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Programa Saúde para Todos - Documento Informativo

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‘SAÚDE PARA TODOS’ São Tomé e Príncipe doCUMENTO INFORMATIVO

1988-2016


O Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF) desenvolve desde 1988 um amplo programa de reforço no setor da saúde em São Tomé e Príncipe. Com o apoio da Cooperação Portuguesa, Fundação Calouste Gulbenkian, Direção Geral da Saúde de Portugal, União Europeia e em estreita parceria com o Governo de São Tomé e Príncipe, o programa Saúde para Todos empreende, ao longo dos últimos 29 anos, uma estratégia progressiva e em constante crescimento de capacitação e desenvolvimento do setor da saúde. Os esforços empreendidos permitiram já a remodelação de um Serviço de Saúde pouco eficaz para um Serviço de Saúde descentralizado que abrange, atualmente, a totalidade do território e da população nacionais, tendo como génese a introdução de um pacote integrado de serviços que assegura a prestação de cuidados primários, preventivos e especializados. Os frutos da referida parceria são evidentes destacando-se, atualmente, São Tomé e Príncipe, como um dos países de África Subsaariana com melhores indicadores de saúde quando comparado com os restantes.

Os são-tomenses como motor do seu desenvolvimento… A capacitação, participação e o sentimento de apropriação das comunidades locais são elementos cruciais em qualquer processo de mudança económica ou social. A aposta no reforço dos quadros e recursos nacionais é por isso central no combate à fuga de quadros especializados e imigração. Nesse sentido, toda a intervenção se pauta pela definição conjunta de prioridades e estratégias de desenvolvimento assumindo, neste contexto, especial relevância, a relação de grande proximidade e confiança com o Ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe. A responsabilidade de mudança e progresso deve recair assim nos atores locais, parceiros diretos no desenvolvimento do país, que, através de mecanismos de boa governação, asseguram a monitorização e o acompanhamento das medidas de mudança.

Uma metodologia inovadora, um paradigma para outras intervenções... A metodologia adotada baseia-se numa análise meticulosa das reais necessidades e potencialidades dos parceiros locais e do país. A estratégia de intervenção está, desde o seu início, em constante consonância com as políticas e estratégias públicas no domínio da saúde, bem como em sintonia com as melhores práticas internacionais, traçadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para a prestação de cuidados de saúde em Países em Desenvolvimento. Acrescem a estas medidas a introdução de um pacote integrado de serviços que permitiu a acessibilidade, equidade e eficácia na prestação dos cuidados de saúde em todo o território nacional. Apenas através de uma abordagem integrada da prestação de cuidados (preventivos, primários e especializados) é possível melhorar, de forma sustentável, os indicadores nacionais de saúde.

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O referido pacote que abrange, atualmente, uma rede de 30 centros de saúde e 2 hospitais por todo o país tem promovido assim, de forma sustentada, a prestação de cuidados preventivos de saúde (campanhas de educação para a saúde, acesso a água potável e sistemas de saneamento básico, campanhas de vacinação, e cuidados materno-infantis); cuidados primários de saúde (consultas médicas e de enfermagem, meios complementares de diagnóstico e terapêuticas com base em medicamentos essenciais); cuidados especializados (nas áreas de pediatria, medicina interna, cirurgia geral, ginecologia/obstetrícia) por especialistas são-tomenses. A introdução do referido pacote foi acompanhada pelo reforço dos recursos técnicos e recursos humanos locais, assegurando, não só o reforço institucional do Ministério da Saúde, como a disponibilidade de meios humanos e técnicos capazes de dar resposta ao perfil epidemiológico nacional, promovendo a fixação e valorização dos quadros nacionais.

SÃO TOMÉ

Lobata

PRÍNCIPE

Água Grande

Mé-Zochi Lembá

Pagué Cantagalo

Caué

Ano de início da intervenção do IMVF 1988

1995

2005

2008

Distritos

Assistiu-se por isso a uma maior capacitação dos Centros e Postos de Saúde mediante a integração no seu seio de um leque de serviços mais amplo, nomeadamente ao nível do internamento, meios complementares de diagnóstico, farmácias comunitárias e melhores condições de funcionamento. Tais melhorias permitiram o reforço do papel dos Centros e Postos de Saúde enquanto primeira linha de ação e interação com a comunidade. É de referir o importante apoio com meios complementares de diagnósticos e terapêutica aos programas nacionais, tais como Luta contra HIV/SIDA, Tuberculose e Saúde Reprodutiva.

