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Guia "Comunicação para o Desenvolvimento" - Go Local

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COMUNICAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO

Comunicação para o Desenvolvimento 1


COMUNICAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO

GoLocal

Por uma Cidade Sustentável

www.cidadesglocais.org 2


COMUNICAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO

Índice

Introdução

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Sumário executivo

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1. Porque falamos de comunicar para a mudança?

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1.1 As organizações são pessoas: da cultura à imagem

FICHA TÉCNICA Projecto Go Local for Coherence- Campaign for the promotion of Development and Sustainability Coordenação: Instituto Marquês de Valle Flôr Autores: 4 Change Comunidades Ativas

1.2 As questões sociais e a agenda pública

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1.3 Dar voz: marketing, advocacy e Comunicação para o Desenvolvimento

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1.4 Ética na comunicação: ou outro entendimento do que é desenvolvimento?

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2. Comunicação e Desenvolvimento

Concepção Gráfica: Diogo Lencastre O projecto Go Local for Coherence- Campaign for the promotion of Development and Sustainability é cofinanciado pela União Europeia e apoiado pelo Camões- Instituto da Cooperação e da Língua. Através de uma parceria global consolidada entre agentes públicos e privados procurámos promover o papel dos Municípios enquanto atores chave de um Desenvolvimento Sustentável. Juntos elevámos a voz na defesa de uma economia ativa e dinâmica, na promoção de uma sociedade equitativa, onde a igualdade de género e a educação de qualidade são uma realidade. Uma sociedade onde ambiente, tecnologia e mobilidade se alinham aos novos desafios demográficos e sociais. Uma sociedade global, que coopera entre si na promoção dos valores e princípios da dignidade Humana.

Data: abril 2014

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2.1 A Agenda Pós-2015

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2.2 E como se faz Comunicação para o Desenvolvimento?

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2.3 Comunicação para Influência Política (advocacy)

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2.4 Comunicação participativa

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3. Como conceber uma campanha: problemas, soluções e objetivos

www.cidadesglocais.org

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3.1 Comunicação estratégica e ciclo de projecto

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3.2 Mapeamento das partes interessadas

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3.3 Sistema de Avaliação

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3.4 Mensagens, mensageiros, públicos

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3.5 Disseminar as mensagens

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Pode copiar, fazer download ou imprimir o conteúdo desta publicação [utilize papel reciclado ou certificado] . Pode incluir trechos desta publicação nos seus documentos, apresentações, blogs e websites desde que mencione a fonte.

4. Recomendações

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Este manual faz parte da produção de materiais no âmbito do projeto Go Local for Coherence- Campaign for the promotion of Development and Sustainability [DCINSAED/2010/269

5. Referências e materiais

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Introdução

Neste Manual apresentamos a comunicação como uma componente central no desenvolvimento, seja em: processos de governação eficazes e transparentes; em apoio a cidadãos interessados e empenhados e a uma sociedade civil dinâmica ou em apoio ao crescimento económico inclusivo e sustentável. Mais do que nunca, é necessária uma política de comunicação descentralizada e transparente, em sintonia com os desafios colocados às comunidades e às expectativas concretas e imediatas dos cidadãos, contribuindo para os aproximar tanto das instituições locais e dos responsáveis políticos, como das instituições globais e dos temas da cidadania global. O trabalho em rede e a partilha de boas práticas é uma das formas pelas quais indivíduos e organizações podem potenciar ferramentas de comunicação para a partilha. A internet de hoje, também chamada de web 2.0, caracteriza-se por permitir aos utilizadores das redes interagir e criar os seus próprios conteúdos. Aproveitando o trabalho em rede, a Meta “Comunicar para o Desenvolvimento" privilegia a democracia participativa e uma dinâmica de cooperação horizontal, visando o sucesso das políticas comuns e a sua apropriação pelos cidadãos. Procura facilitar a comunicação de forma global, promovendo o intercâmbio de experiências, a interconexão das redes e o confronto de ideias e de conhecimentos, promovendo a interação entre as esferas locais, nacionais e internacionais - participando nas redes de parceria global para o desenvolvimento. Sabemos que a formação e a informação são ferramentas de trabalho essenciais aos atores do desenvolvimento. Porque cada vez mais trabalham numa ótica multidisciplinar e integrada, é necessário identificar e reforçar o conhecimento de conceitos cada vez mais presentes na linguagem do desenvolvimento municipal. Neste sentido procuramos dar a conhecer aos/às técnicos/ as municipais uma “Caixa de Ferramentas/Dossier Formativo e Informativo ” com conceitos, ideias e boas práticas no âmbito da meta Comunicar para o Desenvolvimento 4


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Sumário executivo

O que é o marketing social; o que é advocacy ou advocacia social e o que é a Comunicação para o Desenvolvimento? Começamos por aqui.

Este é um instrumento de consulta fácil, que contém os principais conceitos destas áreas, que distingue ferramentas e modos de usar e recomenda ligações ou fontes para o/a utilizador/a que deseja aprofundar conheci­ mento.

Seguimos com as questões essenciais no setor: o PósObjetivos de Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas e o que se prepara na Agenda Pós-2015 para comunicar a necessidade de mudança global e estabelecer metas mais concretas e inclusivas para a mudança. Explicitados os conceitos que nasceram no Banco Mundial (C4D), uma breve visão do que se faz, hoje e ontem, em termos de “advocacy”. E casos de estudo e metodologias específicas da comunicação participativa (o Photovoice, o Vídeo Participativo).

Não é, portanto, um manual exaustivo sobre a Comunicação para o Desenvolvimento, as campanhas de interesse público ou de advocacia social – ou a comunicação como ferramenta de trabalho usada por todos nós diariamente. No pressuposto de que o desejo de quem trabalha para o “Bem Comum” é contribuir para a mudança (em prol da justiça social), o Manual inicia com os conceitos base: comunicar é dar voz, às pessoas – as organizações são feitas de pessoas e é o rosto da organização que as ferramentas de comunicação mostram. Permitem a participação, a criação de redes, o tratamento cuidadoso de temas complexos, o desmontar de mitos e o reforço da mudança social.

Debruçamo-nos em seguida um pouco mais nesta ideia de usar a comunicação em todo o ciclo de projeto e explicamos como podem as ONG e os seus parceiros – o municípios, as organizações locais com que trabalham, toda a economia social e mesmo as empresas socialmente responsáveis – fazer Comunicação para o Desenvolvimento alinhada com a sua restante intervenção. Para terminar, não nos alongamos num toolkit, mas antes juntamos uma lista de recomendações que podemos usar no nosso dia a dia no trabalho – e deixamos uma última sinalização de recursos a consultar. 5


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Neni Glock

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1. Porque falamos de comunicar para a mudança?

1.1. As organizações são pessoas: da cultura à imagem Quando falamos de comunicação no domínio público, seja comunicação de uma organização, uma instituição, uma empresa ou uma causa, é útil voltar a uma perspetiva interpessoal da comunicação – para percebermos o que está em causa quando comunicamos.

Face ao pessimismo e ao ambiente social e político que se vive hoje em Portugal, uma perspetiva positiva da mudança social pode parecer contracorrente. Utópica. Deslocada da realidade do nosso quotidiano. Mas, felizmente, a História e algumas das “estórias” que vamos escutando e que acontecem perto de nós, provam que não apenas a mudança é possível, mas que o curso da vida das sociedades humanas é marcada pelo imprevisto. O que parecia impossível, inamovível, irrealizável há uma geração - já mudou, hoje. A esperança é feita de uma mistura de ilusão e de um sabedoria que conhece intimamente a possibilidade de mudar.

A comunicação de uma organização tem de respeitar as mesmas regras de quando é uma pessoa que comunica. Clareza, transparência, regularidade, confiança - os mesmos cuidados ao comunicar, pois na verdade estamos sempre a comunicar para pessoas. Este é o princípio base que quem comunica não pode esquecer. Não apenas as pessoas, mas também as instituições e organizações, vivem imersos na cultura da sua comunidade. Quando falamos de cultura não falamos de manifestações artísticas, mas da cultura inerente à nossa comunidade: “Fenómeno dinâmico e aberto, influenciado por inúmeras pressões e fatores sociais, históricos, económicos, políticos e individuais. Materializa-se num conjunto de representações partilhadas sobre ação coletiva, reconhecidas e expressas através de símbolos.”

Mudar é possível. Nunca houve tantas oportunidades e ferramentas para a sociedade civil se organizar, as organizações mudarem as suas formas de funcionar e os cidadãos influenciarem mudanças em prol da justiça social. A Comunicação para o Desenvolvimento é aplicar a comunicação para ‘ativar’ os vários atores, avaliar a situação e desenhar estratégias eficazes para iniciativas melhores e mais sustentáveis.

A comunicação não é um fenómeno externo ou independente à cultura – está imerso na cultura e relaciona-se com um nível da cultura mais profundo, não visível, onde se situam os fenómenos das perceções, das crenças e valores e onde se constrói a identidade.

As campanhas de advocacia social são esforços organizados em prol de um desenvolvimento e prosperidade partilhados. São diferentes de formas novas como o marketing social ou outras técnicas

O que é a identidade? Um conjunto de características interdependentes da organização – traduzíveis em valores - que lhe conferem a sua especificidade, estabilidade e coerência.

