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Hoje Macau 5 SET 2017 #3889

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DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

MOP$10

TERÇA-FEIRA 5 DE SETEMBRO DE 2017 • ANO XVII • Nº 3890

Hato contínuo

O candidato às eleições da lista 19, Hong Weng Kuan, entregou ontem uma queixa-crime no Ministério Público contra Fong Soi Kun. O ex-di-

PUB NELSON VEIGA/LUSA

EDITORIAL

16 anos

QUEIXA-CRIME CONTRA FONG SOI KUN NO MP

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

hojemacau rector dos Serviços Meteorológicos é acusado de homicídio por negligência pela sua actuação durante a passagem do tufão Hato.

TIMOR-LESTE

VIDAS DESTRUÍDAS GRANDE PLANO

PÁGINA 9

PEREIRA COUTINHO

www.hojemacau.com.mo•facebook/hojemacau•twitter/hojemacau

SOFIA MARGARIDA MOTA

PÁGINA 4

Primo Basílio h PAULO JOSÉ MIRANDA MAK SOI KUN

As nove sugestões PUB

PÁGINA 7

ANTÓNIO CABRITA

“Há uma grande confusão sobre o que é a cultura” ENTREVISTA

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Dinheiro extra


2 grande plano

5.9.2017 terça-feira

TIMOR-LESTE

“FOMOS TODOS P

ERDEU 14 quilos enquanto esteve preso preventivamente em Díli. Tanto ele como a esposa necessitam de ser operados e de tratamento médico que não conseguem ter em Timor-Leste. Do país não podem sair por terem os passaportes confiscados e estarem sujeitos ao termo de identidade e residência. Os pedidos para que possam procurar ajuda médica no estrangeiro, foram entretanto recusados. Eles são o casal português Tiago e Fong Fong Guerra, que desde 2014 se vêem a braços com um caso na justiça timorense. No passado dia 24 de Agosto foram ambos condenados pelo tribunal a oito anos de prisão pelo crime de co-autoria num caso de peculato, tendo sido absolvidos dos crimes de branqueamento de capitais e falsificação de documentos. O tribunal condenou-os ainda ao pagamento de 859 mil dólares. Foram acusados de “prejudicar as finanças e a economia do Estado” de Timor-Leste, por alegadamente se terem apropriado de fundos oriundos da indústria petrolífera, que pertencerão ao país. Tiago Guerra está na fase de recolha de mais provas para sustentar o seu caso. “Estes dias têm sido muito complicados. Somos condenados por um crime que não cometemos e estamos a ver as nossas vidas destruídas”, contou ao HM. Tiago Guerra não faz a mínima ideia de quando será proferida a última de todas as decisões. “Aqui em Díli o tribunal de recurso pode demorar um ano ou dois a apreciar um caso. Aqui há dias houve uma decisão que tinha sido interposta em 2014, ainda estava preso. Pode demorar muito tempo.” O português diz não aceitar a sentença e fala de entraves na apresentação de provas durante a preparação da sua defesa. “A questão mais importante aqui é o direito à defesa. Os juízes tinham dúvidas, e isso está escrito no acórdão, sobre o paradeiro dos fundos. Queríamos chamar as testemunhas que fizeram a transferência, mas foram todas negadas, os juízes indeferiram

FOTO NUNO VEIGA/LUSA

Tiago e a esposa, Fong Fong Guerra, foram condenados a oito anos de prisão pelo tribunal de Timor-Leste pela co-autoria do crime de peculato. Em entrevista, Tiago Guerra diz que há incongruências na sentença e muitas dúvidas sobre o paradeiro do dinheiro que o tribunal afirma estar nas contas do casal. O português, que aguarda a decisão do recurso, fala de entraves na sua defesa

PORTUGUÊS CONDENADO FALA DE INCONGRUÊNCIAS NA SENTENÇA

“Não sei como é que estou a ser condenado de ser co-autor de um crime de peculato, quando o autor do crime nem sequer foi notificado pelas autoridades.”

“Houve a necessidade de um agente depositário e na altura Boye era uma pessoa bem vista aqui. Sei que entretanto fomos todos enganados e ludibriados por ele.” TIAGO GUERRA

esses pedidos. Depois tentamos ainda trazer uma testemunha do banco que fez a transferência, mas o pedido também foi indeferido”, contou. O português adiantou que “sem direito à defesa, e sem cumprir os princípios básicos de justiça, tem sido muito complicado pensar em como podemos fazer isto”. “Estamos focados na apresentação do

recurso e em garantir que está lá tudo”, acrescentou.

ONDE ESTÁ O DINHEIRO?

Em 2011, Tiago Guerra detinha a Olive Unipessoal, uma empresa sediada em Timor-Leste, a partir da qual efectuava negócios e recebia pagamentos por trabalhos de contabilidade, consultoria e auditoria. Desde 2010 que Fong

Fong Guerra, a sua esposa, detinha em Macau uma outra empresa, a Olive Consultancy. Segundo Tiago Guerra, foi esta empresa que serviu como intermediária no pagamento de 860 mil dólares norte-americanos entre uma sociedade de advogados norueguesa, em representação de uma empresa, a uma outra empresa norte-americana. O pagamento, feito através de um


grande plano 3

terça-feira 5.9.2017

ENGANADOS”

Juíza Ana Paula de Jesus

contrato de agente depositário (contrato escrow), foi feito a convite de Bobby Boye, nigeriano com nacionalidade americana. Esse contrato valeu à Olive Consultancy o pagamento de dez mil dólares americanos, sendo que, a partir da transferência do dinheiro para os Estados Unidos, Tiago Guerra assume nunca mais ter tido contacto com Bobby Boye. Boye, que chegou a desempenhar funções como assessor do Estado timorense no sector do petróleo, cumpre hoje pena nos Estados Unidos pela prática de vários crimes financeiros. Tiago Guerra fala das diversas incongruências que encontrou na leitura da sentença que o condenou a si e à sua esposa, relativas ao paradeiro do dinheiro.

“Os juízes dizem que o dinheiro (860 mil dólares) foi enviado e saiu da conta, como ficou provado graças aos peritos do Banco Central, mas depois dizem que está em parte incerta. Há uma terceira afirmação de que o dinheiro está nas nossas contas em Macau. Quando têm estas dúvidas, penso que o principio da defesa não está a ser respeitado.” Para descobrir o rasto do dinheiro, as autoridades timorenses enviaram cartas rogatórias, a pedir diligências e informações, às autoridades de Macau. “Pediram cartas com informações sobre nós, e foi enviado um resumo, assinado pela Polícia Judiciária e Interpol, de todas as contas bancárias em nosso nome. O saldo de todas essas contas dá

pouco mais de seis mil dólares. Dizem que estão congelados 860 mil dólares? Nessa altura estava preso, não tive nada a ver com esse pedido. [As autoridades timorenses] ignoraram todas essas informações”, clarificou Tiago Guerra. O português, que foi condenado por alegadamente ter transferido dinheiro que pertence aos cofres públicos de Timor-Leste, afirma ainda que a sentença que ouviu não dá certezas sobre se os 860 mil dólares pertencem, de facto, ao país. “As autoridades dizem que o dinheiro que foi transferido para a nossa conta lhes pertencia, mas essa é outra questão. Isso não ficou provado em tribunal. A lei diz que os pagamentos de quaisquer recei-

tas do petróleo devem ser feitos directamente ao fundo soberano, que pertence ao Estado timorense e cuja conta está na Reserva Federal em Nova Iorque. Estamos a falar de um banco dessa dimensão”, referiu. Tiago Guerra questiona: “a partir do momento em que o dinheiro não foi transferido para lá, alguém pensa que pertence ao Estado timorense?” O português assegura que, quando fez a transferência do montante, em 2011, jamais poderia imaginar que esse dinheiro pertencia a Timor-Leste. “Só em Dezembro de 2016, quando tivemos acesso aos autos, vimos que o dinheiro está em disputa entre a empresa norueguesa e o Estado timorense. Até então não

tínhamos a mínima ideia de que o dinheiro poderia pertencer a Timor e muito menos que viesse dos impostos [da indústria petrolífera].”

ALGUMA INGENUIDADE

Tiago Guerra, licenciado em engenharia e com carreira feita na área das telecomunicações, chegou a Timor-Leste em 2010, depois de ter passado pelo Brasil e pela China. Trazia na bagagem uma proposta para abrir a Digicel, empresa irlandesa, em Timor-Leste, projecto que falhou. “A empresa contratou-me para começar uma empresa de operações de telecomunicações, e quando cheguei não havia uma licença nem a legislação que permitisse ter a licença. Não havia nada.” Na cabeça do casal Guerra começou a pensar-se a ida para Macau, e foi nessa altura que foi criada a Olive Consultancy. A ideia era colocarem os filhos na Escola Portuguesa de Macau, onde tinham uma reunião agendada que nunca chegou a acontecer, devido ao facto de terem sido detidos no aeroporto de Díli dois dias antes. A ligação do casal Guerra com Bobby Boye surgiu pelo facto de serem vizinhos. “Houve a necessidade de um agente depositário e na altura Boye era uma pessoa bem vista aqui. Sei que entretanto fomos todos enganados e ludibriados por ele. Na altura tinha uma óptima reputação aqui, eu diria que era o assessor mais visível em Timor-Leste. Era recebido por todos os ministros. Quando recebemos esta proposta decidimos avançar”, lembrou Tiago Guerra. Hoje o português não tem duvidas de que foi algo ingénuo na hora de aceitar este contrato. “Nunca pensei que alguém pudesse ser assim. Éramos vizinhos, quando cheguei a Díli a casa dele era mesmo ao lado da minha. Agora sabemos que é criminoso, está a cumprir a pena, e que já tinha estado antes na prisão. Mesmo assim conseguiu ser escolhido no processo de contratação de um assessor internacional.” Tiago Guerra frisa ainda não compreender como é que o tribunal timorense nunca notificou Bobby Boye como co-arguido no crime de peculato. “Não sei como é que estou a ser condenado de ser co-autor de um crime de peculato, quando o autor do crime nem sequer foi notificado pelas autoridades. Está a cumprir pena nos Estados Unidos e são conhecidas todas as informações sobre ele. Dizem que não o conseguem encontrar? Essa informação é difícil de aceitar”, remata. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


