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Hoje Macau 5 JUL 2018 #4085

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MOP$10

QUINTA-FEIRA 5 DE JULHO DE 2018 • ANO XVII • Nº 4086

AGÊNCIA COMERCIAL PICO • 28721006

HOJE MACAU

DIRECTOR CARLOS MORAIS JOSÉ

O dia seguinte O Governo passou à acção no rescaldo da explosão que destruiu um restaurante na Areia Preta e provocou uma vítima mortal e três feridos graves. Wong Sio Chak anunciou uma investigação ao acidente e Chui Sai On convocou uma reunião entre os departamentos do Governo para discutir o caso. Foi ainda revelado que o IACM inspeccionou o restaurante em Maio sem que tenha encontrado qualquer irregularidade. GRANDE PLANO

METRO LIGEIRO

FAOM

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PÁGINA 5

A PASSO DE CARACOL

RARIDADES TALENTOSAS

h

OS MALOGROS DE DEUS

ANTÓNIO CABRITA


2 grande plano

de uma botija de gás e a instalação incorrecta da mangueira de fornecimento. “De acordo com as averiguações preliminares do Corpo de Bombeiros suspeita-se que a fuga de gás ocorreu durante a substituição de botijas de gás, devido à falta de cuidado”, afirmou, de acordo com um comunicado do Governo. O secretário, que fez uma visita ao local e às vítimas no hospital, prometeu também averiguar o que realmente se passou. “A investigação do caso será liderada pelo Ministério Público, com o objectivo de apurar responsabilidades e no sentido de se verificar se houve violação da lei”, acrescentou.

ao caso, mas o IACM refere que na última inspecção ao local, em Maio, tudo estava dentro da legalidade

ÚLTIMA INSPECÇÃO EM MAIO

S

“

into que o meu coração está emaranhado”. Foi desta forma que Chu, pai da vítima mortal, reagiu à tragédia causada pela explosão do restaurante no Edifício Pak Lei, na terça-feira à noite. Em declarações aos meios de comunicação de língua chinesa, ontem de manhã, o homem revelou que estava em casa, quando a polícia tocou à campainha e lhe disse que a sua filha era uma das envolvidas na explosão. Quando chegou ao Centro Hospitalar Conde São Januário foi informado que a sua filha tinha morrido. Eram 21h45 de terça-feira, quando a mulher local de 34 anos, mãe de um rapaz, circulava no corredor do Edifício Pak Lei de acesso aos elevadores de prédio. Foi nesse momento, que do outro lado da parede, onde fica o restaurante, se deu a explosão que lhe causou ferimentos graves, nomeadamente várias facturas e rebentamento de órgãos internos. Apesar de ter sido

“Sinto que o meu coração está emaranhado”. Foi desta forma que Chu, pai da vítima mortal, reagiu à tragédia levada para o hospital ainda com vida, acabou por não resistir aos ferimentos. Ainda em declarações à comunicação social, Chu sublinhou que a filha não tinha tido qualquer responsabilidade no acidente, que tinha sido uma vítima e que tinha uma vida bem organizada e em família. O pai da mulher de 34 anos frisou também que a filha tinha sido muito trabalhadora e que se tinha dedicado a organizar a sua vida logo após a conclusão dos estudos universitários. Por outro lado, Chu reconheceu ter sido apanhado completamente de surpresa pelo sucedido e estar a atravessar uma fase caótica. O pai da vítima mortal informou

igualmente os repórteres que está a ser acompanhado por assistentes sociais disponibilizados pelo Governo.

TRÊS FERIDOS GRAVES

Além da vítima mortal, há ainda mais três feridos graves que têm entre 34 e 54 anos. Segundo o comunicado do Centro Hospitalar Conde São Januário, uma das pessoas sofreu uma fractura do fémur e foi operada ontem, de urgência. Outra ficou em estado grave e apresenta queimaduras de segundo grau em 25 por cento do corpo. Neste momento, está internada na Unidade de Cuidados Intensivos. Finalmente, a terceira pessoa ferida está internada sobre observação

permanente na sequência dos vários cortes que sofreu no corpo. A juntar à vítima mortal e os três feridos graves houve ainda três feridos ligeiros, dos quais um está internado. De acordo com as informações oficiais, a maior parte dos ferimentos das pessoas que tiveram alta eram essencialmente “contusões superficiais”. Contudo, um dos feridos ligeiros precisou de ficar internado devido a uma concussão.

TROCA DE BOTIJA NA ORIGEM

Segundo o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, as investigações iniciais apontam para que na origem do acidente tenha estado a troca negligente

No entanto, as investigações preliminares apontam para que o restaurante estivesse a operar dentro da legalidade. Segundo o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, o espaço tinha mesmo sido inspeccionado há cerca de dois meses, em Maio. “De acordo com os dados disponíveis neste momento, o estabelecimento possui a devida licença para operar e apenas tinha quatro botijas de gás, o que cumpre os requisitos da lei. Em termos da segurança, o limite máximo são quatro botijas e o estabelecimento estava dentro do limite”, explicou Delfina To Sok I, Administradora do Conselho de Administração IACM, aos jornalistas, à margem de uma reunião na Assembleia Legislativa. “A última inspecção ao restaurante tinha acontecido em Maio deste ano. Na altura, estava tudo em conformidade com as exigências”, acrescentou. Ainda de acordo com Delfina To a última revisão da lei aconteceu em 2016, quando o número de botijas de gás autorizado nos

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RESCALDO DE UM DIA NEGRO TROCA DE BOTIJA DE GÁS NA ORIGEM DE EXPLOSÃO MORTAL

HOJE MACAU

investigação

ACIDENTE

EXMOO

Uma mulher morreu e quatro pessoas continuam internadas, três em estado grave, na sequência do acidente no restaurante do Edifício Pak Lei. Wong Sio Chak prometeu uma

5.7.2018 quinta-feira


grande plano 3

quinta-feira 5.7.2018

GCS

“De acordo com as averiguações preliminares do Corpo de Bombeiros suspeita-se que a fuga de gás ocorreu durante a substituição de botijas de gás, devido à falta de cuidado.”

CONDOLÊNCIAS CHUI SAI ON ENVIOU CARTA A FAMÍLIA ENLUTADA

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WONG SIO CHAK SECRETÁRIO EXMOO

restaurantes foi aumentado de dois para quatro. Contudo, existe a possibilidade de haver uma reunião com o Corpo de Bombeiros para discutir a instalação em restaurantes de tecnologias que permitam detectar prematuramente possíveis fugas de gás. Delfina To informou também que são conduzidas inspecções com regularidade e que o IACM tem cerca de 100 agentes para o efeito, um número considerado suficiente por agora: “O proble-

ma não são as multas [impostas durante a fiscalização], o que é necessário é implementar tecnologias e aumentar a sensibilidade dos proprietários para este aspecto”, frisou.

VISITAS AO LOCAL

Após a ocorrência do acidente foram vários os governantes que fizeram visitas ao hospital e ao local. O primeiro a chegar ao CHCSJ, em nome do Executivo, foi Wong Sio Chak, que foi acompanhado por Lei

ESTRUTURA RISCO DE DESABAMENTO AFASTADO A

pesar da explosão do Edifício Pak Lei ter sido sentida por vários moradores, a estrutura não está em risco de ruir. A afirmação foi feita ontem por Li Canfeng, director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT), após uma visita ao local. Segundo, Li Canfeng, apesar de ontem terem sido colocados pilares temporários para suportar a estrutura, tanto os pilares da construção original como a infra-estrutura não apresentam risco de colapso.

Chin Ion, director dos Serviços de Saúde (SSM). Em conversa com os feridos, o secretário para a Segurança exprimiu as “mais sentidas condolências” e prometeu que o Governo “vai disponibilizar todo o apoio necessário às famílias”. Também Lionel Leong, secretário para a Economia e Finanças, foi ao local do acidente e prometeu ajuda a todos os comerciantes afectados pela destruição causada pela explosão. Os afectados

foram logo identificados durante a manhã de ontem e poderão pedir ajuda à Divisão de Apoio às Actividades Industriais e Comerciais da Direcção de Serviços de Economia. Ainda durante o dia de ontem as autoridades distribuíram panfletos com indicações para que residentes e comerciantes saibam como utilizar em condições de segurança equipamentos com gás. João Santos Filipe

joaof@hojemacau.com.mo

FISCALIZAÇÃO CHAN CHAK MO APELA A MAIOR VIGILÂNCIA

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deputado e empresário Chan Chak Mo, responsável por vários restaurantes, defende que é necessário uma maior vigilância na manutenção de equipamentos com gás. “Os donos dos restaurantes deviam estar mais alerta para a necessidade de tomar as medidas de segurança necessárias na utilização de gás, fornos, e estes tipo de equipamentos”, disse Chan Chak Mo. “A manutenção regular é muito importante e quando se causa este tipo de danos eles afectam os bens do restaurante, mas também empregados e a população. Neste caso, morreu mesmo uma pessoa”, acrescentou.

Chefe do Executivo enviou uma carta à família enlutada a manifestar “a profunda consternação pelo sucedido” e “expressou os seus pêsames”. A informação foi avançada pelo Governo, que não revelou se Chui Sai On se mostrou disponível para se encontrar com os familiares da vítima, ou qual a razão de não o ter feito, apesar da família da vítima mortal ter estado, ontem, no local do acidente. Também Chui Sai On esteve, por volta das 15h de ontem, na Areia Preta a visitar o Edifício Pak Lei, onde aconteceu a explosão. A visita foi feita sem que tivesse havido qualquer anúncio à comunicação social. Segundo o comunicado do Governo, durante a deslocação ao norte da cidade, depois da visita de Wong Sio Chak, o Chefe do Executivo mostrou “preocupação quanto a eventuais impactos causados pelo incidente no dia-a-dia dos habitantes da zona” e deu instruções às autoridades “para se empenharem também nos trabalhos de garantia da segurança dos residentes”. Chui Sai On foi depois ao hospital Conde São Januário. Na unidade hospitalar, garantiu aos “estar atento ao estado de saúde e à recuperação dos feridos” e desejou-lhes “as rápidas melhoras”. Porém, o Chefe do Executivo não esteve com a pessoa que apresenta queimaduras de segundo grau em 25 por cento do corpo, devido ao risco de infecções do ferido. Além das visitas, Fernando Chui Sai On convocou uma reunião entre os departamentos governamentais para discutir o caso. Segundo o comunicado do Governo, o líder da RAEM terá dado instruções para que o caso fosse investigado com a maior brevidade possível e de forma adequada. Depois pediu o acompanhamento da “situação dos feridos e dos familiares da vítima mortal, prestando-lhes todos os tratamentos médicos de que necessitem”. Chui Sai On insistiu também na necessidade de trabalhar na prevenção de futuros casos e permitir à população seguir com a rotina.


