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Agência Comercial Pico • 28721006
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Director carlos morais josé • quintA-feira 21 de fevereiro de 2013 • ANO XII • Nº 2796
tiago alcântara
muito nublado min 15 max 20 hum 65-90% • euro 10.6 baht 0.2 yuan 1.2
Ter para ler Venham mais cinco (séculos)
Hainão Casino que abriu e fechou poderá reabrir
impacto ambiental
Governo promete avaliação até 2016 Página 10
agências de emprego
DSAL instaura processos por violação da lei página 5
Subsídios às associações
Ho Wai Tim diz à ANM para calcular os seus ganhos
A primeira ameaça Abriu e fechou passados cinco dias. O casino-bar no resort Magrove Tree, em Sanya, é uma nova forma de entretenimento e terá tido, segundo o empresário que está por detrás do projecto, Zhang Baoquan, o aval do Governo Central. Contudo, a experiência terá sido “demasiadamente publicitada” e “a forma como a apelidaram” fez com que Pequim recuasse nas suas intenções. Mas não para sempre. Fonte bem informada contactada pelo Hoje Macau sabe que o “teste” é para ser realizado, só não se sabe quando. “Agora têm de voltar atrás, arranjar nova estratégia e chamar-lhe outra coisa (...) Depois irão abri-lo sob um nome diferente mas com o mesmo conceito.” O jogo a dinheiro é ilegal na China desde 1949, mas existem fortes indícios de que o Governo Central quer criar uma alternativa a Macau em pleno território continental. Hainão torna-se assim, no médio-longo prazo, numa séria ameaça à RAEM que terá de se repensar em alternativas ao jogo para diversificar a sua economia, relembra o jurista Jorge Godinho, também ouvido. Centrais
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ENSINO
Estudantes têm uma atitude negativa, diz estudo página 5 pub
wu bangguo em macau
Chegada do número dois da política chinesa ensombrada por protestos página 3
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política
DSAL atribuiu 56% dos subsídios de 2012 à Associação Geral dos Operários de Macau
Muito dinheiro para funcionar Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
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Associação Geral dos Operários de Macau (AGOM) recebeu 56% do total dos subsídios atribuídos pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) no ano passado. Foram cerca de três milhões de patacas que esta associação recebeu, sendo que todo do dinheiro – atribuído por trimestre – serviu para “custear despesas de funcionamento”, de acordo com um despacho ontem publicado em Boletim Oficial (BO). A DSAL atribuiu no ano passado um total de 5,473,105 patacas e a AGOM ficou com pub
a maior fatia. Mas, na lista de apoios consta ainda a Associação Geral dos Operários de Construção Civil de Macau, que arrecadou 950 mil patacas durante 2012. Só no quarto trimestre, a DSAL distribuiu 2,351,212 patacas. Na lista referente a este período, os mais contemplados foram aAssociação dos Trabalhadores do Ferro, que recebeu 188,786 patacas para despesas de funcionamento, e aAssociação dos Funcionários de Ensino Infantil de Macau, que adquiriu 47558 patacas para o mesmo efeito. A empresa de construção civil ligada às obras de habitação pública da Ilha Verde recebeu também um valor de 73 mil patacas, justificado
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Governo admite impacto negativo no quotidiano de Macau devido aos turistas
Política de isenção de vistos à lupa
A como prémio de concurso, e a empresa do deputado Mak Soi Kun foi outra das felizes contempladas com este tipo de prémio, ainda que de apenas dez mil patacas. A AGOM tem sido uma das associações mais beneficiadas ao longo dos tempos, recebendo apoios de diversos departamentos do Governo e privados. Recorde-se que desta associação fazem parte o ainda presidente da Assembleia Legislativa de Macau, Lau Cheok Vá, que durante dez anos foi candidato àAssembleia Nacional Popular de Pequim por esta via, e a deputada Kwan Tsui Hang e o deputado Lee Chong Cheng, que representam os operários no hemiciclo.
pesar de não tomar os feriados de Ano Novo Lunar como exemplo, o Governo decidiu que vai estudar o problema das enchentes de turistas em Macau. Num comunicado ontem divulgado, o Executivo compromete-se a encarregar o Gabinete de Estudo das Políticas a fazer uma “análise global” sobre a política de entrada em Macau sem vistos, característica de alguns países. O gabinente vai fazer um “estudo especial sobre o rumo da medida”. Isto,
tentando encontrar um equilíbrio entre o “desenvolvimento global da indústria turística” e, ao mesmo tempo, permitir que Macau “seja uma cidade mais habitável e mais adequada ao turismo”. O Governo assegura que a política de isenção de vistos tem vindo a contri-
Comissariado de Auditoria com nova cara Isabel Ho Wai Heng vai ser a nova cara do Comissariado de Auditoria. A actual subdirectora do Gabinete de Comunicação Social do Governo vai passar a exercer o cargo de chefe do gabinete do Comissário
buir para o desenvolvimento económico de Macau, mas admite que tem tido um “certo” impacto negativo na vida quotidiana de quem aqui vive. “O Governo da RAEM tem em conta matérias como a capacidade de acolhimento e capacidade dos outros recursos e está a planificar a revisão da capacidade de acolhimento de turistas, incluindo nos domínios do posto fronteiriço, alojamento, transporte, pontos turísticos e medidas em resposta”, pode ler-se no comunicado. - J.F.
de Auditoria, já a partir da próxima segundafeira. A nomeação, publicada ontem um Boletim Oficial (BO) num despacho assinado pelo Comissário, estende-se até ao dia 19 de Dezembro do próximo ano. - J.F.
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política
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Andreia Sofia Silva* andreia.silva@hojemacau.com.mo
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HEGOU ao Aeroporto Internacional de Macau perto da hora de almoço e não falou com os jornalistas. De seguida, recebeu flores de dois alunos da Escola Primária Luso-Chinesa da Flora. Foi assim a recepção a Wu Bangguo, presidente da Assembleia Popular Nacional (APN), que está em Macau numa visita oficial de três dias, por ocasião da comemoração dos 20 anos da criação da Lei Básica. Apesar do silêncio perante câmaras e microfones, não deixou de proferir umas palavras através de um comunicado oficial. “Estou muito satisfeito por visitar Macau durante as férias de Ano Novo Lunar. Quero sentir o fôlego de prosperidade e estabilidade social de Macau e especificidades culturais e tradicionais”, disse, acrescentando que desde 1999 tanto o Governo como o Chefe do Executivo “têm cumprido escrupulosamente a Lei Básica e unidos com os compatriotas de Macau sob o espírito de ‘Amar a Pátria, Amar Macau’, na implementação do principio ‘um país, dois sistemas’ sob o alto grau de responsabilidade para construir com sucesso a própria terra e revitalizar o território de Macau”. Para o futuro, Wu Bangguo afirma estar convicto “de um futuro brilhante para o país e boas perspectivas para Macau”. Depois da chegada, a agenda cumpriu-se com uma visita ao novo campus da Universidade de Macau na Ilha da Montanha. Estão ainda programadas cerimónias oficiais e uma visita à Associação Comercial de Macau, que celebra 100 anos de existência.
Dia marcado com protestos
Antes da chegada de Wu Bangguo, dois homens deslocaram-se ao aeroporto envergando cartazes de protesto. Um deles apelava ao presidente da APN para tomar atenção à corrupção praticada por dirigentes políticos, enquanto criticava o facto de ter tentado criar uma associação e não ter sido autorizado para tal, considerando que, no seu caso, não deveria ser invocada outra lei para o proibir, quando a Lei Básica pressupõe a liberdade de criação de associação. Apesar disso, e
Chegada de Wu Bangguo marcada por protestos no aeroporto
Uma visita oficial para “sentir o fôlego” de Macau Começou a festa. O presidente da Assembleia Popular Nacional chegou ontem a Macau para comemorar os 20 anos da criação da Lei Básica. No aeroporto foi recebido por diversas individualidades políticas e recebeu flores das mãos de alunos, mas não faltaram protestos pacíficos segundo o canal chinês da Rádio Macau, os homens acabaram por deixar o aeroporto e os cartazes com a policia, não tendo causado quaisquer distúrbios. À tarde, o famoso “estranho de vermelho” de nome Hoi Weng Chong, e que usa diariamente a praça do Senado para fazer os seus protestos, deslocou-se à sede do Governo para entregar uma petição. No primeiro dia de visita,
Jason Chao, presidente da Associação Novo Macau (ANM) nada fez, mas garantiu ao Hoje Macau que hoje, segundo dia da visita oficial, “tudo poderá mudar”. Para já, não quer revelar quais os seus planos, mas garantiu que irá fazer alguma iniciativa hoje.
