O primeiro bloqueio econômico vivenciado pela Venezuela foi em 1902, quando o presidente Cipriano Castro se negou a pagar a dívida externa. Na ocasião, o vice Vicente Gomes, aplicou um golpe militar e a Venezuela viveu sua primeira ditadura. Após décadas de instabilidade, em 1945, um Golpe de Estado leva Rómulo Betancourt ao governo, chefiando uma junta civil-militar. Em 1947 é feita uma nova Constituição e, em 1948, é eleito Rómulo Gallegos, que tenta aumentar os royalties estatais sobre o petróleo e apressa a reforma agrária. É deposto no mesmo ano por um outro Golpe Militar, quando Marcos Pérez Jiménez lidera uma ditadura até 1958.
por Daniel Lima, Élida Lima e Felipe Teixeira
O que está se passando na Venezuela? Todos os dias os principais meios de petrolífero e de vulnerabilidades intrínsecas do processo revolucionário. As comunicação nacionais e internacionais falam da crise que se vive na contradições recentes num regime democrático que são cada vez mais Venezuela. Mas boa parte do que se ouve não é informação, é propaganda evidentes em operações eleitorais complexas e obscuras. De Hugo Chávez contra. A Venezuela possui o petróleo desejado pelos Estados Unidos e a à Nicolás Maduro, a revolução enfrenta dificuldades ainda maiores e o acirperspectiva política pouco desejável para o mundo neoliberal. Existe uma ramento da crise econômica nos dias atuais. A imigração de populações guerra não-convencional contra a Venezuela liderada pelos Estados Unidos, é histórica e a falta de integração da América Latina se reflete no fato da que cria efetivamente barreiras à condução de transações internacionais e ao imigração ser vista como um problema. acesso a bens de consumo de primeira necessidade. Por outro lado, a crise tem bases históricas e é também produto da alta dependência do sistema A morte
Venezuela antes dos Europeus
Em 1819, Bolívar liberta a Nova Granada e constitui a Grande Colômbia. Um projeto de uma grande nação para fazer frente aos poderes hegemônicos. Em 1824, Bolívar marcha ao sul para libertar o Peru e, em 1825, liberta a Bolívia, consolidando a Grã-Colômbia, da qual foi presidente até 1830. Seu território correspondia aos territórios das atuais repúblicas da Colômbia, Equador, Panamá, Venezuela, Bolívia, Peru e outros territórios que se tornariam parte do Brasil e Nicarágua. Rivalidades regionais levaram a um processo de fragmentação da Grã-Colômbia. José Antonio Páez, liderou um movimento separatista na Venezuela e, em 1831, um congresso constituinte proclamou e independência da Venezuela e o proclamou presidente da república.
Haiti e a libertação da América https://www.eltiempo.com/archivo/documento/CMS-7053307
NOU PAP OBEYI “Não vamos obedecer” (nou pap obeyi) é uma expressão que remonta à revolta escrava do Haiti que culminou na sua independência. É uma referência histórica de resistência da luta quilombola transcontinental. A multidão grita “não vamos obedecer” à ocupação estrangeira no Haiti. No Haiti, com o filme Não Vamos Obedecer, temos a primeira edição do Novas Diásporas em 2016.
Simón Bolívar
https://www.youtube.com/watch?v=FsphZ_te9-E
O libertador
Em 1816, Bolívar reinicia a luta pela independência. Alexandre Pétion, militar e presidente haitiano, lhe pede que, quando chegar à Venezuela, sua primeira ordem seja a Declaração dos Direitos do Homem e a libertação dos escravos. Novamente lhe entrega a “Espada Libertadora do Haiti”, com a qual Bolívar combateu na maioria das batalhas revolucionárias.
Abolição da Escravatura de 1821 a 1854
Bolívar decretou a abolição em 1815, mas sem sucesso. A abolição foi discutida em 1821 durante o Congresso de Cúcuta. Em 1853, Ezequiel Zamora, dono de escravos, participou dos debates sobre a lei da abolição da escravidão e propôs a entrega de terras produtivas para os escravos, pedido rejeitado pela maioria do Congresso. Em 1854, o Presidente Monagas, apesar da resistência dos latifundiários, decretou: "A escravidão na Venezuela é para sempre abolida". No pós-abolição, como em todas as colônias, os libertos acumularam dívidas com seus ex-proprietários, foram despejados de suas casas, expulsos das terras em que trabalhavam, sem a possibilidade de educação e inserção social.
