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Hoje Macau 9 OUT 2017 #3910

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MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 9 DE OUTUBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3911

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

TIAGO ALCÂNTARA

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

hojemacau

EFEMÉRIDE

RELATÓRIO DOS EUA

LEONEL ALVES DEFENDE PRESENÇA DE DEPUTADOS DIRECTOS NA MESA DA AL

Advinha quem vem jantar? A Mesa da Assembleia, que tem um importante papel, entre outros, na distribuição dos deputados pelas comissões, tem sido constituída por deputados eleitos por via indirecta. Para que “tudo não fique na mesma”, Leonel Alves entende que nesta legislatura pelo menos um dos eleitos directamente deveria ter o lugar à mesa, que deverá ser ocupado por Chui Sai Cheong ou Vong Hin Fai.

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PÁGINA 5

Macau de armas na mão GRANDE PLANO BASQUIAT

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CHE SEMPRE!

Do comércio local h

VALÉRIO ROMÃO

LICENÇA DE MATERNIDADE

Nem para as mães são bons PÁGINA 7


2 grande plano

O mais recente relatório do Congresso norte-americano chama a atenção para os últimos casos de proibição de entrada em Macau de jornalistas e deputados de Hong Kong, sem ignorar a ausência de um calendário para a implementação do sufrágio universal. Sonny Lo e Leonel Alves alertam para as especificidades do território. Governo rejeita acusações

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ORNALISTAS que queriam cobrir o impacto causado pelo tufão Hato, deputados do Conselho Legislativo de Hong Kong do campo pró-democrata, que vinham passar férias ao último enclave português a oriente e que viram a sua entrada negada. Estes foram alguns casos de proibições na fronteira que aconteceram nos últimos meses e que são citados no último relatório do Congresso dos EUA, que fala nas ausências de definições na lei em vigor. “Durante este ano, o Governo de Macau continuou a negar a entrada

9.10.2017 segunda-feira

RELATÓRIO

CARIMBO

CONGRESSO DOS EUA CONTRA PROIBIÇÕES NA FRONTEIRA

VERMELHO

“Gostaria de questionar quando é que o governo norte-americano decide banir a venda de armas. Há uma ingerência nos assuntos internos de outro país. O que causa um grande espanto a nível mundial é a venda de armas a toda a gente, o que constitui um perigo. Penso que é uma ingerência. Porque é que os EUA se hão-de intrometer nos assuntos de outros países?”, questionou. O deputado, que assume essas funções até ao próximo dia 15 de Outubro, deixando depois a Assembleia Legislativa, recorda que Macau “tem a sua própria contextualidade e características do sistema político”. “Este tem de evoluir de forma gradual e harmoniosa e a imposição de valores norte-americanos, num território como Macau, pode trazer muitos problemas para a população.” Sobre as proibições na fronteira, Leonel Alves defende que deve existir “bom senso”. “Tratam-se de questões de segurança interna, não sabemos os estudos ou as informações que o Governo tem, barrando a entrada de determinadas pessoas. Em alguns casos haverá um exagero, uma vez que chegou-se a proibir a entrada de uma criança cujo nome tinha algumas parecenças com alguém suspeito. O bom senso tem de imperar.” Leonel Alves alerta ainda que, quanto à proibição de jornalistas e deputados, “não sabemos qual o relatório que as autoridades têm e qual o grau de perigosidade dessas pessoas”. “Mas para que tudo corra de uma forma satisfatória o bom senso deve imperar e devem ser implementadas medidas concretas”, frisou.

UMA QUESTÃO DE PERSPECTIVA

a alguns políticos do campo pró-democracia e activistas de Hong Kong. A lei de segurança interna permite às autoridades a recusa da entrada de não residentes ‘que sejam considerados inadmissíveis ou que possam constituir uma ameaça para a estabilidade da segurança interna’. Contudo, a lei não define essa inadmissibilidade ou o que é que pode constituir uma ameaça à segurança de Macau”, pode ler-se. O Executivo de Macau, contudo, já veio rejeitar estas acusações em comunicado oficial, afirmando repudiar “terminantemente o relatório”. O mesmo documento frisa

“A lei não define essa inadmissibilidade ou o que é que pode constituir uma ameaça à segurança de Macau”

Dois sistemas’ e a Lei Básica têm sido implementados em pleno, no território, e a RAEM desenvolveu-se e registou resultados notórios”, sublinhou, considerando que o relatório “tece comentários irresponsáveis”.

RELATÓRIO DO CONGRESSO DOS EUA

INTERFERÊNCIA INDESEJADA

também que o território pertence à China e “nenhum país estrangeiro tem o direito de ingerência nos seus assuntos internos”. “Desde o regresso de Macau à Pátria, o princípio de ‘Um país,

Ao HM, o deputado e advogado LeonelAlves também considera tratar-se de uma interferência nas questões internas de Macau. Em jeito de resposta, o último massacre ocorrido em Las Vegas, que vitimou cerca de meia centena de pessoas, surge-lhe imediatamente no discurso.

Sonny Lo, analista político baseado em Hong Kong, adiantou que, no que diz respeito às proibições na fronteira, tudo depende da visão de cada território. “Se olharmos para a perspectiva da aplicação da lei em Macau, essas pessoas foram proibidas de entrar por razões de segurança. Mas, da perspectiva estrangeira, e uma vez que a democracia se refere à ampla liberdade de movimento das pessoas de um lugar para o outro, então estas restrições de entrada em Macau são curiosas e intrigantes para a perspectiva dos norte-americanos.” Por outro lado, Bill Chou, activista e académico na área da ciência política, também baseado em Hong Kong, acredita que estas proibições à entrada de Macau “são, de certa forma, uma violação da liberdade dos jornalistas e de expressão”. “Sem os media de fora, muitas coisas nunca teriam uma cobertura”, concluiu.

ALGUMA MUDANÇA?

Scott Chiang, presidente da Associação Novo Macau, recorda


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SUFRÁGIO UNIVERSAL A PERMANENTE AUSÊNCIA DE UM CALENDÁRIO

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UTRO ponto abordado no relatório produzido pelo Congresso norte-americano prende-se com a ausência de eleições mais democráticas em Macau. É recomendado que os governos da China e de Macau “estabeleçam um calendário para a implementação do sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo e para os deputados da Assembleia Legislativa”. O mesmo documento lembra que, apesar da Lei Básica não determinar a realização de eleições pela via do sufrágio universal, “as suas provisões garantem a aplicação do Pacto Internacional sobra os Direitos Civis e Políticos em Macau e que garante que Macau ‘tem um elevado grau de autonomia’ em relação à China”. Os norte-americanos afirmam ainda que não observaram nenhum “progresso” em relação ao sistema político local. O relatório indicou que a revisão da lei eleitoral, em Dezembro de 2016, pela Assembleia Legislativa permite desqualificar candidatos ou deputados que não sejam leais a Macau. Os críticos da revisão questionaram a necessidade destas alterações e manifestaram a preocupação que a nova legislação ameace o direito a eleições livres e justas. Na visão de Sonny Lo, “é compreensível” que as autoridades norte-americanas tenham essa visão, uma vez que apoiam “as questões do sufrágio univer-

que algumas das recomendações produzidas por este relatório não são novidade. Uma análise negativa por parte dos norte-americanos ao sistema político local pode, no mínimo, levar as pessoas a reflectir e a agir, defendeu o activista. “O Governo, ligado a pessoas do campo pró-Pequim, mais uma vez criticou o relatório e afirmou que interfere com os assuntos internos do território. Penso que parte do que o relatório afirma é verdade e apreciamos que as pessoas fora de Macau tenham em consideração o que acontece aqui.” “Há um feedback negativo deste circulo internacional e questiono

O sistema político “tem de evoluir de forma gradual e harmoniosa e a imposição de valores norte-americanos, num território como Macau, pode trazer muitos problemas para a população”

se será ou não positivo. Penso que, de tempos a tempos, a existência de incentivos, criticismo ou opinião da comunidade internacional pode ajudar Macau a não ter a mesma posição.” Bill Chou não espera grandes efeitos práticos com a publicação deste relatório oficial. “Não vai existir uma verdadeira pressão internacional junto do Governo de Macau. No que diz respeito a pressões internacionais, a China surgirá sempre em primeiro lugar”, concluiu.

LEONEL ALVES ADVOGADO E DEPUTADO

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Andreia Sofia Silva

sal e de uma completa democratização de Macau”. Mas “Macau tem os seus constrangimentos estruturais e políticos devido ao facto da Lei Básica de Macau não determinar o sufrágio universal como um objectivo a atingir. [Esses constrangimentos advém] do facto das forças democráticas serem fracas, da pressão existente e da fraca vontade política de implementar um ritmo mais rápido nas reformas politicas”, defendeu ao HM.

A IMPORTÂNCIA DOS ÓRGÃOS MUNICIPAIS

Para Bill Chou, ex-académico da Universidade de Macau, actualmente a dar aulas na Universidade Chinesa de Hong Kong, uma maior participação da população poderia materializar-se através da implementação dos órgãos municipais sem poder político, algo que o Governo quer tornar uma realidade. “São desejáveis mais eleições directas e isso pode ser posto em prática através da criação dos órgãos municipais sem poder político. Tal poderia levar a mais opiniões públicas, que poderiam ser canalizadas para o processo de implementação de políticas.” Quanto ao sufrágio universal, “é verdade que há pouco progresso quanto à sua implementação”. “O Governo poderia aumentar os assentos na AL pela via directa, o que faria com que a AL não fosse apenas um conjunto de carimbos de borracha”, rematou.

HK DESQUALIFICAÇÕES E LIBERDADES

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OBRE Hong Kong, a comissão norte-americana denunciou a acção dos governos da antiga colónia britânica e da China para desqualificar os candidatos pró-democracia eleitos para o Conselho Legislativo (LegCo), em Setembro do ano passado, que alteraram o juramento durante a tomada de posse. Em Novembro, a comissão permanente do Congresso Nacional Popular chinês divulgou um parecer sobre a Lei Básica de Hong Kong, de acordo com o qual os juramentos que os deputados prestam ao serem

empossados são compromissos legais perante a China e a RAEHK, proibindo ao mesmo tempo a repetição de juramentos considerados inválidos pela Justiça. A decisão permitiu desqualificar seis deputados eleitos. Por outro lado, a comissão alertou que os jornalistas de Hong Kong manifestaram o receio de uma diminuição da liberdade de imprensa no território, devido a uma crescente autocensura e restrições governamentais aos jornalistas.


