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Hoje Macau 9 NOV 2017 #3931

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

QUINTA-FEIRA 9 DE NOVEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3931

ICIJ

PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

PARAÍSOS DE PAPEL

Casas da partida

SAÚDE

Relatório das maleitas PÁGINA 7

REMBRANDT

não é possível fazer estimativas sobre o número total de candidatos nem sobre a data de distribuição das fracções.

GRANDE PLANO

h

PÁGINA 7

AI FLORES DE VERDE PINO

MANUEL DA SILVA MENDES

Histórias de um homem livre EVENTOS

AMÉLIA VIEIRA

INTERVALO ANTÓNIO CABRITA

NOVO MACAU

Tempos maternos PÁGINA 4

HOJE MACAU

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

HABITAÇÃO PÚBLICA

Em menos de duas horas voaram mais de 1400 boletins de inscrição para o concurso de atribuição de fracções públicas. Para já,

OFFSHORES

PROJECTOS OPACOS PÁGINA 5


2 grande plano

9.11.2017 quinta-feira

Deng Jiagui

Li Xiaolin

Deng Jiagui, cunhado do presidente chinês Xi Jinping. Li Xiaolin, filha do ex-primeiro-ministro chinês Li Peng. Jasmine Li, jovem chinesa que fez a sua formação superior nos Estados Unidos e neta de Jia Qinglin, nome forte do Politburo do Partido Comunista Chinês até 2012. São estas as individualidades da China com empresas offshore, reveladas pelos Paradise Papers

H

Á dois anos o mundo ficava a saber as individualidades que detêm empresas offshore em paraísos fiscais, através da divulgação dos Panama Papers. Desta vez, uma nova investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas (ICIJ, na sigla inglesa) divulgou novos dados sobre offshores inseridos nos Paradise Papers. A origem dos documentos partiu de uma fuga de informação da Appleby, um escritório de advogados com sede nas Bermudas, e da Asiaciti, uma empresa que gere offshores e que está

sediada em Singapura. Há cerca de um ano que o ICIJ anda a investigar as inúmeras informações recebidas. O nome da rainha Isabel II de Inglaterra veio à tona, tal como o de outras figuras do panorama político mundial, mas a lista dos Paradise Papers contém três nomes de personalidades chinesas com ligações indirectas ao poder. O primeiro é o Deng Jiagui, cunhado do actual presidente chinês, Xi Jinping, e que está casado, desde 1996, com Qi Qiaoqiao, irmã mais velha de Xi e filha de Xi Zhongxun, “um dos heróis revolucionários da

PARADISE PAPERS

OFFSHORES NA CARTOLA China e um antigo dirigente de topo”. O ICIJ revela que Deng Jiagui “fez fortuna com o desenvolvimento do mercado imobiliário” e não é de agora que os milhões da sua conta bancária são notícia. “Uma reportagem de investigação feita pela agência Bloomberg em 2012 revelou que Deng Jiagui e a sua mulher detinham centenas de milhões de dólares investidos em imobiliário, acções de empresas e outro tipo de investimentos.” Foi em 2004 que o cunhado de Xi Jinping adquiriu a empresa Supreme Victory Enterprises Ltd, registada nas

CUNHADO DE XI JINPING ENVOLVIDO NO ESCÂNDALO

Ilhas Virgens Britânicas. Deng Jiagui era o único director e accionista de uma empresa cujo registo acabaria por ser cancelado em 2007. Contudo, a experiência de Deng Jiagui no mundo das offshores não se ficaria

Foi em 2004 que o cunhado de Xi Jinping adquiriu a empresa Supreme Victory Enterprises Ltd, registada nas Ilhas Virgens Britânicas

por aqui. Em Setembro de 2009, este empresário criou mais duas empresas, também nas Ilhas Virgens Britânicas, consideradas, segundo o ICIJ, “empresas na prateleira”, e que constavam no inventário dos escritórios da Mossack Fonseca, a firma de advogados de onde veio a documentação que deu origem aos Panama Papers. As duas empresas tinham como nome Best Effect Enterprises Ltd e Wealth Ming International Limited, mas Deng Jiagui não usou a sua assinatura para registar a Best Effect Enterprises Ltd. Ao invés disso, os advogados da Mossack Fonseca

ajudaram Deng Jiagui a obter uma peça “usada por empresários chineses para validar documentos ao invés de assinaturas”. “Não é claro para que eram usadas as duas empresas”, afirmam os jornalistas do ICIJ responsáveis pela investigação.

A FILHA DO PRIMEIRO-MINISTRO

É considerada na China a “rainha da energia”, por ser vice-presidente da empresa estatal China Power Investment Corporation. Fez, aliás, a sua formação em engenharia num dos estabelecimentos de ensino superior mais conceituados


grande plano 3

quinta-feira 9.11.2017

Tudo em ordem

Nomeados nos documentos rejeitam qualquer irregularidade

O

secretário do Comércio norte-americano e porta-vozes da rainha de Inglaterra e dos ministros brasileiros e russos defenderam a legalidade dos respectivos investimentos em offshores expostos nos Paradise Papers. A União Europeia considerou as revelações chocantes e exigiu “sanções dissuasivas”. Referido nos documentos, Wilbur Ross, o secretário do Comércio da administração de Donald Trump, considerou que não há “absolutamente nada de repreensível” no facto de deter 31% da Navigator Holdings, uma empresa de transporte marítimo que tem como um dos principais clientes a empresa russa de gás e produtos petroquímicos Sibur. Ora, entre os proprietários da Sibur estão Guennadi Timtchenko, próximo do Presidente russo, sancionado pelo Tesouro norte-americano após a anexação da Crimeia, e um genro de Vladimir Putin, segundo o diário The New York Times. “Não existem ligações ao nível dos conselhos de administração, nem ao nível dos accionistas, não tenho nada que ver com a negociação desse acordo” comercial entre a Navigator e a Sibur, defendeu-se Wilbur Ross na televisão pública britânica BBC. Sublinhou igualmente que o contrato tinha sido negociado antes de integrar o conselho de administração da Navigator e que a empresa Sibur, em si mesma, “não foi sancionada”. O governante norte-americano indicou, todavia, à Bloomberg TV que vai “provavelmente” ceder o resto das acções que detém na Navigator. “Eu estava prestes a vendê-las, de qualquer maneira, mas não por causa de tudo isto”, observou. Contactado pela agência noticiosa francesa AFP, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos disse considerar que o secretário respeita as normas do Governo. Um antigo responsável do gabinete de ética durante a presidência de George W. Bush, Richard W. Painter, sustentou contudo que o caso de Wilbur Ross poderá levantar questões éticas.

Jasmine Li

Fonseca “pareceu não ter a percepção de que Li Xiaolin era a filha do antigo primeiro-ministro chinês”. Charles-Andre Junod não fez grandes comentários ao ICIJ, mas frisou que “sempre respeitou a lei” neste processo. Li Xiaolin não respondeu às perguntas dos jornalistas.

A ESTUDANTE INVESTIDORA

Jasmine Li faz parte da geração de jovens chineses milionários que tiveram a oportunidade de estudar fora da China, mas ela fez mais do que isso. Quando ainda era estudante da Universidade de Stanford, na Califórnia, já investia no mundo das offshores. Jasmine Li é neta de Jia Qinglin, que deteve a quarta posição do Politburo do Partido Comunista Chinês até à sua saída, em 2012. O ICIJ recorda que a jovem começou a sua ascensão social “depois de ser fotografada num baile em Paris, em 2009, ao lado de jovens

“[O advogado] submeteu o passaporte [de Li Xiaolin] atribuído por Hong Kong e uma carta que fala dela como tendo o nome de ‘Xiaolin Liu-li’, para que a ligação a Li Peng fosse mais difícil de estabelecer.” ICIJ

amigas ligadas a meios políticos e de riqueza”. A carreira de Jasmine Li começou pelo mundo da arte, tendo começado a trabalhar como assistente do artista chinês Cai Guoqiang, sedeado em Nova Iorque. A jovem “trabalhou depois como uma espécie de relações públicas de uma galeria para a Artsy, um retalhista de arte online em Nova Iorque e Hong Kong”, aponta o ICIJ. Ainda no período em que era estudante universitária, Jasmine Li “tornou-se a única accionista da Harvest Sun Trading Limited, uma empresa registada nas Ilhas Virgens Britânicas em 2009”. A empresa transferiu um dólar para Jasmine Li através de Zhang Yuping, o fundador da distribuidora chinesa de joalharia de luxo Hengdeli Holdings Limited, em Dezembro de 2010. Jasmine Li era também a única accionista de uma outra empresa registada nas Ilhas Virgens Britânicas, intitulada Xin Sheng Investments. Os documentos divulgados nos Paradise Papers revelam que estas duas empresas offshore tinham ligações a duas outras consultoras com registo em Pequim. “Como Jasmine Li detinha estas duas consultoras através das entidades offshore, o seu nome não aparece publicamente nos documentos de registo, permitindo-lhe deter a propriedade secreta dessas empresas”, explica o ICIJ. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

O ESQUEMA DE ISABEL II

O ICIJ pôs igualmente a nu estratégias de “optimização fiscal” de outros altos dirigentes políticos. A rainha de Inglaterra, Isabel II, dispõe, assim, através do Ducado de Lancaster, propriedade privada da soberana e fonte de receitas, de uma dezena de milhões de libras esterlinas em fundações nas Ilhas Caimão e nas Bermudas, segundo a BBC e o jornal The Guardian. As verbas colocadas nesses paraísos fiscais estão investidas em numerosas emICIJ

do país e do mundo: a Universidade Tsinghua. Ela é Li Xiaoling, filha de Li Peng, primeiro-ministro chinês entre 1987 e 1998. Na política desempenha funções como delegada da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. O seu nome também consta nos Paradise Papers, por deter offshores que traçaram um estranho rumo entre o Estado do Lichestein, na Europa, e as Ilhas Virgens Britânicas. Segundo a investigação do ICIJ, Li Xiaoling e o seu marido, Liu Zhiyuan, criaram a “Fondation Silo”, uma fundação constituída no Lichenstein e que era a única accionista da empresa “Cofic Investments Ltd.”, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Esta acção “decorreu no período em que Li Peng era primeiro-ministro chinês”, apontam os jornalistas. Li Xiaolin tentou ocultar a sua ligação familiar ao primeiro-ministro chinês com a ajuda do seu advogado suíço, Charles-Andre Junod. Este disse aos advogados da Mossack Fonseca que “os fundos da Cofic Investments tinham origem nos lucros obtidos com a ajuda dada a outros clientes da sua firma para que estes exportassem maquinaria pesada da Europa para a China”. Além disso, Charles-Andre Junod “submeteu o passaporte [de Li Xiaolin] atribuído por Hong Kong e uma carta que fala dela como tendo o nome de ‘Xiaolin Liu-li’, para que a ligação a Li Peng fosse mais difícil de estabelecer”. O consórcio de jornalistas afirma que a Mossack

presas, entre as quais a Brighthouse, uma empresa de aluguer com opção de compra de móveis e material informático acusada de lucrar com a miséria alheia, ou ainda uma cadeia de lojas de bebidas alcoólicas actualmente em processo de falência. “Todos os nossos investimentos estão a ser alvo de uma auditoria completa e são legítimos”, disse à AFP uma porta-voz do Ducado de Lancaster. “Efectuamos um certo número de investimentos, alguns dos quais em fundações no estrangeiro”, disse a porta-voz, acrescentando que estes representam apenas 0,3% do valor total do Ducado. O líder da oposição britânica, o trabalhista Jeremy Corbyn, classificou, no entanto, a situação como “escandalosa” e exigiu que sejam “fortemente punidas” pessoas com fortuna pessoal ou multinacionais que lucram com as falhas do sistema para pagar o mínimo de impostos possível.

