DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
MOP$10
QUINTA-FEIRA 9 DE AGOSTO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4111 PUB
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
hojemacau em criptomoedas realizado na sede da associação a que preside. Pereira Coutinho reitera que não tem nada a ver com o assunto e que a sua presença foi só “de passagem”.
GRANDE PLANO
DIREITO A RECURSO
POUCA UVA PÁGINA 5
CIRCUITO DA GUIA
Alcatrão patrimonial PÁGINA 7
PÁGINA 8
GCS
www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau
Depois de ter negado qualquer relação entre a ATFPM e o esquema fraudulento de criptomoedas, fotos mostram Pereira Coutinho a discursar num seminário de investimento
Gigantes submissos GCS
De passagem
INTERNET
METRO LIGEIRO
Governo recusa cumprir decisão do TUI PÁGINA 6
2 grande plano
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Erro
DIREITOS HUMANOS Google e Facebook estão a trabalhar em aplicações para entrarem no mercado chinês. Para o conseguirem, as empresas têm de se submeter às regras e censura do continente. A Human Rights Watch alerta para violações à liberdade de expressão em que as gigantes tecnológicas americanas estão a ser cúmplices. Para Éric Sautedé trata-se apenas de hipocrisia empresarial
A
Human Rights Watch (HRW) apela a accionistas da Google e do Facebook, que pressionem as companhias para não alterarem os direitos dos seus utilizadores de modo a entrar no mercado chinês. O mesmo apelo é feito ao Congresso Americano e à União Europeia. O pedido é feito num relatório divulgado na passada terça-feira em que a entidade de defesa dos direitos humanos acusa os gigantes tecnológicos norte-americanos de cumplicidade para com a falta de liberdade de expressão que existe no continente. Em causa está o desenvolvimento de tecnologias por parte das duas empresas adaptadas às regras e leis do continente, e que já preveem elementos de censura que existem no país. De acordo com uma reportagem publicada no “The Intercept”, a Google está a desenvolver um motor de busca para telemóveis que atende aos requisitos de censura cada vez mais restritos do continente. O Facebook também desenvolveu uma versão “censurada” da rede social especialmente elaborada para poder ser utilizada no mercado chinês , no entanto nunca a terá lançado, refere a mesma fonte. Segundo a HRW, também o Congresso Americano e a União Europeia devem transmitir a estas companhias as suas preocupações com a cooperação dos dois gigantes tecnológicos com os sistemas de censura e vigilância de Pequim. "As empresas de tecnologia devem desafiar a censura da China e não ser cúmplices", aponta Cynthia Wong, investigadora na área das ciências e tecnologias da comunicação da HRW. "Os accionistas do Google e do Facebook que se preocupam com os direitos humanos devem instar essas empresas para que não se deixem de comprometer com estes valores com o objectivo de ceder ao mercado da China”, acrescentou. De acordo com a reportagem do “The Intercept”, citada pelo relatório da ONG, a publicação teve acesso a documentos que descrevem os planos para o lançamento da versão adaptada da Google para a China e do seu mecanismo de pesquisa enquanto aplicação para o sistema Android. Segundo a mesma fonte, a Google fez inclusive uma apresentação da aplicação às autoridades de Pequim e está a aguardar aprovação para proceder ao lançamento oficial. O projecto, para já, tem o nome de código Dragonfly e está em desenvolvimento desde a Primavera do ano passado. Os trabalhos de programação para a aplicação terão acelerado após uma reunião entre o CEO da Google, Sundar Pichai e
HRW ACUSA GOOGLE E FACEBOOK DE SUBMISSÃO À CENSURA CHINESA
representantes do Governo Central no passado mês de Dezembro. O “The Intercept” aponta ainda para um possível lançamento dentro dos próximos seis a nove meses.
“O que é certo é que essas grandes empresas, Google e Facebook, são verdadeiras hipócritas.” ÉRIC SAUTEDÉ ACADÉMICO
A empresa está também em conversações com potenciais parceiros chineses para fornecer outros serviços como o armazenamento em nuvem. A HRW entrou em contato com o Google de modo a esclarecer a forma de salvaguardar os direitos humanos relativos à liberdade de expressão com sua expansão no continente, no entanto não recebeu qualquer resposta até ao lançamento do relatório que denuncia a situação.
TUDO SOB CONTROLO
O regime de censura da China restringe a divulgação de uma ampla
gama de temas que podem ser considerados politicamente sensíveis, incluindo críticas ao Governo que não estejam em conformidade com a narrativa oficial ou situações que possam denegrir de alguma forma o país e o seu funcionamento. Para garantir o controlo de informação, o país dispões de um filtro a nível nacional – “The Great FireWall”, que bloqueia sites, incluindo os serviços do Google, Facebook, Youtube, Instagram entre outros. Caso tenha sucesso, a Google consegue voltar a estar presente no mercado chinês. "A Google saiu da
grande plano 3
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404 China em 2010 porque os direitos humanos e segurança cibernética eram muito precários", esclarece Cynthia Wong. De 2006 a 2010, a Google já tinha implementado uma versão autocensurada na China. Em Março de 2010, a empresa anunciou que deixaria de restringir os resultados de buscas na China, referindo as suas preocupações com a censura online, com a vigilância e ataques cibernéticos direccionados às contas do Gmail por parte de activistas dos direitos humanos. Como resultado, o mecanismo de busca permaneceu inacessível aos
O New York Times revelou que o Facebook desenvolveu um software “para impedir que as publicações aparecessem nos feeds de notícias das pessoas em áreas geográficas específicas”
usuários chineses do continente, juntamente com outros serviços do Google. "Desde então, a China renovou a repressão aos direitos de expressão e promulgou novas leis. Além disso, criou empresas de tecnologia peritas na monitorização da censura e vigilância”, refere Wong. Para uma reentrada no enorme mercado chinês a Google terá de ceder muito mais do que no passado a este respeito e não explica como, refere a investigadora no relatório da HRW. De acordo com o mesmo documento, a aplicação de pesquisa
está a ser feita de acordo com o regime de censura do país, nomeadamente através do mecanismo de filtro automático ligado aos sites e informações já bloqueados pela Great Firewall de modo a que não apareçam nas buscas dos cidadãos chineses. Exemplos de sites que serão censurados incluem a British Broadcasting Corporation (BBC) e a Wikipedia, de acordo com documentos vistos pelo The Intercept.
FACEBOOK CAMUFLADO
A Google não é a única empresa de tecnologia dos EUA a considerar submeter-se a censura para conseguir entrar na China. Em Novembro de 2016, o New York Times revelou que o Facebook estava a desenvolver um software “para impedir que as publicações aparecessem nos feeds de notícias das pessoas em áreas geográficas específicas”. O objectivo era “ajudar o Facebook a entrar na China.” A reportagem afirmava ainda que a rede social “ofereceria o software para permitir que um terceiro neste caso e provavelmente uma empresa chinesa parceira – pudesse monitorizar as histórias e tópicos mais populares ”, e permitiria que terceiros“ tivessem controlo total para decidir se essas publicações deveriam aparecer nos feeds dos utilizadores ”, referia o New York Times, citado pela HRW. A entrada formal do Facebook na China levanta as mesmas preocupações de direitos humanos enfrentadas pela Google. “A rede social contém informações altamente confidenciais sobre as redes e ligações dos seus utilizadores que o Governo pode exigir que a empresa divulgue”, refere a HRW. Em 2016, a HRW contactou o Facebook para saber se o sistema proposto iria avançar e como é que a rede social pretendia evitar a cumplicidade com a censura estatal chinesa. Outro dos esclarecimentos pedidos estavam relacionados com a confidencialidade dos dados e como o Facebook pensava proteger os seus utilizadores de represálias e da vigilância abusiva devido à sua actividade online, caso tivesse que obedecer à lei chinesa que rege estas matérias. “Neste momento, não concluímos como ou quando o acesso ao Facebook poderá ser implementado para as pessoas na China”, respondeu a empresa. Em Maio de 2017, o Facebook lançou silenciosamente uma aplicação de partilha de fotografias, a Colorful Balloons, na China, recorrendo a uma empresa local sem uma conexão pública com a companhia norte-americana. A empresa também tentou, sem sucesso, abrir um centro de inovação e empresas subsidiárias na China. Em Agosto de 2018, a HRW voltou a entrar em contato com o
Facebook para actualizações da sua abordagem à China sem receber qualquer resposta.
UMA GRANDE HIPOCRISIA
“O que é certo é que essas grandes empresas, Google e Facebook, são verdadeiras hipócritas” diz categoricamente o académico Éric Sautedé ao HM. Sautedé considera que as companhias que se promovem como modelos de liberdade, e quando não o fazem argumentam que não podem substituir os governos quando se trata de ter "princípios" e "valores". A Google retirou-se da China em 2010, recorda o académico, na época em que era "fácil adoptar a nobre postura de queixo erguido" e defender a liberdade de informação. No entanto, a realidade era outra: as pesquisas do Google já eram residuais entre os cibernautas chineses, sendo que o motor de busca do país, o Baidu, liderava na taxa de utilização.
“As empresas de tecnologia devem desafiar a censura da China e não ser cúmplices.” CYNTHIA WONG INVESTIGADORA DA HRW
Ainda assim, Eric Sautedé aponta ainda que a Google nunca deixou de ter produtos para a China. São exemplo disso as duas aplicações da Google que funcionam no país: o Google Translate e um sistema de gestão de arquivos. Para o académico uma entrada destes gigantes no mercado chinês é também uma ilusão. “Um estudo recente mostrou que os utilizadores chineses são bastante apáticos e não estão interessados em fontes alternativas de informação”, explica. Por outro lado, as pessoas no continente atravessam uma fase de deslumbre com o desenvolvimento do país e estão “orgulhosos porque a China está em posição para competir com os Estados Unidos”. Já o Facebook “está condenado”. Mark Zuckerberg, CEO da empresa, “cede aos regulamentos chineses há algum tempo e já se sabe, desde as eleições presidenciais americanas de 2017, “que mais ninguém confia na confidencialidade ou segurança daquela rede. Para Sautedé é necessário arranjar alternativas que garantam responsabilidade e sustentabilidade e, para tal, não se pode contar com Google e Facebook. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
4 política
TIAGO ALCÂNTARA
A Associação Novo Macau quer eliminar os artigos que limitem a divulgação de informação pelos media e o crime de falso boato presentes na proposta em consulta pública acerca da lei de bases da protecção civil. Para os pró-democratas, esta é uma forma disfarçada de fazer da imprensa porta-voz do Governo e de promover a autocensura
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A
Associação Novo Macau (ANM) está preocupada com as regras relativas à divulgação de informação previstas na lei de bases da protecção civil que se encontra em consulta pública até ao próximo sábado. As reservas foram divulgadas ontem em conferência de imprensa promovida pela entidade. De acordo com o comunicado oficial, “o texto da consulta propõe algumas obrigações, responsabilidades e questões relacionadas com a liberdade de imprensa e com a liberdade individual, dando um excessivo enfâse à obediência à informação que vem do Governo”. Uma posição perante a qual a associação se manifesta “fortemente contra”. Em primeiro lugar, a associação salienta a interferência da
PROTECÇÃO CIVIL PRÓ-DEMOCRATAS CONTRA LIMITES À LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Piar fininho nova legislação na liberdade de imprensa e no controlo dos media. “O texto salienta a importância e a responsabilidade social dos meios de comunicação na divulgação de informações importantes sobre protecção civil”, lê-se. Mas, de
OPINIÕES RESPEITÁVEIS
A
ceitar a crítica dos colegas é ser democrata. A ideia foi deixada ontem pelo deputado Sulu Sou ao HM depois do seu comportamento na sessão plenária da passada segunda-feira ter sido alvo de críticas no dia seguinte de nove deputados em pleno hemiciclo. “Respeito o princípio da democracia”, disse, e como tal “respeito a opinião dos meus colegas”. As críticas também se justificam por terem vindo todas de tribunos nomeados ou eleitos indiretamente o que, para Sulu Sou, não serve para melhorar as condições da população mas para proceder a um ataque pessoal. “Eles não representam os cidadãos e transferem
a atenção do que é importante para o meu comportamento”, apontou. No que respeita à intervenção de segunda-feira que deu origem às críticas, Sulu Sou enviou uma carta dirigida ao presidente da Assembleia Legislativa, Ho Iat Seng. A missiva que o deputado quer que seja publicada no diário da AL tem como objectivo salvaguardar a reputação do pró-democrata que apenas se referiu a aspectos legais que estavam a ser discutidos”. Já Ho Iat Seng, acusa Sulu Sou, desviou a atenção durante um debate da AL para assuntos que não faziam parte da ordem do dia.
acordo com a Novo Macau, “se o Governo pedir à comunicação social que coopere com a distribuição de informação, os media só poderão divulgar notícias apenas dentro do que é autorizado pelo Executivo”. A Novo Macau entende que com estas medidas os media podem transformar-se “nos porta-vozes do Governo”, matando assim o amplo direito da população à informação. Segundo o mesmo documento, nenhum meio de comunicação social deve ser incumbido por ocultar responsabilidades do Executivo em caso de catástrofes. Trata-se portanto de uma forma “de restringir a liberdade e imprensa”, salienta.
