hojemacau
DIREITO À MANIFESTAÇÃO NAS MÃOS DA PSP PÁGINA 4
VICTORIA WILLING
A vida dela é a arte ‘‘ A filha de Paula Rego está em Macau para representar a mãe, madrinha da primeira Bienal Internacional de Mulheres Artistas
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
PUB
SOFIA MARGARIDA MOTA
ENTREVISTA
PUB
TIAGO ALCÂNTARA
SOFIA MARGARIDA MOTA
WANG CHUNMING MEDICINA CIENTÍFICA CHINESA
www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau
MOP$10
SEXTA-FEIRA 9 DE MARÇO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4008
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
EVENTOS
2
WANG CHUNMING
É um homem da ciência que usa a bioquímica na procura da magia das plantas. Para Wang Chunming, a medicina tradicional chinesa tem de se afirmar pela cientificidade e esse é o seu trabalho no Instituto de Ciências de Medicina Chinesa da Universidade de Macau. A par da vida no laboratório, o professor é um admirador da cultura portuguesa e está a aprender português
“Se olharmos para a região do Delta, e em concreto Macau, podemos ver que, economicamente, a medicina chinesa está a assumir um papel muito importante.”
DIRECTOR DE INVESTIGAÇÃO DO INSTITUTO DE CIÊNCIAS DE MEDICINA CHINESA
SOFIA MARGARIDA MOTA
ENTREVISTA
“A medicina chinesa é uma forma de entender o mundo” Do que falamos quando nos referimos a medicina tradicional chinesa? É preciso ter atenção às palavras. Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e medicina chinesa não são exactamente a mesma coisa. O facto de termos a tradicional não é bom nem mau, mas sabemos que na actualidade tudo muda. Hoje em dia, usamos cada vez mais tecnologia para estudar e desenvolver a medicina chinesa. Podemos dizer, de certa forma, que o que fazemos se insere na área da MTC na medida em que integramos teorias e conhecimentos clássicos. Mas também usamos a tecnologia moderna, de ponta, e baseamo-nos nas abordagens científicas. Se me perguntar o que é especial nesta área, penso que a medicina chinesa é, acima de tudo, um dos tipos de medicina que existem. Por outro lado, tem sido usada ao longo de milhares de anos, não só na China mas em grande parte da Ásia e tem vindo a ser comprovada, em vários aspectos, como útil para ajudar na manutenção da saúde das pessoas numa perspectiva médica. Há ainda uma perspectiva cultural e económica em que a MTC tem muito a dizer. Culturalmente, a MTC vê o paciente de uma forma muito holística. Estudiosos de várias
áreas procuram conhecimentos interdisciplinares para descobrir o mistério, a beleza, e se calhar também com algum mito à mistura. Mas não nos podemos esquecer que estes aspectos estão fortemente entranhados na cultura asiática, em particular na China. Sob uma perspectiva económica, sabemos que o Governo de Macau está a esforçar-se por diversificar a economia local apostando na indústria da medicina chinesa. Se olharmos em perspectiva para a China, podemos ver que têm sido criadas cada vez mais políticas e mais regulamentação com o objectivo de encorajar o desenvolvimento e a pesquisa no ramo da medicina chinesa de forma científica. Se olharmos para a região do Delta, e em concreto Macau, podemos ver que, economicamente, a medicina chinesa está a assumir um papel muito importante.
é, de facto, a forma como vemos o mundo e como o entendemos, e neste sentido também incluímos os princípios e a codificação que fazemos dele. Mas o que é ciência e o que não é? Os académicos da área da filosofia debatem esta questão, é um tópico constante. A medicina chinesa é uma forma de
Podemos então dizer que o que difere a MTC da MC é a tecnologia? E os princípios mantêm-se? Sim, os princípios a que se refere de carácter mais filosófico de como encarar o ser humano mantêm-se, mas penso que, neste momento, esse aspecto é apenas uma das partes da medicina chinesa. Hoje em dia falamos de ciência. A ciência
entender o mundo e em particular a saúde, a vida e a morte. Isto faz-se também com o entendimento de cada parte do nosso corpo. De um ponto de vista mais antigo, uma forma de perceber o mundo, é entendendo o corpo. Mas há ciências que colidem umas com as outras. Sabemos agora mais acerca do funcionamento do nosso fígado,
“As plantas são de facto um recurso fundamental da medicina, mesmo na medicina ocidental. Originalmente, a aspirina tem origem numa componente de uma árvore.”
por exemplo, e isso acontece por causa dos avanços da ciência. Mas também sabemos que é necessário um equilíbrio. Por exemplo o conceito de Yin Yang vai nesse sentido, da necessidade e equilíbrio em diferentes aspectos da vida e do próprio universo. Podemos dizer que a medicina chinesa contribui e é parte da civilização humana na sua busca da compreensão do mundo. Podemos usar diferentes tipos de tecnologia e de conhecimentos científicos para tentar entender porque é que existe o Yin e o Yang. Não podemos dizer que concordamos ou discordamos destes conceitos antes de os compreendermos na sua totalidade e especificidade. Por isso, aqui tentamos entender, por exemplo, o que é que um determinado tipo de planta contem. Para isso, usamos a química e a bioquímica para entendermos porque é que essa planta e os seus componentes podem promover o crescimento ou, pelo contrário, matar células. Mas as posições muitas vezes são opostas ao encarar as medicinas ocidental e chinesa. Acho que neste campo há dois extremos que temos de evitar. Um deles é que tudo o que seja relacionado com a medicina
3 sexta-feira 9.3.2018 www.hojemacau.com.mo
dos com a qualidade dos equipamentos e o desenvolvimento das nossas pesquisas. Acabaram por sugerir uma colaboração dentro da Comissão Europeia. Esta história fez-me reflectir. Em muitos casos, as pessoas de diferentes culturas e de diferentes países, nomeadamente os responsáveis pela produção legislativa, tiram conclusões e avançam com medidas com demasiada facilidade.
chinesa é falso. Já sabemos que não é bem assim e que este tipo de conhecimento tem sido actualizado. O outro extremo é pensar que a medicina chinesa, que tem beneficiado o ser humano ao longo de muitos séculos, tem de ser um conhecimento que funciona por si só e rejeitar a contaminação do ocidente e das suas teorias. Estes dois extremos, em que podemos inserir a maior parte das pessoas, não são para ser tidos. Não concordo com nenhum deles. Penso que, como cientista, sendo a minha formação em bioquímica, posso dizer que nenhuma da minha preparação foi na área da medicina chinesa. Mas as minhas pesquisas acabaram por se cruzar, obviamente, com o estudo de produtos naturais e logo, com a medicina chinesa. Tento perceber como os produtos naturais funcionam e só depois tentar tirar conclusões em vez de andar nos extremos. Como disse a sua formação é bioquímica. Como é que foi realmente o caminho até à medicina chinesa? Foi um caminho muito natural. Além dos tratamentos conhecidos e utilizados pela MTC, como a acupunctura por exemplo, esta área trata essencialmente de
plantas e a questão é como é que determinas que as plantas funcionam. As plantas são de facto um recurso fundamental da medicina, mesmo na medicina ocidental. Originalmente, a aspirina tem origem numa componente de uma árvore. Antes do comprimido estar completamente desenvolvido, não tínhamos muitos mais recursos do que a natureza. Muitas das moléculas da natureza têm componentes activos úteis na medicina incluindo, as plantas usadas na medicina chinesa. Por isso, a bioquímica das plantas é um fundamento para ser aplicado na medicina. Depois de me formar em bioquímica, decidi aprofundar os meus estudos em biologia aplicada e acabei por fazer o doutoramento em Cambridge, em bioengenharia. Nas minhas pesquisas da altura dediquei-me ao estudo de uma substância, em especifico um açúcar, que está em todo o lado e que é componente das nossa células, da nossa comida, de tudo. Percebi que estas partículas, quando tratadas, são essenciais no âmbito, por exemplo, da medicina regenerativa. As pessoas que trabalham na medicina tradicional chinesa muitas vezes não sabem que estas moléculas existem. Penso que isto é um bom exemplo do que é uma ponte entre os dois
mundos, da medicina ocidental e chinesa. Quando me candidatei a este emprego disse que não tinha formação em medicina chinesa e que era especialista em bioquímica mas que podia contribuir com os meus conhecimentos científicos para a investigação na medicina chinesa. Fui aceite. Há quem defenda, mesmo dentro da comunidade científica que ambas as medicinas, como disse, são precisas. E há vozes que definem que a medicina chinesa previne e a ocidental é mais dirigida ao tratamento. O que acha? Não diria que concordo totalmente com isso mas, de certa forma, esse tipo de pensamento faz sentido
“Estou em Macau, não sei por quanto tempo, mas se um dia me for embora quero levar alguma coisa comigo que seja especifico deste lugar. Acho que é a cultura portuguesa e a sua língua.”
até certo ponto, especialmente na região de Guandong onde as pessoas fazem caldos com diferentes plantas para tratar de alguns mal estares sem, no entanto, estarem diagnosticadas com uma doença em particular. Nesse sentido, se considerarmos a combinação de alimentos e ervas faz sentido falarmos em prevenção. Mas será que a medicina chinesa só serve este tipo de propósito? Disso não tenho a certeza. A comprovar temos o Nobel da medicina de há dois anos que incluiu uma investigadora da MTC. Acha que o ocidente se começa a interessar pela medicina do oriente? Não tenho conhecimento da postura de todos os países, mas nalguns a medicina chinesa tem sido cada vez mais reconhecida. Lá está, para isso é importante que continue se faça mais investigação científica para que possa ser acreditada. Tenho algumas histórias engraçadas. Por exemplo, num encontro em Inglaterra com outros cientistas que sabiam da minha ligação à medicina chinesa fui cumprimentado por um colega com um irónico “boa tarde, este é o nosso mestre do voodu”. Depois levei-os a conhecerem os laboratórios em que trabalhava e ficaram absolutamente surpreendi-
O que é que esta cientificidade vai trazer, por exemplo, aos medicamentos? Muita gente aponta a toxicidade de alguns dos produtos da medicina chinesa. E neste sentido, o nosso trabalho também é muito importante. Por exemplo, temos dois tipos de toxicidade a considerar. Um é o externo, que vem de fora. É a poluição que pode vir através dos metais pesados que estão no ar, nas águas ou no solo. Esta toxicidade também pode vir do uso de pesticidas nas plantas. Por muito ligeira que seja esta toxicidade nas plantas, para nós é sempre extremamente prejudicial. É por isso que neste instituto estamos a desenvolver instrumentos capazes de detectar este tipo de toxinas, por muito reduzidas que sejam, e diminui-las. Outro tipo de toxicidade é a interna. Aqui podemos dizer que uma planta pode ser conhecida por ser medicinal há muitos anos mas pode ser tóxica porque tem componentes activos que o são. Qual é o nosso trabalho? É tentar comparar os níveis dos componentes e tentar equilibrar os componentes benéficos de forma a diminuir os tóxicos. Ainda assim, acha que as plantas podem vencer os medicamentos químicos? Não. Por várias razões. Toda a pesquisa e produção envolve mais tempo e dinheiro. Por outro lado, o seu efeito, mesmo que efectivo, é sempre também mais demorado. No entanto, isso seria o ideal. Sei que se interessa pela cultura e língua portuguesa. De onde vem este interesse? Sou um grande apreciador da cultura portuguesa e aprecio em especial os vinhos. Também estou a aprender a língua. Enquanto investigador fascina-me a compreensão de sistemas complexos e a língua portuguesa é um deles. Por outro lado, agora estou em Macau, não sei por quanto tempo, mas se um dia me for embora quero levar alguma coisa comigo que seja especifico deste lugar. Acho que é a cultura portuguesa e a sua língua. Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo
4 política
9.3.2018 sexta-feira
Ella Lei Deputada quer gestão do estacionamento de pesados
ANM Recolha de fundos a 58 mil patacas do objectivo
em dificuldades por não terem onde estacionar os seus carros. Entretanto, há ainda os “veículos zombies” que permanecem indefinidamente em espaços cuja gestão é desconhecida, como os que se encontram ao largo da Torre de Macau. Ella Lei reconhece que a secretaria dos transportes tem cedido alguns espaços para servirem temporariamente de parque para veículos pesados, no entanto, estes não são ainda suficientes e é preciso projectar medidas a longo prazo.
Numa altura em que faltam 30 dias para o fim da campanha de recolha de fundos, a Associação Novo Macau está a cerca de 58 mil patacas de alcançar a meta das 300 mil patacas. Segundo os responsáveis da associação pró-democrata, os fundos têm como objectivo o pagamento das despesas operacionais da associação,
nomeadamente no que diz respeito ao pagamento dos salários a dois funcionários e para materiais de campanhas cívicas e de promoção da própria associação. A Novo Macau está representada na Assembleia Legislativa através do deputado suspenso Sulu Sou, que reuniu cerca de 9 mil votos nas últimas eleições legislativas.
SOFIA MARGARIDA MOTA
Como se não bastasse a necessidade geral de estacionamento em Macau, os veículos pesados estão, neste momento, a ocupar espaços em que não se sabe a quem cabe a gestão. A denuncia é feita pela deputada com ligações à FAOM, Ella Lei em interpelação escrita ao Executivo. Em causa está situação que se verifica na zona da Torre de Macau, que tem servido de parque a vários veículos pesados. De acordo com a deputada as indústrias ligadas aos transportes estão
O
S deputados José Pereira Coutinho e Sulu Sou acreditam que as alterações à lei do Direito de Reunião e de Manifestação vão levar a um aumento no número de recusas nos pedidos. Segundo a proposta do Executivo, os avisos de manifestação passa a ser entregues ao Comando da Polícia de Segurança Pública, em vez de serem entregues ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). “É evidente que o número de rejeições vai subir. Sem margem de dúvidas. É evidente que, se o poder de decidir a autorização das manifestações estiver nos órgãos policiais vão haver menos autorizações”, disse José Pereira Coutinho, ao HM. Por outro lado, o deputado eleito pela via directa, e com o apoio da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau, mostra-se preocupado com as alterações porque não vê no território razões que
MANIFESTAÇÕES DEPUTADOS ESPERAM AUMENTO NO NÚMERO DE REJEIÇÕES
Aperto do cerco
José Pereira Coutinho e Sulu Sou mostram-se preocupados com a proposta do Governo para alterar a lei do Direito à Reunião e Manifestação e acreditam que vai haver um aumento de recusa de pedidos justifiquem um aumento dos pedidos de manifestações. “Não há razões de qualquer natureza para restringir um dos direitos fundamentais à indignação através de manifestações nas ruas”, acrescentou. Também Sulu Sou se mostrou contra a passagem do poder de decisão do IACM para o Comandante da PSP. Na óptica do deputado suspenso, em termos práticos, a decisão fica agora sob a tutela do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak. “Uma das nossas preocupações é que resulte num
aumento do número de recusas de manifestações. Não me consigo recordar de um caso em que o IACM tenham recusado uma manifestação. Mas se for a polícia a tomar as decisões, há motivos para acreditar que as coisas vão mudar”, afirmou o membro da Assembleia Legislativa.