DO BRASIL AO CANADÁ

No Brasil, os ministros da Economia e da Agricultura, Henrique Meirelles e Blairo Maggi, negaram, por sua vez, qualquer irregularidade, depois de os seus nomes terem sido ligados a sociedades ‘offshore’ em paraísos fiscais. No Canadá, o multimilionário Stephen Bronfman, à frente da antiga empresa de vinhos e bebidas espirituosas Seagram, colocou, com o seu padrinho Leo Kolber, 60 milhões de dólares norte-americanos (52 milhões de euros) numa sociedade ‘offshore’ nas Ilhas Caimão, revelou o jornal Toronto Star. Este amigo de Justin Trudeau, responsável pela angariação de fundos para o Partido Liberal canadiano na campanha eleitoral de 2015, poderá tornar-se uma pedra no sapato do primeiro-ministro, eleito após prometer reduzir as desigualdades e promover a justiça fiscal. Os responsáveis políticos russos desvalorizaram também diversas fugas de informação dos ‘Paradise Papers’ sobre duas empresas públicas, a VTB, o segundo maior banco russo, sujeito a sanções dos Estados Unidos e que terá investido na rede social Twitter, e a Gazprom, a gigante petrolífera russa, que terá financiado indirectamente um veículo de investimento que tem acções da rede social Facebook. “[Estas fugas de informação tentam] inflamar os ânimos com formulações confusas”, acusou um responsável do Senado russo, Constantin Kosachev, citado pela agência oficial RIA Novosti.


4 política

9.11.2017 quinta-feira

Segundo os pró-democratas, o ideal seria uma licença de maternidade de 90 dias remunerados com direito a mais 30 dias, não remunerados, caso fosse necessário.

LEI LABORAL NOVO MACAU QUER MAIS TEMPO PARA MATERNIDADE E PATERNIDADE

Propostas muito aquém O último dia de consulta pública relativo à proposta de alteração da lei de relações laborais e do regime jurídico do trabalho a tempo parcial ficou marcado pelas sugestões da Associação Novo Macau. A entidade pró-democrata quer mais dias de licença de maternidade e de paternidade e igualdade de direitos proporcional para trabalhadores a tempo inteiro e a tempo parcial

A

cons ulta pública referente às propostas de alteração à lei das relações de trabalho e do regime de trabalho a tempo parcial teve ontem o seu último dia, assinalado com uma carta de sugestões por parte da Associação Novo Macau (ANM). A associação pró-democrata não está satisfeita com o documento que está a ser alvo de consulta e, de acordo com o Chan Lok Kei,

membro e porta-voz da conferência de imprensa de ontem, o aumento proposto para a licença de maternidade é ainda muito curto. O Governo ao dar o exemplo de Hong Kong para definir as alterações que prevêem acrescentar aos actuais 56 dias remunerados, mais 14 dias não remunerados para as mães, “está a utilizar uma legislação desactualizada”. Ainda segundo os pró-democratas, o ideal seria uma licença

de maternidade de 90 dias remunerados com direito a mais 30 dias, não remunerados, caso fosse necessário. Ainda no que respeita à maternidade, mas tendo em conta a gestação, a associação acha que a alteração do diploma das relações laborais deve ter em conta o descanso das futuras mães. Para o efeito, deve ser legislada a proibição do contacto com as gestantes pela entidade patronal entre o período

CARTAS DE CONDUÇÃO LEONG SUN IOK QUER DEBATE NA AL

O

deputado Leong Sun Iok entregou na Assembleia Legislativa (AL) uma proposta de debate sobre o reconhecimento mútuo de licença de condução entre Macau e o Interior da China, uma medida já apresentada pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT). Segundo um comunicado, o deputado entende que surgiram preocupações face a esta acção, uma vez que os

residentes estão preocupados com o possível agravamento da situação dos motoristas ilegais, o aumento da pressão no tráfego e o aumento de acidentes nas estradas. Apesar de, em Hong Kong, já existir este reconhecimento mútuo das cartas de condução, o número dois de Ella Lei na AL considera que, em Macau, a situação será diferente, por se tratarem de territórios também eles diferentes.

Leong Sun Iok lembrou os esforços feitos pelo Executivo para atenuar os problemas do trânsito, mas disse que é necessário divulgar mais dados estatísticos e análises que provem que Macau tem capacidade para aguentar um aumento do número de veículos em circulação. Assim, o deputado exige que os membros do Governo expliquem no hemiciclo as medidas complementares que serão adoptadas. V.N.

das dez da noite e as sete da manhã. “As mulheres grávidas precisam de descansar e não ter preocupações acrescidas, e por isso achamos que este aspecto deve integrar a lei para que seja realmente respeitado”, disse Chan Lok Kei.

PAI MAIS PRESENTE

Para os pais, as medidas também devem ser mais consistentes. Muito além dos três a cinco dias previstos no documento em consulta, a ANM

considera que, no mínimo e por lei, a licença de paternidade deveria ser de sete dias. Além desta semana integral, e caso houvesse vontade e necessidade, o futuro diploma deveria autorizar a que os pais, para poderem prestar um maior apoio ao bebé e à mãe, devem poder escolher ter mais sete dias sem trabalhar e sem remuneração. Esta última semana, teria um carácter opcional e poderia ter como opção trabalhar apenas meio-dia. “Seria uma forma de, tratando-se de dias não pagos, o pai poder não abdicar da remuneração total, ir trabalhar meio-dia, e ao mesmo tempo garantir uma presença mais próxima da “nova família” para poder dar o apoio necessário”., referiu Chan Lok Kei. A associação é ainda contra, à semelhança de outras entidades que se tem manifestado nos últimos dias, a possibilidade de transferência dos dias de feriado obrigatório para outros não obrigatórios.

DIREITOS E DEVERES IGUAIS

O regime jurídico do trabalho a tempo parcial também não é do agrado da Novo Macau. A associação considera que estes trabalhadores devem ter os mesmos direitos e deveres dos trabalhadores a tempo inteiro mas de forma proporcional ao regime que integram. A ideia, afirmou o membro da Novo Macau, é poder atrair mais gente para este regime de trabalho, mas com condições “dignas” de salário, férias e contribuições. “Há pessoas que por várias razões não podem passar o dia a trabalhar, mas que se estiverem protegidas por um regime a tempo parcial justo podem pensar nesta opção e desta forma estarem activas, ganharem dinheiro e contribuir para o desenvolvimento económico do território”, apontou. A conferência de imprensa contou ainda com a presença do deputado com ligações à Novo Macau, Sulu Sou e com o supervisor Andrew Cheong. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

FIC Chui Sai On reforça confiança no Conselho de Curadores O economista José Luís Sales Marques, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macau, António José de Freitas, o deputado Ip Sio Kai e o novo

accionista da Global Media e sobrinho de Edmund Ho, Kevin Ho, viram os seus mandatos como membros do Conselho de Curadores do Fundo das Indústrias Culturais renovados por mais dois anos. A decisão do Chefe do Executivo foi publicada ontem, em boletim oficial através de despacho, e tomada a 31 de Outubro. Também os mandatos dos membros António Chui Yuk Lam, Lok Po, Ho Sio Kam e Iong Weng Ian foram renovados. Por outro lado, Wu Tat Chong foi nomeado, pela primeira vez, membro do conselho.


política 5

quinta-feira 9.11.2017

PLANO DIRECTOR AGNES LAM DIZ QUE HÁ FALTA DE TRANSPARÊNCIA TIAGO ALCÂNTARA

Quero ver o futuro Os deputados Au Kam San e Ng Kuk Cheon pediram ontem a criação de uma comissão especializada na Assembleia Legislativa. A ideia é ter uma entidade capaz de convocar responsáveis do Governo para prestar declarações. No topo da lista de governantes a explicar os problemas na resposta à passagem do tufão Hato, está o Chefe do Executivo, Chui Sai On, seguido pelo secretário para os Transportes e Obras públicas, Raimundo do Rosário, a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan e o antigo e actual directores dos serviços de meteorologia. O pedido dos deputados surge após a aprovação por parte do hemiciclo dos debates apresentados por Sulu Sou e Ng Kuok Cheong que querem ver esclarecidas as responsabilidades dos estragos provocados pela passagem do Hato no território, em Agosto. No entanto, Ng Kuok Cheong e Au Kam San consideram que a melhor forma de avançar com o debate é com a realização de uma audição e a criação de uma comissão para o efeito.

