DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
SEGUNDA-FEIRA 3 DE JULHO DE 2017 • ANO XV • Nº 3845
MOP$10
hojemacau Xi Jinping dixit: Hong Kong não servirá de base a quem queira prejudicar os interesses da China ou interferir com os seus assuntos internos.
A reacção não passará
O porta-voz do MNE chinês foi assertivo: a Declaração Conjunta é um documento enterrado nos anais da História. Eventualmente, passou o prazo de validade. Esta enormidade causou ondas gerais de desagrado e incredulidade. E faz temer por eventuais alterações à Lei Básica que ponham em causa o segundo sistema.
PAULO MAIA E CARMO
GRANDE PLANO
TATIANA LAGES
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Afinal, o que vale a Declaração Conjunta?
A ressurreição da rosa AMÉLIA VIEIRA
BOI LUXO
BENFICA TETRACAMPEÃO DE MACAU
PÁGINA 16
O imparável voo da águia
ZHANG GENG PAULO MAIA E CARMO
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GRANDE PLANO
HK 20 ANOS
PEQUIM VAI GARANTIR APLICAÇÃO FIRME DE “UM PAÍS, DOIS SISTEMAS”
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Presidentechinêssublinhou que Pequim vai garantir a aplicação “com firmeza” do princípio “um país, dois sistemas” em Hong Kong. O Governo de Hong Kong “deve manter-se fiel a esta direcção e respeitar integralmente” aquele princípio, afirmou Xi Jinping, perante mais de dois mil convidados que assistiram, momentos antes, à cerimónia de posse da chefe do Executivo, Carrie Lam, primeira mulher a desempenhar o cargo. Este conceito foi criado para defender a unidade do país e qualquer desafio à soberania ou apoio à oposição representa uma ruptura do princípio “um país, dois sistemas”, acrescentou Xi. “Qualquer tentativa que ponha em perigo a soberania e segurança da China, desafie o poder do Governo central e a autoridade da Lei Básica de Hong Kong ou usar Hong Kong para infiltrações ou actividades de sabotagem contra a China é um acto que passa a linha vermelha é absolutamente inadmissível”, declarou. ”. A questão da soberania, lembrou, não esteve em discussão durante as negociações com Londres. Xi Jinping defende ainda que é importante manter a estabilidade social: “Hong Kong é uma sociedade plural.” Por isso, observou, “não surpreendem as diferentes opiniões ou mesmo grandes diferenças em questões específicas”. Ainda assim, “fazer de tudo política, ou deliberadamente criar diferenças e provocar a confrontação, não vai resolver problemas”. O presidente diz que o Governo Central está preparado para o diálogo com quem “ame o país, Hong Kong e que apoie, genuinamente, o princípio ‘um país, dois sistemas’, não importa a posição política” dos interlocutores. Xi Jinping considerou que o princípio “um país, dois sistemas” foi a melhor solução para Hong Kong
XINHUA
A LINHA VERMELHA “ Usar Hong Kong para infiltrações ou actividades de sabotagem contra a China é um acto que passa a linha vermelha é absolutamente inadmissível “ O Governo Central está preparado para o diálogo com quem “ame o país, Hong Kong e que apoie, genuinamente, o princípio ‘um país, dois sistemas’, não importa a posição política” dos interlocutores
e que, há vinte anos, “acabou um passado de humilhação”. O respeito e aplicação do princípio “um país, dois sistemas” responde às necessidades da população de Hong Kong, de manter a prosperidade e estabilidade de Hong Kong, serve os interesses fundamentais da nação e as aspirações partilhadas de todos os chineses, disse, de acordo com a agência noticiosa chinesa Xinhua. Mas o Governo de Hong Kong deve fazer mais para responder aos desafios colocados pela economia, habitação, segurança e aumentar a educação patriótica, considerou. Xi Jinping ofereceu a ajuda e força económica da China como “uma oportunidade” para revitalizar Hong Kong, numa altura em que o preço das habitações é incomportável para os residentes e a competitividade internacional do território diminuiu. “Criar deliberadamente divergências políticas e provocar a confrontação não vai resolver os problemas. Pelo contrário, só vai impedir gravemente o desenvolvimento económico e social de Hong Kong”, advertiu. Ontem, o Presidente chinês terminou a sua visita de três dias a Hong Kong, com uma inspecção aos trabalhos da futura ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai, indicou a Rádio Televisão de Hong Kong (RTHK). Este mega-projecto, que se prevê ser a maior travessia do mundo sobre o mar, tem registado derrapagens orçamentais e acidentes industriais e, no mês passado, o governo de Hong Kong anunciou que a empresa contratada para realizar testes de segurança ao betão usado na ponte apresentou mais de 200 resultados falsificados. Depois da visita à ponte, Xi dirigiu-se ao aeroporto de Chek Lap Kok, tendo deixado o território cerca da 13:00, a bordo de um avião da Air China.
XINHUA
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NOVA CHEFE DO EXECUTIVO EMPOSSADA
O Presidente chinês, Xi Jinping, empossou no sábado a nova chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, primeira mulher a exercer o cargo. Em seguida, os titulares dos principais cargos do governo prestaram juramento perante Carrie Lam, sob o olhar do Presidente da China. Mais de dois mil convidados assistiram à cerimónia de investidura do quinto executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong desde transferência de soberania do Reino Unido para a China, em Julho de 1997. O chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, estava entre os convidados oficiais. Durante a manhã, decorreu a cerimónia do hastear das bandeiras da China e de Hong Kong, a marcar o 20.º aniversário da transferência, na praça Bauhinia, no centro da cidade.
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NOVOS ACORDOS ECONÓMICOS E CULTURAIS
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PRESIDENTE INSPECCIONA GUARNIÇÃO DO ELP
O presidente chinês Xi Jinping inspecionou na sexta-feira a guarnição do Exército de Libertação Popular (ELP) na Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK) no quartel de Shek Kong, na véspera do 20º aniversário do retorno de Hong Kong à China. Xi, também secretário-geral do Comité Central do Partido Comunista da China e presidente da Comissão Militar Central, analisou as tropas com a companhia de Tan Benhong, comandante da Guarnição do ELP na RAEHK. Mais de 3100 oficiais e soldados participaram da actividade e mais de 100 equipamentos militares, incluindo mísseis de defesa aérea e helicópteros, foram exibidos. Cerca de quatro mil espectadores de todos os sectores da sociedade em Hong Kong compareceram como espectadores.
EQUIM e Hong Kong assinaram este fim de semana acordos sobre investimento e cooperação económica e técnica (Ecotech) no marco do Acordo de Parceria Económica entre a Parte Continental e Hong Kong (CEPA, em inglês). Segundo o acordo de investimento, a parte continental está comprometida a oferecer tratamento mais favorável a Hong Kong. Hong Kong também pode gozar de tratamento preferencial nos sectores de carga marítima, produção de aviões e exploração de energia. O acordo sobre Ecotech assinala especialmente o apoio da parte continental a Hong Kong na participação da iniciativa Uma Faixa, uma Rota. O presidente Xi também participou da cerimónia de assinatura de um acordo de cooperação para o desenvolvimento do Museu do Palácio de Hong Kong. Segundo o acordo, a cooperação estende-se a áreas como a exibição de relíquias, formação de pessoal e trocas de pessoas. Assim, a colecção de obras de arte do Museu do Palácio será exibida no Museu do Palácio de Hong Kong. Xi mostrou grande interesse no desenvolvimento cultural e artístico de Hong Kong, e foi informado sobre o planeamento do Distrito Cultural de Kowloon Ocidental e sobre a selecção e construção do local do Museu do Palácio de Hong Kong. “O distrito não apenas oferecerá aos residentes locais um conveniente local cultural e de entretenimento, mas também favorecerá o desenvolvimento da indústria cultural e de inovação na RAEHK”, assinalou Xi. O presidente disse esperar que a RAEHK possa “impulsionar a cultura tradicional, desempenhar seu papel como uma plataforma que facilite as trocas culturais entre a China e o Ocidente e promover os intercâmbios e a cooperação culturais com a parte continental”. Xi também assistiu a algumas selecções de ópera cantonense interpretadas por crianças. O presidente comentou que as formas de cultura tradicional, incluindo a ópera cantonense, apresentam novas oportunidades de desenvolvimento depois do retorno de Hong Kong à pátria. O presidente chinês incentivou ainda os actores de Hong Kong e da parte continental a realizar mais trocas e aprender uns com os outros.
Ameaça ou disparate? MNE chinês desvaloriza Declaração Conjunta
Xi Jinping disse que o princípio “Um País, Dois Sistemas” é para continuar, mas dias antes o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros defendeu que a Declaração Conjunta Sino-Britânica não passa de um documento histórico sem importância prática. Analistas dizem que se trata de um “non sense jurídico”, que colocaria em causa, de imediato, o segundo sistema
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ODE um porta-voz, em representação do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), fazer declarações que aparentam ser uma contradição ao discurso do presidente do mesmo país? Quando da visita a Hong Kong, o presidente chinês, Xi Jinping, foi claro quanto à continuação da política “Um País, Dois Sistemas” no território, tendo defendido que esta tem de continuar a ser aplicada “com firmeza”. “Qualquer tentativa que ponha em perigo a soberania e segurança da China, desafie o poder do Governo central e a autoridade da Lei Básica de Hong Kong (...) é absolutamente inadmissível”, declarou. Contudo, na quinta-feira, Lu Kang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, adiantou, segundo a Reuters, que a Declaração Conjunta assinada com o Reino Unido em 1984 é um documento histórico, já sem significado na prática. “Agora que Hong Kong regressou à mãe-pátria ao fim de 20 anos, a Declaração Conjunta Sino-Britânica, como documento histórico, já não tem significado prático. O Reino Unido não tem soberania e não tem poder para supervisionar os destinos de Hong Kong depois da transferência de soberania”, referiu o porta-voz. Para o académico Arnaldo Gonçalves, estamos perante um “non sense jurídico”, revelando “desconhecimento dos mecanismos do Direito internacional”. As consequências para Hong Kong e para Macau seriam imediatas. “Se fosse como o porta-voz declarou, o pedido de garantia dos 50 anos [da implementação da Lei Básica] poderia ser abreviado a qualquer momento, o segundo sistema seria anulado e o regime socialista que impera no continente seria aplicado a Hong Kong, e por extensão a Macau”, lembrou ao HM. Arnaldo Gonçalves aponta ainda que nem Chui Sai On nem
Carrie Lam poderiam desempenhar o cargo de Chefe do Executivo das duas regiões administrativas especiais, por não serem militantes do Partido Comunista Chinês. Se a Declaração Conjunta não tivesse, de facto, importância nos dias de hoje, “significaria que os direitos, liberdades e garantias que as duas regiões usufruem poderiam ser abortadas”. Além disso, “qualquer contestação ao Governo Central seria tratada como sedição”. A China, um dos signatários do documento, teria ainda o direito de “fazer os mecanismos da Carta das Nações Unidas em matéria de violação dos tratados e de aplicar sanções, que podem ir da chamada do representante diplomático em Pequim para consultas, à expulsão do embaixador da RPC em Londres”, lembrou o especialista em Relações Internacionais.
O FOCO EM “UM PAÍS”
Para Eric Sautedé, especialista em ciência política, as declarações de Xi Jinping e do MNE chinês “não são necessariamente uma contradição”, mas sim sinais de uma tentativa de colocar o foco num dos países signatários da Declaração Conjunta. “Acredito que Pequim está a tentar minimizar a importância do documento e, em particular, da sua natureza, ao ser um tratado internacional assinado por duas partes”, defendeu ao HM. “Vários países, como os Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e a própria União Europeia
têm expressado preocupação face a uma certa rigidez de Pequim quanto ao desenvolvimento democrático de Hong Kong. E esta é uma forma de indicar que esta se trata de uma questão meramente interna e que não cabe aos ‘interesses externos’ intrometer-se nesta matéria. Não contradiz a política ‘Um País, Dois Sistemas’, mas dá ênfase a ‘Um País’”, acrescentou Eric Sautedé.
TEMA “PREOCUPANTE”
O académico, actualmente a residir em Hong Kong, afirma que este é um assunto “preocupante” mas que não surpreende, “tendo em conta o contexto da China nos dias de hoje sob a liderança de Xi Jinping”. Do lado do Reino Unido as reacções têm sido constantes. Boris Johnson, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, reagiu a estas declarações, tendo dito que espera que Hong Kong possa ser um território com mais democracia. Chris Patten, o último governador nomeado pelo Governo britânico, expressou semelhantes desejos nas vários entrevistas que concedeu nos últimos dias.Ao diário The Guardian, garantiu que “deveria ter feito mais” pela continuação da democracia do território antes da sua entrega à China. Portugal ainda não reagiu às declarações do MNE chinês mas, por causa de Macau, também é parte interessada nesta matéria. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
GRANDE PLANO
Milhares de pessoas juntaram-se no Victoria Park para mostrar que não lutam apenas pelo sufrágio universal. Nas ruas viram-se cartazes a apelar à libertação de Liu Xiaobo, Nobel da Paz, sem esquecer a necessidade de uma maior garantia dos direitos humanos e melhor distribuição da riqueza
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M pai a segurar o carrinho da filha que não conseguiu ter lugar num jardim-de-infância. Ambos têm ascendência indiana, mas assumem-se como naturais de Hong Kong. Uma criança com menos de dez anos que veste uma t-shirt que diz “Fight for Hong Kong” (lutar por Hong Kong). Uma mulher que segura um cartaz a pedir a protecção da ilha de Lantau contra o investimento chinês. O protesto realizado no vigésimo aniversário da transferência de soberania de Hong Kong para a China teve várias vozes e diferentes rostos. Foram defendidos os ideais da democracia e do sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo, mas nas ruas houve outros pedidos que provam que, afinal, não está tudo bem no território.
