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Cinema do IMS Poços, janeiro de 2026

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cinema jan.2026


Tainá e os guardiões da Amazônia - em busca da flecha azul, de Alê Camargo e Jordan Nugem


destaques de janeiro Em janeiro, o Cinema do IMS reúne uma série de estreias especiais. Jovens mães, mais recente obra dos irmãos Dardenne, vencedora do prêmio de Melhor Roteiro no último Festival de Cannes. A Useful Ghost – Uma ajuda do além, de Ratchapoom Boonbunchachoke, crônica tailandesa sobre uma mulher que reencarna como um aspirador de pó para proteger sua família. Ato noturno, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, suspense erótico em torno do fetiche pelo sexo em lugares públicos. Sorry, Baby, de Eva Victor, comédia árida em torno da superação de um trauma violento. E o relançamento do trágico Incêndios, de Dennis Villeneuve, em cópia restaurada em 4K. Para todas as famílias, a programação de férias conta com quatro histórias brasileiras: a jovem menina indígena Tainá, que pretende se tornar guardiã da Amazônia; o menino Noburu, que se conecta com as memórias do avô, um imigrante japonês no Brasil; Erick, um menino de 13 anos que precisa sustentar uma mentira para impressionar uma garota da escola; e os Detetives do Prédio Azul, que embarcam numa aventura por um reino mágico. Embora seja conhecido pelo apreço às histórias das pessoas comuns e pelo distanciamento do que seria um “cinema militante”, Eduardo Coutinho não raro demonstrou seu interesse cinematográfico pelas pessoas que se articularam coletivamente na luta por direitos e dignidade das classes trabalhadoras. Este mês, a mostra que acompanha a Ocupação Eduardo Coutinho reúne três destas obras: Peões, em torno dos metalúrgicos do ABC paulista que tomaram parte no movimento grevista de 1979 e 1980; Volta Redonda – Memorial da greve, denso panorama da grande greve dos trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional no final dos anos 1980; e Mulheres no front, que reúne três histórias de organização política de mulheres em diferentes partes do Brasil.

[imagem da capa] Sorry, Baby, de Eva Victor 1

Jovens mães, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne

Peões, de Eduardo Coutinho

Incêndios, de Denis Villeneuve


filmes de janeiro Em cartaz

Férias no Cinema

Ocupação Eduardo Coutinho

A Useful Ghost – Uma ajuda do além (Pee chai dai ka) Ratchapoom Boonbunchachoke | DCP

D.P.A. 4 – O fantástico reino de Ondion Mauro Lima | DCP

Volta Redonda – Memorial da greve Eduardo Coutinho e Sergio Goldenberg | Arquivo digital

Ato noturno Marcio Reolon e Filipe Matzembacher | DCP Foi apenas um acidente (Yek tasadef sadeh) Jafar Panahi | DCP

Incêndios (Incendies) Denis Villeneuve | DCP, restauração 4K Jovens mães (Jeunes mères) Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne | DCP Nouvelle Vague Richard Linklater | DCP Sorry, Baby Eva Victor | DCP

Valor sentimental (Affeksjonsverdi) Joachim Trier | DCP 2

Eu e meu avô nihonjin Célia Catunda | DCP O último episódio Maurílio Martins | DCP

Tainá e os guardiões da Amazônia – Em busca da flecha azul Alê Camargo e Jordan Nugem | DCP

Mulheres no front Eduardo Coutinho | Arquivo digital Peões Eduardo Coutinho | Arquivo digital


A Useful Ghost – Uma ajuda do além, de Ratchapoom Boonbunchachoke

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Neste dia o IMS Poços estará fechado

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férias no cinema D.P.A. 4 – O fantástico reino de Ondion (109')

férias no cinema Eu e meu avô nihonjin (84')

férias no cinema Tainá e os guardiões da Amazônia – Em busca da flecha azul (78')

férias no cinema Tainá e os guardiões da Amazônia – Em busca da flecha azul (78')

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férias no cinema Eu e meu avô nihonjin (84')

férias no cinema O último episódio (112')

férias no cinema O último episódio (112')

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Neste dia não haverá sessões de cinema

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férias no cinema Eu e meu avô nihonjin (84')

férias no cinema O último episódio (112') A Useful Ghost – Uma ajuda do além (130')

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férias no cinema Tainá e os guardiões da Amazônia – Em busca da flecha azul (78') Ato noturno (119') férias no cinema O último episódio (112') Sorry, Baby (103')


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férias no cinema D.P.A. 4 – O fantástico reino de Ondion (109') Jovens mães (105') férias no cinema D.P.A. 4 - O fantástico reino de Ondion (109') Sorry, Baby (103') férias no cinema Tainá e os guardiões da Amazônia – Em busca da flecha azul (78') Ato noturno (119') férias no cinema Eu e meu avô nihonjin (84') A Useful Ghost – Uma ajuda do além (130')

férias no cinema Tainá e os guardiões da Amazônia – Em busca da flecha azul (78') Incêndios (125')

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Jovens mães (105') Valor sentimental (132')

A Useful Ghost – Uma ajuda do além (130') Incêndios (125')

Ato noturno (119') Jovens mães (105')

Sorry, Baby (103') Incêndios (125')

