NOVA ESPERANÇA ENTREGA QUEIXA NA CAEAL CONTRA SONG PEK KEI. EM CAUSA ESTÁ O RESPEITO PELAS REGRAS DO JOGO ELEITORAL
PUB HOJE MACAU
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ANABELA CANAS
Fora de jogo
Os cinco e o salário mínimo DESTE INTERIOR NÃO SAI NINGUÉM h ANABELA CANAS
RÓMULO SANTOS
hojemacau ELEIÇÕES
ISENÇÕES SOBRE RODAS PÁGINA 8
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MOP$10
SEXTA-FEIRA 8 DE SETEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3893
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
TIAGO ALCÂNTARA
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
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2 grande plano
ANTÓNIO MIL-HOMENS
“Temos muitos debates e repetem sempre os mesmos assuntos.” LARRY SO POLITÓLOGO
ELEIÇÕES
CATALOGOS˜ E ACUSACOES ´ O
O BALANÇO DA PRIMEIRA SEMANA DE CAMPANHA
pontapé de saída oficial para a campanha eleitoral deu-se na passada sexta-feira à noite, na praça do Tap Seac. Desde então que a semana tem sido preenchida com acções de campanha e apresentação dos programas políticos das 24 listas que se candidatam este ano à Assembleia Legislativa (AL) pela via directa. Além das promessas habituais, os debates na TDM com todos os candidatos já originaram uma polémica, com a deputada Song Pek Kei a fazer referência ao facto dos filhos de José Pereira Coutinho estarem a ser julgados no Tribunal Judicial de Base por suspeitas de tráfico de droga. (Ver texto na secção de política). Troca de galhardetes e promessas à parte, três analistas dizem que existe pouca inovação dos programas políticos e que falta uma estratégia bem definida. “O maior problema que encontro nos programas políticos é o facto de parecerem catálogos e de não estarem muito bem projectados”, disse Eric Sautedé, analista político e docente universitário. “Falta um projecto, uma ambição, propostas que sejam abrangentes e ainda assim coerentes. Em vez disso, na melhor das hipóteses, os eleitores têm um catálogo com algumas boas ideias sem uma perspectiva articulada”, acrescentou o académico. Eric Sautedé diz que estes “catálogos” têm uma boa dose de populismo. “Do que temos visto, temos sobretudo um catálogo com sugestões populistas. São, na maioria, propostas que os candidatos, assim que forem eleitos, vão esquecer ou deixar de lado.” O analista, que expressou, nas redes sociais, o apoio à lista Associa-
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ção do Novo Progresso de Macau, encabeçada por Sulu Sou e Paul Chan Wai Chi, explica as estratégias que as listas deveriam adoptar. “Se é uma lista pró-ambiente, as medidas de protecção ambiental devem ser o principal foco do projecto político. Se é uma lista mais virada para o mercado, então as medidas económicas são cruciais. Isto não significa que as listas não devam cobrir todos os assuntos, HOJE MACAU
Faz amanhã uma semana que as 24 listas candidatas à Assembleia Legislativa andam nas ruas a apresentar os seus programas políticos à população. Três analistas dizem existir pouca inovação por parte dos candidatos, repetição de ideias e uma mera troca de acusações entre adversários
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apenas revela que os candidatos estão dispostos a assumir prioridades.”
SÓ ACUSAÇÕES
Façamos então uma retrospectiva do que algumas listas têm prometido, caso obtenham votos suficientes para os seus líderes terem assentos no hemiciclo. A lista União para o Desenvolvimento é agora liderada por Ella Lei e volta
a defender a necessidade de atribuir regularmente habitação pública aos residentes, tal como garantir que não há importação excessiva de não residentes. Au Kam San e Ng Kuok Cheong são veteranos e concorrem este ano em listas separadas, Associação Novo Democrático e Associação Próspero Macau Democrático, respectivamente, mas as suas promessas não va-
grande plano 3
sexta-feira 8.9.2017
HOJE MACAU
Que força é esta? Quando os candidatos parecem governantes
N ANIQUILAR O ADVERSÁRIO
INCOMPETÊNCIAS ANTIGAS
Eric Sautedé não esquece as várias polémicas que têm povoado o hemiciclo, tal como a aprovação da Lei de Terras, em 2013, que deixou sem casas centenas de investidores do edifício Pearl Horizon. “Diria que oito listas pertencem à categoria dos candidatos pró-Governo que ultimamente têm falhado na monitorização e na supervisão das acções governativas e falharam na sua acção ao votarem a favor de leis que interessam a toda a comunidade.” Na sua visão, “os deputados que são eleitos por sufrágio universal são os únicos que têm alguma legitimidade popular. Os que são nomeados pelo Chefe do Executivo provaram ser incompetentes e não terem qualquer tipo de re-
HOJE MACAU
Há, na maioria, uma troca de acusações entre candidatos, na visão de Larry So. “A maior partes das listas não tens mais objectivos em mente se não o de se venderem. Eles sabem que estão a ser irracionais e que não estão a usar este momento para propor mudanças para melhor por parte do governo”, disse. O antigo docente do Instituto Politécnico de Macau reforça a ideia da existência de uma certa irracionalidade. “Estão treinados para ser mais agressivos para com os seus adversários e não para fiscalizar e olhar para o Governo. Desta forma querem ganhar a confiança das pessoas, através da supressão do adversário, em termos de performance e tendo em conta diferentes personalidades e backgrounds.” Ainda assim, o politólogo assegura que o panorama não é muito diferente daquele que se verifica em Hong Kong. “Este tipo de debates não traz uma discussão genuína nem racional. Mas a maior parte dos debates que vimos em Hong Kong para a campanha do Conselho Legislativo (LegCo) também revelaram o mesmo tipo de comportamento.”
presentatividade, algo que ficou claro com o caso da Lei de Terras”, exemplificou. O antigo docente da Universidade de São José fala também da campanha, bem mais discreta, que tem sido feita pelas 14 listas que concorrem pela via do sufrágio indirecto. GONÇALO LOBO PINHEIRO
feitas sugestões que resolvam os problemas”, acrescentou.
OS últimos dias os programas políticos têm-se focado mais em medidas que entram na alçada do poder Executivo, relacionadas com a adopção de políticas ao nível da habitação, trânsito ou emprego. São poucos aqueles que dão destaque a matérias relacionadas com a iniciativa legislativa dos deputados. A título de exemplo, a lista Ou Mun Kong I, liderada por Lee Sio Kuan, apresentou há dias um programa político que, entre outras coisas, promete lutar pela proibição de importação de trabalhadores não residentes no sector dos croupiers e dos motoristas. Para Eric Sautedé, este não é, contudo, “o maior problema” nesta campanha. “O facto dos candidatos fazerem propostas relacionadas com o poder Executivo tem alguma lógica, se considerarmos que o Governo não é uma emanação do poder legislativo nem uma escolha soberana da população, mas uma selecção oriunda dos interesses da comissão eleitoral do Chefe do Executivo atestados por Pequim.”
HOJE MACAU
riam muito do que têm dito na AL: querem que seja implementado o sufrágio universal para a eleição do Chefe do Executivo e dos deputados, pedem mais concursos para habitação pública, sem esquecer a renovação dos bairros antigos. Wong Kit Cheng, estreante nas lides da política em 2013, lidera agora a Aliança do Bom Lar, que volta a pedir a implementação da licença de paternidade e o alargamento da licença da maternidade, sem esquecer mais medidas para os idosos e os jovens. Para Larry So, politólogo, estamos perante um sem número de ideias que estão longe de ser novidade. Até porque a maioria dos candidatos foram deputados nos últimos anos e estes são os temas que têm sido abordados na maioria das interpelações que apresentam ao Governo ou nas intervenções que fazem nos plenários. Larry So, politólogo, acredita que os candidatos estão sobretudo a auto-promoverem-se, ao invés de trazerem novas ideias ao panorama político. “Temos muitos debates e repetem-se os mesmos assuntos. Se olharmos para todas estas campanhas parece que os candidatos se estão a promover a si próprios mais do que a fazer realmente uma campanha. Depois falam do tufão, dos casinos e dos seus trabalhadores, mas não apontam o cerne das questões para que depois sejam
POUCA MANOBRA
“Do que se tem visto, temos sobretudo um catálogo com sugestões populistas.” ERIC SAUTEDÉ DOCENTE DE CIÊNCIA POLÍTICA
“Os deputados eleitos pela via indirecta concorrem num campo oposto e representam vastos interesses relacionados com o sector empresarial. Os dois assentos adicionados em 2012 ao sufrágio indirecto revelaram-se absolutamente inúteis e provou-se ser um desastre nos casos de Chan Hong e Chan Iek Lap. Estes deputados têm acções ineficazes e irrelevantes”, rematou. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
António Katchi, jurista e docente do Instituto Politécnico de Macau (IPM) também desvaloriza esta questão, referindo que a apresentação destas medidas estão relacionadas com os entraves do próprio sistema. “Nestas eleições, como nas anteriores, as medidas preconizadas nos programas eleitorais exorbitam não tanto o poder legislativo da AL mas sobretudo o poder de iniciativa legislativa dos deputados, nomeadamente o seu poder de apresentar projectos de lei.” Para António Katchi, “um dos vários aspectos anti-democráticos do sistema político de Macau consiste precisamente nesta limitação do poder de iniciativa legislativa dos deputados”. “Sirva de exemplo a proibição que impende sobre os deputados de apresentarem quaisquer projectos de lei que envolvam
APROVEITAMENTO POLÍTICO DE UM TUFÃO
A
passagem do tufão Hato e as suas consequências desastrosas entraram de imediato para a agenda política dos candidatos. Larry So não tem dúvidas de que houve um aproveitamento político da tragédia. “Quase todas as listas falam no facto de o Governo não ter feito o trabalho necessário. Algumas vão mesmo mais longe e falam dos voluntários e das motivações políticas associadas. De certo modo o tufão veio trazer aspectos de que as diferentes listas estão a tirar vantagens. Por um lado acusam o Governo de não ter feito nada, e depois as listas atacam-se mutuamente”, defendeu.
receitas ou despesas públicas”, acrescentou. Isto faz com que os candidatos tenham de ir um pouco mais além da sua função legislativa. “Imaginemos quão pouco substancial ficaria reduzido um programa eleitoral se estivesse cingido às matérias sobre as quais os deputados dispõem de um poder de iniciativa legislativa. É natural que as listas concorrentes não queiram circunscrever o seu programa eleitoral dessa maneira.” Katchi diz mesmo que “há vantagem para os eleitores” que assim seja. “É importante que as listas exponham com a máxima amplitude possível o seu ideário político. Quanto mais não seja, fica-se a saber que posição os candidatos a deputados tencionam adoptar perante as propostas do Governo. Ainda assim, convém que informem os eleitores sobre as dificuldades impostas pelo quadro constitucional e político vigente”, concluiu. A.S.S.
4 política
O advogado e candidato pediu a Mak Soi Kun que mantenha a máxima “não vote por mim só pela refeição por mim oferecida”, mas o líder da União de Macau-Guangdong referiu apenas que “uma sociedade democrática tem a sua própria maneira de eleição”, tendo pedido aos telespectadores e presentes para votarem em si.
Falas tu ou falo eu ?
Melinda Chan sugeriu a Lee Sio Kuan ligar, ele próprio, ao proprietário dos empreendimentos Doca dos Pescadores e Landmark para colocar as suas questões que actualmente não é universal e existe apenas para as profissões de segurança e trabalho doméstico foi o tema principal do encontro. Lee Sio Kuan disse que, apesar do Governo realizar vários estudos sobre a matéria, existem sempre dificuldades a aprovar propostas de lei na Assembleia Legislativa (AL), não tendo feito mais comentários sobre o tema. Já Hou Weng Kuan, líder da lista número 19, afirmou que é necessário aumentar os valores do salário mínimo, mas não disse
Imobiliário Melinda Chan contra o valor da habitação a funcionários públicos
A cabeça de lista da Aliança Para a Mudança repudia o despacho do Chefe do Executivo publicado no passado dia 4 de Setembro, por entender que é prejudicial aos interesses dos funcionários da administração pública. Melinda Chan entende que é injusta a filosofia de fixar um valor base de 68 100 patacas por metro quadrado para efeitos de valor da habitação a ser alienada a inquilinos/funcionários enquanto arrendatários de casas públicas. De acordo com Melinda Chan, o despacho em questão não tem em consideração a localização, a idade e a natureza de construção do apartamento. A candidata entende que a fixação de um preço unitário já não corresponde à realidade actual do mercado.
se concorda com o salário mínimo universal, pelo facto de muitas famílias não conseguirem suportar os custos de ter empregados domésticos. Ella Lei defendeu que é necessária a realização, o mais depressa possível, de um estudo sobre a matéria, tendo acrescentado que, se for bem discutido, o salário mínimo pode garantir os direitos e interesses dos trabalhadores.