Mas vamos dar um passo atrás e centrar-nos no que é essencial quando falamos de comunicação.

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Fig.1: o Modelo de Edward T. Hall’s: a cultura como um icebergue

ganização: um autor, Fombrum (1986) afirmou que reputação é “uma representação percetual das ações passadas e perspetivas futuras de uma instituição, que descreve a atratividade geral de uma instituição para todos os seus constituintes-chave quando comparada com os seus rivais mais relevantes”.

Este modelo explica igualmente as dificuldades do relacionamento intercultural – Hall explica que só podemos conhecer a cultura profunda do “Outro”, de uma outra comunidade, quando participarmos ativamente na sua cultura. Nesse sentido, a comunicação tem de ser potenciada como uma ferramenta aberta, evitando o estereótipo, não tentando camuflar os níveis profundos.

Neste sentido, muitos dos estereótipos que marcam alguma da atividade das ONG - as de cariz mais caritativo, assistencialista - assenta nos estereótipos e valores enraizados por décadas de comunicação estereotipada

É nos níveis mais profundos que se joga grande parte dos fatores que formam e influenciam a comunicação. Como exemplo, a reputação, seja de uma pessoa ou de uma or8


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A confiança é baseada não apenas no trabalho real de uma organização ou projeto, no impacto social mensurável, mas é baseada igualmente nas perceções – exatamente como na comunicação interpessoal. Os níveis de confiança exercitam-se, fortalecem-se, estimulam-se, alimentam-se. Por outro lado, a falta de confiança é um dos vetores mais difíceis de trabalhar com a comunicação – e exige uma abordagem sistémica da parte da organização, projeto ou causa. A maquilhagem não resulta também aqui.

sobre “as necessidades dos países do sul”, o “ajudar as criancinhas em África” - esse território informe e inexistente de onde nos chegam apenas notícias e imagens de catástrofes e fome. Esta imagem mental projetada por este tipo de comunicação derivou diretamente do final do colonialismo e de um conceito de superioridade cultural, ligado à ideia de desenvolvimento como modernização, de modelo ocidental. Está também ligado a um certo facilitismo da imprensa a nível global, que impede que outras imagens apareçam nos media, imagens positivas de países e povos africanos, continente de uma diversidade e riqueza que não caberá nunca nesta imagem estreita que ainda hoje continua a ser propagada.

Um exemplo para refletir: há cinco anos atrás, as organizações da sociedade civil, como as ONG ou IPSS, detinham o mais alto valor de confiança dos cidadão, por oposição ao das empresas ou das instituições do Estado – desde aí, têm vindo a descer, estando neste momento o índice de confiança das empresas a subir. O Estado continua igualmente a descer.

Imagem. O que queremos dizer ao repetir tantas vezes esta palavra? A um nível organizacional, pode ser descrita como o modelo mental usado pelos diferentes públicos de uma organização (pessoa, projeto, causa) para a representar sempre que pensam nela. A imagem que os indivíduos formam de uma organização depende de: ¬ A informação que cada indivíduo tem dessa organização. ¬ O modo como o indivíduo adquiriu essa informação. ¬ O modo personalizado de categorização dessa informação. ¬ A perceção da relação entre aquelas peças de informação e outras já armazenadas nas suas memórias. ¬ A perceção da conexão entre estes itens de informação e eles próprios.

Fig.2: Barómetro de confiança Edelman – confiança do público nas organizações da sociedade civil – 2011, 2012, 2013

Para complexificar mais um pouco, há ainda outro vetor essencial que não podemos esquecer na comunicação humana - a confiança. Sem confiança não há mudança de comportamentos, não há apoio e legitimação para a ação de uma organização ou uma causa, não há nem fundraising eficaz. Tal como na comunicação interpessoal, o nível de confiança é fulcral entre interlocutores.

E como gerir estes desafios na opinião pública? Como tornar visível a nossa organização? Como chamar a atenção do projeto e causa associada? Como tornar relevantes na agenda mediática estas questões e mudanças que pretendemos atingir? 9


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1.2. As questões sociais e a agenda pública

4. Desenhando opções: analistas e ativistas analisam a informação recolhida e consideram formas de lidar com o problema. 5. Selecionando comportamentos: corre o debate sobre os custos e benefícios que atuar ou não atuar terá sobre as várias partes interessadas. 6. Lançando intervenções iniciais: fundações ou agências governamentais concedem fundos. As organizações lançam intervenções integradas de comunicação. 7. Avaliando e redirecionando esforços. 8. Atingindo o sucesso, fracasso ou desinteresse.

O que faz os problemas evoluir na agenda de uma sociedade? Existem três agendas: a pública (a perceção geral da opinião pública); a dos media e a política. Entre os factos objetivos, os enquadramentos e interpretações várias, cada problema ou tema evolui na agenda pela ação concertada de vários protagonistas: jornalistas; grupos de opinião; políticos e personalidades carismáticas. Decisiva para a evolução de um problema na agenda social é a forma como se encontra enquadrado. Os políticos chamam spinning a este enquadramento, significando que se pode colocar um problema na agenda pública se se souber fazer bem a jogada, manipulando as expetativas da opinião pública. Os problemas sociais têm maior proeminência, portanto, não porque a realidade objetiva mudou, mas sim porque mudaram as nossas expetativas em relação a estas questões. Quando quiser introduzir uma questão na agenda pública, considere em que momento ele se encontra no seu ciclo de vida: 1. Desatenção: o problema social existe, comprovado por dados concretos ou histórias dramáticas, mas ainda não se tornou preocupante para ninguém. 2. Descoberta: o problema chama a atenção de indivíduos ou grupos que consideram que merece ser tratado. Avaliações ou medições de base serão feitas. As nuances do problema emergirão – p.e., saber quem é o mais afetado . 3. Subindo na agenda: Ativistas, grupos de pressão, políticos, repórteres e colunistas aumentam a notoriedade da questão. Recolhem mais provas, apresentam vítimas e potencial/ aumentam o nível de culpabilidade dos que não são afetados pelo problema. Financiadores e outros com capacidade de intervenção começam a achar o assunto merecedor de atenção e de possível atuação.

Fig.3: Ciclo de vida da questão social na agenda pública

Quando queremos transmitir uma mensagem ou uma campanha de uma forma continuada, temos de estar conscientes da fase em que o tema está na agenda pública – e avaliar constantemente a fase em que se encontra para poder adequar a comunicação ou mudar de estratégia de forma eficaz. Por exemplo, o esforço de fazer transitar o público de uma fase de desatenção para a descoberta é maior do que levá-lo para o debate, pois as pessoas atentam mais no que lhes é familiar. A comunicação estratégica é isto mesmo - saber como comunicar em cada momento. As questões sociais não são, muitas vezes, fáceis de comunicar. Pela complexidade ou por serem temas fora da agenda, exigem muito esforço na comunicação. 10


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1.3. Dar voz: marketing, advocacy e comunicação para o desenvolvimento

o Desenvolvimento, o que as campanhas e ações de advocacy e o que os atores do setor do desenvolvimento desejam alcançar. Mas a concorrência é feroz...

Comunicar é, etimologicamente, “colocar em comum” – é por isso permitir a existência de várias vozes. Na génese dos meios de comunicação social existe sempre esta dimensão da partilha e de dar voz a quem a não tem. Mas torna-se necessário relembrar esta vocação inicial porque a agenda mediática está cada vez mais entupida pelo multiplicar de produtores e meios de comunicação.

Comecemos por distinguir conceitos que vamos ouvindo mas nem sempre sabemos exatamente o que são. O marketing social é muito claramente a aplicação das ferramentas desenvolvidas pelo marketing comercial, ao setor social. Os fins e os meios é que diferem. Explica Alan Andreasen (2007): “marketing social é a aplicação de tecnologias do marketing comercial à análise, planeamento, execução e avaliação de programas desenhados para influenciar o comportamento voluntário de públicos-alvo de modo a melhorar o seu bem-estar e o da sociedade à qual pertencem”.

No trabalho das ONG e parceiros na cooperação para o desenvolvimento e educação para a cidadania global é igualmente necessário relembrar esta vocação – dar voz, dar visibilidade, é na verdade o que a Comunicação para

Un/John Isaac

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Claro está que estas três abordagens podem trabalhar em conjunto. “Por exemplo, a educação pode sensibilizar para a necessidade de mudança, as leis podem derrubar barreiras à mudança e o marketing social pode ajudar a promover benefícios e baixos custos do comportamento de mudança, ensinar competências e incrementar a autoconfiança, e trazer outros grupos e indivíduos para pressionar no sentido da mudança. O marketing social pode ainda desencorajar qualquer concorrência pela mudança de comportamento”. Outro conceito profusamente usado pelas ONGD é o advocacy ou advocacia social ou ainda influência política. Não falamos de campanhas políticas, nem de uma campanha publicitária ou de relações públicas. Aqui falamos de campanhas de advocacia social, que embora partilhem muitas das ferramentas daquelas campanhas, são distintas na sua natureza e objetivos.

