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RevEngenharia-667

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Entrevista

Reconhecimento institucional

Estudos técnicos e parcerias contribuem para políticas públicas no Brasil Educação

JANEIRO 2026

Editada desde 1942 www.institutodeengenharia.org.br

REVISTA ENGENHARIA

ISSN 0013-7707

Órgão oficial do Instituto de Engenharia

Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 CEP 04012-180 - São Paulo, SP Tel. (55 11) 3466-9200

JANEIRO – 2026 – ANO 85 – Nº 667

INSTITUTO DE ENGENHARIA

Presidente: José Eduardo Frascá Poyares Jardim Vice-presidente de Administração e Finanças: Miriana Pereira Marques Vice-presidente de Atividades Técnicas: Jerônimo Cabral Pereira Fagundes Neto Vice-presidente de Relações Externas: Ivan Metran Whately Vice-presidente de Assuntos Internos: Lawrence Chung Koo

A MISSÃO DO INSTITUTO DE ENGENHARIA

Promover a engenharia em benefício do desenvolvimento e da qualidade de vida da sociedade. Realizar esta missão por meio da promoção do desenvolvimento e da valorização da engenharia; promoção da qualidade e credibilidade de seus profissionais; prestação de serviços à sociedade, por meio de fóruns e debates sobre problemas de interesse público, análise e manifestação de opiniões políticas, programas e ações governamentais, elaboração e estudo de pareceres técnicos e propostas para o poder público e para a iniciativa privada; e prestação de serviços para seus associados. Suas ações estão dirigidas para a comunidade em geral; os orgãos públicos e organizações não governamentais; as empresas do setor industrial, comercial e de serviços; as empresas de engenharia, os engenheiros e os profissionais de nível superior em geral; os institutos de pesquisas e escolas de engenharia; e os estudantes de engenharia.

CONSELHO EDITORIAL

Diretor da Revista: Rui Arruda Camargo

Secretário: Aléssio Bento Borelli

Membros: Alberto Epifani; Aléssio Bento Borelli; Aristeu Zensaburo Nakamura; Débora Sanches de A. Marinello; Douglas Couto; Flamínio Fichmann; Flávia Bartkevicius Cruz; Francisco José Peireira de Oliveira; Henrique José Boneti; Ivan Metran Whately; Jean Carlos Pejo; Jerônimo Cabral P. Fagundes Neto; João Ernesto Figueiredo; José Eduardo Frascá Poyares Jardim; José Eduardo W. A. Cavalcanti; Luiz Fernando Portella; Maria da Penha Nobre; Milene Costa Facioli; Miracyr Assis Marcato; Osiris Monteiro Blanco; Paulo Eduardo de Q. M. Barreto; Paulo Ferreira; Ricardo Henrique de A. Imamura; Roberto Bartolomeu Berkes; Roberto Kochen; Rui Arruda Camargo e Vicente Abate

ITACARAMBI PRODUÇÕES

Diretora e Editora Responsável: Alexandra Itacarambi Mtb 94.836/SP

Edição de conteúdo: Leandro Haberli

Reportagem: Heverton Nascimento, Juca Guimarães, Julio Costa Barros e Leandro Haberli

Revisão: Vinicius Maximo

Projeto Gráfico: Eduardo Magno

Design Gráfico: Guaraná Digital

Impressão e Acabamento: Gráfica Referência

A edição nº 667 da REVISTA ENGENHARIA é uma publicação da Itacarambi Produções Ltda. CNPJ 67.977.249/0001-22aitacarambi@uol.com.br

A REVISTA ENGENHARIA é distribuída gratuitamente aos associados do Instituto de Engenharia.

A REVISTA ENGENHARIA, o Instituto de Engenharia e a ITACARAMBI não se responsabilizam por conceitos emitidos em artigos assinados. Eles não representam, necessariamente, o pensamento da revista.

Número avulso: R$ 79,90*

Assinatura (4 números): R$ 200,00*

*Não inclui valor da postagem

E-mails: assinatura@iengenharia.org.br.

Tel: (55 11) 3466 9200

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação (textos, dados ou imagens) pode ser reproduzida, armazenada ou transmitida, em nenhum formato ou meio, sem o consentimento prévio da ITACARAMBI PRODUÇÕES ou do Conselho Editorial da REVISTA ENGENHARIA.

Nesta edição

PALAVRA DO PRESIDENTE ÁREAS TÉCNICAS

BIBLIOTECA CURTAS VISÃO

DIREITO E ENGENHARIA

PALAVRA DO LEITOR

ARTIGOS

Márcia Kodaira Cruz e Juliano Tristão da Costa

Cecília Andreoli Marinho, Giovani Papa e Marco Aurélio Banionis

ENTREVISTA

Carina Mendonça Pimenta, secretária nacional de Bioeconomia, explica como o PNDBio transforma a biodiversidade em inovação 12

LINHA DE FRENTE

Diretora do MIT Brasil, Rosabelli Coelho destaca a construção de conhecimento e articulação acadêmica entre os professores e pesquisadores nas engenharias 18

PREMIAÇÃO

Em evento institucional, o IE celebra os melhores projetos, as divisões técnicas e o incentivo aos alunos de engenharia 26

BASTIDORES DO GT

GT Nacional de Bioeconomia do IE compartilha o método e os resultados do estudo para inspirar outras iniciativas de interesse nacional 38

EDUCAÇÃO

Déficit de engenheiros no Brasil vai além da falta de profissionais e expõe falhas estruturais de formação e carreira 46

A engenharia que sustenta o presente e constrói o futuro

Nesta edição da Revista Engenharia, celebramos a força transformadora de uma profissão que sustenta o desenvolvimento do país: a engenharia e seus profissionais.

Em dezembro, nos reunimos, mais uma vez, para reconhecer o trabalho das Divisões Técnicas do IE (Instituto de Engenharia) que, ao longo de 2025, se dedicaram intensamente a levar o conhecimento, promovendo uma agenda consistente de eventos, reuniões e cursos. Essa atuação reafirma o compromisso permanente desta Casa com a atualização profissional, a reflexão crítica e o debate qualificado sobre os grandes temas nacionais.

Na mesma ocasião, foram premiados os melhores trabalhos técnicos do ano, avaliados a partir de três categorias: temas de interesse do setor público, temas relacionados ao exercício da profissão e o melhor trabalho técnico do ano, valorizando a excelência e a relevância da produção técnica.

Está no DNA do IE o compromisso de promover a engenharia em benefício da qualidade de vida da sociedade. Para além da atuação dos Departamentos e Divisões Técnicas, inúmeros profissionais se dedicaram voluntariamente aos grupos de trabalho, que abordaram os mais diversos temas, com o propósito de contribuir para “projetos de nação”.

Entre esses grupos, destaca-se o GT Bioeconomia Nacional, que, ao longo dos últimos cinco anos, desenvolveu o projeto “Uma base de conhecimento para a Estratégia Nacional de Bioeconomias”, voltado para contribuir com o PNDBio (Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia) em áreas estratégicas. Nesta edição, apresentamos parte desse percurso, que também ganhou destaque nos debates da COP30.

Todas essas iniciativas reforçam o ponto central mencionado no início deste texto: a força dos engenheiros. Profissionais que atuam em múltiplas frentes e exercem papel essencial no crescimento econômico, social e sustentável do país.

Entretanto, a formação desses profissionais vem apresentando queda acentuada nos últimos anos, tema que tem motivado amplas discussões no IE.

Entre 2015 e 2023, o número de universitários matriculados em cursos da área recuou 25%, passando de pouco mais de um milhão para 763 mil estudantes, segundo dados do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia). Soma-se a isso o fato de que muitos engenheiros formados acabam migrando para outros setores, especialmente o financeiro.

Temos buscado fazer a nossa parte: abrir espaço para o diálogo, estimular ideias, promover articulações e, sobretudo, valorizar a engenharia e seus profissionais. Anualmente, reconhecemos jovens engenheiros que se destacaram em suas turmas, mas é fundamental ir além. É preciso que a sociedade, o governo, as instituições de ensino e as entidades de classe atentem para a urgência dessa questão, estratégica para o futuro do país.

A Casa da Engenharia precisa de engenheiros. O Brasil e o seu povo também.

Deixamos aqui essa reflexão, na expectativa de que, em 2026, possamos dar continuidade a esse debate de forma ainda mais ampla e efetiva. Para encerrar, gostaria de agradecer à Diretoria Executiva e aos conselhos do IE pela dedicação e pelo apoio de sempre.

Marcelo Justo

Instituto de Engenharia 2026

PRESIDENTE JOSÉ EDUARDO FRASCÁ POYARES JARDIM presidencia@iengenharia.org.br

DIRETOR JURÍDICO GABRIEL ANTONIO SOARES FREIRE JÚNIOR gfreire@fasv.advogados.com.br

PRIMEIRA DIRETORASECRETÁRIA

ENY KAORI UONO SANCHEZ eny@uonosanchez.com.br

SEGUNDO DIRETORSECRETÁRIO

FERNANDO JOSÉ DE CAMPOS MARSIGLIA fernandojcmar@hotmail.com

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO JORNALISTA

ISABEL CRISTINA DIANIN comunicação@iengenharia.org.br

VICE-PRESIDÊNCIA DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS VICE-PRESIDENTE MIRIANA MARQUES miriana_marques@marquesmarques-engenharia.com

PRIMEIRO DIRETORFINANCEIRO

ELCIO KAZUAKI NIWA elcio_niwa@hotmail.com

SEGUNDO DIRETORFINANCEIRO

CONSTANZIO FACCI TICEU constanzio.ticeu@hotmail.com

DIRETOR DE TI ABRAM BELK abram@tqs.com.br

ADMINISTRATIVO FINANCEIRO

SUELI CABALLERIA MESQUITA financeiro@iengenharia.org.br

VP ATIVIDADES TÉCNICAS VICE-PRESIDENTE JERÔNIMO CABRAL PEREIRA FAGUNDES NETO jcmijs@terra.com.br

DIRETORIA OPERACIONAL DIRETORA TATIANA LOURENÇO MACHADO diretoriaoperacional@ iengenharia.org.br

VICE-DIRETOR

ROBERTO BARTOLOMEU BERKES robertoberkes@terra.com.br

DIRETORIA DE CURSOS

DIRETOR

MARCO ANTONIO GULLO m.a.gullo@mgconsult.com.br

VICE-DIRETOR PAULO EDUARDO DE QUEIRÓS MATTOSO BARRETO paulobarreto@uol.com.br

REVISTA ENGENHARIA

DIRETOR RESPONSÁVEL RUI ARRUDA CAMARGO ruicamargo@uol.com.br

SECRETÁRIO ALÉSSIO BENTO BORELLI alessio.bento@gmail.com

VP RELAÇÕES EXTERNAS VICE-PRESIDENTE IVAN METRAN WHATELY ivan.whately@gmail.com

DIRETOR DE RELAÇÕES EXTERNAS LUIZ FERNANDO PORTELLA lfportella@nbo.com.br

DIRETOR REGIONAL DE BELÉM/PA

NELCI DE JESUS B. MARGALHO nelci.margalho@uol.com.br

DIRETOR REGIONAL DE BELO HORIZONTE/MG

MARCELO GERALDO BATISTA maguolobr@gmail.com

DIRETOR REGIONAL DE BRASÍLIA/DF WELLINGTON DE AQUINO SARMENTO wellingtonasarmento@gmail.com

DIRETOR REGIONAL DE CURITIBA/PR BERNARDO LEVINO levinobernardo@gmail.com

DIRETOR REGIONAL DE FORTALEZA/CE LAWTON PARENTE DE OLIVEIRA engeterra.ce@ construtorsengeterra.com

DIRETOR REGIONAL DE NITERÓI/RJ PAULO J. ASSUNÇÃO JR. paulo.junior@km.kongsberg.com

DIRETOR REGIONAL DO RIO DE JANEIRO/RJ MIGUEL FERNÁNDEZ Y FERNÁNDEZ mf2_47@yahoo.com.br

DIRETOR REGIONAL DE SALVADOR/BA CARLOS ALBERTO STAGLIORIO stagliorio@ stagliorio.com.br

DIRETORA REGIONAL DE DUBLIN/IE

LUDMILA PEREIRA DOS SANTOS ludmila.pereira.santos@gmail.com

DIRETOR REGIONAL DE LISBOA/PT JOSÉ ANTONIO FELIX FILHO jfelixfilho@yahoo.com

DIRETOR REGIONAL DE VANCOUVER/CAN

PEDRO MARQUES DOS SANTOS VENTURA pventura@aeolus-consulting.ca

DIRETOR REGIONAL DE WASHINGTON/USA CÍCERO SALLES salles.cicero@gmail.com

VICE-PRESIDÊNCIA DE ASSUNTOS INTERNOS

VICE-PRESIDENTE LAWRENCE CHUNG KOO lawrence.koo@gmail.com

DIRETOR DE ASSUNTOS ACADÊMICOS

DANIEL COUTO GATTI daniel@pucsp.br

DIRETOR DE ASSOCIAÇÕES DE EX-ALUNOS

LUIZ SÉRGIO MENDONÇA COELHO lsergiocoelho@terra.com.br

DIRETOR CULTURAL

NESTOR SOARES

TUPINAMBÁ nstupinanba@uol.com.br

DIRETOR DE VISITAS TÉCNICAS

SOKAN KATO YOUNG sokan@chinatur.com.br

CONSELHO DELIBERATIVO PRESIDENTE

JOSÉ EDUARDO FRACÁ POYARES JARDIM

SECRETÁRIO EXECUTIVO

SERGIO LUIZ DE AZEVEDO RESENDE

CONSELHEIROS

ADALBERTO FEBELIANO DA COSTA FILHO

ALFREDO MARIO SAVELLI

ALFREDO PETRILLI JUNIOR

ALUÍZIO GUIMARÃES CUPERTINO

AMÂNDIO MARTINS

ANGELO SEBASTIÃO ZANINI

CARLOS PEREIRA DE MAGALHÃES NETO

DOUGLAS COUTO

FLAVIA BARTKEVICIUS CRUZ

FRANCISCO A. N.

CHRISTOVAM

GEORGE PAULUS

PEREIRA DIAS

JOSÉ EDUARDO W. DE A. CAVALCANTI

JOSÉ JAIME SZNELWAR

JOSÉ MANOEL DE AGUIRRE NETO

JOSÉ ROBERTO BERNASCONI

LUIZ FELIPE PROOST DE SOUZA

LUIZ FERNANDO PORTELLA

MARCELO ROZENBERG

MARCELO STACHOW

MACHADO DA SILVA

MARCOS MONTEIRO

MASSIMO ANDREA

GIAVINA BIANCHI

NATÁLIA LINHARES

ODÉCIO BRAGA DE LOUREDO FILHO

OSIRIS MONTEIRO BLANCO

RICARDO KENZO

MOTOMATSU

ROBERTO MASSARU

WATANABE

SERGIO LUIZ DE AZEVEDO RESENDE

VICENTE ABATE

VINICIUS SILVA CARUSO

CONSELHO CONSULTIVO

PRESIDENTE

ALFREDO MÁRIO SAVELLI

VICE-PRESIDENTE

PAULO FERREIRA

SECRETÁRIO

JOÃO ERNESTO FIGUEIREDO

ALFREDO MÁRIO SAVELLI

AMÂNDIO MARTINS

ANDRÉ S. GERTSENCHTEIN

ANGELO SEBASTIÃO ZANINI

ANTONIO GALVÃO

A. DE ABREU

ARLINDO VIRGILIO

MACHADO MOURA

AUREA VENDRAMIN

BEATRIZ VIDIGAL XAVIER

DA SILVEIRA ROSA

CAMIL EID

CARLOS ANTONIO

ROSSI ROSA

CARLOS PEREIRA DE MAGALHÃES NETO

CLÁUDIO AMAURY

DALL’ACQUA

CLÁUDIO ARISA

CRISTIANO KOK

DÉBORA SANCHES DE A. MARINELLO

DIRCEU CARLOS DA SILVA

EDEMAR DE SOUZA

AMORIM

EDSON JOSÉ MACHADO

EDUARDO FERREIRA

LAFRAIA

ELIAS SILVA

ENIO GAZOLLA DA COSTA

ENY KAORI UONO SANCHEZ

ETTORE JOSÉ BOTTURA

FELIPE GERIBELLO

FERREIRA CABRAL

FLÁVIA BARTKEVICIUS CRUZ

GEORGE PAULUS

PEREIRA DIAS

IVAN METRAN WHATELY

JERÔNIMO CABRAL

PEREIRA FAGUNDES NETO

JOÃO ANTONIO

MACHADO NETO

JOÃO ERNESTO FIGUEIREDO

JOSÉ EDUARDO FRASCÁ

POYARES JARDIM

JOSÉ EDUARDO

WANDERLEY DE A.

CAVALCANTI

JOSÉ MANOEL DE OLIVEIRA REIS

JOSÉ OLÍMPIO

DIAS DE FARIA

JOSÉ PEREIRA MONTEIRO

JOSÉ ROBERTO

BERNASCONI

LAWRENCE CHUNG KOO

LOURIVAL JESUS ABRÃO

LUIZ FERNANDO PORTELLA

MAÇAHICO TISAKA

MARCEL MENDES

MARCELO ROZENBERG

MARCOS MOLITERNO

MIRIANA PEREIRA

MARQUES

NATÁLIA LINHARES

NELSON AIDAR

NEUZA MARIA TRAUZZOLA

OZIRES SILVA

PAULO FERREIRA

PAULO SETUBAL NETO

PERMÍNIO ALVES M.

AMORIM NETO

RICARDO KENZO MOTOMATSU

ROBERTO BARTOLOMEU BERKES

ROBERTO KOCHEN

RUI ARRUDA CAMARGO

SONIA REGINA FREITAS

STELLA MARYS

DELLA FLORA

TOMAZ EDUARDO

N. CARVALHO

TUNEHIRO UONO

VAHAN AGOPYAN

VICTOR BRECHERET FILHO

VINICIUS SILVA CARUSO

VICENTE ABATE

CONSELHO FISCAL

ARISTEU ZENSABURO

NAKAMURA

MIGUEL TADEU

CAMPOS MORATA

MARCOS AUGUSTO

TOASSA FONTEALBA

Áreas técnicas

VICE-PRESIDENTE DE ATIVIDADES TÉCNICAS – JERÔNIMO CABRAL PEREIRA FAGUNDES NETO

REVISTA ENGENHARIA

DIRETOR: RUI ARRUDA CAMARGO

SECRETÁRIO: ALÉSSIO BENTO BORELLI

PLANEJAMENTO E ESTRATÉGIAS

DESENVOLVIMENTO DE INFRAESTRUTURA E LOGÍSTICA

Diretor: Jean Carlos Pejo

Vice-Diretor:

Secretário: Paulo José Assunção Junior

FERROVIAS

Coordenador: Vicente Abate

CURSOS

DIRETOR: MARCO

ANTONIO GULLO

VICE-DIRETOR: PAULO

E. Q. M. BARRETO

Vice-Coordenador: Marcos Augusto Toassa Fontealba

Secretário: Élcio Silva Ribeiro

NAVEGAÇÃO INTERIOR E PORTOS

Coordenador: José Wagner Leite Ferreira

Vice-Coordenador: George Takahashi

Secretário: Pedro Marques dos Santos Ventura

RODOVIAS

Coordenador: José Manoel de Oliveira Reis

Vice-Coordenador:

Secretário:

TRANSPORTES AÉREOS

Coordenador: Adalberto Febeliano

Vice-Coordenador: Jorge Eduardo Leal Medeiros

Secretário:

DESENVOLVIMENTO URBANO E REGIONAL

Diretora: Maria da Penha Pereira Nobre

Vice-Diretor: Neuton Sigueki Karassawa

Secretário: Fernando José de Campos Marsiglia

ÁGUAS E SANEAMENTO

Coordenador: José Eduardo W. A. Cavalcanti

Vice-Coordenador: Milton Ushima

Secretário: Maurício Canton Pladevall

MOBILIDADE E LOGÍSTICA URBANA

Coordenador: Ivan Metran Whately

Vice-Coordenador:

Secretário:

URBANIZAÇÃO

Coordenador: Alberto Epifani

Vice-Coordenador:

Secretário:

MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

Assessor Especial: José Manoel de Oliveira Reis

Coordenadora:

Vice-Coordenador: Denis Gerage Amorim

Secretário: Henrique Dias de Faria

TRÂNSITO

Coordenador: Vanderlei Coffani

Vice-Coordenador: Jaques Mendel Rechter

Secretário:

BIBLIOTECA

BIBLIOTECÁRIA:

MARIA DE FÁTIMA

SIMÃO DA SILVA

PROJETOS, SERVIÇOS, GESTÃO E OBJETIVOS

DESENVOLVIMENTO DE PROJETO E SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA

Assessor Especial: Roberto Kochen

Diretor: Francisco José Pereira de Oliveira

Vice-Diretor: Habib Georges Jarrouge Neto

Secretário:

ESTRUTURAS E CONTROLE TECNOLÓGICO

Assessor Especial: Natan Jacobsohn Levental

Coordenador: Douglas Couto

Vice-Coordenadora: Fernanda Albano H. Nurnberg

Secretário:

ARQUITETURA, PAISAGISMO E COMUNICAÇÃO VISUAL

Coordenadora: Taina Vieira Volcov

Vice-Coordenadora: Aurea Lúcia Vendramin Georgi

Secretário:

SISTEMAS

Coordenador: Paulo Eduardo de Queirós Mattoso Barreto

Vice-Coordenador: Sérgio Kater

Secretário:

GEOTECNIA

Coordenador: Arthur Teixeira Askinis

Vice-Coordenador: Lucas Atanasio

Secretária: Fabiana Curtarello Sardella

CONFORTO AMBIENTAL E ACÚSTICA

Coordenador:

Vice-Coordenadora: Maria Luiza Rocha Belderrain

Secretário: Ricardo Santos Siqueira

PROJETOS DE ENERGIA

Coordenador: Roberto Massaru Watanabe

Vice-Coordenador:

Secretário:

DESENVOLVIMENTO DE GESTÃO E OBJETIVOS

Diretora: Débora Sanches de A. Marinello

Vice-Diretor: Constanzio Facci Ticeu

Secretária: Eny Kaori Uono Sanchez

GEOMÁTICA

Coordenador: Aristeu Zensaburo Nakamura

Vice-Coordenadora: Fátima Alves Tostes

Secretário: Osiris Monteiro Blanco

GERENCIAMENTO DE EMPREENDIMENTOS

Coordenador: Sérgio Luiz Azevedo Resende

Vice-Coordenador:

Secretário:

AVALIAÇÕES E PERÍCIAS

Assessor Especial: José Fiker

Coordenador: Ricardo Henrique de A. Imamura

Vice-Coordenadora: Miriana Pereira Marques

Secretário: Evandro Henrique

ENGENHARIA DIAGNÓSTICA

Coordenadora: Stella Marys Della Flora

Vice Coordenadora: Débora Sanches de A. Marinello

Secretária:

ENGENHARIA DE INCÊNDIO

Coordenador: Carlos Cotta Rodrigues

Vice-Coordenador: José Félix Drigo

Secretário: Silvio Paulo Piga

PLANEJAMENTO E ENGENHARIA ECONÔMICA

Coordenador: Bruno Dias

Vice-Coordenador:

Secretário:

SEGURANÇA DO TRABALHO

Coordenador: Jefferson Deodoro Teixeira da Costa

Vice-Coordenador:

Secretário: Sidney Esteves Peinado

COMPLIANCE

Coordenadora:

Vice-Coordenador: Ricardo Henrique de Araujo Imamura

Secretário: Wilson Abramovick Costa

TECNOLOGIAS DIGITAIS

Coordenador: Pedro Badra

Vice-Coordenador:

Secretário:

DIRETORIA OPERACIONAL

DIRETORA: TATIANA LOURENÇO MACHADO

VICE-DIRETOR: ROBERTO BARTOLOMEU BERKES

SECRETÁRIO:

PRODUÇÃO E OPERAÇÃO

DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIA, INDÚSTRIA, ENERGIA E TELECOMUNICAÇÕES

Diretor: Aléssio Bento Borelli

Vice-Diretora: Aurea Lúcia Vendramin Georgi

Secretário: Antonio Lambertini

INOVAÇÃO PARA ECONOMIA DO CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO

Coordenador: José Roberto Cardoso

Vice-Coordenador: George Paulus Dias

ENERGIA

Coordenador: Antonio Pedro Timoszczuk

Vice-Coordenador: Luiz Sérgio Mendonça Coelho

Secretário:

INDÚSTRIA DE PETRÓLEO, GÁS, BIOENERGIA, MINERAÇÃO E DUTOVIAS

Assessor Especial: José Eduardo Frasca Poyares Jardim

Coordenador: José Jaime Sznelwar

Vice-Coordenador: João Carlos de Souza Meirelles

Secretário:

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, CONTROLE E AUTOMAÇÃO

Coordenadora: Aurea Lúcia Vendramin Georgi

Vice-Coordenador:

Secretário:

EQUIPAMENTOS AUTOMOTORES PARA SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO FERROVIÁRIA

Coordenador:

Vice-Coordenador:

Secretário:

INDÚSTRIA QUÍMICA, METALÚRGICA E AUTOMOTIVA

Coordenador: Miguel Tadeu Campos Morata

Vice-Coordenador: Rodrigo Terezinho Pires

Secretário: Fernando Duque Barros

INDÚSTRIA 4.0

Coordenador: Anthony Gaspar Talon

Vice-Coordenador: Elcio Kazuaki Niwa

Secretária: Flávia Bartkevicius Cruz

TECNOLOGIAS RENOVÁVEIS

Coordenadora: Simone Cotrufo França

Vice-Coordenadora: Maristhela Passoni Araújo Marin

Secretário:

DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO

Diretor: Marcio Lacerda Gonçalves

Vice-Diretor:

Secretário: Henrique José Boneti

AGRONEGÓCIO, EQUIPAMENTOS E AUTOMAÇÃO

Coordenador:

Vice-Coordenador: Henrique Dias de Faria

Secretário: Kleber Marins de Paulo

INDÚSTRIA DE ALIMENTOS E ABASTECIMENTO

Coordenador:

Vice-Coordenador: Secretário:

Perícia dos atos à prova dos fatos: aspectos técnicos e práticos da perícia, quesitos, avaliação e casos reais

São Paulo – SP

Letras Jurídicas, 2019, 288 p.

Este livro visa oferecer uma visão sistêmica da perícia em engenharia civil e arquitetura, com ênfase na área de avaliação de imóveis. Seu conteúdo abrange o conceito da prova pericial, de sua necessidade e das intercorrências, ressaltando que, no âmbito judicial, a prova, um dos mais importantes institutos do direito, depende dos fatos a serem provados para convencimento dos magistrados, na busca pelo direito. Mostra ainda que, após fixados os pontos controvertidos pelo juiz, os fatos que alavancam as provas são esclarecidos pelo trabalho judicial.

ALMEIDA, José Petróleo na transição energética – realidade, desafios e o futuro da energia global

Rio de Janeiro – RJ Synergia, 2025, 148 p.

váveis e a busca por descarbonização estejam redesenhando o futuro da energia. Este livro apresenta uma análise abrangente da evolução da exploração e produção de hidrocarbonetos, abordando desde os reservatórios convencionais até as mais recentes descobertas em águas ultraprofundas e os desafiadores recursos não convencionais, como o shale gas , o tight oil e as areias betuminosas. Com base em dados atualizados, o autor examina o papel estratégico de países como Estados Unidos, China, Canadá, Argentina e Brasil, bem como as perspectivas de novas fronteiras exploratórias na África, no Ártico e em outras regiões de alto potencial.

