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Q U I N TA - F E I R A 3 D E J U L H O D E 2 0 1 4 • A N O X I I I • N º 3 1 2 3
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
TIAGO ALCÂNTARA
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
CIDADÃOS CRIAM PÁGINA NO FACEBOOK E PEDEM “LIMPEZA DO SECTOR” DOS TÁXIS
MACAU SEM FACE
Perante a inacção de quem manda e nada faz para combater os diários atropelos à lei, um grupo de cidadãos conta no Facebook as piores histórias vividas por passageiros de táxis em Macau. Chama-se “A Vergonha dos Condutores de Táxis de Macau” e matéria não falta.
HOJE MACAU
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FÓRUM MACAU O novo Secretário Geral Adjunto, Vicente de Jesus Manuel, faz um balanço positivo das actividades até agora desenvolvidas mas anuncia uma nova dinâmica para o órgão.
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ENTREVISTA PÁGINA
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SAÚDE Edifício do Lago com dois anos de atraso SOCIEDADE PÁGINA
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É PRECISO SER RESPONSÁVEL O professor de Administração Pública do IPM diz que Macau continua atrasado na implementação de um Regime de Responsabilização dos Altos Cargos. POLÍTICA PÁGINA
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ENTREVISTA
hoje macau quinta-feira 3.7.2014
FÓRUM MACAU VICENTE DE JESUS MANUEL, NOVO SECRETÁRIO-GERAL ADJUNTO
Moçambique quer ir a jogo LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
O que espera desta nova fase do Fórum Macau? Falou em dar um novo ímpeto ao órgão. O que quis dizer com isso? Dar uma nova dinâmica. Agora existe uma certa esperança de que Macau tenha que ter resultados mais concretos. Não quer dizer que não tenha dado no passado, nomeadamente no sector da formação, da troca de visitas, no intercâmbio cultural. Agora temos que virar mais os canos para o campo económico e cultural. Existe um potencial no quadro dos PLP e a china também tem um grande potencial. A complementaridade dos países é que vai dar um novo ímpeto. Não receia que exista um choque cultural, tendo em conta as diferenças visíveis entre as culturas dos vários países? Ou acredita, por outro lado, que as parcerias económicas corram de forma positiva? Há muito tempo que já não se fala em “choque cultural”. Há uma certa confraternização de culturas e a globalização em si obriga à troca de visitas e à movimentação livre de pessoas e o factor cultural não chega a ser um constrangimento. É, até, positivo para o intercâmbio. Daí o sucesso [do Fórum], naturalmente. Anteriormente, falou em questões específicas. Quais? Neste momento, vai-se realizar um colóquio em Portugal sobre a globalização dos PLP, transmitindo a sua experiência aos outros países. Moçambique e Guiné-Bissau vão perceber como se pode usar esse
HOJE MACAU
O novo Secretário-geral Adjunto do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), chegou há uma semana a Macau, mas nem por isso é inexperiente neste canto do mundo. Está “entusiasmado” com o novo cargo e espera conseguir ajudar Moçambique a desenvolver a indústria do jogo
preciso trocarmos experiências na área da legislação, como é o caso das alfândegas [redução ou desaparecimento de tarifas alfandegárias para efeitos de exportação e importação]. Tudo isto ajuda a incentivar as trocar comerciais e é objectivo reduzir cada vez mais as barreiras que ainda possam existir. Excluindo a existência do Fórum Macau, qual é o papel desempenhado pelo território nas negociações? Macau congrega as diferentes culturas e, apesar de ser independente, não se exclui da China. Está muito desenvolvido na área de serviços e da organização de conferências e mobilização de capital. Brevemente, teremos aqui uma delegação de Moçambique para explorar a experiência da RAEM na área de gestão de jogos. Pretendem desenvolver o jogo em Moçambique? Naturalmente. Até porque o país tem uma localização estratégica para o efeito. O jogo é legal e temos leis vigentes para isso e é por isso que a delegação vem cá saber como melhorar o sector. As portas estão abertas para Moçambique.
conhecimento e materializá-lo. Temos muitos outros projectos. Há empresários em Moçambique, China, Portugal e Brasil e teremos que concentrar-nos mais na mobilização e sensibilização de parcerias. Que investimentos concretos é que a China está a fazer nos PLP? Em Moçambique, está a investir na área das infra-estruturas, como estradas, pontes... Na área de agricultura também. Temos um centro de experimentação e isso é bom, porque vai disseminar novas sementes pelo sector familiar e tradicional. Tudo isto é feito em Moçambique. Também temos uma grande produção de arroz impulsionada por uma empresa chinesa a investir. Esse é um projecto muito interessante e que tem dado frutos. Antes, produzíamos três toneladas por hectare e actualmente aumentou para sete a oito por cada hectare. A tecnologia
QUEM É VICENTE DE JESUS MANUEL? O também diplomata completou o seu mestrado na Universidade Popular de Pequim e em 1997 voltou para Moçambique, onde leccionou no Instituto Superior de Relações Internacionais, entidade educativa que dependia do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Em 1998, ingressou a tempo inteiro no MNE de Moçambique. Em Agosto de 99, foi destacado para trabalhar na Embaixada de Moçambique em Pequim, até 2005. Esteve em Moçambique até ter sido nomeado para o cargo que ocupa desde a passada terça-feira. Na sua terra-natal, cumpriu funções de chefe de departamento e de director adjunto da Direcção Ásia Oceânia (DAO) do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
também está a ser disseminada pela população local, o que ajuda a combater o desemprego e a melhorar a qualidade de vida das pessoas. Com isto, reduzimos o volume de importação de arroz e, a curto prazo, Moçambique passará a exportar arroz para os países vizinhos. A China também está a investir na área dos recursos minerais e está a fazer a prospecção de petróleo e de gás... Existem vantagens mútuas. Moçambique também exporta produtos para China, como madeira e marisco. Tudo isto foi possível com a assinatura de um protocolo sino-áfrica e agora podemos exportar para a China a custo zero. Relativamente à Guiné-Bissau. Que outros projectos existem? Vai também investir na área da agricultura, mas é também desejo dos ministros da Guiné que haja mais investimentos na área das infra-estruturas, ao nível governamental. A China vai restaurar o palácio presidencial e aAssembleia. Para o caso de Angola, há muito investimento na área da habitação, caminhos-de-ferro, agricultura e petróleo. Tem estado envolvido no Fórum Macau desde a sua criação, em 2003. Que balanço faz das actividades até agora? Épositivo.Jáexisteumconhecimento mútuo entre os vários países membros e também já vários quadros profissionais se capacitaram com
“Em Moçambique, eu só zelava pelos interesses do país e agora represento os países de língua portuguesa. É algo mais geral e (...) é, sem dúvida, um grande desafio” acções de formação, por exemplo. Em Macau, o último foi sobre Saneamento e Saúde Pública. Macau, em si, também oferece bolsas de estudos às pessoas dos PLP, tendo prometido aumentar ainda mais esse número. Existe também um fundo que foi anunciado e vai continuar a ser materializado. Os projectos de que falei estão a ser feitos com esse dinheiro. O que espera que possa mudar neste próximo período? Há algum aspecto que considere que precisa de mudança no Fórum Macau? Acho que é preciso dar uma nova dinâmica e encorajar os empresários a investir nos PLP, bem como ajudar a estabelecer parcerias e incentivar a confraternização entre a China e os PLP, mas também entre os próprios países falantes de Língua Portuguesa. É
Neste momento, Portugal está a passar por um período de crise económica, o que pode dificultar o seu papel no Fórum Macau. Qual é a sua opinião? Todos os países têm o seu papel, de acordo com as suas características. Portugal vai agora organizar um seminário e já é uma iniciativa muito boa. Está também a investir em Moçambique, tal como no Brasil. Não posso só falar do papel de Portugal, porque todos os países têm o seu e não são iguais. Aquilo de que um país precisa pode não ser o mesmo do que outro. Que aspectos menos positivos pode realçar? Não houve nada de negativo. O que temos que fazer é promover tudo o que já foi estabelecido. Eventualmente haverá outros projectos para além daqueles de que falei. Quais são as maiores diferenças que nota nas responsabilidades de Secretário Adjunto do Fórum e enquanto director adjunto do DAO? Em Moçambique, eu só zelava pelos interesses do país e agora represento os países de língua portuguesa. É algo mais geral e não estou apenas por Moçambique, mas por todos os países. É, sem dúvida, um grande desafio. Estou muito entusiasmado porque, a nível do secretariado, todos somos uma família e trabalhamos para o bem comum. Há muito apoio para que os meus três anos no Fórum venham a trazer os frutos esperados.
POLÍTICA
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NOVA ASSOCIAÇÃO CRITICA MACAU CONSCIÊNCIA, MAS MANTÉM-SE NO ANONIMATO Diz que é a Verdadeira Consciência de Macau e lança críticas à Macau A nova associação, apesar de Macau é claro a quem pertence a ser um “ataque directo” à Macau associação. “Muitas das partilhas Consciência de Consciência, não apresenta qualdo Facebook são de pessoas que Jason Chao, mas não quer desconforto aos membros do pertencem a outras associações, grupo liderado por Jason Chao, principalmente da Nova Juventude se apresenta além conforme explicou o activista Chinesa”, por isso, “é inevitável ao HM. “Criar associações com fazer ligação entre os dois grupos”. do Facebook. Chao nomes de outras não é incomum. Contactado pelo HM, Alvis Não tenho razões para me sentir Lo, presidente da Nova Juventude assegura que isto é ofendido, nem estou preocupado”, Chinesa diz que não sabe quem são um ataque directo, afirmou o líder do grupo quando os líderes deste novo movimento e confrontando com a semelhança garante que a sua associação não mas não se preocupa do nome dos movimentos. está relacionada com o grupo. “Fui HOJE MACAU
Movimento enigmático
FILIPA ARAÚJO
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C
HAMA-SE Verdadeira Consciência de Macau e surgiu na sexta-feira passada na rede social Facebook. O grupo tem apresentado algumas críticas aos movimentos liderados por Jason Chao e Sulu Sou, tais como o recente protesto contra a eleição da Comissão Eleitoral para o Chefe do Executivo.
O
S Serviços de Saúde (SS) recusaram – pelo menos para já - a possibilidade dos funcionários públicos apresentarem atestados médicos emitidos por clínicas privadas. Numa resposta a uma interpelação escrita a José Pereira Coutinho, Lei Chin Ion, director dos SS, afirma que estes atestados não podem ser aceites. “O atestado médico é obrigatoriamente passado por médicos dos estabelecimentos hospitalares ou centros de saúde, razão pela qual, perante uma falta de um funcionário público, o documento comprovativo emitido por quaisquer médicos registados em clínicas privadas não pode ser considerado como falta justificada do trabalhador”, lê-se no documento. A resposta surge no final do mês de Maio, depois do deputado José Pereira Cou-
Para Chao, a nova associação tem como alvos principais o professor Bill Chou, o activista Sou Ka Hou e o próprio Jason Chao, devido às críticas constantes na plataforma criada pelo novo movimento. “Basta estar atento ao grupo que a associação criou no Facebook e percebemos facilmente que é um ataque directo à Macau Consciência e aos seu membros”, disse, reforçando que esta atitude não interfere em momento algum com o bom funcionamento e prin-
cipal objectivo do grupo: lutar pela liberdade e democracia. O HM tentou perceber quem constitui a nova associação e quem administra a página do Facebook, mas não foi possível obter qualquer esclarecimento. O anonimato dos
autores não é motivo de estranheza para Jason Chao. “Macau é um espaço demasiado pequeno”, diz, referindo que muitas vezes tornar público as opções políticas “pode trazer alguns problemas”. Para o presidente da Novo
FUNÇÃO PÚBLICA ATESTADOS DO PRIVADO RECUSADOS
Governo dá negas
tinho ter apresentado uma interpelação escrita ao Chefe do Executivo, datada de 30 de Abril do presente ano, em que pedia explicações ao Governo sobre a temática, depois de Chui Sai On, Chefe do Executivo, ter afirmado no
hemiciclo a possibilidade dos atestados médicos poderem novamente vir a ser emitidos pelas entidades privadas. Para o deputado esta permissão permitiria melhorar o acesso, por parte dos funcionários públicos, à assistência
Acidentes Deputado culpa condutores com licenças especiais O deputado Zheng Anting considera que, nos últimos anos, a maioria dos acidentes de trânsito foi causada por condutores que possuem licenças especiais de condução. Tal medida chegou ao fim em 2009, mas o deputado refere que ainda há mais de mil condutores com estas cartas. “Segundo as regras os condutores apenas podem utilizar estas cartas
quando precisam de passar a fronteira para um trabalho especial, mas o facto é que estão a utilizálas para outros trabalhos”, defendeu o deputado. Na sua interpelação escrita, Zheng Anting pede ainda que o Governo forneça cursos completos para condutores não residentes, aplicando multas mais graves quando ocorrerem incidentes na rua.
adicionado ao grupo e tenho partilhado algumas opiniões, mas não estou a favor nem contra ninguém, só mostro aquilo que penso e o que represento. Não sei quem são os pioneiros desta nova associação, mas garanto que não estou a favor, nem contra, adicionaram-me, eu aceitei e convidei amigos”, explicouAlvis Lo. O HM entrou também em contactou com o administrador da página da Associação Verdadeira Consciência de Macau mas até à hora do fecho desta edição não recebeu qualquer resposta.
SS Máquinas de suporte de vida “são suficientes”
O
médica, nomeadamente aos serviços de urgência e consultas de especialidade. A emissão dos atestados médicos por clínicas privadas já foi uma possibilidade, que terminou “devido a abusos”. - F.A.
