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Hoje Macau 7 AGO 2017 #3869

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

ALQUIMIA DA DÚVIDA

INFANTILIZAÇÃO DO CONSUMIDOR

ANABELA CANAS

ALIBABA

VALÉRIO ROMÃO

INTELIGÊNCIA EM MACAU

CANCRO ACORDO COM FUNDAÇÃO CHAMPALIMAUD

Alexis Tam quer elevar o nível do tratamento oncológico em Macau e conta com a Fundação Champalimaud

PÁGINA 4

AMBIENTE

Campeões do lixo PÁGINA 9

WILLIAM BLAKE

Gweilo

para trazer ao território especialistas de renome que possam partilhar conhecimentos. A parceria está para breve.

OPINIÃO | JOÃO LUZ

SUPERTAÇA

Instinto matador

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PÁGINA 17

CHINA | ÍNDIA

MONTE DOS VENDAVAIS PÁGINA 14

ASEAN ENCONTROS ESCALDANTES GRANDE PLANO

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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hojemacau

O inimigo público

GCS

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MOP$10

SEGUNDA-FEIRA 7 DE AGOSTO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3870


2 grande plano

ASEAN

7.8.2017 segunda-feira

BRACO-DE-FERRO ´ ESTADOS UNIDOS E COREIA DO NORTE JUNTOS EM REUNIÃO MINISTERIAL

A

edição deste ano da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que reúne ministros dos Negócios Estrangeiros da região com outros representantes mundiais, tem tido a Coreia do Norte como assunto dominante. O encontro realiza-se pouco depois das Nações Unidas terem acordado unanimemente impor novas e duras sanções ao país. A tomada de posição veio na sequência de testes de mísseis balísticos realizados no final do mês passado que, segundo informações veiculadas por Pyongyang, têm agora capacidade para atingir os Estados Unidos. As sanções aprofundam a crise económica do regime de Kim Jong-un limitando investimentos e as exportações do país mais isolado da comunidade internacional. A embaixatriz norte-americana nas Nações Unidas, Nikki Haley considera que “este é o mais incisivo conjunto de sanções a que um país foi submetido numa geração”. O embaixador britânico, Matthew Rychoft, ressalva que “não tem de ser assim”, acrescentando

que “a Coreia do Norte é responsável pelas sanções aprovadas devido ao caminho de provocação e escalada de tensões” que tem levado a cabo.

SEGURANÇA LIGHT

A

reunião, que está a decorrer no centro de convenções em Manila, começou a meio da manhã, sem o habitual dispositivo de segurança destes encontros. O chefe da polícia da área metropolitana de Manila, Oscar Albayalde, afirmou que o Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, manifestou desdém pelo estabelecimento de cordões de segurança, muito inconvenientes para a população. Ainda assim, a polícia destacou alguns milhares de agentes na capital e definiu zonas de exclusão aérea e marítima num perímetro em redor do local do evento. A circulação rodoviária foi apenas interrompida à chegada dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos dez Estados-membros da ASEAN (Birmânia, Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietname).

Filipinas, Brunei, Malásia e Vietname disputam com Taiwan e China a soberania de várias ilhas no Mar do Sul da China, um espaço marítimo estratégico e rico em recursos naturais, que Pequim reclama na quase totalidade. Os diferendos com a China, que incluem as ilhas Spratly, entre ou-

tros enclaves marítimos, puseram à prova, nos últimos anos, a coesão interna da ASEAN, depois de o Camboja e o Laos terem defendido os interesses de Pequim. Nos últimos anos, o Governo chinês construiu instalações, que podem ter uma utilização militar,

FRANCE-PRESSE

Em declarações à imprensa, o ministro dos Negócios Estrangeiros Chinês, Wang Yi, explica que as “sanções são necessárias”, mas que não encerram um propósito derradeiro. “A nossa intenção é trazer todas as partes envolvidas para a mesa negocial para se encontrar as acções diplomáticas necessárias para proceder ao desarmamento nuclear da península coreana”, releva. A Coreia do Norte respondeu preventivamente ao anúncio das sanções da forma que melhor conhece - com ameaças. O jornal oficial norte-coreano, Rodong Sinmun, publicou um artigo onde diz que “acções nucleares ou sanções impostas por Washington vão resultar num inimaginável mar de fogo” engolindo dos Estados Unidos. A retórica dura de Pyongyang é acompanhada por Donald Trump, que tem repetido a frustração em relação a Pequim devido à falta de posições claras das autoridades chinesas na resposta às provocações norte-coreanas. As sanções aprovadas são o terceiro conjunto de represálias diplomáticas impostas à Coreia do Norte. Apesar do fortalecimento da réplica diplomática, a Casa Branca não afasta a possibilidade de partir para a guerra preventiva. A ameaça foi feita este fim-de-semana pelo Conselheiro para a Segurança Nacional, H. R. McMaster. “Se eles tiverem armamento nuclear que possa ameaçar os Estados Unidos isso representa uma perspectiva intolerável para o Presidente”, referiu o norte-americano. Ainda assim, McMaster tem consciência de que esta seria “uma guerra com custos muito elevados em termos de sofrimento, em especial para o povo sul-coreano”.

ASSOCIATED PRESS

As divergências no Mar do Sul da China e os testes de mísseis balísticos norte-coreanos dominam a reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da Associação de Nações do Sudeste Asiático que se realiza em Manila até amanhã. Esta é a primeira vez que o ministro dos Negócios Estrangeiros Norte-Coreano se pode encontrar com o homólogo norte-americano

XADREZ MARÍTIMO

Estava prevista para ontem a assinatura de um acordo-quadro de código de conduta no Mar do Sul da China entre os homólogos da ASEAN, de forma a que as negociações avancem sobre as disputas naquele mar entre Pequim e vários Estados-membros. Até ao fecho da edição não houve indicações de que este acordo tivesse sido assinado.

O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson


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em ilhas artificiais, o que preocupa os países vizinhos e também os Estados Unidos, que mantêm interesses na região. Em declarações à Associated Press, um diplomata que não se identificou disse que o tópico sobre o Mar do Sul da China

deverá conhecer uma resolução mais rapidamente do que a questão norte-coreana uma vez que os diferentes membros estão conscientes do papel crucial que Pequim desempenha nas relações económicas com os países membros. A opinião muito colada à

posição chinesa pode denunciar a sua proveniência.

QUESTÕES DIFERENTES

O dinheiro fala sempre mais alto. Numa entrevista ao South China Morning Post, o secretário das Finanças filipino, Carlos Domin-

A

REUTERS

EM MANILA

ANTÓNIO ANTI-NUCLEAR GUTERRES existência de cerca de 15 mil armas nucleares no mundo e a “perigosa retórica sobre a sua utilização” agravam as ameaças atuais, disse ontem o secretário-geral da ONU. “Assim, o nosso sonho de um mundo livre de armas nucleares continua longe de ser uma realidade”, sublinhou António Guterres numa mensagem por ocasião do 72.º aniversário do bombardeamento atómico de Hiroshima (oeste do Japão), 6 de agosto de 1945. “Os Estados que possuem armas nucleares têm uma responsabilidade especial e devem assumir passos concretos e irreversíveis para o desarmamento nuclear”, alertou, na mesma mensagem lida pela subsecretária geral da ONU e Alta representante para o desarmamento, a japonesa Izumi Nakamitsu.

guez, adiantou que Manila estava a tentar proteger os seus interesses separando as disputas marítimas dos esforços para captar investimento chinês. As tensões que se vinham a acumular entre Pequim e Manila sobre o banco de areia de Scar-

ASSOCIATED PRESS

“A nossa intenção é trazer todas as partes envolvidas para a mesa negocial para se encontrar as acções diplomáticas necessárias para proceder ao desarmamento nuclear da península coreana.” WANG YI MNE CHINÊS

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi REUTERS

A ministra sul-coreana dos Negócios Estrangeiros, Kang Kyung Hwa

De acordo com informações veiculadas pela Reuters, os atrasos para a assinatura do acordo devem-se à posição firme do Vietname, um dos quatro países que mantém disputas territoriais com Pequim As tensões que se vinham a acumular entre Pequim e Manila sobre o banco de areia de Scarborough e a ilha de Huangyan, foram aliviadas depois da visita de Rodrigo Duterte a Pequim em Outubro último

borough e a ilha de Huangyan, foram aliviadas depois da visita de Rodrigo Duterte a Pequim em Outubro último. Em primeiro lugar, a China voltou a abrir as suas portas à importação de frutos exóticos filipinos. Por outro lado, Xi Jinping comprometeu-se a fornecer nove mil milhões de dólares em assistência financeira, assim como empréstimos comerciais para um conjunto de projectos. O Governo chinês conseguiu convencer a contraparte filipina com o financiamento de duas pontes, um projecto de irrigação no norte das Filipinas e uma barragem de grandes dimensões que promete expandir as reservas de água da área metropolitana de Manila. Está também em cima da mesa a construção de uma linha ferroviária financiada pelo Governo chinês que liga a capital filipina a Bicol, uma das áreas mais pobres da região sul do país. Espera-se que o investimento avaliado em três mil milhões de dólares tenha capacidade para incentivar o mercado de trabalho e tornar Manila mais acessível. “Estes projectos serão fundados pelo Governo chinês, estamos a negociar os termos do financiamento, mas as condições são muito atractivas”, comenta Carlos Dominguez. De acordo com informações veiculadas pela Reuters, os atrasos para a assinatura do acordo devem-se à posição firme do Vietname, um dos quatro países que mantém disputas territoriais com Pequim. As autoridades vietnamitas querem que o documento mencione a necessidade de evitar reclamações de terra e acções militares. As negociações já duram há mais de 15 anos, tempo que tem sido usado pela China para consolidar a sua posição estratégica nas áreas disputadas. Três das sete ilhas de coral que a China reclama já têm pistas de aterragem, instalações de radares e infra-estruturas de armazenamento de mísseis e caças. João Luz com agências info@hojemacau.com.mo


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Acabem lá com a propaganda

TECNOLOGIA GOVERNO ASSINA ACORDO COM ALIBABA PARA CIDADE INTELIGENTE

Abre-te, Sésamo

Duas ou três listas não cumprem a lei

A

Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) diz ter conhecimento de listas candidatas ao sufrágio de Setembro que não estarão a seguir as instruções dadas relativamente à propaganda eleitoral, podendo estar a violar a lei. O período de proibição da propaganda para as legislativas começou no passado dia 3. Tong Hio Fong, presidente da CAEAL, apela uma vez mais para que todas as listas cumpram a lei e façam a propaganda eleitoral nos termos do que está legalmente previsto. O pedido deixado pela CAEAL foi feito no contexto de uma palestra organizada em conjunto com o Comissariado contra a Corrupção (CCAC). A sessão serviu para esclarecer dúvidas sobre o dever de declaração determinado pela lei eleitoral. Em declarações aos jornalistas, já depois da palestra, Tong Hio Fong revelou que “duas a três listas não retiraram na totalidade informações no período de proibição de propaganda eleitoral, havendo suspeita de propaganda ilegal”. A CAEAL já pediu às listas em causa que expliquem o que se passou. “Caso não seja dado qualquer esclarecimento à comissão ou se venha a considerar que a justificação não é aceitável, o assunto será tratado de acordo com a lei”, vinca a CAEAL em comunicado. Tong Hio Fong recordou ainda que, na terça-feira da semana passada, a comissão esclareceu os representantes das listas sobre situações que po-

que “o Governo tem vindo a empenhar-se no seu planeamento a longo prazo, e na implementação de projectos a curto e médio” termo.

DINHEIRO NA NUVEM

Embora seja uma estratégia “claramente definida” no primeiro plano quinquenal de Macau, apresentado em 2016, e presente nas últimas duas Linhas de Acção Governativa, não existe um “orçamento global”, com O Lam a indicar que adjudicação vai ser feita “projecto a projecto”. Outra questão levantada prendeu-se com a protecção dos dados pessoais, com o director dos Serviços de Assuntos de Justiça, Liu Dexue, a garantir que a actual legislação “é suficiente”, o que não invalida a introdução de melhorias no futuro. O presidente do Alibaba Cloud, Simon Hu, indicou que os dados recolhidos vão ser armazenados no território e que a plataforma de dados será estabelecida “de acordo com os padrões mais exigentes da União Europeia e das Nações Unidas”. Neste âmbito, O Lam destacou que uma das razões pelas quais a escolha recaiu sobre a Alibaba Cloud foi esta estar “acreditada como plataforma de computação em nuvem da região Ásia-Pacífico” no domínio da segurança, figurando como “a mais capacitada para a garantia do cumprimento da lei”. Em paralelo, realçou, a Alibaba Cloud “possui um elevado grau de abertura e de compatibilidade a nível de opções para ‘hardware’, compatibilidade entre os vários

Não existe um “orçamento global”, com O Lam a indicar que adjudicação vai ser feita “projecto a projecto”

sistemas e ligação com plataformas de dados, computação em nuvem e exploração para utilização prática”. Tal significa – como salientou – que “o Governo não necessita de abandonar a infra-estrutura de tecnologia de informação preexistente”, seguindo-se o pressuposto da “coexistência contínua”.

APRENDER COM ELES

Simon Hu adiantou ainda que o Governo exigiu a realização de acções de formação de quadros, especialmente no que respeita às tecnologias de informação e ao comércio electrónico, uma área em que o gigante domina na China.

A assinatura do acordo foi testemunhada pelo Chefe do Executivo de Macau, Chui Sai On, e pelo presidente do grupo Alibaba, Jack Ma, numa breve cerimónia que juntou os titulares dos principais cargos políticos, sem lugar a declarações por parte de Chui ou Ma. A Alibaba Cloud, estabelecida em 2009, ou seja, dez anos depois da fundação do grupo, conta atualmente com mais de 2,3 milhões de clientes em todo o mundo. No último exercício fiscal, terminado em Março, as receitas da Alibaba Cloud mais do que duplicaram em termos anuais homólogos, alcançando 6,66 mil milhões de yuan.

