Mundo Brasil Brasil do Século XXI
Cidade Espetáculo
Copa do Mundo 2014, Olimpíadas 2016 e teatralização dos conflitos
Mídia
Nos últimos anos, o Brasil tem vivido uma mudança na sua história. Pela primeira vez, o país combina de forma contínua: crescimento, redução da pobreza, redução das desigualdades e uma grande projeção internacional. O Brasil está na moda. O Brasil é o exemplo emergente. Esse grande sucesso faz com que o Brasil conquiste o direito de sediar os dois eventos esportivos mais importantes do mundo: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. O Rio de Janeiro se torna o centro desse espetáculo mundial. O processo de “devir mundo do Brasil” começou na década de 1990, com sua abertura para a chamada globalização. A abertura prometia maravilhas, modernização, maior competitividade, maior eficiência e maior bem-estar para todos. O livre mercado se encarregaria de tudo. O Brasil segue os Estados Unidos e passa a participar mais ativamente em diversas instâncias internacionais. No entanto, assim como em vários países da América Latina, no início dos anos 2000 já tinha ficado claro que o neoliberalismo não tinha entregado o que prometia. Havia aumentado a desigualdade e a pobreza.
Concentação de poder
A concentração de poder em torno de poucos grupos financeiros que detêm os maiores meios de comunicação exerce uma coesão no discurso midiatico. Numa mesma construção de conceitos, a "grande mídia" cria o contexto de consenso e "legitimidade" das operações policiais como operações de guerra. Dentro de uma lógica da guerra, o inimigo (o outro) pode e deve ser abatido pelo soldado do exército. Impera um discurso dicotômico entre o bem e o mal, semelhante ao já reiterado discurso da "guerra ao terror".
Tropa de Elite
Crime Organizado Internacional Tráfico de Drogas & Tráfico de Armas
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Milícias
As milícias são constituídas por forças de agentes ou ex-agentes públicos de segurança que expulsam os traficantes de uma comunidade e passam a controlar essa comunidade. No lugar do tráfico de drogas, elas tiram seu lucro da cobrança de serviços nas comunidades, como TV a cabo ilegal, as vans, o gás, etc., além de cobrar para oferecer segurança. Esses grupos impõem uma forte opressão no local, impondo toques de recolher, ameaçando e executando. Foram criadas há mais de uma década e se expandiram de forma muito rápida, controlando hoje territórios de favelas maiores que os das facções do crime organizado.
Traficante
Ponta do sistema de venda de drogas no atacado
Os traficantes das favelas são a ponta de um sistema que ninguém sabe onde termina. Os que mais ganham com o tráfico, os que estão por trás de todo o sistema, com certeza não moram nas favelas. Novamente aposta-se que o criminoso corporifica o crime. Então invade-se a área onde criminosos faziam seus negócios - "comerciantes" como diz Mano Brown - e se acredita que a ocupação se dá sobre a área do crime, não do criminoso. O crime será eliminado da esfera social à medida que o criminoso é eliminado da esfera geográfica?
Diante de um discurso perpetuado pela mídia da guerra do bem (representado pelas forças policiais espetaculares como o BOPE) contra o mal (representado pelo terror à figura do traficante negro jovem pobre) temos o apagamento, a invisibilidade da feroz disputa pela hegemonia no cenário geopolítico do crime. Diante deste Estado Policial que traz à luz certos crimes e põe na escuridão outros, nos perguntamos como se reconfiguram, submersos, os novos diagramas de forças do crime organizado na relação geopolítica. Para onde vão os traficantes expulsos dos seus controles locais? Quais os novos conchavos das grandes organizações criminosas? Como se restrutura a distribuição de drogas na zona sul? Alguém acredita que os consumidores pararam de consumir?
Policia Militar A policia que mais mata e mais morre no mundo
RACISMO POLICIAL. QUEM POLICIA A POLÍCIA? Cartazes colados em torno de batalhões em São Paulo. Frente 3 de Fevereiro, 2004. O que esperar de um país que mata sua população na idade mais ativa? E quem lucra com essas mortes? A indústria de armas, a indústria de fardas? Os cemitérios, as funerárias? E quem policia a polícia? E o que eu tenho a ver com isso? E o que você tem a ver com isso?