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GCS

DICJ GOVERNO QUER PROIBIR RIFAS COM FINS LUCRATIVOS

Vamos jogar à caridadezinha

O Executivo quer rever regime que impõe condicionamentos a actividades comerciais e de lazer. Na proposta permite-se apenas venda de rifas para fins de caridade, sendo que os sorteios no seio das empresas vão passar a ser regulados para estabelecimentos que realizem massagens “no corpo todo”. De acordo com a subdirectora da DSAJ, Carmen Maria Chung, a regra mantém-se para impedir ilegalidades. “Há certos estabelecimentos que aproveitam para fornecer outro tipo de serviços proibidos por lei. Para [as massagens em] partes [do corpo] que achamos que não têm tan-

ta possibilidade de [levar à] prestação de serviços proibidos propomos serem isentas de licença”, disse, esclarecendo que em causa estão serviços ilegais de natureza sexual.

MUDANÇAS NOS CIBERCAFÉS

A proposta do Governo prevê também que suba de 12 para 16 a idade mínima para entrada em cibercafés, mesmo que os menores se fa-

çam acompanhar pelos pais. Segundo Carmen Maria Chung, o objectivo é uniformizar as regras destes espaços com as dos centros com máquinas de videojogos, já que, desde a banalização da Internet, tanto em casa como nas escolas, os menores passaram a usar estes espaços para jogar e não para procurar informação na Internet. “Não queremos a frequência de juventude

TURISMO ALEXIS TAM LIDERA GRUPO INTERDEPARTAMENTAL

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secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, propôs, segundo o Jornal do Cidadão, ser o responsável máximo pelo grupo interdepartamental que vai executar o Plano Geral do Desenvolvimento da Indústria do Turismo de Macau. A ideia é que a sua participação possa

fomentar a participação de outros departamentos públicos no processo. No que diz respeito ao desenvolvimento do sector, Alexis Tam lembrou que está em causa a existência privilegiada da cultura chinesa no território, em ligação com outras culturas, pelo que é fundamental essa cooperação

entre departamentos, para que o novo plano possa ser implementado o mais depressa possível. Alexis Tam espera que os trabalhos de reparação do parque de estacionamento junto ao local onde se realiza o Grande Prémio de Macau possam ficar concluídos no prazo de um mês.

GCS

A

Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) divulgou, na passada sexta-feira, uma proposta de alteração ao Regime de Condicionamento Administrativo, que está desde sábado em consulta pública. O processo de recolha de opiniões decorre até ao dia 5 de Dezembro. A proposta em causa impõe condicionamentos a actividades comerciais e de lazer, que inclui a proibição da venda de rifas com fins lucrativos e prevê fiscais nos sorteios de empresas. Propõe-se a “proibição das actividades de venda de rifas com fins lucrativos, permitindo apenas a realização da venda de rifas com finalidade de caridade”. Segundo o chefe do departamento de produção legislativa dos Serviços de Assuntos de Justiça (DSAJ), Francisco Fong, esta actividade “tem natureza de jogo e por isso se prevê proibir”. Os sorteios de natureza comercial – muito comuns, principalmente em épocas festivas – passam a ser também mais regulados. Segundo a proposta, a instituição responsável pelo sorteio deve “designar um contabilista ou auditor de contas que não pertença a essa entidade” para supervisionar o sorteio. Os resultados devem ser enviados para a DICJ, que também pode decidir enviar “representantes para fiscalizar esta actividade”. Outra das novidades desta proposta é que os organizadores de actividades para fins de caridade devem “divulgar publicamente o montante dos fundos” angariados e como vão ser utilizados. No que toca às casas de massagens, deixa de ser necessário licença para serviços de massagem localizados, como nos pés, nos ombros, na cabeça e nos braços. No entanto, continua a ser necessário licença

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nestes estabelecimentos”, disse Francisco Fong. Nos centros com máquinas de videojogos passa a ser proibida a “disponibilização de jogos que envolvam apostas, pornografia ou demasiada violência”. A avaliação dos jogos será feita pelo Instituto Cultural, Serviços de Educação e Juventude e DICJ. As actividades em recintos ou instalações de diversão de acesso público passam a ter de ser sujeitas a licença. Actualmente, a lei discrimina uma série de actividades – como marchas de caridade, concertos, espectáculos de dança, etc. – que carecem de licença, mas o Governo optou agora por usar um “termo mais abrangente” de modo a todo o tipo de actividade estar incluída, por se considerar que podem “perturbar a ordem pública”. Os estabelecimentos de reparação de veículos motorizados são também afectados por esta alteração à lei, passando a ter de ter “salas de pintura por injecção” e “equipamentos para eliminar os materiais das tintas”.

A proposta do Governo prevê também que suba de 12 para 16 a idade mínima para entrada em cibercafés, mesmo que os menores se façam acompanhar pelos pais. As oficinas têm ainda de cumprir uma série de regras relativas à conservação de materiais perigosos, em particular inflamáveis, e não podem efectuar reparações fora dos estabelecimentos, “salvo reparações obrigatórias” para “permitir a continuação da circulação do veículo”. Segundo a imprensa chinesa, o deputado Si Ka Lon disse esperar que as vozes da sociedade sejam ouvidas neste processo, e que as autoridades responsáveis pelo processo de licenciamento trabalhem em conjunto, para encurtar o tempo de espera pela aprovação das licenças.


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SAÍDAS DE DEPUTADOS OBRIGAM A MUDANÇAS NA MESA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

A dança das cadeiras

Materiais de construção Mak Soi Kun exige calendário

Com o início da nova legislatura, a Mesa da AL, que define os deputados da comissões, vai ser sofrer alterações. Leonel Alves defende a abertura da Mesa da AL a deputados eleitos pela via directa GCS

O deputado Mak Soi Kun questionou o Governo, através de uma interpelação escrita, a ausência de um calendário para a implementação de um plano de recolha e tratamento dos materiais provenientes de obras. O deputado reeleito lembrou que, já em 2015, o Governo tinha anunciado o estabelecimento de uma cooperação com a província de Guangdong para o tratamento de resíduos da construção civil e automóveis abandonados. Até agora nenhuma novidade foi anunciada, lembrou Mak Soi Kun. Este lembrou ainda que, devido às políticas implementadas no interior da China, as empresas de reciclagem não podem exportar directamente o lixo produzido em Macau. A passagem do tufão Hato e o lixo causado pelos estragos veio trazer uma maior pressão neste sector, frisou o deputado.

CONSTITUIÇÃO CHINESA WANG YU QUER CURSO OBRIGATÓRIO NAS UNIVERSIDADES DE MACAU

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ANG Yu, professor do Instituto para o Estudo de Desenvolvimento Guangdong-Hong Kong-Macau, da Universidade Sun Yat Sen, situada de Cantão, defendeu, num seminário realizado em Macau, que as instituições de ensino superior locais devem ter cursos obrigatórios sobre a Constituição chinesa e a Lei Básica de Macau. Isto porque, segundo o Jornal do Cidadão, Wang Yu considera que os jovens sabem muito pouco sobre estes diplomas fundamentais, além de que a divulgação da Lei Básica está “numa fase inicial”.

Além do ensino superior, Wang Yu acredita que os estudantes do ensino primário e secundário devam ter também “uma visão” sobre estes dois diplomas. Estas medidas devem ser adoptadas porque, na visão de Wang Yu, alguns movimentos, como foi o caso do Occupy Central, o referendo em Macau e as prestações de juramento dos deputados de Hong Kong mostram que as duas regiões administrativas especiais não compreendem a Constituição chinesa. O seminário em questão foi organizado pela Rede de Convergência de Sabedoria de Macau.

SALÁRIO MÍNIMO LEI CHAN U DEFENDE NOVO GRUPO LIGADO À CONCERTAÇÃO SOCIAL

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EI Chan U, membro do Conselho Permanente de Concertação Social (CPCS) e recentemente eleito deputado pela via indirecta, defende, segundo o jornal Ou Mun, a criação de um grupo de acompanhamento da implementação do salário mínimo em Macau, sendo que tal grupo deve estar subordinado ao CPCS. Na visão de Lei Chan U, o salário mínimo deve ser implementado o mais depressa possível, uma vez que, em Hong Kong os valores já foram actualizados três vezes. Uma vez que resta pouco tempo para a implementação do salário

mínimo universal em 2019, uma promessa já feita pelo Executivo, o deputado eleito pela via indirecta alerta para a necessidade dos governantes agirem de forma activa, absorverem as experiências anteriores e tomar a região vizinha como referência. Lei Chan U espera, para já, que haja um ajustamento dos valores pagos aos empregados de limpeza e pessoal de segurança, as únicas profissões que, para já, estão abrangidas pelo salário mínimo. O deputado recém eleito lamenta a pouca divulgação de dados científicos sobre o assunto.

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ex-deputado Leonel Alves defende que a Mesa da Assembleia Legislativa devia ter na sua constituição, pela primeira vez desde 1999, deputados eleitos pela via directa. Segundo o advogado, esta alteração é essencial para que o órgão legislativo sofra uma verdadeira mudança. A Mesa da AL, que é constituída pelo presidente, vice-presidente, primeiro secretário e segundo secretário, assume especial importância pelo papel que desempenha na definição das comissões de trabalho. É da Mesa que parte a proposta para a distribuição dos deputados pelas comissões. Tradicionalmente, a AL aprova as sugestões da Mesa. “Mais importante é saber qual será a composição da Mesa da AL, porque a Mesa tem sido ocupada sempre, desde 1999, por deputados eleitos pela via do sufrágio indirecto”, afirmou Leonel Alves, ontem, ao HM. “Parece que há uma certa discriminação face aos deputados eleitos pela via do sufrágio directo. Aí [Mesa],

se não houver mudanças, parece-me que tudo fica na mesma”, considerou. Na Legislatura que vai começar a 16 de Outubro, não há dúvidas que a Mesa vai sofrer alterações. Mesmo que Ho Iat Seng, Chui Sai Cheong e Kou Hoi In se mantenham como presidente, primeiro secretário e segundo secretário, respectivamente, a saída do hemiciclo de Lam Heong Sang, vice-presidente, obriga a alterações. Neste cenário, os deputados eleitos pela via indirecta, Chui Sai Cheong, irmão de Chui Sai On, e Vong Hin Fai têm sido apontados como os principais candidatos ao lugar. Os membros da Mesa são votados pelos restantes deputados, através de voto secreto.

