Skip to main content

frontline_150_150dpi_final

Page 1

Siga-nos no facebook

www.revistafrontline.com

MIGUEL PINTO “A MOBILIDADE ELÉTRICA DEIXOU DE SER UMA PROMESSA E PASSOU A SER UMA ESCOLHA REAL”

TRIBUNAIS SOB PRESSÃO

O FUTURO DA JUSTIÇA EM PORTUGAL

DOMÍNIO PÚBLICO MARÍTIMO

À SOMBRA DOS CHAPÉUS DE SOL

SISTEMA VOLTA

10 MILHÕES DE EMBALAGENS RECOLHIDAS

MEDICAMENTOS GENÉRICOS

P.V.P. €10

POUPANÇAS SIGNIFICATIVAS

RAID REGIÃO BEIRAS E SERRA DA ESTRELA NO CORAÇÃO DA MONTANHA


MEDITERRÂNEO E ILHAS GREGAS DESDE BARCELONA! NOVO!


OASIS PRIVADO

MEDITERRÂNEO E ILHAS GREGAS Partidas Junho, Julho e Agosto 2026

Villefranche

TEATRO: NOVOS ESPETÁCULOS

La Spezia Santa Margherita Civitavecchia (Roma)

Barcelona

Nápoles

Barcelona Atenas (Piraeus)

Mykonos

BORA RESTAURANTE Valleta Santorini Kusadasi

» Novos espaços « » Novas experiências « » Mais entretenimento « » Dedicação em cada detalhe! « THE BAZZAR: FESTIVAL CARNAVAL DAS CARAÍBAS

Mais informações e reservas através do email: apoioaocliente@melaircruzeiros.pt ou Telf.: 210 329 416

#ELEVATE


EDITORIAL

EDITORIAL

OLHAR O PRESENTE, PREPARAR O FUTURO mais consciente e preparada para uma nova geração de consumidores. Nesta Grande Entrevista, Miguel Pinto fala sobre o posicionamento da Polestar, os desafios da eletrificação em Portugal, a evolução da gama e o futuro de uma indústria em mudança.

A edição n.º 150 da revista FRONTLINE marca uma etapa especial no nosso percurso. É um número que celebra a história construída ao longo dos anos, feita de entrevistas, reportagens, viagens, automóveis, cultura, economia e protagonistas que deram vida às nossas páginas. Mais do que olhar para trás, esta edição reforça a vontade de continuar a fazer uma revista com identidade, rigor e atenção ao que distingue pessoas, marcas e projetos. Seguimos em frente, com o mesmo compromisso, contar boas histórias, sempre na linha da frente. MIguel PInto À frente da Polestar em Portugal, Miguel Pinto tem acompanhado de perto a afirmação da marca no mercado nacional e a transformação profunda que o setor automóvel atravessa. Com uma visão centrada na mobilidade elétrica, no design, na tecnologia e na sustentabilidade, lidera uma marca que procura afirmar-se no segmento premium com uma abordagem distinta, mais digital,

4/ 4/ FRONTLINE FRONTLINE

RaId RegIão beIRas e seRRa da estRela Entre os dias 12 e 14 de junho, o Raid Região Beiras e Serra da Estrela 2026 levou os participantes por alguns dos cenários mais marcantes do interior do país, com passagem por Manteigas, Belmonte e pela aldeia de Videmonte. Num percurso marcado pela paisagem serrana, pelo património e pelo convívio, a iniciativa destacou a beleza natural e a autenticidade da região. O alojamento no Vila Galé Collection Serra da Estrela completou a experiência, num fim de semana que juntou condução, descoberta e valorização do território. Rock In RIo lIsboa O Rock in Rio Lisboa regressou ao Parque Tejo nos dias 20, 21, 27 e 28 de junho, para a sua 11.ª edição, reforçando o seu lugar como um dos grandes eventos musicais do país. Com uma programação marcada por artistas nacionais e internacionais, a Cidade do Rock voltou a juntar música, entretenimento e experiências pensadas para diferentes públicos. Nesta edição, um dos grandes momentos pertenceu a Rod

Stewart, que brilhou no dia 27 de junho, levando ao palco a energia e o carisma de uma carreira incontornável. Mais do que um festival, o Rock in Rio Lisboa confirmou-se como um ponto de encontro entre gerações, cultura e celebração, num ambiente que continua a fazer parte da memória coletiva da cidade. RestauRante Il VIValdI No coração do Funchal, o restaurante Il Vivaldi afirma-se como uma referência da cozinha mediterrânica, num espaço que combina gastronomia, um ambiente elegante e uma vista privilegiada sobre a baía. Instalado no edifício da antiga Casa do Turista, o restaurante valoriza também a memória e o carácter histórico do lugar. Com uma proposta marcada pela criatividade, pelo serviço cuidado e por uma forte ligação aos sabores mediterrânicos, o Il Vivaldi oferece uma experiência pensada para quem procura mais do que uma refeição: um momento de descoberta, conforto e sofisticação na Madeira. Votos de boas féRIas Desejamos a todos boas leituras e umas excelentes férias, com tempo para descansar, descobrir e aproveitar o melhor do verão.


ANO 18

9/FRONTLINE


SUMÁRIO

8/ NEWS 12/ GRANDE ENTREVISTA Miguel Pinto

22/ OPINIÃO

Luís Mira Amaral Maria de Belém Roseira Carlos Zorrinho Luís Lopes Pereira Fernando Leal da Costa

12

28/ GRANDE ANGULAR Mundial de Futebol 2026

30/ PANORAMA Estatísticas

32/ AMBIENTE Reciclagem

34/ ANÁLISE

Domínio Público

36/ EM FOCO

28

Justiça

38/ ATUALIDADE Segurança

40/ SAÚDE

Estabilidade

42/ MAGAZINE

Engenharia civil

44/ VISÃO

Promoção da saúde

46/ DOSSIER

Inteligência artificial

52 FICHA TÉCNICA Diretor: Nuno Carneiro | Editora: Ana Laia | Colaboram nesta revista Luís Mira Amaral, Fernando Leal da Costa, Luís Lopes Pereira, Carlos Zorrinho, Isabel Meirelles, Carlos Mineiro Aires, Fernando Santo, Fernando Negrão, Carlos Martins, Antóno Saraiva, Pedro Mota Soares, Alexandre Miguel Mestre, Rui Miguel Tovar, Jorge Garcia, Casimiro Gonçalves, Fernanda Ló, João Cordeiro dos Santos, José Caria, M. Sardinha | Revisão: Helena Matos Fotografia: Mariana Themudo Abreu/FF e Orlando Lima, CML / Museu de Lisboa / EGEAC / José Avelar, Francisco Almeida Dias, João Cupertino, Martina Orsini, Miguel Figueiredo Lopes / Presidência da República, Nelson Teixeira, Nuno Madeira, Pedro Sampayo Ribeiro, Rui Ochoa/Presidência da República | Diretor Comercial: Miguel Dias | Proprietário:Armando Matos | Produção: DesignCorner Lda., Rua Infante D. Henrique, 21, 3000-220 Coimbra Sede: Airport Business Center Avenida das Comunidades Portuguesas Aerogare, 5º piso–Aeroporto de Lisboa 1700-007 Lisboa – Portugal E-mail: geral@hvp-design.pt | Registada no ICS com o n.º 125341 | Depósito Legal n.º 273608/08 | Estatuto editorial disponível em: www.revistafrontline. com Facebook: RevistaFRONTLINE

6/FRONTLINE


SUMÁRIO

48/ ESPECIAL HCUM

50/ RETROSPETIVA

Medicamentos genéricos

56

52/ DESPORTO

Competições internacionais

54/ LIVROS 56/ MOTORES

BMW iX3 50 xDrive

62/ IMOBILIÁRIO

Forbes Global Properties

64/ OFF ROAD

Raid Região Beiras e Serra da Estrela

70/ ON THE ROAD 72/ SOBRE RODAS BMW R 1300 RT

64

74/ A RESERVAR Il Vivaldi

76/ APRESENTAÇÃO Nissan Leaf Omoda 7

78/ SOCIAL

Rock in Rio Lisboa International Club of Portugal

82/ CULTURA

Clube dos Poetas Mortos

78

FRONTLINE/7


NEWS

MINI PORTUGAL

FOR THE OCEANS A MINI Portugal inaugurou a 24 de junho, em Setúbal, um projeto pioneiro de sustentabilidade desenvolvido em parceria com a Gravity Wave, start-up internacional dedicada à limpeza dos oceanos e à promoção da economia circular. Esta colaboração assinala a primeira ação da empresa em Portugal, após o sucesso alcançado em Espanha com o projeto MINI for the Oceans, através do qual foram recolhidas mais de 9 toneladas de plástico do Mediterrâneo. Os resíduos foram posteriormente transformados em mobiliário urbano produzido a partir de redes de pesca recicladas, dando uma nova vida a materiais recolhidos do mar. Setúbal foi o concelho escolhido para acolher esta primeira intervenção em território nacional, reforçando o compromisso da MINI com a sustentabilidade, a proteção dos oceanos e o desenvolvimento de iniciativas com impacto positivo nas comunidades locais e no ambiente.

GENERIS FARMACÊUTICA

20 ANOS DA UNIDADE HOSPITALAR A Generis assinala com orgulho os 20 anos da sua Unidade Hospitalar. Criada em 2002, a Generis tornou-se uma empresa líder em Portugal no mercado de medicamentos genéricos. Em 2006, adquire a sua primeira instalação fabril, com o objetivo de implementar uma estratégia de crescimento sólida e sustentada. Hoje, a Generis faz parte do Grupo Aurobindo, presente em mais de 20 países, verticalmente integrado desde a I&D à comercialização. O Grupo detém 26 fábricas com os mais recentes equipamentos e exporta para mais de 150 países. “E se tivesse de resumir este percurso numa única palavra?” Foi esse o desafio que a marca lançou à equipa que ajudou a construir esta história, e das respostas surgiu um retrato daquilo que os define: proximidade e compromisso. “Desde 2018, que somos líderes de mercado em unidades e continuamos a trabalhar todos os dias para colocar a Saúde em Primeiro.” 8/FRONTLINE


NEWS

TECNORÉM S.A.

CERIMÓNIA DO “PAU DE FILEIRA”

A Tecnorém S.A. realizou, dia 24 de junho, a cerimónia do “Pau de Fileira” da Empreitada de Conceção-Construção da Residência de Estudantes da NOVA FCT, uma obra da Universidade Nova de Lisboa com o apoio do PRR. A visita foi presidida pelo cardeal-patriarca de Setúbal, D. Américo de Aguiar, o diretor da Universidade NOVA FCT, José Alferes, contando igualmente com a presença da Administração da Tecnorém, representada pelos engenheiros Carlos Batista e Gonçalo Baptista, bem como de toda a equipa técnica. Este evento teve como objetivo celebrar a conclusão da estrutura do edifício, simbolicamente assinalada com a colocação de um ramo de oliveira no ponto mais alto da obra, símbolo de paz, dedicação e empenho de todos os colaboradores e parceiros no desenvolvimento deste projeto.

MUNICÍPIO DE PROENÇA-A-NOVA PRÉMIOS BUPI 2025

Media Partners

10/FRONTLINE

INSCRIÇÕES: geral.icpt@gmail.com | geral@icpt.pt www.icpt.pt | 211 320 413 | 913 330 055

O Município de Proença-a-Nova conquistou o 1.º lugar na categoria “Boas Práticas de Atendimento” dos Prémios BUPi 2025, distinção que reconhece o trabalho desenvolvido no apoio aos cidadãos na identificação da propriedade rústica. O prémio destaca um serviço de proximidade assente na confiança, na escuta ativa e no acompanhamento personalizado, bem como a aposta no atendimento especializado, na utilização autónoma da aplicação BUPi e na conciliação administrativa. Em 2025 foram identificadas cerca de 11.400 propriedades e atendidos aproximadamente 1500 cidadãos. No total, o concelho soma mais de 68 mil propriedades identificadas, abrangendo cerca de 22 mil hectares e 6 mil proprietários, refletindo o compromisso do Município com a valorização do território e o envolvimento da população.


GRANDE ENTREVISTA | Miguel Pinto

12/FRONTLINE


Miguel Pinto | GRANDE ENTREVISTA

“A MOBILIDADE ELÉTRICA DEIXOU DE SER UMA PROMESSA E PASSOU A SER UMA ESCOLHA REAL” por Nuno Carneiro

Miguel Pinto lidera a afirmação de uma marca jovem, totalmente elétrica e posicionada no segmento premium, num momento em que o setor automóvel vive uma transformação estrutural. Da evolução do consumidor por tuguês aos desafios da infraestrutura de carregamento, passando pela sustentabilidade, pelo design e pela concorrência global, a entrevista olha para o presente e para o futuro da mobilidade elétrica em Portugal.

O que O levOu a aceitar O desafiO de liderar a P Olestar em P Ortugal ? Sou desde sempre um apaixonado pelo setor automóvel, no qual tenho vindo a fazer o meu percurso profissional. Creio que o que mais me aliciou terá sido, em primeiro lugar, a oportunidade de fazer parte de uma transformação estrutural do setor automóvel, capaz de transformar a sociedade, respondendo às suas necessidades de mobilidade, mas também capaz de construir um mundo melhor e mais sustentável para as gerações vindouras. A Polestar é uma marca muito interessante que não nasceu como uma transição de uma marca tradicional – nasceu já com uma visão muito clara do futuro: um futuro elétrico, digital e sustentável. Isso permite-nos trabalhar com uma liberdade estratégica diferente. A estes fatores juntaria ainda o facto de acreditar, desde o início, que Portugal po-

deria desempenhar um papel relevante para a Polestar. É um mercado que tem demonstrado desde sempre abertura à inovação e uma taxa de adoção de veículos elétricos bastante interessante, sobretudo no contexto do Sul da Europa. cOmO define hOje a essência da POlestar? A Polestar é a única marca europeia 100% elétrica. Estamos presentes no segmento premium com três pilares bem definidos: design escandinavo puro, performance única de condução e uma preocupação real com a sustentabilidade. Há também um quarto elemento que é igualmente crítico – a transparência. Temos uma abordagem muito pragmática em relação à sustentabilidade, onde tudo é mensurável e integrado na nossa cadeia de valor. Não se trata apenas de comunicar uma ambição, mas de garantir

que essa ambição se traduz em decisões concretas, seja no desenvolvimento do produto, seja na escolha de parceiros, na forma como construímos os nossos eventos, etc. Esta conjugação de pilares emocionais e racionais é única no setor e ajuda a diferenciar a identidade da Polestar. a ligaçãO inicial à vOlvO ainda é relevante ? Foi importante numa fase inicial, sobretudo pela credibilidade e pela herança tecnológica. A ligação à Volvo é algo que muito nos orgulha, mas posso dizer que, hoje em dia, a Polestar tem um posicionamento completamente autónomo. A marca conquistou o seu próprio espaço no segmento premium elétrico, com uma linguagem de design distinta e uma proposta de valor muito clara. Essa independência é fundamental para afirmar-

FRONTLINE/13


GRANDE ENTREVISTA | Miguel Pinto

14/FRONTLINE


Miguel Pinto | GRANDE ENTREVISTA

O que significa ser uma marca premium nO universO elétricO?

“UM CLIENTE PREMIUM PROCURA INOVAÇÃO

RELEVANTE, DESIGN DIFERENCIADOR E UMA EXPERIÊNCIA FLUIDA, TANTO NO PRODUTO COMO NO PROCESSO DE COMPRA. E PROCURA, CADA VEZ MAIS, MARCAS QUE TENHAM UM POSICIONAMENTO CLARO E CONSISTENTE COMO AQUELE QUE A POLESTAR TEM”

mos a nossa identidade e para construirmos uma relação própria com o cliente. No entanto, para além da partilha de plataformas do Grupo Geely, da utilização de fábricas comuns, mantemos uma relação sólida com a Volvo. Os clientes Polestar sabem, por exemplo, que podem receber assistência técnica em qualquer dos 28 pontos pós-venda da Volvo no nosso país. O setOr autOmóvel está a mudar radicalmente . c OmO se reflete issO nO negóciO ? A mudança é estrutural. No produto em si e no modelo de negócio. O automóvel deixou de ser apenas um produto físico para passar a ser uma plataforma tecnológica em constante evolução. Hoje, a experiência não termina na compra – prolonga-se ao longo de todo o ciclo de vida do veículo, com atualizações remotas, serviços digitais e uma relação contínua com o cliente. Isso altera profundamente a forma como se pensa, se comercializa e se vive o automóvel. Diria que o setor automóvel está a passar por uma revolução a todos os níveis. O que significa ser uma marca premium nO universO elétricO ? O conceito Premium também tem vindo a evoluir. Já não se limita a materiais

ou acabamento – está também cada vez mais ligado à experiência, à tecnologia e à coerência da proposta. Um cliente premium procura inovação relevante, design diferenciador e uma experiência fluida, tanto no produto como no processo de compra. E procura, cada vez mais, marcas que tenham um posicionamento claro e consistente como aquele que a Polestar tem. POrtugal já é um mercadO madurO Para a mObilidade elétrica ? Portugal está relativamente avançado, especialmente se compararmos com outros mercados do Sul da Europa como a Espanha e a Itália por exemplo. Estamos avançados a vários níveis, quer na aceitação do produto em si, quer na infraestrutura de carga, um aspeto fundamental na jornada elétrica. É evidente que continua a existir alguma distância entre o segmento do cliente particular e o empresarial, tendo este último um papel fundamental na aceleração da eletrificação, uma vez que os incentivos fiscais na compra de elétricos para empresas são significativos. No entanto, o peso do cliente particular tem vindo a crescer, temos visto isso no mercado em geral e nas vendas da Polestar em particular.

O que leva hOje um cliente a escOlher um elétricO ? São vários fatores. Em primeiro lugar diria que a racionalização da estrutura de custos e a conclusão de que os custos de utilização são de facto mais baixos nos automóveis elétricos quando comparados com as motorizações a combustão (especialmente no contexto atual da escalada dos preços de petróleo). Por outro lado, há a vertente tecnológica que terá aliciado uma boa parte dos clientes mais early adopters. Os benefícios fiscais referidos anteriormente têm também muito peso, especialmente na fatia de mercado empresarial. Por outro lado, ainda, há também um fator importante que é a experiência de condução – que muitas vezes surpreende positivamente quem faz a transição. Por último, uma palavra também para as razões ambientais. São muitos aqueles, especialmente na Polestar, que escolhem um veículo 100% elétrico, pois é o que a sua consciência ambiental diz, cientes que estão a contribuir para a construção de um futuro mais sustentável. e O que ainda trava essa decisãO? Sabemos que ainda persistem algumas barreiras, sobretudo ao nível da perceção da autonomia dos modelos e da infraestru-

FRONTLINE/15


GRANDE ENTREVISTA | Miguel Pinto

têm vindO a alargar a gama. qual O PaPel de cada mOdelO?

O ALARGAMENTO DA GAMA É UM PASSO “NATURAL NA MATURIDADE DA POLESTAR ENQUANTO MARCA E REFLETE A TRANSIÇÃO DE UMA PRESENÇA MAIS DE NICHO PARA UMA PROPOSTA MAIS COMPLETA NO SEGMENTO PREMIUM ELÉTRICO”

tura de carga. No entanto, diria que estes preconceitos já não correspondem à realidade, especialmente num país como o nosso, onde não só o território já começa a ter uma estrutura de carga muito completa, como também já é possível ligar as principais cidades nacionais numa viagem de modelo elétrico com uma só carga, sem necessidade de parar a meio do caminho. Importa continuar a explicar, a desmistificar e ensinar os clientes de que, hoje em dia, a transição para a mobilidade elétrica talvez já faça todo o sentido para a maior parte deles. qual O PesO das emPresas na vOssa atividade ? É um canal absolutamente determinante. Em linha com o mercado nacional, continua a representar uma parte muito relevante das vendas, significando atualmente mais de 75% das nossas vendas totais. O mercado empresarial é um motor importante da transição energética, quer pela fiscalidade, quer pela capacidade de renovação de frotas. a fiscalidade tem sidO um fatOr decisivO? Sem dúvida. O enquadramento fiscal em Portugal tem sido um dos principais aceleradores da mobilidade elétrica, sobre-

16/FRONTLINE

tudo no segmento empresarial mas também no particular. têm vindO a alargar a gama. qual O PaPel de cada mOdelO ? O alargamento da gama é um passo natural na maturidade da Polestar enquanto marca e reflete a transição de uma presença mais de nicho para uma proposta mais completa no segmento premium elétrico. Durante algum tempo, operámos com um único modelo, o Polestar 2, o que nos permitiu afirmar a identidade da marca e validar o nosso posicionamento. Hoje, com uma gama mais alargada, conseguimos responder a diferentes perfis de cliente sem perder coerência estratégica. O Polestar 2 continua a ser a nossa base. Foi o modelo que nos permitiu entrar no mercado e construir notoriedade. É um produto muito equilibrado, que combina design, tecnologia e performance, e continua a ser essencial para introduzir novos clientes ao universo Polestar. No próximo ano vamos iniciar a comercialização de um Polestar 2 completamente renovado. O Polestar 3 representa a nossa entrada no segmento dos SUV premium de maior dimensão, com uma proposta mais familiar e mais sofisticada. É um modelo fantástico,

reforçado agora com a chegada dos 800V, que reforça claramente o posicionamento da Polestar ao nível do conforto, do espaço e da tecnologia, respondendo a um tipo de cliente que valoriza versatilidade e utilização mais transversal. O Polestar 4 assume um papel absolutamente central na nossa gama. É, provavelmente, o modelo que melhor traduz o equilíbrio entre design, performance e funcionalidade. Tem uma proposta muito versátil e apelativa, o que explica a forte recetividade que tem tido em vários mercados, incluindo Portugal onde é o nosso bestseller. Já o Polestar 5 tem um papel distinto. É o nosso halo car, um modelo de afirmação tecnológica e emocional. Mais do que volume, o seu objetivo é reforçar a imagem da marca, demonstrar a nossa capacidade de inovação e projetar o posicionamento da Polestar num patamar ainda mais elevado dentro do segmento premium. No fundo, cada modelo tem uma função clara dentro da estratégia da Polestar: desde a captação de novos clientes até ao reforço de posicionamento e da imagem. O que nos distingue é que, apesar desta diversificação, conseguimos manter uma identidade muito consistente – em design, em experiência e na forma como encaramos a mobilidade elétrica.