“No passado, a polícia já apresentou alguns argumentos pouco razoáveis contra manifestações ou para mudar percursos. Agora, nada os vai impedir de usar essas justificações para impedirem uma manifestação”, sublinhou. “Não concordamos que os avisos passem para a
“É evidente que se o poder de decidir a autorização das manifestações estiver nos órgãos policiais vão haver menos autorizações.” JOSÉ PEREIRA COUTINHO DEPUTADO
polícia, quando são assuntos cívicos”, acrescentou.
CONCENTRAÇÃO DE PODERES
Por outro lado, Sulu Sou mostrou-se preocupado com a concentração de poderes, devido ao esvaziamento do IACM, com a criação dos novos órgãos municipais: “os órgãos deviam manter os seus poderes. Não concordo com a política de diminuir os poderes do IACM. Não me parece que vá resultar numa melhor governação da cidade”, considerou. “Poderá redundar na concentração dos poderes
em menos gente, mas o poder da comunidade vai acabar por ficar mais enfraquecido”, frisou. Sulu Sou encontra-se suspenso para ser julgado pela alegada prática de um crime de desobediência qualificada, que a polícia defende que aconteceu durante uma manifestação contra o donativo de 100 milhões de yuan chineses da Fundação Macau à Universidade de Jinan. As alterações à Lei do Direito de Reunião e de Manifestação foram apresentadas na Sexta-feira passada e o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng, garantiu que só vão afectar os procedimentos internos. No entanto, Leong, que foi um dos participantes nas manifestações do 1-2-3, em 1966, omitiu possíveis alterações no artigo seis da lei, que estipula a recusa das manifestações, quando se considera que a iniciativa tem “fins contrários à lei”. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
política 5
sexta-feira 9.3.2018
Camas à margem da lei Song Pek Kei pede que o Governo legisle para combater pensões ilegais
M
A C A U é cada vez mais um destino solicitado pelos turistas. Se o fenómeno apresenta aspectos positivos, não deixa de ter uma face negra e que interfere directamente com a vida da população. A queixa vem da deputada Song Pek Kei que, em interpelação escrita, apela ao Governo para tomar mediadas no que respeita à especulação de preços nestes períodos de maior
afluência, nomeadamente nos hotéis. O objectivo, afirma Song Pek Kei, é evitar a procura de alojamento ilegal no território como forma de escape aos elevados preços praticados no ano novo chinês. A deputada recorda o aumento de visitantes registado durante o último ano novo chinês. “Mais de 960 mil turistas visitaram o território, um número 6,5 o cento superior ao do ano passado”, lê-se na missiva dirigida ao Executivo.
HOJE MACAU
Song Pek Kei entende que está na hora de legislar sobre os alojamentos ilegais no território. A deputada considera que é preciso restringir os requisitos das licenças e aumentar multas. O objectivo é diminuir a quantidade de serviços fora da lei que aumentam especialmente nas alturas festivas em que o território acolhe um maior número de visitantes
Paralelamente, a taxa de ocupação hoteleira foi de 94,5 por cento, diz. Os números denotam que Macau já é uma marca turística, refere a deputada, no entanto, e apesar do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelos Serviços de Turismo, ainda há aspectos que precisam de atenção cuidada. “No desenvolvimento deste beneficio económico que é o turismo local há um outro lado que tem um grande impacto na vida da comunidade”, diz. Em causa estão os preços que disparam nos vários sectores de comércio. A oferta de alojamento não é excepção e, de acordo com Song Pek Kei, houve muitos turistas a preferirem ficar em hotéis ilegais por serem mais baratos.
PROMOVER A ILEGALIDADE
A grande procura reflecte-se ainda num incentivo à manutenção das instalações de hotelaria sem licenças e sem condições. Mais, representa mesmo um perigo dado serem espaços sem qualquer fiscalização ou cumprimento de normas. Por outro lado, em termos laborais, podem empregar pessoas
PUB
ANÚNCIO [N.º 30/2018] Para os devidos efeitos vimos por este meio notificar os candidatos de habitação económica abaixo indicados, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro: Nome
N.º do Boletim de candidatura
WU IONG MUI WONG KI LEONG KA SENG OLIVEIRA DOS MARTIRES VITOR MANUEL MAO CHUN KIT LIO KIN FONG TONG WENG KEI
82201 301599 82201307628 82201324541 82201328931 82201337452 82201304696 82201324356
Dado que os candidatos acima indicados foram seleccionados na lista com a ordenação, nos termos do artigo 26.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015, é necessário realizar-se a apreciação substancial, pelo que este Instituto informou os candidatos acima indicados, através de ofícios, para se dirigirem pessoalmente ao Instituto de Habitação (IH) às horas fixadas nos respectivos ofícios, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura, porém, os ofícios não foram recebidos e foram devolvidos. Assim, os candidatos acima indicados devem dirigir-se pessoalmente ao IH (junto da Escola Primária Luso-Chinesa do Bairro Norte), sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, antes do dia 26 de Março de 2018, para apresentarem os originais dos documentos comprovativos, no sentido de efectuar a verificação das informações declaradas nos boletins de candidatura. Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da lei acima indicada, caso verifique que os candidatos não apresentem os documentos indicados, dentro do prazo fixado, os adquirentes seleccionados serão excluídos do concurso. Para mais informações poderão dirigir-se pessoalmente ao IH, nas horas de expediente ou consultar através do telefone n.o 2859 4875. Instituto de Habitação, aos 7 de Março de 2018 O Presidente, Arnaldo Santos
através de contratos que vigoram à margem da lei. Song Pek Kei exige ao Governo que legisle de modo a “apertar as restrições e aumentar as punições aos que promovem o alojamento ilegal”. Entretanto, e visto que o número de pensões ilegais aumenta nas alturas festivas em que é previsto um maior número de turistas, a deputada pede ao Executivo que aumenta a fiscalização durante estes períodos de modo a garantir um “fluxo saudável de turismo no território”.
De acordo com Song Pek Kei, houve muitos turistas a preferirem ficar em hotéis ilegais por serem mais baratos Para garantir um fornecimento de serviços turísticos capazes de responder ao crescente numero de visitantes a deputada pede ainda que se proceda ao aumento de infraestruturas capazes de acolher os que decidem visitar Macau. Sofia Margarida Mota
Sofia.mota@hojemacau.com.mo
6 política TIAGO ALCÂNTARA
9.3.2018 sexta-feira
N
OS próximos três anos o Instituto para a Acção Social (IAS) vai criar mais um grupo de serviços de cuidados domiciliários para auxiliar os idosos isolados que residem no território. A informação foi avançada pelo IAS, em resposta a uma interpelação do deputado Zheng Anting. Segundo o Governo, esta é uma medida que pretende acompanhar “a tendência de envelhecimento da população em Macau”. Actualmente estão em funcionamento seis grupos de cuidados domiciliários que servem 761 pessoas da terceira idade em condições de necessidade. Entre os auxiliados, PUB
Abraço amigo
Instituto de Acção Social vai lançar mais um grupo de apoio ao domicílio para idosos
505 são idosos ou casais de idosos em situações de isolamento. Na interpelação, o membro da Assembleia Legislativa tinha-se mostrado preocupado com o número de grupos existentes, por considerar que poderia ser insuficiente face ao crescente envelhecimento. Porém, o IAS explica que “não há filas de espera” para recorrer a estes serviços.
Ainda em termos do apoio aos idosos que vivem sozinhos, o IAS explica que desde 2014 foram auxiliadas 4202 pessoas no âmbito do programa de financiamento de equipamentos de segurança que são instalados na casa dos necessitados. O tipo de equipamentos financiados visa garantir a segurança das pessoas que vivem sozinhas, principal-
mente aquelas com dificuldades motoras.
APOIO PSICOLÓGICO
No documento enviado ao Governo através da Assembleia Legislativa, Zheng Anting defendeu que há demasiados idosos a passar tempo em casa, sem terem actividades para fazer. Diz o deputado, que este tipo de situações causa “uma série de problemas emocionais” às pessoas em questão. Sobre este assunto, o IAS refere que criou “mais de 30 estabelecimentos” que permitem aos idosos participar em diferentes actividades. Por outro lado, explica o Executivo, existem em Macau programas como
a rede de “serviços carinhosos” e os serviços de teleassistência Peng On Tung disponíveis para auxilar as pessoas em situações de solidão. Segundo os números oficiais, até ao final do ano passado 7.100 idosos, ou casais, tinham recorrido a estes serviços. Zheng Anting também questionou o Governo sobre as dificuldades em identificar as situações em que os idosos vivem num clima de solidão e isolamento. Em relação a este ponto, o IAS explica que tem desenvolvido várias actividades de promoção dos serviços existentes, como visitas a edifícios ou distribuições de panfletos nas ruas.
J.S.F com V.N.
sociedade 7
sexta-feira 9.3.2018
JOGO THE 13 HOLDINGS QUER MUDAR O NOME PARA SOUTH SHORE
Novo nome, nova vida
Um homem de 21 morreu ontem, depois de ter perdido o controlo da mota em que seguia, junto das bombas de gasolina Calex, na zona da Doca do Lam Mau. De acordo com a Ou Mun Tin Toi, o jovem ficou gravemente ferido na cabeça e entrou imediatamente em coma. Apesar dos esforços das equipas de salvamento, já não foi possível salvá-lo. O sinistro aconteceu ontem à tarde. Esta é a segunda morte registada nas estradas de Macau este ano na sequência de acidentes de viação. No ano passado, oito pessoas perderam a vida devido a acidentes.
BLOOMBERG
A direcção da empresa considera que precisa de um novo nome para que possa ser feita a distinção entre o grupo e o seu principal activo, o Hotel The 13, em construção em Macau
Trânsito Jovem de 21 anos morre em acidente de mota
Saúde SSM alertam para medicamento contra disfunção eréctil
Os Serviços de Saúde de Macau (SSM) lançaram, ontem, um aviso contra o consumo do medicamento denominado “Papapa”, que supostamente ajuda a resolver problemas de disfunção eréctil. De acordo com a informação dos SSM, os comprimidos em causa têm na sua constituições as substâncias “hydroxyhomosildenafil”e “hydroxythiohomosildenafil”, que causa efeitos secundários como pressão arterial baixa, dor de cabeça, vómitos, tonturas e visão turva temporária. Além disso, quando consumidas com outros medicamentos, estes elementos activos pode causar “diminuição da pressão arterial para níveis perigosos”. O aviso lançado pelos SSM surge na sequência de um primeiro alerta com origem em Hong Kong.
A
empresa The 13 Holdings, responsável pelo hotel e casino com o mesmo nome em Seac Pai Van, propôs a alteração do nome do grupo para South Shore Holdings Limited. “A direcção da empresa considera que o novo nome proposto vai permitir uma melhor distinção entre a identidade corporativa do grupo e o nosso principal activo”, justifica a companhia, num comunicado enviado, ontem, à Bolsa de Hong Kong. “A direcção considera que esta alteração vai ao encontro do que é benéfico para os interesses da companhia e dos accionistas”, é acrescentado. Segundo as informações reveladas, a mudança do nome está dependente de dois factores: a aprovação pelos accionistas durante uma assembleia geral extraordinária; e a autorização da mudança do nome por parte das autoridades das Bermudas, onde a empresa está registada. Todavia, o comunicado não avançada com a data da futura assembleia geral extraordinária em que se vai decidir a questão em causa. Desde que foi criada, a The 13 Holdings tem atravessado uma situação complicada. Em causa está a autorização para instalar mesas de jogo em Seac Pai Van, apesar da empresa ter anunciado anteriormente que tinha um acordo com uma operadora local. Há poucos dias foi também divulgado um comunicado a explicar que abertura do hotel em Macau só deverá acontecer a 31 de Março do próximo ano. Neste espaço, a empresa espera ter um total de 66 mesas, das quais quase um quarto estão destinadas
Habitação Preços subiram 3,3 por cento desde Novembro
Comunicado da The 13 Holdings “A direcção da empresa considera que o novo nome proposto vai permitir uma melhor distinção entre a identidade corporativa do grupo e o nosso principal activo.”
ao segmento VIP, ficando as restantes para o chamado “premium mass”, mercado intermédio entre o de grandes apostadores e o de massas. Também prevê ter, aproximadamente, 50 ‘slot machines’ com “as apostas mínimas fixadas a um nível relativamente alto”.
GANHOS DA WYNN EM ALTA
Também ontem a operadora Wynn revelou que entre Janeiro e Fevereiro registou um aumento nos lucros ajustados antes de impostos por casino entre os 27 e 34 por cento, face ao ano
passado. Num comunicado enviado à bolsa de Nova Iorque, a operadora fez um balanço dos primeiros 30 dias do novo CEO, Matthew Maddox. “Os resultados até 28 de Fevereiro são considerados fortes, com os lucros ajustados por casino antes de impostos a aumentarem entre 27 por cento e 34 por cento, face ao ano anterior”, pode ler-se no comunicado. No casino Wynn Macau, os ganhos antes de impostos subiram para 137 milhões de dólares americanos, face ao valor de 109
milhões registado em 2017. No Wynn Palace, o casino do grupo situado no Cotai, os ganhos atingiram os 138 milhões de dólares, quando nos primeiros dois meses do ano passado se tinham ficado pelos 77 milhões. No entanto, segundo a empresa, o verdadeiro valor deste crescimento das receitas da operadora só poderá ser conhecido após o primeiro trimestre, devido à forma como a contabilidade do grupo é feita. João Santos Filipe
info@hojemacau.com.mo
Dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) revelam que, entre Novembro do ano passado e Janeiro deste ano, o índice global de preços da habitação foi de 257,2, o que representou uma subida de 3,3 por cento, em comparação com o período transacto (Outubro a Dezembro de 2017). O comunicado explica que este crescimento “foi impulsionado principalmente pelo acréscimo de 14 por cento do índice de preços de habitações em construção (274,2)”. Já o índice de preços de habitações construídas (270,7) caiu 0,4 por cento. Analisando por zona, o índice global de preços de habitações da Península de Macau (257,9), bem como o da Taipa e Coloane (254,1) ascenderam 2,1 por cento e 9,1 por cento, respectivamente, face ao período anterior. Quanto ao índice de preços de habitações construídas, sabe-se que o da Península de Macau (265,9) caiu 0,5 por cento, enquanto o da Taipa e Coloane (292,9) subiu 0,3 por cento.