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5.7.2018 quinta-feira

PARA TODAS AS OCASIÕES

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Relatório da comissão de acompanhamento para os assuntos de terras e concessões públicas “Quanto ao ponto da situação do processo legislativo relativo às respectivas leis e regulamentos, por enquanto, [os elementos do Governo] não avançaram à comissão nenhuma calendarização para o referido efeito.”

METRO LIGEIRO LENTIDÃO LEGISLATIVA PODE ATRASAR ENTRADA EM FUNCIONAMENTO

Atrasos atrás de atrasos

O Governo insiste que o Metro Ligeiro vai entrar em funcionamento em 2019. Mas para que isso aconteça é necessário que os processos legislativos sejam concluídos atempadamente. De acordo com a comissão de acompanhamento para os assuntos de terras e concessões públicas, a inexistência de uma proposta de lei a este respeito e os atrasos na criação da empresa de gestão do projecto pode resultar no atraso da entrada em circulação do metro ligeiro

O

S deputados da comissão de acompanhamento para os assuntos de terras e concessões públicas temem que os atrasos do processo legislativo sobre a lei do sistema de transporte do Metro Ligeiro (ML) impeçam

e acordo com o relatório da comissão de acompanhamento para os assuntos de terras e concessões públicas relativo ao Metro Ligeiro (ML), há deputados que sugerem o funcionamento destas infra-estrutura nos dias de tufão. “Em Macau enquanto cidade turística que funciona 24h por dia e sob qualquer condição climatérica, é já muito comum ver os cidadãos terem de ir trabalhar nos dias de tufão e assim sendo [os deputados] propuseram às autoridades para ponderar a manutenção dos serviços do ML nos dias de tufão”, lê-se. Segundo o mesmo documento, caso seja impossível assegurar este transporte, há elementos da comissão que pediram ao Executivo para ponderar a continuidade da circulação de autocarros. Em resposta, o Governo argumenta que “por razões de segurança, em situações desnecessárias, os cidadãos não devem fazer deslocações nos dias de tufão”. O Executivo salienta ainda o facto dos seguros poderem não abranger os acidentes ocorridos nestes dias de mau tempo, por isso, nem o ML nem autocarros públicos circulam quando é içado o sinal 8 de tufão.

apontou que “iria envidar todos os esforços para criar a empresa de exploração do sistema até ao segundo trimestre deste ano”. A meta já foi ultrapassada e, até agora, não existe informação acerca da criação da referida empresa. Entretanto, e de acordo com o mesmo documento, o Governo “aclarou” que a linha da Taipa vai mesmo entrar em funcionamento no próximo ano, apesar das ligações a Seac Pai Van e à península de Macau não terem ainda datas apontadas. De acordo com o Executivo, não será com certeza para o próximo ano.

PROBLEMAS SEM SOLUÇÃO a entrada em funcionamento da estrutura, prevista para 2019. A informação é dada pelo relatório da comissão de acompanhamento. “Quanto ao ponto da situação do processo legislativo relativo às respectivas leis e regulamentos, por enquanto,

Instituto para os Assuntos Municipais Lei vai ser votada antes de 15 Agosto

A Segunda Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) espera que o documento que vai criar o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) seja votado em plenário na especialidade. Segundo o canal chinês da TDM, esta foi a principal conclusão da reunião de ontem, na qual o Executivo manteve a posição de não legislar a possibilidade das pessoas se auto-proporem para serem nomeadas para o Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais. Porém, os representantes do Governo admitiram que vai ser anunciado um sistema específico para esse efeito, posteriormente.

[os elementos do Governo] não avançaram à comissão nenhuma calendarização para o referido efeito”, lê-se no documento. No entender dos deputados da comissão, os regimes jurídicos que vão regulamentar o ML devem estar em articulação com o funcio-

namento da própria empresa. No entanto, a ausência de datas para finalizar as leis e criar a empresa de gestão pode comprometer a entrada em funcionamento do transporte. A consulta pública referente ao regime jurídico da lei do sistema de transporte de ML terminou em Abril do ano passado. Em Julho foi publicado o relatório e produzido um ante-projecto da proposta de lei que foi entregue para análise aos serviços técnicos. O documento, refere a comissão, tem sido alvo de constantes aperfeiçoamentos pelo que não tem ainda uma versão para ser apresentada e votada na generalidade na Assembleia Legislativa.

EMPRESA ATRASADA

Simultaneamente, e dada a necessidade de criação de uma empresa com fundos públicos responsável pela exploração do ML, o Governo

A comissão apontou também alguma preocupações quanto à sustentabilidade financeira do projecto dada a sua dependência exclusiva da venda de bilhetes de transporte. Para os deputados seria uma mais valia a instalação de estabelecimentos comerciais dentro das estações de metro. Mas, “segundo a explicação do Governo, tendo em conta a limitada área de construção de terreno, já não há, nesta fase solução”, refere o relatório. O Executivo admite que “vai enfrentar grandes desafios e dificuldades aquando do seu funcionamento”, até porque se trata de uma situação em que não há rendimentos comerciais, “a que acrescem ainda os elevados custos com a reparação e manutenção do ML com a contratação de pessoal”, admite. Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo


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quinta-feira 5.7.2018

Aterros indefinidos

RESIDÊNCIA FAOM QUER NORMAS DEFINIDAS E INVESTIGAÇÕES NA ATRIBUIÇÃO DE BIR

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Deputados ligados à FAOM afirmaram ontem, em conferência de imprensa, que são necessárias políticas claras para aceitação de pedidos de residência por investimento. Quando à residência para técnicos especializados, Ella Lei quer que esta categoria incida apenas sobre “talentos raros”

BIR e os talentos raros

REUNIÕES CRESCENTES

Os trabalhos referentes às plantas da primeira fase do plano de habitação pública para a zona A dos novos aterros tiveram início no ano passado e precisam agora de análise por parte do Conselho de Planeamento Urbanístico (CPU) num processo que pode ser moroso e contribuir para mais atrasos. Neste sentido, a comissão sugere que seja encurtado o espaço de tempo entre as reuniões do CPU. O Governo, por seu lado, concorda com a sugestão e mostra disponibilidade na convocação de reuniões destinadas especificamente à discussão das plantas de condições urbanísticas de habitação pública. Ainda de acordo com o Governo “uma vez emitida a planta de condições urbanísticas, poder-se-á então, de imediato, divulgar a calendarização para a concepção e as obras.” Sofia Margarida Mota

Sofia.mota@hojemacau.com.mo

Ella Lei, deputada “A lei não define claramente em que termos é que se pode considerar um investimento relevante para que possa ser atribuída residência.”

A

Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) quer que os pedidos de residência por investimento e por título de técnico especializado sejam investigados. Em causa estão as denúncias dadas a conhecer recentemente pelo relatório do Comissariado contra a Corrupção (CCAC). O documento revelou negligências por parte do Instituto de Promoção do Comércio e Investimento (IPIM) no que respeita à aceitação de pedidos de residência. Ella Lei ressalvou que na origem dos problemas registado está, acima de tudo, a falta de políticas claras. A deputada dá exemplos: “A lei não define claramente em que termos é que se pode considerar um

GONÇALO LOBO PINHEIRO

S deputados da comissão de acompanhamento para os assuntos de terras e concessões públicas entende que as estruturas complementares à habitação pública prevista para a zonaAdos novos aterros, devem estar prontas antes da fase inicial de ocupação das habitações. A ideia é sugerida no relatório de acompanhamento da situação das obras dos novos aterros e do seu planeamento. O plano urbano da zona A prevê a construção de dois mercados na área norte que se inserem na primeira fase do plano de construção de habitação pública. Esta primeira fase abrange oito lotes de terreno, sendo que setes são destinados à construção de sete mil fracções e apenas um, às execução de um mercado “onde se prevê a edificação em cima do mesmo de algumas instalações sociais”, refere o documento. De acordo com o Governo, a construção do “Bairro das Escolas” enquanto estrutura de apoio também não irá “esperar pela conclusão da 2º, 3º e 4º fases dos planos de habitação pública destinado àquela zona”. No entanto, para a comissão estas medidas podem não ser suficientes. Os deputados argumentam com a lição que se deveria ter tirado depois dos problemas revelados pelo projecto de Seac Pai Van. Segundo o relatório da comissão, a primeira fase de ocupação do projecto de habitação pública exige instalações complementares para satisfazer as necessidades de sete mil famílias, o que em termos de número de habitantes pode corresponder a mais de 20 mil pessoas. Neste sentido, e com a planta ainda por elaborar, os deputados sugerem que o Executivo tenha em conta um melhor aproveitamento das áreas de rés-do-chão dos edifícios destinados a habitação para “aí haver instalações de comes e bebes e de lazer, além da construção dos respectivos mercados ou outros centros comerciais”. O objectivo, refere o documento, é “facilitar a vida da população, criar uma vida de lazer e promover o desenvolvimento de PME”.

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Zona A precisa de mais estruturas complementares na primeira fase de construção

Fong Soi Kun Chefe do Executivo aceita decisão

O Chefe do Executivo não vai recorrer da decisão do Tribunal de Segunda Instância (TSI), que aceitou a providência cautelar para que o ex-director dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos receba a pensão por completo, até haver uma decisão final sobre a sanção que lhe foi aplicada, após a passagem do tufão Hato. “O Chefe do Executivo, após consulta jurídica, não questiona os fundamentos do Acórdão do Tribunal de Segunda Instância que decidiu a suspensão de eficácia requerida pelo Senhor Fong Soi Kun”, afirmou o Gabinete do Porta-Voz, em comunicado.

investimento relevante para que possa ser atribuída residência”. Na conferência de imprensa de ontem, em que também participaram outros três deputados ligados à FAOM, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Lei Chan U, Ella Lei explicou ainda que, apesar de existirem instruções internas relativas aos valores de referência, que rondam investimentos de um montante mínimo de certa de 13 mil patacas, resta saber se este montante é relevante. Por outro lado, alerta, há casos fraudulentos com referência a outros montantes e em que o IPIM não cumpriu os requisitos exigidos antes de aprovar os pedidos.