COMISSÕES COM MUDANÇAS

Por sua vez, José Pereira Coutinho revela que já começou a atribuição das

cadeiras nos bastidores, através de negociações entre os vários deputados. Manobras que depois se reflectem também na escolha dos presidentes das Comissões Permanentes. “Para mim, muda o disco e toca a mesma música. Vai ser tudo debatido nos bastidores, incluindo a presidência, vice-presidência e a Mesa. Está tudo cozinhado. É por isso que o Ng Kuok Cheong, que está na AL desde 1992, nunca assumiu uma presidência [de uma comissão]”, afirmou José Pereira Coutinho, ao HM. Com as saídas de Kwan Tsui Hang e Cheang Chi Keong do hemiciclo, duas das três comissões permanentes ficam sem presidente. Chan Chak Mo, na segunda comissão, é o único resistente. Contudo, Coutinho nega participar nestas movimentações: “É errado a presi-

“Parece que há uma certa discriminação face aos deputados eleitos pela via do sufrágio directo. Aí [Mesa], se não houver mudanças, parece-me que tudo fica na mesma” LEONEL ALVES ADVOGADO E DEPUTADO

dência [das comissões] ser liderada por negociações de bastidores”, defende. Em relação a estes cargos, Gabriel Tong, deputado que também deixa a AL, realçou a vantagem de ser uma pessoa com conhecimento dos procedimentos internos: “A experiência conta sempre muito quando se desempenham cargos importantes como estes”, disse, ontem, ao HM. Neste contexto, Ho Ion Sang, ligado aos Kaifong, e Mak Soi Kun, apoiado pelo comunidade de Jiangmen, surgem como possíveis hipóteses para presidir a comissões. Ho tem experiência como presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas e Mak como presidente da Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Finanças Públicas. Porém, Gabriel Tong recusou avançar com qualquer nome para os lugares, até porque, explicou, já não acompanha o assunto de perto, visto que está de saída da AL. João Santos Filipe (com ASS) joaof@hojemacau.com.mo


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TRABALHO MATERNIDADE E SUBSTITUIÇÃO DE FOLGAS SEM CONSENSO

Filhos de outras mães GCS

O aumento da licença de maternidade não é real e as medidas sobre a sobreposição de folgas e feriados não estão claras e não são suficientes. Eis as primeiras opiniões sobre a revisão da lei laboral

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Governo chama-lhe aumento do tempo da licença de maternidade mas, na prática, são mais 14 dias não remunerados para as mães que considerem necessitar desse tempo para ficar em casa após o parto. A medida está prevista na alteração da lei das relações de trabalho, que se encontra em fase de consulta pública e que ontem teve a sua primeira sessão. Aos 56 dias previstos para as trabalhadoras do sector privado são acrescentados, caso assim o desejem, mais 14, sendo que sem qualquer remuneração. “Quanto à licença de maternidade tivemos como exemplo os casos dos territórios vizinhos e queremos adicionar mais 14 dias para as mães trabalhadoras tendo em conta as suas necessidades”, sublinhou, ontem o responsável pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Wong Chi Hong. No continente, “as trabalhadoras têm direito a gozar 98 dias de licença de maternidade, dos quais 15 dias podem ser gozados antes do parto”, lê-se na comparação regional escrita no documento que apresenta a proposta de alteração da lei doas relações de trabalho. A mesma secção refere ainda que “a remuneração durante a licença de maternidade é paga sob a forma de subsídio de nascimento pelo Fundo de Segurança de Nas-

“Quanto à licença de maternidade tivemos como exemplo os casos dos territórios vizinhos e queremos adicionar mais 14 dias para as mães trabalhadoras tendo em conta as suas necessidades.” WONG CHI HONG DIRECTOR DA DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS PARA OS ASSUNTOS LABORAIS

cimento, cabendo ao empregador o pagamento desse seguro”.

PRIVADO VERSUS PÚBLICO

A diferença entre trabalhadores do sector privado e público continua a manter-se. A ideia foi salientada pela deputada Kwan Tsui Hang, que deixou clara a necessidade de igualar os dois sectores quando se fala em maternidade. Quanto à escolha entre três a cinco dias na licença de paternidade, prevista na alteração do regime, Kwan Tsui Hang considera que este é um parâmetro que deveria ser definido à partida. “Os cinco dias úteis remunerados de licença de paternidade deveriam estar definidos e não sujeitos a uma escolha, sendo que esta só vai trazer conflitos entre a entidade patronal e os funcionários”, justificou a deputada.

FERIADOS SEM CONSENSO

No que respeita às medidas que prevêem a resolução da ausência de compensações de feriados e agendamento de folgas, as opiniões não foram consensuais.

O sector do jogo estava representado por Cloee Chao , que concorreu às últimas eleições legislativas como representante dos trabalhadores dos casinos. Esta considerou que as propostas do Governo não são suficientes, uma vez que são as empresas que organizam o calendário dos seus funcionários. Para que possa resultar, Cloee Chao

defende que seria necessário que “a legislação previsse a obrigatoriedade das compensações no que respeita ao trabalho em dias de descanso e feriados”. Já Wong, da Aliança de Jogos, disse que, tratando-se de grandes empresas, a organização dos feriados e dos dias de descanso é feita pelos patrões e os trabalhadores

TEMPO PARCIAL UM REGIME SIMPLEX

O

s trabalhadores em part-time do território poderão vir a ter um regime regulador da sua situação laboral que não lhes garante qualquer direito. A medida pretende, de acordo o responsável pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), Wong Chi Hong, dar uma abrangência jurídica a quem trabalha até 72 horas por mês, por quatro semanas. “Estas pessoas não são consideradas como trabalhadores em tempo parcial, uma vez que não é uma obrigatoriedade”, referiu o director da DSAL. O objectivo do diploma é “encorajar o diálogo entre o patrão e o trabalhador”. O regime acaba por definir

o tempo que delimita o trabalho parcial, mas deixa os trabalhadores dependentes dos acordos feitos com a entidade patronal, sendo que também não prevê a realização de um contrato de trabalho. “O empregador e o trabalhador podem celebrar verbalmente um contrato de trabalho a tempo parcial, devendo porém existir um comprovativo escrito da criação da relação de trabalho”, lê-se na proposta. Ao mesmo tempo, não são previstos quaisquer direitos para os trabalhadores a tempo parcial, o que, na opinião de Kwan Tsui Hang, representa “uma defesa “de contratações precárias dos trabalhadores mais vulneráveis”.

nada têm a dizer sobre o assunto. Por outro lado, Wong lamenta ainda que em Macau, onde o trabalho por turnos é corrente, esta área não esteja incluída na proposta de alteração do regime. Kwan Tsui Hang voltou a intervir para salientar que os feriados obrigatórios não deveriam poder ser substituídos por feriados públicos. “Estamos numa cultura maioritariamente chinesa em que o Ano Novo é a oportunidade de muitas pessoas terem três dias seguidos sem trabalhar e podem não conseguir ter o mesmo tempo se substituírem estes dias por outros feriados não obrigatórios”, justificou. O Governo decidiu não fazer qualquer referência a faltas por motivo de falecimento nem a sanções a aplicar aquando do incumprimento da legislação. Para o director da DSAL, “ainda é cedo para definir estes parâmetros, sendo que, depois de existir uma proposta definida, os regimes sancionatórios também o serão”. Sofia Margarida Mota

sofiamota@hojemacau.com.mo


8 sociedade

A

UMENTAR as tarifas dos autocarros sem ouvir o que a população tem a dizer sobre o assunto é um erro político que deve ser corrigido o mais cedo possível. Quem o diz

AUTOCARROS ANGELA LEONG PEDE AO GOVERNO QUE RECONSIDERE AUMENTOS

Moedas da discórdia mais vulneráveis, onde se incluem os idosos. Angela Leong acrescenta ainda que essas pessoas necessitam de se deslocar de autocarro nas horas de ponta. O aumento pode fazer com que estas pessoas participem menos em actividades sociais, uma vez que andar de autocarro vai passar a ser mais caro.

SOFIA MARGARIDA MOTA

A deputada e empresária defende num comunicado que o Governo não auscultou a população quanto ao aumento das tarifas dos autocarros e que, por isso, deve reconsiderar a medida, sob pena de prejudicar a reputação das autoridades

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UNS MEROS TROCOS

é Angela Leong, deputada reeleita e directora-executiva da Sociedade de Jogos de Macau (SJM). Em comunicado, a empresária do sector do jogo defende que o Governo não analisou a questão dos au-

mentos das tarifas de forma científica, tal como também não fez uma consulta à população. A ideia de aumentar as tarifas foi adoptada “numa altura inadequada”. Angela Leong alerta ainda que, caso o Executivo PUB

公告 澳門街坊會聯合總會 開展流動緊急呼援服務 公開招標競投 1. 2. 3. 4. 5. 6.