ENTRE DENTES
Também o crime que pode vir a ser criado relativamente aos boatos é alvo de crítica por parte da ANM. Para os pró-democratas, esta é mais uma forma de controlar a expres-
são individual, com “o Governo a decidir o que é verdade e o que são boatos”. Na prática, considera a associação, “os cidadãos têm liberdade de expressão, mas dentro do que é permitido pelo Governo”. Para os pró-democratas só há uma solução para evitar com que se percam estas liberdades, que passa pela anulação dos artigos que dizem respeito a estas matérias. Por outro lado, cabe ao Governo “divulgar informações de maneira abrangente, oportuna, aberta e precisa”. “O Executivo deve seguir o princípio da transparência e responder activamente às demandas sociais, a fim de manter a confiança da população
A partir do momento em que estas regras estejam presentes na lei e mesmo que não sejam seguidas em rigor, o Governo já terá conseguido limitar a expressão das pessoas porque “irá imediatamente promover a autocensura”
entes da ocorrência de desastres ou catástrofes”, aponta. Tendo em conta situações passadas, como no caso do tufão Hato, os chamados rumores que se espalharam pela sociedade nunca causaram conflitos sociais, refere a ANM e o resultado desses “rumores” foi colocar a descoberto as falhas das autoridades que não souberam reagir em caso de catástrofe “prejudicando a imagem do Governo”. Ao HM, o deputado Sulu Sou, ex-presidente da Novo Macau, defendeu que a definição de rumores é “ilusória” e serve para dar uma margem de manobra ao Executivo de poder limitar o que pode e não pode ser dito. Para Sou, a partir do momento em que estas regras estejam presentes na lei e mesmo que não sejam seguidas em rigor, o Governo já terá conseguido limitar a expressão das pessoas porque “irá imediatamente promover a autocensura”. Além disso, para a Novo Macau, os desastres naturais e os incidentes com origem humana precisam da livre circulação de informações, de modo que os trabalhadores de resgate e o público possam compreender plenamente a situação real em que se encontram e intervir adequadamente, rematou o deputado. Sofia Margarida Mota
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política 5
quinta-feira 9.8.2018
A
3ª comissão permanente da Assembleia Legislativa (AL) voltou a reunir ontem para debater a revisão da lei de bases de organização judiciária, tendo sido discutida a possibilidade dos co-arguidos em processos onde o Chefe do Executivo seja também arguido perderem a possibilidade de recurso, pois a proposta de lei prevê que estes casos sejam directamente reencaminhados para o Tribunal de Última Instância (TUI). Os deputados mostraram-se contra esta possibilidade, apesar do Governo ainda não ter adiantado mais explicações. “Em relação a este ponto a comissão tem outras opinião”, adiantou o deputado e advogado Vong Hin Fai. “Esses co-arguidos vão deixar de ter essa possibilidade de recurso e temos de esclarecer junto do proponente se é mesmo essa a intenção legislativa do Governo.”
TUI AL CONTRA AUSÊNCIA DE RECURSO DE CO-ARGUIDOS COM CHEFE DO EXECUTIVO
Tiros de pólvora seca
Os deputados estão contra a possibilidade dos co-arguidos em casos em que o Chefe do Executivo seja também arguido percam a possibilidade de recurso, pelo facto dos processos irem directamente parar ao Tribunal de Última Instância. O Governo ainda não respondeu às preocupações dos legisladores
“Tendo em conta o que está na proposta de lei, parece que há uma contradição, porque a intenção legislativa é alargar esse direito de recurso.” VONG HIN FAI DEPUTADO
GCS
Vong Hin Fai lembrou que a revisão da lei de bases de organização judiciária visava dar a possibilidade de recurso a mais pessoas, nomeadamente aos titulares dos principais cargos, como por exemplo os secretários, que, com o novo diploma, passam a ser julgados no Tribunal de Segunda Instância (TSI), podendo, assim, recorrer para o TUI. “Pretende-se, de acordo com a nota justificativa da proposta de lei, conferir um duplo grau de jurisdição, conferindo direito ao recurso. Então como poderemos interpretar esta alteração?”, questionou Vong Hin Fai.
Apesar de estarem contra, os deputados não fizeram ainda qualquer sugestão para que seja criado um regime de excepção. “A comissão não apresentou nenhuma proposta ou sugestão sobre isto. Tendo em conta o que está na proposta de lei, parece que há uma contradição, porque a intenção legislativa é alargar esse direito de recurso. As pessoas que antes não tinham possibilidade de recurso vão passar a tê-lo, esse é o espírito da proposta de lei. Então esses artigos não se
coadunam com o que vemos na nota justificativa.” Numa reunião que contou com deputados que não pertencem a esta comissão, houve um membro da AL que questionou o facto dos julgados pelo TSI não poderem recorrer caso sejam condenados ao pagamento de multa ou a uma pena de prisão inferior a oito anos. Esta é a regra ditada pelo Código do Processo Penal, embora seja previsto o direito ao recurso a todos os que são julgados no TSI.
“Também vamos colocar esta questão ao Governo sobre essa norma”, frisou Vong Hin Fai.
QUEM PAGA?
Os deputados abordaram também a falta de pagamento de advogados oficiosos, um tema que mereceu a discórdia dos tribunos face à solução proposta. “Se o condenado não pagar os honorários ao defensor nomeado, cabe ao gabinete do presidente do TUI fazer o adiantamento desses honorários. Alguns membros da
comissão discordaram desta medida e perguntaram porque é que cabe ao gabinete fazer o pagamento. Também houve deputados que tiveram outra opinião.” Vong Hin Fai adiantou que “esses honorários têm sido pagos com o dinheiro dos cofres da justiça, mas houve situações em que o juiz considerou que não deveria ser o cofre a fazer esse adiantamento, mesmo que o condenado não pague os honorários”. O deputado lembrou que a Associação dos Advogados de Macau sempre foi a favor de uma resolução rápida deste assunto. “O montante dos honorários não é muito grande, mas os advogados nunca receberam os seus honorários. Houve deputados que sugeriram que essa norma deve ser mantida, com retroactividade dos pagamentos em falta, com adiantamentos do gabinete do presidente do TUI”, esclareceu o presidente da comissão. Apesar da discordância, os mesmos legisladores não apresentaram alternativas. Ontem os deputados concluíram o essencial da proposta de lei, mas há questões relacionadas com outras legislações cuja análise ainda não terminou. A segunda parte da discussão na especialidade só deverá ter início depois das férias dos deputados. “A assessoria irá apresentar uma lista de questões que foram levantadas na reunião. A partir de 16 de Outubro é que devem ser feitas as reuniões para discutir esta proposta de lei”, concluiu Vong Hin Fai. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
AL Chefe do Executivo responde hoje aos deputados O Chefe do Executivo, Chui Sai On, desloca-se hoje à Assembleia Legislativa (AL) para responder às perguntas dos deputados sobre temas no âmbito da acção governativa e assuntos ligados à vida da população. A reunião, com a duração de três horas, será transmitida em directo pelos canais de rádio e de televisão da TDM ou no ‘site’ da AL e do Governo. O Chefe do Executivo está presente,
regra geral, três vezes por ano no hemiciclo. A primeira deslocação ocorre tradicionalmente em Novembro para apresentar as Linhas de Acção Governativa (LAG) para o ano seguinte e responder aos deputados sobre as políticas anunciadas na véspera. A segunda verifica-se na Primavera (Março/Abril) e a terceira antes de os deputados irem de férias (Julho/ Agosto).
6 sociedade
9.8.2018 quinta-feira
JUSTIÇA GOVERNO NÃO VAI CUMPRIR DECISÃO DO TRIBUNAL DE ÚLTIMA INSTÂNCIA
Ouvidos de mercador
Jogo DICJ admite divergências sobre sigilo
N
OS últimos anos foram pelo menos três os casos em que a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos perdeu nos tribunais, depois de ter negado o acesso a informação pública a advogados ou representantes de empresas locais. Ontem, Paulo Martins Chan, director da DICJ, admitiu que têm havido diferentes interpretações sobre as informações que estão sob sigilo, mas que a DICJ vai seguir as decisões dos tribunais. “Penso que é uma questão de interpretação da lei, mas respeitamos as decisões dos tribunais, portanto, posteriormente [nesses casos] foram fornecidas as informações. A entrega das informações no futuro vai depender de se entendemos que há sigilo, porque a própria lei tem excepções”, afirmou. Desde que chegou à DICJ, em 2015, Paulo Martins Chan impôs uma maior restrição no acesso à informação, uma postura bastante diferente do antecessor Manuel das Neves. “Se forem situações de sigilo temos o direito a não fornecer informação. É na interpretação desse conceito legal que há uma certa divergência. Mas reiteramos que respeitamos as decisões judiciais”, frisou.
O Executivo respeita os tribunais, mas no caso do Parque de Materiais e Oficinas do Metro opta por ignorar a decisão do tribunal liderado por Sam Hou Fai. O Governo não vai acatar a decisão do TUI por entender que esta pode causar “um grave prejuízo para o interesse público”
A
PESAR da decisão do Tribunal de Última Instância (TUI) obrigar o Governo a rever o resultado do concurso público para a atribuição das obras do Parque de Materiais e Oficinas do Metro Ligeiro, o Executivo recusou executar a sentença.
A decisão foi anunciada, ontem, pelo Gabinete para as Infra-estruturas de Transportes (GIT), que invocou “causa legítima de inexecução” por considerar que uma nova pontuação implicaria “graves prejuízos para o interesse público”. “Pese embora o elevado respeito e consideração que este Governo tem pelas decisões dos Tribunais, porque a empreitada está praticamente concluída e perante os graves prejuízos para o interesse público que decorreriam da execução da decisão judicial que recentemente recaíu sobre este caso, foi decidido invocar causa legítima de inexecução daquela decisão”, afirmou o GIT, em comunicado. “Caso a empreitada venha a ser objecto de nova adjudicação para a pequena parte que falta concluir, o tempo que será necessário para os procedimentos administrativos inerentes, para a mobilização de pessoal, máquinas e equipamentos e para a transferência dos trabalhos, irá ter um grande impacto nos prazos da empreitada e na instalação do Sistema de Metro Ligeiro na Taipa”, foi a justificação oficial para esta posição. A opção tem como fundamentação legal o artigo 175.º do Código do Procedimento Administrativo Contencioso, que define as regras das situações de PUB
AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, chegou ao seu término, e, que de acordo com o artigo 53.º da Lei n.º 10/2013 <<Lei de Terras>>, de 2 de Setembro, conjugado com os artigos 2.º e 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que devem os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Praça de D. Afonso Henriques, n.ºs 107 a 115 e Rua de Foshan, n.ºs 113 a 121, em Macau; - Rua Central da Areia Preta, n.ºs 747 a 933, Rua 1 de Maio, n.ºs 435 a 507, Avenida Leste do Hipódromo, n.ºs 412 a 472 e Avenida da Ponte da Amizade, n.ºs 96 a 230, em Macau, (Edifício La Marina). 2. Agradece-se aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam à Recebedoria destes serviços, situada no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento Taipa, para os efeitos do respectivo pagamento. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, procede-se à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 17 de Julho de 2018.
O Director dos Serviços de Finanças, Iong Kong Leong
excepção em que é possível evitar uma decisão dos tribunais.
LUTA ESTATAL
A acção tinha sido colocada em tribunal pela empresa estatal China Road and Bridge Corporation, que alegou que a sua pontuação no concurso público tinha sido mal calculada. Como consequência desse erro, a obra foi adjudicada à também estatal Companhia de Engenharia e de Construção da China. Tanto no Tribunal de Segunda Instância (TSI),
Jorge Menezes considera que o Executivo se colocou numa posição em que “poderá acabar por ter de pagar duas vezes pela mesma obra, à custa do interesse público”
como no TUI foi dada razão à recorrente. Face a esta postura do Governo, compete à China Road and Bridge Corporation decidir como vai agir para ver os seus interesses defendidos. O HM contactou, ontem, a empresa que evitou fazer quaisquer comentários sobre a situação. No entanto, para forçar o Executivo a cumprir a decisão do TUI, a China Road and Bridge Corporation pode voltar a recorrer aos tribunais. A situação foi explicada pelo advogado Jorge Menezes. “Neste cenário, a empresa em causa pode fazer uma de duas coisas: opor-se à alegação do Governo, defendendo que não existe grave prejuízo para o interesse público no cumprimento do acórdão; ou concordar com o argumento do Governo e pedir uma indemnização pelos prejuízos sofridos”, explicou o advogado. “Se [a empresa] usar a primeira, o Tribunal irá decidir se existe de facto grave prejuízo para o interesse
público e isentar o Governo do dever de cumprimento do acórdão ou não. Se mandar cumprir o acórdão, o Governo terá mesmo de o cumprir”, clarificou.