Miguel Pinto | GRANDE ENTREVISTA

FRONTLINE/17


GRANDE ENTREVISTA | Carlos PedroPedro António João Assunção Gonçalves Pereira Martins Saraiva Cristas Matos Gonçalves Fernandes

18/FRONTLINE


Miguel Pinto | GRANDE ENTREVISTA

Esse equilíbrio entre escala e coerência é, provavelmente, um dos aspetos mais críticos na fase de crescimento em que nos encontramos. O POlestar 4 tem sidO Particularmente bem recebidO . P Orquê ? O sucesso do Polestar 4 resulta, acima de tudo, de um alinhamento muito claro entre aquilo que o mercado procura hoje e a proposta concreta do nosso produto. Em primeiro lugar, há um fator de design que não pode ser ignorado. O Polestar 4 apresenta uma abordagem muito diferenciadora dentro do segmento – é um coupé com uma identidade forte, minimalista e bastante distintiva. Num mercado premium cada vez mais competitivo, onde muitos produtos tendem a convergir, essa diferenciação estética tem um impacto real na decisão de compra. Depois, há um segundo eixo, que é o equilíbrio do produto. O Polestar 4 consegue combinar performance, autonomia, espaço e tecnologia de uma forma muito coerente. Não é um modelo de nicho – é um produto que consegue falar com vários perfis de cliente, desde empresas a particulares, precisamente porque não obriga a compromissos relevantes em nenhuma dimensão-chave. Outro aspeto importante é a proposta tecnológica e de experiência. O veículo integra de forma muito natural a componente digital – seja ao nível da interface, da conectividade ou da experiência de utilização –, o que vai ao encontro das expectativas de um cliente que já vive num ecossistema digital no dia a dia. Isso torna a adaptação ao produto muito intuitiva. Por fim, há um fator crítico que é o posicionamento de valor. O Polestar 4 apresenta uma proposta muito competitiva dentro do segmento premium elétrico, oferecendo um nível de design, tecnologia e performance que o torna bastante atrativo face às alternativas disponíveis. No fundo, o que explica a sua recetividade é esta combinação de fatores: um design distintivo, um produto equilibrado, uma experiência tecnológica forte e um posicionamento muito bem calibrado para o mercado atual.

e O POlestar 5? Como referi anteriormente, o Polestar 5 é o nosso halo car. Representa o máximo daquilo que conseguimos fazer em termos de tecnologia, design e performance. É um modelo que não tem como objetivo o volume, mas sim reforçar a imagem da marca e projetar a nossa visão para o futuro. Existem muitas características que o tornam único, sendo que gostaria de destacar o seguinte: o Polestar 5 é extremamente fiel ao concept precept. Conseguimos manter o design de produção praticamente intacto em relação ao protótipo inicialmente apresentado, algo raro na indústria automóvel. cOmO se cria emOçãO num autOmóvel elétricO ? A emoção continua a existir – mas é uma emoção diferente. Está no design, na aceleração, na experiência digital, no silêncio. É uma emoção mais sofisticada, mais ligada à experiência global do produto. E para mostrar isto mesmo, temos uma parceria com a Universidade de Oxford, em que estamos a medir de forma científica o prazer de condução. Os resultados serão divulgados em breve. a

exPeriência

de

cOmPra

também

mudOu ?

Mudou profundamente – e não foi uma mudança incremental, foi estrutural. Durante décadas, a experiência de compra automóvel foi relativamente linear e centrada no ponto de venda físico. Hoje, esse modelo evoluiu para uma lógica claramente omnicanal, onde o cliente controla muito mais o processo e decide quando e como interage com a marca. O digital assume agora um papel absolutamente central no início da jornada. É, na maioria dos casos, o primeiro ponto de contacto – seja para pesquisa, configuração do veículo ou comparação de opções. O cliente chega ao momento de decisão muito mais informado, com expectativas claras e um nível de exigência superior.

“O DIGITAL

ASSUME AGORA UM PAPEL ABSOLUTAMENTE CENTRAL NO INÍCIO DA JORNADA. É, NA MAIORIA DOS CASOS, O PRIMEIRO PONTO DE CONTACTO – SEJA PARA PESQUISA, CONFIGURAÇÃO DO VEÍCULO OU COMPARAÇÃO DE OPÇÕES”

FRONTLINE/19


GRANDE ENTREVISTA | Miguel Pinto

escolha de materiais ou na seleção de fornecedores – tem de ser avaliada também pelo seu impacto ambiental. Isso implica um nível de exigência elevado, porque obriga a repensar processos industriais, cadeias de fornecimento e até o próprio design dos veículos. Um dos elementos mais diferenciadores é precisamente essa transparência total. Trabalhamos para quantificar e comunicar o impacto de cada modelo ao longo do seu ciclo de vida, o que permite ao cliente tomar decisões informadas. Não se trata apenas de dizer que um produto é mais sustentável – trata-se de demonstrar em que medida o é, e onde ainda há margem de melhoria. Outro aspeto fundamental é o facto de encararmos a sustentabilidade como uma jornada contínua, e não como um destino já alcançado. Temos metas ambiciosas – nomeadamente ao nível da neutralidade carbónica – mas, mais importante do que a meta em si, é a forma como trabalhamos diariamente para a atingir, envolvendo toda a cadeia de valor.

Mas isso não significa que o físico tenha perdido relevância – pelo contrário. O que aconteceu foi uma redefinição do seu papel. Os Polestar Spaces, por exemplo, não são concessionários tradicionais; são espaços de experiência, desenhados para permitir um contacto mais próximo com o produto, sem pressão comercial direta. Isso é importante porque reflete uma mudança no comportamento do consumidor, que valoriza mais autonomia e menos fricção no processo de decisão. Os test-drives continuam a ser um momento crítico – muitas vezes decisivo – porque é aí que o cliente valida a proposta do produto e, no caso dos elétricos, quebra preconceitos associados à condução, autonomia ou performance. Outro elemento que ganhou relevância é a continuidade da relação após a compra. Hoje, a experiência não termina na entrega do automóvel. Existe uma ligação permanente com o cliente, através de serviços digitais, atualizações remotas e acompanhamento ao longo de

20/FRONTLINE

todo o ciclo de vida do veículo. Diria que o grande desafio – e também a grande oportunidade – está em garantir uma experiência integrada e consistente em todos os pontos de contacto. Não se trata apenas de ter canais digitais e físicos, mas de garantir que funcionam de forma complementar e coerente. O que distingue a vOssa abOrdagem à sustentabilidade ? Referi anteriormente que a sustentabilidade é um dos nossos pilares fundamentais, constituindo não um pilar de comunicação, mas um princípio operacional que orienta toda a organização. O que verdadeiramente nos distingue é o facto de tratarmos a sustentabilidade como algo mensurável, transparente e integrado em toda a cadeia de valor, e não como uma iniciativa isolada ou um conjunto de compromissos genéricos. Desde o início, a Polestar assumiu uma abordagem muito clara: cada decisão – seja no desenvolvimento de produto, na

cOmO encaram a crescente cOncOrrência ? A concorrência é positiva porque nos obriga a trabalhar cada vez melhor. O nosso foco passa por manter uma proposta clara, diferenciadora e consistente – baseada em design, tecnologia e sustentabilidade – e continuar a construir uma marca com identidade forte. que evOluçãO anteciPa Para O mercadO ? Nos próximos cinco anos, esperamos, crescimento sustentado dos elétricos, maior competitividade e uma aceleração tecnológica cada vez maior. Portugal continuará a ser um mercado relevante neste contexto. que marca gOstaria de deixar na POlestar POrtugal? Gostaria de deixar uma marca consolidada, com uma presença forte e reconhecida pela inovação, pela sustentabilidade e pela qualidade da experiência que oferece. No fundo, uma marca que não só acompanha a transformação do setor, mas que ajuda a liderá-la.


O corpo humano é extraordinário Realizamos milhares de milhões de feitos num só batimento cardíaco, somos exemplos espantosos da tecnologia da natureza. Mas também somos humanos. Enfraquecemos. Falhamos. E quando isto acontece, os nossos extraordinários corpos exigem soluções extraordinárias que transformam a vida. Lideramos a tecnologia médica global, resolvendo com audácia os problemas de saúde mais desafiantes, que a humanidade enfrenta atualmente. Saiba mais em medtronic.pt


OPINIÃO | Luís Mira Amaral

OS PAINÉIS FOTOVOLTAICOS E AS BATERIAS

O

s promotores das centrais fotovoltaicas que estão em mercado andam há mais de dois anos a pedir uma tarifa garantida, à semelhança do que têm as que estão na PRG (Produção com Remuneração Garantida), pois em certas horas estão confrontados com o excesso de produção renovável, que afunda os preços no mercado grossista afetando a sua rendibilidade. Eu próprio sugeri num artigo no Expresso que houvesse um apoio público para que essas centrais investissem em baterias, fazendo com que a energia acumulada nas horas em excesso fosse injetada na rede nas horas com preços mais atrativos. Seria uma maneira racional de aproveitar a tal energia em excesso. Por outro lado, na SIC Notícias com o jornalista Gomes Ferreira, a ministra do Ambiente afirmou que não seriam concedidas mais tarifas garantidas, as chamadas tarifas feed-in (FiT). Percebi imediatamente que a senhora podia fazer essa afirmação porque tinha à sua disposição outro esquema de tarifas

garantidas, os chamados Contratos por Diferença (Contracts for Difference CfD). Isto confirma-se agora ao anunciar não só o apoio público ao investimento nessas baterias, como eu tinha proposto, mas também ao dizer que as baterias vão ter CfD. Como elas vão funcionar acopladas a esses parques fotovoltaicos, são no fundo esses parques que vão indiretamente ter pelos CfD uma tarifa garantida... Nas FiT as centrais recebem o preço garantido. Depois, se este é superior ao preço de mercado, os consumidores vão pagar-lhes o sobrecusto através dos CIEG. No início da guerra da Ucrânia, houve uma situação em que as FiT foram inferiores ao preço de mercado, com um CIEG negativo a benefício do consumidor. Nos CfD, as centrais recebem o preço de mercado, mas depois, se este for inferior ao preço garantido (strike price), o sistema vai pagar-lhes essa diferença, repassando esse sobrecusto para o consumidor. Inversamente, se o preço de mercado for superior ao preço garanti-

do, as centrais devolvem ao sistema essa diferença a benefício do consumidor. No fundo, em termos económicos, os CfD são preços garantidos idênticos aos das FiT, são FiT de segunda geração, com uma pequena diferença em termos de tesouraria das empresas. Atribuir CfD às baterias acopladas a centrais solares é ainda um erro económico por outra razão. Com efeito, se esse par central fotovoltaica-bateria tiver um preço garantido através dos CfD, não tem incentivo para apenas injetar na rede nas horas mais críticas e em que o preço será mais elevado. Com preço garantido, esse par não vai depender do preço de mercado e poderá injetar na rede às horas que entender, não contribuindo para ajudar o sistema nas horas críticas, enquanto se o par ficar sujeito aos preços de mercado vai obviar ser sensível a esses preços para injetar a energia na rede. Ainda estaremos a pagar até 2039 FiT das velhas eólicas. Será que começa agora um novo ciclo de subsidiação à custa do consumidor?

AINDA ESTAREMOS A PAGAR ATÉ 2039 FIT “ DAS VELHAS EÓLICAS. SERÁ QUE COMEÇA AGORA UM NOVO CICLO DE SUBSIDIAÇÃO À CUSTA DO CONSUMIDOR?” Engenheiro e Economista

22/FRONTLINE


Maria de Belém Roseira | OPINIÃO

“REVEILLONS-NOUS!”

D

e acordo com um relato vindo a público através da imprensa norte-ameriGERE E HIGMWnS ½REP HI MRMGMEV YQ GSR¾MXS armado com o Irão não terá sido consensual.Voz ou vozes mais avisadas terão argumentado no sentido dos enormes riscos de uma operação dessa natureza que, no caso de falhar ou de não atingir todos os seus objetivos, teria graves impactos nos Estados Unidos e a nível global. Essa posição não mereceu acolhimento e os resultados estão à vista. Sentimo-los diariamente. Mas, no momento em que escrevo, tudo leva a crer que estarão apenas no seu início, com o retomar das atividades hostis entre os beligerantes. Estamos perante países com uma diferença abissal em termos políticos e culturais e os decisores norte-americanos hoje no poder XsQ HM½GYPHEHI IQ GSQTVIIRHIV GSQS GMZMlizações milenares e com culturas diametralmente opostas às suas levam a comportamentos diferentes perante estímulos idênticos. Basta atentar no seguinte: enquanto um regime teocrático, em que poder político e religioso se interpenetram, pode galvanizar o seu povo para a participação na guerra como instrumento de salvação, uma democracia não tem essa possibilidade. Ao contrário, sabemos a valorização que as democracias ocidentais fazem da vida humana e como uma decisão de mobilização alargada para a guerra dos seus nacionais é amplamente rejeitada e pode ter consequências políticas profundas. Winston Churchill referia esta diferença nas reações sociais de uma forma muito

impressiva:“Vale mais um homem com convicção do que cem com opiniões!” Tudo leva a crer que tem havido falta de capacidade de análise desta dimensão, a das convicções que motivam, que galvanizam e que fazem cada pessoa exceder-se a si própria. Em época tão próxima de eleições intercalares tudo teria aconselhado uma enorme prudência, evitando enveredar por mensagens erráticas, contraditórias, provocadoras, e por ações provocatórias que se sabe como começam e desconhece-se como acabam. Um dos aspetos que tem caracterizado a época atual é, em meu entender, a sacralização da economia, muito preocupada com o seu crescimento, mas muito pouco preocupada com a justiça da sua distribuição com, ao mesmo tempo, o concomitante abandono ou, pelo menos, menosprezo do pensaQIRXS VI¾I\MZS UYI TVSHY^ GSRLIGMQIRXS sobre a condição humana, o sentido da vida, o que legitima o exercício da ação política, a interdependência entre seres humanos, o mundo e os ecossistemas, e por aí adiante. Na verdade, conseguimos um grande avanço com a especialização do conhecimento, mas também perdemos a noção de como tudo está interligado. Sabemos cada vez mais sobre cada uma das partes, mas deixamos de perceber o todo, que não é apenas a soma das partes e ignora a importância das inter-relações. Um dos maiores pensadores do século XX, )HKEV 1SVMR UYI TIVHIQSW ½WMGEQIRXI IQ maio último, prestes a completar 105 anos de idade no início de julho, deixa-nos uma

SFVE I\XVESVHMRjVME UYI MHIRXM½GE KVERHI parte dos males do nosso tempo. Considerando que a humanidade atravessa uma época de grande perturbação, através da Teoria do Pensamento Complexo que desenvolveu, não se eximiu a deixar-nos algumas orientações designadamente nas conferências que proferiu no nosso país em anos recentes. Mesmo em épocas onde tudo parece desmoVSREV q TSWWuZIP ¯ E½VQEZE ¯ QERXIV E IWTIrança, se optarmos pela metamorfose em vez de, pura e simplesmente, deixarmos degradar. Metamorfose que implica mudar formas de viver e de pensar. E já via sinais dessa mudança numa maior consciencialização da crise da biosfera e como ela nos afeta, na maior consciência que vamos tendo de que somos todos diferentes, mas partilhamos a mesma condição de seres humanos que transportam em si o resultado da evolução desde as partículas primordiais, uma globalização que trouxe uma noção mais clara de cidadania global, e a indispensabilidade do diálogo para, apesar das nossas diferenças, encontrarmos pontos de entendimento. 7z q TSWWuZIP E½VQE VIWSPZIV EW ZjVMEW GVMWIW que afetam a humanidade, desde a económica à ambiental, à social, à política, que se alimentam umas às outras, se investirmos na compreensão das suas interconexões profundas. “Despertemos!”, insta-nos, num dos seus últimos livros publicados. Talvez seja a altura de uma rejeição profunda e expressiva da subserviência a que assistimos no comportamento de alguns responsáveis mundiais na última reunião da NATO.

OS DECISORES NORTE-AMERICANOS HOJE “ NO PODER TÊM DIFICULDADE EM COMPREENDER COMO CIVILIZAÇÕES MILENARES E COM CULTURAS DIAMETRALMENTE OPOSTAS ÀS SUAS LEVAM A COMPORTAMENTOS DIFERENTES PERANTE ESTÍMULOS IDÊNTICOS”

Jurista

FRONTLINE/23


OPINIÃO | Carlos Zorrinho

O DESCODIFICADOR CULTURAL

T

alvez pela imersão na cultura em sentido lato, que necessariamente resulta de ser presidente de um município com a história, o património e a identidade cultural de Évora, e que em reconhecimento e celebração será Capital Europeia da Cultura em 2027, e também porque a aceleração tecnológica e o combate pela sobrevivência da centralidade humana face ao desenvolvimento dos modelos de linguagem a isso me obriga, a verdade é que sinto cada vez mais que o descodificador cultural associado à capacidade de imaginar são as duas chaves que poderão abrir uma nova etapa de disrupção sustentável para a humanidade tal como a conhecemos. A dimensão cultural, embora por vezes menorizada, sempre foi fundamental no desenho de políticas. Em parceria com a GEVEGXIVM^EpnS QSVJSPzKMGE I KISKVj½GE com a base sociológica, com o potencial económico, com o quadro ambiental, com o acervo de trabalhadores mais ou menos UYEPM½GEHSW GSQ E VIHI HI GSRLIGMQIRXS

e as ferramentas de incentivo ao investimento e à inovação, a base patrimonial e cultural sempre foram eixos considerados, quanto se desenharam e implantaram estratégicas de valorização do território. O que mudou agora, com a incerteza e a aceleração global, é que a Cultura deixou de ser apenas um importante elemento para a gestão do Território, para passar a WIV S WIY TVMRGMTEP EPMGIVGI HI½RMRHS WI a semente do futuro cai no caminho, na berma inóspita ou no terreno fértil. A cultura alentejana, lato senso, foi ao longo dos tempos interpretada como de extraordinária riqueza associada a uma perceção de lentidão, desigualdade social gritante, sofrimento e partida. Se formos capazes de usar a cultura do Vagar como HIWGSHM½GEHSV TSHIVIQSW EQFMGMSREV mudar a perceção, a narrativa, e sarar progressivamente as feridas de iniquidade e carência que ainda pululam pela terra alentejana. 7I EWWMQ S ½^IVQSW S XIVVMXzVMS HS %PIRtejo, como outros territórios que cruzam

identidade com modernidade e interioridade com centralidade cultural e geográ½GE XSVREV WI j HYTPEQIRXI EXVEXMZS TEVE os querem fruir de um padrão de vida com maior controlo sobre o tempo e o seu espaço vital, e para os que querem habitar num contexto ideal para se focarem na fronteira do conhecimento, da inovação e do investimento e gerar redes de transformação unidas por uma cultura que repele o efémero e puxa pelo sentido das coisas. Évora, Capital Europeia ao Sul pela sua história, pelo seu património e pela sua ambição, e Capital Europeia da Cultura 2027 pelo reconhecimento da sua matriz diferenciadora, vive um tempo único de oportunidade para se assumir como indutora de uma mudança de perceção, com consequências estruturais no desenvolvimento do território e no legado que vai ser gerado para o futuro da cidade, no concelho, na região e muito para além dela, promovendo com isso uma cultura de liberdade, diversidade, inclusão e paz, mas também de desenvolvimento sustentável, dignidade e propósito.

A CULTURA ALENTEJANA, LATO SENSO, FOI AO “ LONGO DOS TEMPOS INTERPRETADA COMO DE EXTRAORDINÁRIA RIQUEZA ASSOCIADA A UMA PERCEÇÃO DE LENTIDÃO, DESIGUALDADE SOCIAL GRITANTE, SOFRIMENTO E PARTIDA” Presidente da Câmara Municipal de Évora

24/FRONTLINE


Luís Lopes Pereira | OPINIÃO

ESTRATÉGIAS PARA A ESCASSEZ DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE

E

ste problema já não é de agora e tem quase uma década. Ao contrário do que muitos portugueses pensam, a escasWI^ HI TVS½WWMSREMW HI WE HI q YQ TVSblema europeu e internacional. Alguns países mais ricos, têm contratado no exterior como é o caso do Reino Unido, que RSW XIQ PIZEHS SW QIPLSVIW TVS½WWMSREMW do mercado. A hipótese de contratar no exterior é encarada como uma possível saída para Portugal, mas não poderá ser a única estratégia, talvez tenhamos de combinar algumas táticas para colmatar as nossas necessidades. Aliás abordei este tema no meu último artigo. Portugal e a Europa apostam agora na transformação digital e na Inteligência %VXM½GMEP -% TEVE EYXSQEXM^EV XEVIJEW administrativas. O uso de IA liberta os TVS½WWMSREMW HI XEVIJEW FYVSGVjXMGEW I\ transcrição clínica, triagem automatizada), permitindo que se foquem no doente. A telemonitorização reduz a sobrecarga física nas urgências e centros de saúde. Esta será provavelmente a aposta que terá resultados mais evidentes no curto prazo e tem um alinhamento importante com a criação das Unidades Locais de Saúde. Como a emigração tem um impacto severo em países como Portugal, a Or-

ganização Mundial de Saúde (OMS) e especialistas europeus defendem que a melhoria das remunerações, a estabilidade contratual (combate à precariedade) e a conciliação com a vida pessoal são prioridades absolutas face à simples contratação internacional. Consequentemente será necessário reforçar o investimento na formação contínua e na adaptação a novas competências digitais e verdes. A União Europeia (UE) XEQFqQ HIFEXI E GIVXM½GEpnS XVERWREGMSREP I\ )YVSTIER 1IHMGEP &SEVH 'IVXM½GEXMSR TEVE JEGMPMXEV E QSFMPMHEHI UYEPM½GEHE Mais difícil é deliberar a transferência de tarefas (task-shifting) permitindo a delegação de responsabilidades clínicas e operacionais em pessoal de apoio ou especialistas de nível intermédio, atenuando a pressão sobre médicos e enfermeiros. % HM½GYPHEHI EHZqQ REXYVEPQIRXI HSW lobbies TVS½WWMSREMW I\MWXIRXIW UYI GVMEQ muita inércia nos decisores das políticas de saúde pública e nas políticas de contratação laboral no setor. Todos estes caminhos para minimizar o MQTEGXS HE IWGEWWI^ HI TVS½WWMSREMW HI WE HI XIQ WMHS EPZS HI VI¾I\nS I MRZIWtigação académica*. Falta passarmos da teoria para a prática.