招標實體:澳門街坊會聯合總會 招標方式:公開招標 實施地點:澳門”平安通”呼援服務中心 承攬標的:流動緊急呼援服務 交標地點、日期及時間: 地點:澳門白朗古將軍大馬路464號四樓,澳門街坊會聯合總會社區服務大 樓四樓接待處 截止日期及時間:2017年11月14日,下午18:00 招標簡介會地點、日期及時間: 地點:澳門白朗古將軍大馬路464號二樓,澳門街坊會聯合總會社區服務大 樓二樓205室 日期及時間:2017年10月20日,上午10:00 為了讓有意投標者更清晰投標內容,可於招標簡介會當天登記及預約2017年10月 23日下午解說會面。(每單位約有四十五分鐘至一小時解說會面時間。) 7. 開標地點、日期及時間: 地點:澳門白朗古將軍大馬路464號四樓,澳門街坊會聯合總會社區服務大 樓四樓會議室 日期及時間:2017年11月15日,上午09:00至下午 18:00 8. 發佈中標地點、日期及時間: 地點:澳門白朗古將軍大馬路464號四樓,澳門街坊會聯合總會社區服務大 樓四樓會議室 日期及時間:2017年11月23日,上午10:00 為了讓中標者或代表更清晰雙方未來簽署的合作協議內容,中標者或代表應出席 發佈中標前的會面。(會面日期及時間:2017年11月21日,上午10:00) 9. 取得招標文件的方法: 於澳門街坊會聯合總會網頁下載 http://www.ugamm.org.mo/CN/ 時效:由有關公告刊登日起至2017年11月14日,下午18:00 10. 評選方式: 由本會成立評選小組,該小組將綜合考慮方案的各項因素(詳情請參閱招標書) ,並不承諾最低價者中標。 11. 查詢及簡介會報名方式: 電話:2899 2222 電郵:pot@ugamm.org.mo 12. 聯絡人:潘嘉倫先生、林雪金女士 13. 附加說明文件: 公開招標日起至2017年11月14日,下午18:00截標日前,投標者應密切注意本會有 否附加的說明文件。 澳門街坊會聯合總會,見報即日生效。

continue a insistir na implementação de uma proposta que gera oposição por parte dos cidadãos, a reputação das autoridades vai ficar prejudicada. A deputada pede que a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) reveja a proposta que prevê aumentos para residentes e não residentes, ainda que estes deverão pagar mais, uma vez que o Governo que um serviço subsidiado não deve ter o mesmo valor para todos. Angela Leong considera que deve haver um maior consenso e mais dados científicos sobre o assunto.

E OS GRUPOS VULNERÁVEIS?

Angela Leong defende ainda que, ao anunciarem estes aumentos, os governantes não tiveram em atenção as dificuldades dos grupos

A directora-executiva da SJM disse ainda não estar satisfeita com as justificações apresentadas pelo Governo, uma vez que a poupança mensal de 15 milhões de patacas gerada com o aumento das tarifas não vai ter um grande peso nas despesas das concessionárias. Angela Leong considera que, não só os valores são ínfimos como a proposta acabou por gerar polémica na sociedade. Para Angela Leong, os novos valores não são aceitáveis, dado que não houve uma melhoria no serviço prestado. Uma vez que o novo terminal dos autocarros nas Portas do Cerco só vai ser inaugurado em 2019, a deputada defende que os cidadãos não acham conveniente apanhar um autocarro, e que os aumentos só vão piorar a situação. Vítor Ng (com A.S.S.)

victor.ng@hojemacau.com.mo

GRANDE BAÍA SEMINÁRIO NO WTC

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já esta quarta-feira que decorre, no edifício do World Trade Center, o “Seminário sobre a construção da Grande Baía de Guangdong - Hong Kong -Macau com o desenvolvimento de Macau”. Segundo um comunicado, esta iniciativa conta com organização do Gabinete de Estudo das Políticas do Governo, a associação Grand Thought Think Tank e a Associação Económica de Macau. Além disso, o departamento de Assuntos Económico do Gabinete de Ligação do Governo Central é a entidade colaboradora. O mesmo comunicado refere que o seminário “tem como objectivo aprofundar os conhecimentos da sociedade sobre a construção da Grande Baía, promover a participação de forma empenhada dos vários sectores da sociedade sobre como aproveitar as potencialidades singulares de Macau para articular com a construção da Grande Baía”. Existe “um conjunto de vantagens para Macau poder aproveitar as oportunidades de desenvolvimento nacional, promovendo-se, assim, a diversificação adequada da economia e a prossecução de um desenvolvimento sustentável”.

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COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS Aviso Torna-se público, de acordo com o n.º1 do ponto 6.º dos Regulamentos para a prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, elaborados nos termos do artigo 18.º do Estatuto dos Auditores de Contas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 71/99/M, de 1 de Novembro, do artigo 13.º do Estatuto dos Contabilistas, aprovado pelo DecretoLei n.º 72/99/M, de 1 de Novembro, e da alínea 3) do artigo 1.º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, aprovado pelo Despacho do Chefe do Executivo n.º 2/2005, de 17 de Janeiro, que se encontra afixada, na sobreloja da Direcção dos Serviços de Finanças, sito na Avenida da Praia Grande nos 575, 579 e 585, e colocado no respectivo “Web-site”, no local relativo à CRAC e para efeitos de consulta, a lista definitiva dos candidatos à prestação de provas para inscrição inicial ou revalidação de registo como Auditor de Contas, Contabilista Registado e Técnico de Contas no ano de 2017, elaborada e homologada por deliberação do Júri designado para o efeito. Mais se informa que a prestação de provas foi pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude reconhecida como um dos itens subsidiáveis no âmbito do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo”. Os candidatos poderão pois optar por liquidar as taxas devidas deduzindo o respectivo montante da sua conta do “Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo” (adverte-se, no entanto, para o facto de que apenas se aceitará o pagamento integral do valor em causa). Em caso de dúvidas, agradecemos que contacte a CRAC, durante as horas de expediente, através dos números de telefone 85995343 ou 85995342. Direcção dos Serviços de Finanças, aos 27 de Setembro de 2017 O Presidente da CRAC Iong Kong Leong


sociedade 9

segunda-feira 9.10.2017

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S receitas públicas subiram 16,1 por cento até Agosto, em termos anuais homólogos, em linha com o aumento da verba arrecadada com os impostos directos cobrados sobre a indústria do jogo, indicam dados oficiais. De acordo com dados provisórios disponíveis no portal da Direcção dos Serviços de Finanças, a Administração de Macau fechou os primeiros oito meses do ano com receitas totais de 73.735 milhões de patacas, valor que traduz uma execução de 81,1 por cento. Os impostos directos sobre o jogo foram de 60.557 milhões de patacas, reflectindo um aumento de 17,2 por cento relativamente ao mesmo período do ano passado e uma execução de 84,3,9 por cento face ao orçamento autorizado para 2017. A importância do jogo reflecte-se no peso que detém no orçamento: 82,1 por cento nas receitas totais, 82,3 por cento nas correntes e 94,6 por cento nas derivadas dos impostos directos. Já as despesas cifraram-se em 44.344 milhões de patacas nos primeiros oito meses do ano – menos 2,6 por cento em termos anuais homólogos –, estando cumpridas em 52 por cento. Nesta rubrica destacaram-se os gastos ao abrigo do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração (PIDDA) que alcançaram 7.504 milhões de patacas, traduzindo um aumento de 201,3 por cento e uma execução de 49,2 por cento. Entre receitas e despesas, a Administração de Macau acumulava até Agosto um saldo positivo de 29.391 milhões de patacas, um aumento de 63,5 por cento face ao apurado nos primeiros oito meses de 2016. A almofada financeira excede em muito o previsto para todo o ano (5.567 milhões de patacas), com a taxa de execução a corresponder já a 527,9 por cento do orçamentado. As receitas públicas, que voltaram a crescer em Janeiro após meses de quedas homólogas, acompanharam o desempenho da indústria de jogo. As receitas do jogo iniciaram em Junho de 2014 uma curva descendente, que terminou em Agosto do ano passado, após 26 meses consecutivos de quedas anuais homólogas. Setembro marcou então o 14.º mês consecutivo de subida das receitas dos casinos.

BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS ASSOCIAÇÃO PROMOVE ACÇÕES DE FORMAÇÃO

O sucesso da via limpa O combate ao crime de branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo tem tido resultados em Macau. A ideia foi reiterada pela coordenadora do Gabinete de Informação Financeira, Chu Un I, numa acção de formação promovida pela Associação de Especialistas contra a Lavagem de Capitais de Macau

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S sucessivas alterações legislativas e as respectivas avaliações integrais quanto aos riscos de branqueamento de capitais, que têm tido lugar nos últimos dez anos, são os indicadores de que o território está comprometido com o combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. A ideia foi deixada pela coordenadora do Gabinete de Informação Financeira (GIF), Chu Un I, na palestra organizada pela Associação de Especialistas contra a Lavagem de Capitais de Macau. Na acção de formação, que incidiu na avaliação mútua do Grupo Ásia-Pacífico contra o Branqueamento de Capitais (APG), Chu Un I salientou ainda o trabalho feito com as empresas ligadas ao jogo. Para a responsável, o GIF tem tido critérios rigorosos aquando das apreciações da qualificação das empresas que pretendem promover o jogo. “As autoridades procedem a medidas de apreciação dos promotores de jogo antes de criarem uma relação de trabalho com as companhias

GCS

FINANÇAS RECEITAS PÚBLICAS SUBIRAM 16,1 POR CENTO

“As autoridades procedem a medidas de apreciação dos promotores de jogo antes de criarem uma relação de trabalho com as companhias de concessão e subconcessão”

de concessão e subconcessão”, ilustrou. Já Lao Chak Kuong, presidente da Associação de Especialistas contra a Lavagem de Capitais de Macau, levou a cabo uma apresentação das acções contra lavagem de dinheiro realizadas nas empresas registadas fora do território e interessadas em abrir contas bancárias em Macau. Para Lao Chak Kuong, é fundamental o cumprimento dos “requisitos rigorosos de fiscalização”, sendo que cabe aos funcionários bancários ter um entendimento claro das intenções dos seus clientes. O objectivo, disse, é evitar que empresas ilícitas promovam o branqueamento de capitais no território. Tendo em conta o objectivo pedagógico da acção promovida pela associação, o responsável apresentou casos práticos de empresas suspeitas que pretendem abrir contas no território. Lao Chak Kuong garante ainda que a entidade vai continuar a recolher opiniões junto da população de forma a poder continuar a realizar periodicamente palestras e acções de formação que possam contribuir para o combate ao branqueamento de capitais. A próxima actividade já tem data marcada. Vai decorrer em Novembro e será em parceria com a Associação dos Especialistas Certificados em Prevenção à Lavagem de Dinheiro. Vitor Ng

CHU UN I COORDENADORA DO GABINETE DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA

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ATFPM ASSOCIAÇÃO PEDE MAIS FORMAÇÃO POLÍTICA A ALEXIS TAM

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OSÉ Pereira Coutinho, propõe ao Governo que desenvolva a formação dos mais novos no que respeita ao conhecimento da Lei Básica, política e de cidadania. A ideia foi dada directamente ao secretário para os assuntos sociais e cultura, Alexis Tam, quando da sua visita à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) por ocasião do

30º aniversário. A ideia, defendeu o responsável pela ATFPM, “é aumentar o sentido de pertença dos cidadãos e jovens a Macau, como imperativo contributo à sociedade”. Ainda relativamente aos mais jovens, Pereira Coutinho aproveitou a ocasião pedir ainda que a integração dos jogos electrónicos no desporto. O presidente

da ATFPM recordou a Alexis Tam que este é um sector que “já é considerado no continente, em Hong Kong, na zona Ásia e Oceânia e em Portugal”. De acordo com o comunicado da associação, o secretário para os assuntos sociais e cultura admitiu a “necessidade da recolha de mais opiniões de todos os sectores da sociedade sobre o

assunto para possível integração na área desportiva”. Já no que toca a saúde, Pereira Coutinho sublinhou o bom estado do sector no território. “Verificam-se melhoramentos nos tempos de espera das consultas de especialidade que serão ultrapassados com o funcionamento do novo complexo hospitalar das Ilhas”, afirmou.


