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Boa Prática de Economia Social e Solidária - ADREPES

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ECONOMIA SOCIAL E SOLIDÁRIA ADREPES

ECONOMIA SOCIAL E SOLIDÁRIA: ADREPES

1


O PROJETO ECONOMIA SOCIAL E SOLIDÁRIA REÚNE E DÁ A CONHECER DIVERSOS EXEMPLOS DE ECONOMIA SOCIAL E ECONOMIA SOLIDÁRIA (ESS), PARA QUE AS PESSOAS INTERESSADAS E ENVOLVIDAS EM INICIATIVAS SOCIAIS E SOLIDÁRIAS POSSAM INTERAGIR E CONECTAR-SE, DE FORMA A PARTILHAREM CADA VEZ MAIS ESTAS AÇÕES COM OUTRAS PESSOAS. AO REUNIR E PARTILHAR ESTES EXEMPLOS, PRETENDE-SE OBTER NOVAS IDEIAS E PRÁTICAS, DE FORMA A REFORÇAR A ESS. ASPIRAMOS A POTENCIAR A REFLEXÃO E DISCUSSÃO, POR FORMA A DESCOBRIR E PARTICIPAR EM FUTURAS OPORTUNIDADES E POSSIBILIDADES DE ESS. AO MESMO TEMPO – ASSIM COMO OUTRAS INICIATIVAS DE ESS – ESTAMOS A CONSTRUIR LAÇOS COM DECISORES POLÍTICOS, COM O OBJETIVO DE OBTER O SEU APOIO EM FORMAS ALTERNATIVAS DE AGIR E ATUAR. SOMOS UMA REDE DE 26 ASSOCIAÇÕES EM 23 PAÍSES EUROPEUS, POTENCIANDO AS COMPETÊNCIAS DOS ATORES LOCAIS, COMPROMETIDOS COM A ECONOMIA SOCIAL E SOLIDÁRIA, APOIANDO O NOVO PARADIGMA DO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO ORIENTADO PARA O COMBATE À POBREZA E NA PARTILHA DE UM MODO DE VIDA SUSTENTÁVEL E EQUITATIVO.

Este relatório foi produzido com o apoio financeiro da União Europeia. Os conteúdos deste relatório são da responsabilidade do projeto SSEDAS e não podem, sob quaisquer circunstâncias, ser considerado como refletindo a opinião da União Europeia.

2


Esta publicação foi elaborada no âmbito do projeto “Economia Social e Solidária”. O vídeo desta Boa Prática, filmado e editado por António Fonseca, encontra-se disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=zeIUnAVPs7Y Coordenação: Instituto Marquês de Valle Flôr Autora: Catarina Maciel Facilitadores: Unidade de Cidadania Global do IMVF, Riccardo Troisi (Fairwatch), Monica diSisto (Fairwatch) Créditos das fotos:António Fonseca Agradecimentos: MONTE – ACE Portugal, 2016

Pode copiar, fazer download ou imprimir o conteúdo desta publicação [utilize papel reciclado ou certificado]. Pode incluir trechos desta publicação nos seus documentos, apresentações, blogs e websites desde que mencione a fonte. Porque defendemos a igualdade de género como um valor intrínseco aos Direitos Humanos onde se lê “o” deve ler-se “a” sempre que aplicável, de forma a garantir o respeito pela igualdade de género também na escrita.

ÍNDICE PREMISSAS ..................................................................................................................................................... 5 0.2) Contexto Económico e Social do território comparativamente com o contexto nacional ... 5 0.3) Papel das Organizações da Economia Social e Solidária no território ...................................... 7 0.4) Iniciativas públicas/legislativas que influenciam a Economia Social ........................................ 10 DESCRIÇÃO DA BOA PRÁTICA DE ECONOMIA SOCIAL E SOLIDÁRIA 1.1) Nome, Organização e/ou Rede responsável pela prática; Localização; Setor ....................... 16 1.2) Atividades propostas .......................................................................................................................... 16 1.3) Modelo de gestão e envolvimento de atores ................................................................................ 19 1.4) Volume de negócios e criação de empregos/qualidade ............................................................. 20 1.5) Externalidades sociais e ecológicas ................................................................................................. 21 1.6) Comunicação e influência política ................................................................................................... 21 1.7) Networking, afiliações e abertura da Boa Prática às redes existentes ..................................... 22 AVALIAÇÃO DA BOA PRÁTICA ............................................................................................................. 24 2.1) O impacto e potencial económico e social da boa prática ......................................................... 24 3


2.2) O impacto transformador dentro e fora do território ................................................................ 25 2.3) Impacto da Boa Prática nas políticas .............................................................................................. 26 2.4) Sustentabilidade da Boa Prática ...................................................................................................... 28 2.5) Espaço participativo aberto ao território ....................................................................................... 29 O QUE PODEMOS APRENDER COM ESTA BOA PRÁTICA? ............................................................. 30 HISTÓRIA INDIVIDUAL ............................................................................................................................. 32 INFORMAÇÃO ADICIONAL ..................................................................................................................... 37

4


ECONOMIA SOCIAL E SOLIDÁRIA BOAS PRÁTICAS – ADREPES (INE), de 779.399 habitantes2, dos quais 53% são mulheres. A população da Península é 0. Premissas

relativamente jovem, sendo que 26% da

0.2) Contexto Económico e Social do

população tem menos de 24 anos e a

território comparativamente com o

percentagem de pessoas com mais de 65 anos

contexto nacional

é de 17,7% (inferior à taxa nacional de 19%).

A Boa Prática que a presente investigação A

pretende descrever tem o foco de intervenção

território

especialmente em alguns concelhos da região,

nacional.

nomeadamente no Barreiro e no Seixal.

Atendendo aos dados estatísticos existentes, foram

selecionados

relevantes

que

alguns

integram

a

indicadores atividade

da

ADREPES, bem como os desafios económicos e sociais que afetam o território.

População A subregião da Península de Setúbal (NUTs III) integra-se na Área Metropolitana de Lisboa (NUTs II)1 e tem uma área de 1.421 km2. A População Residente da Região da Península de Setúbal seria, no final de 2013, segundo estimativa do Instituto Nacional de Estatística 1

densidade

variação positiva do crescimento da população,

económico e social geral da região em o

uma

nacional de apenas 111,3. Tal deve-se à

capítulo é apresentado um enquadramento

com

apresenta

populacional de 480,6, bastante superior à

na região da Península de Setúbal. Neste

comparação

Península

2

http://www.pordata.pt/O+que+sao+NUTS 5

INE, Estimativas 2013.


A taxa de fecundidade é também bastante

No que respeita à população com Ensino

superior à média nacional, como ilustra o

Superior,

quadro à direita3:

ligeiramente superior à média nacional, de

esta

situa-se

nos

16%,

sendo

14,5%. Mercado de Trabalho A região regista uma taxa de atividade de 48,2%

Atividade Económica no Território

(mais elevada do que a nacional, de 47,6%), e

No

uma taxa de desemprego de 14,7%, também

específica, não foi possível a recolha de

mais elevada do que a nacional, de 12,7%4. De

informação mais precisa, tendo em conta o

acordo com o Referencial de Coesão Social, a

enquadramento da Península na NUT da Área

Península de Setúbal é uma das regiões do país

Metropolitana de Lisboa. No entanto, realça-se

mais afetadas pela incidência do desemprego.

que estudos prospetivos indicam que a

Os

municípios

que

respeita

à

atividade

económica

da

Península de Setúbal registam

taxas

de

desemprego superiores, com Moita (17,9%),

Setúbal

(15,6%)

e

Barreiro

(15,4%).

Educação A Península de Setúbal regista uma taxa de analfabetismo bastante elevada (3,85%) face à

valorização dos recursos marinhos é uma área

região de Lisboa (taxa de 3%), mas abaixo da

com potencial de crescimento, sendo que é

média nacional, que atinge os 5,2%. Palmela

notório o peso destas atividades (pesca,

(5,8%),

indústria de conserva de peixe na Península de

Montijo

(5,2%)

e

Moita

(4,4%)

apresentam os valores mais elevados. 4

3

http://clasp.cmpalmela.pt/attachments/241_Indicadores%20Demografico s_PSCPS_mar2015.pdf 6

INE, Censos 2011.


Setúbal)5. Este cenário encontra-se ilustrado no

responsáveis pela construção de hospitais,

quadro abaixo.

sanatórios e albergues. Mas o maior desenvolvimento deste setor deu-

0.3) Papel das Organizações da Economia

se a partir do século XIX, como resposta às

Social e Solidária no território

dificuldades

e

Solidária

é

visão

alargada

(enquadramento relevantes,

destas

muito

•

principais

forças

fraquezas,

da

do

Igreja.

