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Hoje Macau 8 ABR 2013 #2825

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pensões chumbo do tribunal constitucional afecta macau Agência Comercial Pico • 28721006

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Mop$10

Ter para ler

Director carlos morais josé • segundA-feira 8 de abril de 2013 • ANO XII • Nº 2825

períodos de chuva min 16 max 21 hum 60-90% • euro 10.1 baht 0.2 yuan 1.2

Venham mais cinco (séculos)

Governo paga fibra óptica em casa de José Chu

Trabalho a quanto obrigas Três directores dos SAFP requisitaram o mais veloz dos pacotes de Internet. Para as suas casas, alegando que a usam para trabalhar. E, eles mesmos, assinaram por baixo a autorização. O facto não espanta o deputado Pereira Coutinho que, apesar de considerar estarmos perante a ponta do icebergue, não deixa de pedir a intervenção do Comissariado de Auditoria e do CCAC. Página 3

direito

Advogados discutem acesso à profissão página 7

ENTREVISTA George foreman

uma vida inteira dedicada ao boxe Centrais

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Portugueses em Macau

Cônsul apela à comunidade Última

Gripe das aves

Serviços de Saúde confiam no Tamiflu página 6


política

Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

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epois de meses de luta e contestação, tanto o deputado José Pereira Coutinho, também presidente da Associação de Trabalhadores da Função Pública (ATFPM), como Francisco Manhão, presidente da Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados de Macau (APOMAC) revelam-se satisfeitos face ao chumbo do Tribunal Constitucional (TC) sobre quatro normas do orçamento de estado para 2013, em Portugal, onde se previa o corte do subsídio de férias para pensionistas. “Fiquei mesmo satisfeito. O TC acabou por dar razão à população e fez-se justiça”, afirmou Francisco Manhão ao Hoje Macau. Da parte da APOMAC, não haverão mais iniciativas ou sessões de esclarecimento, até porque se trata “de uma decisão do TC, e a partir dali acabou”. “O Governo da República deve estar mais preocupado em arranjar soluções porque tem compromissos com a troika, e tem de estudar alternativas.” Manhão continua a defender que “a maioria dos pensionistas de Macau não ficariam tão prejudicados como todos pensam”, até

“P

or Macau, pelas suas gentes e pela mudança”. É este o lema do manifesto eleitoral para a área do desporto de Francisco Manhão, já anunciado candidato a deputado pela via indirecta. Contudo, este documento é também uma forma de resposta no terreno político. “Acho que há pessoas interessadas em se candidatar (ao cargo de deputado) para esta área e (é uma maneira) de me antecipar às jogadas de outras pessoas. Espero poder obter os melhores apoios”, disse o também presidente da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) ao Hoje Macau. No documento, a que o Hoje Macau teve acesso, podem ler-se os objectivos que Manhão pretende atingir, caso seja eleito: “promover uma mudança radical em termos de política desportiva da RAEM, uma vez que podemos melhorar e desenvolver o desporto”. “Mas para isso, há que haver mudanças, quer em pessoas, quer, sobretudo, em termos de mentalidade, pois embora haja representantes na Assembleia

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Pensões Francisco Manhão e Pereira Coutinho comentam posição do Tribunal Constitucional

Chumbo incompleto O presidente da APOMAC e o deputado consideram que o chumbo do Tribunal Constitucional português aos cortes nas pensões é, sobretudo, sinal de justiça social. Só a manutenção da contribuição extraordinária de solidariedade gera desagrado. Coutinho acredita que “há possibilidade de mudar essa questão”

porque “há uns que estão ligeiramente abrangidos e há a fracção dos mais abrangidos”, que são os portugueses e macaenses que recebem da Caixa Geral de Aposentações. Quanto aos reformados de origem chinesa, o impacto foi “quase nada”. Do lado de Pereira Coutinho, que também lutou contra os cortes na qualidade de presidente da Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), a reacção é igualmente positiva. “As instituições funcionaram e o TC não foi pressionado por questões politicas e sociais, cumpriu-se a lei. Os mais fracos viram a justiça ser feita.” Tendo protagonizado duas viagens a Lisboa para interceder sobre esta questão, Coutinho assume que houve parceiros da sua comitiva que receavam que o tribunal decidisse a favor do Executivo de Pedro Passos Coelho e que “levantaram esse problema”. Contudo, “sempre pairou no horizonte que essas questões seriam resolvidas, a nosso favor, no TC.”

APOMAC ainda torce o nariz

Ao todo, o chumbo do TC traz implicações orçamentais na ordem dos 1300 milhões de euros. Só com os cortes nos subsídios de

Eleições Candidato pela via indirecta apresenta objectivos

Manhão antecipa-se

Legislativa (AL), é por demais sabido que nunca se ouviu debater neste órgão qualquer questão de interesse para a melhoria do desporto local. Estou preparado para enfrentar tal desafio de natureza politica no próximo acto eleitoral”, pode ainda ler-se. Para já, o manifesto tem sido enviado “por fases” a cerca de 175 António Falcão

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associações e clubes desportivos. “Apoios concretos não tenho, mas com este manifesto posso verificar a percentagem de clubes e associações que me vão apoiar.” Manhão conta que até ao momento a captação de apoios eleitorais tem sido feita “verbalmente”, “mas por escrito é outra coisa”.

Depois do foco na área do desporto, deverá seguir-se um manifesto para a área cultural, à qual Manhão também se candidata. “Já tenho pessoas que me estão a ajudar nos contactos. Meter as duas coisas juntas não seria correcto, e vou fazer duas mensagens diferentes para facilitar a leitura”, aponta. - A.S.S.

férias aos reformados o Governo iria arrecadar 540 milhões, enquanto que a suspensão do subsídio de férias aos funcionários públicos valeria 610 milhões de euros.

“As instituições funcionaram e o TC não foi pressionado por questões politicas e sociais, cumpriu-se a lei. Os mais fracos viram a justiça ser feita.” Pereira Coutinho

Deputado

A contribuição extraordinária de solidariedade para reformas acima dos 1350 euros foi a única medida que o TC deixou passar, algo que desagrada ao presidente da APOMAC. “Não esperávamos. Na minha opinião é inconstitucional porque é como um imposto”, diz Francisco Manhão. Coutinho considera que o TC “teve considerações distintas” a tomar essa decisão, mas que se “trata de uma questão importante”. O deputado considera que “em termos jurídicos ainda há a possibilidade de mudar”, caso os intervenientes apresentem recurso judicial da decisão.

Fórum Macau Vitório Cardoso apontado para representar Portugal

A delegada da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) em Macau, Maria João Bonifácio, será substituída por Vitório Cardoso no papel de representante de Portugal no Fórum para a cooperação entre a China e países lusófonos (Fórum Macau). O Ministério dos Negócios Estrangeiros terá nomeado o assessor de imprensa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para o cargo, segundo avança a Lusa através por via de informações de uma fonte do Governo português. Vitório Cardoso, que será assim o primeiro representante português em exclusivo no Fórum Macau, tomando posse “em breve”, previsivelmente nas próximas semanas, irá trabalhar na dependência do novo embaixador em Pequim, Jorge Ryder Torres Pereira, antigo embaixador na Tailândia, que substituiu esta semana Tadeu Soares. Contactado pela Lusa, Vitório Cardoso, natural de Macau, escusou-se a comentar a informação.


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Directores da DSAFP pediram fibra óptica para as suas residências. Governo paga. Pereira Coutinho chama CA e CCAC

Navegar é preciso, pagar... Gonçalo Lobo Pinheiro glp@hojemacau.com.mo

O

director dos Serviços de Administração e Função Pública (DSAFP), José Chu, e os vice-directores Kou Peng Kuan e Joana Maria Noronha pediram instalação de ligação de fibra óptica para serviços de dados nos seus domicílios privados, alegando motivos profissionais. Quem paga? O erário público. O Hoje Macau sabe, através de uma fonte directamente ligada àquela direcção de serviços, que os três altos cargos da DSAFP tiveram autorização de upgrade para o serviço mais rápido de Internet nas suas casas em Outubro do ano passado. Cópias do pedido interno dos DSAFP, da cabimentação do ano económico daquela direcção de serviços, bem como dos documentos da CTM estão na posse do nosso jornal e não deixam dúvidas: do orçamento da DSAFP disponível em Outubro de 2012 – 3.402.176,91 patacas -, 5.688 ficaram cativas para pagar todo o processo de optimização do serviço de Internet pessoal na residência dos três directores. Foi o próprio José Chu que assinou por baixo o pedido e explicou ontem ao Hoje Macau que às vezes isso é possível e acontece em todos os serviços públicos da RAEM. “Como se sabe não é permitido trabalhar em casa a não ser que haja algum caso especial”, começou por explicar o director dos SAFP. “É preciso requerer o serviço e essa situação é vista sempre como uma situação especial. Cada caso é um caso e cada serviço entenderá à sua maneira esse tipo de necessidades.” E mais não disse.

Do pouco ao luxo

Uma coisa é certa. Tendo sido o serviço de Internet anterior na casa dos visados – o mais básico no valor de 144 patacas – optimizado para 498 patacas por mês, surge a dúvida de quem afinal pode usar aquela Internet. Será apenas para uso profissional? Mais alguém pode usá-la? Até onde é que vai a responsabilidade de quem a usa? Solicitado a pronunciar-se sobre esta questão, o presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), José Pereira Coutinho, não se mostrou nada surpreendido com o que lhe foi transmitido pelo Hoje Macau. “Em primeiro lugar não me mostro nada surpreendido

Os directores da DSAFP levam trabalho para casa e por isso entendem que o Governo lhes deve pagar a Internet. “Não são os únicos”, defendem-se. Mas Pereira Coutinho contra-ataca

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Televisão Fórum Macau sem candidatos à AL

O programa dedicado a assuntos políticos e sociais da TDM, o Fórum Macau, está de regresso depois de uma suspensão de três meses, mas com diferenças face às anteriores da edição. O programa deste domingo não se realizou ao ar livre, com a participação do público, tendo decorrido no edifício Fórum de Macau, na avenida Marciano Baptista. Além disso, os candidatos ao cargo de deputado na Assembleia Legislativa (AL) não podem falar nos programas, por forma a evitar qualquer tipo de campanha eleitoral. Contudo, vários residentes já afirmaram aos meios de comunicação chineses que essa proibição vai contra a intenção do programa. Un Veng Kuai, director-adjunto do canal chinês da TDM, explicou que há uma referência prática de programas similares nas regiões vizinhas, onde existe o principio de justiça. - C.L.

Susana Chou elogia Educação Nacional

A antiga presidente da Assembleia Legislativa (AL), Susana Chou, escreveu mais um texto no seu blogue onde elogia o discurso do presidente Xi Jinping proferido em Março, na Assembleia Popular Nacional (APN). Susana Chou considera que a nova liderança vai governar a China para “um futuro com fortuna”. Susana Chou também concorda com a implementação da disciplina de Educação Nacional nas escolas de Hong Kong, porque lá “os jovens não têm uma consciência chinesa e querem sempre o regresso à Administração inglesa”. “Mas entendo que há 15 anos muitos desses jovens tinham apenas cinco ou seis anos e não conhecem bem os benefícios de Um pais, dois sistemas. É urgente ter a Educação Nacional em Macau”, disse ainda. Susana Chou disse ainda que, por motivos históricos, a ligação entre os residentes de Macau e do continente sempre foi “próxima”, e que “os residentes de Macau têm melhores conhecimentos do que é ser chinês”. - C.L.

Banca Empréstimos ao exterior sobem quase 40%

com esta situação. Não tenho dúvida alguma de que essas e outras situações estejam a acontecer”, referiu o também deputado da Assembleia Legislativa (AL).

“É preciso requerer o serviço e essa situação é vista sempre como uma situação especial. Cada caso é um caso e cada serviço entenderá à sua maneira esse tipo de necessidades.” José Chu

Director dos SAFP

Aliás, para Pereira Coutinho, este caso é apenas “a ponta do icebergue” pois “ninguém sabe até que ponto se está a utilizar o dinheiro do erário público para uso pessoal”. “Quem é que sabe se são só estas três pessoas que vão usar a Internet em suas casas? Tanto eles como a família ou amigos podem usufruir de um serviço de luxo que está a ser pago pelo Governo da RAEM, ou seja, com o dinheiro de todos nós.” O deputado acredita mesmo que estamos perante um caso que deve ser analisado por outras instâncias. “O Comissariado da Auditoria (CA) e o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) devem intervir para

apurar se há ou não um caso de abuso de poder por parte destes dirigentes.” Pereira Coutinho lembrou ainda uma interpelação escrita que fez recentemente ao Governo e que também falava sobre os critérios do uso de Internet na Função Pública. “Ainda no passado recente fiz uma interpelação escrita ao Governo solicitando informações sobre os critérios na utilização da Internet dentro dos serviços públicos. Surgiram muitas queixas de que uns são filhos e outros são enteados, ou seja, uns, com melhor relação de amizade com o superior hierárquico, têm acesso à Internet e os outros, que também fazem o mesmo tipo de trabalho, não têm.”

Em Fevereiro, os empréstimos ao exterior pela banca de Macau aumentaram 39,3% face ao mês homólogo de 2012 para 234,8 mil milhões de patacas, revelam dados oficiais divulgados sexta-feira. Em patacas, os empréstimos ao exterior subiram 99,5% para 2,2 mil milhões de patacas e 0,2% em dólares de Hong Kong para o equivalente a 52,4 mil milhões de patacas. Mas de acordo com as estatísticas da Autoridade Monetária de Macau, a maior fatia dos empréstimos ao exterior foi executada em moedas que não a pataca ou o dólar de Hong Kong, num total equivalente a 180,1 mil milhões de patacas, mais 56,5% face a Fevereiro de 2012. Quanto aos empréstimos internos ao sector privado, a banca de Macau disponibilizou em Fevereiro 207 mil milhões de patacas, mais 24,1% face ao mês homólogo do ano passado. Os depósitos do sector público também subiram 17,5% em Fevereiro para 198,3 mil milhões de patacas, dos quais 146 mil milhões foram depositados na Autoridade Monetária de Macau e 52,4 mil milhões nos bancos locais. Os depósitos dos residentes de Macau aumentaram 25,9% para 382,4 mil milhões de patacas, a maior parte (228,7 mil milhões de patacas) aplicada em contas a prazo. Os não residentes depositaram em Fevereiro 33,7 mil milhões de patacas, mais 17,1%.


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política

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Terrenos Miguel Campina admite “alinhamento de posições” entre Governo e empresários

Um coincidente e estranho mecanismo Residentes indignados

Há coincidências que fazem parte da manobra do mecanismo. Mas, Miguel Campina não se ficou pela metáfora e explicou o funcionamento da coisa

Os residentes da Vila de Ka-Hó estão indignados com a futura invasão dos novos projectos habitacionais na sua área de residência. Para a Associação da Vila de Ka-Hó o Governo não cumpriu com a sua promessa de que Coloane seria o “pulmão” e o “jardim verde de Macau”, solução que defendem. “Só queremos viver aqui. Se os meios de comunicação não falassem disso, não saberíamos nada do que o Governo tem feito aos terrenos. Somos vistos como meros moradores. Felizmente alguns de nós lêem as notícias e sabem que as terras foram concedidas a alguém. Não estamos mesmo convencidos porque é que (o terreno) deixou de ter uma finalidade industrial para ter uma finalidade residencial. Se isso é possível no futuro vai poder construir-se um arranha-céus”, explicou à TDM Cheong Kuok Choi, presidente da Associação da Vila de Ka-Hó. Por sua vez, Wong Ching Tang, membro da associação, questiona os favorecimentos a determinadas pessoas influentes. “Então um membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês pode fazer o que entender? Isso é muito sério”, indica. “O Governo já definiu uma área com zona residencial. Deixámos de ter espaço para andar e rapidamente essa área residencial vai crescer e vai chegar às nossas casas.” Chung Shing Hoi reitera a posição avançada pelo colega, criticando esta “aliança entre o Governo e empresários”.

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ão há coincidências para o arquitecto Miguel Campina. Em seu entender, os terrenos que agora poderão ser aproveitados para fins residenciais são de empresários que andaram à espera da melhor altura para pôr a render os baldios que deveriam ter dado lugar a indústrias. E neste jogo há lugar para o Governo, um peão permis-

sivo que deixa que as regras se alterem a toda a hora, sem dar justificação ao público. “Isto faz parte do mesmo mecanismo. Os terrenos ficam em pousio até ao mo-

mento em que as condições do mercado dêem oportunidade para a sua valorização”, explica Campina no espaço de comentários do telejornal da TDM de sextapub

-feira, frisando que tudo começou com o projecto da Concórdia, submetido aos mesmos interesses. “Isto é perverso porque quem toma as decisões agora é quem toma as decisões relativamente à finalidade do plano de intervenção da lei do planeamento urbanístico e, por outro lado, a realidade é esta: existem em Macau, normas, regulamentos, códigos mais do que suficientes para permitir que as autoridades tomem decisões correctas relativamente a situações deste tipo”, salienta. Por não serem postas em acção estes regulamentos vigentes, Campina não duvida que há aqui permissividade do Governo. “Que há um alinhamento de posições parece difícil negar, eu ouvi não há muito tempo dizer-se que está autorizada a construção de edifícios até 100 metros de altura em Coloane, eu pergunto com base em quê? Onde é que isso foi publicado?”

Casamata é peneira para tapar o solo

Campina referia-se ao terreno onde está situada a casamata, propriedade de Sio

Casamata Carion reiterou que terra não é concessão nem uso industrial Em resposta à interpelação escrita de Chan Meng Kam, enviada em Fevereiro, o director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, Jaime Carion, reiterou que a terra na rua de Entre-Campos já foi privatizada em 1903. Não é uma terra concessionada por via de arrendamento pelo Governo para uso industrial. Já em Março, por meio de pedido pelo proprietário Sio Tak Hong, o Governo publicou as informações da terra no mapa on-line de Macau (rede de informação cadastral http://cadastre. gis.gov.mo) mas não respondeu se o projecto habitacional até 100 metros, possível de ser construído, pode danificar a serra ao lado. Carion disse ainda que o Governo também irá regulamentar cinco mil metros quadrados deste terreno privado, com uma área total de 56 mil metros quadrados, “para uso público, por exemplo, construção de arruamentos e zonas verdes a fim de equilibrar o interesse público e desenvolvimento de terra”. Carion também não adiantou se irá atrasar a aprovação do projecto, apenas disse que vai analisar as opiniões complexas dos bombeiros, IACM, IC, DSAT e DSPA. - C.L.

Tak Hong, delegado à Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Mas para o arquitecto a protecção da fortificação de Coloane, que tem estado na ordem do dia nos últimos tempos, não é mais do que um pretexto pequeno de uma questão maior. “Penso que a Casamata é uma forma de desviar a atenção do essencial, o que está aqui em causa é se se pode e deve ser construído

“Isto faz parte do mesmo mecanismo. Os terrenos ficam em pousio até ao momento em que as condições do mercado dêem oportunidade para a sua valorização” Miguel Campina Arquitecto

um empreendimento com aquelas características naquele sítio. A casamata, por muito valor sentimental que possa ter, realmente o único uso é o de ajudar a colocar o enfoque numa situação que é extremamente grave”, analisa. Mas, em seu entender, tal como tem vindo a ser veiculado por muitos, o Executivo também nestes casos abriu um precedente grave. “A verdade é que ouvi o empresário referir-se que foi o próprio Governo a criar o precedente e portanto evidentemente que é um mau precedente e é sempre passível de ser utilizado como justificação. Mas também é verdade que um erro não se corrige com outro erro.” - R.M.R.


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Função Pública Deputados querem explicações detalhadas sobre Lei dos aumentos salariais

Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

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Um Governo apertadinho Quais os fundamentos para que os funcionários públicos não recebam retroactivos a Janeiro, com a actualização salarial deste ano? Esta é a pergunta que os deputados querem ver respondida pelo Governo tiago alcântara

epois de mais uma reunião com o Executivo, na passada sexta-feira, a 3. Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) - encarregue de analisar a Lei de Actualização Salarial dos Funcionários Públicos - pediu mais detalhes sobre o método dos aumentos salariais, questionando o Governo sobre se a ausência de retroactivos vai ser uma constante no futuro e quais os fundamentos para que estes não existam. Apesar de não haver uma lei que obrigue ao pagamento dos retroactivos, como explicou Cheang Chi Keong, presidente da Comissão, os deputados não percebem a questão, classificada como opção política. “A Comissão decidiu ouvir representantes do Governo no próximo dia 9”, disse Pereira Coutinho, um dos membros da comissão, ao Hoje Macau.

Explicações

Mas as questões não se ficaram apenas por aqui. Os deputados - cuja reunião com o pub

Protecção Animal Projecto de Lei admitido na AL para aprovação

Salvar a bicharada A

inda não tem data marcada, mas foi já admitido na Assembleia Legislativa (AL) o Projecto de Lei sobre o Estatuto Jurídico e Protecção dos Animais, entregue por José Pereira Coutinho, em Fevereiro deste ano. O projecto de lei está dividido em cinco capítulos e trinta artigos. Uma das sugestões é que seja reconhecido às associações de protecção animal “legitimidade processual activa”, nomeadamente para requererem medidas às autoridades policiais, veterinárias, administrativas e

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judiciais. A lei, considera, deve manter-se para já com punições diminutas face à violência injustificada contra animais, por esta ser “a primeira lei do género em Macau”, e deve ser revista de dois em dois anos. A intenção do deputado é que sejam reconhecidos direitos aos animais, mas deixar que sejam objecto de alimentação do Homem, sem crueldade, e de serem sua propriedade. O projecto vai ser agora alvo de análise e sujeito à aprovação dos deputados do

hemiciclo. Ao Hoje Macau, Pereira Coutinho manifesta-se “satisfeito pelo facto de o presidente da AL ter despachado o diploma, porque, diz, “este é importante para a sociedade.” Recorde-se que há muito que está a ser pedido, nomeadamente pela ANIMA, um regulamento administrativo que determine punições para quem maltratar os animais. O Chefe do Executivo afirmou recentemente, contudo, que isso não iria acontecer sem que antes uma lei fosse aprovada. - J.F.

Salário mínimo Operários por uma base de cálculo O valor do salário mínimo será analisado este mês, em sede de Concertação Social, mas a Associação dos Operários de Macau (AGOM) pede não só ao Governo que seja célere o processo de criação do salário como a transparência do método para determinar este valor. “Não ouvi o Governo a falar sobre o montante. O verdadeiro debate não é sobre se estamos a falar de 30, 35 ou 34 patacas por hora. O essencial é saber qual é a base de cálculo para chegar ao valor do salário mínimo. Essa fórmula é que está em primeiro lugar. E depois toda a gente pode estar em acordo. É uma variante importante tal como o mecanismo de revisão”, explica Ho Suet Ing, presidente da AGOM, em declarações veiculadas pela TDM.

Executivo foi “mais quente do que o esperado” - pediram ainda esclarecimentos sobre a razão do atraso da entrega da Lei na AL. “Já se sabia que os aumentos iriam ser em Maio, assim obrigaram a AL a aprovar uma lei sem a mesma ter sido discutida suficientemente na Comissão, por nítida falta de tempo”, acusa Pereira Coutinho. A comissão tem no máximo até ao próximo dia 16 para assinar o parecer que finaliza a análise da proposta de lei, para que esta possa ser aprovada antes do dia 1 de Maio, altura em que os aumentos entram. Outro dos pontos em foco recai sobre o trabalho feito pela Comissão de Avaliação das Remunerações da Função Pública, liderada pelo director dos Serviços de Administração e Função Pública. A Comissão vai pedir

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uma cópia do relatório das propostas sobre o aumento dos salários, supostamente entregue ao Governo, em Novembro passado. Os deputados querem saber quais as razões na base dos valores propostos e “ainda se há algum relatório ou acta da comissão, porque se existe a comissão não tem conhecimento”, frisa o presidente da comissão.

Pontos na mira

A criação de um mecanismo de actualização salarial automática, como já sugerido mais do que uma vez, foi outro dos pontos discutidos na reunião, até porque a inflação que ajuda nas contas para a actualização é relativa ao ano anterior. “É necessário que o Governo resolva as questões suscitadas por causa de actualização ser iniciada a partir de Maio”, afirma Cheang Chi Keong. A questão dos salários que estão indexados ao do Chefe do Executivo, nomeadamente os do sector judiciário, que não vão ter aumentos, é outra das situações que os deputados querem ver “resolvida o quanto antes”.


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sociedade

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24h Fronteira preocupa

Por altura do feriado do Dia dos Finados, entre quinta-feira e sábado as fronteiras das Portas do Cerco estiveram abertas por mais duas horas (uma hora mais cedo e uma mais tarde), no entanto, tal requereu mais 100 trabalhadores no local. Esta razão de alguma forma inviabiliza a ideia da fronteira aberta 24 horas, explica Ieong Tou Hong, delegado de Guangdong na Conferência Consultiva Popular do Povo Chinês. “Para haver mais recursos humanos e melhores infra-estruturas é preciso dinheiro. E também é preciso haver um reforço dos transportes públicos. Os residentes podem atravessar a fronteira e ir para casa, mas os turistas que atravessam, têm de ter uma estrutura para os receber.”

Duzentas mil para famílias

A Loja Social da Santa Casa da Misericórdia de Macau recebeu da Melco Crown Entertainment um donativo de MOP 200,000 para apoiar este projecto de solidariedade que no sábado distribuiu mais um cabaz de produtos de primeira necessidade a 224 famílias carenciadas, elevando para cerca de 650 o número de agregados familiares a receber apoio, desde Fevereiro. Os cabazes distribuídos na Loja Social incluem bens básicos, num custo total de entre 700 a 1000 patacas cada.

Obras no Mercado Vermelho

A zona do rés-do-chão do Mercado Vermelho vai ser renovada, o que irá obrigar ao fecho das bancas de vegetais. A partir de hoje, e durante três meses, os comerciantes terão de sair, o que está a originar protestos, segundo noticiou a TDM. “Eles podiam continua a trabalhar na zona à volta do mercado, nos locais em que seja possível e em que não afecte o ambiente normal”, disse Chan Ping Hung, da associação de moradores (Kai Fong).Para já, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) já anunciou que os comerciantes que forem transferidos para outros mercados só podem vender grandes quantidades de produtos, e nunca junto do público.

Turistas Alvos de aldrabice

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) foi chamada a intervir, no sábado, num caso de conflito com 10 excursionistas da China, que se queixou às forças policias por alegado incumprimento do itinerário traçado por uma agência de viagem. De acordo com um comunicado da DST, o grupo chegou sexta-feira a Macau, tendo o guia turístico local recebido o grupo e estabelecido o itinerário, que incluía actividades livres com pagamento extra e a pernoita em Zhuhai. Na altura membros do grupo apresentaram um panfleto promocional indicando que a pernoita seria em Macau mas não providenciaram qualquer contrato e após explicação da agência de viagens, do Interior da China, o grupo aceitou o estabelecido para a dormida e o pagamento das actividades livres. Cumprido o programa, o guia levou o grupo à fronteira das Portas do Cerco e acabou por deixá-los na zona uma vez que os turistas pediram para passear nas ruas ali perto. Pouco depois, o grupo telefonou à Polícia, a fazer queixa da agência de viagens que cobrara despesas indevidamente e não providenciara pernoita em Macau conforme o programa. A DST está a acompanhar o caso e verificar se houve ou não violação dos regulamentos.

H7N9 Macau não está livre de perigo mas há Tamiflu. E funciona. Dizem os SS

Vírus vulnerável

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s números de casos de infecção pelo vírus H7N9 (nova estirpe de gripe das aves) têm vindo a aumentar no Leste da China com 18 casos confirmados e seis mortes. No entanto, a Autoridade de Saúde Pública (ASP) da China anunciou no sábado que o vírus não está imune a medicação já desenvolvida e habitualmente utilizada em casos de gripe. “Chegámos à conclusão de que o vírus é sensível aos medicamentos que usamos normalmente, como o Tamiflu ou o Zanamivir. Portanto, se for diagnosticado cedo, o tratamento com Tamiflu é muito eficaz”, revelou Lu Hongzhou, da ASP. Entretanto, as autoridades chinesas aprovaram ontem um novo medicamento

que pode combater a gripe, o peramívil. No mesmo dia, em conferência de imprensa, os Serviços de Saúde (SS), que mantêm o grau três de alerta, revelam que além de estarem disponíveis 200 mil vacinas anti-gripe existe ainda uma reserva suficiente de Tamiflu para o tratamento antigripal. Por outro lado, existem os materiais de protecção para o consumo extensivo, bem como os equipamentos e os medicamentos para a salvação dos doentes críticos salvaguardando meios de combate em Macau. No Laboratório de Saúde Pública existe também a possibilidade de executar testes rápidos do vírus H7N9, com resultados obtidos cinco horas.

H7N9 assusta bolsa de Hong Kong As autoridades de Hong Kong aumentaram a vigilância nos postos de fronteira e nos hospitais para evitar a expansão da gripe aviária que já provocou a morte de seis vítimas na China, dez anos depois de a Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS), matar 299 pessoas na antiga colónia britânica. O inesperado surto da gripe aviária H7N9 na China pôs Hong Kong em xeque devido às lembranças do pesadelo que a cidade sofreu quando a Sars se propagou em menos de duas semanas a 1.800 moradores, dos quais 17% faleceram. A secretária chefe do governo de Hong Kong, Carrie Lam, manifestou uma profunda preocupação pelo surto de gripe aviária na parte oriental da China, e pediu aos cidadãos locais que prestem especial atenção à higiene pessoal. Por enquanto, Hong Kong ainda não registou nenhum caso humano deste novo vírus. Ao longo desta semana, responsáveis do governo e de hospitais simularam diferentes protocolos de actuação, como quarentena e o tratamento de pacientes. A actividade financeira, motor económico da cidade, também se viu alterada pelo alerta desta nova doença infecciosa, depois que na sexta-feira a Bolsa de Hong Kong fechou com as piores baixas em oito meses.

outros, e procederem à imediata a notificação, em caso de existirem casos suspeitos de infecção pelo vírus H7N9.

Mercados fechados, aves abatidas

No sábado entraram também em funcionamento, pelas 14h30, os detectores térmicos infra-vermelhos no átrio principal de chegada no Aeroporto de Macau no sentido de realizar a medição de temperatura corporal aos passageiros vindos das regiões afectada do leste da China (Xangai, Anhui, Jiangsu e Zhejiang). “Mesmo com o sistema de medição de temperatura, não podemos ter 100% de certeza de que descobrimos os potenciais casos de gripe. É possível que cheguem a Macau. Nesse caso podemos ter de rever a situação e preparar medidas para a fase seguinte. Podemos também fazer a monitorização noutras fronteiras”, explicou Lei Chin Ion, director dos SS, em declarações transmitidas pela TDM. Por outro lado, o dirigente garantiu que não é alta a transmissão além de que ainda não há evidência de que se pode “transmitir entre seres humanos de forma abundante". Após a reunião, todos os membros da equipa de contingência visitaram os quartos de isolamento, assegurando-se do seu funcionamento normal e elaborando o processo de triagem dos doentes com doença transmissível. Os Serviços de Saúde salientam que têm alertado os profissionais de saúde de primeira linha para prestarem atenção aos doentes com sintomas graves do tracto respiratório ou com pneumonia que se tenham deslocado a Xangai, Anhui, Jiangsu, Zhejiang, entre

Em Xangai todos os mercados de venda de aves receberam ordens para fechar e até agora mais de 20 mil foram abatidas. Em Zhejiang, houve aves abatidas no mercado onde foi vendida a galinha que contagiou um homem. Em Macau, ainda não há indicações de que os mercados sejam obrigados a encerrar a zona de venda de aves, caso haja importação de galinhas dessas regiões. O Chefe do Executivo, Chui Sai On, deu indicações ao Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U, para acompanhar o assunto, nomeadamente colocando em prática medidas de prevenção e controlo, reforço da fiscalização, bem como manter contacto estreito com a Organização Mundial da Saúde. - R.M.R.

Enterovírus Creche atingida Três crianças foram infectadas com o enterovírus na creche O Golfinho, na Avenida dos Jardins do Oceano, na Taipa, segundo notificaram os Serviços de Saúde (SS) na sexta-feira. Nenhuma das infectadas foi submetida a internamento hospitalar uma vez que os casos não apresentam gravidade. Na creche já foi ordenado pelos SS que fosse feita uma limpeza e desinfecção geral com vista ao controlo da infecção. Isto porque apesar da maioria dos casos recuperar por si, há uma percentagem reduzida de casos que pode ser fatal pelo que é recomendável a adopção de medidas preventivas, como lavar as mãos com frequência e manter uma alimentação adequada.


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sociedade

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Advogados Assembleia-geral no dia 18. Estágios na mesa

Falem agora ou calem-se para sempre A Associação dos Advogados de Macau convocou uma assembleia-geral onde será debatido o polémico regulamento de acesso à advocacia. Um abaixo-assinado, feito por 24 advogados, abriu as hostilidades Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Cecília Lin

cecília.lin@hojemacau.com.mo

D

epois de muita polémica, os advogados e a direcção da associação que os representa – a Associação dos Advogados de Macau (AAM) – vão reunir-se numa assembleia-geral, no próximo dia 18 de Abril, para discutir as alterações ao regulamento do acesso à advocacia. Este será o terceiro ponto de uma ordem de trabalhos, que lhe junta a discussão e votação do relatório e contas de 2012, bem como do orçamento para este ano.

São estes pontos fazem parte de uma convocatória enviada por Philip Xavier, presidente da mesa da assembleia-geral, no passado dia 28 de Março, via carta, a que o Hoje Macau teve acesso. Antes disso, os advogados tinham sido avisados, via e-mail, de que o encontro iria acontecer. Segundo um advogado, membro da AAM, que preferiu não ser identificado, a discussão das mudanças nos estágios foi uma novidade introduzida nesta reunião anual. “Normalmente a assembleia-geral que se realiza em Abril não tem uma terceira parte, mas como existiu a polémica sobre as alterações da entrada dos estagiários, no ano passado, desta vez a assembleia vai ter esta parte para explicar o assunto aos membros.”

Diga 24

O mesmo advogado considera que nada vai mudar em relação às mudanças já avançadas na imprensa, e que pretendem limitar o número de estagiários por advogado (três). O estagiário tem ainda de esperar cinco anos para fazer um novo exame de acesso à profissão, depois de três chumbos consecutivos. “Eu acho que a decisão não vai ser alterada depois da discus-

Neto Valente: o que dirá o presidente?

Rua Padre João Clímaco Proprietário do terreno falou à MASTV

Objectivo: correr com os vendedores Cecília Lin

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

N

a passada sexta-feira que John Lo Seng Chung, empresário e dono do terreno na rua do Padre João Clímaco, deu uma entrevista à MASTV onde afirma que o processo que está a decorrer no Tribunal Judicial de Base (TJB) é “uma declaração de respeito à propriedade”. John Lo Seng Chung disse ainda sentir que “não há espaço para uma última negociação com os vendedores ambulantes”, isto porque “parece que eles nunca vão sair do terreno”. O empresário exige o pagamento de um milhão de patacas aos vendilhões. Na mesma entrevista, o empresário frisou que o objectivo da acção judicial é promover “a saída de todos os vendedores ambulantes”. Recorde-se que a questão da rua do Padre João

Clímaco começou há cerca de seis meses, quando Lo Seng Chung pagou compensações aos comerciantes para deixarem o espaço, para prosseguir com o projecto de construção de um edifício residencial. Miu Fong Tak, uma dos quatro vendedores, negou que tenha sido feito qualquer negociação em Dezembro último, e, ao mesmo tempo, questionou se o empresário comprou o terreno por 61 milhões de patacas, alegando que o mesmo custa “pelo menos centenas de milhões de patacas”. “O empresário deveria saber as questões do terreno quando o comprou por um preço tão baixo. Vou lutar até ao último minuto”, disse, citada pela imprensa chinesa. Em 2011, quando o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) deixou de dar licenças aos vendedores ambulantes, o caso chegou ao

TJB, tendo os comerciantes sublinhado que nunca tinham sido avisados de qualquer mudança na propriedade. Na altura chegaram a questionar o processo de aquisição do terreno por parte do empresário Teng, por suspeitarem de falsificação de documentos. Em 2012, John Lo Seng Chung adquiriu a terra a Teng, tendo decidido avançar com um projecto de imobiliário. Como o TJB ainda não deu qualquer sentença quanto ao caso de falsificação de documentos, quatro dos vendedores recusaram-se a sair do terreno. Em Fevereiro último, John Lo Seng Chung pediu um processo civil ao TJB, onde exige uma compensação de um milhão e cem patacas aos quatro vendedores. Segundo o Jornal do Cidadão, o empresário considera que “um milhão não é um valor muito grande, porque os quatro vendedores

têm propriedades imóveis e possuem negócios há muitos anos”. “Quem nos pode dar uma compensação face ao tempo que gastámos sem desenvolvimento?”, questionou. A vendedora Miu Fong Tak considerou à imprensa chinesa que o empresário pode ter destruído as provas no caso de falsificação de documentos, por forma a conseguir tirar os comerciantes do terreno, antes da sentença do TJB. O caso já chegou ao campo politico, com o deputado Ng Kuok Cheong a dizer, citado pelo Jornal do Cidadão, que a acção interposta pelo empresário é um “litígio malicioso”, porque não avisou os quatro vendedores antes de apresentar a acção. “Deixou o caso no tribunal sem se esforçar por resolver o problema através da comunicação entre as duas partes”, apontou.

são do dia 18”, aponta. O Hoje Macau tentou contactar Paulino Comandante, vice-presidente da AAM, mas tal não foi possível até ao fecho da edição. Recorde-se que a reunião do dia 18 surge depois de um abaixo assinado com 24 assinaturas de membros da AAM, seis deles advogados portugueses, que pediam, precisamente, uma assembleia-geral extraordinária para debater o assunto. “A lista com as 24 assinaturas também gerou polémica. Ouvi dizer que alguns advogados que assinaram o abaixo-assinado queriam apenas fazer queixa à direcção porque não sabiam das alterações, até que foram avisados em Dezembro. Isto porque, de acordo com a lei, qualquer alteração às estruturas deve ser discutida primeiro em assembleia-geral e só depois pela direcção, mas neste caso foi o contrário. Mas não estão a fazer nada contra as alterações”, explicou o mesmo advogado ao Hoje Macau. A 30 de Janeiro, Chan Wa Keong, um dos 24 advogados que assinaram o documento, explicou ao Hoje Macau que os causídicos só tinham tido conhecimento das mudanças no dia 10 de Dezembro de 2012, através de um e-mail.

Turismo 70 guias culturais são “suficientes” Chan Io Tim, “guia cultural”, disse num simpósio de Turismo Cultural de Macau, organizado pelo Instituto de Formação Turística, no dia 5 de Abril, que Macau tem apenas 70 guias culturais para apresentar os pontos turísticos relacionados com o património cultural. Embora o número seja diminuto, Chan Io Tim considera que a procura deste tipo de guias não é grande porque os principais turistas em Macau são do continente e de Hong Kong, que apenas vêm para passar tempo nos casinos. “Os milhões de turistas de Hong Kong, por exemplo, ficam por cá pouco tempo, pelo que apenas se focalizam nos casinos, relegando o conhecimento do Centro Histórico de Macau, que é naturalmente limitado”, adianta Chan Io Tim. “Espero, ainda assim, que se fomente a formação dos guias para promover o conhecimento do património cultural. Acredito que daqui a algum tempo o turismo cultural de Macau venha a ser popular.” Chan dá um exemplo. No seu entender, Robert Morrison, missionário protestante britânico e tradutor da Bíblia para chinês, teve uma grande influência na cultura de Macau, história que se encontra «viva» no Cemitério Protestante, onde o missionário e sua mulher foram enterrados. Em sua homenagem, foi dado o nome da «Capela Morrison», contígua à Casa Garden. “Estes dois pontos turísticos são atraentes para os turistas da Europa e Estados Unidos mas são sempre ignorados pelos guias», disse Chan Io Tim ao Jornal do Cidadão. - C.L.


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nacional

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Fórum Boao Presidente alerta para “novos desafios” à estabilidade na Ásia

Evitar o caos contra os interesses egoístas o Japão e com outras nações do Sudeste Asiático. “Nós precisamos de levar a cabo esforços concertados de forma a resolver as principais dificuldades para salvaguardar a estabilidade na Ásia”, afirmou Xi Jinping, durante a cerimónia de arranque o fórum anual. Na perspectiva do líder chinês, “não se deve permitir que alguém lance uma região, todo o mundo, para o caos por interesses egoístas”.

Exportação de turistas

O

Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem que a Ásia enfrenta “novos desafios” à sua estabilidade, defendendo que não se pode permitir que alguém lance o caos numa região.

Xi Jinping, que discursava no Fórum Boao da Ásia, em Hainão, no sul da China, não fez, contudo, qualquer referência nem à crescente tensão que se vive na península coreana nem às disputas territoriais que mantém com

Xi Jinping destacou ainda que a China tentará aumentar “constantemente” o consumo interno e se transformará em uma importante fonte de turistas para todo o mundo com a previsão de 400 milhões de viajantes nos próximos cinco anos. Xi sublinhou que o desenvolvimento da China “vai trazer oportunidades a todo o mundo” de forma pacífica, apesar das possíveis tensões com as nações vizinhas. “A China tem lembranças dolorosas, a miséria causada por guerras e turbulências, por isso lutará pela paz”, afirmou a vários líderes do continente asiático e de outras regiões do mundo. O presidente da China reiterou o objectivo da segunda maior economia mundial de aumentar as importações para US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos. Xi Jinping também ressaltou que a China duplicará seu PIB antes de 2020 para alcançar os objectivos de uma “sociedade modestamente confortável”. O líder chinês explicou que seu país vive “um momento de convergência com o mundo sem precedentes”, ressaltando especialmente neste sentido a Ásia, um continente “cujo desenvolvimento depende da China e vice-versa”. Em um fórum que nasceu em 2001 com vocação asiática, mas

que neste ano ultrapassou suas fronteiras, o presidente da China destacou que mais da metade do crescimento económico mundial acontece na região asiática.

Davos asiático

Esta foi a primeira vez que Xi Jinping participou no Fórum Boao, na qualidade de Presidente, cargo que assumiu no mês passado. No fórum económico anual, com uma duração de três dias, marcam presença diversos líderes,

incluindo o Presidente da Birmânia, Thein Sein, a primeira-ministra australiana, Julia Gillard, a directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde e Yasuo Fukuda, antigo primeiro-ministro japonês, para além de Bil Gates e George Soros. Yasuo Fukuda, antigo primeiro-ministro do Japão, preside ao Fórum Boao, visto como uma versão asiática do Fórum Económico Mundial que junta líderes de todo o mundo em Davos, na Suíça.

Chui Sai On assiste a discurso de Xi Jinping

O Chefe do Executivo foi assistir ontem à cerimónia oficial de abertura do Fórum Boao, na ilha de Hainão, onde o presidente da República Popular da China, Xi Jinping, irá discursar. Nesta edição, cujo tema é o “Desenvolvimento Inclusivo na Ásia”, participarão cerca de 2000 delegadas, naquela que já é a maior afluência de sempre, onde haverá ainda um número recorde de sessões de trabalho (mais de 50). Em Hainão, naquela que é visto como a resposta da China ao Fundo de Davos (Fórum Económico Mundial), vão estar mais 10 chefes de estado da Ásia, Oceânia e não só, entre outras figuras de renome mundial, como Christine Lagarde, directora do Fundo Monetário Internacional e Bill Gates. Outras figuras: chefe do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, e o magnata Bill Gates, fundador da Microsoft.

Províncias Governos locais devem cada vez mais

O

s governos locais na China têm uma dívida de mais de 20 biliões de yuans, enquanto o débito do governo central está entre 7 e 8 biliões de yuans, mas a situação é administrável, disse o ex-ministro das Finanças chinês Xiang Huaicheng neste sábado. No Fórum para a Ásia

Calma nas hostes de Boao, um encontro de empresários e políticos asiáticos, Xiang disse que as estimativas anteriores que apontavam dívidas dos governos locais em cerca de 11 biliões de yuans subestimaram muito o valor devido. Xiang não entrou em detalhes, mas parecia referir-se a dados de 2011 do Gabinete Nacional de

Auditoria. A administração do país não publica informações regulares ou detalhadas sobre endividamento de gestões locais. “A dívida de governos locais carece de transparência, mas a taxa geral de endividamento não é muito alta”, afirmou. A relação entre o débito e o Produto Interno Bruto (PIB) chinês

ficou em cerca de 40% no fim de 2012, praticamente inalterada ante o ano anterior, disse. A dívida dos governos locais tornou-se numa fonte de preocupação na China, após uma onda de empréstimos contraídos para financiar um forte estímulo à infraestrutura na esteira da crise financeira global.


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região

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Irritação chinesa contra a Coreia do Norte ameaça velha aliança ideológica

Aliado inconveniente

António Caeiro Lusa

U

H7N9 China aumenta esforços para conter vírus

A higiénica matança

A

cidade de Hangzhou tornou-se no sábado na segunda a sacrificar aves, depois de Xangai, ao ter sido detectado o vírus da gripe aviária H7N9, de acordo com a agência estatal Xinhua citada pela AFP. Desde a semana passada que foram confirmados 18 casos em humanos da nova estirpe de vírus pelo Ministério da Saúde, tendo ocorrido seis mortes devido à gripe, que permanece confinada à zona leste do país e sem confirmação de transmissão entre humanos. Em Xangai foram mortas, até sexta-feira, mais de 20 mil aves num mercado agrícola, depois do vírus ter sido encontrado em pombos e o governo ter anunciado a proibição de venda de aves. Em Hangzhou, começaram a ser sacrificados os animais depois de ter sido confirmado que uma das pessoas contaminadas havia comido carne comprada num mercado. O governo tem procurado aumentar a transparência das informações sobre a doença, depois de ter sido acusado de procurar encobrir o surto de 2003 que matou cerca de 800 pessoas em todo o mundo. “A resposta do governo é completamente diferente

de há 10 anos, quando os sistemas de divulgação de informação não estavam estabelecidos”, afirmou Wang Yukai, da Academia Chinesa de Governação, à Xinhua. O Centro norte-americano de Controle e Prevenção de Doenças alertou para os riscos de uma eventual mutação do vírus: “Isto é um vírus não-humano que tem o potencial para causar uma pandemia se se transformar para se transmitir de pessoa para pessoa”. Na sexta-feira, a agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) apelou a um reforço das medidas de segurança e higiene face ao surgimento de uma nova estirpe de gripe A na China. A agência afirmou que ao contrário do vírus da gripe H5N1, em que as aves morriam em grande número, com o vírus H7N9 “não há nenhum sinal que imediatamente alerte para uma infecção”, pelo que os produtores “podem não estar cientes de que o vírus está a circular nos seus animais”. Entretanto, no domingo a China aprovou um novo medicamento que acredita poder ser “eficaz” para o tratamento da nova estirpe do vírus, informou a imprensa oficial.

m responsável de uma importante publicação chinesa foi suspenso depois de defender que a China devia “abandonar a Coreia do Norte”: Deng Yuwen disse o que muitos compatriotas pensam, mas não é essa a posição oficial de Pequim. “Uma relação baseada na ideologia é perigosa (…) Embora ambos os países sejam socialistas, as diferenças são muito maiores do que entre a China e o Ocidente”, escreveu o editor-adjunto do semanário da Escola Central do Partido Comunista Chinês, “Study Times”. Num artigo publicado no jornal britânico Financial Times em 27 de Fevereiro, duas semanas depois do governo de Pyongyang ter feito um novo teste nuclear, Deng Yuwen considerou que “o valor da Coreia do Norte como aliado geoestratégico está ultrapassado”. “Mesmo que a Coreia do Norte tenha sido útil durante a guerra fria, a sua utilidade, hoje, é duvidosa”, acrescentou. Um mês depois, Deng Yuwen contou a um jornal sul-coreano que tinha sido “suspenso indefinidamente”, mas na imprensa oficial e na Internet continuaram a aparecer críticas ao regime norte-coreano. “A política em relação à Coreia do Norte acabará por mudar (…) A China deve manter uma normal relação com a Coreia do Norte, mas deve fazer compreender que não tolerará que a Coreia do Norte possua armas nucleares e faça constantes testes nucleares”, disse Wang Fan, professor da Universidade de Negócios Estrangeiros da China.

Num comentário publicado no Global Times, jornal de língua inglesa do grupo Diário do Povo, o órgão central do PCC, Wang Fan defendeu que “a China deve impedir a Coreia do Norte de continuar no caminho errado”. Zhu Zhangping, um comentador descrito pelo mesmo jornal como “independente”, considera que “a Coreia do Norte continua a ser estrategicamente importante para a China” e “ainda serve como tampão”. “Se a Coreia do Norte implodir e Kim (Jong-un) for substituído por um regime pró-americano, isso abrirá caminho para as forças dos Estados Unidos na Coreia do Sul se estenderem até à fronteira nordeste da China, o que seria um grande perigo em termos de segurança”, argumentou Zhu Zhangping. E “Kim também sabe que, por causa da China, a Coreia

do Norte tem poucas hipóteses de conhecer um destino igual ao do Iraque ou da Líbia”, assinalou aquele comentador. Um académico chinês, Cai Jian, atribuiu a agressividade verbal de Pyongyang à “forte insegurança” do jovem Kim Jung-un, filho e neto dos únicos líderes que a Coreia do Norte conheceu em mais de meio século. “Ele não tem um sólido domínio sobre o país (…) A sua prioridade é ainda consolidar o poder”, disse aquele professor da Universidade de Fudan, em Xangai. Como os Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia, a China condenou o último teste nuclear efectuado pela Coreia do Norte. O Governo chinês já não esconde a irritação pelo imprevisível comportamento do seu vizinho, mas, por ora, não parece querer seguir o conselho do ex-editor-adjunto da “Study Times”.

Pequim diz que embaixada na Coreia do Norte funciona “normalmente”

Normalidade preocupante A

China afirmou ontem que a embaixada na Coreia do Norte funciona “normalmente”, depois de, na sexta-feira, Pyongyang ter aconselhado os diplomatas a deixarem as representações por não poder garantir a sua segurança. “Segundo o que sei, a representação chinesa na Coreia do Norte continua com a sua actividade normal”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros

chinês, Hong Lei, num comunicado citado pela agência Xinhua. Hong Lei disse, no entanto, que Pequim está “seriamente preocupado” com a crescente escalada da tensão na região, pelo que pediu a Pyongyang para assegurar a segurança dos seus diplomatas e de todo o pessoal da embaixada, em cumprimento de leis e de normas internacionais, incluindo a Convenção de Viena.

Apesar de Pyongyang ter advertido que, a partir de dia 10, poderá não ser capaz de garantir a segurança dos diplomatas e funcionários das embaixadas em caso de conflito, a China garantiu ontem que vai salvaguardar os seus cidadãos na Coreia do Norte, bem como os seus negócios na península. Nenhuma representação diplomática presente na Coreia do Norte procedeu à sugerida retirada

proposta por Pyongyang, segundo confirmaram, no sábado, fontes oficiais de Seul. A data indicada pela Coreia do Norte não será aleatória, com especialistas sul-coreanos a acreditarem que o regime poderá lançar um novo ensaio de míssil para assinalar o aniversário, a 15 de Abril, do nascimento de Kim Il-sung, fundador da Coreia e avô do actual líder, Kim Jong-un.


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entrevista

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George Foreman, lenda do boxe, ao Hoje Macau

“Só coisas boas me aconteceram George Foreman esteve em Macau para assistir à estreia profissional do chinês Zou Shiming, no Venetian, e falou ao Hoje Macau sobre a vida de um campeão mundial de pesos-pesados, o polémico combate com Ali, o que sentiu ao lutar com Frazier e a transformação da sua vida depois de Jimmy Young Joana Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Porque escolheu o boxe como o seu desporto? Gosto de boxe. Boxe para mim era o desporto ideal, tentei desportos em equipa, mas tinham a ver com ir para a escola e não gostava de escola. Entretanto, quando me decidi a acabar com a escola, encontrei o boxe e considerei que poderia ser uma forma de ser individualmente responsável pela minha própria saúde e bem-estar. Que idade tinha quando começou? Tive o meu primeiro combate de boxe, acredite ou não, com 17 anos. Já era um adolescente bem grande. Depois tive vários desafios e, em 1967, disse a toda a gente que queria ser um lutador. No ano seguinte, 1968, ganhei a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Tudo aconteceu tão rápido... 25 combates. Como eram os seus treinos então? O meu primeiro contacto com o boxe aconteceu quando estava num curso de formação profissional, numa fundação para jovens, para ter uma educação básica. Ao fim de tarde, não tinha nada para fazer e então comecei a aprender boxe. O professor de boxe disse-me para parar de lutar nas ruas e, que se o conseguisse, poderia vir a ser um campeão olímpico. Não pensei que pudesse acontecer, mas aconteceu. Lutava nas ruas? Sim, fiz combates de rua. Fui um lutador de rua. Mas não se ganham muitos combates nas ruas. Ser campeão olímpico e duas vezes campeão de pesos pe-

sados. Como descreve essa sensação? Bem, tive muitas experiências, como o campeonato do mundo de pesos pesados, duas vezes... Mas aquela medalha de ouro nos olímpicos, foi o momento mais marcante de toda a minha vida de atleta. Nada a pode substituir. Esse foi então o momento mais alto da sua carreira? Sim, era um adolescente, nunca tinha tido sonhos para se tornarem realidade. E ganhar aquela medalha... Surpreendeu-me, foi fascinante. E um momento menos positivo, se é que pode dizer que teve? Perdi o título de campeão mundial de pesos-pesados para o Mohammad Ali. Isso surpreendeu-me como a maior tristeza, devastação, da minha vida. A maior que me consigo lembrar. Pensei que o meu mundo tivesse acabado. Falando no combate com Ali, a situação das cordas de que se queixou, que estariam soltas para o ajudar. Quando olha para trás agora, ainda analisa o combate da mesma forma? Bem, você anda anos a preparar-se para ganhar um combate de boxe e acorda uma noite e vê que o perdeu. Pensava que o ia ganhar, mas perdeu-o... Até que um dia, acorda e apercebe-se que isto foi a maior e a mais nova experiência que alguém podia ter tido. Estar no ringue com um dos maiores seres humanos que conheci em toda a minha vida... sinto-me tão feliz por isso ter sido parte da minha vida, que me esqueci [do resto]. Estou mesmo feliz que nos tenhamos encontrado e pelas nossas vidas estarem

juntas por causa daquele combate de boxe. Como é que descreve Mohammad Ali nessa altura? Não gostava do Ali. Ele estava a desafiar-me pelo meu título.

Não gostava do Ali. Ele estava a desafiarme pelo meu título. Mas ainda assim, é provavelmente uma das mais maravilhosas pessoas que já conheci. E diverti-me muito, ele estava sempre na brincadeira durante o combate. (Risos) Quem me dera não ter estado tão ansioso por ganhar. Isso impediume de aproveitar [essa boa disposição]. Se, agora, voltasse a fazer esse combate, tinha-o aproveitado mais


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entrevista

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m por me ter dedicado a lutar” Oh, sim. Foi a minha luta mais difícil. A sério. Na verdade, eu perdi a luta, porque morri na mesma. Mas foi-me dada uma segunda oportunidade para viver. George Foreman III, seu filho, está a entrar no mundo do boxe. Como é que encara isso? Bem, o boxe é um desporto duro. Só um tolo poderia pensar que é fácil. Mas se os meus filhos querem experimentar, apoio-os nisso. Quem me dera que pudesse levar os socos por eles, mas não posso. Tem treinado Foreman III? Não recentemente. Ele começou muito bem sozinho e, recentemente, está sozinho.

Mas ainda assim, é provavelmente uma das mais maravilhosas pessoas que já conheci. E diverti-me muito, ele estava sempre na brincadeira durante o combate. (Risos) Quem me dera não ter estado tão ansioso por ganhar. Isso impediu-me de aproveitar [essa boa disposição]. Se, agora, voltasse a fazer esse combate, tinha-o aproveitado mais. Ficou desapontado por não ter tido a oportunidade de combater mais uma vez com Mohammad Ali, de não ter tido uma recuperação? Não estou desapontado. Por um lado, não queria mais dele. Um vez foi suficiente. (Risos) Combater e ganhar a Joe Frazier, até esse ponto, invencível. Como se lembra dessa situação? O Joe Frazier era o único companheiro de quem tinha realmente medo. Não pensei que conseguia vencê-lo. Queria ser o campeão do mundo de pesos-pesados, mas estava sempre à espera que ele morresse (risos). Não queria nada com ele, era o único que podia mesmo dar-me um murro... Não é exagero, ele era “the real thing”.

Nunca lutou contra Michael Tyson, gostava de ter tido essa oportunidade? Ele era campeão do mundo e, nessa altura, estava disposto a tentar o meu melhor para ganhar esse título. Por isso, os meus treinos eram focados no estilo dele e levá-lo ao ringue. Senti que conseguia derrotá-lo, confesso que pensei isso. Mas estou feliz por não termos lutado, porque esse [Tyson] era duro de roer. Mesmo que você lhe bata, ele magoa. O que aconteceu depois do combate com Jimmy Young que, nos balneários, mudou a sua vida? Fiz 12 rounds de um combate que fui fazer para ter a hipótese de desafiar novamente Muhammad Ali, para ficar com o título. Assim que acabei o combate, voltei aos balneários e a minha vida mudou drasticamente. Tive uma visão. Durante meio segundo estive morto. Por cima da minha cabeça não tinha nada. Por baixo dos meus pés não havia nada, estava morto. Disse “estou a ser largado no nada, mas ainda acredito que haja Deus, por isso não me importo se isto

é morrer”. Assim que disse isto, fui salvo do nada. Estava no meu balneário outra vez. Evidentemente, apanharam-me do chão, tinha sangue nas mãos e na minha cabeça e não tinha sido magoado no combate. Comecei a gritar “Jesus Cristo está vivo em mim”. Assustei-me. Nunca tinha visto nada como aquilo. Levaram-me para os cuidados intensivos. Isso mudou a minha vida. De 1977 a 1987 nem hesitei. Dediquei-me a ser um evangelista e a pregar na Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. E até agora ainda o faço. A minha vida mudou. Com o Jimmy Young? Tive 12 rounds para que fosse tomada uma decisão, não queria acreditar que perdi. Mas voltei àquele balneário e as dúvidas apagaram-se, disse a mim mesmo “tu continuas a ser o George Foreman, tu sabes combater para dar dinheiro à caridade e para a cura para o cancro”. Esses eram os meus pensamentos. Morrer? O quê? Lutei contra a morte nesse balneário, em 1977, e continuo vivo agora. Esta foi a sua pior luta, contra a morte?

Tem seis filhos. Ficou surpreendido quando um deles disse que queria lutar? Chocado. Ele teve uma boa formação, nunca foi muito valente, nunca se envolveu em lutas. Não tinha ideia que o boxe lhe estava no sangue, não sabia. Disse que o boxe é um desporto difícil. Quais são as maiores dificuldades que um lutador de boxe pode ter? Pensar no boxe é saber que, não interessa o quão bom você é, é sempre atacado. Batem-lhe sempre. E sempre que lhe acertam, acertam com mais força. Volta para o seu canto, senta-se no banco e está sempre a pensar que não vai voltar

seguisse descrever o que é. “Alguma coisa” é o único nome que lhe consigo dar. Alguma vez se arrependeu de combater? Não. Muitas coisas boas me aconteceram por me ter dedicado à luta. Se não tivesse encontrado o boxe, acho que não teria encontrado vida e felicidade. A vida e felicidade que o boxe me deu. O boxe foi uma das coisas principais para ter isso. Antes dos combates tinha algum tipo de preparação ou tradição? Não, o boxe é uma daquelas coisas que faz viajar pelo país todo e não se pode ter coisas que se podem ou que não se podem fazer, porque se encontra numa posição onde não pode escolher essas coisas, por isso espera-se apenas que o sino toque e vê-se a suar e a dizer a si mesmo “vai fazer isto”. Actualmente, como vê o cenário dos pesos-pesados no boxe? Agora não há muitos pesos-pesados no boxe. Bons, pelo menos. Ou celebridades, não há. Nós precisamos de bons pesos-pesados. E espero que, nos próximos anos, especialmente com os meus filhos a promoverem o boxe, possamos encontrar bons pesos-pesados. Então, não há bons pesos-pesados?

O Joe Frazier era o único companheiro de quem tinha realmente medo. Não pensei que conseguia vencê-lo. Queria ser o campeão do mundo de pesos-pesados, mas estava sempre à espera que ele morresse (risos). Não queria nada com ele, era o único que podia mesmo dar-me um murro... Não é exagero, ele era “the real thing” para ali para o meio outra vez. Mas o sino toca e continuamos a mexer-nos. É difícil ser atacado, especialmente quando fez bom dinheiro ou um bom negócio com o combate, mas o round já foi. Mas há sempre algo que o puxa para continuar a lutar. E quem me dera que eu con-

Não é que não haja, todos os bons lutadores estão na divisão de pesos-leves. Zou Shiming teve o seu primeiro combate como profissional aqui no Venetian. Pela sua experiência, é importante ser amador antes de profissional ou não interessa? Acho que nos amadores pode-

-se começar devagar, com calma e trabalhar o caminho até ao topo. Mas nos pro’s, salta do seu trono para águas fundas muito rapidamente. Por isso ser amador ajuda muito. Assim que consiga uma boa carreira enquanto amador, acredita em si mesmo, tudo o que precisa de fazer é trabalhar para aguentar rounds mais longos. Um lutador alguma vez perde o medo do ringue? É bom ser temível e ter medo. O medo é uma necessidade. O boxe é uma auto-defesa. E, se não tiver mais medo, esquece-se de se defender. Torna-se indefeso e deixa que o magoem. Se aprender a defender-se, então vai estar bem. Deixou os ringues durante anos e regressou com mais de quarenta anos de idade. Está mesmo reformado do boxe, ou os fãs podem esperar um regresso aos ringues? (Risos) Sabe uma coisa? Adoraria. Detestei deixar o boxe a última vez e se tivesse que fazer tudo outra vez, faria outro regresso. Mas não vou. De certeza? Acabou. (risos) O que faz George Foreman agora? Continuo a pregar na igreja. Tenho o Centro para Jovens George Foreman, onde trabalho com crianças e tento mantê-los fora das ruas até onde consigo. Mas lá não prego, estou apenas lá para eles. Criei cerca de oito netos já e também crio cães pastores alemães. Acho que agora sou um bocadinho fazendeiro. Tem algum conselho para quem está agora a dar os primeiros passos no boxe ou em desportos de combate como o boxe? O mais importante conselho que dou a todos os que começam no boxe é que percebam que têm de trabalhar muito e no duro. Se vai haver alguma dor no boxe, tem que ser dada por eles mesmos no local dos treinos. E aí estará seguro em toda a carreira. Se vai haver sofrimento e dor, dêem-nas a vocês mesmo nos treinos e assim estarão seguros no ringue de boxe.


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Armazém do Boi À Descoberta das Cidades

Tiago Quadros

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curadora Susanne Gaenscheimer, distinguida com o Leão de Ouro na Bienal de Veneza de 2011, anunciou, no passado dia 3 de Abril, o seu programa para o Pavilhão Alemão na Bienal de Veneza deste ano. Numa proposta inédita, Gaenscheimer seleccionou quatro artistas, nenhum dos quais alemão: Ai Weiwei, Romuald Karmakar, Santu Mofokeng e Dayanita Singh. Na apresentação do programa para este ano, a curadora do Museum of Modern Art Frankfurt (MMK) afirmou que o pavilhão Alemão na Bienal de Veneza corresponderá à continuação da sua abordagem transnacional ao mundo da arte, afrontando os preconceitos e normas estabelecidas em torno de mostras, bienais e apresentações nacionais. De acordo com Gaenscheimer, a vida quotidiana e a paisagem cultural da Alemanha são determinadas por diferentes religiões, economias e abordagens políticas. Ainda segundo Gaenscheimer, é essa heterogeneidade que melhor define o quotidiano contemporâneo alemão. Por outro lado, a curadora defende que a sociedade em que vivemos não pode funcionar sem o diálogo e sem o contributo colectivo. Nesse sentido, ao escolher Ai Weiwei, Romuald Karmakar, Santu Mofokeng e Dayanita Singh, Susanne Gaenscheimer procurou intervenientes representativos de uma série de questões resultantes da convergência de diversas ideologias e de concepções de vida, Contudo, algumas vozes têm-se mostrado contrárias à proposta de Susanne Gaenscheimer. Udo Kittelmann, director da Nationalgalerie, State Museums, em Berlim, defende que a escolha de um artista com a dimensão de Ai Weiwei acabará por retirar visibilidade às obras de Romuald Karmakar, de França, Santu Mofokeng, da África do Sul, e da artista de Nova Deli, Dayanita Singh. A este respeito, Udo Kittelmann refere: “Se alguém convida Ai Weiwei, a atenção da imprensa internacional será um dado. Ai Weiwei é cada vez mais usado por algumas figuras do mundo da arte para, de um modo populista, apresentarem as suas próprias políticas culturais. Os artistas que com Ai Weiwei compartilham o espaço no Pavilhão Alemão da Bienal deste ano, poderão ser facilmente ofuscados pela sua presença”. Mas a curadora do Pavilhão Alemão, Susanne Gaensheimer, defende a sua selecção, afirman-

cultura

Bienal de Veneza Susanne Gaenscheimer escolhe Ai Weiwei para o Pavilhão Alemão

A procura incessante pelo distante outro do: “O pavilhão alemão em 2013 será, precisamente, sobre combater normas e rankings. Até ao momento, recebemos mais pedidos de entrevistas para Karmakar, Mofokeng e Singh do que para Ai Weiwei .” Ai Weiwei gosta de desconstruir objectos históricos, suscitando reflexões sobre o seu valor e a sua ligação à vida das pessoas comuns. Numa entrevista publicada no portal de arte chinesa “ArtZineChina”, há uns anos, dizia que gostava de usar “restos” (de objectos ou edifícios históricos) “como prova da nossa actividade passada”, colocando-os em contextos contemporâneos criando um “contexto misto, problemático e interrogativo”. Na sua exposição de 2011, em

Taipé, Ai Weiwei revelou isso mesmo, ao apresentar exemplos como o tríptico fotográfico “Dropping a Han Dystany Urn” (1995) ou “Colored Vases” (2010), este último um conjunto de vasos neolíticos datados de 5000-3000 a.C. sobre os quais Ai Weiwei aplicou tintas industriais de várias cores. Essa iconoclastia estende-se a objectos de datação mais recente mas igualmente valiosos, como mobiliário da dinastia Qing (1644-1911). Em “Grapes” (2010), criou uma estrutura a partir de 32 bancos dessa época que se assemelha a um cacho de uvas, provocando uma sombra estrelar no chão e desafiando as convenções de uso do objecto e até da própria ideia de gravidade. Mesas do mesmo

período foram reconstruídas em estruturas bizarras mas evocadoras de uma certa fragilidade em “Table with Two Legs on the Wall” (2010) e “Table with Three Legs” (2010). Em “Map Of China” (2004), feito a partir de madeira de um templo da dinastia Qing, Ai reflecte sobre a dimensão geopolítica do país, com a particularidade de incluir o mapa de Taiwan, cujo estatuto internacional permanece vago. Mas, nesse suporte, nada supera a monumental criação “Through” (2007-2008), em que mesas, feixes e pilares de templos da última dinastia chinesa foram colocados num conjunto de linhas diagonais com mais de um quilómetro de extensão. Os princípios geradores da obra de Weiwei estiveram, certamente, presentes no momento em que Susanne Gaenscheimer decidiu escolhê-lo para o Pavilhão Alemão. Com efeito, Ai Weiwei convida à reflexão no valor simbólico das estruturas. A sua Obra é feita de mutações evocadas, onde se descortinam densidades variáveis. Para Ai Weiwei modular o espaço significa esboçar as bases de uma escrita cujo objectivo é sempre o de comunicar contra o estabelecido, numa procura incessante pelo outro. Ai Weiwei, a quem Allen Ginsberg terá dito um dia que duvidava que alguma galeria expusesse o seu trabalho, é hoje uma celebridade mundial e respeitado como um importante porta-voz de uma certa intelectualidade acossada na China.

Ontem, pelas 16h, decorreu no Armazém do Boi a inauguração da exposição “City Discovery: Macao-Zhuhai Contemporary Arts Exhibition”. Para esta exposição foram seleccionados 14 artistas: Chan Hin Io, João Ó, Lio Hak Man, Chong, Fan Sai Hong, Lei Ieng Wai e Sou Leng Fong de Macau; e Justin Xue, Xiaoyan Yang, Xiangming Ye, Jiang Shan, Yuqin Li, Lu Jun e Zeng Han de Zhuhai. Os trabalhos exibidos apresentam abordagens muito diversas ao património urbano das duas cidades vizinhas. Os participantes responderam ao desafio de Tong Chong, o curador da mostra, imbuídos num espírito de intercâmbio de ideias e princípios muito dirigidos para as realidades que os dois territórios atravessam. Para além de uma exposição de pintura, “City Discovery: Macao-Zhuhai Contemporary Arts Exhibition”, é o resultado de um conjunto de reflexões em torno da Memória, da Identidade e do Território. A presente exposição é apoiada pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e estará aberta ao público até ao dia 26 de Maio. Mais informação pode ser consultada em http:// oxwarehouse.blogspot.com/.

Arte Almada Negreiros nasceu à 120 anos

Passaram-se ontem 120 anos sobre o nascimento de Almada Negreiros (7.04.189315.06.1970), um dos pilares da arte portuguesa do século XX. Artista eclético, multifacetado, com incursões na dança e no cinema, deixou uma obra que é das mais coerentes e, simultaneamente, mais transversais da sua época. Viveu em Paris e Madrid, onde contactou com os principais intervenientes nos movimentos de vanguarda europeus. Foi em 1913, nos salões da Escola Internacional de Lisboa, que o mundo viu nascer o artista Almada Negreiros, figura ímpar da vanguarda portuguesa. Nenhum outro do seu tempo, na verdade de qualquer tempo, foi tão prolífico na exploração dos vários níveis de expressão artística e no virtuosismo com que neles se exprimiu. A obra de Almada Negreiros inclui um conjunto múltiplo de trabalhos plásticos e literários, marcados pelo estilo de alguém que cultivou, em múltiplas direcções, a mais vibrante das formas de comunicação. Com início em Abril e até Novembro do corrente ano, um extenso programa, desenvolvido com a colaboração de várias entidades e instituições, assinala esta efeméride. Tertúlias, documentários, exposições, colóquios, espectáculos, edições sobre o artista e reedições da sua obra são algumas das iniciativas que vão permitir um novo olhar sobre o seu património artístico.

Arte Pinturas da Água e da Primavera em Vancouver

Foi inaugurada, no passado dia 5 de Abril, a exposição “Spring. Water”, da autoria de June Yun, na galeria Art Beatus, em Vancouver. A mostra apresenta um conjunto de aguarelas, pintadas pela artista chinesa radicada no Canadá. O conjunto de trabalhos agora em exposição foi realizado entre 2011 e 2013, e em certa medida, dá continuidade ao projecto Lemon Traveling Series. Para além do trabalho artístico, June Yun é docente universitária em instituições na China e no Canadá, nomeadamente na Emily Carr University. Yun tem exposto individualmente, desde 2000, no Canadá e no estrangeiro. Em 2011, o seu trabalho foi apresentado no Himalayas Art Museum em Xangai. “Spring. Water”, estará patente ao público até ao dia 31 de Maio.


cultura

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Espectáculo Boxe e Dança juntos em coreografia de Mourad Merzouki

O combate da vida Joana Freitas

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se juntar boxe a dança contemporânea? O que acontece? O resultado vai poder ser visto pelos residentes de Macau, num espectáculo de dança que vai chegar ao território daqui a dois meses. O Centro Cultural de Macau (CCM) vai apresentar, no dia 8 de Junho, “Boxe Boxe”, pela companhia francesa Käfig. O espectáculo junta os elementos da dança de rua com a arte do boxe e mostra as possibilidades da dança em cima do palco. “Esta apresentação funde dança contemporânea com uma diversidade de disciplinas incluindo circo, artes marciais e música ao vivo, numa demonstração de inovação arrojada e desporto que nos emerge no mundo do boxe”, explica o CCM. Para o autor do espectáculo – o coreógrafo e ex-lutador francês Mourad Merzouki – um boxer é também um dançarino. Em apresentações anteriores do “Boxe

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Boxe”, Merkouzi explica o porquê da junção dessas artes. “Quando luto, tenho o mesmo sentimento de quando estou a dançar. Há tantas parecenças no ritmo, movimento do corpo...” O coreógrafo assegura que ‘Boxe Boxe’ é mais do que socos e pontapés e garante uma atmosfera “sedutora”, marcada pela influência de filmes mudos. “Ao contrário da brutalidade e violência que se espera de um combate, aquilo que colhemos é uma explosão de puro prazer. À impressionante música ao vivo do quarteto de cordas, que interpreta temas de Mendelssohn, Schubert ou Phillip Glass, junta-se a crueza urbana do imaginário hip-hop”, refere o CCM. “Boxe Boxe” não tem uma mensagem particular, diz Merzouki, sendo apenas a sua história enquanto praticante das duas modalidades. O espectáculo tem lugar no dia 8 de Junho, mas os bilhetes já estão à venda, apesar de ainda não estarem disponíveis os preços.

Cinema Morreu o realizador catalão Bigas Luna

A sétima arte enquanto risco

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rabalhou até aos últimos dias num filme que deixa por terminar. Bigas Luna, o realizador catalão de 67 anos com quem os actores Javier Bardem e Penélope Cruz começaram os seus percursos, morreu na madrugada de sábado em sua casa, em Tarragona, junto à mulher e às três filhas. Nascido em Barcelona a 10 de Março de 1946, Bigas Luna assinou cerca de 20 filmes, pelos quais foi várias vezes premiado, em vários festivais - do Fantasporto, onde recebeu o prémio da Crítica

em 1983 por Caniche (1979), ao Festival de Veneza, onde ganhou o Leão de Prata em 1992 por Jámon, Jamón. Fotógrafo profissional, Juan José Bigas Luna chegou ao cinema através da publicidade, do desenho e das artes plásticas. Entre 1974 e 1977 realizou várias curtas-metragens e documentários. Em 1978 assinou a sua primeira longa: Tatuagem, baseado num livro de Vázquez Montalbán. Ainda nesse ano, seguiu-se Bilbao - A História de um Fascínio (1979), o filme que o levou pela primeira vez a Cannes. Apesar dessa ascensão, em 1987, com a morte do produtor Pepón Coromina, Bigas Luna deixou por alguns anos a realização. Foi no regresso, na década de 1990, que estreou alguns dos maiores êxitos da sua carreira, nomeadamente com filmes como As Idades de Lulú (1990), Jámon, Jámon (1992), Huevos de Oro (1993), A Teta e a Lua (1994), pelo qual voltou a ser distinguido em Veneza, desta vez com o prémio para melhor argumento.

O El País recordava sábado a sua “contagiosa vitalidade, a sua curiosidade por tudo e o seu amor pela vida”. “Ele viveu para os prazeres da terra e o seu cinema foi uma extensão desses prazeres.” Em 1996, numa entrevista ao jornal La Vanguardia recordada pela Lusa, Bigas Luna comentava: “Desde que o franquismo me fez cortar três cenas de Tatuagem não voltei a autocensurar-me. E cortar, só corto o chouriço da minha terra.” Segundo o El País, até domingo passado o realizador estava a trabalhar em El Mecanuscrit del Segon Origen, livro de Manuel de Pedrolo e o seu último desejo foi o filme fosse finalizado e dedicado ao seu único neto, Quim Lu. Ainda segundo este diário espanhol, por vontade expressa do realizador, não haverá homenagens póstumas (para evitar tentações terá deixado este desejo por escrito e assinado perante notário). Os últimos filmes que estreou foi Yo soy la Juani (2006) e Di Di Hollywood ?(2010).

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AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1. Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, encontra-se terminado, e, que de acordo com o artigo 3.º da Lei n.º 8/91/M de 29 de Julho, conjugado com o artigo 2.º e o artigo 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que, deverão os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Rua Um do Bairro Iao Hon, n.ºs 19 a 39 e n.ºs 47 a 76, Rua Dois do Bairro Iao Hon, n.ºs 51 a 77, Rua Quatro do Bairro Iao Hon, n.ºs 27 a 39, Rua Cinco do Bairro Iao Hon, n.ºs 13 a 24, Rua Seis do Bairro Iao Hon, n.ºs 26 a 65, Rua Sete do Bairro Iao Hon, n.ºs 25 a 42 e Rua Oito do Bairro Iao Hon, n.ºs 26 a 50, em Macau; - Rua Um do Bairro Iao Hon, n.ºs 39 a 45 e Rua Quatro do Bairro Iao Hon, n.ºs 38 a 50, em Macau, (Edifício Industrial Iao Seng); - Estrada dos Cavaleiros, n.ºs 2 a 26; Rua Quatro do Bairro Iao Hon, n.ºs 17 a 25, Rua Cinco do Bairro Iao Hon, n.ºs 3 a 14 e Rua Seis do Bairro Iao Hon, n.º 18, em macau, (Edifício Heng Lung); - Rua Um do Bairro Iao Hon, n.ºs 75 a 81, Rua Nove do Bairro Iao Hon, n.ºs 1 a 8 e Estrada dos Cavaleiros, n.ºs 28 a 34, em Macau, (Edifício Hong Tai); - Estrada da Areia Preta, n.ºs 16 a 18B, em Macau, (Edifício Iao Pong). 2. Agradecemos aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento da Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. 3. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, proceder-se-á à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 11 de Março de 2013. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição


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Boxe Zou Shiming vence na estreia como profissional. Irmãos filipinos impressionam

Os melhores dentro de cordas Joana Freitas

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ao fim de quatro rounds, Zou Shiming cumpriu o sonho de vencer o seu primeiro combate profissional. A arena do Cotai, no Venetian, recebeu, no passado sábado, o chinês campeão olímpico de boxe, na sua estreia como profissional. O último combate da noite levou Zou a enfrentar Eleazar Valenzuela, do México. Os dois formavam o cartaz principal do evento - “Fists of Gold” -, mas nem por isso deram o maior espectáculo do total de oito combates. Durante os 12 minutos da luta - composta por apenas

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quatro rounds ao invés dos habituais 12, por ser a estreia de Zou -, o lutador chinês da categoria de peso-mosca foi mais atacante. Zou entrou mais rápido no primeiro round, com Valenzuela a estudar o adversário. Sem muita técnica, o chinês conseguiu derrotar o mexicano, que perdeu algumas oportunidades. Um Valenzuela menos confiante do que no dia anterior, quando disse ao Hoje Macau estar “muito bem preparado” e não se assustar com o facto de Zou Shiming estar a lutar em casa. Para delírio de uma casa quase cheia, Zou venceu por pontos contra Valenzuela por decisão unânime

rian “the Hawaiin Punch” Viloria nem queria acerditar. O detentor dos dois títulos mundiais de peso-mosca (da World Boxe Association e da World Boxe Organization) viu o seu adversário mexicano, Juan Estrada, ficar com os louros do combate. Mas não foi sem esforço que Viloria abriu mão do cinto de campeão mundial. No combate que juntou detentor e desafiador, no Arena do Venetian, sábado à noite, os dois chegaram ao fim dos doze rounds, com Estrada a vencer por pontos, por decisão separada dos juízes. Brian Viloria começou bem, mais forte e mais atacante. O americano manteve-se em maioria até ao quinto assalto, desferindo sequências de socos impressionantes na face de Estrada, sem quase dar hipótese de resposta ao mexicano. A partir do quatro round, contudo, Juan Estrada começou a melhorar a performance, permitindo um combate mais equilibrado. Claramente o preferido do público, que gritava por ele, Viloria começou a aparentar algum cansaço físico. Após o sétimo assalto - onde o “Hawaiin Punch” ainda liderou -, Estrada impressionou com a reviravolta dada dentro do ringue: o mexicano procurava o KO, desferindo golpes seguidos na cara de

dos juízes - todos deram exactamente a mesma pontuação tanto ao chinês como ao mexicano, ficando Zou Shiming com 40 pontos e Eleazar Valenzuela com 36.

Filipinos e destaque

Antes do combate principal da noite, o Fists of Gold trouxe ao ringue outros 14 lutadores. Os irmãos Penalosa, das Filipinas, mostraram porque são invictos até agora. Num primeiro combate de Dave Penalosa contra Cheroenchai Sithsaithong,da Tailândia, o filipino não precisou dos quatro rounds para derrotar o adversário. Num combate que começou tímido e se viu muito parado, Penalosa

nocauteou Sithsaithing aos 29 segundos do segundo round. Os dois competiam em super peso-pluma. No terceiro encontro da noite, o segundo Penalosa - Dodie Boy Penalosa -, mostrou mais garra. Contra o também tailandês Nimithra Sithsaithing, Doddie Boy começou forte logo no primeiro dos seis rounds que tinha. Mais rápido do que o tailandês, Penalosa ainda levou um recto de Sithsaithing, mas respondeu no segundo assalto com um espectacular soco que levou o adversário ao chão. Mas, ainda não foi desta que o filipino conseguiu o KO, já que Sithsaithing se levantou de imediato e conseguiu fazer um segundo round

Zou Shiming

bastante equilibrado. Mas, no terceiro assalto, Penalosa não perdeu a oporunidade nem a força. A 2,54 minutos do round, o filipino injectou uma sequência de três laterais nas costelas do tailandês, que o

levaram a cair inanimado no chão. Penalosa manteve-se, assim, invicto na categoria de pesos-leves, para muita satisfação do público filipino que assistia na Arena do Venetian.

Disputa entre detentores de título e desafiadores surpreende espectadores

Espectáculo e trocas de cintos Top Rank promete mais

Viloria, que acabou com os dois sobrolhos abertos. Exausto e a encostar-se às cordas, dando oportunidades a Estrada, Viloria acabou por perder com uma diferença mínima de nove pontos. O suficiente para que Estrada fosse coroado o novo campeão mundial da WBO e da WBA de peso-mosca. No final dos combates, e visivel-

mente desiludido, Brian Viloria falou com o Hoje Macau. O americano escusava-se a “inventar desculpas” e assumiu “toda a responsabilidade pelo que aconteceu” no combate. Mas prometeu mais. “Foi um combate renhido. Mas não posso mudar os resultados. Agora é voltar aos treinos e voltar mais forte. Eu quero um ‘rematch’, porque considero que consigo corrigir algumas das coisas

Bob Arum, fundador da promotora Top Rank, já tinha dito que Macau tem tudo para ser a próxima capital do boxe. Ainda não se sabe se assim o será, mas aquele que é um dos homens mais importantes no mundo do boxe, já prometeu mais para o Venetian. No “Verão”, ainda que sem data marcada, Arum vai trazer mais lutadores a Macau em mais um evento de boxe. Novas estrelas e alguns ‘rematch’ de títulos perdidos são algumas das coisas que se podem esperar. Entretanto, aguarda-se pela confirmação de que o proximo combate de Manny Pacquiao seja no Venetian Macau, em Setembro, contra o já habitual Juan Manuel Marquez.

que me falharam. Lutava amanhã se pudesse.”

O fim de um sonho

Diego Magdaleno devia ser talvez o mais confiante dos lutadores

que, no passado sábado, subiram ao ringue. Mas nem por isso, o americano de Las Vegas conseguiu cumprir a promessa de tirar a Román Martinez o título mundial de Super Peso-Pena da WBO. Numa luta que começou calma e com ambos os lutadores a estudarem-se um ao outro, “Rocky” Matinez levou a melhor, vencendo por decisão separada dos juízes e, perceba-se, apenas por mais um ponto do que Magdaleno. Os dois proporcionaram um verdadeiro espectáculo aos amantes da modalidade. Rocky apresentou-se muito seguro, desferindo, no quarto assalto, um recto na cara de Magdaleno que levou o americano ao chão. Mas o KO não era algo marcado para este combate. Diego Magdaleno mostrou-se surpreendentemente enérgico durante quase todo o combate , enquanto Martinez presenteou o público com espectaculares esquivas. Na conferência de imprensa prévia ao combate Magdaleno frisou que este seria o fim do sonho de Rocky Martinez. Não foi, por pouco. – J.F.


desporto

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Futebol Benfica afasta Sporting da Taça

GP Mário Duque fala mais uma vez em violações do Governo da RAEM

Leão foi presa fácil Marco Carvalho info@hojemacau.com.mo

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ra a partida de maior nomeada da primeira eliminatória da Taça da Associação de Futebol de Macau e os grandes protagonistas não defraudaram. As representações locais do Sport Lisboa e Benfica e do Sporting Clube de Portugal reeditaram no fim-de-semana, no estádio da Taipa, o principal derby da capital portuguesa, prevalecendo ao fim de sessenta minutos uma certa ordem natural das coisas, pelo menos no que diz respeito ao futebol do território. Isolado na terceira posição da Liga de Elite, o onze da Casa do Sport Lisboa e Benfica de Macau fez valer as credenciais e goleoou o Sporting Clube de Macau por cinco bolas a zero, num desafio em que os leões do território se revelaram presa fácil, sem que ainda assim tivessem deixado má imagem no principal relvado da RAEM. O onze encarnado entrou melhor na partida e inaugurou o marcador logo aos dez minutos. Bruno Martinho levou a bom porto uma iniciativa rápida de contra-ataque, levando a melhor sobre dois defesas adversários e sobre o guarda-redes leonino antes de disparar para o fundo das redes do Sporting. Apesar de terem continuado a

pressionar o adversário, as águias do território só catorze minutos depois festejaram novo golo, num lance infeliz de Filipe Marques. O defesa leonino tentou afastar de cabeça um cruzamento tenso da linha avançada encarnada, mas acabou por empurrar o esférico para o fundo da própria baliza. Embalado pelo golo, o Benfica marcou o terceiro nove minutos depois, num disparo colocado de Jorge Tavares. O médio, de 26 anos, tira proveito de um alívio incompleto da defensiva do Sporting e remata de primeira para o terceiro tento da tarde, um dos mais vistosos apontados nos últimos tempos nos estádios de Macau. A perder por três bolas a zero, os leões regressaram do balneário apostados em contrariar o maior domínio do adversário e assinam a primeira grande oportunidade da segunda parte. O Sporting quase reduz nos instantes iniciais da segunda metade num livre directo que esbarrou, ainda que sem grande clamor, na barra da baliza à guarda de Juan de Castro. O susto não intimidou o grupo de trabalho às ordens de Bruno Álvares e o Benfica voltou a festejar novo golo pouco depois, com o brasileiro Fabrício Lima a marcar num remate cruzado, desferido de fora da área adversária. O último reforço da formação encarnada

encerrou o andamento do marcador a dez minutos do fim da partida, com novo remate colocado, desferido no coração do último reduto dos leões. Já com a eliminatória irremediávelmente perdida, Francisco Cunha cria uma das melhores oportunidades do Sporting em toda a partida, mas Juan de Castro acaba por negar o golo de honra aos leões, ao abortar com uma palmada preciosa a tentativa de chapéu do médio macaense. No outro desafio que envolveu formações de matriz portuguesa, manteve-se a lógica da sobrevivência do mais forte, com o Organismo Autónomo Desportivo da Casa de Portugal a derrotar o Hong Nam, da terceira divisão, por três bolas a zero. Os tentos da formação orientada pelo são tomense Pelé foram apontados por Edmundo, por Leonel Fernandes e por Lino.

outros resultados Monte Carlo 11-0 Ngan Ieng Hong Lok

0-1

Kei Lun

Kuan Tai

6-0

Meng Chu

Ka I

- Pau Peng*

Chang Wai

-

Chao Pak Kei*

*adiado

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ASSISTANT PRINCIPAL SECONDARY SECTION REQUIRED FOR SEPTEMBER 2013 The College seeks a Christian teaching professional with good leadership, management, interpersonal and organizational skills to head a team of 42 teachers. Candidates should be good team players, flexible, resilient and creative, and have a good sense of humour. A good knowledge of IGCSE, A/S level and A level examinations is essential. Interested candidates should send a personal letter of application electronically stating how s/he meets the above requirements, a CV, the names and contact details of three referees to: Ms Cissy Chan, Personnel Manager, Macau Anglican College, 109-117 Avenida Padre Tomas Pereira, Taipa, Macau. Tel: 00853 28850000 Email: cissychan@acm.edu.mo Website: www.acm.edu.mo

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Owing to continued growth, we are seeking English speaking, qualified and experienced teachers of Cambridge IGCSE level subjects for the 2013/2014 school year: -

French

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ICT

Candidates must have degrees specific to the subject and full teaching qualifications. We are also seeking for a primary music qualified teacher. MAC is an English medium school which offers an attractive salary package including a housing allowance for non-Macau residents, small class sizes and a multicultural Christian ethos. Send cover letter, CV, documents and contactable referees to cissychan@acm.edu.mo or fax 85328850022. In your application letter, kindly state how you meet all the above requirements. Include the names of two contactable referees.

Argumentações não convenceram Joana de Freitas

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Rita Marques Ramos rita.ramos@hojemacau.com.mo

A

s razões invocadas por Costa Antunes para a demolição da Torre de Controlo, numa conferência de imprensa na sexta-feira, não satisfizeram mais uma vez o autor do projecto, Mário Duque. Aos jornalistas, o coordenador do Grande Prémio de Macau (GPM) anunciou a inadequação das instalações ao evento, segundo já tinha feito saber a FIA - Federação Internacional de Automobilismo, em 2008, informação que já tinha sido veiculada por via escrita a Mário Duque. Já então, o arquitecto não compreendeu por que razão as directivas só foram agora tidas em conta, em altura do 60º aniversário do GPM. Por outro lado, Costa Antunes explica agora que não só a Torre de Controlo vai abaixo mas todo o complexo do GPM, incluindo o edifício. No entanto, tal terá de ser feito por fases, por “limitações de tempo” uma vez que a obra conjunta levará, pelo menos, um ano. “A Torre de Controle será construída a tempo do 60.° Grande Prémio de Macau, enquanto que o edifício será construído no próximo ano”, avança o coordenador do GPM”, indicou o engenheiro. Numa carta endereçada a Cheong U, secretário para os

Assuntos Sociais e Cultura, com o conhecimento de Costa Antunes - que Mário Duque fez chegar via e-mail ao Hoje Macau -, o arquitecto diz estar perante um caso de violação após ouvir as declarações do dirigente do GPM. “Ao mesmo coordenador parece não ocorrer que no dia em que exibir o actual edifício do GPM, sem torre de controlo, ou com uma torre de controlo em moldes diferentes daqueles que a RAEM adquiriu direitos de utilização do projecto do actual edifício, sem ter consultado o autor da obra, está a violar uma Convenção Internacional que a República Popular da China ratificou e que assumiu responsabilidade sobre a sua aplicação na RAEM, a partir de 20 de Dezembro de 1999”, frisa o arquitecto, premiado por este conjunto arquitectónico em 1992, pela Associação de Arquitectos de Macau (AAM), cujo júri foi também composto por Costa Antunes e pelo arquitecto responsável pelo novo projecto, Bruno Soares, na qualidade de presidente da AAM à data. Sobre esta questão, Duque indica que os arquitectos não deviam ser envolvidos nestes actos de gestão pública. Mário Duque salienta ainda, em fim de carta dirigida a Lau Si Io, que foi competência sua a autorização ao “prosseguimento dos trabalhos”, sabendo dos “requisitos necessários.”

Novas corridas para o 60.º aniversário Vão ser seis dias. Seis dias de motores, corridas, festa e novidades. O Grande Prémio de Macau vai festejar o 60.º aniversário e o Turismo de Macau apostou forte. Este ano, duas novas corridas vão juntar-se às habituais competições na Guia, sendo que o segundo fim-de-semana do GP vai apresentar a Corrida Lotus Grande China, onde pilotos do Interior da China, Hong Kong, Macau e Taiwan serão convidados a competir, e o Master Challenge. Vão ser convidados “alguns dos melhores e mais bem sucedidos pilotos da região para entrarem no Master Challenge, juntamente com antigos concorrentes dos anos 60 aos anos 90, com todos eles ao volante do Volkswagen original 2013 Scirocco R-Cup China”. Tendo como tema a “Celebração do Jubileu de Diamante do Grande Prémio com Estrelas”, o GP deste ano vai ter um programa com seis dias de corridas: nos dias 9 e 10 de Novembro vão poder ver-se as competições da Taça Audi R8 LMS, Taça Porsche Carrera Asia, Lamborghini Super Trofeo, Fórmula Mestres China Série, a Corrida de Interport MAC/HKG e a Taça de Carros de Turismo de Macau. Já de 14 a 17 de Novembro, vai poder ouvirse o sinal de partida sete vezes. No cartaz, o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 – Taça Intercontinental da FIA, o Grande Prémio de Motos de Macau, a última ronda do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo da FIA 2013 e ainda a Taça GT Macau e o Macau Road Sport Challenge são os primeiros. O orçamento para a organização do evento durante dois fins-de-semana é de 230 milhões de patacas. Já as despesas com a construção da Torre de Controle ficará em 70 milhões de patacas.


segunda-feira 8.4.2013

[ ] Cinema

futilidades

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Cineteatro | PUB GI joe retaliation [C]

Um filme de: Jon M. Chu Com: Channing Tantum, Bruce Willis, Dwayne Johnson 16.30, 21.30 Sala 2

GI joe retaliation [3d] [C]

Um filme de: Jon M. Chu Com: Channing Tantum, Bruce Willis, Dwayne Johnson 14.30, 19.30

the croods [a] GI joe retaliation

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Chris Sanders, Kirk De Micco 16.30, 21.30

Sala 1

Sala 3

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Chris Sanders, Kirk De Micco 14.30, 19.30

Um filme de: Antoine Fuqua Com: Gerard Butler, Morgan Freeman, Aaron Eckhart 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

the croods [a]

Aqui há gato

olympus has fallen [c]

VERTICAIS: 1-Avenida (abrev.). Prudente como um bispo. 2-Achavam graça. Chegámos. 3-Homem entre a infância e a adolescência. Não cozidos. 4-Xarope de vinho e mel. Brotam. 5-Bases. Francos, dedicados. 6-Cidade da Babilónia. Convenção, tratado. Graça ou elegância de porte. 7-Circulai. Apre!. 8-Joeirar. Aqueles que manisfestam snobismo. 9-Espécie de cegonha pequena. Destapem. 10-Faças um operação. Porto interior. 11-Nota de classificação igual ou superior a metade do valor máximo da escala (Esc.). Autor (Suf.).

Soluções do problema

Sudoku [ ] Cruzadas

HORIZONTAIS: 1-Eriçou. Opus (abrev. mus.). 2-Vianense. Pessoa, sujeito. 3-Depois de. Elogies. 4-Idolatram. Arbusto euforbiáceo do chauchu. 5-Tratar com cuidado. Setembro (abrev.). 6-4 (Rom.). Notas. Pronome pessoal. 7-Tal com foi ditto. Deduz, acerta. 8-Pérsico. Efeito do trabalho. 9-Tens amuo. Enseada. 10-Quinhão. Desfeado. 11-Aqueles. Causar marasmo.

[Tele]visão TDM 13:00 13:30 14:40 17:00 18:30 19:30 20:30 21:00 22:10 23:00 23:30 00:00 03:30

TDM News - Repetição Telejornal + 360º (Diferido) RTPi Directo Liga Sagres: Olhanense – Benfica (Repetição) Contraponto (Repetição) Vingança Telejornal TDM Desporto Escrito nas Estrelas TDM News Com Ciência Telejornal – Repetição RTPi Directo INFORMAÇÃO TDM

RTPi 82 14:00 Telejornal Madeira 14:30 Consigo 15:00 Correspondentes 15:30 AntiCrise 16:00 Bom Dia Portugal 17:00 Portugal Aqui Tão Perto 17:45 O Teu Olhar (Telenovela) 18:45 Tec@Net 19:00 Trio d’Ataque 20:00 Jornal da Tarde 21:15 O Preço Certo 22:15 Portugal no Coração

16:30 18:00 19:00 19:30 20:00 20:30 21:30 22:00 23:30

WTA - Whirlpool Monterrey Open Final Lalla Meryem Cup H/ls - Morocco 2013 Planet Speed 2012/13 Inside European Rally Championship The Verdict Copa Lagos 2012 Lebanon vs. Nigeria (LIVE) Score Tonight 2013 WTA - Whirlpool Monterrey Open Final The Verdict

40 - FOX Movies

12:25 Cloudy With A Chance Of Meatballs 13:55 Robots 15:25 George Harrison 18:50 The Sitter 20:15 The Walking Dead 21:00 Underworld 22:35 Chronicle 00:00 Vacancy

30 - FOX Sports 12:30 NASCAR Sprint Cup Series 2013 15:30 MLB Regular Season 2013 Los Angeles Angels vs. Texas Rangers 18:30 (Delay) Baseball Tonight International 2013 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 NASCAR Sprint Cup Series 2013 - Highlights 21:00 Masters Official Films 2010 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 MotoGP World Championship 2013 - Main Races Grand Prix of Qatar 31 - STAR Sports 12:30 HSBC Asian 5 Nations Rugby 2013 Kazakhstan vs. Sri Lanka 14:30 Lalla Meryem Cup H/ls - Morocco 2013 15:30 HSBC FEI Classics 2012/2013 - Mid Season Catch Up

41 - HBO 13:00 Tinker Tailor Soldier Spy 15:05 Madison 16:50 Totally Awesome 18:25 The First Wives Club 20:10 The Three Musketeers 22:00 Boss 23:00 Girls 23:30 Bram Stoker’S Dracula 42 - Cinemax 12:30 The Reunion 14:15 John Carpenter’s Escape From L.A 16:00 Journey To The Far Side Of The Sun 17:45 Force 10 From Navarone 20:00 Carnivale 22:00 Disturbing Behavior 23:30 Star Trek V The Final Frontier

HORIZONTAIS: 1-ARREPIOU. OP. 2-VIANES. TIPO. 3-APOS. GABES. 4-AMAM. PIRIRI. 5-B. ZELAR. SET. 6-IV. LECAS. SI. 7-SIC. ATINA. V. 8-PERSIO. OBRA. 9-AMUAS. ABRA. 10-DOSE. AFEADO. 11-OS. MARASMAR. VERTICAIS: 1-AV. ABISPADO. 2-RIAM. VIEMOS. 3-RAPAZ. CRUS. 4-ENOMEL. SAEM. 5-PES. LEAIS. A. 6-IS. PACTO. AR. 7-O. GIRAI. AFA. 8-UTAR. SNOBES. 9-IBIS. ABRAM. 10-OPERES. RADA. 11-POSITIVA. OR.

À venda na Livraria Portuguesa Contos e Lendas de Macau • Alice Vieira Plano Nacional de Leitura Livro recomendado no programa de Português do 4º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula - Grau de Dificuldade III.

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Insira algarismos nos quadrados de forma a que cada linha, coluna e caixa de 3X3 contenha os dígitos de 1 a 9 sem repetição solução do problema do dia anterior

Les Halles As deliciosas receitas, dicas e técnicas da cozinha bistrô • Anthony Bourdain Antes de espantar o mundo com os campeões de vendas Cozinha Confidencial e A Cook’s Tour, Anthony Bourdain passou anos a servir da melhor comida de cervejaria francesa em Nova Iorque. Com uma atmosfera descontraída e terra a terra, o Les Halles enquadra-se perfeitamente no estilo de Bourdain: é um restaurante onde nos podemos vestir à nossa vontade, falar alto, beber um copo de vinho a mais e passar um bom bocado com os amigos. Rua de S. Domingos 16-18 • Tel: +853 28566442 | 28515915 • Fax: +853 28378014 • mail@livrariaportuguesa.net

Coisas do arco-da-velha Afinal o que é isso do arco-da-velha? Trata-se de uma expressão usada quando se quer referir algo espantoso, inacreditável, inverosímil. E não é o que se passa por Macau? Aqui, quase que diariamente, vejo coisas espantosas, inacreditáveis ou inverosímeis. Macau é uma terra única a nível mundial. Com uma especificidade muito própria e que, por vezes, custa a compreender. É do arco-da-velha a especulação imobiliária continuar e o Governo nada fazer para a estancar ou reduzir. É do arcoda-velha o Governo permitir construção de prédios em terrenos que deviam ser preservados por motivos ambientais. Não deveria o Governo comprar as terras a Sio Tak Hong? Isso sim, seria do arco-da-velha pelo bom sentido. Mas não. É do arco-da-velha o presidente da CESLAsia defender que veículos eléctricos em Macau não são viáveis. É do arco-davelha os guias turísticos de Macau nada perceberem do património e da história do território. Mais: é do arco-da-velha o conluio entre esses guias turísticos e as lojas de jóias, restaurantes e afins. É do arco-da-velha o futebol que se pratica na RAEM. Ou pelo menos, é do arco-davelha a forma como a Associação de Futebol de Macau gere esse futebol. Nem quero falar o arco-da-velha que são as prestações da Selecção do Lótus por esse mundo fora. É do arco-da-velha a loucura com as notas comemorativas do zodíaco. É do arco-davelha a Internet e o serviço de rede móvel do território, digno de países ou regiões do segundo mundo. É do arco-da-velha a discussão sobre a Lei de Violência Doméstica e a explicação surreal de que não se pode perturbar a “família harmoniosa”. É do arcoda-velha como se coloca a tradição tacanha e ridícula à frente do bem-estar individual da mulher ou do homem agredidos. É do arco-da-velha a forma como se conduz na RAEM e o desconhecimento das regras de trânsito. É do arco-da-velha o desrespeito por filas ou por ordem de chegada aos locais. É do arco-da-velha os prédios podres e a caírem serem a grande montra da cidade. Mas é mais do arco-da-velha o Governo nada fazer para contrariar isso. É do arco-da-velha a dependência excessiva do jogo e ninguém falar em alternativas. É do arco-da-velha o péssimo serviço de saúde que o Executivo fornece aos utentes. É do arco-da-velha o pensamento subserviente e ressabiado das pessoas que ainda pensam em “questões coloniais” e, nesse particular, é mesmo do arco-da-velha que se fale em demolições idiotas e “non sense”. Enfim... Macau tem esse encanto. O encanto de nunca se saber com o que se pode contar. Mas também tem esse lado do arco-da-velha. O lado das decisões estapafúrdias e do deixa andar até que tudo se lixe. Coisas do arco-davelha...

Pu Yi


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opinião

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David Chan*

macau visto de hong kong

Reunificação XII

N

(Continuação)

a semana passada abordámos o ensino de Direito em Macau. Usámos dois exemplos para ilustrar esta questão. Os estilos e níveis de dificuldade diferentes criam maiores hipóteses de não haver directrizes uniformes na criação e classificação dos exames. Hoje vamos voltar a Hong Kong para ver como funciona o curso de Postgraduate Certificate in Laws (PCLL). Situação em Hong Kong Depois de esboçados, as questões e os mecanismos de classificação dos exames são enviados para a Law Society of Hong Kong e para a Hong Kong Bar Association para apreciação externa. A primeira fase da apreciação externa foca-se nas perguntas dos exames. Os examinadores externos analisam as questões, os níveis de dificuldade, a duração e o estilo do exame, etc. Depois de receber estes comentários, o docente em causa pode aceitá-los ou rejeitá-los. Como dissemos há algumas semanas atrás é muito raro o docente não aceitar as observações externas. A incorporação dos comentários externos significa a finalização do projecto do texto de exame. O passo seguinte é os alunos fazerem o exame. As respostas dos alunos devem ser classifica-

cartoon por Steff

O curso PCLL é para quem quer ser advogado em Hong Kong. O nível académico do PCLL é elevado apesar do curso ter apenas oito cadeiras. Se o aluno chumba numa ou duas cadeiras tem de repetir o(s) exame(s). i.e. reexame. No entanto, se chumbar em três cadeiras tem de repetir o exame das oito cadeiras. Chumbar em mais de três cadeiras significa o fim do estudo das pelo docente examinador. É aqui que se inicia a segunda fase da análise externa. É a altura de lidar com a classificação das respostas. i.e. a classificação do exame é, ou não, justa. Os representantes das duas instituições classificam os exames de acordo com um mecanismo de classificação. Portanto, os exames são classificados pelo menos três vezes. i.e. o docente examinador e os representantes das duas instituições. Os representantes das duas instituições e o pessoal docente do curso PCLL das universidades formam um comité que sanciona o

resultado final do exame. O comité ganha maior credibilidade por ser presidido pelo juiz High Court judge. O High Court em Hong Kong é composto pelo Court of First Instance e pelo Court of Appeal. É mais ou menos como o Middle level court em Macau. O testemunho e as transcrições fornecidas pela universidade do curso PCLL são conclusive evidences em Hong Kong. A expressão “conclusive evidence” significa a prova superior e nenhuma outra pode ser submetida ao tribunal para contestar a validade da classificação do PCLL. Se os meus leitores compararem a situação de Hong Kong com a de Macau, entendem tudo.

A melhor carreira para um estudante de Direito em Macau

Os cursos de direito oferecidos pelas universidades de Macau são “engraçados”, podemos verificar que “Leis são apenas Leis”. Falando de forma simples, os estudantes de Direito recebem apenas formação legal e mais nada. Alguns alunos ganham conhecimentos de informática, de línguas, competências para se candidatarem a empregos, lógica, etc, através do curso de Educação Geral. No entanto, o curso de Educação Geral não é de natureza legal.

o bebé

Apenas tem como objectivo diversificar os pontos de vista, fortalecer e consolidar as competências básicas dos estudantes. Deixemos essas competências e o conhecimento legal e pensemos nesta questão: que futuro têm os nossos estudantes de Direito? Nenhum, para além serem advogados. Tal como os atletas cuja vida são os Jogos Olímpicos. Falhar nos Jogos Olímpicos significa perder tudo. Aplicando o mesmo raciocínio aos nossos estudantes de Direito, se falharem nos quatro anos da formação universitária, não podem ser advogados e logo não têm nada. Talvez alguns depois de se licenciarem possam vir a ser funcionários públicos na área legal. Mas a proporção de estudantes nesta situação é muito pequena. A maioria dos estudantes de Direito tem de reflectir nesta questão: qual vai ser a minha carreira se não conseguir ser advogado?

A situação em Hong Kong

O curso PCLL é para quem quer ser advogado em Hong Kong. O nível académico do PCLL é elevado apesar do curso ter apenas oito cadeiras. Se o aluno chumba numa ou duas cadeiras tem de repetir o(s) exame(s). i.e. reexame. No entanto, se chumbar em três cadeiras tem de repetir o exame das oito cadeiras. Chumbar em mais de três cadeiras significa o fim do estudo. Este estado de coisas faz com que muitos estudantes chumbem nos exames e não venham a ser advogados. Nestas circunstâncias, o candidato gasta quatro anos na universidade para receber apenas o LL.B. O LL.B não é um caminho directo para os estudantes encontrarem empregos fora da área legal. O problema da carreira surge de novo. Este tipo de candidatos mete dó. Para corrigir esta situação algumas universidades em Hong Kong oferecem cursos duplos. Contabilidade e Lei ou Lei e Gestão são alguns exemplos. Estudar mais uma matéria significa mais um caminho aberto depois da licenciatura. Se, por exemplo, um estudante se licenciar em Contabilidade e Lei, significa que no futuro pode ser advogado ou contabilista. Para além da mudança da estrutura do LL.B, selecciona os candidatos que vão ser profissionais noutras áreas; contabilistas, médicos, etc. Mesmo que não consigam entrar no campo legal, i.e. chumbo no curso PCLL, as suas carreiras futuras não são afectadas. Podem vir a ser advogados, médicos, etc. Nesta série “Reunificação” nunca discutimos a questão dos juízes de Macau, o que faremos na próxima semana. O artigo da próxima semana será também o último desta série. Até para a semana.

continua na próxima semana *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau


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Carlos Morais José

editorial

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o equivalente

por antónio conceição júnior

Artigos mais iguais que outros De Portugal chegam finalmente boas notícias: Miguel Relvas demitiu-se, o Benfica limpou o Newcastle e o Tribunal Constitucional pôs Passos Coelho em sentido. Que semana!

dos nossos tribunos como justificação para recusar legislar. Será que “Amar Macau, Amar a Pátria” não inclui cumprir a Lei Básica? Ou otros amores mais altos se levantam.

*

*

Por Macau, pelo contrário, a coisa escurece, à medida dos interesses semi-obscuros que pretendem acabar com os espaço verdes de Coloane, enquanto o Governo procura justificações para dar o seu assentimento. Veremos se neste caso Chui Sai On consegue respeitar o sentimento generalizado da população ou uma vez mais se verga à ganância dos empresários que não olham a meios nem a quem realmente magoam para atingir os seus fins.

O novo cônsul Vítor Sereno enviou uma carta aos portugueses que por aqui residem. É de louvar a atitude na qual se distingue, na forma como aborda de início o seu cargo, dos seus predecessores. Esta imagem de proximidade e cumplicidade, na obtenção de resultados, com a comunidade é, francamente, de aplaudir.

* Tardam também as medidas que realmente fariam baixar o preço das casas, nomeadamente as que se destinam a arrendamento. Já se percebeu pela taxa de ocupação dos apartamentos que o delírio dos senhorios resulta em habitações vazias. Ora não bastaria que o Governo aumentasse radicalmente os impostos sobre quem tem casas vazias? Não vale a pena inventar que não se podem inventar soluções porque elas existem. A inacção do Governo faz pensar que se interessa mais pelos lucros do imobiliário que pelo bem estar da sua população. * A implementação da Lei Sindical é um imperativo escrito na Lei Básica. Se após doze anos de RAEM não se consegue cumprir o que vem escrito na mini-Constituição de Macau será talvez tempo de avaliar a razão desse incumprimento. Ou será que alguns artigos são mais iguais que outros? Pela implementação do artigo 23º moveu-se o Céu e a Terra. Será que os que prevêem a Lei Sindical e o direito à greve não são filhos da mesma mãe e do mesmo pai? Aliás, o Governo deveria ter-se incumbido da função e não deixar nas mãos dos deputados a criação da lei. Com um gesto deste tipo, talvez sossegasse os patrões e nos evitasse ouvir algumas das extraordinárias frases que se evolam das mentes brilhantes

A implementação da Lei Sindical é um imperativo escrito na Lei Básica. Se após doze anos de RAEM não se consegue cumprir o que vem escrito na mini-Constituição de Macau será talvez tempo de avaliar a razão desse incumprimento De facto, é preciso, de uma vez por todas, que algumas teias de aranha sejam varridas, que alguns equívocos sejam esclarecidos e que o pessoal diplomático que aqui nos representa tenha muito claro que a comunidade portuguesa tudo fará para dignificar o nome e a imagem do país, a começar pela excelência do nosso desempenho profissional que faz de nós gente querida e precisa na RAEM. Por outro lado, é igualmente positivo que Vítor Sereno o transmita a todos e não somente à elite do costume, o que tem tido o condão de muitas vezes desmotivar os portugueses de actividades comunitárias e de participação cívica. Em Macau residem muitos portugueses que se distinguem em várias áreas e a quem, por vezes, sabe bem ouvir uma palavra de reconhecimento da parte do Estado português, que deveria ser um pólo de potenciamento de forças quantas vezes desaproveitadas da nossa comunidade. Resumindo: excelente entrada de Vítor Sereno.

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos Colaboradores António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Boi Luxo; Carlos M. Cordeiro; Correia Marques; David Chan; Gonçalo Alvim; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; José Pereira Coutinho, Leocardo; Maria Alberta Meireles; Mica Costa-grande; Paul Chan Wai Chi; Vanessa Amaro Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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Cônsul de Portugal lança apelo à comunidade

Carta à comunidade portuguesa de Macau

O reforço da imagem

O

novo cônsul de Portugal em Macau definiu como um dos seus objectivos “dar a conhecer o país” e apelou, numa carta à comunidade portuguesa radicada no território, ao contributo desta “para o reforço da imagem de Portugal” na região. Vítor Sereno chegou no final de Março a Macau, onde assumiu funções como cônsul geral de Portugal em Macau e Hong Kong. “Um dos meus principais objectivos é dar a conhecer o nosso país”, salientou na missiva, depois de observar que a Região Administrativa Especial da República Popular da China é “um território ao qual Portugal está ligado há cerca de cinco séculos” e um “lugar muito importante” para o país. Referindo-se à conjuntura nacional, o cônsul de Portugal em Macau recordou o pedido de ajuda externa efectuado “para evitar uma grave situação financeira”, mas contrapôs que “Portugal, com quase nove séculos de história, já foi capaz de ultrapassar barreiras maiores no passado”. E ao colocar a tónica na transformação de cada crise numa “oportunidade de fazer mais e melhor”, Vítor Sereno sublinhou a modernidade e competitividade de Portugal, “onde existe um ambiente saudável e seguro para fazer negócios e excelentes oportunidades de investimento”. Para Vítor Sereno, “todos os portugueses e associações de portugueses podem e devem dar para o reforço da imagem de Portugal em Macau”, numa ajuda que, segundo afirmou, “pode

ser dada de várias formas, quer seja informando os residentes no território sobre a realidade portuguesa, encorajando o investimento e o turismo, promovendo as exportações, e estimulando cada vez mais o uso da língua portuguesa”. Além de referir a importância da língua de Camões, enquanto “língua oficial de Macau, a terceira mais falada da Europa ocidental e a quinta mais falada no mundo, com mais de 260 milhões de falantes”, Vítor Sereno invocou que “pela primeira vez em muitas décadas, constitui hoje um instrumento activo da diplomacia económica rumo aos mercados emergentes”. “Este ponto é para mim fundamental”, reforçou, instando à mobilização de todos em prol da defesa da língua portuguesa. O cônsul deixou ainda uma palavra para os jovens da comunidade portuguesa na região, ao frisar que “nunca Portugal teve uma geração tão bem preparada, técnica e intelectualmente, para enfrentar os difíceis desafios que temos pela frente”. E manifestando o desejo de estimular a participação dos jovens e respectivas associações na vida do consulado de Portugal em Macau, acrescentou: “Quero que sejam dos primeiros a dar o exemplo. Sem o vosso entusiasmo todos estes objectivos atrás enumerados seriam manifestamente contraditórios e inconsequentes”. A terminar a missiva, Vítor Sereno disse querer estabelecer com todos os cidadãos portugueses residentes em Macau “um pacto de confiança, responsabilidade e abertura”. - Lusa pub

Meus caros compatriotas, Cheguei a Macau na passada semana para assumir as funções de Cônsul-geral de Portugal em Macau, Região Administrativa Especial da República Popular da China, um território ao qual Portugal esta ligado há cerca de cinco séculos. Ao assumir pela primeira vez na minha carreira funções de Chefe de Missão num lugar tão importante para Portugal, tenho plena consciência das responsabilidades e expectativas em mim depositadas. Um dos meus principais objectivos é dar a conhecer o nosso país. Como é do vosso conhecimento, vimo-nos, há dois anos atrás, na contingência limite de solicitar ajuda externa para evitar uma grave situação financeira. Mas Portugal, com quase nove séculos de história, já foi capaz de ultrapassar barreiras maiores no passado. Transformamos cada crise numa nova oportunidade de fazer mais e melhor. Transformamos todas as dificuldades num teste bem-sucedido a nossa capacidade de resistência. Soubemos estar sempre a altura das circunstâncias. Soubemos ultrapassar todos os obstáculos. Somos um povo de arte e engenho. Um país que muito deu e muito mais irá dar ao mundo. Somos hoje um país moderno, competitivo, do futuro, onde existe um ambiente saudável e seguro para fazer negócios e excelentes oportunidades de investimento. Gostaria, neste contexto, de destacar o contributo que todos os portugueses e associações de portugueses podem e devem dar para o reforço da imagem de Portugal na RAEM. Esta ajuda pode ser dada de várias formas, quer seja informando os aqui residentes sobre a realidade portuguesa, encorajando o investimento e o turismo, promovendo as exportações, estimulando cada vez mais e mais o uso da língua portuguesa. Recordo-vos a este prop6sito que a língua portuguesa - língua oficial da RAEM- é a terceira mais falada da Europa ocidental e a quinta mais falada no mundo, com mais

de 260 milhões de falantes. Pela primeira vez em muitas décadas a língua portuguesa constitui hoje um instrumento activo da diplomacia económica rumo aos mercados emergentes. Este ponto é para mim fundamental. Sabemos todos que uma língua, se não se defende, morre. Deve animar-nos precisamente o objectivo comum de tornar cada dia mais viva esta língua, esta língua que nos serve de senha de identidade, o que pode ser feito de varias maneiras. Vamos mobilizar-nos em sua defesa. Sabendo de antemão que estaremos assim a tornar ainda mais sólidos, ainda mais inquebrantáveis, os laços que nos unem. Uma palavra para os jovens da nossa Comunidade. Nunca Portugal teve uma geração tão bem preparada, técnica e intelectualmente, para enfrentar os difíceis desafios que temos pela frente. Quero estimular a participação dos meus compatriotas mais jovens e das suas Associações na vida deste Consulado-Geral. Quero que sejam dos primeiros a dar o exemplo. Sem o vosso entusiasmo todos estes objectivos atrás enumerados seriam manifestamente contraditórios e inconsequentes. Quero estabelecer com todos os meus concidadãos aqui residentes um pacto de confiança, responsabilidade e abertura. Com patriotismo. Apelando ao vosso patriotismo. A vossa energia patriótica. 0 patriotismo é essencialmente uma ligação cívica e comunitária entre todos os cidadãos. É o espírito de unidade, de coesão, de solidariedade de um povo, que da sentido aos propósitos comuns. E a disposição que motiva a entrega de cada um dos cidadãos aos deveres, as responsabilidades e também, quando os tempos assim exigem, aos sacrifícios que decorrem sempre da partilha de uma vida colectiva. E a sintonia entre o Estado e os nossos próprios compromissos. Ninguém está dispensado de dar o seu contributo! Contem comigo. Com o Consulado-Geral, a Delegação da AICEP e o IPOR. Não hesitem em procurar-nos em busca de informações para encaminhar consultas e propostas.Anossa Missão é servir o interesse público: trabalhar pelo fortalecimento das relações de confiança e cooperação entre Portugal e a RAEM, em todos os campos, e em apoio aos legítimos anseios da comunidade portuguesa aqui residente. Fazendo minhas as palavras do Senhor Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, «o vosso apoio pode ser essencial para o sucesso de Portugal». Por isso, peço-vos que me ajudem a defender Portugal! Vitor Sereno Cônsulul-Geral de Portugal


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Hoje Macau 8 ABR 2013 #2825 by Jornal Hoje Macau - Issuu