GCS

M

ACAU assinou um acordo-quadro de cooperação com a Alibaba Cloud, sociedade filiada do gigante do Continente, que figura como “a maior fornecedora de serviços em nuvem na China” e assume “uma posição de liderança em termos internacionais”, prestando serviços, a governos e empresas, “espalhados por mais de 200 países e regiões”. Ao abrigo do acordo-quadro, a cooperação divide-se em duas fases e vai desenrolar-se ao longo de quatro anos. A primeira – até Junho de 2019 – prevê a criação de um centro de computação em nuvem e de uma plataforma de megadados, e o início gradual de projectos de utilização dos mesmos em seis domínios: promoção do turismo, formação de talentos, gestão do trânsito, serviços de assistência médica, gestão integrada urbana, e prestação de serviços urbanos integrados e tecnologia financeira. A segunda etapa – de Julho de 2019 a Junho de 2021 – compreende o aperfeiçoamento do centro de computação em nuvem (conjunto de servidores remotos alojados na Internet para armazenar, gerir e processar dados em vez dos servidores locais ou de computadores pessoais) e da plataforma de megadados, abrangendo outras áreas como protecção ambiental, passagem fronteiriça e previsões económicas. “Resultados preliminares positivos” são esperados em meados do próximo ano, disse a chefe de gabinete do chefe do Executivo, O Lam, que fez, em conferência de imprensa, uma apresentação do acordo-quadro de cooperação que assinou. “A construção de uma cidade inteligente constitui uma medida estratégica para o desenvolvimento da economia e melhoria da qualidade de vida da população”, afirmou a responsável, sublinhando

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O Governo assinou um acordo-quadro com o grupo chinês Alibaba que prevê o estabelecimento de um centro de computação em nuvem e de uma plataforma de megadados. O objectivo é criar uma cidade inteligente

dem serem classificadas como propaganda ilegal, “incluindo a exibição da comissão de candidatura ou informações, de forma implícita, no sentido de levar os eleitores a votarem em determinado candidato, salientando que estas informações deveriam ser retiradas”. Quanto à propaganda através da Internet e o facto de ter de ser incluída no conteúdo da declaração a ser feita pelas candidaturas, o presidente da CAEALexplicou que a lei não regula determinadas formas de propaganda; no entanto, “se o conteúdo for propaganda eleitoral, precisa de ser declarado”.

SUSPEITAS DE CRIMES “GRAVES”

Sobre o dever de declaração dos candidatos e das pessoas colectivas, André Cheong, o comissário contra a Corrupção, sublinhou que “favorece a fiscalização da população e da comunicação social”. O responsável máximo pelo CCAC lembrou que, em caso de actos suspeitos de corrupção eleitoral, as denúncias podem ser feitas através da linha aberta, tendo indicado que, até ao momento, já foram recebidas 67 queixas relacionadas com as eleições. Este número inclui “casos suspeitos de alegada corrupção eleitoral e outros actos criminosos graves”, disse, acrescentando que o CCAC irá acompanhar e investigar os casos de acordo com a lei. André Cheong acredita que o artigo da lei eleitoral sobre o dever especial de colaboração “vai ajudar a resolver os problemas que poderão surgir durante a investigação”.


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SAÚDE TAM ANUNCIA ACORDO COM FUNDAÇÃO PORTUGUESA PARA TRATAMENTO DO CANCRO

A marca Champalimaud relativa de sobrevivência do cancro do pulmão de cinco anos é bastante alta, nos 28 por cento, perdendo apenas para a Inglaterra e Japão, mas superando outros países como Estados Unidos e Singapura, entre outros”.

GCS

Importar conhecimentos, ter quem ajude e contar com quem sabe ensinar. Alexis Tam quer trazer para Macau especialistas de renome na área do cancro. O acordo com a fundação de Portugal está para breve

O QUE HÁ BASTA

O

secretário para os Assuntos Sociais e Cultura anunciou que o Governo vai celebrar em breve um acordo com uma fundação de Portugal para apoio no tratamento oncológico e formação de especialistas. “Em breve iremos celebrar um acordo com uma fundação de doenças oncológicas em Portugal e, através desse acordo, podemos importar os conhecimentos dos mais avançados do ramo da oncologia para Macau e ter um intercâmbio, e também a contar com especialistas de renome que poderão vir prestar um serviço de apoio, não só para os cidadãos, como para formação”, disse Alexis Tam. Segundo o canal português da TDM, que citou a secretaria dos Assuntos Sociais e Cultura, o acordo vai ser assinado com a Fundação Champalimaud este ano. A Fundação Champalimaud é uma instituição empenhada na formação pós-graduação em Medicina. Em 2012, o então se-

O

Governo vai aumentar até cerca de 11 mil as vagas nas creches em 2018, mas considera que o actual número “é suficiente” e que “já fez muito para os pais que estão ambos empregados” acederem ao serviço. O aumento foi anunciado na Assembleia Legislativa pelo secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, em resposta a uma interpelação da deputada Angela Leong. A deputada citou dados da taxa de natalidade no território para argumentar que o número de vagas é insuficiente para o número de bebés e disse que, “quando há abertura de candidaturas, nas creches das zonas mais populosas, às vezes são mais de 60 crianças a disputar uma vaga”.

Alexis Tam “Em breve iremos celebrar um acordo com uma fundação de doenças oncológicas em Portugal e, através desse acordo, podemos importar os conhecimentos dos mais avançados do ramo da oncologia para Macau.”

cretário de Estado adjunto e da Saúde português Fernando Leal da Costa afirmou que já havia utentes do IPO em tratamento na Fundação Champalimaud e que “as coisas” estavam “a ser tratadas” para que esta instituição recebesse utentes do Serviço Nacional

de Saúde. Também em 2012, a fundação anunciou o lançamento de uma plataforma conjunta com o Mount Sinai Hospital, de Nova Iorque, para fazer investigação em cancro e a criação de uma escola para formação de profissionais em radioterapia de dose única.

O objectivo 11 mil

Vagas nas creches “são suficientes”, diz secretário

Em resposta, Alexis Tam referiu que, até ao mês passado, Macau tinha “53 creches com 9803 vagas” e que está previsto “um aumento do número de vagas até cerca de 10 mil no final do ano, o que responderá plenamente à procura dos serviços das creches para cerca de sete mil crianças de dois anos de idade”. Também referiu que 48 por cento das crianças com menos de três anos estão a frequentar as creches, um número que apontou como superior a Hong Kong e a muitos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Por outro lado,Alexis Tam disse que há vagas nas creches que não são preenchidas, argumentando que cerca de 2400 ou 30 por cento das oito mil vagas em creches subsidiadas pelo Governo não foram utilizadas. “Além disso, a taxa de disponibilidade de cerca de 1800 vagas de creches privadas é entre 30 por cento e 40 por cento”, afirmou. As deputadas Chan Hong e Wong Kit Cheng invocaram a localização das creches e da residência do agregado familiar para o não-preenchimento das vagas. Já sobre as razões para haver tanta procura, Alexis

Alexis Tam respondia na Assembleia Legislativa a uma interpelação do deputado Mak Soi Kun, na qual mencionava o cancro do pulmão como o tipo com “maior taxa de prevalência e mortalidade”. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura disse que “a taxa

Tam resumiu a questão a uma preferência, apontando que há pais que têm “creches favoritas”, mas que “isso é desnecessário”. “O mais importante é partilhar a responsabilidade da prestação de cuidados”, disse, argumentando que “o Governo já fez muito trabalho para os pais que sejam ambos empregados possam ter vagas nas creches para os seus filhos”. “Temos vagas suficientes, no próximo ano vamos ter mais”, acrescentou, situando o número total nas 11 mil em 2018.

MELHOR EM CASA

Alexis Tam disse ainda que além de não ser obrigatório, “o Governo não incentiva” que os bebés vão muito cedo para a creche.

Alexis Tam acrescentou que “os resultados terapêuticos obtidos são idênticos aos dos países desenvolvidos”, considerando que isso “reflecte que o nível tecnológico de tratamento do cancro do pulmão já atingiu o nível internacional”. O governante disse ainda que o hospital público conta actualmente com “oito pneumologistas e seis oncologistas oriundos de Macau, Portugal, interior da China e Taiwan”, o que considerou ser um “número suficiente para satisfazer as necessidades”. Além destes especialistas, “há quatro médicos internos de pneumologia e cinco médicos internos de oncologia, sendo ainda reforçada a formação de acordo com as necessidades futuras”, acrescentou. “A nível profissional, todos os pneumologistas têm recebido formação na área de diagnóstico do cancro do pulmão, e todos os oncologistas têm estudado e recebido formação no exterior através da participação regular em várias conferências científicas internacionais, havendo uma actualização dos conhecimentos para melhoria da qualidade dos tratamentos”, disse.

Recorde-se que Macau tem licenças de maternidade que variam entre apenas 56 dias a três meses e não tem licenças de paternidade remuneradas. Muitas famílias, incluindo os casais jovens cujos pais também trabalham, recorrem à importação de mão-de-obra e contratam empregadas domésticas para cuidar dos filhos. Angela Leong, deputada com interesses ligados ao sector do jogo, sugeriu ainda o funcionamento das creches durante 24 horas para os casais com filhos que trabalham por turnos, porque “Macau é cidade de turismo”. A deputada Song Pek Kei também perguntou se o Governo está a “pensar nalgumas medidas para grupo de residentes que trabalha

nos casinos”, mas a questão ficou sem resposta. Já as deputadas Ella Lei e Melinda Chan sublinharam a evolução da sociedade, afirmando que enquanto antigamente era comum as mães não trabalharem, actualmente Macau é uma “cidade de prestação de serviços”, com ambos os elementos do casal a trabalhar. “Quarenta por cento das famílias põem as crianças na creche. E Macau é uma cidade que funciona 24 horas por dia. Os pais não têm tempo para educar os filhos e, depois de um ano [de vida], as crianças já não conseguem encontrar uma vaga”, alertou Melinda Chan.


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EDITAL Edital n.º : 92/E-BC/2017 Processo n.º :1932/BC/2010/F Assunto :Demolição de obras não autorizadas pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) Local :Rua do Almirante Costa Cabral n.º 92, EDF. Hung Hei, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar A (CRP:A4), Macau. Rua do Almirante Costa Cabral n.º 92, EDF. Hung Hei, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar B (CRP:B4), Macau. Rua do Almirante Costa Cabral n.º 92, EDF. Hung Hei, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar C (CRP:C5), Macau. Rua do Almirante Costa Cabral n.º 92, EDF. Hung Hei, escada comum entre o 5.º andar e o terraço, Macau. Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que ficam notificados os donos das obras ou seus mandatários e os utentes dos locais acima indicados, cujas identidades se desconhecem, do seguinte: 1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que nos locais acima indicados realizaram-se as seguintes obras não autorizadas: Local

Obra

Parte do terraço sobrejacente Construção de um compartimento com laje em 1.1 à fracção 5.º andar A betão, paredes em alvenaria de tijolo e janelas de (CRP:A4) vidro no terraço sobrejacente à fracção. (1.º piso) 1.2

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1.4

1.5

1.6

1.7

Parte do terraço sobrejacente Construção de um compartimento com cobertura à fracção 5.º andar A metálica, paredes em alvenaria de tijolo e janelas (CRP:A4) de vidro no terraço sobrejacente à fracção. (2.º piso) Parte do terraço sobrejacente Construção de um compartimento com laje em à fracção 5.º andar B betão, paredes em alvenaria de tijolo, janelas de (CRP:B4) vidro e gaiola metálica no terraço sobrejacente à fracção. (1.º piso) Parte do terraço sobrejacente Construção de um compartimento com cobertura à fracção 5.º andar B metálica, paredes em alvenaria de tijolo, janelas (CRP:B4) de vidro e gradeamento metálico no terraço sobrejacente à fracção. (2.º piso) Parte do terraço sobrejacente Construção de um compartimento com laje em à fracção 5.º andar C betão, paredes em alvenaria de tijolo, janelas de (CRP:C5) vidro e gaiola metálica no terraço sobrejacente à fracção. (1.º piso) Parte do terraço sobrejacente Construção de um compartimento com paredes à fracção 5.º andar C em alvenaria de tijolo, cobertura metálica e (CRP:C5) gradeamento metálico no terraço sobrejacente à fracção. (2.º piso) Escada comum entre o 5.º Instalação de um portão metálico na escada andar e o terraço comum entre o 5.º andar e o terraço

Infracção ao RSCI e motivo da demolição Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação. Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do caminho de evacuação.

