SEXTA-FEIRA 7 DE SETEMBRO DE 2018 • ANO XVIII • Nº4131
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TATIANA LAGES
RÓMULO SANTOS
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
FERRIES
O ÚLTIMO BARCO PÁGINA 9
SEGURANÇA NACIONAL
JUSTIÇA
JASON ILIBADO
OPINIÃO | PAUL CHAN WAI CHI
hojemacau
Forças na sombra
AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006
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SOFIA MARGARIDA MOTA
PÁGINA 8
Newman Lam revela que há “pessoas poderosas” em Macau que prestam deliberadamente informações erradas ao Governo Central, através do Gabinete de Ligação, traçando semelhanças com Hong Kong em termos de subversão política. O professor, que se reformou depois de leccionar na UM, aponta como objectivo para as manobras de bastidores interesses pessoais que se destinam a aumentar o controlo em Macau. ENTREVISTA
2 ENTREVISTA
NEWMAN LAM ACADÉMICO
A reforma ditou a saída de Newman Lam da Universidade de Macau, onde liderou o departamento de administração pública e governamental. O professor afirma que há “pessoas poderosas” em Macau a dar informações erradas ao Governo Central, através do Gabinete de Ligação, apontando semelhanças com Hong Kong para justificar a necessidade de maior controlo. Interesses pessoais podem estar por detrás destas manobras
“Há interesse em dizer que Macau é problemático” Está de saída da Universidade de Macau. Que balanço faz do seu trabalho nesta instituição, tendo em conta a questão da liberdade académica? Houve alguns desenvolvimentos? Quando comecei a trabalhar na UM todos tínhamos uma liberdade académica absoluta. Ninguém nos questionava no caso de convites feitos a oradores, ninguém se preocupava sobre o conteúdo político das apresentações feitas por esses oradores. Do ponto de vista académico, isso era completamente irrelevante, eram convidadas pessoas para falar das suas investigações, e não havia a preocupação relativamente à sua ligação a partidos políticos, por exemplo. Mas, nos últimos anos, temos notado alguma sensibilidade relativamente à situação política na China. Não querendo mencionar nomes, e deixando aqui claro que tal nunca se passou comigo, mas passou-se com colegas meus, no caso de haver convites feitos a pessoas de Hong Kong ou Taiwan cujas ideias ou ligações políticas não sejam consistentes com a situação política na China, podem ocorrer alguns problemas.
também já reformado, chegou a afirmar publicamente que os docentes da UM são questionados quando fazem viagens de trabalho a Taiwan, por exemplo. Confirmo isso. Há dez ou 15 anos atrás, estabeleci alguns contactos com colegas de Taiwan. Antes era muito fácil convidar académicos de fora para fazer aqui uma palestra, bastava apresentar a proposta e normalmente o financiamento era fácil de obter, e também não tínhamos problemas se fossemos dar conferências a Taiwan. Mas agora, pelo que sei, o convidado é analisado previamente e se queremos ir a Taiwan por motivos académicos é-nos questionado com que pessoas nos vamos encontrar e as razões para isso acontecer.
Que tipo de problemas? A proposta de convite a essas pessoas pode ser recusada ou pode ser sujeita a escrutínio. Eu estou a reformar-me, não aconteceu comigo, mas sei que propostas feitas para conferências foram simplesmente recusadas ou analisadas previamente. Ou então foram feitas várias questões previamente sobre os convidados cujas ideias políticas não estivessem de acordo com as actuais políticas da China. Contudo, gostaria de manter a confidencialidade dos nomes dos meus colegas a quem isso aconteceu.
Os estudantes têm receios de fazer investigações sobre assuntos políticos? Penso que os alunos não estão sequer conscientes de que estas coisas acontecem. Em termos gerais, os estudantes preparam os seus exames e trabalhos, e a grande maioria não tem consciência dos desenvolvimentos ou dos temas mais sensíveis que têm sido debatidos nos últimos tempos. À excepção dos que, claro, estão a desenvolver investigações. Mas, para dizer a verdade, a grande maioria dos nossos alunos não está interessada em assuntos políticos. Acredito que se Donald Trump disser, ou fizer, algum disparate muitos não vão sequer saber quem é o Donald Trump (risos). No meu departamento alguns alunos estão interessados na política, mas não posso dizer que são a maioria. Nos outros departamentos, a política é um assunto em que não estão minimamente interessados.
Zhidong Hao, professor do departamento de ciência política,
Faz falta mais investigação sobre a política de Macau?
Honestamente, acho que os alunos deveriam ser mais interessados em questões políticas, especialmente na política local. Penso que a política actual é muito relevante para eles. Se olharmos para a Administração de Donald Trump, a guerra comercial com a China, o que se passa na Coreia do Norte, estes assuntos estão a acontecer fora de Macau e, eventualmente, poderão trazer impacto às suas vidas, porque quase tudo o que acontece na política tem implicações económicas.
“No caso de haver convites feitos a pessoas de Hong Kong ou Taiwan cujas ideias ou ligações políticas não sejam consistentes com a situação política na China, podem ocorrer alguns problemas.” Falando da política local. Recentemente, uma palestra proferida por Andy Chan, líder de um partido pró-independência, gerou polémica na região vizinha. Macau está a sofrer consequências da situação política em Hong Kong? A situação política de Hong Kong sempre teve consequências em Macau, apesar de achar que Macau não tem os problemas da região vizinha. A RAEHK fala de independência, duvido que esse tópico tenha alguma vez ganho notoriedade em Macau. As pessoas em Macau não têm essa aspiração, incluindo os jovens. Mas o problema é que aquilo que aconteceu em Hong Kong fez o Governo Central
ficar nervoso sobre a possibilidade de acontecer em Macau. Houve um maior controlo em Hong Kong, e depois pensou-se “porque não controlar mais a situação em Macau também?”. Então houve algumas implicações. Mas, como disse, Macau nunca teve um movimento pró-independência. Como explica isso? Se voltarmos a 1997, muitas pessoas receberam a transição de braços abertos, mas houve também bastante apreensão quanto ao futuro, sobretudo no que diz respeito à eleição do Chefe do Executivo e à garantia de liberdades e direitos. Mas em Macau a transição de soberania fez-se de forma bastante suave, e, de um modo geral, as pessoas não ofereceram qualquer resistência. O Governo britânico ajudou a aumentar a consciência das pessoas no que diz respeito a uma maior democratização e à necessidade do sufrágio universal, por exemplo. Isso terá levado a que em Hong Kong, depois da transição, as pessoas sempre tenham tido essa preocupação. Há dez anos atrás, ninguém em Hong Kong falava de independência, e até se pensava que seria uma loucura. Mas hoje é um tema na ordem do dia. E foram inclusivamente criados partidos políticos. Sim. Se a China ou algumas individualidades na China invocarem a ideia de que as pessoas de Hong Kong querem, de facto, a independência, o controlo aperta-se ainda mais, e quando isso acontece, sabemos que gera mais descontentamento. Temos também o problema do sufrágio universal, e as pessoas de Hong Kong acreditam que esta foi uma promessa feita por Deng Xiaoping, que querem agora ver cumprida. Todas estas coisas
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causam tensões e conflitos e isto acaba por se tornar numa espécie de profecia. Esse é o problema em Hong Kong. Temos de questionar quem criou tudo isto. No caso do movimento pró-democrata em Macau, deu-se o caso Sulu Sou. Que comentário faz à atitude dos deputados da Assembleia Legislativa? Este é um assunto complicado. Há o lado do campo político mais tradicional que fez a vida difícil a Sulu Sou, e depois houve o campo pró-democrata, com os jovens. Mas há também um outro grupo de pessoas, de deputados, que não apoiam Sulu Sou, não defendem a sua causa política porque simplesmente acham que não é algo que ele deva fazer. As propostas de lei que Wong Sio Chak quer apresentar são consequências da situação em
Hong Kong? Wong Sio Chak quer mostrar ao Governo Central que Macau está a fazer as coisas bem? O problema é que há pessoas poderosas em Macau que dizem coisas a pessoas poderosas de Pequim. Algumas pessoas dizem a verdade, e acredito que esses dizem que Macau é um lugar pacífico, com uma sociedade patriótica.
Mas, infelizmente, há outras pessoas que dizem a Pequim que o controlo deveria ser reforçado, e que Macau vai ficar igual a Hong Kong. Há algumas pessoas, e não quero mencionar nomes, que têm interesse em dizer que Macau é um lugar problemático, ou com potencialidade para ser igual a Hong Kong. Estas pessoas têm um poder concedido por Pequim.
“Há pessoas que esperam obter algumas vantagens do Governo Central, como recursos ou poder, ao dizerem que Macau é um lugar problemático que precisa de um reforço do controlo.”
Falamos de pessoas ligadas às famílias tradicionais de Macau, deputados, membros do Governo? Não, penso que as famílias tradicionais não querem ter quaisquer problemas em Macau. Não quero mencionar nomes, e não me refiro necessariamente a membros do Governo. Há pessoas que esperam obter algumas vantagens do Governo Central, como recursos ou poder, ao dizerem que Macau é um lugar problemático que precisa
de um reforço do controlo. É como dizerem que, se houver algum problema, eles vão resolvê-lo e garantir que nada acontece. São estas pessoas que estão a causar danos a Macau. Estou a referir-me a pessoas poderosas e não quero mencionar nomes. Estas pessoas não estão a dar ao Governo Central a informação correcta e se Pequim der ouvidos a estas pessoas, e se lhes conceder autoridade e poder, vão usar isso para os seus interesses pessoais. Essa é a parte assustadora. O Governo Central tem a sua representação em Macau através do Gabinete de Ligação. Estão em causa falhas na comunicação entre a RAEM e Pequim? Acho que se mantém boas relações com o Governo Central ao nível do Governo e famílias tradicionais, e eles mantém uma boa relação de trabalho. O problema é que há
diferentes pessoas a dizer coisas diferentes. É uma questão de vermos em quem eles acreditam e que informação têm em conta. As novas medidas defendidas por Wong Sio Chak representam um maior controlo sobre aquilo que as pessoas dizem e escrevem nas redes sociais? Tanto em Macau como em Hong Kong estamos a caminhar para uma situação de maior controlo. Já percebemos isso. Mas duvido que avancemos para esse controlo assim tão rapidamente. Primeiro, porque não somos como Hong Kong e não temos o mesmo tipo de problemas. Pequim vê maior urgência em controlar Hong Kong, mas duvido que façam o mesmo aqui. Há muito tempo, no que diz respeito às questões políticas Continua na página seguinte
4 entrevista
SOFIA MARGARIDA MOTA
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relacionadas com o Governo Central, que o Executivo local espera sempre para ver o que acontece em Hong Kong antes de agir. E vão continuar com esse tipo de abordagem. O Governo de Macau pode dizer muitas coisas, mas o que faz verdadeiramente, é outra história (risos). O ano passado houve eleições legislativas. Sulu Sou e Agnes Lam foram eleitos. Um ano depois, considera que houve grandes mudanças? Em primeiro lugar, Macau não é um lugar onde acontecem grandes mudanças. Esqueçamos essa possibilidade. Mas se me perguntar se se registou o início de uma mudança, então concordo. Houve novas pessoas eleitas e se, olharmos para a situação política actual de Macau, e os chamados radicais de há dez anos já não o são. Diria que o mais interessante de tudo isso é Agnes Lam. Todos questionam se pertence ao campo tradicional ou ao campo pró-democrata, e o quadro tem sido pintado assim.