Elite policial
HAITI AQUI “Arquitetura da Exclusão” acontece como parte de um processo de investigação-ação criado pelos coletivos Frente 3 de Fevereiro e Afrofuturismo. Nesta produção audiovisual, propomos o questionamento sobre os muros, visíveis e invisíveis, que permeiam os centros urbanos. Uma bola gigante onde se lê “Haiti Aqui” foi disparadora de diálogo e encontro. O Haiti é Aqui? Em Ipanema e no Carnaval carioca, respostas revelam os territórios da nossa visão histórica.
A polícia militar brasileira surge como uma tentativa republicana de monopólio da violência pelo Estado. Entretanto, é constituida com base em valores escravocratas e coloniais. Perpetua a figura do Capitão do Mato a capturar escravos negros. Os batalhões espalham-se nas áreas pobres, nas periferias, não para proteger a população mas para controlar. Mal pagos e mal preparados, os policias são jogados também na lógica da guerra. Corrupção, violência e arbitrariedade marcam a atuação da PM em toda federação.
Guerra geopolítica pela hegemonia do tráfico
Bope
O acirramento dos confrontos, a corrupção policial e a dificuldade de “combater” na geografia dos morros e dos barracos das favelas levou a polícia do Rio de Janeiro a desenvolver uma tecnologia de combate especializado de alto nível. Desenvolvemos imensa tecnologia de controle de massas populacionais pobres (CMPB), a ponto de exportarmos nosssa tecnologia. Nos tornamos referências mundiais em guerra contra a sua população.
Grupos paramilitares que disputam o monopólio da violência
Delírio Fascista
HAITI AQUI A primeira intervenção no muro da favela Santa Marta. Foi pintado um buraco. Parte da investigação-ação do projeto “Arquitetura da Exclusão”.
“Suspeito Cor Padrão”
Estereótipo do criminoso jovem, pobre e preto
A herança escravocrata no Brasil, a história da nossa polícia e a história do racismo no país faz com que o principal alvo da polícia seja o sujeito “suspeito de cor padrão”: jovens, negros, pobres e moradores da periferia. A abordagem policial é extremamente discriminitória nesse sentido.
Extermínio de Jovens
ZUMBI SOMOS NÓS Intervenção em estádio de futebol em jogo transmitido ao vivo. A afirmação de novas possibilidades de futuro com a resignificação do passado. A conexão com a potência de transformação do mundo. A alegria da criação, ação e reflexão. Zumbi somos nós! São Paulo, 2006.
Coleção Urgência
A lógica da guerra na atuação policial e a identificação do estereótipo do suspeito e do traficante, marcada pelo racismo, fazem com que a polícia que mais mata no mundo provoque um verdadeiro extermínio de jovens negros e pobres do país. A grande maioria das pessoas assassinadas pela polícia segue esse perfil, de forma desproporcional em relação às características das pessoas que cometem a maioria dos crimes. A “resistência seguida de morte” é o motivo da morte da maioria das vítimas da polícia e esconde as verdadeiras condições nas quais essas mortes ocorreram. Equipamentos como o “Caveirão” (ao lado), espécie de tanque de guerra utilizado nas operações policiais do Rio de Janeiro, é um exemplo da lógica da guerra e do extermínio que domina a segurança pública.
Como inventamos nosso futuro?
Os buracos, as rachaduras, as fendas dos muros criadas pelas manifestações de vida. Finito ilimitado de novas formas de viver. Explosões na estrada sem-saída. Não está tudo dominado.
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Brasil! Copa do Mundo 2014! Olimpíadas 2016! Todos desejam ser platéia ao vivo e a cores no incrível espetáculo global. Ser centro do mundo. Ser cenário das disputas de todos os guerreiros de todas as nações do universo. Ser o teatro do mundo. Abrem-se as cortinas vermelhas. Acendem-se as luzes. A luta por se afirmar como sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo, Olimpíadas e Copa do Mundo de Futebol, vai além da visibilidade midiática e da pretensa alavanca econômica. Existe, além desta superfície, o essencial papel de direção deste teatro de forças. Coordenar estes eventos é estar num lugar privilegiado de articulação dos fios da disputa geopolítica. Entretanto, a condição primeira: deve-se apagar qualquer possibilidade de desvio de atenção do espetáculo. Atualmente, nas capitais brasileiras que sediarão os eventos, vive-se uma guerra para apagar os conflitos sociais. Movimentos sociais são criminalizados. A crimilidade é deslocada para longe do alcance das câmeras. Nesta dinâmica, a Mídia tem um papel fundamental. Quais crimes são visibilizados e quais são invisibilizados?
