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Hoje Macau 5 AGO 2013 #2907

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ASSEMBLEIA AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

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MAIS DE DEZ INTERPELAÇÕES ORAIS ANTES DE OUVIR O CHEFE DO EXECUTIVO

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MOP$10

ENTREVISTA

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ • SEGUNDA-FEIRA 5 DE AGOSTO DE 2013 • ANO XII • Nº 2907

SUICÍDIO

Números apresentam-se preocupantes • CHAN MENG KAM

Sempre na via directa pela justiça social PÁGINAS 2 E 3

• PARCERIA COM A REOLIAN

H.Nolasco sem culpa nos problemas, diz Susana Chou PÁGINA 7

• ACÇÃO SOCIAL

Mais de 100 milhões em fundos PÁGINA 8

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PÁGINA 4

A razão de morrer Em 2012, suicidaram-se 66 pessoas na RAEM. Até Maio deste ano, já ocorreram 33 casos, números que podem transformar 2013 num “ano trágico”, de acordo com as autoridades locais. A maioria das vítimas estavam desempregadas e sofriam de depressão ou doença mental. PÁGINA 6

Ter para ler


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ENTREVISTA

hoje macau segunda-feira 5.8.2013

CHAN MENG KAM DESEJA LUTAR PELA JUSTIÇA SOCIAL

HOJE MACAU

“Prefiro candidatar-me sempre

CECÍLIA LIN*

cecilia.lin@hojemacau.com.mo

V

EIO para Macau com 200 yuan no bolso, mas hoje é deputado e um dos nomes mais sonantes do meio político e empresarial local. Em entrevista ao HM, Chan Meng Kam afirma que está a preparar uma petição para criar uma operadora pública de jogo e fala na necessidade de maior transparência junto do Executivo Na última semana surgiram cartazes onde defende a criação de uma operadora pública de jogo. Porquê essa proposta agora? Esta ideia não é nova e já em 2011 a tinha proposto à Assembleia Legislativa (AL). 13 anos depois da transição, o desenvolvimento económico de Macau fez com que o Governo ficasse rico com as receitas obtidas em impostos. Parece que somos cinco vezes mais ricos

do que antes, mas os preços da habitação subiram dez vezes. Então a pressão sentida pelos residentes ficou pior, e o fosso entre os riscos e pobres aumentou. Se o Governo permitiu as concessões para as empresas norte-americanas, porque não faz o mesmo para os residentes de Macau, num sector com tão grande capacidade de lucro? É melhor ser patrão em vez de esperar pelo cheque do Governo, e considero que, se for uma coisa boa para os cidadãos, o Executivo tem responsabilidade de fazer isso. Vai então apresentar essa ideia novamente, tal como fez em 2011? Estamos a recolher assinaturas para uma petição, e já conseguimos cerca de 20 mil. O trabalho vai continuar até Setembro e as opiniões dos residentes vão ser entregues ao Governo. No futuro vamos também fazer um estudo

sobre o estabelecimento de operadoras públicas de jogo. Recentemente Jason Chao levantou a polémica das subconcessões. O que pensa dessa questão? O Governo nunca explicou isso muito bem. Há falta de transparência na divulgação das informações no concurso, e os dirigentes ligados a este assunto deveriam ir à AL dar mais explicações. Para mim, concessões e subconcessões são iguais. Caso isso acontecesse acredita que o Governo iria, de facto, dar todas as explicações? Isto para perguntar se considera que a AL tem um efeito limitado na influência que os deputados possam ter na alteração de políticas. A AL ainda tem um papel importante nas decisões do Governo, mas comparando com o hemiciclo de Hong Kong ainda há espaço para melhorias. Com o caso do terminal

do Pac On, por exemplo, o projecto está há dez anos para ser concluído, já gerou muitas dúvidas por parte dos deputados, mas o Governo continua a gastar uma quantidade gigante de dinheiro. Não há um motivo racional para isso e, isso, não aceito. Recentemente apresentei uma interpelação sobre o assunto e espero que possam ser dadas explicações racionais. É assim o processo normal da democracia. Acredita que há novas informações sobre o projecto? Não sei. Mas deve haver algum problema que o Governo não quer contar. Voltando à operadora pública de jogo, acredita que o projecto pode mesmo avançar? Há muitos exemplos a nível mundial de empresas deste género. Na Noruega foi aprovado, há 20 anos, o Fundo Petrolífero, que determina que todos os residentes tenham

direito a uma parte dos lucros vindos do petróleo. Em Singapura, há cerca de 30 anos, o Governo atraiu financiamento de mais de duas mil empresas a nível mundial, cujos activos ultrapassam hoje os cem mil milhões de dólares. Os seus lucros também chegam aos cidadãos. Em Macau temos capital suficiente e os cidadãos que contribuem para a sociedade têm qualificações para ter uma empresa própria na área das operações públicas de jogo. Se isso não acontecer, não é justo para os residentes de Macau. Para além da operadora pública de jogo, que mais projectos e ideias tenciona apresentar na próxima legislatura? A operadora de jogo é uma medida geral que será institucionalizada a longo prazo, tendo em conta as questões sociais. Acredito que como medidas de curto e médio prazo para aumentar o nível de bem-estar da população as pensões


entrevista 3

hoje macau segunda-feira 5.8.2013

pela via directa” Nunca fui o “rei”, esse nome foi mal aplicado pelo jornal. Nem sequer gosto do Ou Mun, porque não é justo e tem sempre a maioria das notícias sobre os Kai Fong (União Geral das Associações de Moradores de Macau) e os Operários (Federação das Associações dos Operários de Macau) de sobrevivência devem estar ligadas ao índice da inflação. Devem haver mais habitações públicas para responder às necessidades dos cidadãos, nomeadamente da classe média. Os futuros aterros devem ser só para os residentes e deveria existir a possibilidade de ser criado um fundo para a habitação. Têm de ser criados o salário mínimo, uma licença de maternidade e de paternidade, e analisar como é que se vão resolver os problemas associados à terceira idade. Ao nível da política, há que resolver questões administrativas e judiciais. Tem que ser determinada a saída dos dirigentes incapazes e implementar um sistema de responsabilização dos que possuem altos cargos no Executivo. A eficácia judicial tem de ser melhorada. Estes são os assuntos que acompanho de forma activa. É a primeira vez que o oiço falar da licença de maternidade ou paternidade. Durante várias palestras com os cidadãos aprendi quais são as suas necessidades.

“O REI DOS VOTOS” OU NÃO? Já disse que não quer ser Chefe do Executivo, e também se recusa a assumir o cargo de deputado nomeado. Porque ainda se mantém na corrida eleitoral? Nunca recebi um convite para ser deputado nomeado, mas de facto disse que não queria ser nomeado ou indirecto. Apenas quero ser deputado e falar das necessidades

dos residentes. Só assim é que os posso ajudar na luta contra a injustiça. Mas para ser deputado tenho que representar os cidadãos que me escolhem, e por isso prefiro candidatar-me sempre pela via directa, sem dúvida. Mas porquê deputado? Podia ajudar os outros sem ter esse cargo político. Muito antes de ser deputado ou dirigente associativo as minhas queixas não eram ouvidas pelo Governo. Achei que se fosse deputado ou líder de uma associação o Executivo iria dar mais atenção às minhas opiniões. Só assim poderia, de facto, resolver os problemas. Concorda com a implementação do sufrágio universal para a AL? Claro. Mas para isso é preciso tempo. E para eleger o Chefe do Executivo? Também. Embora considere que, neste caso, também é preciso muito mais tempo, acho que esta será a direcção a seguir no futuro.

para o grupo de Ng Kuok Cheong, na segunda para a FAOM. Nos últimos dias o “lutador de vermelho” tem feito vários protestos contra si nas Portas do Cerco. Quer comentar? Ajudei-o muito, sinceramente. Já nas primeiras vezes em que ele andava pelas ruas a manifestar-se o tinha ajudado. Penso que tudo começou em 2007, 2008, quando o ajudei no processo contra o Governo. Nessa altura ele vinha ao meu escritório todos os dias. Os documentos que escrevemos sobre esse caso já enchem muitas caixas. Mas depois ele começou a acusar-me. Toda a sua família me apoia, e os seus filhos até lhe disseram para ele não fazer estes protestos, mas o aviso não teve nenhum efeito. Ele prefere continuar contra mim, e isso deixa-me confuso. Como foi o seu percurso de chegada a Macau, até se tornar num comerciante de sucesso?

Não sei se fui um comerciante de sucesso. Em 1980 vim com o meu irmão mais novo para Macau e alugámos uma casa de madeira na zona do NAPE. Trazia apenas 200 yuan no bolso. Comecei a trabalhar na construção civil e ganhava 14 patacas por dia. Depois, por causa das pressões da vida, fui para Singapura, onde estava sempre a trabalhar. Só parava para dormir e comer. Dois anos depois de estar em Singapura consegui enviar algum dinheiro à minha família e voltei a Macau, onde comecei a fazer pequenos negócios. Quando atingiram alguma escala, eu e mais uns amigos resolvemos criar a Golden Dragon International Trading. Sempre demos muita atenção à integridade e qualidade. Por isso, os negócios sempre correram bem e atingiram uma escala elevada, até aos dias de hoje. Veio de Fujian e teve sucesso. Mas a maioria dos emigrantes da sua terra natal acaba sempre por ficar na camada mais baixa da sociedade, com baixos salários. A ascensão social tem uma ligação estreita com a educação? Não há apenas uma perspectiva para ver esta questão. O fosso entre ricos e pobres existe em todas as sociedades. Macau tem uma situação mais óbvia, já que os residentes com salário mais baixo constituem a maior parte

UCM E ILHA DA MONTANHA O facto de ter adquirido a Universidade Cidade de Macau (UCM) foi uma das formas que encontrou para levar a população a ter mais acesso à educação? A universidade é parte integrante da antiga Universidade da Ásia Oriental e já tem uma história de 32 anos. A sua universidade vai ter uma faculdade virada para os estudos de português. Macau tem vindo a ser uma plataforma de cooperação comercial com os países de língua portuguesa e isso mostrou uma realidade: a falta de agentes bilingues. Por isso o ensino do português precisa de ser fortalecido. Falando dessa cooperação, muitas Pequenas e Médias Empresas (PME) estão a queixar-se de dificuldades de investimento no parque industrial da Ilha da Montanha. Como olha para essa situação? Macau é um território pequeno e há muitas limitações no seu desenvolvimento. Se calhar, esta geração de empresários ainda pode fazer algo, mas as próximas gerações já não terão grande margem de manobra. O Governo deveria ouvir primeiro as opiniões das PME, porque 90% do tecido empresarial de Macau é composto por PME. Isso vai ajudar à diversificação económica e deveriam ser as PME a liderar o acesso à Ilha da Montanha. Mas o que o Governo deve fazer é aumentar a transparência do processo. Foi dito que uma pequena parte vai albergar o parque de medicina chinesa, onde vão ficar as empresas do parque industrial?

Já disse que para se ser Chefe do Executivo em Macau tem que se pertencer a uma família tradicional com poder na sociedade. Mas também disse que se houvesse eleições directas e universais para o cargo, que poderia ganhar... Não disse isso (risos). Nunca pensei ser Chefe do Executivo. Mas gosto muito de ter amigos, e em 50 anos nunca perdi nenhum. Prefiro esforçar-me com acções que acabem com injustiças. Posso dizer que desde 1990 que não tenho preocupações com dinheiro, mas sempre quis ajudar as pessoas. Em muitos situações perdi dinheiro na resolução de problemas, e já tive casos onde ajudei com quatro milhões de yuan. Também ajudo muitas pessoas do continente, não me importo. O que eu quero é que haja justiça. Em 2009, o jornal Ou Mun citou-o como sendo o “rei dos votos”. Como reage a isso? Nunca fui o “rei”, esse nome foi mal aplicado pelo jornal. Nem sequer gosto do Ou Mun, porque não é justo e tem sempre a maioria das notícias sobre os Kai Fong (União Geral das Associações de Moradores de Macau) e os Operários (Federação das Associações dos Operários de Macau). Tanto em 2005 como em 2009 fiquei em segundo lugar, na primeira vez perdi

da sociedade, e claro que isso tem explicações com base na história. Com o rápido desenvolvimento económico, a acumulação de riqueza só aconteceu, de facto, para algumas pessoas. Considero injusto o sistema de distribuição de riqueza e o facto de só termos um sector económico principal gera disparidades ao nível das remunerações. Neste caso quem tem um nível mais elevado de educação não consegue acumular muita riqueza, porque não faz parte do sector do jogo e do imobiliário.

A AL ainda tem um papel importante nas decisões do Governo, mas comparando com o hemiciclo de Hong Kong ainda há espaço para melhorias. Com o caso do terminal do Pac On, por exemplo, o projecto está há dez anos para ser concluído, já gerou muitas dúvidas por parte dos deputados, mas o Governo continua a gastar uma quantidade gigante de dinheiro

Jorge Kuan, mestre de medicina tradicional chinesa, disse, em entrevista ao nosso jornal, que o parque vai servir para compra e venda de terrenos. Isso não deveria acontecer e vou acompanhar o caso. Se o terreno, que seria para o desenvolvimento de Macau, se transformar em terras para as empresas estrangeiras fazerem negócio, será ridículo. Será que Macau é assim tão mais especial do que outros lugares? *com Zhou Xuefei


POLÍTICA

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GONÇALO LOBO PINHEIRO

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JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

N

A terça-feira, na Assembleia Legislativa (AL), o dia é dedicado a ouvir as mais recentes interpelações orais dos deputados. Antes do próximo dia 15 – dia em que o Chefe do Executivo vai ao plenário - os membros do hemiciclo vão poder mostrar quais as suas mais recentes preocupações. Vão ser mais de uma dezena as interpelações a apresentar pelos deputados e a maioria versa sobre a actuação do Governo e a recente derrapagem orçamental no Terminal Marítimo do Pac On, na Taipa. É o caso de Ng Kuok Cheong. Numa interpelação entregue ao Governo a 17 de Julho, e analisada pelo HM, o deputado democrata diz que as recentes situações de derrapagem detectadas pelo Comissariado de Auditoria se devem “às estimativas orçamentais dos projectos poderem ser ajustados a qualquer momento, uma vez que não está definida legalmente a obrigatoriedade de se proceder a estimativas dos custos dos projectos públicos, nem qualquer mecanismo para debate dos mesmo na AL”. Ng Kuok Cheong aponta que o Governo prometeu an-

AL DEPUTADOS INTERPELAM GOVERNO DIAS ANTES DA DESLOCAÇÃO DE CHUI AO PLENÁRIO

A primeira ronda teriormente criar um regime orçamental para a RAEM, mas lamenta que isso não tenha acontecido. “O orçamento do Pac On várias vezes ficou fora de controlo, mas o investimento continua. As despesas com o novo campus da Universidade de Macau na Ilha da Montanha ultrapassaram gravemente as despesas orçamentadas, mas o Governo voltou a designar o mesmo grupo de empreiteiros para projecto de investimento público da nova passagem entre Cantão e Macau. O orçamento do metro ligeiro aumentou de 2,7 mil milhões para 4,8 mil

milhões, 7.5 mil milhões e 11 mil milhões, sucessivamente, e mesmo assim não pára de aumentar.” Ao deputado democrata juntaram-se Ung Kuok Cheong e Chan Meng Kam que, além de referirem estarem atentos ao problema desde 2011, condenam o facto de “os problemas encontrados nas obras do Terminal Marítimo do Pac On não são excepcionais, mas ocorre em todas as obras públicas”. Os dois deputados consideram que o Governo fez um trabalho insatisfatório nos últimos dez anos. “Os assuntos que foram conduzidos de

“As falhas do sistema não são apenas problemas superficiais, a origem do problema é ocupação de cargos relevantes por funcionários medíocres. Sugerimos assim que os funcionários medíocres se demitam dos cargos” UNG CHOI KUN E CHAN MENG KAM deputados

forma atrapalhada por atrapalhados funcionários foram demolir o terminal depois de o terem construído e depois construir novamente, levaram dez anos para o construir e ainda não o concluíram, os funcionários divulgam os valores das obras à toa, não existe coerência sobre a área de construção do terminal marítimo...” Ung Choi Kun e Chan Meng Kam vão mesmo mais longe e querem ver responsáveis. “As falhas do sistema não são apenas problemas superficiais, a origem do problema é ocupação de cargos relevantes por funcionários medíocres. Sugerimos assim que os funcionários medíocres se demitam dos cargos.”