SCOTT, Kevin; SHAW, Greg; FONTENELLE, André

O futuro da inteligência artificial: de ameaça

a recurso

Rio de Janeiro – RJ HarperCollins, 2023, 272 p.

O petróleo, o gás natural e o carvão continuam sendo pilares fundamentais da matriz energética mundial, ainda que o avanço das fontes reno-

Em seus mais de 20 anos de experiência na área da ciência da computação, Kevin Scott, diretor de tecnologia da Microsoft, observou múltiplas narrativas sobre IA (inteligência artificial) se desenrolarem, poucas das quais a colocam como algo positivo. Baseando-se em sua bagagem adquirida crescendo no interior dos Estados Unidos e no caminho percorrido até o Vale do Silício, ele usa essas vivências para tecer críticas à recepção da IA, incentivar o investimento nessa tecnologia re-

volucionária e possibilitar uma consciência sobre seu real potencial. Do especialista em computação e CTO ( Chief Technology Officer ) da Microsoft, A obra é um guia informativo, reflexivo e envolvente que investiga um dos assuntos mais comentados da atualidade de modo inteligente e acessível.

CAMPOS, Luiz

Paulo Gião

A arte da prova pericial no processo civil

São Paulo – SP

Letras Jurídicas, 2023, 844 p.

A prova pericial transforma questões técnicas, muitas vezes inacessíveis ao conhecimento comum, em informações claras, fundamentadas e juridicamente relevantes. Com o objetivo de transmitir conhecimento e experiência adquiridos em décadas de trabalho na elaboração de laudos periciais e pareceres técnicos, o autor apresenta os principais tipos de ações judiciais que demandam perícia, explica o papel do perito e do assistente técnico e detalha como se estruturam os atos periciais, desde a definição do objeto da prova até a formalização das conclusões.

O conteúdo percorre, de forma objetiva e acessível, os fundamentos da prova pericial, seus conceitos, meios e critérios de apreciação, destacando os cuidados técnicos indispensáveis para garantir segurança, coerência e confiabilidade aos atos periciais.

Série de vídeos visa valorizar engenharia nacional

A Fisenge (Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros) lançou a série de vídeos “A vida como ela é na engenharia”, que integra a campanha “Engenharia valorizada é engenharia sindicalizada”. O projeto busca a valorização profissional e a defesa dos direitos de engenheiros e engenheiras, além de reforçar o papel dos sindicatos na proteção da categoria.

Com 11 episódios, a série aborda temas como o cumprimento do Salário Mínimo Profissional, aposentadoria, combate à contratação irregular, saúde física e mental, inteligência artificial e enfrentamento à precarização e ao machismo na profissão. Segundo a Fisenge, o conteúdo busca informar, conscientizar e estimular a organização sindical frente aos desafios do mercado de trabalho.

Veiculada em plataformas digitais como Instagram, YouTube, TikTok e Facebook, a campanha já ultrapassou 50 mil visualizações, consolidando-se como ferramenta de engajamento e orientação para profissionais da engenharia.

Aeroporto de Guarulhos inaugura trem interno

Entrou em operação, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, o trem interno que conecta os terminais à malha metroferroviária de São Paulo, preenchendo uma lacuna histórica da mobilidade urbana na capital paulista. O novo sistema liga a Linha 13-Jade da CPTM aos Terminais 1, 2 e 3 em um trajeto de cerca de seis minutos.

Com aproximadamente 2,7 quilômetros de extensão e quatro estações, o serviço substitui o deslocamento por ônibus internos, oferecendo maior previsibilidade, eficiência e conforto aos usuários. Inicialmente, a operação é restrita a funcionários do aeroporto, com previsão de abertura ao público nos primeiros meses de 2026, após a conclusão das etapas de certificação e segurança.

A infraestrutura tem capacidade para transportar até dois mil passageiros por hora em cada sentido e alinha Guarulhos aos principais aeroportos internacionais, reforçando a integração do transporte público, a acessibilidade e a qualidade da experiência do passageiro.

Segunda maior ponte marítima

do país está sendo construída no litoral paranaense

Após mais de 40 anos de espera, a Ponte de Guaratuba começa a se concretizar como um dos principais projetos de infraestrutura do Paraná. Com cerca de 1,2 km de extensão, a obra vai ligar Matinhos e Guaratuba, substituindo o sistema de balsas e ampliando a mobilidade na região litorânea.

Executado pelo Consórcio Nova Ponte, o empreendimento se destaca pela adoção de tecnologias avançadas, como o BIM ( Building Information Modeling ), utilizado desde a fase de planejamento para identificar interferências, reduzir riscos e aumentar a precisão da execução, mesmo em um ambiente sujeito a marés e ondas.

Outro diferencial é a gestão ambiental integrada. Pela primeira vez em contratos desse tipo no estado, o consórcio assumiu o licenciamento e a execução de 26 programas ambientais, conciliando a obra com a preservação da biota marinha e o respeito às comunidades locais. Além de ganhos técnicos, a ponte terá impacto direto no turismo e na economia regional ao eliminar filas e custos da travessia por balsa.

Metrô
Deputados aprovam

projeto de lei que visa agilizar registro de engenheiros

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que atualiza a legislação que rege as profissões vinculadas ao Sistema Confea/Crea, abrangendo as engenharias, a agronomia e as geociências, hoje reguladas pela Lei nº 5.194/1966. A proposta tramita em caráter conclusivo e seguirá para o Senado Federal, caso não haja recurso para análise em Plenário.

O texto aprovado é o substitutivo ao PL 1.024/2020, de iniciativa do Poder Executivo, e busca tornar mais ágeis e menos burocráticos os processos de registro de profissionais e empresas, inclusive estrangeiras. Entre as mudanças, estão a ampliação do plenário do Confea para 32 conselheiros, a extensão dos mandatos dos presidentes do Confea e dos Creas para quatro anos, com direito a uma reeleição, e a fixação de prazos máximos para registros: 90 dias para profissionais e 45 dias para empresas, com concessão automática de registro provisório em caso de silêncio administrativo.

A proposta também disciplina a atuação de engenheiros estrangeiros com base no princípio da reciprocidade e amplia o escopo da fiscalização profissional, reforçando a organização e a modernização do sistema de regulação das profissões técnicas no país.

FURG lança curso de graduação em engenharia de robôs

A FURG (Universidade Federal do Rio Grande) vai iniciar este ano o primeiro curso de graduação em engenharia de robôs entre as universidades públicas federais do país. O bacharelado, pioneiro na rede federal, terá 40 vagas anuais e deverá estrear já no Sisu 2026. A iniciativa contou com apoio do Ministério da Educação, por meio do programa Universidades Inovadoras, e da Sociedade Brasileira de Robótica.

O novo curso surge em um contexto favorável à expansão da inteligência artificial e da automação no Brasil, alinhado ao PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial), que prevê incentivos à formação de recursos humanos estratégicos. A FURG reúne tradição e excelência na área, com destaque para o C3 (Centro de Ciências Computacionais), reconhecido nacional e internacionalmente pela atuação em robótica, automação e ciência de dados.

Com duração de cinco anos e regime integral, a graduação combina fundamentos de engenharia com prática aplicada desde os primeiros semestres, abrangendo áreas como robótica móvel, visão computacional, robótica industrial, aérea e subaquática. A proposta consolida a FURG como referência na formação pública de engenheiros voltados às demandas da Indústria 4.0 e 5.0.

UFMG será pioneira em certificado

internacional de engenharia de sistemas

A certificação atesta a capacidade do engenheiro de atuar no desenvolvimento e na gestão de sistemas complexos

A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) dará um passo inédito na formação em engenharia de sistemas a partir do primeiro semestre de 2026. A instituição será a primeira universidade do mundo, em língua não inglesa, a oferecer a Certificação Internacional do Incose (Conselho Internacional de Engenharia de Sistemas), referência global na área. A iniciativa é fruto de parceria com a FCO (Fundação Christiano Ottoni).

A certificação oferecida será a de nível inicial, voltada à validação do conhecimento teórico em conceitos, processos e práticas da engenharia de sistemas. O conteúdo será incorporado a um curso de extensão, que funcionará como equivalência ao exame internacional do Incose, até então disponível apenas em inglês. A formação poderá ser cursada por alunos da graduação e também por profissionais já formados.

Segundo a UFMG, a certificação atesta a capacidade do engenheiro de atuar no desenvolvimento e na gestão de sistemas complexos ao longo de todo o ciclo de vida, sendo valorizada em setores como aeroespacial, energia, tecnologia da informação e indústria.

A iniciativa reforça a internacionalização do curso de engenharia de sistemas da UFMG, criado em 2011 e pioneiro na América Latina, e ganha ainda mais relevância após a certificação da professora Anna Liddy Cenni de Castro Magalhães, primeira acadêmica latino-americana a alcançar o nível máximo do Incose.

“A

#Bioeconomia #PNDBio

#TransiçãoEcológica #Inovação #InclusãoSocial

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 18 MINUTOS

Carina Mendonça Pimenta, secretária nacional de Bioeconomia

bioeconomia dialoga com várias engenharias”

CARINA MENDONÇA PIMENTA, SECRETÁRIA NACIONAL DE BIOECONOMIA, DETALHA COMO O PNDBIO ESTRUTURA A BIOECONOMIA

BRASILEIRA E ARTICULA ENGENHARIA, INOVAÇÃO E INCLUSÃO SOCIAL

• Por Leandro Haberli

OBrasil sediou a COP30 com uma estratégia nacional e um PNDBio (Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia) construídos de forma colaborativa por governos, especialistas, entidades representativas e diferentes setores da sociedade. Entre as contribuições apresentadas na consulta pública, o IE (Instituto de Engenharia) defendeu o fortalecimento da governança do plano, a definição de metas mensuráveis e a inclusão do combate à pobreza como eixo central da estratégia de valorização da bioeconomia e da superação do modelo primário-exportador.

Esse avanço institucional ocorre em um momento em que a bioeconomia deixa de ser um tema restrito ao debate ambiental para se consolidar como estratégia de desenvolvimento econômico, tecnológico

Fotos: Divulgação

e social. Detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta, com múltiplos biomas e ampla diversidade sociocultural, o Brasil enfrenta o desafio de ir além da simples exploração de recursos biológicos, transformando-os em inovação, renda e qualidade de vida.

No âmbito do governo federal, a Secretaria Nacional de Bioeconomia, que integra o MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), tem buscado estruturar uma política que articule conservação ambiental, inovação tecnológica e inclusão social. O PNDBio, a criação de instrumentos financeiros específicos e a articulação com estados, municípios e sociedade civil indicam que a bioeconomia passou a ser tratada como política de Estado, com foco na implementação e na mensuração de resultados.

Na entrevista a seguir, Carina Mendonça Pimenta, que está à frente da Secretaria Nacional de Bioeconomia, detalha as iniciativas em curso para viabilizar o PNDBio, discute os mecanismos de governança, financiamento e avaliação de impactos sociais e destaca o papel estratégico das engenharias na transição ecológica. Para a secretária, o sucesso do plano será medido pela capacidade de execução após a COP30, com entregas concretas e impacto social efetivo.

Carina também ressalta que a engenharia ocupa papel central na consolidação da bioeconomia. Da engenharia agronômica à biomédica, da engenharia de alimentos à química, passando pelas novas aplicações da inteligência artificial e pela valorização de resíduos e biomassa, o avanço do setor, ela pontua, depende diretamente da capacidade de converter conhecimentos científicos e tradicionais em soluções produtivas. A secretária também explica que se trata de um desafio transversal, pois exige integração entre políticas públicas, setor privado, universidades e comunidades locais.

Foi a partir dessa perspectiva que o IE, em suas contribuições ao PNDBio, propôs a criação de uma missão dedicada às “infraestruturas para a bioeconomia”, reunindo investimentos em logística, conectividade, biousinas regionais, formação técnica e redes de ciência e tecnologia. Afinal, esse ecossistema é essencial para evitar a fragmentação das iniciativas e garantir escala e impacto nos territórios.

COMO VOCÊ DEFINIRIA O CONCEITO DE BIOECONOMIA ADOTADO NO BRASIL E, ESPECIFICAMENTE, NA SECRETARIA? E QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS DIFERENCIAIS DESSE CONCEITO EM RELAÇÃO A MODELOS TRADICIONAIS DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO?

A bioeconomia é um conceito que, internacionalmente, tem várias formas de abordagem. Acho que a gente trabalha hoje com dois grandes parâmetros para esse conceito. O primeiro são os princípios da bioeconomia definidos no âmbito do G20, que foram recentemente reafirmados. Foi interessante porque o Brasil estava

Entrevista

criando a sua estratégia nacional ao mesmo tempo que participava do debate no G20 sobre esses princípios. Então, houve um alinhamento bastante grande entre a nossa forma de conceituar a bioeconomia e aquilo que os princípios orientam — eles não definem, mas orientam. Aqui no Brasil, a gente evoluiu o conceito mais simplificado de bioeconomia, que falava basicamente de produzir bens a partir de recursos biológicos, e introduziu outros elementos. Nós incluímos no conceito brasileiro a universidade, o conhecimento científico e o conhecimento tradicional. Também introduzimos, de forma bem objetiva, a preocupação econômica e a geração de renda para agricultores familiares inseridos nesses sistemas produtivos. Além disso, trouxemos, de forma muito clara, os aspectos de sustentabilidade, práticas produtivas responsáveis, conservação e restauração ambiental. Esses elementos não aparecem apenas quando a gente pensa em uma estratégia ou uma ação específica, mas já estão definidos no próprio conceito de bioeconomia que adotamos no Brasil.

FALANDO AGORA DA INSTITUCIONALIZAÇÃO DO CONCEITO, QUAIS FATORES POLÍTICOS, SOCIAIS E AMBIENTAIS TORNARAM

O Brasil tem o desafio permanente de fortalecer a relação entre a política de ciência, tecnologia e inovação e os setores econômicos ligados à transformação ecológica

ESSE PROCESSO NÃO APENAS POSSÍVEL, MAS TAMBÉM URGENTE NO BRASIL?

O Brasil precisava — e ainda precisa — de uma estratégia de bioeconomia que considere todos os ativos naturais que o país possui e, ao mesmo tempo, a necessidade de promover o desenvolvimento de povos e comunidades tradicionais. O Brasil tem diante de si essa fronteira entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade, e é exatamente isso que a bioeconomia aponta.

A gente passou por etapas importantes dentro do governo. Eu costumo dizer que a necessidade de uma política de bioeconomia partiu da sociedade, como uma demanda colocada de forma muito clara, e que esse governo respondeu estruturando um conjunto de ações. Isso inclui a criação da Secretaria Nacional de Bioeconomia, no MMA, da Secretaria de Economia Verde, no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), e o fortalecimento de várias políticas que já existiam, inclusive na área industrial. Essa agenda foi sendo construída de forma transversal. Envolveu ministérios ligados ao meio ambiente, aos instrumentos financeiros e ao desenvolvimento tecnológico no setor privado. Um elemento central da bioeconomia é justamente o desenvolvimento tecnológico e a industrialização.

A bioeconomia tem uma dimensão industrial muito forte. O Brasil já possui políticas consolidadas de ciência e tecnologia. O desafio foi articular essas políticas para que elas apoiassem estratégias de regeneração dos ecossistemas e ajudassem o país a cumprir seus compromissos internacionais, seja no âmbito da Convenção do Clima, seja da Convenção da Diversidade Biológica.

QUAIS DESAFIOS E OPORTUNIDADES VOCÊ IDENTIFICA PARA VIABILIZAR A INTEGRAÇÃO ENTRE SABERES CIENTÍFICOS E CONHECIMENTOS TRADICIONAIS NOS PROGRAMAS E POLÍTICAS PÚBLICAS?

O Brasil tem o desafio permanente de fortalecer a relação entre a política de ciência, tecnologia e inovação e os setores econômicos ligados à transformação ecológica. Esses setores precisam de investimento em ciência, tecnologia e inovação para fazer a transição para modelos de baixa emissão, redução da perda de biodiversidade e aumento da competitividade.

A política de ciência, tecnologia e inovação — e também a política educacional — tem um papel fundamental dentro da estratégia de bioeconomia. É claro que esse esforço concorre com sistemas produtivos que já estão estabelecidos, com relações setoriais consolidadas. O que temos feito é ajudar a identificar os pontos críticos de desenvolvimento tecnológico que o país precisa superar para completar ciclos de inovação e fortalecer suas indústrias. Esse é o caso, por exemplo, da química de renováveis. No que diz respeito aos conhecimentos tradicionais, o Brasil hoje possui um sistema bastante robusto de governança da biodiversidade e do conhecimento tradicional associado ao patrimônio genético. É a política de acesso e repartição de benefícios, que tem uma governança própria e vem avançando no sentido de facilitar o regramento previsto na legislação.

O conhecimento tradicional é uma das fontes mais importantes para o uso do patrimônio genético. Quase tudo o que se pesquisa nessa área envolve alguém que usou, testou ou desenvolveu aquele conhecimento, normalmente povos indígenas e comunidades tradicionais. Eles conhecem profundamente o funcionamento das plantas, suas composições e aplicações, seja para uso medicinal e fitoterápico, seja em aspectos mais complexos, como a recuperação de sementes crioulas mais resistentes às mudanças climáticas. O desafio da política pública é criar instrumentos específicos para lidar com essa forma de conhecimento, respeitando sua expressão própria e integrando-a à ciência formal.

VOCÊ PODE CITAR UM EXEMPLO CONCRETO DESSA INTEGRAÇÃO?

Um exemplo que eu gosto muito de citar é um projeto desenvolvido no MMA que trabalhou com 16 fitoterápicos oriundos de comunidades que já criavam esses produtos de forma artesanal, com base no conhecimento tradicional. Passamos por um processo de preparação e evolução tecnológica e identificamos dois desses fitoterápicos com grande potencial de atendimento ao SUS (Sistema Único de Saúde). A partir disso, firmamos uma parceria entre as comunidades, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e laboratórios públicos para fechar o ciclo de desenvolvimento tecnológico do fitoterápico conhecido como “quebra-pedra”, permitindo que ele possa ser incorporado à lista de medicamentos do SUS. O fitoterápico está sendo desenvolvido a partir do conhecimento tradicional, passando por um processo de desenvolvimento tecnológico para que possa compor a lista de medicamentos indicados para a saúde da população. Para mim, esse é um caso muito emblemático de como devemos enxergar o valor do conhecimento tradicional associado à biodiversidade.

Esse exemplo ilustra também o potencial de redução da dependência de produtos estran-

Entrevista

É difícil elencar uma

única engenharia, porque a bioeconomia se aproxima de várias delas ao longo de todo o ciclo de inovação, inclusive da biomédica

geiros e de desoneração de custos do SUS.

Com certeza, são múltiplos impactos. Na política de bioeconomia, quando aprovamos recentemente as prioridades nacionais e os indicadores, um dos focos consiste justamente no fomento ao desenvolvimento de fitoterápicos originários da biodiversidade brasileira. Esse processo pode vir tanto de comunidades tradicionais quanto da pesquisa científica. Ele impacta a balança comercial, reduz importações, fortalece o processamento nacional e mostra o valor da biodiversidade não apenas como biomassa, mas como conhecimento.

VOCÊ CITARIA OUTROS EXEMPLOS DE IMPACTO ECONÔMICO E SOCIAL SEMELHANTE?

Um exemplo importante é o crescimento do ecossistema de startups da bioeconomia na Amazônia. Tem aumentado o número de iniciativas que surgem a partir de conhecimentos adquiridos junto às comunidades locais, inclusive na área farmacêutica, com o desenvolvimento de antidepressivos, por exemplo. Esse é um ciclo longo, que pode levar de sete a dez anos entre a pesquisa e o produto final.  Outro exemplo são os bioinsumos para a agricultura, que substituem produtos químicos de maior impacto ambiental. Eles são produzidos localmente, adaptados aos ecos-

sistemas onde os sistemas agrícolas estão inseridos e fazem parte da transição para uma agricultura mais sustentável e competitiva. No caso dos bioinsumos, a engenharia agronômica é essencial.

QUE OUTRAS ENGENHARIAS VOCÊ CONSIDERA ESTRATÉGICAS PARA O AVANÇO DA BIOECONOMIA?

Várias engenharias podem se beneficiar do uso de recursos biológicos. A engenharia de alimentos, a engenharia genética e a engenharia química são fundamentais nesse processo. Outro campo que tem se mostrado cada vez mais relevante é o uso da inteligência artificial, que tem permitido, por exemplo, conhecer melhor a biodiversidade brasileira. Na área de energia, há todo o desenvolvimento ligado à biomassa, ao aproveitamento de resíduos, à bioenergia de quarta geração e à economia circular. É difícil elencar uma única engenharia, porque a bioeconomia se aproxima de várias delas ao longo de todo o ciclo de inovação, inclusive da biomédica.

EM TERMOS DE GOVERNANÇA, COMO FUNCIONA A COMISSÃO NACIONAL DE BIOECONOMIA?

A Comissão Nacional de Bioeconomia foi criada para monitorar a implementação do PNDBio, propor ações e impulsionar avanços. Ela é composta por 34 membros: 17 representantes do governo, de 16 ministérios, e 17 representantes da sociedade civil, incluindo setor financeiro, empresarial, ambiental e social. Essa composição reflete a transversalidade da política. A comissão tem liderança política e uma presidência rotativa.

COMO A DIMENSÃO REGIONAL ENTRA NESSA GOVERNANÇA?

Pensamos muito nisso ao criar a comissão. O Brasil tem vocações regionais muito distintas. A bioeconomia é muito forte na Amazô-

nia, mas também se manifesta em polos mais industrializados. O PNDBio precisou nascer com essa visão ampla. A partir dele, os estados são estimulados a construir suas próprias estratégias. Já temos exemplos como o Pará, o Amazonas e o Amapá.

Neste ano, a comissão vai se debruçar mais profundamente sobre como apoiar os estados na implementação. No caso da sociobioeconomia, a implementação ocorre por territórios. Desenvolvemos uma metodologia para identificar onde ela acontece com maior intensidade e estamos promovendo parcerias com estados e territórios para a implementação de uma rede de sociobioeconomia, que já está em curso.

COMO MENSURAR O IMPACTO SOCIAL DA BIOECONOMIA?

A avaliação de impacto ainda está em construção. Neste momento, definimos indicadores de sucesso ligados às prioridades nacionais, como a inclusão de povos e comunidades tradicionais em políticas de pagamento por serviços ambientais ou a incorporação de produtos da biodiversidade ao SUS.

O próximo passo é trabalhar indicadores de impacto social, econômico e financeiro. Há uma dificuldade grande porque a bioeconomia é um conceito recente e os sistemas de dados ainda não capturam bem essas atividades. Estamos discutindo taxonomia sustentável, contas-satélite e incorporação da bioeconomia ao PIB. No caso dos povos e comunidades tradicionais, o foco é reconhecer o valor do bem-viver, garantindo geração de renda sem comprometer modos de vida, cultura e relação com a natureza.

QUE BALANÇO VOCÊ FAZ DA COP PARA O ESTÍMULO À BIOECONOMIA BRASILEIRA?

A bioeconomia ganhou um espaço estratégico ao ser incluída como um dos eixos centrais da COP, ao lado da biotecnologia. Isso

permitiu criar um espaço de articulação entre estados e sociedade para propor soluções.

A bioeconomia contribui para a transição energética, a substituição de fósseis por renováveis, a redução de plásticos e químicos e a valorização das florestas. A partir disso, lançamos o Bioeconomy Challenge, uma iniciativa de três anos para dar continuidade a essa agenda, envolvendo governo, sociedade, finanças e métricas.

COMO ESTÃO ESTRUTURADOS OS INSTRUMENTOS DE FINANCIAMENTO E FOMENTO À BIOECONOMIA?

A bioeconomia está integrada ao Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda. Esse plano criou um espaço para a inovação de instrumentos financeiros voltados à transformação ecológica. Um dos principais instrumentos é o uso de blended finance, com redução de risco e subsídios. Os leilões já realizados alavancaram cerca de R$ 75 bilhões. Estamos estudando instrumentos de garantia de primeiras perdas para estimular investimentos em inovação, industrialização e sociobioeconomia.

Linha de Frente

#Intercâmbio #Universidade

#TeoriaEPrática

#ArticulaçãoAcadêmica

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 25 MINUTOS

” Resolver problemas complexos exige pensamento sistêmico e conexão entre áreas

DIRETORA DO MIT BRASIL, ROSABELLI COELHO DEFENDE A COLABORAÇÃO

ENTRE ÁREAS PARA LIDAR COM PROBLEMAS URBANOS, SOCIAIS E AMBIENTAIS

D• Por Leandro Haberli

iretora do MIT Brasil e da Latin America Lead do MIT Center for International Studies, Rosabelli Coelho atua como uma ponte entre o Massachusetts Institute of Technology — uma das universidades mais prestigiadas do mundo, referência global em STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), além de áreas como computação, economia, gestão e pesquisa aplicada — e o ecossistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação.

Formada em arquitetura e urbanismo pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), com mestrado em urbanismo pela PUC-Campinas e especialização em políticas públicas pela Harvard Kennedy School, Rosabelli exibe uma trajetória profissional marcada por experiências que combinam planejamento urbano, habitação social e educação internacional.

Antes de se dedicar à educação global, essa pernambucana de Petrolina atuou como secretária de Habitação de sua cidade natal, desenvolvendo projetos de moradias de interesse social e lidando diretamente com os desafios do crescimento urbano desordenado. Essa vivência prática, aliada à experiência acadêmica e internacional, moldou sua visão sobre como engenharia, planejamento e políticas públicas podem se articular para enfrentar problemas complexos.

Fotos: Divulgação

Desde que assumiu o MIT Brasil em 2013, Rosabelli tem liderado a construção de programas que conectam estudantes e professores brasileiros com o MIT, promovendo intercâmbios de curta duração e experiências de alto impacto, essenciais para aproximar a realidade brasileira do conhecimento produzido em uma das universidades mais inovadoras do mundo. Um dos grandes desafios dessa missão tem sido equilibrar ambições acadêmicas com limitações de recursos e criar um espaço de mediação entre culturas acadêmicas distintas, traduzindo expectativas e sistemas para que parcerias estratégicas se consolidem.

Sua atuação também se estende ao MIT Amazônia e à América Latina, onde busca estruturar iniciativas que, embora incipientes, promovem sinergias regionais em ciência, tecnologia e inovação. No contexto da Amazônia, o MIT tem colaborado com pesquisadores locais em projetos que dialogam com questões ambientais e sociais complexas, contribuindo de forma significativa para dis-

cussões como as da COP30, sem perder de vista a necessidade de resultados concretos e sustentáveis.

Nesta entrevista, Rosabelli compartilha sua visão sobre o papel da engenharia na construção de soluções para problemas urbanos, ambientais e sociais, destacando a importância de integrar teoria e prática, promover colaboração entre áreas e capacitar jovens para pensar sistemicamente.

VOCÊ INGRESSOU NO MIT BRASIL EM 2013. QUAIS FORAM OS PRINCIPAIS MARCOS DESSA TRAJETÓRIA E OS DESAFIOS INSTITUCIONAIS PARA ESTRUTURAR ESSA COOPERAÇÃO ACADÊMICA DE LONGO PRAZO COM O BRASIL?