8 sociedade
Eliana Calderon, presidente da Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau, voltou a pedir ajuda financeira, afirmando que os quatro milhões de patacas que recebe do Governo não são suficientes para manter a instituição
9.3.2018 sexta-feira
EDUCAÇÃO ESPECIAL ASSOCIAÇÃO VOLTA A PEDIR AJUDA FINANCEIRA
Crianças em apuros
O
filme repete-se, poucos anos depois. A Associação para o Desenvolvimento Infantil de Macau (MCDA, na sigla inglesa) está novamente a pedir ajuda financeira para manter as actividades de apoio que disponibiliza a crianças com necessidades educativas especiais acima dos três anos de idade. Num comunicado divulgado nas redes sociais, Eliana Calderon, presidente da MCDA, frisa precisar de dez milhões de patacas não só para manter a instituição a funcionar, como para desenvolver novos projectos de inserção social dos jovens. “É com tristeza que anuncio que os meios empresariais, as grandes empresas, especialmente os casinos que fazem biliões com os seus lucros trimestrais, recusaram dar-nos apoio financeiro. Sim, tivemos uma redução de lucros num período mais difícil, mas ainda temos imensos lucros, e a MCDA apenas precisa de dez milhões para que possa manter-se na sua total capacidade e disponibilizar os serviços”, pode ler-se. Neste comunicado, é referido que o apoio financeiro que é dado pelo Instituto de Acção Social (IAS) não é suficiente. “Infelizmente só podemos receber o mínimo de quatro milhões de patacas por ano. No próximo ano estamos preocupados [quanto à continuação do projecto], uma vez que os rendimentos do nosso centro são muito limitados.” Um dos projectos que Eliana Calderon pretende desenvolver chama-se “Reach for The Stars
Home”, que visa providenciar “serviços para as famílias e várias áreas da juventude”, incluindo treinos vocacionais. Há também a ideia de desenvolver um “projecto sustentável” de um serviço de aluguer de festas, em que “os jovens poderiam ter a experiência de trabalhar, obter os seus próprios ganhos e também para a MCDA. Infelizmente, não obtivemos o patrocínio para apoiar os nossos objectivos”, lê-se ainda no comunicado. Eliana Calderon teme que no próximo ano a MCDA possa não existir, deixando sem apoio crianças e adolescentes que necessitam recorrer ao privado para ter cuidados continuados relativamente aos seus problemas de desenvolvimento. “Temos necessidades urgentes e de outra forma a MCDA estará numa situação muito séria, com o risco de desaparecer, ser apenas um nome e ser esquecida depois de 2004. É muito triste porque temos 800 pais que precisam dos nossos serviços, há crianças que correm o risco de crescer sem a oportunidade de serem inseridas na sociedade,
de serem felizes e de desenvolver a sua auto-estima, mesmo que tenham necessidades educativas especiais.”
VELHO PROBLEMA SEM SOLUÇÕES
Em 2014 Eliana Calderon chamou os media para alertar para o risco de encerramento da MCDA, pois os poucos fundos atribuídos pelo IAS não davam sequer para cobrir a
“Temos necessidades urgentes e de outra forma a MCDA estará numa situação muito séria, com o risco de desaparecer, ser apenas um nome e ser esquecida depois de 2004. É muito triste porque temos 800 pais que precisam dos nossos serviços.” ELIANA CALDERON PRESIDENTE DA MCDA
renda do espaço que mantinham na Taipa. Anos depois, os problemas persistem. A presidente considera que não consegue pagar salários bons para atrair terapeutas. “Os recursos humanos são muito limitados em Macau e é por essa razão que temos de disponibilizar salários competitivos. Infelizmente, os subsídios concedidos pelo IAS não chegam para garantir esse nível de competitividade, porque muitos destes profissionais ganham mais dinheiro sendo freelancers.” Em 2016, nascia no Centro Hospitalar Conde de São Januário o Centro de Avaliação Conjunta Pediátrica, que apenas faz serviços de diagnóstico e acompanhamento de crianças com necessidades educativas especiais até aos seis anos de idade. Isso significa, segundo disse Eliana Calderon no comunicado, que, a partir dessa idade, as famílias vêem-se sem apoios. “Neste momento, o Governo reduziu a nossa capacidade de garantir os serviços de apoio, uma vez que financiam terapias para crianças com idades compreendi-
das entre um e três anos de idade. Isso faz com que crianças com mais de três anos de idade não tenham acesso a serviços.” Eliana Calderon afirmou também que o território não tem uma sociedade inclusiva. “Estarmos em silêncio significa que não estamos a proporcionar oportunidades às nossas crianças, porque elas não podem falar. Por favor, colaborem e falem sobre o assunto. Procurem a ajuda que estas crianças precisam. Macau tem muitas promessas para a área do entretenimento, com casinos e hotéis de cinco e seis estrelas, mas não é uma sociedade inclusiva.” “O nosso trabalho e esforço em prol da inclusão visa promover uma forma de oferecer trabalhos aos nossos jovens, através da formação, mas tudo isso exige fundos, e isso exige que os pais estejam comigo e que entrem nesta luta com a MCDA”, rematou. O HM confrontou o IAS com este comunicado, mas até ao fecho da edição não foi possível obter uma resposta. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
sociedade 9
sexta-feira 9.3.2018
ELEVADORES SINERGIA MACAU PEDE NOVA LEI COM PENALIZAÇÕES
Ambiente MIECF regressa entre os dias 12 e 14 de Abril O Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2018 (MIECF, na sigla inglesa) está de regresso ao Venetian entre os dias 12 a 14 de Abril. De acordo com um comunicado, a 11ª edição do MIECF “tem como tema principal ‘Construir cidades sustentáveis para uma economia verde inclusiva”. “De acordo com vários representantes de empresas locais que conseguiram, com sucesso, expandir os respectivos negócios após participarem na edição do ano passado, o MIECF é uma importante plataforma de intercâmbio e cooperação no âmbito das indústrias verdes”, aponta o comunicado.
associação Sinergia Macau entregou uma carta na Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) a exigir uma nova lei que penalize os proprietários que não façam inspecções regulares aos elevadores dos edifícios. O pedido foi feito depois do caso de um menino que terá ficado preso num elevador que não estava registado na DSSOPT e que não tinha a inspecção feita, confirmou Vítor Lai ao HM. “A DSSOPT tem um regulamento que determina que os elevadores têm de ser inspeccionados regularmente. Houve um acidente, em que um miúdo ficou preso no elevador, e aí percebemos que a fiscalização não tinha sido feita dentro do prazo. Além disso, o edifício não está registado nas Obras Públicas.” A Associação Sinergia Macau fez também um trabalho de investigação e descobriu que, na zona norte e na Taipa, há seis elevadores
que não estão registados na DSSOPT. “Temos provas de que os edifícios não estão re-
gistados. Se houver esse registo, as inspecções anuais são obrigatórias, e depois ficam os regis-
tos nos elevadores. Não sabemos, portanto, se as inspecções foram feitas ou não. As fotografias foram
SINERGIA MACAU
A
enviadas à nossa associação”, explicou Vítor Lai. O representante da associação lembrou que, desde 2012, o Governo tem vindo a prometer legislar sobre a matéria, mas, até ao momento, só existe um regulamento administrativo que não obriga que tais inspecções sejam feitas. “Pedimos ao Governo para saber mais informações sobre o caso e também sobre a inspecção dos elevadores, porque as Obras Públicas têm competência para isso. Penso que até agora nada foi feito. Deve ser feita uma lei que penalize as pessoas que não façam inspecções periódicas aos elevadores. E isso tem vindo a ser prometido desde 2012, até agora só existe um regulamento administrativo”, concluiu. O HM pediu ainda esclarecimentos adicionais à DSSOPT, mas até ao fecho da edição não foi possível obter uma resposta. A.S.S.
PUB
EDITAL
Edital n.º : 5/E-BC/2018 Processo n.º : 475/BC/2014/F Assunto :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Calçada das Verdades n.º 23, Edf. Seng Hip, terraço sobrejacente a fracção 4.º andar A e caixas de escada comuns entre a sobreloja e o 1.º andar e entre os 3.º e 4.º andares, Macau. Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que ficam notificados os donos das obras ou seus mandatários e os utentes dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Obra Construção de um compartimento não autorizado composto por 1.1 janelas de vidro, gradeamento metálico, cobertura metálica e cobertura em betão no terraço sobrejacente a fracção 4.º andar A. Construção de um compartimento não autorizado composto 1.2 por gradeamento metálico e cobertura metálica sobrejacente ao compartimento não autorizado referido no ponto 1.1. de um portão metálico na caixa de escada comum entre os 1.3 Instalação 3.º e 4.º andares. de um portão metálico na caixa de escada comum entre a 1.4 Instalação sobreloja e o 1.º andar.
Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.
2. De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 10 de Junho de 2016, a audiência escrita dos interessados, mas estes não apresentaram qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição das obras não autorizadas acima indicadas. 3. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI, por despacho de 2 de Março de 2018, exarado sobre a informação n.º 00301/DURDEP/2018, ordena aos donos das obras ou aos seus mandatários que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição das obras acima indicadas e à reposição dos locais afectados, bem como aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos neles existentes e à respectiva desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição das obras ilegais, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. 4. Findo o prazo estipulado, não será aceite qualquer pedido de demolição das obras acima mencionadas. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados nos locais acima indicados serão depositados num local a indicar à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro. 5. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 6. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 2 de Março de 2018 O Director dos Serviços Li Canfeng
Edital n.º Processo n.º Assunto Local
EDITAL
: 11/E-BC/2018 :409/BC/2016/F :Demolição de obra não autorizada pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) :Estrada do Cemitério n.º 1-B, EDF. Fu On, fracção 3.º andar A (CRP:A2), Macau.
Li Canfeng, Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), faz saber que fica notificada Cheong Ieok Chong, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado se realizaram as seguintes obras não autorizadas: Obra Infracção ao RSCI e motivo da demolição Instalação de uma gaiola metálica na parede exterior do edifício Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do 1.1 junto às janelas da fracção. acesso aos pontos de penetração no edifício. Instalação de uma gaiola metálica na parede exterior do edifício Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do 1.2 junto à varanda da fracção. acesso aos pontos de penetração no edifício. Construção de um compartimento com cobertura metálica e chapa Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução do 1.3 de madeira na parede exterior junto às janelas do pátio da fracção. acesso aos pontos de penetração no edifício. Instalação de um portão metálico no corredor comum junto à Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do 1.4 fracção. caminho de evacuação. De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação pelo ofício n.º 03413/DURDEP/2017 de 16 de Março de 2017 e por edital n.º 79/E-BC/2017 publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 21 de Julho de 2017, a audiência escrita dos interessados, mas estes não apresentaram qualquer resposta no prazo indicado e não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição das obras não autorizadas acima indicadas. 2. Sendo os corredores comuns do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Além disso, as janelas e varandas acima referidas são consideradas pontos de penetração no edifício para realização de operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não podendo ser obstruídos com elementos fixos (gaiolas, gradeamentos, etc.), de acordo com o disposto no n.º 12 do artigo 8.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI, por despacho de 2 de Março de 2018, exarado sobre a informação n.º 00916/DURDEP/2018, ordena ao dono das obras acima indicadas que proceda, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição das respectivas obras e à reposição dos locais afectados, bem como à remoção de todos os materiais e equipamentos neles existentes, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT o pedido de demolição das obras ilegais, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. 3. Findo o prazo estipulado, não será aceite qualquer pedido de demolição das obras acima mencionadas. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados nos locais acima indicados ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro. 4. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas, e nos termos do n.º 7 do mesmo artigo, a infracção ao disposto no n.º 12 do artigo 8.º é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração e/ou de segurança do edifício. 5. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 2 de Março de 2018 O Director dos Serviços Li Canfeng
10 china
9.3.2018 sexta-feira
PC/JUSTIN TANG
Região COREIA JAPÃO DIZ QUE NÃO SE DEVE ALIVIAR PRESSÃO SOBRE PYONGYANG
O
primeiro-ministro japonês defendeu ontem que não se deve reduzir a pressão sobre a Coreia do Norte só porque Pyongyang se mostrou aberto a discutir a desnuclearização, admitindo poder tratar-se de um estratagema para ganhar tempo. “Não devemos suavizar a nossa posição, por exemplo aliviar as sanções, só porque a Coreia do Norte concordou em dialogar”, disse Shinzo Abe, numa sessão na câmara baixa do parlamento. O chefe do Governo recordou que já no passado Pyongyang “ganhou tempo para desenvolver as suas capacidades nucleares e mísseis” durante períodos de negociações. Abe falava pela primeira vez desde a visita de uma delegação sul-coreana de alto nível à Coreia do Norte, que resultou no anúncio de uma cimeira inter-coreana em Pyongyang e com a abertura do regime de Kim Jong-un ao diálogo com os Estados Unidos. O primeiro-ministro japonês manifestou o cepticismo do seu Governo face às intenções de Pyongyang e sublinhou que, “para que os contactos com a Coreia do Norte tenham sentido, é preciso que mostrem passos concretos no sentido da desnuclearização”. O chefe de Governo anunciou que deverá receber na próxima semana em Tóquio o chefe dos serviços secretos sul-coreanos, Suh Hoon, que participou na delegação que visitou Pyongyang no início da semana e se reuniu com Kim Jong-un. O objetivo desse encontro é conversar sobre o que foi discutido em Pyongyang e o mesmo fará a comitiva sul-coreana numa visita hoje a Washington. Kim Jong-un transmitiu à delegação de Seul o seu desejo de negociar com os EUA a desnuclearização do regime, pedindo em troca que se garanta a sua sobrevivência, disseram os enviados, que explicaram haver uma “mensagem adicional” de Pyongyang para Washington que não pode ser divulgada publicamente. Embora tenha mostrado otimismo sobre a oferta de diálogo norte-coreana, Washington também deixou transparecer algum ceticismo.
COMÉRCIO PEQUIM PROMETE “RESPOSTA ADEQUADA E NECESSÁRIA” A TAXAS DOS EUA
Batalha de negócios
“N
UM mundo globalizado, quem recorre a uma guerra comercial está a seguir a receita errada”, afirmou Wang Yi, em conferência de imprensa. “A História ensinou-nos que as guerras comerciais nunca são o caminho correcto para a resolução de problemas”, acrescentou. O presidente dos EUA, Donald Trump, suscitou o protesto de vários países, na
O
semana passada, após anunciar a imposição de taxas aduaneiras de 25 por cento, para as importações de aço, e 10 por cento, para as de alumínio. Face às reacções do Canada, União Europeia e China, Trump ameaçou os parceiros comerciais com «impostos recíprocos», e garantiu que as guerras comerciais são «boas e fáceis de ganhar». A China é o maior produtor mundial de aço e alumínio, mas fornece menos de 2 por
Presidente chinês qualificou a emenda constitucional que abolirá o limite de dois mandatos para o cargo que ocupa como uma “medida chave para modernizar o sistema chinês”, informou ontem a imprensa estatal. Segundo a agência noticiosa oficial Xinhua, Xi Jinping mostrou, durante um painel de discussão com delegados do legislativo chinês, “apoio total” à proposta do Partido Comunista (PCC), que abarca ainda a inclusão da sua teoria política na Constituição do país. Xi destacou que a proposta foi “plenamente democrática”, feita “após uma recolha de opiniões a partir de diferentes sectores” e que “ilustra o desejo comum do Partido e do povo”. O líder chinês referiu ainda que a emenda constitucional
cento do aço importado pelos EUA, pelo que aquelas taxas teriam um impacto reduzido na indústria chinesa. No entanto, Washington tem lançado investigações ‘antidumping’ - preço de comercialização abaixo do custo de produção - sobre vários produtos da China, desde máquinas de lavar roupa a painéis solares e contraplacado. Em Agosto passado, o Governo de Trump lançou
“A História ensinou-nos que as guerras comerciais nunca são o caminho correcto para a resolução de problemas.”
ainda uma investigação para averiguar se Pequim exige indevidamente que as empresas estrangeiras transfiram tecnologia, em troca de acesso ao mercado. As duas maiores economias do mundo “têm responsabilidades para com os seus povos, mas também para com o resto do planeta”, afirmou Wang Yi. O ministro chinês disse desejar que os dois países “se sentem à mesa de negociações para encontrar soluções mutuamente benéficas”. Em Janeiro, o superavit comercial da China com os Estados Unidos fixou-se em 22 mil milhões de dólares, mantendo-se praticamente inalterado face ao mesmo mês do ano anterior.