LIGA AO DAVID
O debate serviu ainda para falar da ocupação de cargos
A
lista União para o Desenvolvimento, liderada por Ella Lei, foi ontem alvo de uma queixa de corrupção apresentada junto da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). A denuncia foi feita pela Associação Poder do Povo, que não está na corrida eleitoral, mas que alega ter recebido uma queixa que envolve alegados benefícios por parte da lista candidata. Em causa está um jantar em promoção para os eleitores, situação que representa uma ilegalidade, de acordo com a lei eleitoral, argumenta a Poder do Povo. A situação está relacionada com um convite em que, apesar de ter sido pedido um valor a pagar pelos interessados, a Poder do Povo considera que é muito abaixo do valor real normalmente pago pelo tipo de refeição e lo-
de gestão nos casinos pelos residentes. Ella Lei questionou Melinda Chan sobre a possibilidade de 90 por cento destas vagas de emprego serem ocupadas por locais. A candidata pela lista Aliança pr’a Mudança disse apenas “concordamos”, sem mais nada acrescentar. Na hora de Lee Sio Kuan colocar perguntas, o nome de David Chow, empresário e marido de Melinda Chan, foi bastante evocado. Como resposta, Melinda Chan sugeriu ao adversário ligar, ele próprio, ao proprietário dos empreendimentos Doca dos
Pescadores e Landmark para colocar as suas questões. A líder da Aliança pr’a Mudança quis deixar claro que a sua candidatura representa todos os cidadãos de Macau e não apenas as operadoras de jogo e o sector do turismo.
“VOTEM EM MIM”
O tema da corrupção eleitoral também foi abordado. Hou Weng Kuan questionou os restantes candidatos se defendiam a realização de eleições limpas, tendo Mak Soi Kun afirmado que nunca ofereceu refeições em troca de votos.
Refeições em saldo Lista de Ella Lei acusada de corrupção
SOFIA MARGARIDA MOTA
A
TDM voltou ontem a transmitir mais um debate com cinco candidatos às eleições legislativas de 17 de Setembro. Participaram Ella Lei, da União para o Desenvolvimento, Melinda Chan, da Aliança pr’a Mudança, Mak Soi Kun, da União de Macau-Guangdong e ainda Lee Sio Kuan, da Ou Mun Kong I e o advogado Hou Weng Kuan, da Associação dos Cidadãos Unidos para a Construção de Macau. A implementação do salário mínimo em Macau,
ELEIÇÕES SALÁRIO MÍNIMO FOI TEMA DE DEBATE ENTRE CANDIDATOS
HOJE MACAU
Em mais um dia de debate sobre as eleições legislativas, promovido pela TDM, cinco candidatos discutiram a questão do salário mínimo. Lee Sio Kuan teve ainda alguma troca de palavras com Melinda Chan por causa de David Chow
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cal em causa, apontando que se trata de um acto de campanha eleitoral. O local em questão terá sido o Hotel Pousada, sendo que o evento esteve aberto a todos os residentes e foi promovido pela Associação dos Operários de Artigos de Vestuários de Macau, entidade subordinada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM).
PREÇOS BAIXOS
O preço pedido pela refeição variou entre as 50, 70 e 85 patacas, consoante o tipo de associado, sendo que o valor mais alto é para quem não seja membro de nenhuma das associações.
Na sessão de perguntas e respostas, os candidatos falaram ainda sobre o mecanismo de garantias dos idosos e os serviços a eles prestados. A líder da União para o Desenvolvimento prometeu lutar pela implementação do regime de previdência central obrigatório, sem esquecer a criação de dormitórios para os mais velhos, para que tenham cuidados adequados. Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo
No mesmo convite é feito, diz a Poder do Povo, um apelo ao voto na lista 16, liderada por Ella Lei, com ligações à FAOM. Ella Lei, foi eleita como deputada em 2013 pela via indirecta enquanto representante da federação dos operários. Os benefícios estarão ligados ao preço do jantar. De acordo com a queixa apresentada pela associação Poder do Povo, uma refeição no hotel em questão não custa 85 patacas, mas sim muito mais, pelo que o restante montante estará a ser pago pelas associações envolvidas. Trata-se, pois, de uma forma de benefício para atrair pessoas e servir à campanha eleitoral agora ex-deputada indirecta. A Poder do Povo acabou por denunciar o caso de alegada corrupção, e pede investigação por parte da CAEAL. V.N.(com S.M.M.)
política 5
sexta-feira 8.9.2017
CAEAL NOVA ESPERANÇA QUEIXA-SE POR ALEGADA INJÚRIA DE SONG PEK KEI
Coutinho contra-ataca
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GCS
Depois do debate quente na TDM, onde Song Pek Kei trouxe à baila o processo criminal onde os filhos de Pereira Coutinho são arguidos, a lista Nova Esperança apresentou queixa à comissão eleitoral. De acordo com a mandatária Rita Santos, houve um ataque pessoal que precisa de ser apreciado
TIAGO ALCÂNTARA
debate entre as listas lideradas por Pereira Coutinho e Song Pek Kei foi, até agora, o mais aceso da campanha eleitoral. A candidata da lista da Associação dos Cidadãos para o Desenvolvimento de Macau, trouxe à baila o processo crime no qual os filhos de Pereira Coutinho são réus num caso de tráfico de droga (ver página 9). Song Pek Kei, entende que “as pessoas sabem bem a verdade”, acrescentando que as suas declarações foram baseadas em factos amplamente noticiados pelos jornais acerca do referido julgamento. A candidata esclarece que não fez qualquer pergunta sobre os filhos de Pereira Coutinho limitando-se a questionar se o candidato “concorda com o aumento das sanções para casos que envolvam drogas e se assume a responsabilidade social pelo caso”. A polémica motivou uma queixa remetida pela mandatária da lista Nova Esperança, Rita Santos, para a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL). Além disso, foi também enviada uma carta para a direcção da própria TDM. “Antes do debate, durante a sessão de esclarecimento, houve o cuidado de explicar as regras que os candidatos deviam cumprir, onde foi especificado que não podia haver ataques pessoais, regra repetida pelos moderadores no dia do debate”, lembra Rita Santos. A mandatária confessa que não dormiu na noite depois do debate
Rita Santos, mandatária a lista Nova Esperança “Deviam ter fechado o microfone, porque aquilo nada tinha a ver com programa político, sendo apenas acusações.”
e que ficou muito desiludida com o comportamento de Song Pek Kei
UMA SURPRESA
Durante a emissão, Rita Santos queixa-se da passividade dos moderadores da TDM perante os ataques pessoais feitos pela candidata Song Pek Kei. “Deviam ter fechado o microfone, porque aquilo nada tinha a ver com programa político, sendo apenas acusações”,
argumenta a mandatária da lista de Pereira Coutinho. Rita Santos acrescenta ainda que já nas eleições de 2013 houve casos de difamação contra o português. Song Pek Kei não entende que tenha usado ataques pessoais. “Os moderadores do programa poderiam ter cortado as minhas intervenções, segundo as regras do debate, como não o fizeram significa que não foram ataques pessoais”, argumenta.
“Fiquei muito surpreendida porque, aquando da apresentação do projecto de lei das rendas, foram todos muito simpáticos, com muita camaradagem e amizade”, desabafa Rita Santos. A mandatária acrescenta que tem uma “ideia muito correcta de Chan Meng Kam mas que ficou desiludida na sequência do debate. A mandatária da Nova Esperança recorda que quando a campanha eleitoral arrancou, o discurso do presidente da CAEAL, Tong Hio Fong, no pavilhão do Tap Seac, perspectivou a campanha como um debate de ideias entre cavalheiros, onde deveria imperar o respeito. “Infelizmente, a TDM, uma televisão pública, não respeitou as regras emanadas pela CAEAL”, comenta Rita Santos. A mandatária revela que depois do debate ainda se dirigiu aos moderadores tendo dado a opinião de que o debate, que foi gravado em diferido, não deveria ser transmitido. Entretanto, Rita Santos espera que a CAEAL reaja à queixa e que proceda de acordo com a lei eleitoral, recordando que a comissão até agora tem sido muito rígida. João Luz
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HATO GABINETE DO PROCURADOR APOIA NOVA COMISSÃO
A
recém anunciada comissão de inquérito para apurar responsabilidades na sequência da passagem do tufão Hato por Macau vai contar com o apoio do gabinete do procurador do Ministério Público (MP). O inquérito visa apurar se, durante a passagem do tufão Hato, “houve erros ou responsabilidades por parte dos serviços públicos e pessoal, em termos de cumprimento dos deveres legais, particularmente no âmbito de prevenção e trabalhos de salvamento em catástrofes”. Segundo um comunicado divulgado pelo MP, os membros da comissão de inquérito, que foi anunciada esta quarta-feira, “chegaram ao consenso” de que “cabe ao gabinete do procurador prestar-lhes apoio administrativo, tendo em consideração a exigência de independência do seu funcionamento e com vista a evitar o desperdício do erário público”. A comissão é composta pelo procurador-adjunto Mai Man Ieng (que preside), pelo professor da Universidade de Macau Iu Wai Pan e pela auditora Ho Mei Va. Segundo uma estimativa preliminar, os prejuízos deixados pelo tufão Hato ascendem a 11,4 mil milhões de patacas: 8,3 mil milhões em directos e 3,16 mil milhões em indirectos.
TUFÃO CHUI SAI ON VISITA ZONA DO PORTO INTERIOR
O
Chefe do Executivo, Chui Sai On, realizou ontem uma visita na zona do Porto Interior (Rua Cinco de Outubro), com o objectivo de se “inteirar, junto dos donos de lojas e moradores, e observar o restabelecimento da cidade após a passagem do tufão Hato”. Segundo um comunicado oficial, Chui Sai On cumprimentou moradores e “procurou conhecer melhor o restabelecimento normal do dia-a-dia da população, assim como o ponto de situação no sector do comércio”. O governante “visitou várias empresas antigas e de renome”, como lojas de mariscos secos, de chás, sapatarias e espaços de medicina tradicional chinesa. O mesmo comunicado aponta que tanto residentes como comerciantes “agradeceram a atenção do Chefe do Executivo”, tendo narrado “as experiências vividas com as inundações na zona”.
“Um idoso disse compreender as dificuldades de enfrentar uma catástrofe natural”, tendo dito que o “mais importante é garantir a segurança da população”. Citado pelo comunicado, o morador pediu “uma resolução adequada do problema das inundações”. O Chefe do Executivo garantiu que a sua equipa “continua a observar o ponto da situação, de acordo com as necessidades e de forma não regular, percorrendo as várias zonas da cidade, como forma de prestar a devida atenção ao dia a dia da população”. Chui Sai On fez-se acompanhar pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, o director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Li Canfeng e ainda o porta-voz do Conselho Executivo, Leong Heng Teng.