Embora algumas táticas estejam já a ser implementadas, espero sinceramente que o grupo que avalia e estuda um possível pacto para a saúde, que o nosso Presidente da República criou, consiga prosseguir e expurgar a saúde não necessariamente das ideologias dos diferentes partidos políticos, pois são esses que têm de chegar a acordo, mas sim de idealismos, pois esses vivem no campo da utopia e nunca são alcançados. Uma boa dose de pragmatismo será necessária para pormos diferentes ideologias de acordo com uma política que resolva os nossos problemas no setor da Saúde. Referências: •https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37185627/ •https://www.spms.min-saude.pt/2025/03/ inteligencia-artificial-na-saude-em-portugal-regulamentacao-impactos-e-perspetivas-de-futuro/#:~:text=A%20SPMS%20elaborou%20 um%20White%20Paper%2C%20que%20 a g o r a , s u a s % 2 0 re p e rc u s s % C 3 % B 5 e s % 2 0 atuais%2C%20mas%20tamb%C3%A9m%20 as%20perspetivas%20futuras. •https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0168851026000345 •Caso Português (Nova SBE, 2022): Simões, J. (2022). “Recursos Humanos em Saúde”

AO CONTRÁRIO DO QUE MUITOS “ PORTUGUESES PENSAM, A ESCASSEZ DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE É UM PROBLEMA EUROPEU E INTERNACIONAL” Economista e Gestor em Saúde

FRONTLINE/25


OPINIÃO | Fernando Leal da Costa

INCAPACIDADES E REFORMAS

N

ada que me tenha surpreendido, descobriu-se que uma médica estaria a passar relatórios falsos para que pessoas sem incapacidade conseguissem a aposentação mais cedo e com os benefícios inerentes à sua fictícia incapacidade. Uma situação de conluio, conhecida na povoação onde a senhora exerceria as suas capacidades de charlatã. Conluio com quem deferia a aposentação e, com certeza, com mais agentes da saúde e da segurança social. Os factos serão apurados e a devida justiça aplicada. O que me move a escrever estas linhas não é o caso de justiça p.d. Sobre esse apenas posso dizer que me espanta ter sido necessário, ainda bem que aconteceu, uma investigação de jornalista com mérito. Viva a liberdade de imprensa! O que me ocorreu que valeria a pena sublinhar é o que se prende com a minha falta de surpresa para a vigarice nos processos de aposentação, reforma se preferirem. Porque é de reforma que tudo isto precisa. Um sistema baseado em papéis a que se chamam “relatórios médicos” e em juntas que decorrem em formato “fábrica de salsichas” só podia estar sujeito a erros e falhas… mais aldrabices. Não era evidente? Depois de conhecidas todas as variedades HI QEPI½GsRGME TVEXMGEHEW GSQ VIGIMXEW I

atestados, as quais se procuraram corrigir com os sistemas de prescrição eletrónica de medicamentos, com êxito, e a emissão informatizada de atestados, com efeito mitigatório, onde está a surpresa? Ando há anos a alertar a segurança social de que as juntas médicas de verificação de baixas e incapacidades são, na maioria dos casos, desnecessárias e geradoras de perda de tempo assistencial útil. O mesmo para as verificações de incapacidades. O “atestado multiusos” foi um progresso, mas insuficiente. A tabela de incapacidades em vigor é velha, desadequada, construída para acidentes e inexata para a atribuição de incapacidades consequentes a doenças. Por exemplo, ter a infelicidade de sofrer de um cancro confere automaticamente direito a 60% de incapacidade com os devidos benefícios fiscais e direito a ter lugar de deficiente para estacionar o carro particular. Mas, na verdade, tumores malignos sem metástases e permitindo uma vida de relação podem conferir incapacidade de 0,26 a 0,60. Como se distingue? Parece-me demasiado amplo e impreciso. Se estiver a “morrer”, vai de 0,8 a 0,95, (alguém deve ter o discernimento de descobrir a diferença) sendo que com 100% deve ser suposto estar morto!? E uma

pessoa, muito doente, apesar da baixa – certificado de incapacidade temporária – passada pelo médico, não se livra de ir a juntas de verificação. Não seria mais fácil ir verificar o processo clínico? Não seria tudo mais simples se, com um processo eletrónico verificável pelos peritos da segurança social, fosse possível seguir o percurso clínico da pessoa e só observar os casos suscetíveis de dúvida? E que tal rever a tabela de incapacidades em vigor desde tempos imemoriais? A mais “nova” de 2007 continua cheia de imprecisões e é Kafkiana na interpretação e aplicação, ainda cheia de subjetividades. Podemos dizer que seria inevitável dada a natureza contínua e não discreta dos fenómenos patológicos. Todavia, sublinhe-se, a tabela que se usa foi desenhada para acidentes e doenças profissionais, pelo que os peritos são obrigados a exercícios de extrapolação quando fora deste âmbito. Há que simplificar e desenhar um sistema em que não haja arbitrariedades. Em suma, há uma incapacidade do Estado que implica morosidade, complexidade, arbitrariedades, erros e patifarias de vária índole. Cá está um tema bom para a Reforma. Aposentar o sistema e reformar procedimentos. Todos agradecemos.

ANDO HÁ ANOS A ALERTAR A SEGURANÇA “ SOCIAL DE QUE AS JUNTAS MÉDICAS DE VERIFICAÇÃO DE BAIXAS E INCAPACIDADES SÃO, NA MAIORIA DOS CASOS, DESNECESSÁRIAS E GERADORAS DE PERDA DE TEMPO ASSISTENCIAL ÚTIL” Médico do IPO e Professor da Escola Nacional de Saúde Pública

26/FRONTLINE


GRANDE ANGULAR | Mundial de Futebol 2026

CABO VERDE: QUANDO O FUTEBOL ENSINA UMA NAÇÃO A PENSAR MAIOR por Carlos Carreiras Consultor

Num mundo onde os recursos parecem determinar quase tudo, Cabo Verde contrariou uma das maiores ilusões do nosso tempo: a de que apenas os grandes estão destinados a vencer.

H

á histórias que se escrevem com golos. Outras escrevem-se com ideias. A extraordinária afirmação internacional da seleção de futebol de Cabo Verde pertence à segunda categoria. Mais do que um percurso desportivo de excelência, aquilo a que assistimos foi à demonstração de que a verdadeira dimensão de um país nunca pode ser medida pela sua geografia, pela sua população ou pelo seu Produto Interno Bruto. Mede-se pela capacidade de construir identidade, gerar confiança e transformar limitações em vantagem competitiva. Num mundo onde os recursos parecem determinar quase tudo, Cabo Verde contrariou uma das maiores ilusões do nosso tempo: a de que apenas os grandes estão destinados a vencer. A seleção cabo-verdiana entrou em campo sem o peso da história das grandes potências, mas carregando algo igualmente poderoso: uma cultura de compromisso, organização e crença coletiva. E foi precisamente isso que captou a atenção do mundo. Enquanto muitos procuravam explicar os resultados através da qualidade individual dos jogadores, talvez tenham ignorado o fator mais relevante. As equipas verdadeiramente vencedoras não nascem apenas do talento. Nascem da construção de um propósito comum.

28/FRONTLINE


Mundial de Futebol 2026 | GRANDE ANGULAR

Foi isso que Cabo Verde apresentou. Uma equipa disciplinada, resiliente, emocionalmente madura e absolutamente consciente daquilo que representava muito para além dos 90 minutos. É precisamente aqui que o futebol deixa de ser apenas desporto e passa a constituir um caso de estudo sobre liderança. As organizações mais competitivas do mundo ensinam que as pessoas produzem resultados extraordinários quando encontram um propósito que transcende os interesses individuais. As grandes seleções funcionam da mesma forma. E poucos exemplos recentes ilustram tão bem esse princípio como os Tubarões Azuis. IdentIdade nacIonal Mas existe uma segunda dimensão que merece uma reflexão ainda mais profunda. Cabo Verde conseguiu transformar a sua diáspora numa vantagem estratégica. Num contexto internacional em que tantos países discutem identidade, pertença e integração, os atletas cabo-verdianos mostraram que a identidade nacional não depende exclusivamente do local de nascimento. Constrói-se através da cultura, da memória, da família, da educação e do sentimento de pertença. Jogadores nascidos em diferentes continen-

tes escolheram representar um pequeno arquipélago africano porque compreenderam que a identidade não é um documento administrativo. É uma escolha consciente. Esta poderá ser uma das maiores lições que Cabo Verde oferece ao mundo. Durante décadas, muitos países olharam para a emigração como uma perda inevitável de talento. Cabo Verde demonstrou que uma diáspora bem ligada ao país de origem pode transformar-se num extraordinário ativo nacional, capaz de gerar conhecimento, investimento, influência internacional e orgulho coletivo. É uma visão moderna da construção de uma nação. Uma visão onde as fronteiras físicas deixam de limitar a comunidade que um país representa. Mas talvez a maior transformação provocada por esta seleção aconteça dentro do próprio país. As vitórias desportivas têm um impacto que raramente aparece nos indicadores económicos, mas que condiciona profundamente o desenvolvimento das sociedades: alteram a forma como um povo olha para si próprio. HIstórIa de superação Durante muito tempo, Cabo Verde habituou-se a superar dificuldades. Aprendeu a resistir à escassez, ao isolamento e às

limitações estruturais próprias de um pequeno Estado insular. Essa capacidade continua a ser uma das suas maiores virtudes. Contudo, esta geração parece querer acrescentar uma nova ambição à narrativa nacional. Já não basta resistir. É possível competir. É possível liderar. É possível inspirar. Essa mudança de mentalidade pode produzir efeitos muito mais duradouros do que qualquer classificação desportiva. Porque quando uma criança cabo-verdiana vê a sua seleção enfrentar de igual para igual algumas das maiores potências do futebol mundial, deixa de perguntar se é possível. Passa a perguntar como pode conseguir. É essa mudança de pergunta que altera o futuro. Todas as grandes transformações começam primeiro no imaginário coletivo. Só depois chegam às empresas, às universidades, à ciência, à inovação, ao empreendedorismo e às instituições. As nações mais bem-sucedidas são, quase sempre, aquelas que aprenderam primeiro a acreditar em si próprias. Naturalmente, o futebol não resolve problemas estruturais. Não substitui políticas públicas, não elimina desigualdades nem cria desenvolvimento económico por decreto. Mas possui uma capacidade extraordinária: moldar narrativas. E as narrativas moldam sociedades. Talvez seja precisamente esse o maior legado desta seleção. Não apenas os resultados alcançados, mas a mudança de paradigma que representa. Ao desafiar gigantes, Cabo Verde mostrou ao mundo que a excelência não depende da dimensão dos recursos, mas da qualidade da visão, da liderança e da capacidade de mobilizar talento em torno de um objetivo comum. Num tempo em que tantas organizações procuram descobrir a fórmula da competitividade, um pequeno arquipélago africano recordou uma verdade antiga, tantas vezes esquecida: os maiores ativos de qualquer comunidade continuam a ser a confiança, a identidade e a coragem para pensar maior do que as circunstâncias. Essa é uma lição que ultrapassa o futebol. E é, talvez, a mais importante de todas. FRONTLINE/29


PANORAMA | Estatísticas

QUANTOS SOMOS?

por António Saraiva Presidente da SPAL

Depois de anos de polémica sobre a discrepância entre os dados relativos aos fluxos migratórios do INE e da AIMA, eis que surgem dados atualizados do INE sobre a mais elementar das perguntas: quantos somos?

“U

ma Autoridade Estatística independente e credível, que desenvolve processos estatísticos metodologicamente avançados, que recorre à inovação tecnológica, à ciência de dados, à integração de múltiplas fontes para fins estatísticos, no respeito pela confidencialidade dos cidadãos e entidades, e que devolve à sociedade estatísticas de valor para um

30/FRONTLINE

melhor conhecimento, investigação e a tomada de decisão.” Este é o modo como o INE define a sua visão. No entanto, no melhor pano cai a nódoa, e depois de anos de polémica sobre a discrepância entre os dados relativos aos fluxos migratórios do INE e da AIMA, eis que surgem dados atualizados do INE sobre a mais elementar das perguntas: quantos somos?

Esta é uma pergunta a que, desde tempos imemoriais, os decisores públicos se esforçam por responder. É o próprio INE quem nos diz, com rigorosa exatidão, que, em 2238 a.C., o imperador chinês Yao mandou realizar um censo da população e das lavouras cultivadas e que, no século XVI a.C., havia recenseamentos (anuais, note-se) realizados pelos egípcios.


Estatísticas | PANORAMA

aumento populacional Em tempos em que as tecnologias têm proporcionado um aumento exponencial na quantidade (e uma melhoria na qualidade) de dados disponíveis em todos os campos, soubemos, agora, que somos mais (significativamente mais) do que julgávamos. Precisamente, em média, éramos, no ano passado, mais 605 mil pessoas (5,6% mais) do que o INE nos vinha a dizer. O aumento da população entre 2020 e 2025 foi, afinal, de 9,8% e não de 4,0%. Esta diferença tem impacto, desde logo, no planeamento dos serviços públicos e respetivas infraestruturas. Tem impacto, sobretudo, nas políticas de integração da população imigrante, variável que sofreu a revisão mais significativa (mais 29% do que a anterior estimativa, em 2023). A população residente de nacionalidade estrangeira foi estimada, agora, em perto de 1,6 milhões de pessoas, representando 14,0% do total da população residente. A diferença tem impacto, também, na economia. Se somos mais do que pensávamos, o PIB per capita, indicador fundamental para aferir o desenvolvimento económico e o bem-estar material da

população de um país ou região, é menor do que o que julgávamos. Em linguagem comum, podemos dizer que, afinal, somos mais pobres do que o que presumíamos. Mais precisamente, o PIB per capita de Portugal em 2025, que era estimado em perto de 28.400 euros, passou a ser estimado em perto de 26.900 euros: menos cerca de 1500 euros (ou seja, menos 5,3%). Isto significa, também, que o PIB per capita português (em paridades de poder de compra) é de 77% (e não de 81%) da média europeia, o que nos posiciona com o sexto valor mais baixo da EU (em vez do nono) e o quarto mais baixo da zona do euro (em vez do sexto). Significa, ainda, que a convergência com a média europeia nos últimos cinco anos foi muito menor do que os dados antigos faziam crer: 3,1 pontos percentuais e não 7,4. Revisão de dados Nada disto é negligenciável. Tem, por exemplo, implicações muito sensíveis no cálculo da alocação de fundos europeus ao nosso país. Ressalvo aqui que todos estes cálculos pressupõem que o PIB propriamente dito não é

revisto. Ora, de acordo com a nota metodológica que o INE divulgou, esta revisão das estimativas da população residente implicará a revisão da população empregada, o que por sua vez levará à reavaliação dos resultados das Contas Nacionais (logo, o PIB será revisto). Será, certamente, uma revisão pouco significativa, uma vez que a avaliação da atividade económica assenta primordialmente em fontes de informação que não sofreram alterações. Conhecê-la-emos em março de 2027. Até lá, paciência: para termos uma melhor ideia de quão ricos somos, teremos de nos basear em cálculos pouco rigorosos, como os que aqui procurei apresentar. Perdoe-me o leitor o tom por vezes irónico deste texto. Estamos a falar de assuntos sérios. Os dados são hoje encarados como o recurso mais valioso do mundo. Temos de reconhecer que dados incorretos geram análises erradas e decisões prejudiciais. As correções agora feitas (e as que terão ainda de ser realizadas) terão impacto nas análises (aliás, posso imaginar as dores de cabeça dos académicos e investigadores de diversas áreas, neste momento). Terão também algum impacto ao nível das políticas públicas?

FRONTLINE/31


AMBIENTE | Reciclagem

VOLTA COM FUTURO por Carlos Martins Engenheiro Especialista em Engenharia Sanitária

Estou de volta para prosseguir algumas reflexões sobre o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), identificado pela marca Volta.

A

ssumo que é cedo para uma avaliação da política pública específica, da mesma forma que pelas boas práticas internacionais estou convicto e alinhado com os objetivos, considerando nuances na implementação, melhorias na ótica de cidadão utilizador, contributos para resultados económicos e ambientais, alinhados com uma economia circular. Considero que para atingir as metas europeias que estabelecem: (i) Recolha seletiva de garrafas de plástico e recipientes de metal de utilização única para

32/FRONTLINE

bebidas de 90% do total colocado no mercado; (ii) incorporação de 30% de material reciclado no caso das garrafas de plástico a partir de 2030; (iii) incorporar 65% de material reciclado nas garrafas de plástico de bebidas de uso único a partir de 2040, temos um desafio comportamental relevante. Embora não seja utilizador de redes sociais, tenho tido acesso, através de familiares e amigos, a conteúdos que conformam campanhas de (des)informação concertadas e visam um ataque ao sistema, onde

se misturam meias-verdades, muita superficialidade de análise e alguma má-fé para com os principais atores, nomeadamente os promotores, licenciadores e entidades públicas que assumem a regulação e transparência pública do sistema. No final dos primeiros dois meses de funcionamento, o sistema VOLTA recolheu 10 milhões de embalagens, restituindo 1 milhão de euros do valor dos depósitos cobrados. Sem conhecer as embalagens VOLTA colocadas no mercado e o valor de depósito cobrado no


Reciclagem | AMBIENTE

momento da venda, não temos informação para uma reflexão aprofundada, mas ficamos com a ideia de que, em média, cada português promoveu a deposição de uma embalagem no sistema VOLTA nos primeiros 60 dias. Quando fazemos a compra de produto embalado, todos estamos cientes de que o custo da embalagem está integrado no valor de venda. Com o sistema de deposição voluntária, ao abrigo do princípio da RAP – Responsabilidade Alargada do Produtor, produtores, importadores ou embaladores integram no custo da embalagem uma componente destinada a assegurar o funcionamento do sistema, nomeadamente o pagamento dos valores de contrapartida aos sistemas multimunicipais e intermunicipais que asseguram a recolha seletiva e triagem das embalagens. reduçãO de tarifas Cada vez que um cidadão promove com os seus comportamentos a recolha seletiva, está a assegurar que municípios e sistemas de gestão de resíduos tenham receitas que possam cobrir as despesas desses serviços e possam praticar tarifas de resíduos urbanos mais reduzidas, tanto mais reduzidas quanto mais eficientes forem desenvolvidas essas atividades. Cada vez que os cidadãos colocam as suas embalagens junto dos resíduos indiferenciados, regra geral, estão a incrementar custos de uma operação de recolha de resíduos inteiramente suportada por municípios. Neste caso importa saber que em termos médios poderemos ter, em Portugal, um valor próximo dos 150 a 200 euros/tonelada para realizar a recolha de resíduos indiferenciados. Se tivermos em conta que uma família de três pessoas produz em Portugal um valor que andará próximo ou ligeiramente acima de 1 tonelada/ano, isso aponta para uma tarifa que pode andar entre os 12 e 15 euros/mês. Dito de forma muito objetiva, os cidadãos que não promovem a recolha seletiva estão a agravar os custos de gestão do sistema de gestão de resíduos e a penalizar as tarifas dos cidadãos que observam comportamentos alinhados com os valores ambientais. Essa é a base usada em algumas cidades europeias com sistemas PAYT – Pay-as-you-throw, promovendo o princípio do poluidor-pagador,

fomentando a redução da produção de resíduos e incentivando a sua separação, uma vez que quanto mais resíduos se produzir, mais se paga. experiência pessOal No entanto não devemos ignorar aspetos que possam dificultar a adesão dos cidadãos, por isso procurei junto de amigos e famílias que promovem a deposição voluntária de embalagens uma sensibilidade ao sistema VOLTA e estão sempre presentes dois aspetos: (i) o volume gerado no armazenamento de garrafas e embalagens abrangidas é significativo, colocando o problema em casas pequenas de habitações multifamiliares e o seu transporte aos locais de deposição também cria dificuldade adicional; (ii) a rede de pontos de entrega é manifestamente limitada, num país com estrutura de povoamento complexa. Finalmente, a minha própria experiência como utilizador carreou mais reflexões. Com a aquisição de embalagens integradas no sistema VOLTA tive a preocupação de as selecionar e armazenar (não fora dispor de espaço exterior à habitação e seria difícil), mas as maiores críticas surgiram na sua entrega. Foi fácil identificar a existência de máquinas perto de casa de meu filho, no CascaiShopping – loja Continente. Já no local, com um saco de grandes dimensões (as garrafas têm se ser devolvidas sem grandes deformações) para acomodar 6 garrafas de 1,5 litros, mais 4 garrafas de 1 litro e algumas latas de alumínio de 0,5 litros, percorri um corredor da superfície comercial procurando as máquinas e nada… Dirigi-me ao apoio ao cliente e fiquei a saber que teria de ir a um elevador específico, subir 2 pisos e

no exterior deslocar-me a um ponto de entrega. Felizmente estava bom tempo, mas confesso que a logística não incentiva o cidadão a promover a recolha seletiva. Ao colocar as embalagens na máquina surgiram três opções para a devolução dos valores de depósito: 1 – Crédito em cartão de fidelização de clientes da superfície comercial; 2 – Doação do valor a instituições sociais; 3 – Documento de crédito para uso na superfície comercial. OpOrtunidades de melhOria Retirei desta primeira experiência pessoal duas oportunidades de melhoria para o sistema: (i) a localização das máquinas de retoma tem de ser facilmente acessível; (ii) o talão de crédito deverá ser passível de uso em outros estabelecimentos comerciais de vendas de bebidas. Ao criar uma fidelidade “obrigatória” de compra pode induzir consumo condicionado e no limite posso vir a realizar compras onde as margens de venda podem fazer desaparecer a recuperação do valor de depósito das embalagens. Este efeito prejudica o pequeno comércio, que não tem volume de vendas que justifique a colocação de máquina, determinando maiores deslocações para os cidadãos e uma fidelidade que pode não ser desejada. Não conheço em detalhe os valores que a SDR suporta junto das superfícies comerciais onde coloca máquinas para suporte à logística, mas sei que tem de ser exigente e transparente, pois nuns casos as máquinas estão em locais de fácil acessibilidade e áreas nobres, já no caso da minha experiência temos locais marginais e de difícil acesso. Estes ajustes podem ser feitos ao sistema SDR sem colocar em causa os aspetos positivos da política pública.