Dependência do petróleo e crise econômica
1922 A descoberta
1943 Lei de Hidrocarbonetos
Em 1943, é aprovada a Lei de Hidrocarbonetos, que estabelece uma divisão 50/50 dos recursos do petróleo, dividindo a riqueza entre o governo venezuelano e as empresas estrangeiras.
1960 OPEP
Em 1960, a Venezuela se junta a outros países produtores de petróleo (Irã, Arábia Saudita, Iraque e Kuwait) para formar a Organização de Países Exportadores de Petróleo - OPEP, com o objetivo de controlar a produção e estabilizar e elevar os preços internacionais do produto.
1976 Nacionalização e criação da PDVSA
A Venezuela é um dos poucos países do mundo com petróleo para negociar, já que a produção nacional é bastante superior à utilizada pelo mercado interno. Em 1976, a Venezuela nacionaliza sua indústria petroleira, criando a estatal Petróleos de Venezuela S. A. - PDVSA, uma das maiores petroleiras do mundo, e substituindo as empresas estrangeiras por empresas filiais da PDVSA. Na década de 1990 foi realizada uma abertura, permitindo-se a participação de empresas internacionais na exploração de alguns campos no país.
2002 Nova Lei de Hidrocarbonetos
A Venezuela possui um problema estrutural na sua economia: a dependência em relação à exportação de petróleo. Desde que se tornou um grande exportador de petróleo, essa atividade é fonte essencial de divisas internacionais, ou seja, de dólares. Isso fez com que a produção interna de produtos industriais diminuisse, dada a facilidade de importar bens com os dólares conseguidos com o petróleo. O projeto chavista tinha a proposta de usar os recursos do petróleo para promover a indústria. Porém, essa iniciativa não foi suficiente para reverter décadas de dependência estrutural.
Migrações O Brasil não é um dos países que mais atrai os venezuelanos
O fluxo de venezuelanos entrando no Brasil se intensificou nos últimos meses de 2017 e início de 2018, centrado especialmente no estado de Roraima, muitos em trânsito para outros países. Ainda que o fluxo migratório que mais tenha crescido no Brasil nos últimos quatro anos seja da Venezuela, o Brasil não é um dos países que mais recebe imigrantes venezuelanos desde o acirramento da crise, em 2017. Alguns dos países que recebem mais Venezuelanos que o Brasil são o Peru, o Chile, a Argentina e, em maior número, a Colômbia, por conta da proximidade física, histórica, social e cultural. Anos atrás foram os colombianos que migraram para a Venezuela por causa da situação econômica e da violência. Recentemente, a prefeitura de Boa Vista solicitou seguidas vezes o fechamento da fronteira, alegando falta de estrutura para receber as pessoas migrantes, solicitação que tem sido negada pelo Governo Federal e ataques de xenofobia contra venezuelanos foram registrados na fronteira. vocação para o comércio permite que muitos venezuelanos Muito do que Aconsigam sobreviver em épocas de acirramento da crise vendendo mercadorias nas ruas, levando e parece econômica, trazendo produtos, especialmente pela fronteira com Cúcuta, na imigração, Colômbia. é comércio
Em 2002, o Presidente Hugo Chávez promulga uma nova Lei Orgânica de Hidrocarbonetos, que garante a propriedade do Estado sobre todas as reservas de petróleo, proíbe a privatização da PDVSA e aumenta a parcela da PDVSA sobre o petróleo explorado em conjunto com empresas estrangeiras.
2002 Bacia de Orinoco
2004
O descobrimento e a certificação de uma segunda grande reserva, a Faixa Petrolífera do Orinoco, deu à Venezuela o reconhecimento pela OPEP de maior reserva de petróleo do mundo, superando a Arábia Saudita. A importância geoestratégica do Orinoco ficou evidente durante a viagem feita por Hugo Chávez à Europa em julho de 2008, na qual ele conseguiu vários acordos comerciais para sua prospecção e exploração futura. http://comunicacao.fflch.usp.br/node/1618
Projetos de Integração da América Latina
Apesar dos projetos de integração latinoamericana remontarem aos tempos de Simón Bolívar, foi apenas no século XXI que os esforços mais consistentes nesse sentido foram concretizados. Em 2000 ocorreu o primeiro encontro de países da América do Sul em seu território, sem a presença dos Estados Unidos ou de países europeus. Em 2004 é criada a Comunidade Sul-Americana de Nações que, em 2008, converteu-se na UNASUL. Em 2005, Chávez vai ao Fórum Social Mundial em Porto Alegre, dizendo: "outro mundo é possível através do socialismo". Em 2008, é realizada a primeira Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento - CALC, a primeira ocasião em que os chefes de Estado da América do Sul e do Caribe de reuniram sem o patrocínio dos Estados Unidos ou de países europeus. Dessas Cúpulas surgiu a Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe CELAC. A derrota da proposta da Área de Livre Comércio das Américas - ALCA, proposta pelos Estados Unidos, foi um passo fundamental nesse sentido. Esse processo foi concomitante com a ascendência de governos populares de orientação progressista em diversos países da América Latina.