Quando comecei no MIT Brasil, o programa existia havia quase três anos, mas ainda não estava consolidado, especialmente em um quesito que o MIT considerava como característica de bom desempenho. É o que eles chamam de MISTI (MIT International Science and Technology Initiatives). A sigla se refere às iniciativas internacionais de ciência e tecnologia do MIT, com foco totalmente voltado para a experiência dos estudantes.

Originalmente, o MISTI deveria ser quase 100% o serviço para estudantes do MIT,

No contexto da Amazônia, o MIT tem colaborado

com pesquisadores locais em projetos que dialogam com questões ambientais e sociais complexas

Linha de Frente

O MIT é um lugar muito internacional.

Nessa condição, o foco inicial é enviar, no mínimo, 25 alunos para esses estágios de meio de ano para o Brasil que normalmente não fazem esses intercâmbios acadêmicos, o que chamamos de study abroad , ou trocas de seis meses a um ano ou mais. Isso acontece porque as graduações em engenharia no MIT duram apenas quatro anos e os alunos não querem passar seis meses desse período em outra universidade. São pouquíssimos os que optam pelo programa.

Para responder à necessidade desses alunos de terem uma experiência internacional, existem esses programas de curta duração. É uma tentativa de fazê-los sair da bolha do MIT. Muitos já têm uma experiência internacional, seja porque são estrangeiros, seja porque são filhos de famílias que vieram de outras partes do mundo.

O MIT é um lugar muito internacional. Nessa condição, o foco inicial é enviar, no mínimo, 25 alunos para esses estágios de meio de ano para o Brasil e desenvolver outros programas em janeiro.

A ideia é que, a cada ano, esse número aumente para chegar, no mínimo, a 60 alunos anualmente. Isso permitiria dizer que o programa é viável e pode continuar existindo, porque um programa só é viável se houver interesse naquele país, obviamente.

Quando cheguei, me lembro como se fosse hoje, uma grande professora do MIT, Suzanne Berger, olhou para mim e disse: “why is it that we can’t send more students to Brazil?” (“por que a gente não consegue mandar mais alunos para o Brasil?”, em português).

Eu disse que o meu objetivo era ampliar o conhecimento sobre o Brasil dentro do campus e aumentar o número desses estudantes. Ao longo desses mais de 11 anos, o período foi de expansão. Ainda é preciso investir mais naquilo que a gente chama em inglês de outbound — ou seja, do MIT para o Brasil.

Também conseguimos fazer alguns programas de retorno, mas ainda são muito poucos, porque o principal desafio sempre foi, e continua sendo, construir sustentabilidade. Isso significa ter programas de alto impacto, já que, para tudo o que eu implemento, preciso captar recursos. Não tenho um orçamento do MIT e uma estrutura administrativa, porque o programa, na prática, sou eu, equilibrando uma ambição acadêmica com limites reais de recursos humanos e financeiros. Esse é um grande desafio.

Outro desafio importante é criar um espaço para que outros colegas e administradores do MIT queiram trabalhar com o Brasil, me vejam como uma tradutora, alguém que faz esse meio de campo entre os sistemas do MIT e do Brasil, porque há tempos, expectativas e linguagens diferentes. É aí que o trabalho acontece: no meio de campo, na captação de recursos e na implementação de programas.

VOCÊ TAMBÉM LIDERA O PROGRAMA DO MIT PARA A AMÉRICA LATINA. COMO ESSA ATUAÇÃO REGIONAL DIALOGA COM O MIT BRASIL E QUAIS SINERGIAS TÊM SIDO CONSTRUÍDAS PARA AMPLIAR A PRESENÇA EM TEMAS ESTRATÉGICOS?

Junto aos meus colegas que fazem programas similares no MIT Colômbia, Peru, Chile, Argentina, Uruguai e México, estamos tentando fazer algo regional, criando sinergias, em vez de competir com programas individuais.

Ainda está muito incipiente, mas estamos tentando definir quais são os desafios compartilhados e quais são as oportunidades para trabalharmos em conjunto. Estamos entusiasmados em trabalhar juntos para estruturar qual é esse arcabouço e o que é possível fazer, considerando limites de recursos, tempo e dinheiro.

Hoje, eu diria que cerca de 80% do meu tempo é dedicado ao MIT Brasil e aproximadamente 15% ao MIT Amazônia, que está começando pela Amazônia brasileira, e uma parte menor à articulação regional. Antes, não conseguíamos atuar na Amazônia porque as doações eram muito direcionadas ao Sudeste, onde está a maior parte dos doadores. Criar esse holofote na Amazônia foi uma escolha estratégica.

GOSTARIA QUE VOCÊ COMENTASSE BREVEMENTE ESSA QUESTÃO DO CAMINHO INVERSO, DE ENVIO DE ESTUDANTES BRASILEIROS PARA O MIT. EM QUAIS PROJETOS OU ÁREAS DA ENGENHARIA ELES ESTÃO ENVOLVIDOS?

Acho que uma das coisas mais importantes é a construção de conhecimento entre os pesquisadores e professores brasileiros nas engenharias e os parceiros ou potenciais parceiros no MIT. Um exemplo muito prático é o da professora Marisa Beppu, da engenharia química da FEC-FAU Unicamp (Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Campinas), que conseguiu uma dessas bolsas para iniciar a colaboração com os professores do MIT.

Vários professores e alunos foram para os laboratórios e para a FEC em Campinas, e diversos alunos da professora Marisa também foram para o laboratório do professor Bradley Olsen, que hoje dá aula de design de sistemas de polímeros sustentáveis na Universidade Estadual do Amazonas. É preciso conectar a ida dos jovens daqui para lá, especialmente na pós-graduação.

Estamos fomentando essa conexão entre professores do MIT e do Brasil por meio de chamadas anuais, os global seed funds. Trata-se de um projeto curto, de 18 meses, e os recursos são destinados à mobilidade em um modelo semelhante ao sprint da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Na graduação, o processo é um pouco mais difícil, mas não é impossível. O MIT não divulga a relação candidato/vaga por curso específico. Como referência geral, a graduação recebe hoje cerca de 29 mil candidaturas para 1.300 vagas, com taxa de aceitação em torno de 4% a 5%. Como mais da metade dos estudantes seguem áreas ligadas às engenharias, trata-se de um dos campos mais competitivos. Para estudantes internacionais, as taxas costumam ser ainda menores, geralmente abaixo de 2%, e o desempenho em olimpíadas científicas internacionais funciona, muitas vezes, como um forte indicador comparativo.

A primeira coisa que eu falo para os jovens que querem fazer candidaturas para as engenharias do MIT é: “olimpíada, olimpíada, olimpíada”. Ser medalhista de olimpíada internacional é uma das poucas métricas que o MIT tem para avaliar alunos internacionais. Todos os jovens brasileiros que chegam ao MIT são muito celebrados porque são muito dedicados.

Linha de Frente

Já na pós-graduação, especialmente no doutorado, a lógica é diferente. Não há uma relação candidato/vaga fixa: a seleção depende do alinhamento com grupos de pesquisa, disponibilidade de orientação e financiamento. Nesse nível, pesam muito o potencial de pesquisa, as conexões acadêmicas e as cartas de recomendação realmente fortes.

QUAL FOI A CONTRIBUIÇÃO ESPECÍFICA

DO PROGRAMA NO CONTEXTO DA COP E COMO VOCÊ ACHA QUE A ENGENHARIA PODE APOIAR SOLUÇÕES CONCRETAS PARA OS DESAFIOS AMBIENTAIS E SOCIAIS DA REGIÃO AMAZÔNICA?

O MIT Amazônia não participou diretamente da COP. A atuação ocorreu por meio de um grupo muito seleto, que levou algumas soluções que o MIT tem desenvolvido.

A participação do MIT Amazônia se deu principalmente porque algumas das pessoas que foram para Belém colaboram com pessoas e professores da Federal do Pará em trabalhos desenvolvidos antes da COP.

Precisamos nos posicionar como uma plataforma de articulação acadêmica. Estamos com um grupo, que chamamos de MIT Amazônia Community, para dar continuidade a essa conversa e não deixar nada morrer pós-COP. É importante evitar que o MIT ou ou-

O que a gente precisa é de uma presença que não seja apenas simbólica, mas que busque uma contribuição significativa

tras universidades e instituições que vieram de fora fiquem falando apenas entre si. Isso significaria perder o que realmente importa.

O que a gente precisa é de uma presença que não seja apenas simbólica, mas que busque uma contribuição significativa, construída junto às pessoas do território. É entender como nos inserimos nesse processo — e isso ainda não está 100% claro para mim, especialmente quando se fala em escala. Em pequena escala, a gente tem conseguido avançar.

O desafio é transformar essas boas práticas em políticas públicas, de fato. Isso ainda está para ser visto, mas sabemos que é um trabalho de longo prazo, que exige continuidade e um esforço consistente.

PODERIA FALAR UM POUQUINHO DA SUA FORMAÇÃO ACADÊMICA E PROFISSIONAL E COMO ELA CONTRIBUIU PARA VOCÊ ASSUMIR ESSA POSIÇÃO NO MIT BRASIL?

Eu me formei em arquitetura e urbanismo na Universidade Federal de Pernambuco e minha trajetória não é nada linear. Na minha cabeça, eu ia trabalhar com a estruturação de áreas históricas, pensando em como preservá-las e como conseguir  torná-las financeiramente sustentáveis.

Fui lançar, na minha cidade natal, um livro sobre arquitetura no Brasil e percebi que a região estava crescendo de forma desordenada. Ao mesmo tempo, eu cursava mestrado em desenvolvimento urbano. Escrevi uma carta para o prefeito dizendo que era preciso rever o Plano Diretor, porque a cidade estava crescendo de forma desordenada. Em resumo, acabei me tornando secretária de Habitação de Petrolina.

Quando saí de Petrolina e fui para Campinas, precisei trabalhar para pagar o mestrado. Cursei mestrado em gestão urbana no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas para entender melhor a política habitacional e a construção de moradia de interesse social. Ao mesmo tempo, tra-

balhei como responsável pelo International Office da PUC-Campinas.

Foi assim que minha trajetória como educadora internacional começou. Não foi algo escolhido; aconteceu. Eu trabalhava com planejamento estratégico, sob a batuta do reitor da PUC, e, como ele não falava inglês, fui representar a universidade no primeiro encontro com o pró-reitor internacional de Harvard, quando eles abriram o escritório na Avenida Paulista, em meados de 2006.

Ao ouvir minha trajetória, disseram que eu precisava me inscrever na Harvard Kennedy School (na época, Harvard John Kennedy School of Government). Fui aceita, recebi bolsa e fui para os Estados Unidos fazer uma especialização em política e administração pública. Acabei ficando lá fora, mas queria continuar conectada ao Brasil. Quando descobri a oportunidade no MIT Brasil, agarrei com unhas e dentes.

É um privilégio poder construir essas pontes e trabalhar com as engenharias. Ter a oportunidade de trabalhar com jovens e professores das engenharias, que são o meu maior público, é muito significativo. O faculty director do MIT Brasil, que eu trouxe para trabalhar comigo, Bradley Olsen, é da engenharia química. Acabamos ficando muito próximos das pessoas da engenharia, porque a engenharia quer justamente resolver problemas.

Essa mentalidade do engenheiro e da engenheira sempre me atraiu. Quase fiz engenharia. Fiquei entre arquitetura e engenharia civil, passei nas duas e tentei fazer ao mesmo tempo, mas segui em arquitetura.

E AGORA, APÓS QUASE 13 ANOS NO MIT, COMO VOCÊ AVALIA O DIÁLOGO ENTRE URBANISMO, POLÍTICAS PÚBLICAS E TECNOLOGIA PARA ENFRENTAR DESAFIOS COMPLEXOS, COMO O CRESCIMENTO DESORDENADO DAS CIDADES E A INFRAESTRUTURA URBANA MAIS RESILIENTE? A SUA PERCEPÇÃO MUDOU?

Vejo

pessoas extremamente

preparadas tecnicamente,

mas que ainda têm dificuldade na forma de se aproximar dos problemas sem impor a própria visão

Eu acho que essa visão amadureceu. Vejo que muitas pessoas ainda trabalham em silos e que as soluções para os problemas das cidades são muito mais complexas. Elas exigem a participação de muitas pessoas e um alto rigor técnico, algo que a engenharia desenvolve muito bem. Não se trata apenas de construir coisas, mas de construir uma pauta que envolva empatia, ética e escuta.

Vejo pessoas extremamente preparadas tecnicamente, mas que ainda têm dificuldade na forma de se aproximar dos problemas sem impor a própria visão. Resolver problemas complexos exige boa comunicação, pensamento sistêmico e conexão entre áreas. A tecnologia pode ajudar a aproximar pessoas e grupos maiores, mas é fundamental capacitar os jovens para trabalhar em equipe e destrinchar problemas complexos.

Acredito que hoje teoria e prática caminham muito mais juntas. Na minha época, havia muita teoria e ela não dialogava com o projeto. Hoje, especialmente nas engenharias, há a exigência de entregar um produto real ao fim das disciplinas, o que faz muita diferença.

É uma questão de conseguir pensar sistemicamente. Questões complexas demandam muito mais conexão. Ainda trabalhamos de forma separada, mas espero que, com a tec-

Linha de Frente

Hoje, temos mais pessoas resolvendo problemas reais dentro de empresas, enquanto outras estão criando negócios que dão suporte a questões de interesse público

nologia, consigamos atuar em grupos maiores, capacitando os jovens para entender como destrinchar problemas complexos e trabalhar em equipe.

COMO VOCÊ DIRIA QUE O MIT BRASIL BUSCA EQUILIBRAR ESSA QUESTÃO DE ESCALA COM EXCELÊNCIA ACADÊMICA E ESPECIALIZAÇÃO NA FORMAÇÃO DOS ENGENHEIROS QUE PARTICIPAM DAS INICIATIVAS DO MIT BRASIL?

Falar de escala é difícil, pois não temos conseguido avançar muito. Vejo que a pós-graduação acaba sendo um espaço em que o MIT tem mais abertura. Mas a questão da formação dos engenheiros e de como ampliar o número de profissionais bem preparados depende muito da capacidade de aprender a aprender. É preciso instigar esses jovens a continuar buscando conhecimento. Os profissionais não se formam apenas durante a graduação.

Eu vejo que os brasileiros são muito bem formados. O MIT tem uma pegada muito de empreendedorismo e inovação e eles acabam tendo a condição de já participar de várias chamadas para começarem seus negócios. Isso também está acontecendo no Bra-

sil. Os cursos têm instigado seus jovens não apenas a resolver problemas, mas também a transformar essas soluções em produtos que podem se tornar negócios. Hoje, temos mais pessoas resolvendo problemas reais dentro de empresas, enquanto outras estão criando negócios que dão suporte a questões de interesse público.

Os jovens que são treinados como engenheiros têm uma estrutura para conseguir ajudar a resolver esses problemas. Vejo como essa formação garante uma tridimensionalidade: você passa daquela situação de olhar e não conseguir entender como digerir o projeto e o problema para a transformação e a observação do que pode ser uma solução.

No MIT, eles dizem mens et manus , que significa que a teoria e a prática têm que estar alinhadas. Ou seja, é preciso ter um produto final.

GOSTARIA, SE POSSÍVEL, QUE VOCÊ CITASSE EXEMPLOS DE OUTRAS ENGENHARIAS QUE TÊM SIDO CONTEMPLADAS POR ESSA

SINERGIA PROMOVIDA PELO MIT BRASIL.

São cinco escolas no MIT e a engenharia é uma delas. O curso de engenharia mecânica tem tido muita conexão com o Brasil por conta do professor Hermano Krebs e de outros pesquisadores que dialogam com o país, graças aos programas de mobilidade. Temos visto muita troca entre estudantes do professor Krebs vindo para o Brasil e estudantes da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). Tem também a engenharia civil e ambiental. A professora Desiree Plata agora está em Manaus.

O MIT tem interesse em se conectar com empresas e, dentro do próprio instituto, eles fomentam esse diálogo. São estágios junto aos laboratórios dos professores que estão desenvolvendo respostas para empresas, incluindo companhias brasileiras, que têm essa conexão por meio do que eles chamam de Industrial Liaison Program.

Então, é isso: tem engenharia civil e ambiental, engenharia química, engenharia mecânica e engenharia de ciência da computação, ressaltando que essas conexões têm acontecido graças aos global seed funds

VOCÊ ACHA QUE O GOVERNO BRASILEIRO

TERIA UM PAPEL DE POTENCIALIZAR ESSE MODELO DE COLABORAÇÃO? E SE SIM, DE QUE FORMA?

Eu acho que sim. Vejo o exemplo do MIT França, em que o projeto das chamadas anuais é feito pelo Ministério de Ciência e Tecnologia da França há muitos anos. Ou seja, eles viram nesse tipo de colaboração e de fomento de conexões iniciais entre professores do MIT, pesquisadores e professores uma porta de entrada para realmente fazer intercâmbios e colaborações culturais e intelectuais. Outro país que também investe muito no MIT é Portugal. Por meio do Ministério de Ciência e Tecnologia e da Fundação Luso-Americana de Desenvolvimento, eles conseguiram fazer muitas conexões com universidades portuguesas.

Já o MIT Brasil faz isso de maneira ainda muito pontual, sem uma forma estruturada, tampouco em escala.

QUE TIPO DE TRANSFORMAÇÃO VOCÊ OBSERVA NOS ESTUDANTES DO MIT A PARTIR DA VIVÊNCIA ACADÊMICA E CULTURAL QUE ELES TÊM NO BRASIL?

É muito interessante ver como os jovens se tratam, como tratam os professores, como aproveitam essas oportunidades de sair de suas bolhas.

Eles encontram no Brasil um país que os acolhe, voltam para o MIT e querem aprender português. Tenho visto muitos jovens que vêm para o Brasil sem nunca terem considerado o país como um local para onde viriam, mas vêm porque é um curso que vale crédito no MIT.

Depois que voltam para o MIT, fazem quatro semestres de português, aprendem a língua e retornam para os summer internships, que, no Brasil, acontecem no inverno, de junho até meados de agosto. A gente está sempre aberto a receber parcerias com organizações e universidades que queiram receber esses estudantes.

QUE CONSELHO A SENHORA DARIA PARA JOVENS QUE DESEJAM SEGUIR CARREIRA EM ENGENHARIA E CONTRIBUIR DE MANEIRA SIGNIFICATIVA PARA O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL E DO MUNDO?

Eu diria: cultivem a curiosidade, o rigor técnico e o senso de responsabilidade. É legítimo buscar realização profissional e retorno privado, mas a engenharia ganha sua força transformadora quando esse esforço também se traduz em benefício público. Afinal, não se trata apenas de construir coisas, mas de construir futuros, o que exige empatia, ética e compromisso com a sociedade.

Nesse contexto, áreas como engenharia ambiental, materiais sustentáveis, computação, sistemas urbanos, energia e bioengenharia tendem a assumir um papel central diante dos desafios climáticos, tecnológicos e sociais que já estão postos.

Premiação

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#Projetos #Inovação

#Destaques2025 #Evento

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 23 MINUTOS

IE destaca talentos e projetos inovadores de 2025

EVENTO DE CONFRATERNIZAÇÃO CELEBRA DIVISÕES TÉCNICAS, MELHORES TRABALHOS E ALUNOS FORMANDOS DE ENGENHARIA

• Por Heverton Nascimento

OIE (Instituto de Engenharia) realizou a sua tradicional premiação das Divisões Técnicas, dos Trabalhos Técnicos e dos Melhores Alunos, no dia 9 de dezembro de 2025. A cerimônia também antecipou as homenagens ao Dia do Engenheiro, comemorado em 11 de dezembro.

Na abertura do evento, a vice-presidente de Administração e Finanças, Miriana Marques, chamou a atenção para o fato de que é a primeira mulher a ocupar esse cargo, sinalizando tempos de mudanças no caminho da diversidade.

“Também tenho de lembrar que sou mãe de um jovem engenheiro, Vitor Marques, que frequenta esta casa e me ajuda muito nessa batalha da vice-presidência. E eu não posso esquecer que eu sou filha do Jason Pereira Marques, que me inspirou a trilhar com honra e dedicação os caminhos desta instituição. Ele me fez acreditar que essa é a minha segunda casa”, comentou.

“Assim, o IE e todos vocês partem para o ano de 2026 com a certeza de que nossa diretoria executiva fez o melhor por nossa instituição. A tarefa de administrar o IE, que caminha para completar 110 anos, é árdua. Nossa gestão prima por manter valores e boas práticas”, finalizou, an-

José

e a vicepresidente de Administração e Finanças, Miriana Marques, acompanhados por membros da diretoria do IE

O presidente,
Eduardo Jardim,

tes de convocar os presentes, que lotaram o auditório na sede do Instituto, a cantar o Hino Nacional Brasileiro.

Miriana também agradeceu às autoridades presentes, membros da academia e integrantes do poder público que prestigiaram a cerimônia, antes de convocar ao púlpito o presidente do IE, José Eduardo Jardim.

Jardim começou seu discurso comemorando a recuperação após um período em que precisou utilizar cadeira de rodas e muletas devido a uma queda. “Como vocês sabem, aqui neste palco mesmo, justamente quando recebemos o nosso querido astronauta Marcos Pontes, eu realmente tropecei e fiquei três meses entre cadeira de rodas e muletas”, lembrou. “Graças a Deus, estou de volta, teimosamente, para estar com vocês por mais um período, até o fim do meu mandato”, disse.

“E é uma alegria nos reunirmos na Casa da Engenharia para celebrarmos o Dia do Engenheiro, quando também reconheceremos a dedicação dos profissionais que se empenharam durante este ano para compartilhar os seus conhecimentos e, assim, contribuir para o aprimoramento da engenharia nacional”, disse Jardim.

“Sob a liderança do vice-presidente, nosso colega e amigo Jerônimo Cabral, os seis departamentos e as 34

José Eduardo Jardim, presidente do IE, discursa no evento
Premiados pelos Melhores Trabalhos do Ano de 2025
Fotos: Acervo IE / Calão Jorge e Sérgio Luiz

Premiação

Divisões Técnicas promoveram dezenas de eventos, reuniões de trabalho e cursos sobre os mais diversos temas da engenharia. Esse conjunto de iniciativas demonstra um empenho contínuo das divisões em promover o conhecimento, atualizar profissionais e fortalecer o papel do IE”, complementou o dirigente.

O presidente seguiu em uma espécie de balanço do ano, enumerando as principais atuações do IE, dando exemplos de projetos junto à prefeitura e aos governos estadual e federal, como trabalhos com a Sabesp, o Porto de Santos, a Petrobras e muitos outros.

Jardim passou a palavra ao engenheiro Marcos Monteiro, secretário municipal de Infraestrutura e Obras, representante do prefeito Ricardo Nunes. Antes, Miriana lembrou que Marcos Monteiro já foi aluno premiado em evento como esse, nos tempos em que era estudante de engenharia.

“A prefeitura fez muita coisa em conjunto com o Instituto, e não só a Secretaria de Infraestrutura e Obras, mas outras também. E, entre essas várias ações, temos de destacar duas muito importantes: a questão do mototáxi, em que o instituto emitiu um comunicado a respeito dos problemas do transporte de motocicleta por aplicativo, e também o projeto do túnel Sena Madureira, em que houve apoio, inclusive, para a realização das audiências públicas, que aconteceram aqui no IE”, disse o secretário municipal.

Atuando como mestre de cerimônias, Miriana apresentou os sócios remidos de 2025 e convocou ao palco o responsável pela vice-presidência de Atividades Técnicas, Jerônimo Cabral, que fez uma apresentação da área pela qual é responsável.

“Neste ano, eu tive a felicidade de reassumir a vice-presidência de Atividades Técnicas, que, como o nome já diz, é de natureza puramente técnica, com 34 Divisões Técnicas, além do Departamento de Cursos, da Diretoria Operacional, da Revista Engenharia e da Biblioteca”, explicou.

“A área reúne cerca de 90 profissionais que, de forma majoritariamente voluntária, compartilham seus conhecimentos por meio da promoção de palestras, eventos técnicos, cursos, estudos, debates e pela articulação com setores públicos e privados, sempre com o propósito de contribuir para o aprimoramento de engenheiros e, consequentemente, para o fortalecimento e de-

“A prefeitura fez muita coisa em conjunto com o Instituto, e não só a Secretaria de Infraestrutura e Obras, mas outras também”, disse Marcos Monteiro

Diretores e autoridades no início da premiação
Marcos Monteiro, secretário municipal de Infraestrutura e Obras

senvolvimento da engenharia brasileira e da sociedade nacional”, acrescentou.

Cabral detalhou as atuações de cada área e agradeceu aos profissionais, destacando, inclusive, a Revista Engenharia. “Neste ano, tivemos quatro edições, com mais de oito mil acessos em nosso site. A revista, que tem mais de 80 anos como referência técnica no mercado, segue firme graças à dedicação de sua diretoria”, disse. “É importante comentar que a revista segue tendo todas as edições também impressas e mantém uma qualidade editorial primorosa.”

Trabalhos técnicos

Finalmente, os autores dos trabalhos técnicos foram chamados ao palco. Lucas da Silva Atanasio ganhou na categoria de Melhor Trabalho Técnico do Ano, com o tema “Interação entre revestimento primário e secundário em sistemas de revestimentos compostos em concreto armado com geomembrana e geotêxtil em túneis”.

“É um trabalho interessante para todos que desprezam a participação do primário quando se faz um túnel, levando toda a carga e toda a atenção para o secundário. Isso faz com que a obra gaste muito mais do que deveria com revestimentos robustos”, explicou Lucas Atanasio, engenheiro civil formado na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e com mestrado no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), onde o trabalho vencedor foi apresentado. “A ideia do trabalho, então, foi levar em consideração a influência do primário no revestimento composto. Assim, é possível economizar tanto na espessura do secundário quanto na armação aplicada para o túnel”, acrescentou.

A categoria teve menção honrosa para Marcus Vinícius Fernandes Grossi, com o tema “Delimitação técnica da responsabilidade concorrente na execução de obras: estudo aplicado a um caso judicial”.

“A motivação do projeto surgiu justamente da prática profissional. Em muitos casos, os danos construtivos não decorrem de uma única causa, mas de múltiplos fatores concorrentes, como decisões de projeto, execução, uso e, principalmente, manutenção. O problema é que, na prática pericial, essa concorrência de causas costuma ser tratada de forma subjetiva”, explicou Grossi.

“Receber essa menção honrosa foi muito significativo

"Neste ano, tivemos quatro edições, com mais de oito mil acessos em nosso site", ressalta Cabral

Melhor Trabalho Técnico do Ano. Tema: Interação entre revestimento primário e secundário em sistemas de revestimentos compostos em concreto armado com geomembrana e geotêxtil em túneis. Autor: Lucas da Silva Atanasio

Menção Honrosa. Tema: Delimitação técnica da responsabilidade concorrente na execução de obras: Estudo aplicado a um caso judicial. Autor: Marcus Vinícius Fernandes Grossi

Premiação

para mim, porque valida a relevância da minha linha de pesquisa na área de perícia de engenharia. É um reconhecimento que marca minha trajetória profissional de forma inigualável.”

O Melhor Trabalho do Ano no que diz respeito a temas de interesse do setor público foi para o grupo formado por José Eduardo Cavalcanti, Ivan Metran Whately, Paulo Ferreira, Milton Ushima, José Carlos Leitão e Henrique Dias de Faria, com o tema “Sem água não há vida: Guarapiranga pede socorro”.

A menção honrosa foi para o trabalho “Reequilíbrio econômico-financeiro, CPRB e os impactos da reforma tributária em contratos públicos de prestação de serviço para o ano de 2026”, de Bruno de Oliveira Dias.