CRIME DE DESOBEDIÊNCIA
Se após nova decisão do tribunal o Executivo insistir em não cumprir, existem mecanismos legais para impor o cumprimento. O primeiro passa pela aplicação de uma multa por cada dia de atraso. A sanção é paga com o dinheiro particular da pessoa responsável pela decisão e não pelos cofres da RAEM. Além da multa, segundo o advogado Jorge Menezes, existe a possibilidade de o titular do órgão responsável pela decisão, solidariamente com o Governo, ter de pagar uma indemnização à empresa. No limite do não cumprimento da decisão, a lei estabelece, que em determinados casos, pode ser mesmo desencadeado um processo por crime de desobediência. Por outro lado, se a empresa concorda com o Executivo não haverá cumprimento da decisão judicial, mas a empresa pode pedir uma indemnização ao Governo. A partir deste momento, as duas partes entram num período de negociações sobre o montante. Caso as negociações falhem, serão os tribunais a fazer as contas do pagamento. Pela forma como o Governo conduziu o caso, levando o assunto para o TUI, em vez de aceitar a decisão inicial do TSI, Jorge Menezes considera que o Executivo se colocou numa posição em que “poderá acabar por ter de pagar duas vezes pela mesma obra, à custa do interesse público”. João Santos Filipe Diana do Mar
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Junkets Lista de devedores pendente O processo para criar uma lista interna com os nomes dos principais devedores aos promotores de jogo, conhecidos como junkets, está “pendente” e ainda tem dificuldades ao nível dos “dados pessoais” para ultrapassar. O ponto da situação foi feito, ontem, por Paulo Martins Chan, director dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos. “Houve conversações entre a associação [de
promotores de jogo] e o Gabinete da Protecção de Dados Pessoais [GPDP] mas ainda há algumas dificuldades que precisam de ser ultrapassadas. É um processo pendente”, disse o director da DICJ. “A ultrapassagem dessas dificuldades vai depender das negociações entre a associação e o GPDP. Essencialmente, as dificuldades estão centradas na partilha de dados pessoais”, acrescentou.
sociedade 7
quinta-feira 9.8.2018
UNESCO PEDIDA CLASSIFICAÇÃO DE CIRCUITO DA GUIA COMO PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE
Curvas com história
Petição contra armazém de substâncias perigosas entregue hoje
A Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Circuito da Guia de Macau apresentou uma proposta para classificação do Circuito da Guia. O pedido foi justificado com o facto de Macau ter o primeiro circuito citadino da Ásia, o mais antigo, pela moldura humana que atrai e pelos vários monumentos situados ao longo dos 6,2 quilómetros
A
AssociaçãoparaaPromoção e Desenvolvimento do Circuito da Guia de Macau (APDCGM) esteve reunida com representantes do Instituto Cultural (IC) e apresentou uma proposta para que o Circuito da Guia seja classificado como Património da Humanidade da UNESCO. Ao HM, José Estorninho, presidente da APDCGM, justificou o pedido com as singularidades do traçado, o contexto cultural e com o facto de ser o circuito citadino mais antigo da Ásia. “O traçado é um legado patrimonial e histórico, visto que foi o primeiro no extremo oriente e por isso justifica-se que seja classificado Património da Humanidade. Estamos aqui a entregar esta proposta, porque entendemos que também cabe à sociedade civil ter uma atenção para valorizar o circuito a nível mundial”, disse José Estorninho, que se fez acompanhar por Carlos Rodrigues, Presidente do Conselho Fiscal da APDCGM, na entrega da carta com a proposta. “Os representantes do IC mostraram-se muito interessados e prestaram muito atenção à questão da classificação. No entanto, sabemos que há uma lista de propostas para ser analisada e entendemos que há outros processos em fila de espera, pelo que é expectável que tudo leve algum tempo”, acrescentou.
Contudo, o presidente da APDCGM mostrou-se confiante quanto à receptividade do Governo para a proposta e revelou que o próprio secretário para os As-
“O traçado é um legado patrimonial e histórico, visto que foi o primeiro no extremo oriente e por isso justifica-se que seja classificado Património da Humanidade.” JOSÉ ESTORNINHO PRESIDENTE APDCGM
suntos Sociais e Cultural, Alexis Tam, se interessou pela iniciativa. “Tivemos um apoio formal do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Ele teve a amabilidade de aceitar o nosso projecto com muita abertura e atenção. Não temos dúvidas que vamos ter um forte apoio do Governo”, considerou José Estorninho.
PRIMEIRO CIRCUITO CITADINO
Entre os argumentos utilizados pela APDCGM está o legado que o Circuito da Guia representa, principalmente no ano em que se celebra a 65.ª edição do Grande Prémio. A proposta é justificada com o “legado cultural e histórico da cidade de Macau”, com a “importância e dimensão” que “a
preservação tem para a cidade” assim como o facto de ter sido “um dos factores de maior projecção de Macau no exterior”. Por outro lado, são destacados todos os monumentos que se encontram ao longo da extensão de 6,2 quilómetros, como o Farol da Guia, Quartel de São Francisco, Cemitério dos Parses, Escola Ling Nam, Fontanário da Guia ou Miradouro Dona Maria II. A carta deixada ainda no instituto liderado por Mok Ian Ian sublinha que o circuito citadino é “o primeiro e o mais antigo em toda a Ásia, com características ímpares, quer em termos de valores culturais, quer em termos humanos”. João Santos Filipe
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Porto de Ka-Hó Contrato de exploração renovado até Abril de 2019 Foi ontem publicado em Boletim Oficial (BO) o despacho que decreta o prolongamento do prazo de concessão da exploração do Porto de Ka-Hó, em Coloane, até Abril do próximo ano, a favor da empresa Macauport — Sociedade de Administração de Portos, S.A. A empresa, que é administrada por Ambrose So, empresário
Round 2
ligado à Sociedade de Jogos de Macau, e que tem o deputado Chui Sai Peng como presidente do conselho fiscal, perdeu um terreno, em 2016, que iria servir para a expansão do referido porto. A concessão do lote havia terminado em Abril de 2013 sem que este tivesse sido devidamente aproveitado de acordo com o contrato.
U
M grupo de moradores da zona de Seac Pai Van, que rejeita viver junto ao planeado depósito e armazém provisório de substâncias perigosas, vai entregar hoje uma nova petição na Assembleia Legislativa contra a intenção do Governo. O conteúdo da missiva, a apresentar hoje ao hemiciclo, vai ser semelhante ao da petição, com mais de 7.000 assinaturas, entregue, na passada semana, na sede do Governo, mas também em parte como reacção às declarações do secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário. “O conteúdo é idêntico [à petição anterior], mas em parte responde também ao secretário. Não recebemos qualquer resposta satisfatória por parte do Governo até ao momento, pelo que decidimos entregar uma nova petição naAssembleia Legislativa, aproveitando a oportunidade de exposição”, afirmou a porta-voz do grupo de moradores, Edith Mak, ao HM. A petição vai ser entregue no mesmo dia em que o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, vai ao hemiciclo para uma sessão de perguntas e respostas sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG) e assuntos sociais. Além da petição de hoje, o grupo de moradores, que sustenta que as controversas instalações a erigir na zona do Parque Industrial da Concórdia vão distar menos de 200 metros da casa mais próxima, vai realizar uma concentração no próximo domingo, junto ao complexo de habitação pública. “Neste momento, são estas as acções que temos planeadas e confirmadas, mas não descartamos adoptar outras, tais como realizar uma manifestação, caso continuemos sem receber uma resposta directa do Governo”, sublinhou a mesma responsável. O Executivo seleccionou dois terrenos para a construção de um depósito e armazém de substâncias perigosas – um na Avenida Marginal Flor de Lótus e outro na Estrada do Dique Oeste –, cujas plantas de condições urbanísticas foram aprovadas, a 18 de Julho, pelo Conselho de Planeamento Urbanístico. Em declarações aos jornalistas, também na semana passada, o secretário para os Transportes e Obras Públicas afirmou que, uma vez aprovadas as plantas, será iniciada a fase de projecto. Não obstante, quando questionado sobre a possibilidade do plano ser revogado, tal como sucedeu com o crematório, Raimundo do Rosário respondeu: “Até as leis se podem mudar. Tudo se pode mudar”. D.M.
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A
9.8.2018 quinta-feira
utilização da sede da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) para um seminário de promoção ao investimento na criptomoeda, que defraudou 70 pessoas de Macau que investiram milhões, continua a gerar polémica. Fotos a que o HM teve acesso, e que já foram apagadas das redes sociais, revelam que José Pereira Coutinho, presidente da ATFPM e deputado à Assembleia Legislativa, esteve presente no seminário e até discursou ao lado de Rita Santos, membro da direcção da ATFPM e uma das lesadas. Confrontado com estas imagens, o deputado voltou a referir que nada tem a ver com este assunto e que marcou presença no seminário, mas que esteve “de passagem”. Pereira Coutinho também não fez quaisquer comentários sobre o facto da imagem da ATFPM estar associada aos materiais promocionais do seminário. O HM tentou também chegar à fala com Rita Santos, que durante o dia não atendeu o telefone ou respondeu às chamadas. Contudo, a presidente da assembleia-geral da ATFPM reagiu na sua página pessoal de Facebook. “Ultimamente, os meios de comunicação social têm mencionado o meu nome sobre o caso de Cryptocurrency Mining. Gostaria de vos informar que apresentei queixa na qualidade de investidora na compra de máquinas de Crytocurrency Mining e estou a colaborar com as autoridades policiais de Macau e Hong Kong , a pedido delas, no sentido de apurar as responsabilidades da empresa e pessoas que nos causaram estes prejuízos.” Rita Santos afirma nada mais ter a acrescentar porque o caso está a ser investigado
CRIPTOMOEDA PEREIRA COUTINHO ESTEVE PRESENTE EM SEMINÁRIO NA ATFPM
Pau para toda a obra
Diz que não está envolvido no alegado caso de fraude e que a associação a que preside cedeu apenas o espaço para o seminário sobre investimentos em criptomoeda, mas fotos enviadas ao HM revelam que o presidente da ATFPM e deputado esteve presente no seminário e até discursou
pelas autoridades policiais de Macau e Hong Kong. “Não é apropriado prestar declarações públicas. Devemos deixar as autoridades trabalharem e concretizarem as medidas adequadas para a salvaguarda dos direitos de to-
dos os investidores, incluindo eu própria e vários membros da minha família. Muito obrigada pela vossa compreensão e continuo a contar com o vosso apoio moral para que eu possa enfrentar esta fase tão difícil da minha vida.”
Banca Lucros do BNU diminuíram 3,1 por cento no primeiro semestre
O Banco Nacional Ultramarino (BNU) fechou o primeiro semestre do ano com lucros de 310,8 milhões de patacas, contra 320,9 milhões apurados em igual período do ano passado, o que representa uma diminuição de 3,1 por cento. Segundo o balancete, a 30 de Junho, publicado ontem em Boletim Oficial, o BNU registou proveitos de 846,3 milhões de patacas e custos de 535,5 milhões. O BNU, do grupo Caixa Geral de Depósitos, fechou 2017 com lucros de 706 milhões de patacas, mais 26 por cento do que no ano anterior. O BNU é, a par com o Banco da China, banco emissor de moeda em Macau, contando actualmente com duas dezenas de agências, incluindo uma na Ilha da Montanha, em Zhuhai.
Ontem o fundador da ATFPM, Jorge Fão, revelou estar muito incomodado com a utilização da sede que ajudou a fundar, e que visa defender os direitos dos funcionários públicos. Mas não é apenas Jorge Fão que
está importunado: vários associados também não estão contentes. Apesar disso, apenas um associado de longa data aceitou falar com o HM, mas sob anonimato. “Estou mais que amargurado e incomodado com esta
atitude de Pereira Coutinho e Rita Santos”, confessou. “Prega-se a moralidade a outros, critica-se o Governo, e agora estamos nisto. Sinto-me encurralado por estes comportamentos e agora vem a ATFPM sacudir a água do capote”, adiantou.
ASSOCIAÇÃO QUERIA EXPANDIR-SE
O HM teve também acesso ao teor das mensagens que foram enviadas e partilhadas nas redes sociais. Uma delas faz referências aos planos de expansão da associação presidida pelo filho de Rita Santos, Frederico Rosário, com o nome de Growup eSports, através da criptomoeda, apesar de ser uma entidade que visa a promoção de jogos electrónicos. “Estamos a lançar novos planos para apoiar a nossa expansão e necessidades de crescimento. O mercado da criptomoeda tem estado em desenvolvimento (...) para manter a nossa competitividade, estamos a adquirir sistemas mais avançados, pois não somos mais uma pequena empresa. Vamos necessitar de mais funcionários, espaço arrendado, electricidade e a finalização do projecto requer gestão de micro risco. O nosso objectivo é tornarmo-nos um emissor de títulos de criptomoeda!”, lê-se na mensagem publicada no Facebook. Rita Santos assinou por baixo de mensagens, na qualidade de membro da direcção da ATFPM, que convidava à participação no evento que lhes iria dar ensinamentos na área das finanças. Mais uma vez, o nome da ATFPM aparece. “A ATFPM e a progressive electronic arena vão em conjunto organizar um colóquio técnico sobre criptomoeda no dia 14 de Janeiro”, lê-se. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Ciência e Tecnologia Rui Martins, da UM, nomeado para Conselho
Rui Martins, vice-reitor da Universidade de Macau (UM) para os Assuntos Académicos, foi nomeado como membro do Conselho de Ciência e Tecnologia por um período de dois anos, a contar desde ontem. Além de Rui Martins, o despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO) dá conta da nomeação de um total de 18 personalidades, tal como Peter Lam, ligado ao Conselho da UM, ou Ho Sio Kam, ex-deputada nomeada à Assembleia Legislativa em representação do sector educativo.