As

mais

são

as

relevantes cooperativas,

assumem como solidárias, democráticas

essencialmente, das entrevistas presenciais

com novos modelos de governança, e

efetuadas no âmbito da presente investigação.

cuja principal missão era dar uma resposta mais eficiente às necessidades

1. História da Economia Social em

sociais identificadas. Apesar de durante

Portugal

este período se ter verificado uma

A emergência da Economia Social no território

secularização das organizações, a Igreja

nacional data do século XV com a criação das

continuou

Misericórdias. Estas organizações fundadas

a

assumir

um

papel

fundamental na Economia Social;

pela Rainha D. Leonor, com o apoio da Igreja

•

Católica, tinham como principal missão o carenciados.

pelas

sociedades mútuas e associações que se

Alentejo, sendo esta informação resultante,

mais

inspiradas

revolucionárias

organizações

caraterização das organizações que operam no

aos

atividades

socialismo utópico e da Doutrina Social

maiores desafios atuais) e, depois, uma breve

serviço

de

experiências

indicadores e

Emergência maioritariamente

organizações

histórico,

em

quatro fases relevantes6.

semelhante, será apresentada neste capítulo uma

Estado

população. No século XIX é possível identificar

realidade e o papel das organizações da Social

pelo

assegurar os serviços de bem-estar social à

Atendendo a que, no contexto nacional, a

Economia

assumidas

Durante o século XIX foi também estabelecida regulamentação sobre a

Também

Economia Social de forma a organizar

relevante nessa altura foi o trabalho das

este setor e identificar o papel e funções

Irmandades e Ordens Terceiras, que foram

de cada tipo de entidade;

5

6

CCDRLVT, Especialização Inteligente de Lisboa, 20142020.

Quintão (2011), O Terceiro Sector e a sua renovação em Portugal. Uma abordagem preliminar, Instituto de Sociologia, Faculdade de Letras da Universidade do Porto. 7


•

No período após a 2.ª Guerra Mundial,

Instituto António Sérgio para o

durante o Estado Novo, o Estado Social

Sector Cooperativo (uma regi-

tentou cobrir todas os setores e, durante

cooperativa fundada pelo Estado

os 30 anos de ditadura, a maior parte

e

das organizações viveu sob a submissão

importantes cooperativas). Em

estatal que controlava a sua atividade.

2009, o Instituto foi reconvertido

Durante esse período, as cooperativas e

na Cooperativa António Sérgio

as

foram

para a Economia Social (CASES), a

particularmente controladas por causa

primeira plataforma institucional

dos

A

que integra todos os atores

essencialmente

relevantes da Economia Social e

sociedades

modelos

mútuas

de

Economia

Social

dominada

pela

governança.

foi

Igreja,

Centros

comporta

as

mais

do Estado que têm intervenção

Paroquiais e fundação da Cáritas (uma

regulamentar

nova organização que cobria o território

nesta área;

nacional focada na população mais

•

que

ou

operacional

o Em 1983 foi criada a forma

vulnerável);

jurídica

Após o 25 de Abril de 1974 assistiu-se a

Particulares

uma nova fase da Economia Social, com

Social). Devido a este estatuto foi

a

das

possível ao Estado estabelecer

organizações, devido, especialmente a

uma série de acordos/protocolos

uma nova política em Portugal, aos

de

desafios inerentes à adesão de Portugal

garantir aos cidadãos diferentes

à União Europeia, à crise global e a um

serviços sociais;

renovação

maior

da

maior

compromisso

parte

cívico

com

as

de

IPSS

(Instituições

de

Cooperação

Solidariedade

com

vista

a

o Nos últimos 30 anos, Portugal

organizações sociais.

assistiu à renovação deste setor

As mais importantes iniciativas durante

devido a uma série de fatores,

este período foram as seguintes:

internos e externos: com os

o A

importância

reconhecida

na

do

setor

foi

fundos estruturais, o crescimento

Constituição

das

(nomeadamente no artigo 80.º);

organizações

sociais

de

Portugal foi de quase 90% entre

o Durante os anos 80 foi criado o

1997 e 2007 (particularmente 8


relevante foi o crescimento das

representando 4,7% do emprego nacional e

associações

5,5% do emprego remunerado7.

e

alargamento

cooperativas);

das

áreas

de

intervenção tradicionais e novas experiências

e

movimentos Sociedade

iniciativas

de

coletivos Civil;

multi-escala;

Tipos de N.º de Organizaçõ Organizaç es ões

da

N.º de Colaborado res

governança

lançamento

N.º

de

106 euro s

2 260

31 783 749, 2

Mutualida des

119

4 537 329, 9

de organizações que promovem

Misericórdi as

381

32 493 518, 3

intervenções a uma escala global,

Fundações

537

10 765 361, 1

Associaçõe s e outras ONG

52 086

147 357

55 383

4 226 935 262, 6

diferentes

plataformas

integram

e

Cooperativ as

VAB

que

representam

diferentes áreas de atividade e organizações; número alargado

nomeadamente as Organizações Não

Governamentais

para

o

Desenvolvimento.

2. Números De acordo com a Conta Satélite da Economia

Total

Nacional, lançada em 2010 para aprofundar o

Total Economia

-

Peso no total da Economia

-

conhecimento e contributo deste setor para a Economia Nacional, o setor da Economia Social português era composto por mais de 50.000

4 138 163

2 304, 1

151 426

5,5% 2,8%

organizações, das quais 94% eram associações, seguidas

das

cooperativas,

fundações

e

3. Região de Setúbal

mutualidades. Este setor empregava cerca de 200.000 pessoas. O Valor Acrescentado Bruto

A Conta Satélite da Economia Social traduz o

(VAB) representava 2,8% do VAB nacional,

panorama geral da Economia Social em

7

https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_p ublicacoes&PUBLICACOESpub_boui=157543613&PUBLICA COESmodo=2

INE, 2013, Conta Satélite para a Economia Social, 2010 9


Portugal. Contudo, é mais difícil obter dados

produtores

específicos da realidade regional. Tendo em

agricultores, pescadores), misericórdias ou

consideração esta questão, no caso da região

Instituições Particulares de Solidariedade Social

de

mais tradicionais.

Setúbal

foi

possível

obter

alguma

informação adicional aquando das entrevistas.

diferenciadas

(vinícolas,

O princípio da participação está bastante

De acordo com Ana Vizinho, representante da

enraizado nas organizações sociais da região

Rede Europeia Anti-Pobreza na Península de

com a criação de várias plataformas de debate

Setúbal, existe um tecido social muito rico na

e trabalho conjunto a um nível mais regional,

região,

de que são exemplo a Plataforma Supra-

com

diferentes

enquadramentos

concetuais de Economia Social e Solidária, bem

Concelhia de Setúbal.

como na abordagem aos territórios. Um ponto a destacar nesta região respeita aos processos

0.4) Iniciativas públicas/legislativas que

participativos, na medida em que “existem

influenciam a Economia Social

muitas associações criadas no pós 25 de Abril,

Existe legislação específica que influencia

associações de pais, de amigos, de professores

diretamente o setor da Economia Social e/ou

que têm nuances muito interessantes porque

algumas

já têm na sua génese a participação das

capítulos serão apresentados os normativos

pessoas e das suas comunidades. Foram elas

mais recentes e que terão um maior impacto

próprias que se organizaram e criaram o que

no futuro da Economia Social e Solidária em

confere

Portugal.

ao

distrito

caraterísticas

muito

organizações

específicas.

Nestes

engraçadas”. Além disso, os atores políticos têm assumido um papel relevante na ação

1. Lei de Bases da Economia Social

destas organizações, estimulando o trabalho em parceria mas também a harmonização de

Em 2013 foi publicado o novo normativo da

alguns conceitos8.

Economia Social em Portugal, a Lei de Bases da

Coexistem organizações,

no desde

Desenvolvimento

8

território as

local,

Economia

diferentes

associações associações

Social9.

