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Hoje Macau 7 SET 2017 #3891

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

QUINTA-FEIRA 7 DE SETEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3892 PUB

CAEAL | FACEBOOK

Listas de preços

Com portas abertas

PÁGINA 4

Uma triste campanha GRANDE PLANO

PSICOLOGIA

liberdade das pessoas.” O alerta parte do próprio Secretário para a Segurança. O novo organismo pode vir a fiscalizar comunicações de telemóveis.

Feridas escondidas PÁGINA 7

GEORGE GROSZ

PÁGINA 5

OPINIÃO

Ninguém sai vivo

CARLOS MORAIS JOSÉ

Na Porta do Ganso h LI HE

VALÉRIO ROMÃO

“A vida é muito mais interessante do que a literatura” ENTREVISTA

ANTÓNIO FALCÃO

ELEIÇÕES 2017

SOFIA MARGARIDA MOTA

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

TUFÕES NOVAS MEDIDAS PODEM AFECTAR LIBERDADES

Uma nova Direcção de Protecção Civil exige revisão da lei, exercício que, “tem de ser feito com toda a competência até porque poderá interferir com a

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau

Marciano em Macau h ANTÓNIO CABRITA ESCOLA PORTUGUESA

Tempo de reconstruir PÁGINA 8


2 grande plano

OS VOTOS DA “ALDEIA GRANDE”

O OLHAR DA COMUNIDADE PORTUGUESA SOBRE A CAMPANHA

Programas políticos com conteúdos pobres, ausência de identificação com ideias, a continuação dos interesses no hemiciclo. Portugueses, com residência permanente, dizem o que acham da campanha eleitoral que anda nas ruas. Votam sempre a cada quatro anos, mas afirmam existir um certo distanciamento face à sua comunidade

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LBANO Martins é, talvez, um dos poucos portugueses em Macau que pode votar de duas maneiras para escolher os deputados que quer ver na Assembleia Legislativa (AL). O economista e presidente da ANIMA pode pôr a cruz nos deputados que concorrem pela via directa, bem como naqueles

que participam pela via indirecta, através das associações. Isto significa que, este ano, Albano Martins pode decidir por um dos 24 candidatos que concorrem pelas directas, o maior número de sempre. Pode também votar no nome de uma das 14 listas que participam pela via indirecta. Mas Albano Martins revela-se, ainda assim, um eleitor desiludido.

“Vemos que há muita pólvora e pouca explosão”, disse ao HM. O problema? Ideias que fazem parte do poder Executivo e não Legislativo. “A maior parte das pessoas ainda pensa que concorre para chefiar o Governo, e não para a AL. As pessoas continuam a fazer programas políticos como se fossem Governo, esquecendo-se que a sua função é fiscalizar o trabalho do Governo e fazer leis. A politica de Macau é feita pelo Governo, isso faz parte da Lei Básica e há-de ser sempre assim”, adiantou. Albano Martins considera que os “programas políticos das listas são fracos”, numa “aldeia grande” que “cresceu com muito dinheiro e desejos”. O economista não é o único a apontar o dedo aos cartazes e programas políticos que desde sábado andam nas ruas. Rui Furtado, médico, também é residente permanente e vota sempre, mas revela baixas expectativas para o acto eleitoral de 17 de Setembro. “A campanha decorre de modo habitual, sem grandes surpresas. O conteúdo da campanha é pobre, sempre foi e continua a ser. As pessoas fazem os programas políticos que são um conjunto de acções e sugestões conforme as ocasiões do momento. O aumento dos salários dos funcionários públicos, a protecção dos residentes. São tudo

ANTÓNIO FALCÃO

ELEIÇÕES 2017

7.9.2017 quinta-feira

“A AL não representa ninguém, representa-se a si própria e aos seus deputados que têm os seus interesses a defender. E quem pensa que tem a AL para os defender está muito enganado.” RUI FURTADO MÉDICO

pedras batidas, não são ideias novas e não têm um verdadeiro conteúdo político”, contou. “Voto sempre e de acordo com o que tenho possibilidade de votar, nas listas em que me revejo mais ou menos nas ideias. Mas são pobres na mesma”, assegura.

O médico diz que persistem dificuldades de comunicação na campanha eleitoral, pois a comunidade portuguesa não tem acesso à maior parte dos programas políticos em chinês. “Há traduções, mas são de má qualidade. A pobreza política, intelectual e cultural dos programas é o que toda a gente sabe”, frisou. Já a arquitecta Maria José de Freitas assume que tem vindo a prestar atenção a “algumas listas”, sem ter ficado muito convencida. “Não me parecem muito inovadoras nos programas. Tenho vindo a ver até que ponto essas listas espelham algum interesse junto da comunidade portuguesa, e também noutras comunidades, com essa cultura internacional que Macau sempre evidenciou”, defendeu. Maria José de Freitas diz que não vota por obrigação, mas cada

PROIBIÇÕES NA FRONTEIRA

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otar em Macau é sinónimo da existência de um segundo sistema, mas Albano Martins alerta para os recentes casos de proibições de deputados e jornalistas de Hong Kong na fronteira. “Estamos a assistir a mudanças cada vez mais repentinas e muito antes do prazo terminar [2049]. Basta olhar para as fronteiras. Não faz sentido que no segundo sistema um deputado da ala democrata de Hong Kong não entre em Macau por ir contra a segurança do território. Faz parte da lógica do segundo sistema ele poder viajar entre as duas regiões e emitir opiniões. Penso que viajam para a China, mas não podem viajar para Macau. É um dossier que está a ser mal gerido. Se me disserem que há intervenção da China, não acredito. Haverá aqui mais papistas do que o papa.”


grande plano 3

quinta-feira 7.9.2017

universitários envolvidos, há pessoas com experiência em Macau que conhecem a cidade, mas falta se calhar mais conhecimento cientifico. Esta é uma lacuna importante.”

ALBANO MARTINS ECONOMISTA

Para Rui Furtado, a necessidade de tradução das ideias políticas ou a falta dela faz com que a comunidade portuguesa seja afastada das eleições. “Nem lhe é dada a oportunidade de estar perto”, assegura. “Não temos acesso aos programas e são corpos estranhos no meio de toda esta discussão. E isto também vale para as comunidades dos expatriados.” O antigo presidente da Associação de Médicos de Língua Portuguesa levanta ainda a questão dos actos de corrupção eleitoral. “A verdade das eleições, em si, é uma coisa duvidosa. Entre a compra de votos e as pressões para votar, tudo é altamente duvidoso.” Albano Martins frisa que há poucos portugueses interessados neste acto cívico, com excepção dos macaenses. No seu reduzido grupo de amigos, as eleições para a AL raramente são tema de conversa. “Acredito que esse número reduzido de amigos vota, mas não conversam comigo sobre o

vez que coloca uma cruz no boletim é na lista que poderá trazer algo “favorável ao desenvolvimento do território”, sem esquecer a diversidade cultural. É por isso que defende que, este ano, os programas eleitorais “não avançaram muito nesse sentido”. “Pode ser que até às eleições se avance mais um pouco. Tenho algumas expectativas, há listas que ainda podem propor coisas interessantes. Há professores

DE COSTAS VOLTADAS

assunto. Se calhar achamos que não é importante falar sobre isto, mas cada um assume o voto à sua maneira. A maioria das pessoas que conheço tem consciência de que é GONÇALO LOBO PINHEIRO

“A maior parte das pessoas ainda pensa que concorre para chefiar o Governo, e não para a AL.”

importante, nem que seja por uma cruz fora do quadrado.” A arquitecta afirma que “não há muito interesse” da parte dos portugueses, sobretudo dos que acabaram de emigrar. Mas Maria José de Freitas acredita que há uma vontade de mudar o rumo dos acontecimentos. “As pessoas estão atentas face ao facto de que algo tem de mudar, não podemos sempre ficar no status quo. Por isso estou na expectativa se essa mudança vem mais à superfície.”

SEM REPRESENTAÇÃO

A POLÍTICA E A ANIMA

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lbano Martins recusa participar em qualquer iniciativa do foro político, além do exercício do dever cívico como residente permanente, por não querer aproveitamento político da associação a que preside, a ANIMA. “Não estou interessado em que haja aproveitamento político do nosso trabalho. Já houve no passado duas organizações que tentaram colar-se a nós, e eu recusei. Incentivo todos os que sejam residentes a participar nas eleições tentando equacionar os problemas que os futuros deputados devem levantar.”

Quando se vota coloca-se a cruz no boletim na expectativa de que um candidato represente ou defenda aquilo em que acreditamos. Rui Furtado diz ter a plena consciência de que ninguém o irá representar no hemiciclo da Praia Grande. “AAL não representa ninguém, representa-se a si própria e aos seus deputados que têm os seus interesses a defender. E quem pensa que tem a AL para os defender está muito enganado.” Na visão do médico, a falta de empatia entre a comunidade portuguesa e a política local começa logo nos debates. “Temos um problema: não assistimos às discussões do plenário mas sim à tradução dos debates. Gosto de pensar que os deputados são

“[As listas] Não me parecem muito inovadoras nos programas.” MARIA JOSÉ DE FREITAS ARQUITECTA

melhores do que aquilo que são, e que as traduções são melhores do que a realidade.” “Basta ouvir para vermos o que a AL faz de facto. O interesse dos cidadãos não é a coisa mais importante para quem está na AL”, frisa o médico. Também Maria José de Freitas reconhece que, apesar de cumprir o seu dever cívico como residente permanente, será difícil ver os seus interesses e desejos representados. “Se me pergunta se algum dos candidatos corresponde ao que penso, ou qual a utilidade do meu voto, direi que há uns candidatos que correspondem mais do que outros. O ideal é difícil de atingir, mas há-de haver uma situação que pode ser mais interessante apoiar, e é por aí que vou”, remata. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 política

HOJE MACAU

IAS Mecanismo de cooperação para situações de crise

7.9.2017 quinta-feira

Em reposta à falta de coordenação de vários departamentos governamentais na sequência do tufão Hato, Alexis Tam anunciou a criação de um mecanismo de cooperação em situação de crise. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura adiantou que o Instituto de Acção Social está empenhado em colaborar com as restantes entidades sociais privadas. O objectivo desta rede é a partilha de recursos para auxiliar as pessoas que dependem destas entidades. “Espero que este mecanismo seja criado o mais rapidamente possível”, comento Alexis Tam, não apontado uma data para a constituição do mecanismo de cooperação.