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FMI Macau terá o maior rendimento ‘per capita’ do mundo em 2020
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que Macau registe em 2020 o maior rendimento ‘per capita’ do mundo, destronando o Qatar, de acordo com as últimas projecções da instituição. Os dados divulgados pelo FMI a 27 de Julho, agora alvo de análise, indicam que Macau apresenta neste momento um rendimento ‘per capita’ de 105 mil euros, só ultrapassado pelo Qatar, com 111 mil euros. Em 2020, o rendimento ‘per capita’ de Macau deverá subir para os 124 mil euros, quase o triplo da média das economias mais avançadas como a Austrália, Estados Unidos, Áustria, Reino Unido e China continental. O FMI calcula que a outra região especial administrativa chinesa, Honk Kong, deverá apresentar em 2020 um montante ‘per capita’ inferior a metade do de Macau, ocupando o 10.º lugar, enquanto o de Portugal não chegará aos 30 mil euros anuais de rendimento por habitante, ficando-se pelo 46.º posto.
Meteorologia Inundações no Porto Interior no fim-de-semana
A Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos prevê inundações no Porto Interior, segundo explicou, ontem, Vera Varela, porta-voz destes serviços ao canal de rádio da TDM, que acrescentou que o tempo será também instável nos próximos dias. “Está a desenvolver-se, no Mar do Sul da China, uma área de baixa pressão e vai moverse lentamente para Norte e vai trazer tempo instável para a região. Este tempo instável vai ser agravado também pela maré astronómica e pelos ventos fortes que podem trazer inundações para a zona do Porto Interior entre os dias 10 e 13 de Agosto”, indicou Vera Varela. Os Serviços Meteorológicos e Geofísicos recomendam que as pessoas estejam atentas à informação divulgada e que tomem as devidas precauções.
SOFIA MARGARIDA MOTA
quinta-feira 9.8.2018
CANÍDROMO CUIDADO E ALOJAMENTO DOS CÃES MOTIVA QUEIXA NO CCAC
Galgos contra a corrupção O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) confirmou ontem ter recebido uma queixa sobre o cuidado e alojamento dos galgos
A
S suspeitas de que existe alguém a lucrar, em teoria ilicitamente, com os tratamentos aos galgos do Canídromo, estarão na base da queixa apresentada ao CCAC, revelou ontem a imprensa de Hong Kong, citando a autora, Zoe Tang, ex-funcionária da Sociedade Protectora dos Animais – Anima. A organização, liderada por Albano Martins, demarca-se das acusações, sublinhando que nada tem a ver com o caso. Ao HM, o CCAC confirmou ter recebido uma queixa “sobre o cuidado e alojamento dos galgos”, sem esclarecer, porém, os visados. Na mesma resposta, o CCAC acrescen-
ta apenas que a participação “será acompanhada em conformidade com os procedimentos estabelecidos”. Ao longo do dia de ontem, o HM tentou chegar à fala com Zoe Tang, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição. “AAnima não tem nada a ver com isso”, porque “não trata de contrato de veterinários”, reagiu o presidente da organização, Albano Martins ao HM. “Em relação a esse esquema,
“Já há pessoas a dizer que eu também sou corrupto!” ALBANO MARTINS
eu não sei do que ela está a falar. Se sabe de alguma coisa relativamente a alguém que se misturou com veterinários privados e há corrupção ela deve denunciar. Eu não tenho nada que me imiscuir nisso”, afirmou.
CONFUSÕES CRIADAS
Tudo terá começado depois de, face à insuficiência de recursos humanos do IACM, Zoe Tang ter sugerido um veterinário de uma clínica privada para trabalhar gratuitamente como voluntário no Canídromo, uma proposta que não foi aceite. O veterinário foi contratado pela Yat Yuen, algo que terá causado estranheza a Zoe Tang. “Nós recusamos, mas dissemos-lhe que poderia trabalhar cá se o empregador autorizasse que trabalhasse como voluntário, gratuitamente, dado que era um não residente”, afirmou Albano Martins. “Por força da lei laboral, temos que ter a certeza que a entidade empregadora não iria criar
problemas”, acrescentou. Segundo o responsável da Anima, quando a ex-funcionária começou a falar sobre isso, “as pessoas dessa clínica recuaram”, dada a “grande confusão”, criando “um problema dos diabos”. “Neste momento, se o IACM não quisesse ajudar não teríamos veterinários”, frisou Albano Martins. “É lamentável que ela esteja a envolver outras organizações e outras pessoas. A função dela é comunicar ao CCAC qualquer suspeita, mas continuar a fazer o seu trabalho sem criar confusões”, afirmou, lamentando a falta de diálogo por parte de Zoe Tang. “Já há pessoas a dizer que eu também sou corrupto! Eu sou corrupto dos galgos: há oito anos que me pagaram para os salvar, deram-me uma nota preta e estou agora a pagar dívida que tenho para com eles”, ironizou. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com
JOGO RECEITAS DA GALAXY SOBEM 25 POR CENTO NO PRIMEIRO SEMESTRE
O
grupo Galaxy Entertainment (GEG) anunciou ontem receitas líquidas de 28,1 mil milhões de dólares de Hong Kong no primeiro semestre, mais 25 por cento comparativamente ao período homólogo de 2017. De acordo com o comunicado divulgado pelo grupo, à bolsa de valores de Hong Kong, o
EBITDA ajustado (lucros antes de impostos, amortizações e depreciações) aumentou 34 por cento relativamente aos meses de Janeiro a Junho de 2017, para 8,6 mil milhões de dólares de Hong Kong. As receitas globais provenientes do jogo no primeiro semestre totalizaram 34,3 mil milhões de dólares de Hong Kong,
mais 30 por cento que no período homólogo de 2017. As receitas de jogo do segmento VIP (grandes apostas) totalizaram 19,6 mil milhões de dólares de Hong Kong, uma subida de 41 por cento em relação aos meses de Janeiro a Junho de 2017, enquanto as do mercado de massas subiram 18 por cento para 13,5 milhões
de dólares de Hong Kong. O grupo mostrou-se satisfeito “pelos resultados sólidos (…), apesar dos problemas macroeconómicos causados pelas tensões comerciais globais”. Em 2017, a operadora registou lucros de 10,5 mil milhões de dólares de Hong Kong, mais 67 por cento do que em 2016.
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quinta-feira 9.8.2018
A aldeia silenciosa É já no próximo mês que arranca mais um Encontro de Marionetas. De Portugal chega a Companhia da Chanca com “Sítio”, uma peça de teatro, sem falas, que narra a vida de uma aldeia no interior do país
VICTOR CID
TEATRO COMPANHIA DA CHANCA EM MACAU PARA O ENCONTRO DE MARIONETAS QUE SE REALIZA EM SETEMBRO
É
com “Sítio” que a Companhia da Chanca vai fazer a sua estreia em Macau no âmbito do Encontro de Marionetas no próximo mês. O espectáculo de teatro físico aborda a desertificação do interior do país, um problema que não se cinge apenas a Portugal. Com dois actores em palco, mas sem uma única palavra durante 55 minutos, o espectáculo gira em torno de “um casal de idosos que mora numa aldeia isolada de Portugal que recebe um cartão a anunciar o nascimento do neto, algo que vai alterar a sua vida quotidiana rotinas diárias”, explicou ao HM o actor e co-fundador da Companhia da Chanca, André Louro, desvendando mais pormenores sobre a narrativa. “O casal resolve fazer uma encomenda, com brinquedos para o neto, com a história a passar também pela viagem epopeica até ao posto de correios mais próximo”, complementou. “Sítio” é “um pouco o reflexo da nossa visão da aldeia”, sublinhou o artista que, a par da mulher, Catarina Santana, trocou Lisboa pelo interior de Portugal, fixando-se em Chanca, concelho de Penela, no distrito de Coimbra. A receptividade ao espectáculo – em que são utilizadas máscaras larvares para representar o tema dos idosos – “tem sido muito engraçada”, realçou André Louro. “Até já tivemos pessoas a chorar no final. É muito interessante ver como as pessoas conseguem entrar neste universo”. “Sendo um espectáculo sem palavras, muitas vezes, os códigos são diferentes para cada um que acaba por reagir e interpretar à sua maneira”, observou.
Durante o Encontro de Marionetas, a Companhia de Chanca vai realizar dois espectáculos: um no Teatro D. Pedro V, no dia 9 de Setembro, segundo o programa provisório, e outro na Escola Portuguesa de Macau. A experiência de ter crianças ou adolescentes como audiência também se tem revelado muito positiva: “A interpretação das crianças leva-as a zonas incríveis. Não que a história que constroem seja muito diferente do que pretendemos contar, mas a imaginação delas vai muito longe”. A particularidade de ser um espectáculo sem falas também permite alcançar públicos de diferentes culturas, dado que “o ‘handicap’ da língua não existe”. “Claro que hoje em dia temos muitos espectáculos legendados, mas não deixa de ser
uma barreira à compreensão, porque em vez de estarmos a olhar para os actores estamos a olhar para um texto, muitas vezes fora do palco ou fora de visão”, sublinhou André Louro.
SILÊNCIO EM TOUR
A vinda a Macau será, aliás, a segunda experiência fora de Portugal da companhia de teatro profissional, fundada em 2015, após a do Brasil, prevista para o final do mês. “É emocionante. Claro que estamos muito curiosos sobre como vai ser fazer isto noutras partes do mundo, em saber o que é que o público vai perceber e retirar do espectáculo”, realçou. Sobre as expectativas relativamente ao espectador chinês, André Louro afirmou que lhe desperta
“muita curiosidade”. “Não sabemos mesmo [o que esperar]. Eu estive apenas uma vez em Macau, com um espectáculo de dança e a reacção foi muito boa”, afirmou, referindo-se à coreografia “Nortada”, da Companhia de Olga Roriz, em que foi assistente da direcção artística, espectáculo que integrou o Festival de Artes em 2012.
“Sendo um espectáculo sem palavras, muitas vezes, os código são diferentes para cada um que acaba por reagir e interpretar à sua maneira.” ANDRÉ LOURO
O Encontro de Marionetas, organizado pela Casa de Portugal, arranca a 8 de Setembro. Segundo o programa provisório, o Encontro de Marionetas abre com espectáculos de marionetas com o grupo de Hong Kong HK Puppet and Shadow Art Center e com os tradicionais Robertos, com o artista local Sérgio Rolo, no Jardim Lou Lim Ieoc. Depois de “Sítio” da Companhia da Chanca, no dia seguinte, no Teatro D. Pedro V, segue-se o espectáculo “O Circo”, de Elisa Vilaça, no dia 15, no Conservatório, estando previstas duas sessões para bebés e crianças. Entre 16 e 22 de Setembro vai ter lugar uma exposição interactiva de histórias contadas e recontadas por Elisa Vilaça, com dias dedicados a escolas e outros ao público em geral. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com.mo
Albergue SCM “O Homem e o Arquitecto” homenageia Vicente Bravo O Albergue SCM vai prestar homenagem a Vicente Bravo, com uma iniciativa intitulada “O Homem e o Arquitecto”. O evento, em português e em chinês, tem lugar pelas 15 horas. A apresentação vai ficar a cargo de
Carlos Marreiros, Adalberto Tenreiro, Cheang Kun Wai, Fernando Botelho, Jay Ho Pui Kei, José Maneiras, José Silveirinha, Maria José Freitas e Nuno Soares. Vicente Bravo, que viveu cerca de três décadas em Macau,
morreu a 28 de Julho em Portugal, aos 71 anos. A entrada é livre, mas devido a limitações de espaço, a organização recomenda aos interessados que realizem a pré-inscrição para garantir a participação no seminário.
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9.8.2018 quinta-feira
ENSINO SUPERIOR SEIS PESSOAS PRESAS POR CABULAR EM EXAMES
S
EIS pessoas foram condenadas na China a penas até quatro anos de prisão por organizarem um esquema fraudulento durante o ‘Gaokao’ chinês, o maior exame de acesso à universidade do mundo, informou ontem a imprensa local. Os alunos levaram para o exame transmissores e receptores sem fios, a partir dos quais leram as perguntas a colaboradores fora das instalações, que após consulta transmitiram as respostas. Entre os condenados constam dois alunos que ajudaram a recrutar clientes para o esquema. A imprensa chinesa não detalha qual o preço pago para beneficiar do esquema ou qual a punição, que para casos deste género costuma ser a proibição de voltar a participar nos exames. Já os seis responsáveis pelo esquema foram condenados a penas entre 20 meses e quatros anos de prisão e multas até 40.000 yuan. Os arguidos podiam ter sido condenados a sete anos de prisão, pena máxima prevista numa lei aprovada em 2015, visando prevenir o uso de cábulas durante o ‘Gaokao’, teste de conhecimento considerado “crucial à meritocracia chinesa”. Pelas contas do Governo chinês, de um total de quase dez milhões de adolescentes que esta semana se submetem ao exame, apenas 3,25 milhões vão conseguir entrar na universidade. Entre aqueles, só alguns milhares terão acesso às universidades de topo do país, que garantem maiores probabilidades de um bom futuro profissional ou académico. De acordo com relatos na imprensa local, os produtos e dispositivos utilizados por cábulas variam entre relógios, auscultadores e t-shirts com receptores, até equipamento usado em espionagem.