Incêndios (125') Sorry, Baby (103')

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Nouvelle Vague (106') Foi apenas um acidente (102')

Foi apenas um acidente (102') Jovens mães (105')

ocupação eduardo coutinho Volta Redonda – Memorial da greve (39') Sorry, Baby (103')

ocupação eduardo coutinho Peões (85') Ato noturno (119')

ocupação eduardo coutinho Mulheres no front (35') A Useful Ghost – Uma ajuda do além (130')

Programa sujeito a alterações. Eventuais mudanças serão informadas em ims.com.br. 5


Ocupação Eduardo Coutinho

De lutas e de escutas – Eduardo Coutinho nos inícios da Nova República Mateus Araújo

Mateus Araújo é professor de Teoria e História do Cinema na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) 6

As sessões de Eduardo Coutinho que o Cinema do IMS programou neste janeiro de 2026 em Poços de Caldas condensam um percurso temporal de 15 anos do seu documentarismo, representado por três filmes realizados a intervalos quase idênticos, de 7 ou 8 anos, todos lidando com o universo dos movimentos sociais na Nova República: Volta Redonda – Memorial da greve (1989), Mulheres no front (1996) e Peões (2004). Vê-los assim agrupados nos permite perceber ao mesmo tempo a coerência e o desenvolvimento do seu projeto de cinema. Apesar das suas diferenças, os três correspondem a um período de sedimentação do trabalho documental do cineasta depois de dois de seus momentos fundadores: o ciclo de programas televisuais de média-metragem produzidos para o Globo Repórter de 1975 a 1984 e o arremate, em 1984, do longa para o cinema Cabra marcado para morrer, uma de suas obras-primas, de acidentada e sinuosa gestação, que remonta a 1962. Produzidos pelo ISER – Vídeo e por seu desdobramento no CECIP, Volta Redonda e Mulheres no front reatam com aspectos do seu trabalho nos documentários do Globo Repórter, abordando episódios e sujeitos das lutas sociais no Brasil: no primeiro,

uma greve de 1988 dos operários da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), duramente reprimida por tropas do Exército, com o saldo de três mortos; no segundo, mulheres que assumiram nos anos 1990 o papel de lideranças comunitárias em bairros pobres do Recife, de Nova Iguaçu (RJ) e Porto Alegre, lutando por direitos fundamentais de saneamento, saúde, educação, integridade física das mulheres às voltas com a violência doméstica etc. Cada um a seu modo, ambos os filmes se equilibram entre, de um lado, um tom geral de reportagem francamente simpática à luta política dos atores sociais concernidos (trabalhadores e líderes comunitárias) e, de outro, um exercício de escuta dos indivíduos singulares que eles também são. Estes falam para a câmera num registro mais pessoal sobre esperança, solidariedade, perda, transformação etc. Volta Redonda traz depoimentos de 21 pessoas cujos nomes aparecem na tela: grevistas de 1988, seus familiares, líderes religiosos que lhes deram amparo ou testemunharam as violências sofridas. Mulheres no front traz dez depoimentos, basicamente das próprias líderes e, vez por outra, de seus familiares que entram no quadro. Um detalhe indica uma diferença de abordagem em relação ao média anterior. As personagens agora, com exceção


da pernambucana Maria da Penha Gouveia dos Santos, são identificadas apenas pelo prenome ou pelo apelido: Preto, Lourildes, Maria, Lindalva, Darci, Lurdes, Luci, Clélia, Lena. Esse gesto marcará longamente o cinema posterior de Coutinho, de Santo Forte (1999) a O fim e o princípio (2005), num conjunto de filmes que inclui Peões – entre outras coisas, um segundo “memorial da greve”. Produzido pela Videofilmes num par com Entreatos, de João Moreira Salles, Peões apresenta, porém, uma construção mais complexa que a dos nossos dois médias de janeiro (com os quais guarda afinidades), e reata claramente com a experiência de Cabra marcado, que será reprisado pelo IMS em fevereiro. Pela mediação do cinema, Cabra e Peões se estruturam de modo a articular o passado e o presente de um grupo emblemático de trabalhadores brasileiros, camponeses no primeiro caso, operários no segundo. Cabra lidava com trabalhadores rurais que participaram do movimento das Ligas Camponesas no início dos anos 1960, partindo da experiência do filme homônimo do CPC dirigido pelo próprio Coutinho (que estreava na direção) e abortado pelo golpe militar de 1964. Peões se ocupa com operários que participaram das históricas greves de 1978-1980 no 7