2. De acordo com o n.º 1 do artigo 95.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho, foi realizada, no seguimento de notificação por edital publicado nos jornais em língua chinesa e em língua portuguesa de 12 de Abril de 2017, a audiência escrita dos interessados, mas não foram carreados para o procedimento elementos ou argumentos de facto e de direito que pudessem conduzir à alteração do sentido da decisão de ordenar a demolição das obras não autorizadas acima indicadas. 3. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI. Assim, nos termos do n.º 1 do artigo 88.º do RSCI e no uso das competências delegadas pela alínea 6) do n.º 1 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, e por despacho de 28 de Julho de 2017 exarado sobre a informação n.º 06072 /DURDEP/2017, ordena aos donos da obra ou seus mandatários que procedam, por sua iniciativa, no prazo de 8 dias contados a partir da data da publicação do presente edital, à demolição das obras acima indicadas e à reposição dos locais afectados, bem como aos interessados e aos utentes que procedam à remoção de todos os materiais e equipamentos neles existentes e à respectiva desocupação, devendo, para o efeito e com antecedência, apresentar nesta DSSOPT os pedidos de demolição das obras ilegais, cujos trabalhos só podem ser realizados depois da sua aprovação. A conclusão dos referidos trabalhos deverá ser comunicada à DSSOPT para efeitos de vistoria. 4. Findo o prazo da demolição e da desocupação, não será aceite qualquer pedido de demolição das obras acima mencionadas. De acordo com o n.º 2 do artigo 139.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, notifica-se ainda que nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 89.º do RSCI, findo o prazo referido, a DSSOPT, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração do Corpo de Polícia de Segurança Pública, procederá à execução dos trabalhos acima referidos, sendo as despesas suportadas pelos infractores. Além disso, findo o prazo da demolição e da desocupação voluntárias, a DSSOPT dará início aos trabalhos de demolição e de desocupação, os quais, uma vez iniciados, não podem ser cancelados. Os materiais e equipamentos deixados no local acima indicado ficam aí depositados à guarda de um depositário a nomear pela Administração. Findo o prazo de 15 (quinze) dias a contar da data do depósito e caso os bens não tenham sido levantados, consideram-se os mesmos abandonados e perdidos a favor do governo da RAEM, por força da aplicação do artigo 30.º do Decreto-Lei n.º 6/93/M, de 15 de Fevereiro. 5. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. 6. Nos termos do n.º 1 do artigo 97.º do RSCI e das competências delegadas pelo n.º 4 do Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da RAEM n.º 38, II série, de 23 de Setembro de 2015, da decisão referida no ponto 3 do presente edital cabe recurso hierárquico necessário para o Secretário para os Transportes e Obras Públicas, a interpor no prazo de 8 (oito) dias contados a partir da data da publicação do presente edital. RAEM, 28 de Julho de 2017 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man

ANNOUNCEMENT 1. Objective: 2. Procuring entity: 3. Address of procuring entity:

Open invitation to one tender. Macao Science Center Limited. Macao Science Center Limited ,Avenida Dr. Sun Yat Sen, Centro de Ciência de Macau 4. Works, goods and services to Service of Security for Macao Science Center be procured: 2018 and 2019 PA-17-144 5. Location of service provision: Macao Science Center. 6. Conditions of entry: - Registered suppliers under relevant categories of Macao Science Center Limited. - And fulfill the requirement of the Law n.º 4/2007 of Macao. 7. Method for obtaining tender Registered suppliers can send in your request documentation: through email to tender@msc.org.mo. For suppliers not yet registered, please attach with commercial registration documents & contact details. 8. Tender submission location Location: Avenida Dr. Sun Yat Sen, Macao and deadline: Deadline: Science Center. The 30th day starting from the date of announcement or 6th September, 2017 (Wednesday) at 5:00 pm (Macao time). 9. Tender opening location and Location: Avenida Dr. Sun Yat Sen, Macao time: Science Center. Time: The first working day after the deadline or 7th September, 2017 (Thursday) at 3:00 pm (Macao time). Bidders or its representative shall be present at the Tender Opening for clarification of possible questions arisen from submitted tenders. 10. Validity period of the tender: 90 days starting from the date of tender opening,the validity period may be extended according to the Tender Procedures. 11. Provisional guarantee: Exempted. 12. Definitive guarantee: By bank guarantee, 10% of the total contract value of service. 13. Selection criteria: After fulfilling the requirement in Chapter IV (technical Requirement) of the tender document, the awarded tender will be selected based on the following criteria: a) Price (50%) b) Quality (Please refer to Chapter II Tendering Procedure “article 10” for details) (25%) c) Experience and Competence (Please refer to Chapter II Tendering Procedure “article 10” for details) (25%) 14. Additional information: All related information will be uploaded to the Macao Science Center website (http://www. msc.org.mo) from the day following the publication of this announcement until the tender closing date. Bidders are responsible to visit the website for additional information. 15. Base price: No base price.

Macao Science Center Limited 7th August, 2017.


política 7

segunda-feira 7.8.2017

TERRENOS ELLA LEI EM BUSCA DE INFORMAÇÕES DETALHADAS

Terras desconhecidas

“A

S necessidades dos residentes não estão a ser preenchidas” é a convicção de Ella Lei. A deputada critica o Executivo no que respeita à falta de habitação e de instalações destinadas a escolas, serviços de saúde e serviços sociais. Ella Lei considera que é necessário ter conhecimento dos processos que envolvem a recuperação de terrenos e dos planos para o seu aproveitamento. Para a deputada a razão das queixas da população tem que ver com os poucos terrenos disponíveis pelo que “é necessária a recuperação de terras para construir o que falta”, lê-se na interpelação. Ella Lei recorda que, em 2011, o Governo definiu 113 terrenos em que não foram desenvolvidos os projectos previstos dentro dos prazos, sendo que em 48 deles, as razões de incumprimento são imputadas aos concessionários.A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), diz, divulgou, no mês passado, que em 32 dos 48 casos assinalados, 29 têm anunciada a caducidade da concessão e três estão em processo. No entanto, de entre os 29 terrenos com caducidade anunciada, apenas três foram recuperados.

SOFIA MARGARIDA MOTA

Os terrenos que estão a ser recuperados pelo Governo e os que estão por recuperar carecem de informação pública. A ideia é deixada por Ella Lei em interpelação escrita. A deputada apela à divulgação dos pormenores das terras em processo de retorno ao Executivo e dos planos para o seu aproveitamento

Ella Lei, deputada “Apesar de o secretário Raimundo do Rosário ter dito, no início do ano, que a caducidade do terreno concessionado para o “Mundo Oceânico” vai ser anunciada e que será recuperado pelo Executivo, meio ano depois ainda nada se sabe”

A questão de terrenos não aproveitados, afirma a deputada, tem sido discutida entre a população, mas o Governo continua a não divulgar informação concreta.

APROVEITAMENTOS TRANSPARENTES

Ella Lei dá o exemplo do terreno do “Mundo Oceânico”, com uma área de 150 mil metros quadrados e “em que ainda não foi desenvolvido nenhum projecto desde a sua concessão”. A deputada quer saber se este terreno está entre os 48 esoaços não aproveitados

e cuja responsabilidade é dos concessionários. Ella Lei solicita ainda mais informação quanto a datas para a sua recuperação e sobre o destino futuro desta área. “Apesar de o secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, ter dito, no início do ano, que a caducidade do terreno concessionado para o “Mundo Oceânico” vai ser anunciada e que será recuperado pelo Executivo, meio ano depois ainda nada se sabe”, lê-se na interpelação escrita de Ella Lei. A deputada quer então saber quando é que o Governo vai com-

pletar o processo de seguimento dos terrenos não aproveitados, sendo que, admite, é matéria que envolve um processo judicial. No entanto, avança ainda com a questão: “o Governo já sabe, ao certo, que terras poderão vir a ser reaproveitadas para a construção e habitação pública?” O objectivo, afirma, é poder fazer, o mais brevemente possível, um planeamento adequado para os terrenos recuperados e, desta forma, ter espaço para construir o que é necessário à população local. Vitor Ng com Sofia Margarida Mota info@hojemacau.com.mo

AREIA PRETA MAIS CONDIÇÕES PARA JOGAR XADREZ

M

AK Soi Kun pede ao Executivo que proceda à construção de alpendres com mesas no Jardim da Areia Preta. O objectivo é proporcionar, especialmente aos idosos, um espaço adequado ao lazer. Em causa estão as queixas dos residentes em não terem condições para jogar xadrez. O deputado foi ao Jardim da Areia Preta saber das necessidades dos cidadãos e, de acordo com os residentes, o Governo tem estado a melhorar as instalações dos parques do território, enquanto aquela zona está “esquecida”. Muitos dos idosos sondados pela equipa de Mak Soi Kun queixam-se da falta de instalações. “Há falta de mesas para jogar xadrez”, afirmam. Para os idosos este jogo é um instrumento de promoção saudável: “estimula a actividade cognitiva, favorece a interacção social e funciona como fonte de longevidade”, lê-se na interpelação escrita de Mak Soi Kun. Para o deputado, há vários espaços no território que já possuem as condições adequadas a esta actividade, pelo que, solicita, sejam também dadas ao Jardim da Areia Preta. V.N (com S.M.M.)

TNR Ng Kuok Cheong quer saber das contratações dos casinos

Ng Kuok Cheong pede ao Governo que promova a contratação local junto das operadoras. Para o deputado, com o aproximar da renovação das licenças, as seis operadoras estão a aumentar o seu investimento no território. Com a renovação de licenças à porta, o deputado considera que esta é uma oportunidade para o Executivo de promover, junto das operadoras, a contratação de trabalhadores locais e a diversificação da oferta. Para Ng Kuok Cheong, nos últimos anos, a “proporção de TNR a trabalhar no sector do jogo passou de 20 para 30 e mesmo 40 por cento”. Por outro lado, o deputado considera que o Governo não está a divulgar os números referentes à mão de obra estrangeira que está a ser contratada pelas operadoras, pelo que pede que estes dados sejam divulgados. O objectivo, afirma, é dar oportunidade à população para monitorizar as contratações efectuadas pelo sector.

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Notificação edital (33/FGCL/2017) Nos de pedido: 000056/2017, 000058/2017, 000060/2017, 000061/2017, 000063/2017, 000080/2017, 000081/2017, 000082/2017, 000083/2017, 000074/2017, 000075/2017, 000064/2017

Nos termos da alínea 1) do n.o 1 do artigo 9.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.o 2 do artigo 72.o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números de pedido acima referidos, “Cali Promoção de Jogos Sociedade Limitada”, com sede na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues 600E, Edifício Centro Comercial First Nacional, 12 andar, sala 5, Macau, o seguinte: Relativamente aos 12 ex-trabalhadores do devedor (Cheong Si Lai, Chou Si Man, Yu Sin, Chong Weng Nam, Wong Kin Hong, Ng Ka Leng, Ng Ka Pou, Kun Fong Chan, Chio Un Meng, Lou Sao I, Leong Tek Hang, U Kuai Heng), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 27 de Julho de 2017, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime

de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos e dos juros de mora em causa para os ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $326 830,20 (Trezentas e vinte e seis mil oitocentas e trinta patacas e vinte avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos para aqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar os referidos processos. 1 de Agosto de 2017 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong

INSCRIÇÕES PARA AS PROVAS DO SUNCITY GRUPO 64.º GRANDE PRÉMIO DE MACAU Início das inscrições: Fim das inscrições:

14 de Agosto de 2017 8 de Setembro de 2017

Em relação aos Regulamentos Desportivos das corridas, por favor consulte a Página Electrónica do Grande Prémio de Macau: www.macau.grandprix.gov.mo Local das inscrições: Associação Geral de Automóvel de Macau - China Avenida da Amizade Edf. Grande Prémio de Macau R/C Horário de funcionamento: De Segunda-feira a Sexta-feira, das 09:30h às 13:00h, 14:30h às 18:30h. (excepto aos Sábados, Domingos e feriados Públicos) Para mais informações poderá ligar para o seguinte número de telefone: (853) 28726578


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7.8.2017 segunda-feira

DENGUE CASOS LOCAIS PODEM CHEGAR ÀS TRÊS DEZENAS

O

SIN FONG GARDEN MP SUGERE BOA-FÉ DE TODOS OS ENVOLVIDOS EM ACÇÃO CÍVEL

A perícia na engrenagem

O Ministério Público achou por bem vir a público esclarecer o que se passa com o processo em torno do Sin Fong Garden. Em comunicado, promete tudo fazer para que haja um desfecho rápido do que está a atrasar a reconstrução. E pede boa-fé

É

um comunicado emitido na sequência de “algumas opiniões” que existem “na sociedade” sobre a demora no procedimento da recolha de provas na acção de indemnização civil, intentada pelo Ministério Público (MP), em representação da RAEM, no âmbito do caso Sin Fong Garden. O MP entendeu que chegou a hora de esclarecer o que se passa e recorda o processo, prometendo fazer o possível para que esta história tenha um desfecho quanto antes. O Sin Fong Garden ganhou estatuto de caso quando, a 10 de Outubro de 2012, se verificaram pilares danificados no edifício. Com vista a garantir a segurança dos moradores, o Governo tomou várias medidas urgentes, recorda o MP, entre elas a disponibilização de abrigo aos moradores afectados, bem como a realização de obras de reforço temporário e de supervisão da estrutura do prédio. Com estas obras, o Executivo gastou mais de 12,8 milhões de patacas, sendo que “existem ainda outras despesas a pagar no futuro”.

“Tendo em conta que o pagamento das despesas, por conta do erário público, afecta o cofre da RAEM e os interesses comuns dos cidadãos da RAEM, o Governo tentou recuperar a quantia mediante negociação com as pessoas envolvidas neste caso, mas sem sucesso”, escreve o MP. A solução foi avançar para tribunal, sendo o MP o representante da RAEM. Em Outubro de 2015, foi intentada uma acção cível junto do Tribunal Judicial de Base (TJB) contra os responsáveis pelo caso Sin Fong: o promotor do empreendimento com problemas, o promotor do empreendimento

O MP sugere a todas as partes do processo para “impulsionarem, em conjunto, o andamento e a conclusão do respectivo procedimento pericial o mais cedo possível”

Soho Residence (a obra vizinha que terá estado na origem de tudo isto) e a companhia responsável pela demolição do edifício que deu lugar ao actual estaleiro do Soho Residence, empresa essa responsável pelas obras de fundação do novo edifício. Com a acção, pretendia-se determinar quem é o responsável pelo incidente do Sin Fong Garden e exigir o reembolso das quantias pagas com o erário público.

