Director carlos morais josé
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livro fotografias de joaquim magalhães de castro a bordo do navio-escola sagres pub
Agência Comercial Pico • 28721006
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corrupção fundo das indústrias culturais
Quantos nós tem o vento Anabela Canas
Um notável fundador de Macau josé simões morais
património
Edifícios em mãos privadas
Funcionários sem medo Numa acção rara em Macau, um grupo de trabalhadores do FIC veio a público contradizer o CCAC. Os funcionários afirmam terem sido condicionados pelo ex-vogal e superior hierárquico Chan Son U que “os guiou na forma de responder às perguntas” do Gabinete de Alexis Tam.
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rose lai neng
“Cheques só para quem precisa” pub
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entrevista
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Rose Lai Neng vice-reitora da Faculdade de Gestão Empresarial da UM
A professora da área da Economia e Finanças considera que a comparticipação pecuniária deve ser o primeiro corte no plano de contenção orçamental do Governo. Quanto às outras medidas, a também vice-reitora da Faculdade de Gestão Empresarial alerta que até podem desagradar alguns residentes, mas é algo necessário para equilibrar os benefícios públicos. Rose Lai sugere até a criação de uma taxa para pedir habitação pública e a impossibilidade de se vender essas fracções a preço de mercado privado “O Governo vai observar se as receitas continuarem descer. Se isso acontecer, a comparticipação pecuniária deve ser a primeira despesa a ser cortada”
As receitas do jogo caíram no primeiro trimestre. O Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, referiu recentemente que, caso continuem a decair, vai accionar um plano de contenção orçamental, preparando-se para reduzir ou cortar despesas. Considera que é possível alcançar este objectivo? Quais as despesas que devem ser cortadas em primeiro lugar? É difícil prever. Mas acho que o Secretário deu uma alerta para sabermos que o Governo está a fazer poupanças. O Governo vai observar se as receitas continuarem descer. Se isso acontecer, a comparticipação pecuniária deve ser a primeira despesa a ser cortada. Na realidade, os benefícios sociais da população de Macau são muito bons. Nunca concordei com que se oferecessem cheques à população. Esse plano tinha a ver com a partilha de benefícios apenas quando houvesse bons resultados. Agora o Governo ganha menos, devemos “oferecer” de volta o dinheiro ao Executivo? Se for para evitar uma grande agitação, o primeiro passo deve ser a diminuição do valor dos cheques. Antigamente, era cinco mil patacas e agora atingiu os nove mil. Devemos retroceder no valor, porque se cada residente recebe menos, o Governo já consegue poupar muito. E se continuar com os cortes, poderia começar a depender da necessidade das pessoas. Pensemos de forma justa: é dar a quem tiver necessidade. Os que vivem sem grande dificuldades, por exemplo, a família de Stanley Ho, que está também a ganhar cheques e vales de saúde, não sentem nada. Não é preocupante as queixas da população, se se cortar a comparticipação pecuniária? Pode-se tentar ajudar de outra maneira, seria melhor do que dar cheques a todos. Como a economia de Macau começou a retroceder, é necessário pensar em quem proteger primeiro e essas são as pessoas com necessidades, tais como famílias com dificuldades financeiras ou com portadores de deficiência. O desenvolvimento social é semelhante à vida do ser humano. Uma pessoa pode ser promovida para um cargo bem pago, e, depois, ganhar menos quando as receitas da companhia começarem a descer. Mas ganhar menos não significa que vamos ficar na miséria, só voltamos à situação anterior, por isso, pode não haver problemas. Podemos pensar em Macau, retro-
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“Concordo com uma economia livre em
cedendo para o que o território era há vários anos: as pessoas já eram felizes com o desenvolvimento económico, já ganhavam muito mais do que antigamente. Actualmente, se apenas voltarmos para essa situação, não deve haver uma grande agitação [social]. Mesmo com residentes a ganhar menos? Acho que os residentes devem entender o corte e não pensar sempre que têm de ser apoiados, nem pensar que o Governo tem e pode resolver tudo. O Governo é também constituído por seres humanos, não são super-homens. A população não deve só fazer perguntas e esperar que o Governo responda a tudo. Na realidade, uma sociedade desenvolvida não pode fazer todas as pessoas felizes, porque cada um
tem o seu desejo e todas as medidas que o Governo toma podem desagradar a diferentes partes da população. A densidade populacional de Macau do ano passado foi de
“Os que vivem sem grande dificuldades, por exemplo, a família de Stanley Ho, que está também a ganhar cheques e vales de saúde, não sentem nada”
20.500 pessoas por km2, um índice que ocupou o primeiro lugar depois do Mónaco e de Singapura. Li Jiazeng, um académico da Universidade da Cidade de Macau ,considera que a situação em Macau não está muito grave, quando comparado com Bombaim, na Índia. Mas existem deputados que se preocupam com a lotação e a capacidade máxima de recepção de turistas em Macau. Qual é a sua opinião? Macau está sempre lotado, actualmente está ainda pior, mas a lotação depende das zonas onde moram residentes. Como eu moro no novo campus da UM, já não quero ir para península de Macau devido à pressão originada entre pessoas e veículos. Para um residente que vive na zona norte ou na Areia
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que todos usufruam dos resultados”
Preta, é ainda mais lotado, por causa dos trabalhadores não residentes (TNR), porque são pessoas que ganham pouco e têm de dividir um apartamento com cerca de dez pessoas, o que faz [mais pessoas no mesmo local]. Quanto a visitantes, como todos vão visitar os mesmos sítios, um caminho normal de dez minutos pode demorar uma hora a ser feito por causa do trânsito. Claramente, isso não é um fenómeno positivo. A lotação de Macau não está no número de quantas pessoas existem por km2, mas nos engarrafamentos de trânsito e a dificuldade em apanhar autocarros e táxis, esse impacto negativo é maior. O Governo tem planos para controlar o número de veículos através de medidas económicas, incluindo o aumento de impostos e
o cancelamento de alguns passes mensais. Considera que isto é útil e justo para os condutores? Depende dos ângulos. Se eu for uma empresária e gostar de comprar vários automóveis, não devo gostar dessa política do Governo. Mas para um residente que não tem capacidade económica para comprar um veículo e apanha autocarros todos os dias, claramente espera que o número de
“Macau está sempre lotado, actualmente está ainda pior, mas a lotação depende das zonas onde moram residentes”
automóveis seja controlado e aliviado o trânsito. As vozes contra existem porque acham isso injusto para os consumidores, sim, mas deve-se pensar no que é mais importante: beneficiar as compras livres de veículos, ou melhorar o ambiente total do trânsito? Claro que a segunda é mais importante. Eu concordo com uma economia livre, mas só na base de que todos usufruam dos resultados. Se for apenas uma parte [a usufruir] e outros a sofrer, não vale a pena. No que toca ao estacionamento, de facto, estacionar automóveis em Macau é barato, porque 15 patacas por hora num parque privado, comparado com zonas movimentadas de Hong Kong, onde meia hora custa 28 dólares, [é bom]. Em Cambridge, um parque custa 40 patacas por hora. De facto,
não existe uma solução melhor, contudo, se o Governo não tomar medidas, uma parte das pessoas continuam a ser ricas, compram carros e a lotação vai ser ainda mais grave. O Governo tem de beneficiar primeiro a população geral, o equilíbrio será maior e não apenas justo para os consumidores. O sector imobiliário apela muitas vezes para que sejam retiradas as políticas face aos preços demasiados elevados do imobiliário, ou seja as medidas de actualização de impostos e das percentagens de hipoteca, embora o Chefe do Executivo dissesse que não ia haver alterações. Qual é o sua ponto de vista? Concordo com o não retirar das políticas. Existem não por causa de uma boa economia, mas por causa dos preços dos imóveis. Macau é pequeno e faltam ofertas. As medidas servem para evitar preços elevados, os quais actualmente ainda não estão num nível que um residente normal pode suportar, pelo que não devem ser retiradas. Sim, as transacções de casas e influenciaram directamente o sector imobiliário, mas não a população em geral, portanto não faz sentido retirar. A economia piorou mas não por causa dessas políticas. Por outro lado, é óbvio que o mercado imobiliário peça ajuda porque ficou pior mas é um dos principais sectores de Macau. Ou seja, isso causou desemprego de agentes e encerramento de agências. Mas voltando ao equilíbrio, salvam-se os agentes ou protegem-se os residentes? Que sugestões face ao imobiliário pode dar ao Governo? São várias. Primeiro, o reordenamento dos bairros antigos. É importante porque apesar de não aumentar a oferta de casas directamente, melhora o ciclo de vida da população, não é necessário pensar-se na demolição de edifícios, porque a qualidade vai ser melhor. A seguir, revendo completamente o sistema de habitação económica. É verdade que o Governo tem melhorado, mas apenas parte após parte, porque nem existem sequer dados sobre as necessidades habitacionais existentes em Macau. Mas o Governo tem construído habitações públicas [na mesma], mesmo com metade de candidatos a não terem uma necessidade real ou a não corresponder aos requisitos. É como se fosse uma lotaria. Uma sugestão é que se crie uma taxa de pedido de habitação,
“É importante (o reordenamento dos bairros antigos) porque apesar de não aumentar a oferta de casas directamente, melhora o ciclo de vida da população, não é necessário pensar-se na demolição de edifícios, porque a qualidade vai ser melhor” umas dezenas de patacas para entregar um pedido, assim exclui-se uma parte de pedidos feitos só porque são gratuitos. Além disso, as fracções podem ser vendidas no mercado privado depois de 16 anos e os preços chegam a um nível elevado como os apartamentos privados. Assim, a habitação económica é sempre insuficiente apesar da contínua construção. Não é um sistema bom, penso que deve ser vendida sempre como habitação pública e os moradores de habitação sociais mudam entre estes apartamentos. O Governo vai estudar um novo modelo de habitação social, visando os residentes com rendimento médio e os recém-casais. Concorda com a ideia? Apoio a medida, é útil. Os que ganham rendimento médio são os que andam sempre entre o “preciso e não preciso de ajuda”, mas nem conseguem pagar a entrada duma fracção autónoma através da própria capacidade económica. Contudo, é necessário analisar pormenores deste modelo, porque não concordo que os jovens de apenas 20 anos que só começaram a trabalhar há pouco tempo possam pedir uma habitação social. Prefiro que se ofereça um modelo de arrendamento, o que, na prática, pode ser feito na actual habitação social, que existe apenas para pessoas com muitas dificuldades. Portanto, é necessário uma discussão de modelos e destinatários do novo plano. Flora Fong
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política
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Zona de comércio livre Registo de empresas facilitado
Tudo para vingar
Livre circulação de moeda e outros benefícios foram anunciados para a zona de comércio livre de Guangdong, numa altura em que Macau acredita que novas oportunidades se vão abrir tanto para a RAEM, como para a lusofonia
A
emissão de acções em reminbis e o processo de registo de empresas na zona de comércio livre de Guangdong vão ser facilitados. O anúncio foi feito por Wei Guangxiong, representante do Gabinete para os Assuntos Financeiros de Guangdong, que adiantou à Rádio Macau que “dentro de um montante, permite-se a livre circulação das moedas, seja para efeitos de investimento, seja para as trocas de produtos financeiros”. As afirmações foram feitas durante a apresentação, por vários organismos daquela região, de novas políticas para a zona de comércio livre. Entre elas estão ainda a possibilidade de
investidores provenientes da China poderem emitir acções na moeda local na bolsa de Hong Kong.
Tudo a ajudar
Durante a mesma sessão de esclarecimento, ficou também a saber-se que as empresas estabelecidas em
Guangdong vão poder escolher o local onde querem fazer o desalfandegamento das suas mercadorias, havendo ainda espaço para uma flexibilização das inspecções de forma a facilitar o fluxo dos produtos. O Governo adiantou também que vai proceder à realização de
“O Governo da RAEM vai efectuar um estudo sobre as vantagens das políticas na zona de comércio livre, tendo em vista o aperfeiçoamento e o reforço dos respectivos trabalhos de acompanhamento” Comunicado do Executivo
uma pesquisa para melhor identificar as políticas mais benéficas para Macau naquela zona, de forma a trazer frutos para todas as partes envolvidas. “O Governo da RAEM vai efectuar um estudo sobre as vantagens das políticas na zona de comércio livre, tendo em vista o aperfeiçoamento e o reforço dos respectivos trabalhos de acompanhamento”, lê-se num comunicado do Executivo. O mesmo documento sublinha a emergência da construção e entrada em funcionamento do Parque Industrial de Cooperação entre Guangdong e Macau e do Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa. Para Chui Sai On, a atenção deve agora virar-se para a cooperação regional na formação de quadros, no estudo de uma base de negócios de jovens, entre outras questões. Para Sou Tim Peng, director dos Serviços de Economia, as novas políticas para a zona experimental de comércio livre de Guangdong vão ser uma oportunidade para Macau, mas também para a lusofonia. “Julgo que poderá trazer grandes potencialidades para as empresas locais e também para as empresas de países de língua portuguesa”, adiantou à Rádio.
Tradutores Queixas de falta de cursos e prejuízos no emprego
A falar é que a gente se entende L eong Veng Chai acusa o Governo de “não ter envidado esforços na formação de tradutores-intérpretes” de língua chinesa e portuguesa. O deputado pede por isso que sejam criadas condições para a formação de mais profissionais deste campo, justificando o estreitamento das relações entre a China e os Países de Língua Portuguesa. “Para além dos cursos de Língua Portuguesa ministrados na Universidade de Macau e no Instituto Politécnico, de que planos concretos dispõe o Governo para a formação de intérpretes-tradutores de chinês português?”, questionou o deputado.