ABC paulista, localizando-os e indo ao seu encontro para ouvi-los a partir de uma certa memória produzida por um ciclo de filmes que as documentaram: Linha de montagem (Renato Tapajós, 1980-1982), ABC da greve (Leon Hirszman, 1980-1989) e Greve (João Batista de Andrade, 1979). Nos dois casos, as pontas iniciais do novelo correspondiam a momentos de luta organizada dos trabalhadores, e as outras pontas, a momentos de dispersão dos seus sobreviventes, às vésperas da redemocratização (Cabra) ou da chegada de Lula à Presidência da República (Peões). Enfrentada pelos dois filmes, a passagem da organização inicial à dispersão posterior dos trabalhadores ecoa no próprio cinema que acompanhou os dois momentos. Na ponta inicial mais organizada, a frente de esquerda (CPC/Cinema Novo) que atentou para a experiência camponesa e a transformou em emblema do subdesenvolvimento no início dos anos 1960 – época do primeiro Cabra, de Maioria absoluta (Leon Hirszman), Vidas secas (Nelson Pereira dos Santos), Deus e o diabo na terra do sol (Glauber Rocha) e Os fuzis (Ruy Guerra) –, ou o empenho comum dos cineastas, basicamente de esquerda, que filmaram as mobilizações sindicais dos metalúrgicos no fim dos anos 1970. Na ponta mais dispersa,

em que os dois filmes nasceram, a relativa atomização de propostas cinematográficas na reabertura dos anos 1980 (em que Cabra viu a luz) ou no fim da era Fernando Henrique (em que Peões foi concebido). Em cer to sentido, os dois filmes concorrem para organizar um pouco a dispersão do campo cinematográfico em que nasceram. Cabra atualiza a seu modo, particularizando-o e colocando-o em novo patamar, um impulso de reatar passado e presente perceptível em parte do melhor cinema brasileiro moderno. Vinte anos depois, na esteira de Cabra, Peões parece inaugurar no Brasil um novo ciclo de filmes preocupados em reatar fios de meadas. Desse ponto de vista, Serras da desordem (Andrea Tonacci, 2006), Santiago (João Moreira Salles, 2008), O tempo e o lugar (Eduardo Escorel, 2008), Corumbiara e Martírio (Vincent Carelli, 2009 e 2017), entre outros, prolongam seu gesto. Diversos e aparentados, os três filmes de Coutinho do programa de janeiro (aos quais acrescentei nestas notas o Cabra, programado para fevereiro) atestam portanto a solidariedade que une os seus trabalhos ao longo dos anos, bem como a transformação que seu cinema vai sofrendo com o passar do tempo. Em meio a essa transformação, o que permanece estável é o seu pendor pelos


pobres e pelos trabalhadores, que nunca sai de cena, mesmo quando o indivíduo ganha o primado sobre a classe ou a categoria social, que o cineasta tendia a evitar nos esquemas de abordagem dos seus filmes de velhice. Não é por acaso que a figura de Lula fornece o pano de fundo de Peões, e a promessa de justiça que ela encarnava naqueles inícios da Nova República se deixa entrever direta ou indiretamente em Volta Redonda (onde seu nome aparece numa faixa de manifestação eleitoral) e em Mulheres no front (nas referências ao orçamento participativo, que foi uma marca das gestões petistas em Porto Alegre e noutras prefeituras do Brasil afora).

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Peões, de Eduardo Coutinho

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Jovens mães, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne


Em cartaz

A Useful Ghost – Uma ajuda do além

Pee chai dai ka Ratchapoom Boonbunchachoke | Tailândia, Singapura, Alemanha, França | 2025, 130’, DCP (Pandora Filmes) March está de luto por sua esposa Nat, que faleceu recentemente devido à poluição por poeira. Mas o espírito dela retorna “encarnado” em um aspirador de pó decidido a proteger o marido e a família de padecerem da mesma doença respiratória. “Minha inspiração inicial para a história é a lenda de Mae Nak, que é uma história de amor proibido entre o fantasma de uma mulher e seu marido vivo. Essa lenda tem enorme significado cultural na Tailândia e já foi adaptada inúmeras vezes para peças, filmes e séries de TV”, conta o diretor Ratchapoom Boonbunchachoke, em entrevista disponibilizada no material de imprensa do filme.

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“Nas últimas décadas, houve uma crescente conscientização sobre a poluição por poeira na Tailândia. Especula-se que a poluição seja causada principalmente pelas grandes indústrias do país. Mas, além da poeira literal – a partícula minúscula que flutua no ar –, o termo “poeira” evoluiu para carregar um significado mais profundo na gíria contemporânea tailandesa, referindo-se a seres humanos tratados como menos que humanos. Inicialmente, as pessoas faziam piada sobre a poluição por poeira: ‘Não é de se estranhar que tenhamos poluição por poeira, porque nosso país está cheio de poeira’. Aqui, poeira não significa apenas partículas suspensas no ar, mas também pessoas sem voz ou poder para determinar as próprias vidas, pessoas facilmente varridas, movidas e apagadas conforme a vontade da classe dominante.” “Também sinto que os fantasmas, de certo modo, são semelhantes à poeira. Ambos ocupam o lugar errado e o tempo errado.” “A Tailândia é um país cheio de fantasmas, pois muitos casos de morte não têm encerramento formal – inúmeros assassinatos e desaparecimentos forçados permanecem sem solução. Acho que artistas e, em particular, cineastas são aliados dos fantasmas. Emprestamos nossas ferramentas e habilidades para dar forma às suas palavras. Como fantasmas são difíceis de experimentar diretamente, o cinema é o meio ideal para lhes dar corpo.”