SOFIA MARGARIDA MOTA

Hato Au Kam San e Ng Kuok Cheong querem comissão especializada

A deputada Agnes Lam promoveu ontem um debate sobre o plano director do território na Universidade de Macau onde falou da falta de transparência no processo. O também deputado Wu Chou Kit alerta para a necessidade de integração do sistema de transportes

OLHA A INTEGRAÇÃO

Táxis Boas chamadas para um bom serviço

O deputado Ho Ion Sang quer mais eficácia na comunicação com a rádio táxis. O pedido foi feito ao Governo pelo tribuno que dá como referência o feedback da população. De acordo com Ho Ion Sang, este serviço tem vindo a colmatar muitas das falhas do serviço de táxis normal. No entanto, diz, “ultimamente os residentes queixam-se das falhas frequentes nas chamadas que fazem para aceder ao serviço da rádio táxi”. Ho Ion Sang quer saber as causas destas falhas e apela ainda à divulgação oficial dos dados referentes ao serviço. O deputado quer saber ainda se, conforme divulgado pela concessionária do serviço rádio táxis, a adição de 50 veículos até Agosto foi cumprida e se neste momento já existem 100 carros em circulação.

não apenas os edifícios”, apontou Agnes Lam. Também Francisco Vizeu Pinheiro, arquitecto convidado para o painel, alertou para a necessidade da existência de um “plano director transparente”. “Deve ter zonas de consulta pública e ser do conhecimento público o quanto antes. Já aconteceu anteriormente haver zonas da cidade que estavam bem definidas, com planos parciais, como a zona do NAPE ou Praia Grande, e que depois viram os planos cancelados para se dar uma maior densidade de construção”, acrescentou. Wu Chou Kit, deputado nomeado e presidente da Associação de Engenheiros de Macau, falou sobre a importância de se estabelecer um sistema de transportes interligado com Hong Kong e o continente. “Sugiro ao Governo que promova o desenvolvimento de Macau ao nível do trânsito. Um outro aspecto fundamental é o nosso sistema de transportes públicos, como o metro ligeiro. É importante que haja uma ligação com cidades como Pequim ou Fujian. Macau deve ter um sistema de transporte ligado com a China e com a nova ponte”, disse ao HM.

D

OIS deputados à Assembleia Legislativa (AL) debateram ontem a futura concepção urbanística do território no Centro de Estudos sobre Macau na Universidade de Macau (UM). Agnes Lam, também directora do centro, organizou a iniciativa que contou com a presença de várias figuras do meio urbanístico. Ao HM, a deputada considerou que tem existido falta de transparência no processo, actualmente em fase de realização do concurso público. “Concordo [que há falta de transparência]. Temos o exemplo

“Concordo [que há falta de transparência]. Temos o exemplo do plano elaborado para a zona das Portas do Cerco, que nunca foi alvo de consulta.” AGNES LAM DEPUTADA E ACADÉMICA

do plano elaborado para a zona das Portas do Cerco, que nunca foi alvo de consulta. Foi gasto muito dinheiro, mas nunca foi apresentado ao público. Não te-

mos transparência suficiente e não sabemos o que o Governo está a fazer”, disse ao HM. Agnes Lam lembrou que o futuro plano director de Macau, elaborado no âmbito da lei de planeamento urbanístico, implementada em 2013, deve ter em conta a preparação do território para catástrofes naturais. “Devido à passagem do tufão Hato temos de pensar na melhor forma de planear a cidade. Temos de garantir o planeamento de todas as zonas do território. Há que assegurar a segurança e a qualidade de vida e perceber como podemos proteger o património cultural, e

Vizeu Pinheiro defendeu ainda que é importante olhar para o plano director de Macau com base em três vectores. “Um deles versa sobre as características de Macau a preservar, nomeadamente o património, o nível de vida num ambiente mediterrânico, e os desafios que Macau enfrenta, como a falta de transportes públicos.” Há também que olhar para os “possíveis cenários”. “Face à falta de terrenos de Macau, que hipótese é que temos para desenvolver? Temos os novos aterros em Coloane ou uma hipótese mais rápida, que seria estabelecer uma ligação com a Ilha da Montanha e construir aí zonas de habitação, em paralelo com o que foi feito com a Universidade de Macau. É possível, depende da vontade política”, frisou Vizeu Pinheiro. O arquitecto deixa o alerta para os cuidados que se devem ter com o “cancro” que não pára de crescer: a construção de habitação. “Não é um produto turístico que atraia pessoas. Tem de haver regras”, considerou. Francisco Vizeu Pinheiro disse ainda que não se pode elaborar um plano director sem pensar na integração regional. “Macau está a enquadrar-se na zona do delta do Rio das Pérolas e vamos ter mais comunicação com a nova ponte, que está quase pronta, e com Zhuhai. Macau não pode fazer um planeamento isolado, temos de estar mais integrados e este plano director tem de ser abrangente”, concluiu. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


6 sociedade

9.11.2017 quinta-feira

BNU Lucros atingem 564 milhões de patacas

Doação Dono da Galaxy dá 145 milhões a universidade

O Banco Nacional Ultramarino registou um lucro de 564,08 milhões de patacas durantes os primeiros novo meses do ano, o que representa um aumento de 16,9 por cento, em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o balancete, em 30 de Setembro, o BNU registou proveitos de 1,39 mil milhões de patacas e custos de 835,3 milhões de patacas. Nos primeiros nove meses do ano passado, o banco que faz parte do grupo Caixa Geral de Depósitos tinha obtido lucros de 482,36 milhões de patacas. Os lucros registados até ao momento pelo banco de Macau ultrapassam os resultados para todo o ano passado, que tinham sido de 560,5 milhões, na altura um aumento de 9,8 por cento face a 2015.

O proprietário da operadora Galaxy, Lui Chi Woo, fez uma doação de 120 milhões de yuan (145 milhões de patacas) à Faculdade de Ciências Naturais da Universidade de Pequim. Com este dinheiro, a instituição vai construir um Centro Nacional de Científica de Pesquisa e Ensino. Também o nome do edifício onde a faculdade está sedeada passa a ser alterado para Lui Che Woo. O protocolo da assinatura do acordo decorreu ontem, em Hong Kong, e o proprietário da operadora de jogo afirmou sentir-se “honrado” por poder ajudar na promoção do conhecimento das ciências naturais, através da Universidade de Pequim.

ESTUDO INQUÉRITO SOBRE A SAÚDE POUCO CONCLUSIVO E SEM GRAUS DE COMPARAÇÃO

Um relatório enfermo

Os Serviços de Saúde apresentaram o Inquérito sobre a Saúde com dados de 2016, dez anos depois ter sido feito um estudo semelhante. Porém, diferenças de metodologia e standards distintos de medição não permitem tecer muitas considerações

O

NTEM à tarde os Serviços de Saúde (SS) convocaram uma conferência de imprensa onde foram apresentados os resultados do Inquérito de Saúde de Macau referente a 2016, o primeiro estudo do género feito desde 2006. Porém, devido às diferenças de método e standards de aferição não foi possível, para vários indicadores, ter uma noção evolutiva dos problemas de saúde que afectam os cidadãos. Depois de uma conferência de imprensa, onde a língua portuguesa foi severamente massacrada, foi apresentada ao HM a possibilidade de voltar a falar directamente com o responsável do Centro de Prevenção e Controlo da Doença, Lam Chong. Aí foi-nos dito que “o relatório ainda está a ser melhorado, ainda não está traduzido, mas que a investigação está pronta”. De acordo com o chefe responsável pelo estudo, há margem para melhoria “alterando o conteúdo para que o público consiga compreender o relatório”. O responsável sob dependência dos Serviços de Saúde adjectivou a apresentação feita como “sumária” e com margem para melhorias quanto à substância. De acordo com Lam Chong, o relatório completo será tornado público entre Dezembro e Janeiro. Ainda assim, o responsável revelou que os resultados

são mais ou menos iguais aos indicadores de 2006. Isto depois de explicar que muitos dos indicadores tiveram metodologias diferentes. Por exemplo, nos números do tabagismo relativos ao ano passado foram avaliados cidadãos com idade superior a 18 anos, enquanto que em 2008, 2009 e 2011 avaliou-se o consumo de tabaco a partir dos 15 anos. Ou seja, duas medidas incomparáveis.

OS NÚMEROS

Um dos indicadores mais alarmantes prende-se com a falta de informação de doentes. Entre os portadores de hipertensão com idade inferior a 60 anos, menos de 70 por cento tinha consciência de estarem doentes. Aliás, o caso torna-se mais chocante se tivermos em conta que 10,9 por cento dos inquiridos assumiu nunca ter medido a tensão arterial. No ano passado, os residentes com mais de 18 anos que sofrem de hipertensão situou-se nos 25,5 por cento, uma ligeira melhoria em relação a 2006 quando a doença afligia 28,8 por cento. Em relação aos diabetes, 32 por cento dos doentes inquiridos não estavam conscientes da sua doença. De acordo com os dados revelados pelo inquérito, a taxa de incidência da diabetes situava-se nos 7,1 por cento no ano passado. Um aparente decréscimo em relação a 2006,

De acordo com Lam Chong, há margem para melhoria, “alterando o conteúdo para que o público consiga compreender o relatório”

quando se situava nos 5,3 por cento. Mas, também aqui, Lam Chong “tem algumas dúvidas se os standards de medição foram os mesmos”, daí não ter sido apresentada comparação. Quanto ao consumo de tabaco, os dados do inquérito dos SS revelam que 16,6 dos inquiridos fumavam. Um número melhor em relação ao verificado em 2006, quanto a taxa de tabagismo se situava nos 18,36

por cento, de acordo com os dados fornecidos por Lam Chong. O responsável pelo estudo explicou esta diminuição com o facto de este ser um fenómeno que “se pode controlar com vários tipos de políticas.

CONSUMOS PERIGOSOS

No capítulo do consumo de álcool, o estudo mostra que os maiores de idade que beberam pelo menos três

vezes por semana no ano passado eram 6,6 por cento. Em 2016, 7,5 por cento dos inquiridos beberam todos os dias mais de cinco doses de álcool, uma subida comparativamente com 4,7 pontos percentuais registados em 2006. Em relação aos casos de hepatite B, Lam Chong assegura que a campanha de vacinação deu frutos, resultando no declínio das taxas de infecção, que no ano passado se situava nos 7,6 por cento. É de salientar que o programa de vacinação foi implementado em 1989. No que toca à hepatite C, o número de infectados situou-se, no ano de 2016, em 0,3 por cento. Não nos foram facultados números referentes a 2006 de forma a aferir da evolução das taxas de incidência da doença crónica no território ao longo da última década. No capítulo do excesso de peso, entre os inquiridos no ano transacto a taxa de sobrepeso situou-se nos 25,5 por cento, enquanto que a obesidade afectava 5,1 por cento da população. Resultados preocupantes, tendo em conta que em 2006 o sobrepeso se situava nos 22,4 por cento e a obesidade nos 3,9 por cento. Chan Tan Mui, uma das autores do estudo não tem meias palavras e afirma que “em Macau há um problema de obesidade”. Quanto à dislipidémia, uma doença provocada por níveis anómalos de lípidos no sangue, a taxa de incidência em 2016 situava-se nos 24,3 por cento. Quando questionado sobre a comparação com o estudo feito em 2006, Lam Chong disse que a percentagem se situava nos 44,7 por cento. Mais uma vez, um número “que não se pode comparar porque é muito diferente”. O responsável pelo Centro de Prevenção e Controlo da Doença explicou que teria de verificar de novo os standards usados há dez anos atrás. João Luz

info@hojemacau.com.mo


sociedade 7

quinta-feira 9.11.2017

HABITAÇÃO PÚBLICA MAIS DE 1.400 INSCRIÇÕES EM MENOS DE DUAS HORAS Pela primeira vez desde 2013, o Governo abriu ontem um concurso para a atribuição mais de um ano. Mas todos fracções de habitação pública. de 2013 terem sido resolvidos. de fracções sociais. demora os candidatos que cumprem os De acordo com Arnaldo Santos, Assim, entre as cerca de 6.100 requisitos vão poder arrendar uma o concurso público para a fase candidaturas entregues na altura, Na sede do IH, na social”, acrescentou. da construção deve começar no 3.800 foram admitidas, e, após Ilha Verde, por volta habitação Neste momento, o Governo próximo ano. as desistências, cerca de 2.500 tem disponíveis 1.346 fracções O responsável explicou ainda candidatos passaram a viver das 9h00 já havia de habitação social, algumas das que o Governo não fez estimati- numa habitação social. precisam de ser renovadas. vas sobre o número de candidafila para recolher os quais Além disso, estão actualmente tos, ficando à espera do fim do CONDIÇÕES DE ACESSO Durante o lançamento do concurso, boletins de inscrição em construção 1.278 habitações concurso.