PREJUÍZOS NEGLIGÊNCIA DO GOVERNO “DIFICILMENTE” RESULTA EM COMPENSAÇÕES

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advogado Chio Song Meng considera que é necessário apurar se houve, ou não, negligência por parte do Executivo na gestão da catástrofe resultante da passagem do tufão Hato por Macau. O jurista, em declarações ao Jornal do Cidadão, tentou esclarecer as questões legais que afligem proprietários de automóveis danificados que procuram obter compensação por parte do Governo. O advogado afasta a figura jurídica do dolo, colocando a situação na esfera da negligência. Chio Seng Meng explica que o decreto-lei n.º 28/91/M estabelece a responsabilidade do Governo pela negligência na administração da coisa pública, à semelhança dos ordenamentos jurídicos do Interior da China e de Taiwan, resta, portanto, provar em tribunal essa negligência. Mas que dificilmente terá sucesso. O advogado entende que o referido diploma precisa ser revisto, uma vez que está desactualizado, sendo viável seguir os exemplos dos territórios já citados onde os Governos podem ser responsabilizados pelas perdas de vidas, ou bens, causados pela administração negligente. Chio Seng Meng, considera que a alteração legal pode facilitar a obtenção de verbas compensatórias. Em relação ao relatório do Comissariado contra a Corrupção, o jurista entende que apesar de ter o seu valor, os cidadãos que queiram ser ressarcidos precisam apresentar queixa. Chio Seng Meng entende que será complicado apresentar provas e que os lesados “dificilmente” serão compensados.

Tong Hio Fong, presidente da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa “A forma comercial para fazer propaganda eleitoral, vai ser punida.”

CAEAL FACEBOOK NÃO PODE SER USADO PARA CAMPANHA COMERCIAL

Redes proibidas

A propaganda eleitoral não pode ter um carácter comercial e as queixas de páginas patrocinadas no Facebook têm vindo a aumentar. A acção é punida com multa, mas Tong Hio Fong avança que a CAEAL já está em comunicação com a rede social para evitar mais irregularidades

O

Facebook está agora no centro da polémica e das irregularidades associadas à campanha eleitoral. De acordo com a lei, é proibida a propaganda feita de forma comercial e a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) tem vindo a receber queixas de páginas patrocinadas na rede social. “Temos recebido queixas por parte dos cidadãos de que há esse tipo de situações a acontecer”, disse ontem o presidente da comissão, Tong Hio Fong.

Nesta matéria as listas são alertadas mas não só, a empresa, neste caso o facebook, que vende o serviço está sujeito ao pagamento de uma multa, além de ter de retirar o conteúdo online. “A forma comercial para fazer propaganda eleitoral, vai ser punida”, acrescentou Tong Hio Fong. Estes casos são tratados como irrgularidades. “Vamos notificar a respectiva lista candidata em como não pode fazer propaganda de forma comercial”, explicou, enquanto adianta que já foi pedida à empresa, que retire o conteúdo detectado.

De acordo com Tong Hio Fong, a CAEAL recebeu “quatro ou cinco casos” de listas que optaram pela compra de publicidade no Facebook. No entanto, para que se avance com a aplicação de multa, é necessário ter provas, afirmou Tong Hio Fong. O Facebook já está a par da situação. “Temos mantido contactos com o Facebook que também manifesta querer colaborar connosco”.

MATERIAIS LIMITADOS

Quanto à fixação de materiais de propaganda eleitoral, o responsá-

vel da CAEAL reiterou as regras da própria lei eleitoral. “Os cartazes só podem ser afixados nas sedes de candidatura e, nos edifícios e lojas, as listas só podem estar dentro das instalações, ou em lugares onde não são evidentes”, explicou. No que respeita aos estragos verificados em cartazes de algumas listas, Tong Hio Fong alertou que a destruição deste tipo de propaganda é punível com pena de prisão, sendo que, nos casos em que foram encontrados materiais estragados, a razão pode ter que ver com o mau tempo. “Perguntámos aos residentes, mas parece que a maior parte dos danos foram devidos a tempestade e a chuvas torrenciais. A cola é fácil de estragar, é natural, devido ao clima”, referiu. Tong Hio Fong sublinhou que apenas uma escola que vai ser assembleia de voto, está em fase de reparações e que estará pronta a 15 de Setembro. “As restantes estão recuperadas”, disse. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com


política 5

quinta-feira 7.9.2017

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DIQUES A CONCURSO

Com as cheias que decorreram no Porto Interior e depois

HATO COMISSÃO DEFINE ACÇÕES QUE PODEM INTERFERIR COM LIBERDADE

Polícia inteligente

A Comissão para a Revisão do Mecanismo de Resposta a Grandes Catástrofes já está em acção e com alguns objectivos definidos a curto e médio prazo. A revisão legislativa vai avançar e pode vir a interferir com a liberdade e privacidade nas comunicações. Para já, os primeiros números, ainda provisórios, relativos aos prejuízos provocados pela passagem do Hato, apontam para mais de 10 mil milhões de patacas GCS

estimativa, para já, dos prejuízos causados pela passagem do tufão Hato pelo território é na ordem dos 11,4 mil milhões de patacas. A informação foi adiantada ontem pelo Chefe do Executivo, Chui Sa On em conferência de imprensa. No encontro com os jornalistas estiveram presentes os membros da recém- criada Comissão para a Revisão do Mecanismo de Resposta a Grandes Catástrofes e o seu Acompanhamento e Aperfeiçoamento, onde foram apresentados os trabalhos que já estão em andamento. De destacar a criação da Direcção de Protecção Civil e de Coordenação de Contingências (DPCCC). O nome ainda é provisório, disse o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, mas o organismo já está a ser pensado. A ideia é que seja uma entidade capaz de dirigir o Centro de Operações de Protecção Civil que, prevê-se também, irá mudar de nome. A criação do DPCCC vai exigir uma revisão legislativa para conferir à entidade poderes próprios sob a tutela do secretário para a Segurança. Os trabalhos vão começar “já”, disse Wong Sio Chak. No entanto, sublinhou o secretário, o exercício legislativo que se impõe desenvolver “tem de ser feito com toda a competência, até porque poderá interferir na liberdade das pessoas”. O secretário não concretizou em que aspectos a liberdade dos residentes de Macau poderá estar comprometida ou em que áreas é que a lei poderá interferir. No entanto, na apresentação feita por Wong Sio Chak , dentro dos planos a médio prazo para a nova direcção, pode ler-se que cabe ao organismo “estudar, em caso de urgência e de necessidade , a viabilidade de fiscalização dos grupos de comunicação das aplicações de telemóveis.” A intenção é que esta acção aconteça para monitorizar os falsos rumores e insere-se na promoção do policiamento inteligente de modo “a fornecer um sistema de gestão de informação de crises”, apontou o secretário.

ao recorde registado com a passagem do Hato, com valores que, disse, não se conheciam desde 1925.

TRABALHO REPENSADO

Com a recolha de opiniões que a comissão levou a cabo nos últimos dias e que ainda decorre, podem ainda existir alterações na legislação laboral. “Vamos fazer uma revisão da legislação de modo a criar um mecanismo de análise de casos de emergência e decidir se os trabalhadores vão ou não trabalhar aquando do sinal 8”, avançou o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong. A ideia da revisão legislativa, que tem por base o estado de emergência, não se limita à passagem de tufões e deve abranger outras situações. Chui Sai on reforçou a ideia de Lionel Leong. “Podem existir imprevistos de ordem pública, como doenças transmissíveis ou relativos à segurança em que temos de definir medidas obrigatórias para as pessoas respeitarem”.

“Podem existir imprevistos de ordem pública, como doenças transmissíveis ou relativos à segurança em que temos de definir medidas obrigatórias para as pessoas respeitarem.” CHUI SAI ON CHEFE DO EXECUTIVO

de anunciadas medidas para as evitar, o secretário para as Obras Públicas e Transportes, Raimundo do Rosário, falou ontem dos estudos que vão ter de ser revistos.

O trabalho legislativo que se impõe fazer “tem de ser feito com toda a competência, até porque poderá interferir na liberdade das pessoas.”

“Em 2015 tínhamos uma empresa de consultadoria a fazer estudos para os quais já existem projectos. No entanto, com as subidas recorde das águas temos de ponderar um aumento dos muros a ser construídos no Porto Interior”. O levantamento, naquela zona, de estruturas com uma altura segura, que para Raimundo do Rosário, seria de cerca de 2,5 metros, traz questões que, disse, “têm de ser analisadas cuidadosamente”. “O que sei é que se precisarmos de construir um dique no Porto Interior, temos de ter pelo menos 2.5 metros de altura, porque de outra forma não consegui-

mos travar a circulação da água”. Mas, uma parede com esta dimensão vai alterar as características paisagísticas daquela zona pelo que “é preciso uma análise em pormenor”, apontou. De acordo com Raimundo do Rosário, o sector da construção já deu várias propostas mas tem de se ter em atenção a sua viabilidade. Novos estudos estão a ser feitos e, garante a secretária para a Administração e Justiça, Sónia Chan, no primeiro trimestre do próximo ano deve ser lançado um concurso para o projecto na zona do Porto Interior. Já a retenção da subida das marés, matéria que

implica, disse o Chefe do Executivo , o trabalho inter-regional, também está em andamento. Com o apoio do Governo Central, está marcada para o próximo dia 11 uma reunião com responsáveis da província de Guandong. A ideia, avançou Chu Sai On, “é construir um sistema de comportas para controlar o nível do mar”. Ainda relativamente à subida das águas, esperam-se revisões na concepção e construção de novos aterros. “Com certeza que vamos rever a cota altimétrica dos novos aterros” afirmou Raimundo do Rosário, fazendo mais uma vez referência

O Chefe do Executivo apontou ainda, que está a ser estudada a localização para uma nova área onde possam ser colocados os contentores de mercadorias. “Queremos deslocar a estrutura para um sítio mais adequado”, referiu, sendo que, Ka Ho pode ser uma possibilidade. A ponte elevatória prevista para o cais 23, vai ter nova localização. O local para a sua construção é ainda desconhecido, mas, de acordo com Sónia Chan, a decisão vai ser tomada tendo em conta a opinião do Instituto Cultural. Sofia Margarida Mota

Sofiamota.hojemacau@gmail.com


6 política

7.9.2017 quinta-feira

Governo, a fiscalização de obras públicas e o acordo assinado entre o Executivo e o grupo Alibaba, do empresário chinês Jack Ma. Wong Kit Cheng disse que a lei de habitação económica deve ser alterada e, caso seja eleita, vai lutar para que haja novos concursos para atribuição de habitação pública. Angela Leong, da lista Nova União para o Desenvolvimento de Macau, não esteve presente, mas os seus parceiros William Kuan e Siu Yu Hong defenderam a criação de dois sistemas de atribuição de casas, com pontuação e sorteio, para diferentes grupos sociais.