COMPASSO PARA A DEMOLIÇÃO

No final de Junho do ano passado, depois de tomar conhecimento de que todos os proprietários do Sin Fong Garden tinham dado o seu consentimento para a demolição e reconstrução do edifício, o MP pediu ao tribunal a autorização da realização antecipada da perícia no prédio a demolir e no estaleiro vizinho. O objectivo desta antecipação solicitada era minimizar o impacto causado pela acção intentada no TJB à reconstrução do Sin Fong. O TJB nomeou três peritos. Porém, os vários envolvidos na construção e venda do Sin Fong

Garden interpuseram recurso da decisão do tribunal. Sobre este apelo ainda não há qualquer decisão. De acordo com as explicações do MP, os três peritos concluíram a análise pericial e apresentaram ao tribunal o respectivo relatório. “Neste momento, de acordo com a lei processual civil, aguarda-se que as partes se pronunciem sobre o relatório pericial apresentado.” O Ministério Público garante estar atento à “expectativa da reconstrução do edifício” por parte dos proprietários. Atendendo a este contexto, promete “impulsionar, nos termos da lei, a aceleração do procedimento pericial”. O MP deixa ainda um apelo: sugere a todas as partes do processo para “impulsionarem, em conjunto, o andamento e a conclusão do respectivo procedimento pericial o mais cedo possível, de acordo com os princípios de cooperação e de boa-fé consagrados na lei processual civil”. Só assim é que o processo de reconstrução do Sin Fong poderá ser iniciado com a maior brevidade possível.

director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM), Lei Chin Ion, diz ser possível existirem mais casos de dengue no território que ainda não estão identificados dado o período de incubação. Os números avançados poderão, nas próximas semanas chegar aos 30, refere o Jornal do Cidadão. Preocupada com a febre do dengue, Cheong Lai Chan, da Associação de Mútuo Auxílio do Bairro, alerta para a necessidade de trabalhos de limpeza e desinfecção. A responsável esteve na Rua da Praia do Manduco com uma equipa de voluntários e alerta que, naquela zona, existem vários edifícios antigos em que os residentes não têm ainda qualquer consciência no que respeita à prevenção do dengue. Cheong Lai Chan lamenta ainda, segundo o o Jornal do Cidadão, que as acções promovidas pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) tenham sido tardias visto que só se intensificaram após os três casos confirmados de dengue. De acordo com o mesmo jornal, os Serviços de Saúde (SS) garantem que as acções de desinfestação de mosquitos vão continuar na Rua da Praia do Manduco. Cheong Chi Hong, médico e membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central, pede também, em comunicado, que o Executivo alargue o âmbito das medidas contra a febre de dengue, nomeadamente nos locais onde se acumula água como é o caso dos antigos edifícios e terraços. A intenção é prevenir que os residentes venham a ser mordidos. O médico apela ainda que, no aparecimento de qualquer sintoma, os residentes se dirijam imediatamente ao médico.


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segunda-feira 7.8.2017

AMBIENTE MACAU BATE HONG KONG NA QUANTIDADE DE RESÍDUOS SÓLIDOS ‘PER CAPITA’

TABACO MULTADAS CERCA DE 4500 PESSOAS ATÉ JULHO

Q

UASE 4500 pessoas foram multadas em Macau nos primeiros sete meses do ano por fumarem em locais proibidos, revelaram os Serviços de Saúde. Entre 1 de Janeiro e 31 de Julho, efectuaram-se 200.419 inspecções a estabelecimentos, ou seja, uma média diária de 945, durante as quais foram sinalizadas 4490 violações à Lei de Prevenção e Controlo do Tabagismo, oito das quais relativas a ilegalidades nos rótulos dos produtos de tabaco. Mais de metade das multas foi aplicada a residentes de Macau (2277), enquanto os turistas representaram quatro em cada dez infractores (1968 ou 43,9 por cento). As restantes 237 infracções foram praticadas por trabalhadores não residentes (5,3 por cento). De acordo com os Serviços de Saúde, 3820 infractores (85,1 por cento) já pagaram a multa, sendo que em 115 casos foi necessário o apoio das forças de segurança. Nos casinos, onde foram efectuadas, com a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos, 376 inspecções, 451 pessoas foram multadas, na maioria turistas (378 ou 83,8 por cento). Desde a entrada em vigor da Lei da Prevenção e Controlo do Tabagismo, a 1 de Janeiro de 2012, foram multadas 42.435 pessoas, como resultado de mais de 1,4 milhões de inspecções, segundo os Serviços de Saúde.

Acidente Oito vítimas com ferimentos

Um acidente com um autocarro deixou, ontem, nove passageiros com ferimentos ligeiros. De acordo com o canal chinês da Rádio Macau, o acidente teve lugar na Avenida da Amizade perto do Edifício do Grande Prémio de Macau e o autocarro transportava 15 passageiros. O Corpo de Bombeiros referiu à mesma fonte que os feridos são três homens e cinco mulheres entre os 20 e os 68 anos. De entre os seis feridos que foram levados ao Centro Hospitalar Conde de São Januário e ao Hospital Kiang Wu, cinco são residentes de Macau.

Muito lixo fazemos nós

Macau bate uma série de cidades como Pequim, Xangai ou Hong Kong em termos do lixo produzido ‘per capita’, de acordo com o relatório anual do Estado do Ambiente referente a 2016

O

S dados são da Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA): embora mantendo o mesmo nível de 2015, no ano passado a quantidade de resíduos sólidos urbanos descartados ‘per capita’ superou, “quase no dobro, a de diversas cidades nas regiões vizinhas”. A quantidade de Macau correspondeu a 2,11 quilogramas por dia, “um nível muito alto”, ultrapassando Pequim (um quilograma/dia), Xangai (0,70 quilogramas/dia), Cantão (0,93 quilogramas/dia), Hong Kong (1,39 quilogramas/dia) ou Singapura (1,49 quilograma/dia), indica o relatório. Neste âmbito, a DSPA destaca ainda que também “vale a pena prestar atenção ao facto de a quantidade de resíduos sólidos urbanos descartados ‘per capita’ em Macau em 2016 ter sido a mais alta da última década”. A quantidade de resíduos sólidos urbanos descartados – gerados na vida diária e nas actividades comerciais e industriais – também subiu em termos globais (1,7 por cento para 503.867 toneladas), mas a DSPA salienta, neste caso, o facto de o aumento ter ocorrido “a um ritmo claramente mais lento em comparação com o crescimento de dois dígitos de 2015”. Mais de um terço (38,5 por cento) dos resíduos sólidos urbanos era composto por matéria orgânica, com o pódio a completar-se com o papel/cartão (24,4 por cento) e o plástico (21 por cento). Já a quantidade de resíduos especiais e perigosos (que inclui químicos, hospitalares, óleos usados, pneus ou carcaças de animais) sofreu uma ligeira redução de 0,2 por cento; enquanto a de resíduos de construção para deposição em aterros caiu mais de 30 por cento

“devido à conclusão de alguns projectos de turismo e entretenimento” no Cotai face a 2015. As quantidades de escórias e de cinzas volantes também desceram 8,4 por cento e 11,2 por cento, respectivamente, segundo a DSPA.

SUCATA A ENCHER

Em paralelo, no ano passado, verificou-se um “aumento considerável no abate de todos os tipos de veículos – excepto de ciclomotores – face a 2015”, um resultado que “tem que ver com a melhoria da economia, o reforço do controlo no número de veículos, a promoção da deslocação por meios ‘amigos do ambiente’ e a aceleração do abate e substituição de veículos”. O número total de veículos abatidos (12.856 ou +13,6 por

cento) figurou, aliás, como “o mais alto da última década”. A taxa de recolha de resíduos recicláveis cresceu 1,2 por cento face a 2015, reflectindo uma ligeira melhoria, dada a tendência de redução verificada na última década. A DSPA destaca que, através de actividades de incentivo à

Em 2016, verificou-se um “aumento considerável” no abate de todos os tipos de veículos face a 2015. Os ciclomotores foram a excepção

reciclagem, foram recolhidos, no ano passado, mais vidros, metais, latas de alumínio/ferro, passíveis de serem reaproveitados, mas que o mesmo não se passou, no entanto, com o papel e o plástico. A título de exemplo, a quantidade de papel recolhida diminuiu 0,5 por cento e a de plástico 15,1 por cento em termos anuais homólogos. Quanto ao tratamento de resíduos electrónicos, a DSPA refere ter dado, no ano passado, “prioridade” ao lançamento do plano de recolha de pilhas e baterias usadas, tendo-se procedido à compilação de aproximadamente 830 quilogramas.


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7.8.2017 segunda-feira

O meu amado foi para a guerra. Hoje a lua deixa de ser redonda.

Alquimia da dúvida Animé. Animação produzida em estúdio. Qualquer animação de desenhos. Figuras que por magia da teknè - estranho como do grego, que harmonizava conceitos de arte e técnica numa única palavra, derivamos para o preconceito associado a uma delas como se maculando a outra – ou por artes mágicas, ganham vida própria. Da sua essência, o movimento, toda a fantasia possível na capacidade de ilusão que esse fantástico ingrediente, e quase por si só, nos catapulta para uma realidade própria. A da ficção. O movimento. No espaço. Só. A desvincular o objecto da sua natureza própria envolvendo, uma outra da raíz do inconsciente espectador: anima ou animus. Em que cada um se deixa levar ao seu modo irreprimível. Uma outra forma de dizer animação. Algo em que nos deixamos fluidamente levar, abstraídos, no tempo. Nesse tempo de consistência variável. À la carte. Quem somos nesse distender da vida, nesse desenrolar ininterrupto, e indefinidamente, estranhamente variável. Algas ao sabor da maré, ou almas a criar nós e circunvoluções que estratificam o tempo ao sabor de emoções apaixonadas ou brandas. Esse tempo que devora a consumível paixão mas ateia. Da profundidade incendeia sem olhar a escuridões maiores, da mesma que desdenha a mão que emenda. O que para o tempo não há. (Porque me acalmam as paixões efusivas, paisagens paradas. Paradas e letárgicas como se nada houvesse de força motriz nenhuma. Onde nada se passa ou virá depois. Acalma no possível confronto com a terra que é onde a alma não deveria opor voos e de onde não deveria muitas vezes elevar-se insatisfeita e tormentosa). Talvez o tempo. Essa obsessão que tenho de algo que não tenho porque não posso ter. O tempo. Talvez o tempo. Em que uns, como nas palavras, inscrevem a simplicidade sintética de uma afirmação sim, com todo o peso e lastro existencial, contido no momento da memória da ausência da memória do mergulho profundo e perene em águas que o tempo leva mas não necessariamente lava. Toda uma síntese segura de o ser e com prazo longo e dedicatória sentida. Outros na desesperança de uma interrogação de ainda de mesmo de talvez ou de já não. A eterna interrogação sentida e dorida da insegurança. Do querer, do dizer, do nem querer sem dizer ou. Sei lá a deriva. Nunca a esses seres lhes chega a enormidade deste ser inteiro para a vida. Ser para a morte. E dizer afirmativo. Sem prazo. Uma questão de economia de pontuação. Ou talvez a chave seja de matérias mais finas. O vento. Essa passagem do tempo que se abre e se fecha em si. O que não se perde no nunca se ter. Como o tempo. Do tempo perdido. Em busca. Essa busca

melancólica que só a cafeina retinha nos limites do suportável. Mas isso se era em Proust, perdido este na elaboração melancólica e exaustiva de uma memória de sonho, de um corpo, realidade do sonho realidade de uma memória de um sonho, um corpo sentido e sensual junto ao seu, encostado com todas as forças da memória e do sonho, e de que afinal sobrava nada. O nada do acordar com a percepção da sua própria perna tornada sensação e desejo e outrem, nos caminhos inexpugnáveis do sonho. Da desilusão e do acordar. Não existe tempo perdido. Não existe. O tempo é um bafejo impreciso como onda indómita de uma maré enchente, ou de uma onda em quebra de alento, recessiva na sua maré vazante. À hora a que chego à praia, ao dia, nunca sei que onda me espera no momento de ali estar. A tumultuosa e impetuosa onda que avança inexorável ou a que avançando recua sempre um pouco mais como uma metáfora de vida a escoar-se. E, no entanto, uma coisa é certa. Nada resta da maré anterior. Mas o mar é sempre o mar. E o tempo. Que não se perde porque nunca se possuiu. Talvez ele a nós, sim. E nos perca. Um dia. E assim os castelos de areia. Nada tão belo como o que se constrói independente da certeza de perder. Que nunca nos desaponta. E, no entanto, dizia o poeta: tudo vale a pena. Não se retoma o tempo, não se volta ao tempo, não se retém, não se possui. Nem para depois nem o antes impalpável a que quanto, ou enquanto ou muito, como se exista, chamamos memória. Uma paragem no álbum de recordações como numa estação de montanha alheada do mundo. Remota. Não se possui o que não existe ainda nem existe já. Jamais a mais do que o momento em si. Em que, contudo, nem evoluímos como numa metáfora de espaço que erroneamente confundimos com as possibilidades imagéticas de que a mente tanto precisa, envoltos nele como numa onda de aragem quente, que nos embala como planadores, sim, em que embalados voamos numa linha leve e acima de todas as coisas matéricas que nos ancoram ao espaço, esse, real. Nunca deixar de os fazer. Só porque vão sempre com a próxima maré. Talvez seja quando o tempo começa a envelhecer um pouco. Um pouco só. Subtilmente. Que se descobre o tempo novo e fresco de cada dia. Talvez aprender a esquecer aquilo que não se pode mas tem uma maneira particular de ser esquecido sem ser. Ficar simplesmente ali para trás. E talvez sejam os sentidos os anseios a comandar. Os sentimentos talvez. Seguramente mais do que talvez. Não é o caminho mais fácil o de enfrentar a dor em duelo de morte. Em que morre a dor para sempre e tudo o que a ela

lembra. Ou há um acordo amigável a ultrapassar padrinhos e conselhos de sanidade e protecção. Só quem está de frente para o adversário pode decidir apertar a mão e seguir caminho com tudo vivo. O sentir e a dor. Cada um para seu lado em respeito mútuo. E tudo se abrir em possibilidades porque o duelo foi anulado e passou. Para sempre passou como tudo até ver. O dia novo. Mas o tempo é como o mar. Não posso mergu-

ANABELA CANAS

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Á uma relação qualquer entre a coragem e a insegurança, que sempre me detém longamente. A pensá-las. A possui-las. Cada uma. Ambas, na sua resolução de equação maior. Não se excluem. Não se acrescentam. Têm uma alquimia própria. Uma vida no fio da navalha em sangue. Um casamento difícil. Porque me acontece entrever aí uma chave em bronze de tanta coisa. Aí, no cruzamento das duas, numa esquina repetidamente virada na vida. Uma relação que não é directa nem inversamente proporcional. Na vida, no humano que é uma parte da vida que nos ocupa biologicamente e nos ocupa o espaço de sentir, sentir vida, e nos ocupa o espaço de pensar, pensar-nos enquanto passageiros. Talvez. Numa linha do tempo que as estradas imitam. E porque nesta relação, parecida a uma vizinhança aleatória entre uma habitante feroz que luta pelo espaço do patamar com a vizinha, igualmente decidida, se refazem todos os dias as resoluções no épico de uma vida a medir forças com a vontade de desistir. Mas essa, é uma outra vizinha que está residente no andar de cima ou de baixo. Mais no fundo, Talvez. Num andar de fácil acesso, com perfumes de desalento e de preguiça e de teorias várias de natureza poética a justificar a astenia. Há um andar na profundidade de um edifício existencial, situado talvez nos alicerces de uns, ou nos terraços perto do céu, em outros. Tudo a depender de outros enquadramentos para a metáfora escolhida. Onde estamos mais fundo? No profundo e escuro da cave de um edifício ou na ampla abstracção búdica de um acesso ao ar e à diluição no éter para além dos degraus concretos a subir. A descer. Com os pés sentidos. Passos sentidos e acções com sentido. Ou tudo centrado no grande zoom sobre uma escrita interior. Uma electroencefalografia do sentir. Momentos - ela toca-lhe o ventre com o peso nítido da face. Ele toca-lhe a face com a delicadeza da mão. Ela toca-lhe a mão. Com a dúvida imprecisa. Da ponta ínfima, e já quase esquecida das sensações, dos dedos. Indecisos. Esquecidos, como se uma mudança de plano cinematográfico deslocasse a câmara dali. Ele toca-lhe a alma num adejar imperceptível a olho nú, mas ela não sabe se sabe de certeza. Grande plano, agora ali. Ela está ali mas ele não sabe onde. E assim se pode diluir um momento de alguma coisa contido. Insegurança. Coragem. Indecisão. Dúvida. Um lapso de tempo, um intervalo na impressão. E o tempo acaba. Palavra fim e todos se levantam a velocidades diferentes das cadeiras da escuridão da fantasia do filme. Fica-se assim entre vida e vida.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 11

segunda-feira 7.8.2017

iluminacão artificial ´

Anabela Canas

lhar esquecendo a linguagem dos músculos aprimorada antes. Não posso esquecer nada nem deixar para trás o desejo de nadar. O perigo. Sempre. E depois, ainda, o tempo vem. Esse. Que não existe. Essa linha de nós. Onde se desliza. Adeja suavemente ao sabor da aragem. Sou um cálamo. Nada mais do que um cálamo abalado. Pelo vento, talvez. Nas infra-estruturas. Ou então embalado aí. Como se a vida. Mas todos os dias. Cada dia.

