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Teranga

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mesma história e luta por uma descolonização de corpos e mentes. Por isso trazemos nossas indagações e fazemos desse processo de encontro uma produção coletiva com as comunidades imigrantes em São Paulo. Inclusive produzindo musicalmente a parpor Daniel Lima e Raquel Borges tir do nosso parentesco cultural. E também implicar a Teranga, em wolof, é hospitalidade. Teranga é coletividade. Teranga é pas- instituição alemã Goethe-Institut em uma missão cultural nessa dinâmica sado e presente dos Baobás e dos Griots. Leões de Teranga é o apelido da geopolítica que construiu o mundo que conhecemos. Ativar encontros que seleção do Senegal. Lemos Teranga como conceito-antídoto à violên- possam potencializar nossa capacidade micropolítica de entender o cia da colonização. Teranga é tolerância e respeito. Teranga é re- Outro como uma contribuição positiva, como um encontro de posisistência calcada na comunidade. E perguntamos: como Teranga tividades. Um encontro que nos leva a um outro lugar como sociedade. Não como uma diversidade exótica mas como parte da pode nos ajudar a vislumbrar modos de vida mais plurais? Pensar o projeto Novas Diásporas - seja no Episódio Haiti, seja nossa constituição social. E não à toa vamos olhar para essa mino Episódio Senegal - é falar sobre o nosso tempo passado, gração Sul-Sul porque aqui existe um parentesco e uma possié falar sobre o nosso tempo presente. Não a realidade do bilidade única de encontro que nos permite vislumbrar um outro Outro, mas a nossa que nos une na devir do mundo, um devir mais ao nosso jeito.

Ahmadou Bamba “Bamba em todo lugar!”

Religião

a árvore de cabeça para baixo

“Essa árvore tem oito séculos e meio, 850 anos. É o maior baobá do Senegal, com 32 metros de circunferência. O Baobá não é uma árvore como outra qualquer. Nele tudo é aproveitado: as folhas viram pó para facilitar a digestão; a fruta, que surge como uma flor branca, é fecundada pelos morcegos e se transforma em fruta, cuja casca é usada para fazer cordas, sacos e redes para dormir; a seiva vira cola e a madeira defuma os peixes. Também os griots eram mumificados nos Baobás”. (Trecho do filme Teranga). Nativa da África e símbolo maior do continente e, consequentemente, da nação negra. É uma das maiores e mais longevas árvores do planeta. Na Independência do país, foi escolhida como símbolo do Senegal e da resistência ao colonizador, afinal o Baobá resiste na paisagem. E quem pode derrubá-lo? Elefantes descarregam sua raiva e causam-lhe apenas arranhões. Conta a lenda que os escravos giravam em torno do Baobá para esquecer seu passado ao sofrer a diáspora forçada para as Américas. Planta que é casa, memória, transformação e resistência. Num dos mitos conta-se que foi colocada como castigo de cabeça para baixo, com as raízes para cima. E por isso tem uma morfologia tão estranha.

os sacos de palavras

“A árvore do baobá servia para mumificar os griôs, os cantadores. Eles não eram enterrados porque tinha-se uma crença de que uma vez um griô morto e enterrado na terra, iria dificultar o fluxo de água na terra e a colheita não seria abundante. Por isso, eram mumificados nos Baobás. Os griôs eram chamados de sacos de palavras. Eles sabiam dos segredos seculares e da memória dos homens diante da palavra, eles dão vida aos reis para as novas gerações. Quando tinham conflitos entre diferentes tribos, eram eles que julgavam porque eram também os depositários dos sermões que os ancestrais pregavam. Diz-se que quando um griô morre, é uma biblioteca que se queima.” Trecho transcrito do filme Teranga, entrevista realizada em frente a um dos maiores baobás do mundo.

Baye Zale, jovem trabalhador secando milhares de sardinhas em Joal Fadiouth.

Nação

Barco Pernambuco

Colonização

Como inventamos nosso passado? Como reinventarmos nosso futuro? No seio do processo colonial se deu o esmagamento de infinitas possibilidade de existência. Procuramos exceções à regra histórica. Dar chances à multiplicidade. Às rachaduras dos muros coloniais criadas pelas manifestações de vida, de novas formas de viver. Explosões na estrada sem-saída. Não está tudo dominado.