Corrida às casas

O

primeiro concurso para a atribuição de habitação pública desde 2013 começou ontem e, às 10h30 da manhã, mais de 1.400 pessoas já tinham ido buscar os boletins de inscrição. Os interessados têm agora até 7 de Fevereiro para se deslocarem à sede do Instituto de Habitação Social, na Ilha Verde, e entregarem as candidaturas. Apesar do processo ter começado ontem, os responsáveis do IH ainda não conseguem fazer uma previsão sobre quando é que os candidatos escolhidos vão poder começar a receber as fracções. Um procedimento que vai depender do número de candidaturas, explicou Arnaldo Santos, presidente do IH. “Agora estamos a fazer o concurso e depois vamos analisar as candidaturas. Primeiramente vai ser elaborada uma lista provisória, que depois passará a definitiva. Só quando os candidatos forem organizados de acordo com a pontuação é que vamos começar a distribuir as fracções”, disse Arnaldo Santos. “A lista definitiva é o mais importante, mas este é um processo que leva o seu tempo, normalmente

A

Nam Yue vai pagar uma renda mensal de 24 mil patacas pelo arrendamento de uma sede com 500 m2, no Novo Mercado Abastecedor de Macau, na Ilha Verde. O proprietário do espaço é o Governo e o preço de 48 patacas por metro quadrado foi revelado ontem, com a publicação de parte do contrato no Boletim Oficial. A sede da empresa vai ficar no novo mercado abastecedor, que também vai ser explorado pela Nam Yue. Assim, do total de 15 pisos do edifício, a empresa com ligações ao Interior da

na Rua Central do Tói San e na segunda fase do projecto de Monga Há. Também o projecto na Avenida Venceslau Morais, onde está a estação da CEM, vai receber 1500

Esta é a primeira vez desde 2013 que o Executivo abre um procedimento para a atribuição pública. O concurso é lançado depois de todos os processos que estavam na lista de espera

no IH, o Chefe do Departamento de Habitação Pública, Chan Wa Keong, clarificou que os candidatos precisam de ter mais de 18 anos, serem portadores do bilhete de identidade de residente e habi-

tarem em Macau há pelo menos sete anos. Além disso, para que a candidatura seja bem sucedida, os pretendentes têm de cumprir os limites ao nível do património e dos rendimentos. No caso de famílias com três elementos, os rendimentos não podem ultrapassar as 23.430 patacas e o património não pode estar avaliado em mais de 506 100 patacas. Quando o agregado é de quatro pessoas, os rendimentos não podem ser superiores a 25 680 patacas e o limite patrimonial é de 554 700. Se o agregado for constituído por duas pessoas, os rendimentos estão limitados as 17 360 patacas e o limite patrimonial é de 375 mil patacas. Neste momento, está a ser discutida na Assembleia Legislativa uma nova lei para a atribuição de casas sociais. Arnaldo Santos explicou que a nova lei apenas vai afectar as assinaturas dos contratos, com condições mais exigentes. Os candidatos deste concurso terão igualmente prioridade face a futuras candidaturas.

DISTRIBUIÇÃO DE AFECTOS

Após a abertura do concurso, o presidente do IH, Arnaldo Santos, esteve na sede a acompanhar a distribuição dos boletins e o trabalho dos funcionários na clarificação das dúvidas. Arnaldo Santos não se coibiu mesmo de agarrar a mão a um dos residentes durante alguns minutos e explicar-lhe alguns dos procedimentos necessários: “Estava a esclarecer umas dúvidas sobre as candidaturas, as condições, coisas que os funcionários também vão explicar. O fundamental é que devem trazer todos os documentos para sabermos qual é a situação, os rendimentos, etc..”, disse, posteriormente, sobre esse momento. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

Esta é a primeira vez desde 2013 que o Executivo abre um procedimento para a atribuição pública. O concurso é lançado depois de todos os processos que estavam na lista de espera de 2013 terem sido resolvidos

Nam Yue com renda de 24 mil patacas Governo arrenda espaço de 500 m2 em mercado abastecedor

China vai ficar com a gestão de quatro pisos. Um dos andares será a sede e os outros três vão ser destinados ao mercado. Pelo espaço concedido para a exploração da actividade abastecedora, a Nam Yue vai pagar dois por cento sobre as facturas cobradas aos grossistas que forem abastecidos. Os outros andares, que não a sede da empresa, vão ser utilizados para abastecer os comerciantes grossistas com

produtos de origem vegetal e ovos. Esta é uma actividade que a Nam Yue desenvolve em regime de exclusividade. O contrato para a exploração do mercado abastecedor revelado ontem termina a 15 de Abril de 2022. A partir do momento em que o espaço puder entrar em funcionamento, a Nam Yue compromete-se a abandonar as instalações actuais que ocupa, localizada no Canal dos Patos e que tem uma área de 7.433 m2.

Com a assinatura do contrato a Nam Yue tem igualmente de pagar uma caução no valor de 500 mil patacas, para garantir que a empresa cumpre as obrigações assumidas. Esta será devolvida posteriormente.

860 MILHÕES EM AJUSTE DIRECTO

O restante edifício será ocupado com instalações do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais

(IACM). Os dois pisos subterrâneos vão ser utilizados para lugares de estacionamento. Já o espaço entre os pisos quatro e sete vai ser usado para vendas por

grosso e câmara de frio, e será explorado e mantido pelo IACM. Os restantes pisos, à excepção do sete, vão ser utilizados para as instalações do organismo liderado por José Tavares. O novo mercado abastecedor de Macau também foi construído pela Nam Yue, num trabalho com o custo de 860 milhões de patacas e que foi atribuído por ajuste directo. A obras fazem parte do reordenamento desta zona da cidade, que é conhecida como Parque Industrial Transfronteiriço Zhuhai-Macau.


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9.11.2017 quinta-feira

PALÁCIO DE MAFRA SALA DO TRONO ABRE AO PÚBLICO

MANUEL DA SILVA MENDES CLUBE MILITAR RECORDA LEGADO ARTÍSTICO

Histórias de coleccio Os 150 do nascimento de Manuel da Silva Mendes vão ser hoje recordados com uma palestra proferida por António Conceição Júnior no Clube Militar. Das inúmeras facetas do advogado e intelectual que viveu em Macau nas primeiras décadas do século XX, Conceição Júnior vai falar do seu legado artístico

GONÇALO LOBO PINHEIRO

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Palácio de Mafra abriu esta quarta-feira, aos visitantes, a Sala do Trono, concluídas as primeiras grandes obras de restauro, ao fim de 200 anos, que permitiram detectar por baixo da cor, os esboços dessa pintura mural. O restauro da pintura de Domingos Sequeira e Cirilo Volkmar Machado, que reveste as paredes e o tecto da sala, “permite estudar de maneira diferente estes pintores e fazer uma leitura dos elementos decorativos o que até agora era impossível, por estarem obscurecidos pela sujidade”, explicou o director do palácio, Mário Pereira, à agência Lusa. A Sala do Trono, usada para as cerimónias do ‘beija-mão’, sempre que a família real se encontrava em Mafra, reabriu ao público, depois de ter estado durante sete meses em obras. A inauguração oficial deverá ocorrer a 17 de Novembro, o ponto alto das comemorações dos 300 anos, após o lançamento da primeira pedra para a construção do monumento. Durante os trabalhos de restauro, os conservadores/restauradores conseguiram identificar por cima do estuque os esboços feitos por aqueles dois artistas para a própria pintura mural da sala. Domingos Sequeira e Cirilo Volkmar Machado seguiram “de um modo geral os esboços” e esses desenhos preparatórios “iam ao encontro da descrição” deixada por Cirilo Volkmar Machado, nos registos escritos sobre “a empreitada”, explicou Sofia Lopes, que coordenou o restauro. Além disso, sublinhou, “os esboços destes dois artistas eram até agora desconhecidos, o que é importante para perceber todo o trabalho que realizavam desde a concepção até à execução da obra e contribui para o estudo da sua obra”.

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EIXOU Vila Nova de Famalicão e chegou a Macau em 1901, tendo morrido no território já na década de 30 do século XX. Estudou Direito na Universidade de Coimbra, como era comum à época, e aqui foi advogado, intelectual, presidente do Leal Senado. Manuel da Silva Mendes nasceu há 150 anos e o seu contributo para o território será hoje recordado por António Conceição Júnior com uma palestra no Clube Militar. Das inúmeras facetas de Silva Mendes, o artista macaense optou por abordar o seu legado artístico. “Irei destacar a sua colecção de arte. Silva Mendes foi um intelectual multifacetado e, como tal, um personagem de grande interesse. Contudo, convivi mais de perto com o seu legado artístico e é dele que irei falar”, contou António Conceição Júnior ao HM.