WANG YI MINISTRO CHINÊS DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS
XI JINPING FIM DO LIMITE DE MANDATOS É “CHAVE PARA MODERNIZAR SISTEMA CHINÊS” permitirá “modernizar a capacidade de governação do país”. A Xinhua escreve que os outros seis membros do Comité Permanente do PCC, incluindo o primeiro-ministro, Li Keqiang, deram também o seu apoio à emenda da Constituição, que será votada no Domingo na Assembleia Popular Nacional.
A medida, que abrange ainda o cargo de vice-presidente, surge numa altura em que Xi executa uma vasta agenda, que inclui tornar o sector estatal mais competitivo, desenvolver a indústria de alta tecnologia, reduzir a pobreza e combater a poluição, visando converter a China numa “potência global” e um “Estado socialista moderno” até meados deste século. A nível interno, Xi afastou já os principais rivais políticos, enquanto legitimou a sua liderança aos olhos da população, através da mais ampla e persistente campanha anticorrupção de que há memória na China, que puniu já mais de 1,5 milhões de membros do PCC, incluindo 400 altos quadros do regime.
REUTERS
Pequim prometeu adoptar uma “resposta adequada e necessária”, caso os EUA subam os impostos sobre as importações de aço e alumínio, afirmou o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, apontando os perigos de uma guerra comercial.
china 11
sexta-feira 9.3.2018
Quatro empresas chinesas vão pagar mais de 113 milhões de patacas em salários em atraso e indeminizações a 2400 operários chineses de uma obra de um casino nas Ilhas Marianas do Norte
TRABALHO CONSTRUÇÃO EM SAIPAN CONDENA EMPRESAS CHINESAS
Ilegalidades no Pacífico trabalhadores vão receber os salários a que legalmente têm direito, ao mesmo tempo que envia uma mensagem forte para outros empregadores”.
QUASE ESCRAVOS
A
construção de um casino em Saipan, nas Ilhas Marianas do Norte, levou a uma investigação da Departamento do Trabalho norte-americano que descobriu que quatro empresas de construção chinesas cortaram ilegalmente os salários dos seus trabalhadores. O arquipélago é um protecturado dos Estados Unidos da América, daí a aplicação do ordenamento jurídico norte-americano em Saipan Após a investigação do Departamento do Trabalho,
as empresas chegaram a um acordo que irá ressarcir mais de 2400 trabalhadores de quatro firmas contratadas pela Imperial Pacific International, uma companhia sediada em Hong Kong. As entidades norte-americanas declararam que os
Água na fervura Pequim defende que teve papel chave para acalmar tensões entre coreias
O
ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, defendeu ontem que a proposta chinesa de suspensão recíproca das actividades militares na península coreana foi a chave para o acalmar das tensões entre Pyongyang e Seul. “Os recentes acontecimentos podem ter surpreendido muita gente, mas são plausíveis: durante os Jogos Olímpicos [de Inverno] de PyeongChang, a Coreia do Norte não realizou qualquer teste nuclear, e os EUA e a Coreia do Sul suspenderam as suas manobras conjuntas”, disse. “Isto prova que a proposta chinesa de dupla suspensão era a receita adequada para o problema”, afirmou.
Pequim tem vindo a defender a suspensão do programa nuclear da Coreia do Norte e, ao mesmo tempo, das manobras militares dos Estados Unidos na Coreia do Sul, para “amortecer a crise” na península. A cedência de ambos os lados “criou as condições básicas para a melhoria das relações entre as duas Coreias”, afirmou o ministro. Pyongyang e Seul concordaram realizar em Abril uma cimeira entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o homólogo sul-coreano, Moon Jae-in. No ano passado, os contínuos testes nucleares e com mísseis balísticos da Coreia do Norte, a par da retórica belicista do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevaram a tensão na
trabalhadores entraram no território com vistos de turismo, usando um programa que permite que cidadãos chineses viajem até às Ilhas Marianas do Norte. Ficou também provado no acordo de entendimento que os trabalhadores foram
península coreana para níveis sem precedentes desde o final da Guerra da Coreia (19501953). “A questão coreana é mais complicada no mundo actual” e Seul e Pyongyang “aproveitaram a oportunidade dos Jogos de PyeongChang para alcançar um rápido degelo dos laços, revertendo um longo período de antagonismo na península”, disse Wang. No mês passado, uma delegação norte-coreana composta por atletas, jornalistas, artistas e apoiantes, e liderada pela irmã mais nova do líder norte-coreano, Kim Yo Jong, participou dos Jogos Olímpicos de Inverno, na cidade sul-coreana de PyeongChang. “Há luz ao fundo do túnel, mas a viagem não será fácil”, afirmou Wang. “A história lembra-nos que seja qual for o nível de tensão na península, a situação está obscurecida por diversas interferências”, disse.
obrigados a contrair dívidas de milhares de dólares, para cobrir os preços das viagens e taxas de recrutamento ao empregador em Saipan. Em comunicado, as autoridades norte-americanas referiram que “os acordos asseguram que milhares de
Li Qiang, director executivo da China Labor Watch, disse à ABC News que os trabalhadores chineses tinham turnos de 13 horas diárias, sem direito a fins-de-semana ou férias e que viram os passaportes confiscados pelos empregadores assim que chegaram a Saipan. O activista acrescenta que “cada vez mais as empresas chinesas fazem negócio no exterior, em regiões como os Estados Unidos e a Europa, onde o recrutamento de mão-de-obra é caro, portanto, preferem levar trabalhadores chineses”. Muitas vezes, os operários são atraídos por falsas promessas de salários altos e obtenção de vistos de residência, compromissos que acabam por não se materializar. De momento, ainda existem trabalhadores em Saipan, mas a maioria regressou à China, alguns
deles aguardando há mais de um ano pelo pagamento dos salários.
Muitas vezes, os operários são atraídos por falsas promessas de salários altos e obtenção de vistos de residência, compromissos que acabam por não se materializar “Ninguém nos disse quanto dinheiro vamos receber, nem quando”, diz Gong Benji, um dos afectados pelo caso. O operário acrescentou em comunicado que não é fácil para muitos trabalhadores regressar a casa sem dinheiro no bolso e enfrentar os credores que financiaram a viagem para Saipan. Num comunicado tornado público esta semana, a Imperial Pacific disse estar satisfeita com o acordo estabelecido.
ECONOMIA BANCO CENTRAL CHINÊS SUSPENDE OPERAÇÕES NO MERCADO ABERTO
O
banco central da China suspendeu ontem as operações no mercado aberto, citando liquidez abundante no sistema financeiro, de acordo veiculado pela agência Xinhua. “O nível de liquidez relativamente alto no sistema bancário pode contrabalançar o impacto de factores como o vencimento de acordos de recompra reversa”, disse o Banco Popular da China em seu website. Ontem, 100 bilhões de yuans em acordos de recompra reversa venceram, drenando a liquidez do mercado no mesmo montante. O acordo de recompra reversa é um processo em que o banco central compra valores de bancos comerciais por licitação, com um acordo para vendê-los de volta no futuro. No mercado interbancário de Quinta-feira, a Taxa de Oferta Interbancária Overnight de Shanghai, que mede o custo com que os bancos emprestam uns dos outros, caiu 2,2 pontos-base para 2,57 por cento. A China manterá uma política monetária prudente e neutra em 2018 ao passo que se empenha para equilibrar o crescimento e prevenir riscos.
SOFIA MARGARIDA MOTA
12 eventos
VICTORIA WILLING FILHA DA PINTORA PAULA REGO
9.3.2018 sexta-feira
Veio a Macau com a missão de representar Paula Rego, escolhida como “madrinha” da primeira Bienal Internacional de Mulheres Artistas. Em entrevista ao HM, Victoria Willing fala da mãe e da pintora, mas também da importância de as mulheres serem levadas a sério, nas artes e na vida Paula Rego foi escolhida como madrinha da primeira Bienal Internacional de Mulheres. Como surgiu o convite? Qual o significado de que se reveste? Não sei por que razão a escolheram. Foi a primeira vez que ouvimos esse termo aplicado a uma exposição de arte mas é, mais ou menos, como se fosse convidada de honra. Ela achou muito interessante por ser uma exposição só de mulheres, embora goste de ter a mistura de mulheres e homens.
“É tão bom vir à China falar sobre a minha mãe”
Faz sentido actualmente uma bienal internacional dedicada exclusivamente ao sexo feminino? Eu acho muito importante que hoje em dia haja uma certa discriminação positiva para levantar a representação das mulheres, especialmente para mostrar que, sejam homens ou mulheres, artistas são artistas. Isto é um grande exemplo da arte que, por acaso, é feita por mulheres. A minha mãe passou muitos anos a tentar entrar
eventos 13
sexta-feira 9.3.2018
pelas portas das galerias para conseguir uma exposição. Ia com as fotografias das pinturas – nem um catálogo era – e as pessoas, como ela já contou muitas vezes, viravam o rosto para o lado e falavam com colegas ao mesmo tempo e diziam ‘não obrigada’. Ser mulher fez parte disso nesses tempos em Londres. Em Portugal ela já vendia, porque Portugal foi sempre muito mais aberto às artes plásticas do que os ingleses, que tinham muitas regras. Portanto, foi preciso muito até conseguir, porque quem entrava eram os grandes homens, como Francis Bacon ou o Lucian Freud. A arte é como tudo na vida: há a ideia de que os homens têm mais valor do que as mulheres, ao ponto de eles receberem mais do que elas, mesmo sendo contra a lei. É um crime. Neste momento, acho muito importante haver um palco que dá exposição às mulheres, mas talvez haja muitas mulheres a achar [a discriminação positiva] uma coisa muito má. Eu acho que faz sentido a discriminação positiva por causa do nível do trabalho. Não estamos a falar de algo como ‘vamos dar isto às mulherezinhas’ e depois elas podem ir embora, voltar para a cozinha outra vez, e os homens podem regressar. Isto não dá para ser assim, porque vê-se que o trabalho é sério e bom. Não estamos a falar de uma pinturazinha feita entre o jantar e as fraldas (risos). Paula Rego vai estar representada por uma única pintura: “Nossa Senhora das Dores”, que integra a série baseada n’“A Relíquia” de Eça de Queiroz. Porquê este quadro? Toda a gente me pergunta isso, mas não sei responder. Eu sabia que tinham escolhido este quadro para a exposição, mas não exactamente porquê. Suponho que existam várias razões, a começar por ser baseado no livro do Eça de Queiroz e, portanto, ser uma coisa portuguesa. Depois, porque é a história de uma pessoa que tenta encontrar uma coisa, que está em busca por algo e que, portanto, tem paralelo com os desafios das mulheres hoje em dia e com as tristezas da vida. Acho que as mulheres sofrem muito e [o quadro] mostra o sofrimento e também a solução. No sentido metafórico, podemos rezar. Demostra que há maneiras de resolver as tristezas, como o trabalho ou o amor. Por outro lado, [o “Nossa Senhora das Dores”] é o que [a galeria britânica] Marlborough Fine Art tinha para mandar numa altura em
ilustração que ela considera uma arte muito importante. Como é ser filha de Paula Rego? Tem algum impacto ou exerce influência na sua vida profissional, por exemplo? Ninguém sabe que sou filha de Paula Rego. Não é o mesmo mundo, é completamente diferente. Aliás, não tenho o mesmo apelido. Tenho o do meu pai, que ninguém sabe que era pintor. Quando digo em Inglaterra que sou filha da Paula Rego ou dizem ‘uau, não acredito! Gosto tanto do trabalho dela’ ou nem sabem que ela é. Por exemplo, eu telefonei ao meu agente de teatro – estou com ele há dez anos – para lhe dizer que não ia estar lá esta semana, porque vinha representar a minha mãe e expliquei-lhe que ela é artista e que tem uma certa fama. Ele não sabia quem ela era. É um mundo diferente e nunca surgiu ocasião de dizer.
que os quadros estão a seguir para todo o lado, porque ela vai ter montes de exposições. Ainda na semana passada, abriu uma mostra colectiva na Tate, em Londres, que Paula Rego também integra. Sim. É ela com os homens, uau! Interessantemente, essa exposição, que reúne grandes do século XX e reserva uma sala só para a mãe [com cinco obras], tem uma última divisão que junta quatro artistas e que, por acaso, são todas mulheres. É um boa maneira de acabar a exposição, fecha com chave de ouro. Isto também é o futuro – faz tudo parte das mulheres serem levadas a sério, não só nas artes, em tudo. Os quadros viajam mais do que a pintora. Paula Rego nunca esteve na China...
“Eu acho muito importante que hoje em dia haja uma certa discriminação positiva para levantar a representação das mulheres.”