Esta

legislação

foi

unanimemente aprovada pela Assembleia da

de

República Portuguesa em março de 2013 e,

de

9

Entrevista a Ana Vizinho, EAPN.

http://www.cases.pt/0_content/sobre_nos/Lei_de_Bases_ da_Economia_Social.pdf. 10


desta forma, Portugal tornou-se no terceiro

As Instituições Particulares de

país da Europa (Espanha foi o 1.º) a ter uma

Solidariedade

regulamentação específica da Economia Social.

abrangidas

Os principais pontos desta legislação são os

anteriores; f) As associações com

seguintes:

fins altruísticos que atuem no

•

Reconhecimento

legal da Economia

Contribuição

não

pelas

alíneas

âmbito cultural, recreativo, do

Social em Portugal; •

Social

desporto e do desenvolvimento

para

a

definição

de

local; g) As entidades abrangidas

Economia Social

pelos subsetores comunitário e

o Centrando-se na atividade das

autogestionário, integrados nos

organizações da Economia Social,

termos da Constituição no setor

“Economia

Social

são

cooperativo e social; h) Outras

conjunto

de

atividades

entidades

livremente

personalidade

económico-sociais,

(…)

dotadas

de

jurídica,

levadas a cabo pelas entidades

respeitem

referidas

orientadores da Economia Social

no

artigo

4.º

da

presente lei” (Artigo 2.º, 1);

previstos

o Centrando-se na missão dessas

artigo

5.º

da

de dados da Economia Social”;

“prosseguir o interesse geral da quer

no

princípios

presente lei e constem da base

entidades que têm como fim

sociedade,

os

que

•

Reconhecimento da necessidade de

diretamente,

promoção da Economia Social pelas

quer através da prossecução dos

autoridades públicas: reconhecimento

interesses dos seus membros,

de que este princípio já se encontra na

utilizadores

beneficiários,

Constituição Portuguesa (princípio da

quando socialmente relevantes”

proteção social e do setor cooperativo e

(Artigo 2.º, 2);

social).

e

Este

reconhecimento

tem

o Apresentando uma lista aberta

implicações diretas em áreas como a

de entidade do setor (Artigo 4.º):

política fiscal, competitividade e outras,

“a)

As

atribuindo, assim, uma discriminação

associações mutualistas; c) As

positiva. Esta discriminação positiva é o

misericórdias; d) As fundações; e)

resultado não só da missão social destas

As

cooperativas;

b)

11


entidades, mas também do seu modelo

de

de governança e operação10.

relacionadas com o empreendedorismo social,

sobre

a

implementação

desta

investimento

lei.

programa

Coexistiram alguns grupos, cuja abordagem

•

um novo tipo de organização: as empresas

introduzir

Fundo

para

Financiamento

sociais11. No entanto, a nova legislação não tem

Este

alterações

a

Inovação das

Social –

iniciativas

de

empreendedorismo social na fase de

qualquer referência a esta forma jurídica,

consolidação

apesar de ser assumido que o modelo é muito

ou

expansão

e

empréstimos (fundos de retalho) com

próximo das cooperativas. Apesar de não ser

garantias de acordo com as atividades.

referenciada na Lei de Bases, as empresas

Existem

sociais são referenciadas no Acordo de Parceria

algumas

experiências

anteriores em escala e de montantes

vários

mais reduzidos, mas com resultados

capítulos relacionados com a Economia Social e

relevantes. Os fundos são superiores

criação de emprego12.

aos anteriores com regras definidas pelo Governo mas também pela Comissão

2. Portugal Inovação Social 13

Europeia14;

A Iniciativa Portugal Inovação Social foi lançada

•

pelo Governo português em 2014. O principal Iniciativa

Portugal.

de financiamento:

a Lei de Bases reconhecesse a figura jurídica de

da

irá

em

Alentejo e tem disponíveis quatro instrumentos

Algumas entidades tinham a expetativa de que

objetivo

social

A Iniciativa cobre três regiões: Norte, Centro e

social e o empreendedorismo social no mapa.

em

daquelas

com impacto nas suas organizações.

que acreditavam que a Lei colocaria a inovação

Europeia,

e

significativas na Economia Social e Solidária

era mais inspirada no modelo anglo-saxónico,

Portugal-Comissão

inovadoras

bem como promover a criação do mercado de

Existiu uma alargada discussão na Sociedade Civil

iniciativas

é

apoiar

Fundos para os Títulos de Impacto Social – Um mecanismo de reembolso para

o

financiamento de soluções inovadoras,

Desenvolvimento, a expansão e consolidação

dependente dos resultados e impacto

10

12

http://www.ciriec.ulg.ac.be/wpcontent/uploads/2015/08/WP14-12.pdf 11 http://www.ver.pt/a-economia-social-e-uma-economiade-partilha

https://www.portugal2020.pt/Portal2020/Media/Default/ Docs/1.%20AP_Portugal%202020_28julho.pdf 13 http://inovacaosocial.portugal2020.pt/ 14 Henrique Sim-Sim, Gestor da Iniciativa Portugal Inovação Social na região do Alentejo. 12


Câmara Municipal de Lisboa17;

atingidos bem como na redução de custos e do aumento da performance

•

Parcerias para o Impacto – Instrumento

qualitativa. “Este fundo está muito

de subsídios não reembolsáveis para

conetado com as políticas públicas

estimular a inovação e iniciativas de

permitindo

com

Empreendedorismo social de elevado

elevado impacto a nível local e que

impacto que se encontrem ainda numa

poderão

no

fase de consolidação e crescimento. Este

desenvolvimento de políticas públicas e

programa promove o matching entre as

financiamento local. (…) O investidor

Organizações Não Governamentais e os

investe num determinado projeto e, se

potenciais financiadores, ou seja, as

esse projeto produzir bons resultados,

parceiras “têm que ter uma organização

traduzidos em impacto social, a Iniciativa

que promove a resposta social que já

irá cobrir o investimento inicial da

está testada e que já tem alguns

organização financiadora”15. Em 2015 foi

indicadores concretos e o investidor

implementada uma experiência piloto

social que se compromete que alavanca

de títulos de impacto social focada na

também a iniciativa”18;

testar

ter

programas

impacto

prevenção do abandono escolar através

•

Capacitação para o investimento social –

do ensino de código para alunos dos 3.º

capacitação de agentes envolvidos em

e 4.º anos do 1.º Ciclo de três Escolas

iniciativas

Básicas de Lisboa16. A Academia de

Empreendedorismo social – Um sistema

Código

iniciativa

de vouchers diretamente associado com

promovida pela Academia de Código e

a implementação de projetos concretos

financiada

Calouste

financiados simultaneamente por um

Gulbenkian que, caso o projeto alcance

dos três instrumentos financeiros da

os

iniciativa. “Desta forma, o programa

Júnior

pela

resultados

é

uma

Fundação

esperados,

será

de

inovação

e

assegura um elevado impacto”19;

reembolsada do seu investimento pela

18

15

Henrique Sim-Sim, Gestor da Iniciativa Portugal Inovação Social na Região do Alentejo. 19 Henrique Sim-Sim, Gestor da Iniciativa Portugal Inovação Social na Região do Alentejo.

Henrique Sim-Sim, Gestor da Iniciativa Portugal Inovação Social na Região do Alentejo. 16 http://investimentosocial.pt/the-lab/titulos-de-impactosocial/?lang=en 17 http://www.cmlisboa.pt/noticias/detalhe/article/primeiro-titulo-deimpacto-social-no-pais 13


Esta abordagem de investimento social, muito

relevantes são o Faz de Origem Portuguesa,

inspirado nas experiências anglo-saxónicas de

promovido

Economia Social, tem vindo a ganhar cada vez

Gulbenkian, o Insead Social Entrepreneurship

mais espaço em Portugal nos últimos anos.

Program

Existem diferentes grupos de organizações que

Empreendedorismo Social, promovidos pelo

têm vindo a refletir sobre estas temáticas e a

Instituto de Empreendedorismo Social ou o

promover a capacitação de ONG portuguesas

Concurso Realize o seu sonho, promovido pela

com vista a tornarem-se mais conscientes da

Associação Acredita Portugal.

importância desta área como potencial de

No que respeita a programas públicos que

garantir a sustentabilidade das organizações e

potenciam o desenvolvimento da Economia

projetos. Alguns exemplos de grupo são o

Social através da criação de novas iniciativas,

Grupo de Impacto Portugal20 ou o Grupo de

particularmente

Trabalho Português para o Impacto Social21.

destacam-se

pela

-

ISEP

Fundação

e

os

Bootcamps

promovidas

os

Calouste

seguintes:

por

de

jovens,

CoopJovem22

(programa que visa a criação de novas

3. Programas que promovem a criação

cooperativas por jovens com menos de 30

de organizações da Economia Social

anos), que comporta quer apoio técnico, quer

Atualmente

existem

em

Portugal

financeiro ao arranque, facilitando o acesso a

vários

crédito) e o ES Jovem23 (o potencial da

programas promovidos, quer por entidades públicas,

quer

privadas,

que

visam

Economia Social para a criação de emprego

o

jovem – Campanhas de sensibilização, ações de

desenvolvimento da ESS, a criação de novas entidades

ou

novas

abordagens

para

capacitação para jovens, visitas a organizações

a

sociais, apoio ao desenvolvimento de ideias).

implementação de projetos no âmbito da

A um nível mais local, a maior parte dos

inovação social.

municípios

No setor privado, a maior parte destas

o

próprio

programas.

Alguns

dos

financiamento

dos

programas

mais

desenvolvem

programas específicos de apoio à criação de

iniciativas é promovida por Fundações que asseguram

portugueses

organizações

(especialmente

associações

juvenis) ou desenvolvimento de projetos ou

20

final-report/?lang=en e http://investimentosocial.pt/wpcontent/uploads/2015/07/Relat%C3%B3rio_GT_pt.pdf 22 http://www.cases.pt/programas/coopjovem 23 http://www.cases.pt/programas/esjovem

http://www.stone-soup.net/index.php/en/news http://investimentosocial.pt/notas-epublicacoes/portuguese-social-investment-taskforces21

14


cedência de equipamento para a realização de

•

atividades ou sedes de organizações.