“Construção de um governo transparente”
Ontem ao final do dia foi realizado um jantar, que
contou com a presença do Chefe do Executivo, Chui Sai On, que, no seu discurso traçou um balanço sobre os anos de concretização prática dos preâmbulos da Lei Básica. “O Governo da RAEM na prossecução do lema ‘ter por base a população’, tem vindo a esforçar-se na implementação de uma governação assente em valores científicos, bem como na construção
pragmática de um governo transparente.” Chui Sai On frisou que o Executivo “impulsiona activamente o desenvolvimento da diversificação adequada da economia no sentido de manter estável a evolução económica da RAEM”, sem esquecer “a classe mais carenciada”. “Insistimos no desenvolvimento económico e no melhoramento de vida da população como bandeiras
e ponto de apoio da nossa acção governativa”, disse ainda. O Chefe considerou ainda que esse fomento económico, “a estabilidade e a harmonia sociais e do melhoramento sustentável da vida da população em que Macau vive hoje provém mesmo das garantias jurídicas consagradas na Lei Básica”. Wu Bangguo tem 71 anos de idade e esta é, provavelmente, uma das últimas visitas oficiais que realiza, dado que em Março vai ser substituído pelo número três da hierarquia chinesa, Zhang DeJiang. A APN é “o supremo órgão de poder do Estado” e nomeia o presidente da república ou do Governo. É composta por três mil delegados representantes de toda a China e também de Hong Kong e de Macau. Já o Comité Permanente é composto por 150 pessoas. Reúne uma vez por ano, em Março, num plenário que dura dez dias. - *com Cecília Lin e agência Lusa
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sociedade
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Dirigente da AEM prefere não falar dos seus rendimentos em comentário feito aos subsídios recebidos nos últimos três anos pelas associações a que está ligado
“O meu rendimento deve ser um cálculo que a Novo Macau vai fazer por mim” O presidente da Associação Ecológica de Macau (AEM), Ho Wai Tim, prefere não comentar os subsídios atribuídos a três associações a que está ligado, nos últimos três anos, no valor de 1,8 milhões de patacas. Questionado sobre o uso dos montantes para custear as actividades em questão, diz que os “seus rendimentos” hão-de ser também desvendados pela Associação Novo Macau Cecília Lin
cecília.lin@hojemacau.com.mo
Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo
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polémica arrasta-se. Ho Wai Tim é o homem que não tem pudores em dar a morada (sua ou de relativos) a 26 associações, embora se diga apenas envolvido com uma associação: a Associação de Ecologia de Macau (AEM), à qual preside. Por isso, é visto por alguns como o homem dos mil ofícios e, por outros, como a pessoa que pode estar a lucrar com este envolvimento, através dos subsídios públicos que estas recebem para as mais diversas actividades. Jason Chao é uma destas pessoas e, por isso, apurou e compilou todos os financiamentos recebidos pelas instituições, entre 2010 e 2013. A conclusão é a de que, em três anos, a AEM recebeu 1,6 milhões de patacas (da Fundação Macau, do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização, do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia, da Direcção dos Serviços para a Protecção Ambiental e da Direc-
ção dos Serviços de Educação e Juventude), o Centro de Educação e Ciências do Ambiente foi subsidiado em 160,6 mil patacas, e a Associação de Desporto E-Jogos de Macau recebeu 120 mil patacas também por fundos ou entidades governamentais. Ou seja, de 28 associações a que está ligado - por ceder o seu domicílio, o da sua mãe ou de amigos às mesmas - apenas três receberam, em três anos, um total de 1,8 milhões de patacas. Quando libertados estes dados pelo membro da Associação Novo Macau (ANM), Ho Wai Tim escusou-se a comentá-los prontamente porque, disse, precisava de ter tempo para verificar os montantes e dar uma resposta sem cometer erros. A justificação chegou ontem ao Hoje Macau, por parte do dirigente da AEM, que mal interpretou a vontade deste jornal em ter conhecimento dos relatórios de actividades (que foram financiadas) com o desejo de saber dos seus rendimentos. “O meu rendimento entre 2010 e 2012 deve ser um cálculo que a ANM vai fazer por mim, por isso não lhe darei esta
resposta”, afiançou. Sob esta natureza escusou-se a mais comentários e preferiu, em resposta escrita em chinês, apontar o dedo à ANM que, refere, há muito tempo está a tentar fazer “pressão” sobre si, devido a desavenças públicas várias.
Amor recíproco
Os conflitos, diz, remontam a 2006, desde que “a Novo Macau entregou uma carta ao Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM sobre a questão da maré salgada. Eu acusei-os de fazerem um espectáculo público”, conta. Desde então, indica, têm havido desavenças sobretudo no que toca diz respeito aos projectos de construção que envolvem as zonas do lagos Sai Van e Nam Van, por exemplo, o recente mercado nocturno do lago Sai Van, que está em auscultação público, e sobre o qual Ho Wai Tim é a favor, ao contrário da Associação Novo Macau, que se tem oposto inúmeras vezes publicamente. “O caso tomou proporções maiores quando um membro da Novo Macau,
Choi Chi Chio, visitou a minha casa para verificar o endereço da Associação de Ciência Política e Direito de Macau (ACPDM) [que publicou um anúncio no jornal Ou Mun que defendia a demolição das instalações com forte sentimento colonial], outros membros ligaram para minha casa e vários rumores foram criados para que sentisse pressão. São os seus truques favoritos, para mim são um desafio e um baptismo, não tenho medo e não quero dar importância pois é isso que eles querem”, explica Ho Wai Tim. “Sou diferente das outras associações que foram atacadas pela ANM porque não evito questões. E é preciso perceber esta ligação entre mim e a ANM”, ressalva. Mas este jogo do gato e do rato não ficou por aqui. Ho Wai Tim quis lembrar que “Macau é uma sociedade de associações e o direito de liberdade associativa está consagrado na Lei Básica”, algo que “os membros da Novo Macau sabem-no bem, já que também pertencem a várias associações”.
Os membros da ANM estão também associados à Macau Concelears, cujo vice-director é Choi Chi Chio, à Macao Youth Dynamics, cujo presidente é Lei Kuok Keong (vice-presidente da ANM) e ao grupo Macau Consciência. O nosso jornal procurou uma reacção dos protagonistas da ANM, citados por Ho Wai Tim. Jason Chao, que já antes acusara Ho Wai Tim de incongruência por estar ligado a associações de carácter ambientalista mas não defender a preservação de edifícios militares de matriz portuguesa, diz que a resposta dada “não vale nada”. “Questionamos o dinheiro que receberam do Governo porque é dinheiro público. A Novo Macau nunca recebeu financiamento do Governo. 99,9% provêm dos 20% de salário mensal dos deputados. Por isso, recebemos muito pouco de doação civil. Além disso, a Macau Consciência não está registada no Governo e não tem personalidade jurídica. O facto de Ho Wai Tim comparar as associações é só para desviar a atenção”, explica. E acrescenta ainda: “As suas associações são quase todas ligadas à protecção ambiental mas o seu teor é muito variado, logo, é impossível um homem dominar tantas matérias diferentes ao mesmo tempo. As nossas fazem todas o mesmo: política.”
Quem é então o presidente da ACPDM?
O assistente da ANM, Ho Chi Chio, por sua vez, vê no facto de Ho Wai Tim “comparar os subsídios aos rendimentos” como algo de “muito grave”. E garante não haver “inimizades” até porque a ANM “discute assuntos e não pessoas”, em praça pública, mas parece-lhe mais uma vez estranho que, sendo “estudante da Universidade de Ciência Política e Direito de Macau (UCPDM)”, lhe seja estranho que “[Ho Wai Tim] seja presidente da Associação dos Alunos de Macau da UCPDM quando nunca ouviu falar da mesma, enquanto estudante”. “Temos razão em questionar sobre o motivo de ter criado tantas associações. Será que algumas não têm função real? No fim, ele tem de explicar bem quem é o presidente da ACPDM [cujo último dirigente conhecido é Ho Wai Tim] porque se não é ele, tem dizer quem é”, frisa.
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Qualificações serão exigidas com novo regime de licenciamento
DSAL instaurou processos a agências de emprego
Só no ano passado os Serviços para os Assuntos Laborais abriram 66 processos a agências de emprego que terão violado a lei, sendo que até finais de Janeiro 40 ainda estavam sob investigação. Ao Hoje Macau, o organismo confirmou que a revisão do regime de licenciamento das agências de emprego vai mesmo avançar – os seus funcionários poderão ser obrigados a ter qualificações e frequentar exames da DSAL Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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actual sistema de funcionamento e licenciamento de agências de emprego está em fase de mudança, mas, para já, o Governo prossegue nos seus trabalhos de fiscalização a quem viola a actual lei. Só no ano passado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) instaurou um total de 66 processos a este tipo de entidades, segundo dados fornecidos ao Hoje Macau. 65 desses processos dizem respeito a “suspeitas de violação da lei”, enquanto que o outro processo está ligado a um caso de “conflito laboral de agência de emprego”. Até finais de Janeiro deste ano, 40 desses processos já se encontravam em fase de investigação, sendo que os restantes foram arquivados. 15 desses processos que foram arquivados foram aplicadas multas por violação do
Cecília Lin
cecilia.lin@hojemacau.com.mo
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pagamento de quem procurar emprego, enquanto as restantes sete fornecem um serviço gratuito. Segundo o actual regime, a licença é válida por um ano. “Os dados relativos aos anos de 2011 e 2012 demonstram que o número
de agências se mantém entre 120 a 130, não tendo havido um aumento notório”, acrescenta a DSAL.
Novo regime vai avançar
Data do tempo de Shuen Ka Hung, antigo director da DSAL, a vontade
do Executivo em alterar o actual regime de licenciamento das agências de emprego, algo que foi avançado em 2012 em sede de Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS). Para já, a DSAL ainda não tem a proposta concluída, muito menos uma data para que isso aconteça. “Neste momento, a DSAL está a juntar e a analisar todas as opiniões, para depois elaborar uma nova versão com as devidas alterações, aperfeiçoando assim o conteúdo daquele projecto. Em articulação com o desenvolvimento social e a evolução do mercado de trabalho, a DSAL está neste momento empenhada a dar acompanhamento ao trabalho de alteração do decreto-lei”, explicou na resposta enviada ao Hoje Macau. O ano passado, Shuen Ka Hung já tinha admitido que o actual diploma continha “lacunas” ao nível da fiscalização de funcionamento e da aplicação de multas. Mas o Governo promete ainda ser mais duro no que diz respeito à formação dos profissionais que trabalham neste sector. A nova lei poderá incluir “a introdução do regime orientador no serviço de emprego, o qual determina que o exercício desta função exige a participação nos cursos de formação proporcionados pela DSAL e a obtenção, através de exame, da devida qualificação”. Tudo para “elevar os conhecimentos dos indivíduos que exercem aquela actividade mediadora, para cumprirem da melhor forma os deveres estipulados naquele diploma”. Espera-se, ainda, “regulamentar melhor a concessão de licenças”, o aumento de multas por violação da lei e o “reforço do supervisionamento do regime de funcionamento”.
Ensino Estudo mostra que 50% dos alunos de Macau se sente pressionado
Reforma da educação precisa-se TIAGO ALCÂNTARA
Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau lançou um estudo, que mostra que mais de 50% dos alunos de Macau se sente pressionado na aprendizagem, tendo para com o ensino uma atitude negativa. O professor associado do Instituto de Politécnico de Macau (IPM), Chan Chi Fong, considera que os resultados apresentados terão de servir como catalisador para acelerar a promulgação de regulamentos administrativos para o desenvolvimento do sistema de avaliação dos alunos. Citado pelo jornal Ou Mun, Chan Chi Fong relembra a alta taxa de reprovação e a baixa taxa de conclusão do ensino em Macau - um terço dos alunos não conseguiu
actual regime de licenciamento das agências de emprego. Actualmente existem um total de 130 agências que prestam este tipo de serviço e que possuem uma licença válida para operar, sendo que 123 o fazem mediante
concluir o ensino secundário e mais de dois terços dos alunos tiveram que repetir anos, no ano passado. O relatório, considera, reflecte uma situação real de pressão aos alunos e um pobre desempenho educacional. “O
Gabinete de Ensino Superior criou um grupo para estudar um sistema de avaliação de alunos e revelou que o projecto de texto será apresentado este ano. Mas isto não basta, as preocupações podem ser entendidas, mas ainda não
Ho Ion Sang preocupado com o ensino superior
O deputado Ho Ion Sang fez ontem uma interpelação escrita onde frisa que, além do financiamento, o Governo deveria ter medidas para aumentar o nível do ensino e do estudo. Acusou ainda que a lei do sistema do ensino superior já é velha e, apesar de prometido, nunca foi revista. “Nas LAG de 2013 , Governo só relevou que ia acompanhar o trabalho da lei do sistema do ensino superior, mas não tem o processo claro sobre a legislação, então, estou aqui pedir o calendário do processo da legislação.”