HK 20 ANOS
PROTESTO PEDE DIREITOS HUMANOS, DEMOCRACIA E LIBERDADE PARA LIU
“NÃO QUEREMOS
Quem participou no protesto de sábado está longe de concordar com o discurso oficial de Xi Jinping, que defendeu uma implementação bem sucedida da política “Um País, Dois Sistemas” nos últimos 20 anos. Para Griffith Jones, membro do partido Socialist Action, a desigualdade social nunca foi tão gritante. Britânico, a viver em Hong Kong há 21 anos, Jones tece duras críticas à actual situação social e política que se vive em Hong Kong. “Temos visto uma grande quebra do respeito pelos direitos humanos nos últimos anos. Não somos localistas, não temos ilusões de que as coisas vão ficar melhores. A liberdade de expressão tem sofrido muitos ataques”, disse ao HM. Em Causeway Bay, os cartazes do Socialist Action chamavam a atenção para a necessidade de salários mais justos para todos, sem discriminação. Griffith Scott alertou que, em Hong Kong, um cidadão demora 20 anos a poupar dinheiro para a entrada de uma casa. “As possibilidades de termos um emprego estável, com bom salário, estão a diminuir. O sistema político tem sido dominado pelos grandes investidores do mercado imobiliário, com ligação ao próprio Executivo. Nos últimos 20 anos aconteceu exactamente o contrário daquilo que Xi Jinping disse, porque a protecção e a existência de relações próximas entre o Governo e esses investidores não mudou. Tudo está pior”, disse, desiludido. Hong Kong é, aos seus olhos, uma sociedade marcada pela discrepância. “Estamos a transformarmo-nos numa das sociedades mais desiguais do mundo. A liderança chinesa gosta de Hong Kong porque existe esta desigualdade, onde os ricos controlam tudo”, acrescentou o membro do partido.
JOSHUA DE REGRESSO
O protesto partiu do Victoria Park quando passavam poucos minutos das três da tarde. Uma hora antes, já a saída do metro, em Causeway Bay, estava totalmente congestionada, com a polícia a tentar manter a ordem. Joshua Wong, que foi colocado em liberdade na noite anterior, após a detenção de quarta-feira,
SOFIA MARGARIDA MOTA
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subiu ao palanque e atraiu multidões. Adultos e até crianças, ajudados pelos pais, passavam e iam deixando notas de 200 e 500 dólares de Hong Kong na caixa de donativos do partido que fundou, o Demosisto. Idosos agarravam as suas mãos, como se a democracia de Hong Kong dependesse exclusivamente da sua acção. Ao HM, Isaac Cheng, um dos membros do partido, defendeu que a detenção do líder dos localistas “não teve razão de ser” e deixou um recado a Xi Jinping: “as pessoas de Hong Kong são racionais, só queremos lutar por um sistema mais democrático, em vez de ouvirmos apenas os líderes
“Estamos a transformarmo-nos numa das sociedades mais desiguais do mundo. A liderança chinesa gosta de Hong Kong porque existe esta desigualdade, onde os ricos controlam tudo” GRIFFTITH SCOTT RESIDENTE
de Pequim. Somos racionais o suficiente”. As afirmações foram feitas em respostas às declarações do presidente, no dia anterior, em que apelava a mais racionalidade para a resolução dos problemas locais. Apesar do fracasso do movimento dos guarda-chuvas, em 2014, e da saída de dois deputados do LegCo (depois de terem ganho as eleições), não se notou uma diminuição da influência dos localistas no protesto de sábado. Ainda assim, Griffith Jones acredita que o grupo tem uma certa “imaturidade política” de quem poderia ter sido mais influente, mas que deitou tudo a perder. “Isso resultou nalguma frustração. Mas
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XIAOBO, ENTRE OUTRAS COISAS
SER MACAU” A CHINA E A BANDEIRA DE TAIWAN
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meio do percurso surgiram dois grupos pró-China que, junto ao passeio, atiraram palavras de ataque aos milhares que seguiam na estrada. Jenny, nascida em Macau, foi para Hong Kong muito jovem. Hoje, acredita que a China não deve ser deixada de lado, porque a integração regional é fundamental. “A China é um importante aliado”, disse ao HM. Sobre os outros, disse apenas: “estão a ser influenciados pelos americanos”. No meio do protesto foram empenhadas várias bandeiras de Taiwan.
OS SAUDOSISTAS PRÉ-1997
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s bandeiras do Reino Unido voltaram a ver-se 20 anos depois da transferência de soberania. Steven, com apenas 28 anos, referiu ao HM que o período da administração inglesa do território foi bem melhor do que o actual Executivo. Um cartaz estendido no chão chamava a atenção para o 119º aniversário da extensão da administração inglesa à zona dos Novos Territórios, enquanto apontava que o Governo Central não tem respeitado a Declaração Conjunta. Mais à frente, duas raparigas chinesas levavam duas pequenas bandeiras inglesas nas mãos.
o mais importante, além desse comportamento algo infantil, foi o número de votos que obtiveram no seu distrito, o que mostra a vontade de muitas pessoas.”
“NÃO QUEREMOS SER MACAU”
Todos os grupos que participaram no protesto de sábado vendiam t-shirts e guarda-chuvas com fortes mensagens políticas. Todos eles aproveitavam para recolher dinheiro das pessoas que passavam, para garantir o seu próprio financiamento. Um membro do partido People Power gritava, de microfone em punho, que Xi Jinping não passa de um “grande, grande mentiroso”. Para ele, “o Governo chinês do-
mina Macau e mudou o território em quase tudo. Por isso é que não queremos que Hong Kong seja como Macau no futuro”, frisou. Em Hong Kong há quem lute pela independência, enquanto outros querem que tudo fique como está, mas com a plena garantia da autonomia do território face à China, tal qual ficou decidido aquando da assinatura da Declaração Conjunta, em 1985. Raymond Chan Chi-chen, deputado do Conselho Legislativo (LegCo) pelo People Power, deixou isso bem claro. “Nós não queremos a independência, queremos sim mais autonomia”, disse ao HM. “Não tenho expectativas quanto ao novo mandato de Carrie
Lam, porque não vai fazer nada que vá contra aquilo que o Governo Central quer.” A liberdade está ameaçada e, de acordo com Raymond Chan Chi-chen, a situação tem vindo a piorar. “Xi Jinping disse que a situação de Hong Kong é hoje melhor do que há 20 anos, mas não é isso que nós pensamos. A liberdade das pessoas diminuiu muito com o governo de CY Leung. Queremos uma autonomia plena, genuína. Nos últimos anos os valores básicos de Hong Kong foram quebrados”, apontou ainda.
O NOBEL E A LIBERTAÇÃO
Em Victoria Park, Jim Kuok protestou ao lado do grupo que pedia
NOVE ACTIVISTAS DETIDOS E LIBERTADOS
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“Xi Jinping disse que a situação de Hong Kong é hoje melhor do que há 20 anos, mas não é isso que nós pensamos. A liberdade das pessoas diminuiu muito com o governo de CY Leung” RAYMOND CHAN DEPUTADO DO PARTIDO PEOPLE POWER a libertação do Nobel da Paz, Liu Xiaobo. Enquanto ajudava a levar um enorme cartaz preto, Jim, de 70 anos, disse gostar de Hong Kong e, por isso, estar ali para defender a liberdade. Os cartazes com os rostos de Liu Xiaobo e a esposa foram, aliás, uma constante ao longo do percurso, que só terminou junto ao LegCo. Lam Wing-kee, um dos cinco livreiros que, em 2015, desapareceram em condições misteriosas, usou da palavra no Victoria Park para pedir a liberdade de Liu Xiaobo, tendo apelado aos manifestantes para não desistirem de lutar pela democracia. A Civil Human Rigthts Front [Frente Civil dos Direitos Humanos], que todos os anos organiza o protesto, estimou o número de participantes em mais de 60.000, enquanto a polícia referiu 14.500, segundo a imprensa local. Os números foram inferiores aos do ano passado, com a organização a estimar cerca de 110.000 participantes e a polícia 19.300. À medida que o protesto começava, vários grupos de empregadas domésticas da Indonésia gozavam o seu dia de folga nas ruas, como é habitual. Não quiseram comentar o protesto que acontecia mesmo ali ao lado, como se fizessem parte de outro mundo. Andreia Sofia Silva e Sofia Margarida Mota (com Lusa) Info@hojemacau.com.mo
ELO menos nove activistas pró-democracia de Hong Kong foram hoje detidos após confrontos com manifestantes pró-China, no centro da cidade, onde decorrem as cerimónias do 20.º aniversário da transferência de soberania. Joshua Wong, líder pró-democracia e dos protestos de 2014, foi detido pela segunda vez esta semana, indicou a agência noticiosa espanhola Efe. Na quarta-feira, Wong tinha sido detido, juntamente com 25 ativistas, durante uma concentração realizada na praça Bauhinia, no centro da cidade. No sábado, Wong voltou a ser detido, juntamente com quatro membros do partido que lidera, Demosisto, e cinco elementos da Liga dos Sociais-Democratas de Hong Kong, disseram fontes do Demosisto. As detenções aconteceram quando os activistas se preparavam para iniciar uma marcha até ao centro de convenções de Hong Kong, onde decorreram as comemorações do 20.º aniversário da transferência de soberania do Reino Unido para a China, com a presença do Presidente chinês, Xi Jinping. Ao local onde se concentraram os militantes pró-democracia chegaram centenas de manifestantes pró-China, com bandeiras do país, que rodearam os activistas. De acordo com testemunhas, um manifestante pró-China destruiu um dos cartazes do grupo pró-democracia, o que deu início aos confrontos. Depois de alguns minutos, a polícia efectuou as detenções de pelo menos nove activistas pró-democracia que foram conduzidos para os veículos policiais. Wong foi algemado, acrescentou a EfE. Não há indicação de detenções entre os activistas pró-China. Contudo, os activistas foram quase de imediato libertados, estando presentes na manifestação de Vitoria Park.
6 POLÍTICA
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Um país, dois sistemas EM MACAU TODOS A FAVOR DO PRINCÍPIO QUE FUNDA AS REGIÕES ESPECIAIS
O princípio do melhor dos mundos Por Macau as reacções ao discurso de Xi Jinping que abordou a política “Um País, Dois Sistemas” vieram de vários sectores. Dos operários aos jovens passando por deputados e pela Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, a ideia é constante. A política beneficia o território e cabe aos residentes unirem-se para que seja bem-sucedida
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“
discurso do presidente Xi Jinping reflecte o futuro da política “um país, dois sistemas em Macau”, disse o deputado Ho Ion Sang ao Jornal do Cidadão. Porque, para ele, é preciso não esquecer a ligação, tanto do território como de Hong Kong, à pátria. Na prática, o sucesso desta política é, para o deputado, visível. Prova disso é o reconhecimento internacional. “Nos 20 anos da transferência de administração de Hong Kong e nos 18 anos de Macau, a implementação de “um país, dois sistemas, tem tido resultados reconhecidos pelo mundo”, sublinha Ho Ion Sang. No entanto, para que a política continue a dar frutos é necessário que a população se mantenha unida. “Os conflitos e os problemas são inevitáveis com o desenvolvimento local e, como tal, para que a política tenha continuidade, é fundamental a união dos residentes”, diz. Já o membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Ho Teng Iat considera que o discurso de Xi em Hong Kong serve de orien-
“Dentro desta política não devem ser utilizados os regimes das regiões administrativas especiais para contrariar o regime do país. Estes não são actos de amor à pátria”, remata.
OPERÁRIOS E MORADORES
tação para Macau. Tal como Ho Ion Sang, Ho Teng Iat acha que o desenvolvimento é fonte de conflitos. No entanto, vai mais longe: “é inevitável o confronto com a implementação da política “um país, dois sistemas”. A solução vai no sentido da união, aponta ao jornal Ou Mun.
BOAS RELAÇÕES
As vantagens inerentes ao segundo sistema, dentro da
política “um país, dois sistemas”, são o destaque de Leng Tiexun, coordenador do Centro de Estudos de “um país, dois sistemas” do Instituto Politécnico de Macau. Para o académico, em declarações ao jornal Ou Mun, “o sucesso da implementação desta política depende ainda da existência de um país e do aproveitamento das vantagens do segundo
Creditações precisam-se Ng Kuok Cheong alerta para atrasos na elaboração dos regimes
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deputado Ng Kuok Cheong interpelou o Governo sobre a necessidade de maior rapidez na elaboração dos regimes de credenciação de diversas profissões, para que a ascensão profissional dos jovens seja mais fácil. Numa interpelação escrita, o deputado entende que a formação das novas gerações melhorou graças à política de 15 anos de escolaridade gratuita implementada pelo Executivo. No entanto, Ng Kuok Cheong lembra que muitas pessoas acabam por nunca ter oportunidades de subir na carreira, porque o Governo demora muito tempo a elaborar
e a implementar regimes de credenciação. O deputado fala do exemplo da área do serviço social. “O regime de credenciação dos assistentes sociais está na fase de estudo e de consulta pública há muitos anos, mas os departamentos públicos garantem que só este ano é que haverá seguimento sobre essa matéria. Contudo, até esta fase ainda não há qualquer definição”, escreveu. Nesse contexto, o deputado pró-democrata considera que o Executivo
sistema”. O segredo para o sucesso, aponta está nas boas relações entre pátria e regiões administrativas especiais. Leng Tiexun não deixa de sublinhar que é fundamental “insistir no princípio de um país, quando a sua soberania estiver em causa”. A referência teve como mote os recentes casos de Hong Kong em que há quem apele à independência.
Já os Operários consideram que o discurso de Xi deve servir de incentivo aos residentes de Macau, sendo que, sublinha a vice-presidente da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) Fong Ka Fai, “é necessário ter Hong Kong como referência e, acima de tudo, é ter em atenção o bem-estar da população”. Fong Ka Fai aproveita a ocasião para apelar a mais apoios aos jovens no sentido de “incentivar os mais novos a partilhar e implementar as estratégias nacionais”. Os Kaifong, através da presidente Ng Siu Lai, não têm dúvidas, “Hong Kong e Macau tiveram um desenvolvimento significativo após a transferência de administração o que significa o sucesso da implementação da política em causa”, diz à mesma fonte. Ainda assim, Ng Siu Lai considera necessário fazer um balanço dos últimos anos
deve dar explicações sobre o ponto de situação desse dossier, questionando a possibilidade de eleger os membros do conselho profissional dos assistentes sociais pela via directa. Ng Kuok Cheong deseja saber se, até ao final deste ano, haverá novidades sobre este assunto. O deputado critica ainda a ausência de notícias sobre a promessa de realização de uma consulta pública sobre o regime jurídico de qualificações nos domínios da construção urbana e do urbanismo, que está em vigor há dois anos. No âmbito do regime de credenciação de outras áreas, Ng Kuok Cheong pede também o respectivo ponto de situação.
de modo a poder planear melhor o futuro. “Esta é uma política que traz consigo vários desafios, mas com a colaboração de todos esta é a política que permitirá resolver os problemas do território. Em causa afirma, estão as dificuldades na habitação, nos transportes e na renovação urbana.