Fig.4: Marketing social Vs. Marketing comercial

Mas o marketing social tem muito má fama no setor social e não só – uma reputação pior do que na realidade merece. Na origem e como definido por Andreasen, o Marketing social persegue a mudança social: a mudança social centra-se na influência sobre comportamentos individuais – e é este o domínio do marketing social. O objetivo de Andreasen é precisamente “reposicionar o marketing social como uma abordagem à mudança social tanto a montante como a jusante, de modo a que fundações, agências governamentais e várias organizações sem fins lucrativos a utilizem num leque amplo de aplicações”.

A advocacia social é um esforço organizado para, em nome da justiça social, influenciar instituições e sistemas políticos, económicos e sociais no sentido de tomarem decisões que defendam os interesses de grupos desfavorecidos. É uma ferramenta para trazer para a agenda, para a atenção do público e dos decisores políticos, uma injustiça social, os direitos de uma minoria, uma mudança legislativa urgente para garantir um direito humano. Podem desenvolver-se vários tipos de campanhas de advocacia social, com variados objetivos, como: mobilizar e envolver as pessoas (por exemplo, campanhas contra o crime ou campanhas de vacinação); informar e educar (campanhas de educação para o voto); e mudar comportamentos e atitudes (campanhas contra VIH/SIDA).

Ou seja, o desafio está em usar o poder do marketing para o bem social, influenciando comportamentos que melhoram as vidas de indivíduos, comunidades, países e regiões do mundo. A crítica recorrente à ambição do marketing social para resolver problemas sociais é a de que esses problemas já têm respostas, fornecidas pela educação e pela legislação. Quando os públicos alvo estão dispostos a agir, a educação é a melhor opção. Quando, pelo contrário, os indivíduos não querem agir ou preferem mesmo alternativas, a Lei pode ser a melhor escolha. Quando o grupo alvo está aberto à mudança mas relutante em agir, não vê oportunidades ou não tem certas competências para tal – esse é o terreno para o marketing social.

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E de que falamos quando dizemos Comunicação para o Desenvolvimento?

v­ anguardista distinção entre ‘comunicação sobre intervenções de desenvolvimento e resultados’ e a ‘comunicação para intervenção e resultados’. No primeiro caso, a comunicação é usada para informar o público acerca das iniciativas, atividades e resultados do setor do desenvolvimento. No segundo caso trata-se de aplicar a comunicação para ‘ativar’ os vários atores, avaliar a situação e desenhar estratégias eficazes para iniciativas melhores e mais sustentáveis. É mais que transmitir informação, é usar a comunicação para gerar mais conhecimento e consenso que facilite a mudança. Ambos os casos são importantes, e requerem um corpo diverso de conhecimento e talentos.”

Em 1999, o Banco Mundial realizou um inquérito às populações mais pobres do planeta. À pergunta “O que deseja mais”, a resposta “ter uma voz” foi a segunda mais frequente, atrás apenas de “Melhor rendimento”. Pegando neste ponto, um dos precursores da Comunicação para o Desenvolvimento, teve a liberdade dentro desta organização tradicionalmente tida como conservadora, de inovar nesta área – Paolo Mefalopulos e a sua equipa formularam os conceitos base da CommDev dentro do Banco Mundial, que é uma referência até hoje. No seu Manual Development Communication Sourcebok e­ xplica como necessitou “explicar a aparentemente

Paolo Mefalopulos traça um quadro claro dos vários tipos de comunicação de uma organização:

Tipo

Finalidade e definição

Funções principais

Comunicação Institucional

Comunicar a missão e atividades da organização, especialmente para públicos externos

Usar a produção e resultados mediáticos para promover a missão e valores da instituição; informar públicos selecionados acerca de atividades relevantes

Comunicação Interna

Facilitar o fluxo de informação dentro da instituição/projeto. Esta área pode por vezes ser incluída na comunicação institucional

Assegurar a partilha atempada e eficaz de informação relevante entre a equipa e os departamentos. Potencia sinergias e evita duplicação de esforços.

Advocacy ou Influência Política

Influenciar a mudança ao nível político ou público e promover questões ligadas ao desenvolvimento.

Aumento da consciência sobre as questões de desenvolvimento na ordem do dia; usa métodos de comunicação e media para influenciar públicos específicos e apoiar mudança desejada

Comunicação para o Desenvolvimento

Apoiar uma mudança sustentada nas intervenções para o desenvolvimento envolvendo atores chave.

Criar ambientes propícios para avaliar riscos e oportunidades; disseminar informação; motivar comportamentos e mudança social.

Fig.5: Tipos de comunicação usados pelas organizações que trabalham no setor do desenvolvimento - explicados por Paolo Mefalopulos

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1.4. Ética na comunicação: ou outro entendimento do que é desenvolvimento? Antes de nos prolongarmos para as estratégias de comunicação que podem ser ativadas por ONG, municípios e outras organizações que trabalham em cooperação para o desenvolvimento ou em desenvolvimento comunitário e educação para a cidadania global– temos de abrir o mais importante parêntesis deste Manual, o parêntesis ético. A ética na comunicação não é uma questão acessória ou gratuita: é central à ideia de comunicar hoje. A imagem de uma pessoa ou organização ou causa, como é produzida hoje face à multiplicação de incontáveis meios de difusão e produção, coloca ainda mais questões éticas a todos os que trabalham na cooperação para o desenvolvimento ou desenvolvimento comunitário e educação para a cidadania global – e nesse campo comunicam. Requerem a interiorização de princípios éticos base para tê-los presentes ao longo de todo o “ciclo de projeto” das causas, projetos ou organizações com que trabalhamos - em todos os momentos, documentos e meios pelos quais comunicamos. Se comunicar é dar voz, Comunicação para o Desenvolvimento é, antes do mais, dar voz a quem não a tem – dar visibilidade, incluir e não discriminar. Por outro lado, esta ideia de dar voz pode partir ainda de uma posição paternalista ou assistencialista – e um novo posicionamento é urgente, neste setor do “desenvolvimento”. A abordagem caritativa, que se dirige aos sintomas da pobreza ou da injustiça globais, não é já suficiente – é urgente um novo paradigma. E não temos sequer de ser nós a segurar o megafone ou empunhar a câmara ou o computador para dar

UN/P Mugabane

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4. Use imagens, mensagens e estudos de caso que sejam do total conhecimento, participação e autorização dos sujeitos representados (ou seus guar­ diões legais); 5. Assegure que aqueles cuja situação/contexto é representado, tenham a oportunidade de comunicar eles mesmos a sua história; 6. Registe se os sujeitos querem ser identificados e como – e comunique dessa forma; 7. Ao comunicar, tenha sempre como referência os Direitos Humanos e critérios de proteção de pessoas vulneráveis e 8. Idem para os direitos das crianças, segundo a Convenção dos Direitos da Criança – já que as crianças são o sujeito mais frequentemente retratado.

voz ao “Outro” - ao nosso “beneficiário”, a quem estamos a “ajudar” a falar, num tempo, espaço, meio e forma que decidimos nós. Falaremos mais à frente de como a participação real e emancipadora é importante, bem de algumas ferramentas participativas que podem ser usadas em contextos e projetos cada vez mais diversos. Num contexto de projeto ou nos meios de comunicação ao nosso dispor, onde a mensagem é formatada por nós técnicos ou responsáveis de comunicação das nossas organizações, é necessário não esquecer uma ferramenta essencial – o dar voz, identidade e respeito básicos, ao nosso interlocutor, seja do Norte, do Sul ou do nosso lado. O Código de Conduta para Imagens e Mensagens (ver http://www.cidadesglocais.org/images/stories/codigo_de_conduta_imagens_e_mensagens.pdf) que nasceu em 2007 da iniciativa da Plataforma de ONGD Irlandesas (DOCHAS) e foi depois adotada pelo CONCORD, é uma boa ferramenta, onde se resume o essencial e se chama a atenção para algumas questões menos óbvias ou que facilmente se esquecem ao comunicar. Os princípios orientadores do Código são os seguintes: 1. Escolha imagens e mensagens com base nos valores de respeito, igualdade, solidariedade e justiça; 2. Representar honestamente qualquer imagem ou situação retratada tanto no seu contexto imediato ou mais amplo, de modo a melhorar a compreensão do público sobre as realidades e complexidades do desenvolvimento; 3. Evite imagens e mensagens que possam aumentar os estereótipos, o sensacionalismo ou a discriminação de pessoas;

Nem sempre é fácil seguir estes critérios – como por exemplo, saber sob que nome os sujeitos querem ser designados, dado não podermos confirmar à distância quando temos uma fotografia de agência na mão – mas com a introdução destes princípios na nossa comunicação, podem tornar-se cada vez mais uma prática quotidiana e comum a todos os profissionais. Um exemplo de uma campanha que fala sobre as questões éticas profundas do trabalho no setor do desenvolvimento: a Survival chama a atenção de ONG e outros atores para as consequência da chamada “indústria do desenvolvimento”: http://osocio.org/message/survival_international_reveals_a_sinister_side_of_sustainable_development/ .