O tema “Manual de boas práticas para a realização de simulação computacional na engenharia de incêndio” venceu como Melhor Trabalho Técnico do Ano no que se refere a temas ligados ao exercício da profissão. Os autores Carlos Cotta Rodrigues, José Félix Drigo, Silvio Piga e Arthur Garuti subiram ao palco para receber o diploma e a medalha, atestando o feito.

“Na realidade, esse trabalho não vale somente para a divisão técnica de engenharia de incêndio ou só para a engenharia de incêndio. A ferramenta que utilizamos, que é o CFD (Computational Fluid Dynamics), é válida para engenharia, arquitetura, praticamente tudo”, explicou Carlos Cotta.

“Uma das grandes vantagens da utilização do CFD é que você pode diminuir o custo em vários milhões e em diversos empreendimentos”, acrescentou. “De forma geral, a ferramenta evita a construção de protótipos físicos ou maquetes. É possível testar múltiplas condições da edificação, do risco, da velocidade do vento e também das condições de resistência dos materiais”, resumiu Cotta.

“BIM + IA: a convergência estratégica na engenharia de construção civil brasileira”, de Constanzio Facci Ticeu, ficou com a menção honrosa dessa categoria.

Departamento e Divisões Técnicas

O Departamento de Desenvolvimento de Projeto e Serviços de Infraestrutura teve duas Divisões Técnicas premiadas este ano, tanto qualidade quanto em quantidade e foi representado pelo assessor especial Roberto Kochen.

Menção Honrosa. Tema: Reequilíbrio econômico-financeiro, CPRB e os impactos da reforma tributária em contratos públicos de prestação de serviço para o ano de 2026. Autor: Bruno de Oliveira Dias

Melhor trabalho técnico do ano analisando temas ligados ao exercício da profissão. Tema: Manual de boas práticas para a realização de simulação computacional na engenharia de incêndio. Autores: Carlos Cotta Rodrigues, José Félix Drigo, Silvio Piga e Arthur Garuti

Menção Honrosa. Tema: BIM + IA: a convergência estratégica na engenharia de construção civil brasileira. Autor: Constanzio Facci Ticeu

Divisão Técnica de Arquitetura, Paisagismo e Comunicação Visual. Coordenadora: Taina Vieira Volcov. Vice-coordenadora: Aurea Lúcia Vendramin Georgi

A Divisão Técnica de Arquitetura, Paisagismo e Comunicação Visual venceu como DT "Mais Atuante Quantitativamente". O time é coordenado por Taina Vieira Volcov, que conta com Aurea Lúcia Vendramin Georgi como vice-coordenadora.

Na categoria de Divisões Técnicas com a Melhor Avaliação Qualitativa, os vencedores foram Natan Jacobsohn Levental, assessor especial; Douglas Couto, coordenador; e Fernanda Albano Hoeppers Nurnberg, vice-coordenadora, com a palestra “Estudos e avanços sobre o reforço passivo e protendido com fibra de carbono: do laboratório à obra”, de Glaucia Maria Dalfré e Marcelo Fernandes Pereira.

“Participar da cerimônia teve dois motivos marcantes para mim: o primeiro, pelo reconhecimento de nossa palestra. Nosso grupo de pesquisa tem feito várias ações para apresentar novos materiais não convencionais que podem ser utilizados na engenharia civil, assim como novas técnicas de reforço para elementos de concreto armado. O segundo foi relembrar o prêmio que recebi em 2004, que é concedido aos melhores formandos de engenharia. Foi muito marcante e, com certeza, tem pautado minha carreira”, comentou Glaucia Dalfre. “Ficamos honrados e emocionados com o reconhecimento de um instituto tão tradicional e importante para a engenharia nacional”, acrescentou Marcelo Pereira.

Entregues os diplomas e as medalhas a todos os vencedores, foi a vez de Ivan Metran Whately, vice-presidente de Relações Externas, subir ao palco para dar um balanço das realizações de sua área. Ele comentou algumas das parcerias realizadas neste ano, com destaque para os estudos encomendados pela Prefeitura de São Paulo para implantação de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

Departamento de Desenvolvimento de Projeto e Serviços de Infraestrutura. Assessor Especial: Roberto Kochen. Diretor: Francisco José Pereira de Oliveira. Vice-diretor: Habib Georges Jarrouge Neto

Técnica de Estruturas e Controle Tecnológico.

Especial: Natan Jacobsohn Levental. Coordenador: Douglas Couto. Vice-coordenadora: Fernanda Albano Hoeppers Nurnberg

“Ficamos honrados e emocionados com o reconhecimento de um instituto tão tradicional e importante para a engenharia nacional”, disse Marcelo Pereira

Divisão
Assessor

“A prefeitura está reintroduzindo o bonde e o instituto aceitou o desafio, se reuniu com o pessoal da Fiesp, com o Sindicato da Indústria Ferroviária e com a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária e fez um comitê para articular uma manifestação a esse modo de transporte”, explicou Whately.

“Poderá ser um elemento muito importante para a melhoria da circulação no centro de São Paulo. Seria o elemento de reurbanização, de indução da reurbanização”, acrescentou ele.

Whately foi seguido por Lawrence Chung Koo, vice-presidente de Assuntos Internos, que, em uma palestra sensível, agradeceu aos colaboradores do IE, explicando o conceito do efeito trim tab, que descreve como pequenas mudanças de atitude ou ações geram grandes resultados na vida. “Podemos ser poucos, mas, juntos, podemos mover um transatlântico”, disse ele, emocionado.

Matemática

é o principal pilar da engenharia

No evento de confraternização estava também presente o estudante Arthur Juan da Silva, que atua semanalmente no projeto Matemática no Metrô, um espaço de monitoria pública para estudantes que precisam de reforço. Desde 2023 em ação, a iniciativa é uma parceria do IE com o Instituto Mauá de Tecnologia, cujo objetivo é melhorar e desenvolver nos estudantes as habilidades matemáticas.

“Ficamos no metrô e os alunos, que podem ser crianças, adolescentes ou adultos, chegam para tirar dúvidas e conversar”, explica Silva. O projeto atualmente está baseado em duas estações do metrô: Ana Rosa e Vila Prudente. Os alunos da Mauá que se candidataram ao projeto ficam nessas estações, identificados por um banner com os dizeres “Resolva aqui suas dúvidas de matemática”, à espera dos interessados. O Matemática no Metrô acontece todas as segundas-feiras, das 16h30 às 19h30.

após a premiação

“Podemos ser poucos, mas, juntos, podemos mover um transatlântico”, disse Lawrence Chung Koo

Confraternização
José Eduardo Jardim e Lawrence Chung Koo
Premiação dos Melhores Alunos
Arthur Juan da Silva
Bruno Poletti
Bruno Poletti
Bruno Poletti
Bruno Poletti

Melhores Alunos

A noite foi finalizada com a chamada de 50 estudantes indicados como os Melhores Alunos de 2025. Os que estavam presentes subiram ao palco para receber o prêmio e participar do coquetel de premiação e confraternização do IE. Veja alguns dos depoimentos dos alunos:

“Fiquei muito feliz com a notícia. Eu não imaginava que isso aconteceria considerando todos os alunos, principalmente da minha turma. Então, eu fiquei bastante feliz”

Beatriz Santos Silva, engenheira civil, MBA em Infraestrutura de Transportes

“Eu me formei em engenharia de automação e controle no Centro Universitário FEI. Fui premiada pelo CreaSP e agora pelo IE como a melhor aluna da turma. Estou muito feliz por estar aqui e receber todas as homenagens. O meu TCC foi realizado em parceria com a empresa Alstom, responsável no Brasil pelas linhas azul, verde e vermelha do metrô de São Paulo. Foi um projeto relacionado à visão computacional para facilitar e deixar de forma autônoma um projeto. Atualmente, eu trabalho na Alstom, na parte de software, e estou cursando mestrado, também na área de nanoeletrônica, na FEI.”

Giovana Bettoni Rossi, Centro Universitário FEI

“Achei muito legal ser homenageado no IE. Fiquei muito feliz com a notícia quando recebi o convite. É muito gratificante. Eu fui reconhecido pelo desempenho no meu curso, que é engenharia elétrica, na USP, campus São Carlos. Atualmente, trabalho na Siemens, na área de sistemas elétricos de potência e automação de subestações, e estou atuando na linha 17 do metrô de São Paulo, o monotrilho.”

João Lucas Foltran Consonni, USP/São Carlos

Premiação

“Eu fiquei muito feliz quando recebi o convite do instituto para receber esse prêmio. Me formei faz pouco tempo, mas hoje eu trabalho na parte de orçamentação de obras e sou muito feliz também na profissão que eu escolhi.”

Ana Clara Caseiro dos Santos, do campus de Ilha Solteira da Unesp (Universidade Estadual Paulista)

“Foi muito importante para mim receber essa homenagem, até porque foi uma sequência de fatos. Começou com uma menção honrosa na minha colação de grau da faculdade (PUC-SP). Logo em seguida, recebi um prêmio do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo) Melhores Alunos de 2024 e, depois, o IE entrou em contato. Em um primeiro momento, achei que seria só essa participação. Foi uma honra estar aqui, com pessoas tão importantes e conhecendo um pouco mais do instituto. Trabalho em uma organização sem fins lucrativos, em um departamento chamado Cetique. br, do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR), responsável pela coordenação da internet do Brasil. E é muito gratificante também estar em uma empresa desse tamanho hoje.”

Maisa Marques Cunha, PUC-SP

“Sou formado em engenharia mecânica e, atualmente, faço mestrado no campus de Ilha Solteira da Unesp. Fiquei muito surpreso quando eu recebi a premiação, porque, na minha turma, eu fui o único que conseguiu se formar na data certa, com o tempo-limite do curso. Quando eu recebi a premiação na colação, foi uma surpresa. A gente nunca espera. Fiquei muito feliz pelo certificado e também pela oportunidade de me filiar ao IE.”

Vinicius Servidone Trizólio, do campus de Ilha Solteira da Unesp (Universidade Estadual Paulista)

A Caravela é um "barco tecnológico", com aproximadamente o tamanho de uma vaga de estacionamento, que cultiva algas nativas para limpar e monitorar corpos hídricos.

Colheitas das algas fornecem dados sobre a qualidade da água e removem carbono do ambiente.

Esta é uma solução inédita brasileira, da startup Infinito Mare, que gira conforme os ventos e as correntes. Uma frota de Caravelas é capaz de identificar, por exemplo, um vazamento exatamente onde ele começou.

O projeto Verde Mar adotou a solução dentro do Programa Adote Rio, para a área do Santuário Marinho da Paisagem Carioca na Praia Vermelha, com o objetivo de aumentar a proteção legal, a fiscalização das irregularidades e o conhecimento e valorização da vida marinha e do mar.

Caio Salles

#Consensos #Bioeconomia

#GrupoDeTrabalho #SínteseTécnica

#Diagnóstico #Amazônia

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 25 MINUTOS

Como o Instituto de Engenharia estruturou

uma base de conhecimento para a estratégia nacional de bioeconomia

INICIADO EM 2020, O GT NACIONAL DE BIOECONOMIA COMBINOU FORMAÇÃO PÚBLICA, CURADORIA TÉCNICA E CONSULTA ESTRUTURADA

A LIDERANÇAS PARA TRANSFORMAR DEBATE EM PRIORIDADES

• Por Juca Guimarães

Abioeconomia costuma aparecer no debate público, geralmente, como promessa e slogan. No Instituto de Engenharia, de forma inédita, a bioeconomia foi tratada como problema de engenharia: complexo, multissetorial e exigente em evidências, que necessitam de validação e análise.

Com a criação do GT (Grupo de Trabalho) Nacional de Bioeconomia, a partir de 2021, o Instituto colocou o tema na rotina de trabalho e construiu, em sequência, uma trilha que começou com a disseminação aberta de conhecimento, avançou para a síntese técnica e terminou com um estudo voltado à orientação de prioridades.

Ao longo desse período, o GT organizou 33 eventos, palestras e aulas abertas, com apoio de 31 colaboradores técnicos de diferentes áreas. O material, disponibilizado ao público pela TV Engenharia, serviu como lastro para a etapa seguinte: uma consulta qualitativa com lideranças setoriais, voltada a convergir diagnósticos e, principalmente, delimitar o que deveria vir primeiro na agenda.

“Os eventos promovidos pelo Instituto de Engenharia, que hoje podem ser assistidos livremente na TV Engenharia, foram fundamentais para se construir uma coletânea de conheci-

mentos para que fosse realizada uma pesquisa qualitativa com os líderes setoriais utilizando o método Delphi para estabelecer consensos e prioridades em relação ao tema bioeconomia”, afirma o engenheiro George Paulus, coordenador do GT Nacional de Bioeconomia.

A provocação que virou projeto

A semente do GT foi plantada em 2020, a partir de um desafio público: no discurso de recebimento do título de Eminente Engenheiro do Ano, do Instituto de Engenharia, o cientista e engenheiro Carlos Nobre instigou a comunidade da engenharia a assumir um papel ativo na transformação do Brasil em uma potência baseada em seus biomas.

Especialista em estudos do clima e reconhecido por pesquisas sobre os riscos de pontos de não retorno na Amazônia, Nobre defendeu uma “terceira via” para o bioma: um caminho que combine geração de valor, ciência, tecnologia e metas explícitas de preservação.

Acesse os eventos, palestras e aulas abertas de bioeconomia

“Dediquei boa parte da minha carreira à pesquisa da Amazônia e mudanças climáticas, propondo uma terceira via para o bioma, considerando o potencial econômico da floresta e com meta de preservação de área intocada de, no mínimo, 80% e com cerca de 15% podendo se tornar sistemas agroflorestais”, disse Carlos Nobre.

Uma base pública de conhecimento – antes da síntese

A escolha do Instituto de começar por uma série extensa de eventos não foi apenas uma etapa de sensibilização sobre o tema da bioeconomia. A lógica foi a de construir um repertório comum, organizado e rastreável, para sustentar perguntas mais qualificadas: quais cadeias produtivas podem escalar com baixa

Turma da expedição em cima da torre do MUSA para observação do entardecer na Floresta Amazônica
Arquivo
Expedição
Amazônia
Acervo
O cientista e Eminente Engenheiro do Ano de 2020, Carlos Nobre

A estratégia por trás das expedições

No início do GT de Bioeconomia, quando o foco era a Região Amazônica, tornou-se necessária uma aproximação mais direta, com experiência real em campo, para conhecer o território.

“A engenharia é, por natureza, uma área muito prática, voltada à construção, à otimização de processos e à melhoria da qualidade de vida. Diante disso, começamos a nos questionar se um projeto restrito a textos e pesquisas seria suficiente para provocar uma reflexão mais profunda dentro da engenharia sobre o papel do setor no desenvolvimento da bioeconomia brasileira. Foi a partir dessa provocação que surgiu a ideia das expedições: levar a discussão para o território, para a vivência direta da Amazônia”, disse o engenheiro Felipe Cabral, que atuou na organização das expedições do GT.

O projeto das expedições foi fortemente inspirado na trajetória do professor Carlos Nobre, que foi um grande parceiro do GT durante esse período. Ele costuma relatar que, ainda jovem, teve a oportunidade de conhecer a Amazônia, experiência determinante para sua trajetória acadêmica e científica.

Por meio da coordenação do GT, foi iniciada uma parceria com a AAE (Academia Amazônia Ensina), especializada em expedições educacionais na região. O desenho do projeto previa uma jornada de oito dias, dividida em dois grandes momentos complementares.

“Nos quatro primeiros dias, os participantes visitaram polos de altíssima tecnologia existentes na Amazônia, como o INDT (Instituto Nacional de Desenvolvimento Tecnológico) e outros centros de pesquisa e inovação, tendo contato direto com pesquisadores e especialistas de referência internacional. Nos quatro dias seguintes, vivenciavam uma imersão na chamada 'Amazônia profunda', por meio de navegação fluvial, contato direto com a floresta, com a biodiversidade e com o território, permitindo compreender, na prática, o enorme potencial de desenvolvimento sustentável da região”,

explicou Cabral, que tem MBA em Finanças e Gestão de Negócios e especializações em finanças, gestão de projetos e neurociência.

A seleção foi feita pelo IE e pela AAE em conjunto entre os alunos de engenharia premiados pelo IE. O público-alvo das expedições foi composto por jovens universitários de diferentes regiões do Brasil, que receberam bolsas, viabilizadas principalmente por meio de articulação direta e networking. Houve parcerias com empresas, como a Geribello Engenharia, que contribuiu com a concessão de algumas bolsas, além do apoio de pessoas físicas que optaram por financiar a participação de integrantes no projeto.

Os bolsistas do IE participaram de três expedições da AAE. “Antes da viagem, também estruturamos um pré-work consistente, com quatro encontros preparatórios, realizados um ou dois meses antes das viagens. O processo de seleção foi conduzido pela Academia Amazônia Ensina, responsável por avaliar o perfil dos candidatos e realizar a distribuição das bolsas”, contou Felipe Cabral.

Esses encontros preparatórios contaram com grandes referências, como o próprio Carlos Nobre e o empresário Denis Minev, CEO da Bemol, uma das principais lideranças empresariais da região e fortemente engajado na agenda ambiental. O objetivo era preparar os participantes técnica e conceitualmente para a experiência de campo.

“Pelos relatos dos participantes, ficou evidente o quanto a experiência foi rica e transformadora. Até hoje, acompanho alguns deles e percebo que muitos seguiram trajetórias ligadas à sustentabilidade, ao meio ambiente e ao desenvolvimento responsável. Evidentemente, não é possível afirmar que a expedição, por si só, determine esses caminhos, mas, sem dúvida, ela foi um marco importante na formação dessas pessoas”, completou Cabral.

externalidade negativa; quais são os gargalos regulatórios e de financiamento; o que exige inovação tecnológica; em quais os ganhos sociais e econômicos são mais prováveis e quais riscos não podem ser postergados.

Esse método também permitiu que a discussão deixasse de depender de impressões isoladas. Quando a consulta estruturada começou, havia um corpo de referências compartilhadas e um mapa mais claro do que estava em disputa.

Delphi: convergência entre especialistas, sem atalho retórico

Para transformar a diversidade de opiniões em prioridades comparáveis, o estudo adotou o método Delphi, técnica criada na RAND Corporation, na década de 1950, e utilizada em contextos de alta complexidade para construir convergências entre especialistas por meio de rodadas iterativas, anônimas e estruturadas.

Na prática, o Delphi permite que cada participante responda sem a pressão do grupo; em seguida, receba uma síntese consolidada do conjunto e possa ajustar sua posição em novas rodadas. O objetivo não é uniformizar visões à força, mas produzir uma convergência mais informada, tornando explícitos os pontos de consenso e as divergências relevantes.

“Para a nossa surpresa, já na primeira rodada do estudo o índice de consensos foi muito

O engenheiro

O objetivo não é uniformizar visões à força, mas produzir uma convergência mais informada, tornando explícito os pontos de consenso e as divergências relevantes

Turma da expedição experimenta pinturas tradicionais indígenas no rosto feitas pela neta do Tuchaua Waldemir (ao centro)
Turma da expedição em visita ao IDESAM do Projeto Carbono Neutro e do Programa Prioritário de Bioeconomia
Arquivo
Expedição Amazônia
Arquivo
Expedição Amazônia
Marcelo
Justo

Bastidores do GT

O estudo produzido pelo GT tem 117 páginas e consolida todo o trabalho feito pelo Comitê de Líderes, que produziu mais de 2.300 respostas e 143 comentários sobre bioeconomia, trazendo reflexões com múltiplos pontos de vista

Acesse o documento "Uma base de conhecimento para a estratégia nacional de bioeconomias"

elevado, tanto pela qualidade e conhecimento do comitê de líderes, quanto pelo conteúdo das questões elaboradas pelo GT com base nos eventos e no estudo bibliográfico sobre bioeconomia no Brasil e no mundo. O passo seguinte foi levar para as rodadas de questionamentos uma elaboração sobre quais deveriam ser as prioridades relacionadas à bioeconomia”, explica Paulus.

O estudo e seus autores

O relatório resultante, intitulado “Uma base de conhecimento para a estratégia nacional de bioeconomia”, foi assinado por cinco autores: Carlos Nobre; Eduardo Lafraia, presidente do IE entre 2017 e 2020; George Paulus; Cristina Lopes, da PUC-Rio; e Mario Ernesto Humberg.

Nobre também integrou o comitê de lideranças consultadas no estudo. Para ele, o ponto de partida é tratar a biodiversidade como

Vivência sobre a exploração do látex e a árvore seringueira

base concreta de inovação, com critérios de uso inteligente e preservação.

“A biodiversidade é fonte enorme de recursos e riquezas que precisa ser preservada e usada com inteligência. Apenas na Amazônia são 250 tipos de frutas e 350 tipos de óleos vegetais”, diz Carlos Nobre.

A professora Cristina Lopes, coautora do relatório, afirmou que trata-se de uma obra abrangente e precisa, que aborda temas importantes sobre a bioeconomia no Brasil.

“Ao identificar prioridades, objetivos estratégicos, o arcabouço regulatório e institucional, além dos desafios e das capacidades necessárias ao desenvolvimento da bioeconomia no Brasil, o trabalho do GT foi essencial para a construção do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, reforçando a necessidade de um modelo de desenvolvimento que enfrente a pobreza e reduza impactos ambientais”, disse Cristina, do curso de especialização em direito ambiental brasileiro da PUC-Rio.

O estudo produzido pelo GT tem 117 páginas e consolida todo o trabalho feito pelo Comitê de Líderes, que produziu mais de 2.300 respostas e 143 comentários sobre bioeconomia, trazendo reflexões com múltiplos pontos de vista.

Essa visão abrangente do estudo, sustentada por uma base de conhecimento até então inédita, reflete também a própria composição do GT, que reuniu renomados cientistas, pesquisadores, profissionais com experiência no setor governamental, lideranças empresariais, empreendedores sociais, representantes de organizações não governamentais e uma liderança indígena, além de especialistas com atuação em instituições financeiras e de fomento.

Do Instituto ao debate nacional

Ao longo do desenvolvimento do GT, o governo federal intensificou os processos de elaboração do PNDBio (Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia), em um contexto de crescente atenção internacional

O escritor e palestrante Mario Ernesto Humberg

O engenheiro

Felipe Cabral

ao Brasil, com a COP30 como horizonte político e diplomático.

Nesse ambiente, o estudo do GT ganhou

A professora Cristina Lopes da PUC-Rio

Bastidores do GT

Eduardo Lafraia (2003-2004 / 2005-2006 / 2017-2018 / 2019-2020)

Durante a última gestão do presidente Eduardo Lafraia, o engenheiro Carlos Nobre recebeu o prêmio de Engenheiro do Ano e lançou o desafio que deu origem ao estudo sobre bioeconomia. Lafraia foi um dos principais defensores do projeto e participou ativamente de todas as

fases de seu desenvolvimento. Com o engajamento do Instituto de Engenharia, o tema bioeconomia passou a ganhar destaque em diferentes frentes do planejamento do governo.

“A bioeconomia deixou de ser um assunto periférico e passou a ser encarada como um tema estratégico, que merecia um espaço próprio de articulação, produção e entrega.”

Paulo Ferreira (2021 a 2022)

O presidente Paulo Ferreira foi o responsável pela criação do Grupo de Trabalho Nacional de Bioeconomia, ligado diretamente à presidência do Instituto, e desenvolveu protocolos novos para montar um projeto profissional e de credibilidade, capaz de

produzir um conteúdo técnico e analítico compatível com a relevância do Instituto de Engenharia. Em 2021 e 2022, foram 47 intervenções de especialistas em dezenas de eventos sobre bioeconomia promovidos pelo Instituto de Engenharia.

“O tema bioeconomia é cheio de desafios, e o Instituto de Engenharia fez uma contribuição valiosa para que o Brasil se torne protagonista no assunto.”

José Eduardo Jardim (2023 – atual)

Com a publicação do documento “Uma base de conhecimento para a estratégia nacional de bioeconomias’’ na gestão do presidente José Eduardo Jardim, o Instituto de Engenharia se qualificou como uma das entidades brasileiras com relevância no tema.

“O GT mostrou que o Instituto consegue produzir entrega relevante, com método, consistência e capacidade de dialogar com a agenda pública. Mas, para replicar de verdade, precisamos transformar a experiência em capacidade institucional: documentação, processo, transição entre gestões, responsabilidades claras e uma forma de ‘guardar’ e reaproveitar o aprendizado. Em outras palavras, o desafio agora é fazer com que esse tipo de iniciativa deixe de depender de esforço excepcional e passe a ser uma competência natural do Instituto.”

circulação e interlocução. “O estudo do GT foi amplamente divulgado à sociedade e apresentado para 17 ministérios do governo, mostrando que são necessários projetos de inovação e tecnologia em múltiplas frentes e um novo modelo de desenvolvimento, capaz de combater a pobreza e reduzir impactos ambientais negativos”, afirma Paulus.

A construção foi sustentada por milhares de horas de trabalho coletivo, em grande parte voluntário, com apoio de equipe técnica mobilizada pelo Instituto. O resultado final, além do relatório, foi um aprendizado de método: quando o Instituto combina formação pública, curadoria técnica e consulta estruturada, ele consegue produzir sínteses úteis para orientar decisões alinhadas ao interesse nacional, um caminho replicável para outros temas estratégicos do país.

De acordo com o presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim, o GT de Bioeconomia vai continuar promovendo grandes avanços em 2026 dentro e fora da instituição.

“Para 2026, o GT trabalha para estruturar uma pesquisa com estudantes de enge -

O GT de Bioeconomia vai continuar promovendo grandes avanços em 2026 dentro e fora da instituição

nharia sobre bioeconomia, com um desenho que não seja apenas 'levantamento de opinião', mas também um instrumento socioeducativo. A ideia é oferecer material de base (inclusive conteúdos já organizados em formato digital) e, ao mesmo tempo, medir entendimento, percepções e interesse dos estudantes, ajudando a aproximar o tema do universo da engenharia. Naturalmente, um projeto assim exige arranjo de execução, apoio e parceria, e estamos buscando o melhor caminho institucional para viabilizá-lo”, disse o presidente.

Turma da expedição escuta o Tuchaua Waldemir, contando sua história de vida e como conseguiu organizar a tribo em uma comunidade
Arquivo
Expedição Amazônia

#Formação #MercadoDeTrabalho #Carreira #EnsinoSuperior

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 27 MINUTOS

Por que o Brasil forma engenheiros para outros setores?

OSÃO 40 MIL PROFISSIONAIS FORMADOS POR ANO E UM DÉFICIT DE 75 MIL ENGENHEIROS NO MERCADO; A CONSTRUÇÃO CIVIL

É A QUE MAIS PERDE TALENTOS PARA OUTRAS ÁREAS

• Por Julio Costa Barros

discurso de que o Brasil enfrenta um “apagão de engenheiros” se tornou recorrente entre empresários da construção civil, dirigentes industriais e formuladores de políticas públicas. A queixa é conhecida: faltam profissionais qualificados para sustentar projetos de infraestrutura, a retomada da indústria e a expansão de setores intensivos em tecnologia. Porém, quando se cruzam os dados oficiais do ensino superior com a realidade do mercado de trabalho e se ouvem os responsáveis pela formação desses profissionais, o diagnóstico se revela mais profundo, menos homogêneo e essencialmente estrutural.