OS MAIS NOVOS
A directora da Associação Geral de Estudantes Chong Wa, Lei Siu Chou e Chao Veng Hou, responsável pela Associação Nova Juventude Chinesa consideram que “Um País, Dois Sistemas”, são uma fonte de oportunidades para os jovens de Macau. “A sociedade deve continuar com esta prática, e deve aproveitar as oportunidades que traz, diz Lei enquanto alerta para “eventuais perigos que possam aparecer, sobretudo de foro económico e político, sendo que a população não deve cegar com as vantagens desta política”. Já Chao afirma que “esta não é só uma direcção no desenvolvimento futuro de Macau, também dá directrizes ao planeamento da vida profissional dos jovens locais.
BRANQUEAMENTO E TERRORISMO MACAU ACOLHE SESSÃO DO GRUPO EGMONT
Decorre até 7 de Julho a 24ª sessão plenária do Grupo de Egmont, que é organizada pelo Gabinete de Informação Financeira (GIF). Segundo um comunicado, mais de 350 delegados oriundos de mais de 110 unidades de informação financeiras, representantes de organizações internacionais e observadores estão presentes. Os temas discutidos estão relacionados com o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo, sendo que os participantes vão “partilhar as suas experiências”. O Grupo de Egmont foi criado em 1995 e reúne unidades de informação financeira de todo o mundo, que são especializadas em “análise de informação financeira e transacções suspeitas para apoiar a investigação de crimes financeiros, bem como outros tipos de crime”. O GIF faz parte do Grupo de Egmont desde 2009, tendo assinado já 19 acordos de cooperação com outras unidades de informação financeira.
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POLÍTICA
Felizes juntos
Chui Sai On teve encontro líderes de Guangdong
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Grande Baía CHUI SAI ON EM HONG KONG PARA SELAR ACORDO
Integração à vista
Chui Sai On esteve presente no fórum que serviu para a assinatura de um acordo-quadro para o desenvolvimento do projecto da Grande Baía GuangdongHong Kong-Macau, ao lado de Carrie Lam e do presidente Xi Jinping
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O dia em que o novo Executivo de Hong Kong tomou posse, foi assinado um novo acordo que promete fomentar o desenvolvimento do projecto de integração regional Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. Ao lado de Carrie Lam, Chefe do Executivo de Hong Kong, e de Xi Jinping, presidente chinês, Chui Sai On, Chefe do Executivo da RAEM, testemunhou a assinatura de um acordo firmado pelo director da Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Reforma, He Lifeng, bem como pelo governador da província de Guangdong, Ma Xingrui. No seu discurso, Chui Sai On enumerou quatro “trabalhos prioritários a desenvolver pela RAEM”, que se centram “na iniciativa que visa o reforço da comunicação com o Governo Central”, para que haja “uma melhor integração de Macau no desenvolvimento nacional”. O Executivo local quer ainda fomentar “o empenho na construção de Macau”, com vista à diversificação económica e a participação na política “Uma Faixa, Uma Rota”.
Chui Sai On disse ainda que deseja “um aprofundamento da integração de Macau no desenvolvimento de Guangdong e de Hong Kong”. “Persistimos na complementaridade de vantagens e na cooperação para alcançar benefícios mútuos”, referiu ainda. O Chefe do Executivo disse ainda no fórum, realizado em Hong Kong, que pretende que haja uma “utilização activa dos recursos de todas as partes”.
VEM AÍ O DESENVOLVIMENTO
Na visão do Chefe do Executivo de Macau, o projecto da Grande Baía “irá facultar maiores oportunidades de desenvolvimento” e “elevar a sensação de felicidade das populações”,
“Persistimos na complementaridade de vantagens e na cooperação para alcançar benefícios mútuos” CHUI SAI ON CHEFE DO EXECUTIVO
sem esquecer a existência de uma “ampla e intensa cooperação nos vários domínios”. São eles a “construção de infra-estruturas”, uma aposta na economia, comércio, tecnologia e inovação, sem esquecer “a boa qualidade de vida e a cooperação internacional”, acrescentou Chui Sai On. Para o Chefe do Governo, o projecto da Grande Baía será “uma zona piloto de desenvolvimento integrado entre o Interior da China, Hong Kong e Macau”, bem como “uma região metropolitana de nível mundial, com condições ideais de vida, de trabalho e para viajar”. Ainda assim, Chui Sai On deixou bem claro que o objectivo é o “prosseguimento da grande causa ‘Um País, Dois Sistemas”. O fórum contou com a presença de 300 convidados, incluindo CY Leung, ex-Chefe do Executivo de Hong Kong que assumiu o cargo de vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. A delegação de Macau contou com a presença do secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, bem como de outras personalidades do Governo. HM
Chefe do Executivo, Chui Sai On, teve ontem um encontro com o secretário do Comité Provincial de Guangdong do Partido Comunista Chinês (PCC), Hu Chunhua, e o governador de Guangdong, Ma Xingrui, em Santa Sancha, no qual fizeram um balanço sobre a cooperação entre Guangdong e Macau e trocaram opiniões para a implementação do «Acordo-Quadro para o reforço da cooperação Guangdong – Hong Kong – Macau e promoção da construção da Grande Baía». Chui Sai On, dirigindo-se a Hu Chunhua, referiu que, desde o estabelecimento da RAEM, Guangdong, “uma província irmã importante, tem sido uma âncora forte para o desenvolvimento de Macau”, facto que se reflecte, particularmente, “na cooperação bilateral em termos de abastecimento de água, energia eléctrica e produtos alimentares, bens essenciais para a população”. Por sua vez, Hu Chunhua sublinhou a enorme satisfação pelo presidente Xi Jinping ter testemunhado, em Hong Kong, a celebração do «Acordo-Quadro para o reforço da cooperação Guangdong – Hong Kong – Macau e promoção da construção da Grande Baía» assinado pela Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Reforma,
governos de Guangdong, Hong Kong e Macau. Hu lembrou que tanto o presidente do país como o relatório de trabalho do Governo Central salientaram claramente a necessidade de promover a construção da Grande Baía e, por isso, esta sua deslocação ao território tem o objectivo de negociar com a RAEM a aplicação do Acordo-Quadro sobre esta matéria. Hu disse ainda esperar que os trabalhos relativos à construção da Grande Baía sejam bem executados, por forma a concretizar em conjunto as políticas do Governo Central e, através da qual, impulsionar o desenvolvimento destas três regiões. Entretanto, Chui Sai On afirmou que o desenvolvimento da Grande Baía desperta uma atenção geral e, por isso, o governo irá fundir a cooperação Guangdong-Macau com a construção da Grande Baía, bem como manter uma comunicação com os governos de Guangdong e Hong Kong e a Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Reforma, com a finalidade de concretizarem juntos os diversos trabalhos no âmbito da construção da Grande Baía e torná-la numa zona económica dinâmica e num sítio com condições de vida de excelência.
DADOS PESSOAIS FONG NA HORA DA DESPEDIDA
O ex-coordenador do Gabinete para a Protecção de Dados Pessoais coordenador do GPDP, Vasco Fong, deixou uma mensagem de despedida na página electrónica da entidade. Tendo apresentado o pedido de exoneração do cargo por motivos pessoais, o juiz regressou ao Tribunal de Segunda Instância. No último dia de trabalho no GPDP, Fong agradeceu ao Chefe do Executivo e aos colegas do gabinete. Escreveu ainda que acredita que, “sob a orientação do novo coordenador e com os esforços de todo o seu pessoal”, o GPDP poderá “continuar a assumir a tarefa da protecção dos dados pessoais e da privacidade”. A rematar, uma “frase inspiradora”: “A floresta não bloqueia o curso do rio e as nuvens voam acima da montanha mais alta”.
8 SOCIEDADE
hoje macau segunda-feira 3.7.2017
JOGO E VÃO 11 SEMPRE A SUBIR
O
S casinos de Macau fecharam o mês de Junho com receitas de 19,994 mil milhões de patacas, um aumento de 25,9 por cento face ao período homólogo do ano passado. Segundo dados publicados pela Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, os casinos registaram no acumulado de Janeiro a Junho receitas de 126,377 mil milhões de patacas, mais 17,2 por cento face aos primeiros seis meses do ano passado. Junho marcou o 11.º mês consecutivo de subida das receitas da indústria do jogo. Além disso, registou o maior aumento anual em termos percentuais desde o início da recuperação das receitas dos casinos, ou seja, desde que Agosto do ano passado pôs termo a um ciclo de 26 meses de consecutivos de quedas anuais homólogas. Em 2017, as receitas mensais do jogo cresceram sempre a dois dígitos em termos homólogos, à excepção do primeiro mês do ano (+3,1 por cento), mas acima dos 20 por cento só em Maio (23,7 por cento) e agora em Junho (25,9 por cento). Não obstante, Junho teve o segundo pior desempenho em termos de receita bruta, a seguir a Janeiro. O melhor mês desde o início do ano foi Fevereiro, com 22,991 mil milhões de patacas. Apesar da recuperação da indústria, as receitas dos casinos caíram pelo terceiro ano consecutivo em 2016, registando uma queda de 3,3 por cento que se seguiu a uma descida de 34,3 por cento em 2015 e de 2,6 por cento em 2014.
ENSINO CHAN WAI CHI QUESTIONA NOVAS COMPETÊNCIAS ACADÉMICAS
O ex-deputado e candidato às eleições deste ano, Paul Chan Wai Chi, disse ao Jornal do Cidadão estar preocupado com a implementação das novas competências básicas para os alunos das escolas do ensino primário e secundário. Paul Chan Wai Chi, que é também docente, alertou para o aumento da burocracia para as escolas, uma vez que estas terão de submeter relatórios à Direcção dos Serviços de Educação e Juventude para que as disciplinas e cursos possam estar de acordo com as novas directrizes. O candidato do campo pró-democrata alerta para a perda de flexibilidade dos professores, em termos de método de ensino, sem esquecer a possível influência das antigas competências. Para Paul Chan Wai Chi, as novas competências básicas que escolas e alunos têm de cumprir, e que entram plenamente em vigor no ano lectivo de 2018/2019, não são necessárias nem urgentes.
Justiça DEFESA DE NG LAP SENG DIZ QUE EMPRESÁRIO ERA UM FILANTROPO
Aquela linha ténue
Foi enganado por pessoas que o denunciaram, depois de o extorquirem. Foi esta a teoria da defesa de Ng Lap Seng na sessão dedicada às alegações introdutórias. O empresário não subornou ninguém, disse o advogado, que garantiu em tribunal que o seu cliente não iria retirar qualquer lucro do centro da ONU em Macau
U
M “filantropo” incompreendido e traído. Foi assim que o advogado de Ng Lap Seng descreveu o seu cliente no início do julgamento do empresário de Macau. O arguido é acusado pela justiça norte-americana de ter subornado dois diplomatas das Nações Unidas para obter apoio para a construção de um centro de conferências no território. O julgamento de Ng Lap Seng arrancou na semana passada no tribunal federal de Manhattan, em Nova Iorque. A primeira sessão destinou-se o processo de selecção de jurados; a segunda serviu para as alegações introdutórias. “Ng Lap Seng queria fazer o bem”, disse o advogado de defesa do empresário, citado pelas agências internacionais de notícias. “Não havia qualquer intenção de corrupção na sua cabeça ou no seu coração”, vincou Tai Park. Desde o início do processo que o empresário de Macau, agora com 69 anos, tem insistido na inocência. Ao contrário de outros envolvidos neste megaprocesso, recusou duas transacções de culpa. É acusado de ter corrompido diplomatas da ONU com subornos de mais de 500 mil dólares norte-americanos, que terão sido recebidos por John Ashe – um em-
baixador de Antígua que chegou a ser presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas –, e Francis Lorenzo, um diplomata dominicano. John Ashe morreu sem chegar a ir a julgamento. Quanto a Lorenzo, será uma das testemunhas-chave da acusação: numa fase anterior do processo, aceitou admitir a culpa. A acusação insiste na teoria de que Ng Lap Seng pretendia construir um centro de conferências em Macau para ser utilizado por países em vias de desenvolvimento. Seria edificado sem qualquer custo num aterro, onde seriam também instalados um hotel e um complexo residencial e comercial.