Em 2007, estreiou o filme “Tropa de Elite”, que tratava da questão do combate ao tráfico no Rio de Janeiro e da atuação do BOPE. O filme foi um grande sucesso e gerou um intenso debate. A identificação do personagem principal, o Capitão Nascimento, como um herói evidencia um delírio fascista: tortura e extermínio. A sequência do filme, “Tropa de Elite 2” decidiu abordar a questão da milícias e se tornou a maior bilheteria de do cinema brasileiro.
O Rio de Janeiro é um ponto central da rede de distribuição internacional de drogas. Na cidade, as máfias do mundo negociam e definem o preço internacional da cocaína. Durante a ditadura militar, nas favelas, onde o Estado se ausentava, alguns ladrões começaram a ver no tráfico de drogas uma oportunidade de ganhos maiores do que estavam acostumados. Com o tempo, os traficantes começaram a se armar para defender e ampliar seus territórios. Seus concorrentes, por sua vez, também buscavam se armar para se defender. A polícia também aparelhou-se de armas mais potentes. A disputa entre eles gera um estado de guerra. A lógica da guerra e do extermínio passa a dominar a política de segurança pública. Os moradores da favela são vistos como a população civil do exército inimigo. O tráfico de armas, a lavagem de dinheiro, o envolvimento do Estado, a política habitacional, as políticas de emprego, tudo fica por trás das cortinas de fumaça dos tiroteios. Toda essa corrida armamentista só é possível graças ao acesso fácil a armas. Quem vende essas armas? Quem lucra com esse tráfico? Os traficantes de armas moram nas favelas? É possível o crime organizado sem a conivência do Estado?
ISBN 978-85-66129-04-5
Baixe a cartografia “Mundo Brasil, Brasil Mundo”, o livro “Zumbi Somos Nós – Cartografia do Racismo para o Jovem Urbano” e o álbum musical “Zumbi Somos Nós – Diáspora Afronética” em
www.frente3defevereiro.com.br
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ONU
Disputa Geopolítica
Uma das facetas da disputa por um protagonismo brasileiro na política internacional nos anos "Lula" foi a procura por um papel principal do Brasil na "estabilização do Haiti". Em 2004, o presidente democraticamente eleito do Haiti, Jean-Bertrand Aristide, foi retirado do país por forças militares dos EUA. O Conselho de Segurança da ONU cria, então, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).
UPPs na Zona Sul
Criadas em 2008, as UPPs são o centro de uma nova política de segurança pública. Trata-se de um projeto do Rio de Janeiro para a ocupação policial permanente em favelas, com o objetivo de retomar o controle do território das mãos do tráfico de drogas. As operações contam com grande força militar, com o objetivo de fazer os traficantes desistirem do confronto. Primeiro, "o BOPE varre a comunidade". Expulsos os traficantes, a comunidade então passa a conviver com o policiamento ostensivo constante. O treinamento das UPPs consiste em 2 semanas com o BOPE e uma semana de curso de polícia comunitária. O policiamento é feito com armamento de guerra. A origem deste projeto está nos Proyectos Urbanos Integrales (PUI), ocupações militares nas favelas de Medellín, na Colômbia.