OUTROS PROBLEMAS

Ainda como crítica ao Governo, Melinda Chan vai questionar o Executivo sobre a quantidade de conselhos consultivos que este tem. A deputada refere os 38 conselhos consultivos actualmente em vigor, sendo que 28 foram criados depois

da transferência, para dizer que os cidadãos não sabem ao certos quantos existem. “Terá o Governo normas e exigências criteriosas para a criação destes organismos? São revistas as suas funções e desempenhos? Quais os critérios para escolher os seus membros?”, pergunta Melinda Chan.

11.000 milhões é o actual

orçamento para o metro ligeiro de Macau. Este valor já aumentou três vezes desde os primeiros 2,7 mil milhões

Na agenda dos deputados estão ainda assuntos sociais, como o consumo de drogas, o envelhecimento da população e, novamente, a TV Cabo. Também o fumo nos casinos e o problema do trânsito no Grande Prémio vai ocupar algumas das interpelações apresentadas. Já José Pereira Coutinho volta a atacar a questão das concessões de terrenos da RAEM, questionando o Executivo sobre a finalidade dos terrenos que estão agora na posse do Governo e ainda sobre as adjudicações às empresas privadas.

Paul Chan Wai Chi traz à AL um dos assuntos que tem sido motivo de polémica recentemente. O deputado democrata quer saber pormenores sobre a subconcessão da Venetian à Galaxy. “O Governo sempre deu a conhecer ao público que em Macau só há três concessionárias e que as outras três são apenas suas subconcessionárias, o que não faz sentido nenhum, nem corresponde à realidade”, começa por dizer o deputado. O democrata continua, referindo uma mudança no contrato entre as duas operadoras, após a assinatura do contrato de subconcessão, que dava mais garantias à Venetian. “Foi garantido que as subconcessionárias podem continuar a explorar independentemente a sua actividade, mesmo que os contratos de subconcessão se encontrem extintos.” Estas são as interpelações dedicadas ao Executivo antes da presença de Chui Sai On na AL. O Chefe do Executivo vai deslocar-se ao hemiciclo dia 15, para responder às questões dos deputados directamente. A presença do Chefe do Executivo tem transmissão em directo pela TDM (televisão e rádio) e poderá ser visionada através de diversos sites do Governo.


política 5

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LEI DO URBANISMO GOVERNO RECUA E APENAS LICENÇA DE OBRA VALE INDEMNIZAÇÃO

No fim do debate sobre a lei de planeamento urbanístico, houve inúmeras surpresas. A polémica das indemnizações acabou por levar a cedências. Ficará consagrado finalmente que só há compensações para os proprietários se tiverem em mãos a licença de obra

O

S gastos do erário público serão salvaguardados. Afinal, na proposta de lei de planeamento urbanístico deixou de estar considerado que as plantas de condições urbanísticas (ou as actuais de alinhamento) servem como prova para requerer indemnizações no caso de alterações às condições de construção no terreno devido aos novos planos urbanísticos. Assim sendo, apenas com licença de obra os proprietários poderão reclamar uma compensação do Governo, tal como acontece actualmente. “As plantas de condições urbanísticas [que terão dois anos de validades] não são equivalentes a uma licença de obra emitida ofi-

cialmente”, afirmou Chan Chak Mo na sexta-feira, presidente da 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL), dia em que a análise do diploma se deu por terminada. “Isto porque havia preocupações que a indemnização pudesse dar lugar a situações de abuso causando grande impacto no erário público”. Também não ficaram consagradas regras especiais de indemnização para casos de atropelos urbanísticos. Assim, quem se sentir lesado, pode recorrer aos tribunais mas não ao Conselho de Planeamento Urbanístico para reclamar a compensação. Neste campo, o articulado final apresenta outra novidade. A composição do Conselho Consultivo

do Urbanismo passa a ter representantes da sociedade civil e figuras de méritos entre os membros da Administração Pública, os últimos propostos inicialmente em exclusividade pelo Governo. Entre eles, Chan Chak Mo não nega que no Conselho tenham lugar representantes de interesses imobiliários e da construção civil. No entanto, terá de ser público se houver conflitos de interesse. “No conselho, os membros da administração pública não podem representar mais de cinquenta por cento, têm de ser menos de metade. A lei deixa isso bem claro [...] Podem ser engenheiros, especialistas em planeamento urbanístico ou até líderes de grupos sociais. Por exemplo, representantes

ASSOCIAÇÃO DA LEI BÁSICA RECEBEU CARTA DE PROTESTO POR PALAVRAS “INAPROPRIADAS”

Consciência sobre o direito de manifestação O

grupo activista Consciência de Macau entregou na passada sexta-feira uma carta à Associação de Promoção da Lei Básica por achar as palavras do seu vice-presidente, Chan Kam Meng, “inapropriadas”. Segundo a imprensa chinesa, o responsável, também vice-director da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) e membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC) disse há dias que “há cidadãos que entendem mal a Lei Básica e que abusam do direito de reunião e manifestação, o que influencia de modo negativo a harmonia da sociedade”. O grupo Consciência de

Macau entende que o direito de manifestação é um direito civil cedido pela Lei Básica, sendo que uma das principais mensagens transmitidas pelo diploma é “restringir o poder e proteger os direitos”. Por isso, o grupo apresenta duvidas quanto ao raciocínio de Chan Kam Meng. “Os cidadãos juntam-se e manifestam-se de maneira pacífica, não danificam a harmonia da sociedade, por isso merecem o respeito do Governo e de todos”, indicam os membros na carta. O grupo pede ainda que a associação se pronuncie o mais rapidamente possível quanto a estas declarações e afirmam que, se a postura dos dirigentes for igual à de Chan

Kam Meng, a associação terá de explicar bem ao público a que tipo de manifestações se refere e quais as justificações para essa ideia. O grupo diz ainda que os dirigentes da associação “não conhecem a Lei Básica” e afirmam que o trabalho de promoção “tem sido mal feito”. Segundo o jornal Ou Mun, os nomes que entregaram a carta junto da associação são os mesmos que se manifestaram a favor da saída de Florinda Chan do Governo. São eles Lei Kin Yun e Choi Chi Chio, da lista de Jason Chao, que para além de presidente da Associação Novo Macau (ANM) também pertence ao grupo Consciência Macau. - Z.X.

TIAGO ALCÂNTARA

Dar uma voltinha de 180 graus

Chan Chak Mo

das associações de moradores”, adianta o deputado. Outra das mudanças prende-se com um principio de limite da reclassificação dos solos presente agora na proposta de lei. A ideia é defender os valores paisagísticos, socioeconómicos e histórico-culturais e os recursos naturais. Ou seja, “não há arbitrariedade na mudança de função dos terrenos”, garantiu o deputado. Mas é o Governo quem decidirá sozinho a mudança já que não fica consagrada na lei. “Alguns deputados exigiram que passasse pela Assembleia, mas o Governo diz que são questões demasiado técnicas, que os deputados não são especialistas em planeamento urbanístico e que, portanto, o mais indicado é que seja o Conselho Consultivo de Planeamento Urbanístico a fazer esse trabalho”, explica Chan Chak Mo. As razões, consagradas na lei, para a reclassificação do terreno terão de ser justificadas pelo Executivo. Essa alteração tem de ser incluída nos planos director e de pormenor, que ficarão também definidos exclusivamente pela Administração entre dois anos a cinco anos. Depois de assinado o parecer pelos deputados da comissão, a proposta segue agora para ser votada em plenário na próxima semana.

ELEIÇÕES 2013 MAIS DE UMA DEZENA DE QUEIXAS SOBRE CANDIDATOS A FAZER CAMPANHA

Jogo online para aprender a votar A

Comissão para os Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEL) realizou uma reunião na passada sexta-feira propositadamente para anunciar um novo jogo online que ensina os cidadãos a votar. Além da propaganda difundida através de rádio e televisão, a CAEL vai distribuir prémios aos participantes do jogo – quer estes tenham possibilidade de votar ou não. Ip Son Sang, que preside à CAEL, voltou a reiterar que a forma correcta de votar é “pondo o carimbo no espaço

branco do lado esquerdo”, na lista que preferirem, de forma a que os votos não sejam nulos. A ideia do carimbo já tinha surgido anteriormente. Apesar de não ser dedicada às reclamações devido a campanhas fora de tempo, à margem da comissão foram dadas informações aos jornalistas sobre três queixas que foram já encaminhadas ao Comissariado contra a Corrupção. Sem mencionar nomes, a CAEL diz ainda ter contabilizado 14 queixas sobre candidatos, a quem deixam um alerta. “Á medida que se aproxima o dia das eleições, a Comissão apelou a todas as listas de candidatos para evitarem a promoção antecipada e ilegal, antes do início do período de campanha. Se vierem a ser detectados casos ou actos suspeitos, ele serão remetidos às entidades competentes responsáveis pela aplicação da lei, após um processo de apreciação e obtenção de provas.” - J.F.


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SOCIEDADE

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SUICÍDIOS SÓ EM TRÊS MESES, HOUVE JÁ METADE DOS SUICÍDIOS COMETIDOS EM 2012

33 pessoas puseram fim à vida Os números foram fornecidos pelo Gabinete do Coordenador de Segurança ao HM, revelando ainda que a maioria das vítimas eram desempregados e sofriam de depressão ou doença mental RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

S indicadores são precoces mas indiciam que 2013 poderá ser um ano trágico em termos de suicídios. A sustentá-lo estão os dados dos primeiros cinco meses. Em Macau, até Maio, houve 33

FORMAR ASSISTENTES SOCIAIS No Dia Nacional de Prevenção de Suicídio, a 10 de Setembro, o IAS junto com a Cáritas e outras 13 instituições de serviço social realização actividades de promoção e educação para a prevenção do fim à vida, revela o organismo tutelado por Iong Kong Io. Em vista está ainda a maior formação profissional dos assistentes sociais e funcionários para “aumentar a sua sensibilidade e alcance em descobrir mais pessoas com tendências suicidas”.

NACIONALIDADE DAS VÍTIMAS

SUICÍDIOS POR IDADE 15-24 anos 5 25-34 anos 8 35-44 anos 7 45-54 anos 6 55-64 anos 1 65-74 anos 3 >75 anos 1

CAUSAS DOS SUICÍDIOS Depressão ou doença mental 12 Problema relacionado com o jogo 8 Doença 7 Problema amoroso 3 Problema familiar 1

pessoas suicidaram-se em 2012. Este ano, em cinco meses, houve já 33 casos

sos de suicídio revelaram-se na faixa etária entre os 25 e os 54 anos (21 casos), com predominância entre os mais jovens. No ano passado, a maior taxa de suicídio situava-se entre os 55 e os 64 anos (17 casos), logo seguida dos cidadãos entre os 25 e os 34 anos.

pessoas que puseram termo à vida. Um dado que representa metade dos suicídios cometidos no ano passado. A preocupação acresce quando se analisam os dados de Janeiro a Maio do ano passado (19 suicídios), ou seja, houve quase o dobro de mortos por atentado à própria vida nestes primeiros cinco meses. Os números fornecidos ao Hoje Macau pelo Gabinete do Coordenador para a Segurança, indicam os dados mensais referentes ao ano passado, mostrando que o número de mortes se revelou, em média, bem mais elevada nos últimos sete meses do ano do que nos primeiros cinco. A depressão ou doença mental foi a principal causa para a decisão da maioria das vítimas (12 pessoas), logo seguida por problemas relacionados com o jogo (oito pessoas) e doença (sete pessoas). De resto, as principais causas de suicídios revelam-se equiparadas com as do ano passado. Os problemas amorosos e familiares são as causas relacionadas com os restantes casos deste ano. Por outro lado, a vida profissional das vítimas tam-

Macau 26 Continente 6 Taiwan 1

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bém parece mostrar uma relação directa com o suicídio. À semelhança do ano anterior, são os desempregados quem mais põe termo à vida. Este ano, 13 desempregados o fizeram até Maio, no ano passado os desempregados (23) representavam 34% das vítimas. Os empregados no

sector do jogo também são os mais afectados, seis puseram termo à vida estes primeiros cinco meses, face a um total de nove pessoas que se suicidaram em 2012. O terceiro grupo profissional mais afectado são os aposentados, este ano já cinco puseram termo à vida, menos um do

que nos 12 meses de 2012. Os suicídios assumem diversas formas mas o método mais comum, também este ano, foi por meio de queda de edifício (14 pessoas), logo seguido de enforcamento e de queima por carvão. Este ano, os maiores ca-

( TENTATIVAS DE) SUICÍDIO NOS ÚLTIMOS DIAS Na madrugada da passada sexta-feira, às 2h e meia, uma mulher, relações públicas num casino, chegou a casa, encontrou carvões queimados e o seu marido e filho de 3 anos deitados na cama inconscientes. Os dois foram de imediato para o hospital e encontram-se agora fora de perigo. A polícia judiciária (PJ) descobriu um carta de suicídio em que se descrevem problemas na relação com a mulher. A PJ vai pedir responsabilização do homem

por tentativa de homicídio. No mesmo dia, a PJ encontrou uma mulher que se suicidara dias antes também por queima de carvões. A mulher tinha 42 anos e era gerente de hotel. No sua carta de suicídio revelou que tinha problemas na sua relação amorosa e na sua vida. Ontem, um idoso do continente enforcou-se em frente da casa da sua filha, alegadamente por não ter condições financeiras para sobreviver, e depois de o genro e o neto não lhe terem dado atenção.

Segundo dados públicos, 2011 foi o pior ano, registando 81 suicídios. Ainda que 2012, tenha registado uma pequena quebra ficou, no entanto, acima das 61 vítimas em 2010. A relevância para os dados, desta feita, é atribuída pelo Instituo de Acção Social (IAS) ainda que recorrendo às informações disponibilizadas pelo Gabinete do Coordenador da Segurança, ao informar que 14.7 pessoas em 100 mil cometeram suicídio em 2011 “o que levantou o alerta de alto risco, sugerida pela Organização Mundial de Saúde”. Em 2012, o número diminui para 11.3 pessoas por 100 mil. Já este ano Paul Pun, da Cáritas, revelou ao Ponto Final que tem havido uma subida do número de chamadas na linha de apoio da instituição devido a problemas emocionais, nomeadamente, solidão. E que hoje já não há grupos de risco, já que anteriormente os suicídios eram cometidos mais por idosos. São também as mulheres as maiores vítimas, dados não confirmados pelo gabinete tutelado por Cheong Kuok Vá.


sociedade 7

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SUSANA CHOU DEFENDE EMPRESAS H.NOLASCO

O drama do accionista menor A antiga presidente da Assembleia Legislativa escreveu que a H.Nolasco não deve ser culpada dos problemas com a Reolian, porque não é a accionista principal e não toma decisões sozinha. Quanto ao caso Ao Man Long, Susana Chou diz que a credibilidade da empresa ficou “gravemente abalada” toda a gente, não só dos cidadãos como do seu parceiro estrangeiro. Enquanto houver problemas no serviço público os jornalistas e as pessoas vão apresentar muitas criticas, mas como não conhecem o accionista maioritário, que é estrangeiro, vão sempre culpar a empresa local, embora as decisões não sejam tomadas por esta. A empresa estrangeira também vai ser levada a pensar que a culpa pode estar no parceiro local, pelo que a H.Nolasco vai continuar num dilema.” “Como o mundo do comércio é cruel e duro”, lamentou Susana Chou.

