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Hoje Macau 8 AGO 2013 #2910

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ACORDO COM ANTENEIROS PODE VIR A SER PROLONGADO AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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TV CABO

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MOP$10

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • QUINTA-FEIRA 8 DE AGOSTO DE 2013 • ANO XII • Nº 2910

• LITERATURA CHINESA

Ter para ler

Habitação pública debaixo de fogo

Fechados a sete portas

“Porcaria” ou “medíocre” foram alguns dos adjectivos proferidos ontem pelos deputados, aludindo à qualidade da habitação pública na Ilha Verde - onde o acesso às salas se faz por meio de sete portas - e das outras em geral. Kwan Tsui Hang pede mesmo uma mudança de mentalidades e Paul Chan Wai Chi vai mais longe e exige a revisão da Lei da Habitação Económica. PÁGINA 3

Yu Hua apresenta “O Sétimo Dia” CENTRAIS

• PATRIMÓNIO

Proposta de lei não reúne consenso mas está pronta PÁGINA 4

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• DERRAPAGEM ORÇAMENTAL

Deputados acusam Governo de esbanjar dinheiros públicos PÁGINA 2


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POLÍTICA

hoje macau quinta-feira 8.8.2013

AL REVISÃO DA LEI ORÇAMENTAL GANHA AVANÇOS NO PRÓXIMO ANO

Francis Tam ouviu ontem fortes críticas sobre as derrapagens financeiras em projectos de grande envergadura, como o novo terminal ou o Metro Ligeiro. Au Kam San disse ainda que as opiniões de Susana Chou devem servir de base à revisão da lei orçamental ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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O segundo dia de debate na Assembleia Legislativa (AL) as derrapagens orçamentais em projectos públicos voltaram a ser um dos temas quentes de discussão. Um dia depois do Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) pouco ou nada ter avançado sobre o aumento de 500% no orçamento do novo terminal, o secretário da tutela voltou a ser bombardeado com questões dos deputados sobre os projectos de grande envergadura. Francis Tam teve de responder concretamente às

dúvidas sobre o seu papel específico na aprovação dos orçamentos. “Exigimos sempre aos serviços a apresentação de todos os dados mais pormenorizados junto das finanças (Direcção dos Serviços de Finanças). Quando houver despesas de grande envergadura ou grandes alterações de projectos vamos fazer esclarecimentos à AL.” Ainda assim as explicações não satisfizeram muitos. O deputado Mak Soi Kun falou da “falta de profissionalismo no Governo”, por fazerem “estimativas consoante a vossa experiência e isso não é correcto”. Mas Paul Chan Wai Chi foi demolidor. “O que o Governo está a fazer é

TIAGO ALCÂNTARA

Governo acusado de “esbanjar” dinheiro

Francis Tam

distribuir dinheiro, e quanto os projectos ultrapassam o orçamento vocês distribuem mais dinheiro dos cofres. Quando o Comissariado da Auditoria (CA) emite relatórios os funcionários continuam a esbanjar dinheiro. Entreguem o trabalho à AL que nós fazemos isso, se não o souberem fazer. Os orçamentos são sempre ultrapassados, há medidas para evitar que isso volte a acontecer?”

SUSANA CHOU E A NOVA LEI

Em dois dias de plenário dedicados a responder às interpelações dos deputados,

O que o Governo está a fazer é distribuir dinheiro, e quanto os projectos ultrapassam o orçamento vocês distribuem mais dinheiro dos cofres. Quando o Comissariado da Auditoria (CA) emite relatórios os funcionários continuam a esbanjar dinheiro. Entreguem o trabalho à AL que nós fazemos isso, se não o souberem fazer. Os orçamentos são sempre ultrapassados, há medidas para evitar que isso volte a acontecer? PAUL CHAN WAI CHI Deputado

FRANCIS TAM FALOU SOBRE POLÉMICA DAS SUBCONCESSÕES

“Não tivemos intenção de enganar ninguém” O secretário para a Economia e Finanças foi ontem à Assembleia Legislativa (AL) prestar mais esclarecimentos sobre a polémica da subconcessão de jogo entre a Venetian Macau e a Galaxy Casino, tendo entregue um documento aos deputados com todas as explicações jurídicas. Ficou garantido que “o regime das subconcessões na RAEM goza de ampla consagração legal” e “não há dúvida dos seus fundamentos legais”, disse o assessor jurídico da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). A questão colocada pelo deputado Paul Chan Wai Chi, da

Associação Novo Macau (ANM) (a mesma entidade que trouxe o assunto para a praça pública), prendia-se com a exigência de explicações legais para a existência de três concessionárias e três subconcessionárias. “Não alterámos a lei com o regulamento administrativo. Tudo o que temos de assegurar é a estabilidade do desenvolvimento económico e as oportunidades de emprego”, disse Francis Tam, que explicou que, à época de assinatura dos contratos, a situação “era bem diferente”, com taxas de desemprego na ordem dos 6 a 7%. “O Governo pretendia criar um mercado com um ambiente de concorrência

para promover mais dinamismo. Passaram dez anos e creio que não tenho de explicar os resultados.” Paul Chan Wai Chi disse ainda que o Governo nada recebeu aquando da celebração desses contratos, mas Francis Tam negou. “Na altura os relatórios anuais da Wynn e Sociedade de Jogos de Macau (SJM) mostram que o dinheiro das subconcessões foi introduzido como lucros da empresa e por isso tiveram de pagar impostos. Tudo o que seja considerado lucro o Governo cobra impostos.”

ENGANO OU NÃO?

Ng Kuok Cheong não ficou calado e acusou Francis Tam

de estar “a enganar alguém” e que “tinha provas”, com base nas leis e na carta enviada pelo secretário ao Bank Nova Scotia em 2006, já citada no diário Business Daily. “O contrato de subconcessão mantém-se válido mesmo que não haja contrato de concessão, se calhar foram celebrados entre as concessionárias. Existem ideias contraditórias na carta e o senhor secretário não está a responder.” Francis Tam explicou que esse ponto foi referido para acalmar os bancos, uma vez que, em caso de falência, tal não era sinónimo do fim do contrato. “Se tivesse feito a interpretação correcta do artigo iria perceber que o Governo vai ter de encontrar outra empresa de substituição para que a subconcessão se possa manter. O Governo encontrou alguém para substituir a concessionária e isso está no contrato. Não tivemos intenção de enganar ninguém e estamos disponíveis para mais esclarecimentos.” - A.S.S.

Francis Tam foi o único secretário presente. Ng Kuok Cheong queria ainda saber os avanços da revisão do regime orçamental do PIDDA (Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração), tendo Francis Tam garantido que os avanços só vão acontecer em 2014. “Antes de fazer uma grande revisão da lei o Governo deve fazer um estudo profundo. O Governo já iniciou os trabalhos para a revisão da lei onde estão incluídas áreas como a revisão do orçamento ou as grandes despesas. As finanças estão a recolher as informações para análise e no próximo ano podemos concluir os trabalhos para essa revisão.” Sobre este processo legislativa, o deputado Au Kam San não deixou de recordar as opiniões de Susana Chou, antiga presidente da AL. “A nossa ex-presidente referiu que a aplicação do orçamento tem de ser razoável. A AL deve poder fazer a fiscalização antes e depois do orçamento, porque essa também é a nossa responsabilidade. Na revisão da lei devem ser tidas em conta as opiniões da nossa ex-presidente.”

Melinda Chan fala de acumulação de funções na Função Pública

A última interpelação do dia ficou reservada para a deputada Melinda Chan, que quis saber os porquês da existência de tantos conselhos consultivos no Governo. José Chu, director dos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), disse que “o Governo de Macau tem muitos membros com acumulação de funções que são membros de muitos conselhos, não é uma coisa rara”, disse, dando o exemplo de outros países. Contudo, José Chu disse que a criação dos conselhos e a nomeação dos membros é feita com conta, peso e medida e que pretendem atrair mais jovens para este tipo de funções.


política 3

hoje macau quinta-feira 8.8.2013

AL CHAN WAI CHI EXIGIU REVISÃO DA LEI DE HABITAÇÃO ECONÓMICA

Concepções que são uma “porcaria” ANDREIA SOFIA SILVA

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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deputado José Pereira Coutinho questionou ontem o Governo sobre o número de terrenos que estão sob domínio público e quais os que foram adjudicados a privados. Contudo, num plenário marcado pela ausência do secretário da tutela, Lao Si Io, acabou por ser o director das Obras Públicas (DSSOPT), Jaime Carion, a admitir que o Governo não tem os números dos terrenos na ponta da língua. No hemiciclo ouviu-se o número 300, mas que não foi confirmado pelo dirigente. “A existência de mais de 370 terrenos do Governo é uma informação que não foi avançada por nós. Há dificuldades para termos todas as informações mas vou conversar com os meus colegas e com o director dos

EXIGIDA REVISÃO DA LEI

Paul Chan Wai Chi

Face aos planos governamentais para a construção e atribuição de habitação económica, o IH também sofreu duras criticas, tendo sido acusado de possuir um sistema demasiado burocrático e de ter uma visão ultrapassada da realidade. Isto porque terão sido entregues chaves a muitas famílias, mas ainda há muitas casas por ocupar. “Vocês são muito burocráticos e essas 19 mil pessoas estão à espera das casas há muito tempo. Têm de mudar de mentalidade porque não estão a conseguir responder às necessidades da população”, apontou Kwan Tsui Hang.

Fiz uma visita às casas da Ilha Verde e a concepção é uma porcaria. O design é medíocre e não pensaram na forma como os moradores iam utilizar as casas. Há seis elevadores e cada um tem de ser usado por 90 famílias, e são pequenos. Este edifício tem de ser alterado e a planta não deve ser feita assim. Quem fez a concepção? As Obras Públicas (DSSOPT) ou o IH? UNG CHOI KUN Deputado

A mentalidade também foi referida por Ho Ion Sang, mas para criticar o facto do Governo dar primazia à habitação social (para arrendamento) ao invés da habitação económica (para venda). “Houve mais requerentes para a habitação económica e o presidente do IG deve mudar a mentalidade.” Paul Chan Wai Chi foi mais longe e exigiu a revisão da Lei da Habitação Económica, em vigor desde 2011. “Deve haver uma revisão da lei para que no futuro não existam plantas como esta e espero que na próxima legislatura possam rever esta lei. Não se deve dar primazia à habitação social em vez da económica.” Tam Kuong Man disse apenas existir a possibilidade da “revisão dos diplomas referentes às habitações públicas”. Muitos deputados questionaram ainda os planos concretos do Governo para continuar o plano da habitação económica, depois da atribuição das 19 mil fracções, mas Tam Kuong Man disse apenas estarem a ser feitos estudos, sempre com base numa boa utilização dos recursos públicos. Ng Kuok Cheong exigiu ainda a criação de “um regime que garanta que em três anos as pessoas tenham acesso a uma casa económica”, mas não obteve resposta.

TERRENOS DEPUTADOS FALAM EM “FALTA DE TRANSPARÊNCIA”

Executivo não sabe quantos tem Serviços de Cartografia e Cadastro para saber os terrenos da península e das ilhas, bem como as suas áreas”, disse Jaime Carion. O director da DSSOPT disse mesmo que há processos antigos que permanecem no papel. “Tenho de consultar caso a caso e nem todas as informações estão informatizadas, há muitos dados que temos de consultar na versão papel.” Mas Jaime Carion deixou claro que “na zona antiga de Macau há muitos terrenos do Governo e há muitos sem registo, o que

segundo o espírito da Lei Básica pertencem ao Governo. Muitos deles são terrenos pequenos que não têm área suficiente para o desenvolvimento de projectos”. “Há terrenos onde dá para construir edifícios mais baixos e fracções T0, por exemplo, mas temos de consultar ficheiros com centenas de anos”, disse ainda.

zações feitas a tempo”. “O público deve ter mais acesso e isso torna mais fácil ao processo de transparência do Governo”, disse. GONÇALO LOBO PINHEIRO

O

Instituto da Habitação (IH) foi ontem confrontado na Assembleia Legislativa (AL) com as recentes notícias da fraca qualidade arquitectónica das novas casas económicas da Ilha Verde, onde há salas com sete portas, o que dificulta a colocação de mobília. O deputado Ung Choi Kun foi o mais críticos de entre os colegas. “Fiz uma visita às casas da Ilha Verde e a concepção é uma porcaria. O design é medíocre e não pensaram na forma como os moradores iam utilizar as casas. Há seis elevadores e cada um tem de ser usado por 90 famílias, e são pequenos. Este edifício tem de ser alterado e a planta não deve ser feita assim. Quem fez a concepção? As Obras Públicas (DSSOPT) ou o IH?” Já Mak Soi Kun pediu a criação de “concepções mais humanizadas dos edifícios”, uma vez que, na sua opinião, “as casas com salas de sete portas é algo exagerado”. Ng Kuok Cheong optou por frisar os casos dos tubos enferrujados em Seac Pai Van. “Tivemos uma visita organizada pelo Governo e vimos que há muitas queixas dos proprietários sobre a qualidade das paredes e os tubos já estão

enferrujados. A DSSOPT tem um mecanismo para lidar com isso?” As reacções e respostas do director do IH não foram concretas. “O IH está a desenvolver um trabalho de inquérito para saber quais são as opiniões dos moradores sobre a habitação pública e as suas tipologias. Essas informações serão importantes para os trabalhos da próxima fase. O departamento também está a analisar o funcionamento do fundo de reparação predial para aplicar melhorias no futuro”, disse Tam Kuong Man. O secretário da tutela, Lao Si Io, não esteve presente, o que também mereceu criticas do deputado José Pereira Coutinho.

TIAGO ALCÂNTARA

O caso das casas com sete portas, na habitação pública da Ilha Verde, esteve ontem em debate no hemiciclo, com os deputados a acusarem o Governo de mau planeamento e a pedirem revisões das leis. O director do IH disse apenas que está a ser feito um inquérito sobre a qualidade das casas

TERRENOS VAZIOS OU NÃO?

A expressão “falta de transparência” ouviu-se da boca não só de Pereira Coutinho como também de Ho Ion Sang, que exigiu “actuali-

Jaime Carion

O deputado ligado ao sector da habitação confrontou Jaime Carion com a existência de terrenos que oficialmente não estão

ocupados, mas que na realidade possuem construções. “Conforme os registos da Direcção de Cartografia e Cadastro há terrenos que não estão ocupados, mas se formos ver a situação in loco há edifícios construídos nesses terrenos.” Mais uma vez Jaime Carion não apresentou dados concretos. “Talvez sejam edifícios construídos sem licença de ocupação, mas tenho de confirmar.” Já o deputado nomeado Gabriel Tong defendeu a criação de um “regime permanente para acompanhar os terrenos públicos e privados”, porque “há muitos terrenos privados com uma situação obscura, e esses dados podem ser importantes num eventual caso judicial”. - A.S.S.