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De um distrito à totalidade do território nacional …. … da prestação de cuidados primários à realização de consultas de especialidade Com o pacote integrado de cuidados de saúde devidamente consolidado e com uma base de acesso alargada em todos os Centros e Postos de Saúde, revelou-se cada vez mais premente responder às necessidades assistenciais nas especialidades inexistentes no país. O passo seguinte foi apostar no reforço da prestação de cuidados de saúde secundários e terciários no Hospital Central de São Tomé e Príncipe Hospital Dr. Ayres de Menezes. Nesse sentido, foi abraçado um novo desafio: o projeto Saúde para Todos Especialidades que visa complementar a cadeia de prestação de cuidados implementados com assistência especializada de cuidados secundários e terciários.

Com vista à introdução de soluções mais céleres e mais adequadas à prestação integral dos cuidados, à redução do número de casos de evacuação sanitária, bem como à promoção da melhoria das competências técnicas locais, a presente intervenção compreende a criação e estruturação de serviços, bem como a realização de missões regulares, de curta duração, de médicos especialistas portugueses ao país. É, agora, realidade no país a realização de consultas, exames e cirurgias que anteriormente exigiriam tratamento no estrangeiro. A rotatividade de equipas de médicos, enfermeiros e técnicos portugueses em 23 especialidades distintas tem, neste contexto, contribuído de forma decisiva. Passados mais de 6 anos, é já visível a redução do número de doentes em estado crítico avançado, bem como o acompanhamento médico mais regular e eficaz das populações. As missões destes médicos ao país têm permitido ainda a formação de médicos e técnicos de saúde são-tomenses em avaliação, seguimento e estabilização de situações de risco. Paralelamente, a intervenção tem assegurado o reforço das estruturas de saúde através da aquisição e do envio de material médico-cirúrgico e hospitalar, aumentando assim exponencialmente a capacidade de prestação de cuidados de saúde no país. Antes de cada missão médica é assegurada, em São Tomé, a identificação dos casos clínicos mais complexos no âmbito das diferentes valências médicas, sendo facultada aos médicos especialistas, antes da sua partida, uma lista dos pacientes que deverão ser atendidos e respetivo quadro clínico. A concretização das referidas missões contou com o apoio da Direção Geral da Saúde de Portugal e a participação de 27 hospitais e instituições de saúde portugueses, com profissionais empenhados e dedicados que se voluntariam no apoio à melhoria da prestação

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de cuidados de saúde em São Tomé. A intervenção apresenta mais-valias económicas, clínicas e sociais incontornáveis para o apoio ao desenvolvimento sustentável do país, dotando-o de competências e condições técnicas eficazes à prevenção, tratamento e acompanhamento de casos clínicos mais complexos, que até então só poderiam ser resolvidos além-fronteiras. Os resultados alcançados pelo projeto demonstraram efetivamente as potencialidades de uma gestão financeira mais eficiente. Recorrendo a menos de 20% dos custos estimados de Grupos de Diagnósticos Homogéneos (GDH) (custos para um tratamento equivalente em Portugal em situação de evacuação sanitária), o projeto contribuiu inicialmente para a redução em mais de 50% do número de evacuações sanitárias. Esta redução foi algo passageira uma vez que dado o progresso do programa e face ao diagnóstico precoce das situações clínicas de risco, passou a existir um crescimento dos números de pedidos de evacuações. Estes pedidos sempre tiveram o apoio de especialistas portugueses no que se refere ao diagnóstico, evidenciando uma melhoria substancial da assistência médica nacional – que consegue assim uma equidade de saúde para consultas e intervenções de especialidade incomparavelmente superiores. Para além da melhoria da equidade de acesso aos cuidados de saúde, num estudo efetuado na especialidade de oftalmologia, as missões médicas desta especialidade - decorrentes entre 2010 e 2014 no âmbito do Programa Saúde para Todos – representaram o equivalente a 19,9% dos custos previstos caso o tratamento decorresse em Portugal, contribuindo para uma poupança de 80,1% (equivalência a valor de GDH em Portugal). Acresce-se que para o cálculo destes valores não foram considerados os custos com potencial evacuação sanitária de pacientes. A utilização de somente 1/5 do valor total previsto para as intervenções em Portugal vem reforçar o relevante papel que as missões de especialidade têm desenvolvido no terreno, demonstrando uma clara eficiência na utilização de recursos face ao número de intervenções realizadas. Para além da mais-valia financeira, é de notar ainda que se tem conseguido evitar o desmembramento das famílias e a fuga de quadros técnicos para o exterior.