A área da intervenção social (em alguns casos, socio-territorial) é relativamente recente a nível municipal. “Não era uma

4. Políticas Públicas Locais

competência relevante dos municípios.

Em Portugal, não existe um governo ou leis

Os municípios estavam focados na

regionais – além da Madeira e Açores, neste

gestão territorial, nos serviços públicos,

último caso com uma dinâmica muito forte ao

e só nos últimos anos é que começaram

nível da Economia Social e Solidária – com

a assumir outro tipo de funções.

legislação específica e abordagens bottom-up.

Primeiro relacionadas com a Educação,

No entanto, ao longo dos últimos anos, os

assumindo

municípios têm assumido um papel cada vez

responsabilidades

mais relevante nesta área, devido a vários

depois através das escolas, atendendo

fatores: têm uma relação mais estreita com as

às necessidades sociais dos alunos, das

organizações sociais, fruto da proximidade

famílias”;

geográfica e são os promotores dos CLAS (Conselhos

Locais

de

Ação

•

Social24

cada neste

vez

mais

âmbito,

e

O seu papel tem vindo a ser reforçado “com a grave crise económica em

regulamentados pela Segurança Social), o que

Portugal,

obriga os municípios a terem uma maior

municípios teve de ser reforçada e o

interação com as organizações, a promoverem

apoio às organizações sociais tornou-se

intervenções em parceria e um olhar mais

mais próximo”;

estratégico sobre os territórios. Uma

das

pessoas

entrevistadas

• para

a

intervenção

social

dos

Através desta colaboração mais estreita,

a

os municípios ganharam, por um lado,

investigação no âmbito do projeto SSEDAS foi o

um maior conhecimento das reais

Presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto

necessidades das suas comunidades e

Pólvora, que partilhou a sua experiência como

tornaram-se também mais abertos a

autarca. Tendo em conta a missão dos

atuarem como um agente local que tem

municípios, as suas reflexões traduzem o papel

um papel no seu território, mas também

que a generalidade dos municípios terá nos

mais abertos a novas abordagens e a

seus territórios:

influenciar os seus próprios processos

24

Exemplo do CLAS de Sesimbra: http://www.cmsesimbra.pt/pages/794 15


de

decisão,

envolvendo

outras

agora

designada

por

“Associação

de

organizações e promovendo mudanças

Desenvolvimento Regional da Península de

a nível nacional.

Setúbal” e, de acordo com o artigo 3 do novo Estatuto, “a ADREPES tem como objetivo promover o desenvolvimento integrado da

1. Descrição da boa prática de Economia

Península de Setúbal — rural, costeiro e urbano

Social e Solidária

— a nível económico, social, cultural e ambiental”.

1.1)

Nome,

Organização

e/ou

Rede

A ADREPES desenvolve a sua atividade na

responsável pela prática; Localização; Setor.

Península de Setúbal, abrangendo quase todos

A Associação para o Desenvolvimento Rural da

os municípios da Península e tendo a sua sede

Península de Setúbal (ADREPES) foi fundada a 7

em Palmela.

de novembro de 2001 por um grupo de onze

1.2) Atividades propostas

entidades, públicas e privadas, representando populações e produtores locais. A ADREPES foi

Os

criada no quadro do programa LEADER+,

representativos são os seguintes: agricultura

importante

de

orgânica, comércio justo, estilos de vida

Desenvolvimento Rural da UE há mais de 20

sustentáveis e reciclagem25. Estes domínios

anos.

traduzem-se nos seguintes projetos:

componente

da

Política

De 2001 a 2009, a ADREPES desenvolveu a sua

domínios

•

de

intervenção

mais

Três projetos desenvolvidos no âmbito

atividade na área do Desenvolvimento Rural na

da análise do diagnóstico local — refletir

Península de Setúbal. Em 2009, a ADREPES

e implementar novas abordagens para

alargou a sua intervenção para a zona costeira

melhorar as soluções existentes para as

e área da pesca em parceria com a Associação

necessidades alimentares da região:

de Desenvolvimento do Litoral Alentejano

•

(ADL).

Da quinta para o Prato — agricultores locais fornecem organizações sociais, escolas e restaurantes locais. Destaca-se

Em 2013, a Assembleia Geral da ADREPES

o papel do coordenador e facilitador da

alterou a sua missão e nome. A ADREPES é

ADREPES, em parceria com outros

25

Informação retirada de entrevistas, website, Plano e Relatório Anuais de Atividades. 16


agentes locais: agricultores, entidades

(Desenvolvimento

locais, municípios, empresas.

(desenvolvimento de atividades nas

10 ha de terra doados pelo agricultor local

Rural),

PROMAR

87 voluntários envolvidos no cultivo e colheita

5 empresas doadoras de plantas

Famílias

ONG locais 40 Toneladas de comida

o

Campanha Agrícola Solidária -

zonas costeiras e no setor da pesca) e

com o objetivo de colher cerca de

POPH

40 toneladas de hortícolas que

capacitação).

serão distribuídos às famílias

•

mais carenciadas: •

•

(desenvolvimento

humano,

PROVE: O projecto teve início em 2004 no âmbito da iniciativa comunitária (IC)

Cabaz do Peixe — Pesca artesanal

Equal

sustentável, em que pescadores locais

resultado da análise do diagnóstico

vendem diretamente a consumidores

local:

locais

pequenos

agricultores a abandonar a agricultura,

grupos). O objetivo do processo é

sobretudo por dificuldades em vender a

alargar os circuitos curtos para o setor

produção. Em contrapartida, cada vez

da pesca. De acordo com a legislação

mais consumidores procuram produtos

portuguesa,

um

com qualidade e querem conhecer os

intermediário no processo, a associação

seus produtores — “conheça o seu

de pescadores.

agricultor, conheça a qualidade da sua

Apoio a iniciativas locais através de

comida”. A solução foi envolver agentes

programas

locais

(constituídos

há,

em

neste

Europeus:

caso,

PRODER 17

(projeto

território

—

experimental).

peri-urbano

municípios,

Foi

com

agricultores,


universidades e empresas responsáveis

O PROVE está a ser disseminado por

por marketing e distribuição — e criar

todo o país desde 2009, através de uma

uma proposta, uma metodologia, uma

metodologia muito simples e com o

marca. O primeiro cabaz foi vendido em

apoio de diferentes Associações de

2006.

Desenvolvimento Local (ADL), que são

Como

é

PROVE

que

o

funciona?

Organizam-se grupos constituídos produtores são

de que

responsáveis

pela produção e distribuição numa determinada área e

que partilham

materiais (e.g. uma carrinha e outros recursos).

Principais

responsáveis pela coordenação dos

objetivos:

produtores e consumidores locais.

promover novas formas de circuitos •

curtos entre pequenos produtores e consumidores

—

ajudando

(democracia

pelo

seu

sustentável);

do

trabalho

projetos

protocolo

estabelecido

entre

o

município de Palmela e o Município de

os

Santo Antão. A ADREPES participou e promoveu a capacitação de técnicos

qualidade e têm contacto direto com os (consumidores

(diferentes

países

Verde (“Encurtar Distâncias”) no quadro

consumidores recebem produtos de

produtores

Cooperação:

desenvolvidos) e cooperação com Cabo

obtendo direta e imediatamente, um justo

de

Europeus

os

produtores a vender a sua produção,

preço

Projetos

locais para a compreensão sobre o

mais

PROVE e implementação de projetos

responsáveis com a comunidade e

territoriais, promovendo a utilização de

envolvidos com os produtores locais).

recursos endógenos. 18


território (em termos de necessidades e de 1.3) Modelo de gestão e envolvimento de

atores), bem como facilidade em promover um

atores

envolvimento efetivo de atores a diferentes níveis de decisão.

A visão da ADREPES é “ser uma referência como Agente

de

reconhecida

Desenvolvimento pela

“forte

ligação

Local”, com

A

a

ADREPES

tem

procurado

expandir

os

associados coletivos, de forma a ser mais

comunidade e pelos bons resultados da sua

representativa dos interesses de toda a

intervenção”.

população e dos grupos de interesse de

A ADREPES tem 24 membros, organizações

Setúbal.

públicas e privadas: municípios, entidades

O modelo de gestão da ADREPES é muito

públicas como o Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa (ERT-RL), instituições públicas de ensino superior como o Instituto Politécnico de Setúbal, um banco (Grupo Crédito Agrícola, um banco nacional com uma abordagem local), bem como associações, cooperativas e outras ONG de diferentes áreas: agricultura, pesca, social, cultura e ambiente26.