S Serviços de Saúde (SS) disseram a Ng Kuok Cheong que, nos três hospitais de Macau (Conde de São Januário, Kiang Wu e Universidade de Ciências e Tecnologia), há, respectivamente, 81, 54 e 7 máquinas de suporte de vida e que todos são suficientes. Foi o director dos SS, Lei Chin Ion, quem respondeu ao deputado, depois de Ng Kuok Cheong, da Associação Novo Macau, ter exigido numa interpelação escrita que haja uma melhor utilização das máquinas de apoio à respiração nos hospitais. O pedido de Ng chegou depois do deputado ter recebido uma queixa de um residente, cujo familiar idoso esteve na UCI, mas não o terão deixado utilizar a máquina. “Nas últimas duas semanas sofreu muito e os familiares passaram por uma situação lamentável”, escreveu o deputado, referindo-se aos momentos antes da morte do idoso. Ng Kuok Cheong pediu uma racional utilização de recursos e uma melhor comunicação com os pacientes. De acordo com os SS, no hospital público, a utilização desta máquina custa, no primeiro dia, 600 patacas e 300 patacas nos dias seguintes. No sector privado, o doente tem de pagar 780 patacas por dia. Os SS esclarecerem que as máquinas são suficientes no serviço de urgência e na UCI, sendo que as restantes máquinas são para outros departamentos. - C.L.
Sou Tim Peng “Preços são decididos pelo mercado” O director dos Serviços de Economia (DSE) disse ontem que os alimentos são analisados pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e que só depois podem entrar no mercado para comercialização, o que significa que é o próprio mercado que dita os seus preços. Em resposta à interpelação
escrita do deputado Si Ka Lon, Sou Tim Peng disse ainda que o grupo de trabalho interdepartamental vai terminar o trabalho de revisão do sistema de protecção dos consumidores e que irá analisar a situação nas regiões vizinhas e as reais necessidades de desenvolvimento de Macau.
4 política
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ACADÉMICO DEFENDE NECESSIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO NO GOVERNO
Custa muito pedir desculpa? ANTÓNIO FALCÃO
OU Shenghua, professor de Administração Pública do Instituto Politécnico de Macau (IPM), considera que Macau continua atrasado no que diz respeito à Administração e que, desta forma, nunca será possível implementar um Regime de Responsabilização dos Altos Cargos.
“Acho que uma desculpa sincera é algo que a sociedade aceita. Se nem uma desculpa o Governo consegue pedir, será ainda mais difícil governar, devido ao descontentamento da população” LOU SHENGHUA
“Após a transferência de soberania de Macau, a identidade política da população alterou-se e a natureza do regime também. Acho que a ideia do sistema de que ‘a competência de cada funcionário público vem do superior hierárquico’ tem uma falha profunda, que é a chamada competência personalizada e existe um nepotismo. Os oficiais públicos não
se responsabilizam pelos seus cargos, mas pelo dos superiores hierárquicos… então nunca se implementará realmente o Regime da Responsabilização dos Altos Cargos”, disse o
professor ao jornal All About Macau. “A RAEM deve mudar o regime para ‘competência do cargo’, ou seja, a competência vem das próprias funções desempenhadas pelo car-
go, sem se precisar da autorização do superior hierárquico.” O académico considera que Macau ainda continua a utilizar sistemas desactualizados, como os do
REFUGIADOS REPRESENTANTE ESCOLHIDO SEIS MESES DEPOIS
Mexida fora de prazo U M despacho do Chefe do Executivo, publicado ontem em Boletim Oficial, nomeia um novo representante dos Serviços de Migração na Comissão para os Refugiados, mais de meio ano depois de o anterior se ter aposentado. O despacho, que entra em vigor na quarta-feira, designa como vogal Cheang Kam Va, chefe do Serviço de Migração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, em substituição de António dos Anjos Fernandes que, como noticiou a agência Lusa no dia 20 de Junho, cessou funções, a 12 de De-
zembro de 2013, em virtude da sua aposentação, pelo que o seu substituto é nomeado mais de seis meses depois. A Comissão para os Refugiados, estabelecida em 2004 no quadro do Regime de Reconhecimento e Perda do Estatuto de Refugiado, é composta por um presidente, função que tem de ser exercida por um magistrado judicial ou do Ministério Público, e quatro vogais. A lei determina que dois dos vogais são designados pelo Secretário para a Segurança (incluindo um dos Serviços de Migração), um pela Secretária para a Ad-
ministração e Justiça (com formação jurídica) e um outro pelo Secretário para osAssuntos Sociais e Cultura (que tem de pertencer ao Instituto de Acção Social), prescrevendo que todos são nomeados por despacho do líder do Governo a publicar em Boletim Oficial. Em dez anos, esta foi a terceira mexida na sua composição, depois de, em 2005, Carla Cristina Ribeiro Mendonça, jurista do Gabinete para os Assuntos do Direito Internacional (hoje fundido na Direcção dos Serviços da Reforma Jurídica e do Direito Internacional), ter substituído
Armando Morais e de, em 2012, Au Chi Keung, chefe do Departamento da Família e Comunidade do Instituto de Acção Social, ter ocupado o lugar de Isabel Maria Ho. Embora, no passado, Macau tenha figurado como porto de abrigo para milhares de deslocados, actualmente a atribuição do estatuto de refugiado continua a ser como uma miragem no território. Até Setembro de 2011, esse estatuto nunca tinha sido reconhecido na RAEM e, segundo fontes de organizações não-governamentais ouvidas pela agência Lusa, desde então nada mudou. - LUSA
tempo da administração portuguesa. Lou Shenghua diz ainda que, caso se demore muito tempo a implementar o Regime de Responsabilização, então não se consegue nunca
inquirir a quem de direito sobre a responsabilidade, fazendo com que a confiança da população vá diminuindo e surjam suspeitas sobre o Governo. “Se o governo e a população desconfiam de tudo mutuamente, mesmo que o Governo apresente políticas melhores, a população considera que há, na mesma, problemas. O que a população de Macau apela mais é a responsabilidade da Administração, portanto, se os oficiais fizerem erros na política e na Administração, deverão ser responsabilizados. É o requisito básico e crítico de um Governo.” Lou Shenghua diz ainda que, mesmo não tendo este regime, o mínimo que os funcionários deveriam fazer quando erram era pedir desculpa. “É um princípio que até as crianças já entendem. No entanto, aconteceram vários problemas no Governo durante estes anos, que causaram muitas críticas e queixas da população, e até agora raramente a população ouviu desculpas dos oficiais do Governo. No Governo não há uma cultura de pedir desculpa, se calhar porque se preocupam com o que isso poderá fazer ao prestígio do Governo. Contudo, estão a pensar erradamente. Acho que uma desculpa sincera é algo que a sociedade aceita. Se nem uma desculpa o Governo consegue pedir, será ainda mais difícil governar, devido ao descontentamento da população.” - F.F.
Habitação pública Paulo Tse defende proporção igual
O
presidente da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial de Macau, Paulo Tse, disse ao jornal Ou Mun que, nos últimos anos, o Governo tem dado mais atenção à habitação económica, ignorando a habitação social. Por isso, defende uma igual proporção nas casas públicas. “Acho que a habitação social tem muito espaço para ser desenvolvida, como, por exemplo, para os jovens que não têm capacidade para comprar a sua casa ou mesmo nos casos em que os pais oferecem a casa para os seus filhos, e estes arrendam
uma habitação social. Acho que o limite máximo de rendimento deveria ser ajustado para que mais pessoas possam beneficiar deste tipo de habitação. A curto prazo, a proporção devia ser de um para um”, disse Paulo Tse. Já Chong Sio Kin, presidente da Associação Geral do Sector Imobiliário de Macau, disse ao mesmo jornal que Macau tem muita carência de terrenos, defendendo que o Governo deve ter mais reservas de terras. A longo prazo, Chong Sio Kin pede que sejam utilizados mais recursos na construção de habitação social. - F.F.
SOCIEDADE
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ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
S histórias são partilhadas por todos: estrangeiros e locais. Todos já passaram pela experiência de tentar apanhar um táxi e não conseguir, ou de verem a sua entrada negada porque há um turista à espreita que vai pagar mais. São estas histórias que os criadores de um novo grupo na rede social Facebook querem recolher e mostrar ao Governo.Acomunidade online chama-se “AVergonha dos Condutores de táxi de Macau” (Macau Taxi Driver Shame, no original) e foi criada esta semana, contando já com 258 membros e muitas histórias “de horror” que são apenas “a ponta do icebergue”, como disse Andrew Scott, um dos administradores do grupo, ao HM. “Alguém publicou num grupo do Facebook uma má história com um condutor de táxi e de imediato centenas de pessoas começaram a comentar. Tornou-se óbvio de que imensas pessoas já tinham vivenciado as mesmas histórias. E a maioria começaram assim: apanha-se um táxi, o condutor abranda para ver se és um turista da China a quem pode pedir mais dinheiro. Se ele perceber que é um local, recusa transportar e diz que está no período de turnos”, disse o também jornalista. Sloane Jorba, outro dos membros do grupo, conta que “a ideia inicial começou com uma pergunta: o que é que podemos fazer? Onde nos podemos queixar?”, explicou ao HM. Tudo porque “é muito difícil apresentar uma queixa e o processo não é claro”, explicou Philip (nome fictício). Apesar de ainda não haver uma data concreta para a apresentação da carta ao Governo, Andrew Scott garante que esse é mesmo o objectivo. “Espero que o Governo possa reagir de forma positiva, com um desejo genuíno para resolver o problema. Se quer genuinamente melhorar a imagem de Macau, a sua reacção deveria ser a de fazer uma limpeza ao sector. Vamos criar em Macau um
TÁXIS GRUPO NO FACEBOOK QUER ENTREGAR CARTA AO GOVERNO
Pelas próprias mãos
Chama-se “A Vergonha dos Condutores de Táxi de Macau” (Macau Taxi Driver Shame, em inglês) e é um grupo de 258 membros no Facebook que pretende recolher as piores histórias vividas por passageiros de táxi e mostrá-las ao Executivo. Andrew Scott espera uma reacção pró-activa do Governo
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mesmo sendo a situação urgente. “Implorei que me abrisse a porta e disse mesmo em chinês que queria ir para o hospital, mas ele nem olhou para mim”, conta ao HM. Philip, residente em Macau há nove anos, acredita que a forma como as coisas têm vindo a ser feitas até aqui deveria mudar, não apenas para os residentes mas também para os turistas. “Essa é a responsabilidade do Governo. Não podemos dizer que as coisas sempre foram assim e vão ser sempre assim. Macau já não é uma terra de pescadores”. Tanto Sloane, como Philip defendem que, mais do que melhorar o sector dos táxis, Macau necessita de um bom sistema de transportes, uma vez que os autocarros também não são eficazes.
“Se quer genuinamente melhorar a imagem de Macau, a sua reacção, (do Governo), deveria ser a de fazer uma limpeza ao sector.” ANDREW SCOTT administrador do grupo
sector dos táxis do qual nos possamos orgulhar”, disse ainda Andrew Scott. Sloane Jorba garante que vai participar no projecto, mas não está tão confiante. “Sinceramente não espero que nada mude com base no que já ouvi.”
DIMINUIR O VALOR DAS LICENÇAS
Os três membros do “Macau Taxi Driver Shame” defendem que o dinheiro move este sector, sendo queAndrew Scott defende medidas específicas. “Se é verdade que o valor das licenças de táxi tem influência, então o Governo necessita diminuir o valor das licenças para que o sector se
torne viável e próximo dos passageiros”, explica ao HM. Um dos membros do grupo chegou mesmo a propor a criação de um negócio privado de táxis, em que proprietários de automóveis poderiam trabalhar para a empresa, que teria uma comissão de 25%. A empresa iria fornecer o website e serviço telefónico. Dando como exemplo os sectores de táxi de cidades
como Taiwan ou Xangai, Andrew Scott defendeu ainda que “o Governo tem ganhos bastante elevados e há muito dinheiro para criar um bom sistema de regulação”, com um sistema efectivo sobre os valores cobrados e o comportamento dos taxistas. Sloane Jorba, britânico, já passou por casos diferentes desde que vive em Macau. Desde um taxista expulsá-lo
“Alguém publicou num grupo do Facebook uma má história com um condutor de táxi e de imediato centenas de pessoas começaram a comentar.” ANDREW SCOTT administrador do grupo
do veículo, na Taipa, porque o condutor optou por transportar turistas do continente, a ter um outro condutor a tirar-lhe uma nota de 500 patacas da mão, porque não tinha troco, quando a tarifa era bastante inferior. Passou ainda pela situação de ter a companheira, grávida, à espera de táxi num dia quente, sem sucesso. Também Marta (nome fictício), portuguesa a viver na RAEM, teve uma situação semelhante: a precisar de ir rapidamente a um hospital, correu para um taxista que tinha o sinal de ‘livre’ aceso. Quando chegou à porta, contudo, o motorista “trancou as portas e desceu o sinal”,
Ideia semelhante tem Andrew Scott. “Tanto o Governo de Macau como o Governo Central querem que Macau diversifique a economia e que se torne num local de turismo e lazer de excelência. Mas o sector dos táxis é a porta de entrada a essa indústria do turismo, e qual é a primeira coisa que um turista vê quando chega a Macau no terminal de ferry? Tem de apanhar um táxi. O Governo não deveria envergonhar-se disto?”, defende o jornalista. Actualmente, devido ao sistema vigente em Macau, a polícia não tem qualquer autoridade para punir os taxistas que tenham este tipo de comportamento.