OS CHEQUES

Au Kam San chegou mesmo a pedir desculpas ao Exército de Libertação Popular, pois apontou que nunca teve a intenção de criticar a sua presença

ELEIÇÕES AU KAM SAN CRITICADO POR OPINIÃO SOBRE EXÉRCITO CHINÊS

O ringue dos cinco

Wong Kit Cheng criticou ontem Au Kam San pelo facto deste se ter mostrado contra a presença do exército chinês em Macau, e o candidato chegou mesmo a pedir desculpas. Temas como a habitação e os cheques pecuniários marcaram o debate organizado pela TDM O assunto não ficou esquecido, e no tempo que lhe foi concedido para fazer perguntas, Au Kam San chegou mesmo a pedir desculpas ao Exército de Libertação Popular, pois apontou que nunca teve a intenção de criticar a sua presença, tendo assumido o uso de “palavras

incorrectas” na rede social Facebook. Wong Kit Cheng lançou também uma farpa a Angela Leong, questionando as razões pelas quais Arnaldo Ho, seu filho e membro da lista, tem estado tanto tempo ausente de Macau. A candidata invocou que Arnaldo

Um déjà vu político

Ou Mun Kong I, mais um programa eleitoral contra TNR

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apresentação da lista 17, Ou Mun Kong I, apresentou ontem os seus candidatos e programa político. Neste último capítulo, junta-se ao coro de vozes que se costuma erigir contra trabalhadores não residentes (TNR). Com um plano de acção mais executivo e que pouco tem a ver com o trabalho de legislar, o cabeça de lista da Ou Mun Kong I, Lee Sio Kuan, assume que uma das prioridades do seu programa político é a proibição de importação de TNR no sector dos croupiers e dos motoristas. Além disso, a lista sugere a criação de um mecanismo

que substitua este tipo de trabalhadores por locais. A lista número 17 tem no total sete candidatos às eleições legislativas e o seu programa também se foca na habitação, emprego, nos preços que chegam aos consumidores e nos benefícios sociais para idosos. O cabeça de lista, Lee Sio Kuan, quer obrigar o Governo a ouvir as opiniões da população, nomeadamente no que concerne ao aproveitamento de terrenos não utilizados para a construção de fracções residenciais. Uma das medidas que, diz, cabem ao Executivo e não aos deputados, é

Ho pode não conhecer bem o território, mas Wiliam Kuan disse que Ho é um jovem que tem contribuído para o desenvolvimento de Macau.

HABITAÇÃO SEMPRE

Ontem marcaram presença as listas Aliança de Bom Lar, Poder dos Cidadãos, Asso-

a construção de 80 mil fracções de casas públicas nas zonas dos novos aterros, como forma de combater a especulação. Neste capítulo, o líder critica a ocupação de algumas associações nos gabinetes sitos nas zonas antigas do território para a realização de convenções e exposições, incluídas no plano da reconstrução urbana. No que toca à fiscalização dos preços ao consumidor, Lee Sio Kuan sugere que os fornecedores a grosso assumam a responsabilidade de fiscalizar os retalhistas para controlar os preços dos produtos. Além disso, o cabeça de lista do Ou Mun Kong I quer ver o aumento de lugares para estacionamento, a melhoria dos serviços de saúde, o aumento do alcance dos benefícios sociais dados aos idosos, a

ciação de Novo Movimento Democrático, Nova União para Desenvolvimento de Macau e Poder da Sinergia. No total, dez candidatos participaram no debate. No período de perguntas e respostas, as cinco listas abordaram temas como a habitação, os cheques do

Vítor Ng (com A.S.S.) info@hojemacau.com.mo

HOJE MACAU

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texto do candidato do campo pró-democrata sobre a presença do exército chinês nas ruas marcou ontem o debate sobre as eleições organizado pela TDM, e que juntou representantes de cinco listas. O assunto foi levantado pela candidata Wong Kit Cheng, líder da Aliança do Bom Lar. Esta exigiu a Au Kam San um pedido de desculpas em público depois deste ter criticado a permanência do Exército de Libertação Popular no território, aquando da passagem do tufão Hato. Au Kam San, líder da lista Associação Novo Democrático, ainda disse que o seu trabalho, na qualidade de deputado, é fiscalizar o Governo, mas Wong Kit Cheng cortou-lhe a palavra de imediato.

Questionados sobre a continuação do programa de comparticipação pecuniária, Sze Lee Ah, líder da lista Poder dos Cidadãos, disse que os cheques podem servir melhores objectivos, pois só “uma viagem ao estrangeiro pode custar um total de nove mil patacas”, o valor de um cheque atribuído a um residente permanente. Lam U Tou, da lista Poder de Sinergia, disse que as vantagens deste programa são “questionáveis”. Ieong Wai Kit, da lista Poder dos Cidadãos, promete que não criar conflitos no hemiciclo mas sim lutar por uma união das ideias em prol da construção de Macau. Lam U Tou manifestou concordância e acenou com a cabeça, bem no final do debate.

fiscalização das despesas às obras públicas e a escolaridade gratuita até aos 19 anos. Lee Sio Kuan aproveitou ainda a conferência de imprensa onde

apresentou o programa eleitoral da lista que lidera para criticar o Chefe do Executivo pela insuficiência dos trabalhos de contingência em relação às catástrofes. V.N. (com J.L.)


sociedade 7

quinta-feira 7.9.2017

HATO ASSOCIAÇÃO DE PSICOLOGIA ALERTA PARA STRESS PÓS-TRAUMÁTICO

Feridas invisíveis SOFIA MARGARIDA MOTA

Na sequência de um desastre natural, como a passagem do tufão Hato, podem surgir situações de stress pós-traumático. Estes incidentes podem revelar-se em perturbações de sono, irritabilidade e falta de apetite. Cintia Chan, directora da Associação de Psicologia de Macau, aponta saídas para quem possa ter ficado com sequelas psicológicas

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Á feridas que não se vêem, ou que podem não ser evidentes à primeira vista. As dores psicológicas podem encaixar-se nestas características. O stress pós-traumático pode levar a consequências com gravidade variável. “Eventos stressantes, como o tufão Hato, podem resultar em reacções e sintomas que podem durar vários dias, ou semanas, mas vão decrescendo com o tempo”, explica Cintia Chan, directora da Associação de Psicologia de Macau (APM). Este tipo de reacção psicológica pode levar a uma alteração duradoura da personalidade, o que não é muito frequente em casos de calamidades naturais como um tufão. Passar por uma situação que cause trauma psicológico pode, inclusive, levar ao reforço da resiliência pessoal, mas também pode resultar em fragilização psicológica. Nesse caso é importante estar atento aos sintomas. “Quem passa por um evento traumático pode experimentar flashbacks recorrentes sobre a situação levando a sensações intrusivas de desconforto, medo, ansiedade”, revela Cintia Chan. A psicóloga acrescenta ainda à lista de sintomas a irritabilidade, raiva, perturbações de sono, falta de concentração, diminuição de apetite, palpitações e dificuldades

Cintia Chan, directora da Associação de Psicologia de Macau “Se depois de um mês as reacções ao evento afectarem significativamente a rotina diária da pessoa, esta deve procurar ajuda profissional”

em respirar. Quem sofre de stress pós-traumático pode chegar mesmo chegar a evitar tudo o que avive a memória do evento, incluindo conversas. Estas são as reacções normais a uma situação, em tudo, anormal e das quais a maioria das pessoas recupera sem necessidade de recorrer a acompanhamento terapêutico. Ainda assim, “se depois de um mês as reacções ao evento afectarem significativamente a rotina diária da pessoa, esta deve procurar ajuda profissional”, revela Cintia Chan.

Circunstâncias como ficar sem água ou electricidade, sofrer com os efeitos de cheias podem dar azo a efeitos psicológicos numa escala abrangente da sociedade. Porém, num espectro alargado de população o restabelecimento da vida normal, regressar ao trabalho, pode ser o catalisador para restabelecer o equilíbrio.

AJUDA NECESSÁRIA

Normalmente o stress decorrente de se ter passado por algo como um tufão com efeitos devastadores vai diminuindo com o tempo.

BO Prolongado contrato de Jockey Club

O Governo decidiu prolongar por mais seis meses o contrato de concessão da exploração de corridas de cavalos com a Companhia de Corridas de Cavalos de Macau (Jockey Club). Segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), o novo contrato teve inicio no passado dia 1 de Setembro e termina dia 28 de Fevereiro do próximo ano. “Em tudo o mais se mantém o contrato de concessão”, lê-se ainda no despacho.

No entanto, existem formas de acelerar o processo de recuperação como, por exemplo, falar do acontecimento com a família e amigos, fazer exercício físico, envolvimento comunitário, fazer voluntariado e expressar gratidão. “Por vezes, actos simples como dar uma mão ao nosso vizinho pode ajudar, aliás, estas reacções não são sinais de fraqueza”, descodifica a psicóloga. Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), que incidiu sobre 21 países, revela

que 21,8 por cento dos inquiridos testemunharam violência, 18,8 por cento participaram em violência, 17,7 por cento sofreram acidentes e 16,2 por cento foram expostos a situações de guerra. Segundo as estimativas da OMS, 3,6 por cento da população mundial sofreu de stress pós-traumático no ano de 2012. Cintia Chan recorda que não basta a experiência de viver algo como um tufão de sinal 10 para afectar alguém. Perder alguém próximo, passar por outra situação que coloque em perigo a vida pode levar a um vasto leque de diagnósticos no espectro do trauma. De acordo com a APM, o Governo lançou uma série de serviços de reabilitação para responder à “crise psicológica” após a passagem do tufão Hato. A própria associação, em cooperação com o Instituto de Acção Social e a Serviços de Administração e Função Pública, realizou uma acção de formação em psicologia na semana passada. Frequentaram a formação cerca de 600 profissionais de acção social, de forma a ficarem habilitados a fornecer informação, identificar e gerir situações de stress numa primeira abordagem. Depois da passagem do tufão Hato por Macau, as redes sociais foram inundadas com vídeos, fotografias e mensagens. Rever constantemente os vídeos do evento é algo que pode aprofundar as feridas psicológicas, assim como sentir que pode estar próximo outro fenómeno similar. Além de demonstrações de altruísmo, circularam na Internet informações de dúbia veracidade. De forma a fornecer informação correcta sobre os efeitos psicológicos de calamidades como o Hato, aAPM lançou um site chamado “Psychological Recovery and Resources After Typhoon Hato” (recuperação psicológica pós-tufão Hato). No entanto, o site tem informação disponível apenas em cantonês. Apesar terem decorrido duas semanas da passagem de um dos maiores tufões de que há memória em Macau, o próprio içar de sinais de alerta pode despoletar memórias traumáticas que ficaram por sarar. João Luz

info@hojemacau.com.mo

Televisão Sociedade de canais básicos activa até 2022

A sociedade “Canais de Televisão Básicos de Macau SA”, instituída em 2014, voltou a sofrer uma nova mudança nos estatutos. Segundo um despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), a sociedade passa a ter uma duração de seis anos, o que significa que terá contrato renovado e activo até 2022. Quando a sociedade foi constituída entendeu-se dar-lhe um prazo de duração de quatro anos, que se manteve a partir de Março de 2016. José Manuel Rodrigues é o presidente do conselho de administração da concessionária.