Escravidão

https://issuu.com/invisiveisproducoes/docs/mundo_brasil_brasil_mundo

Ilha de Gorée, na costa do Senegal - classificada em 1978 como Património da Humanidade - é um símbolo da exploração humana com grande importância para a Diáspora Africana. Situada em frente à capital, sua posição é estratégica para o controle marítimo, nenhum barco atravessa para o porto de Dakar sem passar pelos canhões da ilha. Durante quatro séculos foi um representativo centro de comércio de escravos. A arquitetura da ilha é caracterizada pelos elegantes casarões das “siñaaras”, palavra em wolof para as senhoras dos mercadores de https://pt.wikipedia.org/wiki/Goreia escravos.

A Maison des Esclaves (Casa dos Escravos) com a Porta do Não Retorno é hoje um museu dedicado à história do comércio atlântico de homens escravizados na ilha de Gorée. A instituição foi criada em 1962, por Boubacar Joseph Ndiaye, para preservar a memória da escravidão na África. De enorme dimensão geopolítica, as memórias da Ilha de Gorée e Maison des Esclaves constituem um marco histórico da escravidão do Atlântico. Os historiadores divergem sobre quantos homens africanos foram de fato mantidos à força no edifício que hoje abriga o museu, bem como sobre a extensão da representatividade da Ilha de Gorée como um ponto do comércio atlântico de escravos. Se é Invenção histórica ou criação simbólica, não importa. Que outro marco histórico da escravidão do Atlântico alçou a dimensão geopolítica da Ilha de Gorée e da Maison des Esclaves?

A confraria Mouride foi criada em 1886 por Ahmadou Bamba juntamente com seus discípulos. Em 1926, a confraria transfere sua sede para Touba e inicia a construção da Grande Mesquita. Hoje os Mourides representam cerca de 40% da população total no Senegal e sua influência sobre a vida cotidiana pode ser vista em todo o país e em países onde há senegaleses residindo. Os ensinamentos Mourides estão sistematizados a partir dos ensinamentos Cheikh Ahmadou Bamba: louvor ao profeta Maomé, piedade, obediência, disciplina e trabalho. No Brasil, a sede dos Mourides fica no centro da cidade de São Paulo.

Touba

A história da cidade se funde com a história Mouride. Fundada por Cheikh Ahmadou Bamba em 1887, o terreno foi “doado” pelo governo francês ao líder religioso para a construção da cidade. Em Touba não se paga por habitação, comida ou água e a cidade tem autonomia política em relação ao Estado do Senegal. A cidade tem um estatuto especial, como outras cidades santas de Senegal: o fumo e o consumo de álcool são proibidos, assim como o uso de roupas que fujam ao comportamento local. Touba é a segunda cidade mais populosa do Senegal e recebe todo ano milhares de peregrinos. https://en.wikipedia.org/wiki/Touba

https://en.wikipedia.org/wiki/House_of_Slaves

O Império Português foi o primeiro a explorar o comércio de escravos para o Novo Mundo no século XVI. O principal polo de exploração de mão de obra escravizada para as Américas se estabeleceu na África Ocidental, região que englobava todo o território hoje compreendido por Senegal, Camarões e Nigéria. Essa região foi responsável por quase 60% de trabalho escravizado e, nela, a região do Senegâmbia representava o principal polo de venda de africanos cativos.

Apogeu do tráfico

O tráfico negreiro atingiu seu apogeu no século XVIII, período no qual a demanda por mão de obra escravizada crescia no Brasil em razão da extração de ouro em Minas Gerais. Nesse período, os Estados Unidos se especializou na produção de algodão que abastecia a Revolução Industrial européia; e a colônia de Saint-Domingue (Haiti e República Dominicana), responsável por 40% do açúcar do mundo, atingiu seu pico de produção.

Escravidão no Brasil

O Brasil foi o país que recebeu o maior contingente de africanos escravizados (cerca de 45% de toda a escravidão colonial), e também o último a proibir o comércio de escravos em 1831, apesar do comércio ilegal continuar durante grande parte do século XIX. Estima-se que cerca de 12,5 milhões de africanos foram sequestrados, escravizados e trazidos para as Américas, sendo que aproximadamente 2 milhões foram mortos pelas condições do trajeto.