RARIDADES

No que respeita aos pedidos de residência tendo em conta o cargo de técnico especiaPUB

lizado, Ella Lei considera que só devem ser aprovados quando se tratarem de “talentos de elite, difíceis de encontrar na região”. A deputada considera que os requisitos exigidos são “demasiado leves” tendo em conta que as condições se limitam a ter uma licenciatura, um contrato de trabalho e um salário dentro da média local. Para Ella Lei é inaceitável que pessoas que apenas apresentaram o certificado do ensino secundário tenham visto os seus pedidos de residência aprovados pelo IPIM. O deputado Lam Lon Wai considerou que o Governo deve investigar os pedidos registados nos últimos sete anos, para esclarecer se constam casos em que estão envolvidas irregularidades. Vítor Ng

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5.7.2018 quinta-feira

ANIMA CONTRABANDO É A ÚNICA HIPÓTESE PARA VENDA DE GALGOS NO CONTINENTE

Com pés e mãos atadas

Há lojas no interior da China a vender galgos de Macau, noticiou o Jornal Tribuna de Macau. Albano Martins, presidente da ANIMA, acredita que, se os animais forem de facto da RAEM, só podem ter sido contrabandeados. Entretanto, Delfina To Sok I, do conselho de administração do IACM, disse que o Governo nada pode fazer antes do dia 21 de Julho, data em que Yat Yuen tem de abandonar o terreno

É

uma situação pouco clara que deixa muitas dúvidas ao presidente da Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA), Albano Martins. O Jornal Tribuna de Macau noticiou ontem que há lojas de animais da China a vender galgos, alegadamente oriundos de Macau, por milhares de renmimbis, dependendo da condição dos animais. Só uma loja diz ter na sua posse 23 galgos, mas não explicou como obteve. Em declarações ao HM, o presidente da ANIMA garante que podemos estar perante um caso de contrabando. “O número de galgos que está a ser colocado à venda é maior do que o número que foi avançado pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), relativo às pessoas do continente que tinham adoptado, apenas 15. Se eles saíram para a China, saíram sem licença de importação, de certeza absoluta, e terão sido contrabandeados. Os galgos podem também estar a ser vendidos como se fossem de Macau e serem da China. A última hipótese é que podem estar a vender galgos que ainda não chegaram ao continente.”

Albano Martins defende, contudo, que estamos perante “uma situação muito confusa”. “Os cães não deviam lá estar, porque é preciso uma licença de importação que não é dada a animais que sejam de estimação, como galgos. Se é verdade [a venda de galgos de Macau], significa que os animais foram contrabandeados, porque não há autorização de entrada desses animais como sendo de estimação”. Na visão do presidente da ANIMA, as autoridades deveriam

Gás Fuga de monóxido de carbono na Horta e Costa Foi detectada, ontem às 01h, uma fuga de monóxido de carbono numa fracção do Edifício Wa Fai Kuok, na Avenida Horta e Costa. Após o alarme instalado na casa de banho do proprietário ter disparado, o homem chamou de urgência as autoridades. Esta é a segunda vez, em pouco mais de um mês, que a fracção em causa tem problemas, apesar do esquentador ser termoe-

léctrico e não a gás. Na primeira ocorrência, o homem sentiu-se mal disposto e teve de ser transportado para o hospital. Foi por essa razão que mandou instalar o detector do monóxido de carbono. Segundo as investigações iniciais, a entrada de gases deve ter acontecido pelo exaustor da fracção ligado ao exaustor público e de gases residuais de outras fracções.

verificar já o verdadeiro paradeiro dos galgos que estão a ser anunciados para venda online, apesar do IACM ter anunciado que, até ao próximo dia 21, nada pode fazer em relação aos animais, que são propriedade do Canídromo até essa data. “Era importante saber que animais são, para saber como é que eles saíram de Macau. Mesmo que um adoptante tenha vendido a outra pessoa, as autoridades podem tentar chegar ao traficante. É muito simples de apanhar, a não ser que

o Canídromo tenha dado animais fora desse controlo.”

IACM DESCONHECE TRANSFUSÕES

Ontem, à margem de uma reunião da Assembleia Legislativa (AL), Delfina To Sok I, membro do conselho de administração do IACM, adiantou que as autoridades desconhecem os casos de galgos que terão sido usados para transfusões de sangue em clínicas veterinárias. “Não temos dados sobre a utilização dos animais para procriação, nem para transfusões. Talvez os forneçamos mais tarde”, disse apenas. Apesar disso, o Canídromo chegou a ser alvo de uma inspecção sobre a possibilidade de se realizar procriação com galgos. “Desde que entrou em vigor a lei da protecção dos animais que temos inspeccionado não só o Canídromo como todos os locais em Macau. Fomos lá fazer inspecções”, frisou Delfina To Sok I. “Neste momento, a responsabilidade de escolher o destino dos cães e o proprietário é do Canídromo. Neste momento, não devemos ter grande intervenção. Só vamos

intervir a partir de 21 de Julho, que é o momento da caducidade do contrato da concessão. Só aí é que vamos poder falar sobre o aspecto”, acrescentou a responsável do IACM, que deixou bem claro que não há qualquer margem de manobra para a extensão do contrato de concessão do terreno.

UMA FARSA

A denúncia de que há galgos à venda na China partiu da deputada Agnes Lam, que já entregou uma interpelação escrita a pedir a intervenção do Governo sobre o futuro dos animais. A administradora do IACM garantiu que há soluções pensadas mas que não podem ainda ser divulgadas publicamente. Entretanto, o Canídromo disse que recebeu 127 pedidos de adopção, o que, para Albano Martins, é prova de que os 650 formulários entregues pela ANIMA foram ignorados.

“Isto deixa muito mal o Canídromo nesta fase final e só vem confirmar que não é uma entidade suficientemente responsável para conduzir esta campanha até ao fim em prol dos animais. Também deixa mal as autoridades de Macau, que não controlam nada e deixam fazer exactamente o que querem.” ALBANO MARTINS PRESIDENTE DA ANIMA

“Isto deixa muito mal o Canídromo nesta fase final e só vem confirmar que não é uma entidade suficientemente responsável para conduzir esta campanha até ao fim em prol dos animais. Também deixa mal as autoridades de Macau, que não controlam nada e deixam fazer exactamente o que querem. Ainda por cima anunciam online que vão vender animais de Macau num número bastante superior aos animais que saíram. Isso significa que aquela adopção foi mesmo uma farsa”, concluiu Albano Martins. Andreia Sofia Silva & João Santos Filipe info@hojemacau.com.mo


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quinta-feira 5.7.2018

DIPLOMACIA MINISTRO PORTUGUÊS DA CULTURA EM VISTA OFICIAL A MACAU

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S Serviços de Saúde de Macau (SSM) aprovaram apenas a abertura de uma sala de fumo do total de 68 pedidos feitos por 11 casinos, aponta um comunicado oficial. Os dados são relativos ao período entre Janeiro e 30 de Junho. Além disso, os SSM realizaram um total de 436 inspecções aos casinos, feitas em conjunto com a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Houve um aumento de 39,7 por cento no número de inspecções, tendo-se registado também um aumento do número de

pessoas a infringir a lei, ou seja, mais 131,1 por cento. Um total de 781 indivíduos foram apanhados a fumar em zonas ilegais. O comunicado lembra ainda que os pedidos para a criação de salas de fumo devem ser feitos até ao dia 28 de Setembro deste ano, uma vez que a partir do dia 1 de Janeiro de 2019 “será totalmente proibido fumar nos casinos, em locais como áreas comuns de jogo e nas salas de VIP, salvo nas salas de fumadores que sejam autorizadas e que cumpram os novos requisitos constantes da lei de controlo do tabagismo”.

CONSUMO INQUÉRITO REVELA MENOS SATISFAÇÃO NA RESTAURAÇÃO E RETALHO

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M inquérito conduzido pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM) revela que os índices de satisfação dos consumidores relativos ao sector da restauração e do retalho sofreram uma quebra este ano. Os autores do inquérito consideram, segundo um comunicado, que as empresas devem melhorar neste sentido. O índice de satisfação em relação ao sector do retalho é de 72,9 pontos (de 0 a 100), abaixo dos 74,3 pontos registados em 2017. As razões para esta queda prendem-se com “a menor satisfação em relação à qualidade dos produtos e dos serviços prestados,

além do facto dos consumidores sentirem que aquilo que compram vale menos do que o montante que pagam”. A quebra no sector da restauração foi mínima, de 70,9 em 2017 para 70,7 este ano. A MUST explica que os inquiridos consideram-se mais satisfeitos com a qualidade de comida, mas menos satisfeitos com a qualidade do serviço. Os autores do inquérito consideram ainda que as empresas devem estar atentas à mudança naquilo que os consumidores procuram e à relação qualidade-preço para que haja uma tendência crescente do nível de satisfação dos clientes. V.N.

O ministro da cultura português, Luís Castro Mendes, chega amanhã a Macau para participar no fórum cultural entre a China e os países lusófonos. O evento inserese no “Encontro em Macau”, festival de artes e cultura, que traz ao território trabalhos de artistas internacionais

O

ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, viaja esta semana até Macau para participar num fórum cultural entre a China e os países lusófonos, que tem procurado, através da língua e da cultura, intensificar o intercâmbio entre as partes envolvidas. O responsável pela pasta da Cultura vai estar presente, amanhã, na abertura da exposição "Chapas Sínicas Histórias de Macau na Torre do Tombo”, um conjunto de documentos em chinês que retrata a cooperação entre as autoridades chinesas e por-

Segurança do Estado Lei finalizada até ao início de 2019 A versão preliminar da Lei da Defesa da Segurança do Estado, que regula o artigo 23 da Lei Básica, está finalizada e encontra-se em processo de melhoria e “aperfeiçoamento de algumas disposições”. A informação foi avançada, ontem,

por Wong Sio Chak, que disse ainda esperar ter a versão final até ao fim do corrente ano ou ao início do próximo. Por outro lado, admitiu a possibilidade de haver uma consulta pública sobre o diploma “se houver essa necessidade”. Em relação ao

“Regime Jurídico de Intercepção e Protecção de Comunicações”, o objectivo passa por lançar a consulta pública ainda no terceiro trimestre. Caso tal não seja possível, a auscultação das opiniões deverá acontecer até ao final do ano.

tuguesas em Macau durante a dinastia Qing (1693-1886). As Chapas Sínicas – assim chamadas devido ao carimbo que era colocado na correspondência – compreendem um total de 3.600 documentos, referentes ao período entre 1693 e 1886, e fazem parte do acervo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. No ano passado, foram inscritas no registo da memória do mundo da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). A partir de sábado, 102 destes documentos vão estar patentes em Macau, sendo que 35 foram traduzidos, na época, do chinês para português.