A ‘vantagem negocial’ das mulheres resulta de persistentes “tradições feudais” e três décadas da política de filho único, que geraram um excedente de 33 milhões de homens na China.
FAMÍLIA ALDEIA ESTABELECE LIMITE PARA DOTES DE CASAMENTO
Preço da felicidade
Uma aldeia no norte da China estabeleceu um limite para o dote de casamento, pré-requisito essencial para selar o matrimónio na China rural, ameaçando julgar os infractores por tráfico humano, informou a imprensa local
S
EGUNDO o portal noticioso sixth tone, um aviso afixado pelas autoridades nas casas da aldeia de Da’anliu, província de Hebei, refere que dotes acima dos 20.000 yuan (cerca de 2.500 euros) serão considerados tráfico humano. A falta de mulheres na aldeia levou a uma escalada do ‘preço’ a pagar para garantir uma esposa,
descreve o portal. A ‘vantagem negocial’ das mulheres resulta de persistentes “tradições feudais” e três décadas da política de filho único, que geraram um excedente de 33 milhões de homens na China. Segundo a tradição chinesa, são os pais que transmitem o nome da família à geração seguinte, enquanto o apelido das mães não passa para os filhos. Como resultado, a maioria dos abortos feitos no país
- 336 milhões desde 1971, segundo dados oficiais chineses - ocorreram com fetos do sexo feminino. O desequilíbrio causou ainda um “tráfico de esposas” do Vietname para a China. A dificuldade em encontrar noivas chinesas leva homens do interior da China a procurar mulheres no país vizinho, alimentando uma rede de tráfico humano. Em 2014, cem vietnamitas fugiram depois de se casarem
com chineses da cidade de Quzhou, na província de Hebei, incluindo a mulher que tinha arranjado os casamentos, arrecadando assim centenas de milhares de yuan.
COPO DE ÁGUA
Outra das situações que as autoridades estão a tentar controlar são os banquetes de casamento, que não podem exceder em custos 260 yuan por pessoa, assim como estabelecer um tecto máximo para os preços de bebidas alcoólicas e tabaco, de acordo com informação veiculada pelo Hebei Youth Daily. As autoridades locais entendem que a medida é urgente de forma a responder à crescente dívida das famílias. “A maioria das pessoas sobrevivem graças ao trabalho em pomares de pêras. Devido aos elevados preços das noivas, há quem na comunidade gaste todas as suas economias e se endivide”, refere ao Hebei Youth Daily o secretário do PCC da aldeia de Da’anliu , Liang Huabing.
TURISMO AIRBNB CANCELA CONCURSO PARA DORMIR NA GRANDE MURALHA
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plataforma electrónica de arrendamento de casas Airbnb suspendeu um concurso que oferecia uma noite numa atalaia da Grande Muralha, o símbolo mais expressivo da China, devido às críticas dos internautas chineses, que temiam danos. Segundo a imprensa local, a empresa informou
que não avançará com o seu plano original de oferecer a oito vencedores de um concurso uma noite numa das maiores maravilhas da arquitectura antiga, considerada património da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). O concurso, designado Noite
na Grande Muralha, foi permitido pelas autoridades chinesas, assegura a Airbnb, mas suscitou críticas entre a opinião pública chinesa. “A Grande Muralha é património histórico sob protecção, como é possível que permitam a sua conversão para alojamento”, reagiu um internauta na rede so-
cial Weibo, equivalente ao Twitter na China. “Agora, até relíquias antigas podem ser alugadas para ganhar dinheiro”, questionou outro. O alojamento envolvia a conversão de uma atalaia da Grande Muralha, monumento com 2.600 anos, em dupla habitação, com cama, decoração e iluminação por velas, mas
sem electricidade, ligação à internet, ar condicionado ou televisão. Não é proibido pernoitar na Grande Muralha, mas leis que visam a protecção e conservação do monumento, que se estende ao longo de 21.000 quilómetros, proíbem a construção de instalações que não sejam para a conservação deste.
quinta-feira 9.8.2018
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S exportações chinesas aumentaram 5 por cento, entre Janeiro e Julho, em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as importações avançaram 12,9 por cento, de acordo com dados oficiais. Durante aquele período, o excedente chinês fixou-se em 1,06 biliões de yuan, uma redução homóloga de 30,6 por cento, afirmou a Administração Geral das Alfândegas chinesas. Em Julho, as exportações chinesas subiram 6 por cento, para 1,39 biliões de yuan, enquanto as importações aumentaram 20,9 por cento, para 1,21 biliões de yuan, apesar das crescentes disputas comerciais entre Pequim e Washington. “Os dados de hoje não mostram um impacto significativo da primeira ronda de taxas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos”, indicou um relatório da consultora Capital Economics. A mesma nota referiu que as exportações para o resto do mundo subiram “muito provavelmente devido à desvalorização do yuan”, a moeda chinesa. Desde o início de Fevereiro, o yuan caiu já cerca de 8 por cento em relação ao dólar, refletindo o nervosismo dos investidores perante a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. No mês passado, o Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs taxas alfandegárias de 25 por cento sobre 34 mil milhões de dólares de importações oriundas da China, contra o que considerou serem “tácticas predatórias” de Pequim, que visam o desenvolvimento do sector tecnológico. Pequim retaliou contra aquelas medidas, levando Trump a ameaçar penalizar mais 200 mil milhões de dólares de produtos chineses.
“Os dados de hoje não mostram um impacto significativo da primeira ronda de taxas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos.”
O Governo dos EUA assegurou ontem que vai mesmo avançar a imposição de tarifas alfandegárias de 25 por cento a importações chinesas no montante de 16 mil milhões de dólares. Os agentes da alfândega vão começar a aplicar as tarifas em 23 de Agosto, informou ontem o gabinete do Representante dos EUA para o Comércio (USTR, na sigla em inglês). A lista é extensa em produtos industriais, como turbinas de vapor ou barras de aço. As novas taxas vão acrescer às que entraram em vigor em 6 de Julho sobre importações chinesas no montante de 34 mil milhões de dólares. A China respondeu então com medidas retaliatórias próprias.
Região
FILIPINAS PELO MENOS SETE MORTOS E OITO DESAPARECIDOS EM NAUFRÁGIO
P
ELO menos sete pessoas morreram e oito estão desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação se ter afundado nas Filipinas, informaram ontem as autoridades. A Guarda Costeira das Filipinas adiantou que se encontravam 16 pessoas na embarcação que se afundou a 30 de Julho e que foi resgatado apenas um sobrevivente. “A Guarda Costeira das Filipinas, em conjunto com as forças armadas, a polícia local e o pessoal da unidade do Governo local, enviou equipas de busca para procurar os passageiros restantes que são todos residentes de Tawi-Tawi”, disse o porta-voz daquela entidade, o capitão Armand Balilo. De acordo com o único sobrevivente, o barco tinha partido de Sitangkai Tawi-Tawi, no sul das Filipinas, em direção a Sempornah, Sabah, na Malásia, quando foi atingido por grandes ondas e naufragou. Sete corpos sem vida foram recuperados por pescadores locais nos recifes de Sitangkai. Os cadáveres foram imediatamente enterrados em Sitangkai, como parte da tradição muçulmana. O Centro de Acção da Guarda Costeira filipina informou que emitiu um aviso aos marinheiros de todos os navios que transitam na área para procurem possíveis sobreviventes.
“No futuro, esperamos um abrandamento na subida das exportações, apesar de isto reflectir, sobretudo, um crescimento global mais débil, ao invés das taxas praticadas pelos EUA, cujo impacto directo continuará a ser compensado em grande parte pela recente desvalorização do yuan”, notou a Capital Economics.
MAIS TAXAS
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Japão Dezenas de voos cancelados em Tóquio devido a tufão
ECONOMIA COMÉRCIO EXTERNO CRESCE 8,6 POR CENTO ATÉ JULHO
Os oito pontos
O comércio externo da China cresceu 8,6 por cento nos sete primeiros meses do ano, em termos homólogos, para 16,72 biliões de yuan, de acordo com dados oficiais
Mais de 100 voos foram ontem cancelados em dois dos principais aeroportos de Tóquio, devido à aproximação de um tufão da capital japonesa e com a chuva a começar a fustigar a cidade. Segundo os meios de comunicação social locais, mais de 130 voos foram cancelados nos dois principais aeroportos de Tóquio. O tufão Shanshan poderá atingir os 125 quilómetros por hora e com rajadas de vento até aos 180 quilómetros por hora. O impacto da tempestade foi sentido em Tóquio e áreas vizinhas durante a noite de ontem, antes de subir a costa do Pacífico para o nordeste do Japão.
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BIOGRAFIA Georg Trakl nasceu a 3 de Fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento da sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou por lhe causar grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento do pai. Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com a irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido o seu grande amor. A suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo mais. Apenas nos seus poemas teve um certo alívio, refazendo-os por diversas vezes, porém tendo sempre em mente as suas definições. Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente o seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, com uma overdose de cocaína. Trakl tinha apenas 27 anos. In Wikipedia
1 - TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag.
9.8.2018 quinta-feira
Fujo da sombra; cerro os olhos: não há nada. A minha vida nem consente rumor de gente na praia desolada
O passeio
Der Spaziergang
1 Há música a sussurrar no bosque à tardinha. No milheiral, viram-se espantalhos de semblante sério. Delicadamente, os sabugueiros espalham-se ao longo do caminho. Uma casa cintila maravilhosamente e vaga.
1 Musik summt im Gehölz am Nachmittag. Im Korn sich ernste Vogelscheuchen drehn. Hollunderbüsche sacht am Weg verwehn; Ein Haus zerflimmert wunderlich und vag.
No dourado, paira um aroma a tomilho. Numa pedra, está um número sereno. No prado, as crianças jogam à bola. Depois, à tua frente, ganha corpo uma árvore para a contornares.
In Goldnem schwebt ein Duft von Thymian, Auf einem Stein steht eine heitere Zahl. Auf einer Wiese spielen Kinder Ball, Dann hebt ein Baum vor dir zu kreisen an.
Tu sonhas: a irmã penteia o seu cabelo louro. Um amigo distante escreve-te uma carta. Um cilindro de feno voa tosco através do verde amarelado, E, às vezes, tu pairas com leveza em suspenso e maravilhoso.
Du träumst: die Schwester kämmt ihr blondes Haar, Auch schreibt ein ferner Freund dir einen Brief. Ein Schober flieht durchs Grau vergilbt und schief Und manchmal schwebst du leicht und wunderbar.
2 O tempo corre. Oh! doce Hélio! Oh! Imagem doce e clara dos sapos nas poças. Na areia, um Éden maravilhoso enterra-se. Escrevedeiras baloiçam no regaço de um arbusto.
2 Die Zeit verrinnt. O süßer Helios! O Bild im Krötentümpel süß und klar; Im Sand versinkt ein Eden wunderbar. Goldammern wiegt ein Busch in seinem Schoß.
Um irmão morre-te num país encantado E o seu olhar de aço contempla-te olhos nos olhos. E no dourado ali, há uma fragrância de tomilho. Uma criança inicia um fogo ao pé da aldeia.
Ein Bruder stirbt dir in verwunschnem Land Und stählern schaun dich deine Augen an. In Goldnem dort ein Duft von Thymian. Ein Knabe legt am Weiler einen Brand.
Os amantes abrasam-se renovados em borboletas. Oscilam serenamente em redor da pedra e do número. Corvos esvoaçam à volta de uma refeição repugnante, E a tua testa ferve por entre o verde suave.
Die Liebenden in Faltern neu erglühn Und schaukeln heiter hin um Stein und Zahl. Aufflattern Krähen um ein ekles Mahl Und deine Stirne tost durchs sanfte Grün.
No espinheiro, um animal selvagem morre ternamente. Atrás de ti escorrega um dia claro da infância. Cinzento é o vento que, volátil e vago, Lava odores pútridos durante o crepúsculo.
Im Dornenstrauch verendet weich ein Wild. Nachgleitet dir ein heller Kindertag, Der graue Wind, der flatterhaft und vag Verfallne Düfte durch die Dämmerung spült.
3 Uma velha canção de embalar deixa-te angustiado. À beira da estrada, piedosa, uma mulher amamenta um recém nascido. Escutas como a sua fonte emana, a transformar os sonhos. Do ramo de uma macieira, desce um som de consagração.