6 sociedade
hoje macau quinta-feira 3.7.2014
SAÚDE CENTRO DO EDIFÍCIO DO LAGO ESTÁ DOIS ANOS ATRASADO
INVESTIGAÇÃO SOBRE PRESCRIÇÃO ERRADA NO SÃO JANUÁRIO
Na eterna sala de espera Quando, quando, quando....? é o refrão de uma canção bem conhecida, mas podia também ser o lema desta cidade à beira delta plantada... CECÍLIA LIN
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
É
o segundo anúncio no espaço de um mês: depois do Centro de Saúde de São Lourenço, também as obras no Centro de Saúde do Carmo, no Edifício de Lago na Taipa, estão atrasadas. O novo espaço deveria ter aberto na segunda metade do
ano passado, mas agora só para o segundo trimestre de 2015. De acordo com o vice-director dos SS, Cheang Seng Ip, a causa dos atrasos deve-se ao tempo da concepção do centro e ao tempo de demora na aprovação das obras. Numa apresentação sobre o projecto aos membros do Conselho Consultivo dos Serviços Comunitários das ilhas, o responsável diz que, agora, foi já emitida uma nova licença para que se façam as restantes obras de decoração, mas ainda é necessário esperar, pelo menos, até Abril ou Junho do próximo ano, ou seja, dois anos depois da suposta conclusão. Entretanto, as autoridades estão já a fazer “recrutamentos urgentes” de médicos e enfermeiros par ao novo centro. Na reunião do Conselho, houve quem apontasse que, com o aumento da população da Taipa, apenas um centro de saúde que actualmente existe nos Ocean
Garden não é suficiente para tratar de todos os pacientes.
HOSPITAL COM PESSOAL DE FORA
Quando este novo centro estiver pronto vai ser o maior de Macau, sendo que terá também um centro de tratamento de metadona para toxicodependentes. Sobre a data de conclusão do novo Hospital das Ilhas, os SS garantem que não há obras atrasadas, mas mostraram a sua preocupação relativamente aos recursos humanos para o hospital. Seja como for, garantem, já
O novo espaço deveria ter aberto na segunda metade do ano passado, mas agora só para o segundo trimestre de 2015 PUB
há mecanismos de importação de médicos e enfermeiros para completar os recursos em falta. Na reunião, também houve quem questionasse por que é necessário tanto tempo de preparação para a construção do hospital - cinco anos - e as autoridades explicaram que o Governo “não tinha experiência”.
SEAC PAI VAN EM ESPERA
Além dos moradores da Taipa, também os moradores da habitação pública em Seac Pai Van esperam que os serviços de saúde melhorem no Centro de Saúde do local. Os moradores já se têm vindo a queixar e, na reunião, disseram mais uma vez que o centro temporário não tem serviços suficientes e que não está sempre aberto. Contudo, Cheang Seng Ip discorda e diz que os pacientes são sempre atendidos. “Para já ainda não houve moradores que não conseguiram fazer uma consulta urgente”, disse o vice-director.
Os Serviços de Saúde (SS) estão a fazer uma investigação a um médico que terá, alegadamente, prescrito a medicação errada a um recémnascido, em Julho do ano passado. O médico, do Centro Hospitalar do Conde de São Januário, foi denunciado numa rede social. “Está a decorrer uma investigação de modo a averiguar, internamente, os factos relatados”, frisa um comunicado. “No entanto - e para que exista um cabal esclarecimento da opinião pública divulga-se preliminarmente alguns dos factos que envolvem esta situação.” O caso remonta a Julho de 2013, quando foi detectado no bebé uma doença de sangue numa análise de rotina. No mês seguinte, o médico do serviço de pediatria prescreveu medicação e, “por causas que ainda vão ser apuradas” o hospital “distribuiu antibióticos de forma errada”, dizem os SS. “Quando o erro foi detectado, o [hospital] tomou de imediato uma série de medidas correctivas, incluindo a suspensão dos medicamentos e a transferência do recém-nascido, com o devido acompanhamento pelos médicos, para o Hospital Queen Mary em Hong Kong.” Foi só após ser transferido para a região vizinha que a situação da criança melhorou. “Os SS deram conhecimento aos pais que iriam proceder a uma minuciosa investigação interna para apuramento dos factos, apresentando, por isso, um pedido de desculpas e disponibilizando de imediato todos os meios possíveis para garantir os melhores cuidados médicos ao bebé, bem como toda a assistência médica necessária”, garantem os SS, que afirmam ainda que os resultados da investigação serão “imediatamente” anunciados.
DADOS PESSOAIS GPDP APLICOU MULTAS A APENAS 7,8% DOS CASOS INVESTIGADOS
“Crime” sem castigo
ANDREIA SOFIA SILVA
andreia.silva@hojemacau.com.mo
O
relatório anual do Gabinete de Protecção dos Dados Pessoais (GPDP) não deixa margem para dúvidas: lojas e associações sem fins lucrativos continuam a ser as duas áreas que mais queixas originam por parte de quem fornece os seus dados. O sector do comércio por grosso e a retalho surge em primeiro lugar com 22 queixas, seguindo-se serviços pessoais com 16 e logo a seguir as associações ou pessoas colectivas sem fins lucrativos, com 15. O sector financeiro também originou 13 reclamações o ano passado, sendo que a área do jogo gerou apenas nove queixas junto do GPDP. Advogados, contabilistas, construção ou média foram áreas que não geraram qualquer queixa. No geral, a maior parte
das queixas recebidas pelo GPDP continua a vir do sector privado, que representa uma fatia de 77%. Já o sector público origina apenas 11,5% das reclamações. Em 47,5%, os casos chegaram ao GPDP por via da queixa, seguindo a denúncia, em 31,2% dos casos. Apesar dos números, o GPDP continua a não aplicar um grande número de multas por violação da utilização de dados pessoais. Apenas 7,8% dos 103 processos de investigação concluídos foram alvo de sanções, sendo que 49,5% resultaram em “sugestões de melhoria a entidades”. O mesmo relatório aponta a abertura de 141 casos de investigação o ano passado, um aumento de 19,5% face a 2012. Cerca de 62,4% referem-se à falta de legitimidade do tratamento dos dados, enquanto que 25,5% referem-se à não observação dos princípios de tratamento de dados.
Ao nível das consultas sobre dados pessoais, foram pedidas 2276 ao GPDP, sendo que as consultas sobre a área da videovigilância ocupam o segundo lugar da lista, com 40,5%.
NÚMEROS • 22 queixas de comércio por grosso e retalho • 16 queixas de serviços pessoais • 15 queixas de associações ou pessoas colectivas sem fins lucrativos • 13 queixas de sector financeiro • 9 queixas de sector do jogo • 0 queixas de advogados, contabilistas, construção ou média
sociedade 7
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FÓRUM MACAU MINISTROS DOS PLP QUEREM APRENDER COM A CHINA
nacional e das Comunidades, disse ter “muita esperança no evento”, que culminará com um seminário em Pequim. Ao reflectir sobre o actual estado da Guiné-Bissau, o ministro afirmou que o país está agora a recuperar de momentos de alguma “turbulência” governamental, depois das recentes eleições legislativas. “Esta é uma das portas da Guiné ao mundo”.
Importar, exportar e plantar LEONOR SÁ MACHADO
leonor.machado@hojemacau.com.mo
O
Ministro da Planificação e Desenvolvimento de Moçambique, Aiuba Cuereneia, disse que o país africano quer aprender com a experiência da China e que as áreas que mais recursos precisam são a agricultura e a construção civil. A declaração foi feita à margem do 5º seminário Ministerial de Globalização Económica, que contou com a presença do Secretário para a Economia e Finanças, Francis Tam, vários ministros dos Países de Língua Portuguesa (PLP) e representantes do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países da Língua Portuguesa. “Isto [a realização do seminário] vai permitir um intercâmbio entre nós [PLP] e esperamos ainda ouvir a experiência da China na área da globalização da economia, que é extremamente importante para nós. Vamos encontrar-nos com os Ministros do Comércio [em Pequim] e das Finanças. Acreditamos que a experiência da China na área da agricultura é extremamente importante para ser aproveitada pelos países africanos”, disse Cuereneia, à margem de um almoço oferecido por Francis Tam.
“Acreditamos que a experiência da China na área da agricultura é extremamente importante para ser aproveitada pelos países africanos” AIUBA CUERENEIA Ministro da Planificação e Desenvolvimento de Moçambique
A principal prioridade é a agricultura e o Ministro moçambicano avançou que já há “bastante investimento chinês” neste sector. A construção é outra das prioridades, havendo até já uma empresa de Macau com projectos pensados para Moçambique, nomeadamente a construção de uma fábrica para materiais e de condomínios de habitação. “Isso vai permitir o incremento do país”, disse. Segundo Cuereneia, só estes investimentos estão calculados entre os 1,6 e os 2,3 mil milhões de patacas.
Embora o país esteja em falta em várias outras áreas, é o sector de habitação que mais atenção precisa neste momento. A mesma empresa está igualmente a desenvolver um projecto para criar uma fábrica de materiais de construção civil.
DA TEORIA À PRÁTICA
Vicente de Jesus Manuel é o novo Secretário-geral Adjunto do Fórum de Macau e afirma que “as portas estão todas já abertas”, sendo o principal desafio agora desenvolver questões concretas da
CEM MAIS UM TERRENO PARA POSTO DE ELECTRICIDADE
Companhia de Electricidade de Macau (CEM) vai ter mais um novo terreno para a construção de um posto de subestação de electricidade. O lote foi concedido pelo Governo por arrendamento. O anúncio, assinado pelo Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Lau Si Io, foi ontem publicado em Boletim Oficial e garante à CEM o terreno situado em Macau, junto à Avenida do Comendador Ho Yin, com a área de 782 metros quadrados. O objectivo é permitir que a electricidade chegue em condições à população da zona norte. “A fim de garantir a estabilidade do fornecimento de energia eléctrica na zona norte para o ano de 2014, bem como satisfazer o aumento e necessidade no futuro consu-
TIAGO ALCÂNTARA
Estabilidade na zona norte A
parte económica e comercial. “Eles pretendem obter uma segurança elementar e a parte da agricultura é muito crucial para esses países. Também precisamos da parte do ‘know-how’ e da industrialização e desenvolvimento de pequenas e médias empresas. O Brasil e Portugal também têm experiência nessa área, por exemplo”, explicou o novo responsável, que entrou em funções na terça-feira. O guineense Fernando Delfim da Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros da Cooperação Inter-
mo de energia nessa zona, a CEM solicitou ao Chefe do Executivo a concessão, por arrendamento e com dispensa de concurso público, do terreno”, pode ler-se no Boletim Oficial. O pedido foi apreciado pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), que considerou que o projecto reúne condições para ser autorizado, por se tratar de uma infra-estrutura que permitirá satisfazer necessidades futuras de fornecimento de energia eléctrica resultante do desenvolvimento daquela zona. O contrato de arrendamento é válido até 31 de Dezembro de 2025, podendo ser renovado e a CEM terá que pagar uma renda anual de cerca de 21 mil patacas após a construção das infra-estrutura. Segundo o Boletim Oficial as rendas serão revistas de cinco em cinco anos. Cabe também à companhia de electricidade pagar pouco mais de 797 mil patacas a título de prémio do contrato. - F.A.
“Mais importante ainda é que Macau nos ajuda a projectar a nossa posição política e económica nesta parte do mundo, que é economicamente muito dinâmica. Espero que as instituições políticas saibam abrir caminho para que as empresas se cruzem mais e se vão desenvolvendo”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros. “Vamos retomar, com maior intensidade, uma cooperação antiga, que já vem dos PALOP e do quadro CPLP. Vamos continuar a intensificar as nossas relações e a diversificar”, rematou Fernando Delfim da Silva.
AAM realiza provas orais para advocacia
Dias 5, 10 e 12 de Julho, terão lugar as provas orais do exame de admissão ao 1º curso de estágio da advocacia deste ano, na Associação dos Advogados de Macau. Com início às 9:30 horas nos dias 5 e 12, e às 18:00 horas no dia 10, as provas vão ser feitas de forma aberta ao público e no total serão avaliados 24 candidatos.
Panda Sam Sam Relatório de autópsia inicial pronto
De acordo com a Secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, o relatório da autópsia ao panda fêmea Sam Sam, aponta para uma insuficiência renal, tal como se havia suspeitado inicialmente. O documento inicial foi realizado por especialistas de Taiwan e Hong Kong. De acordo com notícia avançada pela Rádio Macau, Florinda Chan afirmou que apenas vai reagir quando for divulgado um relatório mais detalhado da autópsia, devendo tal acontecer no prazo estabelecido pela equipa de medicina legal, que está a tentar apurar a causa da morte do panda fêmea, que tinha cinco anos. “O relatório inicial que foi feito confirma que foi por causa daquele problema [insuficiência renal]. Estamos ainda a fazer, com os peritos, um relatório mais completo que havemos de divulgar. Depois, teremos de ver passo a passo. Acho que [o relatório será divulgado] entre duas a três semanas, conforme os peritos disseram. Estou a acompanhar, mas obviamente dependo das conclusões desses peritos”, explicou Florinda Chan.
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CHINA
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PEQUIM QUALIDADE DO AR ATINGIRÁ PADRÕES INTERNACIONAIS EM 2030
Uma lufada de ar fresco Yang Jiechi telefona para secretário de Estado norte-americano
O conselheiro de Estado da China, Yang Jiechi, conversou ontem por telefone com o secretário de Estado norteamericano, John Kerry. Na ocasião, Yang disse que as relações sino-norte-americanas mantêm-se, no geral estáveis, e os dois países conseguiram bons notáveis no desenvolvimento de novas relações entre as duas potências. Jiechi sublinhou que as duas partes devem impulsionar, ainda, o intercâmbio e a cooperação de alto nível e tratar das divergências de maneira construtiva. Segundo Yang, a China está atenta ao diálogo entre os dois países, que serão realizados este mês, em Pequim. Por sua vez, Kerry também manifestou o desejo de trabalhar em conjunto com a parte chinesa para conseguir bons resultados na nova ronda de diálogos bilaterais. As duas autoridades trocaram ainda opiniões sobre outras questões regionais e internacionais, de interesse comum.