Os números ajudam a dimensionar o paradoxo. O Censo da Educação Superior 2024, divulgado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), mostra que o Brasil superou a marca de dez milhões de estudantes matriculados no ensino superior. Ainda assim, as áreas de engenharia, produção e construção perderam fôlego ao longo da última década. Entre 2014 e 2024, foram extintas 114.253 vagas desses

cursos de graduação, com queda da oferta total de 469.388 para 355.135 vagas.

O Mapa do Ensino Superior no Brasil 2025, elaborado pelo Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior) com base em dados mais recentes do Inep, mostra que a retração foi mais intensa na rede pública, com redução de 2,7% entre 2022 e 2023. A rede privada se manteve estável, com ligeira queda de 0,2%.

Quando lançamos o olhar para o setor produtivo, a problemática da mão de obra escassa aparece sob outra ótica. Estimativas da CNI (Confederação Nacional da Indústria) indicam um déficit próximo de 75 mil engenheiros no mercado de trabalho. O MEC (Ministério da Educação) estima que o país forme cerca de 40 mil profissionais por ano, número considerado insuficiente para atender à demanda potencial.

Comparações internacionais reforçam o argumento: dados da Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) mostram que economias como China e Rússia diplomam anualmente, em conjunto, mais de 450 mil engenheiros.

Cláudia Morgado, diretora da Escola Politécnica da UFRJ

Essa leitura estritamente quantitativa, no entanto, vem sendo contestada por dirigentes acadêmicos. Cláudia Morgado, diretora da Escola Politécnica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), diz que o problema é sistêmico e vai além da falta de vagas ou da evasão escolar. “É preciso um projeto de Estado de contínuo desenvolvimento de infraestrutura e da indústria; afinal, maiores demandas de profissionais qualificados levam ao aumento do interesse dos jovens em direcionar sua formação para essa área.”

Necessidade de uma carreira atrativa

“Há um enfraquecimento do ensino de matemática e ciências no ensino básico, mas, principalmente, uma desvalorização da carreira de engenharia”, analisa a engenheira. Cláudia é a primeira mulher a dirigir a Escola Politécnica da UFRJ em 233 anos de existência da instituição, o que demonstra também um recorte de gênero importante que atravessa a profissão.

Em muitos casos, prossegue a professora, funções típicas da engenharia são remuneradas abaixo do piso profissional legal, inclusive no setor público, o que contribui para a migração de recém-formados para áreas como finanças e tecnologia da informação.

Essa percepção converge com a análise de Antonio Carlos Seabra, professor titular da Poli/USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo). Para o doutor em engenharia elétrica, o debate sobre déficit ignora a ausência de estatísticas consolidadas sobre empre-

gabilidade entre os profissionais da categoria.

“Normalmente, são citadas estatísticas do setor industrial, sem considerar outros segmentos. Fato é que não dispomos de uma estatística pública oficial que registre o número de engenheiros desempregados, o que fragiliza qualquer balanço de demanda”, pondera o docente.

Dados do Minicenso Confea 2024, cita Seabra, indicam que entre 8% e 9% dos engenheiros estão desempregados. Esse percentual é superior à taxa média nacional medida pela PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O professor, por sua vez, relativiza a ideia de escassez absoluta e desloca a pergunta central do debate. “Faltam engenheiros formados ou faltam engenheiros qualificados? Qual é o papel do mercado nesse hiato?”, ressalta o educador, que também preside a Comissão do Ciclo Básico da Poli/USP.

Dados do Minicenso Confea 2024, cita Seabra, indicam que entre 8% e 9% dos engenheiros estão desempregados

Antonio Carlos Seabra, professor titular da Poli/USP

Experiências diversas na academia

Na Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de acordo com a avaliação de Nelson Carvalho Maestrelli, doutor em engenharia de produção e professor da instituição, a crise não se manifesta de forma homogênea.

Desde 2023, foi observado um crescimento contínuo da demanda de vestibulandos pelos cursos de engenharia, com aumento de cerca de 30% nas inscrições para o processo seletivo e ocupação plena das vagas ofertadas pela universidade paulistana. “O mercado aponta para uma tendência de queda de interesse, mas aqui vivemos uma situação diferente”, conta o docente.

Cenário semelhante experimenta a Escola de Engenharia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), uma das instituições mais bem avaliadas do país. De acordo com Carmela Maria Polito Braga, professora titular do Departamento de Engenharia Eletrônica, a instituição estatal não só manteve as vagas nos cursos oferecidas nos ciclos anteriores, como também criou dois novos cursos: engenharia de materiais (40 vagas anuais) e engenharia de computação (80 vagas anuais),

Pelo novo Marco

Regulatório da Educação a Distância, a legislação exige que cursos de engenharia tenham, obrigatoriamente, um mínimo de 40% da carga horária total cumprida de forma presencial

Nelson Carvalho

Maestrelli, doutor em engenharia de produção e professor da Universidade

Presbiteriana Mackenzie

passando a oferecer 1.090 cadeiras em 13 modalidades diferentes de engenharia.

Carmela reconhece que a UFMG é uma referência nacional e avalia que esse cenário é um paradoxo que se opõe à alta demanda do mercado por esses profissionais e gera preocupação. “Há uma percepção de alta procura por parte dos candidatos para cursos de engenharia, mas as pesquisas indicam uma queda acentuada nas matrículas e no interesse pela carreira”, explica a docente.

Para a pesquisadora, existem alguns movimentos acontecendo, como a iniciativa privada concentrando a oferta de cursos de engenharia em alguns campi e não em todos, provavelmente visando a otimização de recursos de alto custo. “É um cenário complexo”, avalia.

Segundo a professora, uma regulação mais criteriosa do MEC quanto à qualidade dos cursos, a exemplo da proibição de novos programas de engenharia 100% remotos, são ações importantes para defender uma formação de qualidade. Carmela cita que, pelo novo Marco Regulatório da Educação a Distância, a legislação exige que cursos de engenharia tenham, obrigatoriamente, um mínimo de 40% da carga horária total cumprida de forma presencial.

Além dos 40% presenciais, outros 20% da carga horária devem ser realizados presencialmente ou por meio de atividades síncronas mediadas por tecnologia (aulas online em tempo real). Se isso se reflete na diminuição da oferta de vagas, por outro lado, é impor-

Carmela Maria

Polito Braga, professora titular do Departamento de Engenharia Eletrônica da UFMG

tante para que a formação dos profissionais tenha a qualidade mínima necessária.

A docente explica que os cursos de engenharia demandam revisões curriculares e metodológicas frequentes e uma estrutura flexível para que novos conteúdos possam ser ofertados de alguma forma até que uma atualização do currículo possa ser feita. Além disso, pedem investimentos constantes em bons laboratórios e atividades práticas que viabilizem uma compreensão de conceitos e tecnologias, sem contar os trabalhos aplicados orientados.

Para Maestrelli, professor do Mackenzie, cuja Escola de Engenharia fundada em 1896 é mais disputada que a USP, uma combinação de fatores tem desestimulado os jovens a seguir a carreira. Entre eles, estão o enfraquecimento da indústria brasileira, os salários pouco atrativos para uma profissão que exige elevada qualificação técnica e um ambiente que permite a atuação de profissionais não habilitados em diversos setores.

“Remunerações abaixo daquelas praticadas em outros países e outras ocupações, falta de fiscalização efetiva para garantir o pagamento do piso da categoria e o uso de cargos genéricos como ‘analistas’ ou ‘planejadores’ reduzem o interesse pela profissão”, acrescenta Maestrelli. Nesse contexto, a migração de engenheiros para setores como o financeiro e o de tecnologia aparece menos como uma distorção e mais como escolha racional.

O professor Seabra concorda e vai além: “a chamada ‘lei de mercado’ pode ser medida

quando analisamos a remuneração oferecida aos estudantes da Poli/USP que já são estagiários. Se considerarmos o valor médio pago pela indústria, observamos que, em bancos, a remuneração média é cerca de 1,4 vez maior; em corretoras, mais de duas vezes maior; e no comércio, aproximadamente 1,2 vez maior. A ‘lei do mercado’, ou da oferta e da procura, indica claramente para onde tendem a migrar os engenheiros graduados”, revela.

A professora Carmela, da UFMG, acrescenta ao debate um aspecto que considera importante, mas que, segundo ela, as empresas nem sempre consideram tanto assim. “Há um bom tempo inúmeras companhias de engenharia e setores produtivos contratam engenheiros como analistas”, alerta a profissional.

“Oferecem aos profissionais uma longa carreira como analistas para, depois de um bom tempo, às vezes, contratá-los como engenheiros. Com salários iniciais muito baixos, sem muitos incentivos, carreiras com progressões demoradas para uma responsabilidade grande, eles acabam optando por trabalhar em outras áreas que demandam e valorizam as competências de engenheiros, oferecendo melhores salários, condições de trabalho e carreira”, conclui.

Gargalo incômodo

Outro nó estrutural é a evasão escolar registrada nas instituições de ensino superior, sejam privadas ou estatais. Entre 2014 e 2021, o Brasil perdeu cerca de 150 mil estudantes matriculados em cursos de engenharia, segundo aponta levantamento mais recente da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Currículos densos, deficiências na formação básica dos alunos, falta de suporte financeiro e pouco alinhamento entre teoria e prática ajudam a explicar taxas nacionais próximas de 60%, sobretudo no ensino privado. Instituições que investem em laboratórios, proje-

Educação

tos aplicados e apoio acadêmico tendem a reduzir significativamente esse índice.

Na opinião de Maestrelli, o gargalo começa antes da universidade. O docente concorda com a professora Cláudia Morgado, da UFRJ, e amplia o debate ao analisar o cenário. “A valorização do ensino básico é o ponto de partida. A fragilidade na formação dos nossos estudantes em ciências exatas compromete tanto o ingresso quanto o desempenho dos futuros universitários. No ensino superior,

Como o sistema está reagindo ao apagão

Enquanto dados oficiais confirmam a retração da formação em engenharia e o setor produtivo aponta déficit de profissionais, órgãos reguladores e instituições públicas de ensino buscam respostas práticas para conter o esvaziamento da carreira.

Para a presidente do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo) e engenheira civil Lígia Mackey, a queda de vagas e o desinteresse progressivo dos jovens exigem mais do que diagnósticos estatísticos. “Vemos esse movimento com enorme preocupação”, afirma a executiva do órgão regulador da profissão. Segundo o conselho, cursos como engenharia civil acumulam retração próxima de 30% desde 2017.

A resposta tem passado por ações de engajamento direto. Campanhas como “A Engenharia Tá On”, voltadas a jovens de 16 a 24 anos, procuram atualizar a imagem da profissão e mostrar a diversidade de áreas de atuação possíveis.

Também foi citada pela executiva do Crea-SP a realização de programas, como Estágio Visita, CreaDay e o

o problema se agrava quando currículos permanecem presos a modelos pedagógicos pouco conectados à prática profissional contemporânea”, completa o educador do Mackenzie.

Questionado sobre a migração de engenheiros para outros setores, Maestrelli relativiza a ideia de que se trata de um fenômeno a ser combatido. Segundo ele, a resposta passa por uma adaptação que envolve maior aproximação entre instituições de ensino superior

Encontro Crea-SP Jovem, que visam reduzir a distância entre formação acadêmica e mercado de trabalho, apostando em linguagem contemporânea e aproximação com a economia digital.

No âmbito nacional, o Confea também reconhece que o problema vai além da quantidade de diplomados. Para o presidente Vinicius Marchese, o foco precisa estar na qualidade da formação e, sobretudo, na inserção profissional. “É preciso trazer o jovem engenheiro para o sistema formal, estimular o registro profissional e ampliar sua visibilidade no mercado regulamentado”, afirma.

Dados do Minicenso Confea 2024 indicam que uma parcela significativa dos engenheiros registrados atua efetivamente em sua área, especialmente na construção civil e no agronegócio, o que relativiza a ideia de abandono generalizado da profissão.

Mesmo assim, aponta o Confea, a migração de recém-formados para setores como finanças e tecnologia segue como um desafio impulsionado por salários mais altos e trajetórias de carreira percebidas como mais rápidas.

Já no campo da formação pública, o movimento recente do CPS (Centro Paula Souza) chama a atenção. Responsável pelas Fatecs (Faculdades de Tecnologia Estaduais), a instituição pública estadual lançou, de forma piloto, seus primeiros cursos gratuitos de engenharia — civil, mecânica e de produção — a partir de 2026, ofertando inicialmente 75 vagas.

O professor e diretor do Departamento Acadêmico Pe-

e organizações produtivas, projetos conjuntos, inserção precoce dos alunos no mercado e valorização de competências técnicas e socioemocionais.

Em outras palavras, o debate extrapola o ambiente acadêmico. Sem uma política industrial consistente e uma política educacional orientada à qualidade, o ciclo tende a se repetir. Maestrelli lembra que apenas cerca de 24% dos jovens que concluem o ensino médio ingressam no ensino superior e que

estudos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) indicam que aproximadamente 36% dos jovens brasileiros não estudam nem trabalham.

O MEC informa que acompanha atentamente a evolução da oferta, das matrículas e da

dagógico do CPS, André Luiz Braun Galvão, a autarquia do governo de São Paulo vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação foi cautelosa ao levantar a possibilidade de implantar graduações em engenharia.

“O planejamento para a implantação dos cursos resultou de estudos institucionais e foi discutido formalmente com o governo estadual e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação. Após essas discussões, foi verificada, em 2025, após realizarmos análises de demanda, a vocação regional das unidades que receberiam os novos cursos de graduação”, explica Braun.

A elevada concorrência registrada no vestibular 2026 das Fatecs, especialmente para o curso de engenharia civil da capital, cuja concorrência ultrapassou 50 candidatos por vaga, indica que o interesse dos jovens pela carreira persiste, ainda que de forma seletiva. Para o CPS, o desafio não é apenas formar mais engenheiros, mas garantir qualidade, integração curricular e conexão efetiva com o mundo do trabalho.

O conjunto dessas iniciativas revela um ponto-chave do debate: o apagão de engenheiros não se resolve apenas com mais vagas, mas com articulação entre educação básica, ensino superior, conselhos profissionais e mercado produtivo.

Sem a valorização da carreira e um projeto claro de desenvolvimento econômico, a engenharia continuará formando talentos, ainda que muitos deles encontrem futuro fora do setor que os formou.

Pedagógico do CPS

Lígia Mackey, engenheira civil, presidente do Crea-SP

Vinicius Marchese, engenheiro de Telecomunicações e presidente do Confea

André Luiz Braun Galvão é diretor do Departamento Acadêmico

Educação

O problema não está apenas na quantidade de profissionais formados, mas na capacidade do país de absorvê-los, valorizá-los e oferecer trajetórias compatíveis com sua formação

“A academia tem o desafio de pensar e experimentar novas formas de trabalhar as disciplinas do curso de engenharia. O perfil dos estudantes muda rapidamente de um ano para o outro. São observadas diferenças de comportamento e estilo em intervalos cada vez menores, mas minha percepção é que os universitários estão interessados em aprender e crescer e buscam motivação, como sempre. Precisamos, como educadores, conseguir pensar e experimentar formas de motivá-los, o que muitas vezes exige outras abordagens para os mesmos conteúdos com as novas gerações.”

Doutora em engenharia elétrica, Carmela Maria Polito Braga é professora titular do Departamento de Engenharia Eletrônica da Escola de Engenharia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais)

formação nas áreas de engenharia. Citando o Censo da Educação Superior 2024, reconhece que o levantamento do Inep indica que, ao longo da última década, houve variações no número de ingressantes e de formandos devido a uma série de fatores.

No entanto, o ministério reforça que estimula  “a criação de cursos e vagas para que mais pessoas acessem a graduação” e atribui a decisões autônomas das instituições (públicas e privadas) de ensino superior o fato de terem sido registradas oscilações na oferta de vagas para a carreira de engenharia.

O MEC reafirma seu compromisso de atuar de “forma articulada com outros órgãos do Brasil e com as instituições federais de ensino superior no fortalecimento da educação su-

“Não se trata de mudar a situação, mas de se adaptar ao novo cenário. Organizações produtivas e academia devem caminhar juntas no projeto de novos cursos, sintonizados às necessidades de formação profissional que o mercado demanda. Parcerias para realização de projetos em conjunto, pesquisas orientadas para a solução de problemas reais e formação de alunos adequadamente preparados e inseridos ao mercado antes mesmo de sua formação completa são algumas das ações necessárias para alterar a situação atual.”

Doutor em engenharia de produção, Nelson Carvalho Maestrelli é bacharel em engenharia mecânica e professor titular da Escola de Engenharia na Universidade Presbiteriana Mackenzie

perior pública, na promoção da permanência estudantil, na atualização das diretrizes curriculares e na aproximação entre academia e mercado, voltada ao ensino, à pesquisa, à extensão e à inovação”.

A convergência entre dados oficiais e análises acadêmicas desmonta a narrativa simplista do “apagão de engenheiros”. O problema não está apenas na quantidade de profissionais formados, mas na capacidade do país de absorvê-los, valorizá-los e oferecer trajetórias compatíveis com sua formação. Mais do que formar engenheiros, o desafio brasileiro é tornar a engenharia uma escolha economicamente racional, socialmente valorizada e sustentada por um projeto claro de desenvolvimento produtivo.

“O Centro Paula Souza acompanha com atenção os diagnósticos que apontam a escassez de engenheiros em áreas como construção civil, infraestrutura, indústria e setores tecnológicos. Nesse contexto, o principal desafio não é apenas formar mais profissionais, mas formar engenheiros com sólida base científica, competência técnica, visão sistêmica e capacidade de adaptação a um cenário produtivo cada vez mais dinâmico, digital e orientado por inovação, sustentabilidade e segurança.”

Professor André Luiz Braun Galvão é diretor do Departamento Acadêmico Pedagógico do CPS (Centro Paula Souza), autarquia do governo de São Paulo vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação responsável pela administração das Fatecs (Faculdades de Tecnologia Estaduais)

“A atual geração, por diversos motivos, chega à universidade com déficit de preceitos e habilidades socioemocionais. Trata-se de uma epidemia mundial que interfere no desempenho acadêmico dos estudantes. Pensando nessa situação, a UFRJ criou o bem-sucedido Centro de Acolhimento e Suporte Acadêmico, que oferece apoio emocional aos alunos em terapias breves de dez semanas. Contamos com três pesquisadoras do Instituto de Psicologia da UFRJ e bolsistas de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, que organizam os atendimentos e estudam as situações.”

Doutora Cláudia Morgado é professora e pesquisadora de engenharia civil e segurança do trabalho, além de diretora da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A educadora é membro titular da Comissão de Educação e Atribuições Profissionais do Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro)

“Na USP, houve uma ampliação de 10% do quadro docente na última gestão reitoral, resultando em uma relação estudante/docente em torno de 13:1. E, para acompanhar as constantes mudanças tecnológicas e as transformações culturais das novas gerações, a estratégia adotada pela direção da Poli/USP tem sido renovar sua estrutura curricular por meio de modelos inovadores, como a fusão de disciplinas tradicionais como cálculo, física e álgebra linear, criando um único módulo denominado Fundamentos científicos para a engenharia. Assim, para cada curso, os docentes dessas áreas atuam em conjunto com um docente da engenharia, estruturando a sequência de conteúdos e correlacionandoos com problemas reais de engenharia.”

Doutor Antonio Carlos Seabra é professor titular de engenharia elétrica e presidente da Comissão do Ciclo Básico da Poli/USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo)

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 4 MINUTOS

O prazo de garantia na empreitada e as propostas de aprimoramento do Código Civil

Oprazo de garantia em empreitada é um dos temas centrais da responsabilidade civil na área da construção.

O Código Civil brasileiro, em seu artigo 618, estabelece que o empreiteiro responde pela solidez e segurança da obra por um prazo de cinco anos, desde que tenha fornecido os materiais e executado a construção. No entanto, a rigidez dessa norma e a falta de detalhamento sobre aspectos técnicos têm gerado controvérsias e insegurança jurídica, o que motivou discussões sobre possíveis aprimoramentos no projeto de reforma do Código Civil.

A legislação vigente não diferencia a complexidade das obras nem os diferentes tipos de defeitos que podem surgir ao longo do tempo. Essa generalização impõe um mesmo prazo de garantia para empreendimentos de pequeno ou grande porte, sem considerar a variabilidade dos materiais, das técnicas construtivas e dos impactos ambientais. Além disso, o Código Civil não prevê expressamente critérios para a contagem do prazo, gerando dúvidas sobre se o período de cinco anos se inicia a partir da entrega da obra, do recebimento definitivo ou da efetiva ocupação pelo proprietário. Essa lacuna jurídica tem levado a entendimentos divergentes nos tribunais e pode resultar na perda do direito de reparação por prazos mal interpretados, comprometendo tanto a segurança dos consumidores quanto a previsibilidade jurídica para as empresas do setor.

A reforma do Código Civil propõe mudanças que buscam equilibrar a proteção dos

consumidores com a segurança jurídica dos construtores e engenheiros. Entre as principais propostas, destacam-se a diferenciação de prazos, a definição técnica dos defeitos, critérios claros para a contagem do prazo, a responsabilidade compartilhada e o incentivo à manutenção preventiva. A adoção de prazos distintos de garantia levaria em conta a natureza da obra e os tipos de defeitos, sendo que defeitos estruturais continuariam sob um regime mais rigoroso, enquanto falhas não estruturais poderiam ter prazos diferenciados, compatíveis com a vida útil esperada dos materiais empregados.

Além disso, o projeto de reforma propõe especificar os tipos de vícios e as falhas cobertos pela garantia, separando problemas estruturais daqueles relacionados ao acabamento, às instalações elétricas e hidráulicas e aos revestimentos. Essa medida evitaria litígios desnecessários e daria maior previsibilidade às construtoras e aos consumidores, permitindo que as partes envolvidas na construção tenham uma visão mais clara de suas obrigações e responsabilidades.

Outro ponto de destaque na proposta de reforma é a fixação expressa do momento em que o prazo de garantia começa a ser contado. Atualmente, há divergências sobre se esse prazo se inicia com a entrega da obra, a emissão do habite-se, o recebimento definitivo pelo contratante ou a ocupação efetiva do imóvel. A proposta sugere estabelecer expressamente que o prazo de garantia se inicia com o recebimento definitivo da obra, eliminando

dúvidas sobre diferentes marcos temporais e impedindo que a interpretação subjetiva leve a conflitos judiciais desnecessários.

Além disso, a reforma busca incluir disposições que esclareçam a responsabilidade de projetistas, engenheiros e fornecedores de materiais, determinando que falhas decorrentes de erros de projeto ou de materiais defeituosos não sejam atribuídas exclusivamente ao empreiteiro. Essa responsabilização mais detalhada garantiria uma divisão mais justa das obrigações na área da construção civil. Ainda, a proposta prevê a criação de diretrizes para a manutenção periódica das edificações, estabelecendo obrigações para os proprietários e condôminos, de modo que o descumprimento das manutenções preventivas possa mitigar ou excluir a responsabilidade do construtor em casos específicos. Essa mudança é essencial para evitar que defeitos decorrentes da falta de conservação sejam imputados erroneamente às construtoras, protegendo o setor de demandas indevidas e incentivando a adoção de boas práticas de manutenção.

Caso aprovada, essa mudança trará impactos diretos para engenheiros e construtores, exigindo um aprimoramento na documentação técnica, nos contratos e nas práticas de fiscalização. A necessidade de uma diferenciação de prazos implicará revisões nos termos de garantia, reforçando a importância de relatórios técnicos detalhados e de um acompanhamento mais rigoroso da obra, desde sua concepção até a entrega final. A definição clara dos defeitos e a inclusão de diretrizes sobre manutenção também favorecerão a segurança jurídica da área, prevenindo demandas judiciais indevidas e permitindo uma distribuição mais justa das responsabilidades. Além disso, a proposta traz implicações relevantes para as seguradoras e empresas responsáveis por garantias contratuais no setor da construção. O estabelecimento de prazos diferenciados poderá impactar diretamente os contratos de seguro e de garantias esten-

didas, exigindo uma reavaliação dos riscos cobertos e dos valores envolvidos. Isso exigirá um trabalho conjunto entre engenheiros, construtores e juristas, a fim de garantir que as novas regras sejam compreendidas e aplicadas de forma eficaz, reduzindo a possibilidade de disputas e ampliando a segurança do setor.

O aprimoramento do prazo de garantia na empreitada é essencial para equilibrar a proteção do consumidor e a previsibilidade para os profissionais da engenharia. As propostas de reforma do Código Civil visam trazer maior clareza e justiça, promovendo segurança jurídica e incentivando boas práticas construtivas. Engenheiros e construtoras devem acompanhar atentamente essas mudanças para se adaptar e garantir a conformidade com as novas diretrizes legais. A adoção de um sistema mais equilibrado e transparente fortalecerá a área da construção civil, garantindo que todas as partes envolvidas tenham maior segurança jurídica e previsibilidade na execução e entrega das obras.

*Raul Iberê Malagò é articulista da Revista Engenharia, advogado, arquiteto e urbanista.

Instituto de Engenharia

#Conhecimento #Aprendizagem #Inovação #IndústriaAutomobilística #CapitalIntelectual #Organizacional TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 35 MINUTOS

Desafios e estratégias inovadoras na implantação de linhas de transmissão em ecossistemas de manguezal: um estudo de caso na Baixada Santista, Guarujá – SP, Lote “C” do Leilão Aneel nº 01/2014

• Por Márcia Kodaira Cruz e Juliano Tristão da Costa*

Acrescente demanda por energia elétrica no litoral paulista impõe desafios significativos para a expansão da infraestrutura de transmissão, especialmente em áreas de alta sensibilidade ambiental, como os manguezais da Baixada Santista.

Este artigo técnico explora as complexidades e as soluções logísticas e construtivas adotadas para a implantação de trechos específicos das LTs (Linhas de Transmissão) 138 kV Vicente de Carvalho – Domenico Rangoni C1 e C2, das LT 138 kV Domenico Rangoni –Bertioga II C1/C2 e dos seccionamentos da LT 345 kV Tijuco Preto – Baixada Santista C3 para a SE (subestação) Domenico Rangoni, parte do Lote “C” do Leilão Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) nº 01/2014. O foco recai sobre as torres localizadas em UCs (Unidades de Conservação Ambiental) no município de Guarujá (SP). Detalha-se a metodologia focada na otimização do processo construtivo, com ênfase no planejamento estratégico, conciliando custo financeiro, logística de materiais, mão de obra e soluções de engenharia aplicadas a uma atuação dentro de uma unidade de conservação ambiental. São discutidas estratégias como a implantação de canteiro com suporte a operações aé-

reas; construção de plataformas de madeira para operação de bate-estacas, modulação de equipamentos, como bate-estacas, para permitir o transporte aéreo, além do concreto e das estruturas metálicas. Adicionalmente, realiza-se um paralelo com métodos construtivos convencionais em manguezais, destacando os custos ambientais associados à dragagem e ao alargamento de canais, além dos benefícios das logísticas aéreas e fluviais propostas.

INTRODUÇÃO

A expansão do sistema de transmissão de energia elétrica é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico e para garantir a confiabilidade do suprimento energético. No litoral paulista, essa expansão frequentemente encontra obstáculos em UCs e ecossiste-

mas frágeis, como os manguezais. Este artigo técnico foca nos desafios e nas soluções de engenharia para a implantação de trechos das LTs 138 kV Vicente de Carvalho – Domenico Rangoni C1 e C2, das LT 138 kV Domenico Rangoni – Bertioga II C1/C2 e dos seccionamentos da LT 345 kV Tijuco Preto – Baixada Santista C3 para a SE Domenico Rangoni. Esse empreendimento, referenciado pela Aneel como parte do Lote “C” do edital do Leilão nº 01/2014, apresenta particularidades significativas ao atravessar UCs e extensos manguezais no município de Guarujá, na Baixada Santista.