Nunca esteve nem nunca vai estar... Ela não pôde vir por causa da idade e também porque os médicos recomendam que não viaje devido ao problema do coração. Até quase não visita Portugal hoje em dia. Está mais frágil, mas está bem e tem a rotina dela: Trabalha quatro dias por semana e ainda vai ao estúdio e todos os sábados ao cinema. Ela está muito feliz por as pinturas poderem viajar o mundo e por estar representada numa exposição neste sítio que tem tantas ligações a Portugal e que, ao mesmo tempo, fica tão longe. Ela é muito aberta ao mundo e tem pena de não poder estar cá, mas também tem 83 anos, está cansada e não pode fazer tudo. É a primeira vez que expõe na China? Não. Ela no ano passado teve um quadro exposto em Xangai. Quais são obras que mais gosta da sua mãe? Eu gosto de algumas de que faço parte (risos). Gosto de “Dog Women” e muito de “Pillowman” que acho uma das obras grandes da minha mãe. Também d’ “Anjo” e d’ “A Dança”. “A Dança” [1988] foi o primeiro quadro que a minha mãe fez depois do meu
“Sejam homens ou mulheres, artistas são artistas.” pai morrer. É uma despedida. Fico muito emocionada quando vejo esse quadro. Qual seria, na sua opinião, a melhor obra para introduzir um público a Paula Rego? Diria “Anjo”, porque mostra uma pessoa fraca e forte, triste e cheia de vingança, humilde e zangada – tudo ao mesmo tempo. É cheio de contradições. E nem é só isso: tecnicamente aquela saia... Não sei como é que ela fez aquilo. Vê-se quase tudo em 3D. É incrível! Como descreveria a sua mãe em poucas palavras? Disciplinada, calorosa, gentil e muito teimosa. Gosta das coisas boas. Gosta de champanhe, por exemplo. O médico disse-lhe que pode beber um copo por dia, mas ela, às vezes, bebe dois. Adora os filhos e as netas mas ela não é uma pessoa de família. Aos homens não se perguntaria isso, não é? A vida dela é a arte. Sempre foi, desde os quatro anos. É uma grande artista. Às vezes, tem muito medo que não vá encontrar
a história que está sempre à procura. Quando eu digo: ‘O que queres para o aniversário? Ela responde: ‘Quero ideias’. Eu pergunto: ‘Oh mãe, mas se não tiver ideias, queres um casaco?’ Os romances de Eça de Queiroz têm sido uma fonte de inspiração... Sim, começou com “O Crime do Padre Amaro”, que tem a ver com a hipocrisia da igreja, e também há “O Primo Basílio”, por exemplo, que é fantástico, sobre uma mulher que se apaixona e que, inocente, não percebe como as mulheres são usadas. São boas histórias, fáceis de ler, com montes de personagens interessantes. A mãe é muito interessada por estas coisas e o Eça tem muitas dessas histórias. Ela continua a ler, está sempre a ler. Agora, está a ler [Émile] Zola. Antigamente, costumava fazer mais quadros só sobre situações da sua vida, representações com animais na pele de certas pessoas, inventar as suas próprias histórias, mas [cada vez mais] não inventa. Ela gosta de encontrar a história e ilustrá-la à sua maneira. Sempre foi, até certo ponto, uma ilustradora e sempre achou que as pessoas são um bocado snobes relativamente
E como é estar a representar a sua mãe no outro lado do mundo? É muito interessante. É tão bom ter a oportunidade de vir à China falar sobre a minha mãe. É fantástico. É a primeira vez, mais formalmente, que falo em nome da minha mãe. Como dizem os ingleses, hoje estou a usar outro chapéu. Tenho um chapéu diferente quando escrevo peças de teatro, outro quando vou fazer gravações de voz e quando não tenho trabalho nenhum e tenho que ir para um escritório a ganhar sete libras por hora também é outro chapéu. Vários chapéus. Actualmente, escreve sobretudo peças de teatro? Sim. Estou a tentar escrever uma, faço gravações de voz, de vez em quando, e fiz uma coisa para televisão há pouco tempo. Estive um ano a fazer uma peça chamada “The Curious Incident Of The Dog In The Night Time”, que deu no West End.... Foi bastante cansativo... Nunca pensou ser pintora? Não (risos). Acho que numa família dessas uma pessoa tem que ter talento. Consigo desenhar, mas não queria ser pintora. Não sou uma pessoa muito visual, sou mais de ouvido. Além disso, gosto de trabalhar com pessoas e, por isso, é que, às vezes, é difícil escrever as peças de teatro porque estou sozinha e prefiro estar em equipa. Eu também tinha que encontrar a minha coisa. Diana do Mar
info@hojemacau.com.mo
14 publicidade
9.3.2018 sexta-feira
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 100/AI/2018
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 110/AI/2018
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHAO WAN FAI, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 73330xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 89/DI-AI/2016, levantado pela DST a 19.08.2016, e por despacho da signatária de 26.02.2018, exarado no Relatório n.° 94/DI/2018, de 02.02.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Nagasaki n.° 80, Kam Fung Tai Ha, Bloco 1, 18.° andar F onde se prestava alojamento ilegal.---------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora VASILIEVA ALEXANDRA, portadora do Bilhete de Identidade de Residente Não Permanente da RAEM n.º 14391xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 110/DI-AI/2016 levantado pela DST a 29.09.2016, e por despacho da signatária de 26.02.2018, exarado no Relatório n.° 106/DI/2018, de 24.01.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Taipa, Rampa da Taipa Grande n.os 135-275, Bloco 3-Prime Royalton,10.° andar J.-----------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 30 dias, conforme o disposto na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.-----------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 26 de Fevereiro de 2018.
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 26 de Fevereiro de 2018.
A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 145/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor CHAN WA TENG, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 73933xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.°39/DI-AI/2016, levantado pela DST a 28.03.2016, e por despacho da signatária de 26.02.2018, exarado no Relatório n.° 148/DI/2018, de 05.02.2018, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $330.000,00 (trezentas e trinta mil patacas) por controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.º 1321, Hung On Center, Bloco 3, 4.º andar T onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 30 dias, conforme o disposto na alínea a) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode o infractor, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.------------------------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------
A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
NOTIFICAÇÃO EDITAL Revogação da Licença de serviços Internet n.º 17/2005 - Empresa Qoos, Lda No dia 9 de Janeiro de 2017, a Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT) notificou a empresa Qoos, Lda (Qoos) por correio registado com aviso de recepção, dirigido ao endereço para comunicação registado na Licença, para pagamento da taxa de exploração da Licença de serviços Internet referente ao ano económico de 2017, nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 10.º do Regulamento Administrativo n.º 24/2002, não tendo o respectivo pagamento sido efectuado no prazo legal. Ao abrigo do preceituado na alínea 8) do n.º 1 do artigo 26.º do Regulamento Administrativo n.º 24/2002, o não pagamento de taxas pode determinar a revogação da Licença para o exercício da actividade de prestação de serviços Internet. Cumprido o procedimento legal torna-se público que, a Licença de prestação de serviços Internet n.º 17/2005- Empresa Qoos, Lda foi revogada por Despacho do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, de 26 de Janeiro de 2018, exarado na Informação dos CTT n.º 12/02-02.24-180, da mesma data. De acordo com o disposto nos artigos 145.º, 148.º, 149.º do Código de Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, o interessado pode apresentar reclamação junto do Secretário para os Transportes e Obras Públicas no prazo de 15 (quinze) dias a contar do dia seguinte ao da publicação da presente notificação e/ou interpor recurso hierárquico facultativo no prazo de 30 (trinta) dias a contar do dia seguinte ao da publicação da presente notificação para o Chefe do Executivo, nos termos do n.º 2 do artigo 155.º e artigo 156.º do Código de Procedimento Administrativo. O interessado pode ainda apresentar recurso contencioso para o Tribunal de Segunda Instância, nos termos dos artigos 25.º a 28.º do Código de Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro. Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações, aos 28 de Fevereiro de 2018.
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 26 de Fevereiro de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
A Directora dos Serviços, Lau Wai Meng
sexta-feira 9.3.2018
Correr sem tino não as leva ao covil
José Simões Morais
Rua Camilo Pessanha
tou certo, a maior parte dos seus proventos da advocacia. Várias vezes, fez Pessanha doação ao Governo Português, do que melhor tinha na sua colecção de arte chinesa, e até ultimamente, um mês antes de morrer, doou ao Estado mais objectos artísticos. Eu lembro-me muito bem de ter visto em Lisboa, no Museu das Janelas Verdes, várias pinturas chinesas, doadas por Camilo Pessanha ao Governo Português. Nestas sucessivas doações, manifestou Pessanha o seu patriotismo”.
MACAUANTIGO.WORDPRESS.COM
P
UBLICADO no artigo anterior a parte inicial do discurso do então Presidente do Senado, Dr. Luiz Gonzaga Nolasco da Silva, que com “breves e sentidas palavras” falava a 3 de Março de 1926 na secção do Leal Senado da Câmara de Macau. Nessa reunião camarária, propôs um voto de profundo pesar pelo passamento de Camilo Pessanha e dar o nome desse ilustre cidadão a uma rua. Em homenagem, “dando-se o caso de o ter conhecido e convivido com ele longos anos, primeiro como seu aluno e depois, colega durante o percurso deste como professor e advogado”. Discurso que aqui continuamos, após ter descrito a acção do advogado dos advogados, versa agora sobre as outras facetas do distinto poeta. “Como juiz, foi Pessanha de uma austeridade e de uma probidade inconcussas. Lembro-me de que uma vez um nababo chinês tinha uma questão cível pendente da sentença de Pessanha: esse litigante foi visitá-lo algumas vezes, e da última, ao despedir-se, deixou-lhe um envelope sobre a mesa... Pessanha deu pela incorrecção do homem e, obrigando-o a recolher o vil metal, correu-o à bofetada até à porta da rua. Foi assim que Pessanha castigou aquela tentativa de corrupção. Era intransigente em pontos de honra profissional, mas temperava a sua austeridade de julgador com a bondade do seu coração. Todas as vezes que o seu dever lhe impunha uma condenação, procurava aplicar ao réu a menor pena que por lei, podia aplicar-se. Na situação de juiz substituto em exercício, teve ensejo de revelar, por mais de uma vez, os seus eruditos conhecimentos. Está ainda na memória dos seus colegas e da família judicial, uma extensa sentença por ele escrita num processo de crime por venda de menor, sustentando que, segundo a idiossincrasia chinesa, tal facto não era criminoso. Outra vez em que manifestou a pujança do seu intelecto com uma retentiva nunca vista, foi no processo de extradição do mandarim Pui-Keng-Foc, em que esteve seguramente quinze dias a ouvir as declarações do extraditando e outros quinze ditando-as, sem se socorrer dum único apontamento escrito, e sem pôr um ‘digo’ ou fazer qualquer emenda. Quando terminou o seu ditado, com tanta clareza e fidelidade como elegância e vernaculidade, pediu ao intérprete que traduzisse uma a uma as palavras por ele ditadas, e o mandarim Pui, que era também um literato e um poeta, ao acabar de ouvir a tradução da última linha, pediu licença ao juiz, para o cumprimentar
h
15
NOME PARA UMA RUA
por aquele record de assimilação e de retentiva que o fez admirar das faculdades intelectuais do juiz português. E lá da sua prisão na Fortaleza do Monte, escreveu num leque uns versos que dedicou a Camilo Pessanha. Acham-se dispersos nos arquivos dos tribunais de Macau e da Secretaria do Governo da Província, muitos trabalhos jurídicos de Camilo Pessanha, e é pena que não se faça deles uma edição in memoriam”.
DE JORNALISTA A COLECCIONADOR
“Pessanha foi também jornalista, e eu tive a honra de o ter tido por meu colaborador no jornal que fundei, intitulado O Macaense. Neste jornal publicou Pessanha a tradução em versos portugueses, de umas elegias chinesas, seguida de eruditas notas explicativas das passagens ou palavras mais interessantes, e por ventura menos compreensíveis da história e da literatura chinesa. Pena foi que tivesse ficado em meio, ou a menos de meio, aquela tradução, que Sua Excelência com tanto entusiasmo encetara, e que pensava remeter para Portugal para que Dona Ana de Castro Osório fizesse dela uma edição portuguesa. Porém, os bocados de ouro que ficaram arquivados em O Macaense servem para dar aos estudiosos uma ideia da erudição de Pessanha em assuntos da literatura chinesa – pois é bom que se saiba, e que fique escrito, que Pessanha, apesar de não ter tido um único exame de língua chinesa, estudara esta
língua, e bem assim as fontes da sua literatura, que bem se podia considerar um bom sinólogo português. Quantas vezes, em dias calmosos, em que a maior parte da população procura nas distracções fáceis e nas brisas das praias um alívio aos calores da época, quantas vezes, nesses dias, não vi eu Pessanha, com o mestre china ao lado, aprendendo os caracteres chineses e repetindo com o professor os tons e sons da língua sínica! E que Pessanha só se recreava com coisas de espírito, e a civilização chinesa era para ele uma fonte inexaurível de estudo e de recreação do espírito. Pessanha foi, ainda, um coleccionador de coisas de arte chinesa, as suas salas eram uma exposição permanente de muitos objectos artísticos da China, e na aquisição deles, consumiu Pessanha, es-
Acham-se dispersos nos arquivos dos tribunais de Macau e da Secretaria do Governo da Província, muitos trabalhos jurídicos de Camilo Pessanha, e é pena que não se faça deles uma edição in memoriam
“Enfim, a morte de Camilo Pessanha veio, como disse, abrir uma lacuna entre os advogados de Macau. O país inteiro o pranteará, porque perdeu um poeta, um jurisconsulto, um artista, e um patriota. Proponho, pois, que, além do voto de sentimento na acta e da remessa de uma cópia deste parágrafo a seu filho, Sr. João Manuel de Almeida Pessanha, se dê o nome do grande cidadão a uma das vias públicas de Macau. Tenho dito”. Após a sentida homenagem do Dr. Luiz Gonzaga Nolasco da Silva, seguiu-se o Vice-Presidente do Leal Senado que se associa “com a maior dor e comoção à proposta de sentimento pela morte da grande individualidade que, em vida, se chamou Camilo de Almeida Pessanha. Já Sua Excelência, o Presidente, no admirável discurso que acabou de pronunciar, pôs em relevo as altas e inconfundíveis qualidades morais e intelectuais que caracterizaram o divino autor da Clepsydra, poema que foi com certeza idealizado num daqueles momentos de êxtase em que o espírito de Pessanha se evolava às mais belas regiões do sonho, envolvido pelo fumo do veneno destilado das rubras papoilas. Só lhe resta, pois, prestar o culto da sua homenagem a quem foi alguém na vida terrena”. Após o vereador Damião Rodrigues dar o apoio às propostas do Presidente do Senado, associam-se também os outros vereadores, como Jacques Gracias e Pedro Lobo, que reside nesta colónia há bem pouco tempo. Assim aprovada por unanimidade, nesse dia 3 de Março de 1926 assenta-se mudar o nome da Rua do Mastro para Rua Camilo Pessanha, o que deverá acontecer para breve. Com a construção entre 1910 a 1915 do primeiro lanço da Avenida Almeida Ribeiro, do Largo do Senado ao Porto Interior, a Rua do Mastro ficara dividida e assim o seu nome na parte Norte passava a chamar-se Rua Camilo Pessanha, o que terá ocorrido a 8 de Março de 1926, segundo Beatriz Basto da Silva e do lado “da Rua da Felicidade mantém a designação do Mastro, reduzida a Travessa”.
16
h
Só
A
9.3.2018 sexta-feira
´
Amélia Vieira
S casas dos poetas são locais estranhos que devemos ter como sentinelas de energias cósmicas, pois dormitam lá os veios que desaguam dos seus lençóis freáticos. São espaços consagrados que nem sempre sabemos definir como espaços singulares. Impunemente não foram ocupados e deixaram um lastro de encanto na sua decadência que não tem preço, não se deve profanar e de todos os lares é este o mais enigmático e o que produz mais encanto nas nossas tenções emocionais. Se para tanto acrescer, as suas vidas difíceis, nem por isso perturba esse chão que parece mergulhado de um silêncio desconhecido de uma manifesta antecâmara de iniciados, pois tal como disse Safo: vedado é o choro na casa de um poeta/ nunca tal pesar se apartará de nós. Na volúpia das transacções imobiliárias que fazem agora das populações de uma cidade seres em via de uma grande debandada para dar lugar a moradores que nada têm a ver com a terra, os hábitos e sabemos que a cidade, se lhes acrescentarmos as casas em ruínas dos poetas que ao abandono são escombros em plena via citadina, é bem mais que uma moldura para negócios imobiliários. E é da casa do grande simbolista que agora falo que em ruína está prostrada no meio da multidão, talvez que nada saiba já do seu antigo habitante, pois que a mesma Nação que vende todas as casas já pouco sabe dos que nelas viveram, sobretudo se foram poetas: há tantos, não é? - Não, não é. -
E os que têm essas casas que para aí andam são “caseiros” do acto poético que não é o mesmo que o lar de um deles. Saberão as gentes quando se inclinarem para transpor as portas daqueles de que agora falo, e se não souberem as casas, por mais caras que sejam, também não valerão nada. Sem um certo conhecimento destas coisas não há ninguém para habitar, nem as portas nos selam a raiz da nossa intimidade. Ao abandono ficaram muitas e se a de um Almeida Garrett deu lugar a um cubo habitacional depois de lhe retirarem os belos varandins , resvés à de Pessoa, que nem casa era, mas um quarto, onde fizeram um “filme” asséptico que o próprio desdenharia na sua configuração inapropriada. Não esqueçamos que o poeta é levemente como os gatos, gosta da casa, gosta do tempo das coisas que a desgastam e transformam. Mas estamos num país de movediços e de grandes “imóveis” de uma visão de habitat, estamos numa plataforma de gentes que não sabe honrar o seu legado mais bonito. Encheram-se de coisas para jogarem aos dados financeiros e tolheram a capacidade de reabilitar os sonhos. António Nobre morreu cedo, não tendo deixado nas paredes da sua casa grandes vestígios de obras nem aclimatado as salas com a sua inquietação. Talvez estivesse recolhido com a saúde que sabemos frágil e «Só» lá habitasse ele e o que estava em queda simbólica no seu um tanto desesperado estado. O desencanto simbolista tem muitas cartas escritas em surdina que nem todos leram pois que para os “poetas” das casas novas não interessa a relação entre os pares. Mas talvez pudesse interessar às Instituições, aos Ministérios, agora que há o da Cultura, mas a Cultura tal como a conhecemos talvez nem precise de casas, mas sim de Festivais e estes “pequenos arranjos” sejam sem dúvida coisas de somenos.