Madrugou impuro e impenetrável como só. Talvez só. Ele. Eu. Não penses, eu, ele, que algum dia será de seres mais real do que a realidade do sonho. Eu. Ele. Tu. Mas não tu, eu. Ele. Talvez ao tempo se deva um tratamento de amor. Generosidade que não tenha connosco – mesmo. E às vezes dou comigo assim. Só a realidade é sonho. Tudo o mais, ilusório. Sem

excepção. Tudo é real. O sonho. Como o tempo. Ou então, nada. No outro dia a fotografia de uns degraus que levam a parte nenhuma. Um lugar que é um olhar de memória. O espaço ainda. Mas aquele tempo não. E a vida disparou a partir dali. Inacreditável disparo sem limites. Ainda estou sob esse signo fatídico e inacreditável na altura. Talvez por isso esta disposição um pouco escheriana. O efeito de um olhar retrospectivo

sobre a enormidade intangível do porvir. A partir dali, naquele momento. Mas não há colorido repetível para o de uma alma enamorada mesmo no seio tormentosos de intempéries. Em cada dia se deita consigo todo o tumulto de anos imprevistos, caóticos e ficados para trás. E, contudo, não me deito vazia do dia que foi imediato e antes. E do dia que talvez se avizinhe. Quando assim é, esqueço para não dormir em vão. Não se pode. Tem que se adormecer no ombro de amanhã ou depois. Não há outra possibilidade. É talvez o sonho redentor. O anjo que não esquece na sua distância. O ombro etéreo de uma ambição discreta e secreta. Não quero ser estação de passagem desatenta de uma peça qualquer da vida. Somos estação de passagem. A diferença está na qualidade. Eu espero meu amigo – digo-lhe - que entres com as intempéries e deponhas as asas molhadas no cabide à direita da entrada. Que retires daí as asas domésticas que não te magoam o flanco ou a cintura cansada e te sentes ao meu lado a escutar as batidas do coração está tudo aí. Vai estar tudo aí. Os enormes e gigantescos seres do amor que vivem em nós como no fluir imperceptível do tempo, e nos quais vivemos. Que amamos em nós mais do que partes de nós e em que vivemos como casas e refúgios. Num jogo perfeito, perfeito jogo de espelhos. Fecho-me em casa na tentativa de refugio da violência monstruosa do que me acomete. Me abalroa. E me gira no rodopio veloz da vertigem do sentido de dentro. E, como uma onda veemente, quebra na areia e mais ainda num quebra-mar. A vontade. irrompe com o poder destruidor ou construtivo, feita de toda a cor, e quebra. Quebra como se nunca tivesse vindo inteira e prestes a arrepanhar o tempo antes de perdido. Mas ainda não se respirou fundo e foi. Até à próxima maré. De cada vez que me sento com o desconhecido. Sei que é uma vez a partir daquele exacto e imperdível momento. Sonhado talvez para trás. Sonhado para a frente. mas, de cada vez que me sento com o desconhecido, é o momento que vale a pena sonhar. Aquele exacto e preciso momento. Um eterno início. Nunca um eterno retorno. O início do sonho a sério. Do encontro. Com a ilusão a formar. Com a fantasia-porta. Com a real validade de tudo isso. Com a realidade. Com todas as sombras e reflexos que assombram tornadas matéria e visão. (Às vezes gostava de pôr vírgulas entre parêntesis, por isso não as coloco. E penso como o que está e o que não está, se pode demonstrar equivaler-se). Suponho que quase tudo o que alguma vez amei, algum dia se sentou à minha frente neste encontro com o desconhecido. Mas ainda há muito a fazer. Tudo é real. Ou sonhado. Ou a mesma coisa.


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7.8.2017 segunda-feira

ZHANG GENG

Paulo Maia e Carmo tradução e ilustração

«Pushan Lunhua»

Tratado de Pintura do Junco das Montanhas

Disposição Natural. Yang Ziyun1 disse: «Escrita é pintura mental2: à medida que esta vai tomando forma, podem-se distinguir os vícios e as virtudes dos homens. A pintura tem a mesma origem da escrita que é a pintura mental. Será que aqueles que usam o pincel o podem fazer sem reflectir? Ao olhar para as pinturas dos velhos mestres, não tive a certeza, mas quando estudei as suas vidas percebi que deveria ser assim e que as palavras de Yang Ziyun estavam certas. Vamos discutir este ponto em relação aos pintores da dinastia Yuan (1279-1368): Daji (Huang Gongwang) tinha uma disposição plácida e despreocupada, livre de todos os embaraços: dessa forma o seu método de pintura era tranquilo e leve mas também corajoso e exaustivo. Ele era o mais generoso entre todos estes pintores. Meihua Daoren (Wujen)3 era um grande solitário, puro e orgulhoso, e assim as suas pinturas eram ousadas, sublimes e admiravelmente refinadas. 1 - Na grafia Wade-Giles, Yang Tzu-yun, viveu entre 53 a. C. e 18 A.D., conhecido filósofo e escritor que serviu como alto funcionário e publicou comentários aos clássicos, obras de filologia e poemas. (Nota de Osvald Sirén op. cit. que cf., Giles, 2379.) 2 - A visão do espírito que precede o movimento do pincel. No influente Wen Xin Diao Long, escrito no início do século VI por Liu Xie (c.466-c.520) está exposta uma teoria literária que seria depois reconhecida e adaptada à pintura. De modo esquemático: no início dois pólos, de um lado o espírito humano (xin) do outro, o universo objectivo das «coisas» (wu). O pensamento (si) seria essa faculdade do espírito que lhe permitiria entrar em contacto com as coisas. Desse

encontro do pensamento com o objecto nasce a ideia (yi) que é o que precede e guia; a sua realização é a obra literária, o wen. Na adaptação à pintura o caracter wen é substituído por hua. (Ver,por exemplo, Pierre Ryckmans, op. cit., págs.31-32, 117-118.) 3 - Viveu entre 1280-1354 e Nizan (1301-1374) caracterizou-o deste modo: «Mei Daoren vivia na cabana das flores de ameixoeira (note-se que caracter mei no seu nome, significa ameixa). À sua janela tinha um cálice de pedra cheio de vinho resinado. Quando se embebedava, balançava o pincel e pintava o ar das montanhas, a névoa, o nevoeiro e as nuvens sem nenhum defeito.» (Cit. por Osvald Sirén, op. cit. p.111.)


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

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o ofício dos ossos Valério Romão

Da infantilização do consumidor

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RIMEIRO vieram os avisos, ente o obnóxio e o óbvio: “fumar mata”, “fumar causa doenças pulmonares”, tudo coisas claramente desconhecidas até surgirem estas imprescindíveis recomendações. Depois, passaram para as imagens, a maior parte delas tão ridículas que pareciam ter saído de um poema do Manuel Alegre sobre jogadores de futebol ou de uma crónica televisiva do Marques Mendes. Passado algum tempo, começaram a decorar os maços com línguas cancerosas, bocas com apenas dois dentes podres e distantes de si como Lisboa de Alverca e fetos espalmados em pose de camarão. Tudo para nosso bem, pois ser-nos-ia impossível perceber os malefícios do tabaco a não ser que no-los explicassem como se tivéssemos seis anos. Aristóteles dizia, acertadamente, que a visão é o sentido que nos dá mais mundo. Os publicitários, mesmo não lendo os clássicos gregos da filosofia, perceberam isso com apreciável nitidez. A televisão vive da imagem em movimento e da capacidade que esta tem de nos chocar, de nos

enternecer ou de nos indignar. Diz-se, comummente, que uma imagem vale mais do que mil palavras e as guerras do passado, com os meios de comunicação actuais, não seriam sustentáveis junto da opinião pública. Numa reportagem recente no Huffington Post, um médico especialista em traumas resultantes de feridas de armas, comuns em muitas cidades americanas, defendia que se o público tivesse acesso às imagens daquilo que acontece quando uma bala perfura um corpo, talvez o debate em redor da questão da venda e da posse de armas tomasse um rumo diferente daquele que tem sido o tom actual: uma clivagem tão profunda entre os que

defendem a liberdade total da posse de armas, à luz da constituição, e aqueles que advogam medidas de controlo. A imagem está no epicentro da nossa compreensão do mundo: é tão rápida como eficaz. No caso dos maços de tabaco, porém, a coisa não parece funcionar. Os fumadores mais susceptíveis acabam por comprar capas onde enfiam os maços, escondendo as imagens. Outros, recebendo um pulmão alcatroado, pedem ao vendedor uma versão mais neutra da mesma marca. O vício inventa formas de sobrevivência à agressão visual a que um fumador, para descargo de consciência política dos seus governantes, está sujeito.

Os fumadores sabem que o tabaco faz mal, sabem que o tabaco tira anos de vida e de qualidade de vida, sabem que o tabaco mata. Não precisam que o estado os doutrine como se fossem idiotas. O mesmo estado, diga-se, que faz um belo pé-de-meia com os impostos sobre o tabaco

E este é o ponto desta consideração em jeito de desabafo: os fumadores sabem que o tabaco faz mal, sabem que o tabaco tira anos de vida e de qualidade de vida, sabem que o tabaco mata. Não precisam que o estado os doutrine como se fossem idiotas. O mesmo estado, diga-se, que faz um belo pé-de-meia com os impostos sobre o tabaco. Porque o estado, em boa verdade, não está disposto a trocar os custos públicos da saúde dos fumadores pelo encaixe financeiro resultante da tributação da venda de tabaco. Um é imediato e acontece agora, do outro resultam benefícios somente a longo prazo. E, como sabemos, o longo prazo não é propriamente a paixão dos políticos, a não ser que se trate dos mamarrachos que se entretêm a semear um pouco por todo o lado para terem fitas para cortar e placas com os seus nomes. As imagens nos maços são apenas uma forma de comunicação – o santo graal da política contemporânea – e uma forma hipócrita de lidar com o assunto. “Vejam, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance mas os fumadores não deixam de fumar”. Kierkegaard tinha um nome para isto: má-fé.


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AFP

pediu, desta vez, ajuda a Nova Deli, que enviou tropas através da fronteira, a partir do estado de Sikkim. O Butão teme que a construção de uma estrada afecte as negociações sobre a sua fronteira. Nova Deli afirmou que o envio de tropas visa mostrar às forças chinesas a necessidade de não se alterar o ‘status quo’ e que qualquer construção teria “sérias implicações para a segurança da Índia”.

TRIPLAS PREOCUPAÇÕES

Os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa chinês e o jornal oficial do Partido Comunista já avisaram que a China não vai recuar

HIMALAIAS PEQUIM INTENSIFICA ADVERTÊNCIAS À ÍNDIA

Esticar a corda

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EQUIM está a intensificar as advertências à Índia para que retire as tropas de uma zona disputada com o Butão, nos Himalaias, ao afirmar que a contenção da China tem limites. A realização de exercícios com fogo real surge também como uma forma de pressão. A Índia disse que as suas tropas entraram no planalto de Doklam (ou Donglang,

em chinês), em Junho passado, depois de o Butão, aliado de Nova Deli, ter reclamado que uma equipa do exército chinês estava a construir uma estrada dentro do seu território. Pequim afirmou que a disputa não tem a ver com a Índia e exigiu que as tropas indianas deixem a região unilateralmente, como precondição para o diálogo. A televisão estatal CCTV difundiu sexta-feira um ví-

deo que mostra uma unidade do exército chinês a conduzir exercícios com fogo real numa parte do Tibete não identificada. As imagens sugerem uma tentativa de aumentar a pressão sobre a Índia, na linha de comentários recentes das autoridades e imprensa de Pequim Esta semana, os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa chinês e o jornal oficial do Partido Co-

munista Chinês já avisaram que a China não vai recuar. O porta-voz do Ministério da Defesa chinês Ren Guoqiang afirmou na quinta-feira que embora as tropas chinesas tenham demonstrado “extrema boa vontade” e “muita contenção... a contenção tem limites”. “Nenhum país deve subestimar a confiança das forças chinesas e a sua capacidade para salvaguardar a paz e a sua determinação e vontade em defender a soberania, segurança e interesses do desenvolvimento nacionais”, afirmou Ren, em comunicado. Apesar de China e Butão terem negociado, durante décadas, as fronteiras sem incidentes sérios, o pequeno reinado dos Himalaias

Na quinta-feira, a ministra dos Negócios Estrangeiros indiana, Sushma Swaraj, disse que a Índia está preocupada que as ações da China afectem a tripla fronteira entre o Butão, a China e Índia, assim como a fronteira entre a Índia e a China. A responsável garantiu que a Índia “vai continuar a empenhar-se junto com a China para resolver a disputa”. “A guerra não é solução para nada”, afirmou Swaraj. “Paciência, controlo nos comentários e diplomacia podem resolver os problemas”.