O estudo de caso detalha o planejamento estratégico e a metodologia construtiva de mínimo impacto ambiental adotada pela Alupar, empresa que detém a concessão da linha de transmissão, e pela TAC Power, empresa contratada para a execução e implantação de um conjunto específico de torres desses traçados, situadas em pleno ecossistema de manguezal. As torres objeto da análise e aplicação da metodologia especializada incluem, mas não se limitam a:

• LT 138 kV Vicente de Carvalho – Domenico Rangoni: torres 2/1, 2/2, 3/1, 3/2.

• LT 138 kV Domenico Rangoni – Bertioga II: torres 1/2, 1/1, 0/3, 0/2.

• LT 345 kV Tijuco Preto – Baixada Santista: torres 12/2, 13/1, 13/2, 17/1, 17/2.

A complexidade logística e as restrições ambientais aplicadas exigiram um planejamento meticuloso e a adoção de técnicas inovadoras, que são o cerne da discussão deste artigo, contrastando-as com abordagens convencionais mais impactantes.

O planejamento estratégico de toda a operação foi baseado em quatro pilares:

1. Transporte de cargas: transcorreu durante a obra de duas formas principais: aérea e com embarcações.

2. Gestão e implantação do processo produtivo Lean Construction: a adoção dos princípios de construção enxuta, aplicados

às operações aéreas, fluviais e à construção de plataformas, visou otimizar fluxos de trabalho, reduzir desperdícios, aumentar a produtividade e garantir a segurança e a qualidade em todas as fases do projeto.

3. Mão de obra qualificada: a execução das atividades exigiu profissionais especializados, treinados para operar sob condições logísticas adversas. A expertise dos colaboradores contribuiu diretamente para o cumprimento dos prazos e a redução de riscos operacionais.

4. Critérios adotados pela engenharia: limitação do peso máximo transportado, compatível com cada modalidade definida. Os gargalos serão explorados nos itens subsequentes.

CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA E DESAFIOS AMBIENTAIS E GEOTÉCNICOS

A área de intervenção do projeto, especificamente nos segmentos onde se localizam as

Estudo e planejamento estratégico

Planejamento da equipe de engenharia

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VEGETAÇÃO REMANESCENTE DE MATA ATLÂNTICA (EM APAS)

Serra

PMMA (Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica) | Prefeitura Municipal de Guarujá

FRM (Restinga/Manguezal)

FODTB (Floresta ombrófila densa de terras baixas)

FODSM (Floresta ombrófila densa submontana)

BOH (Bosque heterogêneo)

APA Serra de Santo Amaro

APA Serra do Guararu

torres supracitadas, situa-se em uma extensa faixa de manguezal no município de Guarujá. Esse ecossistema é caracterizado por solos pouco resistentes, com baixa capacidade de suporte e sujeito à influência das marés. A vegetação de mangue é densa, e suas raízes (rizóforos) formam um emaranhado que estabiliza o sedimento, tornando qualquer intervenção terrestre extremamente danosa e complexa.

Os principais desafios incluem:

Acesso restrito: a impossibilidade de acesso terrestre por máquinas e equipamentos convencionais às locações das torres (e.g., 2/1, 1/1, 13/2 etc.), sem causar supressão vegetal significativa, inviabiliza a construção de estivas e extensos aterros.

Fragilidade do ecossistema: qualquer alteração no fluxo hídrico, remoção de vegetação ou contaminação do solo/água pode ter consequências severas e duradouras para o manguezal.

Condições geotécnicas adversas: solos orgânicos e argilosos moles exigem fundações profundas e robustas para as torres de transmissão.

Logística de materiais e pessoal: o transporte de grandes volumes de materiais (concreto, aço, estacas) e o deslocamento de equipes para os pontos de implantação das torres representam um obstáculo à execução.

Restrições legais e de licenciamento: a obra em UC, vinculada ao Lote “C” do Leilão Aneel nº 01/2014, demandou estudos ambientais aprofundados (EIA/RIMA), a obtenção de licenças específicas e o cumprimento de rigorosas condicionantes ambientais.

Metodologia para minimização de impactos ambientais

Visando superar os desafios na construção das torres identificadas e atender às exigências ambientais, a Alupar estabeleceu uma parceria com a TAC Power e desenvolveu um procedimento construtivo com o auxílio de transporte aéreo e fluvial.

Logística de pessoal

O transporte das equipes operacionais foi planejado considerando a utilização de embarcações de alta cilindrada. A logística foi estruturada para integrar o deslocamento terrestre e fluvial das equipes, bem como o transporte de pequenos volumes de materiais e equipamentos.

Foi adotado um píer existente nas proximidades da comunidade Monte Cabrão, em Guarujá, situado próximo à rodovia BR-101, Cônego Domenico Rangoni, o que permitiu a otimização do transporte terrestre até o ponto de embarque nas embarcações.

Mostra a delimitação da APA (Área de Proteção Ambiental)
de Santo Amaro. Fonte:

Essa escolha visou:

Agilidade: reduzir o tempo de deslocamento entre a base operacional e as frentes de serviço, otimizando o tempo disponível para a execução das atividades.

Menor impacto: evitar a construção de caminhos ou picadas dentro do manguezal para o trânsito de pessoas, que poderia causar compactação do solo e danos à vegetação.

Segurança: proporcionar um meio de transporte seguro e adequado às condições náuticas dos canais de navegação locais.

Redução de custo: embora houvesse a possibilidade de utilizar transporte aéreo

se mostra eficaz em áreas alagadas ou de difícil acesso terrestre, mantendo a produtividade da obra.

Logística aérea: o dimensionamento das cargas externas, com o objetivo de otimizar o consumo de combustível e a autonomia de voo da aeronave, foi a estratégia adotada, reduzindo os custos e o prazo de execução da obra. Cada acionamento da aeronave foi previamente calculado com base em critérios como autonomia de voo e ordenação das cargas, priorizando o transporte das mais pesadas ao fim do ciclo. Para a operação no canteiro, foi determinante a organização do layout, além do planejamento e da programação prévia das cargas a serem transportadas por via aérea. A disponibilidade de materiais e acessórios específicos para carga externa foi essencial para o sucesso da operação.

TRANSPORTE DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

LAYOUT: AS PRINCIPAIS APLICAÇÕES DA LOGÍSTICA AÉREA INCLUEM:

Bate-estacas modulado: o equipamento de cravação de estacas (bate-estacas) foi projetado e selecionado de forma a ser desmontado em módulos com peso individual inferior a 3.500 kg.

para acesso às frentes de serviço, optou-se pelo uso de embarcações como alternativa mais viável e econômica. O transporte fluvial

Ferramentas e geradores: outros equipamentos menores.

Transporte de materiais de aplicação: Estacas pré-moldadas de concreto;

Embarcação tipo trimarã, com capacidade para 24 passageiros
Embarcação de seis lugares
Canteiro de obras

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Concreto para fundações (em baldes);

Estruturas metálicas das torres.

Plataformas temporárias de trabalho em madeira: para a operação dos bate-estacas e outras atividades de fundação, foram construídas plataformas temporárias de madeira exatamente nos locais das futuras torres, transportadas e montadas por helicóptero e completamente removidas ao fim.

ESTRATÉGIA DE EXECUÇÃO DAS FUNDAÇÕES E MONTAGEM DAS TORRES

Locação topográfica: definição precisa dos locais das torres e das plataformas.

Transporte e montagem das plataformas de madeira: conforme descrito no item 3.3.

Transporte aéreo dos módulos do bate-estacas: os módulos são depositados sobre a plataforma e montados no local.

Transporte aéreo do módulo

Cravação das estacas pré-moldadas: as estacas são transportadas e posicionadas em feixes pelo helicóptero próximo ao bate-estacas.

Logística para ferragens e concreto: após a cravação das estacas e montagem das armaduras dos blocos, o concreto é transportado por via aérea em baldes e lançado.

Desmontagem do bate-estacas e plataforma: remoção dos equipamentos e da plataforma.

Transporte aéreo das torres: as ferragens das torres foram transportadas em feixes.

ANÁLISE COMPARATIVA COM MÉTODOS CONSTRUTIVOS

CONVENCIONAIS EM MANGUEZAIS

A alternativa à metodologia de baixo impacto, aqui detalhada, envolveria, de forma convencional, o uso de equipamentos e logística fluvial de grande porte, com consequências ambientais significativamente maiores.

Construção de plataforma provisória de madeira, tablado

Transporte aéreo de plataforma Área operacional da aeronave

Construção de plataforma provisória de madeira, vigas de sustentação
Modulação de bate-estaca

Modulação de bate-estaca

Transporte aéreo do módulo

Descrição do método convencional: essa abordagem tipicamente emprega balsas de grande porte para transportar guindastes pesados, bate-estacas não modulados, grandes

Concretagem com apoio aéreo

Concretagem com apoio aéreo

volumes de materiais (concreto, aço) e outros equipamentos até os locais de construção das torres dentro do manguezal.

Para permitir a navegabilidade e o posicionamento dessas balsas suportando guindastes nos canais naturais e rios que permeiam o mangue, intervenções diretas nos corpos hídricos são frequentemente necessárias.

Impactos ambientais associados ao método convencional: alargamento e aprofundamento (dragagem) de canais: a principal consequência é a necessidade de dragar os canais existentes para aumentar sua largura e profundidade, permitindo a passagem de balsas com calado e boca maiores.

Supressão da vegetação de mangue: o alargamento dos canais implica na remoção direta da vegetação de mangue nas margens.

Alteração da hidrodinâmica local: modificações na geometria dos canais podem alterar os padrões de fluxo das marés.

Ressuspensão de sedimentos e turbidez da água: a dragagem e a movimentação das balsas causam a ressuspensão de sedimentos finos, aumentando a turbidez da água.

Compactação do solo e destruição de raízes: mesmo com balsas, o posicionamento de guindastes e equipamentos pode exigir alguma forma de estabilização das margens.

Risco de vazamentos e contaminação : a operação de máquinas pesadas e o trans-

porte de combustíveis e lubrificantes em ambiente aquático aumentam o risco de derramamentos acidentais.

Abertura de canal: para o posicionamento final das balsas é necessária a criação de canais com cortes profundos partindo da margem até a praça de implantação da torre.

Custo ambiental do processo convencional: o custo ambiental do método convencional é extremamente elevado. A dragagem e as alterações hidrológicas podem ter efeitos em cascata, desestabilizando áreas muito além da intervenção direta.

Custo financeiro: a análise comparativa demonstra que, embora os custos operacionais do uso de helicópteros sejam elevados, essa alternativa pode se tornar economicamente mais viável do que os métodos convencionais quando integrada a um planejamento técnico eficaz. Em áreas de manguezal, as operações terrestres enfrentam paralisações frequentes devido às marés, às condições climáticas e à complexidade do licenciamento ambiental. Já a metodologia aérea, quando associada ao planejamento convergente entre a logística otimizada e o processo construtivo, permite superar esses entraves, acelerando o início das obras e, consequentemente, antecipando a conclusão delas e a geração da RAP (Receita Anual Permitida).

BENEFÍCIOS DA LOGÍSTICA

AÉREA EM COMPARAÇÃO

Em contraste direto com os impactos severos do método convencional, a logística aérea com helicópteros, como o Super Puma H225, oferece vantagens ambientais substanciais:

Eliminação da necessidade de dragagem e alargamento de canais: o transporte aéreo independe da navegabilidade dos canais, evitando completamente os impactos associados à dragagem e supressão de vegetação marginal.

Impacto pontual e mínimo no solo: a única intervenção direta no solo ocorre nos locais de implantação das torres.

Preservação da hidrologia e da vegetação: a integridade dos canais, o fluxo hídrico e a vegetação de mangue são mantidas.

Redução drástica da supressão vegetal: a supressão de vegetação é limitada ao mínimo estritamente necessário para a instalação da torre e da plataforma temporária, sem a necessidade de abrir corredores para balsas ou acessos terrestres.

Menor risco de contaminação: embora o risco de acidentes aéreos exista, a ausência de navegação pesada e de operações extensas em corpos d’água reduz as chances de vazamentos de óleo e combustível diretamente no ambiente aquático.

ANÁLISE DE PRAZO

A janela de navegabilidade influencia diretamente a capacidade logística de transporte de cargas e está relacionada ao tempo útil disponível para trabalho e à tábua de maré, compatível com embarcações de grande porte. A tabela 1 relaciona a disponibilidade de oportunidades de navegação com embarcações de grande porte no período de maio a setembro de 2024.

As restrições às cotas de marés são aplicadas principalmente aos canais secundários; estes sofrem maior influência da variação da maré, ficando mais rasos e inavegáveis para grandes embarcações no período da maré baixa.

Premissas: restrições para canais secundários e terciários

Fonte: Marinha do Brasil

Embarcações de grande porte: 180 t

Maré mínima para navegação: 0,9 m

Horário operacional: das 4h às 19h

Considerando apenas as oportunidades disponíveis à navegação de grandes embarcações no período de maio a setembro de 2024, observa-se que a dependência exclusiva dessa modalidade impõe severas restrições à continuidade das atividades construtivas, especialmente em áreas sensíveis como o manguezal.

TABELA 1 – JANELA DE NAVEGABILIDADE/CANAIS SECUNDÁRIOS

Fonte: Tábua das marés - BARRA NORTE - ARCO LAMOSO - 2024

As janelas de maré compatíveis representam um recurso logístico limitado, sujeito a atrasos por variações climáticas e fatores naturais imprevisíveis. Nesse cenário, a integração de operações aéreas surge como solução estratégica, permitindo suprir materiais e equipamentos de forma contínua, independentemente das condições de navegabilidade, garantindo maior confiabilidade no cumprimento dos prazos e minimizando riscos operacionais e ambientais.

Com base no cronograma comparativo, observa-se que a logística aérea reduz significa-

tivamente o prazo total da obra em relação ao método fluvial. Enquanto a execução fluvial demanda a mobilização de acessos, dragagem de canais e transporte contínuo por embarcações, o que estende as etapas preliminares e civis por vários meses consecutivos, a alternativa aérea elimina grande parte dessas restrições e permite o avanço simultâneo de frentes de trabalho.

Dessa forma, atividades críticas, como cravação de estacas, montagem de estruturas e concretagem, são realizadas em menos tempo, concentrando-se em períodos mais curtos. O

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resultado prático é uma antecipação expressiva da conclusão global do empreendimento, reduzindo o prazo em aproximadamente seis meses, além de minimizar riscos logísticos associados a condições de maré e navegabilidade.

MONITORAMENTO E CONTROLE AMBIENTAL

Um rigoroso programa de monitoramento ambiental foi implantado durante todas as fases do projeto.

Esse programa incluiu:

• Controle de ruídos e emissões atmosféricas.

• Inspeção das áreas para verificar a eficácia das medidas de mitigação e identificar eventuais impactos não previstos.

• Plano de recuperação de áreas degradadas, caso ocorram pequenos impactos inevitáveis, com foco na revegetação com espécies nativas do mangue.

CONSIDERAÇÕES SOBRE

A CAPACIDADE DE CARGA DOS HELICÓPTEROS

A capacidade operacional de 3.500 kg do helicóptero H225 foi um fator determinante no planejamento logístico e na execução.

Umectação do canteiro de obras
Controle de emissão de fumaça preta
Canteiro de mudas de propágulos de mangue
Plantio de mudas em área de intervenção da obra

Modulação de equipamentos e estruturas : o peso das estruturas metálicas, como os 7.215,70 kg da torre 2/1 ou os expressivos 32.132,80 kg da torre 13/2, exigiu que elas fossem transportadas em feixes que não excedessem a capacidade de carga da aeronave. A torre 13/2, por exemplo, demandou dez voos com carga externa apenas para sua estrutura metálica (32.132,80 kg / 3.500 kg ≈ 9,18).

Dimensionamento dos lotes de material concreto: um volume de 6,12 m³ de concreto (com densidade aproximada de 2.500 kg/m³, totalizando 15.300 kg) para uma torre como a 2/1 exigiu aproximadamente cinco içamentos (15.300 kg / 3.500 kg ≈ 4,37).

Para a torre 13/1, com 14,52 m³ (36.291,3 kg), foram necessários cerca de 31 içamentos (36291,3 kg / 1.200 kg ≈ 30,24) apenas para o concreto das fundações.

CONCLUSÕES

Destaca-se a visão estratégica e inovadora da Alupar, firmando parceria com TAC Power, para a construção das linhas de transmissão do Lote “C” (Aneel Leilão 01/2014) em áreas de manguezal na Baixada Santista. A instalação de torres com pesos estruturais de até 32 toneladas e fundações que consumiram até 35 m³ de concreto e 40 estacas por torre demonstrou a complexidade e a magnitude dos desafios.

A metodologia adotada, centrada no planejamento estratégico associando engenharia e logística aérea operando a partir de um canteiro base e na utilização de plataformas temporárias de madeira, provou ser ambientalmente superior aos métodos convencionais. O transporte seccionado de todas as cargas pesadas, respeitando o limite de 3.500 kg

da aeronave, foi essencial para viabilizar o empreendimento, minimizando os impactos sobre o sensível ecossistema de manguezal. Essa abordagem, embora logisticamente intensiva, é fundamental para o desenvolvimento sustentável da infraestrutura energética em áreas protegidas.

* Márcia Kodaira Cruz é vice-presidente de Engenharia da TAC Power; Juliano Tristão da Costa é engenheiro agrônomo da TAC Power

Referências

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 13 fev. 1998.

CONAMA. Resolução nº 01, de 23 de janeiro de 1986. Dispõe sobre critérios básicos para elaboração de EIA/RIMA. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 17 fev. 1986.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Edital de Leilão nº 01/2014 – Lote C. Disponível em: https://www.aneel.gov.br. Acesso em: 09 maio 2025.

ALUPAR. Relatório Técnico Ambiental – Lote C / Baixada Santista. São Paulo, 2016.

IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Manual de Procedimentos para Licenciamento Ambiental de Empreendimentos de Linhas de Transmissão de Energia Elétrica. Brasília: IBAMA, 2012.

CUNHA, S. B. da; GUERRA, A. J. T. Geografia Física: geossistemas e meio ambiente. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

COSTA, M. P. F.; CUNHA, E. R. Ecossistemas de Manguezais no Brasil: áreas e ameaças. Revista Brasileira de Geografia Física, Recife, v. 11, n. 3, p. 756-769, 2018.

PETROBRAS. Estudo Comparativo de Métodos Construtivos em Áreas de Mangue. Relatório interno. Rio de Janeiro, 2014.

AIRBUS HELICOPTERS. H225 Technical Data. Marignane, França, 2020. Disponível em: https://www.airbus.com/en/products-services/helicopters/ civil-helicopters/h225. Acesso em: 09 maio 2025.

PREFEITURA MUNICIPAL DE GUARUJÁ. PMMA (Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica) | Prefeitura Municipal de Guarujá: mapas atualizados. [recurso eletrônico]. Guarujá, 2025. Disponível em: https://drive.google.com/ Acesso em: 09 maio 2025.

Participe, apresente o seu texto, que passará pela comissão editorial. O artigo técnico deverá ser enviado por e-mail: diretoriaoperacional@iengenharia.org.br, endereçado ao diretor da Revista Engenharia.

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O uso de novas tecnologias no agronegócio: equilibrando as novas medidas legislativas com as necessidades de mercado

Omundo de hoje traz como escopo a tecnologia e suas ações e o cenário social está repleto de adaptações que devem acompanhar o novo ritmo de vida e as novas necessidades. Este artigo é um breve descritivo de como essas modificações interferem no agronegócio e, indistintamente, no meio social e de que forma o atual modelo de engenharia deve observar produto e tecnologia. Diante das medidas legislativas da atualidade, as empresas devem proporcionar ao consumidor finalidade e transparência, ao mesmo tempo que atravessam várias intempéries em relação ao segredo empresarial, o que traz questionamentos jurídicos inéditos.

TECNOLOGIA

E ANÁLISE

DE DADOS NA AGRICULTURA

Ao tratar de tecnologia, temos um conceito bem amplo, principalmente quando elencamos essa temática no que se refere ao direito; portanto, é necessário visualizar o impacto que essas novas ações vão gerar no cerne jurídico. Tratamos aqui em específico da vertente comercial de produtos e inovações no agronegócio, as quais vêm se

atualizando por completo desde a inclusão digital impulsionada pela integração de novas tecnologias, como, por exemplo, a telemetria. Esse uso intensivo de tecnologia está transformando o cenário agrícola, promovendo maior precisão na aplicação de insumos e reduzindo custos operacionais, o que, por sua vez, aumenta a competitividade do setor. Entre os objetivos do monitoramento dos dados produzidos pelos sensores presentes nas máquinas, está a avaliação do comportamento dos componentes a fim de saber a intensidade e o esforço demandados a eles nas diferentes condições de campo e solo que temos no Brasil. Com isso, é possível avançar para uma manutenção preditiva, garantindo maior vida útil aos componentes, menor custo ao produtor e menor interrupção em sua operação agrícola.

Avaliando todo o contexto, pode-se ponderar que a tecnologia agrega significativas modificações no campo; por outro lado, quebra todas as barreiras empresariais já construídas, pois amplia o campo de visão para o empresário na realização de aprimoramentos de produtos ou serviços por meio de dados. O desenvolvimento dessas ações ocorre graças à agricultura de precisão, metodologia que

utiliza informações para o manejo localizado de dados, realizando sua aplicação em novas decisões. Seu objetivo é realizar a detecção precoce de problemas no crescimento das plantas para ações preventivas ou para aplicá-las no uso da ciência de dados, identificando riscos de infestação e desenvolvendo estratégias de controle.

A adoção de tecnologias de telemetria traz o alerta de que a coleta de dados hoje está amplamente relacionada ao segredo empresarial e todas essas informações devem ser mantidas com confidencialidade no momento da monopolização desses dados, o que já é possível com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Abaixo, estão elencados três tipos de gestão que podem ser melhorados mediante monitoramento digital, visando novos métodos de realizar a mesma ação ou de produzir ideias e gerar produto, tornando-os um diferencial competitivo.

• Gestão de riscos climáticos, que, nesse caso, pode ser usada para prever condições climáticas adversas, como secas ou inundações, para a condução saudável da lavoura, antevendo a probabilidade de ocorrência de riscos e auxiliando na tomada de decisões sobre o plantio e a irrigação. Assim, ao identificar áreas com maior risco de danos climáticos, possibilita a tomada de medidas preventivas, como a construção de diques ou a plantação de culturas resistentes às secas.

• Monitoramento da saúde animal: é a ciência de dados que pode ser aplicada para acompanhar a saúde dos semoventes, utilizando recursos como a análise de imagens de câmeras térmicas ou dados captados por sensores. Essa abordagem permite a detecção precoce de problemas de saúde, possibilitando a adoção de medidas preventivas, como a identificação de animais com febre ou outros sinais de doenças; o tratamento antes da disseminação; e o monitoramento do comportamento dos animais, detectando mudanças sutis que possam indicar possíveis problemas de saúde.

• A análise de dados permite identificar regiões com necessidades distintas de irrigação, fertilização ou aplicação de defensivos, ajudando os agricultores a otimizar o uso de insumos e aumentar a produtividade. Além disso, essa abordagem facilita a detecção precoce de problemas no desenvolvimento das plantas, possibilitando a implementação de medidas preventivas. Por meio da ciência de dados, também é possível localizar áreas com maior risco de infestação e criar estratégias eficazes para o controle de pragas e doenças.

As atividades do agronegócio envolvem processos que se dividem em três fases: a primeira, chamada de “antes da porteira” ou “a montante”, inclui a produção e o fornecimento de insumos agropecuários; a segunda fase, “dentro da porteira’, refere-se à execução de diversas atividades no campo, como a agricultura e a pecuária; e a terceira fase, conhecida como “depois da porteira” ou “a jusante”, abrange etapas como processamento, industrialização, transporte, armazenamento, distribuição e comercialização dos produtos

Seu objetivo é realizar a detecção precoce de problemas no crescimento das plantas para ações preventivas ou para aplicálas no uso da ciência de dados, identificando riscos de infestação e desenvolvendo estratégias de controle

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agropecuários. Nessas três fases, há muitos dados  que podem ser usados para ajudar na tomada de decisões, otimizar o uso de recursos e aumentar a produtividade, rentabilidade e redução dos impactos ambientais.

De acordo com uma pesquisa conduzida pela IHS Markit em parceria com a AsBraAP, 36% dos produtores que ainda não utilizam agricultura de precisão indicaram a intenção de investir em tecnologias digitais nos próximos três anos. Além disso, somente 2% demonstraram preocupações quanto à segurança dos dados, aplicativos e softwares empregados.

No campo, a utilização de tecnologias avançadas deu origem ao conceito de “agricultura digital”, em que os dados se tornaram o principal motor dessa transformação. Esse fenômeno está convertendo as fazendas em verdadeiros laboratórios ao ar livre, impulsionando inovações e otimização no manejo agrícola. Comumente referida como agricultura de precisão, a agricultura digital foca na adoção de tecnologias para aumentar a eficiência e a produtividade e minimizar os impactos ambientais adversos, aplicando tais recursos para coletar e analisar dados sobre os processos agrícolas e incluindo sensores, drones, GPS, SIG (Sistemas de Informação Geográfica), imagens de satélite e outros dis-

O monitoramento de áreas agrícolas está relacionado ao sensoriamento remoto, que permite acompanhar os impactos das relações

solo-planta-ambiente

positivos que coletam dados sobre as condições do solo, clima, irrigação e outras variáveis importantes para a produção agrícola. Seu objetivo é realizar um aprimoramento eficiente e produtivo, reduzindo os custos e os impactos ambientais negativos.

Toda análise de dados, apesar de contribuir efetivamente para a inovação dos processos, também enfrenta algumas adversidades, entre elas a estruturação do banco de dados, pois o volume de informações é grande e possui amplo espectro de atuação. São necessárias pessoas que saibam como estruturá-los e convertê-los em resultados. Outro aspecto relevante é a predição de preços, segundo a qual o meio pode ser afetado drasticamente pelo valor dos insumos. Prever mudanças e identificar padrões de oscilação de preços pode otimizar as estratégias de compra e venda do produtor e da empresa.

O monitoramento de áreas agrícolas está relacionado ao sensoriamento remoto, que permite acompanhar os impactos das relações solo-planta-ambiente. Trata-se de um aspecto fundamental na tomada de decisão do produtor, impactando diretamente na produtividade e favorecendo a previsão de safra. Esse é o caminho para se obter o planejamento ideal. Todas essas atividades podem ser estruturadas conforme o meio digital, sendo crucial dispor de informações precisas e em tempo real sobre as condições das culturas, do solo e do clima. No entanto, isso pode representar um desafio em regiões rurais e isoladas, onde a conectividade com a internet é limitada ou até mesmo inexistente. Essa coleta pode ser dispendiosa e complexa, especialmente para pequenos agricultores e comunidades rurais com recursos restritos. Os investimentos necessários em hardware, software, conectividade e capacitação podem se tornar obstáculos significativos para a disseminação ampla dessa tecnologia no setor agrícola.

Apesar dos obstáculos, o futuro da análise de dados na agricultura é bastante promissor.