E assim nesta perspectiva de Jogos Florais e muito imprópria para a memória nos vamos dando conta que morrer jovem num local assim, antes como hoje, talvez seja a melhor maneira de escapar a uma tremenda falta de um núcleo central, que é o da sabedoria das pedras falantes. O saudosismo que embainha a obra não se refere à saudades do futuro, tão ao gosto de Antero de Quental, que este futuro brindado em derrocada e quase esquecimento tem pouco que contemplar, mas por cada casa de um destes poetas em ruína e desabamento há um anátema gigantesco que ninguém vê. E que tanto dá lembrar. O mundo nunca lhes pertenceu e agora é mais que tempo de não existirem. E quando tudo isto terminar, assim, como se a corrente da era fosse só isto, e desta maneira, as casas de todos desabarão de formas imprevistas. Não se pode atingir o esqueleto de altares sem uma manobra na atmosfera ao redor, e, se quase ninguém pode estar nas casas uns dos outros devido à magnitude das vidas impróprias, conservam-se no éter lembranças de vivas fontes e sentidas saudades quando nos damos conta daquilo que já foram. Também se pode colocar António Nobre no sanatório, mas lá estariam muitos e insanáveis seres que deixaram as suas casas para não contaminarem os outros
António Nobre morreu cedo, não tendo deixado nas paredes da sua casa grandes vestígios de obras nem aclimatado as salas com a sua inquietação
habitantes, quem está a mais deve ser removido para locais onde não seja factor de perturbação, e, não havendo tença, não há direito a chão, quanto mais à reabilitação de relíquias! Era um grande inovador da linguagem poética do seu tempo e uma língua precisa dos seus xamãs ou será uma artilharia mecânica com bases na Lua – idem - a colocação das vozes para se dizer o banal com o palato em forma e as ideias sem fórmula ... Mas este tão «Só» para não ficar confinado a coisa nenhuma, até foi editado em Paris quando o seu autor era jovem no ano de 1892. Convém reabilitá-los a todos, todos nos dão a Casa que esperamos ver reerguida, interlaçar simbolismo e saudosismo para a construção das nossas muralhas, porque podemos vir a não saber entrar mais nos nossos Templos. É que as nossas vidas precisarão sempre de um secreto amor. Mas nem tudo é triste na visão do poeta, nem a tristeza que deles irrompe, é, ou foi alguma vez teia de servidão, por isso há ainda uma alegria à Cesário e uma noção de festa que não pode ser arrecadada no esquecimento. “Georges! anda ver meu país de romarias e procissões! Olha essas moças, olha estas Marias! Caramba! dá-lhes beliscões. Que lindos cravos para pôr na botoeira! Tísicos! Doidos! Velhos a ler a sina! Etnas de carne! Jobes! Flores! Lázaros! Cristos! Mártires! Cães! Dálias de pus! Olhos fechados! Reumáticos! Anões! Deliriuns- tremens! Quistos! Pelo nariz corre-lhes pus, gangrena, ranho! E, coitadinhos! fedem tanto: é de arrasar... Qu´é dos pintores do meu país estranho, Onde estão eles que não vêm pintar?” Como deixar cair esta deslumbrante forma manifesta, esta imensa lira de inventividade? Vamos para tua Casa!
ARTES, LETRAS E IDEIAS 17
sexta-feira 9.3.2018
tonalidades António de Castro Caeiro
E
M “Sobre os ares, as águas e os lugares”, texto do corpo hipocrático, lemos a complexidade dos elementos que intervêm no diagnóstico médico. O conjunto de elementos que formam o alfabeto dos médicos: temperatura, alta e baixa, quente, frio, húmido, seco, as diversas fases do dia e do mês, as diversas estações do ano, as idades da vida, sexo, localidade de habitação, naturalidade, mas também as operações que alteram um extremo no outro: aquecimento, arrefecimento, deslocação, alteração da localidade de habitação, mudança da dieta, regime alimentar e actividade física, permite perceber que os factores de análise, diagnóstico e prognóstico de uma determinada doença não se circunscreve a um indivíduo, mas o indivíduo é “visto” num contexto absolutamente complexo e, ainda assim, claro. O interior côncavo do corpo humano, para suar a formulação do médico, contem um sistema “hidráulico” complexo de quatro líquidos fundamentais: a bílis negra, bílis amarela, fleuma e sangue. Há uma mistura que pode ser desequilibrada destes líquidos e não tem que ver com a diferente quantidade com que um líquido está presente no sistema. As quantidades são qualitativas. Mas todos os fluídos, humores ou líquidos do corpo estão sujeitos a condições estruturais que os alteram: aquecem ou arrefecem, fazem-nos deslocar para zonas diferentes do corpo com consequências determinadas. Um dos pontos fundamentais é que depende da “alteração da estação” (“ek metabolês tôn horôn”). A hora em grego não corresponde a 60 minutos. Nem necessariamente ao conceito de estação do ano. É uma qualificação temporal que integra em si dois estados, um de partida que é o que se tem verificado, e outro de chegada, que é o estado no qual o primeiro se transforma. A alteração no interior do corpo humano depende desses factores mais e mais abarcantes e que transformam campos que lhes estão subordinados e nós estamos subordinados ao equilíbrio complexo de tudo o que está envolvido na manutenção e conservação da vida. “Sobre as estações do ano, temos de poder determinar, como é que vai ser o ano, pouco saudável ou saudável. Os sinais são dados pelo ocaso e nascimento das estrelas, se o outono traz chuva, o inverno moderado, se cai uma quantidade moderada de chuva na primavera tal como no verão”. Assim, as próprias regiões do globo que são afectadas diferentemente pelo céu estrelado na sua mudança sazonal produzem seres humanos de compleições diferentes. Mas este não é oponho mais interessante. Se há falta de força de vontade ou de coragem num ser humano, há um elemento atmosférico, fluvial e local a contribuir para que tal aconteça. Se não houver grandes mudanças climatéricas, as pessoas tendem a ser suaves e gentis. Só a exposição a grandes alterações climáticas abala o espírito e estimula a paixão nos seres humanos. São as alterações
Da medicina antiga que sobretudo despertam o espírito no ser humano. Se percebemos a influência exterior do meio ambiente que nos envolve, do clima, atmosfera e meteorologia e geo-
grafia particulares que nos acontecem, percebemos também a dinâmica complexa destes factores transformadores num processo temporal ao longo da vida admitindo alterações ao longo do
O interior côncavo do corpo humano, para suar a formulação do médico, contem um sistema “hidráulico” complexo de quatro líquidos fundamentais: a bílis negra, bílis amarela, fleuma e sangue.
(Parte II)
dia, mês, estações do ano, idades da vida. Mas mais interessante e absolutamente contemporâneo é pensar que a disposição do espírito, a compleição do carácter, o modo de ser, a vida que levamos resulta ou é concomitante a essas mesmas pressões climatéricas. A análise final seria a de procurar perceber se a partir do interior do ser humano, também não haverá uma contaminação estrutural e intrínseca que altere o sítio em que vivemos, invertendo assim a lógica de subordinação do humano às forças cósmicas.
18 opinião
9.3.2018 sexta-feira
A nova Rota “President Xi’s Belt and Road initiative (BRI), aimed to promote economic development and exchanges with China for over 60 countries, necessitates a wide range of security procedures. While the threats to Chinese enterprises and Chinese workers based on foreign soil are poised to increase, there is an urgent need to develop new guidelines for risk assessment, special insurance and crisis management.” Securing the Belt and Road Initiative: Risk Assessment, Private Security and Special Insurances Along the New Wave of Chinese Outbound Investments Alessandro Arduino and Xue Gong
A
“Nova Rota da Seda”, também conhecida como a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota (OBOR na sigla em língua inglesa)” ou “Iniciativa Faixa e Rota (BRI na sigla em língua inglesa)” abreviadamente designada por “Iniciativa”, é uma estratégia de desenvolvimento proposta pela China, que visa promover a cooperação económica e a ligação, principalmente, entre países euro-asiáticos. A Iniciativa é denominada, por comparação com a “Rota da Seda”, que era um caminho antigo de seis mil e quatrocentos e trinta e sete quilómetros de comprimento, que remonta à Dinastia Han Ocidental (206 aC - 220 dC) e costumava ligar as regiões da Ásia Oriental com o Médio Oriente e a Europa, tendo feito prosperar numerosas civilizações euro-asiáticas durante séculos. Assim, com a implementação da estratégia “Nova Rota da Seda”, a China pretende reavivar a rota de dois mil anos, investindo em alguns projectos de infra-estrutura sérios em todo o percurso, que se assemelha em grande parte à lendária “Rota da Seda”. A promoção do desenvolvimento e dos benefícios económicos para os países envolvidos e o estreitar dos laços culturais dos participantes são os principais objectivos da Iniciativa OBOR , ou seja, baseia-se em uma estratégia de desenvolvimento de ganhos para os países que estão localizados ao longo do percurso da “Nova Rota da Seda”. Os primeiros indícios da ideia da OBOR foram vieram à superfície durante as Olimpíadas de 2008, mas o plano ambicioso da China foi declarado pela primeira vez no segundo semestre de 2013, pelo presidente chinês Xi Jinping. O projecto OBOR consiste em duas rotas diferentes, sendo uma terrestre e outra marítima, começando e terminando ambas na China. A primeira rota denominada de “Faixa Económica da Rota da Seda” começa na cidade de Xian, onde se encontra localizado o exército de terracota, na China Central, e leva ao norte da Europa, até Roterdão, como o mais movimentado porto europeu, percorrendo todo o caminho da Ásia Central, Médio Oriente,
Europa Oriental, Rússia e o centro da Europa. A “Rota Marítima da Seda”, por outro lado, liga o Mar Mediterrâneo com o Mar da China Meridional, em um longo caminho que vem através do Canal de Suez, Oceano Índico e Estreito de Malaca.
É de prever que cerca de sessenta e cinco a setenta países e um total de quatro mil milhões e quatrocentos milhões de pessoas que representam 60 por cento da população global, beneficiarão da participação no projecto OBOR, que levará no mínimo entre
trinta a trinta e cinco anos a ser realizado. Tendo em vista implementar com êxito este plano ambicioso, a China está a planear a construção de seis corredores económicos, a fim de unir a “Faixa Económica da Rota da Seda”, com a “Rota Marítima”, enquan-
opinião 19
sexta-feira 9.3.2018
perspectivas
JORGE RODRIGUES SIMÃO
da Seda (I)
to em alguns corredores a infra-estrutura existente será explorada, em outras áreas e será construída, de acordo com o projecto OBOR . Os corredores parecem ter uma orientação para oeste e sul, o que significa que as regiões do Japão e Coreia do Norte e
do Sul são excluídas do projecto, pelo menos por enquanto. Os seis corredores económicos que diferem em tamanho e comprimento, são a Península da China-Indochina, o “Fórum Bangladesh-China-Índia-Myanmar para a Cooperação Regional (BCIMEC na sigla
em língua inglesa)”, o “Corredor Económico China-Paquistão (CPEC na sigla em língua inglesa)”, a Nova Ponte Continental da Eurásia, a China-Ásia Central-Ásia Ocidental e a China-Mongólia-Rússia. É de ressaltar que o planeamento e a construção desses corredores estão actualmente em vários estádios quanto à sua implementação, aparentemente, devido à natureza multilateral dos acordos mencionados. Quanto ao projecto, os primeiros esforços da China ocorreram com a assinatura de acordos de negócios no valor de trinta mil milhões de dólares com o Cazaquistão, a melhoria das infra-estruturas no Sri Lanka e mais especificamente, a reconstrução do porto de Colombo, em um acordo no valor de mil milhões e quatrocentos milhões de dólares. A China prosseguiu a um ritmo acelerado para o estabelecimento do “Banco Asiático de Investimento em Infra-estrutura (AIIB na sigla em língua inglesa) ” (Portugal é membro desde 15 de Abril de 2015), com um capital inicial de cem mil milhões de dólares. Aparentemente, o objectivo principal do banco é financiar todos os projectos relacionados com a “Rota da Seda”. É de realçar que muitos países desenvolvidos adquiriram o estatuto de membros no AIIB, ainda que a maioria seja aliada dos Estados Unidos, como a Alemanha, França, Reino Unido e outros. Existe uma grande apreensão entre os países ocidentais de que a “Rota da Seda”, conjuntamente com o AIIB tentará substituir o sistema financeiro actual estabelecido pelo Banco Mundial. A China estabeleceu o ambicioso objectivo de alcançar um investimento de um trilião de dólares em projectos de infra-estruturas. O plano abrangerá um número considerável de países que acumulam 30 por cento do PIB mundial. Existem, actualmente, sessenta e oito países que participam na Iniciativa e mais de novecentos acordos estão a ser preparados, que representam um total de oitocentos e noventa mil milhões de dólares, enquanto a China declarou que está disposta a investir o total de quatro triliões de dólares em todo o projecto. É notável que o AIIB tenha apenas fornecido crédito no valor de mil milhões e setecentos e trinta milhões de dólares para o projecto. A Iniciativa tem quatro objectivos chave, que são melhorar as infra-estruturas regionais, aumentar a coordenação da política económica regional, integração de mercados e incentivar os laços culturais para construir apoios para o projecto mais alargado. O plano baseia-se em um conjunto de infra-estruturas de transporte, energia e projectos de telecomunicações, juntamente com planos para aumentar a cooperação diplomática regional, redução de custos financeiros, provisão de mais crédito e integração cultural. Apresenta três propostas básicas, sendo a primeira relativa às telecomunicações e satélites, com o estabelecimento de uma rede de cabos ópticos para melhorar a conectividade internacional e ter uma transmissão de dados mais rápida,
reduzindo assim os custos para os países participantes. As multinacionais de telecomunicações chinesas como “Zhong Xing Telecommunication Equipment Company Limited (ZTE Corporation na sigla em língua inglesa) ” e a “Huawei Technologies Co., Ltd. (Huawei)”, assinaram grandes acordos para a construção de redes, como a de um cabo de fibra óptica no Afeganistão.