8 sociedade

7.9.2017 quinta-feira

As lições do Hato David Chow quer que casinos fechem portas com sinal 8 içado

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AVID Chow, empresário e antigo deputado, disse ao jornal Ou Mun que considera injusta a actual situação dos trabalhadores dos casinos, que se vêem obrigados a trabalhar mesmo que seja içado o sinal 8 de tempestade. Por essa razão, o também presidente da Associação Comercial Federal Geral das Pequenas e Médias Empresas de Macau pede que seja criado um melhor regime, que garanta a segurança dos funcionários de jogo. Na prática, o empresário exige que o Governo avance com uma lei especial que determine que os croupiers e demais funcionários dos casinos não possam trabalhar quando estiver içado o sinal 8 de tempestade. A legislação determina que os casinos funcionam 365 dias por ano, durante 24 horas, o que significa que os funcionários têm de cumprir os turnos, indepen-

Manuel Machado, director da EPM “Julgo que até ao final deste mês, os [trabalhos de reparação] devem estar concluídos”

HATO EPM COM PREJUÍZOS DE UM MILHÃO DE PATACAS

Maré de problemas

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S aulas arrancaram, como previsto, na Escola Portuguesa de Macau (EPM), duas semanas depois da passagem do pior tufão dos últimos 53 anos, que causou prejuízos na ordem de um milhão de patacas no estabelecimento de ensino, informou a direcção à agência Lusa.

“Neste momento apontamos para um prejuízo na ordem de um milhão de patacas”, disse o director da EPM, Manuel Machado. O mesmo responsável salientou o apoio disponibilizado, “desde o primeiro momento, pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude e pelo conselho de administração da Fundação Escola Portuguesa de Macau para ajudar no que for necessário para estes trabalhos de reconstrução e reparação”. “O que falta fazer é a substituição dos vidros partidos porque há escassez de vidros. (...) Há muita gente a precisar de vidros. Já foram encomendados, e o que está previsto é serem todos colocados ao mesmo tempo quando vierem. Há algumas janelas sem vidros, na cantina também faltam alguns, mas o funcionamento está assegurado”, explicou Manuel Machado. “Julgo que até ao final deste mês, os [trabalhos de reparação] devem estar concluídos”, observou. O director da Escola Portuguesa adiantou também que os dois muros exteriores da escola derrubados pelo tufão já foram reconstruídos, mas que “ainda têm de ser pintados e têm que ser colocadas grades que também foram danificadas” pelo Hato.

ENSINO HÁ MAIS ALUNOS E PROFESSORES

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ais de 79 mil alunos em 77 escolas. São estes os números oficiais do arranque de mais um ano lectivo, e que representam um aumento de 2,7 por cento de estudantes face ao ano passado, disse a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) em comunicado. O aumento de alunos verifica-se mais no ensino infantil, que conta este ano com um total de 19.023 estudantes, mais 6,6 por cento. Há também um aumento de 5,5 por cento de alunos no ensino primário, que conta com quase 30.800 estudantes. No ensino secundário, o número de alunos regista uma quebra de 2,8 por cento. Ao nível dos docentes, a DSEJ explica que este ano haverá mais professores nas salas de aula, num total de 7.606 face aos 7.304 registados o ano passado.

Um desses muros tinha, no final de Maio, sido objecto de uma intervenção do artista português Vhils. A direcção da escola já informou o artista da queda do mural, mas não foram estabelecidos mais contactos no sentido de, no futuro, Vhils realizar novo trabalho naquele espaço. “Isso ainda não foi conversado”, disse Manuel Machado.

O MELHOR POSSÍVEL

O mesmo responsável afirmou que o novo ano escolar arrancou ontem “da melhor maneira” para os 574 alunos inscritos entre o 1.º e 12.º ano, depois de realizadas algumas obras na escola. “Felizmente, conseguimos em tempo útil fazer todos os trabalhos de reconstrução e reparação necessários ao arranque do ano lectivo sem pôr em causa a data previamente acordada”, afirmou. Não houve necessidade de nenhuma medida extra porque “todos os espaços por onde circulam professores, alunos e funcionários estão devidamente seguros”, observou. “De manhã, as crianças do primeiro ciclo foram recebidas pelos seus professores e estão ainda em actividades. Às 10:00 houve uma reunião geral dos alunos do segundo e terceiro ciclos do ensino secundário com a direcção da escola e posteriormente foram recebidos pelos directores de turma. Portanto, decorreu da melhor maneira, e as actividades estão agora em curso”, afirmou. Além de algumas janelas e portas partidas e da queda de muros, quase todas as árvores nos pátios da escola foram arrancadas pelo tufão, que também causou danos nos ares condicionados e sistemas de ventilação.

Aberto concurso para gestão de auto-silos

A Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) abriu um novo concurso público para a “gestão e exploração” de vários parques de estacionamento no território. Segundo um despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), tratam-se dos auto-silos do Parque Central da Taipa, da Rua da Ponte Negra, do Edifício Koi Nga, do Edifício Lok Kuan e do Edifício Ip Heng. O concurso público determina que o prazo para a prestação destes serviços de gestão será de seis anos. Em Novembro do ano passado, o Comissariado contra a Corrupção (CCAC) divulgou um relatório onde acusa a DSAT de violar o “principio da legalidade” por ter feito demasiadas adjudicações directas na gestão dos auto-silos e por não ter fiscalizado milhões de patacas em tarifas que nunca entraram nos cofres públicos. HOJE MACAU

A direcção da Escola Portuguesa de Macau já avaliou os estragos causados pela passagem do tufão Hato. Os custos rondam um milhão de patacas. O ano lectivo arrancou ontem com reuniões da parte da manhã, sem grandes alterações

dentemente das condições atmosféricas. David Chow acrescentou ainda que, em caso de sinal 8, todos têm de estar em segurança, bem como o pessoal dos serviços de protecção civil e forças de segurança. Questionado anteriormente sobre a aquisição de seguros para a protecção dos trabalhadores, David Chow recusou a ideia, por considerar injusta a obrigatoriedade de ter de se deslocar para o local de trabalho com condições atmosféricas adversas. O empresário acredita mesmo que o território não deveria receber excursões de turistas nestas alturas. O proprietários dos empreendimentos Landmark e Doca dos Pescadores pede ainda à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) que implemente leis complementares que possam permitir aos trabalhadores não residentes (TNR) que, em casos urgentes, possam trabalhar noutros locais não designados no seu blue card, em prol do desenvolvimento do território. Esta ideia foi referida no contexto de ajuda que se verificou após a passagem do tufão Hato, quando foram necessários muitos braços para eliminar os destroços. Vários grupos de TNR colaboraram nas limpezas ao lado das autoridades.


sociedade 9

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PAULO NOVAIS/LUSA

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UASE 500 mil patacas. É este o resultado da campanha solidária criada pela Casa de Portugal em Macau (CPM) para ajudar as vítimas dos incêndios na região de Pedrógão Grande, em Portugal. Segundo a agência Lusa, um total de 481 mil patacas foram enviadas em Agosto para o fundo Revita, criado pelo Governo português para ajudar as vítimas dos incêndios. A verba angariada resulta de contribuições de particulares, empresas e entidades, como os escuteiros lusófonos ou outras, que realizaram peditórios ou eventos de caridade e posteriormente enviaram o cheque para a Casa de Portugal em Macau, explicou Ricardo Igreja, vice-presidente da CPM. A conta solidária da associação de matriz portuguesa em Macau foi aberta no Banco Nacional Ultramarino em Junho, “ainda o incêndio não estava extinto” e o dinheiro foi transferido “há cerca de duas semanas” para o Revita, acrescentou. Ricardo Igreja afirmou que não há forma de saber o destino das verbas angariadas pela Casa de Portugal em Macau. “Não sabemos se é para reconstruir casas ou para plantar árvores”, disse, observando que isso compete ao próprio fundo,

PEDRÓGÃO GRANDE CPM RECOLHEU QUASE 500 MIL PATACAS

Ser solidário

A Casa de Portugal em Macau conseguiu juntar mais de 481 mil patacas em apoios financeiros para ajudar as vítimas dos incêndios em Pedrógão Grande, Portugal. O dinheiro é destinado ao fundo Revita

que é gerido conjuntamente com as autarquias e a sociedade civil. Além desta verba angariada pela Casa de Portugal, a Santa Casa da Misericórdia de Macau anunciou a 20 de Junho que iria contribuir com cerca de 1,9 milhões de patacas (200 mil euros) para a União das Misericórdias Portuguesas, com o objectivo de apoiar as vítimas dos incêndios em Portugal. O incêndio que começou em Junho em Pedrógão Grande provocou 64 mortos, sendo apenas extinto uma semana depois. Alastrou a Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Pampilhosa da Serra, Penela e Sertã.

PEDIDA INVESTIGAÇÃO

Esta semana, em declarações à RTP, o presidente da Câmara

de Pedrógão Grande exortou o Ministério Público a abrir uma investigação às contas bancárias que foram abertas para receber donativos que seriam encaminhados para as vítimas dos incêndios. Valdemar Alves disse ao canal público que “há empresas públicas e particulares que abriram contas em nome dos incêndios de 2017 em Pedrógão Grande” e não se sabe o destino do dinheiro depositado.

“Não sabemos se é para reconstruir casas ou para plantar árvores” RICARDO IGREJA VICE-PRESIDENTE DA CASA DE PORTUGAL EM MACAU

O autarca referiu ainda que irá solicitar aos autarcas vizinhos de Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos, também fortemente afectados pelos incêndios, para que o acompanhem no pedido de investigação dirigido ao Ministério Público. Na terça-feira o primeiro-ministro português, António Costa, afirmou que o Estado, na sequência da tragédia do incêndio de Pedrógão Grande, só organizou um fundo, o Revita, que tem 1,9 milhões de euros, e que “depois do extraordinário movimento da sociedade civil, é essencial que os portugueses tenham toda a informação sobre o destino das verbas que doaram generosamente”. “As pessoas deram o dinheiro às entidades que entenderam. O

Estado organizou um fundo, o Revita, que até ao momento só recebeu donativos no montante total de 1,961 milhões de euros. Relativamente às verbas do fundo Revita, as intenções de doação chegam até 4,9 milhões de euros, apesar de, efectivamente, só termos recebido até agora, 1,9 milhões. Sendo um fundo público, é gerido em conjunto com as autarquias e com a sociedade civil”, disse. De acordo com o líder do Executivo português, esta verba de 1,9 milhões de euros destina-se prioritariamente a dois objectivos: “Ao apoio à reconstrução das habitações, onde cerca de 19 já tem obras em curso ou concluídas após financiamento deste fundo, ou para apoiar agricultores cujos prejuízos se situam entre 1.053 e cinco mil euros”. Especificando a forma de gestão e de funcionamento deste fundo público Revita, António Costa apontou que o seu Conselho de Administração é constituído por um elemento do Instituto da Segurança Social, pelo presidente da Câmara de Castanheira de Pêra (em representação das autarquias) e pelo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pombal (este representando as entidades da sociedade civil).


