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Comércio Justo -Anaua

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É um movimento social que, através de uma prática comercial, um trabalho de sensibilização e mobilização aspira transformar os actuais modelos de relações económicas e participar na construção de alternativas. Como tal, o Comércio Justo reflecte a diversidade existente na sociedade e tem muitas definições e interpretações, dependendo das organizações envolvidas. (Rede Espaço por um Comércio Justo) “Espaço por um Comércio Justo” é uma rede formada pelas organizações signatárias da Declaração “Abrindo Espaço por um Comércio Justo”, aprovada em 12 de Maio de 2006, em Barcelona, que entendem o comércio internacional como um complemento do comércio local e não como um motor de desenvolvimento prioritário, centrado na exportação Sul/Norte. Procura-se, assim, diminuir a dependência dos produtores do Sul do mercado internacional, “ainda que justo”. Pretende-se modificar as relações comerciais internacionais injustas, com base na política da OMC e de outras instituições internacionais de impor a abertura dos mercados do Sul. Nesse sentido, é importante apoiar as organizações de agricultores na defesa dos seus cultivos e formas tradicionais de produção. O objectivo do Comércio Justo é, pelo menos, duplo: por um lado, criar actores críticos em toda a cadeia económica e, por outro, desenvolver espaços de práticas alternativas que se articulem em redes locais e globais, facilitando as condições para amplas mobilizações sociais. O Comércio Justo não deverá apenas crescer quantitativamente para transferir mais recursos para o Sul, nem ser compreendido em estritos termos Norte-Sul, mas sim desde uma perspectiva global de mudança nos âmbitos da produção, transformação, distribuição, comércio e consumo.

Rua de São Nicolau, 105 1100-548 Lisboa T: 213256300 Fax: 213471904 E-mail: info@imvf.org URL: www.imvf.org Calçadinha da Horta, 19 2800-564 Pragal/Almada Tel/Fax: 212720641 E-mail: modevida@modevida.com URL: www.modevida.com

comércio justo mais do que uma acção comercial, é uma cadeia de solidariedade, pessoas, ideias, igualdade, direitos e transparência

Co-financiamento:

anaua a outra margem do comércio justo


anauá: a outra margem do Comércio Justo A palavra “Anauá”, de origem indígena Tupi, significa “árvore de flores”. A sul do Tejo, o Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) e a Cooperativa Mó de Vida dinamizam um projecto de Educação para o Desenvolvimento na área do Comércio Justo. Este projecto, com a duração de 18 meses, é dirigido a jornalistas dos media local e regional, comunidade escolar, movimento associativo, profissionais da restauração e população do Concelho de Almada. Entre outros objectivos, pretende a sensibilização da população do concelho de Almada para a temática do Comércio Justo, concedendo-lhe maior visibilidade e visando uma série de actividades que incentivam à participação activa por parte dos cidadãos. Diversas iniciativas serão levadas a cabo, entre elas: ¬ um ciclo de formação destinado a jornalistas com elaboração de um kit profissional sobre o tema; ¬ encontros temáticos nas escolas básicas e secundárias de Almada; ¬ actividades dirigidas aos profissionais da restauração; ¬ edição de um documentário sobre o trabalho de produtores locais do circuito do CJ; ¬ publicação de fichas de culinária com base em produtos do Comércio Justo e da Economia Social e Solidária; ¬ realização de uma quinzena temática onde serão desenvolvidas iniciativas diversas em torno do CJ, bem como o encontro “Conversas sobre o Consumo Responsável”.