Cirurgias e Consultas Oftalmológicas realizadas entre 2010-2014 no âmbito do Saúde para Todos

Custos Equivalência com Missões a valor de GDH de Oftalmologia em Portugal

Custos com 75 Homem/Missão de Oftalmologia x 15 dias/missão (Equipamentos, Materiais, Consumíveis, Viagens e Alojamento)

505.200,00€

Consultas e Exames (num total de 7.514 pacientes)

447.659,00€

Intervenções Cirúrgicas (num total of 1.147 pacientes). Inclui Anestesias loco-regionais e gerais.

2.092.234,36€

TOTAL

505.200,00€ 2.539.893,36€

Para os progressos significativos na prestação de cuidados de saúde no país contribui ainda a criação de uma estrutura mais dinâmica e flexível para facilitar o contacto entre médicos portugueses e são-tomenses – a Telemedicina. Com precisão de som e imagem, foi a solução óbvia para reforçar a intervenção do projeto e introduzir elementos inovadores, como o leque de novas soluções para os meios complementares de diagnóstico.

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Telemedicina, um instrumento de capacitação e desenvolvimento… A concertação entre entidades nacionais e internacionais permitiu impulsionar a prática da Telemedicina no país que, não só potencia o seguimento e orientação de casos clínicos mais complexos, como promove a formação e o aconselhamento dos profissionais de saúde são-tomenses, à distância. Em março de 2011, o IMVF realizou a sua primeira teleconsulta sendo hoje, a Telemedicina, um canal aberto que aproxima o Hospital Central de São Tomé e Príncipe aos médicos especialistas portugueses.

Um acompanhamento mais regular dos casos clínicos visa, acima de tudo, um diagnóstico atempado permitindo uma melhor orientação terapêutica ou mesmo a sua programação para uma próxima deslocação dos médicos especialistas ao terreno. Esta particularidade favorece uma melhor resolução da situação clínica do doente permitindo assim, em muitos casos, evitar a necessidade de evacuação sanitária. Por outro lado, no caso da concretização de uma evacuação sanitária, o sistema prevê a identificação prévia, à distância, da situação clínica do doente, permitindo preparar e identificar hospital e médico(s) que estarão disponíveis para o receber em Portugal, melhorando assim a eficácia da deslocação e, não menos importante, dando rosto ao paciente e à equipa médica. A complementaridade entre a Plataforma Medigraf - sistema de Telemedicina desenvolvido pela PT Inovação (atual Altice Labs) e o sistema PACS - introduzido pelo projeto é a grande novidade nesta abordagem que aposta na melhoria do arquivo clínico do paciente e num leque de novas soluções para meios complementares de diagnóstico e indicações terapêuticas em tempo real e diferido, fazendo desta plataforma digital um serviço de vanguarda no setor. Acresce ainda que o médico especialista pode aceder aos ficheiros clínicos dos doentes, em Portugal ou em qualquer lugar do mundo, podendo assim prestar a sua assistência e enviar os seus relatórios clínicos através de qualquer computador portátil. A possibilidade de explorar o apoio à distância em diversas especialidades médicas funciona assim como um grande complemento tecnológico ao projeto Saúde para Todos: Especialidades, projetando-se a realização de mais de 5.000 teleconsultas/ano e o apoio à devida programação de intervenções cirúrgicas em São Tomé e Príncipe. A Telemedicina permitiu ainda o reforço das ações de formação agendadas, funcionando como um complemento às missões no terreno. Desde o início das atividades de Telemedicina, entre março de 2013 e junho de 2015, foram já introduzidos no sistema mais de 66 mil exames e arquivos clínicos, das diversas especialidades médicas, estando os mesmos disponíveis para consulta à distância. Estes exames foram a base para a realização de um número substancial de teleconsultas e de formações à distância que ultrapassam já o inicialmente previsto.

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Mais Inovação, Mais Vanguardismo Encorajado pelos resultados obtidos após 2 anos de Telemedicina entre Portugal e São Tomé e Príncipe, o IMVF procurou ir mais longe, absorvendo a experiência alcançada e exponenciando a sua intervenção na área da saúde. Em parceria com a PT Inovação (atual Altice Labs), o IMVF iniciou o desenho de um caderno de encargos que tinha como objetivo tornar a Telemedicina acessível do ponto de vista económico e de requisitos de comunicação, que culminou numa nova plataforma de Telemedicina que coloca Portugal na vanguarda das Tecnologias de Informação e Comunicação ao serviço da saúde. A Medigraf® NG é compatível com qualquer equipamento ou meio de diagnóstico médico e é de baixo custo. As principais características deste equipamento são: • Necessita de internet com largura de banda apenas de 2 MBs; • Funciona num ambiente web de qualquer computador; • Incorpora um processo clínico, incluindo arquivo de exames; • Tem ferramenta de agendamento; • Permite consultas em direto, em remoto ou de urgência; • Tem ferramentas de comunicação internas através de email interno e chatroom; • Permite partilha das consultas (ou formação) em vários pontos do globo em simultâneo; • Integra atualmente vários equipamentos, transmitindo em tempo real a monitorização dos de sinais vitais, exames de ecografia, ecocardiografia, mamografia, ecografia mamária, radiografia convencional, entre outros.

Um grande avanço foi a integração de vários equipamentos de oftalmologia permitindo a observação completa e à distância por milhares de quilómetros. Nasce assim o TELEYE® fruto de um trabalho de equipa entre o IMVF e a PT Inovação (atual Altice Labs). O TELEYE® é uma solução pioneira que permite a realização de exames oftalmológicos completos à distância, em tempo real e diferido, desenvolvida no âmbito do iSEE - projeto de prevenção e tratamento de doenças oftalmológicas em São Tomé e Príncipe. O iSEE está integrado no programa Saúde para Todos.

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Instalada em São Tomé e Príncipe, a solução TELEYE® permite a realização de uma consulta de oftalmologia geral em tempo real. Deste modo, o doente são-tomense (em São Tomé, apoiado por um técnico local) é consultado por médicos especialistas portugueses (em Portugal) que, através dos seus computadores ou portáteis com acesso à internet recebem as imagens captadas pelos referidos equipamentos através da plataforma de Telemedicina Medigraf®. A solução TELEYE® é visionária porque é constituída por 6 equipamentos oftalmológicos integrados, pela primeira vez, numa plataforma de Telemedicina: a Medigraf®. Integra (i) uma Lâmpada de Fenda, (ii) um Retinógrafo, (iii) um Auto-Refractómetro/Keratómetro, (iv) um Tonómetro, e (v) uma Câmara de Alta Definição. As imagens dos olhos do paciente, obtidas através de diferentes exames oftalmológicos têm a qualidade, acuidade e o rigor exigidos para a obtenção de um diagnóstico clínico seguro, à distância. São Tomé e Príncipe, à semelhança de outras regiões e países em desenvolvimento, não dispõe ainda de um único médico oftalmologista residente. Trata-se de um país isolado e com um frágil contexto socioeconómico e epidemiológico – o que resulta numa forte incidência de doenças, também do foro oftalmológico que podem ser travadas se detetadas e tratadas atempadamente. Desta forma a incapacidade provocada pela cegueira e baixa visão poderão ser evitadas. Essa tem sido a missão das equipas de oftalmologia do programa iSEE que, 4 vezes por ano, se deslocam a São Tomé e Príncipe, onde, durante duas semanas, realizam, em média, 600 consultas e 100 cirurgias. O Programa Visão 2020 da Organização Mundial de Saúde visa diminuir a baixa visão e a cegueira evitável em 25%, em todo o mundo, até finais de 2019. Com a intervenção do IMVF no que se refere a especialidade de oftalmologia, é possível verificar uma diminuição de 38,7% de baixa visão e cegueira evitável em São Tomé e Princípe, até finais de 2014, como resultado do projeto.

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Adaptação a um novo perfil epidemiológico Assolado ao longo de anos por grandes endemias (doenças tropicais, doenças diarreicas, doenças respiratórias agudas, malária, tuberculose ou o VIH/SIDA), São Tomé e Príncipe assiste agora a uma evolução do seu perfil epidemiológico, dando lugar a novas causas de mortalidade no país. Consagradas no grupo de doenças não transmissíveis, estas novas problemáticas, entre as quais se destacam as doenças cardiovasculares, doenças respiratórias obstrutivas crónicas, diabetes, politraumatismos, doenças oncológicas, morbilidade neonatal e saúde mental são já responsáveis por 2/3 da mortalidade no país. Face a esta evolução do perfil nacional, e dando seguimento à continuidade do trabalho desenvolvido, deu-se início ao projeto Saúde para Todos: Luta Contra as Doenças Não Transmissíveis, procurando responder aos novos desafios sanitários e apostando no reforço e capacitação do setor público para uma resposta pró-ativa e mais eficaz no combate às doenças não transmissíveis.

Constante acompanhamento e avaliação de impactos… O programa Saúde para Todos introduziu procedimentos de controlo e gestão rigorosos, eficientes, coordenados e descentralizados, investindo, para tal, na valorização e capacitação de técnicos locais com vista ao reforço institucional do parceiro e sustentabilidade das medidas introduzidas no atual Sistema de Saúde Nacional. O programa apresenta ainda procedimentos de sustentabilidade financeira através de uma política de recuperação de custos tendo em conta a vulnerabilidade da população. Em termos de eficiência financeira, a gestão do programa consegue indicadores muito superiores aos traçados pelo Banco Mundial e pela OMS para a África Subsaariana, constituindo ainda um importante contributo para o alcance das metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio para o país no setor da saúde, destacando-se como um modelo na prestação de cuidados adequados aos Países em Desenvolvimento.

Investigação aplicada Este Programa também fomentou importantes trabalhos de investigação, tendo apoiado 6 teses de doutoramento com os seguintes temas: etiologia da surdez em STP, língua gestual são-tomense, urologia: patologia da próstata e características do fluxo urinário na população masculina, cancro do colo do útero e vírus do papiloma humano em STP, infestação por helmintes e efeito sobre o desenvolvimento e crescimento das crianças em São Tomé.

Formação No que respeita à formação de profissionais de saúde, têm sido realizadas ações de formação contínuas, em serviço, durante todas as missões de especialidades médicas e cirúrgicas, bem como sessões clínicas no fim de cada missão, não obstante é efetuada formação em Portugal de curta duração (3 a 6 meses) para médicos e técnicos tais como, no caso de ortopedia, mamografia, pediatria, ecografia, cardiopneumologia, manutenção dos equipamentos, entre outros.

Alguns indicadores de impacto É pertinente referir que ao nível dos impactos, desde 1995, com a introdução de um pacote integrado de serviços (cuidados preventivos na comunidade, triagem de enfermagem, consultas médicas, disponibilização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica) foi permitida a acessibilidade, equidade e eficácia na prestação dos cuidados de saúde em todo o território nacional (30 centros de saúde e 2 hospitais). Tendo sido conseguida uma cobertura universal da assistência médica, bem como uma significativa diminuição da incidência de grandes e melhoria dos indicadores nacionais de saúde, como se verifica na tabela seguinte:

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Saúde Infantil

1990 2015

Taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos (por 1000 nados-vivos)

110

35

Saúde Materna

2000 2015 2008 2009 2015

Taxa de mortalidade materna (por 100.000 nados-vivos)

410

260

Cobertura de cuidados pré-natais (pelo menos uma visita) a raparigas entre 15-19 anos

74

99,4%

Cobertura de cuidados pré-natais (pelo menos uma visita)

97,5%

97,5

Cobertura de cuidados pré-natais (pelo menos quatro visitas)

72,4%

83,6

80,6%

92,5

Partos assistidos por pessoal especializado (raparigas entre os 15-19 anos)

85,7%

Partos assistidos por pessoal especializado

O Programa Saúde para Todos representa uma prática inovadora de desenvolvimento sanitário num País Africano de Língua Oficial Portuguesa da qual podem ser extraídas lições importantes na área da gestão e oferta diferenciada de serviços ao nível das unidades básicas de saúde. Poderá ser a chave da mudança dos sistemas de saúde, particularmente nos países onde a população é afetada, de forma mais severa, por barreiras no acesso aos cuidados, nomeadamente, a exclusão social, a pobreza e o isolamento geográfico.

Programa de Requalificação e Desenvolvimento dos Hospitais Deve ser realçado o programa de requalificação e desenvolvimento do Hospital Dr. Ayres de Menezes e do Hospital Dr. Manuel Quaresma Dias da Graça. Este plano foi aprovado em 2012 pelo Governo são-tomense tendo a sua concepção sido efetuada pelo IMVF, com o objetivo de dotar os respetivos hospitais com a capacidade necessária para desempenhar convenientemente o seu papel.

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Cuidados de saúde em rede entre Portugal e São Tomé e Príncipe Ao longo dos últimos anos, o programa Saúde para Todos em São Tomé e Príncipe reuniu, sob o mesmo propósito, inúmeras instituições médicas portuguesas. Progressivamente e num espírito de cooperação e solidariedade internacional, profissionais portugueses, de várias especialidades médicas, aliaram-se a esta intervenção da Cooperação Portuguesa. Estes formam, hoje, uma rede alargada de médicos especialistas de referência no trabalho com São Tomé e Príncipe. Instituições médicas portuguesas envolvidas, por especialidade médica: • Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, nas áreas de Cirurgia Geral, Psiquiatria, Pediatria, Anatomia Patológica, Oftalmologia, Imagiologia-Radiologia e Neurologia; • Hospital D. Estefânia, nas especialidades de Anestesiologia, Cirurgia Pediátrica, Ortopedia Pediátrica e Enfermagem; • Hospital Egas Moniz, nas valências de Oftalmologia e Urologia; • Hospital CUF Descobertas, nos domínios da Dermatologia e Ortopedia; • Hospital CUF Infante Santo, nas valências de Otorrinolaringologia e Audiologia; • Hospital de Santa Maria, nas áreas de Ginecologia-Obstetrícia e Gastroenterologia; • Hospital Pulido Valente, no domínio da Pneumologia; • IHMT - Instituto de Higiene e Medicina Tropical • Instituto Português de Oncologia de Lisboa, na valência de Ginecologia-Obstetrícia; • Hospital de São José, nas valências de Fisioterapia e Cirurgia Plástica e Reconstrutiva; • Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal, na valência de Fisioterapia; • Hospital da Marinha, na especialidade de Oftalmologia; • Centro de Saúde de Queluz, na valência de Enfermagem; • Clínica de Santo António, na vertente de Enfermagem; • Hospital Curry Cabral, na vertente de Enfermagem; • Centro de Saúde de Sete Rios, na vertente de Enfermagem; • Laboratório Roriz, no domínio da Anatomia Patológica; • Instituto Pedro Nunes, Coimbra, na área da Biologia Molecular; • Hospital Beatriz Ângelo, Loures, na especialidade de Ginecologia-Obstetrícia; • Hospital de Santo António, Porto, nas especialidades de Anestesiologia, Cirurgia Geral e Enfermagem; • Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, na valência de Cirurgia Cardiotoráxica; • Hospital dos Covões, na valência de Cardiologia Pediátrica; • Hospital de São João do Porto, nas especialidades de Nefrologia e Pediatria; • Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, na valência de Infeciologia; • Associação Portuguesa de Diabetes; • Ordem dos Médicos Dentistas; • Hospital do Espirito Santo de Évora, na especialidade de Oftalmologia.

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Saúde para Todos em números Cuidados Primários (2008-2016)

50

348

294 mil consultas de pré-natal

mil consultas pós-parto

947

311

561

mil consultas de planeamento familiar

mil consultas de controlo da criança e vigilância nutricional

mil tratamentos de desparatisação em crianças

mil vacinas administradas

474

658

702

mil atos / atendimentos de enfermagem

mil consultas médicas

12

mil análises clínicas


Saúde para Todos em números Cuidados Especializados (2008-2016) Mais de

150

especialidades médicas

Mais de

Mais de

30

463

24

médicos, enfermeiros, profissionais de saúde e investigadores

350

sessões de formação

consultas através da Telemedicina

Mais de

66

mil cirurgias

Mais de

2400

missões (homem-missão)

4700

mil consultas

Mais de

mil exames e arquivos clínicos em Temedicina

Mais de

16

mil exames complementares de diagnóstico

13

24

Programas de formação de longo-prazo em Portugal

27

Instituições de saúde parceiras em Portugal


Saúde para Todos: prémios e distinções Prémios 2009 | “Saúde para Todos – Mudando o Paradigma da Prestação de Cuidados de Saúde em São Tomé e Príncipe – Estudo de caso: 1988-2008”: menção honrosa no âmbito da edição de 2008 dos Prémios Bial 2013 | Medigraf 3.0 recebe prémios na categoria Changing Lives da AfricaCom e Broadband Infovision Awards 2013 destacando-se como uma aplicação com capacidade para melhorar as condições de vida das populações na área da saúde 2015 | Prémio do Cidadão Europeu atribuído anualmente pelo Parlamento Europeu com o objetivo de recompensar atividades excecionais desempenhadas por cidadãos, grupos, associações ou organizações nos domínios da promoção de uma maior integração dos cidadãos europeus, cooperação, reforço do espírito

© European Union 2015

europeu e no âmbito dos valores consagrados na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.

Distinções 2009 | Reconhecimento público pelo Alto Comissariado da Saúde (despacho ministerial nº 6243 de 5 de março de 2008) 2011 | Projeto entre as 15 histórias mais inspiradoras a nível mundial pelas Nações Unidas e um exemplo de boas práticas em capacitação e desenvolvimento sustentável, no Fórum de Alto Nível sobre Eficácia da Ajuda, que decorreu em Busan, Coreia do Sul 2011 | Visita do Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe, Dr. Manuel Pinto da Costa, à sede do IMVF, como forma de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no seu país nos últimos 25 anos, em particular na área da saúde 2012 | Protocolo de cooperação entre a Direção Geral da Saúde de Portugal e o Ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe, que permitiu o recurso mais alargado e regular à Telemedicina em São Tomé e Príncipe 2013 | Medalha de Prata de Serviços Distintos atribuído pelo Ministério da Saúde de Portugal pelo trabalho desenvolvido na área da saúde junto da população são-tomense 2013 | Atribuição do estatuto de utilidade pública pelo governo de São Tomé e Príncipe pelos 25 anos prestados no arquipélago nos setores da saúde, educação e segurança alimentar e entrega de diplomas de reconhecimento individuais aos responsáveis pelo projeto, médicos especialistas, enfermeiros, técnicos e colaboradores que integram o Saúde para Todos 2015 | Cerimónia de reconhecimento do trabalho do IMVF pela Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe em Lisboa 2015 | Atribuição da Medalha Municipal de Mérito ao IMVF em reconhecimento do contributo na área da cooperação pela Câmara Municipal da Palmela

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O Futuro Não obstante os resultados bastante positivos alcançados ao nível dos indicadores de Saúde em São Tomé e Príncipe, a complexidade, exigências e necessidades específicas do setor continuam a representar um grande desafio para todos os atores envolvidos. A consolidação da prestação dos cuidados e a garantia da sustentabilidade do sistema nacional de saúde neste arquipélago exigiu - e continua a exigir - um esforço progressivo que abranja as diferentes determinantes do desempenho e da eficácia no setor - formativa, operacional, de gestão, coordenação, assistencial e financeira. Neste contexto, no ano de 2016, uma nova fase do projeto Saúde Para Todos, a Fase de Transição, permitiu, num período de 12 meses, avaliar a fase anterior, estabelecer parâmetros e metas para uma nova fase e, simultaneamente, garantir a sustentabilidade dos progressos entretanto efetuados. Em conformidade com esta avaliação, tem início em 2017 o Saúde para Todos: Rumo à Sustentabilidade que surge numa tentativa de compromisso entre as preocupações de consolidação dos avanços alcançados e a necessidade de uma crescente autonomização da prestação de cuidados de saúde no arquipélago. Por conseguinte, nesta nova fase do programa, estará a cargo do Ministério da Saúde são-tomense a garantia da continuidade da efetiva prestação de cuidados preventivos e primários através da realização de consultas, atos de enfermagem e meios complementares de diagnóstico e terapêutica nos centros e postos de saúde. Para a prossecução destas atividades, caberá ao Ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe garantir os recursos humanos locais e a logística associada, ficando a provisão de medicamentos a cargo do projeto Saúde para Todos. Este é um passo importante rumo a uma emancipação sustentada da prestação de cuidados de saúde a nível distrital. Face ao exposto, o Saúde para Todos: Rumo à Sustentabilidade irá priorizar a intervenção ao nível da formação de uma nova geração de especialistas nacionais, capazes de dar resposta às necessidades assistenciais do país. Neste sentido, especial ênfase será colocado na continuidade da realização de estágios e formações de longa duração em Portugal nos domínios de especialidades médico-cirúrgicas, gestão hospitalar e projeção sanitária e manutenção de equipamentos. Concomitantemente, será mantida a realização de missões médicas de especialidades de curta duração no país e será promovida a consolidação do apoio clínico via Telemedicina.

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Desde 1988 a intervir em São Tomé e Príncipe no setor da saúde...

1988 - 1994

Projeto de Saúde Mé-Zochi Cuidados de saúde primários e assistenciais 1 distrito

1988

1989

1990

1991

1992

1993

1994

1995

1996

1997

1998

1995 - 2004

1999

Projeto de Apoio aos cuidados Preventivos e Primários de saúde nos distritos de Mé-Zochi e Cantagalo Cuidados de saúde preventivos e primários 2 distritos

2000

2001

2002

2003

2004


2009 - 2011

Saúde para Todos: Especialidades Cuidados de saúde secundários e terciários especializados 7 distritos (totalidade do território nacional)

2005 - 2007

JAN-DEZ 2016

Saúde para Todos Cuidados de saúde preventivos, primários e assistenciais 5 distritos

2005

2006

2007

2008

Saúde para Todos: Fase de Transição 7 distritos (totalidade do território)

2009

2010

2011

2012

2013

2014

2015

2016

2017

2018

2019

2020

2017 - 2020 2008 - 2011

Saúde para Todos: Alargamento e Consolidação Cuidados de saúde preventivos, primários, assitenciais e especializados 7 distritos (totalidade do território nacional)

2011 - 2013

Saúde para Todos: Luta contra as Doenças Não Transmissíveis 7 distritos

2012 - 2015

Saúde para Todos: Programa Integrado Projeto de Cuidados Primários: autonomia e eficácia Projeto de Cuidados Especializados e Telemedicina Cuidados de saúde secundários e terciários especializados 7 distritos (totalidade do território nacional) Sem Barreiras Cuidados de saúde preventivos e especilizados e criação e ensino da Língua Gestual são-tomense 1 distrito (cidade de São Tomé)

Saúde para Todos: Rumo à Sustentabilidade Intervenção Centrada nos Cuidados de Especialidade e Telemedicina 7 distritos (totalidade do território)


Ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe


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