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hojemacau
S E X TA - F E I R A 4 D E J U L H O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 1 2 4 TIAGO ALCÂNTARA
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AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
HOJE MACAU
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
IMOBILIÁRIO
OPERÁRIOS Lam U Tou pede reforma do sistema eleitoral
MACAU DESTACA-SE PELA NEGATIVA
“DOIS VOTOS PARA CADA CIDADÃO”
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USJ Petição
O documento assinado por alunos e antigos estudantes da universidade a exigir a liberdade de expressão e o regresso de Eric Sautedé é hoje entregue.
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O vice-presidente da Associação Choi In Tong Sam analisa as “doenças” do Governo e manifesta satisfação pela participação, cada vez mais activa, dos jovens na sociedade. Lam U Tou pede sufrágio para a eleição do CE e mudanças no voto para AL.
QUEM É PATRIÓTICO? A antiga presidente da AL, Susana Chou, apoia a manifestação de Maio contra o Regime de Garantias e vai mais longe: “a acção dos manifestantes é que mostra o que é o amor patriótico”.
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MUNDIAL
PONTA FINAL
Quartos com batalha Franco-Alemã CENTRAIS
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PÁGINAS 2 E 3
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ENTREVISTA
hoje macau sexta-feira 4.7.2014
LAM U TOU VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO CHOI IN TONG SAM
“A competência de cada funcionário vem do superior hierárquico HOJE MACAU
extremos - ou se suporta ou se é contra, não há meio termo. No fundo, cada pessoa deveria pensar calmamente, discutir e ouvir opiniões dos outros, porque não se separar, ou é preto ou é branco. Falei com activistas e a maioria acha que todos os cargos principais do Governo cometem actos de corrupção. Então o que se faz? Derrotar a sociedade? Fazer uma revolução como antigamente? Não! O que precisamos é compreender e obter informações suficientes, encontrar problemas, analisar e dar sugestões à sociedade, acho que um sociedade estável deve ser assim.
FLORA FONG
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Mais recentemente têm sido muitos os jovens que têm estado mais activos nas actividades sociais e políticas. Como vê esta situação? Sinto-me feliz, os jovens dão mais atenção à sociedade e acho que é normal. Sei que muitos jovens nunca tinham dado muita atenção aos assuntos sociais, nem sabiam das políticas do Governo anteriormente. Reparava-se, por exemplo, que quando o Governo convidava pessoas para consultas públicas, ninguém sabia, ou ouvia falar do
“...nunca existe uma proposta de lei que seja extremamente boa ou má e um jovem não deve criticar por criticar”
assunto, nem expressava ideias. Mas, depois das polémicas e da manifestação contra o Regime de Garantias, é verdade que houve um ponto de viragem. Muitos começaram a dar maior atenção ao que se passa na sociedade e até na política. Acho que é um bom início, porque nós dizemos sempre que se deve promover uma ‘sociedade civil’. Ora, de facto, uma sociedade civil precisa da participação dos cidadãos e cada cidadão deve exercer o seu poder cívico. Se ninguém participar, não há esperança para se avançar. E é importante também sublinhar que a participação não deve só vir dos chamados activistas, mas também de pessoas que se conservam neutras. Como é que essas pessoas são importantes? Elas são importantes para o desenvolvimento estável de uma sociedade. Se só existirem vozes
“O Governo nunca dá uma plataforma eficaz de publicação de informações, uma possibilidade de comunicação mútua e interactiva com a população” de dois pólos - um mais tradicional e outro mais activo - é inútil para avanço da sociedade civil. Poderá haver, contudo, problemas de pessoas - jovens, neste caso - que não compreendem bem as políticas? Isso existe, sim. Reparo que muitos jovens dão atenção, participam e expressam-se sobre as políticas do Governo. Mas, de facto, será que eles compreendem total e profundamente essas políticas? Sendo franco, alguns sabem só informações de fachada, dizem meramente ‘a proposta é má, porque ajuda na corrupção dos cargos principais’. Este pensamento é demasiado extremo, nem se compreende a razão
e a origem. Porém, de acordo com a minha experiência, nunca existe uma proposta de lei que seja extremamente boa ou má e um jovem não deve criticar por criticar. O ideal é primeiro obter informações e depois criticar, pensando profundamente quais as vantagens, onde estão os defeitos. Deve haver esse pensamento crítico, que é pensar em diferentes aspectos, pensar porque é que é bom, porque não é... porque só agora se implementa, mas não antes. Devemos ter uma confiança razoável e uma suspeição razoável. Isso acontece muito? Na sociedade de Macau há cada vez mais divisão em vozes de
A RAEM dá oportunidades a toda a população para expressar a sua opinião? O Governo nunca dá uma plataforma eficaz de publicação de informações, uma possibilidade de comunicação mútua e interactiva com a população. O público não obtém informações suficientes. Como a mais recente consulta pública do Metro Ligeiro, por exemplo. O Governo fez mal, fazer uma consulta pública sem dados, calendário, nem números? Pôs meramente assim a consulta, para pessoas expressarem opiniões. Não existem muitos espaços para a população conseguir informações e expressar opiniões eficazmente. O Governo tem a responsabilidade de ajudar a sociedade a analisar um assunto razoavelmente. Como já disse, não se pode dizer simplesmente que uma proposta é boa ou má, é errada ou correcta, é sim ou não! Com mais informações, o público pode fazer julgamentos mais razoavelmente e dar realmente opiniões úteis. Concorda com o sufrágio directo universal na eleição do Chefe do Executivo no futuro? Sim, concordo. A eleição do Chefe do Executivo deve ser sufrágio, mas nas eleições da Assembleia Legislativa deve haver dois votos possíveis para cada cidadão. Porquê? Porque não vemos nenhum exemplo em todo o mundo em que há um voto só para a Assembleia. Como Hong Kong, Taiwan e Estados Unidos. Os cidadãos têm dois votos - para deputados e para os partidos. Embora em Macau não se dividida em partidos, acho que a eleição para a Assembleia deve consistir num voto para de-
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Direcções, é difícil de resolver. Quanto mais Direcções abrangem, mais difícil de resolver é.
PERFIL Lam U Tou é vice-presidente da Associação Choi In Tong Sam, assistente dos deputados Kwan Tsui Hang, Ella Lei e Lam Heong e vogal do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central. É também comentador habitual nos jornais chineses e em programas da TDM, tendo sido jornalista quando mais jovem. Desde essa altura, diz, construiu uma consciência e um maior conhecimento sobre assuntos sociais e políticos.
E como se poderia fazer para resolver estes problemas? De estrutura, é difícil de resolver, mas através de um mecanismo de cooperação, consegue-se uma comunicação eficaz, por exemplo, a reunião habitual de todas as Direcções pode ser uma vez por semana, onde se falem de alguns problemas que abrangem várias Direcções e os directores e o chefe discutem e resolvem, partilham opiniões e distribuem trabalhos para cada departamento, para confirmar quem deve comunicar com quem é decidir quem faz medidas para o quê. Se os superiores conseguem comunicar bem isso, então os subordinados podem fazer medidas. A competência de cada funcionário público vem do superior hierárquico.
putados e outro para os sectores, porque uma pessoa pode ter várias identidades. Um cidadão deveria poder votar em deputados, mas pertencendo a um sector de profissionais por exemplo, deveria poder votar pelo sector: por exemplo, operários pelos operários, da educação pela educação. Deve ser assim, porque, na minha opinião, existe um grande falha nas eleições directas: é que são sempre pessoas com mais recursos que ganham mais posições. O regime de proporção dos deputados também não consegue ser a súmula de todas opiniões. Contudo, sim, antes da reforma para dois votos, deve implementar-se o sufrágio directo para a eleição do Chefe do Executivo e cada pessoa deve ter um voto. Alguns académicos criticam o sistema da administração da RAEM, como por exemplo, a falta de um regime de avaliação dos cargos, os funcionários não se responsabilizam pelos seus trabalhos, mas pelos seus superiores. Como avalia a existência de um Regime de Responsabilização para os Altos Cargos? Concordo com isso e conheço alguns funcionários públicos que referiram que trabalhar de forma muito boa é igual como não trabalhar. Ou seja, embora alguns deles tenham vontade de trabalhar bem, como têm medo que os superiores não concordem ou têm medo de fazer erros, não o fazem. Este é um problema de estrutura. De facto, é difícil de alterar. Até porque, primeiro, em Macau a forma como a Administração está dividida - por direcções e institutos - cria um grande problema. Entre as cinco secretarias parecem ter uma classificação diferente, mas de facto as cinco são da mesmo classe. É que, se um problema acontece devido à responsabilidade de uma direcção, é mais fácil de resolver, posso dizer que a taxa de sucesso atingia os 90%. Mas quando um problema abrange várias direcções, é como se fosse um problema que abrange vários países: começamos a ver que o problema é difícil de resolver, é quase é uma ‘doença’ do Governo.
“Se pudermos fazer com que cada um se responsabilize pelo seu cargo, tem-se a sua autonomia...”
Quando diz problema que abrange mais direcções refere-se a quê, por exemplo? O problema de escoamento de água, por exemplo, que é tratado pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, Instituto
de Habitação, Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes e Serviços de Saúde. Outro exemplo é a poluição em Ká-Hó que é da responsabilidade de cinco direcções. Cada autoridade compreende um problema exacto,
“A eleição do Chefe do Executivo deve ser sufrágio, mas nas eleições da Assembleia Legislativa deve haver dois votos possíveis para cada cidadão”
mas então porque demora vários anos a resolver? Porque finalmente só o Chefe do Executivo o consegue fazer? Então, acha que as Direcções empurram as responsabilidades de uma para as outras? Sim é claro, mas às vezes nem é uma questão de fuga à responsabilidade, é que não comunicam e quando não comunicam, nunca conseguem resolver os problemas. Por isso, a operação é isso, quando um problema abrange diferentes
Um problema muito mau de operação na Administração é que cada trabalho deve ser autorizado pelo superior, se este não autoriza, não se pode fazer nada. Mas, quanto à responsabilidade, se um Chefe do Departamento faz algo mal, se esse Chefe é autorizado por um director e essa autorização bem de classe para classe, então a culpa é de quem? Os subordinados só são autorizados pelos superiores. Por isso, o maior problema da RAEM é que a competência de cada funcionário público vem do superior hierárquico, mas não do seu cargo. Se pudermos fazer com que cada um se responsabilize pelo seu cargo, tem-se a sua autonomia e quando se faz erros, tratam-se através de um mecanismo de avaliação. Fazendo coisas adequadas com poderes adequados, então a função é mais flexível e mecanismo flexível é necessário para um trabalho. Além disso, agora só temos punição de erros, mas não punição de “preguiça”, ou seja, quando não se faz nada. Se, de facto há alguns postos que fazem muito trabalho, há outros que podem ser mais preguiçosos. E isto acontece porque um fenómeno de ‘se não se faz, não há erros, se se faz menos, há menos erros, se se faz muito, há muitos erros’. Como podemos mudar isso? Acho que punir os que não fazem é um bom mecanismo, da mesma forma que quem faz erros deve ser punido, porque não faz nada ao nível do trabalho também.
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POLÍTICA
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EX-PRESIDENTE DA AL LOUVA MANIFESTAÇÃO CONTRA REGIME DE GARANTIAS
“Quem faz críticas é que é patriótico” Sem papas na língua, Susana Chou apoia a manifestação de Maio contra o Regime de Garantias, algo que, diz, é até de louvar. A ex-presidente da AL acredita que quem luta por Macau e contra algumas políticas menos justas do Governo é que é “patriótico” e diz que a RAEM seria um lugar triste sem liberdade de expressão CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
A
ex-presidente da Assembleia Legislativa (AL), Susana Chou, considera de louvar a atitude dos mais de 20 mil manifestantes que saíram à rua em Maio contra o Regime de Garantias para os Titulares dos Principais Cargos. Num último artigo colocado por Chou no seu blogue, a ex-presidente da AL diz que a acção dos residentes que saíram à rua num dia de grande calor para mostrar a sua indignação contra a lei é “louvável” e que os dirigentes que dizem ter moral mas que, na prática, “roubam os interesses do povo” deviam ter vergonha. “O caso de Ao Man Long é um exemplo”, escreve Susana Chou. Para Chou, a manifestação – que aconteceu depois da intenção do Governo em aprovar uma lei que garantia compensações para os altos cargos antes e depois do exercício das funções e ainda ga-
rantia impunidade judicial ao Chefe do Executivo durante o seu mandato – é a verdadeira prova de que existem pessoas que sentem realmente amor à pátria e a Macau. Este é um dos ‘slogans’ mais utilizados pelo Governo. “Queria perguntar aos dirigentes se, durante estas manifestações, o seu comportamento foi de ‘amor patriótico e amor a Macau’. Não valerá a pena louvar os manifestantes? A acção deles é que mostra o que é o amor patriótico. Acho que todos os residentes que pensam de uma forma lógica normal vão tomar
[esta decisão]”, frisou Chou, dizendo que a manifestação a fez “repensar” na questão do sentimento de amor patriótico e amor a Macau. Susana Chou garante que, na sua perspectiva, este caso só mostra que o povo vai lutar, se o Executivo continuar a pressionar a sociedade. “Vou aconselhar os dirigentes que dizem que têm ‘amor patriótico e amor a Macau’, mas que, no fundo, não põem os interesses dos residentes em primeiro lugar, a pensarem numa coisa: a partir de agora têm que ser pessoas que têm realmente [esse sentimento] na prática.”
“Queria perguntar aos dirigentes se, durante estas manifestações, o seu comportamento foi de ‘amor patriótico e amor a Macau’. Não valerá a pena louvar os manifestantes? A acção deles é que mostra o que é o amor patriótico” SUSANA CHOU
A ex-líder do hemiciclo cita ainda um discurso de Xi Jinping, onde o presidente chinês diz que “quem quer ser líder do Governo, não deve pensar em ser rico”.
SEM LIBERDADE, TRISTEZA
Susana Chou continua, frisando que o importante é que o Governo entenda qual o descontentamento da população e as suas razões. “Os que fazem críticas à Administração e à política são os patrióticos. Não podemos descrevê-los como os inimigos só porque eles não obedecem ao Governo. Por isso, digo sempre aos dirigentes do Executivo que têm de reunir com os deputados e residentes que tecem críticas ao Governo. Os altos cargos devem ter uma atitude tolerante e aceitar as críticas, porque manter a estabilidade e a harmonia da sociedade depende da união, não da luta.” A ex-presidente da AL dá precisamente o seu trabalho como exemplo e relembra que, em dez anos de liderança do hemiciclo,
“nunca incomodou” os deputados que criticavam a Administração. “Só não aceito ataques, abuso verbal e humilhação”, frisou.