Golpes na América Latina
Em 2010, o golpe de estado em Honduras se concretizou. Então foi a vez do Equador, onde a tentativa de golpe de Estado em 2010 falhou. O governo do Paraguai em 2012 foi derrubado por um golpe de estado parlamentar. Em 2012 e em 2014 também foram denunciadas tentativas de golpe de estado na Bolívia. Em 2016, o Brasil foi vítima de um golpe parlamentar. Na Venezuela, a história se repetirá?
Os avanços do governo de Chávez
De 1995 para 2012, a pobreza passou de 54,2% para 23,9%; a mortalidade infantil diminuiu em 50%; as matrículas universitárias cresceram de 800.000 para 2.600.000; já foi erradicado o analfabetismo em todo país e a Venezuela conta com 75 universidades públicas. https://www.eitb.eus/es/noticias/internacional/hugo-chavez/detalle/1279896/legado-hugo-chavez--venezuelacomandante/
Nicolás Maduro https://www.youtube.com/watch?v=-F3Q18hrmHQ
Explosões sociais por mudanças
o herdeiro político
Em 14 de abril de 2013, 40 dias após a morte do líder Hugo Chávez, Nicolás Maduro é eleito com 50,6% dos votos, contra 49,1% do oposicionista Henrique Capriles. A vitória foi por uma margem de 1,59 ponto percentual, ou 235 mil votos, muito mais apertada do que o esperado. A participação foi de 78,71% dos 19 milhões de eleitores cadastrados, em um sistema de voto facultativo.
Explosões sociais de grandes proporções tomaram as ruas de Caracas no dia 27 de fevereiro de 1989, e ficaram conhecidas como Caracazo, com semelhantes protestos em vários estados do país. Após o evento, começaram as perguntas sobre as causas de explosão social tão perturbadora. As questões vão além do desagrado com a política econômica neoliberal e com o pacote de medidas econômicas do governo de Carlos Andrés Pérez e cobrem um amplo debate sobre o esgotamento do sistema político e sua crescente incapacidade de dar respostas satisfatórias às demandas da sociedade. A repressão foi brutal, com mortes e massacres.
1992 4F Por ahora! Nos anos 1980, o capitão do exército Hugo Chávez cria o Movimento Bolivariano Revolucionário 200, em alusão aos 200 anos do nascimento de Bolívar, com o objetivo de reformar o exército e iniciar uma nova República. Após a indignação com a reação do exército contra manifestantes no Caracazo, planeja uma sublevação militar em 4 de fevereiro de 1992. Vários comandos pelo país se levantam, mas Chávez não consegue tomar o poder em Caracas e decide se render, exigindo que isso fosse feito com transmissão pela TV. Chávez é preso e, em 1994, é solto por um indulto dado pelo Presidente após um acordo político com partidos da esquerda venezuelana.
O último discurso de Chávez em dezembro de 2012 “Minha opinião firme, plena como a lua cheia, irrevogável, absoluta, total, é que vocês elejam Nicolás Maduro como presidente da República Bolivariana da Venezuela.”
Hugo Cháves A Constituição de 1999
A exploração do petróleo na Venezuela se iniciou no final do século XIX, mas os primeiros poços significativos foram perfurados na década de 1910, na região do Lago de Maracaibo. Em pouco tempo, no final da década de 1920, a Venezuela se torna o maior exportador de petróleo do mundo e o segundo maior produtor, atrás apenas dos Estados Unidos. A exploração era feita por meio de concessões a empresas estrangeiras.