“A guerra não é solução para nada. Paciência, controlo nos comentários e diplomacia podem resolver os problemas” SUSHMA SWARAJ MNE INDIANA

JUSTIÇA ANTIGO CHEFE DO PC CHINÊS CONDENADO A PRISÃO PERPÉTUA M tribunal chinês condenou sexta-feira a prisão perpétua um antigo chefe do Partido Comunista da China (PCC) numa província atingida por fraude eleitoral, por aceitar subornos no valor de 18,5 milhões de euros. Wang Min, antigo chefe do PCC na província de Liaoning, foi também condenado por corrupção e negligência no exercício de funções, além de suborno, noticiou o jornal oficial Diário do Povo. Wang foi acusado de aceitar dinheiro e bens num valor superior a 146 milhões de yuan e abuso de poder, enquanto exercia funções nas províncias de Jilin e Liaoning, entre 2004 e 2016, segundo a imprensa estatal. O antigo alto quadro comunista foi ainda considerado culpado de negligência, por responsabili-

dades numa “grave fraude eleitoral, incluindo compra de votos”. As alegações de fraude eleitoral levaram à destituição de muitos dos membros da assembleia de Liaoning, no ano passado. A assembleia supervisiona as decisões a nível provincial, apesar de decisões-chave serem tomadas pelo Governo central. Após ascender ao poder em 2013, o Presidente chinês, Xi Jinping, lançou a mais ampla campanha anticorrupção de que há memória na China. Só em 2016, foram abertos processos contra 48 funcionários com o estatuto de vice-ministro ou superior. Em Junho passado, o antigo responsável pelas estatísticas chinesas foi condenado a prisão perpétua, por aceitar subornos num valor superior a 22 milhões de dólares, ao longo de duas décadas.

SIMON SONG

U

Wang Min, antigo chefe do PCC na província de Liaoning

Especialistas indianos apontaram que ao construir a estrada, a China poderá ganhar acesso a uma faixa estreita no território da Índia, conhecido como “corredor siliguri” (ou “pescoço da galinha”). Caso consiga bloquear esse corredor, o nordeste da Índia passa a estar isolado do resto do país. Na quarta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês publicou um documento sobre “os factos” sobre as tropas indianas “invadirem” território chinês, apelando à Índia para que retire imediata e incondicionalmente. A mesma nota indicou que Pequim vai trabalhar com o Butão para resolver a questão fronteiriça. O documento afirmou que, no final de julho, mais de 40 soldados indianos continuavam na região, menos do que quando, em 16 de junho passado, mais de 270 tropas indianas armadas avançaram, com escavadoras, até 100 metros dentro da fronteira da China. Em editorial publicado a semana passada, o jornal oficial Diário do Povo acusou a imprensa e funcionários indianos de “inventarem todo o tipo de desculpas esfarrapadas” para a sua acção. China e Índia, ambas potências nucleares, partilham uma fronteira com 3.500 quilómetros de extensão, a maioria contestada. Diferendos territoriais levaram a um conflito, em 1962, que causou milhares de mortos.

Rio Amarelo Inaugurada ponte com solo de cristal

Uma ponte com o solo inteiramente de cristal e 210 metros de comprimento foi sexta-feira inaugurada na China, no Rio Amarelo, um dos mais longos do mundo, informou a imprensa oficial chinesa. Situado junto à cidade de Zhongwei, na região de Ningxia, noroeste do país, a ponte está situada a 10 metros de altura e tem 2,6 de metros de largura.Trata-se da primeira ponte de cristal inaugurada no Rio Amarelo, cuja bacia é considerada o berço da civilização chinesa, ainda que não seja a primeira estrutura deste tipo que foi aberta no país com fins turísticos. No ano passado, a China abriu a ponte de cristal mais alta e longa do mundo, com 430 metros de comprimento e 300 de altura, no parque natural de Zhangjiajie, lugar que inspirou as montanhas Aleluia, do filme Avatar.


china 15

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ALTO QUADRO DO VATICANO VISITA O PAÍS

Sociedade chinesa está a envelhecer. Idosos já são mais de 16% da população

BLOOMBERG

O

director das Academias Pontifícias do Vaticano, o bispo Marcelo Sánchez Sorondo, viajou para a China, apesar da ausência de relações diplomáticas entre os dois estados, onde transmitiu uma mensagem do papa Francisco, informou sexta-feira a imprensa local. Segundo o jornal oficial Global Times, Sánchez Sorondo participou numa conferência sobre transplantes em Pequim, onde destacou, numa intervenção pública, o amor do papa pela China. “O papa Francisco ama a China e ama o seu povo e a sua História, esperamos que tenham um grande futuro”, declarou o bispo argentino, que dirige, desde 1998, a Academia Pontifícia de Ciências e a Academia Pontifícia de Ciências Sociais. A viagem à China do alto quadro da Santa Sé retribui a visita que um responsável do ministério da Saúde chinês efetuou ao Vaticano, no passado mês de Fevereiro, numa outra aproximação rara entre os dois lados, cujos laços diplomáticos estão cortados desde 1951. As visitas ocorrem num momento em que o papa Francisco expressou o seu desejo por uma maior aproximação à China. China e Vaticano divergem, sobretudo, na nomeação dos bispos, com cada lado a reclamar para si esse direito.

Este país é para velhos

“A atitude das mulheres em relação a ter filhos sofreu profundas mudanças. Deixou de existir o conceito ‘mais crianças, mais felicidade’”

A

China tinha, no final do ano passado, mais de 230,8 milhões de pessoas com idade superior a 60 anos, o equivalente a 16,7% da população total chinesa, ilustrando as rápidas mudanças demográficas no país. Dados publicados pelo Ministério deAssuntos Civis chinês indicaram que,

entre a população idosa do país, 150,03 milhões têm 65 anos ou mais, o equivalente a 10,8% do conjunto da população. Um país ou região têm uma sociedade envelhecida quando o número de pessoas com 60 anos ou mais atinge os 10%. Segundo as Nações Unidas, a China está a envelhecer mais rapidamente do que qualquer

outro país no mundo. Em 2050, o rácio de dependência, a relação entre a população activa e o número de indivíduos além da idade de reforma, poderá atingir os 44%. O fenómeno é uma consequência da política de “um casal, um filho”, um rígido controlo da natalidade que perdurou no país entre 1980 e o início de 2016.

No ano passado, a taxa de natalidade aumentou 7,9%, com 17,86 milhões de partos. Foram mais 1,31 milhões de bebés do que em 2015, o número mais alto deste século, ilustrando os efeitos do fim daquela política. No entanto, ficou muito aquém das previsões oficiais, que apontavam para um aumento de três milhões de nascimentos.

Quando Deng Xiaoping impôs a política de filho único, a China era ainda um país pobre e isolado, longe de conhecer o trepidante crescimento económico que viria a transfigurar a sociedade chinesa. Actualmente, nas grandes metrópoles chinesas, muitos jovens rompem com a tradição, optando por casar tarde e ter apenas um filho, independentemente da flexibilização ditada pelo Governo. “A atitude das mulheres em relação a ter filhos sofreu profundas mudanças. Deixou de existir o conceito tradicional de ‘mais crianças, mais felicidade’” afirmou Jiang Quanbao, professor na Universidade Jiaotong, na cidade chinesa de Xi’an, citado pelo jornal Financial Times. “As mulheres querem obter educação e ter a sua própria carreira. Os custos de ter uma segunda criança são grandes”, apontou.

PUB HM • 2ª VEZ • 7-8-17

Edital n.º Processo n.º Assunto Local

EDITAL

: 91/E-BC/2017 :5/BC/2017/F :Início de audiência pela infracção às disposições do Regulamento de Segurança Contra Incêndios (RSCI) :Rua do Capão n.º 3, EDF. Ving Nam, parte do terraço sobrejacente à fracção 5.º andar F, Macau.

AVISO A partir do dia 7 de Agosto de 2017 (Segunda-

Cheong Ion Man, subdirector da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), no uso das competências delegadas pelo Despacho n.º 12/SOTDIR/2015, publicado no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 38, II Série, de 23 de Setembro de 2015, faz saber que fica notificado o dono da obra do local acima indicado, cuja identidade se desconhece, do seguinte:

feira), as secretarias dos 1º, 2º, 3º e 4º Juízos Criminais

1. Na sequência da fiscalização realizada pela DSSOPT, apurou-se que no local acima indicado realizou-se a seguinte obra não autorizada:

4º andar do Edifício “The Macau Square” para o novo

Obra 1.1

Infracção ao RSCI e motivo da demolição

Construção de um compartimento com cobertura metálica, paredes em Infracção ao n.º 4 do artigo 10.º, obstrução do alvenaria de tijolo, janelas de vidro, caminho de evacuação. gaiola metálica, tubo de drenagem e tubo de abastecimento de água.

2. Sendo as escadas, corredores comuns e terraço do edifício considerados caminhos de evacuação, devem os mesmos conservar-se permanentemente desobstruídos e desimpedidos, de acordo com o disposto no n.º 4 do artigo 10.º do RSCI, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 24/95/M, de 9 de Junho. As alterações introduzidas pelos infractores nos referidos espaços, descritas no ponto 1 do presente edital, contrariam a função desses espaços enquanto caminhos de evacuação e comprometem a segurança de pessoas e bens em caso de incêndio. Assim, a obra executada não é susceptível de legalização pelo que a DSSOPT terá necessariamente de determinar a sua demolição a fim de ser reintegrada a legalidade urbanística violada. 3. Nos termos do n.º 3 do artigo 87.º do RSCI, a infracção ao disposto no n.º 4 do artigo 10.º é sancionável com multa de $4 000,00 a $40 000,00 patacas. Além disso, de acordo com o n.º 4 do mesmo artigo, em caso de pejamento dos caminhos de evacuação, será solidariamente responsável a entidade que presta os serviços de administração ou de segurança do edifício. 4. Considerando a matéria referida nos pontos 2 e 3 do presente edital, podem os interessados, querendo, pronunciar-se por escrito sobre a mesma e demais questões objecto do procedimento, no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da data da publicação do presente edital, podendo requerer diligências complementares e oferecer os respectivos meios de prova, em conformidade com o disposto no n.º 1 do artigo 95.º do RSCI. 5. O processo pode ser consultado durante as horas de expediente nas instalações da Divisão de Fiscalização do Departamento de Urbanização desta DSSOPT, situadas na Estrada de D. Maria II, n.º 33, 15.º andar, em Macau (telefones n.os 85977154 e 85977227).

do Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M. mudarão do local de funcionamento abaixo indicado e mantêm-se inalterados os locais de funcionamento das secretarias dos demais Juízos: Edifício dos Juízos Criminais do Tribunal Judicial de Base Endereço:

Avenida Doutor Stanley Ho, n.º 347,

Macau (Autocarros que passam pelo edifício: 9A, 18, 23 e 32) Tel:

(853) 8597 0278

Fax:

(853) 2897 3013

Portal:

www.court.gov.mo

RAEM, 28 de Julho de 2017 Pelo Director dos Serviços O Subdirector Cheong Ion Man

Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância

Assine-o TELEFONE 28752401 | FAX 28752405 E-MAIL info@hojemacau.com.mo

www.hojemacau.com.mo


16 eventos

7.8.2017 segunda-feira

FIM BILHETES JÁ ESTÃO À VENDA

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XXXI Festival Internacional de Música chega no final de Setembro mas os bilhetes já se encontram disponíveis para reserva desde ontem. De acordo com o Instituto Cultural, a venda é limitada a um máximo de 10 bilhetes por espectáculo e por pessoa. A edição este ano tem como tema “Estrelas em Ascensão” e pretende convidar o público para “uma jornada que permite apreciar a energia esmagadora dos novos prodígios e admirar os clássicos compostos por grandes mestres”, lê-se no comunicado enviado à comunicação social. A grande abertura do evento é feita com a ópera em quatro actos “Andrea Chénier” e dá a conhecer o “realismo” dominante das óperas italianas da época. Já a internacionalmente reconhecida Filarmónica de Viena apresenta, no encerramento do evento, clássicos de Beethoven, de Strauss e de Wagner. Ao longo do festival, o cantor de Hong Kong William So apresenta-se com a Orquestra Chinesa de Macau para apresentar clássicos populares e a primeira ópera feita por gente de Macau, “Um Sonho Perfumado” volta ao palco. O erhu vai reunir três gerações da família Chen num espectáculo que incorpora instrumentos e elementos musicais ocidentais, “dando um novo encanto à musical tradicional do erhu”.

CINEMA FILME DE AI WEIWEI SOBRE REFUGIADOS ESTREIA ESTE MÊS

Humanidade ou redenção

A Amazon Studios decidiu comprar o documentário que Ai Weiwei fez sobre a crise global de refugiados. O filme tem estreia marcada no Festival de Cinema de Veneza. Em breve poderá ser visto em casa pelos fãs do polémico artista chinês “crise humana”. “Qualquer pessoa pode ser um refugiado. Posso ser eu ou podes ser tu”, alerta. Afinal, diz, a única diferença entre ser um cidadão ou ser um refugiado é a circunstância em que se vive – e “a paz é sempre temporária”. As Nações Unidas acreditam que há mais de 65 milhões de pessoas deslocadas em todo o mundo.