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9.10.2017 segunda-feira

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Dante a preto e branco Trilogia fotográfica de Lu Nan no Museu Berardo

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inaugurada no próximo dia 10, no Museu Berardo, a exposição “Trilogia Fotografias [1989-2004] do fotógrafo chinês Lu Nan. A mostra conta com a curadoria de João Miguel Barros e traz a público parte do trabalho desenvolvido por Lu Nan durante um período de 15 anos. “A obra de Lu Nan é a projecção moderna (também já datada no tempo) de uma trilogia clássica simbolicamente representada na Divina Comédia de Dante Alighieri”, lê-se na apresentação oficial da exposição, sendo que “cada uma das suas partes são, igualmente, projecções exemplares do que pode ser, na Terra, o Inferno, o Purgatório e o Paraíso”. No entanto, e de acordo com o curador, não se trata de um retrato de uma fantasia. As imagens recolhidas durante mais de uma década são “de um realismo cortante, “por vezes doloroso, que impressiona”, refere João Miguel Barros. Tal como na trilogia dantesca, a mostra está dividida em três partes, correspondentes aos estágios da obra

poética: a vida dos hospitais de doenças mentais, as comunidades católicas nas zonas rurais e mais recônditas da China e a que levou Lu Nan a acompanhar a vida quotidiana do Tibete. De acordo com João Miguel Barros, “o inferno, o purgatório e o céu retratados no trabalho do fotógrafo de Pequim, “é a China de uma época talvez já diferente da actual, como bem poderia ser a realidade de muitos outros países e lugares por esse mundo fora”.

DO POVO ESQUECIDO ÀS QUATRO ESTAÇÕES

As condições de vida dos doentes psiquiátricos da China constituem a primeira parte da trilogia de Lu Nan. De 1989 a 1990, o fotógrafo contactou com 14 mil doentes mentais em 38 hospitais, espalhados por 10 províncias e grandes cidades do China. As imagens constituem “O Povo Esquecido” é que é apresentada “de forma verdadeira e poderosa, as condições de vida de um estrato social esquecido”, refere o curador. A viagem continua e encontra o purgatório “Na Estrada: a fé católica na China”.

As imagens forem recolhidas entre 1992 a 1996 em que o fotógrafo visitou mais de 100 igrejas, O objectivo foi o de capturar a a forma como o amor e a fé se concretizam na vida quotidiana dos crentes. “Mostra que a divindade interior está integrada na vida quotidiana e que, no fundo dos seus corações, é essa a verdadeira Igreja”, comenta João Miguel Barros. “Quatro estações: o dia-a-dia dos camponeses tibetanos”, terceira e última parte da trilogia, foi produzida de 1996 a 2004. Como o nome indica, o trabalho “acompanha de perto o ciclo das estações, desde a sementeira, na Primavera, à ceifa, no Outono, desde a espera pela colheita, no Verão, até à sobrevivência, durante os meses agrestes do Inverno”. Tal como as duas primeiras partes da trilogia, “Quatro estações” não se centra no que poderiam ser considerados os grandes acontecimentos da vida. É o quotidiano que interessa é a “vida quotidiana que proporciona uma forma básica de as pessoas aferirem o destino”. Sofia Margarida Mota

sofia.mota@hojemacau.com.mo

Teatro, exposições e a recriação de festas populares são algumas das actividades que juntam artistas lusófonos e chineses a partir de 19 de Outubro. A Festa da Lusofonia volta às Casas-Museu da Taipa e a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa de Macau vai espelhar-se pelo resto do território

GCS

LUSOFONIA TEATRO, MÚSICA E CULTURA ENTRE OS DIAS 19 A 22 DE


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segunda-feira 9.10.2017

DUPLICAR

DESTE MÊS

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Festival da Lusofonia de Macau regressa às Casas-Museu da Taipa, entre 19 e 22 de Outubro, para recriar o ambiente das festas populares portuguesas, com música, artesanato e gastronomia dos países de língua portuguesa. Este ano, a festa prolonga-se por quatro dias e volta a oferecer “uma mostra cultural de cada uma das comunidades lusófonas residentes em Macau, gastronomia típica, espectáculos de música e dança, e jogos”, indica o Instituto Cultural (IC), em comunicado. “O espaço estará decorado com iluminações e enfeites ao estilo das festas populares portuguesas”, explica o IC, lembrando que esta festa aconteceu pela primeira vez em 1998 e que inicialmente estava integrada nas comemorações do Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. “Ao longo dos anos, este evento de promoção da cultura dos países e regiões de língua portuguesa tornou-se uma das grandes festividades anuais do calendário cultural de Macau”, afirma o IC. Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Goa, Damão e Diu, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau vão ter expositores com artesanato e “petiscos e bebidas típicas” junto às Casas-Museu da Taipa.

FESTAS ARTICULADAS

O Festival da Lusofonia articula-se com a semana cultural da China e países lusófonos, que decorre entre 14 e 22 de Outubro. Para a 9.ª edição, a semana cultural recebe 150 artistas que participam também na Exposição de Produtos e Serviços de Língua Portuguesa (PLPEX) e na Feira Internacional de Macau (MIF). O cartaz deste ano inclui concertos no Largo do Senado, no coração de Macau, de grupos e artistas de Portugal (Diogo Piçarra), Cabo Verde

(Trio Hélio Batalha, Sílvia Medina e Ellah Barbosa), Angola (Yola Semedo), Timor-Leste (Solution Band), Goa, Damão e Diu (True Blue), Moçambique (Os Kassimbos), Brasil (Rastapé), Guiné-Bissau (Klim Mota), São Tomé e Príncipe (Haylton Dias) e China (Grupo de Música e Dança da Província de Guagxi). Estes artistas actuam também no Festival da Lusofonia. Além da música, a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa de Macau volta a ter uma mostra de teatro de países e territórios lusófonos pelo quarto ano consecutivo. A mostra integra quatro companhias de países lusófonos, incluindo Portugal, e uma de Macau. Assim, entre 14 e 19 de Outubro, o grupo local Hiu Kok Theatre marca presença com a peça “O cuco da noite escura”, o Grupo de Teatro Girassol (Moçambique) leva ao palco “Nkatikuloni (A PUB

“Ao longo dos anos, este evento de promoção da cultura dos países e regiões de língua portuguesa tornouse uma das grandes festividades anuais do calendário cultural de Macau” INSTITUTO CULTURAL EM COMUNICADO

outra)”, a companhia Nómada - Art & Public Space (Portugal) vai representar “Solange, uma conversa de cabeleireiro”, o grupo Nós Por Cá (São Tomé e Príncipe) leva à cena “Feitiçaria”, e a Arte Naroman (Timor-Leste) apresenta “Nahe Biti”. Esta semana cultural integra ainda uma vertente de exposições de arte contemporânea de artistas de Moçambique (Pekiwa, escultura), São

Tomé e Príncipe (Guilherme Vaz de Carvalho, pintura) e Macau (Filipe Dores, artes plásticas) e uma exposição de animação do artista plástico e cineasta brasileiro Alê Abreu relacionada com o seu filme “O Menino e o Mundo”, que também será exibido em Macau. As exposições vão decorrer entre 14 de Outubro e 12 de Novembro, no edifício do antigo tribunal, na Galeria de Exposições da Avenida da Praia, na Casa de Nostalgia da Avenida da Praia e na residência do cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong. A mostra de artesanato poderá ser vista na Feira do Carmo e a mostra de gastronomia “Sabores do Mundo” decorrerá num restaurante da Torre de Macau e também no espaço onde vai decorrer o Festival da Lusofonia. Este ano estão convidados ‘chefs’ de cozinha de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Goa, Damão e Diu e Macau.


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9.10.2017 segunda-feira

SANTA SÉ E PEQUIM DEVEM TER RELAÇÃO DE “TOLERÂNCIA”, DEFENDE JESUÍTA CHINÊS

Pela “recíproca tolerância”

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CTUALMENTE está em andamento o diálogo entre a Santa Sé e o governo chinês: os meus votos são de que a Santa Sé não desafie o governo com um ideal muito elevado ou irreal, o que nos forçaria a escolher entre a Igreja e o governo chinês”, afirmou ao Padre Antonio Spadaro o jesuíta chinês Joseph Shin, com 90 anos passados entre a China e Roma. O sacerdote, que vive actualmente em Xangai, revela os sentimentos dos católicos chineses e os problemas que a diplomacia deve enfrentar para manter um canal sempre aberto com Pequim, em vista da plena relação. Entre os temas de interesse, a leitura que Padre Shih faz dos acontecimentos envolvendo o Bispo Ma Daquin, auxiliar de Xangai ordenado em 2012 com o aval do Papa, e hoje acusado de “colaboracionista” por alguns católicos.