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há estudo que reflicta as preocupações reais.” Chan Chi Fong relembra que os países estrangeiros e a China continental estão todos a estudar formas de reformar o sistema educativo, tentando usar a avaliação da capacidade dos alunos em vez da avaliação pelos testes. “Macau já está atrasado. Agora, através do estudo, nota-se que o apelo da reforma da educação já é muito forte e o sector de educação tem que dar atenção a isso.” Outro profissional do sector, Lam Lon Wai, chefe do gabinete dos assuntos para os alunos da Escola dos Filhos dos Operários de Macau, considera que os trabalhos para casa e os testes são as principais razões de pressão dos alunos, a par das altas expectativas dos pais, que ajudam na pressão.
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nacional
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EQUIM e Vaticano estão em “posições muito díspares” quanto à normalização das relações, com a China “sem pressa” e a Santa Sé olhando para aquele país como “a nova fronteira”, sustenta o sinólogo italiano Francesco Sisci. “Há um grande contraste entre as duas posições. A motivação não é igual. O Vaticano está muito interessado, mas para o Governo chinês a questão não é assim tão importante”, disse aquele especialista à agência Lusa em Pequim. Oficialmente, a igreja católica patriótica chinesa, a única autorizada e que é independente do Vaticano, tem cinco a seis milhões de fiéis, tantos quanto a chamada “igreja clandestina”, que permanece ligada a Roma. No conjunto não chegará a um por cento da população. Radicado há duas décadas em Pequim, Franscisco Sisci é autor de três livros sobre a China, um dos quais sobre as relações com o Vaticano, publicado em 2008 com o título “Santa Sé-China: A incompreensão antiga e o questionamento actual”. “A China é um país espiritualmente vazio, sem religião, sem fé. A Santa Sé quer preencher esse vazio, mas a estratégia que
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China e Vaticano em “posições muito díspares” quanto a normalização das relações
Aproximar sem pressas
tem seguido, até agora, falhou”, afirma Sisci. Na sua opinião, ao contrário das igrejas protestantes, “a Santa Sé tem adoptado uma atitude de confronto” com a China, nomeadamente quanto à ordenação dos bispos, que segundo as leis chinesas são nomeados pela
Igreja Patriótica e não pelo papa. As igrejas protestantes “estão a crescer muito mais depressa” do que a católica, realçou Francesco Sisci. Segundo estimativas ocidentais, o número de fiéis das igrejas protestantes já ultrapassará os 60 milhões.
Um porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hong Lei, indicou na segunda-feira que a China estava interessada em “melhorar as relações” com o Vaticano, mas segundo “dois princípios básicos”. “Em primeiro lugar, o Vaticano deve cortar os chamados
laços diplomáticos com Taiwan e reconhecer o Governo da República Popular da China como o único Governo legítimo de toda a China e que Taiwan é uma parte inalienável da China”, disse o porta-voz, à agência Lusa. E o Vaticano “não deve interferir nos assuntos internos da China, incluindo interferências em nome da religião”, acrescentou. Esta foi a primeira reacção oficial do Governo chinês ao anúncio da resignação de Bento XVI, no dia 11 de Fevereiro. O porta-voz escusou pronunciar-se sobre o pontificado de Bento XVI e quanto ao seu sucessor respondeu: “Esperamos que sob a liderança de um novo papa a Santa Sé adopte uma atitude flexível e prática para criar condições à melhoria das relações bilaterais”. A Santa Sé, que mantém um embaixador em Taiwan (a ilha onde se refugiou o antigo Governo chinês depois de os comunistas tomarem o poder no continente, em 1949), é o único Estado europeu que não tem relações diplomáticas com a República Popular da China. Bento XVI, 85 anos, anunciou que ia resignar a partir de 28 de Fevereiro devido à “idade avançada”.
Jerónimo de Sousa em Pequim, primeira etapa de uma semana na China
Os amigos comunistas
Investimento estrangeiro na China caiu 7,3% em Janeiro
O investimento directo estrangeiro na China atingiu em Janeiro cerca de 60.908 milhões de patacas, menos 7,3 % do que no mesmo mês de 2012, revelou ontem o Ministério do Comércio da China. O investimento directo na China acumula agora oito meses de quebras quando comparado com meses homólogos anteriores devido essencialmente à debilidade da economia global e ao aumento dos custos laborais no país. Durante o ano passado, a China atraiu cerca de 830.246 milhões de patacas de investimento externo um valor ligeiramente inferior a 2011 quando conseguiu angariar investimentos de cerca de 860.451 milhões de patacas. O Ministério revelou ainda que foram criadas 140 novas empresas na China com capital europeu, um aumento de 30,8 %.
O
secretário-geral do Partido Comunista Português (PCC), Jerónimo de Sousa, chegou esta terça-feira a Pequim, primeira etapa de uma visita de uma semana à China, a convite do Partido Comunista Chinês (PCC). Jerónimo de Sousa é o segundo líder partidário português recebido na China em menos de dois meses, depois da presidente do Partido Socialista (PS), Maria de Belém Roseira, no início de Janeiro, e ambos viajaram a convite do Departamento Internacional do PCC.
O encontro mais importante da agenda política de Jerónimo de Sousa em Pequim está marcado para quinta-feira, quando o secretário-geral do PCP se reunir no Grande Palácio do Povo com Liu Qibao, membro do Politburo e director do departamento de propaganda do PCC, disse à agência Lusa fonte do partido. Além de Pequim, Jerónimo de Sousa visitará as províncias de Shandong e Yunnan, seguindo no dia 25 de Fevereiro para o Laos. Durante o diferendo ideológico sino-sovi-
ético, que dividiu o movimento comunista internacional até meados da década de 1980, o PCP alinhou com as posições de Moscovo. O antigo líder do PCP Álvaro Cunhal foi recebido em Pequim em 1991 como “um veterano marxista” e desde então delegações daquele partido visitam regularmente a China. Jerónimo de Sousa viaja acompanhado por Pedro Guerreiro, responsável da Secção Internacional do PCP, e por José Capucho, membro do Secretariado do Comité Central.
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região
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Taiwan planeia retirar tropas de ilhotas perto da China
Melhoria de relações
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AIWAN planeia retirar as tropas que tem em duas ilhotas perto da China continental para as transformar em atracções turísticas perante a melhoria das relações bilaterais, informou ontem um responsável local citado pela agência AFP. Nas ilhotas de Tatan e Ertan, que fazem parte do grupo de ilhas Kinmen, a sudoeste da cidade chinesa de Xiamen, en-
contram-se cerca de 120 soldados. Lee Wuo-shih, um responsável das Kinmen, que discutiu o plano com o ministro sem pasta Lin Cheng-ze, disse que este “concordou em princípio com a ideia de retirada das tropas”, que “será um importante sinal da melhoria das relações entre Taiwan e a China continental”. O mesmo responsável manifestou a sua confiança de que o facto de as duas
ilhotas terem sido palco de uma batalha em 1950 entre as tropas de Taiwan e da China continental, no âmbito da tentativa de invasão de Taiwan pelos comunistas chineses, poderá atrair visitantes. As duas ilhotas têm juntas uma área de pouco mais de um quilómetro quadrado e distam cerca de quatro quilómetros de Xiamen. Enquanto Taiwan poderá retirar as tropas destas duas ilhotas, não há indicação que possa fazer o mesmo na ilha Kinmen, onde o número de soldados que aí se encontram é secreto. A tensão no Estreito de Taiwan atenuou-se quando Ma Ying-jeou foi eleito Presidente da ilha, em 2008, com o objectivo de reforçar as relações comerciais e de permitir que mais visitantes da China continental se deslocassem à ilha. Ma foi reeleito em Janeiro de 2012 para um segundo e último mandato de quatro anos.
Hong Kong proíbe importação de aves da Alemanha
Alerta em Brandenburg H
ONG Kong proibiu a importação de aves e todos os produtos relacionados, como ovos, do estado alemão de Brandenburg, no nordeste do país, na sequência de um alerta sobre um surto de gripe das aves, foi terça-feira anunciado. A medida ocorre depois de a Organização Mundial de Saúde Animal ter notificado o Centro de Segurança Alimentar de Hong Kong relativamente a um surto de gripe das aves de baixa patogenicidade verificada no nordeste da Alemanha. A proibição, que produz efeitos imediatos, junta-se a uma outra, em vigor desde 22 de Dezembro, a qual determinava o fim da importação de aves de capoeira e produtos derivados de um outro Estado alemão - Schleswig-Holstein - também devido a um surto de gripe das aves, refere um comunicado oficial. No ano passado, Hong Kong importou dez mil toneladas de carne de
Técnicos que efectuaram teste nuclear norte-coreano vão visitar Pyongyang
Recompensa de “resultado histórico” A
Coreia do Norte convidou os técnicos e cientistas que contribuíram para a realização do seu último teste nuclear, no dia 12, a visitarem Pyongyang, onde vão receber um “tratamento preferencial”, informou a agência estatal KCNA. “Cientistas, técnicos, construtores militares e funcionários” envolvidos no projecto vão visitar a capital norte-coreana, refere o despacho da KCNA, sem especificar o número de pessoas convidadas nem a data em que a visita será realizada. O teste nuclear realizado no dia 12 na base de
Punggye-ri, no noroeste da Coreia do Norte, é o terceiro levado a cabo depois dos testes de 2006 e 2009 e foi condenado pela comunidade internacional. Segundo a KCNA, o teste nuclear “foi realizado graças à forte convicção, vontade e incomparável coragem” do líder norte-coreano, Kim Jong-un, sendo o “resultado histórico dos dedicados esforços” dos que participaram nos preparativos. “Vão passar vários dias em Pyongyang, desfrutando dos maiores privilégios e de um tratamento preferencial”,
Xanana Gusmão na Coreia do Sul para participar na cimeira sobre paz
aves congelada e refrigerada e cerca de 2,8 milhões de ovos da Alemanha, de acordo com dados oficiais. O Centro de Segurança Alimentar da Região Administrativa Especial de Hong Kong tem estado em contacto com as entidades congéneres da Alemanha, assegurando, na mesma nota, que irá acompanhar as informações emitidas pela Organização Mundial de Saúde Animal.