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8.9.2017 sexta-feira
Anúncio 【127/2017】 Nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, são por esta via notificados a seguinte entidade administrativa e os seguintes proprietários: Endereço Edifício Arco-Íris (fracções dos blocos I e II) Endereço
N.º do processo
Acto ilegal De acordo com as averiguações realizadas por este Instituto, verificou-se que a entidade administrativa do Edifício Arco-Íris não procedeu ao adequado tratamento das seguintes situações: as bocas-de-incêndio nas escadas de urgência de alguns pisos (fracções dos blocos I e II) não têm agulhetas e existem objectos colocados nas escadas de evacuação de alguns pisos e nos acessos públicos; estes actos alegadamente violam o disposto na alínea Administrativa f) do artigo 12.º do Decreto-Lei n.º 41/95/M, de 21 de Agosto, 117/ADM-HE/2017 Comissão do Edifício Arco-Íris “Constituem deveres gerais de administração, nomeadamente: f) Manter em bom estado de funcionamento o equipamento de prevenção contra incêndio, os elevadores, bombas de água e demais equipamentos colectivos, celebrando com empresas da especialidade contratos de assistência técnica e manutenção; ” e na alínea h) do mesmo artigo “h) Proceder à limpeza das áreas comuns de modo a mantê-las em bom estado de apresentação e desimpedidas de quaisquer objectos;”. N.º do processo
Entidade administrativa
102/ADM-HE/2017
Fracção Bloco I, 9.º andar, K Bloco I, 10.º andar, R Bloco I, 13.º andar, I
CHE SUN FAN
103/ADM-HE/2017
Bloco II, 13.º andar, H
CHENG CHON LONG
99/ADM-HE/2017 101/ADM-HE/2017
Proprietário HUANG QIAOJUAN LEI, IOK WA
Jardim do Mar do Sul Van Sion Son Chun
104/ADM-HE/2017
Bloco II, 4.º andar, P
SOU FAN CHENG
105/ADM-HE/2017
Bloco I, 18.º andar, A
CHAN SIM CHU
109/ADM-HE/2017
Bloco I, 18.º andar, F
LAM PAN
35/ADM-HE/2016
Bloco A, 22.º andar, E
WONG KAM HONG e LAM SOK IONG
Acto ilegal De acordo com as averiguações realizadas por este Instituto, verificou-se que os proprietários das referidas fracções procederam à alteração das paredes exteriores, instalando portões, actos que alegadamente violam o disposto na alínea g) do n.º 2 do artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 41/95/M, de 21 de Agosto, “Não proceder à alteração das janelas e paredes exteriores”. De acordo com as averiguações realizadas por este Instituto, verificou-se que o proprietário SOU FAN CHENG da fracção P do 4.º andar do bloco II do Jardim do Mar do Sul, procedeu à alteração da janela e da parede exterior, estes actos que alegadamente violam o disposto na alínea g) do n.º 2 do artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 41/95/M, de 21 de Agosto, “Não proceder à alteração das janelas e paredes exteriores”. De acordo com as averiguações realizadas por este Instituto, verificou-se que o proprietário CHAN SIM CHU da fracção A do 18.º andar, bloco I, do Jardim do Mar do Sul, procedeu à alteração da parede exterior, ocupando as instalações do terraço e instalando grades de segurança que não obedecem aos padrões definidos por este Instituto, actos que alegadamente violam o disposto na alínea g) do n.º 2 do artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 41/95/M, de 21 de Agosto, “Não proceder à alteração das janelas e paredes exteriores” e na alínea h), “Não colocar grades de segurança e estendais que não obedeçam aos padrões definidos pelo IHM”. De acordo com as averiguações realizadas por este Instituto, verificou-se que o proprietário LAM PAN da fracção F do 18.º andar do bloco I do Jardim do Mar do Sul, procedeu à alteração da parede exterior, ocupando as instalações do terraço e instalando portões no corredor e grades de segurança que não obedecem aos padrões definidos pelo Instituto, actos que alegadamente violam o disposto na alínea g) do n.º 2 do artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 41/95/M, de 21 de Agosto, “Não proceder à alteração das janelas e paredes exteriores” e na alínea h) do mesmo artigo, “Não colocar grades de segurança e estendais que não obedeçam aos padrões definidos pelo IHM”. Instalação de câmara no corredor público, acto que alegadamente viola o disposto na alínea g) do n.º 2 do artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 41/95/M, de 21 de Agosto, “Não proceder à alteração das janelas e paredes exteriores”.
Nos termos do n.º 1 do artigo 19.º do Decreto-Lei n.º 41/95/M, de 21 de Agosto, a referida entidade administrativa e os proprietários das fracções, devem apresentar a sua defesa, por escrito, bem como provas testemunhais, materiais, documentais ou demais provas favoráveis à sua defesa, no prazo de 10 dias, a contar da data da publicação do presente anúncio. (*É necessário indicar o número do respectivo processo no acto de entrega da defesa) Caso não apresentem a sua defesa dentro do prazo estipulado, ou o fundamento da mesma não seja admitido por este Instituto, de acordo com o processo de aplicação de multas a que se refere o artigo 19.º do supramencionado decreto-lei, a entidade administrativa e os proprietários supracitados estarão sujeitos à aplicação das sanções previstas no n.º 2 do artigo 17.º ou no n.º 1 do artigo 18.º do mesmo decreto-lei, sendo de cinco mil patacas (MOP 5 000,00) a multa correspondente à violação da alínea f) do artigo 12.º, de cinco mil patacas (MOP 5 000,00) a multa pela violação da alínea h) do artigo 12.º, de mil patacas (MOP 1 000,00) a multa pela violação da alínea g) do n.º 2 do artigo 16.º e de mil patacas (MOP 1 000,00) a multa pela violação da alínea h) do n.º 2 do artigo 16.º. Caso necessite de consultar o respectivo processo que se encontra arquivado no Instituto de Habitação, sito na Travessa Norte do Patane, n.º 102, Ilha Verde, Macau, poderá contactar a Sr.ª Chong através do número de telefone: 2859 4875 (extensão 746) durante as horas de expediente. Instituto de Habitação, ao 1 de Setembro de 2017 O Chefe da Divisão de Assuntos Jurídicos, Nip Wa Ieng
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sexta-feira 8.9.2017
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Uma lista privada
Programa político dedicado à defesa dos lesados do Pearl Horizon
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A corrida eleitoral, a lista 24 é aquela que tem como objectivo a defesa dos compradores de casa do Pearl Horizon. A União dos Promitentes-Compradores do “Pearl Horizon” para Defesa dos Direitos, liderada por Kou Meng Pok, apresentou ontem o seu programa eleitoral e reforçou o propósito que levou os cinco candidatos que a compõem, a avançar para o voto. Em conferência de imprensa, o número um da lista candidata foi claro: “o objectivo de candidatura é intensificar forças de modo a resolver o caso”, disse. Kou Meng Pok admite que apesar de o programa político ser simples, em que o destaque vai apenas para o caso que levou os deputados a apresentarem candidatura, não deixa de ter importância, visto tratar-se de uma causa que diz respeito a muitos
HOJE MACAU
A defesa dos compradores de casa ao grupo Polytec é quase objectivo único da União dos Promitentes-Compradores do “Pearl Horizon” para Defesa dos Direitos. A lista 24 apresentou ontem o seu programa político e comparou o caso ao tufão Hato
pelo tufão”, referiu, sendo que considera prioritária a resolução do caso que envolve os compradores de casa no projecto que não vai avante. A ideia é evitar “a repetição de um desastre e salvar a reputação de Macau a nível internacional”.
O MEU CASO
residentes do território. “O caso de Pearl Horizon é um dos assuntos maiores na sociedade e envolve mais de 10 mil indivíduos directamente, e indirectamente, dezenas de milhares das pessoas”, argumentou o cabeça de lista.
Kou Meng Pok não deixou de comparar o caso que defende com o tufão Hato que teve um efeito devastador no território há duas semanas. “É uma bomba relógio, que pode ter efeitos semelhantes aos provocados
Durante a conferência de imprensa, Kou Meng Pok mencionou o seu caso pessoal no processo Pearl Horizon. O candidato comprou casa ao grupo Polytec, e está neste momento sem ela e sem solução para o dinheiro que avançou. Esta, considera, é a razão principal que o move há cerca de dois anos e meio e à qual as autoridades não têm dado importância. “O Pearl Horizon não tem sido tratado de forma razoável”, referiu. “Os compradores lesados adquiriram casa entre 2010 e 2013, mas em 2015 o Governo recuperou as nossas fracções residenciais com a lei de terras aprovada em 2014”, recordou Kou Meng Pok. O candidato afirma que não fez nada que fosse contra a lei, mas
que, ainda assim, acabou por sofrer as consequências. Defendendo aqueles que se encontram em situação semelhante à sua, Kou Meng Pok lamenta que “nem todas as pessoas são capazes de aguentar tal sofrimento”. Outro dos aspectos referidos como parte do programa político da União dos Promitentes-Compradores do “Pearl Horizon” para Defesa dos Direitos é a “luta pelo aumento do nível e felicidade dos residentes de Macau”. Kou Meng Pok deu alguns exemplos de sectores que podem ser melhorados neste sentido, e destacou a necessidade de uma melhor dinâmica comercial, de uma distribuição justa de recursos e de um aumento de eficácia por parte do Governo. Mesmo que não seja eleito, Kou Meng Pok garante que o a luta não vai terminar até que os proprietários lesados consigam reaver as suas casas. Vitor Ng (com S.M.M.) info@hojemacau.com.mo
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RÓMULO SANTOS
AUTOCARROS COMEÇAM HOJE MAIS DOIS TRAJECTOS RÁPIDOS
8.9.2017 sexta-feira
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NTRAM hoje em actividade mais duas carreiras rápidas extra. O autocarro n.º 3AX e o n.º 25AX têm o objectivo “de escoar a afluência dos passageiros da Zona Norte e de Seac Pai Van”, diz a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) em comunicado. As duas carreiras irão operar nos dias úteis durante a parte da manhã e horas de ponta, para responder à necessidades de deslocação dos residentes nos momentos de maior afluência de trânsito. A carreira n.º 3AX terá um percurso em sentido único, saindo da zona de estacionamento de veículos pesados de passageiros do norte da Praça das Portas do Cerco, seguindo para as paragens, “Av.1 de Maio/ Kwong Wa”, “Av. Dr. Sun Yat-Sen/ Av. Amizade”, “Nape / Centro Cultural”, “Centro Transfusões Sangue”, “Rua Cidade de Sintra”, até a última paragem “Praça Ferreira Amaral”. A frequência das partidas é de 8 a 10 minutos, das 7h à 8h45 da parte de manhã, nos dias úteis. Já o n.º 25AX terá um percurso de sentido circular, saindo também das Portas do Cerco, e passando pelas paragens, “Av.1 de Maio/ Kwong Wa”, “Praça Ferreira Amaral”, “Esparteiro/ Regency”, “Edf. Chun Luen”, “Est. do Istmo/ C.O.D.”, “Av. Vale das Borboletas / Terminal”, em sentido oposto, “Al. da Harmonia/ Edf. Lok Kuan”, “Est. do Istmo/ Parisian”, “Treasure Garden”, “Av. Sun Yat Sen/ CTM”, “Praça Ferreira Amaral”, “R. Nova Areia Preta/ Nam Wa”. Também os autocarros n.º 3A e 25 foram alvo de melhorias, tendo em conta a temporária suspensão de funcionamento do Terminal das Portas do Cerco.
São Januário Funcionário encontrado sem vida
O Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ), confirmou, na quartafeira, um caso de suicídio dentro das suas instalações. De acordo com o comunicado dos Serviços de Saúde, foi encontrado o corpo de um funcionário do hospital, com 50 anos de idade numa sala de arrumos. O São Januário fez, de imediato, a notificação do caso às autoridades e a Polícia Judiciária já iniciou a investigação. A suspeita é de que se trata de suicídio até porque, antes do incidente, o funcionário tinha deixado uma nota nesse sentido em casa, tendo os familiares informado o hospital da situação. O CHCSJ tendo conhecimento da situação começou a procurar o funcionário que acabou por encontrar sem vida.
DSAT ANUNCIADAS ISENÇÕES PARA VEÍCULOS APÓS DANOS COM TUFÃO
O surrealismo fiscal Quem ficou com o carro danificado na sequência da devastação provocada pelo Hato pode ser reembolsado do imposto pago pelo veículo danificado. Esta isenção estende-se ainda a viaturas que não existem à venda no território, tais como carros movidos a energia solar ou gás natural
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STÃO aí as medidas concretas que se esperavam para remediar os danos causados aos veículos que foram apanhados pelo tufão Hato. “No dia 23 de Agosto lançámos apenas um quadro geral. Para implementar esta medida em concreto tivemos de ouvir opiniões de várias partes e depois definimos o limite mínimo e máximo de reembolso”, explica Lam Hin San, director da Direcção dos Serviços para os Assuntos do Tráfego (DSAT). O dirigente, explicou ainda que quem ficou com os veículos danificados terá até 18 de Setembro para proceder ao cancelamento de matrículas. “Entre 23 de Agosto e 6 de Setembro recebemos 1100 requerimentos para cancelar matrículas, 548 automóveis e 460 motociclos”, anunciou Lam Hin San. O director acrescentou ainda que destes cancelamentos, 90 por cento são veículos afectados pelo tufão. Os automobilistas, assim como os motociclistas, que necessitem de um novo veículo vão ter uma isenção, ou reembolso,
de imposto pago pela viatura danificada pelo tufão. Em primeiro lugar, será necessário uma lei aprovada pela nova Assembleia Legislativa, uma vez que é o órgão com competência exclusiva para aprovar uma medida desta natureza. Iong Kong Leong, director dos Serviços de Finanças, adianta que “será pedido efeito retroactivo” para reembolsar quem já pagou o imposto dos novos
O proprietário do automóvel danificado que adquirir um carro novo que use combustíveis fósseis, terá um reembolso até 80 por cento do imposto pago pelo veículo danificado, num montante máximo de 140 mil patacas
veículos antes da lei aprovada. O director acrescentou que “o processo legislativo terá natureza urgente” e que ainda não existe uma redacção para a proposta de lei que fixará estes reembolsos fiscais.