SEM SAíDA Em 2003 Daniel Lima fez uma das primeiras investigações-ações sobre controle em Havana, Cuba. Em audiovisual, com participações de músicos cubanos de santeria, música erudita e os DJs brasileiros Pedro Noizyman e Eugênio Lima criaram o modo de experimentação que seria a base do Novas Diásporas. Além do formato audiovisual, a arte como investigação social.
Caracazo 1989
Petróleo na Venezuela
As maiores reservas do mundo
Em plena Guerra Fria, uma guerrilha estabelecida nas montanhas cubanas realiza uma revolução na ilha que fica a apenas 160 km de distância da Flórida, EUA. A aproximação de Cuba com a União Soviética instaura o primeiro regime comunista nas Américas. A revolução social bem sucedida em um país latino-americano subdesenvolvido se torna um exemplo para todos movimentos de resistência às ditaduras militares que se espalharam pelo continente com apoio dos Estados Unidos que buscavam impedir a influência comunista soviética nos seus vizinhos do sul.
Na década de 60, o isolamento da Venezuela foi exacerbado pela aplicação da chamada Doutrina Betancourt, que visava restringir o estabelecimento ou a manutenção de relações diplomáticas apenas com países que tivessem governos eleitos democraticamente conforme regras constitucionais estáveis, ou seja, não podiam ter relações diplomáticas com países cujos governos fossem resultado de uma Revolução.
Em março de 2013, após batalha contra câncer diagnosticado em 2011, aconteceu a “partida física” de Chávez, como dizem os chavistas. Barack Obama divulgou nota dizendo que desejava um “novo relacionamento construtivo” com a Venezuela.
Petróleo
Libertação
Entre as experiências pré-independentistas, lembramos de José Leonardo Chirino, líder de uma insurreição de negros e mulatos em 1795, após retornar de uma viagem ao Haiti, onde fez contato com o processo revolucionário. Em 1806, com uma bandeira confeccionada no Haiti, partiu dos Estados Unidos a expedição de Francisco de Miranda, militar venezuelano conhecido como "o precursor" da independência da América espanhola. Em 5 de julho de 1811, o Congresso produziu a Declaração da Independência.
Um novo Golpe de Estado leva ao surgimento do Pacto de Punto Fijo em 1958, um acordo entre os três grandes partidos venezuelanos que tinha como objetivo garantir a estabilidade política no país e a permanência da democracia e da alternância de poder. No entanto, o Partido Comunista da Venezuela foi excluído e colocado na ilegalidade. Na prática, o Pacto representou um acordo das elites de se revezarem no poder e perdurou até o início dos anos 90.
Doutrina Betancourt: o isolamento da Venezuela
de Chávez
Grã-Colômbia
As civilizações da América existem muito antes da chegada dos Espanhóis. O território venezuelano foi habitado por tribos nômades que vieram da Amazônia, do Caribe e dos Andes. Nesse período, a resistência indígena foi muito marcante. A escravidão negra teve um importante papel na integração do país ao capitalismo comercial, principalmente em função do trabalho nas plantações de cacau e café. A colônia espanhola não encontrou na região da Venezuela pedras ou metais preciosos, tendo a exploração ficado com a atividade agrícola e comércio nos portos da região.
Revolução Cubana
revezam no poder
A revolução bolivariana
Hugo Chávez cria um movimento político-eleitoral chamado Movimento Quinta República e percorre o país defendendo uma Assembleia Nacional Constituinte para refundar a República. Na eleições de 1998, Chávez se candidata a presidente em uma coalizão com partidos de esquerda e se elege com 56,5% dos votos.
“Alô Presidente” 1999 a 2012
Alô Presidente foi um programa de televisão apresentado por Hugo Chávez todos os domingos com duração de seis a sete horas ininterruptas e, de acordo com o governo, era o programa de TV mais visto pelos venezuelanos, inclusive pelos opositores. O primeiro programa foi transmitido pela Rádio Nacional de Venezuela em 1999, cerca de três meses depois de Chávez ter assumido e o último em 2012. O governo afirma que “o programa é necessário para enfrentar a guerra dos meios de comunicação privados contra a revolução https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2009/05/090526_chavez_rc bolivariana”.
Tentativa de Golpe 2002
por outro conceito de Democracia
Ao se eleger, Hugo Chávez realiza, em abril de 1999, um referendo para convocar uma Assembleia Constituinte que é aprovada por 87% dos eleitores. A Assembleia conclui o trabalho de criação de uma nova Constituição em dezembro do mesmo ano e a mesma é submetida a um novo referendo, sendo ratificada por 71% da votação popular. Com uma nova Constituição, eleições gerais são convocadas para relegitimar todos os poderes. Chávez é reeleito em 2000, com 59,8% dos votos, e seu partido consegue maioria no Congresso. Após a reeleição, Chávez promove a nova Lei de Hidrocarbonetos e uma reforma agrária no país.