Visíveis e Invisíveis
A história do Brasil sempre se encontra com muros. Muros invisíveis que tornaram o país um dos mais desiguais do mundo. Muros que pareciam estar desmoronando. No entanto, novamente nos deparamos com um muro. Este muro visível vem com a roupagem nova da proteção ambiental. O governo do estado do Rio de Janeiro anunciou a criação de muros para conter o avanço de 19 favelas, supostamente para proteger a vegetação remanescente nos morros. Das áreas da cidade construídas acima de 100 metros, 70% são ocupadas pela classe media e 30% por favelas. É a partir desta trama de muros visíveis e invisíveis, voluntários e involuntários, que os conflitos da Cidade Espetáculo se revelam novamente. Os muros de mais de 4 metros de altura reiteram uma política repressiva. Novamente erguemse barreiras para contenção de populações. Arquiteturas da exclusão. Mas continua, por toda parte, a luta para derrubar os muros concretos. Aos muros imateriais incita-se uma ruptura. Uma ruptura com o que vigora, com o que domina, com a voz eloquente do mundo.
Sistema Prisional
A lógica da punição e do encarceramento em massa
Outro elemento do ciclo do Estado Policial é o sistema prisional. A lógica do proibicionismo e da punição ao criminoso gera leis cada vez mais duras como única resposta possível ao aumento do crime. A proibição em si nunca é posta em questão. Formas alternativas de justiça também não. A legislação proíbe o uso e a comercialização de certas substâncias enquanto permite outras, tão ou mais nocivas quanto as proibidas. As leis proibicionistas, o desejo de punição e castigo e a lógica da guerra ao crime levam a uma mesma consequência: o aumento do encarceramento. A grande maioria das pessoas nas prisões não cometeu crime violento. As prisões não servem para reabilitar, apenas para punir e gerar sujeitos mais perigosos. Quanto mais criminosos, maior a legitimação do Estado Policial. Novamente, todas essas políticas incidem muito mais sobre as populações pobres e negras do que sobre o resto da sociedade. O racismo está presente em todas as etapas do sistema de justiça. A população carcerária no Brasil é de aproximadamente 500 mil indivíduos. Na última década este número cresceu mais 150%.
Colonização
África, Ásia, Oceania e América
No seio do processo colonial se deu o esmagamento de infinitas possibilidade de existência. A colonização marcou um triplo trauma nestes novos mundos: a violência da Inquisição; a violência da Escravidão e a violência da Extinção.
BRASIL NEGRO SALVE 14 de julho de 2005. Final da Taça Libertadores da América. São Paulo e Atlético Paranaense jogam a partida que decidirá o melhor time de futebol das Américas. No estádio lotado, mais de 75 mil pessoas assistem ao jogo. Em suas casas, milhões de espectadores olham a tela da TV. No meio da transmissão, uma bandeira gigante começa a ser aberta pela torcida. Uma frase se revela: BRASIL NEGRO SALVE. Por meio desta ação enigmática – que segue em uma série de três diferentes bandeiras – desenvolve-se o documentário do coletivo paulistano de pesquisa e ação artística, Frente 3 de Fevereiro. O filme ZUMBI SOMOS NÓS aborda a desconstrução dos preconceitos raciais no Brasil, buscando inscrever na vida cotidiana novas formas de existir.
Unidade de Polícia Pacificadora
Muros
ESQUINA DE MUNDOS Projeto criado para repensar a nossa história de colonização e suas implicações. Na África do Sul, uma criação sobre fronteiras e processos identitários.
Independência do Haiti
Primeira e única revolução escrava colonial a tomar o poder
Ataques Midiáticos de facções criminosas
Em novembro de 2010 no Rio de Janeiro, vimos o espetáculo midiático da invasão militar do Complexo do Alemão. O estopim da ocupação se deu a partir de ataques a ônibus, vans e carros de passeio no dia 21 de novembro, na Zona Sul da cidade. Um dos principais instrumentos de pressão utilizados pelas facções do crime organizado são os ataques na cidade. Da queima de ônibus ao ataque direto contra policiais, quando as facções querem chamar a atenção ou retaliar alguma ação da polícia, elas utilizam este meio.