4 política

hoje macau quinta-feira 8.8.2013

PATRIMÓNIO LEI NÃO INFRINGIRÁ O DIREITO DE PROPRIEDADE MAS CONTINUA SEM CONSENSO

A composição do Conselho do Património Cultural só estará concluída após 1 de Março de 2014, data da entrada em vigor da lei de Salvaguarda do Património. No entanto, as suas competências ficam determinadas no diploma, garantindo o cumprimento do direito de propriedade RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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ÃO ficou conforme pretendiam os deputados da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) mas, pelo menos, agora o Conselho do Património Cultural pode garantir a consagração do direito de propriedade, um direito fundamental dos residentes. Ainda que a composição do órgão consultivo venha a constar de um regulamento administrativo - depois de os deputados pedirem ao Governo que coubesse a sua constituição na actual Lei de Salvaguarda do Património - a versão final do diploma mostra que as competências do Conselho

do Património Cultural estão em exclusivo nesta proposta de lei, que deverá ser discutida e aprovada na especialidade, em plenário, na próxima semana. “Quer a Comissão quer a assessoria da Assembleia Legislativa sugeriram que essas competências fossem reunidas num único artigo da futura lei que deveria ainda, tal como sucede com a Lei 3/2012 - Quadro Geral do pessoal docente das escolas privadas de ensino não superior - prever as normas relativas à composição, organização e funcionamento. Esta sugestão não foi acolhida pelo proponente que manteve o capítulo II e o seu único artigo 16.º com uma redacção onde se registam algumas alterações importantes”, frisa o parecer, ontem assinado pelos nove deputados,

Paul Chan Wai Chi pede instalações de apoio ao ML

Ontem, numa interpelação escrita, Paul Chan Wai Chi pediu ao Governo para completar as instalações de apoio por forma a diminuir o incómodo que as obras do metro ligeiro trazem aos cidadãos. O deputado lembra que as obras na Taipa têm causado muito trânsito e inconveniências tanto aos peões quanto aos motoristas. Além disso, a cooperação entre os departamentos é muito fraca, levando ainda há produção de mais erros e, consequentemente, a mais incómodos. Assim, o deputado apela a que as autoridades tomem medidas de melhoria, façam revisão do projecto de obras e completem as instalações de apoio para facilitar a vida diária do público.

Angela Leong preocupada com escassez de pessoal nas MICE

Na sua última interpelação escrita, Angela Leong demonstrou a sua preocupação com a escassez de talentos no sector de exposição e convenções (MICE, na sigla inglesa). A deputada enfatiza o papel importante que a indústria tem na economia local, considerando que a alta velocidade do seu desenvolvimento irá trazer mais problemas. “A escassez de talentos é um destes problemas, nomeadamente escassez de pessoal qualificado na indústria”, revela. Angela Leong salienta que só 20% de pessoal de exposição de Macau tem licenciatura, facto que indica uma qualidade relativamente baixa dos funcionários na indústria. Portanto, a empresária pede ao Governo para garantir maior formação profissional na área de exposição e introduzir novas medidas para aliviar a escassez destes recursos humanos. A deputada exorta ainda o Governo a dar mais apoio à indústria para aumentar a sua competitividade no mercado mundial.

que examinaram na especialidade o diploma ao longo de 10 meses. Tal, indicam, pode assim garantir a sua legalidade em função do Regime Jurídico de Enquadramento das Fontes Normativas Internas. Este diploma, aprovado em 2009, determina que os regulamentos administrativos independentes e complementares podem ser promulgados com quanto que as competências dos organismos não interfira directamente nos direitos e liberdades fundamentais e suas garantias, tal como o direito de propriedade. “O regulamento administrativo complementar [...] poderá repetir as competências já firmadas na futura lei, mas se acrescentar competências não previstas e inscritas na futura lei,

TIAGO ALCÂNTARA

Não cumpre desejos mas promete garantias

designadamente com alcance em matéria de direitos, liberdades e garantias, questionar-se-á se não está em desconformidade com a lei nº 13/2009”, explicita o parecer. Ainda assim, alguns deputados entendem, segundo explica no parecer, que devido à interpretação ambígua da lei de 2009, a composição do órgão consultivo - cujo carácter vinculativo dos pareceres está mais bem explícito na proposta de lei - deveria ser regulada na lei de salvaguarda do património. Até porque, o actual decreto-lei em vigor - 56/84/M -, que será revogado, integra a composição e competências Comissão de Defesa do Património Urbanístico,

Paisagístico e Cultural de Macau no interior da mesma. Os deputados, e seus assessores, foram ainda exaustivamente peremptórios quanto à legalidade da data de entrada em vigor do Conselho do Património Cultural, a 1 de Março de 2014, data em que irá vigorar a futura lei. “Até lá não existe. É um nada jurídico”, assinala o parecer. “Assim, entre a data de publicação da lei e a sua entrada em vigor, em 1 de Março de 2014, não pode ser praticado nenhum, repete-se nenhum, acto jurídico relativo àquele órgão.” Em posição diferente está a emissão de pareceres vinculativos sobre as plantas de alinhamento oficial por parte do Instituto Cultural (IC), uma competência nova para o organismo que vai substituir a Direcção dos Serviços de Obras Públicas e Transportes (DSSOPT). Tal como fez notar ontem o presidente da 3.ª Comissão Permanente da AL, Cheang Chi Keong, após a última reunião de análise dos tribunos, o Executivo vai monitorizar a execução da lei cujas matérias podem ser revistas dentro de dois ou três anos.

JASON CHAO ACUSA PRESIDENTE DA COMISSÃO PARA OS ASSUNTOS ELEITORAIS

“Ip Son Sang não faz o seu trabalho” O grupo Consciência de Macau não consegue distinguir a linha entre o que é ilegal e legal nas acções vindouras de campanha eleitoral. Por essa razão, pediram à Comissão para os Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) que publicassem directrizes sobre a “publicidade eleitoral que possa violar a liberdade de expressão” mas, da boca de Ip Son Sang, receberam um redondo não. “Tivemos uma reunião com o presidente e confrontámo-lo sobre como deve ser definida a legalidade de certas acções mas Ip Son Sang recusou-se a comentar ou a dizer se uma acção é ou não ilegal”, explica Jason Chao, presidente da associação pró-democrata e candidato número um à lista “Liberais da Novo Macau”. “A lei autoriza a CAEAL a definir directrizes explicitas e claras e Ip Son Sang recusou-se a fazê-las. Ele não está a querer fazer o seu trabalho”, acusou. Jason Chao acredita que só com a publicação oficial do que

Jason Chao

é legal e ilegal, os candidatos têm linhas para se coser e regras para cumprir. E entende que, sem as mesmas, a comissão está “claramente a interferir com as liberdades das pessoas” e, em concreto, “com a liberdade legal dos candidatos”. “Assim que estiverem feitas, vamos obedece-las e segui-las dado que são legais mas eles não libertaram directrizes em muitas coisas”, evidenciou. Em questão estão já alguns casos que o grupo Consciência de Macau pôs em equação no encontro com a CAEAL mas que Ip Son Sang se recusou a comentar.

Amanhã, a associação promete explicar melhor os casos em questão numa conferência de imprensa.

GUERRINHAS ANTIGAS

Recorde-se que este não é o primeiro confronto de posições entre o grupo Consciência de Macau e a CAEAL já que, no mês passado, pediram que fosse possível enviar por correio os programas políticos de cada uma das três listas às eleições. No entanto, o organismo recusou o pedido invocando razões de protecção ambiental.

Ontem, a ANM também convocou uma reunião, promovida por Ieong Man Teng, para debater a política que permite alunos estrangeiros de trabalhar em Macau. Jason Chao fez questão de frisar que não participou da mesma acção, já que não tem uma posição definida sobre o assunto. As ideias defendidas no seio da associação mostram-se, por isso, pouco consensuais sobre a matéria. Mas os actuais deputados, por exemplo, têm-se mostrado contra a ideia. Ng Kuok Cheong entende que a absorção de alunos universitários não-residentes no mercado de trabalho local poderia representar conflitos sociais já que poderia afectar as condições de procura de emprego por estudantes locais, tendo já proposto que fossem trabalhar antes para a Ilha da Montanha. Já Au Kam San também entende que a contratação destes estudantes é inviável. Chan Wai Chi não é contra talentos estrangeiros mas diz que há muita gente qualificada em Macau. - R.M.R.


SOCIEDADE

hoje macau quinta-feira 8.8.2013

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TV CABO ACORDO COM ANTENEIROS PODE SER PROLONGADO

JOANA FREITAS

Joana.freitas@hojemacau.com.mo

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acordo entre a TV Cabo e os anteneiros vai durar, pelo menos, até 21 de Abril do próximo ano, mas pode vir a ser prolongado. André Cheong, director dos Serviços de Administração e Justiça (DSAJ) explicou ontem, numa conferência de esclarecimento sobre o acordo que vai permitir a transmissão de canais televisivos pelos anteneiros, que tudo depende da TV Cabo. “O acordo entrou em vigor ontem [terça-feira] e vigora até 21 de Abril de 2914 - quando o contrato com a TV Cabo cessa. Caso o Governo renove o contrato com a TV Cabo, ainda que não em exclusivo, os anteneiros terão direito de renovar o acordo.” O acordo que permite a retransmissão dos canais televisivos da TV Cabo pelos anteneiros foi a solução encontrada pelo Governo para fazer cumprir o que disse o Tribunal de Segunda Instância que a actividade dos anteneiros era ilegal e que estes não podiam transmitir mais canais.

Dinheiro dado é “suficiente”

NÃO HÁ MAIS DINHEIRO

A TV Cabo - que mantém o contrato de exclusividade para isso - aceitou, contudo, colaborar -nos impactos, será que haverá com os anteneiros, desde que as pessoas que ainda vão querer o despesas consequentes deste acor- nosso serviço, quando tiverem do não ficassem a seu cargo. Na acesso [quase] grátis à televisão?” terça-feira, o Governo anunciou O responsável explica ainda que iria alocar mais de 11 milhões que a razão pela qual aceitaram o de patacas para as despesas acordo “injusto ”, é a de que a TV Cabo terá com a proteger o mercado televiinstalação de novos cabos, sivo e assegurar o acesso equipamentos e outros. Onà televisão pelos cidadãos. tem, André Cheong frisou milhões de Mas, também demonstra que não iria ser entregue receios. mais dinheiro à TV Cabo, patacas é o André Cheong, no enapesar de Tam Wong Peng, valor para as tanto, garante que os mais Director de Operações da despesas que de 11 milhões de patacas TV Cabo ter manifestado são suficientes e foram ao jornal Ou Mun a sua a TV Cabo acordados com a empresa. insatisfação com o acordo. terá com a “O Governo vai disponiTou considera que o dinheibilizar dois montantes: o ro alocado pelo Governo instalação de primeiro é o que chamamos é muito menos do que as novos cabos, de despesa de começo, despesas da TV Cabo. equipamentos destinada à aquisição de “Nós é que ganhamos o equipamentos, o outro é processo, mas o acordo e outros a taxa mensal [980 mil permite aos anteneiros patacas] pela concessão do continuar a transmitir sinais. A serviço [prestado pela TV Cabo]. TV Cabo não conseguiu nenhum Os montantes foram combinados benefício, mas sim uma grande entre o Governo e a TV Cabo e responsabilidade”, começou por baseados nas necessidades reais. dizer. “A cooperação vai trazer- Da parte do Governo não achamos

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O acordo entrou em vigor ontem [terça-feira] e vigora até 21 de Abril de 2914 - quando o contrato com a TV Cabo cessa. Caso o Governo renove o contrato com a TV Cabo, ainda que não em exclusivo, os anteneiros terão direito de renovar o acordo ANDRÉ CHEONG director dos Serviços de Administração e Justiça

que haja um défice na despesa”, rematou.

ADEUS LIGA INGLESA

Um dos motivos do acordo firmado entre anteneiros e TV Cabo

baseia-se no facto de apenas assim se cumprir a lei. Isto, porque a actividade de retransmissão dos sinais televisivos só pode ser feita com uma licença, mas os anteneiros não são licenciados. Com

ANTENEIROS INSATISFEITOS E AO ATAQUE

“Acordo injusto” ZHOU XUEFEI

info@hojemacau.com.mo

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EUNG Kah Kai, responsável de um dos 14 anteneiros que assinou o acordo com a TV Cabo, disse na terça-feira aos media chineses que o facto de ter assinado o acordo não quer dizer que está satisfeito com o resultado. A diminuição dos canais que podem ser transmitidos - de cerca de 90 para 40 com dez repetidos - é um dos motivos para a insatisfação. “Não fomos nós quem decidiu o número dos canais e, quanto às técnicas e direitos autorais, nós também nos sentimos muito desamparados”, disse Yeung ao Jornal do Cidadão. O responsável apontou ainda que TV Cabo não retirou a acusação depois de assinar o acordo, o que representa, diz, uma injustiça para os anteneiros. “Nós não recebemos nenhuma compensação, nós dedicamo-nos sem pedir nada em troca,

Nós não recebemos nenhuma compensação, nós dedicamonos sem pedir nada em troca, nós dedicamo-nos chorando YEUNG KAH KAI, anteneiro

nós dedicamo-nos chorando”, dramatiza. O representante dos anteneiros revela que o Governo tinha prometido que a TV Cabo não vai pedir indemnização, mesmo que perca nas acções judiciais. O director de operações da TV Cabo, contudo, disse ao mesmo jornal que, embora já não pense em pedir compensação aos anteneiros, é possível não retirar a acusação contra o Governo.

o acordo, resolve-se o problema. “Os anteneiros comprometeram-se a dar gratuitamente as duas redes à TV Cabo, como a TV Cabo é licenciada , resolve-se o problema do licenciamento”, explicou André Cheong. Isso não acontece, no entanto, com todos os canais. Os programas da TDM HD e da TDM Desporto são de conteúdo pago, pelo que os anteneiros não vão poder transmitir, por exemplo, os jogos de futebol da Liga Inglesa - que já, anteriormente, causaram problemas entre a empresa de cabo e as de antenas comuns. “Esses canais, os anteneiros não podem transmitir, porque é ilegal [devido] ao [conteúdo] ser pago. Este é um problema de direitos de autor e nós estamos a estudar o problema, que não é só entre o Governo e a TV Cabo”, referiu André Cheong. Também Tou Veng Keong, director dos Serviços de Regulação das Telecomunicações (DSRT), acrescentou mesmo que “se o Governo permitisse a transmissão destes canais, a TV Cabo interpunha recurso em tribunal”. Os canais que poderão ser transmitidos “vão ser escolhidos entre TV Cabo e anteneiros, apesar de a empresa não poder alterar esta escolha sozinha”. No total, vão ser 40 os canais que os anteneiros poderão transmitir. A RTPi é um deles. A taxa de manutenção dos anteneiros vai continuar a ser cobrada - mesmo que as redes sejam passadas à empresa de cabo -, no valor de 30 patacas mensais. Hoje, começam a ser ajustados os canais e, daqui a dois dias, começam os trabalhos técnicos, que, se não derem problemas, vão permitir a retransmissão. Todos os trabalhos deverão estar concluídos no dia 18.