Mas penso que Agnes Lam está no meio e, tendo em conta os seus antecedentes, ela é patriota. Pensa que ela é mais patriota do que pró-democrata? É mais patriota. Mas, por outro lado, se olharmos para as suas interpelações e intervenções, é também consistente com os pró-democratas. Ela é uma das nossas docentes e diria que está a apresentar uma terceira opção, que não está intimamente ligada à China ou ao Governo local, mas que se preocupa com as necessidades das pessoas. O seu programa político defendia a implementação do sufrágio universal. Gostaria de ver um crescimento destes deputados que estão no meio, isso seria saudável para Macau. Representam uma voz para Macau e para o continente, e não representam apenas um lado ou outro. Sulu Sou deixou para trás a linha de Ng Kuok Cheong e Au Kam San. Mas Agnes Lam representa algo novo. Chui Sai On vai deixar de ser Chefe do Executivo no próximo
“Se Pequim quiser alguém com fortes ligações às famílias tradicionais e extremamente leal a Pequim, então Ho Iat Seng seria a escolha óbvia. Lionel Leong é considerado um nome forte e penso que é o mais indicado.” ano. Que balanço faz destes últimos quatro anos de mandato? Esta questão é difícil de responder, porque acho que o nosso Chefe do Executivo assumiu uma postura passiva. Ele não fez nada drástico, seguiu as mesmas políticas e garantiu que as pessoas de Macau recebem dinheiro todos os anos e permanecem contentes. Essa abordagem funcionou até ao ano passado, até acontecer o tufão Hato. Mas o seu mandato está a
chegar ao fim e, nos últimos quatro anos, não fez propriamente coisas erradas, mas também não atingiu grandes objectivos. Quanto a quem o vai substituir, e tendo em conta as preferências de Pequim, penso que ainda não foi feita qualquer escolha e apenas existe especulação popular. Fala-se das possibilidades de Ho Iat Seng ou Lionel Leong. Se Pequim quiser alguém com fortes ligações às famílias tradicionais e extremamente leal a Pequim, então Ho Iat Seng seria a escolha óbvia. Lionel Leong é considerado um nome forte e penso que é o mais indicado. E Wong Sio Chak? Penso que não tem perfil para ser tido em conta, pelo menos para já. Penso que não fez o suficiente, se compararmos com Lionel Leong. Foi apontado como secretário para a Segurança [em 2014] e penso que para fazer Pequim ter confiança num candidato são necessários mais anos, tem de ser alguém com
relações mais duradouras nessa área. Lionel Leong está ligado aos negócios e tem relações com Pequim há mais tempo. Penso que Wong Sio Chak não tem antecedentes políticos suficientes para ser considerado como candidato. A China lançou o projecto da Grande Baía. A integração pode acontecer, na prática, antes de 2049? Não vai acontecer nos próximos anos, mas talvez aconteça antes de 2049. Se acontecer antes desse ano já nada precisa de ser feito, Macau pode até desaparecer e tornar-se numa região económica especial, por exemplo. A ponte já estará em funcionamento e penso que a área económica e empresarial vai desenvolver-se primeiro e aí veremos um desenvolvimento mais rápido nos próximos seis a dez anos. A integração política virá depois. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
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sexta-feira 7.9.2018
Anúncio Prestação dos serviços de gestão de residências de estudantes do Instituto Politécnico de Macau, pelo período de 24 meses (01/01/2019-31/12/2020) CONCURSO PÚBLICO N.º 03/DOA/2018 Faz-se público que, de acordo com o despacho de 24 de Agosto de 2018, do Exm.º Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, se encontra aberto concurso público para a “Prestação dos serviços de gestão de residências de estudantes do Instituto Politécnico de Macau, pelo período de 24 meses (01/01/2019-31/12/2020)”. 1. Entidade adjudicante: Chefe do Executivo ou Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura da RAEM. 2. Entidade que põe o serviço a concurso: Instituto Politécnico de Macau. 3. Modalidade de concurso: Concurso Público. 4. Objecto do Concurso: Prestação dos serviços de gestão de residências de estudantes do Instituto Politécnico de Macau, pelo período de 24 meses (01/01/2019-31/12/2020). 5. Período: 1 de Janeiro de 2019 a 31 de Dezembro de 2020. 6. Prazo de validade das propostas do concurso: As propostas do concurso são válidas até 90 dias contados da data de abertura das mesmas. 7. Garantia provisória: $377 800,00 (trezentas e setenta e sete mil, oitocentas patacas), através de depósito no Serviço de Contabilidade e Tesouraria do Instituto Politécnico de Macau ou mediante garantia bancária a favor do Instituto Politécnico de Macau, em Macau. 8. Garantia definitiva: 4% do preço global da adjudicação (para garantia do contrato). 9. Condições de admissão: Entidades com sede ou delegação na RAEM cuja actividade total ou parcial se inscreva na área objecto deste concurso. 10. Local, data e hora da secção de esclarecimento: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 10 de Setembro de 2018, pelas 10H00. Em caso de encerramento do IPM, devido a tufão ou a outro motivo de força maior, no dia referido, a realização da sessão de esclarecimento será prorrogada para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 11. Local, data e hora do prazo da entrega das propostas: Local: Divisão de Obras e Aquisições do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 24 de Setembro de 2018, antes das 17H45. Em caso de encerramento do IPM, devido a tufão ou a outro motivo de força maior, no último dia do prazo da entrega das propostas, o termo do referido prazo será prorrogado para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 12. Local, data e hora do acto público de abertura do concurso: Local: Sala de Reunião do Pavilhão Polidesportivo do Instituto Politécnico de Macau, sita na Rua de Luís Gonzaga Gomes, em Macau. Data e Hora: 26 de Setembro de 2018, pelas 10H00. Em caso de encerramento do IPM devido a tufão ou a outro motivo de força maior no dia da realização da referida sessão, a realização da sessão será prorrogada para a mesma hora do primeiro dia útil seguinte. 13. Local, preço e hora para exame do processo e obtenção da cópia do processo: - Os concorrentes interessados podem deslocar-se à Divisão de Obras e Aquisições do IPM, sito na Rua de Luís Gonzaga Gomes, para consultar/adquirir o respectivo processo do concurso durante as horas de expediente (de 2ª feira a 5ª feira das 09H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H45; 6ª feira das 9H00 às 13H00 e das 14H30 às 17H30) desde a data da publicação do anúncio do presente concurso público no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau até ao dia e hora do prazo de entrega de propostas. Caso queiram obter fotocópia do documento acima referido, devem pagar o montante de $100,00 (cem patacas) relativo ao custo das fotocópias, ou podem proceder ao download gratuito das informações acima referidas na página electrónica do IPM (http://www.ipm. edu.mo). - Informações: 8599 6140, 8599 6153 ou 8599 6279. 14. A avaliação das propostas do concurso será feita de acordo com os seguintes critérios: - Preço Razoável (50%) - Qualidade do Serviço (50%): (a) Propostas construtivas e aplicáveis à prestação dos serviços (20%); (b) Materiais e equipamentos necessários para o trabalho de gestão (8%); (c) Curriculum Vitae e competências do concorrente (10%); (d) Experiências e comportamentos do concorrente demonstrada por semelhantes serviços prestados (só avalia os dados do ano 2016 até ao presente) (7%); (e) Esclarecimentos na reunião (questões profissionais sobre a “Prestação dos serviços de gestão de residências de estudantes do Instituto Politécnico de Macau, pelo período de 24 meses (01/01/2019-31/12/2020)” levantadas pelo Instituto Politécnico de Macau) (5%). Macau, aos 30 de Agosto de 2018 O Presidente, Lei Heong Iok
Anúncio O Pedido do Projecto de Apoio Financeiro do FDCT para à 3ª vez do ano 2018
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Fins
O FDCT foi estabelecido por Regulamento Administrativo nº14/2004 da RAEM, publicado no B. O. N° 19 de 10 de Maio, e está sujeito a tutela do Chefe do Executivo. O FDCT visa a concessão de apoio financeiro ao ensino, investigação e a realização de projectos no quadro dos objectivos da política das ciências e da tecnologia da RAEM.
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Alvos de Patrocínio
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Projecto de Apoio Financeiro
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Valor de Apoio Financeiro
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Data do Pedido
(i) Universidades, instituições de ensino superior locais, seus institutos e centros de investigação e desenvolvimento (I&D); (ii) Laboratórios e outras entidades da RAEM vocacionados para actividades de I&D científico e tecnológico; (iii) Instituições privadas locais, sem fins lucrativos; (iv) Empresários e empresas comerciais, registadas na RAEM, com actividades de I&D; (v) Investigadores que desenvolvem actividades de I&D na RAEM. (i) Que contribuam para a generalização e o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico; (ii) Que contribuam para elevar a produtividade e reforçar a competitividade das empresas; (iii) Que sejam inovadores no âmbito do desenvolvimento industrial; (iv) Que contribuam para fomentar uma cultura e um ambiente propícios à inovação e ao desenvolvimento das ciências e da tecnologia; (v) Que promovam a transferência de ciências e da tecnologia, considerados prioritários para o desenvolvimento social e económico; (vi) Pedidos de patentes.
(1) Igual ou inferior quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) (2) Superior a quinhentos mil patacas. (MOP$500.000,00) Alínea (1) do número anterior Todo o ano Alínea (2) do número anterior A partir do dia 10 de Agosto até 14 de Setembro de 2018 (O próximo pedido será realizado no dia 2 de Janeiro ao 1 de Fevereiro de 2019)
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Forma do Pedido
Devolvido o Boletim de Inscrição e os dados de instrução mencionados no Art° 6 do Chefe do Executivo nº 273 /2004, «Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro», publicado no B. O. N° 47 de 22 de Nov., para o FDCT. Endereço do escritória: Avenida do Infante D. Henrique N.º 4353A, Edf. “The Macau Square ”, 11.º andar K, Macau. Para informações: tel. 28788777; website: www.fdct.gov.mo.
Condições de Autorizações
Por despacho do Chefe do Executivo nº 273 /2004, processa o «Regulamento da Concessão de Apoio Financeiro». O Presidente do C. A. do FDCT,
Ma Chi Ngai 2018 / 8 / 10
6 política
7.9.2018 sexta-feira
É
o que revela o relatório da consulta pública sobre a Lei da Cibersegurança: a maioria defende não só ser necessário como urgente criar um sistema para proteger a cibersegurança da RAEM. Contudo, e apesar das garantias dadas pelo Governo, sobretudo pelo secretário da tutela, Wong Sio Chak, continuam a existir preocupações quanto à possibilidade de serem violados direitos como à privacidade, bem como as liberdades de expressão e de imprensa. Durante a consulta pública, realizada entre 11 de Dezembro e 24 de Janeiro, foram recolhidas 716 opiniões (529 do sector público e 187 do privado), das quais 255 a respeito da intenção legislativa, um dos temas que mais preocupação suscitou, de acordo com o relatório publicado ontem. Apenas uma minoria de 14 opiniões, todas expressas pelo público, discorda, por entender que a Lei de Combate à Criminalidade Informática já permite lidar com ataques de ‘hackers’. Outro dos receios desta minoria é que o Governo utilize a Lei da Cibersegurança para “legalizar a vigilância” na Internet, prejudicando direitos, como a liberdade de expressão e o sigilo das comunicações. Na réplica, o gabinete do secretário para a Segurança sustenta que a Lei da Criminalidade Informática não basta, na medida em que as diligências de investigação definidas têm lugar somente após a prática de crimes, enquanto a da Cibersegurança tem como objectivo evitar que ocorram. Em paralelo, garante que as medidas previstas na futura lei “visam a gestão preventiva da cibersegurança das infra-estruturas críticas” e “que as mesmas não intervirão nem prejudicarão os direitos fundamentais dos residentes, nomeadamente a liberdade de expressão, a privacidade pessoal e a liberdade de imprensa”. A futura lei – que tem como destinatários os ope-
Além disso, “os dados pessoais e conteúdos de comunicação não poderão ser consultados ou obtidos pelo pessoal de supervisão, salvo o consentimento das entidades supervisionadas ou autorização pelo juiz devido à necessidade de investigação criminal”, acrescenta.
SUPERVISORES E SUPERVISIONADOS
LEI DA CIBERSEGURANÇA MAIORIA A FAVOR MAS COM RECEIOS SOBRE PRIVACIDADE
Era uma vez na rede
A maioria defende ser necessário e urgente criar um sistema para proteger a cibersegurança. No entanto, há receios de que tanto a privacidade como as liberdades de expressão e de imprensa saiam beliscadas com a nova lei. Preocupações demonstradas na consulta pública ao regime da cibersegurança radores das infra-estruturas definidas como críticas, independentemente da natureza pública ou privada – prevê três níveis de supervisão. A saber: a Comissão Permanente para a Cibersegurança (órgão no topo da hierarquia), o Centro de Alerta e Resposta a Incidentes de Cibersegurança (CARIC, órgão operacional e coordenador) e as Entidades de Supervisão do Governo definidas por domínios de actividade. À luz do relatório, o CARIC, cuja coordenação vai ser assegurada pela Polícia Judiciária (PJ), suscitou o maior número de opiniões, dado que caber-lhe-á monitorizar o tráfego de dados informáticos entre as redes dos operadores das infra-estruturas críticas e a Internet. Embora a maioria
concorde com a criação e composição do CARIC (as atribuições vão ser definidas através de regulamento administrativo), foram sinalizadas 18 opiniões contra. Em particular, devido à possibilidade de o CARIC supervisionar em tempo real a dimensão do fluxo dos dados e as características dos datagramas. Algo que, alegam, pode prejudicar a privacidade, a liberdade de expressão e de edição e até o segredo comercial.
SEM DADOS PESSOAIS
Na resposta, constante do relatório, o Governo assegura que o CARIC vai apenas pro-
ceder “a uma averiguação da dimensão do fluxo de dados examinada, sem registar qualquer dado, muito menos decifrar qualquer conteúdo ou discurso que se encontre em rede”. Tal significa que “o pessoal das entidades de supervisão não pode obter quaisquer dados pessoais directamente ou mediante recurso à técnica de recuperação dos datagramas, informações relativas aos sectores das comunicações”. As entidades supervisoras também geraram receios, com opiniões a alertarem para a hipótese de virem a exigir às entidades supervisionadas dados confiden-
Foram manifestados receios de que o Governo utilize a Lei da Cibersegurança para “legalizar a vigilância” na Internet
ciais ou informações. Uma situação que pode colocar em causa a liberdade de expressão ou de imprensa, invocando o cumprimento dos deveres, como o de colaboração, atinentes aos operadores das infra-estruturas críticas. O Executivo coloca de lado estes receios. “O pessoal da entidade supervisora apenas poderá entrar nas instalações dos operadores de infra-estruturas críticas para conhecer a realidade quando as suas redes sofrerem ataques ou invasões” e “mesmo que exija o acesso dos dados durante a inspecção, não lhe é permitido obter os dados operacionais da actividade dos operadores das infra-estruturas críticas nem os dados pessoais dos clientes, entre outras informações confidenciais”.