FRONTLINE/33


ANÁLISE | Domínio Público

O DOMÍNIO PÚBLICO MARÍTIMO À SOMBRA DOS CHAPÉUS DE SOL por Carlos Mineiro Aires Engenheiro Civil, Administrador Executivo da Fundação da Construção

O princípio de que o mar, as praias, os portos, os estuários navegáveis, pertenciam ao uso comum remonta ao Direito Romano, às Ordenações Afonsinas, Manuelinas e Filipinas e à legislação liberal do século XIX, pelo que o conceito de domínio público marítimo não pode ser considerado uma inovação jurídica portuguesa.

O

Estado português não criou o domínio público marítimo em 1864, pois já existia uma tradição jurídica ancestral segundo a qual esses bens eram públicos. A data de 31 de dezembro de 1864 não corresponde, pois, à criação do Domínio Público Marítimo (DPM), pois essa data passou a ser utilizada muito posteriormente como marco histórico para reivindicar a propriedade privada de terrenos que hoje se presumam integrados no domínio público marítimo.

34/FRONTLINE

De forma simplista, os proprietários privados apenas podem ter direitos de presunção de usufruto do domínio público se demonstrarem que os terrenos já eram propriedade privada antes de 31 de dezembro de 1864, através de um complexo e exigente processo de reconhecimento. O domínio público marítimo pertence ao Estado e integram-no as águas costeiras e territoriais, as águas interiores sujeitas à influência das marés, o leito dessas águas, os fundos marinhos da plataforma continental

e da zona económica exclusiva, as margens das águas costeiras e das águas sujeitas à influência das marés. As mArgens Um dos aspetos mais importantes refere-se às margens do mar que integram o domínio público marítimo, salvo situações excecionais previstas na lei, que, em regra, têm uma largura de 50 metros, contados a partir da linha da máxima preia-mar de águas vivas equinociais.


Domínio Público | ANÁLISE

Tal significa que a “linha” de definição não é estática, estando sujeita a variações provocadas pela dinâmica sedimentar costeira, devendo ser reavaliada periodicamente e sempre que necessário. A linha de referência é a linha da máxima preia-mar de águas vivas equinociais (LMPMAVE), a linha atingida pelas marés mais altas previsíveis em condições normais, durante as marés vivas dos equinócios, sem considerar fenómenos meteorológicos excecionais, como tempestades ou galgamentos costeiros. A partir dessa linha mede-se 50 metros para o interior (medidos horizontalmente, e não seguindo o relevo do terreno), no caso das margens do mar e das águas sujeitas à influência das marés, 30 metros nas margens de outras águas navegáveis ou flutuáveis, 10 metros nas restantes águas públicas. A sua determinação exige estudos técnicos rigorosos e pluridisciplinares, constituindo um procedimento administrativo conduzido pelo Estado, por iniciativa própria ou por razões que se prendem com exigências decorrentes de pretensões de proprietários, sendo que, no limite, os conflitos de propriedade podem ser dirimidos pelos tribunais. DelimitAção Do DPm No passado recente existiu uma Comissão de Delimitação do Domínio Público Marítimo, cuja composição e enquadramento institucional variaram ao longo do tempo, muito embora nunca tenha tido poderes para decidir sobre a propriedade. Muitas zonas costeiras portuguesas nunca foram formalmente delimitadas, pelo que existirá um número indeterminado de propriedades cuja situação jurídica nunca foi objeto de um procedimento formal de delimitação do DPM. Isto para concluir que é possível existir posse territorial sobre determinadas áreas do DPM, muito embora essa condição não confira plenos direitos sobre a mesma, pois os acessos públicos terão de ser garantidos. Por esse motivo, regra geral as praias não podem ser privadas, pois o areal e as águas marítimas pertencem ao domínio público marítimo, aos quais terá de ser garantido pleno acesso. Exceto na Herdade da Co-

menda, onde a família Mirpuri continua a gozar o pagode. Foi esta violação que se tornou hábito nos tempos iniciais do desenvolvimento turístico do Algarve e que foi corrigida, e mais recentemente, pasme-se, voltou na costa alentejana, sobretudo no concelho de Grândola, onde uma autarquia de bandeira vermelha permitiu criar situações de alegados direitos cortarem acessos às praias, para as tornar exclusivas para as suas clientelas de elite. E não só: na grande Comporta existem praias em que os banhistas de toalha não são bem vistos e quistos, independentemente do seu poder de compra. Todavia, perante as decisões do Governo, mais de um ano passou e tudo se manteve na mesma, como numa república das bananas. ConCessões bAlneAres Entre 1998 e 2005 foram aprovados os Planos de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) que também permitiram a posterior disciplina dos “Planos de praia” e das concessões balneares, que vieram trazer uma nova face ao litoral português. Estas concessões, vulgarmente reconhecidas pelos toldos e sombreamentos, são adjudicadas por concursos públicos e obrigam os concessionários a ter vigilância, informação sobre a qualidade da água e demais apoios de praia e sanitários, tendo custos significativos e ganhos que os cobrem.

Até há um mês atrás era regra nacional, embora sem qualquer sustentação legal, que nas zonas frontais das concessões não podiam ser colocados chapéus de sol, mas onde qualquer cidadão podia usufruir do espaço com toalhas e cadeiras, sem cortar o direito cénico do mar aos que pagam os toldos e suportam as concessões, numa coabitação pacífica. De repente, numa legislatura condicionada pelas necessidades de não perder terreno e agradar aos eleitores, foi declarado o direito universal de instalar chapéus de sol em frente às áreas concessionadas, pelo que, os que até aí não o podiam fazer, descobriram que a praia é de todos e cá vai disto. Se a motivação foi simplesmente corajosa, o tempo o dirá. Mas os abusos andavam a pedi-las. Mas será mesmo regra nacional? É que a emenda foi pior que o soneto. Rapidamente apareceram soluções mirabolantes de as Câmaras Municipais poderem abrir exceções e através de disposições avulsas autorizarem localmente a reversão do anúncio ministerial e, a crer nas notícias, a própria Polícia Marítima a intervir contra os “ocupantes”. Afinal em que ficamos? Agora que a decisão já não pode ser revertida, sob pena de forte contestação popular e dos consequentes aproveitamentos políticos, vamos ter no país diferentes regimes e critérios? Como dizia o outro, se calhar não havia necessidade…

FRONTLINE/35


EM FOCO | Justiça

OS TRIBUNAIS E A ÉTICA

por Fernando Negrão Jurista

A Justiça, quando dotada de capacidade atempada de resposta, não é na maioria do tempo tema de discussão pública, designadamente de críticas por vozes ferozes no que ao seu funcionamento respeita, no sentido de dar ao cidadão uma resposta compreensível e em tempo razoável.

O

utras questões com o mesmo nível de importância, como a independência no exercício das funções jurisdicionais, são constitutivas da natureza das funções dos juízes. Sem a garantia da independência, o juiz ao decidir não dá ao cidadão o que ele procura e que é a decisão justa, aquela que resulta exclusivamente da análise dos factos e da aplicação da lei pelo juiz. No dia em que se perder esta garantia,

36/FRONTLINE

da imparcialidade e da independência, o cidadão comum ficará com os seus direitos diminuídos e à mercê não só do Estado, mas também dos interesses poderosos de toda a ordem. A única contrapartida que deve ser exigida ao corpo de juízes é um bom processo de recrutamento, uma formação muito exigente e ter a certeza possível de que os homens e mulheres escolhidos por um júri altamente preparado estão aptos

para, com independência, bom senso e competência, exercerem com acerto as competências de decidir e julgar. Ministério Público Na visão tripartida dos poderes dos sistemas do modelo democrático, em que o poder legislativo tem a função de criar as leis, ao poder executivo cabe o governo do país e o poder judicial ocupa-se da aplicação das leis, os tribunais (poder judicial) têm como


Justiça | EM FOCO

titulares os juízes, existindo um outro corpo de magistrados que não gozam de independência, mas sim de autonomia, a quem cabe o exercício da ação penal, participar na execução da política criminal, representar o Estado e defender a legalidade democrática, que é o Ministério Público (MP). Que fique claro que a autonomia do Ministério Público não equivale à independência dos juízes. Os Procuradores do MP são hierarquicamente subordinados, tendo o dever de dar cumprimento às diretivas, ordens e instruções dos seus superiores. Este corpo de procuradores, criado logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, veio a ser o detentor da direção da investigação criminal, embora sem preparação para esse efeito, pois que a sua formação, sendo igual à que era dada aos juízes, não tinha nos seus programas o ensino e formação de matérias ligadas à investigação criminal. Esta situação aberrante, por pretender equivalência com os juízes, veio a criar conflitos com a Polícia Judiciária, que via o seu trabalho a ser posto em causa por quem pouco ou nada sabia de investigação criminal, embora tendo a sua direção. investigações desastrosas Com o decorrer do tempo, com a criminalidade cada vez mais complexa e organizada, bem como o aumento da criminalidade de colarinho branco, o MP decidiu avocar todas essas investigações levando-as a cabo sozinho e somente com apoios pontuais dos órgãos de polícia criminal, dos quais saliento o mais qualificado, que é a Polícia Judiciária. O resultado do decorrer destas investigações foi um desastre que se foi prolongando à medida que se tentava avançar

sem estratégia de comunicação. Levou a que os cidadãos não entendessem o que se ia fazendo, os tempos perdidos e as diligências inadequadas. Hoje, o Ministério Público é um órgão de justiça descredibilizado, visto como potencial ameaçador dos direitos dos cidadãos e incompetente. É inacreditável que um órgão com a importância do MP não funcione, não esteja dotado de liderança adequada já há anos e que o poder político se mantenha alheado daquilo que se vai passando, fingindo que não sabe, não ouve, nem vê. Poder judicial O próprio poder político, no cumprimento das regras de funcionamento e princípios sagrados do sistema democrático, deveria ter em conta a natureza do poder judicial e a sua circunstância no âmbito do princípio da separação de poderes. O poder judicial, no contraponto com os outros dois poderes, é mais frágil, e isso acontece porque vive das leis feitas pelo poder legislativo, que podem padecer de falhas ou serem pouco populares e caber aos tribunais fazer a sua aplicação. E estão dependentes do poder executivo no que respeita aos meios com que funcionam, designadamente na comunicação onde se sente frequentemente a sua ausência que leva à não compreensão de muitas decisões tomadas pelos Tribunais. Os tempos são outros. Os cidadãos hoje sabem que podem recorrer aos Tribunais, mesmo que o Executivo aumente os respetivos custos, e se não o puderem fazer sozinhos, fá-lo-ão em grupos organizados, exigindo decisões que os executivos podem não querer. Os tribunais decidi-

rão com independência e sem qualquer receio de nenhuma das partes. O poder político tem o dever, por todas as razões, de dar aos tribunais boas condições e trabalho para que o cumprimento da lei seja uma realidade. ética judicial A ética judicial é o conjunto de princípios e deveres que orientam a conduta dos juízes e procuradores, tanto no dia a dia profissional, como na vida privada. São fundamentais regras fortes e respetivos cumprimentos integrais que se baseiam em referências como a independência, a imparcialidade, a integridade e decoro, bem como a transparência e o segredo. Acresce a estes princípios um conjunto de documentos que enquadram o exercício da judicatura, começando pelos “Princípios de Bangalore de Conduta Judicial” estabelecidos pelas Nações Unidas, terminando com dois outros documentos nacionais e que são o “Compromisso Ético dos Juízes Portugueses” e o “Código de Conduta dos Juízes”. Temos as Mulheres e os Homens que enquanto Juízes todos os dias dão o melhor de si para fazer Justiça. Temos as infraestruturas necessárias para o efeito. Falta mais no que aos aspetos administrativos diz respeito, mais diálogo. Diálogo a promover pelo Conselho Superior da Magistratura, com o Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais, Ordem dos Advogados e Ministério Público, culminando num diálogo profícuo com o Governo e a Assembleia da República, a fim de encontrar novos caminhos para a Justiça e escolher os mais adequados.

FRONTLINE/37


ATUALIDADE | Segurança

O FIM DA INOCÊNCIA EUROPEIA por Isabel Meirelles Advogada Professora Universitária Ex-Deputada à Assembleia da República e ao Conselho da Europa

A Europa acordou tarde. Durante décadas, confundiu confor to com segurança, comércio com paz, interdependência com prudência e dependência com diplomacia.

nos quartéis e está agora nos portos, nos satélites, nas redes elétricas, nos dados.

A

Europa ergueu direitos, tribunais, moeda e prosperidade; mas esqueceu-se de que a História não se revoga por regulamento, nem a geopolítica se suspende por deliberação. A guerra na Ucrânia não é apenas uma tragédia ucraniana, nem sequer uma guerra europeia de fronteira. É a impugnação violenta da ordem nascida depois de 1945 e consolidada depois de 1989. É a recusa da soberania dos pequenos Estados, a tentativa de substituir o direito pela força. Em Kiev, Kharkiv ou Odessa, decide-se se a Europa aceita que um

38/FRONTLINE

Estado redesenhe o mapa de outro pela artilharia e pelo terror. Durante demasiado tempo, uma parte da Europa acreditou que a Rússia poderia ser domesticada pelo gás, pelo investimento e pelas cimeiras. O comércio seria a vacina contra a guerra, os oleodutos seriam pontes, a dependência energética seria estabilidade. Foi um erro caro. A energia, que deveria ser instrumento económico, revelou-se arma estratégica. O gás tornou-se pressão política, as infraestruturas críticas passaram a ser alvos possíveis, e a segurança deixou de caber

AliAnçA AtlânticA É por isso que a NATO voltou ao centro da política europeia. Durante anos, muitos trataram a Aliança Atlântica como herança incómoda da Guerra Fria. Hoje regressa como aquilo que sempre foi, ou seja, a arquitetura militar sem a qual a liberdade europeia ficaria exposta. A Suécia e a Finlândia entraram na NATO porque perceberam que a neutralidade, quando o vizinho é agressivo, pode deixar de ser virtude e passar a ser vulnerabilidade. Mas nenhuma aliança é saudável quando uma das partes se habitua a delegar na outra a parcela mais dura da sua própria defesa. A política americana tornou-se mais volátil e o Indo-Pacífico absorve cada vez mais atenção de Washington. A resposta europeia tem de ser a responsabilidade. Investir em defesa não é militarismo, é prudência, e reforçar a indústria militar não é belicismo, é condição material da dissuasão. O problema é que a Europa tem uma relação difícil com o poder. Defende a dignidade humana, a democracia liberal, o Estado de direito e a soberania dos povos, mas esses princípios precisam de tribunais, mas também de fronteiras protegidas, inteligência partilhada, energia segura e capacidade de resposta.


Segurança | ATUALIDADE

AutonomiA estrAtégicA O regresso da História não se limita ao Leste europeu. No Ártico, o degelo abre rotas e aproxima interesses. No Médio Oriente, cada crise no Golfo ou no Estreito de Ormuz recorda que a prosperidade europeia depende de caminhos que não controla. O petróleo, o gás, os contentores e os minerais críticos viajam por corredores vulneráveis. Uma Europa sem reservas estratégicas, sem autonomia energética e sem política externa coerente é uma potência económica com nervos expostos. Há, por isso, uma pergunta que já não pode ser adiada: quer a Europa ser sujeito ou objeto da História? Quer sentar-se à mesa onde se decide a ordem internacional, ou contentar-se em comentar as decisões alheias com comunicados graves e impotentes? A autonomia estratégica não significa hostilidade aos Estados Unidos, nem isolamento, nem ilusão de autossuficiência. Significa capacidade de agir quando os interesses

europeus estão em causa, capacidade de escolher, capacidade de resistir. Portugal não está fora desta discussão. Ser país atlântico, europeu e lusófono não é nota de rodapé, antes é posição geopolítica. Um país pequeno não se defende pela ilusão da irrelevância, mas pela inteligência das suas alianças. PedAgogiA dA segurAnçA A grande dificuldade será democrática. As sociedades europeias, envelhecidas e habituadas à paz, não aceitarão facilmente a ideia de que a defesa tem custos. Cada euro gasto em equipamento militar parecerá faltar à saúde, à educação, à habitação ou às pensões. Essa tensão é real. Mas não há Estado social protegido sem Estado seguro. A prosperidade europeia assentou numa condição que foi a ausência de guerra no seu território. A Europa precisa de uma pedagogia da segurança. Não uma retórica do medo,

mas uma cultura de responsabilidade. Uma sociedade desinformada é mais fácil de manipular, uma economia dependente é mais fácil de chantagear e uma democracia cansada é mais fácil de intimidar. A boa notícia é que a Europa ainda tem recursos formidáveis, riqueza, conhecimento, indústria, ciência, tecnologia e integração pacífica. O que lhe falta não é poder potencial, mas é vontade coordenada. O fim da inocência europeia não tem de significar o fim do projeto europeu, antes pode ser a sua maturidade. A Europa nasceu da recusa da guerra entre europeus, mas talvez tenha agora de se reinventar como comunidade capaz de impedir que a guerra volte a governar o destino dos europeus. A paz continuará a ser o maior valor europeu, mas é uma arquitetura exigente, feita de direito, força legítima, diplomacia e dissuasão. A Europa, que não pagar o preço da sua defesa, acabará por pagar o preço da sua vulnerabilidade.

FRONTLINE/39


SAÚDE | Estabilidade

UM PACTO PARA A SAÚDE OU UM PACTO PARA O FUTURO? por Miguel Guimarães Bastonário da Ordem dos Médicos 2017-2022 Presidente da AACDN

Há ideias que regressam ciclicamente ao debate público português. O pacto para a Saúde é uma delas. Sempre que o Serviço Nacional de Saúde revela sinais de maior fragilidade, renasce a convicção de que é necessário um grande entendimento nacional.

M

udam os governos, mudam os protagonistas, repetem-se os diagnósticos e renova-se a esperança de que “desta vez será diferente”. Talvez possa ser. O Presidente da República confiou ao professor Adalberto Campos Fernandes

40/FRONTLINE

a missão de promover um amplo entendimento político para a saúde. Em simultâneo, o Conselho Nacional de Saúde, por iniciativa da ministra da Saúde, prepara um documento de consensos envolvendo partidos, profissionais, parceiros

sociais, academia, associações de doentes e sociedade civil. São iniciativas importantes. Mas o seu sucesso dependerá de responder a uma questão essencial: afinal, o que entendemos por um pacto para a Saúde?


Estabilidade | SAÚDE

Se significar que os partidos deixarão de discordar sobre o financiamento, a governação, o papel do Estado ou a articulação entre os setores público, social e privado, então está condenado ao fracasso. As democracias vivem da pluralidade e não da uniformidade. Mas se significar um compromisso em torno daquilo que deve permanecer estável, independentemente das alternâncias políticas, então vale a pena tentar. Força institucional Desde a criação do Serviço Nacional de Saúde, Portugal demonstrou, em diferentes momentos, que é capaz de construir políticas públicas duradouras quando coloca o interesse nacional acima da disputa conjuntural. O SNS nunca foi obra de um único partido. Foi sendo construído, desenvolvido, corrigido e modernizado por sucessivos governos de diferentes orientações políticas. Essa continuidade, tantas vezes esquecida, constitui talvez a sua maior força institucional. É precisamente essa cultura de continuidade que hoje parece mais frágil. Vivemos num tempo em que a política é frequentemente dominada pela urgência, pela comunicação imediata e pelo curto prazo. Porém, os sistemas de saúde não evoluem ao ritmo dos ciclos eleitorais.