Com a constante evolução da tecnologia e sua crescente acessibilidade, é esperado que seu uso se expanda para diversas regiões globais. Com o potencial de impulsionar a produtividade, reduzir os custos operacionais e mitigar os impactos ambientais, a análise de dados está assumindo um papel fundamental na criação de um futuro mais sustentável e resiliente para a produção de alimentos em escala mundial.

OBSTÁCULOS NO

DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS E A INCLUSÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS NA ENGENHARIA

O papel da engenharia de produto nesse contexto é fundamental, pois demanda uma integração entre o desenvolvimento tecnológico e as modificações no produto para endereçar as “dores” do produtor rural. Com a crescente demanda por tecnologias de precisão, os engenheiros estão cada vez mais focados na elaboração de produtos que não apenas atendam às necessidades atuais do setor, mas também sejam sustentáveis e alinhados às práticas de conservação ambiental. Além disso, a criação de novas tecnologias, como a inteligência artificial aplicada ao maquinário agrícola, está desafiando o setor a repensar os modelos tradicionais de desenvolvimento de produto, de modo a integrar ferramentas de análise de dados que otimizem a performance e a durabilidade dos equipamentos.

Para acompanhar as novas mudanças no campo e atender a grandes demandas, a engenharia voltada à produção de máquinas e equipamentos para o agronegócio vem se estruturando para acoplar as necessidades do meio à inserção de tecnologias que podem caracterizar um consumo final não só do produto, mas dos dados coletados. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), é necessário aumentar a produção de alimentos em 50% até 2050 para atender ao crescimento populacional.

Nesse contexto, é imperativo desenvolver produtos que não apenas aumentem a produtividade no campo de forma sustentável, mas que também sejam confiáveis, acessíveis, duráveis e disponíveis a tempo de evitar crises de escassez.

A engenharia mantém a fabricação de equipamentos básicos, como plantadoras, pulverizadores e sistemas de irrigação. Entretanto, esses equipamentos tradicionais passarão por uma atualização tecnológica significativa. Sensores serão incorporados para coletar uma ampla gama de dados do campo, alinhando-se ao conceito de agricultura de precisão. Além disso, modelos matemáticos serão implementados para analisar esses dados rapidamente, permitindo que as máquinas forneçam insights e respostas extremamente relevantes para melhorar a produtividade agrícola. Os desafios de engenharia para projetar esses equipamentos são imensos, principalmente devido aos rigorosos requisitos de projeto impostos pelo ambiente agrícola, sendo crucial a validação adequada desses produtos para manter uma linha de produção que não apenas atenda, mas supere as expectativas dos clientes em termos de confiabilidade e durabilidade, mantendo um custo acessível.

Para isso, é necessário o desenvolvimento de projetos, no qual o termo “projeto” engloba uma variedade de significados e sua origem remonta à palavra latina “designare”, que significa designar ou escolher. No contexto da engenharia, um projeto pode ser definido como o processo de aplicação de técnicas e princípios científicos para definir um dispositivo, método ou sistema de forma suficientemente detalhada para permitir sua realização. Tal metodologia segue passos bem definidos: identificação da necessidade, pesquisa de suporte, definição dos objetivos, especificações de tarefas, síntese, análise, seleção, projeto detalhado, prototipagem e teste, culminando na produção. Como parte desse procedimento, o desenvolvimento de

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projetos pode incluir etapas adicionais, como definição do problema, declaração dos dados, elaboração de hipóteses, decisões preliminares, croquis do projeto, modelos matemáticos, análise e avaliação do projeto e documentação dos resultados.

Ao abordar o desenvolvimento de projetos de engenharia para o setor agrícola, identificamos uma série de desafios significativos. Um dos principais é lidar com as incertezas iniciais do projeto. No início, tudo o que temos é uma ideia inovadora e poucas indicações de como essa ideia se comportará na prática, pois transformar conceitos abstratos em soluções tangíveis requer disciplina, perseverança e um orçamento robusto para lidar com as incertezas inerentes a qualquer projeto. Aderindo ao contexto da tecnologia agrícola, os desafios se intensificam devido às condições adversas do ambiente rural e ao fato de que os equipamentos devem operar sob intempéries, chuvas intensas, grandes variações térmicas, exposição prolongada à radiação solar e poeira, estando, frequentemente, em contato com substâncias químicas altamente corrosivas presentes em fertilizantes, o que dificulta, muitas vezes, a manutenção em campo por conta da localização remota e a falta de infraestrutura adequada.

Os sensores ópticos, por exemplo, devem permanecer limpos para garantir leituras precisas, enquanto componentes eletrônicos precisam ser protegidos contra a umidade, dado que eletricidade e água são uma combinação perigosa, pois a variação de temperatura pode alterar a condutividade elétrica, comprometendo a precisão dos dados coletados. Outro desafio é a integração de componentes sensíveis em equipamentos agrícolas pesados, construídos, principalmente, à base de aço e que podem chegar a ter 20 toneladas. Esses equipamentos enfrentam cargas extremas e devem ser projetados com certas tolerâncias para viabilizar a produção em massa, sempre levando em conta o custo final. Outra questão a ser avaliada é

a vibração, considerada fator crítico, pois os equipamentos agrícolas são frequentemente expostos a altos níveis de vibração (por exemplo, quando um trator de 500 cv está rebocando uma plantadeira de 41 linhas em terrenos diversos). Exigir regularidade ou baixas vibrações nessas condições é impraticável, o que torna a robustez dos componentes um requisito essencial. Em outras palavras, os desafios no desenvolvimento de projetos de engenharia para o setor agrícola são imensos e multifacetados. Os pontos abordados aqui representam apenas uma fração das complexidades enfrentadas por engenheiros ao projetar soluções para o campo.

Práticas eficazes de gerenciamento de projetos são essenciais para as tecnologias agrícolas. Atualmente, metodologias ágeis, como Scrum, são amplamente discutidas e aplicadas, especialmente na criação de software, sensores e sistemas de gerenciamento de dados. Essas metodologias oferecem flexibilidade e fluidez, mas é importante destacar que o desenvolvimento de máquinas pesadas exige uma abordagem mais cautelosa, visto que a segurança é primordial, pois esses equipamentos podem representar riscos significativos, incluindo ferimentos graves ou até fatais, se não forem projetados e construídos com rigor. Isso é alcançado seguindo todas as etapas do desenvolvimento de projetos, além de consultas a normas técnicas como as da ABNT e ISO (por exemplo, a norma 4254, que estabelece requisitos internacionais de segurança para equipamentos agrícolas).

O gerenciamento desses projetos nem sempre é simples. Requer profundo conhecimento técnico e habilidade para influenciar no ambiente empresarial, assumindo a responsabilidade de desenvolver equipamentos complexos e potencialmente perigosos. Além disso, é crucial equilibrar o investimento em inovação com a manutenção e atualização de produtos já existentes no mercado, que, por vezes, necessitam de atualizações contínuas e pequenas revisões de projeto

para corrigir erros que podem ter passado despercebidos. Isso é uma realidade em todas as empresas, desde as mais sofisticadas até as mais simples. Ou seja, é fundamental equilibrar a inovação com a manutenção de produtos existentes, garantindo tanto o desenvolvimento de novas tecnologias quanto a continuidade das máquinas essenciais para as operações atuais. Esse equilíbrio é vital para assegurar que a indústria agrícola continue a evoluir, atendendo às necessidades presentes e futuras dos agricultores.

Diante do exposto, a engenharia por si só enfrenta vários obstáculos no desenvolvimento de projetos, tendo que lidar com suas incertezas e ainda com a aplicação de tecnologias. O grande óbice das ações que vêm sendo realizadas é identificar como essa realidade pode ser alterada tendo como aliada a tecnologia, pois há uma grande diferença entre obter acessos fáceis ao seu uso e implementar esses acessos para adequar o produto.

CONFIABILIDADE NO CAMPO

As operações agrícolas exigem um alto nível de confiabilidade dos equipamentos, uma vez que a natureza opera de maneira imprevisível e fora do nosso controle. Ou seja, os equipamentos devem estar prontos para realizar suas funções a qualquer momento e sem falhas, a fim de evitar prejuízos significativos para os agricultores.

Nas empresas, temos a vantagem de analisar cada componente dos equipamentos em um ambiente controlado, permitindo testes exaustivos de funções específicas, como a taxa de erro de leitura de um sensor a cada mil leituras, por exemplo. Embora essa seja uma estratégia eficaz, é igualmente crucial que esses produtos em desenvolvimento sejam testados no ambiente real em que serão utilizados. No entanto, a diversidade de condições no Brasil, devido às suas proporções continentais, apresenta um desafio adicional.

A

engenharia por si só enfrenta vários obstáculos

no desenvolvimento de projetos, tendo que lidar com suas incertezas e ainda

com a aplicação de tecnologias

Com uma variedade de tipos de solo, condições de transporte, umidade e temperatura ao longo do ano, o ideal seria que todos os componentes das máquinas, como plantadoras, distribuidores de fertilizantes, irrigadores, drones e colhedoras, fossem validados em todos os cenários possíveis. Contudo, enfrentamos limitações de mão de obra, tempo e investimento nessa área, assim como em muitas outras atualmente.

Diante dessas limitações, frequentemente recorremos a inferências, tirando conclusões baseadas em dados e semelhanças observadas. No entanto, o objetivo da validação de projetos é justamente revelar o que não conseguimos prever. Esse desafio sublinha a necessidade de maior atenção e dedicação à confiabilidade dos equipamentos no campo. Falhas comuns, por exemplo, ocorrem quando se assume que um ambiente ou solo é homogêneo e os componentes projetados são confrontados apenas com as situações previstas.

O cotidiano agrícola frequentemente revela uma ampla gama de situações adversas. Podemos prevenir ou mitigar essas falhas mantendo um contato mais próximo com a rotina agrícola e utilizando ferramentas de prevenção de falhas, como a DFMEA (Análise dos Modos de Falha e seus Efeitos). Essa abordagem sistemática ajuda a identificar potenciais

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falhas antes que ocorram, garantindo que os equipamentos atendam aos padrões de confiabilidade exigidos pelos agricultores e descritos no escopo legislativo que protegem esse consumo.

TECNOLOGIA E LEGISLAÇÃO

É indispensável que, ao tratar dos dados no campo, observemos algumas vertentes que vão além do consumidor final, pois tudo é informação (dado) que, ao ser revelada, pode revisitar um segredo empresarial, melhoramento nos produtos, inovações ou compartilhamento de dados de clientes e terceiros envolvidos dentro dos processos. A nova LGPD vem alertar para um problema que há muito já havia sido discutido: enquanto a sociedade se ocupava em manter em sigilo a mão de obra bruta, esqueceu-se de que a evolução andou rapidamente pelo modelo de trabalho social e, com isso, trouxe modificações efetivas não só para o campo, respingando legislativamente em outros âmbitos da esfera pública e privada. Com a criação da LGPD e a inclusão do marco digital, obtém-se um novo modelo legislativo para julgar e avaliar os novos comportamentos, tanto aqueles classificados em pecúnia quanto os que visam a proteção do indivíduo elencados na Constituição Federal, subentendendo que os dados também possuem valor de mercado.

Percebemos que não é só a aplicação técnica do produto que encontra dificuldades no campo, mas também a lei

A legislação tenciona direcionar seus esforços para a proteção de dados pessoais e dados pessoais sensíveis, sempre voltados aos titulares que, ao fim de qualquer processo, têm um grande prejuízo quando essas informações não são tratadas corretamente. Há muito o que se explorar, visto que a lei é relativamente nova e continua se adequando aos meios sociais e suas infindáveis possibilidades de aplicação. Porém, quando tratamos das empresas que também se encontram respaldadas, observa-se grande preocupação com a quantidade de dados coletados ou trocados entre si e como essas informações são armazenadas e utilizadas. O agronegócio é uma grande potência que move informações de forma suntuosa, desde a área de desenvolvimento e tecnologia até a fabricação de produtos para o avanço do plantio. Com o volume massivo de dados, passou-se a questionar sobre a titularidade e privacidade: a quem pertencem tais informações? Como e por quem devem ser manipuladas? Quais os critérios para o compartilhamento?

A partir da entrada em vigor da LGPD, o setor agropecuário, assim como todos os outros, encontra-se em grande dificuldade de adequação. O próprio órgão responsável por fiscalizar a LGPD, a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados), reconhece alguns dos impedimentos em sua execução. Quando a lei passa pelo seu período de vacância, deve ser observada sua adaptação social; porém, além dessa adaptação, deve-se abranger a todos, sem distinção, o que não ocorre de modo efetivo. Uma de suas grandes dificuldades de aplicação é que muitas das suas atividades são pensadas para o meio urbano, onde a informação, tecnologia e novas ideias circulam de maneira recorrente e rápida, dotadas de recursos e investimentos, pois, geralmente, injetamos grande parte do lucro social naquilo que está evidente, mesmo que talvez não seja a prioridade momentânea.

Contudo, outras realidades estão presentes no meio social, comunicando-se dentro

e fora do país, levando e trazendo dados de formas diversas, tratando-os como meio para a conclusão do produto, esquecendo-se de que  o dado é, muitas vezes, o produto principal. Isso ocorre devido às diversas formas de negócios e o direito no agronegócio está longe dos ditosos escritórios que comumente acompanhamos e daquele que atende às solicitações do meio. Desse modo, perde-se a sensibilidade de distinguir outras necessidades que um contrato não abarca.

Os exemplos acima são pautados em realidades distintas que a lei desconhece, acordos realizados de modo articulado e solicitações de atendimento consumeristas que não seguem padrão devido à intenção de sanar as necessidades do plantio e do produto sem a percepção dos dados envolvidos. É aparente que muitas fazendas hoje possuem grande respaldo jurídico por trás das ações de compra e venda, mas há que se pensar nos pequenos produtores, que não deixam de atender às necessidades sociais. Em grandes ou pequenas empresas, nota-se que existem aqueles que se propuseram a reconhecer que o mercado é puramente informativo, vendendo mais do que o produto bruto, e aqueles que negligenciam ou desconhecem, por diversos motivos, esse viés e se perdem na proteção dos dados do negócio, dos seus dependentes e da entrega do produto.

O CÓDIGO DO CONSUMIDOR E O PRODUTO

O desafio comercial hoje é conciliar dados e produto, ação que talvez nosso Código do Consumidor (Lei n.º 8.078, de 11 de setembro de 1990) não prevê, ainda que já venha se atualizando a respeito das compras digitais e dos direitos já conquistados. Contudo, conciliar as vendas com os requisitos indispensáveis para o tratamento de dados pessoais previsto no artigo 7º da LGPD se faz necessário devido às informações prestadas pelo titular no ato da venda e ao fato de que esses dados ainda fazem circular, em uma ne-

gociação, os segredos empresariais do produto e do produtor — ação que vem sendo discutida por juristas e DPOs (Data Protection Officer), entre os quais o entendimento é unânime, incluindo algumas jurisprudências que consideram esse vazamento uma violação não só aos princípios da LGPD, mas também à Constituição Federal, que garante tal égide em seu artigo 5º.

É importante pensar que todas as ações que devem ser realizadas por meio da LGPD têm a sua aplicação parcial quando nos deparamos com a realidade do campo. Essa realidade, muitas vezes, dificulta a aplicação da lei por se tratar de um meio onde a palavra vale muito mais como garantia do que a própria lei. Assim, não importa se o produto tem suas especificações técnicas condizentes com a legislação: o que importa mais é a experiência (o fazer negócio).

Com isso, percebemos que não é só a aplicação técnica do produto que encontra dificuldades no campo, mas também a lei. A única diferença entre ambas é que a aplicação segue em dificuldades por questões de clima, solo e outras aplicabilidades, enquanto a lei vai de encontro, muitas vezes, ao modo como esses agricultores gerenciam ou vivem, acostumados de tal maneira a resolverem problemas informalmente que pouco se fala em se respaldarem com o auxílio judiciário. Todo esse cenário tem suas variações. Assim como o meio urbano, cada agricultor tem uma forma de ver o plantio, o produto e a lei, mas tratamos aqui de um problema geral de aplicação relacionado não apenas à adesão do produtor, mas também a um contexto social.

CONCLUSÃO

Mediante todos os avanços mostrados no contexto rural, é perceptível que a tecnologia está se expandindo de modo a acompanhar as necessidades sociais e fortalecer a agilidade, qualidade e aperfeiçoamento do produto. Ao falarmos de tecnologia nos negócios,

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já podemos pensar em contratos e assinaturas digitais, monitoramento de documentações e de plantio remotamente e proteção dos dados do campo e do titular. Tudo isso, de certa maneira, é vendido com o produto, seja por força da lei ou pela credibilidade da marca. Devemos olhar os dados dessa mesma forma: se o engenheiro projeta uma máquina pensando em um determinado tipo de solo e no alinhamento a certos requisitos, assim como o agrônomo avalia o plantio individualmente , os dados devem seguir o mesmo caminho. Ou seja, devemos pensar qual aplicação é mais adequada para cada tipo social e o período de vacância da lei deve observar esses requisitos em detalhes, pois é por meio dessa observação que seu escopo pode ser alterado, não abrindo margens para entendimentos superficiais ou brechas que, mais tarde, podem interferir em sua eficácia processual ou aplicação.

O ponto é entender que a lei criada para proteger o titular deve ponderar que uma mesma pessoa é titular de dados em determinadas situações e, em outras, deve responsabilidades à lei como controlador ou operador. Assim, a lei se apresenta de forma distinta a uma mesma pessoa, a depender da sua importância na retenção dos dados. Todo esse viés importa, pois não faz sentido falar em aplicação isoladamente quando o titular, operador ou controlador não entende qual é a real importância do cuidado com os dados. Difundir a informação de que dados são um capital não suprirá a necessidade legislativa de fazer com que o contexto social entenda que não é apenas a monetização que o torna importante, e sim o que podemos criar com algo já existente e com as grandes mudanças sociais que vêm acontecendo. Certamente, aqueles que não acompanharem tais mudanças terão graves prejuízos no que diz respeito à marca e ao produto, pois, indistintamente, uma coisa leva à outra e os dados são reconhecidos hoje como parte desse todo.

* Cecília Andreoli Marinho é pós-graduada em direito digital, LGPD, direito do trabalho, processo do trabalho, direito penal e processo penal; Giovani Papa é engenheiro agrônomo pela Esalq-USP; e Marco Aurélio Banionis é engenheiro mecânico pela Unip.

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BIM na gestão pública:

planejamento inteligente e fiscalização eficiente para São Paulo

• Por Domingos Dissei*

Durante minhas décadas a serviço da vida pública, nunca deixei de olhar para a cidade com visão de engenheiro. Hoje, como presidente do TCM-SP (Tribunal de Contas do Município de São Paulo), esse olhar permanece firme e atento às soluções que podem transformar a forma como planejamos, executamos e fiscalizamos obras públicas.

Posso dizer com tranquilidade que a tecnologia BIM (Building Information Modeling) muda tudo. Agora, conseguimos enxergar o projeto inteiro antes mesmo da primeira pá de terra. Isso significa menos erros, menos desperdício e mais responsabilidade com o dinheiro público. É uma ferramenta que ajuda quem projeta, quem executa e, principalmente, quem fiscaliza. Não tem volta: a tecnologia BIM já é uma realidade consolidada em países como Reino Unido, Cingapura, Estados Unidos e na Escandinávia; e o Brasil precisa seguir essa leva. As experiências internacionais mostram ganhos concretos que não podemos ignorar:

• Financeiros: redução de 5% a 20% nos custos totais de obra; maior precisão orçamentária, com desvio inferior a 3% entre o previsto e o realizado; e até 40% de redução nos aditivos contratuais. Nosso objetivo é ir além: buscar a redução gradual até a eliminação completa dos aditivos.

• Produtividade: diminuição de 7% a 13% no tempo de construção; redução de 40% a 60% em erros e omissões; e até 80% menos tempo para resolver incompatibilidades.

• Qualidade: ganhos de 15% a 30% em horas-homem; e até 90% de redução em erros de projeto, segundo experiências escandinavas.

No TCM-SP, criamos  a Comissão Especial do BIM (Portaria 376/2025), com a missão de implantar a metodologia como instrumento de controle externo e de conservação das nossas dependências, além de promover a capacitação dos auditores.

No dia 23 de setembro, realizamos, no nosso plenário,  o evento “Tecnologia BIM aplicada à gestão pública da cidade de São Paulo”. Participaram mais de 200 profissionais, marcando uma nova etapa na implantação da metodologia BIM na capital.

Além disso, foram assinados novos termos de cooperação técnica entre o tribunal, o Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo) e o IE (Instituto de Engenharia), marcando um avanço estratégico na modernização da gestão urbana da capital paulista.

Mais do que um evento, foi uma convocação à engenharia pública. É hora de abrir o coração, reconhecer os desafios e construir juntos os caminhos para superá-los. O BIM é uma ferramenta poderosa, mas seu sucesso depende da colaboração entre os que planejam, executam e fiscalizam.

E há um aspecto que não podemos deixar de lado: o potencial inspirador dessa tecnologia para os jovens. A engenharia precisa de novos talentos e ferramentas modernas como o BIM podem ser o elo entre a vocação pública e o interesse das novas gerações. Ao mostrar que é possível transformar a cidade com inteligência, precisão e inovação, podemos atrair mais jovens para a profissão e formar os engenheiros de que São Paulo tanto precisa.

*Domingos Dissei é presidente conselheiro do TCM-SP.

ETEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 8 MINUTOS

Saudades do meu trenzinho

stamos nos anos 1950. Local: Santos. Estou na adolescência. Meus pais dizem para mim: “vamos para São Paulo”. Temos que tratar de assuntos de família, vai demorar, mas, se sobrar tempo, vamos tomar um chá no salão do Mappin. Daí pergunto a meu pai: “vamos pelo Expresso Brasileiro, aquele ônibus verde e amarelo, de motor traseiro, forte e bem barulhento?”

Logo vem à minha mente a imagem dele subindo a íngreme Serra do Mar pela sua velha estrada, sem túneis, estreita, com a famosa curva da onça, que alguns chamavam de curva da morte, na altura da suposta Casa da Marquesa, que nunca dela foi, em cuja fonte se enchiam os garrafões ou os antigos radiadores dos “pés de bode”. Viagem maçante e demorada. Mas meu pai, desta vez, diz: “não, vamos de trem, não aquele convencional, mas o expresso, o Pullman”.

Aquele especial que atendia somente passageiros, com hora certa de saída e chegada, cerca de 1h30, às vezes, no máximo, duas horas de viagem, do Valongo à Luz, em um tiro só. Naquela época, o convencional levava duas horas, meia hora a mais do que o ônibus. Alegre fico, pegamos na praia do Embaré, onde morávamos, o bonde que nos deixa na Estação do Valongo da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, antiga São Paulo Railway (16/2/1867), a primeira no estado de São Paulo.

Aquela estação que foi projetada na Inglaterra e inspirada na londrina Victoria Station. Com todo seu rebuscado estilo vitoriano,

teve seu fechamento em 30/11/1995. Sua gare metálica veio em navio, em pedaços, e foi montada ali nos tempos de Mauá, mantendo a tradição britânica de levar pequenas construções e até mesmo cidades em madeira para além-mar, a fim de montá-las rapidamente em seus territórios conquistados.

Aqueles que de São Paulo vinham para o antigo e saudoso Cassino Hotel do Guarujá ali desciam e caminhavam até as muralhas do Cais do Valongo, também, outrora, Porto do Bispo, pegavam a barca que deixava no Itapema, hoje distrito de Vicente de Carvalho, e, de lá, tomavam o chamado “trenzinho do Guarujá”, aquele que hoje está exposto em uma vitrine no centro urbano daquela cidade, que levava até o hotel-cassino.

Aquele pequeno trem cortava manguezais, rios e os imensos bananais dos portugueses e espanhóis, que imigraram para cá e laboriosamente foram precursores da produção e exportação daquela cobiçada fruta. Compunham com o café, naquela época, as bases de nossas exportações, o país da sobremesa, como muitos jocosamente diziam na esperança de um dia, que veio, sermos produtores industriais de bens duráveis.

Observem o que os caminhos de ferro faziam naquela região e em outras, graças ao empreendedorismo pioneiro de um grande brasileiro, Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, um visionário. Bem, voltemos para a nossa viagem à capital. Tomamos o Pullman, no qual havia o carro-restaurante onde se podia degustar um bom café da manhã.

Seguimos pela Alemoa, cortamos imensos bananais do distrito de Cubatão, rios, manguezais, típicos da Baixada Santista. Vamos a 70 km/hora, passamos por aquela famosa ponte metálica treliçada que vence o Rio Casqueiro, divisa natural de Santos com Cubatão, ainda hoje imponente, que ali está como marco de uma época inesquecível.

Os antigos colegas do nosso Mackenzie contavam das visitas de aulas práticas que o notório professor doutor Hermann Schutz fazia para medir a flecha das deformações daquela estrutura quando uma composição ali cruzava. Chegamos ao pé da serra, em Cubatão, muito frio, forte umidade, garoa fina, neblina: assim era o clima em boa parte do ano naquela região. Era o início da vitória da escalada da "muralha", como era chamada a Serra do Mar pelos antigos nativos da região. Como seria vencida tão íngreme subida? Pela genial obra de arte da engenharia do século 19, a cremalheira. Seu princípio mecânico era ligar, por um longo cabo de aço, um certo conjunto de vagões (que, em uma ponta, subiam) a outro equivalente na ponta da descida. Assim, por gravidade, se contrabalançavam em plano inclinado. As reduzidas diferenças de forças eram compensadas pela locomotiva de empurra. Vencia-se, assim, a serra por estágios, os patamares, que contavam três, indo até a cabeça da serra neblinosa, até atingir o planalto a cerca de 800 metros de altitude. Chegamos à famosa Vila Ferroviária de Paranapiacaba, cujas construções são em madeira, como era a tradição da engenharia ferroviária inglesa.

Na estação de Paranapiacaba, comemos o tradicional sanduíche misto frio; frio não, gelado pelo próprio clima local. Seguimos pelo planalto a 70 até 100 km/hora, passamos pela estação de Santo André. Naquela época, aquele trecho ainda era de bosques, propriedades rurais; a forte e pujante industrialização estaria por vir. Presenciei essa modificação, que foi rápida, muito rápida. Graças aos anos JK, as esparsas e pequenas cidades do ABCD se conurbaram com a capital. A engenharia ali chegou.

Com suas fábricas e a consequente urbanização, as novas escolas de engenharia ali nasceram. A Detroit Brasileira estava nascendo. Passamos pela Estação do Brás, até chegarmos à imponente Estação da Luz, mais uma estrutura metálica vitoriana, similar à de Londres. E lá estávamos na trepidante metrópole da neblina e da garoa, a Pauliceia desvairada dos jovens intelectuais da Semana de 22 e da rapaziada do Brás.

Dos bondes e dos “papa-filas” que freneticamente circulavam pelo seu centro, do buraco do Adhemar, como muitos jocosamen-

Era o início da vitória da escalada da "muralha", como era chamada a Serra do Mar pelos antigos nativos da região

Crônica

te chamavam aquele famoso e esquecido cruzamento da Avenida São João no Vale do Anhangabaú, que resolveu o conflito do trânsito local. Passamos o dia naquela deslumbrante cidade. Ao cair da tarde, vamos ao salão de chá do Mappin defronte ao Theatro Municipal, obra ímpar de Ramos de Azevedo. Era hora de voltar. Sem pressa, vamos à Estação da Luz e embarcamos no expresso para Santos, que nos oferecia uma volta segura, tranquila, com tempo de viagem cronometrada, como é do costume inglês, uma vez que aquele povo segue a máxima “time is money”.

