Skip to main content

Hoje Macau 9 OUT 2014 #3189

Page 1

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

Concurso Centralizado

Muita parra uma uva De 500 candidatos a cargos na área jurídica, apenas um foi admitido. Deputados apontam falhas no processo de recrutamento e pedem que se proceda à sua revisão.

POLÍTICA

PÁGINA 5

ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR

TERRITORIOS A DESCOBRIR ´

CENTRAIS

MOP$10

WWW.HOJEMACAU.COM.MO

Q U I N TA - F E I R A 9 D E O U T U B R O D E 2 0 1 4 • A N O X I V • N º 3 1 8 9

HONG KONG

CY Leung ˜ e os milhoes australianos CHINA

PÁGINA 14

hojemacau CHUI SAI ON SÓ APRESENTA LAG EM MARÇO

´

ADIAR E PRECISO O Chefe do Executivo anunciou a apresentação das Linhas de Acção Governativa para Março de 2015, prometendo voltar à Assembleia Legislativa em Abril para projectar o próximo ano. Académicos dizem que o atraso pode ter a ver com a formação da nova equipa governativa.

PUB

PÁGINA 4


2

REPORTAGEM

Os jogadores não gostam, mas especialistas asseguram que a proibição de fumar nas salas de jogo comuns dos casinos não vai ter um impacto muito grande na indústria que move Macau. Dão como exemplo o Canadá, onde a proibição é total, mas o dinheiro continua a surgir e dizem, aliás, que a perspectiva é positiva: por um lado mais clientes que não fumam podem cá vir, por outro os casinos têm sempre espaços para os que querem acender o cigarro CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

O

S jogadores não têm dúvidas: o facto de não poderem fumar nas salas de jogo dos casinos tira-lhes a inspiração. Dias depois de ter sido implementada a proibição total de fumar nas salas comuns dos casinos, o HM saiu à rua – e visitou algumas operadoras – para perceber qual o impacto da nova política. De um lado, turistas que chegam ao território para jogar dizem que o facto de não poderem fumar vai afectar a forma como jogam e as suas apostas. “Claro. [Fumar] é parte da nossa sorte”, começa por dizer um jogador à TDM, no primeiro dia em que a lei entrou em vigor. “Quando jogo, gosto de fumar, pois o cigarro é uma maneira de aliviar a pressão. Se eu tiver a fumar em salas de fumo, sinto que a minha sorte está a desaparecer.” Ontem, em frente a casinos de Macau, eram muitos os jogadores que se juntavam a fumar à porta. Muitos deles não quiseram sequer comentar a nova política, mostrando-se indispostos a falar do assunto. Uma mulher, contudo, que não quis ser identificada, partilha do mesmo sentimento. “Se as pessoas que lá estão fumam, na sua maioria, porque é que não podemos fumar? Faz parte

do entretenimento e de estarmos distraídos”, começa por dizer ao HM. “O casino já um local ‘sujo’ e é, portanto não precisamos de estar preocupados com o fumo”, afirma, em tom irónico, acrescentando que isso vai fazer os casinos perder clientes.

CANADÁ COMO EXEMPLO

Já académicos contactados pelo HM têm uma ideia diferente dos jogadores. De três professores universitários com quem falámos, nenhum deles considera que este velho hábito possa trazer qualquer impacto às receitas do jogo. “Dizer que fumar dá sorte é uma [mania] dos apostadores. Claro que não há nenhuma diferença entre o apostar com um cigarro ou sem um cigarro”, começa por desdramatizar Samuel Huang, professor do Centro Pedagógico e Científico na Área do Jogo do Instituto de Politécnico de Macau (IPM). Para o professor, que tirou o curso na Universidade de Tsinghua, no continente, só o facto de o Governo estar a encorajar a proibição do fumo nos casinos já é de louvar. “Por exemplo, até agora ainda há muitas regiões onde o Jogo é legal que não fazem qualquer proibição de fumo nos casinos. Mas o Canadá, por exemplo, já implementou até uma proibição total”, diz o professor Huang.

“INFLUÊNCIA TÃO PEQUENA, QUE PODE SER IGNORADA” Outro professor da UM contactado pelo HM, Li Guoqiang, também considera que a política da proibição de fumo, tanto geral como parcial, não vai trazer qualquer influência à economia de Macau. “A influência vai ser tão pequena que podemos ignorála quando fizermos os cálculos”, afirmou. “Nem vai causar menos vontade dos turistas de apostar nos casinos de Macau. Pelo contrário, se os clientes não gostam do ambiente do fumo no casino, se calhar não

vêm apostar em Macau.” O professor também pensa que, depois da nova política, Macau pode atrair mais turistas para apostar nos casinos. Um homem da província de Zhejiang, de apelido Yang, contou ao HM que é primeira vez que está a apostar nos casinos de Macau mas que sente que “o ar é muito fresco nas salas comuns” e diz que, “quando alguns clientes que não sabiam sobre a nova política começaram a fumar, foram os funcionários a chamá-los a atenção”.

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

TABACO PROIBIÇÃO DE FUMAR CRIA IMPACTO “TEMPORÁRIO” E ATÉ PODE

NO MELHOR PANO “Macau já tem vindo de forma gradual a fazer o trabalho da proibição de fumar. No início de 2012, os clientes já não podiam fumar em áreas proibidas [assinaladas]. Agora, como nas salas comuns não se pode fumar, isso vai obviamente trazer um melhor ambiente aos trabalhadores do Jogo, mas também ajuda os clien-

tes que não fumam a ter prazer de jogar num ambiente melhor”, frisa, realçando que há sempre salas de fumo disponíveis.

CULTURA A MUDAR

O Canadá serve de exemplo também para o professor do Departamento de Finanças e Economia de Empresas da Universidade de

Macau (UM), Ricardo Siu. O académico explica que agora há cada vez mais clientes chineses a ir aos casinos do Canadá, onde é proibido fumar totalmente, e diz que isso não tem influenciado a vontade dos apostadores chineses. “A cultura está a mudar. As velhas gerações dependem mais de


reportagem 3

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

SER POSITIVO, DIZEM ESPECIALISTAS

CAI O FUMO fumar quando estão a apostar, mas as novas gerações talvez venham a ter mais vontade de [frequentar] casinos sem fumo.” Sobre as queixas dos jogadores de que “não há sorte sem fumo”, Siu aponta que o sentimento é subjectivo. “Os fumadores pensam que é algo estranho porque já não há mais nada para segurar

enquanto jogam, porque não podem fumar mais, porque o casino já não parece um café quando eles se precisam de concentrar na aposta. Mas de facto, quando os apostadores sabem que há uma lei que os proíbe de fumar, podemos ver que eles até vão lá fora, há sempre clientes que saem do casino para ir fumar. Depois

de uma hora de aposta, se calhar, depois voltam a apostar.”

AR FRESCO É MELHOR

Ricardo Siu não tem dúvidas: é normal haver alguns impactos considerados negativos quando uma política nova entra em vigor. No caso dos casinos de Macau, contudo, este impacto terá de ser mínimo. A razão? A proibição de fumar já começou em 2012 e os casinos tinham sido avisados. “Como antes de se proibir o fumo nas salas comuns, já houve um período em que havia área de fumadores e de não fumadores [noutros locais], estas medidas anteriores podem acalmar o eventual impacto negativo da nova política. Acredito que esta influência negativa não vai ser muito forte.” Ricardo Siu admite que a introdução desta proibição não vai trazer um impacto pequeno aos casinos, mas também, diz, “não vai ser grande”. Mais uma vez, a comparação com o Canadá: “no início da proibição de fumar total, realmente teve houve algum impacto no jogo, mas depois a política conseguiu até trazer mais clientes não fumadores ao casino, porque estes preferiam um ambiente mais livre de fumo.”

“A cultura está a mudar. As velhas gerações dependem mais de fumar quando estão a apostar, mas as novas gerações talvez venham a ter mais vontade de [frequentar] casinos sem fumo.”

PROIBIÇÃO DEVE DEPENDER DA SOCIEDADE

Fazer a vontade aos turistas?

A

deputada e administradora da Sociedade de Jogos de Macau (SJM) defende publicamente que é melhor que seja implementada a proibição total de fumar do que ter salas de fumo nas salas comuns. Para Angela Leong, criar divisões só “gasta dinheiro e recursos humanos”. Samuel Huang, da UM, defende ao HM que isso deve ser uma escolha da sociedade. “O mais ideal será fazer a proibição total de fumo, até porque isso também é uma tendência mundial. Mas temos de ver que, se Macau será um Centro Mundial de Turismo e Lazer, temos de considerar também a escolha dos clientes e dos consumidores. A discussão deste assunto também é uma questão de escolha. Será que se deve considerar mais a necessidade dos turistas? Se não

Salas VIP piores. Inspectores não ajudam

RICARDO SIU Professor da UM

Segundo Siu, depois de uma queda ligeira em menos de um ano as receitas do Jogo do Canadá voltaram a subir e têm um aumento estável. “[No fundo], os clientes adoram os casinos sem fumo.” Samuel Huang concorda: o académico admite que a política possa ter uma influência temporária, mas indica que esta deverá ser limitada. “Já houve estudos que mostram que a proibição de fumar cria impactos negativos nas receitas do Jogo, porque os fumadores não gostam de apostar ou porque se sentem obrigados a parar as apostas porque precisam de ir fumar, mas Macau tem espaços nos casinos onde se permite fumar. Por isso, se os fumadores não conseguem deixar de fumar, podem ir para as salas VIP”, diz o académico. Ou para os locais a eles destinados.

podemos mudar o hábito dos clientes, temos de considerar soluções”, frisa. Recorde-se que o hábito de fumar, como evidenciam os especialistas, é muito comum entre os jogadores chineses, que perfazem a maioria dos apostadores em Macau. Segundo Angela Leong, durante a Semana Dourada, os resultados das receitas da SJM “foram melhores do que o esperado” e parece que a nova política não influência muito o dinheiro feito nos últimos dois dias desde a proibição. No segundo dia da nova política entrar em vigor, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, salientou que para recolher informações reais em primeira mão, ele mesmo já inspeccionou, várias vezes, os casinos e reparou que havia menos fumadores do que inicialmente esperava e que “o ar a circular dentro da maioria dos estabelecimentos visitados era aceitável”. O mesmo responsável revelou ainda que é “difícil obter resultados perfeitos de forma imediata” no que diz respeito ao controlo de tabagismo e que no futuro, o Governo, irá promover mais acções e ouvir mais opiniões. - C.L.

O

HM falou ainda com uma supervisora das salas VIP do Sands, Wan Che, que se queixou que, depois da política entrar em vigor no dia 6 de Outubro, o ambiente de fumo nas salas VIP é pior. “Há cada vez mais clientes a reunirem-se na nossa sala e fumam ao mesmo tempo. Quando ando pela sala comum, fico com muito inveja dos que trabalham num ambiente sem fumo”, confessa ao HM. Wan Che afirmou ainda que, mesmo que alguns clientes fumem nas zonas proibidas, às vezes, os responsáveis não os

impedem. E as autoridades, essas, chegam tarde. “Uma vez chamei o Gabinete para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, mas só chegou depois de 50 minutos. Temos outra colega no Star World, que chamou uma vez o número e foi interrogada pelo seu supervisor. Por isso já não chamou mais.” O vice-director da Forefront of the Macao Gaming, Lei Kuok Keong, confirmou também ao HM que, por vezes o gabinete passa os casos para a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), por causa da falta de recursos humanos. “Mas quando os funcionários da DICJ chegam, os clientes que violaram a lei já não estão a fumar”, diz Che, acrescentando que, assim, os funcionários do jogo já não querem ligar para os funcionários da inspecção, porque estes não os ajudam. O HM tentou ligar para a DICJ, mas antes de fechar a edição não foi possível obter resposta.