“Se as pessoas não têm liberdade para expressar a sua insatisfação ao Governo e aos dirigentes, Macau vai tornar-se muito triste” Em resposta a declarações de “chineses de Macau” que consideraram a antiga presidente como “a maior oposição a Macau” por tecer críticas às políticas, Susana Chou diz sentir-se “impotente e enojada”. A ex-presidente do hemiciclo relembra que, an-
tes da transição, não quis “obedecer” às exigências de alguns líderes de associações tradicionais, tendo sido pressionada para ficar fora destas associações. “ O líder de uma delas disse numa ocasião semi-pública que eu falava português, tinha muitos amigos portugueses e estrangeiros e que, por isso, a minha posição política não era estável. Sinto-me enojada.” No artigo, Susana Chou insiste no facto de não ser a proprietária do jornal ‘All About Macau’ – rumor que corre na sociedade -, mas assume ser amiga da responsável do jornal, que considera ter bons artigos. “Muitas pessoas pensam que este jornal é contra o país e contra Macau, mas considero que tem boa qualidade e bom conteúdo. Alguns textos têm opiniões críticas ao Executivo, contudo, se as pessoas não têm liberdade para expressar as suas insatisfações ao Governo e aos dirigentes, Macau vai tornar-se muito triste.”
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ELEIÇÕES COUTINHO PEDE RECENSEAMENTO AUTOMÁTICO PARA JOVENS
Mais directos, por favor Pereira Coutinho pede vozes do povo na Assembleia Legislativa,cuja representatividade considera estar “gravemente posta em causa” LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
O
deputado e também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), José Pereira Coutinho, voltou ontem a insistir na questão do método de eleição dos deputados da Assembleia Legislativa (AL). Em interpelação escrita, o deputado exige saber se o Executivo vai aumentar o número de deputados por sufrágio directo e diminuir os eleitos por nomeação, permitindo assim que “as vozes
populares entrem na Assembleia Legislativa”. Recorde-se que, em Macau, a AL é composto por três tipos de deputados: eleitos directa e individualmente, eleitos indirectamente através de associações e nomeados pelo Chefe do Executivo. Na interpelação ao Governo, o deputado refere ainda a questão do recenseamento eleitoral não ser automático, justificando que muitos residentes não conseguiram ou não se lembraram de fazer a sua inscrição como votantes no período requerido. “A fim de garantir o direito de voto dos residentes e de lhes facilitar a inscrição no recenseamento, vai esta ser automática para todos os residentes que completam 18 anos de idade?”, questionou Pereira Coutinho. O deputado considera que o Governo “não dá apoios suficientes para os jovens conseguirem participar em assuntos políticos” e que a representatividade da AL está “gravemente posta em causa” devido ao aparente excesso de deputados nomeados e escassez de deputados eleitos por sufrágio directo.
Francis Tam deixa em aberto saída do Governo
N
ÃO é novidade que Francis Tam, actual Secretário para a Economia e Finanças, seja um dos nomes avançados para deixar o Governo, mas ontem o responsável admitiu essa hipótese. Citado pela TDM, Francis Tam relembra que a decisão é de Chui Sai On, Chefe do Executivo, mas considera
que “se tivesse hipótese de descansar, seria bom”. Tam, desde a transição no Executivo, tem 65 anos. “Não sou eu que tenho de decidir [a saída], apenas tenho de desempenhar bem as minhas funções até ao fim. Se vou continuar ou descansar, deixo em aberto e encaro com naturalidade”, disse à TDM.
Uma das outras questões de Pereira Coutinho está relacionada com a publicação do relatório das eleições para a AL de 2013. O documento já terá sido entregue ao Chefe do Executivo, mas Pereira Coutinho quer saber quando será dado a conhecer publicamente. Segundo o presidente da ATFPM, a análise do relatório para parte dos residentes deverá dar a conhecer “as situações reais acontecidas durante o processo eleitoral”, acabando com a corrupção e a aceitação de vantagens relacionadas com as eleições.
“[O Governo] não dá apoios suficientes para os jovens conseguirem participar em assuntos políticos” O HM tentou já saber se o relatório irá ser tornado público, mas até à data ainda não recebeu qualquer resposta dos Serviços de Administração e Função Pública.
URBANISMO SEIS PROJECTOS RECEBEM LUZ VERDE
Lotes pouco alterados FILIPA ARAÚJO
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O
Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) tem em cima da mesa mais seis projectos de plantas de condições urbanísticas para alguns prédios de ruas, largos, avenidas e pátios de Macau, Taipa e Coloane. Em causa estão edifícios situados na Rua do Clérigos, na Taipa, Rua da Formosa, Avenida Almeida Ribeiro, Pátio da Cabaia e Largo do Lilau, em Macau, e na Rua do Caetano, em Coloane. Depois de mais uma reunião do CPU, que decorreu na tarde de ontem e com divulgação em directo aos jornalistas, poucas foram as alterações anunciadas.
“Todos os casos foram aprovados quase sem obstáculos”, afirmou o vice-presidente do CPU, Leong Keng Seng, acrescentando que as maiores dúvidas dos membros residiram nas obras que estão localizadas nas zonas classificadas como património. Manter as características morfológicas das construções, tais como as janelas únicas, beirais e muros baixos que permitam a visualização plena dos edifícios, foram algumas das sugestões e preocupações apresentadas pelo arquitecto Rui Leão, membro do CPU. O Conselho afirmou ainda que tem como prioridade garantir
as características das áreas envolventes dos lotes para que a “harmonia arquitectónica” não seja colocada em causa. Para dia 17 deste mês está agendada uma nova reunião que, segundo Leong Keng Seng, permitirá “acelerar as decisões destes casos e acrescentar outros” para discussão no seio do Conselho. À comunicação social o vice-presidente informou ainda que até à data foram debatidos 11 casos de discussão de projectos das plantas de condições urbanísticas. Recorde-se que, desde a entrada em vigor da Lei do Planeamento Urbanístico, as plantas têm de ser analisadas pelo CPU.
Mundial Si Ka Lon acusa TDM de incentivar apostas
O deputado Si Ka Lon lançou ontem uma interpelação escrita ao Governo, onde critica a TDM chinesa por, alegadamente, divulgar informações incentivam à aposta nos jogos de futebol, aquando da transmissão do Mundial. O deputado põe em causa se esta não será uma violação do regime que regula a radiodifusão. À tarde, a TDM lançou uma declaração em chinês, onde explicou que a TDM tem o direito exclusivo de transmissão do Mundial de 2014 na RAEM, desde dia 13 de Junho ao dia 14 de Julho, que os 64 jogos vão ser transmitidos pelo canal HD, Desporto e canal português e que nunca aconteceu nada de ilegal. “A TDM nunca transmitiu nenhuma publicidade - incluindo elementos de aposta - durante o jogo, nem divulgou discursos que incentivam a apostas”, pode ler-se num comunicado enviado às redacções. - C.L.
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TIAGO ALCÂNTARA
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ANÚNCIO 【N.º 69 /2014】 Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os promitentescompradores de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro: Data de assinatura do contratopromessa de compra e venda
Nome
N.º do agregado familiar
Fracção autónoma de habitação económica adquirida
MAC KA CHAI
2120120904 13/06/2012
Edifício do Lago, Bloco 4, 20.º andar C
LAM CHI KIT
2120120899 07/06/2012
Edifício do Lago, Bloco 5, 31.º andar D
LAO HOU SI
2120122179 07/08/2012
Edifício do Lago, Bloco 6, 11.º andar H
LEI U IONG
2120122169 30/07/2012
Edifício do Lago, Bloco 4, 7.º andar C
LO WAI PO
2120130481 10/06/2013
Edifício do Lago, Bloco 4, 4.º andar A
WONG KIT CHENG 2120120837 12/06/2012
Edifício do Lago, Bloco 6, 34.º andar E
TONG IONG SENG 2120122547 12/11/2012
Edifício do Lago, Bloco 6, 38.º andar B
O Instituto de Habitação (IH) celebrou, na data acima referida, com os promitentes-compradores acima referidos, os contratos-promessa de compra e venda das fracções autónomas de habitação económica adquiridas. De acordo com o artigo 5.º dos contratos-promessa de compra e venda, após a emissão das licenças de utilização dos respectivos edifícios, os promitentescompradores devem efectuar o pagamento total do preço, dentro do prazo fixado pelo IH. Neste sentido, após a emissão das licenças de utilização dos respectivos edifícios, o IH notificou os promitentes-compradores, através dos ofícios registados, para se dirigirem ao IH e efectuarem o pagamento total do preço, dentro do prazo fixado, porém, os promitentes-compradores não compareceram. Assim, os promitentes-compradores devem dirigir-se pessoalmente ao Instituto de Habitação (perto da Escola Primária Luso-Chinesa do Bairro Norte), sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, antes do dia 16 de Julho de 2014, para efectuarem o pagamento total do preço. Caso não cumpram esta obrigação no prazo acima referido, o IH resolverá os contratos-promessa de compra e venda, nos termos do artigo 6.º dos contratospromessa de compra e venda acima referidos. Em caso de dúvidas, poderão dirigir-se ao Instituto de Habitação, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, durante as horas de expediente, através do telefone n.º 2859 4875. A Presidente, Subst.ª, Kuoc Vai Han 2 de Julho de 2014
AL HO IO SANG CRITICA PRODUÇÃO LEGISLATIVA
Leis atrasadas e obsoletas CECÍLIA LIN
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A
forma como se faz a produção legislativa em Macau não é eficaz. Quem o diz é Ho Ion Sang que, numa interpelação escrita, critica o facto de não haver uma coordenação e um sistema centralizado para se fazerem leis na Assembleia Legislativa (AL). “Muitos leis já foram feitas há mais de dez anos, por exemplo, a lei que estabelece medidas sobre a venda, exposição e exibição públicas de material pornográfico e obsceno em Macau, já tem mais de 30 anos”, começa por dizer o deputado. Ho Ion Sang considera que o atraso da lei já existe há algum tempo e que, por isso, a eficácia de legislação vai influenciar todo o desenvolvimento social.
O deputado acusa o Governo de não ter planeamento para elaborar legislação e volta a insistir na criação de um mecanismo centralizado de produção legislativo, algo já sugerido pelo ex-presidente da AL, Lau Cheok Vá. “Cada departamento tem a sua função mas não se reúnem. Segundo os dados da Direcção dos Serviços da Reforma Jurídica e do Direito Internacional (DSRJDI), este ano houve apenas sete propostas de lei do Governo, mas, neste momento, a maioria das propostas na mesa de discussão são do ano anterior. Assim, o processo
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leis não estão de acordo com o sistema actual
de legislação vai continuar atrasado e ter um plano legislativo é inútil.” Ho Ion Sang recorda que, na discussão das Linhas de Acção Governativa do ano passado, os dirigentes da DSRJDI já afirmaram que iriam estudar mudar o sistema de diferentes departamentos ficarem a cargo da mesma lei e criar apenas um mecanismo centralizado, mas até agora nada. “Será que o Governo já iniciou este trabalho de estudos? Quando pode estar pronto?”, perguntou o deputado. Ho Ion Sang aponta ainda que, no fim do ano, a DSRJDI descobriu que há 393 leis que não estão de acordo com o sistema actual, um número que já passou mais de metade das leis existentes e que, por isso, é preciso mesmo haver revisões e melhorias.
SOCIEDADE
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USJ PETIÇÃO DE APOIO A ERIC SAUTEDÉ ENTREGUE HOJE
Academia debaixo de fogo TIAGO ALCÂNTARA
A Universidade de São José recebe hoje uma petição assinada por alunos e antigos estudantes da instituição, a exigir o regresso de Eric Sautedé CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
A
O longo da semana a página na rede social Facebook “Contra a Universidade de São José (USJ)” já conseguiu obter 150 gostos. Rocky Chan, organizador desta iniciativa e licenciado pela universidade, garantiu ao HM que esta actividade será transformada numa petição, que será hoje entregue à instituição académica. “A universidade está doente, os estudantes saem”, pode ler-se na página da rede social. Das assinaturas, cerca de 44 são de actuais estudantes, 26 de pessoas exteriores à universidade e 72 de pessoas já licenciadas pela USJ.
BILL CHOU AMEAÇA E ENTREGA DOCUMENTOS AO CCAC O jornal Ponto Final noticiou ontem que Bill Chou iria processar a UM, mas ainda não há uma decisão final, uma vez que o seu advogado se encontra de férias, confirmou o próprio ao HM. “Se processar a UM será um processo não apenas sobre a minha suspensão durante 24 dias, mas sobre todo o processo disciplinar. Se até ao final
LOJISTA CONSIDERADO ILEGAL É ABSOLVIDO
Inocência tácita LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
U
M funcionário do casino Venetian, que havia sido multado por estar em falta com documento de autorização para trabalhar em Macau, acabou por ser absolvido pelo Tribunal de Segunda Instância (TSI). O incidente teve início em Janeiro de 2011, quando um lojista da Watson’s Wine Cellar do casino foi identificado por dois elementos da PSP, tendo-lhe sido aplicada uma multa de 5000 patacas pela falta de documentos que comprovassem que estava a trabalhar no território legalmente.
O caso chegou até ao TSI por via de pedido de recurso do trabalhador, que se sentiu lesado e alegava inocência, tendo o lojista primeiramente recorrido à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais e ao Tribunal Administrativo, a 14 de Fevereiro. No entanto, ambas as entidades rejeitaram o pedido, justificando carência de legitimidade para recorrer por aceitação tácita do acto punitivo. O indivíduo já havia pago a multa, sob o risco de agravamento da punição. O pedido chegou finalmente ao Tribunal de Segunda Instância quando o funcionário
lesado alegou existências de vícios de violação da lei, de erro nos pressupostos de factos e de nulidade na sentença recorrida. A decisão de absolver o lojista do estabelecimento comercial adveio da conclusão do TSI de que o pagamento da multa não implicou, necessariamente, que o funcionário se tenha declarado culpado. De acordo com a decisão do TSI, o pagamento da multa – a ser feita no prazo de 15 dias – foi efectuado não pelo facto do trabalhador se ter declarado culpado, mas sim por recear a imposição de medidas coercivas mais graves por parte das autoridades.
de Agosto a UM não renovar o meu contrato, não serei mais funcionário da universidade e irei publicar todo o conteúdo do processo”, admitiu. Bill Chou entregou, em finais de Junho, mais documentos ao Comissariado contra a Corrupção (CCAC), como complemento a uma queixa apresentada em Janeiro deste ano.