Leong Veng Chai, que não fala português, perguntou ainda de que medidas dispunha o Executivo para melhorar os conhecimentos dos trabalhadores da Função Pública desta língua. É que na sua opinião, muitos deles “não têm conhecimentos básicos de Português, portanto deparam-se com dificuldades na tradução mais comum e nada complexa” de assuntos do quotidiano, sublinhou o deputado numa interpelação escrita. O documento começa com o deputado a dar voz a “queixas de vários cidadãos” que apontam a realização de actividades da Função Pública
somente em chinês, tendo Leong Veng Chai sublinhado que também o Português é língua oficial da RAEM. Como exemplo, refere as acções de formação da responsabilidade do Instituto da Habitação e que são dirigidas a quem pretenda exercer a função de mediador imobiliário. “A respectiva lei já foi implementada há alguns anos, no entanto, até ao momento, não existe ainda nenhum curso em Português, portanto os falantes de Português não podem inscrever-se nos referidos cursos de formação o que, indirectamente, lhes retira oportunidades de emprego”, refere o deputado. L.S.M.
Secretário de Estado vai encontrar-se com Lionel Leong
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Secretário de Estado Adjunto da Economia português vai encontrar-se com o Secretário para a Economia e Finanças da RAEM, Lionel Leong. Leonardo Mathias, que chega ao território sábado à noite, começa o programa oficial no domingo, quando Mathias abre as hostes com um jantar em sua honra na residência consular. Na segunda-feira, o dia é preenchido, sendo que começa logo pelas 9h30. O responsável do Governo luso irá conduzir um workshop intitulado “Desafios do Século XXI na Área Económica e da Segurança Alimentar” para operadores económicos e consumidores, a ter lugar às 9h00 no Centro de Actividades Turísticas. Segue-se um almoço, oferecido pelo BNU, durante o qual o Secretário de Estado vai “conhecer potenciais investidores”, como avança a nota de agenda do Consulado. Às 15h00, dá-se então o encontro com Lionel Leong, no Banco da China, que deverá durar até às 16h30, quando Leonardo Mathias dá uma conferência de imprensa no auditório Stanley Ho, no Consulado Geral de Portugal. A visita a Macau fica por aqui, já que terça-feira é dia de Leonardo Mathias se deslocar ao território vizinho para se reunir com o Secretário Permanente para o Comércio e Desenvolvimento Económico de Hong-Kong, Philip Yung Wai-hung e de seguida almoçar no Clube Lusitano. O evento conta com a presença de associados e empresários de descendência portuguesa e naturais de Hong Kong. O último ponto da agenda é uma reunião com o Chefe Executivo da Autoridade Monetária de Hong Kong, Peter Pang.
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osé Pereira Coutinho quer saber quais os critérios usados pelos Governo para seleccionar as mais de 1500 pessoas integradas na base de dados de talentos da RAEM. O também presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) diz que a visita a Macau – e a algumas instituições de ensino superior – de “talentos” locais que vivem no exterior, e que teve lugar em Fevereiro, foi forjada.
Talentos Pereira Coutinho questiona rigor da selecção
Sábios e mal aproveitados De acordo com informações disponíveis no website oficial da Comissão de Talentos, cerca de 4400 inscritos encontram-se no território, enquanto apenas pouco mais de 1100 estão no estrangeiro. É o sexo masculino que mais lugares preenche nesta lista. Quase 10% daqueles que residem no exterior estão em Hong Kong, enquanto apenas 4% está na China, 1,7% nos EUA e uma percentagem mínima de 0,3% - reside em Portugal.
tiago alcântara
José Pereira Coutinho quer saber porque é que foi organizada uma viagem de “talentos” do exterior a Macau paga com dinheiros públicos. Além disso, o deputado questiona o Executivo sobre a existência de um plano de aproveitamento de funcionários públicos com mestrado e doutoramento
Estudos, para que vos quero?
Na interpelação, o presidente da ATFPM vai mais longe e sugere a criação de um plano de aproveitamento dos recursos humanos com qualificações académicas de grau universitário que, na sua opinião, não estão a ser aproveitados.
“Existe algum plano de aproveitamento dos milhares de mestres e centenas de doutorados na Função Pública, para que possam ser considerados quadros qualificados, uma vez que muitos deles continuam a ser desaproveitados nos serviços públicos onde trabalham?”, questionou. Para Pereira Coutinho, grande parte destes funcionários estão a exercer trabalhos em departamentos e posições que não são da sua competência e nos quais não é possível aproveitar as suas capacidades e conhecimentos. “De acordo com dados estatísticos oficiais trabalham na Função Pública cerca de 300 doutorados e 2500 mestres. Muitos são considerados quadros qualificados mas são desaproveitados nos próprios serviços públicos e desperdiçados com funções alheias às suas habilitações académicas e experiência profissional”, acusou o deputado no documento enviado ao Governo. Leonor Sá Machado
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Assim, pede ainda que lhe sejam feitos esclarecimentos quanto à justificação desta viagem e consequente gasto de dinheiros públicos.
“Com que base e critérios científicos e académicos e de que áreas de formação foram classificados os 5567 indivíduos intitulados
“Com base em que critérios científicos e académicos foram os 18 indivíduos considerados ‘talentos’ e convidados à custa do erário público a visitar a RAEM e diversos serviços públicos e entidades de ensino superior?”
de talentos?”, questiona o deputado numa interpelação escrita. “Com base em que critérios científicos e académicos foram os 18 indivíduos considerados ‘talentos’ e convidados à custa do erário público a visitar a RAEM e diversos serviços públicos e entidades de ensino superior?”, perguntou ainda. Não é a primeira vez que o deputado pede ao Governo esclarecimentos sobre esta questão.
Explosão Criticada falta de fiscalização de depósitos de materiais
“Bombas comunitárias”, onde? H o Ion Sang e Mak Soi Kun criticaram a falta de fiscalização dos espaços onde estão localizados os depósitos de materiais e que estão arrendados ao Governo, depois do incêndio que ocorreu na Areia Preta esta terça-feira. Os dois deputados da Assembleia Legislativa (AL) falam ainda da insuficiência de espaços em Macau para a colocação de materiais de construção e recuperação. Ao jornal Ou Mun, Mak Soi Kun confessou que são comuns em Macau os locais de depósito para materiais
de construção, mas que não existe nenhum organismo público com direito a entrar nos terrenos. O deputado explicou que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) e os Serviços de Saúde (SS) só podem analisar provas depois de receberem queixas, frisando que há zonas cinzentas na lei. Também o deputado Ho Ion Sang criticou a falta de fiscalização dos terrenos arrendados mas que estão desocupados, lembrando que muitos não estão aproveitados depois de anos da concessão pelo
Governo. O facto desses espaços serem utilizados para depósitos de materiais de construção ou outros bens logísticos acarretam riscos de segurança, lembrou o deputado dos Kai Fong. “Quantas bombas comunitárias existem, de facto, ao nosso lado? O Governo tem a responsabilidade de pedir aos concessionários dos terrenos para cumprirem responsabilidades, por forma a eliminar riscos para a segurança”, concluiu. Flora Fong
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HM 2ª vez 8-5-15
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Acção de Interdição n.º CV2-15-0016-CPE 2º Juízo Cível
Requerente: O MINISTÉRIO PÚBLICO.-----------------Requerida: LEI CHOI SOI, casada, residente em Macau, na Rua dos Hortelãos, 142, Edif. Da Alameda da Tranquilidade, Bloco 1, 20º andar “B”.---------------------- O MERETÍSSIMO JUIZ DO 2º JUÍZO CÍVEL DO TRIBUNAL JUDICIAL DE BASE DA R.A.E.M.:--- FAZ SABER que foi distribuída ao 2º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base de R.A.E.M., a Acção acima mencionada, contra LEI CHOI SOI, casada, residente em Macau, na Rua dos Hortelãos, 142, Edf. Da Alameda da Tranquilidade, Bloco 1, 20º andar “B”, para o efeito de ser declarada a sua interdição por anomalia psíquica.-
Macau, em 28 de Abril de 2015.------------------*****
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U
m grupo de trabalhadores do Fundo das Indústrias Culturais (FIC) garante ter sido pressionado por Chan Son U para não revelar detalhes sobre a alegada atribuição do fundo a um familiar do agora ex-vogal do organismo. Numa conferência de imprensa ontem realizada propositadamente para o efeito, oito funcionários do FIC asseguram que foram pressionados para responder de determinada forma caso fossem chamados a falar na investigação. Os funcionários afirmam que Chan Son U os “guiou na forma de responder às perguntas” do Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura,Alexis Tam, aquando da investigação preliminar do caso. Dizem ainda que o ex-vogal “apontou claramente” aos funcionários para que estes dissessem que ele “nunca tinha participado em nenhuma reunião da Comissão de Avaliação” do Fundo ou para dizerem apenas “que só cumprimentou os membros da Comissão” referida. Os trabalhadores, que se recusaram a dar o nome - ainda
Os funcionários afirmam que Chan Son U os “guiou na forma de responder às perguntas” do Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, aquando da investigação preliminar do caso
FIC Funcionários contrariam CCAC e denunciam pressões de Chan Son U
A verdade da mentira hoje macau
Um grupo de funcionários do FIC assegura que o ex-vogal ilibado pelo CCAC os pressionou para não revelarem factos na investigação feita pelo Gabinete de Alexis Tam e dizem mesmo que o fizeram por Chan Son U ser seu superior hierárquico. Os trabalhadores afirmam ainda que o ex-vogal estava na mesma sala quando foi aprovado o projecto
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que tivessem dado a cara perante os jornalistas, tendo aceite até tirar fotografias - dizem ainda que, após as questões do Gabinete do Secretário, o ex-vogal “consultou com os trabalhadores o conteúdo de conversa” e que se sentiram pressionados por causa disso.
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Mas os funcionários vão mais longe: afirmam mesmo que tiveram de responder às perguntas do Gabinete consoante as indicações do ex-vogal por este ser “superior a eles”, ainda que se tivessem sentido “pressionados por essas respostas não corresponderem aos factos”. Os homens referem que Chan consultou os processos de atribuição do fundo sem ainda ter declarado o impedimento. Não se sabe ao certo se o impedimento aconteceu ou não, mas pela demissão do cargo, presume-se que não tivesse acontecido. Mais ainda, os trabalhadores que participaram na reunião da Comissão de Avaliação lembram-se que o ex-vogal “estava no mesmo escritório onde a reunião avaliou o respectivo projecto, estando apenas separado por um painel”. Os funcionários decidiram assumir a situação de forma pessoal – ou seja, “sem representar o FIC”, por quererem cumprir, dizem, o dever de responsabilidade dos funcionários públicos. Recorde-se que Alexis Tam despediu Chan Son U depois deste ter, alegadamente, atribuído o Fundo a um familiar. Contudo, esta semana, o Comissariado contra a Corrupção negou ter havido conduta ilegal e arquivou o processo. O Gabinete de Alexis Tam, a quem foi pedido um comentário sobre a decisão do CCAC, ainda não se manifestou. Flora Fong
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Gás natural Governo “sem informações” sobre Sinosky
Negociações complexas O Governo não tem ainda informações sobre o processo de negociação com a Sinosky para o fornecimento de gás natural em Macau. Está é pelo menos a resposta do Gabinete para o Desenvolvimento do Sector Energético (GDSE) ao HM, quando questionado sobre como se encontram as negociações com a concessionária, se foi já entregue
o plano detalhado sobre o fornecimento a Macau e sobre quando é que o Governo prevê que a concessionária possa fornecer este serviço. “Neste momento, não temos informações para fornecer”, lê-se na resposta enviada ao HM. Foi em 2007 que o Executivo assinou um contrato com a empresa para o fornecimento de gás natural ao território. Por falta de consenso face ao
preço do produto, contudo, não se atingiu ainda uma conclusão. Em Agosto do ano passado, o assunto esteve em destaque na Assembleia Legislativa, através de uma interpelação de Kwan Tsui Hang, que se mostrava insatisfeita com a política energética do Governo. A deputada lamentava o facto de o contrato já ir a mais de meio e a Sinosky ainda não ter ainda apresentado o plano prometido ao Governo sobre o fornecimento a longo prazo. A empresa pede agora quase o dobro do dinheiro do que pedia em 2007 e atribui ainda a culpa de perdas de 147 milhões de patacas desde 2006 ao Governo, pela “falta de revisão dos preços do gás natural”. A falta de revisão dos preços aconteceu, segundo o GDSE, porque a empresa não apresentou qualquer plano.
Também a Companhia de Electricidade de Macau (CEM) estava dependente da Sinosky para poder começar a produzir energia eléctrica através do gás natural. Numa altura em que Macau está fortemente dependente da China para tal, a produção de electricidade com gás natural, de acordo com Kwan Tsui Hang, está suspensa há já três anos. Mas a CEM já disse, este ano, que vai apresentar uma proposta ao Governo na mesma. Questionado sobre o assunto na AL, na altura, Arnaldo Santos garantiu que o Governo está empenhado na diversificação das fontes de energia e que há vários factores externos que estão na origem do aumento do preço, sendo que a “matéria que está a ser negociada”. O gás natural existe, agora, apenas em Seac Pai Van e na Ilha da Montanha. J.F.