DIVERSIDADE BILATERAL

A inauguração antecede a abertura oficial do Fórum Cultural entre a China e os PUB

LUSA

TABACO CASINOS PEDIRAM 68 SALAS DE FUMO. SERVIÇOS DE SAÚDE APROVARAM UMA

À boleia das chapas O responsável pela pasta da Cultura vai estar presente, amanhã, na abertura da exposição “Chapas Sínicas - Histórias de Macau na Torre do Tombo”

Países de Língua Portuguesa, no sábado, durante a qual se esperam intervenções do ministro e de outros oradores. Nas palavras do Instituto Cultural de Macau (IC), este fórum "dedicado à diversidade" contribui para o "intercâmbio e a cooperação cultural sino-portuguesa", e está integrado num evento ainda maior: Encontro em

Macau - festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa. A 1.ª edição do encontro arrancou na terça-feira com a projecção, no Centro Cultural, do filme "Ira de Silêncio", última obra do realizador chinês Xin Yukun. A primeira longa-metragem do cineasta português Manoel de Oliveira, "Aniki-Bóbó", e o documentário "Douro, Faina Fluvial" vão encerrar o alinhamento do festival de cinema, que conta com um total de 24 filmes e 23 sessões de projecção, de acordo com o IC. Além do Festival de Cinema e do Fórum Cultural, O "Encontro em Macau" organiza ainda, durante o mês de Julho, uma exposição anual de artes e um serão de espetáculos. LUSA


8 ENTREVISTA

RITA GOMES, OU WASTED RITA ARTISTA

SOFIA MARGARIDA MOTA

Os seus trabalhos estão povoados de sarcasmo e ironia. Às vezes são uma expressão do que pensa sobre o mundo, outras são apenas um exercício “egoísta”. Em todas elas podemos conhecer as várias facetas de Rita Gomes. Ela é Wasted Rita, a jovem artista portuguesa a quem Madonna comprou. Wasted Rita está em Macau para participar na “AlterEgo”, exposição que reúne 27 artistas chineses e de língua portuguesa

Absolutamente irónica

Falemos desta exposição. Tem algumas referências ou críticas ao jornalismo que se faz hoje em dia e também a Donald Trump. É uma crítica aos tempos modernos, à sociedade contemporânea? Vou dar um bocado de contexto: estas duas exposições na Taipa [nas Casas Museu da Taipa] estão inseridas no tema Globalização. Durante a pesquisa pensei no tipo de coisas que existem em todo o mundo e as que poderia comentar, não criticar. Pensei em seres humanos, nas questões existencialistas que nos são inerentes e depois fui um bocado influenciada pelo turismo massivo que está a começar a existir na Europa, e provavelmente na Ásia tam-

bém. Fui influenciada pelas lojas de lembranças e quis fazer uma falsa loja de lembranças mas tendo o existencialismo como tema, e não o turismo, a cidade. Sim, abordo muito os temas mas mais a nível individual, da existência, da ansiedade, de procura, significado, do que propriamente o jornalismo ou o Trump, embora essas coisas estejam incluídas. É a sua visão sobre essas questões. Sim. O meu trabalho é sempre a minha visão sobre o que quer que esteja a falar. Considera que o seu trabalho é muito intimista e que revela muito de si?

Estava a pensar nalguma peça nesta exposição que não seja intimista e não me lembro, por isso sim, acho que tudo é bastante eu. Como são tantos bocadinhos de eu, acabas por não perceber grande coisa, ficas só confusa. Eu ficaria confusa porque lanço muita informação sobre mim, e muitas vezes contraditória. Participa nesta exposição colectiva. O que acha da

experiência de estar numa exposição que junta artistas de língua portuguesa e também chineses? Essa experiência só está a começar agora, porque só agora é que estão a chegar os outros artistas. Cheguei muito cedo porque tenho uma exposição que acaba por ser a solo, então precisei de mais tempo, mas ainda não estive com ninguém, a não ser pessoas que já conhecia.

“O meu objectivo principal se calhar é bastante mais egoísta, mas se o resultado final não tivesse um significado para as pessoas, se não fosse importante para um público já teria desistido de passar mensagens.”

Esperava esta oportunidade de vir expor em Macau? Não, de todo. Mas eu também não espero nada do que me acontece na vida. Vou vivendo e às vezes acontecem coisas fixes e eu fico “wow, que giro”. Em 2015 recebeu um email de Bansky e a partir daí tudo mudou. Acha que a sua carreira tem tido um percurso surpreendente? Não foi bem a partir do convite do Bansky. Já antes fazia bastantes exposições em Lisboa e na Europa, mas sim esse convite trouxe uma credibilidade e procura pelo meu trabalho um pouco mais forte. Mas não penso muito no meu percurso, tento não fazer isso. Se calhar


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muito bem [com isso]. Não artistas, mas galeristas, pessoas que estão envolvidas no processo não conseguem perceber muito bem. É difícil explicar aquilo que está a fazer? Já aconteceu não ser compreendida? Espero acabar um trabalho e depois as pessoas se quiserem perceber percebem, se não, não interessa. Não estou a tentar que toda a gente perceba. Não faz parte de mim fazer propaganda para as pessoas perceberem tudo o que eu estou a fazer. Tem uma obra que diz “Girls just want to cum and have fundamental rights and then cum again”. Tem como objectivo ser interventiva na sua expressão artística? Tenho o objectivo de criar coisas que me ajudam a compreender e a transmitir a minha compreensão do mundo. Isso acaba por fazer com que as minhas obras chamem a atenção para assuntos actuais. Também só costumo usar no meu trabalho coisas que estão a acontecer no mundo, é muito um trabalho diário do que acontece. Tenho esse objectivo mas também não o tenho. Acho que acaba por ser isso, mas o objectivo principal é estar só a desanuviar coisas. O meu objectivo principal se calhar é bastante mais egoísta, mas se o resultado final não tivesse um significado para as outras pessoas, se não fosse importante para um público já teria desistido de passar mensagens.

penso nisso no último dia do ano mas arrependo-me. Não quero muito estar a pensar no meu percurso, o que é que já fiz e o que vou fazer, porque isso cria uma pressão além daquela que eu já tenho em mim, de viver todos os dias e tentar estar bem. Não preciso dessa pressão, vou só tentando apreciar o que acontece e divertir-me com as oportunidades que tenho. Disse numa entrevista que ainda não tinha chegado à conclusão se é artista ou ilustradora, uma vez que a sua formação de base é na área do design. Já tem mais certezas relativamente ao que é como profissional?

Não, mas espero nunca ter, porque acho que estar sempre aberta a explorar tantos suportes diferentes e maneiras de expressar é o que me faz também continuar a ter vontade de fazer coisas e de criar. Sim, acho que tudo isto se pode englobar, de uma forma muito geral, na ideia de artista plástica, mas muito do trabalho que fiz para esta exposição está ligado ao design gráfico. Rótulos e pressão é uma coisa que eu não quero colocar em mim própria. Consegue explicar o seu processo criativo, do momento em que começou a desenhar e percebeu aquilo que queria de facto fazer?

Comigo, a maior parte das vezes, é precisamente ao começar a fazer algo que começo a ter ideias. Daí que o meu trabalho tem muitos erros e muitas coisas apagadas, porque todo o meu processo criativo sou eu a fazer na altura uma ideia que estou a ter e vou sempre mudando de ideias. É uma coisa bastante ansiosa e acho que a maior parte das pessoas não consegue lidar

Fez uma exposição em Lisboa em Outubro, com o título “As happy as sad can be”, que expressa o facto de que nem todos nós temos de estar sempre felizes. Está em Macau, com uma exposição ligada ao tema da globalização. Que outros temas quer explorar? Esta exposição também aborda muito o existencialismo, a depressão e a ansiedade, precisamente por ser uma coisa global. Como disse quis abordar duas coisas que fossem globais, as lojas de

“Se me dissessem que aquela cantora que estava a cantar na MTV ia comprar trabalhos meus e que ia elogiar-me eu ia achar que não era possível, que queria outra pessoa [referindo-se a Madonna].”

SOFIA MARGARIDA MOTA

quinta-feira 5.7.2018 www.hojemacau.com.mo

“Espero acabar um trabalho e depois as pessoas se quiserem perceber percebem, se não, não interessa. Não estou a tentar que toda a gente perceba. Não faz parte de mim fazer propaganda para as pessoas perceberem tudo o que eu estou a fazer.” turismo e o existencialismo. Não gosto muito de falar do que ainda não está completamente confirmado. Mas nesse intervalo também fiz uma instalação de um falso funeral do patriarcado em Roma, com uma coroa de flores, velas e uma instalação sonora e imagens de Donald Trump e outros elementos feministas. Quando acabou o curso não queria ser designer e os seus pais disseram-lhe para ser independente. Ao fim de uns anos está a construir uma carreira internacional. Foi surpreendente? Para os meus pais foi de certeza (risos). A primeira vez que fui a Paris lembro-me do meu pai estar no carro, levar-me ao aeroporto e perguntar-me se aquelas pessoas eram mesmo galeristas, se não me iam roubar. Foi uma surpresa enorme para eles e para mim também. Mas também não me consigo imaginar a fazer outra coisa. Até a Madonna elogiou o seu trabalho. É. Não tenho muito a dizer sobre isso. É só surreal. Há coisas que acontecem que são indescritíveis e que eu nunca pensei que fossem acontecer. Tipo o Bansky e a Madonna. Se me dissessem que aquela cantora que estava a cantar na MTV ia comprar trabalhos meus e que ia elogiar-me eu ia achar que não era possível, que queria outra pessoa. Acha que trouxe algo de diferente ou inovador? Não sei, nunca pensei nisso. Não acho que isso de ser ino-

vador seja assim tão importante, até soa a uma coisa de alguém que é empreendedor. Aliás, já defendeu não ter muito jeito para a gestão da sua carreira em termos de finanças e imagem. Deixa que as coisas andem ao seu rumo. Sim, às vezes se calhar demais. (risos). Às vezes poderia aproveitar muito mais a vida, às vezes não tenho uma exposição e deixo que nada aconteça, e deixo-me cair por caminhos perigosamente negros, e depois preciso de algo para me puxar. Acho que qualquer pessoa que trabalha como freelancer lida com isto. Calculo que ainda não tenha tido muito tempo para conhecer Macau, porque acaba hoje de montar a sua exposição, mas acha que é um lugar que a vai inspirar para os próximos trabalhos? Qualquer sítio que não seja “white people related” é tudo o que eu quero neste momento. Falo da Ásia e de outras culturas que na Europa não são tão conhecidas. Porquê o nome Wasted Rita? Essa é uma história muito triste do fim de uma relação de quatro anos, com um jovem que só me fez mal, e eu vivia na sombra dele.Além disso, tinha estudado num colégio de freiras e era uma pessoa muito tímida, sem qualquer poder de dar opiniões. Estava a acabar a faculdade e queria ser eu. A palavra Wasted é absolutamente irónica. Andreia Sofia Silva

andreia.silva@hojemacau.com.mo


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5.7.2018 quinta-feira

COMÉRCIO BATALHA TECNOLÓGICA COM OS EUA PROSSEGUE A TODO O VAPOR

Guerra dos mundos As autoridades norte-americanas afirmaram ontem que vão permitir à gigante de telecomunicações chinesa ZTE que retome alguns dos seus negócios nos Estados Unidos. Por seu lado, um tribunal chinês proibiu a empresa norte-americana Micron Technology de vender 26 tipos de chips no país