É um processo muito democrático e a vantagem é que todos têm conhecimento do

flexível. Considerando o grande número de projetos desenvolvidos, o processo de decisão é breve. O processo de tomada de decisão está concentrado na coordenação. O processo é muito democrático e aberto, por causa da comunicação interna, de uma equipa multitask de diferentes áreas e que colabora há muito tempo na ADREPES, e ainda devido à partilha

26

Artigo 5, Estatutos Legais. 19


de informação a todos os níveis da tomada de

A taxa de representação de mulheres é

decisão27.

de 9%;

Para alcançar a sua missão, a ADREPES

•

A equipa técnica é composta por 7

experimenta e desenvolve, em quase todos os

pessoas: a coordenação está a cargo de

projetos, diferentes abordagens para envolver

uma mulher, sendo que a restante

os atores locais e a população. Por exemplo, em

equipa é constituída por 4 mulheres e 2

agosto de 2015, a ADREPES, de forma a

homens. O rácio de género é 71% de

implementar Grupos de Acção Local, envolveu

mulheres. A maior parte da equipa está

mais de 300 entidades regionais e locais a

na ADREPES há mais de 10 anos, por isso

diferentes níveis, do diagnóstico à discussão

a rotatividade é baixa e tal é considerado

sobre parcerias, território de intervenção e

elemento de valor acrescentado da

desafios prementes. Esta abordagem é uma

organização;

forma de criar sentido de pertença e de

•

A

Associação

desenvolveu

políticas

partilha, desenvolvendo empatia, confiança e

específicas

para

compromisso com o processo (abordagem:

profissional

e

Desenvolvimento

implementar igualdade salarial entre

local

baseado

na

comunidade).

de

A equipa é multitask e de diferentes

são altamente qualificados (3 pessoas

empregos/qualidade

possuem as

atividades

internas

da

mestrado

em

áreas

tão

diversas como Educação, Engenharia

ADREPES: A

além

áreas académicas: 6 membros da equipa

1.4) Volume de negócios e criação de

•

familiar,

vida

mulheres e homens; •

Considerando

equilibrar

Agrícola, Sociologia Rural e Geografia). Administração

representantes

é

constituída de

por

1.5) Externalidades sociais e ecológicas

diferentes

organizações: 3 na Assembleia Geral, 5

A ADREPES visa promover o Desenvolvimento

na Direção e 3 no Conselho Fiscal. O Presidente

é

uma

mulher

(representando o Município de Palmela).

27

Informação referida por colaboradores e documentos internos. 20

Sustentável

da

promoção

e

Península valorização

de

Setúbal.

dos

A

recursos


endógenos implicam externalidades sociais e

atividade na produção local e em

ecológicas.

produtos biológicos ou sustentáveis, tais como o PROVE.

A ADREPES apoia diferentes organizações e projetos locais, promovendo a criação de novos

1.6) Comunicação e influência política

empregos, um espírito empreendedor e a recuperação da economia local. A ADREPES

A comunicação é um tema central no que

gere fundos estruturais, nomeadamente o

concerne ao envolvimento da comunidade

PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural enquadrado

no

LEADER+)

e

o

local no seu próprio desenvolvimento. A

PROMAR

ADREPES

(Programa Operacional Pesca).

adota

diferentes

abordagens/instrumentos para promover a De acordo com o Relatório Anual da ADREPES,

participação de pessoas e organizações (órgãos

estes programas contribuem para a criação de: •

de comunicação locais, e-mail, redes sociais). A comunicação é muito clara e transparente.

132 novos empregos no âmbito do PRODER (89 projetos, correspondendo a

Para promover um melhor conhecimento das

12 milhões de euros), a maioria dos

atividades locais, a ADREPES desenvolve alguns

quais (68%) para pequenas empresas e

eventos, tais como a Mostra de Projetos. O

7% para os municípios (recuperação dos

objetivo é fomentar o desenvolvimento de

mercados para facilitar o contacto entre

melhores projetos e fazer o acompanhamento

produtores e consumidores); •

dos mesmos como estratégia de fortalecer a

20 novos empregos no âmbito do PROMAR

(20

projetos

cooperação entre todos os atores.

aprovados, O projeto com maior visibilidade desenvolvido

correspondendo a 3,48 milhões de

pelo ADREPES foi o PROVE. A comunicação

euros). Parte do financiamento (41%) foi

deste

atribuído aos municípios (recuperação

a

pequenas

empresas

realmente

importante,

marca do projeto. Esta marca é bastante

e

reconhecida por todo o país, tendo mesmo

associações; •

foi

permitindo à Associação desenvolver uma

do porto pesqueiro, etc.), mas também alocado

projeto

maior notoriedade do que a própria ADREPES.

FAME – micro-empréstimos para apoiar

O processo de criação de uma marca que possa

o empreendedorismo inclusivo: 8 novos

ser usada por todos os produtores PROVE tem

negócios. A ADREPES centra a sua 21


tido enorme impacto nos consumidores. Um

importantes problemáticas sociais que afetam

dos produtores, Telmo, considera que, “se em

a região. Uma das mais recentes teve como

Bragança há uma reportagem televisiva sobre

tema “Agricultura Solidária e Alimentação

o PROVE local, todos os produtores ganham,

Saudável – o papel das redes locais”.

porque

um

potencial

consumidor

teve

conhecimento do projeto e consultou o website para perceber melhor como é que este

1.7) Networking, afiliações e abertura da Boa

funciona”.

Prática às redes existentes

No que concerne à influência política, o elemento mais forte está relacionado com o

A abordagem da ADREPES é baseada em redes,

PROVE e a discussão no âmbito dos circuitos

sendo que, na maioria dos seus projetos é

curtos; a promoção de novas atitudes entre os

reconhecida como uma organização cujo

consumidores: consumo responsável mais

desenvolvimento está associado a diferentes

integrado com os recursos locais; maior

redes.

consciência dos consumidores para o impacto

A ADREPES é parceiro ativo das seguintes

ecológico do que consumem e também para a

redes:

importância do seu contributo para a economia

•

local. A ADREPES — através desta marca, da sua

privada sem fins lucrativos de interesse

disseminação e do envolvimento de atores

público. Foi estabelecida em 2000 por

relevantes como os municípios — foi a principal

um grande grupo de Associações de

responsável pela introdução dos circuitos

Desenvolvimento

curtos de abastecimento alimentar na agenda política primeira

Portuguesa, vez,

em

que

aconteceu,

junho

de

A Minha Terra é uma organização

Local

–

ADL

(atualmente 53) e visa a implementação

pela

de soluções para o desenvolvimento de

2015.

áreas rurais. A ADREPES é uma das suas

(http://www.minhaterra.pt/wst/files/I12296-

afiliadas e parceira ativa, colaborando

RESOLUCAOXARX65X2015.PDF).

com o desenvolvimento de diferentes

No âmbito da intervenção da Europe Direct, a

atividades28;

ADREPES leva a cabo várias discussões sobre

28

Informação extraída de A Minha Terra (reunida na 1ª fase do projeto). 22


•

A

Plataforma

Supra-Concelhia

da

•

Península de Setúbal foi criada para

estrutura que procura ligar agentes

facilitar a discussão das principais

ativos no Desenvolvimento Rural que

problemáticas sociais que afetam a

pretendam

região de Setúbal. Esta plataforma é

experiências

dinamizada

melhorar o seu desempenho e obter

pela

Segurança

Social

Regional e congrega todos os atores

partilhar e

as

suas

conhecimentos,

melhores resultados;

sociais de Setúbal. A ADREPES assume

•

Interface

colaborativo

para

o

Inovação

da

um papel central na plataforma desde

Desenvolvimento

2014, sobretudo associado à discussão

Península de Setúbal (IN2SET) — Esta é

das

do

uma rede promovida pelo Instituto

empreendedorismo e às necessidades

Politécnico de Setúbal com o objetivo de

alimentares em Setúbal. Integrados

refletir

nesta plataforma e como resultado da

Empreendedorismo,

reflexão dos parceiros, foram criados

Território e Ambiente, Envelhecimento

dois projetos nos quais a ADREPES é a

Ativo e Qualidade de Vida;

temáticas

do

emprego

e

principal promotora: Quinta para o

•

Prato e Campanha Agrícola Solidária29; •

Rede Rural Nacional — Esta Rede é uma

sobre

e

Turismo,

Inovação

Economia

e

Azul,

Redes relacionadas com o Parque Natural da Arrábida — Parque Natural

Conselhos Locais para a Ação Social

com

(CLAS) — a ADREPES é um membro ativo

quadrados, localizado na margem norte

dos

da

do estuário do rio Sado. As redes são

Península de Setúbal. Estes conselhos

compostas por grupos de trabalho para

visam promover melhores redes locais e

a promoção do turismo nesta área e por

o

um Conselho Estratégico para discutir o

CLAS

de

cada

Desenvolvimento

município

integrado

do

território. Considerando os projetos que

mais

de

108

quilómetros

Desenvolvimento integrado do parque;

a ADREPES está a planear para o período

•

2014-2020, a Associação desempenhará

Marca Natural.pt — representa um produto

um papel importante em alguns CLAS;

integrado

associado

ao

património natural nacional de exceção, assegurando a conservação dos valores

29

Entrevista a Ana Vizinho (EAPN) e Relatório Anual 2014. 23


naturais e socioculturais das Áreas

Por vezes, precisamos apenas de apoio moral,

Protegidas.

respostas às nossas questões ou dificuldades”

As

entidades

que

pretendam juntar-se a esta rede são

30

aprovadas por uma comissão, da qual a

melhorando o setor agrícola, num tempo em

ADREPES é membro e também entidade

que a pressão de outros mercados é muito alta,

responsável

particularmente do mercado espanhol. Não é

pela

discussão

e

implementação de algumas atividades.