4

POLÍTICA

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

GCS

“Vamos ter este ano, em Novembro, um tipo de balanço aos trabalhos feitos no último ano. Em Março e Abril de 2015 vou estar duas vezes na AL para [apresentar] as LAG” CHUI SAI ON Chefe do Executivo

LAG 2015 GOVERNO SÓ APRESENTA PROPOSTAS EM MARÇO E EM DUAS FASES

As causas de Chui Sai On

O Chefe do Executivo recém eleito confirmou que irá apresentar as Linhas de Acção Governativa para 2015 em Março do próximo ano. Académicos atribuem o ligeiro atraso à formação de uma nova equipa governativa ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

É

oficial: Chui Sai On vai apresentar as primeiras Linhas de Acção Governativa (LAG) do novo Executivo apenas em Março do próximo ano. Também em Abril do mesmo ano fica reservada mais uma sessão plenária com a presença de Chui Sai On. A confirmação foi feita pelo recém-

-eleito Chefe do Executivo à margem da cerimónia de graduação dos finalistas do Instituto de Formação Turística (IFT). “Vamos ter este ano, em Novembro, um tipo de balanço aos trabalhos feitos no último ano. Em Março e Abril de 2015 vou estar duas vezes na AL para [apresentar] as LAG. Uma que é um tipo de balanço sobre o que foi feito anteriormente e outra que são as

perspectivas para o próximo ano”, disse Chui Sai On, em declarações reproduzidas pela Rádio Macau. Em comunicado oficial, é referido que a apresentação das LAG em dose dupla visa “garantir a continuidade do bom funcionamento do Governo durante o período transitório”. Chui Sai On disse ainda que “estão em curso os trabalhos preparativos para as LAG do ano de 2015, o qual terá

como referência o modelo adoptado em 2009, altura da mudança de Governo”. A ida à Assembleia Legislativa (AL) já em Novembro deste ano servirá para fazer um balanço dos trabalhos do Governo dos últimos cinco anos e uma “breve apresentação sobre o orçamento para o primeiro trimestre do próximo ano, no sentido de permitir a manutenção do bom funcionamento do Governo du-

CHEQUES DEPENDEM DAS RECEITAS

APOIOS AO ENSINO SUPERIOR

Também em declarações reproduzidas pela Rádio Macau, Chui Sai On admitiu que a atribuição dos cheques pecuniários vai depender das receitas que a Administração arrecadar nos próximos meses, admitindo que os montantes deverão manter-se. “Se houver receitas que atinjam um certo montante em que for conveniente para haver essa partilha com a sociedade o Governo irá ponderar essa situação. Apesar das receitas do jogo terem diminuído ultimamente, o crescimento tem recuado, os números de visitantes não recuou. Esse é um factor que o Governo vai ter de ponderar em termos de economia, turismo e acções governativas”, explicou.

No discurso proferido na cerimónia de graduação de 700 licenciados pelo IFT, Chui Sai On prometeu a continuação dos apoios do Governo às instituições do ensino superior. Segundo um comunicado oficial, disse ainda “estar determinado na articulação do mecanismo permanente de formação de talentos e da educação, empenhado em elevar o nível do ensino superior, apostar mais em recursos nesta área e ainda no planeamento do desenvolvimento do ensino superior a médio e longo prazo, com o objectivo de responder ao desenvolvimento sustentável económico-social”.

rante o período transitório”, especifica o Executivo.

NOVOS NO CARGO

Ao HM, os académicos Eilo Yu, da Universidade de Macau (UM), e Larry So, ex- docente do Instituto Politécnico de Macau (IPM), atribuem o novo calendário à formação de uma nova equipa governativa, mas defendem mais explicações junto do público. “Devido à mudança de Governo isso é compreensível, mas o Governo terá de explicar as suas razões”, disse o docente da UM ao HM. “Na verdade, quando Chui Sai On se tornou Chefe do Executivo em 2009, também atrasou a apresentação das LAG. Com o novo Governo, apesar de ter sido reeleito, Chui Sai On deve nomear novas caras e neste momento pode estar a formar a nova equipa e vai dar mais atenção ao processo”, adiantou ainda Eilo Yu. “Não sei se vão haver grandes alterações e penso que o Governo gostaria que a nova equipa estivesse composta e a propor novas ideias e projectos ao Chefe do Executivo para os próximos anos. Penso que ele gostaria de ter mais tempo para discutir com a nova equipa”, frisou ainda o professor de Ciência Política na UM. Também Larry So considera que a população deveria saber mais informações

“Penso que deveria explicar à população porque é que precisa de tanto tempo para apresentar as políticas e os planos futuros. Apesar da Lei Básica não exigir o cumprimento de um calendário, serão três meses depois da tomada de posse. Penso que é demasiado” LARRY SO Académico

sobre o processo, admitindo, contudo, que o atraso na apresentação das LAG não vai levar a atrasos na implementação das políticas. “Haverá um novo Governo, incluindo novos Secretários, que vão tomar posse no final deste ano. Penso que deveria explicar à população porque é que precisa de tanto tempo para apresentar as políticas e os planos futuros. Apesar da Lei Básica não exigir o cumprimento de um calendário, serão três meses depois da tomada de posse. Penso que é demasiado. Mas se houver um bom plano será necessário ouvir diferentes grupos e pessoas, então vai precisar de tempo. Mas penso que deveria explicar as suas razões”, disse o antigo docente ao HM.


política 5

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

CONCURSO CENTRALIZADO PEDIDA REVISÃO APÓS ENTRADA DE UM SÓ CANDIDATO

FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

N

O Concurso Centralizado de Ingresso na Função Pública para técnicos na área jurídica apenas um candidato, de um total de 500, foi aprovado na prova escrita e admitido à prova oral, a segunda fase da prova de conhecimentos. Em declarações ao canal chinês da Rádio Macau, os deputados Song Pek Kei e Gabriel Tong apontaram a existência de lacunas no processo de recrutamento. A deputada Song Pek Kei, número três de Chan Meng Kam na Assembleia Legislativa (AL)

e licenciada em Direito pela Universidade de Macau (UM), disse que houve candidatos que se queixaram da existência de demasiadas perguntas, sendo difícil cumprir o prazo para o exame. A deputada pede, por isso, a revisão das perguntas da prova, bem como todo o sistema. Pedidos que, aliás, já não são novos. “Como o departamento que realiza o Concurso Centralizado e aquele que vai admitir o funcionário em questão não são os mesmos, pode acontecer o caso dos funcionários contratados pela Direcção dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) não satisfazerem as necessidades do departamento que precisa daquele funcionário. Como os requisitos e as áreas de cada Direcção e departamento são diferentes, no Concurso Centralizado podem não compreender-se bem as necessidades de cada departamento”, apontou.

Gabriel Tong, deputado nomeado e vice-director da faculdade de Direito da UM, também afirmou estar “chocado” com o resultado da prova, tendo frisado que o conteúdo e objectivo das provas para o acesso ao concurso centralizado têm “espaço para uma revisão”, sendo que os resultados podem ser “mais transparentes”.

Song Pek Kei pede, por isso, o regresso da realização de concursos públicos por cada departamento, defendendo que a eficiência pode, assim, aumentar. “Não é preciso esperar por todos os departamentos para fazer um Concurso Centralizado de Ingresso, podem fazer os concursos de acordo com os

TIAGO ALCÂNTARA

Uma só não chega

O

SONG PEK KEI Deputada

CADA UM POR SI

AIR MACAU CHAN MENG KAM PEDE FIM DE MONOPÓLIO

deputado Chan Meng Kam defende, em interpelação escrita entregue ao Governo, que a existência de uma única companhia aérea em Macau, a Air Macau, não cumpre de forma activa a responsabilidade na área da aviação, nem leva ao desenvolvimento do sector. Chan Meng Kam con-

“Não é preciso esperar por todos os departamentos para fazer um Concurso Centralizado de Ingresso, podem fazer os concursos de acordo com os requisitos de cada departamento”

sidera que a Air Macau, sendo a única concessionária, não cumpre activamente a responsabilidade de criação de um mercado de transporte aéreo, nem utiliza de forma eficaz os recursos aéreos existentes. O deputado lembrou ainda que a exclusividade da Air Macau vai expirar em 2020, questionando o Executivo sobre os planos

para a resolução da questão. “A Air Macau opera há cerca de 20 anos, mas a existência de apenas uma companhia aérea não ajuda ao desenvolvimento do sector na sua totalidade. Depois da expiração do direito de exclusividade, como é que a Administração está a planear o desenvolvimento do sector aéreo em Macau? Será um mercado aberto ou em regime de exclusividade? Se for um mercado aberto, como é que o Governo vai fazer os trabalhos para o período de transição?”, questionou Chan Meng Kam. Recorde-se que a companhia de bandeira da RAEM era, anteriormente, a Viva Macau, que entrou em falência e foi dissolvida. - F.F.

RESTAURAÇÃO HO ION SANG CRITICA ABUSO DE TAXAS

Mais no final da conta O deputado Ho Ion Sang afirmou que existem estabelecimentos de comidas e bebidas que cobram taxas adicionais de forma abusiva e não o informam de forma clara. Para o deputado, esta cobrança extra é um “abuso” e o Governo deve tomar acções para evitar que se repita, principalmente nos feriados. Numa interpelação escrita, Ho Ion Sang referiu que, de acordo com um decreto-lei, os estabelecimentos devem consignar nas suas tabelas de preço as taxas adicionais respectivas aos dias de feriado, bem como avisá-las às autoridades competentes. Caso os estabelecimentos violem esta lei, ficam sujeitos a uma multa. No entanto, o deputado defende que muitos desses espaços cobram as taxas, que para além

de não estarem mencionadas nas tabelas, são cobradas fora dos dias de feriado: ou seja, os proprietários continuam a cobrar os mesmos valores em dias úteis. Acto que, segundo a visão do deputado, provoca um aumento progressivo dos preços. Ho Ion Sang defende, assim, que se o Governo não enfrentar e regulamentar este fenómeno de abuso de coTIAGO ALCÂNTARA

Dos 500 candidatos para lugares na área jurídica, apenas um foi admitido. Gabriel Tong e Song Pek Kei, deputados com formação em Direito, pedem a revisão do sistema

GCS

Pelo buraco da agulha

requisitos de cada departamento. A escolha dos candidatos poderá também ser mais adequada ao departamento”, disse ao canal Ou Mun Tin Toi. Para que a ideia seja implementada, Song Pek Kei sugere a criação de uma autoridade de coordenação administrativa com funcionários que participem nos processos de todos os concursos, de forma a supervisionar o processo e a compreenderem a situação de cada departamento público.

brança, a imagem de Macau como cidade turística será gravemente prejudicada. Por isto, o deputado questiona as autoridades se estas irão elaborar instruções concretas relativamente às taxas a aplicar apenas nos dias de feriados, para que os turistas e residentes entendam a justificação da cobrança, evitando assim uma situação de abuso constante. - F.F.


6 política

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

ATENTADO AO PUDOR DEPUTADAS PEDEM CRIME PÚBLICO

Urgente legislar

Wong Kit Cheng e Melinda Chan defendem a urgência da implementação da lei, uma vez que, dizem, a sociedade já tem consciência do que deve ser crime público, sendo apenas necessário definir alguns detalhes jurídicos cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

S duas deputadas defenderam, em declarações ao jornal Ou Mun, que o crime de atentado ao pudor deveria ser considerado crime público. Depois da Direcção dos Serviços de Reforma Jurídica e do Direito Internacional (DSRJDI) ter dito que vai realizar uma consulta pública sobre o assunto no próximo ano, onde se espera saber se o crime de atentado ao pudor – à semelhança do assédio sexual – vai ser implementado no Código Penal. Wong Kit Cheng considera que a sociedade já tem consciência PUB

sobre o que deve ser um crime público, pelo que a realização de uma consulta pública poderá atrasar a legislação, defende a deputada que representa a União Geral das Associações de Moradores de Macau (UGAMM). A deputada considera que há falta de uma lei para proteger as vítimas e que, por isso, o crime

HOJE MACAU

CECÍLIA LIN

de atentado ao pudor deveria ser crime público “o mais depressa possível” para combater a ocorrência de casos. “Todos os assuntos do Governo precisam de uma consulta pública, mas como não há muitas diferenças na consciencialização do que é atentado ao pudor, será que é mesmo necessário realizar

“Será que é mesmo necessário realizar uma consulta pública?” WONG KIT CHENG Deputada

uma consulta pública?”, questionou Wong Kit Cheng. “O Governo diz que vai criar uma consulta pública em 2015, o período será de três meses, ainda vão ser precisos mais seis meses para que se façam as alterações na lei”, lembrou a deputada, com formação em enfermagem.