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Paulo Barata

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2. Comunicação e Desenvolvimento

2.1. A Agenda Pós-2015 Se este Manual pretende ser uma ferramenta para todos aqueles que procuram a mudança social, no sentido de uma opinião pública mais sensível e empenhada nas causas da sustentabilidade global – até há bem pouco tempo os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) proporcionavam o enquadramento onde estas causas se podiam rever no caminho de uma prosperidade global. Os ODM foram uma bela ferramenta de comunicação e “advocacy”. Mas chegados a este dia em que os ODM não são ainda realizáveis, as organizações (ONG ou não), os cidadãos e as nações necessitam de um quadro, pós-2015, que lhes permita reclamar e comunicar um caminho da justiça global - de mudança para um mundo melhor. Por todo o mundo, as organizações multiplicam-se em resumir e participar na discussão que as Nações Unidas abriram à participação da sociedade civil, para definir os novos objetivos globais. Por exemplo, na publicação “Beyond 2015 – Civil Society Demands for the Post-2015 development agenda – Europe”, a confederação europeia das ONG – CONCORD procura influenciar a agenda pública e enquadrar o trabalho das ONG europeias e seus parceiros nas iniciativas de cooperação para o desenvolvimento e educação para a cidadania global: “propõe ideias de como construir um enquadramento pós-2015 que consiga reter as características positivas dos ODM e construir a partir daí, para ultrapassar as desvantagens” de um sistema de metas. No pós-2015 já não é possível imaginar um tal sistema que se dirija quase exclusivamente aos países economicamente mais desfavorecidos, como eram os ODM: os desafios globais, desde as Alterações Climáticas às crescentes desigualdades em quase todo o planeta, dos Direitos Humanos ao desemprego, dos estados frágeis à 17


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segurança alimentar e humana, exigem uma mudança de paradigma que se aplique a todo o mundo e que necessita de todos os cidadãos: “O pós-2015 tem de ser universal, com objetivos globais pertinentes para todos os países e que todos contribuam para os alcançar. Cada país tem de se comprometer em melhorar em todos os objetivos, mas a natureza das melhorias é que tem de ser adaptada ao contexto de cada país.” E tem de integrar os três pilares do desenvolvimento sustentável (económico, social e ambiental) além dos três critérios transversais: igualdade e não discriminação; participação e não-discriminação; e responsabilidade e prestação de contas de uma governação global justa.

Desenvolvimento social inclusivo Os ODM tinham no seu centro o desenvolvimento social e humano – mas é consensual que não foram suficientemente longe e que muito está por fazer. A ETF propõe uma série de 8 metas globais e aspiracionais que incluem elementos económicos e ambientais importantes. Meta 1: proporcionar a todos uma educação de qualidade e

ferramentas para a vida Meta 2: garantir a cobertura universal e o acesso a cuidados de

Meta 3:

A publicação do Grupo de Trabalho europeu da iniciativa Beyond 2015 (ETF) adianta ainda que futuros objetivos de desenvolvimento e o contributo que as ONG ou os municípios podem dar para a sua concretização, têm também de ser medidos com outros indicadores, de bem-estar social mais do que de níveis do PIB (que não é critério válido para o bem-estar e camufla a desigualdade social); têm de se focar em mudar as estruturas (por exemplo, não focar apenas na pobreza e na fome, mas nas suas causas – a desigualdade); têm de pensar outro futuro, outro paradigma que não o do desenvolvimentocrescimento, e por fim, têm de ter na sua raiz a criação de um mecanismo de monitorização global da Coerência das Políticas para o Desenvolvimento (que torne toda a ajuda eficaz e não incoerente).

Meta 4: Meta 5: Meta 6: Meta 7: Meta 8:

saúde de qualidade, por forma a maximizar a saúde ao longo da vida realizar o acesso universal a alimentação adequada através de sistemas justos e sustentáveis de produção alimentar garantir a todos o acesso e disponibilidade de água limpa e saneamento básico sustentável desenvolver habitats que são social, económica e ambientalmente sustentáveis assegurar para todos um trabalho digno e proteção social atingir a igualdade de género e a emancipação de meninas e mulheres em todas as esferas garantir a protecção contra todas as formas de violência através de sistemas nacionais

Reorientar a economia para servir as pessoas e o planeta A função fundamental da economia como instituição social para servir pessoas e o planeta foi esquecida. São necessárias metas que reorientem a economia para as suas funções vitais. Quatro áreas a salientar no que diz respeito ao funcionamento correcto da economia, contendo importantes elementos sociais e ambientais.

A ETF (CONCORD) propôs provisoriamente 4 áreas (que se subdividem depois em 21 metas) para delinear um quadro de objetivos para o futuro Pós-2015: ¬ Desenvolvimento social inclusivo ¬ Reorientar a economia para servir as pessoas e o planeta ¬ Viver com os limites do ambiente ¬ Governação justa

Meta 9: regular e supervisionar o sistema financeiro de forma

a servir as pessoas e respeitar os limites dos recursos naturais Meta 10: reformar as regras e práticas do comércio internacional para promover o desenvolvimento humano sustentável Meta 11: fortalecer e reformar os sistemas de impostos para cumprirem as suas funções sociais elementares Meta 12: reformar as instituições financeiras internacionais de forma a cumprir as obrigações dos seus membros para com os direitos humanos

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Pouco depois, em maio 2013 o Painel de Alto Nível das Nações Unidas sobre a Agenda Pós-2015 fez um balanço positivo dos ODM e lançou as prioridades e desafios pós2015 – propondo uma agenda centrada nas pessoas e no planeta, através de cinco mudanças transformadoras que potenciem a necessária mudança de paradigma global: 1. Não deixar ninguém para trás – mais ambição e inclusão de todos os 8 mil milhões de pessoas em 2030. 2. A centralidade do desenvolvimento sustentável – o pilar social tem de ser tão preponderante como o económico e o ambiental na nova agenda para o desenvolvimento. 3. Transformar as economias para promover o emprego e promover o crescimento inclusivo – requer uma alteração profunda e rápida dos padrões de consumo e de produção e uma aposta na inovação, na tecnologia e no potencial da iniciativa privada. 4. Construir a paz e instituições eficazes, abertas e responsáveis para todos – paz e boa governação como elementos fundamentais do bem-estar. 5. Renovar a parceria global – deve basear-se num entendimento comum de partilha, sustentada no respeito e benefício mútuo, num mundo cada vez mais interligado.

Viver com os limites do ambiente Para lidar com ambas as causas e os impactos de tendência ambientais insustentáveis, são propostos cinco metas – cada uma contém elementos sociais e conómicos. Meta 13: garantir acesso justo aos recursos naturais Meta 14: manter e recuperar a biodiversidade e os serviços do

ecossistema Meta 15: desenhar e implementar estratégias de desenvolvimen-

to de baixo carbono Meta 16: reduzir perdas humanas e económicas nos desastres

naturais, prevenindo, preparando e mitigando os riscos Meta 17: garantir acesso unievrsal a energia segura, renovável e fiável Governação justa Estando nos outros pontos salvaguardada a justiça na governação internacional, as metas da “governação justa” referem-se ao plano nacional. Uma governação justa é definida por seis dimensões que se reforçam mutuamente. Tem de ser: centrada nos direitos humanos; participada; transparente; justa; prestadora de contas; e tem de garantir o acesso à justiça, respeitar o primado da lei e lutar contra a corrupção. Meta 18: tornar a governação democrática uma realidade em

todos os países Meta 19: eliminar a corrupção em todas as esferas Meta 20: acabar com a impunidade e alcançar acesso universal à

um sistema independente de justiça Meta 21: atacar os factores externos que causam conflitos

Ver mais sobre estas transformações em http://report. post2015hlp.org/fivetransformative-shifts.html

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2.2. E como se faz comunicação para o desenvolvimento?

Interessante igualmente é o relatório da consulta pública mundial A Million Voices: The World We Want, divulgado no final do ano passado – mais de 1 milhão de pessoas em todo o mundo participou, durante um ano. As mensagens mais fortes que lançam para os governos mundiais chegarem a acordo em 2015: ¬ As pessoas exigem ter um papel na mudança e redesenho do seu mundo. ¬ As áreas fundamentais dos ODM permanecem fulcrais. Ao mesmo tempo, é necessária mais ambição e urgência. ¬ As pessoas estão indignadas pelas injustiças que sentem – causadas pela crescente desigualdade e insegurança que atinge particularmente os pobres e excluídos. ¬ Os desafios são complexos e interligados, requerendo uma agenda de desenvolvimento sustentável integrada, holística e universal, que se aplique a todas as pessoas e países. ¬ Os cidadãos exigem uma nova agenda centrada nos direitos humanos e valores universais de igualdade, justiça e segurança. É necessária melhor governança para responder a estes apelos. ¬ O foco em objetivos concretos e mensuráveis é positivo, mas a avaliação do progresso tem de ser melhorada. Uma revolução nos dados pode significar uma revolução na prestação de contas.