3 Ein altes Wiegenlied macht dich sehr bang. Am Wegrand fromm ein Weib ihr Kindlein stillt. Traumwandelnd hörst du wie ihr Bronnen quillt. Aus Apfelzweigen fällt ein Weiheklang.
E pão e vinho são a doçura que vem do duro esforço. As tuas mãos apalpam prateadas frutos. Raquel morta anda pelos campos arados. Com gestos de paz acena o verde.
Und Brot und Wein sind süß von harten Mühn. Nach Früchten tastet silbern deine Hand. Die tote Rahel geht durchs Ackerland. Mit friedlicher Geberde winkt das Grün.
Abençoados florescem os regaços das pobres criadas, Que ali estão de pé junto à velha fonte a sonhar. Solitárias seguem serenas os seus caminhos, em silêncio, Na companhia das criaturas de Deus desprovidas de pecado.
Gesegnet auch blüht armer Mägde Schoß, Die träumend dort am alten Brunnen stehn. Einsame froh auf stillen Pfaden gehn Mit Gottes Kreaturen sündelos.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
quinta-feira 9.8.2018
Diários de Próspero
António Cabrita
U
MA excelente jornalista portuguesa veio interrogar-me sobre a minha experiência de professor em Moçambique e agora publicou a reportagem - da qual gostei –, onde descreve a minha casa: «uma casa esvaziada mas com muitos livros». Desconcerta-me o adjectivo: há quinze dias tivemos dificuldade em descobrir o buraco onde enfiar o piano da minha mulher, regressado a casa vinte anos depois. Não é inabitual que a percepção que o outro tem sobre nós nos surpreenda. Seja como for, ainda esta semana acrescentei trinta cds de John Zorn à minha discografia e uma casa com um piano e dois violinos (que são tocados, não são decoração), muitos livros, dois gatos, todas as sinfonias do Messiaen, do Lutoslawski, do Mahler, do Bruckner e do Beethoven, pode considerar-se esvaziada? Parecerá uma casa de quem está de passagem, embora com milhares de livros e muita música? Na verdade, não temos carro, objectos decorativos, plasma. Vou à estante, abro ao acaso um livro de Adam Zagajewski, e topo este poema: «BUSCA: Voltei à cidade/ onde fui menino/ e adolescente e um velho de trinta anos./ A cidade recebeu-me com indiferença,/ os megafones das suas ruas murmuravam:/ não ves que o fogo ainda arde?/ não ouves o estrépito das chamas?/ Vai-te./ Busca noutro lugar./ Busca./ Busca a verdadeira pátria.» Volto a arrumá-lo, por detrás de uma reprodução de Hokusai, olho em volta, e dou conta: o meu conforto resume-se a ter-me despojado de pátria. Como Hannah, Arendt sou incapaz de amar uma pátria, só amo pessoas. A minha pátria está nas gargalhadas das fi-
A benzina de John Zorn lhas, no sorriso da minha mulher – um dos mais belos do mundo. E troco a pátria, qualquer, pela poesia do José Ángel Valente, do José Hierro, do Hugo Claus, do Mario Luzi, do Mark Strand, do Adonis, do Lezama Lima, do Milozs, de centenas de poetas que fui colecionando, na esperança de os reler, uma e outra e outra vez. Sou despojado sim, sou mesmo um caso de estultícia-prima, o péssimo exemplo de alguém que emigra para ganhar metade do que recebia, em troca de ter agora o triplo do tempo para si. Para escrever, fruir a música, estudar arte e calafetar as lacunas. Será arrogante declarar que me concentro mais no que importa desde que voluntariamente escolhi a “pobreza”? Que me consolei ao ler que o John Zorn, que vive numa casa austera, se sentiu libertar-se ao abdicar dos jornais, da televisão, e de inúmeras amizades laterais, para se focar no seu trabalho musical – e começa a ser um legado monstruoso. O problema é que não vejo como possa fazer-se de outra forma.
O seu profundo espírito Dada, é concomitante de uma apreensão quase mística da música. Zorn cavalga todos os corcéis, simultaneamente, numa busca e curiosidade incessantes
O Zorn. Tinha-o ouvido em Naked City e nos primeiros cds do projecto Masada, depois perdi-lhe o rasto, e agora, surpreendido por a Gulbenkian lhe dedicar uma semana à obra, resolvi ver o que apanhava no Youtube. É o que vos digo: já baixei trinta cds, preparo-me para baixar outros tantos; há cinco dias que obsessivamente leio sobre ele e lhe ouço a música. Estou abismado, é para mim o maior poeta do século XXI. Entendendo a poesia como o que harmoniza momentaneamente o caos e desperta um padrão no informe, uma melodia que emerge de «um sentido para a existência que estava até aí fora do conceito» (Yves Bonnefoy), é um exercício que não precisa de residir na palavra. Além disso, se normalmente um autor é um rio, Zorn aparece como um inteiro sistema hidrográfico. O músico nova-iorquino interiorizou tudo sobre a energia e a tangibilidade da heteronomia e consegue escrever música para vários públicos, desenvolver plasticidades, texturas, ritmos e estilos distintíssimos, baralhar os géneros, mesclar o popular e o erudito, o jazz e o rock, o étnico e o contemporâneo, escrever música tonal, concreta, electrónica, atonal, integrar as dissonâncias e o ruído em harmonias mais amplas, ou cultivar esses géneros simultaneamente sem que se contaminem – é à vontade do freguês! Que têm em comum Naked City, Bar Kokhba, Commedia DellArte ou Rimbaud, At the Gates of Paradise, Insurrection, Cobra ou Oo? Apenas o nome do autor e a sua inusitada destreza para demonstrar que o múltiplo e o sistema podem enriquecer-se mutuamente. Outra coisa liga a sua pluralidade: uma exorbitante capacidade conceptual que nunca perde de vista o visceral, os sentidos.
Quanto à inspiração literária – que evoca nos títulos - vai buscá-la aos autores que nunca perderam de vista o cosmos: William Blake, Rimbaud, René Daumal, os Gnósticos, por exemplo. René Daumal, muito novo, intoxicava-se com benzina, para ver se a consciência desaparecia. John Zorn, que lança três, quatro, cinco cds ao ano, não precisa de benzina, “a sua consciência” (o ego) já se diluiu há muito na música que produz, em requintes transfronteiriços. O que me magnetiza no poder total desta música é a facilidade com que dissolve todas as ideias feitas em que cresci. Pela sua complexidade – apesar de manter a espontaneidade intacta – pulveriza qualquer culto à juventude; é cada vez mais livre à medida que a idade apetrechou tecnicamente a impulsividade omnívora do seu autor: presume-se que será melhor quando Zorn tiver setenta e oitenta e por aí fora. O seu apetite para a serialização e o sistema não lhe inibem em nada a atenção que coloca no pormenor, no singular; o “rock’n roll”, nele, não lhe dispensa o rigor e a metafísica; o seu profundo espírito Dada, é concomitante de uma apreensão quase mística da música. Zorn cavalga todos os corcéis, simultaneamente, numa busca e curiosidade incessantes. Esta capacidade para encarnar a pluralidade e a síntese não estará ao alcance de todos – Zorn está para a música como Cage para a divagação ou Eugenio Trías para a filosofia – mas acho-a extremamente cativante e inspiradora. A energia da sua música transporta-me. Uma casa vazia com muitas obras de Zorn faz o júbilo de Deus quando relaxa e o seu sistema arterial desenha o mais confortável sofá.
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9.8.2018 quinta-feira
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 32/P/18
Aviso Arrendamento da Área de Congelados do Edifício do Novo Mercado Abastecedor de Macau Concurso Público Faz-se público que, por deliberação do Conselho de Administração do IACM tomada na sessão de 27 de Julho de 2018, se acha aberto o concurso público para o arrendamento das áreas de congelados no 7º andar do Edifício do Novo Mercado Abastecedor de Macau”, sito na Avenida do Parque Industrial e Rua Nova do Parque Industrial. O Programa de Concurso e o Caderno de Encargos podem ser obtidos no horário normal de expediente dos dias úteis no Núcleo de Expediente e Arquivo do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), sito na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, Macau. O prazo para entrega das propostas termina às 17:00 horas do dia 23 de Agosto de 2018. Os concorrentes devem entregar as propostas e restantes documentos necessários no Núcleo de Expediente e Arquivo do IACM. A caução provisória deve ser entregue na Tesouraria da Divisão de Contabilidade e Assuntos Financeiros do IACM, sita no rés-do-chão do Edifício do IACM, na Avenida de Almeida Ribeiro n.º 163, Macau, por dinheiro, cheque ou garantia bancária em nome de «Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais». As cauções provisórias são as abaixo discriminadas: Área de Congelados A - Sessenta e duas mil patacas (MOP62 000,00);
Área de Congelados B - Sessenta e sete mil e duzentas patacas (MOP67 200,00);
Área de Congelados C - Sessenta e três mil e duzentas patacas (MOP63 200,00);
Área de Congelados D - Quarenta e sete mil e oitocentas patacas (MOP47 800,00);
Área de Congelados E - Quarenta e sete mil e oitocentas patacas (MOP47 800,00);
Área de Congelados F - Trinta e nove mil e quatrocentas patacas (MOP39 400,00);
Área de Congelados G - Setenta e duas mil e seiscentas patacas (MOP72 600,00);
Área de Congelados H - Cinquenta e oito mil e seiscentas patacas (MOP58 600,00);
Área de Congelados I - Cento e oito mil e quatrocentas patacas (MOP108 400,00);
Área de Congelados J - Cinquenta e oito mil patacas (MOP58 000,00); Área de Congelados K - Sessenta mil e quatrocentas patacas (MOP60 400,00).