CLARO COMO ÁGUA

Melinda Chan pede que a lei defina claramente alguns detalhes jurídicos sobre situações de atentado ao pudor. “Agora existem dificuldades na recolha das provas do crime, por isso deve ser definido os abusos físicos ou o assédio verbal são considerados atentados ao pudor. E os casos que acontecem entre pessoas do mesmo sexo? Penso que a consulta pública pode fazer com a lei seja mais justa, e fazer com a execução da lei fique melhor na prática”, apontou. A deputada eleita pela via directa defende a realização de uma consulta pública, mas defende que o mais importante é garantir a eficiência administrativa. “Se for iniciada a consulta pública no final do próximo ano, é muito diferente do que se for no início do ano. Pode-se cortar o tempo para a realização do relatório? Se não, teremos de esperar mais três

“Pode-se cortar o tempo para a realização do relatório? Se não, teremos de esperar mais três anos para que a lei seja criada” MELINDA CHAN Deputada

anos para que a lei seja criada”, considerou. O problema das consultas públicas sobre o caso, dizem ainda outros deputados, consistem no facto de, em chinês, os crimes de assédio sexual e atentado ao pudor serem semelhantes.


SOCIEDADE

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

FILIPA ARAÚJO

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

D

URANTE o ano passado, foram apreendidos cerca de 216 quilogramas de mercadoria ilegal correspondente a partes de animais e a flora. Os números de 2013 relativamente ao tráfico de animais em muito superaram o ano anterior, como mostra uma listagem agora cedida ao HM pelos Serviços de Alfândega (SA). O aumento foi de 60,5%. Tigres, pássaros e elefantes são as principais vítimas. O marfim, ossos de pássaros e as patas e dentes de tigre são algumas das mercadorias que mais chegam a Macau. Do bolo geral, os dentes de tigre foram a mercadoria que apresentou o maior número de quilos apreendidos. No único caso de contrabando dos dentes deste animal que os SA identificaram, durante todo o ano, foram capturados 78 quilogramas, em contraste com o ano de 2012, no qual não foi registado qualquer caso de tráfico deste animal ou partes dele. O ano passado, contudo, fazem também parte da lista as patas de tigre – 69 quilogramas apreendidos - e o marfim, que no ano passado ultrapassou os 50 quilogramas. Na lista está também o coral, ainda que apenas tenha sido registado um único caso, que reuniu quase 11 quilogramas, seguindo-se os ossos de pássaros e o esturjão, tendo sido apreendidos pouco

TRÁFICO CONTRABANDO DE ANIMAIS E FLORA AUMENTOU 60,5%

Partes para que vos quero Só de 2012 para 2013, mais de 200 quilogramas de animais - ou partes de animais - e flora foram apreendidos em Macau. O aumento é de mais de 60% e mostra que o marfim continua a ser o produto preferido para quem faz contrabando deste tipo de mercadorias. Pereira Coutinho diz que o destino do material apreendido é desconhecido

CECÍLIA LIN

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

O

site Airbnb é considerado um verdadeiro oásis para os viajantes amantes da poupança: carregado de opções de alojamento em todo o mundo, muitos são os que colocam os seus sofás, quartos ou casas completas à disposição dos turistas. A vantagem? Alojamento a baixo custo. Contudo, as coisas podem nem sempre ser legais. Na sua edição de ontem, o jornal Ou Mun publicou uma notícia em destaque que avança que, numa passagem pelo site, é possível encontrar mais de dez alojamentos disponíveis em Macau para turistas. Algo que é ilegal, porque - até à data - não existe licença para arrendar habitações privadas como locais de alojamento.

mais de quatro quilos de cada um destes animais.

NÚMEROS A SUBIR

Todos estes números ultrapassam em grande escala os valores apresentados em 2012, que apenas registou um total de 28 quilogramas de marfim apreendido. Nesse mesmo ano, foram capturados ainda dois animais: uma tartaruga e um pássaro, pertencentes à lista de animais em vias de extinção. Relativamente ao primeiro semestre deste ano, e até Agosto, foram já apreendidos

7

39 quilogramas de marfim, mais do que durante todo o ano de 2012 e mais de metade do apreendido o ano passado. Em termos de animais vivos há, até ao momento, o registo de captura de uma serpente. Recorde-se que, no ano passado, uma reportagem publicada pelo HM sobre o tráfico de animais selvagens mostrava que, segundo especialistas, este negócio gera cerca de oito mil milhões de dólares por ano e que a Ásia incluía a lista de países que mais procuravam estes ‘produtos’.

216 quilogramas

de mercadoria ilegal apreendidos em 2013

Em Macau, em 2011, a PETAmarcou presença no Largo do Senado, para protestar contra o comércio de animais selvagens ou parte deles. A organização decidiu realizar esta campanha por Macau acolher inúmeras lojas de marcas de luxo internacionais.

DESTINO DESCONHECIDO Numa interpelação assinada pelo deputado José Pereira Coutinho, entregue no final do mês passado, é perguntado ao Governo quais as medidas a ser implementadas para acelerar os processos de punição relacionados com este tipo de apreensões, principalmente de marfim. Pereira Coutinho argumenta que desde a transição de soberania já foram apreendidos cerca de 1165 quilogramas de marfim e que esse material está depositado no Ministério Público, nos Serviços de Alfândega e nas instalações da Direcção dos Serviços de Economia sem que, durante todos estes anos, sejam resolvidos os processos de autuação. “Do total do marfim apreendido até à presente data, cerca de 529 quilogramas foram revertidos a favor da RAEM desconhecendo contudo se os produtos serão destruídos ou destinados a outras finalidades culturais ou educacionais”, explica o deputado, que agora pretende saber qual o destino da mercadoria em causa. Devido ao avançado da hora, não foi possível ao HM obter esclarecimentos das autoridades sobre o caso.

INTERNET SUSPEITA DE ARRENDAMENTOS ILEGAIS NO ‘AIRBNB’

A zona cinzenta da lei Segundo a publicação, relativamente às opções em Macau, grande parte das casas disponíveis no site são de ‘senhorios’ estrangeiros que trabalham no território. O HM contactou a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) para perceber a situação e, numa resposta escrita, o organismo não confirma se esta se trata de uma situação ilegal, mas também não descarta essa hipótese. “(...) Não podemos confirmar a situação citada pelo jornal e que pertence à prestação legal de alojamento, porque a [Lei de Proibição de Prestação Ilegal de Alojamento]

já tem definido que cada caso suspeito tem que ser investigado e analisado, só depois é que pode ser definido como prestação ilegal de alojamento.”

LEI SEM PUNIÇÕES

A DST adiantou ainda que não existe na lei actual algo que proíba os não residentes de arrendarem as habitações onde se encontram. “Segundo o definido pela lei, não podemos estender a prestação ilegal de alojamento a oferecer alojamento para os não residentes de Macau”, informou a direcção, que confirmou ao HM que até on-

tem não recebeu qualquer queixa ou denúncia relacionada com o site mencionado. Segundo a lei que regula o arrendamento, “é prestação ilegal

de alojamento, a actividade de prestação de alojamento ao público, sem possuir a licença para exploração de estabelecimentos hoteleiros, em prédio ou fracção autónoma não destinado a fins de actividade hoteleira e similar, cujo ocupante é não residente da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM)”. Lei que não se aplica caso a pessoa que preste alojamento tenha uma relação estável de arrendamento com o ocupante e, antes da investigação da actividade referida, entregue a declaração de contribuição predial relativa a esta relação de arrendamento, junto da Direcção dos Serviços de Finanças, ou se a pessoa em causa e o ocupante já tenham uma relação antes do alojamento, seja ela familiar, profissional ou pessoal, levando a que alojamento seja gratuito.


8 sociedade

Os casamentos em Macau não param de aumentar em contraste com o número de divórcios que, este ano, registou uma descida pela primeira vez na última década

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

DIVÓRCIOS DIMINUEM PELA PRIMEIRA VEZ EM DEZ ANOS

O amor está no ar separações legais, menos 58 do que no ano de 2012, que ultrapassou os 1200 divórcios. Segundo os últimos dados sobre separações, tanto em 2001 como em 2012, o grupo que apresenta o maior risco de separação são os casais cuja duração do casamento está na casa dos cinco e nove anos: respectivamente 140 casais e 502 casais separaram-se.

O segundo grupo mais vulnerável são os casais com menos de cinco anos de casamento. Nesta faixa, houve um aumento de separações de 51 casais para 245, entre 2001 e 2012. Contudo, os que já têm um casamento que dura há mais de 20 anos também escolhem a via da separação: em 2001 houve 43 casais que

puseram fim ao casamento e no ano passado houve 198 divórcios deste tipo. Os dados não incluem, porém, os casais cujo divórcio não é oficial mas que já se encontram separados.

MENTALIDADES

Apesar da ligeira descida no ano passado, os últimos dez anos foram marcados

FILIPA ARAÚJO

filipa.araujo@hojemacau.com.mo

O

número de casamentos tem aumentado de ano para ano e o de separações tem sido merecedor do fenómeno oposto, algo que não acontecia há uma dez anos. Isso mesmo mostram dados da Direcção de Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC) fornecidos ao HM. O número de divórcios diminuiu em Macau - algo que não se verificava nos últimos dez anos. Em 2013, a DSEC apresenta um total de 1172

O

volume das transacções ilegais com recurso a terminais portáteis da Union Pay International em Macau ascende a 300 milhões de patacas, revelou à agência Lusa a Polícia Judiciária (PJ). Desde o início do ano até ao final de Agosto foram registados 40 inquéritos na PJ, dos quais 34 entregues ao Ministério Público, disse fonte da PJ, indicando que no âmbito das investigações foram detidas 51 pessoas. Destas, 39 são da China, das quais seis sujeitas a caução, e 12 de Macau. As operações são ilegais porque são efectuadas em Macau através das máquinas POS da Union Pay da China ou outras fornecidas por terceiros, o que faz com que a Union Pay International não receba a percentagem a que tem direito por a transacção ter sido efectuada, de facto, fora da China continental. “O montante total dos 34 casos ascendeu a 300 milhões de patacas

por um forte crescimento do número de divórcios. Este comportamento foi já alvo de análise da secretária-geral do Conselho Consultivo das Famílias Católicas de Macau, Chao Lai Wan, que apontou a mudança na forma de pensar tradicional e também da estrutura familiar como principais razões para as separações. Em declarações ao HM, no ano passado, Chao Lai Wan afirmou que as cinco principais causas para a separação dos casais são a descoordenação sobre o ensino dos filhos, a economia, o sexo, o estilo de vida e a relação de afinidade, segundo estudos internacionais. Chao Lai Wan explicou que, em Macau, as mulheres tiveram mais oportunidades de trabalho nos últimos anos e, pelo facto de já não precisarem de depender dos maridos, acabam por se emancipar. Esta autonomia das mulheres face aos homens explica o porquê do aumento de divórcios nos últimos dez anos. Agora, a tendência parece estar a alterar-se.

MAIS FESTAROLAS

A provar que o amor parece andar no ar em Macau está a subida no número

de casamentos. Segundo dados da DSEC, só nos primeiros seis meses do ano já decorreram mais de dois mil casamentos.

2379

casamentos até final de Julho de 2014

Durante o ano passado, foram celebrados 4153 casamentos, mais 370 uniões do que no ano anterior e mais 608 do que no ano de 2012. Destes casamentos, mais de dois mil aconteceram em regime de comunhão de adquiridos ou geral, enquanto apenas 617 foram celebrados em regime de separação de bens. Já este ano, desde Janeiro até Julho, foram registados mais casamentos do que no primeiros sete meses do ano passado, que registou 2218 uniões. Números avançados pela Conservatória do Registo Civil mostram que, até final de Julho, 2379 casais oficializaram as suas relações, sendo que apenas 558 aconteceram em regime de separação de bens.

UNION PAY PREJUÍZOS ASCENDEM AOS 300 MILHÕES DE PATACAS

Esquema sem limites e o valor total do prejuízo para a Union Pay International foi de 600 mil patacas”, montante correspondente a 0,2% de comissão a que a empresa teria direito se a transacção fosse reportada, segundo detalhou a PJ. Os detidos são considerados suspeitos de terem causado prejuízo de valor elevado ou consideravelmente elevado à Union Pay International. À luz do Código Penal, considera-se «valor elevado» o montante que excede 30 mil patacas e “valor consideravelmente elevado” quando ultrapasse 150 mil patacas.

RECEITAS INFLUENCIADAS

O esquema - que ocorreu “não só nos casinos, mas também em

restaurantes ou estabelecimentos localizados nas ruas adjacentes” aos espaços de jogo – visa alegadamente ultrapassar o limite de 20.000 yuan por dia que os visitantes da China podem transportar para a RAEM, uma quantia considerada pequena para as apostas em Macau. “Com o objectivo de se inteirar melhor da situação das transacções e motivar a intervenção oportuna nos termos da lei, a PJ tem [mantido] uma boa comunicação com a Union Pay International e com os bancos de Macau. Para esse efeito, tem também contacto com o departamento de segurança dos casinos. Neste caso, tem-se muito em atenção à questão de

sensibilização dos trabalhadores e responsáveis destes departamentos”, refere a polícia quando questionada sobre as diligências em curso. Contudo, salienta, “este tipo de crime é considerado crime semi-público pelo que o procedimento criminal só pode ser iniciado após a denúncia”. Os esquemas com os cartões de débito da Union Pay foram apontados por analistas consultados pela Lusa como um dos factores para a primeira queda em cinco anos das receitas de jogo em termos anuais homólogos verificada em Junho, por contribuírem para fazer descer a liquidez de grande parte dos jogadores.