. De facto, “este é um projeto único no país,

fácil e só funciona bem porque o projeto trabalha desta forma, (...) o produtor vai ter com o consumidor e vende-lhe o que ele precisa ao preço que ambos consideram justo”31. Acrescentam que “nós somos uma

2. Avaliação da Boa Prática

gota no oceano, mas criamos os nossos próprios empregos e ajudamos a criar outros

2.1) O impacto e potencial económico e

(trabalhos legais pagando impostos). E isto é

social da boa prática

mais ou menos estável e o nosso crescimento é Um dos impactos mais representativos da ação

sustentável. E nós não somos o único caso,

da ADREPES foi melhorar os recursos locais,

temos também o queijo e o vinho e o mel e as

bem

padarias. Tudo isto tem a mão da ADREPES” 32.

como

recuperar

antigas

atividades

económicas com impacto nos territórios, tais

A

como a agricultura e a pesca.

ADREPES

facilita

diferentes

processos,

promovendo o conceito de identidade local que

O papel da ADREPES e o seu impacto é

envolve uma série de fases e pilares essenciais

reconhecido pelas organizações e atores ao

para

longo da sua cadeia de valor, desde produtores

consumidor, mas também produtor-produtor.

a entidades regionais.

Estes processos são similares a uma economia

relações

produtor-

e trabalham em pequenos grupos para garantir

Agricultura trabalhasse com a ADREPES, a

preços justos para as suas necessidades de

agricultura estaria melhor. Às vezes, não é

materiais

preciso dinheiro para que as coisas aconteçam.

31

as

de partilha: os produtores partilham materiais

Para os produtores, “se o Ministério da

30

incentivar

e

também

para

promover

os

produtos uns dos outros. Por exemplo, os

32

Sónia Monteiro, produtora PROVE. Telmo, produtor PROVE. 24

Sónia, produtora PROVE.


produtores vendem aos consumidores não

2.2) O impacto transformador dentro e fora

apenas produtos agrícolas mas também outros

do território

bens provenientes de negócios locais. Desta

As secções anteriores refletem os principais

forma, o impacto social e económico aumenta

impactos da ADREPES no território, nos últimos

em diferentes níveis.

anos. A ADREPES possui as práticas internas

A recuperação da agricultura num território

para

peri-urbano foi muito relevante. Tal teve um

Projetos como o PROVE estão a ser replicados

ganharam um novo compromisso com a sua

por todo o país, por diferentes organizações,

comunidade, assim como consciência do

contribuindo para o Desenvolvimento de

impacto das suas ações, entre outros33.

territórios

“Podemos medir a dimensão económica, mas

também

para

o

estrangeiro, diretamente através da ADREPES

impacto significativo porque estão a alocar

— cooperação com Cabo Verde, e também

recursos num território, promovendo recursos

porque ONGD portuguesas (bem como ADL

endógenos. Se a ADREPES não estivesse lá,

parceiras do PROVE), inspiradas pelo PROVE,

seria

estão a implementar projetos na área das

distribuído noutro território. Através destes

cadeias de valor agregado. De acordo com

fundos, a ADREPES promove herança social,

entrevistas

cultural, ambiental, iniciativas locais, novas

e

institucional

atividades económicas”34.

também dos

com

projetos,

informação o

impacto

transformativo da ADREPES está relacionado

O apoio a diferentes projetos com novas ideias

com os seguintes aspetos: solidariedade local,

para o território é muito pertinente. De outra

disseminação

forma, seria muito difícil estas atividades

simples,

mudança

de

mentalidades, alteração de práticas agrícolas,

sobreviverem e consolidarem-se.

33

mas

PROVE está ainda a ser disseminado no

fundos estruturais que gerimos, tal tem um

apoio

rurais,

desenvolvimento social e económico do país. O

considerando que esta é a quarta linha dos

de

e

nível organizacional.

prevenção do desemprego. Os consumidores

tipo

disruptivos

pode ter impacto no território mas também a

geração de rendimentos para as famílias,

este

projetos

inovadores em termos de abordagem e tal

impacto imediato na criação de emprego,

provavelmente

desenvolver

34

Augusto Pólvora, Presidente do Município de Sesimbra. 25

Lisete Jardim.


reconhecimento de competências e valorização

pessoas deviam valorizar o seu nível de

de recursos endógenos.

pertença”.

Henrique Soares, da Direção da ADREPES,

A transformação de mentalidades e uma maior

reconhece que o PROVE excedeu todas as

consciência

expetativas em termos de cobertura e do

maioria dos atores, em particular na forma

reconhecimento que obteve em termos de

como as pessoas encaram o seu território,

transferibilidade. Segundo Henrique Soares, o

melhorando as parcerias e a abordagem

“PROVE é um sinal de esperança na forma

comunitária. Podemos analisar estes impactos

como as pessoas olham para as suas próprias

no PROVE, mas também noutros projetos como

vidas. Quando as pessoas acolhem um projeto

o “Quinta para o Prato” ou “Campanha

como o PROVE é algo extraordinário, porque

Solidária”: o impacto daquele projeto verifica-se

demonstra que as pessoas não só procuram

não apenas a nível local, como também no

um processo mais solidário, como também

agricultor que cedeu o terreno, e o seu papel na

algo novo, pois estão cansadas e preocupadas

comunidade, que nunca mais será a mesma35.

local

foram

partilhadas

pela

com o papel da distribuição em Portugal. As pessoas entendem que projetos como o PROVE

2.3) Impacto da Boa Prática nas políticas

são importantes não só por causa da qualidade dos

produtos,

mas

também

porque

se

Henrique Soares considera que a Associação é

promove a sua identidade local, a vida das

como uma “voz da consciência coletiva mas

pessoas que vivem na porta ao lado. Elas

também da Sociedade Civil, uma vez que os

também ganham em termos de solidariedade e

municípios fazem parte dos associados da

isto pode ser um sinal de esperança de que as

ADREPES e todos os projetos têm impacto nas

coisas mudarão em termos de comércio. Este

políticas”.

projeto está também a fazer a diferença em O projeto desenvolvido pela ADREPES com

relação às práticas agrícolas. Produção mais

maior impacto a nível das políticas é o PROVE.

barata é importante para os produtores,

Apesar de ter nascido nos municípios de

porque mais pessoas têm acesso a comida,

Sesimbra

mas também devemos promover o equilíbrio.

e

Palmela,

este

projeto

foi

disseminado por todo o país e tal representa

Pode ser tudo para os principais atores. As

um contributo fundamental para modificar 35

Ana Vizinho, EAPN. 26


programas e políticas públicas, na medida em

para

que os decisores políticos, a nível regional e

políticas”. A ADREPES conduziu uma avaliação

nacional, têm assim melhor perceção do

do PROVE. Com base nessa avaliação, a

impacto concreto de alguns projetos nos

Associação elaborou um documento com

consumidores, produtores e comunidades

recomendações

locais36.

propostas

sobre

De facto, as políticas têm evoluído ao longo dos

concerne

aos

anos. Por vezes, a legislação não muda

consequências deste documento não são

imediatamente, porém a forma como as

claras. Porém, pela primeira vez em Portugal,

entidades públicas apoiam a ADREPES e o tipo

no âmbito do LEADER haverá uma medida

de atividades que esta desenvolve traduzem

específica para desenvolver circuitos curtos.

mudanças ao nível do discurso e no âmbito de

Também é de notar o impacto da intervenção

implementação de alguns programas locais de

da ADREPES na área social. Considerando a

resposta mais fácil às necessidades locais. Há

abordagem integrada da ADREPES, algumas

alguns anos, os circuitos curtos não eram

políticas extravasam a dimensão social, sendo

reconhecidos e estão, atualmente, na agenda

a campanha agrícola um excelente exemplo

nacional do Parlamento Português. Outra

disso38. Outro caso recente, o Cabaz do Mar,

mudança está relacionada com os territórios:

chama

numa primeira fase, este era um problema

relacionados com a legislação portuguesa.

enfrentado apenas a nível rural que, devido aos

Apesar de estar ainda em fase embrionária,

resultados do PROVE, passou a ser combatido

este projeto é já reconhecido como prática

também nos territórios peri-urbanos e urbanos

significativa

como forma de promover um estilo de vida

reconhecimento é mais uma demonstração da

sustentável junto das comunidades37.

capacidade de advocacia da ADREPES para

Este argumento é partilhado por José Diogo,

promover o Desenvolvimento endógeno e

também da ADREPES, que refere que “se não

contribuir para implementar legislação que

somos capazes de influenciar as políticas

responda efetivamente às necessidades das

públicas, pelo menos influenciamos os políticos

pessoas39.