As rendas mínimas mensais das áreas de congelados mencionadas para propor referem-se conforme o seguinte: Tipo da área de congelados
Zona
Superfície
Preço-base do concurso
(-18 ºC até 4ºC )
A B
115,8 m 125,6 m2
C
117,7 m2
I
202,5 m2
J
128,9 m2
K
134,3 m2
Trinta e uma mil patacas (MOP31.000,00) Trinta e três mil e seiscentas pataca(MOP33.600,00) Trinta e uma mil e seiscentas patacas(MOP31.600,00) Cinquenta e quatro mil e duzentas patacas (MOP54.200,00) Vinte e nove mil patacas (MOP29.000,00) Trinta mil e duzentas patacas (MOP30.200,00)
Refrigerador (inferior aos - 4 ºC)
2
Vinte e três mil e novecentas patacas(MOP23.900,00) Vinte e três mil e novecentas 2 E 117,7 m patacas(MOP23.900,00) 119,4 m2 Dezanove mil e setecentas patacas(MOP19.700,00) Armazém com ar F G 224,7 m2 Trinta e seis mil e trezentas patacas(MOP36.300,00) condicionado Vinte e nove mil e trezentas H 194,1 m2 patacas(MOP29.300,00) O acto público do concurso realizar-se-á no Centro de Formação do IACM, sito na Avenida da Praia Grande n.º 804, Edifício China Plaza, 6.º andar, pelas 10:00 horas do dia 24 de Agosto de 2018. O IACM realizará uma sessão de esclarecimento que terá lugar às 10:00 horas do dia 15 de Agosto de 2018 no Centro de Formação do IACM, bem como uma visita ao local no mesmo dia. (0 ºC até 4ºC )
D
117,7 m2
Aos 02 de Agosto de 2018. A Administradora do Conselho de Administração Isabel Jorge WWW. IACM.GOV.MO
Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 30 de Julho de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Prestação do serviço de Manutenção e Reparação do Sistema Telefónico do Centro Hospitalar Conde de São Januário», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 8 de Agosto de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP 41,00 (quarenta e uma patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). Os concorrentes do presente concurso devem estar presentes no Departamento de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Conde de São Januário, no dia 15 de Agosto de 2018, às 11,00 horas, para efeitos de visita às instalações a que se destina à prestação de serviços objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 10 de Setembro de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 11 de Setembro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP90.000,00 (noventa mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 3 de Agosto de 2018. O Director dos Serviços Lei Chin Ion
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 31/P/18 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 20 de Julho de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Fornecimento e Instalação de Uma Máquina de Gelo Salina Estéril e Respectivos Cinco Conjuntos de Materiais de Consumo nos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 8 de Agosto de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1. º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP40,00 (quarenta patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 7 de Setembro de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 10 de Setembro de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP19.360,00 (dezanove mil, trezentas e sessenta patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 3 de Agosto de 2018
O Director dos Serviços Lei Chin Ion
EDITAL Faz-se público que tendo Ieong Chong I, solteiro, titular do BIR nº.7189***(*), natural do Interior da China, antigo funcionário da Câmara Municipal de Macau Provisória (exLeal Senado), aposentado desde 02/02/2001, arrendatário da moradia do IACM, sita na Avenida do Ouvidor Arriaga, n.ºs 28 e 28 B, Edifício Tranquilidade, 2º Andar B, Macau, falecido em 23/11/2017, devem todos os que se julgam com direito aos seus bens contactar a Divisão de Património e Aprovisionamento, sita na Calçada do Tronco Velho, nº 14, Edifício Centro Oriental, r/c, Macau, no prazo de trinta dias, a contar da publicação do presente edital, findo o qual, os bens serão removidos e depositados nas instalações do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais. Aos 31 de Julho de 2018 O Presidente do Conselho de Administração José Tavares WWW. IACM.GOV.MO
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quinta-feira 9.8.2018
DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO O Governo da Região Administrativa Especial de Macau, através da Direcção dos Serviços de Turismo, faz público que, de acordo com o Despacho de 24 de Julho de 2018 do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para adjudicação de Prestação de serviço de emissão de convite aos convidados e acolhimento na área de relações públicas no âmbito do “3.º Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios • Macau”. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, e ser levantadas cópias, incluindo o Programa do Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, mediante o pagamento de MOP200,00 (duzentas patacas); ou ainda consultar o website da Direcção dos Serviços de Turismo: http://industry.macaotourism.gov.mo, e fazer “download” do mesmo. A Sessão de esclarecimento será realizada no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 15:00 horas do dia 13 de Agosto de 2018. Para quaisquer esclarecimentos, os interessados podem, até às 13:00 horas do dia 22 de Agosto de 2018, apresentar o pedido de esclarecimento por escrito, nos Avisos Públicos da Página Electrónica da Indústria Turística de Macau (http://industry.macaotourism. gov.mo) da Direcção dos Serviços de Turismo, sendo as respostas, também, dadas na mesma. O limite máximo do valor global da prestação do serviço é de MOP1.500.000,00 (um milhão e quinhentas mil patacas). Critérios de adjudicação e factores de ponderação: Critérios de adjudicação Factores de ponderação Experiência do concorrente 30% Preço 30% Introdução da Empresa e currículo da equipa que encarrega o presente projecto 30% Fornecimento de soluções optimizadas para os serviços de acolhimento na área de 5% relações públicas, estipulados no ponto 3.2. do “Mapa de Caracterização” Capacidade para acompanhamento e reação às situações do local dos eventos 5% Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, no balcão de atendimento, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 13:00 horas do dia 3 de Setembro de 2018, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais da RAEM ou, alternativamente, em inglês, prestar a caução provisória de MOP30.000,00 (trinta mil patacas), mediante: 1) depósito em numerário à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo no Banco Nacional Ultramarino de Macau 2) garantia bancária 3) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque, emitidos à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo, ou 4) por transferência bancária na conta do Fundo do Turismo do Banco Nacional Ultramarino de Macau (n.o 8003911119). O acto público do concurso será realizado no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 14.o andar pelas 15:00 horas do dia 4 de Setembro de 2018. Os representantes legais dos concorrentes deverão estar presentes no acto público do concurso para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados a concurso, nos termos do artigo 27.o do Decreto-Lei n.o 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público do concurso. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou por motivo de força maior, o termo do prazo de entrega das propostas, a data e hora de sessão de esclarecimento e de acto público do concurso serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte, à mesma hora. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 1 de Agosto de 2018. O Director dos Serviços, Subst.o Cheng Wai Tong
DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE TURISMO ANÚNCIO A Direcção dos Serviços de Turismo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, faz público que, de acordo com o Despacho de 20 de Julho de 2018, do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto o concurso público para a “Prestação de Serviços de Concepção e Remodelação do Balcão de Informações para a Direcção dos Serviços de Turismo (no Edifício do Posto Fronteiriço da Zona de Administração de Macau da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau)”. Desde a data da publicação do presente anúncio, nos dias úteis e durante o horário normal de expediente, os interessados podem examinar o Processo do Concurso na Direcção dos Serviços de Turismo, sito em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.° andar, e levantar cópias, incluindo o Programa de Concurso, o Caderno de Encargos e demais documentos suplementares, mediante o pagamento de MOP 200,00 (duzentas patacas); ou ainda consultar o website da Direcção dos Serviços de Turismo (http://industry.macaotourism.gov.mo), e fazer livremente o “download” do mesmo. Os concorrentes poderão comparecer no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito no Edifício “Hot Line”, Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, 14.° andar, Macau, pelas 3 horas do dia 16 de Agosto de 2018, para uma sessão de esclarecimento de dúvidas referentes ao presente concurso público. O limite máximo do valor global da prestação deste serviço é de MOP 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentas mil patacas) Os critérios de apreciação das propostas e respectivos factores de ponderação são os seguintes: - Planeamento e concepção do espaço (40%); - Preço Global (30%); - Equipamentos do sistema Multimédia (10%); - Experiência do concorrente (10%); - Prazo de execução de serviço (10 %) Os concorrentes deverão apresentar as propostas na Direcção dos Serviços de Turismo, sita em Macau, na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção, n.os 335-341, Edifício “Hotline”, 12.o andar, durante o horário normal de expediente e até às 5 horas do dia 29 de Agosto de 2018, devendo as mesmas ser redigidas numa das línguas oficiais da RAEM, prestar a caução provisória de MOP 50.000,00 (cinquenta mil patacas), mediante: 1) depósito nesta Direcção dos Serviços em numerário, em ordem de caixa ou em cheque visado, emitidos à ordem da Direcção dos Serviços de Turismo, ou 2) garantia bancária. O acto público de abertura das propostas realizar-se-á no Auditório da Direcção dos Serviços de Turismo, sito no Edifício “Hot Line”, Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, 14.° andar, Macau, pelas 10 horas do dia 30 de Agosto de 2018. Em caso de encerramento destes Serviços por causa de tempestade ou outras causas de força maior, a data e hora de sessão de esclarecimento, o termo do prazo de entrega das propostas e a data e a hora estabelecidas de abertura de propostas serão adiados para o primeiro dia útil imediatamente seguinte. Os concorrentes ou os seus representantes legais deverão estar presentes no acto público de abertura das propostas para efeitos de apresentação de eventuais reclamações e/ou para esclarecimento de eventuais dúvidas dos documentos apresentados ao concurso, nos termos do artigo 27.° do Decreto-Lei n.° 63/85/M, de 6 de Julho. Os representantes legais dos concorrentes poderão fazer-se representar por procurador devendo, neste caso, o procurador apresentar procuração notarial conferindo-lhe poderes para o acto público de abertura das propostas. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 27 de Julho de 2018. A Directora dos Serviços, Subst.o Cheng Wai Tong
18 (f)utilidades TEMPO
9.8.2018 quinta-feira
?
AGUACEIROS
O QUE FAZER ESTA SEMANA Amanhã
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27
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33
HUM
60-95%
•
EURO
9.37
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Sábado
LMA LOUNGE- ELBIS REVER Live Music Association | A partir das 22h00 PALESTRA SOBRE OBRA DE VICENTE BRAVO Albergue SCM INÍCIO DO FESTIVAL INTERNACIONAL DE ANIMAÇÃO Cinemateca Paixão
Diariamente
4 2 586 8 731 3 9 19 1 3 2 5 48678 78638 3 941 4 2 875 761 6 2 349 96 9 4 5 328 217 32 37147 4 9 5 6 5 527 2 9 1 3 8 4 1 489 86276 7 5 3 3 8 6 45795 9 1
28 Cineteatro 7 6 8 9 C 2I 5N 1E4M3
4 9 5 2 7 1 8 3
5 1 9 4 3 7 2 6
6 4 7 3 2 5 1 8
7 3 1 8 5 6 9 4
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9 7 8 6 4 2 3 5
2 5 3 7 9 8 6 1
30
8 6 2 5 1 9 4 7
A
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9 7 5 4 1 8 6 3 2
2 1 5 3
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49 7 68 2 4 1 5 3 6
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 31
PROBLEMA 32
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34
4UM 3 4FILME 1 9 8HOJE 2 5 6 6 698 9 3 7 5 1 2 7 Égráfico 62filme 14 183 8 7o primeiro 5sobre 6bioAl Berto, mas 45não1conta 5 por8 in-29379 7 teiro a vida do poeta, 2 7centrando-se 237 3no período 4 9 6 8 5 de 1975 a 1978, após o 9regresso 618do51 seu exílio5 7 2 4 de Bruxelas ao litoral 5 27417 1 9 683 alentejano, onde tinha 869Acensurada 632 re-374 751 9crescido. lação amorosa com João do 5 Ó,7irmão 1 3 3Maria 65 do648 4 9 realizador, figura como
35
32
um dos principais temas do filme que pretende apagar a imagem redutora do poeta maldito. Diana do Mar
35
7 4 9 6 1 3 8 5 2
4 5 28 12 1 6 37 1 3 9 65 86 8 42 6 2 4 37 3 9 5 7 56 15 1 4 83 8 5 8 93 9 7 61 6 3 9 86 8 72 47 4 2 7 1 6 9 4 3 8 71 47 4 5 2 9 9 4 2 3 58 15 1
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O Clube de Correspondentes Estrangeiros (FCC, na sigla em inglês) de Hong Kong, que convida regularmente personalidades para conferências abertas a membros e aos ‘media’, decidiu convidar o fundador do Partido Nacional, força separatista que arrisca ser banida, para uma conferência na próxima quarta-feira, dia 14. Ora, pela primeira vez desde a transferência de soberania, em 1997, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China “pediu” ao FCC para cancelar a iniciativa com Andy Chan Ho-tin. O FCC recusou alterar os planos, argumentando que gosta de ouvir todas as vozes do espectro político de Hong Kong, independentemente das perspectivas que tenham. Como recordou o jornalista Victor Mallet, que integra a direcção do FCC, o clube organizou uma conversa com o co-fundador do movimento Occupy, Benny Tai Yiu-ting, para a qual convidou também políticos pró-Pequim que recusaram participar. A Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam já reagiu ao caso, qualificando a posição do clube como “lamentável e inapropriada”. O seu antecessor, CY Leung, também não poupou nas críticas à posição do FCC nas redes sociais, usando o argumento de que o clube paga uma “renda simbólica” ao Governo pelo espaço que ocupa em Central. Uma acusação rapidamente desmanchada, dado que o FCC paga 580 mil dólares de Hong Kong por mês, ou seja, o preço do mercado, como inclusive se viu obrigada a esclarecer a própria Carrie Lam. É admirável – e talvez pouco expectável nos tempos que grassam – que o FCC tenha decidido seguir em frente com a iniciativa apesar da pressão e das consequências que podem advir. Diana do Mar
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74 7 2 6 53 5 1 8 3 3 91 9 7 8 2 54 5 5 6 8 9 14 1 27 2 7 4 53 5 69 6 12 1 82 68 6 3 1 94 9 7 91 9 5 72 7 38 3 6 6 43 4 1 5 7 98 29 9 2 87 68 36 3 5 4 8 58 15 1 4 2 9 6 3 36
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1 9 6 7 5 4 2 3 8 3 7 5 8 1 2 4 6 9 EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” 8 4do Boi2| Até99/9 3 6 1 5 7 Armazém 2 6 1 4 8 5 9 7 3 EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” Art7 Garden 3| Até99/9 2 6 1 8 4 5 5 8“CHAPAS 4 3SÍNICAS” 7 9 6 2 1 EXPOSIÇÃO Museu das Ofertas sobre a Transferência 4 2 7 5 9 8 3 1 6 de Soberania de Macau | Até 7/8 6 5 8 1 4 3 7 9 2 “MARC CHAGALL – LUZ E COR NO SUL DE FRANÇA” 9| Até126/83 6 2 7 5 8 4 MAM
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O CARTOON STEPH 31 DE
EXPOSIÇÃO “AYIA” Casa Garden | Até 9/9
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UM EXEMPLO
UMA NOITE COM PIANO NA GALERIA Fundação Rui Cunha | Das 18h00 às 20h00
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YUAN
VIDA DE CÃO
OUTLOOK FESTIVAL MACAU 2018 – FESTA DE LANÇAMENTO Live Music Association | A partir das 22h00
EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” Grande Praça – MGM | Até 9/9
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“AL BERTO” | VICENTE ALVES DO Ó
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13 142 4 6 8 7 5 9 4 6 3 9 5 8 1 2 7 9 2 1 7 85 8 43 64 6 THE MEG 86 827 2 5 9 134 3 8 8 4 65 6 93 9 12 1 7 9 5 2 1 4 7 3 8 6 DORAEMON NOBITA’S 7 7 3 6 4 21 2 9 8 5 8 1THE MOVIE: 7 2 6 3 5 9 4 9 574 731 3 628 2 TREASURE ISLAND [A] CHRISTOPHER ROBIN [A] 1 8 6 7 2 4 9 3 5 563 6 1 2 479 7 8 1 9 7 43 4 85 8 6 2 62 6 84 78 7 51 5 93 9 2 WITH4THE9 497 9 853 5 216 1 ALONG GODS: 3 8 5 6 7 1 THE LAST 49 DAYS [C] 2812 1 9 7 6 5 3 4 3 7 5 6 1 DORAEMON 9 2THE4MOVIE:8NOBITA’S 3 5 8 2 9 16 1 7 4 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia TREASURE ISLAND [A] 6 3 1 4 7 2 8 5 9 4 Vitor2Ng Colaboradores 6 49 8 19Canas;1António2Cabrita; 6 3Castro 5 3 7 7 93583 8Margarida 41 Mota; 67 António Amélia Vieira; Anabela Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 6 4 7 2 8 Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia 7 9 8 5 3 6 4 1 2 7Valério 3 Romão 1 Colunistas 5 António5Conceição 5Júnior; 3Chan;9Fa Seong; 2 2 4 896 9Fonseca; 31 David Jorge Morbey; Jorge Rodrigues INCREDIBLES 2 [A] dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária THE [B] 4 8 9 1 7 6 3 6 27 2 5 38 Assistente 3 4de marketing 9 1Vincent 5MEG 2 1hojemacau. 6www. 345 4de8 298e Publicidade 9 7Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) redacção Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de SALA 1
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Um filme de: Marc Forster Com: Ewan Mcgregor, Hauley Atwell, Bronte Carmichael 14.30, 21.30
FALADO EM CANTONENSE Um filme de: Kazuaki Imai 16.30
SALA 2
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opinião 19
quinta-feira 9.8.2018
FRANCISCO LOUÇÃ in esquerda.net
FYODOR BRONNIKOV, ULISSES REGRESSA A CASA
Ulisses volta à Grécia
C
OITADO de Ulisses, ainda tem que remar muito para se ver livre de quem oprime a sua terra. Uma década de sacrifício, mas a dívida continua em 188,6 por cento do PIB. Depois da austeridade sob a égide da sua troika, anuncia-se agora para a Grécia a triunfante salvação: nestes dias termina o terceiro plano de resgate. Escreve Pierre Moscovici que, “como Ulisses de regresso a Ítaca, a Grécia chega por fim ao seu destino, dez anos depois de uma longa recessão. Pode por fim respirar”. A elegia é gongórica e era preferível reconhecer a realidade.