Depois de esclarecido o conceito por Paolo Mefalopulos, passamos à prática: Este “paradigma emergente, focado na participação e numa comunicação de duas vias, é essencial para evitar os erros do passado. (...). Não serve apenas para informar, sensibilizar, persuadir ou mudar comportamentos. Mas para escutar, para explorar, compreender, emancipar e construir um consenso para a mudança.” Depois do Banco Mundial, o PANOS Institute de London (2007) faz um bom sumário do porquê da Comunicação para o Desenvolvimento - a comunicação é um ingrediente central no desenvolvimento porque: “Uma Comunicação para o Desenvolvimento é aquela que dá voz a todos, incluindo os mais desfavorecidos. Capacita estes para não só receberem mas também para participarem na criação de comunicação.” Uma Comunicação para o Desenvolvimento é particularmente apropriada num momento em que a comunidade internacional se vê obrigada a comprometer-se com metas concretas para responder aos desafios globais: o Protocolo de Quioto (Alterações Climáticas) e a Declaração do Milénio (Pobreza) são os principais exemplos. O papel da comunicação na mudança social é ainda mais evidente desde a emergência da internet e dos telefones móveis, que são TIC altamente participativas e democráticas – logo, formam um ambiente tecnológico ideal para uma Comunicação para o Desenvolvimento.

Agora, temos de aguardar a CIMEIRA em meados de 2015, onde será anunciada a Agenda Global para o Desenvolvimento – só aí saberemos como será esta ferramenta de advocacy pelo Desenvolvimento Sustentável e como estará desenhado este caminho para apoiar a mudança.

Exemplos de C4D, como também é chamada? O portal de iniciativas de comunicação http://www.comminit.com está magnificamente recheado de projetos, ideias, estudos de caso e iniciativas piloto onde se põe em ação toda a panóplia de ferramentas de comunicação que o setor do desenvolvimento e a cidadania global têm à disposição.

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2.3. Campanhas de advocacy (advocacia social ou influência política)

Merece uma visita – mas deixamos aqui um cheirinho dos quatro cantos do mundo: ¬ Media comunitários – estudos de caso e experiências inovadoras de como fazer uma rádio comunitário, televisão ou outra ferramenta para o uso das comunidades. Por exemplo, esta conferência sobre como usar material digital http://www.comminit. com/global/content/community-radio20 ¬ Arte para o Desenvolvimento – a Comunicação para o Desenvolvimento pode usar um kit muito alargado de técnicas e práticas artísticas que potenciam a inclusão social, a resolução de stress pós-traumático e muitas outras possibilidades. Ver o projeto de reconciliação israleo-palestiniano pela música em conjunto em http://www.comminit. com/global/content/heartbeat-jerusalem0 ¬ Eduentretenimento – o exemplo de uma série de televisão colombiana para os jovens, que trabalha questões de saúde, sexualidade e prevenção de uma forma divertida – além da série, inclui ferramentas para trabalhar na sala de aula, workshops e pequenas publicações temáticas – ver http:// www.comminit.com/global/content/estrategiade-eduentretenimiento-revela2-desde-todas-lasposiciones; já a Rua Sésamo desenvolve em todo o mundo programas educativos e campanhas junto das crianças, por exemplo, no Afeganistão - http:// www.comminit.com/early-child/content/impactassessment-baghch-e-simsim-report-findings-pilot-experimental-study ¬ Metodologias participativas e inovadoras – o autocarro do desenvolvimento apoia organizações comunitárias, desenvolve projetos e gere microcréditos por toda a Guiné-Bissau http://www.comminit.com/global/node/130080; o Passo-a-passo é um programa de histórias de vida digitais centrado nas sequelas das minas terrestres em Moçambique http://www.comminit.com/global/content/stepstep-our-stories

Uma boa parte das campanhas de advocacia social são implementadas por redes e/ou por coligações. A importância da rede não apaga a necessidade de liderança. O líder de um projeto de advocacia social não é muito diferente de um líder de qualquer outro tipo de projeto. Merece uma atenção especial o risco de desresponsabilização individual ao trabalhar em rede, que pode ter como causa a partilha coletiva de todas as responsabilidades e falta de comprometimento dos elementos de uma coligação para com a mesma. Tal estimula o incumprimento de prazos, a não execução das tarefas e o surgimento da sensação de que se trabalha melhor individualmente do que coletivamente. A falta de confiança é outra questão a enfrentar. Quando existe confiança entre os membros de uma coligação, estes tendem a agir de modo interdependente e complementar, dado que acreditam na integridade, caráter e capacidade uns dos outros. A confiança leva tempo a construir, mas é frágil e pode ser rapidamente destruída. Muitas das campanhas de advocacia social mais eficazes, conhecidas, com impacto duradouro ou resultados mais visíveis, são implementadas por redes e/ou por coligações. Exemplo, a coligação que organiza a campanha Think Eat Save, da PNUA com a FAO e a Messe Dusseldorf (com o apoio do Secretário-Geral das Nações Unidas ao Zero Hunger Challenge) conseguiu reunir muitos dos actores mundiais e locais em volta das ideias de Desperdício (no consumo) e Perda (na cadeia de produção) Alimentar - ver http://www.thinkeatsave.org/.

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O sítio web www.osocio.org é um manancial de inspiração e inovação de campanhas feitas por entidades sem fins lucrativos. Como por exemplo esta campanha de uma linha de apoio a pais e educadores com crianças complicadas e que fazem bullying: ¬ Inovação e humor – Perto do Natal, um coro canta afinada mas malcriadamente num centro comercial - a mensagem passa no local e é amplificada pelo divertido vídeo: inovação e adequação do meio e da mensagem, são essenciais para resultados junto dos destinatários -http://osocio.org/message/childrens_choir_starts_bullying_in_a_shopping_mall/; muito interessante também a ação “Guerilha de cadeira de rodas”, ocupando lugares de estacionamento e deixando mensagens aos condutores que ocupam os lugares para pessoas com deficiência: http://osocio.org/message/wheelchair_guerilla/; ou o humor numa campanha que promove respeito pelos ciclistas http://osocio.org/message/hunters_ on_the_road/ ¬ Choque – já são tradicionais as campanhas de advocacy que usam imagens ou vídeos choque para obter resultados – mas algumas fazem-no de forma cirurgica, como um exemplo, de prevenção da violência contra as crianças: http://osocio.org/message/brutally_powerful_anti_child_abuse_ad/; ou esta surpresa, típica das campanhas da Greenpeace, aqui contra a destruição dos habitats dos gorilas no Bornéu http://osocio.org/message/have_a_break_ greenpeace_vs_kitkat/; ou ainda a campanha pela prevenção da anorexia refazendo pinturas clássicas com nudezes anoréticas em http://osocio.org/message/contemporary_beauty_ideals/

Em coligação ou individualmente, qualquer organização que desenvolva uma campanha de advocacia social deve começar por ter em mente que: ¬ As melhores campanhas baseiam-se em esperanças e sonhos, mais do que em medos e problemas. Se queremos que as pessoas se envolvam, devemos inspirá-las e gerar entusiasmo em relação à campanha. ¬ As campanhas serão bem sucedidas apenas se puderem fazer com que o seu público-alvo identifique a campanha com a questão. Há que conhecer o público-alvo e as suas preocupações, valores e pontos de vista sobre a questão. ¬ Qualquer campanha bem sucedida precisa duma clara identidade e duma mensagem que o público entenda. Também deve ser clara sobre a mensagem que pretende transmitir em todos os materiais de comunicação. ¬ Uma boa campanha nunca desvia a sua mensagem. Apega-se à mensagem positiva que pretende passar, a despeito do que as pessoas dizem. Com isso pode condicionar a agenda pública. ¬ Conseguida a identificação do público-alvo com o tema da campanha, é necessário levá-lo à ação; é necessária uma estratégia de mobilização e de organização. Percorridos todos os passos do planeamento estratégico, a nossa campanha está pronta para sair para a rua – e para começar a escrever a sua própria história. Alguns exemplos de campanhas de advocacy, algumas delas premiadas e feitas de forma inovadora: combinam não apenas imagens e vídeos, mas ações de rua, presentes a deputados e outras ações criativas adequadas ao objetivo que pretendem atingir.

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¬ Advocacia glocal – ver por exemplo a Grow em http://www.oxfam.org/en/grow/ - é a campanha mais importante que a Oxfam (a ONG do setor do desenvolvimento mais conhecida pelas suas campanhas de advocacy) assume desde que a lançou há menos de 2 anos. Todavia, não há muita gente a falar da Grow a um nível massificado, como falaram e participaram da Make Poverty History, por exemplo - mas campanhas massificadas destas, com concertos e mobilização global, acabam por contribuir muito pouco para a mudança global e são criticadas por envolver os cidadãos num ativismo pastilha elástica... A Grow é já um modelo 2.0 de campanhas de advocacy: centrada em objetivos específicos (a soberania alimentar, a justiça climática, a agricultura familiar), desenvolve uma miríade de ações locais à volta da campanha global, apoiada por relatórios e investigação – glocal, portanto, a estratégia central para campanhas. ¬ Web 2.0 a vapor – o Avaaz é mais que uma campanha, é uma plataforma de campanhas, que mantém a ligação com 35 milhões de pessoas em todo o mundo e lança campanhas com petições, grandes anúncios nos media e mensagens de pressão para os líderes sobre os grandes temas do momento – lançou recentemente uma plataforma para iniciativas locais dos milhares de voluntários que tem em 194 países – impressionante para cinco anos de existência, ver www.avaaz.org. ¬ Capacitação para campanhas – Levando ainda mais à frente esta ideia, a NOI é uma plataforma de apoio e capacitação às organizações sem fins lucrativos, que tem programas de formação presenciais e online, manuais, recursos e muito mais em www. neworganizing.com; também a Campaign Central é um mundo a descobrir para as organizações que desejam fazer campanhas, desde as ferramentas para lançar uma campanha até à conferência anual People Power, em www.campaigncentral.org.uk. 23

IMVF


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2.4. Comunicação participativa

A fotografia participativa como ferramenta de empowerment e advocacy foi primeiro desenhada por by Caroline C. Wang da Universidade de Michigan e Mary Ann Burris da Fundação Ford - em 1992, Wang e Burris criaram a "photo novella” para trabalhar com as camponesas da província de Yunnan, na China, influenciarem as políticas que as afetavam. Delinearam o que é hoje conhecida como metodologia photovoice – em 1998, no Reino Unido, Anna Blackman e Tiffany Fairey, iniciaram projetos no Vietnam (Street Vision) e Nepal (Childrens Forum) que deram origem à organização com o mesmo nome, PhotoVoice - são uma ONG que dá formação a facilitadores, voluntários e apoiantes em todo o mundo.