Formar um médico especialista demora mais de uma década. Produzir ganhos consistentes em prevenção exige muitos anos. Alterar indicadores de saúde pública pode levar uma geração inteira. Quem governa a pensar apenas na legislatura seguinte dificilmente construirá soluções para os próximos 20 anos. É por isso que Portugal precisa de distinguir consenso de compromisso. O consenso absoluto é improvável e talvez nem seja desejável. O compromisso, esse sim, é indispensável. Não um compromisso sobre todas as políticas, mas sobre os grandes objetivos nacionais: acesso em tempo útil, valorização dos profissionais, sustentabilidade financeira, inovação, transformação digital, governação baseada no mérito, avaliação rigorosa de resultados e combate persistente às desigualdades em saúde. atravessar gerações Mas existe uma condição adicional. Esses objetivos não podem permanecer como meras declarações de intenção. Devem traduzir-se em metas públicas, indicadores transparentes e avaliação independente. Os cidadãos têm o direito de saber, todos os anos, se o país está a aproximar-se ou a afastar-se dos objetivos que definiu para a sua saúde.

Um pacto sem mecanismos de responsabilização será apenas mais um documento bem-intencionado. Um compromisso avaliado e escrutinado transforma-se numa verdadeira política de Estado. Talvez, por isso, devêssemos abandonar a ideia de que este é um pacto entre partidos. Os partidos representam projetos políticos. O Estado representa uma comunidade que atravessa gerações. As decisões que hoje tomarmos determinarão a qualidade dos cuidados de saúde de quem ainda não vota, de quem ainda não nasceu e de quem, dentro de 20 anos, confiará no sistema que fomos capazes – ou incapazes – de construir. É essa a verdadeira dimensão ética de um pacto para a Saúde. Não se trata apenas de garantir estabilidade governativa. Trata-se de assegurar justiça entre gerações. No fim, a questão decisiva talvez não seja saber se os partidos conseguirão chegar a acordo. A verdadeira pergunta é outra: seremos capazes de pensar o futuro durante mais tempo do que dura uma legislatura? Se a resposta for afirmativa, teremos dado um dos mais importantes passos na consolidação do Estado social português. Se não for, continuaremos a discutir, de quatro em quatro anos, a necessidade de um novo pacto para a Saúde. E isso significará que nunca compreendemos que o verdadeiro pacto não é entre governos. É entre gerações.

FRONTLINE/41


MAGAZINE | Engenharia civil

REFORÇO SÍSMICO DO VIADUTO DUARTE PACHECO PRÉMIO SECIL ENGENHARIA CIVIL 2025 por Fernando Santo Engenheiro Bastonário da Ordem dos Engenheiros 2004-2010

O Prémio Secil Engenharia Civil foi criado em 1995 pela Secil em colaboração com a Ordem dos Engenheiros com o objetivo de promover o reconhecimento de engenheiros autores de projetos concretizados em obra que constituam referências de inovação, qualidade e sustentabilidade, valorizando a utilização do cimento enquanto material estruturante.

A

o longo dos últimos 90 anos a engenharia civil portuguesa assegurou a construção de infraestruturas indispensáveis ao desenvolvimento do país, como: sistemas de abastecimento de água e saneamento, estradas, barragens, portos, pontes, viadutos e edifícios, entre muitas outras obras.

42/FRONTLINE

Em quase todas as obras foi utilizado o betão, uma das mais notáveis invenções do século XIX, que se generalizou a partir dos anos 50 do século XX. O cimento é o aglutinante que permite agregar areia, pedra e água, transformando o conjunto numa pedra artificial moldável, resistente e duradoura.

Apesar da conotação pejorativa como por vezes é referido o “betão”, atrevo-me a estabelecer um paralelo: se as políticas públicas dispusessem de um “cimento” capaz de agregar as melhores propostas de cada força política, para desenvolvimento do país, Portugal seria certamente mais coeso e resiliente, e capaz de enfrentar os desafios do futuro.


Engenharia civil | MAGAZINE

Prémio Secil engenharia civil 2025 O Prémio Secil Engenharia Civil 2025 foi atribuído em julho de 2026 ao Reforço Sísmico e Reabilitação do Viaduto Duarte Pacheco, em Lisboa, uma obra que é um exemplo notável da evolução técnica, da sustentabilidade e da qualidade da engenharia civil portuguesa. O projeto é da autoria dos engenheiros Júlio Appleton e António Costa, que interpretaram de forma exemplar o desafio de manter a imagem estrutural da obra inicial, avaliar as suas condicionantes e introduzir os reforços necessários para garantir a resistência sísmica em conformidade com as exigências do Eurocódigo 8, que introduziu os conceitos mais atuais de engenharia sísmica. O resultado permitiu que um viaduto com mais de 80 anos responda às atuais exigências de segurança sem ser descaracterizado. Igual reconhecimento é devido à construtora Teixeira Duarte, S.A. pela qualidade com que executou uma intervenção particularmente exigente. Ícone Da engenharia PortugueSa O Viaduto Duarte Pacheco é um ícone da engenharia portuguesa, pois desde a sua conceção inicial até aos nossos dias, passando pelo nome atribuído em 1944, representa a evolução da excelência da engenharia portuguesa, a importância da sustentabilidade das obras públicas e da sua segurança. Foi projetado em 1937 pelo engenheiro João Barbosa Carmona, nos primórdios do betão armado, sem regulamentação e exigência de segurança sísmica. Foi inaugurado em maio de 1944, seis meses após a morte do ministro Duarte Pacheco num acidente de automóvel. À época, o viaduto representou uma verdadeira inovação ao ser executado em betão armado, tornando-se num dos maiores da Europa, com um vão de 471 metros. Até aos anos 30 do século passado, as pontes e viadutos, eram, com raras exceções, construídos com estruturas metálicas. O viaduto ligou Lisboa à primeira autoestrada construída em Portugal, inaugurada na mesma data, ligando Lisboa ao Estádio Nacional, no Jamor.

O projeto foi revisto pelo engenheiro Edgar Cardoso, que viria mais tarde a projetar a Ponte da Arrábida, inaugurada em 1963, com o maior vão em betão armado no mundo. Em 1991 foi inaugurada a Ponte São João, no Porto, também com projeto do engenheiro Edgar Cardoso, com o maior vão do mundo para pontes ferroviárias, que ainda detém esse recorde. Desde meados dos anos 30 do século XX que a engenharia civil portuguesa, pública e privada, concebeu obras notáveis à escala mundial, com organização, incentivo, prestigio, e reconhecimento público. intervenção De reabilitação Em 2001 o Viaduto Duarte Pacheco foi objeto de uma importante intervenção de reabilitação. O custo atualizado da sua construção e posteriores intervenções totalizou apenas 30,4 milhões de euros, o que corresponde a cerca de 3500 euros por m2 de tabuleiro por onde circulam diariamente cerca de 100 mil veículos. Este prémio também justifica uma reflexão sobre a necessidade de garantir o reforço sísmico de infraestruturas e edifícios, pois os frequentes sismos evidenciam a vulnerabilidade da sociedade aos sismos que deixam um rasto de destruição e perdas de vidas humanas, como o ocorrido na Venezuela. O assunto fica na ordem do dia durante algum tempo, mas rapidamente desaparece e as preocupações dominantes voltam a temas como a proteção do ambiente,

a transição energética, a economia circular ou a sustentabilidade. São temas importantes, mas a segurança sísmica das construções deveria ser uma das maiores prioridades das políticas públicas. Por isso merece um elogio a entidade responsável pela segurança do viaduto, a Infraestruturas de Portugal, que tomou a iniciativa de promover a obra de reforço sísmico, a reabilitação e a fiscalização. Duarte Pacheco O nome atribuído ao viaduto também justifica ser destacado, pois o engenheiro Duarte Pacheco foi uma figura ímpar no desenvolvimento do país e, em particular, da cidade de Lisboa. Visionário e homem de ação, lançou as bases da moderna engenharia civil portuguesa, apesar de ter desempenhado o cargo de ministro das Obras Públicas durante apenas oito anos. Promoveu e dirigiu a construção do Instituto Superior Técnico, do qual foi diretor, a organização do Estado e as primeiras políticas públicas de habitação, dignas desse nome. Sem Duarte Pacheco, a sua visão e a capacidade de realizar, não teríamos uma grande parte das infraestruturas que fazem parte do nosso dia a dia. Por tudo o que foi referido, o Viaduto Duarte Pacheco é uma referência que faz parte da história da engenharia civil portuguesa e que nos deve levar a refletir sobre o passado, o presente e o futuro da engenharia civil que queremos ter.

FRONTLINE/43


VISÃO | Promoção da saúde

PREVENÇÃO EM SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA por Luís Pisco Presidente do Conselho Diretivo da ARSLVT até agosto de 2023

Quando pensamos em saúde, tendemos a imaginar hospitais, médicos, exames e tratamentos. No entanto, a verdadeira saúde começa muito antes de surgir a doença. Começa nas escolhas do dia a dia, nos ambientes onde vivemos, aprendemos e trabalhamos, e nas políticas que ajudam – ou dificultam – a adoção de estilos de vida saudáveis. É por isso que a prevenção é hoje considerada um dos pilares mais importantes dos sistemas de saúde modernos.

A

pesar desta evidência, Portugal continua a investir relativamente pouco na prevenção da doença e na promoção da saúde. Segundo dados recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), apenas cerca de 3% da despesa total em saúde é destinada a atividades preventivas. Embora este valor esteja próximo da média dos países da organização, continua a revelar uma realidade preocupante: a maior parte dos recursos continua a ser canalizada para tratar problemas já instalados, em vez de evitar que eles surjam. A questão é particularmente relevante numa época em que as doenças crónicas representam um dos maiores desafios para a saúde pública. Problemas como a diabetes tipo 2, as doenças cardiovasculares, a obesidade, alguns tipos de cancro ou determinadas perturbações de saúde mental estão frequentemente associados a fatores de risco modificáveis. Alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, stress prolongado e falta de sono são apenas alguns exemplos de comportamentos que podem ser prevenidos ou reduzidos através de estratégias adequadas.

44/FRONTLINE

A prevenção não significa apenas evitar doenças. Significa também aumentar os anos de vida vividos com autonomia, energia e bem-estar. Uma população mais saudável tem maior capacidade para trabalhar, estudar, participar na comunidade e desfrutar da vida. Por isso, investir em prevenção deve ser encarado não apenas como uma medida de saúde, mas também como uma estratégia de desenvolvimento social e económico.

Colaboração entre autoridades Diversos países demonstraram que esta abordagem produz resultados concretos. A Finlândia é frequentemente apontada como um dos exemplos mais bem-sucedidos. A partir da década de 1970, o país implementou programas nacionais destinados a reduzir os fatores de risco associados às doenças cardiovasculares, então uma das principais causas de mortalidade. As medidas envolveram a cola-


Promoção da saúde | VISÃO

boração entre autoridades de saúde, escolas, municípios, organizações locais e indústria alimentar. Foram promovidas alterações nos hábitos alimentares, incentivada a prática regular de atividade física e desenvolvidas campanhas de sensibilização dirigidas à população. Ao longo das décadas seguintes, os resultados traduziram-se numa redução significativa da mortalidade prematura e numa melhoria global da saúde da população. Também o Canadá tem apostado numa visão integrada da promoção da saúde. A educação para estilos de vida saudáveis começa desde cedo e inclui temas como alimentação equilibrada, atividade física, saúde mental e competências emocionais. Esta abordagem reconhece que a saúde não depende apenas dos cuidados médicos, mas também da capacidade de as pessoas adquirirem conhecimentos e hábitos que lhes permitam tomar decisões mais informadas ao longo da vida. As evidências científicas mostram que muitas intervenções preventivas apresentam uma excelente relação custo-benefício. Programas de cessação tabágica, rastreios adequados, vacinação, promoção da atividade física ou educação alimentar podem reduzir significativamente a incidência de doenças e, consequentemente, os custos associados aos tratamentos. Mas os benefícios vão muito além das contas públicas.

Traduzem-se em menos sofrimento, menos incapacidade e mais qualidade de vida para milhões de pessoas. Em Portugal existem iniciativas relevantes nesta área. Escolas, autarquias, unidades de saúde e organizações da sociedade civil têm desenvolvido projetos inovadores de promoção da saúde. No entanto, muitos destes programas enfrentam dificuldades relacionadas com a continuidade do financiamento e a sua expansão a todo o território nacional. Frequentemente, projetos promissores dependem de recursos limitados ou de apoios temporários, o que dificulta a obtenção de resultados consistentes a longo prazo. abordagem transversal Outro desafio importante é compreender que a saúde não se constrói apenas nos serviços de saúde. A qualidade do ar que respiramos, a existência de espaços verdes, a segurança das ruas para caminhar ou andar de bicicleta, a oferta alimentar disponível, as condições de trabalho e a educação recebida ao longo da vida influenciam profundamente o nosso bem-estar. Por isso, a prevenção exige uma abordagem transversal, envolvendo diferentes áreas da governação e da sociedade.

Cidades que promovem a mobilidade ativa, escolas que incentivam hábitos saudáveis, empresas que valorizam o equilíbrio entre vida profissional e pessoal e políticas públicas que favorecem escolhas benéficas para a saúde contribuem para criar ambientes onde é mais fácil viver melhor. Nestes contextos, a opção saudável deixa de depender apenas da motivação individual e passa a ser apoiada pelas condições existentes à nossa volta. O Plano Nacional de Saúde para a presente década estabelece objetivos ambiciosos na área da prevenção e da promoção da saúde. O sucesso dessas metas dependerá, contudo, da capacidade de transformar intenções em ações concretas, sustentadas e avaliadas ao longo do tempo. A prevenção exige persistência, visão estratégica e compromisso coletivo. Num mundo cada vez mais marcado pelo envelhecimento da população e pelo aumento das doenças crónicas, apostar na prevenção não é um luxo nem uma opção secundária. É uma necessidade. Mais do que prolongar a vida, trata-se de garantir que os anos ganhos são vividos com saúde, autonomia e bem-estar. Em última análise, investir na prevenção é investir naquilo que todos procuramos: uma melhor qualidade de vida.

FRONTLINE/45


DOSSIER | Inteligência Artificial

AS EMPRESAS NÃO PERDEM APENAS PESSOAS, PERDEM MEMÓRIA por Ricardo Jardim Gonçalves Professor Catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa/UNNova

Todos os dias, em organizações de todo o mundo, alguém faz uma pergunta aparentemente simples: “Porque é que tomámos esta decisão?” Os documentos existem. Os relatórios também. As apresentações continuam arquivadas. Mas aquilo que realmente importa já não está em lado nenhum: as razões que conduziram àquela decisão. A resposta saiu pela porta no dia em que saiu a pessoa que a conhecia.

À

primeira vista, pode parecer um problema pontual. Na realidade, acontece diariamente em organizações de todas as dimensões. Vivemos numa época em que praticamente tudo fica registado. Relatórios, atas, apresentações, emails, mensagens, vídeos e plataformas colaborativas multiplicam-se à medida que a transformação digital avança. Nunca foi tão fácil

46/FRONTLINE

guardar informação. Nunca foi tão difícil preservar aquilo que verdadeiramente cria valor: o conhecimento construído pela experiência. Este é um dos maiores paradoxos das organizações modernas. Nunca investiram tanto em tecnologia para gerir informação e, ao mesmo tempo, nunca estiveram tão expostas à perda do seu ativo mais

difícil de substituir. Costuma dizer-se que as empresas perdem talento quando um colaborador experiente parte. É verdade. Mas perdem muito mais do que isso. Perdem memória. O talento pode voltar a ser contratado. A experiência pode reconstruir-se. Mas a memória de milhares de decisões, das alternativas ponderadas, dos erros evitados e das lições aprendidas de-


Inteligência Artificial | DOSSIER

saparece, muitas vezes, de forma irreversível. É precisamente essa memória que distingue uma organização experiente de outra que continua condenada a aprender repetidamente as mesmas lições. Na gestão do conhecimento, esta dimensão é conhecida por conhecimento tácito. Ao contrário do conhecimento explícito, aquele que se encontra documentado em procedimentos, relatórios ou bases de dados, o conhecimento tácito reside na experiência das pessoas. É o resultado de anos de prática, da capacidade de interpretar contextos, reconhecer padrões, antecipar problemas e tomar decisões em situações de incerteza. Representa uma parte significativa do verdadeiro capital intelectual das organizações e, paradoxalmente, é também aquela que mais facilmente se perde, precisamente porque raramente chega a ser formalizada. Durante décadas, esta realidade foi considerada inevitável. O conhecimento mais valioso nunca foi o que estava escrito nos manuais, mas aquele que existia apenas na experiência das pessoas: compreender porque determinadas decisões produziram melhores resultados do que outras, identificar sinais que antecedem um problema ou reconhecer oportunidades que dificilmente seriam visíveis para quem chega de novo. alteraçãO de paradigma É precisamente aqui que a Inteligência Artificial começa a alterar o paradigma. Muito se tem escrito sobre a sua capacidade para gerar texto, criar imagens ou automatizar tarefas. Essas evoluções são relevantes, mas talvez não sejam as mais transformadoras. A verdadeira mudança resulta de uma capacidade muito menos visível. Pela primeira vez, torna-se possível analisar simultaneamente milhares de documentos, atas, mensagens, apresentações, gravações áudio e vídeo, relacionar informação produzida ao longo de anos e reconstruir o contexto em que o conhecimento foi sendo criado. A tecnologia deixa de analisar documentos isoladamente e passa a compreender as relações entre eles, preservando não apenas aquilo que foi decidido, mas também as

razões que conduziram às decisões. A diferença pode parecer subtil, mas representa uma mudança profunda. Durante décadas, os sistemas de informação responderam à pergunta: “Onde está esta informação?” Os novos sistemas começam agora a responder a uma questão muito mais exigente: “Porque foi tomada esta decisão?” Responder à primeira implica localizar documentos. Responder à segunda exige compreender contexto, relacionar acontecimentos, identificar pressupostos, reconstruir raciocínios e distinguir informação de conhecimento. É aqui que reside o verdadeiro contributo da Inteligência Artificial para a gestão do conhecimento. Não substitui a experiência humana. Ajuda a preservá-la. O cOntributO da ia A Inteligência Artificial não cria conhecimento tácito. O seu contributo está em torná-lo explícito. Ao analisar os múltiplos artefactos digitais produzidos diariamente pelas organizações, consegue identificar relações que dificilmente seriam percetíveis através de uma análise convencional, reconstruir o contexto das decisões, inferir o racional subjacente às escolhas realizadas e evidenciar conhecimento que permaneceu implícito durante anos. Desta forma, ajuda a transformar experiência individual em conhecimento explícito, pesquisável e reutilizável, permitindo que a memória organizacional deixe de depender exclusivamente das pessoas que a construíram. Esta evolução deixou, aliás, de ser apenas um tema de investigação internacional. Também em Portugal existem equipas que trabalham nesta fronteira do conhecimento, explorando novas arquiteturas de Inteligência Artificial para identificar, preservar e reutilizar conhecimento organizacional. Entre elas encontra-se o UNINOVA CTS, centro de investigação da NOVA FCT, onde estão a ser desenvolvidas soluções precisamente orientadas para este desafio. Num contexto marcado pelo envelhecimento da população ativa, pela crescente mobilidade profissional e pela escassez de talento altamente qualificado, esta capacidade assume uma importância estratégica. As organizações que conseguirem preservar o racional

das suas decisões, as lições aprendidas e a experiência acumulada integrarão novos colaboradores mais rapidamente, reduzirão a dependência de especialistas individuais e tomarão decisões mais informadas porque passarão a aprender com toda a sua história, e não apenas com a memória de quem nela permanece. preservar memória Ao longo da História, o conhecimento organizacional sempre foi transmitido entre pessoas. Esse modelo continuará naturalmente a existir. Mas, pela primeira vez, deixa de ser o único. As organizações passam a poder preservar a sua memória para além das pessoas que a construíram. Talvez seja esta a mudança que, no futuro, identificaremos como a mais transformadora da Inteligência Artificial. Não tanto pela automação de tarefas ou pela capacidade de gerar conteúdos, mas por ajudar a resolver um problema que acompanha as organizações desde que existem: a perda contínua da experiência acumulada. Durante décadas, as organizações aprenderam apenas enquanto as pessoas permaneciam nelas. Quando alguém partia, uma parte desse conhecimento partia também. Talvez seja precisamente essa a mudança que marcará esta década. A experiência acumulada poderá sobreviver às pessoas que a construíram. E, quando isso acontecer, compreenderemos que as empresas nunca perderam apenas pessoas. Sempre perderam memória. A diferença é que, agora, começam finalmente a conseguir preservá-la.

FRONTLINE/47


ESPECIAL | HCUM

SISTEMAS DE SAÚDE E RECURSOS HUMANOS QUE FUTURO?

por Pedro Ramos Presidente da EMHCUM Hospital Central e Universitário da Madeira (HCUM) - Hospital do Futuro no Meio do Atlântico

Em pleno século XXI, a Madeira tem a oportunidade de construir uma nova referência para a Saúde, o Hospital Central e Universitário da Madeira (HCUM), dando continuidade ao ciclo das grandes infraestruturas de Saúde: em 1930, o Hospital dos Marmeleiros, e em 1973, o Hospital Central do Funchal.

T

ratando-se de um hospital moderno, digitalizado e inteligente, alinhado com a atual Revolução Industrial 4.0, de forte impacto na Saúde, o HCUM exige dos profissionais novas competências e capacidade de adaptação. A palavra de ordem para o futuro, neste novo mundo tecnológico, será “mentalidade”: uma nova conceção que constituirá o pilar da

48/FRONTLINE

nova governação clínica e que os profissionais terão de interiorizar. SESARAM homines O Serviço de Saúde (SESARAM) é a maior organização da Região Autónoma da Madeira (RAM), com uma responsabilidade ímpar na sociedade. Tratamos e cuidamos de pessoas em tempo útil e no momento certo,

com a formação e diferenciação adequadas. A Saúde é o bem maior de todos nós. Para que a acessibilidade, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a reinserção social se concretizem sem atrasos, dependemos dos profissionais e da sua capacitação, sustentados pelo investimento na organização e planificação do sistema, conduzindo a uma resposta eficaz e eficiente.