Diáspora e Quilombo ReXistir em resistência

Ilha Gorée

Maison des Esclaves

O Império Português na África Ocidental

http://rotanews176.com.br/a-diaspora-africana/

Mouride

COLUNA LASER Uma escultura de luz parte da Ilha de Gorée, Senegal, em direção a Salvador, Brasil. Gorée simboliza o não-retorno e Salvador, seu extremo, a nova luta pela sobrevivência. A linha permanece imóvel durante uma noite. A ação dá continuidade à Coluna Laser realizada em 2012, quando a linha esteve apontando de Salvador para a Ilha de Gorée. Orientação técnica: Prof. Dr. Eduardo Landulfo, do IPEN, USP.

Perseguição a Homossexualidade

Fundamentalismos

O acirramento da competição geopolítica imperialista no mundo leva ao aumento de intervenções militares em diversos países. A política externa das grandes potências torna cada vez mais explícitos seus objetivos de controle estratégico sobre territórios, recursos naturais e populações. Uma das consequências desse processo é o recrudescimento de movimentos contrários a esses objetivos e o fortalecimento de grupos fundamentalistas que mobilizam ideias radicais para recrutar pessoas e expandir seu domínio nos territórios mais vulneráveis. A expansão do fundamentalismo acaba contribuindo, também, para a expulsão de populações de seus territórios, impulsionando o novo movimento migratório.

“Meu nome é Jeannot, sou homossexual de certa idade e posso falar que a homossexualidade no Senegal é feita de paradoxos. É tolerada na sociedade senegalesa, especialmente quanto aos papéis sociais: homossexuais têm sido competentes organizadores de cerimônias, alfaiates, costureiros, cozinheiros e empresários, e também conselheiros e confidentes das grandes damas da sociedade. A lei do país é bastante ambígua, porque, de fato, o Código Penal não pune a homossexualidade como tal, mas os ‘atos sexuais contra a natureza entre adultos do mesmo sexo’, o que abre portas para muitos abusos e agressões devido a interpretações erradas dos textos legais. Ainda assim, até os 1990, homossexuais eram vistos como atores burlescos e a conotação sexual da homossexualidade não era tida em conta pela população em geral. Essa ‘idade de ouro’ foi interrompida pelos eventos da década de 1990, quando um clamor começou a ser divulgado na imprensa e ganhou todos os níveis da sociedade, inclusive religioso, de que a homossexualidade deveria ser castigada. A partir desse período, o clima de estigmatização, assédio e discriminação se aprofundou e ataques à comunidade homossexual tiveram início em todos os níveis. Por outro lado, um grande número de associações e ativistas começaram a lutar diariamente por uma mudança de mentalidades, pela revisão das leis, mas também por uma tolerância nos níveis religiosos e comunitários. Vale notar que a questão da saúde pública e do HIV tem sido uma chamada à conscientização de tais líderes e entidades. Nos dias de hoje, acabar com o estigma contra a homossexualidade no Senegal permanece como desafio em um contexto hostil e difícil, ainda que esforços estejam sendo feitos em prol de uma maior tolerância com a comunidade homossexual do Senegal e com a homossexualidade em geral. "YALLE BAX NA" (Deus é ótimo) como dizem no Senegal.”

Fundamentalismos

A gigantesca diáspora forçada marcou as Américas de maneira única, tanto como distopia da humanidade como coloca Aimé Césaire: “Colonialismo é Nazismo”, mas também trouxe, ao revés, uma nova maneira de existir em resistência à morte, à inferiorização e à invisibilização, congregando quilombolamente diferentes lutas dos povos minorizados.

Jeannot de Firmina, ativista

Novo Imperialismo na África

No início do Século XXI, a África voltou a atrair as atenções das potências mundiais. A China estabeleceu uma estratégia de expansão econômica agressiva sobre o continente africano, estabelecendo empresas e trabalhadores chineses em diversos empreendimentos pelo continente. A Índia também seguiu o mesmo caminho, em menor escala. Por sua vez, a França, os Estados Unidos e potências europeias também retomaram suas estratégias de dominação no mesmo palco de sua corrida imperialista no século XIX. A França é o país que mais realizou intervenções militares em países africanos, os acordos diplomáticos que mantém com suas ex-colônias prevêem a inter-