LIBERALIZAÇÃO DO MERCADO

O contrato de exclusividade com a TV Cabo acaba em Abril próximo. Quanto à possível renovação de um contrato com a operadora, o Governo põe de lado totalmente a exclusividade e fala na liberalização do mercado. Os anteneiros também poderão concorrer à obtenção de uma licença. Não se sabe ainda nada sobre quantos operadores vão entrar ou quais serão os seus requisitos técnicos ou financeiros. Segundo ainda o Governo, já foi iniciado o processo para discutir a renovação do contrato com a TV Cabo, mas o Governo “não tem, para já, ideia” da duração que poderá ter, já que “ainda não foram negociadas as suas condições”.


6 sociedade

hoje macau quinta-feira 8.8.2013

Português deve ser prioridade no ensino

O Centro de Segurança Alimentar está praticamente concluído e vai entrar na fase de teste de funcionamento. O comunicado do Grupo de Coordenação para a Segurança Alimentar surge depois da secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan, ter visitado o centro, na zona norte, que deverá entrar em vigor com a lei de segurança alimentar a 20 de Outubro. De momento, já estão a ser desenvolvidos os trabalhos de gestão, avaliação e comunicação de riscos bem como o melhoramento, nas diversas áreas, da capacidade e das técnicas da segurança alimentar, por exemplo. A responsável visitou ainda o Gabinete do Centro de Segurança Alimentar, no Edifício de Vendilhões do Iao Han, que irá proporcionar de futuro os conhecimentos sanitários básicos sobre Segurança Alimentar e orientações relativas a operação de alimentos.

Preço de água terá aumento de 12%

A Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água teve esta terça-feira uma reunião com a Direcção para os Assuntos de Água de Zhuhai, na qual foram discutidas as medidas para assegurar o fornecimento de água e alteração do preço de água em 2014. Após troca de opiniões, os responsáveis das duas direcções decidiram aumentar o preço para 2,07 yuans (2,77 patacas) por tonelada, traduzindose assim num aumento de 12%. Segundo a edição de ontem do Ou Mun, o aumento deve-se à inflação no interior e aumento de outras tarifas. No futuro, os dois departamentos vão ainda discutir os pormenores sobre a alteração do preço.

Lei Chin Ion é quem irá liderar o Conselho para os Assuntos Médicos. A seu lado, como membros do organismo consultivo, terá 29 profissionais de saúde mas também algumas individualidades, entre as quais, os deputados Chan Meng Kam e Leonel Alves TIAGO ALCÂNTARA

Centro Alimentar em fase de testes

Caras conhecidas na composição GONÇALO LOBO PINHEIRO

Wong Chun Kit, membro do Conselho Consultivo dos Serviços Comunitários da Zona Central, referiu após uma reunião do organismo, sobre vários temas que o comércio crescente entre a China e os países lusófonos leva também a aumentar a necessidade de pessoal bilingue. Por isso, Chung aconselha o Governo a abranger a disciplina do português nos currículos nucleares de todas as instituições educacionais, a fim de popularizar a língua portuguesa.

DIRECTOR DOS SERVIÇOS DE SAÚDE LIDERA CONSELHO PARA OS ASSUNTOS MÉDICOS

apontados: Liu Liang, vice-reitor da MUST, e Wang Yitao, Director do Instituto de Ciências Médicas Chinesas da Universidade de Macau. As escolas superiores de enfermagem estão representadas por Liu Ming, directora da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Macau (IPM) e Van Iat Kio, Presidente do Instituto de Enfermagem Kiang Wu. Mas há também lugar a figuras públicas fora da área da saúde, tais como, os deputados Leonel Alves e Chan Meng Kam, e ainda o secretário-geral da Cáritas, Paul Pun, num mandato cuja duração é de dois anos, com possibilidade de ser prorrogado. Os outros dois nomes de “individualidades” são Iong Weng Ian e U Kin Tong.

PRIMEIRO PASSO PARA A LEI DO ERRO MÉDICO

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

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ÃO surge exactamente como uma surpresa. O Conselho para os Assuntos Médicos (CAM), criado em inícios de Julho, ganhou agora forma com a nomeação dos seus conselheiros e a presidi-los está um “representante do Governo na área da saúde”, como já anteriormente tinha sido anunciado, que é nada mais do que o director dos Serviços de Saúde (SS). Lei Chin Ion vai liderar assim um conselho composto por outros 43 elementos, entre os quais 29 profissionais de saúde. Os nomes de todos os representantes, nomeados pelo Executivo, foram ontem publicados em Boletim Oficial, por meio de um despacho do secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U. O vice-presidente do novo organismo consultivo da saúde, que deverá reunir pelos menos uma vez por mês, é o pediatra Chan

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Associação do Pessoal de Iek Lap, membro de uma Enfermagem de Macau e das listas candidatas às Manson Fok, médico e eleições legislativas por presidente da Associação sufrágio indirecto. Leung elementos de Gestão e Promoção da Pui San, vice-presidente compõem o Saúde da Universidade da Associação dos Volunde Ciências e Tecnologia tários de Pessoal Médico, recém-criado de Macau (MUST, na vai exercer as funções de Conselho para os sigla inglesa). secretária-geral do CAM, Em representação de durante um ano, em regi- Assuntos Médicos unidades hospitalares da me de acumulação. Do rol de profissionais de saúde RAEM estão Chan Tai Ip, subdirector fazem parte, por exemplo, o actual do Hospital King Wu, Chan Wai Sin, subdirector dos SS, Cheang Seng director do CHCSJ, e Mo Hui, do Ip, o cardiologista Mário Évora, hospital da MUST. É também dado também director clínico do Centro lugar à representação de instituições Hospitalar Conde de São Januário de ensino superior de medicina (CHCSJ), Mónica Cordeiro, da tradicional chinesa com dois nomes

FOUR STAR CELEBRA ACORDO COM O GOVERNO A empresa farmacêutica e distribuidora de equipamentos e serviços de saúde Four Star Companhia Limitada, com sede em Macau, irá fornecer a instalação de três mesas multifuncionais para o tratamento otorrinolaringológico, no hospital público, e cinco respiradores portáteis, num acordo celebrado com o Governo, ontem publicado em Boletim Oficial.

O Conselho para os Assuntos Médicos deverá vir a pronunciar-se sobre o desenvolvimento da actividade profissional de saúde na RAEM mas não fará, por exemplo, a apreciação das habilitações dos profissionais de saúde. Deverá, ainda assim, pronunciar-se sobre documentos de consulta a até projectos de diploma relativos a estes profissionais. Este órgão servirá como primeiro passo para a criação da Lei do Erro Médico, que deverá chegar àAssembleia Legislativa (AL) na próxima legislatura, em Outubro. E servirá também para fazer recomendações sobre os códigos deontológicos dos profissionais de saúde e regras de exercício profissional. Mas a sua regulamentação não gerou consenso entre a classe médica, já que uns entendem que pode apoiar o Governo na definição de políticas e outros acreditam que se pode tratar de uma duplicação de funções que já são exercidas pela Administração. Por sua vez, há quem se queixe de falta de representatividade dos sectores, e há quem diga ainda que existe um excesso de especialidades médicas representadas.


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ADJUDICADOS ESTUDOS A DUAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR DE MACAU

Entender o futuro desenvolvimento dos novos aterros D UAS instituições de ensino superior de Macau foram incumbidas pelo Governo de realizar, cada uma delas, um estudo relacionado com o futuro desenvolvimento dos novos aterros, adjudicados pelo valor de aproximadamente 1,4 milhões de patacas. O orçamento global foi revelado à agência Lusa por uma porta-voz do Gabinete do Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a qual não especifica, porém, se a verba vai ser repartida equitativamente pelas duas instituições de ensino superior. A Universidade de Macau (UMAC) foi incumbida de realizar o “Estudo da Política Habitacional sobre ‘Terra de Macau destinada a residentes de Macau’”, de acordo com um despacho publicado em Boletim Oficial (BO), em Maio, enquanto o Instituto Politécnico de Macau (IPM) de elaborar o “Estudo e análise económica e jurídica sobre ‘Terra de Macau destinada a residentes de Macau’”, segundo um despacho datado de Julho. Prevê-se que ambos estejam prontos no último trimestre do

a viabilidade deste conceito e desta política para Macau”.

A TAL “ATITUDE ABERTA”

ano, indicou a mesma fonte, precisando que as suas conclusões serão depois analisadas pelo Grupo de Trabalho para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável do Mercado Imobiliário. “Uma vez que este tema envolve várias vertentes técnicas como: jurídica, económica, social, cívica, política pública etc., necessita-se de um

estudo elaborado por diferentes grupos profissionais [e] as duas instituições de ensino superior têm as suas vantagens”, o que “contribui para um aprofundamento sobre o mesmo”, disse a mesma responsável, questionada acerca da razão de adjudicar dois estudos com um objecto idêntico a duas instituições diferentes.

PUB

Anúncio A quem de interesse,

Maria Cordero Administradora do «Centro de Educação da Academia de 
Talentos de Macau»e da sociedade «Academia de Talentos de Macau Lda.», vem por este meio declarar que, não ter qualquer afiliação pessoal

de negócios com Ana Maria Manhão Sou, cidadã de Macau, BIR Nº. 5025XXX (X) e com Luís Miguel Manhão Sou, cidadão de Macau

BIR Nº: 5123XXX (X), não sendo assim responsável por qualquer transacção efectuada ou contrato celebrado por estes indivíduos no passado.

Todas as relações contraídas, problemas financeiras, dívidas e outros

problemas assumidos e exercidos anteriormente pelos visados não estão relacionados de modo algum com a sua pessoa,

Terça-feira, 6 de Agosto de 2013 “Centro de Educação da Academia de Talentos de Macau” e sociedade “Academia de Talentos de Macau Lda.” CEO

Maria Cordero

A realização dos estudos em causa é justificada, na mesma resposta escrita enviada à Lusa, pelos “diferentes entendimentos” no seio da sociedade sobre o conceito ‘Terra de Macau destinada a residentes de Macau’, tornando-se, por isso, necessário “determinar fixações mais claras para este assunto, comprovar a aplicabilidade e

Em Janeiro, de acordo com a imprensa local, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas disse, na Assembleia Legislativa, que ia encomendar um estudo sobre a nova política de reserva de terrenos para residentes, assumindo uma “atitude aberta”, mas rejeitando o projecto-piloto em Hong Kong anunciado no terceiro trimestre do ano passado -, ao abrigo do qual se prevê destinar duas parcelas em Kai Tak em exclusivo a residentes permanentes da antiga colónia britânica. Em Abril, o chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, confirmou a realização de um estudo, através de duas instituições académicas, indicando que a questão ia também ser alvo, no futuro, de consulta pública. Os novos aterros estão a ‘nascer’ a leste e sul da península de Macau e a norte da ilha da Taipa e estarão divididos em cinco zonas, em que não haverá lugar para projectos ligados ao jogo. - Lusa


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CHINA

Filme pornográfico é confundido com execução nos EUA

A imprensa oficial chinesa utilizou imagens de um filme pornográfico intitulado Injecção Letal, nas quais uma mulher está amarrada a uma cama, para denunciar as execuções praticadas no sistema penal dos Estados Unidos. As imagens de Injecção Letal permaneciam esta quarta-feira no site da agência oficial Nova China, após serem veiculadas pela página do jornal Global Times, directamente controlado pelo Partido Comunista. Na “execução”, uma mulher de cuecas e com a blusa aberta é obrigada por uma carcereira a deitar-se na cama, sob o olhar de um médico que prepara a “seringa” letal. Segundo a Nova China, as imagens ilustram “o lado obscuro do mundo”. Washington acusa regularmente a China de graves violações dos direitos humanos, sobretudo pelo seu sistema judicial, e Pequim responde aconselhando os Estados Unidos a ter mais atenção às suas próprias deficiências na matéria.

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A Concertação sai caro MULTAS PESADAS A SEIS FABRICANTES DE LACTICÍNIOS

Uso de ‘smartphones’ ocupa 20% do consumo mundial

O relatório do instituto de pesquisa Canalys revela que o mercado mundial vendeu no segundo trimestre deste ano mais de 238 milhões de ‘smartphones’, um aumento de 50% em relação ao mesmo período do ano passado. No caso da China, o volume de consumo deste produto ocupa 20% do total global. O ‘boom’ no mercado chinês resultou do rápido crescimento do consumo de ‘smartphones’ baratos, produzidos pelas fábricas chinesas. Apesar disto, a venda dos produtos destas fábricas ainda é muito baixa quando comparada com o registo dos gigantes Samsung e Apple. Com a generalização das instalações de rede nos mercados emergentes, os fabricantes asiáticos devem desenvolver-se cada vez mais. A empresa chinesa Huawei está a considerar comprar a Nokia para que se fortalecer no desenvolvimento e na produção de ‘smartphones’.

S autoridades chinesas aplicaram multas no valor de cerca de 820 milhões de patacas a seis empresas do sector de lacticínios pela prática ilícita de concertação de preços, noticiou ontem a agência Xinhua. As americanas Mead Johnson e Abbott, a chinesa Biostime, o gigante neozelandês Fonterra, o holandês Friesland, e a Dumex, subsidária da francesa Danone, estão sujeitas a multas, numa indústria que na China é frequentemente agitada por escândalos. A imprensa chinesa tinha dado conta, no início de Julho, de um inquérito da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a mais alta entidade chinesa de supervisão económica, visando os fabricantes estrangeiros de leite em pó para bebés, suspeitos de terem acordado os seus preços de venda. No seguimento destas informações, a Abbott e a Royal FrieslandCampina – produtor holandês da marca Friso – anunciou imediatamente reduções de preços consideráveis, e a Danone indicou que iria fazer o mesmo na sua filial Dumex. A Wyeth Nutrition, uma subsidiária da Nestlé, o ramo de lacticínios do produtor japonês Meiji, e o fabricante chinês de leite em pó para bebé Beingmate anunciaram igualmente cortes de preços. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma decidiu poupar a Wyeth, Meiji e Beingmate, sendo que estes últimos optaram por “colaborar com o inquérito” e “fornecer provas importantes”, e “efectuar eles próprios as correcções” impostas, precisou a Xinhua. A Mead Johnson indicou ter recebido uma multa de cerca de 250 milhões de patacas. A Biostime indicou à Bolsa de Hong Kong uma penalização de cerca de 199 milhões de patacas. A Fonterra, por sua vez, foi condenada a pagar cerca de 5.500 milhões de patacas, indicou o grupo.

LADRÕES ROUBAM PONTE HISTÓRICA DE 20 METROS EM CIDADE TURÍSTICA

Desmontada durante a noite U MA ponte de pedra com mais de um século de história, situada perto da turística cidade chinesa de Hangzhou, foi roubada durante a madrugada, informou esta quarta-feira a imprensa local. A ponte, com mais de 20 metros de comprimento e que se encontra sobre um rio, foi desmontada em 30 partes por um operador de guindaste, que, segundo as autoridades, teria sido contratado por um homem de apelido Chen. O curioso é que nenhum dos moradores locais percebeu esta acção, registada na última semana. Segundo o portal Notícias de Zhejiang, Chen, que já teria sido detido com o operador do guindaste,

contou que um comprador de pedra lhe ofereceu 50,9 mil patacas pela ponte e que transportou as partes divididas em dois camiões. Os moradores locais

alegaram que ouviram ruídos estranhos ao longo da noite, os quais pareciam vir de uma construção próxima. No entanto, depois de perceberem o vazio

deixado sobre o rio, não conseguiam acreditar na audácia do criminoso. Na última semana, a polícia recuperou partes da ponte numa pedreira a 50

quilómetros da cidade de onde foi desmontada. Outras informações detalharam que o roubo da centenária edificação, construída graças a doações, afectou muito a vida dos moradores de Yanjiajiao, que, apesar de não a usarem muito, consideravam o lugar como um ponto histórico e muito representativo da cidade.


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NDREW Witty passou anos a falar sobre os seus esforços para eliminar as tácticas agressivas de marketing que herdou como administrador da GlaxoSmithKline. Agora enfrenta o desconfortável problema de defender a empresa de alegações de suborno na China que ocorreram sob a sua gestão. Witty assumiu o posto de presidente do conselho de administração da Glaxo em 2008, quando a empresa era alvo de uma investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos por suposta promoção ilegal de anti-depressivos e de outros medicamentos. A questão foi resolvida com a admissão de culpa em 2012. Desde então, o discurso de Witty tem sido de que isto foi um “virar de página” para a empresa. “Nos últimos anos, temos mudado fundamentalmente os nossos procedimentos para as normas, marketing e vendas nos EUA para garantir que actuamos com elevados padrões de integridade e conduzimos os nossos negócios abertamente e com transparência”, disse Witty no anúncio do acordo, acrescentando que a Glaxo tinha “aprendido com os erros cometidos”. Mas as novas alegações levantadas pelo governo da China em Julho transferiram as dores de cabeça de Witty para outra região.

ACUSAÇÃO DE SUBORNO É MAIS UMA DOR DE CABEÇA PARA A GLAXO

Triste historial Na semana passada, disse que aparentemente alguns altos executivos da Glaxo na China infringiram a legislação do país. “Estou pessoalmente muito desapontado de que estas acusações tenham sido feitas. São acusações vergonhosas”, Witty disse aos jornalistas. “Uma coisa que posso garantir é que vamos aprender com isto e fazer mudanças.”

FUNCIONÁRIOS DETIDOS

Desde o final de Julho, que a polícia chinesa mantém detidos 18 funcionários da Glaxo na cidade de Zhengzhou, segundo uma emissora estatal — dados que a Glaxo se recusa a comentar. A empresa também contratou um escritório de advocacia nos EUA para conduzir uma “análise independente” sobre a conduta dos seus executivos. Quando Witty se tornou administrador, em Maio de 2008, o Departamento de Justiça já investigava a Glaxo há quatro anos. Entre as acusações, constavam alegações de promoção de seus anti-depressivos

e outros remédios para utilização não autorizada pela Food and Drug Administration (órgão americano que controla os sectores de alimentos e medicamentos), numa prática ilegal conhecida como “off-label marketing”. Uma das principais prioridades no início da gestão de Witty foi resolver esta investigação, diz um porta-voz da empresa. Witty nomeou um novo director para as operações na América do Norte, Deirdre Connelly, que anunciou que a Glaxo mudaria a forma como paga aos seus representantes de vendas. Em vez de pagar bónus com base em metas de vendas, a Glaxo começaria em 2011 a usar como base a adesão à transparência, integridade e necessidades do paciente, disse Connelly. Em Julho de 2012, a Glaxo fechou um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, concordando em declarar-se culpada das acusações criminais de marketing ilegal e de ter ocultado dados de segurança de reguladores, para

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além de pagar cerca de 20 Quando as autoridades mil milhões de patacas em fizeram a primeira incursão aos escritórios da Glaxo multas ao governo federal e Estados — soma apontada funcionários em Xangai, Pequim e Changsha, a 27 de Junho, como o maior acordo da da Glaxo um assessor avisou Witty história do país em casos entregando-lhe um bilhete de fraude na área de saúde. continuam durante uma reunião com O Departamento de Justiça presos na altos executivos na sede da afirmou que a mudança nas empresa, nos arredores de práticas de remuneração dos cidade de Londres. “Não sabíamos representantes de vendas da Zhengzhou o que era. Várias pessoas Glaxo era uma exigência foram enviadas para a China do acordo. Mas em Janeiro surgiu outro para ver que tipo de informação problema: uma denúncia anónima é que podiam conseguir”, disse sobre alegações de suborno de mé- uma fonte ligada ao assunto. Os dicos e outros problemas na China executivos voltaram rapidamente, foi feita por um e-mail endereçado mas as informações eram limitaao conselho e à direcção executiva das. “Começamos a perceber o da Glaxo, mas enviado à equipa de número de autoridades presentes relações públicas da farmacêutica. na investigação que já durava há algum tempo”, disse a fonte. “Estavam a levar documentos — INVESTIGAÇÃO PARALELA Witty teria tomado conhecimento foi a principal informação que das alegações em Janeiro, quando conseguimos obter.” A Glaxo afirma que não soube a empresa informou que tinha aberto uma investigação sobre o o motivo da incursão até ao dia seassunto, segundo um porta-voz da guinte, quando a polícia em Changsha informou que funcionários da companhia. Em Junho, a Glaxo afirmou ao Glaxo estavam sob investigação The Wall Street Journal que a sua devido a crimes económicos. Ao investigação sobre as acusações longo das duas semanas seguintes, feitas não encontraram provas de até o Ministério de Segurança comportamento irregular. Algu- Pública detalhar as acusações de mas semanas depois, porém, as suborno através de um comunicado autoridades chinesas apanharam em 11 de Julho, a expressão “cria empresa desprevenida ao abrir mes económicos” era tudo o que a sua própria investigação sobre Witty e sua equipa sabiam sobre a investigação, informa a empresa. as mesmas questões.


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LITERATURA

hoje macau quint

CONCEITUADO AUTOR

O que h JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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QUEM É YU HUA? Surge nos anos 1980/1990 como um escritor modernista. A obra To Live, transformada em filme e banida na China, foi a catapulta para o panorama internacional. Até Mo Yan ter sido laureado com o Prémio Nobel o ano passado, Yu Hua era o mais conhecido autor da China. Nascido em Hayan, na província de Zhejiang em 1960, cresceu praticamente num hospital onde os pais - ambos médicos - trabalhavam. A sua educação baseia-se principalmente ma revolução cultural e Yu traz modernismo à literatura chinesa.

alma de um homem que morreu num acidente vagueia durante sete dias. O motivo: Yang Fei não tinha dinheiro para pagar um funeral ou, simplesmente, ser enterrado de forma apropriada. Agora, não passa de um fantasma perdido, no meio de tantos outros fantasmas. É assim que começa a nova história do polémico escritor chinês Yu Hua. ‘O sétimo dia’ (The Seventh Day, em inglês) é o livro que marca o regresso de Yu às publicações, coincidentemente – ou não –, sete anos depois de ter escrito o seu último livro, ‘Brothers’. E, à semelhança deste, ‘O sétimo dia’ já está a levantar polémica. Porquê? Yu Hua toca num assunto que, na China, ainda é tabu: a morte. Yang Fei, a única personagem do livro, vai encontrando outras almas que, como ele, não tiveram direito a um funeral apropriado. Ao conhecê-los, Yang Fei vive experiências que não são mais do que um reflexo de acontecimentos reais na vida do povo chinês. Acontecimentos reais, mas que não


literatura 11

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no Weibo, ainda recentes”, avalia Lu Shun, membro do douban.com – um website que fornece informações sobre livros, filmes e música. “Ele escreve sete dias em sete capítulos e, cada dia, o protagonista encontra pessoas diferentes e histórias diferentes, que não se relacionam umas com as outras, excepto no sentimento de desespero.” Enquanto ainda há quem defenda o novo livro de Yu Hua, leitores e críticos literários condenam a mudança de estilo na escrita do autor. Mas não só. “Concentrar notícias num trabalho literário é um risco, principalmente para alguém que se tornou famoso pela sua maneira de contar histórias”, revela um crítico literário à imprensa norte-americana. “Nos seus livros anteriores – ‘To Live’ e ‘Chronicle of a Blood Merchant’ – a habilidade com que Yu transmitia sentimentos de tristeza e compaixão pelas personagens impressionava os leitores. Agora, ele optou por escrever acontecimentos que, já por si, são já extremamente trágicos.” Se alguns acreditam que ‘O sétimo dia’ não passa de uma compilação de notícias, há quem diga que o autor optou propositadamente por fazê-lo de maneira crua. “Do ponto de vista da responsabilidade social, é um bom livro para deixar a descoberto o que se passa na sociedade, mas como literatura não me agrada”, admite Lu Shun.

R CHINÊS LANÇA ROMANCE CONTROVERSO

há num livro?

Um assunto tabu na China, a mistura de acontecimentos reais e a ficção e uma onda de criticismo. Yu Hua, famoso autor chinês, lançou o seu mais recente livro – “O sétimo dia” – a 14 de Junho deste ano deixam de lado a controvérsia de acontecimentos bem recentes.

HISTÓRIAS VERÍDICAS

Um casal morre quando a casa onde viviam é demolida à força. Num outro capítulo, 38 almas – mortas num incêndio acidental na China – vagueiam, confusas. O incêndio é amplamente divulgado nos média. No entanto, Yang Fei recorda-se que, antes de morrer, eram apenas sete as pessoas dadas como mortas no fogo – pelo que tinha lido nas notícias, o que pode demonstrar “a tentativa do governo em encobrir os acidentes”. Ainda no quinto dia, Yang Fei conhece um homem que tinha sido condenado à morte por ter assassinado a mulher. Esta, contudo, meio ano após a sentença que ditou a morte

do marido ter sido levada avante, regressa a casa. As situações por que morreram aqueles que Yang Fei conhece durante a sua viagem de sete dias, dizem os críticos, reportam principalmente casos de injustiça na China. Casos, que têm vindo a público recentemente. E um dos problemas começa exactamente por aqui.

CÉPTICOS

Se Yu Hua precisou de sete anos para escrever o livro, como consegue narrar, na acção, histórias que têm preenchido as manchetes dos jornais, ou suscitado interesse nas redes sociais? “Obviamente, o livro não é um trabalho de sete anos e não precisou assim de tanto tempo para ser terminado, já que metade dos assuntos descritos são ‘hot topics’

PERSPECTIVA DE AUTOR

Yu Hua defende-se, dizendo que nunca teve de copiar notícias recentes para escrever o livro, porque coisas destas acontecem sempre na China. Acusado de estar a descuidar-se na forma como escreve e na linguagem que usa, para conseguir vender o livro em países estrangeiros, Yu remata. “Estou a narrar na perspectiva de um homem morto. A linguagem deve ser contida e fria. Nas partes em que falo do mundo dos vivos, acrescento algum conforto, mas a linguagem do romance não é aleatória, é decidida pela natureza do romance. Sinto a crueldade do real e por isso tenho de escrever igualmente de forma crua.” Goste-se ou não, Yu Hua não precisou de apresentar o livro - nem o seu conteúdo - para que se recebessem encomendas de mais de 700 mil livrarias em toda a China. Ainda 24 horas depois de ser lançado on-line, ‘O sétimo dia’ chegou ao top de vendas da Amazon. Se a esmagadora atenção recai no livro, no autor ou nos rumores da sua falta de qualidade, não se sabe. Mas isso também não preocupa o autor, que assegura que quer apenas fugir à realidade do sítio onde vive. “Quando o mundo real me deprimiu, eu escrevi sobre um encantador mundo dos mortos. Este mundo não é nem uma utopia, nem um país das maravilhas. Mas é bonito. Neste lugar, as ondas acenam-te, as pedras sorriem-te, o rio saúda-te. Não há pobres, nem ricos, não há arrependimentos, nem dor. Toda a gente morre de forma igual.”