Por uma alimentação socialmente justa e ambientalmente responsável *

Comércio Justo: desafios ¬ Um modelo de desenvolvimento baseado na Economia Solidária, que valorize as pessoas, o trabalho colectivo, a equidade e cooperação, face à competição e à concentração de riqueza nas empresas transnacionais; ¬ A Soberania Alimentar, no Sul e no Norte, que consiste no direito dos povos decidirem que alimentos produzir e de que forma; ¬ Transformar os produtos localmente, valorizando o papel dos produtores(as) locais, de forma a que estes não sejam meros fornecedores de matérias-primas; ¬ Favorecer os mercados internos e locais, tanto no Norte como no Sul do globo, com o fortalecimento de circuitos curtos;

¬ Uma relação directa e transparente entre quem produz e quem consome, com base na agricultura familiar, produção biológica e valorização dos processos tradicionais e o “saber fazer”, que aproximem o produtor do consumidor; ¬ Solidariedade com a Via Campesina – movimento internacional que integra a maioria das experiências organizativas dos trabalhadores rurais – nas propostas que contemplam o reconhecimento do papel fundamental dos pequenos e médios produtores para a manutenção de um mundo rural vivo; ¬ Trabalhar com produtores que funcionem de forma colectiva, comprometidos com a realidade social, política e ambiental do seu território; ¬ Alertar para a utilização da imagem do Comércio Justo nas campanhas filantrópicas das empresas transnacionais, quando o conjunto das suas actividades provocam impactos negativos superiores aos de nível social e ambiental; ¬ Formar consumidores que assumam um compromisso com o consumo crítico e responsável, no seu quotidiano.

O sector alimentar está actualmente concentrado num pequeno número de empresas transnacionais, que detêm a produção, transformação, distribuição e comercialização dos alimentos. Por trás de uma aparente variedade de produtos existe uma redução cada vez maior da diversidade em que se baseia a alimentação. A perda da biodiversidade agrícola, condicionada pela escolha dos produtos mais resistentes ao transporte de longa distância e pelas condições de armazenagem, aliada à utilização abusiva de químicos e à desertificação causada pelo uso intensivo de maquinaria pesada na agricultura, são alguns dos problemas do modelo agro-industrial em curso. A chamada Grande Distribuição Alimentar (GDA) é o principal meio de acesso do consumidor aos alimentos e dos produtores ao consumidor. Os impactos sobre os produtores e consumidores, tanto no Norte como no Sul, para além do ambiente, são nefastos: ¬ Procura-se criar a ideia de grande variedade de produtos disponíveis, acrescentando aditivos, sabores, cores, texturas e formas à comida industrializada, submetida a complexos processos de transformação; ¬ Na Europa consomem-se anualmente 170.000 toneladas de aromas industriais. O seu número supera os 3.800, a maioria dos quais não tem nenhum componente nutritivo e comportam riscos para a saúde; ¬ O desaparecimento de um mundo rural vivo – das pequenas e médias produções familiares e sustentáveis – e sua substituição por produções industrializadas e intensivas, de grande escala e poluentes;

¬ As consequências do desaparecimento dos agricultores do Sul têm um impacto diferente que nos países do Norte considerando que, naqueles países, há uma importante faixa da população que vive da agricultura. Este modelo vem exercer uma forte violência contra os agricultores que lutam por manter o seu meio de vida; ¬ Produção intensiva e industrializada, não respeitando os ciclos naturais – alimentos da época – nem os diferentes custos ecológicos; ¬ As toneladas de dejectos gerados a partir das embalagens, plásticos, metais e outros materiais cuja reciclagem não é gerida, constituem um problema ainda mais grave no Sul do planeta, face à incapacidade dos governos em absorverem a crescente quantidade produzida; ¬ Desrespeito pelos direitos dos trabalhadores tanto nos países do Norte como nos do Sul, com mão-de-obra barata e precariedade laboral; ¬ Finalmente, a GDA impulsiona um modelo de desagregação social e territorial ao contribuir para o desaparecimento dos tecidos produtivos de pequena escala rural e do pequeno/médio comércio de bairro. * Fonte: Xavier Montagut y Fabrizio Dogliotti, Alimentos Globalizados – Soberania Alimentaria y Comercio Justo,2006, Icaria, Barcelona Xavier Montanyès, Una Aproximación Al “Supermercadismo” in: Xavier Montagut y Esther Vivas, Supermercados, no gracias, 2007, Icaria, Barcelona


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