LUCRO IMPOSSÍVEL
“Este caso é sobre os esforços do arguido para corromper as Nações Unidas e obter aquilo que desejava”, disse o procurador Doug Zolkind nas suas alegações introdutórias. “Se construísse este centro, ele sabia que não haveria limites ao quanto poderia lucrar.” Para a acusação, a questão não se resume, no entanto, ao lucro. O procurador falou da “carreira” que Ng Lap Seng pretendia fazer. “O arguido queria deixar a sua marca na China e no resto do mundo”, alegou. “Queria ser o homem que conseguiu um centro permanente
das Nações Unidas na China – seria este o seu legado.” O advogado de defesa tentou destruir esta teoria. Tai Park concedeu ser verdade o que a acusação diz em relação ao “legado”, mas acusou Lorenzo, Ashe e os seus parceiros de usarem essa vontade como forma enganosa de levarem o seu cliente a estabelecer uma “parceria público-privada”. O dinheiro que lhe foi pedido serviria para lançar as bases da estrutura onde as nações mais pobres poderiam trabalhar em questões como a pobreza e as alterações climáticas. “Isto não é corrupção”, sublinhou o defensor. “Nas Nações Unidas, nos Estados Unidos ou em Marte, isto não é corrupção. Chama-se filantropia.” Os alegados subornos, prosseguiu Tai Park, incluíram 200 mil dólares para um fundo de
“Nas Nações Unidas, nos Estados Unidos ou em Marte, isto não é corrupção. Chama-se filantropia.” TAI PARK, ADVOGADO DE NG LAP SENG
apoio à presidência da Assembleia Geral da ONU ao tempo de John Ashe e um salário mensal de 20 mil dólares pago a Lorenzo, para dirigir uma publicação. No fim, referiu, extorquiram Ng Lap Seng e denunciaram-no quando o FBI avançou com a acusação de corrupção. Park rebateu ainda o argumento do lucro que o empresário de Macau conseguiria obter, ao explicar aos jurados que o tempo que leva a construção de um centro de conferências e respectivo complexo num terreno a reclamar ao mar não permitiria ao seu cliente retirar lucros deste projecto. “Se conseguisse amortizar os custos antes de morrer, seria um homem com sorte.” Ng Lap Seng foi detido em Setembro de 2015 depois de ter feito várias viagens para os Estados Unidos. Levou com ele somas elevadas de dinheiro, tendo dito que os montantes se destinavam ao jogo, à aquisição de obras de arte e a obras de renovação de uma casa em Old Brookville, detida por um homem que as autoridades norte-americanas acreditam ser de um agente dos serviços secretos chineses. O julgamento deverá demorar entre quatro a seis semanas. HM
9 hoje macau segunda-feira 3.7.2017
Ensino MAIS CONHECIMENTO DA CHINA É IMPORTANTE MAS NÃO CHEGA
Amor ao mundo
O “amor pela pátria” já é parte do currículo das escolas do território. Mais conhecimento acerca da China é tido como fundamental para “intensificar o sentimento pelo país”, considera o subdirector da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Lou Pak Sang. A questão é, para Paul Pun, se este conhecimento chega e se está adaptado aos dias de hoje
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M maior conhecimento do país é fundamental, mas não chega. A ideia é deixada pelo director da Escola São João de Brito, Paul Pun, em reação às declarações do subdirector da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Lou Pak Sang, ao Jornal do Cidadão. De acordo com o responsável da DSEJ “o ‘amor pela pátria´ já está espalhado em todas as disciplinas, incluindo as de língua chinesa, de literatura chinesa, de geografia e de história”, sendo que, continua, “desta forma os alunos podem conhecer o seu
grandioso país, e intensificar o sentimento em relação à China”. Já para Paul Pun, a necessidade de ensino acerca da China é evidente. Em causa está se, nos dias de hoje, é suficiente. “É necessário que as crianças tenham o conhecimento básico acerca do seu país, da sua história, geografia e cultura. No entanto, o conhecimento do país não é suficiente. É necessário conhecer o mundo”, afirmou ao HM. Num mundo global, Paul Pun considera que a preparação desde pequeno deve ter em conta todo o contexto da actualidade. O responsável
pela escola que está sob a alçada da Cáritas Macau dá exemplos: “Para as crianças não falamos de problemas, mas temos de lhes dar uma perspectiva global: na Geografia, temos de saber onde estamos, onde Macau está, onde Macau está em relação à China, onde estão ambos em relação ao mundo”.
MACAU ESPECIAL
Macau é uma região com particularidades próprias, pelo que Paul Pun vai mais
HIGIENE ALIMENTAR IACM DETECTA 20 FALHAS
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Ó na primeira metade deste ano, o Centro de Segurança Alimentar detectou um total de 20 casos de equipamentos ou instalações de produção de alimentos que não atendiam aos requisitos de higiene. De acordo com um comunicado do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), foram tomadas medidas para restringir o fornecimento dos alimentos em causa e melhorar as condições higiénicas dos estabelecimentos. Além disso, foram emitidos 33 autos de notícia relativamente à venda e recolha de produtos provenientes de contrabando. O Centro de Segurança Alimentar promete continuar a combater as
actividades de contrabando de produtos alimentares, através da fiscalização e reforço da recolha e análise de informações. Entre Janeiro e Junho, o Centro de Segurança Alimentar fez cerca de 5400 inspecções a produtos alimentares e respectivos estabelecimentos, tendo recolhido mais de 1600 amostras. Foram encontradas anomalias em duas das amostras testadas, envolvendo o adicionamento ilegal de ácido bórico ou bórax e a presença de aditivos alimentares superiores aos limites permitidos. Os trabalhos de rotina da estrutura sob a alçada do IACM incluem inspecções aos estabelecimentos que
fornecem produtos alimentares em Macau, recolha de amostras de alimentos e acompanhamento, bem como análise de incidentes de segurança alimentar locais e do exterior. No que toca a casos ocorridos fora de Macau, foram emitidos 28 alertas ao sector alimentar. Quanto a casos de gastroenterite colectiva, o centro registou 15 no primeiro semestre do corrente ano. Após investigação e análise, concluiu-se que as causas foram principalmente de origem bacteriana, relacionada com processos deficientes de produção de alimentos: contaminação cruzada de alimentos cozidos e crus, e acondicionamento impróprio dos alimentos.
longe e, pensa, “é importante, na história, falar da história do território como parte da China, mas também falar da história quando Macau estava sob administração portuguesa e falar da história de Portugal”. A razão, aponta, é serem questões que se reflectem no presente. “Há que existir uma perspectiva mundial em todas as disciplinas escolares capaz de transmitir que vivemos todos juntos no mundo para que nos compreendamos melhor”, considera Paul Pun, sem que as disciplinas se limitem a um país ou região. Sofia Margarida Mota com Vitor Ng info@hojemacau.com.mo
ABATE DE MOTOCICLOS RESULTADOS SUPERAM AS EXPECTATIVAS
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AIS de 5700 proprietários candidataram-se ao apoio do Governo para abate de motociclos altamente poluentes, cujo prazo terminou na passada sexta-feira, indicou a Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA). O plano de apoio financeiro, delineado para “melhorar a qualidade do ar nas vias públicas”, destina-se a motociclos ou ciclomotores com motor a dois tempos e prevê a atribuição de 3500 patacas por cada veículo entregue para abate. Em comunicado, a DSPA informou ter recebido 5736 requerimentos, entre 15 de Fevereiro e 30 de Junho. A adesão
A Wynn Resorts voltou a dar o seu contributo financeiro à Loja Social da Santa Casa da Misericórdia (SCM). Segundo um comunicado, foram distribuídos cabazes alimentares a 360 famílias carenciadas no Sábado, sendo este o quinto donativo que a concessionária concede. Mais de 16 mil famílias já foram apoiadas por este projecto, sendo que a Wynn já doou um total de 1,4 milhões de patacas. A SCM explica que os casos que necessitam de apoio devem-se “ao agravamento das rendas e do preço dos géneros alimentares em Macau”.
“foi mais activa e positiva do que o previsto”, sublinhou o organismo. O Fundo de Protecção Ambiental e de Conservação Energética tem 75 dias, a partir da data da candidatura, para decidir sobre a concessão do apoio que, se aprovado, é pago no prazo de dois meses. No final do ano passado, 250.450 veículos circulavam nas estradas de Macau, mais de metade dos quais de duas rodas, segundo dados oficiais. Ainda na sexta-feira, entrou em vigor um novo regulamento administrativo que define valores-limite de emissão de gases de escape poluentes dos veículos em circulação e métodos de medição.
ESTALEIROS FECHADOS ATÉ TEREM CONDIÇÕES DE SEGURANÇA.
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SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DEU CABAZES A 360 FAMÍLIAS
SOCIEDADE
S estaleiros responsáveis pela construção do novo edifício do Ministério Público e do Grand Lisboa Palace estão paralisados. A ordem veio da Direcção dos Serviços para osAssuntos Laborais (DSAL) após as três mortes por acidente de trabalho que ocorreram, no mês passado, nestes locais. “Acredito que as obras suspensas serão o melhor castigo que as entidades em causa podem ter” , disse o subdirector da DSAL, Chan Un Tong, ao Jornal do Cidadão. Chan sublinhou ainda que os acidentes registados não são devido a negligência por parte do Executivo, visto que, considera, o Governo tem executados as devidas inspeções. No entanto, não deixa de admitir que há
margem para melhorias. “O Governo tem inspeccionado e caso haja espaço para melhoras, assim o fará”, disse. O responsável explicou ainda que antes da retoma dos trabalhos, os estaleiros vão ter de garantir que têm as condições de segurança previstas legalmente, sendo que, após as modificações que fizerem, serão alvo de um fiscalização por parte do Executivo. O objetivo, afirmou Chan, é a garantia de que os estaleiros têm condições de segurança. Relativamente ao estaleiro que tem a seu cargo a construção do edifício do Ministério Público, o subdirector da DSAL referiu que o processo, além de estar a ser tratado pela DSAL, está em análise em vários de paratamentos públicos.
10 Literatura GRANTA UNIFICADA COM EDIÇÃO SIMULTÂNEA EM PORTUGAL E NO BRASIL
EVENTOS
Textos de autores portugueses e brasileiros, escritos sem alterações à ortografia, numa revista que vai ser publicada em simultâneo dos dois lados do Atlântico. A Granta quer chegar a escritores de todo o universo lusófono
UMA REVISTA MA
A
revista literária Granta Portugal terá, a partir de 2018, uma edição única em língua portuguesa, publicada em simultâneo em Portugal e no Brasil pela Tinta-da-China, com textos de autores portugueses e brasileiros e sem alterações ortográficas. Em declarações à Lusa, a editora portuguesa Bárbara Bulhosa apresentou esta nova vida da revista, a “Granta unificada”, como “um projecto literário de língua portuguesa – de modo nenhum um
projecto português”, em que se manterão a periodicidade semestral e o director, o jornalista Carlos Vaz Marques. “Creio, aliás, que não há precedente e que será a primeira vez que teremos uma revista literária com edição simultânea em Portugal e no Brasil”, observou.
“Já como Granta Portugal dávamos uma atenção especial à literatura brasileira, tendo publicado autores brasileiros em três números diferentes, [e] queremos contribuir, deste modo, para uma aproximação entre todos aqueles que se interessam pela literatura no nosso idioma, independentemente
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA NUNCA É TARDE • Carlos Carneiro Num pachorrento almoço de domingo, um engenheiro reformado à beira de completar 70 anos surpreende o filho, viajante profissional, ao sugerir-lhe que façam juntos uma viagem. Depois de duas garrafas de vinho, estes dois homens, com concepções radicalmente distintas da vida e que o tempo se encarregou de afastar, decidem empreender a maior das aventuras: uma volta ao continente africano. Para tornar o desafio ainda mais complicado, escolhem como meio de transporte uma velha Renault 4L… Carlos Carneiro filho e Carlos Carneiro pai mal podem imaginar o que o futuro lhes reserva. Mas, depois de anos de separação, esta aventura de 40 mil quilómetros, com as suas adversidades e peripécias, irá torná-los mais próximos do que nunca.
do espaço geográfico de que provêm”, sublinhou. Se o modelo da revista sempre assentou em edições temáticas em que eram encomendados textos a diversos autores, a partir de 2018, o leque de autores será bastante mais alargado, indicou Bárbara Bulhosa.
“Com a edição simultânea no Brasil e em Portugal, passaremos a convidar a cada número escritores brasileiros e portugueses, enriquecendo em muito a diversidade e o interesse da revista. Estamos, aliás, interessados em autores de todo o mundo onde se fala
e escreve em língua portuguesa”, referiu.
OBJECTO DE COLECCIONADOR
Até agora, todos os textos da Granta têm sido sempre acompanhados por uma ilustração, com um ilustrador convidado em cada número, existindo também sempre um
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
UM POUCO MAIS DE FÉ • Patrícia Costa Dias Quando uma jovem se vê imersa num comportamento compulsivo totalmente fora de controlo, os pensamentos de suicídio instalam-se, misturados com uma veia cínica perante a sociedade. Ao ser apanhada em flagrante pela família, a opção da morte torna-se verdadeiramente clara. Afinal, como viver sem a máscara de «linda menina», de «boazinha», que todos pensavam que era? Como revelar não ser uma força da natureza, mas tão-só humana, com erros cometidos e segredos terríveis por revelar? Verídica e contada na primeira pessoa, Um Pouco Mais de Fé é uma história de sofrimento, fé e amor.
11
responsável pela afirmação de grandes nomes da literatura de língua inglesa, como Salman Rushdie, Julian Barnes ou Martin Amis, [e] cada número da revista é composto em idêntica proporção por textos originais e por textos traduzidos
“Passaremos a convidar a cada número escritores brasileiros e portugueses (...). Estamos, aliás, interessados em autores de todo o mundo onde se fala e escreve em língua portuguesa.” BÁRBARA BULHOSA, DIRECTORA EDITORIAL DA TINTA-DA-CHINA
‘portfolio’ fotográfico, traduzindo visualmente o tema de cada edição pela lente de um grande fotógrafo. A partir do número 11, anunciou a directora editorial da Tinta-da-China e Tinta-da-China Brasil, “a curadoria de imagem da Granta estará a cargo do fotógrafo Daniel Blaufuks, que já viveu no Brasil e acaba de ser distinguido em Portugal com o mais importante prémio para as artes visuais que é atribuído em Portugal, o prémio AICA”. “Estas duas particularidades visuais – a ilustração dos textos e o ‘portfolio’ fotográfico – dão à Granta um carácter único, tornando-a um objecto bonito e requintado, para coleccionar”, observou.
A Granta Portugal foi criada em 2013, com periodicidade semestral, e saíram até agora nove números, estando em preparação o décimo, que sairá em Outubro ainda apenas em Portugal, pelo que será o 11.º, programado para Maio de 2018, o primeiro com edição simultânea em Portugal e no Brasil. “Na altura em que surgiu a Granta Portugal, existia ainda uma edição brasileira da revista que, entretanto, deixou de ser publicada”, explicou a editora, acrescentando: “Está na altura de devolvermos a Granta aos leitores brasileiros, num projecto renovado, alargado, mais ambicioso e capaz de fazer pontes entre o Brasil e Portugal”. “Como marca literária internacional, a Granta foi
a partir de edições da Granta noutras línguas, em particular da Granta de língua inglesa, cujo património de décadas é extraordinário”, salientou. “Começámos a medo, comprometendo-nos a fazer apenas quatro números, para evitar que o projecto pudesse virar fracasso. O sucesso até a nós surpreendeu: venderam-se oito mil exemplares do primeiro número, um pouco menos daí para cá, mas muito acima das nossas melhores expectativas”, comentou Bárbara Bulhosa. Os cerca de mil assinantes que a revista tem em Portugal também ajudam a garantir a viabilidade do projecto, referiu a responsável, anunciando que “haverá também uma campanha de assinaturas no Brasil, oferecendo vantagens consideráveis a quem assinar a revista”.