A participação é a chave da comunicação para a mudança, da Comunicação para o Desenvolvimento – neste sentido, muitas metodologias participativas são usadas e desenvolvidas desde os anos 60-70, com influências de Paulo Freire e outros educadores sociais, com metodologias com o Teatro do Oprimido. Muitos projetos de educação popular exemplificam décadas de trabalho na América Latina, que incorporaram há muito as ideias de participação e emancipação. Os municípios portugueses têm já algumas boas experiências, estudos de caso e processos de participação e inclusão dos cidadãos (ver por exemplo www.cidadessustentaveis.info/). No setor do desenvolvimento, ONG, organizações locais e seus parceiros como os municípios ou as universidades, há décadas que usam por exemplo as ferramentas do vídeo e fotografia documental – como forma de reforço de campanhas de advocacy para desigualdades e problemas locais, chamando a atenção para histórias de pessoas que não têm voz e representação social.

Tal como a fotografia participativa, que é praticada de muitas formas há muitas décadas, sempre como metodologia experimental, também o vídeo participativo tem sido praticado em contextos, com metodologias e com graus de participação diversos. Se a Photovoice é a metodologia mais estabilizada e reconhecida em fotografia, o vídeo participativo como praticado pela Insight Share é hoje reconhecidamente uma metodologia e abordagem verdadeiramente participativos, experimentada, autorreflexiva e que potencia as ideias e experiências originais.

Estas experiências pioneiras incluem já membros das comunidades como os atores e sujeitos dos filmes, usando um conjunto de técnicas e dinâmicas participativas para os incluir em processos técnicos que os poderiam retrair.

É que há muitas formas de praticar vídeo participativo com graus de participação que vão desde a simples participação como protagonistas num vídeo pensado, filmado e editado por um autor estranho à comunidade, passando pela participação na construção e protagonismo da ideia mas que é ainda filmada e editada por um autor externo – até ao vídeo pensado, realizado e editado pelas comunidades, como preconiza a Insight Share com a minimização de intervenção externa.

No ínicio da década de 1990, aparecem novos atores e são apuradas técnicas: As “narrativas digitais” surgem com as proliferação de câmaras e gravadores baratos e acessíveis em todo o mundo – facilitadores, educadores e investigadores trabalham com membros de comunidades para capturar diferentes histórias, imagens e sons para construir narrativas sobre as suas comunidades (Mitchell 2008). Estas narrativas começam a ser discutidas, apropriadas e construídas pela própria comunidade – e surgem mais organizações de base comunitária a fazer advocacy pelas próprias mãos.

A “Insight acredita que aqueles que vivem e respiram um modo de vida são aqueles que estão melhor colocados para compreender as suas limitações e oportunidades; eles são os verdadeiros expecialistas” – da introdução do Handbook on Participatory Video. E para que serve o video participativo (VP)? Usam-no como “uma ferramenta

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para a mudança social positiva, uma forma de emancipação para os excluídos e é um processo que encoraja indivíduos e comunidades a controlar o seu destino”.

de modo superficial. Só por entregar câmaras aos membros de uma comunidade, isso não é VP e fazer isso sem qualquer enquadramento e suporte pode suscitar muitas consequências negativas. Introduzir VP num grupo ou comunidade é uma intervenção e, como tal, acarreta grande responsabilidade.”

No website www.insightshare.org descobre-se na realidade estudos de caso em que o VP é uma ferramenta que pode ser usada com cinco objetivos diferentes: advocacy (ver exemplo das Girls for Change); para investigação (o caso do Malawi); de registo de uma herança cultural (ver as Conversations with Earth, para Copenhaga 2009); para capacitação e formação (como a troca de informação e conhecimento entre comunidades de agricultores na Etiópia, sobre adaptação às alterações climáticas na agricultura) e para monitorização e avaliação (como o exemplo do Quénia, avaliando um programa de literacia financeira do Peace Corps através de uma série de filmes realizados e facilitados pelos próprios participantes).

Um dos perigos mais óbvios é levar este meio técnico “ocidental” para contextos culturais muito diversos do outro lado do planeta – “reforçando mitos de superioridade cultural ocidental e do uso de equipamento ‘mágico’ que os locais não conseguem manter” e utilizar no futuro o kit vídeo e edição que a Insight gosta sempre de deixar. É por isso que cada caso é um caso e a abordagem deve ser preparada e ponderada com atenção ao contexto e subtilezas locais – como qualquer metodologia e processo participativos exigem.

O VP não é uma técnica fácil e que possa ser usado em todos os contextos: a InsightShare trabalha há mais de uma década a desenvolver o Vídeo Participativo em conjunto com a metodologia MSC (most significative change ou mudança mais significativa) que permite acompanhar e identificar as histórias de mudança de uma comunidade. Desta forma o PV permite seguir, monitorizar e avaliar projetos, programas e processos de mudança. Um dos fundadores da InsightShare, Nick Lunch considera que “como qualquer processo participativo, o VP tem muitas fraquezas. É muito fácil elevar as expectativas das pessoas e depois os seus sonhos e ideias não avançarem para lado nenhum. A falta de transparência e a falta de seguimento após o processo, promessas que não são realizáveis, tudo leva à desilusão. É igualmente perigoso usar o VP como um valor acrescentado de projetos de desenvolvimento aproveitando a abordagem participativa

Fig.6: Guatemala – The Video Girls for Change Initiative em http://www.videogirlsforchange.org/

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UN/Jeffrey Foxx

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3. Como conceber uma campanha: problemas, soluções e objetivos 3.1. Comunicação estratégica e ciclo de projeto

Se quiséssemos retirar lições cruzadas do marketing social, da advocacia social e da Comunicação para o Desenvolvimento para sistematizar uma comunicação para a mudança social, diríamos que ela: analisa as características especificas da audiência/públicos; está orientada para os objetivos/resultados; faz programação (calendarização das diferentes atividades); coordena a comunicação com as outras intervenções; utiliza canais menos convencionais; faz comunicação organizacional e utiliza redes sociais.

Qualquer solução social é a resposta a um problema ou necessidade social. Um projeto ou intervenção traduz essa solução numa forma operacional, desde logo em objetivos que devem ser atingidos através de uma estratégia e suas táticas ou atividades. O planeamento de um projeto segue, portanto, a lógica de ciclo: desde o desenho da solução e objetivos até à avaliação e ajustamento para novo ciclo, passando pela implementação das atividades e sua monitorização. A comunicação estratégica segue um ciclo idêntico, com a diferença de que o pretendido é a construção de uma narrativa coerente, partindo da descoberta até à avaliação das mensagens mais eficazes para reiniciar a narrativa, passando pelo desenvolvimento da narrativa em atividades de comunicação.

A comunicação para a Mudança Social e o desenho de uma campanha pode, portanto, ser facilmente integrada na orgânica de uma organização ou intervenção social, pois segue a lógica de gestão do ciclo de projeto.

Fig.7: Esquema ciclo projeto

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Os objetivos podem ser: de processo, aqueles que estabelecem as atividades principais que devem ser levadas a cabo em cada momento específico; de resultado, referentes ao modo como iremos mudar as atitudes ou os comportamentos dos públicos-chave ou de impacto, estabelecendo quais são as mudanças na sociedade que desejamos ver concretizadas. Independentemente da sua tipologia um objetivo deve ser específico, mensurável, realista, relevante e definido no tempo.

procedimentos de planeamento, servem o cumprimento dos objetivos de projeto. Naturalmente, tratando-se do projeto apenas de uma campanha de comunicação, aquela distinção é desnecessária. O que é necessário é perceber que projeto e comunicação podem seguir lógicas complementares e que, quando necessário, a comunicação é apenas mais uma peça na engrenagem de eficácia de um projeto. A estratégia é o princípio diretor que emerge das questões decorrentes do problema, permitindo atingir os objetivos. As táticas ou atividades são os métodos para colocar em prática a estratégia e devem ter as mesmas caraterísticas dos objetivos (desenha as atividades ou ações): específicas, mensuráveis, realistas, relevantes e definidas no tempo.