4 política

GONÇALO LOBO PINHEIRO

5.9.2017 terça-feira

O

cabeça de lista da Nova Esperança é o último bastião da presença da língua portuguesa no hemiciclo. Na apresentação do seu programa eleitoral, José Pereira Coutinho sugeriu uma compensação pecuniária extra de 9 mil patacas ao cheque anual para suprir a devastação resultante da passagem do tufão Hato por Macau. Além disso, o português propõe o aumento do valor do dito cheque pecuniário para 12 mil patacas anuais. Pereira Coutinho começou por analisar os programas das outras listas, tendo salientado que muito do conteúdo programático dos concorrentes é de cariz executivo e que se “cingem à política de oposição”. “Não estamos a concorrer para governar, mas para ocupar um lugar de deputado da Assembleia Legislativa (AL), as pessoas não têm noção o que é ser deputado em Macau”, explica. O líder da lista da Nova Esperança entende que a falta de um órgão semelhante aos conselhos distritais que existem em Hong Kong leva a que os deputados tenham de lidar com muitos aspectos práticos que extravasam as suas incumbências atribuídas pela Lei Básica. “É importante que haja no futuro órgãos municipais eleitos pela via directa que resolvam os

HATO PEREIRA COUTINHO PEDE COMPENSAÇÃO PECUNIÁRIA EXTRA

O último português

A Nova Esperança apresentou o seu programa político, reciclando algumas ideias já apresentadas no passado. Pereira Coutinho, o último candidato português com hipótese de ser eleito, sugere uma compensação extra de 9 mil patacas e o aumento para 12 mil do cheque anual no próximo ano problemas dos cidadãos para que não caia tudo nos ombros dos deputados”, refere o candidato. Esta é a quarta vez que Pereira Coutinho concorre ao lugar de deputado da AL e admite que tem vindo a repetir os mesmos pontos do programa, aliás, assim como os seus adversários de campanha. “Voltamos a bater na mesma tecla: Habitação, saúde, transportes, qualidade educativa, é tudo muito repetitivo o que significa que a AL não dá conta do recado quanto à consolidação das políticas do Governo”.

ÚLTIMO REDUTO

Pereira Coutinho lamenta que é uma pena que o Executivo funcione

numa base reactiva. “No ano passado tivemos um tufão, é repetitivo, mas é preciso uma calamidade que resulte em mortes para que o Governe ande”, comenta. O líder da Nova Esperança pode ser o último deputado português a ser eleito para a AL. Pereira Coutinho tem repetido várias vezes que a língua

“Não estamos a concorrer para governar, mas para ocupar um lugar de deputado da Assembleia Legislativa, as pessoas não têm noção o que é ser deputado em Macau.” PEREIRA COUTINHO

Campanha CAEAL clarifica que não apelou ao voto em nenhuma lista A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) reitera que não emitiu qualquer mensagem no sentido de apelar ao voto

numa determinada candidatura. Em comunicado, a comissão comprometeu-se a não fazer propaganda política a favor de nenhuma lista específica. A

portuguesa é destratada pelo Governo de Macau. “Até hoje, o Governo não implementou o Artigo 42 da Lei Básica, nomeadamente para a protecção dos interesses e das maneiras de viver da comunidade portuguesa cá de Macau”, comenta. O candidato aponta a falta de regulamentação que dê força prática ao preceito

da Lei Básica, num território onde quem tem de ir aos “serviços públicos não tem quase ninguém que conheça a língua portuguesa”. No mesmo capítulo, o candidato da Nova Esperança defende o ensino generalizado da língua de Camões nas escolhas públicas e privadas do ensino básico. Por outro lado, o português entende que os próprios funcionários públicos lusos devem ter cursos de mandarim e cantonês. O candidato acrescenta ainda que vai lutar pela construção de mais 80 mil casas de habitação pública e pelo aumento dos vales de saúde de 600 patacas para 1000 patacas. Outra das preocupações de Pereira Coutinho prende-se com a falta de Lei Sindical no ordenamento jurídico de Macau. O candidato lamenta que uma lei deste teor não passe e que seja apenas ele o proponente deste tipo de diploma. Aliás, o Pereira Coutinho questiona-se mesmo porque não são apresentados por outros deputados os projectos de lei que regulem a questão sindical. O líder da Nova Esperança entende que se deve eliminar o despedimento sem justa causa previsto na lei das relação de trabalho.

CAEAL avisa ainda que as candidaturas e os seus apoiantes não podem usar o nome da comissão para qualquer tipo de acto de campanha eleitoral.

João Luz

info@hojemacau.com.mo

Propaganda Afixação de cartazes apenas em locais designados A CAEAL alerta as listas candidatas às eleições que estão disponíveis 19 locais públicos para a realização de actos de campanha eleitoral e afixação de cartazes e outros artigos

de propaganda gráfica. Outros actos de campanha, tirando as reuniões em vias públicas, também não podem ter banners e bandeiras. O regulamento que rege a afixação de

propaganda política inclui cartazes, fotografias de candidatos, tabuletas, jornais murais, manifestos, avisos e qualquer outros meios que sejam afixados e fiquem visíveis ao público.


política 5

terça-feira 5.9.2017

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De olhos postos na costa Lam U Tou quer planeamento das zonas costeiras

D

E acordo com o líder da lista da Poder da Sinergia, Lam U Tou, os cidadãos de Macau têm cada vez menor acesso às zonas costeiras, uma circunstância que tem piorado na última década, de acordo com o candidato. O cabeça da lista 15 refere no seu programa político que os residentes têm cada vez menos possibilidades de lazer nas zonas costeiras. Como tal, Lam U Tou sugere que se tome a zona sul da península de Macau como ponto de partida para se iniciar o planeamento da costa. Um local que, de acordo com o candidato, reúne as condições adequadas e que já tem estudos feitos. No que diz respeito ao trânsito, o programa político de Lam U Tou sugere que sejam dadas mais opções de deslocação aos cidadãos, acima de tudo na época alta do turismo, que permita a utilização de automóveis privados. Como tal, o candidato sugere que o Governo melhore as condições das zonas pedonais, assim como fomentar a disponibilização

SOFIA MARGARIDA MOTA

A lista do Poder da Sinergia dá no seu programa político atenção às questões do trânsito, habitação, transparência do Governo e diversidade económica. Porém, um dos principais cavalos de batalha da lista liderada por Lam U Tou é o acesso da população às zonas costeiras de Macau

de autocarros que façam roteiros de “ponto a ponto”. Além disso, o candidato da lista do Poder da Sinergia sugere o ajustamento das taxas cobradas aos auto-silos públicos tendo por base a taxa de ocupação.

MELHORAR A QUALIDADE

No capítulo da habitação, Lam U Tou garante que pretende fomentar políticas de curto, médio e longo prazo, nomeadamente o combate à especulação imobiliária e o melhor aproveitamento dos terrenos recuperados. O programa do Poder da Sinergia destaca ainda a importância de renovação urbana dos bairros antigos. A lista encabeçada por Lam U Tou destaca o aumento da qualidade dos serviços públicos desde a transferência. Ainda assim, o programa político refere que o Executivo pode melhorar a funcionalidade da máquina pública com o aumento da responsabilização dos funcionários públicos e a transparência. O programa da lista do Poder da Sinergia tem ainda conteúdos referentes à protecção ambiental, educação, serviços de saúde, benefícios sociais, preservação do património cultural, desporto e fomento na democracia. Lam U Tou sugere que se tome a zona sul da península de Macau como ponto de partida para se iniciar o planeamento da costa

Vítor Ng (com J.L.)

info@hojemacau.com.mo


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5.9.2017 terça-feira

Anúncio【120/2017】

Aviso

Candidatura para Projectos de Investigação Científica Co-financiados pelos Ministério da Ciência e da Tecnologia da República Popular da China e Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau para 2017 Conforme com o “Acordo entre o Ministério da Ciência e da Tecnologia da República Popular da China e o Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau, relativo ao Co-financiamento de Projectos de Investigação realizados através da Cooperação entre o Interior da China e Macau”. O Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau (FDCT)e o Ministério da Ciência e da Tecnologia da República Popular da China (MOST) elaborar conjuntamente, o programa de cofinanciamento de projectos de investigação para o ano de 2017. I.

A fim de atender às necessidades de desenvolvimento social e económico de Macau e de usufruir plenamente das vantagens dos recursos de investigação do Interior da China, serão prioritariamente apoiados projectos relacionados com a sociedade da China e de Macau, bem como projectos de cooperação com a indústria, sobretudo no âmbito da informática, biomedicina, conservação de energia e protecção do ambiente, novos materiais, aeronáutica e astronáutica, ciência marinha.

III. Processo de avaliação i. O FDCT e o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong, Macau e Taiwan do MOST procedem separadamente à avaliação dos projectos; ii. O processo de avaliação dos projectos colaborativos é igual ao actual processo de avaliação dos projectos de investigação científica do FDCT. No entanto, a responsabilidade do processo de avaliação cabe prioritariamente ao FDCT; iii. Após a conclusão do processo de avaliação, o FDCT e o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong, Macau e Taiwan do MOST seleccionam conjuntamente, a partir dos projectos aprovados, os projectos co-financiados, sendo a lista dos mesmos publicada simultaneamente por ambas as entidades.

V.

Após apreciação, dado que os candidatos não preenchiam os requisitos de acesso à compra da fracção, ou não apresentaram os documentos necessários para a apreciação substancial no prazo fixado, nos termos dos n.os 1 e 2 do artigo 28.º da Lei n.º 10/2011 (Lei da habitação económica), alterada pela Lei n.º 11/2015 e do despacho do presidente do Instituto de Habitação exarado na respectiva proposta, foi decidido proceder à exclusão dos candidatos de habitação económica constantes do mapa anexo, da lista de adquirentes seleccionados. Nos termos dos artigos 148.º, 149.º e do n.º 2 do artigo 150.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, pode ser apresentada reclamação da referida decisão administrativa, sem efeito suspensivo, ao presidente do Instituto de Habitação, no prazo de 15 dias, a contar da data de publicação do presente anúncio, ou ser apresentado recurso contencioso, sem efeito suspensivo, ao Tribunal Administrativo, no prazo de 30 dias, a contar da data de publicação do presente anúncio, nos termos do artigo 25.º do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 110/99/M, de 13 de Dezembro. Instituto de Habitação, aos 1 de Setembro de 2017.

Projectos prioritários

II. Método e requisitos de candidatura i. A entidade candidata de Macau deve negociar com o parceiro do Interior da China o conteúdo, o plano e a divisão de tarefas da investigação, preenchendo o Plano de Candidatura, assinando o acordo ou memorando de cooperação e apresentando a candidatura ao FDCT no prazo indicado; ii. O formulário de candidatura deverá apresentar o título “Projecto FDCTMOST”; iii. O valor máximo de apoio financeiro deste género de projectos é de 1,3 milhões de patacas, com o prazo máximo de 3 anos, sendo atribuído periodicamente. A entidade de Macau financiada deverá realizar o projecto de acordo com o disposto na Declaração de Aceitação do Financiamento assinada com o FDCT; iv. O investigador principal (PI) da parte de Macau apenas se pode encarregar, durante o mesmo período, de um só projecto apoiado conjuntamente pelo FDCT em cooperação com as agências da China. Não ficam sujeitos a esta restrição os membros. v. O parceiro do Interior da China deverá simultaneamente entregar ao MOST, podendo as instruções relativas ao formato da mesma ser consultadas em detalhe do MOST.

IV.

Nos termos do n.º 2 do artigo 72.º do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 57/99/M, de 11 de Outubro, são por esta via notificados os candidatos de habitação económica constantes do mapa anexo:

Data do requerimento

5 de Setembro 2017 até 10 de Outubro de 2017.

Forma de preenchimento e Apresentação dos elementos

Os candidatos podem descarregar o “Formulário de Candidatura” e o “Plano de Candidatura” na página electrónica do FDCT (www.fdct.gov.mo), preenchendo os mesmos directamente, em conformidade com os devidos requisitos de formato e de número de palavras. Conforme disposto no artigo 6.º do Capítulo II do Despacho do Chefe do Executivo n.º 273/2004, os elementos relevantes devem ser apresentados ao Serviço de Apoio Financeiro do FDCT no prazo indicado. Endereço: Av. Do Infante D. Henrique, no 43-53A, Edf. “The Macau Square” 11° K, Macau. Telefone: 28788777; Fax: 28722680 Correio electrónico: saf@fdct.gov.mo O Presidente do Conselho de Administração do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia Ma Chi Ngai, Frederico 4 de Setembro de 2017

O Chefe da Divisão de Assuntos Jurídicos, Nip Wa Ieng Nome do requerente

LEONG CHI PAN

N.o da candidatura

82201332578

N.o do processo

525/EAS/2016

N.o da proposta

Data em que foi tomada a decisão Fundamentos de facto

Alínea 1) do n.o 1 do artigo 28.o e alínea 4) do n.o 5 do artigo 14.o da Lei da Habitação Económica

0473/DAJ/2017

2017/03/29

O representante do agregado familiar é elemento de um agregado familiar que figura noutro boletim de candidatura, ao qual o IH já autorizou a concessão de bonificação ao crédito para aquisição ou locação financeira de habitação própria O representante do agregado familiar é/ foi proprietário de fracção autónoma com finalidade habitacional na RAEM, nos cinco anos anteriores à data da apresentação da candidatura e até à data de celebração da escritura pública de compra e venda da fracção

Alínea 1) do n.o 1 do artigo 28.o e alínea 4) do n.o 4 do artigo 14.o da Lei da Habitação Económica

Não terem sido apresentados os documentos necessários para apreciação substancial no prazo fixado

Alínea 2) do n.o 1 do artigo 28.o e alínea 3) do artigo 26.o da Lei da Habitação Económica

O representante do agregado familiar é elemento de um agregado familiar de uma habitação económica vendida

Alínea 1) do n.o 1 do artigo 28.o e alínea 7) do n.o 5 do artigo 14.o da Lei da Habitação Económica

O representante do agregado familiar é elemento de um agregado familiar que figura noutro boletim de candidatura, ao qual o IH já autorizou a aquisição ou celebrou o contrato-promessa de compra e venda de uma fracção

Alínea 1) do n.o 1 do artigo 28.o e alínea 3) do n.o 5 do artigo 14.o da Lei da Habitação Económica

LEI WO TIM

82201305741

109/EAS/2016

0378/DAJ/2017

2017/03/15

SOU KAM

82201315085

13/EAS/2017

0674/DAJ/2017

2017/05/10

CHONG KAI SENG

82201327736

50/EAS/2016

0420/DAJ/2017

2017/03/21 2017/03/27

WAN SAN CHU

82201341841

85/EAS/2016

0443/DAJ/2017

WONG TIM MUI

82201315104

171/EAS/2016

0235/DAJ/2017

2017/02/17

TAI IN SIU

82201338968

188/EAS/2016

0662/DAJ/2017

2017/05/09 2017/04/28

PAO LAI MEI

82201307434

195/EAS/2016

0592/DAJ/2017

CHOI SAO CHAM

82201307547

218/EAS/2016

0234/DAJ/2017

2017/02/20

SI IAN WAI

82201303646

253/EAS/2016

0638/DAJ/2017

2017/05/08

MAK IOK

82201304194

257/EAS/2016

0278/DAJ/2017

2017/02/23

CHE LAM PO

82201304767

259/EAS/2016

0638/DAJ/2017

2017/05/08 2017/04/28

LAI SENG FUN

82201303779

280/EAS/2016

0595/DAJ/2017

KAM SIO KAM

82201313308

296/EAS/2016

0279/DAJ/2017

2017/02/23

WENG HOI SENG

82201332559

327/EAS/2016

0260/DAJ/2017

2017/02/21

CHEONG TAK CHENG

82201328258

352/EAS/2016

0259/DAJ/2017

2017/02/21

WONG PENG KUAN

82201327238

358/EAS/2016

0477/DAJ/2017

2017/03/29

TAI KA HOU

82201316505

363/EAS/2016

0631/DAJ/2017

2017/05/04

LO CHIO HEONG

82201329465

369/EAS/2016

0460/DAJ/2017

2017/03/29

LOU KIT SAN

82201305587

371/EAS/2016

0281/DAJ/2017

2017/02/23 2017/03/29

SOU CHO

82201327335

393/EAS/2016

0471/DAJ/2017

KUANG LIANFA

82201321254

409/EAS/2016

0655/DAJ/2017

2017/05/10

LEONG IOK NENG

82201301291

411/EAS/2016

0277/DAJ/2017

2017/02/24

CHAN HIU CHING

82201334340

448/EAS/2016

0689/DAJ/2017

2017/05/15

CHAN LIN IENG

82201337681

481/EAS/2016

0751/DAJ/2017

2017/05/25 2017/05/09

LAO CHI HOU

82201324353

504/EAS/2016

0647/DAJ/2017

KUOK CHAN POU

82201325508

17/EAS/2017

0613/DAJ/2017

2017/05/02

CHIO NGAO PENG

82201337383

39/EAS/2017

0638/DAJ/2017

2017/05/08

LONG TAI UN

82201317913

55/EAS/2017

0598/DAJ/2017

2017/04/28

LEONG MAN SIN

81201314371

85/EAS/2017

0597/DAJ/2017

2017/04/28

CHOU KA KEI

82201333987

100/EAS/2017

0638/DAJ/2017

2017/05/08

LEONG KAM MUI

82201329435

115/EAS/2017

0641/DAJ/2017

2017/05/09

LAO WAI LEONG

82201302184

377/EAS/2017

0720/DAJ/2017

2017/05/19

FONG VA

82201329285

290/EAS/2016

0497/DAJ/2017

2017/03/30

HO HOI LAM

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2017/04/28

Fundamentos legais


política 7

ELEIÇÕES LISTA DE MAK SOI KUN FAZ NOVE SUGESTÕES AO GOVERNO

Em busca da felicidade o canal de comunicação entre a população e o Governo, para que a capacidade administrativa do Executivo seja mais efectiva. Na visão de Mak Soi Kun, é necessária maior solidariedade entre os diversos sectores sociais, para que haja uma real fiscalização em prol dos benefícios dos cidadãos.

HOJE MACAU

A União de Macau-Guangdong, nome da lista encabeçada por Mak Soi Kun e Zheng Anting, espera que o Governo possa aprender com as lições do tufão Hato. No total, são nove as sugestões contidas no programa político

CANDIDATO SEM MEDO

Os líderes da União de Macau-Guandong reiteram que o seu programa político irá garantir que os indivíduos mais poderosos não colocam em causa o acto de fiscalização do Governo por parte dos cidadãos.

Os líderes da União de Macau-Guandong reiteram que o seu programa político irá garantir que os indivíduos mais poderosos não colocam em causa o acto de fiscalização do Governo por parte dos cidadãos

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GCS

AK Soi Kun regressa à corrida para as eleições legislativas de 17 de Setembro ao lado do seu parceiro Zheng Anting, que se estreou na Assembleia Legislativa em 2013. Juntos lideram a lista União de Macau-Guangdong, que, no seu programa político, apresenta nove sugestões junto do Governo. Segundo o jornal Ou Mun, uma delas prende-se com a necessidade dos governantes de aprenderem a lição após a passagem do tufão Hato, que resultou na morte de dez pessoas. Segundo o jornal Ou Mun, Zheng Anting disse que as consequências da passagem do tufão se devem à falta de coordenação do funcionalismo público, sem esquecer a existência de frágeis infra-estruturas. A lista apresenta também medidas que defendem mais apoios tendo em conta o desenvolvimento do território, mais habitação, melhor trânsito, além do reforço das ajudas às mulheres e crianças. Mak Soi Kun e Zheng Anting prometem

ainda lutar, caso sejam reeleitos, por um desenvolvimento diversificado da economia, pela facilidade na ascensão profissional dos jovens e pela melhoria da legislação produzida no hemiciclo.

Mak Soi Kun falou de quatro desafios que Macau está a enfrentar nesta fase, que passam pela necessidade de construir uma sociedade em prol das classes mais baixas. Para o deputado e candidato, é necessário melhorar

Zheng Anting disse ainda que, nos últimos quatro anos, a dupla de deputados recebeu vários pedidos de ajuda por parte dos cidadãos, na sua maioria relacionados com as garantias dos idosos e direitos gerais dos residentes. Para o número dois de Mak Soi Kun, existem vários problemas na sociedade por resolver, o que tem vindo a influenciar o nível de felicidade dos residentes. Zheng Anting explicou que os vários pontos do programa político visam tornar a população mais feliz, sem esquecer a luta pela diversificação da economia e pela melhoria dos serviços administrativos. V.N.

Rescaldo Alexis Tam pede levamento de estragos em Lai Chi Vun O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura deslocou-se ontem a Coloane para se inteirar de como estão as povoações de Lai Chi Vun, Ka Ho e Hac Sa depois da passagem do tufão Hato. Alexis Tam, acompanhado pelo presidente do Instituto Cultural (IC), Leung Hio Ming, garantiu que a segurança pública da zona dos estaleiros de Lai Chi Vun é a prioridade a seguir. Como tal, serão removidos destroços perigosos

e realizados trabalhos de limpeza e consolidação. O secretário pediu ainda ao IC um levantamento dos estragos. No que diz respeito à reparação de casas e ao abastecimento de água e electricidade, são assuntos a transferir para os serviços competentes de acompanhamento. Alexis Tam garantiu que os trabalhos de reparação dos danos provocados nos templos serão acelerados.

HOJE MACAU

terça-feira 5.9.2017

Poder no feminino

Aliança do Bom Lar apresentou programa político

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ONG Kit Cheng, deputada estreante em 2013, é novamente candidata pela lista Aliança do Bom Lar. Segundo o jornal Ou Mun, o programa político dá especial destaque às políticas que são necessárias para as crianças, famílias, idosos e grupos sociais mais vulneráveis, sem esquecer os jovens. A Aliança do Bom Lar quer um aumento máximo de dez mil patacas para o subsídio de maternidade, para que as mulheres tenham menos pressões económicas na hora de engravidar. Este valor foi calculado com base na média salarial, actualmente situada nas 15 mil patacas. Wong Kit Cheng pede ainda o aumento dos dias de licença de maternidade, bem como a concessão de serviços gratuitos de diagnóstico para doentes com cancro da mama. A lista pede ainda que seja implementada uma licença de paternidade de cinco dias, sem esquecer a necessidade de regulamentar o sector das empregadas domésticas. Wong Kit Cheng pede ainda que seja garantido uma atribuição suficiente de casas públicas e mais políticas para quem deseja comprar a primeira habitação.

PROBLEMAS QUE NÃO ACABAM

Na sessão de apresentação do programa político, Wong Kit Cheng referiu que, durante os quatro anos em que foi deputada na Assembleia Legislativa (AL), recebeu mais de quatro mil pedidos de apoio. A situação fê-la descobrir que existem muitos problemas na sociedade, tal como a necessidade de assegurar habitação pública para todos, saúde e emprego. Loi Yi Weng, número dois da lista, promete que, caso seja eleita, vai fomentar a melhoria da qualidade do ensino, promover o aumento dos espaços educativos e lutar pela celeridade do projecto “Obra de Céu Azul”, que visa tirar as escolas dos pódios dos edifícios residenciais.


8 sociedade TIAGO ALCÂNTARA

5.9.2017 terça-feira

BO Centro de condução vai custar 34 milhões

O Governo adjudicou a obra de construção do centro de aprendizagem e exame de condução de Macau à PAL Ásia Consultores, com um orçamento que se situa nas 34 milhões de patacas. Segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial, o orçamento destinase à elaboração do projecto relativo à fase I e II da obra, que será pago à empresa até 2024. No próximo ano a PAL Ásia Consultores irá arrecadar mais de 17 milhões de patacas, enquanto que em 2019 a empresa irá receber do Executivo mais de dez milhões.

H

Á muito que moradores e deputados pedem mudanças no mercado municipal da Taipa, e parece que o Governo já tomou uma decisão sobre esse projecto. Segundo um despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO), a Companhia de Construção e Engenharia Kwong Yu vai executar as obras de “melhoramento e ampliação do mercado municipal da Taipa”. O projecto terá um orçamento na ordem das 30 milhões de patacas. Prevê-se que, já este ano, a empresa adjudicatária receba pouco mais de dez milhões de patacas para desenvolver o projecto, sendo que no próximo ano deverá receber 20 milhões.

PROJECTO ANTIGO

Em 2015 o deputado Ho Ion Sang defendeu, numa interpelação escrita en-

TAIPA AMPLIAÇÃO DO MERCADO VAI CUSTAR 30 MILHÕES

Dona banca

O Governo decidiu mesmo ampliar e melhorar as actuais instalações do mercado municipal da Taipa, quando várias vozes defendiam uma nova infra-estrutura de raiz. As obras vão custar mais de 30 milhões de patacas

tregue ao Governo, a necessidade de construir um mega complexo na zona onde se situa o mercado municipal da Taipa. Na sua visão, a actual proposta de expansão e melhoria deveria ficar posta de parte. Vários vendedores afirmaram que, apesar do aumento do número de bancas, a expansão não será suficiente para as necessidades actuais.

O deputado considerou, à data, que a actual infra-estrutura tinha poucas bancas e uma pequena dimensão, o que levava os moradores a

fazerem compras noutros mercados municipais. Há vários anos que o Instituto paraAssuntos Cívicos e Municipais (IACM) tem

A Companhia de Construção e Engenharia Kwong Yu vai executar as obras de melhoramento e ampliação do mercado municipal da Taipa pelo valor de 30 milhões de patacas

em mente a realização de obras de expansão e melhoria, que deverá passar pelo aditamento de nove bancas, equipamentos de elevadores e ar condicionado. Antes de 2015 existia esta ideia, cujo calendário previa a conclusão das obras daí a dois anos, o que não se verificou. Nas mesmas questões que enviou ao Governo, Ho Ion Sang falou da possibilidade de criação de um complexo ao estilo de centro comunitário, mercado e auto-silo em Chun Su Mei, perto da Vila da Taipa, que foi apresentado pelo IACM, mas que acabou por não ser aceite. Na apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) do ano passado, José Tavares, presidente do IACM, assumiu a existência de vários problemas no funcionamento dos mercados municipais. Estava, por isso, prevista a adopção de “várias soluções transitórias”. A.S.S.

IACM Assinado contrato para manutenção de árvores

O Governo assinou um contrato com a Greentech – Arranjos Paisagísticos e Engenharia para a “prestação de serviços ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) de manutenção de árvores nas ilhas”. Este trabalho deverá ser desenvolvido até 30 de Junho de 2019. O Executivo vai pagar quase 2,4 milhões de patacas à empresa, segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial (BO).

Tabagismo Cerca de cinco mil acusações em oito meses

Os Serviços de Saúde (SS) emitiram ontem um comunicado onde aponta que, nos últimos oito meses, foram registadas quase cinco mil acusações relativas à lei de prevenção e controlo do tabagismo. A maioria (4.953) diz respeito ao fumo em locais proibidos, enquanto oito casos dizem respeito a “ilegalidades nos rótulos dos produtos de tabaco”. De entre os casos detectados de pessoas a fumar em locais proibidos, a esmagadora maioria dos fumadores ilegais (4.645 casos) são do sexo masculino, ou seja 93,8 por cento, contra os 6.2 por cento de casos registados entre as pessoas do sexo feminino.

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 612/AI/2017 DIRECÇÃO DOS SERVIÇOS DE FINANÇAS EDITAL COBRANÇA DO IMPOSTO COMPLEMENTAR DE RENDIMENTOS RESPEITANTE AO EXERCÍCIO DE 2016 Faz-se saber que, nos termos do n.º 4 do artigo 58.º, do Regulamento do Imposto Complementar de Rendimentos, aprovado pela Lei n.º 21/78/M, de 9 de Setembro, com a nova redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.º 37/84/M, de 28 de Abril, que durante o mês de Setembro próximo, estará aberto o cofre da Recebedoria da Repartição de Finanças de Macau destes Serviços para a cobrança do referido imposto. Mais se faz saber que, tratando-se de colecta superior a $3.000,00 (três mil patacas), a mesma pode ser paga em duas prestações vencíveis em Setembro e Novembro, de harmonia com o disposto no artigo 57.º do mencionado Regulamento, com a nova redacção que lhe foi dada pela Lei n.º 4/90/M, de 4 de Junho. Aos 2 de Agosto de 2017.

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LUO HONGLAN, portadora do Passaporte da RPC n.° G49551xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 59.2/DI-AI/2015 levantado pela DST a 18.05.2015, e por despacho da signatária de 18.08.2017, exarado no Relatório n.° 604/DI/2017, de 10.08.2017, nos termos do n.° 1 do artigo 10.° e do n.° 1 do artigo 15.°, ambos da Lei n.° 3/2010, lhe foi determinada a aplicação de uma multa de $200.000,00 (duzentas mil patacas) por prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua de Berlim n.° 168, Edf. Seng Hoi Hou Teng, Bloco 3, 10.° andar K, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------O pagamento voluntário da multa deve ser efectuado no Departamento de Licenciamento e Inspecção destes Serviços, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, de acordo com o disposto no n.° 1 do artigo 16.° da Lei n.° 3/2010, findo o qual será cobrada coercivamente através da Repartição de Execuções Fiscais, nos termos do n.° 2 do artigo 16.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------Da presente decisão cabe recurso contencioso para o Tribunal Administrativo conforme o disposto no artigo 20.° da Lei n.° 3/2010, a interpor no prazo de 60 dias, conforme o disposto na alínea b) do n.° 2 do artigo 25.° do Código do Processo Administrativo Contencioso, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 110/99/M, de 13 de Dezembro.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Desta decisão pode a infractora, querendo, reclamar para o autor do acto, no prazo de 15 dias, sem efeito suspensivo, conforme o disposto no n.° 1 do artigo 148.°, artigo 149.° e n.° 2 do artigo 150.°, todos do Código do Procedimento Administrativo, aprovado pelo Decreto-Lei n.° 57/99/M, de 11 de Outubro.----------------Há lugar à execução imediata da decisão caso esta não seja impugnada.------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 18 de Agosto de 2017.

O Director dos Serviços Iong Kong Leong

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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terça-feira 5.9.2017

CRIME QUEIXA CONTRA FONG SOI KUN POR HOMICÍDIO POR NEGLIGÊNCIA

Chamado à pedra TUFÃO HATO MAIS DE 20 MIL ÁRVORES AFECTADAS

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AIS de 20 mil árvores nas zonas urbanas de Macau foram afectadas pela passagem do tufão Hato, disse à Lusa uma porta-voz do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). Das mais de 20 mil árvores afectadas em espaços públicos, cerca de 10 mil foram arrancadas pela força do vento, outras quatro mil sofreram danos graves, e 9,5 mil tiveram danos moderados. Entre as árvores derrubadas há cerca de 20 que são consideradas antigas. Quase duas semanas depois da passagem do tufão Hato por Macau, em 23 de Agosto, ainda não estão apurados os danos registados nas árvores em zona de montanha nas ilhas da Taipa e Coloane. Entretanto foram concluídos os trabalhos de remoção de árvores das vias públicas, tendo sido retomada a 100 por cento a circulação nas estradas, disse a fonte à agência Lusa, indicando que “a prioridade é tratar dos parques e dos jardins na cidade”, onde “ainda há muito a fazer”. Questionado sobre a existência de algum plano para substituir as árvores destruídas pela passagem do tufão Hato, o IACM afirmou que “os casos estão a ser acompanhados”, mas que, “neste período de tufões, não é também aconselhado plantar árvores”.

Hong Weng Kuan, candidato que encabeça a lista 19 da Associação dos Cidadãos Unidos para a Construção de Macau, apresentou ontem queixa-crime no Ministério Público contra Fong Soi Kun por homicídio por negligência. A razão da queixa prende-se com a actuação dos serviços meteorológicos e a falta de alertas atempados aquando da passagem do tufão Hato

Kuan considera resultar da falta de alerta dos serviços meteorológicos.

CARTA ANÓNIMA

Aquando da entrega de documentos da apresentação da queixa-crime, o candidato da lista 19 referiu a existência de uma carta anónima onde se terá revelado uma esgrima por poder dentro dos próprios SMG. Nesse aspecto, Hong Weng Kuan considera que “apesar de a luta pelo poder não pertencer à competência de investigação do MP, se tiver sido o motivo causador do atraso na emissão de alerta, provocando perda de vidas, isto é abuso de poderes e não valoriza as vidas dos residentes”, lê-se no comunicado apresentado. Apesar de ter sido a única baixa que apresentou a demissão, Fong Soi Kun, pode não ser o único a ser chamado à pedra segundo a opinião de Hong Weng Kuan, também advogado, que não afasta a possibilidade de acusação de mais pessoal pertencente aos SMG.

“Toda a gente sabe que os SMG não fizeram o suficiente na previsão meteorológica. Neste contexto, como a calamidade resultou em vítimas mortais, é um crime de homicídio por negligência.” HONG WENG KUAN CANDIDATO A DEPUTADO

Fong Soi Kun, ex-director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) de Macau

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S Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) de Macau têm sido severamente criticados por vários quadrantes da sociedade. Porém, ontem a situação foi um pouco mais longe quando o Hong Weng Kuan, candidato da lista da Associação dos Cidadãos Unidos para a Construção de Macau, se deslocou às instalações do Ministério Público (MP)

para apresentar queixa contra o antigo director dos serviços meteorológicos. O líder da lista 19 acusa o ex-director dos SMG de homicídio por negligência, depois deste ter apresentado a demissão e passado à reforma, na sequência da polémica actuação dos serviços no dia em que o tufão Hato varreu o território. “Toda a gente sabe que os SMG não fizeram o suficiente na previsão

meteorológica. Neste contexto, como a calamidade resultou em vítimas mortais, é um crime de homicídio por negligência”, diz o líder da lista, que frisou que o objectivo de denúncia é proteger o espírito do direito. A passagem do Hato provocou uma dezena de mortos e deixou grande parte do território sem abastecimento de água e electricidade, consequências que Hong Weng

O candidato a deputado da Assembleia Legislativa acrescentou ainda que os procedimentos disciplinares não chegam para punir uma situação tão grave e com consequências tão trágicas. Hong Weng Kuan acrescenta que estas responsabilidades devem ser apuradas em sede de investigação criminal do MP. Importa salientar que o Comissariado Contra a Corrupção iniciou um inquérito sobre os procedimentos de previsão de tufões e a forma como os serviços meteorológicos geriram todo o processo aquando da passagem do tufão Hato por Macau. Apuradas as responsabilidades, nomeadamente de Fong Soi Kun, os resultados serão entregues ao Chefe do Executivo. Vítor Ng (com J.L.)

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12 ENTREVISTA

ANTÓNIO CABRITA

Escolheu o tempo ao dinheiro. Foi para Moçambique após mais de uma década como jornalista no Expresso e desde aí a sua vida é escrever. António Cabrita está hoje no Edifício do Antigo Tribunal para uma conferência integrada na comemoração dos 150 anos de Camilo Pessanha

“Acho que do melhor que se está a fazer na literatura portuguesa tem que ver com a pressão feminina.”

Publicou o seu primeiro livro de poesia aos 17 anos. Sim, mas é um horror. Tenho quatro livros que não cabem na minha tábua bibliográfica. Foram absolutamente retirados. Ali só coloco os livros que publiquei a partir dos 38 anos. São poemas de uma imaturidade absoluta e não tenho nenhum prazer nem em revê-los. Até me custa falar disso. Ainda muito novo também conheceu o Al Berto. Sim. Conheci o Al Berto devia ter uns 18 ou 19 anos. Ele tinha mais dez anos do que eu. Conheci-o pouco depois de ele ter chegado da Bélgica onde esteve numa espécie de exílio. O Al Berto tinha sido enviado para fora para estudar, para não ir à tropa. Também tinha outra condição que nessa altura era complicada de ser declarada, a homossexualidade. A família mandou-o para fora. Começou como pintor e depois rompeu com toda a pintura e figuração e dedicou-se à escrita. Teve também uma pequena editora. Andei com ele na altura a distribuir alguns dos livros pelas livrarias o que causava um certo escândalo. Tinha alguns livros ousados. Eram livros de afirmação da sexualidade o que causava escândalo diante dos livreiros que, nessa altura, não estavam habituados ainda a tais liberdades cívicas. Ele publicou um livrinho, o meu segundo livro. Era um poema de 17 ou 18 páginas que eu há uns anos reduzi a sete. Era uma longa verborreia lírica. Enxuguei as águas e ficou um vão mais potável, mas ainda assim com pouco sol. Só aos 38 anos é que achei uma voz. Na altura, e curiosamente, publiquei um livro. Queria-me candidatar a um prémio que ganhei. Precisava de pagar dívidas. Foi assim que realmente apareceu o primeiro livro. Como é que se deu a passagem da poesia para a ficção? Essa mudança acaba por ocorrer por uma circunstância simples. Fiz o curso de cinema e fui logo identificado como um tipo que tinha um jeito especial para fazer diálogos e nas aulas era recrutado para os fazer. Mais tarde, tinha formação técnica e sabia como realizar um filme. Acabei por fazer guiões mas ficava sempre chocado com o que via. Achava que eles eram uns grandes nabos. Não consigo escrever um guião sem ima-

SOFIA MARGARIDA MOTA

ESCRITOR

ginar como é feito. Nunca tive esses despojamento. Escrevo um guião imaginando-me um realizador. Depois de escrever uns sete ou oito filmes e ficar sempre com um sabor amargo face ao resultado percebi que, para a reconstituição do meu ego em clivagem, precisava de começar a comandar alguns dos processos. Tinha de estar diante de uma narrativa que tivesse controlado do princípio ao fim. E foi assim que comecei a escrever ficção. Comecei por um livro de contos que correu muito bem. A ficção começa também como um desafio. Eu escrevo porque não sabia escrever. A dificuldade é que me fez continuar. Na adolescência, fazia parte de um grupo de amigos, alguns deles famosos e que são pessoas consideradas, e que fizeram uma carreira. Todos eles escreviam poesia ou ficção e acabávamos a dis-

“Sou um filh da dificuldad cutir esses assuntos. Era uma coisa engraçada em que eu era inevitavelmente o mais desajeitado. Eles desistiram todos, porque tinham facilidade. Eu como tinha dificuldade tinha de trabalhar para contornar os problemas e as deficiências e isso acabou por me melhorar. Mas, de facto, sou um filho da dificuldade. Venho de um meio pobre e tive de recobrir séculos de ignorância genética. Ainda hoje tenho lacunas graves.

Está em Moçambique. Depois do jornalismo e de muitos anos no Expresso, resolveu abandonar tudo e ir. O que é que aconteceu? Estive no JL, depois estive na Elle e depois no Expresso. Fui para Moçambique ganhar um terço do que ganhava. Sou um caso do mundo emigrante que sai para ganhar menos. Depois tive de remontar a vida. Quis ganhar tempo. Perdi dois terços de tudo o que é pecuniário

mas ganhei dois terços de tempo e isso mudou tudo. Desde que estou em Moçambique já publiquei treze livros. Mudou também a sua maneira de escrever? Sim. Mudou, entre outras razões, por causa do anonimato que encontrei em Moçambique. Estive cinco anos absolutamente anónimo e isso foi absolutamente extraordinário. Permitiu que rescrevesse


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Por inveja. Uma das coisas que distingue a editora Abysmo é que todos os escritores que ali editam são amigos uns dos outros, não se invejam. Ficamos contentes com os êxitos uns dos outros, lemos os livros uns dos outros e discutimos. Isso foi uma espécie de revolução coperniciana durante algum tempo na adição portuguesa.

ho ade” tudo, que escrevesse de outras formas, experimentar outros modos sem ter nenhuma cabecinha atrás do ombro a dizer-me que estava a trair o meu estilo. Isso deu-me uma liberdade imensa. Quando reapareci, toda a gente ficou surpreendida. Quando fui para África as pessoas consideraram a minha opção muito estranha. Chego a África e desato a trabalhar como um doido e, de repente, apareci renovado e

com uma densidade que ninguém estava à espera. Tive de fazer o percurso. Os primeiros livros que editei depois de ter ido para Moçambique foram uma novela juvenil, um livro de poesia e um livro de contos grande. Na altura saíram quatro coisas muitíssimo boas nos jornais acerca deste livro, que não no Expresso, coisa que me magoou muito. Depois fiz o meu primeiro romance e mandei-o para a Porto Editora que me pediu uma versão light. O livro é a “A Maldição de Ondina”. Enviei-o para o Brasil que me mandou um contrato. O livro foi editado lá e depois acabou por ser finalista de um prémio. Recuperei uma ressonância mediática em Portugal. Mas teve de vir de fora, dar a volta ao Brasil, para ser reconhecido. Porque é que acha que esse tipo de situação acontece?

Falando em escritores portugueses. Como é que vê a produção literária em Portugal neste momento? Estou fora e há coisas que não acompanho. Mas, do que me é dado a conhecer, mais na ficção, neste momento acho que há uma coisa espantosa. Há uma geração de mulheres escritoras, tal como nos anos 70. Estou-me a lembrar, por exemplo, da Maria Velho da Costa, da Teresa Horta. Surgiram uma série de mulheres ao mesmo tempo naquela altura, o que era uma espécie de banco de coral muito enriquecido. Acho que do melhor que se está a fazer na literatura portuguesa tem que ver com a pressão feminina. Além disto parece que há uma série de gente nova muito boa. Não vou estar aqui a falar dos meus amigos (risos). Há sempre um discurso sobre a crise em que estamos em crise em tudo. Sou muito mais positivo. Acho que estamos num período difícil porque estamos numa encruzilhada entre regimes de cultura e existe uma grande confusão em relação a isto. Normalmente não damos conta no nosso quotidiano, mas enfrentamos signos de diferentes regimes de cultura. De cultura popular, de cultura erudita ou humanística, de massas, digital e por aí fora. Isto são regimes diferentes que implicam, não só imaginários diferentes, como valorizações e pautas valorativas diferentes. Confundimos a cultura pop com a cultura. É a mesma coisa que confundir a cosmética com a beleza natural. Há uma grande confusão sobre o que é cultura. Isto é um problema. Vivemos de frivolidade, de pouco esclarecimento e de pouco discernimento precisamente porque estamos neste caldo dos vários regimes culturais que coexistem ao mesmo tempo. Se formos para a globalização temos confusões ainda maiores. Temos aqui um guionista, um escritor, um poeta, um ensaísta e um jornalista.

“Confundimos a cultura pop com a cultura. É a mesma coisa que confundir a cosmética com a beleza natural.” Como é que estas pessoas convivem entre si? Ainda devo cerca de 10 mil dólares ao ensaísta (risos). Às vezes reencontramo-nos todos e jogamos a dinheiro. Mas, falando mais a sério, o ensaísta acontece por duas razões. Tenho um percurso solitário. Não tenho um percurso integrado numa geração. Cada geração cria os seus escritores e os seus críticos. Cada geração também tem os seus santinhos que são as chaves da decifração para o estilo de cada geração. Eu surjo como um ovni. Comecei por ficar surpreendido com as

“O Camilo pode representar um tipo humano periférico e difícil como a relação do poeta na cidade.” PUB

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coisas que escreviam acerca dos meus livros. Achava que eram, na maior parte das vezes, um disparate. Às vezes intuía que era um disparate sem saber de forma racional e articulada explicar que o era. Com o ensaio, surgiu em mim, uma necessidade de me explicar. Mas nem gosto muito de escrever sobre livros, gosto de escrever sobre temas. Gosta do vento e pensa ter um livro acerca do assunto. Tenho este fascínio pelo vento. Penso que será o meu fim, que um dia serei levado por ele, para qualquer lado. Cada um tem a pancada que pode, eu tenho esta. Tenho já reunidos um cinquenta poemas de poetas que escreveram sobre o vento para uma antologia. Um dia gostava também de ter uma conversa com o vento. Não sei porquê mas desde miúdo que tenho este fascínio pelos elementos. De um ponto de vista académico dir-se-ia que é uma espécie de entronização com o sublime. O sublime é uma espécie de angariação com as

forças que são maiores do que nós. Provavelmente é isso. É a primeira vez que está em Macau e integra as comemorações dos 150 anos do Camilo Pessanha. Como está a ser a experiência? Estou aqui há pouco tempo mas estou agradado.Até posso dizer que já tenho um projecto doido que tem que ver com Macau. Vou escrever uma peça de teatro acerca das relações difíceis entre o Camilo Pessanha e o seu arqui-inimigo, Silva Mendes. O Camilo pode representar um tipo humano periférico e difícil como a relação do poeta na cidade. O Silva Mendes representa aquilo que tenho encontrado muito. É o português que vive de irreais e que chega aos territórios sempre para tentar fazer réplicas da sua aldeia. Penso que pode dar uma boa comédia e vou tentar ter dois meses para vir cá fazer esta peça. Sofia Margarida Mota

sofiamota.hojemacau@gmail.com


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O INSTITUTO POLITÉCNICO DE MACAU FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 16.º ANIVERSÁRIO

A COMPANHIA DE SISTEMAS DE RESÍDUOS DE MACAU FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 16.º ANIVERSÁRIO

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A ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS, REFORMADOS E PENSIONISTAS DE MACAU FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 16.º ANIVERSÁRIO

A ASSOCIAÇÃO DOS MACAENSES FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 16.º ANIVERSÁRIO


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HONG KONG FUNDO PARA APOIAR ACTIVISTAS PRESOS

SCMP

Ajudas de custo

U

M grupo de cidadãos criou um fundo para apoiar 16 activistas presos em Hong Kong no mês passado, após recursos interpostos pelo Governo para rever as sentenças iniciais, informou ontem a Rádio e Televisão Pública da cidade. O fundo, independente de qualquer força política, é gerido pela antiga deputada Margaret Ng, pela cantora pop Denise Ho, e os académicos Hui Po-keung e Yiu-ming. Actualmente, o fundo conta com 2,5 milhões de dólares de Hong Kong angariados numa manifestação no mês passado. Os organizadores disseram que o fundo vai ser usado para futuros gastos com a justiça dos activistas presos e para dar 10.000 dólares de Hong Kong por mês às respectivas famílias para cobrir despesas, nomeadamente com viagens. Entre os que vão receber apoio do fundo estão Joshua Wong,

Nathan Law e Alex Chow, líderes estudantis do ‘Occupy’, em 2014, assim como outros 13 activistas, incluindo Raphael Wong e Willis Ho, que meses antes tentaram invadir o Conselho Legislativo (Legco), num protesto contra um controverso plano de desenvolvimento nos Novos Territórios. Todos os 16 activistas foram presos em Agosto, com dias de diferença. O antigo deputado Leung Kwok-hung, mais conhecido por ‘Long Hair’ (Cabelo Comprido) estava entre os activistas que anunciaram a criação do fundo. ‘Long Hair’ disse que a consciência da sociedade é revelada pela forma como trata os seus “prisioneiros de consciência” e apelou à população para doar dinheiro e livros para os activistas presos.

FAIXAS NO CAMPUS

Entretanto, faixas a pedir a independência de Hong Kong foram ontem vistas no campus da Uni-

versidade Chinesa de Hong Kong (CUHK, na sigla em inglês) na antiga colónia britânica, antes do início das aulas, segundo a imprensa local. O presidente da associação de estudantes da CUHK, Justin Au, disse que alguns activistas também colocaram uma faixa com os nomes dos ativistas presos ou daqueles que enfrentam acusações na justiça, à volta do corpo da estátua da Deusa da Democracia, localizada naquele campus universitário, segundo a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong. Justin Au comentou que queria que os estudantes se lembrassem que há pessoas de Hong Kong na prisão ou que estão “a ser reprimidos pelo governo pelas suas visões políticas” e que esperava que os estudantes se mantivessem do lado da justiça, “independentemente do preço” a pagar. Questionado sobre as faixas, que foram mais tarde retiradas, o vice-chanceler da CUHK, Joseph Sung, afirmou que os estudantes gozam de liberdade de expressão e que a direcção da universidade não vai tomar nenhuma acção contra actividades legais. Depois de presidir à sua última cerimónia de início das aulas na universidade, Sung disse esperar que os estudantes olhem de forma mais profunda para os problemas que afectam a sociedade. “Se tiverem uma opinião a expressar, devem fazê-lo de acordo com a lei e de forma pacífica”, disse. Esta não é a primeira vez que surgem faixas a pedir a independência de Hong Kong em universidades da antiga colónia britânica.

ONU PEQUIM E MOSCOVO APOIAM PAÍSES DO BRICS A TER MAIS VOZ

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HINA e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, comprometeram-se ontem a ajudar os restantes países do bloco de economias emergentes BRICS a ter um maior papel na ONU. “Reafirmamos a necessidade de uma reforma completa das Nações Unidas, incluindo do seu Conselho de Segurança”, lê-se na declaração conjunta dos líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A mesma declaração reconhece o desejo do Brasil, Índia e África do Sul de ter maior voz na ONU. “É necessário aumentar a representação dos países em

desenvolvimento, para que [as Nações Unidas] possam responder adequadamente aos desafios globais”, refere. A Índia, o Brasil e outros países, como o Japão e Alemanha, reclamam o direito de serem membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, um privilégio ostentado desde o fim da Segunda Guerra Mundial por apenas cinco países: EUA, França, Reino Unido, China e Rússia. A declaração de ontem aludiu também à necessidade do diálogo em crises internacionais como na Síria, Israel e Palestina, ou no Iraque, e manifestou a oposição dos cinco países do BRICS ao uso de armas químicas.

Ameaça de Trump sobre Pyongyang considerada inaceitável A China classificou ontem de inaceitável e injusta a ameaça do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender o comércio com países que fazem negócios com a Coreia do Norte. Trump escreveu no domingo na rede social Twitter que Washington está a considerar suspender o comércio com “qualquer país que faça negócios com a Coreia do Norte”. O comentário do Presidente dos Estados Unidos surgiu após Pyongyang ter realizado o seu sex-

to nuclear e o mais poderoso de todos até à data.“É inaceitável uma situação em que, por um lado, trabalhamos para resolver esta questão pacificamente, mas por outro lado, os nossos interesses são sujeitos a sanções e ameaças”, disse ontem Geng Shuang, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros. “Isto não é nem objectivo, nem justo”, acrescentou. A China é o maior aliado diplomático e parceiro comercial do regime de Kim Jong-un.

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MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 583/AI/2017

MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 584/AI/2017

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LIU, SUIJI, portador do Passaporte da R.P.C. n.° E53132xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 58/ DI-AI/2016, levantado pela DST a 20.05.2016, e por despacho da signatária de 18.08.2017, exarado no Relatório n.° 581/DI/2017, de 02.08.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua Cidade de Coimbra n.° 342, Edf. Kam Yuen, 11.° andar H onde se prestava alojamento ilegal.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. -------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora LIU, BINXIANG, portadora do Passaporte da R.P.C. n.° E53132xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 58.1/DI-AI/2016, levantado pela DST a 20.05.2016, e por despacho da signatária de 18.08.2017, exarado no Relatório n.° 582/ DI/2017, de 02.08.2017, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de prestação de alojamento ilegal na fracção autónoma situada na Rua Cidade de Coimbra n.° 342, Edf. Kam Yuen, 11.° andar H.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010.--------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma. -----O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício ‘‘Centro Hotline’’, 18.° andar, Macau.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 18 de Agosto de 2017.

-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 18 de Agosto de 2017. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes

A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes


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A WELFARE PRINTING LIMITED FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 16.º ANIVERSÁRIO

5.9.2017 terça-feira

O BANCO NACIONAL ULTRAMARINO FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 16.º ANIVERSÁRIO


ARTES, LETRAS E IDEIAS

Há tantos deuses!São como os livros – não se pode ler tudo, nunca se sabe nada. Máquina Lírica Paulo José Miranda

O Primo Basílio De Eça de Queirós

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jogo, sabe bem do que estou a falar. Para além do momento em que se acalma o vício (a palavra é essa, acalmar, acalmar momentaneamente esse animal em nós), quase todo o tempo da vida daquele que está deposto no vício é ocupado a pensar nele ou em como irá alimentá-lo. O vício é uma animal enorme, dentro de nós, que exige continuamente em ser alimentado; o viciado não tem mais tempo para si, mas para esse animal, o tempo dele é o tempo que dedica a cuidar do seu animal interior. Do desejo, enquanto estrutura constitutiva do humano, vimo-lo anteriormente, ninguém está a salvo dele, e do vício, será possível escapar do vício? Esta parece-me ser a tese forte de Eça de Queirós, neste seu

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Á uma estreita relação entre desejo e vício, que é preciso apurar agora. O desejo, havíamo-lo visto anteriormente, traz em si mesmo a sua própria destruição e, se torna a voltar, é através de um renascer (ou com a ajuda da memória ou da necessidade). O vício, contrariamente ao desejo, esforça-se por permanecer. Melhor seria dizer que o vício esforça-se por fazer permanecer, permanecendo. De que modo permanece o vício em nós e que faz ele permanecer? Tínhamos visto que a multiplicação do desejo ao incrementar o nada, recebia a contrapartida da diversão. O vício não precisa de nada. O vício basta-se. O vício não se autodestrói como o desejo, pelo contrário, a cada instante que passa, o vício se torna mais forte, mais senhor de si e de quem ele tomou. O vício, a cada instante que passa, torna-se mais senhor do seu escravo, do humano que a ele se submete. O vício esforça-se por fazer permanecer o humano do qual é senhor; esse é o seu esforço. Manter o escravo vivo é manter-se vivo e mais forte a cada instante. O viciado em heroína, a cada instante que passa, é mais escravo do seu vício, a cada instante que passa está mais enredado nas teias do seu senhor. O vício faz-se sentir como se de um desejo se tratasse, mas não tem fim, como este. O vício é um desejo sem fundo, um desejo quase infinito. Este desejo sem fundo, que é o vício, é um desejo sem prazer, sem promessa de prazer. O vício é na realidade a antítese do prazer, a incapacidade de produzir qualquer bem estar, a incapacidade de sentir-se saciado. No desejo e no vício não há liberdade, no primeiro as escolhas estão reduzidíssimas, isto é, o desejo quer quase tudo, impõe-se assim, e no vício não há mesmo liberdade nenhuma, não há escolha. Inclusivamente, quando alguém é apanhado a fazer algo que não devia estar a fazer, embora não seja nada de grave, por exemplo a jogar no computador, usa uma expressão que traduz bem isto que queremos dizer: “é o vício!” De facto, o vício não nos deixa escolha. Nem nos deixa escolha, nem nos dá prazer. Bom, algum prazer dá, mas que vai sendo cada vez menos, até que o vício se sinta como uma obrigação, um “temos que fazer”, um “tem de ser”. Se alguém aqui conhece ou conheceu um viciado em heroína ou viciado no

Nada cala o labirinto que somos. Ainda que se possa fazer de tudo uma ilusão para calá-lo. Se Deus não nos receber, toda e qualquer vida é nada, se nos receber é tudo

livro, mostrar que a generalidade do vício é parte integrante da condição humana. Não há humano sem vício. Eça mostra que o vício não é uma degenerescência do humano, mas uma constituição do mesmo. Enquanto estrutura ontológica, constitutiva do humano, o vício é dar sentido às coisas. O vício enquanto degenerescência pode assumir múltiplas formas: o jogo, a heroína, o álcool, o sexo, etc., mas enquanto constitutivo do humano ele é um: dar sentido às coisas. O vício não é um hábito que se adquire é uma natureza que se tem. O vício, ao fazer de nós a sua sombra, faz com que queiramos dar sentido a tudo e a todas as coisas. O vício é a substância que nos mantém vivos, que nos faz continuar, que nos impele a continuar esta vida que nos foi concedida.

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(quarta parte) Querer estar vivo é um vício. Se o vício dá sentido às coisas, põe razão em tudo o que toca, é somente porque necessita de nós para continuar. E, obviamente, por essa alucinação de entendimento – todo o vício é uma alucinação – exerce a sua vontade sobre nós. Porque a fome de entendimento é universal. O mais miserável dos humanos julga entender o que se passa dentro dele e ao seu redor. Pergunto: porque é que, mesmo nas condições mais indignas de vida, o humano não se mata e teima em manter-se vivo? Porque o vício exerce sobre ele o seu poderoso poder. Dar sentido às coisas não é a verdadeira essência do vício. Dar sentido às coisas é um entretenimento, uma derivação do vício, a verdadeira essência dele é fazer com que o humano não queira abdicar do que nunca teve. O desejo impede-nos de abdicarmos do que já tivemos e agora já não temos, mas o vício impede-nos de abdicar do que nunca tivemos. Que é isto, não abdicar do que nunca tivemos? Passo a explicar. Vejamos o caso de Leopoldina, do que ela não consegue abdicar não é dos homens ou do sexo, do que ela não consegue abdicar é de um Absoluto que não consegue, que não tem. Não conseguir abdicar do Absoluto que não tem, que quer isso dizer? Esse Absoluto pode assumir diversas formas, por exemplo a forma da Felicidade. Usualmente as pessoas vivem sem felicidade, mas não abdicam dela, isto é, não abdicam de estar numa tensão continua com ela, em perseguição dela, e a felicidade passa então a ter o mesmo efeito sobre a pessoa que tem a heroína: vive-se pr’àquilo. O vício de estar vivo permanece mesmo contra a solidão, mesmo contra a evidência da solidão. Mais do que fazer o que quer que seja, o vício é ser, resistir no tempo que passa, quando se sabe que passa para nada. Mas vai-se ficando como se esperássemos que ele passasse para alguma coisa. Ficar para quê? Para mais um poema, para mais um email, para mais um lucro, para mais um noite de prazer, para mais um filho ou para mais um golo do Fc Porto? Nada cala o labirinto que somos. Ainda que se possa fazer de tudo uma ilusão para calá-lo. Se Deus não nos receber, toda e qualquer vida é nada, se nos receber é tudo.

(continua)


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5.9.2017 terça-feira

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O QUE FAZER ESTA SEMANA Hoje

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Amanhã

CAMILO PESSANHA, 150 ANOS | CONFERÊNCIA COM PAULO JOSÉ MIRANDA 18h30

O CARTOON STEPH

VISITA À CAMPA DE CAMILO PESSANHA 11h00 | Cemitério São Miguel Arcanjo ALMOÇO COM A FAMÍLIA DE PESSANHA 13h00 JANTAR “AS RECEITAS MACAENSES DO INICIO DO SÉCULO XX”, POR GRAÇA JORGE 20h00

Diariamente

EXPOSIÇÃO “RESTLESS NATURE”: TONG CHONG Taipa Village Art Space | Até 6/9

EXPOSIÇÃO “DESTROÇOS” DE VHILS Oficinas Navais, nº. 1 | Até 31/11

C I N E M A

THE DARK TOWER SALA 1

Tom Taylor 14.30, 16.15, 18.00, 21.45

FALADO EM CANTONÊS Fime de: Masakazu Hashimoto 14.30, 19.30

A DOG’S PURPOSE [B]

CRAYON SHINCHAN MOVIE 2O17 [B]

THE ADVENTURES [B] Fime de: Stephen Fung Com: Andy Lau, Shu Qi, Zhang Jingchu, Yo Yang, Jean Reno 16.30, 21.30 SALA 2

THE DARK TOWER [B] Fime de: Nikolaj Arcel Com: Idris Elba, Matthew McConaughey,

PROBLEMA 114

UM LIVRO HOJE

EXPOSIÇÃO “CONSTELLATION” DE NICOLAS DELAROCHE Galeria do Tap Seac | Até 08/10

Cineteatro

SOLUÇÃO DO PROBLEMA 113

SUDOKU

DE

EXPOSIÇÃO “O CIRCUITO DA GUIA COMO PATRIMÓNIO MUNDIAL DA UNESCO” Galeria do edifício da Direcção dos Serviços de Turismo, Largo do Senado

1.23

A BARRAGEM

INAUGURAÇÃO DE “PESSANHA – A CIDADE IMAGINÁRIA”, UM PROJECTO DE CARLOS MARREIROS NA PRAÇA DO SENADO 19h30

Quinta-feira

YUAN

PÊLO DO CÃO

CAMILO PESSANHA, 150 ANOS | CONFERÊNCIA COM ANTÓNIO CABRITA 18h30

CAMILO PESSANHA, 150 ANOS | CONFERÊNCIA COM AMÉLIA VIEIRA 19h30

0.24

Macau continua a resguardar-se contra os graves perigos da presença de deputados pró-democratas e jornalistas de Hong Kong. O lótus insiste em fechar-se contra a agressão mortífera do pensamento diferente, contra as visões ofensivas do que se passa, porque nada se passa, só harmonia e felicidade. Impressionante quebradiça sensibilidade e temor de múltiplos bichos-papões. Discordar é um ultraje terrível na Cidade Inteligente, apontar falhas à governança um insulto inqualificável recebido com birra infantil. Mais vale fechar as portas e montar o cerco, desejar uma cegueira colectiva que não perturbe o frágil exercício de poder. Que venha o harmonioso sufoco, a mordaça feliz e as desculpas surrealistas. Aqui não há nada para ver, sigam o vosso caminho, toca a dispersar. Os únicos exemplos que acolhemos de Hong Kong são relativos à construção e imobiliário, o paradigma de uma das cidades do mundo com maior especulação e onde construir está no pódio mundial das despesas mais elevadas. Mas assim que cheira ao esturro do activismo, à livre troca de ideias, à palavra escrita e às fotografias que mostram o que todos vêem, a ordem pública fica em perigo de morte. Recapitulando, falta de preparação para a época dos tufões é uma consequência normal do quotidiano, nada para ver, que se arranjem notícias positivas. Enquanto a entrada de jornalistas e pró-democratas no território é uma ameaça à segurança interna e à estabilidade de Macau. Dois sistemas, não é? Pois. Nada para ver, toca a dispersar. João Luz

THE MARRIAGE OF HEAVEN AND HELL | WILLIAM BLAKE

Este clássico de William Blake foi escrito em pleno fervor revolucionário, na altura da Revolução Francesa. “The Marriage of Heaven and Hell” é composto como um texto de profecia bíblica e representa a relação do autor com o Romantismo e os ideais do Iluminismo. O livro é acompanhado por ilustrações feitas pelo próprio autor e foca-se na tensão entre natureza e fé no divino. Uma das obras maiores de William Blake, a par de “Songs of Innocence and of Experience”. João Luz

Fime de: Lasse Hallstrom Com: Josh Gad (voice), Dennis Quaid, K.J. Apa, Britt Robertson 19.45 SALA 3

DANGAL [B] FALADO EM HINDI LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Fime de: Nitesh Tiwari Com: Aamir Khan, Sakshi Tanwar, Fatima Sana Shaikh 16.30, 19.00, 21.30

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Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editores Isabel Castro; José C. Mendes Redacção Andreia Sofia Silva; João Luz; Sofia Margarida Mota; Vitor Ng Colaboradores António Cabrita; Anabela Canas; Amélia Vieira; António Falcão; António Graça de Abreu; Gonçalo Lobo Pinheiro; João Paulo Cotrim; João Maria Pegado; José Drummond; José Simões Morais; Julie O’Yang; Manuel Afonso Costa; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Paulo José Miranda; Paulo Maia e Carmo; Rui Cascais; Rui Filipe Torres; Sérgio Fonseca; Valério Romão Colunistas António Conceição Júnior; André Ritchie; David Chan; Fa Seong; Fernando Eloy; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi; Paula Bicho; Rui Flores; Tânia dos Santos Cartoonista Steph Grafismo Paulo Borges, Rómulo Santos Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia Hoje Macau; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


opinião 21

terça-feira 5.9.2017

16anos editorial

CARLOS MORAIS JOSÉ

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OS tempos actuais, a palavra “jornal” começa a ter um sabor arcaico. Face às novas tecnologias, este objecto de papel parece ter perdido grande parte da sua importância e, dizem, cada vez menos pessoas se dão ao trabalho (ou ao prazer) de desfolhar estas páginas impressas. No “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, ninguém tinha acesso a jornais, muito menos a livros. Apenas o líder tinha acesso a uma biblioteca e é comovente (e perigoso) o efeito num cidadão das obras completas de Shakespeare. Mais ou menos o mesmo se passa agora: a informação netificada, instantânea, de origem obscura, ultra-efémera, de importância menor, por um lado; e por outro os jornais sobreviventes, enquanto espaço de jornalismo, análise e PUB

crítica. Claramente, o Hoje Macau, no dia em que faz 16 anos, assume-se como pertencendo à segunda categoria. Queremos ser um jornal e não uma fonte anódina de informação em segunda mão. Queremos reflectir sobre os factos, analisá-los, de modo a abrir ao leitor a possibilidade de pensar neles ou mesmo de os recusar. Queremos exercer um pensamento crítico no fluxo incessante de notícias e estender essa crítica, sem rodriguinhos, aos que entendem colocar os seus interesses pessoais acima dos interesses colectivos. Queremos servir Macau e as suas gentes do modo que entendemos mais eficaz, no limite das nossas possibilidades: fazendo um produto digno, capaz de não envergonhar a comunidade que por aqui se exprime em português, seja como primeira ou segunda língua. É inegável que a língua portuguesa faz parte integrante e fundamental da identidade de Macau, mas cabe-nos a nós garantir a sua importância, a sua permanência e futuro. E queremos, sobretudo, que o Hoje Macau seja uma referência cultural activa (no sentido lato), na medida em que se assume

como bastião da língua portuguesa e das culturas lusófonas. De algum tempo para cá, este jornal tem dedicado parte significativa das suas páginas a assuntos literários, artísticos e culturais, no sentido de desafiar os nossos leitores a arriscarem os seus passos por caminhos belos e profundos.

Hoje sentimos estar mais certos do que nunca das nossas capacidades de existir por aqui como um produto singular, único, irrepetível, incopiável, e de mostrar uma outra cidade ao mundo — esta amálgama de culturas, tradições e modernidade que Macau encarna sem pudor nem consciência

Há mais de dez anos que publicamos semanalmente traduções de clássicos chineses, de poesia, de ensaios fundamentais para a compreensão do País do Meio. É um trabalho inovador, arriscado e, como quase sempre, talvez mal compreendido. Mas é esta a via pela qual pretendemos prosseguir. São 16 anos desiguais que se confundem com a existência da RAEM, também ela perturbada por inúmeros acontecimentos paradoxais e bastas contradições. Mas hoje sentimos estar mais certos do que nunca das nossas capacidades de existir por aqui como um produto singular, único, irrepetível, incopiável, e de mostrar uma outra cidade ao mundo — esta amálgama de culturas, tradições e modernidade que Macau encarna sem pudor nem consciência. É este, finalmente, o seu encanto e esperamos trazer alguma dessa magia para estas páginas. Sob pena de espelharmos um mundo baço, onde a escolha vacilaria entre a estupidez e o tédio.


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5.9.2017 terça-feira

FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 16.ºANIVERSÁRIO

A UNIVERSIDADE DE MACAU FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 16.ºANIVERSÁRIO

A SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE MACAU FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 16.º ANIVERSÁRIO


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terรงa-feira 5.9.2017

FELICITA O HOJE MACAU PELA PASSAGEM DO SEU 16.ยบANIVERSร RIO

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Hoje Macau 5 SET 2017 #3889 by Jornal Hoje Macau - Issuu