CARROS INEXISTENTES
O proprietário do automóvel danificado que adquirir um carro novo que use combustíveis fósseis, terá um reembolso até 80 por cento do imposto pago pelo veículo danificado, num montante máximo de 140 mil patacas. Quanto aos motociclos, o reembolso pode atingir os 100 por cento, para um valor limite de 5500 patacas. Quem estiver interessado terá de pedir primeiro o cancelamento da matrícula. A DSAT adianta que a taxa de amortização pode ir até aos 100 por cento no caso da compra de veículos movidos a energias renováveis. Em comunicado de imprensa dos serviços pode-se ler que quem comprar viaturas movidas a gás natural, energia solar e carros eléctricos será reembolsado dos impostos pagos
pelo veículo danificado. É de referir neste capítulo que em Macau não existem viaturas movida a energia solar e que a gás natural apenas existem alguns autocarros de transporte público. Quanto aos carros eléctricos, são uma parcela ínfima do parque automóvel do território. Em Abril último, havia 180 veículos eléctricos, sendo que 22 pertenciam ao Governo. Neste aspecto, Lam Hin San entende que “se houver mais procura destas viaturas movidas a novas energias, acredito que os concessionários terão mais incentivos para importar este tipo de veículos”. Outra das questões levantadas pela destruição de carros e motociclos prende-se com a falta de locais para acolherem aquilo que normalmente se designa como ferro-velho. Aliás, um problema que Macau já sentia antes da passagem do Hato, sendo recorrente o abandono de veículos na via pública. Porém, o director da DSAT refere que “segundo os dados recolhidos não temos problemas nesta matéria”. Lam Hin San acrescentou ainda que serão feitos esforços para que “os veículos abatidos sejam enviados para a DSF para irem a leilão”. Em seguida, de acordo com o director, a empresa que os adquirir pode exportá-los para o exterior. João Luz
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sexta-feira 8.9.2017
TRIBUNAL PJ DIZ QUE IRMÃOS COUTINHO QUERIAM PÔR A DROGA NA ATFPM
Um misterioso circuito
Realizou-se ontem mais uma sessão do julgamento que coloca os filhos de José Pereira Coutinho no banco dos réus, por suspeita de tráfico de droga. Agentes da Polícia Judiciária disseram que os dois irmãos tinham o plano de despachar droga para a casa e associação a que o pai preside
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ECORREU ontem a primeira sessão de julgamento referente ao processo dos dois filhos de José Pereira Coutinho, candidato às eleições legislativas. Segundo o jornal Ou Mun, os arguidos, de nome Alexandre e Benjamim Pereira Coutinho, teriam planos para despachar a droga que alegadamente traficavam por via postal para a casa do pai e também para a associação que este dirige, a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM). Ontem vários agentes da Polícia Judiciária (PJ) prestaram depoimentos na qualidade de testemunhas. Um deles, de apelido Lai, referiu que, a 15 de Dezembro do ano passado, os Serviços de Alfândega de Hong Kong descobriram, numa inspecção regular, uma encomenda postal que tinha como destino Macau, e que continha droga no seu interior. Esta encomenda teria o nome do destinatário e o endereço iguais aos dados do irmão mais velho de Coutinho. A partir daí, as autoridades começaram a acompanhar o processo de transacção. Quando Alexandre e Benjamim chegaram aos correios para levantar a encomenda, um dos irmãos terá cheirado a encomenda, escreve o Ou Mun. A mesma testemunha disse que o irmão mais novo tinha começado a “enviar encomendas” em Junho do ano passado, tendo sido bem sucedido nas primeiras vezes. A quinta encomenda acabaria por ser alvo da atenção dos serviços alfandegários dos Estados Unidos, e a sexta embalagem seria detectada pelos serviços congéneres de Hong Kong. Afactura referente à encomenda não permitia identificar o remetente como sendo um dos irmãos, mas mensagens trocadas através de uma aplicação de telemóvel permitiram às autoridades ver que o irmão mais novo terá avisado o mais velho para
não ir buscar a encomenda, com medo de ser apanhado.
MENSAGENS AJUDARAM
A mesma aplicação de telemóvel terá permitido às autoridades ver mensagens que questionavam se as “mercadorias” tinham sido todas vendidas.As autoridades terão ainda visto uma fotografia que serviu de comprovativo de uma transferência bancária de 190 mil patacas. Este dinheiro terá sido transferido para a conta do irmão mais novo.
Os arguidos teriam planos para despachar a droga que alegadamente traficavam para a casa do pai e também para a associação que este dirige, a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) O advogado de defesa dos filhos de José Pereira Coutinho terá questionado os agentes da PJ quanto à sua presença no momento em que as autoridades de Hong Kong inspeccionaram as encomendas, e se seguiram a legislação vigente nesse processo. O agente Lai disse que não esteve presente e que o conteúdo do pacote não foi remexido. Apenas os papéis do exterior da encomenda foram retirados. No final da sessão, que decorreu no Tribunal Judicial de Base, o delegado do procurador do Ministério Público pediu que os agentes dos serviços de alfândega de Hong Kong sejam chamados a testemunhar no processo. O julgamento prossegue até ao dia 13 de Setembro. V.N./A.S.S.
ENSINO COSTA NUNES TEM MAIS ALUNOS ESTE ANO
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ARISA Peixoto, directora do jardim de infância D. José da Costa Nunes, disse à Rádio Macau que a instituição conta com mais alunos no início do novo ano lectivo. No total são 224 crianças que estão matriculadas, quando o ano passado eram 193. Foram ainda criadas mais duas turmas para crianças com três anos de idade. Marisa Peixoto disse ainda que foram contratadas mais três educadores de infância, um deles em sua substituição. Recorde-se que Marisa Peixoto assumiu funções como directora em substituição de Lola Couto do Rosário, que esteve um ano à frente da instituição de ensino. A nova responsável disse à Rádio Macau que o ensino do cantonense é uma das apostas da escola de matriz portuguesa. “Vamos ter durante o ano bastantes horas de cantonense para as crianças portuguesas e de outras nacionalidades que não sabem falar cantonense. E também para os adultos da escola que não falam. Normalmente [as crianças] têm o mandarim curricular e o inglês e este ano apostamos também no cantonense”, disse. Quanto aos estragos causados pela passagem do tufão Hato, o jardim de infância ficou com algumas mazelas na zona exterior, mas na próxima segunda-feira os mais pequenos já podem usar o recreio. É ainda necessário fazer um controlo das pragas, rematou Marisa Peixoto.
BNU Sam Tou é o novo director executivo
Foi decidida em Maio, mas só ontem foi dada a conhecer a nova nomeação do BNU. O cargo é de Sam Tou que, de acordo com o comunicado à imprensa, “possui conhecimentos ricos e profundos do sector bancário, tendo vindo a colaborar com o BNU há mais de seis anos num cargo de gestão”. O novo director executivo, nascido em Macau e Mestre em finanças conta já com uma vasta experiência na banca e nos negócios locais. Sam Tou viveu as mudanças e transformações económicas e comerciais inerentes à transferência de administração do território e “vem fortalecer ainda mais o relacionamento do BNU com as empresas locais”.
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São poucos os momentos de prazer na vida... É gozá-la...
Deste interior não sai ninguém curvatura de uma parábola muda de cegos – pensei: como a outra, de Brueghel – e assim também aqui esse desígnio os fez cair. Ancorados no cego da frente, o primeiro a ouvir brisas ténues da poética realidade enfeitiçada de símbolos, que tudo modelou do início para o fim. Dali, da frente, para trás, o início de tudo. Aqui, ou ali. Como se no tempo da narrativa, no tempo de se deixar varrer de olhos em muda interrogação, se pudesse distinguir duas opostas leituras vectoriais. Dois sentidos de leitura, entre o oriente e o ocidente do oriente também do quadro. Numa curiosa imagem, do fio cronológico das coisas que se sucedem. Antecedem? Mas há uma face a que nunca terei e se tem acesso. Não vou dizer o que, assim, não é nomeável. Tacteável. Que de dentro espreitaria sempre sem se deixar ver por detrás de reflexos cristalinos de um olhar cuja cor não ficou registada. E dele sempre seria evidente, mais o reflexo do que o interior. E é um jogo imparável, este, do desconhecimento. E assim se anda sempre á procura de um entendimento do outro, confundindo-o em muito com o que reflecte de quem o olha. De um além fechado sobre a impossibilidade de saber mais. Mais para além do muito que floresce em palavras e pequenas e múltiplas peças de um puzzle labiríntico, em que se o tenta edificar. A pessoa que já não está. Por detrás das palavras e dos gestos que elaborou. E que noutro tempo, sabe-se lá onde estaria para além ou para aquém delas e desses. Observei até quebrar a estranheza, os olhos e como quando os olhos teimam em ser baixos se lhe eleva o queixo. Em desafio. Todos os dias de riquexó e cão para o liceu. Onde fomos colegas. Que importa se num tempo que não cruzou ali caminho nem pena nem espada. Honra-me assim pensar o tempo sem direcções preferenciais, sem disjunções estanques, e porque às vezes não as tem mesmo e de todo. O tempo da memória faz-se talvez de matérias como o da imaginação e da ilusão. Sim. Ia de riquexó e de cão para lá. O homem que deu este nome a um cão. Arminho. Como as etéreas rendas de que cobria a madrugada dos poemas. Cortinas e esfumados lirismos como das gaivotas exaustas e sem ânimo. Nunca mortas, afinal. Sentava-se mais tarde quieto na camisa- de- forças do seu duplo e pensava na gaivota por morrer. Arminho. Sabe-se lá porquê. O arminho que é coisa leve e de fru-fru de festas. O arminho que é coisa inquieta a um simples suspiro, leve como leves os tules das cortinas simbólicas de que reveste os seus monstros.
Dantes, Nilo ou Tejo eram nomes de cão e o do seu, leve e esvoaçante. Talvez a paixão pela música das palavras não deixasse chamar-lhe das pérolas. Deste rio. E, no entanto, pérolas são os pontos de dor da ostra. Tornados luz. Mas o que de um poeta diz, a vida de um poeta, e o que diz um poeta no que diz, o que diz no que não diz, talvez. O ANABELA CANAS
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, no entanto, entra-se. Pode-se entrar por ele adentro como de uma realidade que, podendo ser ilusória, nunca se perde de o ser. E cair. Por essa realidade abaixo. Por ela fora, por aí. Mesmo se inexistente. Mesmo se previamente inexistente senão em possibilidade, e mesmo se antecipadamente pressentida em toda a sua intangibilidade, para além de uma sombra um reflexo ou a pura invenção de uma camada do que não é, não foi, mas se presta a uma forma possível. De ser. De iludir. Ali me sento todos os dias na sua frente. Não talvez já a tentar entendê-lo, mas que se me revele ele lentamente no seu silêncio. Encontrar-lhe o olhar. A cor. Pinceladas que erram ou não. Pintar. Às vezes, como partir para um “blind date”. Sentar-me à mesa com o desconhecido. Uma coisa mútua, em que cada um tenta explicar-se ao outro. E ficava. Quieta nas horas, em frente a ele quando veio sentar-se. Central e necessário. E eu em busca de lhe entender o olhar. Como uma linha da vida, da mão, da página, do coração, em que, como numa única e ínfima célula, se encerrasse como num cofre, todo o código genético de um pensamento, de um sentir e de um viver. Numa única célula. De um corpo. De uma frase. De um olhar. Esse seu olhar divergente, como uma curiosa antecipação genética ao que teria que ser. E a ver a chegada de cada linha, numa arquitectura de interrogações. A mim, a ele, a esse interior de que não se sai. E antes ainda, à procura de um local mítico de encontro improvável, possível, na imensa maleabilidade do tempo que tudo admite à ilusão, à fantasia ou à memória, encontrei-me como se com esse meu mais que ilustre, distinto e invulgar colega do Liceu de Macau. O ponto etéreo de cruzamento de uma memória com uma fantasia. E eu ali, como sempre, pequena e timidamente o olho em tentativa de entender. Sabendo, sem redenção, que não se sabe o desconhecido. Sabe-se o desconhecimento. Baixo. Surgiu baixo e fui ver. Na verdade, então, não era uma figura imponente. No corpo. Não no corpo. E ficou ali, e um dia, depois, voltou e enrodilhou-se sobre si. A olhar de dentro, soturno e calado como o outro. E quando voltou, vindo de um real para além da dor, cambaleou a ansiar o conforto de não pesar ao corpo, nem a vida, nem o pesar a consumi-lo. E os monstros. Fugido de monstros e memórias, ou talvez a mesma coisa tudo. Cambaleou para o interior vindo da dissolução progressiva e futura. Reuniram-se na
que se esconde no que esconde e naquele que o procura, a ele ou esconder. De que véus e velaturas se recobre o que se esconde, como de desvendável existência, é pergunta que me fugiu desamparada para o longínquo horizonte da resignação. Como se sólida matéria a intuir por detrás. Mas o escondido é nebulosa não matéria. Invenção de que per-
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iluminacão artificial ´
Anabela Canas
gunta, sem saber mais do que adivinhar o muito que preenche o território de que se revelam as sombras projectadas do poeta. As brumas amigas. As camadas de encobrimento. Aguadas como poalha em dias de chuva. Coloquei-as para não ter a pretensão de as retirar. Janelas sobre o espaço. Entreabertas e obstruídas levemente de leves cortinas. Portas que não levam ao
conhecido. Cuidadosas a mais por detrás de biombos. Como filtros. Como roupas entre o corpo e a casa. Pessanha, o quadro sobre um tempo invisível que não atinjo mas tapo. Os quadros vivos atrás do quadro. E indecisa digo também o contrário, como da vida me chegam sempre ecos. Porque há de a vida abalroar-me sempre
nesta estranha convivência de contrários. Recomeçando. Como distinguir-lhe um silêncio de secreta abertura, de um silêncio de discreto encerramento. E depois, trocar os adjectivos. Porque me fugiu sempre a invejável harmonia das certezas, para este olhar polifónico que me traz num carrocel. Mas ele ali, parado, que pensaria?
