias internas devem cobrir todos os requisitos da norma; - todos os apontamentos de auditorias dos sites individuais devem ser considerados como indicativos para todo o Sistema de Gestão e as ações corretivas devem avaliar a abrangência a todos os sites.

08

08


Existe algum "case" nacional ou internacional vivenciado pela DNV que gostariam de compartilhar? Temos dois clientes certificados, a Fermentech e Brentag. Sugiro contatar

as

empresas

compartilhados,

devido

para à

Lei

solicitar de

se

Proteção

poderiam de

Dados

ser e

Informações.

Há alguma particularidade para qualificação de auditores a esta categoria de escopo? A qualificação de auditores seguem os mesmos critérios de aprovação, treinamentos específicos para as normas ISO 22000, requisitos FSSC 22000, Food Fraud, Food Defense, além de exames no esquema FSSC, exame na categoria e auditorias testemunhas para a aprovação e manutenção da qualificação.

O fabricante é responsável por abordar esses fatores na avaliação de riscos e, em todas as etapas incluindo manufatura, manuseio, armazenamento, uso e reabastecimento.

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ENTREVISTAS

ELO Auditor e Consultor GISELLE MUTTI CAPIOTTO Consultora em Sistemas de Gestão da Segurança dos Alimentos e Qualidade na GMC Consultoria Auditoria e Gestão

JOÃO CAMILO SARDINHA Diretor da APS Qualidade Ltda (Consultoria, Treinamento, Auditoria)

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ENTREVISTA COM Giselle Mutti Capiotto

Qual foi o desafio na implementação de um SGSA na categoria Armazém & Distribuição. Optar por implementar e certificar uma organização no esquema de certificação FSSC 22000 demonstra publicamente a preocupação da empresa em atender os requisitos dos clientes e os requisitos expressos pela legislação, além dos requisitos determinados pela gestão de organização e os requisitos próprios de certificação FSSC 22000. Sim, são muitos requisitos a serem atendidos! O desafio torna-se ainda maior quando é a primeira empresa a ser certificada no escopo Armazém & Distribuição no Brasil. Uma das formas para atingir um alto padrão de qualidade e confiabilidade, especialmente em alimentos, é a implantação de Programas de “Segurança de Alimentos”, como o programa de Boas Práticas Distribuição (BPD) e a Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). Estes programas têm como principal objetivo garantir que o alimento fornecido ao consumo não causará danos à saúde do consumidor. Além da adoção de Programas de Prevenção de contaminantes no processo/produto,

como

os

já

citados,

é

necessário

um

gerenciamento eficaz de planejamento, execução, somados à checagem e melhoria das atividades de um Sistema de Gestão da Segurança dos Alimentos. E aí surge a FSSC 22.000 para o escopo de Armazém & Distribuição.

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A certificação ao FSSC 22.000 reúne 3 padrões normativos que devem ser cumpridos para o seu pleno atendimento: a norma ISO 22.000, que estabelece os requisitos do Sistema de Gestão da Segurança dos Alimentos, juntamente com o método APPCC; a especificação FSSC, publicada pela fundação que gerencia a FSSC, nomeada FFSC (Foundation for Food Safety Certification) e traz requisitos relacionados a novos controles e tendências em Segurança dos Alimentos; a especificação técnica que define o programa de boas práticas de distribuição ISO/TS 22002-5. Com o escopo de Armazém & Distribuição, os pontos chave encontram-se no rígido controle de rastreabilidade; controles de ambiente como armazéns secos e refrigerados; gestão de alergênicos; controle da distribuição independente do modal escolhido e, o comprometimento da Alta Direção da Empresa. Tratando-se de um novo processo, para consultores e empresas, tivemos o desafio de analisar a estrutura predial e seus fluxos, organizando layout e acessos; implementação de BPD coerente com o padrão normativo; elaboração do estudo APPCC, considerando todo o fluxo de recebimento, armazenamento e distribuição; e,

adoção dos elementos de gestão previstos na

ISO22000. A integração dos requisitos do SGSA junto aos colaboradores foi intensa, visando que todos os conceitos fossem praticados de forma integrada.