Mais do que ser uma figura que interveio intelectualmente em Macau, Silva Mendes foi, aos olhos de Conceição Júnior, “um cidadão interventivo, no sentido de um homem verdadeiramente livre”. O coleccionador de arte conseguiu transpor para as páginas dos jornais da época a sua visão sobre os meios político e administrativo que vigoravam em Macau.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA UMA MENTIRA MIL VEZES REPETIDA • Manuel Jorge Marmelo

PRÉMIO CORRENTES D’ESCRITAS 2014 Para escapar ao anonimato de uma vida comum, à solidão da escrita e ao esquecimento dos futuros leitores, o narrador de “Uma Mentira Mil Vezes Repetida” inventou uma obra monumental, um autor - um judeu húngaro com uma vida aventurosa - e uma miríade de personagens e de histórias que narra entusiasticamente a quem ao pé dele se senta nos transportes públicos. Assim vai desfiando as andanças literárias de Marcos Sacatepequez e o seu singular destino, a desgraça do Homem-Zebra de Polvorosa, o caos postal de Granada, a maldição do marinheiro Albrecht e as memórias do velho Afonso Cão, amigo de Cassiano Consciência, advogado e proprietário do único exemplar conhecido de Cidade Conquistada, a obra-prima de Oscar Schidinski. Enquanto o autocarro se aproxima de Cedofeita, ou pára na rua do Bolhão, quem o escuta viaja do Belize a Budapeste, passando pelas Honduras, por estâncias alpinas, por Toulon ou por Lisboa. Mas se o nosso narrador não encontrou a glória - senão por breves momentos e na mente alheada de quem cumpre uma rotina - talvez tenha encontrado o amor. Ou será ele também inventado?

“Para compreender como funcionava a Administração portuguesa no início do século XX em Macau, julgo ser [importante] a sua contribuição em artigos de jornais e revistas, que revelam uma acutilância, lucidez e coragem pouco comuns.” Manuel da Silva Mendes dedicou-se também a estudar partes da cultura chinesa, tendo chegado a fazer amigos junto da comunidade

chinesa, como recordou António da Conceição Júnior. “Foi sobretudo um estudioso do Taoísmo e do Tao Te Qing, não descurando porém o Budismo. A sua importância enquanto cidadão que amou Macau foi a de ter cimentado diversas amizades com membros da comunidade chinesa, fazendo a ponte com o Outro, sendo nisto acompanhado

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A TERCEIRA MISÉRIA • Hélia Correia

PRÉMIO LITERÁRIO CORRENTES D’ESCRITAS/CASINO DA PÓVOA Poetisa e dramaturga, foi enquanto ficcionista que Hélia Correia se revelou como um dos nomes mais importantes e originais surgidos durante a década de oitenta, ao publicar, em 1981, “O Separar das Águas”. É também autora de obras infanto-juvenis, com a colecção “Mopsos, O Pequeno Grego” e o recente volume “A Chegada de Twainy”, além das suas versões de Shakespeare. A sua escrita para teatro tem privilegiado os clássicos gregos. Na poesia, tem uma vasta colaboração em antologias e jornais e publicou obras como “A Pequena Morte/ Esse Eterno Canto” (em díptico com Jaime Rocha) e “Apodera-te de Mim”, e na Relógio D’Água edita ainda “A Terceira Miséria”.


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quinta-feira 9.11.2017

onador

chinesa. No entanto, infelizmente, o seu exemplo não vingou verdadeiramente.”

O “RESSURGIMENTO DO INTERESSE”

Esta palestra acontece tempos depois da publicação da primeira biografia de Manuel da Silva Mendes, da autoria do jornalista João Botas. Na visão de António Conceição Júnior, esta e outras manifestações têm “mobilizado estudiosos de Macau”.

“Julgo que através de jornais e revistas, bem como de conferências, tentou transmitir aos seus contemporâneos a riqueza da cultura chinesa. No entanto, infelizmente, o seu exemplo não vingou verdadeiramente.” ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR ORADOR

por muito poucos, entre os quais José Vicente Jorge.” O advogado português foi, portanto, uma das primeiras figuras a tentar estabelecer, pela via da cultura, uma ponte entre chineses e portugueses. “Julgo que através de jornais e revistas, bem como de conferências, tentou transmitir aos seus contemporâneos a riqueza da cultura

Além disso, “o anúncio de uma reedição da Nova Colectânea de Artigos de Manuel da Silva Mendes constitui [também] um indeclinável reconhecimento do interesse que constitui, no seu todo, o legado de Manuel da Silva Mendes. Deste modo, torna-se absolutamente impossível, a meu ver, eleger uma faceta em relação a outra”. No ano em que também se celebram os 150 anos do nascimento de Camilo Pessanha, António Conceição Júnior considera que começa a existir “um ressurgimento do interesse” pelas duas personalidades. “Há um ressurgimento do interesse pelos dois, mas mais ainda pelo esquecido Silva Mendes. É um nome certamente pouco lembrado, mas creio que com o encontro em S. Miguel de Seide [em Portugal], com os trabalhos do professor António Aresta e a recente publicação a biografia por João Botas, está-se a operar o resgate de Silva Mendes”, rematou António Conceição Júnior. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Indústrias criativas Casa do Mandarim com produtos à venda

A loja de presentes da Casa do Mandarim vai passar a ter disponíveis para venda produtos feitos por entidades culturais e criativas de Macau. Segundo um comunicado do Instituto Cultural, a escolha destas entidades foi feita através da “Base de Dados das Indústrias Culturais e Criativas de Macau” e tem como objectivo a expansão “dos espaços da venda dos produtos culturais e criativos no território, promovendo as criações locais”. As marcas e empresas interessadas em ter os seus produtos à venda na loja da Casa do Mandarim em 2018 podem fazer a sua inscrição até ao dia 17 deste mês.

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9.11.2017 quinta-feira

VISITA CRIANÇAS E GUARDA DE HONRA DÃO BOAS-VINDAS A TRUMP

Pompa e circunstância

ACORDOS ASSINADOS

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mpresas chinesas e norte-americanas assinaram acordos de negócios no valor de 9 mil milhões de dólares (7,7 mil milhões de euros), anunciaram os dois países, no arranque da visita do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim. Até ao momento, não foram avançados detalhes sobre os 19 acordos assinados ontem, durante uma cerimónia que contou com a presença do Secretário do Comércio norte-americano, Wilbur Ross.

THE ASSOCIATED PRESS

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P resident e dos Estados Unidos da América, Donald Trump, foi ontem recebido no aeroporto em Pequim com uma cerimónia que incluiu guarda de honra, banda de marcha e crianças a entoar bem-vindo. Chefes de Estado em visita a Pequim têm geralmente uma recepção discreta no aeroporto, reservando-se a pompa e circunstância para o Grande Palácio do Povo, no centro da capital chinesa. Ao sair do avião, o líder norte-americano e a sua mulher, Melania Trump, foram recebidos por dignitários chineses e dos EUA, guarda de honra, música marcial e crianças que agitaram as bandeiras dos dois países enquanto entoavam bem-vindo. As cerimónias de boas-vindas na China têm-se tornado cada vez mais elaboradas, desde a ascensão ao poder do Presidente chinês, Xi Jinping, cuja política

IMPORTAÇÕES SOBEM 15,9% E EXPORTAÇÕES 6,1% EM OUTUBRO

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A Cidade Proibida, normalmente repleta de turistas, ontem encontrava-se vazia para receber Trump

externa se tem revelado mais assertiva do que a dos seus antecessores. Mais tarde, Donald Trump e Xi Jinping tomaram chá juntos, acompanhados pelas suas mulheres. A Cidade Proibida, um antigo complexo imperial situado no coração de Pequim, está normalmente repleto de turistas, mas ontem encontrava-se vazio para receber Trump. Os líderes das duas maiores economias do planeta terão entre várias reuniões, centradas em questões comerciais e no programa nuclear da Coreia do Norte.

PRESSÕES HABITUAIS

Trump aterrou em Pequim horas após ter feito um discurso na Assembleia Nacional da Coreia do

Sul, onde voltou a pressionar a China a parar de apoiar a Coreia do Norte. Pequim é o principal aliado diplomático e parceiro comercial de Pyongyang. A visita ocorre também numa altura de crescente tensão entre Washington e Pequim em torno de questões como o acesso ao mercado e transferência de tecnologia.

Durante a sua campanha eleitoral, Trump acusou várias vezes a China de concorrência desleal. Antes de partir para a visita à Ásia em curso, o líder norte-americano afirmou que o défice norte-americano na balança comercial com Pequim - 347 mil milhões de dólares em 2016 - “é tão mau que dá vergonha”.

DONALD UM “ÓPTIMO MOMENTO”

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ontem que está a ter um “óptimo momento” na China, horas após ter aterrado em Pequim para a visita oficial de dois dias. O comentário de Trump aos jornalistas foi feito após o chefe de Estado e a mulher, Melania Trump, terem assistido a uma ‘performance’ com música e dança na Cidade Proibida, antigo complexo imperial situado no coração de Pequim, por jovens estudantes de ópera vestidos com trajes tradicionais chineses. Trump e Melania foram acompanhados pelo Presidente chinês, Xi Jinping, e a mulher, Peng Liyuan.

S importações chinesas aumentaram 15,9%, em Outubro, face ao mesmo mês de 2016, um crescimento superior ao das exportações, que aumentaram 6,1%, segundo dados oficiais ontem divulgados pelas alfandegas chinesas. As importações da China alcançaram, em Outubro, 994.000 milhões de yuan, enquanto as exportações se fixaram em 1,25 mil milhões de yuan. A China registou assim, no mês passado, um superavit comercial de 254.470 milhões de yuan, uma queda homóloga de 20,3%. No conjunto dos dez primeiros meses do ano, as exportações aumentaram 11,7%, enquanto as importações subiram 21,5%. Entre Janeiro e Outubro, a China exportou um total de 12,41 biliões de yuan e importou 10,11 biliões de yuan. Os dados deste mês estão ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas. Em Setembro, as exportações chinesas registaram uma subida homóloga de 9%, enquanto as importações cresceram 19,5%. “Pensamos que isto reflecte um ligeiro abrandamento do crescimento em outros mercados emergentes, em conjunto com uma procura interna mais débil, resultado de um gasto menor em infra-estruturas”, comentou num relatório o analista da consultora Capital Economics, Julian Evans-Pritchard.

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quinta-feira 9.11.2017

A boa exibição da equipa do território ficou comprometida pela pouca eficácia do jogo ofensivo e um penálti, por mão na área, que permitiu à equipa da casa colocar-se em vantagem

Pecados que saem caros Selecção de Macau de Sub-19 perde por 2-0 diante de Taiwan

o pé e o joelho. Como consequência, o avançado teve de sair e foi substituído por Carlos Choi. Foi o recém-entrado que, aos 23 minutos, poderia ter feito o encontro ter um rumo completamente diferente. Após um passe em profundidade, a partir do centro do terreno, de Iury Sousa, Carlos Choi desmarcou-se e surgiu isolado à frente do guarda-redes adversário. Com uma oportunidade de ouro, Choi rematou mas a bola embateu na barra, perdendo-se assim a melhor oportunidade.