38

36

a

necessidade

a

de

alterar

políticas

circuitos

para

nível

os

algumas

com

oportunidades

atenção

a

de

várias

no

que

curtos.

As

problemas

nacional.

Este

Ana Vizinho, EAPN. Augusto Pólvora, Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra.

Augusto Pólvora, Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra. 37 Ana Vizinho, EAPN.

39

27


pescadores. A ADREPES procura sempre promover um acesso democrático para

2.4) Sustentabilidade da Boa Prática

todos, evitando, assim, que apenas os A sustentabilidade da ADREPES está sobretudo

grupos com maior acesso a informação

relacionada com a forma como os projetos e os

consigam

programas são implementados. A maioria dos

oportunidades40;

entrevistados mencionou os seguintes fatores

•

aproveitar

estas

Valorização dos recursos endógenos:

como fundamentais para a sustentabilidade da

além do PROVE e do Cabaz do Peixe, a

organização:

ADREPES

•

algumas

inovadoras,

projetos são desenvolvidos em grandes

tradicionais da economia local. Desta

consórcios. Por exemplo, no caso do

forma, estas atividades adquirem algum

PROVE, a ADREPES foi a coordenadora,

reconhecimento e sucesso. Em alguns

mas o projeto envolveu os municípios,

casos, estes são projetos em fase de

empresas com experiência nos setores

consolidação, noutros têm perspetiva

da distribuição e do comércio, outras

de criação de emprego41; •

impulsionando

iniciativas

Parcerias fortes — quase todos os

ONG, a Federação Minha Terra. O

inicial

redes

pequena escala):

informais

que

foram

muito

Projetos

concebidos

a

partir

o

de

reais,

identificadas

em

o

claramente diagnósticos

pequenos produtores,

atores,

acessíveis

locais

forma

a

promover dos

a

projetos

através de outras ADL ou ONG. O PROVE teve início em 2004 com a

a

metodologia

nomeadamente

associações

em

Metodologias simples, validadas,

disseminação

os grupos-alvo. A ADREPES torna os estruturais

experimentais

Capacitação e apoio no contexto

de

participativos e tendo em consideração

fundos

(projetos

local (produtores, ONG locais);

abordagem bottom-up, respondendo a necessidades

setores

Principal papel da ADREPES numa fase

projeto contou também com algumas

relevantes na fase de implementação; •

apoia

desenhada,

mas

foram necessários dois anos

ou

40

41

Augusto Pólvora, Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra.

Augusto Pólvora, Presidente da Câmara Municipal de Sesimbra. 28


para implementar e testar o processo. O primeiro cabaz foi

2.5) Espaço participativo aberto ao

distribuído no dia 24 de junho de 2006

—

este

grupo

território

de

consumidores e produtores têm,

A ADREPES visa promover o Desenvolvimento

pois, cooperado juntos há quase

integrado,

10 anos. Toda a metodologia foi

intervenção baseada no contexto, envolvendo

criada com base na lógica ação-

diferentes atores. A ADREPES desenvolve

investigação-ação

com

diferentes atividades e eventos de partilha de

diferentes fases de validação. A

experiências, adquirindo, assim, conhecimento

primeira fase do PROVE decorreu

profundo

no quadro do Equal IC. Após esta

abordagem centrada no local encoraja a

abordagem

participação e a iniciativa entre atores locais.

ADREPES

experimental, começou

a

através

do

da

território.

participação

De

facto,

e

uma

a

disseminação. A ADREPES criou Tal é reconhecido por diferentes atores como o

uma metodologia muito simples: “Temos

valor acrescentado desta organização:

de

encontrar

num

determinado

território

uma

Lisete Jardim, Diretora Regional da Agricultura

associação similar à ADREPES.

e Pesca da região de Lisboa, afirma que “a

Todos partilhamos o know-how

ADREPES está a realizar um excelente trabalho

(manuais, estratégias, principais

no que diz respeito a dinâmicas locais,

constrangimentos, trabalho com

envolvendo agentes locais na reflexão sobre os

os produtores) e a marca do

territórios. O primeiro princípio é a parceria

PROVE.

Desta

forma,

a

entre os diferentes atores, a capacidade para

todo

o

os sentar na mesma mesa, encontrando

conhecimento e a capacidade

soluções novas comuns para problemas locais

para envolver os atores-chave no

(...) diferentes atores significa toda a gente de

território e, assim, implementar

um território, desde o município ou do

organização

tem

o PROVE”42.

42

José Diogo, funcionário da ADREPES. 29


departamento

regional

até

ao

pequeno

3. O que podemos aprender com esta Boa

produtor”.

Prática? Atendendo aos resultados das entrevistas bem

Como referido na secção 1.3., a maioria dos

como à investigação realizada às atividades

projetos desenvolvidos pela ADREPES começou

desenvolvidas

com um diagnóstico participativo e com a

claramente

definição das necessidades locais, a que se

aprofundá-lo

na

•

fase

um

modelo

de

os

ser

maiores

“Enraizamento

na

comunidade”

–

Abordagem bottom-up

seguinte. De facto, a Associação está a tentar implementar

identificados

podem

quer internacional:

O PROVE é um processo participativo e a pretende

ADREPES,

contributos desta prática, quer a nível nacional,

seguiu uma validação alargada das propostas.

ADREPES

pela

Profundo

certificação

reconhecimento

local/regional

participativa, envolvendo mais consumidores e

assente

da

em

realidade

diagnósticos

participados em que há um real envolvimento

também produtores. Tal implica a definição de

de vários atores-chave (públicos e privados e

indicadores e regras que possam ser aceites

também dos beneficiários diretos das ações);

por todos, contribuindo para a consolidação do

•

processo43.

Promoção dos recursos endógenos locais, tendo em conta também a

Recentemente, a ADREPES, em parceria com a

história

Direção Regional de Agricultura e Pesca,

dos

desenvolvem

promoveu um encontro com bio agricultores

recuperando

para uma reflexão sobre problemas comuns,

para

necessidades e tentar implementar soluções

a

territórios a

sua

saberes,

recuperação

onde atividade,

contribuindo de

espécies,

permitindo a troca de conhecimentos

para promover a auto-organização. Um dos

intergeracionais (no caso do PROVE,

problemas mais relevantes estava relacionado

este processo é bem evidente com o

com a capacidade para comprar alguns bens a

apoio entre produtores);

um preço competitivo. A solução proposta foi

•

organizar a compra de um centro. Desta forma,

Valorização da agricultura em territórios peri-urbanos,

o agricultor consegue ser mais competitivo e

contribuindo

para

a

sustentabilidade de famílias e territórios

eficiente.

através da criação de novo emprego, de empregos de maior qualidade (com um

43

José Diogo, colaborador da ADREPES. 30


rendimento

mais

justo

para

os

processo

produtores), práticas de agricultura o

validação

do

A aposta na capacitação em

de técnicas mais artesanais e de maior

contexto de atores locais e

respeito pela natureza;

beneficiários diretos contribuiu

Contribuição para um Desenvolvimento

para a auto-sustentabilidade das

mais sustentável, não só pela promoção

diferentes ações;

dos recursos endógenos mas também

o

A simplicidade das metodologias

pelo respeito pela natureza nos projetos

facilita

que

processos dentro do território e

desenvolve,

nomeadamente

o

PROVE e o Cabaz do Mar, onde as questões

•

a

mesmo;

mais sustentáveis através da utilização

•

e

como

a

proteção

a

disseminação

dos

também noutros territórios;

de

o

A dinamização económica de

determinadas espécies, recuperação da

territórios,

produção de espécies autóctones e

pequenos

novos hábitos de consumo procuram

estimulando o aparecimento de

ser incutidos;

outros, através de um maior

Aposta

na

sustentabilidade

dos

alavancando negócios

conhecimento

e

dos

processos e projetos visíveis na forma

económicos

como

facilitação da interação entre

são

desenvolvidos

e

implementadas as intervenções: o

e

da

produtores e consumidores de

Os projetos são promovidos em

um mesmo território.

parceria. Numa fase inicial pode

•

Promoção

de

um

consumo

mais

haver um papel mais ativo da

responsável, mais comprometido com

ADREPES (especialmente no caso

os recursos locais e com consumidores

dos projetos experimentais com

mais

uma pequena escala) mas, no

ecológicos das suas ações;

longo

o

locais

atores

prazo,

esse

papel

é

•

conscientes

dos

impactos

Impacto da boa prática em termos de

progressivamente reduzido;

política pública, influenciando novos

Os projetos apresentam uma

programas e medidas (tendo em conta

fase de experimentação mais

os resultados alcançados pelos projetos

alongada que permite o teste do

desenvolvidos), mas também o discurso 31


político local, facilitando uma reflexão

(Almada, Seixal, Barreiro, Setúbal, Lisboa) que

alargada

pretendiam ter acesso a bons produtos a um

sobre

a

recuperação

de

recursos endógenos e o trabalho de

preço

justo.