ZHOU XUEFEI

info@hojemacau.com.mo

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O último texto publicado no seu blogue Susana Chou falou da joint-venture firmada com uma empresa francesa para a implementação da Reolian no mercado dos transportes públicos, bem como do caso do ex-secretário Ao Man Long. Tudo para provar que o facto da sua empresa, a H.Nolasco, ter sido accionista minoritária numa série de projectos acabou por desencadear algumas dificuldades. A empresária e antiga presidente da Assembleia Legislativa (AL) disse que começou a prever, há alguns anos, a situação actual em que se encontram as empresas da H.Nolasco. “Sempre disse que se eu fosse a gerente geral nunca ia cooperar com uma empresa estrangeira, sendo eu o accionista menor”, escreveu no blogue, sobre o caso específico da Reolian. “O transporte é serviço público e é algo relacionado com a vida diária de todos

A CREDIBILIDADE DA H.NOLASCO

os cidadãos. Se não tiver uma posição absoluta na cooperação com empresas estrangeiras, a H.Nolasco vai ser sempre a ovelha negra e a receber as culpas de

UNIVERSIDADES ACADÉMICO SOBRE EXAME DE INGRESSO

“É uma sorte a qualidade do ensino não piorar”

T

AM Chi Keung, professor da Universidade de Ciências e Tecnologia (MUST), voltou a comentar a implementação do exame único de ingresso no ensino superior. Em declarações ao jornal Exmoo News, na sua edição de sexta-feira, o académico apontou que o exame não vai trazer nenhuma melhoria à qualidade do ensino. Tam disse que o Governo controla mais de 60% dos assentos na Assembleia Legislativa (AL), pelo que “por

mais forte que a contestação seja, se o Governo quiser (implementar a medida) ninguém vai ser capaz de o impedir”. Por essa razão, Tam Chi Keung considera que o exame vai passar a ter aplicação prática dentro de dois ou três anos. Tam disse mesmo que o principal objectivo do exame, que é atrair os melhores alunos para as universidades de Macau, não tem a “mínima hipótese” de ser alcançado. “Fui professor de quatro instituições do ensino superior, e segundo a minha experiência tenho a certeza de que este exame não vai trazer melhores alunos. O ambiente de ensino em Macau não é atraente, ao nível da liberdade de expressão, dos salários e do próprio ambiente académico. Não

atrai os melhores professores nem os medianos, e mesmo que conseguisse atrair, não iria fazer com que estes ficassem.” “Isso só mostra que a qualidade do ensino não vai ter melhorias, e é justamente por isso que os melhores alunos optam por estudar fora, na China, em Hong Kong, nos Estados Unidos ou em Portugal. Locais que lhes podem oferecer uma formação de melhor qualidade. E garanto que a situação se vai manter igual daqui a dez anos”, acrescenta o académico. Tam lamenta ainda que “sem bons professores nem bons alunos, e visto que o número de alunos irá registar uma queda daqui a uns anos, será uma sorte se a qualidade do ensino superior não piorar”. – Z.X.

Susana Chou disse ainda que, embora não tenha encontrado problemas no caso Reolian, as empresas da H.Nolasco não tiveram os maiores sucessos no papel de pequeno accionista. Neste ponto a ex-presidente da AL falou dos casos ligados ao ex-secretário das Obras Públicas Ao Man Long, a cumprir pena por corrupção. “Quando a H.Nolasco detinha uma empresa de tratamento de resíduos como pequeno accionista, o accionista maior, a Swire Pacific, subornou Ao Man Long sem a H.Nolasco saber. Embora tenha sido confirmado que as empresas da H.Nolasco não estiveram envolvidas no caso de corrupção, a sua credibilidade ficou gravemente abalada.” Susana Chou remata as suas declarações dizendo que sempre exigiu aos seus parceiros empresariais visão nas grandes decisões. “Acredito que ninguém nasce perspicaz, e por isso no passado, especialmente quando trabalhei como dirigente, sempre exigi que os meus colegas aprendessem a observar antes de fazer.”

Angela Leong contra redução de área para fumadores

Os casinos que falharem no segundo teste de qualidade do ar podem ver reduzida a área reservada aos fumadores. Este foi o alerta dado pelos Serviços de Saúde às operadoras. Dos 13 casinos da SJM, apenas três passaram no teste mas Angela Leong não vê preocupação e, insiste, a redução das salas de fumo não ajudará a melhorar a qualidade do ar nos casinos. “Mesmo que se reduza a zona de fumadores, há fumo. Para onde é que pode ir o ar? O ar está sempre ali”, revelou à TDM, defendendo que o Governo devia ter em conta a construção antiga dos edifícios que ajuda a que a qualidade do ar seja má, num problema que não pode ser resolvido a curto-prazo. “Não me atrevo a dizer que o Governo é injusto connosco. Acho que as coisas devem sempre ser melhoradas. Se as coisas não estiverem assim tão bem, deve-se dar mais tempo para serem melhoradas”, frisou, insistindo na ideia de se banir por completo o consumo de tabaco nos casinos.

Associação pede mais exactidão nas obras do Metro Ligeiro

Há atrasos na construção da linha do metro ligeiro na Taipa. Mas a data de conclusão dos trabalhos, em 2015, não está comprometida. Esta é a mensagem do Gabinete de Infraestruturas e Transportes (GIT) que, avança, já puniu os empreiteiros com multas até 180 mil patacas devido aos atrasos. Mas a atitude não agrada à Associação dos Consumidores das Companhias de Utilidade Pública que defende a revisão de todos os trabalhos e maior coordenação com os empreiteiros para garantir maior rapidez na execução das obras. O GIT volta a sublinhas que a qualidade e segurança da empreitada está em primeiro plano, por isso estão a ser enviados esforços neste sentido.

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COMISSÃO DE REGISTO DOS AUDITORES E DOS CONTABILISTAS

Aviso

Torna-se público que já se encontra finalizada a correcção da primeira prestação das provas para a inscrição inicial e revalidação de registo como auditor de contas, contabilista registado e técnico de contas, realizadas no ano de 2013 nos termos do disposto na alínea c) do artigo 1º do Regulamento da Comissão de Registo dos Auditores e dos Contabilistas, pela referida Comissão. Os respectivos resultados serão notificados aos interessados até ao dia 9 de Agosto, solicitando-se aos mesmos que contactem com a Sra. Vong, através do nº 85990168 ou 85990139, caso não recebam a mencionada notificação.

Direcção dos Serviços de Finanças, aos 19 de Julho de 2013. O Presidente do Júri, Iong Kong Leong


8 sociedade

hoje macau segunda-feira 5.8.2013

IAS FUNDOS ATRIBUÍDOS EM TRÊS MESES PASSAM AS CEM MILHÕES DE PATACAS

JOANA FREITAS

joana.freitas@hojemacau.com.mo

Associações de moradores no topo TIAGO ALCÂNTARA

O

Instituto de Acção Social (IAS) atribuiu mais de cem milhões de patacas de Abril a Junho deste ano. A maioria do dinheiro foi atribuído a associações de moradores e de crianças/ jovens, apesar de muitos dos fundos terem ido parar às diversas instituições da mesma entidade. De um total de 156,221,113 patacas, quase oito milhões serviram para actividades e festivais das associações. Entre festas para celebrar o dia do pai e da mãe, jantares de convívio, viagens por Macau e pelo exterior, cerca de 5% da fatia total dos subsídios atribuídos foi alocado para este tipo de actividades. Uma das maiores fatias, contudo, foi alocada para associações de moradores das várias zonas de Macau e das ilhas de Coloane e Taipa. Para actividades de convívio e subsídios gerais, saíram cerca de 14,9 milhões de patacas – quase 10% do total de apoios financeiros atribuídos pelo IAS. De acordo com dados analisados pelo HM no Boletim Oficial da semana passada, mais de metade do

dinheiro atribuído a estas associações foi dirigido a associações da União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAM), da qual é membro o deputado Ho Ion Sang. A UGAM, à semelhança dos Operários e da Associação das Mulheres, tem sido das associações mais beneficiadas pelos subsídios atribuídos pelo Governo.

RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

O

S Serviços de Saúde (SS) não se deixam influenciar com as últimas opiniões do sector de oposição à contratação de enfermeiros de Portugal. Em seu entender, a falta de profissionais é o que realmente preocupa e, por isso, o recrutamento não se deve limitar ao continente. Esta é a opinião de Lei Chin Ion, director dos SS, que deixou bem claro que continua aberta a janela de contratação de enfermeiros de Portugal e regiões vizinhas. “Não afastamos a possibilidade de continuar a contratar enfermeiros de Portugal e não só. Temos de contratar enfermeiros”, explicou Lei Chin Ion em declarações à TDM, ao indicar que nos estabelecimentos médicos públicos estão actualmente em funções 10 enfermeiros. “Não vamos descartar a possibilidade de contratar enfermeiros de qualquer zona do mundo, tanto do continente como Singapura, Taiwan e Portugal.” O esclarecimento chega em harmonia com o anúncio feito pelo presidente do Instituto de Acção Social, Iong Kong Io, sobre a contratação de uma centena de enfermeiros nos próximos três

No segundo trimestre deste ano, a Associação Geral das Mulheres arrecadou 4% dos apoios financeiros do IAS – no valor de 6,307,838 patacas. A maioria destes fundos foi alocada nas diversas creches que a associação tem.

PROBLEMAS SOCIAIS

De Abril a Junho, a preocupação com os proble-

mas do jogo aumentou. Se, anteriormente, eram poucas as associações que pediam fundos financeiros para apoio a pessoas com questões relacionadas com casinos, nos dados analisados pelo HM já aumentou o número de entidades que presta cuidados deste género. Ainda assim, o montante não chega aos milhões, ficando-se pelas

cerca de 804 mil patacas para apoios. No que diz respeito a subsídios atribuídos para ajudar os cidadãos com deficiência, o valor dos montantes ocupou quase 4% do total dos mais de cem milhões de patacas atribuídos pelo IAS. Mais de cinco milhões e meio de patacas foram alocadas para ajudar pessoas com diversos graus

e tipos de deficiência – desde cegos, a surdos-mudos e aos deficientes físicos e mentais. Para prevenção e sensibilização contra o consumo de drogas foram pedidos, em três meses, quase seis milhões de patacas – 3,5% do total do dinheiro atribuído pelo IAS foi alocado para actividades de reabilitação, campanhas contra a droga e subsídios normalmente atribuídos.

SERVIÇOS DE SAÚDE APOSTADOS EM CONTINUAR A CONTRATAR ENFERMEIROS DE PORTUGAL

A língua não é entrave para o trabalho anos para a rede de equipamentos sociais, nomeadamente, lares de idosos, que incluirá recursos humanos externos. No entender de Lei, a língua não se mostra um entrave até porque Macau “é uma cidade internacional”. “Fala-se português, inglês, chinês (mandarim e cantonês). Acredito que os cidadãos que vi-

vem em Macau estão habituados a diferentes línguas”, sustenta o responsável. O problema, segundo Lei, é a dificuldade de contratação de enfermeiros, que escasseiam em todo o mundo e “não querem vir trabalhar para Macau”. A mesma opinião foi partilhada na última sexta-feira por Lei Cho

EXAME DE MEDICINA SERÁ OBRIGATÓRIO A representante da comissão de formação de médicos estagiários dos SS, Li Cho Fong referiu na sexta-feira passada numa palestra a necessidade de estabelecer um exame de qualificação médico. “Macau é uma cidade internacional, logo a qualidade de serviço de saúde tem de ser internacionalizada, para tal, temos que ter um exame de qualificação que todos os países e regiões com medicina de alta qualidade têm”, frisa. Li disse ainda que o exame não vai agravar a escassez de médicos em Macau porque “não há falta de médicos mas sim de profissionais qualificados”. “A qualidade é mais importante que quantidade na formação”, salientou. Já Lei Chin Ion confirmou este sábado a intenção de estabelecer este exame de qualificação. O director dos SS disse que actualmente existe um sistema de qualificação de pessoal de medicina mas o sistema não inclui exame. Para melhorar o serviço, o exame vai ser estabelecido no futuro e o Conselho de Medicina, que será composto em breve, também vai rever o sistema de qualificação actual. - Z.X.

Fong, da Direcção dos Internatos, que releva a importância do “conhecimento médico” em detrimento da “comunicação”. Até porque, nesse ponto de vista, também os do continente têm “handicaps” na prática no território. “Os conhecimentos médicos são internacionais. A língua também faz parte. A comunicação também é muito importante. Mas, mesmo em Macau, a língua que vem de Cantão, de Xangai e de outras partes da China também é diferente. Também há dialectos”, frisou. “Eles podem ficar, podem fazer os exames, podem registar-se aqui e trabalhar para as pessoas de Macau. Não há qualquer problema. Esta é a minha opinião, não a opinião do Governo”, disse em declarações à TDM. As declarações chegam numa altura em que a vice-presidente da Associação das Mulheres de Macau, a enfermeira Wong Kit Cheng, e Mónica Cordeiro, presidente da Associação do Pessoal de Enfermagem se mostraram contra a

HOSPITAL PÚBLICO DE CARA L AVADA Lei Chin Ion confirma que a o edifício de urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário já está basicamente construído, agora está na fase de vistoria sobre a sua qualidade e adequação. O director dos SS prevê que no último trimestre do ano o edifício entrará em funcionamento, o que representa um alívio de pressão à sala de urgência antiga.

ideia de contratação de portugueses porque tal poderia pôr em risco os pacientes e aumentaria a carga de trabalho dos enfermeiros chineses. Por sua vez, a Associação Luso-chinesa de Enfermeiros de Macau já veio mostrar-se contra estas teorias, defendendo o interesse na contratação de profissionais lusos, numa terra onde, dizem, há apenas três enfermeiros para 1000 habitantes.


CHINA

hoje macau segunda-feira 5.8.2013

O

Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, de 7.791 milhões de patacas, instituído há um mês, recebeu uma candidatura formal de uma empresa portuguesa, disse à agência Lusa fonte do fundo. Criado oficialmente a 26 de Junho, o fundo registou, até hoje, uma única candidatura formal, submetida por uma empresa portuguesa ligada ao sector agrícola, indicou a mesma fonte, sem facultar, porém, mais detalhes. Anunciado em Novembro de 2010 pelo então primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, no âmbito da 3.ª conferência ministerial do Fórum para a Cooperação Económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau), o fundo tem um valor global do capital social de 7.791 milhões de patacas. Promovido pelo Governo chinês e por iniciativa do Banco de Desenvolvimento da China e do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização de Macau (FDIC) -, o fundo foi dotado de uma verba inicial de 1.250 milhões, assegurados pelas entidades participantes China Development Bank Capital Corporation Ltd. (750 milhões) e FDIC (500 milhões). O fundo “concentrar-se-á nas necessidades de investimento e financiamento das empresas do interior da China (incluindo Macau) e dos Países de Língua Portuguesa, colocando ênfase no apoio à entrada das empresas do Interior da

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EMPRESA PORTUGUESA ‘ABRE’ CANDIDATURAS AO FUNDO PROMOVIDO PELA CHINA

Aproveitar a massa para crescer China e da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau] no mercado de Países de Língua Portuguesa e atracção das empresas dos mesmos Países para se desenvolverem na China”, explicou, em comunicado, a Direcção dos Serviços de Economia, aquando do anúncio da criação formal do fundo. De acordo com uma apresentação inicial, da dotação global do fundo, 1.558 milhões de patacas destinam-se a fundos de capital, enquanto os restantes 6.233 milhões a empréstimos e financiamento de projectos lusófonos relacionados com a construção de infra-estruturas, transportes, comunicações, energia, agricultura e recursos naturais, entre outros domínios do “interesse” comum da China e do universo lusófono. A operação e gestão cabe ao Fundo de Desenvolvimento China-África, na dependência do Banco de Desenvolvimento da China, algo justificado com a “vasta experiência na gestão de investimentos”. Com base nas características e circunstâncias individuais das empresas e projectos, o fundo “pode ser flexível na adopção de vários métodos ou abordagens de investimento”, lê-se numa brochura trilingue (chinês, português, inglês), na qual se elencam critérios para investimento e do projecto.