O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, realiza entre esta quinta e até terça-feira uma visita à Coreia do Sul para participar na cimeira mundial sobre paz e na cerimónia de tomada de posse da nova Presidente do país. Segundo um comunicado divulgado à imprensa, Xanana Gusmão participa sábado como orador na Cimeira Mundial 2013 sobre “Paz, Segurança e Desenvolvimento Humano”, patrocinada pela Federação da Paz Universal. A Federação da Paz Universal é uma organização nãogovernamental com um estatuto consultivo especial junto do Conselho Económico das Nações Unidas. No domingo, o primeiro-ministro timorense tem um encontro previsto com os trabalhadores de Timor-Leste que se encontram na Coreia do Sul. No último dia da sua visita à Coreia do Sul, segunda-feira, Xanana Gusmão participa na cerimónia de tomada de posse da nova Presidente coreana, Park GeunHye, eleita em Dezembro de 2012.
refere a agência do regime comunista. Na agenda da deslocação está uma visita à pista de patinagem sobre gelo ao ar livre da cidade, ao distrito de Mangyongdae, considerado o lugar do nascimento do fundador do país, Kim Il-sung, e ao palácio de Kumsusan, onde se encontra o corpo embalsamado de Kim Il-sung. A equipa de técnicos que participou no lançamento de um projéctil de longo alcance, que colocou em órbita um satélite, a 12 de Dezembro, também foi convidada a visitar Pyongyang durante 20 dias.
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jogo
quinta-feira
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Casino-bar em r
Hainão Não era um casino mas também não era apenas um bar. Talvez uma nova forma de entretenimento que teve de fechar, provavelmente face à polémica gerada num território onde o jogo é ilegal por declarações veiculadas pelo empresário Zhao Baoquan à Reuters. Fonte ligada ao processo, e ouvida pelo Hoje Macau, acredita na autorização do Governo Central para o casino-bar que, no entanto, se viu obrigado a recuar na decisão devido “à forma como o apelidaram” já que “atraiu demasiada atenção” Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo
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oderá ou não ser a ilha de Hainão uma potencial ameaça para Macau? As recentes declarações oficiais indicam que não. Mas há circunstâncias que indiciam o contrário. A verdade é que, sem medo de publicidade, foi aberto o primeiro casino no continente - o casino-bar Jesters do Mangrove Tree Resort World em Sanya Bay, Hainão - desde que em 1949 o Governo Central tornou ilegal esta forma de jogo. Por sua vez, o empresário por detrás do projecto, Zhang Baoquan, mostrou confiança de que o Governo faz deste modelo um “teste” para que se possa legalizar - e até liberalizar - a médio-longo prazo a indústria
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jogo
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resort na baía de Sanya abriu e fechou no espaço de cinco dias
o: será ainda uma ameaça para Macau? do jogo nesta ilha tropical, em declaraçõoes avançadas pela Reuters no princípio da semana. Mas que conceito é este? Foi apelidado de “casino-bar” porque não segue os padrões tradicionais do jogo nos casinos, tal como os conhecemos. As apostas existem (rondam entre os 20 e os 100 mil yuans), o dinheiro é posto em cima da mesa sob a forma de bilhetes (500 yuans cada), o principio é o mesmo: ganha-se e perde-se. Mas, quando a sorte bate à porta, conquistam-se “pontos Mangrove” que são revertidos em géneros de luxo - como iPads, malas, jóias - ou mesmo acomodação e peças de arte da galeria de Zhang Baoquan em Pequim. Mas dois dias depois de ter sido anunciada a abertura do “primeiro casino no país”, cujo Governo estava a “monitorar”, segundo o próprio investidor, é encerrado pelas autoridades. O vice-director da secretaria de Desporto e Cultura de Sanya, Chen Guangfa, disse à agência Reuters ter “fechado o bar de entretenimento” e que “de acordo com uma primeira investigação parece que violaram os regulamentos de operação”. Contactado pelo Hoje Macau, o departamento de relações públicas do hotel preferiu negar que este seja um casino. “É apenas um bar e fechámo-lo porque o ar-condicionado está estragado. Não damos mais detalhes sobre o assunto. Nem aceitamos entrevistas sobre isto”, disse de uma rajada Belinda Chen, em declarações semelhantes às divulgadas pela Reuters, sem confirmar se voltará a abrir nas mesmas condições ou se as autoridades instauraram um inquérito. Contudo, fonte ligada ao processo contactada pelo nosso jornal garante que vão voltar a abrir e com aval das autoridades. E, neste caso, a ameaça volta a ser real para Macau. “Houve mais olhos que barriga nesta história”, começa por dizer, referindo-se às declarações do empresário do empreendimento turístico na Baía de Sanya. “Fui informado de que foi aprovado por Pequim mas a maneira como o apelidaram atraiu demasiada atenção. Agora têm de voltar atrás, arranjar nova estratégia e
extensão que conta também com a participação em 70% do China Development Bank.
Uma questão de criatividade
chamar-lhe outra coisa. Algo mais discreto.” Isto porque, “eles vão reabri-lo mas vão dar-lhe outro nome, que não levante a mesma polémica. Mas essencialmente vai ser o mesmo conceito”, explica a mesma fonte, pedindo o anonimato por razões óbvias. Questionada se houve algum tipo de sanção para o grupo, não vê possibilidades disso acontecer. “Não [foram sancionados]. Foram mandados ficar calados e manterem uma postura discreta. Vão deixar assentar poeira, deixando que o assunto morra. Depois irão abri-lo sob um nome diferente mas com o mesmo conceito.” E acrescenta um novo ponto de vista do Governo Central: “Eles não pensam nisto como um casino. Eles vêem-no como outra coisa. É um caso de estudo, que está a ser testado em Hainão. Está isolado e mantido apenas ali. É um teste para saber como corre.” Ou seja, no entender da fonte bem informada, a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) vai ver naquela zona económica especial chinesa um concorrente de peso. “A longo-prazo vai ser um desafio para Macau por isso querem-no fazer de forma suave. E, desta forma [como tudo foi divulgado], não é a maneira de fazer passo a passo.” Por essa razão, haja por
agora também um recuo das concessionárias locais e estrangeiras, e não só, que pensem em investir, tornando-se operadoras neste destino turístico. Até porque, a MGM Resorts International já abriu um empreendimento hoteleiro em Sanya, e a Ceasers Entertainment, operadora de casino nos Estados Unidos, pensa fazê-lo no próximo ano. Embora a primeira, nas palavras de um porta-voz inquirido pela Reuters, não pense em introduzir “nada de semelhante” ao jogo.
Devagar se vai ao longe
Tudo parece bater de acordo com as anteriores declarações do empresário de 56 anos, Zhang Baoquan - listado na revista Forbes como um dos 300 homens mais ricos com uma fortuna avaliada em 4,7 mil milhões de patacas - à Reuters. “Para já ainda não estamos nessa fase [da China legalizar o jogo no continente], mas a minha opinião pessoal é de que, no futuro, haverá possibilidade de o fazerem”, avançando Hainão como a zona de excepção na jurisdição da China, embora sensível a restrições. Apesar disso, a mudança vai demorar porque o Governo Central necessitará de decidir se deixará outros operadores abrirem casino-bares semelhantes. Pequim, vaticina, está a sentir a pressão de deixar os jogadores em casa, com a abertura de novos casinos
em toda a Ásia, incluindo as Filipinas e o Vietname. O magnata indicou ainda à agência noticiosa que pretende criar um resort integrado, semelhante aos de Las Vegas, Macau e Singapura, onde o jogo, as zonas de exposições e convenções e os centros comerciais são oferecidos num só espaço. “Culturalmente, jogar é algo muito mal visto mas hoje há diferenças - jogar é uma ferramenta financeira”, explicou à agência Reuters. “Na Ásia, até a Coreia do Norte tem dois casinos. O país mais rico, Singapura, antes de sequer se pensar a sociedade aceitou-o. Em todo o mundo, a atitude face aos casinos é diferente do que era tradicionalmente.” O casino-bar tinha 50 mesas de jogo, sendo apenas aberto a hóspedes do hotel, no entanto, a perspectiva era de expansão do espaço e de visitantes (incluindo-se, mais tarde, residentes locais). O plano é de criar mais 400 mesas numa fase posterior, que deveria ser aberta nos próximos 18 meses. Também uma sala VIP estaria em construção no segundo andar do Jesters, onde os grandes apostadores podiam subir a parada para valores acima dos 100 mil yuans. Por outro lado, também quando abrir a área comercial, de marcas de luxo como Prada ou Louis Vuitton, os clientes vão poder gastar os seus “pontos Mangrove” por roupa e acessórios. Uma
Jorge Godinho, professor de Direito na Faculdade de Macau e especialista na área do jogo, vê neste novo conceito de jogo um “caso de interpretação criativa” para um território cuja lei não permite a introdução de casinos. “Se os vencedores recebem pontos que podem usar no resort para pagar o alojamento, comprar bens de luxo, jóias e obras de arte isto é evidentemente jogo. A questão no jogo a dinheiro não é saber se há fichas em circulação no interior do estabelecimento, mas sim se se pode terminar uma sessão de jogo com mais dinheiro ou bens do que quando se começou. Se os pagamentos ao jogador são em dinheiro, ouro, diamantes, vacas, galinhas, iPads ou serviços isso é irrelevante. O que importa é saber se se pode ganhar bens com valor económico”, explica ao Hoje Macau. Questionado sobre se é legítimo - ainda que sob formas diferentes de receber receitas pelas apostas em jogos de casino - a China validar este critério, sem que a legislação o viabilize. Jorge Godinho explica que não deve ser viável. “Todas as formas de jogar a dinheiro em jogos de azar foram ilegalizadas em 1949, excepto as duas lotarias, que são uma forma de jogo separada. Se as leis não mudaram será possível contornar a proibição simplesmente com base na ficção de que o denominado ‘jogo sem dinheiro’ (cashless game) não é jogo quando obviamente é? Não pode ser assim tão fácil.” O facto é que a liberdade para o jogo em Hainão já teve avanços quando, recentemente, em Dezembro do ano passado, a ilha turística foi anfitriã do “World Poker Tour (WPT) National China” no resort MGM Grand Sanya. Como o jogo não era permitido, os organizadores do WPT apenas puderam avançar com o torneio depois das autoridades o terem classificado de evento desportivo. A questão que permanece é: será que Macau pode vir
a ser afectado com a possibilidade de Hainão virar “excepção”? A reposta de Jorge Godinho é mais lata. “Se forem autorizados jogos de fortuna ou azar no interior da China ou em Hong Kong isso obviamente poderá vir a ter um efeito gravíssimo sobre a economia de Macau se esta entretanto não se diversificar, como parece difícil que venha a suceder”, avalia o académico. Também analistas da Macquarie, liderada por Gary Pinge, disseram à agência Bloomberg que projectos como o casino-bar pode colocar em risco a indústria do jogo em Macau “a longo prazo” e que, abrir uma zona de jogo pode tirar oferta de clientela ao território. Também de acordo com a Macquarie, os barcos de cruzeiro dos casinos começaram já a operar a partir de Sanya e espera-se que comecem a operar a partir de Xangai no final do ano, o que representa mais uma preocupação para a RAEM. As perspectivas que se avizinham para Macau, dado os indicadores gerais, não são por isso as melhores. A questão é saber quanto tempo tem Macau até não poder mais sustentar a sua economia à base da indústria do jogo, em expansão pela China, pelo sudeste asiático e Japão. “É claro que historicamente houve jogo na China em geral e na província de Cantão em particular. Desde a fundação da indústria dos jogos de fortuna ou azar em Macau em 1849 pelo Governador Ferreira do Amaral e até à fundação da República Popular da China (RPC) em 1949 houve vários períodos em que existiu jogo autorizado na província de Cantão, o que afectava directamente as receitas de Macau”, explana Jorge Godinho. O pressuposto em que se baseiam muitos dos investimentos feitos e previstos em Macau desde 2001 é a continuidade do exclusivo de Macau nos jogos de fortuna ou azar na China.” O Hoje Macau também tentou chegar à fala com Zhang Baoqan sobre a fecho do casino-bar mas não foi possível.