10 ENTREVISTA

VALÉRIO ROMÃO

Valério Romão está prestes a encerrar o capítulo final de uma trilogia de romances, Paternidades Falhadas, com um livro, que terminou recentemente, sobre o Alzheimer. Tem também no currículo dois livros de contos. O escritor que gosta de temas arriscados esteve por cá para celebrar os 150 anos de Camilo Pessanha Como se começa a fazer um livro? Normalmente a coisa impõe-se de uma forma bastante natural. Quando dás por ti tens um projecto na cabeça que nasceu como uma espécie de revelação, uma iluminação. De repente há qualquer coisa que faz sentido e sobre a qual achas que podes passar alguns meses, ou alguns anos, a trabalhar sem que isso chateei, porque o romance é uma maratona. Começas agora e acabas muito tempo depois, portanto, tem de ser qualquer coisa que seja suficientemente apaixonante para te motivar. Acho que é bastante análogo ao trabalho académico, no princípio tudo parece muito bonito mas assim que começas a escrever surgem as dúvidas, pensas que está tudo uma grande merda. Tens oscilações, com amplitudes enormes, entre “eu sou muito bom” ou “eu sou uma grande porcaria” durante todo o processo, até que chegas a um ponto em que já nada importa a não ser acabar aquilo. Como o corpo do maratonista que já está tão anestesiado que já não

“O amor já existia antes da literatura” lhe dói, já não é cansaço, já não é nada. É, pura e simplesmente, uma espécie de mecânica cuja inércia nunca mais termina e que faz com que ele chegue até ao fim da corrida. Entras num estado de semi-hipnose em que a cabeça se concentra num único objectivo e na única coisa que, de facto, te pode salvar naquele momento que é chegar ao fim. Como é que se sabe que o processo de escrita chegou ao fim? Tu decides. Há vários fins, ou seja, quando acabas de escrever a primeira versão, quando voltas a trabalhar naquilo. Havia um gajo qualquer que dizia: “sabes que está terminado quando já não consegues olhar para aquilo”. É mais ou menos isso. No meu romance “O da Joana” fiz sete revisões, cheguei ao fim e decidi entregar aquilo a alguém porque já estava a tirar vírgulas do sítio onde as tinha posto e a pô-las onde as tinha tirado. Corria o risco de estar naquilo, tipo Sísifo, o resto da vida. Acho que no fundo já não consegues fazer muito dano porque te estás a repetir. As partes de que não se gosta cortam-se, modificam-se, essa são fáceis de resolver. As difíceis são aquelas em que não tens a certeza. Depois também chegas a um ponto em que estás demasiado perto para poder avaliar aquilo, já não tens clareza suficiente para mexer nas coisas. É muito mais fácil quando estás a rever o livro de outra pessoa. Não é uma questão de ligação emocional ao que está escrito, tem a ver com o facto de haver uma espécie de opacidade que turva as coisas quando escreves qualquer coisa e vais revê-la ao fim de algum tempo. O que é muito bom e muito mau é fácil, o que está no meio é muito mais difícil e é a maior parte. Como é que começou a escrever? Começas a escrever porque gostas muito de ler e gostas muito de ler porque, normalmente, tens um problema social qualquer, ninguém te liga. A vida é muito mais interessante que a leitura. A maior parte das vezes

não tens muito jeito para estar com pessoas, as pessoas não te interessam muito e refugiaste um bocado ali na leitura. Depois de estares nesse refúgio descobres que podes fazer um caleidoscópio do mundo e encontrar muitos mundos dentro deste mundo através da leitura e apaixonaste por aquilo. Com alguma naturalidade, vais tentando imolar aqueles de que mais gostas.

Que são... Eu comecei, como julgo que imensos escritores da minha geração, com os Lobos Antunes da vida. É uma referência, mas também um eucalipto que seca tudo à volta porque, de facto, não se pode jogar no campo dele.

“Interessa-me o desafio de pegar em matéria muito complexa. Pegar num tema destes e trabalhá-lo mal implica teres um livro que manipula uma determinada carga emocional e que redunda num livro delico-doce, ou num dramalhão.” Os temas centrais dos seus livros são duros, extremados. Porquê? Tenho algumas coisas, mais ou menos, simpáticas em contos, por exemplo. Mas, normalmente, vou à procura das coisas menos simpáticas. Primeiro, porque as acho mais interessantes, depois porque estão pouco trabalhadas, outras estão à espera que alguém pegue e faça alguma coisa. A literatura contemporânea tende a ser um bocado neutra a este tipo de temas, não os aborda, ou fá-lo de uma forma mais neutralizada. Interessa-me o desafio de pegar em matéria muito

SOFIA MARGARIDA MOTA

ESCRITOR

complexa. Pegar num tema destes e trabalhá-lo mal implica teres um livro que manipula uma determinada carga emocional e que redunda num livro delico-doce, ou num dramalhão. É um risco muito grande pegares no autismo, que é o tema do meu primeiro livro, ou numa gravidez falhada, que é o tema do segundo, corres o risco sempre de estar a manejar mal aquilo e de se tornar insuportável de ler por ser pornográfico. Porque expõe em demasia aquilo que as personagens estão a sentir, a desgraça alheia como finalidade, como no Big Brother. A minha finalidade não é essa. A minha finalidade é tentar perceber em que condições é que ocorre uma determinada experiência e tentar devolver essa experiência de uma forma intersubjectiva, de uma forma que faça sentido para mim e para ti sem que isso redunde em voyeurismo. A sua estreia no romance tem uma recepção muito interessante, inclusive foi finalista do Prémio Femina, em França. Pensou que tinha alcançado um patamar interessante e estava no certo caminho para ser escritor? Senti quando acabei aquele livro que era um bom livro. Precisava, talvez, de mais tempo para resolver alguns problemas de que ele enferma. Naturalmente, por ser um primeiro livro e por ser muito colado a uma vivência pessoal, mas senti que era um livro bom. Senti ainda mais isso no “O da Joana”, porque, na minha opinião, estruturalmente ainda é mais arriscado e não tendo falhado nesse risco acho que ainda é melhor. Mas percebes quando um livro é bom. Depois tens o teste do primeiro leitor, do editor, mas percebes quando é bom. Sente que está a fazer o seu caminho e a conseguir o seu lugar? Acho que ainda não cheguei lá, que ainda falta algum tempo para chegar ao meu lugar, seja lá o que isso for. Aquela coisa de encontrar a minha voz já está resolvida.

Acha que há uma geração nova de escritores portugueses? Um movimento pressupõe algumas condições... O movimento característico desta geração é termos temas comuns. Muitas vezes o tema é uma espécie de incapacidade de encontrar um sentido para isto onde nós estamos a viver, o que não é nada de original mas que se acaba por repetir. A originalidade das coisas não pode estar no tema. Por exemplo, o amor existe antes de haver literatura, a morte também. O tema não pode ser diferente, mas a forma como o envelope lhe cai em cima, como é vestido é que pode ser diferente, a forma como pode ser vivido e expresso. Neste caso temos uma geração de pessoas que estão ligadas a essa incapacidade de encontrar sentido, que resulta também nalguma incapacidade de haver um movimento porque todo o movimento surge sempre como


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contraponto a qualquer coisa e aqui não há contraponto. Não é uma questão de realistas e românticos, não é uma questão de neo-realistas e simbolistas, não há isso. Para quê criar um movimento quando não há nada para ir contra? Claro que temos aquelas tricas, que não chegam sequer a ser dignas de menção literária,

“Tens oscilações, com amplitudes enormes, entre “eu sou muito bom” ou “eu sou uma grande porcaria” durante todo o processo, até que chegas a um ponto em que já nada importa a não ser acabar aquilo.”

tipicamente lisboeta e portuguesa. É uma pequena cidade num país muito pequenino, em que as pessoas todas se conhecem e acabam por gostar e detestar-se mutuamente, com a mesma força. Mas há, ou havia há um ano, um renascimento da poesia em Lisboa. Há coisas interessantes a acontecer. Nunca tivemos tanta leitura de poesia, a poesia ficou sexy. Terá contribuído para isso a forma como é lida, porque a poesia era lida de uma forma em que acabava tudo a soar sempre a Manuel Alegre. A forma, a técnica, eram muito solenes e estamos numa altura em que as coisas solenes, para o bem e para o mal, não têm piada. Foi bom poder pegar em poetas e lê-los com uma guitarra eléctrica por trás, com piano, com o quer que seja, às vezes sem nada. Temos uma perspectiva muito desempoeirada do que pode ser uma leitura. Vais para um bar e

não estás à espera de ver um gajo em modo lírico a noite toda a declamar como se estivesse a ser possuído por, sei lá por quem... Pelo fantasma do Viegas... Exacto. O que nos pode dizer acerca do seu próximo livro? Acabei de escrever a primeira versão antes de vir para cá. É um livro que ainda não sei muito bem como descrevê-lo porque é muito pulverizado. Tem como pano de fundo o Alzheimer. Gosto de adaptar uma forma específica de escrita a cada livro que escrevo. O “Autismo” tem uma série de capítulos que suportam e fazem a coluna dorsal do livro, que são as partes que se passam numa sala de espera de um hospital. Tudo o resto decorre daí, intercala-se como membros daquela construção que vão encaixar nessa coluna dorsal,

“Nunca tivemos tanta leitura de poesia, a poesia ficou sexy. Terá contribuído para isso a forma como é lida, porque a poesia era lida de uma forma em que acabava tudo a soar sempre a Manuel Alegre.” em que há analepse, prolepse, para fazer essa sequência e uma espécie de bailado por dentro da história. É sinuoso, mas perfeitamente lógico. “O da Joana”, como é um livro que se passa numa noite, não tem capítulos, é vertiginoso, obriga o leitor a não parar. Como é um livro pequeno eu queria que a experiência fosse assim. Sem

paragem, respirar só quando acabar o livro, é um shot de sofrimento. Este, como é sobre o Alzheimer, não tem ordem cronológica. Pode-se começar a ler do meio para o fim, e do meio para o princípio, a experiência não é igual mas pode ser feita. O livro está pulverizado, atomizado em capítulos de página, página e meia, que são uma espécie de ilhotas que simbolizam, de certa forma, as memórias do Alzheimer, que aparecem e desaparecem. Imaginemos um campo de dunas, em que as memórias aparecem em sítios diferentes, em dias diferentes. Queria que fosse uma coisa tão perigosa, tão frágil quanto isso. Não sei se vai resultar, vamos ver, mas já está acabado. João Luz

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COMÉRCIO COM PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA SOBE 31,29%

As boas contas

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S trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa subiram 31,29% até Julho, em termos anuais homólogos, atingindo 67,61 mil milhões de dólares, indicam dados oficiais. As informações dos Serviços de Alfândega da China, publicados no portal do Fórum Macau, indicam que a China comprou aos países de língua portuguesa bens avaliados em 47,79 mil milhões de dólares, mais 33,74%, e vendeu produtos no valor de 19,82 mil milhões de dólares, mais 25,74%. O Brasil manteve-se como o principal parceiro económico da China, com o volume das trocas comerciais bilaterais a cifrar-se em 49,90 mil milhões de dólares entre Janeiro e Julho, um valor que traduz um aumento anual homólogo de 30,51%. As exportações da China para o Brasil atingiram 15,65 mil milhões de dólares, reflectindo uma subida de 34,97%, enquanto as importações totalizaram 34,24 mil milhões de dólares, mais 28,57% face aos primeiros sete meses do ano transacto. Com Angola, o segundo parceiro lusófono da China, as trocas comerciais

GRUPO WANDA PROCESSA DONOS DE CONTAS NAS REDES SOCIAIS POR DIFUNDIREM “RUMORES”

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empresa chinesa Dalian Wanda anunciou ontem ter processado judicialmente os titulares de várias contas nas redes sociais que difundiram “rumores” sobre o presidente do grupo, Wang Jianlin, afectando a cotação na bolsa. O grupo Wanda disse estar a estudar a possibilidade de abrir um processo nos Estados Unidos contra o portal em língua chinesa Boxun, que avançou inicialmente com a informação. Em 28 de agosto passado, o Boxun assegurou que Wang foi temporariamente detido, na semana anterior, e impedido de sair da China.