EVENTOS GLP
AIS LONGE
hoje macau segunda-feira 3.7.2017
LIVROS YAO FENG FALA SOBRE AS IMAGENS NA POESIA CHINESA
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STÁ marcada para amanhã mais uma sessão de “Conversas sobre o livro”, uma iniciativa da Amigos do Livro em Macau que conta, desta feita, com a participação do poeta e tradutor Yao Feng. Sob o título “Voar como duas aves com umas únicas asas”, Yao Feng vai explicar como é que a poesia clássica chinesa explora e joga com as imagens
na expressão sentimental ou na descrição da realidade, visto que elas estão na base da linguagem poética e participam activamente na sua constituição, explica a organização. “Na poesia clássica chinesa, são exactamente as imagens justapostas que articulam os versos e despertam a associação emocional do leitor, daí poder-se dizer que
a expressão pela imagem é um recurso fundamental desta poesia”, indica a associação em comunicado. Yao Feng é o pseudónimo de Yao Jing Ming, poeta, tradutor e professor da Universidade de Macau. A sessão de amanhã começa às 18h30, na Fundação Rui Cunha.
PORTUGAL MUSEUS E MONUMENTOS VOLTAM A TER ENTRADA GRATUITA AOS DOMINGOS
A
S entradas nos museus, palácios e monumentos nacionais voltam a ser gratuitas aos domingos, a partir de ontem, até às 14:00, como tinha anunciado há um mês, no parlamento, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes. A medida fora suspensa pelo anterior governo, em 2014, altura em que as entradas passaram a ser gratuitas apenas no primeiro domingo de cada mês, durante todo o dia, tendo então a Direcção-Geral do Património Cultural criado um bilhete destinado às famílias numerosas. No parlamento, quando questionado sobre o regresso da gratuitidade, PUB
que estava a ser estudada, Luís Filipe Castro Mendes disse que se tratava de uma “medida emblemática para os portugueses conhecerem mais e melhor os museus”. Em Novembro do ano passado, foi aprovada na Assembleia da República, na especialidade, uma proposta do PCP de alteração da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2017, que determinava a reposição da gratuitidade da entrada nos museus e monumentos nacionais, nos domingos e feriados, até às 14:00, para todos os cidadãos residentes em território nacional.
12 CHINA
hoje macau segunda-feira 3.7.2017
Taiwan PEQUIM OPÕE-SE A VENDA DE ARMAS AMERICANAS
O fim da lua-de-mel Acabou oficialmente a lua-de-mel entre os presidentes Trump e Xi Jinping. O motivo é simples: os americanos acabam de vender armas a Taiwan no valor de muitos milhões
A
CHINA anunciou sexta-feira que se “opõe firmemente” à venda de armas pelos Estados Unidos à Taiwan. O Governo do Presidente Donald Trump autorizou a venda de armas por 1,3 mil milhões de dólares a Taipé, incluindo bombas guiadas, mísseis e torpedos, anunciou o Departamento de Defesa norte-americano na quinta-feira. A transacção também inclui actualizações de armas que Taiwan já possui, incluindo um radar de defesa aérea e um sistema de guerra electrónica. Pequim “protestou solenemente junto dos Estados Unidos”, sublinhou Lu Kang, um porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, durante uma conferência de imprensa diária. “Taiwan é uma parte indissociável do território chinês e nós nos opomos firmemente em relação a esta venda de armas”, acrescentou. A embaixada chinesa já havia reagido à questão, dizendo que a
venda de armas para Taiwan “vai prejudicar a confiança mútua e a cooperação entre a China e os Estados Unidos”. O Presidente chinês, Xi Jinping, encontrou-se em Abril com o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, na residência pessoal do bilionário republicano, na Florida. As relações bilaterais pareciam, desde então, ter reaquecido. Entretanto, a lua-de-mel não durou muito, especialmente porque Trump mudou o tom em relação à China, na quinta-feira, devido à questão nuclear norte-coreana.
Trump anunciou, pela primeira vez, sanções contra um banco chinês acusado por Washington de realizar actividades ilícitas com a Coreia do Norte, que desenvolve um programa nuclear e ameaça constantemente os Estados Unidos.
NOVAS ARMAS AMEAÇAM NAVIOS DOS EUA
Entretanto, num artigo para revista The National Interest, o especialista Kris Osborn afirma que a marinha norte-americana poderá ter problemas sérios devido ao desenvolvimento dos
mísseis hipersónicos. O perigo principal deriva dos porta-aviões se moverem muito lentamente. Osborn aponta para a existência de programas de países como a China, com o seu míssil DF-ZF, e a Rússia, que estão a desenvolver actualmente armamento hipersónico, e acrescenta que existe uma tendência notória e um interesse de outras nações em ostentar tecnologias hipersónicas. Por isso, a Força Aérea dos EUA está a acelerar os seus programas deste tipo de armas, com o objectivo de combater qualquer ameaça. De acordo com fontes militares citadas pelo especialista, enquanto que um míssil de cruzeiro voa a uma velocidade de 956 quilómetros por hora, as armas hipersónicas serão capazes de atingir velocidades de mais de Mach 5 (5 vezes a velocidade do som). Nesse sentido, os Estados Unidos progrediram há vários anos no desenvolvimento de aeronaves e mísseis hipersónicos, adiciona Osborn. Entre os novos armamentos, o analista destaca o X-51 Waverider, um míssil de cruzeiro hipersónico. Osborn também acrescenta, citando o chefe científico da Força Aérea dos EUA, Geoffrey Zacharias, que os voos não tripulados a velocidades hipersónicas poderiam ser uma realidade em 2030, e o seu uso múltiplo não será possível até pelo menos 2040. “Uma vez que os veículos hipersónicos podem viajar numa trajectória de voo do tipo parabólico, que se elevam muito alto na atmosfera para atingir velocidades hipersónicas antes de voltar a altitudes mais baixas, o desenvolvimento de aviões não tripulados recuperáveis é muito mais difícil dado o nível de autonomia necessário para os veículos hipersónicos na descida”, aponta o especialista. As vantagens de voo de um avião hipersônico não tripulado seriam principalmente a velocidade e o aumento do poder de destruição, concluiu Kris Osborn.
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Direcção dos Serviços de Identificação AVISO Assunto: Alteração do estado civil e dos dados de contacto Nos termos da lei, por mudança do estado civil, os residentes de Macau devem actualizar essa informação na DSI no prazo de 60 dias. Para além disso, deve ser procedida a actualização dos dados de contacto (ex: morada, telefone, etc), sempre que se verifique a alteração dessas informações. Para pormenores, queira visitar o site da DSI: www.dsi.gov.mo ou ligar para a linha de informação: 28370777.
TAIWAN ACADÉMICOS PELA PAZ
O chefe para os assuntos de Taiwan da parte continental da China Zhang Zhijun pediu neste sábado que os académicos da parte continental continuem a apoiar o desenvolvimento pacífico das relações através do Estreito e a reunificação pacífica da pátria. Zhang, chefe do Departamento dos Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado e do Departamento de Trabalho de Taiwan do Comité Central do Partido Comunista da China, fez as declarações ao pronunciar um discurso num simpósio realizado pelo Centro de Pesquisa de Relações através do Estreito. Zhang disse que actualmente as relações através do Estreito enfrentam uma “teimosia” porque o governo do Partido Democrático Progressista de Taiwan vai contra o Consenso 1992, que incorpora a base política para o desenvolvimento pacífico das relações através do Estreito. Enfatizando que 2017 marca o 30º aniversário do início das trocas no Estreito, Zhang disse que “nenhuma força deve dificultar o desejo comum dos compatriotas de ambos os lados do Estreito por trocas e cooperação”.
DIMINUIR BUROCRACIA, MELHORAR OS SERVIÇOS
O Conselho de Estado da China emitiu na sexta-feira um documento especificando as medidas para os departamentos governamentais simplificarem a administração, delegar poder e melhorar o regulamento e os serviços. Para diminuir a burocracia na abertura de um negócio, a Administração Estatal de Indústria e Comércio estabelecerá diferentes formas de certificação antes do final de Outubro, segundo o portal do governo. Para reduzir a carga sobre as entidades do mercado, as autoridades tributárias e outros departamentos devem aumentar a transparência, implementar completamente a redução estrutural de impostos, e eliminar as despesas e taxas irracionais, de acordo com o documento. A divisão detalhada do trabalho do governo também foi estabelecida no documento para aumentar o investimento, criar um ambiente de negócios justo e tornar os serviços públicos mais eficientes. Os departamentos governamentais e as autoridades locais devem supervisionar a implementação das tarefas, e são estimuladas a serem “corajosas” no processo, segundo o documento.
PARTIDO COMUNISTA TEM QUASE 90 MILHÕES DE MEMBROS
O Partido Comunista da China (PCC) tinha 89,447 milhões de membros no fim de 2016, anunciou na sexta-feira o Departamento de Organização do Comitê Central do PCC. O número de membros subiu 688 mil, ou 0,8%, num ano. As unidades do Partido de base aumentaram em 105 mil (2,4%), para 4,518 milhões, disse o departamento na véspera do 96º aniversário de fundação do PCC, em 1 de Julho. “As estatísticas mostraram que o vigor e a vitalidade do Partido têm sido reforçadas”, indicou o comunicado. Desde 2013 a taxa de crescimento de membros do PCC diminui enquanto a estrutura melhora. Naquele ano o Partido implementou uma norma de recrutamento que prioriza a qualidade dos membros ao limitar a quantidade. Em 2016, o Partido recrutou 1,911 milhão de novos membros, 54 mil a menos que 2015, incluindo 953 mil membros trabalhando na primeira linha de produção, representando 49,9% dos recém-admitidos. Um total de 1,571 milhão de novos membros tinha menos de 35 anos, representando 82,2% do total em 2016. O Partido tinha 22,982 milhões de membros mulheres, ou 25,7% do total. As minorias étnicas respondiam por 7% de todos os membros, ou 6,3 milhões.
13 hoje macau segunda-feira 3.7.2017
O
grupo chinês HainanAirlines (HNA) está prestes a entrar no consórcio privado Atlantic Gateway, onde vai ficar com perto de 7% do capital. Essa posição corresponde a cerca de 3% da transportadora área, já que a empresa formada por Humberto Pedrosa e David Neeleman detém agora 45% da TAP. O realinhamento do capital social da empresa foi oficialmente aprovada na assembleia geral da TAP que decorreu esta sexta-feira, em Lisboa, nas instalações da antiga FIL. De acordo com uma fonte ligada ao processo, neste momento faltam apenas acertar alguns detalhes da operação. Actualmente, a Atlantic Gateway, criada em 2015 (e cuja sede é a mesma do grupo Barraqueiro, de Pedrosa), é detida a 51% pela HPGB, holding pessoal de Humberto Pedrosa, e em 49% pela DGN, de David Neeleman. No memorando de entendimento assinado entre o actual Governo e a Atlantic Gateway para alterar as posições accionistas (cabendo 50% do Estado) já ficara estabelecido que o Estado autorizava a entrada da HNA no consórcio privado, e a posição da ordem de 3% na TAP tenderá a subir no futuro. Da mesma forma, foi autorizada a subscrição directa de obrigações convertíveis em acções por parte do grupo asiático. Caso tenha adquirido títulos de divida da TAP, emitidos no ano passado, a HNA fê-lo dentro da fatia que coube à Azul, transportadora área brasileira. Controlada por David Neeleman, a Azul tem a HNA como investidor de referência (é dona de 22% da empresa) e vai passar a deter uma participação directa na TAP quando as obrigações forem convertidas em acções.
DIFERENTES ACÇÕES E NOVOS ADMINISTRADORES
Na assembleia geral extraordinária de ontem um dos pontos votados favoravelmente foi o da criação de diferentes tipos de acções: A (com mais direitos), B (com menos direitos, havendo depois as C, as mais relevantes, quando se realizar a conversão de obrigações). Este processo
HAINAN AIRLINES NA TAP COM CERCA DE 3% DO CAPITAL
Golpe de asa A HNA, sócia de David Neelman na Azul, vai adquirir uma fatia perto de 7% no consórcio privado Atlantic Gateway está ligado à questão dos direitos económicos (como os lucros a distribuir ou o encaixe de venda de activos), dos quais o Estado direito a, no máximo, 18,75%. Por parte dos trabalhadores, estes ficam com 5%, cabendo o resto aos investidores privados. A reunião de accionistas serviu também para aprovar os nomes propostos pelos privados e pelo Governo para a nova administração (embora os pelouros ainda não sejam conhecidos). Por parte da Atlantic Gateway, esta avançou com os nomes de Fernando Pinto, David Pedrosa, Otto Urbahn (que irão formar a comissão executiva), Humberto Pedrosa, David Neeleman e Neng Li. Neng Li, de 36 anos e representa os interesses da HNA. Com um bacharelato em Finanças pela Universidade de Macau, sabe expressar-se em português e desde 2013 está ligado aos investimentos internacionais do grupo (onde entrou em 2005). É também, entre outros cargos, presidente da China Civil Aviation Investment. Já o Governo propôs os nomes de Diogo Lacerda Machado (advogado, amigo pessoal de António Costa, está ligado ao grupo luso-macaense Geocapital), Ana Pinho (presidente de Serralves), António Menezes (ex-CEO da SATA), Esmeralda Dourado (gestora, ligada à unidade de missão para a recapitalização das empresas), Bernardo Trindade (ex-secretário de Estado do Turismo de Sócrates) e Miguel Frasquilho. Este último, ligado ao PSD, e que deixou há pouco tempo a presidência da AICEP (organismo estatal ligado aos investimentos e exportações), ocupa agora a cadeira de presidente do conselho de administração (terá voto de qualidade).