As entidades supervisoras dividem-se em dois tipos: os órgãos públicos serão supervisionados pelos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP), enquanto os operadores das infra-estruturas críticas do sector privado ficarão sob o controlo de 11 serviços públicos relacionados com a actividade ou natureza dos mesmos. As infra-estruturas definidas como críticas dizem respeito a patrimónios, sistemas e redes relevantes para o funcionamento normal da sociedade, cujo dano ou revelação de dados é passível de causar prejuízos graves para a segurança, interesse e ordem pública. Uma esfera que abrange, entre outros, fornecedores de bens essenciais, incluindo de água e electricidade, hospitais, transportes, bancos ou casinos, mas também estações de rádio e televisão. O único ponto em que a maioria das opiniões recolhidas discordaram do proposto foi quanto à entrada em vigor da lei. O documento de consulta prevê 30 dias após publicação em Boletim Oficial, um período considerado demasiado curto e que o Governo aceitou alargar para 180 dias. Esta será uma das mexidas a introduzir no diploma na sequência das opiniões compiladas durante a consulta pública, a par de outras alterações pontuais para “tornar mais claro o teor textual” de forma a reduzir mal-entendidos. Diana do Mar
dianadomar@hojemacau.com.mo
política 7
sexta-feira 7.9.2018
ADMINISTRAÇÃO OBRAS DO EDIFÍCIO NA ZAPE COMEÇAM ATÉ MARÇO DE 2019
FAOM DEPUTADOS FAZEM BALANÇO DE SESSÃO LEGISLATIVA
Leis de baixa velocidade
Macau continua a não ter mecanismos para acompanhar o desenvolvimento económico e o Governo não se mostra empenhado na revisão da lei laboral. Estas são algumas das opiniões dos deputados ligados à FAOM, em jeito de balanço da última sessão legislativa HOJE MACAU
A
S obras de construção do edifício público que vai nascer no lote 6K na Zona de Aterros do Porto Exterior (ZAPE) devem arrancar no primeiro trimestre do próximo ano. O Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) recebeu 19 propostas para a construção do edifício que vai ter 11 andares, dois dos quais em cave, e uma altura máxima de 60 metros. A empreitada tem um prazo máximo de execução de 730 dias úteis, ou seja, dois anos. Desconhece-se, porém, que serviços vão funcionar no futuro edifício da Administração, que vai ser erguido junto à Avenida da Amizade. O HM contactou o GDI para obter esclarecimentos nesse sentido que remeteu a resposta para as informações relevantes constantes do ‘site’ do organismo, onde a este respeito se refere apenas que o edifício é “destinado a responder às necessidades da Administração em termos de escritório público”. Também não foram divulgadas estimativas sobre o valor da empreitada. Com efeito, no relatório das Linhas de Acção Governativa para 2018, foi incluída na lista de projectos públicos, cujas obras se calculam em mais de 100 milhões de patacas. O concurso para a empreitada de construção foi lançado um ano depois de o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, ter adjudicado a elaboração do projecto da mesma ao Gabinete de Arquitectura Eddie Wong, que é também membro do Conselho Executivo, por 7,18 milhões de patacas, a pagar em tranches até 2020. O empreendimento vai ocupar uma área de 1.636 metros quadrados. O terreno em causa foi recuperado pela Administração depois de, em 2015, ter sido declarada a caducidade da concessão, que remontava a 1991. O motivo apontado foi a falta de aproveitamento dentro do prazo. D.M.
O
S deputados ligados à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM), Ella Lei, Leong Sun Iok, Lei Chan U e Lam Lon Wai, realizaram ontem uma conferência de imprensa de balanço da sessão legislativa passada. Para a deputada Ella Lei, 19 anos depois da transição, Macau mostra agora que não consegue acompanhar com infra-estruturas e serviços, o desenvolvimento económico que tem vindo a registar. A desadaptação entre o que existe e o que é necessário compromete o desenvolvimento social e não dá garantias de futuro à população, considerou. Por outro lado, os fundos e as empresas de capitais públicos precisam de legislação “rigorosa e unificada”. Outro aspecto que Ella Lei referiu ter ficado por tratar diz respeito a terrenos. “O Executivo
não assumiu com eficácia a responsabilidade de administração dos recursos de terras”, disse.
TRABALHO EM FALTA
Da passada sessão legislativa ficou ainda a promessa por parte do Governo de implementação plena do salário mínimo, contudo, a deputada tem dúvidas se a lei vai mesmo entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2019. Para Ella Lei, o Executivo ignora a importância da legislação laboral e os interesses dos trabalhadores. A título de exemplo, a deputada mencionou que “alguns trabalhos relativos à lei laboral, anteriormente
considerados prioritários, como a sobreposição e compensação de férias e as licenças de paternidade, há três anos que constam dos relatórios das Linhas de Acção Governativa (LAG)”. Acresce ainda que o relatório da consulta pública da revisão da lei laboral mostrou que 90 por cento da população concorda com as medidas, mas, até agora, o Executivo não avançou com uma proposta na Assembleia Legislativa (AL). “Com base nisto, percebemos que o Governo desvaloriza e ignora a importância da legislação laboral para os trabalhadores”, concluiu a legisladora.
“Alguns trabalhos relativos à lei laboral, anteriormente considerados prioritários, como a sobreposição e compensação de férias e as licenças de paternidade, há três anos que constam dos relatórios das LAG.” ELLA LEI DEPUTADA
Os deputados eleitos por via indirecta, Lam Lon Wai e Lei Chan U, queixaram-se da morosidade dos processos legislativos. Lei Chan U referiu o exemplo da revisão da lei laboral como ilustrativo da lentidão da produção legislativa ao mesmo tempo que recordou que, desde 2013, este é um ponto que tem sido assinalado pelo Governo como constante da agenda. Para Lam, o processo legislativo tem de ser revisto e adaptado à actualidade. Se tal não acontecer, as consequências podem ser graves e “custar muito à sociedade”, disse. Já Leong Sun Iok lamentou a inexistência de avanços na criação de políticas e formações para potenciar os talentos locais. Vítor Ng
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8 sociedade
JUSTIÇA JASON CHAO ABSOLVIDO DO CRIME DE DIFAMAÇÃO
Tiro na água
TATIANA LAGES
7.9.2018 sexta-feira
O activista era acusado do crime de difamação de forma agravada devido a três artigos publicados no portal Macau Concealers sobre investigações a assédio sexual na Universidade de Macau. Mas o tribunal absolveu-o. Também o pedido de indemnização do professor que acusou Jason Chao foi recusado pela juíza
J
ASON Chao foi ontem ilibado da prática de um crime de difamação de forma agravada devido a três artigos publicados no Facebook do jornal Macau Concealers. As peças reportavam-se ao professor Wang Jianwei, da Universidade de Macau, devido a investigações internas sobre casos de alegado assédio sexual. O académico pediu ainda uma indemnização de 50 mil patacas para ser ressarcido quanto aos danos causado pelas publicações ao seu bom nome. No entanto, o tribunal não atendeu ao pedido do académico. “A acusação carece de provas sobre os autores dos artigos publicados e sobre as responsabilidades nos três artigos de Jason Chao no que diz respeito à verificação dos factos, assim como à sua publicação”, consta na sentença, que, ontem, foi lida pela juíza Chao Im Peng. “O tribunal entende que as provas apresentadas são insuficientes para condenar o arguido”, foi acrescentado. Além da falta de provas, a juíza sublinhou também que o portal Macau Concealers, ao contrário da edição imprensa, que tem o mesmo nome e responsáveis que o portal, não está obrigado a adoptar
as práticas dos média tradicionais, quanto à responsabilidade sobre a veracidade dos factos relatados. O tribunal argumentou que a ausência de legislação sobre os novos órgãos de comunicação social não permite tecer um juízo de direito quanto ao portal. Em relação à recusa do pedido de indemnização, o tribunal alegou igualmente que não foram apresentadas provas, nomeadamente documentos. “Quanto aos danos causados, faltam provas documentais e não se pode apenas considerar o testemunho da pessoa ofendida. A prova não pode apenas basear-se nas declarações, deveriam ter sido apresentadas outra provas mais concretas”, justificou o tribunal.
WANG “DESAPONTADO”
No final, Wang Jiawei, académico no Universidade de Macau, ilibado na investigação que a instituição de ensino fez relativamente às queixas de conduta sexual incorrecta, afirmou sentir-se
desapontado com a decisão do tribunal, mas escusou-se a revelar se vai recorrer para a segunda instância. “Tenho de estudar com maior cuidado a sentença, antes de emitir uma opinião. Só depois vou decidir o que fazer. Mas estou desapontado, e é claro que esperava outra decisão”, disse à saída do tribunal. Já Jason Chao, em Inglaterra, reagiu à decisão numa sessão de perguntas e respostas em directo, através de uma rede social. O activista criticou o trabalho do Ministério Público pela falta de provas e sublinhou que a decisão é importante para que as pessoas não tenham medo de denunciar casos de assédio sexual. “Espero que este caso seja um exemplo para a comunidade de Macau, para que não escondam mais os casos de assédio sexual. Devem denunciar”, frisou o activista.
CRÍTICAS AO MP
Por outro lado, o ex-presidente da Novo Macau
“Tenho de estudar com maior cuidado a sentença. Só depois vou decidir o que fazer. Mas estou desapontado, e é claro que esperava outra decisão.” WANG JIAWEI ACADÉMICO
atacou ainda a acusação. “O Ministério Público devia ter feito o seu trabalho de uma forma rigorosa e devia ter arquivado o caso. No entanto, permitiram que se fosse em frente. Acho que esta conduta pode, de forma subtil, condicionar a liberdade de expressão no futuro”, considerou Jason Chao. Ainda sobre o condicionamento da liberdade de expressão e de imprensa, o activista destacou a importância da altura desta
sentença. Actualmente, o jornal Sun Pou está a ser processado pela Polytex, devido a um artigo de opinião sobre o empreendimento Pearl Horizon. Também a empresária Onida Lam e directora da empresa TH Group Limited ameaçou processar os investidores que denunciaram uma possível burla que envolve a companhia e investimentos na Indonésia. “As pessoas não devem fazer comunicados a dizer que vão instaurar
processos, numa tentativa de suprimir notícias negativas”, sublinhou. O julgamento de ontem remete para factos ocorridos no final de 2014 e início de 2015, quando o portal Macau Concealers, que tinha como principal redactor Jason Chao, publicou dois artigos e partilhou um outro sobre a existência de queixas de assédio sexual na UM contra um professor. João Santos Filipe
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ECONOMIA CHAN MENG KAM NEGOCEIA COOPERAÇÃO COM GUINÉ-BISSAU
O
presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, encontrou -se com Chan Meng Kam, o novo cônsul honorário daquele país em Macau, para negociar a cooperação e intercâmbio entre Macau e a Guiné-Bissau. O encontrou decorreu durante o Fórum de Cooperação China-África organizado em Pequim. José Mário Vaz subli-
nhou a longa história da amizade entre a China e a Guiné-Bissau e agradeceu a Pequim os apoios concedidos para o desenvolvimento da economia do país e para a construção de instalações básicas, referia ontem o Jornal do Cidadão. O presidente guineense manifestou ainda vontade de concretizar uma ligação cada vez mais estreita entre
a China e a África através de um futuro partilhado. De acordo com a mesma fonte, Vaz fez uma apresentação a Chan Meng Kam das políticas sobre benefícios fiscais para investimentos estrangeiros bem como as vantagens dos recursos naturais da Guiné. O objectivo foi motivar investimento de Macau naquele país.