Idosos Revisão de transferências para lares

Na reunião ordinária do Conselho Consultivo das Ilhas, na passada terça-feira, o vice-presidente do Conselho, Wong Wan Hei, bem como o vogal, Lam Wai Hong, apontaram que o problema de envelhecimento é cada vez mais grave, pois aumenta as necessidades de apoio de enfermagem, assim como provoca um engarrafamento das listas de espera para os lares. Os membros apelaram para que o Governo reveja o mecanismo de avaliação e de transferência dos idosos para os lares, permitindo que haja um aceleramento no processo e também um aumento do número de vagas.


sociedade 9

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

TURISMO SUSPENSÃO DE VISTOS PARA HONG KONG “PODE AFECTAR” MACAU

A situação na ex-colónia britânica pode vir a ter consequências negativas no número de visitantes que se deslocam à RAEM, sobretudo naqueles que planeavam uma visita colectiva às duas cidades TCM Veículos alugados a casinos

A Sociedade de Transportes Colectivos de Macau (TCM) tem vindo a alugar desde finais de Setembro autocarros às operadoras de Jogo para o transporte de trabalhadores não residentes. A notícia foi avançada ontem pelo Jornal Tribuna de Macau, que cita fonte da empresa, que explica que até ao momento foram alugados 17 autocarros para o período diurno, enquanto que à noite são alugados apenas 11. Com 2230 autocarros a operar diariamente em Macau, a TCM garantiu ainda ao jornal que o aluguer de transportes às empresas de Jogo não afecta o serviço de transporte público.

FLORA FONG

flora.fong@hojemacau.com.mo

O

vice-presidente da Associação de Indústria Turística de Macau, Wong Fai, está preocupado com a suspensão de vistos do interior da China para Hong Kong. Wong Fai diz que isto pode influenciar o sector do Turismo de Macau. Ao canal chinês da Rádio Macau, Wong Fai disse prever uma diminuição do número de turistas excursionistas do interior da China. O responsável apontou, inclusivamente, a questão da suspensão de vistos pela Administração Nacional de Turismo da China para a

vizinha RAEHK – que vai continuar por mais um mês. “O sector previa que o volume de turistas provenientes de excursões do interior da China seria elevado, mas, com os dados relativos à semana passada, prevejo que as excursões em causa vão diminuir 20 ou 30%, sobretudo aquelas que combinavam uma visita colectiva às duas cidades vizinhas”, explicou Wong.

“O sector previa que o volume de turistas provenientes de excursões do interior da China seria elevado, mas, com os dados relativos à semana passada, prevejo que as excursões em causa vão diminuir 20 ou 30%”

‘OCCUPY’ FAZ DESOCUPAR

WONG FAI Vice-presidente da Associação de Indústria Turística de Macau

No entanto, o responsável afirmou também que, uma vez que os vistos individuais e de um só dia não são influenciados por esta medida, a descida do número total de turistas não será abrupta. Isto porque,

MAIS UM CASO DE BURLA PARA OBTENÇÃO DE SUBSÍDIOS

A ocasião faz o ladrão O Ministério Público (MP) está a acompanhar um caso de alegada burla cometida por quatro indivíduos para a obtenção de subsídios do Fundo para a Protecção Ambiental e Conservação Energética, o qual foi descoberto pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC). Os indivíduos, que já foram constituídos arguidos, são suspeitos da prática dos crimes de falsificação de documentos e burla, previstos no Código Penal. Estes crimes podem originar penas de prisão até aos três anos. Este é já o segundo caso de fraude relacionado com a obtenção destes subsídios públicos este mês, depois de, na semana passada, o

responsável de uma associação ter sido acusado do mesmo crime, ainda que os pedidos tenham sido feitos à Fundação Macau. Neste caso, os quatro arguidos terão tentado obter os apoios financeiros “por várias vezes” e por “meios fraudulentos”. Três dos arguidos são residentes da RAEM enquanto que o quarto arguido é oriundo de Hong Kong. Três deles são fornecedores de produtos que prestavam “ajuda a interessados no tratamento

200

mil patacas, montante de burla relativa ao apoio financeiro

TIAGO ALCÂNTARA

Mais protestos, menos visitas

das formalidades de candidatura” para o referido plano de apoio, enquanto que o outro é o candidato aos subsídios sobre produtos de conservação energética. No total, os arguidos terão feito um total de 22 pedidos ao Governo, apresentados por empresas diferentes. Estão envolvidos montantes superiores a 800 mil patacas, “estimando-se mais de 200 mil patacas o montante de burla relativa ao apoio financeiro”. Os arguidos confessaram os crimes. Segundo a nota emitida pelo CCAC, “registou-se nas empresas dos arguidos um aumento do volume de vendas dos produtos de conservação energética, subindo assim os lucros”. Um dos arguidos é funcionário público.

de acordo com o vice-presidente da associação, estão planeadas várias conferências e exposições para o final deste ano. Wong Fai menciona que há actividades de visita feitas por alunos do Sudeste Asiático até Hong Kong e Macau no final deste mês, mas prevê que haja a possibilidade destas virem a ser suspensas. A suspensão está relacionada com um aviso turístico emitido por vários países sobre região vizinha, que está também ligado aos re-

centes protestos nas ruas de Hong Kong. “Tudo depende da situação do movimento ‘Occupy’, que servirá para decidir se se continua, ou não, com as visitas”, frisou Wong. Segundo dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública (PSP), 901 mil turistas visitaram Macau durante a Semana Dourada, na qual se inclui o feriado do Dia Nacional da China. Os números mostram um aumento de 6,16%, comparando com o período homólogo do ano passado.

EPM Recluso filipino morre no hospital

Um recluso filipino doente oncológico, em fase terminal, morreu esta terça-feira, no Hospital Conde S. Januário onde se encontrava internado. O recluso de 50 anos tinha sido condenado a uma pena de quatro anos e dez meses por tráfico de estupefacientes em 2012. Há dois anos, com a sua entrada no Estabelecimento Prisional de Macau, o recluso foi diagnosticado com anomalias nos pulmões tendo sido posteriormente transferido para o Centro de Prevenção e Tratamento de Tuberculose e para a especialidade do São Januário, para seu acompanhamento. O estado clínico foi progressivamente piorando, acabando por o levar à morte esta semana.

Rendas Governo realiza inquérito para estatísticas

A Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) está a realizar um inquérito à população sobre as rendas dos imóveis, sendo que a consulta das informações será feita por telefone até ao próximo dia 14 de Outubro. Segundo as cartas que têm vindo a ser entregues nas casas dos residentes, as respostas são obrigatórias e pretendem “recolher informações sobre as rendas das unidades de alojamento do território para compilar o Índice de Preços do Consumidor”.

PUB

ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.º 16/P/14 Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 15 de Setembro de 2014 , se encontra aberto o Concurso Público para <<Prestação de Serviços de Apoio Técnico Informático aos Serviços de Saúde >>, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 8 de Outubro de 2014, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, nº 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP36,00 (trinta e seis patacas), título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria destes Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo) As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São

Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 28 de Outubro de 2014. O acto público deste concurso terá lugar no dia 29 de Outubro de 2014, pelas 10,00 horas, na sala do <<Auditório>> situada junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação e uma caução provisória no valor de MOP 56.460,00 (cinquenta e seis mil, quatrocentas e sessenta patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/SeguroCaução de valor equivalente. Serviços de Saúde, aos 24 de Setembro de 2014 O Diretor dos Serviços Lei Chin Ion


h

hoje macau quinta

ARTES, LETRAS E IDEIAS

10

ANTÓNIO CONCEIÇÃO JÚNIOR

“A HAVER UM C TRANSITA EM M TERRITÓRIOS A

Amanhã inaugura no Clube Militar a mais recente expos O evento está marcado para as 18h15. São 30 fotografi pelo pensamento. Assim, não escolhi este caminho. Nem este nem outro. A visão encontra na realidade impermanente um canto de sereia, um como que jogo de sedução cujo desfecho é um deslumbramento efémero. A haver um caminho, transita em múltiplos territórios a descobrir. Assim sendo, qual o lugar do espectador no seu trabalho? O espectador primeiro sou eu e o meu lugar é o da descoberta, sentimento muito gratificante, mas simultaneamente fugaz. Eu, enquanto espectador, depressa me afasto, pois o gozo termina com a descoberta. Quanto ao espectador outro, não penso que tenha de fazer um exercício de memória. Patente que está a realidade transfigurada, convidaria o espectador a olhar e ver, conferindo a cada imagem outro plano referencial.

“NÃO AFIRMO QUE ESTAMOS CONDENADOS A SER LIVRES, ANTES PRISIONEIROS DE UMA SUPOSTA LIBERDADE” No seu anterior trabalho, “Trânsitos”, tal como no actual “Territórios”, é a câmara que efectivamente cria a realidade que fotografa. Contudo, essa realidade é furtiva, impermanente, induz a um trabalho pessoal da memória do espectador. Por que razão escolhe este caminho? Para mim a visão tem uma importância transcendente. É preciso ver para além do olhar. E a cegueira desde sempre me fascinou sobretudo porque, nascido em Macau, desde cedo me habituei aos adivinhos

cegos, aos contadores de histórias cegos, àqueles que pareciam ser os escolhidos. Depois surge o Pomar com o seu livro “Da Cegueira dos Pintores” e, mais tarde, o Saramago com o “Ensaio sobre a Cegueira”. Borges dizia que “o poeta, tal como os cegos, pode ver no escuro”. Estaremos então no puro campo da óptica? Não, embora o meio, o instrumento mediador, seja uma câmara fotográfica. Por outras palavras, o olhar neófito precisa de “cegar” para ver. O conhecimento das coisas em si não se alcança pela percepção sensível, mas sim

O que significa para si conceito de liberdade e de que modo o encontra ligado ao acto criativo? Liberdade enquanto conceito não discuto. Podemos elaborar filosófica e infinitamente sobre o assunto, nada mais. Viver ou construir-me livre é, isso sim, imprescindível dentro da minha utopia da liberdade. Felizmente que o pensamento criativo precede o acto de criar, muitas vezes oficinal e, como tal, limitador e angustiante. As manifestações criativas sofreram uma mutação. Banksy, “street artist”, ao lado de Alexandre Farto, com os seus retratos gravados em edifícios, revelam a liberdade do acto criativo fora do velho conceito autoritário de arte, que a definia como “superior” ou “inferior”, imutável, integrada e até nacionalista. Mas mesmo estes já foram recuperados pelos ditos “mercados” e, por isso, ao contrário de Sartre, não afirmo que estamos condenados a ser livres, antes prisioneiros de uma suposta liberdade. A fuga através do pensamento, a vivência através do acto criativo, pode dar-nos a visão do que poderá ser ser-se livre.