De acordo com uma apresentação inicial, da dotação global do fundo, 1.558 milhões de patacas destinam-se a fundos de capital, enquanto os restantes 6.233 milhões a empréstimos e financiamento de projectos lusófonos relacionados com a construção de infra-estruturas, transportes, comunicações, energia, agricultura e recursos naturais, entre outros domínios do “interesse” comum da China e do universo lusófono

ILHAS DIAOYU CHINA EXORTA JAPÃO A RESOLVER DISPUTA DE FORMA PACÍFICA

Procurar o caminho da amizade O vice-presidente chinês, Li Yuanchao, afirmou no sábado, num encontro com o antigo primeiro-ministro japonês Yukio Hatoyama, que espera que o Japão coopere de forma pacífica para resolver a disputa sobre as ilhas Diaoyu. “Consciente de que as relações bilaterais estão a atravessar graves dificuldades, Li exortou as duas partes a enfrentarem a realidade e a lidarem de forma apropriada com os problemas”, escreve hoje o jornal oficial chinês Global Times, referindo-se ao encontro de sábado

e às declarações do vice-presidente chinês durante o mesmo. Durante a reunião, Li defendeu “esforços conjuntos” para aliviar as tensões e disse esperar que Tóquio “aprenda com o passado e siga o caminho do desenvolvimento pacífico”, segundo o Global Times. Hatoyama, que liderou o Governo japonês depois das eleições de 2009 que deram uma vitória histórica ao Partido Democrático, sublinhou a importância das relações bilaterais e defendeu também o diálogo como solução para o actual momento de tensão.

“Deveríamos cooperar nas áreas da protecção ambiental e energia”, disse o ex-primeiro-ministro japonês, de acordo com o Global Times. A tensão entre Pequim e Tóquio agravou-se em Setembro de 2012, com a aquisição pelo Japão de uma das ilhas do arquipélago das Diaoyu, cujas águas se julga serem ricas em recursos naturais, pois a China reclama as ilhas como parte do seu território. Até ao momento, a China tem recusado um encontro de alto nível entre ambos os Governos.

O projecto deve situar-se nos países-membros, incluindo China (e Macau), Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste, “apresentar prospecção de mercado positiva com potencial de crescimento rápido e estável e capacidade de gerar bom fluxo de caixa e rentabilidade financeira”, bem como “poder promover o desenvolvimento económico local e melhorar a qualidade de vida das pessoas”. No ano passado, as trocas comerciais entre a China e os países lusófonos ascenderam a 946,91 milhões de patacas, mais 9,6% do que no ano anterior. Os dados incluem São Tomé e Príncipe, apesar de o país manter ligações com Taiwan e não participar directamente no Fórum Macau não constando também da lista dos ‘países-membros’ do fundo. A China estabeleceu a Região Administrativa Especial como a sua plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que criou o Fórum Macau que reúne ao nível ministerial de três em três anos. Este ano, vai realizar-se em Macau a 4.ª conferência ministerial do Fórum Macau, plataforma que celebra o seu 10.º aniversário.

Pequim com queda de 14 % no número de visitantes devido à poluição

P

EQUIM, a capital chinesa, registou uma queda de 14 % no número de visitantes no primeiro semestre do ano, face ao período homólogo de 2012, que é atribuída pelas autoridades locais à poluição, informou a imprensa estatal. De acordo com o jornal China Daily, que cita dados oficiais, Pequim acolheu 2,14 milhões de visitantes entre Janeiro e Junho, menos 14,3 % face ao primeiro semestre do ano passado. Esta foi a primeira vez que a capital chinesa sofreu uma que-

da do número de visitantes no primeiro semestre do ano desde 2008, situação que o director da Comissão de Desenvolvimento do Turismo da cidade, Lu Yong, atribuiu, citado pelo diário, à “poluição atmosférica frequente” e à desaceleração económica global. Pequim registou uma diminuição do número de turistas no primeiro semestre do ano, apesar de, em Janeiro, ter passado a autorizar estadias na cidade de 72 horas aos passageiros em trânsito de 45 países.


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ANGOLA

hoje macau segun

UMA HISTÓRIA QUE COMEÇOU NO SÉCULO XIX • 1 de Fevereiro de 1885 - Assinatura

• 7 de Junho de 1991 - A FLEC apelou

• 10 de Setembro de 2007 - António

do Tratado de Simulambuco entre a coroa

a negociações com o governo angolano

Bento Bembe foi nomeado para o cargo

portuguesa e representantes dos povos

para a realização de um referendo sobre a

de ministro sem pasta, no âmbito da

cabindas, que serviu a estes para se acolherem

autonomia de Cabinda.

implementação do Memorando de

sob a protecção de Portugal e a Lisboa para

Entendimento para a paz em Cabinda.

defender na Conferência de Berlim, que estava

• 8 de Junho de 1992 - O Papa João

a decorrer na altura, os seus direitos sobre

Paulo II apelou em Cabinda para que

• 1 de Agosto de 2008 - A FLEC

Cabinda, território que era reclamado pela

“todos ajudem a resolver os problemas

assume a denominação de Frente de

França, Reino Unido e Bélgica.

de Cabinda sem violência, mas com

Libertação do Estado de Cabinda.

paz e dialogo, respeitando o Povo e os

• 1956 - Alteração do estatuto

seus anseios, mas olhando também as

• 8 de Janeiro de 2010 - Uma

administrativo de Cabinda, com o regime

necessidades do pais inteiro”, na homília

facção da FLEC, a FLEC-Posição Militar,

colonial português a colocar Cabinda sob

da missa realizada no território, no âmbito

protagoniza uma emboscada à escolta

administração do governador da província

da visita pastoral a Angola.

militar da comitiva da selecção de futebol

de Angola.

do Togo, que ia participar na Taça de África

• 1960 - Fundação do Movimento de

• 29 e 30 de Setembro de 1992 - Primeiras eleições legislativas e

Libertação do Enclave de Cabinda (MLEC).

presidenciais em Angola, com a FLEC a

• 1963 - Fundação do Comité de Acção

mortos e seis feridos.

reivindicar vitória na campanha que fez

• 8 de Janeiro de 2010 - A FLEC

contra o registo eleitoral.

condena o ataque e António Bento Bembe

da União Nacional dos Cabindas (CAUNC) e da Aliança do Maiombe (ALLIAMA).

das Nações em futebol, provocando três

classifica-o como acto terrorista.

• 17 de Abril de 1999 - Apenas um mancebo se apresentou nos postos

• 30 de Dezembro de 2011 - A União

• 2 a 4 de Agosto de 1963 - Realização

de mobilização criados na província

Africana nomeou um relator especial para

do Congresso dos nacionalistas cabindas em

de Cabinda, no âmbito do processo

analisar as queixas dos independentistas

Point Noire, atual República do Congo, que

de incorporação nas Forças Armadas

de Cabinda contra o governo de Angola.

resultou na fusão do CAUNC e do ALLIAMA

Angolanas (FAA), o primeiro desde 1991.

• 6 de Abril de 2012 - Henriques Nzita

e consequente fundação da Frente de

• 4 de Dezembro de 2000 - O bispo

Tiago, líder histórico da FLEC propõe às

de Cabinda, Paulino Madeca, defende

autoridades angolanas conversações para

• 1964 - As Nações Unidas elaboram o

direito à independência e considera

uma solução definitiva para o território.

mapa da descolonização em África, em que

que o petróleo “beneficia muito pouco”

Angola surge registada com o código nº 35

a população local, numa entrevista ao

• 1 de Maio de 2013 - A direcção

e Cabinda com o código n.º 39.

semanário angolano ‘Agora’.

política da FLEC anuncia que formalizará

Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC).

dentro de dois dias a desistência da

• 16 de Janeiro de 1975 - Assinatura

• 1 de Agosto de 2006 - Assinatura no

luta armada e apela a negociações para

do Acordo de Alvor, entre Portugal e os

Namibe, sul de Angola, do Memorando de

alcançar um estatuto autonómico para

líderes dos três movimentos de libertação

Entendimento para a Paz e Reconciliação na

o território. Ao mesmo tempo, apelou à

de Angola (MPLA, FNLA e UNITA), que

província de Cabinda, entre as autoridades

guerrilha para que viabilize a iniciativa.

conduziu à independência de Angola mas

de Luanda, representadas pelo então

Em Luanda, o diário estatal Jornal de

em que o futuro do enclave de Cabinda não

ministro da Administração do Território,

Angola saúda a iniciativa da FLEC, numa

foi considerado de outra forma que não

Virgílio de Fontes Pereira, e pelo líder do

rara manifestação pública sobre o

fosse a integração no território angolano.

Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD),

conflito no território, com destaque na

António Bento Bembe, actual secretário de

primeira página e editorial na edição do

Estado dos Direitos Humanos.

dia 02 de Maio.

• 8 de Novembro de 1975 - A apenas três dias da independência de Angola, a FLEC inicia as hostilidades para a autodeterminação do enclave;

• Entre 1976 e 1991 - Recontros armados entre a FLEC e o exército angolano. A independência de Cabinda é defendida desde a década de 70 por diversas organizações autonomistas, com a FLEC a ramificar-se em várias facções e a perder capacidade de intervenção política.

FRENTE DE LIBERTAÇÃO DO ESTADO

A paz mora hoje

Foi há 50 anos que foi criada a guerrilh face a Angola. A agência Lusa entrevis e traça uma cronologia dos acontecime

A

Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), a mais antiga organização independentista do enclave, completou este Domingo 50 anos, mas em Luanda há muito que o conflito está dado como resolvido. Mas mais do que isso, a batalha foi ganha há pelo menos sete anos quando no Namibe, sul do país, foi assinado o Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação na província de Cabinda, fruto das divisões entre as várias facções em que se dividiu a FLEC, exploradas pelo regime do Presidente angolano José Eduardo dos Santos. Na ocasião, Roberto de Almeida, então presidente da Assembleia Nacional e que esteve presente no acto em representação de José Eduardo dos Santos, foi claro: “Desde Abril de 2002 que apenas na província de Cabinda continuava a existir um conflito armado, superado pelo patriotismo, bom senso e a capacidade

de diálogo de todas as partes envolvidas”. O ano de 2002 marcou o fim da guerra civil de mais de 30 anos, com curtas interrupções, entre a guerrilha da UNITA e as forças governamentais. E a vitória alcançada em 2006 com o Memorando, foi reforçada cerca de quatro anos depois, quando uma das facções da FLEC emboscou perto da fronteira com a República do Congo a escolta militar da selecção do Togo, nas vésperas da Taça de África das Nações em futebol, organizada por Angola, provocando três mortos e seis feridos. A partir daí, com o reforço policial e militar no enclave, a actividade da FLEC passou a ser pouco mais que residual e limitada às zonas perto das fronteiras com os dois Congos. A progressiva normalidade não mais voltou a ser perturbada e, agora, as notícias que chegam de Cabinda falam da marcha realizada sexta-feira na principal cidade do enclave, para celebrar o sé-


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nda-feira 5.8.2013

O RAPTO DE ADRIANO MOREIRA DIAS

O DE CABINDA COMEMORA 50 ANOS

e na província angolana

ha separatista que lutou pela independência de Cabinda stou Adriano Moreira Dias, raptado pela FLEC em 2001, entos timo aniversário da assinatura do Memorando, com a notícia da realização sexta-feira de uma marcha comemorativa do ato. Sem relação com o conflito, e manifesto sinal da normalidade, a imprensa estatal angolana preencheu o noticiário sobre o enclave com a antecipação do “derby” local, entre o FC Clube e o Sporting de Cabinda, da 2.ª divisão, que se disputa hoje, e a demissão de Miguel Banganga, treinador do primeiro daqueles clubes cabindas. Entretanto, a par da progressiva irrelevância militar no terreno, a FLEC ia apresentando sucessivos apelos para negociações, a que Luanda nunca respondia em público.

AS NOTÍCIAS DE MAIO

A excepção foi em Maio passado, quando o estatal Jornal de Angola em três dias publicou duas notícias sobre o conflito Cabinda: a primeira com destaque de primeira página e a segundo a merecer um editorial.

Em causa estava a mais recente oferta de diálogo da FLEC e, sobretudo, a formalização da desistência da luta armada, apelando a negociações para alcançar um estatuto autonómico para o território. Para o Jornal de Angola, o anúncio da FLEC do histórico nacionalista Henriques Nzita Tiago, exilado há longos anos em França, representava “um passo importante no processo de reconciliação”. “É verdade que não é a primeira vez que Nzita Tiago e companheiros demonstram por palavras ou por escrito que pretendem optar pelo diálogo. Depois desistem. Apesar de todos os recuos, continuam a ter direito ao benefício da dúvida. E se estão interessados em alimentar a paz e a reconciliação nacional, todos os angolanos lhes estendem os braços e, se quiserem, até uma passadeira vermelha. A paz é um valor que merece todos os sacrifícios”, lia-se no editorial. Por seu turno, o deputado cabindense Raul Danda, líder

parlamentar da UNITA em Angola, insiste no reforço do diálogo entre as partes. “A UNITA defende uma solução para Cabinda através do diálogo (...) uma solução que dignifique os cabindas e que devia ser encontrada no quadro de uma negociação entre os cabindas e o poder instalado em Angola”, afirmou. O enclave de Cabinda tem sido palco desde a independência de Angola, em Novembro de 1975, de uma luta pela independência, desencadeada ao longo dos anos por diferentes facções cabindas, restando actualmente somente a FLEC de Nzita Tiago como a única que ainda mantinha uma resistência armada residual à administração por parte de Luanda. Separada de Angola pelo rio Congo, Cabinda possui significativos recursos naturais, em que as reservas petrolíferas representam cerca de metade da produção diária de quase 1,8 milhões de barris de petróleo angolanas. - A.S.S. com Lusa

Adriano Moreira Dias, um dos portugueses raptados pela FLEC em 2001, recorda sobretudo as condições de vida na mata durante os 79 dias de cativeiro e afirma que, apesar das negociações para o seu resgate, “o José Eduardo dos Santos nunca lhes deu a independência”. “Nunca mais me esqueci. Nós tínhamos um autocarro e tínhamos ido a uma feira onde havia umas barracas em Cabinda. O motorista deu boleia a três indivíduos e vínhamos de volta ao estaleiro onde nós dormíamos e quando o motorista ia virar eles puxaram de pistola e disseram ‘aqui não, é sempre em frente’ e fomos para a mata”, disse à Lusa Moreira Dias, 64 anos, do Porto. A situação no enclave de Cabinda no início do século XXI ficou marcada pela actividade militar das Forças Armadas Angolanas muitas vezes denunciadas pela Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC), pela Igreja Católica portuguesa e pelas organizações de defesa dos direitos humanos. O movimento independentista alertava para a situação de atropelos dos direitos humanos face aos recursos naturais, sobretudo petróleo, e reclamava a independência através do

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envolvimento da diplomacia portuguesa à luz do Tratado de Simulambuco firmado entre 1885 entre Portugal e Cabinda e que preservava o distanciamento político entre o território do enclave e o restante território angolano. “O que eles pretendiam era a independência de Cabinda e ser ouvidos no Parlamento Europeu, porque são um enclave e queriam que Portugal assinasse os papéis com Angola por causa

da independência mas o José Eduardo dos Santos (presidente da República de Angola) nunca lhes deu a independência. Eles tentaram e nós tivemos lá 79 dias”, recorda Moreira Dias, que trabalhava para uma empresa de construção civil portuguesa em Angola. Após várias negociações, com a participação de dirigentes centristas como Luís Queiró e Ribeiro e Castro, os portugueses

acabaram por ser libertados. “Era arroz ao meio dia, arroz à noite e a alimentação era essa”. “Dormíamos onde calhava, havia duas chapas, umas tabancas e dormíamos ali os cinco. Uma vez disseram que íamos ser libertados mas esse dia nunca mais aparecia até que um dia apareceu lá aquele que eles chamavam ‘comandante’”, diz Moreia Dias. Enquanto estava no mato “desconhecia naturalmente” os esforços diplomáticos e os contactos no sentido da libertação que acontece após o longo caminho de regresso à cidade de Cabinda. “Na volta, tivemos de nos desviar dos trilhos todos por causa do Exército angolano porque eles andavam sempre à nossa procura”, recorda. “Viemos para Cabinda e depois para Portugal. Ficamos um mês em casa e ao fim de um mês a Soares da Costa disse para nós voltarmos para Cabinda mas eu disse que não ia. Nunca mais voltei a Angola. Fui para o fundo de desemprego e depois andei a sobreviver como podia e como tinha um compromisso com o banco para pagar a casa, fui trabalhar para Espanha”, conclui o português, raptado pela FLEC em 2001 e que nunca mais quis regressar a África.