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HEGOU ao fim a esperança da selecção de sub-19 se apurar para o Campeonato Asiático do escalão do próximo ano. Macau perdeu, ontem, por 2-0 com Taiwan e manchou uma exibição consistente, com erros que acabaram por ser decisivos. No Estádio Hsinchu, na Ilha Formosa, a equipa orientada por Iong Cho Ieng deixou Taiwan assumir o jogo e concentrou-se em defender bem durante os primeiros minutos. As intenções de Macau foram bem conseguidas, e a estratégia funcionou bem nos primeiros momentos, sem que o

DOS FALHANÇOS

adversário tivesse oportunidades claras de golo. Apesar de dois remates ao lado, aos 11 e 13 minutos, foi a selecção do território que teve a melhor oportunidade, quando o relógio indicava 23 minutos. Porém, antes, aos 14 minutos, Macau teve

a primeira grande contrariedade do encontro. O local Leung Chi Seng perdeu uma bola e tentou recuperá-la o mais depressa possível. No entanto, quando corria atrás de adversário, Leung colocou mal o pé esquerdo no relvado, torcendo

Após o desperdício, a selecção de Taiwan subiu de produção, e começou a ser muito mais perigosa, principalmente nos lances de canto. Logos aos 27 minutos, Fong Shao-Chi, após um canto, cabeceou por cima da baliza defendida por Vaselie Lei. No entanto, o momento decisivo chegou aos 43 minutos. Após mais um canto para a equipa de Taiwan, Jorge Vitorino tentou aliviar a bola junto à linha de fundo. Porém, o esférico acabou por acertar-lhe na mão e o árbitro sírio Masoud

Tufayelieh apontou prontamente para a marca de grande penalidade. Na marcação do castigo máximo, Tu Shao-Chieh rematou para a sua esquerda, com o guarda-redes a atirar-se para o lado contrário. Com 1-0, o jogo seguiu para intervalo. A perder por 1-0, Macau poderia ter empatado o encontro, aos 54 minutos. Carlos Choi fez um passe longo à procura do Ng Wa Keng, que cabeceou sozinho à frente da baliza. Contudo, o capitão de Macau fez a bola seguir por cima, falhando mais uma oportunidade muito clara. À semelhança da primeira parte, quem não marca, acaba por sofrer e Taiwan aproveitou para dilatar a vantagem, aos 77 minutos. Wang Chung-Yu rematou à entrada da área, entre três defesas de Macau, e a bola bateu à frente de Vaselie Lei, que apesar de ainda lhe ter tocado, não conseguiu defender. A equipa da casa ficou assim na frente por 2-0. Após três jogos, Macau chegou ao fim da fase de grupos de apuramento para oAsiático de sub-19 com duas derrotas e uma vitória, diante do Laos por 1-0. A primeira derrota tinha sido por 2-0, com o Vietname. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

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招標公告 Open Tender Notice “澳門國際機場工程項目監察及技術支援顧問服務 2018 (RFQ-242)” 之公開招標 “Supervision and Technical Support Service for Engineering Projects in Macau International Airport 2018 (RFQ-242)” 1. 招標實體: 澳門國際機場專營股份有限公司 Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 2. 招標方式: 公開招標 Tendering method: Open tendering 3. 目的: 選擇富有經驗的顧問團隊,對澳門國際機場2018年之工程項目進行監察及技術支 援顧問服務。 Objective: To seek for a fully experienced Consultant team to supervise and facilitate the projects in Macau International Airport for the year 2018. 4. 招標文件: 至截止投標日止,有意者可瀏覽CAM 官方網站 www.camacau.com 查閱招標 文件及相關資料。 有意參與投標人士應時常留意上述網站以獲取涉及招標文件並得 隨時公佈的最新附加資訊、說明或修改內容。 Release of tender documents: Tender Documents and other pertinent information are available on www.camacau.com until the deadline for submission of Bidders’ proposals. Please always check the website for additional information, clarification or modification of the Tender Documents that may be published from time to time. 5. 遞交投標書地點、截止日期及時間: 遞交投標書地點:澳門氹仔偉龍馬路機場專營公司辦公大樓四樓接待處 截止日期及時間:2017年11月29日中午12:00前 (澳門時間) 收件人必須註明為: 執行委員會主席 恕不接納規定日期及時間後所收到之投標書 Location and deadline for submission of Bidders’ proposals: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 12:00 noon on 29 November 2017 (Macau Time) The addressee of the proposal shall be Chairman of the Executive Committee. The proposals received after the stipulated date and time will not be accepted. 6. 澳門國際機場專營股份有限公司保留不表明因由而全部或部份拒絕任何投標書之權利。 CAM reserves the right to reject any proposals in full or in part without stating any reasons. -完-END-


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9.11.2017 quinta-feira

Depus a máscara, e tornei a pô-la. Assim é melhor. Assim sou a máscara. Amélia Vieira

Ai flores de verde pino

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, neste Outubro, oito séculos depois do rei amigo ter plantado o seu pinhal as chamas deste ano o devoraram. D. Dinis nasceu neste belo Outubro - dia 9 de 1261 - e não será certamente o presente que se recomende a ninguém na memória do tempo com naus a haver, mas, o certo é que tem havido no seu país longínquo a mais séria devastação que os seus cantares não visionaram nem a sua natureza gentil teria feito alguma vez ideia. O vasto manto de verde pinho com cheiro antigo e fresco onde me lembro das camarinhas e da leveza e do cheiro a iodo que vinha ali rente ao mar, esse manto que dir-se-ia eterno feito por Deus num recanto da Terra, pereceu. Não é um facto de somenos estar triste e refém da orla das suas sombras belas e frescas, não é um acontecimento qualquer este que me faz recuar cinquenta anos e de onde agora sou expulsa, mas sim, o primeiro trago na maçã que desencadeia a fúria e a expulsão de um recanto adorado que alguém criara para mim. - Creio que me o plantaram, sim - que me foi doado pelo amor de um rei e estes presentes que consideramos tão nossos rasgam o postigo por onde passam também as labaredas, a nossa saudade fica em pranto o nosso adeus é uma asa negra de cinza naquele escuro que na alma se perde e os olhos não querem contemplar. Arrancam-nos bocados, assim, como que tragados, subtraídos à substância do húmus que os pés de uma criança trouxera intacto para o resto da sua vida: Amor, a aldeia ao lado, está intacta - Amor que arde e não se vê - essa ficou de pé, lembrando a rota por onde depois de vistoriar a sua plantação correra amante e terno o rei para os braços de uma filha destas terras. A seiva dos seus cantares de Amigo estava ali também plantada e não raro escutávamos a sinfonia dos elementos com a sua voz de rei e de poeta. Cantares de Amigo. De um amigo rei. Esta imensa chaga não tem fim é uma desconsideração sistemática face à alma nacional feita por um mundo que resolveu carbonizar seres e sonhos, caminhos e canções e este instante é um assombro que nos fica gravado na carne ainda em brasa. Não voltarei a ver o mar de um ângulo todo exacto por onde deleitosamente se espreguiçavam pinheiros impedindo ventos, estancando areias, fazendo a fronteira entre o solo bom e o caminho agreste das marés. Não voltarei à sua orla tão suave onde fui aprendendo o doce significado de fronteira, que estar separado e próximo de alguma coisa é a melhor harmonia de se estar no eixo certo que é onde nos devemos manter. Não voltarei aos seus flancos naturais que sa-

REMBRANDT, JEREMIAS LAMENTA A DESTRUIÇÃO DE JERUSALEM

Na noite escreve um seu cantar de Amigo o plantador de naus a haver E ouve um silêncio múrmuro consigo: É o rumor dos pinhais que, como um trigo. De Império, ondulam sem se poder ver.

bem corrigir o excesso de zonas abertas que produzem a dogmática noção de espaço imenso, um espaço assim aberto e morto de pé é agora uma visão de Dante e embora seja belo tudo o que a sua imensa natureza produziu será também por a ter sido que nos indicou os caminhos por onde o mal se estende, o percurso é longa e estranhos os desígnios. Foi aos seus ramos e ao verde pinho que cantou o seu cantar de Amigo o gentil rei por isso eram árvores encantadas.

Esta imensa chaga não tem fim é uma desconsideração sistemática face à alma nacional feita por um mundo que resolveu carbonizar seres e sonhos

Fica-nos assim uma era de exclusão onde por horror e martírios sucessivos expulsámos as últimas fadas e os seres da floresta que eram garantes da memória, com eles se vão as nossas defesas e os nossas sombras- que um ser quando perde a sombra tem em si registada a morte.- Do que se canta já não vemos o Amigo, e as vozes, nenhuma nos indica as naus que outrora em sonhos partiram e navegaram ainda no sonâmbulo das chegadas, pois que de um jardim se faz um sonho que avança e se transforma até ser vela nau e nave, até ser tempo. Nestes dias a Barca da Morte veio buscar-nos e ainda navegámos com ela até à margem mais fina da sua ondulação como náufragos de uma viagem inventada. De súbito, estávamos em terra, em terra estranha, aquela por onde ela acorda o que até aí nunca viramos, tão inexperientemente como neófitos de olhos abertos, estamos na vida nova. E para trás não olhamos, pois que nos dizem as lendas que ao fazê-lo desapareceremos mesmo nesses reinos onde devemos saber guardar morada para os que vêm depois; há quem se perca e continue no limbo e

tão transfigurados, que nem dão por mim: meu criado e amante vem comigo saberás o que nunca imaginaste. Revejo o Outono que se adentra como um louco quente e logo abrupto, dos fogos do Inferno criaram-se céus laranjas noutras Estados e os furacões ameaçam-nos levar o chão. Em permanente instabilidade de condições desejamos ir recuperar o corpo dormente destas esferas que os martírios tornam lívidos e parecem cavalos as teclas que se soltam à medida que as rédeas de um grafismo de ideias assolam o coração que se gasta na jornada. Desejei dar-te outros Cantares querido rei, mas só estas coisas sou capaz de compor nestes amargos presentes que o nosso aniversário selou. Eu recebo-os como injúrias e não choro, já, tu estás no limbo das fontes e deves ter remado a tua Barca para outra estrela distante de tão sórdido planeta, terra, país e suas gentes. Mas valentes e guerreiros quero salvaguardar os Bombeiros Portugueses que em condições quase miseráveis enfrentam todos os Adamastores perante o olhar de uma gente sem brio, sem conhecimento, cúmplice de aturados anos de insensibilidade e descaso que arremessaram um país para um campo de treino do mais vil “jihadismo” da luta partidária em cima de cadáveres ainda tão “frescos”. - Segreda-me: os teus súbditos já eram assim? - Ou plantou o Diabo uma coisa indigna e colocou-os algures aqui? Há porém um homem que tem braços e os dá aos braços que se lhes estendem em pranto, que perto anda de um grau de iniciado e não deixa secar as terras os corações e a seiva de um finíssimo “verde pino” esse homem também poderia ter sido rei e sem dúvida que seria de ti um Amigo. E num cantar sonhado por homens assim, inventávamos um país e esquecíamos para sempre tal tormenta. Venceríamos a primeira morte, pois que só os que estão inscritos no Livro não morrerão. - E como nós meu bom rei, somos descendentes e filhos queridos dos avós, o Avô Afonso X, escrevera para ti e para nós este poema, porque a musa do rei era herança carnal.O que atravessou a serra e não quis servir a terra. O que arrecadou dinheiros e não trouxe cavaleiros Se só vem com os derradeiros, maldito seja! Quem cobrou grande soldada se tem fortuna ou mesada, maldito seja! Quem muita manha meteu no saco e pouco de seu, maldito seja!