A Nova Constituição
Os primeiros artigos estabelecem a mudança de nome do país de "República da Venezuela" para "República Bolivariana da Venezuela". A Constituição Venezuelana marca uma nova etapa do governo popular. Os poderes públicos passaram de três (Legislativo, Executivo e Judiciário), para cinco com o Poder Eleitoral e o Poder Cidadão. A Constitução significa uma mudança histórica para os venezuelanos em sua concepção de democracia participativa e protagônica.
Em 11 de abril de 2002, uma aliança liderada por setores da oposição, setores militares, empresários, grandes grupos de mídia e por setores da Igreja Católica realizaram uma tentativa de Golpe de Estado que durou 47 horas, na qual o presidente Hugo Chávez foi sequestrado, a Assembleia Nacional e o Supremo Tribunal foram dissolvidos e a Constituição de 1999 do país foi anulada. O presidente da federação patronal se auto-proclamou Presidente da República. Em Caracas, o Golpe de Estado levou rapidamente a um levante pró-Chávez, quando a população das favelas e dos bairros populares da cidade desceram dos morros e foram para a rua com a Constituição na mão, exigindo que ela fosse cumprida. A pressão popular e o apoio de setores do exército fez com que o golpe fracassasse. Os países da América Latina condenaram o rompimento da ordem constitucional, com exceção da Colômbia, único país da região que reconheceu o novo governo. A Guarda Presidencial retomou o palácio presidencial sem disparar um tiro, levando à reinstalação de Chávez como presidente.
A oposição política ao projeto chavista
Para entender o contexto político venezuelano, é importante entender a oposição política ao projeto chavista. A oposição é muito fragmentada e as divergências estão relacionadas tanto à estratégia quanto à disputa por quem irá liderar o processo. As principais lideranças insistem em uma estratégia de pregar a abstenção de processos eleitorais, deslegitimando-os. Nas eleições de 2018, houve um setor relevante da oposição que resolveu participar e apresentar uma candidatura, mas ainda se revelou um setor minoritário dentro da oposição. O desgaste do governo Maduro provocado pela profunda crise econômica indicava que, caso a oposição se mobilizasse nas eleições, teria grandes chances de vencer. Muitos acreditam que a oposição deslegitima os processos eleitorais por apostarem em outras formas de derrubada do governo, seja por um levante popular de insatisfação, seja por uma intervenção externa.
Guerra não Convencional
Um dos elementos que intensifica a crise atual da Venezuela, que tem bases históricas e é também produto da centralidade do petróleo na economia e de vulnerabilidades intrínsecas do processo revolucionário, é uma guerra não-convencional liderada pelos Estados Unidos com diversos países do mundo globalizado, que envolve explorar a vulnerabilidade
política vulnerabilidade
Guarimbas
econômica, política e psicológica da Venezuela e de sua população. A Venezuela é uma ameaça aos Estados Unidos", declarou Barack Obama, em 2015. A crise é, em parte, produzida, e em parte uma reação espontânea do mundo capitalista à uma realidade socialista no mundo contemporâneo. Não seriam os Estados Unidos uma ameaça à Venezuela?
No auge da exploração da vulnerabilidade política, estão as formas violentas de protesto que ficaram conhecidas como Guarimbas, com representação intensa e insistente dos conflitos, em consonância com a mídia que promove amplificação e distorção dos fatos.
Depois que os representantes do governo bolivariano venceram as eleições municipais em dezembro de 2013, a direita venezuelana convocou em 2104 um plano chamado "La Salida", que pretendia derrubar o presidente Nicolás Maduro e resultava em protestos de rua que ficaram conhecidas como Guarimbas. O termo guarimba vem de um jogo infantil em que se procura um lugar para se sentir seguro. Assim, o protesto da direita foi popularizado nos bairros mais ricos de algumas cidades. É importante diferenciar o protesto organizado do protesto espontâneo. Nas manifestações, existem pessoas que estão protestando por não conseguir comprar comida e bens de consumo, mas também existem grupos organizados para a violência. Em 2014, centenas de pessoas foram mortas, muitas por ataques de ódio, outras pelas forças policiais, existindo divergências em relação aos números e a origem dessas mortes.