Chan Meng Kam agradeceu a confiança do presidente, e adiantou que quatro alunos da Guiné Bissau seguiram os seus estudos na Universidade de Macau financiados por bolsas atribuídas pela fundação que detém . Chan fez ainda questão de sublinhar que liderou um grupo de 80 empresários locais que
participaram numa feira de investimento organizada pela Guiné-Bissau em Pequim. O cônsul honorário da Guiné-Bissau em Macau acrescentou ainda que vai fazer o que estiver ao seu alcance para fomentar a cooperação entre Macau e a Guiné-Bissau nas áreas de economia, educação, turismo e cultura.
sociedade 9
Kiang Wu Problemas no contrato levaram a tentativa de suicídio
O Hospital Kiang Wu prestou ontem esclarecimentos ao jornal Ou Mun quanto ao caso da empregada de limpeza que contemplou a hipótese de se suicidar saltando do 14º andar da unidade hospitalar. A administração do hospital adiantou que o contrato de trabalho da mulher, oriunda do interior da China, tinha problemas afectaram a ligação à entidade patronal. O hospital acrescentou que tem prestado atenção à tentativa de suicídio da empregada e que entrou em contacto com a mulher para evitar a repetição de casos semelhantes. De acordo com o jornal, a empresa que fornece serviços de limpeza tem vindo a lidar com o caso, que está a ser acompanhado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais. O caso aconteceu esta quarta-feira. “Na origem da situação esteve o facto da empresa não querer renovar o contrato de trabalho”, adiantou fonte da PSP, ao HM. “A mulher desempenhava tarefas de empregada de limpeza no Kiang Wu, mas o contrato é com uma empresa subcontratada”, esclareceu a mesma fonte.
Jebi Autoridades receberam 72 pedidos de informação
O Gabinete de Gestão de Crises do Turismo (GGCT) recebeu 72 pedidos de informação de residentes sobre o tufão Jebi que afectou recentemente o Japão, aponta um comunicado. A maioria dos pedidos era referente aos voos que fazem a ligação entre aquele país e Macau. Entretanto, cinco residentes que estiveram retidos no aeroporto de Kansai, em Osaka, já foram retirados e o GGCT não recebeu qualquer pedido de assistência. A assitência aos passageiros afectados com o cancelamento de voos de Kansai está a cargo da Air Macau, para que os regressos sejam efectuados através dos Aeroportos de Narita ou Fukuoka.
RÓMULO SANTOS
sexta-feira 7.9.2018
TRANSPORTES CANCELAMENTO DE FERRIES DO AEROPORTO DE HONG KONG GERA QUEIXAS
Encalhados no aeroporto O cancelamento frequente do último ferry entre o aeroporto da RAEHK e Macau está a gerar queixas. A DSAMA diz que o contrato de concessão está a ser cumprido mas admite que o horário das 22h passou a ser feito de forma “irregular”
A
PESAR de ser possível para qualquer residente ou turista reservar um bilhete no último ferry diário entre o Aeroporto Internacional de Hong Kong e o Macau, agendado para as 22h, os frequentes cancelamentos do serviço, durante os dias da semana, motivaram várias queixas online. O caso foi relatado por uma dos principais páginas de fóruns do território sobre transportes públicos e vários internautas indicaram que “a falta de clientes” foi a causa apontada pelos funcionários da TurboJet no aeroporto. Ainda de acordo com as denúncias feitas, a situação acontece, principalmente, durante os dias da semana, enquanto no fim-de-semana o serviço não aparenta ter estes problemas. A TurboJet foi confrontada pelo HM com o cancelamento dos ferries devido à “falta de clientes”, e não desmentiu o cenário. “Durante a operação [do serviço] existem circunstâncias que fazem com que tenha de haver, de forma
inevitável, mudanças no horário dos barcos, como por exemplo, falhas no motor, objectos flutuantes no mar que entram nos sistemas dos navios e afectam o seu funcionamento, atrasos com as bagagens no aeroporto, problemas de atracação, entre outras”, explicou a empresa. “Mas, de forma a fazer os nossos melhores esforços e reduzir o impacto desta inconveniência para os passageiros afectados, ao mesmo tempo que vamos continuar a aceitar reservas para o horário das 22h, vamos também fornecer a todos os passageiros serviços de transporte do aeroporto para o Terminal Marítimo de Hong Kong, em Sheung Wang, onde as pessoas podem apanhar outro ferry para
“Depois de considerar vários factores, a operadora passou a fazer a referida ligação [22h00] de forma irregular.” DSAMA
Macau, em caso de cancelamento do barco das 22h”, acrescentou. Apesar da resposta, a TurboJet não quis revelar quantas viagens foram canceladas no horário das 22h entre o aeroporto de Hong Kong e Macau nos meses de Junho, Julho e Agosto. Também não foi explicado por parte da TurboJet se tem autorização das autoridades de Macau e Hong Kong para cancelar este horário, ou em que condições tal pode acontecer. Mesmo assim, endereçou um pedido de desculpas aos afectados: “Aproveitamos esta oportunidade, para pedir desculpas por qualquer inconveniente causado aos passageiros afectados.”
LIGAÇÃO IRREGULAR
Por sua vez, a Direcção de Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) garante que o contrato com a concessionária está a ser cumprido. “Depois de considerar vários factores, a operadora passou a fazer a referida ligação de forma irregular, estando obrigada a explicar este facto em detalhe aos passageiros nos balcões de venda”,
afirmou a DSAMA, em resposta às questões colocadas. “Além disso, vamos exigir à operadora que envie sempre relatórios detalhados a explicar às razões e as medidas de resposta, em caso de cancelamento de determinada ligação, que já tivesse reservas, assim como as medidas de informação dos passageiros, incluindo a devolução do preço dos bilhetes, oferta de alternativas para os clientes, etc...”, foi acrescentado. A DSAMA garante ainda que quanto ao número de ligações a TurboJet “cumpre o contrato de exploração”. Mesmo assim, o Governo admite que através de um documento escrito, apelou à operadora para aumentar o número de barcos que efectivamente saem para o mar. De acordo com o portal da TurboJet, por dia há ligações do Aeroporto de Hong Kong para Macau às 11h, 13h15, 17h e 22h. Já a Cotai Water Jet oferece a ligação para o Terminal da Taipa às 10h15, 12h15, 14h15, 16h15, 19h e 21h. João Santos Filipe
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7.9.2018 sexta-feira
Museu da Língua Portuguesa apresenta exposição itinerante em Lisboa
A
exposição itinerante “A Língua Portuguesa em Nós”, criada pelo Museu da Língua Portuguesa, no Brasil, chegará a Lisboa em Outubro, indicou à agência Lusa fonte da entidade. De acordo com o Museu da Língua Portuguesa, a exposição “A Língua Portuguesa em Nós”, deverá ser apresentada no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Belém, onde poderá ser visto parte do acervo da entidade. Esta exposição tem percorrido países da África onde se fala português e, desde Maio, já foi exibida em Cabo Verde, Angola e Moçambique, onde se encontra desde 15 de Agosto. Inicialmente montada no Brasil, onde se estreou na 16.ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a mostra faz um percurso pela presença da língua portuguesa no mundo, PUB
que representa actualmente cerca de 270 milhões de falantes nos cinco continentes. Também é focado o conctato com outros idiomas e a sua participação na formação cultural brasileira.
LÍNGUA MULTIFACETADA
Várias experiências audiovisuais integram o acervo do Museu da Língua Portuguesa: “A Praça da Língua” reproduz a experiência-símbolo do museu numa instalação imersiva com obras da criação artística em língua portuguesa, que formam um mosaico de músicas, poesias, trechos literários e depoimentos, com textos interpretados por artistas como Maria Bethânia, que declama Fernando Pessoa.
Por sua vez, a área “Música e Culinária” aborda a relação entre língua, identidades e culturas, e no espaço “Cápsula de colecta dos falares”, o visitante é convidado a gravar em vídeo o seu depoimento sobre a relação com o idioma, testemunhos que passarão a fazer parte do acervo do Museu da Língua Portuguesa. O museu - que em dez anos de funcionamento recebeu cerca de quatro milhões de visitantes - tem vindo a organizar uma programação cultural diversa e exclusiva para cada país onde a exposição é apresentada. A exposição “A Língua Portuguesa em Nós” é uma iniciativa do Itamaraty, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, a Fundação Roberto Marinho, o Museu da Língua Portuguesa e o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, com patrocínio da EDP e apoio do Instituto Camões e do Instituto EDP.
Regr ao pa
BENGT WANSELIUS
A língua do mundo
DANÇA SOFITEL RECEB
CCM Companhia de Dança da Ópera de Gotemburgo apresenta “Noético”
O Centro Cultural de Macau apresenta “Noético”, um espectáculo apresentado pela Companhia de Dança da Ópera de Gotemburgo, “um dos grupos de dança contemporânea mais arrojados da Escandinávia”, de acordo com um comunicado do Instituto Cultural. O espectáculo tem lugar no palco do Grande Auditório, no dia 18 de Novembro. Concebido pelo coreógrafo Sidi Larbi Cherkaoui, “Noético” mistura moda, design e movimentos contemporâneos, “enquadrados num cenário minimalista, cultural e sonicamente eclético”, aponta a mesma fonte. A peça explora mente, corpo e espaço, onde 20 bailarinos aparecem trajados de preto e branco, com a assinatura da marca belga “Les Hommes” e expressam “um turbilhão de emoções manuseando formas em fibra de carbono imaginadas pelo conhecido escultor e cenógrafo britânico Antony Gormley”. A música é composta por Szymon Brzóska e “evolui gradualmente para uma mescla fantástica de passagens orquestrais, percussão e solos vocais interpretados pela cantora sueca Miriam Andersén”.
O
“Grease Lightning Swing Dance” é um “novo episódio de uma série de eventos que se centram na dança e na sua alegria”, começa por dizer Joana Soares, uma das organizadoras da iniciativa. O conceito é o de uma festa temática, dedicada ao som e à dança dos anos 40/50, quando o jazz e a alegria se confundiam nas pistas. O objectivo é levar aos residentes um estilo que não tem muita representação no território. “Decidimos fazer esta festa porque o swing dance é ainda relativamente novo em Macau e pensamos que é um estilo
eventos 11
sexta-feira 7.9.2018
resso assado
BE FESTA DEDICADA AOS ANOS 50
“Grease Lightning Swing Dance” é a festa temática de celebração dos sons do jazz dos anos 50 devidamente acompanhados pelos passos de dança que caracterizam a época. O evento realiza-se no Sofitel, no próximo dia 22 de Setembro, e promete uma divertida viagem no tempo
que acaba por ser do agrado de toda a gente por ser muito divertido”, acrescenta Joana Soares. Para que a festa seja completa, a organização convida os participantes a vestirem-se a rigor. “Não é difícil, basta uma vista de olhos por qualquer filme dos anos cinquenta e a panóplia de outfits é variada e sempre apropriada”, conta. O estilo pode variar entre o mais fiel aos clássicos de época, até aos mais arrojados com toques do rock´n roll que emergia na mesma altura.
AULAS INCLUÍDAS
Que não se inibam os que pensam que não sabem acompanhar a música com os passos de dança mais apropriados. A organização pensou em tudo e antes da festa vai decorrer uma aula em que pelo menos os movimentos básicos são assegurados para abrilhantar a pista. «A entrada que é de 200 patacas e inclui uma aula, e só depois começa a festa” , disse Joana Soares. A ideia é que quando a música tenha início, todos tenham o mínimo conhecimento para dançarem e, “acima de tudo, se divertirem”. Para ajudar à festa, o ingresso, que custa 200 patacas, dá aos participantes o direito a bebidas grátis.
“Decidimos fazer esta festa porque o swing dance é ainda relativamente novo em Macau e pensamos que é um estilo que acaba por ser do agrado de toda a gente por ser muito divertido.” JOANA SOARES ORGANIZADORA
PRIMEIROS PASSOS
O swing dance é um género que tem ganho popularidade crescente um pouco por todo o mundo. No continente não há cidade que não tenha os seus núcleos que se reúnem religiosamente quase todos os dias, e em Hong Kong as festas acontecem, pelo menos, três vezes por semana. Em Macau, este tipo de eventos é ainda um pouco desconhecido, ou pelo menos pouco promovido. Para Joana Soares, a razão é o desconhecimento. “Penso que há muito pouca gente a dançar este género e talvez ainda ninguém tenha tido a iniciativa de promover eventos deste tipo em que as
pessoas também começam a aprender a dançar”, contou ao HM. Por outro lado, “Macau é uma cidade muito pequena e com uma grande parte da população flutuante, que vai e vem, e talvez por isso não exista muito investimento neste tipo de iniciativas para que se tornem mais
permanentes”, apontou a responsável. Para Joana Soares, a escassez de eventos sociais de dança não se limita apenas ao Swing. “Não é muito comum existirem festas temáticas e é por isso que decidimos juntarmo-nos e tentar organizar esta alternativa de divertimento”, explicou.