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anúncio do Departamento de Comércio norte-americano faz parte de um acordo no qual a ZTE teve de pagar uma multa de mil milhões de dólares (860 milhões de euros) e substituir os seus executivos, depois de ter proibido as exportações de componentes destinados ao grupo. Com sede em Shenzhen, no sul da China, a ZTE é responsável pelo desenvolvimento da infra-estrutura 5G no país asiático e umas das maiores fabricantes de

‘smartphones’ do mundo, mas depende de tecnologia norte-americana, como microchips e o sistema operacional Android. A empresa chinesa pode a partir de agora fazer negócios com empresas norte-americanas, conseguindo assim assegurar o fabrico de telemóveis e dispositivos de segurança. Em Abril passado, A ZTE suspendeu a maior parte das suas operações, face à decisão de Washington de proibir as exportações de componentes para a empresa, devido a declarações

fraudulentas num inquérito sobre a investigação ao embargo imposto ao Irão e à Coreia do Norte. A empresa paga a fornecedores norte-americanos cerca de 1,8 mil milhões de dólares anualmente. A suspensão, em Abril, surgiu numa altura de crescentes disputas comerciais entre Pequim e Washington, suscitadas pela ambição chinesa no sector tecnológico. Washington acusou Pequim de obrigar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia em troca de acesso ao mercado

chinês e ameaçou subir os impostos sobre 90 por cento das exportações chinesas para o país.

MACRO-PROBLEMA

Um tribunal chinês proibiu a empresa norte-americana Micron Technology de vender 26 tipos de chips no país, devido à infracção de patentes denunciada pela sua competidora taiwanesa United Microelectronis Corp (UMC), anunciou ontem a última. A UMC, o segundo maior fabricante mundial de semicondutores, apre-

sentou em Janeiro queixa conta as filiais da Micron na China por violação dos direitos de patentes dos seus chips DRAM (Memória Dinâmica de Acesso Aleatório) e de memória flash NAND. Segundo um comunicado emitido ontem pela empresa, o Tribunal Popular Intermédio de Fuzhou, na província de Fujian, proibiu a Micron de vender aqueles dois produtos na China. A firma norte-americana, cuja parte importante das receitas é oriunda da

China, afirmou em comunicado que não recebeu “a ordem judicial preliminar mencionada nas declarações emitidas pela UMC” e que não faz comentários até receber o documento. Em Dezembro passado, a Micron processou a UMC nos EUA por violação dos direitos de propriedade intelectual dos seus chips DRAM. O caso ocorre numa altura de crescentes disputas comerciais entre Pequim e Washington, suscitadas pela ambição chinesa no sector tecnológico.

PUB HM • 2ª VEZ • 5-7-18

ANÚNCIO Execução Ordinária n.º

CV1-18-0047-CEO

1.º Juízo Cível

Exequente: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL DA CHINA (MACAU) S.A., matriculada na Conservatória dos Registos Comercial e Automóvel de Macau sob o n.º 610. -----------------------------------------------------------------------------------------------------Executados: 1. IP SENG CHIO, casado, de nacionalidade chinesa, titular do B.I.R.M., com última residência conhecida em Macau, Rua das Margoseiras, s/n.º - Complexo “One Oasis”, Torre II, Edifício “Red Wood Tower”, 10.º andar E, Coloane, ora ausente em parte incerta; e -----------------------------------------------------------------------------------2. IP LENG LENG, casada, de nacionalidade chinesa, titular do B.I.R.M., com última residência conhecida em Macau, Rua das Margoseiras, s/n.º - Complexo “One Oasis”, Torre II, Edifício “Red Wood Tower”, 10.º andar E, Coloane, ora ausente em parte incerta.------------------------------------------------------------------------------------------------*** -----FAZ-SE SABER que pelo Tribunal Judicial de Base da RAEM, correm éditos de TRINTA DIAS, contados a partir da segunda e última publicação do anúncio, citando os EXECUTADOS acima identificados, para, no prazo de VINTE DIAS, findo o dos éditos, pagar a dívida exequenda ao exequente no montante de MOP$4.217.651,70, juros e custas, ou nomear bens à penhora, ou, querendo, deduzir oposição à execução no mesmo prazo, sob pena de ser ordenada a penhora dos bens hipotecados, tudo como melhor consta da petição inicial, cujo duplicado se encontra nesta secretaria à disposição do citando. ----------------------------------------------------------------------------------------------E ainda que é obrigatória a constituição de advogado caso seja deduzida oposição (art. 74.º do C.P.C.). --------------------------------------------------------------------------------------Tribunal Judicial de Base da R.A.E.M., 26 de Junho de 2018.---------------------------***

TRANSPORTES ACCIONISTA CHINÊS DA TAP DIZ QUE PRESIDENTE MORREU APÓS QUEDA

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ANG Jian, presidente e cofundador do grupo chinês HNA, accionista da TAP através do consórcio Atlantic Gateway, morreu após uma queda, durante uma viagem de negócios a França, divulgou ontem a empresa. O empresário de 57 anos foi uma das figuras-chave na expansão do HNA, um dos maiores grupos privados chineses e um dos principais visados das advertências das autoridades chinesas sobre “investimentos irracionais” no estrangeiro, que podem “acarretar riscos” para o sistema financeiro do país. Em Portugal, a empresa tem uma participação na Atlantic Gateway, consórcio que detém 45 por cento da TAP. Uma das suas

subsidiárias, a Capital Airlines, inaugurou em Julho de 2017 o primeiro voo directo entre a China e Portugal. O grupo tem ainda importantes participações em firmas como a Swissport ou o Deutsche Bank. A morte de Wang surge numa altura em que a empresa se está a desfazer de activos, visando resolver os seus problemas de liquidez e altos custos de financiamento. Só este ano, o HNA vendeu mais de 14 mil milhões de dólares (12 mil milhões de euros) em activos. Com uma participação de cerca de 15 por cento, Wang era um dos maiores accionistas do grupo. O outro cofundador, Chen Feng, também detém 15 por cento da empresa.

TECNOLOGIA BAIDU ANUNCIA PRODUÇÃO EM MASSA DO PRIMEIRO AUTOCARRO AUTÓNOMO

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gigante tecnológico chinês Baidu anunciou ontem que começou a produção em massa do primeiro autocarro totalmente autónomo e em operação comercial da China. Equipado com o Apollo 3.0, a mais recente versão da plataforma aberta do Baidu para condução autónoma, o Apolong vai circular na China e no exterior, disse o presidente e CEO Robin Li no Baidu Create 2018, a conferência anual da companhia para pesquisa de inteligência artificial (IA). O veículo tem capacidade para fazer manobras sem motorista O autocarro será inicialmente usado em situações de last-mile (última etapa do transporte) em lugares turísticos, aeroportos e outras áreas fechadas. O Apolong é desenvolvido em parceria com a fabricante de autocarros chinesa King Long

e começará a operação comercial em diversas cidades como Pequim, Shenzhen, Xiongan, Wuhan e Pingtan. A produção dos veículos atingiu as 100 unidades na fábrica em Xiamen, na província de Fujian, segundo Li. “Este ano marca o primeiro ano da comercialização para a condução autónoma. A partir da produção em massa do Apolong, podemos ver verdadeiramente que a condução autónoma está a dar grandes passos, levando a indústria de zero a um (de algo totalmente novo a um crescimento intensivo)”, disse Li. O Baidu também está também atento aos mercados do exterior. A companhia fez uma parceria com a King Long e SB Drive, subsidiária em condução autónoma da japonesa SoftBank, para levar o Apolong para cidades nipónicas como Tóquio no início de 2019. A gigante tecnológica também apresentou o Kunlun, o primeiro chip chinês de IA em nuvem, projectado para acomodar requisitos de alto desempenho de uma ampla variedade de cenários da IA, como centros de dados, nuvens públicas e veículos autónomos.


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quinta-feira 5.7.2018

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M parceria com a NISMO, o braço da competição da Nissan, a equipa KCMG vai inscrever três novos Nissan GT-R NISMO GT3 na prova do Circuito da Guia. A equipa de Hong Kong que já venceu a classe LMP2 das 24 Horas de Le Mans participa esta temporada com dois carros da marca nipónica no campeonato Blancpain GT Series Asia. A formação liderada no terreno pelo japonês Ryuji Doi não confirmou os seus pilotos, mas é provável que a escolha recaia em dois pilotos da sua formação do Blancpain GT Series Asia e num piloto nomeado pela NISMO Motorsport. Alexandre Imperatori, Florian Strauss, Tsugio Matsuda e Edoardo Liberati são os pilotos da equipa do empresário e ex-piloto Paul Ip na competição asiática da SRO. “Nós não somos novatos em Macau, tendo colocado carros a correr em diversas categorias anteriormente, mas a nossa parceria oficial com a NISMO permite-nos embarcar numa outra excitante oportunidade”, afirmou o responsável japonês. Esta não será a estreia da NISMO na corrida de GT do Grande Prémio de Macau, pois em 2014, um Nissan GT-R

AUTOMOBILISMO NISSAN CONFIRMA PRESENÇA NA TAÇA DO MUNDO DE GT

A primeira marca

A Nissan foi o primeiro construtor a confirmar a presença na edição deste ano da Taça do Mundo FIA de GT que decorrerá dentro do programa do 65º Grande Prémio de Macau. Esta será a primeira participação do construtor nipónico na Taça do Mundo da federação internacional NISMO GT3 privado participou naquela que ainda era apenas chamada Taça Macau GT. Contudo, o maior sucesso da marca na prova remonta a 1990, quando um R32 conduzido por Masahiro

Hasemi venceu a célebre Corrida da Guia.