ETERNAS POLÉMICAS

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“

UMAN Flow”, a primeira obra de Ai Weiwei no campo das longas-metragens, vai ser disponibilizado online pela Amazon Studios, que comprou os direitos de distribuição do documentário. O filme vai ser visto pela primeira vez no final deste mês no Festival Internacional de Cinema de Veneza. Deverá estar nos cinemas norte-americanos no próximo Outono. Filmado sobretudo na ilha grega de Levsos, o documentário inclui entrevistas e imagens de mais de 40 campos de refugiados localizados em 23 países. De acordo com o site da produção, alemã e norte-americana, o documentário analisa o dilema global de migrantes que são forçados a abandonar a terra natal por causa da pobreza, da guerra e das alterações climáticas. O filme contou com o apoio de 25 equipas em países como o Afeganistão, Bangladesh, França, Grécia, Alemanha, Líbano, Jordânia e México.

O Art Newspaper escreve que o assunto escolhido por Ai Weiwei é também uma abordagem “irónica” do percurso do realizador, uma vez que o artista esteve confinado ao seu próprio país durante vários anos, depois de ter sido impedido de viajar pelas autoridades chinesas. Ai Weiwei, que está prestes a fazer 60 anos, vive agora em Berlim. “‘Human Flow’ é uma viagem pessoal, uma tentativa de perceber as condições da Humanidade dos nossos dias”, explicou Ai Weiwei quando o projecto foi anunciado, em Fevereiro passado. “O filme é feito com uma convicção profunda no valor dos direitos humanos. Nestes tempos de incerteza, precisamos de mais tolerância, compaixão e confiança nos outros, uma vez que somos apenas um só”, disse ainda o artista. “De outro modo, a Humanidade terá de enfrentar crises ainda maiores.” O realizador prefere afastar a expressão “crise dos refugiados”, por considerar que se trata de uma

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA LUÍSA SOBRAL • The Cherry on my Cake

Voz, guitarra, papel e caneta. «The Cherry on my Cake» é o primeiro disco assinado em nome próprio de uma viagem musical que começou logo aos 12 anos. Dos Beatles a Billie Holiday, de Ella Fitzerald a Chet Baker, de Regina Spektor a Bjork, todos cabem no universo de Luísa Sobral. A cantora estudou na Berklee College of Music, em Boston (EUA), e durante a estadia de 4 anos naquela cidade foi nomeada para «Best Jazz Song», no Malibu Music Awards (2008); «Best Jazz Artist» no Hollywood Music Awards; «International Songwirting Competition» (2007) e ainda «The John Lennon Songwriting Competition» (2008).

A ideia de ter de se deixar o local a que se pertence entrou na vida de Ai Weiwei bem cedo: o polémico artista cresceu no nordeste da China, local onde o seu pai, o poeta Ai Qing, viveu exilado depois de se ter incompatibilizado com o regime de Mao Zedong. Ai Weiwei também não teve uma vida fácil na relação com as autoridades chinesas: em 2011, esteve 81 dias detido por alegados crimes financeiros. Os seus apoiantes e grupos de defesa dos direitos humanos alegaram que a detenção teve motivações políticas, numa al-

“Qualquer pessoa pode ser um refugiado. Posso ser eu ou podes ser tu.” AI WEIWEI ARTISTA

tura em que foram noticiados vários casos de perseguição a dissidentes. O episódio de 2011 mereceu a atenção internacional, mas não foi a primeira vez que Ai Weiwei foi notícia no mundo inteiro. Contestatário do sistema político chinês, desde 2005 que se insurgia publicamente contra o regime, tanto através da escrita num blogue, como das suas obras de arte. O facto de o documentário ser estreado em Itália deverá ser alvo de alguma controvérsia. O drama dos refugiados que arriscam fazer a viagem de barco entre o Norte de África e a Europa – muitos deles perdendo a vida pelo caminho – é um assunto que está longe de ser consensual entre os políticos italianos e europeus. A RAI, a televisão pública italiana, é co-produtora de “Human Flow”. A crise global dos refugiados é o tema central do trabalho mais recente de Ai Weiwei. Na Galeria Nacional de Praga, é possível ver, neste momento, uma instalação de tamanho gigante em que é representado um barco salva-vidas. Trata-se de um insuflável preto com passageiros a bordo, também eles de cor preta, a que o artista deu o nome de “Law of the Journey”. Em Berlin e Viena, decorou edifícios com centenas de coletes salva-vidas cor de laranja. Ainda sobre “Human Flow”, apesar de o filme ainda não ter sido visto, foi já objecto de críticas nada simpáticas. Há quem diga que se trata de um esforço de emendar a mão devido aos seus trabalhos mais recentes – considerados por alguns como sendo cruéis e grosseiros –, resultantes de um ostensivo esforço humanitário que, de facto, se resume apenas ao ego do artista.

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PANDA VAI À ESCOLA • O Musical – ao vivo

Um dos personagens mais famosos e queridos pelas crianças está de volta com o DVD “Panda Vai à Escola, O Musical – ao vivo”, um espectáculo onde não faltam temas como “Laranjas e Bananas”, “Olha o Piolho” ou “O Jogo das Cores” e muitos outros sucessos. No espectáculo participa a turminha do Panda, composta por um elenco de jovens cantores, actores e bailarinos que contagiam com a sua alegria, energia e boa disposição, a que aliam uma grande interacção com o público, sempre com o objectivo de ensinar, a brincar.


desporto 17

segunda-feira 7.8.2017

AUTOMOBILISMO RODOLFO ÁVILA COM RESULTADO QUE SOUBE A POUCO

A

segunda metade da temporada de 2017 do Campeonato da China de Carros de Turismo (CTCC) teve o seu início este fim-de-semana no Circuito Internacional de Xangai. Na primeira corrida Rodolfo Ávila terminou em sexto lugar e na segunda acabou em 12º devido a um acidente.

A jornada parecia prometedora depois do piloto português de Macau ter ficado no quinto lugar na sessão de qualificação, apesar de ter corrido com um carro “que nas rectas perdia em velocidade de ponta em relação aos outros carros da equipa”. Na segunda corrida o piloto da SVW 333 Racing

sofreu problemas de motor, mas foi defendendo a sua posição, o sexto lugar, até à última volta. Porém, antes da corrida terminar o carro de Rodolfo Ávila viria a ser atingido por uma viatura de um adversário, caindo na classificação para o 12º lugar. “Foram duas corridas muito intensas e o balanço

final do fim-de-semana acaba por saber a pouco, visto que em termos de resultados poderia ter sido melhor. Na primeira corrida tive um duelo interessante com os KIA, que nesta pista foram muito rápidos, porque andaram com menos 80 kg do que o habitual. A segunda cor-

rida também não foi fácil, porque logo no início um dos Haima danificou-me a direcção. Depois o motor começou a falhar e deixei passar o Rob Huff, que este fim-de-semana conduziu pela nossa equipa, até que na última volta o Martin Cao, num dos Ford, falhou a travagem e acabou por

O

Benfica conquistou este sábado a sua sétima Supertaça Cândido Oliveira de futebol, ao vencer o Vitória de Guimarães por 3-1, num jogo em que entrou de forma avassaladora perante um adversário que despertou muito tarde. Em menos de 15 minutos jogados, os encarnados já venciam os vimaranenses por 2-0 graças a golos de Jonas (6 minutos), Seferevic (11). O Vitória de Guimarães ainda reduziu e reentrou na discussão da partida pouco antes do intervalo com um golo de Raphinha aos 43 minutos, mas Jiménez selou o resultado aos 83, carimbando para o Benfica a conquista de duas Supertaças consecutivas, algo inédito na história do clube da Luz. Sem poder contar com Júlio César, Carrillo, André Horta, Mitroglou (lesionados) e Samaris (castigado), e já sem Ederson, Nelson Semedo e Lindelöf, referências da época passada que foram transferidos, Rui Vitória apostou num ‘onze’ com estreias que apesar das debilidades se soube impor imediatamente no jogo. Já o Vitória de Guimarães, ainda sem soluções para as saídas de Bruno Gaspar na defesa, e de Marega e Hernâni no ataque, e com Henrique, Konan e Francisco Ramos, condicionados, protagonizou um arranque de partida muito mau e a demonstrar muita falta de entrosamento.

SEM TEMPO A PERDER

O Benfica, apostado em conquistar o primeiro troféu da nova temporada e apresentando-se com uma máquina que sofreu muitos golos (15) na fase de pré-época, quis naturalmente mostrar rápido que está preparado para repetir as conquistas das últimas temporadas. E mostrou. Logo aos seis minutos Jonas apareceu no sítio certo e, após cruzamento da direita e de um mau alívio do guardião minhoto, fez o primeiro da partida. Os ‘encarnados’ entravam com tudo, a jogar bem sobretudo pela direita, e a aproveitar muito bem o péssimo arranque do Vitória de Guimarães que deu espaços, ofereceu golos e demorou a ganhar capacidade de resposta.

bater forte no meu carro. Fiz um pião e perdi seis posições”, explicou Ávila. O CTCC faz agora uma pausa de sete semanas, regressando no fim-de-semana de 1 e 2 de Outubro. O sexto evento da temporada será a cidade de Wuhan, a capital da região administrativa de Hubei.

balneário uma vantagem de 3-0, mas Salvio foi egoísta e, quando tinha Seferovic e Jonas sozinhos no meio a pedir a bola, optou por um ‘chapéu’ que Miguel Silva conseguiu suster (40 minutos). E acabaria por ser o Vitória de Guimarães a conseguiu o golo e logo a hipótese de voltar à discussão da partida. Raphinha marcou o 2-1 a três minutos do intervalo, completando uma jogada que começou na direita.

EM ABERTO

Na segunda parte, os vitorianos - que jogavam em 4-2-3-1 - entraram mais confiantes e ao contrário do arranque do primeiro tempo assistiu-se a um jogo aberto e com lances repartidos.

Em menos de 15 minutos jogados, os encarnados já venciam os vimaranenses por 2-0 graças a golos de Jonas (6 minutos), Seferevic (11)

SUPERTAÇA BENFICA ENTRA A ‘MATAR’ E CONQUISTA SÉTIMO TROFÉU

Depressa e bem Marcos Valente e Josué, os centrais escolhidos por Pedro Martins, pareciam apáticos, somando-se a má ligação no ‘miolo’ vitoriano, e o Benfica, que não estava para desperdiçar oportunidades, aos 11 minutos dilatou a vantagem com um golo de Seferovic. O avançado suíço contratado ao Eintracht Frankfurt, único ‘reforço’ do ‘onze’ lisboeta à excepção de Varela, completou um passe de Pizzi, que aproveitou como bem

quis uma perda de bola de Zungu. A ganhar por 2-0 quando ainda nem um quatro de hora estava decorrido, a equipa de Rui Vitória - que tinha apostado num esquema tático de 4-1-3-2 - recuou no terreno, obrigando os vimaranenses a mostrarem trabalho. Raphinha, com um livre que passou por cima da baliza de Bruno Varela - guardião que fez a sua estreia absoluta pela equipa principal do Benfica - aos 20 minutos

ainda tentou, mas só quem de facto mostrou credenciais na formação de Guimarães foi Miguel Silva. O jovem guarda-redes dos minhotos negou o terceiro golo ao Benfica por duas vezes em apenas dois minutos seguidos. Primeiro a Salvio que aproveitou um ressalto (28 minutos) e depois a André Almeida que rematou sozinho já em zona muito perigosa (29). O Benfica ainda esteve mais uma vez perto de levar para o

Hurtado, sozinho diante de Varela e com tudo para fazer golo, rematou mal e atrapalhou-se consigo próprio, não conseguindo por pouco e só por ‘aselhice’ o empate aos 59 minutos. O Benfica respondeu por intermédio de Jonas que rematou ao lado (61). E Hélder Ferreira, inconformado com a desvantagem, também tentava mas se a primeira tentativa encontrou Bruno Varela pela frente (63), a segunda ‘esbarrou’ em Luisão (64). O Vitória de Guimarães queria pelo menos o prolongamento. Mas o despertar tardio paga-se caro. O tetracampeão nacional, já com Felipe Augusto em campo que foi substituir Salvio aos 65 minutos dando segurança ao meio-campo lisboeta, não deixou escapar o título e ainda marcou um terceiro golo para ‘matar’ de vez o jogo. Raul Jiménez fez o 3-1 aos 83 minutos depois de Pizzi, que esteve nos três golos ‘encarnados’ acabando por ser a grande figura do jogo, ter recuperado a bola após erro de Raphinha. Lusa


18 (f)utilidades TEMPO

POUCO

7.8.2017 segunda-feira

?