Ocupação do Exército na Zona Norte
Invasão do Complexo do Alemão
O Complexo do Alemão é um complexo de favelas na zona norte do Rio de Janeiro, tido como a principal fortaleza do tráfico na cidade. Era controlado pelo Comando Vermelho e conhecido como um dos lugares mais perigosos da cidade. O Governo Federal já havia iniciado obras de infraestrutura social no local. Em novembro de 2010, o Governo do Estado, que já tinha planos de implantar uma UPP no Complexo do Alemão, aproveitou o ambiente favorável na opinião pública, gerado pelos ataques midiáticos das facções criminosas, para levar a cabo a ocupação. O Governo do Estado, juntamente com forças militares disponibilizadas pelo Governo Federal, invadiu os acessos do Complexo do Alemão. Em números oficiais, 37 pessoas foram mortas em decorrência da ocupação, 123 acusadas e 130 presas. A apreensão de armas e explosivos engrossava os números da polícia. Cerca de 102 veículos foram incendiados. Pela TV era possível ver os traficantes fugindo ao vivo. Repórteres vestiam coletes à prova de balas e narravam na emoção do front. O Secretário de Segurança se referia à região como "o coração do mal". Ao final, os principais telejornais anunciavam "a vitória contra o crime". Entrevistas exibiam moradores aterrorizados. Montava-se o discurso de libertação da garras do tráfico. A operação de ocupação do Complexo do Alemão teve a retaguarda do Exército. Carros tanques, soldados camuflados e armamento pesado foram utilizados para convencer os traficantes de que não havia possibilidade de resistirem. Tinham seu papel no espetáculo midiático. Ao contrário da favelas da zona sul da cidade, o Complexo teve, inicialmente, o controle e policiamento da Forças Armadas. No momento estão sendo implementadas as UPPs previstas para a região.
Em 1804 acontece a primeira revolução escrava. A primeira independência nas colônias da América Latina. Uma vitória negra. Um tempo de esperança. A esperança de uma nação forjada na luta pela liberdade. O “haitianismo”, medo de uma grande revolta escrava, espalha-se pelas colônias espanholas e portuguesas. No Rio de Janeiro, a cidade mais negra do continente, esse medo é sentido com força. Como manter a ordem? Como manter o controle de uma maioria por uma minoria? O futuro do Haiti começa a ser bloqueado em 1825 com a imposição, por parte da França, de uma compensação pela perda de seus escravos. A dívida se estenderá até 1947. Em 1915, os EUA ocupam militarmente o país e permanencem até 1934, treinando uma força militar haitiana que reprimiu brutalmente todo movimento de resistência. Esses militares se revezam no poder após a saída das forças norteamericanas. De 1957 a 1986, os ditadores Papa Doc e Baby Doc controlam o país com sua milícia, aterrorizando todos que se opõem. Após um ano de fortes protestos populares, Baby Doc é forçado a se exilar na França. Em 1990 Jean-Bertrand Aristide é eleito presidente com 67% dos votos. A mobilização popular impede uma primeira tentativa de golpe, mas uma segunda tentativa acaba instalando uma nova ditadura militar, menos de um ano depois da eleição. Os partidários de Aristide são perseguidos. Em 1995, é eleito René Préval, successor de Aristide. Aristide volta ao poder em 2000. Em 2010 um terremoto destrói mais de 80% das construções da capital Porto Príncipe. Estima-se mais de 200 mil mortos.
Minustah
Militares brasileiros no Haiti
O Brasil se dispôs a assumir a coordenação da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti). O Brasil é o pais com o maior contingente de tropas e é o detentor do comando militar da Missão. Um dos objetivos da Minustah é o de pacificar e desarmar os grupos rebeldes no Haiti, que se localizam nas grande favelas do país. Antes de partir para a Missão, os soldados brasileiros fizeram treinamento no BOPE, para aprender a combater em favelas.
Tropas “Haitianas” Exército - Tropas do Haiti
Dos soldados do Exército que ocupam e fazem o policiamento do Complexo do Alemão, grande parte passou pela Minustah no Haiti. 700 dos cerca de 2000 soldados já estiveram apontando armas para os haitianos. A justificativa deste uso é o "aprendizado das tropas em conflitos urbanos".
Como inventamos nosso passado?
Brasil Mundo Procuramos exceções à regra histórica. Dar chances à multiplicidade.
Cartografia criada pela Frente 3 de Fevereiro e Afrofuturismo em outubro de 2011. Neste projeto, Daniel Lima e Felipe Teixeira. Desenhos: Daniel Lima. Fotos: Peetssa, Cris Ribas e Frente 3 de Fevereiro. Frase título baseada no livro MundoBraz de Giuseppe Cocco.