8 sociedade
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maior parte do património de Macau constituída por edifícios está a ser utilizada para uso privado. Isso mesmo confirmou ao HM o Instituto Cultural (IC), depois de questionado sobre a matéria. De acordo com uma resposta escrita enviado ao nosso jornal, há 128 imóveis protegidos considerados património cultural que, diz o IC, “contêm um total de mais de 400 edifícios”. Além de igrejas e
Património “Maioria” dos imóveis sob uso privado, diz IC
O que é nosso é deles templos, há alguns que estão a ser usados pelo Governo. “Uma pequena parte está utilizada pelo Governo, tais como o Edifício da Direcção dos Serviços dos Assuntos Marítimos e da Água, Edifício do Instituto Cultural e Edifício do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, entre outros”, refere o IC. “No entanto, a maior parte dos edifícios é propriedade privada e está de uso privado por indivíduos ou instituições privadas.” O IC não especifica a quantidade de imóveis sob uso privado e não revela os nomes das associações a ocupar este património devido à Lei da Protecção dos Dados Pessoais. “O Instituto Cultural não tem autoridade de fornecer os nomes das mesmas instituições”, revela.
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A maioria dos edifícios classificados de Macau está a ser usada por privados. O IC fala numa “pequena parte dedicada ao Governo”, mas afirma que está de olho nos privados, de forma a que estes edifícios sejam mantidos
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IC fiscaliza
A questão já foi levantada pelo deputado José Pereira Coutinho, através de interpelações escritas. O HM tentou contactar o deputado para perceber se já obteve respostas sobre o assunto, mas não foi possível até ao fecho desta edição. Ao que o HM apurou, a Associação de Beneficência Tong
Bancos Meia centena de burlas dão prejuízo de 90 mil patacas
“Está lá? É do banco” H ouve, nos primeiros cinco meses deste ano, 48 casos de burla telefónica feitos através de telefonemas de criminosos que se passavam por funcionários de filiais de bancos da China em Macau e dos Correios. Foram registados cinco casos de residentes locais vitimizados, tendo o valor do prejuízo ascendido as 90 mil patacas. “De 1 de Janeiro de 2015 a 4 de Maio de 2015, a PJ recebeu 48 casos de burla telefónica em que os burlões fingiram ser funcionários de bancos. Entre estes casos, registaram-se cinco com prejuízo. O valor total do prejuízo destes casos ascendeu a mais de 90 mil patacas”, disse a Polícia Judiciária (PJ), em resposta ao HM. No entanto, nenhum dos criminosos foi ainda detido, mas as autoridades sublinharam que há uma relação estreita de cooperação com a entidade homóloga da China para resolver aquilo que dizem ser um “crime transfronteiriço”.
A burla efectiva acontece de forma indirecta, já que o telefonema dos criminosos para as vítimas não provoca, em si, a retirada de dinheiro. É, antes, uma forma de adquirir os dados pessoais das pessoas para depois um cúmplice, que se faz passar por agente policial, proceder à burla efectiva.
A crescer
A PJ admite que este tipo de crimes tem vindo a aumentar exponencialmente desde o início deste ano. “A partir do segundo semestre de 2014, houve um aumento deste tipo de burla, tendo-
-se registado um relevante aumento a partir de Abril do presente ano”, explica a entidade. As vítimas são, na esmagadora maioria, residentes da RAEM com número de telemóvel e contas bancárias na China continental, mais especificamente em Zhuhai. Grande parte dos criminosos é também originária do continente, diz a autoridade. A PJ sublinha que em nenhum dos casos se verificou “imediato prejuízo de dinheiro em relação directa após o fornecimento dos dados pessoais” das vítimas. Leonor Sá Machado
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Sin Tong, por exemplo, ocupa uma casa no Largo Ponte e Horta, conhecida por Antiga Fábrica de Ópio, que alguns especialistas defendem que deveria ser um museu. Sobre a necessidade de preservação do património a ser usado por entidades privadas, o IC é claro e garante que a Lei de Salvaguarda do Património Cultural confere o dever legal aos proprietários dos trabalhos da manutenção e reparação do imóvel classificado. “Em casos especiais e [que] não violem a mesma lei, o Instituto Cultural fornecerá o apoio adequado.” Numa resposta a uma interpelação de Pereira Coutinho, ontem analisada pelo HM, o IC garante a mesma coisa, acrescentando que dispõe de um mecanismo de inspecção permanente para os 128 imóveis classificados. “Caso haja necessidade de proceder à sua imediata reparação e preservação, o IC tomará a iniciativa de comunicar com os respectivos proprietários (...), acordando com os mesmos a adopção de medidas com vista a uma protecção conjunta do valor cultural dos imóveis”, pode ler-se do documento assinado por Guilherme Ung Vai Meng, presidente do IC.
“Uma pequena parte (dos imóveis) está a ser utilizada pelo Governo (...) no entanto, a maior parte dos edifícios é propriedade privada e está de uso privado por indivíduos ou instituições privadas.” Recentemente, o IC garantiu ao HM que mais itens vão fazer parte da nova lista do património. Mas, para os que ainda não constam o Instituto garante ter medidas. “O IC também se preocupa com os imóveis de interesse cultural que ficam fora da lista de património sugerindo e acordando com os proprietários a adopção de medidas de protecção. Por exemplo, o IC restaurou e protegeu com sucesso o portão de pedra da entrada do Pátio do Arco e alguns edifícios do Pátrio da Eterna Felicidade e do Pátio das Seis Casas.” Joana Freitas
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Nepal Governo doa 20 milhões. MGM também ajuda
Tarda mas chega O Executivo da RAEM resolveu desbloquear uma verba de 20 milhões de patacas para apoiar o Nepal depois do forte sismo que destruiu grande parte do país e que gerou uma forte crise humanitária. Segundo um comunicado ontem emitido, a acção visa “disponibilizar os apoios necessários às vítimas e manifestar a sua solidariedade”. O apoio financeiro ficou decidido depois do encontro de Chui Sai On com Mahesh Prasad Dahal, cônsul do Nepal em Macau e Hong Kong. O cônsul “manifestou a atenção e apoio do Governo da RAEM nos trabalhos de salvamento após o sismo e esperou que o processo de doação possa ser concluído o mais rápido possível, a fim de prestar apoio às vítimas e à reconstrução das zonas afectadas”.
Últimas ajudas
A ajuda oficial chega muitas semanas depois de organizações não governamentais do território, como é o caso da Cáritas ou Cruz Vermelha, terem disponibilizado apoios logísticos pub
Ventilação nas Portas do Cerco em análise
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Associação Comercial de Ar Condicionado e Refrigeração de Macau realizou um estudo sobre o sistema de ventilação do terminal de autocarros das Portas do Cerco. O estudo, com vista à melhoria do espaço, foi entregue ao Governo, que prometeu analisar o documento. “Depois de ouvir a apresentação da proposta, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, referiu que os
e financeiros às vítimas. Uma campanha de recolha de fundos e bens materiais, com arranque no Facebook, também já registou muitos apoios, estando neste momento o transporte dos produtos assegurado para Hong Kong. O facto do Executivo não se ter manifestado até agora levantou polémica entre os nepaleses residentes no território. Entretanto, a operadora de Jogo MGM anunciou ontem o apoio financeiro de 500 mil patacas para as vítimas nepalesas, a ser doado à Cruz Vermelha de Macau. Esta é a maior ajuda até agora, sendo que o organismo angariou dois milhões e 300 mil patacas para a ajuda financeira ao Nepal. De acordo com o presidente da Cruz Vermelha de Macau, Eddie Wong, o dinheiro foi doado por empresas, instituições, grupos e também pessoas individuais. Eddie Wong também disse que a Cruz Vermelha já enviou vinte pessoas para o vale de Katmandu para ajudarem nas operações de salvamento na zona mais afectada pelo sismo. A.S.S.
Durante o encontro, ocorrido na sede do Governo, foi ainda feito um balanço das vítimas e dos estragos causados pelo sismo. Mahesh Prasad Dahal apontou que, neste momento, o Nepal “é um dos países mais afectados, sendo impossível avaliar os prejuízos” de um desastre que também afectou países vizinhos, como a Índia. O cônsul agradeceu o apoio já dado pela China e adiantou que o “Governo do Nepal irá empenhar-se nos trabalhos de reconstrução após a catástrofe”. Já o Chefe do Executivo revelou “o profundo pesar e solidariedade para com as vítimas desta catástrofe natural e à comunidade do Nepal, estabelecida em Macau, fazendo votos da rápida recuperação das zonas mais fragilizadas”.
serviços das Obras Públicas vão estudar a viabilidade e o conteúdo da proposta da Associação. Concordando que o problema de ventilação deste terminal subterrâneo de transportes públicos tem que ser resolvido, o Governo irá acompanhar, no mais breve espaço possível, os referidos trabalhos”, pode ler-se num comunicado oficial, emitido depois do encontro entre a entidade e o Executivo. Contudo, não é avançado
o conteúdo da proposta feita pela Associação. Chui Sai On assumiu que “existem alguns aspectos que podem ser melhorados” no espaço. Rocky Poon, presidente da Associação, indicou que as obras feitas no terminal, em 2013, “já aliviaram muito o problema da ventilação”, sendo que a proposta feita “serve para um estudo dos serviços competentes sobre a sua viabilidade na prática”.
IAS Subsídios a famílias vulneráveis somam 14,5 milhões
tiago alcântara
O Instituto de Acção Social (IAS) vai gastar cerca de 14,5 milhões de patacas para a atribuição do subsídio a famílias em situação vulnerável a cerca de 3700 agregados. A primeira tranche desta ajuda já começou a ser distribuída desde o passado dia 5 às famílias que já contam com o apoio regular do IAS, pelo que atribuição aos novos requerentes só começa a ter lugar a partir do próximo dia 18. Deste último grupo fazem parte cerca de 1640 famílias. O subsídio vai ser atribuído em duas fases e os montantes variam consoante o agregado familiar. Os valores para este ano oscilam entre as 2400 e as 9100 patacas para famílias compostas por uma ou mais de oito pessoas respectivamente.
Anúncio HM 2ª vez 8-5-15 Acção Ordinária n.º
CV3-05-0029-CAO
3º Juízo Cível
AUTOR: MAI GOU, casado, residente em HONG KONG, Flat/RM 43 9/F Tshun Ngen BLDG 41-43 Hillwood RD KL HK. RÉUS: CHOI IO WENG, masculino, residente em Macau, na Rua de S. Domingos, n.º 5-A; CHIN KEI TAK, masculino, com última morada conhecida em Macau, na Avenida Dr. Sun Yat Sen, Edf. Va Fong Kok, 12º andar “A”. *** FAZ-SE SABER que, pelo Tribunal, Juízo e processo acima referidos, correm éditos de trinta (30) dias, a contar da segunda e última publicação do anúncio, notificando o Réu CHIN KEI TAK para no prazo de vinte (20) dias, decorrido que seja o dos éditos, constituir novo mandatário, sob pena de o processo prosseguir os seus termos, aproveitando-se os actos anteriormente praticados pelo advogado nos termos do artº 81º do Código de Processo Civil de Macau, face à renuncia aos mandatos pelos seus advogados, Sr. Dr. PEDRO REDINHA, Sra. Dra. CÉLIA SILVA PEREIRA, Sr. Dr. KUONG KUOK ON e Sr. Dr. CHEANG SENG CHEONG.
Macau, aos 29 de Abril de 2015. *****
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china
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Inspector-geral da ASAE considera “bastante positiva” a visita à China
Contra o preconceito e a contrafacção O inspector-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Pedro Portugal Gaspar, considerou ontem “bastante positiva” a sua primeira missão à China, afirmando ter encontrado “abertura e interesse” para aprofundar a relação com os organismos congéneres chineses. “Tendo presente que parte dos problemas que surgem na Europa e em Portugal na área dos produtos económicos e da segurança alimentar são oriundos da China, é importante estabelecer melhores canais de comunicação”, disse Portugal Gaspar à agência Lusa em Pequim. O responsável citou o
“Foi uma missão bastante positiva para um primeiro contacto. Em termos de interesse e de empenhamento, a recepção foi óptima. Há, de facto, abertura e interesse para aprofundar alguns pontos”
caso de alguns brinquedos que têm sido banidos do mercado europeu por “não reunirem os requisitos de segurança” vigentes na União Europeia: “Tem de haver convergência de requisitos técnicos”, afirmou. Em declarações à agência Lusa, o inspector-geral da ASAE salientou que a actuação deste organismo visa também “defender a marca Portugal” e “proteger os produtos portugueses” no estrangeiro. “Temos produtos de referência, nomeadamente vinhos e azeites, que têm sido alvo de contrafacção noutros mercados. Para dar segurança aos nossos exportadores, interessa saber se esses produtos foram corrompidos em Portugal ou no mercado de destino”, referiu. Pedro Portugal Gaspar chegou na terça-feira a Pequim, integrado na comitiva do secretário de Estado da Economia, Leonardo Mathias, que está a efectuar uma visita de oito dias à China para “reforçar a cooperação” bilateral e cujo programa inclui Macau e Hong. Em Pequim, o inspector-geral daASAE reuniu-se com responsáveis da China Foods and Drugs Administration e da State Administration for Industry and Commerce, dois organismos com estatuto ministerial, que dependem directamente do Conselho de Estado, o executivo do governo chinês. “Foi uma missão bastante positiva para um primeiro
contacto. Em termos de interesse e de empenhamento, a recepção foi óptima. Há, de facto, abertura e interesse para aprofundar alguns pontos”, disse Portugal Gaspar. O inspector-geral da ASAE assinalou ainda que os seus interlocutores mostraram-se “muito empenhados no combate à contrafacção e na protecção da propriedade industrial”.