MESMOS MOLDES DO PASSADO

Apesar da Nissan ter sido por agora o único construtor a confirmar

a sua presença na Taça do Mundo, há duas semanas, em entrevista à Rádio Macau, Domingos Piedade disse que Mercedes AMG planeava voltar em Novembro com Edoardo Mortara, vencedor

da edição transacta, e Daniel Juncadella. Igualmente é esperada a presença oficial da Audi, cujos responsáveis continuam a considerar esta corrida como “uma mais valia” para promover os seus produtos no continente asiático. BMW, Honda e Porsche poderão também fazer-se representar em parceria com equipas da região, a exemplo do ano passado. A prova de GT voltará este ano a estar limitada a 25 inscrições, sendo que apenas pilotos classificados pela FIA como “ouro” e “platina” estão autorizados a participar. O programa será igual ao ano passado, com uma corrida de qualificação no sábado e a corrida decisiva de 18 voltas no domingo. O evento deverá começar com a tradicional exposição na Praça Tap Seac uma semana antes. As inscrições para esta corrida abriram no dia 29 de Junho e só encerram a 31 de Agosto. Um comité de selecção irá depois escolher os participantes até ao dia 5 de Setembro, seguindo-se o período de registo, e só depois estes serão dados a conhecer ao público em geral. Sérgio Fonseca

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Mundial de F1 Director da McLaren demite-se O director de corrida da equipa de Fórmula 1 da McLaren, Eric Boullier, apresentou a demissão, anunciou ontem a escuderia britânica, que lamentou o desempenho modesto no Campeonato do Mundo de 2018 da categoria rainha do desporto automóvel. “O desempenho do [monolugar] MCL33 em 2018 não está a corresponder às expectativas criadas no seio da McLaren e em especial dos nossos fiéis adeptos”, explicou Zak Brown, ‘patrão’ da McLaren, que ocupa o sexto lugar na classificação dos construtores Mundial de F1.Os pilotos da

equipa britânica, o espanhol Fernando Alonso e o belga Stoffel Vandoorne, não subiram uma única vez ao pódio em nove corridas já realizadas neste ano, tendo como melhor resultado o quinto lugar obtido por Alonso na prova de abertura, na Austrália. Boullier desempenhava desde 2014 as funções de director desportivo da McLaren, que ficou fora dos cinco primeiros classificados do Mundial de construtores nos últimos três anos, mas a troca do fornecedor de motores da Honda para a Renault criou expectativas que ainda não se confirmaram.

Ciclismo Domingos Gonçalves sobe ao topo do ‘ranking’ nacional Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) subiu ontem à liderança do ‘ranking’ da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais (APCP), depois de, em Junho, se ter sagrado campeão nacional de fundo e de contra-relógio. Terceiro no

final de Maio, o ciclista de Barcelos subiu agora à liderança da hierarquia, graças aos títulos alcançados em Belmonte. Na segunda posição mantém-se Jóni Brandão (Sporting-Tavira), segundo na prova de fundo dos Nacionais, seguido de Luís Men-

donça (Aviludo-Louletano) e de Daniel Mestre (Efapel), que caiu da primeira para a quarta posição. Por equipas, a Sporting-Tavira ascendeu à liderança, à frente da Rádio Popular-Boavista, enquanto a W52-FC Porto caiu da liderança para o lugar mais baixo do pódio.

Anúncio 【N.º 201807-1】 Torna-se público que, nos termos do artigo 29.º do Regulamento Administrativo n.º 5/2014 (Regulamentação da Lei do planeamento urbanístico), a DSSOPT vai proceder-se à recolha de opiniões dos interessados e da população respeitantes aos projectos de Planta de Condições Urbanísticas (PCU) elaborados para as zonas não abrangidas por plano de pormenor mas inseridas nos lotes abaixo indicados: ─ Processo N.º: 85A026, Terreno junto à Travessa Segunda do Pátio do Espinho—Macau; ─ Processo N.º: 87A303, Beco dos Coulaus nos 4-6—Macau ; ─ Processo N.º: 92A116, Rua das Estalagens no 57 e Beco da Pinga nos 4-4A—Macau; ─ Processo N.º: 2016A040, Rua do Almirante Sérgio nos 122-144, Travessa dos Armazéns no 2 e Rua do Dr. Lourenço Pereira Marques nos 89-103—Macau; ─ Processo N.º: 2017A055, Terreno junto à Travessa do Petróleo e Travessa do Gelo—Macau; ─ Processo N.º: 2018A018, Terreno situado na Zona A das Novas Zonas Urbanas, Lote C4—Macau; ─ Processo N.º: 2018A043, Estrada da Vitória no 28B—Macau; ─ Processo N.º: 2018A046, Terreno situado na Zona A das Novas Zonas Urbanas, Lote C1—Macau; ─ Processo N.º: 2018A047, Terreno situado na Zona A das Novas Zonas Urbanas, Lote C2—Macau. Para efeitos de referência, os projectos de PCU para as zonas dos lotes supracitados que não estão abrangidas por plano de pormenor já estão disponíveis para consulta no Departamento de Planeamento Urbanístico, situado na Estrada de D. Maria II n.º 33, 19º andar, Macau, e encontram-se afixados na Rede de Informação de Planeamento Urbanístico desta Direcção de Serviços (http://urbanplanning.dssopt.gov.mo). O período de recolha de opiniões tem a duração de 15 dias e decorre entre 5 de Julho de 2018 e 19 de Julho de 2018. Caso os interessados e a população queiram apresentar as opiniões sobre os referidos projectos de PCU de zona do território não abrangida por plano de pormenor, deverão preencher o formulário O011,o qual pode ser descarregado nos websites http://urbanplanning.dssopt.gov.mo ou www.dssopt.gov.mo, ou levantado nesta Direcção de Serviços (Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau), podendo submetê-lo no período de recolha de opiniões através dos seguintes meios: ─ Comparecendo pessoalmente: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau, durante o horário de expediente nos dias úteis ─ Correio: Estrada de D. Maria II n.º 33, Macau (o prazo limite de entrega é contado a partir da data de envio indicada no carimbo do correio) ─ Fax: 2834 0019 ─ Email: pcu@dssopt.gov.mo Serão consideradas as opiniões respeitantes aos projectos de PCU de zona do território não abrangida por plano de pormenor elaborados para os lotes, quando forem apresentadas de acordo com as exigências acima indicadas. Para mais informações podem pesquisar o website http://urbanplanning.dssopt.gov.mo e para qualquer informação adicional queiram contactar o Centro de Contacto desta Direcção de Serviços (8590 3800). Macau, aos 2 de Julho de 2018 O Director da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes Li Canfeng


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5.7.2018 quinta-feira

Perdi-me dentro de mim. Porque eu era labirinto

A Poesia Completa de Li He

老夫采玉歌 采 玉 采 玉 須 水 碧 , 琢 作 步 搖 徒 好 色 。 老 夫 饑 寒 龍 為 愁 , 藍 溪 水 氣 無 清 白 。 夜 雨 岡 頭 食 蓁 子 , 杜 鵑 口 血 老 夫 淚 。 藍 溪 之 水 厭 生 人 , 身 死 千 年 恨 溪 水 。 斜 山 柏 風 雨 如 嘯 , 泉 腳 掛 繩 青 裊 裊 。 村寒白屋念嬌嬰,古台石磴懸腸草。

Canção do Velho Caçador de Jade 1 Caçando jade! Caçando jade! Só esmeraldas cristalinas servem2 Para cortar a fria donzela, Só elas encherão o olho. Para um velho faminto e frio, Que até os dragões devem lamentar, As água nevoentas do Rio Indigo,3 Nem límpidas nem brancas. Em noites chuvosas, na crista de um monte, Janta avelãs, Sangue que jorra do bico de um cuco As lágrimas de um velho.4 As águas do Rio Indigo tumefactas Com vidas humanas; Homens que há mil anos morreram Ainda detestam estas torrentes. Uma encosta escarpada, vento no cipreste, Assobio de chuva – De rochas gotejantes suspenso numa corda, Verde encaracolando e voltejando, Aldeia fria, choupana banca de colmo – Inquieta-se pelas crianças que ama, Em antigos socalcos, degraus de pedra, A erva do Coração Desfeito.

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Esta é uma balada de protesto social ao estilo popularizado por Bo Ju-yi, Yuan Zhen e outros. Um dos tipos de jade preferidos na dinastia Tang. No Campo Indigo (Lan tian), nas montanhas de Shaanxi, se extraía o melhor jade (na verdade, um tipo de mármore verde e branco). O cuco (que se acreditava ser a alma de um imperador banido) chora de dia e de noite durante o Verão até, diz a lenda, lhe correr sangue do bico.

Tradução de Rui Cascais • Ilustração de Rui Rasquinho Li He (790 a 816) nasceu em Fu-chang durante a Dinastia Tang, pertencendo a um ramo menor da casa imperial. A sua morte prematura aos vinte e sete anos, a par da escassez de pormenores biográficos, deixam-nos apenas com uma espécie de fantasma literário. A Nova História dos Tang (Xin Tang shu) diz-nos que He “nunca escrevia poemas sobre um tópico específico, forçando os seus versos a conformarem-se ao tema, como era prática de outros poetas [...] Tudo quanto escrevia era inquietantemente extraordinário, quebrando com a tradição literária.” Segundo um crítico da Dinastia Song, o alucinátorio idioma poético de Li He é a “linguagem de um imortal demoníaco.” A versão inglesa de referência aqui usada é a tradução clássica da autoria de J.D. Frodsham, intitulada Goddesses, Ghosts, and Demons, publicada em São Francisco, em 1983, pela North Point Press.