“Além disso, os espectadores talvez notem referências ao contexto político tailandês no filme. Sem explicar demais, menciono um episódio que me inspirou profundamente enquanto desenvolvia o roteiro: a recente onda de destruição da arquitetura do Khana Ratsadon (Partido do Povo). Esse grupo, nos anos 1930, realizou a revolução que transformou a Tailândia em monarquia constitucional. Apesar de falhos e de curta duração, construíram prédios e monumentos que representavam sua era e seus valores. Há um esforço contínuo de demolir essas construções. Para mim, isso não diz respeito apenas ao apagamento físico, mas também à tentativa de apagar memórias, histórias e ideais revolucionários – um esforço de fazer essas ideias desaparecerem completamente. Esses valores apagados, que falharam em chegar ao presente, são uma outra espécie de fantasma – um fantasma que nós, vivos, também precisamos ouvir.” O filme teve sua estreia mundial no Festival de Cannes 2025, como parte da seleção oficial da Semana da Crítica, na qual recebeu o Grand Prix AMI Paris. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).


Ato noturno

Marcio Reolon e Filipe Matzembacher | Brasil | 2025, 119’, DCP (Vitrine Filmes) Um ator ambicioso e um político em ascensão vivem um caso em sigilo e, juntos, descobrem ter fetiche por sexo em lugares públicos. À medida que se aproximam da fama, mais intenso se torna o desejo de se colocarem em risco. Em entrevista ao portal Meio Amargo, Marcio Reolon conta: “A gente começou a conceber esse processo flertando com a ideia de um noir mais clássico, mas durante o processo de desenvolvimento a gente foi pouco a pouco percebendo que ele tem mais a ver com o suspense erótico, que é um gênero que a gente adora. E aí a gente começou a mergulhar muito nesse cinema. Claro, [a gente] tentou pegar vários códigos desse gênero, mas trazendo para a nossa realidade, para o nosso Brasil 2025, queer.”

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“Erotismo de forma geral, sexo, são elementos que estão presentes no nosso cinema”, complementa Filipe Matzembacher. “É interessante que esse filme é menos explícito que o Tinta bruta, mas ele é um filme que tem mais cenas de sexo que o Tinta bruta. Porque o sexo nesse filme não é sobre o ato, sobre estar presenciando o ato em si. Mas é sobre a tensão, o tensionamento do ato no espaço público.” “Acho que a gente vive um momento que é muito rico para o suspense erótico e o thriller de forma geral, por vários motivos. A gente vê as instituições políticas corroendo, muito pela influência da iniciativa privada. Esse é um tema muito recorrente em vários dos noir e thrillers clássicos: a criminalização e perseguição do desejo e de questões sexuais e de gênero. A gente comentava agora que vai ter uma nova onda de slashers acontecendo, porque há uma perseguição ao desejo, a uma ideia de interação que não seja econômica entre as pessoas. Esse é o ponto central.” Ato noturno estreou na mostra Panorama do Festival de Berlim em 2025. [Entrevista disponível em: tinyurl.com/atomrfm] Ingressos: R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia).

Incêndios

Incendies Denis Villeneuve | Canadá, França | 2010, 125’, DCP (Imovision), restauração 4K Após a morte da mãe, os gêmeos Simon e Jeanne descobrem que têm um irmão e que o pai, que julgavam morto, está vivo. Em conflito interno, eles descobrem revelações sobre si mesmos. Um grande sucesso à época de seu lançamento, Incêndios é uma adaptação da peça teatral homônima de Wajdi Mouawad, baseada na vida da militante comunista libanês Soha Bechara. O diretor Dennis Villeneuve (Blade Runner 2049, Duna) conta em entrevista a Debbie Lynn Elias para o portal Behind the Lens que o projeto surge exatamente após assistir à encenação teatral: “Fiquei totalmente surpreso com a forma como a peça foi encenada e como a história era poderosa e bela. A peça tem quatro horas de duração e, para mim, passou como se fossem cinco minutos. Era uma história tão intensa.


Fiquei maravilhado com a maneira como Wajdi conseguiu falar sobre a raiva dentro de uma família, dentro de uma sociedade, a partir dessa tragédia grega realmente poética. Assumir esse ponto de vista da história, achei simplesmente genial. É muito incomum, como cineasta, eu ouvir que existe uma história tão grandiosa assim. Eu não estava procurando uma adaptação naquele momento. Não é que eu não pensasse que um dia faria uma adaptação, é que simplesmente me apaixonei profundamente por Incêndios. Nunca pensei sobre isso racionalmente. Simplesmente escrevi direto do coração. Quando saí do teatro e pisei na calçada, minha esposa olhou para mim e disse: ‘Ah não. Você vai fazer um filme.’ E eu respondi: ‘Sim.’ Eu estava completamente maravilhado.” “Logo de início, Wajdi, o autor, me deu total liberdade. Ele me deu a liberdade de fazer o que eu quisesse. [...] Foi um presente artístico lindo, e foi muito importante ter esse tipo de liberdade para realizar a adaptação, porque a verdade é que eu mudei muitas coisas. Mantive os personagens principais e a mesma história, claro, mas precisei retirar todas aquelas imagens teatrais belas e poderosas que estavam no palco porque, como disse, eram de fato muito belas e poderosas, mas também muito teatrais. O principal problema para mim foi lidar com o fato de situar a história em uma terra fictícia, como a peça fazia, a fim de permanecer apolítica. E, ao mesmo tempo, para mim foi um grande desafio falar sobre a cultura árabe. Acho

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que foi muito importante ter uma grande quantidade de imagens diante da câmera. Esse foi meu maior desafio porque, evidentemente, não é a minha cultura. Filmar algo que você não conhece é uma péssima ideia para um diretor de cinema. Por isso fizemos uma pesquisa enorme e várias viagens a Israel e à Jordânia para compreender essa cultura. Coloquei minhas próprias visões de lado e perguntei muito, para poder trazer um retrato dessa cultura diante da câmera.” [Íntegra da entrevista em: tinyurl.com/ incendiosdv]]

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Jovens mães

Jeunes mères Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne | Bégica, França | 2025, 106’, DCP (Vitrine Filmes) Cinco jovens mulheres – Jessica, Perla, Julie, Ariane e Naïma – vivem juntas em um abrigo para mães adolescentes na região de Liège, Bélgica. Cada uma enfrenta, à sua maneira, as consequências de uma maternidade precoce, tentando cuidar de seus filhos enquanto encaram o peso de suas próprias ausências e feridas. Vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes de 2025, Jovens mães é um retrato da maternidade como território de vulnerabilidade e resistência, marcado por dilemas éticos, sociais e afetivos. Em entrevista à equipe do Festival, os diretores relatam: “Queríamos contar cinco histórias sobre cinco jovens que, cada uma à sua maneira, escapam de um destino – de uma prisão”, diz Luc Dardenne. “Talvez seja por isso que o filme é mais luminoso [do que nossos filmes anteriores]. Há também a


música que entra em determinado momento, trazendo luz, o que não acontecia nos dois filmes anteriores.” “Tivemos essa ideia porque fomos a um abrigo”, complementa Jean-Pierre. “Originalmente, queríamos contar uma história diferente, sobre uma jovem chamada Jessica que vivia em um abrigo e não sentia nada pelo próprio filho. Seguimos um pouco nossos rastros. Depois reunimos informações sobre abrigos, fomos até lá e, quando vimos como era a vida naquele lugar, foi como se ele nos dissesse: ‘E se vocês contassem a nossa história?'." “No fim, existe uma sensação de “corrida de revezamento”, mesmo que sejam cinco histórias. Uma das meninas começa com a sua história, e é como se passasse o bastão para dar início [à próxima]”, arremata Luc. [Íntegra da entrevista, em francês: tinyurl.com/ jovensmaesjpld] Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Nouvelle Vague

Sorry, Baby

Esta é a história de Godard filmando Acossado (À bout de souffle, 1960), contada no estilo e no espírito com que Godard fez Acossado. Em depoimento disponível no material de imprensa do filme, o cineasta declara: “Isso não é sobre refazer Acossado, mas olhar para ele a partir de outro ângulo. Quero mergulhar em 1959 com minha câmera e recriar a época, as pessoas, a atmosfera. Quero andar com a turma da Nouvelle Vague. Eu disse a todos os atores: ‘Vocês NÃO estão fazendo um filme de época. Vocês estão vivendo o momento. Godard é um crítico conhecido, mas está dirigindo seu primeiro filme. Vocês estão se divertindo filmando com ele, mas ao mesmo tempo se perguntam se esse filme algum dia será lançado...’” Nouvelle Vague estreou na edição deste ano do Festival de Cannes.

Algo ruim aconteceu com Agnes. Mas a vida continua – pelo menos para todos ao redor dela. Em uma estreia tripla: como pessoa diretora, roteirista e protagonista, Eva Victor exercita subverter a forma como normalmente são relatados eventos traumáticos: “Me vi escrevendo o filme de que eu precisava quando vivi uma crise semelhante à de Agnes”, declara em depoimento veiculado no material de imprensa do filme. “Eu não queria escrever sobre violência ou agressão especificamente, mas explorar como uma pessoa se cura. O que mais me interessava era mergulhar naquele sentimento de estar presa, vendo pessoas que você ama seguirem em frente, enquanto você ainda está atolada na coisa ruim que aconteceu com você. Comecei escrevendo para a pessoa que eu fui.” Conhecide por seus vídeos de comédia para redes sociais, Victor encontrou em Barry Jenkins (diretor de Moonlight: sob a luz do luar, 2016) e na sua produtora Pastel um incentivo para

Richard Linklater | França | 2025, 105’, DCP (Mares Filmes)

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). 14

Eva Victor | EUA | 2025, 103’, DCP (Mares Filmes)


realizar sua primeira direção, em um processo de formação cinematográfica moldado especificamente para elu: “Eu não achava que tinha qualquer habilidade técnica para dirigir com base naqueles vídeos do Instagram. Demorei alguns meses para perceber que eu queria dirigir o filme. Eu não entendia o que significava dirigir um filme”, conta em entrevista a Zachary Lee para o portal Roger Ebert. “Quando entendi que queria dirigir essa história, comecei a pensar no que isso significava. Para começar, eu fiz a listagem de plano por plano de vários filmes para descobrir como alguém monta uma decupagem. [...] Tentei encontrar filmes cuja aparência eu amava. Por exemplo, eu adoro a maneira como Certas mulheres (2016) [de Kelly Reichardt] é filmado. Há muita contenção na forma como o filme se move: ele só vai para mais perto quando precisa, há muitos planos gerais belíssimos e amplos. Eu me conectei com essa simplicidade. Ao mesmo tempo, eu queria considerar a linguagem visual das comédias. Para comédia, você precisa filmar com cobertura suficiente para poder editar de um jeito que deixe as coisas mais engraçadas e permita acelerar ou desacelerar o ritmo.” Sorry, Baby foi vencedor do prêmio de Melhor Roteiro da seção U.S Dramatic do Festival de Sundance, em 2025. Em seguida, o filme também foi exibido na Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes. [Íntegra da entrevista, em inglês: tinyurl.com/ sorrybabyev] Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