Numa

proximidade entre os diferentes atores

ADREPES

públicos e privados.

pequenos agricultores, com campanhas de

começou

fase a

embrionária,

trabalhar

com

a os

sensibilização mostrando o valor acrescentado 4. História Individual 44

de um trabalho conjunto entre pequenos agricultores com vista a implementar um

A história partilhada no presente relatório

sistema de cabazes (para um agricultor, a

enquadra-se no Projeto PROVE, tendo em conta

produção de cabazes podia ser complicada

o seu contributo para a ESS regional e nacional

mas, em conjunto com outros, tornava-se mais

e também para o Desenvolvimento Sustentável

fácil garantir a qualidade e a quantidade

de vários territórios onde esta prática foi

necessária para a venda de cabazes). Outro

disseminada.

fator que a ADREPES teve em atenção foi o

A história do Projeto em pequenos passos: a

preço, que deveria ser justo, quer para o

ADREPES e algumas entidades locais da região identificaram relacionado

no com

território a

um

problema

comercialização

de

produtos de pequenos agricultores locais, especialmente

proveniente

de

agricultura

familiar. De um lado, tinham os agricultores habilitados a

produzir

bens

hortícolas

de

elevada

qualidade mas com múltiplos desafios no que respeitava à venda direta dos seus produtos,

agricultor, quer para o consumidor, através da

quer no acesso a consumidores, quer na

eliminação dos distribuidores. O PROVE afirma-

obtenção e um preço justo pelo seu trabalho.

se, essencialmente, como uma metodologia de

Do outro lado, numa região de proximidade,

promoção dos circuitos curtos como meio de

tinham grandes mercados de consumidores

facilitar a venda e rendimento adequado de pequenos produtores locais45.

44

45

Entrevista na íntegra gravada em vídeo e transcrita no âmbito da presente investigação.

Entrevista a José Diogo e informação institucional do projeto PROVE. 32


Foi possível recolher uma avaliação qualitativa

foram convidados a visitar outras quintas, a

em relação ao impacto do PROVE junto de dois

falar com diferentes agricultores, partilhar

produtores PROVE de Sesimbra: o Telmo e a

experiências, perceber melhor como arrancar

Sónia.

com uma atividade na agricultura. A visita a uma dessas explorações foi fundamental na sua tomada de decisão de arranque com o projeto. A principal razão que levou a Sónia e o Telmo a aderirem ao Projeto prendeu-se com o facto de estarem integrados numa rede, num Projeto com uma marca forte e que toda a sua produção seria vendida a um preço justo. Atendendo à sua condição de vida, estes fatores

O Telmo tem 41 anos e era engenheiro informático.

Trabalhou

em

diferentes

Com o apoio da equipa da ADREPES e também da Câmara de Sesimbra começaram a pôr as

Durante um ano trabalhou no estrangeiro, mas

suas ideias em prática. Na entrevista, o Telmo

não se revia naquela forma de vida, longe da

referiu que “o PROVE e a ADREPES fizeram toda

sua família. O regresso a Portugal implicava

a diferença neste Projeto, uma vez que, só por

encontrar uma solução profissional.

nós, nunca teríamos a capacidade de criar um

A Sónia tem 38 anos e é psicóloga/formadora

negócio sustentável. (…) O apoio que a

com trabalhos essencialmente temporários. Ela

ADREPES dá aos produtores não é financeiro

também pretendia mudar a sua vida e trabalho,

mas a disponibilidade dos técnicos para

porque a gestão da incerteza profissional com

explicarem tudo, para darem apoio moral,

dois filhos pequenos era complicada de gerir. decidiu

procurar

por

importantes,

um risco pessoal grande com um novo negócio.

atividade nos serviços de bases de dados.

casal

muito

especialmente porque não poderiam assumir

empresas como a IBM, PT, focando a sua

Este

foram

respeitando os tempos e as necessidades”

novas

(Sónia).

oportunidades. Como gostavam os dois da área

E também permitem o acesso a instrumentos

agrícola, decidiram fazer uma pesquisa sobre

muito simples mas fundamentais para a

projetos na região de Lisboa. Através desta

atividade,

pesquisa encontraram o PROVE. No início

(www.prove.com), 33

como

a que

plataforma não

só

web

facilita

a


interação entre produtores e consumidores

passado mais um. Pontualmente beneficiam da

mas também a gestão da atividade dos

ajuda de outras pessoas.

produtores

Todas as terças fazem a entrega de cabazes no

(programa

de

faturação,

composição dos cabazes e o valor real de cada

Centro

cabaz). Os produtores partilham também uma

(Freguesia de Oeiras). Neste núcleo são

carrinha e cada produtor é responsável pelas

distribuídos 100 cabazes semanalmente.

entregas semanais em locais específicos. Cada cabaz é composto pela produção de três agricultores. “Caso não tenha um produto numa

determinada

semana

não

estou

preocupado porque haverá outro produtor que conseguirá assegurar” (Telmo). Algumas das necessidades de equipamento ou sementes a compra podem ser asseguradas através de compra partilhada com vista a obterem um preço mais competitivo. Depois de integrarem o PROVE, o Telmo e a Sónia, em conjunto com mais dois produtores, criaram um novo núcleo de consumidores e encontraram espaços de distribuição em Lisboa (Alvalade, freguesia de Lisboa, foi o primeiro momento,

local

de

distribuição

encontram-se

em

e, mais

neste dois

espaços). Desde a primeira vez que contactaram a ADREPES até à produção do primeiro cabaz passou um ano. Para arrendar a exploração agrícola contaram apenas com investimento próprio: poupanças e empréstimos familiares. Com o PROVE conseguiram criar os seus próprios postos de trabalho e desde o ano 34

Comunitário

de

Linda-a-Velha


“Estamos

mais

próximos

dos

produtores, consumimos produtos da época e não aqueles que nos

chegam

do

outro

lado

do mundo. Durante

a

investigação

foram

realizadas

E esta é a aventura de consumir produtos

entrevistas a consumidores do núcleo de Linda-

nossos, mais locais”.

a-Velha. Destacam-se abaixo os principais impactos do projeto junto de um dos grupos beneficiários do projeto:

“Estamos mais perto dos agricultores, os produtos

são

mais

frescos

(…)

quase

diretamente da quinta para a nossa casa, sem montes de intermediários”.

“Os produtos têm maior qualidade, sabemos o que estamos a dar às crianças. O preço é justo. E,

mais

importante,

conhecemos

os

produtores, vemos as fotografias das quintas, das coisas que comemos no Facebook. No 35


nosso caso, queremos envolver as crianças

para o sua situação profissional, permitindo

neste processo, para eles saberem que a fruta

manter-se em Portugal. Além disso, trabalham

é de uma quinta e não do supermercado”.

numa área que os apaixona, com todos os desafios que a agricultura representa, mas

“Os produtos são frescos e nós desenvolvemos uma

relação

conhecem-nos,

com

os

agricultores,

conhecem

as

tentando servir da melhor forma os seus

eles

clientes. Estes dois produtores pretendem

nossas

crescer

necessidades e ajustam o cabaz, estão abertos

de

uma

forma

sustentável,

aumentando a sua produção, tendo novos

a novas propostas, abrem as suas quintas às

produtos (como por exemplo, um pequeno

escolas e às famílias de consumidores. É uma

pomar), uma certificação biológica e continuar

relação mais empática”.

a manter uma boa relação com os seus clientes.

Graças ao PROVE, a Sónia e o Telmo criaram o seu próprio emprego, o PROVE foi a solução

36


INFORMAÇÃO ADICIONAL MAPA DE STAKEHOLDERS INICIAL PARA IDENTIFICAÇÃO DA BOA PRÁTICA

LOW POWER

HIGH PROFILE

      

Cidadania e Território ISCTE ANIMAR EAPN Observatório de Lisboa UCP – ES Universidade de Évora

HIGH POWER  Rede Intermunicipal  FCG  Plataforma ONGD

     

 CIMAC  Fundação EDP

LOW PROFILE

37

UCCLA CASES Camões IP CCDR–A Seg. Social – CPD CCDRLVT


pt.solidarityeconomy.eu/

38


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