ARTES, LETRAS E IDEIAS 13

quinta-feira 5.7.2018

diários de próspero António Cabrita

Séries & os malogros de Deus 02/07/18

Sou arredio à televisão e na generalidade às séries. A última que vi com agrado foi True Detective. A primeira temporada – já não espreitei as seguintes. Porém, como até em casa que não pratica a televisão tal frenesim chega, tive de trazer de Lisboa, gravadas sob encomenda, uma caterva de séries para a minhas filhas. Este fim de semana espreitei uma das três que gentilmente, sem eu ter pedido, gravaram para mim: Homeland, que anda em torno do terrorismo e do regresso dos prisioneiros políticos de Al-Qaeda e cujos heróis são agentes da CIA. E papei a primeira temporada inteira, doze episódios em dois dias. Gostei. Enredos bem estruturados, com personagens e diálogos adultos e, como é normal, bem ritmado. Contudo, ao dar o mau passo de ver a segunda temporada percebi como por intratável inverosimilhança a coisa baqueava. O que era qualitativo na primeira temporada era a plausibilidade humana. Na segunda temporada a lógica narrativa já é totalmente televisiva, impõe-se o esquema da dramatização (o espectáculo acima de tudo) e o inesperado é o que rege a acção; pior, com uma causalidade sempre justificada ao posterior (- é o dispositivo de Eurípedes convertido em matéria televisiva). Além disso, as personagens começam a caricaturar-se e a reflectir um mundo maniqueu e em derrapada islamofobia. Tivesse a série acabado no 12º episódio, com tudo em aberto, e seria perfeita. Depois a lei do mercado arrasa tudo. Para além da débacle moral: os terroristas e os supostos defensores do Bem são cegos prisioneiros da mesma teia de aranha, num mundo embutido no friso cinismo dos líderes e de profunda raiz escatológica, pois escava fundo a ideia de que um mundo manietado por gente tão feia é melhor que acabe. Duas coisas compreendi: primeiro, como Séneca tem razão ao alvitrar que pobres não são aqueles que têm pouco mas antes os que necessitam de muitas coisas, pois é uma intensidade emocional aditiva absolutamente artificial a que nos leva a não conseguir largar o osso na sucessão de episódios de uma série, seja qual for o lixo que se vai alastrando nas nossas retinas. É mais fácil criar dependência do que dispensá-la. Segundo, o romance está condenado a sobreviver como uma estética gourmet, tal como o livro, e vocacionados para franjas do mercado. Sobretudo nas sociedades em que o dogma da comunicação e da sua suposta instantaneidade foi substituindo o mais árduo valor da transmissão do conhecimento. A transmissão supõe uma inacabável aprendizagem de códigos

sucessivos, o que exige um maior labor hermenêutico, enquanto a ilusão da transparência comunicacional faz parte de uma sociedade em que o sentido é gradualmente preterido pela performance e a reverberação da presença. O romance é um veículo narrativo por excelência do primeiro regime e a televisão do segundo. Daí que a literatura se veja hoje sob pressão de uma novelização crescente, que a modela como avatar pré-filmico, o que acontece já a oitenta por cento dos romances que se publica. É impossível a um romance fornecer em cinquenta minutos o mesmo volume de informação e obter uma igual densidade de efeitos emocionais. Até porque um bom romance não visa preferencialmente o tabuleiro das emoções e quer igualmente partilhar o jogo da inteligência: que por exemplo o leitor se aperceba dos actos de linguagem. Numa boa série televisiva ou num bom filme a linguagem é apenas veículo formal e quanto mais invisível melhor – o Godard foi uma excepção. Há, por outro lado, uma competência

artesanal nestes produtos que “parece” substituir com vantagem os recursos expressivos da narrativa literária – quando os domínios da literatura, os seus meandros e objectivos, não se esgotam na trama e visam uma especificidade inabordável por qualquer outro modo. Um bom romance, por fim, dado que não se limita ao factor da identificação, pressupõe um encontro com o leitor de recorte mais apurado do que a mera “atenção distraída” que dedicamos à televisão. Já para não falar da desonestidade de se começar com um registo ficcional, para agarrar o espectador, e a meio do processo se alterarem as regras do jogo para se explorar unicamente os mecanismos certos para o êxito. Mas, enfim, estes são pruridos que já a ninguém interessa, desde que se ofereça um suposto bom espectáculo. Vendo esta série lembrei-me de um reparo feito por Abel Barros Baptista ao mais recente romance português. Dizia o ensaísta que dantes os ficcionistas reflectiam uma experiência de vida e que agora os romances lhe pareciam aplainados e semelhantes uns aos outros porque espe-

O romance é um veículo narrativo por excelência do primeiro regime e a televisão do segundo. Daí que a literatura se veja hoje sob pressão de uma novelização crescente, que a modela como avatar pré-filmico, o que acontece já a oitenta por cento dos romances que se publica

lhavam a mera experiência de espectador dos seus autores. Concordo em absoluto.

03/07/18

A natureza é muito mais perfeita do que Deus, sobretudo nas oportunidades humanas que os seus erros propiciam. Em Mary Shelley, o filme, não faltam as escorregadelas, mas dá um retrato vivo de um drama de género que devia ser mais ponderado. A Percy Shelley, o poeta romântico com quem Mary se envolve até à morte dele, apaixonam-no a inteligência e o talento dela mas, contraditoriamente, mostrou-se incapaz de empatia e de superar a mentalidade da sua época. E aceitou prefaciar Frankenstein (romance que devido aos preconceitos sobre as mulheres não podia ser assinado pela autora, obrigada a anonimato), mesmo sob o preço de erroneamente passar por autor do livro escrito pela sua amante. O que constituiu um vexame para ela. Numa das lojas do prédio da minha infância havia um merceeiro que nascera hermafrodita. O sr. Virgílio foi educado como menina até aos doze anos, quando se denunciou o desenvolvimento do seu verdadeiro sexo. Dizia a dona Luísa, sua esposa, que vivia nas sete quintas porque o marido entendia perfeitamente as mulheres. O dom que lhe dotara aquela partida da natureza. Julgo que, se nascêssemos todos hermafroditas para só nos definirmos mais tarde, ganhávamos em empatia e numa relação interpessoal mais consentânea e além género. Deus não, situa-se aquém da ideologia, enquadrado na pauta da cultura que o moldou.


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DOCUMENTÁRIO “SPELL REEL” – FESTIVAL CINEMA ENTRE CHINA E PALOP Cinemateca Paixão | 19h30

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INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “AIYA” Casa Garden | 17h30

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C I N E M A

JURASSIC WORLD: FALLEN KINGDOM SALA 1

Anne Hathaway, Mindy Kaling 19.30

Um filme de: Peyton Reed Com: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Douglas 14.30, 16.45, 19.15, 21.30

SALA 3

SALA 2

SHOPLIFTERS [C] FALADO EM JAPONÊS LEGENDADO EM CHINÊS E INGLÊS Um filme de: Kore-eda Hirokazu Com: Lily Franky, Ando Sakura, Matsuoka Mayu, Kiki Kilin 14.30, 16.45, 21.30

OCEAN’S EIGHT [B] Um filme de: Gary Ross Com: Sandra Bullock, Cate Blanchett,

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ESCAPE PLAN 2: HADES [C] Um filme de: Steven C. Miller Com: Sylvester Stallone, Dave Bautista, Huang XiaoMing 14.30, 21.30

Escolhi o “The Night” quando na realidade quero sugerir toda a discografia de Morphine. Ontem fez 19 anos que Mark Sandman deixou o mundo mais pobre em poesia, música e órfão daquele amor indizível a tudo o que é belo e puro. Para traz deixou uma discografia que se lamenta interrompida, mas vasta em originalidade e génio. Quem nunca ouviu Morphine precisa largar tudo o que está a fazer neste momento e entregar-se ao baixo de duas cordas tocado com slide de Mark Sandman, aos saxofones de Dana Colley e as baterias de Billy Conway e Jerome Deupree. Largar tudo e beber de penalty toda a discografia desta banda impar e brindar comigo à melhor cura para a dor. João Luz

JURASSIC WORLD: FALLEN KINGDOM [B] Um filme de: J.A. Bayona Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, BD Wong, Jeff Goldblum 16.30, 19.00

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UM DISCO HOJE

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SOLUÇÃO DO PROBLEMA 6

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10esqueço-me daquilo que Às vezes gosto em Macau. Mas, felizmente, há dias que me recordam disso. Gosto de poder andar na rua, passar pela baixa da Taipa e perceber os tijolos cinzentos de um ou outro templo, ver altares com várias divindades, juntas e iluminadas pela luz, rara, das manhãs. Gosto de perceber outra vez a diferença dos mundos de onde vim e deste onde estou. Mas, essencialmente, gosto de gostar dele, da riqueza que me traz ao olhar e à perspectiva. Do leque alargado de possibilidades que me proporciona. De ver as sombrinhas para proteger do sol e da chuva. Dos modelitos que nunca conceberia ver e que se passeiam entre selfies e passadeiras. Do incenso que se sente aqui 8 12 e acolá. Do contraste a que se pode chegar. Das flores de lótus num largo esquecido e da Zaha Hadid renascida do outro lado. Gosto das bicas e croissants ao lado dos diversos estabelecimentos de comida onde miúdos muito pequenos dominam os pauzinhos para os noodles matinais. Dos uniformes e puchinhos das crianças a caminho da escola com aqueles olhos de azeitona. Das empregadas, estrangeiras, que me permitem imaginar outros lugares. Das línguas que fazem parte do quotidiano sem identificar uma palavra. Gosto desta aparente normalidade do mundo. Sofia Margarida Mota

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Hoje 3 SERÕES COM HISTÓRIAS – “PEIXE