Quando naqueles dias de alma difusa e sem ideias que transpareçam por detrás desta cortina, deixo que sejam os pequenos bichos devoradores a agitar-se na folha. Cada um na certeza de existir e produzir sombra. Sem cardume possível se bem que partilhando águas. Sigo-lhe as sombras. Os objectos a representar a vida e a cobrir esta de obstáculos ao vazio. Intrigante colecionismo, o de objectos inúteis e crivados de imagens. Duas camadas de máscaras sobre o interior. De um pote, um vaso, um jarrão sem flores. Vivas. Vazio. Como na poesia, que dele revela uma leve e musical arquitectura da dor. De que parte, que recobre, e onde regressa como ao grito necessário. Medido e emendado. No entanto. E recoberto de símbolos ou diluído neles. O grito da dor. Da que é início e decidida sentido e fim. Sento-me na sua frente todos os dias. Desmultiplicou-se em tempos, fragmentou-se, diluiu-se no fundo, como era para ser. Denso de cor e etéreo de transparência. Sento-me ali a olhar como, por um túnel paradoxal de linguagem a tentar igualar a vida, se juntam e justapõem os tempos, os lugares e as fases de ser, entre uma poética guiando a vida e, em sentido contrário, o recuo a uma retaguarda que foi teoria e definiu. E não salvou. Restos. Como células que descartamos todos os dias. Invisivelmente. Em cada passo, em cada gesto. Impressas do código genético. E partículas de água que se evolam e nos abandonam a uma secura de plantas. A ir. Naquele fio do tempo. Ou da navalha. Como restos são os mortais. Ou os restos imortais espalhados por uma eternidade de memória, nos quais, como um convite desfiado em cordas, se tenta ascender. Adivinhar caminho. Ou tão simplesmente, na música do poeta. Sem mais do que ouvir. E queria o olhar inquieto a viajar, de leste a oeste do quadro. De oriente a ocidente. Repletos de origem, confusos de final. Tantos dias e tão poucos ali me sentei na sua frente. Ele calado e eu. A tentar adivinhar a arquitectura daquele interior. Daquele exterior invasivo. A tentar não o expor nem o fechar. Com a emoção de um encontro. E um dia, encerro a última aresta daquele interior cruzado de monstros e enigmas que ficam. Deixo uma portada entreaberta e vou. Mas olho para trás todas as vezes que posso enquanto o meu olhar alcançar o quadro. O poeta. Despeço-me com saudade. Do encontro plano com a terceira dimensão escondida e escura atrás do quadro. Está frio. O tempo congelou. O homem morreu. A poesia não.
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Notificação edital (34/FGCL/2017) Nos de pedido: 000078/2017, 000079/2017, 000069/2017
Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 3ª vez do ano 2017
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Fins O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM. Alvos de Patrocínio (i) Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D); (ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM. Projecto de Apoio Financeiro (i) Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; (ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vi) Pedidos de patentes. Valor de Apoio Financeiro (1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00)
Data do Pedido Alínea (1) do número anterior Alínea (2) do número anterior
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Todo o ano A partir do dia 1 até 14 de Setembro de 2017 (O próximo pedido será realizado no dia 2 ao 15 de Janeiro de 2018)
Forma do Pedido Devolvido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 273 /2004,«Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro», publicado no B. O. N° 47 de 22 de Nov., para o FDCT. Endereço do escritória: Avenida do Infante D. Henrique N.º 43-53A, Edf. “The Macau Square ”, 11.º andar K, Macau. Para informações: tel. 28788777; website: www.fdct.gov.mo. Condições de Autorizações Por despacho do Chefe do Executivo nº 273 /2004, processa o «Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro». O Presidente do C. A. do FDCT, Ma Chi Ngai 2017 / 8 / 31
Nos termos da alínea 1) do n.o 1 do artigo 9.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.o 2 do artigo 72.o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números de pedido acima referidos, “Cali Promoção de Jogos Sociedade Limitada”, com sede na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues nº 600E, Edifício Centro Comercial First Nacional, 12º andar, sala 5, Macau, o seguinte: Relativamente aos 3 ex-trabalhadores do devedor (Fong, Anita Shukman, Hong Yahui e Cheong Wai Kin), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 10 de Agosto de 2017, deliberou, nos termos do artigo 6.º da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa para os ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $96 441,40 (noventa e seis mil quatrocentas e quarenta e uma patacas e quarenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos para aqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.º da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar os referidos processos. 4 de Setembro de 2017
N de pedido: 000076/2017 o
O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong
Notificação edital (35/FGCL/2017)
Nos termos da alínea 1) do n.o 1 do artigo 9.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.o 2 do artigo 72.o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor do número de pedido acima referido, “Casa Imperial Restaurante de Marisco, Limitada”, com sede na Rua das Lorchas nos 16 - 20, Ponte 16 , Macau, o seguinte: Relativamente ao ex-trabalhador (Wong Iong Mui), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 10 de Agosto de 2017, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa para ao ex-trabalhador acima referido, no valor total de $55 105,76 (Cinquenta e cinco mil cento e cinco patacas e setenta e seis avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos àquele ex-trabalhador, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar o referido processo. 4 de Setembro de 2017 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais Wong Chi Hong
Fundo para a Protecção Ambiental e a Conservação Energética Notificação n.º 024/2017 Considerando a impossibilidade de notificar pessoalmente os interessados, de acordo com o disposto no n.º 1 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, as seguintes empresas comerciais, que apresentaram pedidos de apoio financeiro ao Fundo para a Protecção Ambiental e Conservação Energética, são notificadas por edital, ao abrigo do artigo 68.º e do n.º 2 do artigo 72.º do mesmo Código: Nome do requerente NEWS TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LDA. LOI, IAN I
N.º de registo de entrada
Nome do requerente
N.º de registo de entrada
FP1000795
TANG, LAI FONG
FP1005866
FP1003048
FONG, CHI KIT
FP1006243
NG, CHI KUAN
FP1004207
SIN, KA I
FP1006524
LEONG WA FOK
FP1004260
FP1006915
LAM, KEI CHO
FP1004916
LEONG, TAK MENG
FP1005146
CHOU, WENG I THREEMOVING LIMITADA LEI, CHI KUN
藝華木業有限公司
FP1005204
MAN, UT WAN
FP2102132
FP1007257 FP1007620
O Conselho Administrativo do FPACE concorda com os pedidos de desistência de apoio financeiro apresentados pelas empresas comerciais acima mencionadas, arquivando os seus pedidos de apoio financeiro.
UN, CHAN HOU
N.º de registo de entrada FP2000581
WONG CHENG PAN
FP2102770
Nome do requerente
Nome do requerente PANG, TAT SENG
N.º de registo de entrada FP2000717
O Conselho Administrativo do FPACE concorda com os pedidos de desistência de apoio financeiro apresentados pelas empresas comerciais acima referidas, cancelando, assim, a concessão do respectivo apoio financeiro. 8 de Setembro de 2017. O Presidente do Conselho Administrativo do FPACE Tam Vai Man
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Tonalidades António Castro Caeiro
UANTO tempo se demora a chegar? Demoramos tempo a partir. Nenhuma viagem coincide com uma deslocação. Estamos de partida semanas ou dias antes de partirmos. Demoramos tempo a chegar, mesmo tendo aterrado. Quanto tempo dura uma viagem? As semanas em que a antecipamos e as semanas de dias que vibrarão em nós. Há partidas sempre. Se calhar não fizemos senão chegar. Chegamos verdadeiramente? Partimos? Quando partimos o que deixamos? Quando chegamos o que encontramos? Há chegadas e partidas circunscritas ao quotidiano. De casa para o trabalho e de regresso. Dos sítios onde vamos até casa. Vamos de férias e regressamos. A distância também fixa a viagem. Sim: podemos estar à distância de poucos quilómetros ou até metros. Quando vou ver alguém no quarto ao lado para lhe perguntar coisas banais. Estás bem? Precisas de alguma coisa? Essa viagem curta pode ser dramática ou banal. Também podemos viajar durante um dia. Não é uma viagem habitual. E, contudo, a estranheza pode ser enorme. A língua desse sítio pode ser impenetrável, as ruas escuras e mal iluminadas. A roupa pode colar-se ao corpo. Encontramos alívio nos espaços gelados pelo ar condicionado. Viajar só e com amigos é completamente diferente. Com amigos podemos encontrar outras pessoas como encontraríamos se estivéssemos sós. Mas em conjunto a viagem é diferente. Sobretudo, se houver uma cumplicidade. Há várias cumplicidades, mas as mais intrigantes sempre foram para mim as que têm origem no espírito da palavra, no recorte da imagem fotografada ou pintada, no som do acorde. Macau é uma cidade de pé. Há hotéis que parecem bairros. Há também ruas que são as entranhas de uma cidade cheia de camadas. Onde se sedimenta a vida humana, em caracóis viscosos e peçonhentos, pássaros que são levados em gaiolas a passear, no cheiro das diversas cozinhas, nos interiores de casas onde pessoas falam no seu universo. Joga-se no casino como se fosse a metáfora da vida. Ganha-se ou perde-se. Na vida, talvez se perca sempre. Ecoam as cordas de uma viola, num rio ondulante. É calmo. Exposto, porém, a tufões furiosos que alagam as partes baixas da cidade. A chuva é como água que se solta de paredes cheias de vapor. Raparigas muito magras e de uma brancura só coberta pelo negro da roupa que trazem. Motas que atravessam o trânsito como se não houvesse amanhã. Conduz-se no sentido contrário mas numa mesma direcção. O lugar do morto é do motorista. Houve-se português falado por pessoas que há muito aqui vivem e tam-
ALEX PROYAS, DARK CITY
Nocturnos Q
bém de chineses, coisa estranha. Como se fossem configurados por um horizonte onde nunca irão. Se calhar não terão de ir. Como eu aqui, sem perceber palavra alguma. Testemunho com espanto quem tem o talento de falar uma língua reservada para tantos que nela nasceram e para tão poucos que nela mergulham. Cheira a violetas, forte, azul. Chove sem cessar. O tufão açoita. Há uma electricidade no ar. Tudo à beira de implodir, como o corpo na roupa que faz escoar a vida. O fuso horário confunde o dia. Aqui e agora não é lá sabe-se lá quando. E não esperarei. Porque poderia partir e ficar sem tentar regressar, sem ter por quem regressar, sem querer regressar. Acordo e peço noodles. Volto ao Ardbeg. Vou para a cama já sem imaginação para o que quer que seja e vejo séries para adormecer. Perguntei-te se esperava por ti. Não. Não era para esperar. Foi uma figura de retórica. Já vivo no oriente onde é casa só com a referência das horas de todos os dias. Olho o meu corpo irreconhecível e é para mim como o Chinês que ouço, as cores berrantes das lojas. O longe de onde parti e a que nunca regressarei. Querendo, não saberia como. Já só de caminho, já sem saber a que regresso, de onde parti e para onde vou.