A petição pede que a universidade defenda a liberdade de expressão e que pare de perseguir as diferentes opiniões políticas. O documento exige ainda o regresso de Eric Sautedé, docente recentemente despedido pelo reitor da instituição, à universidade. O HM confirmou ainda junto de Rocky Chan que será enviada uma carta ao Instituto Internacional de Educação, sediado nos Estados Unidos, por forma a chamar a atenção para as pressões que têm vindo a ser feitas aos professores. Vai ainda ser organizada mais uma recolha de assinaturas dos académicos de todas as universidades locais, embora ainda não haja uma decisão final. Recorde-se que há, pelo menos, seis nomes que estão em causa no que diz respeito à perseguição de docentes que falam com os média sobre política da RAEM. Bill Chou, docente de Ciência Política da Universidade de Macau (UM) que também tem o seu cargo em risco, tem vindo a promo-
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ver uma página de apoio a Sautedé, intitulada “Uma pessoa, uma carta para que Eric Sautedé regresse à USJ”. Em ambas as páginas, Eric Sautedé agradeceu os apoios dos últimos dias, os quais, diz, têm sido “verdadeiramente reconfortantes neste momento doloroso”. Recorde-se que Eric Sautedé confirmou, na última semana, que o seu contrato com a USJ não seria renovado. Peter Stilwell, o reitor, acabaria por admitir que a demissão do docente se devia devido ao seu discurso e opiniões políticas. O jornal Ponto Final avançou ainda que Emilie Tran, esposa de Sautedé, também perdeu o seu cargo de directora da Faculdade de Administração e Liderança, mantendo-se, contudo, docente na USJ. O bispo D. José Lai não quis comentar o caso. Bill Chou e Eric Sautedé não são os únicos a sofrerem pressões académicas. Teresa Vong, docente da UM, chegou a ser falada como uma das professoras que iria sair, mas o seu contrato já foi renovado, com subida de escalão. “Nunca recebi nenhum aviso, verbal ou escrito, por parte da UM, para não criticar o Governo”, disse ao jornal Ponto Final. A docente publica regularmente textos sobre educação no jornal Ou Mun.
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Pansy Ho Turistas da China estão mais exigentes
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vice-presidente da operadora MGM China, Pansy Ho, diz que os turistas do continente estão cada vez mais exigentes. “Estamos a aperceber-nos de que os consumidores que entram pelas nossas portas estão cada vez mais exigentes. Agora sabem como ver as diferenças. Perguntam quantos restaurantes existem nas nossas instalações, se há gastronomia ocidental e querem saber se a comida é francesa ou italiana”, disse Ho à Bloomberg TV, citada pela revista Macau Business. A empresária e filha do magnata da Sociedade de Jogos de Macau, Stanley Ho, disse ainda que “tudo está a evoluir”, referindo que é necessário saber responder às necessidades dos turistas. “[Os turistas] têm-se tornado cada vez mais selectivos. Costumavam até dizer: ‘Eu tenho escolha. Eu tenho que decidir onde vou, onde gasto o meu dinheiro e qual a melhor forma de passar o meu tempo’”, explicou Pansy Ho. Em Fevereiro deste ano, o grupo MGM Macau teve receitas calculadas no valor de cinco mil milhões de patacas, o que se traduz num aumento de 18% face ao período anterior. Recorde-se que a operadora está a construir mais um empreendimento de casino e hotel na zona do Cotai e no qual se prevê um gasto de 23 mil milhões de patacas.
IMOBILIÁRIO MERCADO DE MACAU DESTACA-SE PELA NEGATIVA
Transparência zero
Na zona asiática Macau figura como uma região onde a transparência, ao nível do sector imobiliário, é praticamente nula. Pior desempenho só na Mongólia e na Birmânia
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mercado imobiliário de Macau figura no 77.º lugar no “ranking” da transparência, num universo de 102 países e regiões analisados num relatório elaborado pela Jones Lang LaSalle. O relatório da empresa de consultadoria especializada na área do imobiliário, citado ontem pelo Jornal Tribuna de Macau (JTM), classifica o território como “pouco transparente”, colocando-o no ‘pacote’ dos mais obscuros da Ásia-Pacífico, já que ape-
nas a Mongólia e a Birmânia têm uma classificação mais negativa. Em termos gerais, somente 25 países tiveram pior nota do que Macau, os quais estão categorizados como “mercados opacos”. Segundo o JTM, a RAEM fica também a uma distância considerável da sua vizinha Hong Kong, a qual figura no 14.º posto a nível mundial. Não obstante o fraco desempenho, a Jones Lang LaSalle assinala ténues melhorias na regulação do mercado que se verificaram em Macau, em
Taiwan e também na China continental, onde, refere o mesmo jornal, “a consultora nota que os riscos de uma bolha imobiliária estão a levar os investidores a exigir mais informação de modo a avaliar os créditos de risco de forma apertada”.
77.º
lugar no “ranking” da transparência entre 103 países
Nenhum país da região da Ásia-Pacífico integra os primeiros dez lugares da tabela, dado que, segundo a Jones Lang LaSalle, os progressos alcançados “não têm sido espectaculares”. A consultora internacional classifica os mercados imobiliários por níveis de transparência, num “ranking”, que de acordo com o JTM, é dominado por países anglo-saxónicos: Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia. Portugal surge no 23.º posto da lista, ao ser considerado um mercado “transparente”. O índice de transparência é calculado, segundo explica o mesmo jornal, com base no enquadramento legal do mercado imobiliário, em indicadores de desempenho, transacções e preços praticados, bem como nos procedimentos de transacção exigidos em cada país ou território. A Jones Lang LaSalle é uma empresa de serviços financeiros e profissionais especializados em imobiliário, operando em mais de mil localizações em 70 países. - Lusa
Macau ultrapassa Suíça e é 4º. lugar mais rico do mundo
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ACAU ultrapassou a Suíça e converteu-se no quarto lugar do mundo com a maior riqueza ‘per capita’, revelam dados do Banco Mundial relativos a 2013 divulgados esta semana. Com um Produto Interno Bruto (PIB) ‘per capita’ de 91.376 dólares norte-americanos em 2013, Macau bateu a Suíça, num “ranking” liderado pelo Luxemburgo, Noruega e Qatar. Apesar de os dados do Banco Mundial, citados pelo Financial Times, diferirem dos publicados pelos Serviços de Estatística Censos de Macau - que fixa o PIB ‘per capita’ em 87.306 dólares, Macau ultrapassaria ainda assim a Suíça, cuja riqueza ‘per capita’ foi estimada em 80.528 dólares. Em 2012, Macau figurava no sexto posto da lista do Banco Mundial, a seguir às Bermudas e à Suíça. Os dados de 2013 não incluem, porém, o PIB ‘per capita’ das Bermudas que, em 2012, foi de 84.471 dólares. De fora da lista estão o Mónaco e o Liechtenstein que, a avaliar por dados anteriores, vão certamente alcançar os lugares cimeiros do ‘ranking’ da riqueza ‘per capita’. O crescimento da economia de Macau, com subidas a dois dígitos, tem sido impulsionado pelo cada vez maior fluxo de turistas oriundos do interior da China, também principal ‘fonte’ de jogadores dos actuais 35 casinos do território, cujo PIB ‘per capita’ registou um aumento de 7,4% face a 2012. O sector do jogo em Macau encerrou 2013 com receitas brutas totais de 361.866 milhões de patacas, ou seja, sete vezes mais do que Las Vegas. - Lusa
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PMES EXPOSIÇÃO DE FRANQUIA DE MACAU É UMA AJUDA, DIZ ECHO CHAN
EXPOSIÇÃO DE FRANQUIA DE MACAU
Mais do que uma plataforma Em cinco anos de existência, o número de participantes na Exposição realizada pelo IPIM mais do que duplicou CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
A António Godinho fala aos jornalistas, no evento na Torre de Macau
Metro Escultora da estátua Kun Iam já está em Macau
Já está em Macau a escultora responsável pela estátua da Kun Iam. Cristina Rocha Leiria veio ao território a convite do Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT) para avaliar o impacto da passagem do metro junto ao monumento. De acordo com a rádio Macau, o Governo garante que não vai interferir na avaliação da escultora. “[Cristina Leiria] está a trabalhar no assunto. Mais tarde talvez nos dê uma solução ou várias soluções para o Governo analisar. Nesta fase, queremos deixá-la trabalhar de forma independente, atendendo a que é a autora desta estátua. Queremos deixá-la sentir-se à vontade para nos dar soluções”, explicou o coordenador do GIT à rádio. Lei Chan Tong explica que a designer vai ficar na cidade mais de uma semana – tudo depende do progresso dos trabalhos. Segundo a rádio, o responsável diz ainda que Cristina Leiria está a trabalhar com uma equipa interdepartamental para que seja encontrada uma solução que tenha em conta o metro ligeiro, o trânsito e o planeamento urbano na zona do Centro Ecuménico Kun Iam.
Exposição de Franquia de Macau (EFM), que reúne comerciantes de diversos países na RAEM, já é uma plataforma de intercâmbio das marcas internacionais. Quem o diz é a directora do Instituto de Promoção do Investimento de Macau (IPIM), Echo Chan, que considera que, desde 2009 –
ano em que o IPIM começou a realizar a EFM - o número dos participantes cresceu de 78 para 167. De acordo com a responsável, nos últimos anos, “a feira ajudou na diversificação de muitas marcas estrangeiras para procurar parceiros chineses em Macau.” Mas há mais. “Além disso, também ajudou as pequenas e médias empresas (PME) a obter uma mudança sucessiva, até as ajudou procurar mais oportunidades nas zonas vizinhas.” Este ano, António Godinho, vice-presidente da Associação de Franchise Portuguesa, que também é co-fundador e director de Grupo Onebiz, veio a Macau procurar o mercado da Ásia. “Já temos 17 anos de história e conseguimos expandir o nosso negócio de Portugal aos outros países da Europa, até África e Estados Unidos. Agora, estamos a tentar expandir
Terrenos Governo repara vedação para preservar provas
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Administração foi ontem obrigada a reparar uma vedação num terreno situado junto da Rua da Central Térmica de Coloane, no sentido de evitar que o terreno seja novamente ocupado de forma ilegal. Este terreno que foi revertido em Outubro de 2009 ao Governo, contudo os fiscais da Administração verificaram que, em Janeiro de 2013, parte da vedação foi danificada e o portão metálico foi desmantelado, tendo assim sido invadido e nele foi depositado materiais diversos. Posteriormente, a Administração enviou novamente o seu pessoal em Junho e Dezembro de 2013 para acompanhar a situação da ocupação ilegal do terreno, que verificou que esta infracção persistiu. O Governo partici-
pou a ocorrência do caso ao tribunal, “sendo que os ocupantes do terreno que foi já revertido assumirão a responsabilidade penal daí advinda”. A vedação não é só para evitar a ocupação do terreno, mas também para não afectar a recolha de provas para a investigação criminal, uma vez que a Administração não removerá os materiais nele depositados. “Além da aplicação da multa, caso a ordem de desocupação venha a ser executada pela DSSOPT, as despesas realizadas com a desocupação e com a guarda de documentos e bens móveis referidos no artigo anterior constituem encargos dos infractores que devem efectuar o respectivo pagamento no prazo e local indicado por aqueles Serviços”, explica a DSSOPT.
o negócio à Ásia e Macau é uma plataforma para os outros locais da Ásia, por exemplo, para a China continental”, disse. Ontem, foram ainda conhecidos casos de sucesso que decidiram já voltar ao território. O director da Long Profit international Co., Ltd., Cheang Chi Hou, por exemplo, explicou a sua experiência com a loja de bebidas ‘Come Buy’. “Aproveitamos esta marca de Taiwan e obtivemos um grande sucesso em Macau. Agora, já expandimos o nosso negócio na China
167
participantes em 2014
78
participantes em 2009
continental, porque vimos muitos turistas continentais a gostar do nosso produto.” O director disse que, agora, o negócio de franquia apenas escolhe cidades de “segunda e terceira classificação” da China, “porque a renda destas cidades é mais atraente para os negociantes de Macau.” O presidente da Associação do Desenvolvimento das Indústriais Criativas e Culturais, Andy Szeto, também presente, disse que não apenas está a procurar parceiros de negócios, mas está mesmo a tentar criar a sua marca. “Na zona norte de Macau, estamos a ajudar a criar as marcas locais nos edifícios industriais. Esperamos um dia não só aproveitar as marcas internacionais, mas que também os negociantes dos outros países queiram usar a nossa marca local para os seus países.”