A China estabeleceu o ambicioso objectivo de alcançar um investimento de um trilião de dólares em projectos de infra-estruturas. O plano abrangerá um número considerável de países que acumulam 30 por cento do PIB mundial A adopção do sistema de posicionamento global “Compass ou BeiDou-2” chinês, rival do GPS, aumentará a independência dos sistemas ocidentais de telecomunicações. A segunda proposta é relativa às áreas urbanas, com a manutenção de vastos dados que poderiam melhorar todos os aspectos diários das cidades. Actualmente, existe uma integração de informações e avanços tecnológicos. A cidade de Yinchuan, capital da província de Ningxia, por exemplo, oferece aos cidadãos uma variedade de serviços inovadores, incluindo o acesso a informações da cidade, através de “Códigos QR” (código de barras bidimensional que pode ser facilmente digitalizado usando a maioria dos telefones celulares equipados com câmara), e a capacidade de pagar tarifas de autocarros no embarque através de suporte lógico de reconhecimento facial. A terceira proposta é relativa ao comércio electrónico, como as empresas chinesas “Grupo Alibaba (Alibaba)” e “JD. Com (JD)”, que estabelecerão armazéns em todas as regiões da Iniciativa, de modo a melhorar o sistema de fornecimentos e logística, trazendo melhores negócios para cada membro da Iniciativa, devido a uma enorme redução nos custos. A Iniciativa será financiada pelo “Banco Popular da China (PBC na sigla em língua inglesa)” que transferiu oitenta e dois mil milhões de dólares para três bancos estatais. A China criou um fundo especial para a Iniciativa com um capital total de quarenta mil milhões de dólares e conjuntamente com o AIIB, são os pilares do gigantesco projecto em termos de financiamento. Além disso, o “Banco de Exportação e Importação da China” emprestou oitenta mil milhões de dólares em 2015, enquanto no mesmo período, o “Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) ” emprestou vinte e sete mil milhões de dólares.
20 opinião
9.3.2018 sexta-feira
um grito no deserto
O
13º Congresso Nacional do Povo e o Comité Nacional da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês vão reunir-se em Pequim. Um dos objectivos das sessões plenárias é a criação de uma emenda ao Artigo 79 da Constituição da República Popular da China, que anule o limite de dois mandatos consecutivos do Presidente e do Vice-Presidente. Os conteúdos que vão ser agora revistos foram inseridos na Constituição em1982, sob a liderança de Deng Xiaoping, o pioneiro da Reforma e da política de abertura da China. O Presidente da República Popular da China é nominalmente o líder supremo do País. Mas, na realidade, o Presidente da Comissão Central Militar do Partido Comunista da China é quem detém o maior poder. Mao Tsé Tung deteve este cargo até à sua morte. Deng Xiaoping nunca foi Presidente da China, mas sim Presidente da Comissão Central Militar, o que explica a força da sua liderança. Pensando nesta distribuição de poder, porque é que foi introduzido em 1982 o limite de dois mandatos consecutivos para o Presidente e para o Vice-Presidente? Porque Deng Xiaoping era um homem sábio. Como sabemos, depois do Partido Comunista ter fundado a República Popular da China em 1949, Mao Tsé Tung e Liu Shaoqi assumiram a presidência em sucessão, entre 49 e 68. Depois de Liu Shaoqi ter sido afastado em 1968, durante a Revolução Cultural, o lugar de Presidente foi cancelado por algum tempo. Mas o lugar de Primeiro-Ministro, pelo contrário, foi ocupado por Zhou Enlai desde 1949, até à sua morte em 1975. Deng Xiaoping e os antigos quadros do Partido que atravessaram a Revolução Cultural, sabiam que o poder corrompe e que “o poder absoluto corrompe absolutamente”. Foi por isso que Deng “reformou” a Constituição em 1982, libertando-a das ambiguidades que conduzem à corrupção. Nas “Obras Escolhidas de Deng Xiaoping”, podemos ler, “Para salvaguardarmos a democracia popular, o estado de direito tem de ser fortalecido. É preciso assegurarmo-nos que a democracia se institucionaliza e se legitima, e garantir que este sistema e as leis não mudam se houver alternância de líderes, ou se os líderes mudarem os seus pontos de vista ou os seus objectivos”. Em obediência a este princípio, na emenda de 1982 à Constituição, ficou definido que o Presidente e o Vice-Presidente da China não podiam servir para lá dos dois mandatos
CHUCK FISHMAN
A sabedoria de Deng Xiaoping
consecutivos. Para além disso, no Artigo 87, declara-se que o Primeiro Ministro, o Vice-Primeiro Ministro e os Conselheiros de Estado têm igual limitação de mandatos. Mas, para salvaguardar a liderança do Partido Comunista, não se estabeleceu limite de mandatos para os líderes do Partido nem para o Presidente da Comissão Central Militar. Seguindo os princípios orientadores estabelecidos por Deng Xiaoping, até à presente data, todos os líderes da China respeitaram o limite de mandatos. Jiang Zemin e Hu Jintao foram ambos Presidentes por dois mandatos. E tanto Zhu Rongji como Wen Jiabao ocuparam o cargo de Primeiro-Ministro por dois mandatos consecutivos. Se estes líderes não tivessem respeitado a Constituição, Jiang
A centralização excessiva do poder e o surgimento de sectores de pressão, os poderosos grupos plutocráticos, aumentaram em muito a corrupção. O vigoroso ataque a este flagelo desencadeado nos últimos anos por Xi Jinping e por Wang Qishan conquistou o coração do povo
Ex-Deputado • Membro da Associção Novo Macau
Zemin ou Hu Jintao ainda poderiam ser hoje em dia Presidentes da China. Para impedir a concentração de um poder permanente nas mãos de um só líder, que pudesse vir a desencadear outra catastrófica Revolução Cultural, Deng Xiaoping dedicou muito tempo a introduzir alterações cuidadosamente pensadas. Mas, apesar disso, o modelo da liderança conjunta caiu em 1989. Hu Yaobang e Zhao Ziyang, foram os melhores concretizadores do pensamento de Deng Xiaoping. Após a morte de Hu e a demissão de Zhao, os sucessores conseguiram manter o limite de mandatos, no entanto a luta pelo poder na China nunca deixou de existir. A centralização excessiva do poder e o surgimento de sectores de pressão, os poderosos grupos plutocráticos, aumentaram em muito a corrupção. O vigoroso ataque a este flagelo desencadeado nos últimos anos por Xi Jinping e por Wang Qishan conquistou o coração do povo. Mas a edificação de um sistema eficaz é ainda mais importante, porque impede as pessoas de prevaricar a priori. O estado de direito é sempre melhor que o situacionismo. Deng Xiaoping já morreu há mais de duas décadas, mas, por mais clarividente que fosse, nunca poderia ter previsto as emendas à Constituição que estão a ser preparadas. Quando o sistema não se desenvolve da melhor maneira, será inevitavelmente substituído pelo autoritarismo político.
PAUL CHAN WAI CHI
desporto 21
sexta-feira 9.3.2018
FC PORTO FILIAL DOS DRAGÕES VAI PARTICIPAR NO CAMPEONATO DE VETERANOS
Prontos para competir
A filial azul-e-branca vai marcar o regresso ao desporto local com a participação no campeonato de veteranos. Os projectos para o futuro são comunicados esta noite ao sócios, num jantar de convívio
CASA-MÃE ENTUSIASMADA
A reactivação da filial em Macau do FC Porto foi recebida com
A selecção de Macau sub-16 vai defrontar Taiwan e Irão no Grupo C do Campeonato Asiático de basquetebol do respectivo escalão. O evento vai decorrer entre 2 e 8 de Abril em Foshan, em Cantão. A equipa vencedora do grupo passa aos quartos-definal, as restantes vão disputar o play-off para definir os restantes lugares. A vencedora final da competição vai representar a Ásia no Campeonato do Mundo Sub-17, que decorre este ano, na Argentina. O campeonato conta com três grupos com três equipas e um com quatro. No Grupo A ficaram o Interior da China, Hong Kong e a Nova Zelândia. Inicialmente, estava previsto que o Asiático fosse decorrer na cidade de Dalang, mas alterações de última hora ditaram a mudança do local da competição.
GONÇALO LOBO PINHEIRO
O
FC Porto em Macau vai apresentar aos sócios, esta noite, o projecto para a participação no campeonato local de veteranos, durante o jantar de celebração do Ano Novo Chinês. O evento está agendado para as 19h30, no Clube Militar, e tem na agenda a apresentação da situação do clube ao sócios, de acordo com Diana Massada, recém-eleita presidente da filial dos dragões no território. “A nível do futebol temos uma equipa preparada para entrar no campeonato de veteranos, que é futebol de sete. Os treinos da equipa já começaram. Estamos também a trabalhar para ter uma equipa no campeonato Bolinha”, disse Diana Massada, ao HM. “Na Bolinha vamos ter de começar pela 2.ª divisão. Mas queremos apresentar uma equipa com qualidade que possa dar luta aos adversários e defender as cores e o nome do FC Porto em Macau”, acrescentou. Já o regresso ao futebol local e à 4.ª divisão só deverá acontecer na temporada de 2019. Eleita em Dezembro, mês em que começam as inscrições para os campeonatos de futebol, Diana Massada reconhece que não houve tempo para montar um projecto. “O regresso à 4.ª Divisão será em 2019. Pareceu-nos a melhor decisão porque os actuais órgãos sociais tomaram posse quando já se estava na altura das inscrições”, apontou. Sobre o regresso à Liga de Elite, onde actualmente militam Benfica e Sporting, Diana mostrou-se mais cautelosa: “Se quisermos pensar no futebol e em ir subindo de divisão, no médio prazo, precisamos de outro tipo de apoios e patrocinadores. Temos de ter capacidade para fazer face às despesas inerentes ao futebol e às modalidades”, justificou. O futebol é um dos pratos principais do jantar de hoje, que vai servir para fazer um ponto da situação e apresentar os órgãos sociais. A presidente do FC Porto Macau admite também o apoio a outras modalidade, nomeadamente ténis, hóquei patins ou vela.
Basquetebol Macau no grupo do Irão e Taiwan
SC Braga Terceiro lugar é cenário desde o primeiro dia, diz Abel Ferreira
agrado pela casa-mãe. As duas partes têm estado em contacto e, apesar de ainda não haver nenhuma parceria concreta, no futuro, poderão ser desenvolvidos projectos ao nível da formação. “Neste momento, estamos a desenhar um processo de formação infanto-juvenil com
a casa-mãe. Após a tomada de posse, tivemos reuniões com o responsável das casas do FC Porto em Portugal, Alípio Jorge, que se mostrou entusiasmado com a reactivação da casa do FC Porto em Macau. A casa-mãe mostrou todo o seu apoio à reactivação”, revelou a nova
“Se quisermos pensar no futebol e em ir subindo de divisão, no médio prazo, precisamos de outro tipo de apoios e patrocinadores.” DIANA MASSADA PRESIDENTE DO FC PORTO EM MACAU
mulher-forte do futebol azul-e-branco no território. “Também tivemos reuniões com elementos ligados à administração, em que discutimos eventuais parcerias. Mas neste ponto ainda não há nada de muito concreto para apresentar”, admitiu. A filial do FC Porto em Macau tem cerca de 90 sócios registados, contudo, está a decorrer uma actualização das listas. Também os mecanismos de comunicação com os sócios estão a ser melhorados, através da presença nas redes sociais. João Santos Filipe
joaof@hojemacau.com.mo
O treinador do Sporting de Braga, Abel Ferreira, disse ontem que o objetivo de chegar ao terceiro lugar da I Liga de futebol é um cenário que existe desde o início da temporada. Os minhotos estão a quatro pontos do terceiro lugar, ocupado pelo Sporting, e questionado sobre se esse é agora o objectivo da equipa, o técnico respondeu: “esse cenário está criado desde o primeiro dia, não precisam de fazer essa pergunta sempre, os objetivos estão muito claros desde o primeiro dia e não vamos alterá-los porque estamos mais longe ou mais perto”. “Os objectivos não são só de classificação ou de pontuação, mas também de construir uma equipa, valorizar os jogadores e o clube. Temos que continuar focados nas nossas tarefas e no que controlamos, o segredo tem sido esse”, acrescentou. O Sporting de Braga recebe hoje o Moreirense, na 26.ª jornada, e Abel Ferreira espera dificuldades perante uma equipa que “está motivada pelo último resultado [vitória 2-0 sobre o Paços de Ferreira)”, que está na cauda da tabela e precisa de pontos.
22 (f)utilidades TEMPO
PUCO
9.3.2018 sexta-feira
?
NUBLADO
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje
MIN
10
MAX
18
HUM
40-80%
•
EURO
10.03
BAHT
“MACAO STORIES”, DE SÉRGIO PEREZ, VINCENT HOI, HO KA CHENG, CHAN KA KEONG, VINCENT HOI, CHU IAO IAN Cinemateca Paixão | Das 12h00 às 14h15 BERLIN BASS MUSIC : SYMBIZ LIVE W/ HEAVY HK & EB Live Music Association | A partir das 20h30
DE
63 6 4 25 41 2 7
4 7 62 3 6 1 5
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 31
PARADA DE OURO - ARMAMENTO IMPERIAL DO MUSEU 28 DO PALÁCIO
3 6 4 7 7 4 1 3 Cineteatro C I 1 2 5 4 6 7 2 5 2 3 6 1 4 5 7 6 5 1 3 2
MAM | Até 11/3
30
7 2 5 6 3 1 4
SALA 1
3 4 1 2 7 5 6
TOMB RAIDER [C]
1 5 6 4 2 7 3
2 3 7 5 6 4 1
Um filme de: Roar Uthaug Com: Alicia Vikander, Daniel Wu, Dominic West, Walton Goggins 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 2
MARK FELT: THE MAN WHO BROUGHT DOWN THE WHITE HOUSE [C]
Filme de: Peter Landesman Com: Liam Neeson, Diane Lane, Bruce Greenwood 14.30, 16.30, 21.30
BLACK PANTHER [B]
Filme de: Ryan Coogler Com: Chadwick Boseman, Michael B. Jordan,
1 6 7N 3 5 2 4
2 5 6E 1 4 3 7
5 7 3 1 4 6 2
4 6 2 7 1 3 5
Lupita Nyong’o 19.00 SALA 3
5 33 2 3 A M 3 4 1 7 5 1 6 3
1 2 7 4 5 6 3
6 5 3 2 4 7 1
5 4 6 1 7 3 2
32 32
3 2 2 1 6 4 4 75 67
PROBLEMA 32
33
UM FILME 3 7 2 1HOJE 4 6 5 4 1 5 7 22 6
6 2 74 3 1 65
1 5 57 74 6 3
3 6 2 5 7 14
Todos os anos as nomeações e a própria cerimónia de atribuição dos galardões atraem a atenção das pessoas em todo o mundo, mas nem sempre se compreendem muitas das escolhas que são feitas. A estrela da noite foi “A Forma da Água”, de Guillermo del Toro, e ainda estou para perceber porquê. O cliché do monstro e a previsibilidade das cenas fazem deste filme uma película para ver aos domingos à tarde. Vale a pena como puro entretenimento (que, no entanto, não nos acrescenta nada ao intelecto) e para observar uma realização cuidada.