“Os valores fundamentais do socialismo sonhados pelo governo chinês não são incompatíveis com o Evangelho em que acreditamos” JOSEPH SHIN JESUÍTA

“Embora esteja actualmente em prisão domiciliar – diz Padre Shih - ele está a tentar aproximar-se do governo; faço votos de que a Santa Sé o apoie e o deixe tentar”. “Sou optimista”, diz ele ao ser interpelado sobre o momento actual vivido pela comunidade católica na China. “Antes de tudo – explica - porque acredito em Deus”.

Perguntado sobre que tipo de relação deveria existir entre Santa Sé e China, respondeu: “A de oposição? Seria um suicídio! O acordo? Tampouco, porque a Igreja perderia a sua identidade. Assim, a única relação possível é a da recíproca tolerância.Atolerância é diferente do acordo. No acordo se cede algo ao outro, até o ponto que o outro fique satisfeito.Atolerância não cede, nem exige que o outro ceda”. O convite ao otimismo da fé e à tolerância vai de encontro às afirmações feitas pelo Papa Francisco em diversas ocasiões sobre o diálogo, quer político como ecuménico e inter-religioso. Para o jesuíta chinês, “é preciso ir além dos preconceitos e das aparências. Se não nos obstinarmos nos nossos preconceitos e soubermos olhar para além das aparências, descobriremos que os valores fundamentais do socialismo sonhados pelo governo chinês não são incompatíveis com o Evangelho em que acreditamos”.

“Poder-se-ia perguntar então: mas se a Santa Sé não se opõe ao governo, este último tolerará a Igreja na China? Podemos somente dizer – recorda o religioso – que a Igreja Católica na China existe e funciona. Isto significa que de uma forma ou outra, a tolerância já é vivida e experimentada”. Como a Santa Sé e o governo chinês estão a dialogar - observa ainda Shin – “aqueles que se opõem, acentuando de modo exagerado e instrumental a diferença entre a ‘Igreja oficial’e a ‘Igreja clandestina’, explorando este aspecto sem escrúpulos para impedir o processo em andamento”, não ajudam de facto, “a vida e a missão da Igreja na China”. Desta forma Dom Ma Daqin, que nunca pode exercer o ministério episcopal pelas críticas feitas à Associação Patriótica em 2012 após a sua nomeação - e por isto está em prisão domiciliar desde então – “hoje que tenta uma aproximação com o governo, não trai suas convicções, nem se rende”.

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Medo da bolha

Taiwan pede a milhares de investidores que regressem à ilha

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AIPÉ pediu a centenas de milhares de investidores da ilha na China que considerassem regressar a Taiwan, uma vez que as relações económicas bilaterais dos dois lados do estreito são já “concorrentes mas de cooperação”. A fundação para as trocas no estreito [da Formosa], encarregada por Taipé de gerir as relações com a China, pediu na quinta-feira a empresas da ilha radicadas na China que devolvam os investimentos a Taiwan. Dezenas de milhares de empresas de Taiwan na China devem considerar regressar à ilha, onde podem encontrar terreno fértil para o desenvolvimento, dado o aumento dos custos na China, disse o presidente da fundação SEF, Tien Hung-mao, num encontro com empresários locais radicados no continente. Tien sublinhou que os investimentos na China

correm perigo devido a uma previsível bolha imobiliária relacionada com a dependência da China da dívida e das crescentes saídas de capital, que ameaçam também criar um problema financeiro. As empresas que já estão a enfrentar problemas, devido à mudança de estrutura económica na China, vão sofrer novos embates no futuro e para se protegerem o melhor é voltar a Taiwan”, acrescentou Tien,

de acordo com a agência noticiosa espanhola EFE. A China utiliza os empresários da ilha radicados no continente para pressionar Taipé, enquanto os dirigentes políticos de Taiwan procuram diminuir a dependência económica da China para manterem a autonomia em relação a Pequim. A fundação SEF é uma organização semi-oficial encarregada das relações com a China, na ausência de relações oficiais. Entretanto, Chang Hsiao-yueh, responsável pelo Conselho para os Assuntos da China continental, disse no seminário para empresários de Taiwan a investir na China que o governo da ilha está a trabalhar para resolver a falta de pessoal, terra, água e electricidade, bem como as questões fiscais, considerados obstáculos ao regresso à ilha de empresários a investir no continente.


desporto 13

segunda-feira 9.10.2017

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motociclista André Pires vai estar à partida do Grande Prémio de Macau e definiu como objectivo melhorar o 13.º lugar, conquistado na edição de 2013. Apesar das condições estarem longe de ser as ideais para poder ambicionar lutar pelos lugares da frente, o português admite estar mais bem preparado do que no ano passado, por correr com a moto que utilizou ao longo da época. “Estou confiante porque vou participar com a Kawasaki ZX10R com que estou a participar no Campeonato Nacional de Velocidade, em Portugal. Temos uma boa mota, que conheço, e com que me sinto muito bem, por isso acho que se as coisas correrem bem dá para fazer um bom lugar”, afirmou André Pires, ao HM. “Não gosto de apontar posições porque durante a prova pode acontecer muita coisa. Mas claro que o meu objectivo é ficar acima da minha melhor participação, que foi o 13.º lugar em 2013”, acrescentou. No entanto, a tarefa não se avizinha fácil. Não só porque a concorrência é muito forte mas também porque a preparação não foi melhor, depois de alguns problemas sentidos ao longo do ano.

PILOTO PORTUGUÊS CORRE PARA MELHORAR 13.º LUGAR

O regresso do guerreiro André Pires já prepara o regresso a Macau onde vai tripular a Kawasaki ZX10R, com que competiu ao longo da temporada. Apesar de uma preparação com limitações, o piloto ambiciona ficar classificado acima do 13.º lugar, o seu melhor registo no território

“A preparação não correu tão bem quanto eu queria, porque este ano tive alguns problemas com a equipa com que corro no

Nacional. Não cumpriram o prometido e tive de ser eu a pegar na equipa, o que exigiu um grande esforço”, explicou. “As coisas têm corrido bem, apesar de tudo. Só que não treinei nem pude desenvolver a moto como gostava. Mas sinto-me mais bem preparado do que no ano passado, porque vou competir com uma mota que conheço. Isso é muito diferente de andar o ano todo com uma mota, e depois chegar a Macau e ter de competir com outra mota com que nunca andei”, justificou.

MOTO DE ORIGEM

Ainda assim, a Kawasaki ZX10R é uma moto muito pouco alterada PUB

Fim-de-semana de azar Filipe de Souza com jornada decepcionante em Zhejiang

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macaense Filipe de Souza (Volkswagen) somou um oitavo lugar e uma desistência, no Circuito Internacional de Zhejiang. Num fim-de-semana que juntou os pilotos dos campeonatos TCR China e TCR Asia, Souza admitiu que o resultado foi “uma desilusão”, face ao andamento do carro preparado pela equipa Teanwork Motorsport. Devido ao formato do campeonato, o macaense só entrou em acção na segunda corrida das três disputada no fim-de-semana. Na primeira prova, o Volkswagen foi tripulado por Samuel Hsieh, colega de equipa de Souza. Porém, o piloto de Hong Kong acabou por desistir, numa prova ganha pelo francês Jean-Karl Vernay. Na tarde de sábado, Filipe de Souza entrou finalmente em acção e alcançou o oitavo lugar à geral, e quarto melhor classificado entre os ins-

critos no campeonato TCR China. Após as 19 voltas ao circuito de Zhejiang, o macaense ficou a 30,8 segundos do vencedor, Tin Sritrai (Honda Civic), apesar de uma penalização de cinco lugares na grelha de partida, por ter trocado de motor após a ronda anterior do campeonato. “O carro estava muito bem afinado e os tempos que fizemos mostram que poderíamos ter lutado pela vitória. Mas o circuito é estreito e tem poucos lugares para ultrapassar pelo que não conseguimos recuperar mais lugares. Foi uma desilusão”, afirmou Filipe de Souza, ao HM. Na corrida de resistência, em que os dois pilotos conduzem o carro, Souza conseguiu colocar o Volkswagen no terceiro lugar à geral. Porém, depois de ter assumido o volante, Hsieh embateu em Andy Yan (Audi), acabando por desistir.

As atenções do macaense focam-se agora na próxima ronda do campeonato, realizada em Ningbo, entre 28 e 29 de Outubro. Uma prova que o piloto admitiu servir também para preparar o Grande Prémio de Macau, onde vai competir na Taça de Carros de Turismo de Macau. “É uma ronda que me vai ajudar a manter o ritmo para preparar Macau. Mas claro que há diferenças porque em Ningbo vou competir com o Volkswagen na Guia vou correr com o Chevrolet”, frisou Filipe de Souza. Anteriormente chegou a estar em cima da mesa a possibilidade do piloto competir em Macau integrado no Campeonato Mundial de Turismos, mas a possibilidade de lutar pela vitória na Taça CTM, fez com que optasse por esta última categoria. J.S.F.

face à versão original. Apesar do regulamento permitir alterações que melhoram o desempenho das motos, o piloto do Team Portugal admite que a falta de patrocínios não lhe permite investir nesse capítulo. “A nossa mota vai basicamente de origem. Em Macau o

“Mas sinto-me mais bem preparado do que no ano passado, porque vou competir com uma mota que conheço.” ANDRÉ PIRES

regulamento permite fazer uma preparação melhor das motas, mas nós não temos patrocínios para isso e é um processo dispendioso. Também em Portugal o regulamento não permite alterar as motas. Vai ser difícil combater os verdadeiros ‘aviões’ que aparecem da concorrência”, anteviu. Em relação a cuidados especiais por competir em Macau, André Pires realçou ainda a necessidade de se preparar para lidar com o clima local, e principalmente a forte humidade. “Os cuidados necessários passam por preparar-me bem fisicamente, para me adaptar ao clima e à forte humidade que se sente”, explicou. A 64.ª edição do Grande Prémio de Macau realiza-se entre 16 e 19 de Novembro, e, caso não haja alterações imprevistas, a prova para as motos realiza-se no dia 18. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo


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9.10.2017 segunda-feira

Quero ser uma coisa que não possa ter vergonha nem´ desespero.