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CHINA
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HONG KONG LIBERTADOS MANIFESTANTES DETIDOS EM PROTESTO
Depois da tempestade
Os dias de agitação na antiga colónia britânica parecem não ter fim. Os mais de 500 detidos na sequência da marcha de 1 de Julho foram entretanto libertados
A TAIWAN PEDE A PEQUIM QUE CUMPRA DESEJO DE SUFRÁGIO UNIVERSAL Taiwan instou ontem a China a cumprir a sua promessa de sufrágio universal feita a Hong Kong. Num comunicado publicado ontem, o Conselho para os Assuntos da China Continental mostra o seu apoio a Hong Kong, tal como já tinha feito anteriormente a oposição, o Partido Democrata Progressista (PDP), assim como dirigentes estudantis que, em Março e Abril protestaram contra os acordos com a China e ocuparam o Parlamento de Taiwan durante 24 dias. O conselho taiwanês tomou nota das manifestações populares em Hong Kong que exigiam o sufrágio universal em eleições na região e pediu a Pequim que respondesse positivamente ao desejo dos populares tal como prometido em 1997, por ocasião da transição do território para a China.
polícia de Hong Kong já libertou os 511 manifestantes detidos na sequência de um protesto não autorizado no distrito financeiro da antiga colónia britânica, informa ontem a RTHK (Rádio e Televisão Pública de Hong Kong). Mais de uma centena de pessoas continuavam detidas cerca de 12 horas depois de terem sido levados da Chater Road, onde se concentraram e se recusaram a abandonar o local, num protesto que se seguiu à mega manifestação pró-democracia de terça-feira. Vinte e cinco pessoas foram colocadas em liberdade sob fiança, ficando sujeitas à apresentação periódica às autoridades, enquanto as restantes foram libertadas após advertências, especifica a RTHK. Alguns detidos acusaram a polícia de lhes ter negado o direito de acesso a um advogado. James To,
do Partido Democrático, afirmou que nove advogados lhe contaram que a polícia não lhes deixou ver os seus clientes. As autoridades foram chamadas a intervir em Central, distrito financeiro onde se concentram escritórios, bancos e centros comerciais, para dispersar os manifestantes da marcha de terça-feira, que tinham decidido permanecer no local até à manhã seguinte. O secretário para a Segurança da RAEHK, Lai Tung-kwok, saiu em defesa da actuação policial, afirmando que as detenções foram necessárias para repor a fluidez do tráfego e restaurar a lei e ordem. Segundo a RTHK, o mesmo responsável indicou que os agentes das forças de segurança usaram o mínimo de força para dispersar os manifestantes. Na passada terça-feira, centenas de milhares de pessoas parti-
HONG KONG CY LEUNG ATACADO NO PARLAMENTO
Foram-se os copos, ficaram os papéis O chefe do Governo de Hong Kong, CY Leung, criticou ontem o facto de terem sido arremessados contra si vários objectos durante um protesto no Conselho Legislativo (LegCo), onde a ala democrata reclamou democracia plena. De acordo com a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK), vários deputados da ala democrata ecoaram ‘slogans’ e exibiram cartazes onde exibiam os dizeres “verdadeira democracia, não à triagem”, referindo-se ao método de eleição do próximo chefe do executivo, em 2017, mas outros mais radicais atiraram objectos, incluindo um copo, segundo o jornal South China Morning Post. CY Leung criticou o facto de ele e outros membros do Governo da antiga colónia britânica terem sido alvo de linguagem “insultuosa” e de “comportamentos cada vez mais agressivos”, afirmando que foi atingido com objectos
e que havia pedaços de vidro no chão da sala de plenário do Conselho Legislativo. A segurança retirou da sala quatro deputados da ala democrata, enquanto outros abandonaram o local pelo seu próprio pé. Depois de o encontro ter sido brevemente interrompido, o presidente do LegCo, Tsang Yok-sing, classificou as acções como “inaceitáveis”, afirmando que lhe compete assegurar
que os membros do Governo são “respeitados”. Os deputados acusados de terem atirado objectos indicaram aos jornalistas que não foram arremessados materiais perigosos, de acordo com a RTHK, frisando que apenas lançaram papéis. Para a presidente do Partido Democrático, Emily Lau, a acção dos deputados “não tem precedentes”. Emily Lau criticou CY Leung por falhar
em responder aos resultados do recente referendo não oficial sobre a reforma democrática em Hong Kong, o qual contou com a participação de mais de 780 mil pessoas, ou seja, quase um quarto dos 3.470.000 eleitores de 2012. O incidente no parlamento ocorre depois de na terça-feira, dia 1 de Julho, centenas de milhares de pessoas terem participado na marcha anual a favor da democracia.
ciparam na marcha anual de 1 de Julho – data de transferência da soberania de Hong Kong para a China – para exigir uma verdadeira democracia e menos interferência nos assuntos políticos por parte de Pequim. De acordo com a Frente Civil para os Direitos Humanos, que organiza o protesto anual, saíram para a rua mais de meio milhão de pessoas, pelo que a manifestação é considerada a maior da década em Hong Kong, desde o protesto de 2003, ano em que 500 mil pessoas protestaram contra a proposta de lei relativa à defesa da segurança do Estado, que acabaria por cair. Já segundo as estimativas oficiais, a adesão à marcha, que foi vigiada de perto por cerca de quatro mil polícias, um contingente raro para a antiga colónia britânica, não foi além de 98.600 pessoas.
Apostas de futebol levam a suicídios na China
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Campeonato Mundial de Futebol tem gerado um enorme volume de apostas na China, especialmente através da internet, sendo que, de acordo com o China Daily, só no dia 12 de Junho, o primeiro dia do evento, foram apostados 150 milhões de yuan. Considerando que na primeira semana do torneio o volume de apostas chegou aos 2,24 mil milhões de yuan, especialistas citados pelo jornal esperam que os chineses venham a jogar 10 mil milhões de yuan até ao fim da prova. Contudo, muitos apostadores arriscam mais do que podem, acabando estes casos por vezes em tragédia. No dia 27 de Junho, uma mulher de 32 anos suicidou-se após arriscar no futebol. Apesar de o marido ter coberto as perdas iniciais da esposa, o desejo de recuperar o dinheiro perdido levou Wang a pedir um novo empréstimo de 100 mil yuan, que voltou a perder. Sob tanta pressão, a apostadora decidiu então tirar a sua própria vida num hotel da cidade de Haikou, na província de Hainão. Num outro caso, ocorrido a 10 de Junho, um estudante universitário de Panyu, na província de Guangdong, saltou para a morte após perder mais de três mil dólares americanos. Tudo isto tem levado a um maior controlo por parte das autoridades, que têm estado a combater sindicatos que gerem redes de apostas ilegais. Só em Pequim, ainda de acordo com a mesma fonte, já foram desfeitos 750 bandos, o que levou à detenção de 3961 suspeitos e à apreensão de 2,3 milhões de yuan.
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ELA primeira vez, um novo presidente chinês visitou ontem a Coreia do Sul antes de ir à Coreia do Norte, país que até há pouco tempo mantinha com a China uma relação descrita como de “unha com carne”. A diferença é mais do que protocolar: nos mapas chineses impressos até há cerca de 20 anos, a península coreana correspondia a apenas um país, a Republica Democrática Popular da Coreia, com a capital em Pyongyang, e Seul tinha o estatuto de cidade de província.
COREIA DO SUL PRESIDENTE CHINÊS DE VISITA
Recado para o norte
“A China está a desempenhar um papel de equilíbrio entre Pyongyang e Seul, estando em posição ‘única’ para mediar entre os dois rivais” JORNAL DO PARTIDO COMUNISTA CHINÊS
Hoje, a Coreia do Sul é um dos principais parceiros económicos da China, enquanto a pobre e isolada Coreia do Norte, um dos regimes mais herméticos do mundo, se tornou uma fonte de tensão regional e um crescente embaraço para a diplomacia chinesa. Ignorando as advertências da China - o único aliado e apoio económico da Coreia do Norte, e que lutou ao seu
sa oficial chinesa, a visita à Coreia do Sul deverá ficar marcada pela assinatura de doze acordos de cooperação nas áreas económica, financeira, comercial e ambiental. China e Coreia do Sul só estabeleceram relações diplomáticas em 1992, mas entretanto o comércio bilateral cresceu 55 vezes, somando 274,24 mil milhões de dólares em 2013. A Coreia do Sul é hoje o quarto parceiro comercial da China, a seguir aos Estados Unidos da América, Hong Kong e Japão, e um dos que mais investe na economia chinesa.
250
empresários integram a comitiva de Xi Jinping
A duas horas de avião de Pequim, a Coreia do Sul é também um dos destinos mais procurados pelos turistas chineses. Mais de dois milhões de chineses visitaram a Coreia do Sul nos primeiros cinco meses deste ano, referiu a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua. As telenovelas sul-coreanas são igualmente muitos populares entre o público chinês, ao lado dos produtos da Samsung, o líder de vendas de smartphones na China, à frente dos fabricantes locais e da Apple norte-americana.
Pequim impõe restrições ao Ramadão em Xinjiang
A
TAIWAN OPOSIÇÃO MENOR RITMO DE APROXIMAÇÃO À CHINA
Mais equilíbrio nas negociações A presidente do Partido Democrata Progressista (PDP) de Taiwan, Tsai Ing-wen, da oposição, qualificou a actual política externa da ilha como “desequilibrada” por dar demasiada importância à China e apelou à diminuição do ritmo de aproximação a Pequim. Tsai, considerada favorita para as eleições presidenciais de 2016 em todas as sondagens até à data, disse que é imperativo “manter o equilíbrio entre as relações
lado na devastadora Guerra da Coreia (1950-53) - o governo de Pyongyang continua a testar mísseis de médio e longo alcance e a desenvolver um controverso programa nuclear. “A China está a desempenhar um papel de equilíbrio entre Pyongyang e Seul, estando em posição ‘única’ para mediar entre os dois rivais”, disse hoje um jornal do Partido Comunista Chinês (PCC) a propósito da visita do presidente Xi Jinping à Coreia do Sul. Xi Jinping chegou ontem a Seul para uma visita de dois dias a convite da presidente sul-coreana, Park Geun-hye. É a primeira visita de Xi Jinping àquele país desde que assumiu o cargo, em Março de 2013, e a segunda cimeira sino-sul-coreana no espaço de apenas um ano. Tecnicamente, as duas Coreias continuam em guerra e o armistício assinado em 1953, após quase quatro milhões de mortos, ainda não foi substituído por um tratado formal de paz. O vice-presidente chinês, Li Yuanchao, esteve em Pyongyang em Julho do ano passado, mas a ultima cimeira sino-norte-coreana ocorreu em 2011, entre o então presidente chinês, Hu Jintao, e Kim Jong-il, pai do actual líder de Pyongyang, Kim Jong-un. Xi Jinping viajou para Seul acompanhado por mais de 250 empresários e segundo adiantou a impren-
de Taiwan com a China e o respeito do mundo”, segundo um comunicado do PDP divulgado ontem. A presidente do principal partido da oposição de Taiwan, que governou a ilha entre 2000 e 2008, esclareceu que o seu partido não se opõe ao livre comércio, que é “um desafio que a ilha deve enfrentar, mas que este deve ser feito de modo a beneficiar a economia e a ser aceitável para o público”. Tsai manifestou-se também a favor de que o processo
de abertura comercial seja “supervisionado de perto”, em alusão ao parlamento e grupos civis, e esteja acompanhado por medidas para tratar dos efeitos negativos e grupos desfavorecidos. A dirigente da oposição referiu declarações recentes da ex-secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, a uma revista taiwanesa, em que advertia Taiwan de possíveis “consequências não desejadas” de uma excessiva dependência económica
da China. “Não podemos assinar acordos económicos sucessivamente com a China sem examinar o seu impacto na nossa dependência económica e política de Pequim e nos laços com outros parceiros comerciais”, disse Tsai. Para a líder do PDP, Taiwan também precisa de reforçar o seu poderia militar defensivo. “Um sólido poder defensivo é vital para Taiwan se quer negociar em pé de igualdade com a China”, referiu.
China proibiu os funcionários públicos, estudantes e professores da região de Xinjiang, de maioria muçulmana, de jejuarem durante o dia ao longo do mês do Ramadão, disse ontem um jornal do Partido Comunista Chinês (PCC). De acordo com instruções afixadas nos sites de diversos organismos públicos daquela Região Autónoma da China, além dos membros do PCC e da Liga da Juventude Comunista, que por princípio são ateus, “funcionários públicos e estudantes não podem participar no jejum e outras actividades religiosas”. “Todos os funcionários do PCC e da administração pública devem orientar os seus familiares para respeitar a lei e combater actividades religiosas ilegais”, diz um comunicado de um gabinete comercial de Turpan, cidade de cerca de 250.000 habitantes, próxima de um dos mais conhecidos oásis de Xinjiang. O Ramadão, o mês sagrado para os muçulmanos, começou no sábado passado. Por tradição, durante este período, os muçulmanos devem jejuar desde a aurora até ao pôr-do-sol. As restrições ao Ramadão no Xinjiang não são novas, mas parecem ter-se acentuado este ano “para proteger a população entre o espectro do terrorismo na região”, disse um professor de Urumqi, citado pelo Global Times, um jornal de língua inglesa do grupo Diário do Povo, o órgão central do PC.
MUNDIAL
hoje macau sext
Coreia do Sul Federação recusa demissão do selecionador
LUSA
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A Federação Sul-coreana de Futebol (KFA) anunciou ontem que recusou o pedido de demissão do seleccionador Hong Myung-bo e que vai manter o técnico no comando da selecção, apesar da má campanha no Mundial2014. Huh Jung-moo, vice-presidente da KFA, garantiu que Hong Myung-bo vai manter-se no cargo pelo menos até Janeiro de 2015, depois de concluída a Taça da Ásia, que se disputa na Austrália entre 09 e 31 de Janeiro. “A demissão de Hong era a solução mais fácil depois da decepcionante prestação no Mundial2014. Decidimos continuar a confiar nele e apoialo para que se mantenha no cargo”, afirmou o dirigente da federação sul-coreana à agência Yonhap. O vice-presidente da KFA admitiu que a Coreia do Sul, afastada na primeira fase, “não cumpriu os objectivos no Brasil”, mas a federação espera, mesmo assim, que “esta experiência permita um bom trabalho na Taça da Ásia”.
NÃO CRUCIFIQUEM MAIS O BARBOSA
És mesmo alemão, Müller? LUÍS MATEUS in Mais Futebol
A
LUSA
pergunta é uma provocação, Thomas! Não leves a mal. Já sabes como nós, franceses, somos. Sim, chauvinistas, mas não era disso que estava a falar. Tu sabes! Todos gostamos de provocar. Está-nos no sangue. Mas olha, digo-te isto sem reservas: não encontro neste Campeonato do Mundo um alemão mais alemão do que tu. És igualzinho ao Karl-Heinz Rummenigge, e ele a tantos outros que vestiram a vossa camisola, porque se o encontrasse na rua diria imediatamente que era alemão, antes que tivesse tempo de proferir um ich. Por isso, não percebo! Qualquer estrangeiro, estrangeiro do vosso
ponto de vista para que fique claro, conhece-vos de uma ponta à outra. Organizados, claros, objectivos, práticos e frios. Frios no sentido de que são impiedosamente directos. Arrogantes. Acham que sabem tudo e não gostam de coisas dúbias. Sim, não gostam de coisas dúbias, dissimuladas. São, repito, impiedosamente directos. E volto a dizer que não percebo. Como é que se percebe? Que raio foi aquilo frente à Argélia, rapaz ? Isso é coisa de asiático, Thomas. De alemão é que não é! Nunca foi! Simular uma queda para distrair a barreira e o resto da defesa ? E, para um povo tão perfeccionista, não podia ter corrido pior. Finges que vais rematar e cais? Não tropeças. Não escorregas. Não esbarras em mais nin-
guém de carne e osso. Simplesmente cais. Não sei se já viste as imagens, mas até a queda dói de tão directa que é. Tão clara. Tão objectiva. É para marcar golos ? Marcas! É para cair ? Cais! Segues o caminho mais rápido e eficaz entre dois pontos. Mas tu, se bem me lembro, gostas de te chamar intérprete e não causador do espaço. Ou do riso. Que diz Van Gaal entredentes depois disto ? Ele que jurava que tu com ele jogavas sempre. Tu que nasceste para marcar golos. Muitos. Variados. De todos os tipos e feitios. Tu que herdaste mais do que a nacionalidade do Rummenigge. Deixa isso para os outros, OK ? Ou já sabes que serei eu que me vou atirar para o chão a rir, agora que te tiver pela frente.
MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
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Á algo de arreigadamente bélico no mais vistoso dos desafios dos quartos-de-final da vigésima edição do Campeonato do Mundo de Futebol. França e Alemanha estiveram no centro do sangrento turbilhão que há um século dizimou o optimismo europeu e colocou um fim à crua inocência em que a Europa e o mundo estavam mergulhados. Não bastasse o sangue derramado na Primeira Grande Guerra, os exércitos de ambas as nações voltaram a confrontar-se duas décadas depois, com conse-
FRANÇA E ALEMANHA DEFRONTAM-SE PO
A mãe de to quências ainda mais trágicas: o número dos que caíram pela força das armas e a devastação causada pela Segunda Guerra Mundial falam por si. A criação da Comunidade Económica Europeia doze anos após o fim do conflito e o fortalecimento do pan-europeísmo ajudaram a mascarar as extensas cicatrizes abertas pelos dois enfrentamentos, mas a boa vontade e o truísmo
OS NÚMEROS
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o número de golos que alçaram o francês Just Fontaine ao panteão dos grandes do futebol. O antigo avançado gaulês conserva em sua posse um recorde com mais de meio século, o do maior número de tentos apontados numa única edição do Mundial. Em 1958, na Suécia, para além de marcar quatro golos à Alemanha, Fontaine marcou também ao Paraguai (3), à Escócia (1), à Jugoslávia (2), à Irlanda do Norte (2) e ao Brasil (1).
150
o número de vezes que Lothar Matthaus vestiu a camisola da selecção alemã de futebol. O antigo patrão da defesa germânica é o mais internacional de sempre com as cores da Mannschaft. Pelo caminho participou em nove fases finais de grandes competições internacionais, capitaneando a selecção germânica que conquistou o campeonato do mundo de futebol em 1990.
do projecto europeu empalidecem sempre que alemães e franceses se encontram dentro das quatro linhas. O eco dos canhões do passado já há muito se dilacerou, mas a memória das vidas perdidas e das atrocidades cometidas fazem com que um França-Alemanha reverbere com a cadência de uma guerra sem tiros, sem desumanidade e sem vítimas, mas com a mesma dose de orgulho, de obstinação e persistência que há cem anos mergulhou a Europa no caos.
DUELO À MEIA-NOITE
Na próxima madrugada não será diferente. França e Alemanha preparam-se para reeditar um dos mais intensos duelos do futebol e o Maracanã prefigura-se como o palco indicado para aquele que promete ser um dos duelos mais equilibrados do presente Mundial. Nos oitavos-de-final do certame, germânicos e gauleses tiveram de suar as estopinhas para se imporem sobre rivais africanos. Em Brasília, os franceses derrotaram a Nigéria por duas bolas a zero, mas os tentos acabariam por surgir apenas na
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Colômbia Em nome de Escobar
A seleção da Colômbia foi um dia mais cedo para Fortaleza, onde hoje defronta o Brasil, para se adaptar ao calor. Mas o dia serviu para assinalar o 20.º aniversário da morte de Andrés Escobar, o antigo internacional colombiano que foi assassinado no regresso a casa depois de a selecção colombiana ter sido eliminada no Mundial dos Estados Unidos. O facto de ter feito um auto-golo na derrota com a selecção norte-americana levantou suspeitas, jamais confirmadas, de jogo combinado. Os colombianos estão super-moralizados e jogam com a pressão que os brasileiros estão a sentir. Sem problemas de lesões, os “cafeteros” vão apresentar-se na máxima força. Com o melhor jogador e rei dos golos da competição, James Rodríguez, a Colômbia tem também o rei das assistências, Cuadrado (deu quatro golos). Além disso, a equipa de Pékerman tem o segundo melhor ataque (11 golos) e uma das melhores defesas, a par da Bélgica, Costa Rica e França (2 golos).
Neymar «James é craque, mas espero que o ciclo dele acabe agora»
OR UM LUGAR NAS MEIAS-FINAIS
odas as batalhas recta final da partida, quando o cronómetro já contava mais de oitenta minutos de desafio. Os alemães encontraram na Argélia um osso ainda mais duro de roer: a formação orientada por Joachim Low só conseguiu garantir a passagem aos oitavos-de-final no prolongamento, com uma vitória sofrida por duas bolas a uma. Em 25 partidas disputadas entre franceses e alemães, a tricolor gaulesa foi mais feliz, ainda que os eleitos da Mannschaft tenham feito por mais vezes o gosto ao pé. No confronto directo entre ambas as selecções, França leva a melhor com onze triunfos, contra oito da formação germânica. Na fase final do Campeonato do Mundo de Futebol, germânicos e gauleses já se defrontaram por três ocasiões, mas no mais importante dos certames futebolísticos mundiais o equilíbrio é quem marca pontos: os três duelos até agora disputado por ambas as formações terminaram com um empate e um triunfo para cada lado. O último confronto ocorreu há 28 anos, no México, e em Guadalajara a sorte sorriu à selecção alemã. A Manns-
chaft venceu a rival gaulesa com golos de Andreas Brehme e de Rudi Voller e garantiu o acesso ao encontro decisivo do Mundial, quatro anos depois de ter perdido a competição para a Itália. Em Espanha, em 1982, o onze germânico já tinha conseguido garantir a presença na final da prova à custa dos franceses. A oito de Julho, em Sevilha, as duas formações assinaram um dos melhores desafios da história dos Campeonatos do Mundo, ao
empatarem a três bolas, num jogo frenético, disputado por ambas as formações a um ritmo alucinante. A passagem à final acabou por se decidir através do expediente das grandes penalidades e a partir da marca de onze metros os alemães foram mais fortes, convertendo as cinco grandes penalidades de que dispunham contra quatro dos franceses. A única vitória alcançada por França frente à Alemanha teve como pano de fundo o
PRÓXIMOS JOGOS FRANÇA – ALEMANHA 00:00 – Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro • HISTORIAL J V E D GM GS P. Disputadas 25 11 6 8 41 42 BRASIL – COLÔMBIA 04:00 – Estádio Castelão, Fortaleza • HISTORIAL J V E D GM GS P. Disputadas 25 15 8 2 55 11
Campeonato do Mundo de 1958, noutro embate de contornos épicos. Em Gotemburgo, alemães e franceses entraram em campo apostados em despedir-se da competição com a cabeça erguida. A partida servia para definir o nome do terceiro classificado da prova e na amena Suécia os franceses foram mais fortes, ao levar a melhor sobre os adversários por 6-3. A partida acabaria por ajudar a consagrar uma lenda. Quatro dos seis golos apontados pelos franceses tiveram a chancela de Just Fontaine, o dianteiro que mais golos marcou – nada mais, nada menos do que 13 – numa única edição da fase final do Campeonato do Mundo.
Brasil e Colômbia têm encontro marcado para os quartos de final do Campeonato do Mundo, esta sexta-feira, no Estádio Castelão, em Fortaleza. Um jogo que vai colocar frente a frente duas das maiores figuras do Mundial, Neymar e James Rodríguez. O avançado brasileiro elogia o extremo do Mónaco, mas espera que o seu «ciclo» acabe já no próximo jogo. «A Colômbia é uma grande equipe, tem mostrado um poderio muito forte. Numa Copa do Mundo não há escolha. Tem de vencer todos os adversários e a Colômbia é uma grande equipe, está jogando muito bem. O James Rodríguez é um excelente jogador, um craque, apesar da pouca idade. Temos 22 anos, mas ele está de parabéns. Espero que o ciclo dele acabe agora e a selecção brasileira continue, com todo respeito, é claro», atirou esta quarta-feira em conferência de imprensa. A pressão aumenta, mas é uma pressão que Neymar adora. «É claro que existe a pressão de jogar um Mundial. Mas eu vou falar por mim: eu tiro de letra porque é um sonho. É algo que sempre busquei, desde criança, desde que vi o Ronaldo, com topete, fazer gol na final da Copa do Mundo. Eu disse: um dia quero ser igual esse cara. Não temos de ficar pensando em pressão. Estamos jogando no quintal de casa, a torcida é nossa e temos de estar felizes dentro de campo. Não podemos ficar pensando que se perdermos vamos estar mortos», atirou.
Holanda Treino com Sneijder e Robben a meio gás
A selecção da Holanda continua a preparar o encontro dos quartos-de-final com a Costa Rica. Os holandeses efectuaram esta quarta-feira o último treino no Rio de Janeiro antes da viagem para Salvador. O destaque vai para Sneijder e Robben, que foram poupados em determinados exercícios. O médio escapou à parte mais física dos trabalhos, fazendo apenas corrida em pequenos circuitos. Quando os jogadores começaram os trabalho com bola, foi a vez de Robben fazer corrida, alongamentos e abdominais. A Holanda defronta a Costa Rica no sábado.
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Pergunta: A nota curricular, fotocópias de documento de identificação entregues na procura de emprego, pode-se pedir a sua devolução da firma quando não for recrutado? Resposta: A situação em causa depende da política da firma. Genericamente, os candidatos a emprego entregam os seus dados pessoais por livre vontade a firma para fins da procura de emprego, e a firma destinatária tem direito de reservar os documentos conforme as suas políticas e recusam a devolução dos mesmos documentos. Por outro lado, a firma pode também devolver os documentos conforme as políticas. Para além disso, de acordo com o disposto da Lei da Protecção de Dados Pessoais, os titulares têm direito de informação, acesso e oposição, entre outros direitos. (O texto é oferecido pelo Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais. A linha aberta é 28715666.)
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DESPORTO
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recebido uma etapa do defunto campeonato FIA-GT1 em 2011. Quando surgiu a necessidade correr por duas vezes na China Continental, o WTCC terá considerado albergar o segundo evento no Circuito de Zhuhai, no entanto, esta possibilidade não terá sido do agrado de alguns quadrantes.
SÉRGIO FONSECA info@hojemacau.com.mo
O
Campeonato do Mundo FIA de Carros d e Tu r i s m o (WTCC) vai ter mesmo uma segunda corrida na China Continental, mas não será em Cantão, mas sim na capital, Pequim. François Ribeiro, o director de operações do Eurosport Events, tinha afirmado em Junho à imprensa internacional que o WTCC iria ter uma terceira corrida na China, para além de Macau e Xangai, e o palco escolhido para substituir o circuito de Sonoma no calendário, devido à logística problemática de correr nos Estados Unidos da América em Outubro, seria o Circuito Internacional de Guangdong. Contudo, esta semana, e sem justificar a troca, a organização do WTCC anunciou que no fim-de-semana de 4 e 5 de Outubro o WTCC estará em Pequim. Segundo Ribeiro, esta escolha “irá possibilitar ao WTCC ter corridas
DTM AQUI AO LADO
AUTOMÓVEIS WTCC VAI A PEQUIM E DTM A ZHUHAI
Cantão fora de rota nas duas principais províncias da China e aumentar o perfil do WTCC no mais importante mercado automóvel mundial, para além de simplificar a logística e
ajudar os orçamentos das equipas participantes”. Ao contrário do circuito dos arredores de Zhaoqing, que habitualmente acolhe as provas dos campeona-
tos de Macau, o exíguo Circuito de Goldenport em Pequim já tem as homologações FIA necessárias para acolher um evento desta envergadura, tendo
Segundo a revista alemã Auto Bild, o popular campeonato alemão de turismos DTM deverá visitar Zhuhai no último fim-de-semana de Setembro, em vez da planeada e ansiada corrida nas ruas de Cantão. Problemas com as autoridades locais de ordem não revelada terão afastado a corrida das ruas da capital da província de Guangdong. Contudo, o promotor local e a organização alemã terão optado por manter a prova chinesa no sul dada a importância da província vizinha de Macau para os três construtores automóveis presentes no campeonato: Audi, BMW e Mercedes-Benz.
“...esta semana, e sem justificar a troca, a organização do WTCC anunciou que no fim-desemana de 4 e 5 de Outubro o WTCC estará em Pequim” O Hoje Macau sabe que está tudo alinhavado para que o DTM corra no primeiro circuito permanente da Republica Popular da China pela primeira vez este ano, estando um anúncio oficial pendente a assinatura do contrato entre ambas as partes. Este ano o DTM conta com a participação do português António Félix da Costa, vencedor do Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 em 2012 e segundo classificado em 2013, que defende as cores da BMW.
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EDITAL
Edital nº :8/E-BC/2014 Processo nº :643/BC/2013/F Assunto :Notificação do despacho de embargo e início do procedimento de audiência pela infracção às respectivas disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI). Local :Beco da Agulha n.º 15, Edf. Ngan loi, fracção 5.º andar A, Macau.
Chan Pou Ha, subdirectora da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pela alínea 7) do no 1 do Despacho no 003/SOTDIR/2013, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 46, II Série, de 13 de Novembro de 2013, faz saber por este meio ao dono da obra ou seu mandatário, ao encarregado da obra, aos técnico responsável pela obra e executores da obra existente no local acima indicado, cujas identidades se desconhecem, o seguinte: 1. Em 23/10/2013 e 20/11/2013, o agente de fiscalização desta DSSOPT deslocou-se ao local acima indicado e verificou a realização de obra sem licença cuja descrição e situação é a seguinte: Obra
Situação da obra
Construção de um compartimento não autorizado com suporte metálico, metálica e 1.1 cobertura janela em caixilharia Em curso de alumínio no terraço de recuo em frente da janela e varanda da fracção. Construção de um compartimento não autorizado com 1.2 suporte metálico e Concluída cobertura plástica no terraço sobrejacente à fracção. 2. 3.
Infracção ao RSCI e motivo da demolição
Infracção ao no 12 do artigo 8o, obstrução do acesso aos pontos de penetração no edifício. Infracção ao no 4 do artigo 10o, obstrução do caminho de evacuação.