Outra bibliografia • “TO LIVE” (1992) Xu Fugui é o filho de um homem rico e é jogador compulsivo. Depois de perder toda a fortuna do pai no jogo, o pai morreu e, em tempos de guerra civil, ele é forçado a juntar-se ao exército. Dois anos depois, Xu volta a casa e encontra a sua mãe morta e a sua filha surda-muda devido a uma febre. Anos depois, morre o seu filho devido a uma transfusão de sangue. Mesmo parecendo que de nada valia estar vivo, Xu não desistiu, acreditando que havia esperança, e as coisas tornaram-se melhores. Mais tarde transformado em filme por Zhang Yimou (em 1994), foi esta obra que fez Yu Hua conhecido. O filme foi banido da China. • “CHRONICLE OF A BLOOD MERCHANT” (1995) A história começa nos recentes anos da Nova China e termina no final da Revolução Cultural. Xu Sanguan, que trabalhava numa fábrica de seda, ganhava pouco dinheiro, mas era um jovem responsável que lutava para melhorar a vida da sua mulher e dos seus três filhos vendendo p seu sangue. Por muito que tentasse, contudo, a vida apresentava-lhe sempre obstáculos angustiantes. Mas Xu conseguiu vencer, encontrando força nos familiares que o apoiavam. • “BROTHERS” (2006) Escrito em dois volumes. O primeiro revela como “a loucura da revolução cultural” destruiu as famílias de dois meios irmãos. No início, os dois mantiveram-se juntos e prometeram lutar sempre pela sua irmandade, mas o segundo volume muda tudo. Um dos irmãos torna-se rico, muito rico, enquanto o outro semântica fiel aos seus princípios e vive uma vida simples em torno da mulher que ama. Os irmãos vão-se tornando estranhos um para o outro.


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VIDA

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UMA RECEITA QUE CONTINUA A FUNCIONAR, TALVEZ POR TER TUDO O QUE AS MULHERES QUEREM OUVIR

Dieta dos dois dias nas bocas do mundo É a dieta mais popular do momento - e ameaça tornar-se uma das mais controversas, ao propor que dois dias de restrições bastam para que, depois, durante cinco dias por semana, possamos comer tudo o que quisermos (sim, doces incluídos)

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ICLICAMENTE, surge um livro de dietas assim, que voa das prateleiras como pãezinhos quentes. As promessas nem sequer precisam de ser novas: emagrecer, sem muitos sacrifícios, e depressa. A receita continua a funcionar, talvez por conter tudo o que as mulheres querem ouvir. Contudo, esta “Dieta dos 2 dias”, edição Lua de Papel, que acaba de chegar às livrarias portuguesas, tem alguns ingredientes originais: a começar por contestar a ideia de que devemos comer muitas vezes ao dia. “Alguns estudos sugerem que a ingestão regular de pequenas refeições é vantajosa para a saúde, desde que não acabemos a comer mais. Infelizmente, no mundo real é exactamente isso

que acontece”, defende o britânico Michael Mosley, que se formou em Medicina mas fez a sua carreira como produtor e apresentador de documentários da BBC, nas áreas da saúde e da ciência. Em média, quem petisca ao longo do dia come mais 300 calorias do que o recomendável, o que pode ser suficiente para arruinar qualquer tentativa de emagrecimento. O que propõe, então, Mosley? Exactamente o contrário: que fiquemos muitas horas sem comer.

O ELOGIO DO JEJUM

Ainda está aí? Só a ideia de poder passar fome basta para assustar quem pondera aventurar-se numa (ou em mais uma...) dieta. Esse é, talvez, o principal motivo de desmotivação para quem tem excesso de peso mas continua a comer como se não houvesse amanhã. Era precisamente a situação do autor, no início de 2012: aos 55 anos, pesava 85 quilos (com um índice de massa corporal de 26, ligeiramente acima do saudável), tinha o colesterol elevado e era pré-diabético. Em teoria, queria ser mais saudável e perder a barriga; na prática, não estava disposto a grandes sacrifícios para o conseguir. Foi então que o desafiaram a tornar-se cobaia de um documentário da série Horizon, da BBC, para explorar a ciência subjacente ao prolongamento da vida. Nas últimas décadas, os estudos mais promissores indicam todos o mesmo caminho: praticar uma dieta muito restritiva a nível calórico, fazendo jejuns de forma regular. “Ainda não se sabe ao certo porque é

PRÓS & CONTRAS PRÓS

• NUNO BORGES, DIRECTOR DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE NUTRICIONISTAS - “O jejum alternado tem mostrado resultados muito promissores, perde-se mesmo peso. E não comer durante 12, 24 ou 36 horas não é prejudicial para a maioria das pessoas, pelo contrário. Só desaconselharia esta dieta a diabéticos. De resto, sabemos que mesmo uma redução de três ou quatro quilogramas já tem impactos muito positivos na saúde.”

CONTRAS

• DANIELA SEABRA, NUTRICIONISTA - “Não podemos enfiar o mesmo chapéu em todas as cabeças. Se eu, Daniela, estiver sem comer quatro ou cinco horas, fico ansiosa, irritada, nem consigo trabalhar. Os estudos têm resultados óptimos em ratinhos mas o ser humano não é só fisiologia: a parte emocional é crucial em qualquer dieta. Quem quiser perder peso tem de deixar de comer lixo, fazer exercício e beber água. O resto é conversa.”

que isto acontece, mas o argumento evolucionista parece ser o seguinte: enquanto temos comida abundante, os nossos corpos estão acima de tudo interessados em crescer, em fazer sexo e em reproduzir-se”, nota Mosley. Quando decidimos jejuar, “a reacção inicial é de choque. O cérebro recebe sinais a lembrar que estamos com fome, incitando-nos a procurar alguma coisa para comer. Mas nós resistimos. E, numa situação de fome, não vale a pena despender energia em crescimento ou sexo. Em vez disso, a coisa mais sensata que o corpo pode fazer é gastar a sua preciosa energia em reparações, levando-se a si mesmo para o equivalente celular de uma oficina e mantendo-se numa forma razoável até os bons tempos regressarem”.

O jejum promove assim o estado geral de saúde e, consequentemente, a longevidade. De caminho, perdem-se os quilos excessivos, que, além de inestéticos, carregam consigo a culpa de algumas das mais mortíferas doenças do mundo ocidental.

CORPO E MENTE

O problema, como bem nota o médico logo no início do livro, é que a maioria dos comuns mortais não tem a força suficiente para se manter num regime tão ditatorial, passando fome o resto da sua (com alguma sorte) longa vida... Mosley ficou por isso entusiasmado quando descobriu que os mesmos resultados estavam a ser alcançados em ensaios clínicos testando o jejum em dias alternados. De qualquer forma, não comer dia sim, dia não, ainda não soava bem. Mas havia esperança: um estudo com ratinhos em que dois dias de abstinência pareciam bastar para compensar os excessos do resto da semana. Estava decidido: essa seria a experiência que estava disposto a filmar para a BBC, como cobaia. O documentário Eat, fast, live longer (Coma, jejue, viva mais) foi transmitido durante os Jogos Olímpicos de Londres, em Agosto de 2012, e, apesar da concorrência de peso, bateu recordes de audiências, sendo

visto por três milhões de espectadores. Os britânicos ficaram fascinados com a ideia de fazer os chamados “sacrifícios” de uma dieta apenas duas vezes por semana, tendo depois liberdade para comer “normalmente” - pizzas, bolos e gelados incluídos. Até porque os dois dias de jejum prevêem, na verdade, duas refeições: o pequeno-almoço e o jantar, que devem ser leves, totalizando um total de 500 calorias, no caso das mulheres, e 600 calorias, no caso dos homens. Nos dias de liberdade, a população estudada acabou por não comer de forma desregrada. E o médico, apesar de salientar que a perda de peso se mantém, lembra que os benefícios para a saúde são maiores quando se reduz o consumo de açúcares e gorduras. A partir daí, gerou-se um efeito bola de neve: Mosley escreveu um artigo para o Telegraph - já lido no site do jornal por mais de um milhão de pessoas - e, no final do ano passado, a jornalista de moda Mimi Spencer, muito influente nos media britânicos, publicou um relato da sua própria batalha contra o peso vencida, finalmente, aos 45 anos, graças à dieta dos dois dias. “Perdi 10 quilos e sinto-me fabulosa”, anunciava. Foi então que teve a ideia de propor a Michael Mosley uma parceria, para a publicação de um livro que explicasse em detalhe os fundamentos do regime e as formas de ultrapassar o calvário dos jejuns. Publicado no início deste ano em Inglaterra, chegou na primavera aos EUA e, agora, estende a sua influência pelo resto da Europa - Portugal incluído, onde chega com um ‘post-it’fluorescente colado na capa, anunciando ser “o livro de dietas mais vendido em todo o mundo”. Se será uma moda passageira ou uma tendência alimentar para ficar, só o tempo o dirá. Mas não podemos ignorar que, por mais que o nosso organismo esteja geneticamente preparado para lidar com períodos de fome, do ponto de vista emocional a história é muito diferente. Como canta Leonard Cohen, os seres humanos “andam sempre à procura de coisas para fazer entre as refeições”.


vida 13

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FISIOLOGISTA FALA DA IMPORTÂNCIA DA MUSCULAÇÃO PARA AS PESSOAS

Perda de massa pode ser debilitante A O longo dos anos, resultados de diversos centros de pesquisas internacionais têm apontado para o acentuado declínio de massa muscular que é decorrente com o envelhecimento. A perda de massa e força muscular, à medida que envelhecemos, é potencialmente debilitante e pode dificultar a nossa capacidade de realizar algumas das actividades funcionais mais básicas, como por exemplo, caminhar, subir degraus, ou simplesmente levantar-se de uma cadeira. Stephen Roth, que é fisiologista do exercício da University of Maryland, EUA, afirmou que aproximadamente após os 45 ou 50 anos, as pessoas (homens e mulheres), perdem cerca de 10% de massa muscular a cada década. No entanto, dentro deste quadro desfavorável há uma perspectiva positiva. De facto, uma importante forma de actividade física que é muitas vezes esquecida não só entre segmentos da população em geral, mas também dentro de alguns círculos desportivos profissionais, são os programas de musculação. Assim sendo, as pesquisas que apontam para os benefícios fisiológicos que decorrem após o início desta actividade são fascinantes, e podem dar esperanças para as pessoas encararem a terceira idade com maior grau de optimismo. Dessa forma, o programa de musculação bem planeado dentro de um grupo de atletas de elite oferece benefícios fisiológicos, entre eles, o desenvolvimento da potência máxima, de força, da resistência muscular e da prevenção de lesões, que são mais do que reconhecidos dentro da área da fisiologia do exercício. As mesmas vantagens podem também ser acarretadas por outros grupos de praticantes. “Notavelmente, um programa de musculação bem estruturado realizado até mesmo num curto período de tempo como por exemplo de três a quatro meses pode inicialmente ajudar tanto os homens como as mulheres a recuperarem 10% de suas perdas de massa muscular”, afirmou o fisiologista Roth.

Seria importante notar que a magnitude significativa desta recuperação de massa muscular acontece somente no início do programa. No entanto, segundo o Stephen Roth, caso o indivíduo continue com a prática da modalidade, a sua perda a cada dez anos será significativamente menor do que a de um não praticante.

SEGUNDA OPINIÃO

De acordo com a revisão da literatura científica realizada por Chiung-ju Liu, publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews (uma organização independente conhecida pelos seus altos padrões de integridade científica), que analisou 121 estudos, concluiu que o

prevenções de quedas da University of San Francisco, EUA, referiu, igualmente, a importância da musculação para a população idosa que corre o risco de sofrer lesões decorrentes das quedas. “Provas científicas demonstram claramente que um programa de musculação, quando administrado lado a lado a um eficaz programa de equilíbrio dinâmico, pode diminuir a incidência de quedas em idosos”, disse Thompson. Além disso, os benefícios que resultam de tal actividade física não são apenas específicos à recuperação da massa muscular. Segundo o Stephen Roth, “há muitos estudos que demonstram que a muscu-

Notavelmente, um programa de musculação bem estruturado realizado até mesmo num curto período de tempo como por exemplo de três a quatro meses pode inicialmente ajudar tanto os homens como as mulheres a recuperarem 10% de suas perdas de massa muscular STEPHEN ROTH fisiologista

treino de força de resistência progressiva (PRT), foi de facto uma intervenção eficaz na melhoria da função física das pessoas com mais idade, incluindo uma maior capacidade de força e também o desempenho de actividades tanto simples como complexas. Desse modo, como o trabalho de musculação age como um antídoto contra os declínios da força muscular, que é um dos factores que predispõe os idosos a um maior risco de quedas, que consequentemente podem ocasionar lesões graves (como por exemplo a fractura do quadril), ele deveria ter uma função primordial no dia-a-dia das pessoas. E, tal modalidade física pode ser um elemento valioso dentro de um plano de prevenções de quedas.

O MELHOR PARA OS IDOSOS

Christian Thompson, especialista em programas de

lação, praticada por pessoas de diversas idades, incluindo até mesmo as com idades mais avançadas, é capaz de manter a densidade mineral óssea de forma mais eficiente, tem melhor resultado nos parâmetros de composição corporal e melhora o quadro de pessoas diagnosticadas com o pré-diabetes.” Roth acrescentou ainda uma ideia mais específica sobre as perdas anuais de massa muscular de uma pessoa de terceira idade que pratica musculação em comparação a uma que não seja praticante de tal modalidade. “Não sei se temos dados precisos sobre isso, mas arrisco a supor que alguém que começou o treino de força no início dos seus 50 ou 60 anos, após o ganho inicial de 10% terá perdas de somente 2 a 3 % ao longo de uma década, em comparação com alguém que não seja adepto da prática de musculação”, concluiu.

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F

CULTURA

ALAR da obra que tem dado que falar é antes de mais analisar o impacto da sua digressão. “Zealot - The Life and Times of Jesus of Nazareth” poderia ser apenas mais uma biografia do pastor pacifista que oferece a outra face, fracturante ou minimamente consensual, se tivesse saído da lavra de um cristão. Mas Reza Aslan, americano de origem iraniana de 41 anos, é muçulmano. Acresce que o especialista em estudos religiosos acumula a gestão da empresa Aslan Media com o ensino de escrita criativa e vive em Los Angeles, meca da indústria do cinema, uma inspiração - segundo os detractores - para o tratamento de blockbuster que confere ao livro, nos primeiros lugares das tabelas de vendas do “The New York Times” e de uma série de categorias no site da Amazon. Sobre estes e outros aparentes handicaps, nem Deus tem acudido quando os entrevistadores cerram os dentes, pelo menos no instante imediato da pergunta, já que basta olhar para os números para conferir a popularidade da criação e do seu criador. O efeito bola de neve começou na Fox News, quando uma incrédula Lauren Green o questionou repetidamente: por que razão haveria um muçulmano de escrever uma biografia de Jesus? O momento tornou-se viral,

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MUÇULMANO ESCREVEU A BIOGRAFIA DE JESUS REVOLUCIONÁRIO

Muito barulho para nada

histórica, isolando o verdadeiro Jesus da lenda propagandística que cresceu à sua volta. Mas o próprio Aslan refaz Jesus à sua imagem”, discute a propósito do tema Stephen Prothero, professor de Religião da Universidade de Boston e autor de “The American Bible: How Our Words Unite, Divide, and Define a Nation”.