UM TRIUNFO ORÇAMENTAL E A CRISE SOCIAL
As contas estão resplandecentes: o objectivo do saldo primário era 2 por cento em 2017 e foi de 4,2 por cento. O problema é que neste caso o saldo, que mede a capacidade de pagar a dívida, demonstra o mau uso dos recursos públicos, que é desviado da resposta às necessidades sociais e o Tribunal de Contas Europeu acrescenta que a conta pode estar errada, dado que “a Comissão Europeia estabeleceu projecções macroeconómicas separadas das orçamentais e não as integrou num único modelo”. O FMI, por outro lado, desde há dois anos que escreve que não se deve manter a longo prazo um
saldo primário desta ordem. Pode-se, mas implica destroçar a vida social. Os efeitos desta década sofrida são já facilmente verificáveis: 43 por cento das famílias não têm meios para pagar o aquecimento no Inverno, 53 por cento não poderiam fazer face a um gasto imprevisto de 500 euros, metade não pode ir de férias, 60 por cento das pessoas estiveram no desemprego mais de dois anos, um terço da população entre 15 e 29 anos abandonou o país. Resta o turismo, a única exportação em crescimento, que garante cerca de um quarto do emprego total. Não se produz, não há trabalho, os serviços públicos não funcionam. Ulisses regressou a Ítaca?
ESQUECEU-SE DA DÍVIDA?
Uma década de sacrifício, mas a dívida continua a 188,6 por cento do PIB (a promessa é reduzi-la para 96,8 por cento em 2060), quase toda a instituições (só 40 de 294 mil milhões estão em fundos privados e pessoas). E esse é o problema, são precisamente esses credores que quiseram fazer da Grécia um exemplo
Escreve Pierre Moscovici que, “como Ulisses de regresso a Ítaca, a Grécia chega por fim ao seu destino, dez anos depois de uma longa recessão. Pode por fim respirar”. A elegia é gongórica e era preferível reconhecer a realidade
da subjugação política de um Governo que tinha sido eleito para reestruturar a dívida. Klaus Regling, director-geral do Mecanismo Europeu de Estabilidade, num discurso perante a Associação Grega de Bancos, a 12 de Junho, não escondeu o cinismo ao “felicitar o povo grego e os seus dirigentes políticos pela conclusão do vosso programa: é importante para a Grécia e também para a instituição que é o seu principal credor”, ou seja, para si próprio. Acrescentou logo: “Permitam-me que diga ao mesmo tempo que o acesso da Grécia aos mercados continua a ser delicado. Reencontrar a confiança dos investidores implica dar provas de um compromisso total a favor das reformas, mas mesmo isto poderia não bastar no caso da Grécia.” Perguntado numa entrevista se a dívida é sustentável, Regling responde que não, exigindo medidas a longo prazo, repetindo a litania: “As reformas são uma tarefa permanente. Não acabam nunca.” Por isso, “a vigilância deve durar enquanto se prolongar o reembolso”. Até 2060, pergunta o entrevistador? “Sim. Ficaremos até ao prazo final.” Haverá mesmo um “reforço da vigilância” com uma “avaliação a cada três meses” e isto “durante um certo número de anos”. Esta ameaça foi repetida pelo Eurogrupo de 22 de Junho, que prevê o exame em 2032 sobre a necessidade de medidas suplementares, para verificar se “os compromissos são cumpridos e se não há reversão das importantes reformas que são necessárias para levar a Grécia a um rumo de crescimento mais elevado”. Ítaca, então? Coitado do Ulisses, ainda tem que remar muito para se ver livre de quem oprime a sua terra.
Muitos odeiam a tirania apenas para que possam estabelecer a sua. PALAVRA DO DIA
Platão
COREIA DO NORTE ONU E JAPÃO INSISTEM NA TOTAL DESNUCLEARIZAÇÃO
ZIMBABUÉ LÍDER DA OPOSIÇÃO DETIDO NA FRONTEIRA COM A ZÂMBIA
A
O
ONU e o Japão insistiram ontem na necessidade de a Coreia do Norte cumprir plenamente os compromissos assumidos para uma total desnuclearização do país, processo esse que deve ser “verificável e irreversível”. Esta posição foi assumida pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, e pelo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, em breves declarações aos jornalistas após um encontro em Tóquio focado em vários temas da actualidade internacional. Guterres está a realizar uma visita oficial ao Japão e participa hoje na cerimónia que assinala o 73.º aniversário do ataque nuclear pelos Estados Unidos à cidade nipónica de Nagasaki. Três dias antes, a 6 de Agosto de 1945, as forças norte-americanas já tinham largado uma bomba de urânio (a primeira bomba nuclear alguma vez utilizada em contexto de guerra) sobre outra cidade japonesa, Hiroshima. Após o encontro com o primeiro-ministro japonês, Guterres declarou que a ONU está “totalmente comprometida” na desnuclearização da Coreia do Norte, frisando ainda que, enquanto secretário-geral da Nações Unidas, está igualmente empenhado na aplicação de “todas as resoluções relevantes do Conselho de Segurança” que envolvam Pyongyang. “É um objetivo que todos partilhamos, ver uma total desnuclearização que seja verificável e irreversível, de forma a certificarmo-nos que a Coreia do Norte pode ser um membro normal da comunidade internacional nesta região”, prosseguiu Guterres. “Nunca mais Nagasaki, nunca mais Hiroshima (…) é também a mensagem das Nações Unidas”, afirmou Guterres, fazendo ainda outra menção histórica, mas desta vez relacionada com Portugal. O ex-primeiro-ministro português recordou que foi em Nagasaki que os primeiros portugueses chegaram ao Japão no século XVI.
Rede larga
Redacção da lei de interdição permite acesso a croupiers de casinos satélite
A
proposta do Executivo que interdita o acesso dos empregados dos casinos às áreas de jogo fora do expediente do trabalho vai ter de ser reformulada. O problema foi reconhecido, ontem, durante o primeiro encontro entre os representantes do Governo e os deputados da 1.ª comissão permanente da Assembleia Legislativa. Em causa está o facto da proposta de lei definir que os interditos são os “trabalhadores das concessionárias”, ou seja uma formulação que levanta várias dúvidas e pode excluir da interdição, por exemplo, croupiers de casinos satélites ou empregados de limpeza e segurança de companhias subcontratadas pelas operadoras. “Que tipos de trabalhadores vão ser incluídos quando se diz trabalhadores das concessionárias? São todos os que têm vínculos com as concessionárias? Ou queremos incluir outros
trabalhadores na interdição, como os ligados a empresa subcontratadas, como empregados de segurança e limpeza?”, questionou Ho Ion Sang. “Na comissão há diferentes interpretações sobre a lei, porque parece que há tratamentos diferentes [para os trabalhadores]. Mas parece certo que os trabalhadores subcontratados não são abrangidos. Por isso, o Governo vai repensar o âmbito da abrangência da interdição”, acrescente Ho. No entanto, é um ponto assente entre os deputados a necessidade de interditar o acesso aos casinos a trabalhadores que lidam directamente com as mesas de jogo. Existe também ainda a possibilidade de relações públicas, trabalhadores de restaurantes em casinos, seguranças e empregados de limpeza serem interditos quando estão fora do expediente de trabalho.
QUESTÕES ULTRAPASSÁVEIS
“O Governo disse que não tem intenção de englobar
trabalhadores das relações públicas, restaurantes, empregadas de limpeza ou seguranças na interdição. Mas, após a consulta pública, reconhece que este tipo de trabalhadores também pode ser facilmente influenciado e adquirir o vício do jogo”, indicou o presidente da comissão. Por sua vez, Paulo Martins Chan, director da Direcção de Serviços de Inspecção e Coordenação dos Jogos, reconheceu que ainda há alguns pormenores a ultimar, mas que a ideia de proteger os trabalhadores é comum a Governo e deputados. “Em relação à política do jogo responsável para evitar o vício do jogo, acho que é uma questão pacífica tanto para deputados como Governo. Só que houve algumas dificuldades técnicas em pormenores e áreas em que deve ser proibido entrar. Mas penso que são questões ultrapassáveis”, afirmou Paulo Martins Chan. J.S.F.
Acidente Caça espanhol dispara míssil em treino na Estónia Um caça espanhol disparou acidentalmente um míssil no decurso de um exercício militar na Estónia, estando as Forças Armadas estonianas à procura dos restos do míssil, adiantou a agência Associated Press (AP). As Forças Armadas da Estónia adiantaram que o caça ‘Eurofighter Typhoon’ da Força Aérea espanhola – que integra a missão da NATO de patrulhamento no Báltico – erradamente disparou um míssil ar-ar ‘AMRAAM’ num exercício que decorria no sul do país. O míssil carregava
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quinta-feira 9.8.2018
cerca de 10 quilos de explosivos e a sua última localização conhecida é a cerca de 40 quilómetros a norte da segunda maior cidade da Estónia, Tartu. O engenho tem incorporado um mecanismo de auto-destruição para este tipo de acidentes, mas pode ter aterrado no solo. O primeiro-ministro da Estónia, Juri Ratas, disse na sua conta na rede social Facebook que não houve perda de vítimas humanas e classificou o acidente como “extremamente lamentável”.
líder da oposição no Zimbabué, Tendai Biti, foi detido ontem na fronteira com a Zâmbia, enquanto o seu partido contesta os resultados das eleições presidenciais no país, disse à agência de notícias francesa AFP o advogado do opositor. “Tendai Biti foi preso na fronteira com a Zâmbia”, declarou Nqobizitha Millo, através de uma mensagem de telemóvel, acrescentando que o ex-ministro pretendia pedir asilo na vizinha Zâmbia. Figura importante da oposição e ex-ministro das Finanças do Governo de Unidade Nacional (2009-2013), Tendai Biti é procurado pela justiça sob a acusação de incitar à violência, segundo o jornal pró-Governo The Chronicle. Biti declarou antes do anúncio oficial dos resultados da comissão eleitoral que Nelson Chamisa, o candidato do seu partido, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC), havia ganho a eleição “para além de qualquer dúvida razoável”. A comissão eleitoral deu a vitória ao actual Presidente, Emmerson Mnangagwa - ex-braço-direito do antigo chefe de Estado Robert Mugabe, com uma votação de 50,8 por cento. A repressão às manifestações de protesto contra os resultados das presidenciais de 30 de Julho levou à morte de pelo menos seis pessoas. A Human Rights Watch (HRW) denunciou, na terça-feira, que as forças de segurança do Zimbabué intensificaram a repressão aos apoiantes da oposição, após os protestos da semana passada contra a alegada manipulação dos resultados das eleições.
Economia China Tower estreia-se em bolsa depois de IPO recorde
A China Tower, empresa estatal com monopólio de torres para telecomunicações móveis na China, estreou-se ontem na bolsa de Hong Kong, depois de ter captado seis mil milhões de euros na oferta pública inicial (IPO). No primeiro dia de negociação em bolsa, as acções da empresa encerraram a valer 1,26 dólares de Hong Kong cada, o mesmo preço estabelecido na oferta. A empresa estatal opera 1,9 milhões de torres de telecomunicações móveis na China, o maior mercado do mundo de telemóveis. O grupo não detalhou se tem planos de expansão além-fronteiras. Esta oferta pública inicial da China Tower ultrapassou os 4,6 mil milhões de euros captados pelo fabricante chinês de smartphones Xiaomi, na estreia em Hong Kong, no mês passado, tornando-se a maior desde 2016.