Considera, então, que o exercício total da liberdade só será possível num mundo criado pela arte? Mesmo sem o exercício da utopia, é fácil perceber o que é a capacidade ou manifestação criativa e o que é a mistificação. Um mundo criado pela Arte seria transgressor. Mas já vou tendo alguma atenção em não me deixar iludir por um mundo que, febril e obsessivamente, vive a arte, come arte, sua arte, mas ainda não cresceu para a arte. Mas não arriscaremos assim uma submissão a uma série fragmentada de egos — narcísicos, ciumentos, totalitários? Em nome da liberdade e da arte? Os egos narcísicos, ciumentos, totalitários existem em qualquer área, dentro e fora do campo da arte. Alguns, diria eu,


artes, letras e ideias 11

a-feira 9.10.2014

Carlos Morais José

info@hojemacau.com.mo

CAMINHO, MÚLTIPLOS A DESCOBRIR”

sição de António Conceição Júnior, “Territórios”. fias de prova única são mesmo necessários como espelho, ou moldura do espelho de nós mesmos. Em nome da liberdade não há lugar a submissão, por simples incompatibilidade. Em nome da liberdade, nada. Em nome da liberdade, tudo. Em nome da arte, há tanto a descobrir. Em nome da arte, há tanto a transgredir. Em nome da arte, “ninguém nos leva ao engano/ toureamos mano a mano/só nos podem causar dano/esperas” (Ary dos Santos). O que procura e o que encontra na fotografia? Digamos que serei um pintor que fotografa e que jamais pintaria o que fotografa. O meu fotografar advém de uma permanente disponibilidade para um olhar selectivo, para ver e registar. O não

estar obcecado por nada deixa-me livre. Não havendo condicionantes, a liberdade anda por aí. Não entenderia o seu trabalho como algo da ordem da captura mas muito mais do descobrimento, como se cada imagem contivesse a possibilidade de um novo continente, de uma ilha desconhecida, de topologias imaginárias. Por que razão é importante para si esta construção de territórios atópicos? Sim, é sempre uma descoberta, um deslumbramento do olhar que me permite transitar por territórios de sonho, que não estão sujeitos a geografias ou a pontos cardeais. São territórios atópicos, fragmentários, habitáculos de mim. Não deixando de ser representáveis da minha narrativa, perdem o sentido de lugar-espaço, de topografia, para dar lugar a uma topologia quase metafísica, de ligação de mim a mim e ao microcosmos que me habita e onde me situo. Existe, por outro lado, no seu trabalho uma depuração, uma simplicidade e desarmónica harmonia, onde as formas se inscrevem num vazio irreferenciável, que me remetem para as doutrinas próximas do budismo zen. Neste sentido, entenderia uma destas imagens penduradas na parede de uma sala de chá japonesa, no lugar de um kakemono? Só essa ideia ou possibilidade constitui um cumprimento. Seria chegada à essência da imagem. No fundo podemos elaborar à volta de todas as teorias, mas to hear the sound of one hand clapping está muito de acordo com o topos zen. Não me consigo alhear - nem quero - do meu interesse pela China como a civilização matricial e pelo Japão como a cultura herdeira que soube absorver Confúcio, a arquitectura dos Tang, mas também excisar de si todo o excesso. Estamos agora num outro paradigma onde os discursos da razão dão lugar à não-razão, à afirmação pela negativa, como, por exemplo, o conceito de mushin, a não-mente. São territórios

“JÁ VOU TENDO ALGUMA ATENÇÃO EM NÃO ME DEIXAR ILUDIR POR UM MUNDO QUE, FEBRIL E OBSESSIVAMENTE, VIVE A ARTE, COME ARTE, SUA ARTE, MAS AINDA NÃO CRESCEU PARA A ARTE.” estranhos e herméticos à dialética, ao permanente questionar do Ocidente. É a pergunta, a especulação, face à integração dos opostos, ao primado do paradoxo. Quem acompanha o seu trabalho fotográfico percebe um alheamento do quotidiano, um divórcio do social e da cultura. No entanto, António Conceição Júnior surge habitualmente, noutros contextos e formas de expressão, como alguém preocupado com uma vertente cívica da vida.

Será a expressão pictórica um caminho de distanciamento, de um encontro mais subjectivo, ou nela inclui também (e aí estarei errado) preocupações sociais? Estes territórios fazem parte do meu território estético que está, também ele, fragmentado em diversas formas de expressão. A minha intervenção cívica é também moldada por uma estética. Ela faz o apelo a uma forma de ver. Outras áreas por onde transito têm-se manifestado de modo mais imediato, mas nem por isso, penso, menos coerentes.


12 publicidade

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

Seminário “Medicina Legal e Forense: limites e potencialidades” A Medicina Legal e Forense é a aplicação de conhecimentos médicos e metodologias para a resolução de questões jurídicas e problemas para os indivíduos e a sociedade. Envolve a observação, documentação, recolha, avaliação e interpretação científica da evidência médica decorrente de investigações clínicas post mortem requeridas por diferentes áreas do direito, incluindo penal, civil, do trabalho, da família e administrativo. Nos últimos anos, séries de televisão CSI proporcionaram uma enorme visibilidade e projeção entre a opinião pública das diversas áreas da ciência forense. Essa visibilidade tem contribuído para um melhor conhecimento das ciências forenses e ao mesmo tempo para criar alguns equívocos. Esta palestra aborda as várias áreas de medicina forense e suas potencialidades e limitações no âmbito de investigações criminais e na investigação judicial em outros campos do direito.

Professor Catedrático Duarte Nuno Vieira O Vencedor da “Douglas Lucas Medal 2014”, considerado o melhor investigador forense do mundo, é Professor Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e Presidente do Conselho Pedagógico desta Faculdade, sendo também docente visitante em diversas outras universidades nacionais e estrangeiras. Presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal e do Conselho Médico-Legal. É Presidente da Academia Internacional, da Associação Internacional de Ciências Forenses e da Associação Mundial de Médicos de Polícia. Orador: Professor Catedrático Duarte Nuno Vieira Data: 10/10/2014 (Sexta- Feira) Hora: 15:00 Local: Anfiteatro nº3, 1ºandar, Edif Wui Chi, IPM Língua: Inglesa

ANÚNCIO

CONCURSO PÚBLICO PARA “OBRA DE DECORAÇÃO DA RESIDÊNCIA DO ESTUDANTE DO EDIFÍCIO LEI SAN” 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9.

10. 11.

Sejam Bem-Vindos!

12.

13.

AVISO RENOVAÇÃO DA LICENÇA 1.

Faz-se público que , nos termos do n.º 1 do artigo 130.º do Regulamento da Actividade Hoteleira e Similar aprovado pela Portaria n.º 83/96/M, de 1 de Abril, a renovação da licença dos estabelecimentos hoteleiros e similares deve ser efectuada junto da Direcção dos Serviços de Turismo no mês de Outubro de 2014, nomeadamente: i)

2.

3.

Hotel ii) Pensão iii) Restaurante iv) Bar v) Sala de Dança

Prazo, local e horário Prazo: Outubro de 2014 (com excepção de sábados, domingos e feriados). Local 1: Direcção dos Serviços de Turismo, Alameda Dr. Carlos Assumpção nº. 335-341, Edifício “Centro Hot Line”, 18.º andar, Macau. Horário: 2. ªs às 5.ªs feiras, das 09H00 às 17H45 (sem interrupção). 6.ªs feiras, das 09H00 às 17H30 (sem interrupção). Local 2: Centro de Serviços da RAEM, Rua Nova da Areia Preta n.º 52, Macau. Horário: 2ªs às 6ªs. feiras, das 09H00 às 18H00 (sem interrupção). Documentos a apresentar para a renovação da licença e respectivas taxas podem ser consultados na página electrónica: http://industry.macautourism.gov.mo/license/ renewal

Para mais informações poderá ser contactada a Divisão de Licenciamento durante as horas de expediente, através do telefone 8397-1312/8397-1313, por fax 2833-0518 ou por email dl@macautourism.gov.mo. Direcção dos Serviços de Turismo, aos 11 de Setembro de 2014. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

14.

15. 16.

Entidade que põe a obra a concurso: Instituto Politécnico de Macau (IPM). Modalidade de concurso : concurso público. Local de execução da obra: Rua de Luís Gonzaga Gomes, N.º 136 Edifício Lei San, 4º andar, A4~H4. Objecto da empreitada: execução dos trabalhos de reconstrução e decoração da residência do estudante do Instituto Politécnico de Macau, no local de execução da obra. Prazo máximo de execução: 75 dias. Prazo de validade das propostas: o prazo de validade das propostas é de 90 dias, a contar da data do Acto Público do Concurso, prorrogável, nos termos previstos no Programa de Concurso. Tipo de empreitada: a empreitada é por Série de Preços. Caução Provisória: MOP 180.000,00 (cento e oitenta mil patacas), a prestar mediante depósito em dinheiro, garantia bancária ou seguro-caução aprovado nos termos legais. Caução definitiva: 5% do preço total da adjudicação (das importâncias que o empreiteiro tiver a receber, em cada um dos pagamentos parciais são deduzidos 5% para garantia do contrato, para reforço da caução definitiva a prestar). Preço base: não há. Condição de admissão: inscrição na DSSOPT na modalidade de execução de obras. Local, dia e hora do limite para entrega das propostas: Local : Divisão de Obras e Aquisições do IPM, Rua de Luís Gonzaga Gomes. R/C, Macau; Dia e hora do limite: 29 de Outubro de 2014 (Quarta-feira), pelas 17H45 Em caso de encerramento dos serviços e entidades públicas da RAEM, por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora do limite para a entrega de propostas serão adiadas para o mesmo tempo do primeiro dia útil seguinte. Local, dia e hora do acto público: Local: Anfiteatro III, 1.º andar do Edifício Wui Chi do Instituto Politécnico de Macau, sita na Avenida de Dr. Rodrigo Rodrigues. Dia e hora: 30 de Outubro de 2014 (Quinta-feira), pelas 10H00 Em caso de adiantamento da data do limite para a entrega de propostas mencionada de acordo com o número 12 ou em caso de encerramento dos serviços e entidades públicas da RAEM na hora estabelecida para o acto público de abertura das propostas acima mencionadas por motivos de tufão ou de força maior, a data e a hora estabelecidas para o acto público de abertura das propostas serão adiadas para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. Os concorrentes os seus representantes deverão estar presentes ao acto público de abertura de propostas para os efeitos previstos no artigo 80º do Decreto-Lei n.º 74/99/M, e para esclarecer as eventuais dúvidas relativas aos documentos apresentados no concurso. Local, hora e preço para obtenção da cópia e exame do Processo; Local: Divisão de Obras e Aquisições do IPM, Rua de Luís Gonzaga Gomes, R/C, Macau; Dia: A partir do dia deste anúncio até ao dia e hora do acto público do concurso. Horário: Horário de Expediente. Na Divisão de Obras e Aquisições do IPM poderão ser solicitadas cópias do processo de preço de MOP1.000,00 (mil patacas), por exemplar. Critérios de apreciação de propostas e respectivos factores de ponderação: - Preço razoável 60% - Plano de trabalhos 10% - Experiência e qualidade em obras 18% - Integridade e honestidade 12% Junção de esclarecimentos: Os concorrentes deverão comparecer na Divisão de Obras e Aquisições do IPM, Rua de Luís Gonzaga Gomes, R/C, Macau, a partir de 16 de Outubro de 2014 (inclusive) e até à data do limite para a entrega das propostas, para tomar conhecimento de eventuais esclarecimentos adicionais. Macau, 29 de Setembro de 2014 O Presidente do Instituto Politécnico de Macau, Lei Heong Iok


EVENTOS

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

REPORTAGEM TELAS DE VICTOR MARREIROS EM EXPOSIÇÃO A SOLO

O designer e artista, Victor Marreiros, volta às galerias a solo, depois de cinco anos sem mostrar o seu trabalho. Inaugurou ontem “Beyond Pixels”, que compreende mais de 40 obras de género satírico e sobre os mais variados temas LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

C

ONVERSANDO calmamente com alguns dos presentes na loja Signum Store, Victor Marreiros parecia contar uma história, tal como alguns dos seus quadros. No entanto e de acordo com declarações dadas ao HM, o artista considera que as suas obras são bem mais do que isso. É que, além de retratar momentos, capta também outros aspectos do quotidiano. “Vou registando uma anedota, uma conversa, um filme. É a minha forma de escrever”, disse. É que alguns falam sobre o escritor português, Camilo Pessanha, outros mostram mulheres, cigarros e fumo, enquanto três ou quatro mostram resquícios de um Portugal ido, dos tempos do 25 de Abril, a conhecida Revolução dos Cravos. As telas de “Beyond

HOJE MACAU

“É a minha forma de escrever”

Pixels” – a primeira exposição a solo dos últimos cinco anos – parecem transportar-nos para um universo que mistura desenho e formas digitais, culminando naquilo a que realmente pertence: o campo das artes visuais. Todas as obras foram criadas entre 2001 e 2014 nos “tempos livres” de Marreiros, designer gráfico de profissão e que confessa ter fraca margem temporal fora do trabalho. A mais recente exposição do autor surgiu a partir do convite da própria loja de design, que passava bem por galeria, pela forma como as peças para venda se parecem com autênticas obras de arte. Para além das telas que foram sendo realizadas ao longo dos anos e não se prendem por um tema transversal, Marreiros optou por pendurar uma selecção de quadros respeitantes à religião e que já haviam sido utilizados em selos. Questionado sobre a forma de arte com a qual se sente mais confortável, o autor, embora hesitante, diz ser o design

Criei uma linha cada vez mais estilizada. Depois de muitos anos, senti necessidade de voltar ao figurativo gráfico. “Talvez seja o design gráfico. De vez em quando faço interiores, mas é o gráfico que prefiro”, colmata.

UMA LINHA “MAIS ESTILIZADA”

Geneveva Rodrigues foi uma das dezenas de pessoas que se deslocaram até à zona da Barra para presenciar a inauguração de “Beyond Pixels”. Para a residente de Macau, foi “Nebuloso” que mais captou a sua atenção. “Desperta-me algo, mas é realmente um gosto pessoal”, diz, referindo ainda que os retratos de Camilo Pessanha são

os seus preferidos. A varanda, que serve de porto seguro para os fumadores e apreciadores de bom vinho, está repleta de pessoas que vão comentando, aqui e ali, a obra do autor. Ao vislumbrar os trabalhos de Victor Marreiros, a sensação que fica é a de diversidade de estilos. “Criei uma linha cada vez mais estilizada. Depois de muitos anos, senti necessidade de voltar ao figurativo”, sendo essa a principal linha que corre e agrega todos os quadros de “Beyond Pixels”, quase todos eles munidos de figuras humanas. “Sinto-me muito bem. Tenho os meus amigos e outras pessoas que vêm apenas pela exposição. Ser designer é a minha profissão e hoje pinto, amanhã faço vídeo... Enfim, consoante a vontade do momento”, conta, sentado diante um dos seus quadros que confessa ser um dos seus preferidos, ‘Vida’.

ACESSO ÀS ARTES

O sueco Johan Persson vive em Hong Kong, mas nem isso o impediu de vir até ao território vizinho para a inauguração da mostra de Marreiros, de quem já ouvira falar várias vezes. “Acho que é óptimo que Macau tenha acesso a este tipo de peças, que mostram um pouco de todo o mundo”, referiu o também designer. Persson disse ainda, em conversa com um amigo, o quão “interessante” é ouvir falar português num local tão distante da terra que nos deu essa língua. Não há, para já, mais nenhuma exposição agendada e há quem lamente esse facto, como é o caso de Ana Paula Cleto, delegada da Fundação Oriente no território e amiga do artista há já vários anos. “Não é fácil vermos os trabalhos dele porque expõe com intervalos de tempo muito espaçados. Considero que o Victor Marreiros é um dos melhores artistas de Macau e conheço-o há muitos anos. Tem um trabalho excelente, acima de tudo ao nível do design gráfico e da pintura, por exemplo”, frisou a responsável ao HM. Para Persson, a escolha do local para a exposição foi “perfeito”, uma vez que cria uma noção de homogeneidade, por vezes complicada de atingir. “Beyond Pixels” estará patente até ao último dia do ano nos dois andares da galeria e loja de design, Signum Store, perto do restaurante português “A Lorcha”.

O QUE FAZER ESTA SEMANA HOJE

13

?

FESTIVAL DE JAZZ & BLUES Venetian, Cotai 18h30 – Bleu Rascals / Jazz Quartet 19h00 – Skyline / DJ sessions 19h30 – Big Small Quintet with Tess Collins 20h00 – Afro Jazz 20h30 – Andy Fresco & The UN 21h00 – Trio Ricardo Special 22h00 – Sister Sparrow and the Dirty Birds 23h00 – Anthony Strong / Blue Note ENTRADA LIVRE DOMINIC MILLER BAND (FIIM) Fortaleza do Monte, 20h00 ENTRADA LIVRE

AMANHÃ FESTIVAL DE JAZZ & BLUES Venetian, Cotai 18h00 – Big Small Quintet with Tess Collins / DJ Sessions 18h30 – Blue Note 19h00 – Old Style Sextet 19h30 – Blue Note 20h00 – The Kandinsky Effect 21h00 – 3-0-3 Tango Fusion 21h30 – 80 & Tal 22h00 – Soulmate 23h30 – Andy Fresco & The UN / Flipside DJ Sessions ENTRADA LIVRE INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE CONCEIÇÃO JÚNIOR “TERRITÓRIOS” Clube Militar, 18H15 ENTRADA LIVRE INAUGURAÇÃO DO WORLD PRESS PHOTO (até 2 de Novembro) Casa Garden, 18h30 ENTRADA LIVRE

SÁBADO FESTIVAL DE JAZZ & BLUES Venetian, Cotai 13h00 – Jazz Jam 15h30 – Blue Note 17h00 – Concrete/Lotus 17h30 – 80 & Tal 18h00 – Concrete/Lotus 19h00 – The Moreira Project 20h00 - Lowcal 21h00 – Budda Power Blues (Portugal) 22h00 – The Northern Governors 23h00 – Andy Fresco and The UN ENTRADA LIVRE STAND UP COMEDY COM JOÃO SEABRA Auditório do Consulado de Portugal em Macau, 20h30 ENTRADA LIVRE


14

CHINA

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

HONG KONG CY LEUNG ACUSADO DE RECEBER CONTRAPARTIDAS DE FIRMA AUSTRALIANA

O Chefe, o engenheiro e os milhões secretos

U

MA investigação revelada ontem pelo grupo Fairfax Media indica que o chefe do Executivo de Hong Kong encaixou milhões em contrapartidas de uma empresa australiana cotada em bolsa em troca do seu apoio aos negócios da firma na Ásia. O acordo consta de um contrato secreto datado de 02 de Dezembro de 2011 – quando ainda não era líder do Governo –, no qual uma empresa de engenharia australiana, a UGL, acordava pagar-lhe 4 milhões de libras. Os pagamentos foram feitos em duas tranches, em 2012 e 2013, quando já era chefe do Executivo da Região Administrativa Especial chinesa. Os pagamentos, segundo o jornal The Age, têm a ver com um acordo em que a UGL comprou uma firma de serviços imobiliários britânica à qual CY Leung estava associado, a DTZ Holdings, cujos prospectos dependiam da rede de contactos de CY Leung em Hong Kong e no interior da China.

NADA A DECLARAR

Um comunicado, emitido pelo gabinete do Chefe do Executivo, sublinha que os pagamentos se referem ao

SCOTT EELLS/BLOOMBERG

O caso diz respeito a um acordo que o actual Chefe do Executivo de Hong Kong firmou com uma empresa de engenharia australiana em 2011, pelo qual receberia quatro milhões de libras. O pagamento, efectuado em duas tranches, ocorreu entre 2012 e 2013

do grupo DTZ na medida do razoavelmente solicitado pela UGL”. Também terá concordado em não competir com a UGL e agir como “árbitro e conselheiro de tempos a tempos”, acrescentando numa nota escrita à mão que o seu apoio era concedido na condição de “não criar qualquer conflito de interesses”, o que entra em contradição, como aponta o jornal, com a declaração do gabinete de CY Leung quando diz que os pagamentos se referiam apenas a negócios passados.

CONTAS À VIDA

passado, tendo sido acordados numa altura em que CY Leung não detinha qualquer posição no Governo. “Tanto a saída da DTZ como a conclusão do acordo com a UGL tiveram lugar

antes de CY Leung ter sido eleito como chefe do Executivo”, disse o porta-voz do chefe do Executivo, Michael Yu, citado pelo mesmo jornal australiano. Por isso, acrescentou:

“Tanto a saída da DTZ como a conclusão do acordo com a UGL tiveram lugar antes de CY Leung ter sido eleito como chefe do Executivo” MICHAEL YU Porta-voz do Chefe do Executivo

PUB

“Não há qualquer requerimento, ao abrigo do nosso sistema de declaração de interesses, que obrigasse Leung a ter de declarar”. Leung anunciou a sua saída da DTZ a 24 de Novembro, confirmou formalmente a sua candidatura a Chefe do Executivo três dias depois e assinou o lucrativo contrato a 02 de Dezembro de 2011, sublinha o mesmo jornal australiano, do grupo Fairfax Media. A resignação de Leung entrou em vigor a 04 de Dezembro de 2011, o dia em que a UGL adquiriu a britânica DTZ.

LEUNG OPACO

O arranjo levanta questões relativamente à transparência de CY Leung e também sobre a aquisição pela companhia australiana, a qual se encontra em processo de venda do negócio da DTZ a uma firma de investimento privado dos Estados Unidos, a TPG. Os administradores da DTZ, a Ernst & Young, e o presidente à época da venda à UGL, Tim Melville Ross, afirmaram desconhecer o acordo com o político de

Hong Kong com a empresa australiana. Os termos do acordo foram definidos numa carta do CEO da UGL, Richard Leupen, numa carta, publicada pelo mesmo jornal. “Foi um prazer conhecê-lo durante este período e espero que continuemos a nossa relação no futuro”, escreveu Richard Leupen, acrescentando: “As nossas conquistas em Hong Kong e na China têm sido extraordinárias”. O ‘site’ do The Age refere ainda, com base na

Os termos do acordo também contrastam com o relatório anual de contas da DTZ, onde se refere que CY Leung não recebeu qualquer pagamento além do estatutariamente previsto no caso de cessação de funções devido a uma mudança de propriedade, segundo o jornal. Em resposta, a empresa australiana UGL sublinhou a importância de CY Leung nas operações chinesas da empresa que eles estavam a adquirir. A empresa disse que o acordo prevendo os pagamentos foi feito não na esperança de pedir favores para o negócio, mas devido ao receio de que ele os pudesse destruir. A UGL disse ainda que os documentos não incluíam uma cláusula para invalidar o pagamento a CY Leung no caso de ele conseguir a eleição porque a administração não equacionou essa possibilidade.

“Foi um prazer conhecê-lo durante este período e espero que continuemos a nossa relação no futuro. As nossas conquistas em Hong Kong e na China têm sido extraordinárias” RICHARD LEUPEN CEO da UGL, em carta que define os termos do acordo

investigação, que Leung concordou garantir que os membros nomeados pela sua equipa de gestores asiáticos permaneceriam em funções e que ele “facultaria a assistência necessária na promoção do grupo UGL e

“Na altura das negociações, a cobertura mediática sugeria que outros candidatos eram favoritos, pelo que a possibilidade de CY Leung chegar ao poder não era o foco das negociações da UGL”. - LUSA


DESPORTO

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

15

GRANDE PRÉMIO 61ª EDIÇÃO PODE CUSTAR ATÉ 200 MILHÕES DE PATACAS

Mais uma volta, mais quatro corridas Um dos mais aclamados eventos de Macau chega a 13 de Novembro e estendese até dia 16, compreendendo não só a participação de conhecidos pilotos internacionais, alguns já caras conhecidas, mas também gastronomia, música e exposições

211

pilotos participam no GP de Macau

PREÇOS DOS BILHETES Das 130 às 900 patacas

LEONOR SÁ MACHADO

leonor.machado@hojemacau.com.mo

A

61ª edição do Grande Prémio de Macau (GP) vai custar entre 190 e 200 milhões de patacas e o acréscimo, face a 2012, deve-se a uma maior preocupação com as medidas de segurança. Quem o diz é João Manuel Costa Antunes, coordenador da Comissão do Grande Prémio. “A instalação das condições de segurança da pista iniciaram-se ontem [terça-feira] e têm prazo de instalação inferior a um mês”, começa por dizer. “Impor horários de funcionamento não contínuos, mas que beneficiam a população, tem um ligeiro encargo relativamente ao passado. Há que medir o que é que vale mais e acho que, neste caso, a conveniência para toda a população tem um peso maior”, referiu o coordenador do GP aos jornalistas. O evento internacionalmente conhecido celebra, no próximo mês, 61 anos de existência e conta com a participação de 120 pilotos dos mais diferentes cantos do mundo, incluindo Espanha,

Japão, Reino Unido, França, Alemanha, Portugal e Estados Unidos. De acordo com a organização, os pilotos pretendem seguir “a caminhada de estrelas como Ayrton Senna”, desportista galardoado com o pódio na primeira edição do campeonato, em 1983.

MULHER AO VOLANTE

Este ano, são quatro as corridas que fazem a 61ª edição do GP, incluindo a Taça GT Macau, a Taça de Carros de Turismo CTM, a Macau Road Sport Challenge e, finalmente, a Taça da Corrida Chinesa. Tal como em anos passados, também este ano o GP traz novidades. Tatiana Calderón é uma delas. É estreante e a segunda mulher piloto a competir no Grande Prémio de Fórmula 3, depois de Cathay Muller, em 1983. Entre os vários pilotos estão os já conhecidos Edoardo Mortara – o primeiro e único automobilista a vencer o GP de Macau em Fórmula 3 em 2009 e 2010 –, Antonio Fuoco, Esteban Ocon e, na corrida de carros de turismo da CTM, o luso da casa, André Couto.