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opinião 15

quinta-feira 5.7.2018

bairro do oriente

Agir localmente, pensar no mundial

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UE pena, a eliminação de Portugal do mundial de 2018, na Rússia, não foi? Mais um campeonato do mundo que se esfuma dos horizontes da nossa ambição. Quer dizer, deu para o que deu, e no fim perdemos com um adversário valoroso; o Uruguai é muito boa equipa, e faz lembrar a Itália, mas em bom. Antes desta partida ainda tivemos o França-Argentina, que se saldou numa vitória por 4-3 a favor dos gauleses. Tem sido um mundial muito emocionante, e até agora só uma partida terminou como começou, em zero-zero (o França-Dinamarca, na fase de grupos). Promete, o jogo entre os quartos-de-final amanhã em Novgorod, entre franceses e uruguaios. Aproveitei as noites em branco do futebol para arejar, também, agora numa fase de pré-férias. Depois da derrota das cores nacionais, na madrugada de Domingo, fui ver o sol nascer ao Miradouro da Penha – não me perguntem porquê. Local aprazível, aquele. Localizado ao cimo da Colina da Penha, mesmo debaixo da ermida com o mesmo nome, é um lugar aberto, refrescante, com uma paisagem magnífica, com vista para o Lago e Ponte Nam Van, e a torre de Macau. Por volta das seis e picos dá para escutar um verdadeiro recital de música gentilmente chilreada pelos passarinhos. Um deleite. Contudo, e apesar de ser um local isolado, ao ar livre e fechado ao trânsito, não se pode lá fumar. Nem nos banquinhos muito catitas ali colocados dá para, como se diz em chinês, “conversar com o cigarro”. A estranha paranóia higienista que grassa em Macau, que leva a que se pintem “smoke free areas” à volta das paragens dos autocarros e esconda os cigarros nos supermercados, como se fosse material pornográfico, tem destas coisas. Mas rola a bola, e no Domingo tivemos mais dois encontros dos oitavos-de-final do mundial, ambas decididas nos desempates dos pontapés da marca de grande penalidade. Melhores nesse particular estiveram a Rússia, que eliminaram a Espanha, levando “nuestros hermanos” a fazer o mesmo caminho de volta a casa que fizemos no dia anterior. Não estiveram muito bem para os pergaminhos que ostentam, para ser sincero. Mais tarde foi a vez da Croácia, uma das boas equipas em prova, fazer o mesmo com o reino da Dinamarca. Russos ou croatas, um deles, vão estar nas meias-finais. O que se pode considerar uma surpresa relativamente agradável. Com tudo isto, entre o Sábado e o Domingo e os sonos que andam trocados, passou-me a lado uma (Grande! Enorme!) manifestação realizada no território, contra a construção de um crematório na ilha da Taipa, “onde vive muita gente” (a sério, isto foi usado como argumento). É um tema sensível, sem

WILLIAM “BILL” DUNN

LEOCARDO

dúvida. Toda a gente quer o metro ligeiro, desde que ele não passe à sua porta, assim como toda a gente acha que um crematório é necessário, mas de preferência o mais longe possível. O que ninguém quer é ter pessoas a entrarem-lhes literalmente pela janela. Passo o apontamento de humor negro. Chega a segunda-feira, voltamos às lides profissionais, mas lá se arranja maneira de dormir como se pode até à noite, hora dos jogos do mundial. E nesse dia tivemos o Brasil a vencer o México por 2-0, com o craque-malabarista-

-mergulhador Neymar a garantir que havia ali hora e meia bem passada. Mais tarde tivemos o Bélgica-Japão, e apesar dos belgas quase terem ficado com os olhos em bico (desculpem, a sério...), conseguiram ganhar com um golo no último minuto, consumando uma reviravolta espectacular. O escrete para mim é o grande favorito no jogo dos quartos, a mas a Bélgica é um osso duro de roer. Ontem, e antes da dose dupla de futebol à noite, tivemos uma tragédia a assinalar. Em Macau, na zona norte da cidade, re-

É muito triste, ainda mais tendo que em conta que a morte a lamentar foi a de alguém que fazia pela vida, numa cidade onde há cada vez menos espaço, e este vale cada vez mais (vale, mesmo?). Não surpreende portanto que não haja nem espaço para o gás respirar, quanto mais nós. Botijas umas em cima das outras, e pouco tijolo à sua volta

bentou uma botija de gás num restaurante, causando uma vítima mortal, e ainda dois feridos. É muito triste, ainda mais tendo que em conta que a morte a lamentar foi a de alguém que fazia pela vida, numa cidade onde há cada vez menos espaço, e este vale cada vez mais (vale, mesmo?). Não surpreende portanto que não haja nem espaço para o gás respirar, quanto mais nós. Botijas umas em cima das outras, e pouco tijolo à sua volta. E depois disto tivemos o Suécia-Suíça e o Inglaterra-Colômbia, com suecos e ingleses a garantirem cada um o seu bilhete para os quartos-de-final. Continuará a Suécia, uma equipa muito arrumadinha, por sinal, a surpreender? Ou “is it coming home?” – os ingleses e os aficionados do desporto-rei entendem esta, com toda a certeza. Com mais um Verão muito quente e molhado aqui em Macau e as tais férias que nunca mais chegam. Vai-nos valendo o mundial de futebol.


Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo. Oscar Wilde

PALAVRA DO DIA

UE Macron pede solução conjunta para migrações entre Europa e África

O Presidente da França, Emmanuel Macron, apelou ontem à África e à Europa que construam uma solução conjunta e duradoura na questão dos imigrantes, ao discursar para 300 jovens empreendedores no segundo dia da sua visita à Nigéria. Macron detalhou a sua visão da “crise dos imigrantes”, que actualmente está a abalar a União Europeia e que terá que ser resolvida “a longo prazo” em África. “Nós devemos resistir às emoções a curto prazo (…) e trabalhar com os Governos africanos”, disse Emmanuel Macron em Lagos. “A resposta duradoura é construir um futuro melhor” nos países africanos, como no Senegal, na Costa do Marfim ou na Nigéria, onde aos jovens falta “oportunidades económicas”, referiu. Para o Presidente francês, “a Europa não pode aceitá-los, não a todos”, assim, é necessário “que os africanos tenham sucesso em África”. Emmanuel Macron reiterou a necessidade de controlar a demografia em países onde as mulheres “têm sete, oito filhos” e na luta “contra os traficantes”, que “têm ligações estreitas com terroristas” activos no Sahel.

Malásia Ex-governante vai responder por abuso de confiança

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O ex-primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, vai responder por três acusações de abuso de confiança, decidiu ontem um tribunal de primeira instância da Malásia, num caso de corrupção que envolve o desvio de um fundo de investimento estatal. O ex-primeiroministro arrisca uma pena máxima de 20 anos de prisão por cada acusação. O procurador decidiu transferir o processo para o Supremo Tribunal de Justiça, devido à gravidade do caso. Najib Razak chegou ontem a um tribunal de Kuala Lumpur para enfrentar acusações decorrentes de uma investigação de corrupção, dois meses depois do escândalo que levou à sua derrota eleitoral. Najib foi preso na terça-feira por uma transferência suspeita de 42 milhões de ringgit (8,1 milhões de euros) para as suas contas bancárias a partir da SRC International, uma antiga unidade do fundo de investimento estatal que, segundo investigadores norte-americanos, foi desviado por associados de Najib. O ex-primeiroministro arrisca uma pena máxima de 20 anos de prisão por cada acusação. Najib, de 64 anos, nega qualquer irregularidade e acusou o novo Governo de procurar “vingança política”.

quinta-feira 5.7.2018

UE Bruxelas investe 23,5 milhões de euros na Palestina

A União Europeia (UE) anunciou ontem um plano de investimento de 23,5 milhões de euros para ajudar o desenvolvimento económico na Palestina e reforçar o investimento privado no território. Segundo um comunicado, uma economia sustentável é um factor chave para a estabilidade em Gaza e na Cisjordânia, pelo que a UE adoptou, no âmbito do plano de financiamento, programas de desenvolvimento no valor de 23,5 milhões de euros destinados a promover o crescimento económico e a desenvolver um ambiente mais propício a negócios. A verba será usada para assegurar um consumo energético eficiente, bem como produção energética fiável. A UE nota ainda que as restrições à circulação de pessoas e bens, a elevada taxa de desemprego e a crescente procura de energia são factores que desencorajam investidores estrangeiros na Palestina.

Fukushima 2.0 Aprovada reactivação de central nuclear depois do tsunami de 2011

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regulador nuclear japonês iniciou ontem o primeiro passo para a reactivação de uma central nuclear com quase 40 anos no Japão, afectada pelo terramoto e ‘tsunami’ de 2011 que desencadeou a crise nuclear de Fukushima. A Autoridade de Regulação Nuclear do Japão deu ontem ‘luz verde’ para aumentar a vida útil da central nuclear de Tokai Daini, situada a 130 quilómetros a nordeste de Tóquio, na prefeitura de Ibaraki, contudo esta ainda terá de passar as próximas duas avaliações do regulador e obter as autorizações necessárias das autoridades locais. Em 11 de Março de 2011, um terramoto de magnitude 9 na escala aberta de Ritcher e o posterior ‘tsunami’ arrasaram a região de Tohoku e causaram também na central de Fukushima Daiichi o pior aci-

dente nuclear desde Chernobil (Ucrânia), em 1986. A central de Tokai Daini sofreu um apagão automático de emergência depois do tsunami que causou mais de 18 mil mortos e desaparecidos. Dois dos três geradores de energia de emergência da central de Tokai Daini mantiveram-se operacionais e permitiram o arrefecimento do reactor nos dias a seguir ao desastre. A central, que foi desactivada depois do acidente, fez parte do apagão nuclear do Japão que se prolongou durante os anos seguintes à crise de Fukushima. Depois do acidente, o regulador nuclear japonês reforçou as regras e procedimentos de segurança, que em princípio proíbem o funcionamento de reactores com mais de 40 anos. Segundo o regulador nuclear, entre as medidas apresentadas pela proprietária da central, a Ja-

pan Atomic Power, encontra-se o reforço das fontes de energia e a construção de diques costeiros, de modo a prevenir possíveis tsunamis com ondas de cerca de 17 metros. A companhia proprietária da central não apresentou nenhum plano de evacuação em caso de emergência, o que afectaria cerca de 960.000 habitantes da área metropolitana japonesa. A central recebeu ontem a primeira autorização, mas terá ainda de obter as aprovações seguintes nas duas avaliações a realizar pelo regulador em Novembro, quando a central completar 40 anos. Tokai Daini também necessita de receber a autorização das autoridades municipais para iniciar as operações, o que não irá acontecer até 2021, ano em que se estima que as novas medidas de segurança estejam implementadas na sua totalidade.

EUA Merkel garante que UE fará tudo para evitar guerra comercial

A chanceler alemã, Angela Merkel, garantiu ontem que a União Europeia fará todos os esforços para evitar uma guerra comercial com os Estados Unidos, mas sublinhou que Washington precisa de participar neste esforço. A administração do presidente Donald Trump impôs tarifas sobre as importações de aço e alumínio da UE e está a equacionar acrescentar tarifas à importação a carros, camiões e peças para automóveis. A este respeito, Merkel afirmou ontem, no parlamento alemão: “Vale a pena cada esforço para tentar desarmar este conflito para que ele não se transforme numa guerra real, mas é claro que há dois lados nisto”. A governante acrescentou que o bom funcionamento da economia mundial depende de os países trabalharem juntos como parceiros. Os EUA também estão a pressionar a Alemanha sobre o que consideram gastos insuficientes com a defesa. Merkel, sobre esta matéria, disse que “a Alemanha é um parceiro fiável na NATO”.


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Hoje Macau 5 JUL 2018 #4085 by Jornal Hoje Macau - Issuu