Tanto as alterações aos estatutos que estavam em cima da mesa (para adequar a empresa aos accionistas privados), como a eleição do novo conselho de administração foram aprovados por unanimidade, de acordo com um comunicado enviado pela empresa. Esta foi a primeira reunião em que puderam participar os trabalhadores que compraram os 5% de acções disponíveis no âmbito da Oferta Pública de Venda (OPV). No entanto, e apesar de 557 funcionários (entre o total de 603) terem ficado com PUB
mais de 100 acções, o que lhes permitia estar presente no encontro, com poder de voto, foram poucos os que marcaram presença: cerca de 30 (0,14% do capital). Um dos primeiros a chegar ao recinto, em Alcântara, foi Humberto Pedrosa (prevista para as 16 horas, a reunião sofreu um atraso), tendo o Estado sido representado pelo presidente da Parpública, Miguel Cruz. Na reunião, a empresa fez um balanço do que foi feito desde a entrada dos privados (Fernando Pinto foi mantido no cargo por Pedrosa e Neeleman), como da estratégia comercial e do investimento em novos aviões. De acordo com o comunicado, a gestão partilhou o plano de actividades da TAP para este ano, e “esclareceu todas as questões colocadas pelos participantes”.
HM • 1ª VEZ • 3-7-17
n.º
CV1-17-0002-CPE
COREIA DO SUL PEDE QUE CHINA PARE RETALIAÇÃO POR SISTEMA DE DEFESA
O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, pediu à China que páre com as retaliações económicas relacionadas à implantação de um sistema de defesas antimísseis americano, o Thaad, em solo sul-coreano, que tem como objectivo proteger o país das recentes ameaças de Pyongyang. Segundo Moon, as medidas chinesas geraram cerca de US$ 8 mil milhões em prejuízo à economia de Seul. A China posicionou-se contra a implementação do sistema de defesa americano; no entanto, o presidente sul-coreano afirmou que “não é certo Pequim tentar influenciar injustamente a decisão soberana da Coreia” para instalar o sistema. Moon, que assumiu o poder em Maio, comentou que o governo anterior não discutiu suficientemente o problema com a China antes da implementação do sistema. O presidente atrasou o lançamento completo do Thaad com um pedido de revisão ambiental.
NOVAS INSTALAÇÕES MILITARES NAS ILHAS DISPUTADAS
Um grupo americano afirma que as imagens de satélite mostram que a China construiu recentemente novas instalações militares em ilhas artificiais no disputado Mar da China do Sul. A Iniciativa de Transparência Marítima da Ásia (AMTI) disse na quinta-feira que novas imagens mostraram abrigos de mísseis e as instalações de radares e comunicações foram construídas em Yongshu Reef (conhecido no Ocidente como Fiery Cross) e dois outros recifes – Meiji (conhecido como Mischief in the Oeste) e Subi – nas Ilhas Spratly. O think tank alegou que nos últimos três meses, a China construiu quatro novos abrigos de mísseis no Yongshu Reef para ir com os oito já existentes e que uma matriz de antenas muito grande também estava a ser instalada no Meiji Reef, uma medida que provavelmente eleva a capacidade da China de monitorar as áreas circundantes. “Pequim pode agora implantar recursos militares, incluindo aviões de combate e mísseis móveis, nas Ilhas Spratly a qualquer momento”, afirmou o grupo.
HM • 1ª VEZ • 3-7-17
ANÚNCIO Despejo
CHINA
ANÚNCIO 1º Juízo Cível
AUTORA: Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, S.A., com sede em Macau na Avenida de Lisboa, n.ºs 2-4, Edifício do Hotel Lisboa, 9.º andar. RÉ: Grupo Long Hai Limitada, com sede em Macau na Calçada do Gaio 14A a 14B, Edf. Lei On, rés-do-chão. FAZ-SE SABER que pelo Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., correm éditos de TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do anúncio, citando a ré Grupo Long Hai Limitada, para no prazo de TRINTA DIAS, findo o dos éditos, contestarem a petição inicial dos autos, de
Proc. Execução Ordinária n.º
CV2-16-0190-CEO
2º Juízo Cível
Exequente: Companhia de Yield City Limitada (亦城有限公司), com sede em Macau, na Alameda Dr. Carlos D`Assumpção, edf. Chong Tou, 13º andar L e M. Executado: Bond World Limited, com sede no Palm Grove House, P.O. Box 438, Road Town, Tortola, Britich Virgin Islands. Faz-se saber que nos autos acima indicados são citados os credores desconhecidos do executado para, no prazo de quinze dias, que começa a correr depois de finda a dilação de vinte dias, contada da data da segunda e última publicação do anúncio, reclamar o pagamento dos seus créditos pelo produto do bem penhorado sobre que tenham garantia real e que é o seguinte:
DESPEJO acima identificados, apresentada pela autora, a qual pede que deve a presente acção ser julgada procedente, por provada, resolvendo-se o contrato de arrendamento celebrado e, consequentemente, ordenando-se o imediato despejo da fracção, com todas as consequência legais, tudo como melhor consta da petição inicial, cujos duplicados se encontram nesta Secretaria à sua
Bem penhorado A quota social que a executada Bond World Limited possue na Companhia Mico Limitada (民廣有限公司), matriculada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis sob o nº.46597(SO), a quota com o valor nominal de MOP$10.850.000,00.
disposição. A citanda fica advertida de que a falta de contestação não importa a confissão dos factos articulados pela autora, caso a mesma permaneça na situação de revelia absoluta, ficando a mesma advertida de que é obrigatória a constituição de advogado caso conteste (art. 74.º do C.P.C.) Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., aos 21 de Junho de 2017.
Macau, aos 28 de Junho de 2017. *****
h ARTES, LETRAS E IDEIAS
14
Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração
ZHANG GENG «Pushan Lunhua»
Tratado de Pintura do Junco das Montanhas Na Escola de Nanquim1 (também conhecida como Jinling, o Mausoléu dourado) existiam duas divisões; uma assemelhava-se à Escola Zhe e a outra era semelhante à Escola de Songjiang. A Escola de Xinan (em Baoan, Guangdong) atraiu muitas pessoas, desde que Hongren2 se destacou no estilo de Ni Yunlin3. Se é verdade que não tem o defeito de entrelaçar (ou amarrar), tem o defeito de dispersar o trabalho do pincel. Esta é a terceira escola. Lo Mu4 destacou-se de forma eminente em Ningdu (Jiangxi) de tal modo que acabou por transferir a sua arte para Nanchang, a capital provincial; a sua fama chegou aos ouvidos de duques, ministros e escolas; os estudantes tomaram-no logo como seu mestre, de tal maneira que agora ela já é conhecida como a Escola de Jiangxi. Os seus defeitos são: ser demasiado à vontade e polidamente suavizada. 1 - A ideia de «Escolas de pintura» durante a dinastia Qing («pai», grupo, facção, estilo ou maneira) implicava segundo Osvald Sirén, «maneiras definitivas de composição e trabalho de pincel, certas convenções formais através das quais os estudantes estavam amarrados ou embaraçados em lugar de ajudados na sua evolução. Mais ou menos oposta a esta era a tradição dos «velhos mestres»; significava uma sucessão de pensamento e inspiração no lugar da transmissão de fórmulas estilísticas definitivas. Aqueles que seguiam os «velhos mestres» podiam ser bastante diferentes entre si, de um ponto de vista estilístico, e no entanto reflectirem os mesmos ideais clássicos da cultura e inspiração espiritual. A sua era uma arte era criativa e não imitativa.» (In The Chinese on the art of painting, Dover Publications, N. Y., 2005 p.198).
2 - De seu nome original Jiang Tao (1610-1663), Shexian, Anhui. Falamos de Hongren no breve ensaio biográfico «Hongren, o pintor como monge budista», em O Pintor no seu labirinto, Paulo Maia e Carmo, Livros do Meio, Macau,2014, p.91. 3 - Wang Yuanqi (1642-1715) no seu tratado «Yuchuang Manbi» refere-se assim a Ni Yulin: «não era maculado por um único grão de poeira (desejos humanos):Havia grande simpatia na sua calma e tranquilidade; refinamento e beleza na sua maneira condensada. Ele foi para além das maneiras e regras comuns do uso do pincel.» (In Osvald Sirén, op. cit., p.206) . 4 - Sabe-se que nasceu em 1622 mas pouco mais se sabe deste pintor, que também foi conhecido no seu tempo como Fan Niu.
15 hoje macau segunda-feira 3.7.2017
Amélia Vieira
D
IZ a lenda que rosas nascidas no Inverno são prenúncio de mau agouro. Talvez por isso a exclamação do rei não tenha sido de desconfiança mas de receio, de súbita apreensão, nesta altura ainda ele plantava uma nação feita de baldios por todas as áreas recentemente conquistadas e a cavalo conhecia bem o país e dele tirava amplas vantagens de generosos acolhimentos. As rosas são comestíveis e não há mesmo sinal de mesquinhez por parte de tão gentil rei. Distantes andamos contudo desses tempos mas, neste tão lustroso em que temos a maior honra de viver, outrora como agora tive a mesma interrogação em pleno Inverno: rosas em Janeiro? Mudei logo e pensei: o mundo é um grande país e as rosas florescem em qualquer Estação, os anos são convenções de medida para o Tempo – o nosso tempo Alfa, do mandatário, do coronário, dos órgãos gigantes em pequenos tufos de carne e esqueleto que já sabe que vamos morrer ou somos mortais por eles, por causa deles, e que seria bom para já uma Humanidade a pilhas, mudadas a cada Glaciar. A terna noção de “estufa” foi rompida como sabem. Hoje a temperatura, as condições, são fórmulas absolutamente radicais, neve-fogo, ventos-calmarias, abrasa-gela... Um pontapé sem precedentes na nossa secular vida bucólica dos queridos tempos de antanho. Penso que o local que se mantém muito igual a si mesmo desde o tempo em que Deus lá nasceu é mesmo o deserto, tendo levado, claro está, o rombo da gigantesca pegada, mas mais em altura do que em largura... a sua robustez pode ainda ser considerada como a manutenção de uma ordem e por ela nasce o ser eterno que é a Rosa de Jericó. Ela, porém, não é a rosa efémera procurando o instante, a colorida e elegante menina dos olhos em botão, a enjeitada; ela é a eterna, a robusta, a densa, a mais complexa, a vertiginosa evidência de que tocamos numa outra “plantação”. Ela tem o dom de fechar, secar e morrer, e mesmo nas escaldantes areias se lhe tocamos morta, ela está fria não passando de uma ressequida imagem de um esqueleto, mas podemos voltar e ela já não estar por lá, levada pelos ventos. Sem dúvida, foi-se para ressuscitar mais para além. Ao primeiro dia ela rola, ao segundo sai do sepulcro e ao terceiro torna-se verde. Esta rosa não é unida à Estação. Assim, basta-lhe condições propícias da ordem
DARKO TOPALSKI, ANJOS (DETALHE)
A ressureição da rosa
dos bons ventos e de contacto imediato com pequenas concentrações de água, para o sucedido. Por aqui as rosas já tinham de novo nascido na estação delas, mas as do Inverno estavam intactas na sua lei fatal, não querendo falar na estrutura linguística das “inverdades” como sinal abrupto de Leviatã, nem em “inveracidades” da ordem do probabilístico, pois está provado que o que está certo são sempre as contas pequenas. Sabemos, no entanto, que na catástrofe só enumeramos números grandes, a rapidez é grandiosa e quase sempre rica em génio arrasador, pois que “tomar gosto a” não é um efeito fúria mesmo que se possa ser viciado em desportos radicais “tomar gosto” é uma educação pelo gosto, onde há pilares de benfeitoria que atenuam o risco do impacto. Dir-se-ia que é um aprendizado de amor, se os instintos e a sensibilidade são espontâneos, naturais, por vezes deliciosamente fortes e até brutais, épicos, já o amor fica longe de tudo isto e por ser tão diferente é preciosa uma educação de forma a não corromper a sua designação. E no distrito do rei das rosas passou um fogo devorador, anunciado já pelas minhas próprias rosas, que forças desceriam na equação simples de um numeral
consequente na ordem da manifestação de três para três. É aqui que perdemos o livre arbítrio e jamais na terra de ninguém onde toda a razão nos pertence – pensei muito no rei – no rei das rosas que semeou pinhais e namorou gentilmente por ali e fez sementeiras de filhos, que namorava em nichos escondidos nas florestas. Se lhe ardesse o seu pinhal que ele não viu crescer à distância de cem anos, se não foi excessivo visionarismo, se o visse arder em sonhos, se os sonhos ardem... enfim, pensei nele como nas rosas para não ter a doente propagação de um coro de outros condenados. A rosa é ,no entanto, «sem porquê»... a rosa é sem porquê: floresce porque floresce, não cuida de si própria, não pergunta se a vemos. Ângelus Silesius, na sua bem conhecida obra de aforismos, qual novo florilégio, o jansenista teólogo que no instante das grandes lutas religiosas se manteve em relativa paz com os luteranos da sua cidade - ele o era de origem -, teve esta metáfora fundadora da Rosa como místico e como teólogo. Os dísticos são belos e descrevem uma profunda raiz do pensamento Ocidental como síntese de uma abordagem. Tanto de ressequido tem a terra que habitamos que mesmo agora gostaríamos de dizer como Silesius : “Gosto de ouvir
as trombetas. O meu corpo, ao seu clamor, de sob a terra despertará e voltará a ser meu”. A Rosa de Jericó! Ouve-se cantar pela zona do impacto melodias nada agrárias que o dinheiro que salva é o mesmo que mata e o dinheiro arde se for todo em papel e não houver mais rosas, nem ouro que o funda numa outra riqueza que também já não vem nos mapas pois que foi ele o cúmplice e combustível por onde a fornalha se agiganta. “ Amigo, onde quer que estejas, não te deixes lá ficar, é preciso incessantemente partir de luz em luz.” Os que partiram já não estão aqui, como é óbvio, os que ficaram estão no mesmo sítio onde a luz não penetra por entre a negra folhagem, não há comunicação alquímica com a haste, aquele segredo que lhe diz.. .cresce, cresce... preside ao estrondo o ruído, aceleram-se os requerimentos, armazenam-se mantimentos. Investiga-se quem tem o desplante na imprensa estrangeira inventar boatos falsos acerca da orquestração territorial, e, amealham-se víveres que bem poderão servir para outra imponderabilidade. Faltam duas. Isto se não nascerem mais rosas em Janeiro.