A maior fábrica de produtos electrónicos do mundo
As autoridades dizem que é preciso tempo para dar a volta aos acontecimentos. A missão não é fácil e os responsáveis definem agora 2030 como o ano em que se poderá respirar sem riscos na capital chinesa
A
qualidade do ar em Pequim, um dos piores indicadores ambientais da capital chinesa, deverá atingir os parâmetros definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) dentro de 16 anos, prevê um responsável municipal citado ontem pelo China Daily. A concentração de partículas PM2.5 - as mais finas e susceptíveis de se infiltrarem nos pulmões - tenderá “gradualmente” a diminuir, não devendo ultrapassar os 35 microgramas por metro cúbico em 2030, disse Pan Tao,
director do Instituto Municipal de Investigação sobre Protecção Ambiental. “Melhorar a qualidade do ar não vai ser uma tarefa fácil. É preciso tempo e trabalho para inverter o rumo”, disse Pan Tao. Em 2013, a intensidade média de partículas PM2.5 em Pequim foi 89,5 microgramas por metro cúbico, quase o triplo do máximo preconizado pela OMS . Em Janeiro daquele ano, em algumas zonas da cidade, chegou mesmo a exceder os 900 microgramas, originando um nova palavra - “arpocalipse”. O governo municipal de Pequim fixou como meta baixar aquele valor para 60 microgramas por metro cúbico até 2017: “Continuará a ser prejudicial para a saúde, mas alcançar esse objectivo é já um grande desafio”, afirmou Pan Tao. Sede de um município com cerca de 21 milhões de habitantes e mais de cinco milhões de veículos, Pequim está rodeada de algumas das cidades mais poluídas da China e cuja principal fonte de energia continua a ser o carvão. Em Março passado, o novo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, anunciou que o governo ia declarar “guerra à poluição” e prometeu que já este ano seriam encerradas “50.000 pequenas caldeiras e fundições alimentadas a carvão”. “Iremos declarar guerra à
“Melhorar a qualidade do ar não vai ser uma tarefa fácil. É preciso tempo e trabalho para inverter o rumo” PAN TAO Director do Instituto Municipal de Investigação sobre Protecção Ambiental
poluição e lutaremos com a mesma determinação com que combatemos a pobreza”, disse Li Keqiang. Em 2013, o turismo em Pequim caiu 10% em relação a 2012, devido em parte à má qualidade do ar, e a poluição tornou-se uma das principais fontes de descontentamento social, quase ao nível da corrupção.
HONG KONG MAIS DE 500 DETIDOS APÓS MANIFESTAÇÃO
O ministro da Indústria e da Tecnologia de Informação da China, Miao Wei, disse ontem em Pequim que o país já se tornou a maior base de fabricação de produtos electrónicos do mundo. Segundo o ministro, no ano passado, as receitas da indústria da informação electrónica atingiram cerca de 12,4 biliões de yuans e o valor total de exportações e importações do sector foi de cerca de 1,33 biliões de yuans. Miao Wei revelou que a China já conseguiu grandes avanços nas áreas das telecomunicações, computadores de alta capacidade, televisão digital etc.. mas confessou também que, em comparação com os países mais avançados do mundo, a indústria da informação electrónica chinesa ainda está limitada.
Polícia forçada a intervir A polícia de Hong Kong deteve esta terça-feira mais de 500 manifestantes que se recusaram a abandonar o distrito financeiro de Hong Kong, após um comício PUB
Aviso Faz-se público que se acha aberto o concurso comum, de ingresso externo, de prestação de provas, para o preenchimento de três lugares de técnico-adjunto de radiocomunicações de 2.ª classe, 1.º escalão, da carreira de técnico-adjunto de radiocomunicações, em regime de contrato além do quadro, da Direcção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações. Os respectivos detalhes constam do Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau, n.º 27, II série, de 2 de Julho de 2014 e estão divulgados nas páginas electrónicas desta Direcção dos Serviços (http://www.dsrt.gov.mo) e da Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública. Podem também ser obtidos na Divisão Administrativa e Financeira desta Direcção dos Serviços sita na Avenida do Infante D. Henrique, n.ºs 43-53A, The Macau Square, 22.º andar, Macau. Direcção dos Serviços de Regulação de Telecomunicações, aos 26 de Junho de 2014. O Director dos Serviços, Substituto Hoi Chi Leong
pró-democracia com a participação de centenas de milhares de pessoas. As detenções ocorreram no final da manifestação pacífica na terça-feira, realizada anualmente por ocasião do aniversário da transição do Hong Kong da Grã-Bre-
tanha para a China em 1997. As autoridades intervieram por volta das 03:00 em Central, distrito financeiro onde estão concentrados escritórios, bancos e centros comerciais, com as forças da ordem a dispersarem os manifestantes da marcha de
terça-feira que tinham decidido permanecer no local até de manhã. A polícia “deteve 511 pessoas que participaram numa assembleia que não foi aprovada”, disse um porta-voz da polícia à AFP. Deputados pró-democratas estavam entre os detidos, informou a imprensa local. Segundo a organização, o dia 1 de Julho deste ano ficará para a história como o maior protesto de sempre, com a participação de meio milhão de pessoas. Estimativas oficiais indicam a participação de 98.600 pessoas na manifestação de terça-feira. Os manifestantes saíram à rua para exigir a democracia plena no território e menos intervenção por Pequim, e a implementação do sufrágio universal para a eleição do chefe do Executivo de Hong Kong, entre outras reivindicações. O chefe do Governo de Hong Kong é escolhido por um colégio eleitoral formado por 1.200 membros, representativos dos diversos sectores da sociedade, dominado por elites pró-Pequim.
REGIÃO
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ÍNDIA NOVO PROTESTO CONTRA ESCUTAS DA NSA
COREIA DO SUL “MULHERES DE CONFORTO” EM MISSA PAPAL
Índia convocou um diplomata da embaixada norte-americana em Nova Deli para protestar contra as escutas da Agência Nacional de Segurança (NSA) que visaram o partido nacionalista hindu, actualmente no poder, disse ontem um alto responsável indiano. “Nós temos dito que esperamos uma resposta e a garantia de que tal não voltará a acontecer”, declarou à agência noticiosa AFP a fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros. A NSA obteve em 2010 a autorização jurídica para espiar as comunicações em 193 países, e em particular monitorizar na Índia o Bharatiya Janata Party (BJP), do
S mulheres coreanas que foram usadas como escravas sexuais do exército japonês na II Guerra Mundial foram convidadas a assistirem à missa celebrada pelo Papa Francisco em Agosto em Seul, informaram na terça-feira os organizadores. “Convidámos as vítimas para essa missa, para a paz e reconciliação”, disse à AFP, sob
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À espera de respostas Em nome da reconciliação A A primeiro-ministro Narendra Modi (no poder desde o fim de Maio), segundo documentos obtidos pelo Washington Post junto do antigo agente da NSA Edward Snowden. A Índia já tinha protestado em duas ocasiões junto dos Estados Unidos, em Julho e Novembro do ano passado, após a revelação de que a sua missão na ONU em Nova Iorque e a sua embaixada em Washington tinham sido colocadas sob escuta. Nas duas ocasiões, Washington respondeu que estava a estudar o que poderia partilhar sobre o seu programa de espionagem, sem dar mais informações. “Nós dissemos que queremos uma resposta, o que nunca obtivemos”, vincou a fonte ministerial. Nos próximos meses está previsto um encontro do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, com membros do Governo de Narendra Modi, na Índia. O primeiro-ministro indiano deverá deslocar-se aos Estados Unidos em Setembro, para a Assembleia-Geral das Nações Unidas, e encontrar-se pela primeira vez com o presidente norte-americano, Barack Obama.
a condição de anonimato, um porta-voz do comité da organização da visita papal. A missa vai ser realizada a 18 de Agosto na catedral Myeongdong em Seul. O comité da organização ignora quantas mulheres, bastante idosas, poderão responder ao convite. Durante a missa, é esperado que o Papa Francisco dirija uma mensagem a estas mulheres, re-
duzidas à condição de escravas sexuais ao serviço dos soldados japoneses há 70 anos e designadas pelo nome de “mulheres de conforto”. A maior parte dos historiadores avalia em 200.000 o número de “mulheres de conforto”, composto principalmente por coreanas, mas também por chinesas, indonésias, filipinas e mulheres de Taiwan.
Timor Situação económica a melhorar
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MA sondagem realizada em Timor-Leste, a pedido da Asia Foundation, demonstrou que mais timorenses acreditam que a situação económica do agregado familiar melhorou nos últimos dois anos, refere um comunicado divulgado terça-feira pela organização. A sondagem, reali-
zada pela organização não-governamental Belun junto de 820 adultos espalhados por todo o país, demonstrou também que, para melhorar a sua qualidade de vida, as pessoas pedem acesso a água potável na sua área de residência e a reabilitação de estradas. Segundo o comunicado, dos en-
trevistados, 54 por cento considerou a situação económica do seu agregado familiar como um “bocado melhor” e nove por cento como “muito melhor”. O comunicado acrescenta que a aquele número aumentou cinco pontos percentuais em relação à última sondagem.
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Anúncio 【N.º 201407-1】
AVISO ﹝Nº385/2014﹞ Avisam-se os herdeiros dos ex-arrendatários abaixo mencionados que os objectos existentes nas fracções abaixo mencionadas foram, temporáriamente, guardados pelo Instituto de Habitação: AU SE IEONG – 7ºandar sala nº712, do Edifício D.Julieta Nobre de Carvalho C, sito na Avenida Artur Tamagnini Barbosa, em Macau; WU WAI LIM – 24ºandar sala M, do Edifício Cheng Nga, da Habitação Social da Ilha Verde, sito na Estrada Nova da Ilha Verde, em Macau; LEONG HONG – 9ºandar sala CE, do Edifício Cheng Chong, da Habitação Social da Ilha Verde, sito na Estrada Nova da Ilha Verde, em Macau. Caso queiram reclamar os referidos objectos, deverão dirigir-se à Divisão de Fiscalizaçâo Habitacional do IH, sita no nº102 da Travessa Norte do Patane, no prazo de 30 dias, a contar da publicação do presente aviso. Se não reclamarem os objectos acima mencionados dentro do prazo estabelecido, o IH tratará, como melhor entender, os mesmos. Macau, aos 30 de Junho de 2014. A Presidente Substituta, Kuoc Vai Han
Torna-se público que, nos termos do artigo 29.º do Regulamento Administrativo n.º 5/2014 (Regulamentação da Lei do planeamento urbanístico), vai proceder-se à recolha de opiniões dos interessados e da população respeitantes aos projectos de Planta de Condições Urbanísticas (PCU) elaborados para os lotes abaixo indicados: ─ Processo N.º: 88A004, Terreno junto ao Caminho das Hortas(Povoação de cheok Ká) – Taipa ─ Processo N.º: 88A210, Rua de S.Domingos nos 16A-16E e Travessa da Sé nos 1-5 – Macau ─ Processo N.º: 90A164, Estrada de Coelho do Amaral nos 88B-88C e Avenida de Horta e Costa nos 96-100 – Macau; ─ Processo N.º: 90A209, Avenida de Demétrio Cinatti nos21B-22 – Macau ─ Processo N.º: 91A226, Rua do Pagode no 38 – Macau ─ Processo N.º: 94A124, Terreno junto à Povoação de Cheok Ká(TN17) – Taipa ─ Processo N.º: 2004A053, Terreno junto à Estrada do Istmo e Estrada da Baía de Nossa Senhora da Esperança – Cotai ─ Processo N.º: 2005A077, Largo da Ponte nos 2-4 – Taipa ─ Processo N.º: 2012A025, Rua das Estalagens nos 12-12A – Macau ─ Processo N.º: 2012A035, Terreno junto à Rua de San Lei – Coloane ─ Processo N.º: 2013A077, Rua dos Ervanários no 31 – Macau ─ Processo N.º: 2014A005, Um columbário num terreno junto à Estrada da Ponta da Cabrita – Taipa ─ Processo N.º: 2014A015, Terreno junto ao Largo do Cais – Coloane ─ Processo N.º: 2014A018, Rua do Caetano no 65 – Coloane Para efeitos de referência, os projectos de PCU dos lotes supracitados já estão disponíveis para consulta no Departamento de Planeamento Urbanístico, situado na Estrada de D. Maria II n.º 33, 19º andar, Macau, e encontram-se afixados na Rede de Informação de Planeamento Urbanístico desta Direcção de Serviços (http:// urbanplanning.dssopt.gov.mo). O período de recolha de opiniões tem a duração de 15 dias e decorre entre 7 de Jul de 2014 e 21 de Jul de 2014. Os interessados e a população poderão apresentar as suas opiniões sobre os projectos de PCU referidos, mediante o preenchimento do formulário O011, o qual pode ser descarregado nos websites http://urbanplanning.dssopt. gov.mo ou www.dssopt.gov.mo, ou levantado nesta Direcção de Serviços (Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau), podendo submetê-lo no período de recolha de opiniões através dos seguintes meios: ─ Comparecendo pessoalmente: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau, durante o horário de expediente nos dias úteis ─ Correio: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau (o prazo limite de entrega é contado a partir da data de envio indicada no carimbo do correio) ─ Fax: 2834 0019 ─ Email: pcu@dssopt.gov.mo Para mais informações pode pesquisar o website http://urbanplanning.dssopt.gov.mo e para qualquer informação adicional queira contactar o Centro de Contacto desta Direcção de Serviços (8590 3800). Macau, aos 27 de Junho de 2014 O Director dos Serviços, Jaime Carion
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MUNDIAL
hoje macau quint
DADOS DOS JOGOS
“SALTILLOS” E VERGONHAS QUE TAIS
Quando o dinheiro fa MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo
A
I, o vil metal, o vil metal. Para três das cinco selecções que representaram o continente africano na fase final do Campeonato do Mundo, a vigésima edição da mais prestigiada competição futebolística mundial poderá entrar para a história das respectivas selecções mais pelo que sucedeu fora das quatro linhas do que pelos feitos e pelos tentos alcançados dentro delas. Antes ainda do Gana ter ameaçado boicotar o derradeiro jogo da fase de grupos frente a Portugal, já a selecção camaronesa de futebol tinha sido notícia pelas piores razões, ao recusar-se a embarcar para o Brasil antes de garantir o pagamento de um bónus chorudo pela participação no Mundial. A selecção dos Camarões viajou rumo ao outro lado do Atlântico com um dia de atraso, mas a
prestação dos “Leões Indomáveis” nos relvados brasileiros acabou por se revelar tudo menos brilhante e os resultados – três derrotas, nove golos sofridos e um único marcado – até nem foram o maior dos problemas que assombraram a selecção orientada pelo alemão Volker Finke. A questão das bonificações não terá ficado completamente resolvida antes do arranque do Campeonato do Mundo e o primeiro sinal de que a tranquilidade não acompanhou os jogadores camaroneses na deslocação ao Brasil surgiu logo após a derrota frente ao México, com o propalado desaparecimento de Samuel Eto’o e a ausência do antigo craque do Inter de Milão e do Barcelona de um dos treinos da selecção camaronesa. Titular no primeiro encontro, Eto’o não voltaria a pisar os relvados brasileiros, mas os incidentes não se ficariam pelo ego do veteraníssimo avançado e no desafio frente à Croácia Benöit Assou-Ekotto e
Mokandjo protagonizaram uma das imagens do presente Mundial, ao embandeirarem em cenas de quase pugilato dentro das quatro linhas. Pouco impressionados com a má imagem deixada pelos camaroneses, os ganeses não se fizeram rogados e quase fizeram pior que os comandados de Volker Finke. Com a continuidade no Campeonato do Mundo de Futebol em risco e na eminência de verem o dinheiro que lhes tinha sido prometido reduzido a uma prestação simbólica, os atletas ganeses ameaçaram fazer greve ao jogo com Portugal se o montante acordado com a Federação Ganesa de Futebol não fosse pago antes do desafio com Cristiano Ronaldo e companhia. O impasse durou quase até ao início da partida e só se resolveu quando o presidente ganês, John Mahama, decidiu enviar três milhões de dólares para o Brasil no próprio avião presidencial. Mesmo com o dinheiro assegurado, para
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Quaresma «Não entendo a justificação de Paulo Bento»
O Mundial’2014 acabou para Portugal no dia 26 mas ainda agora Quaresma não percebe as razões que levaram Paulo Bento a deixá-lo de fora da lista final de 23 jogadores. “Sinceramente não entendo a justificação mas respeito. É um mito dizerem que não defendo. Quem analisar o que fiz desde Janeiro no FC Porto vê que sou um jogador muito diferente, já não sou o mesmo de há quatro ou cinco anos. Sou um jogador mais de equipa mas só o seleccionador é que sabe as suas razões”, referiu à TVI 24. E prosseguiu: “Nenhum jogador do mundo consegue resolver um jogo, se não tiver os colegas atrás, assim como os outros jogadores não se sentem bem por falarem só num jogador”. Questionado sobre a continuidade de Paulo Bento, Ricardo Quaresma afirmou que se o treinador acha que tem qualidade e talento para voltar a por a equipa a jogar e voltar a alcançar os objectivos que todos os portugueses esperam, não vê porque não. “Acho que não sou eu que tenho de dizer se é bom ou se é mau”, concluiu o jogador do FC Porto, que não coloca de parte a hipótese de poder voltar a representar Portugal.