Sem preconceitos
A ASAE vai organizar este ano “sessões de esclare-
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cimento” para operadores económicos chineses, em colaboração com a Embaixada da China em Portugal, anunciou ainda, Pedro Portugal Gaspar
“Não há nenhum preconceito contra a China. Há 500 anos que não há”
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 297/AI/2015
A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
desde o segundo semestre de 2014, a ASAE tem contactos com a embaixada da China e a que a sua página na internet já difunde informações em chinês (mandarim)”. “Para ultrapassar qualquer preconceito que possa existir, vamos organizar este ano sessões de esclarecimento para operadores económicos chineses residentes em Portugal, em colaboração com a Embaixada da China”, disse. “Não queremos actuar só numa base repressiva”, acrescentou.
Campanha contra aborto em função do sexo do feto
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-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora, 肖紫蘭, portadora de salvo-conduto para deslocação a Hong Kong e Macau da R.P.C. n.° W63238xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 45/DI-AI/2013, levantado pela DST a 04.05.2013, e por despacho da signatária de 23.01.2015, exarado no Relatório n.° 24/DI/2015, de 06.01.2015, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Luís Gonzaga Gomes, n.ºs 210-212, Edf. Kam Fung Tai Ha – Kam Fung, Bloco 2, 3º andar K.------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito sobre a matéria constante daquele auto de notícia, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A matéria constante daquele auto de notícia constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d'Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 16 de Abril de 2015.
“Não há nenhum preconceito contra a China. Há 500 anos que não há”, disse. Em Março de 2006, sob a direcção de outro inspector-geral, a ASAE mandou fechar 14 restaurantes chineses, na sequência de uma mediática inspecção a mais de uma centena de estabelecimentos do género, de norte a sul de Portugal. Nove anos depois, Portugal Gaspar reconhece que aquela operação “faz parte da história” do organismo que dirige, mas salienta que
Governo chinês lançou uma campanha contra os abortos em função do sexo do feto de forma a reduzir o desequilíbrio na proporção entre homens e mulheres, informou esta quinta-feira a agência oficial Xinhua. Segundo a mesma fonte, um dos objectivos da iniciativa, que a Comissão Nacional de Saúde e Planificação Familiar pôs em marcha em Abril e que se prolonga até Novembro, é diminuir a recorrência das mulheres a
exames médicos que determinam o sexo do feto. Os abortos em função do sexo do feto, um fenómeno social conhecido como feticídio, e os exames que o determinam são ilegais na China, embora a preferência por filhos varões e a política do filho único (instaurada no final da década de setenta e que foi revista no final de 2013) tenham tornado estas práticas populares. Em 2014, havia 115,88 rapazes por cada 100 raparigas na China, o que coloca o país no topo do ‘ranking’ de
disparidade de sexos entre a população infantil. A perseguição às agências de fertilidade ilegais e às clínicas e ginecologistas itinerantes fazem também parte das actividades da campanha, bem como o controlo sobre equipamento médico e medicamentos utilizados nos abortos e nos exames médicos. No âmbito da campanha, as autoridades chinesas vão ainda elaborar uma lista “negra” com os nomes das organizações envolvidas em actos ilegais.
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Hong Kong Existem 36 milhões de pessoas escravizadas no mundo
Um escravo a cada cinco segundos Matt Friedman, assessor técnico de vários governos que procuram acabar com a escravatura esteve em Hong Kong para falar das novas formas deste flagelo. A Ásia é o continente com mais escravos, segundo o último relatório mundial sobre escravaturada Fundação Free Walk
O
especialista em tráfico de seres humanos Matt Friedman estimou quarta-feira em mais de 35,8 milhões o número de pessoas escravizadas em todo o mundo, adiantando que a cada cinco segundos existe um novo escravo. “O aparecimento de novas formas de escravatura moderna está a afectar
cada vez mais pessoas, dado que a sociedade carece de ferramentas para as combater”, declarou Friedman numa conferência em Hong Kong, citado pela agência noticiosa espanhola EFE. Segundo o especialista internacional, a Ásia é o continente com o maior número de escravos, 69% de acordo com dados do último relatório mundial
Seis dos 10 primeiros países com o maior número de pessoas em regime de escravatura moderna são asiáticos, os primeiros lugares são ocupados pela Índia, China e Paquistão pub
sobre escravatura elaborado pela Fundação Free Walk. Seis dos 10 primeiros países com o maior número de pessoas em regime de escravatura moderna são asiáticos, os primeiros lugares são ocupados pela Índia, China e Paquistão. Friedman, que trabalha há mais de 25 anos na área, disse que 75% dos considerados escravos modernos realizam trabalhos forçados, 60% dos quais integrando cadeias de produção do sector privado cujo resultado chega até nós em forma de inúmeros produtos. Adiantou que 74% das quase 36 milhões de pessoas submetidas a escravatura são
adultas e que 24% estão na indústria do sexo, segundo a EFE. O especialista, que durante seis anos e até 2012 trabalhou na ONU, viaja pelo mundo para tentar consciencializar o sector
privado e obter financiamento para combater o tráfico de seres humanos. Friedman é ainda assessor técnico de vários governos que procuram acabar com a escravatura, especialmente na Ásia.
Pequim pede que Japão respeite apelo da comunidade internacional
A porta-voz da Chancelaria chinesa, Hua Chunying, pediu esta quinta-feira que o Japão tome uma atitude séria relativa ao apelo da comunidade internacional e faça uma reflexão sincera sobre a história da invasão. A afirmação foi feita para comentar a declaração divulgada por 187 historiadores vindos dos Estados Unidos, Europa e Austrália, que expressaram preocupações como a postura de Abe Shinzo acerca da questão histórica. Hua Chunying disse que a China está atenta às reportagens relacionadas com esta matéria. A portavoz salientou esperar que o Japão trate adequadamente estas questões para ganhar a confiança da comunidade internacional e dos países vizinhos.
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Quadro de Pomar rendeu 60 mil euros mas as estrelas foram os pentes africanos
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pente tchokwe recolhido em Angola entre os anos 20 ou 30 do século XX tinha uma base de licitação de 500 euros. Estava entre as peças de valor mais baixo que a Cabral Moncada leiloava segunda-feira à noite, em Lisboa, mas foi uma das mais disputadas e chegou aos 13500 euros. Com direito a salva de palmas na sala, vinda até de quem tinha perdido a batalha para outro comprador. O interesse nas peças da tribo Tchokwe começou a revelar-se assim que o primeiro de 12 lotes surgiu, já o leilão ia a meio. Este conjunto de três pentes (um com falta de dentes) que tinha uma base de licitação de 400 euros e chegou aos 1250 euros. Os seguintes conseguiram preços mais altos (2900 euros e 2300 euros, respectivamente), mas foi quando surgiu no projector a imagem do pente com a figura feminina, um exemplar perfeito que o número de braços levantados aumentou. Os conjuntos vendidos não estavam entre os mais caros do leilão nem entre os que Miguel Cabral Moncada considerava serem as grandes apostas da casa. Afinal, tinha um quadro de Vieira da Silva e outro de Júlio Pomar para vender. Ambos iam à praça com uma base de licitação de 60 mil euros, cada um, e acabaram retirados. “Há interessados? Não
há interessados?”. O martelo bateu no palanque sem que ninguém levantasse a raquete. Mas a história não acaba aqui. Antes do último lote ter sido vendido, o quadro de cavalos do pintor português, intitulado Vincennes II, de 1965, já tinha novo dono. Preço? “A base de licitação: 60 mil euros”, confirmou Miguel Cabral de Moncada ao DN.
USJ Finlandeses em palestra sobre Inovação
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ois professores finlandeses especialistas em Inovação vão ser oradores numa palestra sobre Laboratórios Vivos e a aprendizagem colectiva, que terá lugar na próxima quarta-feira, das 18h30 às 20h00, na Universidade de São José (USJ). A iniciativa, conduzida em inglês e com entrada livre, pretende dar a conhecer ao público e interessado nesta área o que é necessário fazer para fazer jus às exigências do mercado actual. “Tanto os serviços privados, como os públicos têm que começar a acelerar a criação dos seus produtos”, refere a organização em comunicado. O objectivo de Lauri Tuomi e Sakariina Keikkanen é
esclarecer os presentes acerca dos novos modelos de negócios e da importância de conceitos como “co-criação” e “direccionado para o consumidor”. A organização sublinha ainda que o conceito de Laboratórios Vivos será aplicado à resolução de problemas sociais em Macau. Esta conferência conta com o apoio do Programa da União Académica da União Europeia e vai também focar-se nas possibilidades de colaboração entre a Ásia e a Europa. Os dois professores convidados vêm da Universidade Hagga-Helia de Ciências Aplicadas e são especializados em Desenvolvimento e Inovação.
À venda na Livraria Portuguesa A Arca do Tesouro • João Fazenda
Texto de Alice Vieira AOrquestra Metropolitana de Lisboa encomendou a Alice Vieira um pequeno conto para Eurico Carrapato musicar. AArca do Tesouro, um texto sóbrio e sábio, que se insurge contra a ditadura imposta pelo relógio, conflui com uma música simples, bela e comunicativa e dá conhecer a história de Maria e da sua caixa azul.
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Fotografias do navio Sagres apresentadas em livro
“O Sagres faz parte da Três anos depois da viagem a bordo do navio Sagres, Joaquim Magalhães de Castro vai finalmente publicar as imagens que captou. O livro “Sagres – A nossa barca” será lançado na próxima semana no auditório do Consulado de Portugal em Macau. O autor planeia ainda lançar um livro de textos sobre o Sagres, ainda sem data
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oaquim Magalhães de Castro, fotógrafo e autor de diversos livros de viagens, está satisfeito por mostrar os resultados de uma viagem e projecto de uma vida. Foi há três anos que o autor embarcou e acompanhou várias fases do navio português, desde o dia-a-dia a bordo, a formação de cadetes ou a viagem numa regata. As imagens vão agora ser publicadas no livro “Sagres – A nossa barca”, que será lançado no auditório do Consulado de Portugal em Macau, no próximo dia 12. Para já, apenas foram produzidos mil exemplares. “Penso que é um bom presente para oferecer a alguém”, disse Joaquim Magalhães de Castro ao HM. “O Sagres é querido de muitos portugueses e também é preciso recordar que o Sagres está na memória dos
Autor a bordo da Sagres
Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net
O Senhor do Seu Nariz e Outras Histórias • João Fazenda
Texto de Álvaro Magalhães Um conjunto de cinco contos encantadores e divertidos, que também nos deixam a pensar. Há a história de um rapaz condenado a carregar desde a nascença um nariz do tamanho de um chouriço e que, aos poucos, transforma a sua desgraça em graça. Há também a história de quatro ladrões que são enganados por uma luz esverdeada que lhes falava ao ouvido. E a história de Pedro e Inês, que se queriam bem, mas se desencontraram durante a vida inteira (e na outra também). E a história do Senhor Pascoal, que deu a volta ao mundo à procura da felicidade e só a encontrou quando deixou de a procurar. E ainda a história de um homem ambicioso e agitado que não dava descanso ao seu anjo da guarda. Tanto quis e tanto andou, que acabou onde tinha começado.
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a história de Macau” chineses de Macau, porque esteve cá duas vezes. O Sagres está na memória dos chineses.” Os apoios institucionais e financeiros tardaram a chegar, o que explica a publicação da obra tantos anos depois. Apesar das dificuldades, Joaquim Magalhães de Castro revela-se orgulhoso do projecto. “Este é um livro trilingue, e é a primeira vez que o Sagres tem algo escrito em chinês e inglês. Creio que essa será a novidade. Depois tentei dar uma maior abrangência, porque fiz três viagens, bastante distintas”, conta o autor. Numa obra que pretende, ela própria, levar o leitor a viajar no navio, começa por mostrar as actividades a bordo, que compõem a maior parte das fotografias presentes. Segue-se a formação de cadetes e a viagem na regata. As legendas das fotos foram escritas pelo próprio Joaquim Magalhães de Castro. “O objectivo não é apenas ser um livro de fotografia, é também ser um livro de viagens. Não quero que seja um livro muito sério, quero que seja um pouco juvenil, para misturar um pouco a banda desenhada com a fotografia. Poderá ser considerado um pouco fora do padrão, e ainda bem”, revelou o autor. Apesar de ainda não ter uma data, Joaquim Magalhães de Castro quer ainda pegar na experiência e passá-la para a escrita, com a publicação de novo livro que será uma espécie de Diário de Bordo para todos os que o lerem.
Aposta na diplomacia
A aventura começou em 2010, quando Joaquim Magalhães de Castro embarcou no Sagres com destino a
Goa. Mais tarde faria nova viagem só para retratar a formação dos cadetes, numa viagem com destino à Madeira, Cabo Verde e Açores. Para além das fotos sobre todos esses momentos, o livro conta com textos introdutórios dos comandantes do navio. Proença Mendes recorda: “Ao longo dos 20 dias de tirada fomo-nos habituando a ver o Joaquim a aparecer onde quer que houvesse actividades, independentemente da hora. Tirava fotos sem conta, filmava tudo o que acontecia e fazia muitas perguntas”. Visivelmente fascinado pelo navio, o autor considera que tanto os empresários portugueses como chineses poderiam aproveitar o Sagres para promoverem os seus negócios. “Há uma parte de diplomacia económica do Sagres e que não é muito utilizada. O Sagres todos os anos faz viagens, e precisam é de patrocinadores. É uma escola e uma embaixada de Portugal ambulante. Nessa viagem de preparação dos cadetes podiam aproveitar para promover os produtos portugueses”, considera. Joaquim Magalhães de Castro recorda sempre a enorme aceitação do navio por parte da população portuguesa. “Sempre que o navio chega a um Porto abre para visitas. Uma das queixas que fizeram os comandantes foi que os empresários portugueses poderiam aproveitar o Sagres para fazer a promoção dos seus produtos. Não apenas por ser um navio português, mas também por ser um grande veleiro, que exerce sempre um grande fascínio, por ser um navio muito bonito”, concluiu. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
Obra sobre África em Junho Joaquim Magalhães de Castro vai ainda lançar este ano, em Portugal, mais um livro de viagens, mas desta vez em terra. Trata-se de um retrato da presença portuguesa na zona da África Subsariana. “Tenho um livro sobre a África Subsariana, o Magrebe, Marrocos, Senegal e Mauritânia, que vai ser editado em Portugal, em Junho. Isto porque este ano comemoramos os 600 anos da conquista de Ceuta, que deu inicio a todo o processo de expansão portuguesa. É uma data marcante e eu percorro esses locais. Sempre na mesma senda, da busca da presença portuguesa nesses locais.”