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A primeira auditoria interna revelou pontos a serem fixados de forma mais sólida e com empenho e as não conformidades foram sanadas. Na auditoria de certificação (estágios 1 e 2) não houve nenhum apontamento crítico ou maior identificado, e em dezembro de 2018, foi obtido o resultado: certificação FSSC 22000 para o escopo Armazém & Distribuição. Mas, muito além de demonstrar que os diversos requisitos são cumpridos, é fundamental que estes requisitos estejam aderidos às atividades e práticas de toda a empresa, desde a Alta Direção até a Operação. A consciência para a Segurança dos Alimentos é expressa em todas as condutas que envolvam a tomada de decisões pela organização, criando um ambiente de cultura para a promoção da Segurança de Alimentos, incluindo fornecedores, colaboradores, os diversos prestadores de serviços, e assim, movimentando a sociedade para caminhar no sentido de melhorias na cadeia produtiva de alimentos como um todo! É a somatória de esforços de todos os elos desta cadeia que garante um alimento seguro ao consumidor!

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ENTREVISTA COM João Camilo Sardinha Embora o foco da norma ISOTS22002-5 seja Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos, observamos que existem alguns requisitos da Norma que estão relacionados com o manuseio de produtos perigosos, como por exemplo o item 4.6.3.3 sobre gestão de resíduos, incluindo resíduos considerados substâncias perigosas e o requisito 4.7 sobre identificação de alertas de substâncias perigosas. O item 3.8 define Substância perigosa como “sólido, líquido ou gás que seja radioativo, inflamável, explosivo, corrosivo, oxidante, asfixiante, patogênicos ou alergênicos, incluindo, mas não restritos a, detergentes, desinfetantes, produtos químicos para controle de pragas, lubrificantes, tintas, auxiliares de processamento e aditivos bioquímicos, que, se usados ou manipulados incorretamente ou em aumento de dosagem, pode causar danos ao manipulador e/ou ao consumidor.”

Na sua opinião, quais orientações básicas relevantes o armazém e distribuidor de produtos alimentícios precisa ter para o atendimento a estes requisitos? A gestão de substâncias perigosas é realmente um tema que merece uma atenção específica. Não apenas pelas consequências de uma eventual contaminação, mas também pela enorme diversidade de substâncias desse tipo que podemos encontrar nas empresas. Se considerarmos apenas os produtos químicos, estima-se que a cada ano são lançados entre 1.000 e 3.000 novos produtos químicos no mercado. As informações de segurança desses produtos muitas vezes não acompanham a velocidade de seus lançamentos.

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Temos legislação sobre produtos perigosos e devemos utilizá-las para nos auxiliar. Em relação à Gestão de Resíduos Perigosos (4.6.3.3), temos a norma NBR 12235 que estabelece os critérios para um correto armazenamento. De forma mais ampla, a Lei 12.305 de 02/08/2010, que estabeleceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, requer que as empresas possuam um Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos – PGRS, o qual determinará os controles específicos para cada tipo de resíduo na empresa. Mas quando falamos de substâncias perigosas, sejam elas presentes em produtos ou resíduos, um fator essencial é a “informação”. A disponibilização de informações para as pessoas envolvidas nos processos é fundamental para se reduzir os riscos de uma eventual contaminação, tanto a delas próprias como aos produtos. Novamente podemos buscar a legislação para nos auxiliar. A Norma Regulamentadora NR-26 – Sinalização de Segurança, estabelece a necessidade de rotulagem específica e de Fichas de Informação de Segurança de Produtos Químicos – FISPQ, para todos os produtos químicos comercializados. Uma primeira medida essencial para a gestão de substâncias perigosas é o acesso e a avaliação das informações contidas nas FISPQs de todos os produtos químicos presentes na empresa, sejam eles produtos a serem armazenados e transportados ou aqueles para consumo próprio em suas atividades. Conhecendo as características de cada produto (inflamável, corrosivo, etc.) poderemos saber que cuidados específicos deveremos ter em relação ao mesmo. 15


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Mas esta informação precisa chegar a quem manuseia ou tem contato com os produtos. Uma rotulagem padronizada, como as definidas pelas normas NBR 14725 Parte 3 para produtos químicos e NBR 16725 para resíduos, auxilia a comunicação de forma clara e muito objetiva. Informações como sinalizações adicionais nas embalagens ou nas áreas de armazenamento e uso, por meio de frases, pictogramas ou uso de cores, também devem ser utilizadas. Quanto mais informação deixarmos disponível, em formato e linguagem adequados, menores serão os riscos de contaminações não intencionais. Por fim, treinamentos e reciclagens periódicas sobre essas identificações e sobre os riscos associados às substâncias presentes na empresa, contribuirão para uma efetiva Gestão de Substâncias Perigosas.

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AGRADECIMENTOS Nanci H. Ohata Diretora Executiva

Juliani Arimura Manager na DNV GL - Business Assurance

JoĂŁo Camilo Sardinha Diretor da APS

Gisele Mutti Capiotto Diretora da GMC Consultoria


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