Imperialismo

Uma segunda colonização

A colonização na África tem um segundo momento, conhecido como Imperialismo. A África é dividida como papel em branco em diferentes posses neocoloniais entre Reino Unido, França, Holanda, Bélgica e Alemanha, permanecendo também as antigas colônias portuguesas. O sistema capitalista precisa de novos territórios para expandir o consumo e explorar a natureza e mão de obra. Equacionando a produção industrial e a necessidade de recursos naturais e humanos, a força militar europeia adentra terras da África. Segue-se o sistema ideológico colonial de supremacia branca, apoiado agora por diversas teorias “científicas” eugenistas. Atrocidades demonstram a crueldade e desumanidade deste processo. É desse tempo casos conhecidos como o rei Leopoldo II da Bélgica no Congo que colecionava crânios e mãos humanas como troféu e sobre a Alemanha com o genocídio dos Herero e dos Nama na Namíbia, que criou o sistema de campos de concentração que depois seriam aplicados na Europa em relação aos judeus. Em desenhos, desde Tintin (belga) ao Tarzan (britânico), diversas representações deste período vivem entre nós até hoje perpetuando o estereótipo da África selvagem, ignorante e famélica. Um contra-discurso é o que propomos. Por uma África contemporânea, ancestral e poderosa em nosso corpo vivo. https://www.theguardian.com/world/2016/dec/25/germany-moves-to-

Léopold Sédar Senghor O poeta presidente

Ainda estudante da Sorbonne, Leopold Sedar Senghor instaura com outros intelectuais africanos a corrente literária La Négritude, que descortina ao mundo a poesia e a cultura africana daquele momento, denunciando o impacto negativo da cultura europeia. O movimento literário contribuiu para o crescimento do ideal de uma África livre. Professor em Paris, Senghor foi feito prisioneiro do exército nazista em 1942. Neste momento escreve poemas como “Aux Tirailleurs Sénégalais morts pour la France” sobre as duras condições pelas quais passavam os soldados negros. Juntamente com um grupo de políticos e intelectuais africanos é chamado a participar da vida política e, em 1946, é eleito deputado do Parlamento francês. A luta pela independência do Senegal acontece em conjunto com os demais países africanos. Senghor se alia à Modibo Keita, do Mali, cria a Confederação do Mali. Com a dissolução da Confederação, é eleito pelo parlamento a Primeiro Presidente da República do Senegal, governando-na de 1960 a 1980.

Imperialismos

Conta a lenda que Ahmadou Bamba foi exilado em um barco brasileiro de nome Pernambuco e mandado em direção à América. Proibido de realizar suas preces no interior do barco, o religioso se atirou ao mar para realizá-las sobre o Atlântico e ressurgiu sobre um tapete de oração boiando nas águas do oceano. Diante do milagre trouxeram-no de volta à costa africana.

A cidade de Joal Fadiouth carrega o afeto de Teranga, com hospitalidade e fraternidade entre seus moradores. É nela que encontramos o cemitério em solo de conchas e repleto de baobás e gameleiras, onde muçulmanos e cristãos são enterrados juntos. Por toda cidade é possível encontrar símbolos das duas religiões. Ouve-se muitos tambores sendo tocados na praça e crianças brincando ao redor. É segunda-feira de Páscoa. Senhores conversam tranquilamente em uma das praças e nos contam que o primeiro presidente do Senegal, Léopold Sédar Senghor, nasceu em Joal.

Desenho baseado na obra 50 Afro currency, Serie 1: Patrice Lumumba, 2010 do senegalês Mansour Ciss Kanakassy e do canadense Baruch Gottlieb

A camisa do menino diz “Merci Bamba”. O táxi tem em letras grandes: BAMBA. Afinal, quem foi Ahmadou Bamba? Cheikh Ahmadou Bamba (1853-1927), ou apenas Bamba, foi o maior líder senegalês contra a colonização francesa. Teólogo, jurista, poeta e líder religioso que fundou a principal confraria muçulmana do Senegal: a Mouride. Foi preso, torturado e expulso do Senegal pelos franceses, por representar a luta anti-colonial, ficando exilado por quase doze anos. Os colonizadores, depois de perceber que não conseguiram derrotar sua resistência pela não-violência, deram a ele o deserto. Ahmadou Bamba retornou para o Senegal e fundou a cidade de Touba, principal centro religioso e uma das maiores cidades do Senegal. “Bamba em todo lugar!” https://www.janusonline.pt/arquivo/2007/2007_4_5_6.html