A iniciativa partiu de um grupo de amigos que gosta de dar uns passos dança. Joana Soares quer, desta forma, cativar o público para festas temáticas em que a dança é rainha. A ideia não é aplicada apenas ao swing dance, mas a outros estilos como a salsa. A responsável espera que esta seja a primeira de várias
festas e, apesar de ainda não existirem em Macau aulas de swing, que “através do seu ensino integrado em eventos, as pessoas se comecem a interessar mais”. O facto de este ser um estilo com cada vez mais adeptos por todo o lado deve-se, por um lado, à simplicidade dos passos, “que não são muito complica-
dos” e fáceis de aprender. Por outro lado, é muito divertido e fluído, por se tratar de “uma dança feliz que dá vontade de mexer para acompanhar a música”, aponta a organizadora. Sofia Margarida Mota
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7.9.2018 sexta-feira
Uma académica taiwanesa revelou ontem mensagens da embaixada chinesa em Espanha a pressionar a Universidade de Salamanca para cancelar um evento cultural dedicado a Taiwan, ilustrando a rápida expansão do totalitarismo político de Pequim além-fronteiras
TAIWAN CHINA ACUSADA DE PRESSIONAR UNIVERSIDADE ESPANHOLA
Pressão alta
CASO DE BRAGA
Funcionários do Governo espanhol ou da universidade não comentaram, até à data, o incidente, que ocorre numa altura em que Pequim redobra os esforços para isolar Taiwan. Nos últimos meses, o Governo chinês exigiu a companhias áreas, hotéis ou marcas internacionais que passassem a referir-se a Taiwan como parte da República Popular da China, ameaçando com sanções legais.
“Não gostaríamos que a vossa instituição fosse usada pelas autoridades de Taiwan como uma plataforma para propaganda política; isso afectaria as boas relações da universidade com a China.”
O
evento, designado "Dia da Cultura de Taiwan", estava marcado para Outubro passado, mas acabou por ser cancelado, devido à intervenção da embaixada chinesa, segundo Shiany Perez-Cheng, que deu aulas naquela universidade espanhola entre 2008 e 2017. O 'email', enviado pelo gabinete de assuntos da Educação, pede ao reitor, José Manuel del Barrio, que cancele a programação dedicada a Taiwan, para que se evite um "incidente desagradável" que poderia ter impacto nas relações da universidade com Pequim. "Não gostaríamos que a vossa instituição fosse usada pelas autoridades de Taiwan como uma plataforma para propaganda política; isso afectaria as boas relações da universidade com a China", lê-se na mensagem, enviada em outubro passado. Em particular, a diplomacia chinesa desaprovou o convite endereçado ao representante de
O
Presidente chinês, Xi Jinping, disse ontem ao primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, que Pequim quer tornar a relação bilateral "num modelo do princípio de tratamento igual" para todos os países, "independentemente da dimensão". Os dois líderes estiveram ontem reunidos, na sequência do Fórum de Cooperação China/África, que se realizou esta semana, e trouxe a Pequim dezenas de chefes
de Taiwan" foi cancelado, "devido a circunstâncias não relacionadas com a faculdade de Ciências Sociais", explicou.
EMBAIXADA CHINESA EM ESPANHA
Taiwan em Espanha, Simon Ko Shen-yeaw, para participar na abertura do evento. "Isso causaria confusão e mal-entendidos sobre a questão de Taiwan", nota. A embaixada lembra ainda ao reitor que há muitos estudantes e académicos chineses que frequentam a Universidade de Salamanca.
Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post (SCMP), Perez-Cheng diz que o reitor encaminhou a mensagem para o departamento de estudos de Taiwan, que organizou o evento, e marcou uma reunião para o mesmo dia. "Quando chegamos à faculdade de Ciências Sociais, havia uma atmos-
Cachupa rica
Xi quer que relação com Cabo Verde seja modelo de “tratamento igual”
de Estado e de Governo do continente africano. Citado pela agência Xinhua, Xi Jinping afirmou que Pequim quer "reforçar o vínculo entre as estratégias de desenvolvimento de Cabo Verde" e "expandir a cooperação em áreas como infra-estrutura e economia do mar". Xi apelou a um
apoio mútuo "mais firme" em questões envolvendo os respectivos "interesses fundamentais" dos dois países. O líder chinês enalteceu ainda a participação de Cabo Verde na iniciativa Nova Rota da Seda. Xi Jinping prometeu já um investimento da China no continente
fera sombria", afirmou a académica, citada pelo SCMP. "Eles estavam verdadeiramente assustados", lembrou. Segundo Perez-Cheng, o reitor explicou então que a universidade falou ao Governo espanhol sobre o incidente, que deu as "instruções" sobre como lidar com a situação. No dia seguinte, o "Dia da Cultura
africano, nos próximos três anos, de 60.000 milhões de dólares, no âmbito daquela iniciativa. O também secretário-geral do Partido Comunista Chinês afirmou que Pequim presta "especial atenção" às preocupações de Cabo Verde como um pequeno país insular, afirmando que a China está disposta a reforçar a coordenação em assuntos como as alterações climáticas e a agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, da ONU.
Um dos casos mais badalados envolvendo a censura chinesa além-fronteiras ocorreu em Portugal, durante uma conferência que reuniu centenas de sinólogos na Universidade do Minho. Páginas do programa contendo informação sobre a Fundação Chiang Ching-kuo, uma organização académica de Taiwan que promove o estudo do chinês, foram arrancadas a mando da directora-geral do Instituto Confúcio, organismo patrocinado por Pequim para assegurar o ensino da língua chinesa. O episódio passou-se em Braga, mas as autoridades chinesas justificaram a sua atitude com a necessidade de cumprir com as "regulações chinesas". O acto foi publicamente condenado pela Associação Europeia de Estudos Chineses, como uma "interferência totalmente inaceitável".
Durante a abertura do Fórum China/África, Xi Jinping prometeu um perdão de dívida para alguns dos países do continente, incluindo pequenas nações insulares, mas sem detalhar quais. O primeiro-ministro cabo-verdiano reafirmou o compromisso com o princípio de uma só China - visto por Pequim como uma garantia de que Taiwan é parte do território chinês -, e a vontade em participar na Nova Rota da Seda. Ulisses Correia e Silva esteve na quarta-feira na
Nova Área de Binhai, na cidade portuária de Tianjin, a cerca de 120 quilómetros de Pequim. O responsável cabo-verdiano disse a Xi Jinping que a visita àquela área, construída de raiz nos últimos anos, foi "inspiradora", detalhou a Xinhua. Cabo Verde está a negociar com a China vários projectos de desenvolvimento, como a Zona Económica Especial Marítima de São Vicente, o Cidade Segura e o Centro Nacional de Convenções da Cidade da Praia.
região 13
sexta-feira 7.9.2018
Coreias Cimeira em Pyongyang de 18 a 20 de Setembro O líder da Coreia do Norte e o Presidente da Coreia do Sul reúnem-se de 18 a 20 de Setembro em Pyongyang para discutir a "completa desnuclearização da península coreana", informou ontem uma autoridade do Governo de Seul. As duas Coreias "acordaram celebrar uma cimeira (...) de 18 a 20 de Setembro, durante três dias e duas noites", explicou em conferência de imprensa Chung Eui-yong, director
do Gabinete de Segurança Nacional de Seul, que liderou a delegação sul-coreana que visitou Pyongyang na quarta-feira. Chung Eui-yong adiantou que o líder norte-coreano também reafirmou a sua "firme determinação" em proceder à desnuclearização da península coreana e que Kim Jong-un sublinhou que o desmantelamento no seu principal local de testes significava a "suspensão completa" de todos
os futuros lançamentos de mísseis balísticos de longo alcance. A Coreia do Norte avançou com várias medidas visando o seu programa nuclear, como o desmantelamento do seu local de testes, este ano, mas os EUA querem que sejam tomadas acções mais sérias de desarmamento. Chung referiu ainda que as duas Coreias vão reunir-se na próxima semana para prepararem a cimeira.
Índia Supremo Tribunal descriminaliza homossexualidade
O Supremo Tribunal da União Indiana aboliu ontem a lei contra a homossexualidade, punida com dez anos de prisão tal como determinava a legislação da época colonial britânica. A decisão do tribunal foi consequência de uma petição subscrita por cinco pessoas que declararam viver em sobressalto pelo medo de serem presas e perseguidas pela polícia. Já em 2009 o Tribunal de Nova Deli se tinha pronunciado sobre a inconstitucionalidade da secção
337 da lei, que indicava que as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo iam contra a “ordem natural”. Na altura, a decisão final foi adiada depois de o Supremo Tribunal ter considerado que as emendas à lei deviam ser discutidas no Parlamento. O Governo acabou por determinar que a decisão final sobre a extinção da lei era da competência do Supremo Tribunal que acabou agora por abolir a legislação que datava da época colonial britânica.
MALÁSIA GOVERNO REPROVA CASTIGO A LÉSBICAS POR NÃO REFLECTIR VALORES DO ISLÃO
O
Seis geradores movidos a diesel foram ligados automaticamente para resfriar o combustível nuclear. Não foram relatadas alterações nos níveis de água ou na temperatura da piscina de armazenamento
JAPÃO PELO MENOS SETE MORTOS APÓS SISMO DE MAGNITUDE 6,7
Memórias de Fukushima
Um novo balanço das autoridades nipónicas aponta para a morte de pelo menos sete pessoas na sequência do terramoto de magnitude 6,7 que atingiu ontem a ilha de Hokkaido, no Japão. Na sequência do sismo, a central nuclear de Tomari, recorreu a geradores de emergência para arrefecer combustível
O
número foi avançado pelo porta-voz do Governo japonês, Yoshihide Suga, que falou em dezenas de pessoas desaparecidas e que poderão estar soterradas, sem adiantar mais detalhes, sublinhando apenas que cerca de 21 mil operacionais estão envolvidos nas operações de resgate. Segundo a televisão pública NHK, pelo menos 200 pessoas sofreram ferimentos, os transportes públicos estão paralisados e as escolas encerradas em Hokkaido. O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que 25 mil soldados e outros funcionários vão ser enviados para a região de
forma a ajudarem nas operações de resgate. O terramoto ocorreu a 62 quilómetros a sudeste da capital regional, Sapporo, a 40 quilómetros de profundidade, apenas dois dias depois de um tufão ter devastado a região oeste de Osaka. Uma réplica de magnitude 5,3 foi registada alguns momentos depois em Hokkaido. Várias pessoas foram dadas como desaparecidas na cidade próxima de Atsuma, onde um enorme deslizamento de terra envolveu as casas numa avalanche de terra, pedras e madeira.
QUESTÃO NUCLEAR
O órgão regulador nuclear do Japão disse que a central nuclear de
Tomari, em Hokkaido, recorreu a geradores de emergência para arrefecer o combustível, noticiou a televisão pública NHK. O operador da central, a Hokkaido Electric Power Company, adiantou que todos os três canais de fontes de energia externas foram cortados cerca de 20 minutos após o terramoto. Os três reactores da central estão todos desligados, com um total de 1.527 conjuntos de combustível armazenados, devido ao corte de energia que afecta Hokkaido.Após o sismo, seis geradores movidos a diesel foram ligados automaticamente para resfriar o combustível nuclear. Não foram relatadas alterações nos níveis de água ou na temperatura da piscina de armazenamento.
A Autoridade de Regulamentação Nuclear e a Hokkaido Electric dizem que não é possível prever quando as fontes de energia externas serão restauradas, segundo a NHK. Os geradores de emergência poderão manter a fábrica da Tomari a funcionar durante pelo menos sete dias, através do fornecimento de combustível diesel armazenado nas suas instalações. Ambas as entidades acrescentaram que o terramoto não parece causar nenhuma irregularidade nas principais instalações da central e que os postos de monitorização de radiação não registaram alterações.
primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, condenou ontem a punição de duas mulheres que foram espancadas por terem tido relações homossexuais, argumentando que a decisão não reflecte os ideias valores do Islão. "O Governo (...) considera que [a punição] não reflecte os ideais de justiça e compaixão do Islão", disse Mahathir, num vídeo difundido nas redes sociais. O primeiro-ministro da Malásia referia-se a uma decisão, na terça-feira, do Tribunal Superior da Sharia de Kuala Terengganu que alegou que as duas mulheres violaram as leis islâmicas por terem tido relações homossexuais e que por essa razão foram açoitadas. "Sendo o primeiro caso delas, (as mulheres) deveriam ter recebido conselhos e não uma punição", acrescentou o presidente. "Temos de mostrar que o Islão não é uma religião sem escrúpulos que humilha as pessoas com punições severas", insistiu. As duas mulheres, de 22 e 32 anos, foram detidas em Abril depois de serem encontradas dentro de um carro perto de uma praça pública no estado conservador de Terengganu, no norte do país. Ambas declararam-se culpadas de violar a lei islâmica e foram sentenciadas por um tribunal islâmico a uma multa de cerca de 690 euros. A comunidade Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgéneros (LGBT) tem sofrido crescentes pressões nos últimos anos na Malásia, um país onde cerca de 60 por cento dos 32 milhões de habitantes são muçulmanos. O sistema judicial na Malásia permite que os tribunais islâmicos tenham poder em relação a questões religiosas e familiares, bem como em casos como o adultério.