HCUM | ESPECIAL

O sucesso da nossa organização está diretamente ligado aos nossos homines: médicos, enfermeiros, TSS, TSDT, TAS, tripulantes de ambulância, informáticos, assistentes técnicos, e todos os demais colaboradores que, nas mais diversas áreas de apoio, asseguram diariamente o funcionamento da organização. Com os melhores concretizamos a nossa missão, projetamos a nossa visão, respeitamos os nossos valores e aliamos à nossa diferenciação uma atitude de summa humanization, que caracteriza e define a nossa acreditação em segurança e qualidade. Para acompanharmos este mundo tecnológico, a formação em competências digitais deve ser introduzida desde os primeiros níveis de ensino e consolidada no ensino secundário e universitário, preparando os currículos para o mundo digital. Estas valências devem integrar os conteúdos pedagógicos das licenciaturas na área da Saúde. A RAM tem demonstrado grande preocupação e responsabilidade na formação dos seus profissionais desde 2012, com o Centro de Simulação Clínica da Madeira (CSCM), um investimento conjunto do SESARAM e da UE, através dos programas Rumos e Investir+, com mais de 900 cursos realizados, 15 mil profissionais certificados e 10 mil horas de formação. Para responder melhor, prestar melhores cuidados e assistir com segurança e qualidade, importa conhecer as tendências futuras e o seu impacto na Saúde. Alterações demográficas, climáticas, tecnológicas, geopolíticas, económicas e societais irão influenciar profundamente este setor. FAzER MAiS E MElhoR Que cenários teremos nos próximos 50 anos? Que profissionais de saúde e com que formação? Como diria Steve Jobs, “a chave do sucesso é perceber para onde o mundo se dirige e chegar lá primeiro”. A resiliência já a temos; faltam-nos agora algumas medidas estruturais que nos permitam fazer mais e melhor. No futuro, as gerações mais jovens terão novas competências e a população apresentará os mais elevados níveis de literacia alguma vez atingidos. Os “novos idosos” acompanharão igualmente esta transformação, mantendo hábitos de vida saudá-

veis, nomeadamente o exercício físico e a alimentação, potenciados pelo acesso às novas tecnologias. A saúde à distância e a evolução tecnológica irão alterar profundamente a atividade dos profissionais. Cada vez mais, meios de diagnóstico, equipamentos e algoritmos irão substituir ou transformar tarefas atuais, do diagnóstico ao tratamento. Algumas destas tarefas poderão, e deverão, passar a ser desempenhadas por outros profissionais, libertando o médico para situações mais complexas, dando expressão aos conceitos de task shifting e skill mix, defendidos por Pedro Pita Barros e Eduardo Costa no Relatório de Recursos na Saúde de 2022, como forma de aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde. A RAM deverá seguir este exemplo para melhorar a eficiência do seu Sistema Regional de Saúde. A automação e a robotização poderiam, à partida, sugerir uma redução do papel do médico. Mas tudo indica que não será esse o caminho: os robots não operarão sozinhos e os médicos continuarão indispensáveis. Novo pARAdigMA dE EquipAS A colaboração em equipas multidisciplinares não é nova, como se verifica, por exemplo, na radioterapia, com médicos, físicos e técnicos. Mas, no futuro, esta multidisciplinaridade será ainda mais relevante. Existirão novas funções e novos profissionais especializados em tecnologia digital médica, trabalhando em sintonia com os profissionais de saúde. As equipas do futuro não terão apenas médicos, enfermeiros e técnicos; integrarão engenheiros, informáticos,

matemáticos e outras funções que hoje ainda não conseguimos imaginar. As universidades e os hospitais continuarão a desempenhar um papel fundamental na formação dos novos médicos, mas a tecnologia irá transformar profundamente as suas competências e a forma como são preparados. Não devemos temer a IA. A IA não substituirá o médico; os médicos que usam IA substituirão os que não a usam. Assim, deve promover-se precocemente a literacia em IA, integrando estas matérias nos currículos das faculdades de Medicina e nas especialidades médicas. A sustentabilidade é também uma preocupação central no futuro dos sistemas de saúde. A Saúde Baseada em Valor (VBH), introduzida por Michael Porter e Elizabeth Teisberg, coloca o doente no centro dos cuidados. Mas o profissional tem de estar capacitado, valorizado e dotado de condições de trabalho. Para o sucesso futuro, é imprescindível o seu envolvimento na tomada de decisão em Saúde. Devemos, assim, preparar-nos com competências digitais, mas também com valores como integridade, empatia e altruísmo; soft skills, comunicação e trabalho em equipa; formação contínua; cultura científica e investigação; resiliência e adaptação à mudança, e, finalmente, literacia e liderança formal e informal. Em suma: uma nova mentalidade ao serviço do cidadão. No ano em que celebramos 50 anos de autonomia, na prestação de cuidados à nossa sociedade, deixamos o nosso bem-haja a todos os profissionais de saúde, verdadeiro tesouro do Sistema Regional de Saúde.

FRONTLINE/49


RETROSPETIVA | Medicamentos genéricos

EVERGREENING

NO SETOR DO MEDICAMENTO por Luís Abrantes CEO da Generis

Os medicamentos representam uma das maiores parcelas de despesa do SNS. A entrada de medicamentos genéricos (MG) no mercado gera poupanças significativas, ao disponibilizar alternativas com igual qualidade, segurança e eficácia, a preços inferiores, liber tando recursos para outras áreas prioritárias, incluindo o acesso a terapêuticas inovadoras, que estão a chegar ao mercado em cada vez maior número e a um custo que rapidamente se tornará incompor tável. 50/FRONTLINE


Medicamentos genéricos | RETROSPETIVA

E

sta é uma temática que me apraz abordar, porquanto a implantação de MG em Portugal ainda se encontra limitada a uma quota de mercado pouco superior a 50%, enquanto noutros países europeus (mais ricos e desenvolvidos) a adesão já supera os 75 a 80%. Trata-se de uma realidade fortemente condicionada pela baixa literacia da população e pelos elevados níveis de desinformação e manipulação das condições de livre concorrência no mercado. Os genéricos são, assim, um instrumento essencial de sustentabilidade do sistema público de saúde. As barreiras à sua entrada atempada – como as decorrentes da aplicação da Lei 62/2011 – prolongam artificialmente a dependência de medicamentos de marca mais caros, com custos diretos para o SNS, os contribuintes e os doentes. A Lei n.º 62/2011, de 12 de dezembro, visou eliminar o sistema de patent linkage em Portugal – prática ilegal segundo as normas europeias, pela qual Portugal foi investigado pela Comissão Europeia. Este sistema ligava os pedidos de Autorização de Introdução no Mercado (AIM) aos direitos de Propriedade Industrial (patentes). Na prática, a lei criou um regime de composição de litígios entre empresas de medicamentos de referência/originadores (marcas) e genéricos, em que os originadores dispõem de 30 dias a contar da publicação do pedido de AIM no site do Infarmed para iniciar processos judiciais invocando as suas patentes.

gações a empresas do mesmo grupo; (iv) proibição de transferência de AIM; e (v) impedimento de invalidação das patentes do originador. Verifica-se um aumento de patentes “fracas” e de práticas de evergreening – extensão artificial da proteção de patentes além dos 20 anos, através de pedidos de patente para características adicionais (frequentemente inválidos e contestados em toda a Europa). Esta prática visa manter a exclusividade de mercado e impedir a entrada de genéricos, com efeitos nefastos para os doentes com menos capacidade financeira e para o Estado. Como resultado, coexistem no mercado empresas de genéricos que contestaram patentes com sucesso e outras impedidas de lançar produtos por estarem vinculadas a estes acordos restritivos. O Tribunal da Propriedade Intelectual (TPI) carece de verdadeira especialização: os juízes não recebem formação técnica adequada, provêm frequentemente de áreas de atuação não relacionadas com estas matérias complexas e são sistematicamente transferidos, gerando incerteza nas decisões – em contraste com os tribunais especializados de outros países europeus (mais ricos e desenvolvidos). P erdA de interesse em P ortugAl Como consequência de todo este enquadramento, muitas empresas de medicamentos genéricos deixaram de operar

em Portugal, tendo perdido interesse num mercado de pequena dimensão com um regime de enforcement de patentes único e particularmente restritivo na Europa (nada de que nos orgulhemos). Portugal é dos piores exemplos na Europa a este nível e traduz-se sobretudo em custos acrescidos para pacientes e Estado (SNS), cuja principal consequência é a dificuldade acrescida no acesso ao medicamento e a terapêuticas acessíveis. Se a este cenário juntarmos o esmagamento sistemático dos preços dos medicamentos genéricos nos últimos 20 anos, que continua a ser uma realidade por imposição de preços fortemente condicionados pelo Estado (não podem sequer ser atualizados ao nível da inflação, algo a que até as portagens das autoestradas ou o vulgar café/bica têm direito), então percebemos por que razão o custo com medicamentos suportados pelo SNS, doentes e contribuintes é cada vez mais elevado: as faltas de abastecimento dos medicamentos genéricos (mais baratos) são cada vez mais frequentes e as alternativas disponíveis são sempre as mais caras (marcas). Resumindo: as práticas de evergreening por parte dos originadores/marcas, a Lei 62/2011 (patent linkage encapotado) e o esmagamento/estagnação dos preços dos medicamentos genéricos estão a “dar-nos cabo da saúde…”!

Acordos restritivos Este regime que é único na Europa (e que nos devia envergonhar) tem como consequência direta que os originadores (marcas) proponham acordos restritivos às empresas de genéricos, alegadamente para evitar processos judiciais morosos e dispendiosos. Estes acordos impõem obrigações excessivas, muito além do que resultaria de um litígio ou da não contestação prevista na lei. Incluem tipicamente: (i) cláusulas penais elevadas; (ii) proibição de utilização da AIM solicitada e de AIM futuras; (iii) extensão das obri-

FRONTLINE/51


DESPORTO | Competições internacionais

DESPORTO E “NEUTRALIDADE POLÍTICA” por Alexandre Miguel Mestre Advogado, Professor Universitário Ex-Secretário de Estado do Desporto e Juventude

O recente Mundial de Futebol ficou marcado por momentos vibrantes no plano desportivo, mas também algumas questões de foro mais político, que trouxeram uma vez mais à tona a questão da chamada “neutralidade política”.

D

urante o mês de julho, para além do Mundial de Futebol, houve também uma Sessão do Comité Olímpico Internacional (COI), que aprovou algumas modificações à Carta Olímpica, a primeira das quais removendo a expressão “neutralidade política”. Vejamos então de seguida o impacte destas duas situações.

A FIFA e A neutrAlIdAde polítIcA No que tange ao Mundial, está ainda “fresco” o chamado “Caso Balogun”: es-

52/FRONTLINE

teve em causa uma alegada interferência, senão mesmo ingerência, do Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, junto da FIFA, para “levantar” a suspensão de um jogo ao melhor jogador da seleção nacional de um dos países anfitriões. Trump afirmou mesmo publicamente: “Pedi uma revisão à FIFA.” Por banda da FIFA, o respetivo presidente, Gianni Infantino, afirmou ter, efetivamente, recebido um telefonema de Trump, mas assegurou que o Comité Disciplinar

da FIFA decidiu por si, imune a qualquer questão exterior, acrescentando, relativamente às decisões dos órgãos jurisdicionais da FIFA, o seguinte: “Por vezes concordo com elas, e noutras vezes, discordo. O que faço sempre, no entanto, é respeitar essas decisões e a autonomia dos órgãos que as tomam.” São os próprios Estatutos da FIFA a consagrar o princípio da neutralidade política, ainda que não o densificando. Mas diremos, e mirando as normas estatutárias


Competições internacionais | DESPORTO

relevantes, que o princípio quer significar que quer a FIFA, quer as federações-membros, quer as confederações continentais reconhecidas pela FIFA, devem permanecer neutrais em matéria política. Ou seja: os organismos de cúpula do futebol mundial, continental e nacional, devem abster-se de tomar qualquer posição política; não devem emitir qualquer opinião favorável ou desfavorável a um regime, a uma ideologia ou a gestos e palavras com conotações políticas; devem concomitantemente ser imunes a qualquer pressão de índole política. Os mesmos estatutos, em defesa da boa governança, exigem que as federações nacionais membros da FIFA resistam a qualquer forma de interferência política, em vista a garantir a chamada “autonomia do desporto”. Mais se consagra estatutariamente que o presidente da FIFA, até porque é quem representa a instituição, mantém e promove boas relações com entidades políticas, isto é, há relações institucionais inevitáveis e desejáveis entre políticos e o presidente da FIFA, mas desde que, naturalmente, no respeito das atribuições e competências de cada qual.

É neste quadro, portanto, que Estados e FIFA devem balizar as suas relações: a neutralidade política é inerente à separação de poderes e à autonomia e independência da FIFA, quer quando adota normas quer quando os seus órgãos jurisdicionais as aplicam. o coI e A neutrAlIdAde polítIcA Até julho último, no âmbito dos “Princípios Fundamentais do Olimpismo”, a Carta Olímpica, Magna Carta do Desporto Mundial, continha expressa referência à necessidade de o Movimento Olímpico aplicar a “neutralidade política”. Com a alteração agora operada ao Princípio Fundamental n.º 5, onde se lia “neutralidade política” passa a ler-se “neutralidade a todo o tempo” (neutrality at all times; neutralité en tout temps). Em complemento, insere-se um novo n.º 6 no artigo 2.º referente à “Missão e papel do COI”, nos seguintes termos: “aplicar a todo o tempo o princípio da neutralidade, livre de qualquer pressão governamental, cultural, social ou económica”. Desaparece, pois, a palavra “política”. Quererá tal traduzir um recuo do COI em

matéria de preservação da “neutralidade política”? Não creio. Julgo que a intenção terá sido ser mais abrangente, abarcando a neutralidade a todos os níveis e a todo o momento, seja ela política ou não. Como as pressões políticas não se confinam a Governos, preferiria que onde ficou “pressão governamental” tivesse ficado “pressão política”, e faria sentido manter a palavra “política” quando a técnica legislativa foi a de não identificar os tipos de neutralidade, mas identificar os tipos de pressão. Em todo o caso, a abrangência conseguida parece-me bastante para concluir que o COI continua determinado na defesa da sua autonomia e independência, designadamente face a poderes públicos. E ainda bem que assim é, porquanto a neutralidade política se mostra essencial. É que, e citando um escrito recente de Jacob Giesbrecht, “[o] telos da neutralidade política visa garantir que as organizações desportivas mantenham a sua autonomia face ao Estado, lidando com as tensões e exigências políticas de forma a considerar os valores do desporto e do Olimpismo como bens essenciais dignos de proteção”.

FRONTLINE/53


LIVROS

“QUEM LÊ MUITO E ANDA MUITO,

MALDIÇÃO DOS INOCENTES HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DE ZÉ BELEZA José Beleza GOLDENCOPER editores

DO PALITO À PERDIZ SOBRE A MESA MUITO SE DIZ Paulo Moreiras Casa das Letras

DOUTOR FAUSTO Thomas Mann Dom Quixote

Nesta nova obra, Zé Beleza, põe tudo em pratos limpos, com muitas novidades que vão para além do processo judicial que então o envolveu, ao lado de mais 11 arguidos. Fica a perceber-se melhor os meandros do processo em que foi injustamente acusado, no caso do Ministério da Saúde, que o levou mesmo à prisão, num escândalo sem precedentes, e que lhe mudou, para sempre, a vida pessoal e o rumo profissional. Neste recente livro de Beleza, A Maldição dos Inocentes, confirma-se a inocência que o autor sempre clamou e cuja prova é a sua absolvição, 33 anos depois. Aqui desfia-se um rosário de histórias bem divertidas que envolvem inúmeras pessoas bastante conhecidas do jet-set e da política nacional, como Paulo Portas, Marcelo Rebelo de Sousa, Herman José, Nicha Cabral, Raúl Indipwo e Lili Caneças.

Sabia que as morcelas são mencionadas nas cantigas medievais portuguesas, tal como as favas, que foram proibidas por Pitágoras aos seus discípulos? Que o escritor Aquilino Ribeiro considerava a perdiz uma das aves mais lindas de Portugal? E que os gregos tinham o hábito de se passearem nas ruas com um palito na boca, como sinal de abastança e mesa farta? A mesa, de resto, sempre foi ponto de encontro para os portugueses e peça central do seu quotidiano. À mesa estabelecem-se alianças, desenham-se estratégias, desenvolvese a arte da má-língua. Mas também, curiosamente, se fala muito de comida: O que vai ser o jantar? Quando fazemos um petisco? Vamos comer um leitãozinho? Que tal uma sardinhada? Do Palito à Perdiz – Sobre a mesa muito se diz é uma obra que reúne mil e uma curiosidades, que fazem parte da nossa alma e identidade.

Doutor Fausto apresenta-nos a biografia fictícia de um compositor que, à semelhança de Nietzsche, desafiou a loucura para assumir todo o sofrimento de uma época, e em cuja trajetória se pressente o eco trágico do triunfo e do apocalipse da Alemanha hitleriana. Em troca de vinte e quatro anos de génio musical sem paralelo, o compositor Adrian Leverkühn entrega ao Diabo a sua alma e a capacidade de amar. Torna-se, então, o pináculo da cultura alemã, uma figura brilhante, isolada e ambiciosa, cuja música radicalmente nova abala as estruturas da cena artística da época. Tendo como pano de fundo a ascensão do Terceiro Reich e a renúncia da Alemanha à sua própria humanidade, a história de Leverkühn é uma profunda reflexão sobre a identidade alemã – tanto nacional como individual – e as terríveis responsabilidades do artista verdadeiramente grandioso.

54/FRONTLINE


LIVROS

VAI LONGE E SABE MUITO…” Miguel de Cervantes

A MAIS BELA MALDIÇÃO Rui Couceiro Porto Editora

MEDO – COMO TRANSFORMAR AS AMEAÇAS EM FORÇAS José Borralho Talento

VIDAS PERFEITAS Carla Quevedo Quetzal

O que podem ter em comum uma baronesa quase centenária da Toscana, um antigo pescador da Póvoa de Varzim, um ex-ministro brasileiro, um gasolineiro dos Açores, um socioeconomista francês a viver em São Tomé, um condutor de camiões do lixo de Bogotá, uma poetisa italiana, um alfarrabista de Rabat, um antigo recluso nova-iorquino e um padre alemão? Uma profunda e incontrariável ligação aos livros, que os levou a dedicarem-lhes toda ou boa parte das suas vidas. São eles e o seu amor por um objeto milenar os protagonistas do novo livro de Rui Couceiro. Depois de publicar os romances Baiôa sem Data para Morrer e Morro da Pena Ventosa, o autor viajou pelo mundo para conhecer e contar histórias que apaixonarão todos os que, como ele e os protagonistas de A Mais Bela Maldição, adoram os livros e a leitura.

Em Medo – Como Transformar as Ameaças em Forças, o empresário José Borralho, socorrendo-se de experiências pessoais e profissionais – entre as quais a criação da Escolha do Consumidor e a liderança da marca Produto do Ano –, leva-nos corajosamente por um túnel comprido e escuro, com a certeza de nos conduzir a ideias mais claras, e detendo-se, pelo caminho, nos medos das várias fases da vida: o medo na infância; o medo na adolescência; o medo na vida adulta; o medo na vida profissional; a transição de empregado para empregador; o medo na vida pessoal e emocional. Uma obra rara, que alia um estilo despretensioso e sincero a um estudo estatisticamente detalhado sobre o que mais nos assusta e que nos oferece soluções para enfrentar as ameaças, transformando riscos em oportunidades de investimento e de valorização pessoal.

“É como se dançasse com os mortos”, escreve Miguel Esteves Cardoso no prefácio de Vidas Perfeitas, o livro que reúne as crónicas de obituários que Carla Quevedo publica, todas as semanas, no semanário Expresso. “Quando ela olha para a vida de alguém, é incapaz de se deter nos pormenores, nas chatices, nas banalidades. Ela vê o rasgo, a diferença, a razão de viver.” É dessa sensibilidade que nascem os textos que perpetuam uma das mais nobres e clássicas atividades jornalísticas – o obituário –, agora sob a forma de livro. “O tom com que se escreve sobre uma vida que acabou de desaparecer não deve ser cerimonioso nem sentimental”, reforça a autora, que evita “elogios despropositados ou heroificar alguém só por ter desaparecido”.

FRONTLINE/55


MOTORES | BMW iX3 50 xDrive

O ARRANQUE DE UMA NOVA GERAÇÃO O BMW iX3 50 xDrive inaugura uma nova etapa na história elétrica da marca bávara. Com mais autonomia, carregamentos ultrarrápidos, uma arquitetura digital profundamente renovada e uma importante participação de tecnologia desenvolvida em Portugal, este SUV assume-se como uma das propostas mais relevantes da nova geração premium.

56/FRONTLINE


BMW iX3 50 xDrive | MOTORES

H

á modelos que chegam para preencher uma gama e outros que chegam para definir um rumo. O novo BMW iX3 50 xDrive pertence claramente a esta última categoria. Mais do que um SUV 100% elétrico, surge como uma declaração de intenções da BMW, traduzindo em produto aquilo que a marca entende ser a próxima fase da mobilidade elétrica. É o primeiro modelo de produção da Neue Klasse, a nova família desenvolvida para elevar a eficiência, a autonomia, a digitalização e a experiência de condução a um patamar superior. Transição para um novo Tempo À primeira vista, o iX3 transmite precisamente essa ideia de transição para um novo tempo. A linguagem estética é mais limpa, mais madura e mais segura de si, sem perder a presença que se espera de um modelo da família X. O desenho evita excessos, privilegia superfícies mais depuradas e combina robustez visual com uma sofisticação discreta. Com 4782 mm de comprimento, 1895 mm de largura, 1635 mm de altura e 2897 mm de distân-

cia entre eixos, apresenta dimensões generosas, favoráveis tanto à habitabilidade como à estabilidade em estrada. A dianteira assume especial importância nesta nova identidade. A tradicional dupla grelha da BMW continua presente, mas surge reinterpretada para uma era elétrica e digital, integrada numa frente mais vertical e tecnologicamente mais expressiva. Os grupos óticos acompanham essa evolução, reforçando a assinatura visual sem quebrar a ligação à história da marca. Na traseira, o mesmo princípio mantém-se: uma imagem moderna, sólida e funcional, pensada para transmitir eficiência sem abdicar de carácter. Mas é debaixo da carroçaria que este BMW revela a verdadeira dimensão da sua ambição. O iX3 50 xDrive recorre a dois motores elétricos e à tração integral inteligente xDrive, desenvolvendo uma potência combinada de 345 kW, equivalentes a 469 cv, e 645 Nm de binário máximo. Estes números permitem cumprir a aceleração dos 0 aos 100 km/h em 4,9 segundos e atingir 210 km/h de velocidade máxima. São valores expressi-

vos, mas o mais importante está na forma como prometem ser entregues: de modo imediato, progressivo e com a naturalidade que sempre distinguiu os bons BMW. Esta nova etapa técnica assenta na sexta geração da tecnologia BMW eDrive, criada no contexto da Neue Klasse. A utilização de uma nova arquitetura de alta tensão, baterias de células cilíndricas e uma lógica de gestão energética mais avançada mostra que a marca não se limitou a evoluir uma fórmula existente. O objetivo parece claro: tornar o automóvel elétrico menos dependente de compromissos e mais próximo daquilo que se espera de um produto premium contemporâneo, eficiente, rápido, confortável e utilizável em todos os cenários. A autonomia é um dos argumentos mais fortes do novo iX3 50 xDrive. A BMW anuncia até 805 quilómetros em ciclo WLTP, um valor que o coloca entre as propostas mais ambiciosas do segmento. Ao mesmo tempo, a capacidade de carregamento até 400 kW permite recuperar entre 309 e 372 quilómetros em apenas 10 minutos, enquanto um carregamento dos 10 aos 80%

FRONTLINE/57


MOTORES | BMW iX3 50 xDrive

pode ser efetuado em cerca de 21 minutos. Na prática, estes dados ajudam a alterar a perceção do elétrico como automóvel limitado à cidade ou a viagens curtas. nova mobilidade eléTrica Também a inteligência embarcada assume aqui um papel decisivo. O sistema de navegação consegue planear automaticamente paragens de carregamento em viagens longas e preparar a bateria antes da chegada a um posto rápido, reduzindo tempos de espera e maximizando a eficiência. Esta integração entre software, bateria e experiência de utilização mostra como a nova mobilidade elétrica já não depende apenas de bons números. Depende, acima de tudo, da capacidade

58/FRONTLINE

de transformar esses números em conveniência real. É precisamente neste domínio digital que surge uma ligação particularmente relevante a Portugal.A Critical TechWorks, joint-venture entre o BMW Group e a portuguesa Critical Software, é hoje o maior centro de desenvolvimento de software do BMW Group na Europa. Com equipas em Lisboa, Porto e Braga, esta estrutura participa no desenvolvimento de uma parte significativa do software presente nos novos modelos baseados na plataforma Neue Klasse, incluindo o novo iX3. Esta dimensão acrescenta ao modelo um interesse especial para o mercado nacional, ao mostrar que parte da revolução tecnológica da BMW também está a ser construída com talento português.


BMW iX3 50 xDrive | MOTORES

Entre os sistemas com contributo da Critical TechWorks, estão o BMW Panoramic iDrive, centrado no princípio “Eyes on the road”, as funcionalidades de realidade aumentada, soluções avançadas de condução assistida e a nova geração da aplicação MyBMW. Também a infraestrutura que permite atualizações remotas de software ao longo do ciclo de vida do veículo faz parte desta nova lógica, em que o automóvel deixa de ser um produto fechado no momento da compra e passa a evoluir continuamente. cenTralidade do conduTor No interior, esta transformação digital torna-se visível de forma muito clara. O ambiente foi pensado para reforçar a centralidade do condutor, sem abdicar da sofisticação tecnológica que hoje define o segmento premium. O BMW Panoramic iDrive é um dos elementos mais marcantes desta nova geração, propondo uma forma mais intuitiva de apresentar informação e comandos. A solução procura reduzir distrações, melhorar a


MOTORES | BMW iX3 50 xDrive

leitura dos dados essenciais e criar uma ligação mais direta entre o condutor, o automóvel e a estrada. A nova arquitetura eletrónica é outro dos pontos centrais do iX3. Diferentes unidades de computação de elevado desempenho passam a gerir funções essenciais do veículo, incluindo a dinâmica, a travagem, a recuperação de energia e a resposta global do sistema elétrico. Entre estas, destaca-se o chamado “Heart of Joy”, responsável por coordenar áreas fundamentais para a experiência de condução. Mais do que um nome apelativo, representa a tentativa de preservar uma ideia essencial na identidade da BMW: independentemente da motorização, um BMW deve continuar a ser agradável de conduzir. A importância estratégica deste modelo não se mede apenas pela tecnologia que introduz, mas também pela simbologia que transporta. O iX3 não é apresentado como mais um elemento de gama, mas como a primeira expressão concreta da direção futura da marca. Assume, por isso, um papel de charneira: olha para o futuro da eletrificação, mas procura fazê-lo sem romper com princípios

60/FRONTLINE

tradicionais como a qualidade de construção, a precisão dinâmica, a presença estética e a valorização da experiência do utilizador. Num mercado onde a eletrificação já deixou de ser tendência para se tornar uma exigência estrutural, o novo BMW iX3 50 xDrive destaca-se por apresentar uma proposta coerente e completa. Tem autonomia para responder às preocupações práticas do presente, ve-

locidade de carregamento para acompanhar os ritmos da vida real, desempenho para honrar a herança da insígnia bávara e uma base digital claramente preparada para a próxima geração automóvel. Não procura apenas acompanhar a mudança. Procura liderá-la. E é precisamente por isso que o iX3 50 xDrive surge como um dos lançamentos mais relevantes da BMW nos últimos anos, não apenas pelo que é, mas pelo que representa.


IMOBILIÁRIO | Forbes Global Properties

UNIQUE ART DÉCO VILLA CASCAIS No Estoril, a poucos passos do mar, esta moradia de inspiração Art Déco preserva o carácter da arquitetura dos anos 1940, conciliando a elegância da época com uma cuidada renovação adaptada à vida contemporânea. Desenvolvida em cinco pisos sobre a encosta, a casa privilegia a luz natural, as vistas sobre o Atlântico e uma relação contínua entre os espaços interiores, os terraços e o jardim. Com sete quartos, amplas áreas de convívio e uma atmosfera marcada pela serenidade, oferece uma forma de viver onde história, conforto e funcionalidade coexistem de forma equilibrada. Preço: SOB CONSULTA

CASA BELLA QUINTA DO LAGO, ALGARVE Entre o lago, os pinheiros e o South Course da Quinta do Lago, e a poucos minutos das praias, a Casa Bella propõe um estilo de vida em permanente ligação à natureza. Assinada pela arquiteta Jutta Hoehn, a moradia foi desenhada para acompanhar a luz e a envolvente, privilegiando uma relação contínua entre os espaços interiores e o exterior. Mais do que uma casa, reúne aquilo que melhor define a Quinta do Lago: privacidade, espaço, luz e uma forma de viver onde arquitetura, paisagem e bem-estar se complementam naturalmente, numa das localizações residenciais mais desejadas da Europa. Preço: 16.950.000,00

ARCHITECTURE WONDER VILLA MONTE ESTORIL Assinada pelo arquiteto Vítor Vitorino, esta moradia no Monte Estoril estende-se por mais de 1500 m², implantada num terreno de 4000 m² com vistas abertas sobre o mar. A luz, a fluidez dos espaços e a relação constante entre o interior e o exterior criam uma atmosfera de serenidade que acompanha toda a casa. Com seis suítes, amplas áreas de convívio, piscinas interior e exterior, spa, ginásio, cinema privado e uma cozinha marcada por uma impressionante ilha em mármore com seis metros de comprimento, cada espaço foi pensado para viver, receber e desfrutar do tempo sem pressa. Preço: SOB CONSULTA

www.forbesglobalproperties.com

62/FRONTLINE


Forbes Global Properties | IMOBILIÁRIO

FASANO CASCAIS RESIDENCES QUINTA DA MARINHA, CASCAIS Na Quinta da Marinha, onde o Atlântico, o pinhal e o golfe fazem parte da paisagem, nasce um novo capítulo da marca Fasano: as primeiras Residências Fasano, na Europa. Integrado num projeto que reúne hotel e residências privadas, propõe uma forma de viver onde a privacidade de uma casa se alia ao acesso aos serviços e à hospitalidade que distinguem a marca Fasano há mais de um século. Com amplos terraços e grandes aberturas que convidam a luz natural a entrar e valorizam a vista sobre o Atlântico, as residências conciliam espaços generosos, privacidade e a experiência de viver com os serviços de um hotel Fasano. Preço: SOB CONSULTA

VILLA BOTANICA QUINTA DO LAGO, ALGARVE Inspirada pela paisagem que a rodeia, a Villa Botanica combina arquitetura contemporânea com 2100 m² de jardins cuidadosamente desenhados, numa das localizações mais exclusivas da Quinta do Lago. Desde a entrada, marcada por um impressionante pé-direito duplo e amplas superfícies de vidro, a casa estabelece uma ligação constante entre o interior e a natureza, fazendo da luz um elemento central da arquitetura. Com cinco suítes, amplas áreas de convívio e uma cozinha aberta concebida para receber, os espaços prolongam-se naturalmente para os terraços e jardins, criando um ambiente pensado para viver o exterior durante todo o ano. Preço: €16.950.000,00

OCEANFRONT VILLA ALBUFEIRA, ALGARVE Suspensa sobre as falésias da praia da Oura, no Algarve, a Villa Albuente oferece uma perspetiva privilegiada sobre o Atlântico, onde a paisagem faz parte do quotidiano. Com seis quartos, 850 m² de área construída num terreno de 2400 m², a casa foi desenhada para tirar partido da luz e das vistas panorâmicas sobre o oceano. A entrada, marcada por um pátio de inspiração mediterrânica e um amplo hall banhado por luz natural, revela desde o primeiro momento a relação constante entre a arquitetura e o mar. Uma casa onde o horizonte faz parte da experiência de viver. Preço: €18.500.000,00

Contactos: contact@portugalfgp.com | +351 924 794 100

FRONTLINE/63


OFF ROAD | Raid Região Beiras e Serra da Estrela

AVENTURA E DESCOBERTA NO CORAÇÃO DA MONTANHA Manteigas, Belmonte e a aldeia de Videmonte receberam o Raid Região Beiras e Serra da Estrela 2026, uma iniciativa que combinou condução todo-o-terreno, turismo de natureza, património e convívio. Com alojamento no Vila Galé Collection Serra da Estrela, o evento voltou a afirmar a região como destino de aventura, cultura e hospitalidade.

64/FRONTLINE


Raid Região Beiras e Serra da Estrela | OFF ROAD

E

ntre 12 e 14 de junho, a serra da Estrela voltou a ser ponto de encontro para os amantes da condução todo-o-terreno, da descoberta do território e do turismo de natureza, com a realização do Raid Região Beiras e Serra da Estrela 2026. Durante três dias, os participantes percorreram alguns dos cenários mais marcantes do interior, num programa que uniu aventura, património e hospitalidade. Com base em Manteigas, e tendo como alojamento o Vila Galé Collection Serra da Estrela, o raid beneficiou de uma localização privilegiada no coração da mon-

FRONTLINE/65


OFF ROAD | Raid Região Beiras e Serra da Estrela

tanha. A envolvência do vale glaciar do Zêzere, a proximidade aos trilhos serranos e o ambiente de refúgio proporcionado pelo hotel criaram o enquadramento ideal para uma experiência que foi muito além da condução. A diversidAde dA região O percurso levou a caravana por estradas, caminhos e paisagens que revelam a diversidade das Beiras e Serra da Estrela. Manteigas assumiu-se como porta de entrada para a imponência natural da serra, com vistas amplas e percursos onde a paisagem muda a cada curva. Belmonte

66/FRONTLINE


Raid Região Beiras e Serra da Estrela | OFF ROAD

acrescentou ao programa uma dimensão histórica e cultural, marcada pela ligação a Pedro Álvares Cabral e pela identidade judaica que distingue a vila. Já Videmonte, aldeia do concelho da Guarda, trouxe ao raid a autenticidade das comunidades serranas, com o seu ritmo próprio, a arquitetura tradicional e a relação próxima com a natureza. Mais do que um evento motorizado, o Raid Região Beiras e Serra da Estrela afirmou-se como uma forma de promoção do território. Ao atravessar diferentes localidades, a iniciativa deu visibilidade a recursos naturais, culturais e turísticos que fazem desta região um destino diferenciador. A edição de 2026, realizada em junho, permitiu descobrir a serra numa fase luminosa, com dias longos e uma paisagem marcada pelos contrastes da primavera tardia. Para os participantes, o programa combinou o prazer da condução em am-

biente controlado com momentos de convívio e descoberta. A passagem por trilhos e aldeias reforçou a ligação entre aventura e identidade local, valorizando não apenas os percursos, mas também as histórias, sabores e tradições que dão carácter à região. vilA gAlé ColleCtion serrA dA estrelA O alojamento no Vila Galé Collection Serra da Estrela contribuiu para consolidar essa experiência. Depois das etapas diárias, o regresso a Manteigas ofereceu conforto, descanso e uma relação direta com a paisagem envolvente. Esta combinação entre natureza, bem-estar e serviços de qualidade reforçou o posicionamento da serra da Estrela como destino capaz de acolher eventos de turismo ativo sem perder a sua autenticidade. A realização do raid confirma também a importância deste tipo de iniciativas para

FRONTLINE/67


OFF ROAD | Raid Região Beiras e Serra da Estrela

o desenvolvimento regional. Ao atrair participantes de diferentes pontos do país, o evento dinamiza a hotelaria, a restauração, o comércio local e os serviços associados ao turismo, ao mesmo tempo que incentiva uma descoberta mais demorada e consciente do interior. Manteigas, Belmonte e Videmonte foram, nesta edição, mais do que pontos de passagem: foram cenários vivos de uma experiência que celebrou a montanha, a cultura e a hospitalidade beirã. Entre caminhos de terra, curvas panorâmicas, património histórico e momentos de partilha, o raid

68/FRONTLINE

mostrou que a serra da Estrela continua a ser um território de descoberta, capaz de surpreender tanto quem a visita pela primeira vez como quem regressa para a ver com outros olhos. O Raid Região Beiras e Serra da Estrela 2026 terminou deixando a sensação de missão cumprida: promover um território único, criar memórias entre os participantes e reforçar a ligação entre turismo, natureza e identidade local. Durante três dias, a estrada serviu de guia para revelar uma região onde a aventura se cruza com a tradição.


ON THE ROAD

FORD TOURNEO COURIER ACTIVE Ao volante, o Ford Tourneo Courier Active 1.0 EcoBoost de 125 cv revela-se uma proposta surpreendentemente versátil. Apesar do formato familiar e assumidamente prático, não se limita a cumprir a função de transporte: oferece uma condução leve, acessível e suficientemente dinâmica para o dia a dia. O motor 1.0 EcoBoost, com três cilindros turbo, é uma resposta viva em cidade e mantém um bom nível de disponibilidade em estrada. Os 125 cv são suficientes para mover o Tourneo Courier com naturalidade, mesmo quando há passageiros ou bagagem a bordo. Não é um modelo pensado para prestações desportivas, mas sim para uma condução fluida, económica e confortável, e é precisamente aí que convence. A posição de condução elevada melhora a visibilidade e dá confiança em ambiente urbano, enquanto a direção leve facilita manobras, estacionamento e circulação em ruas mais estreitas.

BMW 218D O BMW 218d confirma aquilo que se espera de um modelo da marca: uma condução sólida, precisa e com um equilíbrio muito interessante entre conforto, eficiência e prazer de condução. O motor diesel 218d destaca-se pela disponibilidade em baixos regimes e pela forma tranquila como responde no dia a dia. É uma mecânica pensada para quem percorre muitos quilómetros, oferecendo consumos contidos sem comprometer o desempenho. Em cidade, mostra-se progressivo e fácil de controlar; em estrada, revela boa capacidade de recuperação e permite viagens longas com um elevado nível de conforto. A direção transmite confiança e o comportamento em curva é seguro, com uma sensação de controlo típica da BMW. Mesmo sem assumir uma postura claramente desportiva, o 218d consegue manter uma condução envolvente, sobretudo quando comparado com propostas mais familiares ou utilitárias. É um automóvel que se conduz com naturalidade, mas que também sabe responder quando o ritmo aumenta. O habitáculo acompanha com um ambiente cuidado, boa posição de condução e uma sensação geral de qualidade.

RENAULT CAPTUR ECO-G 120 CV TECHNO O Renault Captur Eco-G 120 cv Techno destaca-se como uma proposta inteligente para quem procura um SUV compacto versátil, económico e bem equipado para o uso diário. Com motor bifuel, capaz de funcionar a gasolina e GPL, combina a facilidade de utilização de um modelo convencional com custos de utilização mais reduzidos. Em cidade, o Captur mostra-se ágil e confortável, com uma direção leve, boa visibilidade e dimensões fáceis de gerir. A resposta do motor é progressiva e suficiente para acompanhar o ritmo urbano com naturalidade, enquanto a transição entre gasolina e GPL decorre de forma simples e praticamente impercetível. Fora da cidade, os 120 cv garantem uma condução equilibrada, com boa disponibilidade para ultrapassagens e viagens em estrada. Não é um modelo de vocação desportiva, mas cumpre bem o papel de automóvel familiar compacto, oferecendo estabilidade, conforto e uma sensação de segurança constante.

70/FRONTLINE


ON THE ROAD

SMART #3 O Smart #3 marca uma nova fase para a marca, afastando-se da imagem exclusivamente urbana dos seus modelos mais compactos e aproximando-se de uma proposta mais madura, tecnológica e versátil. Com uma silhueta de SUV coupé e uma presença mais expressiva em estrada, combina design contemporâneo, mobilidade elétrica e uma condução confortável. A resposta do motor elétrico é imediata e suave, tornando-o particularmente agradável em cidade, mas também competente em vias rápidas e percursos mais longos. A aceleração surge de forma progressiva, sem esforço, transmitindo uma sensação de facilidade que combina bem com o carácter silencioso e refinado da condução elétrica. Não procura ser um desportivo puro, mas consegue oferecer uma experiência dinâmica mais envolvente do que seria de esperar, sobretudo graças ao baixo centro de gravidade típico dos veículos elétricos.

DACIA SPRING O Dacia Spring assume-se como uma das propostas elétricas mais acessíveis e racionais do mercado, pensado sobretudo para uma utilização urbana, simples e eficiente. Compacto por fora e fácil de conduzir, adapta-se muito bem ao ritmo da cidade, onde as dimensões reduzidas, a direção leve e a resposta imediata do motor elétrico tornam cada deslocação mais prática. Em ambiente urbano, o Spring sente-se particularmente à vontade. A aceleração suave, a ausência de caixa de velocidades tradicional e a condução silenciosa reforçam a sensação de facilidade, tornando-o ideal para trajetos diários, pequenas deslocações e circulação em zonas com trânsito intenso. É um automóvel que privilegia a economia de utilização e a simplicidade, sem complicar a experiência de condução. Apesar da sua vocação citadina, também consegue cumprir deslocações fora da cidade, desde que se respeite o seu posicionamento.

FORD RANGER WILDTRAK O Ford Ranger Wildtrak Cabine Dupla PHEV 280 cv automático combina a robustez tradicional de uma pick-up com uma abordagem mais moderna e eletrificada. Mantém o carácter forte e funcional do Ranger, mas acrescenta a possibilidade de circular em modo elétrico em percursos curtos, tornando-o mais versátil para quem alterna entre trabalho, lazer e utilização diária. Em estrada, o conjunto híbrido plug-in oferece uma resposta enérgica e confortável. Os 280 cv garantem força suficiente para deslocações com carga, ultrapassagens e viagens mais longas, enquanto a caixa automática contribui para uma condução mais suave e descontraída. Apesar das dimensões generosas, transmite segurança e estabilidade, com uma presença sólida que inspira confiança. Na cidade, a carroçaria de cabine dupla exige alguma atenção em manobras e estacionamento, mas a condução mantém-se fácil graças à direção assistida, à boa visibilidade e à resposta progressiva do sistema híbrido.

FRONTLINE/71


SOBRE RODAS | BMW R 1300 RT

SIMPLESMENTE INESQUECÍVEL A nova BMW R 1300 RT, uma das propostas mais importantes da marca alemã para o segmento touring, reforça a aposta da BMW Motorrad no turismo de luxo.

P

ensada para longas viagens, mas agora com uma imagem mais leve e uma atitude mais dinâmica, a nova geração da RT procura juntar conforto, tecnologia e desempenho numa moto que continua a ter no motor boxer a sua assinatura principal. Este modelo coloca a moto num patamar superior, reforçando a capacidade de resposta em viagem, sobretudo com passageiro e bagagem. A transmissão mantém a lógica touring da BMW, com caixa de seis velocidades e transmissão final por veio, uma solução valorizada pela suavidade e baixa manutenção. Mais do que uma evolução mecânica, a nova R 1300 RT representa uma mudança de abordagem. A BMW fala numa moto visualmente mais leve, com tecnologia inteligente e preparada para viagens de primeira classe. O desenho foi revisto para melhorar a proteção aerodinâmica e a ergonomia, sem perder a imagem robusta associada à família RT. O objetivo é claro: oferecer uma moto confortável em autoestrada, mas suficientemente ágil para estradas secundárias e percursos mais exigentes. A componente tecnológica assume também um papel central. A R 1300 RT in-

72/FRONTLINE

tegra equipamento orientado para segurança, conforto e conectividade, mantendo o foco no controlo do condutor. Entre os elementos mais valorizados neste tipo de utilização estão a proteção contra o vento, a posição de condução ajustável, a capacidade de carga e a eletrónica de apoio à condução, fundamentais para quem percorre muitos quilómetros por dia. Nos dados técnicos divulgados pela marca, destacam-se ainda o depósito de 24 litros, o consumo de 4,9 l/100 km, a velocidade máxima ultrapassa os 200 km/h, números que confirmam a ambição da BMW em posicionar a RT como uma tourer premium de elevado rendimento. Com esta nova geração, a BMW Motorrad não se limita a atualizar um modelo histórico. A R 1300 RT chega para defender a ideia de que uma moto turística pode ser confortável, tecnológica e, ao mesmo tempo, emocional. Para quem procura viajar depressa, longe e com elevado nível de equipamento, a nova RT apresenta-se como uma das referências mais fortes do segmento, mantendo viva a tradição touring da marca alemã no segmento premium RT.


VERÃO, CALMA E O DOURO

RESERVE qrdouroriver.com i o qrdouroriver.com R


A RESERVAR | Il Vivaldi

ELEGÂNCIA MEDITERRÂNICA COM ALMA FUNCHALENSE No centro do Funchal, onde a cidade se abre ao mar e a vivacidade urbana se cruza com a elegância de outros tempos, o Il Vivaldi afirma-se como uma referência gastronómica que merece demorada atenção.

I

nstalado na antiga Casa do Turista, edifício emblemático da capital madeirense, este restaurante distingue-se, desde logo, pela forma como soube valorizar um espaço carregado de memória, devolvendo-lhe nova vida através de um conceito contemporâneo, requintado e pensado ao detalhe. Há restaurantes que conquistam pela cozinha, outros pela localização, outros ainda pela atmosfera. O Il Vivaldi tem o mérito raro de reunir estas três qualidades numa proposta coesa e sedutora. A envolvência é particularmente feliz: a proximidade da marina e da frente marítima confere-lhe um enquadramento privilegiado, ideal para uma refeição que se quer vivida com tempo, tranquilidade e verdadeiro sentido de ocasião. Ao entrar, percebe-se imediatamente que tudo foi pensado para criar uma experiência harmoniosa, onde a sofisticação não é excessiva nem distante, mas antes natural e acolhedora.

74/FRONTLINE


Il Vivaldi | A RESERVAR

Valorização do património A recuperação da antiga Casa do Turista revela sensibilidade e visão. O edifício, com a sua importância histórica na cidade, foi respeitado na essência, ao mesmo tempo que recebeu uma leitura estética atual, luminosa e elegante. O resultado é um espaço onde o património arquitetónico e o conforto contemporâneo convivem com equilíbrio, oferecendo ao cliente uma sensação de distinção discreta, sem ostentação. Também por isso, o Il Vivaldi não é apenas um restaurante: é um lugar com presença, com carácter e com uma identidade muito própria Essa identidade prolonga-se na cozinha, que assume uma matriz mediterrânica, cosmopolita e contemporânea, sem perder a ligação à Madeira e aos seus produtos mais representativos. A carta revela uma clara atenção à frescura dos ingredientes, à diversidade de propostas e à apresentação cuidada de cada prato. Trata-se de uma cozinha que procura agradar sem ceder à banalidade, que sabe ser elegante sem perder conforto, e que

encontra na simplicidade bem executada uma das suas maiores forças. À frente da cozinha está o chef Amândio Gonçalves, profissional experiente, conhecedor da realidade madeirense e da exigência de um público cada vez mais atento. O seu trabalho reflete precisamente essa combinação entre maturidade técnica, sensibilidade gastronómica e respeito pelo produto. Há, no discurso culinário da casa, uma preocupação evidente em valorizar o que o mar e a terra da ilha oferecem, integrando esses elementos numa linguagem de inspiração mediterrânica, aberta, versátil e apelativa. SerViço de excelência Mas seria injusto falar do Il Vivaldi apenas em termos de espaço e cozinha. O serviço é parte essencial da experiência e um dos pilares da sua reputação. Num restaurante desta natureza, a forma de receber é inseparável da proposta gastronómica, e aqui percebe-se uma cultura de hospitalidade assente na atenção ao detalhe, no profissionalismo e na vontade genuína de

proporcionar bem-estar. O cliente sente-se acompanhado, valorizado e confortável, num ambiente onde o ritmo do serviço respeita o prazer da mesa e o sentido de ocasião. Num destino como a Madeira, onde a restauração se tem vindo a afirmar com crescente maturidade e diversidade, o Il Vivaldi ocupa um lugar muito próprio. Não procura a exuberância fácil nem o experimentalismo gratuito. Prefere afirmar-se pela consistência, pela elegância e pela qualidade global da experiência que oferece. É essa sobriedade segura, aliada ao charme do espaço, à centralidade da localização e à solidez da cozinha, que o torna particularmente apelativo. O Il Vivaldi é, assim, uma mesa de eleição no Funchal: um restaurante onde o património encontra a modernidade, onde a inspiração mediterrânica ganha expressão madeirense e onde cada refeição se transforma num momento de verdadeiro prazer. Distinto, envolvente e seguro na sua identidade, é um daqueles lugares que confirmam que a boa gastronomia continua a ser uma das formas mais completas de conhecer e sentir um destino.

FRONTLINE/75


APRESENTAÇÃO | Nissan LEAF

NOVA GERAÇÃO ELÉTRICA EM LISBOA por Ana Laia

O novo Nissan LEAF foi apresentado em Lisboa, no LX Factory, marcando o início de uma nova etapa para um dos modelos mais emblemáticos da mobilidade elétrica.

C

oncebido no Estúdio Global de Design da Nissan, em Atsugi, no Japão, e produzido na fábrica de Sunderland, no Reino Unido, o LEAF entra agora na sua terceira geração com uma proposta totalmente renovada, mais eficiente, tecnológica e visualmente mais sofisticada. Pioneiro entre os veículos 100% elétricos, o Nissan LEAF regressa com um design elegante e refinado, pensado para melhorar a eficiência aerodinâmica sem abdicar de uma presença marcante em estrada. A nova geração assume-se como uma evolução importante na história do modelo, combinando maior autonomia, soluções digitais avançadas e elevados níveis de segurança. Disponível com duas opções de bateria, de 52 kWh e 75 kWh, o novo LEAF oferece até 622 quilómetros de autonomia, respondendo às necessidades de quem procura um elétrico versátil tanto para o dia a dia como para viagens mais longas. O carregamento rápido permite recuperar até 417 quilómetros em apenas 30 minutos, reforçando a praticidade de utilização e reduzindo as limitações habitualmente associadas à mobilidade elétrica. A bordo, a experiência digital ganha também novo protagonismo. O sistema NissanConnect com Google integrado inclui Google Maps, Google Assistant e Play Store, permitindo uma utilização mais intuitiva, conectada e adaptada às rotinas dos condutores. Esta integração reforça o posicionamento do novo LEAF como uma proposta moderna, eficiente e preparada para os desafios atuais da mobilidade. Com esta terceira geração, a Nissan renova a ambição de um modelo que ajudou a abrir caminho à eletrificação automóvel e que regressa agora com argumentos reforçados para continuar a desempenhar um papel relevante no segmento dos veículos 100% elétricos.

76/FRONTLINE


Omoda 7 | APRESENTAÇÃO

OMODA 7 SHS-P ARTE EM MOVIMENTO por Ana Laia

A Omoda reforça a sua presença no mercado nacional com a chegada do novo Omoda 7 SHS-P, apresentado em Lisboa e posicionado entre o Omoda 5 e o Omoda 9 SHS-P. O SUV híbrido plug-in combina imagem marcante, tecnologia avançada e eficiência para o dia a dia e viagens longas.

C

om 4660 mm de comprimento, 1875 mm de largura, 1670 mm de altura e 2720 mm de distância entre eixos, assume uma presença robusta e equilibrada. A linguagem “Art in Motion” surge na grelha frontal sem moldura, na assinatura luminosa, nos puxadores semi-embutidos e na silhueta fastback, reforçando o carácter moderno. Em Portugal, o Omoda 7 SHS-P chega, numa primeira fase, apenas na versão Premium. O habitáculo aposta numa forte componente digital, com painel de instrumentos de 8,88 polegadas, head-up display, controlo por voz inteligente de quatro

zonas e ecrã central deslizante de 15,6 polegadas com resolução 2,5K, solução inédita no mercado nacional, suportada por processador Qualcomm Snapdragon 8155. O conforto também se destaca, com espaço para cinco ocupantes, bancos dianteiros aquecidos, climatização bizona, isolamento acústico reforçado e bagageira de 537 litros, expansível até 1294 litros. A tecnologia híbrida plug-in SHS combina um motor 1.5 TGDI DHE de quinta geração, transmissão híbrida dedicada DHT e bateria de 18,4 kWh. O conjunto desenvolve 279 cv e 365 Nm, acelera dos 0 aos 100 km/h em 8,4 segundos e atinge

180 km/h. A autonomia elétrica pode chegar aos 90 quilómetros e a autonomia total supera os 1200 quilómetros, com consumo de 2,3 l/100 km WLTP. O carregamento pode ser feito em corrente alternada até 6,6 kW e em corrente contínua até 40 kW, recuperando dos 30 aos 80% da bateria em menos de 20 minutos. A função V2L alimenta equipamentos externos até 3,3 kW. Em segurança, destaque para 19 sistemas de assistência e carroçaria com 72,1% de aço de alta resistência. A garantia é de sete anos ou 150.000 km para o veículo e de oito anos ou 160.000 km para a bateria.

FRONTLINE/77


SOCIAL | Rock in Rio Lisboa

ESPECIAL Férias na neve

ROCK IN RIO LISBOA FAZ HISTÓRIA

O

Rock in Rio Lisboa encerrou o maior evento da sua história e voltou a provar que é muito mais do que um festival de música. Ao longo de quatro dias, cerca de 330 mil pessoas passaram pela Cidade do Rock, no Parque Tejo, confirmando a força de um evento que continua a crescer, a reinventar-se e a afirmar Lisboa como um dos grandes palcos europeus da música e do entretenimento ao vivo. Com público proveniente de 127 países e elevada cobertura internacional, o festival reforçou o seu posicionamento enquanto marca global, capaz de atrair visitantes de diferentes geografias e de projetar a cidade além-fronteiras. Entre famílias, grupos de amigos, fãs de longa data e novas gerações, o Rock in Rio Lisboa voltou a ser um ponto de encontro, celebração e partilha, onde a música serviu de fio condutor a uma experiência muito mais ampla. Durante os quatro dias de festival, quatro palcos receberam mais de 60 artistas, num total de 52 horas de música e entretenimento. O cartaz cruzou nomes consagrados, artistas emergentes e propostas para diferentes públicos, mantendo a identidade plural que tem acompanhado o Rock in Rio desde a sua chegada a Portugal. Grandes nomes internacionais e referências nacionais, com atuações de Katy Perry, Charlie Puth, Pedro Sampaio, Calema, Alok, Linkin Park, Cypress Hill, The Pretty Reckless, Grandson, Kaiser Chiefs, Sepultura, Rod Stewart, Cyndi Lauper, Shaggy, 4 Non Blondes, Xutos & Pontapés, GNR, UHF, Joss Stone, The Wailers, 21 Savage, Central Cee, Rema, Matuê, Carlão, Irina Barros, Valete, Lola

78/FRONTLINE 78/FRONTLINE

Índigo e CeeLo Green, entre muitos outros. Mais do que uma sucessão de concertos, a edição deste ano afirmou-se como uma verdadeira cidade dentro da cidade, com experiências, ativações, gastronomia, lazer e momentos pensados para todos. Esta edição ficou igualmente marcada pela consolidação do Parque Papa Francisco, no Parque Tejo, como a nova casa do Rock in Rio Lisboa. Com a maior Cidade do Rock de sempre em Portugal, o recinto ganhou uma nova dimensão, beneficiando de mais 25 mil metros quadrados, o que permitiu uma circulação mais fluida, maior conforto e uma experiência mais ampla para o público. O reforço superior a 40% das instalações sanitárias e o aumento de mais de 30% da oferta de restauração revelaram também uma aposta clara numa infraestrutura preparada para responder à dimensão do evento. A resposta do público confirmou a aposta. O novo espaço foi amplamente aprovado e demonstrou estar à altura de uma operação desta escala, consolidando o Parque Tejo como território natural para acolher grandes eventos internacionais. Entre música, entretenimento, gastronomia e experiências de marca, o Rock in Rio Lisboa voltou a transformar a capital portuguesa num dos centros europeus da cultura pop ao vivo. Com esta edição histórica encerrada, o festival deixa uma marca expressiva na cidade, no público e na memória coletiva de todos os que passaram pela Cidade do Rock. O reencontro já está marcado: o Rock in Rio Lisboa regressa ao Parque Tejo nos dias 17, 18, 24 e 25 de junho de 2028.


Rock in Rio Lisboa | SOCIAL

ESPECIAL Férias na neve

FRONTLINE/79


SOCIAL | International Club of Portugal

ESPECIAL Férias na neve

1

5

2

6

3

7

4

8

9

MAIS E MELHOR SAÚDE

O NOSSO COMPROMISSO COM OS CIDADÃOS

A

ministra da Saúde, Ana Paula Martins, anunciou no almoço-debate organizado pelo International Club of Portugal (ICPT), no Sheraton Lisboa Hotel & Spa, que alguns hospitais do país já ativaram o nível mais baixo dos planos de contingência devido ao calor, numa altura em que as temperaturas elevadas continuam a fazer sentir-se em vários distritos.A medida implica, entre outras ações, o reforço das equipas nos serviços de urgência, de forma a responder ao aumento da procura.“Já ativámos o nível de contingência 1”, afirmou a governante e explicou que este primeiro nível inclui várias medidas articuladas com outras entidades, nomeadamente a Proteção Civil, e foi acionado nas zonas onde o risco associado ao calor é mais elevado. Sublinhou que uma das principais prioridades passa pela sensibilização da população para os cuidados a adotar durante os períodos de maior calor. Entre as recomendações, estão evitar a exposição direta ao sol, manter uma hidratação regular e redobrar a atenção aos grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas com doenças crónicas. Reconheceu que se tem verificado uma maior pressão sobre os serviços de urgência, sobretudo nas áreas mais afetadas pela onda de calor. Ainda assim, garantiu que, até ao momento, o Serviço Nacional de Saúde tem conseguido assegurar a resposta necessária.“As ondas de calor, tal como as ondas de frio, têm grande impacto na mortalidade”, alertou. O aumento da procura surge num contexto em que o INEM registou, em junho, cerca de 6 mil chamadas a mais face ao mesmo mês de 2025, uma subida associada aos efeitos das temperaturas elevadas, ao agravamento de doenças crónicas e a situações de doença aguda. Questionada ainda sobre o vírus Ébola, depois de a França ter detetado o primeiro caso positivo, assegurou que Portugal está preparado para responder a uma eventual chegada da doença, embora tenha considerado baixo o risco para o país. 1| Ana Paula Martins, Manuel Ramalho e João Ralha 2| Brinda Rijal Bastola, Ana Paula Martins e Ramesh Raj Bastola 3| Embaixador Oren Rozenblat e Ana Paula Martins 4| Embaixadora Daniela Gîtman, embaixadora Annick Josiane Capet-Bakou, Ana Paula Martins e embaixadora Patricia Villegas de Jorge 5| João Ralha e Rui Miranda Julião 6| Leonor Beleza, Ana Paula Martins e Joaquim Miranda Sarmento 7| Maria da Conceição Caldeira e Ana Paula Martins 8| Pedro Milharadas, Ana Paula Martins e Paulo Cardoso 9| Nuno Sá e Dolores Fernandes 10| Leonel Neves 11| Marta Freitas Lopes 12| Vitor Manuel Baptista Filipe13| Joaquim Miranda Sarmento, Nazim Ahmad e Augusto Vaz 14| José Sousa Cintra e Isabel Costa 15| João Alberto Correia, Ana Paula Martins, Manuel Ramalho e Joaquim Miranda Sarmento 16| Ana Paula Martins e Manuel Ramalho

80/ 80/FRONTLINE FRONTLINE

10 13

15

16

12

11 14


International Club of Portugal | SOCIAL

O SENTIDO DOS INVESTIMENTOS NA DEFESA

ESPECIAL Férias na neve

O

Sheraton Lisboa recebeu um almoço-debate do International Club of Portugal, com Nuno Melo, ministro da Defesa Nacional, como orador convidado. Perante empresários, representantes institucionais e convidados, o governante centrou a intervenção nos investimentos em Defesa, no impacto na economia e no apoio civil, num contexto de incerteza geopolítica. Num momento marcado pela instabilidade internacional e pela necessidade de reforçar a capacidade europeia de resposta, Nuno Melo defendeu que investir em Defesa deixou de ser escolha secundária. Para o ministro, trata-se de uma dimensão essencial da soberania, da segurança coletiva e da credibilidade de Portugal junto dos aliados. A NATO foi apontada como referência estratégica, com Portugal a assumir papel relevante na fronteira ocidental da Aliança Atlântica. Sublinhou que investir em Defesa é também investir na economia nacional. A modernização das Forças Armadas abre oportunidades para a indústria, para a inovação e para empresas capazes de integrar cadeias de valor ligadas à segurança e tecnologia. Nesse sentido, classificou o momento como uma oportunidade de geração, apelando à colaboração entre Estado e empresas. A intervenção abordou igualmente o apoio das Forças Armadas à população civil, em missões de prevenção, vigilância e resposta a emergências. Num contexto de risco climático, destacou a importância de meios preparados e de uma articulação eficaz entre entidades civis e militares. O encontro reforçou a ideia de que a Defesa deve ser entendida não apenas como proteção militar, mas como instrumento de soberania, desenvolvimento económico e serviço público.

1

2

3

4

5

1| Nuno Melo e Margarida Almeida Santos 2| Luís Mira Amaral e Jaime Antunes 3| Luiz Godinho Lopes e José Sousa Cintra 4| Maria Alekseenko Magan e Luís Filipe Longarito Cavalheiro 5| Manuel Ramalho, Rita Rodrigues e Maria Raquel Nunes Pereira 6| Dil Bahadur Sherbuja, Manuel Ramalho e Ramesh Raj Bastola 7| Luís Castro 8| Álvaro Castelo Branco 9| Pedro Fernandes 10| Andreia Vaz e Lidia Wen 11| Armando Aleixo e Carlos Cardoso 12| Felipa Xara-Brasil e Sofia Tenreiro 13| Augusto Vaz, Nuno Melo e Manuel Ramalho 14| Nuno Melo e Manuel Ramalho15| Nuno Melo 6

7

8

9

10

11 13

14

12 15

FRONTLINE/81


CULTURA | Teatro da Trindade

“CLUBE DOS POETAS MORTOS” CHEGA AO TEATRO DA TRINDADE Depois do sucesso em Nova Iorque e em Paris, Clube dos Poetas Mortos chega ao Teatro da Trindade INATEL, em Lisboa, numa adaptação teatral assinada pelo próprio Tom Schulman, autor do filme homónimo que marcou várias gerações. A palavra de ordem continua a ser carpe diem, expressão que atravessa toda a narrativa como um apelo à liberdade, à coragem e à descoberta de uma voz própria.

A

ação decorre num colégio interno dos Estados Unidos, onde “Tradição, Disciplina, Honra e Excelência” são os pilares de um modelo de ensino rígido, conservador e profundamente espartilhado. É neste universo fechado, marcado por regras, expetativas familiares e caminhos previamente definidos, que surge John Keating, um carismático professor de Literatura cujos métodos desafiam o status quo. Ao incentivar os seus alunos a olharem o mundo de outra forma, a questionarem certezas e a pensarem por si próprios, Keating abre uma brecha num sistema que parecia imutável. Mais do que transmitir conhecimento, o professor desperta nos jovens uma intensa vontade de viver, de sonhar e de assumir escolhas. Essa transformação, porém, não acontece sem conflito. A liberdade recém-descoberta confronta-se com a pressão da disciplina, da obediência e das convenções, provocando uma catarse que altera profundamente a vida diária do colégio e de todos os que nele habitam. Com encenação de Hélder Gamboa, esta versão de Clube dos Poetas Mortos recupera a força emocional de uma história que continua a ressoar no imaginário coletivo. Em palco, temas como emancipação, amizade, sonho, perda e identidade ganham nova presença, convidando o público a revisitar uma obra intemporal sobre o poder transformador da educação e da palavra. O elenco reúne Dany Duarte, Diogo Fernandes, Diogo Infante, Diogo Mesquita, Jaime Pinto Gamboa, João Maria Cardoso, João Sá Nogueira, Nuno Represas, Rafael Leitão, Rui Pedro Silva e Virgílio Castelo.

82/FRONTLINE


O PARAÍSO MAIS SEGURO PARA AS SUAS FÉRIAS É AQUI. NA TAILÂNDIA. S A I B A M A I S E M : www.turismotailandes.org.pt

TurismoTailandes

turismo_da_tailandia


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook