HOJE MACAU
DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ
SEXTA-FEIRA 7 DE JULHO DE 2017 • ANO XVI • Nº 3849
JOSÉ EDUARDO MARTINS
‘‘Não há nenhum Trump que faça voltar isto atrás’’
PÁGINAS 4-5
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A ANGÚSTIA ANTÓNIO DE CASTRO CAEIRO
Sou, o primeiro democrata
Agnes Lam está confiante
JOÃO SIMÕES
Ho Iat Seng pelas indirectas
Hong quer eleições limpas
A VIAGEM DE CAMILO PESSANHA
POR PAULO JOSÉ MIRANDA
JOSÉ SIMÕES MORAIS
PÁGINAS 8-9
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hojemacau
PEREIRA COUTINHO APRESENTA LISTA
Língua nossa O português é um trunfo importante, garante o candidato
PÁGINA 7
MOP$10
2 GRANDE PLANO
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embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, disse em encontro do Conselho de Segurança que as acções da Coreia do Norte estavam “a acabar rapidamente com a possibilidade de uma solução diplomática” e que os EUA estavam preparados para se defender e defender seus aliados. “Uma das nossas capacidades está nas nossas consideráveis forças militares. Iremos usá-las caso precisemos, mas preferimos não ter que seguir este caminho”, disse Haley. Dando um significativo passo no seu programa de mísseis, a Coreia do Norte testou na terça-feira o lançamento de um míssil balístico intercontinental que alguns especialistas acreditam poder alcançar os Estados norte-americanos do Hawai e do Alasca e talvez o noroeste do Pacífico norte-americano. A Coreia do Norte afirma que o míssil pode carregar uma grande ogiva nuclear, mas os militares norte-americanos garantiram que são capazes de defender os EUA contra o míssil balístico intercontinental norte-coreano. Kim Jong-un, o presidente norte-coreano, dissera que o míssil foi um “presente” para os EUA na data em que os norte-americanos festejavam o 4 de Julho, o Dia da Independência e que irá a continuar a enviar “prendas”. Haley disse que os EUA irão propor novas sanções da ONU sobre a Coreia do Norte nos próximos dias e alertou que se a Rússia e a China não apoiarem as medidas, então “seguiremos o nosso próprio caminho”. O embaixador da China na ONU, Liu Jieyi, disse na reunião do Conselho de Segurança que o lançamento do míssil foi uma “violação evidente” das resoluções da ONU e “inaceitável”. “Pedimos a todas as partes interessadas para exercitarem a prudência, evitarem acções provocativas e retóricas agressivas, demonstrarem a vontade por diálogos incondicionais e trabalharem activamente juntas para desarmar a tensão”, disse Liu.
RÚSSIA E CHINA CONTRA MAIS SANÇÕES
Mas, no entanto, a China e a Rússia discordaram da
COREIA DO NORTE EUA DIZEM-SE PREPARADOS PARA USAR FORÇA CASO SEJA NECESSÁRIO
SOZINHOS NA GUERRA
Os Estados Unidos alertaram que estão prontos para usar a força caso seja necessário para interromper o programa de mísseis da Coreia do Norte, mas dizem preferir uma acção diplomática global contra Pyongyang e mais sanções. China e Rússia estão contra e preferem a via diplomática, que passará pela cessação imediata de todas as acções militares dos dois lados. proposta dos Estados Unidos de impor sanções mais duras à Coreia do Norte e pediram ao governo norte-americano para trabalhar em uma solução negociada para a actual crise. Os dois países formaram no Conselho de Segurança da ONU uma frente comum contra a proposta dos EUA, que anunciou que apresentará um projecto de resolução para endurecer as sanções à Coreia do Norte. “Todos devemos saber que as sanções não vão
resolver a questão”, disse o embaixador-adjunto da Rússia na ONU, Vladimir Safronkov, durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança. Safronkov classificou como “inaceitável” qualquer tentativa de estrangular economicamente a Coreia do Norte, lembrando que milhões de pessoas têm grandes necessidades humanitárias no país. Contra a postura da Casa Branca, a China e a Rússia
voltaram a defender a proposta de que a Coreia do Norte suspenda seus testes nucleares e de mísseis em troca de que os EUA e a Coreia do Sul façam o mesmo com as manobras militares conjuntas na região. Os dois países consideraram o teste norte-coreano como inaceitável, mas também criticaram a instalação de um escudo antimísseis dos EUA na Coreia do Sul. No fim do debate no Conselho de Segurança, Haley
EUA E SEUL RESPONDEM E A DOBRAR
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nteontem, em resposta a Pyongyang, EUA e Coreia do Sul dispararam uma barragem de mísseis ao longo da costa leste da península coreana. “[Esta reacção] é apenas uma demonstração de força, uma espécie de olho por olho, dente por dente, mas não irá dissuadir os norte-coreanos de continuar a desenvolver mísseis de longo alcance e de investir no programa nuclear”, sublinha o analista Robert Kelly, da Universidade Nacional de Busan, na Coreia do Sul, citado pela Al Jazeera. Já ontem, o exército sul-coreano realizou novas manobras com fogo real, que incluíram o lançamento de vários mísseis guiados numa nova demonstração de força para
responder ao mais recente ensaio de míssil pela Coreia do Norte. O exercício, realizado nas águas do Mar do Japão, envolveu a marinha e força aérea, disse à agência espanhola Efe um porta-voz do Ministério de Defesa sul-coreano. Foi simulado um ataque por mar e no decurso das manobras foram disparados mísseis anti-navio “Haeseong” e “Harpoon” e mísseis terra-ar “AGM-65 Maverick”. Estes exercícios foram realizados dois dias depois de a Coreia do Norte ter lançado o primeiro míssil balístico intercontinental (ICBM) e um dia depois de os exércitos sul-coreano e norte-americano terem realizado também testes de mísseis para responder a Pyongyang.
respondeu às declarações de russos e chineses, dizendo que se opor às sanções é “dar as mãos para Kim Jong-un”.
AMEAÇAS AMERICANAS
Quando Donald Trump e Xi Jinping se cruzarem em Hamburgo, na Alemanha, para a reunião do G20 que decorre na sexta-feira e no sábado, entre os dois haverá uma espécie de enorme elefante na sala chamado Coreia do Norte. Nos últimos tempos, a relação entre os presidentes dos EUA e da China arrefeceu substancialmente. Ainda ontem, Trump voltou a usar a rede social Twitter para beliscar Pequim. “O comércio entre a China e a Coreia do Norte cresceu quase 40% no primeiro trimestre [do ano]. Lá se vai a possibilidade de a China colaborar connosco - mas tínhamos de tentar”, escreveu o líder norte-americano. Apesar de haver poucas certezas sobre os números invocados por Trump, não restam dúvidas de que Wa-
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shington e Pequim estão cada vez mais distantes. Na semana passada a administração Trump impôs sanções a um banco chinês devido às relações que esta entidade mantém com a Coreia do Norte, referiu-se à China como um dos piores países em matéria de tráfico de seres humanos e concluiu um negócio de venda de armas a Taiwan no valor de 1,4 mil milhões de dólares. Rex Tillerson, secretário de Estado norte-americano, sublinhou o discurso do presidente:. “Qualquer país que receba trabalhadores norte-coreanos, que favoreça [Pyongyang] com benefícios económicos e militares ou que não implemente as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas está a ajudar e apoiar um regime perigoso”, sublinhou o responsável pela política externa dos EUA.
MEDO DE NOVO TESTE NUCLEAR
O ministro da defesa da Coreia do Sul afirmou que a probabilidade de um sexto teste nuclear por parte de Pyongyang é alta. “O objectivo da Coreia do Norte é reforçar o seu poderio nuclear, por isso é bastante possível que tal venha a acontecer”, referiu Han Min-koo. Até hoje foram cinco os testes de armamento nuclear levados a cabo pelo regime norte-coreano. O primeiro aconteceu em 2006 e os dois últimos no ano passado, em Janeiro e em Setembro. Até que ponto o conflito diplomático pode descambar para guerra aberta? Jim Mattis, secretário de estado da Defesa dos EUA, já avisou que as consequências de uma acção militar seriam “trágicas numa escala difícil de imaginar”. Esse deverá ser sempre o último dos últimos recursos O presidente norte-americano tem tentado convencer a China a fazer todos os esforços para resolver a questão norte-coreana, mas o tom dos seus tweets, mesmo tratando-se de Donald Trump, mostram que estará a perder a paciência com Pequim. “A Coreia do Norte acaba de lançar outro míssil. Será que este tipo [Kim Jong-un] não tem nada melhor para fazer na vida. É difícil acreditar que a Coreia
Até que ponto o conflito diplomático pode descambar para guerra aberta? Jim Mattis, secretário de estado da Defesa dos EUA, já avisou que as consequências de uma acção militar seriam “trágicas numa escala difícil de imaginar.” do Sul e o Japão vão aturar isto durante muito mais tempo. Talvez a China faça um gesto forte em relação à Coreia do Norte e ponha fim a este absurdo de uma vez por todas”, escreveu no Twitter o líder norte-americano. PUB
SUL QUER AUMENTO DE SANÇÕES
O
Presidente sul-coreano apelou ontem à Alemanha para que aplique sanções reforçadas contra a Coreia do Norte, na sequência do anúncio de Pyongyang de que lançou um míssil balístico intercontinental (ICBM), que Seul qualificou de “provocação”. “A Coreia do Norte deve pôr um fim a isto e, por esta razão, nós devemos trabalhar no sentido de sanções mais intensas” contra este país, declarou Moon Jae-In no decorrer de uma conferência de imprensa com a chanceler alemã, Angela Merkel. O chefe de Estado sul-coreano sublinhou que serão lançadas negociações sobre esta matéria com alguns governos à margem da cimeira do G20 que decorrerá na sexta-feira e no sábado em Hamburgo, Alemanha. “Trata-se de uma grande ameaça” para a Península coreana e para o mundo inteiro”, bem como “uma provocação”, disse o novo chefe de Estado da Coreia do Sul. No entanto, Moon Jae-In mostrou-se mais aberto ao diálogo com a Coreia do Norte do que o seu anteces-
-sor, afirmando-se favorável a uma “solução pacífica” para o conflito. A chanceler alemã também deu apoio à ideia de impor sanções mais duras contra Pyongyang. Merkel indicou que pretende discutir com o Presidente sul-coreano “a melhor forma de manter a pressão, e ver como se poderá continuar a aumentar as sanções”. “É uma questão que nos toca o coração, porque nós sabemos, por experiência própria, o que significa a divisão de um país”, afirmou Merkel, referindo-se ao período entre 1949 e 1989, durante o qual a Alemanha comunista, a República Democrática Alemã, coexistiu com a Alemanha ocidental, a República Federal da Alemanha.
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JOSÉ EDUARDO MARTINS ESPECIALISTA EM DIREITO DO AMBIENTE
“A desistência dos Estados Unidos é sobretudo grave pelo exemplo e pelo retrocesso.”
“A liderança chinesa é inevitável” Veio a Macau falar do Acordo de Paris, que voltou a estar recentemente na ordem do dia com a saída dos Estados Unidos. Ainda é cedo para avaliar o impacto real desta desistência norte-americana ou podemos já adivinhar consequências graves? Para responder com franqueza, não sei. Como é que isso se vai avaliar? Hoje não estamos como há
20 ou 30 anos. O Acordo de Paris é absolutamente único no direito internacional porque, apesar de haver poucas normas imperativas – tirando as que obrigam à transparência e ao conhecimento, à monitorização das emissões –, permitiu vencer a barreira que existia no Protocolo de Quioto. O que é diferente em Paris é que, com excepção da Síria, da Nicarágua e HOJE MACAU
Paris já não seria Paris sem a China, que mudou muito nos últimos anos e percebeu que, sem um maior respeito pelo ambiente, o desenvolvimento não será sustentável. Mas a saída dos Estados Unidos do acordo internacional abre portas a um maior protagonismo de Pequim, analisa José Eduardo Martins, advogado, ex-secretário de Estado do Ambiente de Portugal. Quanto a Macau, tem um papel importante a desempenhar, porque tudo conta no trabalho de luta contra o aquecimento global
agora dos Estados Unidos, todos os países do mundo têm consciência de que o trabalho de combater as alterações climáticas é um trabalho de cada país, um trabalho nacional. Não há uma coisa etérea chamada comunidade internacional, porque continua a haver terra onde pôr os pés, indústrias baseadas neste ou naquele país, modos de vida, de consumo, de produção de energia baseados neste ou naquele país – o que é muito importante em Paris é este consenso quase universal para a acção. Isso nunca tinha acontecido. É muito raro haver acordos internacionais sequer subscritos por maioria de Estados das Nações Unidas, quanto mais aprovados unanimemente. O primeiro efeito de Paris foi levar, de facto, um conjunto de Estados a avançar qualquer coisa nas suas políticas domésticas, e isso é importante. Anunciaram-se muitas iniciativas domésticas em muitos estados cruciais para o cumprimento do protocolo a seguir a Paris. Nessa medida, a desistência dos Estados Unidos é sobretudo grave pelo exemplo e pelo retrocesso. Mas não é só no ambiente que esta circunstância fatídica, de se ter eleito Presidente da América um homem que nunca terá lido um livro até ao fim, está a fazer os Estados Unidos perderem liderança e andarem para trás. A questão do exemplo será então, para já, a principal preocupação. O principal efeito que tem é os decisores políticos menos comprometidos com o futuro poderem dizer ‘se aqueles não fazem, eu também não faço’ ou usarem o argumento farisaico de que se os Estados Unidos não fazem, nada disto vai funcionar, porque eles são dos maiores poluidores. Este é o lado negativo. Mas voltando ao princípio: para quem trabalha nestas coisas, a primeira reacção tem de ser, apesar de tudo, um bocadinho mais optimista. De-
HOJE MACAU
ENTREVISTA
pois do Acordo de Paris, não há nenhum Trump que consiga fazer isto voltar atrás, nem na América. E nem na América porquê? As empresas americanas que estão pelo mundo inteiro não deixaram de estar sujeitas às regras que o Acordo de Paris fará das políticas domésticas de cada Estado. Dentro dos Estados Unidos, como muito do que se consegue é o que se faz efectivamente, uma grande maioria de Estados e de cidades continuam comprometidos com o Acordo de Paris, e vieram dizer ‘este senhor pode dizer o que quiser que nós, aqui, vamos continuar’. Não sabendo, tenho a esperança de que vamos chegar ao fim disto e, na matéria do clima, como noutras, terá havido aqui um momento sobretudo embaraçoso para os Estados Unidos, consequência de terem eleito este populista. Mas esse momento embaraçoso é um lapso de tempo num processo que ganhou uma consciência global que já não volta atrás. É mais uma área em que a China pode ter um papel importante ao nível internacional, sendo que o país nos últimos anos tem feito um trabalho importante nesta área?
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Um senhor que não estimo particularmente e que foi o mentor de Tony Blair, Anthony Giddens, escrevia a propósito do clima uma coisa simples: houve aqui um sonho de uma ordem internacional, de agências, supraestadual. Isso não é o mundo, nem é a normalidade. A normalidade é a competição entre Estados soberanos. Se há coisa que mudou no mundo nos últimos 20 anos é a passagem da China pelo mundo com a globalização. Imediatamente após as declarações de Trump, a União Europeia – que sempre quis ter um papel liderante nisto, mas que tem uma dificuldade enquanto bloco, de serem muitas vozes, muitas políticas diferentes e não tanta moral como a que se apregoa – voltou-se imediatamente para a China. A natureza não permite o vazio. A política também não permite o vazio. A geopolítica não permite o vazio. Quando os Estados Unidos se fecham sobre si próprios, a China aproveita – e bem – para tomar a liderança. Da última vez que falámos, tinha havido um congresso do Partido Comunista Chinês. E esse congresso fez com que os mais velhos do Comité Central tivessem como grande objectivo na vida voltar a ver o céu de Pequim, começar
a despoluir a China. Perceberam que tinha havido uma fase de crescimento que atropelou as regras internacionais e que tinha de haver um esforço de ser liderante também como produção mais limpa. O que mudou essencialmente entre Quioto e Paris já vem muito da liderança chinesa, já vem muito da China arrastar os países desenvolvidos para a ideia de que todos temos obrigações e que não vale a pena imaginar que são uns quantos países industrializados do hemisfério norte que vão cortar as suas emissões, e que isso vai travar o aquecimento global. Não haveria
“A China é muito grande, mas não podemos começar a dizer que Macau é pequeno dentro da China. (...) Estamos a falar de uma concentração brutal num espaço exíguo.”
Paris com a força que houve se não houvesse China dentro; com a saída dos Estados Unidos, acho que a liderança chinesa é inevitável. Poderemos ter então um reforço positivo, estando a China num contexto internacional que os Estados Unidos não estão, numa questão tão importante como as alterações climáticas? Poderá ser um impulso adicional para o trabalho que a China tem estado a fazer? É e de várias formas, também porque é interessante economicamente. A China quer ser líder mundial das renováveis e quer exportar tecnologia de energias renováveis, nomeadamente do solar fotovoltaico – em que está na crista da onda –, para imensos países com quem tem relações. Há um conjunto de acordos de investimento bilaterais da China com muitos países em África, por exemplo, e a esperança que tenho é que boa parte desses acordos bilaterais, além de protegerem o investimento, também criem regras para o investimento cada vez mais saudáveis. No fundo, depois de Paris, há uma tensão entre três mundos de normas internacionais. O Acordo de Paris, que nos diz
basicamente que temos de tomar a acção doméstica porque o pior problema da Humanidade é o aumento da temperatura; depois temos as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), cujo objectivo último é liberalizar o comércio mundial. Como é que se casa a liberalização do comércio mundial com alguma protecção do ambiente? Por exemplo, quando os Estados Unidos dizem que não querem importar camarão da Tailândia porque as redes dos pescadores dão cabo de uma série de espécies protegidas, estão a fazer uma norma proteccionista ou estão verdadeiramente a alegar uma excepção em favor do ambiente? Como é que vão evoluir os acordos da OMC? É uma área em que falta fazer muita coisa. Mas o terceiro mundo de normas internacionais, e que diz respeito sobretudo à China, são as normas destinadas ao investimento estrangeiro. Hoje, muitos países, para competirem pelo capital chinês, estariam disponíveis a baixar todos os standards de tratamento dos recursos naturais, e deixar que, nos seus países, se fizessem coisas que a China já não faz na China. É um modelo predatório do século passado. Neste século, aquilo que já vamos vendo é que boa parte dos acordos bilaterais de investimento têm uma previsão de protecção também dos modos e das regras de produção. A maior influência de Paris na vida real é que essa competição pelas trocas comerciais e pelo capital estrangeiro pode começar a ter algumas regras. Se não, não há esforço nacional que valha a um mundo em que agora, pela primeira vez, todos têm obrigações. Veio a Macau para uma formação no âmbito do programa de cooperação na área jurídica entre a RAEM e a União Europeia. O que é que se ensina, numa perspectiva mais técnica? Nesta formação, procuramos ver o que se pode fazer no cruzamento destes três mundos de normas – comércio, protecção de investimento estrangeiro, regras ambientais de Paris. Sobre o Acordo de Paris não se diz nada de extraordinário, porque o que conta é a acção local. Ao longo destes três dias, eu e o Prof. Julian Chaisse vamos procurar dizer que Paris convida que cada um faça a sua parte. A China é muito grande, mas não podemos começar a dizer que Macau é pequeno dentro da China. Tudo conta. O António Lobo Antunes gosta muito de citar um provérbio húngaro que eu uso muito para o tema das alterações climáticas, que é o do ratinho que foi até à beira do mar e fez chichi porque
“O que mudou essencialmente entre Quioto e Paris já vem muito da liderança chinesa, já vem muito da China arrastar os países desenvolvidos para a ideia de que todos temos obrigações.” todos os bocadinhos acrescentam. Em Macau, não estamos a falar de um bocadinho pequeno; estamos a falar de uma concentração brutal num espaço exíguo, o que leva a fenómenos de concentração de emissões, especialmente no sector residencial, no tratamento do lixo, numa série de matérias. É isso que estamos a tentar dizer: Paris significa o compromisso da Humanidade com o modelo de vida para o futuro para a própria sobrevivência da Humanidade. Isso determina um conjunto de regras ao nível local para disciplinarmos a nossa vida em relação ao consumo de energia, à produção industrial, à produção alimentar, ao tratamento de resíduos. E todas essas coisas têm importância, todas essas coisas contam. No hotel onde estou, precisei de vestir uma camisola para tomar o pequeno-almoço – é nas coisas simples que temos de perceber isto. Precisamos de regras sobre utilização de energia que expliquem que não é confortável uma diferença térmica de 20o C entre o interior do edifício e o exterior, e que o conforto não é este consumo brutal de energia e de desperdício de energia. Se quisermos climatizar todos os hotéis a 20o C, quando estão 35o C na rua, e se acharmos isso certo, então só estamos a dizer que vamos ter de extrair e queimar mais carvão, aquecer mais a atmosfera e piorar mais a situação do clima. Se acharmos que não vale a pena tratar o lixo convenientemente e com ele produzir electricidade, evitando a extracção de carvão, não vamos conseguir fazer grande coisa. Se não quisermos regular o trânsito, de maneira a que as emissões sejam um bocadinho diferentes e os carros funcionem de maneira diferente, não vamos lá. O futuro não pode só esperar que todos os carros sejam eléctricos, precisa que algumas coisas aconteçam já. Isabel Castro
isabelcorreiadecastro@gmail.com
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hoje macau sexta-feira 7.7.2017
Publicações ao abrigo do nº 1 do artigo 86 do Decreto-Lei nº 27/97/M, de 30 de Junho 1997
Relatório do Conselho de Administração Em 2016, o total de prémios brutos foi, aproximadamente, de 31 milhões, tendo o valor de prémios líquidos, em relação ao exercício anterior, registado um decréscimo na ordem de 12%. Em termos globais, o resultado líquido registou um decréscimo de MOP4,500,000, sendo isto resultante da redução de prémios de seguros, indemnizações e aumento de gastos administrativos. O Conselho de Administração da Companhia tem o prazer de submeter o relatório e as demonstrações financeiras auditadas, referentes ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2016, bem como a seguinte proposta para aplicação de resultados: Resultados Líquidos
MOP 1,275,163
Para Reserva Legal
(256,000)
Para Resultados Transitados
1,019,163
O Presidente do Conselho de Administração, Stanley Au Chong Kit Macau, aos 30 de Março de 2017 Lista dos accionistas qualificados: Banco Delta Ásia, S.A. 99.87%
Nomes dos titulares dos órgãos sociais: Mesa da Assembleia Geral Ordinária: Banco Delta Ásia, S.A. Sr. Leung Chi Ping Sr. Lau Kai Hing
Presidente Vice-Presidente (Exonerado em 17 de Junho de 2016) Secretário
Conselho de Administração: Sr. Stanley Au Chong Kit Sr. Lau Kai Hing Sr. Leung Chi Ping Sra. Au Lai Chong Sr. Leung Tat Hin Sr. Leung Hoi Kwok Sr. Ip Kim Kuen, Carol Sr. Chan Ying Wai, David
Presidente Administrador Administrador (Exonerado em 17 de Junho de 2016) Administrador Administrador Administrador Administrador Administrador
Fiscal Único: Sr. Gilberto Xavier Hy Síntese do Parecer do Fiscal Único O Balanço e a Conta de Exploração do Exercício desta Companhia foram elaborados de acordo com as leis vigentes em Macau e auditadas, e apresentam de forma clara a situação financeira da Companhia
em 31 de Dezembro de 2016, assim como o resultado apurado nessa data. O Fiscal Único, Gilberto Xavier Hy Macau, aos 30 de Março de 2017 Síntese do Parecer dos Auditores Externos Auditámos as demonstrações financeiras da Companhia de Seguros Delta Ásia, S.A., referentes ao exercício findo em 31 de Dezembro de 2016, de acordo com as Normas de Auditoria vigentes em Macau, RAE, e sobre essas demonstrações financeiras expressámos a nossa opinião, sem reservas, no relatório datado de 30 de Março de 2017. Efectuámos uma comparação entre as demonstrações financeiras resumidas, preparadas pelo Conselho de Administração para efeitos de publicação, e as demonstrações financeiras que auditámos. Em nossa opinião, as demonstrações financeiras resumidas estão consistentes com as demonstrações financeiras auditadas. Basílio e Associados Auditores Registados Manuel Basilio Macau, aos 30 de Março de 2017
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Eleições COUTINHO ENTREGA LISTA DE CANDIDATOS E FAZ DEFESA APAIXONADA DA LÍNGUA DE CAMÕES
O último português SOFIA MARGARIDA MOTA
O líder da Nova Esperança entregou a lista de candidatura à comissão eleitoral e argumentou a favor do trabalho a tempo inteiro dos deputados. Pereira Coutinho aproveitou a ocasião para defender o uso do português, como garante do segundo sistema, e criticou o clientelismo existente na Assembleia Legislativa
O
“
português para mim é um trunfo.” Quem o diz é José Pereira Coutinho, deputado e cabeça de lista da Nova Esperança na corrida às eleições legislativas. As palavras foram proferidas à margem da entrega da lista e programa político junto da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa. O deputado criticou a falta de acção política que se esconde por detrás dos discursos de “pompa e circunstância” que se repetem acerca da importância da comunidade portuguesa em Macau. Porém, Pereira Coutinho interroga-se sobre onde estão os substitutos quando juízes, magistrados do Ministério Público e médicos portugueses abandonam as suas funções no território. O líder da Nova Esperança destaca a saída do hemiciclo de Leonel Alves, como “uma grande perda, algo que não é bom para Macau”. Coutinho entende que “a comunidade portuguesa deve estar cada vez mais unida e ter voz independente, livre”, que marque “a diferença entre o segundo sistema e o primeiro”. No que diz respeito ao uso da língua portuguesa, Pereira Coutinho recorda um episódio na AL, quando interpelava a ex-secretária para a Administração e Justiça durante um debate das Linhas de Acção Governativa. Nessa altura, de acordo com o deputado, a resposta à interpelação feita em português foi em chinês, sem qualquer relação com a questão levantada pelo deputado. Para não ser mal interpretado, ou permitir a desculpa da má tradução de intérpretes, o tribuno viu-se
POLÍTICA
interessa se não me perdoam, sou residente permanente de Macau e gozo dos meus direitos políticos e de cidadania”, comenta. Um dos focos da crítica de Pereira Coutinho é a forma como a cidade “está reduzida a casinos e função pública, os dois maiores empregadores”. Esta realidade laboral bicéfala é, de acordo com o deputado, um factor de estrangulação económica. “Quando os casinos espirram, as outras actividades económicas ficam a soro”, comenta. Além disso, o clientelismo é outro dos problemas elencados pelo candidato. “Há meia dúzia de empresários super influentes que controlam a AL, outra meia dúzia que controla o Conselho Executivo e outra meia dúzia que controla o jogo”, explica o deputado. A sobreposição de interesses leva o deputado a dizer que “Macau está entregue à bicharada”. Pereira Coutinho considera que esta situação representa um grande problema para os jovens e para o futuro do território.
“Macau está a fecharse em si própria e isso cria grandes problemas ao nível de competitividade económica.” PEREIRA COUTINHO CANDIDATO À AL No entender do deputado, “Macau está a fechar-se em si própria e isso cria grandes problemas ao nível de competitividade económica”. Nesse capítulo, o candidato à AL deixa uma crítica feroz à falta de qualidade do sistema de ensino do território, que não consegue corresponder às necessidades de um mercado de trabalho exigente, num contexto de forte competitividade com as regiões vizinhas. Pereira Coutinho deixou ainda uma crítica ao facto de a AL permitir que haja deputados que exerçam as funções de deputados a tempo parcial. “Aproveitam-se do tacho de deputado e arranjam mais-valias para os seus interesses”, comenta. O candidato da Nova Esperança entende que é urgente que os deputados sejam obrigados a fazer uma declaração de interesses. “A forma como defendem os interesses da clientela é descarada e inadmissível, não podemos continuar a trabalhar assim”, remata. forçado a dirigir-se à ex-secretária em chinês. Pereira Coutinho considera que a língua é um trunfo, uma
vez que lhe permitir “vender o peixe” à comunidade portuguesa e macaense sem dificuldades. Sobre o facto de haver ressentimento por
parte da comunidade chinesa por ter concorrido à Assembleia da República em Portugal, o deputado não tem meias palavras. “Não me
João Luz
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8 POLÍTICA
hoje macau sexta-feira 7.7.2017
HO IAT SENG ENTRA NA CORRIDA
N
Conselho Executivo FSS MAIS DO QUE DUPLICA NÚMERO DE PESSOAL
Toca a arrumar a casa O Fundo de Segurança Social vai passar dos actuais 66 trabalhadores para 167, devido, em parte, à entrada em vigor do regime de previdência central não obrigatório. O aumento de volume de trabalho vai obrigar à criação do cargo de vice-presidente e de um novo departamento
A
aprovação, em Maio, do regime de previdência central não obrigatório pela Assembleia Legislativa vai obrigar o Fundo de Segurança Social (FSS) a mais do que duplicar o número de funcionários que possui actualmente. Dos actuais 66, o FSS vai passar a contar com um total de 167 funcionários, sendo que muitos deles têm vindo a ser contratados nos últimos meses. Em conferência de imprensa do Conselho Executivo, foi ainda divulgado que o FSS vai passar a ter um vice-presidente e um novo departamento com quatro divisões, intitulado Departamento do Regime de Previdência Central. Acções como a gestão da abertura de contas, le-
vantamento de verbas e processamento de atribuição de verbas são algumas das responsabilidades do novo departamento. Na prática, o FSS vai agora gerir o sistema de contribuições feitas por toda a população, no âmbito do regime de segurança social, mais as contribuições não obrigatórias no sistema de previdência central, destinadas a empresas com fundos de pensões privados.
A entidade vai ainda ter “novas competências relacionadas com tecnologias informáticas, actividades publicitárias e promocionais, assuntos jurídicos e investimentos”. Segundo Leong Heng Teng, porta-voz do Conselho Executivo, “os capitais envolvidos [na gestão do FSS] tornaram-se mais elevados”. “As atribuições são mais diversificadas e complexas”, acrescentou, referindo-se à
“Vamos verificar a realidade e vamos, gradualmente, tentar complementar o número de trabalhadores. Vamos contratar mais pessoas de acordo com o desenvolvimento.” IONG KONG IO PRESIDENTE DO FUNDO DE SEGURANÇA SOCIAL
estrutura que, no ano passado, tinha 70,2 mil milhões de patacas em activos. O número de destinatários do FSS é hoje de 350 mil pessoas.
MAIS TRABALHADORES NO FUTURO
O grande aumento do número de trabalhadores deve-se “às necessidades de recursos humanos, resultante da ampliação de funções e da reestruturação orgânica do FSS”. Iong Kong Io, garantiu, ainda assim, que o número de contratações pode não ficar por aqui. “Vamos verificar a realidade e vamos, gradualmente, tentar complementar o número de trabalhadores. Vamos contratar mais pessoas de acordo com o desenvolvimento. Talvez precisemos de mais pessoal técnico”, frisou o presidente do FSS. A implementação do regime de previdência central não obrigatório vai obrigar a uma gestão de 14,9 mil milhões de patacas. No total, o FSS passa a ter sob sua gestão um total de 85 mil milhões de patacas. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
UNCA deu certezas, mas resolveu mesmo voltar a candidatar-se às eleições legislativas pela via do sufrágio indirecto. Ho Iat Seng, actual presidente da Assembleia Legislativa, volta a encabeçar a lista da União dos Interesses Empresariais de Macau, ao lado do empresário Kou Hoi In e de José Chui Sai Peng, engenheiro civil e primo do Chefe do Executivo. Ip Sio Kai, director-geral do Banco da China, candidata-se pela primeira vez, em substituição de Cheang Chi Keong. De um universo de 102 eleitores legalmente registados e ligados aos sectores industrial, comercial e financeiro, a União dos Interesses Empresariais de Macau obteve 97 votos. Ho Iat Seng disse que é preciso prestar atenção ao desenvolvimento do território, defendendo que não se podem dar benefícios a um só sector, mas a todas as camadas da população. O número dois, Kou Hoi In, assegura que vai defender os interesses dos sectores industrial e comercial, bem como trabalhar para que sejam atenuadas as dificuldades sentidas pelas pequenas e médias empresas (PME). Quem também vai continuar a dar atenção às PME é José Chui Sai Peng, que defende que um melhor funcionamento deste sector pode ajudar à construção de Macau como um centro de turismo e lazer. Já Ip Sio Kai promete efectuar trabalho em prol do desenvolvimento do sector financeiro de Macau, sem esquecer a cooperação com outros mercados.
TERRAS AL PRONTA PARA RESOLVER PROBLEMAS
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Assembleia Legislativa (AL) dará seguimento a uma eventual alteração à Lei de Terras quando houver – se houver – autorização do Governo nesse sentido. A ideia foi deixada ontem por Ho Iat Seng, presidente da AL, à margem da apresentação da sua candidatura às eleições legislativas de Setembro próximo. Em declarações reproduzidas pelo canal chinês da Rádio Macau, Ho Iat Seng recordou que o Governo recebeu de vários grupos de deputados propostas concretas para resolver o caso do Pearl Horizon, pelo que a questão depende da atitude e da conclusão dos estudos que o Executivo está a fazer. Quanto aos dois projectos de lei que esperam por autorização do Chefe do Executivo para que possa haver iniciativa legislativa da AL, o presidente do órgão observou que, caso não haja uma decisão na actual legislatura, o assunto terá de ficar para depois das eleições, mas deu a entender que a Assembleia dará seguimento ao caso mal possa. Também Pereira Coutinho se pronunciou ontem sobre a matéria. Citado igualmente pela Ou Mun Tin Toi, o deputado disse que a resolução do caso Pearl Horizon é muito simples, porque só depende do Governo. O cabeça de lista da Nova Esperança entende que o Executivo tem mecanismos para proteger os lesados do empreendimento, sendo que pode utilizar o montante do prémio de concessão para controlar os preços, deixando a empresa promotora completar a sua “missão”.
9 hoje macau sexta-feira 7.7.2017
SULU SOU ENCABEÇA A CANDIDATURA DA NOVO MACAU
Sou cabeça de lista
AGNES LAM CONFIANTE
Os pró-democratas da Associação Novo Macau entregaram a lista de candidatura ao sufrágio directo à comissão eleitoral, onde misturam o sangue novo e a experiência. Sulu Sou é o número um, enquanto Paul Chan Wai Chi é o número dois da lista dos Progressistas da Novo Macau
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ASSOCIAÇÃO Novo Macau quer passar o testemunho na corrida à Assembleia Legislativa (AL) à nova geração. Dessa forma, Sulu Sou encabeça a candidatura dos Progressistas da Novo Macau, secundado por um número dois mais experiente, Paul Chan Wai Chi. Em comunicado lê-se que a lista procura trazer “novas forças e ideias ao movimento democrático, e revitalizar o estagnado sistema político”. Os Progressistas da Novo Macau pretendem o arejamento de uma AL desprovida de vida com a introdução de legislação, e o exercício “dos mecanismos de fiscalização do Governo e a abertura das comissões que funcionam à porta fechada”.
Aplataforma dos pró-democratas centra-se na preocupação do desenvolvimento sustentado de Macau e no “estabelecimento sério de princípios democráticos” que tornem o sufrágio universal uma realidade.
A plataforma dos pró-democratas centra-se no “estabelecimento sério de princípios democráticos” que tornem o sufrágio universal uma realidade
Outro dos pontos em destaque na plataforma apresentada é a luta contra a corrupção, a necessidade de aumentar a habitação pública, o controlo do mercado imobiliário e do aumento populacional, de forma a assegurar o acesso a casas mais baratas.
METAS A ALCANÇAR
A plataforma dos Progressistas da Novo Macau defende o poder de monitorização do órgão legislativo no que toca aos gastos públicos de forma a evitar desperdícios. A lista liderada por Sulu Sou tem a educação como área no topo das prioridades. Nesse sentido, entendem que o Executivo deve “aumentar o investimento no ensino”.
Na área laboral, os pró-democratas mostram-se a favor do aumento das protecções aos direitos dos trabalhadores, da fixação de um ordenado mínimo para todo o tipo de classes profissionais, do aumento da licença de maternidade e legalização da licença de paternidade. Numa visão mais alargada, os Progressistas da Novo Macau pretendem que esta eleição seja mais do que o normal cumprimento do calendário do ciclo eleitoral, mas uma oportunidade para dar voz às novas gerações na próxima composição da AL. No comunicado que apresenta a lista de candidatura, os pró-democratas acrescentam que “a política não deve ser considerada um trabalho, mas antes uma missão para melhorar a vida das pessoas”. Com o desmembramento da Associação Novo Macau, este pode ser um ano em que a associação não elege qualquer deputado. As candidaturas, separadas, dos ex-membros Au Kam San e Ng Kuok Cheong podem fragmentar o eleitorado que tem maior tendência progressista e pró-democrata. Outro factor que pode não ser favorável à lista encabeçada por Sulu Sou são as recentes fragmentações internas na direcção da Associação Novo Macau. João Luz
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HOJE MACAU
GNES Lam, líder da lista Observatório Cívico, entregou ontem a sua lista de candidatura às eleições legislativas deste ano pela via do sufrágio directo. Ao lado da docente da Universidade de Macau concorrem Cheong Chi Hong, Ng Hio Cheng e Keong Wai Cheng. O programa político da lista centra-se na habitação, na necessidade de salvaguarda da cultura local e no desenvolvimento do sistema político. Para Agnes Lam, há vários problemas em Macau que poderiam ser solucionados caso houvesse um melhor regime político, como é o caso do aumento excessivo de multas, implementado no início deste ano. Para a candidata, muitos dos problemas ocorridos devem-se à falta de análise por parte dos deputados e das comissões permanentes da Assembleia Legislativa (AL). Apesar de as eleições legislativas deste ano contarem com a maior participação de sempre pela via do sufrágio directo, com a entrega de 25 listas, Agnes Lam tem esperança de poder, finalmente, obter um assento no hemiciclo.
POLÍTICA
CHAN HONG CORRE PELO SECTOR SOCIAL E EDUCATIVO
Chan Hong apresentou ontem a sua lista de candidatura às eleições legislativas pela via do sufrágio indirecto, através da Associação de Promoção do Serviço Social e Educação. Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a lista obteve um total de 125 votos do universo de 150 eleitores dos sectores educacional e social. Chan Hong, que se estreou como deputada em 2013, volta assim a concorrer pelo sector dos serviços social e educacional. A candidata promete continuar a lutar por melhores serviços sociais, esperando que o Executivo dê mais apoios para elevar a qualidade do sistema de educação. A actual deputada espera também poder lutar por uma maior estabilidade dos cidadãos em termos de residência e trabalho, para que seja garantido o bem-estar das famílias. O seu programa político fala ainda no fomento da diversificação económica e na fiscalização das acções governativas.
ADVOGADO HONG WENG KUAN APRESENTA LISTA E QUER “ELEIÇÕES LIMPAS”
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Associação dos Cidadãos Unidos para a Construção de Macau apresentou ontem a sua lista de candidatura às eleições, incluindo o programa político. O advogado Hong Weng Kuan que, nas legislativas de 2013, obteve um total de 848 votos, volta assim a tentar obter um assento na Assembleia Legislativa. O advogado é candidato a um lugar de deputado pela via directa ao lado de Cheong Fan, Fong Hei Meng, Che Hoi Tong e Kwan Weng I. As prioridades do programa político visam a realização de eleições livres de corrupção, bem como o desenvolvimento do sistema democrático.
Nesse sentido, Hong Weng Kuan gostaria de ver mais deputados a serem eleitos pela via directa, bem como a implementação do sufrágio universal. “Se não houver eleições limpas no território, por mais que aumente o número de deputados directos, só obtém assentos quem tem poder na sociedade ou os que são eleitos por meios ilícitos”, disse. Na visão do candidato, a qualidade dos deputados que se sentam no hemiciclo poderia melhorar, sendo que, no seu entender, a situação da corrupção eleitoral em Macau é grave.
Hong Weng Kuan quer ainda lutar por mais habitação e uma melhoria do sistema de trânsito. Na sua lista estão membros que pertencem à área do Direito, da Função Pública ou do sector médico. O líder da lista espera que, com vários sectores profissionais unidos, possa ser elevada a qualidade da acção do Governo. O advogado lembrou que, nos últimos anos, foram implementadas leis que geraram graves problemas na sociedade, sem que tenham tido resolução do Executivo. A Lei de Terras será, decerto, um exemplo. V.N.
10 GONÇALO LOBO PINHEIRO
SOCIEDADE
hoje macau sexta-feira 7.7.2017
Cultura ALEXIS TAM NA REUNIÃO DOS MINISTROS DOS BRICS
Com os cinco em Tianjin A cidade de Tianjin recebeu um encontro dos países que formam o bloco BRIC. O encontro lançou iniciativas de cooperação para as áreas da cultura e da saúde, com destaque para a medicina tradicional chinesa
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LEXIS Tam foi um dos membros da delegação oficial da China na 2.ª Reunião dos Ministros da Cultura dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), em Tianjin, que ainda contou com uma representação do Governo da África do Sul, que organizará a próxima reunião anual. Os países-membros foram unânimes na adopção de um plano de acção que reforce o intercâmbio no âmbito das indústrias culturais e criativas, mas também na área da saúde. O plano de acção para os próximos quatro anos prevê um acordo de cooperação cultural entre os Governos dos BRICs que estabelecem a Aliança das Bibliotecas e a Aliança do Teatro Infantil dos países-membros. Na área cultural, a delegação brasileira lançou o convite aos restantes membros para participarem no Mercado de Indústrias Culturais do Sul, que se realiza em Abril do próximo ano, em São Paulo. Os representantes russos focaram-se na cooperação na sétima arte, nomeadamente através da implementação do “Festival de Cinema dos BRICs”, que pretende concretizar a produção conjunta de filmes e projectos de animação com capacidade para competir a nível internacional. A Índia fez vincar a posição de que a cultura é um motor essencial para o desenvolvimento da economia e do turismo. Nesse sentido, o
ministro da Cultura Indiano, Mahesh Sharma, frisou a importância de valorização dos patrimónios históricos no plano de acção.
MEDICINA CHINESA
No aspecto do património, Alexis Tam destacou o papel da história de Macau no crescimento do sector do turismo. O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura referiu que a implementação do princípio “Um país, dos sistemas” permitiu o desenvolvimento da indústria turística. Alexis Tam destacou a integração do centro histórico de Macau na lista de Património Mundial da UNESCO, assim como a organização no território de vários eventos culturais de dimensão internacional. O encontro serviu ainda para discutir assuntos ligados à saúde, com destaque local para a participação de Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde. O dirigente fez uma apresentação da situação em Macau, apontando que o Governo da RAEM reconheceu e estabeleceu um lugar para medicina tradicional chinesa no sistema de saúde local. Lei Chin Ion apontou que a medicina tradicional chinesa está integrada no sistema de saúde público, com uma elevada taxa de cobertura nos cuidados prestados à população. Nesse aspecto, os métodos tradicionais representam em Macau 30 por cento das consultas nos cuidados de saúde primários.
Alexis Tam destacou o papel da história de Macau no crescimento do sector do turismo
11 hoje macau sexta-feira 7.7.2017
Crime financeiro na mesa
EDIFÍCIO GCS KWAN TSUI HANG NÃO QUER PRÉDIO ÀS MOSCAS
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ACAU recebeu a 24.ª reunião plenária do Grupo Egmont, que reúne mais de 150 membros de unidades de informação financeira a nível global. O objectivo é o combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo. É a primeira vez que Macau organiza, sob a égide do Gabinete de Informação Financeira, uma reunião do Grupo Egmont. No discurso de abertura, o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, referiu que a RAEM promulgou diplomas e reviu leis existentes, de forma a melhorar os regimes jurídicos que regulam o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo. Neste domínio, foi destacado o regime de execução de congelamento de bens, que teve o objectivo de cumprir com as medidas sancionatórias impostas pelo Conselho
aproveitado. Lionel Leong, secretário para a Economia e Finanças, garantiu, durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa, que o local poderia ser aproveitado pelas indústrias culturais e criativas. Kwan Tsui Hang questiona, contudo, os motivos por detrás da ausência de informações desde que o secretário fez essas declarações no hemiciclo. O deputado Ng Kuok Cheong também questionou a falta de aproveitamento do prédio. A deputada exige, portanto, que seja apresentado um calendário para a reabertura do edifício. HM
GCS
Grupo de Egmont reúne pela primeira vez em Macau
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deputada Kwan Tsui Hang quer que o Governo dê seguimento ao plano de aproveitamento do edifício que albergou o Gabinete de Comunicação Social (GCS), localizado perto da Igreja de São Domingos. Em interpelação escrita, Kwan Tsui Hang refere que se trata de um edifício com valor, por se localizar numa zona central da península. Contudo, a deputada defende que não tem sido dado um bom aproveitamento. “O Governo gasta muitos fundos públicos com o arrendamento de escritórios para albergar serviços públicos, mas tem deixado esta propriedade sem qualquer utilização, e isso é inaceitável”, defendeu. No ano passado, a Direcção dos Serviços de Finanças anunciou que iria verificar a segurança das estruturas do edifício de cor amarela, tendo dito ainda que o imóvel seria bem
SOCIEDADE
de Segurança das Nações Unidas. No que toca à revisão legal, Macau retocou as leis de prevenção e repressão do crime de branqueamento de capitais e de prevenção e repressão dos crimes de terrorismo. As actualizações legais alargaram o elenco de crimes tipificados nas leis que regulam estas matérias. Um dos focos foi o combate
de actividades criminosas através do controlo de movimentos ilícitos de fundos na economia local. Durante o encontro, as autoridades de Macau destacaram ainda o regime jurídico de informações em matéria fiscal, aprovada recentemente. Com a entrada em vigor desta lei, o Governo pretende combater as actividades
internacionais de evasão fiscal e os subsequentes crimes de branqueamento de capitais. Outro dos destaques no ordenamento jurídico da RAEM foi a lei denominada como “Controlo do transporte transfronteiriço de numerário e de instrumentos negociáveis ao portador”, que entrará em vigor em Novembro deste ano.
PUB HM • 2ª VEZ • 7-7-17
ANÚNCIO Arresto (apenso) N.º
CV1-17-0002-CPE-A
Requerente: Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, S.A., com sede em Macau na Avenida de Lisboa, n.ºs 2-4, Edifício do Hotel Lisboa, 9.º andar. ------------------------------Requerida: Grupo Long Hai Limitada, com sede em Macau na Calçada do Gaio 14A a 14B, Edf. Lei On, rés-do-chão. ---------------------------------------------------------------------------FAZ-SE SABER que pelo 1º Juízo Cível deste Tribunal, correm éditos de TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do respectivo anúncio, citando a Requerida, supra identificada, de que por sentença de 09/12/2016, proferida nos autos supracitado, foi ordenado o arresto dos seguintes bens existência no estabelecimento comercial “Restaurante de Cerveja Pou Loi Lap”, sito no Rés-do-chão da Torre de Macau, para garantia o pagamento integral da dívida a Um Milhão, Cento e Trinta e Duas Mil, Quatrocentas e Trinta Patacas e Noventa e Quatro Avos (MOP$1.132.430,94). -------------Bens Arrestados ----1. ----2. ----3. ----4. ----5. ----6. ----7. ----8. ----9. ----10. ----11. ----12. ----13. ----14. ----15. ----16. ----17. ----18. ----19. ----20. ----21. ----22. ----23. ----24. ----25. ----26. ----27. ----28. ----29. ----30. ----31. ----32. ----33. ----34.
Hand wash sink----------------------------------------------------------------------Wall mounted 2-tier shelf-----------------------------------------------------------3-door work top refrigerator w/ marble top--------------------------------------2-door work top refrigerator--------------------------------------------------------Table mounted 2-tier shelf----------------------------------------------------------48” food warmer----------------------------------------------------------------------Table mounted 2-tier shelf----------------------------------------------------------2-door work top refrigerator--------------------------------------------------------Fire rated partition--------------------------------------------------------------------Bain marine---------------------------------------------------------------------------Table mounted 2-tier shelf----------------------------------------------------------Table mounted 2-tier shelf----------------------------------------------------------Sink table w/ grease trap------------------------------------------------------------2-door work top refrigerator--------------------------------------------------------Table mounted 2-tier shelf----------------------------------------------------------5-tier mobile wire shelf (1050x450x1900mmH)--------------------------------Stock post stove-----------------------------------------------------------------------Fire rated partition-------------------------------------------------------------------1- head Chinese wok range---------------------------------------------------------Wall mounted slatted shelf----------------------------------------------------------6-head open burner range-----------------------------------------------------------Electric oven--------------------------------------------------------------------------Fire rated partition--------------------------------------------------------------------Salamander w/ base shelf-----------------------------------------------------------Work top table w/ 2 tier shelf-------------------------------------------------------LPG Griddle w/ open cabinet-------------------------------------------------------Wall mounted slatted shelf----------------------------------------------------------LPG Grooved griddle w/ open cabinet--------------------------------------------Single tank fryer----------------------------------------------------------------------Exhaust hood-------------------------------------------------------------------------Work top cabinet---------------------------------------------------------------------Mobile work top table w/ 2 tier shelf----------------------------------------------Work top table w/ 2 tier shelf-------------------------------------------------------2-door work top refrigerator---------------------------------------------------------
Notificação edital (28/FGCL/2017)
1.º Juízo Cível
----35. Wall mounted display refrigerator-----------------------------------------------------36. Mobile 4-door upright freezer----------------------------------------------------------37. Sink table w/ grease trap----------------------------------------------------------------38. Ice maker----------------------------------------------------------------------------------39. Hand wash sink--------------------------------------------------------------------------40. Speed rail---------------------------------------------------------------------------------41. Cocktail station---------------------------------------------------------------------------42. Sink table w/ grease trap----------------------------------------------------------------43. Work top table----------------------------------------------------------------------------44. Work top table----------------------------------------------------------------------------45. Beer dispenser (By client)---------------------------------------------------------------46. Work top table----------------------------------------------------------------------------47. Work top cabinet--------------------------------------------------------------------------48. 4-door work top refrigerator------------------------------------------------------------49. 4-door work top refrigerator------------------------------------------------------------50. Work top cabinet--------------------------------------------------------------------------51. Work top cabinet (By others)-----------------------------------------------------------52. Coffee machine with grinder (By others)---------------------------------------------53. Undercounter 1-door freezer------------------------------------------------------------54. Mobile 4-door upright freezer----------------------------------------------------------55. Television---------------------------------------------------------------------------------É expressamente advertida à citanda, nos termos do artigo 333.º do Código de Processo Civil, que dispõe do prazo de DEZ DIAS, findo o dos éditos para apresentar o recurso ou oposição contra a sentença que decretou a providência.---------------------------------------------------------Tudo como melhor consta do duplicado do requerimento inicial que se encontra nesta secretaria à disposição da citanda, sob a cominação de, que a falta de recurso ou oposição, em caso de revelia absoluta, não importa o reconhecimento dos factos articulados pela Requerente, ficando a mesma advertida de que é obrigatória a constituição de advogado (art. 74.º do C.P.C.). *** R.A.E.M., aos 21 de Junho de 2017
Nos de pedido: 000037/2017, 000038/2017, 000039/2017, 000040/2017, 000041/2017, 000042/2017, 000043/2017
Nos termos da alínea 1) do n.o 1 do artigo 9.o da Lei n.o 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), conjugado com o n.o 2 do artigo 72.o do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.o 57/99/M, de 11 de Outubro, vem o Conselho Administrativo deste Fundo notificar o devedor dos números de pedido acima referidos, Fábrica de Artigos de Vestuário Elegante, Limitada, com sede na Avenida do Almirante Lacerda, Edifício Industrial Hip Va, 8º andar B, Macau, o seguinte: Relativamente aos 7 ex-trabalhadores do devedor (Ho Kam Cheong, Kuan Pak Weng, Lei Kan, Ng Peng Cheong, Ng Ngao Fong, Chung Kum e Chan U Leng), no que diz respeito ao requerimento junto deste Fundo de pagamento dos créditos emergentes das relações de trabalho, o Conselho Administrativo deste Fundo, em 15 de Junho de 2017, deliberou, nos termos do artigo 6.o da Lei n.º 10/2015 (Regime de garantia de créditos laborais), efectuar o pagamento dos créditos para os ex-trabalhadores acima referidos, no valor total de $190 278,50 (cento e noventa mil, duzentas e setenta e oito patacas e cinquenta avos). Mais se informa o devedor que este Fundo irá efectuar o pagamento dos créditos para aqueles ex-trabalhadores, oito dias após a data da publicação da presente notificação. De acordo com o artigo 8.o da referida Lei, após efectuado o pagamento dos créditos, este Fundo fica sub-rogado naqueles créditos. O devedor pode, durante as horas de expediente, deslocar-se à sede da DSAL, sita na Avenida do Dr. Francisco Vieira Machado nos 221 a 279, Edifício Advance Plaza, Macau, para consultar os referidos processos. 3 de Julho de 2017 O Presidente do Conselho Administrativo do Fundo de Garantia de Créditos Laborais, Wong Chi Hong
12 Fotografia BRUNO SAAVEDRA EXPÕE “MADE IN CHINA” EM LISBOA
BRUNO SAAVEDRA
“No Intendente existe uma verdadeira China”
O tempo de residência em Macau ajudou-o a compor um projecto que está em exposição até finais do mês de Setembro em Lisboa, na Casa Independente. “Made in China”, da autoria do fotógrafo Bruno Saavedra, é uma viagem pela “Ásia lisboeta”, com imagens que fogem do “óbvio”
Como surgiu o projecto “Made in China”? A exposição tem fotografias da Ásia, mas de uma Ásia lisboeta. Todas as imagens foram feitas no Intendente, na Mouraria e nos Anjos, aqui em Lisboa. “Made in China” é uma exposição de fotografias resultante do trabalho desenvolvido na quinta edição do workshop “Narrativas Fotográficas do Intendente”, leccionado pela fotógrafa Pauliana Valente Pimentel, e realizado pela Casa Independente em 2016. Deste workshop, também estão expostos mais três trabalhos: “Glowing Up”, de Ana Antunes, “Pequena Cirurgia”, de Ana Bernadino, e “Caixa de Viagens”, de Sara Maia. O trabalho para esta exposição foi desenvolvido entre os meses de Novembro de 2016 e Fevereiro deste ano. Como a Pauliana sabia que vivi em Macau durante quase quatro anos, insistiu que eu desenvolvesse o trabalho sobre a comunidade chinesa. Macau estará decerto presente nesta exposição. Que zonas do território ou que partes das culturas decidiu retratar? Os quase quatro anos que vivi em Macau ajudaram-me de uma forma muito directa no desenvolvimento deste trabalho. O projecto narrativo retrata uma visão diferente e subtil da comunidade chinesa no Intendente, e fui à procura de detalhes e imagens que, de alguma forma, me fizessem conhecer a história das suas vidas e o modo como os chineses vivem nas freguesias mais cosmopolitas de Lisboa. Durante três meses, visitei casas, restaurantes, centro de estética, cabeleireiros, centro de massagens, escolas, lojas, supermercados, templos, igrejas, médicos, cafés, jornais. Acabei por descobrir que no Intendente existe uma verdadeira China, mas restrita e muito fechada. É uma China sofrida com memórias de outros, mas também nossas. Ouvi histórias, verdadeiros contos chineses. Pessoas que vivem clandestinamente e trabalham 16 horas por dia para conseguir juntar algum dinheiro com o sonho de regressar à sua terra natal. Finalizei o trabalho pela altura das comemorações do Ano Novo Chinês. Era o início do ano do Galo. Eles levam a mudança do ano muito a sério e está enraizado nas suas crenças e tradições. Na véspera do Ano Novo, os chineses limpam e arrumam a casa, cortam o cabelo, fecham as contas, presenteiam os deuses que protegem a casa, preparam as roupas, organizam as contas e o comércio. A cor vermelha, por ser yang e vibrante, é a predominante durante as comemorações do Ano Novo. O vermelho simboliza a
BRUNO SAAVEDRA
EVENTOS
13 hoje macau sexta-feira 7.7.2017
transformação, o movimento e a vida, por isso, as mulheres usam um vestido novo nesta cor para atrair a sorte e o amor ao longo do ano. Que China poderá o público ver nesta exposição? Tentei fugir do óbvio dos retratos chineses, e entrar o máximo que conseguisse na vida dos chineses. Não foi fácil, mas a insistência também me ajudou muito. Também contei com a ajuda de uma amiga de Macau para a tradução e comunicação, a Virginia Or, que esteve quase sempre comigo. Nesta exposição o público poderá ver uma Ásia lisboeta, muito restrita e fechada. O público português está a começar a ter uma curiosidade crescente sobre os países que estão deste lado do mundo? A China e todos os países da Ásia sempre geraram curiosidade, mas penso que é preciso quebrar algumas barreiras, como a da língua. O público português tem um grande interesse pela cultura e costumes chineses, mas a verdade é que aqui em Lisboa essa curiosidade pode ser “quebrada” muito facilmente: basta irmos aos bairros do Intendente, Mouraria e Anjos.
“Levar o ‘Made in China’ a Macau seria a concretização de um sonho, espero poder realizá-lo.” BRUNO SAAVEDRA FOTÓGRAFO A China, e até Macau, são os territórios que geram mais curiosidade e interesse? A presença de Portugal em Macau representou um notável encontro entre Oriente e Ocidente, e é por esse motivo que, até aos dias de hoje, a China gera interesse no Ocidente. E para mim não há dúvidas de que este seja um dos principais motivos para que exista toda esta curiosidade e interesse pela China. Expectativas para este projecto? Poderá vir a Macau? O projecto fica até dia 30 de Setembro na Casa Independente, mas tenho muita vontade de o levar a outras galerias e espaços culturais aqui em Portugal. Neste momento estou em contacto e analisando algumas propostas. Levar o “Made in China” a Macau seria a concretização de um sonho, espero poder realizá-lo. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@hojemacau.com.mo
EVENTOS
Rei Lear como nunca o ouviu Teatro polaco reinventa Shakespeare
É
uma reinvenção de Shakespeare, anunciada para 10 de Setembro. O Centro Cultural de Macau recebe o espectáculo “Canções de Lear”, uma adaptação alternativa da peça “Rei Lear”, numa encenação da companhia polaca Song of the Goat. “Entre salpicos de cantos gregorianos e salmos bíblicos, ‘Canções de Lear’ é uma versão sonora da icónica tragédia de Shakespeare dirigida pelo co-fundador da companhia Grzegorz Bral”, descreve o Instituto Cultural (IC), responsável pela organização. O espectáculo “desfia uma trama ecléctica de sons” através de 12 canções originais concebidas pelo instrumentista polaco Maciej Rychły e pelo compositor corso Jean-Claude Acquaviva. “Pontilhada por intensos rasgos de percussão, a performance é acompanhada pelo ocasional timbre metálico de um violino, o exotismo de um harmónio indiano e o alaúde africano (kora)”, conta ainda o IC. Onze artistas vão cantar e mover-se sobre excertos seleccionados da peça original, interpretados num cenário minimalista, expandindo a significância da tragédia
shakesperiana para o mundo contemporâneo. A companhia Song of the Goat foi fundada em 1996 em Wroclaw, na Polónia, por Grzegorz Bral e Anna Zubrzycki. Desde então que a trupe experimental tem expandido a sua actividade e reputação internacional, tendo-se tornado numa das mais entusiasmantes e vanguardistas companhias teatrais europeias, refere o IC. Em 2012, as “Canções de Lear” foram muito saudadas pela crítica em Edimburgo, tendo conquistado outros palcos europeus em diversas digressões. O feitiço polifónico da companhia também atravessou o Atlântico e chegou a reconhecidos festivais como o Next Wave, de Nova Iorque, ou o Santiago a Mil, no Chile. Para os que tenham interesse em descobrir mais sobre estas “Canções de Lear”, haverá uma tertúlia pré-espectáculo de entrada livre. Moderada em cantonense, a sessão terá lugar na sala de conferências do Centro Cultural, uma hora antes do espectáculo. A ideia será partilhar algumas perspectivas sobre a música, o teatro e o percurso da companhia.
ANIMAÇÃO IC SELECCIONA CANDIDATOS PARA CURTAS
O
Instituto Cultural (IC) concluiu a selecção inicial do programa de subsídios à produção de curtas-metragens de animação originais de 2016, tendo 12 candidatos sido admitidos à segunda fase. Os finalistas poderão receber um subsídio no montante máximo de 240 mil patacas para a produção e promoção das curtas-metragens de animação propostas. O programa visa impulsionar o desenvolvimento da indústria de animação de Macau, explica o IC, que recebeu 22 candidaturas. Uma delas foi desqualificada por não satisfazer as condições exigidas. Após o processo de selecção, foram admitidos à segunda fase de selecção Mok Siec Kong, Fong Mei Han, Lei Pui Weng, Ku Pou
Cheng, Wong Kei Seak, Sam Kin Hang, Lai Meng Tak, Pun Lap Fung, Lou Ka Choi, Cheang Ka Wo, Kuan Wai Lei e Cheong Chi Pan. Os candidatos admitidos vão receber um subsídio para produzir “animatics storyboards” partindo da proposta apresentada. Serão escolhidos até cinco projectos, com base em critérios como a criatividade e técnicas de apresentação da história, potencialidade e design dos personagens, viabilidade das propostas de produção, promoção e marketing, racionalidade orçamental e a capacidade do candidato e da equipa para implementar a ideia. Entre os membros do júri estão realizadores de animação e argumentistas da China, de Hong Kong e de Taiwan.
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hoje macau sexta-feira 7.7.2017
EDITAL N.º 05/DSO/2017 Processo n.º 8180.02 Assunto: Notificação de despejo de terreno com a área de 1 788,38 m2, situado em Coloane, junto à povoação de HacSá, descrito na CRP sob o n.º 21 201, demarcado e assinalado com as parcelas A e B na Planta Cadastral n.º 4589/1993 de 28 de Novembro de 2008 Li Canfeng, director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, nos termos do n.º 2 do artigo 72.º e do artigo 139.º do «Código do Procedimento Administrativo», aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, faz-se saber por este meio aos herdeiros do ex-concessionário Alfredo Augusto Galdino Dias e demais interessados ou ocupantes, o seguinte: 1.
Por despacho do Chefe do Executivo, de 8 de Novembro de 2016, foi declarada a caducidade da concessão do terreno em epígrafe, a que se refere o Processo n.º 23/2016 da Comissão de Terras, e uma vez que tinha decorrido o prazo pelo decurso do seu prazo, nos termos e fundamentos do parecer do Secretário para os Transportes e Obras Públicas (STOP), de 20 de Setembro de 2016, os quais fazem parte integrante do referido despacho;
2.
A declaração de caducidade da concessão acima referida foi publicada, por despacho do STOP n.º 47/2016, no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) n.º 47, II Série, de 23 de Novembro de 2016, e foi notificada pelo Edital n.º 02/DAT/2016 publicado nos jornais em línguas chinesa e portuguesa de 12 e 13 de Dezembro de 2016.
3.
Nestas circunstâncias, nos termos do n.º 1 do artigo 179.º da Lei n.º 10/2013 (Lei de terras), por despacho do STOP, de 26 de Junho de 2016, são ordenados os destinatários acima referidos para a desocupação do terreno referido em epígrafe, devendo também demolir todos os prédios sitos no local, no prazo de 60 dias a contar da publicação do presente edital. As benfeitorias por qualquer forma incorporadas são revertidas para a RAEM, livre de quaisquer ónus ou encargos, sem direito a qualquer indemnização;
4.
Esta Direcção de Serviços deve ser notificada por escrito após a conclusão da desocupação acima referida, a fim de proceder à respectiva vistoria de recepção;
5.
Em caso de incumprimento de ordem que lhe seja transmitido através do presente edital, nos termos do n.º 2 do artigo 179.º da Lei n.º 10/2013 (Lei de terras) e do artigo 56.º do Decreto-Lei n.º 79/85/M, de 21 de Agosto (Regulamento Geral da Construção Urbana), esta Direcção de Serviços, em conjunto com outros serviços públicos e com a colaboração das Forças de Segurança de Macau, procederá, a partir do termo do referido prazo de 60 dias, à execução coerciva dos referidos trabalhos de despejo, devendo as respectivas despesas ser de responsabilidade dos destinatários em epígrafe;
6.
Os objectos, materiais e equipamentos abandonados no terreno serão tratados de acordo com o artigo 210.º da Lei n.º 10/2013 (Lei de terras).
RAEM, aos 3 de Julho de 2017.
O Director de Serviços Li Canfeng
tonalidades
António de Castro Caeiro
h ARTES, LETRAS E IDEIAS
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S
e não fosse a angústia, não daria conta de que estou vivo. Não percebo bem o que ela me quer dizer. Se é a ansiedade do dia seguinte a todas as vésperas. Se ela me comunica o presente inane, a terra de ninguém entre ontem e hoje. Contudo, sem a travessia de ontem para amanhã. Não sei se ela me quer dizer que a partir de agora tudo será assim: sem véspera, nem dia, nem amanhã. A angústia anula o ritmo, o volume. Anula, sobretudo, a possibilidade de melancolia. É uma pausa, mas sem som antes ou depois. Nem é bem silêncio. É uma mudez. Ou então é só volume sonoro que estoira os ouvidos. Às vezes, tenho de correr o mais veloz que conseguir e gritar debaixo da ponte, quando passa o comboio. Quando ela aí está comigo, não se ouve música, não se lê um livro, não se vai passear. Deixo-me estar quieto, porque o mais leve gesto do corpo pode acordá-la. A angústia acorda como um cão a dormir que é pontapeado. E não rosna. Morde. Morde do lado de dentro. Acelera a batida cardíaca e respira-se ofegantemente como se não houvesse ar. Não importa que haja outros que estejam ao pé de ti. Estão muitas vezes outros ao pé de ti. Ela não sucumbe por haver gente ao pé de ti. Ela amplifica-se. Cresce dentro de ti. O outro nem sabe como estás e onde andas. E ela cresce do lado de dentro com o seu corpo alienígena e toma conta de ti. Explode e pulveriza-nos. Mas não te faz perder pelos seus fragmentos estilhaçados. Vai busca-los onde quer que tenham ido: dias felizes da infância, um rosto da juventude, alguém que morreu, um futuro que certamente não virá, todas as pessoas que conheceste, todas as angústias e ansiedades, todo o tempo passado que viveste e todo o tempo da eternidade que não viverás. A angústia recolhe todos os estilhaços que és tu próprio explodido por todo o lado, todo tu, e num ápice contraí-te com ela em ti. E faz recomeçar tudo de novo.
ZHANG HUAN
Se não fosse a angústia
A angústia acorda como um cão a dormir que é pontapeado. E não rosna. Morde. Morde do lado de dentro
O ritmo da angústia é o da febre da infância que te faz corpo com o quarto dos teus pais jovens: expande-se e contrai-se e o teu corpo é a tua cabeça a explodir e a implodir. A tua angústia não te permite consolo. Torna o teu corpo exangue, não sem que te debatas para poderes respirar. Às vezes, permite-te uma lágrima de consolação. Arrepias-te. Achas que vais poder dormir. E adormeces. Mas só por uns breves instantes. Quando acordas, os cães da angústia mordem-te por dentro. Cegam-te. Deixam-te surdo. O teu corpo é uma chaga refrescada com o álcool que te abrasa como te encharca. Mas se não fosse a angústia, não conseguiria ter uma percepção da vida. Melhor, não conseguiria ter a percepção da vida ou da forma da vida, uma vida vazia, porque todos os seus sonhos e expectativas, todas as suas esperanças ou, pelo menos, até só uma pequena antecipação— tudo foi anulado da existência: varrido sem saber bem como. Mas sem saber-se perfeitamente quando. Não. Não foi um único acaso, nem uma sucessão de acasos. Foram acasos. Sim. Mas se a vida fosse diferente, os acasos seriam episódios que seriam esquecidos e não regressariam para nos atormentar ou então eram apenas para fazerem o próprio corpo da vida. Tenho um cortejo de mortos comigo. Ou, se calhar, sou eu o próprio cortejo feito unicamente de mim quem acompanha os mortos. E não morreram todos, de facto. Muitos continuam vivos, mas ficam vida fora ou não aparecem durante muito tempo. O tempo que passa oblitera a sua presença, talvez mútua, e não mata a saudade, também talvez recíproca. Hoje, sou o cortejo fúnebre de vivos e mortos. Hoje, sou eu o cortejo complexo de mim a assistir-me na via sacra. Mas é sem fim. É uma fila contínua que nunca mais acaba. Se ao menos pudesse cochilar um instante. E se pudesse ser, poderia ser sem sonhar? Poderia ser como aquelas noites em que antigamente dormíamos sem sonhos? Só o vazio, só o sossego ou também o alívio?
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h A viagem de Camilo
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AMILO de Almeida Pessanha, em Coimbra onde nascera, formou-se em Direito em 1892 e após um breve período de advocacia em Óbidos, seguiu para Macau nomeado, por Boletim Oficial de 10 de Fevereiro de 1894, professor do Liceu dessa cidade no Extremo Oriente. Fora um dos 39 professores a concurso, aberto a 19 de Agosto de 1893 pela Secretaria do Ministério da Marinha e Ultramar, para leccionar no Liceu Nacional de Macau ainda por inaugurar pois fôra fundado a 27 de Julho desse ano. No Echo Macaense de 29 de Agosto de 1893, com o título Echos da Metrópole, refere-se terem as Cortes encerrado a 15 de Julho e depois disso mandado proceder ao concurso para provimento dos lugares de professores do Liceu de Macau. O sr. Silva Bastos, secretário particular do Ministro das Obras Públicas concorreria à cadeira de História, sendo possível vir a ser nomeado secretário do mesmo liceu. Mas esta era uma notícia prematura, escreve o jornal, porquanto a escolha do ocupante desse posto dependia do corpo docente e tinha de ser aprovada pelo Governo de Lisboa, ainda sobre proposta do respectivo Governador de Macau. Desabafa o redactor: “Oxalá que na escolha dos professores não predominem os empenhos, recaindo a nomeação em indivíduos que não possuem outros merecimentos senão o de serem afilhados deste ou daquele trunfo político.” José Horta e Costa, então deputado por Macau, advogara a criação do liceu nessa cidade e José Azevedo foi informado que se Pessanha não tivesse participado numa reunião do Partido Progressista (na altura encontrava-se no poder o Partido Regenerador, mas tal não era grave já que os dois partidos tinham um pacto e governavam Portugal alternadamente sobre orientação de Inglaterra) a sua nomeação estava garantida, como conta Daniel Pires. Ainda assim conseguiu, a 18 de Dezembro, ser um dos quatro escolhidos. Com 26 anos, Camilo Pessanha parte então de Portugal, contratado como Professor do Liceu Nacional de Macau, estabelecimento de ensino que ia abrir as portas para colmatar o espaço vazio
das Humanidades, num tempo em que a educação escolar apenas se destinava a preparar os jovens para o mundo do trabalho na área comercial. Outra notícia do Echo Macaense, de 29 de Agosto de 1893, refere o que se diz em Lisboa acerca do provimento do Governo de Macau, mas as informações não são concordantes pois constara há tempos que ia ser nomeado para Governador o sr. Ferreira de Almeida. No entanto, uma outra versão garantia que “este sr. vai ser nomeado para Macau, mas para dali ser transferido para Cabo Verde e ocupando o seu primeiro lugar o sr. Horta e Costa”. Este último pertencia nessa altura a uma comissão que estudava as causas da depreciação da moeda de prata na Índia e em Macau. Formularam-se quesitos respeitantes a Macau e Timor para se adoptar como unidade monetária a pataca, subsidiária em prata e cobre, sendo daí calculados os vencimentos dos funcionários públicos. Já quanto à Índia, “não se tomou resolução, aguardando-se o parecer de Inglaterra com respeito aos efeitos da crise da prata nas suas colónias ultramarinas”. A viagem, a bordo do navio espanhol Santo Domingo, iniciara-se a 19 de Fevereiro de 1894. Depois de cinco dias em Barcelona, o navio levou apenas mais dois até atracar em Port-Said, no Egipto. Cruzando os 162 km do Canal do Suez (inaugurado a 17 de Novembro de 1869), desembocava agora no Mar Vermelho onde, nos umbrais do Oceano Índico, aportou em Adém (na Arábia Feliz, actual Iémen, então na dependência do Comissariado da Província Britânica da Índia). Depois atravessou o Mar Arábico até Colombo, no Sri Lanka, onde permaneceu apenas por duas horas. O vapor espanhol seguiu então pelo Estreito de Malaca até Singapura e daí para Manila. Camilo Pessanha chegou a Macau no dia 10 de Abril de 1894, mas será pela viagem feita em Janeiro desse ano pelo novo Procurador dos Negócios Sínicos, Álvaro Maria Fornelos, que conseguimos desfazer a dúvida sobre o percurso dos barcos desde Manila até Macau: iam primeiro a Hong Kong e, noutra embarcação, seguia-se até ao porto de Macau, que sofria de um adiantado estado de assoreamento.
Com apenas cinquenta anos, Hong Kong era já o principal porto dos vapores provenientes da Europa.
VIAGEM DE HONG KONG PARA MACAU
Camilo Pessanha, às duas da tarde de 10 de Abril de 1894, embarcara muito provavelmente no vapor Heungshan para Macau. Este barco da Hong Kong, Canton & Macau Steamer Co. Ltd., capitaneado pelo inglês William Edward Clarke, já por várias vezes ficara encalhado no Porto Interior devido ao assoreamento e por isso nos jornais da época era publicada pelo secretário da Companhia, T. Arnord, a tabela das horas de partida de Hong Kong para Macau nos meses de Maio a Agosto do referido vapor. Para se perceber o insólito e excepcional procedimento que a companhia Hong Kong & Macau Steam Boat tinha com os habitantes de Macau, o jornal político e noticioso O Independente, cujo redactor principal era José da Silva, apelava a 25 de Julho de 1891 que esta reconsiderasse a sua atitude: “Já não é pouco a elevada tarifa de passagem entre Macau e Hong Kong, uma distância de 38 milhas, por 3 pa-
tacas, se a compararmos com o mesmo preço para a passagem entre Hong Kong e Cantão, que é mais do que o duplo da distância. (...) Note-se que entre Macau e Hong Kong o principal elemento servido pela companhia é português, enquanto no outro trajecto não o é. Este tratamento diferencial é já por si só injustíssimo e repugnante. A companhia é inglesa. Como regra, paga aos seus empregados portugueses menos do que aos empregados ingleses. Se quisermos fazer sobressair esta grande diferença, basta lembrar que pagava ao seu secretário português, Costa, umas 300 patacas por mês, enquanto ao seu sucessor, o inglês Arnhold, que não vale mais do que valia o Sr. Costa, paga 700 patacas mensalmente. Assim a poderosa companhia quando paga a um português, paga menos, quando recebe de um português, exige mais, com a circunstância agravante de que ela sabe muito bem, até pelos jornais da colónia, onde tem a sua sede, que se fartam de o dizer que os portugueses estão pobres. É talvez por isso que os explora, porque, em geral, é à custa dos desgraçados e infelizes que os avarentos argentários se opu-
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José Simões Morais
Pessanha até Macau
lentam. Sobre esta injustíssima exploração lembrou-se ainda de proibir aos seus empregados o encargo de pequenas encomendas, como é uso fazer-se em todos os navios mercantes que traficam na China, para cobrar, ela, em seu proveito, uns 10 avos por cada pequeno pacote. Ainda neste caso foi só em Macau e portanto, e especialmente, no elemento português que a companhia quis acertar, o que é sobre maneira revoltante. (Não esquecer que os mais antigos aliados de Portugal, os ingleses em 11 de Janeiro de 1890 tinham-lhe feito um Ultimatum, o que provocara um protesto nacional pelo roubo das terras africanas entre Angola e Moçambique.) Não pedimos aos directores portugueses, que há na companhia, que exerçam a sua influência a fim de que se acabe com este procedimento injusto e até vexatório, porque bem sabemos que, em se tratando dos seus compatriotas, são aqueles senhores directores lusitanos os primeiros a atacá-los e amesquinhá-los...”
MACAU À VISTA
Pessanha mergulha nas primeiras imagens de Macau: são de montes e são de
praias que, num iniciático momento, se misturam, pois ainda desconhece os nomes do que avista do barco ao contornar a península. Mais tarde saberia o nome daqueles lugares e assim, apresentando a primeira visão, apareceu-lhe, ao passar pela Enseada das Portas do Cerco, a Praia da Areia Preta, então usada para piqueniques pela nata da sociedade macaense. Uma escondida e pequena ilha demarcava-se, enquanto o barco seguia a Sul e se postava o forte edificado, em 19 de Fevereiro de 1852, na Colina de D. Maria II, sobranceiro à Praia de Cacilhas. Vagueando o olhar e terminada a praia, situada na base do Ramal dos Mouros, dava agora pelo Monte da Guia e, sempre a trepar, até à parte mais alta do cume, dentro da Fortaleza depara com a plataforma onde um provisório farol de madeira aproveita o antigo aparelho de iluminação, enquanto espera ser um dia reconstruído e retomar a sua traça original. Em baixo, sob a Praia da Guia, a Chácara do Leitão, onde por vezes Pessanha, na companhia do proprie-
tário, Francisco Filipe Leitão, haveria de espairecer. Levantando os olhos, no alto da Colina de S. Januário, observa o Hospital Militar Conde de S. Januário, inquilino recente a ocupar o lugar do Baluarte de S. Jerónimo, construído por volta de 1622 pela muralha proveniente da Fortaleza do Monte e que nesse local fazia uma mudança da trajectória para Sul. Então já demolido, restava parte da muralha a descer até à Fortaleza de São Francisco (a ocupar o lugar do convento franciscano demolido em 1864), ao nível do mar. À sua frente e sobre as águas, a Bateria 1.º de Dezembro, construída em 1872 e remodelada em 1888. Continuando a estibordo, apresenta-se-lhe a belíssima baía, enfeitada de um elegante casario. Alguém aponta em direcção a um fortim, chamado de S. Pedro, erguido na altura em que se construíram as muralhas da cidade e demolido, tal como a Bateria 1.º de Dezembro, por razões urbanísticas, em 1934, sempre presentes no quotidiano das cinco estadias em Macau de Camilo Pessanha. À direita do Fortim de S. Pedro está o hotel onde se irá hospedar e, recuando um pouco, a moradia que muito mais tarde virá a ser a sua alugada residência e onde viverá até à morte. Após a passagem da Baía da Praia Grande, que termina na Fortaleza de Nossa Senhora de Bom Parto, aparece a enseada com a Praia do Tanque dos Mainatos, seguindo-se por entre penedos a Baía do Bispo, e contornando a parte Sul da península navegava o vapor bem próximo da Fortaleza da Barra. No entanto, outras fontes referem que a seguir à Baía da Praia Grande havia outras duas, a do Bom Pastor, que da curva de Bom Parto chega à ponta da Santa Sancha e na Praia do Bispo, onde os ingleses do Hotel Bela Vista nadavam, por isso reconhecida também pela formosíssima Praia da Boa Vista. Na ponta Sul da península, a Fortaleza da Barra ou de São Tiago, e à entrada da Barra do porto interior o antiquíssimo Templo de A-Má, divindade protectora dos mareantes. Por fim, antes do vapor atracar numa das três ponte-cais de madeira, surge a Praia do Tanque do Maniato. Sobe agora o barco pelo Porto Interior, um canal do Rio Oeste entre a Ilha da Lapa e a península de Macau, “por entre uma infinidade de grandes lorchas e de pequenos
tankás, entre os quais se via um único vapor, o da carreira de Cantão” – observação de Adolfo Loureiro, seguramente não muito diferente da presenciada por Pessanha, que assim chega, aparentemente, são e salvo a Macau.
OS COMPANHEIROS DE VIAGEM
Entre os perto de quatrocentos passageiros que com Camilo Pessanha viajaram no vapor Heungshan, provenientes do reino, vinham para trabalhar na colónia os senhores António Augusto de Almeida Arez, como delegado do Procurador da Coroa e Fazenda desta Comarca, e Hermano de Castro, farmacêutico, e sua Senhora. Dos nove professores de Liceu nomeados para esta província, chegavam os srs. dr. Horácio Afonso da Silva Poiares, para a 1.ª cadeira, de Língua e Literatura Portuguesa, dr. Camilo de Almeida Pessanha para a 8.ª cadeira, Filosofia Elementar, e o engenheiro civil Mateus António de Lima, para a 2.ª cadeira, Língua Francesa. Este último, pouco tempo depois seria também nomeado Condutor das Obras Públicas, após a exoneração do condutor de segunda classe, o Tenente António Mendes da Silva. Já o quarto professor do Liceu para leccionar a 7.ª cadeira, Geografia e História, João Pereira Vasco, só chegou a Macau a 12 de Maio de 1894, tomando posse dois dias depois. Os restantes cinco professores encontravam-se em Macau pois, pelo Artigo 7.º, “Os lugares de professores das 3.ª, 4.ª, 5.ª, 6.ª e 9.ª cadeiras serão providos em indivíduos, funcionários do Estado em Macau, de reconhecida aptidão para as disciplinas que hajam de professar, sendo preferidos os que tiverem já prática do magistério das mesmas disciplinas”. Viajava também com os três professores do Liceu o Cónego Francisco Pedro Gonçalves, ex-reitor do Seminário de S. José, mas este, oito dias depois, a 18 de Abril seguiu para Singapura no cargo de Superior das Missões. Após três horas de navegação, encosta o vapor no cais ponte da carreira de Hong Kong. Haveria alguém à espera de Camilo Pessanha e dos outros dois professores? É provável que sim, mas desconhecendo esse facto, pois que ninguém a isso se refere, terão sido tratados do modo como ocorreria ao comum passageiro.
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em modo de perguntar
Paulo José Miranda
João Simões
“Não faço coisas, faço ver coisas”
Para não falar sequer do teu mestrado em teoria da arquitectura... Sim, isso ainda piora as coisas. Porque o ponto de vista dos artistas e da arte, principalmente na Europa, está muito ligada à tradição da palavra grega technê, ainda que isso não seja propriamente consciente. E o “artista” é aquele que faz coisas dentro de uma técnica que de algum modo aprendeu, quer seja na academia, quer seja com outros artistas; numa comunidade técnica onde fazem coisas. E tu não fazes coisas? Não! Eu não faço coisas, faço ver coisas. O meu trabalho (exceptuando o “queijo de mulher”) não constrói, não faz aparecer novas coisas, por assim dizer. Mas tenta antes fazer aparecer as coisas que já existem. Fazendo uso das tuas palavras [em “Da Matéria”], o que eu faço aparecer é a falta que sempre temos de ver as próprias coisas, porque vemos de menos. Podes dar um exemplo, por favor. Por exemplo, o trabalho que fiz no
paço próprio da obra. Mas neste caso as obras estavam a mostrar uma total vulnerabilidade ao ataque de meras bolas de naftalina. E, acima de tudo, as pessoas não estavam a gostar, pois não conseguiam ajustar os sentidos com os juízos e os pré-juízos que traziam, que trazem.
TESS ZUMTOBEL (DETALHE)
É interessante ver que tens exposto regularmente em Nova Iorque, tens textos sobre o teu trabalho escritos pelos críticos Julian Myers e Julia Robinson – além do texto que eu mesmo escrevi, “Da Matéria” – a tua primeira exposição foi no Museu de Arte Moderna de Paris, em 1996, há algum tempo expuseste no Museu Tinguely, em Basileia e recebeste bolsas e encomendas de Fundações importantes - como a Fundação Calouste Gulbenkian e a All Art Initiative Foundation, de Amesterdão, mas não tiveste qualquer eco por parte da critica em Portugal. Julgas que há alguma razão ou é apenas por mero acaso que as coisas tenham acontecido assim? Não julgo que seja por acaso! Vivi muitos anos fora de Portugal – em Milão, Paris, Barcelona e entre 2004 e 2014 principalmente em Nova Iorque – foram quase 20 anos fora de Portugal. O meu trabalho não é visto em Portugal por uma questão de tradição. Por outro lado, a minha formação académica em arquitectura obstaculiza de imediato que me vejam como “artista”, há um preconceito...
Já o disse uma vez e vou repeti-lo aqui: na arte, o teu trabalho é um trabalho de carácter ensaístico, mais do que de carácter poético. Concordas? Sabes bem que não concordo com isso! Mas, por outro lado, percebo o que pode levar-te a dizê-lo: porque o meu trabalho privilegia o fazer pensar em detrimento do fazer sentir. Mas, e por essa mesma razão, podemos chamar com mais propriedade a O Livro do Desassossego, de Pessoa, um ensaio do que um poema? Não me parece. E, no entanto, como o filósofo António de C. Caeiro costuma dizer, esse livro de Pessoa é um livro onde a língua, ela mesma, pensa. É evidente que nas Letras isso não constitui problema, dizer que um poema nos faz pensar mais do que sentir, mas quando se diz isso de uma obra de arte já temos de arranjar uma nova prateleira para arrumá-la.
Mais do que tratar-se de fazer ver, é tornar existente o que ainda não existia. Não no sentido de construir um objecto (artístico ou não), mas no sentido de pôr no mundo, na consciência do mundo o que ainda não estava museu de arte moderna de Paris, que consistiu em introduzir bolas de naftalina no sistema de ar condicionado do museu. O que aconteceu foi que as pessoas que entravam sentiam um desconforto que nunca tinham consciencializado antes: o cheiro subtil da naftalina entrava em confronto com as obras de arte contemporânea expostas. Havia um conflito entre os sentidos e os juízos. De modo geral, esse conflito não aparece na arte. Porque ajustamos sem-
pre uns aos outros, ou estamos sempre a ajustar uns aos outros, mas ali as pessoas não estavam a conseguir ajustar. Não estavam a conseguir ajustar-se a si mesmas... Exactamente! Porque, de repente, estavam a ser confrontadas com o que elas assumem como indiscutível: que a arte é universal e, depois de concretizada, invulnerável no que se pretende que seja o seu próprio espaço: o es-
Voltando ao teu trabalho, o trabalho que apareceu mencionado na Rihzome/New Museum, e bastante elogiosamente, é também absolutamente descritivo da tua obsessão por fazer ver o que não se vê. Quem ler esta entrevista, pode não ter lido o teu texto acerca do meu trabalho, por isso gostava de explicitar esse fazer ver o que não se vê. Pois mais do que tratar-se de fazer ver, é tornar existente o que ainda não existia. Não no sentido de construir um objecto (artístico ou não), mas no sentido de pôr no mundo, na consciência do mundo o que ainda não estava. Este trabalho a que te referes, mais do que ser um metáfora acerca da descoberta do que ainda não se viu, consistiu em fazer vir à existência o vazio, pelo menos a consciência do vazio. Porque há um imensidão de lugares na net que estão vazios, que não têm ninguém. E, aí sim, podes ver isto como uma metáfora da própria existência humana.
19 hoje macau sexta-feira 7.7.2017
OPINIÃO
contramão
ISABEL CASTRO
isabelcorreiadecastro@gmail.com
ZHAO BANDI, PANDA
N
ÃO é uma impressão. É um facto. Quem vive nesta cidade sabe perfeitamente que, de há uns anos para cá, existe a ideia de que não há propriamente um Governo. Às tantas, esta Macau pós-transição nunca chegou a ter um Governo; foi tendo, isso sim, conjuntos de secretários em torno de uma figura central, o Chefe do Executivo. A diferença estará na liderança. Não sei se é a memória que atraiçoa, por embelezar obrigatoriamente o passado, mas estou em crer que é coisa do passado isso de haver um líder capaz de transmitir a noção de equipa governativa. O que agora temos é uma mão cheia de secretários. São cinco, um para cada dedo, sendo difícil escolher quem está no anelar. Também não é claro quem ocupa o indicativo. Tenho suspeitas sobre quem se retraiu e escolheu o mindinho, um dedo sempre muito disputado nestas lides da governação local, por ser pequeno e aparentemente ninguém dar por ele. Esta mão cheia de secretários faz coisas aqui e ali, não em grupo mas em actos que se me afiguram individuais. Em abono da verdade, diga-se que, num ou noutro aspecto, o que tem sido feito cai bem, apesar de persistirem muitos dos problemas que vinham da mão cheia de secretários precedente. Mas falta o braço, claramente. Não se percebe por onde anda, o que tem feito, a que comandos responde. O imbróglio em torno da Lei de Terras é disto exemplo. Do ponto de vista político, é talvez a maior embrulhada que Macau viveu nos últimos anos. Já não interessam os detalhes de quem disse o quê e quando, se um prometeu e o que veio a seguir não cumpriu. O que importa é o que se tem agora. E o que temos é um sombrio problema de contornos que nos escapam, porque se passam numa dimensão que não é a nossa, e que resultou numa série de actos nunca vistos. Em contas simples, já lá vão três iniciativas de deputados, por norma resguardados na análise de propostas e não proactivos na elaboração de projectos. A primeira intenção foi chumbada e até vinha de nomeado pelo Chefe do Executivo. Da segunda ninguém sabe o paradeiro, se tem autorização para sobreviver ou não; a terceira está em análise mas, aposto dez avos, poucas hipóteses terá de se consubstanciar.
O dedo mindinho
Este incómodo legislativo traduziu-se esta semana noutro tipo de acção: nove deputados juntaram-se e foram falar com o Chefe do Executivo para apresentarem uma proposta concreta sobre o caso que gerou toda a polémica em torno da Lei de Terras. A resposta chegou um dia depois: o Governo vai pensar. A réplica surpreendeu-me, admito, não pelo conteúdo, porque todos nós sabemos que o Governo pensa muito, mas pelo simples facto de existir, vinda de uma estrutura que é muda quando lhe convém. E convém-lhe quase sempre. Não tenho particular piedade dos concessionários que nada fizeram em
tempo útil nos terrenos que lhes foram sendo confiados e, entretanto, retirados. Já compreendo bem a indignação de quem passou anos em vão à espera de respostas das Obras Públicas, que lavam as mãos do problema, apesar de ser reconhecida a inércia
Falta o braço, claramente. Não se percebe por onde anda, o que tem feito, a que comandos responde
em que mergulharam no seguimento do drama Ao Man Long. Compreendo ainda melhor aqueles que investiram o que tinham – e o que pediram ao banco – e ficaram a ver navios, por terem confiado que as casas crescem como as árvores crescem e as ervas crescem, sobretudo as daninhas. Perante esta embrulhada, restam duas hipóteses: alguém está à espera de um sinal divino para que tudo se resolva ou alguém está à espera de 2019 para que esta trapalhada deixe de ser sua. Em ambos os casos, diz muito sobre o modo como hoje a cidade é gerida. Um braço, uma mão cheia de gente, pedaços de carne que se mexem sem que haja um corpo visível.
20 OPINIÃO
hoje macau sexta-feira 7.7.2017
Brexit, nacionalismo “Trump was a supporter of Brexit- the proposition that the UK should leave the EU - and had accurately proclaimed during his campaign that Brexit was a sign that he would win, too. The voters were in revolt against their traditional rulers. The election in the US was so similar to the Brexit campaign; the result was always going to be the same, too: victory for those on the outside” The Rise of the Outsiders: How Mainstream Politics Lost its Way Steve Richards
O
referendo de 2016 sobre a saída ou permanência na União Europeia (UE) deveria oferecer uma resolução final ao debate sobre a Europa, que dividiu os partidos políticos da Grã-Bretanha durante décadas. No entanto, ao invés de pôr fim ao debate, os resultados das eleições gerais, de 8 de Junho de 2017 demonstraram que o “Brexit” continuará a ser um factor de divisão e influência na política britânica dos próximos anos. A palavra “Brexit” continua a ser usada como uma abreviatura para descrever o voto da Grã-Bretanha para abandonar a UE, em 23 de Junho de 2016 e activar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, a 29 de Março de 2017, tendo o significado do termo sido objecto de reflexão. A primeira-ministra britânica no discurso proferido na Conferência do Partido Conservador, em Birmingham, a 2 de Outubro de 2016, afirmou que o significado do termo era simples, pois “Brexit significa Brexit”. O objectivo desta divisa era duplo. Por um lado, Theresa May claramente afirmou a sua intenção de retirar o Reino Unido da UE. Por outro lado, a sua mensagem “Brexit significa Brexit” procura eliminar todas as sugestões de que haveria um segundo referendo. O andamento rápido para o momento actual é difícil de avaliar se qualquer uma dessas mensagens intencionadas atingiu o público-alvo. Todas as situações consideraram a incerteza sobre o que esta palavra realmente significa, e que ainda é generalizada. O resultado confuso do referendo, as múltiplas possibilidades e tecnicismos do “Brexit” e o prazo prolongado significam que, tanto para o Reino Unido como para a UE, as relações futuras se assemelham a cinquenta tons de cinza, ao invés de alguma divisão estabelecida, a preto e branco. O objectivo dos analistas acerca do tema não é fazer um balanço das extensas prosas em torno do que significa o “Brexit”. Mesmo após os resultados das eleições gerais de 8 de Junho de 2017, esta palavra significa muitas realidades para pessoas diferentes. Não tem uma iteração singular. Não tem voz unificada. Pelo contrário, esse termo está em evolução, pois
desde o referendo de 2016, ouve-se falar de um “Brexit duro”, um “Brexit suave” e um Brexit “áspero”, para citar apenas alguns rótulos linguísticos frequentemente associados a este termo. À medida que as tentativas da primeira-ministra britânica de recuperar o equilíbrio depois de perder a maioria no Parlamento se produzem, é motivo para especular que não tem autoridade para garantir um «Brexit duro». Pelo contrário, é de esperar que a aliança com o “Partido Unionista Democrático (DUP na sigla inglesa) ” da Irlanda do Norte signifique o surgimento de estratégias de negociação alteradas e mais suaves. É difícil avaliar os efeitos que os resultados das eleições gerais terão na posição de negociação do Reino Unido com a UE. À medida que os jogos de linguagem do “Brexit” continuam a acumular, é importante não perder de vista um argumento omnipresente que os mantém juntos. Para evitar tal descuido, deve-se demonstrar que a securitização da migração continua a ser uma âncora linguística constante, em relação às vagas de incerteza criadas pelo “Brexit”, e das consequências das eleições gerais de 8 de Junho de 2017, ou seja, a argumentação usada pelos actores políticos quando falam de segurança para enquadrar os migrantes como uma ameaça existencial para o país e legitimar o uso de medidas extraordinárias. O segundo objectivo é considerar visões alternativas do “Brexit” oferecidas por meios de poder concorrentes. Em particular, é de destacar os movimentos opostos à securitização, realizados pelo gabinete do Prefeito de Londres, através da campanha “London Is Open”. O slogan “Vote Leave, Take Back Control” adoptado pelos chamados “Brexiteers”, reflecte o que exactamente está em jogo, pois durante a acumulação dos argumentos do referendo de 2016, afirmou-se que o “Brexit” salvaria o país de despender enormes somas de dinheiro, em vez de aforrar os bolsos dos burocratas em Bruxelas, ou pagar o cheque em branco da crescente crise de refugiados. Outros “Brexiteers” observaram rapidamente que o “Brexit” iria habilitar o governo a recuperar a autonomia completa sobre as leis e regulamentos nacionais. A campanha “ Vote to Leave “, em vez disso, assegurou aos eleitores que o “Brexit” faria o Reino Unido recuperar o controlo completo das fronteiras e, portanto, uma maior capacidade de regular a migração. O “Vote to Leave” defendia que se votassem a favor do “Brexit”, conseguiriam economizar trezentos e cinquenta milhões de libras por semana, que podiam ser gastos em prioridades, como o “Sistema Nacional de Saúde”, escolas e habitações, e em um mundo com tantas ameaças, é mais seguro controlar as fronteiras e decidir por si quem pode entrar no país, e não ser governados pelos juízes da UE, bem como controlar a imigração e ter um sistema mais justo que acolhe pessoas no Reino Unido, com base nas aptidões que possuem, e não no passaporte que têm, e iriam comerciar livremente com todo o mundo,
dado que a UE não permite a assinatura dos acordos comerciais com aliados chave como a Austrália e Nova Zelândia e economias em crescimento, como a Índia, China e Brasil e seriam livres para aproveitar novas oportunidades, que significam novos empregos e poderiam fazer as suas leis, por pessoas que pudessem escolher e retirar, o que seria mais democrático. Se votassem por permanecer na UE, esta alargar-se-ia, o que representaria a adesão de cinco países como a Turquia com setenta e seis milhões de habitantes, a Sérvia com sete milhões e duzentos mil habitantes, a Albânia com dois milhões e oitocentos mil habitantes, a Macedónia com dois milhões e cem mil habitantes e o Montenegro com seiscentos mil habitantes. A UE custaria cada vez mais para o Reino Unido. Se a UE custa actualmente os referidos trezentos e cinquenta milhões de libras semanalmente, que seriam suficientes para construir um hospital para o “Sistema Nacional de Saúde” semanalmente, sendo que o Reino Unido recebe menos de metade desse dispêndio e não se pronuncia acerca da forma
como os fundos foram gastos, bem como a imigração continuaria fora de controlo, pois quase dois milhões de pessoas vieram para o Reino Unido da UE nos últimos dez anos. É de imaginar o que seria nas próximas décadas, quando países novos e mais pobres aderissem à UE. O Reino Unido teria de continuar a resgatar o Euro, pois os países que o usam já têm uma maioria construída. Teriam de pagar a conta pelo fracasso do Euro. O Tribunal Europeu continuaria a monitorizar as leis, dado que controla tudo, de quanto impostos pagam, quem podem deixar entrar e sair do país e quais os trâmites. Escusado será dizer que essas linhas de argumentação não apareceram do vazio. Os mais bem entendidos na política britânica devem estar profundamente conscientes de que securitização da migração não é um fenómeno novo no Reino Unido, nem é uma característica única do “Brexit”, mas pelo contrário, a sua base foi esculpida pelo ex-primeiro-ministro David Cameron, e pelo seu governo muito antes do termo “Brexit” ter sido inventado. É de recordar do furor
21 hoje macau sexta-feira 7.7.2017
OPINIÃO perspectivas
JORGE RODRIGUES SIMÃO
QIU ZHIJIE, TATTOO 2, 1994
e anti-imigração
político criado pelas observações de David Cameron, a 30 de Julho de 2015, aquando da “Crise de Calais”, referindo-se a “enxame de migrantes” que foi condenada e considerada desumanizadora. Os comentários de Theresa May no seu papel como Secretária do Interior, também, podem sugerir a mesma condenação, quando a 6 de Outubro de 2015, afirmou que a imigração prejudicava a coesão social, e a 19 de Maio de 2017, os Conservadores afirmavam que os altos níveis de imigração tornavam impossível uma sociedade mais coesa. É de considerar que essas tramas culminaram na construção de políticas governamentais, que deliberadamente visavam a migração líquida que ainda estão vivas actualmente. Torna-se claro que a liderança de “Brexiteers” soou forte e orgulhosamente a partir dessa lista de hinos securitizada ao longo do referendo de 2016. O cartaz “break point” anti-migrante, com a imagem de Nigel Farage, que foi líder do “Partido de Independência do Reino Unido (UKIP na sigla inglesa)”, de 5 de Novembro de 2010 a 28 de Novembro de 2016, que
defende ideais conservadores e eurocépticos, mostra uma fila de migrantes e refugiados e incita ao ódio racial. Esse cartaz pode ser visto como um acto de linguagem visual que mobilizou, reforçou e acelerou activamente as intrigas preexistentes, que enquadraram os migrantes como uma ameaça existencial para o Reino Unido. A imagem na opinião de muitos constituiu um discurso de ódio e fazia eco da propaganda nazi. Se considerarmos as consequências dessas intrigas securitizadas e imagens, damos conta que um céptico pode perguntar, porque as devemos considerar se os migrantes foram securitizados todo o tempo que o ex-primeiro-ministro David Cameron exerceu funções? Porque devemos chamar a atenção de Farage e do seu cartaz anti-imigração? Um ano após o referendo da UE, não é o momento de aceitar o consenso anti-imigração no Reino Unido e não nos devemos preocupar mais com a luta contra os difíceis negociadores da UE que aguardam o Reino Unido? Embora seja tentador evitar que essas questões sejam inconsequentes, é de argumentar que
o discurso sobre a imigração que prevaleceu tão fortemente durante o referendo da EU, ainda exige um exame por dois motivos. O primeiro, porque o plano dessas tramas de securitização semeadas antes do voto do “Brexit” ajudam a explicar, porque Theresa May está disposta a retirar o Reino Unido da UE, mesmo que isso signifique afastar o país do mercado único, mesmo que o possa prejudicar grandemente. Se analisarmos os principais discursos que pronunciou desde que se tornou primeira-ministra, é claro que Theresa May colocou a soberania nacional acima de tudo, e até ao presente absteve-se de negar categoricamente que existe a necessidade da Grã-Bretanha manter o acesso ao mercado único e aos passaportes comunitários em matéria de prestação de serviços de investimento financeiros ao abrigo da “Directiva dos Mercados de Instrumentos Financeiros (2004/39/CE - DMIF) ”. A prática revelará o prejuízo futuro quanto a estas matérias, e o efeito certamente serão o suicídio político e comercial. Poderá existir um suspiro colectivo de alívio e talvez possa aparecer um final alternativo depois de tudo? Talvez a securitização da migração possa ser desfeita para prevenir tais eventualidades extremas? Os “Brexiteers” alcançaram o seu objectivo e podemos ver um amolecimento da sua posição anti-imigração? É entendimento que esses cenários são improváveis de acontecerem. A falta de clareza sobre os direitos e o estatuto dos cidadãos da UE serve como uma recordação importante de que Theresa May não mostrou sinais de atenuar a securitização de contextos de migração, durante as negociações que começaram a 19 de Junho de 2017. A UE considera como temas fundamentais e prioritários, o estatuto dos cidadãos prejudicados pelo “Brexit” , ou seja, os europeus que vivem no Reino Unido e os britânicos que residem nos vinte e sete Estados-membros, descrever as contribuições financeiras assumidas pelo Reino Unido enquanto membro do bloco comunitário e conhecida como factura do divórcio, e o estatuto da fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda. A primeira-ministra britânica pretende fechar as portas do Reino Unido ao princípio da liberdade de movimento que está no centro do projecto constitutivo da UE. Deste ponto de vista, a probabilidade de um “Brexit duro” se materializar no futuro próximo parece crescer em vez de diminuir. Embora os resultados das rápidas eleições que Theresa May convocou tenham lançado uma luz caótica sobre as negociações do “Brexit”, não é sensato esperar que renuncie à sua promessa de retirar o Reino Unido do mercado único. Também não é óbvio que a UE tenha a intenção de repensar este ponto. É de observar que de uma perspectiva europeia, não importa se o Reino Unido tem um governo minoritário ou não, pois depende de como essas negociações desenrolarem e quais as cartas estratégicas que serão colocados na mesa de negociações, sendo possível
que o contexto da securitização ressurja com vingança em vez de desaparecer. A segunda razão pela qual é necessário (re)considerar as questões descritas é porque existem argumentos alternativos a serem considerados quando viajamos pela estrada com destino ao “Brexit”. Se voltarmos atrás na revisão dos contextos secuturizantes que saíram do governo e das atitudes políticas que envolveram as eleições gerais de 2017, damo-nos conta de uma questão que muitas vezes não é formulada. Qual é a alternativa para o “Brexit”? Esta questão estava visivelmente ausente da campanha. Ao dar um passo para trás para encontrar uma resposta adequada, foi refrescante descobrir que existem movimentos desidratadores em jogo. A resposta da capital do Reino Unido ao “Brexit” com a campanha “London Is Open”, liderada pelo prefeito de Londres, Sadiq Khan, reflecte um contraste deliberado com o enquadramento descrito.
Embora os resultados das rápidas eleições que Theresa May convocou tenham lançado uma luz caótica sobre as negociações do “Brexit”, não é sensato esperar que renuncie à sua promessa de retirar o Reino Unido do mercado único. Também não é óbvio que a UE tenha a intenção de repensar este ponto As mensagens de interiorização, nacionalismo e anti-imigração do governo, e as do município, foram refutadas intencionalmente e publicamente por uma nova campanha sob a bandeira de “Londres é aberta”. A campanha foi lançada a 16 de Julho de 2016, menos de um mês após os resultados do referendo do “Brexit”, com o objectivo de mostrar que “Londres está unida e aberta para os negócios e para o mundo, após o referendo da UE”. O pequeno vídeo produzido pelo gabinete do Prefeito tornou-se viral, poucos dias após o seu lançamento, enquanto os cartazes que reforçavam a mensagem, eram colocados no metro de Londres. A campanha defende não apenas o relacionamento de Londres com a Europa e os cidadãos da UE, mas também a diversidade global da cidade com a garantia de que continuaria a ser bem-vindo e celebrado em Londres. A ênfase da campanha na inclusão global, em vez de meramente europeia, confirma a noção de que o “Brexit” não se trata apenas de melhores negócios ou de retorno do controlo da UE, mas tem sido sobre imigração, identidade, raça e história.
22 (F)UTILIDADES TEMPO
hoje macau sexta-feira 7.7.2017
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PALESTRA | “UM OLHAR SOBRE A HISTÓRIA DA IMPRENSA PORTUGUESA EM MACAU”, COM JOÃO GUEDES Clube Militar | 17h30
Domingo
CINEMA | DOCUMENTÁRIO “CONVERSA FIADA”, DE TAIWAN Cinemateca Paixão | 20h00 CINEMA | DOCUMENTÁRIO “VIDA, ANIMADA” DOS EUA Cinemateca Paixão | 14h30
O CARTOON STEPH
EXPOSIÇÃO “NOCTURNO” DE FILIPE DORES Albergue SCM | Até 09/07 EXPOSIÇÃO “CONTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10 EXPOSIÇÃO “O MAR” DE ANA MARIA PESSANHA Casa Garden | Até 31/08 EXPOSIÇÃO “A ARTE DE ZHANG DAQIAN” Museu de Arte de Macau | Até 5/8 EXPOSIÇÃO “AMOR POR MACAU” DE LEE KUNG KIM Museu de Arte de Macau | Até 9/7 EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11 EXPOSIÇÃO “AS MUDANÇAS DE HENGQIN” Armazém do Boi | Até 16/07
Cineteatro
C I N E M A
SALA 1
SPIDER MAN: HOMECOMING [2D][B]
Com: Tome Cruise, Sofia Boutella, Annabelle Wallis, Jake Johnson 21.45
Fime de: Jon Watts Com: Tom Holland, Robert Downey Jr., Michael Keaton 14.15, 21.30
TRANSFORMERS: THE LAST NIGHT [2D][B]
DISPICABLE ME 3 [2D][A]
Fime de: Michael Bay Com: Mark Wahlberg, Laura Haddock Anhtony Hopkings 14.00
Falado em cantonês Fime de: Pierre Coffin, Kyle Balda, Eric Guillon 14.30, 16.30, 19.30, 21.30
SPIDER MAN: HOMECOMING [2D][B]
SALA 2
SALA 3
THE MUMMY [2D][C] Fime de: Alex Kurtzman
Fime de: Jon Watts Com: Tom Holland, Robert Downey Jr., Michael Keaton 16.45, 19.15
SOLUÇÃO DO PROBLEMA 73
PROBLEMA 74
UM FILME HOJE
SUDOKU
DE
EXPOSIÇÃO “COLOUR/SHAPE/LOVE” DE JOAQUIM FRANCO Macau Art Garden | Até 16/07
1.14
AQUI JAZ PU YI
CINEMA | DOCUMENTÁRIO “CONVERSA FIADA”, DE TAIWAN Cinemateca Paixão | 20h00
Diariamente
YUAN
AQUI HÁ GATO
EXPOSIÇÃO | “MAZDA”, DE FORTES PAKEONG SEQUEIRA Das 15h00 às 18h00
CINEMA | DOCUMENTÁRIO “IRMÃOS”, DA NORUEGA Cinemateca Paixão | 21h30
0.22
Com seis vidas expiradas e o tambor cardíaco a descompassar, mio estas últimas palavras numa coluna em estertor, aqui jaz o último lampejo de prosa felina moribunda. Todos os dias a despejar fel neste espaço, a acumular as dores do mundo, a carregar as cruzes dos humanos, tudo isto deixa sobrecarregado o espírito felino. Aqui verti ofensas aos deuses, aos pecadores e aos santos, neste Corinto de 1500 caracteres. Carreguei uma enorme pedra de mármore montanha acima, todos os dias, como um trabalho infinito, inacabável. Trabalho esse que continua por terminar, porque existem sempre palavras, pensamentos nunca escassearão, reflexões serão uma constante para quem habitar esta coluna. Os meus miados convertidos em português serão substituídos por um humano, com bastantes características felinas, pelo que me foi dado a entender. Passo-lhe a batata quente, o presente envenenado de ter de digerir a cidade. Ouvi dizer que é um bom artesão de palavras, mas duvido que chegue às minhas imperiosas patas. Despeço-me das fiéis ninhadas de leitores para ir aproveitar a vida que me resta, ciente da imortalidade das minhas palavras que, de certeza, continuarão a ecoar nesta página e nas vielas da cidade. Que venha a próxima estação, o novo dia, que eu vou espalhar pêlo para outras paragens. Mas vou andar por aí, atento, magnificente, pois eu sou Pu Yi, o Imperador Gato. Pu Yi
PREDADOR | JOHN MCTIERNAN
No auge da popularidade de Arnold Schwarzenegger, e depois de interpretar um robot exterminador vindo do futuro, o actor de origem austríaca enfrenta uma ameaça de outro planeta em “Predador”. O filme estreou há 30 anos e foi o primeiro de grande projecção de John McTiernan. A narrativa passa-se num país ficcional da América Central, onde uma equipa de forças especiais se depara com um extraterrestre sanguinário. Apesar de pertencer a uma categoria um pouco menosprezada entre os apreciadores de filmes mais clássicos, “Predador” é uma referência para os aficionados da ficção científica e os filmes de série b. João Luz
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23 hoje macau sexta-feira 7.7.2017
PERFIL
ROBBY KWOK, EMPRESÁRIO NA ÁREA DA EDUCAÇÃO
A
“Posso ser feliz em todo o lado”
vida de Robby Kwok é a prova de que o destino pode mudar de um momento para o outro. Este empresário, que lidera um grupo de escolas que oferecem cursos profissionais, começou por ser um mau aluno, que só tinha boas notas a Educação Física. A ida para a Austrália mudou completamente a sua vida. “Quando era miúdo, tinha notas muito más. Só consegui passar a Educação Física. Então a minha mãe perguntou-me para onde é que queria ir, porque não podia ficar aqui sem fazer nada. Deu-me duas hipóteses: Japão ou Austrália, onde tinha familiares. Cheguei a aprender japonês, mas não conseguia falar, a língua foi muito complicada para mim. Achei o inglês mais fácil”, contou ao HM. Na Austrália os seus horizontes expandiram-se totalmente, ao ponto de Robby Kwok ter ficado no país durante 12 anos, a trabalhar na área em que se formou, informática. Pelo meio, arranjou tempo para aprender taekwondo, que hoje ensina em Macau. Robby Kwok assume que pode ser feliz em qualquer lado, seja em Macau, seja nou-
tro lugar. Acorda de madrugada para correr, trabalhar, tocar saxofone numa banda e ainda fazer voluntariado todas as sextas-feiras. Se a mãe não o tivesse enviado para o estrangeiro, o empresário talvez fosse hoje uma pessoa completamente diferente. “A Austrália mudou a minha visão e a minha vida mudou. Aqui há um maior controlo da família, um lado mais tradicional, mas eu compreendo isso. Tem o seu lado bom e mau. Os países ocidentais, o sistema e cultura, são, na sua maioria, bons. Por isso é que sempre quis implementar esse sistema em Macau, esses valores.”
IDEIAS DE EMPREENDEDOR
Robby Kwok deixou para trás a imagem de um aluno baldas, que não estuda, para se tornar, ele próprio, um educador. E garante que em Macau fazem falta cursos profissionais, mas não só. Falta também o seu reconhecimento e aceitação. “Em Macau há falta de cursos profissionais, cursos mais técnicos. Na Austrália, quem começa um curso técnico pode sempre ter acesso à universidade. Aqui as pessoas,
as famílias, não compreendem os benefícios do ensino profissional. Lá um técnico é mais valorizado do que um médico, têm bons salários.” Num lugar onde a memorização ainda é um método bastante utilizado no ensino, Robby Kwok prefere o sistema australiano, mais flexível, onde há tempo para tudo. “Não digo que o sistema chinês de ensino é mau, às vezes é bom. Há muito a prática da matemática e ajuda a organizar o pensamento, é sistemático, com muita disciplina. Na Austrália gostei mais, porque há mais flexibilidade, há tempo para estudar e para fazer outras coisas.”
“ALUNOS SÃO PREGUIÇOSOS”
Robby Kwok viveu também 11 anos em Hong Kong. De regresso a Macau, o empresário na área da educação garante que nem tudo é mau no pequeno território. Defende que os alunos locais são preguiçosos, mas essa característica verifica-se menos do que se verificava há dez anos, quando trabalhar no Governo ou nos casinos eram passos mais naturais. Na sua visão,
os estudantes vindos da China obrigaram a uma maior competitividade e empenho. “São muito interessados, querem aprender mais e têm boas notas”, referiu. Robby não esquece ainda os tempos conturbados que Macau viveu no final da década de 90. Já na Austrália, o então estudante recorda-se de ver imagens “terríveis” de conflitos entre seitas, que causavam o pânico e traziam insegurança nas vésperas da transferência de Administração. Hoje, o território é bem mais seguro. Olhando para a região vizinha, de onde também é residente, Robby Kwok não quis deixar de comentar a postura dos activistas que têm lutado por um sistema mais democrático em Hong Kong, tal como Joshua Wong. “O que fizeram eles pela sociedade, por Hong Kong? Eu tenho o meu emprego, criei postos de trabalho. Penso que têm exagerado nas suas acções. Vivi 11 anos em Hong Kong e é uma das sociedades mais livres que conheço”, remata. Andreia Sofia Silva
andreia.silva@.hojemacau.com.mo
“
Imagens que passais pela retina / Dos meus olhos, porque não vos fixais? / Que passais como a água cristalina / Por uma fonte para nunca mais!...
sexta-feira 7.7.2017
Sexo O FUTURO AOS ROBOTS PERTENCE
Aquela máquina...
TRUMP ADMITE QUE RÚSSIA INTERFERIU NAS ELEIÇÕES
Donald Trump reconheceu que a Rússia pode ter interferido nas eleições que o puseram na Casa Branca, mas fez questão de sublinhar que outros países também poderiam estar envolvidos. “Penso que provavelmente terá sido a Rússia [ataque informático nas eleições presidenciais de 2016]. Penso que podem ter sido outros países, não serei específico. Penso que muitas pessoas interferiram”, disse Trump em Varsóvia. Trump garantiu que os Estados Unidos estão a trabalhar com os aliados para conseguirem fazer frente “às acções da Rússia e ao seu comportamento desestabilizador”. Recorde-se que estas declarações foram feitas na véspera de se encontrar com o Presidente russo, Vladimir Putin, à margem da reunião do G20 em Hamburgo, na Alemanha. Questionado sobre as declarações do Presidente norte-americano, o porta-voz do Kremlin disse, citado pela Reuters, que não concordava com a abordagem de Trump e que a Rússia aguarda o encontro entre os dois líderes com expectativa.
FILIPINAS REGISTADO SISMO DE 6,5
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Um sismo de magnitude 6,5 na escala de Richter foi ontem registado na região central do arquipélago das Filipinas, sem causar vítimas ou danos materiais, segundo o Instituto americano de Geofísica. O sismo foi registado a 3,2 quilómetros a noroeste de Masarayao, na província de Leyte e a 12,3 quilómetros a noroeste de Ormoc. O epicentro do sismo foi registado a seis quilómetros de profundidade, mas não houve necessidade de emitir um alerta de tsunami. Em Novembro de 2003, a cidade de Tacloban, a 35 quilómetros do epicentro do sismo, foi arrasada pelo tufão Haiyan, que causou mais de 6.300 mortos e mais de mil desaparecidos. As Filipinas assentam no chamado “Anel de fogo do Pacifico”, uma área de grande actividade sísmica e vulcânica e é sacudida por cerca de sete mil tremores de terra por ano, a maioria com uma magnitude moderada.
E
SQUEÇA os brinquedos sexuais que conhece: o futuro pertence aos robots. A inteligência artificial (AI) está a caminhar a passos largos para entrar no mercado global do sexo, trazendo consigo uma revolução robótica. No meio, é denominada de “sextech”. O que faz? Está desenhada para oferecer uma gratificação sexual muito parecida com aquela que é oferecida pelo toque humano. Os especialistas afirmam que, apesar de os “robots sexuais oferecerem um valioso serviço a idosos, pessoas incapacitadas ou [aqueles] que sintam que as relações sexuais são traumatizantes”, trazem consigo vários riscos para o campo da ética. Estes robots apresentam uma anatomia idêntica à dos humanos. O rosto, a pele e o toque foram desenhados para se assemelharem o mais possível à experiência que podíamos partilhar com alguém de carne e osso — a publicação utiliza o termo “cyborg erótico” para os descrever. Os autores do relatório acreditam que estes robots podem funcionar como o verdadeiro arauto da “revolução” no mundo sexual, pois vão permitir às pessoas que sentem grandes dificuldades no momento de assumir uma relação íntima com os seus pares. Porém, estes também acreditam que pode este tipo cyborgs levantam preocupações, nomeadamente, porque podem aumentar a objectivação da mulher; ou, noutro caso, de utilizar a imagem
dos robots para satisfazer desejos que seriam, de outra forma, considerados ilegais. Isto é, utilizar a imagem de alguém conhecido para satisfazer um desejo próprio. “Se estamos a falar de indivíduos que não são só incapacitados, mas também traumatizados, em certa parte, podemos considerá-los [os robots] um instrumento que vai trazer benefícios e vai ajudá-los no seu processo [sexual] de cura”, explica a Dr. Aimee van Wynsberghe, da Universidade Técnica de Delft, na Holanda, e co-diretora
da FFF, ao The Guardian. “Existem benefícios claros nesta tecnologia. Mas, como em tudo o resto, é preciso um equilíbrio. É preciso criar um equilíbrio entre a falta de regulamentação e ‘sobreregulamentação’ que abafa a inovação”, concluiu. Noel Sharkey, professor de inteligência artificial e robótica assegura que a popularidade destes robots será determinada pelo quão ‘reais’ venham a ser. Os seus movimentos, discurso e linguagem corporal ainda estão muito crus, num estágio muito embrionário. Nota-se que ainda são objectos. Parecidos, mas inanimados. Entre os que criticam a tecnologia, há quem levante a possibilidade de se estar a criar um ecossistema idílico para quem sofre de perturbações mentais ou de patologias que instiguem o crime. Sharkey exemplifica: “há pessoas que dizem: ‘bem, é melhor violar robots do que pessoas’. Esse é um dos seus argumentos… Porque podes ter bom e agradável sexo com uma mulher, mas quando toca à violação, se tens essa fantasia, podes fazê-lo a um robot. Isto só vai fazer com que os violadores sejam encorajados”, alerta. Também o tema de abuso de menores causa preocupação. Existe o medo de que possam ser criados robots com a aparência de crianças — coisa que já existe no Japão, numa empresa detida por um proprietário que é um confesso pedófilo, e que, segundo o próprio, serve para prevenir que ele e outros na mesma situação magoem crianças na vida real.
FIFA PORTUGAL SOBE AO QUARTO LUGAR DO ‘RANKING’
A
selecção portuguesa de futebol subiu ontem do oitavo para o quarto lugar do ‘ranking’ da FIFA, agora liderado pela Alemanha, que ultrapassou o Brasil depois da vitória na Taça das Confederações. A formação das ‘quinas’, terceira na prova realizada na Rússia, onde não perdeu qualquer jogo (três vitórias e dois empates), ultrapassou Chile, Colômbia, França e Bélgica, que caíram para as últimas
quatro posições do ‘top 10’. Por seu lado, a Alemanha, campeão mundial em título, voltou, dois anos depois, à liderança, deixando para trás os sul-americanos Brasil (segundo) e Argentina (terceira). Desde a última liderança dos germânicos, em 2015, apenas três seleções passaram pelo comando da tabela da FIFA, o Brasil, a Argentina e a Bélgica. Entre os representantes dos PALOP, destaque para as
entradas no ‘top 100’ da Guiné-Bissau (subiu 18 posições, para a 83.ª) e de Moçambique (subiu nove, para a 97.ª) e a saída de Cabo Verde que ‘tombou’ 31 lugares, para o 115.º. Em relação ao ‘ranking’ anterior, de 1 de Junho, Andorra foi a selecção que mais posições subiu (57, para a 129.ª) e a Namíbia a que mais desceu (62, para a 156.ª). Macau subiu duas posições, de 184 para 182.
HK IMPORTANTE CARGA DE MARFIM APREENDIDA
As autoridades alfandegárias de Hong Kong confiscaram a maior quantidade de marfim na ilha em três décadas. A carga estava escondida num contentor de 12 metros sob caixas de peixe congelado proveniente da Malásia. A carga foi confiscada durante um controlo de rotina no porto da cidade. O peso total é de 7,2 toneladas de presas de elefante. O valor de mercado chegaria a US$ 70 milhões. Os agentes da alfândega detiveram um homem e duas mulheres, funcionários de uma companhia comercial de Hong Kong que, se forem considerados culpados, poderão pagar uma multa de US$ 5 milhões e pegar uma pena de prisão de até sete anos. Documentos achados junto com a carga apontavam a Hong Kong como destino final da mercadoria. A WildAid, ONG que tem como objectivo eliminar o comércio ilegal de fauna e vida selvagem, assegura que Hong Kong está entre os maiores mercados mundiais de marfim e estima que 90% de todo o marfim que chega à China passa pelo território. Seguindo o exemplo da China, que prevê tornar ilegal este negócio no final de ano, em Janeiro de 2016 o governo de Hong Kong iniciou um plano para abolir totalmente o comércio de dentes de elefante na ex-colônia britânica.
CIBERSEGURANÇA SINGAPURA NA VANGUARDA
Nem sempre os mais “desenvolvidos” são os mais protegidos e nem sempre os mais “pobres” são os menos preocupados e isso nota-se no estudo feito pela União Internacional das Telecomunicações (ITU), das Nações Unidas. A análise concluiu que Singapura tem uma abordagem quase perfeita no que toca à cibersegurança, ainda melhor que os EUA que ficaram em segundo lugar no ranking, mas por exemplo a Índia e a China ficaram muito mais abaixo, em 25º e 34º lugar, respectivamente. “Ainda existe uma falha evidente entre os países no que toca à preocupação, compreensão, conhecimento e capacidade de aplicar estratégias, capacidades e programas apropriados”, pode ler-se no estudo. Ao que foi apurado, 50% dos países não têm qualquer estratégia de segurança nacional, algo que é considerado crucial pelos especialistas. O Top 10 dos países mais bem preparados completa-se, com a Malásia, Omã, Estónia, Maurícia, Austrália, Geórgia, França e Canadá. A Rússia ficou em 11º lugar e Portugal ficou muito mais abaixo, em 56º lugar. Em último lugar no ranking encontra-se a Guiné Equatorial.