Houvesse uma rotina com um itinerário e eu saberia com disciplina adormecer. Mas entre mim e mim há a noite. E se o dia é difícil ao princípio, a meio da tarde vem a dobra. Com o jantar, encho-me e
Chove sem cessar. O tufão açoita. Há uma electricidade no ar. Tudo à beira de implodir, como o corpo na roupa que faz escoar a vida. O fuso horário confunde o dia. Aqui e agora não é lá sabe-se lá quando. E não esperarei. Porque poderia partir e ficar sem tentar regressar, sem ter por quem regressar, sem querer regressar
encharco-me. Com a noite vem a anestesia para o que não é dor, porque nada me dói. E preferiria o desespero, com os olhos postos no futuro para sempre. Preferia isso a “isto”. Já nada esperar. “Ao longo da viola morosa”, “mas já sem coração que me prenda”. Primeiro, esqueço-me de ti, dela, dele, de vós, de nós, dos outros. Depois, esqueço-me de mim. Oblitero-me e só ecoa a viola morosa com acordes que vêm de aves estranhas. O som agudo da tristeza é dilacerante. Já não me revejo, nem escuto, nem ouço. “Mas que cicatriz melindrosa”. Entre idas e vindas, textos lidos e por escrever, jantares com os sabores da Tailândia e cheiros opulentos. O picante exige cerveja. “Ao longo da viola morosa”, há quem tenha vidas. Eu, porém, queria partir, sem chegar. Ou estar só por estar. Buscando o quê, quando me queria despedir de mim e não tenho talento. Vistas as coisas, nada mais há. A não ser a espera. Nem é tristeza. É uma incompetência incómoda e desagradável. Trabalho a partir do interior do que quer que seja que é interior a extirpação da espera. Há ainda um resquício humano que em mim faz que pudesse esperar. Mas o que mais gosto de ver é o tufão que vem me faz não ser vulnerável, nem estar exposto a nenhuma maré, a não ser à definitiva.
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8.9.2017 sexta-feira
PEQUIM APOIA NOVAS MEDIDAS DA ONU CONTRA PYONGYANG
“Metade da chave”
O
ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, assegurou ontem que o seu país apoiará novas medidas contra a Coreia do Norte, após o último teste nuclear realizado por Pyongyang, mas voltou a apelar ao diálogo. O Conselho de Segurança da ONU “deve responder” e “adoptar as medidas necessárias”, afirmou Wang, numa conferência de im-
prensa em Pequim, ressalvando que as sanções são apenas parte da solução e que estas devem ser acompanhadas de diálogo e negociações. “As sanções e pressão sobre o regime de Kim Jong-un são apenas metade da chave para resolver a questão da Coreia do Norte”, afirmou. “Todas as novas acções tomadas pela comunidade internacional contra a Coreia do Norte devem servir para restringir o programa
nuclear e balístico do país e, em simultâneo, encorajar a retoma das conversações”, acrescentou. As declarações do ministro chinês surgem depois de o Presidente da China, Xi Jinping, ter falado por telefone com o homólogo norte-americano, Donald Trump. Xi apelou à resolução da questão norte-coreana pela via pacífica, segundo a imprensa estatal chinesa.
No domingo, Pyongyang anunciou ter testado com sucesso uma bomba de hidrogénio (ver página 15). A China condenou “vigorosamente” a provocação do país vizinho. Estados Unidos, Japão e aliados europeus apelaram a novas e duras sanções da ONU, mas a posição de Pequim e Moscovo, ambos com direito de veto no Conselho de Segurança, permanece incerta. O Presidente russo, Vladimir Putin, classificou novas sanções contra Pyongyang como “inúteis e ineficazes”. A China, que representa 90% do comércio externo da Coreia do Norte, aprovou a sétima ronda de sanções da ONU contra o país, suspendendo as compras de ferro, chumbo e marisco norte-coreano.
Negócios Regras poderão ser aliviadas O recente período de calmaria nos mercados accionários da China ajudou a criar um ambiente apropriado para um novo relaxamento das regras para os negócios com índices futuros e a implementação de novas medidas de liberalização, segundo um comentário publicado pela imprensa estatal. Este ano, o mercado de ações do tipo A tem operado de forma tranquila, com forte redução da volatilidade, uma estrutura de valorização mais razoável e a recuperação da confiança dos investidores, pode lerse num artigo publicado na edição desta quinta-feira do Economic Information Daily, jornal produzido pela agência de notícias estatal Xinhua. “O mercado atingiu as condições para mais reformas voltadas para os mercados e o relaxamento apropriado dos futuros das acções”, diz a publicação.
Reservas cambiais voltam a aumentar
Wang Yi, ministro chinês dos Negócios Estrangeiros “Todas as novas acções tomadas pela comunidade internacional contra a Coreia do Norte devem servir para restringir o programa nuclear e balístico do país e, em simultâneo, encorajar a retoma das conversações.”
EXERCÍCIOS MILITARES EM ÁGUAS JUNTO À PENÍNSULA COREANA
A
China realizou exercícios militares em águas próximas à península coreana, dois dias depois de Pyongyang ter anunciado que explodiu uma bomba de hidrogénio, revelou ontem o ministério chinês da Defesa. Em comunicado, o ministério afirma que os exer-
cícios visaram “melhorar a capacidade da missão de evacuação” e foram “planeados com antecedência”. A mesma nota acrescenta que não foram dirigidos a nenhuma nação ou alvo em particular. Mas apesar de o exército chinês realizar frequentemente exercícios no
Golfo de Bohai, o momento escolhido chama a atenção. Pequim afirmou repetidamente que não tolerará um conflito armado junto ao seu território e que não pode existir uma solução militar para a questão da península coreana. Em Maio, testou um novo tipo de míssil no Golfo
de Bohai, numa altura de renovada tensão com a Coreia do Sul, após Seul permitir a instalação de um sistema antimísseis norte-americano no país, apesar dos protestos chineses.Adisputa teve grande impacto nas relações económicas e diplomáticas entre os dois países.
O Golfo de Bohai fica a oeste do Mar Amarelo e separa a China da península coreana. Na semana passada, o ministério chinês da Defesa disse que não realizou qualquer mudança no seu aparato militar junto à fronteira com a Coreia do Norte.
As reservas cambiais da China, as maiores do mundo, subiram 0,35% em Agosto, face ao mês anterior, para 3,09 biliões de yuan, a aumentarem pelo sétimo mês consecutivo, informou ontem o Banco do Povo da China. O aumento fixou-se em 10.800 milhões de dólares. A empresa de análises Capital Economics calcula que o banco central chinês adquiriu 15.000 de dólares em reservas, ao longo do mês de Agosto. A valorização do yuan, a moeda chinesa, nas passadas semanas, também terá resultado numa menor procura por moedas internacionais, uma tendência que a Capital Economics prevê que continue ao longo dos próximos dois anos, levando a uma redução na saída de capitais.
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sexta-feira 8.9.2017
PYONGYANG TESTE NUCLEAR MUITO CELEBRADO
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Coreia do Norte celebrou na quarta-feira com fogo de artifício o seu sexto e mais potente teste nuclear, que classificou como um “evento nacional auspicioso” e um “marco sem precedentes”. A praça de Kim Il-sung em Pyongyang recebeu civis e membros da elite do regime, incluindo o chefe de Estado honorífico, Kim Yong-nam, e o vice-marechal do exército Hwang Pyong-so, e “os que contribuíram para o bem-sucedido teste da bomba H que pode ser instalada num míssil”, segundo a agência oficial KCNA. Os participantes testemunharam diversos discursos que classificaram o teste nuclear como “um evento nacional auspicioso que deu grande coragem e força ao exército (norte) coreano e ao povo”. O teste foi um “presente” para os líderes Kim Il-sung e Kim Jong-il, avô e pai do
actual líder, Kim Jong-un, que com a sua “orientação enérgica, dedicação incansável e esforços” fizeram com que a Coreia do Norte possa “emergir com um Estado com armas nucleares”, disse a KCNA. O regime elogiou o “marco sem precedentes” conseguidos pelo jovem Kim no desenvolvimento atómico do seu país e reafirmaram a sua postura de levar a cabo “os ataques preventivos mais implacáveis e fortes”, se os Estados Unidos puserem em marcha uma guerra. Pyongyang realizou no passado domingo o seu sexto e mais forte teste nuclear até à data, em que garantiu ter detonado uma bomba H (de hidrogénio, mais potente que as armas convencionais) que pode ser instalada num míssil intercontinental. Trata-se do quarto teste nuclear que a Coreia do Norte executa sob a liderança de Kim Jong-un.
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EZENAS de pessoas ficaram feridas na Coreia do Sul em confrontos entre polícias e manifestantes durante um protesto contra a instalação do escudo antimísseis THAAD, que acabou por ser ontem concluída. Os confrontos ocorreram, durante a noite de quarta-feira, entre 400 residentes da cidade de Seongju, próxima do local que acolhe o sistema de Defesa Terminal de Área de Grande Altitude (THAAD), e as forças de segurança destacadas na zona. Cerca de oito mil polícias foram destacados para uma zona próxima do local, onde dezenas de civis e agentes ficaram feridos e foram transportados para hospitais, sem que se saiba o número exacto ou a gravidade dos ferimentos, segundo a agência Yonhap. Os manifestantes protestavam contra a chegada de quatro plataformas de lançamento, para terminar a instalação do THAAD e que se juntam às duas já operacionais no terreno, um
Uma defesa polémica
Dezenas de feridos em protestos contra a instalação de escudo antimísseis
Os residentes temem que a sua cidade se converta num alvo primário dos ataques de Pyongyang, além de recear os efeitos que os seus radares[do THAAD] tenham para a saúde e para as suas plantações
antigo campo de golfe situado a cerca de 18 quilómetros de Seongju.
AJUDA AMERICANA
Cerca de dez veículos militares norte-americanos que transportavam os dispositivos abandonaram a base militar aérea de Osan (a cerca de 70
quilómetros de Seul) depois da passada meia-noite e chegaram ao seu destino, uma base militar de artilharia a cerca de 300 quilómetros da capital, às 8:20. Os manifestantes bloquearam o acesso durante várias horas antes de serem dispersados pela polícia pelas 5:00.
O Governo sul-coreano congelou a instalação de quatro plataformas de lançamento do THAAD no passado mês de Junho, por considerar que o anterior executivo, que aprovou a sua instalação em Julho de 2016, não realizou os estudos de impacto ambiental a que a lei sul-coreana obriga. No entanto, perante o contínuo desenvolvimento do programa de armamento da Coreia do Norte, o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, pediu em Agosto que fosse estudada a instalação das quatro plataformas que faltavam. Os residentes temem que a sua cidade se converta num alvo primário dos ataques de Pyongyang, além de recear os efeitos que os seus radares tenham para a saúde e para as suas plantações.
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EDITAL Edital n.º Processo n.º Assunto Local
EDITAL
: 35/E-OI/2017 :202/OI/2014/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento Geral da Construção Urbana (RGCU) :Rua do General Ivens Ferraz n.º 406, Edf. Lok Yeung Fa Yuen, Bloco 2 (Lei Tai Kuok), fracção 6.º andar T (CRP:T6), Macau.
Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que fica notificado Fan Wa Pan, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a obra não autorizada abaixo indicada, a qual infringiu o disposto no n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M (RGCU) de 21 de Agosto, alterado pela Lei n.º 6/99/M de 17 de Dezembro e pelo Regulamento Administrativo n.º 24/2009 de 3 de Agosto, pelo que a mesma é considerada ilegal:
Edital n.º Processo n.º Assunto Local
Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/ SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que fica notificado Fan Wa Pan, do seguinte: 1.
Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo
www.hojemacau.com.mo
3. Nos termos dos artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, o interessado pode apresentar a sua defesa por escrito e demais provas para se pronunciar sobre as questões que constituem objecto do procedimento, bem como requerer diligências complementares, no prazo de 10 (dez) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. 4. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227). RAEM, 04 de Setembro de 2017
Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man
Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado existe a seguinte obra não autorizada: Obra
Infracção ao RSCI e motivo da demolição
Instalação de uma gaiola metálica junto Infracção ao n.º 12 do artigo 8.º, obstrução 1.1 às janelas da fracção na parede exterior do acesso aos pontos de penetração no do edifício. edifício.
2.
As janelas acima referidas são consideradas pontos de penetração para realização de operações de salvamento de pessoas e de combate a incêndios, não podendo ser obstruídos com elementos fixos (gaiolas, gradeamentos, etc.) de acordo com o disposto no n.º 12 do artigo 8.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelo infractor nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto pontos de acesso ao edifício e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que terá necessariamente de ser determinada pela DSSOPT a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada.