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vida
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Governo quer avançar com avaliação do impacto ambiental até 2016
Na hora de realização de uma obra, como é avaliado o seu impacto ambiental? Em resposta ao Hoje Macau, os Serviços de Protecção Ambiental admitem que “não participam directamente na elaboração do relatório”. Quanto às Obras Públicas, fazem avaliações no terreno e exigem aos construtores relatórios das grandes obras, que só depois são avaliados pelo Governo Andreia Sofia Silva* andreia.silva@hojemacau.com.mo
A
Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) foi acusada, no inicio deste mês, pelo deputado Au Kam San de não realizar as análises devidas ao impacto ambiental dos projectos de construção. Na sua interpelação escrita, o deputado da Associação Novo Macau (ANM) frisava que os relatórios
de análise eram feitos não pelo Governo, mas sim por empresas escolhidas pelos próprios construtores. Em resposta ao Hoje Macau, a DSPA admitiu que, de facto, não é o Governo o responsável directo pela elaboração do documento que determina se um projecto de construção tem efeitos negativos ou positivos sobre o território. “Normalmente a DSPA não participa directamente na elaboração do relatório, mas analisa criticamente
tiago alcântara
Relatórios privados e não obrigatórios
o conteúdo e a qualidade do relatório de avaliação, tendo uma assessoria técnica para garantir que o conteúdo está de acordo com as exigências da legislação ambiental e as especificações técnicas, por forma a mitigar o impacto do projecto sobre o meio ambiente.” Da parte da Direcção de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), esta procede “à avaliação do impacto ao ambiente envolvente em cada caso, pub
em termos de colinas, zonas verdes, paisagem urbanística ou tráfego”. Contudo, em projectos de grande dimensão, que podem merecer “bastante atenção da sociedade e podendo afectar o ambiente envolvente”, os relatórios continuam a ser privados. “A DSSOPT poderá solicitar ao requerente a submissão do relatório de avaliação do impacto ambiental”, esclarece, sendo que este documento “será enviado aos respectivos serviços competentes para uma análise mais aprofundada.” Posteriormente, a DSSOPT tomará uma decisão quanto à viabilidade do projecto, com base “nos pareceres de análise”. Nos grandes empreendimentos, também a DSPA “exige a entrega de um relatório do projecto de construção, que faça referência às directrizes de elaboração da DSPA”. Cabe ainda às Obras
Públicas entregar todo o tipo de informações solicitadas à DSPA.
Novo regime permanece à espera
Há mais de um ano que a DSPA está a proceder à criação de um regime de Avaliação do Impacto Ambiental (AIA), tendo garantido ao Hoje Macau que o mesmo poderá estar concluído em meados de 2016. “A DSPA vai considerar as experiências de outras regiões e, ao mesmo tempo, ouvir as opiniões da sociedade,
por forma a avançar com o trabalho dentro de dois a quatro anos.” E fala da falta de maturidade do actual sistema. “Embora o sistema de avaliação em Macau ainda esteja a ser definido, a DSPA participa sempre activamente e de forma positiva no desenvolvimento de alguns projectos, e faz uma análise detalhada dos projectos de construção, para determinar a extensão dos seus potenciais impactos ambientais, bem como para dar aconselhamento técnico nas áreas do meio ambiente.” No documento informativo disponível para a consulta da população, estão descritas as falhas existentes no actual sistema: “a forma de elaboração do relatório não está uniformizada”, “a AIA é realizada de forma voluntária”, “a apresentação do relatório da AIA acontece, normalmente, no final da concepção do projecto”, além de que “leis, regulamentos, critérios e orientações ambientais são insuficientes e incompletos”. No fundo, “a actual forma como se realiza a AIA carece ainda de um processo sistematizado, definição de prazos e regulamentação, sendo pouco eficiente tanto para o promotor como para o público”. Recorde-se que em Dezembro último Cheong Sio Kei, director da DSPA, disse que o “texto exploratório” para criar este regime iria estar pronto este ano, tendo ficado esclarecido que, à partida, não serão obrigatórios os estudos de impacto ambiental para todos os empreendimentos. Na altura, Cheong Sio Kei admitiu que o “texto exploratório” iria estar “dependente de outras revisões legislativas”. - *com Cecília Lin
Serviços públicos são os que mais fazem avaliações Segundo os últimos dados compilados pela DSPA, referentes ao ano de 2010, 59% dos relatórios de avaliação que foram submetidos ao Governo pertencem a obras do sector público, enquanto que as obras privadas são apenas 41%. No documento de consulta, a DSPA conclui que “os serviços públicos tomam normalmente a iniciativa de efectuar a avaliação”. Quanto ao privado, são apresentados “ou por iniciativa própria, ou por incentivo”.
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cultura
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Arquitectura Sustentável para a Amazónia na Creative Macau
Abordagem inovadora José C.Mendes info@hojemacau.com.mo
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arquitecto português José Castro Caldas esteve ontem na Creative Macau para falar de Arquitectura Sustentável na Amazónia. José Castro Caldas, juntamente com a Arq. paisagista Maria Matos Silva e o Eng. Mário Boucinha, foram os responsáveis pelo projecto Pousada de Tiririca, pré-inaugurado em Novembro do ano passado, naquela região. A casa trata-se de uma intervenção de arquitectura sustentável desenvolvida pela equipa portuguesa, numa região do globo de extrema sensibilidade ambiental, onde os recursos técnicos e materiais são escassos. A intervenção arquitectónica situa-se na comunidade de Tiririca, uma área ecologicamente muito sensível, na reserva de desenvolvimento sustentável do rio Negro, perto de Manaus, no estado do Amazonas.
A construção de uma pequena pousada ecológica num local isolado e apenas com acesso fluvial procura gerar uma alternativa económica sustentável de emprego e rendimento para a comunidade.
A arquitectura portuguesa tem assumido uma projecção internacional importante e o projecto procura contribuir para alargar o domínio de intervenção da arquitectura portuguesa afirmando-a através de interpub
Primeira tradução chinesa de Alberto Caeiro abre inédita colecção dedicada a Pessoa
Segue-se Ricardo Reis A
primeira tradução chinesa dos poemas e ensaios de Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, vai ser lançada em Maio em Pequim, assinalando o inicio de uma colecção dedicada ao poeta português. “Alberto Caeiro é a matriz dos outros heterónimos e a base dos fundamentos filosóficos de Fernando Pessoa”, realçou ontem à agência Lusa a tradutora, Min Xuefei. O livro, com cerca de 300 páginas, é o primeiro volume de uma série intitulada “Obras de Fernando Pessoa”, que uma das mais conhecidas editoras chinesas, a Commercial Press, tem programado publicar ao longo dos próximos anos. O segundo volume será preenchido com os poemas de Ricardo Reis, outro heterónimo de Pessoa, e a seguir sairá “O Livro de Desassossego”, adiantou Min Xuefei.
“Estou cheia de curiosidade para ver as reacções dos leitores chineses. Não serão iguais às dos ocidentais”, desabafou a tradutora. Min Xuefei considerou que Fernando Pessoa “é um autor universal” e sublinhou que “a filosofia” do poeta português “por vezes faz lembrar o taoismo e o budismo”. “Já mostrei a tradução [dos poemas de Alberto Caeiro] a alguns poetas chineses e eles gostaram muito”, contou. Min Xuefei, 35 anos, professora de português na Beida (a mais antiga universidade de Pequim), ouviu falar de Pessoa pela primeira vez na década de 1990, quando estudava espanhol. Entretanto, dedicou-se à língua portuguesa e estudou em Macau e em Coimbra. Além de Fernando Pessoa, traduziu obras de dois autores brasileiros: Clarice Lispector e Paulo Coelho.
Os poemas de Caeiro foram traduzidos em Portugal, entre 2010 e 2012, quando Min Xuefei preparava a tese de doutoramento, sobre Clarice Lispector: “Pessoa e Clarice Lispector são parecidos. Foram ambos uma grande ajuda para eu entender a vida e a literatura”. O “Livro do Desassossego”, que Min Xuefei já começou a traduzir, tem uma versão chinesa, publicada em 1999 e assinada por um conhecido escritor, Han Shaogong, mas foi feita a partir do inglês. Em 2005 saiu outra versão do mesmo livro, também com base na tradução inglesa e da autoria de um poeta, Chen Shi. Antes, as únicas traduções de Fernando Pessoa para chinês (“Mensagem” e uma antologia de poemas) foram publicadas apenas em Macau, na década de 1980.
venções de pequena escala, mas com grande potencial dado o seu carácter inovador em termos de sustentabilidade. O projecto contou com o apoio da Fundação Amazónia Sustentável (FAS), que garantiu a sua exequibilidade do e da dgArtes, Secretaria de Estado da Cultura. José Castro Caldas nasceu em 1981, em Lisboa, e fez o Mestrado de arquitectura em 2007 na Universidade Autónoma de Lisboa. Em Julho de 2011, chega à comunidade do Tumbira, da reserva Sustentável do Rio Negro na Amazónia como parte dos 29 voluntários do CISV no programa “IPP Amazónia”. Com aprovação da comunidade e apoio da F.A.S. (Fundação Amazónia Sustentável) permanece depois do IPP no Tumbira para desenhar e executar a “Casa de artesanato e museu José Garrido”. Em Julho de 2012 regressa à Amazónia para o projecto “Pousada do Tiririca”.