Maradona «Argentina não pode ser o Deportivo Messi»
Diego Armando Maradona não está a gostar do trabalho de Alejandro Sabella. E muito menos da qualidade apresentada pela Argentina no Mundial. D10S resumiu todas as críticas numa frase só: «Não podemos ser o Deportivo Messi». Aqui ficam os reparos e as análises de Maradona, na primeira pessoa:. «O Romero [guarda-redes] está sozinho. Os centrais tremem»; «A Argentina, pela sua qualidade, tinha a obrigação de estar a ganhar à Suíça 2-0 ao intervalo. Tranquilamente. E não tivemos nenhuma oportunidade de golo»; «Suíça? Poderão fazer bons relógios, mas futebolistas têm poucos. O Shaqiri era o único que nos podia dar problemas»; «O Mascherano esteve soberbo. Recuperou a capacidade física»; «Não podemos ser o Deportivo Messi. Mas se as coisas não saírem ao pibe não o podemos culpar pela hecatombe da Argentina»; «Não gostei do funcionamento da equipa. Não gostei da saída de bola, é previsível»; «Temos jogadores para jogar com outra classe. Messi e Di Maria estão a manter o barco à tona. Estamos a jogar a 40 por cento do que podemos».
Yaya Touré Equipas africanas foram prejudicadas
ala mais alto Kevin Prince-Boateng e Sully Muntari o Campeonato do Mundo terminou mais cedo. Os dois atletas receberam ordem de expulsão da concentração da formação africana depois de terem afrontado o seleccionador James Kwesi Appiah.
CAMPEÕES DAS SOMBRAS
Melhor sucedida, a participação da Nigéria no Mundial do Brasil só não terminou sob o signo da vergonha porque os jogadores mais influentes da formação orientada por Stephen Keshi apelaram ao entendimento, depois de na semana o grupo de trabalho nigeriano ter boicotado a presença numa sessão de treino em protesto contra alegados atrasos no pagamento de gratificações. Apesar da sombra da discórdia ter maculado quase incontornavelmente a participação das três selecções africanas no campeonato do Mundo, camaroneses, ganeses e nigerianos são meninos quando
comparados com a selecção que representou Portugal na fase final do Campeonato do Mundo de Futebol de 1986. Depois de ter brilhado no Mundial de 66, a selecção portuguesa precisou de vinte anos e de um “milagre” de Carlos Manuel para voltar à fase final do Campeonato do
“...camaroneses, ganeses e nigerianos são meninos quando comparados com a selecção que representou Portugal na fase final do Campeonato do Mundo de Futebol de 1986”
Mundo, mas o regresso à principal prova futebolística mundial diluiu-se numa das páginas mais negras do futebol português. A presença lusa no México foi um caos, com um inultrapassável conflito entre jogadores e Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que resultou – consumada uma eliminação prematura - na suspensão dos 22 eleitos por dois anos. As desavenças vieram a público quando os jogadores fizeram um primeiro comunicado, reivindicando aumentos nas diárias e prémios de presenças e participação nas receitas de publicidade. Não tendo resposta, ameaçaram faltar a um particular face a equipas locais sem o mínimo de qualidade. Face ao silêncio de Silva Resende, à época presidente da Federação Portuguesa de Futebol, os jogadores marcaram uma conferência de imprensa aberta a jornalistas de todo o mundo em que apresentaram publicamente as suas queixas, mas anunciaram “tréguas”, prometendo dedicar-se, em exclusivo, à preparação para a competição. O braço de ferro entrou para a história com o nome da pequena cidade mexicana que acolheu a selecção portuguesa. Na história dos Mundiais, Saltillo ainda é sinónimo de vergonha.
O médio costa-marfinense Yaya Touré não poupou nas críticas à arbitragem durante o Campeonato do Mundo, considerando que as equipas africanas foram prejudicadas por erros dos juízes das partidas. A Costa do Marfim, integrada no Grupo C, foi eliminada na fase de grupos depois de ter perdido na última com a Grécia (1-2), que beneficiou de um penalty - falta de Giovanni Sio sobre Samaras - já nos últimos instantes da partida, convertido por Samaras. «Estava desesperado para que o árbitro visse a simulação de Samaras», afirmou o médio do Man. City à France Football, acrescentando que no jogo contra o Japão (vitória por 2-1) houve «pelo menos dois penalties não assinalados»a favor dos costamarfinenses. «Claro que isto não interessa a ninguém, porque se trata de uma equipa africana. Afinal, quem é que se importa com as injustiças cometidas contra uma equipa africana», questionou o jogador.
Marc Wilmots «Foi a nossa melhor exibição»
O seleccionador da Bélgica, Marc Wilmots, destacou a resposta dos futebolistas no jogo diante dos Estados Unidos, pelas oportunidades de golo criadas, a contrastar desempenhos anteriores que mereceram críticas. Depois de eliminar os norte-americanos (2-1, após prolongamento), os belgas defrontam a Argentina nos quartos-de-final, no sábado, em Brasília. “Fomos muito criticados nos dois últimos jogos, mas hoje, frente aos Estados Unidos, os jogadores responderam à altura e criámos muitas oportunidades. Foi a nossa melhor exibição neste Mundial”, afirmou Wilmots. “Sabemos que a Argentina é um adversário complicado, mas estamos preparados. Merecemos chegar aqui e podemos seguir em frente”, encerrou o seleccionador belga.
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ARTES, LETRAS E IDEIAS
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Bruno Lorenzatto IN OUTRAS PALAVRAS
PARA COMPREENDER MICHEL FOUCAULT
HÁ TRINTA ANOS, EM JUNHO DE 1984, MORRIA O FILÓSOFO-ACTIVISTA QUE RECUSOU O PAPEL DE LÍDER, MAS ESTIMULOU A TRANSGREDIR “VERDADES” FABRICADAS E ETERNIZADAS PELO PODER
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Á trinta anos, em Junho de 1984, morria em Paris Michel Foucault. Um pensador do século XX que inventou um certo modo radical de pensar, que atravessa este início de século: as suas reflexões permanecem fundamentais para os movimentos de contestação política e social; para todos aqueles que desejam “saber como e até onde seria possível pensar de modo diferente”. Foucault participou teórica e praticamente dos movimentos sociais que poderíamos chamar de vanguarda de seu tempo, sobretudo durante as décadas de sessenta e setenta: a luta anti-manicomial (a sua experiência num hospital psiquiátrico foi uma das motivações que o levou a escrever História da Loucura); as revoltas nas prisões francesas (junto com Gilles Deleuze criou o GIP – Grupo de Informação sobre as Prisões, que procurava dar voz aos presos e às outras pessoas directamente envolvidas no sistema prisional; com base nessa experiência escreveu Vigiar e Punir); o movimento gay (uma das motivações para a sua História da Sexualidade). O pensador francês também escreveu artigos para jornais e revistas no calor da hora sobre acontecimentos importantes, deu conferências e entrevistas em diversos países, inclusive no Brasil. Contrapunha o seu papel de intelectual ao “intelectual universal”, isto é, uma espécie de líder que pensa pelas massas e as dirige para a “verdadeira” luta. O filósofo via a si mesmo como um “intelectual específico”, aquele que em domínios precisos contribui para determinadas lutas em curso no presente. Parafraseando Deleuze, Foucault foi o primeiro a ensinar a indignidade de falar pelos outros. Foucault deu forma a uma crítica filosófica que recorre sobretudo à investigação histórica, para questionar as maneiras pelas quais certas ver-
dades e os seus efeitos práticos vieram a formar-se e estabelecer-se no presente. Ele dizia que as suas investigações nasciam de problemas que o inquietavam na actualidade: evidências que poderiam ser destruídas se soubéssemos como foram produzidas historicamente; por isso fez da ontologia (o estudo do ser, um modo de reflexão geralmente desligado da realidade histórica, uma vez que busca princípios – as ideias, para Platão; o cogito, para Descartes; o sujeito transcendental, para Kant – que antecedem e, por assim dizer, fundam a
história) uma reflexão em cujo cerne está o presente e, portanto, a investigação histórica. Através de estudos transdisciplinares (e não entre disciplinas, pois trata-se de colocar em questão os limites entre elas), Foucault deu forma a uma crítica filosófica que recorre sobretudo à investigação histórica, para questionar as maneiras pelas quais certas verdades e os seus efeitos práticos vieram a formar-se e estabelecer-se no presente. Questionava assim os sistemas de exclusão criados pelo Ocidente quando do início da época moderna
(na cronologia de Foucault, desde fins do século XVIII): - o saber médico e psiquiátrico – a patologização e a medicalização como formas modernas de dominação sobre seres económica e socialmente inconvenientes, os loucos; - o nascimento das ciências humanas e da filosofia moderna como saberes que atestam a invenção do conceito de homem, transformando o ser humano, ao mesmo tempo, em sujeito do conhecimento e objecto de saber: o grande dogma da modernidade filosófica; - a prisão e outras instituições de confinamento (tais como a escola, a fábrica, o quartel) não como um avanço nos sentimentos morais e humanitários, mas como mudança de estratégia do poder, que visa o disciplinamento e a docilização dos corpos; - a sexualidade como dispositivo histórico de objectivação (o indivíduo como objecto de saber e ponto de aplicação de disciplinas) e subjectivação (o modo segundo o qual o sujeito se reconhece enquanto tal) do corpo, através dos quais se implica uma verdade essencial do homem. Não deixa de ser notável o facto de o Ocidente ter inventado um ritual singular segundo o qual algumas pessoas alugam os ouvidos de outras (os psicanalistas) para falarem do seu sexo. Às suas investigações, ele chamou ontologias do presente: um modo de reflexão, segundo Foucault iniciado por Kant, em que está em jogo o vínculo entre filosofia, história e actualidade. A tarefa de pensar o hoje como diferença na história. Mas se a questão para Kant era a de saber quais limites o conhecimento deve respeitar (os limites da razão), em Foucault a questão converte-se no problema de saber quais limites podemos questionar e transgredir na actualidade, isto é, “dizer o que existe, fazendoo aparecer como podendo não ser como ele é” (2008, p. 325).