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AVISO Contribuição Predial Urbana – Actualização de dados dos contribuintes Considerando a possibilidade de existirem contribuintes que ainda não beneficiaram da dedução à colecta em sede da contribuição predial urbana, no valor de $3.500,00 (três mil e quinhentas patacas), prevista no artigo 18.º da Lei do Orçamento de 2013, aprovada pela Lei n.º 17/2012, porque os seus dados pessoais não foram actualizados atempadamente, vem, por este meio, a Direcção dos Serviços de Finanças, alertar os cidadãos que reúnam as condições previstas na Lei, que procedam à actualização dos dados de identificação do proprietário constantes da matriz predial, pois só após a confirmação dos mesmos podem beneficiar da dedução atrás mencionada. Para o efeito, devem os contribuintes fazer-se acompanhar do Bilhete de Identidade Residente da RAEM (original e fotocópia), no acto de entrega do impresso “Participação de ocorrências diversas”, modelo M/10, devidamente preenchido e com assinatura reconhecida, e também de uma fotocópia do documento de identificação registado aquando da aquisição do bem imóvel ou da Declaração, conforme os casos. Por sua vez, os utilizadores do “Serviço Electrónico”, podem apresentar, via internet (http:// www.dsf.gov.mo), o impresso “Participação de ocorrências diversas”, modelo M/10, enviando, por Fax (n.º 2833 0076), para o Núcleo da Contribuição Predial e Rendas, a Declaração e os dados do documento de identificação. No caso de se verificar o pagamento a mais do montante da Contribuição Predial referente ao ano de 2012, pelos contribuintes benificiários da dedução fiscal, a Direcção dos Serviços de Finanças, por sua iniciativa, processa oportunamente a restituição não necessitando os contribuintes de a requererem. O impresso e a Declaração destinados a suprir os dados de identificação do proprietário, encontram-se disponíveis no Edifício “Finanças”, sito na Avenida da Praia Grande, no Centro de Atendimento Taipa e no Centro dos Serviços da RAEM, onde podem ser levantados gratuitamente e entregues nos referidos locais, ou carregados através do sítio electrónico da DSF.

Aos 24 de Julho de 2013. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição


VIDA

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HOJE NO PRATO Paula Bicho

Naturopata e Fitoterapeuta • obichodabotica@gmail.com

Salva Nome botânico: Salvia officinalis L. Família: Lamiaceae (Labiatae) Podendo atingir os 80 cm de altura, a Salva apresenta belas flores entre o lilás e o violeta e folhas características verde-acinzentado. É originária da região mediterrânica Oriental, atualmente cultivada nas regiões temperadas e com muita luz. O seu nome provém do latim salvare, porque, tida na mais alta consideração, se pensava que podia salvar de quase todas as doenças. Porém, para outros autores, derivará de salus, do latim saúde, e terá sido atribuído pela prestigiada escola botânica de Salerno numa alusão às suas numerosas virtudes medicinais. Utilizada pelos Egípcios, Gregos e Romanos, e referida por vários médicos ao longo da história, a Salva é hoje uma planta estudada que não pára de nos surpreender. COMPOSIÇÃO Óleo essencial, fitostrogénios (isoflavonas), flavonoides, constituintes amargos, ácidos fenólicos, taninos e elevado teor em ácido fosfórico. Apresenta um sabor forte, amargo e adstringente. ACÇÃO TERAPÊUTICA Com uma ação estrogénica semelhante à da foliculina, uma hormona segregada pelos ovários, a Salva é uma planta muito utilizada pela mulher por favorecer o seu equilíbrio hormonal: estimula a menstruação quando atrasada e regulariza o período, acalma as dores menstruais, ativa as contrações uterinas facilitando o parto (tomada no último mês da gravidez) e combate os transtornos da menopausa (especialmente os afrontamentos e a transpiração dos pés e das mãos); pode ainda ser usada no vaginismo, frigidez e como adjuvante na infertilidade feminina, tendo ganho fama, no final da Idade Média, de promover a fecundidade. Esta aromática tem igualmente propriedades tónicas e estimulantes de todo o organismo, em particular do sistema nervoso, melhorando o estado de humor e as capacidades cognitivas (atenção e memória). Tem indicação nos estados depressivos, astenia, hipotensão, tremores, vertigens e outras perturbações neurovegetativas. Em caso de sudação excessiva (suores noturnos, menopausa, doenças infecciosas, tuberculose), a Salva oferece os seus préstimos,

reduzindo a transpiração, sobretudo à noite. Para este efeito, é uma das melhores plantas conhecidas. OUTRAS PROPRIEDADES Em bochechos e gargarejos, nas afeções da boca e garganta (aftas, gengivites, amigdalites, faringites, tosse do fumador), a Salva desinfeta, combate a inflamação, acalma o ardor, a irritação e a tosse, e regenera a mucosa oral. Em irrigações vaginais é usada na leucorreia. Nas feridas e úlceras, furúnculos e abcessos ou picadas de insetos, emprega-se em lavagens e compressas, como antissética e cicatrizante. Na forma de banhos contribui para a beleza da pele. A Salva é ainda usada em tratamentos para a queda de cabelo. COMO TOMAR USO INTERNO • Infusão das folhas: 1 colher de sobremesa por chávena de água fervente. Tomar 3 chávenas por dia. Nas perturbações menstruais, toma-se na semana anterior à menstruação. • Em gotas, xaropes, comprimidos ou cápsulas de acordo com as indicações. • Em rebuçados ou pastilhas para a tosse e afeções da garganta. Óleo essencial: Em gotas ou cápsulas. • Na cozinha pode ser adicionada, em pequenas quantidades, a guisados e estufados de carne, sobretudo de carnes gordas, favorecendo a digestão. Também é usada para aromatizar a manteiga, o azeite ou vinagre. USO EXTERNO • Cozimento das folhas: 30 a 40 g por litro de água, 10 minutos de fervura. Em bochechos e gargarejos, irrigações vaginais (filtrar bem o cozimento antes de usar), lavagens, compressas e banhos. PRECAUÇÕES Como condimento, a Salva é uma planta segura. Em fitoterapia, não se recomendam tratamentos contínuos durante mais do que um mês, devido à toxicidade do óleo essencial (em doses elevadas é tóxico e convulsivante). As doses devem ser respeitadas. A Salva está contraindicada durante a gravidez (exceto durante o último mês), aleitação (faz desaparecer o leite), estados de irritabilidade ou de grande excitação nervosa. Em caso de dúvida, consulte o seu profissional de saúde.

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UE E CHINA ENTRAM EM ACORDO PARA IMPORTAÇÃO DE PAINÉIS SOLARES

Contra o abuso dos subsídios A Comissão Europeia acendeu a luz verde na passada sexta-feira num acordo com a China sobre a importação de painéis solares do país asiático. A previsão é que este acerto passe a valer a partir da próxima semana. A decisão foi adoptada com apoio “quase unânime” dos Estados-membros, informou a comissão em comunicado. Os termos oficiais desta negociação entrarão em vigor amanhã. O tratado firmado pelo comissário encarregado pelo Comércio, Karel De Gucht, e autoridades chinesas prevê o desaparecimento de medidas impostas pela UE aos produtos chineses. Em contrapartida, os fabricantes chineses comprometem-se a respei-

tar um preço mínimo de geração de energia que será estipulado. As cláusulas do acordo são confidenciais, mas, de acordo com a agência de notícias France Presse, o preço mínimo por watt que cada painel produzirá será de 4,3 patacas. Um terço dos fabricantes chineses não aceitaram a negociação.

ENTENDA O CASO

Os fabricantes de painéis solares europeus acusam a China de se beneficiar dos enormes subsídios estatais, que lhe permitem exportar para a Europa painéis solares de baixo custo no valor de 210 mil milhões de patacas, tirando empresas europeias do negócio. Outras indústrias europeias que acusaram a China de “dumping”

tiveram que lidar com importações de cerca de 10 mil milhões de patacas por ano. A Europa planeava impor tarifas pesadas a partir de 6 de Agosto, mas, receosa de ofender os líderes chineses e perder negócios na segunda maior economia do mundo, uma maioria de governos da UE, encabeçados pela Alemanha, se opôs ao plano, que levou ao acordo com concessões.

EUA vencem disputa contra China sobre importação de carne de frango Os Estados Unidos venceram uma disputa contra a China na Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta sexta-feira sobre importação de carne de frango, o que potencialmente poderá beneficiar uma divisão norte-americana da brasileira JBS, a Pilgrim’s Pride. Um painel de arbitragem entendeu que a China quebrou regras da entidade em pelo menos 16 de 21 pontos reclamados pelos EUA a respeito de importações de frango. “Esta decisão manda uma mensagem clara que a administração Obama pode lutar e ganhar a favor dos produtores, negócios e trabalhadores norte-americanos no sistema global de comércio, assegurando que a América pode beneficiar das regras e do acesso de mercado que negociamos nos nossos tratados internacionais de comércio”, disse o Representante de Comércio dos EUA, Michael Froman, em nota enviada por e-mail. A reclamação dos EUA, enviada em Setembro de 2011, dizia respeito às taxas impostas pela China

à importação de cortes de carne de frango dos EUA. O episódio foi visto como parte de uma série de reclamações em retaliação e ocorreu depois dos EUA terem barrado as importações de carne de frango cozida da China. Os EUA disseram à OMC que eram os maiores exportadores de cortes de frango para a China antes da imposição das tarifas e que posteriormente as suas vendas ao país asiático caíram 90%. O processo aberto pelos EUA citava prejuízos a exportadores como a Pilgrim’s Pride, controlada pela brasileira JBS; a Tyson Foods; e a Keystone, uma marca da empresa de alimentos brasileira Marfrig. A China justificou as tarifas dizendo que as importações dos EUA eram subsidiadas de maneira injusta e inundava o mercado chinês, provocando concorrência desleal e prejudicando a indústria local. O Ministério de Comércio da China não comentou imediatamente a decisão da OMC. A China tem prazo de 60 dias para apelar da decisão.

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AVISO COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL 1.

2.

3.

Faço saber que, o prazo de concessão por arrendamento dos terrenos da RAEM abaixo indicados, encontra-se terminado, e, que de acordo com o artigo 3.º da Lei n.º 8/91/M de 29 de Julho, conjugado com o artigo 2.º e o artigo 4.º da Portaria n.º 219/93/M, de 2 de Agosto, foi o mesmo automaticamente renovado por um período de dez anos a contar da data do seu termo, pelo que, deverão os interessados proceder ao pagamento da contribuição especial liquidada pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes. Localização dos terrenos: - Avenida do Conselheiro Borja, n.ºs 212 a 250, Avenida do General Castelo Branco, n.º 426, Rua Central de T´oi San, n.ºs 302 a 338 e Rua do Dr. Ricardo de Sousa, n.º 61, em Macau, (Edifício Yat Lai Garden). Agradecemos aos contribuintes que, no prazo de 30 dias subsequentes à data da notificação, se dirijam ao Núcleo da Contribuição Predial e Renda, situado no rés-do-chão do Edifício “Finanças”, ao Centro de Serviços da RAEM, ou, ao Centro de Atendimento da Taipa, para levantamento da guia de pagamento M/B, destinada ao respectivo pagamento nas Recebedorias dos referidos locais. Na falta de pagamento da contribuição no prazo estipulado, proceder-se-á à cobrança coerciva da dívida, de acordo com o disposto no artigo 6.º da Portaria acima mencionada. Aos, 15 de Julho de 2013. A Directora dos Serviços de Finanças, Vitória da Conceição

INSCRIÇÕES PARA AS PROVAS DO 60.º GRANDE PRÉMIO DE MACAU Início das inscrições: 5 de Agosto de 2013 Fim das inscrições: 6 de Setembro de 2013 Em relação aos Regulamentos Desportivos das corridas, favor de redigir à Página Electrónica do Grande Prémio de Macau: www.macau.grandprix.gov.mo Local das inscrições: Associação Geral de Automóvel de Macau - China Avenida da Amizade, n.° 207, Edifício do Grande Prémio Horário de funcionamento: De Segunda-feira a Sexta-feira, das 09:30h às 13:00h, 14:30h às 18:30h. (excepto aos Sábados, Domingos e feriados Públicos) Para informações poderá ligar para o seguinte número de telefone: (853) 28726578


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CULTURA

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COLISEU DE ROMA DEIXOU DE SER UMA “ROTUNDA” PELA QUAL CIRCULA O TRÂNSITO

Manter história para toda a humanidade H Á já um ano que uma grande intervenção ao Coliseu de Roma e à sua envolvente devia ter arrancado. Repentinamente, este sábado, com o anúncio imediatamente efectivo de proibição de circulação automóvel em redor do emblemático monumento, o plano parece, por fim, dar os primeiros passos, começando por tentar diminuir a poluição e as vibrações provocadas pelo intenso tráfego da capital italiana, que têm acelerado a deterioração do anfiteatro que é património mundial da Unesco desde 1980. A medida, que visa tornar toda a zona num passeio pedonal, foi assumida pelo novo presidente da Câmara de Roma, Ignazio Marino, eleito há cerca de dois meses pelo Partido Democrático (PD) italiano. A decisão de encerrar a zona circundante do Coliseu, desviando o trânsito por uma via paralela, foi recebida, no entanto, com algumas críticas dos moradores e comerciantes locais, que temem o entupimento das outras vias. Marino, porém, não tem dúvidas de que esta medida é crucial. “Temos um dos monumentos mais famosos do mundo e tornámo-lo numa rotunda”, disse o político de 58 anos à agência noticiosa AFP, explicando que, “com todo o

respeito”, entre o interesse daquele que não pode parar o carro em frente à sua tabacaria e a protecção do Coliseu, é o bem estar deste último que escolhe. “Acredito que temos a responsabilidade de manter a riqueza da história para toda a humanidade, é mais importante do que um atalho”, disse ainda Marino à BBC. Nos últimos anos, o Coliseu de Roma sofreu mesmo um desnivelamento e muitas das novas fissuras na sua estrutura foram atribuídas ao trânsito, porque embora uma

parte importante à volta já tenha sido transformada em área pedonal, há ainda uma zona de circulação automóvel muito próxima, na qual passam todos os dias cerca de dois mil veículos por hora, segundo a Euronews. A proibição, no entanto, não se aplica aos autocarros, táxis, bicicletas e viaturas de emergência, que continuarão a circular, ainda que com um limite de velocidade reduzido. A ideia de Marino é que a longo prazo toda a Avenida Foros Imperiais se torne pedonal.