14
h
José Simões Morais
“D
E todos os consulados de Portugal na China, o de Shanghai é indubitavelmente o que tem mais elevado grau de importância, e quer porque revista os seus titulares de carácter e funções de juízes, quer pela numerosa comunidade que está sob a sua jurisdição e pelos magnos interesses que naquele tribunal se debatem e ventilam, exige que só seja confiado a um cônsul de carreira, ou a um homem suficientemente habilitado e que dê todas as garantias do bom desempenho de tão transcendente missão”, segundo O Independente de 1 de Agosto de 1891. De 1891 a 1893 os capitalistas europeus e sobretudo os de Londres retiraram uma imensa quantia de dinheiro do giro comercial da China por eles empregado em Hong Kong, pois estava em curso a desvalorização do preço da prata. Regressado a Shanghai vindo da Metrópole, o cônsul geral de Portugal e Sénior cônsul, Joaquim Maria Travassos Valdez, de 1893 a 1895 como Doyen (decano do corpo consular) geriu as questões de Shanghai, “muitas, importantes como, a proibição da importação de máquinas, a de medidas preventivas por ocasião da peste bubónica, a do jubileu de Shanghae, a da dragagem de Vonsung, a da supressão da loteria e outros jogos, a queima e destruição de pagodes, e finalmente a da neutralidade de Shanghae por ocasião da guerra entre a China e o Japão.” No início o Daily Press de Shanghae mostrara-se contra o Sr. Valdez para decano do corpo consular, mas escolhido pelos seus colegas, o facto desmentia as asserções desse jornal. Como Doyen da Concessão Internacional, o Sr. Valdez presidia ao Shanghai Municipal Council, eleito pela elite económica dos proprietários estrangeiros e nesse cargo conviveu com três tao-taes e com esses governadores da cidade chinesa manteve cordiais relações de amizade. Quando rebenta a guerra entre a China e o Japão, o tao-tae de Shanghae procura amiudadas vezes o Sr. Valdez para ouvir a sua autorizada opinião sobre várias questões, algumas delas estranhas ao seu cargo, mostrando não só confiança no Sr. Valdez, como lhe reconhece competência. Informações do jornal O Provir de Hong Kong.
7.9.2018 sexta-feira
Nem me disseram ainda para o que vim. ´ Se logro ou verdade
A Coreia na Guerra do Japão à China na sua qualidade de Doyen do corpo consular em Shanghae. “Mostra que os cônsules e o conselho municipal reunidos possuem os poderes legislativo, executivo e judicial – tudo quanto constitui uma verdadeira soberania. Prova que o pagamento de um pequeno foro ao imperador da China, (que, pela lei chinesa, é proprietário de todo o terreno no Império e só o afora aos seus súbditos) não afecta a questão de soberania dentro dos Estabelecimentos, do mesmo modo como o pagamento de um tributo, feito por um Estado tributário, não diminui os seus direitos de soberania dentro das suas fronteiras. Demonstra ser a autoridade do magistrado chinês pelos regulamentos do tribunal misto quem tem a menor alçada e é limitada pela presença de um assessor estrangeiro. Conclui que o caso deve ser julgado por um membro do corpo consular, e conforme as leis de seu país. A oposição que houve no cor-
po consular impediu a adopção dessa conclusão e Hung foi entregue às autoridades chinesas e libertado na Coreia. Para o Sr. Valdez um ultraje às bandeiras estrangeiras que defendiam os Estabelecimentos, como uma violação dos sagrados direitos de asilo, e com um perigoso precedente que poderia conduzir a crimes sem fim.
GUERRA DA COREIA
Quatro meses em Macau e Camilo Pessanha toma conhecimento ter o Japão, incitado pelos britânicos e com ajuda americana, a 1 de Agosto de 1894 invadido a Coreia, país ainda tributário da China e por isso sobre sua protecção. “Tudo começa na Primavera de 1894 com uma revolta de camponeses, tendo os senhores feudais coreanos pedido ajuda ao Governo Qing para enviar tropas. Quando em Junho chegam as 1500 tropas chinesas a Asan, está já a revolta
PARECER DO DOYEN
Camilo Pessanha ainda viaja para Macau quando a 28 de Março de 1894 em Shanghai ocorre o assassinato de um refugiado político da Coreia, Kim Ok Kiun, a residir no Japão, morto por Hung, também coreano. “Como a Coreia não é uma potência que tivesse tratado com a China, pois considerada como um seu Estado tributário, é difícil decidir qual deve ser a lei, e qual o juiz para julgar o caso” e aqui entra o Sr. Travassos Valdez, cônsul geral de Portugal e Sénior cônsul,
A Guerra da Coreia (1894-95) dá ao Japão asas no sonho de construir um império na Ásia. Guerra que marca um novo estado de agressão estrangeira à China, a ter de permitir aos poderes ocidentais investir aí em fábricas a satisfazer as suas necessidades urgentes para exportar capital
controlada, encontrando-se quase toda a força naval e dez mil soldados da infantaria japonesa em Seul e ao redor de Inchun. A China propõe ao Japão deixarem ambos os países de ter tropas na Península da Coreia. O Japão recusa, dizendo ser para ajudar a Coreia nas suas internas reformas”, segundo Bai Shouyi, em Outline History of China. E nesse livro em tradução livre continuamos, “Nos finais de Julho, os vasos de guerra chineses encontram-se em Asan, quando de repente uma frota japonesa os ataca, causando a morte a mais de 700 soldados, levando a armada chinesa a retirar para Pyongyang, onde a 15 de Setembro ocorre a batalha, que as tropas chinesas ajudadas pelos coreanos conseguem repelir. Dois dias depois da Batalha de Pyongyang, a armada chinesa Beiyang comandada pelo Almirante Ding Ruchang, inexperiente em batalhas navais, encontra-se no Mar Amarelo quando é cercada pela japonesa. A batalha dura cinco horas e os chineses perdem cinco navios. Em finais de Outubro, as tropas japonesas invadem o Nordeste da China, capturando a Península de Liaodong e no Rio Yalu, Jiulian e Andong (hoje Dandong, Liaoning). Em meados de Janeiro de 1895, os japoneses vão à Província de Shandong e assaltam o porto Weihaiwei, onde o que restara da frota Beiyang é completamente destruída em Fevereiro. Passam as tropas japonesas à península coreana e rapidamente ocupam muito território, levando o Governo Qing a pedir a paz. A astuciosa inteligência comercial estimula atritos que sabe levarem à guerra e assim mais uma vez resulta. A Inglaterra apoia o Japão e não a Rússia, sua oponente em Xinjiang, no Oeste da China, onde os britânicos para Norte e os russos para Sul tentam expandir os seus impérios, levando entre ambos à assinatura de um tratado em 1895. A Guerra da Coreia (1894-95) dá ao Japão asas no sonho de construir um império na Ásia. Guerra que marca um novo estado de agressão estrangeira à China, a ter de permitir aos poderes ocidentais investir aí em fábricas a satisfazer as suas necessidades urgentes para exportar capital. O status da China como semi-colónia fica confirmadíssimo, segundo Bai Shouyi. Ainda em 1893 começara um movimento reformista de chineses ricos ligados aos Qing a investirem largas somas de dinheiro na modernização tecnológica das suas fábricas. A maioria dos negócios desses milionários acaba em bancarrota devido à competição dos comerciantes estrangeiros, já na Era do capitalismo industrial. Controlam os transportes, as matérias-primas e a produção, e sem rivais no comércio entram por todos os países. O mercado tem que ser livre, nem que seja pela força. Ou ocorre como com a planta do chá. A Rainha Vitória impera no mundo, cujo jubileu de diamante será em 1897.
ARTES, LETRAS E IDEIAS 15
sexta-feira 7.9.2018
Como quem se olha ao espelho tonalidades António de Castro Caeiro
C
OMO pode dar-se o reconhecimento do outro, como lhe chama a filosofia um “outro si próprio” (self)? Platão formula este problema. Arranca-o à simplicidade de se achar que é fácil ou difícil, possível ou impossível conhecer alguém. Põe no núcleo duro do problema a reciprocidade. Sou eu quem se reconhece como um “si”, como portador da “vida”, do ser universal que escancara todos os tempos havidos e a haver e todas as pessoas de todas as gerações passadas e futuras? Como posso, então, reconhecer o outro como outro, isto é, como portador da vida universal e a fortiori, à escala mundial, em si mesmo como outro e como um “si próprio” para si? Sou eu quem está projectado no outro que eu reconheço? É o outro que existe em mim e quem o outro aí comigo também pode reconhecer-me como um duplo de si próprio? São os amigos uma multiplicação dos mesmos nos outros como diferentes filhos são o mesmo mas multiplicados pelo seu número? Pode “isto” passar-nos despercebido, isto é, que sou quem existe no outro e que é o outro que existe em mim, como diz Platão no Fedro dos enamorados, que cada um está apaixonado por si no outro, mas isso mesmo, a paixão por si no outro lhe passa desapercebidamente? O reconhecimento da alma (psychê) uma outra palavra para o si próprio é compreendido analogicamente pelo facto do
quotidiano de nos vermos ao espelho. Tal como um olho se pode ver a si próprio espelhado no olho do outro para quem estamos a olhar também o próprio de nós poderá ser reconhecido ao olhar-se para o próprio do outro, naquela dimensão em que nós podemos ficar plasmados no olhar do outro, no olhar de preocupação que inspiramos no outro, no olhar de amor de que somos susceptíveis e podemos inspirar no outro. Um olho pode ver-se a si mesmo no seu reflexo na pupila de um outro olho. De modo semelhante, uma alma pode conhecer-se a si mesmo na sua “reflexão” na dimensão mais complexa do si próprio no outro. Além do mais, um olho pode ver-se a si mesmo melhor ainda na sua reflexão num espelho. Uma alma, de modo semelhante, pode conhecer-se a si mesma quando usa
Um olho pode ver-se a si mesmo no seu reflexo na pupila de um outro olho. De modo semelhante, uma alma pode conhecer-se a si mesmo na sua “reflexão” na dimensão mais complexa do si próprio no outro
o melhor dos espelhos reflexivos, e contempla o modo como se encontra refletida em Deus. Assim, “O rosto da pessoa que olha nos olhos de outra pessoa é mostrado nos olhos da pessoa que se encontra à sua frente, como num espelho, e chamamos isso pupila, pois de certo modo é uma imagem da pessoa que olha. Um olho ver-se-á, enquanto vê o outro olhos nos olhos, sobretudo quando olha para a parte mais perfeita dele, aquilo mesmo com o qual vê. E assim também se verá a si. Mas não pode olhar para nenhuma outra parte do outro, nenhuma parte do seu corpo, nem do seu rosto. Terá de ver para lá do próprio olhar e enfrentar olhos nos olhos a vida que acontece no outro. Terá de olhar para o que verdadeiramente se assemelha a si, a sua própria vida espelhada na vida do outro diferente de si. Essa diferença é anulada e duas pessoas reconhecem-se como sendo uma da outra: uma e outra projectadas reciprocamente em cada um dos outros. “E se a alma também vier a conhecer-se a si mesma, certamente deve olhar para uma alma e, especialmente, para aquela região em que ocorre a excelência de uma alma. Porquanto essa parte da existência onde ocorre a sua excelência é assimilada por Deus. Quem olhar para isso e vier a conhecer tudo o que é divino, obterá assim o melhor conhecimento de si mesmo.” (Platão, Alcibíades II) Conhecer-nos a nós mesmos implica desviar o olhar da imagem da pupila do olho no espelho em frente (e fora) de nós e olhar para aquela região da alma que é mais divina. Então, olhando para Deus e
fazendo uso deste mais belo espelho interno e também olhando para a excelência da alma, somos, portanto, muito mais capazes de ver e reconhecer nós mesmos da maneira como realmente somos. Reconhecemos o outro susceptível de Deus. O outro reconhece-nos “capazes de Deus”. Deus é um nome para a possibilidade radical da felicidade no amor de outrem por nós e de nós por outrem. O outro apresenta-se em si tal como é ao olhar? E nós o que vemos quando olhamos os outros olhos nos olhos? Vemos os outros simplesmente? Os outros o que vêem, quando nos vêem? Vemos nós simplesmente os outros ou vemo-nos lá a olhar os outros sem nos apercebermos de que somos nós próprios lá? E os outros o que vêem de nós? Não se verão também a si mesmos em nós, não percebendo esse facto, achando que nos vêem tal como somos em nós próprios? Não há nenhum acontecimento isolado de si. Ou, antes, cada pessoa percebe-se no seu isolamento apenas, porque percebe a distância a que se encontra de toda a outra pessoa. Mas o milagre acontece e todo o reconhecimento recíproco traz consigo esse maravilhamento de que o outro é o nosso próprio si e nós somos o próprio si do outro. Passar-nos-á despercebido a maior parte do tempo da vida a respeito da esmagadora maioria da humanidade, mas a hipótese filosófica do reconhecimento do outro como outro, da vida a acontecer no outro, implica crescermos à altura em que vemos a vida de que somos portadores, universal, a fortiori à escala mundial e vital.