Actor e cantor Chilam Cheung no Venetian em Julho
Chama-se “Chi Lam Crazy Hours Live in Macao” e é o espectáculo que o actor e cantor Chilam Cheung traz a Macau no próximo dia 4 de Julho, a decorrer na arena do Venetian. Os bilhetes vão estar à venda a partir de amanhã e variam entre as 280 e 1080 patacas. Chilam Cheung começou a sua carreira em 1991, tendo lançado o album “Crazy Hours” o ano passado.
cooljazz João Gil estreia “Non-Finito”
Músico multi-projectos
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músico João Gil estreia o projecto “Non-Finito”, no dia 23 de Julho, no palco do Festival cooljazz, em Oeiras, anunciou ontem a organização. João Gil, que fez já parte, entre outros, dos Trovante, Ala dos Namorados, Cabeças no Ar e Filarmónica do Gil, actua na primeira parte do concerto de António Zambujo, nos Jardins do Marquês de Pombal, em Oeiras, apresentando o seu novo projecto musical, que “junta algumas das suas composições mais emblemáticas com originais”, segundo a mesma fonte. Do alinhamento de “Non-Finito” fazem parte, entre outras, as canções “Perdidamente”, “Saudade”, “Esplanada”, “125 azul”, “Zorro”, “Loucos de Lisboa” e “Postal dos correios”, interpretadas por nomes como Nancy Vieira, Filipe Pinto e Ricardo Ribeiro. “Tal como um edifício em permanente construção, João Gil junta o que há de melhor na sua obra e apresenta uma viagem aos grandes momentos, mas também algumas canções originais, numa nova abordagem por um grupo de
Sands organiza duas provas de vinho este mês
O Sands Macao vai organizar mais duas provas de vinho nos próximos dias 15 e 29, onde deverá apresentar 11 novos vinhos da ASC Fine Wines e sete outros da Piccini Estate. No primeiro dia, os amantes daquela bebida terão oportunidade de experimentar os vinhos brancos Prosecco, Pinot Grigio, Riesling e Sauvignon Blanc da Nova Zelândia, juntamente com vinhos tintos da Tuscânia e do estado norte-americano do Oregon. O dia 29 é inteiramente dedicado aos vinhos italianos, com sete Piccini Estate, incluindo quatro tintos, dois brancos e um Prosecco extra seco. As iniciativas, que acontecem das 18h00 às 21h00, custam 158 patacas e vão realizar-se no Paiza Lounge do Sands.
excepcionais músicos”, afirma a organização. O músico conta cerca de 30 anos de carreira e tem participado nos mais diversos projectos musicais, designadamente no álbum “Fados de amor e pecado”, com João Monge, da fadista Ana Sofia Varela, que foi distinguido com o Prémio Amália Melhor Álbum em 2010. Mais recentemente, o músico formou o grupo Baile Popular, gravou um CD com Luís Represas, ex-companheiro dos Trovante, formou o Quinteto Lisboa, em 2012, e compôs uma “Missa brevis”. A 12.ª edição do Festival edpcooljazz realiza-se nos Jardins do Marquês de Pombal e no Parque dos Poetas, em Oeiras, nos arredores de Lisboa, de 19 a 31 de Julho. Entre os nomes já confirmados estão Chick Corea & Herbie Hancock, que actuam no dia 19 Julho, Mark Knopfler, no dia 28, Melody Gardot, dia 29, Lionel Richie, dia 30, e a dupla Caetano Veloso e Gilberto Gil a 31 de Julho. Desde 1994, o festival conta “mais de 120 concertos, tendo juntado mais 275.000 pessoas”, segundo a mesma fonte.
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artes, letras e ideias
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á largos dias, um vento de fim do mundo. Coisa perturbadora nos fenómenos atmosféricos é o vento. Dissipador. Desestabilizador. Porque a enormidade do universo me causa o temor da diluição. Outras vezes o conforto. Como na contemplação do mar, ou do céu. Algo de temporariamente harmonioso, repostas as devidas escalas, se traduz numa sensação de apaziguamento. Sobretudo isso. No entanto aquilo que me faz sentir na verdadeira escala de grandeza face ao universo, com um rigor maior, é apavorante. Viver na ilusão de ter uma alma cheia, uma consciência maior que o tamanho da cabeça e sentir o seu conteúdo exorbitante, e mesmo assim, face a um vento comum, sentir a insignificância de desempenhar um papel baseado na enorme ficção, de relevância da espécie, num planeta também insignificante e ínfimo. Um grão de poeira neste universo. E, face a este mecanismo de modéstia, uma série de outras insignificâncias existenciais, são erradicadas do rol das prioridades. Do ser e do fazer, dos esquemas e estratégias. Tudo sem passar de ilusões de relevância. E é o baixar os braços ou encolher os ombros em desalento. Mas há o amanhã para compor tudo isto. Não sei no entanto se o depois de amanhã é real, ou já é aspirar a muito mais do que a imprevisibilidade universal condena a ter como incerto. Há sempre um meteorito futuro em trajectória de colisão dramática. Que esperar para apurar a essência do momento único que é este? Que já passou algumas palavras atrás e que se escoa por entre os dedos, como pelos intervalos das teclas. Era vento norte, não sei sequer dizer se frequente, mas que naquele dia me apanhou desprevenida e receptiva ao exagero dos sentidos. O mais negativo dos quatro ventos na mitologia também, violento, frio e devorador. Bóreas. Mas o que limpa. Definido como uma simples brisa forte, na escala que diz a dimensão actuante dos ventos em velocidade, inventada pelo Sr. Beaufort, mas esquecendo a medida variável com que estes nos apanham, envolvem e revolvem, por vezes. Só um vento de vinte nós. Que exagero meu. Hipersensibilidade num momento particular. O vento forte, no campo, pode ser atemorizador porque toda a natureza vegetal se move tresloucada, violenta, ruidosa. Não sei porquê apavorante, se simplesmente acentua a percepção da natureza como um conjunto de forças
Anabela Canas
Quantos nós tem o vento (I)
vivas…Mas na cidade é diferente. A cidade crispa-se e parece-me subitamente silenciosa, resistente e triste. Na cidade, qualquer cidade, contrária e ausente dessa natureza transcendente de forças, os ventos são de tal modo alheios à natureza disciplinada em que se ordena
o espaço, que me dão uma sensação de imprecisa de temor. Porque desse vento indomável que atravessa a correr as ruas disciplinadas da cidade, emerge a sensação de que, por comparação, estas são mortas, remotas, a resistir como ruínas aos elementos.
Não é que tenha sido exactamente assim. Mas algo naquele momento arredou da minha percepção os sinais normais também da existência de pessoas, registando com intensidade que tornou real, o que talvez fosse só uma impressão baralhada dos sentidos. Varridas do
artes, letras e ideias 15
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de tudo e de nada
mundo, naquele lugar, o resto das pessoas. E as que ficaram, isoladas do meu olhar inquieto por uma cortina de recusa de entendimento maior, à excepção daquilo que sentia. Mesmo as folhas ainda ausentes das tílias, pareciam ter sido levadas malevolamente ainda an-
tes de rebentar. Este vento numa cidade move sempre e quase só lixo pelos ares. Sacos de plástico, como restos de civilização. Esta minha paragem um pouco fora dos referenciais de normalidade, também por ver-me, nessa mesma tarde,
mas antes, numa incursão rápida a meio do meu dia, e para tratar de uma coisa banal, um documento que me identifica não já como ser com identidade, mas agora com cidadania, o que me deu matéria para pensar. E num sítio, para além do vento, de uma rara estranheza. Na margem da cidade mas irreconhecível. Espaçoso, novo, despido de referências. E também aí pensei que tudo me lembra de alguém. Seja quem for. Gravado em profundidade num lugar exterior ou anterior. Ou pensando melhor, num lugar posterior da memória da estranheza. O que mostra toda a falibilidade dos eixos referenciais, e do suposto elo entre coisas, lugares e pessoas. A qualquer momento inesperadamente reelaborado. Depois pensei que na realidade o meu mundo morreu, um certo mundo. Não como morre todos os dias no escoar dos segundos, nem como quando consigo adormecer e o perco da consciência que é o único modo que tenho de o possuir, mas como uma certa forma de familiaridade, na qual, é certo, também noutro tempo me senti anacrónica. Ligada por empatia a coisas de outras épocas, mas também a coisas que eram mudança relativamente a elas. Penso depois na minha vontade de partir que povoava todas as noites aqueles momentos de escuridão pacífica antes do sono, pelos quais me deitava emocionada para rever noite após noite. A cabeça povoada de literatura de piratas e corsários, expedições e descobertas. Mundos longínquos, carácteres nobres. O muito longe como apelo. Mais tarde a minha vontade e partir ganhou contornos menos definidos até se reconhecer a si própria como independente de tempo e lugar. Pensei que na realidade o meu fim do mundo já foi. Parece exagero mas dou por mim a pensar que o meu mundo morreu. Foi morrendo aos poucos subliminarmente, a velocidades diferentes, fui-as lendo parcialmente e naquele dia elaborou-se a frase definitiva. Mas não morreu porque tenho a idade que tenho, mas sim porque a tenho no tempo que habito. E com a infância lá longe. Um tempo de bons e de maus. Começou a morrer quando atingi uma idade de maturidade. Quando apareceu a internet e subverteu as relações de proximidade e distância entre as pessoas e os saberes. Quando a publicidade invadiu o meu espaço e o meu tempo privado, vindo ao meu encontro quando não a quero. Quando os telemóveis permitiram às pessoas naturalmen-
Anabela Canas
te telefonar demais, de e para qualquer lugar. Perguntar, onde estás em vez de como estás, e excluíram qualquer noção de rigor ou de respeito pela privacidade. Quando se passou a copiar tudo e tudo se tornou mais impessoal, quando se perdeu a caligrafia, o cheiro dos livros. Quando o meu pai morreu, porque quando os pais morrem se desprende uma parte das raízes e as árvores podem ter tendência a tombar. E o meu avô mais paternal. E o outro que se suicidou. E mais um sem número de tios e tias benéficos e bem dispostos. Os mais velhos de uma família grande. E que eram aqueles que mais relação tinham comigo. Com um grau de identificação maior. Dos mais novos a distância é muito maior porque já são um outro mundo. E a minha amiga quase irmã, Guiomar. Pouco mais do que a idade de Cristo e também com uma coroa de espinhos. Mas no estômago. E amizades e amores que acabam. Ou vão acabando, por vezes já cobertos por uma capa fina de inércia, que não resiste a um gesto particular, uma insignificância qualquer. Não era pois da natureza que falava e sim de um mundo que senti que já não está cá. Que foi desaparecendo dando sinais e um dia já lá não estava. Resumido àquela sensação de para sempre, que é também o lugar da infância. E que um dia se desfaz. Nos últimos trinta anos, dez anos ou no ano passado talvez. Algumas pessoas fizeram o epitáfio mas não a oração fúnebre. Essa cabe-me a mim mas não a quero fazer. Depois entendi que começou a acontecer quando tinha seis anos. E, pela primeira vez dei uma enorme desilusão a mim própria. Uma mentira triste e que não tive a capacidade de emendar. E me fez morrer um pouco. Mas dela, dessa primeira pequena morte, nasceu progressivamente algo que me estrutura e é importante. Resta pensar nesse ou neste mundo como uma epiderme, de que todos os dias se desprendem células mortas, renovadas do interior incessantemente por outras mais novas, e que com um bom exfoliante se limpa toda essa camada já em desuso, fazendo emergir uma pele de mundo mais luminosa. A prazo, claro, mas temporariamente nova. E depois, coincido por momentos neste mundo a trinta centímetros de distância, vejo que são seis da tarde. Olho pelas janelas e vejo a luz a mudar perceptivelmente, e sei que este é o mundo possível. O deste preciso momento. E é bom.
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PEDRO VELHO notável fundador de Macau T
erminamos o artigo que abordava a vida do Capitão Jorge Álvares dizendo que, após a morte do Padre Francisco Xavier ocorrida em 1552, não aparecem mais informações sobre esse mercador português. No entanto, através de Rui Manuel Loureiro sabemos que nesse mesmo ano, ainda em Sanchoão, o Capitão Jorge Álvares encomendara a mercadores chineses várias peças de porcelana azul e branca, onde o seu nome aparecia, “O MANDOU FAZER JORGE ALVRZ 1552” e que mais tarde lhe foram entregues. O Padre João de Lucena refere que após o Capitão regressar a Malaca, aí, algumas semanas depois, “uns ladrões o mataram bem desastradamente no mato, indo a cortar madeira”. Assim fechamos a história da vida deste mercador e Capitão, que terá morrido nos finais de 1552, ou inícios de 1553. Pedro Velho é outra figura à qual dedicamos uma procura de anos para saber um pouco mais da sua vida e quase nada conseguimos adiantar para além do muito badalado episódio ocorrido em Sanchoão, onde também intervém o Padre Francisco Xavier. Pertencente à lista dos primeiros habitantes de Macau, Pedro Velho mereceu uma referência desse jesuíta em carta de 13 de Janeiro de 1552 ao Rei de Portugal D. João III: “Homem rico e abastado e de muito serviço”. Encontrou pela primeira vez o Padre Xavier no Japão, após este chegar a Kagoshima, Satsuma, no dia 15 de Agosto de 1549. Pedro Velho partira de Portugal para a Índia em 1524 e no ano seguinte estava no Malabar já como Capitão de um navio, tendo também comercializado por Malaca, China e Japão. Pouca informação existe sobre esta personagem e não fosse ter na Ilha de Sanchoão ocorrido o episódio de ficar a saber a altura da chegada do seu falecimento, seria mais um dos capitães mercadores portugueses que pelo Extremo Oriente passaria sem deixar rasto.