“Isto só criará mais caos. Os meus clientes estão chateados, não sabem como poderão chegar aqui a partir de agora e eu nem sei ainda como venho trabalhar”, reagiu ao The Telegraph Cinizia Perugini, que tem uma papelaria na zona. A proprietária teme que o comércio fique a perder. E Elvira Micieli, proprietária de uma loja de roupas, acusou ainda o novo presidente da câmara de não ter consultado ninguém na zona sobre as suas intenções. “Ele não pode simplesmente acordar um dia e mudar tudo drasticamente, não vivemos numa ditadura”, disse ao mesmo jornal britânico a comerciante, para quem Marino devia ter pensado primeiro “em coisas como estacionamento extra e melhores transportes públicos”. Mas também há quem elogie a decisão. Claudio Lavanga, correspondente em Roma da NBC News escreve no site norte-americano que “finalmente as pessoas de Roma e os turistas vão poder estar frente ao mais famoso símbolo da Roma Antiga sem temerem ser atropelados por motoristas impacientes”. Este foi também um dos argumentos do presidente da Câmara de Roma que sublinhou que a partir de agora “os visitantes vão poder andar onde Júlio e Augusto César andaram”.

Espera-se agora que o restauro do monumento do século I avance a qualquer momento, uma vez que estava previsto para o ano passado. Foi já em Abril de 2011 que o então primeiro-ministro Silvio Berlusconi oficializou um polémico acordo com Diego della Valle, o dono da marca de calçado Tod’s, que ficou responsável por pagar 250 milhões de patacas por estas obras de restauro, beneficiando durante 15 anos dos direitos de imagem do Coliseu. Em troca dos seus 250 milhões – valor do restauro do Coliseu –, a empresa de Diego della Valle fica com a gestão exclusiva do espaço, assumindo todas as decisões em vez do Estado. O que significa, por exemplo, que se alguém quiser usar a imagem do Coliseu de Roma num filme, numa campanha de publicidade ou anuncio televisivo terá que pedir autorização e pagar direitos à Tod’s. Os trabalhos de restauro prevêem a recuperação das fachadas norte e sul, dos subterrâneos e a construção de um centro de serviços, numa tentativa não só de preservar o monumento como também de responder ao aumento do número de turistas que nos últimos dez anos passou de um milhão anual para seis milhões.

VISTA ALEGRE AVANÇA COM INTERNACIONALIZAÇÃO DAS FAIANÇAS BORDALLO PINHEIRO

Espanha, Brasil e Estados Unidos são os destinos A

Vista Alegre Atlantis (VAA) vai avançar em Setembro com a internacionalização das faianças Bordallo Pinheiro para os Estados Unidos, um dos três mercados de aposta para a marca, disse à Lusa o director de marketing, Nuno Barra. “A Bordallo Pinheiro sempre esteve muito virada para o mercado nacional e uma das orientações estra-

tégicas foi acelerar a internacionalização”, explicou Nuno Barra, apontando três mercados prioritários: Espanha, Brasil e Estados Unidos. “Começámos a internacionalização há cerca de dois anos, com a entrada do produto em Espanha, e este ano a aposta tem sido o Brasil”, onde está patente uma exposição de produtos

Bordallo Pinheiro criados por 20 artistas brasileiros, a qual virá para Portugal em Outubro. No caso de Espanha, a internacionalização das faianças Bordallo Pinheiro “tem corrido bem”, nesta fase virada para segmentos “mais direccionados, como decoradores, arquitectos de interiores”, adiantou o director de marketing. PUB

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A estratégia de internacionalização no Brasil tem sido semelhante à de Espanha, e a resposta “tem sido positiva”. Nos Estados Unidos, a expansão da marca “arrancará por volta de Setembro”, embora o produto já esteja em território norte-americano. Questionado sobre quando a marca Bordallo Pinheiro estará consolidada naqueles mercados, Nuno Barra disse ser difícil de prever, embora aponte 2016 como um horizonte alcançável. Em relação à parceria que a Vista Alegre Atlantis tem com a marca de luxo Lacroix, anunciada no início do ano, Nuno Barra disse que “está a correr muito bem, sendo o terceiro produto mais vendido” pelo grupo português. “Em Portugal é

o número um”, disse, acrescentando que esta parceria irá resultar em novas colecções para o Natal, adiantando que os produtos “foram bem aceites nos mercados asiáticos, Brasil e Estados Unidos”. “Também temos projectos [em conjunto com a Lacroix] no cristal e no vidro”, adiantou.

Em relação aos mercados da Índia e da Colômbia, onde a Vista Alegre Atlantis está presente com parceiros locais, Nuno Barra adiantou que o mercado asiático “tem sido mais difícil”, até pela questão dos hábitos locais. Já no caso do mercado colombiano, os produtos da VAA têm registado “um crescimento grande” nas vendas, impulsionadas pelo parceiro local. Em Moçambique, onde a VAA tem duas lojas, o projecto está a correr bem, mas ainda está no início. “Vamos fazer projectos com artistas moçambicanos”, acrescentou. Em relação aos números de vendas, o director de marketing escusou-se a avançar dados.


cultura 15

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ANDY WARHOL NASCEU HÁ 85 ANOS E COM ELE A IDADE DA POP ART

O príncipe da mudança W ARHOL nasceu há 85 anos, a 06 de Agosto de 1928, em Pittsburg, nos Estados Unidos As latas de sopa Campbell, as caixas de detergente Brillo, as serigrafias de Marilyn Monroe ou de Mao Tse Tung, entre muitas outras obras, fizeram de Andy Warhol “o príncipe da Pop Art”, como o artista plástico ficou conhecido. Warhol nasceu há 85 anos, a 06 de Agosto de 1928, em Pittsburg, nos Estados Unidos, no seio de uma família operária de emigrantes eslovacos, acabando por se transformar, nas seis décadas que se seguiram até à sua morte, em Fevereiro de 1987, numa “lenda americana do século XX”, como a imprensa especializada o definiu. Warhol formou-se em 1949, no Carnegie Institute of Technology, em Pittsburgh, seguindo para Nova Iorque, onde trabalhou como artista gráfico e ilustrador de revistas como a Vogue e a Harper’s Bazaar, tornando-se rapidamente num dos criadores mais procurados da cidade.

Teve a primeira exposição individual na Hugo Gallery nova-iorquina, em 1952, quatro anos antes de entrar no Museu de Arte Moderna (MoMA), numa mostra colectiva dedicada a “novos valores”, com peças inspiradas em personagens do escritor Truman Capote. A exposição antecede a afirmação do “estilo” de Warhol, que se verificaria na década seguinte: a transposição dos conceitos da publicidade e da produção em massa para a arte, apelando à “reprodução em série” de temas do quotidiano e de artigos de consumo, como caixas de detergente e garrafas de Coca-Cola, e de rostos de personalidades ou de ícones da arte, como Mick Jagger, Che Guevara ou Mona Lisa. A serigrafia, a colagem e o uso de materiais descartáveis tornaram-se nos meios preferidos de Warhol; a chamada “sociedade de consumo”, a sua inspiração. “Os grandes armazéns são uma espécie de museus”, disse o artista em diferentes entrevistas, embora a frase tenha ficado

menos célebre do que a sua similar, sobre “os quinze minutos de fama” que “a todos” prenunciava. Para Warhol o ciclo criativo completava-se com a “produção em massa” das suas próprias obras. É nesse contexto que funda a “Factory” (Fábrica), em Nova Iorque, em 1962, um estúdio de arte que também foi um estúdio de cinema (assinou cerca de três centenas de títulos “underground”) e de música, transformando-a numa espécie

de laboratório para gerações de criadores. Lou Reed e os Velvet Underground afirmam-se com o apoio de Warhol, sucedendo-se a integração da cantora e modelo de origem alemã Nico, na banda que também era de John Cale, Sterling Morrison e Maureen Tucker. Até ao fim da vida Warhol continuou a apoiar artistas como, entre outros, Keith Haring e Jean-Michel Basquiat, que se destacaram pelos

“graffitis” em Manhattan, ou o fotógrafo Robert Mapplethorpe. “Warhol foi uma das pessoas mais aborrecidas que já conheci”, afirmou Robert Hughes, antigo crítico de arte da revista Time, numa entrevista à brasileira Veja, em 2007. O crítico de origem australiana, que morreu exactamente a 6 de Agosto de 2012 - o dia em que Warhol cumpriria 84 anos -, reconheceu a “lenda de Warhol” e a sua “relevância no começo dos anos 60”, mas assegurou não ter dúvidas de que “a reputação [do artista] é a mais ridiculamente sobrestimada do século XX”. Em 2012, Andy Warhol liderou os leilões, a nível mundial, com vendas acumuladas superiores a cerca de 2520 milhões de patacas, de acordo com os números da sociedade francesa ArtPrice, divulgados em Março deste ano. Em Portugal, destaca-se o quadro de Warhol, do Museu Berardo, em Lisboa, avaliado em 12 milhões de euros, numa colecção que inclui ainda várias “Brillo Box” e latas “Campbell Soup”, dos anos 60, além de “Portfólios”, que incluem Judy Garland, Jacqueline Onassis e Liza Minnelli, vindos da década de 1980. Andy Warhol morreu a 22 Fevereiro de 1987. Em Maio de 1994, um museu com o seu nome foi inaugurado em Pittsburg, a cidade natal.

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BELVER DÁ LIÇÕES DE HISTÓRIA COM MUSEU DO SABÃO

Quatro em todo o mundo A

mistura de cinza, cal, borras de azeite e água é a receita do sabão mole e está disponível em Belver, no único Museu português do Sabão, que faz parte do grupo restrito de quatro em todo o mundo. No município de Gavião, próximo das margens do rio Tejo, o museu inaugurado em finais de Abril, guarda as memórias de uma terra, cujos habitantes ficaram conhecidos por saboeiros, depois da instalação, no século XVI, da Real Fábrica de Sabão. A História e as histórias são contadas nas paredes do museu e por Firmino Espadinha, da Câmara Municipal de Gavião. Junto a uma escultura feita de sabão de glicerina e de uma vitrina de exposição inspirada nos antigos tanques de lavagem de roupa, Firmino Espadinha conta como no museu já funcionou uma escola primária. Com o projecto do museu, alguns dos antigos alunos investigaram e en-

contraram a antiga receita, cuja recriação é mostrada num filme, que é projectado repetidamente numa das paredes do museu, a par do processo químico do sabão para explicar a razão de ser usado na higiene. Nos tempos actuais, os visitantes, sobretudo os mais novos, podem fazer os seus próprios sabonetes, de forma simplificada e rápida, usando apenas glicerina e corante. Firmino Espadinha relembrou que com a extinção do monopólio de fabrico na terra, em 1858, alguns trabalhadores da Real Fábrica usaram as matérias-primas e o que sabiam para até à primeira metade do século XX manterem a funcionar as casas de sabão mole. Pelas paredes do museu há retratos dos saboeiros, o decreto régio de fundação da fábrica, trajes típicos, utensílios, jogos interactivos e uma vista privilegiada sobre o castelo de Belver, um monumento nacional. “O Museu do Sabão é um

complemento”, acrescenta ainda o responsável para enumerar que ali muito perto há um percurso pedestre pelas arribas do Tejo e um centro de observação de avifauna. “Promovendo coisas pequeninas, que todas elas juntas dão uma coisa grande, que é um produto”, resume, por seu lado, o vice-presidente da Câmara de Gavião. Germano Porfírio lembra como os concelhos do interior, num país a “cair para o mar”, têm de lutar contra a desertificação e a velhice dos habitantes. Em Gavião, a ‘receita’ do sabão juntou-se para aumentar o interesse num percurso pedonal que liga as duas margens do rio Tejo, inclui a praia fluvial do Alamal e em breve terá o museu das mantas. O museu de Belver soma visitantes nacionais e internacionais, segundo os responsáveis, que indicam que apenas há ‘concorrência’ em todo o mundo neste contar da história do sabão em França, no Líbano e em Espanha.

Anúncio A todos a quem for presente, O “Centro de Educação da Academia de Talentos de Macau” e a sociedade “Academia de Talentos de Macau Lda.”, declaram que: de harmonia com o deliberado em reunião da Assembleia Geral Extraordinária, foram destituídos de todas as funções, cargos e responsabilidades que vêm exercendo em representação das entidades acima mencionadas, Ana Maria Manhão Sou, cidadã de Macau, titular do Bir Nº. 5025XXX (X) e Luís Miguel Manhão Sou, cidadão de Macau, titular do BIR Nº. 5123XXX (X). Por conseguinte, ficam desde já encerradas e dadas por findas as suas principais funções de Directores do Centro de Educação e também de todos outros direitos que possam ter sido exercidos por eles no passado. Todas e quaisquer relações pessoais, problemas financeiros, dívidas pessoais ou conexas com as empresas, bem como, quaisquer outros problemas anteriormente exercidos no exterior sem o consentimento das referidas empresas não são da responsabilidade das ditas empresas. Sexta Feira, 2 de Agosto de 2013 “Centro de Educação da Academia de Talentos de Macau” e sociedade “Academia de Talentos de Macau Lda.” CEO Maria Cordero


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DESPORTO

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CHINA SAGRA-SE CAMPEÃ NA ETAPA DE MACAU DO TORNEIO MUNDIAL DE VOLEIBOL

Três jogos, três vitórias A China concluiu a primeira eliminatória do Grande Prémio Mundial de Voleibol Feminino com três vitórias perante a Bulgária, Cuba e Holanda o que a faz levar uma boa vantagem para as próximas duas etapas RITA MARQUES RAMOS rita.ramos@hojemacau.com.mo

S

EM grandes dificuldades nem percalços, a China foi vencendo uma por uma as restantes três selecções - Bulgária, Cuba e Holanda - que disputaram este fim-de-semana a etapa de Macau para o Grande Prémio Mundial de Voleibol Feminino. Ainda assim, foi a Holanda quem deu mais luta à actual campeã mundial de voleibol feminino. Ontem à tarde, com uma

assistência que preenchia praticamente os quatro mil lugares do Fórum de Macau, o primeiro set (26-24) deste segundo jogo do dia, foi disputado de forma bem renhida entre as duas selecções, tal como demonstra o resultado, tendo recaído a vitória sobre a equipa chinesa. Já o segundo jogo (19-25) acabou por ficar nas mãos das holandesas. No entanto, as fragilidades da equipa de Gido Vermeulen foram evidentes nos dois sets seguintes (25-17; 25-17) que acabaram por

garantir sem grandes obstáculos a vitória da equipa do continente. A Holanda acabou assim por ficar em terceiro lugar nesta etapa, logo seguida da Bulgária - que derrotou a equipa holandesa no dia anterior - e em 4.º lugar ficou Cuba, que não conseguiu qualquer vitória nesta primeira eliminatória do torneio. A equipa dirigida por

Lang Ping, também ex-jogadora da modalidade, ruma no próximo fim-de-semana a Hong Kong,

CLASSIFICAÇÃO 1º China 2º Bulgária 3º Holanda 4º Cuba

JOGOS DA LUSOFONIA EM GOA COM “ATRASOS TREMENDOS”