Nestas circunstâncias e em cumprimento do disposto no nº 3 do artigo 88º do RSCI, aprovado pelo DecretoLei nº 24/95/M, de 9 de Junho, o agente de fiscalização ordenou a imediata suspensão da execução da obra. Nos termos do nº 1 do artigo 88º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 7) do no 1 do Despacho no 003/SOTDIR/2013, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau
(RAEM) n.º 46, II Série, de 13 de Novembro de 2013, por meu despacho de 18/11/2013, exarado sobre a informação nº 7800/DURDEP/2013 de 13/11/2013, determinei o embargo da obra. 4. Sendo as escadas e corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no nº 4 do artigo 10º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei nº 24/95/M, de 9 de Junho. Além disso a janela e a varanda acima referidas são consideradas como pontos de penetração para realização de operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não podendo ser obstruído com elementos fixos (gaiolas, gradeamentos, etc.), de acordo com o disposto no nº 12 do artigo 8º. As alterações introduzidas pelo infractor nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e pontos de penetração no edifício e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, as obras executadas não são susceptíveis de legalização pelo que terá necessariamente de ser determinada pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 5. Nos termos do no 3 do artigo 87o do RSCI, a infracção ao disposto no no 4 do artigo 10o é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas, e nos termos do no 7 do mesmo artigo, a infracção ao disposto no no 12 do artigo 8o, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o no 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou segurança do edifício. 6. Considerando a matéria referida nos pontos 6 e 7 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data de publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no nº 1 do artigo 95º do RSCI. 7. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, no 33, 15º andar, Macau (telefones nos 85977154 e 85977227). Aos 19 de Junho de 2014 Pelo Director dos Serviços A Subdirectora Enga Chan Pou Ha
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Thomas Lim*
OS SEGREDOS DE UM ACTOR Capítulo III: ‘Networking’, a criação de uma rede de contactos
“É importante conhecer-se a si mesmo e identificar quais são as suas qualidades e defeitos”
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E entre os muitos dons que um actor precisa de ter, há dois que são essenciais. O primeiro é ter experiência em audições, onde se tem de conseguir superar a competição de modo a obter o papel. O segundo, que é talvez a aptidão mais importante de todas, é a capacidade de socializar - de fazer ‘networking’. Uma boa rede de contactos pode ajudar um actor a obter um contrato sem ter sequer que passar por uma audição. Toda a gente gosta de se rodear de amigos e é normal querermos dar boas oportunidades a pessoas que nos são queridas. Além disso, os círculos de cinema e teatro são, em geral, bastante pequenos, mesmo em mercados grandes como os Estados Unidos e a China. Toda a gente se conhece, por isso se um actor obtiver uma má reputação, torna-se muito difícil conseguir virar a página e voltar a ser contratado. Há um equilíbrio delicado entre lutar por aquilo em que se acredita e ser um profissional ao mesmo tempo, pois ao querer ser honesto pode também vir
a ser considerado como uma pessoa difícil. Esta é uma linha ténue, que varia de cultura para cultura. É preciso muita inteligência emocional para fazer isto correctamente, por isso considero esta habilidade como uma grande parte dos 90% do trabalho – não relacionados com a técnica de representação propriamente dita – que um actor tem de fazer para ter sucesso, tal como disse, aliás, nos primeiros capítulos desta publicação.
Uma boa rede de contactos obtém-se geralmente através da experiência. Mas, o que funciona para uma pessoa, não funciona necessariamente para outra porque estas podem ter personalidades, identidades, ou mesmo culturas, diferentes. É também importante conhecer-se a si mesmo e identificar quais são as suas qualidades e defeitos. É importante saber isto sobre si: qualidades e defeitos. Há pessoas que dizem que não con-
SE QUER MESMO SER ACTOR E ESTÁ DISPOSTO A INVESTIR TEMPO PARA REALIZAR ESSE OBJECTIVO, RECOMENDO QUE NUNCA MENOSPREZE NINGUÉM Alguns consideram esta faceta social como sendo apenas mais um acto, mas isto não é recomendável - as pessoas ligadas à indústria sabem distinguir facilmente quando estamos a ser genuínos ou não. É que não é suficiente obter apenas o contacto de um realizador ou produtor. O que é importante é estabelecer uma relação pessoal com esses profissionais.
seguem trabalho por não terem jeito para audições, mas afirmam que seriam grandes actores se lhes fosse dada uma oportunidade. Contudo, não investem em ‘networking’ por acharem que isso implicaria serem falsos. A meu ver, desempenhar um bom papel numa audição é essencial, por isso recomendo que invistam nesta área se têm ambições de se tornarem actores. E sociali-
zar com profissionais da indústria não deve ser considerado como um truque ou jogo. É algo essencial, que deve ser feito de uma maneira sincera e diplomática, pois ninguém gosta de pessoas falsas. Com a prática tudo isto se vai tornando mais fácil. No princípio da sua carreira, nunca recuse uma audição. Esforce-se por conhecer o maior número de pessoas possível, independentemente dos cargos que desempenham. Nunca se sabe quem é que o pode vir a ajudar a conseguir um trabalho. Na minha experiência pessoal, obtive muitos papéis através de pessoas que não eram nem directores nem produtores, mas que me apresentaram às pessoas certas. Se quer mesmo ser actor e está disposto a investir tempo para realizar esse objectivo, recomendo que nunca menospreze ninguém. Lembre-se que uma pessoa pode não ter um cargo importante no presente, mas isso não quer dizer que não o venha a ter no futuro. Seja cordial e esforce-se sempre por ajudar toda a gente, de maneira a que os outros façam o mesmo por si. *actor e realizador
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José Simões Morais (TEXTO E FOTOS)
蹴鞠 CUJU,
A MAIS ANTIGA FORMA DO JOGO DE FUTEBOL
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rico e as pessoas gostam de tocar yu (instrumento feito de bambu), se, zhu e outros instrumentos musicais. Adoram também lutas de galos; zouquan, domesticar cães; jogar liubo, antigo xadrez chinês e taju, também conhecido por cuju, futebol chinês. Nas Memórias Históricas (Shi Ji) escrito por Sima Qian, refere-se o jogo cuju existente já no reino Qi, na capital Linzi. Era também chamado Taju, Cuqiu, Cuyuan, Zhuqiu e Tiyuan. Podendo ser jogado de diferentes maneiras, o cuju, com golos ou sem eles, tinha na essência a qualidade de controlar a bola de couro com os pés e o corpo, excepto com os braços e mãos. Podia ser jogado por uma pessoa, que dava uns toques na bola, e quando jogado por duas, ou mais, passavam a bola entre si, mas já não formavam equipas. A técnica e habilidade de controlar a bola com o corpo e o pé era designada por xieshu e esta estava dividida em três partes. Xieshu de cima, ligado com o controlo da bola pelos ombros, peito, costas e cabeça. Já quando o joelho, cintura e barriga eram usados, denominava-se xieshu médio e com a perna, peito do pé, tornozelo, pontas do pé e calcanhar, chamava-se xieshu baixo. Diferentes combinações dos três xieshu podiam ser temporariamente utilizados para dar resposta aos ressaltos de bola e fazê-la dirigir para continuar o jogo.
A China, o jogo de futebol como hoje o conhecemos é recente e os futebolistas chineses, assalariados da Comissão Estatal de Educação Física e Desporto, ganhavam pela tabela em vigor da Função Pública. Pouco tempo após a abertura da China à economia de mercado, formou-se a Liga Chinesa de Futebol Profissional criada em 1994 e dez anos depois, apareceu a Super Liga. Tardio chegar da China ao mundo do “novo” futebol, quando foi o berço do Cuju, pontapear a bola com os pés, a forma mais antiga de um desporto a que hoje se chama futebol. Na comemoração dos 100 anos da FIFA, em 2004, o presidente Joseph S. Blatter reconheceu ter sido na China, mais propriamente em Linzi, pertencente a Zibo, actual província de Shandong, que se iniciou o jogo com bola e usando os pés.
NA DINASTIA HAN, O CUJU ESTAVA BEM IMPLEMENTADO NO QUOTIDIANO SOCIAL CHINÊS, ONDE NÃO FALTAVAM GRANDES DESAFIOS DE FUTEBOL E ENTRETIMENTOS COM OUTRAS FORMAS DE CUJU Cuju, a modalidade de pontapear a bola, que deu origem ao futebol moderno, apareceu na China no início do Período dos Reinos Combatentes e foi criada no século VII a.n.E. para a preparação física e estratégica do exército do reino Qi. Em 685 a.n.E., quando Guan Zhong, o primeiro-ministro do Duque Huan do Reino Qi (Qi Huan Gong), pretendeu dotar o reino com uma força militar poderosa
CUJU DURANTE A DINASTIA HAN DO OESTE
organizou as pessoas por específicas apetências, dividindo-as em ofícios. Criando equipas preparou-as para, em tempo de paz trabalharem a terra e complementando com o jogo Cuju, treinou-as militarmente. As equipas jogavam com uma bola, pontapean-
do-a e assim o significado de Cu (蹴), usar os pés para jogar e Ju (鞠), bola feita de couro. Os registos históricos “Zhan Guo Ce – Qi Ce” (Livro do Período dos Reinos Combatentes sobre o Reino Qi de Liu Qian) referem: “Linzi é
Quando Liu Bang fundou a dinastia Han do Oeste e se tornou o Imperador Gao Zu (刘邦, 206-195 a.n.E.) fez a sua capital em Chang’an, hoje Xian na província de Shaanxi. Liu Bang era de uma família remediada que vivia em Xuzhou, na actual província de Jiangsu e o seu pai trabalhava na matança dos porcos. Para oferecer uma boa vida aos seus progenitores, o imperador pediu-lhes para irem viver na capital, num luxuoso palácio dentro da corte. Contra as expectativas do imperador, o seu pai não se sentia feliz pois estava habituado na terra natal a viver com
artes, letras e ideias 17
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as pessoas comuns, que gostavam de lutas de galos e jogar cuju, como costumava fazer depois do trabalho. Ao conhecer as razões, Liu Bang ordenou a construção de uma nova cidade, recriando a que o pai tinha deixado para trás e mandando vir os velhos amigos dele, voltaram a poder jogar cuju entre eles. História escrita por Ge Hong no Registos Xijing da dinastia Han. Como se percebe, o cuju era já muito popular e na dinastia Han do Oeste, mais ficou. Não era apenas usado como um meio de controlar o reino e treinar o exército, mas muito praticado por pessoas normais e pela família real. As regras variavam, perante o destino que davam ao jogo. O imperador Wu Di (140-87 a.n.E.) reuniu-se na capital Chang´an com uma assembleia de mestres de cuju de todas as partes da China, tendo aí se realizado um grande jogo. Com o desenvolvimento rápido da economia durante a dinastia Han, passou a haver espaço para a diversão e como consequência, o jogo de cuju começou a ser encarada como uma forma de entretimento. Os espectáculos de cuju, apresentavam malabaristas da bola e as suas actuações eram acompanhadas com música. Depois o cantar e dançar foram integrados no espectáculo e com talentosos jogadores bailarinos apareceu a dança cuju. As mulheres passaram a jogar cuju no mesmo campo com os homens e muitos foram os livros escritos sobre este desporto. A mestria dos jogadores no pontapear e controlar a bola ganhou grande pujança e o jogo tornou-se muito popular, altura em que se retornou ao jogo entre equipas. Daí evoluiu para desporto de alta competição, aparecendo novas regras, com regulamentos profissionais. O campo, Terra quadrada, onde duas equipas de seis elementos se posicionavam no espaço entre duas balizas redondas ou, em luar, pontapeando uma esférica bola como Sol, teve muitas vezes na assistência o imperador e seus ministros. O método da fabricação das bolas foi estabelecido. Como desporto profissional desenvolveu-se pelo valor de ser um tipo de método de treino militarista do agrado do imperador. Jogado num estádio próximo do Palácio Imperial, o Imperador tomava-o tão a sério como a inspecção do seu exército. Os jogadores eram divididos em diferentes grupos e competiam em confrontação directa, como numa batalha. Já o comum das pessoas, praticava cuju como, exercício físico para manter o corpo em forma, de distracção,
PODENDO SER JOGADO DE DIFERENTES MANEIRAS, O CUJU, COM GOLOS OU SEM ELES, TINHA NA ESSÊNCIA A QUALIDADE DE CONTROLAR A BOLA DE COURO COM OS PÉS E O CORPO, EXCEPTO COM OS BRAÇOS E MÃOS. dando uns pontapés na bola, jogo aberto a quem aparecia. No livro “Ju Cheng Ming” da dinastia Han do Leste, Li You descreve o necessário para um jogo de cuju: “Bolas redondas e paredes quadradas como o yin yang Balizas em forma de Lua opostas uma à outra Cada lado tem seis, igual em número Selecciona os capitães e aponta o árbitro Baseado em imutáveis regulamentos Não considera família e amigos Não satisfaz a parcialidade Mantém justiça e paz Tem não queixas em outras faltas Se tudo isto é necessário para regular o jogo Quanto mais é preciso para direccionar a nossa vida.” Na dinastia Han, o cuju estava bem implementado no quotidiano social chinês, onde não faltavam grandes desafios de futebol e entretimentos com outras formas de cuju, em que brilhavam estrelas do pontapear a bola e espectáculos de música com dança e malabaristas no domínio da bola. Fora dos estádios, os mercados eram o local onde muitos exibicionistas da bola mostravam as suas qualidades. Na parte final do período da dinastia Han do Leste (25-220), a guerra entre generais e senhores da terra dividiu a China em Três Reinos e logo de seguida, na Dinastia Sul (280589), Wu Jun escreveu o poema “Bian Cheng Jiang” onde diz gostarem as pessoas de Linzi de cuju, enquanto os habitantes de Qucheng preferem esgrimir as suas espadas. No jogo cuju sobreviveriam as formas que englobavam várias artes de usufruto cultural, perante os animados jogos de alta competição, que despertavam grande interesse e melhor orientados para os períodos de guerra, pois serviam de treino militar.