Morreu Donald Richie, pioneiro na divulgação do cinema japonês no ocidente
O escritor e crítico norte-americano Donald Richie, figura chave na divulgação da cultura e cinema japonês no ocidente, faleceu aos 88 anos em Tóquio, informou ontem o jornal “Japan Times”. Donald Richie, que nas últimas décadas tinha sofrido vários enfartes do miocárdio, morreu na segunda-feira num hospital de Tóquio, indicou aquele jornal, citado pela agência Efe. Nascido a 17 de Abril de 1924 em Lima, no estado norte-americano do Ohio, Richie chegou ao Japão pela primeira vez em 1947, tendo começado a escrever para o diário das Forças Armadas dos Estados Unidos “Stars and Stripes”. Donald Ritchie regressou depois aos Estados Unidos para prosseguir os estudos de língua inglesa na Universidade de Columbia, retornando a Tóquio em 1953 para trabalhar como crítico de cinema e de outras disciplinas artísticas no jornal “Japan Times”, para o qual escreveu durante mais de 50 anos até 2009. O norte-americano publicou vários livros sobre cinema japonês e também escreveu algumas obras sobre viagens no Japão. Entre 1969 e 1972 foi comissário no Museu de Arte Moderna (MOMA) de Nova Iorque, onde coordenou uma retrospectiva sobre cinema japonês.
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desporto
quinta-feira 21.2.2013
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GP Macau F3 em Novembro é também possibilidade para o angolano
Sá Silva troca F3 por GP3
F3 não é capítulo encerrado
Sérgio Fonseca info@hojemacau.com.mo
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piloto angolano residente de Macau, Luís Sá Silva, assinou na semana passada pela equipa vencedora da última edição da Taça Intercontinental FIA de Fórmula 3, a Carlin Motorsport, para disputar a temporada 2013 do campeonato internacional “GP3 Series”. Sá Silva, que é o único piloto federado de Macau a competir em corridas de monolugares além-fronteiras, irá ocupar o lugar que o ano passado pertencia ao português António Félix da Costa, o jovem luso que venceu categoricamente o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 de 2012. Depois de uma temporada com a Prema Powerteam na Fórmula 3 Euro Series, Sá Silva irá ter na GP3 um novo desafio, devido à introdução de uma nova geração de carros, mais potentes e com a aerodinâmica melhorada. O monolugar da GP3, também ele
construído pela Dallara, passa de 230 para 400 cavalos e, segundo a organização do campeonato, será cerca de três a quatro segundos mais rápido por volta. O piloto angolano já começou a preparar a época e foi muito bem recebido pela nova equipa em Inglaterra. “A GP3, particularmente com a introdução do
carro da nova geração, significa um grande trampolim para o topo do automobilismo. Com 400 cavalos, o carro da GP3 vai ser um verdadeiro passo em frente e haverá muito para aprender”, disse Sá Silva, destacando que entra no certame para crescer como piloto, sem estabelecer resultados como meta. pub
Estamos muito satisfeitos com a forma como o Luís já interage com a equipa”, declarou o antigo director desportivo de Fórmula 1.
O britânico Trevor Carlin, co-proprietário da equipa que no passado albergou outros pilotos de Macau, como os bem conhecidos Rodolfo Ávila e André Couto, considera que “o carro da GP3 está muito forte e que estão a ser dadas todas as ferramentas ao piloto para que possa ser capaz de aproveitar ao máximo esta oportunidade.
Sá Silva transita da Fórmula 3 para a GP3, mas não fecha a porta a um regresso à categoria em que se estreou o ano passado, principalmente se houver a oportunidade de repetir a Taça Intercontinental FIA de Fórmula 3 da 60ª edição do Grande Prémio de Macau. “Gostaria muito de repetir o Grande Prémio de Macau no final do ano, mas tudo depende dos apoios que conseguir encontrar. Claro, que os resultados ao longo da época na GP3 também vão influenciar na decisão. Não temos um orçamento ilimitado, mas se conseguir angariar mais apoios e se receber o convite para correr de Fórmula 3 em Macau, será uma das minhas prioridades”, explicou Sá Silva ao Hoje Macau. O vice-campeão asiático de Fórmula Renault de 2009 e de Fórmula Pilota em 2011 disputou a edição do ano passado da corrida rainha do evento motorizado da RAEM, não tendo no entanto terminado a corrida ao ser abalroado por um adversário quando vinha a subir lugares na classificação geral.
Ultimate Fighting Championship regressa a Macau
Combate pega de estaca
Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo
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acau caminha a passos largos para se tornar num dos principais palcos mundiais dos desportos de combate. Depois de ter recebido em Novembro último lutadores como Cung Lee e Rich Franklin no evento que pautou a estreia do principal certame mundial de artes marciais mistas na República Popular da China, o território volta a atrair o interesse dos entusiastas do pugilismo, do muay thai e das artes de combate ao servir de palco ao primeiro grande evento internacional de boxe realizado no continente asiático. Se tal não bastasse – e antes ainda de se saber se a iniciativa promovida a 6 de Abril pela Top Rank vai ou não ser bem sucedida – os responsáveis pela promoção do Ultimate Fighting Championship já fizeram saber que têm planos de peso para Macau. O presidente da entidade responsável pela or-
ganização da principal prova mundial de artes marciais mistas (“mixed martial arts”, na designação inglesa), Dana White, garantiu no início da semana que o “grande circo” do Ultimate Fighting Championship não só vai regressar ao território, como vai organizar na Região Administrativa Especial um dos maiores eventos do calendário da modalidade: “O evento que organizámos em Macau foi um dos melhores da temporada e acabou por ser tão convincente que os nossos parceiros na região já avançaram com uma proposta para que organizemos um evento ainda mais significativo. Macau, posso garantir, vai ser grandioso”, garante White. As declarações do presidente do Ultimate Fighting Championship foram feitas à margem do evento “UFC on FUEL TV”, realizado em Londres no fim-de-semana. Pouco expansivo acerca dos projectos que a organização que lidera destina ao território, Dana White apresentou
um rol de novidades que não se ficam pelo regresso da maior prova mundial de artes marciais mistas à região do Delta do Rio das Pérolas. O ano de 2013 deverá pautar a estreia da competição em solo francês, com a organização em Paris de uma sessão de combates com alguns dos melhores lutadores da actualidade. Em Março, o “Ultimate Fighting Championship” regressa ao Japão e ao Canadá. Em Abril, é a vez da Suécia receber pela segunda vez a caravana da mais cotada prova internacional de mixed martial arts, num evento que tem como maior atractivo o frente-a-frente entre Alexander Gustafsson e Gegard Mousasi. Para o Brasil – país onde o Ultimate Fighting Championship mobiliza centenas de milhares de entusiastas – estão previstas duas séries de combates. Uma deverá realizar-se no Rio de Janeiro. A outra deverá ter como destino São Paulo.
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[ ] Cinema
futilidades
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Cineteatro | PUB Sala 2
journey to the west: conquering the demons [c]
(Falado em cantonês legendado em chinês e inglês) Um filme de: Stephen Chow, Derek Kwok Com: Shu Qi, Wen Zhang, Huang Bo, Show Lo 14.30, 19.30
LINCOLN Sala 1
one piece film z [b]
journey to the west: conquering the demons [3d] [c]
(Falado em japonês, legendado em chinês) Um filme de: Tatsuya Nagamine 14:30, 19:30
(Falado em cantonês legendado em chinês e inglês) Um filme de: Stephen Chow, Derek Kwok Com: Shu Qi, Wen Zhang, Huang Bo, Show Lo 16.30, 21.30
I LOVE HONG KONG 2013 [B]
Sala 3
(Falado em cantonês, legendado em chinês e inglês) Um filme de: Chung Shu-kai Com: Eric Tsang, Bosco Wong, Michael Tse, Kate Tsui 16.30, 21:30
Aqui há gato
LINCOLN [b]
Um filme de: Steven Spielberg Com: Daniel Day-Lewis, Tommy Lee Jones, Joseph Gordon-Levitt 14:30, 18:15, 21:00
VERTICAIS: 1-Gravemente doente. Marcam com ponto. 2-Círculo de cor que rodeia o mamilo. Língua dos Tupis e dos Tupinambás (Bras.). 3-Imediatamente (Ant.). Amo, mestre. 4-As flores do jasmineiro. Escândio (s.q.). 5-Face da moeda oposta à coroa. Transpires. 6-Zangada. Duna, praia. 7-Lebre das pampas. Redondeza, mundo. 8-Suspiro. Decorreu. 9-Desse lugar. Determinasse a extensão. 10-Corpo gordurento proveniente da cetina. Continuar aquilo que foi interrompido. 11-Metade um tom (Mús.). Arco de cabaz.
Soluções do problema
Sudoku [ ] Cruzadas
HORIZONTAIS: 1-Ilha inglesa no mar da Irlanda. Povoações de primeira categoria. 2-Expor ao ar. Embarcação ligeira. 3-Ofenderam fisicamente. Figuravam. 4-Esqueletos. Medida itinerária chinesa. 5-Vamos!. Jarro, o m. q. arão (Bot.). 6-Capital europeia. Que não tem antenas. 7-Consinta. Paraíso terreal de que fala a Bíblia. 8-Novo Testamento (abrev.). Que vem tarde ou a desoras, tardia. 9-Que te pertence. Serenata (Bras.). 10-Constelação austral. Fazes uso excessivo. 11-Tumor muscular. Série de anos que principia num grande acontecimento histórico.