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7.9.2018 sexta-feira
Anúncio (N.º144/2018) Nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, são por esta via notificados os seguintes representantes dos agregados familiares do concurso à habitação económica: Representante do agregado familiar candidato à aquisição de habitação económica
Número de boletim de candidatura
CHAN OI
82201311360
CHIO HIO IENG
82201330233
HO KA FAI
82201336132
LOU KA KIN*
82201320562
Causa e fundamento legal da exclusão do adquirente seleccionado Falta de entrega dos documentos necessários para a avaliação do requerimento, no prazo fixado (Nos termos da alínea 2) do n.º 1 do artigo 28.º da Lei n.º 10/2011, alterada pela Lei n.º 11/2015) é proprietário de uma fracção autónoma com finalidade habitacional, e o elemento de agregado familiar que tenha vendido uma fracção de habitação económica (Nos termos da alínea 1) do n.º 4 e alínea 7) do n.º 5 do artigo 14.º e alínea 1) do n.º 1 do artigo 28.º da Lei n.º 10/2011, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 11/2015) O elemento de um agregado familiar de habitação económica (Nos termos da alínea 3) do n.º 5 do artigo 14.º e alínea 1) do n.º 1 do artigo 28.º da Lei n.º 10/2011, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 11/2015)
* Nos termos dos artigos 93.º e 124.º a 126.º do “Código do Procedimento Administrativo”, por despacho exarado, em 4 de Setembro de 2018, pelo Presidente do Instituto de Habitação, na proposta n.o 1822/DAJ/2018, foi anulada a decisão de exclusão do candidato do boletim do representante do agregado familar candidato à aquisição de habitação económica LOU KA KIN (notificada pelo anúncio n.º 139/2018) Nos termos dos artigos 93.º e 94.º do Código do Procedimento Administrativo, os representantes dos agregados familiares candidatos a habitação económica acima mencionados podem apresentar, por escrito, a sua justificação e todas as provas testemunhais, materiais, documentais e outros meios de prova que sejam favoráveis ao seu contraditório, no prazo de 10 dias, a contar da data da publicação do presente anúncio, sendo a apresentação de documentos fora de prazo tida como desistência, não sendo aqueles considerados. Caso necessite de consultar o respectivo processo que está arquivado no Instituto de Habitação, sito na Estrada do Canal dos Patos, n.º 220, Edf. Cheng Chong L R/C Macau, poderá contactar Sr.a Lei através do número de telefone: 2859 4875 (extensão 747) durante as horas de expediente. Instituto de Habitação, aos 05 de Setembro de 2018 O Chefe da Divisão de Assuntos Jurídicos, Nip Wa Ieng
desporto 17
sexta-feira 7.9.2018
Um festival de golos falhados pelos atacantes de Macau marcou a segunda parte, quando o resultado já indicava 1-1. Mesmo assim, o seleccionador Iong Cho Ieng entendeu que Carlos Leonel, melhor marcador da Liga de Elite e do Benfica de Macau na Taça AFC, só devia entrar a 14 minutos do fim
A
selecção de Macau empatou 1-1, diante das Ilhas Marianas do Norte, no último jogo da primeira fase de apuramento para o Campeonato do Este da Ásia de Futebol E1, que decorreu no Japão. A formação orientada por Iong Cho Ieng
FUTEBOL MACAU DESPEDIU-SE DE FASE DE APURAMENTO
Sair sem glória
fica assim de fora da próxima fase de apuramento, depois de nos três jogos realizados ter somado, uma derrota, uma vitória e um empate. Ontem, o seleccionador local voltou a apostar no 4-42 que tinha valido a vitória diante do Guam por 2-0, com Lo Weng Hou, na baliza; Lei Chi Kin, Ng Wa Seng, Vernon Wong e Lei Ka Hou, na defesa; Ng Wa Keng, Lam Ka Seng, Cheong Hoi San e Kong Cheng Hou, no meio-campo; e com o ataque a ser constituído por Ho Ka Seng e Leong Ha Hang. Como tinha acontecido no encontro anterior, Carlos Leonel, o melhor marcador da Liga de Elite e do Benfica de Macau na Taça AFC, ficou no banco.
Já o técnico Michiteru Mita optou por um 3-4-3, com Christopher Aninzo na baliza; Galarion, Rosario e Relucio na defesa; Manabat, Anthony Fruit, Joel Fruit e Takano, no meio campo; e na frente, Tenorio, Rojas e Tanzawa. Tida como favorita para este encontro, principalmente após a vitória frente ao Guam, enquanto as Ilhas Marianas ainda não tinha triunfado em qualquer das partidas realizadas, a equipa de Macau assumiu desde cedo o controlo do jogo. Contudo, se por um lado os jogadores conseguiam criar maior caudal ofensivo, por outro na altura de criar as oportunidades claras de golo, pareceu faltar sempre
US Open Novak Djokovic vence John Millman e chega às meias finais O sérvio Novak Djokovic venceu esta quarta-feira o tenista australiano John Millman e assegurou um lugar nas meias-finais do US Open, último torneio do Grand Slam esta época que se realiza em Nova Iorque. Novak Djokovic, número 6 do ‘ranking' ATP, venceu John Millman (55.º) pelos parciais 6-3, 6-4 e 6-4. Com esta vitória o sérvio chega pela 11.ª vez consecutiva às meias-finais do US Open, batendo o recorde de Roger Federer. Djokovic chegou aos quartos-de-final após eliminar o tenista português João Sousa. Já o australiano tinha vencido nos oitavos de final, de forma inesperada, Roger Federer, pentacampeão do prova nova-iorquina. Na meia-final, Novak Djokovic vai enfrentar o japonês Kei Nishikori para disputar um lugar na final e poder sonhar com a terceira vitória neste torneio, que distribui cerca de 34 milhões de euros em prémios.
Futebol André Martins já treina no Légia Varsóvia de Sá Pinto O médio internacional português André Martins realizou ontem o primeiro treino pelo Légia Varsóvia, que é treinado por Ricardo Sá Pinto, confirmou o clube polaco no seu sítio
na Internet. O jogador de 28 anos reencontra Sá Pinto, que o orientou no Sporting, e que chegou no início da época ao clube da capital polaca. André Martins cumpriu as duas últi-
mas temporadas nos gregos do Olympiacos, agora treinado por Pedro Martins, sendo que se comprometeu com o Légia Varsóvia por uma época, com uma segunda de opção.
um homem de área na frente do ataque. Por esta razão, nos primeiros minutos, a equipa orientada por Iong ia somando remates sem grande nexo e cruzamentos para ninguém, que teimavam em não encontrar nem Ho Ka Seng nem Leong Ka Hang.
MOMENTO DE CIRCO
Foi num Foi num lance caricato que surgiu o golo de Macau. PUB
Anthony Fruit bateu um livre a favor das Ilhas Marianas, de forma curta, para Relucio, que não percebeu a intenção do colega de equipa e fugiu da bola. Perante o impasse, Lam Ka Seng domina o esférico e lança o contra-ataque, enquanto o adversário fica a pedir falta. Imune aos protestos, Lam serve Ng Wa Seng que sprinta até à área, onde desvia para o 1-0. Após o golo sofrido, as Ilhas Marianas mostraram-se mais atrevidas. A postura deu resultados e, aos 33 minutos, chegou o 1-1. Tenorio em jogada de ataque rápido, aproveitou o corte à queima de Lei Chi Kin, que abordou o lance de forma infantil, ganhou posição na área, e rematou para o empate. Na segunda parte, Macau conseguiu voltar a impor o seu jogo, apesar das Ilhas Marianas não se terem limitado apenas a defender. Contudo, os avançados locais nunca acertaram com a baliza e nem Carlos Leonel, que entrou a 14 minutos do fim, conseguiu mudar o rumo dos acontecimentos. No outro encontro, Guam e Mongólia empa-
Foi num lance caricato que surgiu o golo de Macau. Anthony Fruit bateu um livre a favor das Ilhas Marianas, de forma curta, para Relucio, que não percebeu a intenção do colega de equipa e fugiu da bola taram também a 1-1. Após os três jogos do grupo, os mongóis seguem para a próxima fase da competição, com sete pontos somados. Macau ficou em segundo lugar, com quatro pontos, os mesmos que Guam. As Ilhas Marianas do Norte terminaram em último lugar com um ponto. João Santos Filipe
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7.9.2018 sexta-feira
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AGUACEIROS
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FESTA WINE & MUSIC – BACK TO THE 80S Sofitel Ponte 16 | Das 19h00 às 22h00
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29º CONCURSO INTERNACIONAL DE FOGO DE ARTIFÍCIO Torre de Macau | Das 21h00 às 23h00
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EXPOSIÇÃO “UNIVERSO” Armazém do Boi | Até 9/9 EXPOSIÇÃO “APROFUNDAR” Art Garden | Até 9/9 EXPOSIÇÃO “POST-OX WAREHOUSE EXPERIMENTAL SITE” Galeria do Armazém do Boi, rua do Volong | Até 27/10
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C I N E M A
81 8 5 6 9 3 4PERSOPOLIS 2 74 7 | MARJANE SATRAPI 9 7E VINCENT 6 3PARONNAUD 2 1 5 26 2 17 1 45 4 83 98 9 1 3 8 5 4 6 2 9 39 3 4 2 87 8 1 5 6 4 2 5 8 9 7 6 8 8 65 6 4 1 7 29 2 3 7 6 4 9 5 8 3 3 1 59 5 8 2 7 6 4 5 8 3 2 1 4 9 7 4 92 39 3 56 5 1 8 2 9 1 6 7 3 4 4 9 8 3 2 65 6 7 1 8 1 9 4 6 2 7 5 6 73 47 4 1 8 9 2 3 4 2 7 8 5 1 2 17 1 8 6 49 4 53 5 6 5 7 1 3 9 8
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KIN SALA 1
KIN [B] Um filme de: Jonathan & Josh Baker Com: James Franco, Jack Reynor, Zoe Kravitz 14.30, 16.30, 21.30
LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Masato Harada Com: Takuya Kimura, Kazunari Ninomiya
SALA 3
FALADO EM COREANO LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kim Yong-hwa Com: Ha Jung-woo, Ju Ji-hoon, Kim Hyang-gi, 19.00
FALADO EM CANTONENSE
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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 51
PROBLEMA 52
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4UM 59 5 36HOJE 1 4FILME 3 28 2 67 6 8 14 1 52 35 3 2Uma 5 2jovem 3 iraniana 8 9 7 41 4 acompanha de perto a seu 6 2 8 4 queda 4 9do Xá 5 7e1do 7 regime brutal, durante 17 1islâmica 9 3de68 6 5 a2 revolução 1979. Mas o que se seguiu 26Neste 52 filme 3foi8 5 4 9 17 não melhor. autobriográfico, Marjane 9 Satrapi 74o confronto 9 5mostra 7 1831 3 6 com o fundamentalismo,4 6 1 7 3 2 5 489 especialmente contra as Persopolis 8 mulheres. 8 3 2 6 4é 9 7 1 uma viagem da prota-
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gonista à infância, feita enquanto Marjane Satrapi aguarda o avião que a levará de volta ao Irão. Um filme de animação para todos. Sofia Margarida Mota
ADIEU [B] LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kennneth Lau Com: Louis Cheung, Jason Chan,
Michelle Wai, Helena Law
14.30, 19.30 SALA 2
Um filme de: Baltasar Kormákur Com: Shailene Woodley, Sam Claffin 14.30, 16.30, 21.30
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14.30, 19.15, 21.30
ALONG WITH THE GODS: THE LAST 49 DAYS [C]
ADRIFT [B]
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A notícia de que a estudante de Macau acordou do coma só pode ser boa. Ninguém tem dúvidas sobre isso e é compreensível que haja um ambiente de felicidade nos Serviços de Saúde (SSM). Contudo, a título pessoal, tenho muitas dificuldades para compreender todo o “circo” criado por estes serviços face ao assunto. Desde que assumiu a posição de secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam tem mostrado uma vontade genuína e incansável de dinamizar os Serviços de Saúde e elevar os cuidados médicos na RAEM para um patamar condizente com as reservas financeiras da região. Se mais não fez foi devido aos inúmeros obstáculos criados por um sector privado local que só pensa nos lucros fáceis. A situação é conhecida por todos. No entanto, este resultado positivo nunca devia ter sido utilizado para propaganda política pelos SSM. É que, para o bem e para o mal, os SSM existem para cuidar da saúde dos cidadãos e tratá-los. Para quem trabalha todos os dias na saúde, esta ideia até pode parecer injusta, mas os profissionais e os serviços limitaram-se a fazer aquilo para que foram criados e que são pagos. Eu sei que os SSM são frequentemente notícia devido aos aspectos negativos, mas não é com propaganda política que a situação vai mudar. A mudança tem de ser sentida pelos cidadãos quando vão ao hospital público. Se isso acontecer, os elogios circulam por si, sem ser necessário aproveitar o azar de uma estudante nem da sua família. Até porque na doença, também há o direito à privacidade e o desfecho deste caso devia ser a norma e não a excepção. João Santos Filipe
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S U D O K U
EXPOSIÇÃO “AYIA” Casa Garden | Até 9/9
1.18
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DE
EXPOSIÇÃO “ART IS PLAY” Grande Praça MGM | Até 9/9
YUAN
NÃO VALE TUDO
SUMMER’S UP POP-UP MARKET BY PARTY MACAU X LAX CAFE Lax Café, Taipa | Das 18h30 às 21h30
EXPOSIÇÃO “ESCULTURA, UM CAMINHO”, DE ANTÓNIO LEÇA Albergue SCM | Até 21/10
0.24
VIDA DE CÃO
INÍCIO DO FESTIVAL DE CINEMA “AFTER HOURS” Cinemateca Paixão | Das 21h30 às 23h00
Cineteatro
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L STORM [C] FALADO EM CANTONENSE LEGENDADOEM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: David Lam
KILLING FOR THE PROSECUTION [B]