Organização garante evento O S Jogos da Lusofonia, que se disputam entre 2 e 10 de Novembro, em Goa, sofreram “atrasos tremendos”, mas não vão ser cancelados, disse à agência Lusa o presidente da Comissão Organizadora, Keshav Chandra. Keshav Chandra, que falava em Macau à margem da cerimónia de abertura do Grande Prémio Mundial de voleibol feminino, admitiu que há atrasos significativos nas infra-estruturas, mas reiterou que os Jogos da Lusofonia vão realizar-se em Goa e que as autoridades estão a envidar todos os esforços para acelerar os trabalhos, sendo que “a questão [de cancelamento] não foi levantada”. “Absolutamente não”, reagiu o presidente da Comissão Organizadora da terceira edição dos Jogos da Lusofonia de Goa quando questionado pela Lusa sobre a possibilidade de cancelamento

do evento desportivo, avançada, durante esta semana, pela Antena 1. Keshav Chandra confirmou que houve um “atraso tremendo, caso contrário esta especulação não teria surgido”. No entanto, realçou o empenho das autoridades em transformar o evento num “grande sucesso”. “Podemos esperar grandes jogos em Goa, como planeado”, frisou. Os atrasos surgiram designadamente num contexto de mudanças políticas, contudo, apontou que “os trabalhos têm vindo a ser acelerados”. “Obviamente perdemos tempo, mas tem havido todo um esforço para recuperar o tempo perdido. Há certas preocupações e um ligeiro desapontamento porque há infra-estruturas que já deviam estar construídas por esta altura “, reconheceu. Keshav Chandra vincou, à seme-

onde irá disputar mais três jogos frente à Argentina, Turquia e República Checa, com o moral em

lhança de outros jogos de carácter multidisciplinar ou multinacional, como os Olímpicos ou os da Commonwealth, há desafios até ao dia da abertura: “Os desafios são muitos e chegam-nos numa base diária, mas há uma equipa muito eficiente que também tem vindo a responder a esse ritmo”. Nesta fase, o objectivo, segundo o presidente da Comissão Organizadora, passa por ter as infra-estruturas prontas a 10 de Outubro. Antes, a 16 de Setembro - a data ainda não foi oficialmente confirmada, mas sê-lo-á em breve, de acordo com Keshav Chandra - realizar-se-á um encontro de chefes de missão de todos os comités olímpicos nacionais em Goa, os quais vão avaliar todos os aspectos relacionados com os Jogos, como as infra-estruturas ou planeamento.

9 pontos (3 vitórias) 6 pontos (2 vitórias) 3 pontos (1 vitória) 0 pontos (0 vitórias)

cima. Isto porque, até ao fecho da edição, destacava-se em primeiro lugar na competição, ainda que não estivessem terminados os restantes grupos (A, B, C e E), a decorrer no Brasil, na República Dominicana, na Turquia e em Itália. É em casa que jogam também a terceira eliminatória - na cidade de Wuhan, província de Hubei - no fim-de-semana de 16 a 18 de Agosto. E, se tudo correr pelo melhor, e se conseguirem apurar como uma das cinco equipas com melhor pontuação, irão rumar a Sapporo, no Japão, para disputar a final do torneio que decorrer entre 28 de Agosto e 1 de Setembro. Esta é a primeira vez que o Grande Prémio Mundial de Voleibol Feminino apresenta 20 equipas, tendo nas últimas duas edições contado até então com um máximo de 16 equipas. O território já recebeu duas finais do Grande Prémio Mundial de Voleibol Feminino, em 2001 e 2011. Segundo o Instituto do Desporto, uma nova final para Macau (que já acolheu 18 etapas do campeonato) só deverá acontecer em 2016.

China realizou “corrida vertical” num arranha-céus de Pequim

C

ENTENAS de corredores subiram, no sábado, mais de 2.000 escadas de 82 andares de um arranha-céus de Pequim, na primeira “corrida vertical” realizada no país. O alemão Thomas Dold venceu o título masculino da corrida realizada no China World Trade Center Tower 3, o edifício mais alto de Pequim, com 330 metros de altura, em apenas 10 minutos e 22 segundos. “Temos de correr entre três a quatro degraus por segundo”, disse Dold, acrescentando que percorreu os 2.041 degraus dois a dois, à frente dos cerca de 600 atletas que participaram. A competição faz parte

de um circuito internacional de corridas de arranha-céus, que inclui corridas nalguns dos edifícios mais altos do mundo, como o Empire State Building de Nova York e o Taipei 101, em Taiwan. A australiana Suzy Walsham venceu o título feminino, ao percorrer os 82 andares em 11 minutos e 46 segundos. Depois de uma vista panorâmica sobre os edifícios típicos de Pequim, como a praça Tiananmen, os esgotados competidores puderam descer nos elevadores do edifício, que percorreram os cerca de 80 andares em apenas 40 segundos.


FUTILIDADES

hoje macau segunda-feira 5.8.2013

TEMPO

POUCO

NUBLADO

[TELE]VISÃO

MIN

26

MAX

TDM News - Repetição Telejornal + 360° (Diferido) RTPi DIRECTO Cougar Town – Sr.2 Vingança Telejornal Alta Pressão Alta Pressão Alta Pressão Alta Pressão Caminho das Índias TDM News Com Ciência Telejornal (Repetição) RTPi DIRECTO

RTPi 82 14:00 14:35 15:00 15:30 16:00 17:15 18:00 19:00 20:00 21:15 22:00 22:45

Telejornal Madeira Consigo EUA – Nova Inglaterra Contacto - 2013 Em Reportagem (Madeira) Bom Dia Portugal Portugal Aqui Tão Perto O Teu Olhar (Telenovela) Verão Cá Dentro Jornal da Tarde O Preço Certo EUA – Nova Inglaterra Contacto - 2013 Verão Total

HUM

65-90%

31 - STAR Sports 12:00 (Delay) FIM Mx1 World Championship 2013 Grand Prix of Czech Republic 14:00 (Delay) FIM Mx2 World Championship 2013 Grand Prix of Czech Republic 16:00 SBK Superbike World Championship 2013 - Race 2 17:00 Rebel TV 20 17:30 El Clasico Match 2006/2007 Real Madrid CF vs. FC Barcelona 19:30 SBK Superbike World Championship 2013 - Race 1 & 2 21:30 (LIVE) Score Tonight 2013 22:00 Nissan GT Academy 2013 22:30 Planet Speed 2013/14 23:00 SBK Superbike World Championship 2013 - Race 2 40 - FOX Movies 11:10 Intouchables 13:05 Ice Age: Continental Drift 14:35 The Chronicles Of Narnia 17:05 The Haunted Mansion 18:40 Once Upon A Time 19:25 Air Force One Is Down 21:00 Salt 22:40 Armageddon 41 - HBO 12:20 The Smurfs 14:00 Abduction 15:50 The Pirates! Band Of Misfits 17:20 Extremely Loud & Incredibly Close 19:30 Haywire 21:00 The Newsroom 22:00 Strike Back 23:30 True Blood 00:30 Barricade 42 - Cinemax 12:30 Above The Law 14:15 Exit Wounds 16:00 Samson And Delilah 18:15 The Skulls Ii 20:15 Blood & Chrome 22:00 Todd McfarlaneíS Spawn 00:30 The Handmaid’S Tale

EURO

DORAEMON THE MOVIE: NOBITA IN THE SECRET GADGET MUSEUM [A] (FALADO EM CANTONÊS) 14.00, 17.45

R.I.P.D. [B]

Um filme de: Robert Schwentke Com: Ryan Reynolds, Jeff Bridges, Kevin Bacon 15.55, 21.45, 23.30

THE WOLVERINE [C] Um filme de: James Mangold com: Hugh Jackman 19.30

Sala 2

Sala 3

Um filme de: James Mangold com: Hugh Jackman 14.30, 21.30

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Raja Gosnell 14.00, 15.55, 17.50

THE WOLVERINE [C]

THE SMURFS [3D] [A]

R.I.P.D. 3D [B]

MONSTERS UNIVERSITY [A]

Um filme de: Robert Schwentke Com: Ryan Reynolds, Jeff Bridges, Kevin Bacon 19.30

BAHT

0.2

YUAN

1.2

THE SMURFS [A]

THE WOLVERINE [3D] [C] Um filme de: James Mangold com: Hugh Jackman 16.45

10.3

Cineteatro

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Raja Gosnell 19.45

(FALADO EM CANTONÊS) Um filme de: Dan Scanlon 21.45

M A C A U [ S Ã ] A S S A D O UM PROBLEMA DE VISÃO

30 - FOX Sports 11:00 (Delay) The 12 World Games 2013 15:30 Football Asia 2013/14 16:00 Bridgestone Invitational 2013 Daily Highlights 18:00 PGA Championship Official Film 1980 19:00 (Delay) The World Games 2013 - Highlight Show 19:30 (LIVE) FOX SPORTS Central 20:00 Bridgestone Invitational 2013 Event Highlights 21:00 PGA Championship Official Film 1999 22:00 FOX SPORTS Central 22:30 Ricoh Women’s British Open 2013 Day 4

•

] C I N E M A

[ SALA 1

TDM 13:00 13:30 14:40 19:10 19:30 20:30 21:00 21:20 21:40 22:00 22:20 23:00 23:30 00:00 00:30

32

17

POR MIM FALO

Pu Yi

Foto: Hoje Macau

Pudins e afins

• Chegados ao Hospital Conde de São Januário, Oftalimologia é o que nos mostra um dos placards informativos daquele hospital. É caso para perguntar: estaremos a ver bem?

À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA A MAÇÃ NO ESCURO • Clarice Lispector Este é um romance de iniciação, através da busca individual de Martim, que pensando ter morto a mulher se refugia num hotel e depois numa fazenda. Deslumbrante e psicologicamente denso, este livro tem as marcas mais pessoais da autora, pois nele tudo se relaciona numa criação que é ao mesmo tempo narrativa e exercício espiritual. A PAIXÃO SEGUNDO G.H. • Clarice Lispector

Um livro de revelações sobre uma personagem imersa na sua rotina e afazeres diários e que lança um novo olhar sobre si mesma, sobre as suas angústias, paixões e desapegos. GUIA PARA 50 PERSONAGENS DA FICÇÃO PORTUGUESA • Bruno Vieira Amaral

Pela primeira vez, cinquenta das melhores e mais representativas personagens da Literatura Portuguesa dos últimos dois séculos são apresentadas num único livro. Ao longo de mais de um século e meio, os melhores autores portugueses contribuíram para a riqueza e diversidade desta galeria onde não raras vezes o leitor encontrará o reflexo dos seus vizinhos e familiares, dos seus amigos e colegas de trabalho e onde não se deverá espantar por encontrar o seu próprio reflexo. Os textos escritos por Bruno Vieira Amaral são um convite à leitura dos romances, o habitat natural de cada uma das personagens, mas também um extraordinário retrato da história e evolução de um país, Portugal. RUA DE S. DOMINGOS 16-18 • TEL: +853 28566442 | 28515915 • FAX: +853 28378014 • MAIL@LIVRARIAPORTUGUESA.NET

I Hoje apetecia-me um pudim. Mas não um pudim qualquer. Apetecia-me um pudim abade de Priscos, assim bem docinho como só ele sabe ser. O pudim abade de Priscos é um pudim típico de Braga e ficou conhecido quando Pereira Júnior, director do Magistério Primário feminino de Braga no antigo Convento dos Congregados, pediu ao abade de Priscos receitas para ensinar no magistério. Candidato finalista a uma das Sete Maravilhas da Gastronomia Portuguesa, o pudim – qual bomba calórica – é confeccionado com água, ovos, meio quilo de açúcar, casca de limão, pau de canela, vinho do Porto e toucinho gordo. Digam-me lá, não é uma maravilha? II Macau precisa urgentemente de mudar o paradigma do turismo. Já muito foi falado e não é disso que hoje venho falar. Lembrei-me dos autocarros de turismo “Hop On Hop Off” que, julgo, tanto jeito dariam à cidade. Lisboa tem, a meu ver, um dos mais avançados sistemas de “Hop On Hop Off” que conheço. A cidade, com ruas estreitas tal e qual como Macau, funciona num sistema duplo de autocarros, i.e. existem os tradicionais de dois andares que fazem os percursos de ruas largas e uns, mais pequenos, que andam pelas ruas mais estreitas e pelos bairros antigos da cidade. Questionome a razão de nunca se ter implementado este ou outro qualquer sistema de autocarros “Hop On Hop Off” na RAEM. Não seria – a par do Macau Pass para turistas -, algo a ter mente? Provavelmente iria melhorar o turismo do território e dando-lhe o tal cunho mais internacional. III Nem tudo é mau em Macau. Então se fizermos uma comparação com o Dubai, a RAEM é óptima. Senão vejamos. O Dubai não tem – ou pouco terá – de interessante para ver. A cidade não tem património. Macau tem muito de interesse para ver. Mesmo na parte fútil da vida, Macau fica a ganhar. Os preços que se praticam nos estabelecimentos hoteleiros e o que se gasta em compras e alimentação estão muito mais conta na RAEM do que no emirado do Médio Oriente. Já para não falarmos do Ramadão que acaba por castrar os que seguem a religião islâmica – tudo bem – e os que não a seguem. Dubai ganha apenas em duas coisas: uma delas muito pessoal, a gastronomia árabe – que sou fã – e as praias de águas límpidas, apesar de parecerem uma panela em lume brando.


OPINIÃO

hoje macau segunda-feira 5.8.2013

A crise é à prova de crise

O

Ricardo Araújo Pereira in Visão

grande derrotado da crise política portuguesa é, como creio que toda a gente já percebeu, Stephen Hawking. O cientista inglês sempre se mostrou muito céptico quanto à hipótese de viajar no tempo, mas Cavaco, com muito menos conhecimentos de Física, demonstrou que é possível. Neste momento, estamos exactamente no mesmo ponto em que estávamos há duas semanas. H. G. Wells também deve estar a sentir-se bem estúpido. As máquinas do tempo são inúteis. Basta fazer dois discursos. Voltar atrás no tempo é uma variação de voltar atrás com a palavra. O compromisso de salvação nacional falhou, e nesse caso há que retroceder até ao momento em que a necessidade de salvação já estava iminente, mas em que a perdição ainda não tinha começado. Portanto, e recapitulando: demitiu-se o ministro que era o principal responsável pela política do governo, reconhecendo que a política falhou. Depois, demitiu-se outro miMARC CHAGALL, O BURRO VERDE

18

nistro em protesto pelo facto de a substituta do outro ministro constituir uma solução de continuidade das políticas que tinham falhado. A seguir, o primeiro-ministro recusou a demissão deste último ministro, que ainda assim faltou ao conselho de ministros por se considerar demissionário. É fácil perceber a razão pela qual a salvação nacional parecia necessária. Mas é muito difícil perceber a razão pela qual deixou de ser.