Tomamos neste Manual os objetivos como o ponto de contacto entre a lógica de projeto e a lógica de comunicação estratégica. Um projeto com objetivos bem definidos pode facilmente formular objetivos de comunicação que, tendo as mesmas características e seguindo os mesmos

Fig.8: Inspirado na teoria da mudança de J. Prochazka, este ciclo fornece pistas para avaliar em cada momento a fase em que os cidadãos se encontram e que tipo de apoio necessitam para a mudança.

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3.2. Mapeamento das partes interessadas

O mapeamento de stakeholders ou partes interessadas na nossa campanha é importante para escolher as estratégias e táticas de comunicação mais eficazes em relação aos públicos-alvo.

Qualquer projeto é um exercício de escolhas. Uma campanha de comunicação também tem que escolher quais, quantos e quando recursos mobilizar, desde logo na definição dos objetivos. Não queremos chegar a toda a gente, nem ao mesmo tempo.

Decerto que uma campanha de comunicação dirigida a jovens vai preferir atividades nas redes sociais em detrimento do envio de cartas; ou posicionar a nossa organização como autoridade em determinado tema vai seguir uma estratégia de colocar conteúdo junto de especialistas em lugar da população em geral.

Crucial para este exercício de escolhas é conseguir ir além de uma mera listagem de pessoas ou organizações afetadas pelo nosso projeto – os stakeholders – e conseguir selecionar aqueles que efetivamente são importantes. Ou seja, é crucial entender todos os diversos grupos de interessados (stakeholders): as pessoas com poder, os parceiros e os opositores – e a dinâmica entre si. Importa avaliar a sua importância relativa, o seu poder face ao nosso objectivo.

Objetivo estratégico

Objetivos táticos

As seguintes três perguntas são centrais para uma análise de poder: Quem tem o poder para fazer a mudança? Quem tem o poder de influenciar os que têm poder?

Estratégia

Táticas

Mudar a políti- Posicionar a ca pública X organização X como thinktank ¬ Mobilizar X ¬ Informar pessoas. comunidade científica e ¬ Influenciar X media espepolíticos cializados

Encorajar adolescentes a reciclar ¬ Informar X adolescentes

¬ Alterar X% de comportamentos 1. Campanha de 1. Relações com 1. Campanha redes sociais media geral os media; Colocação de viral 2. Lóbi político Conteúdos 2. Eventos 1. Press-release; 1. Relatórios; Celebridades; Op-Eds Guerrilha Mk 2. Seminários; Comunidade 2. Petição; de práticas Reuniões AR (web)

culturais 1. Concurso de microfilmes 2. Festival música

Fig.10: Objetivos, estratégias e táticas, exemplos de tipos de ações.

Fig.9: Matriz poder-interesse.

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3.3. Sistema de Avaliação

3.4. Mensagens, mensageiros, públicos

Essencial em qualquer ciclo de projeto, o sistema de monitorização e avaliação é-o também numa campanha de comunicação. Deve ser imparcial e objetivo, estando presente desde o início do processo e sendo regular.

Até este ponto, falámos fundamentalmente de planificação de uma campanha, pois o talento técnico de criar um bom slogan ou logótipo é infrutífero se não estiver enquadrado por objetivos de comunicação claros e coerentes. Debruçamo-nos agora sobre a matéria prima da nossa narrativa, os conteúdos ou mensagens.

É útil para estabelecer a relação entre os objetivos e os resultados das atividades e assim permitir a ativação atempada de medidas corretivas. Além disso, permite uma prestação de contas clara e regular, credibilizando a campanha e satisfazendo as expetativas dos stakeholders ou públicos-chave.

As mensagens são importantes porque focam a direção do discurso, ancoram o processo de sensibilização e de formação de atitudes e são um referencial para a avaliação da campanha. Pelo que ficou anteriormente exposto, é claro que diferentes mensagens são mais ajustadas a diferentes formatos e a diferentes públicos ou stakeholders.

Se – como já referimos – os objetivos podem referir-se a atividades que queremos realizar, a comportamentos que queremos favorecer e/ou a mudanças sociais que esperamos influenciar, todos esses níveis de avaliação da campanha podem – e devem – ser avaliados.

Formatos Papel

Para entender como diferentes tipos de objetivos de comunicação podem ser avaliados em diferentes momentos de uma campanha, atente na figura seguinte.

Vantagens Informativo

Desvantagens Preço

Direto

Tempo de leitura Preço

Merchandising Lúdico Preparação ¬ Adequação da info-base base ao perfil de campanha ¬ Adequação das mensagens e atividades ¬ Qualidade da mensagem e das apresentações das atividades ¬ Nº de mensagens enviadas e de atividades desenhadas

Implementação ¬ Nº de mensagens reproduzidas ¬ Nº de atividades implementadas ¬ Nº de pessoas que recebem mensagens

Útil

Resultado ¬ Nº de pessoas que respondem a mensagens e/ou que participam nas atividades ¬ Nº de pessoas que entendem o conteúdo das mensagens e atividades ¬ Nº de pessoas que mudam opinião e atitude ¬ Nº de pessoas que adoptam comportamento desejado ¬ Nº de pessoas que mantêm comportamento desejado ¬ Mudança

Digital

Durável Viral/social

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Geral

Pouco informativo Preço Geral, jovem

Fig.12: Formatos de comunicação e públicos.

Fig.11: Indicadores para avaliação de uma campanha

Público-tipo Geral, 40-60 anos


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A mensagem é o elemento-chave que queremos transmitir ao público. Tem que ter um conceito claro e coerente, que inclua o quê, porquê, como e qual a ação pretendida. A extensão da mensagem também importa, pelo que deve ser focada e curta. O tom é outra dimensão importante: deve usar-se uma linguagem clara e positiva, sem jargão ou termos técnicos. A utilização de um rosto humano é outro fator preponderante, pois aproxima a questão do público através da empatia. Por fim, a consistência da mensagem tem que assegurar que esta não muda o seu conceito ou tom. Este é o elemento mais importante numa dinâmica de campanha, que tem de manter a narrativa viva ao longo de um dado período de tempo e consolidar a relação com os públicos nesse processo.

Terminamos este capítulo com duas notas sobre a mensagem: a questão da hora e local e a questão do mensageiro. O momento e o cenário que escolhemos para transmitir a mensagem podem amplificar ou anular o conteúdo. Escolher uma efeméride associada ao tema garante a atenção mediática (por exemplo, o Dia da Criança em campanhas associadas aos direitos da criança), o mesmo sucedendo se utilizarmos um lugar que garanta a atenção do nosso público-alvo (por exemplo, o Parlamento em campanhas sobre políticas públicas). O relacionamento de uma campanha com os seus públicos pode ser personificado de três formas: por um representante, que mantém contacto regular com repórteres, fornece informações (briefing), faz declarações de imprensa, lida com perguntas e organiza entrevistas; pela liderança, que é entrevistada ou responde a perguntas, ou que é mencionada ao falar em outros fóruns, tais como em eventos públicos; por especialistas, com conhecimento de causa e/ou experiência para falar sobre tópicos específicos e assim credibilizar a organização e, por fim, por embaixadores, figuras públicas utilizadas em momentos mediáticos.

Manter uma mensagem consistente não significa ser repetitivo/a ou aborrecido/a. Muito pelo contrário, significa produzir mensagens que reproduzem o mesmo conceito, mas que têm em consideração o público a que se destinam. Por essa razão, qualquer campanha deve começar por preocupar-se em produzir uma mensagem base, sobre a qual se declinam mensagens de apoio que esclarecem, atendem as necessidades de diferentes públicos, constroem entusiasmo e ampliam o apoio. Deste modo, todas as pessoas envolvidas na campanha entendem a mensagem podem reproduzi-la sem criar contradições ou mal-entendidos.

A utilização de celebridades como porta-vozes de campanhas tornou-se uma prática corrente, que deve porém ser ponderada. Antes do mais, há que perguntar se a campanha precisa realmente de uma celebridade para realizar os seus objetivos. Caso a resposta seja afirmativa, há que identificar aquela que melhor se ajusta ao nosso perfil: objetivos, mensagem, público-alvo.

Sublinhamos a importância da mensagem base para transmitir o posicionamento da campanha. Diz-nos como queremos que o público alvo veja o comportamento pretendido e seus benefícios face a outros comportamentos. Não é um slogan, está antes mais próxima de uma declaração de visão e missão da campanha.

É conhecida a frase “não matem o mensageiro!”. Em contrapartida, um mensageiro incapaz pode “matar” a mensagem – e até toda uma campanha.

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3.5. Disseminar as mensagens

Considere a questão “O que faz uma notícia?”. Resposta: novidade, interesse humano, conflito e atualidade (ligação a tema “quente” ou a uma efeméride).

a. Falar com o público

Fatores de sucesso: ¬ Preparar a informação quase “pronta a publicar”. ¬ Compreender o perfil de cada meio de comunicação – como formatar a informação para satisfazer o seu público específico –, de modo a ajustar a informação fornecida. ¬ Contar estórias, de preferência com um drama ou conflito incluído. ¬ Dar sempre resposta, mesmo que mais tarde. ¬ Fornecer informações tão claras e factuais quanto possível, de modo a minimizar o risco de a sua mensagem ser diluída

Terminámos o capítulo anterior com a importância do mensageiro. Seja ele uma celebridade ou o líder da organização promotora, por mais autoridade e/ou notoriedade de que disponha, tem sempre de adotar cuidados no momento de falar em público. Desde logo, quer a mensagem – conteúdo - quer o estilo de apresentação – forma - devem ajustar-se ao públicoalvo: não podemos ter uma pessoa de gravata, falando num tom sério e numa linguagem técnica a jovens num festival de música; mas também não podemos ter um músico a gritar palavras de ordem num encontro com decisores políticos. O ponto de partida de qualquer intervenção pública deve ser dizer o porquê da sua presença e qual será o foco da intervenção, repetindo essa informação no final da intervenção.