Com: Louis Koo, , Kelvin Cheng, Stephy Tang
FALADO EM JAPONÊS
16.30, 21.30
www. hojemacau. com.mo
Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor João Luz; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; Diana do Mar, João Santos Filipe; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores Amélia Vieira; Anabela Canas; António Cabrita; António Castro Caeiro; António Falcão; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; José Drummond; José Simões Morais; Manuel Afonso Costa; Michel Reis; Miguel Martins; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; David Chan; Fa Seong; Jorge Morbey; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo
opinião 19
sexta-feira 7.9.2018
um grito no deserto PAUL CHAN WAI CHI
L
Segurança nacional
EMBRAM-SE do KGB, a agência de segurança soviética? Nessa época o “Comité de Segurança do Estado”, o KGB, foi reconhecido como o corpo de segurança mais eficaz do mundo inteiro, e a mais poderosa organização de segurança do país. Para os soviéticos representava um instrumento de terror. Mas apesar de todo o seu poder, não impediu a dissolução da URSS. O fiasco do “Comité de Segurança do Estado” na salvaguarda da segurança nacional, tem um toque de humor negro. Mas, na verdade, a manutenção dos regimes e a segurança nacional constroem-se com base na igualdade entre os homens e não através da força e da imposição da lei. A Região Administrativa Especial de Macau promulgou a “Lei relativa à Defesa da Segurança do Estado” em 2009. Mas, nesta última década, não houve uma única situação que tenha posto a segurança nacional em risco. Em Macau, o risco de ataques terroristas é dos mais baixos do mundo, A cidade é considerada bastante segura a nível internacional, ao ponto de Kim Jong Nam, o malogrado meio-irmão do líder norte-coreano, aqui ter vivido tranquilamente, antes de ter sido assassinado na Malásia. Características sociais únicas e aspectos geopolíticos muitos particulares contribuem sem dúvida para a segurança da cidade. Recentemente, a Secretaria para a Segurança de Macau declarou que está em estudo a criação de uma comissão dedicada ao anti-terorismo e à garantia da defesa da segurança de estado. O “Boletim Oficial da RAEM” publicou o Regulamento Administrativo n.º 22/2018 sobre a criação da Comissão de Defesa da Segurança do Estado da RAEM, presidida pelo Chefe do Executivo e que integra, na qualidade de vogais, os secretários para a Administração e Justiça e para a Segurança, este último igualmente como vice-presidente. Para além disso, futuramente serão implementadas uma série de medidas e mais legislação para a salvaguarda da segurança nacional. Nessa altura, Macau será um pilar da segurança nacional. Será que as suas gentes se vão orgulhar dessa condição? Se lermos a História da China, vemos que a Dinastia Qin recorreu às mais elaboradas medidas para salvaguardar a segurança nacional. Para além de proclamar muitas leis desumanas, recorreu ainda “à queima de livros e ao sepultamento de intelectuais” para destruir obras subversivas e eliminar os pensadores confucianos que defendiam outros ideais. Para impeder o caos, mandaram demolir as estruturas defensivas das cidades e confiscaram as armas de uma ponta
à outra do País. Passaram as ser aplicadas as “Punições colectivas”, que, para além do transgressor, se aplicavam a todos aqueles que, tendo tido conhecimento da falta, não a reportassem. Como todas estas medidas em vigor, não deveria ter havido qualquer problema com a segurança nacional. No entanto, a Dinastia Qin teve a duração mais curta de toda a História da China. Nestas férias, fui até à Turquia e visitei a famosa Constantinópola, a Istambul dos nossos dias. Foi a capital do Império Romano do Oriente e do Império Otomano, dois grandes Impérios europeus que acabaram por sucumbir. Durante a minha estadia, a moeda turca, a Lira, caiu abruptamente, passando de 1 USD = 5 liras a 1
Em Macau, o campo pró-regime é poderoso e a estrutura social da cidade é estável. Além disso, existe ordem social. No entanto, a rede de segurança nacional começou a ser gradualmente organizada após a promulgação do Artigo 23 da Lei Básica
USD = 7 liras. Não percebo turco por isso não consegui acompanhar as notícias, mas apercebi-me que se passava qualquer coisa, porque o controle de segurança ao longo das estradas foi reforçado. No Aeroporto, nem todas as pessoas que faziam parte do meu grupo conseguiram embarcar. Mas, no geral, pude aperceber-me que os turcos são pessoas simples e afáveis. Mas com esta viragem negativa na economia, pergunto-me por quanto tempo mais poderá o País permanecer seguro, sob um regime de braço de ferro. “Hoje é sobre Macau, amanhã será sobre Hong Kong”, é um slogan muito usado pelo democratas de Hong Kong. Em Macau, o campo pró-regime é poderoso e a estrutura social da cidade é estável. Além disso, existe ordem social. No entanto, a rede de segurança nacional começou a ser gradualmente organizada após a promulgação do Artigo 23 da Lei Básica. Esta realidade de Macau irá ter um impacto positivo ou negativo em Hong Kong, que ainda não fez entrar em vigor o Artigo 23 da Lei Básica? Já que a RAEM é tão eficaz na implementação de medidas para reforçar a segurança nacional, irão estas acções resultar numa boa ajuda a Carrie Lam Cheng Yuet-ngor, a Chefe do Executivo de Hong Kong? A segurança nacional é da responsabilidade de todos, mas não deve focar-se na implementação de leis.
Ex-deputado e antigo membro da Associação Novo Macau Democrático
Querer seria poder se todos os meios fossem bons. Carmen Sylva
PALAVRA DO DIA
Afeganistão Dezanove mortos em ataques em bairro xiita de Cabul
Singapura Facebook investe milhões no primeiro centro de dados na Ásia
Dezanove pessoas morreram em ataques separados por grupos insurgentes num bairro xiita de Cabul, capital do Afeganistão, de acordo com informações das autoridades afegãs. Os ataques ainda não foram reivindicados, segundo as autoridades locais. Estes ataques ocorrem um dia depois de duas explosões num bairro de Cabul habitado pela minoria xiita hazara e de um atentado suicida que causou 20 mortos e 70 feridos. O bairro de Dasht-e-Barchi, onde ocorreram as explosões, registou em Agosto outro atentado contra um centro educativo que provocou a morte de 34 estudantes e mais de 50 feridos. Os edifícios culturais e religiosos da minoria étnica hazara, povo de origem mongol fixada sobretudo na região central do Afeganistão, são outro dos alvos dos grupos radicais sunitas. No início de Agosto, outro ataque suicida numa mesquita desta comunidade xiita minoritária na província de Paktia, no leste de Afeganistão, provocou 30 mortos e 81 feridos. Os atentados contra a comunidade hazara têm sido na generalidade reivindicados pelo Estado Islâmico.
NATO Negada adesão da Macedónia
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O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, referiu ontem que a Aliança não aceitará a Macedónia como Estado-membro caso não seja concluído o acordo com a vizinha Grécia sobre a mudança de nome. Stoltenberg encontrou-se ontem com o primeiro-ministro Zoran Zaev para exprimir o seu apoio à campanha do “sim” para o referendo de 30 de Setembro. O acordo proposto prevê que a ex-república jugoslava altere o seu nome para Macedónia do Norte, com o objectivo de terminar com as alegações gregas de que o seu nome implica a reivindicação da província grega da Macedónia (norte do país) e a sua herança histórica. Diversos líderes ocidentais também estão empenhados neste decisivo referendo, cujo resultado poderá determinar o futuro político do primeiro-ministro social-democrata Zoran Zaev e do seu Governo de coligação. O chanceler austríaco Sebastian Kurz e a chanceler alemã Angela Merkel têm previstas deslocações a Skopje para sexta-feira e sábado. Em finais de Julho, o parlamento macedónio convocou para 30 de Setembro um referendo sobre o acordo com a Grécia e relacionado com a alteração do nome do país para República da Macedónia do Norte.
sexta-feira 7.9.2018
Controlo de danos New York Times revela resistência interna na Casa Branca
O
New York Times publicou na quarta-feira um artigo anónimo de um destacado responsável da Administração Trump que explica porque e como se esforça, com outros, para lutar por dentro contra as “piores tendências” do Presidente norte-americano. Donald Trump reagiu imediatamente, classificando o texto como “cobarde” e criticando duramente a atitude do jornal nova-iorquino, enquanto a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, exigiu ao autor do texto que se “demita”. Um destacado quadro da Casa Branca revelou num texto no editorial do jornal que um amplo grupo de funcionários que trabalham para o Presidente se esforça conjuntamente para anular algumas das suas políticas que consideram mais gravosas. O artigo do funcionário da Sala Oval, que permaneceu
no anonimato, começa por sublinhar que o maior desafio que Trump enfrenta é que “muitos funcionários seniores da sua Administração estão a trabalhar diligentemente, por dentro, para frustrar parte dos seus objectivos e das piores tendências”. Esta é a primeira vez que o Times, que diz querer proteger a identidade da fonte para evitar a sua expulsão da Administração, publica um artigo de opinião de uma fonte que mantém o anonimato e que desvenda uma corrente contra o mandatário norte-americano dentro do próprio Governo. “Então o fracassado New York Times tem uma coluna anónima? Dá para acreditar? Anónima. O que quer dizer cobarde. Uma coluna cobarde”, reagiu Donald Trump durante uma reunião na Casa Branca com dezenas de deputados de todo o país. O autor do texto esclarece que os seus esforços para anular algumas das iniciati-
vas de Trump não partem de uma “resistência popular da esquerda”. “Queremos que a Administração tenha êxito e queremos que muitas das políticas tenham eco e que os EUA sejam mais seguros e prósperos”, concretiza a fonte, sublinhando que o grupo de funcionários actua contra as políticas de Trump porque o presidente continua a actuar “em detrimento da saúde da República”. “Por ela, muitas das pessoas designadas por Trump juraram fazer o possível para preservar as nossas instituições democráticas”, sublinha. No texto refere-se que a raiz do problema da actual Administração norte-americana é a falta de moralidade do Presidente e sustenta-se que, apesar de ter sido eleito como representante do partido republicano, não defende as ideias dos conservadores, como a liberdade de pensamento ou a liberdade do mercado.
O Facebook anunciou ontem a construção de um centro de dados em Singapura, o primeiro na Ásia, no qual prevê investir cerca de 860 milhões euros e que deverá começar a funcionar a partir de 2022. O centro vai ocupar 170 mil metros quadrados de um prédio de 11 pisos e criará “centenas de empregos”, informou a rede social em comunicado. O vice-presidente que gere os centro de dados do Facebook, Thomas Furlong, justificou a escolha de Singapura pela “sua infra-estrutura robusta, acesso a fibra, formação de recursos e apoio de entidades governamentais”. Furlong adiantou que o Facebook tem mil funcionários em Singapura e promove programas para ajudar o crescimento de empresas emergentes locais, segundo o jornal Straits Times. “Os nossos centros de dados são instalações altamente avançadas que ajudam a levar aplicações e serviços do Facebook a pessoas de todo o mundo todos os dias”, informou o Facebook em comunicado. O centro ficará localizado próximo do terceiro centro de dados da Google anunciado em Agosto e que procura responder à crescente procura do seu serviço Google Cloud Platform gerada pelo aumento de utilizadores de telemóveis e de empresas que operam ‘online’ na região.
Música Cantora Dolores O’Riordan morreu por afogamento acidental
A morte da vocalista da banda irlandesa The Cranberries, Dolores O’Riordan, a 15 de Janeiro deste ano, foi provocada por afogamento acidental devido a uma intoxicação alcoólica, anunciaram ontem as autoridades britânicas. De acordo com uma informação resultante do inquérito do Tribunal de Westminster, o médico legista concluiu pelo afogamento, depois de uma testemunha ter relatado que a cantora foi encontrada imersa na banheira de um hotel, no passado dia 15 de Janeiro. A cantora de 46 anos não tinha deixado qualquer carta que pudesse indicar suicídio, nem a médica legista Shirley Radcliffe encontrou indícios de lesões auto provocadas, pelo que concluiu por acidente na causa da morte. A vocalista da banda The Cranberries estava em Londres para uma curta sessão de gravação, quando foi descoberta sem vida no hotel. Formada em 1989, a banda de ‘pop/ rock’ tornou-se mundialmente conhecida na década de 1990, com o álbum “Everybody Else Is Doing It, So Why Can’t We?”.