上州 A Ilha de Shanghuan Na costa da província de Guangdong, a Sul do delta do Rio das Pérolas encontra-se a Ilha de Shanghuan, conhe-
cida pelos portugueses por Sanchoão, S. João, ou Sanchuan, que segundo Benjamim Videira Pires fica a “duas léguas do continente, e trinta da cidade de Cantão”. Em 1535 havia uma alfândega em Macau, que depois foi transferida para Lampacau, onde os portugueses, no início disfarçados de habitantes do Sião em embaixada tributária, iam para negociar com os chineses. Em 1543, com a chegada dos portugueses ao Japão, as ilhas ao redor de Cantão, Sanchoão e Lampacau, ganharam um imenso movimento e nesse mesmo ano, já quinhentos portugueses aí negociavam com os chineses sedas, chá e porcelanas, a troco de prata. Altura em que os mercadores portugueses conseguiram também estabelecer-se em Liampó, na costa da actual província de Zhejiang e daí expulsos, foram para Chincheu, porto da província de Fujian. Perdidas estas duas bases, os mercadores portugueses compraram a tolerância dos mandarins de Guangdong, que veladamente lhes permitiram estadias curtas de novo em Shanghuan e Lampacau, tão mal estavam as finanças provinciais chinesas. Assim, para realizarem trocas com os comerciantes de Cantão, desde 1549 até 1553/4, os barcos portugueses, os únicos europeus que navegavam no mar da China, por estarem proibidos de entrar no continente chinês, aportavam na Ilha de Sanchoão, sobretudo entre os meses de Julho a Outubro. O Padre Francisco Xavier, devido à embaixada do Vice-rei das Índias à corte chinesa ter sido desfeita em Malaca, chegou a Sanchoão para entrar clandestinamente na China. É dele a descrição feita em 1552 desta ilha, como sendo muito movimentada e onde numerosos comerciantes cantonenses vinham fazer fazenda com os portugueses, negociando sedas por prata. Aí se acomodavam algumas centenas de portugueses alojados a bordo das suas embarcações, ou em cabanas temporárias destruídas no fim da estação comercial, antes de abandonarem a ilha. Rui Manuel Loureiro acrescenta: “À chegada do padre mestre, a ilha assumia o aspecto de uma enor-
me feira franca, onde portugueses e chineses se dedicavam a um intenso tráfico, descuidando de todo a vida espiritual.” Já o Padre João de Lucena referia em finais do século XVI ser Sanchoão “uma feira de enganos e usuras, uma praça de jogo, brigas e desmandos”, “de gente rica, farta, ociosa, dissoluta” e pela chegada à ilha do jesuíta Francisco Xavier,
onde mandando erguer uma igreja, modificou o estar desses mercadores portugueses. Em Sanchoão, provavelmente em Setembro de 1552, o Padre Mestre Xavier revelou ao amigo Pedro Velho que a sua hora chegaria quando lhe soubesse mal o vinho. Isto ocorreu depois de Pedro ter entregado a chave do seu cofre ao padre para de lá retirar
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José Simões Morais
o dinheiro do dote de casamento de uma chinesa pobre. Pedro Velho, entretido nos copos e a jogar, não quis deixar a mesa e acompanhar o jesuíta. Após regressar com a chave, entregando-a disse-lhe ter retirado trezentos cruzados e logo Pedro retorquiu dever ele ter levado os trinta mil que lá estavam. Perante tal desprendimento, Francisco Xavier revelou-lhe que nada na vida lhe faltaria e indicou quais os sinais que antecipariam a chegada da sua morte.
A vida de Pedro Velho Foi pelo acordo de 1554, entre o Capitão-mor Leonel de Sousa e o mandarim Wang Bo (subintendente dos Assuntos de Defesa Costeira), que Macau se tor-
Em Sanchoão, provavelmente em Setembro de 1552, o Padre Mestre Xavier revelou ao amigo Pedro Velho que a sua hora chegaria quando lhe soubesse mal o vinho nou na China uma das principais bases de comércio de estadia temporária para os portugueses, passando a permanente em 1557. Assim, o início do estabelecimento oficial e fixação portuguesa em Macau. Já da Ilha de Shanghuan se tinha perdido o comercial interesse, após daí levar o corpo do Santo, mas Lampacau, como porto de veniaga, só deixou de o ser entre os anos de 1561 e 1562. Importante comerciante, Pedro Velho foi um dos notáveis fundadores de Macau e aqui, já com uma adiantada idade, a sua extraordinária morte causou grande sensação. Amigo de Diogo Pereira e de S. Francisco Xavier, de que foi testemunha dos seus primeiros milagres, Pedro Velho viveu “até à última velhice próspero e abundante assim de dinheiro, como de outros bens de fortuna. Esteve algumas vezes arriscado a quebrar, mas com os subsídios dos amigos, que prontamente lhe acudiam, como se fossem comuns os interesses, tornava a levantar a cabeça.” Palavras do Padre Francisco de Sousa no “Oriente Conquistado por Jesus Cristo”. Já Manuel de Faria e Sousa no livro “Ásia Portuguesa” por duas vezes fez referência a Pedro Velho: No ano de 1585?, “Rajale, Rei da cidade de Jor, escandalizado de que em Macau lhe tivessem metido ao fundo uma embarcação, por mais que lhe dessem satisfações, dispôs-se à vingança, fingindo que as tinha por justas. Com boa frota impedia os mantimentos àquela praça. Partiu a ser capitão-mor daquele mar D. Jerónimo de Azevedo, que, dando princípio ao reparo, enviou Pedro Velho com oito navios sobre uma povoação vizinha de Jor. Queimou-a. Ao recolher, porém, assaltado pela armada inimiga, foi desbaratado com a perda de quatro fustas e perdê-las-ia todas se Pedro da Cunha Carneiro não acudisse velozmente com o seu galeão e, com estranha valentia, não os arrancasse às mãos do inimigo.” “Finalmente, estando um dia muito alegre e festival em um solene banquete, pediu vinho e parou ao primeiro sorvo, porque lhe soube a fel, e trazen-
do à memória no mesmo tempo a profecia do Santo, teve um certo horror a tão improviso anúncio da morte. Querendo certificar-se mais, passou a taça aos amigos e perguntou-lhes a que lhes sabia aquele vinho. Responderam que era excelente. Mandou vir outros copos e outras castas diversas de vinhos e todos lhe amargavam na boca. Não lhe restando já dúvidas, levantou os olhos ao Céu e tacitamente se pôs todo nas mãos de Deus e referiu aos convidados a profecia do Santo e o cumprimento dela que agora se via e começou a preparar-se para bem morrer. Repartiu da sua fazenda liberalmente com os pobres e deixou o restante aos filhos, que viveram depois ricos e abastados das cousas do mundo. Despediu-se dos amigos, muitos dos quais vendo-o são e valente e ouvindo-o falar da morte tão vizinha, como ele dizia, imaginavam que já tonteava ou pela muita velhice, ou por alguma repentina melancolia e tratavam de o alegrar com lhe dizer cousas alegres e o aliviar com divertimentos aprazíveis. Mas ele os levou todos consigo à igreja, onde havia mandado aprestar tudo quanto era necessário para um ofício funeral; tomou o Santo Viático e a Extrema Unção das mãos do Vigário, e deitando-se na tumba, como se estivesse morto, fez cantar uma Missa de Requiem.” O Padre Manuel Teixeira refere este texto retirado do Padre Francisco de Sousa no “Oriente Conquistado por Jesus Cristo”.
A morte de Pedro Velho Montalto de Jesus escreve: “Outro notável fundador de Macau foi Pedro Velho, um importante mercador cuja extraordinária morte causou grande sensação. Conta-se que durante uma festa se despediu misteriosamente dos seus amigos, os convidou para o seu funeral e, depois de deixar resolvidos os seus assuntos mundanos, foi à igreja, preparou-se para a morte e, imitando os mor-
Importante comerciante, Pedro Velho foi um dos notáveis fundadores de Macau e aqui, já com uma adiantada idade, a sua extraordinária morte causou grande sensação
“Finalmente, estando um dia muito alegre e festival em um solene banquete, pediu vinho e parou ao primeiro sorvo, porque lhe soube a fel, e trazendo à memória no mesmo tempo a profecia do Santo, teve um certo horror a tão improviso anúncio da morte” tos, deitou-se num ataúde, entre círios acesos, enquanto padres oficiavam uma missa cantando de requiem, para descanso da sua alma. Quando, depois da cerimónia, os criados levantaram a mortalha com a qual se tinha coberto, encontraram-no realmente morto. Soube-se que durante a festa ele recebeu o que considerou um aviso de morte, profetizado por S. Francisco Xavier em Sanchuan – entre os aldeãos daquela ilha, havia uma linda rapariga. Para a salvar das tentações a que estava exposta, S. Francisco apelou para a generosidade de Pedro Velho que, embora descrente em assuntos de fé, nunca negou a assistência pecuniária ao santo homem para os seus actos de caridade. Em troca de um dote para o casamento da doce rapariga de Sanchuan, S. Francisco abençoou o doador e, para que a morte não o apanhasse desprevenido, predisse que o seu último momento estaria próximo quando achasse azedo um bom vinho: foi o que aconteceu na festa. De muito serviu esta predição para atestar o dom de profecia do santo na sua canonização.” Regressando ao Padre Francisco de Sousa no Oriente Conquistado...: “Estava já na igreja povo inumerável, uns esperando para verem o cumprimento da profecia do Santo e outros para se rirem da doudice do Velho. No fim da missa se chegou o Sacerdote com os Ministros junto à tumba para lhe cantarem, como é costume, o último responsório. Estava ele ainda vivo no princípio desta cerimónia, mas acabado o responsório e cantado o Requiescat in pace, se chegou um criado a ele para o levantar e achou-o morto. Incrível foi o ruído e abalo do povo, enquanto acabaram de desenganar-se, seguindo-se logo muitas lágrimas de devoção e ternura e afectuosas bênçãos à santa memória do Padre Mestre Francisco defunto havia já muitos anos. Aconteceu esta prodigiosa morte em Macau”.
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( F ) utilidades
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tempo aguaceiros ocasionais min 26 max 30 hum 75-95% • euro 8.9 baht 0.24 yuan 1.2
Cineteatro
O que fazer esta semana Hoje Teatro “O Fato” (Festival de Artes de Macau) Centro Cultural de Macau, 20h00 Bilhetes das 150 às 200 patacas
Cinema Sala 2
helios [c]
Sala 1
the avengers: age of ultron [3d] [b]
Filme de: Joss Whedon Com: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo 14.15, 19.15
the avengers: age of ultron [b]
Filme de: Joss Whedon Com: Robert Downey Jr., Chris Hemsworth, Mark Ruffalo 16.45, 21.45
Exposição de Artes Visuais de Macau (até 2/8) Pintura e Caligrafia Chinesas Edifício do antigo tribunal, 10h00 às 20h00 Entrada livre
falado em cantonês legendado em chinês e inglês Filme de: Longman Leung, Sunny Luk Com: Jacky Cheung, Nick Cheung, Shawn Yue, Ji Jin-hee 14.30, 16.45, 19.15, 21.30 Sala 3
murmur of the hearts [b]
falado em mandarim legendado em chinês e inglês Filme de: Sylvia Chang Com: Isabella Leong, Joseph Chang, Lawrence Ko, Lee Sinje 14.30, 16.45, 19.15, 21.30
Exposição “A Última Fronteira: Mistérios do Oceano Profundo” (até 31/05) Centro de Ciência de Macau Palestras sobre o Oceano Centro de Ciência de Macau, 18h00 às 19h00 Entrada livre
Aconteceu Hoje
Amanhã
Nasce Jean Henri Dunant, fundador da Cruz Vermelha
Teatro “O Fato” (Festival de Artes de Macau) Centro Cultural de Macau, 20h00 Bilhetes das 150 às 200 patacas Dança “Aerodinâmica” (Festival de Artes de Macau) Centro Cultural de Macau, 20h00 Bilhetes das 100 às 250 patacas Palestras sobre o Oceano Centro de Ciência de Macau, 18h00 às 19h00 Entrada livre Residência Artística “Equilíbrio”, de Lee Kiho Armazém do Boi, 16h00 Entrada livre
Domingo Teatro “O Fato” (Festival de Artes de Macau) Centro Cultural de Macau, 20h00 Bilhetes das 150 às 200 patacas
h o j e h á f i l m e “Citizen Kane” (Orson Welles, 1941)
Diariamente Exposição de Fotografia de Erwin Olaf (até 8 de Maio) Casa Garden Entrada livre Exposição “Homenagem a Mestres Inspiradores” (até 10 de Maio) Armazém do Boi Entrada livre Exposição “Valquíria”, de Joana Vasconcelos (até 31 de Outubro) MGM Macau, Grande Praça Entrada livre
8 de maio
Uma obra prima do homem que foi considerado, desde cedo, um prodígio. “Citizen Kane” traz-nos a história de um magnata do jornalismo, Charles Foster Kane, que morre - logo no início do filme – dizendo “Rosebud” como as suas últimas palavras. Começa, então, a especulação em torno da notícia do falecimento daquele que é um dos homens mais ricos do mundo. Cabe ao jornalista Jerry Thompson (William Alland) investigar a vida de Kane... Joana Freitas
• A 8 de Maio de 1828 nasce Jean Henri Dunant. Nascido na Suíça, Dunant venceu o Prémio Nobel da Paz em 1901, por ter fundado a Cruz Vermelha Internacional e criado a Convenção de Genebra. Jean Henri Dunant era filho de um casal com grande influência na cidade e activo na vida política e social. O pai era membro do Conseil Représentatif, um dos ex-ramos legislativos da cidade de Genebra, e cuidava de órfãos e ex-reclusos. Já a mãe era filha de Henri Colladon, chefe do Hospital de Genebra e prefeito de Avully. Ela trabalhava no sector de caridade, especialmente com pobres e doentes. As actividades de caridade dos pais reflectiram-se na educação dos filhos: eles incentivaram a responsabilidade social desde cedo em Henry Dunant e nas suas duas irmãs e dois irmãos. Uma experiência marcante para Henry Dunant foi uma viagem com o pai para Toulon, onde teve que testemunhar a tortura de prisioneiros numa cozinha. Inicialmente um homem de negócios, Dunant cresceu para se tornar representante de uma companhia genovesa. Enfrentando alguns problemas no que diz respeito à exploração de terras - e numa tentativa de solução desses mesmos problemas - decidiu dirigir-se pessoalmente ao imperador francês Napoleão III, que na época se encontrava em Itália dirigindo o exército francês. Ao presenciar o sofrimento na frente de combate na Batalha de Solferino em 1859, Dunant organiza de imediato um serviço de primeiros socorros. Desta sua experiência resultou o livro ‘Un souvenir de Solferino’, publicado em 1862, onde sugeria a criação de grupos nacionais de ajuda para apoiar os feridos em situações de guerra e propunha a criação de uma organização internacional que permitisse melhorar as condições de vida e prestar auxílio às vítimas da guerra. É então em 1863 que é criado o que chamava na altura ‘Comité International de Secours aux Blessés (Comité Internacional de Socorro aos Feridos) reconhecida no ano seguinte pela Convenção de Genebra e o que viria a ser o Comité Internacional da Cruz Vermelha. A Cruz Vermelha é uma organização que até hoje ajuda pessoas doentes no mundo inteiro.