3.
Nos termos do n.º 7 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 12 do artigo 8.º, é sancionável com multa de $2 000,00 a $20 000,00 patacas.
4.
Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, pode o interessado, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI.
5.
O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).
Obra de uma pala metálica na parede exterior do edifício junto às 1.1 Instalação janelas da fracção.
2. Nestas circunstâncias e nos termos dos artigos 52.º e 65.º do RGCU, ordena ao infractor que proceda à demolição da obra ilegal referida no ponto 1 e à reposição da parte afectada do edifício de acordo com o projecto aprovado por esta Direcção de Serviços, e informa que incorre em infracção sancionável com multa de $1 000,00 a $20 000,00 patacas.
: 109/E-BC/2017 :382/BC/2013/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) :Rua do General Ivens Ferraz n.º 406, Edf. Lok Yeung Fa Yuen, Bloco 2 (Lei Tai Kuok), fracção 6.º andar T (CRP:T6), Macau.
RAEM, 04 de Setembro de 2017 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man
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8.9.2017 sexta-feira
Futebol Taça da Liga com grupos definidos
O sorteio da constituição dos grupos para a terceira fase da Taça da Liga de futebol, foi ontem realizado no Porto. Benfica volta a encontrar o Sporting de Braga, enquanto o Sporting tem como adversário mais cotado o Marítimo. O FC Porto ficou com a companhia do Rio Ave no seu grupo. Aqui fica a constituição completa dos quatro grupos. GRUPO A Benfica, Sporting de Braga, Vitória de Setúbal e Real Massamá. GRUPO B Sporting, Marítimo, Portimonense e União da Madeira. GRUPO C Vitória de Guimarães, Feirense, Moreirense e Oliveirense GRUPO D FC Porto, Rio Ave, Paços de Ferreira e Leixões.
Portugal na final do World Rugby U20 Trophy
“CHINA GT” ÁVILA VAI CONDUZIR UM ASTON MARTIN
Chamada de última hora
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ODOLFO Ávila vai fazer a sua estreia este fim-de-semana no Campeonato da China de GT. O piloto português de Macau recebeu um convite de última hora por parte da equipa chinesa ZIA FEA Racing, para conduzir um Aston Martin Vantage GT4 na quarta prova do campeonato, que se disputa este fim-de-semana no Circuito Internacional de Xangai. Esta não será a primeira vez que Ávila irá alinhar numa corrida destinada a viaturas da categoria GT4. Em Agosto, durante o fim-de-semana da prova do Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC) em Xangai, o piloto da RAEM teve a oportunidade de partilhar a condução de um KTM X-Bow GT4 com o piloto local He Yang nas duas corridas pontuáveis para o campeonato GT Masters - competição rival do Campeonato da China de GT – conquistando um pódio na segunda corrida. Contudo, esta
será a primeira vez que Ávila irá guiar em situação de corrida um Aston Martin e representar aquela que é a primeira equipa de automobilismo profissional da cidade de Zhengzhou, a capital da província chinesa de Henan. “Não conheço a equipa e a primeira vez que vou conduzir um Aston Martin vai ser amanhã nas sessões de treinos-livres. O meu companheiro de equipa é um Gentleman Driver que está a dar os primeiros passos neste desporto, portanto as minhas ambições em termos de resultados para este
fim-de-semana são limitadas”, referiu Ávila ao HM. O piloto oficial da SAIC Volkswagen no CTCC vai participar nesta prova, acima de tudo, “para me divertir e pela experiência”, esperando que o seu companheiro de equipa, Yang Zhyhi, “possa beneficiar da possibilidade de ter um piloto mais rápido como referência, ajudando-o a evoluir como piloto”.
DOIS VEZES DOIS
Para além do Aston Martin Vantage, que dá nas vistas pelo ruidoso motor V8 de 4.7 litros, na categoria
“Não conheço a equipa e a primeira vez que vou conduzir um Aston Martin vai ser amanhã nas sessões de treinos-livres. O meu companheiro de equipa é um Gentleman Driver que está a dar os primeiros passos neste desporto, portanto as minhas ambições em termos de resultados para este fim-de-semana são limitadas.” RODOLFO ÁVILA PILOTO
GT4, que engloba os carros de Grande Turismo de competição mais próximos das versão de estrada, estão viaturas tão diversas como o Lotus Evora, KTM X-Bow ou o McLaren 570S. O fim-de-semana é composto por duas sessões de qualificação e por duas corridas, uma no sábado, outra no domingo, de uma hora cada, e com troca obrigatória de piloto. Recorde-se que André Couto vinha a participar esta temporada neste mesmo campeonato, mas inserido na categoria GT3 com um Nissan GT-R, até ao grave acidente no Circuito Internacional Zhuhai no passado mês de Julho. Ao contrário do que acontece em vários outros campeonatos, os carros da categoria GT3 e GT4 correm em corridas separadas no campeonato chinês da especialidade. Sérgio Fonseca
info@hojemacau.com.mo
Portugal qualificou-se pela primeira vez para a final do Troféu Mundial de Râguebi de sub-20, a decorrer no Uruguai, ao derrotar as Ilhas Fiji na quarta-feira, por 1613. Depois de ter vencido o Uruguai, por 20-18, e Hong Kong, por 31-24, Portugal assegurou o primeiro lugar do Grupo B com o triunfo sobre as Ilhas Fiji e apurouse para a final, na qual vai defrontar o Japão, no domingo. A selecção portuguesa, representante da Europa no World Rugby U20 Trophy – torneio mundial de segundo escalão -, mostrou-se à altura do desafio, com um ensaio de Francisco Vassalo e respectiva conversão de Jorge Abecassis, que bateu com êxito três pontapés de penalidade. Caso a equipa lusa vença os nipónicos, que também ganharam os três jogos do Grupo A, alcançará um feito inédito assegurando pela primeira vez a presença no World Rugby U20 Championship, que será disputado na Escócia, em 2018. A World Rugby U20 Championship é a divisão de elite no escalão sub-20, em que apenas competem as 12 melhores selecções do mundo.
US Open Del Potro ‘despacha’ Federer
O argentino Juan Martin Del Potro, 28.º jogador mundial, afastou quarta-feira Roger Federer, terceiro, do Open dos Estados Unidos e da liderança do ‘ranking’, ao bater o suíço nos quartos de final do último ‘Grand Slam’ do ano. Perante o jogador frente ao qual conquistou a edição 2009 da prova, Del Potro superiorizar-se pela sexta vez, em 22 embates, desta feita por 7-5, 3-6, 7-6 (10-8) e 6-4, em 2:51 horas e após salvar quarto ‘set points’ no ‘tie break’ do terceiro parcial. “Fiz o meu melhor jogo do torneio e penso que mereci esta vitória”, disse Juan Martin Del Potro, que na eliminatória anterior salvou dois ‘match points’ face ao austríaco Dominic Thiem, para vencer o embate em cinco ‘sets’. Nas meias-finais, Del Potro vai encontrar o espanhol Rafael Nadal, líder do ‘ranking’ mundial, que superou nos ‘quartos’ o russo Andrey Rublev, 53.º da hierarquia, e procura o terceiro título no US Open, após as vitórias em 2010 e 2013.
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sexta-feira 8.9.2017
a canhota
FA SEONG 花想
NICOLAS POUSSIN, CHEIA DE INVERNO
A cidade “muito inteligente”
E
M cantonês muitas vezes diz-se: “Os problemas que o dinheiro pode resolver não são problemas”. Parece que o Governo de Macau segue este lema na resposta aos problemas provocados pela passagem do tufão “Hato” em Macau - a catástrofe que tirou a vida de dez pessoas, destruiu casas, lojas e as árvores do território. Quando a população vive a tristeza da perda de familiares ou de bens devido à destruição provocada pelo tufão, a Fundação Macau e a Direcção dos Serviços de Economia foram, em primeiro lugar, lançar apoios financeiros e empréstimos aos habitantes e às pequenas e médias empresas que sofreram danos. Mas sobre obras a lançar de imediato para evitar mais tragédias, qual é a primeira resposta da DSSOPT? Não existe. Apenas em 2019, o ano previsto para a construção de comportas no Porto Interior, depois de fazer estudos e negociar com o Interior da
China. Durante mais de um ano, na época de chuvas e tufão, a população vai continuar a sofrer com as inundações, mesmo que a passagem do “Hato” já tenha despertado as consciências para a importância das acções de resposta a grandes catástrofes. A notícia mais positiva só surgiu nesta quarta-feira, quando o Chefe do Executivo anunciou que vão começar de imediato as obras para elevar todos os diques na costa, e o Governo Central já deu o seu aval à construção de comportas. Recorde-se que no início do mesmo mês da passagem do tufão, o Governo assinou um acordo com o gigante Alibaba para desenvolver o plano Macau uma “cidade inteligente”. O grupo vai ser pago
O Executivo conseguiu pensar em como tornar esta cidade mais inteligente, com alta tecnologia, mas não conseguiu pensar em como resolver o problema de cheias que já existe há dezenas de anos
para produzir um banco de dados de novas ciências e tecnologias, bem como aperfeiçoar a construção das infra-estruturas de Macau. Em menos de um mês, a devastação causada pelo “Hato” conseguiu demonstrar que esta região especial é muito “pouco inteligente”. A ciência dos governantes não foi suficiente para manter a população segura e alertar para a possibilidade de altura de água poder chegar aos dois metros, para evitar danos e mortos. O Executivo conseguiu pensar em como tornar esta cidade mais inteligente, com alta tecnologia, mas não conseguiu pensar em como resolver o problema de cheias que já existe há dezenas de anos. Não conseguiu criar infra-estruturas úteis em tempo oportuno para lidar com a perturbação dos moradores nas zonas costeiras do território. Penso que, se Jack Ma começasse agora a criar Macau uma cidade inteligente, a primeira acção deveria ser a resolução dos problemas causados por tufão e inundações, criar condições para que o Governo construa mecanismos e sistemas “inteligentes”, antes de chegada de próximos tufões. Isto porque, um morto já é demais, quanto mais dez mortos! Já chega!
18 (f)utilidades TEMPO
8.9.2017 sexta-feira
?
AGUACEIROS
O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje MÚSICA | DOA AO VIVO Live Music Association | 23h00 às 2h00
Segunda-feira
MIN
27
MAX
32
HUM
65-95%
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9.67
BAHT
EXPOSIÇÃO “O CIRCUITO DA GUIA COMO PATRIMÓNIO MUNDIAL DA UNESCO” Galeria do edifício da Direcção dos Serviços de Turismo, Largo do Senado EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 116
IT SALA 1
OVERDRIVE [B] Fime de: Antonio Negret Com: Scott Eastwood, Freddie Thorp, Ana de Armas 14.30, 16.30
WOLF WARRIORS 2 [C] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Jason Wu Com: Jason Wu, Qian Yu, Nan Yu 19.15, 21.30 SALA 2
IT [C] Fime de: Andrés Muschietti Com: Bill Skarsgard, Jaeden Lieberher,
Jeremy Ray Taylor 14.15, 16.45, 21.30
PROBLEMA 117
UM DISCO HOJE
SUDOKU
DE
C I N E M A
1.23
PACIÊNCIA
Diariamente
Cineteatro
YUAN
PÊLO DO CÃO
BLUE MONDAY JAZZ The Windsor | 22h00
EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11
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Recurso escasso, mais raro e apetecível que o plutónio, a platina e a matéria de que são feitos os sonhos. Esvai-se com um ponto de evaporação muito baixo, facilmente alcançável, cada vez mais rápido. Vai-se bufando, responde-se com gritantes suspiros, permanecendo num percurso civilizado, socialmente aceite, sorridente, exemplar na etiqueta de estóica compreensão. Na sombra arde um magma fervente que começa a subir, que ameaça erupção, que inevitavelmente vai sair para a visibilidade e reclamar vidas e tenros pescoços para a foice. Mais lampejos de falta de lógica só acrescentam gasolina ao fogo, mais momentos de surrealismo sacana apenas tornam mais frágil um equilíbrio já por si ténue. Toda a matéria fica coberta por uma generosa camada de nitroglicerina. Surgem fantasias de Apocalipse segundo o Livro de João. Cavalos alados a arder, lagos de enxofre borbulhante, bestas a cuspir maus presságios em cima de todos os pecadores. Um Armagedão desajuizado, aleatório, trazido pela peste, fome, guerra e morte. Um advento exterminador que deixa o mundo entregue aos ratos e aos anjos bêbedos. Que se rasguem os céus e que chova torrencialmente sangue, uma hemoglobínica bátega de péssimos augúrios e que lave esta existência indigna para a irrelevância que merece. João Luz
‘ROUND ABOUT MIDNIGHT | MILES DAVIS
Quando Miles Davis pegou na música de Thelonious Monk e a levou ao Newport Jazz Festival com uma banda composta por Connie Kay, Percy Heath, Zoot Sims e Gerry Mulligan, estava dado o ponto de partida para este disco. “Round About Midnight” marcou um dos regressos do genial trompetista depois de mais uma batalha contra o vício da heroína. Este disco foi a estreia de Davis na Columbia Records, uma estreia em grande que contou no alinhamento com a genialidade de John Coltrane e Paul Chambers. João Luz
OVERDRIVE [B] Fime de: Antonio Negret Com: Scott Eastwood, Freddie Thorp, Ana de Armas 19.30 SALA 3
DANGAL [B] FALADO EM HINDI LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Nitesh Tiwari Com: Aamir Khan, Sakshi Tanwar, Fatima Sana Shaikh 14.30, 18.00, 21.00
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THE GREEN RACE/SUNNY LEE
sexta-feira 8.9.2017
CÍNTIA LEITE MARTINS, INSTRUTORA DE FITNESS
Solidariedade no sangue
V
EIO para Macau com dois anos. Cresceu cá e por cá ficou. Cíntia Leite Martins é conhecida, entre outras coisas, pelas actividades solidárias que promove. A vontade de ajudar os outros não é recente. “Cresci num ambiente cristão protestante e temos uma comunidade muito forte em que estamos sempre prontos a ajudar as pessoas”, começa por dizer ao HM. Por outro lado, Cíntia Leite Martins também frequentou desde pequena o “Berço da Esperança”. “A Marjory Vendramini, directora da instituição que acolhe crianças, era amiga da minha mãe e eu ia para lá brincar e ajudar”, recorda, sendo que, “no fundo estava sempre rodeada de pessoas que de alguma forma tinham mais dificuldades. O contacto com a caridade não se fica por aqui e com a vinda de missionários a Macau, Cíntia Leite Martins começou a ter um maior conhecimento do trabalho comunitário. “Acho que este amor pelos outros vem destes factores, e ajudar, é uma coisa que me satisfaz muito”.
DO ÚTIL AO AGRADÁVEL
Ao trabalho solidário que fazia por carolice, Cíntia Leite Martins juntou o negócio. Nasceu o Mana Vida, projecto que tem com o marido. “Foi uma espécie de resposta a uma série de solicitações”, diz. “Como dava aulas numa escola internacional, sou de cá e os meus colegas sabiam que estava envolvida em várias accões de caridade, perguntavam-me onde é que,
por exemplo, poderiam entregar roupas para dar ou prestar apoio a quem precisasse”. O Mana Vida veio fazer isso, servir como ponte de ajuda entre quem quer dar e quem precisa de receber. Apesar de ser um negócio ligado à boa forma, não se fica por aí. “Não estamos só focados no fitness, mas queremos que as pessoas tenham hábitos alimentares e de fazer exercícios saudáveis ao mesmo e, ao mesmo tempo, possam ter o hábito de ajudar, porque isso é o que faz a comunidade crescer”, explica satisfeita. O funcionamento é simples e alia os ganhos à distribuição de donativos. “Obviamente que como empresa temos lucro, mas parte desse lucro serve para ajudar instituições de carácter social em Macau”, reforça Cíntia Leite Martins.
MÚLTIPLAS FUNÇÕES
A agora instrutora de fitness, começou por ser designer. Na altura, enquanto andava a estudar na Escola Portuguesa, sempre esteve dividida entre as artes e o desporto que está no sangue da família. “Já jogava hóquei em patins, fiz parte de vários clubes femininos de futebol, aliás vim para Macau porque o meu pai era jogador de futebol profissional, o Pocho”, conta como se lhe fosse impossível escapar ao destino. Acabou por se licenciar em design, mas o ensino foi uma opção que tomou passado pouco tempo. “Se queremos contribuir para a sociedade, o melhor mesmo é começar
pela educação”. Foi assim começou por dar aulas ainda na área artística. Este apoio aos mais novos é ainda hoje um aspecto que preocupa a instrutora. Com as mudanças que tem vindo a assistir no território ao longo dos anos, as crianças estão sem espaços para brincar. “Esta não é a Macau que conheci e que estava habituada”, diz a instrutora relativamente às mudanças que tem assistido no território ao longo dos últimos anos. “Vi as mudanças que têm acontecido e as pessoas a afastarem-se. Antes, todos nos conhecíamos, mas agora isso já não acontece”, refere. “Mas o mais alarmante é a falta crescente de zonas verdes. As pessoas não têm onde ir ao ar livre e são zonas que ajudam muito no bem-estar de cada um, sendo que as crianças precisam de mais actividades extracurriculares, mas fora da escola e que não sejam académicas”, aponta Cíntia Leite Martins. Ao mesmo tempo recorda que “tinha onde brincar e onde jogar a bola, e agora os espaços desportivos são fechados ao público”. A solução passaria por abrir ao público este tipo de estruturas. “Macau em muitos aspectos progride imenso, mas depois há faltas básicas”, lamenta. Sofia Margarida Mota
sofiamota.hojemacau@gmail.com
“
Desce por fim sobre o meu coração/ O olvido. Irrevocável. Absoluto./ Envolve-o grave como véu de luto.” Camilo Pessanha
EFEMÉRIDE CORREIOS LANÇAM COLECÇÃO DE SELOS SOBRE PESSANHA
A marca do poeta
O
S 150 anos do nascimento de Camilo Pessanha foram ontem assinalados em Macau com uma emissão filatélica dedicada ao poeta que viveu e morreu no antigo enclave português, onde a efeméride tem dado o mote para várias actividades. O lançamento feito pelos Correios de Macau inclui dois selos e um bloco filatélico desenhados pelo arquitecto Carlos Marreiros, um “estudioso do poeta” que conheceu nos tempos de liceu através da revista Selecta Literária. Desde os anos de 1970, Marreiros já assinou mais de mil trabalhos, entre desenhos, pinturas e ilustrações, sobre o autor considerado o expoente máximo do simbolismo português. Camilo Pessanha nasceu em Coimbra. Depois de se ter formado em Direito, foi viver para Macau, em 1894, para exercer funções de professor no Liceu de Macau. O autor de “Clepsydra” viveu durante 32 anos em Macau até à sua morte, em 1926, mantendo-se os seus restos mortais sepultados no cemitério de São Miguel Arcanjo. “Dei ênfase a esta relação do poeta com a cidade. Ele realmente é coimbrão, é considerado o maior poeta simbolista português, mas é um poeta de Macau, porque toda a poesia dele está imbuída de sons, de cenários e emoções, paixões da longínqua China e precisamente
SOFIA MARGARIDA MOTA
Os Correios de Macau emitiram ontem uma colecção especial de selos sobre o poeta português, cujo aniversário se celebrou esta semana
A EXPOSIÇÃO
O lançamento feito pelos Correios de Macau inclui dois selos e um bloco filatélico desenhados pelo arquitecto Carlos Marreiros
de Macau e da zona da [cidade chinesa de] Cantão”, disse Carlos Marreiros à agência Lusa. No bloco filatélico, o arquitecto desenhou Camilo Pessanha a “flutuar” com a “mulher da vida dele”, cujo nome chinês traduzido para português “significa literalmente Águia de Prata”. “O bloco mostra-o a esvoaçar com a Águia de Prata: ele vestido de mandarim e a Águia de Prata uma senhora delicada, flutuante,
Hóquei/Mundial Portugal está nas meias-finais
Portugal qualificou-se ontem para as meias-finais do Campeonato do Mundo de hóquei em patins, a decorrer em Nanjing, na China, ao derrotar Moçambique, por 6-2, em jogo dos quartos de final. João Rodrigues (5 minutos), Gonçalo Alves (14, de penálti), Ricardo Barreiros (19), Rafa (25), Reinaldo Ventura (37) e Diogo Rafael (40, de penálti) fizeram os golos de Portugal, que tinha sido terceiro classificado do Grupo A, enquanto PUB
anjo e pés [transformados] em garras de águia”, em mais uma referência à mulher. Mas neste selo, mais do que a vida íntima de Pessanha, Marreiros quis destacar a ligação do escritor à Maçonaria em Macau. “Aqui faço uma referência, ele está de branco, mas as asas não são de águia, mas de um anjo. É a ligação, segundo a história, que ele tinha com a Maçonaria em Macau, porque o nome simbólico dele era Angélico”, justificou, acrescentando que “Camilo Pessanha aparece de certa forma angélico neste segundo selo”. A pedido do artista, os selos são a preto e branco: “São adaptações de desenhos antigos meus e queria mesmo que fosse a preto e branco. A cor pontual só aparece no título e na indicação numérica postal e no preço”.
doce, mas que tem garras de águia, ao invés de ter pezinhos, mas de forma romântica, sobre o Porto Interior, portanto, a ligação da paixão dele e o Porto Interior [na península de Macau]”, explicou. Num dos selos, o poeta português aparece com a “Águia de Prata a namoriscar, a poetar, a filosofar – cada um entenda como quiser – numa mesa, a beber qualquer coisa”. No outro, Pessanha surge sozinho, “sentado, com asas de
Marinho marcou por duas vezes para Moçambique (33 e 40), a segunda de livre directo. Nas meias-finais, os campeões europeus, vão reencontrar a Argentina, detentora do título mundial, que derrotou Portugal por 5-2 na primeira fase e que venceu o Grupo A, enquanto Espanha e Itália defrontam-se no outro encontro, depois de ontem terem eliminado Angola e Chile, respetivamente. A final está marcada para sábado.
Além da emissão filatélica, Carlos Marreiros é também o autor de uma instalação sobre Camilo Pessanha, que vai estar exposta em duas praças de Macau. A instalação, ainda sem data para inaugurar, intitula-se “Camilo Pessanha no Ano do Galo”, porque “os 150 anos do nascimento coincidem com o Ano do Galo”, iniciado em 28 de Janeiro, sob o signo daquele que figura como um dos doze animais do milenar zodíaco chinês. Entre outros trabalhos mais antigos, o macaense pintou o acrílico sobre tela “Camilo Pessanha e a Máscara”, um quadro integrado há vários anos na exposição permanente do Museu de Arte de Macau. Além de Macau, o artista plástico já levou os desenhos, pinturas e ilustrações de Camilo Pessanha até Portugal, Itália, Hong Kong, China ou Japão. Em 1998, fez a exposição “O Poeta e a Cidade”, com desenhos realizados entre 1977 e 1997, a qual se tornou itinerante e foi mais tarde estendida a “O Poeta, a Cidade e o Mar”.
sexta-feira 8.9.2017
SSM Gastroenterites em queda
Os casos de gastrenterites têm vindo a diminuir. A informação é dada pelos Serviços de Saúde de Macau (SSM) e ilustrada com números. Houve uma redução de 253 casos a 30 de Agosto - o que pode ser considerado um valor alto - para 127 casos a 6 Setembro. Os SSM referem ainda que estes casos podem ser considerados de esporádicos, não estando relacionados com restaurantes ou alimentos em específico. Até à passada quarta-feira, foram também notificados sete casos de gastroenterite colectiva, envolvendo cada um entre duas a cinco pessoas, o que representa um ligeiro aumento em comparação com o habitual. Os serviços alertam ainda que o risco de ocorrência de várias doenças transmissíveis após a tempestade ainda não está completamente eliminado e que a situação de doenças transmissíveis continua a ser monitorizada.
Irma Portugueses em Cuba retirados para zonas seguras
Os portugueses que se encontrem em estâncias turísticas em Cuba estão a ser retirados para locais mais seguros pelas autoridades locais, devido à passagem do furacão Irma nas Caraíbas, disse à Lusa o secretário de Estado das Comunidades. “As autoridades cubanas pediram-nos para transmitir que todos os cidadãos que se encontram em turismo naquela região serão deslocalizados para outros locais onde se prevê que não haja consequências de maior com a passagem do furacão”, afirmou José Luís Carneiro à Lusa, num novo balanço sobre a situação de portugueses afectados pelo Irma, o mais poderoso furacão atlântico numa década, e que já causou dez mortos. O gabinete de emergência consular está em contacto permanente com as autoridades locais e embaixadas e postos consulares, bem como com as agências de turismo portuguesas, que, por sua vez, contactam com as unidades hoteleiras. “Os cidadãos [portugueses] em Punta Cana [República Dominicana] estão bem”, assegurou.