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EVENTOS
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MODA MACONCEPT É UMA DAS MARCAS DE MACAU PRESENTES EM HONG KONG
Connie Wong e Ellen Lei são duas das seis designers integrantes do projecto MaConcept, do CPTTM, que no próximo dia nove irá pisar a passerelle da Semana da Moda de Hong Kong. Mais quatro marcas de Macau estarão presentes
HOJE MACAU
Militares e romantismo na passerelle
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
É
já no próximo dia 9 deste mês que cinco marcas de moda locais estarão representadas na Semana da Moda de Hong Kong. Uma delas é o projecto embrionário do Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau (CPTTM), a MaConcept, que irá apresentar 24 conjuntos na passerelle. A marca é composta por seis designers. Ellen Lei e Connie Wong terminaram recentemente o curso no CPTTM e vão estrear-se no evento da região vizinha. “É um grande desafio e
estamos muito felizes por poder participar”, contou Connie Wong ao HM. “No trabalho de curso não aprendemos como vender roupas, mas assim podemos aprender”, acrescentou Ellen Lei. A colecção da MaConcept será inspirada nos soldados chineses, mas o público em Hong Kong não irá ver roupas com um ar pesado. Apesar da inspiração no armamento e nos modelos, os tecidos utilizados serão a pele, chiffon e seda. Tudo para fazer o “contraste”, como explicaram Ellen Lei e Connie Wong. Trabalhar com muitas mãos foi difícil, mas não
impossível. “Depois da nossa formação fomos convidadas para entrar na MaConcept e tivemos de fazer muitas correcções à nossa colecção, para sabermos qual o melhor modelo a seguir. Temos de juntar todos os esboços e ver se os estilos combinam. O último esboço será o mais equilibrado”, disse Connie Wong. Para já, as duas jovens apenas integram a MaConcept, planeando abrir uma marca própria posteriormente. Confessam que o mercado local é pequeno e que é difícil encontrar recursos para abrir um negócio.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA MICHEL VAILLANT: EM NOME DO FILHO • Denis Lapière, Philippe Graton, Marc Bourgne
É o grande regresso de Michel Vaillant, o célebre piloto dos grandes circuitos automobilísticos internacionais! Confrontado com os novos desafios desportivos e tecnológicos, o clã Vaillant vai ter de fazer face à evolução tanto da indústria automóvel como da própria sociedade em si. Três gerações de homens e mulheres têm agora nas suas mãos o destino da empresa, cujo primeiro desafio é o de regressar às vitórias nas várias competições, a começar pelo WTCC, o disputadíssimo Campeonato do Mundo de Carros de Turismo. E, também, o de manter a família unida, apesar das múltiplas divergências entre os seus membros.
A alternativa será abrir uma loja online, produzir na China e vender para todo o mundo.
ENTRE O CASUAL E O ROMÂNTICO A indústria da moda de Macau estará ainda representada de várias formas. Há os casacos de pele, estilo motoqueiro, da “Worker Playground”, as roupas leves, românticas e femininas da “Salut, Ça Va?”, de Akina Lei, a Auralo Arte e ainda a Nubiano, registada em Macau em 2002. Victoria Kuan, coordenadora do curso de design de moda no CPTTM, acredita que estas colecções
“Os estilistas locais estão a aproveitar esta oportunidade para mostrarem o seu trabalho em Hong Kong, e é um sintoma de que o sector tem vindo a crescer” VICTORIA KUAN Coordenadora do curso de design de moda no CPTTM
revelam a existência de uma outra Macau. Apesar da participação em eventos anteriores, em Taiwan e Cantão, até que chegou a altura de dar o salto. “Depois da primeira vez em Hong Kong sentimos que era a altura certa para levar marcas. O ano passado levámos a MaConcept pela primeira vez e a reacção foi boa. Este ano o espaço era limitado e apenas podíamos levar cinco marcas”, disse ao HM. “Antes levávamos marcas das fábricas, mas estas fecharam e precisamos de tempo para formar designers de moda locais. Este é um evento internacional e não é fácil participar, porque todo o nosso historial, e dos designers, é analisado”, acrescentou a coordenadora do curso. Actualmente, o crescimento da indústria é uma certeza. “Temos mais designers que quiseram participar no evento, então fizemos uma selecção. Os estilistas locais estão a aproveitar esta oportunidade para mostrarem o seu trabalho em Hong Kong, e é um sintoma de que o sector tem vindo a crescer”, frisou Victoria Kuan. O curso de moda no CPTTM existe desde 2003, recebe cerca de 20 candidaturas por ano, formando anualmente 13 alunos. “Muitas pessoas não sabem que em Macau existe uma indústria da moda, então a promoção é um trabalho contínuo. Para além da formação regular tentamos o nosso melhor para organizar estes eventos que mostrem às pessoas que em Macau existem jovens designers que trabalham bastante”, disse Victoria Kuan.
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A GRANDE FOME DE MAO • Frank Dikotter
Entre 1958 e 1962, 45 milhões de chineses passaram fome, foram sujeitos ao trabalho forçado ou mesmo espancados até à morte. Mao Tsé-Tung lançou o seu país num frenesim com o Grande Salto em Frente, uma tentativa de alcançar e ultrapassar o mundo Ocidental em menos de 15 anos, e com esse desígnio provocou uma das maiores catástrofes que o mundo jamais conheceu. “A Grande Fome de Mao” é o relato rigoroso dessa catástrofe, e lança uma luz inteiramente nova sobre a história recente da República Popular da China.
eventos 19
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INGLATERRA CATEDRAL ACOLHE EXPOSIÇÃO DE PORTUGUESA
Manta de adufes Rock de ‘Mr.’ vai agitar o Cotai
No dia 16 de Agosto, pelas 20h00, a banda de Hong Kong ‘Mr.’ vai regressar à arena do Venetian. O grupo, composto por Alan Po em vocais, Desmond Tam no baixo, Tom To na bateria e Quincy Tam e Ronny Lai na guitarra cimentou a sua posição no circuito musical do território vizinho com o álbum ‘New Beginning’, editado em Janeiro de 2013. Recentemente regressados de uma estadia de nove meses em Taiwan, onde foram gravar o seu primeiro álbum em mandarim, intitulado ‘100 Reasons to Fly’, a banda vai agora mostrar as suas mais recentes composições ao público local.Os bilhetes já estão à venda e custam entre 280 e 880 patacas.
Encontradas gravações inéditas de Bob Dylan
Foram encontradas 149 gravações antigas de Bob Dylan guardadas em um armário por mais de 40 anos. A informação é do jornal Daily News desta quarta-feira. O apartamento usado como estúdio por Dylan de 1969 até 1972 fica em Manhattan. São gravações de ensaios e versões que não entraram em alguns de seus álbuns (Nashville Skyline, Self Portrait e New Morning. Os achados incluem ,ainda, versões alternativas para músicas conhecidas e algumas covers. Recentemente, o manuscrito original da música mais famosa de Bob Dylan, Like a Rolling Stone, foi leiloado pelo preço recorde de dois milhões de dólares em Nova York.
‘Salão de Outono’ em Novembro para promover artistas locais
A quarta edição da exposição de arte ‘Salão de Outono’ vai decorrer entre 7 e 30 de Novembro na Fundação Oriente (FO). A iniciativa – organizada conjuntamente pela AFA (Art for All Society) e pela FO - visa promover a criação artística local e proporcionar uma plataforma para os artistas do território apresentarem o seu trabalho ao público. Com vista a seleccionar projectos para incluir na mostra deste ano, a organização abriu um concurso nas áreas de pintura, gravura, escultura, fotografia, vídeo-arte e instalação. Os interessados devem apresentar os seus trabalhos até ao dia 29 de Agosto, que irá depois anunciar os vencedores em meados de Setembro. Ao mesmo tempo, a FO continua este ano a atribuir o “Prémio de Arte da Fundação Oriente” a artistas locais com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos. O vencedor terá a oportunidade de conseguir uma residência artística em Portugal por um mês e receberá um prémio de 50 mil patacas.
A Catedral de Manchester vai acolher o evento mais multicultural que alguma vez ali se viu. A mostra da arquitecta Cristina Rodrigues despertou o interesse de iranianos, polacos, espanhóis, iraquianos e paquistaneses, para além dos próprios ingleses
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catedral de Manchester tem desde esta quinta-feira, a bandeira de Portugal hasteada para sinalizar uma instalação artística de grande escala da arquitecta Cristina Rodrigues. A exposição ocorre no âmbito do prestigiado festival Dig The City. A instalação inclui uma “manta” de adufes (instrumento musical português) trabalhada por mulheres imigrantes portuguesas da região de Manchester. Durante os últimos meses, trabalharam no ateliê da artista a entrançar as fitas de seda e rendas que unem os 63 adufes. O objectivo foi contribuir para o tema da exposição, intitulada “Mulheres do Meu País”, mas, ao longo dos meses, como a artista contou à agência Lusa, o projecto atraiu o interesse de iranianos, polacos, espanhóis, iraquianos e paquistaneses. Vários imigrantes identificam-se com alguns dos elementos estéticos das obras, que incluem têxteis coloridos e técnicas e padrões recuperados das tradições rurais, que a artista recolheu num trabalho etnográfico anterior, e que remetem para raízes islâmicas. Outros, afirmou, reconhecem a mensagem do “ser imigrante num espaço e ser percebido como não sendo daqui, nem sempre com conotação positiva”, sentimento que Cristina Rodrigues admite já ter tido, desde que se instalou em Manchester.
MAIS DE 200 PESSOAS NA INAUGURAÇÃO
“Estão confirmadas mais de 200 pessoas na abertura, será o evento mais multicultural que aquela catedral já viu”, garante a portuguesa à Lusa. Além de “A Manta”, que tem sete metros de altura e
cinco metros de largura e quase 200 quilos de peso, será instalada “A Rainha”, peça dominada por uma coroa de lata que fez parte da procissão da Nossa Senhora do Almortão, em Idanha-a-Nova, da qual saem fitas coloridas e flores de papel inspiradas nos arraiais populares portugueses. Por fim, Cristina Rodrigues irá estrear “Enlighten-
ment”, obra composta por duas peças de ferro forjado, uma branca e outra preta, feitas em Portugal, decoradas com vidro, cristal, cerâmica e colares de bijuteria, cuja referência à beleza e imagem exterior feminina constitui uma “farpa” às mulheres inglesas. “Aqui no norte [de Inglaterra] é muito visível, sobretudo quando elas saem
com as unhas falsas, as cabeleiras, as pestanas falsas, o bronzeado falso, muito coloridas”, descreveu a artista. A exposição, que será inaugurada pelo bispo da cidade, David Walker, e o embaixador de Portugal no Reino Unido, João de Vallera, estará na Catedral de Manchester até 21 de Setembro, no âmbito do festival Dig the City.
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CINEMA
SON OF GOD SALA 1
Pu Yi
TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [B] Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 14.30, 21.00
Uma autêntica desgraça Li na edição de ontem do HM que há um novo grupo de cidadãos no Facebook a reclamarem com os taxistas de Macau. É que a má conduta dos condutores tem trazido desgostos e chatices a muita, muita gente. A quase todos até. Aqui na redacção, houve até quem se lembrasse de ir até uma das ourivesarias buscar um saco da loja para fingir ter ido comprar jóias e bugigangas. Infelizmente, perto destes locais é um dos poucos sítios da cidade – excluindo os casinos – onde os taxistas param para apanhar pessoas. Queremos ir até ao hospital e não conseguimos. Dois metros depois de uma paragem está um táxi parado com sinal de estar livre, mas mandam-nos ir para trás, porque estão a arrancar para o Hotel Lisboa não tarda nada. Isto é que é uma chatice, hein? Como quer Macau que a cidade seja uma plataforma turística e tudo mais, se nem os taxistas – transporte preferido por excelência – se recusam a dar uma boa imagem do território? Tudo isto é surreal e o pior é que nos prejudica a cada dia que passa. A página chama-se “A Vergonha dos Condutores de Táxis de Macau” e, até agora, conta com mais de 300 membros, mas o meu instinto felino diz-me que este número vai aumentar exponencialmente. Fico contente que já tenham apelidado alguns desses péssimos trabalhadores como as “ovelhas negras” do sector. São-no porque trazem má fama ao ramo laboral e dão, na opinião de muitos, uma má imagem do território ao mundo. Infelizmente, essa é a verdade e cada vez está pior. O crescimento do número de casinos vai fazer com que cada vez menos taxistas se desloquem pelas zonas antigas ou mais centrais da cidade, para se concentraram cada vez mais no Cotai, na Taipa e perto do MGM e do Wynn. Pelo vistos o azar no jogo só acontece dentro das portas de casinos, nas mesas e nas roletas. É que pelas ruas dos casinos, os táxis têm sempre sorte.
TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [3D] [B] Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 18.00 SALA 2
HOW TO TRAIN YOUR DRAGON [A] Um filme de: Dean DeBlois 14.15, 16.00, 19.30
ACONTECEU HOJE
HOW TO TRAIN YOUR DRAGON [3D] [A]
Um filme de: Dean DeBlois 17.45 SALA 2
TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [3D] [B] Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 21.15 SALA 3
MALEFICENT [B]
Um filme de: Robert Stromberg Com: Angelina Jolie, Sharlto Copley, Elle Fanning, Sam Riley 19.30
SON OF GOD [B]
Um filme de: Christopher Spencer Com: Diogo Morgado 14.30, 16.45, 21.30
4 DE JULHO
É ratificada a Declaração da Independência dos EUA
H O J E H Á F I L M E O DIÁRIO DA NOSSA PAIXÃO NICK CASSAVESTES (2004) Uma história romântica nunca deixa de ter um amor proibido. A história de Noah Calhun (Ryan Gosling) e Allie Hamilton (Rachel McAdams) também é assim. Loucamente apaixonados, os dois jovens não podiam continuar a relação, porque a mãe de Allie – proveniente de uma família rica – não aceitava a relação com Noah, um homem pobre. Ao contrário do que aconteceu com muitas pessoas, foi a Segunda Guerra Mundial que acabou por juntá-los novamente, mas o amor entre os dois ainda não podia sossegar aqui. Noah voltou à terra natal para construir a “casa ideal” dos dois, mas quando a casa estava pronta, depois de mais dois anos, Allie já estava a preparar o casamento com outro homem... Mas Allie não desistiu. Ao ver a fotografia do antigo amor, saiu à sua procura... e, como muitas histórias românticas, o fim desta história junta Noah e Allie e eles conseguem ficar juntos o resto da sua vida. Contudo, a história vai mais longe: Allie acaba por ter demência, o que prejudica a sua memória. Todos os dias, Noah lê um capítulo de uma linda história de amor, que foi escrita num velho diário. O Diário da Nossa Paixão. O diário da paixão de Noah e Allie. - Cecília Lin
No dia 4 de Julho de 1776, é ratificada e publicada a Declaração da Independência dos EUA, que liberta as colónias norte-americanas do poder inglês. Neste dia, recordam-se também nomes como Marie Curie, Albert Einstein, Alfredo Di Stéfano ou Ástor Piazzolla. Hoje é dia de assinalar a Independência dos Estados Unidos da América, cuja declaração foi ratificada no Congresso Continental a 4 de Julho de 1776. Através daquele documento, as 13 colónias na América do Norte declararam sua independência do Reino Unido, por considerarem que os britânicos estavam a retirar dividendos injustos e abusivos, por via do seu domínio sobre a América do Norte. Revoltadas com o poderio inglês – devido a cobrança de taxas, impostos para pagar prejuízos de guerras dos ingleses, para usufruir de produtos como o açúcar, entre outras medidas que prejudicavam os norte-americanos –, as 13 colónias avançam para a decisão de tornar o território independente. O processo culmina a 4 de Julho, com a ratificação da Declaração da Independência. Inúmeros eventos históricos colocam os EUA no centro da história mundial deste dia 4 de Julho. Em 1848, coloca-se a pedra basilar da construção do Monumento a Washington e em 1863, também a 4 de Julho, termina o Cerco de Vicksburg, decisivo na Guerra Civil Americana. No dia 4 de Julho de 1865, é publicado o livro ‘Alice no País das Maravilhas’ e em 1960 os EUA adoptam a actual bandeira, que representa 50 estados. No dia 4 de Julho de 1997, chega ao fim a viagem da nave não tripulada ‘Mars Pathfinder’, que pousa na superfície de Marte e mostra as primeiras imagens do planeta vermelho, após percorrer 500 milhões de quilómetros.
fonte da inveja
Abismos que contêm abismos que contêm abismos. A sucessão de infinitos indicia um irónico destino.
