Skip to main content

Hoje Macau 8 MAI 2013 #2846

Page 1

telecomunicações Agência Comercial Pico • 28721006

pub

Smartone diz ser a mais veloz

pub

Mop$10

Ter para ler

Director carlos morais josé • quarta-feira 8 de maio de 2013 • ANO XII • Nº 2846

aguaceiros ocasionais min 23 max 27 hum 80-95% • euro 10.2 baht 0.2 yuan 1.2

Boxe Pacquiao vs Rios no venetian

Kam Sut Leng não tem medo de lutar

A verdade além de uma minissaia É a mulher do momento em Macau. A professora Kam Sut Leng está de consciência tranquila porque tem o apoio da família e da escola onde trabalha. A activista pede um Governo mais preocupado com os jovens e diz que não se calará. página 3

Venham mais cinco (séculos)

Grace wu em entrevista

página 16

YMCA ajuda jovens a repensar nos valores da vida e da sociedade centrais

definição de centro histórico

Deputados falam de conceito muito simples e deficiente Página 4

MACAU Cooperação externa

Plataforma para os países de língua latina, defende académico Página 2

Macao water

Vêm aí Tarifas com preços de amigo página 6

pub

página 5


2

política

quarta-feira 8.5.2013

www.hojemacau.com.mo

Cooperação externa Académico defende RAEM como plataforma para os países de língua latina

“O papel de Macau está limitado”

joana.freitas@hojemacau.com.mo

E

se Macau não fosse só uma plataforma para os países de língua portuguesa mas também para os de língua latina? A ideia é de Wang Hai, professor do Instituto para a Investigação Económica da Academia das Ciências Sociais de Jiangsu, no continente chinês. O académico defende que Macau tem já alicerces excelentes no que diz respeito aos laços com Portugal e países de expressão portuguesa, mas há que “expandir” para os países latinos. “Macau como plataforma sino-latina tem um significado relevante, quer para Macau e o Delta do Rio das Pérolas, quer para a abertura e desenvolvimento da China”, frisa Hai. Num estudo publicado na última revista da Administração do território, o professor assegura que a utilização de Macau como plataforma para outros países e regiões que não os mesmos de que sempre se fala, pode ajudar mesmo à diversificação da RAEM. “Em virtude de o número de países de língua portuguesa ser reduzido, o papel que Macau pode desempenhar na plataforma internacional de comércio está bem limitado, sendo difícil desenvolver sectores dos serviços de intermediação financeira ou comercial. Em consequência, Macau não conseguiu dinamizar o rumo da diversificação económica.” O académico propõe, por isso, a criação de uma “Miami do Oriente”, expressão que explica com a comparação entre Macau e Miami, nos EUA. “É uma cidade geograficamente mais perto da América Latina e uma porta que dá acesso grandes quantidades de quadros bilingues e é a única cidade dos EUA em que se fazem negócios segundo a forma latino-americana.

Se a plataforma entre a RPC e os países de língua portuguesa de Macau for promovida para uma sino-latina, aberta a cerca de 80 países, então poderá desenvolver-se uma vasta gama de actividades de natureza tão dinâmica como em Hong Kong e Miami.” Actividades que, diz o académico, seriam uma nova “locomotiva” para a diversidade económica, evitando a excessiva dependência do sector do jogo.

O valor da língua

E se Macau já apanhou o comboio no que diz respeito às trocas comerciais entre China e países de língua portuguesa, terá de correr para não ficar apeado na competição contra Hong Kong. A vantagem está, refere Hai, mais uma vez na língua. “A RPC tem considerado desde sempre Hong Kong como seu acesso principal ao exterior, devido à língua inglesa e ao facto de os negócios serem feitos com países que falam o inglês. As empresas emergentes transnacionais com sede na RCP - como a Lenovo, Haier e Huawei - que começaram a investir no exterior, encontram

Parceiros essenciais

mais situações embaraçosas na língua e comunicação nos países latinos do que nos de ingleses, sendo que a existência destas barreiras - linguística e cultural - entre o continente e os países de língua latinas, até ao momento, provoca relações menos intensas do que as relações entre RPC e os países de língua inglesa “, explica Hai. A opção para quebrar estas barreiras reside em Macau, onde o português oficial – e baseado no vocabulário latino – pode levantar cancelas. “Os países ou territórios de língua latina são mais de 80 e superam os de língua inglesa, se se pretender intensificar [a plataforma de Macau], então deve ser criado um meio de intercâmbio internacional sino-latino. Os países de língua latina e portuguesa têm

origens comuns e muitas semelhanças, quem percebe português, pode entender bem o espanhol. No entanto, entre a RPC e os países de língua latina não foi estabelecido nenhum mecanismo formal de cooperação económica regional, tornando-se necessário uma intensificação destas relações.” No estudo, o académico faz contas e deixa dados que justificam o que diz: três das dez potenciais mundiais são de língua latina, três quintos dos países africanos têm como línguas oficiais línguas latinas, a América Latina é rica em recursos naturais e tem grandes capacidades de desenvolvimento. Mas não só. O número de países que usa a língua portuguesa como corrente não chega a dez, enquanto os países de línguas latinas são

Devido a serem dois portos francos, Macau e Hong Kong estão em constante competição. Na opinião do professor, Hong Kong já ultrapassa o território no que ao desenvolvimento diz respeito, até porque “o sector do jogo não cria novas riquezas”, enquanto o território vizinho aposta no comércio. “O futuro da cooperação económica entre os países de língua latina e da RPC é brilhante, aliás a RPC deve tratá-los como parceiros essenciais e transformar a actual plataforma [de Macau] numa entre China e países de língua latina.” Apanhar a “nova locomotiva”, exprime de forma metafórica o académico, vai ajudar Macau a desenvolver um intercâmbio sino-latino que, actualmente, “está fraco” e passível de ser descoberto. Mas, para isso, a RAEM terá de “desenvolver as suas únicas vantagens tradicionalmente existentes e restabelecer a plataforma que ainda está para vir”. Algo que, diz Wang Hai, tem de ser feito rapidamente, até porque os comboios raramente se atrasam.

Tabaco Angela Leong diz que casinos têm deficiências no que toca ao controlo

gonçalo lobo pinheiro

Joana Freitas

mais de 70. Há mais de 20 países de língua espanhola, com mais de 400 milhões de pessoas, o dobro da população dos países de língua portuguesa. Macau tem estreitas relações com os países de língua latina, diz Hai, em muitas áreas como a cultura, a educação e o direito. “Estes privilégios, que Hong Kong não possui, são exclusivos de Macau e não existem em nenhum território da China ou Ásia Oriental. A Europa do Sul e a América Latina constituem zonas que mantêm laços menos fortes com o sistema aberto do nosso país e que urge intensificar.”

tiago alcântara

O segredo para a diversificação económica de Macau pode estar na constituição de uma plataforma entre a China e os países de língua latina. A ideia é defendida por um professor do Instituto para a Investigação Económica da Academia das Ciências Sociais de Jiangsu, que aponta diversas razões para que Macau contorne as dificuldades em desenvolver outros serviços que não o jogo. Países latinos podem ser “parceiros essenciais”, diz o académico, e trazer muito a Macau, China e Delta do Rio das Pérolas

Pouco confiante

Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

O

ntem, a deputada e directora da Sociedade de Jogos de Macau (SJM), Angela Leong admitiu que é difícil que todos os casinos da SJM consigam cumprir todos os padrões de controlo do fumo do tabaco. Angela Leong diz que os casinos da SJM têm uma “deficiência natural” e está pouco confiante que todos os seus casinos se qualifiquem. Contudo, a número um

da operadora reitera que apoia a proibição total do fumo nos casinos, sublinhando, contudo, que a empresa tem o seu plano, não podendo fazer com que a empresa possa ter perdas pela sua opinião pessoal. Anteriormente, 16 casinos que pertencem à SJM não atenderam aos requisitos da qualidade do ar dos Serviços de Saúde para a zona de não-fumadores. Os Serviços de Saúde disseram que se a revisão ainda não for satisfatória, a área total para fumadores será reduzida.


quarta-feira 8.5.2013

política

www.hojemacau.com.mo

Entrevista Kam Sut Leng, professora de chinês e activista social

“Muita gente tem medo de contar a verdade” tiago alcântara

A minissaia que usou nas manifestações do 1.º de Maio causou polémica na sociedade e já encheu as páginas dos jornais chineses e ingleses. Kam Sut Leng, membro da Juventude Dinâmica de Macau, disse, numa curta entrevista ao Hoje Macau, que nem a família nem a escola censuraram a participação nas manifestações e que, para já, não quer enveredar pela política Cecília Lin*

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

O que pensa do facto de se ter tornado centro de debate nos meios de comunicação nos últimos dias? Queria que a atenção não fosse para a roupa mas sim para aquilo que os jovens pedem: melhor habitação ou o chumbo que foi dado na Assembleia Legislativa (AL) às propostas de lei [do deputado José Pereira Coutinho], porque acho que iriam beneficiar a população. Nunca pretendi destaque na manifestação, só queria usar da palavra em nome dos jovens. Não acha que a sua imagem pode levar mais residentes a terem atenção às questões dos jovens? Se houver mais residentes a ter atenção por causa disso é bom. Mas sou apenas uma participante, estou a aprender e o meu propósito é o de reivindicar direitos.

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

A

notícia de uma adolescente de 15 anos grávida de um funcionário de casino deu origem a uma interpelação escrita por parte da deputada nomeada Ho Sio Kam, também directora de uma escola. A deputada do sector da educação considera que os pais necessitam de prestar mais atenção à educação dos seus filhos desde o 5.º ou 6.º ano do ciclo, para evitar situações de risco na fase da adolescência. Por essa razão, a deputada pede que as escolas, através de palestras, entrem em diálogo com os pais para promover mais a educação

e que não tinham sido resolvidas. Macau é uma sociedade pequena e muita gente tem medo de contar a verdade, porque têm medo de causar transtornos. Acho que esta sociedade precisa de ter alguém que fale nas coisas para que sejam resolvidas.

cau (ANM), também é membro? Não, mas sou membro da Juventude Dinâmica de Macau. Não tenho qualquer vontade de participar na vida política e ser, por exemplo, deputada. O que queria agora era falar das injustiças cá fora e pedir justiça. Foi o que fiz e vou voltar a fazer.

É apresentadora do programa de debate da Associação Novo Ma-

Sendo professora, considera que podem existir conflitos en-

tre o leccionar e o seu activista ou são áreas que se complementam? Acho que não há conflito algum. A minha família não se opõe aos meus actos, nem mesmo a minha escola. Pelo contrário, posso usar a minha experiência social para incentivar o pensamento dos meus alunos na escola. Acho que é importante que os alunos possam pensar de forma independente. Considera que há problemas no sistema de educação? Os alunos chineses são bons a memorizar coisas mas falham na hora de usar a imaginação. Se eu, por exemplo, apresentar uma imagem com droga para que dêem as suas opiniões sobre o tema, dizem logo que não sabem o que dizer. Porque não há uma resposta que tenham decorado. Na educação precisamos de ter pensamentos variados. Como professora de cantonês, oriento os meus alunos para que tenham mais pensamento crítico, para que não tenham todos a mesma resposta. Precisa-se mais treino. Então o sistema de repetição deveria ser banido? Precisamos de o rever. Será que os alunos podem ter avanços decorando a matéria que aprendem? Os efeitos positivos são mais ou menos? Sei que em Xangai há uma escola onde se está a experimentar o sistema em que os professores também fazem investigação e estudam os efeitos junto dos alunos, e penso que esse exemplo poderia ser uma referência para Macau. O trabalho do professor é muito. Não é, de todo, apenas dar aulas. O que pensa fazer nos próximos tempos? Ainda não pensei muito. Mas tenho a certeza que vou continuar a explorar o caminho da democracia e da educação na escola. - *com A.S.S.

Educação sexual Deputada pede mais comunicação em casa

Ho Sio Kam quer sexo ensinado nas escolas desde o ciclo sexual, para que estes falem mais em casa com os seus filhos sobre o tema. Ho Sio Kam citou ainda o jornal de língua chinesa Ou Mun, que nas suas edições mais recentes tem noticiado diversos casos de gravidezes na adolescência, onde as mães têm, na sua maioria, entre 13 e 16 anos de idade. A deputada recomenda, por isso, “que

os pais não ignorem os problemas de sexo durante a fase da adolescência dos seus filhos, devido às actuais facilidades de comunicação, onde é possível conhecer um estranho através da Internet”. “É também importante o desenvolvimento social, porque muitos jovens podem sentir vergonha por não ter um namorado ou uma namorada, e podem acontecer

tiago alcântara

Cecília Lin

Quando começou a participar nos movimentos sociais? Há dois anos participei na manifestação do 1.º de Maio com os professores e desde então comecei a dar atenção a todos os assuntos sociais. Antes sabia que existiam muitas questões por resolver na sociedade de Macau, mas só a partir dessa altura é que tive consciência das inúmeras questões muito graves

crimes de ordem sexual. É necessária uma maior preocupação até que eles possam analisar de forma racional a situação e pensar de forma independente.”

O papel do Governo

3

Ho Sio Kam diz, contudo, que o Governo “tem dado atenção” à questão da educação sexual nas escolas, mas é necessária mais for-

mação. “Muitos professores participam nas palestras para aprender a falar sobre este tema, e os assistentes sociais já começaram a fazer aconselhamento em pequena escala.” Apesar disso, “ainda há espaço para uma melhor educação sexual junto das famílias, porque são sempre os mesmos pais que participam nas aulas, e os que têm mesmo necessidades nunca participam.” Ho Sio Kam defende o convite da parte das escolas a mais especialistas, para que “os pais saibam como comunicar com os seus filhos perante a existência de dúvidas sexuais, e saberem que não pode existir ausência de educação sexual nas famílias”.


política

4

quarta-feira 8.5.2013

www.hojemacau.com.mo

Património Deputados queixam-se da fraca definição de centro histórico

Diploma “deficiente e insuficiente” A comissão permanente da Assembleia Legislativa exige ao Executivo mudanças na definição de centro histórico na proposta de lei do património, pois dizem que o actual conceito “é simples”. O deputado José Pereira Coutinho fala de um documento “deficiente, insuficiente e muito genérico” Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

D

“

e que se trata, afinal, o centro histórico de Macau?” Esta pergunta marcou ontem mais um debate de análise à proposta de lei de salvaguarda do património cultural, com os deputados a exigirem ao Governo mudanças na forma como o conceito de centro histórico está referido no diploma. “Os colegas do Instituto Cultural (IC) têm de especificar os conteúdos. É algo muito importante porque o centro histórico não per-

tence apenas a Macau, mas é um património da humanidade”, disse o deputado Cheang Chi Keong, presidente da 3.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) encarregue da análise do diploma. “Entendemos que a definição dada é muito simples. Sugerimos a elaboração de uma nova redacção ou uma redefinição do seu conceito. Já tínhamos detectado antes uma deficiência no conceito de centro histórico”, acrescentou. Quem também fala de deficiências é o deputado José Pereira Coutinho, membro da comissão. Para ele, a redacção da proposta de

lei de salvaguarda do património cultural é “deficiente, insuficiente e muito genérica”, e não apenas no que ao centro histórico diz respeito. “Há muitos pontos que necessitam de uma segunda redacção”, disse ao Hoje Macau. Já o deputado Paul Chan Wai Chi considera que há “falta de detalhes” no conceito. “Penso que vai ter que ser melhor analisado no futuro qual o significado (de centro histórico). Para mim numa cidade histórica também há património e precisa de ser bem protegida.” Claramente o que os deputados exigem são três coisas: a inclusão

pub

Open Tender Notice Request for Proposal – MIA - Maintenance Work of the PHC Piles at North & South Taxiway Bridges – RFQ-160 1. 2. 3. 4.

5.

6.

Company: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) Tendering method: Open tendering Objective: To select a qualified contractor to perform the maintenance works of the PHC piles at North & South Taxiway Bridges. Request for tender documents: Tender Notice and Tender Document can be downloaded from the website www.macau-airport.com and www.camacau.com until 7 days prior to the deadline for submission of Bidders’ tenders. Please regularly check the website for any clarification or changes/modification/amendment of the Tender Document. Location and deadline for submission of Bidders’ tenders: Macau International Airport Co. Ltd. (CAM) 4th Floor, CAM Office Building, Av. Wai Long, Taipa, Macau Before 12:00(noon) on 01 July 2013 (Macau Time) The addressee of the tender shall be Mr. Deng Jun – Chairman of the Executive Committee. The tenders received after the stipulated date and time will not be accepted. CAM reserves the right to reject any tender in full or in part without stating any reasons. -END-

da lista do património integrado no centro histórico, o conjunto de imóveis classificados antes da lista da UNESCO e os imóveis a obterem classificação depois da aprovação da lei. Tudo para “aclarar o que abrange o centro histórico”. “Há o exemplo do Hotel Lisboa, que foi o primeiro casino de Macau. Não sei se vai ou não ser integrado na lista. O centro histórico tem um conteúdo muito abrangente, e também abrange o património classificado antes da UNESCO”, disse Cheang Chi Keong.

Património acima do urbanismo

Outro ponto que incomoda os deputados diz respeito a possíveis situações incompatíveis que possam surgir entre a lei do património e a lei do planeamento urbanístico, que actualmente também está a ser analisada pelos deputados. “Temos a responsabilidade de alertar o Governo sobre alguns aspectos, para que o património histórico prevaleça sobre o planeamento

urbanístico. Quando foi elaborada a lei de salvaguarda do património ainda não tinha sido elaborada a lei do planeamento urbanístico, e receamos que existam aspectos de incompatibilização.” Os deputados pedem ainda ao Governo que “haja margem para que algumas normas sejam reguladas por regulamento administrativo”, à parte da proposta de lei propriamente dita. “A UNESCO exige que os países e territórios disponham de um plano pormenor de gestão, e os planos de gestão vão ser criados por regulamento administrativo, para que na sua elaboração existam novos itens, como, por exemplo, a realização das obras. Isso vai trazer maior flexibilidade na definição do seu conteúdo”, disse Cheang Chi Keong. Contudo, Coutinho acredita que “passar as coisas para o regulamento administrativo traz um risco das coisas não serem feitas e pode ter riscos sérios junto da UNESCO.” Para a semana os deputados voltam a discutir o património, no que diz respeito ao património cultural móvel. Segundo Cheang Chi Keong, “abrange o património detido pelo Governo e não aquele que é detido pelo privado. Pedimos ao Governo para que explique porque é que essas normas só são a aplicadas ao sector público, principalmente na presente fase”.


quarta-feira 8.5.2013

sociedade

www.hojemacau.com.mo

5

Telecomunicações Operadora divulga estudo onde mostra ser a mais veloz

Um “Pepe Rápido” chamado SmarTone Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

A

SmarTone, uma das quatro operadoras de serviço de comunicações móveis do território, disse ontem que é a melhor operadora, ou pelo menos a mais rápida nas comunicações. O administrador da empresa, Patrick Chan, explicou porquê. “Não tenho dúvidas. Somos os melhores. Realizámos um teste de velocidade em diversos pontos de Macau e, quase sempre, vencemos as outras três operadoras. Os nossos downloads e uploads são os mais rápidos”, disse ao Hoje Macau durante o almoço de Primavera organizado para os jornalistas. Líder em Hong Kong mas terceira rede na RAEM, a SmarTone não sente prejuízos com isso. Contudo, a pergunta impõem-se: se não os melhores porque é que não têm mais clientes? “Não nos interessa ter muitos clientes mas sim fidelizar e tratar bem os clientes que temos. Pode parecer um contra-senso estas minhas

palavras, mas a SmarTone aposta na qualidade e não na quantidade. É preciso ter os clientes certos e cuidar deles, daqueles que querem mesmo usar a nossa rede”, explicou Patrick Chan. “Contudo, somos uma empresa. E uma empresa vive de lucros. Para crescermos, sustentadamente, e de acordo com os nossos padrões, talvez tenhamos de investir um pouco mais em marketing e publicidade. Mas reitero. Ter mais clientes não significa, de todo, que estamos a prestar um melhor serviço, pelo contrário.” Patrick Chan não vê por isso que a concorrência estar à frente em número de clientes seja um ponto contra a empresa (das quatro operadoras no território - CTM, Hutchison, SmarTone e China Telecom -, apenas esta última tem menos utilizadores). “É como lhe digo. Somos líderes em Hong Kong mas em Macau o mercado é diferente. A maturação que atingiu permite-nos ter outras leituras. Não quero estar aqui a puxar a brasa à minha sardinha mas o

Dados do estudo 21 localizações • 2520 testes • Samsung Galaxy Note II foi o equipamento utilizado • Plataforma 3G •

que oferecemos aos nossos clientes, em termos de produtos e infra-estruturas, são produtos de qualidade.” Aproveitando a deixa da qualidade, o nosso jornal

quis saber o que pensa o administrador da SmarTone do estado das comunicações em Macau, se comparadas com outras regiões e países. O 4G ainda não é uma rea-

Resultados 1.º Teste (Upload de foto de 500kb no Facebook) • SmarTone foi primeira em 16 das 21 localizações, seguido da CTM com três e da Hutchison com duas 2.º Teste (Abertura de páginas como Yahoo, TouTube, Apple Daily, upload de foto com 500kb no Facebook, download de ficheiro com 2Mb e um app de 5Mb) •Num total de 144 testes, a SmarTone foi melhor em 79, seguido da CTM com 48, a China Telecom com nove e a Hutchison com oito 3.º Teste (Teste de velocidade e download de ficheiro de 12Mb) • Em 63 testes, a SmarTone ficou em primeiro 49 vezes, seguido da CTM com 11, da Hutchison com três e a China Telecom nunca conseguiu vencer a corrida

lidade e a fibra óptica, por exemplo, ainda está a dar os seus primeiros passos por aqui. “Cada lugar tem a sua especificidade. Naturalmente que existem locais, como a Europa e os EUA, onde a tecnologia está mais evoluída. Seja como for, penso que num contexto asiático, Macau está bem servido”, explicou o administrador delegado da SmarTone na RAEM.

Falhas são culpa do continente

O número de queixas de falha de sinal móvel na zona norte da península de Macau – Areia Preta, Iao Hon ou Fai Chi Kei - tem subido nos últimos tempos. A tendência, considerada “inevitável” pelas operadoras CTM e Hutchison, tem outra leitura por parte do

CEO da SmartTone. “Penso que do lado de Macau as operadoras tudo têm feito para promover um bom sinal em todo o território e a zona Norte não é excepção. O problema é que Zhuhai está colado a Macau e, muito sinceramente, penso que o sinal vindo da China continental é muito mais forte que o nosso. Mas isso não é nossa culpa. Eles é que não têm os seus valores bem parametrizados”, explicou Patrick Chan que, rejeitando qualquer falta de equipamentos de transmissão, concluiu em seguida: “Procuramos reunirmo-nos com as operadoras do outro lado e chegar a conclusões que sejam positivas para todos. A questão é que deste lado nós cumprimos os valores de potência de transmissão de sinal e eles não.”

Sociedades Constituídas mais de dez por dia no primeiro trimestre

Negócio, a quanto obrigas

M

ais de dez sociedades foram, em média, constituídas em Macau no primeiro trimestre do ano, indicam dados oficiais ontem divulgados. No total, foram criadas 988 sociedades - mais 107 do que no período homólogo de 2012 -, cujo capital social sofreu um decréscimo de 22,4% para 154 milhões de patacas, segundo os Serviços de Estatística e Censos. Das 988 novas sociedades funda-

das nos três primeiros meses, a maioria ou 401 pertenciam ao comércio por grosso e a retalho - sector assente no turismo, uma das principais alavancas da economia -, enquanto 184 operavam na prestação de serviços e 127 na área da construção. Do capital social global das novas sociedades formadas durante o primeiro trimestre do ano, uma verba de 70 milhões de patacas era oriunda de Macau. O interior da China

apresentava-se em segundo lugar em termos do local de origem do capital (36 milhões de patacas), seguido de Portugal (25 milhões de patacas). Em sentido inverso, entre Janeiro e Março, dissolveram-se 129 sociedades, 56 das quais da área do comércio por grosso e a retalho, cujo valor do capital social alcançou 188 milhões de patacas, ou mais 499,2% do que no período homólogo do ano passado. - Lusa


sociedade

quarta-feira 8.5.2013

www.hojemacau.com.mo

tiago alcântara

6

Macao Water Aumento de tarifas vai ser anunciado até Junho com valores abaixo do esperado

População pressionou o Governo

A Capitania dos Portos veio ontem anunciar que a comparticipação das despesas de abastecimento de água não será acima dos 13%, metade do valor proposto no ano passado pela Macao Water. “A proposta de 26,2% [pedida pela empresa] é demasiado alta do ponto de vista do Governo, portanto vamos baixar bastante”, explica Susana Wong, numa tentativa do Governo responder às opiniões da população Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

aumento das tarifas dos serviços de água, inteiramente suportado pelo Governo, será uma realidade mas está muito aquém das expectativas da Sociedade de Abastecimento de Água de Macau (Macao Water, em inglês). A informação foi avançada pela directora da Capitania dos Portos (CP), Susana Wong, à margem de um encontro da Macao Water com o 7.º Grupo de Ligação ao Cliente na qual a companhia apresentou, por exemplo, o plano de desenvolvimento de instalações de abastecimento de água. “A proposta de 26,2% [pedida pela empresa] é demasiado alta do ponto de vista do Governo, portanto vamos baixar bastante mas nada ainda está decidido”, garantiu Wong, que promete o anúncio até Junho. No entanto, a responsável esclarece que deverá “baixar para pelo menos metade”, de forma também a corresponder às opiniões da população auscultada, por meio das associações. “Eles como empresa de utilidade pública – uma vez que venceram o concurso pú-

blico - têm de obedecer à decisão do Governo e também aceitar as opiniões da sociedade porque agora a população está sempre a reagir aos serviços públicos por isso eles têm de aceitar [...] de acordo com os últimos contactos, os residentes aceitam um aumento abaixo da inflação”, explica.

Em prejuízo

A Macao Water resigna-se, sob pena de nada poder fazer para garantir um apoio governamental maior. “Claro que esperamos mais porque acreditamos que quanto mais o Governo nos permite fazer o ajustamento, melhor para nós para que aliviemos a pressão mas entendemos a situação, eles têm de ver todos os interesses, os próprios, os da operadora e os do público em geral”, comenta Felix Fan, director-executivo da empresa. Contudo, relembra, os lucros continuam a baixar e o crescimento não disparou tanto quanto previam no ano passado. “Os nossos lucros baixaram 13% e a maioria das empresas em Macau teve um bom ano mas nós fomos uma das poucas cujos lucros baixaram. Este ano esperamos manter um nível estável, baixando os custos, porque se os

lucros continuarem a cair, não são boas notícias para ninguém (...) o primeiro trimestre não foi muito bom. Tivemos um crescimento de 4,6% que foi abaixo das expectativas porque o Sands Cotai Central foi aberto o ano passado, ainda que gradualmente, e esperávamos que este ano o crescimento fosse maior.” As razões, entende, podem estar directamente associadas com os programas de conservação de água ou com as temperaturas mais frias no ano passado.

Como abastecer?

Sobre a construção do novo plano de abastecimento das águas, Felix Fan adianta que terá em conta o

padrão de consumo nas diferentes zonas, nomeadamente no Cotai onde o consumo não pára de aumentar, mas antevê algumas dificuldades na sua execução. “O MSR3, como lhe chamamos, é um investimento que acabou por triplicar (100 milhões de patacas) de acordo com o orçamento traçado há cinco anos, muito por culpa do aumento de custos em Macau, e tecnicamente falando as dificuldades prendem-se com a finalização do plano (prevista para 2015) porque não devem afectar as operações normais do MSR2. Durante esse período temos de fechar o plano de tratamento para instalar o equipamento mas esse tempo não pode

Terminal Marítimo com custos superiores Susana Wong justificou o aumento dos custos estimados para o Terminal Marítimo do Porto Exterior. Inicialmente, a directora da Capitania dos Portos (CP) entendia que a obra poderia custar cerca de 50 milhões de patacas mas as Obras Públicos, que lançaram o concurso para a obra, que deverá começar no terceiro trimestre, revelam orçamentos na ordem dos 77 a 104 milhões de patacas. “Os valores são mais elevados porque ultimamente [os orçamentos] estão a aumentar, não só o terminal, por exemplo, até algumas obras de manutenção da CP e outras obras pequenas isto terá a ver com a inflação e os recursos humanos. É o preço do mercado que está a aumentar”, revela a responsável, desvalorizando a derrapagem da empreitada, que se atrasou por um ano. A obra, segundo indica, deverá começar entre Julho e Agosto e terá a duração de um ano.

ser prolongado porque a procura é grande”, indica o responsável da Macao Water, que fala de uma produção diária de água em Macau equivalente a 390 metros cúbicos (mais 60 mil metros cúbicos face ao abastecimento actual).

Água reciclada

Contrariamente ao anunciado pela DSPA, em inícios deste ano, a abertura do concurso público para a adjudicação do novo centro de tratamento de água reciclada, junto à ETAR do Coloane, pode mesmo ter início este ano. “Esperamos que consigam fazer o concurso ainda este ano senão vai demorar muito [para pôr em prática o plano de tratamento de águas recicladas]. A DSPA é responsável pelo assunto e estamos a seguir esta obra porque também é muito importante para o futuro. Existe a expectativa de que a planta seja construída em 2015 e a partir daí é preciso abastecer as habitações públicas de Seac Pai Van e da Ilha da Montanha”, indica Susana Wong. A Macao Water que anteriormente se anunciara como uma das concorrentes ao concurso diz precisar de ver a proposta do concurso para saber se será candidata.


quarta-feira 8.5.2013

Emprego Jovens universitários preferem trabalhar em algo relacionado com habilitação

Definir prioridades Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

O

s estudantes de Macau não têm o salário como um dos critérios mais importantes, na altura de escolher um emprego. A conclusão é da empresa MacauHR, que levou a cabo um estudo há cerca de dois meses. “Quando diz respeito ao salário, 57% dos estudantes esperam receber entre 11 mil a 15 mil patacas por mês, enquanto 38% responderam de forma mais realista, esperando fazer entre as oito e as 11 mil patacas mensais”, refere a empresa num comunicado enviado ao Hoje Macau. Apenas 5% querem mais de 15 mil patacas. Ainda que os valores tenham merecido importância nas respostas dos mais de pub

cem alunos universitários que falaram com a MacauHR, o salário vem em quarto lugar quando os estudantes avaliam a questão do emprego. “Cerca de 74% consideram que ter um trabalho relacionado com a área de estudo onde se encaixam é mais importante, enquanto 54% asseguram que o trabalho tem de ser interessante”, refere o comunicado. Dos alunos inquiridos, há ainda quem coloque no terceiro critério mais importante a subida na carreira e, só depois, vem o salário como motivo de escolha de determinado trabalho. “Outras categorias votadas pelos estudantes incluem os benefícios dados aos trabalhadores (35%) e, surpreendentemente, 24% disseram que o equilíbrio entre o emprego e a vida pessoal era importante também.” Para Alex Lu, gerente da

MacauHR, considera que os jovens universitários de hoje têm uma visão mais ampla do mundo e não estão tão focados nos benefícios económicos, como a geração anterior. “Eles valorizam coisas como a qualidade de vida, a felicidade com o trabalho e a carreira.” Características que surpreendem, já que, em questionários semelhantes concluiu-se que os jovens de Macau optam por integrar postos de trabalho nas operadoras de jogos, devido aos salários oferecidos e, muitas vezes, à ausência de necessidade de curso. Dados estatísticos da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) mostram ainda que os jovens não têm problema em encontrar emprego em Macau, local onde a situação é de pleno emprego.

tiago alcântara

www.hojemacau.com.mo

sociedade

7


8

nacional

U

Himalaias China e Índia chegam a acordo “provisório”

A China confirmou ontem que alcançou um acordo “provisório” com a Índia para terminar uma disputa numa zona da fronteira comum há três semanas, depois de vários dias de negociações entre Pequim e Nova Deli. Em comunicado a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Hua Chunying, explica que as forças militares de ambos os países retiraram do vale do rio Tiannan, onde estiveram concentradas nas últimas semanas depois da Índia acusar a China de invasão do seu território. A solução encontrada, acrescenta a nota, é provisória já que ambos os países mantêm pequenas disputas na zona há décadas, um caso que Pequim gostaria de ver resolvido com uma “resolução justa, duradoura e mutuamente razoável o mais breve possível”. A Índia e a China partilham uma fronteira de cerca de 4.000 quilómetros ao longo da qual existem diversos conflitos territoriais.

quarta-feira 8.5.2013

www.hojemacau.com.mo

ma centena de pessoas, entre as quais 73 estudantes, no centro e este da China foram hospitalizados depois de ingerirem alimentos em mau estado na cantina da escola e num restaurante local, revelou a agência Xinhua. No primeiro caso, os estudantes da escola secundária de Xingzhi, na cidade de Lianyuan, na província central de Hunan, foram hospitalizados na tarde de segunda-feira por apresentarem um quadro de diarreia e vómitos. As investigações iniciais revelaram que a massa de arroz disponível na cantina da escola foi a causa da intoxicação alimentar dos estudantes. No segundo caso, 28 pessoas foram hospitalizadas depois de comerem massa num restaurante da cidade de Ningbo, na província oriental de Zheijiang. Já esta segunda-feira três agricultores chineses foram detidos por venderem, ilegalmente, carne suína contaminada, em mais um caso de uma série de escândalos observados na China. Os agricultores foram contratados para processarem a carne morta de porco numa fazenda na província de Fujian, mas venderam a carne para o consumo humano, informou o jornal Global Times. Segundo o Global Times, mais de 40 toneladas foram vendidas, no valor de mais de três milhões de patacas. De acordo com o relatório, os investigadores encontraram um vírus que

Segurança alimentar Uma centena de pessoas internada por intoxicação

Massa estragada e porco com herpes

está relacionado com o do herpes, “que provavelmente matou os suínos”. “Os dois vírus são altamente

contagiosos e fatais para os animais”, acrescentou, o relatório, sem especificar quantos porcos foram

infectados ou se alguns morreram de outras causas. De acordo com o comunicado do Ministério

da Segurança Pública, um motorista de um camião e um guarda comandados pelo trio enfrentam também acusações judiciais. Nos últimos anos na China foram registados inúmeros problemas de segurança alimentar como, em 2008, quando várias empresas de produtos lácteos contaminaram leite em pó com o químico melamina que afectou 300.000 bebés, dos quais seis viriam a morrer. Um cidadão chinês tornou famosa uma aplicação para telefones Apple que detecta comida “não segura” e adverte os utilizadores de “marcas perigosas” de alimentos bem como “pontos negros” nos quais já ocorreram escândalos alimentares. Este ano o Governo chinês lançou mais um plano de luta contra atentados à segurança alimentar sob o qual, desde Janeiro, já foram detidas 904 pessoas por venderem carne falsa, adulterada ou em mau estado e confiscou 20.000 toneladas de produtos ilegais em diversas províncias do país. Nos últimos dias, as autoridades chinesas revelaram a detenção de um grupo na província de Jiangsu que fazia passar carne de rato e de raposa que era vendida como carne de carneiro. Na segunda, a polícia da cidade de Zhangzhou, em Fujian, deteve dois homens por comercializarem até 40 toneladas de carne de porco que morreram por doenças e que venderam em restaurantes nas províncias de cantão, Hunan e Jiangxi.

Internet EUA ligam oficialmente a China a ataques cibernéticos

Pequim nega acusações

H7N9 Número de mortos sobe para 31

O número de mortes na China provocadas pela gripe das aves H7N9 subiu para 31, indicam números oficiais que aumentam em quatro os óbitos ocorridos nas províncias do este. De acordo com números oficiais, o número de pessoas infectadas subiu para 129. As novas quatro mortes confirmadas incluem duas pessoas na província de Jiangsu e outras duas em Zheijiang e Anhui, indicam os dados da comissão da Saúde e Planeamento Familiar divulgados na noite de segunda-feira.

O

Pentágono acusou oficialmente pela primeira vez o governo chinês e o seu Exército de conduzir ataques cibernéticos contra os Estados Unidos, de acordo com um relatório do Departamento de Defesa. Segundo o órgão, as acções chinesas incluem esforços para roubar informações de agências federais norte-americanas. O documento do Pentágono, divulgado na

segunda-feira, disse que “em 2012, numerosos sistemas de computadores por todo mundo, incluindo os de pertencentes ao governo dos EUA, continuaram a ser alvos de intrusões, algumas das quais parecem ser atribuíveis directamente ao governo chinês e ao seu Exército”. O Pentágono disse que a China está a usar as suas habilidades cibernéticas para colectar informações contra pro-

gramas diplomáticos, económicos e de defesa dos EUA. O relatório advertiu ainda que os conhecimentos de informática necessários para tal espionagem é semelhante aos que são necessários para conduzir uma guerra cibernética. Contudo, a China negou as acusações dos EUA e disse que ambas as partes devem cooperar contra a ameaça global da criminalidade cibernética.


quarta-feira 8.5.2013

região

www.hojemacau.com.mo

9

O

exército norte-coreano ameaçou ontem perpetrar “contra-ataques imediatos” se os Estados Unidos ou a Coreia do Sul violarem a sua soberania territorial durante o exercício militar que ambos os países estão esta semana a realizar no Mar Amarelo. “As unidades do Exército Popular da Coreia na frente sudoeste lançarão contra-ataques imediatos no caso de um só projéctil cair nas águas territoriais do nosso lado”, advertiu o comando das Forças Armadas da Coreia do Norte num despacho publicado pela agência oficial KCNA. Na sua habitual retórica belicista, o exército da Coreia do Norte acrescentou que, num hipotético caso dos aliados responderem ao contra-ataque, “todas as forças de artilharia irão transformar as cinco ilhas sul-coreanas do Mar Ama-

Crise nas Coreias Norte ameaça com “contra-ataques imediatos” caso o seu território seja invadido

A retórica do costume relo num mar de chamas” com os seus mísseis. O regime de Pyongyang salienta também considerar as manobras militares como

uma “provocação militar premeditada” e uma “intenção de avançar do actual estado de guerra para uma guerra real”.

Índia Mais de 300.000 bebés morrem por ano no primeiro dia de vida

ais de 300.000 bebés morrem todos os anos na Índia nas primeiras 24 horas após o nascimento, vítimas de infecções e de outras causas evitáveis, indica um relatório divulgado ontem, que culpa a falta de vontade política e de financiamento. A Índia contabiliza 29% das mortes de recém-nascidos a nível mundial, de acordo com a organização ‘Save the Children’, que publicou os resultados no seu relatório anual “State of the World’s Mothers”. O relatório sobre 186 países demonstra que o sul da Ásia onde está concentrada 24% da população mundial - concentra 40% das mortes de bebés no primeiro dia de vida. O Bangladesh e Paquistão também têm volumes elevados de mortalidade nas primeiras 24 horas após o nascimento, com 28.000 e 60.000 óbitos, sendo a malnutrição crónica das mães apontada como um dos principais factores para as mortes na região. “Foram registados progressos, mas mais de 1.000 bebés morrem diariamente no seu primeiro dia de vida, vítimas de causas evitáveis na Índia, Paquistão e Bangladesh,” disse o director regional da instituição, Mike Novell.

militares conjuntos na região, o que acontece várias vezes por ano. O actual exercício militar conjunto tem como

Timor-Leste Xanana confirma acusação de espionagem feita à Austrália nas negociações do gás e petróleo

Causas evitáveis

M

O comunicado norte-coreano traduz o mesmo conjunto de ameaças quando a Coreia do Sul e os Estados Unidos realizam exercícios

objectivo a preparação para ataques perpetrados por submarinos. Apesar de um aparente aumento da tensão, os Estados Unidos revelaram que a Coreia do Norte retirou de uma plataforma de lançamento no este do país os dois mísseis de médio alcance o que poderá traduzir que Pyongyang terá, aparentemente, abandonado os planos de um novo ensaio com mísseis.

Camberra não comenta

O

primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, confirmou ontem à agência Lusa as acusações de espionagem feitas à Austrália relacionadas com acesso a informação confidencial durante as negociações sobre o gás e o petróleo do Mar de Timor. “Eu não teria tomado nenhuma decisão tão grave se não tivesse bases sólidas. Não gosto de brincar. Eu sou assim, não tomo decisões de ânimo leve”, disse Xanana Gusmão, quando questionado sobre aquele assunto. Em causa está o Tratado sobre Determinados

Ajustes Marítimos no Mar de Timor (CMATS, sigla em inglês) assinado pelos dois países em 2007 para facilitar a exploração de gás e petróleo no Mar de Timor, na zona fora da Área Conjunta de Desenvolvimento do Petróleo (JPDA). O tratado possibilita que Timor-Leste ou a Austrália o denunciem caso não tenha sido aprovado o Plano de Desenvolvimento do Greater Sunrise seis anos após ter entrado em vigor, prazo que terminou em Fevereiro. No final de Abril, Timor-Leste

enviou uma notificação a Camberra, onde afirmava que o tratado entre os dois países era inválido porque a Austrália tinha feito espionagem durante as negociações do mesmo. O novo chefe do Governo do Território do Norte da Austrália, Adam Giles, que iniciou ontem uma visita a Timor-Leste não falou sobre as negociações relacionadas com gás e petróleo do Mar de Timor. “O que fizemos hoje [ontem] foi iniciar uma relação e um diálogo entre o Território do Norte e Timor-Leste”, disse.

Filipinas Mais cinco mortos em explosão freática em vulcão

Estrangeiros entre as vítimas

A organização identificou três maiores causas de morte nos recém-nascidos - complicações durante o parto, prematuridade e infecções - e disse que o acesso a procedimentos não dispendiosos para salvar vidas, poderia reduzir os números até 75%. “O que falta é vontade política e financiamento para fornecer estas soluções a todas as mães e bebés que precisam”, afirmou.

A

s autoridades filipinas elevaram ontem para cinco, incluindo estrangeiros, o número de vítimas da explosão freática ocorrida ao início do dia no vulcão Mayon, situado a cerca de 360 quilómetros a sul de Manila. Entre as vítimas mortais está um guia e vários estrangeiros, embora não tenham sido ainda confirmadas as nacionalidades das vítimas, esclareceu Eduardo del Rosário, director do Conselho Nacional de Gestão e redução de Desastres.

Na altura da explosão estava na zona do vulcão cerca de duas dezenas de pessoas, incluindo montanhistas e guias. “Tratou-se de um evento freático muito pequeno. É algo normal”, assinalou um especialista do Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia. O mesmo responsável acrescentou que uma explosão freática é menos violenta que uma erupção e não foi registado qualquer sismo nas últimas 24 horas. A última erupção do Mayon acon-

teceu em 2006 e não provocou vítimas mortais, mas deixou uma grande acumulação de cinzas que, mais tarde, num tufão, se converteram em rios de barro que mataram 1.300 pessoas na cidade de Legazpi e arredores. O Mayon é um dos vulcões mais activos nas Filipinas e um ponto turístico que atrai muitos visitantes. A pior das suas 45 erupções aconteceu em 1814 que provocou a morte a 1.200 pessoas e soterrou a cidade de Cagsawa.


10

entrevista

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

Hoje Macau encontrou-se com Grace Wu, há 19 anos secretária-geral do YMCA Macau (Associação dos Jovens Cristãos de Macau, em português), no hostel da delegação no centro da península de Macau. A responsável falou dos desafios encarados pela juventude de Macau, baseando-se no trabalho desenvolvido pelos serviços sociais junto das escolas, da comunidade e dos casinos. O problema das drogas nas escolas, o seu acesso fácil nas fronteiras, o tráfico crescente em Macau e a atracção dos jovens por trabalhos bem pagos nos casinos está a corromper os valores dos jovens. A culpa, em boa parte, é do Executivo. “O Governo um cartão de crédito às custas de uma possível riqueza futura.” Que tipo de serviços providencia o YMCA Macau à juventude, desde que foi criada em 1994? Temos um total de seis unidades de serviços sociais para os quais são destacados 118 membros remunerados. O nosso escritório é sobretudo responsável pelo serviço administrativo, pela coordenação das diferentes unidades e também pelas relações internacionais com outros YMCA, bem como de diferentes tipos de programas de intercâmbio para a juventude local [ver caixa]. E temos uma equipa de programa de aconselhamento para diferentes escolas primárias e secundárias, entre outras coisas. O apoio dado às escolas é coordenado com o Governo? Sim, muitos dos nossos serviços têm colaborações com o Governo, sob tutela de diferentes departamentos. Este é apoiado pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) e enviamos as equipas para 13 escolas. No último ano académico, temos também um serviço de apoio às creches. Temos ainda um centro comunitário para a juventude na zona norte que é apoiado pelo Instituto de Acção Social (IAS) e, ao nosso cuidado, temos a prevenção de consumo de substâncias. Possuímos um serviço de dormitório, de curta duração, onde colaboramos com a direcção de serviços para os assuntos de justiça. Desde a criação de uma portaria em 2007, relativa ao infractor juvenil, permitiu-se outro tipo de apoio a estes jovens menores de 16 anos em substituição do Instituto

quarta-feira

www.hojemacau.com.mo

Grace Wu, da YMCA Macau, explica como se estão a deturpar os valores da juvent

“Os jovens que trabalham no sector do uma maior probabilidade de lidarem c o Governo enfrenta pressões e a própria lei.

de Menores. Uma das opções é ficaram em dormitórios (há um para homens e outro para mulheres), onde ainda podem ter alguma comunicação com a sociedade.

Como vê a dependência económica de Macau face ao jogo? Acredito que a sociedade vai pagar por isso. Embora estejamos a assistir a uma onda de prosperidade, havemos de enfrentar as consequências ao fim de todos estes anos. Por exemplo, os valores da juventude estão a mudar. Estão sempre a contar com os outros para obterem o que desejam e nada vem do seu esforço. Com a sociedade a mudar de forma tão acelerada, os jovens daqui não estão bem equipados para as adversidades do futuro próximo. O Governo tem agora dinheiro mas está a usar um “cartão de crédito” às custas de uma possível riqueza futura.

Quais os principais problemas que detectam junto destes jovens? Muitos dos jovens vão para o centro porque há uma disfuncionalidade familiar. Uma das tarefas é ajudá-los a reconstruírem as relações com os pais porque um dia vão voltar para junto da família e da sociedade. Normalmente, são detidos por roubos às lojas, brigas e alguns lidam com problemas de drogas. Quais os desafios enfrentados com o desenvolvimento de Macau? Depois de 2007, houve uma grande expansão da indústria do jogo e nessa altura muitos jovens, maiores de 18 anos, podiam trabalhar nos casinos. Ocorreram mudanças nas escolas porque muitos estudantes com 16 ou 17 anos já não tinham grande vontade de continuar a estudar e por isso o trabalho nos casinos tornou-se muito apelativo. Nesses casos ajudamos com alguns programas nas escolas e servimos também jovens que já tenham estado a trabalhar na indústria. Porque por vezes eles podem estar isolados da sociedade, têm turnos, raramente têm tempo para estarem com as famílias e têm problemas de gestão financeira. Como cativam os jovens a entrarem nestes programas? Temos de ter oportunidades de reunião com os directores dos diferentes casinos e também com a ajuda do Governo porque um dos departamentos [Direcção dos Serviços de Inspecção e Coordenação de Jogos] ajuda nas operações dos casinos, que nos deixam promover os programas no seu interior. Funcionam anualmente, podem ser em sessões de grupo durante um período de tempo ou sessões pontuais. É obrigatória a sua frequência? Não, não é. Até porque alguns

casinos têm o seu próprio departamento para ajudar os funcionários mas nós somos uma entidade independente e por isso, provavelmente estão mais dispostos a juntarem-se a alguns programas. Com que tipo de problemas lidam? Não lidamos com problemas específicos relacionadas com o jogo. São mais necessidades pessoais, relacionados com as famílias e sociedade. Por exemplo, alguns jovens quando entraram no sector do jogo, ao fim de dois ou três anos, a sua condição de saúde decaiu muito. Mas é muito fácil encontrar pessoas da mesma idade para substitui-los. Por isso, são despedidos e não encontram trabalho noutro lugar porque não prossegui-

Muitos dos jovens vão para o centro porque há uma disfuncionalidade familiar. Uma das tarefas é ajudá-los a reconstruírem as relações com os pais porque um dia vão voltar para junto da família e da sociedade ram os estudos. Lidamos com alguns casos destes. E nesses programas ajudamo-los a pensar: “Pensas ficar no casino toda a vida?” E às vezes pensam em fazer

cursos técnico-profissionais connosco. O Governo devia incentivar o cumprimento da medida de restrição da entrada e trabalho a menores de 21 anos nos casinos? Esta medida já é um ponto positivo. Uma necessidade. Mas acho difícil o Governo providenciar mais restrições para as pessoas entrarem nesta indústria. Mesmo com esta medida é complicado porque uma pessoa aos 18 anos já é legalmente maior de idade, por isso, como podem restringir o acesso a trabalho? Acho que é um progresso mas não será fácil fazer muito mais. A força laboral também não é muita em Macau e restringem a que apenas os locais trabalhem nos casinos, por isso acho que

Este rápido crescimento tem levado também a que os jovens se entreguem ao mundo das drogas? Fizemos um estudo há alguns anos em que os jovens que trabalham no sector do jogo, comparados com outros da mesma idade, têm uma maior probabilidade de lidarem com as drogas. Recentemente uma outra pesquisa chegou precisamente à mesma conclusão. O tempo livre que têm pode ser passado isoladamente porque as outras pessoas estão a trabalhar. E é muito fácil ir até às fronteiras para conseguir drogas. Por isso, este é um grave problema. Um ambiente de muito dinheiro - onde é fácil ganhar e perder – também atrapalha o balanço psicológico. O que pode ser melhorado? As condições de trabalho, certamente. Embora os casinos funcionem 24 horas, as pessoas que lá trabalham talvez possam ter um horário laboral menor. Deveriam criar uma excepção à lei de trabalho para estes casos. Serem implacáveis relativamente à regulamentação da lei anti-tabaco sobretudo face aos resultados da última inspecção. O Governo pondera acabar com estas zonas de fuma-


a 8.5.2013

tude

muitos dos pais trabalham em turnos e as crianças têm casas onde podem fazê-lo às escondidas. Não é como em Hong Kong que traficam em espaços públicos. Em Macau podem ficar em casa sem supervisão parental.

o jogo têm com drogas” dores. Acredita que será possível? Duvido muito. São regulamentações muito claras e eles não as cumprem. Contudo, falta pulso ao Governo. Se não é permitido fumar em espaços públicos - restaurantes, instalações - deveria ser aplicado o mesmo para os casinos. Não deveria haver excepções. Há muitos interesses em jogo e no jogo. E o Governo não tem interesse em que os casinos percam clientes. Recentemente, alguns alunos falaram de droga nas escolas. Acha que as escolas estão a fechar os olhos a este pub

entrevista

www.hojemacau.com.mo

problema, em prol da defesa da sua imagem? Como temos programas nas escolas e no centro comunitário, vemos que os estudantes têm facilidade de acesso às drogas nas fronteiras. Seja como for, não acredito, de forma geral, que se as escolas sabem que há grupos de alunos a lidarem com as drogas se calem. Se às vezes reconhecem que há alguns alunos com sintomas (de que consomem ou traficam) talvez não saibam como lidar com isso e fiquem em silêncio até que a situação piore. Convidam os nossos conselheiros para intervir. Mas acho que não é comum “debaixo dos olhos” dos professores passarem-se casos

Com a sociedade a mudar de forma tão acelerada, os jovens daqui não estão bem equipados para as adversidades do futuro próximo. O Governo tem agora dinheiro mas está a usar um “cartão de crédito” às custas de uma possível riqueza futura de tráfico de droga. Estamos perante casos especiais. Em seu entender, porque é que este problema se está a agravar? Acho que a lei é demasiado branda. As penalizações não são severas. Os traficantes

estão a aproveitar-se dos jovens. E tudo isto é um problema crescente em Macau. Por exemplo, as meninas na primeira vez que experimentam não têm de pagar. Sabemos disto. As famílias estão a ficar mais ricas nos últimos anos e

A nível orçamental, recebem também apoio do Governo? Sim, os funcionários destes serviços são pagos pelo YMCA, que recebe apoio financeiro do Governo. Uma ajuda que cobre 90% das nossas despesas. Ao longo do ano, podem providenciar mais uma ou outra instalação para projectos pioneiros. Da nossa parte, temos as acomodações (que recebem grupos, num total de 52 camas), além de angariações de fundos. E, o facto da associação ser cristã, incita a que haja um envolvimento com a Igreja? O YMCA é uma ponte entre as igrejas e a sociedade. As pessoas na sociedade têm mais facilidade de aceitar os nossos serviços do que por meio das igrejas. Acho que entendem

11

que os nossos serviços não são inteiramente relacionados com a religião e têm uma boa impressão dos valores que defendemos. As ideias centrais das crenças cristãs são justiça, amor e agradecimento. Estes elementos vão integrados nos nossos serviços. Alguns dos vossos membros participaram na manifestação do 1.º de Maio, no grupo cristão? Talvez alguns fossem membros do YMCA. Em nosso nome, por norma, não participamos nesse tipo de protestos. Estão totalmente desassociados da política? Até ao momento não temos esse tipo de agenda em discussão no nosso quadro. Então nunca pensaram em candidatarem-se por meio de alguma lista às eleições para a AL? Não, nunca. E têm algum favorito em termos de candidatos? Não, nem por isso.


12

vida

quarta-feira 8.5.2013

www.hojemacau.com.mo

Drogas Vacina contra a heroína testada com sucesso em ratos toxicodependentes

Neutralizar subprodutos psicoactivos

U

ma equipa de cientistas do Instituto de Investigação Scripps (EUA) anuncia esta segunda-feira resultados promissores de um teste pré-clínico, em ratos de laboratório dependentes da heroína, de uma vacina contra esta droga. O estudo é publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Já existem vacinas experimentais contra a cocaína, a nicotina ou a meta-anfetamina, explica aquele instituto em comunicado. E como as moléculas das drogas psicoactivas costumam ser demasiado pequenas para estimular, pela sua simples presença, a produção de anticorpos pelo organismo, essas vacinas são compostas por fragmentos-chave da droga em causa acoplados a proteínas, que são moléculas muito maiores e mais susceptíveis de provocar uma resposta imunitária. No caso da heroína, porém, acrescia-se uma

dificuldade: o facto de esta droga se desintegrar rapidamente no sangue, dando origem a um outro composto – chamado 6-acetilmorfina – que penetra no cérebro e é responsável por grande parte do efeito da heroína. Agora, Joel Schlosburg e colegas parecem ter conseguido ultrapassar esse obstáculo ao desenvolverem, nos últimos três anos, uma vacina “dinâmica” que estimula a produção de anticorpos dirigidos não apenas contra a heroína, mas também contra a 6-acetilmorfina e a morfina. “A vacina consegue seguir o rasto à droga à medida que ela é metabolizada, mantendo os subprodutos activos fora do cérebro”, diz Kim Janda, um dos co-autores do trabalho, citado pelo mesmo comunicado. Mas os cientistas precisavam de testar efectivamente a eficácia da vacina. Por isso, administraram-na a ratos viciados na droga. “Demos a vacina a ratos que já tinha sido expostos à heroína, o que representa uma situação

de evidente relevância para a clínica humana”, comenta Schlosburg. E mostraram assim que, mesmo os animais já eram profundamente dependentes

da droga – ao ponto de a auto-administrarem de forma compulsiva e em doses cada vez maiores –, a vacina fazia com que, quando esses animais eram desmamados e

a seguir novamente expostos à heroína, já não tornavam a desenvolver esses comportamentos. “Os ratos heroinómanos privados da droga costumam retomar um

comportamento compulsivo se voltarem a ter acesso a ela”, diz George Koob, um outro co-autor, “mas a nossa vacina impede que isso aconteça”. E em grande parte, a vacina experimental também bloqueia, afirmam os autores, as propriedades analgésicas da heroína e os seus efeitos sobre os circuitos de recompensa cerebrais. Mas como, por outro lado, ela não bloqueia os efeitos da metadona nem de outras substâncias utilizadas no tratamento da toxicodependência, “será em princípio possível administrá-la em simultâneo com as terapias convencionais”, salienta pelo seu lado Schlosburg. Os cientistas pensam portanto que, se a vacina demonstrar eficácia em futuros ensaios clínicos no ser humano, poderá vir um dia a fazer parte da panóplia de tratamentos utilizados contra a dependência da heroína, que se estima afecta mais de 10 milhões de pessoas no mundo.

Oceanos Subida do nível dos mares ameaça migração de aves

A

Onde pára a alimentação?

subida do nível das águas dos oceanos representa uma ameaça mais grave do que o previsto sobre aves migradoras, segundo um estudo revelado esta segunda-feira. Milhões de aves que têm como paragem zonas costeiras durante a migração anual podem morrer com a perda do território onde se alimentam. Estima-se que com a subida do nível dos oceanos devido às alterações climáticas se perca entre 23% e 40% das principais zonas de alimentação, o que poderá provocar uma quebra de até 70% da população de aves migradoras. O estudo, desenvolvido por uma equipa de cientistas do Programa de

Pesquisa Ambiental Nacional australiano (NERP, na sigla em inglês) e publicado na revista Proceedings of the Royal Society, indica que em alguns dos ecossistemas litorais por onde passam os fluxos migratórios vindos da Rússia e do Alasca, com destino às costas do Sudeste da Ásia e da Australásia, registou-se uma perda de 30 a 80% da população. Algumas das espécies de aves limícolas que estão a sofrer com a perda de território de alimentação e de paragem durante a migração são o fuselo, o pilrito, a tarambola-dourada-pequena ou a seixoeira, indica o estudo. Richard Fuller, um dos investigadores da equipa do NERP,

explica que “as zonas húmidas são extremamente vulneráveis à subida dos oceanos e podem perder-se dentro de algumas décadas”. “Se as aves não puderem parar nessas zonas de reabastecimento, podem não ser capazes de completar a viagem para territórios de nidificação”, continuou Fuller. Takuya Iwamura, outros dos investigadores que participaram no estudo, explica que se descobriu que o nível do mar subiu 150 centímetros, o que pode resultar numa perda de 35% das zonas costeiras e pode levar ao declínio de até 60% da população de pilritos-de-bico-comprido, maçaricos e seixoeiras.


quarta-feira 8.5.2013

cultura

www.hojemacau.com.mo

13

Arte Mercado chinês está estabilizado

À procura de novas visibilidades do povo chinês, possam estar na origem deste desinteresse em dar continuidade a projectos de dimensão artística e cultural.

Tiago Quadros

info@hojemacau.com.mo

O

mercado Chinês da arte, apesar de ter regredido significativamente no ano passado, está estabilizado, surgindo em segundo lugar, logo após os Estados Unidos e à frente do Reino Unido. Com efeito, os coleccionadores chineses têm marcado presença constante nos leilões, seja ‘in loco’ ou do ‘outro lado do telefone’. Mas assim como os compradores particulares constroem colecções, também nos podemos perguntar: será a China um agente criador de valor neste processo, ou antes um receptor de valor? E como é que a arte chinesa se poderá tornar mais visível em todo o mundo? Como chegar a estar mais presente em museus e galerias privadas? O Art Newspaper é uma das edições mais consistentes e relevantes no mundo da arte global. Thomas Shao, o director executivo do Modern Media Group, grupo detentor doArt Newspaper, refere: “Os chineses estão agora curiosos acerca do mundo da arte além fronteiras, por isso é vital lançar uma publicação profissional sobre arte que forneça, atempadamente e com rigor, notícias sobre o panorama artístico global”. Na sua edição de Abril o Art Newspaper lança a seguinte questão: “Conseguirá a arte chinesa fazer com que o mundo a olhe?” Concretamente, muitos artistas e curadores sentem que a arte chinesa está pouco representada nos colecções dos museus

Revolução pouco cultural

e galerias de todo o mundo. Uma das justificações evidentes tem a ver com o facto do crescimento do mercado da arte chinesa ser ainda muito recente e, por esse motivo, estar ainda em desenvolvimento e sujeito a flutuações. Segundo um relatório elaborado pelo European Fine Art Fair, em 2012, o mercado Chinês da arte decaiu cerca de 24%, sendo que o norte-americano recuperou cerca de 5%.

Culpa da economia

Ainda segundo o mesmo relatório: “O abrandamento do crescimento económico, bem como a incerteza contínua em relação à economia global acabaram por afectar o mercado da arte numa retracção que atingiu os 7%. Uma das razões para este estado actual foi a desaceleração do mercado chinês”. Isto apesar do mercado

Chinês ter registado 25% das vendas globais, totalizando cerca de 56 biliões de dólares. Perante estes números, como é que a China poderá assegurar os valores intangíveis e culturais que a sua arte representa? Segundo Zhao Li, académico e investigador da Academia Central de Belas-Artes de Pequim, a China sofre de uma acentuada falta de cultura doméstica por não fazer passar a arte de geração em geração, verificando-se antes que quando um determinado objecto artístico atinge valores avultados, os potenciais interessados ‘atacam’ o mercado à procura da peça desejada. Zhao Li não avança com razões para esta constatação, embora se saiba que as profundas perdas artísticas ocorridas a seguir a 1949, com o objectivo de se eliminar a cultura tradicional

O panorama artístico Chinês só voltou a crescer na década de 80, depois do fim da Revolução Cultural, sendo ainda objecto de censura por parte do sistema politico e de ensino nacionais. “No início quando a arte saltou fronteiras, os artistas chineses eram frequentemente catalogados por curadores, enquanto que os seus percursos pessoais e obras apresentadas não eram devidamente tomadas em conta”, refere o artista Chinês Zeng Fanzhi. “Com o passar dos anos, um conjunto vasto de artistas chineses conseguiu desenvolver percursos e obras mais sólidas mas, apesar disso, continua a não haver uma indústria correspondente na China. O que a China continua a precisar, e cada vez mais, é elevar a qualidade dos seus museus, realizar boas exposições para explorar e melhorar o ambiente que envolve as obras e as vidas dos artistas chineses” acrescenta ainda Zeng Fanzhi. O artista Wang Jianwei refere que a arte é o espelho do estado social. Para Wang Jianwei, o que faz mais falta na China é conhecimento acerca da arte e respeito perante a criatividade. O artista Chinês refere: “O mercado da arte está a desenvolver-se e nós temos um mercado que é o mais rico a a licitar e adquirir, mas ainda estamos muito longe da criatividade propriamente dita”.

Arte Xue Feng apresenta exposição “Enclosure”

Está patente ao público, na Boers – Li Gallery, a exposição individual Enclosure de Xue Feng. Esta é a segunda exposição individual de Xue Feng na prestigiada galeria de Pequim. Enclosure congrega um conjunto vasto de trabalhos, entre pinturas, instalações e objectos divididos em 4 salas. Nascido em 1973, e a residir e trabalhar em Hangzhou, Xue Feng aborda as questões da representação de uma certa ideia de contemporaneidade, bem como o contraste entre natureza e política, contextualizadas no vocabulário das tradições pictóricas chinesas e ocidentais. Xue feng cresceu a pintar paisagem e caligrafia chinesas, tendo aprendido mais tarde, em Hangzhou, a pintar a óleo. Já na Alemanha, o pintor Chinês tomou contacto com o expressionismo abstracto, fazendo da sua produção artística uma síntese entre culturas, fundada no seu percurso pessoal. Conhecido pelo seu estilo pictórico, quase barroco, em Enclosure Xue Feng explora as qualidades visuais e abstractas do espaço. Ao apresentar a dimensão do artificial verificado na cultura global contemporânea, Xue Feng movese, com esta exposição, no território das políticas culturais. A exposição encerra ao público no dia 15 de Junho. - T.Q.

Fotografia O Horizonte Vertical de Hong Kong

Sete milhões de habitantes num espaço de 1,104 km2 fazem de Hong Kong uma das áreas mais densamente povoadas do nosso planeta. A paisagem acompanha — verticalmente. “Vertical Horizon” é uma viagem fotográfica de nariz no ar através de uma cidade que cresce em altura, em quilómetros de arranha-céus. “É um mergulho na densa atmosfera da cidade e um registo visual do seu ambiente diversificado”, explica o fotógrafo francês Romain Jacquet-Lagrèze. 83 fotografias a cores acompanham as 160 páginas do livro “Vertical Horizon”. Romain JacquetLagrèze tem um mestrado em multimédia e arte pela Universidade de Paris-Sete. O seu interesse pela fotografia começou quando Romain trabalhava em Los Angeles e Tóquio, tendo se transformado numa paixão com a sua chegada a Hong Kong. Confrontado com a perspectiva vertical da cidade, o fotógrafo francês procurou com este conjunto de trabalhos construir uma abordagem criativa em torno da imagem da cidade que foi a sua casa nos últimos anos. A geometria do contexto urbano e a orgânica dos abrigos que ocupam alguns edifícios de Hong Kong são dois dos aspectos que mais cativam Romain Jacquet-Lagrèze. - T.Q.


14

O

cultura

s actores Maria Rueff e Joaquim Monchique apresentaram em Macau o espectáculo “Lar doce lar”, comédia que “deixa as pessoas quase mal dispostas de rir” e que gostariam de levar onde houver portugueses. “Os espectáculos estão a correr muito bem. Não sabíamos exactamente que público encontrar, além dos portugueses, mas com a componente das legendas em língua chinesa, também temos tido algumas pessoas de cá que, mesmo não falando português, têm-nos dito que se têm divertido imenso”, afirmou Maria Rueff à agência Lusa, quando “Lar doce lar” soma já três representações. A peça, que dá a conhecer “o inconfessável da residência Antúrios Dourados para Seniores de Qualidade”, estreou-se em Portugal em

quarta-feira 8.5.2013

www.hojemacau.com.mo

Teatro Maria Rueff e Joaquim Monchique apresentaram “Lar doce lar” em Macau

Alta comédia Setembro do ano passado, e foi a única proposta portuguesa da actual edição do Festival das Artes de Macau, que decorre até 2 de Junho. “Lar Doce Lar” teve direito a um terceiro espectáculo no Teatro D. Pedro V, em Macau, depois de os bilhetes para os dois espectáculos do fim de semana terem esgotado. “Desde que esta peça se estreou em Portugal nunca sonhámos ter um êxito tão grande. As pessoas saem quase mal dispostas de rir e temos tido esse enorme aplauso”, acrescentou Rueff. Joaquim Monchique

descreveu, por sua vez, “Lar doce lar” como “uma comédia alucinada, em que dois actores fazem oito personagens” durante duas horas. A história desenrola-se em torno de duas figuras centrais, uma senhora retornada de Moçambique e uma vedeta dos anos 50, “com tudo o que faz parte dos últimos 100 metros de vida”. “Nesta peça pusemos profissionalismo, lágrimas, suor, sangue e muito das nossas memórias. No meu caso, uma classe que tinha sido pouco retratada ainda,

Mão Morta actuam este mês no Brasil pela primeira vez

Os portugueses Mão Morta actuam este mês em São Paulo, no Brasil, naquela que será a estreia da banda musical de Braga em palcos brasileiros, foi ontem anunciado. “No próximo dia 19 de Maio, os Mão Morta participarão na Virada Cultural, um dos acontecimentos culturais mais importantes de São Paulo”, refere um comunicado divulgado na página oficial da banda na Internet. A nota adianta que “esta será a estreia dos Mão Morta em palcos brasileiros”. A Virada Cultural decorre durante 24 horas e conta com apresentações culturais, de áreas como a música e o teatro, em diversos palcos espalhados pela cidade. O concerto dos Mão Morta está marcado para as 4h locais de 19 de Maio, no Palco de São João. O mais recente álbum de originais dos Mão Morta, “Pesadelo em peluche”, foi lançado em Abril de 2010, ano em que a banda comemorou 25 anos de carreira.

que são os retornados, e no caso do Joaquim, o caso das grandes figuras (...) que mereciam ter este fim de dignidade, de estilo, mais como se isto fosse um hotel de cinco estrelas do que uma antecâmara da morte”, destacou Maria Rueff. A apresentação de “Lar Doce Lar” em Macau foi para os actores “uma prenda do universo”. A dupla tinha visitado a região há dez anos, para “ver tudo o que manda a sapatilha, as ruínas, os templos”, e hoje nota que veio parar “a outra cidade”. “Havia o Casino Lisboa e

pouco mais. Macau ainda era pequenino e fazia uma grande diferença de Hong Kong (...) E agora é outra Macau, não sei se para melhor (...) Eu, como ser preocupado com o planeta, acho esta construção desenfreada”, afirmou a actriz. Joaquim Monchique, por seu lado, notou a “evolução extraordinária e até social” na população chinesa, que “passou de um regime tão fechado para a loucura desenfreada pelo consumismo e imperialismo”. “É normal, mas ao mesmo tempo também é preocupante, como é que vai haver recursos para tanta gente. E para um país tão pequeno como nós, de repente chegar a esta estrutura gigantesca, sociologicamente também é muito importante”, acrescentou. Macau marca o início da internacionalização de “Lar Doce Lar”, que os

actores gostariam de levar “onde houver portugueses”. “Estamos a tentar levá-la às comunidades portuguesas, porque acho que, estando fora de Portugal, isto ainda tem um sabor especial”, reforçou Maria Rueff. A ideia, explicou a actriz, seria chegar às comunidades portuguesas na Europa, onda a digressão se possa fazer de carro. “Porque mesmo para levar a peça à nossa Madeira e aos Açores é muito dispendioso levar o cenário de barco, sobretudo nesta altura de crise”, acrescentou. Depois da estreia na Ásia, a peça será apresentada no Alentejo, e terá novas temporadas no Porto e em Lisboa. “Já há algum tempo que não se via um êxito tão grande. Já tivemos êxitos grandes, mas desta maneira é impressionante”, concluiu Joaquim Monchique. - Lusa

The National tocam uma só música durante seis horas O grupo norte-americano The National actuou no domingo no espaço PS1 do museu MoMA, em Nova Iorque, durante seis horas, nas quais interpretou apenas uma música, “Sorrow”, no âmbito de uma instalação do artista islandês Ragnar Kjartansson. A banda, que actuará em Novembro em Portugal, protagonizou uma maratona de seis horas consecutivas a interpretar sempre o mesmo tema, “Sorrow”, do álbum “High Violet” (2010).


quarta-feira 8.5.2013

Toponímia Evereste ou Qomolangma? – Uma montanha de problemas linguísticos

Quem decide? António Caeiro Agência Lusa

E

vereste, Qomolangma, Sagamartha ou Zhumulangma? - Fixar uma designação toponímica para o pico mais alto do mundo parece tão difícil como escalar os 8.848 metros daquela mítica montanha dos Himalaias. “Quem tem o direito de decidir o nome de um lugar? É o Governo do país onde se situa esse lugar? O povo ou povos que habitam o local? O povo que primeiro descobriu esse local?”, pergunta o professor Miguel Fialho num artigo publicado na ultima edição do “Port-Nês”, uma revista online de estudos sino-lusófonos. No caso do monte Evereste, o nome consagrado internacionalmente desde meados do século XIX é uma homenagem ao geógrafo britânico George Everest, que trabalhou nos serviços cartográficos da Índia entre 1830 e 1843. Mas na República Popular da China, que considera o Tibete parte integrante do seu território, a imprensa usa o nome chinês - Zhumulangma (ou simplesmente “Zhu Feng”), derivado do

tibetano Qomolangma, e no vizinho Nepal chamam-lhe Sagamartha. “Será que cada país ou povo tem o direito de dar um nome diferente na sua língua materna a qualquer local do mundo?”, pergunta também Miguel Fialho, professor do Centro de Formação de Intérpretes da Universidade de Economia de Negócios Internacionais de Pequim (UIBE). O especialista adverte, contudo, que “se um país insiste que o nome utilizado para descrever um determinado local situado dentro das fronteiras desse país deverá ser decidido por ele, entra-se em território perigoso, já que tal insistência acabará

por questionar a soberania linguística de outros países ou povos”. Miguel Fialho, 32 anos, radicado na China desde 2005, licenciou-se em língua chinesa na Grã-Bretanha e fez depois um mestrado em Interpretação e Tradução. O número de primavera/verão do “Port-Nês”, coordenado por Cristina Água-Mel, inclui também dois ensaios de Ana Cristina Alves e João Semedo sobre a escrita chinesa, uma entrevista com a directora da secção portuguesa da Rádio Internacional da China, Catarina Wu, e uma análise de Anabela R. Santiago sobre o “soft power” chinês.

Um relato do professor moçambicano Jorge Njal sobre o ensino do português numa escola de Hangzhou, o testemunho de uma estudante chinesa de português, um artigo sobre “tradução assistida por computador” e uma evocação dos 500 anos dos contactos entre Portugal e a China completam a edição. O 1.º número do “Port-Nês” saiu há um ano, no Dia da Lusofonia (5 de Maio): “Como estamos na China, fizemos questão de lançar a revista às cinco da manhã. Começámos no dia 5 do 5, às 5 horas”, referiu na altura Cristina Água-Mel. O nome também é singular: “A ideia é ligar as duas línguas”, explicou aquela antiga professora da UIBE, uma das cinco universidades da capital chinesa com licenciaturas em português. A revista apoia-se no website homónimo - http:// portunes-online.com - concebido com “uma plataforma de contacto permanente entre a rede de professores e estudantes” de português na China. Não contando com Macau e Hong Kong, há mais de 1.100 jovens chineses a frequentar licenciaturas de português em 18 universidades diferentes. A maioria dos cursos foram criados nos últimos cinco anos, coincidindo com o desenvolvimento das relações económicas entre a China e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Inscrições para workshops criativos no CCM abrem a 19 de Maio

época quente volta a trazer uma série de workshops especialmente organizados pelo Centro Cultural de Macau para os que procuram umas férias em sintonia com as artes performativas. Esta edição procura incentivar a criatividade de um grupo vasto de participantes, de crianças a famílias, de jovens a profissionais. As inscrições abrem de 19 de Maio e vão até meados de Junho, informa a nota de imprensa da organização. Esta edição dos Workshops InspirARTE noVerão foi concebida tanto para crianças como adultos. Dos três anos em diante os workshops orientados por artistas locais e do exterior proporcionam aos participantes uma série de actividades que vão desde uma viagem pelo mundo da arte, com uma variedade de temas e conteúdos, à convivência com artistas

tiago alcântara

20 oficinas em quase 200 sessões A

cultura

www.hojemacau.com.mo

da Broadway e, até, à possibilidade de actuarem em palco. Os workshops para adolescentes poderão lançá-los ao palco para uma experiência de representação, guiados pelo elenco do Musical GoGoGo! Os maquilhadores do musical Família Addams vão ainda introduzir os jovens às técnicas de maquilhagem profissional para espectáculos. O teatro faz também parte desta série de workshops proporcionando uma experiência prática numa série de actividades ligadas ao espectáculo. Já os mais interessados em gerir espectáculos, terão uma oportunidade de perceber em detalhe as regras da Administração Artística. Os Workshops InspirARTE noVerão vão incluir 20 workshops e quase 200 sessões organizadas pelo CCM de Julho até o início de Setembro.

15

Música ABBA abrem museu mas não vão dar concertos

Juntos para sempre

O

s quatro elementos do lendário grupo ABBA viraram definitivamente a página dos seus anos na ribalta e tornaram-se personagens de museu, disse segunda-feira um dos seus membros Björn Ulvaeus na abertura ao público do ABBA The Museum. “Senti uma certa relutância em ser um objecto de museu. Mas fui obrigado a mudar de ideias quando percebi que seria em Estocolmo, assim eu não iria vê-lo de longe”, disse Björn Ulvaeus em entrevista à AFP. “Os outros (Anni-Frid Lyngstad, Agnetha Fältskog et Benny Andersson) estavam lá: um museu, não, realmente... mas estávamos todos convencidos”, acrescentou. “Eu acho e espero que eles estejam contentes, porque um museu é uma coisa permanente, vai estar nos guias!” Em conferência de imprensa, Ulvaeus descartou qualquer projecto de pub

reunir o grupo. “No museu podem ver-nos juntos. Não conseguirão ver tal mais perto que isso”, brincou o músico. De facto, numa cave de 1200 metros quadrados os ABBA são omnipresentes: fotos de infância e dos tempos de maior sucesso, fatos e entrevistas em ecrãs espalhados pelo espaço. Os visitantes poderão percorrer o museu ao som das suas vozes graças a guias áudio criados para o museu, cantar em palco com os quatro artistas, mas também descobrir a cabina do produtor, a mesa de trabalho do estilista da banda ou o estúdio onde gravavam os discos.


16

desporto

quarta-feira 8.5.2013

www.hojemacau.com.mo

Boxe Manny Pacquiao já tem oponente

“Pacman” vs Rios Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

A

24 de Novembro, no Venetian e com Brandon Rios. É a decisão final de Bob Arum – director-executivo da promotora de boxe Top Rank – sobre o combate que Manny Pacquiao fará em Macau. O anúncio foi feito ontem à imprensa e termina com as imensas especulações das últimas semanas. Manny “Pacman” Pacquiao – campeão do mundo em oito-divisões - vai subir ao ringue com Brandon Rios, que manteve o recorde de imbatível até 30 de Março, quando perdeu por decisão unânime com Mike Alvarado. Era esperado que Pacquiao – que ultimamente tem estado concentrado na sua carreira de político nas Filipinas – combatesse com Juan Manuel Marquez, numa espécie de “desforra” pelo KO que o mexicano fez ao filipino no quarto combate que opôs os dois. Não é, cabendo o espectáculo a Rios. “Que-

Benfica Stefan Mitrovic assina por cinco temporadas

Real Madrid Mourinho reage às declarações do jogador luso

“Problema de Pepe tem um nome: Varane”

Acalentar o futuro O

Benfica contratou o defesa-central Stefan Mitrovic, do Kortrijk, da 1.ª Divisão da Bélgica. O sérvio de 22 anos assinou um contrato válido por cinco temporadas e custou aos encarnados 11 milhões de patacas. “Claro que sei tudo sobre o Benfica”, afirmou o novo reforço contactado por A Bola, não evitando um sorriso quando confrontado com as declarações do administrador executivo do Kortrijk, Luc de Meyere, que confirmou a transferência, e apenas acrescentando que “o Benfica é um grande clube” e que “vai decidir nos próximos dias”. Luc de Meyere revelou ao jornal Het Laatste Nieuws que o Benfica “contactou directamente o Kortrijk e sem a ajuda de qualquer empresário” quando decidiu avançar para o negócio. Mitrovic foi observado durante meses pelo departamento de scouting dos encarnados, que, de acordo com o dirigente do clube belga, procurava “um

central rápido e com capacidade para jogar com os dois pés”. A evolução do jovem estava a ser acompanhada, também, por vários emblemas belgas e pelo Valência, de Espanha, mas foi o Benfica que se adiantou. “Mitrovic vai melhorar a sua situação financeira e desportiva. Não podíamos recusar a oferta”, contou Luc de Meyere àquela publicação belga. O central torna-se assim no quarto sérvio do plantel das águias: o médio Nemanja Matic tem contrato até 2018 (renovou em Janeiro e a cláusula de rescisão subiu para 450 milhões de patacas) e os médios ofensivos Filip Djuricic (contratado por 60 milhões de patacas) e Miralem Sulejmani (acabou contrato com o Ajax) comprometeram-se por cinco épocas. Mitrovic chegou esta temporada ao Kortrijk e só na segunda metade da temporada começou a jogar com regularidade. Por isso, a notícia da transferência para a Luz causou alguma sensação na Bélgica, até porque as exibições do central passaram despercebidas à crítica especializada. A verdade é que os encarnados vêem em Mitrovic um jogador com potencial e larga margem de progressão.

remos que as pessoas assistam a um combate entusiasmante”, explicou Bob Arum. “Rios é um lutador entusiasmante, por isso é uma boa combinação.” Pacquiao não combate fora dos EUA desde 2006, mas a China – e Macau – parece ser o futuro. “Pensamos que abre um mercado fabuloso na China, porque nos permite fazer um ‘pay-per-view’ como nunca foi feito antes”, refere o promotor da Top Rank. “Pacquiao vai elevar a popularidade do boxe na Ásia, enquanto, ao mesmo tempo, colhemos os benefícios fiscais fora dos EUA”, uma vez que não haverá impostos. Já é esperado que centenas de filipinos se desloquem a Macau, mas a transmissão do combate a pagar nas televisões vai tornar Pacquiao, Rios, o Venetian e Macau ainda mais populares. Com tudo pensado, o combate calha a um domingo de manhã, para que também os já habituados fãs norte-americanos possam assistir no horário normal das lutas, sábado à noite nos EUA.

J

osé Mourinho reagiu esta terça-feira às declarações de Pepe, que saiu em defesa de Iker Casillas, vetado ao banco de suplente por José Mourinho. “É muito fácil analisar Pepe. O seu problema tem um nome: Raphael Varane. A partir daqui não há mais história. Só falo disso porque me perguntam, não é preciso ser muito inteligente para perceber que se trata de uma frustração. Não é fácil para um homem de 31 anos ser atropelado por um miúdo de 19.

A vida de Pepe mudou, era titular indiscutível e deixou de ser. É uma das minhas poucas decisões que não tem discussão pública, pois muito poucos pensam que o futuro do Real Madrid não seja Varane e Sergio Ramos”, afirmou José Mourinho. A verdade é que a questão em torno de Iker Casillas continua a ensombrar o treinador português, que, no entanto, vincou: “A ver se entendem de uma vez por todas: sou treinador e contrataram-me

para fazer as minhas escolhas, entre elas decidir quem joga ou não. Não decido atirando uma moeda ao ar, mas sim pela minha cabeça. E, neste caso, gosto mais de Diego López como guarda-redes. Sai bem aos cruzamentos, joga bem com os pés e domina os lances aéreos, enquanto Iker faz coisas incríveis entre os postes. É a mesma coisa que o Iker dizer que gosta mais de Del Bosque como treinador ou Pellegrini.”


quarta-feira 8.5.2013

[ ] Cinema

futilidades

www.hojemacau.com.mo

17

Cineteatro | PUB Evangelion 3.0: you can (not) redo [c] (FALADO EM JAPONÊS E LEGENDADO EM CHINÊS) Um filme de: Hideaki Anno 17.00, 19.30 Sala 2

iron man 3 [3d] [c]

the big wedding

Um filme de: Shane Black Com: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Don Cheadle 14.15, 16.45, 19.15, 21.45 Sala 3

the big wedding [c]

Sala 1

iron man 3 [c]

Um filme de: Shane Black Com: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Don Cheadle 14.30, 21.30

Aqui há gato

Um filme de: Justin Zackham Com: Robert De Niro, Amanda Seyfried, Katherine Heigl, Diane Keaton 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

VERTICAIS: 1-Dez tostões ou um escudo (Pop). Extraísse. 2-Európio (s.q.). Também não. Mu, macho. 3-Fungo que se forma nas matérias orgânicas, quando entram em decomposição. Santa, virtuosa. 4-Prefixo o m. q. IN. Que ou aquele que sela. 5-No tempo de. Regos. 6-Estremeci. Dom, habilidade (pl.). 7-Pedir repetição. Esvazia. 8-Habitante de Génova. Autor (suf.). 9-O Campeador. Ramalhete. 10-Vamos!. Consome, atormenta (Fig.). Rádio (s.q.). 11-O m. q. Larídeos (aves palmípedes). Víscera secretora da urina.

Soluções do problema

Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Rogaste. Caloria (abrev.). 2-Ouro (s.q.). Causa, motivo (Ant.). Abóbora de que se faz doce. 3-Que bebe em excesso, bêbedo. 4-Milha marítima (pl.). Mínimo (abrev.). Nota musical. 5-Aparelho receptor de televisão. 6-Sacrifica. Mesquinha, sôfrega. 7-Importunaremos (Fig.). 8-Ante-meridiano (abrev.). Oferecer. Passa para fora. 9-Fictício. 10-Retirar-se. Reflexão da voz. Assume expressão de alegria. 11-Início de uma nova ordem de coisas. Empregariam.

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:40 19:00 19:30 20:30 21:00 21:30 22:00 23:00 23:30 00:30 01:00

TDM News - Repetição Telejornal + 360º (Diferido) RTPi Directo TDM Entrevista (Repetição) Vingança Telejornal Montra do Lilau A Páginas Tantas Escrito nas Estrelas TDM News Mistérios de Lisboa Telejornal – Repetição RTPi Directo INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:35 Isabel Wolmar, A Vida Com Um Sorriso 15:30 Portugal Negócios 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 AntiCrise 17:15 Portugal Aqui Tão Perto 18:10 O Teu Olhar (Telenovela) 19:00 EDUARDO BATARDA COMO DEVE SER 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:10 Construtores de Impérios 22:35 Ler +, Ler Melhor 22:45 Portugal no Coração 30 - FOX Sports 12:30 Russian Premier Liga 2012/13 Anzhi Makhachkala vs. FK Rubin Kazan 14:30 Wells Fargo Championship 15:30 MLB Regular Season 2013 Kansas City Royals vs. Baltimore Orioles 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2013 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 Enduroman Arch To Arc Triathlon 20:30 Chang World of Football 2012/13 21:00 Wells Fargo Championship 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 Russian Premier Liga 2012/13 Anzhi Makhachkala vs. FK Rubin Kazan

31 - STAR Sports 13:00 FIA World Touring Car Championship 2013 Highlights 13:30 Golf Focus 2013 14:00 ATP - BMW Open 17:00 FIM Supermoto World Championship 2013 Highlights 17:30 Golf Focus 2013 18:00 HSBC Sevens World Series 2012/13 20:30 SBK Superbike World Championship 2013 Highlights 21:00 Smash 2013 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Mobil 1 The Grid 2013 22:30 Smash 2013 23:00 Muaythai Warriors 40 - FOX Movies 11:40 Dylan Dog: Dead Of Night 13:30 Pirates Of The Caribbean 15:55 Rio 17:30 We Are The Night 19:10 The Bounty Hunter 21:00 The International 23:00 Colombiana 00:50 We Bought A Zoo 41 - HBO 12:55 The Sum Of All Fears 15:00 All You’Ve Got 16:30 Shadowlands 18:45 The Big Bounce 20:10 Contraband 22:00 Young Adult 23:35 The Last Exorcism 42 - Cinemax 12:00 Killer Elite 14:00 Flypaper 16:00 Counterpoint 18:00 48 Hrs 19:45 Hollywood On Set 20:15 Werewolf: The Beast Among Us 22:00 Bloodsport 23:30 My Soul To Take

HORIZONTAIS: 1-PEDISTE. CAL. 2-AU. MOR. GILA. 3-U. B. BEBEDOR. 4-NOS. MIN. MI. 5-TELEVISOR. D. 6—IMOLA. AVARA. 7-R. RALAREMOS. 8-AM. DAR. SAI. 9-SUPOSTO. L. R. 10-SAIR. ECO. RI. 11-ERA. USARIAM. VERTICAIS: 1-PAU. TIRASSE. 2-EU. NEM. MUAR. 3-D. BOLOR. PIA. 4-IM. SELADOR. 5-SOB. VALAS. U. 6-TREMI. ARTES. 7-E. BISAR. OCA. 8-GENOVES. OR. 9-CID. RAMAL. I. 10-ALOM. ROI. RA. 11-LARIDAS. RIM.

À venda na Livraria Portuguesa O Centenário que Fugiu Pela Janela e Desapareceu • Jonas Jonasson

No dia em que Allan Karlsson celebra 100 anos, toda a cidade o aguarda para uma grande festa em sua honra. Mas Allan tem outros planos Morrer de velho? Sim, mas não ali! Munido de um par de chinelos gastos, joelhos empenados e uma ousadia tremenda, Allan lança-se numa extraordinária aventura, arrastado numa torrente de equívocos e golpes de sorte. “Humor negro, história do século XX e protagonistas irónicos capazes do impossível: fazer-nos ansiar pela velhice! Uma receita absolutamente viciante.” (Luís Filipe Borges).

REGRAS |

Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

Contos de Vampiros • Ana Paula Tavares, Gonçalo M. Tavares, Hélia Correia, João Tordo, Jorge Reis-Sá, José Eduardo Agualusa, Miguel Esteves Cardoso, Rui Zink, Susana Cabaço

Por favor não me leia o pescoço. Lembra-se do filme? Agora tem um livro: nove terríveis contos de vampiros, originais e assinados por autores portugueses contemporâneos, directamente para os seus maiores receios de leitor! A partir do momento que iniciar a leitura, a responsabilidade é inteiramente sua. Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Saias curtas, como as mentalidades Está a fazer furor a saia de uma professora que se manifestou no dia 1 de Maio. Até percebo. É que é extremamente raro ver saias e calções curtos em Macau, rabos quase de fora e pernas descobertas. Raríssimo. Eu sou gato e juro que por vezes não entendo nada de nada sobre o que se passa em algumas cabeças, mas acho que encher jornais durante três dias por causa de uma escolha de vestuário é demasiado. É mesmo de quem não é coerente, de quem nada tem para fazer e de quem tem mentalidade tão curta quanto se diz que é a saia daquela professora. Ora comecemos por um pequeno pormenor: aquilo é uma saiacalção. O que significa que, se lhe der o vento estilo Marilyn, não se vêem as cuequinhas da senhora. Mais: a senhora professora estava de folga. Ora, por esta ordem de ideias se a mulher não pode vestir uma saia porque é professora nos dias em que não vai para a escola, então quando for de férias para a Tailândia não pode vestir fato-debanho, quando vai dormir nada de camisas de noite curtas e quando toma banho, convém que se lhe ponha um fato impermeável. Sei que isto soa a ridículo e ao extremo, mas quando se vêem na Internet comentários de professores – sim, de professores – que dizem que se ela queria demonstrar democracia não deveria vestir “roupa curta e sexy”, mas sim “vestir-se igual aos pobres que dormem debaixo da ponte”. Pois, porque isso é o conceito da fotografia para o senhor professor: não é ter liberdade de expressão e de vestimenta. Digam lá isso à senhora que, na revolução francesa, andava a guiar o povo pela democracia e liberdade – descarada, de mamas ao léu.

Pu Yi


18

opinião

quarta-feira 8.5.2013

www.hojemacau.com.mo

João Corvo

fonte da inveja

De pernas bem cortadas

C

ada um mostra o que tem. E os críticos da manifestante da minissaia mostram, à grande e à chinesa, a sua proverbial estupidez. Conseguem, contudo, um resultado prático que foi desviar as atenções da populaça da questão principal: a rapariga não estava ali para mostrar as pernas mas para protestar contra os preços da habitação, a corrupção, o compadrio e os privilégios de alguns. Nisso terão sido bem sucedidos. Aliás, é lugar-comum que, freudianamente, os chineses não atribuem grande valor sexual ao pername. Preferem, ao que sei, os seios, sejam eles generosos ou mirrados. E a verdade é que por estas benditas ruas se vêem dezenas de mulheres de pernas ao léu sem que os homens voltem os focinhos por isso. Já qualquer decote mais ousado, sobretudo se bem fornido, faz geralmente parar o trânsito e soltar uns “ayahs!”. Lembro-me também de ver regularmente uma deputada na AL usar roupa que lhe expõe as pernas (não vou dizer o nome, mas vocês sabem de quem estou a falar — não, não é a senhora Kwan!) sem que os seus colegas mostrem sentir qualquer incómodo pelo excelente facto. Não sei se é por serem homossexuais ou impotentes mas a verdade

cartoon por Steff

E a verdade é que por estas benditas ruas se vêem dezenas de mulheres de pernas ao léu sem que os homens voltem os focinhos por isso. Já qualquer decote mais ousado, sobretudo se bem fornido, faz geralmente parar o trânsito e soltar uns “ayahs!” é que, até à data, nunca se ouviu ninguém tugir ou mugir perante as pernocas ao léu da deputada. No meio de toda esta controvérsia ressalta, enfim, a cabonitice generalizada desta malta. Dar porrada nas gajas lá em casa, tudo bem, ninguém tem nada com isso que o tipo bate no que é seu. Mas andar de minissaia, isso é que não. A decência feminina tem de ser protegida. Claro que tudo isto me faz lembrar os talibãs, o que vem acrescentar pontos à eventual homossexualidade dos críticos da menina. Eu já tinha desconfiado perante tanta homofobia que o projecto de lei de Pereira Coutinho trouxera à superfície. Mas agora está confirmado. A malta prefere os

peitorais do Cristiano Ronaldo às perninhas da rapariga. Isto em si mesmo não teria mal nenhum se não existisse ao mesmo tempo uma enorme histeria repressiva. Por mim, que sou pansexual (I f*** anything that moves), acho até divertido o enorme número de barreiras psicológicas que por aí predomina nos outros e sinto por eles uma verdadeira piedade cristã. Mas o que tudo isto demonstra à saciedade é o nível cultural e civilizacional desta gentinha reprimida. Claro que, no limite, o que se pretende é tapar o sol com as pernas da rapariga e desviar as atenções dos assuntos que escaldam cada vez mais esta extraordinária sociedade de Macau: a iniquidade galopante, a negociata arrevesada, o desprezo pelos interesses reais da população, o egoísmo irrealmente real. Destrua-se o ambiente, escarafunchem-se as chagas sociais, que isso não tem importância nenhuma quando comparado com este “escândalo” tão oportunamente fabricado. Mas sobre isso, ao que parece, ninguém diz nada. Encerrem-nos na Ilha da Montanha, divirtam-nos com Hello Kitys e Ratos Mickeys, que isso é que está certo. Aliás, para que haja harmonia, para estes talibãs, o melhor seria ter uma juventude de pernas bem cortadas.

uma pata na síria


quarta-feira 8.5.2013

opinião

www.hojemacau.com.mo

Correia Marques

19

a paliçada

Não lhes perdoeis, eles sabem o que fazem! “Não se acomodem com o mundo como ele é” Maria de Lurdes Pintasilgo, ex-Primeiro-Ministro de Portugal e candidata à Presidência da República

A

noite passada dormi pouco, muito pouco, e não tenho sono. O que me rodeia enoja-me, inquieta-me, enche-me de angústia. E, a angústia, digo eu, é a melhor amiga das insónias. Levanto-me tarde, assomo à janela e o ar cinzento assusta-me, parece ser já noite. Mas não. São apenas 3 horas da tarde de mais um domingo sem sentido. Calendário apenas e mais uma folha que se arranca e deita ao lixo. Rumo a Coloane com o gozo de aproveitar o verde, enquanto ainda há. Conduzindo devagar, vou pensando e sinto-me egoisticamente feliz, monologando com os meus botões: -Para mim ainda deve dar, os mais jovens que lutem pelo que é seu! Mas cuidado com as minissaias nas manifestações. Estaciono o carro em Hác-Sá, num dos poucos – senão o último - dos locais da Região que ainda não foi invadido pelos avaros caça-níqueis privados, os quais são legalmente designados por parquímetros. Mas pressinto que já faltou mais para acabar com as borlas, pois que já começaram a bloquear uns carros de um stand ambulante montado por aquelas bandas e esse ou eu me engano ou vai ser o pretexto para a colocação de parquímetros. A ver vamos. Enquanto espero vou lendo e olhando, de quando em vez, à volta. E, eis que me surpreendo com um sorriso lindo, sereno e feliz de criança. Pelo que vi fazia anos, não mais do que quatro, presumi. Os pais montavam uns insufláveis prateados que, deduzi, constituíam o nome da catraia e ela

tocava neles com aquele brilhozinho nos muitas saunas por aí onde a pele é posta toda olhos: -Eles não se esquecem de mim! É à mostra e esses mesmos senhores não vêm necessário tão pouco para fazer uma criança nisso mal algum. Porventura até usufruem, feliz! Acho que me faz falta um neto. e lucram muito com isso. O que incomodou Mais um gole e peno status quo – e cá por so afinal tudo na vida é mim acho que têm O que incomodou o status passível de caducidade. fortes razões para se Tudo é fugaz como as quo – e cá por mim acho que têm preocuparem, porque pétalas de uma flor de parece estar emergindo um só dia. A beleza é fortes razões para se preocuparem, uma juventude consperecível, o vigor físico porque parece estar emergindo ciente e crítica - foi o o tempo se encarrega de facto de uma jovem, o amainar e o dinheiro uma juventude consciente e crítica bonita, esbelta e culta não vai connosco para a - foi o facto de uma jovem, bonita, levantar a voz contra cova, que do outro lado as iniquidades. E isto esbelta e culta levantar a voz não existem Bancos. fez-me recordar tempos Baixo os olhos de contra as iniquidades idos de luta, de coragem novo para o livro, mas e de solidariedade: os não consigo ler, fico tempos do “make love absorto pensando nas palavras sábias do papa not war”. Seja bem-vindo quem vier por bem, Francisco sobre a ganância desmedida e a dor, como dizia o Zeca. E se for mulher de pernas o sofrimento e a miséria que esses crápulas bonitas pode vir de minissaia. O importante é vorazes, incapazes de refrear um pouco que que venha de cabeça bem arrumada. seja a sua avidez e desumanidade, causam aos De acordo com a vontade do autor, mais desprotegidos. E eles não têm perdão este texto respeita o novo acordo ortográfico. porque sabem bem aquilo que fazem. Terça-feira folheio os jornais e aí está. Eles não só sabem o que fazem mas, o que é mais grave, é que alguns o fazem de forma hipócrita, a soldo dos poderosos e a coberto de falsos moralismos, como é o caso das críticas intimidatórias à jovem manifestante do 1.º de Maio, Kum Sut Leng, por ela usar minissaia na manifestação. Pois, pois, se ela usasse fato-macaco não havia problema, era dos operários e (até) teria direito a subsídio para uma fatiota nova. Não nos iludamos, o que incomodou os donos da bola cá do burgo não foi o “meio metro de pele à mostra” da professora, como escreveu Inês Santinho Gonçalves no “Ponto Final”, que existem

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


www.hojemacau.com.mo

pub

China Funcionários de empresa obrigados a andar de gatas em público

Tristeza não tem fim

P

arece um truque publicitário. Uma campanha humilhante em que funcionários de uma empresa chinesa têm de andar de gatas em público. O incidente aconteceu recentemente junto ao monumento de Libertação do Povo em Chongqing, na China continental, e fez parte de uma acção de formação de uma empresa de cosméticos chinesa para ensinar os empregados a lidar com o stress. Ou qualquer coisa do género. Uma multidão juntou-se no local para assistir ao humilhante evento que acabou por ser interrompido pelas autoridades. No site Sohu.com, a maioria dos utilizadores manifestou o seu desagrado com o acontecimento. “Esta empresa até parecia boa mas se faz este tipo

de coisas, desrespeitando a dignidade dos empregados, mostra que é bastante má,” comenta um cibernauta, que ainda diz: “Devia mudar a estratégia de marketing.” Outros vão mais longe. “Como é que se atrevem a fazer isto argumentando que é para formar e criar espírito de equipa? É simplesmente ridículo. Porque é que os funcionários não recusaram fazer o exercício? O emprego vale assim tanto?” comenta outro cibernauta. “É esta a tragédia das empresas chinesas: os empregados têm de obedecer aos patrões. Não existe fiscalização nem comités reguladores. É uma tristeza”, escreve ainda outro leitor.

quarta-feira 8.5.2013


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 8 MAI 2013 #2846 by Jornal Hoje Macau - Issuu