7 3 1 6 5 2
5 7 3 2 4 1
2 4 6 1 3 7
34 34
2 5 37 3 64 6 1
6 5 7 3 1 4 2
Não celebro o Dia da Mulher, não acho que deva receber flores neste dia, não faço publicações no Facebook ou no Instagram com frases feitas sobre os nossos direitos. Que fique bem claro: não são frases feitas, são injustiças que permanecem no nosso quotidiano além do dia 8 de Março, ad eternum, sem que se passe, de facto, das palavras aos actos. Era bom que não se tivesse de assinalar o Dia da Mulher, que não houvesse necessidade para tal, mas há. Enquanto assim for, poderemos escrever que merecemos mais direitos, partilhar imagens com as tais frases feitas que nada vai mudar. Nós não somos flores de estufa, somos seres humanos como os homens, só que com um sexo diferente. O facto de sermos reprodutoras por natureza não faz de nós mais frágeis, não implica que tenhamos de ganhar menos que os homens ou que sejamos vítimas de assédio, ou até que não nos levem a sério. Infelizmente, o dia 8 de Março passa e tudo o que se escreve e publica nesse dia é esquecido no resto do ano, e nem os posts no Facebook mudam a coisa. Resta apenas um imenso vazio da injustiça. Ontem foi também o primeiro dia sem uma das muitas mulheres que povoam a minha vida. O coração foi fraco demais mas, afinal, foi também enorme. Pela vida, pelo que suportou, por aquilo que nos deu, à sua maneira, ao longo da sua vida. Agora, resta um vazio que não será preenchido. Só uma enorme e doce memória. Andreia Sofia Silva
4 71 5 2 3 7 6
15 7 6 1 2 3 4
1 4 43 57 6 2 5
72 3 4 5 7 16 1
7 56 2 34 5 41 3
3 7 6 5 12 1 4 5
6 4 71 2 7 5 53
7 3 4 21 35 2 6
5 2 3 6 51 4 67
4 A FORMA 1 DA ÁGUA | GUILLERMO DEL TORO | 2017 1 6 5 2 7 4 6 3 43 7 2 5 7
S U D O K U
O CARTOON STEPH 31
4 5 6 1 3 7 2 2 47 2 6 DAS1LETRAS7| FILME5“ONE NIGHT 4 ON2THE WHARF” 3 6 3 1 ROTA Auditório do Consulado | 20h00 1 3 2 7 6 4 5 21 5 Domingo 2 6 3 4 5 1 7 7 6 7 “MACAO STORIES”, DE SÉRGIO PEREZ, VINCENT HOI, HO KA CHENG, CHAN KA KEONG, VINCENT HOI, CHU IAO IAN 3 4 1 2 7 5 6 2 53 Cinemateca Paixão | Das 12h00 às 14h15 5 7 4 3 2 6 1 4 5 4 Diariamente 11ª 7BIENAL2DE DESIGN 5 DE6MACAU1 3 4 4 36 Museu de Arte de Macau (MAM) | Até 31/3 COM ANA MARGARIDA DE CARVALHO E ROSA MONTERO 16h00 | Edifício Antigo Tribunal
1.27
O VAZIO DA INJUSTIÇA
Amanhã
26 ROTA DAS LETRAS | CONFERÊNCIA “O PESSOAL É31 POLÍTICO”,
YUAN
VIDA DE CÃO
REFLEXÕESAOCAIRDATARDE“CÓDIGOCIVIL–PARTICULARIDADES DO REGIME DA CLÁUSULA PENAL DE MACAU” PELO PROFESSOR DOUTOR ANTÓNIO PINTO MONTEIRO Fundação Rui Cunha | 18h30
FESTIVAL ROTA DAS LETRAS | CONCERTO DE BLOOM / JP SIMÕES Discoteca Pacha
0.25
6 5 3 35 1 36 6 5 2 4 7 3 1 6 4 3 7 5 2 1 6 TOMB RAIDER 1 1 7 3 5 6 2 4 5 2 1 4 3 6 7 4 3 Sofia 4 Silva 6 2 5 7 1 3 7 6 2 5 4 1 Andreia 35 36 3 7 5 1 6 4 3 2 6 4 3 1 7 2 5 2 6 2 6 Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção 5 4 1 7 3Margarida2Mota;6Vitor Ng5Colaboradores Amélia Vieira;2Anabela5Canas;4António6Cabrita;1António7Castro 3 Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; 5 2 José Drummond; José Simões Morais; Manuel5Afonso2Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio 2 6 3 2 4Fonseca;1Valério5Romão Colunistas 7 António Conceição7Júnior; David 1 Chan;2Fa Seong; 3 Jorge6Morbey;5Jorge Rodrigues 4 PauloSimão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia 5www. 1dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo3Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho 4 Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de3 marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de 7 2hojemacau. 6 5 1 7 4 3 1 6 5 7 4 2 com.mo Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar3 A, Macau 7 1Telefone 28752401 Fax528752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo 4 1 6 1
AGENT MR. CHAN [C]
FALADO EM CANTONENSE LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Filme de: Cheung Ka Kit Com: Dayo Wong, Tze Wah, Charmaine Sheh, Sze Man 14.30, 16.30, 21.30
IS THE ORDER A RABBIT?? DEAR MY SISTER [A] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS Um filme de: Hiroyuki Hashimoto 19.30
retrato 23
PAMELA IEONG
sexta-feira 9.3.2018
PAMELA IEONG, INTÉRPRETE-TRADUTORA
Um gosto natural pelas línguas
Q
UANDO era criança, não sabia o que queria ser. À inoportuna pergunta respondia o que os professores queriam ouvir: médica ou advogada. Não tinha grandes ambições na altura, mas quando saiu da escola secundária começou a perceber melhor do que era capaz. “Gostava de aprender línguas e acabei por optar pela licenciatura em Estudos Portugueses na Universidade de Macau”, conta Pamela Ieong. Embora interessada pelas línguas em geral (hoje domina quatro), ao pensar nas oportunidades, o português era o que “tinha mais vantagem” no contexto de Macau. O facto de o curso incluir um programa de mobilidade também foi uma aliciante. “Já sabia que podia fazer um intercâmbio no terceiro ano e, por isso, optei pela língua portuguesa”. “No início foi difícil. Hoje acho que estou melhor”, brinca a jovem de 29 anos que trabalha a tempo inteiro como intérprete-tradutora no Instituto de Acção Social (IAS). “Não conhecia ninguém de Portugal ou de outros países de língua portuguesa. Antes de ir fazer a entrevista para a universidade pedi ajuda a uma amiga que, meses antes, tinha estado a aprender português no Instituto Português do Oriente (IPOR)”. “Ela ensinou-me a dizer o nome, em que escola andei, um conjunto de frases que depois usei na entrevista. Disse tudo o que aprendi com ela, o resto só em inglês!” O verdadeiro primeiro contacto com o português aconteceu pouco antes de começar o ano lectivo, já que decidiu inscrever-se no Curso de Verão de Língua e Cultura Portuguesa, também na Universidade de Macau. Quando chegou o terceiro ano do curso seguiu para Portugal, aproveitando a boleia do programa de intercâmbio. Esteve principalmente em Braga, mas também em Coimbra. “Gostei imenso da experiência”, enfatiza Pamela Ieong, que viu o seu gosto ser influenciado pela cultura do país mais ocidental da Europa. O café figura como o exemplo mais evidente: “Em Macau é mau, mas lá experimentei e gostei. No meu antigo trabalho também bebiam muito e eu agora também bebo”. Numa incursão pelos doces também se deparou com a descoberta – não rara entre chineses de Macau – de que o pastel de nata “é totalmente diferente” e “come-se com canela”. Depois de concluir os estudos, Pamela Ieong estagiou no Jornal Tribuna de Macau. Foi depois para
o Instituto Internacional de Macau (IIM), o seu primeiro emprego, seguindo-se uma passagem pela Fundação Macau até se mudar, há três anos, para o IAS. “Os meus trabalhos foram sempre ligados à língua portuguesa”, explica, convicta de que a aposta foi acertada. “Não me arrependo. Além disso, o português já me deu muitas oportunidades para ir ver mundo”. “Em Portugal, tinha vergonha de falar em público, mas depois de voltar ganhei mais confiança e participei num grupo de Toastmasters. Primeiro em inglês, depois em português. Ajudou-me muito e também fiz amizades com pessoas de países de língua portuguesa, como de Moçambique”, diz a intérprete-tradutora. Pamela Ieong gosta muito do que faz, sobretudo porque esse ofício, de converter um mundo para o outro, “pode ser um bom instrumento para ajudar muita gente”. Esta ideia acompanha-a desde cedo, dos tempos em que ouvia os pais a narrarem-lhe as dificuldades que encontraram em fazer-se entender nos departamentos públicos quando chegaram a Macau. À sua volta há uma verdadeira babel. No emprego trabalha com o português e com o cantonês; em casa fala em mandarim com o marido malaio; enquanto com o sogro, por exemplo, a conversa decorre em inglês. Nos tempos livres, gosta de ler: em casa mais em chinês, no serviço mais em português. “Tenho que dominar as duas línguas e também de ler muito para conseguir traduzir bem”, realça Pamela Ieong, fã da escrita de Mia Couto. Deixar um dia a terra-natal é uma possibilidade em cima da mesa. “Queria ir para fora, mas acho que Macau é um sítio onde posso ter um bom começo. Dentro de alguns anos, se conseguir alguma oportunidade em Portugal ou no Brasil, por exemplo, talvez arrisque”, confessa. “Se calhar mais Portugal, porque conheço”, reconhece a intérprete-tradutora que, em 2014, esteve durante três meses no Porto, onde fez serviço de voluntariado, enquanto acompanhava a irmã que, curiosamente, também foi atrás da língua portuguesa. “Foi escolha dela, não a forcei. Ela fez-me perguntas antes de decidir que curso tirar, não decidi por ela. Mas ela quer ser professora”. Diana do Mar
info@hojemacau.com.mo
A única maneira de nos livrarmos da tentação é ceder-lhe. Oscar Wilde
sexta-feira 9.3.2018
PALAVRA DO DIA
DSAT METRO LIGEIRO PODE COBRIR 30 POR CENTO DOS PASSAGEIROS DE AUTOCARROS
L
AM Hin San, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), esteve ontem reunido com 30 representantes de duas associações de jovens: a Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau e a Associação Geral de Estudantes Ching Wa de Macau. Em relação ao futuro papel dos autocarros aquando da entrada em funcionamento do segmento da Taipa do metro ligeiro, o director da DSAT explicou que os autocarros serão ajustados.
“Segundo uma estimativa preliminar, o metro ligeiro poderá compartilhar 30 por cento do volume de passageiros de autocarros das novas zonas urbanas, enquanto que os bairros antigos continuam a depender dos autocarros”, aponta um comunicado. Além disso, os “representantes da Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau preocuparam-se com a falta de motoristas de autocarros e as dificuldades de atrair a adesão da juventude ao sector,
assim como os fundamentos em que se baseia a actualização das tarifas de autocarros e a forma de aplicação do erário público que teria sido poupado”. Ainda sobre as tarifas, também a Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau mencionou “a questão de benefícios de tarifas a aplicar aos estudantes do interior da China em Macau, propondo que o Governo os concretize com a maior brevidade possível”. Lam Hin San adiantou que a DSAT “incentiva
Reparos sobre o Tejo GOVERNO DIZ QUE INÍCIO DAS OBRAS NA PONTE 25 DE ABRIL ESTÁ “EM BOM RITMO”
A
PUB
ministra da Presidência esclareceu ontem que “os mecanismos de decisão, aprovação e criação de concursos não são instantâneos”, considerando que “está em bom ritmo” o processo do início das obras na ponte 25 de Abril. Na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, Maria Manuel Leitão Marques foi questionada sobre a notícia avançada pela revista Visão sobre a existência de um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) a alertar para riscos graves de segurança na ponte 25 de Abril, em Lisboa, e o porquê do Governo só avançar agora com o lançamento do concurso. “Quero dizer-lhe, como deve saber, que os mecanismos de decisão e de aprovação e criação de concursos não são instantâneos. Creio que a decisão do Governo está adequada àquilo que são as informações técnicas que tem porque, evidentemente, quando é preciso reagir instantemente também temos mecanismos de urgência”, explicou. De acordo com a ministra da Presidência, “está
em bom ritmo o início das obras de recuperação da ponte 25 de Abril”. Interrogada sobre o facto de o LNEC ter entregado este relatório há um mês e o lançamento do concurso ter sido anunciado apenas na Quarta-feira, já depois do fecho da edição da referida revista, Maria Manuel Leitão Marques foi perentória: “é uma coincidência”.
Sobre as informações de que o Governo dispõe sobre o estado actual das condições de segurança da ponte 25 de Abril, Maria Manuel Leitão Marques remeteu para os esclarecimentos que disse já terem sido prestados pelo ministro do Planeamento e o seu gabinete uma vez que este tema não foi discutido em Conselho de Ministros.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu ontem que o Governo “fez o que devia ter feito” em relação à situação da Ponte 25 de Abril e desaconselhou alarmismos. “Não sejamos alarmistas. O que há é duas coisas: há um relatório que aponta para urgência em obras – não quer dizer que a ponte esteja a cair; e há o Governo que percebe
a urgência e que determina essas obras”, declarou o chefe de Estado aos jornalistas, no final de uma visita a uma fábrica do sector têxtil, em Alfragide. Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, “mais vale tarde do que nunca” e o facto de as obras se estenderem por dois anos indica “que não há um grau de urgência igual para todas as reparações”.
e atrai a adesão da juventude ao sector através da optimização do exame de condução e da aceleração do processo de marcação de datas para exames”. Quanto à actualização das tarifas e a aplicação do princípio “utilizador-pagador”, foi dito aos jovens para “reflectirem se Macau deve, ou não, transformar-se numa sociedade de bem-estar social”.
ANIMAIS CHINA ANUNCIA PARQUE DE PANDAS COM UM QUINTO DO TAMANHO DE PORTUGAL
A
China vai ter um parque para pandas no sudoeste do país, com dois milhões de hectares (20 mil quilómetros quadrados) - quase um quinto da dimensão de Portugal continental, anunciou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros. Situado na província de Sichuan, o projecto visa impulsionar a economia local, enquanto oferece àquela espécie em extinção um território onde pode procriar e diversificar o seu banco genético. O Banco da China prometeu financiar a criação do parque, designado Giant Panda National Park (Parque Nacional do Panda Gigante), com pelo menos 10 mil milhões de yuan. Zhang Weichao, um funcionário de Sichuan envolvido no planeamento do parque, disse ao jornal oficial China Daily que o projecto irá ajudar a reduzir a pobreza entre as 170.000 pessoas que vivem dentro do território abrangido. Os planos para a criação do parque, que deve estar pronto em 2023, foram iniciados no ano passado, pelo Comité Central do Partido Comunista Chinês e o Conselho de Estado, segundo o jornal. Estima-se que haja 1864 pandas a viver no meio selvagem. Outros 300 vivem em cativeiro.