Embora os jornalistas usem cada vez mais as redes sociais como fontes de informação, estas funcionam sobretudo como teaser ou isco para os jornalistas procurarem saber mais e decidir se a informação tem valor noticioso. Isto significa que o clássico formato de comunicado de imprensa continua a ser importante, seja para dar contexto adicional ao jornalista após um teaser nas redes sociais, seja na divulgação inicial de cada iniciativa da campanha.

Criar empatia é fundamental, pelo que se deve falar diretamente para o público e lançar olhares a partes diferentes da audiência. O contacto visual é chave. Por fim, deve-se inspirar entusiasmo, não depressão, contando histórias de superação e factos que apontem para uma saída possível na resolução dos problemas.

Um bom comunicado de imprensa deve anunciar algo novo e interessante. Em termos de estrutura, o título deve ser curto e direto, usando palavras de ação. Os pontos principais devem ser colocados no início do texto e o primeiro parágrafo tem de responder às perguntas O Quê, Quem, Quando, Onde, Porquê e Como.

b. Relações com os media Para ter sucesso no relacionamento com os jornalistas, há que interiorizar um dado fundamental: o jornalismo é muito condicionado por tempo e espaços limitados, tendendo a procurar informação simples e pronta a publicar. Portanto, facilite ao máximo o trabalho do jornalista, fazendo uma boa parte do seu trabalho de simplificação da informação. Faça para os jornalistas o trabalho jornalístico.

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4. Recomendações e recursos ¬ O estabelecimento de um tema na agenda pode ainda sofrer distorções: p.e. se uma ONG distorce a seriedade de um problema colocando-o ao serviço da sua agenda particular; ou ainda quando o caráter controverso de um problema o impede de subir na agenda, mesmo sendo importante. ¬ Uma boa pesquisa não garante que o problema suba na agenda, necessitando de ser amplificada. O marketing social pode influenciar os meios de comunicação e pessoas chave para promover um tema como socialmente relevante. ¬ As três agendas sociais influenciam-se mutuamente. O marketing social pode influenciá-las identificando públicos-alvo decisivos, percebendo o que os motiva a agir e influenciando ações que os façam trabalhar em sinergia.

Vamos buscar algumas das melhores recomendações sobre como comunicar e colocar os nossos temas sociais na agenda, a Alan Andreasen: Decisiva para a evolução de um problema na agenda social é a forma como se encontra enquadrado (os políticos chamam spinning a este enquadramento). Às correntes objetivistas – que defendem que a informação é objetiva e que só necessita de interpretação –, opõem-se as construtivistas, argumentando que todas as questões são definidas por determinado grupo de interesses. Daqui se infere que os problemas sociais têm maior proeminência não porque a realidade objetiva mudou mas sim porque mudaram as nossas expectativas em relação a estas questões. Entre os factos objetivos, os enquadramentos e interpretações várias, os problemas evoluem na agenda pela ação concertada de vários intervenientes: jornalistas; grupos de advocacia social; organismos de recolha e análise de informação; grupos de opinião (think tanks); criadores culturais; políticos e personalidades carismáticas. ¬ Questões que não afetam segmentos alargados da população ou que estão afastados do seu quotidiano – p.e. destruição da Amazónia ou pobreza extrema – tendem a ser difíceis de dramatizar e, sobretudo, de sustentar na agenda.

E as recomendações centrais para desenhar uma campanha de advocacy? ¬ Ligar a campanha ao público-alvo – para isso, investigar e conhecer o contexto e público ¬ A mensagem deve ser clara, a identidade bem definida, o desenho claro da campanha ¬ Uma boa campanha nunca desvia a sua mensagem. Apega-se à mensagem positiva – para poder condicionar a agenda pública. ¬ Conseguida a identificação do público-alvo com o tema da campanha, é necessário levá-lo à ação; é necessária uma estratégia de mobilização e de organização.

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Regras para falar com a imprensa

¬ Procure dar entusiasmo e criatividade às suas respostas. Os repórteres procuram protagonistas capazes de inspirar as audiências. ¬ Mantenha-se calmo e firme, não levante a voz. ¬ Em televisão, lembre-se do microfone na sua lapela mesmo durante as pausas na entrevista. ¬ Em televisão, manter sempre uma postura correta (há várias câmaras em estúdio) – evite mãos no rosto, brincar com os brincos, etc.. ¬ Se quiser ser citado/a: – não limite a resposta a “sim” ou “não” – deste modo o jornalista irá citá-lo no texto, enquanto um mero “sim” passaria para o discurso do jornalista; – traduza a informação mais técnica e complexa em frases simples.

Antes duma entrevista ou comentário: ¬ Certifique-se de que tem dados fiáveis e atuais sobre o tema. ¬ Selecione previamente três argumentos fundamentais e formas concisas de os apresentar. ¬ Adapte a sua mensagem ao público-alvo do meio de comunicação. Durante uma entrevista ou comentário: ¬ Procure inserir os seus três argumentos fundamentais durante a entrevista, mesmo que não seja questionado diretamente sobre eles (aproveite questões pouco claras). ¬ Mencione ao jornalista a sua experiência no assunto e se possível dê exemplos práticos. ¬ Se não tiver resposta, assuma-o (pode de seguida dizer ao jornalista que irá contactá-lo após informar-se sobre o assunto ou reencaminhá-lo para quem saiba responder). ¬ Nunca diga “não comento” – em casos sensíveis prometa uma resposta posterior e envie-a por escrito. Numa entrevista em direto, pode responder recuperando posições anteriores. ¬ Não se precipite nas respostas. Pode pedir ao entrevistador para repetir a pergunta. ¬ Perante várias perguntas, responda a uma de cada vez – e deixe para o final aquela menos relevante para os argumentos que quer apresentar. ¬ Diga o nome completo da sua organização pelo menos duas vezes durante a entrevista, evitando acrónimos. ¬ Utilize exemplos, de preferência histórias humanas. Os exemplos são notícia mais do que os conceitos.

Depois da entrevista ou comentário Os jornalistas privilegiam fontes disponíveis e familiares. ¬ Contacte ao jornalista elogiando a reportagem e se possível fornecendo-lhe informação nova para reportagens futuras. ¬ Se considera ter sido representado de modo incorreto , diga-o ao jornalista de forma calma e equilibrada. Em geral, a mensagem de qualquer ato de comunicação deveria: ¬ Falar de esperanças e sonhos mais do que medos e problemas. ¬ Conhecer o público-alvo e as suas preocupações, valores e pontos de vista . ¬ Apresentar uma identidade e mensagens claras e estáveis.

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5. Referências & Recursos

Amnesty International (1997). Campaigning Manual, London, Amnesty International. ANDREASEN, Alan R. (2006). Social Marketing in the 21st Century. Thousand Oaks, Sage. ETF (2013). Beyond 2015 – Civil Society Demands for the Post2015 development agenda – Europe”, Brussels, CONCORD. GREEN, Duncan (2008). From Poverty to Power. London, Oxfam. GRUNIG, J.E. (2001). Two-way symmetrical public relations: Past, present and future. In Heath, R. ed. Handbook of Public Relations, Thousand Oaks, CA, Sage, pp. 11-30. LUNCH, Nick & Chris (2006). Insights into Participatory Video – a handbook for the field. Oxford, InsightShare. At http:// www.insightshare.org/resources/pv-handbook KOTLER, Philip & LEE, Nancy R. (2009). Up and Out of Poverty – The Social Marketing Solution. Wharton School Publishing. MEFOLOPULOS, Paolo (2008). Development Communication Sourcebook Nações Unidas (2012). A Million Voices: The World We Want (reports). At http://www.worldwewant2015.org/reports Broadening the Boundaries of Communication. Washington, The World Bank. Photovoice.org (no date). The PhotoVoice Manual – a guide to designing and running participatory photography projects. At http:// www.photovoice.org/PV_Manual.pdf PANOS Institute (2007). Pôr a Pobreza nas Notícias, Londres, PANOS. SCHULTZ, Jim (2003). The Democracy Owners’ Manual, New Jersey, Rutgers University Press. SIMÕES, Vítor (2009). Juntos Podemos – Participação Cívica em Torno dos Objetivos VICKERY, Graham e WUNSCH-VINCENT, Sacha (2007). Participative Web and User-Created Content, Paris, OECD. 36


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Esta publicação insere-se no âmbito do projecto “Go Local for Coherence – Campaign for the promotion of Development and Sustainability”, co-financiado pela União Europeia. Os conteúdos desta brochura são da exclusiva responsabilidade do IMVF e parceiros e não podem, em caso algum, ser considerados como expressão das posições da União Europeia.

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