Segundo o mesmo portal, que cita fontes não identificadas, Wang tentou transferir todos os familiares para o Reino Unido, num voo privado, mas as autoridades chinesas proibiram-lhes também a saída do país. Aquela informação tornou-se viral nas redes sociais chinesas e resultou na queda de 8,7% nas acções da filial do grupo Wanda Hotel Development, na bolsa de Hong Kong. O gigante imobiliário chinês não detalhou quantos titulares de contas em redes sociais processou.

O grupo indicou que vai exigir a cada responsável uma compensação de cinco milhões de yuan (642 mil euros). O grupo Wanda está sobre apertada vigilância das autoridades chinesas, devido ao aumento da dívida, susceptível de gerar riscos para o sistema financeiro do país. O Governo chinês pediu recentemente aos bancos estatais que limitem os empréstimos para projectos e aquisições além-fronteiras do grupo. O grupo detém a cadeia de cinemas Odeon & UCI, presente em Portugal. Wang Jianlin é considerado o homem mais rico da China.

cresceram 48,61%, atingindo 13,37 mil milhões de dólares. Pequim vendeu a Luanda produtos avaliados em 1,24 mil milhões de dólares, mais 32,47%, e comprou mercadorias avaliadas em 12,12 mil milhões de dólares, reflectindo uma subida de 50,50%.

A FECHAR O PÓDIO

Com Portugal, terceiro parceiro da China entre os países de língua portuguesa, o comércio bilateral cifrou-se em 3,17 mil mi-

67,61 mil milhões de dólares em trocas comerciais entre a China e os países de língua portuguesa até Julho

lhões de dólares (– mais 1,19% –, numa balança comercial favorável a Pequim. A China vendeu a Lisboa bens na ordem de 2,07 mil milhões de dólares, menos 11,58%, e comprou produtos avaliados em 1,10 mil milhões de dólares, mais 38,59% face aos primeiros sete meses do ano passado. A China estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que criou o Fórum Macau, que se reúne a nível ministerial de três em três anos. Os dados divulgados incluem São Tomé e Príncipe, apesar de só ter passado a fazer parte da ‘família’ do Fórum Macau no final de Março, após a China ter anunciado o restabelecimento dos laços diplomáticos com São Tomé e Príncipe, dias depois de o país africano ter cortado relações com Taiwan e reconhecido Pequim. O comércio entre São Tomé e Príncipe e a China é insignificante, correspondendo na quase totalidade às exportações chinesas, que entre Janeiro e Julho se cifraram em 4,11 milhões de dólares.

Wolkswagen recolhe 1,8 milhão de unidades no país

A Volkswagen anunciou a recolha de 1.8 milhão de veículos na China. A revisão envolve unidades fabricadas na filial chinesa e também importadas, e a reparação será iniciado a 25 de Dezembro. Os modelos afectados são o sedan Magotan 2007 a 2014 e o cupet CC 2009 a 2014, ambos fabricados pela parceria FAWVolkswagen, na China, e ainda o Passat 2011 a 2015 fabricado pela estatal SAIC Volkswagen. O defeito afecta os componentes electrónicos da bomba de gasolina e pode levar o motor a falhar. Na semana passada, a fabricante fez uma recolha de 281 mil veículos nos Estados Unidos devido a problemas similares na bomba de gasolina, segundo informou a BBC. Ainda não é claro se se trata do mesmo defeito.


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Coreia do Norte garante que vai avançar com o seu programa nuclear mesmo que a comunidade internacional imponha mais sanções, e já acusou os Estados Unidos de serem o “principal culpado pela escalada de tensão e ameaça nuclear”. “Os Estados Unidos estão terrivelmente equivocados se acreditam que podem assustar ou persuadir a RPDC (República Popular Democrática de Coreia, nome oficial de Coreia do Norte) dizendo que ‘todas as opções’ estão em cima da mesa e impondo as piores sanções e pressão” sobre o país, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano. O comentário do ministério, publicado na noite de terça-feira pela agência estatal de notícias KCNA, refere a reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, na segunda-feira, e o pedido da embaixadora norte-americana, Nikki PUB

O braço de ferro Pyongyang promete continuar programa nuclear apesar de sanções

Haley, para ser adoptada uma nova e mais forte resolução contra a Coreia do Norte. O embargo de petróleo é uma das novas medidas propostas pelos membros do conselho, que já impôs ao país sanções destinadas a limitar a entrada de fundos potencialmente destinados ao desenvolvimento de armamento. Neste sentido, Pyongyang insistiu na inutilidade de novas sanções e afirmou que o país asiático responderá às “atrozes sanções e à pressão dos Estados Unidos com a nossa própria

contra-ofensiva” e que Washington “será totalmente responsável por todas as consequências catastróficas que se sigam”.

MANTER A ROTINA

Em relação ao último teste nuclear, no domingo passado, em que assegurou ter testado uma bomba H (de hidrogénio, mais potente que uma bomba atómica convencional), que pode ser instalada num míssil intercontinental, a Coreia do Norte disse que “ninguém tem direito a criticar o nosso teste” e classificou-o como um procedimento “rotineiro

“Os Estados Unidos estão terrivelmente equivocados se acreditam que podem assustar ou persuadir a RPDC dizendo que ‘todas as opções’ estão em cima da mesa e impondo as piores sanções e pressão” sobre o país

e indispensável” ao seu desenvolvimento. Pyongyang acusou Washington de tentar “difamar” a Coreia do Norte, ao acusar o país de tentar começar uma guerra, e afirmou que “os comentários disparatados e beligerantes de ‘fogo é fúria’ de [Donald] Trump” demonstram que são os Estados Unidos que estão a “pedir guerra”, ignorando a comunidade internacional. “Com o surgimento da administração Trump, os Estados Unidos tornaram-se mais imprudentes” com a Coreia do Norte, “e não nos resta outra opção que não redobrar os nossos esforços para fortalecer a força nuclear do Estado”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano.


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Dizem que o sol do rio é bonito,O viajante apenas concorda em ficar lá até morrer.

A Poesia Completa de Li He

雁門太守行 黑雲壓城城欲摧,甲光向日金鱗開。 角聲滿天秋色裡,塞上燕脂凝夜紫。 半卷紅旗臨易水,霜重鼓寒聲不起。 報君黃金台上意,提攜玉龍為君死。

Balada do Grande Guardião da Porta do Ganso Nuvens negras assediam a cidade, Até parecer que a cidade deve cair. A nossa cota de malha brilha ao luar, Escamas de metal boquiabertas. Clangor de cornos enche o céu Com cores de outono. Além fronteira, como carmim de Yan, Congela o púrpura da noite. Nossos estandartes escarlates, meio desenrolados, Retiram para o rio Yi, Tão frios os tambores, na densa geada, Seu som abafado. Pedimos ao rei que nos favoreça Na Torre do Ouro Amarelo,1 Brandindo nossos Dragões de Jade 2 Morremos por nosso senhor. 1

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O título é de uma balada yue-fu. “Grande Guardião” (tai-shou) era uma patente equivalente à de governador. Yan-men (“Porta do Ganso”) situavase em Shanxi. O poema refere-se à derrota de um exército chinês durante a Dinastia Han tardia. Durante o Período dos Reinos Combatentes, o Rei Zhao de Yan, ansioso por atrair os melhores homens do tempo à sua corte, oferecia mil peças de ouro a quem viesse a audiências consigo na sua torre e fosse aceite ao seu serviço. As ruínas desta torre ficam a dezoito li a sudeste do rio Yi. “Dragão de Jade” era um nome favorito dado a uma espada durante os Tang.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 15

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diários de próspero António Cabrita

Fábula de um marciano em Macau 04/09/17

Quem chegasse de Marte, de talhe e olhos verdes, assim como eu, e passeasse distraído pelas ruas de Macau não deixaria de notar a verdadeira obsessão que os humanos têm pelos relógios. Há mais lojas de relógios do que Madrid tem toureiros. Será terra de filósofos, interrogar-se-ia o marciano da melena verde (como a minha). Em Portugal, rezam os canhenhos também era assim no século XVIII. Casa que não tivesse na sala cinco relógios de pêndulo e dois de cuco não valia um caracol. Disso soube o corsário francês Du Bocage, irmã de uma poetisa francesa que o Voltaire elogiara, e que se apoderou dum navio holandês que levava no porão seis toneladas de relógios e rumou imediatamente a Lisboa, no farejo de vender a mercadoria. Rapaz pragmático, enamorou-se de uma rapariga de Alfama, e depois de outra, e de outra, enquanto ia enchendo a cidade de tique-taques. Deste modo se amodorrou por Lisboa o antigo pirata francês e nela fez uma filha – a mãe do poeta Bocage. É inútil procurar rasto de Bocage por Macau, embora, após ter desertado da marinha, tivesse o “carão moreno” aqui desembarcado, antes de mão amiga o salvar de novas dissipações, “deportando-o” para Lisboa, para alegria dos salões que nesse tempo andavam à míngua de rimas. Mas coloco uma hipótese que me animará o resto da semana. Bocage chega a Bocage na penúria (como eu) mas com uma carga de que nunca se separava por afecto: o relógio que fora do seu avô e que a mãe, no leito de morte, lhe entregara à sua mão pequenina. Por duas vezes ainda dormiu na Gruta de Camões, embalado pelo mavioso tique-taque, enquanto reflectia, Que tipo de devaneio cabe aos relógios, ou, Onde se localizará o clitóris do tempo, etc.,etc. Mais nada lhe ocorreu, pois nada mais lhe sobrava e nessa altura não havia ainda os casinos para experimentar a sorte. Na manhã do terceiro dia, faminto e alquebrado, entrou numa venda na cidade e penhorou o relógio do avô, que tinha marchetado em marfim um camaleão cuja língua tocava o baixo ventre de uma Virgem com as faces encarniçadas... pelo assombro. Só me restam quatro dias para vasculhar, de coração contrito, rasto do relógio de Bocage. Baterei um a um todos os relojoeiros de Macau, mesmo sabendo que ruborizarei ao descrever a volúpia nos olhos da Virgem. Dado que em Macau é tudo perto, como no Alentejo, estafarei as solas e fi-

carei verde (como o marciano) a quem finalmente chegou “o cheiro da carne que nos embebeda”.