Joal Fadiouth e o cemitério de conchas

Dívidas Eternas

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O controle francês

“Por conta do total controle francês sobre a maioria das finanças da África francofônica, nenhum presidente francês necessitou de autorização de seu parlamento ou liberação de orçamento para realizar qualquer das 52 invasões promovidas na África nos últimos 54 anos”, diz Herbert Ekwe-Ekwe, professor britânico especialista em guerras na África. Os acordos diplomáticos, militares e econômicos, após as independências das nações francófonas na África, dão à França acesso prioritário a matérias-primas, prevendo intervenção militar e permitindo a implantação de bases militares no continente. A partir de 1945, o governo francês implementou uma moeda única, o Franco CFA (abreviação de Colônias Francesas da África), utilizada até hoje por 13 países africanos, e que perpetua a relação de colônia-metrópole. “A França é o único país no mundo a ter alcançado o feito extraordinário de fazer circular a sua moeda - apenas a sua moeda - num país politicamente livre”, diz Joseph Pouémi, economista camaronês. http://siliconafrica.com/france-colonial-tax/

venção militar e a implantação de bases militares no continente. Em nome da “Guerra ao Terror” e da defesa dos seus interesses em relação às commodities de suas ex-colônias, a França estabelece a “nova lei antiterrorismo”, em substituição ao “estado de emergência”, estendendo para seu próprio território as políticas de controle que antes eram aplicadas nas colônias. Os Estados Unidos, em defesa aos seus interesses relativos às grandes reservas de petróleo, aumentaram sua presença militar, com novas bases e a criação de um novo comando estratégico regional da Marinha. As potências europeias também passaram a dedicar mais atenção à África. Após a eclosão da chamada “Primavera Árabe” nos países africanos (Tunísia, Egito e Líbia), a intervenção militar direta na Líbia explicitou até que ponto as grandes potências estão dispostas a se confrontar pelo controle do território africano. Pela terceira vez na história, África se torna o espaço privilegiado da competição imperihttp://diplomatique.org.br/provavelmente-deus-nao-e-africano/ alista no mundo.

Lutas pela Independência

https://www.geledes.org.br/hoje-na-historia-1960-leopold-sedar-senghor-se-torna-presidente-do-senegal/

Os impactos das duas guerras mundiais provocaram uma oportunidade para resgatar as lutas por independência na África. As expectativas frustradas pelas recompensas dos “esforços de guerra” impulsionaram a consolidação do nacionalismo no continente. Intelectuais, artistas e estudantes iniciam um processo ativo contra as forças imperialistas pela garantia de direitos e por liberdade. As lutas por independência forçaram a França a iniciar um processo de transição do poder político para as nações africanas com o intuito de manter controle sobre suas ex-colônias e de preservar seus interesses no continente. Durante o período mais turbulento, a França utiliza de diversos artifícios para realizar perseguições, golpes de Estado e assassinatos contra líderes e presidentes eleitos que se afastaram dos interesses franceses. (ver A Batalha de Argel, 1966 de Gillo Pontecorvo)

Imigração

A humanidade sempre migrou

Êxodos, diásporas, migrações contemporâneas, transbordamentos sociais. Novas configurações migratórias se dão entre os países do hemisfério sul, ou seja, no conjunto das nações colonizadas. Com o fim do processo de reconstrução da Europa pós-guerra, interrompe-se a política de apoio a imigração das ex-colônias e a radicalização da Guerra Fria. O patrocínio às guerras locais como representação das forças militares globais, força povos a imensos êxodos e deslocamentos. E quem lucra com estas guerras? Quem vende as armas que provocam massacres e imensos deslocamentos populacionais? Em paralelo, as forças emergentes do capitalismo financeiro mundial aumentam vertiginosamente as desigualdades regionais e políticas de construções de extensos muros visíveis e invisíveis que impõem diversos riscos na travessia de fronteiras.

Pan Africanismo

Movimento político, filosófico, social, artístico que remonta do início do séc XX e que está sendo atualizado até os dias de hoje. “Resolvemos ser livres; povos colonizados e subjugados do mundo inteiro, uni-vos”, diz o lema do V Congresso Pan-Africano, de 1945. A promoção dos direitos dos povos afros das diásporas, tanto na África colonial, quanto na diáspora contemporânea da imigração. O que pode um continente africano unido? O que pode um continente afro-ameríndio? A pergunta se propaga e reverbera em todos as regiões que lutam para exorcizar os traumas da colonização. http://www.palmares.gov.br/archives/40672

Nova (des)Ordem Global

Após o fim da Guerra Fria, a propagação da utopia liberal do livre mercado e do enfraquecimento dos Estados nacionais atingiu sua máxima expressão rumo à ideia de que havíamos chegado ao fim da história. As crises econômicas, a falência das políticas neoliberais e a mudança na política externa dos Estados Unidos após os atentados de 11 de Setembro de 2001 alertaram-nos que essa utopia se tratava de uma falácia. O século XXI se iniciou, por um lado, com o escancaramento dos projetos imperiais das grandes potências mundiais e, por outro, com o fortalecimento de estratégias nacionais de desenvolvimento por parte de diversos Estados da periferia do sistema internacional, em especial na América Latina e na África. Não há dúvidas de que há um grande monopólio do poder políticomilitar, concentrado na maior potência hegemônica já vista: os Estados Unidos. Ainda que a desregulamentação financeira segue prevalecendo e não foi efetivamente confrontada, mesmo após a maior crise financeira internacional desde a crise de 1929. Por outro lado, o centro dinâmico da acumulação capitalista mundial vem se deslocando para a Ásia, e a nova competição geopolítica está se concentrando entre os Estados Unidos e a China, que, paradoxalmente, são cada vez mais complementares do ponto de vista econômico e financeiro. Como um terceiro pólo nesse novo eixo geopolítico está a Rússia, única potência que questiona abertamente a ordem vigente e se contrapõe ao grande poder hegemônico em diversas regiões estratégicas do mundo. Essa dinâmica do sistema interestatal está longe do equilíbrio e tem acirrado os conflitos e guerras nos últimos anos, gerando um enorme contingente de refugiados forçados a saírem de seus países em busca de outras condições de vida.

Migrações Imigração Sul - Sul

Na crise econômica mundial de 2008, os chamados “países em desenvolvimento” do hemisfério sul tornam-se uma alternativa para migração em busca de oportunidades, mas também como chegada de exilados e refugiados. O maior grupo de pedidos de refúgio no Brasil é de haitianos. Em 2010, quando um terremoto devastou Porto Príncipe, o Brasil se tornou destino para milhares de haitianos. Em condições ilegais, auxiliados por coiotes, a imigração teve início pela rota de travessia: República Dominicana, Panamá, Equador, Peru, até finalmente aportar no país pelo estado do Acre. Os senegaleses, segundo maior grupo com pedidos de refúgio no país, também foram vítimas dos coiotes, atravessando o Atlântico até o Equador e fazendo a rota terrestre pelo Peru até a entrada no Brasil, mantendo a mesma travessia haitiana.

FIORI, José Luís. O Poder Global. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007.

Desenho baseado no trabalho monumental executado em bronze em 1923 pelo escultor francês Paul Ducuing que associou Demba o Africano Tirailleur e Dupont le Poilu françês.

Novas Diásporas

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,senegaleses-formam-nova-onda-de-estrangeiros-trazidos-por-coiotes-ao-pais,1721175

Novas Diásporas, apoiado pelo Goethe-Institut, sugere uma reflexão sobre o ciclo de migração que surge nas últimas décadas entre países do chamado sul global. Investigações-ações foram realizadas no Haiti e no Senegal e seus resultados apresentados durante o Episódio Haiti, em 2016, e o Episódio Senegal, em 2017. O projeto tem como propósito gerar conhecimento através das vozes dos protagonistas da migração e oferecer espaço de escuta e compartilhamento das vivências dos imigrantes, equacionando diferentes campos de conhecimento. Em 2018, o Episódio Venezuela abordará a recente imigração venezuelana no Norte do Brasil e suas relações com a complexa situação política atual no país do Chavismo.

Textos: Daniel Lima e Raquel Borges • Fotos, desenhos e diagramação: Daniel Lima • Entrevistas: Jeannot de Firmina • Edição de Texto: Élida Lima • Colaboração: Felipe Teixeira • Tradução: Detoubab Ndiaye, Massar Sarr, Fatou Sy e Saliou Sene • Revisão: Fernanda Lomba • Impressa em 14 de Novembro de 2017 • Baixe esta publicação em issuu.com/invisiveisproducoes • Leia também Nou Pap Obeyi - Episódio Haiti, 2016. • invisiveisproducoes@gmail.com • Agradecimentos a todas as pessoas entrevistadas, Sr. Eloi Coly, Koyo Kouoh e equipe Raw Material Academy, Ayrson Heráclito, Fatima Diouf, Goethe-Institut Dakar, Embaixada do Brasil em Dakar.

ISBN

Coleção Urgência

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Teranga

Baobá Griôs

Goethe-Institut São Paulo apresenta uma produção Invisíveis Produções


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Teranga by Invisíveis Produções - Issuu