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“OS PROCEDIMENTOS DE FOUCAULT POSTULAM, TAL COMO NIETZSCHE DESCOBRIRA NO FINAL DO SÉCULO XIX, QUE É POSSÍVEL FAZER UMA HISTÓRIA DE TUDO AQUILO QUE NOS CERCA E NOS PARECE ESSENCIAL E SEM HISTÓRIA – OS SENTIMENTOS, A MORAL, A VERDADE ETC.“
Se os estudos de Foucault mostram que os seres humanos não dominam os acontecimentos que constituem o solo de suas experiências, eles atestam ao mesmo tempo que, no espaço limitado do presente, as pessoas dispõem da possibilidade de questionar o que muitas narrativas apresentam como necessário, assim como as formas de poder e dominação que se pretendem absolutas. Nesse sentido, o filósofo procurava dar visibilidade às partes ocultas que formam o presente e os fragmentos de narrativas que nos constituem lá mesmo onde não há mais identidade, onde o “eu” se encontra fraccionado pela história plural que o engendrou.
De modo que esse questionamento histórico-filosófico não nos conduz à reafirmação das nossas certezas, das nossas instituições e sistemas, mas ao afastamento crítico dessas instâncias e de si próprio como exercício ético e político. Como indica Deleuze (1992, p. 119): “a história, segundo Foucault, cerca-nos e delimita-nos; não diz o que somos, mas aquilo de que estamos em vias de diferir; não estabelece a nossa identidade, mas a dissipa em proveito do outro que somos”. A história (não a narrativa histórica ou a escrita da história, mas as condições de existência dos homens no decorrer do tempo, que lhes escapa à consciência), não é da ordem da
necessidade; ela diz respeito à liberdade, à invenção; pertence à ordem mais da casualidade do que da causalidade; é feita mais de rupturas e violência do que de continuidades conciliadoras. Esse modo de conceber a história opõe-se à imagem tranquila que a narrativa histórica tradicional criou: a história do homem como a manifestação de um progresso inevitável – o lento processo de realização de uma utopia –, que seria alcançado após o iluminismo pela aplicação dos métodos racionais. Como se a ciência, o pensamento e a vida estivessem continuamente mais próximos de verdades que aos poucos são reveladas como o destino final do homem.
Os procedimentos de Foucault postulam, tal como Nietzsche descobrira no final do século XIX, que é possível fazer uma história de tudo aquilo que nos cerca e nos parece essencial e sem história – os sentimentos, a moral, a verdade etc. Essa descoberta indica que, mesmo esses elementos aparentemente universais ou imunes à passagem do tempo, se dão como contingências históricas, como coisas que foram criadas num dado momento, em circunstâncias precisas. Trata-se, assim, para Foucault, de pensar a história de determinadas problematizações: a história de como certas coisas se tornam problemas para o pensamento, dignas de serem pensadas por um ou outro domínio do saber e, através de formas de racionalização específicas, verdades são fabricadas. De maneira que as suas investigações mostram que as nossas evidências são frágeis e as nossas verdades, recentes e provisórias. Textos citados: FOUCAULT, Michel. Estruturalismo e Pós-estruturalismo 1983. Ditos e Escritos II, Arqueologia das Ciências e História dos Sistemas de Pensamento, Trad. Elisa Monteiro, Rio de Janeiro: Forense, 2008. DELEUZE Gilles. A vida como obra de arte, Conversações. Ed. 34, Rio de Janeiro, 1992.
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h XXI
Não podia ser mais claro. Chegara a altura de João Junqueiro dizer qualquer coisa. De fazer crer que aceitava o jogo ou, pelo menos, uma talhada. Mais importante: saberem que ele ia alinhar, não lhes tornar as esperanças infundadas. Esse sim, seria um jogo perigoso e precisamente o que ele faria. Far-se-ia caro, faria valer a sua importância estratégica, a sua invisibilidade; seria o agente perfeito, protegido pela pobreza, sacralizado pela humildade. Ninguém desconfiará dele no Atelier , dele que somente procura Almas. O fato amarelo estava à espera. As suas suspeitas tornavam-se realidade. Tudo se consumava neste momento por acção de um homem que nem credenciais apresentara. A não ser o que sabia da sua vida. Se é que sabia mesmo alguma coisa. Como ter a certeza de não estar perante um bluff bem arquitectado? Este homem representará quem diz? Ainda assim, que governo ou que parte do governo? Quem teria conhecimento detalhado desta missão, da existência de um peão? Até que ponto o seu disfarce seria eficaz, não existiriam fugas de informação que o pusessem numa situação desagradável perante Almas e a própria Escultora? Não tinha nenhuma garantia. Este facto deu-lhe alguma paz, a paz de quem se sente morto e perdeu o medo. Tentaria manejar a situação mas no fundo sabia que o seu controlo seria muito vago, ténue, periclitante. Nada de novo, portanto, na sua vida. Uma vez mais, apercebeu-se de que eles sabiam escolher. Rabiscou um número num papel e passou-o ao fato amarelo. – Podem depositar nesta conta. De quinze em quinze dias essa quantia que referiu. Dar-lhes-ei o que puder, o que for encontrando, sem levantar suspeitas. – Tente ser interessante… e assíduo. Sabe… gostamos de… assiduidade. Falava devagar com uma especial tendência para repetir a última palavra, pronunciando lentamente cada sílaba. Faltava-me a atitude final: – Não me contacte. Deixarei tudo numa caixa postal, quando for buscar a minha própria correspondência. É um sítio demasiado central e frequentado para levantar suspeitas. Telefone… a dizer o número. Adeus. E dirigiu-se para a entrada do Atelier, sem saber ao certo qual ia ser a reacção. Quando chegou à porta e se voltou o fato amarelo sumira-se. Finalmente fazia sentido a vida a Oriente: acreditara sempre — se bem que confessasse ocultamente saber ser ficção —, na ocorrência de um momento que transmuta a vida e traz recompensa ao desatino. XXII O Beco do Enleio ficou deserto, cor de musgo, muito vagamente iluminado.
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O IMPÉRIO DO FIM (VI) (folhetim do fim de um império)
Carlos Morais José Do outro lado, pelas paredes dos prédios, escorriam altares vermelhos. Já não podia entrar no Atelier. Teria de voltar noutro dia. Dirigi-me para a rua principal e mandou parar um táxi mas logo se arrependeu. Não queria entrar num carro: preferia subir a Avenida, devagar, ainda de ventre quente e a boca enfim seca, a precisar de esquecer para matar o medo. Mandou o táxi seguir. O que pensará o motorista: sentirá raiva ou piedade, certamente indiferença?... Talvez assim se possa resumir a humanidade. Precisava de palmilhar a Avenida sob os arcos, em trote sóbrio, para fixar cada sombra alaranjada e no chão o que ficou do apagado dia, espreitar as lojas e memorizar os manequins. De noiva, de turista, de séria executiva, de jovem liceal, mas sobretudo aquelas malhas pobres, chegadas de fábricas ignotas, sobre bonecas com muitos anos de montra. Talvez até escolher uma só para ele. Ou então beber e mergulhar nas vibrações eléctricas dos bares, nos caudais de olhos, de relances, de meios sorrisos e meios silêncios. Andar, percorrer os balcões como falésias, olhar as ondas à luz da grossura do vidro. Lara estava, eventualmente, à sua espera. Dois dias depois uma voz desconhecida, ao telefone, soprava-lhe um número que se absteve de escrever: as intenções dos seus novos clientes eram demasiado óbvias e perigosas e nesse número estava bem claro o que esperavam de mim. Procurará não os desiludir, como certamente não se desiludirá a si mesmo, recorrendo a este último expediente como salvação de uma existência vazia, percorrida de sentidos vagos, sem dinheiro nem propriedades reconhecíveis. XXIV Não agir. Saiu de madrugada, ainda a luz bordava apenas a linha do horizonte. O céu escuro, o sinal amarelo dos táxis desocupados a pontilhar as avenidas. Tomou a direcção do Beco do Enleio e dispôs-se a percorrer o trajecto mais longo possível. Não tinha pressa de chegar e as ruas eram o espaço ideal de deserção. Andar pela alvura lazúli da manhã — e talvez seguir a ponte com os olhos — bastava para esquecer o dever e a missão por cumprir. Nenhum facto ocorrera que mereça a pena ser relatado, talvez à excepção de uma maldade de Lara. Ele dormia. O
som do telefone ecoou num sonho relativamente distante e acordou. Eram três e um quarto. Lara não estava na cama. Atendi: — Estou? Lara? — Sim. Onde estás? Longe... Longe aonde? A fazer, o quê? Longe de ti, longe de ti...
..... tra la la... longe de ti... Deixa-te de brincadeiras. Onde estás? — Na sala, a telefonar do teu telemóvel. — Para quê? —Para nada. —Então porque telefonas? — Por nada. — Alguma coisa que não consegues dizer à minha frente e queiras falar ao telefone? — Não... não é nada. — Então?... Se não se passasse nada, não me acordavas. — Porque não? — Porque não havia razão. E tu não és má. — Talvez seja, um pouco. — Anda cá... — Não. Volta a dormir. Eu depois volto a telefonar. — Quando? Quando eu estiver a dormir? — Sim. — Está bem.
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XXV Os olhos querem-se arregalados. Despertos. A alucinação é um aviso, quase ameaça: não sabes nada e nada vês. Toda a sua vida se desenrolava agora, ébria, nas ruelas que ladeiam o Beco do Enleio. Entrevia o Atelier mas não se aproximava. Fazia uma espécie de reconhecimento
OS OLHOS QUEREMSE ARREGALADOS. DESPERTOS. A ALUCINAÇÃO É UM AVISO, QUASE AMEAÇA: NÃO SABES NADA E NADA VÊS
prévio do terreno. Jantava nos pequenos restaurantes chineses, bebia cervejas verdes em grandes golos para sarar uma sede inextinguível. Noite fora vigiava sem precauções o movimento das gentes. Conhecia já vários lojistas, os mais curiosos, os que querem saber o que fará ali um homem apagado, de gabardine a tiracolo, para cima e para baixo. A repetição levanta suspeitas. As suas actividades não poderiam durar muito mais tempo. Sabia que se quedariam sossegados quando o vissem entrar no Atelier e perceberem que ali trabalha. Ontem pensava enquanto espreitava uma montra apinhada de ninharias. XXVI Das páginas escritas por João Junqueiro: ( Acordarei fora da cama, num quarto desconhecido, como se estivesse morto. Sairei para a rua numa cidade que não conheço onde ninguém falará a minha
língua. Não terei dinheiro nem cartões de crédito no bolso. Procurarei alguma identificação mas certamente perdera a carteira. Não me lembrarei do meu nome. Agradeço que alguém me chame mas, aqui, quem me vai reconhecer? E disse: – Boa noite –, a uma velhota que passa. É boa, confortável, esta autorização implícita do mundo: não é pecado falar às velhas. Ninguém se interessará por isso. Ninguém me condenará. Continuarão a andar e o seu olhar dirá simplesmente: “Olha, aquele ali a falar com a velha” e nada acontecerá. Ela não me respondeu mas espelhou o mundo num sorriso ocasional, sem saber que sorria. Não era ternura, compaixão, de nenhum sentimento, mas de uma questão puramente cognitiva. Naquele sorriso desvendava-se um universo completamente arquitectado e polido, uma civilização distante; um rol imenso de criaturas vivas e mortas que desfilavam silenciosamente, coladas às minhas pálpebras. De olhos postos no
chão, em preto e branco, as carantonhas cinzentas, as bocas negras, sem carmins, sem remissão. Passavam. Alguns traziam cadáveres embrulhados em sudários avinhados.) XXVI Aprendera muito na repetição dos seus passeios pelas imediações do Beco do Enleio. Julgava, a princípio, que o impelia o medo de iniciar o seu trabalho no Atelier. Que retardava o dia em que cruzaria aquele portal escancarado como uma boca açafronada no fim do Beco do Enleio. Que talvez o tempo passasse e ele pudesse evitar afinal aquele pesadelo e refrear-se desse caminho obscuro que o arrastaria sabe-se lá para que perdição. E ria muito para dentro, por saber que nada disto era verdade. Que na verdade desejava tão ardentemente dar início à sua missão que adiava a minha entrada no Atelier, precisamente para saborear o prazer subtil da aproximação lenta, da vertigem do predador. Percorria as ruas, as travessas e os becos para conhecer antecipadamente o labirinto. Queria sabê-lo de cor, tatuá-lo nas costas de modo a transportá-lo consigo sob forma de mapa doloroso e ambíguo. A sua nova actividade não admitirá remorsos, muito menos piedade, por ele ou por outros. Será impiedoso e só. Chega. Palmilha o Beco do Enleio. Medita a cada passo um sistema, cumpre a penitência obesa dos pecados. Resolução. Um dia terá de ser, pensa. Aquela entrada sórdida é uma porta sem porteiro, sem gente que lhe barre o caminho. Pensa nisso por hábito. Sei que o conhecem, que têm os seus dados, que não levantarão problemas, nem mesmo imaginários. Faz parte da casa ainda que lá nunca tenha entrado. Alguém estará informado, com certeza. A escultora, o governo... Tilita temeroso escadas acima. Sim, transpôs o portal amarelado e as pernas sobem narcotizadas ao primeiro andar. O patamar é enorme e vazio. Existem beatas pelo chão o que leva a pensar que lá dentro talvez não se possa fumar. Talvez os funcionários utilizem este imenso espaço desolado para os cigarros interditos, para conversas breves enquanto tragam o fumo e se sentem culpados. Decide fumar um antes de entrar. Lá dentro ouve ruídos abafados como se lá houvesse de facto gente. Olha o morrão do cigarro avançar pelo papel, ao longo das rodilhas de chumbo. Mede o tempo. Mercadeja consigo mesmo a entrada no Atelier. … tempo de escancarar a porta sem medo de surpresas. A timidez humedece-lhe as mãos, puxa fumo em grande quantidade até o sentir arder nos pulmões. Há um vómito que não lhe chega à garganta mas se espraia pelo corpo até aos seus extremos mais remotos e lhe dá um frémito de prazer. O chão é de cimento, já vos tinha dito. Existem veios subtis, resultantes de uma aplicação defeituosa do material.
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EVENTOS
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SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN NO PANTEÃO
Jennifer Palor traz jazz à Taipa
No dia 19 de Julho, pelas 17:30, vai ter lugar mais uma sessão do “Concerto ao Anoitecer” no anfiteatro das CasasMuseu da Taipa. Desta vez, o IACM, em colaboração com a Macau Jazz Promotion Association, traz aos palcos do território Jennifer Palor, uma cantora de jazz oriunda das Filipinas, acompanhada da sua banda de Hong Kong. Jennifer mudou-se para o território vizinho em 1997 para actuar no bar do Hotel Grand Hyatt, onde permaneceu um ano. Além de outros projectos, a cantora faz agora parte de uma banda chamada “Child of the Urban Son”, que conta com Dan La Velle na guitarra, Roel Garcia no teclado, Rickard Malmsten no baixo e Anthony Fernandes na bateria. Foi com este grupo que participou no “2007 Foreign Correspondents Club Jazz Festival”, vindo depois em 2009 a lançar o seu primeiro álbum, “Jenerations”. O evento, que tem entrada livre, vai contar também com a participação do Quinteto de Jazz de Macau.
Ausência na Casa Garden
Entre 4 de Julho e 15 de Agosto, vai ter lugar na Casa Garden a exposição “nowhere/nowHere” (Ausência/ Presença). Esta iniciativa da Associação Cultural e Criativa artMe é fruto de um desafio feito pela sua presidente, Filipa Didier, à pintura portuguesa Margarida Alfacinha, ao escritor português Rodrigo Magalhães e ao músico canadiano François Girouard para trabalharem o tema “Ausência” nas suas áreas específicas. Margarida Alfacinha fez uma residência artística de duas semanas na Casa Garden, onde criou 29 telas para a mostra, enquanto que Rodrigo Magalhães interpreta o tema com uma série de textos. Por fim, François Girouard vai dar no dia da inauguração uma “performance” de música electro-acústica.
“Cidadã corajosa, portuguesa insigne” Dez anos depois do seu falecimento a grandeza poética repousa junto de Humberto Delgado e Aquilino Ribeiro
O
corpo da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen, falecida há dez anos, foi ontem trasladado do cemitério de Carnide para o Panteão Nacional, em Lisboa. A Assembleia da República, em Fevereiro passado, decidiu por unanimidade dar
honras de Panteão Nacional à autora de “A menina do mar”, como forma de homenagear “a escritora universal, a mulher digna, a cidadã corajosa, a portuguesa insigne”, e de evocar o seu exemplo de “fidelidade aos valores da liberdade e da justiça”, segundo o texto parlamentar. A urna com os restos mortais de Sophia de Mello Breyner Andresen saiu, pelas 16:30, do Cemitério de Carnide, seguindo o cortejo fúnebre para a Capela do Rato, onde foi rezada uma missa pelo patriarca Manuel Clemente e pelo padre Tolentino de Mendonça, com a presença da família. O cortejo, escoltado pela GNR, saiu da capela em direcção ao Panteão Nacional, passando pela Assembleia da República. O armão militar
que transportou a urna contendo os restos mortais da poetisa chegou pelas 19:00 ao adro do Panteão Nacional, onde deu entrada pelo lado nascente, do campo de Santa Clara. À cerimónia, no Panteão, assistiram a família, o Presidente da República, a presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro e outras altas individualidades do Estado. Escutado o Hino Nacional pelo Coro do Teatro Nacional de S. Carlos, José Manuel dos Santos, membro da Academia Nacional de Belas Artes, fez a evocação da poetisa, a que se seguiu uma actuação da Companhia Nacional de Bailado, que voltou a ter outra, entre o discurso da presidente da Assembleia da República e o do Chefe de Estado, ao
qual se seguiu a difusão de uma gravação, de 1957, de uma leitura de poemas por Sophia de Mello Breyner Andresen. Pelas 20:00, Aníbal Cavaco Silva, Assunção Esteves e Pedro Passos Coelho assinaram o Termo de Sepultura no Panteão Nacional, e foi ouvido o “Magnificat” de Bach, pelo Coro do Teatro Nacional de São Carlos, que interpretou em seguida o Hino Nacional. Os militares da GNR transportaram então a urna para o interior do Panteão até à sala onde se encontra a arca tumular, onde ficou depositada, e escutou-se o toque de clarim pela GNR, assinalando o final da cerimónia. A arca tumular de Sophia de Mello Breyner Andresen ficará na sala onde se encontram as do general Humberto Delgado e do escritor Aquilino Ribeiro. Numa outra sala estão as arcas tumulares de Amália Rodrigues, de João de Almeida Garrett, Abílio Guerra Junqueiro e João de Deus e, numa outra, as dos presidentes da República, Manuel de Arriaga, Teófilo Braga, Sidónio Pais e Óscar Carmona.
Play Hub Expo no Venetian
Entre 4 e 6 de Julho, o Salão D do Venetian vai albergar uma feira de produtos apelidada de “Play Hub Expo”. No total vão marcar presença 80 expositores, distribuídos por 200 balcões em quatro áreas distintas. A “Japan Eat Play Shopping Zone” vai providenciar produtos japoneses além de uma série de comidas importadas directamente de Hokkaido, Kanto e Kansai, contando ainda com demonstrações de chefes afamados. Entretanto, a “Luxurious Zone” vai ter para venda diversos produtos luxuosos, passando por equipamento electrónico, máquinas fotográficas, relógios, óculos, vinhos, charutos, mobílias e até automóveis. A organização salienta que vai aqui ser lançada para o mercado local a edição limitada do whisky “Johnny Walker Black Label – Shadow”, por exemplo. Há também uma “Sports Zone” que inclui uma grande variedade de equipamento desportivo e uma “Toys Zone” que está reservada, como o nome indica, para brinquedos e outros artigos para coleccionadores. A feira, com entrada e estacionamento gratuito, está aberta diariamente entre as 12:00 e as 20:00 horas, abrindo uma hora mais cedo no dia da inauguração.
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA O OUTONO DO PATRIARCA • Gabriel García Márquez Num universo alucinatório e fantástico, Gariel García Márquez faz a caricatura implacável dos regimes ditatoriais na pele de um ditador senil, no seu outono tardio e infindável. “O Outono do Patriarca” é uma obra-prima da imaginação, narrativa e descrição. Um romance prodigioso.
RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET
MEMÓRIA DAS MINHAS PUTAS TRISTES • Gabriel García Márquez «No ano dos meus noventa anos quis oferecer a mim mesmo uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei-me de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar os seus bons clientes quando tinha uma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma das suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza dos meus princípios. A moral também é uma questão de tempo, dizia com um sorriso maligno, tu verás.»
( F ) UTILIDADES
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TEMPO
POUCO
NUBLADO
Cineteatro
CINEMA
MIN
27
MAX
33
HUM
65-90%
•
EURO
10.9
BAHT
0.2
YUAN
17
1.2
LÍNGUA DE gATO
SON OF GOD SALA 1
SALA 2
Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 14.30, 21.00
Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 21.15
TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [B]
Pu Yi
TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [3D] [B]
TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTION [3D] [B]
SALA 3
SALA 2
SON OF GOD [B]
Um filme de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Nicola Peltz, Jack Reynor, Li Bingbing 18.00
HOW TO TRAIN YOUR DRAGON [A]
Um pão por dia não sabe o bem que lhe fazia
MALEFICENT [B]
Um filme de: Robert Stromberg Com: Angelina Jolie, Sharlto Copley, Elle Fanning, Sam Riley 19.30 Um filme de: Christopher Spencer Com: Diogo Morgado 14.30, 16.45, 21.30
Um filme de: Dean DeBlois 14.15, 16.00, 19.30
HOW TO TRAIN YOUR DRAGON [3D] [A] Um filme de: Dean DeBlois 17.45
ACONTECEU HOJE
3 DE JULHO
Morre Franz Kafka, um dos maiores escritores de ficção • A 3 de Junho de 1924, morre Franz Kafka, um dos maiores escritores de ficção do século XX, que criou personagens ainda actuais, que enfrentam conflitos existenciais, questionam os objectivos da vida e acabam sós. Hoje é dia de recordar Kafka, uma dos grandes escritores mundiais, entre os mais influentes da literatura ocidental. A maioria dos seus textos permanece incompleta e foi publicada postumamente. No entanto, a sua obra nunca perdeu actualidade. Franz Kafka nasceu em Praga, Áustria-Hungria (atual República Checa), a 3 de Julho de 1883. Era membro família judia, de classe média, e notabilizou-se com uma obra realista, à frente do seu tempo. As personagens kafkianas enfrentam conflitos existenciais, como o Homem actual, e têm dificuldade em definir um rumo. O mundo kafkiano é desprovido de um objectivos de vida, de uma repetida dúvida existencial. Essas personagens acabam quase sempre sozinhas, vítimas dos factos, que se tornam sempre o pior inimigo. A solidão é a fuga. A paranóia e os delírios de influência estão muito ligados à obra kafkiana. Os seus trabalhos mais reconhecidos são ‘A Metamorfose’, ‘Um Artista da Fome’ e os romances ‘O Processo’, ‘América’ e ‘O Castelo’. Kafka morre a 3 de Junho de 1924, num hospital em Kierling, na Áustria. A causa oficial da morte foi insuficiência cardíaca, mas o escritor sofria de tuberculose desde 1917. Neste dia, recorda-se também Isaac Rabin, que a 3 de Junho de 1974 é eleito o primeiro-ministro de Israel. Em 1989, o governo da República Popular da China envia tropas para desocupar a Praça da Paz Celestial, depois de sete semanas de ocupação por manifestantes. E em 2006, Montenegro proclama independência, na sequência de um referendo, separando-se da Sérvia, no fim da ‘Sérvia e Montenegro’ e da última união da extinta Jugoslávia.
H O J E H Á F I L M E BATMAN RETURNS DE TIM BURTON (1992) É já antigo, mas nem por isso deixa de ser um óptimo filme, daqueles cheios de acção e cenas do fantástico. Todos – até quem não aprecia – conhece a poderosa e imponente figura de Batman, um empresário da cidade fictícia de Gotham, que se transforma num herói durante a noite, defendendo os mais necessitados dos crimes e corrupção das figuras maléficas que vão surgindo a cada novo filme. Tudo isto seria apenas mais um filme, se não fosse por Tim Burton, um dos mais influentes e carismáticos realizadores do século XX. “Batman Returns” é protagonizado por Michael Keaton, Danny DeVitto (que desempenha aqui um papel de qualidade, ao contrário do que acontece com muitas das suas comédias aparvalhadas) e Michelle Pfeiffer, no papel da verdadeira “femme fatale”, vestida de gata irresistível. DeVitto dá vida ao chefe de um grupo de pinguins assassinos que querem reclamar Gotham como a sua cidade. É, então, missão do Batman – como de todas as outras vezes – impedir que tal aconteça. Parece um filme sem fundamento e é mesmo isso que é. Mais uma vez, é Michael Keaton que encarna o papel de Batman no combate contra as forças malignas. Um filme para ver e, claro, para rever sempre que possível. A mestria de Tim Burton não passa ao lado de nenhum fã da sétima arte. – Leonor Sá Machado
fonte da inveja
O abismo é uma pergunta metafísica.
João Corvo
A proposta de Lei do Salário Mínimo era o tema central de terça-feira na Assembleia Legislativa (AL) e os deputados apresentavam os mesmos argumentos do primeiro dia. Repetidamente, lá diziam perante Francis Tam, Secretário para a Economia e Finanças, que o salário mínimo ia representar um aumento de custos para as PME já com dificuldades de sobrevivência. Que as empresas de condomínios iam sentir as dificuldades na pele. Que criar um salário mínimo de 30 patacas por hora apenas para empregados de limpeza e de segurança de edifícios ia criar desigualdades no mercado laboral. Até que o deputado Fong Chi Keong pediu a palavra e gastou 30 minutos num discurso imperceptível, onde chegou a dizer que havia pessoas que ganham pouco e gostam disso. Que comem um pão por dia e vadiam na rua... e gostam disso. O Governo é que os quer ajudar, repetia, enquanto os seus colegas do hemiciclo riam. Para se compreender bem a actual situação política da RAEM, é bom lembrarmonos que Fong Chi Keong foi nomeado pelo Chefe do Executivo! Um homem que quando fala faz rir toda a AL, como se fazer política fosse, subitamente, um espectáculo de entretenimento. Um homem cheio de interesses dentro do bolso do casaco e que não faz nada pela população, bem pelo contrário. Caro deputado, comece a comer um pão por dia. Assim terá consciência das pessoas que vão buscar comida à Caritas não porque é divertido, mas porque precisam.
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OPINIÃO
hoje macau quinta-feira 3.7.2014
Rui Tavares
in Publico
Dizer para ver
Q
UANDO tinha quinze anos, passei um Verão trabalhando como guia turístico no Panteão Nacional quatro dias por semana (ao quinto, ia para São Vicente de Fora), num grupo de adolescentes em “ocupação de tempos livres”. Com as gorjetas comprávamos discos de vinil na Feira da Ladra. Com o salário, comprei uma bicicleta. Ao fim da tarde acontecia-me subir a colina da Graça, pela travessa das Mónicas, junto à Vila Sousa, até ao miradouro. Não sabia que ali morava Sophia de Mello Breyner. O Panteão Nacional era e é belo, e mais bela ainda a vista que se tem da sua cúpula. Mas em vão tentávamos interessar os turistas para a sua importância política. Quando eles se admiravam, sob a cúpula central, ao ver os nomes de Vasco da Gama, de Camões ou do Infante Dom Henrique, era com embaraço que explicávamos que aqueles eram cenotáfios: túmulos vazios. Nos Jerónimos é que estavam os cadáveres dos grandes nomes;
Sophia é uma honra para o Panteão, é certo. Mas mais certo ainda é que ela se alegraria ao saber que, de vez em quando, rapazes e raparigas sobem a colina da Graça, passam junto à casa onde ela viveu e chegam ao jardim do miradouro encontrando hoje o poema que ela escreveu para Lisboa...” para os Jerónimos iria Fernando Pessoa no ano seguinte. Depois passávamos para as salas laterais, onde estão escritores (João de Deus, Almeida Garrett) e presidentes (Teófilo Braga, Manuel de Arriaga, Sidónio Pais, Carmona). Os turistas mais atentos notavam a diferença entre o tempo de cargo que teve Sidónio
(menos de um ano) e Carmona (quase 25 anos). E passavam adiante. Só recentemente o Panteão ganhou a importância real de ter figuras que resumem virtudes ou corporizam ideas: a Coragem com Humberto Delgado, o Fado como voz e arte, com Amália Rodrigues. Assim, em maiúsculas, da forma um pouco desusada e
cartoon
A VINGANÇA
por Stephff
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TENHO 6 OLHOS E 96 DENTES PARA TE RETIRAR !!!
empolada que é natural nos panteões. Mas talvez só com Sophia de Mello Breyner, que morreu hoje há dez anos, o Panteão atinja uma certa transcendência, ou uma transcendência certa. *** Sophia de Mello Breyner Andresen não foi só uma das maiores escritoras da língua portuguesa contemporânea, muito comparável às brasileiras Cecília Meireles, que ela admirava, e Clarice Lispector, sua contemporânea (nasceram com meses de diferença e estrearam-se literariamente no mesmo ano). Foi ela quem mais perto esteve de um ideal clássico da poesia: o da realização material das palavras. Como explicar? A ideia de que as palavras sejam ao mesmo tempo como coisas e como luz, que tenham peso mas que tenham essência, e que ao serem ditas ou escritas transformem o mundo. A partir de hoje o Panteão ganha mais uma palavra: depois da Coragem e do Fado (que palavra para Almeida Garrett? a Paixão?), com Sophia vem a palavra Palavra. Por isso muita gente a chama pelo primeiro nome, como eu fiz na última frase. Porque ao dizer-se “Sophia” se materializa não só uma pessoa, mas também uma ideia — não a de conhecimento, como traduzimos equivocadamente do grego, mas a de “sabedoria”. Sophia é uma honra para o Panteão, é certo. Mas mais certo ainda é que ela se alegraria ao saber que, de vez em quando, rapazes e raparigas sobem a colina da Graça, passam junto à casa onde ela viveu e chegam ao jardim do miradouro encontrando hoje o poema que ela, tendo nascido no Porto (e sido deputada pelo Porto), escreveu para Lisboa, oferecendo à cidade um milagre com a sua palavra: “Digo «Lisboa» / Quando atravesso — vinda do sul — o rio / E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse /.../ Vejo-a melhor porque a digo /…/ Digo o nome da cidade / Digo para ver”.
opinião 19
hoje macau quinta-feira 3.7.2014
LEOCARDO
bairro do oriente
A pior parte da viagem é… a viagem
I
R de férias, sair de Macau, desanuviar e ter contacto com a civilização a sério, com o mundo real, ou como alguém disse, “ver uma sociedade a funcionar realmente”, que perspectiva mais animadora. Só que enquanto a tecnologia não evolui ao ponto de nos dotar com os aparelhos de teletransporte com que a ficção científica nos excitou os sentidos, e não podemos passar do ponto A para o ponto B em segundos como o capitão Kirk e a restante tripulação do “Star Trek”, dependemos dessas cada vez mais lastimáveis companhias de aviação, recorrendo para tal a antros de degradação que dão pelo nome de aeroportos, onde existe uma linha ténue que os separa das estações ferroviárias que levavam os deportados até Auschwitz-Birkenau, Dachau ou Bergen-Belsen, ou outro local de má fama, com a pequena grande diferença de em vez de encontrarmos a morte, chegarmos à salvação. É como se para sair de Macau fosse preciso passar por uma espécie calvário, de Purgatório. Com que então a querer sair da terra-do-faz-de-conta, mortais? Pagai pelos vosso pecados! As companhias aéreas parecerem piorar cada vez que me atrevo a recorrer aos seus serviços. Atrasos injustificados, apenas “porque sim”, serviço robotizado, com funcionários que repetem a mesma lenga-lenga, pilotos engalanados, com um uniforme a fazer lembrar os porteiros de alguns hotéis de luxo, e que nos trazem à memória o Carnaval a qualquer altura do ano, hospedeiras que nos servem com cara de plástico, e já que falamos de uniformes, quem é que se lembrou de vesti-las daquele jeito, tão conciso, tão informal que não deixa qualquer espaço à imaginação, todas com os mesmos sapatos pretos da praxe, cabelos pastosos, lábios besuntados de baton vermelho-choque (às vezes os dentes, também)? E perdoem-me a inconfidência, têm um ar de quem não toma banho faz um bom tempo. Deve ser das escalas, dos atrasos e tudo isso, coitadas. Não sei se a culpa é apenas dos profissionais destas companhias, enfim, estamos aqui a falar de aparelhos grandes, que levam imensa gente, que dependem de factores como o tráfego aéreo, as condições meteorológicas, e há sempre o gajo que se atrasa enquanto espera que lhe assem o leitão no aeroporto de Cebu (confesso, mea culpa), mas mesmo assim há momentos em que revelam uma enorme falta de sensibilidade; um deles aconteceu mesmo agora comigo, em que mesmo sabendo que o voo se vai atrasar, enfiam mais de uma centena de pessoas numa sala de espera de um terminal qualquer sem condições nenhumas, e fazem-nas “secar” durante duas horas sem
acesso a um bar, um café, um “duty-free” ou porra nenhuma – valha-nos o “wi-fi”, e esse mesmo ao fim de um tempo já não serve de consolo. Um cenário digno de um campo de refugiados de uma qualquer guerra horrível, com crianças a chorar, velhos a tossir e fumadores a ressacar. Ainda por cima só avisam do atraso quando têm a certeza que os pobres passageiros estão enclausurados e são tratados como gado. O pior é que se nos atrasamos e chegamos ao balcão do “check-in” cinco minutos
mesmo nas auto-denominadas companhias de baixo-custo, deviamos ter direito a um “bungalow” com hidromassagem, “chef” francês de “haute cuisine” privativo, dançarinas havaianas para os cavalheiros, e bailarinos cubanos para as senhoras, encarregues de nos tornar o percurso mais aprazível. Em vez disso somos enfiados num assento onde ficamos entalados durante horas a fio, com os joelhos quase a tocar-nos no rosto, e comida requentada que é consumida contra-gosto e de cotovelos ao alto. E ainda há companhias
“É como se para sair de Macau fosse preciso passar por uma espécie calvário, de Purgatório. Com que então a querer sair da terra-do-faz-de-conta, mortais? Pagai pelos vosso pecados!” depois deste ter fechado, arriscamo-nos a ficar em terra e ter de comprar outro bilhete, mas estes gajos atrasam-se quanto querem e sem dar cavaco a ninguém, que se lixe quem tem mais que fazer, e “azar” para quem está em trânsito e vai apanhar outro vôo que só para chatear sai a horas. E nós supostamente devemos levar isto “na desportiva”. Pelo menos chegamos vivos, não é assim? – se chegamos, e principalmente quando chegamos. E agora olhemos para o aspecto económico da coisa, e começando pelo que é mais óbvio: viajar de avião custa os olhos da cara. Sim, especialmente atendendo à relação preço/qualidade, pois com o que pagamos,
que se queixam dos “elevados custos”, anunciando que “estão à beira da falência” e tudo mais. Isto são tipos que se eu visse a pedir esmola na rua, ainda lhes cuspia na malga. Um raio que os parta. Depois há a outra parte que torna a experiência de viajar de avião num martírio: os aeroportos. Para as novas gerações que se interrogam sobre os critérios erráticos dos seguranças dos aeroportos, ou quem são aqueles gajos que nos apalpam a namorada de alto a baixo para ter a certeza que não é uma voluntária do Hezbollah prestes a mandar centenas de infiéis para o galheiro, eis a resenha histórica: num belo dia de Setembro do ido ano de 2001, mais precisamente no
dia 11 desse mês, um grupo de terroristas de meia-tigela sequestrou quatro aviões de uma companhia aérea americana da treta, e obrigou dois deles a espetarem-se em cheio contra as torres do World Trade Center em Nova Iorque, naquilo que foi considerado o maior atentado terrorista do século – até agora. Acontece que a maior nação do planeta, os polícias do mundo, ficaram de calças na mão quando meia dúzia de barbudos armados apenas de x-actos, sim x-actos, daqueles com que cortávamos as cartolinas nas aulas de Trabalhos Manuais, obrigaram os pilotos das suas companhias aéreas a cometer um massacre horrendo do qual resultaram cinco mil mortos, ou algo do género. E portanto está explicado porque é que não podem levar para o avião um corta-unhas que seja, ou uma garrafa de água das pequenas, ou um tubo de creme hidratante: podem ser perigosíssimos explosivos líquidos, com os quais vocês podem levar a cabo o próximo golpe na civilização ocidental. Onde está escrito “Evian” ou “Nivea”, podia muito bem estar escrito “Jihad”. E quem determina o que se pode levar ou não no avião são uns rufias mal encarados, uns “bullies” da pior espécie, que se não fosse pelo tal 11 de Setembro, não arranjavam emprego nem a desentupir sarjetas. E estes, em parceria com os tipos porreiraços das companhias aéreas, transformam qualquer “viagem de duas horas” num enfado que pode levar um dia inteiro, aturando todas as espécies da camada mais baixa da raça humana. Que a evolução nos dê asas, pelo menos, para nos livrarmos de tudo isto.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Filipa Araújo; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado; Ricardo Borges (estagiário) Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
hoje macau quinta-feira 3.7.2014
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Goa Cuidado com bikinis
O
aviso é de um ministro do estado indiano de Goa. As turistas que visitarem a antiga colónia portuguesa não devem usar bikini ou mini-saia naquele popular destino de férias. Além de considerar estas peças de roupa como uma ofensa à cultura indiana, Sudin Dhavalikar afirma que bikinis e mini-saias provocam violações. “Não podemos permitir que miúdas de bikini entrem em espaços públicos porque é muito difícil controlar as pessoas que chegam a Goa vindas de outros estados indianos. Quando a polícia chegar lá já vai ser demasiado tarde”, avisou, citado pelo Guardian. Dhavalikar é membro de um partido aliado do BJP, formação nacionalista no poder. Em protesto contra estas declarações,
a oposição decidiu enviar uma mini-saia ao ministro goês. Goa é há muitos anos uma popular estância balnear, mas uma série de casos de homicídio e violação de turistas levou as autoridades a fechar vários espaços de diversão nocturna no território. Ali, como no resto da Índia, a violação de mulheres é um flagelo endémico. As autoridades são acusadas por activistas e familiares das vítimas de terem uma cultura de permissividade e desculpabilização em relação ao fenómeno.
Indonésia Neozelandesa presa 10 meses por fumar charro
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MA neozelandesa foi condenada esta quarta-feira na Indonésia a dez meses de prisão, alguns meses após ter sido detida em Bali com um charro, num país famoso pelas sanções severas contra a droga. “Leeza Tracey Ormsby foi considerada culpada de consumo ilegal de droga e condenada a dez meses de prisão”, declarou Parulian Saragih, presidente do tribunal do distrito de Denpasar, a capital de Bali, no sul da Indonésia. A mulher de 37 anos tinha sido detida em Bali em Fevereiro deste ano. A polícia descobriu o cigarro com substâncias ilegais na sua mala, assim como haxixe e comprimidos de ‘ecs-
tasy’ escondidos num armário. No entanto, foi apenas julgada pela posse do charro, com as outras drogas a motivarem uma investigação à parte. Na audiência, a neozelandesa, habitante em Sydney no momento da sua detenção, confessou ter fumado o charro mas afirmou que as outras drogas não lhe pertenciam. O procurador queria 15 meses de prisão para a acusada mas o tribunal decidiu mostrar clemência, reconhecendo que ela “confessou os actos” e que “não voltaria a cometer o mesmo erro”. Após a pronúncia da pena, a acusada dirigiu-se aos juízes para lhes agradecer.
Mediterrâneo Novo desastre faz 70 mortos
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M novo desastre com emigrantes que tentam chegar à Europa a partir do Norte de África resultou em 70 mortos. A informação foi dada pela marinha italiana a funcionários da ONU e está a ser citada pela BBC. Estes emigrantes seguiam num barco que se virou perto da Sicília. Ainda na segunda-feira 45 mortos – 30 tinha sido o número inicialmente avançado – foram encontrados no
sobrelotado porão de um barco que fazia a travessia de um lado ao outro do Mediterrâneo. As vítimas morreram sufocadas. No fim-de-semana passado, a marinha italiana resgatou mais de cinco mil migrantes, que se vieram somar às 60 mil pessoas que já tentaram chegar a Itália por mar desde o início do ano. Um número que cresce todos os meses: o total do ano de 2013 foi de 42 mil emigrantes.