João Corvo
fonte da inveja
Nada há mais cómico que um homem.
opinião
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Isabel Castro
contramão
Thomas Balmes, Babies
isabelcorreiadecastro@gmail.com
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Os filhos das mães
S
ó sabe o que é ter filhos quem os tem, mas nem todos aqueles que se encarregaram já de garantir a descendência sabem exactamente o que implica o exercício do prolongamento da espécie. Para os que ainda não se estrearam nestas andanças, para os que já não se lembram (a memória selectiva parental é admirável) ou para os que nunca chegaram a compreender bem o que aconteceu lá em casa: o nascimento de um bebé é uma coisa tão fantástica quanto terrível. O miúdo vem cá para fora e é três quilos de gente – mais coisa, menos coisa. Cai de pára-quedas no mundo sem saber nada do que é isto, sem perceber o que lhe aconteceu. Para as tarefas da sobrevivência, conta – à partida – com a experiência dos mais vividos, daqueles que são responsáveis por ter adquirido existência. O ser humano é, numa fase inicial, muito pouco desenrascado, mas extraordinariamente ditador. Chora desalmadamente horas a fio sem se explicar, sem que nada lhe sirva de consolo. Três quilos de gente, mais coisa menos coisa, que põem a casa em pantanas – se não houver avó, tia, vizinha ou empregada experiente por perto, os primeiros dias com um filho novinho em folha podem ser para esquecer. E as noites também. Mesmo que a criança de ditadora tenha pouco e seja calma, rechonchuda e queridíssima, continua a desconhecer o conceito de autonomia: no primeiro mês, tem de se alimentar de três em três horas, incluindo durante a noite, o que é mesmo chato. A sofreguidão continua, por norma, nos meses seguintes. É mais espaçada, mas continua. A lei de Macau – e quase todos os patrões
do burgo, que nestes assuntos são escrupulosos no cumprimento rigorosíssimo da lei – dá às recém-mães o direito a ficarem em casa 56 dias depois do nascimento dos filhos. Há uns anos, não muitos, era ainda pior – a licença de maternidade mal ultrapassava o primeiro mês de vida –, mas o número 56 continua a ser uma lástima, uma vergonha para um sítio que acha que não pertence ao terceiro mundo. Aos 56 dias de campeonato, é pouco provável que lá por casa tenha havido uma noite de sossego nas últimas 55 noites. Aos 56 dias de campeonato, os miúdos ainda não dominam a arte de enfiar o leite no biberão e não fazem a mínima ideia de que as fraldas não são para sempre, há que as ir mudando de vez em quando. Quanto à mãe, a quem a enfermeira tanto chateou para dar de amamentar, anda num desespero para garantir um banco de leite congelado no frigorífico ou então já se rendeu às quase 300 patacas por lata que a fórmula custa. Mistura-se com água e está feito.
Os pais não contam. É como se o papel que desempenham tivesse começado e terminado na noite (ou no dia) em que aconteceu a parte mais aprazível do processo paternal. Filho feito, assunto despachado
Como é óbvio, há a avó, a tia, a vizinha ou a empregada experiente para que tudo isto custe menos. Ou não – não há a avó nem a tia nem a vizinha, a empregada custa dinheiro, as creches estão cheias e são poucas as que aceitam bebés em tão preliminar estado de independência. Mas 56 dias são 56 dias – e o patrão conta os trocos ao que já perdeu com tão generosa benesse social. No meio disto tudo, o pai não conta. É como se o papel que desempenha tivesse começado e terminado na noite (ou no dia) em que aconteceu a parte mais aprazível do processo paternal. Filho feito, assunto despachado. O pai não conta porque a lei desconhece-o. Dá-lhe dois dias de faltas justificadas e a coisa fica por aqui. O primeiro dia é para estar à porta do bloco de partos à espera de notícias. O segundo é para ir comprar as fraldas que o hospital público não garante aos recém-nascidos, grandes consumidores deste objecto descartável que, disponibilizado em abundância, teria efeitos mais perniciosos nos cofres públicos que a debandada colectiva dos junkets de Macau. Neste segundo e último dia de falta justificada talvez se jante ainda com o resto da família. E se beba um copo para comemorar a chegada do mais novo. No dia em que a companheira e o descendente têm alta, já não há falta possível e nem sempre a compreensão da entidade patronal está garantida: o melhor é ir buscar a família à hora do almoço e, se a cria nasceu no hospital público, há que ter muita fé nos santos e nos deuses todos para que haja um lugar para estacionar a viatura, ou então rezar ainda mais para que haja um táxi caridoso ali por perto. Um autocarro à pinha também é uma opção inesquecível de primeira viagem em família.
Com toda a gente em casa e em segurança, o pai volta para o trabalho. Ou talvez não – talvez tenha guardado os imensos dias de férias previstos na lei para ficar uma semana a sentir o papel de pai. Ou talvez não – a avó, a tia, a vizinha ou a empregada experiente fazem as vezes. A vida é assim e começa logo difícil. Esta semana voltou a falar-se da necessidade de haver licença de paternidade em Macau. Leio e releio a frase que acabo de escrever e considero-a inqualificável, incompreensível, pelo grau de atraso que implica: Macau tem ouro no chão, ouro nos tectos, ouro nos cofres, Macau sofre e contorce-se porque os milhões são menos do que eram no ano passado, Macau gaba-se de ter famílias, as que podem e as outras, Macau é conservadora e nada independente, Macau tem primos e mais primos que serão por certo filhos de alguém, filhos das mães e dos pais também, mas Macau não acarinha quem quer ter família – sobretudo quem quer tê-la desde o primeiro minuto, com tudo aquilo que devia ter direito. Presumo que seja assunto pouco fracturante: a verdade é que, por altura do 1o de Maio, não vejo gente na rua a pedir mais direitos para os trabalhadores que são pais, o fim dos turnos estranhos e a criação de horários reduzidos para quem tem filhos pequenos, o aumento da licença de maternidade, uma licença de paternidade que seja condigna. As reivindicações são outras, por certo mais importantes: o fim das salas de fumo nos casinos, os aumentos salariais, o fim dos trabalhadores não residentes, o dinheiro, o dinheiro e o dinheiro, que é – como toda a gente sabe – o que se leva desta vida. Por aqui, os beijos dos filhos valem pouco. Os beijos dos filhos de quem toma decisões políticas devem valer ainda menos.
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“UNEP estimates that up to US$6 trillion a year is needed until 2030 for countries to improve their energy, transport, water and urban infrastructure-the building blocks of sustainable development.” Our planet: Time for Global Action United Nations Environment Programme (March 2015)
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“Avaliação Ecossistémica do Milénio (MA na sigla em língua inglesa) ” é um projecto de pesquisas realizado entre 2001 e 2005, por mil e trezentos e sessenta cientistas, de noventa e cinco países, e coordenado pela ONU, com o objectivo de avaliar os impactos das mudanças nos ecossistemas, o uso e desperdício dos recursos naturais do planeta, bem como a qualidade de vida do ser humano, tendente a estabelecer uma base científica que apoiasse as necessárias acções para garantir a conservação e o uso sustentável dos ecossistemas e o bem-estar dos seres humanos. Os estudos levados a cabo durante quatro anos, examinaram profundamente, os benefícios que recebem as pessoas das funções dos ecossistemas, tendo os resultados sido publicados em Março de 2005, revelando que mais de 60 por cento dos serviços dos ecossistemas examinados, estão a ser degradados ou a serem utilizados de forma insustentável. O relatório final aponta cinco principais causas de degradação dos serviços dos ecossistemas, avisando que as alterações climáticas como segunda principal causa a seguir à actividade humana, são as únicas cuja ocorrência está a aumentar rapidamente para todos os tipos de ecossistemas. O quinto relatório sobre as “Perspectivas do Meio Ambiente Mundial” e o “Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA na sigla em língua inglesa) ”, publicado em 2012, actualizou a informação sobre o meio ambiente mundial, sustentando a avaliação de 2005. O relatório da iniciativa “Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (TEEB na sigla em língua inglesa) ”, publicado em 2010, teve por base um estudo sobre as razões económicas da conservação da diversidade biológica e dos serviços dos ecossistemas, e revelou que os benefícios superam sobremaneira os custos, mas tal mensagem, extremamente importante, não teve ainda a repercussão que deveria no que se refere à reorientação das dotações orçamentais. A situação exige medidas urgentes. Além dos múltiplos riscos que representam as alterações climáticas, os relatórios sobre as “Perspectivas do Meio Ambiente Mundial” de 2012, e do “Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em língua inglesa) ” de 2013, confirmaram outras tendências preocupantes como as zonas húmidas, incluídos os rios, lagos, turfeiras e pântanos situarem-se entre os ecossistemas mais gravemente afectados.
Christopher Nolan, Interstellar
Modelo económico mundial esgotado
As tomadas de água, a perda e fragmentação do habitat, a contaminação por excesso de nutrientes, sedimentos, sais e toxinas prejudicaram consideravelmente a função do ecossistema e geram importantes emissões de gases de efeito de estufa na maioria das principais bacias hidrográficas e fizeram que alguns grandes rios não conseguissem desaguar no mar. A existência de imensa população pobre que vai aumentando nas zonas áridas do mundo, cria um círculo vicioso de escas-
sez de água, cultivo em terras marginais, pastoreio excessivo e sobre-exploração de árvores. As florestas tropicais, um importante sistema de armazenamento de carbono, estão a ser sobre-exploradas e eliminadas para fins agrícolas, sendo uma ameaça, tanto para o clima mundial, como para o bem-estar da população local, constituindo uma perda irreversível da diversidade biológica, degradação dos solos e alteração das correntes de água.