COSTA ANTUNES FAL A DO CASO BIANCHI Questionado sobre o recente acidente do piloto Jules Bianchi no Grande Prémio do Japão, que teve lugar no passado fim de semana, o coordenador da comissão responsável pelo Grande Prémio de Macau referiu apenas eventuais erros de avaliação das condições da pista. “Este acidente [do piloto Jules Bianchi] tem a ver não tanto – quanto a mim – com a segurança da pista em si, mas com a direcção da corrida e a avaliação das condições climatéricas. Lembramo-nos de situações de anos anteriores, em que pilotos célebres se recusaram a correr quando as condições atmosféricas não eram as melhores”, comentou João Manuel Costa Antunes. Jules Bianchi é um piloto francês de 25 anos, que corria pela Marussia quando perdeu controlo do seu carro e bateu contra uma grua que estava fora da pista, retirando outro automóvel do local de corrida. De acordo com Matteo Bonciani, um portavoz da FIA, o estado de saúde do atleta “é crítico, mas estável”.

ACTIVIDADES EXTERIORES • ROAD SHOW DE AUTOMÓVEIS E MOTAS DE CORRIDA 7 a 9 de Novembro, na sala de exposições do Venetian • BAZAR DA CÁRITAS DE MACAU 31 de Outubro e 1 e 2 de Novembro, no Centro Náutico da Praia Grande • FESTIVAL DE GASTRONOMIA DE MACAU 7 a 23 de Novembro, na praça do lago Sai Van • CONCERTO DE MÚSICA ROCK DO GRANDE PRÉMIO 2014 8 de Novembro, no Leal Senado • EXPOSIÇÃO DE MOTAS 8 e 9 de Novembro, na praça da Amizade • EXPOSIÇÃO DE SUPERCARROS E CARROS DESPORTIVOS 8 e 9 de Novembro, na Praça do Tap Seac • ESPECTÁCULO DE FOGO-DE-ARTIFÍCIO Dias 8, 12 e 16 de Novembro, na baía frente à Torre de Macau • TRANSMISSÃO DAS CORRIDAS EM DIRECTO 13 a 16 de Novembro, em vários locais do território, incluindo Macau e Taipa • DIAS DE FESTIVAL DO GRANDE PRÉMIO 12 a 16 de Novembro, em vários locais do território, incluindo Coloane, Taipa e Macau • DESENHOS DO GRANDE PRÉMIO 14 de Novembro, em locais para competições automobilísticas • PASSEIO DE ARTES E CULTURA A pista e a paixão (várias actividades) – 14 a 16 de Novembro, na Doca dos Pescadores


16

( F ) UTILIDADES

TEMPO

POUCO

NUBLADO

MIN

23

MAX

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

29

HUM

45-80%

•

EURO

LÍNGUA DE gATO

10.1

BAHT

Cineteatro

0.2

YUAN

1.2

CINEMA

ANNABELLE

Pu Yi

SALA 1

ANNABELLE [C]

Um filme de: James Wan Com: Annabelle Wallis, Ward Horton 14.30, 19.30, 21.30

Adeus Gato Maltese Assim que vim ao mundo nesta cidade estranha, mas não invisível, senti algo peculiar na minha garganta de felino. Olhei para o céu e estava demasiado cinzento, ao ponto de compreender que não era mão da mãe-natureza. Depois, cheguei ao coração do sítio. Não vi amigos felinos em lado nenhum e achei que esta terra, afinal, não era para mim. Um murro no meu pequenino estômago, a precisar já de comida. Passei mal, até que fui recolhido nesta redacção. Algum silêncio, entremeado de festa e euforia. Observar cada passo dos seres humanos, confesso, não é fácil e teve momentos penosos. Tentei falar, mas não consegui. Fiquei-me pela escrita desta coluna. Dizem que tenho muitos amigos, mas devem ser lá na internet que aqui não me aparece nenhum, a não ser os da redacção. Finalmente, percebi que os homens são teimosos e as mulheres também. Que por mais que escrevesse a criticar ou somente a espantar-me com os seus comportamentos, nada os faz mudar e tanta escrita não me leva a lado nenhum. Sobretudo, onde quero ir. Por isso decidi partir, ir-me embora destas páginas, dar a volta ao mundo, encontrar primos, conhecer gatas, viver aventuras, miar noutras freguesias. É que toco piano e falo francês. Serei um autêntico Gato Maltese. Adeus, queridos leitores. Miauuu...

THE MAZE RUNNER [B]

Um filme de: Wes Ball Com: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario 16.30 SALA 2

DRACULA UNTOLD [C]

Um filme de: Gary Shore Com: Luke Evans, Dominic Cooper, Sarah Gadon, Charles Dance 14.15, 16.00, 17.45, 21.30

THE MAZE RUNNER [B] Um filme de: Wes Ball Com: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario 19.30 SALA 3

JUON - THE BEGINNING OF THE END [C] FALADO EM JAPONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masayuki Ochiai Com: Nozomi Sasaki, Sho Aoyagi, Reina Triendi 14.30, 16.30, 19.3, 21.30

ACONTECEU HOJE

9 DE OUTUBRO

É executado Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana

H O J E H Á F I L M E “INCENDIES” (DENIS VILLENEUVE, 2010) Lubna Azabal desempenha um dos papéis cinematográficos mais marcantes de 2010. No papel de Nawal Marwan, Lubna representa uma mãe lutadora que morre sem contar aos seus filhos gémeos toda a verdade sobre a sua dolorosa adolescência. “Incendies”, que relata a poderosa, eterna e complexa relação entre os vários membros de uma família multi-étnica, transporta-nos para o âmago da guerra, mostrando-nos um dos lados mais negros de um confronto: a tortura contínua de uma mulher inocente mas encarcerada. O filme foi gravado em vários locais, nomeadamente na Jordânia e no Québec. Tendo sido nomeado para óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira em 2011 e ganho vários outros galardões, “Incendies” é, sem dúvida, um filme a não perder, seja pela beleza dos planos de filmagem e das paisagens, ou pelo facto de retratar uma das mais bonitas e intensas histórias de amor contemporâneas. - Leonor Sá Machado

• A 9 de Outubro de 1967 foi executado Che Guevara, um dia depois de ser capturado. Político, jornalista, escritor e médico argentino-cubano, Che é considerado uma das personalidades mais importantes do século XX. Ernesto Rafael Guevara de la Serna, conhecido como Che Guevara, nasceu em Rosário, a 14 de Junho de 1928. Foi um dos ideólogos e líderes da Revolução de 1953-1959, que conduziu a um novo regime político em Cuba. Guevara participou, desde então, na reorganização do Estado cubano, desempenhando diversos altos cargos, sobretudo na área económica, como presidente do Banco Nacional e como Ministro da Indústria. Foi considerado pela revista norte-americana Time uma das cem personalidades mais importantes do século XX. Para os partidários dos seus ideais, Guevara representa a rebeldia, a luta contra a injustiça social e o espírito incorruptível. Para os seus opositores, é um criminoso, culpado por assassinatos em massa e um mau ministro da Indústria. Impulsionou a instalação de grupos guerrilheiros em vários países da América Latina. Entre 1965 e 1967 lutou no Congo e na Bolívia, onde foi capturado e assassinado de forma sumária, pelo exército boliviano e pela CIA, a 9 de Outubro de 1967. Neste dia 9 de Outubro, em 1986, o musical ‘O Fantasma da Ópera’, de Andrew Lloyd Webber, estreia no West End, em Londres. Já em 2006 a Google compra o YouTube, por 1,65 mil milhões de dólares. Hoje, assinala-se o Dia Mundial dos Correios.

fonte da inveja

A liberdade não se conquista, aprende-se.

João Corvo


OPINIÃO

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

próximo oriente

ANDRZEJ WAJDA, “WALESA MAN OF HOPE”

HUGO PINTO

17

Regra sem excepção

O

S protestos de Hong Kong, ainda que motivados por uma proposta de reforma política considerada aquém das expectativas, têm origem numa questão mais profunda: o medo da crescente influência de Pequim e a consequente erosão do princípio “um país, dois sistemas”. Não era preciso um “livro branco”: basta saber fazer uma conta simples e subtrair os anos que ainda faltam até que, em Hong Kong, deixem de valer o actual modo de vida e o sistema capitalista. Neste ponto, apesar dos passados distintos, cruzam-se os futuros de Hong Kong e de Macau. Mas cruzar-se-ão os destinos das duas regiões? Administrativamente acabadas, serão ainda, um dia, especiais? Parece-me claro que essa é a grande questão em causa nos protestos dos últimos dias: a defesa da identidade e da autonomia, valores que dependem um do outro. No caso das duas regiões administrativas especiais, outra condição “sine qua non” para a afirmação desses dois valores é a ligação à China, a “mãe-pátria” que garante a expressão de uma identidade e a prática de uma autonomia. Mas quem dá, também

tira. E essa é sempre uma lição difícil de aprender, sobretudo para quem não contesta a integração ou a pertença à China, como os das ruas de Hong Kong. O Occupy não é independentista, nem sequer uma “revolução”, e só assim pôde tornar-se um movimento amplo, cívico – público, dos cidadãos. É verdade que existe a reivindicação concreta de um “genuíno sufrágio universal”, por oposição à proposta apresentada por

precisamente através daquilo a que se opõe – o voto. Como pode haver liberdade de votar se não há liberdade de escolha? Que “reforma” é esta que se propõe? É outra dura lição sempre difícil de aprender: reformas, para o Partido Comunista Chinês, só se forem económicas, o que apenas tem sido engolido sem engulhos pelos crentes que costumam falar do “milagre” que tirou a China do atraso e milhões da pobreza,

O realismo e o pragmatismo, tão caros à liderança chinesa, também passam por aqui – aceitar as diferenças –, sabendo de antemão que Hong Kong será mais útil à China enquanto excepção do que como apenas mais uma cidade chinesa Pequim, que guarda para si o poder de vetar os candidatos pré-seleccionados por uma comissão de 1200 pessoas e depois escolhidos pelos eleitores de Hong Kong. Mas isto não significa que está em causa apenas o voto. Está em causa, sim, a legitimação, por sufrágio universal, de um líder ditado por Pequim e está em causa a legitimação, por parte da população de Hong Kong, do que o Partido Comunista Chinês defende,

esquecendo-se dos outros tantos que para lá foram atirados, como que em sacrifício – sobretudo os trabalhadores migrantes –, e do subdesenvolvimento que grassa por todo o país cada vez mais dividido entre as cidades onde todos se atulham e o campo cada vez mais deserto, para não falar da poluição que arruinou as terras, os rios e até o céu. A intransigência de Pequim arrisca-se a enviar uma mensagem que, provavelmente,

nenhum dos lados desta contenda deseja: que o princípio “um país, dois sistemas” é tão vazio e desprovido de significado como as promessas de políticos populistas em tempo de eleições, com a diferença de que aqui não existe a possibilidade de os finórios serem responsabilizados e castigados num próximo escrutínio, simplesmente porque a culpa, o pecado, vai morar noutro lado. A rigidez deixa entrever, ainda, que os próximos tempos em Hong Kong vão ser um reflexo dos últimos dias de Occupy: arrastados, conflituosos e confusos, acentuando a frustração e o sentimento de injustiça de uma geração. Uma ferida vai continuar aberta. Se assim for, ter-se-á perdido a oportunidade que, julgo, mais interessaria a Hong Kong e, claro está, também a Macau: a sã convivência entre a integração e o que se poderia chamar de excepcionalismo. Não são incompatíveis. Pelo contrário: a excepção até serve para confirmar a regra. O realismo e o pragmatismo, tão caros à liderança chinesa, também passam por aqui – aceitar as diferenças –, sabendo de antemão que Hong Kong será mais útil à China enquanto excepção do que como apenas mais uma cidade chinesa. Tem sido assim. Para quem tanto desdenha as mudanças, não devia ser coisa de tão pouca importância.