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

quinta-feira 9.11.2017

Diários de próspero

António Cabrita

07/ 11/ 2017

Hoje, com a falta de tempo para me entregar ao “espírito do sério” faço um intervalo nas reflexões que andava a fazer para me entregar ao devaneio do instante e ao que o quotidiano me oferece, como, neste preciso momento, a visão daquela penca tão grande e adunca que ao beber a bica, antes que os lábios toquem o café, lhe fica o nariz pingue. “Tinha o rosto branco de cólera”, leio, e eis coisa que não temo encontrar nesta cidade de acácias vermelhas. Contudo, deparei, numa banca de rua, com um volume dos diários de Mircea Eliade, Fragments d’un Journal, 1970-72, e custou-me euro e meio. A chatice é que vou atrasar tudo, para me alimentar deste naco. E a 19 de Outubro de 72 deparo com uma entrada sobre Allan Watts. Antes de a transcrever, conto a morte deste senhor. Dava uma aula e no meio de uma digressão esfuziante que entusiasmou os alunos, anunciou, Quando terminar este raciocínio, vou-me sentar em lótus e vou morrer. A extensa maioria considerou o anúncio mais uma charada do mestre, até pela energia física que dimanava. E, em calando-se, Allan Watts pôs-se em posição de lótus e não mais se levantou. Narra agora Eliade: «Acabo de ler a autobiografia de Allan Watts. Lembro-me das primeiras conferências sobre o Zen que ele fez aqui, em Chicago. Achei-as simplesmente extraordinárias. No entanto, na época, em 1956, eu não tinha captado bem a sua “mensagem”. E como prova disso conto a nossa surpresa, minha e de Christinel, quando ele nos veio visitar uma manhã e, contrapondo ao café que lhe oferecíamos, Watts nos perguntou se nós não tínhamos antes vodka…» Este espiritualista heterodoxo, como Lao Tsé, gostava da sua pinga. São os que prefiro, os que prescindem do ascetismo e não iludem a embriaguez de ser humano. No mesmo livro, um apontamento sobre Gide e o seu diário, de 1946: «O mundo não será salvo, a poder sê-lo, senão pelos insubmissos. Sem eles, etc.» Hoje Gide teria necessidade de corrigir a coisa, substituindo insubmissos por insones. Só os insones não cabulariam na transformação de si porque a lâmina em que atravessam a vida não lhes deixa. Só nessa desesperada urgência dos insones antevejo uma pureza que não pode ser pervertida pelos meios. Telefona-me a minha mulher, Como vai a revisão, pergunta. Trabalhamos na revisão de um grosso livro do arquitecto José Forjaz. Aí se reúnem palestras, dadas em todo o mundo, conferências, textos de reflexão vária, dirigidas à academia (ele foi professor em vários países e director da Faculdade de Arquitectura em Moçambique) ou a outros públicos. Espantoso, neste tijolo de condensada sabedoria, é que raramente o Forjaz cita. Embora todo o saber aí esteja implícito e haja alusões, há um pudor em

Intervalo exibir o conhecimento. Atitude aliás comum aos livros de artistas. Creio que estas reflexões aparentemente mais ancoradas no empírico do que no confronto com o teórico (está lá, mas refractado) resultam do facto de que a arquitectura exige uma grande habilitação técnica e uma minúcia da ordem do fazer. Naquela as teorias são consecutivamente testadas – o que dá ao arquitecto uma visão holística. É o que acontece neste livro excelente, e gosto especialmente dos capítulos em que Forjaz relaciona a arquitectura com a medicina ou apela a uma contenção da “arquitectura espectáculo” em detrimento de um respeito para com a paisagem e o ambiente. Uma lição que talvez fosse pertinente levar a Macau. O Forjaz é o contrário de mim, que cito muito, e isso nem sempre é compreendido. O meu material afinal não é a pedra, o vidro, a coluna ou a abóbada,

mas os livros, o pensamento alheio que interpela o meu e o nutre. Tal como o sapateiro não pode deixar de citar o formão, a cola, o martelo, o prego, o x-acto, seria desonesto eu não citar os meus materiais, aqueles que me permitem a aceleração do pensamento. Através deles penso com, e empreendo no que acredito: que a cultura seja sobretudo um acto de relação, uma plataforma em que o vivido e o lido se imbricam e irmanam. Novo telefonema. É o Jonas. Dia catorze, a complementar a inauguração da exposição do ceramista Jonas Donato, Saudades da Lata, será lançado o livrinho que fizemos juntos, O blue da Majika (o nome popular para as violas de lata). Ele recriou quinze instrumentos musicais tradicionais e eu fiz um poema para cada um deles, tendo inventado uma Cosmologia em que no princípio era o Vento - o qual vendo como a desarmonia e a indiferença cresciam entre os homens inventou o

ritmo e os instrumentos musicais para os unir e lhes alimentar a empatia. E perderam os animais a fala porque rejeitaram a música. Segue o poema para o Pankwé: «DO QUE ME CONTOU UM RÉGULO EM TETE: O PANKWÉ// Até o pénis e a vulva terem caído do céu a minha mãe tapava / um buraco que ela tinha com caril de amendoim/ e o meu pai ia à caça cada vez mais intrigado/ com a forma das setas por não conhecer nada parecido/ no seu corpo que desse a vida/ enquanto o seu passo projectava no chão uma sombra.// E viviam tristes, de lágrimas e vitualhas insípidas porque se sentiam sós. // Então nesse dia choveram milhares de pénis e as vulvas. / Eram de barro mas amoleciam se manejados. /A minha mãe punha-se a cantar e ululava quando o pai se acercava./ O meu pai passou a ornamentar-se com plumas.// Louvado seja o Senhor que levou o mar aos búzios! // Aí a minha mãe criou o Pankwé. / As duas cordas são os grandes lábios/ a cabaça o útero/ - do que aí ressoa nasci eu! / Eu e mais um cento de cabritos. // E desde então o meu pai só faz o que gosta:/ sobe aos imbondeiros e abre cisternas.»


14 (f)utilidades TEMPO

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9.11.2017 quinta-feira

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POUSADA FRIDAY NIGHT JAZZ Pousada de Coloane | 19h15 TASTE OF PORTUGAL - WINE TASTING Pousada de Coloane | 18h30 às 20h00

Sábado

DEBATE “A IMPORTÂNCIA DE TODAS AS CRIANÇAS CRESCEREM EM FAMÍLIA” Fundação Rui Cunha | 12h00 às 16h00

O CARTOON STEPH

Domingo

REPRESENTAÇÕES DA MULHER - COLECÇÃO DO MUSEU DE ARTE DE MACAU NOS SÉCULOS XIX E XX MAM | Até 10/12 A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING MAM | Até 4/3/2018

Diariamente SALÃO DE OUTONO Casa Garden

C I N E M A

LOGAN LUCKY SALA 1

LOGAN LUCKY [B] Fime de: Steven Soderbergh Com: Daniel Craig, Channing Tatum, Adam Driver, Ridley Keough 14.15, 16.30, 21.30

Com: Yui Aragaki, Eita, Ryoko Hirosue, Koji Seto, Mei Nagano, Yu Aoi 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 SALA 3

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Sho Tsukikawa Com: Minami Hamabe, Takumi Kitamura, Shun Oguri 14.30, 16.45, 21.30

SALA 2

FLATLINERS [C]

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Junichi Ishikawa

Fime de: Niels Arden Oplev Com: Ellen Page, Diego Luna, Nina Dobrev, James Norton 19.30

MIX! [A]

UMA SÉRIE HOJE

Um rio de sorrisos desagua num no estuário de uma mesa redonda do Cais 22, onde vários afluentes de lulas, tofu, amêijoas e delícias várias são lavadas por uma maré viva de cerveja fresca. Tudo, tudo levado por uma vaga de copo alto deitado abaixo de uma assentada, com a repetição cronometrada de ondas que apenas deixam espuma nas taças de todos. No centro está a fraternal visita de alguém muito querido, que congrega sorrisos, boa gente e laços que ultrapassam o sangue. Chegam mais pratos e mais propostas de tudo abarcar, enquanto que da guitarra se soltam acordes livres, despreocupados. Trocamos beijos, reavivamos memórias e actualizamos tudo retornando à sincronia que sempre nos acompanhou. Mais gente se junta à mesa onde tudo vem desembocar, confluência num espaço que tem capacidade para tudo conter, onde cabe um sistema solar se for preciso. Uma circunferência que não se encerra, que nada circunscreve e que rasga frestas em direcção ao centro do cosmos. Todos de pé, gargantas em uníssono num brinde ao essencial, àquilo que realmente interessa, a todos nós, aos presentes e aos ausentes. Brindemos aos dias bonitos e às noites infinitas, aos olhos que brilham e que tudo iluminam. Tudo, tudo, para todos e para sempre. João Luz

“THE TRAFFICKERS” | NELUFAR HEDAYAT

O documentário “The Traffickers”, composto por oito episódios, cada um com assunto diferente, estreou em Novembro de 2016. A série televisiva, com origem no Reino Unido, conta com narrativas da jornalista Nelufar Hedayat que viajou por todo o mundo num trabalho de investigação aos lados obscuros das sociedades. Os episódios foram filmados em países como a China, Holanda ou África do Sul e abrangem assuntos que passam pelo tráfico humano, tráfico de drogas, a prostituição, a falsificação de produtos farmacêuticos ou a venda ilegal de órgãos. Vitor Ng

LET ME EAT YOUR PANCREAS [B]

Fime de: Taika Waititi Com: Chris Hemsworth, Cate Blanchett, Tom Hiddleston 19.00

THOR: RAGNAROK [B]