NUBLADO

O QUE FAZER ESTA SEMANA Diariamente EXPOSIÇÃO | “MY HANDS MOULD MY THOUGHTS” DE WU HIN LONG Macau Art Garden Até 27/8

MIN

28

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34

HUM

60-90%

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EURO

9.48

BAHT

EXPOSIÇÃO “NEW ART PEOPLE PROJECT 2017: BOUNDLESS 4” Armazém do Boi | Até 13/8 EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10

O CARTOON STEPH

EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 93

C I N E M A

DORAEMON THE MOVIE 2017: NOBITA’S GREAT ADVENTURE SALA 1

DORAEMON THE MOVIE 2017: NOBITA’S GREAT ADVENTURE IN THE ANTARTIC KACHI KOCHI [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Atsushi Takahashi 14.30, 16.30, 19.15

WAR FOR THE PLANET OF THE APES [B] Fime de: Matt Reeves Com: Woody Harrelson, Sara Canning, Judy Greer 21.15

THE EMOJI MOVIE [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Tony Leondis 14.15, 17.45, 19.30, 21.30

SALA 2

PROBLEMA 94

UM FILME HOJE

SUDOKU

DE

Cineteatro

1.19

PUNK É PRECISO

EXPOSIÇÃO “RESTLESS NATURE”: TONG CHONG Taipa Village Art Space | Até 6/9

EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8

YUAN

PÊLO DO CÃO

EXPOSIÇÃO “A SIBÉRIA E O LAGO BAIKAL” DE ANDY LAO Find Art Macau

EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08

0.24

Crescer é um processo de rejeição e aceitação constante, principalmente enquanto a personalidade se forma, muitas vezes partindo de influências antagónicas. Pensamos que nos formamos na oposição mas, a verdade, é que somos seres gregários, aderimos a coisas, movimentos, estéticas, grupos sociais. Assumo perplexidade, incompreensão, perante a popularidade por estas bandas, quase exclusiva, dos Justin Biebers deste mundo. Claro que também têm enorme popularidade no ocidente, mas por cá vão muito além da fronteira dos vinte anos de idade. Ainda mais estranho é não encontrar concorrência estilística. A juventude é uma fase de inquietude, de saudável rebelião, de dedo do meio esticado como reflexo condicionado. Para onde irá este combustível se não for queimado na adolescência? Como se faz a catarse? Não vou ao ponto de dizer que são necessários rockers que usem heroína como quem recorre à acupunctura ou se suicidem aos magotes, mas a patológica busca da sociedade harmoniosa e saudável precisa de um contraponto. Gostava de assistir nestas paragens ao nascimento de um Cobain, um Iggy ou uns Pistols. Mas às tantas, a libertação da angústia chinesa faz-se noutros moldes, imperceptível ao olho ocidental que cresceu com riffs, noise e mosh. Talvez me esteja a escapar algo, talvez a angustia existencial da adolescência seja exorcizada através de videojogos, ou de outro escape que me foge à compreensão, por mais esforços que envide. João Luz

“LA GRANDE BELLEZZA” | PAOLO SORRENTINO

Ganhou o óscar para melhor filme estrangeiro em 2014. Arrecadou o Globo de Ouro e o BAFTA. “La Grande Bellezza” de Paolo Sorrentino tem pitadas da Dolce Vita de Fellini através de Jap Gambardella, um escritor que vive na sombra do seu único e famoso livro. A vida que leva é uma mistura trágico- cómica numa Roma de luxo e de festas, de aparências e futilidades. No 65º aniversário, Jap decide mudar o rumo das coisas, quer escrever outro livro e viajar em memórias. Roma, música, cinismo, crueza, citações de Dostoiévski e de Breton, são alguns dos ingredientes num filme de referência. Sofia Margarida Mota

DISPICABLE ME 3 [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 16.00 SALA 3

47 METERS DOWN [C] Fime de: Johannes Roberts Com: Mandy Moore, Claire Holt 14.15, 18.00, 21.45

CARS 3 [A] FALADO EM CANTONÊS Fime de: Brian Free 16.00, 19.45

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 19

segunda-feira 7.8.2017

reencarnações JOÃO LUZ

WILLIAM BLAKE, PENA, 1795

Q

UANDO cheguei a Macau senti-me imediatamente em casa. A sede de exotismo há muito que me impelia para terras ermas, para lugares onde a minha língua fosse uma curiosidade sonora imperceptível. Diria até que a portugalidade vestigial foi mais difícil de computar, como olhar para um homem sem polegares oponíveis, ou avistar em estupefacção um dinossauro esmagar uma torre de apartamentos. Assisto expectante a este imparável processo de darwinismo civilizacional, quase biológico, na primeira fila. Olho para ele com a naturalidade dos que nasceram livres das amarras imperialistas, ciente do passado sem ter de embarcar no facilitismo de ter de inserir nesta frase uma progressão lógica para o presente e o futuro. A minha tez reflecte o somatório de povos que se fixaram na Península Ibérica, nascido e criado sobre o imperdoável sol alentejano, enfrento o astro de frente. Sem chapéu-de-sol, sem pudores em torrar, sem qualquer palidez fantasmagórica, como uma rosa nascida fora da estação surdida por engano, como diria o poeta. Não me incomoda o auto-incutido banimento, o exílio interior, esse sempre habitou no meu peito, como uma intoxicante amante que nos impele a fazer coisas insondáveis e que nos deixa famintos de presença. Como uma doce epiderme que instiga, “toca-me, afaga-me”, sem se manifestar física, alcançável. A fantasmagoria é-me familiar, faz parte de mim, como se a minha existência resvalasse para a translucência, para um lugar além da luz. A expressão “gweilo” tem várias conotações, nem todas elas catastróficas, mesmo pegando nas traduções literais de fantasma ocidental, ou diabo não-chinês. Aceito tudo isso porque lhe reconheço acidental assertividade. Homem fantasma, espectro com corpo que pisa este e outros solos, sempre com a leveza de uma aparição. Muitas vezes procuro ter a invisibilidade de uma alma, por vezes conjuro teias de pensamento que sem um assombro religioso poderia adjectivar de diabólicas. Mas nunca serei chinês, essa é uma verdade indubitável. Os meus olhos tem uma forma diferente mas, acima de tudo, percepcionam de uma forma diferente.

Gweilo

Gweilo, laowai, pula, gringo, tanto se me dá. Assumo, abraço e deleito-me na dissonância. Não a ganhei aqui, ela acompanha-me desde o berço. Vim em paz, o meu passaporte é o sorriso que dirijo a todos vós, meus irmãos de desterro verbal. Vou-me fazendo entender, recorrendo a truques que a necessidade cultiva. O mínimo entendimento é motivo de celebração, uma quimera de concordância que raramente se encontra entre quem fala a mesma língua. Essa ténue e minúscula ponte estende um abraço com meio mundo de amplitude, une-nos no primordial sentido humanista de sermos duas pessoas que partilham o mesmo espaço e tempo. Macau, Agosto de 2017. Somos feitos da mesma carne, corre-nos nas veias sangue

Gweilo, laowai, pula, gringo, tanto se me dá. Assumo, abraço e deleito-me na dissonância. Não a ganhei aqui, ela acompanha-me desde o berço. Vim em paz, o meu passaporte é o sorriso que dirijo a todos vós, meus irmãos de desterro verbal

igual, choramos as mesmas pequenas e salinas ondas, nascemos ambos a berrar o mesmo protesto, morremos essencialmente iguais. Desejo prosseguir este imaterialismo, continuar a caminhada espectral como um vapor que se vai infiltrando na maquinaria da cidade, como um murmúrio que se espalha agigantando-se num grito colectivo na praça do Leal Senado. Sei que por vezes serei um espectro em fuga na visão periférica de Macau, um rumor que alguém ouviu, como uma canção longínqua e eminentemente estrangeira, de origem indefinida. Avaro como o sol de Inverno, sumido como o seu ocaso, fugaz como um astro cadente, coincidente como um eclipse. Toda esta minha diatribe está a milhas dos conceitos folclóricos de almas penadas, de fantasmas que arrastam correntes e que usam roupa de cama. Não reclama carícias reparadoras depois da discriminação, não se verga derrotista por questões de distância, nostalgia ou disparidade comunicacional. Isto não é uma vitimização perante uma expressão que me ultrapassa, mas é uma oportunidade para me mostrar sumindo de cena, uma revelação fugidia. O meu fantasmagórico desterro é um lugar de autocontemplação, de reflexão e paz. A minha verdadeira terra é o sonho, é de lá que venho e é lá que estou sempre... onde quer que esteja.


“

Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho /Onde esperei morrer, meus tão castos lençóis? /Do meu jardim exíguo os altos girassóis /Quem foi que os arrancou e lançou no caminho? ” Camilo Pessanha

ENVIADO DE TRUMP VAI A MOSCOVO PARA NEGOCIAÇÕES SOBRE UCRÂNIA

Coloane Homem e criança saltam de um edifício e morrem

A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar as mortes de um homem e de uma criança, que terão saltado de um edifício residencial, em Coloane. De acordo com a Rádio Macau, o caso foi reportado, esta manhã, por volta das 8h. Foi encontrada também uma mulher com ferimentos. Segundo a porta-voz da PJ, Gloria Sun, a recolha de provas ainda está a decorrer. A mesma responsável não confirma se as vítimas são todas da mesma família. A mulher ferida, foi encaminhada para o hospital. A PJ promete mais esclarecimentos para breve.

Moto 2 Miguel Oliveira terceiro no GP da República Checa

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O português Miguel Oliveira (KTM) terminou ontem no terceiro lugar o Grande Prémio da República Checa de Moto2, 10.ª prova do Mundial de motociclismo de velocidade, atrás do suíço Tomas Luthi (Kalex) e do espanhol Alex Marquez (Kalex). Numa corrida interrompida devido à chuva a seis voltas do fim, quando era liderada pelo italiano Mattia Pasini (Kalex), que viria a cair, Oliveira, que partiu do segundo lugar da grelha inicial e do terceiro no reatamento, ficou a 6,983 segundos de Luthi, que cumpriu a segunda parte da prova em 13.39,036 minutos. Oliveira conquistou o quinto pódio da temporada, pela terceira vez com o terceiro lugar, e divide a terceira posição do Mundial com Marquez, com 133 pontos, menos 49 do que o italiano Franco Morbidelli (Kalex), que não foi além do oitavo lugar, e menos 28 do que Luthi, segundo classificado.

Corpo diplomático

O

ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, disse ontem que a administração de Donald Trump acordou enviar o seu representante especial para as negociações sobre a Ucrânia e que a viagem a Moscovo deverá ocorrer em breve. Após o seu primeiro encontro ontem em Manila com o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, desde as novas sanções americanas, Lavrov surgiu com uma avaliação optimista no encontro de pontos comuns sobre a Ucrânia, a Síria e outras questões. Lavrov disse que concordaram em manter um canal diplomático de alto nível que a Rússia suspendeu em protesto face às sanções dos EUA. “Sentimos que os nossos homólogos americanos precisam manter o diálogo aberto”, afirmou Lavrov. Sergey Lavrov referiu que o representante especial do Presidente Donald Trump para as negociações da Ucrânia, Kurt Volker, fará em breve

novas sanções adoptadas por uma esmagadora maioria de deputados norte-americanos para punir Moscovo, designadamente pela sua alegada ingerência na eleição presidencial e o seu envolvimento no conflito na Ucrânia.

BAIXO NÍVEL

Kurt Volker, fará em breve a sua primeira viagem a Moscovo onde se encontrará com Vladislav Surkov, o enviado russo para a crise da Ucrânia a sua primeira viagem a Moscovo e que se encontrará com Vladislav Surkov, o enviado russo para a crise da Ucrânia. Na quinta-feira o Presidente dos EUA, Donald Trump, definiu como “muito perigoso” o actual estado das relações com a Rússia e atribuiu as responsabilidades ao Congresso, que aprovou o

reforço das sanções económicas contra Moscovo. “As nossas relações com a Rússia estão no mais baixo nível histórico e muito perigoso. Podem agradecer ao Congresso, a essas mesmas pessoas que se mostram incapazes de aprovar uma reforma da Saúde”, divulgou no Twitter. Donald Trump promulgou na quarta-feira

O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, advertiu em diversas ocasiões que as relações entre as duas potências estão “no nível mais baixo desde o final da Guerra Fria” e poderiam “ainda deteriorar-se”. Na quarta-feira, Moscovo denunciou uma “declaração de guerra económica total contra a Rússia” após a promulgação das novas sanções, ironizando com a “fraqueza total” da administração Trump face ao seu Congresso. Sem aguardar, a Rússia já ripostou na semana passada, ao anunciar uma redução drástica do pessoal diplomático norte-americano no seu território.

FILIPINAS ENSINO GRATUITO NAS UNIVERSIDADES ESTATAIS

O

Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, aprovou o ensino gratuito nas 112 universidades do país, anunciou sexta-feira um representante do Governo. A lei de acesso universal à educação terciária de qualidade foi assinada na quinta-feira, no final de uma reunião com deputados e assessores económicos, permitindo matrículas gratuitas nas universidades estatais do país, disse, em conferência de imprensa, o secretário-adjunto Menardo Guevarra. Duterte deu “luz verde” a esta lei apesar da oposição dos assessores

económicos, que alertaram o Presidente para a escassez de fundos do Governo para suportar os custos das matrículas de centenas de milhares de alunos, que todos os anos entram nas universidades filipinas. O Presidente “concluiu que os benefícios a longo prazo de uma educação superior gratuita vão compensar os possíveis desafios orçamentais imediatos”, afirmou Guevarra. O financiamento das matrículas de todos os estudantes em universidades estatais filipinas vai implicar um custo de 1.170 milhões de euros

aos cofres públicos, de acordo com a estimativa do Secretário do Tesouro filipino, Benjamin Diokno. As 112 universidades estatais recebem uma parte importante dos estudantes filipinos, que podem escolher entre mais de duas mil instituições públicas e privadas de ensino superior no país. O preço anual de uma matrícula na Universidade das Filipinas, um dos estabelecimentos de ensino superior estatais mais importante do país, ronda os 856 euros, uma despesa pesada para uma família média filipina.

segunda-feira 7.8.2017

TOYOTA E MAZDA JUNTAM-SE PARA INVESTIR EM CARROS ELÉCTRICOS

A

Toyota e a Mazda juntaram-se para apostar na tecnologia de carros eléctricos e investir 1,6 mil milhões de dólares numa unidade nos EUA, criando quatro mil empregos, anunciaram sexta-feira as empresas nipónicos. Os dois fabricantes automóveis decidiram avançar com uma aliança para desenvolver em conjunto tecnologia para carros elétricos e construir uma nova fábrica nos EUA, que deverá começar a laborar em 2021 com uma produção anual estimada em 300 mil veículos, refere um comunicado conjunto sexta-feira divulgado. A nova unidade, que vai receber um investimento de 1,6 mil milhões de dólares para fabricar os novos modelos ‘crossover’ da Mazda e o Corolla da Toyota - o segundo em vendas nos EUA - destinados ao mercados norte-americano. A Toyota tinha previsto produzir aquele modelo nas instalações que está a construir em Guanajuato, México, decisão que teve o desacordo do Presidente dos EUA, Donald Trump, conforme transmitiu nas redes sociais. A Toyota anunciou que na fábrica de Guanajuato vai ser produzida a sua camioneta Tacoma. Apesar da mudança, o fabricante japonês garante que “não haverá qualquer impacto substancial no plano de investimento e emprego da Toyota” na unidade mexicana. O acordo de cooperação entre as duas empresas também inclui a aquisição por parte da Toyota de 5,05% das acções da Mazda, que por sua vez ficará com 0,25% dos títulos da sua concorrente, de modo a terem ambas uma participação equivalente do sócio, operação que vai concretizar-se em 2 de Outubro.


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Hoje Macau 7 AGO 2017 #3869 by Jornal Hoje Macau - Issuu