psicológica vulnerabilidade
É dada em decorrência dos bloqueios econômicos, uma vez que há restrição para a importação e o consumo de produtos essenciais, como alimentos e medicamentos. O desabastecimento aumenta também a tensão social. Tal tensão leva à desconstrução do sujeito coletivo feita no período Chávez.
econômica vulnerabilidade
Bloqueios internacionais comerciais e financeiros constróem o cenário de vulnerabilidade econômica: o cancelamento de contas em bancos; a impossibilidade da PDVSA repatriar os lucros de suas filiais; o corte de empréstimos seguido de menos acesso a dólares que levam o Estado a diminuir investimentos em diversos setores; o boicote à moeda, com contrabando de papel moeda para outros países, entre outros. Em 2017, o Citibank se negou a receber os fundos da Venezuela para a importação de 300 mil doses de insulina. É difícil encontrar determinados medicamentos ou produtos de higiene, porque pertencem a duas empresas estadunidenses que têm o monopólio de 90% do mercado e controlam os produtos. Atualmente os EUA impõem sanções às empresas que estabelecem relações comerciais com a Venezuela.
Qual o futuro da Venezuela?
Hiperinflação
Quando os preços do petróleo caem no mercado internacional, a Venezuela enfrenta crise econômica. Essa queda também representa uma diminuição dos dólares disponíveis no país, o que gera um processo de desvalorização da moeda nacional, mesmo no mercado paralelo, dado o Puente Llaguno, claves de una Masacre www.youtube.com/watch?v=fkrAI72ct-I câmbio fixado pelo governo. Com essa desvalorização, todos os bens importados ou que tenham A revolução não será televisionada www.youtube.com/watch?v=MTui69j4XvQ componentes importados na sua produção, aumentam de preço, dando início a um processo inflacionário que, dada a gravidade da crise, se torna um processo de hiperinflação. Isso traz grandes problemas para a população, com o desabastecimento atingindo a população mais pobre. Sem 2003 dúvida, há falhas na gestão que agravam essa situação. A própria produção de petróleo tem caído O Sistema Nacional de Missões é uma série de programas sociais desenvolvidos na Venezuela durante o governo de "Eu estava cruzando a aglomeração em direção à casa de meu tio, que fica na Venezuela devido a problemas de gestão e saída de pessoal qualificado do país. Hugo Chávez desde o ano 2003 e que continuam em vigor no atual governo de Nicolás Maduro. Esses projetos são ali perto, quando gritaram negro chavista ladrão", Orlando pôde dizer à sua relançados a cada ano para atender objetivos específicos. Os programas começaram devido ao aumento do mãe Inés, antes de falecer, enquanto ela cuidava do filho que havia sofrido preço do petróleo no início dos anos 2000, que permitiu ao governo usar excedentes em seu orçamento queimaduras por todo o corpo, deEm 20 de maio de 2018, Nicolás Maduro foi reeleito com mais de seis milhões de votos, entre os para programas sociais. As missões consideradas mais importantes, pois são fundamentais para reduzir pois que um grupo de oposição lhe mais de nove milhões de Venezuelanos que foram votar. A participação eleitoral atingiu 46%, um MONUMENTO HORIZONTAL as taxas de pobreza no país: Missões Educativas (Robinson, de alfabetização; Ribas, ensino seateou fogo com um galão de número baixo para a experiência venezuelana, mas nada chamativo em um sistema de eleições A ORLANDO FIGUERA cundarista e Sucre, ensino superior); as Missões de Saúde, com cobertura médica gratuita (Barrio gasolina ao lado da Plaza de Alvoluntárias. Muitos dos países que hoje não reconhecem o resultado, tem dificudades para conO monumento a Orlando Figuera foi criado Adentro I, II, III, etc); a Missão Mercal, com alimentos a preços subsidiados; a Missão Vivienda, tamira, durante a Guarimba do dia vocar mais de 46%: Estados Unidos, Colômbia, França, entre outros. Entretanto, grande parte das inspirado no Monumento Horizontal a Flávio com construção e alocação de habitação popular; a Missão Madres del Barrio, que fornece ajuda 20 de maio de 2017. Orlando se críticas está focada na lisura do processo democrático com o evidente uso da máquina do Estado Sant’ana, jovem assassinado