18 opinião

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

LEOCARDO

bairro do oriente

Lúdico/Louco

M

ACAU é um lugar de gente séria, um “Gentleman’s Club” muito exclusivo com uma dependência ao estilo do “Lion’s” para as senhoras, e ainda um recreio inspirado no famoso “Cube” do Venetian para os gaiatos se entreterem enquanto os graúdos sérios falam de coisas sérias, e a sério, mesmo que pareça que estão só a brincar. É que a brincar a brincar, o macaco nunca tirou o curso de piloto, e deixa o avião em modo de piloto automático, não se preocupando com o destino final ou com o facto de não saber como aterrar o aparelho. Com alguma sorte evita acertar em cheio com o nariz do Boeing no traseiro da mãe macaca, e isto dando à velha cantilena do “a brincar a brincar o macaco não-sei-o-quê” uma roupagem mais adequada à realidade actual. Aqui na Casinolândia, onde floresce a pataca e os patos não são senão bravos, nada, mas mesmo nada é feito, dito ou pensado a brincar, mesmo que o mais elementar senso comum identifique a presença da bactéria da brincadeira. Este quadro clínico tem o

cartoon por Stephff

aliciante de nos deixar mais nada senão pistas a seguir, como numa caça ao tesouro. Ingenuamente, demorei anos a entender o funcionamento desta versão do jogo do Monopólio, aqui rebaptizado de “Jogo dos Monopólios, das famílias tradicionais, capitalismo selvagem e especulação desenfreada”, com um bónus incluído e tudo: um livrinho em tudo semelhante ao “Where’s Waldo”, onde o objectivo é encontrar o tal Waldo por entre um caos de blocos de apartamentos e aumentar-lhe a renda – é o “Encontra o Waldo e aumenta-lhe a renda”, nome que assenta como uma luva, atendendo à situação de Macau. Aprendi este “Jogo dos Monopólios, das famílias tradicionais, capitalismo selvagem e especulação desenfreada” quando existia apenas a primeira versão, o “Respeitinho é muito bonito e eu gosto”. Foi nos tempos do antigo blogue, quando na secção de comentários me acusavam de estar a “brincar com coisas sérias”. Se pedia para concretizar exactamente que cauda andava eu a pisar, respondia-me “sabes muito bem”, e sem querer acabei por instalar o pacote completo de jogos, que vinha ainda com mais um quebra-cabeças, inspirado no velhinho Jogo da Glória, que se joga ao serão em família,

Demorei anos a entender o funcionamento desta versão do jogo do Monopólio, aqui rebaptizado de “Jogo dos Monopólios, das famílias tradicionais, capitalismo selvagem e especulação desenfreada mas aqui chamado de “Jogo do Come-e-cala-te”, e tem o desesperante aliciante de se jogar a toda hora, e quantos mais participantes, melhor. Nem dá para entender o ar angustiado dos jogadores, tratando-se este de um jogo tão divertido. O meu conceito daquilo que é “sério” é bastante ambíguo, principalmente desde que descobri que existe um considerável número de pessoas aparentemente alfabetizadas que leva a sério coisas como a tourada. Por esse motivo quando jogo ao “Jogo dos Monopólios, das famílias tradicionais,

TOURADA

capitalismo selvagem e especulação desenfreada” passo a maior parte do tempo na prisão. Já sei que não sou o único, pois casa-sim, casa-não, vai-se parar à tal prisão, sendo as restantes casas ou da “harmonia”, que não nos dão nada mas evitam-nos sarilhos, e apenas alguns poucos jogadores VIP têm acesso ao cartão “Patriota”, que os livra de ir parar à choldra. Por incrível que pareça, consigo sempre evitar as casas do activismo, do sindicalismo ou aquele sempre desagradável buraco negro onde se lê no cartão correspondente: “Participou de uma manifestação não autorizada e foi filmado por agentes à paisana. Vá para a prisão e fica duas vezes sem jogar”, mas caio sempre na terrível armadilha do sarcasmo, da ironia e da sátira, que apesar dos nomes convidativos, são casas cinzentas, ou seja, não constam do Livro de Regras Básicas deste jogo, e portanto são “ilegais”, fazendo de mim um “mau jogador”. Cansado de perder no “Jogo dos Monopólios, das famílias tradicionais, capitalismo selvagem e especulação desenfreada”, peço para experimentar o “Encontra o Waldo e aumenta-lhe a renda”, mas dizem-me que o acesso é “reservado a proprietários”. Mordido pela curiosidade, estiquei o pescoço para me inteirar de como divertidos estavam os participantes deste jogo, e fiquei espantado quando me apercebi que eram exactamente os mesmos que no jogo anterior eram portadores do cartão “Patriota”. Seria apenas coincidência? Não me restava senão jogar o “Jogo do Come-e-cala-te”, recomendado pelos melhores pediatras, que o aconselham a que se ensine às crianças de tenra idade, para precaver eventuais dissabores na idade adulta. O jogo é aparentemente fácil, e das 100 casas que o compõem há apenas duas a evitar: a nº 23, a da “dissenção, traição e dissidência”, que nos deixa de fora até outro jogador cair lá também, e a mais cruel de todas, a nº 99, a do “despedimento sem justa causa”, que nos elimina do jogo quando já nos preparávamos para cantar vitória, e tem a agravante de nos colocar na lista negra de todos os outros locais onde se pode jogar. Tempos houve em que bastava apresentar um “joker” em forma de cartão que comprovava que tínhamos conhecimentos suficientes para exercer a profissão, mas este deixou de ser válido e foi substituído por outro, em forma de crucifixo. De que raio estou eu para aqui a falar, pergunta o leitor mais inocente. Não sabe? Não entendeu? Que bom para si; é sinal que tem caído na casa da harmonia muitas vezes, evita os nºs 23 e mesmo que caia no 99 já tem um crucifixo, não é, seu sortudo. Com toda essa verve seguidista só teve azar de ter chegado muito tarde. Chegasse uns dez anos antes, ou mais, e ainda tinha lugar reservado no jogo onde procurava o Waldo para lhe aumentar a renda. Ai o sacana, a pensar que pode viver na Casinolândia à pala, quando o consumo mínimo são os olhos da cara.


DIÁRIO DE BORDO

hoje macau quinta-feira 9.10.2014

‘‘

19

POR CARLOS MORAIS JOSÉ

ontem macau

“Os jovens de Macau também querem um melhor futuro, pelo que as reivindicações, que até agora têm sido de natureza social, podem transformar-se a breve prazo em exigências de alteração do sistema político”

mauspensamentos Apressa-se o tempo para passar ainda mais depressa do que o tempo normalmente passa. Não é de confiança este tempo, que tão depressa passa lento, como não damos por ele e já passou. Por exemplo: aqui estou eu à espera da próxima semana e nunca mais chega, mas logo se apresentará sem que eu tenha dado por ela. E assim vai o tempo, revolteando na sala, nunca igual a si mesmo, especialista em contratempos, mestre-dança da realidade. E o que tem isto a ver com a verdade? Existirá mesmo o tempo ou não passa de ilusão? Por vezes sinto que guio na contramão, do outro lado do tempo, ali onde não há vento e o mundo é perfeito e parado. Nada passa e tudo ali se conforma a formas imutáveis. Quando acordo, dou por mim a afogar-me no mesmo rio em que nasci.

TÁXIS Alguns cidadãos colocam todos os dias vídeos no Facebook em que demonstram o comportamento criminoso dos taxistas. Está ali para todos verem e ouvirem. Mas a impunidade continua. O governo, ouviu-se dizer, está a estudar o problema. Teme-se pelas cenas dos próximos capítulos

horah

AGNES LAM • ACADÉMICA

“As aulas tinham começado há apenas uma semana quando se deu o rompimento de canalizações nos dormitórios dos estudantes. O mais grave é que já apareceram fendas nas paredes de alguns dormitórios.” LEONG VENG CHAI • DEPUTADO SOBRE O CAMPUS DA UM

“Durante os três anos de funcionamento da DSRJDI, a coordenação legislativa nunca melhorou e os departamentos do Governo nunca têm em conta o quadro jurídico legal quando apresentam novas propostas de lei”

“Vou registando uma anedota, uma conversa, um filme. É a minha forma de escrever” Victor Marreiros, designer, P.13

HO IONG SANG • DEPUTADO

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Cecília Lin; Flora Fong (estagiária); Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Agnes Lam; Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Eloy ; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau Pineda; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau. com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo

L I G U E - S E • PA R T I L H E • V I C I E - S E

hojeglobal w w w. h o j e m a c a u . c o m . m o facebook/hojemacau twitter/hojemacau

édito

Há coisas que não se perguntam UM DIA haveremos de perceber de que lado está o Instituto Cultural, no que diz respeito ao Património. Aparentemente, nos discursos, surge a tremenda convicção e vontade de preservar e dinamizar. Na prática, a conversa parece ser mais arrastada e doutras vezes um bocado inesperada. Um bom exemplo está nas perguntas colocadas para consulta pública: “Considera que se deve dar importância à salvaguarda da identidade e integridade dos espaços urbanos do ‘Centro Histórico de Macau?” Claro que não, caros amigos do IC. Não tem importância nenhuma. Vamos lá a destruir o Centro Histórico, para construir mais uns centros comerciais e uns casinos. O que interessa a nós, gerações que olham para a vida e o futuro através de um ecrã de telemóvel, a porcaria dos prédios antigos? É deitar abaixo e já! Suponhamos que seria deste teor a maioria das respostas. Se calhar, até conheço uns empresários bem capazes de investir neste assunto. Afinal, tratam-se de zonas muito bem situadas e rentáveis. Isto é como perguntar: Concorda que o marido tem direito a espancar a mulher pelo menos três vezes por semana? Concorda que o Português deixe de ser língua oficial em Macau para o ano? Ou ainda: Concorda que Macau faça parte da República Popular da China? Ou seja: há coisas que não se questionam, que são dados adquiridos, que não devem ser remexidas nem reconsideradas, muito menos atiradas assim à praça pública, sem enquadramento pedagógico. Pensei ser o património de Macau, o seu Centro Histórico, um destes dados adquiridos, reconhecido pela UNESCO. Daí que agora estranhe e tema, quando confrontado com este tipo de pergunta numa consulta pública, promovida pelo Governo. Será seguida a vontade da maioria? Ou esta é a prova de que a consulta tem como objectivo não servir para nada?


hoje macau quinta-feira 9.10.2014

FACEBOOK

PUB

PHUKET ESCOLA DE FUTEBOL SHOW DI BOLA ESTREIA-SE NA COMPETIÇÃO

Casa volta à Tailândia para defender triunfo MAR CO CARVALHO info@hojemacau.com.mo

O

Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal em Macau vai representar o território pelo segundo ano consecutivo num dos mais prestigiados torneios amadores de futebol de sete do continente asiático. A formação orientada por Pelé, que há um ano venceu a competição na categoria “Open Age”, foi convidada pelos organizadores do Phuket International Soccer Seven’s para defender o troféu conquistado na edição de 2013 da competição frente à Joy Dive Team, uma formação local constituída por jogadores tailandeses e russos. Em Novembro último, o emblema de matriz portuguesa garantiu a vitória no certame com um triunfo por duas bolas a uma no encontro decisivo do torneio e este ano, moralizados pela ascensão à Liga de Elite e pela conquista do Campeonato de Futebol da II Divisão, os atletas do grupo de trabalho às ordens de Pelé querem repetir a façanha. O treinador de origem são-tomense não espera facilidades em Phuket, mas não tem pejo em colocar a equipa que dirige entre as favoritas à conquista da prova: “Este ano a prova deverá ser disputada por equipas oriundas da Tailândia, da Rússia, do Koweit, da Arábia Saudita e de Hong Kong e temos consciência de que seremos o alvo a abater, mas partimos para a prova confiantes. Com uma ou outra alteração, a equipa é a que

garantiu a subida à Liga de Elite e queremos encerrar esta página em beleza, com a conquista de mais um troféu”, sublinha Pelé.

SENHORAS E VETERANOS

Para além de operarem a defesa do título alcançado há um ano na categoria “Open Age”, as cores da Casa de Portugal em Macau vão estar também representadas no torneio de veteranos da competição. Há um ano, as velhas glórias do emblema de matriz portuguesa caíram nos quartos-de-final da prova e este ano, a 22 e a 23 de Novembro, querem garantir uma melhor prestação. De resto, a Casa de Portugal em Macau não é este ano a única representante da RAEM na competição. Uma das principais novidades no que toca à representação do território na prova passa pela estreia de uma formação feminina, que vai participar a 15 e a 16 de Novembro, na versão para senhoras do Phuket International Soccer Seven’s. Formada este ano, a equipa feminina da Escola de Futebol Show di Bola tem na deslocação ao sul da Tailândia o seu primeiro grande desafio. A 12, 13 e 14 de Dezembro é a vez da equipa de Sub-15 do organismo dirigido por José Luis Martins rumar a Phuket para participar numa prova destinada a atletas do escalão de juvenis. O certame marca também a estreia competitiva dos jovens atletas que dão os primeiros passos no futebol às ordens do centrocampista da Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 9 OUT 2014 #3189 by Jornal Hoje Macau - Issuu