SHEN HAO

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Hua Zhu»

Discurso sobre a Pintura

Fiz uma composição em dez pinceladas (shi bitu) e mostrei-a a alguns camaradas meus que gostam de coisas extraordinárias para formar e limpar os seus olhos. Árvores caídas e margens de rios quebradas devem possuir um ar que conduza para lá do ar de beleza, de acordo com o sutra budista: «Trovões e raios escondem-se entre puras e frias nuvens.»1 Pintura de dez pinceladas significa fazer rugas nas rochas, os côncavos das árvores e as linhas de contorno de edifícios altos e pavilhões de modo não convencional. Há pinturas antigas nas quais as orquídeas são pintadas com um pincel duplo sem qualquer menção às flores, e há outras pinturas nas quais Guanyin é pintada com um pincel triplo sem qualquer desenho das orelhas, dos olhos, do nariz ou da boca.2 A alma deve pôr mãos à obra, o desenho deve ter estrutura, e o conjunto deve transmitir alegria harmoniosa. Um homem da dinastia Tang disse: «Uma pincelada de um pincel vai longe até à vastidão; em cada erva e cada árvore existe um espírito divino.» - É como se existisse algo vivo na pintura e nessa coisa houvesse som; mas isto só pode ser explicado aos inteligentes. Mas, infelizmente as pinturas feitas depois dos períodos de Jiajing ( Zhu Houcong, décimo primeiro imperador da dinastia Ming, que reinou entre 1521-1567), e Longqing (Zhu Zaihou, o seu sucessor, 1567-72) não possuem nem alma nem estrutura e muito menos ressonância harmoniosa.

1 - O apoio da literatura do Budismo, particularmente do Budismo Chan, para o entendimento da pintura já era prática comum desde o tempo da dinastia Song (960-1279). 2 -De notar a enfase posta na elipse, no fragmentário, na alusão. O modo como a pintura depois irá funcionar com a poesia nasce de um contraste de objectivos,

expresso nos diversos conceitos críticos, o shi, o pleno, é da poesia, e o xu, o vazio, pertencerá à pintura. A poesia de Du Fu, por exemplo, é universalmente apontada como um modelo pela descrição da realidade material em contraste com a elipse desejada na pintura. Em qualquer caso nunca uma será a «ilustração» nem a outra, uma «explicação», ambas suportando uma visão de representação sempre incompleta.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 9.10.2017

O ofício dos ossos Valério Romão

Jean Michel Basquiat, Boy and dog in a Johnnypump

Do comércio local

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NDE vivo, num bairro da baixa de Lisboa, é raro o dia em que não se inaugure uma loja nova. E isto num espaço relativamente reduzido que compreende a distância do café mais perto da minha casa ao minimercado igualmente mais próximo. São creperias francesas tradicionais, lojas de roupa africana, espaços de co-work e os inevitáveis tudo-em-um paquistaneses ou indianos. As lojas, no entanto, estão quase todas vazias. Apesar de se apresentarem impecavelmente limpas, apesar dos sorrisos com que nos brindam do outro lado do balcão aqueles que estão encarregados de receber os clientes, os clientes, esses, teimam em não aparecer. Não sei qual é a demanda por roupa africana, donuts porto-riquenhos ou café normalíssimo a dois euros. Mas não tenho de saber. Não sou parte interessada na dinamização e rentabilidade dos sítios que oferecem esses produtos ou serviços. O problema, no entanto, é que mais ninguém parece saber.

A massificação do turismo em Lisboa parece ter contagiado a maioria dos lisboetas de gene empreendedor com uma espécie de febre do pioneiro A massificação do turismo em Lisboa parece ter contagiado a maioria dos lisboetas de gene empreendedor com uma espécie de febre do pioneiro. A presença de tanta gente na rua provoca no aspirante a milionário a ilusão de que seria apenas abrir uma porta numa loja virada para a rua para começar imediatamente a enriquecer. Só assim se parece conseguir explicar a tanta porta aberta corresponda tanta loja vazia.

Entretanto, e apesar da multiplicação pipoqueira de tudo quanto é gelataria indie e decoração vintage, à zona onde habito falta ainda uma pastelaria decente onde não seja necessário empenhar um órgão para comer um pastel de nata e um minimercado que compita com o minipreço. Bem sei que abrir uma pastelaria ou um minimercado não possui o glamour associado a concretização do sonho de ser o legítimo proprietário de uma banca de smoothies orgânicos, mas é capaz de ser mais interessante de uma perspectiva económica. E talvez o factor económico tenha alguma importância quando se trata de abrir um espaço comercial. No mundo dos negócios, o conservadorismo e a inovação têm a mesma importância na dinamização do mercado em que o negócio se insere: as pessoas que aderem às dietas paleo-crudo-mesozóicas são as mesmas que precisam de fazer uma fotocópia ou de comprar vegetais. Quem compra comida africana também há-de eventualmente comprar cigarros. Há uma série de necessidades

porventura menos trendy que, ainda assim, compõem uma fatia bastante apreciável do mercado. A isso acresce o facto de os turistas, esses canalhas, não serem os autómatos gastadores que deveriam ser. Ao que parece, o homo turisticus, apesar da fama esbanjadora, tem critério. Ou seja, mesmo que seja enganado naqueles restaurantes de fama duvidosa na baixa e pague trezentos euros por um bacalhau com natas, dificilmente comprará com a mesma facilidade aquele porta-chaves com camarões de plástico multicolores e réplicas de olhos de mocho que se vende na loja de “artigos típicos das caraíbas na perspectiva das religiões sincretistas e da magia negra”. Ou um gelado de sardinha e maionese. Mas a insistência em prover de soluções desnecessárias a maior parte das lojas recém-abertas que se vê por aí tem porventura origem no mesmo fenómeno que ocorre com as bandas que parecem tocar apenas para os músicos que a integram. Espero que, pelo menos, se estejam a divertir.


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9.10.2017 segunda-feira


EDVARD MUNCH, MANHÃ

segunda-feira 9.10.2017

poesia • Georg Trakl Tradução de António de Castro Caeiro

A jovem criada1

Die junge Magd

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Amiúde, junto ao poço, ao entardecer, Vemo-la, enfeitiçada, de pé, a Tirar água, ao entardecer. Baldes a subir e a descer.

Oft am Brunnen, wenn es dämmert, Sieht man sie verzaubert stehen Wasser schöpfen, wenn es dämmert. Eimer auf und nieder gehen.

Nas faias, esvoaçam gralhas, E ela parece-se com uma sombra. Os seu cabelos amarelos esvoaçam E no pátio chiam os ratos.

In den Buchen Dohlen flattern Und sie gleichet einem Schatten. Ihre gelben Haare flattern Und im Hofe schrein die Ratten.

E fascinada pelo declínio, Baixa as pálpebras inflamadas. Erva seca em declínio Cai a seus pés.

Und umschmeichelt von Verfalle Senkt sie die entzundenen Lider. Dürres Gras neigt im Verfalle Sich zu ihren Füssen nieder.

A jovem criada

Die junge Magd

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Silenciosamente, trabalha no quarto E o pátio há muito que está deserto. No sabugueiro, à frente do quarto, Um melro canta o seu lamento.

Stille schafft sie in der Kammer Und der Hof liegt längst verödet. Im Hollunder vor der Kammer Kläglich eine Amsel flötet.

Prateada a sua imagem, no espelho, olha estranhamente para ela, no lusco-fusco, E a imagem entardece pálida no espelho, E estremece perante a pureza da rapariga.

Silbern schaut ihr Bild im Spiegel Fremd sie an im Zwielichtscheine Und verdämmert fahl im Spiegel Und ihr graut vor seiner Reine.

Como num sonho, canta um criado na escuridão, E ela olha-o fixamente, abalada pela dor. Uma vermelhidão goteja através da escuridão. De repente, o vento sul sacode o portão.

Traumhaft singt ein Knecht im Dunkel Und sie starrt von Schmerz geschüttelt. Röte träufelt durch das Dunkel. Jäh am Tor der Südwind rüttelt.

Dedicado a Ludwig von Ficker

Ludwig von Ficker zugeeignet

BIOGRAFIA Georg Trakl nasceu a 3 de Fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento da sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou por lhe causar grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento do pai. Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com a irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido o seu grande amor. A suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo mais. Apenas nos seus poemas teve um certo alívio, refazendo-os por diversas vezes, porém tendo sempre em mente as suas definições. Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente o seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, com uma overdose de cocaína. Trakl tinha apenas 27 anos. In Wikipedia

1 - TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag.

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AGUACEIROS

O QUE FAZER ESTA SEMANA Terça-feira

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75-95%

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Sexta-feira

FIMM EL FOG – MASAYOSHI FUJITA Edifício do Antigo Tribunal | 20h00

Sábado

FIMM | A FRAGANT DREAM – ÓPERA NUM ACTO Centro Cultural de Macau | 20h00

O CARTOON STEPH

Domingo

KINO | FESTIVAL CINEMA ALEMÃO “BERLINALE CURTAS I: UTOPIA SEM LIMITES” Cinemateca Paixão | 19h30 KINO | FESTIVAL CINEMA ALEMÃO “FITZCARRALDO” Cinemateca Paixão | 21h30 DEBATE | “O NOVO CINEMA ALEMÃO” Cinemateca Paixão | 16h00 às 17h30

DIARIAMENTE

WORLD PRESS PHOTO Casa Garden | até 22/10 EXPOSIÇÃO | “REPRESENTAÇÕES DA MULHER” Museu de Arte de Macau | Até quinta-feira BALLADA – ANIMAMIX ARTE CONTEMPORÂNEA Museu de Arte de Macau| | Até 15/10 EXPOSIÇÃO | MACAU NA 57ª EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL DE ARTE DA BIENAL DE VENEZA 2017 Museu de Arte de Macau| | Até 12/11

Cineteatro

C I N E M A

BLADE RUNNER 2049 SALA 1

THE MOUNTAIN BETWEEN US [C] Fime de: HanyAbu-Assad Com: Kate Winslet, Idris Elba 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 SALA 2

BLADE RUNNER 2049 [C] Fime de: Denis Villeneuve Com: Ryan Golsling, Harrison Ford, Jared Leto, Dave Bautista 14.30, 18.15, 21.15 SALA 3

THE LEGO® NINJAGO MOVIE [A]