[Tele]visão TDM 13:00 TDM News - Repetição 13:30 Telejornal + 360º (Diferido) 14:45 RTPi DIRECTO 19:00 Montra do Lilau (Repetição) 19:30 Vingança 20:30 Telejornal 21:00 TDM Talk Show 21:30 Perdidos Sr.6 22:10 Escrito nas Estrelas 23:00 TDM News 23:30 Resumo Liga dos Campeões 23:45 Herman 2013 00:45 Telejornal (Repetição) 01:15 RTPi Directo 04:05 Liga Europa: Benfica – Bayer Leverkusen (Directo) 06:00 RTPi Directo INFORMAÇÃO TDM RTPi 82 15:00 Telejornal Madeira 15:30 Código de Bairro 16:00 Poplusa 17:00 Bom Dia Portugal 18:00 Decisão Final 18:45 Vingança 19:30 Grandes Quadros Portugueses 20:00 Maternidade 21:00 Jornal da Tarde 22:15 O Preço Certo 23:15 Portugal no Coração 30 - FOX Sports 13:00 Chang World of Football 2012/13 13:30 Big Ten Conference Basketball 2012/13 Minnesota vs. Ohio State 15:30 World of Gymnastics 2013 16:00 Premier League Darts 2012 17:30 Big Ten Conference Basketball 2012/13 Minnesota vs. Ohio State 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 ABL Crossover 2013 20:30 Total Rugby 21:00 FINA Aquatics World 2013 21:30 Global Football 2012/13 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 Thursday Fight Night with UFC
31 - STAR Sports 12:30 Sports Max 2012/13 13:30 Smash 2013 14:00 Chinese Badminton Super League Highlights 15:00 F1 Classics 1994 British Grand Prix 16:00 F1 Classics 1994 Australian Grand Prix 17:00 Accenture World Matchplay 2013 20:00 MotoGP World Championship 2011 Highlights Iveco TT Assen 21:00 SBK Superbike World Championship 2013 Season Preview 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 AFC Champions League 2012 Final Ulsan Hyundai vs. Al Ahli 40 - FOX Movies 11:35 The Grey 13:35 Click 15:25 The Water Horse 17:20 In Time 19:10 Colombiana 21:00 My Week With Marilyn 22:40 Transporter: The Series 23:30 The Walking Dead 00:20 Drive 41 - HBO 11:45 Mission: Impossible Ghost Protocol 14:00 The Iron Lady 15:55 Ghost 18:00 A Civil Action 20:00 S.W.A.T. 22:00 Bad Boys Ii 00:20 Hanna 42 - Cinemax 12:30 Red Faction: Origins 14:00 Bad Company 16:00 The Big Cube 17:35 Hercules Ii 19:05 Morlocks 20:30 Glass House: The Good Mother 22:00 Operation: Endgame 23:20 Point Of No Return
VERTICAIS: 1-MAL. APONTAM. 2-AREOLA. TUPI. 3-NESSORA. AIO. 4-JASMINS. SC. 5-CARA. SUES. E. 6-IRADA. AREAL. 7-D. MARA. ORBE. 8-AI. SUCEDEU. 9-DAI. MEDISSE. 1-ETAL. REATAR. 11-SEMITON. ASA. HORIZONTAIS: 1-MAN. CIDADES. 2-AREJAR. IATE. 3-LESARAM. IAM. 4-OSSADAS. LI. 5-ALOM. ARUM. T. 6-PARIS. ACERO. 7-O. ANUA. EDEN. 8-NT. SERODIA. 9-TUA. SERESTA. 10-APIS. ABUSAS. 11-MIOCELE. ERA.
À venda na Livraria Portuguesa Isabel I de Inglaterra e o seu médico Português • Isabel Machado
REGRAS |
Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior
Quando o médico português Rodrigo Lopes chega a Londres, logo após a ascensão ao trono da nova rainha de Inglaterra, estava longe de imaginar que o seu destino se cruzaria com o da poderosa Isabel I. Filha de Henrique VIII e da controversa Ana Bolena, a jovem princesa foi obrigada a percorrer um longo e árduo caminho até ao trono de Inglaterra. Com a morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir e o trono português a ser ocupado por Espanha, os olhos do mundo voltam-se para Portugal. E quem melhor do que Rodrigo Lopes para levar à rainha e aos seus conselheiros privados informações sobre o reino onde tudo se joga. Entre os dois nasce uma enorme cumplicidade, mas cedo o médico judeu se vê envolvido nas teias do poder, da traição e da ambição, e nem a rainha o conseguirá salvar de um destino trágico. A jornalista Isabel Machado, no seu romance de estreia, leva-nos até à luxuosa corte de Isabel I. A rainha astuta que casou com o seu reino e que muitos garantem que morreu virgem. Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
A voz que se ouve nos escombros do institucional O institucional aborrece, porque está prédefinido. Cumprimos uma agenda que já lá está, atrás de fitas que nunca se podem romper, com cartões ao pescoço com o nosso nome que não se podem tirar. Se alguém ousa dar um passo sequer fora do estipulado, é empurrado, proibido, ouve um estrondoso “não”. Estas são as normas mais comuns dos eventos, mas principalmente dos eventos políticos e das visitas oficiais. A de Wu Bangguo não é excepção. O presidente do comité permanente da Assembleia Popular Nacional (APN), o mais alto órgão legislativo do continente, chegou ontem a Macau e foi recebido no aeroporto com pompa e circunstância. Os jornalistas estavam lá, atrás da fita, e apenas tiveram direito a um breve comunicado onde se pode ler que Wu Bangguo deseja um grande futuro para Macau. Contudo, esta visita ficou marcada por vozes que quiseram falar e gritar e que não se conformam com o discurso “radioso”: enviaram uma carta a Wu Bangguo, através da sede do Governo, a pedir o sufrágio universal para eleger o próximo Chefe do Executivo. São os mesmos rostos e nomes, os discursos são semelhantes desde há uns meses para cá, sempre a malhar naquela reforma politica. Mas ainda assim há quem ouse quebrar as barreiras e pedir aquilo que, infelizmente, ainda não existe na Macau de hoje: uma democracia plena. Numa altura em que se comemoram os 20 anos da criação da Lei Básica, as coisas não estão totalmente bem, por mais que as altas individualidades da RAEM digam o contrário. Vivemos num mundo de associações em que algumas são pouco ou nada claras quanto aos trabalhos que fazem, os seus objectivos e fundos que recebem. Tirando as eleições directas, poucos percebem completamente como se elegem os deputados indirectos, e nem falo dos nomeados. Quanto ao Chefe do Executivo, é agora eleito por 400 pessoas num universo de 500 mil habitantes. Olhem os números, façam perguntas na rua: as pessoas sabem mesmo em quem votam, porque o fazem e como tudo funciona?
Pu Yi
14
opinião
quinta-feira 21.2.2013
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Carlos M. Cordeiro
da estrela
Miséria institucional
C
á pela serra a neve tem caído quase diariamente. O frio que nos faz trepidar e o vento gélido não convidam a sair de casa. Contudo, um dos meus vizinhos desafiou-me para uma ida até ao café do “Ti Manel” já que havia por lá um pequeno burburinho. Desta vez, não se discutiam os golos do Cardozo e do Jackson Martinez nem muito menos os desaires históricos do Sporting, ou a surpresa que vem causando a participação no campeonato do Paços de Ferreira e do Rio Ave. O ambiente estava efervescente e os políticos, especialmente os do governo, estavam a ser alvo das maiores e mais contundentes críticas. A situação no país está a ficar assustadoramente preocupante. O desemprego subiu para um patamar nunca antes contabilizado pelo Instituto Nacional de Estatística havendo já praticamente um milhão de pessoas sem trabalho. E os presentes no café percorriam com os seus comentários quase todas as decisões governamentais, particularmente, os cortes que se têm verificado nos salários e nas pensões. O que ninguém estava preparado era para uma determinação que além de causar o maior espanto é socialmente chocante. O governo cortou o subsídio de dependência à maioria dos portugueses que recebem pensões acima dos 600 euros. São idosos que precisam de cuidados de saúde e ajuda para satisfazer as necessidades básicas do dia a dia, como alimentação, higiene ou tarefas caseiras. Um complemento por dependência que espelhava um dos maiores exemplos de miséria institucional, porquanto
Um compatriota com 87 anos, segundo dizia o seu filho, será um dos afectados por este corte. Tem um diagnóstico de Alzheimer, mas como a doença ainda não está avançada, tem uma dependência sinalizada de primeiro grau, o que é considerado pela miséria institucional como um caso a abater. Com efeito, este tipo de decisões a atingir os mais idosos faz-nos recordar que os ditadores de leis absurdas andam esquecidos que um dia também hão-de chegar a velhos e, quem sabe, como nos diz a gíria popular: o mundo dá muitas voltas...
se cifrava em pouco mais de 90 euros. Tratava-se de uma prestação em dinheiro que o Estado dava desde 1999 aos cidadãos que se encontravam em situação de dependência e que precisavam de ajuda de terceiros para colmatar as suas necessidades básicas da vida quotidiana. Um subsídio que era concedido aos pensionistas de invalidez, de velhice e de sobrevivência do regime geral de Segurança Social, e pensionistas do regime não contri-
butivo e equiparados. Uma decisão deveras repugnante se atendermos que visava ainda pessoas com incapacidade de locomoção devido a algumas doenças como Alzheimer, sida, esclerose múltipla ou do foro oncológico. É quase inacreditável, mas é o país que nos estão a oferecer. Poder-se-ia falar da alta política e dos desmandos governamentais que já atingem milhares de trabalhadores e desempregados. Mas este caso é revoltante por inserir matéria que tem a ver com os portugueses mais desprotegidos. A medida que se repugna foi decretada quase no silêncio de um dia do mês passado, que passou despercebida à maioria dos beneficiários e até dos assistentes sociais. Agora que começaram a receber as cartas da Segurança Social onde são informados da cessação deste apoio extra, os pensionistas estão a ficar perplexos e indignados. Uma indignação que chegou à imprensa através do padre Francisco Crespo, responsável pela área social da Igreja Católica em Lisboa e que salientou não estar o governo a dar resposta ao que considera ser o problema social mais grave do país: a terceira idade. “Cada vez há mais idosos, com problemas mais graves, mais dependentes, mais sozinhos e que saem mais caros”, afirmou o prelado que espera que o corte do complemento de dependência não venha a ter efeitos desastrosos na condição de vida dos atingidos. E lá no café do “Ti Manel” os ânimos exaltados giravam à volta do tema. Um compatriota com 87 anos, segundo dizia o seu filho, será um dos afectados por este corte. Tem um diagnóstico de Alzheimer, mas como a doença ainda não está avançada, tem uma dependência sinalizada de primeiro grau, o que é considerado pela miséria institucional como um caso a abater. Com efeito, este tipo de decisões a atingir os mais idosos faz-nos recordar que os ditadores de leis absurdas andam esquecidos que um dia também hão-de chegar a velhos e, quem sabe, como nos diz a gíria popular: o mundo dá muitas voltas...