NAZARÉ MAIS QUE CRISTO

com mais de 5 milhões de visualizações no BuzzFeed. “Para ser claro, tenho quatro especializações em estudos religiosos, sou fluente em grego bíblico e há duas décadas que estudo as origens do cristianismo. Acontece que também sou muçulmano”, justifica Aslan. Ao burburinho mediático junta-se a discussão crítica encabeçada pelos estudiosos do Novo Testamento. Ou “Hype old stuff”, que é como quem diz muito barulho para nada. Revelações frescas à margem, o que traz “Zealot” de polémico além das raízes

e das convicções de quem o assina? Reza desfaz um contraste histórico entre os fundadores do cristianismo e do Islão, segundo o qual Jesus é descrito como uma figura apolítica e um mensageiro da paz, enquanto Maomé assume os créditos da tomada da península Arábica pela via da força. “Zealot”, ou zelota, o partidário, enquadra Jesus como um revolucionário, que advoga o recurso à violência, e que na qualidade de judeu teria rejeitado a ideia da encarnação divina. Refira-se ainda que não foi crucificado em nome dos

Quanto mais usava a Bíblia para me proteger das dúvidas dos descrentes mais distância encontrava entre o Jesus das Escrituras e o Jesus histórico, entre Jesus Cristo e Jesus de Nazaré REZA ASLAN Autor

pecados do mundo mas por rebelião contra o Império Romano. Em síntese, Jesus, o “revolucionário judeu com consciência política” cujo reino é decididamente deste mundo e não de outro.

“Questiona-se a sua origem muçulmana, mas o grande problema de Aslan, tal como de muitos outros peritos na ‘história de Jesus’ antes dele, é pretender ser um intrépido arqueológico da verdade

O percurso de Aslan, que revela admirar mais Jesus de Nazaré e menos Jesus Cristo, não é linear. Num artigo de opinião para a CNN, o autor do anterior sucesso “No God but God”, recupera o seu nascimento no Irão, o êxodo da família após a revolução, e a chegada a um país que nos anos 80 via um muçulmano como “um marciano”. Na adolescência “descobriu” Jesus durante um retiro evangélico e regressou ansioso por abraçar a nova fé, passaporte para a aceitação no novo território. Mas afirma: “Quanto mais usava a Bíblia para me proteger das dúvidas dos descrentes mais distância encontrava entre o Jesus das Escrituras e o Jesus histórico, entre Jesus Cristo e Jesus de Nazaré.” Aslan retomou as origens religiosas familiares mas não esqueceu o seu objecto de estudo. “Acho que se pode seguir Jesus sem ser cristão, da mesma forma que se pode ser cristão sem seguir Jesus.”

MORREU GEORGE DUKE, PIANISTA DE JAZZ, MÚSICO MÚLTIPLO

Coerente na aparente incoerência G

Dustin Hoffman tratado com sucesso contra cancro

O actor norte-americano Dustin Hoffman, de 75 anos, foi tratado com sucesso contra um cancro de que padecia, informou na terça-feira a sua porta-voz citada pela agência AFP. O cancro “foi detectado a tempo e tratado cirurgicamente”, declarou a porta-voz do actor, Judy Gottlieb, à revista People. A mesma representante de Dustin Hoffman explicou, citada pela AFP, que o actor “se sente bem e está de boa saúde” e irá realizar um tratamento preventivo para evitar uma recaída, sem especificar a natureza do cancro. Dustin Hoffman, que já venceu duas vezes o Óscar de melhor actor pela participação nos filmes “Rain Man” (1988) e “Kramer vs. Kramer” (1979), estreou-se como realizador no ano passado com a comédia “Quartet” e terminou recentemente a rodagem de “Chef”, de Jon Favreau.

EORGE Duke foi muitas coisas. Um músico de ouvidos bem abertos e sem temperamento ou paciência para as “capelinhas” em que se divide a música popular urbana. Morreu segunda-feira, 5 de Agosto, aos 67 anos, em Los Angeles. Segundo o Huffington Post, estaria a receber tratamento para uma leucemia linfática crónica. Começou a tocar piano aos quatro anos, depois de ver um concerto de Duke Ellington. Gravou o seu primeiro álbum de alguma notoriedade com o violinista francês Jean Luc-Ponty. Foi músico de jazz respeitado que produziu e tocou com Miles Davis, Billy Cobham ou Cannonball Adderley. Integrou

os Mothers of Invention de Frank Zappa e construiu uma carreira a solo que, nos anos 1970, o levou aos lugares cimeiros das tabelas de vendas

com canções apaixonadas pelo ‘funk’ e em ‘flirt’ com o ‘disco sound’. As imagens mais icónicas de Duke mostram-no de

sorriso largo a tocar o ‘keytar’ [o teclado, popularizado na década de 1980, tocado a tiracolo como uma guitarra]. Tal imagem representa-o bem. Porque o ‘keytar’ é visto genericamente como o instrumento que o bom gosto esqueceu, uma bizarria que nos habituámos a ver nas mãos de ídolos pop caídos no esquecimento, como uns Modern Talking. Em Duke, porém, o ‘keytar’ acaba por fazer todo o sentido. George Duke, músico de jazz, estrela pop, criador de ‘funk’ devidamente pecaminoso, só era coerente na sua aparente incoerência. Dividindo-se entre trabalho de produção e a carreira a solo, George Duke manteve-se activo em ambas as áreas até ao fim.


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CREATIVE MACAU, UMA ‘JANELA’ ABERTA HÁ 10 ANOS PARA UMA INDÚSTRIA EM AFIRMAÇÃO

Em busca de uma economia criativa O

Centro de Indústrias Criativas de Macau celebra, no final do mês, o 10.º aniversário, renovando votos de ser uma ‘montra’ para criativos que tentam erigir uma indústria, ainda sem firmes alicerces mas desenhada para diversificar a economia. O balanço da actividade do Centro de Indústrias Criativas, um projecto do Instituto de Estudos Europeus de Macau, é “evidentemente bom”, apesar de se querer “sempre muito mais”, disse à agência Lusa a coordenadora da Creative Macau, Lúcia Lemos. Inaugurada a 28 de Agosto de 2003, a Creative vai celebrar o aniversário com várias actividades, num programa que inclui uma exposição colectiva, sob o tema “Make a Wish”, música ao vivo por duas bandas de jazz, a apresentação da peça de teatro “Arthur Artistick”, bem como o lançamento do livro “Documenta”, com o historial de eventos de maior relevo, e de selos comemorativos. No mesmo dia vai ser também anunciado o vencedor do melhor trabalho alusivo aos dez anos dentro das 12 áreas que o centro cobre, a quem será atribuído um prémio de 25 mil patacas. Além da vertente de galeria, a Creative organiza ‘encontros’, ‘workshops’ e outras iniciativas, lançando concursos em várias áreas com destaque para as artes visuais. “A variedade do que fazemos é bastante eclética, mas também é preciso haver público,

S

para realmente surgir algo de grande qualidade, passível de amadurecer, perdurar e de ser realmente sólido?”, questionou, salientando que existe um núcleo de ‘talentos’ que adquiriram formação, alguns dos quais no estrangeiro, mas cujo potencial não é plenamente aproveitado. Embora as indústrias criativas sejam “muito faladas” e haja interesse do Governo em as fomentar, as pessoas “não têm possibilidade de pôr as ideias em prática”. “Não basta ter ideias, fazer apenas um trabalho de vez em quando e dizer que estão presentes”, apontou Lúcia Lemos, ao realçar ser necessária uma “máquina” desde a concepção até à chegada do produto ao público. “É preciso criar um centro de design, em que as pessoas possam aprender a produzir e expor os seus protótipos, em que empresários possam investir e universidades possam ver e coordenar. (…) O dinheiro tem é de fluir com as ideias, de gerar todo o percurso, tem de haver alguém que invista, se for a tempo perdido não importa, mas é preciso que se possa pôr gente a pensar e um grupo a produzir” e, neste âmbito, até se poderiam “recuperar” artesãos. A ideia é “realista”, porque “há muito dinheiro” em Macau. “Este discurso que temos não é de agora”, disse, defendendo que “faria todo o sentido” criar “incubadoras”. “É altura de realmente se pensar nas indústrias criativas e fazer delas uma economia criativa”, rematou.

queremos dar oportunidades, pelo que o muito interessante na natureza do nosso projecto é realmente tentar encontrar pessoas locais e juntá-las em iniciativas com outras que trabalham numa determinada área dando a oportunidade para crescerem e ajudando a trazer outro público”, afirmou. Os ‘workshops’ visam “ajudar as pessoas a perceberem que as suas ideias são possíveis de se realizarem e ajudar a desenvolver ou dar mais conhecimentos para que as possam concretizar”, disse a coordenadora da Creative, sublinhando a aposta em “crescer” a este nível.

WORKSHOP PARA CANDIDATOS A ARGUMENTISTAS

Em Setembro, arranca mais um ‘workshop’ de escrita de argumento, o qual pode figurar como uma espécie de antecâmara para algo mais ambicioso, adiantou. “Eventualmente, isto até vai resultar numa ‘academia’ ligada ao cinema. A ideia é fazer formação durante um ano lectivo que poderá ser dividida por módulos, mas isto envolve muita coisa, mas ainda estamos a pensar como vai ser”, afirmou. Apesar de notar “cada vez mais interesse” por parte de criativos com vontade de exibirem os trabalhos e de serem “uma voz”, Lúcia Lemos constata que falta uma alavanca que permita a sua afirmação. “Como se pode criar uma indústria criativa ou como se pode alimentar um corpo de criativos em Macau se não se criam infra-estruturas ou oportunidades

URGE apresentado como um passo no sentido da democratização do mundo das artes visuais, mas é também mais uma etapa ganha na via expansionista do grande gigante das vendas online: desde esta terça-feira, a Amazon tem um mercado de arte próprio, o Amazon Art. São já mais de 40 mil obras de fotografia, desenho, pintura, gravura e impressões assinadas por mais de 4500 autores num projecto que funciona, essencialmente, da mesma forma que as restantes secções de venda da Amazon, excepto que em ligação directa com um leque inicial de 150 galerias e comerciantes de arte associados.

Lúcia Lemos

AMAZON ESTÁ A VENDER OBRAS DE ARTE

E o crescimento continua No comunicado que esta terça-feira divulgou, a Amazon deu exemplo apenas de galerias norte-americanas, entre elas a Paddle 8, de Nova Iorque, a Holden Luntz, de Miami, a Catherine Person, de Seatle, e a McLoughlin e a Modernbook, de São Francisco. Fez no entanto saber haver já também associados no Reino Unido, Holanda e Canadá. Mais um anúncio de grande impacto apenas um dia depois de se ter tornado pública a compra do

conceituado diário norte-americano Washington Post por Jeff Bezos, o director executivo da Amazon que, num negócio

de cerca de 189 milhões de euros, ficou também com as restantes publicações da Washington Post Company. “A Amazon

Art (www.amazon.com/ art) dá às galerias uma forma de trazer a sua paixão e especialidade sobre os artistas que representam até junto dos nossos milhões de clientes”, diz Peter Faricy, vice-presidente do Amazon Marketplace citado no comunicado da empresa.

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DESPORTO

Benfica Reforço do meio-campo em análise na SAD encarnada

Não obstante a esperança e, também, a confiança no irmão mais novo de Nemanja Matic, a SAD encarnada ainda estuda a hipótese de reforçar o meio-campo. Neste momento, as opções indiscutíveis para o miolo do terreno são Matic e Enzo Pérez, enquanto André Almeida e Rúben Amorim se apresentam como principais alternativas - os dois podem também jogar no lado direito da defesa. André Gomes e Luis Fariña (contratado ao Racing Avellaneda) podem ser considerados por Jorge Jesus, mas para missões mais ofensivas. Com a saída de Aimar e a exclusão de Carlos Martins do plantel principal (o médio treina-se com a equipa B), as águias avaliam a possibilidade de contratar mais um jogador, com características mais defensivas e alguma experiência em competições exigentes. Os encarnados têm alguns alvos definidos - a saída de Nemanja Matic obrigará o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, a investimento considerável por um jogador que ofereça garantias imediatas a Jorge Jesus. De resto, está ainda por saber se Vieira resistirá ao assédio às principais joias do plantel. E das saídas dependerá a estratégia para fechar o plantel de Jesus.

Rússia Dono do Anzhi despede treinador e põe estrelas à venda

O magnata russo Suleyman Kerimov, que comprou o Anzhi em 2011, anunciou que vai cortar os investimentos que faz no clube. Para isso, segundo a imprensa russa, resolveu vender as estrelas da equipa e despedir o técnico holandês Rene Meulensteen, que tinha sido contratado há apenas 16 dias para substituir Guus Hiddink. À “venda” estão jogadores como Eto’o, Lass Diarra, Christopher Samba, Yuri Zhirkov, Igor Denisov e Aleksandr Kokorin. Segundo informações da imprensa da Rússia, problemas de saúde levaram Kerimov a encerrar os investimentos no Anzhi. No site oficial, há apenas referência a uma reestruturação orçamental, que implica “alterações nos recursos humanos”, não tendo sido adiantadas quais as medidas concretas a tomar. Desde que pegou no clube, conseguiu apenas um quinto e um terceiro lugar nas temporadas 2011/12 e 2012/13, respectivamente. Na época passada, chegou aos oitavos de final da Liga Europa, tendo sido eliminado pelo Newcastle. O Anzhi está no 13.º lugar do Campeonato Russo e, em quatro jornadas, ainda não venceu.

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VOLTA A PORTUGAL ARRANCOU A CELEBRAR BODAS DE DIAMANTE

Decisões na montanha A RRANCOU, ontem, em Lisboa, a 75.ª Volta a Portugal em bicicleta, com um prólogo de cinco quilómetros por equipas, numa edição que vai de Lisboa a Viseu, no dia 18, e onde se procura o sucessor do pentacampeão David Blanco. São 1607,2 quilómetros para pedalar entre Lisboa e Viseu. Esta é a proposta da organização, a que responderam 17 equipas e 153 corredores que vão lutar pelo lugar mais alto do pódio da edição 75, a das Bodas de Diamante, da Volta a Portugal. A Grandíssima, como é conhecida a Volta, sai para a estrada à procura do sucessor do pentavencedor David Blanco, espanhol que deixou a bicicleta aos 38 anos. Ao longo de 11 dias de competição, com um de descanso pelo meio, o pelotão nacional cobre um percurso desenhado, uma vez mais, exclusivamente a norte do Tejo. Com uma baixa de última hora, a de Sérgio Ribeiro do Louletano-Dunas Douradas, por irregularidades no passaporte biológico que indiciam doping, a busca é pelo triunfo de um português que ocupe o lugar de Ricardo Mestre, vencedor em 2011. Nos estrangeiros, o destaque recai sobre o alemão Gerald Ciolek (MTN-Qhubeka), que este ano venceu a clássica Milão-San Remo.