05/08/17

Gosto, quando aterro numa cidade e passado pouco tempo na minha cabeça fervilha a ervilha dos projectos. É o que me está a acontecer em Macau, onde se me deflagrou o desejo de escrever uma peça sobre as relações entre Pessanha e o seu arqui-inimigo Silva Mendes, um tradutor de Lao Tze que invejava o poeta. O modelo da peça será o conflito entre Mozart e Salieri. Já tenho o actor para o Salieri: o Manuel Mendes – como se diz em Moçambique, um xará do primeiro. Uma comédia que fale da difícil acomodação dos poetas na cidade e brinque com o manto de irreais com que os portugueses se entregaram em todas as colónias à devotada replicação das suas aldeias. Ainda não gizei o enredo, mas creio que o relógio de Bocage será um motivo de disputa, que a cabeleira verde (em jade) do marciano igualmente, e que haverá um travesti que se julga a Lady Macbeth.

06/08/17

Faz-se em Macau o que em Moçambique não se ousa. Manter viva a voz do poeta que sinalizou o acume simbólico da presença portuguesa. Aqui Pessanha revivifica, em Moçambique o ausente, a grande figura genial é ainda um filho bastardo do vento (que como se sabe é fêmea) e do esquecimento. E tem nome, ou antes tem vários: António Quadros, pintor/ João Pedro Grabato Dias, ou

Mutimaté Barnabé João, o poeta guerrilheiro que ele inventou. E foi o bruto poeta, arquitecto, pintor, pedagogo, apicultor, autor de manuais sobre óptica - este único poeta que o Zeca Afonso musicou. Começou por ganhar um reputado prémio literário que nunca levantou, escreveu uma continuação paródica dos Lusíadas, em as Quibíricas, atribuídas a um frei Joannus Garabatus, suposto confessor do El-rei D. Sebastião (livro

Gosto, quando aterro numa cidade e passado pouco tempo na minha cabeça fervilha a ervilha dos projectos. É o que me está a acontecer em Macau, onde se me deflagrou o desejo de escrever uma peça sobre as relações entre Pessanha e o seu arquiinimigo Silva Mendes, um tradutor de Lao Tze que invejava o poeta

que mereceu um prefácio paródico de Jorge de Sena); fez reportagens poéticas sobre as incidências em Moçambique após a independência, ao jeito de uma que Lusa tivesse Ovidio e Virgílio como redactores; escreveu longas odes sobre temas existenciais e sobretudo A Arca (de Noé), uma suposta tradução do sânscrito ptolomaico com versão contida, na qual Grabato só larga o espaldar depois de trezentas estrofes regulares, de uma densidade conceptual que deixam o leitor exaurido. E alvitre-se já: A Arca é um dos esteios da poesia portuguesa do século XX, um dos raros poemas de fôlego portugueses onde a poesia se aproxima de uma gnose, de uma literatura concebida como anamnese. Aqui deixamos um excerto de um outro poema: «Meu Amor, como pensares-me morto e ser triste?/ Estive sempre em viagem. Só agora regresso. / Usa o teu sorriso. Tira o coração da arca / De entre os linhos, alfazemas, naftalinas /E usa-os no domingo de todos os dias do ano (...)/ Estou catando os cachorros, apanhando limões/ Abrindo a colmeia no fumo cheiroso da bosta seca./ Sorrio, pela primeira vez, sem comandar os lábios/ Com o esticar dos fios da complacência doméstica./ Destrinço o sexo na ninhada da velha coelha/ Virando de barriga para cima os veludos das crias./ Espero daninho o teu regresso, acocorado no verão/ E, porque cheguei ao verso, estou vivo»

06/08/17

Acordo e sento-me no útero da minha mulher. Serão já saudades de Macau?


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7.9.2017 quinta-feira

Anúncio Concurso público nº 01/DSAL/2017 Prestação de serviços de segurança à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, em representação da entidade adjudicante, faz público que, por Despacho do Secretário para a Economia e Finanças de 18 de Agosto de 2017 e nos termos do artigo 13.º do Decreto-Lei n.º 63/85/M, de 6 de Julho, se encontra aberto o concurso público para a “Prestação de serviços de segurança à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais”. 1. Entidade adjudicante: Secretário para a Economia e Finanças. 2. Serviço por onde corre o processo do concurso: Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais. 3. Duração da prestação de serviços: 1 de Dezembro de 2017 a 30 de Novembro de 2019, um período de 24 meses. 4. Condições gerais dos concorrentes: Podem participar no concurso, empresas que comprovem a satisfação do disposto sobre a titularidade do licenciamento válido para a exploração da actividade de segurança privada, nos termos da Lei n.º 4/2007 (Lei da actividade de segurança privada), bem comocom o registo comercial efectuado na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) e com comprovado cumprimento das suas obrigações fiscais. 5. Local, data e horário para consulta do processo do concurso e obtenção da cópia do processo:  Local: Divisão Administrativa e Financeira da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2º andar.  Data: a partir da data da publicação deste anúncio no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau até à data e hora marcadas para o acto público do concurso.  Horário: Dias úteis (2ª a 6ª feira, das 9:00 horas às 13:00 horas; 2ª a 5ª feira das 14:30 horas às 17:45 horas; 6ª feira das 14:30 horas às 17:30 horas).  Custo de aquisição de cópia do processo do concurso: MOP 500,00 (Quinhentas patacas).  Os interessados no concurso também podem descarregar (download) gratuitamente o programa do concurso e o caderno de encargos na página electrónica da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (http://www.dsal.gov.mo/pt/standard/concurso_publico_c.html). 6. Local, prazo e hora para a apresentação das propostas:  Local: Divisão Administrativa e Financeira da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2º andar.  Prazo e hora:9 de Outubro de 2017 (2ª feira), até às 17:30 horas (não serão aceites propostas entregues fora do prazo). 7. Caução provisória: MOP160.000,00 (Cento e sessenta mil patacas), que pode ser prestada por garantia bancária ou depósito em numerário em nome da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais da Região Administrativa Especial de Macau. 8. Local, data e hora do acto público do concurso:  Local: Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2º andar, sala de formação 2F-11.  Data e hora: 10 de Outubro de 2017 (3ª feira), pelas 10:00 horas. Nota: Os concorrentes ou os seus representantes presentes no acto público do concurso que pretendam reclamar e/ou esclarecer dúvidas eventualmente surgidas nos documentos apresentados, deverão mostrar documentos que atestem o seu estatuto. 9. Sessão de esclarecimento e visita às instalações: A sessão de esclarecimento destinada aos concorrentes terá lugar no dia 14 de Setembro de 2017 (5ª feira), pelas 9:30 horas, na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais, sita na Avenida Dr. Francisco Vieira Machado, nos 221-279, Edifício “Advance Plaza”, 2º andar, sala de formação 2F-09. Após esta sessão será feita uma visita às instalações a que se destina a prestação de serviços deste concurso. 1 de Setembro de 2017.

O Director, Wong Chi Hong


(f)utilidades 17

quinta-feira 7.9.2017

?

TEMPO POSSIBILIDADES DE TROVOADA MIN 26 MAX 31 HUM 70-95% • EURO 9.62 BAHT 0.24 YUAN 1.23

O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje VISITA À CAMPA DE CAMILO PESSANHA 11h00 | Cemitério São Miguel Arcanjo ALMOÇO COM A FAMÍLIA DE PESSANHA 13h00

PÊLO DO CÃO

STRESS

JANTAR “AS RECEITAS MACAENSES DO INICIO DO SÉCULO XX”, POR GRAÇA JORGE 20h00

Diariamente EXPOSIÇÃO “O CIRCUITO DA GUIA COMO PATRIMÓNIO MUNDIAL DA UNESCO” Galeria do edifício da Direcção dos Serviços de Turismo, Largo do Senado

O CARTOON STEPH

EXPOSIÇÃO “RESTLESS NATURE”: TONG CHONG Taipa Village Art Space | Até 6/9 EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 115

Cineteatro

C I N E M A

IT SALA 1

OVERDRIVE [B] Fime de: Antonio Negret Com: Scott Eastwood, Freddie Thorp, Ana de Armas 14.30, 16.30

WOLF WARRIORS 2 [C] FALADO EM PUTONGHUA LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Jason Wu Com: Jason Wu, Qian Yu, Nan Yu 19.15, 21.30 SALA 2

IT [C] Fime de: Andrés Muschietti Com: Bill Skarsgard, Jaeden Lieberher,

Jeremy Ray Taylor 14.15, 16.45, 21.30

OVERDRIVE [B]

UM DISCO HOJE

ARISE | SEPULTURA

Em 1991 saiu o quarto disco dos brasileiros Sepultura, que para muitos fãs é o melhor da discografia, o registo imediatamente anterior à fase de maior popularidade da banda no panorama do trash-metal mundial que chegou com o disco “Chaos A.D.”. Movido pela rápida e perfeita bateria de Igor Cavalera, “Arise” esbanja grandes riffs de guitarra em quase todas as músicas e regista o maior salto evolutivo em termos de qualidade da banda de Belo Horizonte. Apesar do tempo decorrido, temas como “Desperate Cry”, “Dead Embryonic Cells” e “Altered State” ficam na memória de quem gostou de metal pesado durante a década de 1990. João Luz

Fime de: Antonio Negret Com: Scott Eastwood, Freddie Thorp, Ana de Armas 19.30 SALA 3

DANGAL [B] FALADO EM HINDI LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Nitesh Tiwari Com: Aamir Khan, Sakshi Tanwar, Fatima Sana Shaikh 14.30, 18.00, 21.00

PROBLEMA 116

SUDOKU

DE

De repente, sem pré-aviso, uma urgência que não pode esperar e que se não tiver resposta resulta em consequências gravíssimas. É preciso reagir já, não deixar o tempo esgotar-se esgotando-me! Fazê-lo com a cabeça fria que a própria emergência trata de esquentar. Fluxo acelerado de pensamentos que se atropelam, congestão de terminações nervosas que sobrecarregam os processadores da mente, afastamento total de uma respiração pausada que use a plenitude da capacidade pulmonar, personificar o completo oposto do zen. Arquejar como um passarinho em pleno voo durante um vendaval e transformar o coração num carro de Fórmula 1. Esquecer elementos essenciais, não reparar em nada, substituir a capacidade de foco por uma vaga neblina de incerteza. Correr para lado nenhum, sem qualquer tipo de objectividade, a contar com a fortuna, com um destino benevolente, que reequilibre a falta de ponderação. Estar à mercê da cruel realidade e viver assim, com o credo na boca, num acesso de palpitações constantes, sem rumo e a pairar num estado de rarefeita racionalidade. Perder a cabeça, sentir a atracção inevitável da gravidade que não abre excepções, que não tem favoritos, que a nada obedece. Viver na total arbitrariedade e ter isso em mente mas, ainda assim, prosseguir o caminho neste trajecto de fogo por ser o único que se tem debaixo dos pés. João Luz

www. hojemacau. com.mo

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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7.9.2017 quinta-feira


opinião 19

quinta-feira 7.9.2017

a outra face

Daqui ninguém sai vivo

GEORGE GROSZ, CASAL NO QUARTO (PORMENOR)

CARLOS MORAIS JOSÉ

A

campanha eleitoral já vai alta e sem grandes motivos de interesse. Afinal, a eleição de deputados directos pouco influencia a política real. Contudo, apesar de pouco estar em disputa, assistimos esta semana a canalhices políticas que não deixam de ser dignas de nota porque são ilustrativas do tipo de gente que se candidata à Assembleia Legislativa da RAEM. É o caso da deputada de Fujian Song Pek Kei. Senhora de discursos vazios ou interpelações idiotas na AL, durante o período em que já foi deputada, a senhora Song resolveu num debate com Pereira Coutinho invocar situações familiares menos agradáveis do deputado da Nova Esperança, inaugurando na política de Macau um capítulo ignóbil. E fê-lo com toda a clareza como se as palavras proferidas não fossem, para quem possui um mínimo de ética, lama que caiu em si própria. Julga a senhora Song que não tem telhados de vidro na sua casa e por isso atira verrinosas pedras a telhados alheios. Dela poder-se-ia dizer, por exemplo, que só existe porque serve o poderoso senhor Chan e porque o senhor Chan lhe deu a mão. Seria talvez injusto. Mas, pela sua actuação na AL, poder-se-ia, desta vez dizer-se com justiça e razão, que foi uma nulidade. Zero ideias

originais, discursos vazios, interpelações frouxamente escritas, nenhum projecto de lei, atitude seguidista e em conformidade com os interesses instalados. Filha de emigrantes, se não emigrante ela mesma, não se coíbe nos ataques ao trabalhadores não residentes, os mesmos que fazem realmente funcionar esta cidade. Mas até aqui tudo bem. O disparate e mesmo a estupidez têm direito à expressão no segundo sistema. O pior é quando a senhora Song ultrapassa esses limites como fez esta semana, inaugurando um capítulo que, suponho, envergonhará a RAEM agora e no futuro. Trata-se de trazer a vida privada dos candidatos para a a discussão política. Será que a senhora Song quer que seja feita uma devassa à sua vida privada e, sobretudo, à dos seus companheiros de lista e de asso-

A verdade é que este tipo de comportamento é muito triste e anti-democrático. Joga com as emoções mais brutas dos cidadãos, apela à sua estupidez e intolerância. Se até aqui a política local tinha escapado a este tipo de ataques soezes, a partir de agora, graças à senhora Song, parece que vale tudo, incluindo usar a família, valor sagrado para a cultura chinesa

ciação? Acharia bem que se referissem os parceiros de cada um, as suas tendências sexuais, ou mesmo o que membros da sua família andam a fazer? Será que a senhora Song tem a certeza de só ter na sua cozinha pratos completamente limpos? A verdade é que este tipo de comportamento é muito triste e anti-democrático. Joga com as emoções mais brutas dos cidadãos, apela à sua estupidez e intolerância. Se até aqui a política local tinha escapado a este tipo de ataques soezes, a partir de agora, graças à senhora Song, parece que vale tudo, incluindo usar a família, valor sagrado para a cultura chinesa. Mas o problema deste tipo de comportamento é que, na realidade, afasta as questões políticas de cima da mesa. Ao invocar o factor privado da vida de cada um, deixamos de dar relevância às acções concretas dos candidatos e às suas propostas, para cairmos no género de conversa que se tem no café ou no mercado. Baixa e incapaz de trazer algo de bom. A senhora Song devia pedir desculpa a Pereira Coutinho e ao eleitorado em geral por ter inaugurado a estratégia do golpe baixo na política da RAEM. E se não percebeu o que estava a fazer, a perigosidade deste caminho, então ainda é pior porque com isso demonstra que não tem inteligência ou bom senso para o lugar que pretende ocupar. Ao continuarmos por este caminho, que parece agora ser irresistível, em breve teremos devassas pessoais sobre todos os candidatos, incluindo os que pertencem ao grupo da senhora Song. E olhem, no limite, a continuarmos na senda inaugurada pela senhora Song, daqui ninguém sai vivo.


O SALVADOR SOBRAL “PAUSA” POR MOTIVOS DE SAÚDE

O

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músico Salvador Sobral anunciou que vai fazer uma pausa temporária na carreira musical por motivos de saúde, mas realçou que vai manter o concerto previsto para esta sexta-feira, no Festival Internacional de Cultura de Cascais. Num vídeo publicado nas redes sociais, Salvador Sobral afirmou que “já não é segredo para ninguém” que o seu estado de saúde é “frágil”, tendo levado ao cancelamento de vários concertos na semana passada. “Chegou infelizmente a altura de entregar, digamos, o meu corpo à ciência e consequentemente ausentar-me de concertos e de música no geral, sair deste mundo dos civis e ir para um outro onde certamente este problema será resolvido. Infelizmente, não sei quanto tempo pode demorar, mas estarei com força e queria-vos agradecer todo o apoio que me deram até agora”, afirmou o músico, que apelou para que a sua privacidade e a dos seus próximos fosse respeitada. Na sexta-feira à noite, Salvador Sobral vai actuar nos jardins do Casino Estoril no âmbito do Festival Internacional de Cultura. No Facebook, ontem, o projecto Alexander Search referiu que o músico iria “fazer uma pausa temporária na sua actividade artística para o restabelecimento completo da sua condição de saúde”, pelo que “os concertos da banda agendados para os próximos meses ficam, assim, adiados para datas a anunciar em breve”. Na semana passada, o cantor Salvador Sobral cancelou, “por indicação médica”, as actuações que tinha marcadas em Faro e em Anadia. Depois do concerto de Cascais, Salvador Sobral tinha previstos concertos na Benedita, em Torres Novas, Leiria e Lagos.

“

quinta-feira 7.9.2017

Corolas, que floristes/ Ao sol do inverno, avaro / Tão glácido e tão claro/ Por estas manhãs tristes.” Camilo Pessanha

líder Sporting enfrenta o desafio mais difícil dos três crónicos candidatos ao título português de futebol na quinta jornada da I Liga, ao deslocar-se na sexta-feira ao estádio do Feirense, ainda invicto na prova. O FC Porto, que acompanha os ‘leões’ no primeiro lugar, em igualdade pontual, deverá encontrar mais facilidades frente ao Desportivo de Chaves, penúltimo classificado, enquanto o tetracampeão Benfica procura regressar aos triunfos na recepção ao Portimonense. Após quatro triunfos consecutivos, entre os quais o categórico 5-0 em Guimarães, o Sporting visita o reduto do Feirense - sexto colocado, com duas vitórias e dois empates -, onde soma quatro triunfos em cinco jogos, mas perdeu, precisamente, o último, na época passada, por 2-1. Para o jogo de abertura da ronda, a equipa lisboeta já não poderá contar com o ‘capitão’

Leões na feira I LIGA SPORTING COM TESTE DIFÍCIL À LIDERANÇA

Adrien, transferido para os ingleses do Leicester durante a pausa do campeonato para os jogos de apuramento para o Mundial2018, e viu Fábio Coentrão lesionar-se ao serviço da selecção portuguesa. O FC Porto, pelo contrário, vai defrontar no sábado uma equipa que ainda não festejou qualquer vitória na competição, na qual empatou um jogo e perdeu três, instalada na zona de despromoção, em igualdade com o lanterna-vermelha Desportivo das Aves. Com o médio Herrera como única ‘baixa’, o FC Porto encontram muito conforto na perspectiva histórica, uma vez que

venceram todos os 15 encontros disputados em casa frente aos flavienses, 14 dos quais para o campeonato.

ONDA DE LESÕES

Em contraponto com o rival portuense, o Benfica debate-se com a ausência de vários jogadores influentes, devido a lesão, um problema que persegue há duas épocas a equipa orientada por Rui Vitória, obrigando o treinador a encontrar alternativas. Privado dos defesas Grimaldo e Jardel, dos médios Fejsa e Pizzi e o avançado Salvio, e com o ponta-de-lança Jiménez a chegar em cima da hora após uma

Após quatro triunfos consecutivos, entre os quais o categórico 5-0 em Guimarães, o Sporting visita o reduto do Feirense - sexto colocado, com duas vitórias e dois empates

viagem intercontinental, não é de excluir que Gabriel Barbosa possa estrear-se na sexta-feira, ante o recém-promovido Portimonense, 14.º posicionado. O avançado brasileiro é um dos mais recentes reforços ‘encarnados’, emprestado pelo Inter Milão, a par do compatriota Douglas, cedido pelo FC Barcelona, também por empréstimo, duas boas notícias par Rui Vitória, que também já poderá com o guarda-redes Júlio César, recuperado de lesão. O tetracampeão nacional procura regressar aos êxitos, depois de ter tropeçado na jornada anterior no estádio do Rio Ave (1-1), perdendo os primeiros pontos frente a uma das boas surpresas deste início de temporada, com a qual está igualada no terceiro lugar. Os vila-condenses, uma das cinco equipas que ainda não perderam, em conjunto com os três ‘grandes’ e o Feirense, preparam uma deslocação complicada, ao reduto do Marítimo, quinto colocado e que pode ultrapassar o adversário de sábado em caso de vitória. O Sporting de Braga, sétimo da tabela, e o Vitória de Guimarães, 11.º, habituais frequentadores dos lugares de acesso às competições europeias, procuram subir na classificação, após os embates de domingo com o Vitória de Setúbal e o Boavista, respectivamente. Lusa

CINEMA EPISÓDIO IX DA SAGA “GUERRA DAS ESTRELAS” PERDE REALIZADOR

A

produtora Lucasfilm anunciou, na terça-feira, que o realizador Colin Trevorrow iria abandonar o projecto do episódio IX da saga “Guerra das Estrelas” devido a diferenças criativas. “A Lucasfilm e Colin Trevorrow escolheram de forma mútua seguir caminhos diferentes no Episódio IX de ‘Guerra das Estrelas’. Colin tem sido um colaborador ex-

traordinário ao longo do processo de desenvolvimento, mas chegámos à conclusão de que as nossas visões diferem. Desejamos-lhe o melhor e iremos partilhar mais informação sobre o filme em breve”, pode ler-se no comunicado da produtora divulgado na íntegra pela imprensa especializada. O episódio IX torna-se assim no mais recente filme da saga “Guerra das

Estrelas” a deparar-se com problemas de produção, depois de “Rogue One: Uma História de Star Wars” ter precisado de filmagens de última hora e na sequência de, já este ano, os realizadores Phil Lord e Christopher Miller terem sido substituídos por Ron Howard à frente do filme sobre a personagem Han Solo. Mais conhecido por ter realizador “Mundo Jurássico”, Trevorrow foi

anunciado como responsável pelo último episódio da nova trilogia em Agosto de 2015, que também estaria a escrever, e que tem estreia prevista para 2019. A saga principal de a “Guerra das Estrelas” vai ter este ano novo episódio com o lançamento de “Os Últimos Jedi”, de Rian Johnson, em Dezembro, depois de “O Despertar da Força”, de J.J. Abrams, em 2015.

De acordo com a publicação digital The Playlist, o nome de Rian Johnson (realizador de filmes como “Brick” ou “Looper – Reflexo Assassino”) encabeça a lista de potenciais sucessores, tendo o próprio dito, em Julho, que faria outro filme de “Guerra das Estrelas” “num piscar de olhos”.


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Hoje Macau 7 SET 2017 #3891 by Jornal Hoje Macau - Issuu