O estudante que cumpre todos os seus deveres e mesmo assim não atinge os objectivos não é bom aluno. É burro. Portugal é burro. Esta é a dura realidade A crise política criada pelo governo resistiu à crise política criada pelo Presidente da República, e também por isso o nosso país deveria aproveitar esta encruzilhada para reflectir na sua situação escolar. A

Grécia não cumpriu as medidas impostas pela troika, e por isso não atingiu as metas previstas. Portugal cumpriu as medidas impostas pela troika, e mesmo assim não atingiu as metas previstas. Os gregos não têm aproveitamento porque são maus alunos. Portugal é bom aluno e falha na mesma. O que, na verdade, significa que Portugal não é bom aluno. O estudante que cumpre todos os seus deveres e mesmo assim não atinge os objectivos não é bom aluno. É burro. Portugal é burro. Esta é a dura realidade. Os gregos sempre têm a desculpa de se estarem borrifando para o programa. Nós cumprimos, e mesmo assim chumbamos. Temos a pior parte de ser bom aluno e a pior parte de ser mau. Não temos nenhuma das boas. Nem atingimos os objectivos, como os bons alunos, nem engatamos as miúdas problemáticas, como os maus. Alguma coisa tem de mudar, e Portugal tem de assumir clara e integralmente um destes estatutos, qualquer que ele seja, uma vez que atingir objectivos é agradável, e as miúdas problemáticas costumam ter uma moral sexual um pouco mais frouxa.


opinião 19

hoje macau segunda-feira 5.8.2013

Ricardo Pinho

disse-me um passarinho...

twitter.com/ricardo

Ter estilo já não é sobre como ser distinto, mas como estar na moda. DAVID CHAN* legalpublicationsreaders@yahoo.com.hk http://blog.yahoo.com/legalpublications

macau visto de hong kong

N

O dia 20 de Julho de 2013, um homem do continente, de nome Tam, foi preso na Avenida da Amizade, por estar a distribuir panfletos pornográficos. Tinha 440 panfletos com nomes e fotos de raparigas. Estava a fazer este trabalho porque perdeu todo o dinheiro no casino. Pela tarefa receberia 500 patacas. No dia 19 de Julho de 2013 uma macaense de nome Lam, foi presa na Praça de Ferreira do Amaral pelo mesmo motivo. Tinha 68 panfletos. Lam disse à polícia que recebia 40 patacas por hora. Os panfletos têm nomes, fotos e números de telefone de prostitutas. A sociedade não vê com bons olhos esta actividade. No dia 19 de Março de 2013, o deputado Alan Ho e outras oito pessoas famosas de Macau, foram ao Ministério Público denunciar as consequências desta actividade. A resposta do Ministério Público foi positiva. O Ministério prometeu que iria tratar do assunto. Nos jornais chineses alguns cidadãos dizem que os panfletos de pornografia são “lixo amarelo”. Para os chineses a palavra “amarelo” quer dizer “pornografia”. Não é uma palavra boa. Por isso uma “revista pornográfica” é descrita como a “revista amarela”. Para além do “lixo amarelo”, os cidadãos de Macau dizem que a distribuição de panfletos é a distribuição de “dinheiro falso”. O “dinheiro falso”, ou “dinheiro de papel”, é o dinheiro para os mortos. Não é verdadeiro. Para os chineses os mortos são os antepassados. Um exemplo: se A é pai e B o filho, quando A morre passa a ser o antepassado de B. A passa a ser um fantasma da família de B. Daqui a cerca de três semanas é o “Chinese Ghost festival” ou “Mid-Autumn Festival”. Os leitores poderão então testemunhar um fenómeno peculiar. Os chineses prestam tributo aos antepassados oferecendo-lhes fruta, arroz, vinho, galinha, porco, bolos, etc.

PAUL GAUGUIN, PROSTITUTA

Panfletos, cartões pornográficos e indústria do sexo

São as comidas preferidas dos fantasmas. Os chineses também acreditam na oferta de dinheiro aos mortos. Voltemos ao exemplo anterior. Como B é filho de A, então B tem de dar dinheiro a A, embora ele já esteja morto. É um sinal de respeito e de amor. A forma de o fazer é queimando-o ou espalhando o dinheiro na rua. O dinheiro para queimar é diferente do dinheiro para espalhar na rua. O dinheiro para queimar é colorido e com muitas imagens. O dinheiro para espalhar na rua é amarelo vivo sem imagens.

“Lixo amarelo” e “espalhar dinheiro falso” é apenas parte da nossa conversa. Algumas mulheres que vivem perto de locais de distribuição de panfletos pornográficos sofrem dos olhares indecentes dos homens, i.e. os homens olham para estas donas de casa e funcionárias como se elas fossem prostitutas. Por outras palavras, os homens cometem “agressões indecentes” com os olhos. Em Hong Kong, “agressões indecentes” podem ser cometidas tanto por homens, como por mulheres. Numa linguagem simples, se o agressor tocar em qualquer parte do corpo de alguém com pensamentos indecentes, i.e. pensamentos sexuais sujos, está a cometer uma ofensa. Não é necessário tocar nos órgãos sexuais do outro. Até ao momento, em Macau, não existe esta lei. As mulheres não são as únicas vitimas da distribuição de panfletos pornográficos. As crianças também podem ser afectadas por isto. As crianças perguntam às mães: “Quem são estas mulheres dos panfletos?”, “ Que cartão é este?”, e não é fácil responder a estas perguntas. O Ministério Público usa a secção 1(1) do 10/78/M Venda, exposição e exibição públicas de material pornográfico e obsceno para instaurar processo. Esta secção proíbe a distribuição de material pornográfico em zonas públicas. Os termos “pornografia ou obscenidade”

Nos jornais chineses alguns cidadãos dizem que os panfletos de pornografia são “lixo amarelo”. Para os chineses a palavra “amarelo” quer dizer “pornografia”. Não é uma palavra boa. Por isso uma “revista pornográfica” é descrita como a “revista amarela”. Para além do “lixo amarelo”, os cidadãos de Macau dizem que a distribuição de panfletos é a distribuição de “dinheiro falso”. O “dinheiro falso”, ou “dinheiro de papel”, é o dinheiro para os mortos. Não é verdadeiro

estão definidos na secção 2. Numa linguagem simples, se os panfletos ou os cartões tiverem: 1. conteúdo “imoral”; ou 2. descrições do acto sexual; ou 3. imagens de “órgãos sexuais” ; então os panfletos e os cartões passam a ser material pornográfico. Algumas pessoas sugerem dois métodos para resolver este problema social: 1. 2.

reduzir o tempo para instaurar um processo criminal, e registar o nome verdadeiro de quem compra cartões de telemóvel.

Estas acções são úteis mas não podem ser feitas em pouco tempo. Para lidar com isto de forma eficiente podemos usar a secção 5 do 10/78/M. Esta secção permite que os cidadão denunciem infracções. Se o Governo anunciar publicamente esta secção, através de publicidade na televisão, ou nos autocarros, haverá mais cidadãos a denunciar ofensas. Se a polícia tiver conhecimento de onde estão a ser cometidas infracções pode ir ao local e prender quem anda a distribuir panfletos e cartões pornográficos. A secção 5 talvez possa ser uma das soluções para este problema. Como profissional da área legal, não gosto da última parte da secção 5, i.e. os cidadãos têm o direito de denunciar um crime à polícia. Todos os cidadão têm o direito de denunciar crimes. Não é necessário estar escrito na lei. Se não estiver na lei, quer dizer que o cidadão não pode denunciar o crime? A resposta é óbvia, ‘não”. Os panfletos e cartões pornográficos fazem parte da indústria sexual de Macau. A indústria do sexo tem um efeito negativo na sociedade. No entanto, esta indústria dá muito dinheiro ao Governo. Até certo ponto é quase como a indústria do jogo, ambas têm prós e contras. Se a sociedade não aceitar totalmente a indústria do sexo, ela desaparece. Mas se decidirmos aceitar esta indústria parcialmente ou sob algumas condições, temos de pensar bem em que termos é que o fazemos. Por exemplo, os gigolôs e as prostitutas deveriam ser obrigados a fazer análises regularmente? Como evitar que a Sida se propague? O Governo deveria determinar uma área própria para a indústria do sexo? Vale a pena reflectir sobre estas questões. *Professor Associado no Instituto Politécnico de Macau

Propriedade Fábrica de Notícias, Lda Director Carlos Morais José Editor Gonçalo Lobo Pinheiro Redacção Andreia Sofia Silva; Cecilia Lin; Joana de Freitas; José C. Mendes; Rita Marques Ramos; Zhou Xuefei [estagiária] Colaboradores Amélia Vieira; Ana Cristina Alves; António Falcão; António Graça de Abreu; Fernando Eloy; Hugo Pinto; José Simões Morais; Marco Carvalho; Maria João Belchior (Pequim); Michel Reis; Rui Cascais; Sérgio Fonseca; Tiago Quadros Colunistas Arnaldo Gonçalves; Correia Marques; David Chan; Fernando Vinhais Guedes; Helder Fernando; Isabel Castro; Jorge Rodrigues Simão; Leocardo; Paul Chan Wai Chi Cartoonista Steph Grafismo Catarina Lau; Paulo Borges Ilustração Rui Rasquinho Agências Lusa; Xinhua Fotografia António Falcão, Gonçalo Lobo Pinheiro; Tiago Alcântara; Lusa; GCS; Xinhua Secretária de redacção e Publicidade Madalena da Silva (publicidade@hojemacau.com.mo) Assistente de marketing Vincent Vong Impressão Tipografia Welfare Morada Calçada de Santo Agostinho, n.º 19, Centro Comercial Nam Yue, 6.º andar A, Macau Telefone 28752401 Fax 28752405 e-mail info@hojemacau.com.mo Sítio www.hojemacau.com.mo


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TIAGO ALCÂNTARA

cartoon por Stephff

NSA DESCULPA-SE COM TERRORISMO

Kwan apoia envio de programa político por correio

Em declarações ao Jornal do Cidadão, a deputada Kwan Tsui Hang questiona a razão pela qual a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) decidiu não enviar plataformas políticas dos candidatos às eleições por correio. A comissão disse há dias que este ano não serão enviadas as plataformas políticas por razões ambientais, quem quiser pode retirar da internet ou dirigir-se aos sítios indicados para pedir. Kwan disse que esta decisão vai enfraquecer o entusiasmo dos cidadãos em participarem nas eleições e é incapaz de assegurar que todos os eleitores estejam cientes das programas políticos, o que poderia eliminar preconceitos sobre os candidatos e grupos políticos mais jovens, por exemplo. Além disso, Kwan também considera “as razões ambientais” uma desculpa muito “ambígua”, dizendo que “cada departamento tem o seu dever, o da CAEAL não é proteger ambiente, é promover assuntos eleitorais, por isso, tem que enviar os programas políticas por correio aos eleitores para assegurar a justiça nas eleições, que também é um dever da comissão.”

Turquia Polícia detém manifestantes

Cerca de 40 pessoas foram detidas pelas autoridades turcas nos protestos contra o governo, durante a última madrugada, no centro de Istambul, segundo informa a edição do jornal «Hürriyet». Há registo de pelo menos dez feridos, entre os quais três jornalistas, que faziam a cobertura da manifestação do «movimento Gezi». Entre os detidos estão vários comerciantes que prestaram auxílio aos manifestantes e que já tinham sido alertados pelas autoridades de que caso acolhessem as pessoas envolvidas nos protestos sofreriam represálias. Mais uma vez a polícia recorreu a canhões de água e gás lacrimogéneo para dispersar as centenas de manifestantes que se concentraram na rua Istiklal, perto da praça Taksim.

FEIRA DE MARCAS GUANGDONG-MACAU TERMINOU ONTEM

Multidões na Doca dos Pescadores C

HEGOU ao fim mais uma edição da Feira de Marcas Guangdong-Macau e, com base num comunicado ontem divulgado, o sucesso foi a palavra de ordem. O evento, organizado pelo Instituto de Promoção do Investimento e Comércio (IPIM) e a entidade homóloga de Guangdong, terá tido muitos visitantes nos cerca de 200 stands que estiveram na Doca dos Pescadores. “A Zona de Exposição de Guangdong estava repleta de visitantes, com grande multidões quer para a degustação quer para assistir à demonstração dos produtos”, aponta o comunicado. Já no espaço dedicado aos produtos de Macau estiveram instalados 87 stands. “Os expositores aproveitaram esta excelente oportunidade para promover os seus produtos com grande dinamismo”, aponta o comunicado, que também faz referência às opiniões dos visitantes. Em termos empresariais o evento também terá corrido da melhor forma. Dados oficiais referentes ao segundo dia do evento falam na celebração de três protocolos (a somar aos nove já assinados no primeiro dia), para além das 338 bolsas de contacto. Para ontem estavam programadas cerca de 211 bolsas. Irene Lau, vogal executiva do IPIM, disse que a área logística

tem registado um dos crescimentos mais rápidos no âmbito da cooperação com a região vizinha. Irene Lau falou ainda dos diversos projectos de infra-estruturas que estão a aproximar ainda mais Macau do continente em termos empresariais.

COMÉRCIO LUSO-CHINÊS EM ALTA

A ligação ao mundo empresarial lusófono também esteve vincada, com os responsáveis a garantir o papel importante da feira no comércio entre Macau, China e os países de língua portuguesa. Segundo um comunicado, Chan, dono de uma agência de comércio de vinhos portugueses, “disse que, nas diversas edições da Feira, tem tido muitos

contactos com os compradores do Interior da China, e que conseguira também lançar os referidos produtos no mercado chinês. Garantiu que irá também aproveitar esta edição da Feira para fazer a promoção de maior variedade de vinhos portugueses”. Já a senhora Hung, também do mesmo ramo de actividade, disse “que é a segunda vez que participa na Feira, e que a considera uma excelente plataforma de vendas, proporcionando não só oportunidades para contactos e negociações com as empresas do Interior da China, como também a possibilidade de publicitar os produtos portugueses junto dos turistas e residentes”. - A.S.S.

Au Kam San pede justificações ao Governo

Os anteneiros ainda não chegam a um acordo com o Governo, mas o deputado Au Kam San já se está a preocupar com o plano para 2014, ano em que termina o contrato com a TV Cabo. Em interpelação apresentada ao Governo, Au aponta que a concessionária prejudica “de modo profundo” o interesse público, e que o Governo poderia alterar o contrato com a TV Cabo mas escolheu resolver o problema com dinheiro público, algo que é “incompreensível”. Para evitar casos semelhantes no futuro, o deputado pede uma legislação de resposta, e exige ao Governo explicações sobre o futuro do sector depois de chegado ao fim o contrato. Também Lee Chong Cheng falou do caso, em declarações ao jornal Ou Mun, defendendo que os anteneiros dão prioridade ao interesse público. O deputado sugere ainda que a TV Cabo ceda nas negociações, uma vez que é uma empresa grande e necessita de assumir uma postura de responsabilidade social. Em relação à solução do Governo, Lee disse que o paradeiro do dinheiro público tem que ser informado aos cidadãos. Já o director da DSRT, Tou Weng Keong, revelou no sábado passado que se não conseguir chegar a um acordo com os anteneiros, discutirá com eles e logo apresentará soluções alternativas.

Embaixadas dos EUA fechadas em países muçulmanos

Devido ao risco de atentados terroristas contra representações norte-americanas, mais de duas dezenas de embaixadas e consulados dos Estados Unidos estão encerrados este domingo, em diversos países muçulmanos. Assim, estão fechados os escritórios em Abu Dhabi e Dubai, Emirados Árabes Unidos; Argélia; Amman, Jordânia; Bagdade e Irbil, Iraque; Cairo, Egipto; Dhahran, Jeddah e Riad, Arábia Saudita; Djibouti, Djibouti; Dhaka, Bangladesh; Doha, Qatar; Kabul, Afeganistão; Cartum, Sudão; Kuwait; Manama, Bahrain; Muscat, Omã; Nouakchott, Mauritânia; Sanaa, Yemen; e Tripoli, Líbia. Está ainda em vigor um alerta para os norteamericanos em viagem, que avisa para a possibilidade de ataques a interesses dos EUA, em especial no Médio Oriente e no Norte de África. Seguindo a suspeita de que a célula da Al-Qaeda no Iémen estará na organização dos ataques, Reino Unido, Alemanha e França também decidiram fechar hoje e segunda-feira as suas representações diplomáticas no país.


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Hoje Macau 5 AGO 2013 #2907 by Jornal Hoje Macau - Issuu