16 DESPORTO
hoje macau segunda-feira 3.7.2017
LIGA DE ELITE
João Maria Pegado
BENFICA TETRACAMPEÃO DE MACAU
TATIANA LAGES
Objectivo: Liga dos Campeões
P TATIANA LAGES
E L O quarto ano consecutivo o Benfica de Macau imita a sua casa mãe e torna-se tetracampeão. Não há dúvida quanto à supremacia deste clube em relação às demais equipas deste campeonato. Desde que os encarnados subiram à primeira divisão, só no primeiro ano não conseguiram o título, na altura ganho pelos actuais segundos classificados, o Monte Carlo. A partir daí tem sido sempre a somar ligas.
Este ano foi mais difícil do que se esperava no início do campeonato, com a perda de pontos em jogos teoricamente fáceis, como os que foram perdidos em ambos os confrontos com Cheng Fung ou a derrota com o Monte Carlo. Com todo o respeito pelas outras equipas mas, no meu entender, esses pontos perdidos são mais demérito dos encarnados do que o contrário, porque neste momento o mais difícil para quem treine o Benfica é arranjar motivação para continuar a ganhar sabendo os jogadores
que são superiores ao resto da concorrência. Como exemplo vou o usar o jogo da segunda jornada com o Cheng Fung. Foi um jogo em que os encarnados deixaram o jogo correr, na certeza iriam marcar e ganhar, com falta de intensidade no seu jogo. Para mais, semanas antes, tinham ficado a saber que tinham ficado fora da AFC por causa de um erro da Associação. Neste momento é essa mesma AFC que faz correr este clube e este ano todos nós esperamos que isso aconteça e aí sim veremos
o que este grupo liderado por Henrique Nunes é capaz de nos mostrar, porque garanto que o melhor deste Benfica será visto com equipas iguais ou superiores. A AFC será a cereja no topo do bolo para o homem forte do futebol dos encarnados e mentor de todo este projecto, DuarteAlves, que curiosamente ontem teve mais um aniversário com um tetra como presente.
MONTE CARLO
Teria que falar do segundo classificado da Liga Elite pelo segundo ano consecutivo, mas para mim é o campeão da formação. Impressionante o trabalho realizado pelo treinador Cláudio Roberto que, com recursos bem menores que os encarnados, tem estado na luta sempre até ao fim. Mas o que me salta mais à vista é numero de jovens que já lançou neste dois últimos anos, aproveitando muito bem o trabalho de academia que a estrutura do Monte Carlo realiza melhor do que ninguém há muitos anos consecutivos. Muitos jogadores que deram à selecção nacional e neste momento muitos deste jovens já deveriam ter uma oportunidade nesta seleção.
RESULTADOS FINAIS
Ka I 3 Vs 3 Development Team Benfica de Macau 7 vs Sporting Macau 1 Monte Carlo 9 Vs Lai Chi 1 *Policia Vs Kei Lun *CPK Vs Cheng Fung *decorria ao fecho desta edição
17 (F)UTILIDADES
hoje macau segunda-feira 3.7.2017
TEMPO
?
AGUACEIROS
O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente
EXPOSIÇÃO “25+10” DE RODRIGO DE MATOS Consulado de Portugal | Até Sábado
MIN
26
MAX
31
HUM
70-95%
•
EURO
8.90
BAHT
EXPOSIÇÃO “CONTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08
O CARTOON STEPH
EXPOSIÇÃO “AS MUDANÇAS DE HENGQIN” Armazém do Boi | Até 16/07
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 69
PROBLEMA 70
UM LIVRO HOJE
C I N E M A
SALA 1
Kyle Li, Mary MA
DISPICABLE ME 3 [2D][A]
19.30
Falado em cantonês Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 14.30, 16.15, 19.45, 21.30
SALA 3
DISPICABLE ME 3 [3D][A] Falado em cantonês Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 18.00 SALA 2
TRANSFORMERS: THE LAST NIGHT [2D][B] Fime de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Laura Haddock Anhtony Hopkings 14.00, 16.45, 21.30
OUR SEVENTEEN [2D][B] Falado em cantonês legendado em chinês e inglês Fime de: Emily Chan Nga Lei Com: Sean Pang, Angela Yuen, King Wu
THE MUMMY [2D][C]
SUDOKU
DE
EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11
Cineteatro
1.15
20 ANOS
EXPOSIÇÃO “NOCTURNO” DE FILIPE DORES Albergue SCM | Até 09/07
EXPOSIÇÃO “AMOR POR MACAU” DE LEE KUNG KIM Museu de Arte de Macau | Até 9/7
YUAN
AQUI HÁ GATO
EXPOSIÇÃO “COLOUR/SHAPE/LOVE” DE JOAQUIM FRANCO Macau Art Garden | Até 16/07
EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8
0.23
Aqui ao lado, os gatos de Hong Kong vivem duas décadas de transição de uma colónia britânica deslocada no tempo e no espaço. A passagem era tão inevitável quanto o nascer do sol, quase uma manifestação biológica, infalível. Como viver ao lado de um gigante e não esperar sombra, ou ser David e quer calcar Golias, incapaz de ter noção de volume. O facto é que o carácter híbrido, mestiço, heterodoxo de Hong Kong e as suas gentes tem poucas relações com o continente que espreita do norte e empurra para o mar do sul da China. À medida que o tempo chinês passa, vagaroso, estratégico, sem a sofreguidão ocidental, teme-se o aperto de tenazes nos tintins da liberdade. Claro que esta é a liberdade segundo o conceito humano. A liberdade para trabalhar 90 por cento do tempo acordado para poder pagar um cubículo húmido em Tsim Sha Tsui. Mas a mestiçagem funciona como uma via dupla, também chega ao grande norte milenar que vive historicamente imune à história. Imagino pints, pubs e hooliganismo a espalhar-se no Interior da China, como um efeito colateral britânico. Sonho com platinadas mulheres de peitos avantajados a derramar mágoa em cima de um balcão de madeira envernizada e polida, a oferecer sonhos lúbricos a quem ouça 15 minutos de mágoa. Prevejo a irritação do pseudo-cosmopolitismo que prende alcançar universalidade através de cultura pastilha elástica. Será um casamento interessante e pleno de conflitos, como é natural, uma valsa assassina dançada com facas entre Pu Yi dentes.
PARA ALÉM DA CRENÇA | V.S. NAIPAUL
É uma viagem pelos maiores países muçulmanos não árabes, em que V.S. Naipaul traça o recorrente conflito entre crença e tradição. Escrito em 1981, “Para Além da Crença” é agora reeditado em Portugal por ser um documento inquietantemente oportuno e actual. Escrito com a mestria a que o Nobel da Literatura habituou os seus leitores, é um livro com uma enorme dimensão humana. Isabel Castro
Fime de: Alex Kurtzman Com: Tome Cruise, Sofia Boutella, Annabelle Wallis, Jake Johnson 14.30, 21.45
RESIDENT EVIL: VENDETTA [2D][C] Falado em inglês legendado em chinês Fime de: Takanori Tsujimoto 16.30
TRANSFORMERS: THE LAST NIGHT [2D][B] Fime de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Laura Haddock Anhtony Hopkings 19.00
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18 OPINIÃO
A
hoje macau segunda-feira 3.7.2017
NORUEGA é um país gelado localizado no extremo norte da Europa e considerado por alguns o mais próspero do mundo. Esse título é comummente atribuído a essa nação devido aos diversos indicadores económicos invejáveis, estando sistematicamente entre os melhores do mundo em itens como PIB per capita (indicador de geração de riqueza, maior = melhor), IDH (indicador de desenvolvimento social, maior = melhor), índice GINI (indicador de desigualdade social, menor = melhor), índice de homicídios (menor = melhor), desemprego, entre diversos outros (praticamente qualquer indicador de desenvolvimento tem a Noruega entre as primeiras posições). Um país com tamanho êxito em áreas tão distintas é um caso importante a ser estudado por aqueles que desejam o sucesso económico e social da sua própria nação e este texto se propõe a compreender o que tornou e mantém a Noruega numa posição destacada entre todos os países do mundo. Serão levantados os principais pontos que tornaram a Noruega um caso de sucesso, dentre tantos outros países que encontraram grandes reservas de recursos naturais, dado que muitos acabam permanecendo no atraso dependendo unicamente da extracção da matéria prima encontrada. A Noruega tornou-se um país independente da Coroa Sueca em 1905 e permaneceu com pouco destaque na economia europeia até o início da exploração de petróleo no Mar do Norte, na década de 60, cujo período deve ser resumido antes de se aprofundar outros aspectos da economia norueguesa. Isto é necessário pelo facto do país, apesar de possuir uma pequena população de apenas 5 milhões de habitantes, se ter tornado o 13º maior produtor de petróleo do mundo, com uma produção de 2 milhões de barris por dia, além de ser a origem de diversas companhias relevantes em nível mundial do sector (como a Statoil, a Aker Solutions, a Subsea 7, a Seadrill e a DOF). Essa relevância é visível na composição das exportações do país, na qual os produtos relacionados ao petróleo chegam a quase 65% do valor exportado. Alguns poderiam dizer que isso é consequência do petróleo fácil, como o do Médio Oriente, mas isso não é verdade. O petróleo norueguês está em alto mar e sempre precisou de tecnologia de ponta para ser devidamente extraído. A sua situação aproxima-se muito mais da do Brasil, Mé-
O livre mercado é a chave para a xico, Nigéria, Guiné Equatorial e Namíbia do que dos países do Médio Oriente que possuem óleo de altíssima qualidade e extremamente acessível por baixo dos seus desertos. Não é necessário estendermo-nos muito para concluir que o ouro negro não trouxe prosperidade similar a os outros países em situação análoga à norueguesa.
O MODELO NORUEGUÊS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO
Durante a década de 60, a exploração de petróleo na Noruega era quase completamente feita por empresas privadas estrangeiras. No governo de Trygve Bratteli (do Partido Trabalhista Norueguês, que governou nos períodos de 1971-1972 e 1973-1976), foram tomadas decisões que muito influenciaram no destino da Noruega: a criação da Statoil (petrolífera 100% estatal), a definição de que o governo norueguês teria no mínimo 50% de todos os campos explorados a serem licenciados no país e a obrigatoriedade dos estrangeiros desenvolverem fornecedores locais (chegando ao ponto de forçar a contratação de fornecedores específicos para que sua operação fosse autorizada). A partir da 4ª RONDA de licenciamento (1978-1979) foi introduzida a obrigatoriedade de investimento em pesquisa e desenvolvimento pelas empresas interessadas. Desse investimento, 50% obrigatoriamente teria que ser feito em instituições norueguesas. Em 1985, houve alteração no sistema: o Estado Norueguês passou a ter uma participação variável em cada projecto, definida para cada licença, sendo essa participação do Estado executada através da Statoil (ou seja, a todos os campos a serem licitados teriam a Statoil como sócia, com essa percentagem variando em cada projecto). No ano de 1990, foi criado o actual fundo soberano norueguês: o Government Pension Fund Global. Fundo esse que se tornaria o maior fundo soberano do planeta, responsável por investir a receita do governo norueguês como consequência de sua participação na exploração de petróleo do país. As políticas de conteúdo local foram abolidas em 1994, como consequência de um acordo de livre comércio com a União Europeia. Em 2001, foram vendidas parte das acções da Statoil, que se tornou uma empresa de economia mista, mas tendo como maior accionista o Estado norueguês (que permaneceu como único controlador da empresa). Com a venda, a participação estatal nos campos passou a ser administrada através da recém fundada Petoro (100% estatal), a qual, porém, não opera nenhum campo.
O FUNDO SOBERANO E O ESTADO EMPRESÁRIO NORUEGUÊS
Pode-se dizer que a principal herança do modelo de exploração de petróleo norueguês é o seu fundo soberano, o Government Pension Fund Global que por si só é uma
demonstração do gigantismo do Estado norueguês. O valor de mercado do fundo soberano no dia de elaboração desse artigo ultrapassava 7 biliões de coroas norueguesas (mais de 800 mil milhões de dólares), sendo que todo o mercado de acções da Noruega estava avaliado em pouco mais de 2 biliões de coroas norueguesas (menos de 1/3 do tamanho do fundo soberano do país). A dívida pública norueguesa encontrava-se em pouco mais de 1 bilião de coroas norueguesas, o que significa que o fundo soberano poderia comprar todas as acções e toda a dívida pública norueguesa 2 vezes que ainda assim sobraria dinheiro. Como o PIB da Noruega está um pouco acima de 3 biliões de coroas norueguesas (menos de 400 mil milhões de dólares), isso significa que toda a riqueza produzida no país em dois anos é menor que o valor de mercado do fundo soberano norueguês. No entanto, mesmo sem considerar o Government Pension Fund Global, o governo é o principal player económico do país, controlador de todas as cinco maiores empresas da Noruega em valor de mercado (já excluindo dessa lista as empresas totalmente estatais, que não possuem valor de mercado bem definido para serem avaliadas), que estão listadas abaixo: A participação do Estado na economia norueguesa Statoil ASA (67% directamente do Estado, 3% do Estado via fundos. Controlada pelo Estado) Norsk Hydro ASA (35% do Estado, 1% dela mesma. Controlada pelo Estado) Telenor SA (54% directamente do Estado. Controlada pelo Estado) Entre essas empresas encontram-se a maior petrolífera do país (Statoil), a maior empresa de telecomunicações (Telenor), o maior banco (DNB), além da maior empresa de alumínio (Norsk Hydro), mas a participação do governo em sectores estratégicos não se resume a essas companhias. No sector de energia eléctrica, por exemplo, praticamente não há espaço para a inciativa privada. Toda a transmissão e distribuição de energia eléctrica em alta tensão é controlada por uma empresa 100% estatal chamada Statnett, que também é a operadora do sistema. Na geração de energia, além da Norsk Hydro (segunda maior geradora de energia do país), o Estado está presente através da Statkraft (maior geradora de energia do país) e da TrønderEnergi, entre outras empresas públicas. Com geração quase totalmente estatal, a Noruega é um dos líderes mundiais no uso de energia limpa e renovável, com mais de 99% de suas necessidades energéticas geradas através de centrais hidroeléctricas. Também lidera no uso de carros eléctricos e se destaca mundialmente com planos agressivos de redução das emissões de gases
poluentes (o que parece irónico vindo de um país que tem nos derivados de petróleo o principal produto de exportação). Antes da criação da Statnett e Statkraft, a geração, transmissão e distribuição de energia eléctrica era tratada directamente pelo Norges vassdrags-og energiverk, que é algo como um ministério das águas e energia. O que significa que o modelo estatal na área de energia eléctrica é bastante antigo. Outro ponto que deve ser destacado é o baixíssimo nível de corrupção (entre os menores do mundo), tanto no serviço público quanto no privado, que está fortemente ligado à transparência quase irrestrita. Diferentemente de outros países, onde o sigilo fiscal é inviolável e um valor defendido de forma apaixonada, na Noruega a renda e os impostos pagos por qualquer cidadão está disponível a quem estiver interessado desde o ano de 1814 (época em que era unida com a Suécia), quando essas informações já podiam ser obtidas nas prefeituras. Hoje, com a internet, os habitantes da Noruega conseguem facilmente descobrir quanto ganham e os impostos que pagam cada um de seus compatriotas, o que simplifica enormemente o combate à sonegação fiscal e enriquecimento ilícito.