A existência de imensa população pobre que vai aumentando nas zonas áridas do mundo, cria um círculo vicioso de escassez de água, cultivo em terras marginais, pastoreio excessivo e sobre-exploração de árvores
Alguns modelos climáticos prevêem que a perda de terrenos baldios cumulados poderia converter-se numa fonte de dióxido de carbono em terrenos baldios durante este século. Algumas dessas situações contribuem para as mudanças climática, enquanto outras sofrerão um agravamento. O aquecimento atmosférico, especialmente no Árctico, poderia libertar mais gases de efeito de estufa com o derretimento de gelo permanente, e a elevação do nível do mar provocado pelas mudanças climáticas o que obrigou já algumas comunidades costeiras a mudarem. A ocorrência de secas recentes afectou a produção de alimentos na África setentrional, Médio Oriente, América do Norte, Ásia Central e Austrália, provocando o aumento dos preços dos alimentos, agravado pelas
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jorge rodrigues simão
quotas de biocombustíveis que utilizam quantidades cada vez maiores de trigo e milho, e um maior consumo de carne, que se traduz no uso de 50 por cento das culturas capazes de produzir grandes quantidades de proteínas como alimentação para animais. As tempestades tropicais são cada vez mais intensas e economicamente prejudiciais, tal como tinham previsto os cientistas do IPCC, relativamente ao efeito das mudanças climáticas, ainda que os regimes de chuvas sejam cada vez menos previsíveis. Os importantes efeitos das mudanças climáticas repercutem nos ecossistemas florestais e em 2025 seremos testemunhas da extinção lenta de grande parte das florestas. As catastróficas inundações que cada vez com mais frequência têm assolado a América do Norte, Europa, China (devendo
as alterações climáticas serem consideradas segurança de Estado, no entender de alguns cientistas), Brasil, Indonésia, Índia, e Austrália a um ritmo sem precedentes. Os calamitosos desastres que têm ocorrido por todo mundo não podem ser considerados como fenómenos meteorológicos isolados, mas sim fruto das mudanças climáticas e os danos são em certa medida
o resultado de um planeamento deficiente, sendo que a lista desses incidentes aponta de maneira inequívoca para um futuro incerto repleto de desafios ecológicos, como foi previsto no relatório do IPCC de 2007. As reacções negativas relacionadas com o carbono, como por exemplo, florestas inadaptadas que morrem como consequência das mudanças climáticas antropogénicas,
Os calamitosos desastres que têm ocorrido por todo mundo não podem ser considerados como fenómenos meteorológicos isolados, mas sim fruto das mudanças climáticas e os danos são em certa medida o resultado de um planeamento deficiente
perspectivas
que libertam quantidades muito maiores de dióxido de carbono seriam uns dos pontos de inflexão mais evidentes que a comunidade internacional, em particular a “sociedade civil global” deveria prever e evitar, se deseja conter o ritmo e a grandeza das mudanças climáticas, dentro de limites relativamente controláveis. As crises ecológicas e de recursos que enfrenta a sociedade moderna são bem mais graves do que a recente crise financeira, pois ameaçam os alicerces do sistema económico e a continuidade do desenvolvimento humano. É de primordial importância que estes problemas sejam reconhecidos inequivocamente, quando cada vez mais se agravam. O “Painel de Alto Nível do Secretário-Geral da ONU sobre Sustentabilidade Global”, apresentou em Janeiro de 2012, um relatório em que conclui que o “actual modelo económico está a levar inexoravelmente os recursos naturais e os sistemas de manutenção da vida no planeta ao limite das suas possibilidades”. A fim de manter a prosperidade que o mundo avidamente deseja, é necessária uma rápida transição para uma economia mundial mais ecológica que liberte o consumo insustentável de recursos do bem-estar humano. A história demonstra, em geral, que o mundo não soube preparar-se antecipadamente para fazer face ao agravamento vagaroso dos problemas que causou. Pelo contrário, os países agem apenas quando um problema se torna demasiado grave, e não é possível desconsiderar ou ignorar. No entanto, com esses adiamentos só se conseguirá que muitas das opções em termos de soluções produtivas não estejam disponíveis, ou sejam mais dispendiosas e que aumente a probabilidade dos resultados não serem óptimos, ou inclusive sejam irreversíveis. A “Cimeira da Terra”, celebrada no Rio de Janeiro, em 1992 aprovou, entre outras medidas, três convenções extremamente importantes, como a “Conferência Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (QNUAC), a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) e a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (CNUCD). Os ambiciosos acordos internacionais, com um âmbito praticamente universal, adoptaram importantes medidas, ainda que insuficientes, para alcançar o desenvolvimento sustentável. Em todos esses instrumentos se faz um apelo à criação de planos nacionais dirigidos a atingir os objectivos das respectivas convenções, e obtiveram financiamento de fontes bilaterais e multilaterais, especialmente através do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF na sigla na língua inglesa) destinada aos países em desenvolvimento. Planos esses nunca realizados em muitos países, encontrando-se esquecidos politicamente, dado não existir tipificado o crime de responsabilidade política governativa danosa por acção, omissão ou negligência.
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paul chan wai chi*
um grito no deserto
Os votos decidem tudo (I)
O
processo da reforma constitucional de Hong Kong entrou na sua fase final. De acordo com o último anúncio emitido pelas autoridades da RAEHK sobre esta matéria, a reforma vai ser baseada nas decisões tomadas pelo NPCSC a 31 de Agosto, tendo ainda sido determinado que o processo de formação dos 1200 membros do “Nominating Commitee” vai permanecer inalterado. De acordo com esta premissa, os candidatos do campo pró-democrático vão poder participar no processo, apesar de este grupo considerar que qualquer pessoa eleita desta forma está sujeita a ser manipulada por aqueles no poder. Segundo a opinião de Larry Diamond, o supervisor de Regina Ip Lau Suk-yee (a presidente da New People’s Party), os elementos do sector pró-democracia só têm duas opções ao seu dispor. Ou aceitam as propostas de reforma apresentadas de modo a permitir que os seus membros participem na eleição para depois a identificarem como fraudulenta, ou então rejeitam a proposta, passando desta forma das palavras à acção e reafirmando assim a determinação do campo pró-democrático. Na verdade, Macau enfrentou uma situação semelhante em 2012. Nessa altura, o
Governo da RAEM apresentou uma proposta de reforma constitucional “2+2+100” à Assembleia Legislativa para que esta discutisse e votasse sobre este assunto. Mas, face à campanha publicitária bem planeada e organizada pelo sector pró-governamental, que controlou os maiores canais de comunicação social e chegou mesmo a reunir 100.000 assinaturas a favor da proposta, a frente pró-democracia de Macau não conseguiu concretizar medidas concretas para evitar a sua aprovação, não obstante a sua tentativa de recolher assinaturas nas ruas do território, aliada à greve de fome de alguns dos seus membros e uma proposta que aconselhava que a votação sobre esta proposta de revisão constitucional fosse alargada de modo a incluir todos os residentes locais. Nessa altura, eu próprio cheguei a considerar apresentar a minha demissão do posto de deputado de modo a mostrar a minha posição em relação a esta matéria. Mas, quando os outros deputados da Associação de Novo Macau revelaram numa conferência de imprensa que não se iriam demitir, decidi então abandonar esta ideia e optei por tentar lutar pelo sufrágio universal enquanto membro da AL. Mas como o nosso grupo representava apenas uma pequena porção do total de assentos disponíveis na Assembleia Legislativa,
“Os pró-democratas acabam por ter apenas uma opção ao seu dispor e não duas (como defende Larry Diamond), e esta só pode ser a rejeição da proposta de implementação de um mecanismo de selecção prévia dos candidatos, que vai contra os princípios da democracia” não tínhamos possibilidade de alterar o curso desta votação. Eu era da opinião que a minha demissão podia ser usada como moeda de troca, de modo a fazer pressão sobre os elementos pró-governamentais e ao mesmo tempo reforçar a nossa posição em futuras negociações. Mas, no final, a frente pró-democracia do território não conseguiu apresentar uma posição coerente nessas mesmas negociações e optou em vez por assumir
cartoon por Stephff
uma atitude passiva. Ao mesmo tempo, recebi informações que me fizeram pensar que a proposta ia passar a ser “2+1+100”, o que significaria que apenas um assento para o sector profissional seria adicionado nas eleições indirectas, permanecendo assim inalterado o número de assentos para o sector social e educacional. Quando chegou a altura de votar sobre a aprovação desta proposta, tudo parecia indicar que a posição oficial era que o número de assentos adicionais nas votações directas e indirectas devia ser diferente. Foi, aliás, o próprio voto do presidente da AL, Lau Cheok Va, que acabou por ser determinante no resultado final. Se este tivesse procedido de outra maneira, a Assembleia Legislativa do presente teria mais componentes democráticos. A política parlamentária envolve uma constante luta pelo poder, e requer a formulação de estratégias, assim como coragem, determinação e um cuidado extremo para nunca revelar as nossas cartas aos oponentes. Durante a reforma constitucional de Macau em 2012, o Governo chinês e o campo pró-governamental controlaram todo o procedimento, e isto fez com que não tivessem medo nenhum em apresentar uma proposta que iria beneficiar apenas um pequeno grupo de pessoas detentoras de interesses entronizados. Mas, no caso de Hong Kong, e depois da “Umbrella Revolution”, a reforma constitucional já não apresenta nenhuma oportunidade para negociações. A publicidade a favor da implementação desta proposta inclui o slogan “2017: Make it happen!”, que é indicador da atitude assumida pelas autoridades chinesas e o sector pró-governamental. Independentemente de os legisladores do campo pró-democrático aceitarem ou rejeitarem esta proposta, o seu conteúdo já não pode ser alterado. O arquitecto desta reforma teve o cuidado de apresentar os pró-democratas como os responsáveis por qualquer avanço ou recuo nesta reforma constitucional. Se estes vierem a aceitar a proposta apresentada, isso indica uma vitória do Governo chinês; se no entanto os mesmos optarem por rejeitar o pacote, esta posição representa uma derrota do campo pró-democrático. No final, os pró-democratas acabam por ter apenas uma opção ao seu dispor e não duas (como defende Larry Diamond), e esta só pode ser a rejeição da proposta de implementação de um mecanismo de selecção prévia dos candidatos, que vai contra os princípios da democracia. Só desta maneira é que os mesmos não abandonam o ideal democrático da realização de um verdadeiro sufrágio universal. Mas, se assim o fizerem, vão de seguida ter de lidar com os problemas que certamente vão surgir depois desta tomada de posição.
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Joana Freitas; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Filipa Araújo; Flora Fong; Leonor Sá Machado Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; José Simões Morais; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca Colunistas António Conceição Júnior; Arnaldo Gonçalves; David Chan; Fernando Vinhais Guedes; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
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Ágape Sora
Vivian Uy, empregada doméstica
“Gosto muito de observar as pessoas” Q
uando não tem de ir ao mercado comprar alimentos ou limpar a casa dos patrões, Vivian Uy fotografa os pedaços de vidas humanas que habitam em Macau. Com o seu Ipad, vê o mundo de cada um. Fotografa velhos em vãos de escada, crianças a saltitar no largo do Senado, mulheres ricas vindas da China a comprar jóias. As suas fotografias estão carregadas de beleza, mas quando lhe dizem que quase poderia ser a nova Xyza Cruz Bacani, desata a rir. Vivian Uy, também empregada doméstica oriunda das Filipinas, gosta do trabalho da sua conterrânea, mas nem imagina sequer que um dia pode ser como ela, uma das vencedoras de uma bolsa para estudar Fotografia em Nova Iorque, depois de dez anos a limpar casas em Hong Kong. “Comecei a tirar fotografias há um ano e não tinha ideia que ia gostar disto. Gosto muito de observar as pessoas, os jovens, velhos, sem-abrigo, os ricos, homens, mulheres. Então comecei a pensar: ‘porque não captar esses momentos?’”. E foi aí que começou. Para já só tira fotografias com o seu Ipad, mas espera “um dia ter máquinas fotográficas”, contou ao HM. Na fotografia, prefere utilizar o nome Ágape Sora, uma mistura de tagalog e japonês, que significa “amor incondicional”. Em Macau há cerca de um ano, Vivian Uy esteve antes em Hong Kong, onde trabalhou para três patrões. Episódios
de violência não os viveu, mas passou por várias situações humilhantes, que a fizeram querer mudar de vida. “Não posso dizer que encontrei maus patrões, mas não me tratavam muito bem. No meu segundo emprego já me convenciam a vir trabalhar para Macau, mas ainda assim decidi manter-me em Hong Kong. Com o terceiro patrão já não conseguia trabalhar mais, então decidi vir para Macau, com a ajuda dos meus amigos. O Governo de Hong Kong não faz nada e não responde às queixas das empregadas domésticas.” Aqui assume sentir outra liberdade, a possibilidade de ter uma vida só sua, sem o controlo permanente dos patrões. “Aqui temos liberdade. Não ao ponto de podermos fazer tudo o que queremos, mas depois do trabalho podemos ir para a nossa casa e estar com os nossos amigos. Em Hong Kong trabalhamos 24 horas por dia e, mesmo quando estamos a dormir, os patrões acordam-nos para fazermos coisas.”
De trabalhadora independente a emigrante
Até chegar a Hong Kong, Vivian Uy trilhou vários caminhos. Fez todo o tipo de trabalhos que lhe pudessem alimentar a família, mas o dinheiro nunca chegava. Teve um ciber-café, foi guia turística para japoneses - o que a levou a aprender a língua do país do Sol Nascente, que ainda domina. Ainda assim, o dinheiro não chegava, pois do seu trabalho vinha o único sustento de uma família inteira. Teve de emigrar para a região vizinha. O marido, filho e família ficariam para trás.
“Uma amiga falou-me da possibilidade de arranjar emprego no Canadá, mas penso que é difícil porque temos de gastar muito dinheiro e é muito longe das Filipinas. Não conseguia ir porque iria ter saudades do meu filho e depois era difícil ir a casa. Não queria estar separada do meu filho”, conta. O rapaz, quase a chegar à universidade, tem o sonho de ser engenheiro, mas os pais não conseguem pagar-lhe os estudos. Mas nem assim a vontade o demove. Para já, vai estudar tecnologia, a sua segunda opção, e depois pagar o curso de Engenharia com as suas poupanças, conta a mãe. “Ele não quer vir para Macau, já lhe disse para tirar umas férias, mas diz que não gosta disto. Mas vou convencê-lo”, refere Vivian Uy. Esta empregada doméstica filipina vive numa casa com cerca de dez pessoas. Só no seu quarto estão cinco. Regressa diariamente ao seu cubículo por volta das onze da noite, mas sente-se feliz na RAEM. Faz parte de uma comunidade naturalmente alegre, apesar das adversidades da vida. “Todos nós queremos privacidade, mas o nosso salário não nos permite pagar uma casa só para nós. Com este tipo de trabalho não podemos pedir por mais, o mais importante é termos uma boa relação com os nossos patrões e termos um bom ambiente. Sabemos que não podemos ter um melhor salário, mas já é bom podermos sustentar a nossa família.” Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo