Skip to main content

Hoje Macau 8 JAN 2018 #3967

Page 1

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 8 DE JANEIRO DE 2018 • ANO XVII • Nº 3967

PUB

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau Capitol reabre ao público

As fitas regressam ao antigo cinema

Em plena Rua das Mariazinhas, este centro comercial, que já teve um cinema, volta a ser uma opção. PÁGINA 7

PEQUIM REJUBILA

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

Jogos Olímpicos aproximam as duas Coreias GRANDE PLANO

MUNICÍPIOS

SÓNIA CHAN JUSTIFICA NÃO REALIZAÇÃO DE ELEIÇÕES

VHILS EXPÕE EM SINGAPURA

Leal & Controlado

Rua segura

Lealdade e controlo. Eis os pontos cardeais que impedem a realização de eleições para os órgãos municipais. PÁGINA 4

EVENTOS

Habitação Despejos vão ser mais rápidos

PÁGINA 5


2 grande plano

8.1.2018 segunda-feira

JOGOS OLÍMPICOS DE INVERNO

Como na Antiga Grécia, os Jogos Olímpicos suspendem a guerra: as duas Coreias vão conversar. É, finalmente, algum degelo. A China bate palmas mas não deixa de aplicar a Pyongyang as sanções prescritas pela ONU

COREIA DO NORTE VAI “PROVAVELMENTE PARTICIPAR”

PAZ AO FUNDO ´ DO TUNEL? A

Coreia do Norte vai “provavelmente” participar nos Jogos Olímpicos de inverno, que este ano decorrem na Coreia do Sul, disse o representante norte-coreano no Comité Olímpico Internacional, segundo a agência de notícias japonesa.

A Coreia do Norte “provavelmente participará”, disse Chang Ung aos jornalistas durante uma escala no aeroporto de Pequim, um dia depois de o país te aceite a proposta sul-coreana de conversações na próxima terça-feira, anunciou o Ministério para a Unificação da Coreia do Sul,

responsável pelas relações entre os dois países. “A Coreia do Norte enviou uma mensagem esta manhã [de sexta-feira] a indicar que aceitava a proposta de conversações a 9 de janeiro, feita pelo Sul”, declarou um responsável do Ministério. O encontro vai realizar-se em Panmunjom, aldeia na

fronteira entre os dois vizinhos, onde foi assinado o armistício da Guerra da Coreia (1950-53). O porta-voz do Ministério para a Unificação, Baek Tae-hyun, disse aos jornalistas que estas conversações seriam sobre os Jogos Olímpicos de inverno em PyeongChang, que decorrem entre 09 e 25 de fevereiro,


grande plano 3

segunda-feira 8.1.2018

JULIAN FINNEY—GETTY IMAGES

e sobre “a questão da melhoria das relações intercoreanas”.

FINALMENTE CONVERSA

Kim estendeu a mão ao Sul, ao afirmar que Norte e Sul deviam reunir-se para debater e negociar a presença de uma delegação norte-coreana em PyeongChang

O diálogo surgiu após dois anos de deterioração das relações bilaterais. Neste período, a Coreia do Norte realizou três testes nucleares e multiplicou os ensaios de mísseis. Na segunda-feira, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, aproveitou a mensagem de Ano Novo para comunicar que o país atingiu o seu objectivo militar de ter capacidade para ameaçar com as armas nucleares todo o território continental dos Estados Unidos. No mesmo discurso, Kim estendeu a mão ao Sul, ao afirmar que Norte e Sul deviam reunir-se para debater e negociar a presença de uma delegação norte-coreana em PyeongChang. Em resposta, Seul propôs a realização de conversações de alto nível, a 9 de Janeiro, em Panmunjom, na primeira proposta do género desde 2015. Na quarta-feira, as duas Coreias reabriram a ligação telefónica, cortada desde 2016. Já na quinta-feira à noite, Washington e Seul concordaram em adiar os exercícios militares conjuntos previstos durante os Jogos Olímpicos.

tivas delegações que participarão da primeira reunião de alto nível entre os dois países em mais de dois anos. A delegação norte-coreana será composta por cinco membros e liderada por Ri San-gwon, que dirige no seu país o Comité para a Reunificação Pacífica da Coreia, informou o Ministério de Unificação sul-coreano. Seul propôs no sábado enviar uma delegação liderada pelo ministro de Unificação, Cho Myoung-gyon, que constaria de outras quatro pessoas, dois vice-ministros de Unificação e dois vice-ministros do Desporto.

DELEGAÇÕES ACERTADAS

CHINA ATENTA

Entretanto, as duas Coreias acertaram a composição das suas respec-

Mal soube do sucedido a China apressou-se a apoiar o acordo

entre Pyongyang e Seul para conversas bilaterais entre os governos antes das Olimpíadas de Inverno de 2018, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang. “Prestamos atenção aos avanços recentes. Gostaria de enfatizar mais uma vez que o lado chinês, que é um vizinho íntimo da Península da Coreia, apoia os recentes passos positivos das Coreias do Sul e do Norte destinados a uma melhoria bilateral relações”, disse Geng aos jornalistas. O diplomata chinês também expressou a esperança de que a comunidade internacional apoie essas medidas e encontre um meio eficaz para aliviar as tensões em torno da questão coreana. A situação na península coreana aumentou desde o início de 2017 devido aos testes nucleares e de mísseis realizados por Pyongyang, o que viola a resolução do Conselho de Segurança da ONU. Em Junho de 2017, a China propôs um chamado plano de duplo congelamento prevendo o cessar da actividade nuclear da Coreia do Norte em troca do fim dos exercícios militares conjuntos entre EUA e Coreia do Sul. A Rússia apoiou a medida.

China aperta o laço

Aplicadas mais restrições ao comércio com Pyongyang

A

China anunciou na sexta-feira um aumento das restrições no comércio com a Coreia do Norte, incluindo um limite no fornecimento de petróleo e proibição de importações de ferro e outras matérias-primas. A medida surge depois de o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado uma nova ronda de sanções contra Pyongyang, na sequência do mais recente teste de lançamento de um míssil balístico, em 29 de Novembro passado. O Ministério do Comércio chinês afirmou que Pequim vai limitar as exportações de crude e petróleo refinado para a Coreia do Norte e proibir a venda de aço e maquinaria industrial. As importações de comida, maquinaria e outros produtos norte-coreanos foram também banidos. A China é o principal aliado diplomático e maior parceiro comercial da Coreia do Norte. Os dois países partilham uma fronteira com cerca de 1.400 quilómetros. A Coreia do Norte depende quase inteiramente de Pequim para obter petróleo. A China tem votado a favor das sanções impostas pela ONU, e que incluem a redução do fornecimento de crude.

CUIDADO INFRACTORES

Ao memso tempo, a China prometeu “lidar seriamente” com infractores das sanções impostas pelas Nações Unidas à Coreia do Norte, depois de um jornal sul-coreano ter avançado que barcos chineses registados além-fronteiras estão a fornecer petróleo a Pyongyang. O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Geng Shuang disse, no entanto, que o Governo de Pequim

desconhece aquelas operações. O jornal Chosun Ilbo avançou esta semana que embarcações detidas por chineses, mas que exibem bandeiras do Panamá, Belize e outros países, são suspeitos de infringir as sanções impostas ao regime de Kim Jong-un. O Conselho de Segurança da ONU aprovou, em Setembro passado, novas sanções visando travar o programa nuclear e de mísseis balísticos norte-coreano. As autoridades sul-coreanas apreenderam, entretanto, dois dos barcos suspeitos. “Se a investigação confirmar a existência de infrações das resoluções do Conselho de Segurança, a China lidará seriamente com elas, segundo as leis e os regulamentos”, afirmou Geng, em conferência de imprensa.

DE QUEM SÃO ESTES BARCOS?

No domingo, as autoridades sul-coreanas anunciaram que um barco com a bandeira do Panamá, designado KOTI, foi apreendido no porto de Pyeongtaek por suspeitas de actividades relacionadas com a Coreia do Norte. O jornal Chosun Ilbo avançou, entretanto, que o barco pertence a uma empresa de Dalian, cidade portuária do nordeste da China. Um outro barco suspeito de transportar 600 toneladas de produtos petrolíferos refinados, chamado Lighthouse Winmore, e que arvora a bandeira da região especial administrativa chinesa de Hong Kong, foi arrestado em Novembro, no porto sul-coreano de Yeosu. O jornal avança que seis outros barcos que os Estados Unidos acusam de violar as sanções são detidos por entidades chinesas, mas estão registados em outros países.

Oui, c’est la folie

Trump diz que poderia conversar com Kim pelo telefone

O

pres idente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no sábado que estaria disposto a conversar por telefone com o líder norte-coreano, Kim Jong Un, e que ele espera um resultado positivo de negociações entre a Coreia do Norte

e a Coreia do Sul. Respondendo perguntas de jornalistas no retiro presidencial em Camp David, Maryland, Trump expressou disposição em conversar com Kim, mas não sem condições prévias. “Absolutamente, eu faria isso”, disse Trump. “Não tenho nenhum problema com isso.” Trump e Kim têm trocado insultos desde que o republicano assumiu o cargo, com o norte-americano repetidamente chamando Kim de “homem-foguete” devido aos testes de armas nucleares e mísseis balísticos.


4 política

8.1.2018 segunda-feira

Sónia Chan afir- ÓRGÃOS MUNICIPAIS GOVERNO ADMITE RECEIOS SOBRE FALTA DE OBEDIÊCIA CAUSADA POR ELEIÇÕES mou que a escolha dos membros do órgãos municipais através de eleições foi no, que é de onde advêm perante a intervenção de Au a sua legitimidade para o Kam San, que alertou para rejeitada porque cargo”, disse Sónia Chan. este problema. “Mas temos de esclarecer faria com que que não estamos a ignorar a os eleitos não opinião pública e a discutir o “Se os membros assunto à porta fechada. Esforem eleitos não tivessem de res- tamos aberto às opiniões das vão responder e estamos a escutar a ponder perante o pessoas opinião pública. Estamos à esperante o Governo. A sepera que estes órgãos prestem Governo. Mas se serviços às comunidades cretária prome- osporque vão ter membros com forem nomeados uma base sólida junto das teu também estar populações”, apontou. aí têm de responder perante atenta às situaAinda no que diz respeito à nomeação para os cargos o Governo, que é ções de trocas nos órgãos municipais, neste de onde advêm a momento, Sónia Chan recode nomeações sua legitimidade nheceu que o Governo admite para os órgãos ouvir opiniões sobre a criação para o cargo.” de um mecanismo para que as municipais por pessoas se possam candidatar SÓNIA CHAN votos no colégio à nomeação. Entre os argumentos utieleitoral para a lizados contra as eleições, Sobre a escolha dos mema secretária apontou a autobros do Conselho Consultivo nomeação ridade do Governo Central dos órgãos municipais, Sónia que proibiu essa forma de Chan apontou como critério do Chefe do selecção e o facto das eleições fundamental “experiência concederem poderes políticos de prestação de serviços às Executivo GCS

Cabo do medo

A

secretária para a Administração e Justiça admitiu que o Governo prefere nomear os ocupantes dos cargos dos órgãos municiapais para evitar que os membros actuem de forma independente e evitem responder perante o Executivo. O argumento foi explicado na sexta-feira, na Assembleia Legislativa, em resposta a uma questão sobre o tema do democrata Au Kam San. “Se os membros forem eleitos não vão responder perante o Governo. Mas se forem nomeados aí têm de responder perante o Gover-

a estes órgãos, o que na sua da governante seria uma violação da Lei Básica. O último argumento acabou contestado pelo também democrata e deputado Ng Kuok Cheong, que defendeu que durante Administração Portuguesa os órgãos municipais tinham poder político porque tinham poderes executivos, geriam as receitas que geravam e, inclusivamente, podiam ter uma polícia municipal. O legislador contestou assim que a realização de eleições signifique directamente a existência de poderes políticos.

TROCA DE FAVORES

Por outro lado, a governante garantiu que o Governo está

atento para a possibilidade da nomeação dos futuros membros dos órgãos municipais poder ser utilizada para “comprar” a eleição para o lugar do Chefe do Executivo. O facto foi reconhecido por Sónia Chan que diz estarem a ser tomadas

medidas para garantir que tal não acontece. “Tendo em conta que poderá surgir a questão de que o representante do membro constituinte do órgão municipal venha a ser membro do colégio eleitoral para a eleição do Chefe do Execu-

tivo, a solução proposta pelo Governo define claramente que serão membros do ‘Conselho de Administração’ do futuro órgão municipal, as personalidades com experiência e competência na administração pública”, esclareceu Sónia Chan,

comunidades e às camadas de base no âmbito da respectiva área funcional do órgão municipal ou que tenham revelado suficiente profissionalismo e a aptidão de servir”. A explicação da secretária chegou depois das críticas do deputado Au Kam San ao modelo proposto para escolher a constituição dos órgãos. O democrata considerou que o modelo adoptado vai resultar num “negócio política feio”, seguindo a lógica “eu vou nomear-te [para o órgão municipal] e tu vais eleger-me [Chefe do Executivo]” ou “eu vou eleger-te e tu vais nomear-me”. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

HIGIENE ILHA VERDE IDENTIFICADA COMO LOTE NEGRO

A

PESAR de ser um local com património protegido, a Ilha Verde está identificada como um “ponto negro” no que diz respeito às condições de higiene. A revelação foi feita pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura Alexis Tam, na sexta-feira, na Assembleia Legislativa. “Os Serviços de Saúde classificaram o lote da Ilha Verde como

um ponto negro de higiene, por conseguinte, para além da eliminação regular e mensal de mosquitos, enviam continuamente pessoal para inspeccionar e acompanhar a higiene do local”, afirmou o secretário. Ainda sobre este aspecto, Alexis Tam prometeu que os Serviços de Saúde vão promover acções para encorajar os cidadãos “a manterem, de forma activa, a limpeza

do ambiente das áreas em redor, colaborando com o Governo na aplicação das medidas de prevenção de doenças transmissíveis”. Segundo o secretário a Direcção de Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes também já terminaram o Plano de Ordenamento Urbanístico da Zona, recomendando “a criação de uma área verde de recreação do bairro,

bem como uma zona mista de habitação, comércio, estabelecimentos públicos e sociais”. Por outro lado, e apesar do diferente que decorre nos tribunais sobre a titularidade dos lotes, o governante explicou que os cidadãos daquela zona estão proibidos de desenvolverem actividades de cultivo porque isso viola a lei da salvaguarda do património. J.S.F.


política 5

segunda-feira 8.1.2018

TUFÃO HATO OBRAS COM QUALIDADE QUESTIONÁVEL SEM INVESTIGAÇÃO

A

Despejo de “caloteiros” facilitado Governo apresenta até ao final do ano proposta para tornar os despejos mais rápidos

A

TÉ ao final do ano o Governo vai apresentar uma proposta de lei para criar um mecanismo que vai facilitar o despejo dos inquilinos com o pagamento das rendas em falta. A promessa foi deixada, na sexta-feira, por Sónia Chan, em resposta a uma pergunta do deputado Mak Soi Kun, sobre a matéria. “O Governo decidiu criar um procedimento especial de despejo, célere e simplificado para tratar

com prioridade o problema dos chamados inquilinos ‘caloteiros’. Para tal foi formado um grupo de trabalho interno que está incumbido de rever o regime do despejo”, afirmou Sónia Chan, na Assembleia Legislativa. “Ponderando os interesses dos senhorios e dos inquilinos, [o Governo] irá proceder prudentemente à revisão do diploma, elaborando uma proposta de lei, que tudo fará para entrar em processo legislativo no presente ano”, frisou.

A secretária reconheceu que este é um tema sensível visto que “se relaciona com os direitos fundamentais dos cidadãos, bem como com os princípios fundamentais do direito processual civil, nomeadamente o direito à intimidade da vida privada e familiar”. Em relação às alterações que vão ser propostas, os assessores de Sónia Chan explicaram que o objectivo passa por “agilizar”, “facilitar” e “desburocratizar” o processo de

condenação dos inquilinos e a execução do despejo, por não pagamento. Contudo, foi deixada a garantia que os direitos de ambas as partes vão ser garantidos. Sónia Chan revelou ainda que a revisão vai envolver mais de 115 artigos da lei actual e que vai ter impacto nos tribunais, que vão ter outros meios para tratar de forma mais célere estas questões. Na sua intervenção, Zheng Anting sugeriu que fosse seguido o exemplo de

Solução improvável Encerramento de terminal nas Portas do Cerco melhorou trânsito

O

tuação actual e não voltam a parar no terminal porque consideramos que é a solução mais indicada”, justificou. Ainda no que diz respeito ao serviços dos autocarros, o Governo paga a uma empresa de consultadoria para fazer uma avaliação da situação. Sobre esse aspecto, o director da DSAT disse ter havido melhoramentos em relação a 2013. TIAGO ALCÂNTARA

encerramento do terminal de autocarros públicas nas Portas do Cerco a e distribuição das paragens na zona envolvente fez com que o trânsito na zona tenha ficado menos congestionado. O reconhecimento da situação foi feito por Lam Hin San, director da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, que admite que alguns autocarros não voltem a parar na infra-estrutura subterrânea, quando esta voltar a abrir. “No que diz respeito às questões relacionadas com as Portas do Cerco, aplicamos uma certa “triagem”, desviando diversas carreiras e houve um certo melhoramento da situação do trânsito na zona”, disse Lam Hin San. “Tendo em conta as necessidades da população temos de realocar determinadas carreiras novamente no terminal. Mas determinadas carreiras vão ser mantidas na si-

“Em 2013 a situação dos autocarros não era satisfatória, estava classificado como na classe F. Neste momento está entre o nível D e C, o que mostra que houve progresso”, revelou.

TRÊS PARQUES POR ABRIR

Lam Hin San fez igualmente um ponto da situação sobre os parques de estacionamento subterrâneos pú-

Hong Kong, onde existem juízos nos tribunais só para tratarem de litígios entre inquilinos e senhorios. Segundo o deputado, após o não pagamento durante três meses da renda, os tribunais podem ordenar o despejo. Sónia Chan reconheceu a validade da sugestão, mas apontou que vão ser ainda analisados os exemplos de outras regiões, indicando que a solução adoptada deve continuar a passar pelos tribunais das pequenas causas. J.S.F.

blicos que estão encerrados devido às consequências da passagem do Tufão Hato. Segundo o responsável, o auto-silo do Edifício Fai Tat, na zona do Fai Chi Kei, vai abrir no terceiro trimestre, precisando de obras significativas. Em relação ao auto-silo do Edifício Cheng I, o primeiro e segundo pisos subterrâneos já foram aberturas, mas o terceiro só deverá abrir ao público no segundo trimestre deste ano. Finalmente o auto-silo do Lido vai abrir durante o primeiro semestre do ano. Ainda sobre a questão dos danos sofridos pelos carros estacionados nos parques públicos, Lam Hin San negou a necessidade de ser o Governo a pagar para um seguro para as viaturas, porque, considerou, que os seguros são uma obrigação dos proprietários dos veículos. Também Raimundo do Rosário rejeitou a ideia de que o Governo tenha de intervir como parte independente nas negociações entre proprietários de estacionamentos privados e os donos dos veículos estacionados nas mesmas que ficaram danificados, depois da passagem do tufão hato. J.S.F.

S empresas privadas responsáveis pelas obras que resultaram em janelas partidas durante a passagem do Tufão Hato e outras falhas nos edifícios não vão ser alvo de qualquer investigação por parte do Governo. A garantia foi deixada por Raimundo do Rosário na Assembleia Legislativa, depois de ter sido questionado por José Pereira Coutinho sobre o assunto. Também não haverá uma investigação interna à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, responsável pela fiscalização, apesar do secretário ter reconhecido que pediu informações sobre a situação. “Não vai haver uma sindicância aos serviços da minha tutela. Não dei essas instruções nem espero fazer. Mas pedi às Obras Públicas para fazerem um levantamento do que se passou. Queremos saber a razão de ter havido vidros partidos, mas não vai haver sindicância”, afirmou Raimundo do Rosário, na Assembleia Legislativa. “Também não vou pedir uma investigação às entidades privadas responsáveis pelo trânsito e obras particulares”, sublinhou. Por outro lado, o director das Obras Públicas, Li Canfeng, revelou, após ter sido questionado pelo deputado Iau Teng Pio, que foram enviadas mais de 60 cartas a empresas de construção, pelo auxílio nas operações de limpeza após a passagem do tufão que matou 10 pessoas no ano passado.

Saúde Melhor do que nos EUA e na Europa

Alexis Tam afirmou na Assembleia Legislativa que o tempo de espera para consultas especializadas em Macau é mais curto do que em países considerados mais avançados como os Estados Unidas da América e outros da Europa. Em relação ao tempo de espera, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura afirmou ter havido uma redução no último ano de 37 por cento antes da primeira consulta. Finalmente, sobre o tempo nas urgências, Alexis Tam disse que é de 9 minutos, mas que ainda existe margem para melhorar este registo.


6 política

8.1.2018 segunda-feira

METRO LIGAÇÃO ENTRE PORTAS DO CERCO E O TERMINAL DO PAC ON GERA POLÉMICA

Uma questão de prioridades

Raimundo do Rosário defendeu prioridade de um traçado na Zona Leste da Península de Macau que ligue as Portas do Cerco ao Terminal Marítimo do Pac On sem passar na zona Norte. Deputados questionaram vantagem da opção para os residentes Há um novo percurso, será que não há condições para fazer estações nessas zonas?”, questionou o deputado. Ainda sobre o tema, Zheng Anting admitiu estar confuso com a escolha: “Os residentes sempre tiveram dúvidas sobre a eficácia do Metro Ligeiro para o transportes de passageiros. Anteriormente as pessoas queriam o metro a passar pelos bairros movimentados, mas agora vai para o Pac On... Vivem lá poucas pessoas”, apontou.

TIAGO ALCÂNTARA

D

EPOIS da Linha da Taipa, construção do terminal da Barra e da ligação a Seac Pai Van, a prioridade do Executivo no que diz respeito ao Metro Ligeiro vai passar por construir uma ligação na Zona Este da Península que ligue as Portas do Cerco ao Terminal Marítimo do Pac On, com passagem pela Zona A. A revelação foi feita por Raimundo do Rosário, na sexta-feira, na Assembleia Legislativa e levantou várias questões junto dos deputados. “Se a Linha da Taipa entrar em funcionamento no próximo ano, então vamos ver nos seguintes as obras em Seac Pai Van e na Linha até à Barra a também serem concluídas. Depois, considero que é mais importante que entre em funcionamento o Pac On, porque segundo os nossos estudos pode ter uma ligação até à Barra e até às Portas do Cerco, pela Zona Leste de Macau. Tudo pode ser feito passo a passo”, disse o secretário para as Obras Públicas e Transportes, num primeiro momento. No entanto, o facto da ligação ir ser feita pela Zona Leste de Macau, num primeiro momento, gerou reacções controversas por parte dos deputados. Em causa está o facto do traçado não passar na zona Norte, onde há a maior densidade populacional.

PRIORIDADES

José Pereira Coutinho “É uma decisão para facilitar o movimento das pessoas do Interior da China? É para os estudantes do Interior da China irem para a Taipa estudar?”

O deputado José Pereira Coutinho foi o primeiro a levantar questões sobre o assunto: “Vai ser feita uma ligação entre as Portas do Cerco e Pac On, mas quais sãos os fundamentos desta decisão? Foram aqui tidos em conta os interesses económicos da população de Macau?”, começou por questionar.

“É uma decisão para facilitar o movimento das pessoas do Interior da China? É para os estudantes do Interior da China irem para a Taipa estudar?”, continuou.

E A ZONA NORTE?

Também Au Kam San e Ng Kuok Cheong levantaram questões sobre

o tema. Au sublinhou mesmo a expectativa da população de Macau de ter uma paragem na Zona da Areia Preta e Rua Primeiro de Maio para que os residentes se possam deslocar às ilhas. “Areia Preta e pessoas no Norte da Cidade também esperam uma paragem para se poderem deslocar às Ilhas.

Em resposta, Raimundo do Rosário disse “estar menos preocupado do que os deputados”, mas reconheceu que “há muitas expectativas” à volta do traçado do metro ligeiro. Depois, assumiu a responsabilidade: “Primeiro vamos concluir a Linha da Taipa, depois a Barra, Seac Pai Van e quarta prioridade é Linha do Leste”, frisou “Estas opções são melhor do que ligar a Barra ao Porto interior. Há muitos postos fronteiriços que vão ficar ligados. Também estas linhas não foram inventadas por mim. Eu defini a prioridade da construção e essa é uma responsabilidade minha”, assumiu. No entanto Raimundo do Rosário deixou a garantia que “nenhuma das linhas vai ser abandonada”.

EDIFÍCIOS VAZIOS NG KUOK CHEONG ACUSA GOVERNO DE DESPERDÍCIO

CASO SULU SOU JORGE MENEZES É O ADVOGADO ESCOLHIDO

O

O

deputado Ng Kuok Cheong entregou uma interpelação escrita ao Governo onde questiona o investimento de avultados fundos públicos no arrendamento de espaços para o funcionamento de serviços governamentais, quando alguns edifícios da tutela do Executivo permanecem vazios. Nesse sentido, o membro da Assembleia Legislativa recorda que ainda nenhum governante foi responsabilizado sobre essa questão. Ng Kuok Cheong lembrou que, num debate sobre as Linhas de Acção Governativa (LAG) para o ano de 2016, o Governo prometeu voltar a utilizar o antigo edifício do Gabinete de Comunicação Social (GCS), localizado perto da Igreja de São Domingos. Contudo, a ideia de criar ali um centro de

produtos locais acabou por não se realizar em 2017, tal como anunciado. Desta forma, o deputado quer saber o calendário deste projecto e quem vai ser responsabilizado pelo facto de continuarem a ser desperdiçados recursos públicos no arrendamento de outras fracções. Além do antigo edifício do GCS, o deputado recorda que o antigo gabinete que albergava o Conselho Consultivo para o Reordenamento dos Bairros Antigos de Macau, assim como o espaço do antigo centro de comidas do Edifício de Vendilhões de Iao Hon, também continuam sem aproveitamento. Como tal, Ng Kuok Cheong pretende saber quando é que estes espaços serão utilizados novamente.

advogado português foi o escolhido por Sulu Sou e Scott Chiang para a sua defesa no julgamento que arranca amanhã no Tribunal Judicial de Base. Segundo um comunicado, referenciado na notícia da Rádio Macau, Jorge Menezes apresentou um requerimento com carácter de urgência para adiar o julgamento tendo em conta “a importância e implicações do processo”, uma vez que são necessárias traduções e mais tempo para preparar a defesa. Contudo, o TJB ainda não terá respondido a este pedido. No mesmo comunicado, o deputado suspenso Sulu Sou e o ex-presidente da Associação Novo Macau, Scott Chiang, agradecem o apoio dos advogados oficiosos, Che Hoi Tong e Kuan Weng I. Ambos

João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

estão acusados do crime de desobediência qualificada. Jorge Menezes foi um dos presentes no protesto de apoio a Sulu Sou, um dia antes deste ver o seu mandato suspenso pela Assembleia Legislativa. “Por um lado, vim ver e, por outro, apoiar a causa do deputado.Acho que seria absurdo ser suspenso. Não tem lógica nenhuma nem justificação política”, disse, na altura, ao HM. “Os eleitores quando votaram já sabiam que havia um processo pendente, por isso se ele for suspenso é uma subversão do processo democrático. Os deputados não se podem substituir à vontade popular, quando os factos da acusação eram conhecidos pelos eleitores que decidiram votar”, considerou.


sociedade 7

segunda-feira 8.1.2018

Violação Suspeito fica em prisão preventiva

SCM Distribuídos mais cabazes sociais a famílias mais desfavorecidas

Um homem suspeito de violar uma estudante menor de idade viu ser-lhe decretada a prisão preventiva, estando o caso a ser investigado pelo Ministério Público. segundo um comunicado, e de acordo com o primeiro interrogatório judicial, “o arguido é suspeito da prática do crime de tentativa de violação”. “Considerando a gravidade do caso, o Juiz de Instrução Criminal, aceitando a sugestão do Delegado do Procurador titular do inquérito, mandou a aplicar-lhe a medida de coacção”, refere ainda o comunicado.

GANG_M

A Santa Casa da Misericórdia de Macau distribuiu mais cabazes inseridos na Loja Social a um total de 362 famílias, tendo recebido para esta sexta distribuição o apoio financeiro do Banco da China. Desta forma, segundo um comunicado, a Loja Social já apoiou um total de 19.475 agregados familiares desde que arrancou, em 2013. O Banco da China concedeu 1.7 milhões de patacas para esta acção de solidariedade.

Até à data, estão concluídos mais de 90 por cento dos trabalhos de reparação do teatro e os equipamentos já estão em fase de teste.

D

E P OIS de várias datas, todas elas adiadas, o Teatro Capitol pode reabrir a titulo experimental até meados de Janeiro. A informação foi avançada ao jornal Ou Mun pelo empresário e principal proprietário do edifício William Kwan. As obras de reparação arrancaram no primeiro trimestre do ano passado e “têm decorrido ao ritmo esperado”, referiu. Até à data, estão concluídos mais de 90 por cento dos trabalhos de reparação do teatro e os equipamentos já estão em fase de teste. A infra-estrutura que faz parte da história local e reúne um “grande valor cultural” vai, depois das obras, ter um palco maior. De acordo com William Kuan foram removidas algumas fileiras de cadeiras e o espaço foi optimizado. O investimento de cerca de 15 milhões de patacas é, para o empresário, positivo, na medida em que com a reabertura do Teatro

CAPITOL TEATRO REABRE ESTE MÊS

Regresso ao palco

Era para ter sido em Setembro, depois passou para Outubro, mas parece que é desta. O teatro Capitol vai reabrir ainda este mês a título experimental. De acordo com os proprietários, a reabilitação do espaço vai dinamizar a zona e apesar das polémicas, os vendilhões não precisam de se preocupar em sair. Capitol o centro comercial que integra o mesmo espaço “vai ser revitalizado e a economia daquela zona vai ser mais diversificada”. A companhia espera oferecer às entidades ligadas à cultura e às indústrias criativas, uma plataforma ideal para a prática, o intercâmbio e a realização de eventos, referiu William Kwan.

O responsável acrescentou ainda que, após entendimento com os proprietários dos vários andares do edifício, espera arrancar com mais obras a partir de Junho de forma a renovar todo o centro comercial. Questionado sobre o Teatro Cheng Peng, William Kuan disse que vai reforçar a colaboração com as autoridades para se proceder às

obras de reparação. O objectivo é transformar aquele espaço num museu de ópera.

VENDILHÕES A SALVO

De acordo com um dos membros da comissão de proprietários do edifício que alberga o teatro, Leong Chi Pio, em declarações ao HM, a abertura daquele espaço “é positiva

e pode impulsionar os negócios dos vendilhões”. Apesar das polémicas relativas à possível expulsão dos comerciantes que se servem das instalações do centro comercial, Leong Chi Pio garantiu ainda que não vão sofrer qualquer influência com o decurso das obras de renovação que se vão realizar. O responsável referiu ainda que as equipas de limpeza e de reparação entraram nos 2º e 3º andares do edifício para reparar as lojas para que possam ser arrendadas. Por outro lado, Leong Chi Pio considera que a abertura do teatro pode afectar positivamente os negócios dos vendilhões do edifício. A razaçõ apontou, tem que ver com uma maior circulação de pessoas capaz de assegurar que os negócios que ali se fazem podem continuar a existir. Vitor Ng

info@hojemacau.com.mo


8 sociedade

8.1.2018 segunda-feira

N

O passado sábado, os promotores do empreendimento do Pearl Horizon, a associação de moradores e representantes do Governo reuniram-se pela primeira vez em termos oficiais. “Esta é a primeira reunião que o Executivo divulgou oficialmente”, refere Kon Meng Pok, presidente da Associação dos Proprietários do Pearl Horizon, indicando que já houve outros encontros. Um comunicado do gabinete da secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, reiterou a ideia de que o Governo “já tem um projecto básico elaborado sobre o aproveitamento futuro do terreno do Pearl Horizon”, mas como o caso sobre a concessão do terreno ainda se encontra em tribunal será a ideia do Executivo será “divulgada após ser proferida a sentença judicial”. Kon Meng Pok confirmou ao HM que os representantes do Executivo não abriram o jogo quanto PUB

LEI DA CIBERSEGURANÇA MAIORIA CONCORDA COM NOVO DIPLOMA

O

Todos juntos Grupo Polytec e proprietários lesados do Pearl Horizon reúnem-se com Governo

à solução que têm pensada para o terreno, porém, considera que “este encontro é um bom início”. De acordo com Kon Meng Pok, os promotores do empreendimento revelaram “vontade de cooperar com o Governo, qualquer que seja a proposta”.

No que toca aos proprietários que se viram sem casa, o presidente da associação que os representa afirma que o Governo perguntou “se houve mudança de posição”. Nessa medida, Kon Meng Pok mantém-se inflexível e transmitiu aos

membros do Executivo que “a ideia é continuar a lutar pelas casas”. O presidente da Associação dos Proprietários do Pearl Horizon adianta que, “para já, não há data para um novo encontro, nem se sabe se poderá trazer resultados práticos”. Antes do Natal, o gabinete de Sónia Chan havia referido que o Grupo Polytec, promotor do empreendimento, “não mostrou vontade de resolver em conjunto

o problema nos termos legais”. O projecto que o Executivo diz ter para o terreno, e que promete “proteger na medida do possível os interesses dos compradoras das fracções, nos termos da Lei de Terras”, será apenas revelado após o processo transitar em julgado. Para já, a esgrima judicial prossegue no Tribunal de Última Instância, que terá a última palavra quanto à concessão do terreno. J.L. com V.N.

Governo realizou a primeira sessão de consulta pública na passada sexta-feira, dia 5, relativa à lei da cibersegurança. Segundo um comunicado oficial, “a maioria dos intervenientes concorda com a necessidade da elaboração desta lei”, sendo que “alguns deles são a favor da implementação do ‘real name system’ na aquisição do cartão pré-pago por entenderem que, assim, pode ajudar a polícia na investigação e combate ao crime cibernético”. O mesmo comunicado dá conta de que “todos os serviços públicos e operadores das infra-estruturas críticas estão incluídos no âmbito de aplicação desta lei”. “No futuro, havendo uma série de definições sobre os deveres dos operadores das infra-estruturas críticas, as formas de protecção de cibersegurança aplicadas pelos operadores poderão ser melhor reguladas. Ao tratar os dados pessoais, os respectivos operadores deverão cumprir as leis e assumirão as responsabilidades legais”, lê-se ainda. No que diz respeito à Função Pública, o Executivo afirma que “já foram elaboradas orientações internas por cada serviço, tendo sido criado um centro de dados pelos Serviços de Administração e Função Pública destinado ao uso e apoio técnico aos outros serviços públicos”.


sociedade 9

segunda-feira 8.1.2018

O

Instituto Politécnico de Macau (IPM) realizou, no passado sábado, o Dia Aberto para os novos ou potenciais alunos que estejam interessados em inscrever-se na instituição de ensino. À margem do evento, e segundo o Jornal do Cidadão, o seu presidente, Lei Heong Iok, garantiu que o IPM não deverá ter mais de 300 alunos nos cursos de mestrado, algo que também está relacionado com a decisão tomada pelo Governo, apontou. Neste momento, adiantou, o IPM está a preparar a abertura de candidaturas para os cursos de mestrado e doutoramento com o intuito de concretizar o plano de desenvolvimento estratégico do território. Neste sentido, e segundo o canal macau da TDM, Lei Heong Iok espera ter este ano aprovação do Governo para a abertura do novo mestrado em língua e cultura portuguesas, estando a ser pensado também um doutoramento na mesma área. “Conforme a nova lei do ensino superior o IPM pode por si próprio abrir estes programas. É uma boa oportunidade e quero aproveitar para realizar estes objectivos e nestes anos tem sido um dos meus sonhos”, adiantou Lei Heong Iok à TDM, tendo acrescentado que a proposta será entregue

IPM MESTRADOS VÃO ACOLHER ATÉ 300 ALUNOS NOS CURSOS DE MESTRADO

De portas abertas TIAGO ALCÂNTARA

Lei Heong Iok, presidente do Instituto Politécnico de Macau, adiantou, no Dia Aberto da instituição, que este ano não deverão ter mais de 300 alunos nos cursos de mestrado. O IPM ainda aguarda a aprovação do mestrado em língua e cultura portuguesas

ao Governo “o mais depressa possível”. Também à TDM o presidente do IPM adiantou que existe o projecto de construir uma nova biblioteca no actual espaço destinado ao campo de jogos. “Faz falta uma boa biblioteca e já temos o design feito por uma empresa portuguesa. Desejo que o Governo possa aprovar o projecto”, frisou.

MAIS ALUNOS DO CONTINENTE

Relativamente às outras áreas de ensino, o IPM espera ter até três mil alunos nos cursos de licenciatura, sendo que todos os anos há 700 alunos de Macau e 100 que são do exterior. Segundo Lei Heong Iok, o número de inscrições por parte dos alunos locais secundários tem sido reduzido. Contudo, o responsável garantiu que não vai alargar o número de alunos nos cursos, sendo

Relativamente às outras áreas de ensino, o IPM espera ter até três mil alunos nos cursos de licenciatura, sendo que todos os anos há 700 alunos de Macau e 100 que são do exterior

que este ano se verificou um aumento de três por cento nos estudantes oriundos do continente, que represen-

tam 18 por cento de todos os alunos do IPM. Quanto ao projecto de transformar o IPM numa

universidade, Lei Heong Iok revelou que, para já, essa possibilidade não é uma prioridade nem é uma ques-

tão principal. Neste período, adiantou, o IPM não deixou de se desenvolver, sendo que a maioria dos cursos são reconhecidos internacionalmente, lembrou. Em relação à ideia de criar em Macau um instituto para a formação dos funcionários públicos, Lei Heong Iok defendeu que o IPM deve, de facto, reforçar a formação que disponibiliza nesta área, onde se devem incluir cursos de doutoramento. Lei Heong Iok referiu também que é mais importante coordenar os recursos das instituições e exercer melhor as funções do que criar mais universidades ou institutos em Macau. O actual presidente do IPM pretende reformar-se em Agosto. Segundo um comunicado enviado às redacções, é referido que a instituição, nos últimos 18 anos, “tem envidado esforços no sentido de concretizar a definição precisa do seu posicionamento, a criação de uma instituição com características únicas e o aumento notável da competitividade dos seus cursos”. A.S.S. /V.N.

PUB HM • 1ª VEZ • 8-1-18

ANÚNCIO Anulação de Títulos de Créditos n.º CV1-17-0055-CPE REQUERENTE: 1) Loi Ieng Sut, viúva, de nacionalidade chinesa, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da R.A.E.M., residente em Macau, na Calçada de Monte, Edifício Fong On Toi, n.º 31C, IR/C;----------------------------------------------------------------------------------------------------2) Iu Kin Chi, viúvo, de nacionalidade chinesa, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da R.A.E.M., residente em Macau, na Rua de Sacadura Cabral, n.º 68, R/C; ----3) Iu Vai Pan, casado com Lai Neng, em regime da participação nos adquiridos, de nacionalidade chinesa, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da R.A.E.M., residente em Macau, Calçada de Monte, Edifício Fong On Toi, n.º 31C, IR/C;----------------------------------------------------------4) Iu Ion Tong, casado com Leung Vai Tong, em regime da comunhão de adquiridos, de nacionalidade chinesa, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da R.A.E.M., residente em Macau, Calçada de Monte, Edifício Fong On Toi, n.º 31C, JR/C;---------------------------------------------5) Iu Veng Hang, casado Iu Lam Kuok Kok, em regime da comunhão adquiridos, de nacionalidade chinesa, titular do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da R.A.E.M., residente em Macau, Calçada de Monte, Edifício Fong On Toi, n.º 31C, E 1.º andar.-----------------------------------------REQUERIDA: Sociedade de Cimentos de Macau S.A.R.L., com sede em Macau, na Estrada de Nossa Senhora de Ka-Ho, s/n, Ka-Ho, Coloane, registada na Conservatória dos Registos Comercial e Bens Móveis sob o n.º 1270.--------------------------------------------------------------------------------------*** ----O Juiz de Direito do 1.º Juízo Cível do Tribunal Judicial de Base da Região Administrativa Especial de Macau ordena o seguinte:-----------------------------------------------------------------------------------------FAZ SABER que por sentença de 13/12/2017, proferida nos autos acima indicados, foi decretada a anulação provisória dos títulos representativos do capital social da requerida Sociedade de Cimentos de Macau S.A.R.L., a saber:-------------------------------------------------------------------------------------------1) 3.974 quotas que o Iu Hoi possui na sociedade requerida, nos autos supra identificados a correr termos no 1.º Juízo Cível do T.J.B., os quais estão distribuídos da seguinte forma:-----------------------------Título n.º N.ºs Distintos das Quotas Quotas 9 53.501 a 56.000 2.500 20 79.046 a 79.195 150 27 82.421 a 82.565 145 302 124.024 a 124.123 100 303 124.124 a 124.223 100 304 124.224 a 124.323 100 305 124.324 a 124.423 100 306 124.424 a 124.523 100 307 124.524 a 124.623 100 308 124.624 a 124.723 100 309 124.724 a 124.823 100 310 124.824 a 124.923 100 311 124.924 a 125.023 100 312 125.024 a 125.123 100 313 125.124 a 125.173 50 314 125.174 a 125.183 10 315 125.184 a 125.193 10 316 125.194 1 317 125.195 1 318 125.196 1

319 320

1º Juízo Cível 125.197 125.198 a 125.202

1 5

----2) 692 quotas que o 2.º requerente Iu Kin Chi possui na sociedade requerida, nos autos supra identificados a correr termos no 1.º Juízo Cível do T.J.B., os quais estão distribuídos da seguinte forma:-----Título n.º N.ºs Distintos das Quotas Quotas 14 64.001 a 64.500 500 21 79.196 a 79.225 30 356 127.532 a 127.631 100 357 127.632 a 127.681 50 358 127.682 a 127.691 10 359 127.692 1 360 127.693 1 ----3) 692 quotas que o 3.º requerente Iu Vai Pan possui na sociedade requerida, nos autos supra identificados a correr termos no 1.º Juízo Cível do T.J.B., os quais estão distribuídos da seguinte forma:-----Título n.º N.ºs Distintos das Quotas Quotas 15 64.501 a 65.000 500 22 79.226 a 79.255 30 361 127.694 a 127.793 100 362 127.794 a 127.843 50 363 127.844 a 127.853 10 364 127.854 1 365 127.855 1 ----Assim, convida-se, por esta forma, quaisquer eventuais detentores dos títulos representativos das quotas, para os vir apresentar em Juízo ou contestar, no prazo de TRÊS MESES, contados da data da publicação do último anúncio, sob pena de os títulos serem definitivamente anulados tudo, nos termos do artigo 862.º do C.P.C.---------------------------------------------------------------------------------------------------Caso seja apresentada contestação, é obrigatório o patrocínio judiciário (artigo 74.º do Código de Processo Civil de Macau).------------------------------------------------------------------------------------------R.A.E.M., aos 18 de Dezembro de 2017.


10 eventos

8.1.2018 segunda-feira

São Valentim musical O The Venetian Theatre recebe Concerto do Dia dos Namorados

A

véspera do dia de São Valentim tem uma proposta para os apaixonados apreciadores de música. Foram ontem colocados à venda bilhetes para o “Concerto do Dia dos Namorados - O Fantasma do Amor”, que se realiza no dia 10 de Fevereiro, pelas 20 horas no The Venetian Theatre. O espectáculo é uma viagem por vários clássicos musicais e será interpretado pela Orquestra de Macau, sob a batuta do maestro assistente Francis Kan, à qual se juntam as vozes da soprano portuguesa Sofia Escobar e do tenor chinês, Li Yi. A romântica ementa musical oferecerá ao público um banquete musical baseado em melodias oriundas do imaginário dos filmes e musicais da Broadway. No repertório a apresentar estão incluídas peças românticas do cinema onde se destacam a “Suíte para Aladdin”, “Amor sem Barreiras”, “Minha Linda Senhora” e “O Fantasma da Ópera”. A cantora portuguesa começou a sua carreira na companhia de teatro “A

Oficina” onde, como actriz residente, participou em diversas peças apresentadas em Portugal e Brasil. Nessa mesma altura decide aprofundar o seu leque performativo e ter formação musical, passando a estudar canto e piano na Academia de Música Valentim Moreira de Sá. Mais tarde frequentou ainda o curso básico de canto do Conservatório do Porto. Feita a formação em canto, Sofia Escobar ruma a Londres onde deslumbrou público e crítica com a performance no papel de Maria no “West Side Story” e, mais recentemente, como Christine no “O Fantasma da Ópera”, experiências que irá trazer para o público de Macau. Os bilhetes encontram-se à venda na Bilheteira Online de Macau com desconto de 40 por cento na compra antecipada de bilhetes até 20 de Janeiro. As datas da venda dos bilhetes nos balcões da Bilheteira da Cotai Ticketing serão posteriormente anunciadas. Os ingressos para o espectáculo custam entre 100 a 300 patacas. J.L.

Concerto Power rock basco ao vivo no palco do LMA

Os Berri Txarrak, uma banda de Lekunberri, em Navarra, trazem o seu rock alternativo à Coronel Mesquita. Com uma dezena de discos na bagagem, os Berri Txarrak, que cantam em basco, vão apresentar o seu último registo, “Infrasoinuak”, no palco do LMA no próximo dia 1 de Fevereiro às 21h30. Os Berri Txarrak, que hoje em dia são um trio, nasceram em 1994 e são fortemente influenciados pelo panorama musical que marcou a década da sua fundação. Nos acordes do guitarrista e vocalista, Gorka Urbizu, podem-se ouvir ecos de Nirvana, Rage Against the Machine, Pedro the Lion, Weezer, New Order, Rise Against e Neurosis. Em 2010 fizeram uma versão musical do poema “Liluraren Kontra”, do alemão Bertolt Brecht, um escrito que se tornou popular no País Basco graças a uma música de Mikel Laboa. Os Berri Txarrak prometem fazer suar quem se deslocar ao LMA no próximo dia 1 de Fevereiro com o rock musculado em basco.

´ A rua e dele EXPOSIÇÃO VHILS PARTICIPA EM MOSTRA DE ARTE URBANA EM SINGAPURA

A legitimação da street art, que saiu da obscuridade ligada à d para as galerias mais afamados do mundo da arte, será celebra Singapura. Alexandre Farto (Vhils) e André Saraiva (Mr. A) v na “Art from the streets”, que mostra quatro décadas de arte u

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA VIVA O POVO BRASILEIRO • João Ubaldo Ribeiro

Ao contrário da impressão que o título deste romance pode causar a uma primeira leitura, Viva o Povo Brasileiro não é uma saga da nação brasileira, nem uma tentativa de construir uma “história secreta” como contraponto da “história oficial”. Este extraordinário romance (Prémio Jabuti e Prémio Golfinho de Ouro em 1985), que deixou uma forte marca na literatura brasileira e em toda a literatura latino-americana, é principalmente a história exuberante e encantada da busca de identidade e da consciência do povo brasileiro, tão agredido na diversidade das suas raízes culturais. E também, de certo modo, a história do surgimento dessa consciência e da luta pela sua afirmação. Mais de três séculos de história do povo brasileiro resumem-se neste livro, na sua escrita encantatória, na sua arquitectura exuberante, transformando João Ubaldo Ribeiro (Prémio Camões, 2008) num dos escritores mais importantes da literatura brasileira e mundial.

RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

FAMA E SEGREDO NA HISTÓRIA DE PORTUGAL • Agustina Bessa-Luís

Quem foi Viriato? Porque se davam mal D. Afonso Henriques e a sua mãe, D. Teresa? Terá Salazar sido amado em vida? Fama e Segredo na História de Portugal está organizado em 12 óperas, que nos levam numa viagem pelo tempo, para descobrir os segredos e mistérios por detrás de personalidades tão díspares da nossa história como D. Afonso Henriques, D. Leonor Teles, D. Sebastião ou Salazar. Conheça as causas da morte do guerreiro lusitano Viriato, o poder que a rainha D. Leonor Teles detinha sobre o marido, D. Fernando, a ascendência do primeiro rei de Portugal ou, mesmo, o hipotético casamento de Salazar com uma discretíssima senhora Trocado.


eventos 11

es

delinquência ada em vão participar urbana

H

Á algum tempo que o graffiti conseguiu granjear o reconhecimento do universo da crítica e das exposições artísticas, em particular no Ocidente. Saindo da clandestinidade e da criminalidade para um patamar estético de relevo é natural que na Ásia estas manifestações artísticas te-

nham vindo a ganhar alguma popularidade. Nesse sentido, os artistas Alexandre Farto (Vhils) e André Saraiva (Mr. A) estão entre os participantes da mostra “Art from the streets”, que passa em revista 40 anos de Arte Urbana e é inaugurada a 13 de Janeiro, em Singapura e estará em exibição até 3 de Junho. A “Art from the streets” mostra “40 anos de Arte Urbana, desde os primeiros tempos de contracultura até à extraordinária ascensão como importante fenómeno na arte contemporânea”, através de trabalhos de “alguns dos maiores artistas urbanos do mundo”, lê-se no texto de apresentação da exposição. Na lista de participantes da exposição estão nomes tão sonantes como o misterioso britânico Banksy, o norte-americano Shepard Fairey, conhecido como Obey e que no último verão pintou três murais em Lisboa no âmbito da exposição que teve patente na galeria Underdogs. Entre os participantes estão os clássicos franceses da arte de rua JR, Blek le Rat e Invader e o francês de origem portuguesa André Saraiva, criador do mural com mais de 53 mil azulejos pintados à mão do Jardim Botto Machado, em Lisboa. Com curadoria da francesa Magda Danysz, que tem galerias com o seu nome em Paris, Xangai e Londres, a exposição “reflecte a evolução da Arte Urbana, traçando as diversas técnicas usadas pelos artistas ao longo das décadas e mostrando como a tecnologia criou novos caminhos expressivos para os artistas”. Patente de 13 de Janeiro a 3 de Junho, a mostra vai incluir “uma série de pinturas ao vivo e instalações criadas no local por nomes icónicos da área”.

CNN

segunda-feira 8.1.2018

PORTUGUESES DE RUA

Nascido em 1987, Alexandre Farto cresceu no Seixal, onde começou por pintar paredes e comboios com “graffiti”, aos 13 anos, antes de rumar a Londres, para estudar Belas Artes, na Central Saint Martins. Captou a atenção a “escavar” muros com retratos, um trabalho que tem sido reconhecido a nível nacional e internacional, e que já levou o artista a vários cantos do mundo. Além de várias criações em Portugal, Alexandre Farto tem trabalhos em países e territórios como a Tailândia, Malásia, Hong Kong, Itália, Estados Unidos, Ucrânia, Brasil.

Em 2014, inaugurou a sua primeira grande exposição no Museu da Electricidade, em Lisboa: “Dissecação/ Dissection” atraiu mais de 65 mil visitantes em três meses. Em 2015, o trabalho de Vhils tornou-se extraterrestre e chegou ao espaço, mais precisamente à Estação Espacial Internacional, no âmbito do filme “O sentido da vida”, do realizador Miguel Gonçalves Mendes. No ano passado, a arte de Alexandre Farto invadiu Macau com a exposição “Des-

troços”, patente no espaço das Oficinas Navais Nº 1 – Centro de Arte Contemporânea. Uma mostra que foi abruptamente interrompida pela destruição semeada pela passagem do tufão Hato por Macau. Uma calamidade que provocou

prejuízos que não chegaram a ser divulgados. Filho de portugueses, nascido na Suécia em 1971, André Saraiva começou fazer “graffiti” em 1985. Foi, porém, na década de 1990, que criou “Monsieur A” (Mr. A),

A “Art from the streets” mostra “40 anos de Arte Urbana, desde os primeiros tempos de contracultura até à extraordinária ascensão como importante fenómeno na arte contemporânea”

uma personagem de cabeça redonda, olhos em X, com uns traços a fazerem de pernas e um sorriso rasgado, com a qual se tornaria conhecido e que espalhou em paredes de cidades de todo o mundo. Seja em que parede for, a arte urbana está aí para ficar. Singapura será um centro desta corrente underground até Junho, com dois artistas de origem portuguesa no panteão dos mais representativos artistas que dominam as ruas. João Luz com Lusa

info@hojemacau.com.mo


12 china

A mensagem de Xi Jinping não podia ser mais claro: os generais e as forças armadas devem obedecer aos comandos do Partido. E mais nada. Além de exigir a modernização e a eventual vitória

8.1.2018 segunda-feira

XI JINPING DESTACA CONSTRUÇÃO DE FORÇAS DE COMBATE DE ELITE

As armas em boas mãos

O

presidente da China, Xi Jinping, ordenou a criação de forças de combate de elite através do treino de combate real, digitalização, inovação e reforma. Xi, também presidente da Comissão Militar Central (CMC), fez as declarações durante uma inspecção realizada a uma divisão do Exército de Libertação Popular (ELP) no Comando do Teatro de Operações Central. Xi, em nome do Comité Central do PCC e da CMC, expressou felicitações de Ano Novo a todo o pessoal do ELP, da polícia armada, da tropa civil e das forças de reserva. Durante a inspecção, Xi abordou o tanque de batalha 99A, o modelo mais novo de desenvolvimento da China e conhecido como “o rei das batalhas terrestres”, e o veículo de lançamento de mísseis antitanque Flecha Vermelha-10, para conhecer os armamentos utilizados no exército. Também visitou uma companhia de reconhecimento para observar o treino realizado por franco-atiradores e perguntou sobre o sistema de combate individual dos soldados. Xi conversou com os novos recrutas que recebem treino sobre reconhecimento e combate e incentivou-os a aperfeiçoar as suas capacidades e esforçar-se por se tornarem heróis de reconhecimento. Xi visitou ainda um centro de treino de simulação, e reuniu-se com os oficiais da divisão. Depois

visitou o centro de exibição da história da divisão. Xi pediu ao exército impulsionar o treinamento militar orientado à preparação para combate e concentrar-se no combate dedicadamente enquanto fortalecer pesquisas sobre tropas

digitalizadas, e perguntou sobre os conceitos de inovação e as tácticas de batalha, assim como a melhoria no treino de combate real e a capacidade para vencer guerras. Xi sublinhou a importância da coordenação entre diversas forças

ALTOS QUADROS SÃO “CRUCIAIS” NA GOVERNANÇÃO

O

presidente chinês, Xi Jinping, disse na sexta-feira que os membros do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) e os funcionários dos níveis provincial e ministerial são “cruciais” para a governanção firme do Partido e do país. Xi, também secretário-geral do Comité Central do PCC e presidente da Comissão Militar Central, fez as observações na abertura de um workshop com participação de membros e membros suplentes recém-eleitos do Comité Central do PCC, bem como funcionários dos níveis provincial e ministerial.

Xi pediu que esses funcionários aumentem sua consciência política, adoptem uma perspectiva histórica, reforcem o pensamento teórico, considerem as conjunturas de grande contexto e melhorem o seu conhecimento e realizações intelectuais para pensar e entender os grandes assuntos teóricos e práticos com uma perspectiva mais ampla. O workshop concentra-se no estudo e implementação do “Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas na Nova Época” e do espírito do 19º Congresso Nacional do PCC.

e sistemas e pediu esforços crescentes na criação de um sistema de informação e dados sobre combate. Ao sublinhar a importância da inovação e reforma, Xi pediu por resultados científicos e tecnológicos dos oficiais e soldados com uma

melhor aplicação de dispositivos de ciência e tecnologia. “Devem-se fazer esforços para cumprir o espírito do 19º Congresso Nacional do PCC e garantir que as forças armadas sempre sigam as instruções do Comité Central do PCC e da CMC”, assinalou Xi. “É necessário prestar grande atenção a digitalização para fomentar mais talentos militares de alta qualidade”, mencionou. Xi disse que os oficiais e soldados devem ser bem cuidados e que os estilos de trabalho indesejáveis e a corrupção devem ser contidos decididamente”. Os vice-presidentes da CMC, Xu Qiliang e Zhang Youxia, assim como outros altos oficiais militares participaram do evento.


china 13

segunda-feira 8.1.2018

LI KEQIANG NO CAMBOJA COM O REI E HUN SEN

HK Nomeada nova secretária de Justiça

O Conselho de Estado nomeou na sexta-feira Teresa Cheng Yeuk-wah como secretária de Justiça da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK). Designada pela chefe do Executivo da RAEHK, Carrie Lam Cheng Yuet-ngor, a nova secretária de Justiça substitui Rimsky Yuen Kwokkeung, que tomou posse em Junho de 2012. A nomeação entrou em vigor a 6 de Janeiro.

Amigos como sempre

Campanha para promover patriotismo e lealdade

Uma nova campanha será lançada este ano para promover o patriotismo e o socialismo e reforçar a lealdade e confiança dos moradores rurais no Partido, segundo uma directriz publicada nesta sexta-feira pelo Departamento de Comunicação do Comité Central do Partido Comunista da China (PCC). “Os departamentos de comunicação do Partido de todos os níveis devem impulsionar a campanha utilizando produtos culturais populares com os residentes rurais e incentivá-los a seguir o Partido e manter a confiança no caminho, teoria, sistema e cultura do socialismo com características chinesas”, indica o documento. Além disso, mais esforços serão feitos para explicar as políticas do Partido e governo, elevar o nível moral e promover um estilo de vida saudável. “As sucursais rurais do Partido devem desempenhar um papel mais activo na mobilização e educação do povo”, acrescenta o documento.

13 mil milhões para investigação e desenvolvimento

China destinou 13 mil milhões de yuans para programas de investigação e desenvolvimento (I+D) em 2018, anunciou ontem o Ministério da Ciência e Tecnologia chinês. Serão financiados 40 projectos especiais e mais de 600 projectos de menor envergadura relacionados nomeadamente com o desenvolvimento social, a investigação de alta tecnologia e ciência agrícola e tecnológica. As iniciativas de desenvolvimento social, que representam 41,7% dos projectos financiados, receberam 34,8% do orçamento. Nesta área social estarão em destaque o controlo do risco de segurança pública, o equipamento para emergências e investigação médica.

A

visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, ao Camboja será de grande importância para a cooperação Lancang-Mekong e os laços China-Camboja, afirmou um diplomata. Li participará da segunda reunião dos líderes da Cooperação do Rio Lancang-Mekong em Ph-

nom Penh e realizará uma visita oficial ao Camboja entre 10 e 11 de Janeiro. Iniciada em 2014, a cooperação Lancang-Mekong cresceu rapidamente com um mecanismo gradualmente melhorado e uma implementação constante dos frutos, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Kong

Xuanyou, sobre a próxima visita de Li. A reunião deste ano concentra-se na paz e no desenvolvimento sustentável da área. Os líderes faram um balanço dos progressos e estabelecerão um plano para o futuro da cooperação Lancang-Mekong, segundo Kong. O vice-ministro informou

que Li anunciará as iniciativas e medidas da China para aprofundar a cooperação pragmática e injectar um novo ímpeto no mecanismo. Uma série de documentos serão divulgados após a reunião, incluindo um plano de acção de cinco anos do mecanismo e uma lista do segundo lote de projectos de cooperação, acrescentou. Este ano marca o 60º aniversário das relações sino-cambojanas. Kong indicou que a próxima visita do primeiro-ministro ajudará os dois países a consolidar a amizade tradicional e promover a cooperação estratégica abrangente bilateral. “Os laços entre a China e o Camboja se tornaram um modelo para as relações entre países”, apontou. Durante sua estadia no Camboja, Li se encontrará com o rei cambojano Norodom Sihamoni e terá conversações com seu homólogo Hun Sen. Ambos os líderes trocarão ideias sobre os laços bilaterais e as questões internacionais e regionais de preocupação comum, a fim de planejar o desenvolvimento futuro das relações sino-cambojanas. De acordo com Kong, os dois lados deverão alcançar consenso e assinar documentos de cooperação em infra-estrutura, ciência, agricultura, turismo e outros campos. “Esperamos que essa visita seja um sucesso completo”, concluiu Kong.

FACILITADO VISTO DE TRABALHADORES QUALIFICADOS

A

China anunciou que irá facilitar a emissão de vistos para profissionais estrangeiros altamente qualificados na quinta-feira, como parte do seu esforço de suprir lacunas ao nível da necessidade de talentos no seu mercado. Os candidatos que serão considerados “talentos de ponta” na categoria de trabalhadores estrangeiros a exercer na China, incluem cientistas, empreendedores, e figuras de liderança em sectores tecnologicamente intensivos, de acordo com as novas regras reveladas pelaAdministração Estatal para os Assuntos dos Especialistas Estrangeiros.

A data de validade do visto poderá ser prorrogada entre cinco a dez anos após a emissão, com múltiplas entradas e estadias de 180 dias para uma única entrada, anunciou a administração, acrescentando que as categorias poderão ser ajustadas com base na demanda de talentos do país. Os especialistas estrangeiros candidatos poderão obter a confirmação da sua qualificação para obter o visto em 5 dias úteis. Todos os candidatos terão de proceder ao pagamento de um custo para obtenção do

visto, o mesmo se aplica a situações urgentes. A China atravessa o maior fluxo de atracção de profissionais estrangeiros. O primeiro-ministro Li Keqiang afirmara em 2017 que, enquanto maior país em desenvolvimento do mundo, a China se encontrava em um período crítico de reestruturação e melhoramento económico, acrescentando que “não só devemos fazer uso dos recursos de talento chineses e do seu mercado, mas adoptar também uma política de maior abertura para com os especialistas estrangeiros”.


14

h

8.1.2018 segunda-feira

na minha boca era doce como o mel, mas depois de o ter comido as minhas entranhas ficaram cheias de amargura

SHEN HAO

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Hua Zhu»

Discurso sobre a Pintura

Certa vez existiu um pintor que trabalhava durante o dia mas quando sonhava de noite, entrava na pintura e na manhã seguinte fazia a pintura de novo. Os sonhos abriam-lhe o caminho até ao divino – e assim aconteceu que uma mosca poisou na margem do biombo pintado, o som da água subiu até à sua cama, os peixes saltaram na água e dragões furavam as paredes da sua casa. Tudo correspondia ao labor do seu próprio génio. Ele alcançou o verdadeiro poder criativo porque concebia as montanhas e

os rios, a grande terra e todas as criaturas viventes de acordo com as suas características. Ele virava e revirava, buscava e deitava fora ou seja, trabalhava livremente, como as nuvens se espalham por um céu limpo, ou como reflexos de gansos selvagens voando flutuam na água escura1. Apreciação e Crítica. Aqueles que copiam apenas uma escola não podem discutir pintura; aqueles que só gostam de uma escola não podem discutir a apreciação de pintura.

1 - A descrição do poder transformador do espírito sobre a matéria, tantas vezes referido na Europa pela frase de Virgílio (70-19 a. C.) na Eneida (VI, 727); Mens agitat molem , ocupa um lugar próprio e definidor na literatura sobre a pintura. Se o ofício primeiro do pintor é a contemplação das maravilhas da natureza, o seu labor seguinte é participar desse ritmo criador do cosmos. Os exemplos referidos relacionam-se com a própria origem da literatura daoísta. Assim Zhuangzi conta que sonhou que era uma borboleta e ao despertar não saberia dizer se era Zhuangzi que sonhara com a borboleta ou era a borboleta que sonhara ser Zhuangzi (Cap.II). Depois há o caso referido do pintor Zhang Sengyu que nunca colocava as pupilas nos dragões que pintava, e quando o fez eles ganharam vida e voaram. O que se relacionava com o seu modo de pintar, referido por Zhang Yanyuan (810?-880?) no tratado Lidai Minghuaji, (secção II, cap. II) como tendo «um aspecto bastante inacabado ou partido. E no entanto embora o trabalho com o pincel fosse bastante incompleto, os seus pensamentos estavam inteiramente expressos.» O funcionário e poeta Fu Zai, no meio do século VIII descrevendo o método do excêntrico e inspirado Zhang Zao (156-236) em pleno transe criativo, concluía: «Aquilo já não era mais do domínio da pintura, aquilo já era o puro Dao.» (in Zhongguo Hualun Leibian) O próprio Zhang Zao falava assim do seu processo: «Por fora coloco-me na escola do Criador, por dentro capto a fonte do meu coração.»


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

segunda-feira 8.1.2018

o ofício dos ossos Valério Romão

O

natal, na minha família, envelhece mal. Quando era criança e durante o tempo que estive em França, os únicos natais felizes eram aqueles em que a minha família (irmãs, cunhados e sobrinhos) chegava de Portugal para passar o Natal connosco. Os meus avós moravam no interior algarvio e pouco ou nada viajavam dentro de Portugal, quanto mais para fora. A vida do campo era duríssima e o tempo, embora desabitado do stress contemporâneo, não abundava. Os natais com avozinhos a contar histórias e crianças aos pulos na excitação das prendas, só os conheço da televisão. Com o tempo e como é natural, as pessoas vão morrendo e as famílias reorganizam-se em redor dos que nascem. No caso da minha família, os nascimentos são pouquíssimos. Temos tendência para a monocultura (rapazes) e para fechar a loja à primeira venda (um filho por casal). Como os casamentos e demais ajuntamentos não têm durado, a presença de cônjuges é pouco frequente. Ainda assim, o meu cunhado insiste em

Enfartamento natalício cozinhar como se fôssemos uma corporação de bombeiros a sair do ramadão. São semanas a comer sobras. A medida que os anos passam, a coisa torna-se cada vez mais deprimente. As pessoas chegam cansadas ou enfadadas à mesa – e, às vezes, ambas – e olham para o repasto com o fastio de quem se está a ver a comer a mesma coisa durante um mês. No tempo em que dávamos guarida a dois ou três convidados com famílias ainda mais depauperadas do que a nossa, esforçávamo-nos para disfarçar o enfado. Agora, o natal é só um jantar em jeito de exagero. A mãe queixa-se de não ter conseguido acabar de ver o telejornal, o sobrinho e cunhado disputam o comando da televisão da cozinha, a mana diz que detesta

canja de cabeça de javali e come, enjoadinha, uma gamba “com demasiado sal”. Quem não bebe, nessa noite concede uma excepção. Quem bebe, bebe mais e mais depressa. O objectivo é a obnubilação rápida da consciência. Com a parca educação restante, dá-se os parabéns ao cozinheiro: “muito bom, acho que é o teu melhor borrego de sempre”. A coisa decorre com a alegria de um funeral até ao estertor final, sinalizado normalmente pelo início de um dos Sozinho em casa. As pessoas continuam a disputa pelo comando no sofá e o meu cunhado, infelicíssimo, fica a contemplar a quantidade de comida na mesa como se esta se houvesse transformado em dinheiro em chamas. Como estamos todos progressivamente mais pobres, não há prendas.

Poderemos sempre dizer que as épocas festivas deveriam servir para nos sentirmos melhores e, por pouco tempo que fosse, especiais. Se nem para isso servem, de que servem então?

Nem simbólicas. Tendo em conta de que não temos convidados, já não nos damos ao trabalho de fingir que comprámos qualquer coisa a pensar em alguém. Tapamo-nos com umas mantas à frente da televisão e deixamos o cérebro esbracejar sem grande vontade no lago de vinho em que o afogámos. Na televisão, sucedem-se os “filmes de família” – a expressão pela qual cunharam o amontoado de lixo que Hollywood tem vindo a produzir com abastança e regularidade. Daqui a vinte anos, com mais mortes e o mesmo número nulo de nascimentos, talvez possamos deixar de fazer de conta que no natal temos de fazer de conta e passamos, sem vergonhas, a dizer não à ceia natalícia. Seremos poucos, é certo, mais isso é somente uma razão mais para dizer não. Não à ceia, não à comemoração daquela coisa nenhuma, não a qualquer tipo de promoção da quadra. Como defesa, poderemos sempre dizer que as épocas festivas deveriam servir para nos sentirmos melhores e, por pouco tempo que fosse, especiais. Se nem para isso servem, de que servem então?


16

h

8.1.2018 segunda-feira

´

poesia • Georg Trakl

Música em Mirabell 2ª versão 1

Uma fonte canta. As nuvens estão No azul claro, brancas, ternas. Pensativos, homens caminham em silêncio À noite através do velho jardim.

OTTO DIX NIGHT OVER THE CITY

Tradução de António de Castro Caeiro

Dos antepassados o mármore encaneceu. Aves em migração tracejam o longe. Um fauno com olhos mortos vê Sombras que deslizam para a escuridão. A folhagem cai encarnada da velha árvore E entra em círculos pela janela aberta para dentro de casa. Uma chispa de fogo encandece no espaço E pinta fantasmas perturbados pela angústia. Um estranho branco entra dentro de casa. Um cão precipita-se por corredores apodrecidos. A criada apaga uma vela. O ouvido escuta de noite sons de sonatas.

Musik im Mirabell Zweite Fassung

Ein Brunnen singt. Die Wolken stehn Im klaren Blau, die weißen, zarten. Bedächtig stille Menschen gehn Am Abend durch den alten Garten.

BIOGRAFIA Georg Trakl nasceu a 3 de Fevereiro de 1887 em Salzburgo, cidade no noroeste da Áustria. O estranho comportamento da sua mãe e a morte prematura do pai quando ainda era muito jovem acabou por lhe causar grandes problemas emocionais, além de ter que sustentar a família (mãe / irmã) com seus esforços após o falecimento do pai. Sabe-se que desde a adolescência o poeta consumia ópio, veronal e cocaína. Teve uma relação incestuosa com a irmã, e pelo que se sabe sobre a vida de Trakl, talvez tenha sido o seu grande amor. A suas cartas foram destruídas, sendo impossível saber algo mais. Apenas nos seus poemas teve um certo alívio, refazendo-os por diversas vezes, porém tendo sempre em mente as suas definições. Durante a Primeira Guerra Mundial foi oficial farmacêutico, o que abalou profundamente o seu já debilitado espírito. Suicidou-se a 3 de Novembro de 1914, na Cracóvia, com uma overdose de cocaína. Trakl tinha apenas 27 anos.

Der Ahnen Marmor ist ergraut. Ein Vogelzug streift in die Weiten. Ein Faun mit toten Augen schaut Nach Schatten, die ins Dunkel gleiten.

In Wikipedia

1 - TRAKL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historisch-kritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag.

Das Laub fällt rot vom alten Baum Und kreist herein durchs offne Fenster. Ein Feuerschein glüht auf im Raum Und malet trübe Angstgespenster.

OTTO DIX’S HELLISH FIRST WORLD WAR VISIONS

Ein weißer Fremdling tritt ins Haus. Ein Hund stürzt durch verfallene Gänge. Die Magd löscht eine Lampe aus, Das Ohr hört nachts Sonatenklänge.

Crepúsculo de Inverno 1 Dedicado a Max von Esterle Negro céu de metal. Nas tempestades encarnadas gralhas enlouquecidas de fome, voam de noite Lívidas, sobre o relvado do parque. Nas nuvens, congela um raio até morrer; E ante as maldições de Satanás, elas contorcem-se em círculo e em número de sete descem para poisar sobre a terra. Na podridão, doce e sem sabor, Aparam, em silêncio, os seus bicos. Ameaçam as casas das paragens em redor; Há claridade no teatro.

Winterdämmerung 2 An Max von Esterle

Schwarze Himmel von Metall. Kreuz in roten Stürmen wehen Abends hungertolle Krähen Über Parken gram und fahl. Im Gewölk erfriert ein Strahl; Und vor Satans Flüchen drehen Jene sich im Kreis und gehen Nieder siebenfach an Zahl. In Verfaultem süß und schal Lautlos ihre Schnäbel mähen. Häuser dräu’n aus stummen Nähen; Helle im Theatersaal. Kirchen, Brücken und Spital Grauenvoll im Zwielicht stehen. Blutbefleckte Linnen blähen Segel sich auf dem KanalDem Hungrigen täuscht vor Genesung Ein Duft von Brot und herben Würzen. 1 - KL, GEORG. (2008). Das dichterische Werk: Auf Grund der historischkritischen Ausgabe. Editores: Walther Killy e Hans Szklenar. Munique. Deutscher Taschenbuch Verlag, p. 14. 2 - http://lyricstranslate.com/pt-br/duu07-winterd%C3%A4mmerungcr%C3%A9puscule-dhiver.html#ixzz50H6qb4AY


ARTES, LETRAS E IDEIAS 17

segunda-feira 8.1.2018

cidade ecrã Rui Filipe Torres*

O mundo como zoológico do Homem

(Breve referência a 2017 e à nova lei do cinema que se avizinha)

É

da nossa natureza de animal enlouquecido, actores e observadores que somos da nossa passagem no mundo, a tentativa de ver em permanência com olhar de satélite o planeta que habitamos, criamos e também destruímos. É o olhar humano mais próximo da ideia do lugar do olhar de Deus, entretanto múltiplas vezes assassinado e múltiplas vezes trazido às nossas vidas. Mesmo atendendo ao empenho fabril com nos entregamos à alienação da nossa condição trágica perante o nada. Do inevitável choque sem cinto de segurança com a morte, condição necessária ao “carpie diem”, é da nossa condição de falência enquanto máquina antropológica, a inquietude e a observação permanente. São as nossas práticas como seres sociais, condição do humano, que nos demonstram a condição de animal enlouquecido. A loucura pode ser heróica, gloriosa, trágica, permanente ou passageira, em função do pensamento dominante da época em que o pensamento e acções concretas se produzem, ou num tempo de análise posterior ao acontecimento. Somos a mais bela máquina horrível. Belos assassinos de nós próprios e do outro(s). É difícil o olhar distanciado e sem paixão sobre nós e sobre o outro. O tempo de vida de cada maquina antropológica em falência que cada um é vai se esgotando, felizmente na maior parte do tempo sem a permanente consciência dessa inevitabilidade. Mas a vida adiciona esse lugar do vazio cada vez mais preenchido dos companheiros mortos. No entanto, nesta esgadanhar da fera ao civilizado é quase sempre desse outro lugar da vida, que nos chegam as ressonâncias e até asserções mais orientadoras e construídas, o presente é produto do passado. Aqui neste lugar do mundo, é a voz milenar de Confúcio e Buda que ecoa em outras de um tempo mais próximo, Jorge Álvares, Camões, Marx, Nietzsche, Sartre, Bergman, Marilyn, Artaud, sim, são muitas, quase infinitas as vozes que nos habitam. Parece ser tendencialmente aceite que o pós-moderno já não nos serve e a hiper-realidade é uma constatação do real com toques glamorosos de uma maquilhagem Dior. O fracasso absoluto dos corpos afogados no mediterrâneo no movimento continuo do fluxo de gentes à procura do sonho da Europa, ou apenas em fuga da miserável condição da ausência pão, o som dos inaudíveis desastres interiores que a custo não queremos ouvir e com força de nervos arrancamos da carne e vamos expulsando para redes de esgotos escondidas, dizem-nos que é bom sermos

felizes, supremamente gratos, e que para o sermos não é possível abandonar esse querer primeiro da infância do mundo justo e fértil. Neste nosso mundo há vários mundos. São muitos e diferentes tempos sociais e culturais que produzem os factos sociais que habitamos. Há um Oriente que afirma o sucesso da sua civilização milenar e simultaneamente de enorme modernidade no mundo contemporâneo, e uma europa que se recusa a olhar-se no melhor de si própria, envelhecida paradoxalmente pelo simulacro do novo. É tempo do Pós-Renascimento. Não é suficiente o cartesianismo positivista do iluminismo neste outro século, o XXI. Há por aqui a permanência de um eurocentrismo bacoco e desajustado do real, nos quotidianos da informação televisiva. A banalização do pensamento medíocre em doze letalmente excessiva. Para onde caminhamos é a pergunta, que beleza e horror construímos quotidianamente nas nossas fábricas, campos, cidades? As respostas são abertas, mas pergunta é sempre e continuamente necessária. A legitimação da Arte, passada a euforia dos melhores e piores de 2017, anuncia-se o chegar de uma nova lei para Cine-

ma em Portugal, que continua a partir de um lugar mais pequeno do que o visível a partir de Portugal dos Pequeninos. Neste 2017 a terminar vi muitos filmes. Dos que vi, destaco S. JORGE, do Marco Martins - produção Portuguesa, filme premiado no Festival Internacional de Macau e outros, Veneza é deles. Já aqui escrevi sobre este tremendo filme. Noto também a obra COMBOIO DO AÇUCAR, do Licínio Azevedo – co-produção Portugal-Moçambique, filme que também tive a oportunidade de referenciar por altura do Fantas Porto 2017. Outros felizmente existem que merecem destaque, mas não este o assunto. A actividade do cinema em Portugal continua a ser olhada pelos decisores políticos como coisa menor, com a qual não importa perder tempo nem pensar recursos, estratégias, objectivos, para além daqueles gerais sempre bem enunciados nos preâmbulos do enquadramento legislativo - ao abrigo do artigo 78º Capítulo III no seu ponto 1 e 2, alíneas a) b) c) d) e) da Constituição da República Portuguesa . No entanto na prática a menoridade atribuída à produção e fruição cultural é uma evidência, desde logo no orçamento geral do Estado, mas também, e muito,

nos articulados específicos e no funcionamento do ICA- Instituto Público ao qual cumpre desenvolver e cumprir as políticas públicas para o cinema. A realidade que o cinema vive é um ICA que tem como boa filosofia o lavar das mãos como na lenda bíblica de Pôncio Pilatos (relato de Mateus). A nova lei é de que se avizinha a publicação é uma versão com nova data da anterior. Ao que parece, também nestas matérias, é urgente convocar o olhar do Presidente Marcelo , esse gigante dos afectos e do bom senso esclarecido, é que, para além do lugar do cinema enquanto actividade económica a “anos-luz” da sua potencia entre nós, há esse outro lugar mais difícil e menos preciso em quantificar, mas de inegável relevância; o lugar do cinema na identidade, na construção do património simbólico, na estruturação de comportamentos, nas cinevisões do mundo, no desenvolvimento das cidades criativas e política externa dos Estados contemporâneos. * - Cineasta. Licenciado em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Mestrando em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico na Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa. O texto não segue o novo acordo ortográfico.


18 (f)utilidades TEMPO

MUITO

8.1.2018 segunda-feira

O QUE FAZER ESTA SEMANA Sábado

?

NUBLADO

“THE FLEA MARKET AT OLD BORDER GATE” ESPAÇO “WHAT’S UP POP UP” Rua dos Ervanários | Das 14h às 20h

MIN

8

MAX

18

HUM

70-99%

•

EURO

9.68

BAHT

EXPOSIÇÃO “MOSTRA FOTOGRÁFICA ‘UM CORAÇÃO DIVIDIDO” Fundação Rui Cunha | Até 13/01 EXPOSIÇÃO “O TEMPO MEMORÁVEL” Museu de Macau | Até 25/02/2018

O CARTOON STEPH

PROBLEMA 192

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 191

UM LIVRO HOJE

COCO SALA 1

COCO [A] FALADO EM CANTONENSE Filme de: Lee Unkrich 14.30, 16.45, 19.15

SUDOKU

DE

C I N E M A

1.24

ABÓBADA LÍQUIDA

EXPOSIÇÃO “AO MEU CORAÇÃO UM PESO DE FERRO” Livraria Portuguesa | Até Hoje

Cineteatro

YUAN

PÊLO DO CÃO

Diariamente

A LINGUAGEM E A ARTE DE XU BING Museu de Arte de Macau | Até 4/3/2018

0.24

A ideia da Terra plana figura no panteão das mais graves e psiquiátricas conspirações repescadas à antiguidade da cognição pré Pitágoras. No meio dessa alucinação existe uma ideia extraordinária que teoriza, entre enormes aspas, que o céu é azul porque é na realidade água que separa o material do reino divino. Ou seja, o mundo é essencialmente um plano material subaquático. Proponho um mergulho na toca do coelho e um esforço de imaginação ao leitor para tomar esta demente premissa como real. Ao longo das últimas quase 48 horas, a abóbada do submarino Terra tem cedido de uma forma alarmante e inundado Macau com infiltrações que deixam tudo encharcado. Quem procede a estas celestiais reparações, antes que o submarino se transforme num aquário? Questões para divinas respostas. Confesso que, de certa forma, invejo este desprendimento da realidade. Estas pessoas conseguem ter vidas funcionais, um trabalho, família e em vez de tédio e rotina têm uma existência de mistérios múltiplos. Por exemplo, um simples fenómeno natural como a chuva pode representar uma mina de misticismos e explicações típicas de um cartoon. Proponho-vos uma teoria: cada um de nós é uma gota dessa celestial chuva que durante a descida sonha levar uma vida humana. O sonho e a existência acabam quando a gota acorda para o embate com a solidez. Somos abóbada celestial, o grande mistério de cima, feitos dilúvio em direcção à Terra. Que tal? Nada mau, hein?! João Luz

CONQUISTADORES | ROGER CROWLEY

Através de uma narrativa apelativa, Roger Crowley explora os descobrimentos Portugueses e a criação daquele que considera ser o primeiro império global. Um livro que apresenta a forma como reis e navegadores se coordenaram para encontrarem uma nova rota das especiarias e tornarem Portugal na principal potência marítima da altura, ao mesmo tempo que tiravam o país da probeza. A obra explora igualmente as personagens mais importantes da época como D. João II, D. Manuel I, Vasco da Gama ou Afonso de Albuquerque. João Santos Filipe

SALA 2

INSIDIOUS: CHAPTER 4 [C] Filme de: Adam Robitel Com: Lyn Shaye, Angus Sampson, Leigh Whannell 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

JUMANJI: WELCOME TO THE JUNGLE [B]

SALA 3

Filme de: Jake Kasdan Com: Dwayne Johnson, Jack Black, Karen Gillian, Kevin Hart 21.30

FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Katsuyuki Motohi Com: Takeru Satoh, Go Ayano, 14.30, 16.30, 19.30, 21.30

AJIN [C]

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

segunda-feira 8.1.2018

reencarnações

JOÃO LUZ

LORENZO LOTTO, RETRATO DE UM DOMINICANO

S

OBRE o mundo existe um pesado véu de desconhecimento que dá abrigo morno ao misticismo, à arbitrariedade e à injustiça. Eu sou a candeia luminosa na noite do obscurantismo, trago esclarecimento e soluções para os problemas que envenenam os dias de iniquidade. Sou o judicioso estudo, o labor da ciência, o método de atingir o conhecimento. Pelo menos, esse é o meu original intento. Em tempos em que o desvirtuamento e a perfídia fazem gato sapato da honestidade, sou a credibilização científica das vontades feitas. O poder procura uma solução, uma hipótese conveniente, e eu vendo-lhe validação mascarada de técnica obedecendo à decisão tomada previamente. Sou o epílogo de cálculo no decadente teatro do calculismo, a corroboração pré-definida que antecipa a concretização, a vitória esmagadora da hipótese sobre tese, antítese, sou a proposta que passa por verdade absoluta e que pega o empirismo pelos colarinhos, proferindo violentas ameaças. Sempre que a plebe pede resolução, mesmo que seja para as coisas mais mundanas da vida, eu coloco no caminho o entrave da suposta ponderação. Seja um remendo no passeio, uma solução para a lentidão da Internet, a construção de um edifício para habitação social, ou qualquer outro problema prático, eu sou a protelação, a dilação, o estudioso banho-maria que coloca a vida em suspenso. A quantidade de estudos encomendados nesta cidade daria para encher a Biblioteca de Alexandria, para eliminar de vez qualquer vestígio de irracionalidade e compreender os mistérios da física e as razões escondidas pelos astros. Em vez disso, sirvo para revestir discricionariedade e velhacaria com a ilusão da sapiência, dou tempo para que as coisas apodreçam para além da paciência de todos. Tenho uma amiga do coração, a consulta pública. Juntos formamos uma coligação burocrática que suplanta qualquer vontade de resolução, que torna o tempo numa massa espessa que escorre lentamente. Transformo relógios em lesmas mecânicas que rastejam ao longo de um rasto de gosma que brilha como galáxias no empedrado. Acrescento anos à data prevista para a abertura de coisas, para o início de algo importante para a entediante necessidade das pessoas, esse empecilho prático à cumulação sabedoria. Sou a negação do método científico, declaro guerra à forma desapaixonada como o empirismo se alicerça na experiência sensorial. Matemática, estatística e toda as formas de cálculo são obstáculos contornáveis. Escolho-os para as minhas conclusões como quem apanha cerejas, seleccionando apenas aquelas que parecem mais maduras.

O estudo

Tenho um desprezo contido, sub-reptício, aos legados de Newton, Curie, Darwin, Faraday e Copérnico. A ciência que se torna universal serve apenas os pobres. À vista dos meus intentos, Pasteur e Freud não passam de um par de tarados com fixações lactantes e um ego que em muito extravasa a magnificência do dinheiro.

Tenho uma aversão conceptual a teorias e teoremas. O meu universo de actuação é a folha de Excel, essa é a minha excelência. Enquadro a realidade em grelhas numeradas, as células que verdadeiramente interessam. Estás a ouvir-me Robert Hooke? Esse mundo novo de microbiologia não tem qualquer validade na minha galáxia de anexos e intuições oficiais.

A quantidade de estudos encomendados nesta cidade daria para encher a Biblioteca de Alexandria, para eliminar de vez qualquer vestígio de irracionalidade e compreender os mistérios da física e as razões escondidas pelos astros

Sou compilações de dados sem relação, a fonte de onde brotam milhões de páginas que jamais alguém vai ler ou ter em conta, palha científica que tem como fim a inutilidade e a morte da cognição. Quero ter uma relação extraconjugal com causa e levar a que esta se divorcie do efeito, quero minar essa relação com a sedução de um espectáculo de PowerPoint. Quero ser conveniência, concórdia, estabilidade. Irrita-me a forma como o conhecimento pode ser revolucionariamente impertinente e é aí que consigo a minha validade. Encomendem-me e serei conclusão do vosso inteiro agrado, pronto para vos servir sempre que necessário. Consultem-me e serei o vosso sapiente amigo.


O silêncio, na noite, é uma voz de órgão. António Patrício

PORTUGUESES FORMADOS EM MANDARIM

Uma era dourada

A

primeira geração de tradutores e intérpretes portugueses de língua chinesa está a aproximar Portugal e China no futebol, literatura ou arte, à medida que as relações entre os dois países entram numa “era dourada”. Tiago Nabais ingressou na licenciatura de Tradução e Interpretação Português/Chinês - Chinês/ Português do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) em 2007, depois de uma carreira musical “falhada” e “uns biscates aqui e ali”. Tinha 29 anos. Volvida uma década, concretizou um feito raro em Portugal: traduziu directamente a partir do chinês uma obra literária - “Crónica de um vendedor de sangue”, editado pela Relógio d’Água e escrito por um dos mais aclamados escritores chineses da actualidade, Yu Hua. Também formado pelo IPL, Luís Lino agarrou aos

25 anos uma oportunidade “caída do céu” e rumou à China para servir de intérprete do técnico português André Villas-Boas, que na época passada orientou os chineses do Shanghai SIPG. “Nem queria acreditar”, contou Lino à agência Lusa sobre o convite para integrar o ‘staff’ de Villas-Boas. No final de um treino em que esteve sempre ao lado do antigo treinador do FC Porto, o jovem revela que ainda pensou em tirar o curso de jornalismo após terminar o secundário, mas acabou por optar pelo estudo de uma língua “muito rentável”. O mandarim é a língua mais falada do mundo e o único idioma oficial da República Popular da China, país com 1.375 milhões de habitantes - cerca de 18% da população mundial - e a segunda maior economia do planeta. Em colaboração com o Instituto Politécnico de Macau, o IPL abriu

em 2006 a licenciatura de Tradução e Interpretação. O Instituto Confúcio, organismo patrocinado por Pequim para assegurar o ensino de chinês, garante ainda cursos livres de mandarim em quatro universidades portuguesas -Aveiro, Coimbra, Lisboa e Minho. E, desde 2016, o ensino do chinês foi também introduzido em algumas escolas portuguesas ao nível do secundário e do terceiro ciclo, como alternativa de língua estrangeira. A primeira instituição de ensino superior em

Portugal a oferecer uma licenciatura dedicada à língua chinesa, no entanto, foi a Universidade do Minho, com o curso em Estudos Orientais - Estudos Chineses e Japoneses, aberto em 2004. Na altura, a China não era ainda “moda” em Portugal e os “estereótipos” sobre o país entre os portugueses eram “bastante acentuados”, lembra Samuel Gomes, que ingressou naquela licenciatura em 2009. “Existia ainda uma espécie de complexo em aprender mandarim”, afir-

Os desafios da mediação

Macau precisa de mais formação e desenvolvimento de entidades

J

PUB

OSÉ Figueiredo, chefe funcional da divisão de estudo do sistema jurídico da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ), participou recentemente na primeira conferência sobre mediação para a zona da Ásia-Pacífico, que decorreu na Coreia do Sul, tendo falado do “Estado como uma parte na mediação das relações comerciais entre fronteiras: desafios e benefícios”. Ao HM, o jurista defendeu que, no caso de Macau, é necessário não só apostar no desenvolvimento das instituições que venham a operar nas áreas da mediação e arbitragem, bem como garantir a formação dos recursos humanos na área do Direito.

“Num primeiro plano o Governo já está a melhorar ao desenvolver as leis principais que regulam a arbitragem e a mediação, e criando regulamentação complementar. Quanto às instituições caberá a elas desempenhar o seu papel e tornarem osseuscentrosdemediaçãoreconhecidos junto de outras jurisdições.” José Figueiredo lembrou que “esta área tem sido pouco aproveitada em Macau”, não apenas por parte da população como “dos agentes jurídicos no geral”. “Há algum desconhecimento em torno desta lei. Portanto a formação tem de ser feita não só para dar a conhecer o regime jurídico à população, para que possam utilizar esse mecanismo, mas também deve ser dada formação a advogados e magistrados para

segunda-feira 8.1.2018

PALAVRA DO DIA

que possam intervir nos processos de arbitragem e mediação”, apontou. Isto porque “apesar de serem meios extra-judiciais, muitas vezes os magistrados são chamados a intervir”. “Também eles precisam de ter formação nesta área para que possam aplicar melhor a lei e tornar o regime aplicável”, frisou. O responsável da DSAJ lembrou ainda que os tribunais não são especialistas em áreas como o Direito Comercial Internacional, pelo que a mediação e a arbitragem podem ter um papel importante nesta matéria. “Quanto mais volume de trabalho tiverem os tribunais mais difícil será eles darem resposta. Mas depois também se colocam problemas específicos, que têm a ver com a especialidade destes

ma o jovem portuense, que em 2016 foi distinguido com o prémio “Melhor Performance Artística” no Chinese Bridge, o maior concurso do mundo para alunos de língua chinesa. O país asiático tornou-se, entretanto, um dos principais investidores em Portugal, comprando participações em grandes empresas das áreas da energia, seguros, saúde e banca, enquanto centenas de particulares chineses compraram casa em Portugal à boleia dos vistos ‘gold’. Jorge Torres-Pereira, que terminou em Dezembro passado uma missão de mais de quatro anos à frente da Embaixada portuguesa em Pequim, considera mesmo que as relações entre os dois países atravessam uma “era dourada”. As visitas bilaterais de alto nível registaram, nos últimos anos, uma frequência inédita, enquanto o número de turistas chineses que visitaram Portugal quase duplicou, para 183 mil, entre 2013 e 2016. Samuel Gomes não tem dúvidas: “Hoje, todos os portugueses falam da China”. João Pimenta Lusa

casos, pois se estão em causa matérias com um cunho internacional é preciso que o aplicador da lei tenha alguns conhecimentos de Direito Comercial Internacional.” Isto porque “os tribunais não têm essa especialização e o desenvolvimento destes meios pode permitir não só aliviar os tribunais de alguma carga mas permitir que quem vai decidir o caso tenha alguns conhecimentos sobre a matéria”, rematou José Figueiredo. Na sua apresentação, o jurista lembrou que a não aceitação da mediação ou da arbitragem não é um problema apenas de Macau. “O uso da mediação para resolver disputas administrativas não é, de uma forma geral, aceite no mundo e enfrenta algumas dificuldades de ordem dogmática e conceptual.”

FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES MONJARDINO REESTRUTURA

C

ARLOS Monjardino, administrador da Fundação Mário Soares, disse ao jornal português Diário de Notícias (DN) que a entidade vai ser alvo de um processo de reestruturação após a morte do seu mentor e fundador, Mário Soares, o ano passado. Em declarações ao DN, Carlos Monjardino adiantou que é objectivo “focar” as áreas em que a fundação pode intervir, uma vez que esta “se dispersa um bocado”. “A fundação não tem de fazer tantas coisas”, explicou, sendo que poderá ser efectuada uma transferência de espólios recebidos pela fundação “que não são essenciais” para a Torre do Tombo. “Temos de tratar como deve ser aquilo que Mário Soares deixou de seu”, afirmou Monjardino, sublinhando também a necessidade de manter na FMS os espólios de personalidades importantes da I República, de companheiros de Soares na luta contra a ditadura, ou os que lá estão de protagonistas dos movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas. “É evidente que as coisas não são tão fáceis”, disse o também presidente da Fundação Oriente, reconhecendo que a morte do ex-presidente da República e primeiro-ministro português trouxe ainda mais dificuldades de sobrevivência da fundação, criada em 1991. Ainda assim, o objectivo é manter o seu funcionamento. “Estamos todos a fazer um esforço para que funcione”, disse ao DN. Carlos Monjardino lembrou que os mecenas que doavam fundos à fundação são menos. O conselho de administração deve reunir na próxima semana, sendo depois convocado o Conselho Geral para eleger os novos órgãos sociais, processo que deverá estar concluído no final de Fevereiro. De lembrar que do Conselho Geral fazem parte algumas personalidades de Macau, como é o caso de Jorge Neto Valente, presidente da Associação dos Advogados de Macau, o magnata de jogo Stanley Ho e o empresário Sio Tak Hong. O HM tentou ainda um contacto junto de Jorge Neto Valente para saber mais pormenores sobre este processo de reestruturação, mas até ao fecho desta edição não foi possível estabelecer contacto. A.S.S.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Hoje Macau 8 JAN 2018 #3967 by Jornal Hoje Macau - Issuu