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Leocardo
15
bairro do oriente
Macau fora de horas
A
pesar da pacata (e pataca) monotonia com que passam os dias, pontuados com a invasão de milhares de turistas que nos sufocam aos fins-de-semana e dias feriados, Macau é uma cidade que convida a uma saída nocturna. Quer dizer, para quem gosta. Não faltam opções para quem se quer divertir fora de horas, a escolha é cada vez mais variada, mas até neste ponto tenho saudades da Macau de outros tempos. Perdoem-me a nostalgia própria da idade que avança a um ritmo implacável, mas as actuais discotecas, bares e outros locais de diversão nocturnos da moda não me enchem as medidas. É tudo muito mais moderno, espaçoso e frequentado por gente jovem e bonita, mas sinto a falta de um passado ainda fresco na memória, em que a cidade se distinguia das restantes da região pela sua originalidade e simplicidade. Não existiam as festas por convite à beira da piscina de qualquer hotel de luxo, animadas pelos DJ’s da moda, os dançarinos profissionais, os “dress codes”, as fotos no Facebook no dia seguinte. Era tudo muito mais simples, mais humano, mais volátil e por isso mais precioso. No início dos anos 90, há cerca de vinte anos, a animação nocturna que existia fora da esfera dos bares de karaoke estava delimitada a uma zona da cidade que todos os estrangeiros e portugueses residentes no território conheciam bem. A noite começava por volta das 11 horas na Rua Pedro Coutinho, onde se podia optar pelo Pyretu’s, um bar de música Africana que nunca desiludia os aficionados do género, ou na porta ao lado, no Talker’s, um agradável “pub” ao estilo ocidental animado com música de “juke-box”, e que servia de ponto de encontro aos noctívagos desejosos de emoções fortes. A vizinhança entre os dois bares, ambos extintos há mais de dez anos, permitia que os clientes se revezassem, o que era frequente. Quem optava por começar a noite num “mood” mais suave ia até ao Clube de Jazz, situado então na Rua das Alabardas, no Bairro de S. Lourenço. Pelas duas da manhã, e já com os espíritos em alta, a discoteca Mondial era ponto habitual de romagem. Situada no segundo andar do hotel com o mesmo nome, na Rua de Silva Mendes, esta era uma “discoteca” na acepção do termo, e ali acorria todos os tipos de fauna do território. O ritual de “abanar o capacete” era cumprido religiosamente por portugueses, chineses, tailandeses, filipinos e estrangeiros das mais diversas origens, e um local de eleição para fazer aquele “enga-
Do meu tempo só restaram as pêgas e os traficantes, que talvez sejam agora conhecidos por outro nome mais pomposo. Resta-me agora curtir o reumatismo, sentado à lareira numa cadeira de baloiço, na companhia de um livro que vou lendo com as minhas lentes grossas. Só que de quando em vez vou parar para suspirar e desabafar em voz alta: “Que saudades daquela noite de Macau…” te” mais ou menos indiscreto, que fechava a noite mais cedo, mas com chave de ouro. Muitos anos antes da chegada a Macau das concessionárias de jogo do Nevada, esta discoteca foi pioneira de uma máxima que caracteriza Las Vegas: “O que acontecia no Mondial, ficava no Mondial”. Pela módica quantia de 90 patacas que davam direito a duas bebidas, podia-se dançar até quase às
cinco da manhã, altura em que se acendiam as luzes que anunciavam o fim de mais uma bonita festa. À saída era muito fácil encontrar um táxi que nos levasse a casa, sozinhos ou bem acompanhados, depois de mais algumas horas bem passadas. Os mais resistentes seguiam até ao restaurante tailandês Kruatheque, na Rua Henrique de Macedo, à
distância de dez minutos a pé pela Avenida Sidónio Pais. O restaurante, que ainda existe, tinha naquele tempo uma pista de dança no rés-do-chão, onde a animação durava até depois das sete da manhã, completamente grátis – pagava-se apenas pelas bebidas, e o consumo não era obrigatório. Quem optava por cear, uma alternativa mais dispendiosa, fazia-o na companhia de jovens e belas tailandesas, mão-de-obra das saunas do território, então em muito maior número que hoje. Os mais ousados podiam meter conversa, e procurar a sorte que não lhes sorriu no Mondial. A madrugada era a altura do dia de maior negócio no Kruatheque. O regresso a casa fazia-se já bem depois do nascer do dia, anunciando um Domingo de merecido repouso. Os bares da Pedro Coutinho e o próprio Hotel Mondial passaram de moda e tiveram a sua “demise” em finais da década de 90, quando a animação nocturna se transferiu de armas e bagagens para o NAPE, onde os bares começaram a surgir como cogumelos. A opção “discoteca” sofreu com o aparecimento do som “trance” e do “techno”, e resumia-se a alguns poucos locais onde o ambiente era muito mais pesado que o velhinho e saudoso Mondial. Eram novos tempos, diferentes, mas mesmo assim divertidos. A própria zona de bares do NAPE, que chegou a ser comparada com as docas de Alcântara, em Lisboa, foi perdendo o charme, resumindo-se actualmente a alguns estabelecimentos banais, sem o mesmo encanto de outrora. Há quem diga que os gostos mudam da mesma forma que as gerações se sucedem, e se calhar sou eu quem está completamente “out”. Pode ser que sim. Estou de fora desta vida nocturna onde é tudo meticulosamente preparado, coreografado, e nada é espontâneo ou deixado ao acaso. Talvez seja também um demagogo e um forreta, mas ainda sou do tempo onde todos nos encontrávamos e festejávamos sem etiquetas nem compromissos, em que não se pagava por um afecto ou por um gesto mais sensual, e uma ousadia ou um atrevimento não eram negociáveis. Não estou por dentro desta “indústria” que produziu profissões como “DJ”, “VJ” ou “organizador de eventos”. Do meu tempo só restaram as pêgas e os traficantes, que talvez sejam agora conhecidos por outro nome mais pomposo. Resta-me agora curtir o reumatismo, sentado à lareira numa cadeira de baloiço, na companhia de um livro que vou lendo com as minhas lentes grossas. Só que de quando em vez vou parar para suspirar e desabafar em voz alta: “Que saudades daquela noite de Macau…”
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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c a r t oon
ciber-espionagem chinesa
por Steff
Hotel à venda por 10 patacas
A Assembleia Municipal da Lousã aprovou a alienação da participação da autarquia no capital do hotel Palácio da Lousã, autorizando a sua venda por um euro a um fundo de recuperação de empresas do sector, avança o Correio da Manhã. Há dez anos a Câmara da Lousã aplicou 250 mil euros na Serra da Lousã Actividades Turísticas e Hoteleiras, significando a deliberação da Assembleia Municipal, por proposta do executivo, que o município prescinde agora daquela verba. Ao alienar os 4,67% que detinha no capital social da empresa, Câmara tenta evitar a insolvência da sociedade e “todas as consequências negativas” para a economia local, principalmente o aumento do desemprego.
O ministro da Saúde, Paulo Macedo tornou-se ontem no terceiro membro do Governo a ser silenciado por protestos ao som de “Grândola Vila Morena”. Paulo Macedo estava numa conferência na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto quando um grupo de manifestantes o interrompeu cantando e falando na falta de dinheiro para comprar medicamentos ou para pagar taxas moderadoras. Ao contrário de Miguel Relvas, que ontem nem começou a falar quando tinha una intervenção agendada no ISCTE, Paulo Macedo retomou o seu discurso sem fazer comentários.
Portugal colocou milhões a juros baixos
Raúl Castro recebeu delegação dos EUA
O presidente cubano, Raúl Castro, recebeu esta terça-feira no Palácio da Revolução, em Havana, uma delegação de senadores norteamericanos. “No encontro foram abordados temas de interesse para os dois países”, diz um comunicado lido durante o telejornal. A comitiva foi chefiada pelo senador democrata Patrick Leahy, que visitou a ilha no ano passado com outra delegação de legisladores e também se reuniu com o presidente cubano. Antes de se encontrar com Raúl Castro, os legisladores foram recebidos pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Bruno Rodríguez Parrilla e pelo presidente do Parlamento, Ricardo Alarcón. Havia também a expectativa de que as duas partes abordassem o caso do empresário norte-americano Alan Gross, que cumpre pena de 15 anos de prisão num hospital militar de Havana, condenado em 2009 por distribuir ilegalmente equipamentos de telecomunicação, mas não é ainda certo que tenham falado.
Os corpos da família real brasileira foram exumados e as análises permitiram revelar que a Dona Leopoldina, que se acreditava ter morrido devido a uma queda, não sofreu quaisquer fracturas. Além das análises a Dona Leopoldina, que era casada com D. Pedro I (D. Pedro IV em Portugal), o investigador Paulo Saldiva, que dá aulas na Universidade de São Paulo, investigou outras ossadas. No caso de D. Pedro I, que em 1822 conseguiu conquistar a independência do Brasil face a Portugal, foram detectados novos dados acerca do alegado mau funcionamento dos pulmões. O diagnóstico era conhecido, mas desconhecia-se o que esteve na sua origem. Os investigadores concluíram que em causa deve ter estado uma queda de um cavalo, após encontrarem vestígios de lesões comuns em quem pratica equitação.
Discussão sobre a qualidade da água do mangal
IACM compromete-se a anunciar dados Joana Freitas
joana.freitas@hojemacau.com.mo
O
Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) comprometeu-se a anunciar dados sobre a qualidade das águas e da biodiversidade nas zonas junto às Casas-Museu da Taipa. Foi Joe Chan, responsável pela Aliança pela Protecção Ambiental, que o disse ao Hoje Macau, depois de
Tiago alcântara
Mitos desfeitos em exumação da realeza
“Grândola” interrompe Paulo Macedo
um encontro que juntou o grupo pró-ambiente com membros do Governo. Ontem, Joe Chan afirmou estar satisfeito com a resposta do IACM, que deu ainda uma outra certeza. “Prometeu que nunca vão abrir as lagoas ao público”, explicou ao Hoje Macau. “O oficial do IACM prometeu que não vai permitir a nenhum visitante descer até à piscina ecológica, porque se deixarem vão aumentar os distúrbios humanos para
os animais e também aumentar severamente os problemas com a poluição.” Mas, à parte disto, o IACM ainda disse ainda que vai destacar trabalhadores para fazer limpeza e manutenções diárias na área e a anunciar dados sobre a qualidade do ar e da biodiversidade, pelo menos uma vez por ano, ao público na internet. “Isto era o que procurávamos, era a resposta que procurávamos”, frisou Joe Chan.
O Instituto de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) conseguiu obter a totalidade dos 15 mil milhões de patacas previstos em leilão de dívida a 3 e 12 meses, esta quarta-feira, colocando a maior parte dos títulos no prazo mais longo – a 12 meses. Os juros ficaram abaixo do último leilão. Segundo o IGCP, no leilão a 12 meses a taxa média ponderada baixou de 1,609% para 1,277%. Neste prazo foram colocados 11 mil milhões. No prazo mais curto, tendo sido emitidos 3450 milhões de patacas, os custos de financiamento agravaram-se e houve queda na procura. Os juros na emissão a três meses subiram dos 0,667 no anterior leilão para 0,737%.
Registo de aumento de violência anti-semita O assassinato de quatro judeus em Toulouse, pelas mãos de Mohamed Merah, e o ataque a um supermercado «kosher» em Sarcelles, nos arredores de Paris, foram seguidos de picos de violência anti-semita, que aumentaram 58% em 2012 em França, refere o relatório anual do Serviço de Protecção da Comunidade Judaica (SPCJ). “2012 foi um ano de violências sem precedentes contra os judeus na França, que foram alvos de dois atentados em menos de seis meses», afirma o SPCJ. “Em vez de provocar uma tomada de consciência, os atentados de Toulouse e Sarcelles foram seguidos de um aumento muito claro dos actos anti-semitas”, continua. Em 2012 foram registados 614 actos anti-semitas, contra 389 em 2011.