FALADO EM CANTONENSE Fime de: Charlie Bean 14.15, 16.05, 17.50

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 135

UM FILME HOJE

Amiúde me pergunto e descrente me detenho. Oiço perto o balido do rebanho mas raro o vejo passar. Será que existe, que é triste e perguntador, como escrevem nas lendas? Mas a pergunta não passa. Invoca. Rumina. Cava. E do rebanho um balido vai garantindo presença, mas na descrença me tenho. Procuro. Investigo. Devasso. Onde andará o rebanho cujo balido me apoquenta mas a presença me escapa. Sinto-lhe – é certo – o cheiro, um odor inconfundível. Já vê-lo é impossível. Curvo ruas, passo praças, auríferas avenidas. Nada. Nem sombra, nem uma mera pista, um indício ou um botão. Só a cidade vazia, espelhada na baía, regular, proporcionada, sem rebanho que se visse. Só o balido persiste e amiúde me pergunto e descrente me detenho: onde andará o rebanho? Carlos Morais José

LEE JUNH-HYONG | THE WAY HOME 2002

Produzido na Coreia do Sul em 2002, “The Way Home” conta a história do protagonista Sangwoo, cuja mãe decide levá-lo para casa da avó, no campo, para que esta tome temporariamente conta dele. Longe da cidade moderna, a avó muda tem de lidar com o neto que não tem acesso às suas comidas favoritas nem à tecnologia que existe na grande cidade. Estas diferenças compõem uma história que leva o público ao riso e às lágrimas. Vítor Ng

FIREWORKS, SHOULD WE SEE IT FROM THE SIDE OR THE BOTTOM? [B] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Akiyuki Shimbo Com: Suzu Hirose, Masaki Suga, Mamoru Miyano, Takako Matsu 19.55, 21.30

PROBLEMA 136

SUDOKU

DE

FIMM | “THE ERHU FAMILY” Centro Cultural de Macau | 20h00

1.17

O REBANHO

DEBATE E LANÇAMENTO DE LIVRO “A POÉTICA DA LUZ NA CALÇADA PORTUGUESA” Fundação Rui Cunha | 18h30 às 20h30

KINO | FESTIVAL CINEMA ALEMÃO “O MEU ENCONTRO COM A VIDA” Cinemateca Paixão | 16h30 e 21h30

YUAN

PÊLO DO CÃO

SEMINÁRIO | “CHINA POLICY INSIGHT: GREATER BAY AREA” Fundação Rui Cunha | 12h00 às 15h00

Quinta-feira

0.23

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


efeméride 19

segunda-feira 9.10.2017

C

INQUENTA anos após a sua morte, o argentino Ernesto Che Guevara, companheiro de revolução de Fidel Castro em Cuba, continua a ser uma figura mítica, e continuará sê-lo nos próximos três séculos, assegura seu irmão Juan Martin Guevara. Em entrevista à AFP, o irmão mais novo do revolucionário sem fronteiras, de 74 anos, conta a intimidade da família Guevara e confessa seu sofrimento por não ter acompanhado Che em sua última missão, na Bolívia, em 8 de Outubro de 1967. Por que morreu Che Guevara na Bolívia? Os militares bolivianos dizem que ele morreu em combate, mas não é verdade. Ele foi executado pelo Exército boliviano. Eles o fotografaram como se fosse um troféu. O Partido Comunista provavelmente traiu-o. A URSS desempenhou um papel muito importante. As duas agências de Inteligência mais poderosas da época, a KGB russa e a CIA americana, concordavam num ponto: o projecto revolucionário latino-americano não deveria funcionar. Valeria a pena assumir a liderança de um pequeno grupo armado na Bolívia? Importante como era? Eu concordo com Fidel Castro. Não é a política que deve estar no front, a política deve enviar outros para o front. O que teria acontecido se ele não tivesse morrido? Se ele não tivesse morrido na Bolívia em 1967, a América Latina seria agora livre, soberana, independente e socialista. Era isso que ele queria. Pois, se ele estivesse vivo, teria triunfado. Para ele, era tudo, ou nada. Por que ele não permaneceu como ministro em Cuba? Porque não era seu objectivo de vida, não era o tipo que fica sentado em um escritório. O que ele teria se tornado, é impossível saber, mas permaneceria ao lado do povo em luta. Como soube da sua morte? Eu trabalhava (em Buenos Aires) numa empresa de laticínios e, na madrugada, os jornais saíram com a sua foto nas capas. Tive que terminar o dia de trabalho, foi difícil. Muitas vezes haviam anunciado sua morte, mas dessa vez sabia que era verdade. A família reuniu-se. O meu pai e minha irmã acreditavam que a foto havia sido manipulada. Meu irmão Roberto viajou para a Bolívia. Depois, Havana confirmou que era Ernestito. O ministro do Interior boliviano havia enviado

JUAN GUEVARA, IRMÃO DE CHE GUEVARA, NOS 50 ANOS DA SUA MORTE

“A sua mulher eterna era a revolução” para Cuba suas mãos, cortadas, para a verificação das impressões digitais. Como explica o facto de Che ter-se tornado uma celebridade mundial? Os mitos existem, porque as sociedades os criam. Digo que as duas imagens mais famosas do mundo são as de Cristo e a de Che. Um amigo me disse uma vez: ‘você exagera, a de Cristo é mais conhecida’. Claro, ele morreu há 2000 anos, Che, há 50. Nós não estaremos aqui para vê-lo, mas o Che, em 300 anos, sempre será Che. E espero que haja outros Ches. Descreva um pouco de sua personalidade. Ele tinha um grande sentido de humor, que é de família. Quando tinha uma ideia em mente, ia até o fim. Era visionário, de um pensamento profundo. A herança que ele deixou para a juventude foi seu pensamento, sua ética, sua acção, seus “cojones”. Ele permaneceu profundamente argentino, amava o chá-mate e churrasco. Ser irmão de Che ajudou a determinar seu destino, não? Era militante universitário antes da Revolução Cubana, e Ernesto era meu irmão de sangue e meu companheiro de ideias. Ele ensinou-nos a não ler como lemos a Bíblia. Ele era antidogmático, com uma liberdade de pensar. Teria gostado de permanecer com ele em Cuba, em 1959, mas meu pai não quis. Em La Higuera (lugar de sua morte na Bolívia), pensei ‘por que não estava ao seu lado?’. Ser seu irmão não é um fardo, mas uma herança. Nem sempre foi fácil: colocaram bombas, metralharam nossa casa. Sua acção ameaçou interesses muito poderosos”. Che amava as mulheres? Ele atraia a atenção das mulheres. Não era muito exigente em termos de beleza feminina, amava as mulheres normais. Hilda (sua primeira esposa), não era uma Brigitte Bardot. Graças a Hilda, ele conheceu Fidel. A mulher de sua vida? Pelo que sei, Aleida March foi a mulher mais importante de sua vida. Ela deu-lhe quatro filhos. Mas... a sua mulher eterna era a revolução. Alexandre Peyrille


Com um extraterrestre a comandar a selecção de Portugal muita gente vai agoniar.

DSEJ não quer falta de material

A

D irecção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) atribuiu, até ao passado 7 de Setembro, apoio financeiro a quase 34 mil alunos para que estes possam adquirir o seu material escolar. Tais subsídios dizem respeito ao ano lectivo 2016/2017. Dados anunciados ontem pelo Governo revelam que, deste grupo de alunos, mais de 15 mil alunos frequentam cursos superiores em Macau, enquanto os restantes, mais de 17 mil, estão a estudar no estrangeiro. Há apenas 996 estudantes que, estando em Macau, frequentam cursos ministrados por instituições de ensino superior estrangeiras. Mais de oito mil alunos que estão fora estudam no interior da China, quase dois mil estão nas universidades de Hong Kong, pouco mais de cinco mil deci-

diram frequentar os seus cursos em Taiwan. Apenas 305 alunos estão em países europeus como Portugal ou Reino Unido. Apenas 502 pessoas que usufruíram deste apoio financeiro frequentam programas de doutoramento, enquanto que a maioria, quase 27 mil pessoas, estudam em cursos de licenciatura. Cursos ligados às áreas de comércio, administração ou Direito são os mais populares neste âmbito, uma vez que existem mais de onze mil alunos beneficiados. A DSEJ aponta que esta ajuda financeira “não só apoia os estudantes nos seus estudos e diminui os seus encargos financeiros, como também ajuda o Governo a obter os dados dos residentes de Macau, quanto à situação de frequência dos cursos do ensino superior e respectiva localização”.

EQUIPAS DE SALVAMENTO PREPARARAM GRANDE PRÉMIO

Mais de 80 médicos, enfermeiros e bombeiros da equipa de socorro e salvamento do Grande Prémio de Macau participaram, durante o fim-de-semana, num curso de formação organizado pela Comissão Organizadora, em parceria com a Federação Internacional do Automóvel (FIA). A formação dos participantes ficou a cargo de Jean Jacques Issermann, consultor de desencarceramento da FIA, e Jacques Tropenat, médico delegado da FIA. No final, os participantes que conseguiram passar no exame receberam certificados de aprovação.

EUA FILIPINO PRESO POR PLANO DE ATAQUES TERRORISTAS

As autoridades filipinas informaram que um médico filipino ligado a ataques planeados para os Estados Unidos foi preso no início deste ano por alegado envolvimento em raptos e decapitações atribuídas a grupos associados ao radical Estado Islâmico. Ricardo Paras, do departamento de justiça filipino, disse ontem que o Governo dos Estados Unidos pediu a extradição de Russel Salic para enfrentar acusações de financiamento de terrorismo. O pedido está pendente num tribunal de Manila. Paras disse que o departamento de justiça vai decidir se deixa Salic enfrentar as acusações nas Filipinas ou se permite que seja levado para os Estados Unidos para responder sobre as alegações de terrorismo em solo norte-americano. Os procuradores dos Estados Unidos disseram na sexta-feira que Salic estava envolvido num plano frustrado em 2016 para levar a cabo ataques terroristas na cidade de Nova Iorque.

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Tesoura das ilhas

segunda-feira 9.10.2017


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Hoje Macau 9 OUT 2017 #3910 by Jornal Hoje Macau - Issuu