João Corvo
OPINIÃO
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ISABEL CASTRO
isabelcorreiadecastro@gmail.com
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contramão
Aqui não quero morrer
S
Ó a teimosia explica aquilo que toda a gente sabe, mas que números divulgados esta semana vêm confirmar: Macau tem falta de médicos, tem falta de enfermeiros, tem falta de camas nas unidades hospitalares. A população está a envelhecer e a velhice traz doenças – é uma chatice. A população reproduz-se e os nascimentos requerem cuidados médicos – outra maçada. Vida e saúde misturam-se do princípio ao fim, que não se vive sem saúde: sobrevive-se e sobrevive-se mal quando a saúde falha. Sobrevive-se ainda pior quando não se confia na saúde que se tem. Não conheço os detalhes do caso do miúdo que não se consegue mexer e que culpa o Centro Hospitalar Conde de São Januário do estado em que se encontra. Às tantas até não tem razão. Não conheço os detalhes do caso revelado esta semana acerca da administração errada de fármacos a um recém-nascido. Parece que os pais têm razão – o hospital público até apresentou um invulgar pedido de desculpas. Não conheço os detalhes destes dois casos, mas estes dois casos não interessam: são só mais dois que se juntam a todos os outros e a todas as queixas que se ouvem por aí. Como não é hábito meu escrever sobre o que
cartoon por Stephff
Claro que todos sabemos que isto não se resolve porque não se quer – e assim se explica a teimosia que serve, por sua vez, para explicar tudo o resto. A coisa resolvia-se com a mesma facilidade com que se constroem camas de hotéis de luxo: fazem-se depressa e bem, com lençóis sem remendos EBOLA OUTBREAK OUT OF CONTROL
se diz, aqui dispo a minha pele de jornalista para dizer que conheço suficientemente bem o hospital. E neste hospital fui maltratada. Neste hospital já me mandaram voltar no dia seguinte por não haver cama para ser internada. (E neste hospital já fui muito bem tratada – fica a ressalva pelo respeito e admiração por quem, em condições de terceiro mundo, faz das tripas coração para que quem passa pelo hospital não tenha de lá voltar tão cedo.) Tudo o que ouvi dizer nestes anos em Macau e tudo o que conheço por já lá ter estado me levam a escrever que é impossível corresponder ao pedido deixado na passada semana pelo director dos Serviços de Saúde, pedido dirigido ao tal miúdo que não se consegue mexer: ao contrário do que espera Lei Chin Ion, não é possível confiar no hospital que se tem. Ninguém confia. E ninguém confia no hospital porque o São Januário não cumpre os critérios mínimos. Os números divulgados esta semana – que mostram que Macau fica abaixo dos critérios das jurisdições economicamente pujantes e com índices de desenvolvimento humano elevados – servem apenas para vincar o paradoxo, a teimosia e as estranhas teias da saúde em Macau, o lugar do mundo que ocupa a quarta posição na lista mundial dos territórios e países com a maior riqueza per capita. Claro que todos sabemos que isto não se resolve porque não se quer – e assim se explica a teimosia que serve, por sua vez, para explicar tudo o resto. A coisa resolvia-se com a mesma facilidade com que se constroem camas de hotéis de luxo: fazem-se depressa e bem, com lençóis sem remendos. A coisa resolvia-se indo buscar médicos e enfermeiros lá fora, sendo que o discurso do contra não tem qualquer relevo: quando quer, o Governo faz o que quer; e na hora da aflição, não há doente que peça o passaporte a quem lhe oferece segurança, coisa que a maioria dos atarefados médicos e enfermeiros do hospital não consegue garantir. A coisa resolvia-se ainda com um ou dois concursos públicos para dar um melhor aspecto à coisa e algum conforto aos doentes que, num delírio febril, poderão achar que se encontram num hospital de campanha. A coisa resolvia-se com outro concurso público para garantir condições mínimas de higiene. E por aí fora – peritos em gestão hospitalar não faltam, a começar pelo Chefe do Executivo que, apesar de não mostrar qualquer brio em relação ao hospital do território que governa, tem obrigação curricular de perceber muito, mas mesmo muito, da matéria. A coisa resolvia-se se houvesse vontade. Não há. Há teimosia. E a teimosia revela-se nesta incapacidade de perceber que todos ficam a ganhar quando se distribui por todos. Porque há teimosia, responde-se com teimosia: já perdi a conta aos textos que escrevi sobre a saúde em Macau e, por isso, adivinho desde já os suspiros de enfado nalguns gabinetes. É a vida. A minha e a dos outros que também aqui não querem morrer.
22 opinião
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JORGE RODRIGUES SIMÃO
perspectivas
O fantasma de nova crise global (Parte I) “The economic and financial instability that has rocked Europe and North America since 2008 has been a disaster for millions of people who have lost jobs, homes, and savings. Clearly in retrospect, governments were mistaken in this. Failures to regulate effectively allowed financial institutions to build houses of cards that would soon collapse. Governments tolerated the creation of a bubble in the housing market sustained by vast amounts of easy credit, perhaps linked to global financial imbalances.”
A
The Consequences of the Global Financial Crisis: The Rhetoric of Reform and Regulation Wyn Grant and Graham K. Wilson
dinâmica da economia mundial que começou a ser observada aquando da publicação das Perspectivas da Economia Mundial, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mais conhecidas na sigla inglesa por World Economic Outlook (WEO), em Outubro de 2013, tornou-se visível com a publicação de Abril de 2014, revelando que a recuperação económica que nesse momento começava a consolidar-se nas economias avançadas está no momento a adquirir um alcance mais amplo. A consolidação fiscal está a desacelerar, e os investidores estão menos preocupados com a sustentabilidade da dívida. Os bancos estão a fortalecer-se paulatinamente apesar de se estar muito longe de uma plena recuperação económica. O tema central de momento é a normalização da política monetária, tanto a convencional como a não convencional. Esta dinâmica implica uma mudança no retorno de capitais para as economias de mercados emergentes e em desenvolvimento. Um crescimento mais vigoroso nas economias avançadas implica uma maior procura das suas exportações. A normalização da política monetária, no entanto, introduz condições financeiras mais restritivas e um contexto financeiro mais rigoroso. Os investidores serão menos tolerantes, e as debilidades macroeconómicas terão um custo mais elevado. Os riscos mais graves foram reduzidos, mas não desapareceram de todo. A recuperação económica nos Estados Unidos parece assentar sobre bases sólidas. A Abeconomia, denominação dada à política económica do primeiro-ministro Shinzo Abe, no Japão, necessita de um aumento da procura privada interna para que a recuperação se possa sustentar. No sul de Europa não pode dar-se por consumado o ajuste fiscal, sobretudo se a taxa de inflação for baixa no conjunto dos países da zona euro. O Global Financial Stability Report
(Relatório sobre a Estabilidade Financeira Mundial) na sua última edição afirma que a reforma financeira é incompleta, e o sistema financeiro continua a apresentar riscos. Surgiram riscos geopolíticos, ainda que não tivessem repercussões macroeconómicas de alcance mundial. Face ao futuro, a atenção deve centrar-se cada vez mais na oferta. Em muitas economias avançadas o crescimento potencial é muito baixo, o que é mau em si e dificulta o ajuste fiscal. Neste contexto, é mais importante tomar medidas que aumentem o crescimento potencial, que vão desde reconsiderar a estrutura das instituições do mercado laboral até melhorar a concorrência e a produtividade numa série de sectores de bens não transaccionáveis, bem como reconsiderar a dimensão do governo e examinar o papel do investimento público. Ainda que, as evidências não se revelem muito claras, em muitas economias de mercados emergentes, o crescimento potencial também parece ter-se reduzido. Em alguns países, como a China, tal facto pode ser, em parte, um subproduto desejável de um
crescimento mais equilibrado. Em outros países, sem dúvida existe uma margem para realizar algumas reformas estruturais a fim de melhorar a situação. Por último, à medida que os efeitos da crise financeira se dissipam lentamente, o cenário pode passar a ser dominado pelo aumento da desigualdade de rendimentos. Ainda que, sempre se tenha encarado a desigualdade como um problema central, até há pouco tempo não era de acreditar que tivesse fortes repercussões nos resultados macroeconómicos, sendo questionada, cada vez mais, esta crença. Analisar de que forma a desigualdade afecta tanto a macroeconomia
O tema central de momento é a normalização da política monetária, tanto a convencional como a não convencional
como o desenho da política macroeconómica, talvez seja um tema cada vez mais relevante nas agendas de trabalho dos governos e reuniões das instituições internacionais. A actividade mundial, em geral consolidou-se e é de esperar que melhore ainda mais no biénio 2014-2015, em grande parte devido ao impulso das economias avançadas. No entanto, nestas economias a inflação situou-se abaixo das previsões, como consequência de quedas drásticas do PIB e de recentes descidas dos preços das matérias-primas. Em muitas economias de mercados emergentes a actividade tem estado abaixo do esperado num meio financeiro externo não tão favorável, ainda que este grupo continue a contribuir com mais de dois terços do crescimento mundial. Prevê-se que o crescimento dos seus PIBs seja estimulado pelo aumento das exportações às economias avançadas. Existem no entanto, três excepções que são os riscos ligados aos mercados emergentes que se agravaram, como o facto da inflação nas economias avançadas se encontrar num nível inferior ao previsto indicando riscos para a actividade, e voltaram a surgir tensões geopolíticas. A volatilidade financeira, de novo, intensificou-se em finais de Janeiro deste ano, colocando em relevo os desafios que são postos às economias de mercados emergentes pela evolução do mercado externo. A causa imediata parece ter sido a renovada ansiedade dos mercados à volta dos fundamentos económicos dos mercados emergentes. Ainda que a pressão do mercado tivesse sido relativamente generalizada, os países com níveis mais altos de inflação e deficits em conta corrente mais profundos foram em geral os mais afectados. Algumas dessas debilidades têm estado presentes durante algum tempo, mas face às perspectivas de melhor estabilidade nas economias avançadas, a atitude dos investidores é menos favorável devido aos riscos ligados aos mercados emergentes. Face à possibilidade de que os fluxos de capitais mudem de direcção, os riscos relacionados com necessidades substanciais de financiamento externo e depreciações monetárias desordenadas constituem um motivo de inquietação. Algumas economias de mercados emergentes adoptaram políticas macroeconómicas mais restritivas a fim de reforçar a confiança e reafirmar o compromisso com os seus objectivos políticos. Globalmente, as condições financeiras para algumas economias de mercados emergentes são mais difíceis do que as apontadas na edição de Outubro de 2013 do WEO. (Continua)
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado; Ricardo Borges (estagiário) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
PERFIL
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PAULO MENDES RICARDO, ARQUITECTO
APAIXONADO PELO PATRIMÓNIO F
EZ um périplo pela Ásia (Malásia, Singapura e Austrália) e não deixou Macau para trás. Depois de cerca de seis semanas na estrada, este arquitecto português escolheu a RAEM como o lugar onde iria viver e trabalhar. Mais de um ano depois, Paulo Mendes Ricardo não tem dúvidas: “continuo a pensar da mesma maneira”, conta ao HM com uma voz que demonstra o quão bem se sente a oriente. “Já tinha essa curiosidade pela Ásia e se calhar estava à procura do desenvolvimento e da diferença”, conta. Fora da Europa, Paulo Mendes Ricardo nunca pôs a hipótese de viver em mais nenhum lugar se não deste lado do mundo. O arquitecto, com um mestrado na área da reabilitação urbana, trabalha actualmente para uma operadora de jogo e fala da arquitectura local como representando
“uma experiência bastante enriquecedora em relação ao resto do mundo, que talvez só se possa comparar ao Dubai”. Com formação superior feita em Portugal, Paulo Mendes Ricardo é um apaixonado por património, área na qual trabalhou antes de vir para a Ásia. “É uma linguagem que falo com muito à vontade”, diz. “Tive experiências em projectos grandes e dife-
“Temos de aproveitar o que Macau tem para dar em termos diferenciadores. Os prédios tão grandes como os dos casinos vão ter um fim”
rentes, como a participação na candidatura da Universidade de Coimbra a património mundial da UNESCO. Foi um projecto muito interessante a todos os níveis da arquitectura”, confessa ao HM. Num território onde a economia não deixa o desenvolvimento descansar, Paulo Mendes Ricardo considera que “podia fazer-se mais” pelo património. “Aqui constrói-se tudo novo e o valor do antigo é relativo. O facto de Macau estar dependente do jogo faz com que este seja um território muito atractivo para investimentos e que isso dificulte a protecção do património mais antigo. Há muita pressão e penso que essa é a principal luta”, defende. Contudo, Paulo Mendes Ricardo defende que já há muitos profissionais da área a fazer mais pela defesa da herança cultural. “Existem algumas pessoas que se organizam para
tratar aquilo que é uma presença da cultura ocidental, e a esse nível ainda há muito por fazer”, defende. O arquitecto considera que a construção massiva não vai existir para sempre. “É bom olhar para a frente e ver que há outras coisas que se podem fazer no território. Os casinos têm um limite.” “Temos de aproveitar o que Macau tem para dar em termos diferenciadores. Os prédios tão grandes como os dos casinos vão ter um fim”, defende. Para já, o arquitecto planeia continuar em Macau “a médio e longo prazo”. “Portugal não oferece as condições que temos aqui e Macau é um sítio onde me sinto bem. Estou consciente de que não irei para Portugal nos próximos tempos, gosto de desafios e de realidades novas. A casa mãe vai sempre existir, mas de forma esporádica”, confessa, referindo-se a Portugal.