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Valor sentimental

Affeksjonsverdi Joachim Trier | Noruega, Alemanha, Dinamarca, França, Suécia, Reino Unido, Turquia | 2025, 132’, DCP (Retrato Filmes) As irmãs Nora e Agnes reencontram seu pai distante, o carismático Gustav, diretor outrora renomado que oferece a Nora um papel naquele que espera ser seu filme de retorno. Quando Nora recusa a proposta, descobre que ele deu o papel a uma jovem estrela de Hollywood, ambiciosa e entusiasmada. De repente, as duas irmãs precisam lidar com a complicada relação com o pai e com a presença inesperada de uma atriz americana inserida bem no meio das complexas dinâmicas familiares. Em entrevista a Isaac Feldberg para o portal Roger Ebert, Trier fala sobre a relação de seus filmes com o tempo: “O aspecto do tempo começa com a abertura do filme, que mostra Nora, a filha mais velha, e o seu ensaio escrito sobre a percepção que a casa poderia ter da história da família. É a ideia de que, para a casa, uma vida humana

é muito curta, porque a casa é uma constante, de certo modo é uma estrutura mais longa, duradoura. Achei que isso era uma boa preparação para uma história sobre reconciliação, em que a percepção adulta das irmãs – de que elas não terão o pai por perto para sempre, mesmo que ele seja uma figura complicada – significa que, cada uma ao seu modo, terá de reconciliar sua relação com ele.” “Esse é um aspecto, mas também é uma oportunidade de contextualizar a ideia de história social quando percebemos, ao longo do filme, que a Segunda Guerra Mundial e a ocupação nazista da Noruega afetaram as vidas das famílias – e as vidas de muitas pessoas – de maneiras que ainda nos impactam.” “Meu avô participou da resistência durante a guerra: ele foi capturado e passou um tempo preso pelos nazistas em dois campos diferentes, e ficou muito traumatizado por isso. Ele fez filmes depois da guerra e acredito que isso foi uma forma de sobreviver e reencontrar um lugar no mundo. Ele estava criando algo e buscando significado nisso.” “Acho que isso está no cerne do processo de fazer este filme para mim, mas também a ideia do Arquivo Nacional – o registro dos fatos de uma sociedade – é fundamental. [...] Encontrei, em um pedaço de papel, um testemunho dos relatos sobre o período em que meu avô esteve preso. É algo comprovável. Ninguém pode negar que existe prova de que algo terrível aconteceu com ele. Diante de como o mundo está agora, isso é algo muito importante de se lembrar: que precisamos aprender com a história. E acho que o filme


Férias no Cinema

coloca essa questão da ambivalência entre história e memória. Em um nível, precisamos esquecer, perdoar um pai difícil. Por outro lado, devemos ao passado a lembrança de certas coisas, para não repetir esses erros. E devemos isso às pessoas que viveram determinadas experiências. Esse é o espaço em que vivemos no tempo, entre essas duas noções.” Em sua estreia no Festival de Cannes deste ano, Valor sentimental recebeu o Grand Prix, segunda principal premiação do Festival. [Íntegra da entrevista, em inglês: tinyurl.com/ sentimentaljt] Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

D.P.A. 4 – O fantástico reino de Ondion

Mauro Lima | Brasil | 2025, 109’, DCP (Paris Filmes) Na nova aventura dos Detetives do Prédio Azul, Mel e Zeca encaram uma mega, hiper, super perigosa missão para encontrar Max, que sumiu misteriosamente. Em busca do amigo, eles vão parar no reino mágico de Ondion, um colorido mundo lúdico com duendes, floresta encantada, castelo e uma vila com barracas mágicas que vendem biscoitos que flutuam, flores falantes e frutas malabaristas. O filme teve estreia mundial na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2025. Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.

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Eu e meu avô nihonjin

Célia Catunda | Brasil | 2025, 84’, DCP (H2O Films) Noboru é um menino brasileiro de 10 anos que recorre ao avô para desvendar a história de sua família. Hideo é rígido e amargurado pela vida difícil que enfrentou como imigrante japonês no Brasil. Ainda assim, concorda em compartilhar suas memórias. Ao investigar o passado da família, Noboru descobre um tio que nunca conheceu, de quem nunca tinha ouvido falar. O filme é uma adaptação do livro Nihonjin, de Oscar Nakasato, vencedor do Prêmio Jabuti em 2012 na categoria Melhor Romance. A estreia da animação aconteceu no Festival Internacional de Animação de Annecy, na França, considerado um dos maiores do mundo na categoria. Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.


sariamente morei na casa onde o personagem mora, mas ela fica em frente à minha casa. Por coincidência, é uma casa que, desde a primeira versão do roteiro, eu sempre quis que fosse ali onde o filme fosse filmado.”

Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.

O último episódio

Maurílio Martins | Brasil | 2025, 112’, DCP (Malute e Embaúba Filmes) Erik, um garoto de 13 anos, alimenta uma paixão platônica por Sheilla e, para se aproximar dela, diz ter em casa uma fita com o lendário último episódio do desenho Caverna do dragão. Com a ajuda de seus melhores amigos, ele precisa criar uma solução para a enrascada em que se meteu. O último episódio é o mais novo lançamento da produtora mineira Filmes de Plástico. Em depoimento disponível no material de imprensa do filme, o diretor Maurílio Martins (No coração do mundo) conta: “Há muitos traços biográficos, ainda que não seja a minha história, ainda que aquilo nunca tenha acontecido comigo. O filme se passa em 1991, e eu tinha 13 anos em 1991. Eu não neces-

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Tainá e os guardiões da Amazônia – Em busca da flecha azul Alê Camargo e Jordan Nugem | Brasil | 2025, 78’, DCP (Paris Filmes)

Nessa nova aventura, Tainá irá treinar junto com a ancestral e sábia Mestra Aí para se tornar a Guardiã da Amazônia, mas, ao perder a flecha azul, colocará seu futuro em risco. Enquanto tenta recuperar a flecha, Tainá vai conhecer seus amigos inseparáveis: Catu, Pepe e Suri. Tão distintos uns dos outros, terão que aprender a vencer as diferenças e a valorizar a amizade para cumprir a missão: encontrar a flecha azul e impedir que um grande mal queime a floresta e destrua toda a Amazônia. Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.


Ocupação Eduardo Coutinho

A exposição Ocupação Eduardo Coutinho, com curadoria de Carlos Alberto Mattos e da equipe Itaú Cultural, apresenta a trajetória de Eduardo Coutinho, sua obra e seu processo de criação. Um rico material audiovisual, somado a documentos, objetos e fotografias de seu acervo pessoal e de amigos e colegas de profissão, ajuda a conhecer e relembrar o cineasta. Concebida e apresentada pelo Itaú Cultural em São Paulo, a mostra esteve em cartaz no IMS Rio, e agora chega a Poços de Caldas, onde ganha uma nova expografia e uma programação de atividades paralelas. Durante todo o período da exposição, o Cinema do IMS apresenta uma seleção de filmes do diretor, junto a textos críticos e outras atividades, em uma programação realizada em parceria com a VideoFilmes e o CECIP. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

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Volta Redonda – Memorial da greve

Mulheres no front

No final da década de 1970, o movimento operário começa a ganhar força. Em 1988, os trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, decretam uma grande greve. A intervenção militar é imediata; a repressão assassina três jovens operários e fere dezenas. O filme de Coutinho e Goldenberg reconta essa história, a partir do depoimento de operários e familiares impactados pela repressão, resgata filmagens do período e aponta para as repercussões do episódio.

Ainda muito pouco exibido dentro da filmografia de Coutinho, esse belo filme aborda três histórias próximas na luta de mulheres, mas distantes no espaço geográfico: a Associação de Moradores de Jardim Uchôa, no Recife; a Associação de Moradores de Rancho Fundo, Rio de Janeiro; o grupo de Promotoras Legais Populares, em Bom Jesus, Porto Alegre. Mulheres no front foi realizado para a FNUAP/ Unicef/Unifem, exibido na Conferência Habitat II, em Istambul, 1996.

Eduardo Coutinho e Sergio Goldenberg | Brasil | 1989, 39’, Arquivo digital (CECIP)

Eduardo Coutinho | Brasil | 1996, 35’, Arquivo digital (CECIP)


Peões

Eduardo Coutinho | Brasil | 2004, 85’, Arquivo digital (VideoFilmes) A história pessoal dos metalúrgicos do ABC paulista que tomaram parte no movimento grevista de 1979 e 1980, mas permaneceram em relativo anonimato. Eles falam das origens, da participação no movimento e dos caminhos que suas vidas trilharam desde então. O filme foi rodado no período final da campanha presidencial de 2002, na qual Lula, líder sindical nessas greves, foi eleito presidente da República. Em uma entrevista concedida a Neusa Barbosa para a revista Cineweb em 2004, Coutinho contava sobre o processo de pesquisa do filme. Menciona como alguns personagens surgiram durante a pesquisa e outros foram surgindo ao longo do processo. Nesse último grupo, estava Miguel do Cavaquinho: “Ele foi um cara que a gente filmou muito num bairro chamado Jardim Central. São Bernardo é uma cidade em que 70% ou 80% das pessoas foram ou são metalúrgicos, apesar da crise. 19