AS LEIS DA MONTANHA

Com um prólogo por equipas a abrir as hostilidades,

em Lisboa, a chegada está marcada para Lisboa, mas as decisões deverão ser tomadas entre os dias 14 e 17, quando a montanha entra forte no circuito, finalizando com o contra relógio individual. A primeira triagem far-se-á na 4.ª etapa, com a chegada à Sr.ª da Graça, em Mondim de Basto. Para o director da Volta, Joaquim Gomes, duas vezes vencedor da prova, a selecção será feita após o descanso. “A grande trilogia desta volta vem depois do dia de descanso. Com três etapas muito complicadas, a primeira abordagem à

serra na etapa que liga Termas de Monfortinho a Gouveia, com passagem via Covilhã, nas Penhas da Saúde, via Manteigas nas Penhas Douradas e o final em Gouveia. Depois a etapa rainha, que sobe a serra pela vertente mais comprida, via Seia, Sabugueiro, Torre. Mas antes de lá chegar houve já uma subida com cerca de 20 km e depois a escalada final à Torre. Depois deste desgaste o contra-relógio do Sabugal à Guarda será fulcral”, explicou. Tudo isto será feito sem direito a bonificações, ou seja, o vencedor terá de ser sempre o que conseguir melhor tem-

po real, o que representa um regresso ao purismo. A chegada e consagração do vencedor das bodas de diamante será feita em Viseu, local que já se tornou um hábito no último dia da prova. Em busca de 124.954,5 euros, o valor total dos prémios atribuídos, estarão 17 equipas, onde há 29 nacionalidades, com destaque para os 41 portugueses e 19 espanhóis. Ao fecho desta edição ainda não tinha terminado a primeira etapa, pelo que o HM lamenta não disponibilizar os resultados.

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AVISO CONCURSO PÚBLICO N.º 17/P/2013

Faz-se público que, por despacho do Ex.mo Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 22 de Julho de 2013, se encontra aberto o Concurso Público para “Prestação de Serviços de Aluguer de Equipamentos para Sistema Automático de Diálise Peritoneal aos Serviços de Saúde”, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 7 de Agosto de 2013, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de $27,00 (vinte e sete patacas), a título de custo das respectivas fotocópias ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 2 de Setembro de 2013. O acto público deste concurso terá lugar no dia 3 de Setembro de 2013, pelas 10,00 horas, na sala do “Museu” situada junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de $220.000,00 (duzentas e vinte mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde aos 30 de Julho de 2013 O Director dos Serviços, Lei Chin Ion

AVISO CONCURSO PÚBLICO N.º 18/P/2013

Faz-se público que, por despachos de Sua Excelência, o Chefe do Executivo e do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, respectivamente, de 6 de Maio de 2013 e 24 de Julho de 2013, se encontra aberto o Concurso Público para “Fornecimento de vacinas aos Serviços de Saúde”, cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 7 de Agosto de 2013, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita na Rua Nova à Guia, n.º 335, Edifício da Administração dos Serviços de Saúde, 1.º andar, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de $52,00 (cinquenta e duas patacas), a título de custo das respectivas fotocópias ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo). As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,45 horas do dia 5 de Setembro de 2013. O acto público deste concurso terá lugar no dia 6 de Setembro de 2013, pelas 10,00 horas, na sala do “Museu” situada junto ao C.H.C.S.J. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de $100.000,00 (cem mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente. Serviços de Saúde aos 30 de Julho de 2013 O Director dos Serviços, Lei Chin Ion


FUTILIDADES

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TEMPO AGUACEIROS OCASIONAIS MIN 26 MAX 32 HUM 70-95% • EURO 10.6 BAHT 0.2 YUAN 1.3

[TELE]VISÃO TDM 13:00 13:30 14:40 18:30 19:30 20:30 20:55 21:20 22:00 23:00 23:30 00:30 01:00

TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO Caminho das Índias (Repetição) Vingança Telejornal TDM Talk Show Castle Sr.4 Caminho das Índias TDM News Herman 2013 Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

RTPi 82 14:00 14:35 15:30 16:00 17:00 17:20 18:20 19:15 20:00 21:10 21:35 23:00

Telejornal Madeira Poplusa Moda Portugal Bom Dia Portugal AntiCrise Portugal Aqui Tão Perto O Teu Olhar (Telenovela) Segredo de Justiça Jornal da Tarde A Hora de Baco Há Volta Ciclismo 75.ª Volta a Portugal em Bicicleta

] C I N E M A

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SALA 1

30 - FOX Sports 12:30 PGA Championship Official Film 2011 13:30 PGA Championship Official Film 2012 14:30 Reno-Tahoe Open 15:30 La Liga Hot Shots 2012/13 16:00 Best of La Liga Express 2012/13 Real Madrid CF vs. Real Valladolid 16:30 La Liga: Cristiano Ronaldo The Machine 17:30 Ricoh Women’s British Open 2013 - Highlights 18:30 PGA Championship Official Film 2012 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 The Football Review 2012-2013 20:30 La Liga Hot Shots 2012/13 21:00 PGA Championship Official Film 2007 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 Thursday Fight Night With UFC 23:00 UFC Countdown/Unleashed 31 - STAR Sports 13:00 Mobil 1 The Grid 2013 13:30 Agu Asian Rhythmic Gymnastics Championships 2013 Day 4 16:00 Sports Max 2013/14 17:00 (Delay) Louis Vuitton Cup Semi-Finals - Race 2 17:30 El Clasico Match 2009/2010 Real Madrid CF vs. FC Barcelona 19:30 BWF World Super Series Highlights 2013 20:30 Rolex Spirit Of Yachting 2013 21:00 Total Rugby 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 The Football Review 2012-2013 22:30 Rolex Spirit Of Yachting 2013 23:00 Liga Bbva 2012/13 Post Season Review 40 - FOX Movies 10:00 Spider-Man 12:00 Spider-Man 3 14:20 Ghost Rider 16:10 Salt 17:50 Brave 19:25 Ice Age: The Meltdown 21:00 Ice Age: Continental Drift 22:30 Bruce Almighty 00:15 True Justice 41 - HBO 12:20 Battleship 14:30 Peter Pan 16:20 The Pirates! Band Of Misfits 17:50 The Smurfs 19:30 Hbo Central 20:00 Madagascar 3 21:30 The Amazing Spider-Man 23:45 The Newsroom 00:45 The Hangover Part Ii 42 - Cinemax 12:00 What Planet Are You From? 14:00 Top Gun 16:00 First To Fight 18:00 Page Eight 20:00 Above The Law 22:00 The Raven 00:00 Spartacus: War Of The Damned

THE HEAT [C]

Um filme de: Paul Fieg com: Sandra Bullock, Melissa McCarthy 14.30, 16.30, 19.30, 21.30 Sala 2

R.I.P.D. [B]

R.I.P.D. 3D [B]

Um filme de: Robert Schwentke Com: Ryan Reynolds, Jeff Bridges, Kevin Bacon 19.45 Sala 3

Um filme de: Robert Schwentke Com: Ryan Reynolds, Jeff Bridges, Kevin Bacon 14.15, 18.00, 21.30

THE SMURFS [A]

DORAEMON THE MOVIE: NOBITA IN THE SECRET GADGET MUSEUM [A]

MONSTERS UNIVERSITY [A]

(FALADO EM CANTONÊS) 16.00

THE HEAT

Cineteatro

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Raja Gosnell 14.00, 17.50, 19.45

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Dan Scanlon 15.55, 21.45

M A C A U [ S Ã ] A S S A D O A MANTER FECHADA...

Foto: Tiago Alcântara

• Seja a corta-fogo ou não, é preciso “a manter fechada”. A manter aberta é que não pois pode ser a perigoso em caso de a incêndio. Por favor, não a esquecer.

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A PROFECIA DOS PAPAS • S. Malaquias «Na perseguição extrema da Santa Igreja Romana irá sentar-se Pedro Romano, que apascentará as ovelhas em muitas tribulações; quando terminadas, a cidade das sete colinas será destruída e o Juiz tremendo julgará o seu povo.» Será este o Último Papa da História?

O PRIMEIRO HOMEM DE ROMA • Colleen McCullough Primeiro livro da série «Os Senhores de Roma», acerca da decadência do império romano. Gaio Mário e Lúcio Cornélio Sula são ambiciosos o bastante para querem ser o Primeiro Homem de Roma, apesar das suas circunstâncias pouco favoráveis. Colleen explora a política, rivalidades familiares e cenas bélicas numa história rica em pormenores da vida de Roma Antiga. «Um dos dez melhores livros do ano.» People Magazine. «Uma obra verdadeiramente espantosa. A ficção no seu melhor.» Time.

A EVASÃO • Robert Muchamore Estamos no verão de 1940 e o exército de Hitler está a avançar por Paris, obrigando à evasão de milhões de civis franceses. No meio do caos, duas crianças britânicas são perseguidas por agentes alemães. O espião inglês Charles Henderson tenta alcançá-las primeiro, mas só conseguirá fazê-lo com a ajuda de um órfão francês de 12 anos. Os serviços secretos britânicos estão prestes a descobrir que as crianças podem ajudá-los a vencer a guerra. Para efeitos oficiais, estas crianças não existem… RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

POR MIM FALO

Pu Yi

E se eu vivesse numa sociedade BO? Há coisas incríveis nesta vida, e não pensem que o facto de eu ser gato me proíbe de gostar ou ter acesso a estas particularidades da vida dos humanos. Uma dessas particularidades são as siglas engraçadas que inventaram sobre coisas que, às vezes, não têm assim tanta piada. Podia aqui referir muitas, mas hoje vou-me debruçar sobre a sigla BO, muito falada sobre os governantes de Macau mas aposto que poucos sabem o que significa. Quase que me atrevia a ir para a zona norte fazer um inquérito tipo consulta pública para saber os conhecimentos da população sobre isto, mas ainda não ganhei o cheque pecuniário e não tenho dinheiro. Pronto. Então o que é o BO? Bons Olhos? Bonitas Origens? Boas Oportunidades? Boas Orientações? Ou Boas Omeletas? (Quem quiser enviar mais sugestões engraçadas pode fazê-las para puyi@gmail.com). Nada disso. BO é Boletim Oficial e é tipo um diário onde são publicados despachos, leis e outras coisas aborrecidas que fazem girar este território. Acontece que estas duas letrinhas são usadas em demasia. Quando nós (jornalistas, deputados) temos duvidas sobre o funcionamento de algumas coisas, a resposta que ouvimos é “está no BO e a população pode consultar”. Acontece que isto pode levar ao engano, porque a nossa sociedade não é uma sociedade BO, tal como em Portugal a nossa sociedade não é DR, ou seja, Diário da República. O que os governantes têm de fazer é traduzir o BO por miúdos e, vá, dizer as coisas directamente. Porque pode haver muito boas pessoas que acreditam que estamos a falar de omeletas numa terra com muitos ovos, mas com más frigideiras.


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OPINIÃO

hoje macau quinta-feira 8.8.2013

E

José Morgado* in Público

M tempo de férias, umas notas sobre uma matéria que eventualmente poderá parecer estranha mas que ainda assim gostava de partilhar, com a vossa licença. De há uns tempos para cá e com uma mais acentuada frequência no decurso da recente crise política, começámos a ver escritas e a ouvir apreciações aos comportamentos e atitudes de boa parte dos actores políticos envolvidos e mais responsáveis pela situação, que remetem para o universo dos miúdos e dos seus comportamentos. A título de exemplo, na comunicação social e nos discursos de diferentes analistas e opinadores encontramos referências, como “garotada”, “garotice”, “bando de garotos irresponsáveis”, “trapalhada de jardim de infância”, “birras de miúdos”, etc. Peço desculpa, mas ainda que não tenha qualquer mandato de defesa por parte dos mais novos, acho que os miúdos não merecem tal comparação. Na verdade e do meu ponto de vista, o que boa parte desta gente tem andado a fazer são sobretudo jogos de jogos de poder, contas sobre interesses de natureza partidária, umbiguismo e defesa de interesses corporativos e pessoais com custos imensos para milhões de pessoas. Nesta perspectiva, creio que o espectáculo deprimente de mediocridade e incompetência, de despudor, insensatez e irresponsabilidade de muitos dos discursos e atitudes a que vamos assistindo, tem pouco a ver com o mundo dos miúdos. Quero sublinhar que, tal como não tenho uma visão idealizada dos comportamentos dos mais novos, também não quero proceder a uma diabolização sem sentido da acção dos actores políticos, limito-me a observar e a pensar em muito do que nos é dado a conhecer. No entanto, creio que de uma forma geral os miúdos são sérios. Aliás brincar é mesmo das coisa mais sérias que fazem enquanto muito do que assistimos mostra que alguns destas actores não constituem um bando de garotos, mas um bando de gente incompetente e alguns bem medíocres. Poupem, pois, os miúdos a comparações injustas e que eles não merecem.

BARTOLOME ESTEBAN MURILLO, RAPAZES JOGANDO AOS DADOS

Criancices e adultices A propósito desta questão e na mesma linha, pedia-vos ainda um pouco mais de paciência para uma outra situação. De há uns tempos para cá entrou no léxico comum uma terminologia vinda da área da saúde mental também para apreciar comportamentos e discursos na vida política ou social. A banalização deste comportamento representa do meu ponto de vista, ainda que não intencionalmente, uma enorme ofensa ao sofrimento das pessoas e das famílias que lidam com quadros clínicos desta natureza.