PROBLEMA 157

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 156

SUDOKU

DE

ESPECTÁCULO DO HUMORISTA EDUARDO MADEIRA Teatro D.Pedro V | 20h00

Cineteatro

1.21

TUDO A TODOS

Amanhã

EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 MAM

YUAN

PÊLO DO CÃO

PALESTRA “O LEGADO ARTÍSTICO DE SILVA MENDES”, POR ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR Clube Militar | 18h30

CINEMA | HIROKAZU KOREEDA - HEART AND BLOOD OF A CHILD Cinemateca Paixão | 14:30 - 16:00

0.24

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 15

quinta-feira 9.11.2017

bairro do oriente

LEOCARDO

LENIN FALANDO AOS GUARDAS VERMELHOS EM PETROGRADO

Um século

A

SSINALOU-SE na última terça-feira um século desde a Revolução Bolchevique, que após a queda do império russo e do fim da dinastia dos Romanov, deu início a mais de 60 anos de socialismo na Rússia, e um pouco por todo o mundo. Pode-se dizer portanto que no dia 7 o comunismo fez cem anos. Este é um tema sensível, que nunca pode ser analisado sem a devida contextualização no seu tempo, que foram os anos de mil e novecentos, a quem alguém chamou, e bem, “o século das ideologias”. Fazendo uma análise mais superficial, pode-se dizer que os ideais socialistas fracassaram nos países onde foram tentados, deixando um rasto de miséria e de morte. Só que, e sem querer desvalorizar esse facto, nada acontece por acaso. A Rússia pré-revolucionária não era o que se pode chamar um lugar recomendável; existia fome, desigualdade, injustiça, em suma, vivia-se num regime semi-feudalista. O mesmo se pode dizer da China, onde a República Popular foi fundada mais de

trinta anos depois, e destes dois exemplos, os maiores deles, podemos depreender que o comunismo não apareceu onde estava “tudo bem”, e os povos viviam em prosperidade até à implantação da utopia socialista. Não deu certo, é verdade, mas durante algum tempo deu-se voz aos oprimidos, e até se retirarou algo de positivo, quer em termos de direitos laborais, que na área do progresso científico. Nos tempos que vivemos sabemos o que falhou, onde se errou, e certamente que não ousaremos repetir. Mas será mesmo assim? Não foi apenas por culpa própria que o comunismo fracassou. Podemos dizer que não resultaria de qualquer jeito, mas para isso também contribuiram a força dos seus antípodas, o grande capital, o imperialismo, e é preciso não esquecer que tivemos pelo meio uma guerra

A lei do mais forte tem o seu lugar na teoria evolucionista, mas o Homem moderno tem o dever não só de apontar no sentido do progresso e da geração de riqueza, mas também a de cuidar dos mais fracos, dos mais pobres e dos desfavorecidos

que supostamente devia ter acabado com todas as guerras, e não foi isso que aconteceu. Assistimos cada vez mais a uma tendência para o extremismo, para a rejeição daquilo que nasceu das cinzas da agressão nazista: o Estado Social. A lei do mais forte tem o seu lugar na teoria evolucionista, mas o Homem moderno tem o dever não só de apontar no sentido do progresso e da geração de riqueza, mas também a de cuidar dos mais fracos, dos mais pobres e dos desfavorecidos. Não podemos ser todos iguais, é verdade, mas tentemos pelo menos não criar o fosso que permitiu que um projecto como foi o comunismo internacional medrar. Da próxima pode ser algo bem pior. PS: Mais um massacre nos Estados Unidos na última segunda-feira, quando um indivíduo armado entrou numa Igreja do Texas, disparando aleatoriamente, provocando 27 mortos e mais de 30 feridos. Não vou aqui desenvolver o que penso sobre a tal segunda emenda da constituição norte-americana, que contempla o direito a qualquer cidadão de ter porte de arma, e nem é necessário; num país onde só no ano passado aconteceram 3,85 mortes violentas relacionadas com armas em 100 mil habitantes, 30 vezes mais do que países como a Alemanha, Japão ou Reino Unido, o problema parece demasiado óbvio. Só não vê quem quer.


Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos. Antoine de Saint-Exupéry

PALAVRA DO DIA

DSEC PREÇOS DA HABITAÇÃO SEMPRE A SUBIR

Autocarros 18B entra em circulação amanhã

O novo autocarro, o 18B entra em circulação amanhã. A ideia com a criação da nova carreira que vai circular entre a Rua da Serenidade e a Barra é, de acordo com o comunicado oficial, “facilitar a deslocação dos cidadãos”. O novo trajecto tem como base a carreira 18 que percorre actualmente várias zonas residenciais e comerciais incluindo a Zona Norte, Rua do Campo, Praia Grande, Barra, Hospital Kiang Wu e a Avenida do Coronel Mesquita. O número de passageiros a utilizar a carreira 18, de Janeiro a Setembro, atingiu as 12 000 pessoas por dia. No entanto, dado o o trajecto incluir a passagem por ruas estreitas, o autocarro 18B será de médio porte.

Benfica Central do Olympiakos debaixo de olho

Pape Abou Cissè, central de 22 anos, do Olympiakos, está referenciado pelo Benfica, clube que procura soluções para o centro da defesa, a pensar na reabertura do mercado de transferências, em Janeiro do próximo ano. O internacional sub20 senegalês foi observado pelo departamento de prospeção dos encarnados, sempre muito atento ao campeonato grego. Afinal, foi ali que o Benfica descobriu (e depois contratou) Odisseas Vlachodimos, guarda-redes do Panathinaikos, rival do Olympiakos. Alto (tem 1,97 metros), rápido e com golo, Cissé é visto na Luz como um jogador promissor.

Grande Prémio Estradas fecham às três da manhã

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Durante os quatro dias do Grande Prémio de Macau as estradas utilizadas como parte do circuito da Guia vão começar a encerrar às três da manhã. A informação foi avançada ontem pela Comissão Organizadora do Grande Prémio, em conferência de imprensa, de acordo com o canal chinês da Rádio Macau. Os organizadores alertaram para um impacto “severo” no trânsito local e pedem às pessoas que optem por se deslocar caminhando com antecedência. Para as deslocações mais longas, os organizadores pedem aos residentes que utilizem os transportes públicos. Por outro lado, a comissão comprometeu-se a reabrir as estradas tão depressa quanto possível, no final do dia.

quinta-feira 9.11.2017

O

ILHA VERDE CONVENTO DA CASA DO RETIRO À ESPERA DE REPARAÇÕES

O juiz que decida

O

Convento Casa Retiro vai ser reparado conforme as indicações do Instituto Cultual, mas só depois de existir um plano consensual com o Governo acerca do planeamento daquela zona, e mais, depois de concluído o processo referente ao direito de administrar o local. A ideia foi deixada ontem em conferência de imprensa pelo representante da Companhia de Desenvolvimento Wui San, empresa que reclama a propriedade do terreno na Ilha Verde onde está o convento da Casa do Retiro. De acordo com Jack Fu, a empresa recebeu, no mês passado, “uma carta do Instituto Cultural (IC) que incluía o relatório da vistoria dos serviços das obras públicas e uma petição que apelava à responsabilização da Companhia de Desenvolvimento Wui San para que procedesse aos trabalhos de restauração, o mais cedo possível”. O IC, na referida missiva, aponta ainda que, nas obras a efectuar, a empresa deve ter em conta a manutenção do exterior da Casa Retiro de acordo com a concepção original. A Companhia de Desenvolvimento Wui San garante que irá cumprir com os requisitos pedidos, mas é necessário que

termine o processo judicial e ser definitivamente considerada a proprietária e administradora do local.

BICO-DE-OBRA

Para o representante, é altura de acabar com “as confusões perante a leitura de sentença”, dada pelo Tribunal de Última Instância no passado mês de Março, que anunciou que a Companhia de Desenvolvimento Wui San possui a propriedade da Colina da Ilha Verde. No entanto, no que respeita à administração da propriedade decorre ainda um processo de

A Companhia de Desenvolvimento Wui San garante que irá cumprir com os requisitos pedidos, mas é necessário que termine o processo judicial e ser definitivamente considerada a proprietária e administradora do local

recurso entre a empresa e o antigo administrador, cujo resultado ainda não se conhece. Jack Fu está confiante de que desta vez o administrador será obrigado a sair do terreno, visto já ser uma decisão de recurso. Para o representante da Wui San, o impasse criado pela luta pela propriedade da Colina tem tido consequências graves. “Além de colocar barreiras em propriedade privada, esta pessoa arrenda quartos a não residentes dentro do convento”, referiu. Jack Fu lamentou ainda que, devido ao processo de recurso ainda estar em curso e não existir decisão final, a empresa que representa nada pode fazer neste momento para evitar o que se está a passar. No que respeita aos veículos depositados no terreno, Jack Fu admite que a ideia é da companhia que representa. O objectivo, afirmou é o de “prevenir mais ocupações ilegais por parte de trabalhadores”. No entanto, é intenção da Wui San proceder à retirada destes veículos assim que exista um consenso com o Governo no que respeita ao planeamento da Colina. Vitor Ng (com Sofia Margarida Mota) info@hojemacau.com.mo

índice dos preços de habitação cresceu em média 14,7 por cento no território durante o terceiro trimestre do ano, face ao mesmo período do ano passado. Os dados foram revelados, ontem, pela Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC). A maior subida foi registada nas habitações da Península de Macau, onde os aumentos foram de 14,8 por cento em comparação com o terceiro trimestre do ano passado. Quando se compara o terceiro trimestre deste ano com o trimestre imediatamente anterior, a subida foi de 1,3 por cento. Em relação às Ilhas da Taipa e Coloane, os preços subiram de forma mais ligeira, ao ritmo de 14,4 por cento face ao mesmo trimestre do ano passado. Em comparação com o segundo trimestre deste ano, a subida dos preços das habitações foi de 1,1 por cento. A revelação dos dados mostra que o abrandamento no preço das habitações chegou ao fim nos primeiros três meses de 2015. A partir desse momento, os preço das habitações estiveram sempre a subir, mesmo em contraciclo com as receitas do jogo, que só a partir de Agosto de 2016 registaram números positivos. Ao nível da área útil das habitações, o maior aumento dos preços registou-se nas habitações com uma área de 75 m2 e 99,9 m2, em que o aumento anual foi de 20,8 por cento. A nível de crescimento trimestral, este segmento do mercado registou mesmo um aumento de 4,7 por cento, muito superior face aos restantes. O menor aumento, ao nível da comparação anual, foi nas habitações com mais de 100 m2 com o aumento a ser de 13,7 por cento.


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Hoje Macau 9 NOV 2017 #3931 by Jornal Hoje Macau - Issuu