pela polícia governamental em reconhecimento de trabalho doméstico; além de programas culturais, científicos, tornou um emblema da violência para a reeleição, como a campanha desproporcional nos meios de comunicação oficiais e inmilitar de São Paulo, criado pela Frente 3 de políticos, dedicados aos direitos indígenas e direitos ambientais. das Guarimbas e um marco no degerência no Poder Eleitoral. Fevereiro na mobilização inicial do coletivo bate político, sendo a eleição mar- https://www.nexojornal.com.br/grafico/2016/11/10/O-voto-obrigat%C3%B3rio-e-a-absten%C3%A7%C3%A3o-nas-urnas-nos-EUA-e-no-mundo fundado por Maurinete Lima. cada para a data de um ano do www.frente3defevereiro.com.br ataque ao Orlando Figuera, em 20 2018 de Maio de 2018. https://www.bbc.com/mundo/noticias-america-latina-40007635 Três meses após ser reeleito, durante um pronunciamento oficial que reunia a guarda oficial, uma Em 2004, a oposição consegue as assinaturas sequência de explosões com drones provocou pânico e correria e foi considerada pelo governo necessárias para convocar um referendo revocomo um atentado. Dias depois, Maduro acusou o deputado da oposição Juan Requesens e o Em 30 de abril de 2017, após um mês de fortes Guarimbas, Maduro convoca uma Assembleia Nagatório para tentar tirar Chávez do poder. O go- Em 2009, foi votada em referendo popular uma classificou como “um dos mais loucos, um psicopata”. Denunciado por outro suspeito envolvido no cional Constituinte. A possibilidade da chamada da Constituinte pelo Presidente está na Constituição, verno convoca o referendo e Chávez ganha com emenda constitucional que propunha a reeleição ilimiataque, Requesens foi detido pelo Serviço Bolivariano de Inteligência. O Fórum Penal Venezueno Artigo 348. Maduro alega o objetivo de reformar o Estado e redigir uma nova Constituição. A con59% dos votos. Nas eleições para o Parlamento, tada do presidente e dos detentores dos demais carlano estima que existiam 234 opositores encarcerados na Venezuela em março de 2018. foropenal.com vocação de Maduro é bastante distinta, por sua vez, da convocação de Chávez, que agregou, em em 2005, a oposição boicota o processo e o gos públicos na Venezuela e aprovada com 54,36% 1998, a população, intelectuais e instâncias democráticas num processo profundo governo consegue todas as cadeiras. Nas dos votos. A vitória permitiu que o presidente Hugo ISBN de construção de bases para refundar a República. Importante lembrar que não eleições presidenciais de 2006, Chávez é reeleito, Chávez pudesse se candidatar para um terceiro houve de plebicito para instauração desta Assembleia Nacional Constituinte. Muitos com 62,8% dos votos. Em 2007, Chávez propõe mandato consecutivo em 2012. apontam, ainda, que chamar a Assembléia foi uma estratégia para desmobilizar a uma reforma constitucional e a submete a um re- https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1602200901.htm oposição. Dessa forma, ainda que Constitucional, a convocação tem sido quesferendo. A proposta é rejeitada pela população tionada em sua legitimidade. por uma margem muito apertada dos votos.
As Missões
2004
Referendo de Chávez O Referendo da Reeleição Ilimitada 2009
Orlando Figuera: 20M17
Maduro chama a Constituinte 2017
Maduro é reeleito em 2018
Explosões durante pronunciamento de Maduro
Textos: Daniel Lima, Élida Lima e Felipe Teixeira • Fotos, desenhos e diagramação: Daniel Lima • Colaboração: Anaís Escalona, Ana Sofia Garcia, Gustavo Garcia, Hector Meleán, Yuliana Fuentes, Luis Morales • Edição de Texto: Élida Lima • Revisão: Fernanda Lomba • Impressa em Agosto de 2018 • Baixe esta publicação em issuu.com/invisiveisproducoes • Veja o filme “Amanhecerá e Veremos” em www.danielcflima.com • Direção de Produção: Paula Maia • Assistente de Produção: Georgia Prado • Pré-Produção e Pesquisa: Raquel Borges • Direção Musical: Dj Will Robson • Foto: Diego Alejandro Moreno • Agradecimentos a todas as pessoas entrevistadas.
Coleção Urgência
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Amanhecerá e Veremos
Pacto de Punto História Republicana Fijo: elites se
Goethe-Institut São Paulo apresenta uma produção Invisíveis Produções