Poupem, pois, os miúdos a comparações injustas e que eles não merecem Vejamos alguns exemplos. É muito frequente a referência a estados de depressão, o país está deprimido, os mercados estão deprimidos, algumas regiões portuguesas são consideradas deprimidas, etc. Diz-se com todo o à-vontade que certos comportamentos políticos podem ser suicidas, seja de pessoas ou de partidos. Inventaram até um quadro de claustrofobia democrática, seja lá isso o que for. Não há opinador, amador ou profissional, que não se refira a autismo ou a autista para adjectivar discursos e comportamentos políticos que, noutra variante, também são apreciados como esquizofrénicos. Multiplicam-se as referências a pessoas que assumem compulsivamente estratégias de vitimização, etc., etc. A utilização destas palavras nestes contextos causam-me na verdade algum desconforto. Aliás, deve recordar-se que a Assembleia da República aprovou uma moção no sentido de se não utilizar tal terminologia nos debates parlamentares. Mais uma vez e sem subscrever um discurso dirigido à santidade ou ao “politicamente correcto” fundamentalista e sem sentido, julgo que as palavras e as pessoas merecem o uso adequado. Como disse no início, talvez estas notas vos pareçam algo estranhas mas ainda assim ... aqui ficam. Continuação de boas férias, se e quando for o caso. *José Morgado é professor universitário no ISPA - Instituto Universitário


opinião 19

hoje macau quinta-feira 8.8.2013

Ricardo Pinho

disse-me um passarinho...

twitter.com/ricardo

Não subestimeis os pontos que uma mera constipação retira ao QI aparente. Doente, saúde é Nirvana.

LEOCARDO

bairro do oriente

E

STAMOS a pouco mais de um mês das eleições para a Assembleia Legislativa, e a menos de um ano e meio para a eleição do IV Chefe do Executivo. Se das primeiras podemos esperar uma ou outra novidade, poucos duvidam da recondução do actual detentor do maior cargo público da RAEM. Chui Sai On deverá manter-se à frente dos destinos de Macau até 2020, altura em que a “dança das cadeiras” do poder poderá fazer emergir uma nova geração de líderes, encerrando o actual ciclo que desde 1999 mantém no governo as mesmas elites, das famílias tradicionais e dos seus amigalhaços empresários. Quando se aproxima a hora de escolher, mesmo que disso não resulte nada de novo ou de diferente, são ouvidos os politólogos, analistas políticos e outros figurões que se dedicam a tentar prever o que já há muito ficou decidido, e caso não surjam percalços de maior, é apenas uma questão de tempo para que concretize. Quem vai ficar a exercer qual cargo e como é irrelevante, num território em que o debate político é praticamente inexistente, e só mesmo essa queda para a conversa fiada que nos caracteriza a nós, os portugueses, se vai importar com as tricas da política. O que ficou claro desde a primeira hora após a fundação da RAEM foi a dependência da generosidade do Governo Central em Pequim. O tão apregoado “elevado grau de autonomia” pode fazer algum sentido no contexto do tal segundo sistema que pretende fazer de isco para atrair os “rebeldes” de Taiwan. Ao contrário daqueles tipos chatos de Hong Kong, que teimam em levar a sério essa conversa da autonomia, Macau é o bom aluno, e faz os trabalhos de casa que o mestre manda, e até os que não manda, mas que lhe podem valer créditos extra. Como recompensa pela lealdade demonstrada, chegam do continente os apostadores, que graças à bonomia dos vistos individuais garantem a saúde da economia local, dependente das receitas do jogo. Esta cooperação, e diria mesmo simbiose, assenta numa estrutura que por muito firme que aparente ser, depende de uma série de factores essenciais na sua sustentabilidade: o regime, neste o do partido único. Recuando até Junho de 1989, aos incidentes que culminaram no esmagamento do

movimento estudantil na Praça Tiananmen em Pequim. A informação que chegava a Macau era dispersa e ambígua, e não faltava quem vaticinasse a queda do regime, e por inerência uma grande dose de incerteza quanto ao futuro da China. Muitos dos ânimos ficaram exaltados perante a perspectiva de mudança, e os ilustres apoiantes do regime agora ameaçado foram encostados entre à parede: perante os novos factos, de que lado estavam eles? Alguns reiteraram o apoio ao partido, confiando que o regime solucionava o problema com o apoio do exército, enquanto outros colocaram-se do lado dos estudantes revoltosos, esperando assim manter a porta aberta no caso de emergir uma nova ordem, e cair nas suas boas graças. Foi quase como apostar nos cavalos, sem qualquer garantia de que se tinha feito a escolha acertada. Para a elite de Macau, composta essencialmente por empresários e homens de negócios, é indiferente que no poder estejam os vermelhos, os verdes ou os azuis. O que importa é manter com o poder uma relação harmoniosa, e que este não atrapalhe enquanto fazem o que sabem fazer melhor: ganhar dinheiro. O milagre económico chinês que brotou das sementes lançadas há mais de trinta anos com as reformas de Deng Xiaoping provocaram uma fusão improvável, mas nem por isso irrealizável. Com a cobertura do que se decidiu designar por “socialismo de mercado”, eufemismo para o anti-revolucionário “capitalismo”, fez-se a aliança entre poder central, detentor da influência política e militar, e o sector empresarial, que despertava de uma hibernação de décadas, forçada por uma retórica vã e fracassada. A cooperação entre ambos produziu resultados lucrativos, apesar das diferenças e da convivência nem sempre harmoniosa. O crescimento económico é uma realidade tão flagrante que por ocasião do 60.º aniversário da fundação da RPC, em 2009, o ex-presidente Hu Jintao salientou a eficácia do modelo chinês, e das directivas do partido, que tornaram possível o sucesso. Isto numa altura em que a China era já a segunda maior economia mundial, os Estados Unidos e Europa se viam a braços com uma grave crise económica, e o patriotismo chinês estava em alta, com a realização das Olimpíadas no ano anterior, e a concretização do programa espacial.

QUENTIN MASSYS, O PRESTAMISTA E A MULHER

Presos por um fio (dos bigodes do dragão)

A fórmula do “orgulhosamente sós” em que o regime insiste, mantendo o controlo apertado sobre a informação, esmagando qualquer ameaça à autoridade do regime, mesmo que embrionária ou apenas com base em suspeitas, e desvalorizando as críticas quanto às violações de direitos básicos por parte da comunidade internacional, até podem ser recebidos pelo povo como meios que justificam os fins, desde que se acenem com os resultados da economia Mas nem a pujança chinesa está imune aos caprichos dos ciclos económicos, e fala-se em surdina de uma eventual retracção da economia e por inerência uma recessão. Um cenário indesejável para o regime, que vem

validando a sua legitimidade nos resultados da economia. Sem a rede do crescimento, torna-se mais difícil balançar no trapézio da autocracia do partido único, e a queda teria efeitos devastadores. A relação do poder com a riqueza recentemente adquirida tem sido difícil, com os casos de corrupção, nepotismo, ostentação e impunidade a toda a prova dos membros do partido a fazerem o povo começar a desconfiar do esquema que lhes garantiram ser ideal. Do que vale o Patriotismo se a Pátria amada é mais generosa com outros Patriotas? O presidente Xi Jingping identificou o problema, e apelou à moderação por parte dos mais entusiasmados. Já chega de fazer a festa, e toca a arregaçar as mangas e aplicar o método que os levou ao sucesso, desta vez para manter a China no pelotão da frente. A fórmula do “orgulhosamente sós” em que o regime insiste, mantendo o controlo apertado sobre a informação, esmagando qualquer ameaça à autoridade do regime, mesmo que embrionária ou apenas com base em suspeitas, e desvalorizando as críticas quanto às violações de direitos básicos por parte da comunidade internacional, até podem ser recebidos pelo povo como meios que justificam os fins, desde que se acenem com os resultados da economia. Ao contrário de outros regimes que encetaram reformas democráticas graduais, como foi exemplo recente a Birmânia, precavendo um golpe que os faça desaparecer e dê lugar ao caos, o regime de Pequim não mostra quaisquer sinais de torcer, e deposita na frieza dos números toda esperança de que não virá a quebrar. É este o regime que se mantém no poder há seis décadas, e é aquele a que os dirigentes de Macau batem a pala, dê por onde der. Bateriam a outro qualquer, desde que fossem garantidas as contrapartidas, mas uma mudança política brusca nunca seria pacífica, e dificilmente uma eventual nova liderança estivesse disposta a imitar as políticas da anterior. Portanto para nós aqui deste lado, é bom que o regime se mantenha, pois como diz a velha máxima, “de dois males, melhor aquele que já se conhece”. Mais importante do que nos preocuparmos quem nos vai governar depois de 2020 em Macau, é saber como vai a China enfrentar os problemas que vai encontrar pelo caminho num futuro próximo. O nosso futuro está preso por um fio. Pelo fio dos bigodes do dragão.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Zhou Xuefei [estagiária] Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Vinhais Guedes; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Tiago Alcântara; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


hoje macau quinta-feira 8.8.2013

Joaquim Pais Jorge pediu ontem de manhã à ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, a demissão do cargo de Secretário de Estado do Tesouro, segundo avançou o jornal i. Pais Jorge não resistiu ao caso dos swaps, nomeadamente a venda de contratos ainda ao governo do PS, e já confirmou a demissão em comunicado. O Ministério afirmou ontem à noite, num comunicado enviado às redacções, e depois de terminada uma reunião entre a ministra e Pais Jorge, que o documento em que se propunha um contrato swap ao governo de José Sócrates com o nome de Pais Jorge, revelado pela SIC e pela Visão, foi forjado. O ministério das Finanças defendeu que o documento que provava que Joaquim Pais Jorge teve várias reuniões com o gabinete de José Sócrates, em 2005, onde tentou, em nome do Citigroup, vender contratos swap para esconder a dívida pública e disfarçar o défice, foi manipulado.

Milhares de tunisinos pedem a ‘cabeça’ do Governo

Protestos e mais protestos. Desde há duas semanas que esta tem sido a realidade na Tunísia. Milhares de pessoas saem às ruas em protesto, pedindo a cabeça do Governo presidido por Moncef Marzouki. «Vamos continuar a lutar e continuar a isolar o Ennahda, seja qual for o projeto que apresentem a seguir. Apelamos à ocupação das ruas em todas as regiões», contou um jovem tunisino citado pela Euronews.

Iémen impediu novos ataques da Al-Qaeda

As autoridades do Iémen afirmam que conseguiram travar as investidas da Al-Qaeda, que pretendia causar estragos nalguns países do sul da Península Arábica. «Houve tentativas para controlar cidades chave como Mukala e Bawzeer. Os ataques seriar coordenados com ataques de membros da Al-Qaeda a instalações de gás em Shabwa e com a explosão do gasoduto na cidade de Belhaf», afirmou, à BBC, Rajeb Badi, porta-voz do Governo do Iémen.

cartoon por Stephff

O MAIOR BARCO DE GUERRA JAPONÊS DESDE A SEGUNDA GUERRA

Rajoy diz que acções de Gibraltar são “inaceitáveis”

Depois do encontre ministros, houve uma conversa ao mais alto nível entre Espanha e reino Unido a propósito do conflito em torno de Gibraltar. Mariano Rajoy, presidente do Governo espanhol disse hoje, por telefone, ao primeiro-ministro britânico David Cameron que as mais recentes acções unilaterais de Gibraltar «são inaceitáveis», segundo um comunicado do executivo em Madrid. O comunicado explica que a conversa entre Rajoy e Cameron, de cerca de 10 minutos, decorreu por iniciativa do chefe do Governo britânico, numa altura de renovada tensão em torno a Gibraltar: uma construção britânica ao largo da costa levou os espanhóis a «dificultar» as passagens de fronteira. Através da sua conta no Twitter, Cameron disse ter mantido uma conversa «construtiva» com Rajoy.

FAOM GARANTE 22% DOS 341 MILHÕES DE PATACAS ATRIBUÍDOS PELA FUNDAÇÃO MACAU

Obras na sede orçadas em 45 milhões RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

A

Federação das Associações de Operários de Macau (FAOM) foi a grande contemplada no segundo trimestre deste ano com o apoio financeiro proveniente dos cofres da Fundação Macau. No total, foram dados mais de 76 milhões de patacas à instituição para custear a primeira prestação das obras do Edifício da FAOM (45 milhões) e as despesas com a primeira tranche do plano anual de 2013, que inclui 448 projectos (19,25 milhões). Ainda assim, tal só representa 22% dos mais de 341 milhões de patacas atribuídos pela fundação a mais de 150 associações, entre Abril e Junho. Desta vez, a Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla inglesa), extraordinariamente, não garante o lugar de topo da instituição mais afortunada com ajudas financeiras do organismo governamental, tutelado por Wu Zhiliang. Desta feita, a Fundação da MUST garantiu 27,2 milhões de patacas para

subsidiar a nona prestação do campo de futebol e o pavilhão desportivo da MUST. Mas, à sua frente, tem a Associação de Apoio à Escola Hou Kong de Macau e a Primeira Igreja Baptista, ambas colectaram 35 milhões de patacas do fundo da Fundação Macau. O valor serve para cobrir, no primeiro caso, um espectáculo musical. Para a instituição religiosa o montante servirá para custear parcialmente a primeira prestação com o projecto da Escola Cham Son

TIAGO ALCÂNTARA

Portugal Secretário de Estado do Tesouro pede demissão

de Macau, um campus na Rua Central da Areia Preta. Houve outras duas instituições de ensino superior que também conseguiram apoios mais avultados nesta lista. Nomeadamente, a Fundação da Universidade Cidade de Macau (12 milhões), para custear despesas de decoração e aquisição de equipamentos do campus de Dragão Dourado, e a Universidade de São José (4 milhões), para custear 56 projectos do plano de actividades de 2012.

Mediação internacional fracassou no Egipto A Presidência do Egipto afirmou esta quarta-feira que os esforços internacionais de mediação para resolver a crise política do país fracassaram, e advertiu que a Irmandade Muçulmana «será responsável pelas consequências». Em comunicado, a Presidência instalada pelas Forças Armadas disse que o período dos esforços internacionais que começou há mais de 10 dias «terminou hoje [ontem]». O Estado considerou que a Irmandade Muçulmana «é completamente responsável pelo fracasso desses esforços, os acontecimentos posteriores e desenvolvimentos que podem resultar deste fracasso», diz um comunicado.

Síria Emboscada mata 62 rebeldes

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou em comunicado a morte de «62 rebeldes, na sua maioria jovens, que caíram como mártires e outros oito estão desaparecidos» após uma emboscada do Exército sírio perto de Damasco. Pelo seu lado, fonte militar síria, citada pela agência oficial Sana, afirmou que o «exército executou uma emboscada a um grupo terrorista da Frente Al-Nosra que tentava entrar na Ghuta oriental e atacar um posto militar».


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Hoje Macau 8 AGO 2013 #2910 by Jornal Hoje Macau - Issuu