E nesse Jardim Central só tem metalúrgicos. Muitos dos mais velhos participaram das greves. Eu filmei, saí pelas ruas, filmei o boteco, as casas do bairro, entrevistei pessoas. E esse cara estava um dia num grupo, no boteco, no primeiro turno da eleição presidencial. Entrevistei umas 20 pessoas, elas foram falando. Ele estava no grupo e por acaso falou da prisão do Lula. E não foi nada de extraordinário. Ele tem uma cara muito forte. Aí juntam-se as coisas, cara, voz, carisma. E eu me digo: ‘Acho que esse cara vale a pena’. Então eu fiquei com esse cara na cabeça. O primeiro turno foi 6 de outubro, não foi isso? E esse cara, como ele diz no filme, é peão de empreitada no Paraná, mas vinha a São Bernardo para votar. No primeiro turno ele estava lá, eu filmei. Aí ficamos esperando esse cara voltar para o segundo turno para encerrar o filme. Fomos lá na hora do almoço, e realmente foi a última entrevista do filme. Inclusive, ele fala meu nome, porque ele me conhecia, não foi através de um pesquisador. E eu não sabia o que ele ia dizer. E de repente foi uma conversa extraordinária, porque ele me deu a definição de peão. Por isso é que a pesquisa, por melhor que seja, às vezes ela é essencial, mas ela não te dá tudo… [...] Eu estava há 50 dias ali, mesmo sem câmera, e ninguém me dava essa definição. Claro que é uma definição discutível, existem várias versões, não é oficial. Mas ele dá uma versão magnífica quando diz que não quer que os filhos sejam peões. Eu não pergunto nada, ele diz. E aí ele deixa 30 segundos de silêncio, que numa pesquisa você não deixa ficar. Pesquisa é um diálogo cordial, você tem que seduzir. Na filmagem, não. A situação é mais tensa, mais solene. Quando acontece uma situação assim, eu posso me dar ao luxo de sofrer

com ele. É muito difícil saber o que vai acontecer depois de um silêncio desses. Se eu dissesse uma palavra, ele saía. Fiquei quieto.” “Aí ele te faz uma pergunta…”, interpela a entrevistadora. “E muda todo o filme”, prossegue Coutinho. “Ele me pergunta se eu já fui peão. Um golpe de gênio. Isso se chama filmar o instante, o instante imprevisível.”

[Trecho de entrevista extraído do volume dedicado a Eduardo Coutinho da série de livros Encontros, da editora Azougue. A organização é de Felipe Bragança.]


Instituto Moreira Salles

Os filmes de janeiro

Cinema do IMS

A programação do mês tem apoio do CECIP, das distribuidoras Embaúba Filmes, H2O Films, Imagem Filmes, Imovision, Malute, Mares Filmes, Pandora Filmes, Paris Filmes, Retrato Filmes, VideoFilmes, Vitrine Filmes e do projeto Sessão Vitrine Petrobras. Agradecemos a Camila Leal Ferreira, Claudius Ceccon, Daniel Queiroz, Dinah Frotté, Giulia Aguiar, Guilherme Terra Silva, Jessica Magno, Juliana Martins, Laura Liuzzi, Maria Carlota Bruno, Mateus Araújo e Vinicius Fantezia. A programação de janeiro é dedicada à memória de Joyce Prado (1987-2025), diretora, produtora e roteirista, referência do audiovisual negro brasileiro e fundadora da Oxalá Produções.

Coordenador | Curador Kleber Mendonça Filho

Supervisora de curadoria e programação Marcia Vaz Programador adjunto Thiago Gallego

Produtora de programação Renata Alberton

Assistente de programação Lucas Gonçalves de Souza

Projeção Fagner Andrades e Gilmar Tavares Revista do Cinema do IMS Produção de textos e edição Thiago Gallego e Marcia Vaz Diagramação Marcela Souza e Taiane Brito Revisão Augusto Melo Brandão e Flávio Cintra do Amaral

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Ocupação Eduardo Coutinho Curadoria da exposição: Carlos Alberto Mattos e equipe Itaú Cultural Realização e curadoria da mostra de filmes: Cinema do IMS Parceria:

Venda de ingressos Ingressos à venda pelo site ingresso.com e na bilheteria do centro cultural, para sessões do mesmo dia. No ingresso.com, a venda é mensal, e os ingressos são liberados no primeiro dia do mês. Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala. Capacidade da sala: 85 lugares. Meia-entrada Com apresentação de documentos comprobatórios para professores da rede pública e privada, estudantes, crianças de 3 a 12 anos, pessoas com deficiência, portadores de Identidade Jovem, maiores de 60 anos e titulares do cartão Itaú (crédito ou débito). Devolução de ingressos Em casos de cancelamento de sessões por problemas técnicos e por falta de energia elétrica, os ingressos serão devolvidos. A devolução de entradas adquiridas pelo ingresso.com será feita pelo site. Programa sujeito a alterações. Eventuais mudanças serão informadas no site ims.com.br e no Instagram @imoreirasalles. Confira as classificações indicativas no site do IMS.


A Useful Ghost - uma ajuda do além (Pee chai dai ka), de Ratchapoom Boonbunchachoke


Ato noturno, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher

Visitação: terça a sexta, das 13h às 19h. Sábados e domingos, das 9h às 19h. Entrada gratuita. Sessões de cinema: Quinta a domingo.

Rua Teresópolis, 90 CEP 37701-058 Cristiano Osório Poços de Caldas ims.pc@ims.com.br

ims.com.br

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Cinema do IMS Poços, janeiro de 2026 by Instituto Moreira Salles - Issuu