Lembro-me de muitos famosos advogados santistas que moravam em Santos e estudaram na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, os quais relatavam a respeito desse expresso, que os levava para as aulas pontualmente, sem atrasos. De outro lado, tínhamos a antiga Estrada do Mar, mais conhecida hoje como a Estrada Velha de Santos. Os antigos corsos carnavalescos da terça-feira gorda, que começavam na Paulista, a desciam e terminavam no Gonzaga, em Santos.

A Estrada do Mar não tardou em ficar superada pelo vertiginoso aumento de nossa frota, com a explosão da indústria automobilística nacional no final dos anos 1950 ou dos anos JK. Ela foi logo substituída pela Via Anchieta, que já possuía três túneis em cada pista na Serra do Mar. Não tardou a crescente e continuada industrialização do ABCD, do nosso agro, da expansão do Porto de Santos. E a Anchieta precocemente ficou superada. Desta feita, inicia-se a longa obra da Imigrantes, como corredor de exportação. Tudo isso no final dos 1960, com a consequente decadência de nosso sistema ferroviário. A Santos-Jundiaí não escapou disso, foi totalmente desprezada. Tanto para passageiros como para carga, praticamente sucateou. A gasolina venceu a eletricidade; o asfalto, o aço; o baixo custo, o mais caro; a sustentabilidade, a poluição; a pontualidade, a imprevisibilidade temporal; e o caminho livre, o congestionamento.

Passageiros misturados e atravancados pela carga, descer ou subir para o planalto é similar à Odisseia. Sabe-se que é preciso vencer entraves imprevisíveis, como se fosse uma brincadeira de jogos infantis. É lógico que a custosa e fantástica obra de engenharia que era vencer a Serra do Mar, desde os tempos de Rugendas, entre outros viajantes estrangeiros, foi um dos maiores desafios universais da engenharia para escalar aquela muralha.

Foi, então, por eles classificada a calçada do Lorena como uma das principais obras da engenharia daquela época no Brasil e, por que não?, no mundo, em razão das dificuldades técnicas daquele terreno, tanto pedologicamente como topograficamente. Aquela calçada foi erigida não para servir veículos de rodas, mas sim pedestres, cavaleiros e tropeiros com seus muares. Foi seguida pelo Caminho do Mar ou Estrada do Senador Vergueiro para as diligências e outros veículos de rodas a tração animal.

Já no século 20, a via foi pavimentada para os primeiros veículos automotores, passando a ser chamada Estrada do Mar e conhecida hoje como Estrada Velha do Mar, já desativada e tombada. Nos anos 1950, surge a moderna Via Anchieta, construída pelo então governador Adhemar Pereira de Barros, com duas pistas e duas faixas de veículos por pista. Essa nova via já possuía um traçado mais atualizado para a sua rodagem e apresentava no trecho da serra não só túneis, mas imponentes viadutos. É óbvio que, com a vinda da industrialização da região, impulsionada pela

Diário do Transporte / Toffobus

indústria automobilística, houve o consequente aumento no volume de exportações e importações de outros produtos, além das commodities.

O Porto de Santos foi sendo paulatinamente ampliado, e seu corredor de acesso, que era a Anchieta, ficou subdimensionado, exigindo, assim, a vinda de uma nova rodovia voltada para essa realidade, a Imigrantes.

Essa via, com novos desafios, especialmente do ponto de vista ambiental, foi construída de modo a agredir o mínimo possível a natureza. Menor tempo de viagem, que exigia menor distância e maior velocidade. Essa via, cujo principal objetivo era atender a um corredor de exportações eficiente, mas também de pessoas, porém tinha predominância para o transporte individual. Tudo isso, nos dias de hoje, passou a ser impraticável em vista do aumento do volume de carga para o porto e do fluxo de pessoas, que não se dirigem apenas à Baixada ou vice-versa a trabalho, estudos, lazer, entre outros motivos, mas pelo próprio crescimento demográfico.

O tempo projetado de viagem naquela rodovia, estimado em 40 minutos, deixou de ser há muito uma realidade. Praticamente, voltamos às dificuldades de vencer a muralha, não mais pela tecnologia, mas sim pelo progresso, refletido pelo crescimento das cargas e de pessoas.

Começa um novo desafio. Inúmeras sugestões existem, terminal de cargas junto à Laje de Santos, pátio de armazenagem de contêineres no Alto da Serra, aumento da malha ferroviária, terceira pista para a Imigrantes, uma nova Imigrantes, uma nova estrada para atender o litoral Sul, a construção de um novo porto naquele litoral, entre muitas outras. Entendo que a sugestão mais imediata e de menor custo é dividir a questão em dois segmentos: atender à carga e atender às pessoas.

O mais importante para as pessoas são a rapidez e a segurança. E por que não voltar ao saudoso trenzinho? Com todas as inovações

tecnológicas que já existem, tanto na engenharia civil como na mecânica e ferroviária, a engenharia física evoluiu de Mauá para cá, e muito. Temos que incentivar o transporte de massa, uma questão de engenharia social e ambiental, proporcionando facilidades, conforto e segurança, como acontecia com aquela geração no passado.

O exemplo dela não foi seguido nem absorvido pela geração atual, que, para aquela, era dita “a do futuro”. Enfeitiçada pelo transporte individual. Portanto, que sirva de exemplo para nós quando dizemos que deixamos um ambiente equilibrado e sustentável para as futuras gerações. Devemos ter o cuidado de planejarmos, avaliando os possíveis futuros impactos, muitas vezes imprevisíveis.

Estes foram modificados pelos usos e costumes de uma geração que é influenciada por outras variáveis que o avanço tecnológico traz. Já temos uma infraestrutura de base, basta construir com novas tecnologias composições ferroviárias com todo o conforto, interligando-as às regiões metropolitanas a serem atendidas com o uso de metrô, ônibus específicos, entre outros. E, na Baixada, com o VLT já implantado, que será necessariamente ampliado. O que estão esperando? Mais exemplos das gerações passadas?

*Luiz Felipe Proost de Souza é engenheiro civil especializado em segurança do trabalho, administrador, mestre em saneamento ambiental, professor universitário, perito judicial, foi conselheiro do "Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo), é diretor da Proost Engenharia de Avaliações, membro dos Conselhos Deliberativo e Consultivo do IE (Instituto de Engenharia). Contato: lpkproost@uol.com.br

Calçada de Lorena, pintura de Oscar Pereira da Silva

Por Dentro

IE recebeu menção

honrosa do Crea-SP

Em dezembro, o IE (Instituto de Engenharia) teve o mérito de receber a Menção Honrosa do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo), homenagem dedicada às pessoas de área jurídica e/ou entidades de classe que tenham se destacado por suas ações em prol da área tecnológica.

José Eduardo Jardim, presidente do IE, recebeu o prêmio das mãos de Lígia Mackey, presidente do Crea-SP, em reconhecimento às que abrangem a engenharia e tecnologia. A indicação foi feita pela Câmara Especializada de Engenharia Civil.

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IE realizou visita técnica ao sistema de telecomunicações da Linha 5–Lilás do Metrô

Ieda Yell passa a integrar a Diretoria Regional do IE nas Ilhas Britânicas

O presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim, acompanhado por membros da diretoria, dos conselhos e convidados, recebeu, em dezembro, a engenheira Ieda Yell.

Formada em engenharia química pela UFBA, com mestrados em Energia, pela USP, e em Engenharia Ambiental, pela École Polytechnique Fédérale de Lausanne, Ieda é parceira do Instituto de Engenharia há vários anos, contribuindo de forma consistente com seu conhecimento técnico com a Casa. A partir de agora, passa a integrar a Diretoria Regional do Instituto de Engenharia, assumindo a liderança da representação nas Ilhas Britânicas.

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A convite da Comba, empresa de origem asiática e pioneira na implantação de sistemas DAS (Distributed Antenna System), a diretoria do Instituto de Engenharia, acompanhada de convidados, participou, em dezembro, de uma visita técnica ao sistema de telecomunicações instalado na estação Campo Belo, da Linha 5–Lilás do Metrô de São Paulo.

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Fotos:

Última reunião da Câmara Civil do Crea-SP aconteceu no IE

O Instituto de Engenharia recebeu, em dezembro, os membros da Câmara Civil do Crea-SP para seu último encontro do ano.

O presidente do IE, José Eduardo Jardim, participou da abertura e destacou que “o Instituto de Engenharia, ao longo de mais de um século de atuação, se consolidou como um espaço independente e dedicado ao diálogo, sendo uma honra receber um grupo que representa, com tanta competência, o conhecimento técnico e o compromisso com o desenvolvimento do nosso estado e do nosso país”.

Instituto de Engenharia prestigiou posse da nova diretoria do Ibape-SP

presidente Ibape-SP

A vice-presidente de Administração e Finanças do Instituto de Engenharia, Miriana Marques, prestigiou, em novembro,

a posse da nova diretoria do Ibape-SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia) para o biênio 2026-2027.

Foram empossados os membros da diretoria executiva, do conselho fiscal e as câmaras técnicas. Fabiana Albano Russo de Melo é a nova presidente do Ibape-SP.

A cerimônia, que aconteceu no Auditório do Crea- SP, também contou com a presença do VP de Atividades Técnicas do IE, Jerônimo Cabral, da conselheira Beatriz Rosa, e dos associados Cibele Monteverde e Vitor Marques.

Instituto de Engenharia participou de encontro do SecoviSP NAT, com João Carlos Saad

A convite da diretoria do Secovi (Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo), o presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim, participou, em dezembro, do encontro com João Carlos Saad, presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação, como parte do NAT (Núcleo de Altos Temas).

Na ocasião, Saad expôs sua perspectiva sobre o panorama político e econômico brasileiro, os movimentos geopolíticos e outros aspectos de reflexão, para o posicionamento estratégico de instituições e empresas.

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Jardim (3° à esq.) durante encontro do NAT, com João Carlos Saad. Secovi SP
Legenda da foto: Andrea Cristina Klüppel Munhoz Soares, presidente Ibape Nacional, Miriana Marques VP Instituto de Engenharia, e Fabiana Albano Russo de Melo,

Por Dentro

IE prestigiou o evento “20 anos de Tendências no Mercado da Construção”

A vice-presidente de Administração e Finanças do Instituto de Engenharia, Miriana Marques, prestigiou, em novembro, o evento “20 anos de Tendências no Mercado da Construção”, promovido pela Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração).

O associado Vitor Marques também compareceu, representando a entidade e participando das discussões que marcaram o encontro.

Presidente do IE prestigiou o 2º Encontro de Engenheiros do DER

Aconteceu, em novembro, o 2º Encontro de Engenheiros do DER-SP (Departamento de Estradas de Rodagem). O presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim,

prestigiou o evento, que reuniu profissionais, pesquisadores e gestores públicos para compartilhar conhecimentos e boas práticas aplicadas à infraestrutura rodoviária.

Ao longo do dia, foram realizadas palestras e apresentações sobre segurança viária, materiais e soluções construtivas, além de temas relacionados à mobilidade e inovação.

*Com informações do DER-SP

Corpo

técnico

do IE

entregou à SPTrans relatório de sugestões sobre E-Bus no manual de infraestrutura básica para garagem

O presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim, e membros do corpo técnico da entidade receberam, em novembro, os representantes da SPTrans, Felipe Ramon de Carvalho, gerente de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica, e Rodrigo Santos Ferreira, técnico de Medições – Rede Elétrica.

O motivo do encontro foi a entrega do relatório de sugestões sobre “A inclusão do E-Bus no manual de infraestrutura básica para garagem”, desenvolvido pelos técnicos do IE a pedido da SPTrans.

Para saber todos os detalhes do encontro, escaneie o QR Code ao lado e confira

Paulo Skaf

tem encontro com lideranças do IE

O presidente eleito da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, que assume em janeiro seu quinto mandato à frente da entidade, foi recebido, em novembro, pela diretoria executiva do Instituto de Engenharia e convidados, para um almoço na sede da instituição.

Após as boas-vindas do presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim, Skaf abordou temas relacionados à geopolítica e destacou a importância da relação com os Estados Unidos, principal parceiro comercial do Brasil.

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Vice-presidente do IE participou de evento em celebração à Ifat Brasil

A vice-presidente de Administração e Finanças do Instituto de Engenharia, Miriana Marques, prestigiou, em novembro, o coquetel em celebração ao sucesso da terceira edição da Ifat Brasil (Feira Internacional para Água, Esgoto, Drenagem e Soluções em Recuperação de Resíduos). O evento reúne soluções voltadas à gestão de água e esgoto, drenagem e infraestrutura de saneamento, além de gestão de resíduos e recuperação energética — temas de grande relevância para a engenharia e para a qualidade de vida da sociedade.

Realizado no Hotel Pullman, em São Paulo, o coquetel ocorreu a convite de Thaisa Miyasaki, diretora de projetos da Messe Muenchen do Brasil, organizadora da feira.

O coquetel também marcou o lançamento da próxima edição da Ifat Brasil, que já tem data marcada: será entre os dias 23 e 25 de junho de 2027, no Expo Center Norte. Também participou da celebração o associado Vitor Marques.

José Eduardo Jardim recebeu coronel do Exército Brasileiro

José Eduardo Jardim com o Coronel Carlos Alexandre Bastos de Vasconcellos

O presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim, recebeu, em outubro, o coronel Carlos Alexandre Bastos de Vasconcellos, da área de Projetos de Engenharia do Exército Brasileiro.

Por Dentro

O militar engenheiro participou do painel “Aprofundamento do uso do BIM”, que fez parte do último dia de seminários da Semana Nacional da Engenharia, realizado de 20 a 24 de outubro, na sede do Instituto.

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Presidente do IE recebeu

Pedro Wongtschowski

Da esq. p/ dir.: Lawrence Koo, José Eduardo Jardim e Pedro Wongtschowski

O presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim, e o VP de Assuntos Internos, Lawrence Koo, receberam, em outubro, Pedro Wongtschowski, ex-presidente do Conselho de Administração e ex-CEO do Grupo Ultra, para um almoço na sede do IE.

Durante o encontro, eles conversaram sobre economia. Questionado sobre como vê o Brasil em 2050, Wongtschowski afirmou que depende do que fizermos nos próximos cinco anos. “Se tivermos o bom senso de colocar a economia no lugar, melhorarmos a governança pública e investirmos fortemente em educação, ciência e tecnologia, em 2050 seremos o que quisermos ser.”

Representantes da Rinnai Brasil foram recebidos pela diretoria executiva do IE

O presidente do Instituto de Engenharia, José Eduardo Jardim, juntamente com sua diretoria e conselheiros, recebeu, em outubro, representantes da Rinnai Brasil para discutir a formalização de uma parceria técnica. O encontro foi intermediado pela associada Cibele Monteverde. Empresa nipônica com 105 anos de história e presença consolidada há 50 anos no Brasil, onde mantém sua sede em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, a Rinnai é reconhecida mundialmente por sua excelência em aquecedores a gás e busca ampliar sua colaboração com instituições técnicas e de engenharia.

Confira a agenda de eventos do IE

Conheça a biblioteca do Instituto de Engenharia

Sede do Instituto de Engenharia: Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 - Vila Mariana e-mail: biblioteca@iengenharia.org.br

#Vinho #Energia #Calorias

#Açúcares #Química #Dieta

#Álcool #Metabolismo

TEMPO DE LEITURA ESTIMADO: 4 MINUTOS

A energia do vinho

Por Eng° Ivan Carlos Regina*

Sendo o vinho um dos mais antigos companheiros da humanidade e fazendo parte do cotidiano alimentar de expressivo número de pessoas no mundo inteiro, uma das perguntas que mais ouvimos ao proferir palestras sobre o tema é: vinho engorda?

E a resposta é: claro que sim. Mas quanto? É isso é o que vamos tentar abordar neste artigo, a fim de orientar pessoas que, mesmo de dieta, para emagrecer ou por outras razões, não querem deixar de tomar seu cálice cotidiano.

O componente que mais influencia para calcularmos o número de calorias presentes no vinho é evidentemente o teor de álcool, pois ele é altamente calórico. Mas vamos deixá-lo por último em nossa despretensiosa análise.

Outro fator importante é o teor de açúcar residual presente no vinho. Durante o processo fermentativo, os açúcares presentes no mosto são desdobrados pela ação das leveduras e são transformados em álcool. Ainda assim, uma parcela pequena permanece na composição final do vinho, após o término da fermentação.

Assim, um vinho seco típico terá entre 1g/l e 5g/l de açúcar residual. Isso equivale a 0,04 calorias/100ml até 0,2 calorias/100ml. Já os vinhos mais doces, com, por exemplo, 130 g/l de açúcar residual, contribuirão com 5 calorias/100ml. Logicamente, os vinhos mais

Engenho & Arte

O componente que mais influencia para calcularmos o número de calorias presentes no vinho é evidentemente o teor de álcool
Imagens geradas por IA

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Há uns 50 anos, uma gigantesca exportadora de vinhos chilena sofreu forte e negativo impacto ao ser descoberto que seus vinhos exportados para os EUA estavam sendo acrescidos de sorbitol

doces terão mais calorias, o mesmo ocorrendo com os chamados vinhos generosos ou fortificados, ou seja, a família do Vinho do Porto, apenas para exemplificar.

Os ácidos presentes nos vinhos naturais são o málico, o tartárico, o cítrico e o succínico. Os três primeiros estão presentes na uva. E o último é um subproduto das leveduras de fermentação. Mesmo que o vinho passe pela transformação malolática, quando o ácido málico é transformado em ácido láctico, o teor calórico desses ácidos terá pouco impacto no cálculo geral do vinho. A presença dos ácidos varia muito em função da uva que está sendo utilizada para produção do vinho, bem como o terroir onde o vinhedo está implantado. Para nossa sorte, um vinho típico aportará apenas 0,3 calorias/100ml.

Os polióis são um grupo especial de álcoois de açúcar. No vinho, os polióis provêm da levedura durante a fermentação alcoólica. O principal poliol do vinho é o glicerol. Quando sua produção é interrompida, são produzidos componentes como o D-arabitol, D-sorbitol e D-manitol. Estes últimos ajudam a compor a estrutura do vinho, de forma a torná-lo mais agradável para o consumo humano.

Há uns 50 anos, uma gigantesca exportadora de vinhos chilena sofreu forte e negativo impacto ao ser descoberto que seus vinhos exportados para os EUA estavam sendo acrescidos de sorbitol, o que era evidentemente proibido. A empresa retrucou dizendo ser este componente costumeiramente acrescido a sorvetes e outros produtos industriais de alimentação. No caso do vinho, a proibição tem a ver com a legislação de produção e da importação norte-americana.

Dependendo das condições de fermentação, os polióis podem ir de 4g/l até mais de 20g/l quando as uvas são afetadas por Botrytis cinerea , um fungo que as ataca e aumenta o teor de açúcar por unidade de volume.

U m valor médio de 7 g/l é aceito para um

vinho padrão. Os polióis têm baixa influência nas calorias totais do vinho. Mesmo com 20g/l, trazem apenas 0,48 calorias/100 ml.

Outros componentes, como proteínas, gordura e sal, são praticamente ausentes no vinho. As proteínas nos vinhos tintos reagem com seus taninos, enquanto nos vinhos brancos os próprios enólogos as retiram para evitar a turvação do líquido antes do engarrafamento. O sal só estará presente em vinhos irrigados com água que contenha alto teor de “NaCl”, como é o caso raro de alguns vinhos australianos, ou quando os vinhedos ou as vinícolas estão próximas do mar, assim mesmo com efeito irrelevante sobre o produto final.

Dessa forma, o mais importante é calcularmos o valor calórico do etanol presente no vinho. Uma forma simplificada é adotarmos um valor de sete calorias para cada grau de álcool por 100 ml. Ou seja, se o seu vinho tem um teor de álcool de 12% para cada 100 ml, terá 84 calorias, e se ele tem 13% de teor alcoólico, aportará 91 calorias.

No caso dos vinhos generosos ou fortificados, que chegam a até 20% de álcool, seu teor calórico será de 140 calorias a cada 100 ml.

Se você for engenheiro, pode

utilizar a fórmula

1 caloria é igual a 4,186 quilo joules para calcular

o valor energético do vinho

Somando todos esses componentes, vemos que, a cada 100 ml de vinho, o número de calorias ingeridas chega no máximo a 100. Esse valor pode parecer pequeno, mas, sem dúvida, influencia muito no número de calorias que devemos ingerir diariamente.

Assim, se estiver em dieta, utilize o método aqui apresentado para substituir o eventual consumo de outros produtos, caso você queira continuar ingerindo sua dose habitual de vinho. Mas fica o lembrete: as bebidas alcoólicas devem ser consumidas com parcimônia e sabedoria, pois seu consumo excessivo pode causar males à nossa saúde.

Porém, se você for engenheiro, pode utilizar a fórmula 1 caloria é igual a 4,186 quilojoules para calcular o valor energético do vinho, caso o utilize de qualquer outra forma. Agora, se o vinho for bom, a melhor forma é mesmo beber com respeito e devoção.

Saúde!

*Ivan Carlos Regina é engenheiro do setor de transporte público, associado do Instituto de Engenharia e autor dos livros "Vinho, o Melhor Amigo do Homem" e "Harmonizando Vinho & Comida".

E-mail: ivanregina@terra.com.br.

Crea-SP atualiza anuidade para 2026 e oferece descontos para pagamentos antecipados

OCrea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo) reajustou as anuidades para 2026, definido de acordo com a variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Para profissionais de nível superior, o valor será de R$ 704,51, e para nível médio, R$ 352,26. O Conselho também disponibiliza descontos de 15% a 5% para pagamentos em cota única, além de diversas opções de pagamento, incluindo boleto, Pix e cartão de crédito, visando facilitar a quitação da anuidade pelos profissionais registrados.

Confira as principais dúvidas

Por que o Crea-SP aumentou o valor da anuidade?

O valor da anuidade é definido conforme a Lei nº 12.514/2011, atualizado anualmente de acordo com a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), nos termos das Resoluções nº 1.066/2015 do Confea e do Ato Administrativo do Crea-SP que dispõe sobre os valores para o exercício de 2026.

Anuidades de Pessoa Física em 2026

Profissional de nível superior: R$ 704,51;

Profissional de nível médio: R$ 352,26.

Desconto de 15% para pagamento em cota única até 31/01/26

- para profissionais de nível superior: R$ 598,83; - para profissionais de nível médio: R$ 299,42.

Desconto de 10% para pagamento em cota única até 28/02/26

- para profissionais de nível superior: R$ 634,06;

- para profissionais de nível médio: R$ 317,03.

Desconto de 5% para pagamento em cota única até 31/03/26

- para profissionais de nível superior: R$ 669,28; - para profissionais de nível médio: R$ 334,65.

Como emitir o boleto da anuidade 2026?

O boleto pode ser emitido pelo site anuidade. creasp.org.br. Também é possível acessar a anuidade pelo CreaNet ou pelo aplicativo do Crea-SP. Além disso, o boleto pode ser incluído como Débito Direto Autorizado (DDA) no banco.

Em caso de não recebimento ou dificuldade na emissão, o profissional pode entrar em contato com o SAC pelo telefone 0800 017 18 11 ou pelo e-mail faleconosco@creasp.org.br.

Quais as formas de pagamento da anuidade 2026?

O pagamento pode ser realizado por boleto bancário (à vista ou parcelado em até 6 vezes), Pix ou cartão de crédito (em até 12 vezes).

Como posso pagar a anuidade 2026 via Pix?

O pagamento via Pix pode ser feito por meio do QR Code ou do código de barras disponíveis no boleto da anuidade.

Existem outras condições especiais de desconto?

Sim. O Crea-SP concede descontos específicos, que não são cumulativos:

• 100% de desconto para recém-formados que solicitarem o registro profissional em até 6 meses após a conclusão do curso;

• 90% de desconto para recém-formados que solicitarem o registro profissional entre 6 meses e 1 ano após a conclusão do curso;

• 90% de desconto para homens a partir de 65 anos ou com 35 anos de registro, e mulheres a partir de 60 anos ou com 30 anos de registro no Sistema Confea/ Crea e Mútua;

• 90% de desconto para profissionais que comprovem doença grave que os incapacite para o exercício profissional, desde que estejam em dia com as anuidades anteriores.

Profissionais com mais de 60 anos têm desconto?

Sim. Homens a partir de 65 anos ou com 35 anos de registro, e mulheres a partir de 60 anos ou com 30 anos de registro, têm 90% de desconto na anuidade.

Aposentados têm desconto?

A aposentadoria, por si só, não garante desconto. O benefício é concedido desde que o profissional atenda aos critérios de idade ou tempo de registro previstos na legislação.

EMPRESAS:

Tenho desconto no pagamento da anuidade para empresas?

Sim. Para pagamento em cota única, são concedidos os seguintes descontos sobre o valor integral da anuidade:

• 15% de desconto para pagamentos realizados até 31 de janeiro de 2026;

• 10% de desconto para pagamentos realizados até 28 de fevereiro de 2026;

• 5% de desconto para pagamentos realizados até 31 de março de 2026.

Tenho empresa unipessoal e quero a isenção para pessoa física. No site está gerando o boleto tanto pessoa física como pessoa jurídica. Como proceder?

Mesmo nos casos de empresa unipessoal ou título único, o sistema emite os dois boletos, de Pessoa Física (PF) e de Pessoa Jurídica (PJ). No entanto, ao realizar o pagamento da anuidade de Pessoa Jurídica, a anuidade de Pessoa Física é automaticamente baixada no sistema em até 24 horas.

Após baixa no sistema, o status da anuidade de pessoa física constará com o status “BAIXA EMPREENDEDOR – ANUIDADE EMPRESA QUITADA” no CreaNet.

Tenho uma empresa unipessoal ou abri recentemente uma, e gostaria de fazer o registro de empresa no Crea-SP. Tenho direito ao benefício de isenção da anuidade de pessoa física?

Sim, registre sua empresa e faça o pagamento da anuidade de pessoa jurídica ate o dia 31/03 e você automaticamente receberá o benefício de isenção para anuidade de pessoa física.

Acesse o QR Code para obter mais informações

Ana Margarida Castro Euler

Ana Margarida Castro Euler trilhou carreira na engenharia florestal, área em que o trabalho de campo e a liderança de equipes majoritariamente masculinas ainda desafiam preconceitos sobre o que é “apropriado” para mulheres.

Atualmente, ela ocupa posições estratégicas, como diretora-executiva na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e na Anater (Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural), gerindo áreas complexas que vão da inovação e negócios ao ESG e compliance.

Sua trajetória é impulsionada por referências femininas fortes, como a ministra Marina Silva e as doutoras Fátima Piña-Rodrigues, Tatiana Sá, Mariângela Hungria e Kazue Fujiwara. Ana Margarida, que é membro-fundadora da Rede Mulher Florestal, destaca que, apesar dos avanços, a busca por equidade é fundamental para superar desafios como a disparidade salarial no setor. Segundo a engenheira, “o equilíbrio entre os gêneros é capaz de tornar as organizações mais inovadoras e prósperas”.

Como conselho às jovens profissionais, ela enfatiza a importância da formação contínua e do investimento no capital social por meio da participação em redes e associações. Ana destaca que a colaboração deve superar a rivalidade: “em um ambiente de trabalho competitivo, as mulheres devem se apoiar e não disputar espaço”. Para ela, além do conhecimento técnico, saber gerir conflitos e buscar mentorias são passos essenciais para o sucesso na carreira.

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