CARGA TRIBUTÁRIA E O ESTADO DE BEM-ESTAR SOCIAL NORUEGUÊS
Outro ponto em que a Noruega se destaca é nos seus altos impostos. O sistema de taxação norueguês é todo construído de acordo com a ideia de que cada um deve pagar impostos de acordo com suas capacidades, ou seja, o imposto é progressivo: quem ganha mais, paga mais. Pode-se dizer que os impostos noruegueses são altos porque, desde 1970, o peso dos mesmos está entre 35% e 45% do PIB, com pequenas variações no período, sempre figurando entre as maiores entre os países membros da OCDE. Os noruegueses usufruem dos melhores indicadores sociais do mundo. Sobre o Estado de Bem-Estar Social, pode-se dizer que a Noruega é referência no mundo, sendo utilizada como exemplo clássico de Estado que propicia tudo que um cidadão pode desejar de um governo, o que um (neo)liberal consideraria um entrave para o desenvolvimento de uma nação. Os direitos dos trabalhadores são muito extensos. A lei permite trabalho até 40h semanais, mas todos os acordos colectivos vigentes são até 37,5h semanais. Além disso, os funcionários têm direito a redução de carga horária por motivos sociais, de saúde ou bem-estar. Os que não possuem cargo de chefia devem receber no mínimo 40% de adicional em caso de horas extras. Todos os funcionários tem direito a 5 semanas de férias, sendo que aqueles com mais de 60 anos possuem o direito de uma semana adicional (totalizando 6 semanas). Três dessas semanas devem ser tiradas de forma consecutiva, enquanto as outras 2
19 OPINIÃO
hoje macau segunda-feira 3.7.2017
LEANDRO SILVA
EDVARD MUNCH, A DANÇA DA VIDA
prosperidade? A Noruega prova que não
semanas podem ser divididas em dias ou semanas separadas. Um funcionário tem direito a 10 dias por ano para cuidar dos seus filhos doentes, aumentando para 15 no caso de ter mais de um filho. Pais (ou mães) solteiros têm esse benefício a dobrar (20 dias no caso de um filho e 30 no caso de mais de um). Em caso de gravidez, são disponibilizadas 43 semanas (algo próximo de 10 meses) de folga a serem compartilhadas pelo pai e mãe (sendo que as primeiras 6 semanas necessariamente devem ser da mãe e 14 dessas semanas necessariamente do pai). O seguro-desemprego é bastante generoso. O desempregado recebe 62,4% do seu rendimento bruta por 1 ou 2 anos, dependendo da sua faixa de rendimento. Caso não tenha dinheiro o suficiente para a subsistência, o governo irá complementar o rendimento no valor que considerar
Pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos sectores-chave da economia, a oferta de um amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais necessário (o valor depende do município). O sistema de saúde norueguês é universal, gratuito, descentralizado e financiado pelos impostos. A maior parte dos hospitais é estatal, com uma quantidade muito pequena de hospitais privados. Além disso, mesmo os hospitais privados normalmente recebem dinheiro do Estado. A Noruega possui um sistema de educação público bem estruturado, que abrange desde a infância até a universidade. Apenas
o jardim de infância é pago, mas o governo tem como objectivo torná-lo acessível para todos que tenham interesse em colocar seus filhos no jardim de infância. Quanto ao tamanho do sistema público em relação ao privado, encontram-se fora do sistema estatal de educação 45% das crianças no jardim de infância, 2,2% dos utentes da educação primária e secundária baixa (10 primeiras séries, dos 6 aos 16 anos), 6% dos alunos da educação secundária
superior (16-19 anos) e 13% dos alunos universitários.
CONCLUSÕES
Levando em consideração todos os factores apresentados no texto, pode-se concluir que a chave do crescimento do país mais próspero do mundo não foi o livre-mercado, mas a presença massiva do Estado nos sectores-chave da economia (extracção de matérias-primas, serviços básicos, saúde, educação, sistema bancário, sistema eléctrico, entre outros), a oferta de um amplo sistema de bem-estar social e o estímulo ao desenvolvimento de empresas e tecnologias locais. Também salta aos olhos que a corrupção não é combatida com retórica simplista que responsabiliza o Estado e ignora a corrupção privada. Na Noruega as contas dos indivíduos são expostas e isso é utilizado para inibir a corrupção pública e privada simultaneamente.
“
Fulgem as velhas almas namoradas / — Almas tristes, severas, resignadas, / De guerreiros, de santos, de poetas” Camilo Pessanha
FRANÇA HAMON SAI DO PARTIDO SOCIALISTA
COIMBRA CANDIDATA A CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA
O presidente da Câmara de Coimbra anunciou ontem que o município quer ser Capital Europeia da Cultura em 2027 e, na resposta, o ministro da Cultura considerou esta uma candidatura “muito forte”. Manuel Machado discursava no Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra, na presença do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes. “Esta é uma oportunidade para apresentar ao Governo a nossa pretensão de candidatar Coimbra a Capital Europeia da Cultura em 2027. É uma candidatura agregadora, aberta e que quer aproveitar todo o património da região”, disse. Confrontado com o desafio, Castro Mendes afirmou que “Coimbra é uma cidade da Cultura, com a primeira universidade, com as cortes, com os reis”. “Tem toda uma tradição. É realmente uma cidade extraordinária”, acrescentou. “A candidatura de Coimbra faz todo o sentido. É um eixo e um paradigma da nossa Cultura”, elogiou o governante.
CANADÁ MINISTRO LUSODESCENDENTE DESTACA CONTRIBUTO DA COMUNIDADE
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O ministro das Finanças do Ontário, o lusodescendente Charles Sousa, destacou ontem o contributo da comunidade portuguesa para o desenvolvimento do Canadá, referindo a importância da aposta na educação. “A comunidade portuguesa tem tido um impacto enorme ao longo dos anos, principalmente nos últimos 60 anos. Tenho muito orgulho em ser português por causa do contributo da nossa comunidade”, afirmou o governante. Charles Sousa lembrou ainda alguns exemplos de pessoas e famílias que têm tido um enorme impacto no Canadá enquanto Nação. “Temos também no Quebeque um ministro das Finanças (Carlos Leitão). Mas temos muitos lusodescendentes noutras áreas além da política, como empresários e dirigentes sindicais. Estão todos a fazer a sua parte para aumentar a nossa representação enquanto portugueses”, acrescentou. Filho de emigrantes provenientes da Nazaré, distrito de Leiria, lembrou ainda a máxima do seu pai, António Sousa, falecido no verão passado, que “a educação é a melhor arma”. “Quando fui criado em Toronto os meus pais sempre tiveram esse cuidado de me incentivar a estudar, para prosseguirmos os estudos e para nos prepararmos o máximo possível. É essa a preocupação que tenho tido nos orçamentos que apresento para investir na juventude”, sublinhou.
segunda-feira 3.7.2017
Taça das Confederações
Pódio amargo
U
M jogo para 3.º e 4.º lugares da Taça das Confederações em final de época tinha tudo ser desinteressante. Só que foi tudo menos isso. Portugal oscilou entre o bom e o sofrível, falhou muitas oportunidades, esteve perto de perder mas acabou por ganhar. Foi a primeira selecção A a ter um penálti falhado, um autogolo e um jogador expulso num torneio organizado pela FIFA. Portugal esteve melhor na primeira parte e poderia ter chegado cedo à vantagem. Com o recurso às imagens televisivas, o árbitro assinalou penálti sobre André Silva, mas o avançado contratado pelo Milan ao FC Porto permitiu a defesa de Ochoa (17’). Logo a seguir, Nani também poderia ter marcado, mas atirou por cima. Num jogo em que Portugal teve várias oportunidades desperdiçadas, foi o México a marcar primeiro, num autogolo de Neto (54’). A perder, Portugal ainda desperdiçou oportunidades de marcar (Ochoa, por exemplo, defendeu um cabeceamento de Nani), embora o México também tenha obrigado Rui Patrício a aplicar-se num par de ocasiões.
Portugal investiu e atravessou o melhor momento na partida. Por três ocasiões esteve perto de fazer a igualdade e por três vezes Ospina negou o golo. Destaque para a intervenção do guardião perante o cabeceamento de Gelson Martins que permitiu a melhor defesa do encontro. Já sem Nani e campo, Portugal tentava procurar o empate com o México a procurar o contra-ataque. O domínio da seleção nacional foi-se acentuado à medida que o encontro se aproximava do fim, mas o perigo maior acabou por ser do México que através de Chicarito e Layún ia mantendo a equipa lusa em sentido. Num último esforço, Fernando Santos lançou Adrien Silva e André Gomes para tentar um último assalto à baliza mexicana. Sem opções de ataque no banco, os dois médios eram os jogadores mais ofensivos que o seleccionador tinha à sua disposição. O esforço acabou por valer a pena com o golo de Pepe no tempo extra que levou o encontro para prolongamento. No segundo prolongamento em jogos seguidos para Portugal,
o México entrou mais forte e teve dois momentos de alta tensão que Rui Patrício teve de ser agigantar para impedir novo golo dos ‘aztecas’. Num jogo muito quente, Eliseu tentou fazer o golo de livre, mas rematou ligeiramente por cima da baliza de Ospina enquanto, do outro lado, Lozano ia dando muito que fazer a Nélson Semedo. O golo de Portugal acabou por chegar numa grande penalidade cobrada por Adrien Silva. O jogador do Sporting converteu – finalmente – o castigo máximo depois de Miguel Layún ter tocado a bola com a mão dentro da grande área. Quatro grandes penalidades depois, Portugal voltou a concretizar um penálti. Asegunda parte do prolongamento arrancou com a expulsão de Nélson Semedo. O defesa direito viu o segundo cartão e reduziu a seleção para 10 homens para o que restou do encontro com a seleção mexicana. A superioridade não durou muito porque Raúl Jiménez, que tinha entrado durante a segunda parte, também viu o vermelho depois de uma entrada dura sobre Eliseu. O mexicano pediu desculpa ao colega de equipa, mas abandonou o relvado. Até ao final os cenários inverteram-se e foram os mexicano a tentar tudo por tudo para tentar o golo do empate, mas sem sucesso. Até ao derradeiro apito, Rui Patrício voltou a ter de intervir com grande qualidade.
O ex-candidato socialista às eleições presidenciais francesas, Benoît Hamon, anunciou hoje a sua desfiliação do Partido Socialista (PS), pelo qual militou durante mais de 30 anos, alegando querer continuar a “reconstrução da esquerda” com um novo movimento político. “Hoje decidi abandonar o Partido Socialista. Abandono o partido, mas não abdico do ideal socialista”, afirmou Hamon durante o lançamento do Movimento 1.º de Julho, diante de 11 mil pessoas reunidas em Paris. Benoît Hamon, 50 anos, sofreu uma derrota esmagadora na primeira volta das eleições presidenciais de 23 de Abril, com apenas 6,4% dos votos, tendo também sido eliminado na primeira volta das eleições parlamentares em Junho. “O Partido Socialista já teve, talvez, o seu tempo. Foram horas gloriosas e a minha convicção é a de que hoje é o momento de virar uma página e fazer um caminho parecido ao de Epinay”, apontou, referindo-se à criação do Partido Socialista na sequência do congresso que decorreu naquela cidade, em 1971.
“DIREITOS HUMANOS NÃO SÃO UM LUXO”
A ministra da Justiça de Portugal disse ontem que os direitos humanos não são um luxo nem é aceitável que os países com dificuldades económicas aleguem que a abolição da pena de morte depende do desenvolvimento económico e social. Francisca Van Dunen enalteceu o papel de Portugal como pioneiro na abolição da pena de morte e defendeu que o país deve continuar a posicionarse, “em todas as ocasiões, na vanguarda da oposição à pena de morte e a todas as formas de penas ou tratamentos cruéis e desumanos”. Segundo a governante, os argumentos políticos, jurídicos, religiosos e sociológicos que têm sido esgrimidos em algumas das regiões do globo mais fustigadas por conflitos armados e por fenómenos como o terrorismo não pode criar hesitações na defesa de uma agenda que “proclama o carácter inviolável da vida e da dignidade humanas, única e genuína alternativa às teses do terror”. A ministra destacou também o facto de em nenhum dos países onde se fala português ser aplicada a pena capital, um facto que considera dever ser sublinhado com orgulho.